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Numero do processo: 10680.015946/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2007
Nos termos do art. Art. 103A
da Constituição Federal, a Súmula aprovada
pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre
matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais
órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta,
nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial.
Em conformidade com reiterada jurisprudência do E. STJ, em sede de
recursos repetitivos, com fulcro no art. 543C
do CPC, constatado que não
houve pagamento parcial, o prazo decadencial contase
do primeiro dia do
exercício seguinte ao qual poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I,
do CTN, sendo aplicável o prazo de cinco anos, contados da data do fato
gerador, nas competências em que foram constatados pagamentos parciais,
nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Esse entendimento é de aplicação
obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A
do RICARF.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF.
APLICAÇÃO.
Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a
inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que abrange,
inclusive os fatos geradores ocorridos sob à égide da EC nº 20, de 15 de
dezembro de 1998, deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo CARF,
nos termos do art. 62, § único, inciso I, do RICARF,
de modo a excluir da
base de cálculo do PIS e da Cofins receitas financeiras, as quais não
decorrem de seu faturamento.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2007
Nos termos do art. Art. 103A
da Constituição Federal, a Súmula aprovada
pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre
matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais
órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta,
nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial.
Em conformidade com reiterada jurisprudência do E. STJ, em sede de
recursos repetitivos, com fulcro no art. 543C
do CPC, constatado que não
houve pagamento parcial, o prazo decadencial contase
do primeiro dia do
exercício seguinte ao qual poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I,
do CTN, sendo aplicável o prazo de cinco anos, contados da data do fato
gerador, nas competências em que foram constatados pagamentos parciais,
nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Esse entendimento é de aplicação
obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A
do RICARF.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF.
APLICAÇÃO.
Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a
inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que abrange,
inclusive os fatos geradores ocorridos sob à égide da EC nº 20, de 15 de
dezembro de 1998, deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo CARF,
nos termos do art. 62, § único, inciso I, do RICARF,
de modo a excluir da
base de cálculo do PIS e da Cofins receitas financeiras, as quais não
decorrem de seu faturamento.
Recurso de Ofício Negado Provimento e Recurso Voluntário Parcialmente
Provido.
Numero da decisão: 3301-001.512
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2007 Nos termos do art. Art. 103A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. Em conformidade com reiterada jurisprudência do E. STJ, em sede de recursos repetitivos, com fulcro no art. 543C do CPC, constatado que não houve pagamento parcial, o prazo decadencial contase do primeiro dia do exercício seguinte ao qual poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN, sendo aplicável o prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador, nas competências em que foram constatados pagamentos parciais, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Esse entendimento é de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do RICARF. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que abrange, inclusive os fatos geradores ocorridos sob à égide da EC nº 20, de 15 de dezembro de 1998, deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo CARF, nos termos do art. 62, § único, inciso I, do RICARF, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins receitas financeiras, as quais não decorrem de seu faturamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2007 Nos termos do art. Art. 103A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. Em conformidade com reiterada jurisprudência do E. STJ, em sede de recursos repetitivos, com fulcro no art. 543C do CPC, constatado que não houve pagamento parcial, o prazo decadencial contase do primeiro dia do exercício seguinte ao qual poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN, sendo aplicável o prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador, nas competências em que foram constatados pagamentos parciais, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Esse entendimento é de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do RICARF. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que abrange, inclusive os fatos geradores ocorridos sob à égide da EC nº 20, de 15 de dezembro de 1998, deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo CARF, nos termos do art. 62, § único, inciso I, do RICARF, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins receitas financeiras, as quais não decorrem de seu faturamento. Recurso de Ofício Negado Provimento e Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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Art. 103A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. Em conformidade com reiterada jurisprudência do E. STJ, em sede de recursos repetitivos, com fulcro no art. 543C do CPC, constatado que não houve pagamento parcial, o prazo decadencial contase do primeiro dia do exercício seguinte ao qual poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN, sendo aplicável o prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador, nas competências em que foram constatados pagamentos parciais, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Esse entendimento é de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do RICARF. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que abrange, inclusive os fatos geradores ocorridos sob à égide da EC nº 20, de 15 de dezembro de 1998, deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo CARF, nos termos do art. 62, § único, inciso I, do RICARF, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins receitas financeiras, as quais não decorrem de seu faturamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2007 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Nos termos do art. Art. 103A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. Em conformidade com reiterada jurisprudência do E. STJ, em sede de recursos repetitivos, com fulcro no art. 543C do CPC, constatado que não houve pagamento parcial, o prazo decadencial contase do primeiro dia do exercício seguinte ao qual poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN, sendo aplicável o prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador, nas competências em que foram constatados pagamentos parciais, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Esse entendimento é de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do RICARF. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que abrange, inclusive os fatos geradores ocorridos sob à égide da EC nº 20, de 15 de dezembro de 1998, deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo CARF, nos termos do art. 62, § único, inciso I, do RICARF, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins receitas financeiras, as quais não decorrem de seu faturamento. Recurso de Ofício Negado Provimento e Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Amauri Amora Câmara Júnior, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Fl. 626DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.015946/200888 Acórdão n.º 330101.512 S3C3T1 Fl. 626 3 Cuidase de recursos de ofício e voluntário em face da decisão da DRJ de Belo Horizonte/MG, que julgou parcialmente procedente os autos de infração de PIS/Pasep e Cofins, relativos à diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago dos períodos de apuração compreendidos entre fevereiro de 2003 e dezembro de 2007, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2007 Com a publicação da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, deve ser observado, para as contribuições sociais, o prazo de extinção do crédito tributário previsto no Código Tributário Nacional. Somente a partir de 2 de agosto de 2004 ficou reduzida a zero a alíquota da Cofins sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa da contribuição ou que tenham parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa. Os valores retidos na fonte, quando devidamente comprovados, podem ser compensados com a contribuição devida. O resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido não integra a base de cálculo da Cofins. A receita decorrente da venda de bens do ativo imobilizado comprovada pelo contribuinte não deve compor a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2007 Com a publicação da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, deve ser observado, para as contribuições sociais, o prazo de extinção do crédito tributário previsto no Código Tributário Nacional. Somente a partir de 2 de agosto de 2004 ficou reduzida a zero a alíquota do PIS sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa da contribuição ou que tenham parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa. Os valores retidos na fonte, quando devidamente comprovados, podem ser compensados com a contribuição devida. O resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido não integra a base de cálculo do PIS. A receita decorrente da venda de bens do ativo imobilizado comprovada pelo contribuinte não deve compor a base de cálculo da contribuição. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Lançamento Procedente em Parte De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls. 39/60, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 61/79, o contribuinte não declarou e nem recolheu os valores das diferenças apuradas da Cofins e do PIS, que foram obtidas partindose das receitas escrituradas em sua contabilidade. Nos termos das Leis n°s 9.718, de 27 de novembro de 1998, 10.637, de 30 de dezembro de 2002, 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e 10.865, 30 de abril de 2004, a Cofins e o PIS foram apurados pelo regime cumulativo em todos os períodos de apuração considerados no lançamento, exceto para os períodos de 2003 exclusivamente para o PIS, nos quais foi utilizado o regime nãocumulativo de tributação. Anocalendário de 2003 Notese que tanto a Lei n° 9.718, de 1998, como as Leis nºs 10.637, de 2003, e 10.833, de 2003, que instituíram o regime da nãocumulatividade para o PIS e para Cofins, determinam que a base de cálculo das contribuições é o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, com as exclusões permitidas em lei. Dessa forma, nos termos da legislação citada, as receitas financeiras auferidas pelo impugnante devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições a partir de agosto do anocalendário de 2004, não assistindo razão ao contribuinte nesse ponto. No que se refere ao PIS, apurado pelo regime da nãocumulatividade em 2003, o contribuinte aduz que a Fiscalização desconheceu o seu direito a créditos e que tais valores estariam discriminados em planilha própria, anexada aos autos. Analisando todos os documentos acostados aos autos pelo impugnante, verificase que a planilha mencionada não está presente. Além disso, o contribuinte informou, em atendimento ao item 5 do Termo de Intimação Fiscal n° 6, de fls. 296/298, que "não foram aproveitados créditos durante o ano de 2003, para efeitos de abatimento da base de cálculo do PIS." (fl. 326). Portanto, correto o procedimento do auditorfiscal quanto à apuração do PIS no anocalendário de 2003. Anocalendário de 2004 Além das deduções e exclusões já consideradas na decisão recorrida, a decisão recorrido aduz que quanto ao mês de fevereiro, no qual teria sido incluído indevidamente na base de cálculo o valor de R$ 18.257,93 de receitas financeiras, não cabe razão ao impugnante, pelos motivos expostos anteriormente (receitas financeiras com alíquota reduzida a zero somente a partir de agosto/2004). Anocalendário de 2005 Além dos valores já considerados pela decisão recorrida, em razão efetiva comprovação, o contribuinte aduz, ainda, que, na base de cálculo dos meses de janeiro, julho e agosto, foram incluídos valores referentes a receitas financeiras, que não devem compor a base de cálculo das contribuições. Analisandose a planilha elaborada pela Fiscalização à fl. 62, verificase que as receitas financeiras foram devidamente excluídas da base de cálculo no ano calendário de 2005, nos termos do Decreto n° 5.164, de 2004, não assistindo razão ao contribuinte quanto a essa questão. Anocalendário de 2006 Fl. 628DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.015946/200888 Acórdão n.º 330101.512 S3C3T1 Fl. 627 5 O contribuinte argumenta, dessa forma, que devem ser excluídos da tributação os valores de R$ 57.303,00 (agosto), R$439.265,00 (setembro) e R$ 31.900,91 (novembro), que seriam referentes a vendas do ativo imobilizado, mas que não teriam sido deduzidos da base de cálculo pelo fiscal. Na planilha de fl. 62, verificase que tais valores foram incluídos na base de cálculo como "ganhos e perdas de capital". Para comprovar que se tratam de vendas do ativo imobilizado, o autuado anexou aos autos os documentos de fls. 133/196 do Anexo VII. No entanto, para o anocalendário de 2006, a decisão recorrida considerou apenas os valores que foram devidamente comprovados e serão excluídos da base de cálculo das contribuições. Anocalendário de 2007 Quanto aos valores referentes a vendas do ativo imobilizado, nos montantes de R$ 44.939,84 (agosto), R$ 201.734,81 (outubro) e R$ 229.570,45 (dezembro) (fl. 550), que teriam sido indevidamente incluídos na base de cálculo, assiste razão em parte ao contribuinte. Isso porque os documentos por ele apresentados às fls. 133/196 do Anexo VII comprovam apenas os valores indicados no demonstrativo, assim, como já foram excluídos pela Fiscalização a título de "Ganhos e Perdas de capital (Imóveis/Veículos)" (fls. 53/54 e 63) os valores de R$ 41.000,00 para o período de agosto, restam R$ 13.000,00 (R$ 54.000,00 R$ 41.000,00) a serem excluídos. E para o período de outubro, no qual já foram excluídos R$ 93.000,00, restam R$ 71.000,00 (R$ 164.000,00 R$ 93.000,00) a serem excluídos. Por fim a decisão é no seguinte sentido (objeto do RO) a)exonerar o contribuinte da Cofins no valor principal de R$ 2.611.393,59 e respectivos acréscimos legais, conforme o demonstrativo acima elaborado; b)exigir do autuado o pagamento da Cofins no valor de R$ 40.285,55, a ser acrescido da multa de oficio e dos juros de mora; c) exonerar o contribuinte do PIS no valor principal de R$ 560.397,62 e respectivos acréscimos legais, conforme o demonstrativo acima elaborado; d)exigir do autuado o pagamento. do PIS no valor de R$ 11.042,88, a ser acrescido da multa de oficio e dos juros de mora; e e)recorrer de oficio do crédito exonerado nos itens "a)" e "c)" deste acórdão, por força do disposto no art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972. Cientificada em 24/04/2009 (AR – fl. 565, do processo digitalizado), foi interposto o recurso voluntário de fls. 566 e seguintes, em 15/05/2009, aduzindo, em síntese, o seguinte: Em relação aos anoscalendário de 2003 e 2004, insurgiuse, entre outros itens, contra a cobrança do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras, em razão do STF ter declarado a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/91 (alargamento da base de cálculo). Sustenta que mesmo sob a vigência da Lei n° 10.637/2002 só se poderia dar a partir de 10 de abril de 2003, devendo ser excluída qualquer incidência do PIS sobre receitas financeiras até essa data. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 E a cobrança das contribuições para o PIS e a COFINS quanto às receitas financeiras, com base na Lei n° 10.833/2003„ só poderia ocorrer a partir de 1° de abril de 2004. No que concerne aos demais valores sobre os quais foi mantida a tributação no Acórdão, também não procede a cobrança, senão vejamos: Junho/2005 — valor tributado — R$231.580. 19. COFINS (3%) — R$ 6.497,40 o valor referese a provisão . de receita (1° medição/Rio Pomba) e não à emissão de Nota Fiscal ou outro tipo de receita. Julho/2005 valor tributado — R$ 16.390,67 COFINS (3%) — R$ 491,72 referese a variação monetária ativa. R$18,92 — descontos obtidos s/ duplicatas pagas. Agosto/2005 valor tributado — R$ 96.359,33 COFINS (3%) R$ 2.890,78 referese a: R$ 78.169,32 (juros ativos s/ contrato de mútuo com a coligada Wanmix Ltda), mais R$ 17.902,83 (recuperação despesa relativa a carta de fiança Construtora Pavisan Ltda), mais R$ 287,16 ( descontos obtidos s/ duplicatas). Em agosto do ano de 2006, os valores de R$14.764,50 e 103.100,00 não correspondem a receitas. É que o AuditorFiscal tomou como receitas os lançamentos a crédito da conta de ativo imobilizado e os valores acima correspondem a baixas de um carro e de uma moto, que foram roubados. Os documentos do DETRAN anexos comprovam tal fato. Relativamente a setembro de 2006, a nota fiscal n° 3885, em anexo a este Recurso, comprova que se tratou de venda do ativo imobilizado (venda de trator), razão pela qual deve ser excluído da tributação o valor correspondente. Além disso, o AuditorFiscal tributou valores relativos a lançamentos de baixa do ativo imobilizado como se fossem receitas, quando na verdade se tratou de contabilização de encargos de depreciação dos bens (créditos nas contas do ativo imobilizado). Cópias dos lançamentos contábeis constantes do Livro Diário atestam esse fato e encontramse anexados ao Recurso. Em novembro de 2006; alega que houve erro do AuditorFiscal no valor da COFINS retida pela fonte pagadora agente fiscal considerou o valor de R$16.656,42, quando o valor correto é R$19.656,82. Isso é comprovado pela cópia do extrato bancário, onde consta o valor líquido recebido do órgão público, mediante depósito bancário, bem como pela nota fiscal relativa ao pagamento, importando numa diferença de R$3.000,00 de retenção a menor em desfavor da recorrente. Quanto ao ano de 2007, o AuditorFiscal também incorreu em erro ao considerar como receitas os valores a crédito do ativo imobilizado, correspondentes a encargos de depreciação registrados, cópias dos lançamentos contábeis atestam esse fato e encontramse anexados ao Recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 630DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.015946/200888 Acórdão n.º 330101.512 S3C3T1 Fl. 628 7 Os recursos de ofício e voluntário atendem aos pressupostos de admissibilidade, devendo serem conhecidos. Conforme relatado, no presente processo cuidase de recursos de ofício e voluntário sobre as Contribuições PIS/Pasep e Cofins, dos períodos de apuração de 01/02/2003 a 31/12/2007. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls. 39/60, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 61/79, o contribuinte não declarou e nem recolheu os valores das diferenças apuradas da Cofins e do PIS, que foram obtidas partindose das receitas escrituradas em sua contabilidade. Nos termos das Leis n°s 9.718, de 27 de novembro de 1998, 10.637, de 30 de dezembro de 2002, 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e 10.865, 30 de abril de 2004, a Cofins e o PIS foram apurados pelo regime cumulativo em todos os períodos de apuração considerados no lançamento, exceto para os períodos de 2003 exclusivamente para o PIS, nos quais foi utilizado o regime nãocumulativo de tributação. De acordo com a última alteração contratual (42ª), de 27/03/2007, juntada aos autos (fls. 113), a Contribuinte tem por objeto as seguintes atividades: A decisão recorrida tratou dos seguintes temas: 1) Decadência: Com a publicação da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, deve ser observado, para as contribuições sociais, o prazo de extinção do crédito tributário previsto no Código Tributário Nacional. 2) Receitas Financeiras – Alíquota zero: Somente a partir de 2 de agosto de 2004 ficou reduzida a zero a alíquota da Cofins sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição ou que tenham parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa. 3) Os valores retidos na fonte quando devidamente comprovados, podem ser compensados com a contribuição devida. 4) O resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido não integra a base de cálculo da Cofins. 5) A receita decorrente da venda de bens do ativo imobilizado comprovada pelo contribuinte não deve compor a base de cálculo da contribuição. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 Inicialmente, a decisão recorrida considerou decadente os fatos geradores da Cofins ocorridos nos meses de fevereiro, outubro e novembro de 2003, e para o PIS, os meses de fevereiro, junho, outubro e novembro de 2003, sendo aplicado o prazo decadencial quinquenal, contado dos respectivos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, em razão de ter ocorrido pagamento/compensações ou retenções na fonte, considerando que o lançamento ocorreu em 18/12/2008. Em relação aos fatos geradores ocorridos em março e junho de 2003 (COFINS) e março/2003 (PIS), em que não houve pagamento, foi aplicado o art. 173, I, do CTN, não sendo considerados decaídos. Em relação específica a este ponto, ressalvo meu entendimento pessoal quanto a aplicabilidade do art. 150, § 4º do CTN, para todo o período fiscalizado, visto que houve pagamento parcial (se considerado todo o período fiscalizado), todavia, curvome diante do entendimento deste douto colegiado, sobretudo porque, amparado em decisão do colendo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 543C do CPC, de aplicação obrigatória nos julgados deste CARF, por força do art. 62A do RICARF, devendo ser aplicado aos fatos geradores ocorridos nos períodos de março e junho de 2003 (Cofins) e março/2003 (PIS), nos quais não foram constatados pagamentos parciais, o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, não estando portanto decaídos, considerando que o lançamento ocorreu em 18/12/2008. A referida decisão do colendo STJ, encontrase assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 632DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.015946/200888 Acórdão n.º 330101.512 S3C3T1 Fl. 629 9 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Receitas Financeiras – ano de 2003 A decisão recorrida considerou que de acordo com a Lei nº 9.718, de 1998 e também considerando as Leis nº 10.637,d e 2003 e 10.833, de 2003, as receitas financeiras somente deixou de compor a base de cálculo do PIS e da Cofins a partir de agosto do ano calendário de 2004, e de fato foram excluídas do lançamento a partir desta data. Receitas Financeiras – ano de 2004 De acordo ainda com o art. 8º, da Lei nº 10.637, de 2002, em vigor a partir de 1º de dezembro de 2002, em razão de tratarse de conversão da MP nº 66, de 29/08/2002 (DOU 30/08/2002), em conformidade com o art. 195, § 6º, da Constituição Federal (noventena), Fl. 633DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 10 permaneceram sujeitas às normas da legislação do PIS/Pasep, vigentes anteriormente, não se lhes aplicando as regras da nãocumulatividade. Desta forma, com exceção aos fatos geradores da Contribuição PIS/Pasep, do ano de 2003, que foi cobrada de acordo com o regime da nãocumulatividade, devem ser excluídas da base de cálculo do PIS (cumulativo) dos períodos anteriores a agosto de 2004, as receitas financeiras por se tratar de alargamento da base de cálculo afastada pelo E. STF, mesmo sob à égide da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Igualmente em relação à Cofins, tendo em vista que foi exigida sob a modalidade cumulativa, devem ser excluídas as receitas financeiras do ano de 2003 e anteriores a agosto de 2004, visto que a partir de agosto de 2004 já foram excluídas pela decisão recorrida, tendo em vista que, de acordo com o art. 10, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, em relação às pessoas não sujeitas às regras da nãocumulatividade, aplicamselhes a legislação anteriormente vigente, no caso, a Lei nº 9.718, de 1998. Nesse sentido o E. STF refutou o alargamento da base de cálculo das Contribuições PIS/Pasep e Cofins, com fulcro no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mesmo para os fatos geradores ocorridos após à Emenda Constitucional nº 20, de 1998, em virtude do ordenamento jurídico pátrio não comportar a figura da “constitucionalidade superveniente”, in verbis: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214 215) A referida decisão do E. STF, que vedou o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, declarando a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, deve ser reproduzida nos julgamentos deste colendo CARF, em razão do disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do RICARF, in verbis: Fl. 634DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.015946/200888 Acórdão n.º 330101.512 S3C3T1 Fl. 630 11 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Assim sendo, devem ser excluídas da base de cálculo do PIS (cumultivo), as receitas financeiras do ano de 2004, sendo mantida a exigência em relação aos fatos geradores ocorridos no ano de 2003 (sistemática da nãocumulatividade) e, em relação à Cofins, que só foi exigida na sistemática da cumulatividade, devem ser excluídas as receitas financeiras de todos os períodos cobrados. Conforme reiterada jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça, somente são aplicáveis as leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, os fatos geradores ocorridos sob a vigência das referidas leis, devendo ser aplicável a legislação anterior, quanto às ocorrências do inciso II, dos arts. 8º e 10, das referidas leis, aplicável então, no caso, a Lei nº 9.718/98: PIS/COFINS. RECEITA BRUTA. LEIS nºs 7.918/98, 10.637/02 E 10.833/03. 1. Regular a aplicação do artigo 557 do Código de Processo Civil, tendo em vista que o tema debatido nestes autos já se encontra sedimentado na jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, relativa ao conceito de receita bruta na base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS. 2. O § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (Recursos Extraordinários nºs 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840). Entendimento reafirmado no julgamento do RE 585.235/MG, quando a Suprema Corte apreciou o recurso extraordinário submetido a repercussão geral e reiterou a jurisprudência já aplicada. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 12 3. O acórdão do Tribunal de origem não merece reparos, tendo reconhecido o direito à repetição do indébito no período compreendido entre a vigência da Lei nº 9.718/98 e o advento das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, em razão da inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. 4. Quanto ao período posterior à vigência das mencionadas leis 10.637/02 e 10.833/03, observou o acórdão recorrido o teor do inciso II, dos artigos 8º e 10º das mencionadas leis, que prevê a não incidência dos novos ditames legais aos contribuintes vinculados à tributação pelo risco presumido, hipótese destes autos. Inconstitucional o artigo da lei anterior, § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, permanece o direito à restituição da contribuição paga com a base de cálculo prevista nesse dispositivo. 5. Inadmissível a pretensão de aplicar o dispositivo declarado inconstitucional, que não estava apto a produzir os efeitos pretendidos pela União. 6. Agravo regimental desprovido. (grifos acrescidos) (AgRg no REsp 961.340/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2009, DJe 23/11/2009) Igualmente, a superveniência da EC nº 20, de 1998, não tem o condão de aperfeiçoar a Lei nº 9.718, de 1998, não convalidandose os atos praticados anteriormente, in verbis: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. COFINS. BASE DE CÁLCULO. "FATURAMENTO" E "RECEITA BRUTA". LEI COMPLEMENTAR 70/91 E LEIS 9.718/98, 10.637/02 E 10.833/03. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO QUE OBSERVA REGIMES NORMATIVOS DIVERSOS. 1. A base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS é o faturamento, hodiernamente compreendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, vale dizer: a receita bruta da venda de bens e serviços, nas operações em conta própria ou alheia, e todas as demais receitas auferidas (artigo 1º, caput e § 1º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.8333/2003, editadas sob a égide da Emenda Constitucional nº 20/98). 2. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, que sucedeu o FINSOCIAL, é contribuição social que se enquadra no inciso I, do artigo 195, da Constituição Federal de 1988, incidindo sobre o "faturamento", tendo sido instituída e, inicialmente, regulada pela Lei Complementar 70/91, segundo a qual: (i) a exação era devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, (ii) sendo destinada exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, e (iii) incidindo sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.015946/200888 Acórdão n.º 330101.512 S3C3T1 Fl. 631 13 3. A Lei nº 9.718/98 (na qual foi convertida a Medida Provisória nº 1.724/98), ao tratar das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das aludidas exações, definindoo como a "receita bruta" da pessoa jurídica, por isso que, a partir da edição do aludido diploma legal, o faturamento passou a ser considerado a "receita bruta da pessoa jurídica", entendida como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, 4. A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Supremo Tribunal Federal que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e nº 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, consolidou o entendimento de que inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 5. Na oportunidade, a concepção de faturamento inserta na redação original do artigo 195, I, da Constituição Federal de 1988, restou adstringida, de sorte que não poderia ter sido alargada para autorizar a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, revelandose inócua a alegação de sua posterior convalidação pela Emenda Constitucional nº 20/98, uma vez que eivado de nulidade insanável ab origine, decorrente de sua frontal incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. A Excelsa Corte considerou que a aludida lei ordinária instituiu nova fonte destinada à manutenção da Seguridade Social, o que constitui matéria reservada à lei complementar, ante o teor do disposto no § 4º, artigo 195, c/c o artigo 154, I, da Constituição Federal de 1988. 6. Entrementes, em 30 de dezembro de 2002 e 29 de dezembro de 2003, foram editadas, respectivamente, as Leis nºs 10.637 e 10.833, já sob a égide da Emenda Constitucional nº 20/98, as quais elegeram como base de cálculo das exações em tela o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (artigo 1º, caput), sobejando certo que, nos aludidos diplomas legais, estabeleceu se ainda que o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica (artigo 1º, § 1º). 7. Deveras, enquanto consideradas hígidas as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, vislumbrase a existência de dois regimes normativos que disciplinam as bases de cálculo do PIS e da COFINS: (i) o período em que vigorou a definição de Fl. 637DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 14 faturamento mensal/receita bruta como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa, dada pela Lei Complementar 70/91, a qual se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98; e (ii) período em que entraram em vigor as Leis 10.637/2002 (PIS/PASEP) e 10.833/2003 (COFINS), segundo as quais o faturamento mensal compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. 8. Se a lide envolve fatos imponíveis realizados na égide das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (cuja elisão da higidez, no âmbito do STJ, demandaria a declaração incidental de inconstitucionalidade, mediante a observância da cognominada "cláusula de reserva de plenário"), a base de cálculo da COFINS e do PIS abrange qualquer receita (até mesmo os custos suportados na atividade empresarial) que não constar do rol de deduções previsto no § 3º, do artigo 1º, dos diplomas legais citados. 9. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1239175/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/05/2010, DJe 25/05/2010) Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de reconhecer a extinção parcial do crédito tributário pela decadência, relativamente aos fatos geradores da Cofins ocorridos nos meses de fevereiro, outubro e novembro de 2003, e para o PIS, os meses de fevereiro, junho, outubro e novembro de 2003, sendo aplicado o prazo decadencial quinquenal, contado dos respectivos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, em razão de ter ocorrido pagamento/compensações ou retenções na fonte, mantendose os créditos tributários ocorridos em março e junho de 2003 (Cofins) e março/2003 (PIS), nos termos do art. 173, I, do CTN, considerando que o lançamento ocorreu em 18/12/2008. Sala das Sessões, em 27 de junho de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 638DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 19515.006115/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LEI N° 8.981/95 – TRAVA 30%.
BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL.
A partir do ano-calendário 1995, para determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido a, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízos, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da
contribuição social.
RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. MULTA.
Tributo e multa não se confundem, tendo em vista que esta tem o caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa objeto de incorporação.
Inteligência dos arts. 3o. e 132 do CTN. A responsabilidade não se presume, deve ser expressa.
Numero da decisão: 1301-000.958
Decisão: Os membros da Turma acordam, por voto de qualidade, manter o lançamento da CSLL, vencidos os Conselheiros Carlos Jenier, Edwal Casoni e Guilherme Pollastri, e, por maioria, afastar a aplicação da multa de ofício, vencidos, nesse ponto, os Conselheiros Alberto
Pinto e Wilson Fernandes.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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LEI N° 8.981/95 – TRAVA 30%. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. A partir do anocalendário 1995, para determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido a, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízos, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da contribuição social. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. MULTA. Tributo e multa não se confundem, tendo em vista que esta tem o caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa objeto de incorporação. Inteligência dos arts. 3o. e 132 do CTN. A responsabilidade não se presume, deve ser expressa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por voto de qualidade, manter o lançamento da CSLL, vencidos os Conselheiros Carlos Jenier, Edwal Casoni e Guilherme Pollastri, e, por maioria, afastar a aplicação da multa de ofício, vencidos, nesse ponto, os Conselheiros Alberto Pinto e Wilson Fernandes. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Contra a contribuinte, acima qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 56/59, através do qual foi formalizado o crédito tributário referente à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) no valor de R$ 37.888.283,71, incluídos multa de oficio (75%) e juros de mora calculados até 29/08/2008. De acordo com o Termo de Verificação fiscal (fl. 51/53), a contribuinte incorporou a Cia.Brasileira de Bebidas (CNPJ n° 60.552.000/000183), a qual, no ano da incorporação (2005) compensou integralmente sua base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores com a base de cálculo positiva do anocalendário de 2005, sem observância do limite legal de 30% do lucro liquido ajustado. 0 enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração do crédito tributário, encontramse consignados no auto de infração na fl.58. Cientificada do feito em 03/10/2008 (f1.60), apresentou impugnação argüindo, em síntese, o seguinte: A incorporada foi extinta por incorporação e, assim, por não poder compensar a base de cálculo da CSLL com lucros futuros, utilizouse do crédito em sua totalidade; • Não se aplica a trava de 30% no presente caso, por tratarse de hipótese de incorporação societária, situação esta contemplada na jurisprudência administrativa e judicial; • É ilegal a aplicação de multas em razão de impossibilidade de sucessão da responsabilidade por infrações. A incorporadora é responsável apenas pelos tributos devido; • Tributo não é multa, e obrigação tributária não é tributo, portanto, incabível a interpretação extensiva do art.132 do CTN; • É ilegal a incidência de juros sobre a multa de oficio; • Multa não é tributo e mesmo a sua não satisfação impede a sua conversão em tributo; • Os juros de mora apenas se aplicam aos tributos e não às multas; • Requer o afastamento dos juros de mora sobre a multa, sob pena de ilegalidade. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPO I) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1620.121, de 15/01/2009 (fls. 147), julgando procedente o lançamento, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Fl. 548DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 1301000.958 S1C3T1 Fl. 2 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CALCULO NEGATIVA. LIMITE. A partir do anocalendário 1995, para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido, por compensação, da base de calculo negativa, apurada em períodos base anteriores, em, no máximo, trinta por cento. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos insertos no ordenamento jurídico. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA TAXA SELIC. CABIMENTO. São cabíveis, na forma dos autos, por expressa disposição legal, as exigências de multa de oficio e de juros de mora. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. No recurso a autuada repete com algumas variações as argumentações iniciais, aduzindo: Em que pesem os argumentos da DRJ, não há como prosperar a cobrança dos créditos tributários de CSLL do ano calendário de 2005 constituídos por meio do auto de infração ora combatido, já que inaplicável a limitação à compensação de bases negativas no caso em tela, que trata de sociedade extinta por incorporação. Vejase: Atualmente, no que tange à incorporação de sociedades, vigora o artigo 33 do Decretolei n° 2.341, de 29.06.87, consolidado no artigo 514, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26.03.99 ("RIR199"), que veda, expressamente, a compensação, pela pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão, de prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas de CSLL apurados pela sucedida. Assim, a legislação é cristalina ao impedir que a sucessora, por quaisquer dos eventos societários referidos, aproveitese dos prejuízos fiscais apurados pela sucedida. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Com efeito, em 31.05.2005, a Cia. Brasileira de Bebidas, CNPJ 60.522.000/000183, foi incorporada pela Recorrente (Ata de Assembléia e Protocolo de Justificação de Incorporação já anexados aos autos — fls. 132/144), cessando permanentemente suas atividades mercantis, deixando, naturalmente, de auferir lucros. Ora, se a empresa incorporada pela Recorrente cessou suas atividades mercantis, deixando de auferir lucros, não haveria como compensar nos exercícios posteriores os seus prejuízos fiscais e suas bases negativas de CSLL, não lhe restando outra saída que não a compensação integral com lucro apurado até o evento da incorporação, em 31 de maio de 2005. E foi exatamente assim que procedeu a empresa incorporada, ao aproveitar seu legitimo direito à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas em sua última declaração de rendimentos. Cita jurisprudência administrativa a favor de sua tese. Neste ponto, ao meu ver, andou bem a autoridade julgadora que me precedeu, ao assentar em seu voto: A legislação concede ao sujeito passivo a faculdade de compensar a base de cálculo negativa da CSLL de períodos base anteriores, no entanto, a partir de 1995, limita tal compensação a 30% do lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões antes da compensação. A autuação, no que se refere à compensação da base de cálculo negativa da CSLL em valor superior a 30% do lucro liquido ajustado, teve como supedâneo o art. 58 da Lei n 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e os art. 16 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, que estabelecem: Lei n° 8.981/95: (...) Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. (...).) Art. 116. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 1995. Lei n° 9.065/95: Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos calendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 1301000.958 S1C3T1 Fl. 3 5 0 comando legal é cristalino no sentido de que, a partir do ano calendário de 1995, a compensação da base negativa da CSLL, inclusive aqueles apurados até 31/12/94, estavam limitados a 30% do lucro liquido ajustado, caso contrário outra seria, então, a dicção do art. 16 da Lei no. 9.065/95. Assim, a partir do exame da Ficha 17 (fl.23) da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica do anocalendário de 2005 (DIPJ/2006) apresentada, verificandose que a contribuinte compensou valor anual de base negativa da CSLL maior do que os 30% do lucro liquido ajustado, afigurase correto o Auto de Infração em que se exigiu a diferença no ano calendário de 2005, desconsiderandose o valor compensado acima do limite legal imposto pelo art. 58 da Lei n° 8.981/95. Portanto, como se vê, o que importa decidir neste ponto é se, na situação específica de apuração do imposto em virtude de incorporação, é admissível a compensação dos prejuízos fiscais acumulados sem observância do limite de 30% previsto na legislação. Em primeiro plano se deve esclarecer que o entendimento esposado pela recorrente não encontra amparo na legislação que rege a matéria. Com efeito, como bem afirmado na decisão recorrida, tratandose de declaração final decorrente de incorporação, em virtude de absoluta ausência de previsão legal, não é permitida a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30% estabelecido pelo art. 15 da Lei n° 9.065, de 1995. A legislação tributária acerca da aplicação do limite de 30% na compensação de prejuízos fiscais, excetua, que tal limite não é aplicável aos prejuízos fiscais decorrentes da exploração de atividade rural, quando compensados com o lucro real da mesma atividade, bem como aos apurados pela empresa industrial titular de Programas Especiais de Exportação aprovados até 03 de junho de 1993 pelo Befiex, nos termos do art. 95 da Lei n° 8.981, de 1995, na redação dada pela Lei n°9.065, também de 1995, nada mais. Em que pese a bem elaborada defesa, entendo, que conforme disposto na legislação de regência, a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores não se trata de direito adquirido, mas, sim, de benefício fiscal, ou seja, tratase de mera expectativa de direito e, em matéria de imposto de renda, a lei aplicável a apuração do lucro é aquela vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Portanto, concordando com as argumentações do voto condutor, reputo, dessa forma, correta a presente autuação motivada pelo descumprimento da trava de 30% na compensação da base negativa da CSLL com o resultado do período ora analisado. “DA IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTAS NA HIPÓTESE DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO” Da recorrente: Como se extrai do V. Acórdão recorrido, a C. Turma Julgadora houve por bem manter a aludida sucessão da responsabilidade pelas multas de oficio, sob o argumento de que houve subsunção do fato a norma do art. 44, inciso I, e § 1°, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Vale notar, nesse ponto, que foi transcrita a redação antiga dos citados dispositivos, tendo em vista que a Lei n° 11.488, de 15 de junho Fl. 551DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 de 2007, deu nova redação ao art. 44, inciso I e § 1° da Lei n° 9.430/96, e revogou o antigo inciso I desse § 1° do mesmo artigo. Apenas a titulo ilustrativo, confirase a redação atual desses dispositivos, em vigor desde 15.6.2007 (portanto, desde muito antes do lançamento): "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada gela Lei n° 11.488, de 2007) (...) § 1° 0 percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I (revogado); Também é curioso notar que a DRJ adota como um dos fundamentos para decidir contrariamente à Recorrente a suposta alegação de "argumentos de juizos de valor ou de violação a princípios constitucionais. Ora, em momento algum a Recorrente socorreuse de juizos de valor ou princípios constitucionais para sustentar seu entendimento acerca da impossibilidade de sucessão da responsabilidade por infrações, como quer fazer crer a D. Turma Julgadora. Não há qualquer sentido em transcrever a Súmula 1° CC no 2, segundo a qual o Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não obstante tudo isso, a Recorrente passa a expor os motivos pelos quais entende indevida a aplicação das multas no caso em tela, ao que se espera que esse E. Conselho analise e dê a melhor solução questão. Senão, vejase. Conforme mencionado, a Recorrente é sucessora por incorporação da Cia. Brasileira de Bebidas, CNPJ 60.522.000/000183, possuindo, portanto, responsabilidade pelos tributos devidos até a data da aludida incorporação. É o que se infere do artigo 132 do CTN: "Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas." (grifo nosso) Ora, desejasse o legislador que a responsabilidade em tela abrangesse as multas teria se utilizado da expressão "obrigações tributárias", como, aliás, o fez nos artigos 134 e 135 do CTN, ou mesmo feito referência expressa ao termo "multas". Tendo em vista que não é dado ao intérprete e aplicador olvidar os destaques feitos pelo legislador, não há como fugir de tais conceitos (tributos/obrigações tributárias) na análise do âmbito da responsabilidade tributária. Em convergência com reiteradas manifestações deste E. Conselho adoto a linha de raciocínio que em se tratando de responsabilidade da sucessora, nos termos do art. 132 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 1301000.958 S1C3T1 Fl. 4 7 do CTN, restringese ao tributo não pago pela sucedida, dele não fazendo parte a multa. Cabendo citar o Acórdão n. 10194.480, de 28/01/2004, cuja ementa tem a seguinte redação: "RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. O sucessor não responde pela multa de natureza fiscal que deve ser aplicada em razão de infração cometida pela pessoa jurídica sucedida, em exigência fiscal formalizada após a incorporação." E o Acórdão de n 10193.582, assim ementado: "RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. Multa. Tributo e multa não se confundem, eis que esta tem caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa. Inteligência dos arts. 3.° e 132 do CTN.» Decisão do STF no RE n.° 90.834MG, relator o Ministro DJACI FALCÃO, RTJ n.° 93, pág. 862)." Nesse sentido, peço vênia para transcrever trechos do voto proferido pela ilustre Conselheira Maria Tereza Martinez López, no Acórdão n° 20219.436, de 05/11/2008. O CTN reserva um capítulo específico à responsabilidade tributária (Capítulo V), dentre os inseridos no título da obrigação tributária. Composto pelos arts. 128 a 138, pode ser dividido em três partes: A primeira envolve uma disposição geral (art. 128), que em verdade dispõe mais especificamente sobre a responsabilidade por substituição tributária ou responsabilidade originária, em que o substituto é eleito em lugar do contribuinte de antemão, antes da ocorrência do fato jurídico tributário, nos termos em que a lei estabelecer; a segunda trata da responsabilidade tributária por transferência ou supletiva 3, relativa aos sucessores (arts. 129 a 133) e aos terceiros enumerados no art. 134 do CTN, em que os responsáveis somente assumem a responsabilidade tributária em virtude de fatos posteriores ao surgimento da obrigação tributária; a última se refere à responsabilidade por infrações, tratadas nos arts. 136 a 138. Interessa, na presente análise, a responsabilidade tributária por transferência, enquadrada como sujeição passiva indireta, regulada pelos arts. 129 a 135 do CTN. Mais especificamente a responsabilidade dos assim chamados sucessores (art. 132). No caso específico, a figura da incorporação. Nesse contexto, é de suma importância transcrever o disposto no art. 132 assim redigido: Art. 132 A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Uma primeira conclusão, não sujeita a contestação, quer doutrinária ou jurisprudencial, é a de que o "tributo" será sempre devido pela pessoa jurídica que resultar de incorporação. Isto porque a lei assim expressamente o diz. O CTN construiu sua sistematização em torno do art.3°, o qual define o tributo como: "uma prestação pecuniária compulsória, em moeda (...), que não Fl. 553DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei...". É importante ressaltar, pela própria dicção legal, o que não é tributo, ou seja: tributo não é sanção decorrente de ato ilícito. Em conseguinte, toda vez que o contribuinte efetuar um pagamento aos cofres públicos por ter cometido um ilícito, tal prestação não constitui tributo, mas multa. E multa não é tributo. Por outro lado, a contrariu sensu, caberia a indagação de saber como o legislador, contrariando o art. 3° do CTN, classifica a penalidade pecuniária como uma espécie de obrigação tributária. Isto porque, o § 3° do art. 113 do CTN, ao dizer que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária" traz de forma contraditória o disposto na regra principal estabelecida pelo art. 3°. Em outras palavras, o art. 3° descarta a sanção como tributo para, depois, o art. 113, § 3°, do CTN transformar a pena pecuniária advinda da inobservância de uma obrigação legal, em obrigação tributária. Nesse embate, esta Conselheira fica na sistematização construída pelo art. 3° do CTN, regra matriz do ordenamento básico do próprio código tributário. A incorporação é de direito a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra sociedade. Em conseqüência dessa absorção extinguese a sociedade incorporada, sucedendolhe, em todos os direitos e obrigações, a sociedade incorporadora. A operação de incorporação pode ser realizada entre sociedades que tenham controle societário comum (dentro do mesmo grupo econômico) ou que não tenham vínculo algum, como é o caso dos autos. Em se tratando de responsabilidade tributária, as expressões utilizadas no CTN, numa interpretação literal, devem ser lidas como se referindo aos seguintes valores: "crédito tributário" engloba todos os valores concernentes à obrigação tributária: além do valor do tributo (principal), o dos juros e o das penalidades (multa de mora ou de oficio); "tributo" quer dizer valor principal, com inclusão dos juros de mora (mas não das penalidades), se o recolhimento for efetivado após o prazo de vencimento (os juros são aplicados em decorrência da mora, simplesmente, não se confundindo com penalidade) e; "penalidade" referese à multa de oficio ou à multa de mora (uma ou outra), embora saibamos que outras penas, como a de apreensão e perdimento de mercadoria também são utilizadas, em menor grau. De forma didática, confirase especificamente as expressões utilizadas no Código Tributário Nacional, pelo legislador: os arts. 128, 129, 130, 135 CTN crédito tributário; os arts. 131, 132 e 133 CTN Tributo; o art.134 CTN penalidades de caráter moratório. Em se tratando de imposição de multa, imprescindível a obediência ao princípio da legalidade e o da tipicidade, que se completam como instrumento de defesa da liberdade humana. Onde o legislador não faz referência, não cabe ao intérprete fazêlo. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 1301000.958 S1C3T1 Fl. 5 9 Feitas as considerações acima, podese dizer que, como regra geral, a denominação "tributo" inserida no art. 132 do CTN não é extensiva à multa. Há de se observar haver hipóteses em que o sucessor responde ou não pela multa. Para tanto, importante se dividir a matéria em três tópicos: "i créditos tributários definitivamente constituídos, isto é, as dívidas fiscais anteriores à sucessão; ii créditos tributários em curso de constituição, ou melhor, as dívidas fiscais que estavam sendo apuradas ou lançadas no momento da sucessão; e iii créditos tributários constituídos depois da sucessão, ou seja, as dívidas constituídas posteriormente à data da sucessão, embora originárias até a sucessão." Interessanos o grupo (iii) porque o início da fiscalização é posterior à incorporação. Neste grupo estão representados os créditos tributários constituídos depois da sucessão, ou seja, as dívidas constituídas posteriormente à data da sucessão, embora originárias até a sucessão. A jurisprudência dos tribunais superiores e de parte dos acórdãos dos Conselhos de Contribuintes, na interpretação do art. 132 do CTN, é pacífica no sentido de que a transferência de responsabilidade sobre a multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada (constituída) antes do ato sucessório, porque, neste caso, tratase de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora. Como prémencionado, não é o caso ora analisado, porque o início da fiscalização é posterior à incorporação. A responsabilidade não se presume, deve ser expressa. Se não há previsão, responsabilidade não há. Portanto, em se tratando de responsabilidade da sucessora, nos termos do art. 132 do CTN, restringese ao tributo não pago pela sucedida, dele não fazendo parte a multa. Neste item, dou provimento parcial ao recurso para afastar a multa de ofício por se tratar de incorporação antes do início da fiscalização. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Com relação à incidência de juros sobre a multa de ofício a recorrente rebate as argumentações do voto condutor, alegando, em breve síntese, que: 0 cerne da questão está na interpretação que se deve dar à expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições". Ora decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos precisos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata Fl. 555DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 É dizer, a multa de oficio tem a mesma natureza punitiva da multa de mora. A diferença é que aquela tem um percentual maior porque aplicada de oficio. Aliás, sobre a multa de mora não há incidência dos juros à taxa SELIC (Voto do Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes no Acórdão n° 10708.679, da 7a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, de 27.07.2006). Penso que a matéria deixa de ter importância em razão do entendimento acima relatado por este Conselheiro Relator de que em se tratando de incorporação, não há de se exigir a multa, nos termos do que dispõe o art. 132 do CTN. Em razão do exposto, prejudicada está a sua apreciação. É certo que também, somente na eventualidade de ser vencido pelos meus ilustres pares desta Eg. Turma, no que diz respeito à exclusão da multa, em face da incorporação, é que a questão deve ser enfrentada. Não sendo este o caso, desnecessária a sua análise. Registrese, por oportuno, que a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional ofereceu suas contra razões postulando pela manutenção integral dos lançamentos efetuados. A vista do todo acima exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário no sentido afastar a multa de ofício por se tratar de incorporação antes do início da fiscalização e manter o lançamento relativo a CSLL por compensação acima do limite determinado por lei. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 556DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13118.000248/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 31/08/2003 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Numero da decisão: 2302-001.807
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicar-se o art. 150, parágrafo 4 do CTN.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Recorrente JK RESENDE COMÉRCIO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA Recorrida DRJ BRASILIA DF Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 31/08/2003 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicarse o art. 150, parágrafo 4 do CTN. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório A presente autuação tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa aos Terceiros, cujos valores foram declarados em Gfip e ou constaram em folhas de pagamento, referente ao período compreendido entre as competências fevereiro de 2000 a agosto de 2003, fls. 23 a 25. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 30 a 39. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília analisou os argumentos e exarou a decisão, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 77 a 82. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 88 a 99. Em síntese, a recorrente alegou o seguinte: a) parte do lançamento fora atingida pela fluência do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I do CTN; b) houvera vício formal pela falta de individualização dos fatos geradores; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13118.000248/200780 Acórdão n.º 230201.807 S2C3T2 Fl. 105 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 101. Pressuposto de admissibilidade superado, passase para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: A primeira questão a ser enfrentada é a decadência, após serão analisadas as questões de mérito propriamente ditas. Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma não deve ser reconhecida, seguindo orientação do Supremo Tribunal Federal (STF) e observando o art. 173, inciso I do CTN. O STF, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Dessa forma, não é mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, e devem ser observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo então o pagamento antecipado, observarseá a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN (operase a homologação tácita). Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN; deve, assim, ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; há a necessidade de lançamento de ofício substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não ocorra o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN (decadência). Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Destacase que, nas hipóteses de ocorrências de dolo, fraude, ou simulação; não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Nesses casos deve ser aplicado necessariamente o previsto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Para aplicação dos arts. 150, parágrafo 4º, ou 173, inciso I do CTN, há que se analisar o recolhimento rubrica por rubrica, pois na hipótese de o contribuinte não reconhecer determinada parcela como incidente, essa somente conseguiria ser apurada em uma ação fiscal. Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entende que o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por homologação. Por não ter pago, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN – para efeitos da contagem do prazo decadencial. No presente caso o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 3 de outubro de 2007, fl. 27. Assim, os fatos geradores ocorridos antes de novembro de 2001, inclusive, estão abrangidos pela decadência. A competência dezembro de 2001 não decaiu, uma vez que seu vencimento ocorreu em 2 de janeiro de 2002, de modo que o termo de início da contagem seria 1º de janeiro de 2003, o que findaria em 31 de dezembro de 2007. Nesse sentido da contagem é o entendimento exarado pelo STJ nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Quanto ao argumento recursal de que o lançamento deve ser declarado nulo; pois não teriam sido individualizados os segurados; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 23 a 25; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 4 a 5. Os valores foram apurados na Gfip, que são registros elaborados pela própria recorrente. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em Gfip constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13118.000248/200780 Acórdão n.º 230201.807 S2C3T2 Fl. 106 5 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Dessa maneira, a fiscalização não tem que individualizar os segurados, uma vez que a própria autuada já fez tal individualização ao declarar os valores em Gfip. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da Gfip, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em Gfip ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A Previdência Social provou a existência do fato gerador, com base nos termos de confissão, Gfip, elaborados pela própria recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e pelo provimento parcial a ele, reconhecendo que parte do crédito foi extinta pela fluência do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I do CTN. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 112DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 19515.003171/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: CIÊNCIA POSTAL IMPROFÍCUA. POSSIBILIDADE DE CIÊNCIA EDITALÍCIA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CASO CONCRETO. O agente dos Correios esteve em três oportunidades no domicílio do contribuinte, estando este sempre ausente, o que autoriza a intimação editalícia, na forma do art. 23, § 1º, II, do Decreto nº 70.235/72, pois a ciência por via postal se mostrou improfícua. Ademais, vê- se que o contribuinte sequer perdeu o prazo de interposição do recurso voluntário, fazendo-o dentro do trintídio legal, o que enfraquece sua tese de cerceamento do direito de defesa, ressaltando que as razões recursais estão embasadas essencialmente em matéria de direito, como já ocorrera na impugnação, ou seja, o pedido de dilação de prazo é meramente artificial, procrastinatório, pois até o presente momento o contribuinte não produziu qualquer prova material da origem dos depósitos bancários, estes que são a essência do lançamento aqui em discussão. CONTRIBUINTE DETIDO PROVISORIAMENTE NA CARCERAGEM DA POLÍCIA FEDERAL. INTIMAÇÃO PARA COMPROVAR A ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRAZO PARA CUMPRIMENTO DA INTIMAÇÃO SUSPENSO ATÉ A LIBERDADE DO ACUSADO. LIBERDADE OBTIDA NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. OBRIGATORIEDADE DE CUMPRIMENTO DA INTIMAÇÃO, SOB PENA DE SOFRER O ÔNUS DA PRESUNÇÃO LEGAL DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Tendo o contribuinte sido intimado para comprovar a origem de depósitos bancários enquanto preso provisoriamente na carceragem da Polícia Federal, deve-se suspender o prazo para cumprimento da intimação fiscal. Obtida a liberdade no curso do procedimento fiscal, deve cumprir a exigência da autoridade, sob pena de sofrer o ônus da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
DOCUMENTOS APREENDIDOS EM MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO DETERMINADO JUDICIALMENTE. DOCUMENTOS CONSIDERADOS IMPRESCINDÍVEIS PARA ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL. MERA ALEGAÇÃO DESTITUÍDA DE COMPROVAÇÃO E RAZOABILIDADE. A mera argumentação de que não consegue acesso a documentos apreendidos judicialmente e considerados imprescindíveis para comprovar a origem dos depósitos bancários, tombados em processo criminal, não detém razoabilidade jurídica, quando se sabe que atualmente até o acesso a prova de procedimento investigatório na polícia judiciária, quando documentada, é direito do acusado e de seu defensor, como se vê pelo teor da Súmula Vinculante nº 14 - É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.
Numero da decisão: 2102-001.685
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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POSSIBILIDADE DE CIÊNCIA EDITALÍCIA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CASO CONCRETO. O agente dos Correios esteve em três oportunidades no domicílio do contribuinte, estando este sempre ausente, o que autoriza a intimação editalícia, na forma do art. 23, § 1º, II, do Decreto nº 70.235/72, pois a ciência por via postal se mostrou improfícua. Ademais, vê se que o contribuinte sequer perdeu o prazo de interposição do recurso voluntário, fazendoo dentro do trintídio legal, o que enfraquece sua tese de cerceamento do direito de defesa, ressaltando que as razões recursais estão embasadas essencialmente em matéria de direito, como já ocorrera na impugnação, ou seja, o pedido de dilação de prazo é meramente artificial, procrastinatório, pois até o presente momento o contribuinte não produziu qualquer prova material da origem dos depósitos bancários, estes que são a essência do lançamento aqui em discussão. CONTRIBUINTE DETIDO PROVISORIAMENTE NA CARCERAGEM DA POLÍCIA FEDERAL. INTIMAÇÃO PARA COMPROVAR A ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRAZO PARA CUMPRIMENTO DA INTIMAÇÃO SUSPENSO ATÉ A LIBERDADE DO ACUSADO. LIBERDADE OBTIDA NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. OBRIGATORIEDADE DE CUMPRIMENTO DA INTIMAÇÃO, SOB PENA DE SOFRER O ÔNUS DA PRESUNÇÃO LEGAL DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Tendo o contribuinte sido intimado para comprovar a origem de depósitos bancários enquanto preso provisoriamente na carceragem da Polícia Federal, devese suspender o prazo para cumprimento da intimação fiscal. Obtida a liberdade no curso do procedimento fiscal, deve cumprir a exigência da autoridade, sob pena de sofrer o ônus da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 DOCUMENTOS APREENDIDOS EM MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO DETERMINADO JUDICIALMENTE. DOCUMENTOS CONSIDERADOS IMPRESCINDÍVEIS PARA ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL. MERA ALEGAÇÃO DESTITUÍDA DE COMPROVAÇÃO E RAZOABILIDADE. A mera argumentação de que não consegue acesso a documentos apreendidos judicialmente e considerados imprescindíveis para comprovar a origem dos depósitos bancários, tombados em processo criminal, não detém razoabilidade jurídica, quando se sabe que atualmente até o acesso a prova de procedimento investigatório na polícia judiciária, quando documentada, é direito do acusado e de seu defensor, como se vê pelo teor da Súmula Vinculante nº 14 É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 02/01/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Acácia Sayuri Wakasugi, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 289DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.003171/200531 Acórdão n.º 2102 S2C1T2 Fl. 2 3 Em face do contribuinte Affonso Passarelli Filho, CPF/MF nº 255.562.588 72, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 1º/12/2005, auto de infração (fls. 124 a 132), com ciência pessoal em 20/12/2005 (fl. 129). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 681.281,86 MULTA DE OFÍCIO R$ 510.961,39 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário 2000 (R$ 569.921,47), 2001 (R$ 542.157,38), 2002 (R$ 788.382,78) e 2003 (R$ 619.108,13), conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado. Os extratos bancários da contacorrente auditada do contribuinte foram enviados à Receita Federal pelo Banco Central do Brasil, em 24/06/2004. O procedimento fiscal teve início em 25/03/2004, quando o contribuinte foi cientificado do Termo de Início, estando, na oportunidade, detido na carceragem da Polícia Federal, na cidade de São Paulo (fl. 4). O contribuinte foi notificado da continuidade dos trabalhos fiscais em 25/04/2004 e 05/08/2004, quando ainda continuava preso. Em 15/04/2005, o contribuinte foi intimado pessoalmente a comprovar a origem dos depósitos bancários mantidos na contacorrente auditada, quando registrou no Termo de Intimação: “Recebi em 15/04/2005. Como me encontro detido na Polícia Federal estou no momento impossibilitado de atender ao mesmo no prazo solicitado. Estou para sair e quando sair apresentarei as razões” (fl. 97). Posteriormente, a autoridade fiscal soube que o contribuinte tinha obtido a liberdade provisória, e tentou intimálo do teor do Termo recebido em 15/04/2005, na rua Cuevas, nº 361 – Lapa – São Paulo, endereço constante dos cadastros da Receita Federal, sem sucesso, pois a correspondência voltou pelo motivo “destinatário desconhecido”. Efetuada diligência in loco em 24/10/2005, a autoridade fiscal lavrou Termo de constatação fiscal, no qual se reconheceu que o contribuinte era de fato desconhecido no endereço acima (fl. 116). Frustrada a intimação retro, em 25/10/2005, a autoridade fiscal fez publicar o Edital nº 256/2005, para cientificálo do Termo de Início de Fiscalização e receber cópia de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar Fiscalização n° 081.90.0020040028564 que se encontra com o AuditorFiscal que conduzia a fiscalização (fl. 117). Considerando que o contribuinte não compareceu à repartição fiscal, a autoridade fiscalizadora concretizou o lançamento, imputando ao fiscalizado uma omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos de origem não comprovada, mantidos na contacorrente auditada, na forma do ar. 42 da Lei nº 9.430/96. Em 20/12/2005, o contribuinte tomou ciência pessoal do auto de infração (fl. 123). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Nela, preliminarmente, o contribuinte alegou que ficou detido preventivamente na Polícia Federal de 30/10/2003 a 13/07/2005, sendo que houvera apreensão judicial de documentos de seu escritório, necessários à presente defesa, e que peticionou (em 09/01/2006 fls. 151 e 152) junto ao Tribunal competente para que fosse disponibilizada a documentação apreendida, sem solução até o presente momento, ou seja, o contribuinte tivera seu direito de defesa cerceado, quer porque estava preso quando das intimações, quer porque não teve acesso à documentação necessária a sua defesa. Ainda, quando solto, o contribuinte foi intimado no endereço errado (Rua Cuevas, nº 361 – Lapa –São Paulo SP), pois reside há mais de 30 anos na Rua Cuevas, 403 – Lapa –São Paulo, como faz prova as suas declarações de ajuste anual dos exercícios 1997 em diante, entregues à Receita Federal. No mérito, pugnou pelo reconhecimento da decadência no primeiro exercício lançado, bem como pela impossibilidade de arbitramento de renda com base apenas em depósito bancário. A 5ª Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1722.129, de 20 de dezembro de 2007 (fls. 200 e seguintes). O contribuinte foi intimado do teor da decisão acima no endereço que declinou nos autos, via postal, por três vezes, sem sucesso, tendo o agente dos Correios informado que o intimado se encontrava ausente (fl. 229). Assim, o contribuinte foi intimado por edital, com data de afixação em 14/05/2008, sendo considerado intimado em 28/05/2008 (fl. 233). Irresignado contra a decisão da DRJ, interpôs recurso voluntário em 26/06/2008 (fl. 245). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. é nula a citação editalícia da decisão recorrida, pois o recorrente tem domicílio no endereço constante na intimação que retornou aos autos com declaração de ausência, lá recebendo todas as correspondências, inclusive atos judiciais, devendo, assim, ser reaberto o prazo recursal, pois o contribuinte mais uma vez teve seu direito de defesa cerceado; II. teve os documentos de seu escritório apreendidos por ordem da Justiça Federal, não liberados até hoje, ficando preso provisoriamente de outubro de 2003 a agosto de 2005, não tendo assim possibilidade de instrumentalizar sua defesa, havendo aqui claro cerceamento do direito de defesa do então impugnante, sendo de rigor decretar a nulidade da decisão recorrida; III. a fiscalização considerou todos os depósitos efetuados como rendimentos da pessoa física, em total desconformidade com a jurisprudência administrativa e judicial, desconsiderando até o valor de R$ 78.683,23 recebido como herança no ano de 1997, que, adicionado a comercialização de automóveis, seria suficiente para justificar os recursos transacionados na contacorrente auditada, sendo certo que não houve qualquer evolução patrimonial; IV. os depósitos bancários, em si mesmos, não podem se subsumir ao conceito de renda sem que a autoridade demonstre como tais valores beneficiaram o contribuinte. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.003171/200531 Acórdão n.º 2102 S2C1T2 Fl. 3 5 Ainda, no bojo do recurso voluntário, o recorrente informa que adota integralmente as razões deduzidas na impugnação, não as trazendo novamente no recurso, para evitar repetições desnecessárias. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 28/05/2008 (fl. 233), quartafeira, e interpôs o recurso voluntário em 26/06/2008 (fl. 245), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 27/06/2008, sextafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Em relação ao pedido de nulidade da ciência da decisão recorrida (item I), vêse que o agente dos Correios esteve em três oportunidades no domicílio do contribuinte (fls. 225 e 229), estando sempre ele ausente, o que autoriza a intimação editalícia, na forma do art. 23, § 1º, II, do Decreto nº 70.235/72, pois a ciência por via postal se mostrou improfícua. Ademais, vêse que o contribuinte sequer perdeu o prazo de interposição do recurso voluntário, fazendoo no trintídio legal, o que enfraquece sua tese de cerceamento do direito de defesa, ressaltando que as razões recursais estão embasadas essencialmente em matéria de direito, como já ocorrera na impugnação, ou seja, o pedido de dilação de prazo é meramente artificial, procrastinatório, pois até o presente momento o contribuinte não produziu qualquer prova material da origem dos depósitos bancários, estes que são a essência do lançamento aqui em discussão. Em relação ao pedido do item II (cerceamento do direito de defesa por ter os documentos de seu escritório apreendidos por ordem da Justiça Federal, não liberados até hoje, bem como por ter ficado preso provisoriamente de outubro de 2003 a agosto de 2005), apreendese que o contribuinte utilizou a prisão provisória e a apreensão judicial como um meio para não atender das intimações do presente procedimento fiscal. Explicase. O contribuinte foi notificado do início deste procedimento fiscal e de sua continuidade em 25/03/2004, 25/04/2004 e 05/08/2004, quando se encontrava detido na carceragem da Polícia Federal. Em 14/04/2005, o contribuinte foi intimado pessoalmente a comprovar a origem dos depósitos bancários mantidos na contacorrente auditada, quando registrou no Termo de Intimação: “Recebi em 15/04/2005. Como me encontro detido na Polícia Federal estou no momento impossibilitado de atender ao mesmo no prazo solicitado. Estou para sair e quando sair apresentarei as razões” (fl. 97). Haveria alguma plausibilidade na presente tese defensiva se o contribuinte tivesse permanecido preso durante todo o iter da ação fiscal, impedido de produzir sua defesa. Porém, o contribuinte obteve liberdade provisória em 13/07/2005 e sabia, pelo menos desde 15/04/2005, quais os depósitos bancários a comprovar a origem. Neste ponto, apesar do insucesso da intimação postal após a liberação do autuado (correspondência enviada Fl. 292DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 indevidamente para a Rua Cuevas, nº 361 – Lapa – São Paulo, pois se comprovou, com a diligência in loco em 24/10/2005, que o contribuinte era de fato desconhecido no endereço acima fl. 116), entendo que o contribuinte foi validamente intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários em 15/04/2005, cujo prazo de exigência ficou suspenso até a liberdade do autuado. Obtida a liberdade provisória em 13/07/2005, deveria o fiscalizado ter comprovado a origem dos depósitos bancários, o que não ocorreu até o presente momento. Já no tocante à apreensão da documentação de seu escritório em um mandado de busca e apreensão determinado judicialmente, o que impediria sua defesa, tratase de mera alegação, pois não parece crível que, até a interposição deste recurso voluntário (26/06/2008), o fiscalizado não tenha tido acesso a tal documentação, quando atualmente até o acesso a prova de procedimento investigatório no âmbito da polícia judiciária, quando documentada, é direito do acusado e de seu defensor, como se vê pelo teor da Súmula Vinculante nº 14 É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. Ainda, observese, já estamos no final do ano de 2011 e jamais o contribuinte trouxe aos autos qualquer comprovação dos depósitos bancários, ficando sempre a escudarse nos pretensos óbices impostos pela Justiça Federal. Claramente se percebe que o autuado vem utilizando pretensos incidentes judiciais para não atender aos reclamos deste processo administrativo fiscal, posicionamento que não pode ser acatado nesta instância. Por tudo, rejeitase a debatida tese defensiva. Agora se passa a apreciar as defesas dos itens III e IV, em conjunto, na quais o contribuinte ataca a presunção de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, bem como pede para que seja considerada como origem dos recursos uma herança recebida no ano de 1997. Anteriormente à Lei nº 8.021/90, assentouse que os depósitos bancários, unicamente, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Inclusive, o Tribunal Federal de Recursos tinha sumulado um entendimento com tal interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 9º, VII, do DecretoLei nº 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Veio o art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90 e, expressamente, permitiu o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Porém, para incidência do imposto de renda sobre a hipótese em debate, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Essa era a dicção do art. 6º da Lei nº 8.021/90, verbis: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.003171/200531 Acórdão n.º 2102 S2C1T2 Fl. 4 7 § 1° Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4° No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Revogado pela lei nº 9.430, de 1996) § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Esse estado de coisas foi profundamente alterado pelo art. 42, caput, da Lei nº 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir dessa inovação legislativa, os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem passaram a ser rendimentos presumidos. Tratase de presunção iuris tantum, passível de prova em contrário por parte do contribuinte. Entretanto, caso o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos valores mantidos em conta de depósito ou investimento, é de se presumir que tais valores foram omitidos da tributação. Observe que o art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90 (tachado acima) tratava do arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários e foi expressamente revogado pelo art. 88, XVIII, da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, para fatos geradores a partir de 1º/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem vigência única e plena o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Com esse novo estatuto, como já assinalado, o depósito bancário com origem não comprovada é presumido rendimento omitido, com incidência da tabela progressiva do imposto de renda. Nesse novo cenário normativo, não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não Fl. 294DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 comprovada pelo contribuinte. Esta é a hipótese dos autos. Por uma presunção legal relativa, o depósito com origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão nº CSRF/0400.164, sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996). Assim, na hipótese em debate, escorreito o lançamento que utilizou a presunção estatuída no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Indo para as origens em concreto dos depósitos trazidas pelo recorrente, não se percebe como uma herança recebida no ano de 1997, no importe de R$ 78.683,23, pudesse funcionar como origem para depósitos bancários ocorridos a partir do ano 2000, como se vê nestes autos. Obviamente que não há qualquer razoabilidade em defender que tal valor, auferido em 1997, somente tivesse sido depositado em 2000. Caso tenha sido depositado em 1997, como seria esperável, poderia justificar depósitos bancários do ano de 1997, jamais de anos seguintes. Já em relação à argumentação de que os recursos transacionados na conta corrente auditada seriam proveniente da comercialização de automóveis, tratase de defesa sem qualquer prova nos autos, sendo uma mera argumentação destituída de qualquer prova. Por último, aqui não se aceita a defesa que busca suscitar todas as teses trazidas na impugnação, como se estivessem transcritas no recurso voluntário, pois é dever do recorrente contraditar especificamente a decisão recorrida. Devese observar que esta instância recursal julga recursos voluntários contra a decisão de primeiro grau, ou seja, não se pode simplesmente se valer das teses trazidas na impugnação, sem informar qual a irresignação em relação à decisão recorrida. Por óbvio, não pode o recorrente transferir para a autoridade julgadora de segundo grau o confronto entre as teses da impugnação e o julgamento a quo. Este é um ônus do recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 295DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.003171/200531 Acórdão n.º 2102 S2C1T2 Fl. 5 9 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10835.002553/2005-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INAPLICABILIDADE.
A não apresentação dos documentos solicitados implicou na consideração das áreas de preservação e de utilização limitada, declaradas como isentas, como áreas tributáveis, o que demonstra não ter havido prejuízo para a efetivação do lançamento.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.306
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. A não apresentação dos documentos solicitados implicou na consideração das áreas de preservação e de utilização limitada, declaradas como isentas, como áreas tributáveis, o que demonstra não ter havido prejuízo para a efetivação do lançamento. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator Fl. 365DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Declarouse impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2202 00.618, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção em 26/07/2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Segue abaixo sua ementa: “SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, cabe a ele o ônus da prova de que não detinha a posse plena do referido imóvel para poder ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa de ofício para 112,5% ou 225% em face do não atendimento à intimação para prestação de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem conseqüências específicas previstas na legislação.” A Fazenda Nacional afirma que o aresto atacado está em desacordo com os paradigmas que apresenta, cujas ementas serão reproduzidas a seguir: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÓNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a Fl. 366DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10835.002553/200551 Acórdão n.º 920202.306 CSRFT2 Fl. 2 3 comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ónus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Para aplicação da multa qualificada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação emitida divergentes de dados levantados pela fiscalização, a movimentação bancária desproporcional aos rendimentos declarados, mesmo de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. LANÇAMENTO DE OFICIO INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFICIO LEGALIDADE É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de oficio no percentual de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO AGRAVAMENTO DE PENALIDADE FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS A falta de atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, à intimação formulada pela autoridade lançadora para prestar esclarecimentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de ofício, quando a irregularidade apurada é decorrente de matéria questionada na referida intimação. INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n°. 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n°. 4). Recurso parcialmente provido.” (AC 10421.978) “PAF NULIDADES — Não provada violação às regras do artigo 142 do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade, do lançamento, do procedimento fiscal que lhe deu origem, ou do documento que formalizou a exigência fiscal. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 PAF — ABUSO DE PODER — No procedimento não restou comprovada a prática de qualquer ato processual com excesso, por isto não prospera o alegado “abuso de poder". A ausência reiterada de respostas às intimações do fisco justificou o agravamento do percentual da multa aplicada. 1RPJ — LANÇAMENTO COM BASE EM EXTRATO BANCÁRIO —POSSIBILIDADE LEGAL — O entendimento expresso na Súmula 182, do TFR, publicada no DJ de 70/10/1985, baseado em julgados publicados entre 1981 e 1984, e no Decretolei n.° 2.471, de 01/09/88, foi superado após a edição das Leis n° 7.713 de 1988 e 8.021 de 1990. Esta,em seu art. 6°, autorizou a constituição do crédito tributário com base nos extratos bancários,; quando ,o, procedimento estivesse revestido de certeza. A Lei n° 9.430/1996 avançou ao admitir, nesses casos, o lançamento com base nas presunções, invertendo o ónus da prova. IRPJ — ARBITRAMENTO DO LUCRO — FORMA DE APURAÇÃO DE RESULTADO — O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 44, prevê a incidência do IRPJ sobre três possíveis bases de cálculo: lucro real, lucro arbitrado e lucro presumido. A apuração do lucro real, parte do lucro líquido do exercício, ajustandoo, fornecendo o lucro tributável. Na apuração do lucro presumido e do arbitrado, seu resultado decorre da aplicação de um percentual, previsto em lei, sobre a receita bruta conhecida, cujo resultado já é o lucro tributável. PROVA ILÍCITA — UTILIZAÇÃO DE DADOS RELATIVOS A CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO — A própria confissão da Recorrente sobre os atos por ela praticados toma sem efeito qualquer alegação de prova ilícita. MULTA DE OFICIO — Nos lançamentos decorrentes de auditoria fiscal cabe a aplicação de multa de oficio. Havendo descumprimento de intimação fiscal, correto o agravamento do coeficiente aplicado, nos termos da letra 'a' do § 2°. do artigo 44 da Lei 9430/1996. LANÇAMENTOS REFLEXOS — decisão sobre o processo matriz, faz coisa julgada para o decorrente. Recurso negado.” (AC 10808.356) Explica que enquanto o acórdão recorrido decidiu por reduzir a multa para 75%, mesmo restando configurada a inobservância pelo contribuinte de intimação fiscal, por incompatibilidade com a presunção do art. 42 da Lei 9430/96, incidente no caso em comento, os paradigmas adotaram solução diversa, qual seja, a manutenção do agravamento da multa, ante o descumprimento da intimação fiscal, pois não foram apresentados documentos especificamente relacionados à matéria disposta na intimação. No mérito, argumenta que o contribuinte não pode deixar de cumprir as intimações expedidas pela fiscalização, sob pena de sanção legal que, no caso em tela, está prevista no art. 44 da Lei 9430/96. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10835.002553/200551 Acórdão n.º 920202.306 CSRFT2 Fl. 3 5 Não concorda com o posicionamento do relator no sentido de admitir o descumprimento de intimações fiscais, sem agravamento da multa, sempre que houver possibilidade de o fisco buscar os esclarecimentos pretendidos de outra forma. Pondera que inadmitir a cumulatividade da multa agravada com a presunção de omissão de rendimentos do art. 42 da Lei 9430/96 significa inovar no ordenamento jurídico, eis que consiste em limitar o alcance da norma jurídica, a qual não disciplinou tal incompatibilidade de agravamento da multa com o lançamento nos moldes do art. 42 da r. lei, em desencontro com os princípios da hermenêutica jurídica. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho de fls. 154/157, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões. Afirma que no presente caso o fato de não ter apresentado toda a documentação pertinente ao VTN declarado e as áreas de preservação permanente e de utilização limitada de sua propriedade não impediu a lavratura do presente auto nem causou prejuízo concreto ao deslinde da fiscalização. Alega que só é possível admitir o agravamento da penalidade quando a conduta do sujeito passivo estiver associada a um prejuízo concreto à ação fiscal, o que não se evidenciou no caso em questão. Cita diversas decisões do CARF para embasar sua tese de defesa. Ao final, requer o não provimento do recurso especial da PGFN. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Aponta a autoridade fiscal que o contribuinte, apesar de regularmente intimado, em 17/08/2005, 20/09/2005 e 31/10/2005, para apresentar os documentos referentes ao imóvel objeto do presente lançamento, não atendeu as intimações (fls. 22), ensejando a aplicação da multa agravada prevista no art. 44, § 2º, “a” da Lei 9.430/1996, in verbis: “Art. 44........................................................................................... ......................................................................................................... 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) prestar esclarecimentos; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997” A acórdão recorrido reduziu o percentual da multa de ofício de 112,5% para 75% com fulcro na seguinte fundamentação: Como dos autos se infere, o agravamento da penalidade se deu porque a autoridade fiscal entendeu estar inclusa nos limites do § 2' do art. 44 da Lei n 9430, de 1996, a conduta do contribuinte de não cumprir seu "dever legal de prestar as informações à administração tributária”. A jurisprudência deste Colegiado tem se firmado no sentido de que, para o agravamento da penalidade é necessário que à conduta do sujeito passivo esteja associado um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal; não evidenciado tal prejuízo, não é razoável o agravamento, dado que não se podem equiparar condutas que sejam desproporcionalmente diferentes no que se refere ao seu potencial de obstaculizar os procedimentos de ofício. Como se sabe, as informações que serviram de base para apuração do imposto devido devem estar amparadas em documentação hábil e idônea, podendo a autoridade fiscal solicitar os esclarecimentos que julgar necessários e exigir a apresentação dos mesmos, pois, muito embora a juntada de tais documentos seja dispensada quando da entrega da declaração, deve o contribuinte mantêlos em boa guarda para sua apresentação quando solicitada (art. 40 do Decreto ri? 4.382, de 2002, que regulamentou a fiscalização do ITR). Entretanto, o fato de o contribuinte não apresentar toda a documentação necessária para comprovar as áreas preservação permanente e de utilização limitada, assim como o VTN declarado, não obsta a atividade fiscal, pelo contrário a facilita, pois tal conduta tem como conseqüência direta à glosa das referidas áreas e o arbitramento do VTN, autorizando o lançamento de oficio. Ao não entregar ou mesmo se recusar a apresentar a documentação que comprove os valores por ele declarados, o contribuinte atua contra si próprio, não se podendo, nestes casos, terse corno evidenciada conduta tendente à caracterização da situação que justificaria a imposição da multa agravada. Destarte, não restou evidenciada a situação de fato que daria ensejo à aplicação da multa de ofício de 112,5%, devendo a mesma ser reduzida para 75%.” O agravamento da penalidade se dá, nos termos da lei, quando o contribuinte deixa de atender, no prazo marcado, a intimações para prestar esclarecimentos. A justificativa que o Fisco aponta para o agravamento da multa decorre da não apresentação dos documentos solicitados nos Termo de Intimação Fiscal. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10835.002553/200551 Acórdão n.º 920202.306 CSRFT2 Fl. 4 7 A apresentação de documentos, não obstante decorra de obrigação legal, não se confunde com a prestação de esclarecimentos. Ademais, a não apresentação dos documentos solicitados implicou na consideração das áreas de preservação e de utilização limitada, declaradas como isentas, como áreas tributáveis, o que demonstra não ter havido prejuízo para a efetivação do lançamento. Não vislumbro, aqui, motivo para agravamento da penalidade. Precedentes desta 2ª Turma da CSRF: “CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A ausência de resposta do contribuinte quanto a intimações para comprovar a origem de depósitos bancários não autoriza o agravamento da multa, na medida em que tal situação não prejudica a elaboração do lançamento. Aplicabilidade ao caso do artigo 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional, com a conseqüente manutenção da decisão recorrida, que reduziu a penalidade para 75%.” (Acórdão nº 920201.983, de 16 de fevereiro de 2012, Relator: conselheiro Gonçalo Bonet Allage) “MULTA. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. Somente nos casos dispostos no Art. 44 da Lei 9.430/1996 é que a legislação determina o agravamento da multa de ofício. MULTA DE OFICIO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Devese desagravar a multa de oficio, pois o Fisco já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado.” (Acórdão nº 920201.949, de 15 de fevereiro de 2012, Redator Designado: conselheiro Marcelo Oliveira) “MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO FEITA POR EDITAL. Não se aplica a multa agravada, quando não há comprovação da efetiva conduta prevista da norma. Ausência de prejuízo para o Fisco, que logrou autuar o contribuinte.” (Acórdão nº 9202002.064, de 21 de março de 2012, Relatora: conselheira Susy Gomes Hoffmann) Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 372DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.720038/2008-18
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2000
INTEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO.
O recebimento da intimação pelo porteiro do edifício comercial atende o prescrito na súmula do CARF nº 9, sendo considerada a manifestação de inconformidade do contribuinte preclusa.
Numero da decisão: 1802-001.236
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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PRECLUSÃO. O recebimento da intimação pelo porteiro do edifício comercial atende o prescrito na súmula do CARF nº 9, sendo considerada a manifestação de inconformidade do contribuinte preclusa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.720038/200818 Acórdão n.º 1802001.236 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que não conheceu a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente (fls. 372/394), mantendo o crédito tributário lançado. O presente processo trata de DCOMP's protocolizadas pelo contribuinte acima identificado, mediante utilização de pretensos indébitos pleiteados no processo administrativo de n° 10680.000505/200458, protocolizado pelo contribuinte portador do CNPJ n° 17.346.222/000163. A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF/Belo HorizonteMG através do Despacho Decisório n° 277, exarado aos 12/02/2010 (fls. 285 a 293), onde resumidamente se manifesta: a) A ORIENTAL ADMINISTRAÇÃO LTDA peticionou, aos 20/07/2007 a “retificação do pólo ativo do Pedido de Restituição n° 10680.000505/200458, para que se faça constar o seu nome como uma das partes titulares e que lhe seja atribuida a titularidade do seu respectivo percentual, qual seja, de 17,39% dos direitos sobre os valores ali postulados”. b) Que, de acordo com a manifestação de inconformidade apresentada pela AURORA PARTICIPAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO S A os valores correspondentes aos pretensos pagamentos indevidos efetuados em 31/03/2000 foram parcialmente vertidos GOODY INDUSTRIA DE ALIMENTOS S A, que posteriormente efetuou cisão parcial e “verteu esse capital para oito empresas”, dentre elas a ORIENTAL ADMINISTRAÇÃO LTDA. Esclarece que “anteriormente a cisão parcial da GOODY, que deu origem a oito empresas com a versão do crédito acima analisado, houve utilização desse crédito pela própria GOODY em declarações de compensação.” Acrescenta que intimou o contribuinte em questão a apresentar a memória de cálculos da origem do crédito utilizado nas DCOMP's em análise, sem obter qualquer pronunciamento. c) “Analisando o Despacho Decisório nº 2.805, de 04 de agosto de 2009, que tratou dos 16 (dezesseis) pedidos de restituição contidos no processo de n° 10680.000505/200458, verificase que o pedido de restituição (relativo aos pagamentos indevidos objeto da cisão da AURORA) foi considerado lido formulado por estar desprovido de formalidade legal necessária a certificação do direito creditório”. d) Neste contexto, conclui que “há que não se homologar as compensações transmitidas pela ORIENTAL, tendo em vista que o crédito utilizado foi arrecadado há mais de cinco anos da transmissão daquelas compensações”. e) Prosseguindo em sua análise, a DRF tece diversos esclarecimentos acerca da "cisão", concluindo que "a opera cão de incorporação das empresas resultantes da cisão da AURORA pela GOODY não resultou em aumento de capital dessa incorporadora e sim acréscimo no seu "Exigível a Longo Prazo", item "Outras contas", caracterizando o compromisso de pagar pelo direito registrado em conta especifica de seu Ativo, "Impostos e Fl. 425DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.720038/200818 Acórdão n.º 1802001.236 S1TE02 Fl. 38 3 Contrib. a Recuperar". Essa transferência isolada do bem constitutivo do patrimônio absorvido é uma opera cão de venda, e não cisão, no ensinamento do Ministro César Asfor Rocha". Na sequência, conclui que o crédito utilizado reportase a"crédito de terceiros", hipótese não permitida para utilização em compensação tributária nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Assevera ainda que "essa irregularidade, o uso do crédito de terceiro na compensação de débitos próprios tornouse enfraquecida por tratar de crédito alcançado pela decadência." f) Em síntese, a DRF NÃO HOMOLOGOU as compensações constantes das DCOMP's identificadas no item 2 deste documento, considerando que já transcorrido o prazo previsto no art. 168 do CTN. O contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório exarado pela DRF aos 23/02/2010, conforme ARAviso de Recebimento anexado à fl. 291. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade aos 26/03/20l0, consubstanciada no documento anexado às fls. 298 a 334, onde, em síntese, argumenta: a) A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. b) “Os créditos utilizados nas declarações de compensação são objeto do Pedido de Restituição n" 10680.000505/200458, formulado inicialmente junto à DRF/BHE pela sociedade AURORA PARTICIPAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO SA, que posteriormente deixou de ser a titular do direito pleiteado, em decorrência da versão de parcela do seu patrimônio, em virtude de evento de cisão parcial, conforme relato da autoridade administrativa.” c) Invoca, inicialmente, a dependência deste processo ao de n° 10680.000505/200458, considerando que o crédito utilizado nas DCOMP's em questão advém daquele processo. Esclarece que protocolizou junto ao fisco a solicitação de retificação do pólo ativo naquele processo; o documento protocolizado foi cadastrado neste processo. Tendo em vista o acima descrito e invocando os princípios da celeridade e eficiência, o manifestante propugna pela reunido de ambos os processos, este e o de n° 10680.000505/200458. Ilustra com Acórdão do Conselho de Contribuintes. d) Em função do vinculo das DCOMP's em análise ao processo 10680.000505/200458, o impugnante propugna pela nulidade do Despacho Decisório, considerando que "não foi intimada da decisão do Pedido de Restituição, enquanto a AURORA o foi no Ines de agosto do ano de 2009, tendo a inconformada sido notificada apenas sobre a não homolozaetz'o de suas compensações, no tiles de março de ano de 2010.” A manifestante argumenta que “a AURORA e a inconformada são pessoas distintas, dotadas de personalidade jurídica. Neste contexto, argúi que "a falta de intimação da inconformada acerca da decisão do pedido de restituição leva a nulidade prevista no art. 59, inciso II do Decreto 70.235, de 1972". Assim sendo, requer a decretação da nulidade da decisão prolatada pela DRF em função da preterição do direito de defesa. Subsidiariamente, o impugnante pleiteia que "caso não seja admitida a preliminar de conexão, a inconformada requer que a autoridade julgadora da presente Manifestação de Inconformidade comunique aos autos do Pedido de Restituição o pedido ora formulado". e) A manifestante propugna pela suspensão da exigibilidade dos débitos declarados nas DCOMP's em litígio neste processo, em decorrência da interposição da manifestação de inconformidade; ressalta que tal procedimento permite à inconformada a obtenção de certidão positiva de débitos com efeito de negativa. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.720038/200818 Acórdão n.º 1802001.236 S1TE02 Fl. 39 4 f) Acerca do direito de crédito utilizado nas DCOMP's, o manifestante argumenta que é titular de 17,39% dos direitos pleiteados no Pedido de Restituição, em virtude da versão patrimonial decorrente da cisão parcial. Desta forma, apesar de não notificada dos motivos da consideração do pedido de restituição como não formulado, sob argumento de "resguardar seus direitos, faz coro com a AURORA, repisando os argumentos por ela expostos, atacando os argumentos contidos no despacho decisório n°2.805". A seguir tece extensa argumentação, destinada a combater o Despacho Decisório prolatado no processo de n° 10680.000505/200458 (fls. 310 a 317). g) Quanto ao Despacho Decisório de nº 2 , prolatado pela DRF/BHMG em análise as DCOMP's em litígio neste processo, argumenta: “A autoridade administrativa vale se da consideração do pedido de restituição como não formulado para motivar a sua decisão, visando negar o direito da inconformada em face da decadência.” Defende que “por todos os argumentos explanados no item anterior, o pedido deve ser considerado como formulado”. “E em assim sendo, cai por terra a tese de decadência do direito creditório, sustentada pela autoridade administrativa”. h) Em outra linha argumentativa aduz que, ainda que não computado como formulado o pedido de restituição, “não prevalece o argumento da autoridade administrativa”. Invoca os arts. 113, 150, 156, 165 e 168 do CTN e o art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996 concluindo que “o instituto da decadência fulminaria o direito de pleitear a restituição, e por analogia a compensação, somente após o decurso de 10 (dez) anos da ocorrência do fato gerador". Ilustra com acórdão do Conselho de Contribuintes. i) Acerca dos arts. 3° e 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005, argumenta que são "inaplicáveis ao caso em tela, que vieram com intuito de alterar a sistemática então vigente, narrada anteriormente e conhecida no meio jurídico como a "tese dos cinco mais cinco". A "redução de um prazo decenal para um qu inqu enal, em prejuízo do contribuinte, não poderia nunca implicar a redução dos prazos em curso, por ofender a garantia constitucional da segurança jurídica" (negritos do original). Transcreve passagem de Gilmar Ferreira Mendes e de Wilson de Souza Campos Batalha, além de decisão do STJ e acórdão do Conselho de Contribuintes. j) Acerca da reorganização societária que deu origem ao pretenso crédito pleiteado, argumenta que "os atos de reestruturação societária, ai incluídos os atos de cisão e incorporação, são atos jurídicos solenes, que, por sua própria natureza e por disposição legal, exigem o cumprimento de determinadas formalidades para que se configurem perfeitos”. Esclarece que todas as formalidades foram cumpridas. k) Quanto à intimação enviada pela DRF, esclarece que não recebeu qualquer intimação neste sentido, e “segundo, quanto ao fato de a documentação referente a todos os créditos do pedido de restituição estarem contidos no respectivo processo”. l) Por fim, requer: (i) a nulidade do Despacho Decisório pela falta de intimação da inconformada no Pedido de Restituição; (ii) a conexão entre este processo e o de n° 10680.000505/200458; (iii) o acatamento do Pedido de Restituição protocolizado pela AURORA e o reconhecimento do direito creditório pleiteado, com a homologação das compensações e a restituição do valor eventualmente não utilizado nesta homologação; (iv) o reconhecimento da não ocorrência da decadência; (v) a suspensão da exigibilidade dos débitos constantes das DCOMP's e a concessão de Certidão Positiva com Efeito de Negativa. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.720038/200818 Acórdão n.º 1802001.236 S1TE02 Fl. 40 5 A DRJ de Belo Horizonte não conheceu da manifestação de inconformidade, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: “Acórdão 0229.405 3' Turma da DRJ/BHE Sessão de 10 de novembro de 2010 Processo 10680.720038/200818 Interessado ORIENTAL ADMINISTRAÇÃO LTDA CNPJ/CPF 08.028.760/000119 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 INTEMPESTIVIDADE A apresentação eventual de petição, fora do prazo regulamentar, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instancia. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 20/12/2010, a Contribuinte em 19/01/2011 apresentou o presente recurso, alegando que a manifestação de inconformidade não se deu de modo intempestivo, tendo em vista que a data constante do aviso de recebimento diz respeito ao dia que o porteiro do prédio recebeu a intimação e não a data que a mesma chegou na sala da empresa. Este é o Relatório. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.720038/200818 Acórdão n.º 1802001.236 S1TE02 Fl. 41 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. De acordo com a Recorrente, a intimação foi entregue na portaria do prédio comercial, tendo a empresa tomado ciência apenas no dia seguinte. Reza a Súmula CARF nº 9: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Seguindo o prescrito no Decreto nº 7.574/2011, art. 10, II, que veio a regulamentar a Lei nº 9.532/97, art. 67, a intimação por via postal deve ter como prova de recebimento o domicílio tributário (fiscal) eleito pelo contribuinte. A correspondência foi devidamente entregue no edifício eleito pelo contribuinte, ficando sob responsabilidade do funcionário do prédio a entrega na sala ali informada. A alegação feita pela ora Recorrente parece extremamante apelativa de modo que voto no sentido de reconhecer a intempestividade da manifestação de inconformidade, mantendo assim a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG). (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 429DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13064.000073/2009-45
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. DATA DO PAGAMENTO. DATA DA EMISSÃO DO CHEQUE.
Para fins de dedução na declaração de imposto de renda, deve prevalecer como data de pagamento a data de emissão do cheque ou a data de sua apresentação, neste último caso somente se a cártula for apresentada antes da data da emissão, nos termos do que dispõe o parágrafo único do art. 32 da Lei nº 7.357/1985.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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DATA DO PAGAMENTO. DATA DA EMISSÃO DO CHEQUE. Para fins de dedução na declaração de imposto de renda, deve prevalecer como data de pagamento a data de emissão do cheque ou a data de sua apresentação, neste último caso somente se a cártula for apresentada antes da data da emissão, nos termos do que dispõe o parágrafo único do art. 32 da Lei nº 7.357/1985. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 06 4. 00 00 73 /2 00 9- 45 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13064.000073/200945 Acórdão n.º 2801002.980 S2TE01 Fl. 60 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2007, por meio da qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 11.326,17. O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de despesas médicas. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do acórdão recorrido: “1. Não foi observado pela Autoridade Fazendária a legislação citada para enquadramento legal de glosa nas deduções. Cita o embasamento jurídico pesquisado e a legislação citada pela Autoridade Fazendária em seu enquadramento legal de glosa nas deduções. 2. O regime adotado para utilizar as deduções de base de cálculo em sua DIRPF 2007/2006, foi o regime de competência. 3. Apresenta documentos complementares que atestam a necessidade das despesas médicas: => cópia de declaração do Dr. Rogério Florim Frota, Cirurgião Dentista, CRO n° 8663, atestando que no ano de 2006 houveram procedimentos dentários em prol do Contribuinte, gerando com isto uma despesa na importância de R$ 9.600,00; => cópia dos laudos da ressonância magnética de Coluna Cervical, onde fora constatado lesões ocasionadas por desgastes de causas naturais e hereditárias, e, por consequência da interpretação deste laudo, houve a necessidade de dar continuidade aos tratamentos fisioterápicos com Gislene Lutz Martins CREFITO n° 71.969F, tendo efetuado o pagamento de R$ 11.200,00, no ano de 2006.” A 4ª Turma da DRJ/POA/RS julgou improcedente em parte a impugnação, conforme Acórdão de fls. 38/47, para considerar as despesas médicas referentes à fisioterapeuta Gislene Lutz Martins, no valor de R$ 11.200,00. Regularmente cientificado daquele acórdão em 13/09/2011 (fl. 49), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 50/54, em 11/10/2011. Em sua defesa, requer seja reformada a decisão recorrida, pois, considerando que o Dr. Rogério Florim Frota CPF n° 600.942.57000 e CRO 8663, atesta que os procedimentos foram realizados no ano de 2006, e, que o pagamento foi realizado no ano calendário através de cheque, fica evidente que neste ato deve ser utilizado o art. 112 do Código Tributário Nacional, pois não houve negligencia, tampouco dolo na interpretação do contribuinte perante a legislação vigente na época. O que houve foi o cumprimento a risca da Lei nº 7.357, de 2 de setembro de 1985 em seu art. 32 parágrafo único. É o relatório. Voto Fl. 60DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13064.000073/200945 Acórdão n.º 2801002.980 S2TE01 Fl. 61 3 Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente litígio da parcela remanescente do lançamento que corresponde à glosa das despesas médicas declaradas referentes ao profissional Rogério Florim Frota, no valor de R$ 9,600,00. A fiscalização efetuou a referida glosa pelo fato do efetivo pagamento da despesa médica ter ocorrido em maio de 2007, conforme cópia do cheque compensado. A decisão recorrida manteve tal glosa considerando a declaração do dentista Rogério Florim Frota, à fl. 13, afirmando que o tratamento dentário foi realizado em 2006, mas foi pago com cheque prédatado para fevereiro de 2007. Ocorre que, nos termos do art. 32 da Lei nº 7.357/1985, o cheque é ordem de pagamento a vista, Portanto, a sua pósdatação não amplia o prazo de apresentação da cártula, cujo marco inicial é, efetivamente, a data da emissão. Entender de forma diversa seria afastar a aplicação de disposição literal de lei (Art. 32: O cheque é pagável a vista. Considera não escrita qualquer menção em contrário) e aceitar que a pósdatação desnatura o cheque naquilo que esta espécie de título de crédito tem de mais essencial: ser ordem de pagamento à vista. Não se pode admitir que o contribuinte que emita um cheque em dezembro de determinado anocalendário, frente à redação do artigo 32 da Lei nº 7.357/1985, não possa deduzilo na declaração de ajuste do ano em que os serviços foram prestados, só pelo fato de que a compensação do cheque ocorreu no ano seguinte, sob pena de o Fisco ter de glosar todos os pagamentos efetuados com cheques que não foram compensados no mesmo ano da emissão, ainda que não pósdatados, o que é totalmente inviável. O mesmo raciocínio não se aplica ao prestador dos serviços (recebedor do cheque), uma vez que, neste caso, o imposto será devido à medida que os rendimentos forem efetivamente recebidos, em cumprimento ao regime de caixa. Pelo lado do emitente do cheque, no entanto, o que deve prevalecer, para fins de dedução na declaração de imposto de renda, é a data de emissão do cheque ou a data de sua apresentação, neste último caso somente se a cártula for apresentada antes da data da emissão, nos termos do que dispõe o parágrafo único do art. 32 da Lei nº 7.357/1985, verbis: Art. 32 O cheque é pagável à vista. Considerase nãoescrita qualquer menção em contrário. Parágrafo único O cheque apresentado para pagamento antes do dia indicado como data de emissão é pagável no dia da apresentação. Se emitido no mesmo ano da prestação de serviços, perfeitamente dedutível no ajuste anual, pouco importando que o prestador somente venha a depositálo em ano Fl. 61DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13064.000073/200945 Acórdão n.º 2801002.980 S2TE01 Fl. 62 4 calendário posterior, seja por contrato entre as partes, seja por ato de vontade unilateral do prestador dos serviços. Não se desconhece a existência do costume relativo à emissão de cheque pós datado, tampouco os efeitos jurídicos desta prática. A ineficácia da pósdatação não significa que não possam advir consequências jurídicas para as partes que a pactuaram, mas somente para elas. É bem por isso que a Súmula 370 do Superior Tribunal de Justiça – STJ orienta que caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque prédatado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 62DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.100117/2006-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
IRPF. VERBA RECEBIDA A TÍTULO DE QUILOMETROS RODADOS.
CARÁTER INDENIZATÓRIO.
A verba recebida a título de quilômetros rodados está fora do campo de incidência do IRPF, pois se reveste de natureza indenizatória (ressarcimento de gastos), além de não incorporar à remuneração do vendedor.
Numero da decisão: 2201-001.604
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 IRPF. VERBA RECEBIDA A TÍTULO DE QUILOMETROS RODADOS. CARÁTER INDENIZATÓRIO. A verba recebida a título de quilômetros rodados está fora do campo de incidência do IRPF, pois se reveste de natureza indenizatória (ressarcimento de gastos), além de não incorporar à remuneração do vendedor.
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VERBA RECEBIDA A TÍTULO DE QUILOMETROS RODADOS. CARÁTER INDENIZATÓRIO. A verba recebida a título de quilômetros rodados está fora do campo de incidência do IRPF, pois se reveste de natureza indenizatória (ressarcimento de gastos), além de não incorporar à remuneração do vendedor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Fl. 124DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, consubstanciado no Auto de Infração, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 15.301,77. A fiscalização apurou omissão de rendimentos relativo à reclamatória trabalhista movida pelo contribuinte contra a empresa Unilever Brasil Ltda. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... de acordo com a sentença judicial os valores recebidos a título de reembolso de despesas por quilometro rodado não sofreriam incidência de descontos previdenciários e fiscais; 2) sendo a mencionada empresa sua única fonte de rendimentos, na época do desembolso o rendimento auferido já foi tributado anteriormente; 3) no caso de ressarcimento de despesas não se configura em qualquer das hipóteses de ocorrência do fato gerador nos termos do art. 42 do CTN; 4) o art. 43 do RIR/99 não trata o ressarcimento de despesas como rendimento tributável. Requer a insubsistência do Auto de Infração pois entende que o rendimento é isento, tanto na fonte, conforme determinação judicial, quanto na declaração. Acompanham a impugnação os documentos em fls. 7/16. A 4ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: RECLAMATÓRIA TRABALHISTA QUILÔMETRO RODADO Constitui rendimento tributável o valor auferido a título de diferença de quilômetros rodados, ainda que pago sob a denominação de indenização, por não estar expressamente declarado como isento na legislação pertinente. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 28/11/2009 (fl. 116), Celso Vantuil Gomes Cardoso apresenta Recurso Voluntário em 18/11/2009 (fls. 117/120), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.100117/200660 Acórdão n.º 2201001.604 S2C2T1 Fl. 2 3 Alega o suplicante, em linhas gerais, que o valor de R$ 148.921,07, recebido da Unilever Brasil Ltda referese a diferenças pagas a título de quilômetro rodado, porquanto isentas de imposto de renda, conforme discriminado na própria sentença judicial. Por sua vez, afirma a autoridade recorrida que constitui rendimento tributável o valor auferido a título de diferença de quilômetros rodados, ainda que pago sob a denominação de indenização, por não estar expressamente declarado como isento na legislação pertinente. Consoante se observa, a discussão travada nos presentes autos diz respeito à natureza da verba denominada quilômetro rodado, ou seja, se a mesma pode (ou não) ser considerada como isenta do imposto de renda. Pois bem, a solução da matéria não requer, no meu entendimento, grandes divagações. É cediço que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica da renda e de proventos de qualquer natureza, a teor do art. 43 do CTN. Assim, a tributação independe da denominação dos rendimentos bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Contudo, não se submetem ao referido tributo as verbas de caráter indenizatório, pois visam, essencialmente, a reposição ou recomposição patrimonial. Sendo assim, ainda que a verba quilometro rodados não esteja expressamente discriminada na legislação de regência representa, fundamentalmente, reembolso de despesas com combustíveis e gasto com a manutenção pelo uso de veículo próprio para o desempenho de funções de vendedor e/ou cobrador. Neste contexto, penso que a referida verba é de natureza indenizatória, pois não se incorpora à remuneração do vendedor para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. Ressaltese que os cálculos constantes às fls. 37/45, bem como a sentença expedida pela 13ª Vara da Justiça do Trabalho de Porto Alegre não deixa dúvidas de que o valor recebido pelo recorrente referese, de fato, a indenização por quilometro rodado (fl. 56). Ante ao exposto, voto dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Processo nº: 11080.100117/200660 Recurso nº: 517.777 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.604. Brasília/DF, 15 de maio de 2012. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002502/2003-29
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Período de apuração: 26/04/1998 a 02/05/1998, 03/05/1998 a 09/05/1998, 17/05/1998 a 23/05/1998, 26/07/1998 a 01/08/1998, 02/08/1998 a 08/08/1998, 16/08/1998 a 22/08/1998.
ERRO NA INDICAÇÃO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. O simples
erro na indicação do período de apuração do IRRF desde que demonstrado o
efetivo pagamento do crédito tributário resulta na improcedência do
lançamento.
Numero da decisão: 1803-001.231
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ERRO NA INDICAÇÃO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. O simples erro na indicação do período de apuração do IRRF desde que demonstrado o efetivo pagamento do crédito tributário resulta na improcedência do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Fl. 223DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FE RREIRA DE MORAES 2 Tratase de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em 16/06/2003, em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos federais (DCTF), para exigir da autuada o recolhimento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 2.986,57, originado em juros e comissões em geral e em rendimentos do trabalho com vínculo de emprego, códigos de receita n's 0481 e 0561, respectivamente, apurado em 11/08/1998 e na primeira semana de junho de 1998, acrescido de multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), na quantia de R$ 2.239,93 e juros de mora na importância de R$ 2.804,16 e também para exigir multa isolada no valor de R$ 78.633,69, em face de recolhimento a destempo de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) sem o pagamento da multa de mora, relativo a rendimentos do trabalho com e sem vinculo de emprego e remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica, códigos de receita n's 0561, 0588 e 1708, respectivamente, apurado nas primeira e segunda semanas de abril, maio e agosto e quarta semana de agosto, todos de 1998, como também, para exigir juros de mora na quantia de R$ 967,34 em decorrência do mesmo evento. Regularmente cientificada, a autuada ingressou com a impugnação de fl. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/62, por meio da qual fustiga a exigência do tributo argumentando, em síntese, que fez os pagamentos dos valores exigidos, conforme comprovantes juntados. No tocante à exigência da multa isolada e juros correlatos aduz que houve erro no preenchimento da DCTF, haja vista o real período de apuração do tributo ter se dado em períodos posteriores aqueles informados. Ao final, requereu o arquivamento do auto de infração. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita Federal em SorocabaSP que, trabalhando com a hipótese da existência de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, exarou o despacho de fls. 68/69 entendendo pela insubsistência da cobrança das parcelas integrantes do item 4.1 do auto de infração e revisou de oficio o lançamento, na forma do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN), cancelando parcialmente a exigência. Em sede de cognição ampla, os argumentos da impugnante foram rechaçados, porém com respaldo a regra decorrente da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, “c” do CTN a penalidade foi mitigada. Inconformada com a decisão, a impugnante interpôs tempestivamente Recurso Voluntário reiterando os mesmos argumentos sustentados na impugnação. É o simples relatório. Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 224DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FE RREIRA DE MORAES Processo nº 10855.002502/200329 Acórdão n.º 1803001.231 S1TE03 Fl. 111 3 Preliminarmente admito o inconformismo da contribuinte mormente em virtude de seu cabimento e tempestividade. A matéria posta a julgamento é tão somente a parcela que remanesceu do lançamento originário, no caso a exigência de multa isolada à ordem de R$ 78.633,69, decorrente de recolhimentos feito em atraso sem o pagamento da multa de mora, e juros de mora na razão de R$ 967,34. As razões do recurso voluntário é no sentido de que houve erro na indicação do período de apuração do tributo em comento. Destarte, conforme analisado nos autos denotase que foram efetivados os pagamentos dos valores exigidos, conforme comprovantes juntados. No tocante à exigência da multa isolada e juros correlatos de fato constatase que houve erro no preenchimento da DCTF, haja vista o real período de apuração do tributo ter se dado em períodos posteriores aqueles informados. Em virtude do exposto, conheço do recurso voluntário e doulhe provimento. É como voto. VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Conselheiro Representante Contribuintes CNI (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FE RREIRA DE MORAES 4 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FE RREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 35065.000584/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso não conhecido.
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Recorrente WALTER DE PRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 06 5. 00 05 84 /2 00 7- 28 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de AI DEBCAD lavrado em face do Recorrente, enquanto dirigente do Município de Nova Venécia, sob o número 37.064.6827 em razão de verificação, pela autoridade fiscal, de não recolhimento de contribuição previdenciária dos contribuintes individuais e autônomos, que prestaram serviços ao Sistema Único de Saúde – SUS, bem como do não recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos servidores do Município, pagas a título de utilidade (ValeAlimentação sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT). Em face da autuação, o Recorrente apresentou impugnação tempestivamente (fls. 49/61), na qual requereu a improcedência ou nulidade do lançamento sob o fundamento de que: a) A autuação é nula porque ausente a assinatura do autuado; b) Os profissionais a que se refere a autuação são autônomos contratados pelo SUS e não pelo Município de Nova Venécia, não havendo vínculo empregatício entre os trabalhadores e o Município; c) Quanto à ajuda alimentação, não há que se falar em incidência da contribuição porque todos os servidores municipais seriam regidos estatutariamente, sem sujeição à Lei Trabalhista (CLT); d) A ajuda alimentação possui natureza indenizatória, por visar a remuneração de despesas em condições normais de trabalho; e) Que o prefeito municipal não responde pessoalmente por multa. Os autos foram remetidos à DRJ que julgou procedente o lançamento (fls. 68/76). Inconformado, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 87/97) reiterando os termos da impugnação. Referido recurso foi remetido ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35065.000584/200728 Acórdão n.º 2402003.250 S2C4T2 Fl. 123 3 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator O Recorrente foi intimado do acórdão de fls. 68/76 em 17 de junho de 2008, conforme Aviso de Recebimento juntado às fls. 82, e apresentou recurso voluntário em 21 de julho de 2008 (fls. 87), portanto, após findo o prazo para apresentação do mesmo. O parágrafo primeiro do art. 305 do Decreto n. 3.048/99 estabelece o prazo para a apresentação de recurso contra decisão do INSS de interesse dos contribuintes e este, após alteração trazida pelo Decreto n. 4.729/03, é de 30 (trinta) dias. Conforme dispõe o art. 23, II, do Decreto n. 70.235/72, a intimação via postal demanda apenas que haja prova do recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo, exatamente na forma ocorrida nos presentes autos: “Art. 23. Farseá a intimação: II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...)” Assim, o recurso apresentado pela interessada foi intempestivo, não sendo possível o seu conhecimento por ausência de cumprimento do requisito de admissibilidade. Conclusão Por todo o exposto, não conheço do recurso. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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