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Numero do processo: 16045.000803/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2007
ISENÇÃO. TAXI.
O estabelecimento fabricante fica obrigado ao recolhimento do imposto correspondente, quando der saída de veiculo com isenção do IPI, para taxista, em desacordo com as normas e requisitos aos quais estava condicionado o beneficio fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, visando subtrair-se ao pagamento de tributos, agrava-se a multa aplicada.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Numero da decisão: 3101-001.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Adriana Oliveira e Ribeiro que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Fez sustentação oral o Dr. Alberto Daudt de Oliveira, OAB/RJ nº 50.932, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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DECADÊNCIA. Caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, aplicase a regra decadencial do artigo 173, inciso I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, visando subtrairse ao pagamento de tributos, agravase a multa aplicada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2007 ISENÇÃO. TAXI. O estabelecimento fabricante fica obrigado ao recolhimento do imposto correspondente, quando der saída de veiculo com isenção do IPI, para taxista, em desacordo com as normas e requisitos aos quais estava condicionado o beneficio fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 08 03 /2 00 8- 43 Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Adriana Oliveira e Ribeiro que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Fez sustentação oral o Dr. Alberto Daudt de Oliveira, OAB/RJ nº 50.932, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Rodrigo Mineiro Fernandes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ de Ribeirão Preto (fls. 1174/1182), que manteve o auto de infração decorrente da exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados na venda de veículos automotores a taxistas em desconformidade com a legislação tributária, conforme relatório da decisão recorrida que transcrevo abaixo: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 01/06, lavrado em 28/12/2008, com ciência da contribuinte em 29/12/2008, totalizando o crédito tributário de R$ 34.561.822,82. Segundo a descrição dos fatos de fls. 02/06 e o relatório fiscal de fls.44/83, foram constatadas as seguintes irregularidades: 1. Falta de lançamento de IPI nas saídas de produtos tributados, pela utilização indevida do instituto da isenção do imposto. A empresa teria dado saída, com isenção do imposto, a veículos em operações de arrendamento mercantil (leasing), o que é expressamente vedado pelas normas administrativas que regem a isenção do IPI para taxistas. Nesses casos, foi aplicada a multa de oficio de 75%; 2. Falta de lançamento de IPI nas saídas de produtos tributados, pela utilização indevida do instituto da isenção do imposto. A empresa teria dado saída, com isenção do imposto, a veículos destinados a taxistas, sem estar de posse de "prévia autorização" ou sem a "previa autorização" da Receita Federal, emitindo a nota fiscal originalmente para destinatário distinto da autorização juntada posteriormente, ou ainda, para destinatário em que não ficou comprovado que seria Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.221 3 taxista. Em virtude do intuito de fraude constatado, foi majorada a multa básica aplicada (150%). Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 383/405, em 23/01/2009, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. A autuação é nula em virtude da incompetência territorial do fiscal autuante, pois ele está lotado na Delegacia de Taubaté, e o estabelecimento da impugnante está situado na jurisdição da Delegacia de Sao Bernardo do Campo; 2. Ocorreu a decadência do direito da União Federal exigir valores referentes As operações ocorridas anteriormente a 28/12/2003; 3. Não houve irregularidade nas saídas dos veículos com isenção do imposto, já que efetivamente foram destinados a taxistas, que são os reais destinatários da isenção de IPI; os registros no DETRAN juntados como DOC. 02 comprovam que todas as operações de saída de veículos com isenção foram destinadas a taxistas com autorização da Receita Federal; 4. Cumpre ao taxista, ou quando muito A. concessionária de veículos que vende os carros aos particulares a responsabilidade pela verificação das condições impostas na lei isencional, o que faz a impugnante parte ilegítima para figurar na presente lide fiscal; 5. A exigência de autorização prévia configura obrigação acessória, e já há pacifico entendimento do Conselho de Contribuintes, em caso semelhante, no sentido de exonerar o contribuinte do dever de adimplir a obrigação tributária principal; 6. A multa aplicada é desproporcional e tem evidente caráter confiscatório; 7. Não é cabível a incidência dos juros de mora sobre a multa de lançamento de oficio. Por fim, requer que seja reconhecida a nulidade da autuação, a decadência parcial dos valores lançados, e a total improcedência da exigência fiscal. Em julgamento (fls. 3252/3264), a DRJ manteve o auto de infração combatido, com fundamento consubstanciado na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2007 COMPETÊNCIA TERRITORIAL DO AFRFB. A exigência de crédito tributário mediante Auto de Infração é válida mesmo quando formalizada por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio da contribuinte. IPI. DECADÊNCIA. Quando não efetuado o lançamento de iniciativa do contribuinte, aplicase ao caso o prazo decadencial do lançamento de oficio Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 previsto no artigo 116, inciso II, do RIPI/98, e a regra de decadência prevista no artigo 173, inciso I, do CTN. Caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, aplicase a regra decadencial do artigo 173, inciso I, do CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. ISENÇÃO. TAXI. O estabelecimento fabricante fica obrigado ao recolhimento do imposto correspondente, quando der saída de veiculo com isenção do IPI, para taxista, em desacordo com as normas e requisitos aos quais estava condicionado o beneficio fiscal. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, visando subtrairse ao pagamento de tributos, agravase a multa aplicada. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála nos moldes da legislação que a instituiu JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não compete à autoridade julgadora se manifestar sobre eventos futuros e incertos, não presentes no lançamento, como é o caso da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. Lançamento Procedente” Intimada da decisão em 07/05/2009 (fl. 1185), a recorrente apresentou recurso voluntário em 14/05/2009 (fls. 1188/1210), requerendo que o recurso seja recebido e processado para julgar “nulo o lançamento originário, a decadência do direito do Fisco de cobrar parte dos valores lançados e a improcedência da exigência fiscal”. Anexados aos autos Informação Fiscal (fl. 1212) trazidas pelo SECAT, no sentido de informar que não houve a impugnação expressa dos débitos que não sofreram aplicação de multa de ofício, descriminandoos (fls. 1213). A recorrente traz as seguintes razões, repetindo as alegação contidas na Impugnação, consoante acostado ao relatório da DRJ, ao qual adoto por sua fidedignidade: A autuação é nula em virtude da incompetência territorial do fiscal autuante, pois ele está lotado na Delegacia de Taubaté, e o estabelecimento da impugnante está situado na jurisdição da Delegacia de Sao Bernardo do Campo; Ocorreu a decadência do direito da União Federal exigir valores referentes As operações ocorridas anteriormente a 28/12/2003; Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.222 5 Não houve irregularidade nas saídas dos veículos com isenção do imposto, já que efetivamente foram destinados a taxistas, que são os reais destinatários da isenção de IPI; os registros no DETRAN juntados como DOC. 02 comprovam que todas as operações de saída de veículos com isenção foram destinadas a taxistas com autorização da Receita Federal; Cumpre ao taxista, ou quando muito à concessionária de veículos que vende os carros aos particulares a responsabilidade pela verificação das condições impostas na lei isencional, o que faz a impugnante parte ilegítima para figurar na presente lide fiscal; A exigência de autorização prévia configura obrigação acessória, e já há pacifico entendimento do Conselho de Contribuintes, em caso semelhante, no sentido de exonerar o contribuinte do dever de adimplir a obrigação tributária principal; A multa aplicada é desproporcional e tem evidente caráter confiscatório; Não é cabível a incidência dos juros de mora sobre a multa de lançamento de oficio. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo Relator Conheço do recurso por apresentar os requisitos de admissibilidade. Preliminarmente, alega a recorrente a incompetência do Auditor Fiscal que lavrou o Auto de Infração ante a inobservância de sua competência territorial, uma vez que o mesmo se encontrava lotado na DRF de Taubaté, enquanto o estabelecimento se encontra submetido à jurisdição da DRF de São Bernardo do Campo. Não cabe reparo à decisão proferida pela DRJ neste ponto, uma vez que o auto de infração é válido ainda que lavrado por Auditor Fiscal lotado em DRF diversa do domicílio tributário do contribuinte. Neste sentido, há expressa disposição normativa, conforme dispõe o art. 9º, caput, §§2º e 3º do Decreto 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, vejamos: "Art. 9°. A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruidos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis ã comprovação do ilícito. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 (...) § 2° Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7°, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo. 3° A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer." Assim, no presente caso, temse como prorrogada a competência do Auditor Fiscal que lavrou o presente Auto de Infração, tornandose preventa a jurisdição e competência desta autoridade, posto que dela primeiro conheceu. Afasto, desta forma, a preliminar alegada. Em prejudicial ao mérito, aduziu a Recorrente a impossibilidade de exigibilidade de parte dos créditos lançados, em razão da ocorrência da decadência do tributo exigido cuja ocorrência do fato gerador tenha se dado até 28/12/2003, uma vez que o Auto de Infração foi lavrado em 29/12/2008. A modalidade de lançamento neste caso é a por homologação, tendo tratamento diferenciado pela legislação tributária, uma vez que a Fazenda Pública transfere para o contribuinte (sujeito passivo da obrigação) a incumbência de constatar a ocorrência do fato gerador, formar a base de cálculo e aplicar a alíquota correspondente, a fim de apurar o quantum devido, antecipando o pagamento, limitandose, aquela, a exercer o controle e administração tributários, homologando, expressa ou tacitamente, os expedientes realizados pelo contribuinte. Analisando o "lançamento por homologação" constatamos três momentos distintos com características próprias: (i) o ato de formalização do contribuinte, em que reconhece o fato gerador e aplica a legislação fiscal ao fato jurídico; (ii) a antecipação do pagamento; e (iii) o ato homologatório da Fazenda Pública dos procedimentos adotados pelo contribuinte. Na prática, a Fazenda Pública, ao conferir os procedimentos do contribuinte, mormente não expede um ato de homologação, mas, verificando o não cumprimento correto da obrigação tributária, realiza o lançamento de ofício notificando o contribuinte a cumprilo. O termo “lançamento por homologação” merece crítica severa, uma vez que não se pode atribuir ao contribuinte uma atividade exclusiva da administração. É que o art. 142 do Código Tributário Nacional dispõe que o “compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento” definindo lançamento como sendo “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Com muita propriedade Paulo de Barros Carvalho1 identifica a contradição lógica entre o ato de lançamento e o “lançamento por homologação”: “A conhecida figura do lançamento por homologação é um ato jurídico administrativo de natureza confirmatória, em que o agente público, verificado o exato implemento das prestações tributárias de determinado contribuinte, declara, de modo 1 Curso de Direito Tributário. 7ª ed. Saraiva. 1995, pág. 283284. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.223 7 expresso, que obrigações houve, mas que se encontram devidamente quitadas até aquela data, na estrita consonância dos termos da lei. Não é preciso despender muita energia mental para notar que a natureza do ato homologatório difere da do lançamento tributário. Enquanto aquele primeiro anuncia a extinção da obrigação, liberando o sujeito passivo, estoutro declara o nascimento do vínculo, em virtude da ocorrência do fato jurídico. Um certifica a quitação; outro certifica a dívida. Transportando a dualidade para outro setor, no bojo de uma analogia, poderíamos dizer que o lançamento é a certidão de nascimento da obrigação tributária, ao passo que a homologação é a certidão de óbito. Quando é que o funcionário da Fazenda lavra a homologação? Exatamente quando não pode celebrar ato jurídico administrativo do lançamento. E por que o agente público exara o lançamento? Precisamente porque não pode realizar o ato jurídico administrativo de homologação. Eis a prova. Lançamento e homologação de lançamento são realidades jurídicas antagônicas, não podendo subsistir debaixo do mesmo epíteto.” Assim posta a questão resta a pergunta: Se a homologação não se coaduna com lançamento, então o quê é objeto de homologação por parte da administração tributária?” A questão apresentada por Paulo de Barros mostrase fundamental para desvendar a lide colocada neste processo pois, considerando ser a Contribuição Social em apreço um tributo cuja modalidade de lançamento é por homologação, marcará a decadência o regime jurídico a que estiver sujeita. Ou seja, a modalidade de lançamento determina a contagem do prazo decadencial. Para Paulo de Barros Carvalho o que se homologa é o pagamento da obrigação tributária antecipada pelo contribuinte e não os procedimentos preparatórios por ele realizados. Aí repousa contundente divergência que advém do pressuposto adotado pelo Mestre. O que se depura da obra citada é que, para Paulo de Barros Carvalho, os termos “lançamento” do art. 142 e “lançamento” do art. 150, ambos do Código Tributário Nacional. Entendo que há uma inconsistência lógica entre os conteúdos semânticos dos dois vocábulos, a exemplo do que é reconhecido amplamente com o vocábulo “tributo”. O “lançamento” do art. 142, apesar de ser definido pela norma como procedimento, tem merecido grandes estudos dogmáticos justificando e motivando sua ascensão à categoria de ato administrativo. As teses jurídicas acerca desse tema, apesar de majoritárias encontram forte contraposição dos que entendem que o lançamento seja procedimento como literalmente aduz o texto normativo. Numa visão sistêmica do Direito, entendo que ambas as teses tem fortes argumentos para sustentação, a primeira alicerçada nos parâmetros da Teoria Geral do Direito e do Direito Administrativo que entende que é o ato administrativo que constitui, modifica ou extingue direitos. A segunda, na estrutura idealizada pelo Código, ou seja, a de que o Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 lançamento instaura a relação jurídica através de um ato procedimental sujeito à revisão de ofício. Podemos notar que, independentemente de qualquer norma que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, o poderdever de a Fazenda realizar o lançamento é: vinculado, ou seja, deve ser realizado segundo os ditames normativos legais, tanto no que tange às norma de competência que possibilitam o exercício da fiscalização, como no que tange às normas de incidência tributária, que estabelecem o direito subjetivo da Fazenda no âmbito da relação jurídica tributária que acomete o sujeito passivo do dever de adimplir certa obrigação; obrigatório, ou seja, salvo norma de igual ou superior hierarquia em sentido contrário, deve ser inexoravelmente o exercício funcional. As normas legais veiculam, no mundo do direito positivo, conceitos que devem ser observados no momento em que o intérprete jurídico se defronta com uma situação como a que se apresenta nestes autos. O que se verifica é que o lançamento é um ato administrativo, ainda que decorrente de um procedimento fiscal, mas um ato administrativo de caráter declaratório da ocorrência de um fato imponível (fato ocorrido no mundo fenomênico) e constitutivo de uma relação jurídica tributária, entre o sujeito ativo, representado funcionalmente pelo agente prolator do ato, e o sujeito passivo a quem fica acometido de um dever jurídico, cujo objeto é o pagamento de uma obrigação pecuniária. Sendo ato administrativo de lançamento é privativa da autoridade administrativa que tem o poder de aplicar o direito e reduzir a norma geral e abstrata em norma individual e concreta. É, portanto, mais que um poder é um ato de dever de aplicar a norma, de forma vinculada e obrigatória. O Professor, Hugo de Brito Machado2 ensina: “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 142, parágrafo único). Tomando conhecimento do fato gerador da obrigação tributária principal, ou do descumprimento de uma obrigação tributária acessória, que a este eqüivale porque faz nascer também uma obrigação tributária principal, no que concerne à penalidade pecuniária respectiva, a autoridade administrativa tem o dever indeclinável de proceder ao lançamento tributário. O Estado, como sujeito ativo da obrigação tributária, tem um direito ao tributo, expresso no direito potestativo de criar o crédito tributário, fazendo o lançamento. A posição do Estado não se confunde com a posição da autoridade administrativa. O Estado tem um direito, a autoridade tem um dever.” No mesmo sentido Alberto Xavier3 lembra que: “O lançamento é ato de aplicação da norma tributária material ao caso em concreto, e por isso se destingue de 2 op. cit. Pág. 120 3 Xavier, Alberto. Do Lançamento – Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª ed., Forense, Rio de Janeiro, 1998, pág. 54 e 66 Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.224 9 numerosos atos regulados na lei fiscal que, ou não são a rigor atos de aplicação da lei, ou não são atos de aplicação de normas instrumentais.” ... “Devemos, por isso, aperfeiçoar a noção de lançamento por nós inicialmente formulada, definindoo como o ato administrativo de aplicação da norma tributária material que se traduz na declaração da existência e quantitativa da prestação tributária e na sua conseqüente exigência.” Aliomar Baleeiro, ao estudar o Direito Tributário como ramo do Direito das Finanças4, cuja origem não pode ser negada, entendia, a exemplo do Código Tributário Nacional, que: “Esses atos dos agentes públicos, provocados pelo fato gerador, se chamam lançamento e têm por finalidade a verificação, em caso concreto, das condições legais para a exigência do tributo, calculando este segundo os elementos quantitativos revelados por essas mesmas condições.” Não menos categórico, Américo Masset Lacombe 5 ao tratar do tema “Crédito Tributário”, postula: “A atividade do lançamento é, assim, conforme determina o parágrafo único deste artigo, vinculada e obrigatória. É vinculada aos termos previstos na lei tributária. Sendo a obrigação tributária decorrente de lei, não podendo haver tributo sem previsão legal, e sabendose que a ocorrência do fato imponível prevista na hipótese de incidência da lei faz nascer o vínculo pessoal entre o sujeito ativo e o sujeito passivo, o lançamento que gera o vínculo patrimonial, constituindo o crédito tributário (obligatio, haftung, relação de responsabilidade), não pode deixar de estar vinculado ao determinado pela lei vigente na data do nascimento do vínculo pessoal (ocorrência do fato imponível previsto na hipótese de incidência da lei). Esta atividade é obrigatória. Uma vez que verificado pela administração o nascimento do vínculo pessoal entre o sujeito ativo e o sujeito passivo (nascimento da obrigação tributária, debitum, shuld, relação de débito), a administração estará obrigada a efetuar o lançamento. A hipótese de incidência da atividade administrativa será assim a ocorrência do fato imponível previsto na hipótese de incidência da lei tributária.” Nos conceitos colacionados, vemos a atividade da administração tributária como um dever de aplicação da norma tributária. O agente administrativo, no exercício de sua competência atribuída pela lei, tem o deverpoder de, verificada a ocorrência do fato imponível, exercer sua atividade e lançar o tributo devido. Não tem o Auditor Fiscal do Tesouro Nacional qualquer discricionariedade ao aplicar a norma, vinculandose integralmente aos ditames da lei que o obriga a realizar o lançamento com o fim de preservar o bem e o interesse públicos. O ato administrativo do lançamento é obrigatório e incondicional. 4 Aliomar Baleeiro, “Uma Introdução à Ciência das Finanças”, vol. I/ 281, nº 193 5 Lacombe, Américo Masset. Curso de Direito Tributário”, coordenação de Ives Gandra da Silva Martins, Ed. CEJUP, Belém, 1997 Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Assim, dada a ocorrência do fato gerador no mundo fenomênico, em se tratando de lançamento por homologação, o contribuinte está obrigado a praticar todos os atos preparatórios ao lançamento e antecipar o pagamento do tributo devido, que para o caso em tela, encontravase sob suspensão da exigibilidade por força do pedido de compensação. Em contrapartida, a administração tributária tem o dever jurídico de constituir o crédito tributário (art. 142 e parágrafo único do CTN) pelo fato de ser o lançamento ato administrativo vinculado. Em nenhum momento poderia a administração tributária dispor de seu dever poder, em face da existência de uma norma individual e concreta (liminar concedida) ou geral e abstrata (suspensão da exigibilidade pelo depósito judicial) que, simplesmente, objetiva o vetor da relação jurídica tributária acometida ao sujeito passivo. Independentemente do conteúdo semântico que adotemos para o vocábulo “lançamento”, do art. 142, não podemos estendêlo para o vocábulo “lançamento”, do art. 150. Coincidem, no entanto, que lançamento é uma forma pela qual se verifica (seja através de ato ou de procedimento) a ocorrência do fato imponível, apurase a base de cálculo, aplicase a alíquota devida, tudo com o fim de quantificar o tributo devido à Fazenda. É um método de identificação e apuração do núcleo obrigacional da Relação Jurídica Tributária. O vocábulo “lançamento” contido no art. 150, por sua vez, não é ato privativo da autoridade tributária, nem mesmo é vinculado e obrigatório, para fins de responsabilidade funcional. Restalhe as características de procedimento constitutivo da obrigação tributária, pelo qual o sujeito passivo reúne os elementos probatórios dos eventos que se identificam com o fato jurídico. Atribuise ao sujeito passivo a função de colher os elementos constitutivos do fato imponível e de aplicarlhe a norma jurídica tributária, antecipando o pagamento do tributo devido independentemente do estabelecimento da relação jurídica tributária através do ato cogente do credor. Tratase de uma constituição material do crédito tributário (entendo como formal aquela instrumentalizada pela autoridade competente) que faz transparecer a relação jurídica tributária ensejadora do dever de pagar. É de ressaltarse que, levandose às últimas conseqüências a interpretação dos critérios para constituição do crédito tributário pela autoridade competente, nos termos do art. 142 (ato administrativo privativo e vinculado), enquanto não houvesse o exercício pela autoridade não haveria relação jurídica tributária e, conseqüentemente, não seria possível falar em obrigação. Se não há relação jurídica regularmente constituída, segundo os requisitos formais, não há obrigação exigível. Se o pagamento extingue o crédito tributário, cabível então outro questionamento: qual crédito tributário será extinto, aquele que não foi constituído? Ou seja, admitindose a possibilidade de somente o ato administrativo constituir o crédito tributário, o pagamento antecipado não teria extinguido nada, pois não houve a regular constituição desse crédito. Nessa dinâmica podemos reconhecer que o vocábulo “lançamento” nestas circunstâncias não tem o mesmo conteúdo semântico do “lançamento” do art. 142. Ademais, na definição de lançamento por homologação, o Código Tributário Nacional o concebe como sendo aquele em a legislação acomete ao sujeito passivo o dever de Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.225 11 antecipar o pagamento do tributo devido (“...ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa...”). Notese que o traço que define o lançamento por homologação não é, efetivamente, a realização ou não do pagamento, mas sim o “dever” de antecipalo. Daí porque não podemos dizer que, o fato de o contribuinte não cumprir esse dever, altera a natureza jurídica da modalidade de lançamento. O tributo continuará sendo da modalidade de lançamento por homologação. Um caso prático em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados é conclusivo a esse respeito, vejamos. O fato gerador do Imposto sobre Produtos Industrializados é a saída da mercadoria do estabelecimento industrial. Ocorrido, o contribuinte realiza todas as operações lógicas para fazer incidir a norma e apurar o quantum devido. Quantificada a obrigação, o contribuinte leva o valor devido à compensação com os créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados obtidos com a entrada dos produtos adquiridos. Ora, essa operação, ainda que correta, pode não resultar imposto a pagar, o que não desconfigura o Imposto sobre Produtos Industrializados como um tributo cuja modalidade de lançamento é por homologação. Usando o recurso do absurdo, tendo o contribuinte incorrido em erro, seja de cálculo seja por interpretação diversa da norma de incidência na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados devido e não tendo recolhido tributo algum por conta da compensação, perderia essa exação o caráter de tributo sob a modalidade por homologação? Todos os procedimentos necessários foram praticados pelo contribuinte e esse é que estará sujeito à homologação, pois o foco da norma definidora não é o pagamento mas sim a conduta acometida ao contribuinte de efetuar os atos preparatórios para constatar o fato gerador e quantificar o imposto. Inegável que, ao proceder os atos preparatórios para conformar o crédito tributário devido, o contribuinte faz incidir a norma tributária sobre o fato jurídico hipoteticamente previsto na norma. É na essência um ato de aplicação da norma que a administração tributária impôs ao contribuinte. Não se trata de mero recolhimento do tributo, mas sim a realização de um ato complexo que, através do emprego da norma jurídica tributária, constata a ocorrência do fato gerador – fato imponível –, quantifica a base de cálculo e aplica a alíquota prevista, tudo para realizar a antecipação do pagamento. O antecedente da norma jurídica que obriga a antecipação do pagamento da exação é que confere aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação sua natureza jurídica e não o cumprimento da obrigação efetivamente. O § 1º do art. 150 do Código Tributário Nacional dispõe: § 1 O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Mais uma vez, o que é objeto de homologação não é o pagamento, mas o “lançamento”. O termo “lançamento” aqui utilizado não é o ato administrativo de lançamento do art. 142, mas o procedimento do contribuinte que constitui o antecedente da norma jurídica do dever de antecipação o pagamento. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Colocadas essas considerações, entendemos que o vocábulo “lançamento” do art. 150 do Código Tributário Nacional é procedimento, é dever instrumental acometido ao sujeito passivo que deverá reunir todas as informações e elementos integrante da Norma Jurídica Tributária, com o fim de possibilitarlhe o dever de antecipar o pagamento do tributo. O Código Tributário Nacional no art. 156, inciso V, coloca a prescrição e a decadência como modalidades de extinção do crédito tributário. Observese que o referido artigo contém 10 itens enumerativos das diversas modalidades de extinção do crédito tributário, sendo que a prescrição e a decadência estão consignadas juntas num único item. Há, aí, uma confusão, ou melhor uma identificação errônea da prescrição com a decadência como modalidade de extinção do crédito fiscal. Na verdade, a prescrição não extingue o crédito tributário, apenas retiralhe o direito de ação, a exeqüibilidade. É a norma secundária eleita por Lorival Vilanova6 que deixa de ter validade para a perseguição do direito. A prescrição não extingue nenhum direito substantivo; extingue o direito processual, o direito à ação. As normas jurídicas veiculadas nesses artigos do Código Tributário Nacional, esboçam conceitos mais exatos, a decadência referese à extinção do direito de constituir o crédito tributário (art. 173) e a prescrição referese à perda da ação para a cobrança do crédito tributário (art. 174). Se assim podemos afirmar que há uma característica importante, em relação ao aspecto da aplicação do Direito no tempo, para precisar os momentos de ocorrência da decadência e da prescrição: a) a decadência se opera na fase de constituição do crédito (art. 173) e b) a prescrição se opera na fase de cobrança (art. 174). Na dicção da norma jurídica veiculada no art. 174, a prescrição começa quando termina a decadência – na “data da constituição definitiva” do crédito tributário, o que mostra que a constituição definitiva do crédito tributário é o divisor de águas entre a decadência (que se torna inaplicável se o lançamento ocorreu antes da verificação da decadência) e a prescrição (que inicia sua contagem a partir do lançamento). Fábio Fanucchi7 captou bem essa mensagem, idealizando um quadro da aplicação desses institutos jurídicos no tempo e ressaltando a distinção temporal na existência do curso da decadência e o curso da prescrição. E é exatamente aí que se encontra a principal controvérsia: saber em que momento se dá o início da contagem do prazo decadencial e o momento em que se dá a constituição definitiva do crédito tributário para a Contribuição Social. Há duas regras que disciplinam a decadência no Código Tributário Nacional: (i) a regra geral do art. 173 e (ii) a regra específica para os tributos cuja modalidade de lançamento é por homologação do art. 150, § 4º, como seguem: A regra geral “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 6 Causalidade e Relação no Direito. 2ª ed., Saraiva, 1989. 7 Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.226 13 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.” A regra especial – “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1 O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. ... § 4 Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Como vimos, a natureza jurídica de uma modalidade de lançamento, instituto de direito, não pode ficar ao prazer da ocorrência de um fato, qual seja, ocorrer ou não a antecipação de pagamento. O fato é irrelevante, pois um tributo não deixará de ser da modalidade “por homologação” pela falta da antecipação do pagamento. Se a lei atribuiu o dever de antecipação, será o tributo por homologação. A regra geral prevista no art. 173, inciso I (especialmente o inciso I, pois nele é que se insere a polêmica) marca como termo inicial da decadência como o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Mas que lançamento? Aquele ato administrativo privativo da autoridade fazendária do art. 142, ou aquele procedimento do contribuinte, erroneamente denominado de “lançamento”, do art. 150, § 1º. Tenho para mim que o termo lançamento, neste caso, é o típico, previsto no art. 142, pois se trata de uma regra geral que açambarca todas as modalidades de lançamento, salvo a que tenha regra específica. Nesse contexto, inserese o § 4º do art. 150, que repito: § 4 Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Para os lançamentos cuja modalidade é por homologação, o termo inicial é a data do fato gerador, aqui entendido como fato imponível, ou seja, tem a Fazenda Pública cinco anos a partir desse evento para fiscalizar o contribuinte e dele exigir eventual tributo impago. Não ocorrendo, dáse a homologação tácita, não sendo passível de cogitação o dilargamento do prazo, salvo a hipótese “comprovada” de dolo, fraude ou simulação. Foi um excesso, digase de passagem, o legislador ter utilizado o termo “comprovada”, pois o que não é comprovado não gera direito, ou seja, somente é possível falar em dolo fraude ou simulação se tais ocorrências forem comprovadas. A idéia de que, não ocorrido o pagamento, o prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação passaria da regra do § 4º do art. 150, para a regra do art. 173,, inciso I, é uma criação, obra de uma engenharia jurídica, cujos fundamentos tomam como critério da determinação da natureza jurídica dos institutos, não os dispositivos positivados, mas os eventos futuros e insertos do mundo fenomênico. Há uma interpretação do Direito pelo “fato” e não pela norma. Outra questão que deve ser pautada na análise do instituto da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é a crescente adoção dessa modalidade pelos entes tributantes que renunciam, por diversos motivos, ao exercício da exatoria, para delegala de forma indiscriminada aos contribuintes. O conceito desenvolvido pelo Código Tributário Nacional, nos idos anos de 1960, a modalidade de lançamento por homologação é muito pertinente ao IPI, ao ICMS, assim como o lançamento por declaração pertine ao IRPJ. Para as novéis contribuições sociais do art. 195 da Constituição Federal de 1988, a modalidade mais adequada aos padrões do CTN é a de ofício. Contudo, as estruturas atuais do Estado não permitem tal providência o que impôs a modalidade por homologação. Em resumo, temos que: o Estado lança mão de uma modalidade de lançamento para se ver livre do custoso exercício da exatoria, mas, em contrapartida não assume os percalços do regime jurídico adotado. Ora, o problema do lançamento por homologação não está na modalidade criada pelo Código, mas nos tipos de tributos que foram a ela atrelados. Se perguntássemos ao padeiro qual a forma que deve ser usada na padaria, ele certamente responderá: “A forma dependerá da massa a ser cozida.” Assim, o lançamento do IPI enquadrase na modalidade “por homologação”, conforme o art. 150, caput, CTN, art. 110 a 113 do RIPI/2008 e 122 a 126 do RIPI 2002 (atualmente, previstos nos arts. 181 a 182 do RIPI/2010 Decreto 7.212/2010), por meio do qual a constituição da obrigação tributária, tanto sua apuração quanto o pagamento, fica a cargo do sujeito passivo. Neste âmbito, o aperfeiçoamento do lançamento nesta modalidade ocorre com o pagamento ou compensação do tributo, desde que efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa. É o que dispõe o art. 124 do RIPI/2002: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.227 15 I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Desta forma, considerandose que nos períodos de apuração ocorridos até 28/12/2003, houve apuração e compensação do IPI no âmbito do lançamento por homologação é de se aplicar o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Ocorre que no presente caso, entendeu a fiscalização que houve “a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”, o que deslocaria o prazo decadencial da regra especial para regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. Assim, após a análise da ocorrência ou não de dolo, fraude ou simulação, poderemos determinar com segurança a regra decadencial a ser aplicada. Quanto ao mérito, conforme já asseverado, a Recorrente refuta as ilegalidades e irregularidades fiscais imputadas em relação à sua conduta na venda dos veículos automotores, já que, segundo alega, os destinatários dos veículos pertenciam à categoria de profissionais contemplados com o benefício fiscal (taxistas), o que denota a improcedência da exigência do Fisco. Para tanto, junta documentos que demonstram que as operações de saída foram realizadas com profissionais que gozavam de autorização da Receita Federal (fls. ). No mais, diz que, ainda que assim não fosse, a responsabilidade para observância dos requisitos legais para a fruição do benefício fiscal de isenção caberia, aprioristicamente, aos próprios taxistas ou às concessionárias de veículos, o que a torna parte ilegítima nesta relação tributária e que a obrigação é acessória e isso acarreta em exoneração da obrigação principal. Inicialmente, cumpre esclarer que não houve contestação em relação à afirmação do Fisco de que a recorrente deu saída aos veículos com a isenção do IPI por meio de operações de arrendamento mercantil (leasing). Conforme disposição do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, esta matéria, por não ter sido impugnada no momento oportuno, encontrase preclusa. Em seguida, no que tange à realização dos demais fatos geradores que ensejaram o lançamento de ofício pelo Fisco com as penalidades impostas, vêse que, efetivamente, houve descumprimento do aspecto formal da norma tributária ante a inobservância dos requisitos legais para a saída dos veículos automotores do estabelecimento industrial com isenção de IPI, já que as mesmas foram dadas, pela recorrente, sem ter a posse da autorização prévia. Em apertada síntese, a Recorrente questiona a necessidade desta autorização prévia no momento de dar a saída aos veículos automores, uma vez que, segundo entende, bastaria a ela verificar se o adquirente gozava ou não da condição de taxista para a liberação do veículo com isenção do IPI e, caso não houvesse no momento da venda o referido reconhecimento da RFB, este seria juntado posteriormente, preenchendo os requisitos legais. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 O artigo 3º da Lei 8.989/95 dispõe que: Art. 3 A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei. Conforme o dispositivo, o reconhecimento da isenção ao contribuinte – pressuposto para a realização de uma operação de saída sem o correspondente lançamento do tributo – é dado pela autoridade fiscal e não pela montadora, que não tem lastro legal para presumilo. Aliás, é examente o dispõe o art. 6º da IN/SRF 31/2000, ao enunciar que: Art. 6 º O fabricante ou o estabelecimento equiparado a industrial só poderá dar saída aos veículos com isenção quando de posse da autorização emitida pela Secretaria da Receita Federal. Ademais, a saída dos veículos automotores pelo estabelecimento é o que constitui o fato gerador do IPI, não havendo para a montadora margem para dispor sobre o lançamento ou não do tributo naquela operação quando não há autorização legal ou, havendo, não estando preenchidos todos os requisitos para tanto, como ocorre no caso em apreço. Assim, resta claro que a Recorrente, efetivamente, deveria estar em posse da autorização, não bastando a mera verificação se o adquirente pertencia ou não à categoria de profissionais contemplados com a isenção. Contudo, em que pese o descumprimento deste aspecto formal, a questão deve ser analisada sobre outra vertente. Para tanto, três situações bem distintas na situação fáticas merecem ser analisadas separadamente. A primeira delas versa sobre os casos em que posteriormente à saída dos veículos do estabelecimento industrial houve a juntada da autorização concedida pela Receita Federal ao taxistacontribuinte, o que foi regularizado por meio de carta de correção. Ora, nesta situação, efetivamente não houve prejuízo material ao Fisco. O mero descumprimento de um requisito formal, qual seja a ausência momentânea da autorização quando da saída do produto, não altera o fato que – uma vez sendo esta efetivamente concedida – aquele contribuinte fazia jus ao gozo daquele benefício. Nesta ordem de ideias, se a RFB efetivou a isenção ao contribuinte, reconhecendo ao mesmo o direito subjetivo para que pudesse adquirir veículo automotor isento do IPI, o fato de a montadora ter concedido a saída sem estar de posse de tal documento não altera em nada o resultado experimentado pelo Fisco, qual seja a não constituição da relação jurídicatributária em isenção. Em outras palavras, inobstante o aspecto formal descumprido, o contribuinte efetivamente tinha o direito à isenção e a saída não alterou a incidência da norma isentiva. Embora lastimável a inobservância de um requisito normativo tão basilar, não se pode olvidar que o reconhecimento pela própria Fazenda de que o contribuinte faz jus ao benefício (o que implica na ausêcia do lançamento do tributo), seja completamente obstado pelo vício de forma, tal qual o verificado no estabelecimento industrial em questão. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.228 17 Em suma, aos casos em que houve juntada posterior do válido reconhecimento pela RFB, dando efetividade à isenção para aquele contribuinte, no sopesamento entre o açodamento pela Recorrente e as consequências advindas disto, considero que a observância do direito material ao qual faz jus o contribuinte (adquirir veículos isento de IPI) é superior ao mero requisito formal descumprido, especialmente porque, a autorização fazendária convalida a operação de saída realizada e não justifica o lançamento de ofício pelo Fisco, posto que não houve a realização de fato jurídico tributável na situação concreta. A segunda situação ocorre nos casos em que o contribuinteadquirente não tinha – nem nunca teve – o direito subjetivo a adquirir veículo automotor isento de IPI. Neste caso, a concomitância entre a ausência dos requisitos formais e materiais tornam indubitável que a autoridade fiscal agiu corretamente, uma vez que houve – efetivamente – a realização de um fato jurídico tributável. A terceira situação versa sobre aqueles casos em que houve emissão de nota fiscal mencionando contribuinte diverso daquele a quem efetivamente foi destinado o veículo ao final. Contudo, ainda assim, tais situações devem ser analisadas com especial cautela. O relatório fiscal do auto de infração lavrado traz alguns exemplos de situações fáticas que aparentam demonstrar uma conduta inidônea por parte da recorrente, como no caso das Notas Fiscais nº 419.222 e 419.924, cujo nomes dos destinatários iniciais são diferentes daqueles em que foram destinados o veículo ao final. O referido relatório traz, inclusive, uma longa descrição hipotética, em que o Auditor Fiscal valorou o conjunto objetivo de provas de forma a corroborar sua tese. No caso em apreço, notas emitidas inicialmente em nome de supostos exjogadores famosos de futebol e até mesmo do expresidente da República eram, posteriormente, retificadas para que constassem em nomes de terceiros, estes sim, taxistas com autorização da RFB e os reais adquirentes. Com base nisso, entendeu o Fisco que estava perpetrada a simulação o que comprovaria um “modus operand” em todos os demais casos e o que denotaria a vontade dolitiva da montadora e justificaria, inclusive, a exasperação da multa aplicada. Sobre isso, inicialmente, cabe uma ressalva: não obstante os substanciais elementos trazidos nestes casos em concreto, a conclusão pela fraude, simulação ou conluio. Os elementos probatórios não são absolutamente conclusivos em apontar que, efetivamente, houve prática reiterada de atos fraudulentos. Neste sentido, aponto para uma ausência de elementos instrutórios, bastante e suficiente, para se realizar tal afirmação. Frisese que a mera juntada dos documentos mencionados, sem outros elementos hábeis (como depoimentos, diligências complementares etc.), tornam impossíveis de concluirse – com a certeza esperada para um Estado Democrático de Direito que tal conduta dolosa realmente ocorreu. Ora, se não se comprova que a Recorrente não teve a intenção de simular, de fraudar o Fisco, não há prova do dolo específico necessário à caracterização da simulação. Por maior razão, não é possível a aplicação automática dos fatos descriminados pela autoridade fiscal, indistintamente, aos demais casos. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 18 Cabe ao Fisco o ônus de provar aquilo que alega e, em cada caso, deve ser demonstrada a ocorrência da fraude da simulação ou do conluio, dos três ou pelo menos de um deles especificamente, já que a simples transferência de titularidade para outrem em razão da desistência do suposto comprador original não tem o condão de provar, definitivamente, o ato ilícito alegado. Inclusive porque a obrigação de mencionar o nome dos destinatários dos veículos nas respectivas notas fiscais de saída para a indústria montadora surgiu apenas em 05/01/2006, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 606, de 5 de janeiro de 2006, pois antes tal exigência estava acometida à Concessionário e não ao fabricante, conforme artigos 6o e 7o da Instrução Normativa SRF nº 353, de 28 de agosto de 2003: Artigos 6o e 7o da Instrução Normativa SRF nº 353, de 28 de agosto de 2003 Art. 6º O estabelecimento industrial ou equiparado a industrial só poderá dar saída aos veículos com isenção quando de posse da autorização emitida pela SRF. § 1º Na Nota Fiscal de venda do veículo com isenção, para o distribuidor, deverá constar a seguinte observação: "ISENTO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Lei nº 8.989, de 1995". § 2º O IPI incidirá, normalmente, sobre quaisquer acessórios opcionais que não sejam equipamentos originais do veículo adquirido. Normas Aplicáveis ao Distribuidor Art. 7º Na Nota Fiscal de venda do veículo para o beneficiário da isenção deverá constar a seguinte observação: "ISENTO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Lei nº 8.989, de 1995". Parágrafo único. O distribuidor autorizado deverá enviar à autoridade que reconheceu o benefício, cópia da Nota Fiscal relativa à aquisição em nome do beneficiário, até o décimo dia útil seguinte ao da sua emissão. Artigos 6o e 7o da Instrução Normativa SRF nº 606, de 5 de janeiro de 2006 Normas Aplicáveis ao Industrial e ao Estabelecimento Equiparado a Industrial Art. 6 º O estabelecimento industrial ou equiparado a industrial só poderá dar saída aos veículos com isenção quando de posse da autorização emitida pela SRF. § 1 º Na Nota Fiscal de venda do veículo com isenção, para o distribuidor, deverá constar a seguinte observação: "ISENTO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Lei n º 8.989, de 1995, conforme autorização n º , beneficiário: , CPF n º e processo administrativo n º ". Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.229 19 § 2 º O IPI incidirá, normalmente, sobre quaisquer acessórios opcionais que não sejam equipamentos originais do veículo adquirido. § 3 º Para os efeitos do § 2 º , considerase original do veículo todo o equipamento, essencial ou não ao funcionamento do mesmo, que integre o modelo fabricado e disponibilizado para venda pela montadora, de acordo com o código expedido pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), cadastrado no Sistema Nacional de Trânsito. Normas Aplicáveis ao Distribuidor Art. 7 º Na Nota Fiscal de venda do veículo para o beneficiário da isenção deverá constar a seguinte observação: "ISENTO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Lei nº 8.989, de 1995, conforme autorização n º , beneficiário: , CPF n º e processo administrativo n º ". Portanto, não havendo a obrigação, não pode ser objeto de punição a conduta descrita no auto de infração, pelo menos até 05/01/2006. Ademais, ainda que se admita, por ventura, a emissão de notas fiscais para pessoas diversas daquelas que constam, após a retificação, mais uma vez, estaremos diante de um caso em que não houve prejuízo material ao Fisco. Considerando a operação como um todo, temse que a saída se deu do estabelecimento industrial para um terceiro (destinatáriofinal) que, efetivamente, gozava do benefício após autorização do legislador com reconhecimento pela RFB. Assim, ao cabo, o resultado foi exatamente o mesmo que ocorreria caso a nota fiscal tivesse sido emitida, originariamente, ao destinatáriofinal. Ou seja, nada seria vertido ao erário em razão da isenção concedida. Assim, como visto, a retificação por meio da carta de correção em que se apresenta um contribuinte que possui o direito subjetivo à isenção, desconstitui inclusive a possível ilegalidade da operação, ante a nãoocorrência de fato jurídico tributável. Nenhuma outra motivação foi encontrada ou alegada pelo Fisco para justificar a dolosa ação da empresa e que pudesse afastar o mero erro procedimental da Recorrente. Em conclusão: 1. em relação aos casos em que houve apresentação de autorização válida posterior, ante a não ocorrência de prejuízo fático, a realização da situação material da norma (contribuinte isento de IPI) deve prevalecer em detrimento do vício formal; 2. em relação às operação em que não houve apresentação posterior de autorização ou, apresentada, esta for inválida, deve ser mantido o auto de infração, constituindose o crédito tributário e; Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 20 3. nos casos em que o nome do contribuinte isento final é diferente daquele que consta na emissão da nota fiscal e cuja alteração se deu por carta de correção, se o contribuinteretificado foi efetivamente isento, assim como no caso do item 1 (um), não deve prevalecer o auto de infração, se o contribuinteretificado não tiver direito à isenção, deve, naquele caso, tal como no item 2 (dois), ser mantido o auto de infração lavrado. Inobstante, não prospera o argumento da recorrente quanto à sua ilegitimidade passiva, porquanto o estabelecimento industrial é a responsável por destacar o tributo devido na saída dos veículos. Em relação à multa de ofício majorada, sustenta a Recorrente que esta deve ser afastada já que não houve intento dolitivo em fraudar o Fisco e causar danos ao Erário, deixando de lançar, e consequente adimplir, o crédito decorrente da relação jurídicotributária que nasceu com a operação mercantil. Em julgamento proferido pela primeira instância, acordaram os julgadores da DRJ pela manutenção da multa de ofício majorada a 150% por entenderem que estava suficientemente demonstrado o intuito de fraudar o Fisco mediante a subtração dolosa do valor correspondente ao imposto devido. Retomando o raciocínio já elaborado acima, entendo que não há elementos probatórios suficientes para a conclusão acerca do dolo em fraudar por parte da Recorrente. Em que pese os indícios desfavoráveis à Recorrente em diversas operações, não restou cabalmente comprovado que a mesma agia com tal dolo específico. Conforme ensinamento de Paulo de Barros Carvalho8: “Na própria configuração oficial do lançamento, a lei insituti a necessidade de que o ato jurídico administrativo seja devidamente fundamentado, o que significa dizer que o fisco tem que oferecer prova concludente de que o evento ocorreu na estrita conformidade da previsão genérica da hipótese normativa”. Neste cotejo, penso que uma coisa é a prova em relação a fatos juridicamente mensuráveis por meios intrutórios objetivos, tais como a realização de um fato gerador comprovado por meio de documentos que demonstrem, cabamente, que os mesmos ocorreram. Coisa diversa, porém, ocorre, por exemplo, na imputação de conduta dolosa a fim de lesar os cofres públicos e as normas tributárias na majoração de multa de ofício. Nesta hipótese, por sua maior gravidade e grau de subjetividade inerente ao fato, o ônus de prova deve ser, inconstestavelmente, robusto o bastante para provar o fato alegado. No caso em questão, o dolo não pode ser presumido por meio dos documentos acostados que, segundo se entendeu, demonstram “reiterações na conduta” ou modus operandi fraudulento. Os documentos, neste caso, não se prestam a demonstrar indícios convergentes incontestes de que, em conjunto com outras provas, poderiam levar à conclusão – com a robustez desejável – de que houve o comentimento de fraude ou simulação dolosa e, com isso, cabível a majoração da multa. A valoração dos documentos que instruem o auto de infração no relatório fiscal pela autoridade administrativa, não se presta a tornar suficientemente consistente o que 8 CARALHO, Paulo de Barros. A prova no procedimento administrativo tributário. Revista Dialética de Direito Tributário nº 34. Editora Dialética. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.230 21 os documentos aparentam demonstrar. Ademais, as presunções do agente fiscal, embora afirmadas no relatório fiscal com distinta convicção, não se encontram sustentadas em outros elementos probantes que contenham em seu bojo indícios que apontem na mesma direção, não servindo para embasar o agravamento da multa. Assim, ante o exposto, afasto o agravamento da multa pela inconsistência da acusação. Diante do afastamento da penalidade agravada, entendo que o prazo decadencial deve seguir a regra especial do art. 150, § 4º, do CTN, estando decaídos os fatos geradores ocorridos antes de 29/11/2003. A questão que se avizinha é a aplicação de juros sobre a penalidade, multa de ofício. Pretende o Fisco aplicar sobre a parcela da penalidade os juros de mora, fato que apreciado sob os auspícios das comezinhas lições de direito é teratológico. Primeiramente, é de se ressaltar que, a finalidade da multa é impor uma sanção ao contribuinte pelo descumprimento de uma obrigação tributária, devendo, porém, circunscreverse a níveis razoáveis, não podendo extrapolar essa função e atingir a capacidade contributiva do contribuinte, nem mesmo ser um instrumento de cerceamento do direito de o contribuinte ver apreciada uma pretensão. A multa é uma pena. Resultado jurídico (conseqüente) da aplicação de uma norma de conduta. Dado o fato “F” em que o agente praticou ato ilícito antojurídico (não pagamento de imposto) élhe aplicável a pena: Multa. A sanção tributária consiste na conseqüência da prática de um ilícito tributário, ou seja, do descumprimento de um dever imposto pela legislação tributária. Tratandose de imposição feita pelo Estado, toda sanção tributária deve encontrarse definida previamente em lei de forma a garantir a segurança do contribuinte no sentido de poder apreciar a conseqüência a que estará sujeito se praticar determinada conduta. Nesse contexto, inserese a multa como sanção tributária de natureza pecuniária, tendo como espécies a denominada multa moratória e a multa punitiva, sendo a primeira aplicada não a uma infração propriamente dita, mas sim por mero descumprimento de simples dever formal/instrumental. Por sua vez, a multa punitiva é utilizada para penalizar o contribuinte por adotar uma conduta caracterizadora de uma infração tributária. Embora a multa moratória seja assim denominada, possui verdadeiro caráter punitivo. Isso porque não se destina a ressarcir ou indenizar o Fisco pelo prejuízo causado pelo atraso, mas objetiva reprimir e desestimular a conduta do atraso no pagamento do tributo. A natureza punitiva da multa moratória transparece do fato de que a sua fixação independe do tempo pelo qual se prolongue o atraso. Expressase, normalmente, em uma porcentagem fixa aplicada sobre o valor do tributo devido. O fim punitivo da multa moratória evidenciase, também, em face da existência dos juros de mora, isto é, aqueles que visam compensar o prejuízo que advém da indisponibilidade do dinheiro que deveria ter sido recolhido como pagamento do tributo. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 22 Os juros moratórios encontramse previstos no artigo 161 do Código Tributário Nacional que expressamente dispõe que a aplicação destes não impede a imposição de penalidades previstas na legislação tributária, como é o caso da multa moratória e da punitiva. Assim, tendo em vista que os juros moratórios cumprem a função de recompor o patrimônio do Fisco, pelo prejuízo decorrente do atraso no pagamento, a multa moratória não teria a mesma natureza. De modo que a sanção intitulada multa moratória visa, verdadeiramente, punir a conduta ilícita. Dessa forma, tanto a multa de mora como a punitiva têm por objetivo penalizar o contribuinte, diferenciandose pela causa de sua aplicação, isto é, o atraso no pagamento, ilícito tributário ou qualquer outra razão prevista em lei. Ocorre que as penas não podem sofrer a incidência de juros, seja porque não são elementos integrantes do patrimônio do credor, seja porque os juros não se coadunam com o instituto das penas. O atraso no cumprimento de uma penalidade não pode ser motivação para acréscimo de mais pena. Um réu condenado a cumprir a pena de cerceamento da liberdade não pode ter sua pena aumentada pelo atraso de seu cumprimento. Da mesma forma, o autuado não pode ver a multa de mora aumentada pela demora no pagamento da pena pecuniária. A pena pecuniária, assim como a de cerceamento de liberdade, deve ter um valor fixo e nem mesmo poderia ser passível de revisão ou cômputo de juros, após o transito em julgado da decisão judicial que assim entender ser devida, ou seja, após a consolidação do valor principal e a proporcional penalidade sem o cômputo dos juros de mora. Aliás, como é sabido, a razão de ser dos tributos é a de compor o orçamento da União, titular do direito ao crédito e, portanto, legítima jurídica da pretensão de recomposição do capital pela incidência dos juros. Já a razão de ser das penalidade decorre da sanção necessária por descumprimento de obrigação legal, ou seja, tem caráter punitivo educativo que não traz para União um direito creditório originário, mas derivado da função punitiva do Estado em face do descumprimento da lei. Assim a União não é titular do crédito senão e tãosomente após a decisão definitiva. A jurisprudência do Conselho de Contribuinte e do CARF contempla julgados nesse sentido: PAF PROCESSO DE CONSULTA AUSÊNCIA DE EFICÁCIA NORMATIVA EFEITOS ENTRE AS PARTES O processo administrativo de consulta formalizado por sujeito passivo de obrigação tributária, se eficaz, produz efeitos exclusivamente para o caso concreto, não se aplicando a terceiros não integrantes da relação processual. IRPJ/CSLL Quando a carteira de clientes foi formada a partir de uma estrutura o estabelecimento não há como tratála dissociada dos demais elementos que compõe o fundo de comércio. Os valores investidos na aquisição de fundo de comércio, quando a fruição do direito não esteja condicionada a prazo certo, não podem ser amortizados. CSLL – Não cabe incidência de multa de ofício sobre a parcela da Contribuição Social sobre o Lucro discutida judicialmente. MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA – Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.231 23 paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. (Acórdão 10708588, de 25/05/2006, Rel. Luiz Martins Valero, PAF 16327.002157/200205) NULIDADE Imprecisão na indicação do enquadramento legal, ainda que tivesse ocorrido, não ensejaria nulidade do auto de infração, tendo em vista a perfeita descrição do fato ensejador do arbitramento. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS – Comprovada a falta de apresentação dos livros que amparariam a tributação com base no lucro real e demonstrada a impossibilidade da reconstituição da escrita por parte da contribuinte, cabível é o arbitramento do lucro. DEDUÇÃO DO IMPOSTO. IRRF. EMPRESAS DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE – No caso das empresas de propaganda e publicidade, cumprindo à beneficiária dos rendimentos efetuar o recolhimento do imposto retido na fonte sobre os serviços por elas prestados, a não comprovação do recolhimento implica não comprovação da antecipação do imposto, impossibilitando a dedução. CSLL. PIS. COFINS. Falece ao Conselho de Contribuintes competência para apreciar questões relacionadas à inconstitucionalidade de dispositivos legais enquanto não declarada pelo STF (Súmula 1º CC nº 2) MULTA DE OFÍCIO. A multa de 75% se aplcia aos lançamentos de ofício quando não presente a conduta dolosa ou fraudulenta. JUROS À TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4). JUROS SOBRE MULTA Em relação a fatos geradores ocorridos antes de 1º de janeiro de 1997, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161 do CTN. (Acórdão 10195898, 06/12/2006, Rel. Sandra Maria Faroni, PAF 10875.000920/200424) Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 24 Cabe aqui apreciar a orientação constante do Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/98, que aprovou o Parecer DISIT nº 001 de 1998, sob os seguintes argumentos: O art. 84, inciso I, da Lei nº 8.981/95 havia determinado que os juros de mora incidiriam sobre o valor dos tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal; Posteriormente, o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995 estabelecera que os juros de que trata o mencionado art. 84 da Lei nº 8.981/95 passariam a incidir segundo a variação da Selic; e Que o art. 25 da MP 154217, ao autorizar a incidência de juros sobre “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional”, permitiria a conclusão de que o valor da multa seria também atualizado pelos índices relativos aos juros, posto que o conceito de “débitos” abrangeria não apenas o valor da obrigação tributária principal, mas, também, o das obrigações sancionatórias. A conclusão está embasada em interpretação meramente literal, extraída através do confronto de leis ordinárias, no caso as Lei nº 8.981/95, 9.065/95 e MP 154217, para construir a tese de que o termo “débitos” abrange tanto o valor do tributo como também o da multa, razão pela qual os juros deveriam ser aplicados sobre ambos. Ocorre que, o método de interpretação adotado no referido Parecer, acaba por levar o exegeta a conclusões equivocadas, tendo em vista que para que se proceder a qualquer interpretação a respeito de crédito tributário e seus consectários legais, é imprescindível consultar os mandamentos do Código Tributário Nacional. Assim, no capítulo que trata da extinção do crédito tributário dispõe o artigo 161 do CTN, que o crédito não pago na data de seu vencimento será acrescido de juros de mora e das penalidades legais cabíveis. Nesse tom, tornase evidente que o CTN autoriza a aplicação dos juros somente sobre o valor do tributo pago intempestivamente e NÃO sobre o valor da multa. Isto porque, quando esse dispositivo prescreve que os juros serão exigidos sem prejuízo das penalidades cabíveis. Ora, como não e cabível multa sobre multa os acréscimos se referem ao tributo, exclusivamente, reforçando a afirmação de que a multa não integra o crédito tributário (eis que será aplicada sobre o valor do crédito inadimplido, assim como ocorre com os juros). E não poderia ser diferente a interpretação, haja vista o próprio conceito de tributo fixado no art. 3º , do CTN. Ou seja, se a teor do que dispõe o referido art. 3º, do CTN, tributo decorre de ato lícito, o crédito tributário somente pode ser composto do que decorra de ato lícito. Logo, não estando o conceito de multa compreendida no conceito de crédito tributário, já que é sanção por ato ilícito, a única conclusão a que se chega é a de que os juros NÃO INCIDEM sobre a multa. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para: (i) excluir do lançamento a incidência pela aplicação da isenção as saídas dos veículos em que o contribuintedestinatário (taxista) efetivamente tinha o direito subjetivo à isenção do tributo, ainda que apresentada autorização da Receita Federal e retificação posterior da nota fiscal por carta de correção; (ii) afastar o agravamento da multa, ante a pela inconsistência da acusação; (iii) excluindo o agravamento da penalidade, declarar decaído o lançamento Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.232 25 tributário das operações anteriores a 29/12/2003; e (iv) sobre os valores remanescentes sejam mantidos a multa de ofício de 75% e os juros de mora incidentes tão somente sobre os tributos e não sobre as penalidades. Luiz Roberto Domingo Relator Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator Designado Como bem relatado pelo Ilustre Conselheiro Luiz Roberto Domingo, o presente feito trata de exigência de IPI na venda de veículos automotores a taxistas, pela utilização indevida do instituto da isenção do imposto. A empresa teria dado saída, com isenção do imposto, a veículos destinados a taxistas, sem estar de posse de "prévia autorização" ou sem a "previa autorização" da Receita Federal, emitindo a nota fiscal originalmente para destinatário distinto da autorização juntada posteriormente, ou ainda, para destinatário em que não ficou comprovado que seria taxista. Em virtude do intuito de fraude constatado, foi majorada a multa básica aplicada (150%). Não há divergências acerca do descumprimento do aspecto formal da norma tributária ante a inobservância dos requisitos legais para a saída dos veículos automotores do estabelecimento industrial com isenção de IPI, já que as mesmas foram dadas, pela recorrente, sem ter a posse da autorização prévia. Apesar da concordância quanto à irregularidade apurada, ouso discordar da interpretação dada pelo Ilustre Relator em relação às conseqüências dessas irregularidades. O i. Relator, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a incidência pela aplicação da isenção as saídas dos veículos em que o contribuintedestinatário (taxista) efetivamente tinha o direito subjetivo à isenção do tributo, ainda que apresentada autorização da Receita Federal e retificação posterior da nota fiscal por carta de correção, ante a não ocorrência de prejuízo fático. Não é o nosso entendimento. Conforme já exposto pelo i.Relator, o reconhecimento da isenção ao contribuinte é dado pela autoridade fiscal e não pela montadora, que não tem lastro legal para presumilo, conforme disposto no artigo 3º da Lei 8.989/95: Art. 3 A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei. A saída de veículo automotor com isenção somente pode ser efetuada quando de posse da autorização emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim dispõe o art. 6º da IN/SRF 31/2000: Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 26 Art. 6 º O fabricante ou o estabelecimento equiparado a industrial só poderá dar saída aos veículos com isenção quando de posse da autorização emitida pela Secretaria da Receita Federal. Também já exposto pelo Relator, o fato gerador do IPI ocorre na saída dos veículos automotores pelo estabelecimento, conforme sua matriz legal: Lei 4.502/64 Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: [...] II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor Também concordamos com o Relator quando afirma que não há margem para a montadora dispor sobre o lançamento ou não do tributo naquela operação quando não há autorização legal ou, havendo, não estando preenchidos todos os requisitos para tanto, como ocorre no caso em apreço. Ocorrendo o fato gerador, surge a obrigação tributária, conforme terminologia do Código Tributário Nacional: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. [...] § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue se juntamente com o crédito dela decorrente. Sabemos que as isenções são regras que investem contra um ou mais critérios da norma tributária, mutilandoos parcialmente, e reduzindo o campo de abrangência da norma. Entretanto, para a plena aplicabilidade da regra isencional, ela deve atender ao disposto no CTN por expressa determinação constitucional (art. 146). Assim dispõe o CTN: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. Não é suficiente para a aplicação da regra isencional que o contribuinte faça jus ao gozo do benefício. A isenção deve ser efetivada formalmente, por despacho da autoridade administrativa, e de forma prévia à ocorrência do fato gerador. Assim dispõe a Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (Vide art 5º da Lei nº 10.690, de 16.6.2003) Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.233 27 I motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de sua propriedade atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público e que destinam o automóvel à utilização na categoria de aluguel (táxi); (Redação dada pela Lei nº 9.317, de 5.12.1996) [...] Art. 3º A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei. Se não existia o despacho prévio da autoridade administrativa reconhecendo o benefício, a isenção não é reconhecida no momento da ocorrência do fato gerador, conforme interpretação conjunta do art. 179 do CTN, c/c art. 3º da Lei 8.989/95, e art. 6º da IN/SRF 31/2000. Não existindo a regra isencional, os critérios da norma tributária não são mutilados, surgindo a obrigação tributária. Mesmo nas situações em que a autoridade fiscal reconheceu o direito ao benefício ao taxista, a autorização concedida pela Receita Federal ao taxistacontribuinte é aplicável apenas para fatos geradores futuros, nunca pretéritos. A obrigação tributária nascida anteriormente não foi condicionada. Na data da ocorrência do fato gerador não havia sido preenchido os requisitos da regra isentiva: não havia a autorização, que foi dada apenas posteriormente. Também não concordamos com a possibilidade da carta de correção suprir tal falha, ou seja, a ausência da autorização que concedeu o direito à isenção ao taxista, nem para corrigir divergências entre o sujeito passivo. De acordo com o Convênio CONFAZ s/nº, de 15 de dezembro de 1970, a utilização de carta de correção é permitida, desde que não relacionada a mudança do destinatário, entre outras: Art. 7º Os documentos fiscais referidos nos incisos I a V do artigo anterior deverão ser extraídos por decalque a carbono ou em papel carbonado, devendo ser preenchidos a máquina ou manuscritos a tinta ou a lápistinta, devendo ainda os seus dizeres e indicações estar bem legíveis, em todas as vias. § 1ºA Fica permitida a utilização de carta de correção, para regularização de erro ocorrido na emissão de documento fiscal, desde que o erro não esteja relacionado com: I as variáveis que determinam o valor do imposto tais como: base de cálculo, alíquota, diferença de preço, quantidade, valor da operação ou da prestação; II a correção de dados cadastrais que implique mudança do remetente ou do destinatário; III a data de emissão ou de saída. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 28 As Cartas de Correção apresentadas são retroativas, ou seja, são prédatadas, revelando sua inconsistência, além de referiremse a fatos que não condiziam com a realidade apurada e declarada. Reproduzimos o seguinte trecho de uma das cartas de correção apresentadas (que repetese em outras): “Considerar a informação abaixo como correta no campo de OBS., pois por desistência do cliente anterior, a mesma está sendo substituída para o veiculo [...]” Foi apurado que o problema com o destinatário diverso nas notas fiscais não era a desistência do cliente anterior, mas a ausência de autorização para o gozo da isenção. Sendo assim, afastase a possibilidade de correção das informações pela carta de correção apresentada. Em suma, divergindo o i.Relator, mesmo nos casos em que houve juntada posterior da autorização concedida pela Receita Federal ao taxistacontribuinte, considero que o contribuinte (montadora) não podia dar saída sem o destaque do IPI no momento do fato gerador, e não podia antecipar a uma possível isenção a seu cliente (taxista), e o lançamento fiscal não foi decorrente de um mero requisito formal descumprido, mas sim pela constatação de ocorrência do fato gerador com o surgimento da obrigação tributária correspondente. Quanto a multa de ofício majorada, os elementos trazidos aos autos são suficientes para comprovar a conduta inidônea por parte da recorrente, com a utilização de destinatários fictícios nas saídas, com posterior retificação para que constassem em nomes de terceiros, estes sim, taxistas com autorização da RFB e os reais adquirentes. A recorrente procurou antecipar a concessão de uma isenção, sem ter competência para tanto, utilizandose de destinatários fictos. Foi demonstrado pela autoridade fiscal e comprovado nos autos o“modus operandi” que denotou a vontade dolitiva da montadora, a prática reiterada, e justificou a aplicação da multa aplicada. Assim, ante o exposto, mantenho o agravamento da multa pela consistência da acusação e pela suficiência dos elementos de prova trazidos aos autos. Com a manutenção da penalidade agravada, entendo que o prazo decadencial deve seguir a regra do art. 173, I, do CTN, com a manutenção de todo o período lançado. A recorrente contesta a incidência de juros mora sobre multa de ofício. Adoto, no presente voto, as razões de decidir do acórdão nº 9303002.399, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, verbis: Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16045.000803/200843 Acórdão n.º 3101001.600 S3C1T1 Fl. 1.234 29 vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9,430/1996, que se transcreve linhas abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise [...] que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Portanto, correta a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Rodrigo Mineiro Fernandes. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 21/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 19515.004684/2010-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 173, I, DO CTN.
É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE DESCONTO DE CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. MULTA. CABIMENTO.
Tendo em vista que a recorrente deixou de efetuar os descontos de contribuições previdenciárias devidas pelos contribuintes individuais quando do creditamento de sua remuneração, há de ser reconhecido o descumprimento ao disposto no 30, inciso I, alínea a, da Lei 8.212/91
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles de Aguiar. Ausente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE DESCONTO DE CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de efetuar os descontos de contribuições previdenciárias devidas pelos contribuintes individuais quando do creditamento de sua remuneração, há de ser reconhecido o descumprimento ao disposto no 30, inciso I, alínea a, da Lei 8.212/91 Recurso Voluntário Negado.
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SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE DESCONTO DE CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de efetuar os descontos de contribuições previdenciárias devidas pelos contribuintes individuais quando do creditamento de sua remuneração, há de ser reconhecido o descumprimento ao disposto no 30, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/91 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 84 /2 01 0- 27 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles de Aguiar. Ausente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004684/201027 Acórdão n.º 2401003.733 S2C4T1 Fl. 566 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CIRURGIÕES DENTISTAS, em face do acórdão de fls. que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.312.6247, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de arrecadar, mediante desconto, as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais incidentes sobre sua remuneração. Consta do relatório fiscal que da análise dos comprovantes/recibos apresentados pela recorrente, apurouse que os pagamentos lançados na conta 32111 (Serviços Prestados por Terceiros) tratavamse de remunerações à contribuintes individuais (autônomos), pagamentos estes que não constaram das folhas apresentadas e, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias da empresa e dos segurados não foram informadas em GFIP. O período apurado compreende a competência de 01/2005 a 12/2005, tendo sido o contribuinte cientificado em 22/12/2010 (fls.695). Em seu recurso, sustenta que a decadência deve ser aplicada com base no disposto no art. 150, §4o do CTN. Defende que deve ser reconhecida como entidade isenta das contribuições, de modo que em se tratando o presente processo de lançamento acessório ao principal, não há que se falar no lançamento da multa. Que está sendo duplamente apenada pelo mesmo fato, já que sofreu a aplicação de multas no lançamento principal, e, agora, no acessório. Aponta que de acordo com seu estatuto social se caracteriza como entidade filantrópica, sem fins econômicos, que tem por finalidade o desenvolvimento de atividades associativas, científicas, culturais, esportivas, assistenciais, sociais e de lazer, sendo que nenhuma de suas atividades remunera seus diretores e mesmo o patrimônio da associação não é partilhado entre os seus sócios em caso de dissolução da mesma, cumprindo, assim os requisitos do art. 14 do CTN. Argui que não possui finalidade econômica de forma a atrair a incidência das contribuições previdenciárias por não possuir faturamento, entendido como a receita proveniente da venda de bens e serviços, na forma da redação do art. 195, I, da Constituição Federal, mas apenas por auferir receitas decorrentes de recebimentos de caráter geral pelo exercício de sua finalidade filantrópica. Alega que diante de entendimento equivocado o CNAS cassou a isenção que possuía para o triênio de 2000 a 2003, sendo que tal providência não tem o condão de determinar a cassação da isenção para o período objeto do presente lançamento, nos anos de 2004 a 2006, período em que cumpria os requisitos legais. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Afirma que o indeferimento de seu pedido de isenção na data de 25/04/2007 não pode retroagir para reconhecer que esta não possuía o benefício da isenção para o período de 2004 a 2006 Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004684/201027 Acórdão n.º 2401003.733 S2C4T1 Fl. 567 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares. Decadência Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso dos autos, se trata do lançamento de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, de modo que outra não pode ser a conclusão, senão pela aplicação da decadência com base no art. 173, I do CTN, não havendo que se falar no reconhecimento da decadência da multa aplicada. Rejeito, pois, a arguição. MÉRITO Inicialmente, cumpre asseverar, que na hipótese de se admitir que a recorrente, no período do lançamento, reunisse todas as condições e estivesse no gozo da isenção prevista no art. 55, da Lei 8.212/91, mesmo assim, não estaria desobrigada de efetuar o recolhimento dos valores relativo às contribuições da parte relativa aos segurados. É que, conforme dispõe o art. 55 da Lei 8.212/91, a isenção referese somente às contribuições previstas nos artigos 22 e 23, ou seja, aquelas devidas pela empresa. Todavia, no presente lançamento, a multa aplicada referese À não arrecadação, mediante desconto de valores correspondentes à contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais previstas no art 21 da Lei 8.212/91. Portanto, não estão sendo discutidos nos autos valores ou obrigações correspondentes à quota patronal, motivo pelo qual, os argumentos referentes ao direito ou não à isenção, trazidos na defesa, são estranhos ao presente lançamento, de sorte que, por este motivo, não serão conhecidos. Sobre a multa aplicada, a recorrente resumese a apontar que sobre o bis in idem, na medida em que já sofreu a aplicação de multa em razão do não recolhimento das contribuições correspondentes à parte dos contribuintes individuais. Na presente fiscalização, as contribuições parte dos segurados contribuintes individuais foi objeto de lançamento nos autos do processo n. 19515.004687/201061, também julgado nesta assentada, oportunidade na qual fora mantido o lançamento, em acórdão que restou assim ementado: DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARTE DOS SEGURADOS. ALEGADA ISENÇÃO PELA CONDIÇÃO DE ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA E BENEFICÊNCIA SOCIAL. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. LANÇAMENTO. MANUTENÇÃO. A isenção ao recolhimento das contribuições previdenciárias, benesse garantida à entidades que atendam ao disposto no art. 55 da Lei 8.212/91, não se aplica ao lançamento de contribuições parte dos segurados empregados e contribuintes individuais. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004684/201027 Acórdão n.º 2401003.733 S2C4T1 Fl. 568 7 Recurso Voluntário Negado. Logo, em sendo devidas as contribuições incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais (até porque não foram objeto de questionamento pela recorrente nos autos do processo principal), fato é que, de acordo com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/91, sob pena de aplicação da multa inscrita no artigo 283, I, alínea "a" Decreto 3.048/99, deveria a recorrente efetuar os descontos da parte dos segurados, incidentes sobre a sua remuneração. Vejamos o que dispõe a Lei de regência: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Assim, é patente a sua obrigação em ter efetuado a retenção dos valores de contribuição. Ressalto que no presente caso, a recorrente deixou de efetuar a retenção da totalidade das contribuições devidas, já que o pagamento da remuneração sequer constava da folha de pagamentos ou GFIP. Assim, também não entendo que há se reconhecer o bis in idem, tendo em vista que a multa objeto do presente Auto de Infração tem seu fundamento de existir no descumprimento de obrigação acessória prevista em Lei, no caso a falta de retenção, ao passo em que a multa aplicada nos autos de infração de obrigação acessória são multas aplicadas pelo não recolhimento das contribuições devidas Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a arguição de decadência e, no mais, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 16327.001967/2007-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas gerais de Direito Tributário
FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. PARECER DA CVM. PRESUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
parecer da CVM apontando supostas fraudes financeiras não é, por si só, suficiente para sustentar o lançamento, que precisa de provas específicas para demonstrar que o prejuízo deduzido pelo contribuinte na sua base de cálculo do IRPJ/CSLL efetivamente não ocorrera.
Numero da decisão: 1103-000.583
Decisão: ACORDAM os membros da 1ªcâmara/3ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes. Sustentação oral feita pelo Dr. Gabriel Lacerda Troianelli (OAB/RJ 78656)
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Eric Castro e Silva
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Numero do processo: 12898.001237/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL.
A adição à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição.
Recurso Negado.
Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez, que votaram por dar provimento. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá Relator
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. A adição à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição. Recurso Negado. Recurso voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez, que votaram por dar provimento. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 12 37 /2 00 9- 86 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12898.001237/200986 Acórdão n.º 1402001.589 S1C4T2 Fl. 12 2 Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12898.001237/200986 Acórdão n.º 1402001.589 S1C4T2 Fl. 13 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls. 67/73) lavrado em razão de a Contribuinte (i) não ter adicionado ao lucro líquido, quando da apuração da base de cálculo da CSLL devida nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, as despesas relativas à amortização de ágio; e (ii) não ter adicionado ao lucro líquido, quando da apuração da base de cálculo da CSLL devida no anocalendário de 2006, o valor de R$ 20.211,80, correspondente a “Provisão ao Depósito Judicial de Execução Fiscal da Taxa de Adm”, registrado na Conta 8.1.9.99.00.0000.990 Outras Despesas Operacionais – Outras (página 37 do Livro Razão de 2006). Conforme Termo de Constatação Fiscal (fls. 64/66), o auto de infração foi lavrado com fulcro nos artigos 391 e 426, do RIR/99, e artigo 57, da Lei nº. 8.981/95. Em 28/08/2009, a Contribuinte apresentou a impugnação (fls. 119/133), alegando em síntese, que: (i) o auto de infração não subsiste pela nítida inaplicabilidade do art. 57 da Lei nº. 8.981/95 ao presente caso, de modo que a autuação deixa de possuir base legal; (ii) a jurisprudência é favorável ao procedimento que adotou; (iii) para que se exigisse a adição das despesas relativas à amortização do ágio na apuração da base de cálculo da CSLL, seria necessário que a lei expressamente a estabelecesse, como, por exemplo, aconteceu com as normas especificas do imposto de renda. Mesmo com todos os ajustes previstos na legislação da CSLL (inclusive na Instrução Normativa SRF n° 390/04, que consolidou as normas aplicáveis às adições e exclusões na base de cálculo da CSLL), não há um dispositivo sequer que determine a adição do ágio amortizado contabilmente relativo à aquisição de investimentos avaliados pelo valor do patrimônio líquido. A 1ª Turma da DRJ/RJ1 manteve integralmente o lançamento, afirmando que a adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição (fls. 313/317). A questão relativa à suposta falta de adição ao lucro líquido, quando da apuração da base de cálculo da CSLL no ano base 2006, do valor de R$ 20.211,80, não foi impugnada. Inconformada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário que, em resumo, repisa os argumentos de sua peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12898.001237/200986 Acórdão n.º 1402001.589 S1C4T2 Fl. 14 4 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. A Recorrente não apresenta argumentos em sua impugnação ou recurso voluntário no tocante à falta de adição ao lucro líquido, quando da apuração da base de cálculo da CSLL, no anocalendário 2006, do valor de R$ 20.211,80, correspondente a "Provisão ao Depósito Judicial de Execução Fiscal da Taxa de Adm.", registrado na Conta 8.1.9.99.00.0000.990 Outras Despesas Operacionais Outras. Portanto, conforme já exposto pela decisão recorrida, essa parte do lançamento está fora da lide e consolidada na esfera administrativa. Assim, a questão posta em análise nos presentes autos trata apenas da necessidade de serem adicionadas, à base de cálculo da CSLL, as despesas com amortização de ágio. Nesse ponto, entendo que a razão está com a Recorrente. O valor da amortização do ágio na aquisição de investimento avaliado por equivalência patrimonial era (e ainda é) indedutível na determinação do lucro real, por força do disposto no artigo 25 do Decretolei nº. 1.598/77. Todavia, tal regra se restringe à apuração do imposto de renda da pessoa jurídica, pois: (i) na época em que foi editado o Decretolei nº. 1.598, ainda não havia sido instituída a CSLL; (ii) Não existe previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio, pois nem a Lei n°. 7.689/88, que criou a CSLL, nem nenhuma outra que foi posterior, estabeleceu a adição das parcelas amortizadas contabilmente a esse título, para fins de determinação da correspondente base de cálculo. Destarte, não vislumbro ser aplicável ao caso o art. 57 da Lei nº. 8.981/95, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. Nada obstante o referido art. 57 da Lei nº. 8.981/95 estender à CSLL as mesmas normas de apuração (mensal, trimestral, anual) e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, esse artigo não pretende equiparar a base de cálculo dos dois tributos, posto que expressamente determina que “...mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor”. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12898.001237/200986 Acórdão n.º 1402001.589 S1C4T2 Fl. 15 5 Se assim não fosse, não haveria como explicar ser possível que as bases de cálculo fossem idênticas, mas que ficasse mantida a base de cálculo prevista na legislação em vigor. A corroborar esse raciocínio, destaco ponto interessante suscitado no recurso voluntário da Contribuinte. É que, na verdade, sempre que pretende a aplicação de uma regra com repercussão no “quantum debeatur”, o legislador faz expressa distinção entre a CSLL e o IRPJ, a exemplo do que se observa em diversos textos normativos. É o caso, inclusive, da própria Lei nº. 8.981/95, na qual foram introduzidos dois artigos separados para estabelecer o limite máximo de 30% para redução do lucro tributável; o art. 42 é para o IRPJ, e o art. 58 para a CSLL. Logo, se fosse o caso da aplicação indistinta do art. 57, como pretende a fiscalização, a última disposição seria desnecessária. Nesse contexto, é de se convir que, se a própria Lei nº. 8.981/95 dedicou dispositivos separados para estabelecer limitação quantitativa para a compensação de prejuízos fiscais – a qual, como se sabe, anteriormente era só limitação temporal , por que razão essa mesma lei teria adotado critério diferente para fins de dedutibilidade do ágio na base de cálculo da CSLL – que também trata de regra referente ao valor do tributo devido? Tenhamos em mente que, se as adições importam em um maior valor de tributo a recolher, somente poderiam ser aceitas se instituídas através de lei, que estabelecesse de forma rigorosa todos os critérios da hipótese quanto da conseqüência. E, no caso, a adição em destaque não está prevista nas leis que regulamentam a CSLL. Como é cediço, o tributo só poder ser exigido quando o fato apurado ajusta se perfeitamente à hipótese de incidência, sendo vedado o uso de analogia ou interpretação extensiva para majorálo. O entendimento exposto, inclusive, há muito tem sido reconhecido no âmbito do antigo Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (...).TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. Não há previsão em lei para a adição ao lucro líquido das despesas com a amortização do ágio que, corretamente registradas na escrita comercial, afetam o valor do resultado do exercício, ponto de partida para o cálculo da contribuição social sobre o lucro.(CARF, Acórdão nº. 1102000.875 em 12/06/2013, 2ª TO da 1ª Câmara da 1ª Seção.) (...).CSLL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO EM AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. LIMITE. ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial, posto que o art. 25 do Decretolei n. 1.598/77, com a redação dada pelo Decretolei n. 1.730/79, apenas veda o computo das contrapartidas de referida amortização no lucro real. O art. 57 da Lei n 8.981/95 ressalva a manutenção da base de cálculo da CSLL nos modos em que prevista na legislação específica, inexistindo, portanto, identidade entre a base de cálculo da CSLL e a do IRPJ. IRPJ. DEDUÇÃO. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. O art. 47 da Lei n. 4.506/64 e art. 299 do RIR/99 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12898.001237/200986 Acórdão n.º 1402001.589 S1C4T2 Fl. 16 6 dispõe que são operacionais (e, portanto, dedutíveis para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ) as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações que atendam às necessidades do contribuinte. CSLL. DEDUÇÃO. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL consideradas indedutíveis pela legislação do IRPJ. O art. 47 da Lei n. 4.506/64 dispõe, apenas para a determinação do lucro real, que as despesas cuja dedução é admitida sejam aquelas necessárias à atividade ou à manutenção da fonte produtora do sujeito passivo. O art. 57 da Lei n 8.981/95 ressalva a manutenção da base de cálculo da CSLL nos modos em que prevista na legislação específica, inexistindo, portanto, identidade entre a base de cálculo da CSLL e a do IRPJ. (...). (CARF, Acórdão 1201000.285 em 09/07/2010, 1ª TO da 2ª Câmara, 1ª Seção.) AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N°8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. (Acórdão 10322.749 em 06/12/2006, 3ª Câmara do 1º CC, Processo nº. 18471.000003/2005 85). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO BASE DE CÁLCULOADIÇÕES ILEGALIDAD. ART. 57. LEI N° 8.981/95 INAPLICABILIDADE. A adição à base de cálculo da CSSL do valor da amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pela equivalência patrimonial não encontra previsão legal, não podendo ser exigida do contribuinte. Não se aplica à presente questão o art. 57 da Lei n° 8.981/95, pois tal dispositivo não determina que a base de cálculo da CSSL seja idêntica à base de cálculo do IRPJ, nem que as adições devem ser as mesmas. (Acórdão n° 10707.315 em 09/09/2003, 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes) Vale registrar, ainda, no mesmo sentido, pronunciamentos das Delegacias da Receita Federal de Julgamento em Campinas e no Rio de Janeiro, bem como da Superintendência Regional da Receita Federal da 8ª Região Fiscal e da Coordenação Geral de Tributação (COSIT): BASE DE CÁLCULO. LUCRO LÍQUIDO. DESPESAS FINANCEIRAS. DEDUTIBILIDADE. Estendese à CSLL o decidido em relação ao IRPJ, relativamente à dedutibilidade de despesas financeiras, eis que afeta o lucro líquido, ponto de partida para a determinação da base de cálculo da contribuição. Ajustes da Base de Cálculo. Amortização de ágio. A amortização do ágio decorrente de investimento avaliado pelo patrimônio líquido não será computada na Fl. 449DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12898.001237/200986 Acórdão n.º 1402001.589 S1C4T2 Fl. 17 7 determinação da base de cálculo da CSLL, constituindo ajuste previsto na legislação tributária. (...). Anocalendário: 01/01/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/12/2004 (Acórdão nº. 0525455 em 16/04/2009, Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas – 4ª Turma). AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CALCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N° 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei nº 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. (Acórdão nº 128082 em 18/07/2005, Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro, Processo nº. 18471.000003/200585). A amortização do ágio decorrente de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido não será computada na determinação da base de cálculo. O valor amortizado deverá ser controlado para fins de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento. No caso de alienação ou liquidação de investimento, o valor amortizado não pode ser excluído da base de cálculo, e o valor contábil para efeito de determinar o ganho de capital será determinado como disposto no art. 426 do RIR/1999. (DISIT 08 Solução de consulta nº 333 de 29/12/2000). (...). NORMAS DE APURAÇÃO E DE PAGAMENTO COMUNS AO IRPJ E À CSLL. O disposto no art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, não autoriza estender à CSLL a imunidade prevista para o IRPJ. (Solução de Divergência nº 39 – Cosit, de 30/12/2013). Na íntegra: O art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, que determina a aplicação à CSLL das “mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas” é indicado para o contribuinte das duas espécies tributárias. No intuito de racionalizar procedimentos, o art. 57 estabelece critérios comuns de apuração do IRPJ e da CSLL. Isso é válido para critérios operacionais de apuração, mas não para definir regras de incidência. Embora espécies distintas, com fatos geradores distintos (o da CSLL é o lucro e o do IRPJ é a renda), o contribuinte do IRPJ é, em regra, contribuinte da CSLL. Porém, o inverso não acontece: as entidades a que se referem as alíneas b e c do inciso VI do art. 150 da Constituição são imunes do pagamento do IRPJ, mas não da CSLL. É bem verdade que, dentre os órgãos julgadores de 1ª instância da Receita Federal do Brasil, a questão ainda comporta alguma controvérsia, tendo, inclusive, esse entendimento se refletido nas últimas instruções de preenchimento da DIPJ, que expressamente Fl. 450DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12898.001237/200986 Acórdão n.º 1402001.589 S1C4T2 Fl. 18 8 determinam a adição, na apuração da base de cálculo da CSLL, das parcelas da amortização de ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido. Contudo, não havendo fundamento legal para a adição da despesa com amortização de ágio na base de cálculo da CSLL, tais orientações e interpretações mostramse completamente equivocadas. Aliás, vale acrescentar, que essa controvérsia não deverá se perpetuar, pois exarada a supracitada Solução de Divergência COSIT nº. 39/13, sob a égide das novas normas administrativas que dispõe sobre a o processo de consulta relativo à interpretação da legislação tributária (IN RFB nº. 1396/13, com alterações introduzidas pela IN RFB nº. 1434/13), tal entendimento se tornou vinculante no âmbito da RFB (art. 9º). Por fim, merece ser dito, que a recém editada Medida Provisória n°. 627/13, veio reforçar o entendimento que ora se expõe. Como se sabe, a referida MP trouxe significativas inovações na legislação tributária federal, dentre as quais é possível destacar aquelas introduzidas por seu art. 2º, que deu nova redação aos dispositivos do comentado Decretolei nº 1.598/77. Dentre outras alterações, as novas disposições vieram: (i) alterar o critério de avaliação de investimento pelo valor de patrimônio líquido previsto no art. 20 do Decretolei nº. 1.598/77, incluindo a mais ou menos valia no desdobramento do correspondente custo de aquisição e restringindo o registro do valor do ágio aquele que tenha por fundamento a rentabilidade futura (goodwill); (ii) adaptar a redação do art. 25 do Decretolei nº. 1.598/77, para tornála compatível com esse novo critério de avaliação, preservando, contudo, a indedutibilidade das contrapartidas de redução do valor do ágio e tornando também indedutível as contrapartidas de redução do valor da mais valia; e A partir daí, em seu artigo 48, a referida MP determinou serem aplicáveis à apuração da base de cálculo da CSLL as disposições dos seus artigos 2° a 7°, 9 a 40, 42 a 47, incluindo no ordenamento jurídico, portanto, de forma indiscutível, a obrigação de adicionar à base de cálculo da CSLL a contrapartida de redução da mais valia e do ágio por rentabilidade futura. Diante disso, a discussão não se prolonga, merecendo acolhida o entendimento de que até a edição da MP nº. 627/13, não havia fundamento legal para exigir a adição da despesa com amortização de ágio na base de cálculo da CSLL. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, cancelado o auto de infração de CSLL. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 451DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12898.001237/200986 Acórdão n.º 1402001.589 S1C4T2 Fl. 19 9 Voto Vencedor Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Segundo consta da fl. 68 dos autos, a infração encontrase descrita como “001 ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO ANTES DA CSLL DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS – Lei nº 9.249/95,” com fatos geradores em 31 de dezembro dos anos calendário de 2004, 2005, 2006 e 2007 e bases de cálculo no valor de R$ 41.061.728,40, em cada período de apuração. Da leitura do termo do item I do Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do auto de infração, vêse que a autuação deuse em face do procedimento da recorrente “não adicionar ao Lucro Liquido, quando da apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, o valor de R$ 41.061.728,40, referente à despesa com amortização de ágio registrada na conta 8.1.8.10.00.0000.030, nos anos calendário 2004, 2005, 2006 e 2007." O nobre relator, em voto de extrema clareza e objetividade, destacou que na época dos fatos e até o advento da Medida Provisória nº 627, de 2013, já convertida em Lei, “não havia fundamento legal para exigir a adição da despesa com amortização de ágio na base de cálculo da CSLL.” Segundo o relator, a exigência feita por meio da autuação “só passou a ser cabível com a previsão contida no artigo 48 da a referida Medida Provisória que determinou serem aplicáveis à apuração da base de cálculo da CSLL as disposições dos seus artigos 2° a 7°, 9 a 40, 42 a 47, incluindo no ordenamento jurídico, portanto, de forma indiscutível, a obrigação de adicionar à base de cálculo da CSLL a contrapartida de redução da mais valia e do ágio por rentabilidade futura.” Pois bem, a Lei nº 7.689, de 1988, que instituiu a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, estabeleceu como base de cálculo o resultado do exercício, com as exclusões que indica (art. 2º). Por sua vez, o artigo 29 da Lei nº 8.981, de 1995, ao determinar a base de cálculo do Imposto Sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ, no § 1º, prevê deduções diversas daquelas relacionadas no artigo 2º da Lei nº 8.981, de 1995, daí a conclusão do relator de que estes tributos não têm a mesma base de cálculo. Isto resulta mais evidente no momento em que se percebe os seguintes destaques, que sublinho, contidos no artigo 37 da Lei nº 8.981, de 1995: Lei nº 8.981/1995: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995). Fl. 452DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12898.001237/200986 Acórdão n.º 1402001.589 S1C4T2 Fl. 20 10 As expressões, “mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor” indicam que o critério material da CSLL e do IRPJ, pela avaliação das normas até aqui analisadas, representa situação distinta entre um tributo e outro. Contudo o posicionamento majoritário desta turma segue o entendimento da decisão da DRJ, razão pela qual, aplicando o disposto no artigo 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 19991, adoto como razões de decidir os fundamentos da decisão recorrida, que assim enfrentou a matéria: A respeito da matéria, cabe reproduzir o art. 57 da Lei nº 8.981/95, com a redação dada pela Lei nº 9.065/1995, e o artigo 28 da Lei nº 9.430/1996. Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Verificase, portanto, que a lei determina a aplicação à CSLL das mesmas normas de apuração do IRPJ. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 390/2004, ao consolidar as regras relativas à apuração e pagamento da CSLL, dispôs em seus artigos 34, 44 e 75: Art. 34. O pagamento da CSLL por estimativa deverá ser efetuado até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. Art. 44. Aplicamse à CSLL as normas relativas à depreciação, amortização e exaustão previstas na legislação do IRPJ, exceto as referentes a depreciação acelerada. Art. 75. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei n º 1.598, de 1977, deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento econômico seja: I valor de mercado de bens ou direitos do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos períodos de apuração futuros, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio; 1 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12898.001237/200986 Acórdão n.º 1402001.589 S1C4T2 Fl. 21 11 § 1 º Alternativamente, a pessoa jurídica poderá registrar o ágio ou deságio a que se referem os incisos II e III do caput em conta do patrimônio líquido; 2 º A opção a que se refere o § 1 º aplicase, também, à pessoa jurídica que tiver absorvido patrimônio de empresa cindida, na qual tinha participação societária adquirida com ágio ou deságio, com o fundamento de que trata o inciso I do caput, quando não tiver adquirido o bem a que corresponder o referido ágio ou deságio; § 3 º O valor registrado com base no fundamento de que trata: (....). Da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que a legislação relativa à CSLL adotou o mesmo disciplinamento contido na legislação do IRPJ quanto ao registro e o tratamento a ser dispensado ao ágio, inclusive no concernente à sua amortização (artigos 384 e seguintes do RIR/99). ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 454DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.003498/2004-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO -INEXATIDÃO MATERIAL E OMISSÃO - CORREÇÃO - ART. 60 DO DECRETO Nº 70.235/72.
Constatado erro material na ementa do acórdão em sede de Recurso Voluntário, acolhem-se parcialmente os embargos de declaração para retificação da inexatidão material na ementa, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, mantida a fundamentação do v. Acórdão embargado.
Embargos Acolhidos em Parte
Sem Crédito em Litígio
Numero da decisão: 3402-002.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram conhecidos e acolhidos parcialmente para corrigir a inexatidão material apontada pela embargante.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram conhecidos e acolhidos parcialmente para corrigir a inexatidão material apontada pela embargante. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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Constatado erro material na ementa do acórdão em sede de Recurso Voluntário, acolhemse parcialmente os embargos de declaração para retificação da inexatidão material na ementa, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, mantida a fundamentação do v. Acórdão embargado. Embargos Acolhidos em Parte Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram conhecidos e acolhidos parcialmente para corrigir a inexatidão material apontada pela embargante. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 34 98 /2 00 4- 65 Fl. 2850DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Embargos Declaratórios (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) interpostos pelo d. titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão (DRF Brasília), por suposta omissão no v. Acórdão nº 340200.612 exarado pela C. 2ª Turma da 2ª Câmara do CARF (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) em sede de Recurso Voluntário que, acolhendo o voto vencedor do Ilustre Cons. Leonardo Siade Manzan, em sessão de 25/05/10, por maioria de votos, houve por bem em dar provimento ao recurso, para excluir a tributação da entidade referente aos fatos geradores ocorridos após dezembro de 1999 (vencidos os Cons. Nayra Bastos Manatta e Julio César Alves Ramos que negavam provimento ao Recurso), aos fundamentos sintetizados nas seguintes ementa e súmula: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS. ENTENDIMENTO INEQUÍVOCO DO E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A base de cálculo da PIS corresponde à totalidade do faturamento, nos termos fixados pelas Leis Complementares n.°s 7/70, devendo ser excluídas todas as outras receitas que não correspondam ao faturamento da empresa. A aplicação do entendimento inequívoco do e. Supremo Tribunal Federal manifestado nos RE’s n.°s 357950, 390840, 358273 e 346084 é medida de rigor, nos termos do que dispõe o art. 1° do Decreto 2.346/97. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2 câmara / 2 turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, deu Fl. 2851DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10166.003498/200465 Acórdão n.º 3402002.517 S3C4T2 Fl. 3 3 se provimento ao recurso, para excluir a tributação da entidade referente aos fatos geradores ocorridos após dezembro de 1999. Vencidos os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Julio César Alves Ramos que negavam provimento ao Recurso. Designado o Conselheiro Leonardo Siade Manzan para redigir o voto vencedor. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente e Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos, Silvia de Brito Oliveira, Ali Zraik Junior, Leonardo Siade Manzano.” Entende a d. Autoridade executora ora embargante que teria havido suposta “contradição” e “omissão” no voto condutor e suposto “erro material” na ementa do v. Acórdão embargado, eis que no primeiro (voto condutor) não teria sido encontrada nenhuma justificativa para esse entendimento, tanto no Voto Vencedor como no Recurso Voluntário, e a segunda (ementa) “fez menção expressa ao PIS, enquanto que a matéria julgada somente se refere à COFINS”. Neste contexto, a reputa “indispensável solicitar esclarecimentos ao CARF acerca dessas contradições a fim de possibilitar à DICAT a correta implementação da Decisão”. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Os Embargos Declaratórios são tempestivos, merecem ser conhecidos e, no mérito merecem ser parcialmente acolhidos apenas para correção de erro de fato na ementa do v. Acórdão embargado. Realmente, tem razão a ora embargante quando afirma que teria havido erro material na ementa do v. Acórdão embargado que “fez menção expressa ao PIS, enquanto que a matéria julgada somente se refere à COFINS” eis que como certifica a d. Fiscalização “trata se de Auto de Infração da COFINS, referente aos períodos de apuração compreendidos entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2001”. O mesmo não se pode afirmar em relação à fundamentação do voto vencedor, no qual não se vislumbra qualquer omissão ou contradição, vez que sob expressa invocação da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo E.STF, exclui “a tributação da entidade referente aos fatos geradores ocorridos após dezembro de 1999” Nesse particular, não se vislumbra a existência de qualquer omissão ou contradição a sanar, em decisão que, na consideração expressa e análise do conjunto probatório de ambas as partes, conclui pela procedência parcial do recurso, indicando os motivos de Fl. 2852DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 convencimento do órgão Julgador, donde os Declaratórios apresentam caráter nitidamente infringente, razão pela qual nesta matéria devem ser rejeitados, tal como proclamado pela Jurisprudência Administrativa e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PRESSUPOSTOS Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos pelo sujeito passivo, quando não demonstrados os pressupostos do art. 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, ante a inexistência de dúvida, contradição ou necessidade de suprir omissão constante do julgado recorrido. EMBARGOS DECLARATÓRIOS LIMITES Não pode ser conhecido o pedido do sujeito passivo na parte que, a pretexto de retificar o acórdão, pretende substituir a decisão recorrida por outra, com revisão do mérito do julgado. Embargos de declaração rejeitados.” (cf. Acórdão 10805339, Rec. nº 114572, Proc. nº 10935.000705/9628 , em sessão de 22/09/1998, Rel. Cons. Maria do Carmo Soares Rodrigues de Carvalho) Isto voto no sentido de conhecer e acolher parcialmente os Embargos declaratório com caráter infringente, apenas para corrigir a inexatidão material cometida na ementa do v. Acórdão embargado, nos termos do item supra e do art. 60 do Decreto nº 70.235/72 e fazer constar a menção de COFINS e não de PIS, como equivocadamente constou na ementa da decisão ora embargada. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de outubro de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 2853DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000716/2010-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
AJUSTE ANUAL. AUSÊNCIA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Ocorridos recolhimentos a menor de IRPJ e CSLL, cabível o lançamento de ofício pela Fazenda Pública para exigir os tributos.
COMPENSAÇÃO. REQUISITO FORMAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO.
Nos termos do § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, a inexistência de PER/DCOMP impede, desde outubro de 2002, a extinção de créditos tributários por meio da compensação.
Numero da decisão: 1401-001.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Maurício Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 AJUSTE ANUAL. AUSÊNCIA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Ocorridos recolhimentos a menor de IRPJ e CSLL, cabível o lançamento de ofício pela Fazenda Pública para exigir os tributos. COMPENSAÇÃO. REQUISITO FORMAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. Nos termos do § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, a inexistência de PER/DCOMP impede, desde outubro de 2002, a extinção de créditos tributários por meio da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Maurício Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
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INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA Recorrente SORVETES SUPLES INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 AJUSTE ANUAL. AUSÊNCIA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Ocorridos recolhimentos a menor de IRPJ e CSLL, cabível o lançamento de ofício pela Fazenda Pública para exigir os tributos. COMPENSAÇÃO. REQUISITO FORMAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. Nos termos do § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, a inexistência de PER/DCOMP impede, desde outubro de 2002, a extinção de créditos tributários por meio da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 07 16 /2 01 0- 48 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Maurício Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15983.000716/201048 Acórdão n.º 1401001.140 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de auto de infração de IRPJ e CSLL, acrescidos das respectivas multas isoladas, identificadas a partir da revisão das declarações de IR e DCTF do contribuinte, na qual o Fisco retrata a não declaração e o não recolhimento das estimativas dos referidos tributos pelo ora recorrente no período compreendido entre janeiro a julho de 2007. Por bem retratar a questão posta em debate, adoto e transcrevo o relatório da DRJ/CPS (fls. 271/281), lavrado nos seguintes termos: “Tratase de procedimento fiscal realizado pelo SEFIS DRF/Santos SP, amparado pelo Registro de Procedimento Fiscal (RPF) nº 08.1.06.002010001579, concluído com a lavratura de Autos de Infração no total de R$ 1.149.561,85, abrangendo o ano calendário de 2007 e contemplando os tributos e valores a seguir descritos, incluindose o principal, multa de ofício à razão de 75,00%, multa exigida isoladamente à razão de 50% sobre os valores de estimativas mensais de IRPJ e CSSL não declarados nem recolhidos e juros de mora calculados até 31/08/2010: TRIBUTOS VALORES LANÇADOS i)IRPJ 852.728,92 ii) MULTA ISOLADA IRPJ 11.243,51 iii) CSLL 281.181,76 iv)MULTA ISOLADA CSLL 4.407,66 DO DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL A ação fiscal iniciouse com o Termo de Intimação lavrado 09/03/2010, ciência por via postal “AR” em 15/03/2010 (fls. 38/39 – Processo em Papel), no qual a contribuinte foi cientificada de que, mediante procedimento de revisão de sua DIPJ do ano calendário/2007 – exercício/2008 e sua comparação com a DCTF do período, foram constatadas divergências de recolhimentos do IRPJ e da CSLL e que deveria, em cinco dias úteis, comparecer à DRF/Santos para prestar as devidas explicações, munido de procuração atualizada com firma reconhecida, especificando poderes para tratar de Fl. 392DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 assuntos juntos à SRF, inclusive para receber autos de infração, Cópia do Contrato Social contendo as alterações promovidas desde 01/01/2007 até a presente data, apresentar a documentação comprobatória (escrituração contábil e/ou fiscal), que demonstre os valores declarados na DIPJ/2007 (fichas 09A, 11, 16 e 17) e informar se possuía ações na Justiça Federal, referentes ao assunto, trazendo cópia da inicial, do pedido, e de todas as decisões obtidas até o momento da ciência do Termo. Deveria, ainda, informar a existência de parcelamento ou compensação, apresentando a documentação pertinente. Em 18/03/2010, a contribuinte apresentou petição de fls. 43 (a numeração referida no presente Acórdão será sempre a constante do Processo em Papel) informando existir “divergência entre os valores declarados na DIPJ com a DCTF, no primeiro semestre do ano de 2007 motivado pela compensação de impostos recolhidos a maior, pelo regime de estimativa, no ano de 2006” e que tal situação ocorreu porque “na confecção da DIPJ não encontramos campo para o lançamento de tal compensação”, juntando, ainda (fls. 44/55), documentos requisitados pela Autoridade Fiscal (procuração, Contrato Social e planilha que nominou de “Listagem da Posição Mensal” dos meses de janeiro/2007 a junho/2007). Mediante Termos de Continuação de Fiscalização de 17/05/2010 (fls. 41) e 04/08/2010 (fls. 40), o Fisco informou sobre o prosseguimento da ação fiscal (ciências nas mesmas datas), tendo destacado nesta última, a exigência da entrega pela fiscalizada do Livro Diário e Balancetes Mensais, além do Demonstrativo de Resultado do exercício e dos Darfs dos valores pagos como Imposto de Renda e CSLL na sistemática do lucro presumido, os quais teriam gerado a compensação utilizada no período de janeiro a julho de 2007. Após juntada às fls. 56/58 do SVA (Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais), o Fisco lavrou, em 01/09/2010 – ciência na mesma data o 2º Termo de Continuação de Fiscalização (fls. 42) exigindo a apresentação de arquivos digitais pelo sistema MANAD com a devida correção dos erros identificados nos registros, alertando que o não atendimento ou atendimento insatisfatório implicaria no lançamento de ofício das irregularidades apuradas. Em 27/09/2010 o condutor do feito lavrou Termo de Intimação Fiscal determinando a apresentação de relação dos bens do ativo (fls. 73, ciência pessoal na mesma data). DA ACUSAÇÃO FISCAL Em Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 16/17, datado de 27/09/2010 (ciência pessoal da contribuinte na mesma data), a Autoridade Fiscal relatou o resumo de todo o procedimento havido e sobre as irregularidades apuradas, discorrendo: i) que “ao comparar o valor do faturamento declarado na DIRPJ/08 com os livros fiscais não apurouse diferenças a serem cobradas” e que “ao ser questionado sobre o pagamento das estimativas de imposto de renda e CSLL, nos meses de janeiro de Fl. 393DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15983.000716/201048 Acórdão n.º 1401001.140 S1C4T1 Fl. 4 5 2007 a maio de 2007 integralmente e a de junho de 2007 (parcialmente), ele afirma que fez compensação com impostos (IRPJ e CSLL), recolhidos a maior de anos anteriores”; ii) que “com relação as estimativas de (IRPJ e CSLL) do período de junho de 2007 (parcialmente) a dezembro de 2007, as mesmas foram pagas normalmente. E no caso da contribuição social abateuse na DIRPJ/08 ficha 16 linha 03”; iii) que, “acontece que o contribuinte não tem recuperação de crédito de CSLL ( MP n° 1.807/1999, art.8°) ( ficha 16 linha 03). Portanto, compensação não aceita. E quanto a existência de créditos de anos anteriores de IRPJ e CSLL pagos a maior, com base nos artigos 74 da Lei 9.430/96, com redação determinada pelo art. 49 da Lei 10.637/02 e art. 40 da Lei 11.051/04, bem como art. 2° inciso IV e V da INSRF 598/05, alterado pela IN SRF 618/06 desde 2005 todo imposto pago a maior deverá ser motivo de pedido de compensação ou de restituição (perdcomp), e não poderá ser aproveitado de outra forma”; iv) que, “portanto, os valores que deveriam ser recolhidos a titulo de estimativa mensal do Imposto de Renda e CSLL, estes não foram declarados como devidos na DIRPJ, nas DCTFs e nem pagos, assim sendo foram lançados através de Auto de Infração a cobrança das multas isoladas por não ter feito os pagamentos devidos, bem como a diferença anual apurada de Imposto de renda e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido”. Prossegue elaborando planilhas demonstrativas dos valores apurados e dos que serão objeto dos lançamentos ora tratados Fl. 394DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 E conclui seu Termo intimando a autuada a retificar em cinco dias úteis, a sua DIPJ, corrigindo os valores mensais de IRPJ e CSLL que deveriam ser pagos. Os autos de infração relativos ao IRPJ, à CSLL e às MULTAS ISOLADAS do IRPJ e da CSLL foram lavrados em 20/09/2010, formalizado e protocolizado o processo administrativo pertinente e estão juntados às fls. 01 a 15 e 59/60. A ciência da contribuinte fezse em 27/09/2010, por procuradora constituída nos autos (fls. 71/72). O Fisco juntou ainda, os documentos de fls. 18 a 30 (cópia da DIPJ do anocalendário/2007 – exercício de 2008) e 31 a 37 (cópias das DCTF e do Dossiê Integrado da contribuinte). Consta ter sido elaborado “Arrolamento de Bens”, formalizado no Processo nº 15983.000734/201020. DA IMPUGNAÇÃO Ciente da conclusão do procedimento fiscal e da lavratura dos autos de infração, a contribuinte, mediante impugnação protocolizada em 26/10/2010, fls. 76, ofereceu sua peça de defesa, juntando documentos de fls. 77/257. A autoridade preparadora, às fls. 261, manifestouse no sentido da tempestividade da impugnação. Na peça contestatória, depois de fazer um resumo dos fatos, reproduzir parcialmente o entendimento fiscal esposado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, alegou, em apertada síntese, a impugnante (os destaques são do original): Fl. 395DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15983.000716/201048 Acórdão n.º 1401001.140 S1C4T1 Fl. 5 7 que “a fiscalização baseou somente na Declaração de Imposto de Renda DIPJ 2008, como base de informações, porém ocorreu um erro na transmissão de nossos dados para o arquivo do Imposto de Renda, havendo assim a necessidade da retificação da DIPJ 2008, com os valores das despesas de vendas e administrativas da empresa, constando somente os valores da aquisição de matéria prima e os valores dos estoques”; que “não foram utilizados os valores das despesas constantes do arquivo MANAD, referente ao exercício 2007”; que “em virtude da não utilização das despesas constantes no arquivo MANAD, foi apurado um lucro inexistente no período, e consequentemente imputado um imposto indevido”; que “estamos anexando à presente, cópia da declaração de Imposto de Renda Retificada bem como novo arquivo MANAD, cópia do balanço, balancete, demonstração de resultado e plano de conta referente ao ano de 2007”. E finaliza sua impugnação requerendo seu acolhimento e o cancelamento do débito fiscal reclamado, “tendo em vista que a empresa no período auferiu prejuízo”. Em julgamento, a DRJ de Campinas entendeu pela sua improcedência, de modo a manter os lançamentos, tendo a decisão sido assim ementada: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2007 Multa Isolada. Falta de Recolhimento de Estimativas Mensais. O não recolhimento de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano calendário ou apurado prejuízo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2007 Compensação. Requisito Formal. A partir de outubro de 2002, a inexistência de PER/DCOMP impede a extinção de créditos tributários por intermédio da compensação, regra válida, inclusive, nos Fl. 396DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 casos de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, caso a decisão não disponha de forma diversa. Havendo expressa manifestação da autuada de que não apresentou a necessária PER/DCOMP, impõe se o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário, como corretamente realizado pelo Fisco. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 Ajuste Anual. Insuficiência de Recolhimento. Lançamento de Ofício. Cabimento. Ocorridos recolhimentos a menor a título de IRPJ estimativa mensal durante diversos meses de 2007 e, por consequência, constatada, na apuração do ajuste anual, insuficiência nos pagamentos de referido tributo, cabível o lançamento de ofício pelo Fisco para exigir a diferença encontrada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2007 Ajuste Anual. Insuficiência de Recolhimento. Lançamento de Ofício. Cabimento. Ocorridos recolhimentos a menor a título de CSLL estimativa mensal durante diversos meses de 2007 e, por consequência, constatada, na apuração do ajuste anual, insuficiência nos pagamentos de referido tributo, cabível o lançamento de ofício pelo Fisco para exigir a diferença encontrada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 Livros Contábeis. Escrituração. Documentos Comprobatórios. A escrituração só faz prova a favor do contribuinte se suportada por documentos hábeis, idôneos e contemporâneos aos fatos e registrada em livros revestidos das formalidades intrínsecas e extrínsecas impostas por lei. No âmbito da legislação tributária, a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º”). Fl. 397DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15983.000716/201048 Acórdão n.º 1401001.140 S1C4T1 Fl. 6 9 Contra tal decisão, o Recorrente interpôs o presente recurso voluntário, reiterando as razões expostas em sua peça impugnatória, repetindo a alegação de que ocorreu mero erro formal do contribuinte em não apresentar o PER/DCOMP. Alega que não houve compensação indevida dos tributos considerados não recolhidos pelo Fisco, pugnando pelo cancelamento do auto de infração. É o relatório, no necessário. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidos os requisitos legais, dele conheço. A questão posta em julgamento referese, em essência, ao lançamento de IRPJ, CSLL e multa isolada identificados a partir da revisão das declarações de imposto de renda e DCTF. No curso da fiscalização, a Autoridade Fiscal identificou que o Recorrente não declarou e não recolheu as estimativas de IRPJ e CSLL do período de janeiro a junho de 2007 e parcialmente em julho de 2007, o que levou à lavratura de auto de infração pelo reflexo no ajuste anual, acrescido de multa isolada. O recorrente alega que não fez a declaração e o recolhimento dos impostos do período em questão porque estes não eram devidos em razão da realização de compensação com tributos por ele recolhidos a maior de períodos anteriores. Ocorre que em nenhum momento do procedimento fiscal a recorrente comprovou a existência dos supostos créditos que detinha em razão do recolhimento a maior de impostos em ano anterior ao período fiscalizado. E caso houvesse tal crédito, para a realização de compensação tributária, imprescindível a apresentação do documento PER/DCOMP a fim de operacionalizar a pretensão. Nos termos do art. § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002, após 30/09/2002, para que haja a extinção de créditos tributários por meio da compensação, é obrigatória a apresentação do PER/DCOMP. Sem a declaração, o procedimento compensatório não se consuma. No caso sob análise, o recorrente não apresentou a declaração de compensação, fato motivador do lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário relativo ao não recolhimento de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário 2007. E, mesmo diante da posterior alegação da recorrente que as divergências apuradas pelo Fisco quando da revisão de suas declarações de IR e DCTF decorreram de mero erro formal quando do preenchimento da DIRJ, tendo apurado prejuízo e não lucro sujeito à tributação, o recorrente não apresentou qualquer prova que consubstanciasse suas assertivas. Conforme entendimento desse Conselho, para que o contribuinte tenha direito subjetivo à compensação, deve apresentar prova idônea da existência do crédito compensado. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15983.000716/201048 Acórdão n.º 1401001.140 S1C4T1 Fl. 7 11 Nesse sentido, destacamse os seguintes julgados: “ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comp rovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (CARF 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). Fl. 400DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 No caso em análise, o contribuinte não apresentou qualquer prova da liquidez e certeza do direito de crédito alegado, nem mesmo quando intimado, no curso da ação fiscal, a apresentar seus livros e registros contábeis escriturados. Conforme minuciosamente explanado no Acórdão recorrido, “a falta de um mínimo de documentação probatória, a inexistência de sequer um único registro contábil realizado em Livros revestidos das formalidades exigidas e a não entrega dos próprios Livros obrigatórios, de modo a que se pudesse visualizar de que se comporia, afinal, o mencionado valor informado como “Despesas Operacionais”, permite inferir que o montante de R$ 1.798.944,72 não tem nem a certeza e nem a força probante exigida para a aceitação de tal despesa e sua subtração à base imponível do IRPJ e CSLL” (f. 278). Portanto, perfeitamente cabível os lançamentos de ofício efetuados pelo Fisco para a exigência do IRPJ e CSLL recolhidos a menor durante o ano calendário de 2007 pela recorrente. DA CONCLUSÃO Pelo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente). Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 401DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 15540.720352/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Leo Meirelles do Amaral.
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Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Leo Meirelles do Amaral. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 35 2/ 20 12 -9 7 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15540.720352/201297 Resolução nº 2301000.467 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório Recurso de Ofício e Recurso Voluntário aviado contra Acórdão sob nº 1256.162, exarado pela 11ª Turma da DRJ/RJ1, onde manteve em parte o lançamento originário. Crédito tributário lançado pela Fiscalização em nome das Recorrentes, relativo às contribuições sociais devidas pela empresa sobre a remuneração de segurados empregados declarada em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), incluindo a parte patronal e aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Informa o Relatório Fiscal que a ação fiscal foi originada em conseqüência de ação popular que tramitou na 4ª Vara Federal de Niterói, a qual suspende os efeitos do ato de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS no período de 2007 a 2009, tendo facultado ao fisco que procedesse ao lançamento dos créditos tributários respectivos, evitandose a decadência. Constatouse que a sociedade, na sua 2ª alteração contratual, datada de 21/01/2011, promoveu cisão parcial do seu patrimônio, com versão da parcela cindida para as empresas RIGA PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ: 11.471.928/000170 e XISTO EDUCAÇÃO BÁSICA, CNPJ: 11.471.160/000135. Estas empresas foram trazidas ao pólo passivo da obrigação tributária como responsáveis solidárias, tendo sido excluídos desta sujeição passiva solidária as contribuições aos terceiros e os créditos relativos às obrigações tributárias acessórias. O fato gerador do presente lançamento foi apurado com base na remuneração declarada em GFIP dos segurados empregados. Foram constituídos dois levantamentos, GF e GF2, tendo em vista o resultado da comparação da multa mais benéfica, após mudança legislativa. As empresas Riga Participações Ltda e o Colégio Plínio Leite Ltda (atual denominação de Xisto Educação Básica Ltda), responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário apurado, apresentaram impugnação em uma mesma peça. Em 10 de junho de 2013 as Recorrentes foram intimadas da decisão de piso e apresentaram Recurso Voluntário somente no dia 27 de novembro do mesmo ano, com suas alegações. Eis em síntese apertada o relado do necessário para o julgamento. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15540.720352/201297 Resolução nº 2301000.467 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Antes de analise dos presentes remédios recursivos, penso que há uma questão de ordem a ser organizada, pela autoridade fiscal. Vejo que nos autos do presente processo administrativo figuram no pólo passivo e no Auto de Infração do lançamento, mais de um contribuinte. Ao serem analisadas e julgadas as impugnações pela DRJ de origem, da decisão de piso, somente uma das Recorrentes foi notificada. Implicando que as demais empresas/contribuintes devem ser noticiadas para recorrem, se assim desejarem. Conforme se observa às fls. 811 o AR que noticia a decisão de piso foi endereçada a somente uma das pessoas jurídicas que figuram como contribuinte/devedor, CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que há necessidade de os autos do processo retornar à autoridade preparadora, para que ela providencie a notificação do resultado do julgamento da decisão da DRJ, de todas as empresas que figuram no pólo passivo como contribuinte, em seus respectivos endereços, juntando aos autos a comprovação de recebimento de todas os AR’s, para fins de início de contagem de prazo. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 990DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10650.001650/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS
Acolhem-se os embargos, sem efeitos infringentes, quando constatada a conveniência de identificar se o vício contido no lançamento possui natureza formal ou material.
Numero da decisão: 1401-001.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em CONHECER DOS EMBARGOS e, pelo voto de qualidade, em ACOLHER OS EMBARGOS para RERRATIFICAR o Acórdão, SEM EFEITOS INFRINGENTES, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Roberto Armond Ferreira da Silva e Sérgio Luiz Bezerra Presta que rejeitaram os embargos, pois consideravam o vício de natureza material e não vício formal.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Roberto Armond Ferreira da Silva e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Ausente justificadamente o Conselheiro Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DECLARATÓRIOS Acolhem-se os embargos, sem efeitos infringentes, quando constatada a conveniência de identificar se o vício contido no lançamento possui natureza formal ou material.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em CONHECER DOS EMBARGOS e, pelo voto de qualidade, em ACOLHER OS EMBARGOS para RERRATIFICAR o Acórdão, SEM EFEITOS INFRINGENTES, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Roberto Armond Ferreira da Silva e Sérgio Luiz Bezerra Presta que rejeitaram os embargos, pois consideravam o vício de natureza material e não vício formal. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Roberto Armond Ferreira da Silva e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Ausente justificadamente o Conselheiro Maurício Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 16 50 /2 00 7- 56 Fl. 861DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Fl. 862DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10650.001650/200756 Acórdão n.º 1401001.061 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão embargado (fls. 897899): Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas — IRPJ (Simples), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (Simples), e das Contribuições para o Programa de Integração Social — PIS (Simples), para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins (Simples) e para Seguridade Social — INSS (Simples), que constituíram o crédito tributário no montante de R$ 10.567.901,32 (dez milhões, quinhentos e sessenta e sete mil, novecentos e um reais e trinta e dois centavos), incluídos o principal, a multa de oficio e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta a apuração das irregularidades descritas no Relatório de Procedimento Fiscal de fls. 61/69, parte integrante dos autos de infração lavrados. [...] As fls. 196/197 o "Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 001", no qual são arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário lançado de oficio a Sra. Sandra Perpétua Fernandes e herdeiros, nos termos dos artigos 129 e 131, II, do CTN. Foi formalizada representação fiscal para fins penais, processo n° 10650.001656/200723. Os documentos que instruem a presente autuação encontramse no intervalo de fls. 70 a 651 (volumes I a IV); às fls. 652/653, do volume IV, o Termo de Encerramento da ação fiscal. As fls. 654 a 658, do volume IV, Avisos de Recebimentos (AR) dos autos de infrações encaminhados: 1) ao sócio responsável perante a Receita Federal do Brasil, Sr. Nildo Goulart Rosa; 2) ao sócio Marcelo Batista Morais; 3) ao(s) sucessore(s) do ex sócio Marcos Antônio Bolotti, Sra. Sandra Perpétua Fernandes Bolotti e herdeiros. As fls. 662 a 680, a impugnação apresentada pela contribuinte autuada, CPA Comércio de Cereais Ltda., por intermédio dos procuradores nomeados pelo instrumento de fls. 682, na qual solicita a improcedência do lançamento efetuado, consoante os seguintes tópicos: [...] I— DOS FATOS Fl. 863DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 II — DO CERCEAMENTO DE DEFESA — NÃO APRESENTAÇÃO AO CONTRIBUINTE IMPUGNANTE DE TODAS AS PEÇAS DO AI — NULIDADE DA INFRAÇÃO III — DO ARBITRAMENTO LEVADO A CABO PELO AFRF AUTUANTE — ILEGALIDADE III.A — OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS E SUA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO COMO RECEITAS. IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA PACIFICA DO STF, CSRF e CONSELHO DE CONTRIBUINTES, INTELIGÊNCIA DOS ARTIGOS 43 e 148 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL IV — DA IMPOSSIBILIDADE DE COMUNICAÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO DE EVENTUAL PRÁTICA DE CRIME FISCAL V — DA IMPOSSIBILIDADE DE APONTAMENTO DE CO ESPONSÁVEIS POR MERO AUDITOR FISCAL — OFENSA AO PRINCIPIO DA LEGALIDADE As fls. 773 a 777, a impugnação apresentada pela Sra. Sandra Perpétua Fernandes Bolotti, arrolada como responsável solidária pelo crédito tributário, consoante o termo de sujeição passiva de fls. 196/197. Na defesa, representada pelos procuradores nomeados pelo instrumento de fls. 779, a responsável solicita a improcedência do lançamento efetuado, consoante os seguintes tópicos: I — DOS FATOS II — DO CERCEAMENTO DE DEFESA — NÃ0 APRESENTAÇÃO AO CONTRIBUINTE IMPUGNANTE DE TODAS AS PECAS DO AI — NULIDADE DA INFRAÇÃO III — DA EXISTÊNCIA DE INVENTÁRIO — NECESSIDADE DE HABILITAÇÃO DO SUPOSTO CRÉDITO TRIBUTÁRIO JUNTO A TAL PROCEDIMENTO JUDICIAL — INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 131, III DO CTN — ARGUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR — IMPOSSIBILIDADE DE APONTAMENTO DE CORESPONSÁVEIS LEGAIS POR MERO AUDITORFISCAL — OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A 1ª Turma da DRJ Juiz de Fora, por unanimidade, julgou nulo o lançamento, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 870): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/200, 30/11/2003, 31/12/2003 ILEGITIMIDADE PASSIVA. LANÇAMENTO NULO. E nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento efetuado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada SRF antes da lavratura do auto de infração. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10650.001650/200756 Acórdão n.º 1401001.061 S1C4T1 Fl. 4 5 Lançamento Nulo O referido Acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho, em cumprimento ao disposto no art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008. Este colegiado, em 08 de maio de 2012, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício, por meio do Acórdão nº 140100.786 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 ILEGITIMIDADE PASSIVA. LANÇAMENTO NULO. É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento efetuado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária, ocorrida e comunicada SRF antes da lavratura do auto de infração. A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada deste Acórdão em 28/08/2012, tendo apresentado embargos de declaração datados de 28/08/2012, fls. 907908. A embargante considerou que o Acórdão em apreço incorreu em pequena omissão, ao deixar de esclarecer se o vício verificado no lançamento era de natureza material ou formal. Afirmou que a identificação da natureza do vício é imprescindível para fins de eventual aplicação do disposto no art. 173 do CTN. É o relatório. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os presentes embargos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Em sede de embargos declaratórios, a Fazenda Nacional alega que este colegiado incorreu em pequena omissão ao deixar de se manifestar sobre a natureza do vício que maculou o presente lançamento. No entender da embargante, revelase imprescindível identificar se o alegado vício contido no lançamento possui natureza formal ou material, tendo em vista o disposto no art. 173 do CTN. Assiste razão à embargante, no que tange à omissão deste colegiado. De fato, deveria o Acórdão embargado ter esclarecido a natureza do vício que foi identificado no presente lançamento. Conforme bem apontado pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, a identificação da natureza do vício é essencial para fins de eventual aplicação do disposto no art. 173 do CTN. No que tange ao mérito do presentes embargos, ou seja, no tocante à natureza do vício apurado no lançamento (erro na identificação do sujeito passivo), julgo tratarse de vício formal. Para justificar meu entendimento, adoto e transcrevo parcialmente o texto da Solução de Consulta Interna COSIT/RFB nº 8/2013, verbis: 8.1. O ato de lançamento é um procedimento administrativo, que se inicia com a ação fiscal até a notificação do lançamento ao sujeito passivo. Como um procedimento moderadamente formal, ele possui pressupostos que devem ocorrer para a realização da norma concreta, qual seja, o lançamento. Os arts. 10, I e 11, I do PAF e o art. 142 do CTN dispõem sobre a inclusão do sujeito passivo: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 866DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10650.001650/200756 Acórdão n.º 1401001.061 S1C4T1 Fl. 5 7 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 8.2. Num caso concreto, como verificar se o erro na identificação do sujeito passivo é procedimental? Analisandose se ocorreu um erro de fato. Mas uma adequada solução à presente consulta passa pela definição do que é erro de fato. Para Paulo de Barros Carvalho: (...) o erro de fato é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, por insuficiência de dados lingüísticos informativos ou pelo uso indevido de construções de linguagem que fazem às vezes de prova. Esse vício na composição semântica do enunciado pode macular tanto a oração do fato jurídico tributário como aquela do conseqüente, em que se estabelece o vínculo relacional. Ambas residem no interior da norma e denunciam a presença do erro de fato. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 22ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 485). 8.3. Em outras palavras, há um desajuste dentro do ato normativo concreto lançamento ou auto de infração) entre o que consta dele e os fatos ocorridos no mundo fenomênico. No presente caso, é o erro na situação fática que aquele apontado como sujeito passivo realmente o fosse. Como exemplos (não exaustivos) de erros que podem ser considerados de fato na identificação do sujeito passivo: a) Lançamento feito em face de falecido, em vez de estar direcionado o espólio ou sucessores. b) Lançamento em face de matriz, em vez de ser a determinada filial; c) Lançamento feito em face de responsável decorrente de erro na análise da situação fática ou documental; d) Equívoco na identificação de responsável pela gestão de sociedade empresária, pois na época do fato gerador ele não era mais responsável por aquele ato (mas seria se ele fosse responsável). 8.4. Em suma, há vício formal quando tenha ocorrido erro de fato na identificação do sujeito passivo, o qual decorre de erro quanto à análise de fatos ou documentos, mas cuja interpretação legal esteja correta. Como no último exemplo, se comprovado que o administrador de determinada sociedade deve ser responsabilizado por determinada infração, mas houve erro de quem era o administrador naquela época, houve erro de fato. Situação distinta seria se houvesse erro em identificar que o administrador (independentemente de quem fosse) deveria ou não ser o responsável, situação em que haveria um erro de direito. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 8.5. Quando há erro de fato o vício na identificação do sujeito passivo é formal, o lançamento é anulável e portanto convalidável (ao menos teoricamente). Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e acolher os presentes embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, apenas para RERRATIFICAR o Acórdão anteriormente proferido, esclarecendo que o presente lançamento foi anulado por vício de natureza formal (erro na identificação do sujeito passivo). (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 868DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909832/2006-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE GENÉRICA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação quando o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa. Soma-se à fragilidade do conjunto probatório a desorganização da defesa que juntou todos os documentos em um processo, patrocinando uma espécie de manifestação de inconformidade genérica, onde o julgador é quem deve procurar a prova para cada um dos créditos postulados.
Numero da decisão: 3803-006.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues que convertia o julgamento em diligência.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE GENÉRICA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação quando o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa. Somase à fragilidade do conjunto probatório a desorganização da defesa que juntou todos os documentos em um processo, patrocinando uma espécie de manifestação de inconformidade genérica, onde o julgador é quem deve procurar a prova para cada um dos créditos postulados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues que convertia o julgamento em diligência. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 32 /2 00 6- 82 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Despacho Decisório que não homologa Declaração de Compensação (fl 1). A razão foi a falta de crédito pois o pagamento no Darf indicado (data: 30/11/00 ; receita: 8109 – Pis) foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo passível para a compensação declarada (Pis agosto de 2003; valor: 721,47;fl 9 ). A base legal foram os artigos 165 e 170, do CTN, e o artigo 74, da Lei 9.430/96. Em 31/7/2008 ocorreu a ciência da decisão (fl 4). Há várias declarações de compensação do Pis de agosto de 2003 (processadas separadamente). Por isso, em 27/8/2008, houve manifestação de inconformidade (processo 10.880.909811/200667) reproduzida nos demais (fl 11 e ss), na qual a defesa pede a apensação de processos afins, para análise conjunta da defesa e das provas e argui: a) nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; b) devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; c) no mérito, ter recolhido indevidamente Pis e Cofins de setembro de 1998 a julho de 2003 sobre produtos em bonificação (sem auferir receita), que não geravam obrigação fiscal, pois não eram vendas. Ao final, requer emissão de novo Despacho e/ou homologação das compensações deste e dos procedimentos que pleiteia anexar. Apensa documentos da representação processual e societários. No processo 10880.909811/200667 foram juntadas cópias de notas fiscais de bonificações, apurações mensais, planilhas dos alegados indébitos e demonstrativos contábeis. A DRJ em São Paulo I/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 246DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.909832/200682 Acórdão n.º 3803006.413 S3TE03 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde abandona os argumentos da manifestação de inconformidade e diz que a premissa utilizada pelo julgador a quo, de que as bonificações concedidas em mercadorias somente serão excluídas da receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos, está equivocada, e sustenta a tese de que a bonificação em mercadoria concedida pela empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, sem caracterização de desconto incondicional também deve ser excluída da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins; ao final, requer a homologação da compensação sub analisis. Junta trechos de contratos comerciais entre a recorrente e compradores e notas fiscais de bonificação de produtos. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Relatado, passase ao voto. Voto Fl. 247DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. À míngua de preliminares, passase desde logo ao mérito. Ao contrário do sustentado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, penso que assiste razão à recorrente quando afirma que a bonificação de mercadorias, mesmo quando desvinculada das operações de venda, deve ser excluída da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Inclusive esse é o entendimento da Administração Tributária na 8ª RF, vide Solução de Consulta abaixo: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 130, DE 3 DE MAIO DE 2012 (8ª Região Fiscal) D.O.U.: 26.06.2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.909832/200682 Acórdão n.º 3803006.413 S3TE03 Fl. 4 5 Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Cofins. BASE DE CÁLCULO . BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Cofins é definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuitade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Cofins. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.833, de 2003 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. EDUARDO NEWMAN DE MATTERA GOMES Chefe Todavia, posto que concordando com a tese da recorrente, não vislumbro como reconhecer o seu pleito no caso vertente, porquanto as provas carreadas aos autos, mesmo que aceitas as trazidas agora em sede de recurso voluntário (excertos de contratos comerciais entre a recorrente e compradores e notas fiscais de bonificação de mercadorias), não Fl. 249DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 são hábeis para comprovar o alegado direito creditório na forma requerida pela legislação. Notese que a decisão guerreada já mencionava: Com relação aos demais documentos que consubstanciariam o recolhimento indevido, no processo 10880.909811/200667 a defesa junta cópias de: apurações mensais (e.g. fl 39); demonstrativos contábeis (e.g. fl 40) e planilhas de tributos apurados (e.g. fl 80, Cofins). As apurações mensais de créditos e débitos Pis e Cofins (e.g. fl 39) parecem agrupar distintos estabelecimentos (001, 067, 106 107) e as parcelas devidas por tipos de operação: “Mercado Interno”; “Diversos”; “Freegoods” bem como mostrar que houve um recolhimento de Pis e um de Cofins (não trouxe cópias dos Darf’s). Há demonstrativos contábeis praticamente ilegíveis (e.g. fls 40 e 355) ou que não indicam quaisquer datas ou períodos de referência dos dados apresentados (e.g. fl 174). Os dados contábeis também não permitem concluir pela verossimilhança das alegações, pois não são trazidos registros específicos das operações. A planilha de tributos apurados por nota fiscal é mensal e cita Cofins nas duas colunas, mas uma delas deve ser de Pis (fl 80). As demais planilhas não têm os títulos nas colunas, mas com base na primeira, podese inferir o que os dados representam (e.g. fl 156). Não foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Portanto, os demais documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente. Somase à fragilidade do conjunto probatório a desorganização da defesa que juntou todos os documentos em um processo, patrocinando uma espécie de manifestação de inconformidade genérica, onde o julgador é quem deve procurar a prova para cada um dos créditos postulados. Tal desorganização continuou em nível de recurso à segunda instância. Ora, o ônus de provar in casu é do contribuinte que alega o crédito. Vale rememorar que a prova aqui seria de que a bonificação em mercadorias integrou a base de cálculo da contribuição paga a maior ou indevidamente. Os documentos deviam estar separados por processo, individualizados, e didaticamente explicitados nas respectivas manifestação de inconformidade e recurso voluntário, sob pena de não serem inteligíveis ao órgão judicante administrativo. Certamente que não é tarefa do julgador debruçarse sobre todos os documentos juntados e pinçar quais pertencem a cada um dos processos compensatórios da recorrente, e mais, quais seriam atinentes a cada operação supostamente geradora de crédito. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.909832/200682 Acórdão n.º 3803006.413 S3TE03 Fl. 5 7 Ante o exposto, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 251DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10166.908051/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2004
ERRO DE FATO - INTEMPESTIVIDADE NÃO ANALISADA - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CABIMENTO
Consiste em erro de fato a verificação de que o recurso voluntário era intempestivo após ter sido realizado o seu julgamento. Erro passível de embargos de declaração com retificação do julgado e efeitos infringentes.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início e incluindo-se o do vencimento, ao teor dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3302-002.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para alterar o resultado do julgamento do acórdão embargado para recurso voluntário não conhecido, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2004 ERRO DE FATO - INTEMPESTIVIDADE NÃO ANALISADA - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CABIMENTO Consiste em erro de fato a verificação de que o recurso voluntário era intempestivo após ter sido realizado o seu julgamento. Erro passível de embargos de declaração com retificação do julgado e efeitos infringentes. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início e incluindo-se o do vencimento, ao teor dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso não conhecido.
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Erro passível de embargos de declaração com retificação do julgado e efeitos infringentes. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento, ao teor dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para alterar o resultado do julgamento do acórdão embargado para “recurso voluntário não conhecido”, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 51 /2 00 9- 99 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de processo administrativo por meio do qual o contribuinte discute procedimento de compensação. Conforme se depreende dos autos, a Delegacia de Julgamento entendeu proferiu o acórdão n° 0347.827 por meio do qual manteve o indeferimento do pedido de compensação em virtude de considerar que à época da apresentação do pedido não havia crédito. Tal conclusão decorreu da análise dos documentos fiscais. O contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância administrativa em 28/05/2012 (cf. Aviso de Recebimento de fls. 25), tendo apresentado Recurso Voluntário em 28/06/2012. Em 27/06/2013, os autos foram pautados para julgamento desta Segunda Turma da Terceira Câmara da Terceira Seção, tendo sido proferido o acórdão n° 3302002.211, por meio do qual concluiuse pelo “Parcial Provimento” do Recurso Voluntário apresentado, a saber: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido.” Todavia, ao formalizar a decisão, esta Conselheira Relatora constatou a ocorrência de ERRO DE FATO. Ocorre que o Recurso Voluntário julgado naquela oportunidade foi interposto fora do prazo recursal de 30 dias previsto pelo DecretoLei n° 70.236/76. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10166.908051/200999 Acórdão n.º 3302002.753 S3C3T2 Fl. 11 3 Desta forma e, na intenção de sanear os autos e retificar o ERRO DE FATO cometido, apresentei recurso de Embargos de Declaração, o qual foi recebido pelo Ilustre Presidente de Turma, Conselheiro Walber José da Silva, com determinação de inclusão em pauta para julgamento. Em atendimento à determinação superior, incluí o presente processo em pauta para julgamento dos presentes Embargos de Declaração. É o relatório. Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Os presentes Embargos de Declaração atendem aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. Conforme mencionado, tratase de embargos de declaração interposto por esta Conselheira Relatora após a percepção de que o recurso voluntário apresentado foi protocolado fora do prazo legal de 30 dias. Ocorre que, a preliminar de tempestividade apontada não chegou a ser julgada, tendo o acórdão n° 3302002.211, que concluiu pelo “Parcial Provimento” do Recurso sido omisso neste particular. Acolhidos os Embargos, passo à análise da preliminar. Conforme se verifica da análise das datas apresentadas no relatório supracitado (intimação da decisão da DRJ em 28/05/12 e a apresentação do RV 28/06/12), o recurso voluntário interposto pelo contribuinte é intempestivo e, portanto não pode ser conhecido. O contribuinte tomou ciência do Acórdão no 0347.827 (fls. 19/22), da DRJ de Brasília por meio de Aviso de Recebimento anexado às fls. 25, no qual consta como data de recebimento 28 de maio de 2012, data esta confirmada pelos correios através do carimbo de entrega. Contudo, compulsando os autos administrativos, verificase que o recurso foi protocolizado em 28/06/2012, conforme se verifica à fls. 27. De efeito, o art. 33 do Decreto no 70.235/72 dispõe , verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. A contagem do referido prazo deve ser realizada nos termos do art. 5º do mesmo diploma legal, verbis: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Assim, tendo em vista que o dia 28/05/2012, foi uma segundafeira, a contagem do prazo teve seu início no dia 29/05/2012, primeiro dia subseqüente de expediente normal, terçafeira, expirando em 30 dias, no dia 27/06/2012, uma quartafeira, dia útil. O recurso apenas foi apresentado dia 28/06/12, quintafeira. Vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos (RT 473/200 RT 504/217 RT 611/155 RT 698/209 RF 251/244), razão pela qual, com o mero decurso in albis do lapso temporal respectivo, extinguese, pleno jure, como sucedeu na espécie, o direito de o interessado deduzir o recurso pertinente: "Os prazos recursais são peremptórios e preclusivos (RT 473/200 RT 504/217 RT 611/155 RT 698/209 RF 251/244)” MS 24.274 AgR Rel. Min. Celso de Mello. Desta feita, impõese a conclusão de que a decisão a quo já se tornou definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto no 70.235/72, verbis: “Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto;” Tendo em vista a constatação da intempestividade, o recurso não preenche os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual acolho os presentes Embargos de Declaração para o fim de lhes DAR PROVIMENTO, reratificando o acórdão n° 3302 002.211, que concluiu pelo “PARCIAL PROVIMENTO” do Recurso para que conste como resultado de julgamento: “RECURSO NÃO CONHECIDO”. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 70DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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