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Numero do processo: 10167.001376/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA
Uma vez efetuado o lançamento tributário no prazo inferior a 05 anos, não há que se falar em decadência. AÇÃO JUDICIAL MATÉRIA
DIVERSA Somente importa renuncia na esfera administrativa, as questões discutidas na esfera judicial, devendo ser conhecida administrativamente as demais questões contidas no lançamento fiscal. NFLD CONFRONTO GFIP x GPS
Uma vez constatada a diferença entre o valor declarado em GFIP e o recolhido através de GPS, é dever da autoridade fiscal promover o lançamento do crédito para apurar as diferenças declaradas e não recolhidas.
AUTORIDADE ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA
A autoridade administrativa tem, não só a competência, mas o dever de julgar as questões trazidas no processo administrativo que não estão sendo discutidas na esfera judicial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.102
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA Uma vez efetuado o lançamento tributário no prazo inferior a 05 anos, não há que se falar em decadência. AÇÃO JUDICIAL MATÉRIA DIVERSA Somente importa renuncia na esfera administrativa, as questões discutidas na esfera judicial, devendo ser conhecida administrativamente as demais questões contidas no lançamento fiscal. NFLD CONFRONTO GFIP x GPS Uma vez constatada a diferença entre o valor declarado em GFIP e o recolhido através de GPS, é dever da autoridade fiscal promover o lançamento do crédito para apurar as diferenças declaradas e não recolhidas. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA A autoridade administrativa tem, não só a competência, mas o dever de julgar as questões trazidas no processo administrativo que não estão sendo discutidas na esfera judicial. Recurso Voluntário Negado.
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AÇÃO JUDICIAL MATÉRIA DIVERSA Somente importa renuncia na esfera administrativa, as questões discutidas na esfera judicial, devendo ser conhecida administrativamente as demais questões contidas no lançamento fiscal. NFLD CONFRONTO GFIP x GPS Uma vez constatada a diferença entre o valor declarado em GFIP e o recolhido através de GPS, é dever da autoridade fiscal promover o lançamento do crédito para apurar as diferenças declaradas e não recolhidas. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA A autoridade administrativa tem, não só a competência, mas o dever de julgar as questões trazidas no processo administrativo que não estão sendo discutidas na esfera judicial. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Fl. 935DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente justificadamente o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 936DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001376/200777 Acórdão n.º 240102.102 S2C4T1 Fl. 927 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada contra o contribuinte acima identificado relativa a contribuições sociais providenciarias, correspondentes à parte patronal, sobre os valores descontados dos segurados e não recolhidos em época própria à previdência social conforme estabelecido na Lei 8212/91. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 82/84 , tratase de ação fiscal específica para apuração de divergência dos valores devidos à Previdência Social declarado nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), com os valores efetivamente recolhidos pelo contribuinte, através das Guias da Previdência Social (GPS). Inconformada com a decisão de fls. 4218/433, a empresa apresentou recurso a este conselho alegando em apertada síntese: DA PRELIMINAR Acolho como preliminar a argüição de decadência formulada pela recorrente. Sobre este tema, defende a recorrente que os períodos compreendidos entre 01/2000 a 12/2002, passaram não lançados por definitivo, o que o acórdão de 06/12/2007 prenuncia, operandose, portanto, A DECADÊNCIA postulatória do fisco previdenciário, eis que qüinqüenal o prazo legal. Para corroborar tal entendimento transcreve os artigos do CTN abaixo reproduzidos: Constituição de Crédito Tributário SEÇÃO I Lançamento Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Divida Ativa Fl. 937DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular. Art. 202. O termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade competente, indicará obrigatoriamente: I o nome do devedor e, sendo caso, o dos coresponsáveis, bem como, sempre que possível, o domicílio ou a residência de um e de outros; II a quantia devida e a maneira de calcular os juros de mora acrescidos; III a origem e natureza do crédito, mencionada especificamente a disposição da lei em que seja fundado; IV a data em que foi inscrita; V sendo caso, o número do processo administrativo de que se originar o crédito. Parágrafo único. A certidão conterá, além dos requisitos deste artigo, a indicação do livro e da folha da inscrição. Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior, ou o erro a eles relativo, são causas de nulidades da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, mas a nulidade poderá ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante substituição da certidão nula, devolvido ao sujeito passivo, acusado ou interessado o prazo para defesa, que somente poderá versar sobre a parte modificada. Art. 204. A dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova préconstituída. Parágrafo único. A presunção a que se refere este artigo é relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2° O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 938DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001376/200777 Acórdão n.º 240102.102 S2C4T1 Fl. 928 5 DO MÉRITO No mérito afirma estar a decisão de primeira instância eivada de erro, formal, material e substancial. Afirma que o julgador de primeira instância alegou que os valores do crédito não compõem o montante que está sendo discutido judicialmente que será decidido pelo judiciário. Contra este argumento a recorrente assim refuta: “a)... pela prova material que ora se colaciona, vêse dignos julgadores, que ali estão incluídos SIM, as competências ora discutidas em juízo, nos processos 20033400042501 e 200334000425023 da Justiça Federal de BrasíliaDF, e, se, fosse válido o argumento de submeter à competência de julgamento administrativo apenas as contribuições que não estariam sendo discutidas no judiciário, como informa o acórdão fis.429, vêse, CLARAMENTE, pelas planilhas expedidas pelo próprio órgão (anexas), que o argumento é falacioso, e estão querendo discutir as contribuições de todo o período já enviada à justiça federal como acima exposto, b) De outro lado, mesmo que fosse verdade a afirmação do item acima, vêse que o órgão é contraditório em suas afirmações, eis que faz lançamento no valor de R$ 397.622,09 e no relatório que envia logo após, dáse conta de que o valor real, se fosse devido, seda bem menor, ou seja, R$ 249.825,35. Logo, Douto julgador, o lançamento fiscal, deve ser preciso, claro, sem vício de constituição e forma, e podemos notar que este não é o caso aqui acontecido, onde a NFLD deve ser completamente anulada, eis que imprecisa em relação aos valores, bem como o dito acórdão, onde a seara administrativa chamou para si uma competência baseada em estarse discutindo valores que não aqueles já em sede judicial, afirmando ela mesma, que o que estaria lá, seda competência do judiciário decidir. d) Se fossemos considerar os erros acima apontados e dizermos que estariam discutindo apenas o principal, mas de todo o período, ainda sim, estaria incorreto o valor, o período, e também, o fato de que já estão sendo depositados em conta judicial, o que geraria DUPLA COBRANÇA, o que nem de longe se pode concordar, vez que a consignatória foi procedente, autorizada pelo juízo para tal fim, conforme se depreende do despacho DOU (ANEXO), o que coaduna com a afirmação de fls.428 do acórdão. Ultrapassadas as impropriedades acima, que clamam pela nulidade do acórdão e pela incompetência do órgão administrativo em julgálo, eis outra questão que por si só nulifica a NFLD.” Requer o provimento do recurso nos termos das fundamentações acima alinhavados. É o relatório. Fl. 939DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA A decadência suscitada pela recorrente não merece ser acolhida. Tenta a notificada fazer entender que, por não estar definitivamente constituído o crédito tributário, estariam decaídos os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos entre 01/2000 a 12/2002. Na verdade a recorrente confunde os conceitos de decadência e prescrição. No presente caso temos que a lavratura da NFLD ocorreu em dezembro de 2004 e os fatos geradores lançados referemse ao período compreendido entre janeiro de 2000 a dezembro de 2002, logo, não há que se falar em decadência. Para se operar a decadência seria necessário observar alguns marcos essenciais; • a ocorrência do fato gerador, para se identificar o início do prazo decadencial; • o lançamento do crédito tributário ou a lavratura do auto de infração, que interrompe o prazo decadencial (CTN, arts. 173, I e II, ou 150, § 4º, conforme o caso) No presente caso, como já dito acima, o decurso do prazo entre o fato gerador e o lançamento não atingiu o prazo quinquenal necessário para se falar em decadência, seja pelo art. 150, § IV ou 173, I do CTN, Apenas após a constituição definitiva do crédito é que irá se falar em prescrição.que também é interrompida com a citação feita ao devedor (art. 174, parágrafo único, inc. I, na sua redação original), ou o despacho que ordenar a citação (após a edição da Lei Complementar nº. 118, de 9 de fevereiro de 2005). Desta forma, não há como acolher a preliminar suscitada pela recorrente. DO MÉRITO Também no mérito os argumentos da recorrente padecem de amparo fático ou jurídico capazes de macular o lançamento. Ao contrário do que afirma a recorrente, a decisão de primeira instância não afirmou que as ações judiciais não estariam discutindo as competências inseridas do presente lançamento, mas sim, que a presente notificação contempla matéria diferenciada que não são objeto daquelas demandas, devendo estas serem apreciadas na esfera administrativa. Vejamos um trecho da decisão de primeira instância que aborda o assunto: Fl. 940DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001376/200777 Acórdão n.º 240102.102 S2C4T1 Fl. 929 7 “Apesar das planilhas de fls. 93/98 estarem anexadas também na ação judicial (fls 264/266), verificase que o valor originário devido não é objeto da lide judicial, uma vez que não estava devidamente constituído no momento da propositura da ação. Entretanto, existindo valores lançados pela fiscalização contra os quais o contribuinte contrapõese mediante apresentação de cálculos dos valores que entende devidos fica caracterizada a existência de controvérsia no âmbito administrativo em relação ao valor originário constituído. Desta forma, a existência de matéria diferenciada na esfera administrativa no que se refere ao valor originário levantado determina a competência deste órgão julgador para apreciála, restando afastada da competência desta turma de jul2.a. mento a discussão em relação à TR, Selic, Juros, Denúncia Espontânea e Multa, nas competências de 01/2000 até 07/2003 por constituírem objeto de ação judicial. Logo, não será apreciada a matéria controvertida deduzida em juízo, eis que cabe ao Poder Judiciário a decisão sobre a mesma, havendo, então, a renúncia da defesa na esfera administrativa Desta forma, equivocada a interpretação tida pela recorrente acerca dos valores discutidos na notificação em apreço. Importante lembra que, a fiscalização somente tomou conhecimento das ações judiciais após a informação constante na defesa administrativa, o que levou a turma de julgamento a baixar os autos em diligência para serem anexadas as peãs iniciais daqueles processos, donde restou verificado não estarem sendo discutidos os valores originários do débito da empresa, mas sim os juros e multas. Já no que diz respeito a diferença de d R$ 397.622,09 para R$ 249.825,35 a recorrente não observou que o primeiro valor referese ao crédito consolidado, acrescido de juros e multa enquanto o segundo reflete o valor originário do débito sem os acréscimos, pois estes estão sendo discutidos judicialmente. Assim, não há a alegada imprecisão de valores e tampouco falta de clareza ou erro no lançamento, bem como, não resta demonstrado que os valores originários do débito estariam sendo depositados judicialmente para caracterizar a ocorrência da cobrança em duplicidade. Por fim, temos que, se há valores no lançamento que não são objeto de demanda judicial, é sim competência da autoridade administrativa apreciar e decidir acerca de tais levantamentos. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, REJEITA A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento com relação aos valores originários do débito. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 941DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fl. 942DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10183.720109/2006-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COMPARADOS. DISSÍDIO JURISIPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO.
Não havendo similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, não se deve conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 9202-001.813
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COMPARADOS. DISSÍDIO JURISIPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO. Não havendo similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, não se deve conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional.
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AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COMPARADOS. DISSÍDIO JURISIPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO. Não havendo similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, não se deve conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Fl. 164DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10183.720109/200613 Acórdão n.º 9202001.813 CSRFT2 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em divergência jurisprudencial. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 14/34 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 70/75) julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação permanente. VALOR DA TERRA NUA O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 71/80). A Primeira Câmara da Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 88/90) deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 Fl. 165DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10183.720109/200613 Acórdão n.º 9202001.813 CSRFT2 Fl. 3 3 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. CARACTERIZAÇÃO. O Parque Estadual Igarapés do Juruena está situado em área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas de que trata o art. 10, §1°., II, "b", da Lei n.° 9.393/96. O decreto que o criou amplia as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que no presente caso foi reconhecido inclusive mediante ato específico do órgão competente. Recurso provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 94/105). Sustentou a necessidade, para a comprovação da área de reserva legal e de preservação permanente, de protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA ou órgão conveniado. Segundo a recorrente: “Nos termos da legislação retro, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. É de se esclarecer que a legislação aplicável ao caso em tela é aquela em vigência à época de ocorrência do fato gerador, nada acrescentando à lide o fato de a referida Instrução Normativa SRF n° 67/1997 ter sido revogada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 18/07/2000. Isso porque, além de restar evidente que esta última buscou tãosomente consolidar os textos constantes das Instruções Normativas que tratavam da matéria em um único ato, ela manteve, em seu art. 17, inciso II, a exigência relativa ao prazo de seis meses, contados da data final de entrega de DITR, para que o contribuinte protocolizasse o requerimento do ADA junto ao Ibama”. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 131/135 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Todavia, não preenche os demais requisitos de admissibilidade, pois a divergência não restou caracterizada. O objeto do recurso foi trazer a necessidade do ADA para que pudesse ser afastada a exigência do ITR sobre as áreas de interesse ecológico. Fl. 166DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10183.720109/200613 Acórdão n.º 9202001.813 CSRFT2 Fl. 4 4 A Douta Procuradoria trouxe dois acórdãos paradigmas para fundamentar o seu Recurso Especial. O segundo acórdão paradigma citado no corpo de seu Recurso, Acórdão 302.36783, não pode servir como paradigma pelos seguintes fundamentos não há similitude fática entre os julgados, pois este acórdão ao analisar a prova dos autos verifica que toda a documentação referese a fatos posteriores ao do lançamento, anotese parte do julgado: “Na hipótese dos autos, o Ato Declaratório Ambiental de fls. 52 reconheceu as áreas sub judice como de Preservação Permanente, a partir de setembro de 1997. (grifei)Ocorre que o ITR objeto da demanda referese ao exercício de 1995, anobase 1994. Paralelamente, não há como questionar que, em 31/12/94 (database pára a apuração do ITR/95) era o ora Recorrente o proprietário do imóvel denominado "Seringal e outros, Papagaio, Santo Antonio, etc.". A função deste Colegiado é verificar se a exigência tributária foi efetuada nos termos da lei.A atividade lançadora, por outro lado, é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, § único, CTN). Quanto ao primeiro paradigma também melhor sorte não lhe cabe porque só trata da exigência do ADA para área de preservação permanente, ou seja, situação diversa da tratada neste caso. Assim, resta evidente que os dois acórdãos paradigmas têm situações fáticas diversas ao do acórdão ora recorrido. Ora, o caso dos autos trata de Área de Interesse Ecológico assim determinado por Decreto Estadual. O julgamento da Turma “a quo” foi fundamentada apenas nas provas acerca da inserção da referida área no Parque Estadual Igarapés do Juruena. Em momento algum do voto, foi trazida a questão do ADA como fundamento da decisão. Anotese parte do Acórdão recorrido: Analisandose os autos, verificase que a controvérsia reside na questão de a área do imóvel objeto da autuação ser ou não de interesse ecológico. Em sendo de interesse ecológico, preencheria os requisitos para fruição da isenção do ITR, tal qual prevista no artigo 10, §1°, inciso II, alínea "b", acima transcrito. Desta forma, ainda que houvesse paradigma, ainda assim o recurso não poderia ser conhecido, pois o que se verifica é que para ser tratada a questão do ADA, tal tema deveria ter sido prequestionado, o que não ocorreu e, por outro lado, nenhum dos acórdãos paradigmas traz situação fática similiar, isto é, julgamento de ITR incidente sobre áreas declaradas de interesse ecológico e a exigência do ADA para eventual caracterização das referidas áreas. Assim, tratandose o recurso especial de divergência um recurso de fundamentação vinculada, a tese defendida pelo recorrente deve estar ligada, deve ser aquela estabelecida nos acórdãos paradigmas. Caso contrário, se outra for a fundamentação externada Fl. 167DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10183.720109/200613 Acórdão n.º 9202001.813 CSRFT2 Fl. 5 5 pelo recorrente, sendo esta adotada, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não estaria a desempenhar a sua função essencial, que consiste em dirimir as divergências jurisprudenciais existentes no âmbito do CARF. Assim, não demonstrada a divergência não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 24 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 168DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10805.002840/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS ODONTOLÓGICAS.
RESTABELECIMENTO.
Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-001.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento ao recurso para que seja restabelecido o valor de R$ 1.590,00 referente à glosa das despesas odontológicas, mantendo-se a exigência nos demais aspectos.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS ODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontramse elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para que seja restabelecido o valor de R$ 1.590,00 referente à glosa das despesas odontológicas, mantendose a exigência nos demais aspectos. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 29/12/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Acácia Sayuri Wakasugi, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10805.002840/200861 Acórdão n.º 210201.698 S2C1T2 Fl. 78 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 53 a 58 da instância a quo, in verbis: Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 5/7), referente ao anocalendário de 2004, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 4.204,69, já incluídos juros de mora e multas. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 06/07., consta que houve dedução indevida de dependente sogra e de despesas médicas referentes a esta, além de outras deduções indevidas a título de despesas odontológicas. Outrossim, houve dedução indevida de despesa com instrução Lavrada a Notificação, o contribuinte apresentou a defesa de fls. 01/03, na qual alega, em síntese: glosa indevida do valor correspondente a dependente sogra; e glosa indevida de valor a título das despesas médicas relativas à aludida dependente R$ 3.742,84, além de suficiência de prova dos recibos odontológicos apresentados. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, restabeleceu a dependência da sogra do contribuinte e das respectivas despesas médicas, mantendo o restante do crédito consignado no auto de infração, considerando que os demais argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos remanescentes postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. SOGRA. Somente é admitida a dedução de sogra como dependente quando constar assinalado na DIRPF entregue pelo interessado a opção da companheira do declarante estar apresentando Declaração de Ajuste em conjunto com este. Inteligência do artigo 35 da Lei nº 9.250/95. GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Nos termos do artigo 80, §1º, II, do RIR/99, a dedução de despesas médicas da declaração de rendimentos restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 62 a 64, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, uma vez que, a glosa,. das despesas odontológicas no valor de R$ 4.800,00 pagos a Clinica Integrada , por serviços realizados pelo profissional Dr. Antonio Carlos de Freitas CRO 14638 SP e CPF 111.726.816 00, foram devidamente comprovadas conforme documentação anexa. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10805.002840/200861 Acórdão n.º 210201.698 S2C1T2 Fl. 79 3 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO Do dispositivo do acórdão recorrido, fls. 73/74, restou em litígio apenas a glosa de despesas odontológicas prestadas por Antonio Carlos de Freitas no valor de R$ 4.620,00. Sendo R$ 2.310,00 para o contribuinte e o mesmo valor para a sua cônjuge dependente Ione Maria Trindade de Lima. Ressalto que a glosa das despesas de instrução, não foram impugnadas e assim, restam com sua exigibilidade definitiva na esfera administrativa. GLOSA DAS DESPESAS MÉDICASODONTOLÓGICAS Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10805.002840/200861 Acórdão n.º 210201.698 S2C1T2 Fl. 80 4 § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar a efetividade dos serviços prestados pelos profissionais, para que fique caracterizada que a despesa é passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. A comprovação citada no Decreto acima deve ser feita com a apresentação de documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, como a apresentação de cópias de cheque e/ou extratos bancários ou, ainda, exames, fichas de atendimento e laudos médicos atestando e justificando o serviço prestado. Nesse sentido, para comprovar a efetividade das despesas juntou com a impugnação os recibos de fl. 30 e com o Recurso as declarações do prestador do serviço de fls. 67 e 68, fichas do tratamento odontológicos de fls. 70 a 73. Analisando essa documentação verificamos que as declarações citadas referemse aos pagamentos ocorridos no anocalendário 2005 e não podem ajudar na prova que se busca, uma vez que, a glosa em debate é do anocalendário 2004. Já as fichas de fls. 70 a 73, referemse somente ao tratamento da esposa do cônjuge e podemos destacar que registram anotações para o exercício 2004 um valor de tratamento de R$ 1.590,00 igualmente nas 3 fichas. Analisando os valores envolvidos das despesas, condições particulares do contribuinte e os valores oferecidos a tributação pelo contribuinte, entendo que os documentos citados, trazem substância parcial e provam uma despesa declarada no valor de R$ 1.590,00 CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, para que seja restabelecido o valor de R$ 1.590,00 referente a glosa das despesas odontológicas, mantendo se a exigência nos demais aspectos. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10805.002840/200861 Acórdão n.º 210201.698 S2C1T2 Fl. 81 5 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10821.000306/2004-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/2003
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de
pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em
valor maior que o devido, extinguese
com o decurso do prazo de cinco anos,
contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento
antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao
princípio da segurança jurídica.
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a
constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes
Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação.
MP Nº 1.212/95. PIS. VACATIO LEGIS. INOCORRÊNCIA.
A contribuição destinada ao PIS permaneceu exigível no período
compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei
Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da
Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições.
PIS FOLHA DE PAGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA.
A Media Provisória nº 1.212/95 não alterou a base de cálculo ou a alíquota do
PIS devido pelas associações, mantendo as regras da Lei Complementar nº
07/70 e legislação posterior.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/2003 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. MP Nº 1.212/95. PIS. VACATIO LEGIS. INOCORRÊNCIA. A contribuição destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. PIS FOLHA DE PAGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA. A Media Provisória nº 1.212/95 não alterou a base de cálculo ou a alíquota do PIS devido pelas associações, mantendo as regras da Lei Complementar nº 07/70 e legislação posterior. Recurso Voluntário Negado.
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RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. MP Nº 1.212/95. PIS. VACATIO LEGIS. INOCORRÊNCIA. A contribuição destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. PIS FOLHA DE PAGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA. A Media Provisória nº 1.212/95 não alterou a base de cálculo ou a alíquota do PIS devido pelas associações, mantendo as regras da Lei Complementar nº 07/70 e legislação posterior. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 372DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 07/07/2003 a COLÔNIA DE FÉRIAS MINISTRO JOÃO CLEOFAS ingressou com o pedido de restituição de PIS Folha de Pagamento, relativo a pagamentos efetuados no período de janeiro de 1993 a junho de 2003, alegando inconstitucionalidade da legislação que obriga o pagamento da exação. A IRF em São Sebastião SP indeferiu o pedido da recorrente, alegando decadência do direito de pleitear a restituição para os pagamentos efetuados há mais de cinco anos da data do pagamento e, para os demais pagamentos, a existência de lei obrigando a recorrente a efetuar o pagamento do PIS Folha de Pagamento. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 187/206, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0525.392, de 09/04/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. IMUNIDADE. REQUISITOS. Somente fazem jus à imunidade do art. 195, § 7º da Constituição Federal as entidades beneficentes de assistência social que preencham os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, Fl. 373DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10821.000306/200498 Acórdão n.º 330201.204 S3C3T2 Fl. 304 3 no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. PIS. BASE LEGAL. A exigência da Contribuição ao PIS passou a ser regulada pela Medida Provisória Federal n° 1.212; de 1995, a partir de março/1996: A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 11/05/2009, conforme AR de fl. 248, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 09/06/2009, com o recurso voluntário de fls. 249/278, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade de que: 1 contase da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento o prazo para pleitear a restituição do PIS, tributo lançado por homologação; 2 deve a administração aplicar princípios constitucionais, apreciar e deixar de aplicar leis que ela recorrente considera inconstitucional; 3 goza de imunidade constitucional em relação às contribuições sociais e atende a todos os requisitos exigidos pelo art. 14 do CTN, único dispositivo legal aplicável à espécie; 4 são inconstitucionais as normas de exigência do PIS sobre a folha de pagamento, especialmente a Medida Provisória nº 1.212/95, que não tem validade, e a Lei nº 9.715/98; Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivos legais. Dele conheço. Como relatado, a associação recorrente está pleiteando a restituição de PIS Folha de Pagamento que recolheu no período de janeiro de 1993 a julho de 2003, alegando inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 1.212/95 e da Lei nº 9.715/98, que a obrigaram a efetuar o pagamento da exação. Antes de adentrar no mérito da lide, devo registrar que para os fatos geradores ocorridos até setembro de 1996, antes da edição da Medida Provisória nº 1.212/95, o PIS Folha de Pagamento era exigido da recorrente com base na Lei Complementar nº 07/70 e Fl. 374DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 esta lei não foi objeto de contestação pela recorrente, donde se concluiu que, para esses períodos de apuração, a decisão recorrida é definitiva. Resta, portanto, analisar o pedido da restituição dos pagamentos efetuados, relativos aos períodos de apuração de outubro de 1995 até junho de 2003, contestados no recurso voluntário. Analisaremos, em sede de preliminar, a extinção do direito de a recorrente pleitear a restituição. O pedido de restituição foi apresentado no dia 24/05/2004, portanto, antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05, que considera de 05 (cinco) anos do pagamento antecipado o prazo para pleitear a restituição de tributo ou contribuição lançado por homologação. A Receita Federal do Brasil (RFB), por meio das suas IRF e DRJ, julgou extinto o direito de a recorrente pleitear a restituição de parte dos pagamentos em face do decurso do prazo, que entende ser de 5 (cinco) anos a contar do pagamento tido como indevido e objeto do pedido de restituição. Esta matéria foi apreciada e decidida pelo Supremo Tribunal Federal em sessão do Pleno, realizada no dia 04/08/2011, que julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621 para declarar inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, e considerar válida a aplicação do novo prazo de 05 (cinco) anos, para pleitear restituição, tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), em seu art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, autoriza expressamente a este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. Diante desta decisão do STF, para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, deverá ser adotado o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, quanto à contagem do prazo para pleitear restituição de tributos, previsto no art. 168, I, do CTN, ou seja, referido prazo contase da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento efetuado e objeto do pedido de restituição. No caso dos autos, não ocorreu homologação expressa de pagamento. Consequentemente, o prazo para pleitear a restituição contase da data da homologação tácita. E, por esta regra, não ocorreu a extinção do direito da Recorrente de pleitear a restituição porque a homologação tácita mais remota de pagamento efetuado, objeto do pedido de restituição e contestado no recurso voluntário, ocorreu no dia 03/11/2000 e o pedido de restituição foi apresentado no dia 24/05/2004, antes do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, a que se refere o art. 168 do CTN. O reconhecimento do direito de pleitear a restituição não implica em reconhecimento da legitimidade dos créditos pleiteados, pelas razões que seguem. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 375DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10821.000306/200498 Acórdão n.º 330201.204 S3C3T2 Fl. 305 5 Passemos à análise das razões de mérito levantadas pela recorrente. Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 1.212/95, e suas reedições, e da Lei nº 9.715/98, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF2: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em outra ponta, a recorrente alega que a Medida Provisória nº 1.212/95 perdera a eficácia e que a Contribuição para o PIS não poderia ser exigível até a edição da Lei nº 9.715/98. Esta matéria foi apreciada e decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o Recurso Especial nº 1136210 PR (2009/00741776), pelo rito do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, cujo resultado do julgamento é de aplicação obrigatória por este CARF, nos termos do art. 62A do RICARF (Portarias MF nºs 256/09 e 586/10). O Acordo relativo ao julgamento do referido recurso especial pelo STJ, cujo Relator foi o Min. Luiz Fux, tem a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. PIS. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NO PERÍODO DE OUTUBRO DE 1995 A OUTUBRO DE 1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754). RESTAURAÇÃO DOS EFEITOS DA LEI COMPLEMENTAR 7/70. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 18, DA LEI 9.715/98 (ADI 1.417). PRAZO NONAGESIMAL DA LEI 9.715/98 CONTADO DA VEICULAÇÃO DA PRIMEIRA EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95. 1. A contribuição social destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. 2. A contribuição destinada ao Programa de Integração Social PIS disciplinada pela Lei Complementar 7/70, foi recepcionada pelo artigo 239, da Constituição da República Federativa do 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 376DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Brasil de 1988 (RE 169.091, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, julgado em 07.06.1995, DJ 04.08.1995). 3. O reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754, Rel. Ministro Carlos Velloso, Rel. p/ Acórdão Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, julgado em 24.06.1993, DJ 04.03.1994) teve o condão de restaurar a sistemática de cobrança do PIS disciplinada na Lei Complementar 7/70, no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: AI 713.171 AgR, Rel. Ministra Cármen Lúcia, Primeira Turma, julgado em 09.06.2009, DJe148 DIVULG 06082009 PUBLIC 07082009 EMENT VOL0236819 PP04055; RE 479.135 AgR, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, julgado em 26.06.2007, DJe082 DIVULG 16.08.2007 PUBLIC 17.08.2007 DJ 17.08.2007; AI 488.865 ED, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 07.02.2006, DJ 03.03.2006; AI 200.749 AgR, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, julgado em 18.05.2004, DJ 25.06.2004; RE 256.589 AgR, Rel. Ministro Maurício Corrêa, Segunda Turma, julgado em 08.08.2000, DJ 16.02.2001; e RE 181.165 EDED, Rel. Ministro Maurício Corrêa, Segunda Turma, julgado em 02.04.1996, DJ 19.12.1996. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça: AgRg no REsp 531.884/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 25.11.2003, DJ 22.03.2004; Resp 625.605/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 08.06.2004, DJ 23.08.2004; REsp 264.493/PR, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.02.2006; AgRg no Ag 890.184/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 20.09.2007, DJ 19.10.2007; e REsp 881.536/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 28.10.2008, DJe 21.11.2008). 4. É que a norma declarada inconstitucional é nula ab origine , não se revelando apta à produção de qualquer efeito, inclusive o de revogação da norma anterior, que volta a viger plenamente, não se caracterizando hipótese de repristinação vedada no § 3º, do artigo 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil. 5. Outrossim, é pacífica a jurisprudência da Excelsa Corte, anterior à Emenda Constitucional 32/2001, no sentido de que as medidas provisórias não apreciadas pelo Congresso Nacional, não perdiam a eficácia, quando reeditadas dentro do prazo de validade de 30 (trinta) dias, contandose a anterioridade nonagesimal, prevista no artigo 195, § 6º, da CRFB/88, da edição da primeira medida provisória (ADI 1417, Rel. Ministro Octávio Gallotti, Tribunal Pleno, julgado em 02.08.1999, DJ 23.03.2001). 6. Destarte, até 28 de fevereiro de 1996 (início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória 1.212, de 28 de novembro de 1995), a cobrança das contribuições destinadas ao PIS era regida pelo disposto na Lei Complementar 7/70. A partir de março de 1996 e até a publicação da Lei 9.715, de 25 de Fl. 377DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10821.000306/200498 Acórdão n.º 330201.204 S3C3T2 Fl. 306 7 novembro de 1998, a contribuição destinada ao PIS restou disciplinada pela Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições, inexistindo, portanto, solução de continuidade da exigibilidade da exação em tela. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (os grifos são do original) Portanto, são improcedentes as alegações da recorrente diante da decisão do STJ de que “a contribuição destinada ao PIS restou disciplinada pela Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições, inexistindo, portanto, solução de continuidade da exigibilidade da exação em tela”. Nesta parte, não há reparos a fazer na decisão recorrida. Quanto à alegação da recorrente de que atende aos requisitos legais para o gozo da imunidade prevista no § 7º, do art. 195, da CF/88, também não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto, acrescentando que não há previsão legal de isenção do PIS Folha de Pagamento para as entidades que atendam ao disposto no art. 14 do CTN. Mais ainda, o referido dispositivo do CTN trata de isenção de impostos e aqui estarse a tratar de contribuição para o PIS/Pasep. O PIS/Pasep não é um imposto e, no meu particular entender, também não é uma contribuição para a seguridade social, mas uma contribuição de interesse de categoria profissional (art. 149 da CF), qual seja: o trabalhador empregado, público ou provado. É ele o beneficiário final dos recursos arrecadados. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19993, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 378DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Fl. 379DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.015915/2002-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO.
SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODO ANTERIOR. Declarada a decadência do direito
de o Fisco reduzir o saldo negativo de período anterior, resta convalidada a compensação deste com as antecipações que compõem o direito creditório em litígio, impondo-se o seu reconhecimento.
Numero da decisão: 1101-000.634
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODO ANTERIOR. Declarada a decadência do direito de o Fisco reduzir o saldo negativo de período anterior, resta convalidada a compensação deste com as antecipações que compõem o direito creditório em litígio, impondo-se o seu reconhecimento.
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SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODO ANTERIOR. Declarada a decadência do direito de o Fisco reduzir o saldo negativo de período anterior, resta convalidada a compensação deste com as antecipações que compõem o direito creditório em litígio, impondose o seu reconhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Fl. 549DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 823 2 Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 824 3 Relatório BRADESCO SEGUROS S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloI que, por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou parcialmente a compensação declarada. A interessada, mediante Declarações de Compensação – DCOMP apresentadas de 15/10/2002, 30/10/2002, 14/11/2002, 29/11/2002 e 13/12/2002, utilizou saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 1998, correspondente à parcela remanescente após as compensações efetuadas até setembro/2002, no montante de R$ 7.402.475,94. O saldo negativo original de R$ 25.917.628,00 foi reduzido em R$ 4.028.981,48, porque não confirmada a liquidação de uma das estimativas de 1998, compensada com saldo negativo de CSLL do anocalendário 1997. Isto em razão de o saldo negativo de CSLL do anocalendário 1997 ter sido alterado em procedimento fiscal, ante a constatação de que ali se aplicara a alíquota de 8%, e não de 18%, para cálculo da CSLL, matéria tratada no Mandado de Segurança nº 97.00058689, ainda não transitado em julgado. Às fls. 566/579 consta cópia do Termo de Verificação Fiscal lavrado pela Divisão de Fiscalização da DEINF/RJ, no qual o saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário 1997 é reduzido a R$ 629.860,00, em razão da glosa da parcela de R$ 4.028.981,48, integrante da dedução total de R$ 11.911.008,16 apontada pela interessada naquele período de apuração. A ele seguese auto de infração no qual a CSLL apurada naquele anocalendário (R$ 7.252.166,67) é confrontada com as antecipações confirmadas de R$ 7.882.026,88, resultando na apuração de saldo negativo de R$ 629.860,00, apontado no quadro Redução da Contribuição a Compensar ou a ser Restituída, motivo pelo qual restou o contribuinte notificado a ajustar os seus registros contábeis e fiscais de acordo com os valores assim apurados (fls. 580/582). Assim, confirmado apenas o saldo negativo de R$ 21.888.646,52, e dele deduzidas as compensações anteriores a setembro/2002, o valor remanescente foi suficiente para homologar a DCOMP apresentada em 15/10/2002 e parcialmente a DCOMP apresentada em 30/10/2002, restando as demais integralmente não homologadas. Cientificada desta decisão em 24/11/2006, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade apontando a decadência do direito de o Fisco questionar o saldo negativo do anocalendário 1998, a necessidade de sobrestamento deste feito até o julgamento do processo administrativo nº 19470.000321/200591 (no qual foi exigida CSLL em razão da revisão da apuração do anocalendário 1997), e a impossibilidade de cobrança dos débitos de estimativas compensados com o crédito aqui em debate. Antes do julgamento de 1a instância, foi juntado a estes autos o processo administrativo nº 10768.001209/200323 (fl. 768), o qual trata de DCOMP apresentadas em 14/02/2003, 28/02/2003 e 14/03/2003, tendo por objeto crédito relativo a saldo negativo de CSLL apurada no anocalendário 2002. Isto porque tal crédito foi composto, em parte, por estimativas vinculadas ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 1998, motivo pelo qual a Fl. 551DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 825 4 autoridade administrativa, em despacho às fls. 104/106 dos autos do processo administrativo nº 10768.001209/200323, assim concluiu: a) Pelo reconhecimento, como direito creditório referente ao Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2002, o montante original de R$ 3.801.196,22, sobre o qual passa a incidir os juros SELIC a que alude o art. 39, § 4° da Lei n°9.250/95; b) Nos termos do disposto na IN SRF n° 210/02, pela homologação, até o limite do crédito ora reconhecido, das "Declarações de Compensação" formalizadas neste processo, com a conseqüente extinção dos débitos PIS (R$ 468.192,04), da COFINS (R$ 2.160.886,33), do IRPJ (R$ 1.164.774,13) e da CSLL (R$ 120.239,25), períodos de apuração Jan/03, conforme demonstrativo de folha 98; c) Em relação à parcela de R$ 1.593.154,55 do pretendido Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2002, pelo sobrestamento do seu reconhecimento, bem como a suspensão da exigibilidade dos débitos da CSLL (R$ 283.277,08), período Jan/03, do PIS (R$ 427.325,89) e da COFINS (R$ 953.988,55), períodos Fev/03, com ela compensados, como apontado no demonstrativo de folha 99, até o encerramento do PAF n° 10768.015915/200271; d) Por fim, por tratar de matéria correlata, propomos o apensamento do presente processo aos autos do PAF n°10768.015915/200271. Após ciência deste despacho decisório à contribuinte, os autos do processo administrativo nº 10768.001209/200323 foram encaminhados à DRJ/São PauloI, que promoveu sua juntada por apensação a estes autos. Depois desta apensação, ainda foi juntada aos autos a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte contra aquele despacho decisório, na qual argumenta, em síntese que mesmo na hipótese de ser mantida a decisão desfavorável proferida nos autos do processo n° 10768.015915/200271, o que se admite para argumentar, O PRESENTE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE QUALQUER MODO HÁ DE SER ACOLHIDO, SOB PENA DE EXIGÊNCIA DE TRIBUTO EM DUPLICIDADE, posto que A CONSEQÜÊNCIA PARA O IMPUGNANTE DE TAL DECISÃO É QUE PASSARIAM A SER DEVIDOS NAQUELE PROCESSO OS VALORES QUE ENTÃO FORAM INDEVIDAMENTE COMPENSADOS, RELATIVOS ÀS ANTECIPAÇÕES. Em 06/05/2008 a 8a Turma da DRJ/São Paulo – I, apreciando a manifestação de inconformidade de fls. 663/676 destes autos, ratificou o despacho decisório de fls. 656/660 em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. A compensação de débitos pressupõe a liquidez e certeza do crédito tributário contra a Fazenda Publica. Se o exato valor do direito creditório está a depender de deferimento de demanda judicial, não pode ser considerado liquido e certo quanto à parte controversa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO INDEVIDAMENTE COMPENSADO. Não homologada a compensação, a autoridade administrativa Fl. 552DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 826 5 deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensado. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/06/2008 (fl. 786), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 03/07/2008 (fls. 787/816). Defende que o restabelecimento do saldo negativo de 1997 no PA nº 19740.000321/200591 enseja a homologação das compensações declaradas neste feito, mas, subsidiariamente, argui a decadência do direito de o Fisco questionar o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 1998, bem como aponta a impossibilidade de exigência de valores mensais após o encerramento do anobase com prejuízo, reportandose aos débitos de estimativas de IRPJ e CSLL compensados com o saldo negativo aqui em discussão. Novamente pede o sobrestamento do julgamento deste processo até a conclusão final do processo nº 19740.000321/200591. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 827 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente cumpre observar que não foi apreciada a manifestação de inconformidade apresentada em razão do despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo nº 10768.001209/200323. Como relatado, a decisão recorrida restringiuse ao despacho decisório às fls. 656/660 deste processo principal, e à correspondente manifestação de inconformidade juntada às fls. 663/676. Por sua vez, o recurso voluntário apresentado pela interessada teve por objeto, apenas, a decisão assim proferida pela 8a Turma da DRJ/São PauloI, delimitando o litígio passível de apreciação por esta Turma Julgadora. E, neste âmbito, temse que foi dado provimento ao recurso voluntário apresentado pela interessada nos autos do processo administrativo nº 19740.000321/200591, por meio do Acórdão nº 10517.022, reconhecendose, por maioria de votos, a decadência do direito de o Fisco formalizar, em 06/09/2005, o lançamento ali tratado, pertinente ao ano calendário 1997. Vêse no voto do I. Conselheiro Leonardo Henrique M. de Oliveira, proferido em sessão de 28 de maio de 2008, que ali, mesmo tratandose de exigência de CSLL, prevaleceu o entendimento de que o Poder Judiciário e a 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já haviam se posicionado em favor da aplicação das regras do Código Tributário Nacional, quanto à contagem do prazo decadencial. Atualmente, com mais razão, a Súmula Vinculante nº 8, firmada pelo Supremo Tribunal Federal em sessão plenária de 12/06/2008, determina que: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Registrese que consulta ao sistema de controle de processos do Ministério da Fazenda acusa que o processo administrativo nº 19740.000321/200591 foi encaminhado pela DIV CONTROLE ACOMP TRIBUTARIODEINFSP ao ARQUIVO GERAL DA SAMFSP em 06/10/2011. Imperioso, portanto, observar as conclusões expressas no acórdão nº 105 17.022, especialmente porque ali estava em análise lançamento tributário destinado, justamente, a reduzir o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 1997, utilizado pela contribuinte para liquidar parte das antecipações que formaram o saldo negativo do ano calendário 1998, ensejando a sua redução de R$ 25.917.628,00 para R$ 21.888.646,52. Destaquese que não está sob avaliação, aqui, a possibilidade de o Fisco, em 2005, questionar a compensação realizada pela contribuinte, tendo por objeto débitos de estimativas de CSLL devidas em 2002. Antes disto, já há decisão definitiva proferida nesta Fl. 554DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 828 7 instância de julgamento no sentido de que o crédito apurado em 1998, utilizado para liquidação das estimativas de 2002, não poderia ser desconstituído, por lançamento, em 2005. Logo, se o direito creditório alegado no anocalendário 1998 foi restabelecido em sua integralidade, nada subsiste em oposição à admissibilidade da compensação promovida em 2002, o que integraliza o saldo negativo de CSLL apurado em 1998 no montante apontado pela contribuinte (R$ 25.917.628,00). Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório em litígio de R$ 4.028.981,48 e homologar as compensações a ele vinculadas. Recordese, ainda, que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte deverá desfazer a juntada do processo administrativo nº 10768.001209/200323 ao presente processo, mas instruindoo com o presente resultado de julgamento, para depois adotar as providências necessárias à apreciação da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte naqueles autos. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 555DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 829 8 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10830.012691/2010-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO.
É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos
relacionados à contribuições previdenciárias.
MULTA PUNITIVA PERCENTUAL ABUSIVO
A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no
Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social.
O percentual da multa vem definido em legislação e ao julgador
administrativo é defeso argüir sobre a constitucionalidade das leis. Não cabe à esfera administrativa analisar se o quantum da pena descrita na legislação é correta, mas sim se cabe sua aplicação para o fato concreto existente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.424
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. MULTA PUNITIVA PERCENTUAL ABUSIVO A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. O percentual da multa vem definido em legislação e ao julgador administrativo é defeso argüir sobre a constitucionalidade das leis. Não cabe à esfera administrativa analisar se o quantum da pena descrita na legislação é correta, mas sim se cabe sua aplicação para o fato concreto existente. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2128; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.012691/201055 Recurso nº 914.160 Voluntário Acórdão nº 230201.424 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2011 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente M CAMP CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. MULTA PUNITIVA PERCENTUAL ABUSIVO A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. O percentual da multa vem definido em legislação e ao julgador administrativo é defeso argüir sobre a constitucionalidade das leis. Não cabe à esfera administrativa analisar se o quantum da pena descrita na legislação é correta, mas sim se cabe sua aplicação para o fato concreto existente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 03/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10830.012691/201055 Acórdão n.º 230201.424 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente, em 14/12/2006, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. De acordo com o relatório fiscal da infração, fl.06, a autuada, regularmente intimada através de termos próprios, às fls.10, 12, 13 e 18 não apresentou os documentos solicitados como Livros Diário registrados no órgão próprio e as notas fiscais de prestação de serviço e demais documentos, relativos a concessão de prêmio de incentivo pagos aos segurados empregados, das empresas INFINITI MARKETING DE INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO, IN E K3 EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA. e SALLES ADAN E ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVO LTDA., no período de 01/2006 a 12/2007. Após a impugnação, Acórdão de fls. 86 a 91, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso arguindo em síntese: a) cerceamento de defesa porque a suposta infração foi descrita com obscuridade e imprecisão; b) bis in idem com o AI 37.286.5534, que também foi lavrado pela falta de apresentação de documentos; c) erro na capitulação da multa aplicada que deveria ter sido de R$ 6.361,73, valor da época da ocorrência do fato gerador; d) que a multa é confiscatória; e) que o prazo para a apresentação de documentos foi exíguo. Requer o apensamento do Auto de Infração 35.286.5534, a nulidade deste auto de infração ou a sua reforma por ilegalidade, inconstitucionalidade, ou ainda, o seu cancelamento por erro na multa aplicada. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora. Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O relatório fiscal de fl.06, traz especificamente no seu item 6, todos os documentos que foram solicitados mediante os termos próprios para tanto, constantes das fls. 10, 12, 13 e 18 e que não foram apresentados, sendo totalmente improcedente a alegação da empresa quanto ao cerceamento de defesa. Ademais, quando da solicitação das notas fiscais de prestação de serviço, foi entregue a recorrente planilha com a identificação da nota solicitada, conforme relação de fls. 14 a 16. É também improcedente a alegação de exigüidade do prazo para apresentação de documentos, posto que o Termo de Início de Ação Fiscal, com a primeira solicitação foi emitido em 18/02/2010 (fl.10) e sucedido por mais dois Termos de Constatação e Intimação Fiscal datados de 22/06/2010 e 25/08/2010, (fls.13 e 18), o que culminou com a lavratura do auto de infração em 16/09/2010. Portanto, considerando a data de 18/02/2010 até 16/09/2010, passaramse sete meses, sem que a recorrente tenha apresentado os documentos exigidos, o que não se presta a confirmar a tese exposta pelo recurso quanto ao prazo exíguo para o cumprimento da obrigação acessória. No que se refere ao bis in idem com o auto de infração n.º37.286.5534, esclareço à recorrente que a referida autuação possui objeto distinto da que tratada neste auto de infração. Nos termos de intimação para apresentação de documentos lavrados durante a ação fiscal, também foram solicitados esclarecimentos acerca dos beneficiários de programas de premiação de incentivo e os respectivos contratos firmados com as empresas operadoras do serviço. Tais documentos não são por si só fatos geradores de contribuições previdenciárias e por este motivo a sua apresentação está capitulada em outra norma legal que não aquela que Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10830.012691/201055 Acórdão n.º 230201.424 S2C3T2 Fl. 3 5 ensejou a lavratura deste auto de infração, que se refere ao descumprimento de obrigação acessória por deixar de apresentar os documentos relativos aos fatos geradores de contribuição previdenciária. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Fl. 159DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto ao mérito, o processo em questão trata da lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em legislação. Em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. E, o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. O auto de infração é o documento lavrado pelo auditor fiscal, para o fim específico de registrar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, em descumprimento de uma obrigação acessória e constituir o crédito decorrente da multa aplicada. A atividade administrativa de lavratura de auto de infração é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, ao constatar a ocorrência de uma infração o auditor fiscal deve, obrigatoriamente, porque a lei não lhe dá discricionariedade, lavrar o auto e aplicar a multa. No caso presente, foi lavrado o Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória, pois conforme consta no Relatório Fiscal da Infração o contribuinte deixou de apresentar documentos diretamente relacionados com a ocorrência do fato gerador de contribuição previdenciária, mais precisamente notas fiscais de prestação de serviço de empresas relacionadas a pagamentos efetuados aos segurados a título de premiação de incentivo, bem como apresentou os livros diários sem a devida autenticação no órgão competente. Ao agir desta forma, descumpriu a obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafo 2° da Lei n° 8.212/91: “A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei.” Fl. 160DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10830.012691/201055 Acórdão n.º 230201.424 S2C3T2 Fl. 4 7 Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. Está correta a lavratura do Auto de Infração e relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, faço referência ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “j”, do RPS, conforme descrito no Auto de Infração, em fundamentos legais da multa aplicada e foi atualizada pela Portaria MPS/MF n.º 333, de 29/06/2010, atualizada pela Portaria MPS/MF n.º 408, na forma descrita pelo artigo 373 do Regulamento da Previdência Social. Quanto à inconformidade da recorrente acerca do valor da multa constar de Portaria Ministerial, faço referência ao artigo 373 do Regulamento da Previdência Social que diz: “Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no era.288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social.” Desta forma, a aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal. A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Quanto às argüições acerca do percentual abusivo e desproporcional da multa, temos a considerar que o mesmo vem definido em legislação e ao julgador administrativo é defeso argüir sobre a constitucionalidade das leis. Ademais, deve agir com imparcialidade, voltado para sua função precípua de controle da legalidade do ato administrativo. Portanto, na esfera administrativa o princípio da proporcionalidade ou da vedação ao excesso deve ser analisado sob o prisma de ser necessária ou não a sanção imposta. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Não cabe à esfera administrativa analisar se o quantum da pena descrita na legislação é correta, mas sim se cabe sua aplicação para o fato concreto existente. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.002106/2005-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45,
inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.714
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.002106/200515 Acórdão n.º 920201.714 CSRFT2 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Francisco Carlos Guedes da Fonseca foi lavrado o auto de infração de fls. 0923, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 2001, 2002, 2003 e 2004, em razão da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Além da multa de ofício de 75%, a autoridade fiscal também lançou a multa isolada de 75%, pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) considerou o lançamento procedente em parte (fls. 142166). Por sua vez, a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 220200.314, que se encontra às fls. 185192, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS PNUD/ONU A isenção de imposto de renda sobre rendimentos pagos pelos organismos internacionais é privilégio exclusivo dos funcionários que satisfaçam as condições previstas na Convenção sobre Privilégios e Imunidade das Nações Unidas, recepcionada no direito pátrio pelo Decreto n° 22.784, de 1950 e pela Convenção sobre Privilégios e Imunidade das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do organismo Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.002106/200515 Acórdão n.º 920201.714 CSRFT2 Fl. 3 3 em 21 de novembro de 1947, ratificada pelo Governo Brasileiro por via do Decreto Legislativo n°. 10, de 1959, promulgada pelo Decreto n°. 52.288, de 1963. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1°, itens II e III, da Lei n°. 9430, de 1996). Recurso provido em parte. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício, vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negou provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 31/03/2010 (fls. 193), a Fazenda Nacional deixou de recorrer. Já o contribuinte, quando cientificado do acórdão proferido pelo CARF, interpôs recurso especial de divergência às fls. 204218, acompanhado dos documentos de fls. 219261, no qual alegou, fundamentalmente, que os rendimentos em apreço são isentos do imposto de renda, suscitando como paradigmas os acórdãos nos 10416.358 e 10243.480. Admitido o recurso por intermédio do despacho n° 220200.199 (fls. 263 265), a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 268275, onde defendeu, basicamente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial do contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. O recorrente sustentou, sob vários enfoques, que os rendimentos em apreço não estão sujeitos à incidência do imposto de renda pessoa física. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.002106/200515 Acórdão n.º 920201.714 CSRFT2 Fl. 4 4 A questão que chega à apreciação deste Colegiado envolve a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD). Eis a matéria em litígio. Muito se poderia escrever sobre o tema, cuja jurisprudência já foi favorável ao contribuinte e também à Fazenda Nacional. No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a questão não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 39 tem o seguinte conteúdo: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser confirmada quanto à incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos pelo recorrente como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 16095.000085/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESNECESSIDADE.
Verificada a omissão de receitas, a autoridade efetuará o lançamento do imposto de renda e seus reflexos de acordo com o regime de tributação adotado pela contribuinte, no caso, o lucro real, nos termos do que dispõe o art. 24, caput e parágrafos, da Lei nº 9.249, de 1995. Não havendo desclassificação da escrituração contábil e fiscal da empresa é descabido
efetuar o arbitramento do seu lucro.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. RESGATE DE EXPORT NOTES.
Por expressa disposição legal, consideram-se receitas omitidas os valores creditados em conta mantida junto à instituição financeira cuja origem não seja comprovada, mediante documentação hábil e idônea. O resgate de aplicações em “export notes”, que contém vícios de ilegalidade por terem sido celebradas com empresas que existem somente no papel, não podem ser
considerados documentos hábeis e idôneos para comprovar os valores creditados e, com isso, elidir o lançamento fiscal.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS E COFINS
Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos.
Numero da decisão: 1202-000.589
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Em relação ao mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado. Vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESNECESSIDADE. Verificada a omissão de receitas, a autoridade efetuará o lançamento do imposto de renda e seus reflexos de acordo com o regime de tributação adotado pela contribuinte, no caso, o lucro real, nos termos do que dispõe o art. 24, caput e parágrafos, da Lei nº 9.249, de 1995. Não havendo desclassificação da escrituração contábil e fiscal da empresa é descabido efetuar o arbitramento do seu lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. RESGATE DE EXPORT NOTES. Por expressa disposição legal, consideramse receitas omitidas os valores creditados em conta mantida junto à instituição financeira cuja origem não seja comprovada, mediante documentação hábil e idônea. O resgate de aplicações em “export notes”, que contém vícios de ilegalidade por terem sido celebradas com empresas que existem somente no papel, não podem ser considerados documentos hábeis e idôneos para comprovar os valores creditados e, com isso, elidir o lançamento fiscal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS E COFINS Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 607DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 608 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Em relação ao mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase da lavratura de Autos de Infração do IRPJ e seus reflexos, CSLL, PIS e Cofins, dos anoscalendário de 2002 e 2003, face a constatação da ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada, cujo montante exigível do processo perfaz o valor de R$ 9.587.926,90, já incluídos a multa de ofício, no percentual de 75%, e os juros de mora com base na taxa Selic, fls. 303 a 328. Segundo relatado pela fiscalização em seu Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades,de fls. 248 a 252, as justificativas acerca da origem dos valores depositados não foram aceitas pelas razões transcritas do referido Termo: “O contribuinte atendeu, em 19/01/2007, ao Termo de Intimação Fiscal de 12/01/2007 e, após a análise da documentação apresentada, restaram sem comprovação os lançamentos a crédito, tabulados na PLANILHA DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM (ANOSCALENDÁRIO 2002 E 2003), anexa ao presente Termo, conforme exponho abaixo. Referidos créditos foram contabilizados nos livros diários (anoscalendário 2002 e 2003); conforme cópias parciais daqueles, anexadas ao processo; da seguinte forma pelo contribuinte: Fl. 608DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 609 3 Depósitos efetuados no Banco Santos S/A nos anos calendário 2002 e 2003: Conta debitada: 1010100200001 Banco Santos C/C 10.4333 (ativo circulante). Conta creditada: 1010100300001 Investimentos (ativo circulante). Depósitos efetuados no Banco Real S/A no ano calendário 2002: Conta debitada: 1010100200002 Banco Real C/C 17095916 (ativo circulante). Conta creditada: 2020100200001 Publica Publ. e Edições (passivo exigível a longo prazo). O contribuinte pretendeu comprovar a origem dos referidos depósitos alegando que aqueles eram provenientes de resgates de investimentos efetuados junto às empresas Quality Negócios e Participações Ltda e Contaserv Serviços S/C Ltda. Para provar tal alegação juntou ao processo cópias de recibos firmados e assinados pelo responsável pela administração da empresa (Alessandro Poli Veronezi, CPF no 153.188.39827), nos quais aquele administrador declara, em nome da fiscalizada, ter recebido daquelas duas empresas quantias equivalentes aos depósitos a crédito aqui discutidos, documentos que não constituem provas hábeis para realizar a pretendida comprovação, por se tratarem de declarações unilaterais de recebimento das quantias por parte da fiscalizada (VV Editora Ltda), que não asseguram sequer a anterioridade das operações e, menos ainda, a efetividade das transferências de valores. Além das acima referidas "declarações unilaterais", ainda foi apresentado um documento, anexado no processo, para justificar um crédito de R$ 1.372.000,00 efetuado em 28/11/2002 na conta nº 104333 mantida na agência no 00019 do Banco Santos pela fiscalizada. Tal documento também não constitui prova hábil para comprovar aquele crédito específico. Acrescento ainda o fato de que, com relação às duas empresas acima referidas, Quality e Contaserv, segundo o Ministério Público Federal, tratamse de "paper companies" (companhias que só existem no papel), conforme pode ser verificado na folha 13 do documento que se constitui no anexo 4 a este Termo, a saber: cópia da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal em São Paulo contra excontrolador do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira e outros 18 ex dirigentes da instituição (denúncia aceita pelo Juiz Fausto de Sanctis da 6a Vara Criminal Federal de São Paulo). O exposto no parágrafo anterior acentua a ausência de comprovação de origem dos depósitos a crédito por parte da empresa fiscalizada (VV Editora Ltda), não só quanto às já mencionadas declarações unilaterais, como em relação ao outro documento apresentado que, se supõe ser cópia de extrato de uma transferência de R$ 1.372.000,00 (hum milhão, trezentos e setenta e dois mil reais) efetuada pela "paper company": Quality, para a conta da empresa fiscalizada. DA ANÁLISE: Fl. 609DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 610 4 Em virtude do acima exposto, concluise que o contribuinte ora fiscalizado (VV Editora Ltda) recebeu diversos depósitos a crédito em suas contascorrente, para os quais não logrou êxito em comprovar as origens e, em virtude disso, incorreu nas infrações abaixo descritas, ficando sujeito ao previsto nos dispositivos legais abaixo elencados.” Planilha anexa ao Termo de Verificação mencionado, discriminam os valores depositados no Banco Santos e no Banco Real, em nome da autuada, considerados pelo agente fiscal sem comprovação de origem, fls. 253. Contra as autuações, a interessada apresentou a sua impugnação mediante arrazoado, de fls.338 a 346, trazendo as seguintes alegações, resumidamente descritas no relatório do Acórdão da DRJ/Campinas, de fls. 507 a 527, as quais adoto e passo a transcrever: “Afirma que como os depósitos estariam regularmente contabilizados a sua origem estaria comprovada. Diz que a fiscalização não teria contestado o saldo da conta 1010100300001 — Investimentos Ativo Circulante, em 31/12/2001, de R$ 10.399.894,31, referente a aplicações em Export Notes, com recursos provenientes de empréstimos concedidos pelo próprio Banco Santos, como segue: "a) a primeira aplicação, no valor de R$ 5.000.000,00 (equivalentes na época a US$ 2.005.213,56) foi efetuada junto a Quality Negócios e Participações Ltda., conforme Instrumento " Particular de Contrato de Cessão de Crédito de Exportação e Contrato de Swap firmados em 02 de agosto de 2001 e contrato de mútuo do Banco Santos S.A. da mesma data. b) a segunda aplicação, no valor de R$ 4.400.826,59 (equivalentes na época da aplicação a US$ 1.749.553,99, foi efetuada junto a Contaserv Serviços S/C Ltda., conforme Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Créditos de Exportação e Contrato de Swap firmados em 20 de novembro de 2001 e contrato de mútuo firmado em 20 de novembro de 2001." No entender da defesa, não teria sido questionado pela fiscalização e comprovado estaria na escrita contábil que a Impugnante possuía aplicações registradas, devidamente documentadas e com saldo em 31 de dezembro de 2001, compatível com os resgates posteriores. Assevera ainda que o Banco Santos exigia uma declaração irrevogável e irretratável da empresa para liquidar toda e qualquer operação de mútuo com o resgate das aplicações financeiras em export notes. Esclarece que o Banco Santos teria fornecido apenas os avisos de lançamento correspondentes aos depósitos efetuados, mas em relação ao crédito efetuado em 28/11/2002, no valor de R$ 1.372.000,00, o Banco teria demonstrado detalhes da liquidação, constando a Quality, como titular da conta debitada, e a VV Editora, como titular da conta creditada. Ressalta ser a Quality uma empresa registrada na Junta Comercial e com situação cadastral ativa perante a RFB. Quanto à denúncia do Ministério Público Federal, na qual a Quality e a Contaserv seriam caracterizadas como paper companies (companhias que só existem no papel), diz que seria necessário aguardar a decisão judicial definitiva e que tais afirmações serviriam de prova a favor da Impugnante de que tais operações realmente existiram. Partindo das conclusões da denúncia do MPF de que a concessão de empréstimos e financiamentos pelo Banco Santos era vinculada à contratação de outras operações (in casu, operações com Export Notes), além de se reputar vítima Fl. 610DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 611 5 das operações ilícitas praticadas pela instituição, diz que elidida estaria a presunção de que os créditos feitos na conta corrente da Impugnante fossem decorrentes de receitas não contabilizadas. Acrescenta que se não admitida a contabilização dos depósitos como resgates de aplicações, teria se operado a desclassificação da escrituração contábil da empresa, impondose a adoção dos percentuais para a determinação do lucro arbitrado. Requer o cancelamento da autuação. Foram juntadas impugnações específicas aos lançamentos de PIS (fls. 438/440), Cofms (fls. 450/452) e CSLL (fls. 462/464), advogando pelo sobrestamento das exigências até o julgamento do lançamento relativo ao IRPJ, sob pena de nulidade.” Na sequência, a DRJ/Campinas emitiu o Acórdão nº 0522.417, de fls. 507 a 527, mantendo integralmente a exigência, contendo o seguinte ementário: “Omissão de Receitas. Depósito Bancário. Falta de Comprovação da Origem. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto á instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A escrituração, mantida com observância das disposições legais, faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, apenas quando comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Regularmente constituída a prova de serem inexistentes ou fictícias as empresas com as quais a empresa insiste ter celebrado Contratos de Cessão de Crédito de Exportação, restam sem origem os recursos depositados em sua conta corrente e vinculados àquelas operações. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. O valor da receita omitida apurado no âmbito do IRPJ será considerado na determinação da base de calculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Lançamento Procedente” Fl. 611DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 612 6 Os principais fundamentos utilizados no acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: i) foi afastado o pedido de sobrestamento das exigências reflexas de CSLL, PIS e Cofins. Diante da falta de previsão de suspensão ou interrupção do prazo decadencial, deve o agente fiscal proceder aos lançamentos reflexos, quando o fato apurado no campo de incidência do IRPJ, ensejar repercussões nos campos de incidência de outros tributos, sendo completamente descabida a argüição de nulidade das exigências. ii) o lançamento foi baseado no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, uma vez ausente a comprovação da origem dos recursos depositados. Contrariamente ao defendido pela impugnante, não basta a contabilização dos valores depositados se não comprovado que o registro tem suporte em documentação hábil e idônea. iii) no caso, os valores teriam sido contabilizados como resgates de aplicações financeiras (Export Notes), contratadas com as empresas Quality Negócios e Participações Ltda. e Contaserv Serviços Ltda. Todavia, tais operações não teriam restado devidamente comprovadas, mas, ao contrário, teriam sido descaracterizadas porque realizadas com empresas 'de fachada', também conhecidas como paper companies (companhias que só existem no papel), conforme denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (fls. 256/297), em face de Edemar Cid Ferreira e outros, administradores e funcionários do Banco Santos S.A.(em liquidação extrajudicial), na qual consta a apuração dos seguintes fatos relevantes para a solução do presente litígio, cujos excertos transcrevo: a) “Além de seu quadro regular de empregados, os administradores do Banco Santos S.A. arregimentaram um numeroso grupo de profissionais autônomos denominados officers, com atuação em vários estados do País, e cuja função era a de contatar industriais, comerciantes, fazendeiros e empresários dos mais diversos segmentos de mercado, oferecendolhes produtos da instituição financeira. No decorrer das investigações, vários officers foram ouvidos (...) Seguindo determinação dos gerentes comerciais, os officers vinculavam a concessão desses empréstimos e financiamentos a outras operações que o empresário, futuro cliente, deveria necessariamente realizar com o banco. Tal prática — usualmente denominada de operações recíprocas, operações mútuas ou operações casadas — por si só, constituise em ilícito administrativo, ilícito civil e infração penal. Os empresários, atraídos pro menores taxas de juros ou melhores condições de pagamento em relação às normalmente encontradas no mercado ou, por outro lado, incapazes de obter financiamentos em outras instituições financeiras em função de restrições cadastrais ou insuficiência de garantias, acabavam por aceitar as condições oferecidas pelos officers para a concretização das transações financeiras. Premido muitas vezes pela necessidade de liquidar operações anteriores e, conseqüentemente, manter o fluxo financeiro clandestino da instituição, o Banco Santos S.A. oferecia, em algumas operações casadas, um rendimento tal que este acabaria por pagar, por si só, o custo do investimento principal, garantindo com isso a anuência dos clientes que acabavam também por se beneficiar com a operação, obtendo dinheiro a baixo custo ou custo zero. Fl. 612DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 613 7 Assim visandose dificultar a vinculação de tais operações recíprocas ao Banco Santos S.A., criaramse várias empresas 'de fachada', também conhecidas como paper companies (companhias que só existem no papel) nacionais, a saber: • (...) • Quality Negócios e Participações Ltda. • (...) • Contaserv Serviços,Ltda. (...) B. Operações com export notes Indicavase ao cliente, como condição para a liberação dos recursos de um financiamento ou empréstimo, que parte dele fosse destinada à aauisicão de export notes, também conhecidas como contratos de cessão de crédito de exportação das empresas (...), Quality, (...), e Contaserv, entre outras. Assim, depositado o valor correspondente ao financiamento concedido na conta do cliente, este imediatamente transferia o montante relativo à aquisição de export notes para uma conta corrente indicada pelo Banco Santos S.A. Assim, a compra, consubstanciada nas export notes, de direitos creditícios associados a uma futura operação de exportacão, mostravase como outro mecanismo simulado destinado a desviar recursos da instituicão financeira. Às fls. 2370/2377 dos autos principais, a comissão de inquérito instalada para apurar as atividades do Banco informou que além das empresas destinatárias de tais recursos não apresentarem atividades econômicas que justificassem tais recebimentos, as respectivas transferências de valores eram realizadas por meio de inúmeras transações diárias para várias contas, abertas pelo mesmo destinatário em diferentes bancos, sugerindo ter havido estruturação de transferências para evitar que fossem identificadas como atípicas ou incompatíveis. iv) descaracterizadas as operações de resgates de aplicações em títulos denominados Export Notes realizadas junto a empresas ‘de fachada’, de nada valeria à Impugnante afirmar a sua contabilização, na medida em que não respaldada em documentação idônea. v) no caso em questão, como se encontra regularmente constituída a prova de serem inexistentes ou fictícias as empresas Quality e Contaserv, restam sem origem os recursos depositados em sua conta corrente e vinculados àquelas operações. vi) nos termos da denúncia acima transcrita, não seria correto afirmar que os clientes do Banco Santos seriam meras vítimas das condutas ilícitas praticadas pelos administradores da instituição financeira. Na verdade, consta que, em algumas operações, os rendimentos oferecidos a baixo ou a custo zero, denotavam o beneficiamento também dos clientes com as operações. Fl. 613DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 614 8 vii) os valores dos empréstimos obtidos junto ao Banco Santos teriam sido utilizados nas "aplicações" de títulos fraudulentos, denominados Export Notes, das empresas ‘de fachada’, Quality e Contaserv, não servindo para comprovar a origem/causa depósitos efetuados posteriormente na conta corrente da VVEditora, sob a rubrica de "resgates" de aplicações desses mesmos Export Notes. A origem/causa dos recursos depositados em favor da VV Editora, sob tal rubrica, continua não revelada, na medida em que restou comprovado que a Quality e a Contaserv teriam sido criada, para desviar recursos da instituição financeira: se as empresas contratantes não existem e nem as operações ali indicadas, mantémse sem origem/causa os depósitos efetuados. viii) a informação da instituição financeira constante dos Avisos de Lançamento apenas ratifica que os valores foram creditados e os recibos emitidos pela própria VV Editora, em favor da Quality e da Contaserv, não são hábeis a corroborar as alegadas operações de resgate de Export Notes. Tratase de documentos emitidos pela própria interessada, sem a interveniência de terceiros, o que compromete a validade de seu valor probatório, principalmente, em face das provas produzidas pelo MPF, onde as beneficiárias dos recibos seriam empresas de fachada. ix) não houve desclassificação da escrituração contábil e fiscal da empresa, mas apenas desconsideração das operações de resgate dos títulos denominados Export Notes, contratadas com empresas de fachada. Incabível, portanto, o arbitramento dos lucros. Não satisfeita com a decisão prolatada, a interessada apresentou seu recurso voluntário, de fls. 556 a 571, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. Reforça, ainda, a recorrente, que efetivamente teria realizado as operações de empréstimos junto ao Banco Santos, operação regular e controlada pelo Banco Central do Brasil e se viu obrigada a aplicar parte desses recursos em operações de Export Notes nas empresas indicadas pelo próprio Banco Santos, ou seja, nas empresas Quality e Contaserv. Ao mesmo tempo em que efetuou tais aplicações, forneceu ao Banco Santos autorizações para o resgate dessas mesmas operações e aplicação dos recursos obtidos na liquidação das operações de empréstimo contratadas, fato que não constitui receita omitida. Salienta que encontrase clara a origem dos recursos aplicados em Export Notes, ou seja, os próprios empréstimos bancários. Quanto ao aspecto documental da operação, reitera os argumentos constantes de sua peça impugnatória, salientando que os mesmos são suficientes para comprovar as operações efetuadas, encontrandose devidamente registrados na sua contabilidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. A matéria objeto do litígio diz respeito em analisar se os documentos apresentados pela autuada, como sendo a origem dos depósitos efetuados em sua conta Fl. 614DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 615 9 bancária no Banco Santos, podem ser considerados hábeis e idôneos para comprovar as operações neles registrados e, por conseqüência, descaracterizar a presunção da omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Em seu recurso, a defesa argumenta que os depósitos bancários estariam regularmente contabilizados e a sua origem provêm do resgate de aplicações em títulos, denominados Export Notes, cujos recursos aplicados seriam provenientes de empréstimos concedidos pelo Banco Santos. Diz que encontrase clara a origem dos recursos depositados em sua conta bancária, não vislumbrando qualquer omissão de receitas. Acaso não admitida a contabilização dos depósitos como resgates de aplicações, deveria haver a desclassificação da escrituração contábil da empresa, impondose a adoção do lucro arbitrado. Por seu turno, o lançamento tributário foi mantido pela DRJ/Campinas porque teria ficado evidenciado que os valores contabilizados como resgates de aplicações financeiras em Export Notes, contratadas com as empresas Quality Negócios e Participações Ltda. e Contaserv Serviços Ltda, não teriam restado devidamente comprovadas, mas, ao contrário, teriam sido descaracterizadas porque realizadas com empresas 'de fachada', também conhecidas como paper companies (companhias que só existem no papel), conforme denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (fls. 256/297), em face de processo judicial que corre contra os administradores do Banco Santos. Como as empresas contratantes não existem e nem as operações ali indicadas, deveria manterse sem origem/causa os depósitos bancários efetuados na conta da autuada. Da apertada síntese descrita acima, podese perceber que a questão crucial é definir se os resgates das aplicações efetuadas pela autuada em títulos denominados Export Notes, de emissão das duas empresas mencionadas, que se identificou só existirem no papel (paper companies), podem ser aceitos como origem dos depósitos bancários. Inicialmente, cumpre analisar o dispositivo legal que prevê a presunção da omissão de receitas e que foi utilizado no lançamento fiscal. Assim dispõe o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo estabeleceu uma presunção legal de omissão de receita que autoriza o lançamento do tributo correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A presunção em favor do fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos depositados. Segundo consta ao final do citado art. 42, os documentos apresentados devem se revestir da característica de serem documentos “hábeis” e “idôneos”. Sabendose que a lei não possui palavras inúteis, fazse necessário buscar o real alcance desses dois termos utilizados na norma legal. Fl. 615DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 616 10 Na conceituada obra “Vocabulário Jurídico”, de Plácido e Silva: Forense, Rio de Janeiro, 1993, 12ª ed.,Vol. II, pgs.370/371 e 402/403, os termos “hábil” e “idôneo” têm o seguinte significado: “Hábil. Assim, possui sentido de autorizado pela lei para agir segundo as regras jurídicas instituídas, na defesa de todos os direitos inerentes e atribuídos à pessoa. Quando o vocábulo, entanto, é empregado particularmente aos atos, entendese o legal, ou o que é do estilo ou uso. É o meio hábil, isto é o meio legal ou amparado pelo Direito para que se intente qualquer coisa.” (grifei) “Idôneo, pois, qualifica o que é suficiente, eficiente, próprio, adequado, autorizado, mostrando, assim, tudo o que se faz ou é feito de modo regular e legalmente admitido.” (grifei) Da leitura dos significados dos termos acima expostos, concluise que para elidir a presunção de omissão de receitas prevista em lei, os documentos devem ser aqueles “amparados pelo Direito”, ou seja, “o meio legal ou amparado pelo Direito para que se intente qualquer coisa”. São aqueles documentos “adequados, autorizados” e “feitos de modo regular e legalmente admitidos”. Pois bem. No caso em tela, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 250, para justificar os depósitos bancários em “CHEQUEs” e em “TEDs”, fls. 253, a empresa limitouse a apresentar “cópias de recibos” assinados, unicamente, pelo responsável pela administração da empresa autuada (Alessandro Poli Veronezi), nos quais declara, em nome da fiscalizada, ter recebido das empresas “Quality” e “Contaserv” quantias equivalentes aos depósitos bancários reclamados, documentos que a fiscalização não aceitou como prova hábeis para a comprovação das operações, por se tratarem de declarações unilaterais de recebimento das quantias por parte da fiscalizada (VV Editora Ltda), não assegurando a efetividade das transferências de valores. Além dos referidos recibos, ainda foi apresentado um “documento” do Banco Santos, de fls. 230, para justificar um crédito de R$ 1.372.000,00 na conta bancária mantida pela fiscalizada no Banco Santos, cujo titular da conta debitada seria a empresa “Quality”, sem demonstrar a que título foi feita a transferência. Já por ocasião da impugnação, a empresa juntou outros documentos, fls. 356 a 433, dentre os quais podemos relacionar, a seguir, aqueles mais importantes: Cópia do livro Razão (fls. 356/357); Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito de Exportação (Export Notes) celebrado entre a Cedente: Quality Negócios e Participações Ltda. e a Cessionária: V V Editora Ltda. (aplicadora), (fls. 358/359), conjuntamente com contrato de SWAP celebrado entre as mesmas empresas (fls. 360/361); Contratos de Mútuo celebrados entre o Banco Santos e a V V Editora Ltda. e Notas Promissórias vinculadas a esses Contratos, (fls. 362 a 365) – (fls. 404 a 415) – (fls. 428 a 430); Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito de Exportação (Export Notes) celebrado entre a Cedente: Contaserv Serviços S/C Ltda. e a Cessionária: V V Editora Ltda. (aplicadora), (fls. 366/367), conjuntamente com contrato de SWAP celebrado Fl. 616DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 617 11 entre as mesmas empresas (fls. 368/369); A empresa Contaserv não assinou os respectivos contratos. Contratos de Mútuo celebrados entre o Banco Santos e a V V Editora Ltda. e Notas Promissórias vinculadas a esse Contrato, fls. 370 a 372; Avisos de lançamento do Banco Santos e respectivos Recibos assinados pelo representante da V V Editora Ltda, (fls. 380 a 403) – (fls. 416 a 427) – (fls. 431 a 433); Como já relatado, os depósitos bancários com origem nos resgates das aplicações em Export Notes, celebrados com a Quality e Contaserv, foram objeto da caracterização de presunção da omissão de receitas. No caso em tela, pesa contra a autuada o fato de que, por ocasião da denúncia criminal proposta pelo Ministério Público Federal, em face dos administradores do Banco Santos, fls. 256 a 297, foi identificado que as empresas Contaserv e Quality (dentre outras) seriam empresas ‘de fachada’, também conhecidas como paper companies (companhias que só existem no papel). Tal denúncia resultou na condenação judicial dos administradores do Banco Santos, nos termos do noticiado no Ofício n.° 3966/2007, do Exmo. Sr. Procurador da República, Dr. Silvio Luis Martins de Oliveira, fls. 255, uma vez que os condenados teriam criado ditas empresas de ‘fachada’ para possibilitar a retirada de recursos financeiros do Banco. Para confirmar tal entendimento, transcrevo parte da denúncia criminal mencionada: “Assim visandose dificultar a vinculação de tais operações recíprocas ao Banco Santos S.A., criaramse várias empresas 'de fachada', também conhecidas como paper companies (companhias que só existem no papel) nacionais, a saber: • (...) • Quality Negócios e Participações Ltda. • (...) • Contaserv Serviços,Ltda. (...) B. Operações com export notes Indicavase ao cliente, como condição para a liberação dos recursos de um financiamento ou empréstimo, que parte dele fosse destinada à aquisicão de export notes, também conhecidas como contratos de cessão de crédito de exportação das empresas (...), Quality, (...), e Contaserv, entre outras. Assim, depositado o valor correspondente ao financiamento concedido na conta do cliente, este imediatamente transferia o montante relativo à aquisição de export notes para uma conta corrente indicada pelo Banco Santos S.A. Assim, a compra, consubstanciada nas export notes, de direitos creditícios associados a uma futura operação de exportacão, mostravase como Fl. 617DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 618 12 outro “mecanismo simulado” destinado a desviar recursos da instituicão financeira.” Ora, da descrição da denúncia oferecida pelo Ministério Público, verificase que os documentos que a autuada apresentou, como sendo suficientes para a comprovação dos recursos depositados em sua conta bancária, originado de resgates das aplicações em Export Notes, encontramse eivados de vício de ilegalidade, posto que foram celebrados com empresas de ‘fachada’, com o objetivo de criar um “mecanismo simulado” destinado a desviar recursos da instituição financeira, Banco Santos, conforme descrição do Ministério Público Federal e acatado por decisão judicial. Como visto anteriormente, a definição de documento “idôneo” pressupõe o fato de ser considerado um documento “amparado pelo direito” celebrado de maneira “regular e legalmente admitido”. Um documento celebrado com empresa de ‘fachada’, utilizada para simular operações não pode ser considerado “amparado pelo direito”, muito menos “regular e legalmente admitido”, como deve ser a característica de um documento “hábil e idôneo” exigido pela lei fiscal. No presente caso, as Export Notes se caracterizam por serem documentos fraudados, simulados, com vício de ilegalidade, não produzindo qualquer efeito, nos termos dos arts. 166, VI e 167, § 1o , I, da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil Brasileiro): Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: (...) VI tiver por objetivo fraudar lei imperativa; Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (destaquei) Os documentos de resgate das aplicações em Export Notes foram considerados simulados/fraudados porque realizados com empresas que só existem no papel, não podendo servir como comprovação para a origem dos recursos depositados, porque não atendem aos requisitos previstos na lei fiscal, ou seja, não se revestem das características de documentos “hábeis e idôneos” para comprovar as operações realizadas. Entendo que não pode este órgão julgador administrativo considerar válidos documentos celebrados com ‘empresas de papel’, em operações reconhecidamente simuladas, inclusive com notícia de decisão judicial já prolatada nesse sentido, sob pena de se convalidar operações eivadas de vícios de ilegalidade. Fl. 618DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 619 13 Registrese, ainda, que o contrato de aquisição de Export Notes, celebrado entre a autuada e a empresa Contaserv, fls. 366 a 369, sequer foi assinado por esta última, o que vem, também por mais esse motivo, enfraquecer a validade dos documentos apresentados pela autuada. Pesa também contra a autuada a não comprovação da origem do depósito efetuado em seu nome, relativo a transferência eletrônica (TEDC), de R$ 1.372.000,00, efetuada em 28/11/2002, pela paper company Quality, para a conta da empresa fiscalizada, fls. 163 e 180. A defesa limitase a alegar que dita transferência estaria comprovada pela demonstração dos detalhes da liquidação pelo Banco Santos, constando a Quality, como titular da conta debitada, e a VV Editora, como titular da conta creditada. Entretanto, a recorrente não traz nenhum documento, hábil e idôneo, demonstrando a que se refere a mencionada transferência bancária, incidindo também na hipótese a regra do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, é preciso registrar que a defesa não se manifestou a respeito dos valores de três depósitos bancários efetuados na conta da autuada do Banco Real S/A, discriminados na planilha da fl. 253, motivo pelo qual, também sobre esses valores devem ser exigidos os tributos lançados pela autoridade fiscal. Assim, uma vez que o contribuinte regularmente intimado, não conseguiu comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados, mediante documentação hábil e idônea, a lei atribuiu que os valores creditados em conta de depósito sejam considerados omissão de receita, devendo sofrer as incidências dos tributos e contribuições devidos, exatamente como fez a fiscalização e como bem entendeu o acórdão recorrido. Cabe também dizer à recorrente, que o fato imponível do lançamento não é elidida pela possível origem dos recursos financeiros aplicados em “export notes”, serem de empréstimos (mútuo) contratados com o Banco Santos. Pelo contrário, o fato gerador é a aquisição de disponibilidade de renda representada pelos recursos que ingressam no seu patrimônio por meio dos depósitos bancários originados de CHEQUEs e de TEDs, que não foram devidamente esclarecidos, com documentação hábil e idônea, conforme expressamente determina a regra do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu nesse mesmo sentido, como demonstra o Acórdão 10195122, da Primeira Câmara, julgado em 11/08/2005, cuja parte da ementa abaixo se transcreve: IRPJ – PRESUNÇÃO LEGAL – OMISSSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM – OPERAÇÕES COM T – BILLS para dar suporte a depósitos bancários em contas da recorrente, que deram causa a acusação de omissão de receita, as operações de compra e venda de títulos do Tesouro Americano deveriam estar registradas em sua contabilidade e os documentos que as lastreiam deveriam conter os requisitos formais próprios dos documentos de sua espécie. Ausente desses títulos um dos requisitos essenciais para sua formalização (a indicação do nome da instituição financeira custodiante nos EUA), bem como não estando estes contabilizados, não resta comprovada a Fl. 619DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 620 14 origem dos depósitos bancários que deram causa à aplicação da presunção legal de omissão de receitas, estabelecida pelo artigo 42 da lei nº 9.430/1996. Resta ainda mencionar que não encontro justificativa em proceder ao arbitramento do lucro da pessoa jurídica, como pleiteado pela defesa em seu recurso. A autuada optou por apurar o seu lucro pela sistemática do lucro real anual, conforme se verifica das declarações DIPJs entregues, fls. 39 e 85. De acordo com o que consta dos autos, as operações da empresa encontramse devidamente registradas. Dessa forma, verificada a omissão de receitas, a autoridade efetuará o lançamento do imposto de renda e seus reflexos de acordo com o regime de tributação adotado, nos termos do art. 24, caput e parágrafos, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos para melhor clareza: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2o O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Assim, uma vez identificada a omissão de receita, pelos depósitos bancários sem comprovação de origem, com documentos hábeis e idôneos, o que foi decidido quanto ao principal, relativo ao IRPJ, repercute seus efeitos nos lançamentos reflexos da CSLL, PIS e COFINS. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Declaração de Voto Fl. 620DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 621 15 DECLARAÇÃO DE VOTO DIVERGENTE Como a devida permissão do conselheirorelator, registro a divergência sobre o entendimento aplicado à questão processual ora examinada. Toda a acusação fiscal tem seu centro e fundamento no que dispõe o art. 42 da Lei nº 9.430/96, ou seja, presunção de omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários, em documentação hábil e idônea. Pelo relatado, foi desconsiderada hábil e idônea a documentação trazida pela Recorrente, posto que lastreada em procedimento policial e judicial que retratou irregularidades na operação da Recorrente com o Banco Santos, ou seja, foi considerada inexistente a empresa que supostamente teria intermediado a operação de crédito com tal instituição financeira. Pois bem, se inábil e inidônea a documentação trazida pela Recorrente para comprovar a origem indireta da movimentação financeira em suas contas bancárias, não se pode omitir ou ocultar que a operação com o Banco Santos, em si mesma, foi realizada diretamente com a referida instituição, ou seja, como assevera o contribuinte, a movimentação financeira da mesma teve origem em empréstimos bancários, com relação ao que, no mínimo, restou demonstrado pelas provas juntadas aos autos. Assim, data vênia, caberia a autoridade fiscal apurar corretamente uma suposta omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.249/95, ou seja, proceder completa e profunda investigação sobre os indícios de omissão de receitas para comprovar, efetivamente, tal infração fiscal. Porém não se fez nos autos, a autoridade fiscal entendeu suficiente acolher a irregularidade penal para fundamentar seu entendimento em termos de base presuntiva. Em face as demais circunstâncias dos autos, é de se reconhecer que restou comprovada o origem dos depósitos bancários, sendo, por conta disso, afastada a presunção legal com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, justificandose o cancelamento da exigência fiscal. Eis como registro o voto divergente. Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 621DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 11065.003864/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 31/10/2005 a 30/09/2007
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social,
art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice
pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da
Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplica-se
o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de
Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de
conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for
declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle
difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei
estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
SAT. LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE.
Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em
ralação ao SAT Seguro
de Acidente de Trabalho, pois o dispositivo legal
não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante, nem de risco de
acidente de trabalho leve, médio ou grave; que são elementos essenciais na
definição do tributo, não confiro razão à recorrente.
A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos
em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de
riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991,
alterada pela Lei n ° 9.732/1998;
Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e
3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os
conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou
grave”, repele-se a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma
vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a
delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma.
Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de
trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o
Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez
que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação.
Numero da decisão: 2302-001.273
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Pasep- ação fiscal (todas)
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente H7 USINAGEM LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/10/2005 a 30/09/2007 JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. SAT. LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em ralação ao SAT Seguro de Acidente de Trabalho, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante, nem de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; que são elementos essenciais na definição do tributo, não confiro razão à recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998; Fl. 127DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11065.003864/200720 Acórdão n.º 230201.273 S2C3T2 Fl. 125 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, bem como da empresa, cujos valores constaram em folhas de pagamento, referente ao período compreendido entre as competências outubro de 2005 a setembro de 2007, fls. 35 a 36. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 46 a 71. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre exarou a Decisão, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 87 a 93. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 97 a 121. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: a) A contribuição para o INCRA foi extinta em 1991; b) A contribuição relativa aos contribuintes individuais foi extinta e declarada inconstitucional pelo STF; c) É inexigível a contribuição relativa à incapacidade laborativa; d) É inexigível a contribuição para o Sebrae; e) A multa aplicada possui caráter confiscatório; f) Os juros aplicados excederam o percentual previsto no CTN; g) É ilegal a aplicação da taxa Selic; h) Deve ser provido o recurso. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fls. 96 e 97. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Não possui natureza de confisco a exigência da multa pelo atraso, tendo previsão expressa no art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. É bem verdade que o art. 35 da Lei n º 8.212 foi alterado por meio da Medida Provisória n º 449, tendo, inclusive, sido acrescentado o art. 35A à Lei n º 8.212. Assim, a partir da MP n º 449, convertida na Lei n º 11.941, há que se diferenciar se os valores constaram ou não em lançamento de ofício. Se não houver lançamento de ofício e o contribuinte recolher espontaneamente os valores devidos aplicase a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212, caso os valores tenham sido apurados por meio de lançamento de ofício, aplicase o disposto no art. 35A da Lei 8.212. In casu, os valores constam em lançamento de ofício, e para os contribuintes, o regime jurídico novo ficou mais gravoso. Atualmente, para esses casos, deve ser observada a multa prevista no art. 44 da Lei n º 9.430 de 1996, que prevê aplicação de multa de no mínimo 75%. Desse modo, foi correta a aplicação da multa pelo órgão fazendário, não cabendo alteração do lançamento. Quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, teço os seguintes comentários. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA está prevista em lei, conforme fundamentação legal às fls. 27, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Ao contrário do afirmado pela recorrente, não houve extinção da contribuição em 1991. Fl. 130DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11065.003864/200720 Acórdão n.º 230201.273 S2C3T2 Fl. 126 5 Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. No mesmo sentido é o entendimento da 1ª Seção do STJ no julgamento do Recurso Especial n 977.058 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdadesregionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. Em relação às contribuições destinadas ao Sebrae as mesmas são devidas estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11065.003864/200720 Acórdão n.º 230201.273 S2C3T2 Fl. 127 7 TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em ralação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11065.003864/200720 Acórdão n.º 230201.273 S2C3T2 Fl. 128 9 § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte Fl. 135DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Fl. 136DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11065.003864/200720 Acórdão n.º 230201.273 S2C3T2 Fl. 129 11 Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Ao contrário do afirmado pela recorrente não foram aplicados juros sobre juros. Somamse os juros do período, e o percentual encontrado é aplicado sobre o valor principal devido. As contribuições da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, para o período compreendendo as competências maio de 1996 a fevereiro de 2000, é regulada pela Lei Complementar n ° 84/1996, nestas palavras: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Para o período posterior à competência março de 2000, inclusive, as contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). Uma vez que a notificada remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. Para as competências até a publicação da Emenda Constitucional n ° 20/1998, assim dispunha o art. 195, I da Constituição Federal: Fl. 138DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11065.003864/200720 Acórdão n.º 230201.273 S2C3T2 Fl. 130 13 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (...) Conforme redação acima transcrita, não estava incluída no campo de incidência as contribuições sobre a remuneração de segurados que não se enquadrassem no conceito de folha de salários. Assim, a cobrança de contribuições sobre a remuneração de segurados não empregados somente poderia ser realizada por meio de Lei Complementar conforme previsão expressa no art. 195, § 4º da Constituição Federal nestas palavras: § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Justamente na competência residual da União foi instituída a cobrança sobre a remuneração de trabalhadores autônomos, empresários e trabalhadores avulsos, por meio da Lei Complementar n ° 84/1996, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Com a publicação da Emenda Constitucional n ° 20/1998, foi alterado o artigo 195 da Constituição Federal, passando a contar com a seguinte redação: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício (...) Como se verifica, a partir de então as contribuições sobre a remuneração de contribuintes individuais passou a estar prevista no art. 195, I, a da Constituição Federal. Assim, não mais abrangida na competência residual da União, poderia sua instituição se dar por meio de Lei Ordinária, e assim o fez a Lei n ° 9.876/1999 que alterou a contribuição das empresas. Quanto à inconstitucionalidade da Lei Complementar n ° 84/1996 ou da Lei n ° 9.876, na cobrança das contribuições previdenciárias, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, conforme já mencionado. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 140DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000026/2008-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A compensação de débitos tributários só tem eficácia quando formalmente declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE.
DESCABIMENTO.
Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for,
esse auto, lavrado por pessoa incompetente.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1803-001.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1324; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 79 1 78 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12897.000026/200855 Recurso nº 882.882 Voluntário Acórdão nº 180301.102 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de novembro de 2011 Matéria MULTA ISOLADA AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente HALLIBURTON SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A compensação de débitos tributários só tem eficácia quando formalmente declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Fl. 89DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 12897.000026/200855 Acórdão n.º 180301.102 S1TE03 Fl. 80 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 12897.000026/200855 Acórdão n.º 180301.102 S1TE03 Fl. 81 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 58): Tem origem o presente processo no auto de infração de fls. 23/25, lavrado pela DFI Rio de Janeiro RJ, contra Halliburton Serviços Ltda., para exigir a multa isolada de R$ 312.201,29. Conforme consta do auto de infração e do Termo de Verificação de fls. 20/22, a multa foi motivada pela falta de pagamento ou declaração em DCTF (DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS) das estimativas mensais de CSLL informadas na DIPJ (DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA) relativa ao anocalendário 2005. Cientificado do lançamento em 08.12.2009 (fl. 23), o autuado apresentou, em 07.01.2009, a impugnação de fls. 30/33, alegando, em síntese, que: a) É credora do fisco federal, em virtude das retenções que sofre por força do art. 64 da Lei nº 9.430/96, e a compensação integral é inviável, por serem seus débitos inferiores aos créditos; b) Assim sendo, as compensações realizadas, ainda que não declaradas, devem ser consideradas como válidas; e c) Deve ser declarada a nulidade do auto de infração, primeiro, porque “contraria expressamente dispositivos legais existentes” e, segundo, porque aplica multa de natureza arrecadatória e não punitiva, haja vista que a cobrança é demasiadamente excessiva e injusta. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 57): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A compensação de débitos tributários só tem eficácia quando formalmente declarada à Receita Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 11/06/2010 (fls. 64), a tempo, em 28/06/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 65 a 74, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e acrescentando o que se segue: Fl. 91DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 12897.000026/200855 Acórdão n.º 180301.102 S1TE03 Fl. 82 4 Ressaltese que alguns valores utilizados nos cálculos de compensação das referidas contribuições encontravamse em análise junto à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro, visto tratarse de créditos oriundos de decisão judicial, conforme mencionado no Termo de Verificação e de Constatação Fiscal. A Recorrente obteve, via decisão judicial, créditos do PIS e COFINS decorrentes da Lei nº 9.718/98, cujo deferimento aos Pedidos de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado somente foi possível através de ordem judicial, visto que a fiscalização insistia no indeferimento dos pedidos por conta da falta de apresentação da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução, o que não procede em Mandados de Segurança. Tal morosidade na homologação dos pedidos referentes aos Processos de números 10768.003242/200711 e 10768.003243/200766 resultou na impossibilidade de transmitir os PER/DCOMPs necessários para os cruzamentos de informações referente aos débitos fiscais de 2006 relacionados ao PIS, COFINS, IRPJ e CSLL e respectivas declarações (DCTF). Como os créditos decorrentes da Lei nº 9.718/98 deveriam, por força do prazo prescricional/decadencial, ser utilizados preliminarmente antes dos créditos oriundos das retenções da Petrobrás, as PER/DCOMP's eletrônicas não puderam ser transmitidas até que os Pedidos de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado fossem homologados. Não há como declarar em DCTF débitos fiscais sem as respectivas PER/DCOMPs, pois os mesmos seriam objeto de inscrição em dívida ativa. Esclarecemos que, a cada pedido de compensação efetuado, e seus respectivos cruzamentos de dados, resultam sempre em divergências de informações, gerando dificuldade na obtenção da Certidão Negativa de Débitos Fiscais junto à própria Receita Federal do Brasil, documento imprescindível para participações em licitações, tendo como principal cliente a Petrobrás, que assim a exige por força de exigência legal. Esclarecemos, ainda, que os Pedidos Eletrônicos de Compensação (PER/DCOMP) somente seriam recepcionados pela Receita Federal do Brasil após prévia habilitação do referido crédito nesta delegacia, conforme disposto no artigo 51 da IN 600/2005 abaixo transcrito: [...]. Uma vez deferido o pedido em tela, as devidas PER/DCOMP's seriam transmitidas e, consequentemente, os respectivos números de controle seriam gerados, para que a sociedade pudesse informálos nas DCTF's ora em discussão, o que foi devidamente regularizado logo após o deferimento do pedido, por força do cumprimento à decisão judicial, bem como depois de sanada a vedação imposta à transmissão dos PER/DCOMP's nas compensações de recolhimentos por estimativa, por força da MP nº 449/08, cuja conversão na Lei nº 11.941/09 eliminou tal vedação. Em mesa para julgamento. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 12897.000026/200855 Acórdão n.º 180301.102 S1TE03 Fl. 83 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Generalidades 4. Com relação a tudo o que foi dito pela Recorrente, reprisando o que já houvera alegado na impugnação, faço minhas as palavras da decisão recorrida, às quais adoto como razões de decidir, uma vez que não foram de nenhum modo contraditadas: Não acolho os pedidos de nulidade do lançamento. A respeito do primeiro, o autuado não apontou qual dispositivo legal teria, em seu entender, sido desobedecido e, quanto à afirmativa de que a multa é excessiva e injusta, cabe ressaltar que a via administrativa não é apropriada para se arguir a inconstitucionalidade ou a validade de ato legislativo formalmente editado. Sendo a atividade administrativa adstrita ao princípio da legalidade e, gozando as leis regularmente editadas pelo Legislativo de presunção de validade até que o Judiciário venha a declarar a sua inconstitucionalidade, tal questionamento deve ser dirigido a esse Poder, que detém a competência constitucional para apreciálo. A cobrança da multa está em consonância com o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, a que esta instância julgadora está vinculada. Passo ao mérito. O autuado não negou que tivesse deixado de pagar e declarar em DCTF as estimativas mensais que havia informado na DIPJ. Pediu que as estimativas fossem consideradas compensadas com créditos que detém, mesmo sem ter declarado tais compensações. Todavia, as compensações só têm validade e só extinguem o débito tributário quando declaradas formalmente à Receita Federal, por meio da transmissão de Per/dcomp, de acordo com o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, e informadas em DCTF. Se assim não fosse, em vez de pagar ou compensar os tributos, o contribuinte poderia aguardar que a fiscalização o visitasse, para, só então, consumir seus créditos na medida suficiente para quitar apenas os débitos constatados pela auditoria. Portanto, como não pagara nem compensara as estimativas antes de 25.08.2008, quando se iniciou o procedimento de fiscalização, está sujeito à multa. Em face do exposto, VOTO por manter a exigência. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 12897.000026/200855 Acórdão n.º 180301.102 S1TE03 Fl. 84 6 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 94DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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