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Numero do processo: 10516.720022/2012-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3302-000.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para determinar o sobrestamento e aguardar a decisão a ser tomada no processo 11080.727618/2012-36.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para determinar o sobrestamento e aguardar a decisão a ser tomada no processo 11080.727618/201236. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO Trata o presente de Autos de Infração para constituição de crédito tributário de Imposto de Importação, IPI vinculado à importação, PIS/Pasep – Importação e Cofins – RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 16 .7 20 02 2/ 20 12 -8 5 Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10516.720022/201285 Resolução nº 3302000.510 S3C3T2 Fl. 3 2 Importação e multa administrativa de cem por cento do valor aduaneiro substitutiva da pena de perdimento, em decorrência da caracterização de subfaturamento na importação. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório do acórdão recorrido: “Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 1325/1341) para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 1.264.661,34, relativo às diferenças Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Importação, PIS/PASEP e CofinsImportação, acrescidos da multa qualificada de 150% e dos juros de mora, bem como a multa de que trata o art. 23, §3º do DecretoLei nº 1.455, de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Relata a auditoria (fls. 1344/1420) que, em diligência fiscal realizada na autuada, foram apreendidos documentos (fls. 16 a 261), tais como anotações, cópias de emails e faturas proforma, relativos a importações da empresa Condata, que comprovam a prática de subfaturamento em importações de vários tipos de mercadorias realizadas pela Condata, ou por sua conta e ordem, tendo sido lavrados autos de infração contra esta empresa, formalizados no processo administrativo fiscal n° 11080.727618/201236. Ao comparar as importações da empresa Telinfo com as importações efetuadas pela Condata, foi constatado que estas empresas importaram mercadorias idênticas, com os mesmos preços unitários de importação declarados em seus despachos de importação, no caso, máquinas para contar cédulas, à fricção, marca Kelaidun, modelo KLD016, emáquinas para contar cédulas a vácuo, marca SZKINGLED, modelo FV16. Considerando que os quadros societários das empresas Telinfo e Condata foram sempre constituídos por Cláudio Renato do Carmo Cardoso, e/ou pessoas de seu núcleo familiar, e que a administração de ambas as empresas estavam centralizadas nesta mesma pessoa, com procedimentos comuns, houve a valoração aduaneira também para os produtos importados pela autuada, com base na comprovação dos reais valores da transação efetuada pela Condata. Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação, às fls. 1424/1490, conforme segue: Alega que a colheita das supostas provas apreendidas nas sedes das empresas Condata e Telinfo, sem autorização judicial, atacou o princípio esculpido no artigo 5º, XI, da Carta Política, tornando ilícita a respectiva prova e gerando a consequente nulidade absoluta do auto de infração lavrado. Aduz que não existiu nenhuma prova acerca dos processos de importação da autuada, pois todo o material colacionado pela fiscalização diz respeito exclusivamente à empresa Condata, a qual não faz parte deste feito. Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10516.720022/201285 Resolução nº 3302000.510 S3C3T2 Fl. 4 3 Argui que não participou do procedimento que angariou as supostas provas em face da empresa Condata, portanto, tais não podem ser utilizadas em forma de prova emprestada, devendo ser desentranhadas dos autos. Alega que não houve o cumprimento dos três requisitos para que a prova emprestada possa alcançar os efeitos que pretende a fiscalização: a) tenha sido validamente produzida, no processo de origem; b) a parte contra a qual ela vai ser usada tenha podido participar, em regime de contraditório, do processo de origem e; c) seja submetida ao crivo do contraditório, no processo para o qual é trazida. Aduz que o procedimento fiscal, embasado em nula prova emprestada fulcrada em frágeis rascunhos apócrifos da empresa Condata, feriu os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, pois a Autoridade Fiscal não solicitou, de forma expressa, à autuada informações e documentos sobre os preços efetivamentepraticados nas operações em questão, nem tampouco, apresentou os indícios apurados no procedimento manejado em face da empresa Condata. No mérito, aduz que não existe nenhuma prova acerca do suposto subfaturamento nos seus processos de importação e que a valoração apresentada pela Autuada está em perfeita consistência com a negociação entabulada com seus fornecedores e, principalmente com as normas do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio — GATT 1994 (Acordo de Valoração Aduaneira). Neste contexto, para descaracterizar o valor detransação é necessário comprovar fraude no valor declarado ou o descumprimentodas condições dos artigos 1º ao 8º do GATT, valendose do art. 82 e seguintes do Decreto nº. 6759/2009, coisa que a fiscalização não fez. E, para fins de se descaracterizar o primeiro método de valoração, a autoridade deveria notificar o importador sobre os motivos que a levaram à recusa da aplicação do valor de transação, isto é, deveria intimálo expressamente para informar sobre os preços praticados. Além disto, deveria haver elementos de caráter objetivo consistentes e capazes de justificar a adoção de outro método, motivo pelo qual o valor aduaneiro não pode ser alterado como almeja a fiscalização. Alega que das 4 máquinas importadas pela empresa Condata, a autuada somente importou 2 delas. No entanto, todas as "provas" e indícios de subfaturamentos feitos pela empresa Condata, descritos no Relatório Fiscal, referemse aos modelos KLD401 e FVHD16, os quais nunca foram importados pela autuada. Portanto, os itens 3.1.1 a 3.1.6 do relatório fiscal não se prestam para provar nada. Mesmo quanto a DI n. 08/16796577 registrada pela Condata, não há como se comprovar qual o efetivo modelo de equipamento importado, o qual não consta na Declaração de importação ou da Commercial Invoice. Certo é que se trata do modelo KLD401, e não como constou de maneira equivocada na planilha da folha 33 do Relatório Fiscal. Alega que o fato de a empresa Condata importar os dois modelos de contadoras de célula a vácuo pelo mesmo preço, não atesta que ambos os equipamento são idênticos com almeja a fiscalização. Tratamse de equipamentos distintos, visto que o modelo (FVHD16) opera de forma Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10516.720022/201285 Resolução nº 3302000.510 S3C3T2 Fl. 5 4 contínua, enquanto que o modelo (FV16) opera de forma contínua somente pelo período máximo de 30 (trinta) minutos, logo não existe lógica para que tais produtos possuam o mesmo preço. Aduz que o fato de o quadro societário da empresa possuir pessoas ligadas ao Sr. Cláudio Cardoso, sócio majoritário da empresa Condata não remete para nenhum tipo de prova. Ademais, como bem atestou a fiscalização em fl. 57, "todas as importações da empresa Telinfo, iniciadas a partir de Janeiro de 2010, foram efetuadas no período em que Priscila Silveira Ferreira do Carmo Cardoso detinha o cargo de sócia responsável pela administração da empresa”. O fato de estar casada com o Sr. Cláudio Cardoso não é e nem pode ser motivo para aplacação da penalidade, visto que a fiscalização não logrou nenhuma prova de vínculo entre a empresas. Argui que o fato de as mercadorias estarem ou não da posse da Receita Federal, de nada importa para aplicação da pena de perdimento, não podendo serem diferentes as penas quando a mercadoria está em sua posse ou quando já foi comercializada, sob pena de ofender o principio da isonomia. Portanto, o equivocado entendimento dafiscalização não pode persistir, pois que a pena a ser aplicada no caso concretoseria a pena de perdimento convertida em multa pecuniária equivalente ao valoraduaneiro das mercadorias importadas. Aduz que ocorreu o famigerado "bis in idem", pois foi aplicada diversas penalidade sobre um único fato gerador: Multa de Perdimento, convertida em 100% do valor aduaneiro; diferença dos tributos apurados; multa qualificada de 150% sobre os tributos não recolhidos. Dessarte, aplicada a maior das penas previstas na legislação em vigor, não há que se falar em outras penalidades, pois a pena de perdimento retroage seus efeitos, de modo que, em sendo aplicada, o fato gerador dos demais impostos nunca existiu. Alega que não existiu nenhum tipo de subfaturamento nem tampouco falsidade na documentação do despacho aduaneiro, fatos que descaracterizam o chamado dano ao erário, condição essencial para aplicação da pena de perdimento. Ademais, o dano ao erário pressupõe, além da sonegação de tributos, a existência de um ânimo doloso, onde existao firme propósito fraudatório por parte do agente, situação esta que não restoucomprovada ao longo do Auto de Infração em comento. Requer seja desentranhada a "prova emprestada" oriunda do procedimento envolvendo a Condata; sejam declarados nulos ou insubsistentes os Autos de Infração; ou, subsidiariamente, seja aplicada exclusivamente a pena de perdimento baseada no valor aduaneiro declarado pela Autuada em suas faturas comerciais; ou se aplicada, exclusivamente, a pena de perdimento, seja esta relativizada, sendo substituída pela diferença de tributos acrescida da multa de 100%; seja a autuada intimada acerca da data do julgamento deste impugnação para apresentar sustentação oral; seja intimada de todos os atos deste processo através de seus advogados nos endereços timbrados; protesta pela juntada posterior de qualquermeio de prova e eventuais diligências. É o relatório.” Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10516.720022/201285 Resolução nº 3302000.510 S3C3T2 Fl. 6 5 A Segunda Turma da DRJ em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0734.633, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 18/01/2010 a 03/10/2011 SUBFATURAMENTO. IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. Considerase dano ao Erário o subfaturamento, mediante fraude ou artifício doloso, na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, ou em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 18/01/2010 a 03/10/2011 SUBFATURAMENTO. IMPORTAÇÃO. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação não correspondem à realidade das transações efetuadas, resta caracterizado o subfaturamento, sendo exigível a diferença dos tributos aduaneiros, acrescidos da multa de ofício qualificada e dos juros de mora. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE OU SONEGAÇÃO Cabível a multa de ofício de 150% sobre o tributos apurados, constatada a ocorrência de fraude na importação com o intuito de sonegação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada em 19/05/2014, interpôs recurso voluntário, tempestivamente, aduzindo em síntese: 1. A ilicitude das provas, visto que obtidas sem amparo de ordem judicial, em ofensa ao art. 5, inciso XI da Constituição Federal; 2. A impossibilidade de uso da prova emprestada, em razão de que toda a prova foi produzida em procedimento efetuado na Condata, do qual a recorrente não participou; que a prova produzida contra a Condata é ilícita, pois foi obtida sem amparo de ordem judicial; 3. O desrespeito aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, tornando nulo o Auto de Infração, de acordo com o art. 59, inciso II, art. 23 e parágrafos do Decreto nº 70.235/72; art.3º, 9º, 26 e 27 da Lei nº 9.784/99 e art. 5º, incisos LIV e LV da Constituição Federal; 4. Que o processo se fundou em indícios, como ínfimos rascunhos apócrifos da empresa Condata, sem intimação à recorrente sobre seus preços praticados, ou seja, sem investigação do preço efetivamente praticado pela recorrente; 5. Que a autoridade fiscal não determinou se a falsidade era ideológica ou documental, o que remete à nulidade do Auto de Infração; 6. A inexistência de prova do eventual subfaturamento nos processos de importação da recorrente, visto que toda prova foi obtida em face da Condata, a qual não participa deste feito; não há comercial invoice, nenhuma proforma, nenhum email, nenhum swift, nenhuma transferência, nenhum rascunho para atestar o suposto subfaturamento por parte da recorrente; Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10516.720022/201285 Resolução nº 3302000.510 S3C3T2 Fl. 7 6 7. Que não havendo subfaturamento, não há que se falar em valoração aduaneira; a fiscalização deveria descaracterizar o valor da transação, mediante os procedimentos do art. 82 e seguintes do Decreto nº 6.759/2009; 8. Que nunca importou as máquinas KLD401 e que tal equipamento não pode servir de parâmetro para as máquinas KLD016, o qual possui características totalmente diversas; 9. Que o fato de a administradora da recorrente ser casada com o sócio majoritário Cláudio Cardoso da Condata não remete a nenhum tipo de prova; a fiscalização não provou qualquer vínculo entre a recorrente e a Condata; 10. Que deveria ser aplicada a pena de perdimento e não a multa proporcional ao valor aduaneiro; 11. Excesso de exação, por ocorrer bis in idem na aplicação cumulativa da multa de 100% do valor aduaneiro, a diferença de tributos e a multa qualificada de 150%, quando deveria ser aplicada apenas a pena de perdimento; 12. O desentranhamento da prova emprestada do processo da Condata; 13. Que seja efetuada intimação acerca do julgamento do recurso voluntário para realizar sustentação oral; 14. O protesto para juntada posterior de provas. Reitera, ainda, toda a contestação relativa a cada DI, efetuada na impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em preliminares, a recorrente propugna pela nulidade do Auto de Infração pelo fato de ter se lastreado em provas ilícitas, obtidas coercitivamente, sem amparo de ordem judicial. Conforme exposto no relatório fiscal, a fiscalização obteve acesso aos documentos mediante diligências realizadas nas dependências das empresas CONDATA e TELINFO, conforme termos lavrados e cientificados por prepostos da recorrente, de acordo com as prerrogativas conferidas à fiscalização pelos artigos 195 e 196 do CTN e pelos artigos 34, 35 e 36 da Lei nº 9.430/96: CTN: Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10516.720022/201285 Resolução nº 3302000.510 S3C3T2 Fl. 8 7 Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo. Lei nº 9.430/96: Art. 34. São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida. Retenção de Livros e Documentos Art. 35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos. § 1º Constituindo os livros ou documentos prova da prática de ilícito penal ou tributário, os originais retidos não serão devolvidos, extraindose cópia para entrega ao interessado. § 2º Excetuado o disposto no parágrafo anterior, devem ser devolvidos os originais dos documentos retidos para exame, mediante recibo. Lacração de Arquivos Art. 36. A autoridade fiscal encarregada de diligência ou fiscalização poderá promover a lacração de móveis, caixas, cofres ou depósitos onde se encontram arquivos e documentos, toda vez que ficar caracterizada a resistência ou o embaraço à fiscalização, ou ainda quando as circunstâncias ou a quantidade de documentos não permitirem sua identificação e conferência no local ou no momento em que foram encontrados. Parágrafo único. O sujeito passivo e demais responsáveis serão previamente notificados para acompanharem o procedimento de rompimento do lacre e identificação dos elementos de interesse da fiscalização. Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10516.720022/201285 Resolução nº 3302000.510 S3C3T2 Fl. 9 8 Frisese que, em ambos os termos, consta a autorização de acesso às dependências do estabelecimento, tendo a fiscalização agido dentro da legalidade e procedido à lacração e deslacração dos volumes na presença de representante da recorrente. Portanto, não procede a alegação de ilicitude na obtenção das provas. A recorrente alega ainda a impossibilidade de uso de prova emprestada em razão de não ter sido validamente produzida, de a recorrente não ter participado na produção da prova no processo de origem, em regime de contraditório e ter sido submetida ao crivo do contraditório no processo para o qual é trazida. Continua discorrendo sobre a necessidade de se garantir o contraditório e a ampla defesa, propugnando pela nulidade da autuação em face da inobservância de tais princípios e garantias. Destacase, inicialmente, que a maioria das provas utilizadas neste processo foi obtida mediante diligências realizadas no estabelecimento da recorrente, sob sua autorização, dentro da legalidade, como já abordado anteriormente, não havendo que se falar em provas obtidas de forma ilícita. Quanto ao contraditório e ampla defesa, frisese que estas garantias devem ser observadas no processo administrativo fiscal, o qual somente se iniciou com a impugnação válida do Auto de Infração, conforme dispõe o artigo 141 do Decreto nº 70.235/72. Anteriormente à lavratura do Auto de Infração, não há processo administrativo, mas apenas procedimentos fiscais, configurando essencialmente uma fase inquisitória, embora, frequentemente, é oportunizado aos contribuintes o esclarecimento sobre as constatações e os fatos apurados. De fato, o contraditório e a ampla defesa foram garantidos à recorrente mediante o direito à contestação da peça acusatória, representado pelos recursos administrativos exercidos pela recorrente. Não há qualquer afronta a tais princípios, a utilização de provas produzidas no próprio procedimento, mas que se refiram a outras pessoas jurídicas ou produzidas em outros procedimentos fiscais, e sejam utilizadas para a prova do imputado à recorrente, desde que, obviamente, tenha sido possibilitado à recorrente o contraditório e ampla defesa quanto a tais provas, o que revelase ocorrido nestes autos. Neste sentido, citase Acórdão nº 3401002.919, proferido em 25/02/2015: PROVA EMPRESTADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CABIMENTO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. É válido no processo administrativo o instituto da “prova emprestada”, desde que garantido às partes o contraditório e a ampla defesa, mostrandose válido o lançamento que carreia aos autos elementos de prova suficientes a demonstrar a ocorrência de fatos jurídicos semelhantes àqueles verificados em outro procedimento administrativo, ainda que envolva partes distintas. Rejeitamse, portanto, as nulidades arguidas. Quanto ao mérito, a recorrente pugna pela inexistência de qualquer prova a respeito do suposto subfaturamento, mas apenas provas derivadas da empresa CONDATA, ou seja, não há comercial invoice, proforma invoice, email, transferência, nada para atestar o 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10516.720022/201285 Resolução nº 3302000.510 S3C3T2 Fl. 10 9 suposto subfaturamento. Defende que não houve prova do subfaturamento e que a descaracterização do valor aduaneiro deveria seguir os procedimentos previstos nos artigos 82 e seguintes do regulamento aduaneiro, o que não ocorreu. Questiona ainda as suposições a respeito do quadro societário, afirmando que a Sra Priscila era a verdadeira gerente dos negócios da recorrente e não há provas do vínculo entre a recorrente e a CONDATA. De outro giro, a recorrente pugna, apenas por argumentação, que, caso configurado o subfaturamento, a penalidade a ser aplicada seria a pena de perdimento convertida em multa pecuniária equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Prossegue, argumentando que a cobrança de diferença de tributos com multa qualificada de 150% consiste em bis in idem. Conclui a defesa, pela nulidade da autuação por inexistência de prova de subfaturamento e pede o desentranhamento das provas relativas ao procedimento da CONDATA, a insubsistência da autuação, a intimação da recorrente para a data de julgamento e a juntada posterior de provas mediante eventuais diligências. A autuação ocorreu por suposto subfaturamento das máquinas para contar cédulas à fricção marca KELAIDUN, modelo KLD016 e máquinas contadoras de cédulas à vácuo, marca SZKINGLED, modelo FV16, tendo a fiscalização promovido o arbitramento do preço da mercadoria com base em mercadoria idêntica ou similar, nos termos do inciso I do artigo 88 da MP nº 2.15835/2001, em razão de não ter sido possível identificar o preço efetivamente praticado na importação. As provas relativas ao subfaturamento lastrearam tanto esta autuação quanto a efetivada contra a empresa CONDATA no processo 11080.727618/201236 e se referiram às DI´s declaradas pela CONDATA. Toda a conclusão relativa à prova do subfaturamento partiram de emails, anotações em rascunhos, faturas proforma e outros documentos relativos à CONDATA e, juntamente, com documentos relativos à TELINFO, permitiram à fiscalização concluir pela ocorrência de subfaturamento na CONDATA e na TELINFO, em vista da gerência familiar e em conjunto das duas empresas, denotando um modus operandi único na condução das importações efetuadas. A definição da base de cálculo dos tributos incidentes na importação foi determinada por arbitramento, pois a fiscalização não conseguiu identificar o preço efetivamente praticado nas importações, adotandose como paradigmas DI´s analisadas no processo 11080.727618/201236. O excerto abaixo extraído do Relatório Fiscal, efl. 1413, esclarece: “Portanto, para as máquinas para contar cédulas, à fricção, marca Kelaidun, modelo KLD016, e das máquinas contadoras de cédulas, a vácuo, marca SZKINGLED, modelo FV 16, importadas pela empresa Telinfo, arbitramos seus preços conforme o inciso I do art. 88 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar. Para a realização do arbitramento dos preços das referidas mercadorias importadas pela empresa Telinfo, foram utilizadas como base, os preços de mercadorias idênticas ou similares importadas pela empresa Condata, apurados conforme o Artigo 1 do AVAGATT, que foram obtidos em análises efetuadas no processo administrativo fiscal n° Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10516.720022/201285 Resolução nº 3302000.510 S3C3T2 Fl. 11 10 11080.727618/201236, descritas nas seções 3.1.1 a 3.1.7 deste Relatório de Fiscalização, para as máquinas para contar cédulas, à fricção, marca Kelaidun, modelo KLD016, e descritas nas seções 3.2.1 a 3.2.4, para as máquinas contadoras de cédulas, a vácuo, marca SZKINGLED, modelo FV16. Foram levados ainda em conta o tempo das importações e as suas quantidades como critérios de valoração.” Verificase que o relatório fiscal, das efls 1350 a 1394, referese à acusação de subfaturamento nas DI´s importadas pela CONDATA, a qual será analisada no processo 11080.727618/201236, cujo julgamento foi transcrito, em parte, pela DRJ em suas razões de decidir, efls. 1506 a 1509, concluindo ainda da seguinte forma: “[...]Assim, à medida em que foi comprovado documentalmente subfaturamento nas importações da empresa Condata, concluise que resta evidente a prática de subfaturamento pela Telinfo, em todas suas importações das mesmas máquinas, oriundos do mesmo fornecedor, pelo mesmo preço declarado.” Constatase, então, que o julgamento deste processo está lastreado em boa parte em elementos de prova analisadas em outro processo, no qual se decidirá sobre a ocorrência de subfaturamento na CONDATA, que integra, essencialmente, a causa de pedir sobre a qual fundamentouse este processo. Assim sendo, e nos termos do artigo 122 da Portaria CARF nº 34, de 31 de agosto de 2015, deve o presente julgamento aguardar a decisão administrativa definitiva a ser proferida no processo 11080.727618/201236, o qual foi colocado em pauta na sessão de 18/03/2015, e saído com vistas, conforme acompanhamento processual abaixo: 18/03/2015 COM VISTASÓrgão Julgador: 1ªTO/4ªCÂMARA/3ªSEJUL/CARF/MFRelator: BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMAData da Sessão: 18/03/2015Hora da Sessão: 14:00Tipo da Pauta: OrdináriaTipo Sessão: Normal 05/03/2015 COLOCADO EM PAUTAUnidade: 1ªTO/4ªCÂMARA/3ªSEJUL/CARF/MFRelator: BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMAData da Sessão: 18/03/2015Hora da Sessão: 14:00Tipo da Pauta: OrdináriaTipo Sessão: Normal Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a secretaria desta Câmara junte a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 11080.727618/201236. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a esta turma para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 2 Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10680.007401/2005-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO. RETROATOVIDADE DA LEI N° 10.174/2001.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
RECLASSIFICAÇÃO DA RECEITA TRIBUTADA DA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS PELA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO.
A imputação de eventuais impostos pagos pela pessoa jurídica, em sociedade por quotas de participação limitada, relativos a rendimentos que de fato se destinaram à pessoa física do sócio depende da comprovação desses recolhimentos.
Hipótese em que não foi acostada aos autos prova do recolhimento de tributos pela pessoa jurídica.
MULTA QUALIFICADA. DOLO.
Caracterizado o dolo de sonegar, mantém-se a multa qualificada de 150%.
Recurso especial do Contribuinte negado e da Fazenda Nacional provido.
Numero da decisão: 9202-003.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do Contribuinte e dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 14/12/2015
Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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RETROATOVIDADE DA LEI N° 10.174/2001. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. RECLASSIFICAÇÃO DA RECEITA TRIBUTADA DA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS PELA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A imputação de eventuais impostos pagos pela pessoa jurídica, em sociedade por quotas de participação limitada, relativos a rendimentos que de fato se destinaram à pessoa física do sócio depende da comprovação desses recolhimentos. Hipótese em que não foi acostada aos autos prova do recolhimento de tributos pela pessoa jurídica. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Caracterizado o dolo de sonegar, mantémse a multa qualificada de 150%. Recurso especial do Contribuinte negado e da Fazenda Nacional provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 74 01 /2 00 5- 55 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10680.007401/200555 Acórdão n.º 9202003.665 CSRFT2 Fl. 1.062 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do Contribuinte e dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 14/12/2015 Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Do Auto de Infração Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista classificação indevida de rendimentos na declaração de imposto de renda de pessoa física DIRPF, conforme auto de infração de efls. 8 a 18, cientificado em 30/05/2005. O contribuinte teria recebido rendimentos tributáveis de pessoas jurídicas declarandoos ao fisco como lucros distribuídos por terceira empresa cujo controle ele detinha. Descortinado tal procedimento pela fiscalização, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, às efls. 20 a 33: a fiscalização entendeu que essa empresa jurídica não havia auferido as receitas de pretensa prestação de serviços a outras empresas do grupo; foi constatado que as outras empresas do grupo estavam operando com prejuízos e não poderiam distribuir lucro e entendeuse que a pessoa jurídica foi criada para forjar a prestação de serviços e o valor do lucro a ser distribuído, consequentemente, desconsiderou essas operações e a subsequente alegada distribuição de lucros; houve o lançamento de imposto de renda sobre os valores pagos ao contribuinte, apurados junto à documentação da empresa, bem como aplicação de penalidade qualificada de 150% sobre aquele tributo. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10680.007401/200555 Acórdão n.º 9202003.665 CSRFT2 Fl. 1.063 3 Impugnação O auto de infrações foi objeto de impugnação, em 27/06/2005, às efls. 208 a 239 dos autos. A impugnação foi apreciada na 5ª Turma da DRJ em Belo Horizonte que, por unanimidade, em 24/11/2005, julgou o lançamento impugnado procedente, mantendo o crédito tributário lançado, conforme acórdão de efls. 428 a 442. Recurso voluntário Inconformado, o contribuinte, em 03/03/2006, apresentou recurso voluntário, às efls. 453 a 478, no qual sustentou, em resumo: · preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância, por não ter abordado a integralidade das razões da impugnação, o qual teria se omitido sobre a aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001; · a impossibilidade de aplicação retroativa, especificamente para o anocalendário de 2000, da Lei n° 10.174/2001 e da Lei Complementar n° 105/2001; · a impossibilidade de lançamento baseado em meras movimentações bancárias; · a necessidade de se aplicar retroativamente ao caso concreto os efeitos da Lei n° 11.196/2005, artigo 129, em função do artigo 106, do Código Tributário Nacional; · o descabimento do lançamento por se tratarem de rendimentos tempestiva e regularmente declarados na DIRPF do Contribuinte, já tendo sido tributados na pessoa jurídica da qual é sócio, que os recebeu a título de distribuição de lucros, com isenção na pessoa física, caracterizandose a situação em exame como uma "elisão fiscal"; · que despesas médicas e pagas a título de pensão alimentícia estariam devidamente comprovadas; · que houve agravamento indevido da multa de oficio, pela não comprovação de qualquer ato fraudulento ou omissivo; · a inocorrência do delito de sonegação fiscal e o descabimento de representação fiscal para fins penais enquanto não encerrado o feito administrativo. Acórdão CARF A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário em 23/05/2007, resultando no acórdão n°10422.408, às efls. 513 a 535, acordando, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso para acolher a dedução de pensão alimentícia judicial, desqualificar a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75% e aproveitar os tributos Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10680.007401/200555 Acórdão n.º 9202003.665 CSRFT2 Fl. 1.064 4 pagos na Pessoa Jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de Pessoa Física. Tal decisão foi assim ementada: PAF CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando a ele foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, tanto na fase de fiscalização, quanto na impugnatória e recursal, sempre com observância aos ditames normativos do Decreto n°70.235, de 1972. PAF — NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação. IRPF APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001 Ao suprimir a vedação existente no art. 11, da Lei n° 9.311, de 1996, a Lei n°10.174, de 2001 nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável essa legislação, por força do que dispõe o § 1° do art. 144, do Código Tributário Nacional, inclusive retroativamente. CARÁTER INTERPRETATIVO DE LEI AUSÊNCIA O artigo 129, da Lei n° 11.196, de 2005, não tem efeito interpretativo, razão pela qual não pode ser aplicado a fatos geradores pretéritos. Na verdade, tratase de um novo regime jurídico de tributação. IRPF REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL CONTRIBUINTE São tributadas como rendimentos de pessoas fisicas as remunerações por serviços prestados, de natureza não comercial, com ou sem vínculo empregatício, independentemente da denominação que se lhes dê. O fato de formalmente a relação contratual ter sido estabelecida em nome de pessoa jurídica não muda o efetivo contribuinte, que é definido em lei e com base na natureza dos rendimentos. IRPF RECLASSIFICAÇÃO DA RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA Devem ser compensados na apuração do crédito tributário os valores arrecadados sob os códigos de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa fisica, base de cálculo do lançamento de oficio. IRPF DEDUÇÕES PENSÃO ALIMENTÍCIA Acatase como dedução na Declaração de Ajuste Anual a pensão alimentícia cuja obrigação foi homologada por anterior sentença judicial, sendo os seus pagamentos devidamente confirmados pela beneficiária. MULTA DE OFÍCO QUALIFICADA A multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, é aplicável nos casos em que fique caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme definido pelos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964. A simples realização de contrato entre a empresa da qual o contribuinte era sócio e terceiro para a prestação de serviços de natureza pessoal pelo sócio, ainda que com o propósito de se beneficiar de tributação mais favorecida, não caracteriza o evidente intuito de fraude. (Grifei.) Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Recurso Especial do Contribuinte Em 14/12/2007, à vista face desse acórdão, o contribuinte apresentou Recurso Especial de Divergência (RE), às efls. 543 a 554, questionando: 1. a aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001 bem como da Lei Complementar n° 105/2001, para o que se estriba nos acórdãos 106 15.535 da 6ª Câmara e n° 104.19.637 da 4ª Câmara; e Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10680.007401/200555 Acórdão n.º 9202003.665 CSRFT2 Fl. 1.065 5 2. a desconsideração da pessoa jurídica que implicou a tributação da pessoa física do recorrente, com fulcro nos acórdãos 10516.147 da 5ª Câmara e n° 10418.709/02 da 4ª Câmara. Admissibilidade do Recurso Especial do contribuinte Com base nos artigos 68 e 69 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, vigente em 16/08/2011, quando do Despacho n° 22000.261, o Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF deu seguimento parcial ao Recurso Especial do contribuinte no que concerne à irretroatividade da lei, apenas, conforme se pode verificar às e fls. 623 a 629. Já no tocante ao item 2, não foi reconhecida a existência da divergência reclamada. Recurso Especial da Fazenda Em 11/12/2008, foi apresentado Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda, às efls. 576 a 583, contestando: · a redução da multa qualificada, em face da evidenciação, pelas provas dos autos, de conduta dolosa do contribuinte com vistas à fraudar a legislação tributária, tomando por paradigma o acórdão 10614.720 da 6ª Câmara; · a compensação de tributos pagos pela pessoa jurídica, por falta de comprovação destes pagamentos nos autos, apoiada no acórdão paradigma n° 10615.948 da 6ª Câmara. Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda O Presidente da 1ª Câmara no exercício da Presidência da 2ª Câmara, em 28/09/2009, deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda, relativamente às duas questões contestadas, conforme despacho n° 920200.261, às efls. 605 a 608, com fundamento no art. 15, §§ 2° e 6° do Regimento Interno CARF, aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007, vigente quando da apreciação daquele RE. Contrarrazões do contribuinte Cientificado (efls. 611 e 612) do Recurso Especial da Fazenda em 08/03/2010, o contribuinte apresentou contrarrazões em 18/03/2010, conforme consta às efls. 613 a 621. Quanto à primeira irresignação da Procuradoria, o contribuinte afirma, com base na fundamentação do acórdão recorrido, que o recurso implicaria reexame de matéria probatória e, mesmo nesse caso, não haveria provas nos autos do evidente intuito de fraude. Dirigindose o Recurso Especial à correção de matéria de direito, por infração legal ou dissenso jurisprudencial, seria inviável a nova apreciação dos fatos agora pretendida. Junta precedentes administrativos que afastam a aplicação da multa qualificada em casos de presunção (hominis e juris tantum) e multa agravada por embaraço à fiscalização. Afirma ainda que os acórdãos paradigmáticos juntados pela Fazenda não evidenciariam situação fática idêntica à do processo, pois neste haveria a desconsideração de Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10680.007401/200555 Acórdão n.º 9202003.665 CSRFT2 Fl. 1.066 6 uma personalidade jurídica e a aplicação de multa de 150%. As condições e evidências que comprovem o intuito fraudulento não estariam identificados nem no presente processo nem nos acórdãos paradigmas. Relativamente à compensação dos tributos pagos pela PJ, o contribuinte também entende que, mais uma vez, a matéria do acórdão é distinta do paradigma juntado, pois neste não havia prova dos pagamentos no processo enquanto naquele a própria conselheira relatora informa que existe tal comprovação nos autos. Pelas razões aduzidas, requer que o Recurso Especial não seja provido. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do Recurso Especial do contribuinte em 27/10/2011 (efl. 640), a Procuradora da Fazenda, em 01/11/2011, às efls. 642 a 648, afirma a natureza procedimental da Lei n° 10.174/2001, sendo ela limitada ao âmbito da atividade tendente à constituição do crédito e, por regular forma de agir do fiscal, oferece apenas os meios de descortinar o direito já existente enquanto este não é extinto. O mesmo se dá com relação à LC 105/2001, que permite a quebra de sigilo bancário pela administração pública. Não sendo elemento da hipótese de incidência, mas forma de obter informações, se admite tal forma de proceder já no § 1° do artigo 144 do Código tributário Nacional, o que não destoa do que está insculpido no § 1° do art. 145 da Constituição da República Federativa do Brasil. Assim, é obrigatória sua aplicação pelo agente fiscal. A própria Câmara Superior de Recursos Fiscais já admitia a aplicação da Lei n° 10.174/2001 retroativamente, como norma de direito processual. Pelo exposto, a Procuradora da Fazenda afirma a improcedência do Recurso Especial do contribuinte e requer sua denegação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, os recursos atendem aos requisitos de admissibilidade e, portanto, deles conheço, bem como das contrarrazões trazidas aos autos. Recurso Especial do contribuinte Inicialmente, é de se analisar o Recurso Especial do contribuinte, na matéria que foi admitida. Apesar de a legislação combatida pelo contribuinte não ter sido base para o lançamento da base tributável por ele combatida, pois não houve lançamento com base em depósitos bancários, esta foi a razão da divergência jurisprudencial que levou à admissão do RE. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10680.007401/200555 Acórdão n.º 9202003.665 CSRFT2 Fl. 1.067 7 Todavia, o argumento de irretroatividade das normas processuais supostamente aplicadas no processo hoje consta de Súmula deste Conselho com a seguinte redação: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Tal súmula hoje efeito vinculante em relação à toda administração tributária federal, por determinação da Portaria MF n° 383 de 12/07/2010. Em assim sendo, é despiciendo elaborar qualquer outra argumentação relativamente ao pleito, à luz do § 3° do art. 67 do RICARF hoje vigente, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, pelo qual o Recurso Especial nem mesmo seria admitido. Por isso, entendo incabível o Recurso Especial do contribuinte. Recurso Especial da Fazenda No tocante à redução da multa qualificada, inicio por afastar a afirmação do contribuinte de que a situação fática do paradigma seja distinta daquela do acórdão recorrido. A existência de provas distintas não significa que que a situação fática não seja a mesma. Ambos os acórdãos tratam de situações nas quais os contribuintes, pessoas físicas, receberam rendimentos de outras pessoas jurídicas albergandose em personalidades jurídicas que de fato nada faziam. Ainda que a situação de fato descrita no acórdão paradigma contenha mais provas do intuito fraudulento que a do acórdão recorrido, isso não implica deficiência probatória deste. Importa ressaltar que no caso concreto não se está tratando de presunção legal de omissão de receitas ou mesmo daquela disposta no art. 42 da Lei n ° 9.430/1996; sendo assim, inaplicáveis as Súmulas CARF n° 25 e n° 26. A matéria em análise é relativa ao dolo de fraudar a tributação do imposto de renda da pessoa física que leva a aplicação da multa qualificada. No acórdão recorrido, a questão da prova sobre o dolo, se baseou, nas palavras da conselheira relatora, nos mesmos fundamentos pelos quais ela acolheu a possibilidade de compensação do imposto pago pela pessoa jurídica (efl. 534). O fundamento inicial teria sido expresso em voto do conselheiro Nelson Mallman, no acórdão n° 10421.583, com excerto transcrito pela relatora, onde se afirma que: A lei não proíbe o ser humano de errar: seria antinatural se o fizesse; apenas comina sanções mais ou menos desagradáveis segundo os comportamentos e atitudes que deseja inibir ou incentivar. Todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Nesse contexto, entendo que deva ser compensado, proporcionalmente, os tributos (imposto de renda e contribuições) recolhidos na pessoa jurídica oriundo de valores cujo fato gerador foi transferido para a pessoa física. É de se observar, que deve ser compensado o imposto e contribuições recolhidos na pessoa jurídica com o imposto apurado no auto de infração, antes de qualquer cálculo de acréscimos legais (multa e juros). (Negritos da transcrição) Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10680.007401/200555 Acórdão n.º 9202003.665 CSRFT2 Fl. 1.068 8 Todavia, com relação à comprovação de dolo, no caso, com a devida vênia, o que se relata no presente processo não é um erro de eleição na forma de tributação, mas uma forma de esconder rendimentos tributáveis havidos por serviços prestados pela pessoa física como se rendimentos isentos fossem. As empresas que forneciam os pagamentos, nas quais o contribuinte era sócio administrador, não apresentavam lucros; logo, não podiam distribuílos. O contribuinte visou a receber remuneração por seu trabalho sem tributação. A solução encontrada foi a prestação de serviços por uma terceira empresa (Bemep Consultoria S/C Ltda) cujas receitas relativas a essas alegadas prestações eram diretamente pagas em contas bancárias da pessoa física e escrituradas como se adiantamento de distribuição de lucros ou empréstimos fossem. Infelizmente, não posso concordar que isso seja apenas um erro na eleição da sistemática de tributação, pois para isso não apontam as evidências no processo: a empresa não tinha funcionários, não havia trabalho em sua sede (efls. 79 e 80), prestava os mesmos serviços de administração que o sócio deveria exercer nas demais empresas que administrava e os pagamentos a título de serviços prestados teriam a mesma natureza daquela remuneração relativa ao trabalho da pessoa física; remuneração tributável, portanto. Entendo estar diante de uma situação de dolo de sonegar pela dissimulação do rendimento tributável como rendimento isento, escondendo a circunstância material do fato gerador, no teor do disposto no art. 71 da Lei n° 4.502 de 04/11/1964: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Por essas razões, justificase plenamente a aplicação da multa qualificada. Salientese que os valores das receitas, que dissimulavam a remuneração pelo trabalho do contribuinte, foram apurados com base nos registros de créditos, por DOC e cheques, confirmados por cartas da empresa aos “clientes”, e atribuídas a ele como real beneficiário em cujas contas ocorreram estes créditos. Aliás, isso fica fora de discussão, pois o acórdão recorrido afirma a necessidade de tributarse os valores omitidos ao fisco e apurados pela fiscalização, apenas não vê prova do dolo nessa omissão. Penso que tudo o que foi praticado ao longo do tempo aponta para o dolo, não se está diante de um caso em que alguém em situação de hipossuficiência se renda às imposições patronais de tornarse PJ para que se reduzam os custos dos serviços prestados. O contribuinte era sócio e administrador nas empresas que “demandavam” tais serviços de administração por ele próprio prestados e quis a redução da tributação de seus rendimentos; o dolo tributário, no entender deste conselheiro, é evidente. E, em se tratando de provas, diferentemente do que afirmou a relatora do acórdão a quo, compulsando os autos não encontrei qualquer prova da existência de pagamentos de tributos pela empresa Bemep Consultoria S/C Ltda, relativo ao período autuado. Há, quando muito, escrituração relativa a tributos pagos no anocalendário de 1999, Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10680.007401/200555 Acórdão n.º 9202003.665 CSRFT2 Fl. 1.069 9 registradas no único livro diário disponibilizado pela empresa, o que é confirmado no item 27 Termo de Verificação Fiscal (efl. 29), sem, contudo, qualquer comprovação do efetivo pagamento. Mesmo em matéria de declarações de IRPJ, só há no processo evidência de declaração relativa ao exercício de 2004 (efls. 130 e 131) e nenhuma outra. Salientese que, no Recurso Especial da Fazenda Nacional é claramente referida a falta de comprovação de recolhimento e, em sede de contrarrazões, o Contribuinte não trouxe essa prova nem apontou documento constante dos autos que a suprisse, limitandose a referir o que havia sido afirmado no acórdão recorrido, de que teria havido recolhimento. Assim, além de entender que estaria evidenciado o intuito de fraudar o fisco, fica patente que inexiste comprovação de tributo pago a ser compensado, segundo questionamento a ser agora apreciado. Cabe, por fim, colocar que, teoricamente, a imputação dos tributos recolhidos pela pessoa jurídica, relativos às operações desconsideradas e requalificadas como renda da pessoa física beneficiária, é – no entendimento deste conselheiro – uma consequência da requalificação da receita alegadamente auferida pela pessoa jurídica para o efetivo rendimento da pessoa física. Contudo, pela simples falta de comprovação de recolhimento pela pessoa jurídica, não há que se falar em sua imputação ao tributo referente aos rendimentos lançados. Pelas razões expostas, voto por conhecer dos recursos para DAR provimento Recurso Especial da Fazenda Nacional e NEGAR provimento ao Recurso Especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10680.007401/200555 Acórdão n.º 9202003.665 CSRFT2 Fl. 1.070 10 Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 13855.722109/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
NORMAS GERAIS. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Conforme Regimento Interno do CARF, o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso, configurando-se a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente.
Como no presente caso há desistência, devido a inclusão em parcelamento, o recurso não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 2302-003.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência..
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 NORMAS GERAIS. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Conforme Regimento Interno do CARF, o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso, configurando-se a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Como no presente caso há desistência, devido a inclusão em parcelamento, o recurso não deve ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência.. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.722109/201153 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2302003.667 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente RIZATTI & CIA LTDA Recorrida FAZENDA ANCIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 NORMAS GERAIS. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Conforme Regimento Interno do CARF, o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso, configurandose a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Como no presente caso há desistência, devido a inclusão em parcelamento, o recurso não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência.. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 21 09 /2 01 1- 53 Fl. 8463DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 8464DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13855.722109/201153 Acórdão n.º 2302003.667 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Feito o registro. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão de primeira instância, que julgou a impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. O lançamento é efetuado de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. A autoridade administrativa pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com simulação, com base no princípio da primazia da realidade, segundo a qual a substância deve prevalecer sobre a forma. SÓCIOS ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE. DOLO. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SIMULAÇÃO. PRAZO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica se o prazo decadencial previsto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE E CONLUIO. Fl. 8465DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Aplicase a multa qualificada prevista no artigo 44, I, § 1° da Lei 9.430/96 quando verificada a ocorrência de conduta dolosa caracterizada como sonegação, fraude ou conluio. REGIME SIMPLIFICADO. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO. É vedado o aproveitamento de tributos recolhidos pelo regime simplificado (Simples Nacional/Simples Federal) com contribuições previdenciárias. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação de leis, decretos e atos normativos por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Segundo os autos o lançamento fundamentase em: AI DEBCAD nº 37.249.9627, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente a parte devida pela empresa. Referese também a diferença de 2% da alíquota do RAT. AI DEBCAD nº 37.249.9635, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente a parte devida pelos segurados. AI DEBCAD nº 37.249.9643, referente às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos (Terceiros). AI DEBCAD nº 37.249.9619, referente à multa por descumprimento da obrigação acessória, em razão de a Rizatti & Cia Ltda apresentar GFIP com dados incorretos ou omissos. Durante o procedimento fiscal, a autoridade lançadora constatou que as empresas Milton Querino dos Santos EPP, Edna de Fátima Cruz EPP, FR Pereira Transportadora EPP e DAM Rizatti Transportes – EPP eram interpostas da Rizatti & Cia Ltda., com a finalidade de contratar segurados empregados com redução de encargos previdenciários, uma vez que, por ser optante pelo Simples/Simples Nacional recolhia a contribuição previdenciária patronal de forma diferenciada e beneficiada. Diante disso, enquadrouse, para fins previdenciários, todos os empregados contratados pelas empresas interpostas como segurados empregados da empresa Rizatti. Fl. 8466DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13855.722109/201153 Acórdão n.º 2302003.667 S2C3T2 Fl. 4 5 Os motivos que ensejaram o lançamento estão detalhadamente descritos nos autos. Contra o lançamento, a recorrente e Armando Antonio Rizatti apresentaram impugnações, acompanhada de anexos, argumentando várias questões, como muito bem demonstrado pela decisão a quo, conforme fls. 08373 a 08379. A Delegacia analisou o lançamento e as impugnações, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, acompanhado de anexos, onde reitera seus argumentos já apresentados na defesa. É o Relatório. Fl. 8467DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que utilizarei do registro em ata do que foi decidido. Feito o registro. Conforme demonstram os autos, a recorrente desistiu de seu recurso, devido a pedido de parcelamento. O Regimento Interno do CARF (RICARF) possui determinação sobre o procedimento a ser adotado nesses casos. RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Fl. 8468DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13855.722109/201153 Acórdão n.º 2302003.667 S2C3T2 Fl. 5 7 Portanto, como deixa claro a determinação regimental, como está configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, deste não devo conhecer. CONCLUSÃO: Pelo exposto, não conheço do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 8469DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13804.002403/2002-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF.
O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Esse entendimento por força regimental deve ser reproduzido no julgamento dos recursos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS. REGIME ALTERNATIVO.CABIMENTO.
O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n. 993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT).
O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, abrangendo o campo de incidência, todos os produtos com alíquota, ainda que zero, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula CARF n° 20.
DESPESAS COM FRETES.
Não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI as despesas com fretes que caracterizam mera prestação de serviços.
Numero da decisão: 3302-003.093
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao Recurso Voluntário e reconhecer o direito ao Crédito Presumido nas aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas.
Fez sustentação oral o Dr. Marcelo Castro - OAB 129.036 - RJ
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Esse entendimento por força regimental deve ser reproduzido no julgamento dos recursos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS. REGIME ALTERNATIVO.CABIMENTO. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n. 993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, abrangendo o campo de incidência, todos os produtos com alíquota, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 24 03 /2 00 2- 50 Fl. 2069DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 ainda que zero, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula CARF n° 20. DESPESAS COM FRETES. Não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI as despesas com fretes que caracterizam mera prestação de serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao Recurso Voluntário e reconhecer o direito ao Crédito Presumido nas aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas. Fez sustentação oral o Dr. Marcelo Castro OAB 129.036 RJ [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo, fl.01 de pedido de ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, relativo ao Primeiro Trimestre do anocalendário de 2002, protocolado em 12/04/2002, no valor de R$ 35.107.876,25, com base no qual pleiteia a extinção dos débitos conforme tabela de fl.04. O crédito presumido de IPI, objeto do presente Pedido de Ressarcimento, tem por fundamento a Lei n° 10.267, de 2001, que instituiu cálculo alternativo ao previsto na Lei n° 9.363, de 1996, referente ao ressarcimento das contribuições para PIS/PASEP e a COFINS para as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. Após análise da documentação apresentada o Despacho Decisório, fls.13/16 reconheceu parcialmente o pedido de ressarcimento do crédito presumido, apurado pelo contribuinte no período em epígrafe, e, consequentemente, homologou apenas parte da compensação dos débitos declarados. Destaca a decisão de piso: “Tempestivamente, o interessado alegou, em síntese, que, conforme julgados e doutrina, seria ilegal e inconstitucional a Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13804.002403/200250 Acórdão n.º 3302003.093 S3C3T2 Fl. 2.070 3 exclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas por meio de atos administrativos da Receita Federal, bem como a exclusão de gastos com fretes e dos produtos exportados classificados na TIPI como NT (NãoTributados) Apuração do crédito presumido, feita pela fiscalização, não poderia ser admitida na medida que desconsiderou o sistema de custos integrado da empresa e: 1 – Conforme demonstrativos de fls. 890 e 924, não teria incluído no cálculo as aquisições de insumos no mercado externo; 2 – A fiscalização, ao recalcular o crédito em questão (vide fl. 898), teria deixado de considerar as transferências (códigos 1.21 e 2.21 das filiais) listadas a partir da fl.926; 3 – De acordo com as tabelas de fls. 900/901 teria computado no cálculo do crédito presumido apenas a energia elétrica e os combustíveis efetivamente utilizados no processo produtivo e não o gasto geral com os mesmos; 4 – Declarou corretamente na DCP o montante correto relativo aos serviços de industrialização por encomenda, sendo que a fiscalização não teria observado que parte desses valores foram registrados na conta 460616 com os códigos 113 e 213 (vide fl. 902). 5 Com relação aos débitos a serem compensados, alega às fls. 910/91 que o montante de R$ 4.516.463,53 teria sido compensado no processo nº 13804.008821/200251, razão pela qual não teria sido localizado no presente..” Por meio da Resolução nº 1.048, a 2ª turma da DRJ/RP0 decidiu baixar o processo em diligência para que a fiscalização informasse a correção de tais alegações e se isso, de alguma forma, poderia alterar o valor do crédito presumido reconhecido. Com relação a estes últimos itens destacados, esta DRJ entendeu, em homenagem aos princípios da ampla defesa e da verdade material, baixar o processo em diligência para que a fiscalização informasse a correção de tais alegações e se isso, de alguma forma, poderia alterar o valor do crédito presumido reconhecido. A diligência foi cumprida conforme Termo de Encerramento de Diligência, fl.1.867/1.869, no qual estão abordados os itens questionados, conforme se transcreve a seguir: “Em procedimento de diligência fiscal no contribuinte, acima identificado, e, de acordo (...), encerrei, nesta data, diligência fiscal iniciada em 17082.011 para informação no processo 13804.002403/2.00250 que trata de pedido de ressarcimento de IPI com base em crédito presumido referente ao 1º trimestre de 2.002 o qual foi parcialmente deferido pelo Despacho Decisório de fls. 827/840. Ante a apresentação pela empresa da Fl. 2071DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 Manifestação de Inconformidade de fls. 877 e seguintes, os julgadores através da resolução 1.048 da 2a turma da DRJ/RP0, resolveram baixar o processo em diligencia. Para responder aos quesitos formulados pelos julgadores, a empresa em 18112.011 foi intimada a apresentar elementos que corroborem as afirmações feitas. 1 A empresa afirmou à fl. 890 que não incluiu as aquisições de insumos no mercado externo na base de cálculo do crédito pleiteado e apresentou à fl. 924 planilha detalhando as verbas nela incluídas. Desse modo, a BR FOODS foi intimada a apresentar o razão contábil das contas que compuseram a base de cálculo do crédito presumido. Em 07122.011 (fl. 1.509), a empresa protocolou expediente (item 1) no qual informa da apresentação do razão contábil das contas utilizadas para apuração da base de cálculo de crédito pleiteado. Analisandose os razões analíticos apresentados, constatase que não representam todas as rubricas que compuseram a base de cálculo do crédito pleiteado. Em relação a citada planilha, não foram apresentados os razões contábeis das contas de MP, PI e ME, material intermediário indireto, ICMS, importações e serviço de industrialização, esta parcial. Muito pelo contrário, foram apresentados razões analíticos que não têm qualquer relação com o crédito pleiteado, como por exemplo : Contas 550530 (alugueis)(fl. 1.525), 510810 (degustação/abordagem) (fl. 1.556), 510735 (quilometragem)(fl. 1.557), 510737 (gastos com automóveis e caminhões)(fl. 1.558), 530538 (Anuidades a entidades)(fl. 1.566) e outras mais. Assim sendo, com os razões apresentados não há elementos suficientes para esclarecer à duvida levantada pelos julgadores. 2A empresa afirmou à fl. 898 que a DERAT em seu despacho decisório somente considerou as aquisições de MP, PI e ME realizadas pelos estabelecimentos industriais registradas nos livros RAIPI de fls. 77/618 e não considerou os insumos adquiridos pelos estabelecimentos comerciais da requerente os quais foram transferidos para os estabelecimentos industriais e registradas nos livros RAIPI com os códigos 1.21 e 2.21. Desse modo, a empresa foi intimada a informar o montante transferido por cada filial comercial e a apresentar a escrituração dessas transferências e das aquisições de MI, PI e ME. A empresa protocolou expediente (item 2) no qual informa da apresentação de janeiro a março". Em 23122.011 (fl. 1.710), apresentou planilhas eletrônicas em formato excel contendo os registros fiscais das transferências recebidas por cada filial com os códigos CFOPs 1.21 e 2.21 (fl. 1.716). Fl. 2072DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13804.002403/200250 Acórdão n.º 3302003.093 S3C3T2 Fl. 2.071 5 Ocorre que os razões analíticos apresentados nenhum deles registra as aquisições de MP, PI e ME como também não correspondem aos registros contábeis das transferências realizadas entre as filiais (CFOPs 1.21 e 2.21). Pelas planilhas eletrônicas em formato excel constatase que as transferências das filiais comerciais da BR FOODs para as filiais industriais e por estas registradas com o código 2.21 atingiram ao montante de R$ 121.034.590,61 e com o código 1.21 R$ 348.329.958,40, totalizando R$ 469.364.549,01, valor superior a verba de R$ 419.634.428,51 referente ao consumo de MP, PI e ME que compôs a base de cálculo do crédito pleiteado. 3 À fls. 899/901, a BR FOODS diz que a alegação da DERAT de que considerou os gastos totais de energia e de combustíveis no cálculo do crédito presumido não procede. Diz ainda, que os valores da energia utilizados no cálculo do crédito pleiteado são os registrados na conta 440040 e referem se apenas à aquisição de energia utilizada no processo produtivo. Já os valores de aquisição dos combustíveis utilizados no processo produtivo estão registrados nas contas 450200, 450201, 450202, 450203 e 450205. Desse modo, a BRASIL FOODS foi intimada a apresentar o razão contábil mensal de todas as contas nas quais a energia e os combustíveis utilizados ou não no processo produtivo foram registrados. A empresa no item 3 do documento informa que está apresentando cópia do razão contábil das contas que menciona. Os movimentos registrados na conta de aquisição da energia utilizada no processo produtivo 440040, subcontas 0201 a 0735 (fls. 1.511 a 1.519, 1.580 a 1.587 e 1.643 a 1.650), foram de R$ 2.342.941,91 em janeiro, R$ 2.722.577,32 em fevereiro e R$ 2.815.525,39 em março os quais coincidem com o saldo do balancete analítico de f1. 785 de R$ 7.881.044,62 porém divergente do valor apresentado na planilha de fl. 924. O razão das contas de aquisição da energia utilizada fora do processo produtivo encontramse à fls. 1.520, 1.523, 1.524, 1.589, 1.591, 1.592, 1.651, 1.654 e 1.656. Os movimentos registrados nas contas de aquisição dos combustíveis utilizados no processo produtivo 450200, subcontas 0201 a 0701 (fls. 1.526 a 1.534), 450201, subcontas 0201 a 0721 (fls. 1.534 a 1.538), 450202, subcontas 0201 a 0730 (fls. 1.538 a 1.543), 450203, subcontas 0201 a 0701 (fls. 1.543) e 450205, subcontas 0205 a 1001 (fls. 1.552 a 1.554), também coincidem o saldo do balancete analítico de fls. 745, 765 e 785 que foi de R$ 1.232.434,03 em janeiro, R$ 1.236.593,18 em fevereiro e R$ 1.356.037,56 em março. Fl. 2073DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 4 À fls. 901/902, a BR FOODS diz que "os serviços de industrialização eram registrados de duas maneiras distintas, parte destes serviços eram registrados na conta 460616". Porém, outra parcela de serviços de industrialização transitavam pelo estoque e não eram lançados na conta 460616. Para obter esses valores era necessário considerar as entradas ocorridas com CFOPs 113 e 213 registrados nos livros fiscais". Diz mais abaixo, no inciso (B), que "esses valores (serviços de industrialização) eram lançados contra o estoque de produtos e entrava no custo de estoque. Desta forma, quando vendidos, eram baixados em conta diversa daquela de serviços de industrialização. Assim sendo, a BR FOODS foi intimada a apresentar o razão da conta contábil 460616 e, ainda, a apresentação dos razões das contas contábeis de estoque de produtos contra as quais o valor dos serviços de industrialização por encomenda foram lançados e, também, da conta contábil para qual esses serviços foram lançados quando da venda dos produtos. Por fim, a empresa foi intimada a apresentar planilha por filial e por CFOP de cada serviço adquirido (CFOPs 113 e 213) . Pelo expediente (item 4) , a empresa informa da apresentação de cópia do razão contábil da conta 460616 e nele está registrado que em janeiro, a conta movimentou R$ 1.048.541,20, em fevereiro R$ 1.291.770,60 e em março R$ 1.274.065,35 (fls. 1.579, 1.642 e 1.708) conforme balanço analítico de fls. 746 verso, 766 v e 786 v. O razão da outra parcela de serviços de industrialização que transitava pelo estoque e não pela conta 460616 não foi apresentado. Nas planilhas eletrônicas em formato excel contendo os registros fiscais das entradas recebidas por cada filial com os códigos CFOPs 1.13 e 2.13, os registros atingem a R$ 4.638.119,35 e R$ 547.587,96, respectivamente, totalizando R$ 5.185.707,31 divergindo frontalmente da informação prestada pela empresa à f1. 902 da manifestação de inconformidade na qual o montante das entradas com os códigos CFOPs 1.13 e 2.13 que compuseram a base de cálculo do credito presumido foi de R$ 3.462.377,15.”. Após intimida do resultado da referida diligência, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls.1.871/1.872, conforme excertos do relatório da decisão de piso: “A empresa fiscalizada cumpre rigorosamente com todas as suas obrigações fiscais e contábeis, entre elas a apuração de tributos, pagamentos, aplicabilidade da legislação vigente, entrega de declarações (DACON, ÒCTF, GIAS, SPED, SINTEGRAS), lançamentos contábeis, entre outros. Atualmente, a empresa concentra também esforços das equipes contábeis, fiscais e de Tl no desenvolvimento e finalização dos arquivos magnéticos para o cumprimento do SPED Pis Cofins, o que vem demandando uma nova parametrização de todo o sistema fiscal e contábil, e Fl. 2074DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13804.002403/200250 Acórdão n.º 3302003.093 S3C3T2 Fl. 2.072 7 outras alterações trazidas pelas mudanças constantes da legislação tributária. Como é de conhecimento desta Digna Delegacia da Receita Federal do Brasil, a BRF Brasil Foods S.A. possui estabelecimentos filiais nos diversos Estados brasileiros, e o Fisco, para confirmação dos procedimentos tributários adotados pela empresa^ emitem inúmeros processos fiscalizatórios. Neste ínterim, as fiscalizações originamse desta DRFB, de outras DRFB, seja de jurisdição dos estabelecimentos filiais, seja da de grande contribuinte, bem como das inúmeras Secretarias de Fazenda Estadual, Municipal, órgãos ambientais e etc. . Por fim destacase que as inúmeras fiscalizações "concorrem" entre si no atendimento, pois se referem a empresas diversas, períodos diversos, naturezas diversas, sem contar com os esclarecimentos que vem sendo solicitados no decorrer de cada fiscalização. Diante do exposto, a Companhia vem demonstrar que está empenhada em atender a todos os itens solicitados, porém, para que este atendimento não seja passível de erros, REQUERER que lhe seja concedida prorrogação de prazo, em adicionais 20 (vinte) dias, tudo no intuito de melhor atender a fiscalização. Por fim, a empresa reafirma seu compromisso dé se manter a disposição dessa digna fiscalização para apresentar e/ou fornecer quaisquer outras informações complementares e/ou necessárias ao bom e fiel desenvolvimento do presente trabalho.”(sic). Nada mais tendo sido argüido ou juntado pela interessada, até a presente data, o processo seguiu para julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Operação que resulta em produto nãotributável, não é considerada operação industrial, não fazendo jus ao crédito presumido de IPI. Fl. 2075DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, contudo, se, independentemente do prazo corrido, o Despacho Decisório homologa a compensação em questão, não há débito em litígio, nem novo valor creditório do contribuinte a ser considerado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator/vencedor. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta em 01/02/2013, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls.1.904/1.912 e documentos de fls. 1.913/1.967 se insurgindo quanto às seguintes questões: a) direito ao crédito presumido calculado sobre os insumos adquiridos de não contribuintes; direito ao crédito presumido na exportação de produto não tributado e direito ao crédito referente aos valores dos fretes sobre insumos. O recurso voluntário não foi conhecido pelo colegiado da 2ªTO/3ªC/3ªSJ/CARF na sessão do dia 23/07/2014, nos termos do Acórdão nº 3302002.650 por ter sido considerado intempestivo. A empresa interessada tomou ciência da referida decisão no dia 15/09/2014 e, tempestivamente, apresentou Embargos de Declaração no dia 22/09/2014 alegando a existência de obscuridade no julgado e solicitando a devolução dos autos à unidade de origem para averiguar a data que atestaria a tempestividade do recurso aposta no Aviso de Recebimento. Nos termos do Despacho nº 3302129, de 28/11/2014, fls.2.049/2,050 foi solicitada diligência para que a ARFItajaíSC informasse e comprovasse a data em que a embargante tomou ciência da decisão da DRJ. Através do Despacho de fls. 2.052 a unidade de origem assim se pronunciou: Considerando que o AR juntado as fls. 1.902 e 1.903, foi assinado pela funcionária do protocolo da ARF/ITAJAI, e que não há outra prova de ciência do Acórdão proferido pela DRJ/RPO, devemos considerar como ciência a data do protocolo do Recurso Voluntário, no presente caso, a data da postagem, 29/01/2013. Esclarecida a questão após o pedido de diligência, os embargos foram acolhidos conforme Despacho de Admissibilidade de 29/05/2015, fls.2057/2058 do Presidente da 2ªTO/3ªC/3ªSJ/CARF. Quando da sustentação oral, entre os argumentos apresentados da tribuna, arguiu o Patrono acerca dos créditos objeto da homologação tácita, reconhecida nos termos da decisão de piso. Fl. 2076DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13804.002403/200250 Acórdão n.º 3302003.093 S3C3T2 Fl. 2.073 9 Na oportunidade restou esclarecido pelo relator que a homologação tácita reconhecida em sede de primeira instância não fazia parte da lide em sede recursal, sendo definitiva a homologação reconhecida pela decisão de piso. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. As matérias a seguir analisadas dizem respeito à sistemática de cálculo quanto ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996 e à sistemática alternativa de cálculo do crédito presumido do IPI, prevista na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001. Nesta sistemática alternativa, diferentemente da ordinária, permitese incluir no cálculo do crédito presumido os custos de energia elétrica e combustíveis utilizados no processo industrial e sobre o valor pago pela prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. Cabe destacar inicialmente o seguinte excerto da decisão de piso: De plano, constato que da diligência, em última análise realizada em prol dos argumentos da defesa, nada resultou (vide relatório supra) que pudesse alterar o cálculo do crédito presumido, conforme apurado pela fiscalização. Delimitado o arcabouço legal examinase a seguir as matérias expressamente apontadas na peça recursal. Analisase a seguir as matérias suscitadas na peça recursal. Da Aquisições de Insumos de Pessoas Físicas e Cooperativas Quanto à matéria em debate, o Superior Tribunal de Justiça já se posicionou na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados recursos representativos da controvérsia. Considerando que as referidas decisões do Egrégio Superior Tribunal de Justiça devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força do artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, colacionase, nos termos Fl. 2077DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 em que ementado o REsp 993164 MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010: EMENTA 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." Fl. 2078DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13804.002403/200250 Acórdão n.º 3302003.093 S3C3T2 Fl. 2.074 11 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade. [...] 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS.(grifei). Ressalvese que embora o presente processo trate de crédito presumido apurado pelo regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276, de 2001 e não da hipótese prevista na Lei nº 9.363, de 1996, percebese que é plausível o mesmo entendimento do STJ exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG uma vez que não há impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas na referida Lei nº 10.276, de 2001. Nesse sentido já decidiu o STJ, REsp 1313043 /RS, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n. 993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação.(grifei). 2. O tema da correção monetária dos créditos escriturais de IPI é matéria sumulada neste STJ (Súmula 411/STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição Fl. 2079DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco") e já foi objeto de julgamento pela sistemática para recursos repetitivos prevista no artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. Nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 3. Consoante precedente julgado em sede de Recurso Representativo da Controvérsia (REsp. n. 1.138.206/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os pedidos protocolados antes de sua vigência. Sendo assim, o Fisco deve ser considerado em mora somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente provido. Diante do exposto, dáse provimento ao Recurso Voluntário quanto a essa matéria. Do crédito presumido na exportação de produto não tributado Quanto à matéria em tela, destaca o Despacho Decisório: Verificamos que, dentre as exportações listadas pelo contribuinte para fins de obtenção de crédito presumido, encontramse operações de venda para o exterior de mercadorias não tributadas (NT) pelo IPI, fora do campo de incidência e não passível de obtenção de créditos desse imposto. Estando referida matéria recém decidida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão nº 9303003.337, de 10/12/15, nos termos a seguir transcritos: A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate cingese à controvérsia a respeito do direito ao crédito presumido de IPI nas exportações de produtos (Café cru não descafeinado em grão), anotado na TIPI como NT. Esta questão, envolvendo o direito de crédito presumido de IPI, no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. Na Câmara Superior de Recursos Fiscais ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição da Turma. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tão somente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não Fl. 2080DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13804.002403/200250 Acórdão n.º 3302003.093 S3C3T2 Fl. 2.075 13 são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. De fato, as sociedades empresárias que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Assim, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que, assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo, podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória (MP nº 1.50816), consistente em incluirse no campo de incidência do IPI os galináceos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos criadores e exportadores de frangos, que não tinham direito à crédito quando tais produtos eram NT e passaram a usufruir do benefício com a mudança para a alíquota zero. Fl. 2081DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 14 Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos constante da TIPI como NT não geram crédito presumido de IPI.(grifei). Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional.(grifos do original). No mesmo sentido dispõe a Súmula CARF n° 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Inferese portanto que a exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. Ante os fundamentos acima negase provimento ao Recurso Voluntário no tocante à matéria acima fundamentada. Do crédito referente aos valores dos fretes sobre insumos. Insurgese a Recorrente quanto ao cálculo efetuado referente ao valor das compras de MP/PI/ME no mercado interno no 1° trimestre/2002, conforme demonstrado na tabela 03 do Despacho Decisório, 920/973 pela exclusão dos [...valores relativos ao frete pagos na aquisição dos insumos, contabilizado na conta de matériasprimas que, conforme consta da planilha de fls. 674, perfaz o montante de R$ 12.959.636,93.], invocando o art. 18 da Instrução Normativa SRF nº 69, de 2001: Art. 18. Para efeito do cálculo do crédito presumido, o ICMS não será excluído dos custos das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem, da energia elétrica e dos combustíveis, bem assim os valores do frete e seguro, desde que cobrados ao adquirente.(grifei). Observese do regramento disposto no 1art. 2° da Lei n° 9.363, de 1996 que não basta a mera aquisição de prestação de serviço de transporte visto não se tratar exatamente de aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para ser utilizado no processo produtivo. No presente caso, embora expresse o montante que entende cabível, a Recorrente não referenciou nos autos as notas fiscais de aquisição que dariam suporte à sua pretensão. Nesse sentido há decisões desse E. Conselho, a exemplo do Acórdão nº 3101 001.658, de 28/05/2014, ementado a seguir na parte de interesse: DESPESAS COM FRETES. Não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI as despesas com fretes que caracterizam mera prestação de serviços. 1 Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Fl. 2082DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13804.002403/200250 Acórdão n.º 3302003.093 S3C3T2 Fl. 2.076 15 Ante o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao crédito presumido relativo às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 2083DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 15983.000160/2010-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
NORMAS GERAIS. AÇÃO JUDICIAL. EXISTÊNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA, RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Como demonstrado no presente caso, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 2301-004.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: José Manuel Brito. OAB: 130.113/RJ.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, BRUNO RODRIGUES PENA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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AÇÃO JUDICIAL. EXISTÊNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA, RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Como demonstrado no presente caso, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: José Manuel Brito. OAB: 130.113/RJ. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 01 60 /2 01 0- 90 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, BRUNO RODRIGUES PENA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15983.000160/201090 Acórdão n.º 2301004.332 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), 0213, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÃO A SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. LANÇAMENTO. A remuneração paga, creditada ou devida aos segurados empregados e contribuintes individuais integra o salário de contribuição. Pelo que a empresa está obrigada ao recolhimento das contribuições previdenciárias sobre ela incidentes, na forma e no prazo estabelecidos em lei, sob pena de lançamento.Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido I Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 067, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), elaboradas pela recorrente, com informação de FPAS 639, apesar de já ter sido lavrado processo de Ato Cancelatório de Isenção, processo 35432.000910/200691. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 10/04/2010 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 01 Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0135, onde alegou, em síntese: 1. Além do consagrado direito adquirido, com decisões judiciais favoráveis (TRF1, Proc. 2004.34.00.023016 8), não pairam dúvidas que o impugnante cumpre todas as determinações para usufruto da imunidade; Fl. 305DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 2. O Supremo Tribunal Federal STF, na ADIN 2.028/DF, entendeu que, para efeito da imunidade prevista no § 7° do art. 195 da CF, estão compreendidos os serviços de saúde e educação; 3. A questão foi pacificada com a instituição do Programa Universidade para Todos PROUNI, conforme Medida Provisória n° 213, convertida na Lei n° 11.096/2005; 4. Possui Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, deferido em janeiro de 2008, na forma da Resolução n° 07/2008; 5. Com a publicação da Medida Provisória MP n° 446, de 10/11/2008, os recursos interpostos em razão de pedidos de renovação indeferidos, são automaticamente deferidos, sendo totalmente insubsistente a autuação por perda do reconhecimento como entidade beneficente de assistência social; 6. Embora essa MP tenha sido rejeitada, o fato é que durante a sua vigência foram editadas as Resoluções n° 3, 7 e 11, que resultou no Parecer n° 0192/2009, que concluiu que os atos praticados nessa vigência produziram efeitos, restando clara a manutenção do deferimento dos certificados do CNAS, com efeito, o presente Auto de Infração não pode ser oponível à Impugnante; 7. A fiscalização deveria analisar a situação sob a égide da Lei n° 12.101, mediante aplicação do art. 29, ante a flagrante isenção; 8. O presente não poderia ter sido lavrado, uma vez que o recurso apresentado em face do Ato Cancelatório n° 21.033/01/2006, possui efeito suspensivo; e 9. Protesta, finalmente, pela produção de provas e juntada de novos documentos. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0223, acompanhado de anexos, onde alega as razões já expressas na sua impugnação. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. Já no Conselho, o contribuinte protocolou petição, onde alega: 1. Há processo, no Supremo Tribunal Federal 9STF), em que se dicute a repercussão geral sobre o tema, motivo para sobrestamento do processo; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15983.000160/201090 Acórdão n.º 2301004.332 S2C3T1 Fl. 4 5 2. Sobreveio em relação a sentença proferida nos autos do processo 2004.34.00.0230168/DF, o acórdão em anexo, solidificando o direito adquirido à isenção da recorrente nos moldes do parágrafo primeiro do artigo 55 da lei 8.212/91; 3. Por fim., solicita o sobrestamento e/ou provimento de seu recurso. É o Relatório. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso quanto a tempestividade e passo à análise dos demais requisitos obrigatórios para o conhecimento do recurso. Nesse sentido, há questão a ser analisada. Verificando os autos, encontramos petição da contribuinte, que afirma, de forma literal, que há discussão judicial (2004.34.00.0230168/DF) sobre a única matéria constante em suas alegações: a contribuinte possui, ou não, direito á isenção. Na análise da decisão proferida, precária, pois recorrível, há, no relatório, o cerne do pleito: "Cuidam os autos de remessa oficial e apelações interpostas por Sociedade Visconde de São Leopoldo e pelo INSS, em face da sentença de fls. 8284, proferida pelo Juizo da 7" Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal. Em referida peça decisória, o Magistrado a quo julgou procedente a pretensão vestibular, declarando a isenção da sociedade autora em relação ao recolhimento de contribuição previdenciária, independentemente do cumprimento dos requisitos previstos em lei posterior ao DecretoLei 1.572/77. Em suas razões (fls. 8794), a sociedade apelante sustenta, basicamente, a necessidade de reforma dos honorários advocatícios que entende terem sido arbitrados em valores infimos. Agravo retido do INSS às fls. 9799, requerendo a redução do valor da causa para R$1.000,00 (mil reais), eis que atribuido de modo exorbitante e aleatório na peça vestibular. Por sua vez, em sua apelação (fls. 101123), o INSS alega, basicamente, o seguinte: a) preliminarmente, requer a apreciação do agravo retido interposto; b) no cerne, a constitucionalidade da legislação que prevê os requisitos necessários à fruição da imunidade prevista no artigo 195, S 7°, da Constituição Federal; c) a sociedade autora deixou de atender às condições necessárias para continuar com o CEBAS, deixando de atender aos requisitos de fruição da imunidade; d) obrigatoriedade do cumprimento das obrigações acessórias por entidades que gozem de isenção ou imunidade; e) incompatibilidade do direito adquirido à isenção, em face da nova ordem constitucional e ao regime juridico." Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15983.000160/201090 Acórdão n.º 2301004.332 S2C3T1 Fl. 5 7 Ora, como está claro, há identidade de objetos, na esfera administrativa e na judicial. Nesse sentido, há Súmula do CARF, de aplicação obrigatória: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, como determinado na Súmula, voto em não conhecer do recurso. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10494.001457/2005-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. DIREITO
O direito de impor penalidade extingue-se em cinco anos contados da data em que ocorreram as infrações correspondentes.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-01.223
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. DIREITO O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos contados da data em que ocorreram as infrações correspondentes. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 21/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 002/005, Relatório Fiscal de fls. 202/247, para exigência de multa prevista no art. 13, I da Lei n.º 9.449/97, por descumprimento das condições previstas no Programa do Regime Fl. 351DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Automotivo firmado entre a interessada a e União Federal, no valor de R$ 4.062.664,78. Assim descreveu a fiscalização, em síntese: O objetivo dessa fiscalização foi verificar um dos vários compromissos assumidos pela sociedade empresária, quando da assinatura dos termos de aprovação 026/96 e 026/I/97 (aditivo), aceitos pelo Ministério da Indústria, Comércio e Turismo, por meio dos Certificados de Habilitação ao Regime Automotivo MICT/SPI/Nº 026/96, MICT/SPI/Nº 026/I/97, MICT/SPI/Nº 026/II/98, fls. 169/176. O compromisso verificado diz respeito ao artigo 2º, inciso II, da Lei nº 9.449/97, bem como ao artigo 6º do Decreto nº 2.072/96. Resumidamente, estes artigos relacionamse ao compromisso, por parte da sociedade empresária FRAS LE, em, para cada 1 (um) dólar de bens de capital importado, com redução de imposto de importação, de adquirir 1,5 (um vírgula cinco) dólar de bens de capital produzidos no Brasil (fabricação própria + fabricação de terceiros). O ano fiscalizado foi de 1999. A sociedade empresária FRASLE não conseguiu cumprir seu compromisso no ano de 1999. Para cada 1 (um) dólar de bens de capital importado, com redução de imposto, a FRASLE adquiriu 0,44 dólar de bens de capital produzidos no Brasil (fabricação própria + fabricação de terceiros). O principal motivo da autuação foi que, na comprovação dos bens de capital produzidos no Brasil, foram glosados valores não compreendidos no conceito de bens de capital, expresso no art. 2º, inciso I, do Decreto nº 2.072/96, como reformas, retíficas, alterações, serviços de infraestrutura, instalações, modificações, etc. Cientificada da presente exação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 252/267, acompanhada dos documentos de fls. 268/299, alegando, em síntese: A multa aplicada, sob o suposto descumprimento por parte da impugnante dos critérios estabelecidos pelo chamado Regime Automotivo, não se sustenta, caso bem aplicada à lei e bem analisada a situação fática. Ou seja, o critério utilizado pela fiscalização para desconsiderar aquisições de bens de capital no mercado nacional, tanto de terceiros como de fabricação própria, não encontra respaldo na lei e no decreto. Porém, e antes mesmo de ser demonstrada a falta de suporte fático legal à aplicação da multa contida no presente auto de infração, necessário demonstrar que a pretensão aqui deduzida encontrase fulminada pela prescrição, o que conduz ao integral cancelamento do auto de infração e da multa aplicada. É preciso saber a natureza da multa aplicada em face do suposto descumprimento da Lei nº 9.449/97 e Decreto nº 2.072/96 para depois verificar qual a legislação a ser usada. A multa em questão tem caráter administrativo, pois está fundada em suposta violação de lei e decreto afeto à Administração Pública, portanto sobre ela deve ser aplicada as leis e regulamentos no âmbito do Direito Administrativo, inclusive no que diz respeito à fiscalização. A Lei a ser aplicada é a de nº 9.873/99, art. 1º. Uma vez que os fatos ocorreram em 1999, o prazo de cinco anos se deu em 31 de dezembro de 2004, ou seja, quase um ano antes da lavratura do auto de infração em questão. Não existe bens de capital lançados em duplicidade. Fl. 352DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10494.001457/200501 Acórdão n.º 310201.223 S3C1T2 Fl. 2 3 As comprovações não aceitas pela fiscalização sob o argumento de que “custo de infraestrutura de instalação” não se enquadram no conceito da lei, necessário referir e demonstrar que os referidos custos são compostos de equipamentos adquiridos no mercado interno ou produzidos pela impugnante. Não se trata de interpretação da lei, como faz crer a fiscalização, mas simplesmente interpretar o que de fato determina a lei, ou seja, de que bens de capital são máquinas, equipamentos, inclusive de testes, ferramental, moldes e modelos para moldes, instrumentos e aparelhos industriais e de controle de qualidade, novos, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes e peças de reposição, utilizados no processo produtivo e incorporados ao ativo permanente. Conforme estabelece o Decreto nº 2.072/96, bens de capital abrange não só as máquinas e equipamentos como também seus respectivos acessórios, mais ainda quando estes são indispensáveis para o funcionamento e cumprimento de regulamentos de segurança. Em resumo, e se fosse possível transpor a prescrição da pretensão punitiva, merece o auto de infração ser revisado, para ao final ser totalmente cancelado, e especial no que dis respeito: BENS DE CAPITAL INFORMADOS EM DUPLICIDADE para que, com base nos lançamentos efetuados pela impugnante, em confronto com as notas fiscais e as ordens de serviços respectivas, seja confirmada a inexistência de lançamentos em duplicidade; COMPROVAÇÕES COM ORIGEM DE TERCEIROS para que seja reanalisado o critério legal, a fim de bem aplicar a lei e o decreto, considerando como bens de capital acessórios e demais peças aplicadas sobre os equipamentos, os quais apresentamse indispensáveis para o seus funcionamento e o cumprimento de regulamentos de segurança; ainda neste item, que sejam admitidas as licenças de uso de máquinas e equipamentos, na medida em que são indispensáveis para a sua utilização e compõem o preço do produto adquirido; COMPROVAÇÕES COM ORIGEM NA PRÓPRIA FRASLE para que sejam admitidos os denominados “custos de infraestrutura” na medida em que nada mais são do que partes e acessórios fabricados ou adquiridos pela impugnante para possibilitar o funcionamento das máquinas e equipamentos. Por todo o exposto, requer o cancelamento integral do presente auto de infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 REGIME AUTOMOTIVO. A Lei que concede benefício deve ser interpretada literalmente, de modo a afastar, no momento de sua aplicação, tratamentos restritivos ou extensivos de seus efeitos. BENS DE CAPITAL. CONCEITO. Fl. 353DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 A definição de “Bens de Capital” estabelecida pelo inciso I do art. 2º do Decreto 2.072/96 se refere unicamente a bens corpóreos (máquinas, ferramental, moldes, etc.), de existência concreta, finita, concluída e não a valores referentes a reformas, retíficas, alterações, serviços de infraestrutura, instalações, modificações, etc. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA PROPORÇÃO ESTABELECIDA NO ART. 6º DO DECRETO Nº 2.072/96. O descumprimento das condições avençadas no regime automotivo quanto ao compromisso de, para cada 1 (um) dólar de bens de capital importado, com redução de imposto de importação, de adquirir 1,5 (um vírgula cinco) dólar de bens de capital produzidos no Brasil (fabricação própria + fabricação de terceiros) acarreta a exigência da multa prevista no art. 13, I da Lei nº 9.449/97. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 DECADÊNCIA. A contagem do prazo decadencial para aplicação das penalidades por descumprimento das proporções previstas no regime automotivo se inicia no momento da consumação da infração — término do prazo para apresentação do relatório anual — (DL 37/1966, artigo 139). Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Discutese nos autos preliminar de decadência do direito da Fazenda de constituir o crédito tributário exigido. Há divergência entre as partes no tocante à legislação que deve ser aplicada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entende que a interpretação deve se dar à luz das disposições contidas no Decretolei nº 37/66, enquanto a recorrente advoga com base nas disposições contidas na Lei 9.873/99. A despeito das consistentes considerações trazidas aos autos com vistas à demonstração do acerto de um e de outro na escolha do diploma legal que deve ser considerado para fins de contagem do prazo decadencial, considero, data máxima vênia, desnecessária qualquer incursão por este caminho, uma vez que as próprias anotações presentes no voto condutor da decisão recorrida são suficientes para elucidação do caso, se não vejamos. Portanto, a legislação a ser aplicada ao caso em tela, com relação a Decadência/Prescrição é àquela prevista no Código Tributário Nacional e no DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Código Tributário Nacional Fl. 354DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10494.001457/200501 Acórdão n.º 310201.223 S3C1T2 Fl. 3 5 Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art. 174 A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva. DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contar seá o prazo a partir do pagamento efetuado. Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Art.140 Prescreve em 5 (cinco) anos, a contar de sua constituição definitiva, a cobrança do crédito tributário. Consta do “Termo de Aprovação Nº 026/96” (fls. 169/170), cláusulas primeira e sexta, que o programa aprovado possuiria vigência até 31/12/1999 e a beneficiária comprometeuse a apresentar relatórios trimestrais e um anual consolidado. Assim, considerando o período de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 1999 em que a contribuinte foi beneficiada pelo regime automotivo, com redução de 90% do Imposto de Importação, o direito da Fazenda Pública impor penalidade começa a contar a partir do primeiro dia do ano seguinte da data da infração. No caso, iniciou se a contagem em 01/01/2001 e cessou em 31/12/2005. Como a ciência do auto de infração se deu em 19/12/2005, não decaiu o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Como fica claro da leitura das disposições contidas no Decretolei 37/66, base legal que sustentou a decisão tomada em primeira instância, tal como transcrito no voto acima reproduzido, o direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, extinguindose no mesmo prazo o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Ora, se o direito de impor penalidade se extingue no mesmo prazo em que se extingue o direito de exigir tributo, portanto, em cinco anos, contados esse da data da infração, então não vejo como prosperar o entendimento anotado no último parágrafo acima transcrito de que este teria cessado em 31/12/2005. Fl. 355DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Se é incontroverso que as infrações ocorreram no período entre 01 de janeiro de e 31 de dezembro de 1999, período no qual o contribuinte aproveitou as reduções previstas no Regime Automotivo e no qual deveria ter observado a proporção determinada de, para cada um dólar de bens de capital importado com redução de Imposto, adquirir um vírgula cinco dólar de bens de capital produzidos no Brasil, então, em obediência à expressa disposição contida na legislação aplicada pela própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o direito de impor penalidade extinguese em cinco anos contados dessa data, a da ocorrência das infrações, ano de 1999. O cálculo, sem dúvida, determina que o prazo se encerra ao longo do ano de 2004, em torno de um ano antes da lavratura do auto de infração. Pelo exposto, VOTO POR DAR integral provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente, para considerar decaído o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário consignado no auto de infração objeto da presente lide. Sala de Sessões, 06 de outubro de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 356DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.005041/2002-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/07/1997
Ementa:
AUSÊNCIA DE REQUISITO. NÃO CABIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
A omissão sustentada pela Embargante como motivadora dos presentes embargos não se justifica, eis que o esclarecimento apontado como omisso encontra-se presente no acórdão. Logo, os embargos devem ser rejeitados.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 9303-003.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto da Relatora.
Carlos Alberto Torres Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1996 a 31/07/1997 Ementa: AUSÊNCIA DE REQUISITO. NÃO CABIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. A omissão sustentada pela Embargante como motivadora dos presentes embargos não se justifica, eis que o esclarecimento apontado como omisso encontra-se presente no acórdão. Logo, os embargos devem ser rejeitados. Embargos Rejeitados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto Torres Barreto - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 31/07/1997 Ementa: AUSÊNCIA DE REQUISITO. NÃO CABIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. A omissão sustentada pela Embargante como motivadora dos presentes embargos não se justifica, eis que o esclarecimento apontado como omisso encontrase presente no acórdão. Logo, os embargos devem ser rejeitados. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto Torres Barreto Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 50 41 /2 00 2- 58 Fl. 612DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.005041/200258 Acórdão n.º 9303003.100 CSRFT3 Fl. 613 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de nº 0203257, prolatado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo a exclusão da multa de ofício, por entender que o contribuinte estava protegido por medida liminar quando da autuação fiscal. Aduz a Embargante, a justificar o cabimento de seus embargos, que o referido acórdão incorre em omissão por manter a decisão recorrida em razão de medida liminar sem, contudo, examinar os efeitos dela decorrentes. Em despacho de fls. 600/601, o ilustre Presidente Substituto da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Dr. Caio Marcos Candido, entendeu por acolher os Embargos de Declaração pelos seguintes fundamentos: Conforme se verifica, o fundamento utilizado pela Câmara Superior para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, consequentemente, manter o cancelamento da multa de oficio, foi diferente do fundamento utilizado pela Câmara Baixa. Esta se fundamentou no fato de o sujeito passivo ter aderido ao REFIS, o que implicou na suspensão da exigibilidade do crédito tributário, tese não aceita pelo condutor do voto na Câmara Superior. A referida liminar fls. 61/62 foi deferida em 06/08/1997, com efeitos até a decisão final, para afastar o recolhimento do IPI à alíquota de 12,0 % sobre o papel higiênico fabricado e vendido pelo sujeito passivo. Contudo o crédito tributário em discussão abrangeu o período de competência de 01/11/1996 a 31/07/1997, anterior à data da concessão da liminar. O Regimento Interno do CARF, assim dispõe quanto aos embargos de declaração: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (...) III pelo Procurador da Fazenda Nacional; (...) § 3° O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário. (...)” Fl. 613DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.005041/200258 Acórdão n.º 9303003.100 CSRFT3 Fl. 614 3 No presente caso, tendo a Câmara Superior adotado fundamento diferente do adotado na Câmara Baixa, ou seja, a concessão de liminar em mandado de segurança, e não tendo examinado seu conteúdo e se pronunciado sobre seus efeitos, ficou caracterizada a omissão suscitada pela embargante. Em face do exposto e com fundamento no art. 65 do CARF, citado e transcrito anteriormente, acolho os embargos de declaração. Encaminhese à Secretaria da 3 8 Turma da CSRF para que o processo seja sorteado e distribuído para novo Relator para que se pronuncie sobre a omissão suscitada e submeta sua decisão ao plenária da turma. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Com devida vênia ao entendimento do ilustre Presidente, a meu ver, não há omissão a justificar o cabimento dos embargos de declaração ora em exame. A omissão sustentada pelo Procuradoria da Fazenda Nacional como ensejadora dos presentes embargos consiste no fato de ter sido mantida a decisão recorrida em razão de medida liminar (portanto por fundamento diverso), sem, contudo, a seu ver, ter sido examinado os efeitos dela decorrentes pelo Conselheiro Relator e por conseguinte pela turma julgadora. Porem, como se verifica do acórdão ora embargado, o relator em seu voto, não obstante discordar da razão de decidir do relator do recurso voluntário, destaca que o próprio relator do recurso voluntário também acolhia o entendimento que o crédito tributário estava suspenso à época da autuação fiscal em razão da medida liminar concedida. Vejase o acórdão embargado: “(...) Com efeito, conforme reconhecido pelo D. Conselheiro Relator no acórdão recorrido, o crédito tributário estava com sua exigibilidade suspensa no momento da entrega da Declaração REFIS, tendo em vista a concessão de medida liminar nos autos do Mandado de Segurança.” Tal afirmação a meu ver é suficiente para justificar o não acolhimento dos embargos de declaração em exame. Todavia, não é por demais demonstrar que o relator do recurso voluntário ao se manifestar em seu voto pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da medida liminar obtida pelo contribuinte, especialmente em relação ao período anterior a referida concessão, fundamentou seu posicionamento da seguinte forma às fls. 541/542 dos autos: Enfim, apesar de não concordar com os argumentos da Recorrente, entendo que o deferimento da aludida liminar implicou sim na suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face dos períodos de apuração anteriores à data em foi expedida (aqui em discussão), por força simplesmente do conteúdo do pedido preventivo formulado pela Recorrente: a) conceder medida liminar, "inaudita altera pars", que afaste quaisquer medidas coercitivas do Fisco, advindas do não recolhimento do IPI incidente na produção do 'papel higiênico", em face da inconstitucionalidade da alíquota fixada Fl. 614DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.005041/200258 Acórdão n.º 9303003.100 CSRFT3 Fl. 615 4 na Tabela de Incidência do I.P.I, aprovada pelo Decretolei n° 1.199, de 27 de dezembro de 1971 (realcei); Pedido esse que mereceu o seguinte acolhimento pelo judiciário: Sob estes enfoques, DEFIRO liminar, com efeitos até a decisão final, para afastar o recolhimento do IPI sob a alíquota de 12% na produção do "papel higiênico% fixada na Tabele de Incidência do IPI, aprovada sob desígnio do DL 1.199, 1971; Dessa forma, ao se reportar ao voto do relator do recurso voluntário, entendo que restaram examinadas pelo acórdão embargado todos os efeitos da medida liminar suscitados pela Embargante. Em face do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional. É como voto. Nanci Gama Fl. 615DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13805.002535/97-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de Cofins lavrado com a exigibilidade suspensa em face de decisão judicial que autorizou a compensação de créditos de Finsocial com débitos de Cofins. Além da contribuição, foi efetuado o lançamento da multa de ofício. Impugnado o lançamento, a DRJ em São Paulo SP julgou definitivamente constituído o crédito tributário principal e sobrestou o julgamento do lançamento da multa de ofício, nos termos da Decisão DRJ/SP nº 014147/9711.2914, de 07/10/1997. Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13805.002535/9715 Resolução n.º 330200.178 S3C3T2 Fl. 1.240 2 Transitado em julgado a decisão judicial, a Derat/SP emitiu o Despacho Decisório de fls. 1.136/1.141, no qual apura que o crédito comprovado a que a recorrente tem direito é insuficiente para compensar os débitos objeto do lançamento. A recorrente deixou de apresentar os DARF de recolhimento do Finsocial dos períodos de apuração de setembro de 1989, de fevereiro, março e outubro de 1990. Nestes meses não foi reconhecido nenhum crédito a favor da recorrente. Ciente do despacho decisório, a empresa apresentou manifestação de inconformidade que restou julgada pela DRJ em São Paulo I SP, nos termos do Acórdão nº 1626.174, para anular a Decisão DRJ/SP nº 014147/9711.2914, de 07/10/1997, e manter parcialmente o lançamento, exonerando a recorrente do pagamento de débito em valor superior a R$ 1.000.000,00, razão pela qual recorre de ofício a este Colegiado. A empresa tomou ciência da decisão de primeiro grau no dia 09/02/2011 e no dia 11/03/2011 ingressou com o recurso voluntário de fls. 1.196/1206, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 com a Decisão 014147/9711.2914, que julgou definitivamente constituído o crédito tributário, encerrou o presente processo. Esta foi uma decisão favorável à recorrente. Em conseqüência, não deve prosperar a decisão recorrida na parte que anulou a Decisão 014147/9711.2914 de fls. 106/107; 2 ainda com relação ao item anterior, decorreu o prazo qüinqüenal para a Receita anular o ato administrativo com efeito favorável à Recorrente: passaramse mais de 10 anos (art. 54 da Lei nº 9.784/99). Cita doutrina e jurisprudência; 3 ainda sobre o tema anterior, defende a recorrente que a compensação deveria ter sido processada no âmbito de outro processo administrativo e não deste processo, que encontravase encerrado; 4 ocorreu a homologação tácita dos débitos de Cofins não compensados pelo crédito de Finsocial, consoante dispõem o artigo 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96 e artigo 29, § 2°, da IN SRF no 600/2005 (aplicável à época dos fatos). A autoridade dispunha de cinco anos para homologar a compensação; É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, portanto, dele conheço. Como relatado, trata o presente processo de Auto de Infração de Cofins lavrado com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial que autorizou a empresa recorrente, Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13805.002535/9715 Resolução n.º 330200.178 S3C3T2 Fl. 1.241 3 por sua conta e risco, efetuar a compensação de supostos créditos de Finsocial com débitos de Cofins, no curso da ação judicial. Transitado em julgado a ação judicial favorável à recorrente, foi a mesma intimada a apresentar os Darf de recolhimento do Finsocial utilizado na compensação por ela realizada. Tal providência destinouse a verificar a conformidade da compensação realizada pela empresa com o que foi decidido na ação judicial. A empresa apresentou os Darf solicitados, exceto os relativos aos períodos de apuração de setembro de 1989, fevereiro, março e outubro de 1990, que afirma ter recolhido mas não localizou os respectivos Darfs. Confirmado o pagamento relativos a todos os Darfs apresentados pela empresa, foi efetuado o cálculo do crédito do Finsocial e a conferência da conformidade das compensações realizadas pela recorrente, resultado comprovado que o crédito reconhecido na decisão judicial não foi suficiente para extinguir todo os valores lançados no auto de infração e, consequentemente, o saldo remanescente está sendo exigido da recorrente. A recorrente não renova o argumento da impugnação que efetuou o pagamento dos períodos de apuração de setembro de 1989, fevereiro, março de outubro de 1990 e que não localizou os Darfs. Das razões da decisão de fls. 1.136/1.141 uma diz respeito a falta de apresentação dos Darfs que comprovam o recolhimento do Finsocial dos meses de setembro de 1989, fevereiro, março e outubro de 1990. Entendo que esta razão, por si só, não deve prevalecer porque a RFB possui a informação sobre os pagamentos realizados pela recorrente. Se o pagamento do Finsocial ocorreu nas datas e valores constante da planilha de fl. 12, é possível a sua localização e confirmação pelos agentes da RFB. Não é a apresentação do Darf físico que faz nascer o direito à restituição: é a confirmação do pagamento pela RFB e esta pode ser dar sem a apresentação física do Darf, desde que tenha as informações necessárias. No caso em tela, na planilha de fls. 12 tem as informações necessárias à localização do pagamento pela RFB: período de apuração, valor pago e data do pagamento. O código de recolhimento é 6120. Portanto, antes de prosseguir no julgamento da lide, este Conselheiro necessita, para formar sua convicção, que seja comprovado (ou não) que a recorrente efetuou o pagamento do Finsocial dos períodos de apuração de setembro de 1989, fevereiro, março e outubro de 1990, razão pela qual deve o processo retornar à unidade da RFB de origem. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 informar, com base nos controles internos da RFB, se a recorrente efetuou pagamento de Finsocial dos períodos de apuração de setembro de 1989, fevereiro, março e outubro de 1990, nos valores e nas datas informados na planilha de fls. 12, independente da apresentação, pela recorrente, dos respectivos Darf; 2 informar que, com base nos controles internos da RFB, se a recorrente efetuou pagamento de Finsocial dos períodos de apuração de setembro de 1989, fevereiro, Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13805.002535/9715 Resolução n.º 330200.178 S3C3T2 Fl. 1.242 4 março e outubro de 1990, mesmo que em valores e datas diferentes do informado na planilha de fl. 12; 3 confirmado a realização de pagamentos (de todos ou de alguns), apurar o pagamento indevido de Finsocial na forma determinada pela decisão judicial e informar se o mesmo é suficiente ou não para extinguir (total ou parcialmente) os débitos em aberto deste processo. No caso de extinção parcial, informar o saldo remanescente; 4 na hipótese de não confirmar nenhum dos pagamentos, consignar nos autos e devolver o processo para este CARF. 5 prestar outras informações que julgar necessárias ao deslinde da questão. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13868.000098/2002-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997
AUDITORIA INTERNA DE DCTF. COMPENSAÇÃO. ANTERIOR À MP 66/2002. COMPROVAÇÃO.
A compensação efetuada a conta e risco do contribuinte, nos moldes permitidos anteriormente à Medida Provisória n° 66, de 2002, requer lançamento contábil do encontro de contas, em que se possa identificar a extinção dos débitos.
Numero da decisão: 3803-006.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente; e no mérito em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997 AUDITORIA INTERNA DE DCTF. COMPENSAÇÃO. ANTERIOR À MP 66/2002. COMPROVAÇÃO. A compensação efetuada a conta e risco do contribuinte, nos moldes permitidos anteriormente à Medida Provisória n° 66, de 2002, requer lançamento contábil do encontro de contas, em que se possa identificar a extinção dos débitos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997 AUDITORIA INTERNA DE DCTF. COMPENSAÇÃO. ANTERIOR À MP 66/2002. COMPROVAÇÃO. A compensação efetuada a conta e risco do contribuinte, nos moldes permitidos anteriormente à Medida Provisória n° 66, de 2002, requer lançamento contábil do encontro de contas, em que se possa identificar a extinção dos débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente; e no mérito em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 8. 00 00 98 /2 00 2- 17 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Tratase de auto de infração resultante de auditoria interna em DCTF, lavrado em 10/05/2002, em virtude de não se ter localizado a indicada compensação com DARF de débitos da Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, relativos aos meses de setembro a dezembro de 1997. A contribuinte apresentou impugnação contestando a exigência com a alegação de que inexiste obrigação jurídica tributária na medida em que os débitos foram compensados, na forma do artigo 66 da Lei n° 8.383/91, com créditos do próprio PIS, decorrentes de recolhimentos feitos no passado com base nos inconstitucionais Decretoslei n°s. 2.445 e 2.449, ambos de 1988, atos com execução suspensa pela Resolução do Senado Federal n° 49, de 1995. Ao final, requereu a anulação do auto de infração. Em julgamento da lide, a DRJ/Ribeirão Preto reconheceu o direito de compensar débitos com créditos decorrentes de ação judicial, independentemente de pedido administrativo, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/92, regulamentado pelo art. 14 da IN SRF nº 21/97. Reconheceu, ainda, como legítima a compensação fundada em pagamentos a maior efetuados sob a égide dos Decretoslei nºs 2.445/88 e 2.449/88, cabendo a apuração do indébito ser feita à luz da anterior LC nº 07/70. Entretanto, assentou a necessidade da identificação e quantificação dos créditos e que a operacionalidade das compensações fossem feitas na escrita contábil, ou, se desobrigada da escrituração completa, em registros outros, contemporâneos, que pudessem demonstrar cabalmente o encontro de contas, bem como, a época do evento". A decisão foi ementada com segue: Assumo: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997 AUDITORIA INTERNA NA DCTF. PIS. COMPENSAÇÃO COMPROVAÇÃO DA DE TRIBUTOS EFETUADA ANTES DE OUTUBRO DE 2002. A compensação efetuada a conta e risco do contribuinte, nos moldes permitidos anteriormente à Medida Provisória n° 66, de 2002, requisita lançamentos contábeis do encontro de contas tendentes a demonstrar a quantificação dos indébitos, a identificação das dívidas anuladas e a época do evento. Cientificada da decisão em 25 de junho de 2009, irresignada, apresenta recurso voluntário em 27 de julho de 2009, em que argumenta novamente acerca do seu direito e afirma possuir o documento que demonstra a quantificação dos aludidos créditos, referenciado no Doc. 3, anexado. Posteriormente, apresentou nova petição argumentando da inércia da Fazenda em julgar sua impugnação, apresentada em 03 de julho de 2002, transcorrido extenso lapso de tempo para a decisão recorrida, proferida em 26 de setembro de 2009 (rectius, 17 de abril de 2009), caracterizando a prescrição intercorrente, enquanto fato extintivo do direito de cobrança, pelo que pugna para que seja declarada a prescrição do direito de cobrança dos presentes débitos e a extinção deste processo. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13868.000098/200217 Acórdão n.º 3803006.898 S3TE03 Fl. 115 3 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Prescrição intercorrente Anotese, de pronto, que o pedido pela extinção dos débitos em razão de prescrição intercorrente não pode ser provido, por disposição expressa sumulada deste CARF, de aplicação cogente pelos conselheiros nos julgamentos, verbis: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Mérito A decisão recorrida moldouse sobre a falta de comprovação, pela Impugnante, em sua defesa, dos alegados créditos. Além disso, mencionou a necessidade de que as compensações efetuadas tivessem sido formalizadas em sua contabilidade. Não há erro nesse julgamento. A DRJ tem razão ao afirmar que não basta a alegação da Impugnante de que era detentora de créditos. Podese ver que a Impugnante anexou apenas um mapa de crédito do PIS, à fl. 24, no qual se vê efetuadas as compensações. A epígrafe inscrita nesse trabalho dá indicação de que não fora elaborada pela própria contribuinte, e essa peça não se reveste das características de documento contábil. Com efeito, a Recorrente não trouxe aos autos a escrita contábil em que constasse o encontro de contas, como elemento de prova substancial para a sua defesa. Não carreou também as cópias dos DARFs de pagamentos efetuados sob a égide dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, elementos básicos na apuração do crédito, com o qual teria efetuado as compensações. As informações contidas nos diversos campos de um DARF são referências essenciais à busca pela sua existência. Ao tempo da decisão de primeira instância, os sistemas da RFB não mais dispunham dos dados dos períodos em foco, constando apenas em arquivos microfilmados. Deveria a Recorrente ter ofertado ao julgador, ao menos na segunda instância, as provas da sua compensação. Presentes no recurso estaria ela a pugnar pelo afastamento da preclusão desse direito e pelo o acolhimento dessas provas. Não o fez. No recurso voluntário, o que a Recorrente anexa é outra planilha, de fls. 56/58, mais elaborada, de apuração do crédito, cujo valor final R$ 35.604,87, sem data de referência, difere do valor total contido no mapa acima referido, da fl. 24, R$ 25.885,04. Ante a insuficiência de ambas as planilha como elementos, nem como indícios de prova, elas não reúnem força suficiente para respaldar a conversão do julgamento em diligência, por precluso o Fl. 116DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 direito de apresentar as necessárias provas da compensação dos débitos constantes do presente auto de infração, a teor do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Ante o exposto, por não lograr a Recorrente comprovar a existência do crédito, bem assim das compensações alegadas, voto por rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 117DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16682.904220/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente.
NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CAPATAZIA, REBOCAGEM E SERVIÇOS PORTUÁRIOS. INADMISSIBILIDADE.
Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, haja hipótese permissiva para o creditamento.
FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas.
Numero da decisão: 3402-002.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama D'Eça e João Carlos Cassuli Junior, que reconheceram os custos com frete de produtos acabados. Fez sustentação oral o Dr. João Manuel Martins Vieira Rolla, OAB/MG nº 78122.
Assinatura Digital
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente.
Assinatura Digital
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CAPATAZIA, REBOCAGEM E SERVIÇOS PORTUÁRIOS. INADMISSIBILIDADE. Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, haja hipótese permissiva para o creditamento. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas.
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CAPATAZIA, REBOCAGEM E SERVIÇOS PORTUÁRIOS. INADMISSIBILIDADE. Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, haja hipótese permissiva para o creditamento. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito de PIS/Pasep não cumulativo Exportação PER/DCOMP nº 37313.86588.291009.1.1.089830, de 29/10/2009, nos termos do artigo 5o, I e § 2o, da Lei 10.637/2002, relativo ao 2° Trimestre/2005, no montante de R$ 4.539.456,87, que foi indeferido pela Delegacia Especial de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJO), pela inexistência do direito ao crédito pleiteado. Por retratar os fatos que sucederam no presente processo até a apresentação da Manifestação de Inconformidade, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida, objeto do Acórdão nº 0733.466 4ª Turma DRJ/FNS: (...) Termo de verificação fiscal Com o intuito de verificar os valores informados no Dacon, a contribuinte foi intimada a apresentar arquivos digitais relativos à contabilidade e às notas fiscais do período, outubro de 2004 a dezembro de 2005 (Anexo 3). Por intermédio dos Termos de Intimação n.º II e n.º III (Anexo 5), foram solicitados: arquivos digitais referentes a notas fiscais de entrada; descrição do processo produtivo da empresa; os percentuais de rateio utilizados em cada mês; memórias de cálculo dos créditos; cópia de notas fiscais de aquisição de energia elétrica; e demonstrativo mensal das receitas de exportação. Na verificação do valor do crédito alegado foram glosados da base de cálculo os valores que seguem. Dos montantes informados em Dacon a título de Bens Para Revenda foram os valores referentes às diferenças positivas entre os montantes informados no Dacon e os apurados nos arquivos digitais de notas fiscais e informados nas memórias de cálculo apresentadas pela contribuinte Dos montantes informados a título de Bens Utilizados como Insumo, foram glosados os valores referentes às aquisições de produtos adquiridos para uso e consumo, conforme informação prestada pela fiscalizada através das planilhas fornecidas pelo sujeito passivo (arquivos: 02. Bens Utilizados com Insumos_parte1_2005.xlsx, 02. Bens Utilizados com Insumos_parte2_2005.xlsx, 02. Bens Utilizados com Insumos_parte3_2005.xlsx), de onde consta a segregação dos Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 246 3 bens entre os utilizados na industrialização e os para uso e consumo. Relata a autoridade fiscal que em análise ao arquivo contendo a memória de cálculo dos Serviços Utilizados como Insumo, verificou que foram computados vários serviços que não se enquadram no conceito de insumo, os quais foram glosados da base de cálculo do crédito. Cita os serviços de: transporte realizado entre estabelecimentos; projetos e estudos de engenharia e geologia; hospedagem e lavagem de roupas comuns; serviços de chaveiro; serviços de cozinha; manutenção de equipamentos ferroviários; limpeza e manutenção prediais; serviços portuários. Informa que na planilha Serviços Utilizados como Insumos 2º trim 2005 glosados relaciona as notas fiscais e os serviços glosados de ofício (Anexo 9). Das Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, e dos créditos sobre Bens do Ativo Imobilizado, foram glosadas as diferenças positivas entre os valores informados no Dacon e os apurados conforme demonstrado na memória de cálculo correspondente apresentada pela. Foram aceitos os créditos relativos às despesas com Energia Elétrica e Despesas de Armazenagem e Frete na Operação de Venda informados no Dacon para o trimestre em análise. Considerando os valores apurados de ofício na presente ação fiscal, a autoridade fiscal apurou os totais de crédito de contribuição não cumulativa para o PIS, os quais foram integralmente utilizados na dedução dos valores das contribuições a recolher apuradas no 4º trimestre de 2004. Não remanescendo crédito disponível para ressarcimento, o pedido foi indeferido. Manifestação de inconformidade Preliminarmente, a recorrente suscita a nulidade do feito fiscal, seja por não exaurir a matéria tributável, nos moldes ditados no artigo 142 do CTN, seja por violar a garantia constitucional da ampla defesa. A recorrente, em síntese, argumenta no sentido de que o Fisco baseouse em mera presunção, pois não teria apurado exaustiva e concretamente a natureza das despesas que glosou da base de cálculo do crédito, como manda o artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Nesse sentido diz que o Fiscal, “além de não ter explicitado de forma contundente as razões objetivas que levaram à caracterização das irregularidades, em que pese ter tido acesso a diversos fluxogramas descritivos do processo produtivo”, ainda deixou de realizar as necessárias diligências a fim de verificar/confirmar a procedência e legitimidade das informações por ela prestadas durante o procedimento fiscal acerca dos valores informados no Dacon, em “flagrante ofensa ao princípio da verdade material”. Aduz que, ainda persistindo dúvidas, cabia ao Fisco buscar obter outras informações, junto ao contribuinte ou relevar qualquer Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 irregularidade que, eventualmente, poderia existir, ex vi o artigo 112, II, do CTN. Por conta disso, conclui que “o fundamento do despacho decisório se assenta na mera análise de alguns documentos fiscais e planilhas apresentadas pelo contribuinte, distante da análise da adequação das hipóteses de creditamento à realidade do contribuinte”, que “em hipótese alguma, poderia [o Fisco] encerrar seus trabalhos sem ter efetiva convicção de suas altercações” e que ante essa “análise subjetiva e superficial” restou prejudicado em seu direito à ampla defesa. Na sequência, a recorrente, com fundamento na Constituição Federal, tece suas considerações sobre a não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins para concluir, em síntese, que “o direito aos créditos da contribuição está atrelado aos custos, despesas e encargos de tudo o que contribua para a obtenção de receitas...”. No que concerne à glosa de valores da base de cálculo do crédito, a recorrente inicia contestando a glosa de aquisições de bens para uso e consumo. Alega que ao contrário do que ocorre no caso ICMS e do IPI, não se aplica à contribuição para o PIS o critério do contato físico ou da vinculação/incorporação física entre as mercadorias adquiridas (insumo) e aquelas objeto de saída. Defende que o que importa é se o bem ou serviço é diretamente aplicado no processo produtivo, como é o caso dos produtos e serviços adquiridos que, conforme justificado pela descrição dos itens apresentados pela fiscalização, bem como as descrições dos itens e Notas Fiscais de aquisição ora anexadas aos autos e/ou respectivas telas do sistema da empresa trazidas (doc. 03, anexo), são indispensáveis ao processo produtivo, por serem aplicados diretamente no seu processo produtivo e indispensáveis a este, o que poderá ser demonstrado pela prova pericial cuja produção pleiteia. Como exemplo de bens cuja qualificação como insumos resta plenamente evidenciada, destaca partes e peças de páscarregadeiras, perfuratrizes e outros equipamentos destinados à própria atividade de lavra. Aduz que os bens em questão de algum modo estão diretamente relacionados ao processo produtivo, e que se assim se tivesse atentado a Autoridade Administrativa, ao invés de se basear em critérios eminentemente equivocados, teria concluído que a classificação destes como insumos e que estes conferem direito aos créditos da contribuição estaria correto, como se infere da Solução de Divergência COSIT n.° 35, de 07/10/2008. No que concerne aos valores inseridos no montante informado a título de Serviços Utilizados como Insumo, contesta a glosa dos valores referentes aos serviços de operação portuária. Alega que, ainda que não se trate, especificamente, de serviços de transporte ou armazenagem, integram etapa indissociável do transporte da mercadoria, sem a qual restaria inviabilizada a venda do produto final. Traz a transcrição da descrição técnica dos serviços portuários constantes do contrato celebrado entre ela e a prestadora de tais serviços, a COMPANHIA PORTUÁRIA BAÍA DE SEPETIBA. Acrescenta que legislação permite o crédito em relação ao frete na venda e argumenta que se tal frete, dadas as peculiaridades da operação, não se completa sem a fase intermediária, deve a norma ser interpretada de forma a estender o direito ao crédito a todas as despesas que, Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 247 5 além de ensejarem a fabricação do produto ou realização do serviço, permitam a entrega do bem ao comprador final, no que se enquadrariam os mencionados serviços portuários. Defende que, de qualquer forma, o direito aos créditos sobre tais serviços existe, dada a natureza do regime não cumulativo da contribuição, que permite a geração de crédito em relação a todos os custos necessários e inerentes à atividade produtiva geradora da receita. Traz excertos de decisões do CARF a fim de corroborar o tal entendimento. Alega que também não foram levadas em consideração despesas de frete na operação de venda. Menciona, as despesas incorridas com serviços de transporte ferroviário de minério entre a mina e o Porto, prestados pela MRS LOGÍSTICA S/A, e com serviços de transporte marítimo do produto, prestados pela LOGIN LOGÍSTICA INTERMODAL S/A. Explica que Tratase de despesa essencial e diretamente relacionada à efetivação do processo produtivo da Suplicante. E diz que tendo em vista o elevado volume de Notas Fiscais envolvidas, traz à colação telas do seu sistema, por amostragem, que representam o lançamento contábil de Notas Fiscais que não foram incluídas no cálculo do crédito reconhecido no despacho decisório (doc. 06, anexo), evidenciando que créditos legítimos deixaram de ser computados, o que, por si só, demonstra a inexatidão do trabalho fiscal e, por outro lado, autorização a realização de prova pericial. Reclama, ainda, que também deixaram de ser considerados os créditos relativos ao transporte realizado entre estabelecimentos. Explica trataremse de serviços de transporte inerentes à venda do produto final, compõe o ciclo de comercialização superveniente à produção do bem demandado, derivado da logística adotada pela Suplicante, equivalente à formação de "corredores" de exportação através dos quais uma determinada mina transfere o produto acabado para outra, que centraliza as vendas seja para o exterior, seja para o mercado interno. Contesta a glosa das despesas com energia elétrica alegando que o Fisco admitiu, apenas, o montante informado na DACON sem apurar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo. Ao final, a recorrente requer o deferimento de prova pericial técnica e contábil, apresentando quesitos e indicando assistente técnico. É o relatório. (...) Mediante o Acórdão nº 0733.466, da 4ª Turma da DRJFlorianópolis, de 29/11/2013, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade, não tendo sido reconhecido o direito creditório, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 ANOCALENDÁRIO: 2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela Administração Fazendária os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, é improcedente é alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS e da Cofins, a apuração dos créditos é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ANOCALENDÁRIO: 2005 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da contribuição para o PIS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da contribuição para o PIS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 248 7 produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. A empresa autuada foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância, por meio eletrônico, mediante consulta do arquivo correspondente no sistema e processo efetuada em 28/01/2014. Em 26/02/2014, a contribuinte apresentou suas razões de defesa no Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), sintetizadas a seguir: 1) DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA (ANTE A NEGATIVA DE REALIZAÇÃO DA PERÍCIA) Deve ser reconhecida a nulidade do Procedimento Fiscal que embasou o indeferimento do ressarcimento pleiteado, por ausência de cotejo técnico e analítico sobre a natureza dos bens e serviços adquiridos que originaram o crédito objeto do pedido de ressarcimento. Conquanto a auditoria fiscal tenha concluído que se deve ter por insumos na fabricação ou produção de bens "as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado a venda", inexiste, no Relatório Fiscal, uma análise técnica dos bens e serviços adquiridos, no que toca seu papel no processo produtivo da Recorrente, em especial, para concluir se eles (i) são aplicados no processo industrial; (ii) sofrem desgaste em ação exercida para a fabricação do produto final, à luz do conceito normativo adotado. Até porque o exame fiscal não foi acompanhado de qualquer diligência no sentido de averiguar, concretamente, tais nuances fáticas, com flagrante ofensa ao princípio da verdade material. O artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN) impõe à autoridade lançadora a delimitação exaustiva da matéria tributável, sob pena de violação à garantia da estrita legalidade. Com efeito, sem dados técnicos capazes de refutarem as informações prestadas pelo Contribuinte, perde qualquer sustentação a afirmação no sentido de que tais bens e serviços não podem ser considerados como insumos ou produtos intermediários, assim como pretendido pelo Relatório Fiscal e mantido pela decisão recorrida. Sobretudo porque, ao desconsiderar os créditos indicados com base em análise subjetiva e superficial, resta a Recorrente impedida de contrapor, adequadamente, os argumentos fiscais, justamente pela ausência de elementos concretos e objetivos a justificar o indeferimento do pedido de ressarcimento, com afronta à garantia constitucional da ampla defesa. Nesse sentido foi que a Recorrente requereu, em sua defesa, que fosse determinada a realização de perícia, nos termos do art. 5º, LIV e LV da Constituição Federal, do art. 18 do Decreto n° 70.235/72 e do art. 35 do Decreto 7.574/2011, o que não foi deferido pela autoridade julgadora de primeira instância. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 Destarte, seja por não exaurir a matéria tributável, nos moldes do artigo 142 do CTN, seja por violar a garantia constitucional da ampla defesa, o Procedimento Fiscal em tela merece ser anulado ou, sucessivamente, seja determinado o retorno dos autos à DRJ para que, ao menos, seja deferida a realização da perícia técnica suscitada. 2)DA REGULARIDADE DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS NO TOCANTE A BENS E SERVIÇOS "UTILIZADOS COMO INSUMOS" Ao indeferir o ressarcimento dos créditos de PIS relativos à aquisição de bens e serviços utilizados como insumos ou produtos intermediários no processo produtivo da Recorrente, entendendo, por conseguinte, que estes não estariam intrínseca e diretamente associados ao processo produtivo dos bens destinados à venda, a Fiscalização se valeu dos conceitos previstos nas Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, os quais foram ratificados pelo acórdão recorrido. No entanto, o conceito do termo insumo não pode ser dissociado daquele utilizado pelo artigo 3º, II da Lei n° 10.637/2002, sendo que as instruções normativas se destinam a somente regulamentar este dispositivo. A não cumulatividade do PIS consiste em regra constitucional imperativa, trazida pelo artigo 195, § 12°, introduzido pela Emenda Constitucional n° 42, norma esta que, quanto ao tema, dispôs caber ao legislador ordinário somente a definição dos "setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas". Em outras palavras, é a Constituição que dita ao legislador a disciplina jurídica dos créditos de contribuições sociais, e não o inverso. E tanto é assim que, ao revés do que ocorre com o ICMS, o constituinte não outorgou ao legislador infraconstitucional competência para regular o regime da compensação. Interpretandose o conceito de insumos do artigo 3º, II da Lei n° 10.637/2002, deve este incluir não só os produtos fisicamente incorporados nas mercadorias produzidas, mas todo e qualquer item que onera diretamente o custo do produto final e, portanto, está diretamente vinculado, por causa e efeito, à sua obtenção. O que melhor se compatibiliza com o conteúdo específico da nãocumulatividade, em relação às contribuições sociais. Sobredito regime guarda relevante distinção em relação àquele aplicável ao IPI e ao ICMS. No caso do PIS, a regramatriz de incidência está vinculada a elemento diverso dos referidos impostos. Enquanto o critério material das contribuições é a receita, o IPI e o ICMS estão vinculados, de uma forma ou outra, à mercadoria, objeto de operação de circulação jurídica. É o que se infere do artigo 1º da Lei n° 10.637, pois as contribuições "com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil". É dizer, o que deve ser observado, neste caso, é a vinculação entre a receita verificada na etapa anterior do ciclo econômico, que representou custo ou despesa para o adquirente ou tomador de serviço, e a receita auferida, ao final, por aqueles. O critério da vinculação física entre as mercadorias adquiridas e aquelas objeto de saída, aplicável ao IPI e ao ICMS e objeto das INs 247 e 404, não pode ser transplantado para o caso vertente, pois se baseia em elemento próprio contido na regra matriz destes impostos (a mercadoria). É irrelevante, desse modo, a incorporação de insumos aos produtos finais, seu contato físico com aqueles, e a intensidade de desgaste físico de determinados bens. Não se pode afastar do conceito de insumos (ou de produtos intermediários, espécie daquela) aquelas mercadorias que, Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 249 9 embora não incorporadas ao produto final, são indispensáveis à geração da receita, no sentido de que esta, sem os mesmos, não seria auferida. Conforme justificado pela descrição dos itens apresentados pela fiscalização, bem como as descrições dos itens e Notas Fiscais de aquisição apresentadas na Manifestação de Inconformidade, além das respectivas telas do sistema da Recorrente, é fácil perceber a vinculação entre a receita obtida com a venda do produto final e aquela que originou a entrada do bem no estabelecimento, bem como a relação de dependência entre ambos. A este respeito, destacamse, a título ilustrativo, os bens cuja qualificação como insumos resta plenamente evidenciada, como partes e peças de páscarregadeiras, perfuratrizes e outros equipamentos destinados à própria atividade de lavra. O pressuposto que ora se aplica é o mesmo ilustrado na Solução de Divergência COSIT n° 35/2008 (DOU de 07.10.2008), através da qual restou firmado que todas as peças e equipamentos que sofram desgaste em razão da sua inserção no processo produtivo geram direito ao crédito do PIS e da COFINS. Percebese, por conseguinte, que o Fisco deixou de se atentar para a natureza dos equipamentos, partes, peças e serviços adquiridos e sua aplicabilidade, aspectos primordiais para verificar se a despesa está atrelada à geração de receita, preponderantemente decorrente das operações de exportação. Notadamente porque o objeto social da Recorrente é por demais amplo, iniciandose o processo produtivo com a extração da matéria prima mineral e prosseguindo por diversas etapas de beneficiamento, até a colocação do produto final no mercado. Ao assim fazer, o Fisco, acaba, ainda, por anular indevidamente o efeito pretendido pela norma, impondo distinção não albergada pela norma matriz do benefício. Evidente, portanto, o desacerto do acórdão ao manter a desconsideração dos créditos tratados neste item, que ora se requer sejam admitidos para fins do pedido de ressarcimento. 3) DO DIREITO AO CRÉDITO EM RAZÃO DAS ATIVIDADES DESCRITAS COMO SERVIÇOS PORTUÁRIOS No que tange aos créditos tomados pela Recorrente com relação aos denominados serviços portuários (capatazia, rebocagem, movimentação de container e serviços prestados a bordo de navio), o acórdão entendeu que "não encontram suporte na legislação de regência". A descrição técnica dos citados serviços portuários, constante do contrato celebrado entre a Recorrente e a prestadora de tais serviços, a COMPANHIA PORTUÁRIA BAÍA DE SEPETIBA, é a seguinte: Constitui objeto deste CONTRATO a prestação de serviços de operação e movimentação portuária de minério de ferro pela CPBS para a CVRD, de agora em diante designados "SERVIÇOS", através do Terminal Portuário de Sepetiba TPS, situado na Estrada Ilha da Madeira, s/n°, Município de Itaguaí, Estado do Rio de Janeiro, de agora em diante designado "TERMINAL", que compreendem, mas não se limitam, a Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 execução das seguintes atividades: descarga de vagões ferroviários, empilhamento, manuseio, quando necessário carregamento nos navios do minério de ferro da CVRD destinados ao mercado externo, e amostragem. Ainda que não se trate, especificamente, de serviços de transporte ou armazenagem, é claro que a atuação da prestadora de serviço, ao recepcionar os vagões, desembarcar e agrupar o minério e, inclusive, embarcálo diretamente nos navios, consiste etapa indissociável do transporte da mercadoria, cuja ausência inviabilizaria própria venda do produto final da Recorrente, razão pela qual, por corolário lógico, é de se tratar a despesa respectiva como parcela do custo do transporte, sem a qual sequer será a mercadoria entregue ao comprador final. Destacase, a respeito, o teor do artigo 3º, IX da Lei n° 10.833/2003, que, apesar de não constar na Lei n° 10.637/2002 norma idêntica à do inciso IX do artigo 3º da Lei n° 10.833/2003, esse dispositivo também se aplica à apuração dos créditos da contribuição para o PIS por força do disposto no artigo 15, inciso II da referida Lei. Não se pode contestar que, se o frete na venda confere direito de crédito, e que, se o transporte remunerado por este frete, dadas às características peculiares da operação (necessidade de transbordo para continuidade do transporte pela via marítima), não se completa sem a etapa intermediária realizada no porto, deve a norma ser interpretada de forma a entender o direito ao crédito a todas as despesas que, além de ensejarem a fabricação do produto ou realização do serviço, permitam a entrega do bem ao comprador final, no que se enquadrariam os mencionados serviços portuários. Ainda que não se admita o crédito, sob este ponto de vista, há que se considerar a natureza intrínseca do regime não cumulativo do PIS, a qual está atrelada ao critério material das respectivas hipóteses de incidência, qual seja, a receita. Por conseguinte, como já registrado, há que se verificar quais os custos resultados de anterior receita, auferida por terceiros, devidamente tributada são necessários e inerentes à geração de nova receita, isto é, que estão ligados à atividade produtiva da qual resulta, igualmente, receita. Assim, o direito ao créditos há de ser conferido aos custos, despesas e encargos tais como os serviços portuários da CPBS que, efetivamente, contribuam para a geração de receita, sendo este o caso de sobreditos serviços, vez que, conforme já destacado, sem eles não haveria entrega do bem ao comprador, não se aperfeiçoando a venda do minério de ferro. Na mesma linha, o CARF já acolheu, no Acórdão n° 930301.035 3ª Turma, sessão de 23.08.2010, a tese de que as despesas essenciais e diretamente relacionadas à atividade, em si, do contribuinte são equiparados a insumos, sendo devido, portanto, o creditamento. Extraise do referido Acórdão que o direito de crédito está vinculado ao fato de tal bem contribuir para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços), viabilizando a produção da receita. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 250 11 Não restam, portanto, dúvidas quanto à vinculação entre as despesas com o Contrato acima e as demais de mesma natureza e a obtenção de receitas pelo contribuinte, ensejando, uma vez mais, o direito ao crédito que foi glosado. 4) DOS CRÉDITOS DERIVADOS DO PAGAMENTO DE FRETE Nessa mesma linha, também não foram levadas em consideração despesas de frete na operação de venda, cujo direito de crédito advém de expressa disposição legal (arts. 3o, IX e 15, II, da Lei n° 10.833/03). Dentre elas podemos relacionar as incorridas por serviços prestados pela MRS LOGÍSTICA S/A, a saber, no transporte de minério no modal ferroviário, entre a mina e o Porto, bem como à LOGIN LOGÍSTICA INTERMODAL S/A, responsável pelo transporte marítimo do produto. Tratase de despesa essencial e diretamente relacionada à efetivação do processo produtivo da Recorrente, na sistemática da não cumulatividade do PIS acima abordada, cujo fundamento máximo é a desoneração da cadeia de circulação dos bens. Tendo em vista, uma vez mais, o elevado volume de Notas Fiscais envolvidas, a Recorrente trouxe à colação telas do seu sistema, por amostragem, que representam o lançamento contábil de Notas Fiscais que não foram incluídas no cálculo do crédito reconhecido no despacho decisório, evidenciando que créditos legítimos deixaram de ser computados, o que, por si só, demonstra a inexatidão do trabalho fiscal e, por outro lado, reforça a necessidade de realização da prova pericial. Além do que, deixaram de ser considerados os créditos relativos ao "transporte realizado entre estabelecimentos". Na verdade, tratase de despesa inerente à venda do produto final, pois a aludida transferência compõe o ciclo de comercialização superveniente à produção do bem demandado, derivado da logística adotada pela Recorrente, equivalente à formação de "corredores" de exportação através dos quais uma determinada mina transfere o produto acabado para outra, que centraliza as vendas seja para o exterior, seja para o mercado interno. De forma que, o transporte entre estabelecimentos é uma etapa indissociável do transporte do produto como um todo, composta de várias etapas que, ao cabo, tem por fim a entrega da mercadoria ao consumidor. O intuito do legislador, ao permitir a apuração do crédito decorrente do frete na operação de venda, era beneficiar essa operação independentemente da logística adotada da para sua realização. Em assim sendo, ao desconsiderar os créditos decorrentes de tais condições, o acórdão recorrido está contrariando a finalidade da norma, uma vez que o custo do transporte para realizar a transferência do produto acabado entre o estabelecimento produtor e o estabelecimento exportador da Recorrente está diretamente relacionado à operação de venda desses produtos, posto que é suportado pelo contribuinte justamente para facilitar a logística de suas vendas e gerar receita. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 Ao final de Recurso Voluntário, requereu a Recorrente o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para decretar a nulidade do Procedimento Fiscal que ensejou o indeferimento do crédito pleiteado, determinandose a realização de perícia técnica na forma em que requerida na Manifestação de Inconformidade ou, sucessivamente, caso se entenda que o feito esteja em condição de julgamento, seja dado provimento ao Recurso, reformandose o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o seu pedido de ressarcimento. É o breve relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Por atender aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Conforme já pronunciado pelo julgador de primeira instância, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, são definitivas, por não terem sido contestadas, as glosas dos valores referentes às diferenças positivas verificadas entre os montantes informados no Dacon e os apurados nos arquivos digitais de notas fiscais e informados nas memórias de cálculo apresentadas pela contribuinte em relação a Bens Para Revenda, Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas e Bens do Ativo Imobilizado. Também não integra a lide a questão da energia elétrica, pois não houve glosas referente a essa rubrica. Em síntese, além da preliminar de nulidade da decisão recorrida, a recorrente contestou genericamente a interpretação restrita de insumos da fiscalização e da autoridade julgadora para a análise do direito ao crédito sobre os bens e serviços, e, em caráter especial, as glosas dos serviços portuários e despesas de frete na operação de venda, que foram requeridos sob a rubrica de serviços utilizados como insumos. Delimitada a lide no que concerne às glosas dos bens e serviços utilizados como insumos, passemos, então, a análise das alegações do recurso voluntário. 1) Preliminar de nulidade da autuação e da decisão recorrida Nada há a reparar no procedimento fiscal que embasou o indeferimento do pleito de ressarcimento da recorrente, eis que efetuado com as informações, planilhas e documentos por ela apresentados em respostas às intimações da fiscalização. As glosas da fiscalização foram devidamente motivadas sob diversas rubricas, em conformidade com a legislação aplicável, observandose o processo produtivo da recorrente e contendo todas as informações necessárias e suficientes para a sua adequada contestação, não havendo que se falar em cerceamento do seu direito de defesa. No que concerne aos créditos de bens utilizados como insumos, por exemplo, classificados pelo contribuinte como utilizados na industrialização ou de uso e consumo, a fiscalização glosou as importâncias relativas ao uso e consumo, sob o argumento de que "os produtos adquiridos para uso e consumo, os quais não se incorporam à mercadoria ou ao serviço final, não possibilitam a apuração de créditos na sistemática da não cumulatividade". Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 251 13 Quanto aos serviços utilizados como insumos, por exemplo, consta, na informação fiscal, a seguinte motivação para a glosa dos créditos dessa rubrica: Serviços utilizados como insumos Em relação à aquisição de serviços utilizados como insumos, cabe praticamente o mesmo entendimento aplicado aos bens de insumo. Ou seja, conforme determina a Instrução Normativa SRF n.º 404, de 2004, a pessoa jurídica pode obter créditos oriundos de aquisições efetuadas no mês, de serviços utilizados como insumo na produção ou na prestação de serviços. Em outras palavras, geram créditos a aquisição de serviços utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda ou aplicados na prestação dos serviços vendidos pela contribuinte. Na memória de cálculo fornecida pela contribuinte, arquivo 04. Serviços Utilizados como Insumos_2005.xlsx (Código de Autenticação SVA – 1cacf0def5c86c75 1c7cf577c93e7ad1), os valores mensais apurados pela contribuinte a esse título são para os meses de Abril a Junho, respectivamente, R$ 125.600.060,88; R$ 122.745.835,13; e R$ 119.047.755,74 . Entretanto, a análise do referido arquivo revela que a empresa computou vários serviços que não se enquadram nos dispositivos da IN SRF n.º 404, de 2004, dentre os quais, podem ser citados: transporte realizado entre estabelecimentos; projetos e estudos de engenharia e geologia; hospedagem e lavagem de roupas comuns; serviços de chaveiro; serviços de cozinha; manutenção de equipamentos ferroviários; limpeza e manutenção prediais; serviços portuários e etc. Por exemplo, serviços portuários, como: capatazia; rebocagem; movimentação de container; e serviços diversos prestados a bordo de navio, não podem ser considerados insumos de produção dos bens produzidos pela interessada. Isso porque, os serviços de movimentação de container e os serviços prestados a bordo de navio, como as próprias denominações esclarecem, não possuem qualquer relação com a produção de minério. Tratase de serviços auxiliares executados em momento posterior, quando da venda ou escoamento do que foi produzido. Da mesma forma, os serviços de capatazia (movimentação de mercadorias nas instalações portuárias, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega) e rebocagem (serviços executados por rebocadores para cumprir as manobras de atracação e desatracação de navios) não se subsumem em serviços que possam ser considerados insumos “aplicados ou consumidos” na fabricação. O entendimento exposto no exemplo para os serviços portuários aplicase às outras aquisições relacionadas, motivo pelo qual os correspondentes valores devem ser desconsiderados no computo dos créditos da contribuição nãocumulativa de PIS. (...) Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 14 De forma que caberia à recorrente, por ocasião da manifestação de inconformidade, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo na decisão que indeferiu o seu pleito, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do Código de Processo Civil. O fato de as glosas terem sido feitas sob determinadas rubricas, eis que a motivação das glosas era idêntica para todos os itens que as compunham, não representou qualquer óbice à recorrente para produzir a argumentação contrária, acompanhada da produção pertinente de provas, relativamente à eventual pertinência e essencialidade de cada item no seu processo produtivo e à existência efetiva de seu direito creditório. O art. 142 do Código Tributário Nacional não pode socorrer a recorrente, pois não tratam os autos de lançamento do crédito tributário, mas de pedido de ressarcimento de créditos do PIS/Pasep, no qual caberia à requerente o ônus da prova do seu direito creditório, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e do art. 333 do Código de Processo Civil. Também não há que se falar em nulidade da decisão recorrida, a qual debateu, em conformidade com a legislação atinente à espécie, todos os argumentos apresentados pela recorrente em sua manifestação de inconformidade. A autoridade julgadora de primeira instância considerou a diligência e a perícia prescindíveis ao caso concreto, conforme lhe faculta o art. 18 desse Decreto, sob os seguintes fundamentos: 2.1 Perícia e diligência Notese que as normas transcritas acima prevêem a possibilidade de realização de diligências, todavia, a critério da autoridade da RFB competente para decidir sobre o crédito pleiteado pelo contribuinte, a quem cabe a verificação da exatidão das informações por ele trazidas e declaradas em Dacon. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 252 15 impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo contribuinte. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase à busca da verdade, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Pela mesmas razões da decisão recorrida, que passam a ser parte integrante do presente Acórdão, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.794/99, entendo que a diligência ou perícia não são necessárias à solução da lide também no presente momento processual, devendo o pedido do recorrente nesse sentido ser indeferido. 2) Bens e serviços utilizados como insumos: Insurgiuse, genericamente, a recorrente em face da interpretação da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância do conceito restrito de insumos para o reconhecimento dos créditos do PIS/Pasep, levando em consideração a regulamentação das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. Acredita a recorrente que dariam direito ao crédito como insumo, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002, não só os produtos fisicamente incorporados nas mercadorias produzidas, mas todo e qualquer item que onera diretamente o custo do produto final e, portanto, estaria diretamente vinculado, por causa e efeito, a sua obtenção. Ocorre que, de forma diversa, este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, como ora requer a recorrente, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403 002.656, julgado em 28/11/2013, cujo Relator foi Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARAO PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 16 ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste colegiado que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Há de se ressaltar, no entanto, com relação à insurgência genérica de recorrente ao conceito de insumo aplicado nas glosas, que o fato de este Colegiado ter Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 253 17 entendimento divergente da autoridade de primeira instância no que concerne ao conceito de insumos para fins de creditamento do PIS/Pasep não acarreta, de forma alguma, a revisão total das glosas mantidas pela decisão recorrida, a qual foi legitimamente emitida em conformidade com a regulamentação trazida pelas referidas Instruções Normativas, mas somente a análise das matérias expressamente recorridas no âmbito deste Carf. Não há se olvidar que cada órgão julgador age, dentro da sua esfera de competência, segundo o princípio da livre persuasão racional. Por certo, não basta ao contribuinte contestar genericamente a interpretação da legislação adotada pela fiscalização e pela Delegacia de Julgamento, sem apresentar todas as razões de fato e de direito com que contesta as glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pelo órgão julgador de primeira instância. Não há como acolher a pretensão da recorrente de, em sede de julgamento, ter reconhecido o direito ao crédito sobre todos os bens e serviços sob o entendimento de que todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa gerariam o referido direito creditório. O direito ao crédito do PIS/Pasep não é tão abrangente como quer a recorrente e deve ser interpretado com as peculiaridades e restrições que lhe são próprias, dispostas no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, abaixo transcrito, e demais normas aplicáveis à espécie. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 18 II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) A não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins está totalmente regulamentada por lei ordinária, na qual houve a opção de enumerar, de forma exaustiva, os custos, encargos e despesas que são capazes de gerar o direito ao crédito. Ao contrário do que acredita a recorrente, não são todos os custos ou despesas necessários à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, que geram o direito ao crédito do PIS/Cofins, havendo que se analisar o aspecto da pertinência e da essencialidade no processo produtivo para a qualificação como insumo que gera direito ao crédito do PIS/Cofins. Com efeito, no presente caso concreto, incumbe a análise por este Conselho Administrativo, dentro do seu livre convencimento racional, das glosas que foram especificamente contestadas pela recorrente. A título ilustrativo de bens cuja qualificação como insumos restaria plenamente evidenciada nos autos, com a constatação de vinculação entre a receita obtida com a venda do produto final e aquela que originou a entrada do bem no estabelecimento, bem como a relação de dependência entre ambos; cita a recorrente as partes e peças de pás carregadeiras, perfuratrizes e outros equipamentos destinados à própria atividade de lavra, em conformidade com a interpretação contida na Solução de Divergência COSIT n° 35/2008, mediante a qual restou firmado que todas as peças e equipamentos que sofram desgaste em razão da sua inserção no processo produtivo geram direito ao crédito do PIS e da Cofins. Também nesse ponto não merece reparo a decisão de primeira instância que manteve a referida glosa sob o argumento de que a ora recorrente não apresentou documentos hábeis a reformar a decisão da Demac/RJO, pois as telas do sistema informatizado da empresa juntadas (doc. 03) não são consideradas um documento fiscal ou contábil, bem como as notas fiscais apresentadas não comprovam que as aquisições seriam utilizadas no processo industrial e que não tenham sido incorporadas ao ativo imobilizado, conforme trecho do voto condutor do acórdão abaixo transcrito: (...) A contribuinte acrescenta, ainda, que uma parcela dos bens adquiridos se refere a partes e peças de páscarregadeiras, perfuratrizes e outros equipamentos utilizados na atividade de Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 254 19 lavra, bens que, segundo defende, lhe dariam direito a crédito a teor do entendimento exarado na Solução de Divergência COSIT n.° 35, de 07/10/2008. Em sua defesa, junta cópias de notas fiscais e cópia de telas de sistema informatizado utilizado pela empresa. Quanto às telas de sistema, não se caracterizam como elemento de prova capaz de reformar a decisão recorrida, uma vez que não se trata de documento fiscal ou contábil. Quanto às notas fiscais, não há comprovação nos autos de que as aquisições se refiram a partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados no processo industrial e que tais partes e peças não tenham sido incorporadas ao ativo imobilizado, condição para que o referido custo possa gerar crédito. Notese que tal condição encontrase claramente expressa na Solução de Divergência Cosit nº 35/2008, citada pela própria contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Diante do exposto, considerandose que não foram apresentados documentos com força probatória capaz de reformar a decisão proferida, devem ser tidas como corretas as glosas efetuadas pela autoridade administrativa relativa a despesas que não se enquadram no conceito de insumo fixado pela legislação de regência. (...) Pela natureza das partes e peças de páscarregadeiras, perfuratrizes e dos outros equipamentos destinados à própria atividade de lavra, eles seriam, salvo comprovação em sentido contrário, de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda/99, seja em face do prazo de vida útil ou em razão de serem utilizados em conjunto com bens de mesma natureza: Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 15, Lei n º 8.218, de 1991, art. 20, Lei n º 8.383, de 1991, art. 3 º , inciso II, e Lei n º 9.249, de 1995, art. 30). § 1 º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2 º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei n º 4.506, de 1964, art. 45, § 1 º ). A recorrente, que têm ônus da prova quanto a fato constitutivo do seu direito creditório, não logrou êxito em demonstrar, por ocasião da manifestação de inconformidade, que as referidas partes, peças e equipamentos não seriam de ativação obrigatória. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 20 Conforme já foi decidido por este Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3403002.648, de 27/11/2013, cujo Relator foi o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, para fins de creditamento da contribuição não cumulativa, nos termos do art. 3º, II da Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o bem deve ser aplicado no processo produtivo e não ser passível de ativação obrigatória, sendo que, na hipótese de o bem ser de ativação obrigatória, o crédito deveria ser apropriado com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. 3) Serviços Portuários: Com relação aos denominados serviços portuários (capatazia, rebocagem, movimentação de container e serviços prestados a bordo de navio), alega a recorrente que, embora não se trate, especificamente, de serviços de transporte ou armazenagem, consistiria etapa indissociável do transporte da mercadoria, cuja ausência inviabilizaria própria venda do produto final, razão pela qual, deveria essa despesa ser tratada como parcela do custo do transporte, sem a qual sequer seria a mercadoria entregue ao comprador final. Acredita a recorrente que, se o frete na venda confere direito de crédito, e que, se o transporte remunerado por este frete não se completa sem a etapa intermediária realizada no porto, deveria a norma ser interpretada de forma a entender o direito ao crédito a todas as despesas que, além de ensejarem a fabricação do produto ou realização do serviço, permitam a entrega do bem ao comprador final, no que se enquadrariam os mencionados serviços portuários. Sabedora que os referidos serviços não se tratam especificamente de serviços de transporte ou armazenagem, a interessada tinha pleiteado o crédito correspondente aos serviços portuários, nos termos do art. 3º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, na linha 03 do Dacon, a título de serviços utilizados como insumo, e não com base no inciso IX do art. 3º c/c o inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833/2003, na linha 07 do Dacon, sob a rubrica de despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. No entanto, a pretensão da recorrente não encontra respaldo no art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002, pois os referidos serviços não são "utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" pela recorrente, nem tampouco no inciso IX do art. 3º c/c o inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833/2003, eis que não se trata de "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". Conforme demonstra o contrato com a Companhia Portuária Baía de Sepetiba, juntado pela recorrente, os denominados serviços portuários, decorrentes de "descarga de vagões ferroviários, empilhamento, manuseio, quando necessário carregamento nos navios do minério de ferro da CVRD destinados ao mercado externo, e amostragem", trata se de serviços anteriores ao transporte, que o viabilizam, podendo ser caracterizados como uma despesa com vendas. No entanto, não há o permissivo legal para a tomada de crédito do PIS ou da Cofins pertinente a esse tipo de despesa com vendas. O fato de haver a desoneração do PIS/Pasep no contexto produtivo, nos termos do art. 3º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e na armazenagem e frete na operação de venda, em conformidade com o disposto no inciso IX do art. 3º c/c o inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833/2003, não autoriza o intérprete ou o aplicador da norma a entender pelo direito ao creditamento relativo a etapa intermediária, como pretende a recorrente. Também a interpretação mais abrangente do Carf, sem a restrição do conceito de insumo veiculado pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 255 21 Acórdão nº 930301.035, citado pela recorrente, não a socorre, pois, conforme já explanado, no presente caso, os serviços portuários não guardam relação de pertinência com o seu processo produtivo. No que concerne a serviços da mesma natureza dos serviços portuários descritos recorrente, o entendimento deste Conselho Administrativo tem sido no sentido de não haver direito ao creditamento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme ementas de Acórdão que se seguem: Acórdão nº 3403002.139, j. 25/04/2013, Rel. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: COFINS NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVA. INADMISSIBILIDADE. Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, o artigo 3° da Lei n° 10.833/03 contenha hipótese permissiva para o creditamento da COFINS, apurada segundo o regime não cumulativo. (...) Acórdão nº 3403003.097, j. 22/07/2014, Rel. Alexandre Kern, unânime: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO. As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e sua devolução para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 22 O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores. 4) Frete Por fim, nessa mesma linha, reclama a recorrente que também não foram levadas em consideração despesas de frete na operação de venda, cujo direito de crédito advém de expressa disposição legal (arts. 3o, IX e 15, II, da Lei n° 10.833/03). Dentre as referidas despesas, destaca aquelas incorridas por serviços prestados pela MRS LOGÍSTICA S/A, no transporte de minério no modal ferroviário entre a mina e o Porto, bem como à LOGIN LOGÍSTICA INTERMODAL S/A, responsável pelo transporte marítimo do produto, que se trataria, a seu ver de despesa essencial e diretamente relacionada à efetivação do seu processo produtivo. Destaca também a recorrente o transporte realizado entre estabelecimentos, que seria inerente à venda do produto final, pois compõe o ciclo de comercialização superveniente à produção do bem demandado, derivado da logística adotada equivalente à formação de "corredores" de exportação, através dos quais uma determinada mina transfere o produto acabado para outra, que centraliza as vendas para o exterior ou para o mercado interno. No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. No entanto, o transporte de produto acabado, tais como os fretes indicados pela recorrente neste tópico, entre as minas da recorrente ou entre a mina e o Porto que ocorrerá a exportação, depois de concluído o processo produtivo, que não se refere ao transporte do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas de creditamento acima mencionadas. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e de perícia e negar provimento ao recurso voluntário mantendo, por conseguinte, o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 256 23 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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