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Numero do processo: 10283.720636/2011-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 10/01/2007 a 09/12/2010
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL.
A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, ainda que o contribuinte tenha proposto ação judicial, questionado a sua exigência, inclusive, com liminar favorável.
MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
RO Negado e RV Negado.
Numero da decisão: 3301-002.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer do recurso voluntário, em relação à matéria discutida concomitantemente nas esferas administrativa e judicial, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, termos do voto Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Adão Vitorino de Morais Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 10/01/2007 a 09/12/2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, ainda que o contribuinte tenha proposto ação judicial, questionado a sua exigência, inclusive, com liminar favorável. MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RO Negado e RV Negado.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/01/2007 a 09/12/2010 RECURSO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO (MULTA DE OFÍCIO). EXCLUSÃO. Correta a exclusão da multa de ofício sobre lançamento efetuado com o objetivo de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o respectivo crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 10/01/2007 a 09/12/2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, ainda que o contribuinte tenha proposto ação judicial, questionado a sua exigência, inclusive, com liminar favorável. MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RO Negado e RV Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 06 36 /2 01 1- 67 Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer do recurso voluntário, em relação à matéria discutida concomitantemente nas esferas administrativa e judicial, e, na parte conhecida, negar lhe provimento, termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos, respectivamente, pela DRJ em Fortaleza (CE) I e pelo sujeito passivo contra decisão que julgou procedente, em parte, a impugnação apresentada contra o lançamento do Imposto sobre Importação (II), referente aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2010. O lançamento decorreu da insuficiência do recolhimento do imposto sobre as importações pelo fato de a contribuinte ter utilizado o método do coeficiente fixo, na apuração da isenção parcial deste imposto, nas internações de insumos (terminais portáteis de telefonia celular) utilizados na industrialização de seus produtos, quando deveria ter utilizado o método do coeficiente variável, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 916/928. Intimada do lançamento, a recorrente impugnouo, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS À IMPUGNANTE em 11 de dezembro de 1998, por meio da Resolução CÃS n° 215/98, re ratificada pela Resolução CÃS n° 3, de 19 de março de 1999, a Impugnante tornou se titular dos projetos técnicoeconômicos para fabricação de terminais portáteis de telefonia celular, por transferência dos incentivos fiscais originariamente atribuídos à Gradiente Eletrônica S.A., objeto das Resoluções CÃS n°s 181/93, 540/93, 204/94 e 97/96; em virtude da aludida transferência, a impugnante passou a ter direito aos benefícios fiscais previstos no DecretoLei n° 288/67, conforme reconhecimento expresso do Conselho de Administração da SOFRAM na referida Resolução CÃS n° 215/98; entre os referidos benefícios, encontrase a redução da alíquota do Imposto de Importação, incidente sobre matériasprimas, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira empregados na fabricação de telefones celulares em coeficiente redutor fixo de 88% (parágrafo 4º do artigo 7º do DecretoLei n° 288/67). A utilização desse coeficiente está expressamente prevista em todas as Resoluções que aprovaram os projetos industriais transferidos à impugnante (doc. 02), sem que haja qualquer ressalva em relação ao tipo de tecnologia utilizada na fabricação do telefone celular; Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.477 3 a competência para aprovar os projetos de industrialização e para conceder benefícios fiscais na Zona Franca de Manaus pertence ao Conselho de Administração da SOFRAM, conforme expressamente determina o parágrafo único do artigo 6º do Decreto n° 76.801/75, combinado com o artigo 7º, parágrafos 4º e 7º, e com o artigo 9º, parágrafo 1º, ambos do DecretoLei n° 288/67, competência esta que foi exercida por meio da Resolução CÃS n° 161/98 (doc. 02); a Secretaria da Receita Federal, no entanto, sustentava que os incentivos concedidos à Impugnante abrangeriam, apenas, os telefones celulares analógicos, na medida em que os telefones celulares que utilizavam tecnologia digital constituem "bens de informática" e, em consequência, o benefício da redução do Imposto de Importação a eles aplicável não seria aquele previsto no parágrafo 4º do artigo 7° do DecretoLei n° 288/67 (coeficiente fixo de 88%), mas sim aquele previsto no parágrafo 1º do mesmo artigo desse Decreto (coeficiente variável); DA MEDIDA CAUTELAR Nº 2000.32.0041624 E DA AÇÃO ORDINÁRIA Nº 2000.32.00.0048690 em face desse entendimento, a Secretaria da Receita Federal instaurou procedimento fiscal contra a impugnante, em 27 de junho de 2000, indicando que lavraria Auto de Infração, justamente para exigirlhe a diferença entre o Imposto de Importação devido na internação de telefones celulares com tecnologia digital fabricados na Zona Franca de Manaus com a aplicação do coeficiente fixo e o supostamente devido com a aplicação do coeficiente variável; a impugnante, então, em 26 de julho de 2000, ajuizou a Medida Cautelar (processo n° 2000.32.00.0041624): "para a garantia do direito de obter, em ação declaratória, provimento judicial útil e eficaz, com efeito de coisa julgada, que ponha a salvo das exigências ilegais acima referidas e lhe assegure o gozo do direito por ela adquirido aos incentivos em tela", formulando pedido liminar, em que requereu que a União Federal, até o final da ação principal, por suas autoridades fiscalizadoras: "a) se abstenha de autuar a requerente e/ou por qualquer forma imporlhe medidas coativas tendentes a exigir diferenças de imposto de importação, pelo fato de terse utilizado, relativamente a telefones celulares de sua produção, dos benefícios fiscais de que é titular por força da Resolução 215/98, que autorizou a transferência para ela dos direitos adquiridos da Gradiente Eletrônica, emanados da Resolução 181/93, 540/93, 204/94 e 97/96, ressalvandose à autoridade administrativa o mais amplo poder de fiscalização quanto ao cumprimento dos requisitos para seu gozo, previsto do DL 288; b) se abstenha de impedir novas internações dos referidos produtos com aplicação do redutor de 88% da alíquota do imposto de importação incidente sobre as matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagens, componentes e outros insumos de origem estrangeira, empregados nos referidos produtos'' (doc. 03.ii); em 07/08/2000, a medida liminar foi concedida nos estritos termos em que foi requerida: “Por estes fundamentos, DEFIRO a liminar para que a União Federal, representada pelas autoridades: a)se abstenha de autuar a requerente e/ou por qualquer forma imporlhe medidas coativas tendentes a exigir diferenças de imposto de importação, pelo fato de terse utilizado, relativamente a telefones celulares de sua produção, dos benefícios fiscais de que é titular por força da Resolução 215/98, que autorizou a transferência para ela dos direitos adquiridos da Gradiente Eletrônica, emanados da Resolução 181/93, 540/93, 204/94 e 97/96, ressalvandose à autoridade administrativa o mais amplo poder de fiscalização quanto ao cumprimento dos Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 requisitos para seu gozo, previsto do DL 288. b)se abstenha de impedir novas internações dos referidos produtos com aplicação do redutor de 88% da alíquota do imposto de importação incidente sobre as matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagens, componentes e outros insumos de origem estrangeira, empregados nos referidos produtos.” (doc. 03.iii); considerando que a liminar concedida na Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624 foi deferida para que a Fiscalização se abstivesse inclusive de autuar a impugnante, o procedimento fiscal que havia sido instaurado foi interrompido; em 29 de agosto de 2000, a impugnante ajuizou a Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690, na qual requer seja: "declarada a existência de relação jurídica que autoriza a gozar, pelo prazo estabelecido no art. 40 do ADCT, dos benefícios fiscais que lhe foram reconhecidos pelo CÃS, em decorrência da Resolução 215/98, mediante a qual lhe foram transferidos os incentivos deferidos à Gradiente Eletrônica S.A, concernentes aos projetos objeto das Resoluções 181/93, 540/93, 204/94 relativos à fabricação de telefones celulares operando em tecnologia analógica, ou digital, combinada ou não com outras tecnologias incentivos esses que consistem no coeficiente de redução de alíquota do imposto de importação incidente sobre as matérias primas, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira utilizados nos seus respectivos processos de fabricação, dos respectivos produtos, no percentual de 88% (oitenta e oito por cento), conforme o §4° do art. 7º do DL 288/67, com a redação da Lei 8.387/91" (doc. 04.ii); em 29 de agosto de 2002, foi prolatada sentença na Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624, julgando integralmente procedente o pedido formulado, ressalvando a possibilidade de a Administração efetuar os necessários lançamentos: “Destaco, outrossim, que, como o ato de lançamento do crédito tributário da Administração é vinculado, não se pode impedir que esta empreenda fiscalização às atividades da Requerente, podendo, inclusive, como bem decidiu a MM. Juíza Federal, às fls. 277/278, efetuar os lançamentos tributários. (...) Por estes fundamentos, DEFIRO a medida cautelar liminar para que a União Federal, representada pelas autoridades: a) se abstenha de autuar a requerente e/ou por qualquer forma imporlhe medidas coativas tendentes a exigir diferenças de imposto de importação, pelo fato de terse utilizado, relativamente a telefones celulares de sua produção, dos benefícios fiscais de que é titular por força da Resolução 215/98, que autorizou a transferência para ela dos direitos adquiridos da Gradiente Eletrônica, emanados da Resolução 181/93, 540/93, 204/94 e 97/96, ressalvandose à autoridade administrativa o mais amplo poder de fiscalização quanto ao cumprimento dos requisitos para seu gozo, previsto no DL 288. b) se abstenha de impedir novas internações dos referidos produtos com aplicação do redutor de 88% da alíquota do imposto de importação incidente sobre as matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagens, componentes e outros insumos de origem estrangeira, empregados nos referidos produtos.” (fls. 105100 e doc. 03. v); na mesma data, foi prolatada sentença na Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690: “Por tais fundamentos, JULGO PROCEDENTE o pedido para declarar a existência de relação jurídica que autorize a Autora a gozar, pelo prazo estabelecido no art. 40 do ADCT, dos benefícios fiscais concedidos pela Resolução n° 215/98, na qual lhe foram transferidos os incentivos fiscais previstos no §4° do art. 7º do DecretoLei n° 288/67 concedidos à Gradiente Eletrônica S.A pelas Resoluções nº 181/93, 540/93 e 204/94 referentes à fabricação de telefones celulares, carregadores de baterias e baterias para telefones operando em tecnologia analógica ou digital combinada ou não com outras tecnologias.” (fls. 77 e doc. 04.iii); Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.478 5 inconformada, em 16 de outubro de 2002, a União interpôs Apelação na Medida Cautelar e na Ação Ordinária. E, em 26 de novembro de 2010, foi publicado o r. Acórdão proferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região no julgamento da Apelação interposta pela União na Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624, negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial (fls. 121131 e doc. 03.vi). Na mesma data, foi publicado o r. Acórdão proferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região no julgamento da Apelação interposta pela União na Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690, igualmente negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial (fls. 94104 e doc. 04.iv); em face dos r. Acórdãos proferidos na Medida Cautelar 2000.32.00.004162 4 e na Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690, a União opôs, em 17 de dezembro de 2010, Embargos de Declaração. E, em 01 de abril de 2011, foram publicados os r. Acórdãos que rejeitaram os Embargos de Declaração opostos pela União (fls. 112 120 e doc. 03.vii e fls. 8593 e doc. 04.v). Por fim, em 18 de maio de 2011, a União interpôs Recursos Especiais em relação às referidas ações judiciais recursos esses que, atualmente, aguardam o exame de admissibilidade, como demonstram as Certidões de Objeto e Pé expedidas naqueles processos (docs. 03.i e 04.i); DO MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2001.34.00.0002900 paralelamente, em 27 de dezembro de 2000, a Secretaria da Receita Federal expediu o Ato Declaratório SRF n° 96 (doc. 05), declarando "insubsistentes, ex tunc, para fins tributários, atos da Superintendência da Zona Franca de Manaus SOFRAM e do seu Conselho de Administração, referentes à concessão de incentivos fiscais", dentre os quais especificamente, a Portaria do Superintendente da SOFRAM n° 110/99 (doc. 02) e as Resoluções CÃS n°s 161/98 e 107/99 (doc. 02). contra esse ato, a impugnante, em 08 de janeiro de 2001, impetrou o Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900, para o fim de: "assegurar o direito líquido e certo da impetrante aos estímulos assegurados na Portaria 110/99, e Resoluções 107 e 161/98 mantendo válidos e eficazes os referidos atos e, anulado o ato coator, dada a sua manifesta inconstitucionalidade, por violação aos dispositivos da lei maior e da legislação ordinária indicados ao longo desta peça (arts. 1º II, 5º XXXV, XXXVI, LIV e LV; 37 'caput' da CF; arts. 40 ADCT; arts. 146 e 178 CTN; DL 288/67, na redação da Lei 8.387/91; Decretos 71.423/73 e 76.801/75; art. 7º § 4º da Lei 8.387/91 e art. 2º da Lei 9.784, de 29.01.99" (doc. 06.ii); em 27 de março de 2001, foi prolatada sentença no referido Mandado de Segurança, concedendo integralmente a segurança pleiteada: “DISPOSITIVO 14. CONCEDO a segurança para anular o Ato Declaratório 96/2000, do Secretário da Receita Federal, ficando restabelecidos os atos da Suframa e do seu Conselho de Administração concessivos dos benefícios fiscais previstos no DL 288/67 à impetrante Nokia do Brasil Tecnologia Ltda (sucessora da empresa NG Industrial Ltda.), inclusive em relação a aparelhos de telefones celulares operando em tecnologia digital, combinada ou não com outras tecnologias”. (fls. 4650 e doc. 06.iii) inconformada, em 11 de junho de 2001, a União interpôs Apelação nos autos do Mandado de Segurança. E, em 19 de novembro de 2010, foi publicado o r. Acórdão proferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1a Região no julgamento da Apelação interposta pela União Federal nesse Mandado de Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Segurança, negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial. Esse Acórdão foi assim ementado: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ZONA FRANCA DE MANAUS. APROVAÇÃO DE PROJETO INDUSTRIAL PARA FABRICAÇÃO DE TELEFONE CELULAR. INCENTIVOS FISCAIS. EXTENSÃO DO BENEFÍCIO PARA CELULARES DIGITAIS. ATO DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DECLARANDO INSUBSISTENTES OS ATOS DA SOFRAM E DE SEU CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO QUE ESTENDERAM O BENEFÍCIO. NULIDADE. INCOMPETÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE HIERARQUIA. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO AFASTADA. I Na espécie dos autos, não merece prosperar a preliminar suscitada pela apelante, porquanto a documentação apresentada é suficiente para o deslinde da demanda. Ademais, a existência ou não de direito líquido e certo a amparar a pretensão da impetrante, aqui se confunde com o mérito e como tal será analisada. II A anulação dos atos administrativos pela própria Administração Pública constitui a forma normal de invalidação de atividade ilegal do Poder Público, como uma atividade de justiça interna exercida pelas autoridades administrativas em defesa da instituição e legalidade de seus atos. Tal faculdade é ampla e pode ser exercida de ofício, desde que pelo mesmo agente que praticou o ato ou por autoridade hierarquicamente superior. III No caso em exame, contudo, o Secretário da Receita Federal não é autoridade competente para declarar a insubsistência de atos expedidos pela Suframa e seu Conselho de Administração, porquanto não foi quem os praticou, nem se trata de autoridade hierarquicamente superior. Ademais, na espécie, exigese respeito às garantias fundamentais do ato jurídico perfeito, da segurança jurídica, no âmbito dos incentivos fiscais legalmente concedidos pela autoridade competente, visando o desenvolvimento econômico e social sustentável. IV Apelação e remessa oficial desprovidas.” (fls. 6074 e doc. 06.iv); vale ressaltar, por oportuno, o seguinte trecho do voto do i. Desembargador Relator: “As Resoluções/SOFRAM que aprovam projetos industriais reconhecendo benefícios fiscais são onerosas (concedidas em função de determinadas condições e para determinada finalidade) e por prazo certo (arts. 40 e 92 do ADCT), sendo, por isso, irrevogáveis e imodificáveis por lei superveniente (art. 178 do CTN), gerando direito adquirido. Em sendo assim, há de ser reconhecido o direito adquirido da autora ao benefício fiscal do redutor da alíquota de Imposto de Importação de 88% (oitenta e oito por cento) para celulares digitais.” (fls. 6074 e doc. 06.iv) em face do r. Acórdão proferido no Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900, a União, em 16 de dezembro de 2010, opôs Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados, conforme Acórdão publicado em 25 de março de 2011 (fls. 5159 e doc. 06.v). Em 11 de maio de 2011, a União interpôs Recurso Especial no referido Mandado de Segurança, recurso esse que aguarda o exame de admissibilidade, como demonstra a Certidão de Objeto e Pé relativa àquele processo (doc. 06.i). destaquese que o Acórdão do Egrégio Tribunal Regional da 1ª Região reconheceu a inexigibilidade do cálculo do benefício fiscal do redutor da alíquota do Imposto de Importação pelo Coeficiente Variável, e que o recurso interposto pela União em face daquele Acórdão não é dotado de efeito suspensivo, de modo que a exigibilidade do crédito tributário em causa se encontra suspensa. Nesse sentido, há jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes; DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10283.004483/200216 Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.479 7 em 03/06/2002 a impugnante foi notificada da lavratura de Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 10283.004483/200216 (doc. 07.ii), no qual se exigia o total das diferenças entre os valores do Imposto de Importação, calculados com a aplicação do coeficiente variável de redução, e os recolhidos pelo contribuinte, calculados com a aplicação do coeficiente de redução fixo em 88%, relativos às internações de aparelhos de telefonia celular digital, cujas Declarações de Internação (DIPI), foram registradas entre abril de 1999 e dezembro de 2000; destaquese que o Auto de Infração foi lavrado com a exigibilidade suspensa, por força da medida liminar concedida na Medida Cautelar nº 2000.32.00.0041624, exclusivamente para fins de prevenir a decadência, sem a cobrança de multa de ofício. Após a impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJFOR) solicitou diligência, a qual resultou em lançamento complementar que, ao contrário do lançamento original, foi lavrado sem reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e com o acréscimo da multa de ofício de 75%; apresentada nova impugnação, a DRJFOR, em sessão realizada em 26/09/2003, reconheceu a suspensão da exigibilidade e, por consequência, afastou a multa de ofício cobrada no lançamento complementar (doc. 07.v). Interpostos Recursos de Ofício e Voluntário, o Conselho de Contribuintes, em 15/03/2005, confirmou a suspensão da exigibilidade e a exoneração da multa de ofício cobrada no lançamento complementar; posteriormente, os autos foram remetidos à origem, mais especificamente ao Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAT) da Alfândega do Porto de Manaus, e lá se encontram desde 17 de março de 2006 (doc. 07.vii), com a exigibilidade do crédito suspensa, aguardando o desfecho das ações judiciais, como demonstra o despacho proferido em 11 de janeiro de 2011 (doc. 07.viii, fl. 673); diante do exposto, resta evidente que, à época da lavratura do Auto de Infração, em 30 de junho de 2011: “a) havia decisão judicial proferida na Ação Ordinária n° 2000.32.00.004869 0, dotada de plena eficácia, na medida em que sujeita apenas a recursos sem efeito suspensivo, declarando o direito da Impugnante calcular a redução do Imposto de Importação devido na internação de telefones celulares produzidos na Zona Franca de Manaus com base no coeficiente fixo de 88% previsto no parágrafo 4º do artigo 7º do DecretoLei n° 288/67; b) havia decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900, dotada de plena eficácia, na medida em que sujeita apenas a recursos sem efeito suspensivo, anulando o Ato Declaratório n° 96/2000 do Secretário da Receita Federal e restabelecendo os Atos da SOFRAM e de seu Conselho de Administração, concedendo à Impugnante os benefícios fiscais previstos no DecretoLei nº 288/67, inclusive em relação aos telefones celulares operando em tecnologia digital; c) o crédito tributário objeto do Auto de Infração a que se refere o presente processo administrativo se encontrava m – e ainda se encontra – com sua exigibilidade suspensa, em virtude das decisões proferidas Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624 e nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900.”; vale salientar que a fiscalização estava plenamente ciente desse contexto, porquanto, no curso do procedimento fiscalizatório realizado no presente processo administrativo, a impugnante informou expressamente que "utiliza método do Coeficiente Fixo com amparo em decisões judiciais" (fls. 41 e 141), juntando cópia das referidas decisões judiciais (fls. 46131); Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 DO AUTO DE INFRAÇÃO em relação ao Auto de Infração, observase que a fiscalização, desconsiderando a existência das decisões proferidas na Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624, na Ação ordinária nº 2000.32.00.0048690 e no Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900, considerou que a impugnante deveria calcular a redução do Imposto de Importação com base no coeficiente variável e deixou de reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, constituindo o crédito tributário relativo ao tributo acrescido de multa de ofício. Daí a razão da apresentação da presente impugnação, a qual versa sobre questões outras que não são objeto de discussão nos processos judiciais; DA INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA não há que se cogitar, no presente caso, de renúncia à via administrativa por parte da impugnante, posto que as matérias objeto da impugnação e as matérias versadas nas ações judiciais são absolutamente distintas. Não se está pleiteando, nos limites do presente Processo Administrativo, a apreciação de matérias que são objeto das ações judiciais, devendo, por isso, ser recebida a Impugnação, nos termos da letra "b" do Ato Declaratório Normativo n° 03/1996: “(...) quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (...)”; os pedidos, causa de pedir e mesmo os argumentos jurídicos manejados na esfera judicial não são, de modo algum, idênticos aos veiculados na presente impugnação. Assim, dúvida não remanesce quanto à inexistência de qualquer óbice ao recebimento e regular processamento da presente Impugnação, conforme o pacífico entendimento da Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, devendo, portanto, ser dado seguimento à impugnação, a fim de que seja analisado seu mérito; DA INEXISTÊNCIA DE QUALQUER ALTERAÇÃO EM RELAÇÃO AOS BENEFÍCIOS FISCAIS FRUÍDOS PELA IMPUGNANTE EM DECORRÊNCIA DO DECRETO Nº 6.008/2006 quanto ao mérito, em primeiro lugar, não houve, em decorrência do decreto nº 6.008/2006, qualquer alteração em relação aos benefícios fiscais fruídos pela impugnante. Os terminais portáteis de telefonia celular com tecnologia digital são considerados bens de informática desde muito antes desse Decreto (MIR/MCT/MICT/MC n° 272/93, com a redação que lhe deu a Portaria Interministerial MIR/MCT/MICT/MC n° 138/94); não bastasse isso, o Decreto n° 3.801/2001, que regulamentava o parágrafo primeiro do artigo 4º e o parágrafo 2º do artigo 16A da Lei n° 8.248/91 e que antecedeu o Decreto n° 5.906/2006, referido pelo Auto de Infração, já incluía os telefones celulares como bens de informática; assim, não pode haver dúvida de que não foi o Decreto n° 6.008/2006 que determinou que os terminais portáteis de telefonia celular deveriam ser considerados como bens de informática; em segundo lugar, “seguir o Decreto 6.008/2006”, segundo a fiscalização, seria calcular o Imposto de Importação devido na internação de bens de informática produzidos na Zona Franca de Manaus com base no coeficiente variável (fl. 09). Entretanto, essa determinação já existe desde à edição da Lei nº 8.397/1991, artigo 2º. Portanto, também aqui o Decreto nº 6.008/2006 não trouxe qualquer alteração que justificasse a lavratura do Auto de Infração; em terceiro lugar, não é dado a simples decreto, como o Decreto n° 6.008/2006, alterar os benefícios fiscais concedidos pela lei; Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.480 9 além disso, no caso de benefícios fiscais, como aquele relativo à redução do Imposto de Importação devido na internação de produtos fabricados na Zona Franca de Manaus, a exigência de lei encontra previsão expressa no parágrafo 6º do artigo 150 da Constituição Federal. Portanto, mesmo que pretendesse fazêlo, o Decreto n° 6.008/2006 não poderia alterar o benefício fiscal fruído pela impugnante; mas, ainda que assim não fosse, a edição do Decreto n° 6.008/2006 não poderia afetar o benefício fiscal fruído pela impugnante. Isso porque, como se viu, as decisões proferidas na Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690 e no Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900 reconhecem que a impugnante tem direito adquirido à utilização do coeficiente fixo de 88% no cálculo do Imposto de Importação incidente na internação de terminais portáteis de telefonia celular produzidos na Zona Franca de Manaus, independente da tecnologia utilizada; havendo direito adquirido, não pode ele ser prejudicado sequer por lei, nos termos do que expressamente prevê o inciso XXXVI do artigo 5º da Constituição Federal. Nesse sentido é o trecho (citado) do Acórdão proferido no julgamento da Apelação/Reexame necessário da Ação Ordinária nº 2000.32.00.0048690 se nem lei poderia alterar os benefícios fiscais fruídos pela Impugnante, evidentemente não poderia fazêlo um simples decreto, como o Decreto n° 6.008/2006; DA INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO: DESRESPEITO À DECISÃO JUDICIAL DOTADA DE EFICÁCIA PLENA como se viu, a impugnante, no âmbito da Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690, obteve sentença de procedência, posteriormente confirmada pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região. o requerimento formulado na petição inicial dessa Ação foi para que esta fosse julgada procedente para o fim ser declarada a existência de relação jurídica que a autoriza a gozar, pelo prazo estabelecido no art. 40 do ADCT, dos benefícios fiscais que lhe foram reconhecidos pelo CÃS, em decorrência da Resolução 215/98, mediante a qual lhe foram transferidos os incentivos deferidos à Gradiente Eletrônica S.A, concernentes aos projetos objeto das Resoluções 181/93, 540/93, 204/94 relativos à fabricação de telefones celulares operando em tecnologia analógica, ou digital, combinada ou não com outras tecnologias, incentivos esses que consistem no coeficiente de redução da alíquota do imposto de importação incidente sobre as matérias primas, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira utilizados nos seus respectivos processos de fabricação, dos respectivos produtos, no percentual de 88% (oitenta e oito por cento), conforme o § 4º do art. 7º do DL 288/67, com a redação da Lei 8.387/91; a r. Sentença proferida no julgamento da referida Ação Ordinária foi no sentido de declarar a existência de relação jurídica que autorize a Autora a gozar, pelo prazo estabelecido no art. 40 dos ADCT, dos benefícios fiscais concedidos pela Resolução n° 215/98, na qual lhe foram transferidos os incentivos fiscais previstos no § 4° do art. 7º do DecretoLei n° 288/67 concedidos à Gradiente Eletrônica S/A pelas Resoluções n° 181/93, 540/93 e 204/94 referentes à fabricação de telefones celulares, carregadores de baterias e baterias para telefones operando em tecnologia analógica ou digital combinada ou não com outras tecnologias; o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1ª Região), ao julgar a Apelação interposta pela União e a Remessa Oficial, confirmou essa sentença, sendo Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 que a União interpôs Recurso Especial, que está pendente de juízo de admissibilidade. Assim, não pode haver dúvida de que a Impugnante possui a seu favor decisão judicial, dotada de eficácia, que declara seu direito de se valer do coeficiente fixo previsto no parágrafo 4º do artigo 7º do DecretoLei n° 288/67 no cálculo da redução do Imposto de Importação devido na internação de telefones celulares produzidos na Zona Franca de Manaus, independentemente da tecnologia utilizada; o Auto de Infração, no entanto, ignorando e afrontando o comando judicial – não obstante a fiscalização dele haja sido expressamente informada pela impugnante – , constituiu crédito tributário relativo ao Imposto de Importação devido na internação de telefones celulares produzidos na Zona Franca de Manaus justamente sob o fundamento de que impugnante deveria calcular a redução do Imposto de Importação com base no coeficiente variável; ao fazer isso, o Auto de Infração atraiu para o lançamento nele consubstanciado mácula insanável, devendo, por isso, ser julgado integralmente insubsistente. Isso porque a decisão do Egrégio TRF1ª Região declara categoricamente o direito da impugnante de apurar a redução do Imposto de Importação com o emprego do Coeficiente Fixo. Tratase de decisão declaratória, oriunda de Acórdão definitivo daquele Tribunal formado sob cognição plena e exauriente, com eficácia imediata, que obviamente vincula a União; cabe destacar que a eficácia do r. Acórdão proferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região não encontra qualquer óbice na circunstância de ele não haver ainda transitado em julgado, pela simples e boa razão de que a produção de efeitos de determinada decisão não possui qualquer dependência da formação da coisa julgada; outrossim, convêm destacar que a circunstância de se tratar de decisão declaratória tampouco representa qualquer óbice a sua imediata aplicação e eficácia seja qual for o ângulo de visão, a conclusão é sempre a mesma: a fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração, violou frontalmente a eficácia declaratória do r. Acórdão do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que decidiu pela existência do direito da impugnante de apurar a redução do Imposto de Importação com o emprego do coeficiente fixo de 88% previsto no parágrafo 4º do artigo 7º do DecretoLei n° 288/67. Já por isso, deve ser julgado integralmente insubsistente o Auto de Infração; DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGIR MULTA DE OFÍCIO QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO SE ENCONTRA COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA Conforme narrado, não obstante o crédito tributário esteja com sua exigibilidade suspensa, a fiscalização constituiu o crédito tributário relativo ao Imposto de Importação que alega ser devido pela impugnante, acrescido de multa de ofício, pretensamente com fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; assim, caso superados os argumentos até aqui expendidos, o que apenas para argumentar se admite, deve o Auto de Infração ser reformado, porquanto, uma vez configurada a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário à época do lançamento, a fiscalização pode constituir o crédito tributário, para prevenir a decadência, mas não pode lançar a multa de ofício, conforme expressamente dispõe o artigo 63 da Lei n° 9.430/96; esse entendimento é unânime no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido inclusive por ele sumulado (Súmula CARF nº 17), tendo efeito Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.481 11 vinculante em relação à Administração Federal por força da Portaria do Ministério da Fazenda nº 383/2010; no caso concreto, portanto, face à suspensão da exigibilidade do crédito tributário em causa, o lançamento deveria haver sido lavrado pelo Fisco apenas com o propósito de forrarse dos efeitos da decadência, sem a aplicação de multa de ofício, de acordo com o referido artigo 63 da Lei n° 9.430/1996; deve ser salientado ainda que, no Processo Administrativo nº 10283.004483/200216, caso em tudo idêntico ao presente, apenas que referente a Declarações de Internação registradas entre abril de 1999 e dezembro de 2000, o lançamento original foi efetuado para prevenir a decadência, sem a aplicação de multa de ofício, nos termos do artigo 63 da Lei n° 9.430/96 (doc. 07), exatamente porque a fiscalização reconheceu que o crédito tributário então constituído estava com a sua exigibilidade suspensa por força justamente da medida liminar concedida nos autos da Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624; e posteriormente, como resultado de diligências realizadas naquele Processo Administrativo, foi lavrado lançamento complementar, desta vez com a aplicação da multa de ofício. A cobrança dessa multa foi, no entanto, sumariamente afastada pela Delegacia de Julgamento de Fortaleza, em decisão posteriormente confirmada pelo Conselho de Contribuintes, ao negar provimento ao Recurso de Ofício; assim, restando demonstrada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ora cobrado, dúvida não remanesce quanto à necessidade de ser reconhecida tal suspensão e, ato contínuo, afastada a multa de ofício cobrada no Auto de Infração; DA IMPOSSIBILIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Diante da verificação de que, em várias oportunidades, a Receita Federal do Brasil exige do contribuinte valores referentes a juros de mora calculados sobre o valor de multa de ofício, muito embora aqueles valores correspondentes aos juros não sejam exigidos nos Autos de Infração, entende por bem a impugnante contestar, desde logo, tal cobrança, na hipótese de ser mantida a multa de ofício, o que se admite apenas para argumentar; a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício não tem suporte legal. a própria dicção do caput do artigo 161 do Código Tributário Nacional evidencia que não há possibilidade de incidir juros de mora sobre a multa de ofício; em relação à Lei nº 9.430/1996, a única interpretação possível do seu artigo 61, que trata dos juros de mora, é no sentido que autoriza a sua incidência somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada; a corroborar o entendimento de que a cobrança de juros é apenas sobre o valor dos tributos e contribuições, temse o artigo 43 da Lei n° 9.430/96; devese salientar por fim, que, a jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconhece, em vários Acórdãos o nãocabimento da exigência dos juros de mora sobre o valor da multa de ofício; Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 DA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE QUALQUER VALOR QUE SE ENTENDA DEVIDO ENQUANTO NÃO HOUVER DECISÃO FINAL NAS AÇÕES JUDICIAIS OU ENQUANTO NÃO CESSAREM OS EFEITOS DAS MEDIDAS QUE SUSPENDERAM A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO como se viu, o crédito tributário objeto do presente Processo Administrativo encontrase com sua exigibilidade suspensa, em virtude das decisões proferidas na Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624 e no Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900; assim, não podem ser adotados quaisquer atos tendentes à cobrança do referido crédito tributário, devendo o presente Processo Administrativo, mesmo após sua conclusão, aguardar o resultado das ações judiciais relativas ao crédito tributário nele constituído. Essa a disposição expressa do parágrafo único do artigo 62 do Decreto 70.235/72, segundo o qual, durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão, sendo que, se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios; vale dizer: mesmo que, ao final, entendase que algum valor é devido no presente Processo Administrativo – o que apenas para argumentar se admite – este valor não poderá ser exigido enquanto não houver decisão final nas ações judiciais ou enquanto não cessarem os efeitos das medidas que determinaram a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Segue essa linha o Parecer PGFN/CRJN nº 1.064/1993, elaborado em resposta à consulta formulada pela Secretaria da Receita Federal àquela Procuradoria sobre o alcance do artigo 62 do Decreto nº 70.235/1972, conforme Boletim Central nº 165/93 (doc.09). Não discrepa desse entendimento a doutrina de Leandro Paulsen e outros autores, assim como a jurisprudência administrativa e judicial, conforme Acórdãos do CARF, dos Conselhos de Contribuintes e do STJ; vale salientar que outra não foi a medida adotada nos autos do Processo Administrativo n° 10283.004483/200216, cujo lançamento foi efetuado com a suspensão da exigibilidade do crédito, sem a aplicação de multa de ofício, apenas para prevenir a decadência nos termos do artigo 63 da Lei n° 9.430/96, e assim permanece até os dias atuais, aguardando o desfecho das ações judiciais (doc. 07.viii); assim, dúvida não remanesce de que, no caso concreto, eventual valor que se entenda devido não poderá ser cobrado enquanto não houver decisão final na Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690 e no Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900 ou enquanto não cessarem os efeitos das medidas que suspenderam a exigibilidade do crédito tributário; por todo o exposto, REQUER o recebimento da presente impugnação, que espera, ao final, ver julgada procedente, nos termos da fundamentação, para o efeito de: a) julgar integralmente insubsistente o Auto de Infração objeto do Processo Administrativo n° 10283.720636/201167; ou, sucessivamente, b) julgar insubsistente o Auto de Infração objeto do Processo Administrativo n° 10283.720636/201167, para o efeito de afastar a cobrança da multa de ofício; e, em qualquer caso, Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.482 13 c) afastar a eventual cobrança de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, conforme acórdão nº 0823.934, datado de 21/08/2012, às fls. 1.059/1.086, sob as seguintes ementas: “IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura de ação judicial contra a Fazenda importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, impedindo o pronunciamento destas sobre a matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Nessa situação, o lançamento tornase definitivo na esfera administrativa, estando vinculado ao que for decidido no processo judicial. O processo administrativo terá prosseguimento normal, no tocante à matéria diferenciada em relação à ação judicial. Em se tratando de questão acessória, a eficácia do julgamento administrativo ficará subordinada ao resultado do processo judicial. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA LIMINAR. A concessão de medida liminar em ação cautelar suspende a exigibilidade do crédito tributário. MEDIDA LIMINAR. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. Incabível o lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, no caso de suspensão da exigibilidade por medida liminar.” Por ter exonerado crédito tributário, em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), a DRJ recorreu de ofício de sua decisão, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, art. 34, inciso I, c/c a Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, art. 2º. Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1.159/1.190), requerendo, a sua reforma, a fim de que, se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, (i) a insubsistência do auto de infração por desrespeito à decisão judicial, dotada de eficácia plena e (ii) a inexistência de renúncia, sequer parcial, à via administrativa, repetindo os mesmos argumentos expendidos na impugnação sobre estas duas matérias. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso de ofício apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 O cancelamento de parte do crédito tributário, multa de ofício, pela autoridade julgadora de primeira instância, teve como fundamento o art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que veda à aplicação de multa no lançamento de ofício para prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário cuja exigibilidade se encontra suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). No presente caso, conforme demonstrado na decisão recorrida, a interessada tinha liminar favorável na Ação Cautelar nº 2000.32.00.0041624, concedida em 07/08/2000 (fls. 638640), em data bem anterior ao início da fiscalização (29/03/2011), conforme a descrição dos fatos do Auto de Infração (fl. 1.062); e, quando da lavratura deste (29/06/2011), com ciência em 30/06/2011, conforme fl. 1.054, a empresa continuava com decisão favorável, já que referida decisão judicial (liminar), foi confirmada por sentença datada de 29/0/2002 (fl. 648) e por acórdão do TRF da 1ª Região. Dessa forma, correta a exoneração de parte do crédito tributário, em discussão, determinada pela autoridade julgadora de primeira instância. O recurso voluntário também atendeu aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. I – Insubsistência do lançamento Ao contrário do entendimento da recorrente, o auto de infração e, conseqüentemente, o lançamento não é insubsistente por desrespeito à decisão judicial. A interposição de ação judicial, seja qual for a modalidade, não tem o condão de impedir o lançamento de ofício. A atividade de lançamento, visando à constituição de crédito tributário, nos termos do Código Tributário Nacional, é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos para sua realização, como no presente caso, conforme dispõe o art. 142, parágrafo único: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Já seu art. 151, assim dispõe: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...]; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.483 15 [...]. Do conteúdo destes dispositivos legais, verificase que a conseqüência advinda da concessão da liminar é a mera suspensão da exigibilidade do crédito, uma vez que a sua extinção fica condicionada à decisão judicial transitada em julgado reconhecendo sua inexigibilidade. A lavratura do auto de infração para a constituição de crédito tributário com exigibilidade suspensa, em face de ação judicial, não traz prejuízo algum ao contribuinte, sendo o lançamento mero ato de formalização do crédito. Se a decisão transitada em julgado lhe for favorável o lançamento e respectivas cominações legais serão cancelados; se contrária a ele, será exigido seu imediato pagamento, bem como dos juros de mora. As liminares e sentenças proferidas nas ações judiciais interpostas pela recorrente contra a Fazenda Nacional não vedam a constituição do crédito tributário, mas tão somente a sua exigência antes do trânsito em julgado das respectivas decisões. II – Inexistência de concomitância Também, ao contrário do entendimento da recorrente, no presente caso, há sim concomitância entre a matéria discutida na esfera judicial e na esfera administrativa, conforme demonstrado na decisão recorrida. O lançamento em discussão decorreu da insuficiência do recolhimento do imposto sobre as importações pelo fato de a contribuinte ter utilizado o método do coeficiente fixo, na apuração da isenção parcial deste imposto nas internações de insumos (terminais portáteis de telefonia celular) utilizados na industrialização de seus produtos, quando deveria ter utilizado o método do coeficiente variável. Nas ações judiciais se discute exatamente a extensão do mesmo benefício, ou seja, a utilização do coeficiente fixo, no cálculo da redução (isenção parcial) daquele imposto sobre as importações de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem). As razões de mérito expendidas pela recorrente, em sua impugnação e no recurso voluntário, também confirmam a concomitância da matéria. Ora, a sua opção pela via judiciária para a discussão de matéria tributária com idêntico pedido na instância administrativa implicou renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decretolei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. Tratase de matéria já sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser aplicada ao presente caso a Súmula nº 01 que assim dispõe: “Súmula CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 16 Assim, aplicase ao presente caso esta súmula, cabendo à autoridade administrativa competente cumprir a decisão judicial transitada em julgado. Em face do exposto, nego provimento ao recurso de ofício, não conheço do recurso voluntário, quanto à matéria oposta concomitantemente nas esferas administrativa e judicial e, na parte conhecida, negolhe provimento. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11080.006079/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3301-000.051
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligencia, no termos da proposta do Relator.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligencia, no termos da ptoposta do Relator. aVi/T) Rodrigo djCosa Possas — Presidente EDITADO EM: 21/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Mauricio Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martinez LOpez, Antônio Lisboa Cardoso (Relator) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da Turma). Relatório Cuida-se de recursos de oficio e voluntário em face do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), que manteve parcialmente procedente o Auto de Infração de Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, do período de apuração de 28/02/2002 a 29/02/2004, decorrente da glosa do credito presumido de 1P1, referente aos valores pagos pelas aquisiOes de "água clarificada" e vapor", sintetizado nos termos da seguinte ementa (fis. 125/128): ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apulação• 28/02/200.2 a 29/02/2004 MA TERIA NÃO IMPUGNADA Considera-se definitivo o lançamento *wad°, na esfera administrativa, a matéria não impugnada. DECADÊNCIA. Verificada a antecipação de pagamento e expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato getador, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, decaindo a Fazenda Pública do direito de exigir eventuais diferenças', a titulo de IPI não recolhido, por glosas de créditos presumidos do 111 não admitidoS. GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPL• BASE DE CÁLCULO. Or valores pagos pelas aquisiçães de "água clarificada" e "vapor", não entram na base de cálculo do beneficio, por não se enquacharem no conceito de matéria-prin?a, produto intermediário ou material de embalagem, únicos in5111110S autorizados pela lei, o que justifica a glosa dos créditos do IPI registrados em excesso INDEFERIMENTO DE PERIM. Indejete-se o pedido de perícia quando a providência se mostra desnecessária à solução da lide. Lançamento Procedente em Palle" A DRJ/P0A, recorreu de oficio, em relação à parcela cancelada no valor de R$1.015357,88, em razão de ter sido reconhecida a ocorrência do instituto da decadência sobre o período de 01/02/2002 a 20/02/2002, tendo em vista que a Contribuinte deu ciência ao Auto de Infração em 30/02/2007 (ff. 102), tendo em vista que, efetuado o pagamento antecipado do T1, nos moldes do art, 150, § 4 0 do CTN, sem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de parte do sujeito passivo, o decurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem manifestação expressa da Fazenda, implica a homologação tácita do lançamento, conforme ementário que se transcreve do Acórdão CSRF/02-02,618, sessão de 23/04/2007: "Ementa. 1101 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em se tratando de tributos si.i j eitos a longa nento por homologação, a contagem do prazo decadencial se derived da regra geral, prevista no art, 17.3 do CTN, pal a encontrar respaldoN 4 0 do artigo 150 do mesmo Código, hipótese em que o ler1110 inicia para contagem do prazo de cinco anos é a data da ocorrência do lino gerador Expirado esse prazo, sem i que a Fazenda Pziblica tenha se pronunciado, considera-se homologado o lançamenlo C definitivamente extinto o crédito Acolhido a preliminar de decadência em i elagdo aos fatos geradores ocorridos até 28,de dezembro de 1994 " Plocetiso a' I 1080.006079/2007-3 I E0.3 Rcsolugiio " 3301-00.051 Fl 2 Já em relação as glosas no cálculo do crédito presumido do IN sobre aquisições dos produtos denominados "água clarificada" e "vapor", que não se enquadi am no conceito de MP, PI e ME, o contribuinte alega, basicamente, tratar-se de materiais inter-medlar ios consumidos no seu processo produtivo . De acordo corn a decisfio recorrida, o art. 10 da Lei 9.363, de 1996, prevê que a empresa produtora exportadora fará jus ao Crédito Presumido do IPI, para se ressarcir do valor das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins "incidentes sobre as respectivas aquisiOes, no nieicado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e »laterial de embalagem, para utilizaçao no pi ocesso produtivo", Segundo o parágrafo único do artigo 3° da mesma Lei, subsidiariamente, a legislação do IPI para o estabelecimento dos conceitos de produção, matérias-primas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME). Pois bem: o conceito desses insuntos (MP, PI, ME) se extrai da norma do artigo 147, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 2,637, de 25 de junho de 1998 (RIPI/98), convertido no art. 164, inciso I, do RIPI/02, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002: t 147. Os eAtabeleciinentos industrials, e os que lhes são equiparados, podei fio creditor-se (Lei a' 4 502, de 1964, art. 25): - do imposto relativo a matérias-primas, pi °dittos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas produtos intermediát ios, aqueles que, embora mio se integrando ao now pruchtio, fOrem cohstunidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos elute os heirs do ativo permanente; Por sua vez, o alcance da expressão "constunidos no proc de industrialização" é esclarecido pelo Parecer Normativo CST n.° 65/79, publicado de 06-11-1979, que assevera: "10 Resume-se, portanto, o problema na deteminação do que se deva entender como produtos 'que embora não se integrando ao novo produto, fbrem consumidos no processo de industrialização.' 10.2 — A exp . es.são 'consumidos , ' lid de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, eyemplifleativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou quimieas, desde de que deconentes de ação direta do instinto sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo." (negrito na transcrição) Consta ainda, para que seja dado o tratamento de instintos aos bens que, embota não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança Corn 45 MP e OS PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorancia de u ni contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida. No aludido parecer so mencionados os seguintes exemplos: lixas, laminas de serra e catalisadores, desde que não integrem o ativo permanente. Dos termos dos atos normativos acima mencionados, deduz-se que a inclusão dos valores de " água clarificada" e do "vapor", não identificados como MP, PI e ME, na base de cálculo do crédito presumido, improcedente, porque não atende aos requisitos (se consumirem em contato fisieo direto com o produto industrializado) para serem considerados iris/tows empregados no processo de industrialização dos produtos exportados. A propósito, o próprio contribuinte reconhece em sua impugnação, item .3.30, fls. 114 e item 3.36, fls. 115, não haver contato físico dosses produtos com o produto em fabricação. Nesse sentido a Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes decidiu no mesmo sentido, ao apreciar Recurso Especial interposto por outro contribuinte, conforme- ementário do Acórdão -CSRF/02-01.912 da Segunda Turma, em sessão de 12/04/2005, que assim julgou: Ementa: JPJ — Crédito Presumido — Energia Elên ica, Combustiveis e Ág-tia Clarificada — Para enquadramento no beneficio, somente se caracterizam como malária-prima e produto inter mediário or inS'111110V que -se integram ao produto final, ou que, embora a ele não se integrando, sejam consumidos, em decorrência de ação diz eta sobre este, no processo de fabricação. A energia ele/rica usada como forgo 1170friz Oti fonte de calor ou de iluminação, os combustíveis e a água clarificada por não atuarem t diretamente sabre o produto em fabricação, não se enquadra nos conceitos de inaféria-prima au produto intermedicirio. (grit-el) Dessa forma, conclui a decisão, que os materiais denominados "água clarificada" e "vapor" não podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido do IPI, por não se enquadrarem no conceito de MP, PI, ME, únicos insionos admitidos pela lei. Por fim, sobre o pedido de realização de pericia, aduz que, apesar de ter sido indicado profissional e a formulação de quesitos pelo impugnante, a mesma seria inócua a realização de perícia solicitada pelo contribuinte, visto que o que se discute é se os produtos em questão ("Agua clarificada" e "vapor"), se consomem em contato direto com o produto industrializado, fatos que o próprio contribuinte, ao descrever o processo produtivo, em sua impugnação e em Laudo de Especificação Técnica, não logrou comprovar tais requisitos, e a realização de perícia não supriria essa deficiencia, não havendo, portanto, motivação suficiente que justifique o pedido do irnpugnante, sendo desnecessária para a solução do litígio, podendo ser indeferida de acordo corn o art. 18 do-PAF. Ademais, o pedido para a realização de prova pericial, deve-se ter presente que, de acordo corn o art. 16, IV, do Decreto n 0 70,235, de 6 de março de 1972 ( )AF) com a redação dada pelo art, 10 da Lei n2 8.748, de 9 de dezembro de 1993, a impt gnaçaR deve mencionar as diligências ou pericias que o impugnante pretenda sejam efetuada expostos, em conformidade corn decisão do extinto Conselho de Contribuintes: - "DILIGÊNCIA FISCAL/PERÍCIA — A determinação de realização de diligências elou pericias compete a autoridade singular; podendo a mesma ser de oficio ou a requerimento do sujeito passivo. O seu indeferintento pelo julgador de primeira instiincia não acarreta cerceamento de defesa, se as provas p .esentes nos autos são sulicientes part', formação da livre convicção sobre os tatos ensejadores do lançamento" (1° CC; 4° Camara; ptoc 10825 000839/98-67, Acórdão 104-17667). É. o relatório. Process() n" 11080 006079/2007-3 I S3 -1 LO3 Resoluçtio n. 3301-00.051 Fl 3 Voto Conselheiro Relator, Relator O recurso de oficio merece ser conhecido e improvido por seus próprios fundamentos, porquanto, conforme bem frisado no voto condutor do acórdão recoirido, '... eft/rock o pagamento antecipado do IPI, nos moldes do art, 1.50 do CTN, sem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de parte do sujeito passivo, o decurso do prazo de cinco anos, contados da ocori encia do lato gerador, sem manifestação expresso da Fazenda, implica homologação kicita do lançamento". Inform ainda que, no presente caso "efetivamente ocorreu pagamento antecipado do IPI conforme demonstram os extratos das ,f1s. 215/216, obtidos no sistema SINAL 10 da RFB, de modo a "concretizar a hipótese de lançamento por homologação antes citado, cujo prazo ,I, decadencial, coma já dito, é de cinco anos contados do/cito gerador." Nesse sentido cita a douta Camara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes também entende que no lançamento por homologação o prazo decadencial é contado nos terms do § 4" do art. 150 do CTN, confbune ementário que se transcreve do Acórdão CSRF/02-01618, sessão de 23/04/2007: Ementa IPI, DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento pot homologação, a contagem do prazo decadencial se desloca da regra geral, pi evista no art. 173 do ON, para encontrar respaldo no § 40 do artigo 150 do mesmo Código, hipótese em que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador. Expirado esse prazo, sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considet homologado o langamento e dqfinitivantente extinto o crédito. Acolhido a preliminar de decadência em relação aos fittos geradores ocort idos até 28,de dezembro de 1994. No mesmo sentido vem decidindo o STJ, como bem demonstra a ementa abaixo reptoduzida, que resume o julgamento do REsp n° 636.626, de 15 de maio de 2007, publicada no DJ de 04/06/2007, relatado pelo Min. •Teori Zavaselci: TRIBUTAIO E PROCESSO CIVIL. RECURSO LSPEC AL VIOLAÇÃO AO ART 535, II, DO CPC. INOCORRENCIA, RA 6ES RECURSALS QUE NÃO INFIRMAM O ACÓRDÃO RECORfq SÚMULA 284/SIF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO HOMOLOGAÇÃO ArÃOCIPAGAMENTO. PRAZO DLCADENCIAL'—' PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DEPÓSITO JUDICIAL, DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. PRECEDENTES 3. 0 prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo ú, eni regra, o do ai t 173. I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco 'altos, 5 contados: do primeiro dia do eyereicio seguinte àquele em que o lanÇalne7710 poderia ler sido efetuado" 4 Todavia, porn or tributar sujeitos a lançamento por homologaçao — que, segundo o art. ISO do CTN, "ocorre quanto any tributar cula legisla çâo atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio crome da autoridade administrative e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assincexercida pelo obrigado, expressamente a homologa" rep a especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o Faro decadencial paiv o lançamento de eventuais diferenças ci de cinco anos a cantor do fato geradoi; conforme estabelece o ,sç 4 0 do art. 150 do CTN Precedentes- da 1" Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 0805.2(100, ERESP 279 473/SP, Min. Than Zavaseki, DJ de 11.10.2004; ERESP 278 727/DF, Min Francitilli Ne/to, DJ de 28 10 2003 Assim sendo, voto no sentido de julgar improcedente o recurso de oficio. O recurso yoluntario, igualmente, merece ser conhecido, porquanto tempestivamente interposto e revestido das demais formalidades. Em relação ao recurso voluntário, em que se discute as glosas no calculo do crédito presumido do IN relativo ás aquisições dos produtos denominados "Agua clarificada" e "vapor", desconsiderados pela decisão recorrida, por entender que não se enquadram no conceito de MP, PI e ME, o contribuinte alega, basicamente, tratar-se de materiais intermediúrios consumidos no seu processo produtivo, entendo ser necessária a conversão do julgamento em diligência , pois, segundo a recorrente, a "agua clarificada" e o "vapor" são consumidos em seu processo produtivo, sofrendo perda de suas propriedades fisicas e químicas em decorrência de uma ação direta sobre os produtos em fabricação. que de acordo com a legislação do JPI, art. 147, I do Decreto n" 2.637/98 e art. 164, I, do Decreto 4,544/2002, devem ser incluidas entre as matérias-primas e os produtos intermediários "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização . Portanto, em principio, o que se exige para a inclusão de um determinado insumo na base de cálculo do crédito presumido de IPI é que este seja "consumido no processo de industrialização". Por sua vez, o Parecer CST n° 65/79, define quais são os insumos que, embora não se integrando ao novo produto, são "consumidos no processo de ind sly.isalização", exigindo, tão somente, que haja "ação direta" do insumo sobre o produto em f ricaç-o e que, em decorrência dessa ação direta, o insurno sofia alterações como "desgaste, o dà o o A perda de propriedades lisicas ou químicas". De acordo com as informações da recorrente, de forma simplificada, aduz que ern seu processo produtivo, os hidrocarbonetos (etenos, propeno, buteno), catalisadores, ativadores, hidrogénio e outros produtos químicos são introduzidos ern reatores de polimerização e, entrando em contato, inicia-se urna reação quimica de "polimerização", da qual se originarão os polimeros fabricados pela Recorrente E, para tanto, a "água clarificada" e , o "vapor" desempenham um papel preponderante nesse processo. 3 Processo U 11080,006079/2007-3 S3-1T03 ResoNO° n " 3301-00,051 Fl 4 Explica ainda que, a reação química de polimerização é urna reação exotermica, que libera calor. E, quanto mais calor é liberado pela reação quimica, mais a temperatura dentro do reator se eleva e mais a reação se acelera. Para manter' a reação sabre controle e assegurar que o produto possa ser fabricado corn as características desejadas e especificadas, é imprescindivel que a temper atura seja mantida estável. Assim sendo, a função da "água clarificada" é a de absorver o calor do produto que está sendo fabricado, havendo urna transferência do produto que está sendo fabricado para a "água clarificada", que retira a energia calorifica do produto, mantendo-o na temperatura adequada. Ressalta, ainda que, "não se tiara de resfriamento de máquinas ou equipamentos, mas de redução da temperatura do próprio produto em fabricação". Da mesma forma, o "vapor", que atua na secagem do pó de polímero que deixa os reatores, na eliminação de resquícios de hexano (produto tóxico, inflamável), cuja eliminação se dá por secagem, porquanto em decorrência da ação do vapor, o polimero, que saiu dos reatores com resíduos de hexano, deixa de conter estes resíduos. 0 vapor atua ainda na fase de extrusao, ern que o pó de polimero é transformado em "pellets" (pequenos grãos esfericos), havendo urna troca de calor entre o vapor e o p6 de polimero, que em decorrência da elevação da temperatura se funde (deixa de ser pó e se torna uma liga). Aduz ainda que essas informações corroboram corn o Laudo de Especificação Técnica que instruiu a Impugnação, e que seriam comprovadas pela pericia técnica requerida, Vê-se, portanto, que a "água clarificada" e o "vapor": a) integram o processo produtivo da Recorrente; b) mesmo naqueles casos em que não há contato fisieo entre a "água clarificada" e o "vapor" e os produtos em fabricação, há ação direta da "água clarificada" e do "vapor" sobre os produtos ern fabricação, e, em consequência dessa ação direta, os produtos em fabricação sofrem transformação em suas características; c) em decorrência da ação direta da "água clarificada" e do "vapor" sabre os produtos em fabricação, e destes sobre aqueles, a "água clarificada" e o "vapor" sofrem alterações, identificadas corn a perda de suas propriedades fisicas e químicas originais. Assim sendo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para qu seja realizada a prova pericial requerida pela Recorrente, tanto na impugnação quanto/no recurso, corn fulcra no art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, conforme requerido As fis. 12 / 2 (vol. 1), nos seguintes termos e quesitos a seguir relacionados: "42 A prova pericial se destinará a demonstrar que a) a "água dal ificada" e o "vapor" integram o processo produtivo da Impugnante; b) lid ação direta da "água clarificada" e do "vapor" sobre os produtos. em fabricação; e c) em decorrência da ação da "cigua clarificada" e do "vapor", os produtos en, fabricação soften i transfoi ntação em suas características e a "água clarijicada" e o "vapor" 30"C111 alteração em suas pi•opiledades físicas. 7 4 3 Para tanto, a hnpugnante indica como seu perito o Engenheiro Químico Elávio Roberto Lima de Barmy, Engenheiro de Processo sênior, CRO n° 05.301320, com endereço profissional no III Pérto Petroquintico, s/14 Lote 04, Terceiro Distrito, Trittufo, RS, e fonnula or seguintes quesitos.: i) há t ai sAréncia de calor entre o produto que está sendo Mbricado e a "água elm ficada"? ii) de que forma se dá a transferéncia de calor do produto em fabricação paro a "água clarificada"? para que haja esta transferencia de calor entre o pi °ditto em fabricação e a água clarificada, é necessário que kaki contato fisico entre eles? iii) em decorrência desta transferencia de calor do produto em fabricação para a "água clarificada", a temperatura do produto em fabricação e da reação de polinterização é mantida sob controle, de modo que o pi ochno final apresente as características desejadas e as propriedades especificadas? iv) em decorrência da transferência de calor entre o produto e a "água clarificada", a "água clarificada" sake alteração em suas propriedades fisicas, em especial em sua temperatura? na secagem do pó de polimero que deixa or reatores de polimerização nos processos em suspensão, há transferência de calor do "vapor" para o pó de polluter° contendo hexano? VI) de que forma se dá a transferência de calor do "vapor" para o pó de polhnero contendo hexano? para que haja esta transferência de calor entre o "vapor" e o pó de polimero contendo heyano, é necessário que haja contato físico entre eles? vii) em decorrência da transferência de calor cio "vapor" para o pó de polímero contendo hevano, ha o aumento da temperatura do pó de polímero e do !levant) e a passagem do hexano da fase líquida para a fase gasosa, com sua evaporação? Depois da secagem, o pó de polimero apresenta resquicias de hexano? viii) O em t decorrência da transferência de calor do "vapor" para o pó tie polímero contendo hexano, o "vapor" sofre tranvfiffmaelio física , passado da fase gasova para a fase liquida? ix)na ex-ausão, há translerência de calor do "vapor" para o pó de polimero 2 x) de que forma se dá a transferência de calor do "vapor" pain o 1)6 de polímero? para que haja esta transferência de calor entre o "vapor" e o pó de polimero, é necesseirio que haja contain físico entre ales? xi) em decorrência da transferência de calor cio "vapor" para o pá de polimero, o pó de polhnero tem sua temperatura aumentada e se funde? xii) em decorrência da transferência de calor do "vapor" para o pá c1 Kadk polimero contendo hevano, o "vapor" .safre transformação lírica, pas- vado eke?. ga 50 50 para a fase líquida? „. .xiiOna destilação do liquor-mãe, há transferência de calm- do "vapor" para.a mistura de hexano e outros prodmos? xiv)de que „forma se dá a iransferencia de calor do "vapor" para a mistura de hexano e outros produtos? para que haja esta lianyerdlicia de calor entre o "vapor" e a mistui a de hexano e outros pi odutos, é !recess-6i ia que haja contato físico enlre eles? xv) em decoirência da transferéocia tle calor cio "vapor' para a mistura de hexano e outros produtos, há o caimento de (empei atura do he.yano e a pctssagen ,-do ( Processo n" 1 1080,006079/2007-31 S3-*TE03 Resolue5o n° 3301-00.051 Fl. 5 hexano rfase liquida paw a fase gasosa, com sua evaporação? em decorrência da aiqerência de calor cio "vapor" para o Itexano, o hexano se sepata dos mat os produtos da wisteria? .xvi)ent decorrência c/a transferência de calor do "vapor" para a mis-lura de hexcuto e outros produtos, o "vapor" sofre transformação física, passado c/a fase gasosa para a lase liquida" .xvii)na etapa de steaming, há contato físico entre a "vapor" e o produto em fabr icaçiio? will) na etapa de steaming, em decorrência da ação do "vapor" sobre o pi oduto em fabricação, verifica-se a desativação das residue's de catalisador, bent como a reinação de hidrocarbonetos impregnados nos pellets de polímero? xix) ao final da etapa de steaming, verifica-se a transformação física do "vapor", com sua passagem da fase gasosa para a .fase liquida? xx) na secagem, há transfer acia de calor do "vapor" para o produto eat fabricação? xxi) cio que fat ma se dá a transferência de calo). do 'vapor" para o produto em fabricação na secagem? para que haja esta transferência de color crave o "vapor" e o produto en: fob, icação na secagem, é necessário que haja cantata [is/co (mire eles? .xxii) na secagem, ern decorrência da transferência de calor do "vapor" pma o ¡mocha° cat fabricação, verifica-se o aumento da temperatura do produto em fabricação e a evaporação dos residuos de água que acompanham o produto em fabricação depois da etapa de steaming? xxiii) na secagem, em decorrência da liansferência de calor do "VC11701'" para o produto cm fiebricução, a "vapor" sofre transfbrmação física, passado da .fase gasosa paia a fase liquida? ,xxiv) na aditiva ção, há transferencia de calor do "vapor" pm ci o produto em fabricacão e para os. aditivos.? xxv) c/c que .fbrina se dá a transferência de calor do "vapor" para o produto em fabricação e ON aditivos na adifivação? para que haja esta transferência de calor entre o "vapor" e o produto em fabricação e os aditivos, é necessário que haja contato físico elate des? xxvi)em decorrência da transferência de calor do "vapor" para o produto en; fabricação e Os aditivos, verifica-se o aumento de temperatura do produto em fabricação e dos aditivos e sua fusão? xxvii) na aditivação, en: decorrência da transferência de calor do "vapor's] am o produto em fabricação e para os aditivos, o "vapor" so fie transfarmação ji.iq, passado da lase gasosa para afase liquida? 4.4 Como se vê, os quesitos.formulados pela Impugnante buscam determinar se a "água clarificada" e o "vapor" enquadram-se no conceito definido pelo Pai CST n ° 65/79 de "produtos que 'embora não se integrando no novo piado/o, fbrein consumidos, no processo de inclustrialização 1, e, ern conseqüência, mesmo que se adote o entendimento perfilado pelo Auto de biliação, devenz ter seu custo considerado na determinação da base de cálculo do crédito prestimido do .1P1 previste) na Lei n° 9363/96." 9 AN\ o Lisboa Cardo Após realizada a diligencia, retornem os autos para prosseguimento do julgamento. 10
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000031/2002-96
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Dec 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Jun 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
MATÉRIA-PRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NECESSIDADE DE DESGASTE DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO OU COMPOSIÇÃO NO PRODUTO FINAL.
Para o bem ser considerado matéria-prima ou produto intermediário, é necessário que ele sofra desgaste durante processo produtivo ou componha o produto final.
Numero da decisão: 3401-001.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro Miranda (Relator) quanto ao aproveitamento do coque e piche. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente e relator designado- ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda. Ausente o Conselheiro Rodrigo Pereira Mello.
Nome do relator: Jean Cleuter Simões Mendonça
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA-PRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NECESSIDADE DE DESGASTE DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO OU COMPOSIÇÃO NO PRODUTO FINAL. Para o bem ser considerado matéria-prima ou produto intermediário, é necessário que ele sofra desgaste durante processo produtivo ou componha o produto final.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 477 1 476 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13204.000031/200296 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401001.120 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de dezembro de 2010 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente ALBRÁS ALUMÍNIO BRASILEIRO S/A Recorrida DRJ BELÉM/PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 MATÉRIAPRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NECESSIDADE DE DESGASTE DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO OU COMPOSIÇÃO NO PRODUTO FINAL. Para o bem ser considerado matériaprima ou produto intermediário, é necessário que ele sofra desgaste durante processo produtivo ou componha o produto final. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro Miranda (Relator) quanto ao aproveitamento do coque e piche. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente e relator – designado ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 31 /2 00 2- 96 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda. Ausente o Conselheiro Rodrigo Pereira Mello. Relatório Em razão do despacho de fls. 476, venho apresentar o relatório e o voto vencedor do acórdão nº 340101.120. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI do 4º trimestre de 2001 (fl. 02). A fiscalização entendeu que alguns itens adquiridos não são insumos, por isso glosou o crédito em relação às seguintes aquisições: barra de aço carbono, concreto refratário, ferro fósforo, ferro gusa, ferro silício, filtro de manga, frete, granalha, jateamento, isoplac, manga filtrante, tijolo isolante/vermiculta expandida e refratários. Por essa razão, do valor pleiteado, R$ 5.780.000,00, foi deferido somente o valor de R$ 5.716.824,65. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 265/313), mas a DRJ em Belém/PA manteve as glosas ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. LEI N° 10.276/2001. FRETE, REFRATÁRIOS E PARTES DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ILEGITIMIDADE. Só geram direito ao crédito de IPI os insumos que se enquadrem no conceito jurídico de matériaprima ou produto intermediário, os quais se desgastem ou sejam consumidos mediante contato direto com o produto em fabricação. (...) DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. De outro lado, também se mostra irrelevante a produção de prova pericial quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. Solicitação Indeferida”. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13204.000031/200296 Acórdão n.º 3401001.120 S3C4T1 Fl. 478 3 A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 12/03/2008 (fl.424) e interpôs recurso voluntário em 04/04/2008 (fls.425/469) com as alegações resumidas abaixo: 1 O Anodo consiste numa grande barra de aproximadamente uma tonelada, resultante da interação do coque calcinado de petróleo e piche, mediante reação físicoquímica, que não pode ser vista a olho nu, mas que mantêm contato direto na fabricação do alumínio; 2 Descreveu o processo produtivo, explicando como o Anodo, o coque calcinado de petróleo, e a barra de aço carbono, energia elétrica, ferros e refratário estão em contato direto com o bem produzido; 3 Falha da delegacia de origem, ao ignorar a variação de estoque dos insumos adquiridos e efetivamente aplicados nos meses de apuração do créditopresumido do IPI; 4 Demonstrado que todos os bens glosados fazem parte diretamente do processo produtivo, a legislação garante o direito ao crédito presumido; 5 O direito ao crédito não pode ser limitado por instrução normativa; 6 O material refratário é desgastado durante o processo produtivo, motivo pelo qual geram o crédito presumido; Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que o crédito fosse integralmente reconhecido. Este Conselheiro foi designado relator ad hoc pelo despacho de fl.476. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente busca o reconhecimento do direito ao crédito presumido do IPI, o qual foi glosado pela autoridade administrativa. O cerne da questão consiste em saber se Fl. 479DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 produtos glosados se enquadram no conceito de matériaprima, produtos intermediários ou materiais de embalagem. 1 Das glosas indevidas O crédito presumido está previsto no art. 1o, da Lei nº 9.363/96, que assim dispõe: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. Para ser considerado matériaprima ou produto intermediário, o bem adquirido deve participar do processo produtivo, compondose ao produto final ou desgastandose durante o processo produtivo. Analisando os autos, notase que alguns dos insumos glosados, muito embora não componham o produto final, são desgastados durante o processo produtivo. E, ainda que esse desgaste seja demorado, ele se classifica como produto intermediário. São eles: barra de aço carbono, concreto refratário, ferro fósforo, ferro gusa, ferro silício, filtro de manga, frete, granalha, jateamento, isoplac, manga filtrante, tijolo isolante/vermiculta expandida e refratários, além do coque e piche. Por serem desgastados durante o processo produtivo, esses insumos devem ser considerados produtos intermediários e, como tal, geram crédito presumido do IPI. Por esse motivo, as glosas em relação a eles devem ser canceladas. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto, para reformar o acórdão DRJ, a fim de cancelar as glosas e reconhecer o direito creditório pretendido pela Recorrente e homologar a compensação até o limite do crédito. Jean Cleuter Simões Mendonça – Relator ad hoc. Voto Vencedor Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator Designado Ad Hoc. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13204.000031/200296 Acórdão n.º 3401001.120 S3C4T1 Fl. 479 5 Preliminarmente ressalto que o conselheiro original renunciou ao cargo, fato que inviabiliza sua assinatura no eprocesso. Assim sendo, fui designado para redigir o voto vencido e o vencedor. Contudo, o exconselheiro foi diligente e deixou a minuta pronta, apenas não poderá assinar eletronicamente, pois lhe falta o certificado digital. Após essa breve digressão passo ao voto vencedor. O crédito presumido é uma forma de desoneração fiscal. São créditos que não estão relacionados com a operação direta do contribuinte. É uma ficção jurídica utilizada pelo legislador, cujo intuito é ressarcir o contribuinte do ônus arcado em operações anteriores. O crédito presumido como ressarcimento do PIS e da Cofins foi regulamentado pela Lei nº 9.363/96. Tal benefício tinha como objetivo o fomento das atividades industriais relacionadas às exportações. Tratase de um crédito correspondente ao ressarcimento das ditas contribuições incidentes na aquisição, no mercado interno, dos principais insumos do contribuinte do IPI, a saber: matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Observe que os insumos tinham que ser utilizados no processo industrial das empresas relacionadas às atividades de exportação. Foi, então, estabelecido um percentual (que resulta da relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta) a incidir sobre os custos com matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no produto exportado, para a obtenção da base de cálculo do benefício. O crédito fiscal resultará da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo acima descrita. Como dito alhures, a base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante aplicação de um percentual sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Ressalto que os insumos admitidos no cálculo do crédito presumido são os conceituados pela legislação do IPI. O Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n.º 2.637, de 25 de junho de 1998 – RIPI/98 (art. 147, I), esclarece que se incluem no conceito de MP e PI os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. Por seu turno, o Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979 (DOU de 6/11/79), norma complementar da legislação tributária, por força do inciso I do artigo 100 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN, esclarece a expressão: “consumidos no processo de industrialização”, condição para que os bens sejam considerados insumos. (...) ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo Fl. 481DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, Fl. 482DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13204.000031/200296 Acórdão n.º 3401001.120 S3C4T1 Fl. 480 7 portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógicoformal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “...e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, equivaleria a por de lado o princípio geral de direito consoante o qual ‘a lei não deve conter palavras inúteis’, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão ‘incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização’ é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários ‘stricto sensu ’, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de Fl. 483DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu ’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. O aludido Parecer orienta no sentido de que se deve considerar no conceito de MP e PI, em sentido lato, os bens que se consumirem em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida. Retornando aos autos, o recorrente colima aproveitar os custos com barra de aço carbono, concreto refratário, ferro fósforo, ferro gusa, ferro silício, filtro de manga, frete, granalha, jateamento, isoplac, manga filtrante, tijolo isolante/vermiculta expandida e refratários, além do coque e piche para cálculo do crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96. Conforme mencionado pelo relator original, os insumos glosados não compõem o produto final, logo, os gastos acima relatados não podem ser computados no cálculo desse benefício fiscal porque não revestem a condição de matériaprima ou produto intermediário (MP e PI), conceituados pela legislação do IPI, como explicado no item anterior, sendo equivocada portanto a interpretação de que, todos os insumos sujeitos à incidência das contribuições para o PIS e a Cofins poderiam ser considerados no cálculo do crédito em referência Com efeito, o valor correspondente a esses custos devem ser considerados como gastos gerais de fabricação, ou custos indiretos incorridos na produção. Desse modo, tais custos devem ser considerados quando da apuração dos valores dos estoques finais dos produtos industrializados, mas não como sendo matériaprima ou produto intermediário empregado nestes. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 20 de dezembro de 2010 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 484DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13204.000031/200296 Acórdão n.º 3401001.120 S3C4T1 Fl. 481 9 . Fl. 485DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10840.721047/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008
CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ILEGITIMIDADE.
Apenas as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais é que fazem jus ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS.
O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado José Ricardo Silva, OAB/DF nº. 19.366.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Relator ad hoc
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2072; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 395 1 394 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.721047/200919 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.469 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria COOPERATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente COPERSUCAR COOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANA DE AÇÚCAR, AÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ILEGITIMIDADE. Apenas as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais é que fazem jus ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado José Ricardo Silva, OAB/DF nº. 19.366. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 10 47 /2 00 9- 19 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata se de Auto de Infração e Demonstrativos (fls.260/276), lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor do principal de R$1.281.394,96, acrescida da multa de ofício e juros de mora de R$2.615.010,07. Constitui o litígio, o lançamento do IPI não recolhido, pela Filial ora autuada, em razão da glosa do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/1996, transferido pela Matriz da cooperativa, considerado indevido pela fiscalização, uma vez que a cooperativa não é produtora do açúcar que exporta, não se equiparando a empresa comercial exportadora Contra o lançamento, a empresa apresentou impugnação, pedindo que fosse julgada improcedente a autuação. Apreciando o pleito da contribuinte, a DRJ, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, conforme resume a ementa abaixo transcrita (fls. 339 e ss): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. Incabível a apuração, a escrituração, utilização ou a transferência do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Não resignada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 362 e ss.), afirmando que, na qualidade de cooperativa centralizadora de vendas, age como mandatária das próprias usinas cooperadas, o que a qualifica como produtora, por ficção legal, além de exportadora, fazendo jus ao crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/1993 . A recorrente acrescentou, ainda, que não faria sentido ser responsável pelo recolhimento do IPI (art. 35 da Lei nº 4.502/1964) e do PIS/COFINS (art. 66 da Lei nº 9.430/1996) das usinas cooperadas e, contraditoriamente, não poder apurar o crédito presumido de IPI, como ressarcimento de PIS/COFINS. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10840.721047/200919 Acórdão n.º 3202001.469 S3C2T2 Fl. 396 3 O processo digitalizado, então, foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Como bem destacou o acórdão recorrido, o art. 1º da Lei nº 9.363/1996 destina a pessoa jurídica produz e, simultaneamente, exporte, o crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/COFINS. Confirase: Verificase que o benefício do crédito presumido do IPI foi instituído para incentivar o produtor de mercadoria nacional e não o vendedor para o exterior, exceto nos casos em que se trate da mesma pessoa, produtoraexportadora, conforme disposição da própria Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, art.1°, que declara, seguida das demais normas que disciplinaram a matéria, Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 19/97, artigo 2º, e Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997, artigo 2°: Art.1° – A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n° 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 397DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 4 aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único – O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. (g.n.) Pelo texto da Lei no 9.363, de 1996, vêse que faz jus ao crédito presumido do IPI a pessoa jurídica produtora e exportadora de produtos nacionais, objetivando que parte do ônus da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, embutido em matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), utilizados pelo produtor em produtos exportados, lhe seja devolvido. Então, as condições para que haja o direito ao crédito presumido do IPI é a) que a pessoa jurídica industrialize e exporte; b) que, nos produtos que tenha industrializado e exportado, tenha sido utilizado MP, PI e ME cuja aquisição tenha sofrido a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Sem desconhecer dessa realidade normativa, a recorrente defende que o conceito de produtor, no caso de cooperativa centralizadora de vendas, deve integrado pelo que dispõe a Lei das Cooperativas (Lei nº 5.764/1971), principalmente os arts. 79 e 83. O art. 79 diz que os atos praticados entre cooperada e a cooperativa não constituem compra e venda nem nenhuma outra operação de mercado: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Já o art. 83 dispõe que a Cooperativa é mandatária das cooperadas, possuindo plenos poderes em relação a produção que lhe foi entregue para comercialização: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. Combinando ambos os dispositivos, a recorrente sustenta que, na qualidade de cooperativa centralizadora de vendas, é uma longa manus dos produtores (in casu, todos pessoas jurídicas), pois a Lei das Cooperativas torna a remessa de mercadorias entres eles um ato que não implica operação de mercado (não havendo, ipso jure, transferência de propriedade), atribuindo à cooperativa a qualidade de procuradora com plenos poderes, a sua livre disposição, sobre os produtos que lhes foram entregues pelos cooperados. Em uma palavra: a cooperativa é as cooperadas, por ficção legal. Se as cooperadas são produtoras a cooperativa também o é. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10840.721047/200919 Acórdão n.º 3202001.469 S3C2T2 Fl. 397 5 Partindo dessa premissa, a matriz da cooperativa ora recorrente apurou de forma centralizada o crédito presumido, conforme é permitido aos destinatários desse benefício fiscal, na forma do art. 15, II, da Lei nº 9.779/1999. In verbis: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: [...] II – a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, de que trat a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Por igual, encadeando seu raciocínio, a cooperativa recorrente transferiu o saldo credor do crédito presumido para sua filial, na forma do art. 4º da Portaria MF nº 93/2004: Art. 4o O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno. § 1º O crédito presumido, apurado pelo estabelecimento matriz, que não for por ele utilizado, poderá ser transferido para qualquer outro estabelecimento industrial ou equiparado a industrial da pessoa jurídica para efeito de dedução do valor do IPI devido nas operações de mercado externo. § 2o A transferência de crédito presumido de que trata o parágrafo anterior será efetuada através de nota fiscal, emitida pelo estabelecimento matriz, exclusivamente para essa finalidade. (...) A meu ver, o conjunto das citadas normas jurídicas não conduz a afirmação de que o crédito presumido é da cooperativa nem tampouco que o crédito presumido é das usinas cooperadas. Os enunciados normativos permitem, todavia, concluir que é facultado tanto a cooperada quanto à cooperativa o poder de apurar o crédito presumido, pois a ambas se aplica o conceito de produtor e exportador. O que não é possível é ambas se creditarem, uma vez que isso exigiria expressa autorização legal. Porém, o Relatório da Ação Fiscal deixa claro que as usinas cooperadas não apuraram o crédito presumido (fls. 277/ss.). Esse fato, a meu ver, torna factível a apuração do crédito presumido pela cooperativa centralizadora de vendas. Ademais, a impossibilidade de apuração, pela cooperativa, do crédito presumido, faria com que as usinas cooperadas fizessem uso limitado do benefício fiscal, uma vez que seus maiores débitos (IPI, PIS e COFINS) já são apurados pela cooperativa recorrente, nos termos art. 35 da Lei nº 4.502/1964 e do art. 66 da Lei nº 9.430/1996, como constatou o Relatório da Ação Fiscal. No contexto de ser somente autorizado às pessoas jurídicas cooperadas a apuração do crédito, estas terão, por um lado, um grande número de crédito presumido, que não poderão ser utilizálo para abater seus débitos apurados pela cooperativa. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 6 Para evitar esse paradoxo, o Relatório da Ação Fiscal orienta à autuada que cada unidade cooperada abata, por si só, os débitos de IPI informados pela cooperativa com seu crédito presumido e, depois disso, informe a cooperativa se há montante residual a recolher. Ou seja, a autoridade fiscal diverge do procedimento, indicando outro a ser realizado – e no meio tempo autua e glosa todos os créditos gerados na operação como um todo da cooperativa e suas cooperadas. Todavia, ao fim e ao cabo, utilizandos um ou outro procedimento, o sistema cooperado irá recolher a mesma soma de tributos e calcular o mesmo montante de crédito presumido. Tal não me parece razoável nem condizente com a interpretação conjunta da Lei nº 9.363/1996 c/c da Lei nº 5.764/1971. A própria autoridade fiscal reconheceu, ainda, que a apuração do crédito presumido do IPI pela cooperativa centralizadora de vendas seria mais conveniente para a fiscalização, mas não seria possível por suposta “falta de amparo na legislação”. Entretanto, como demonstrado, a legislação tributária não veda o crédito presumido pala cooperativa centralizadora de vendas, salvo se se entender que esta não se qualificaria no conceito jurídico de produtor, mesmo à luz da Lei das Cooperativas. Notese que o conceito jurídico de produtor adotado no presente voto possui significado literal e jurídico, o que se harmoniza com o art. 111 do CTN. Dizer o inverso caracteriza uma petição de princípio, pressuposta na falsa premissa, de que a Lei nº 5.764/1971 não qualificaria a cooperativa como produtora. Acrescentese, ainda, que a Nota Cosit nº 234/2003, a qual vedou a apuração de crédito presumido pelas cooperativas centralizadoras de vendas, não vincula o CARF em sua interpretação acerca da legislação tributária. Forte nesses argumentos, DOU PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para julgar improcedentes os lançamentos. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Voto Vencedor Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator. A divergência em relação ao voto do ilustre Conselheiro Relator referese à utilização de créditos presumidos do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, pela Coopersucar. O Relator votou por dar provimento ao Recurso Voluntário. A Turma, entretanto, por maioria de votos, entendeu que deveria ser mantida a cobrança, sendo este Conselheiro designado para elaborar o voto vencedor. Na mesma sessão de julgamentos fui relator de processo idêntico do mesmo recorrente, razão pela qual mantenho os mesmos termos do voto proferido no Acórdão nº 3202 001.468, de 24/02/2015, o qual passa a reproduzir abaixo. A matéria em discussão referese à utilização supostamente indevida de créditos presumidos do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Tais créditos foram recebidos em Fl. 400DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10840.721047/200919 Acórdão n.º 3202001.469 S3C2T2 Fl. 398 7 transferência do estabelecimento matriz, o qual, no entender da fiscalização, não teria direito à apuração de crédito presumido, por não ser empresa produtoraexportadora, nos termos da Lei n° 9.363/1996, nem comercial exportadora. Assim, após a glosa efetuada pela fiscalização, foi realizada a reconstituição da escrita fiscal e o lançado o imposto devido. Segundo alegou a fiscalização, a Recorrente não teria direito aos citados créditos presumidos em decorrência do estabelecimento matriz não atender conjuntamente as condições de ser uma empresa produtora e exportadora. Portanto, a fiscalização entendeu que o estabelecimento que pretenda se beneficiar desse estímulo proceda à exportação de produtos que ele próprio industrializa. Deve haver, portanto, a existência do binômio industrializaçãoexportação, ainda que a exportação não se efetive de forma direta, mas por meio de comercial exportadora. E, conclui, afirmando que “quem teria direito ao crédito presumido do IPI é a empresa produtora, no caso as pessoas jurídicas cooperadas produtoras do açúcar (Usinas) e não a cooperativa que realiza a exportação”. A Recorrente alega, no mérito, que “é quem pode registrar e compensar o crédito presumido do IPI, por conta e ordem de cada cooperado, tendo em vista ser ela a MANDATÁRIA LEGAL das suas afiliadas, para todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta. Ou seja, a lei é que determina que ela aja em nome das filiadas nos atos negociais de comercialização dos produtos. De outra parte, a Copersucar, embora não fabrique os produtos exportados, pode realizar todos os cálculos do incentivo em discussão, em razão de deter todos esses dados, uma vez que é, também, responsável, na condição de substituto tributário do IPI devido pelas cooperadas, conforme disposto no artigo 35 da Lei n° 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo artigo 31 da Lei n° 9.430/96 e ainda a responsável pelo recolhimento da COFINS e do PIS das suas cooperadas, de acordo com o determinado no art. 66 da Lei nº 9.430/96”. No meu entender não assiste razão à Recorrente. Vejamos. Uma vez que o crédito presumido do IPI foi contabilizado pela interessada em sua escrituração, e que foi transferido de sua matriz, a questão resumese à legitimidade desses créditos. Devese perquirir se a escrituração dos créditos pela cooperativa é ou não regular. Afirma a Recorrente que nunca pretendeu que o direito fosse seu, que seria mera mandatária legal dos associados. Entretanto, a Fiscalização glosou o aproveitamento do crédito presumido efetuado pela cooperativa em sua própria contabilidade. Com esta conduta a cooperativa agiu como mandatária do cooperado na realização das vendas, mas agiu como “senhora e dona” do crédito presumido, quando dele se apropriou ao escriturálo nos seus livros e ao transferilo para suas filiais. Deste modo, não há como concordar com a argumentação da Recorrente, uma vez que estão frontalmente em desacordo com o disposto no artigo 1º da Lei n° 9.363/96, que estabelece que o direito ao crédito presumido é do produtor vendedor e não de terceiros, que apenas se limitaram a comercializar a produção, como se deu no caso da Copersucar. A presente questão foi objeto de consulta formulada pela Copersucar à Administração Tributária, que culminou na Nota Cosit n° 234, de 1° de agosto de 2003. No parágrafo 21.4 desta Nota ficou consignado expressamente que não cabe à cooperativa centralizadora de vendas da apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados. E no parágrafo 21.5 consta que cabe aos cooperados o cumprimento de todos os deveres instrumentais ao benefício, como a apresentação do DCP – Demonstrativo do Crédito Presumido. A informação trazida pela fiscalização comprova que no caso concreto o procedimento da cooperativa foi exatamente o contrário do que foi Fl. 401DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 8 estabelecido na Nota Cosit no 234/2003, pois demonstram inequivocamente que a cooperativa escriturou em seu Livro de Apuração do IPI o crédito presumido que era dos cooperados. Vejamos os textos dos parágrafos citados da Nota Cosit n° 234/2003: 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias. Deste modo, com o procedimento a interessada tratou o crédito presumido como se seu fosse. A matriz apurou e escriturou o crédito e o transferiu a sua filial, ora Recorrente. Não se trata de procedimento de associado, mas de procedimento da cooperativa. Vejase que não encontra respaldo legal a afirmação da interessada de que teria “mandato legal” para agir em nome dos associados. Primeiramente, porque o chamado “mandato legal” restringese aos atos para os quais a cooperativa foi criada, os chamados atos cooperativos. Tratase de ato regulado pelo direito privado e restrito, no caso de pessoas jurídicas, ao próprio objeto social dos associados. A relação jurídicotributária, por sua vez, não pode sofrer alterações/restrições relativamente aos sujeitos passivos, sem expressa e especifica previsão legal, ao teor da disposição do art. 123 do Código Tributário Nacional. Na ausência de disposição especifica em lei tributária, não poderia concluir a interessada que seu direito derivaria de interpretação de disposição específica de direito privado. Ademais, a apuração centralizada prevista em lei diz respeito a estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica produtora e exportadora. No caso das cooperativas, isso não ocorre, pois os produtores e exportadores são os associados, o que impede vislumbrarse hipótese de centralização. De igual modo, não procede a correlação utilizada pela Recorrente referente à Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 190, de 20 de agosto de 2002, e o artigo 20 da MP 135/2003, uma vez que se referem a outro tributo – a CIDE, que tem materialidade e legislação totalmente distinta do tributo objeto deste litígio – IPI, que deve seguir a sua própria legislação. Não há fundamento legal para a pretensão da Recorrente. Anotese, ainda, que sendo o crédito presumido um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto, a Lei nº 9.363/96 dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora, verbis: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. (negritamos) Portanto, a apuração e transferência do crédito presumido, da forma como realizada, foi irregular, devendo ser mantida a glosa. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10840.721047/200919 Acórdão n.º 3202001.469 S3C2T2 Fl. 399 9 Neste passo, peço vênia para transcrever trechos do voto muito bem articulado do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no Acórdão n° 20215.308, sessão de 01 de dezembro de 2003, que tratou de idêntica matéria em relação à mesma Recorrente, cujos para fundamentos acolho e adoto neste voto, verbis: A solução da presente lide cingese, basicamente, em determinar se cooperativas podem pleitear o crédito presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição para a Seguridade Social — COFINS e para o Programa de Integração Social PIS incidentes sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem feitos por usinas cooperadas e por elas utilizadas na fabricação de produtos que vieram a ser exportados por intermédio da cooperativa central. A autuada, cooperativa de usinas de açúcar, apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas; posteriormente, o transferiu de seu estabelecimento matriz para filial sua, que é adjacente a cada uma das usinas cooperadas, para a compensação de débitos do IPI. Predita usina transfere o produto por ela fabricado para a correspondente filial da Copersucar, que é responsável pela comercialização dos produtos recebidos da usina e pela apuração do IPI, como substituta tributária. A fiscalização efetuou a glosa do crédito presumido, por entender que a cooperativa não faz jus ao beneficio instituído pela Lei n° 9.363, de 1996. A requerente contesta o lançamento defendendo que promove a venda e a exportação do produto em nome dos cooperados, ou seja, a usina é quem produz e exporta, tendo direito ao beneficio. A apuração centralizada do crédito presumido pela Copersucar seria feita em nome e para as cooperadas. A Lei n° 9.363/1996, ao conceder o favor fiscal em comento, elegeu como única beneficiária a empresa produtora exportadora, nos termos seguintes: “Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares N. 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior”. Para fazer jus ao crédito presumido de IPI, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, o interessado tem, obrigatoriamente, de preencher, cumulativamente, a duas condições: a primeira delas é ser produtor de mercadorias nacionais e a segunda é ser exportador das mercadorias por ele fabricadas. A exportação pode ser direta ou por intermédio de empresa comercial exportadora. No caso presente, a reclamante não satisfaz uma dessas condições, qual seja, a de ser a produtora das mercadorias nacionais exportadas. Com isso, não há, de forma lícita, possibilidade de apropriarse do crédito presumido das mercadorias que exportou em nome de seus cooperados. Por outro lado, o fato de ser cooperativa central de compras e comercializar, em nome dos cooperados, a produção destes, não lhe confere legitimidade para pleitear os benefícios e incentivos fiscais eventualmente assegurados aos associados, pois estes não perdem, em favor da cooperativa a capacidade para exercer direitos e contrair obrigações. Na realidade, a outorga que a lei confere à cooperativa para representar seus associados, nos termos do art. 83 da Lei n° 5.764/71, é a de Fl. 403DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 10 amplos poderes para dispor da produção dos associados inclusive para gravála ou dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade. Todavia, essa outorga, por si só, não implica em transferência de qualquer direito do associado para a sociedade, salvo o de dispor da produção entregue por aquele a esta. Na realidade, essa entrega da produção, no caso da Copersucar e de seus cooperados, em tudo se assemelha a um contrato de compra e venda, com alienação definitiva da propriedade dos produtos para a cooperativa. (...) Merece ser aqui ser ressaltado que os benefícios e incentivos fiscais são direitos personalíssimos conferidos por lei a pessoas que satisfaçam todas as condições estabelecidas na norma concessiva do favor fiscal. Por outro lado, o vínculo jurídico existente entre a sociedade cooperativa e os estabelecimentos cooperados não leva à despersonalização jurídica de qualquer deles, nem a perda da autonomia dos estabelecimentos cooperados. Com isso, não há confusão entre as pessoas da cooperativa e dos cooperados, mantendo cada um a capacidade de adquirir direitos e contrair obrigações. Em assim sendo, não tem a sociedade cooperativa legitimidade para exercer, em nome próprio, qualquer direito das afiliadas, menos ainda quando se trata de direito personalíssimo, que só o titular pode exercêlo diretamente. Demais disso, a própria existência do direito ao crédito presumido nas operações de exportação relatadas nestes autos é bastante questionável, pois como dito linhas acima, para fazer jus ao beneficio, o interessado deve, obrigatoriamente, preencher duas condições cumulativas: a primeira delas é ser produtor de mercadorias nacionais e a segunda é ser exportador das mercadorias por ele fabricadas, sendo que a exportação podese dar por meio de empresa comercial exportadora. No caso em análise, já se demonstrou que a Copersucar não satisfaz uma dessas condições, qual seja, a de ser a produtora das mercadorias nacionais exportadas. Por outro lado, as usinas produtoras, atendem à primeira condição, mas não preenche a segunda, pois não exportam diretamente as mercadorias por elas fabricadas, nem o fazem por meio de empresas comerciais exportadoras (...). Ademais, é farta e pacífica a jurisprudência deste Tribunal Administrativo na mesma linha de entendimento exarado neste voto, inclusive em várias decisões onde a Recorrente também é parte. Cito os seguintes julgados: Acórdão n° 20178.165, sessão de 26/01/2005, Conselheira Relatora Josefa Maria Coelho Marques; Acórdão n° 20180.783, sessão de 11 de dezembro de 2007, Conselheiro Relator Walber José da Silva; Acórdão n° 201 81.396, sessão de 03 de setembro de 2008, Conselheiro Relator José Antônio Francisco; Acórdão nº 3202000.560, de 22/08/2012, Conselheiro Relator Luís Eduardo G. Barbieri; Acórdão nº 3301001.732, de 26/02/2013, Conselheira Redatora Andrea Medrado Darzé. Quanto às alegações de inconstitucionalidade e de ofensa a princípio constitucionais, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão destas matérias. Nesta esfera se faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Neste sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF nº 02, verbis: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10840.721047/200919 Acórdão n.º 3202001.469 S3C2T2 Fl. 400 11 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Conclusão Ante ao exposto, voto de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 405DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.010523/2007-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Não se tendo intimado o contribuinte para comprovar a efetividade das despesas médicas deduzidas dos rendimentos tributáveis durante o procedimento fiscal, há que se aceitar os recibos de pagamento apresentados.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-002.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior (relator) e Maria Cleci Coti Martins, que acompanhou o relator pelas conclusões. Designado para redação do voto vencedor o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator
(assinado digitalmente)
MARIA CLECI COTI MARTINS Redator ad hoc designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Não se tendo intimado o contribuinte para comprovar a efetividade das despesas médicas deduzidas dos rendimentos tributáveis durante o procedimento fiscal, há que se aceitar os recibos de pagamento apresentados. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior (relator) e Maria Cleci Coti Martins, que acompanhou o relator pelas conclusões. Designado para redação do voto vencedor o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR – Relator (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS – Redator ad hoc designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 05 23 /2 00 7- 75 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 24/06/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10380.010523/200775 Acórdão n.º 2101002.647 S2C1T1 Fl. 71 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de lançamento de Imposto Sobre a Renda Pessoa Física, no valor de R$ 3.967,62 (efl. 08), decorrente de dedução indevida de despesas médicas no anocalendário de 2002, cientificado ao contribuinte em 21/08/07 (efl. 09). Mais especificamente, relacionase a glosa efetuada a despesa médica alegada pelo contribuinte como paga à Clínica Júlio Vasconcellos, CNPJ 23.554.264/000192, no valor de R$ 6.000,00, a título de tratamento oftálmico, conforme declaração de efl. 06. Apresentou o contribuinte, a propósito, impugnação ao auto, de efls. 02 a 07, onde alegou, em síntese, que atendeu a todas as exigências da Delegacia da Receita Federal do Brasil, quando instado a comparecer aquela unidade, sendo que a empresa prestadora do serviço tributou a referida receita na sua DIPJ do anocalendário de 2002 e emitiu declaração (efl. 06), confirmando a realização dos procedimentos oftálmicos, ratificando o recebimentos dos valores pagos pelo mesmo. Assim, requereu o contribuinte, em sede impugnatória, que fosse julgado improcedente o referido auto de infração. A autoridade julgadora de 1a. instância julgou integralmente procedente o lançamento, na forma de voto de efls. 36 a 42, onde, resumidamente, concluiu pela insuficiência probatória a partir dos elementos carreados aos autos, cabendo ao contribuinte apresentar a Nota Fiscal do serviço como prova de sua efetividade. Insurgese agora o contribuinte contra a autoridade julgadora de 1a. instância através do Recurso Voluntário de efls. 48 a 52, onde repisa os argumentos tecidos em sua impugnação, acrescentando farta jurisprudência administrativa que suportaria sua argumentação, pugnando pela suficiência dos recibos como prova da despesa pleiteada, mormente quando acompanhado de declaração da Clínica, confirmando a efetiva prestação dos serviços. Solicita. assim, o contribuinte que seja dado provimento a seu recurso, a fim de que a despesa seja aceita como dedutível, tornando nula a cobrança do imposto. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 24/06/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10380.010523/200775 Acórdão n.º 2101002.647 S2C1T1 Fl. 72 3 Pertinente, inicialmente, transcrever os dispositivos que encerram o cerne da presente questão de mérito, a saber, os arts. 73, caput, 80, caput e §1o., inciso III, 845, inciso II, e 932 todos do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), aqui reproduzidos com referência à respectiva base legal que os suporta : RIR/99 Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). (...) Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Art.845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 79): (...) II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios (g.n.); Art.932. Havendo dúvida sobre quaisquer informações prestadas ou quando estas forem incompletas, a autoridade tributária poderá mandar verificar a sua veracidade na escrita dos informantes ou exigir os esclarecimentos necessários (Decreto Lei nº5.844, de 1943, art. 108, §6º). A propósito, como já tive oportunidade de me manifestar em outras ocasiões, entendo que a interpretação sistemática correta do conjunto dos dispositivos acima, a fim de tenham plena vigência e sem a existência de qualquer antinomia é no sentido do art. 80, §1o. inciso III do RIR/99, ao limitar a dedução de pagamentos a título de serviços médicos e assemelhados àqueles que constem de recibo que atenda às formalidades ali indicadas e/ou Fl. 73DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 24/06/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10380.010523/200775 Acórdão n.º 2101002.647 S2C1T1 Fl. 73 4 indicados como pagos através de cheques nominativos devidamente especificados, estabelecer condição mínima, necessária mas não necessariamente suficiente à dedutibilidade das despesas. Entendo que a suficiência de tais recibos e/ou indicação de cheques nominativos de pagamento como comprovantes para fins de dedutibilidade das despesas, está, consoante expressamente respaldado pelo art. 73 supra reproduzido, condicionada ao juízo da autoridade tributária que pode, assim, no caso de existência de dúvida (razoável, em pleno respeito ao princípio da razoabilidade) quanto aos mesmos, perfeitamente em linha com o disposto no art. 932 do mesmo diploma, solicitar esclarecimentos adicionais (tais como elementos que comprovem o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços, ou seja, a efetiva utilização dos serviços pelos beneficiários). Realizada tal digressão, verifico que para o caso sob análise não consta, dos autos, qualquer intimação realizada pela fiscalização quanto à efetividade das despesas declaradas. Assim, entendo que deva se circunscrever a análise à declaração de efl. 06 (cópia à efl. 66) e recibos anexados às efls. 64 e 65. A propósito, verifico que os referidos recibos não cumprem todas as formalidades mencionadas no art. 80, inciso III do RIR/99, uma vez que não indicam o endereço do prestador de serviço, contendo ainda, alguns deles, no campo destinado ao CNPJ, o número do CPF de pessoa física, não permitindo, em meu entendimento, a legislação citada que seja tal impropriedade suprida pela declaração de efl. 06 (cópia novamente à efl. 66). Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, mantendose a glosa das despesas médicas com base em insuficiência de comprovação, a partir dos elementos carreados aos autos. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Voto Vencedor Conselheira redatora ad hoc MARIA CLECI COTI MARTINS Faço notar que, na sessão de julgamento, a presente redatora votou com o relator do processo. Mais ainda, o redator do voto vencedor, designado originalmente, não mais participa do colegiado e não se obteve sucesso na tentativa de esclarecer as razões de decidir adotadas pelo voto condutor e encampadas pela maioria do Colegiado. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 24/06/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10380.010523/200775 Acórdão n.º 2101002.647 S2C1T1 Fl. 74 5 Contudo, conforme o relatório do processo, foi salientada a inexistência de intimação específica realizada pela autoridade fiscal quanto à efetividade das despesas declaradas. Assim, considerando que não se exigiu comprovante de que os serviços relativos às despesas médicas teriam sido efetivamente prestados, não se pode exigir, em sede de recurso, que sejam apresentados. Destarte, na presente formalização, reproduzo o decisum constante em ata e voto no sentido de dar provimento ao recurso. Recurso Voluntário provido. Maria Cleci Coti Martins Redator ad hoc Fl. 75DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 24/06/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000396/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA – ART. 150, §4º, CTN – APLICABILIDADE.
Não havendo qualquer ato que expressamente homologue a declaração efetuada pelo contribuinte e o respectivo pagamento, ainda que parcial, considera-se o procedimento tacitamente homologado após o transcurso do prazo de 05 anos contados da data do fato gerador, nos termos do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN.
COTITULARIDADE DE CONTAS BANCÁRIAS – INTIMAÇÃO DO COTITULAR – NECESSIDADE – SUMULA CARF Nº 29
Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-003.031
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso para extinguir o crédito tributário quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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Não havendo qualquer ato que expressamente homologue a declaração efetuada pelo contribuinte e o respectivo pagamento, ainda que parcial, considera-se o procedimento tacitamente homologado após o transcurso do prazo de 05 anos contados da data do fato gerador, nos termos do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN. COTITULARIDADE DE CONTAS BANCÁRIAS – INTIMAÇÃO DO COTITULAR – NECESSIDADE – SUMULA CARF Nº 29 Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso para extinguir o crédito tributário quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Fl. 989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Pedro Anan Junior, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Rafael Pandolfo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Fábio Brun Goldschmidt e Suely Nunes da Gama. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15889.000396/2008-80 Acórdão n.º 2202-003.031 S2-C2T2 Fl. 899 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O recorrente foi intimado do Termo de Início de Fiscalização em 20/03/07, a: a) apresentar extratos bancários relativos às contas bancárias que deram origem à movimentação financeira, devidamente assinados, numerados sequencialmente e relacionados, conforme demonstrativo anexo ao referido Termo; b) comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias; c) apresentar comprovante de resgate de Previdência Priva PF, da Caixa Vida e Previdência AS, CNPJ nº 03.730.204/0001-76, do ano-calendário 2004 (fls. 41-43 do e-processo). Em 03/04/07 o contribuinte informou a alteração de seu endereço e apresentou extratos bancários do Banco Nossa Caixa AS, conta nº 0039024 do período de 01/01/03 a 31/12/05 e do Banco do Brasil, agência 505-3, conta nº 6370-3 do período de 01/01/03 a 31/10/05. Em 24/04/07, o recorrente apresentou os extratos do Banco do Brasil do período faltante (fls. 58-210 do e-processo). Foi emitido Termo de Intimação Fiscal, em 03/05/07, solicitando ao recorrente comprovar, com documentos hábeis e idôneos, origem dos valores creditados/depositados em suas contas-corrente, conforme relação apresentada no Anexo ao Termo de Verificação Fiscal (fls. 211-231 do e-processo). O contribuinte solicitou dilação do prazo, o qual foi concedido (fls. 232-233 do e-processo). Posteriormente, o recorrente apresentou listagem com esclarecimentos a respeito da origem dos depósitos e anexou uma série de documentos. O recorrente apontou como origem dos depósitos bancários: recebimentos de pessoas jurídicas, empréstimos, reembolso de arrecadação das chácaras, retiradas de pró-labore, vendas de frango. Alegou: a) não possuir conhecimento administrativo e contábil, razão pela qual misturou e confundiu contas da pessoa física e da pessoa jurídica; b) os reembolso de pessoa jurídica decorrem de gastos e pagamentos efetuados por compras junto a fornecedores e/ou despesas gerais efetuadas com cheques seus, pois normalmente efetuava depósitos de cheques de clientes da pessoa jurídica para cobertura do saldo de sua conta; c) os empréstimos foram obtidos junto a pessoas de sua confiança – pai, tios e amigos – ou pela pessoa jurídica e, posteriormente, eram transferidos para a pessoa física para posterior devolução; d) a atividade rural exercida limita-se a venda de frango, gado, leite, café, queijo, bananas, mandioca, suínos e verduras; d) os reembolsos eram efetuados por amigos em referência a despesas efetuadas em conjunto (fls. 234-287 do e-processo) A Fiscalização emitiu Requisição de Movimentação Financeira – RMF, em 26/09/07, aos bancos Nossa Caixa e Banco do Brasil, solicitando cópias de cheques, transferências, depósitos e outros documentos (fls. 288-295 do e-processo). A solicitação foi atendida pelas entidades e os documentos juntados às fls. 296-447 do e-processo. Em 07/12/07, foram solicitados os seguintes esclarecimentos ao recorrente: a) com relação aos cheques por ele emitidos e demais documentos referentes às cópias requisitadas junto às instituições financeiras, comprovar com documentos hábeis e idôneos a respectiva operação efetuado, anexando os documentos originais que deram origem aos eventos; b) esclarecer nas movimentações financeiras efetuadas em seu nome, se havia Fl. 991DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 recursos financeiros de terceiros, empresas e/ou pessoas físicas, identificando nominalmente o nome dessas empresas e das pessoas físicas a fim de demonstrar quais valores depositados/creditados pertenciam a terceiros. O recorrente requereu a dilação do prazo, a qual foi atendida (fl. 448 do e- processo). Em resposta á intimação, apresentou uma série de documentos e acrescentou que: a) no período fiscalizado sofreu efeitos de conjuntura econômico-financerio muito desfavorável, o que o obrigou a contrair empréstimos junto a familiares e terceiros, trocar cheques com amigos e desenvolver diferentes atividades objetivando contornar a situação. Prova disso, o contrato de arrendamento celebrado em 15/08/2002, com Geraldo Gonçalves Aparecido, por tempo indeterminado envolvendo o imóvel rural denominado Estância Água Viva, para exploração de atividade avícola; b) em janeiro de 2005 também contratou outro arrendamento, em parceria com José Carlos Ferreira Pinheiro, pelo prazo de 36 meses, para recria de gado e também exploração granjeira; c) exerceu o comércio e representação, por conta própria, de maneira informal comprando e vendendo materiais de construção, agindo como representante informal da empresa EBEL - Empresa Brasileira de Esquadrias Ltda, de propriedade do amigo Valdir Belancieri. Por conta da empresa efetuava vendas mandava faturar recebia o valor correspondente e repassava o liquido, já descontada a comissão de 4%. Por isso, a referida empresa figura como beneficiaria de muitos cheques por ele emitidos; d) a quantidade de clientes girava em torno de 70, entre lojas e construtoras, cabendo destacar a Residec Construções Ltda (Bauru), Construbau Engenharia e Comércio (Bauru), Fernando R. Pereira (Poços de Caldas/MG), Construtora MSP Ltda (Bauru), Brocasa Materiais de Construções Ltda (Tatuí), Materiais de Construções Grigolin Ltda,; e) o valor correspondente à venda de produtos agrícolas consta das declarações por ele apresentadas, mas a venda de frangos na maioria das vezes era faturada apenas em nome de José Carlos Ferreira Pinheiro, pois só ele possuía a inscrição de produtor, embora, fosse o recorrente responsável pela criação, pelas compras, pagamentos e recebimentos, e por isso não declarou as mesmas; f) a maioria dos créditos efetuados em suas contas originou-se do comércio informal, pois além de criar também comprava frangos prontos e revendia, ora usando nota do produtor acima, ora do próprio produtor original. Também comprou gado em pé e milho em grãos de produtores para revendê-lo à granjas e outras pessoas físicas e empresas. Seria o caso dos pagamentos a Valdemar Bergamaschi, Lara Fernanda Tecianoli, Delfmo Gamdete, Nélio Diorio, Nivaldo Genaro, Antonia Luzeti Guedes e recebimentos de Super Varejão Gonçalves, Gicelia Marins de Abreu, Transportadora Rinaldo Garcia Ltda; g) no período, foi sócio, juntamente com Valdir Belancieri na Fazenda Recanto situada no município de Sete Quedas/MS, onde eu cuidava pessoalmente da exploração e manutenção da propriedade, efetuando pagamentos e recebimentos para posterior acerto de contas; h) quanto aos empréstimos, foram obtidos junto a Nadir Ticianeli as importâncias constantes dos itens 47, 48 e 49, a Valdir Belancieri as importâncias constantes dos itens 50 e 65, sendo a ele pagos os valores dos itens 20 a 23. Os itens 24 e 25 correspondem a empréstimo obtido de Lázaro Gonçalves, o item 31pagamento de empréstimo a Iraci Carneiro, o item 59 constitui empréstimo tomado a Pedro Diorio, e os itens 60 a 62 a Édson Domingues e Áurea Maria Ticianelli Domingues, o item 87 empréstimo tomado junto a Lenilton Domingues, item 88 a Luis de Sá, e item 92 a Bento Gonçalves; h) os valores recebidos de Leonice/Frank e Frani( Rainer dos EUA, Grécia e Alemanha, itens 73 a 80 destinaram-se ao pagamentos de empregados de sua obra, em construção na Rua Rio de Janeiro, n°. 213, em Iacanga, da qual o recorrente era encarregado; i) o item 40 pagamento feito a Volkswagem do Brasil para compra de carro já vendido, item 44 e 45 pagamento de empréstimo contraído com Josefa Lozano Genaro. Por fim, alegou que a “ciranda financeira praticada em virtude das dificuldades surgidas” não acrescentou qualquer valor ao seu patrimônio, pelo contrario, dilapidou-o (fls. 449-492 do e-processo) Após análise dos documentos apresentados, a Fiscalização efetuou a circularização de informações intimando, conforme MPF e diligências, todos os contribuintes – Fl. 992DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15889.000396/2008-80 Acórdão n.º 2202-003.031 S2-C2T2 Fl. 900 5 Antonia Luzete Guedes, Luiz Paulo AS, Iraci Carneiro, Lazaro Gonçalves, Materiais de Construção Grigolin Ltda. EPP, Pedro Diorio, Valdir Belancierh, Aurea Maria Ticianelli Domingues, Transportadora Rinaldo Garcia Ltda., Exberglass Ind. E Com.de Esquadrias e Vidros Ltda., Gicelia Marins de Abreu, Lara Fernanda Ticianelli, EBEL Empresa Brasileira de Esquadrias, Representação RA Ltda., Valdemar Bergamaschi, Denise dos Santos Soares, Nelio Diorio, Josefa Lozato Genaro, Nivaldo Genaro, José Carlos Ferreira Pinheiro, Eletrol Telecomunicações de Araranguara Ltda. ME, Carlos Roberto Graciano Lacango ME, BV Financeira SA Cred. Finan. e Inv., Bento Gonçalves Amarante, Nadir Aparecido Ticianelli, Boitran Alimentos Ltda. – citados pelo recorrente com vínculo aos depósitos bancários (fls. 493-737 do e-processo). As respostas foram juntadas às fls. 747-848 do e-processo, Paralelamente, o recorrente foi intimado a manifestar-se sobre a titularidade da conta nº 13464-3 do Banco do Brasil. Em resposta, o recorrente alegou que a mesma é em conjunto com o Sr. José Carlos Ferreira Pinto e existiu em virtude da parceria com o mesmo na criação e venda de frangos, conforme contrato particular de arrendamento de imóvel. A referida conta foi movimentada a partir de 17/03/05 e usada exclusivamente em pagamentos e recebimentos de transações granjeiras (criação e venda de frangos) (fls. 740-746 do e-processo) A Fiscalização emitiu, em junho de 2008, o demonstrativo denominado “Análise de informações apresentadas pelo contribuinte em resposta a (sic) intimação de 07/12/2007 e informações obtidas pela circularização efetuada” na qual analisou os documentos apresentados pelo recorrente, mencionando quais as informações prestadas por ele não estariam acompanhadas de documentação hábil e idônea para a comprovação da origem dos recursos movimentados. E, a partir desses demonstrativos, elaborou o demonstrativo final denominado “Créditos bancários c/ histórico de origem fornecida p/contribuinte, verificados pela fiscalização e que restaram não comprovados com documentação hábil e idônea – Sujeitos Tributação (sic)” (fls. 849-858 do e-processo). 2 Notificação do Lançamento Em 06/08/08, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls. 02-13 do e-processo), embasado no argumento de que houve: a) omissão de rendimentos de pessoas jurídicas recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI; b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 1.361.526,95, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física, multa de 75% e juros moratórios. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 873-891 do e-processo), apresentando os seguintes argumentos: a) a decadência das competências de janeiro a julho de 2003 em razão da aplicação do art. 150, §4º, do CTN; b) caberia ao Fisco fazer prova da ocorrência do fato gerador, ou seja, fazer prova da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos de qualquer natureza. O mero depósito em conta não seria pressuposto suficiente para tanto, sendo violado os princípios Fl. 993DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 constitucionais da capacidade contributiva, do confisco e o art. 146 da CF; c) não se pode exigir escrituração de receitas e despesas de pessoa física; d) a tributação deve ocorrer no mês em que ocorreu o crédito em conta bancária, mediante a aplicação da tabela progressiva vigente e por isso, a tributação com base em fato gerador fixado para o mês de dezembro dos anos-calendário 2003, 2004 e 2005, legalmente, só poderia alcançar os créditos bancários resultantes de operações efetivamente praticadas pelo recorrente no mês de dezembro de cada um desses anos; e) as contas correntes seriam conjuntas com sua esposa, Sra. Helena Sueli Pecoraro Gonçalves, CPF nº 130.880.698-10, razão pela qual deveria ter sido observado o § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, entre outras consequências; f) caberia considerar os depósitos como renda por presunção, cabendo computar os depósitos como recursos disponíveis para depósitos em meses subsequentes. 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 10ª Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade (fls. 916-929 do e-processo), afastada a preliminar de decadência e mantido o crédito tributário. Os fundamentos foram os seguintes: a) conforme art. 150 do CTN, no lançamento por homologação, a legislação do tributo comete ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do tributo porventura devido e cumprir deveres instrumentais e formais, dando conhecimento de tais fatos à autoridade administrativa. No entanto, a atividade do contribuinte (pagamento antecipado e cumprimento dos deveres instrumentais e formais) não se confunde com lançamento, que só ocorrerá no momento em que a autoridade "tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado" a homologue; b) não havendo recolhimentos antecipados e nem obrigatoriedade legal de que assim se proceda, não se pode falar em lançamento por homologação e o termo inicial da contagem do prazo decadencial se dá conforme art. 173, I, do CTN. Da mesma forma, nos casos em que o sujeito passivo efetua recolhimento incorreto, ou seja, quando o pagamento efetuado não corresponde à totalidade do crédito tributário decorrente da obrigação surgida com a ocorrência do fato gerador, pois aí se trata de revisão do lançamento efetuado para constituir, de oficio, o crédito resultante da diferença havida, nos termos do artigo 149, V, do CTN, e não mais de "lançamento por homologação"; c) no presente caso apurou-se infração à legislação tributária consubstanciada em omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem a devida comprovação da origem pelo contribuinte. Sendo assim, o imposto de renda que deixou de ser pago não estava sujeito ao lançamento por homologação, previsto no art. 150, §4°, do CTN, mas sim a lançamento de oficio pela autoridade administrativa, motivo pelo qual há que ser aplicada a regra contida no artigo 173, inciso I, do CTN. O ano-calendário de 2003 (ano-calendário mais antigo do lançamento) encontra o decurso do seu prazo decadência apenas em 01/01/09; tendo Fl. 994DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15889.000396/2008-80 Acórdão n.º 2202-003.031 S2-C2T2 Fl. 901 7 sido lavrada o AI em 06/08/08 (ciência em 26/08/08), não há que se falar em decadência; d) o lançamento com base em depósitos ou créditos bancários tem como fundamento legal o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Trata-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos contra o contribuinte titular da conta que não lograr comprovar a origem destes créditos. A partir da entrada em vigor desta lei, estabeleceu-se uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; e) a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo juris tantum (relativa), ou seja, caberia ao sujeito passivo a comprovação da origem dos ingressos ocorridos em suas contas para, assim, tentar afastar a tributação sobre a renda. É a própria lei quem define como omissão de rendimentos esta lacuna probatória de origem em face dos créditos em conta. Deste modo, não se trata de meros indícios de omissão, razão pela qual não há que se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Ocorrendo os dois antecedentes da norma: créditos em conta e a não comprovação da origem quando o contribuinte tiver sido intimado a fazê-lo, o conseqüente é a presunção de omissão. f) é função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações, esclarecimentos, com vista à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos. Contudo, cabe ao sujeito passivo a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações; g) a Fiscalização não exige escrituração de receitas e despesas de pessoa fisica; o que a fiscalização procura, antes de efetuar o lançamento, é o máximo de informações possíveis (cuja prova compete ao contribuinte), para que o lançamento alcance apenas a movimentação cuja origem, de fato, não esteja comprovada; h) não foi trazida prova forte e robusta aos autos no sentido de se comprovar a origem dos recursos ora lançados, tão pouco foi feita prova que permita concluir pela múltipla tributação de algum recurso que tenha ingressado previamente em suas contas. i) no lançamento com base em depósitos bancários não ocorre o fato gerador mensal. Isto porque o imposto de renda de pessoa física é um exemplo clássico de tributo que se enquadra na classificação de fato gerador complexivo, apurado no ajuste anual, ou seja, somente se completa após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, seriam destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível; Fl. 995DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 j) o art. 42 da Lei nº 2 9.430/96 não especifica a tributação dos rendimentos com base em depósitos bancários como exclusiva na fonte ou de modo definitivo. Logo, esta presunção legal de omissão de rendimentos prevista no mencionado artigo deve receber o mesmo tratamento dispensado aos demais rendimentos tributáveis recebidos por pessoas físicas, ou seja, deve ser tributado anualmente, na declaração. k) a fim de esclarecer a aplicação do §6° do art.42 da Lei n° 9.430/96 a Coordenação-Geral de Fiscalização (Cofis) emitiu a Solução de Consulta Interna n° 46 (26/09/2008). Houve preocupação da fiscalização em identificar a movimentação exclusiva/vinculada; como por exemplo o item 1.13 - intimação para tanto com relação a conta corrente (não objeto de lançamento) n°13464-3 do Banco do Brasil; l) considerando que: (i) os documentos de fls.291 e 292 do Banco do Brasil e da Nossa Caixa, que não deixam dúvida de que se trata de movimentação referentes ao titular JOSÉ CARLOS GONÇALVES, CPF 603.830.548-34; (ii) as planilhas de fls.18 a 38 que não deixam dúvida de que a fiscalização identificou a origem de movimentação exclusiva/vinculada ao contribuinte conforme se verifica pelo título da mesma ("CONTAS N°010031001 da NOSSA CAIXA E N° 63703 DO BANCO DO BRASIL MOVIMENTADA EXCLUSIVAMENTE PELO CONTRIBUINTE JOSÉ CARLOS GONÇALVES CPF 603.830.548- 34"); (iii) o contribuinte, no curso da ação fiscal, não invoca o argumento da cotitularidade das contas; (iv) a prova para o argumento, trazida pelo contribuinte na impugnação: -o cheque de fl.749 (n° 42 —R$ 13.176,00) de emissão de sua esposa não integra a soma relativa movimentação ora tributada na competência 10/2004, o cheque de 11.749 (n°41 — R$8.000,00) de emissão de sua esposa não consta na movimentação ora tributada na competência 10/2004 (11.28), apesar de constar no extrato bancário da Nossa Caixa (fl.76), o cheque de fl.750 (n°43 — R$8.000,00) de emissão de sua esposa não consta na movimentação ora tributada na competência 01/2005 (11.30), apesar de constar no extrato bancário da Nossa Caixa (11.78), -o cheque de f1.753 (n°34 — R$10.150,00) de emissão de sua esposa não consta na movimentação ora tributada na competência 06/2005 ou 07/2005 (f1.33), apesar de constar no extrato bancário do Banco do Brasil (11.161), ficou demonstrado pela fiscalização que a origem e a movimentação dos recursos é exclusiva/vinculada do contribuinte, não envolvendo a movimentação de sua esposa, apesar da titularidade conjunta das contas. Portanto, não há que se falar em descumprimento do §6° do art.42 da Lei n° 9.430/96. m) o § 6° do art. 42 da Lei 9.430/1996 prescreve o procedimento específico, e adotado pela fiscalização, de se dividir o total dos rendimentos ou receitas, caracterizadas nas contas de depósito ou de investimento, pela quantidade de titulares da conta conjunta apenas quando se tornar impossível determinar a participação individual de cada uma das pessoas envolvidas na movimentação da conta bancária; n) as decisões administrativas, mesmo que proferidas pelos órgãos colegiados, não se constituem como normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicam-se sobre a questão analisada e vinculam as apenas Fl. 996DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15889.000396/2008-80 Acórdão n.º 2202-003.031 S2-C2T2 Fl. 902 9 as partes envolvidas naqueles litígios. Inconstitucionalidade de Leis e outros aspectos. o) no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, não podem ser apreciadas as questões relativas à inconstitucionalidade ou à ilegalidade de leis. 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 29/10/09, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 679-701 do e-processo) tempestivamente, em 26/11/09, repisando alguns argumentos da impugnação. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Voto O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade, de modo que merece ser conhecido e analisado. Tendo em vista que o contribuinte, ao longo do procedimento, não se manifestou a respeito da autuação por omissão de rendimentos de pessoas jurídicas recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI, passo à análise do s argumentos, exclusivamente, quanto à autuação por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada 1. PRELIMINAR 1.1 Do sobrestamento O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62-A do Regimento Interno deste Conselho Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No presente caso houve utilização, pela Fiscalização, de meios administrativos para quebrar o sigilo bancário do contribuinte (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF), a fim, exclusivamente, de buscar comprovar a origem dos valores descritos do demonstrativo criado pela Fiscalização, haja vista que o próprio contribuinte apresentou todos os extratos bancários que deram aso à autuação, sem o crivo prévio do Poder Judiciário. A análise da regularidade dessa prerrogativa, em sede de repercussão geral, é objeto RE nº 601.314, que está sendo julgado no STF sob o regime do art. 543-B, do CPC. Assim, existindo o sobrestamento do tema no STF, o mesmo ocorria no CARF, corolário do dispositivo regimental acima indicado. Ocorre que, os §§ 1º e 2º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, acima referidos, foram revogados pelo art. 1º da Portaria nº 545, de 18 de novembro 2013, que abaixo transcrevo: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62-A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, Fl. 998DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15889.000396/2008-80 Acórdão n.º 2202-003.031 S2-C2T2 Fl. 903 11 que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -CARF. Dessa forma, foi ordenada a retomada dos julgamentos dos processos que foram sobrestados com fulcro no dispositivo revogado. 1.2Da Decadência O recorrente sustenta que na inexistência de recolhimentos antecipados e mesmo de obrigatoriedade legal para tanto, não se pode falar em lançamento por homologação, contando seu prazo decadencial segundo o disposto no art. 173, I, do CTN. Não assiste razão ao recorrente. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) é tributo sujeito ao lançamento por homologação, modalidade de lançamento em que o contribuinte antecipa o pagamento do tributo e declara o montante devido ao Fisco, ficando esse procedimento sujeito à posterior homologação por parte da Fazenda Pública. Não havendo qualquer ato que expressamente homologue a declaração efetuada pelo contribuinte e o respectivo pagamento, ainda que parcial, considera-se o procedimento tacitamente homologado após o transcurso do prazo de 5 anos contados da data do fato gerador, nos termos do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN. Passado esse prazo, salvo a comprovação de dolo, de fraude ou de simulação, o direito de efetuar eventual lançamento de ofício encontra-se atingido pela decadência. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça, analisando o assunto sob o rito previsto no art. 543-C, do Código de Processo Civil, cuja decisão é de observância obrigatória por esta Colenda Corte, nos termos do art. 62 - A do Regime Interno, entendeu que o art. 173, inciso I, do CTN, é aplicado, de modo ordinário, somente, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando não há qualquer pagamento realizado pelo contribuinte: in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e Fl. 999DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Grifamos. Conforme se verifica, (fl. 9 do e-processo), houve recolhimento antecipado, fato que, consoante o entendimento jurisprudencial consolidado, atrai a incidência do art. 150, §4º, do CTN. Assim, iniciando o prazo de decadência em 31/12/03, 31/12/04 e 31/12/05 (CTN, art. 150, § 4º) e tendo sido o contribuinte notificado do auto de infração em 26/08/08, não há de se reconhecer a caducidade do direito fazendário à constituição do crédito tributário. Portanto, não merece ser acolhida a preliminar de decadência. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15889.000396/2008-80 Acórdão n.º 2202-003.031 S2-C2T2 Fl. 904 13 2. MÉRITO 2.1 Dos depósitos bancários O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Trata-se de Presunção, esta sendo o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável. Tendo respaldo legal e admitindo prova em contrário (presunção relativa), é considerada válida no direito tributário.. No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial; tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação, logo omitido – o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que a contribuinte seja intimado regularmente, e que este seja intimado do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Sendo assim, não é plausível o argumento esgrimido pela contribuinte de que os depósitos bancários não seriam base de cálculo para o Imposto de Renda, o que afastaria a tributação. Ademais, por não ter apresentado provas que infirmassem a presunção gerada pelos depósitos bancários, considera-se acertada a autuação. 2.2 Da conta conjunta Alega o recorrente, dentre outros, que as contas correntes de nº 10031001 do Banco Nossa Caixa S/A e a de nº 6.370-3 do Banco do Brasil S/A são conjuntas com sua esposa que não foi intimada pela Fiscalização. Assiste razão ao recorrente. O art. 42, da Lei nº 9.430/96 permitiu à Fazenda Nacional lançar Imposto sobre a Renda com base em depósitos bancários, quando, após intimação do contribuinte, não seja comprovada a origem destes rendimentos. Tal disposição criou presunção de renda omitida quando a verdadeira origem dos rendimentos não é elucidada. Contudo, diversos regramentos regem esta prerrogativa, conforme pode ser apreendido da leitura do dispositivo: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Deve ser grifado o § 6º, vez que o ponto nevrálgico da análise do lançamento passa por ele. Em que pese a respeitável decisão da DRJ tenha afastado a aplicação do referido § 6º ao caso, por entender que a prova da cotitularidade deu-se através de cheque não considerado nos depósitos glosados e de que o exclusivamente o recorrente movimentava as contas bancárias, é preciso observar que: a) a documentação bancária acostada aos autos em atendimento à RMF informa, através de cheques bancários, que as contas correntes de nº 10031001 do Banco Nossa Caixa S/A e a de nº 6.370-3 do Banco do Brasil S/A são de cotitularidade de sua esposa, Helena Sueli P. Gonçalves, desde de período anterior ao início da fiscalização (fls. 304-391 do e-processo). Logo, o fato de os cheques assinados por ela não estarem entre os valores glosados, não afasta a sua necessária intimação; Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15889.000396/2008-80 Acórdão n.º 2202-003.031 S2-C2T2 Fl. 905 15 b) a Fiscalização não dividiu à proporção de 50% os valores decorrentes da omissão de rendimentos por depósito bancário, em face da cotitularidade por ela conhecida; c) nem todos os depósitos foram esclarecidos pelo recorrente e aqueles que foram notadamente caíram, quando complementados por documentação hábil e idônea, sendo que a cotitular não foi intimada para comprovar os depósitos remanescentes e que o recorrente não sabia informar a origem; d) somente o somente o recorrente foi intimado a apresentar esclarecimentos; ou seja, foi desrespeitado parte do regramento específico que autoriza o lançamento nesta modalidade. Ainda que a Fiscalização considerasse que apenas o recorrente movimentasse as constas bancárias, em nenhum momento intimou a co-titular para corroborar tal alegação. A conseqüência desta falha foi pacificada no âmbito deste Conselho, através da súmula CARF nº 29: Súmula CARF nº 29: Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Sendo assim, constatada a irregularidade, é imperativo o reconhecimento da invalidade do crédito tributário que teve como fundamento a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem comprovada, devendo ser analisado o mérito da outra parcela da autuação. Ante o exposto, voto por REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, dar PROVIMENTO ao recurso voluntário para extinguir o crédito tributário quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. (Assinado digitalmente) Conselheiro Rafael Pandolfo Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11080.900079/2008-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2000 a 28/02/2000
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão.
Numero da decisão: 3803-006.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1812; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 87 1 86 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.900079/200818 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.872 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente FERRAÇO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FERRO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2000 a 28/02/2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2000 a 28/02/2000 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 79 /2 00 8- 18 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp, porém dele não restando saldo credor para utilização na presente compensação. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 27 de agosto de 2008, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 25 de setembro de 2008, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Voto Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.900079/200818 Acórdão n.º 3803006.872 S3TE03 Fl. 88 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, nada há a reparar na decisão recorrida, ao aduzir à ausência de produção de efeitos do dispositivo legal trazido à baila pela Manifestante, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98[1], que fazia previsão para a exclusão da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins dos valores recebidos como receita e que foram repassados a terceiros. Com efeito, esta previsão legal, ao referir que as exclusões de tais valores deveriam observar as regras regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo, constituiu as regras que haveriam de ser expedidas pelo Poder Executivo para a redução da base de cálculo das contribuições em obstáculo material a ser transposto para a constituição da eficácia (técnica) do preceito, como complemento sintático e integrador do texto legal. O legislador, ao outorgar tal benefício tributário condicionou o seu gozo. Optou por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos de como se aperfeiçoaria o benefício, decisão tomada ao amparo da sua autonomia legislativa. Dessa forma, a inexistência da regulamentação impediu mesmo a geração de efeitos do dito texto legal. E neste entendimento consolidouse a jurisprudência deste Conselho e precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 [...]§ 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo [...]; Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13748.000585/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA.
Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos - e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços - a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas.
Numero da decisão: 2102-003.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 13/02/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 05 85 /2 00 9- 12 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 2 Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 15/19, por meio da qual foi apurado o crédito tributário no valor total de R$16.405,12 (dezesseis mil, quatrocentos e cinco reais e doze centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário 2006, em razão da Dedução Indevida de Despesas Médicas. Na descrição dos fatos e enquadramento legal, e ainda com a complementação da descrição dos fatos, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$30.000,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Somente foi considerado os recibos de Pedro Azzi, Minist da Saude e Bradesco Saude. Os outros não estão revestidos das formalidades legais. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 02/09, por meio do qual alegou que: após receber a intimação fiscal para apresentação de documentos, teria entregue tempestivamente todos os comprovantes solicitados, através do formulário de recepção de documentos datado de 03 de março de 2008; todos os documentos apresentados estariam regulares e revestidos dos requisitos legais previstos pela legislação do Imposto de Renda; todos os recibos encontramse com identificação do beneficiário, valor, data, assinatura do emitente e seu respectivo CPF, e que a fiscalização não os teria considerado apenas pela ausência de indicação de endereço do beneficiário; o auditor fiscal deveria ter diligenciado para confrontar os valores lançados nas Declarações dos profissionais que emitiram os recibos, e não apenas desconsiderálos em sua DIRPF; apresentou todos os recibos relativamente aos serviços prestados pelos profissionais, objetos das glosas, com as respectivas declarações assinadas e com firmas reconhecidas em cartório, discriminando valores, datas, local da prestação dos serviços, e o tipo de tratamento efetuado; defende o seu direito de rever a notificação de lançamento e o cancelamento das diferenças cobradas, não devendo prosperar a tese de que não teria atendido a intimação fiscal e que não teria cumprido com suas obrigações tributárias, sendo uma afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório, balizadores do Direito Tributário; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 13748.000585/200912 Acórdão n.º 2102003.240 S2C1T2 Fl. 118 3 os recibos apresentados não poderiam ser desconsiderados apenas pela falta de algum requisito, sob pena de desnudar a verdade real, ressaltando ainda que os valores relativos aos serviços prestados estão consignados nas declarações dos respectivos profissionais, além de ter apresentado atestado emitido pelos profissionais prestadores dos serviços (com reconhecimento de firma) descrevendo o tipo de doença portada pelo paciente, o tratamento realizado, o valor dos serviços prestados, data, local e endereço; o auditor fiscal, ao lançar o crédito tributário, presumiu que os serviços médicos não teriam sido efetivamente realizados, o que deve ser rechaçado já que a mera presunção é repudiada pela legislação tributária. Por fim, postula o Contribuinte pelo acolhimento de sua Impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado, relativamente a diferença oriunda da Revisão de Declaração de Ajuste Anual. Na análise de suas alegações, os integrantes da 4ª Turma da DRJ/CGE decidiram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendose integralmente o crédito tributário exigido, em acórdão do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2007 DESPESAS MÉDICAS Para que o contribuinte comprove que as despesas médicas são dedutíveis deve demonstrar o efetivo pagamento, o tratamento efetuado e quem é o paciente do tratamento para que se subsuma à norma que prevê a dedução. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 89/100, reiterando integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda que: qualquer prestação de serviço médico pode ser pago mediante dinheiro em espécie, sendo que a impossibilidade de comprovação de pagamentos feitos em espécie, remeteria o Contribuinte a comprovar os referidos valores por recibos emitidos pelos próprios profissionais, desde que respeitados os requisitos legais; teria respeitado todos os requisitos legais inerentes a comprovação de despesas médicas à título de dedução do imposto de renda, além de providenciar o reconhecimento de firma dos respectivos profissionais, para fins de comprovação da veracidade da documentação; defende ainda que, constando o nome, endereço, CPF ou CNPJ do beneficiário, já deveria satisfazer as exigências legais, sendo apenas cogitada a hipótese de documentação alternativa como cheque nominativo ou extrato bancário –, caso reste desqualificada a documentação apresentada pelo Contribuinte, por vícios decorrentes de não adequação à lei tributária, e cita jurisprudências; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 4 ressalta ainda que o Contribuinte é usuário de plano de saúde, mas que, conforme declaração da Bradesco Saúde S.A. informando que não reembolsou quaisquer valores, subentendese que o beneficiário teria desembolsado as quantias referidas na documentação, não cabendo ao fisco alegar que as quantias não foram pagas com fundamento de utilização de plano de saúde; por fim, pleiteia pelo acolhimento de seu Recurso Voluntário em sua integralidade, cancelandose o débito fiscal reclamado, relativamente a diferença oriunda da Revisão de Declaração de Ajuste Anual exercício 2007 ano base 2006. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 10.06.2011, como atesta o AR de fls. 88. O Recurso Voluntário foi interposto em 08.07.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de recurso no qual se discute lançamento decorrente da glosa de despesas médicas declaradas pelo contribuinte. No caso, foram glosadas despesas no valor total de R$ 30.000,00 em razão da falta de comprovação de sua efetividade (os recibos não estariam revestidos das formalidades legais, cf. fls. 19). A legislação vigente prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 13748.000585/200912 Acórdão n.º 2102003.240 S2C1T2 Fl. 119 5 (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) Em resumo, o contribuinte deve provar: a) que ele ou um de seus dependentes efetivamente tenha utilizado os serviços médicos cuja dedução pleiteou; e b) que efetivamente pagou pelos serviços prestados. Por isso a autoridade lançadora pode e deve exigir a comprovação do pagamento das despesas cuja dedução pleiteia o contribuinte em sua DIRPF. Esta comprovação pode ser exigida quando faltarem outros dados de comprovação da efetividade das despesas, e/ou ainda quando a documentação apresentada pelo contribuinte for inidônea – sob pena de ser indeferido o direito à dedução pretendida. No caso em exame, as glosas foram assim justificadas pela autoridade lançadora: Em sede de Impugnação, o Recorrente trouxe aos autos os documentos de fls. 22/65, consistentes em recibos e declarações firmados pelas profissionais que lhe prestaram serviço. A decisão recorrida, ao analisar os documentos por ele apresentados, entendeu, porém, que as glosas deveriam ser mantidas, tendo em vista que o contribuinte possuía plano de saúde (plano este que poderia ter arcado com as despesas que pretende deduzir) e não comprovou o efetivo desembolso dos valores pagos aos profissionais em questão. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 6 As profissionais para os quais o Recorrente pleiteou deduções que não foram aceitas em sua Declaração de Ajuste Anual foram as seguintes: profissional Especialidade Valor Recibos Jeanice Caramgo Prinz Psicóloga R$ 10.000,00 Fls. 18/34 Patrícia Maia Klipel Fisioterapeuta R$ 10.000,00 Fls. 38/47 Renata B Ganzales Fisioterapeuta R$ 6.000,0 Fls. 50/53 Carla C Asstraub R Lima Fisioterapeuta R$ 4.000,00 Fls. 56/60 Com relação a todas estas profissionais, a documentação carreada aos autos consiste em recibos que totalizavam os valores mensais pagos e ainda declarações (de igual teor) firmadas por cada uma das profissionais, por meio das quais ratificavam a prestação de serviço e esclareciam o que motivou os atendimentos ao Recorrente. Tal documentação preenche os requisitos da lei para que o Recorrente possa se beneficiar das deduções pretendidas, razão pela qual as despesas devem ser restabelecidas. Vale lembrar que a falta de comprovação do pagamento dos serviços contratados ou o fato de o Recorrente ter plano de saúde não foram questões levadas em consideração pela autoridade fiscal, razão pela qual não seria possível inovar, a esta altura do processo, na fundamentação deste lançamento. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Numero do processo: 10711.002493/2006-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 29/07/2004
Extravio de Mercadoria - A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de mercadoria por expressa determinação legal, será solidariamente do Agente Consolidador / Desconsolidador /Marítimo. Entrada de Mercadoria no Território Nacional com Destino ao Paraguai. Caracterizado o extravio da mercadoria em território nacional. Devido o Imposto de Importação.
Recurso voluntário negado provimento.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3102-01.518
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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Entrada de Mercadoria no Território Nacional com Destino ao Paraguai. Caracterizado o extravio da mercadoria em território nacional. Devido o Imposto de Importação. Recurso voluntário negado provimento. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho – Relator EDITADO EM: 18/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 24 93 /2 00 6- 53 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira Barros, Winderley Morais Pereira e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1717.448 da 1ª Turma da DRJ/SP2, que julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário decorrente do auto de infração lavrado contra a recorrente. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte foi lavrado o auto de infração de fls. 01 a 18, em face da empresa acima qualificada, para exigência do crédito tributário — Imposto de Importação e multa prevista no artigo 628, III alínea "d" do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 4543/02, apurado por meio do Termo de Vistoria processo n°. 11128.003849/200457, no valor R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais). Segundo consta dos autos, a vistoria aduaneira foi realizada a pedido do importador AQUIDABAN IMPORT EXPORT, nas mercadorias amparadas pelo conhecimento de carga PCA672497, acondicionadas no container INKU 226.8632, descarregado do navio MONTEMAR SALVADOR, que entrou no Porto de Santos em 02/07/2004. De acordo com o Termo de Avaria de Container n°. 004485/2004, emitido pelo depositário, a unidade de carga referenciada foi descarregada com avaria, divergência de peso e lacre, motivo pelo qual foi constituída a Comissão de Vistoria Aduaneira para verificar a ocorrência de avaria e/ou extravio das mercadorias estrangeiras ingressadas no território nacional bem como identificar o responsável e apurar o crédito tributário dele exigível, nos termos do artigo 581, § 1° do Decreto 4543/2002. Após a realização dos trabalhos, a Comissão de Vistoria Aduaneira concluiu que a responsabilidade pela falta das mercadorias estrangeiras, conforme demonstrado no DAAF — Demonstrativo de Apuração de Avaria e/ou Falta da Mercadoria, era do transportador — emissor do Conhecimento Marítimo — CSAV —COMPANIA SUD AMERICANA DE VAPORES S/.A REP. P/ CIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO, com base nos artigos 591 e 592 do Decreto n°. 4.543/02, cuja matriz legal é o DecretoLei n°. 37/66. Cientificada da autuação, a interessada protocolizou sua impugnação de fls.71/98, argumentando em síntese que: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10711.002493/200653 Acórdão n.º 3102001.518 S3C1T2 Fl. 950 3 1. Não é contribuinte do Imposto de Importação nem transportadora marítima que deu causa ao suposto extravio da carga, mas mera agente mandatária da armadora locatária do navio, emissora do conhecimento de carga; 2. 0 container em questão foi estufado e lacrado pelo próprio exportador dizendo conter 3.064 caixas de papelão com partes de computadores e outros produtos conforme fatura comercial anexa; 3. A unidade de carga foi embarca 4a no porto de Miami para ser descarregada no porto de Santos em trânsito para a Cidade do Leste, Paraguai, seu destino final; 4. Tal transporte foi realizado na condição FCUFCL, também conhecida como HousetoHouse (CasaaCasa), termo denotando um serviço de frete onde as mercadorias são estufadas num container nas dependências do exportador, que é entregue lacrado ao navio transportador, e se) são desovadas nas dependências do consignatário ou local por este designado sob a cláusula "said to contain" (diz conter); 5. 0 navio atracou no porto de Santos em 02 de julho de 2004 no terminal da LIBRA e descarregou a unidade de carga que apresentou indícios de avaria (diferença de peso e falta de lacre de origem); 6. A vistoria aduaneira foi solicitada pelo consignatário da mercadoria representado por seu procurador local; 7. A Comissão de Vistoria Aduaneira concluiu que a responsabilidade pelas avarias apontadas no termo emitido pelo depositário (lacre de origem violado, falta de mercadorias) foi do transportador, emissor do conhecimento marítimo — CSAV —COMPAN IA SUO AMERICANA DE VAPORES S./A; 8. 0 lançamento do crédito tributário contra a CIA LIBRA DE NAVEGAÇAO, mandatária do transportador, é anulável de pleno direito, primeiro porque a jurisprudência de nossos Tribunais já decidiu que o agente marítimo não responde por tributos devidos pelo seu agenciado e, segundo que as mercadorias em trânsito para o Paraguai são beneficiadas pelo regime aduaneiro livre, por força do acordo internacional sancionado por Decreto; 9. Assim, preliminarmente, há de ser reconhecida a ilegitimidade passiva do agente marítimo para responder por débito fiscal imputado a transportador, ainda que estrangeiro; 10.A exação fiscal é ilegal, pois está lastreada no artigo 32 § único do Decreto 2.472/88, cuja inconstitucionalidade já foi consagrada pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme demonstra a farta jurisprudência juntada ao processo; Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 4 11. A tributação contida no termo de Vistoria Aduaneira n°. 41/04, objetiva a cobrança do Imposto de Importação e multa atinentes às mercadorias que não foram importadas por brasileiros, mas em trânsito aduaneiro para o Paraguai. Posto isso, não há fundamento para considerar a defendente, mero agentemandatário do transportador marítimo emissor do BL, responsável pelos tributos relativos ao extravio de carga em transito aduaneiro internacional. Após analisar a impugnação, decidiu a DRJ pela procedência do lançamento, consoante se depreende da ementa abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/07/2004 Ementa: ILEGITIMIDADE PASSIVA — Por expressa determinação legal, o Agente marítimo responde pelo extravio de mercadoria que se encontrava sob custódia do transportador estrangeiro. Decretolei n°. 2.472/88. Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 29/07/2004 Ementa: VISTORIA ADUANEIRA — Extravio de Mercadoria — Responsabilidade do Transportador — A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de mercadorias ocorrido durante o transporte, será do representante do transportador estrangeiro por expressa determinação legal. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso alegando em síntese que: 1. O lançamento decorre do transporte náutico entre MIAMI e Ciudad del Este – em trânsito pelo porto de Santos, onde foi apenas agente mandatário da Compania Sud Americana de Vapores S.ª CSAV; 2. De acordo com o termo de vistoria aduaneira o emissor de conhecimento de embarque foi a Compania Sud Amreicana de Vapores S.ª CSAV; 3. A recorrente, como agência marítima, apenas realiza os procedimentos inerentes a atracação, operações de carga e administração das despesas relativas ao navio no país; 4. As atribuições do agente são distintas do transportador, pois o agente apenas detém poderes de administração, não respondente pelos negócios do mandante; Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10711.002493/200653 Acórdão n.º 3102001.518 S3C1T2 Fl. 951 5 5. Argumenta por fim a recorrente não ser devido o Imposto de importação por ser o lançamento baseado em operação na qual a mercadoria é destinada ao Paraguai; Após analisadas a razões do recurso o feito foi convertido em diligência, por este conselho, com base nos seguintes argumentos: Conforme relatado, o Contribuinte argüi em sua defesa não ser sujeito passivo do Imposto de Importação, porquanto não seria ele o transportador marítimo que deu causa ao suposto extravio da carga, mas agente marítimo, mero mandatário da armadora locatária do navio. A solução dessa questão é imprescindível para o deslinde da controvérsia, na medida em há que se determinar o papel desempenhado pelo Recorrente na operação para se verificar sua responsabilidade pelo débito tributário. Contudo, não verifico nos autos documento apto a permitir a verificação do exato papel desempenhado pelo Contribuinte, ora recorrente. Saliento que o estatuto social do Recorrente (fl. 191) autorizao tanto a agir como transportador como simples mandatário. Isso posto, converto o julgamento em diligência à Repartição de origem para que o Contribuinte, ora Recorrente, seja intimado a apresentar cópia, com tradução juramentada para o português, se o contrato estiver lavrado em idioma estrangeiro, do contrato celebrado entre o Contribuinte e a empresa CSAV — COMPANHIA SUD AMERICANA DE VAPORES S/A, para o transporte da carga a que, de acordo com o Auto de Infração de fls. 1 e seguintes, corroborado com o pedido de Vistoria Aduaneira de que cuida o presente processo administrativo (Container INKU n° 226.8632, Termo de Avaria de Container n° 004485/2004), foi extraviada e está a dar ensejo à cobrança de Imposto de Importação e multa. Em atenção à diligência requerida a recorrente apresentou requerimento no qual anexa apenas a procuração celebrada com a CSAV – Compania Sud Americana de Vapores S/A, ressaltando ainda que a CSAV não é mais por ela agenciada. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 6 Ilegitimidade Passiva O Recorrente, no escopo de seu Recurso Voluntário ora em análise, tratou de salientar e, pois, diferenciar a função e poderes concernentes ao Agente Marítimo. Neste entendimento, fundamentou que o agente marítimo não executa tampouco responde pelos negócios praticados por seu mandante. Assim sendo, ressalta que, apesar de ter assinado um Termo de Responsabilidade para com o mandante, não responde pelo pagamento do tributo em face do princípio da reserva legal, elencando, para tanto, jurisprudências e doutrinas atinentes à referida ausência de responsabilidade. Desse modo, o Recorrente arguiu a nulidade do Auto de Infração lavrado. Ocorre, entretanto, que o Decretolei nº 37/66 dispõe e atribui, em observância ao art. 32, a responsabilidade tributária ao representante, no caso em liça a CIA LIBRA DE NAVEGAÇÂO, do transportador. Art . 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. Ora, expressa é a disposição deste diploma legal acerca da responsabilidade solidária do Recorrente, na qualidade de representante, para com o transportador estrangeiro. Neste entendimento já se pronunciou este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 05/04/2005 VISTORIA ADUANEIRA. Extravio de Mercadoria Responsabilidade do Transportador. A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de mercadoria ocorrida durante o transporte será do representante do transportador estrangeiro, por expressa determinação legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10711.002493/200653 Acórdão n.º 3102001.518 S3C1T2 Fl. 952 7 Data do fato gerador: 05/04/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o Agente Consolidador / Desconsolidador /Marítimo, no caso de também ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Recurso Voluntário Negado. 1 Mérito. Mercadoria Destinada ao Paraguai Com o fito de uma possível elucidação do imposto em liça, denotase que tal imposto, o Imposto de Importação – II, consiste num imposto federal que, logo, é de competência da União, sendo previsto ao art. 153, I e § 1º da Constituição Federal. Frisese que o tributo em comento fora instituído através do DL 37/66, de extrema relevância para a infração em deslinde, sendo derrogado por vários outros diplomas legais. Retomando o presente caso, o Recorrente, no que concerne ao fato do extravio das mercadorias ora destinadas ao Paraguai, alega que estas escapam “da condição de importada, e como tal não geraria de qualquer sorte, tributos a serem indenizados à Fazenda Nacional, em virtude de seu extravio.” Ora, é importante observar o que dispõe o DL 37/66 no que tange à incidência e o fato gerador do Imposto de Importação: Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. Assim sendo, concluise que o imposto em comento incide sobre a mercadoria estrangeira, que consiste no naqueles bens que tenham origem no exterior do país, sendo inseridos ou introduzidos ao país mediante uma atividade mercantil, neste ínterim, importante frisar que referido imposto também terá incidência, inclusive, sobre bagagem de viajante e bens enviados como presente ou amostra. De outro norte, relevante se faz analisar se o fato gerador do tributo em questão se perfaz. Neste diapasão, importante notar a clareza com que o dispositivo o demonstra, consistindo, de maneira clarividente, na entrada no Território Nacional da mercadoria estrangeira. Assim, inferese que “a legislação atinente a este imposto somente será aplicada com a entrada física do bem no território brasileiro, ou seja, a partir de tal momento a União possui legitimidade para exigir o tributo.” 2 Logo, temse que a consumação do fato gerador do imposto de importação ocorre com a entrada dos produtos no território nacional, de maneira que torna possível a aplicação da legislação tributária pertinente pela fiscalização. 1 CARF 3ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 310100445 do Processo 11128003841200571 2 CARNEIRO, Cláudio. Impostos Federais, Estaduais e Municipais. 2.ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris,2010. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 8 Em que pese que haja possíveis dúvidas a respeito do tema, importante se faz notar a sequência do dispositivo supracitado, do Decretolei 37/66: § 2º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. (Parágrafo único renumerado para § 2º pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 3º Para fins de aplicação do disposto no § 2º deste artigo, o regulamento poderá estabelecer percentuais de tolerância para a falta apurada na importação de granéis que, por sua natureza ou condições de manuseio na descarga, estejam sujeitos à quebra ou decréscimo de quantidade ou peso. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). Ora, para elucidação dos parágrafos ora transcritos, a eminente autora Raquel Novais é precisa em suas lições: “ainda que determinada mercadoria não ingresse pelo país passando pelas repartições aduaneiras competentes, seja pela sua natureza, seja pela sua destinação, mas que se de destinem a permanecer no território nacional – caracterizado está o evento; uma vez caracterizado o evento, nasce o dever jurídico de promover a sua descrição, no ato de lançamento, nas repartições aduaneiras competentes, local onde será transformado em fato jurídico tributário e no qual será constituído em crédito tributário. 3 Diante de tais lições, demonstrase que diante do extravio de mercadorias no presente caso, adentrando ao território nacional mercadorias estrangeiras, nasce, para o Recorrente, os deveres jurídicos para com a realização da tributação devida. Entretanto, o Recorrente, com base nos argumentos consubstanciados em sede de Recurso, sustenta que caberia à Fazenda vinculada ao Estado paraguaio realizar a presente tributação, a qual teria sido erroneamente realizada pela Fazenda brasileira. Objetivando sustentar referido entendimento, elenca jurisprudências e doutrinas diversas. Ora, a entrada da mercadoria no território nacional é o fato gerador da, este independe da destinação da mercadoria, entretanto, aplicase a suspensão do pagamento dos tributos, em determinadas situações prevista na norma. Ainda que se sustente supostos acordos internacionais para a não tributação das mercadorias consignadas pela autoridade fiscal, frisese que o acordo entre o Brasil e Paraguai não tem qualquer norma que restrinja o poder brasileiro de tributar, de tal modo que ao Brasil, em razão do acordo salientado, compete, tão somente, permitir a passagem e o depósito em território nacional de produtos importados ou exportados pelo Paraguai. Logo, denotase que não é possível vincular o fato gerador do tributo à destinação final da mercadoria, visto que somente a entrada da referida mercadoria em território nacional implica, desde já, em sua tributação. 3 Curso de especialização em direito tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho. / Coordenador: Eurico Marcos Diniz de Santi. Rio de Janeiro: Forense, 2005. pg. 1.082. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10711.002493/200653 Acórdão n.º 3102001.518 S3C1T2 Fl. 953 9 Ora, com base nos regulamentos que dispõem acerca da situação fática em deslinde, assim como diante da constatação da competência das autoridades pátrias para com a tributação do extravio das mercadorias que, porventura, tinham o Paraguai como destinatário final, denotase, de maneira clarividente, a configuração da responsabilidade, ainda que solidária, do Recorrente. Por todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a responsabilidade do contribuinte, ora Recorrente. Sala de sessões 24 de maio de 2012. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 165DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Numero do processo: 10882.900431/2009-90
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 31 /2 00 9- 90 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 5 4 a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 7 6 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP 00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 9 8 Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 10 9 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 11 10 administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 12 11 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900431/200990 Acórdão n.º 3801004.960 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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