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Numero do processo: 18471.002515/2008-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/01/2004
PREVIDENCIÁRIO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRÊMIOS PAGOS EM TORNEIO DE FUTEVÔLEI EM COMPETIÇÃO DE ATLETAS AMADORES.
Não caracteriza remuneração de prestação de serviço do contribuinte individual o pagamento de prêmios pagos em dinheiro aos atletas participantes de torneio amador.
CONTRATO ATÍPICO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE.LICITUDE.
Embora não disciplinados ou regulados expressamente pelos Códigos Civil, Comercial ou por qualquer lei extravagante, os contratos denominados atípicos são juridicamente admitidos desde que observem, os bons costumes , os princípios gerais de direito e a lei.
A celebração decontratos atípicos decorre do Princípio da Autonomia da Vontade, e mesmo sem a devida regulamentação tem respaldo no art. 425 do Código Civil brasileiro, que dispõe ser lícito às partes estipularcontratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso.Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari que entendeu por negar provimento ao recurso e Marcelo Freitas de Souza Costa que entendeu por tributar exclusivamente a premiação de participação.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Julio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRÊMIOS PAGOS EM TORNEIO DE FUTEVÔLEI EM COMPETIÇÃO DE ATLETAS AMADORES. Não caracteriza remuneração de prestação de serviço do contribuinte individual o pagamento de prêmios pagos em dinheiro aos atletas participantes de torneio amador. CONTRATO ATÍPICO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE.LICITUDE. Embora não disciplinados ou regulados expressamente pelos Códigos Civil, Comercial ou por qualquer lei extravagante, os contratos denominados atípicos são juridicamente admitidos desde que observem, os bons costumes , os princípios gerais de direito e a lei. A celebração decontratos atípicos decorre do Princípio da Autonomia da Vontade, e mesmo sem a devida regulamentação tem respaldo no art. 425 do Código Civil brasileiro, que dispõe ser “ lícito às partes estipularcontratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código.” Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso.Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari que entendeu por negar provimento ao recurso e Marcelo Freitas de Souza Costa que entendeu por tributar exclusivamente a premiação de participação. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 25 15 /2 00 8- 29 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Ivacir Julio de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 201DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18471.002515/200829 Acórdão n.º 2403002.268 S2C4T3 Fl. 201 3 Relatório A instância a quo produziu o Relatório abaixo que, li, compulsei com os autos e , com grifos de minha autoria, o transcrevi na íntegra: “Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, através do auto de infração, DEBCAD 37.158.2296, no montante de R$5.692,25 (cinco mil, seiscentos e noventa e dois reais e vinte e cinco centavos), que acrescido de multa e juros perfez o valor consolidado em 26/09/2008 de R$11.137,46 (onze mil, cento e trinta e sete reais e quarenta e seis centavos), correspondente às contribuições devidas e não recolhidas à Seguridade Social, referentes à parte dos contribuintes individuais, incidentes sobre as remunerações pagas a título de "premiação". 2. De acordo com o Relatório Fiscal: 2.1. "Em janeiro de 2004 a TOPSPORTS idealizou uma competição de futevôlei, denominada FutFest, com intuito de promover a realização anual de campeonato do referido esporte ". 2.2. "Para a disputa da primeira etapa foi elaborado um Contrato para regular a inscrição e participação dos ATLETAS no evento. " O contrato foi denominado como atípico, mas foi considerado pela fiscalização como "um contrato comum de prestação de serviços através de profissionais habilitados para o exercício das tarefas nele descritas ". 2.3. "O tipo de serviço contratado está inserido em seu estatuto como um dos objetos sociais da empresa ". 2.4. "Os atletas, em parte, eram conhecidos ex jogadores profissionais de equipes de futebol, alguns atores, também conhecidos, e outros figurantes desconhecidos, mas todos profundos conhecedores e especialistas da prática de futevôlei na areia ". 2.5. "As cláusulas contratuais, com previsões de exclusividades durante o período do evento e de multas aos ATLETAS em casos de rescisões unilaterais por parte destes, não deixam dúvida quanto a nossa interpretação ". 2.6. Os honorários pela prestação de serviços foram pagos a título de "premiação". Da Impugnação 3. Inconformada com auto de infração que tomou ciência pessoal em 26/09/2008 (fls. 01), a empresa contestou o lançamento em Fl. 202DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 28/10/2008, através do instrumento de fls. 26/133, argumentando em síntese: 3.1. "Esta impugnação deve ser apreciada em conjunto com a impugnação oferecida ao AI DEBCAD 37.158.228 81COMPROT 18471.002514/200884 ". 3.2. Os valores objeto deste auto de infração não se referem a pagamentos por prestação de serviços. 3.3. Tratase de uma competição de duplas de futevôlei e o vínculo entre atletas e a entidade organizadora de um evento esportivo não é de prestação de serviços. 3.4.0 "FutFest" distribuiu prêmios por participação e por desempe o. 3.5. "A fiscalização diferenciou os prêmios de participação dos prêmios por desempenho (..) e partindo do equívoco de que todos os participantes do "FutFest" receberam prêmios por participação, associou este tipo de remuneração ao pagamento de uma prestação de serviço ". 3.6. Não houve pagamento de premiação por participação a todos os participantes. Apenas 35 receberam algum tipo de prêmio, mesmo assim, grande parte destes atletas só recebeu prêmios por desempenho. 3.7. Na categoria profissional, uma minoria dos atletas participantes celebrou um contrato atípico para regular sua inscrição e obter certas garantias sobre o evento. Não eram contratos comuns de prestação de serviços. 3.8. As cláusulas de exclusividade e rescisão unilateral foram meras contrapartidas às inúmeras obrigações exigidas da impugnante em favor e em garantia dos atletas. 3.9. " Toda inscrição encerra um contrato. Por meio de una inscrição, o inscrito se compromete a cumprir determinadas regras e se submeter a determinado teste (pode ser um teste esportivo, de conhecimento, etc). Em contrapartida, a entidade que oferece a inscrição se compromete a determinada prestação. Essa prestação pode ser o sorteio de um bem, assegurar uma vaga em determinado estabelecimento de ensino ou o pagamento de um prêmio em dinheiro ". 3.10.0 resultado do serviço não reverteu em favor do tomador (não houve retribuição de trabalho em favor da empresa) e sim em favor do próprio atleta, que quando participam de uma competição em busca de prêmio trabalham para si mesmos. 3.11. Apresenta, em suporte de suas ponderações, a Solução de Consulta n° 27, de 1 ° de agosto de 2007, que determinou que o pagamento de prêmio em dinheiro a . vencedor de competição de cantadores e repentistas não constitui fato gerador sujeito à incidência de contribuição previdenciária. 3.12. "No caso de competições, ó pagamento de um prêmio ao vencedor, aos vencedores ou aos cinco primeiros colocados, Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18471.002515/200829 Acórdão n.º 2403002.268 S2C4T3 Fl. 202 5 jamais caracterizará remuneração por prestação de serviços. Não há porque imaginar que o vencedor, porque recebe, presta um serviço, enquanto o perdedor, que cumpre a mesma tarefa, não o presta ". 3.13. "Os prêmios por desempenho deveriam ser removidos da base de cálculo da contribuição previdenciária. Afinal, segundo a própria fiscalização, este tipo de pagamento não estaria mesmo vinculado à prestação de serviços em si. Esse raciocínio também vai ao encontro da interpretação literal que a fiscalização deu à Solução de Consulta n° 27 acima citada ". Do pedido 3.14. Requer: 3.14.1.0 cancelamento do auto de infração. 3.14.2. A exclusão da quantia paga a título de premiação por desempenho. 4. É o Relatório” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.136, a 11ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro 1 (RJ) DRJ/RJ1, em 30 de agosto de 2010, exarou Acórdão de n°1233.012 onde manteve o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.149, onde reiterou as razões de impugnação. É o Relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade.Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Como descrito no item 3 do Relatório Fiscal, para a disputa da primeira etapa do evento foi elaborado um contrato para regular a inscrição e participação dos ATLETAS. O contrato, foi denominado pela Recorrente como atípico, mas foi considerado pela fiscalização como um contrato comum, típico de prestação de serviços: “ 3. DOS FATOS Para a disputa da primeira etapa foi elaborado um Contrato para regular a inscrição e participação dos ATLETAS no evento. O contrato, anexo a este relatório, foi denominado pela TOPSPORTS como atípico, mas foi considerado pela fiscalização como um contrato comum de prestação de serviços através de profissionais habilitados para o exercício das tarefas nele descritas . (...)” ( grifos de minha autoria) Não obstante, á íntegra do item 3 revela também que a motivação da constituição dos créditos tributários estaria assentada no entendimento do Auditor Fiscal de que os valores recebidos à título de premiação na forma do pacto contratual seria na verdade honorários pagos pela prestação de serviços: “Em janeiro de 2004 a TOPSPORTS idealizou uma competição de futevôlei, denominada FutFest, com intuito de promover a realização anual de campeonato do referido esporte. Com o propósito de atrair empresas patrocinadoras para o evento, a competição de 2004 foi dividida em duas etapas: a primeira, disputada entre os dias 15 e 18 de janeiro; e a segunda, já com eventuais patrocínios, ao longo do ano de 2004. Para a disputa da primeira etapa foi elaborado um Contrato para regular a inscrição e participação dos ATLETAS no evento. O contrato, anexo a este relatório, foi denominado pela TOPSPORTS como atípico, mas foi considerado pela fiscalização como um contrato comum de prestação de serviços através de profissionais habilitados para o exercício das tarefas nele descritas . Os atletas, em parte, eram conhecidos ex jogadores profissionais de equipes de futebol, alguns atores, também conhecidos, e outros figurantes desconhecidos, mas todos profundos conhecedores e especialistas da prática de futevôlei na areia. As cláusulas contratuais, com previsões de exclusividades durante o período do evento e de multas aos ATLETAS em casos Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18471.002515/200829 Acórdão n.º 2403002.268 S2C4T3 Fl. 203 7 de rescisões unilaterais por parte destes, não deixam dúvida quanto a nossa interpretação. Consideramos tratarse de um contrato de risco, em que a empresa se propunha a arcar com todas as despesas da primeira etapa, mas visando a um interesse maior que era a promoção de um campeonato anual através de parceria com patrocinadores e, alcançada esta meta, obter os lucros necessários à viabilização de qualquer empresa. Observese que o tipo de serviço contratado está inserido em seu estatuto como um dos objetos sociais da empresa. Ademais, o contrato previa premiação por participação a todos os participantes. O nome "premiação", neste caso, tornase irrelevante, pois não passa de honorário pago pela prestação de serviços. Diferentemente de uma empresa que promova, por exemplo, uma maratona com centenas de participantes, sem qualquer rigidez contratual, e cuja premiação, de um ou dos três primeiros colocados, seja realmente o objetivo final do evento.” ( grifos de minha autoria) DA QUESTÃO DE FUNDO Do acima exposto, emerge a questão de fundo que por ser composta e envolver aspectos preliminares e de mérito, uma vez decidida põe termo a lide. A saber: O tipo de contrato utilizado denominado ATÍPICO , é lícito ? Tem previsão legal? Ao se inscreverem para participar da competição como descreveu o Auditor fiscal atletas pactuaram prestar serviço à recorrente ? DOS CONTRATOS TÍPICOS O Código Civil de 2002 contempla vinte e três tipos de contratos típicos dentre os quais se observa a prestação de serviços, e a empreitada: prestação de serviços, empreitada,constituição de renda, seguro, jogo, aposta, fiança, sociedade, transação e compromisso compra e venda, troca, contrato estimatório, doação, locação de coisas, empréstimo, depósito, mandato, comissão, agência, distribuição, corretagem e o de transporte. Contrapondose aos contratos típicos, em razão da dinâmica negocial que a modernidade impõe aos agentes, assente na autonomia da vontade privada e na ampla liberdade de regulamentação de suas avenças, surgiram os CONTRATOS ATÍPICOS ou inominados. DOS CONTRATOS ATÍPICOS Muito embora não disciplinados ou regulados expressamente pelos Códigos Civil, Comercial ou por qualquer lei extravagante, os contratos ditos atípicos são juridicamente admitidos desde que observem, os bons costumes , os princípios gerais de direito e a lei. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 DO PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE A celebração de contratos atípicos decorre pois, do PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE, com respaldo no art. 425 do Código Civil brasileiro, que dispõe: "Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código."( grifos de minha autoria) DAS CONVENÇÕES É cediço que a convenção faz lei entre as partes. Entretanto o simples fato de estar convencionado não confere licitude ao pacto. Assim, é indispensável intervenção do Estado para evitar os abusos e se faça a Justiça impondo limites a essa liberdade tal qual se faz para os contratos típicos. Neste diapasão resta observar se três princípios foram contemplados: o da boafé objetiva, da função social do contrato e da vedação à onerosidade excessiva, aos quais o legislador fez expressa referência nos arts. 421, 422 e 478 do Código Civil. Dando destaque para a boafé em sua acepção objetiva, observese o comando do art. 422 do Código Civil de 2002 : "Art.422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boafé". Sendo assim, ao aplicador do direito, cumpre o papel de verificar se nos contratos atípicos estão presentes as características supra . DA VALIDADE DO CONTRATO ATÍPICO Com foco nos comandos supra exposto, analisei não somente o contrato mas, também, o regulamento do evento e não alcancei desvios que os descaracterizassem na forma como o fez a autoridade autuante corroborada pela instância a quo. DA EVENTUAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇO Na forma do Relatório Fiscal , é de se reparar que o Auditor Fiscal destaca que o propósito do evento foi “ atrair empresas patrocinadoras e que fora “ elaborado um contrato para regular a inscrição e participação dos atletas”. Cumpre ressaltar que, como realçou a Autoridade autuante, o contrato se fez para inscrever e regular a participação e não para descrever tarefas , horários, e subordinação. As cláusulas contratuais gravadas não determinaram que os participantes defendessem as cores, brasões, logotipos ou equipes que levassem o nome da empresa de modo a caracterizar uma contraprestação de serviço direta e inequívoca. Relevante ressaltar que a afirmação que se faz de que os participantes eram “ profissionais habilitados” , “ profundos conhecedores e especialistas da prática de futevôlei na areia” revela ilação pessoal e subjetiva do autor que, na forma do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, não se presta como elemento essencial de prova para motivar o Auto de Infração: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18471.002515/200829 Acórdão n.º 2403002.268 S2C4T3 Fl. 204 9 “ 3. DOS FATOS Em janeiro de 2004 a TOPSPORTS idealizou uma competição de futevôlei, denominada FutFest, com intuito de promover a realização anual de campeonato do referido esporte. Com o propósito de atrair empresas patrocinadoras para o evento, a competição de 2004 foi dividida em duas etapas: a primeira, disputada entre os dias 15 e 18 de janeiro; e a segunda, já com eventuais patrocínios, ao longo do ano de 2004. Para a disputa da primeira etapa foi elaborado um Contrato para regular a inscrição e participação dos ATLETAS no evento. O contrato, anexo a este relatório, foi denominado pela TOPSPORTS como atípico, mas foi considerado pela fiscalização como um contrato comum de prestação de serviços através de profissionais habilitados para o exercício das tarefas nele descritas . Os atletas, em parte, eram conhecidos ex jogadores profissionais de equipes de futebol, alguns atores, também conhecidos, e outros figurantes desconhecidos, mas todos profundos conhecedores e especialistas da prática de futevôlei na areia. As cláusulas contratuais, com previsões de exclusividades durante o período do evento e de multas aos ATLETAS em casos de rescisões unilaterais por parte destes, não deixam dúvida quanto a nossa interpretação. Consideramos tratarse de um contrato de risco, em que a empresa se propunha a arcar com todas as despesas da primeira etapa, mas visando a um interesse maior que era a promoção de um campeonato anual através de parceria com patrocinadores e, alcançada esta meta, obter os lucros necessários à viabilização de qualquer empresa. Observese que o tipo de serviço contratado está inserido em seu estatuto como um dos objetos sociais da empresa. Ademais, o contrato previa premiação por participação a todos os participantes. O nome "premiação", neste caso, tornase irrelevante, pois não passa de honorário pago pela prestação de serviços. Diferentemente de uma empresa que promova, por exemplo, uma maratona com centenas de participantes, sem qualquer rigidez contratual, e cuja premiação, de um ou dos três primeiros colocados, seja realmente o objetivo final do evento.” ( grifos de minha autoria) Merece destaque , também, o fato de a Autoridade autuante ter registrado que promover contratos de riscos nos moldes descritos estaria inserido no estatuto da Recorrente como um dos objetivos da empresa: “Consideramos tratarse de um contrato de risco, em que a empresa se propunha a arcar com todas as despesas da primeira etapa, mas visando a um interesse maior que era a promoção de um campeonato anual através de parceria com patrocinadores e, alcançada esta meta, obter os lucros necessários à viabilização de qualquer empresa. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 Observese que o tipo de serviço contratado está inserido em seu estatuto como um dos objetos sociais da empresa” ( grifos de minha autoria) A sobredita afirmação, além de não indicar o item do estatuto que comprovaria o destacado, colide com o que o Auditor Fiscal registrara alhures no item 2 do Relatório Fiscal quando transcreveu que a empresa é uma Sociedade por Ações que tem por objetos sociais,conforme estatuto: a) Prestação de serviços de assessoria na área esportiva e de consultoria em geral;e b) Participação, como quotista ou acionista, de outras sociedades civis ou comerciais, nacionais ou estrangeiras. No quesito supra, a instância a quo , para corroborar, buscou elementos de convicção não nos estatutos como afirmara a Autoridade autuante mas sim em um registro inserido num dos itens do contrato, mas especificamente o item (i), quando a Recorrente se ufana de ter notória experiência na organização e exploração comercial de competições esportivas. À julgar pelo objeto descrito nos itens a) e b) de seu estatuto, não foge ao objeto auferir lucros resultado dos aconselhamentos das assessorias e consultorias prestadas na estruturação da organização e exploração comercial de competições esportivas. DA EXCLUSIVIDADE Muito embora o Auditor Fiscal relate a existência de cláusulas contratuais com previsão de EXCLUSIVIDADE durante o período do evento, este, também, não apontou onde exatamente tal condição se localizava registrada no contrato. Mitigando o registro, ao contrário, a leitura do contrato ao definir as obrigações do atleta revelase na cláusula 4.11, (v) que o mesmo poderá participar de ações de marketing e atividades promocionais envolvendo outros patrocinadores que não aqueles do Evento, desde que verificada a inexistência de qualquer conflito de interesses, verbis: “4. 11. São obrigações do atleta entre outras previstas deste instrumento: ( v ) o ATLETA poderá participar de ações de marketing e atividades promocionais envolvendo outros patrocinadores que não aqueles do Evento, desde que verificada a inexistência de qualquer conflito de interesses. Para estes fins, o ATLETA deverá solicitar autorização à TOPSPORTS, comunicando a ação de marketing/atividade promocional da qual pretende participar, bem como os patrocinadores/produtos envolvidos, para a identificação de eventual conflito. A TOPSPORTS não poderá negar a autorização solicitada pelo atleta, salvo na hipótese de verificação efetiva de tal conflito.” ( grifos de minha autoria) Além da não exclusividade, cumpre notar que o item (e) da sobredita cláusula impõe que todas as despesas associadas à participação atleta no evento correriam por sua própria conta: “ (e) arcar com todas as despesas associadas à sua participação no Evento, incluindo, sem limitação, despesas com alimentação, hospedagem e transporte, seja interestadual, estadual ou local, de ida ou de volta.” Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18471.002515/200829 Acórdão n.º 2403002.268 S2C4T3 Fl. 205 11 DO ESTATUTO DA FEDERAÇÃO DE FUTEVÔLEI DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO FUERJ DA E DA ATIVIDADE AMADORA Recente reforma, no Estatuto da Federação de Futevôlei do Estado do Rio de Janeiro, datada de 20.05.2011 aduz no art. 1° que a modalidade esportiva é amadorística: FUTERJ FEDERAÇÃO DE FUTEVÔLEI DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO ESTATUTO ART. 1° – A FEDERAÇÃO DE FUTEVÔLEI DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, a seguir denominada FUTERJ, fundada em 01 de Outubro de 1996, é a Entidade Estadual de Direção do FUTEVÔLEI, sendo caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, com fins desportivo amadoristas, educacionais e filantrópicos, que dirige a modalidade segundo normas gerais da Lei n°. 9.615, de 1998, já com as alterações introduzidas através da Lei no 9981/2000 e nos Decretos que as regulamentam, bem como das regras de práticas desportivas nacionais e internacionais Parágrafo Único – A FUTERJ, assim como todas as entidades nacionais de administração do desporto, o Comitê Olímpico Brasileiro constituem subsistema específico do Sistema Nacional de Desporto, ao qual se aplicará a prioridade prevista no inciso II do Art. 217 da Constituição Federal, desde que seus estatutos obedeçam integralmente à Constituição Federal e às Leis vigentes no País. (..) ART. 3° – A FUTERJ tem como fundadores e filiados as seguintes Entidades de Prática dos Desportos: 1 CLUBE DE REGATAS FLAMENGO 2 CLUBE DE REGATAS VASCO DA GAMA 3 BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS (...) ART. 52° – Constituirão despesas da FUTERJ: a – Aluguel e manutenção da sede. b – Gastos com expediente e aquisição de material para serviços administrativos. c – Ordenados de empregados. d – Gastos com Competições, prêmios e troféus. e – Despesas de representação, transportes e comunicações da Presidência e Diretoria. f – Gastos eventuais. (...) ART. 61° – A presente reforma deste Estatuto foi aprovada pela Assembléia Geral Extraordinária da FUTERJ realizada no dia 20.05.2011, entrando em vigor após o seu registro no Cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 DAS CONTEMPORÂNEAS MATÉRIAS NA IMPRENSA http://correiodobrasil.com.br/esportes/circuitobrasileirodefutevoleitera premiacaoder550mil/36535/ Circuito Brasileiro de Futevôlei terá premiação de R$ 550 mil 25/11/2003 ,15:48 Redação Correio do Brasil (...) A prática do vôlei jogado com os pés, esporte conhecido como futevôlei, já é tão comum no litoral carioca que um grupo de empresários e de exjogadores de futebol decidiu criar um circuito para divulgálo. E a primeira etapa será numa arena em Ipanema, entre 15 e 18 de janeiro de 2004. A Rede TV está na parceria e vai transmitir ao vivo os principais jogos. Mas o projeto, que tem em Careca, Edinho e Adílio alguns de seus principais divulgadores, é bastante ambicioso e prevê elevar o futevôlei à categoria de esporte olímpico em 2012. "O futevôlei é mais técnico e vistoso que o vôlei de praia, porque exige pura habilidade dos atletas. O público vibra", disse Careca, atacante da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1990. Ele foi convidado a participar da competição pela TopSports, empresa de marketing responsável pelo circuito, batizado de Futfest. "Sempre gostei de jogar futevôlei e ele tem uma vantagem: não exige limite de idade", comentou Careca. Outros exatletas, como Ézio, Gaúcho e Gonçalves também estão confirmados no circuito. O Futfest será composto por cinco etapas em 2004. A médio prazo, a intenção dos organizadores é expandilo, com a criação da modalidade feminina e a elaboração de um plano que permita a disputa de um circuito mundial com o evento final programado para o Rio. "Queremos, em 2008, ter uma competição o ano inteiro no Brasil, com a realização de 12 etapas. Se tudo der certo, quem sabe o futevôlei não seja incluído nos Jogos de 2012?", comentou Carlos Moreira, diretor da TopSports. As premiações para 2004 alcançam R$ 550 mil, ou seja, R$ 110 mil por etapa. "É a maior oferecida por um campeonato brasileiro de esporte de praia", afirmou Moreira. Para Gonçalves, exzagueiro do Botafogo e da seleção, o Futfest vai ser um marco na história do esporte no Brasil e no mundo. Ele afirma que os principais jogadores de futebol, em atividade, utilizam as táticas de futevôlei criadas pelos brasileiros. "Toques com o peito, o ombro e outras manobras deixaram de ser apenas um modo de ajeitar a bola e passaram a ser executadas como passes, que muitas vezes terminam em um belo gol." Na etapa de Ipanema, dois atores, Ery Johnson e Thierry Figueira, estarão compondo as duplas. Além deles, a TopSports conseguiu a adesão de dois destaques do futevôlei nas praias do Rio: Renan e Helinho. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18471.002515/200829 Acórdão n.º 2403002.268 S2C4T3 Fl. 206 13 O Futfest vai movimentar cerca de R$ 4 milhões nos três primeiros anos de circuito e os organizadores do Circuito Brasileiro de Futevôlei querem atrair dois dos precursores do esporte no Rio: Romário e Edmundo. Eles poderiam participar, ao menos, da etapa em Ipanema. As negociações estão em curso e a cargo de Careca. "Com atacante de seleção eu sei me entender", brincou. "É no futevôlei que o futebolarte revela sua forma mais plástica e quando a gente fala de futebolarte tem de pensar no Romário, no Edmundo." Para animar a primeira etapa, haverá eventos paralelos, como jogos de futevôlei em outro formato, com quatro atletas de cada lado, e partidas mistas, com homens e mulheres se enfrentando. Três quadras estarão montadas em Ipanema, com a integração dos torcedores, que poderão receber prêmios nos intervalos dos jogos com diversas promoções. Uma delas para o autor do saque que atingir um determinado alvo, na quadra do adversário.” DOS CONTRATOS E DO REGULAMENTO Contrato colacionado às fls. 106, tendo como parte o denominado ATLETA , MARCELO BARRETO SERRALHA,, foi assinado em , 12 de janeiro de 2004 para durar por 7(SETE) dias a partir do início da atividades do evento e teve como objeto o descrito na cláusula 1.1, quer seja , regular a inserção e participação do ATLETA no Evento, bem como regular os direitos e obrigações : CLÁUSULA PRIMEIRA OBJETO 1. O presente Contrato tem por finalidade regular a inserção e participação do ATLETA no Evento, na 1ª etapa da temporada de 2004, bem como regular os direitos e obrigações das Partes associados ao Evento em tal etapa, a ser realizada nas datas a seguir: 2.1. Mediante a assinatura deste instrumento, o ATLETA solicita, e a TOPSPORT aceita sua inscrição no Evento, para as 1ª etapa da temporada de 2004, nos termos deste Contrato. 2.2. O ATLETA se obriga a respeitar integralmente os termos deste Contrato e o Regulamento do FutFest 2004 constante do Anexo i. A TOPSPORTES se obrigou a pagar os valores na forma do item (c ) CLÁUSULA 3.1: (c) pagar os prêmios de participação e desempenho que sejas» devidos ao ATLETA.. Do acima, destacase que foram efetuados 2 ( dois) tipos de pagamentos , a saber: por participação e por desempenho. Na forma do modelo abaixo, os recibos de fls. 22/31, registram que pagaram se valores por participação: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 “Declaro ter recebido de TOPSPORTS VENTURES S.A., nesta data, através de depósito na conta corrente n° 10013321, agência n° 887, Banco Bradesco, de minha titularidade/titularidade de Adílio de Oliveira Gonçalves, CPF n° 532.453.26734, conforme minhas instruções, a importância acima referida, da qual o valor de R$ 608,17 (seiscentos e oito reais e dezessete centavos) foi devidamente retido para fins de pagamento do IR Fonte. Pelo presente recibo dou a mais ampla rasa, geral, irrestrita, irrevogável e irretratável quitação da importância acima, nada tendo a reclamar acerca do pagamento do prêmio de participação na 1ª Etapa do FutFest (Circuito Brasileiro de Futevôlei).” Das fls. 119/130, a maioria dos recibos referemse ao pagamento de prêmios por desempenho na forma da cópia abaixo selecionada: “RECIBO R$125,00 (Cento e vinte e cinco reais ) Declaro ter recebido de TOPSPORTS VENTURES S.A., nesta data,.átravés de depósito na conta corrente n° 17103221, agência n° 457, Banco Real, de minha titularidade/titularidade de Natalie Yomura Martin , CPF n° 081.825.78736, conforme minhas instruções, a importância acima referida. Pelo presente recibo dou a mais ampla rasa, geral, irrestrita, irrevogável e irretratável quitação da importância acima, nada tendo a reclamar acerca do pagamento do prêmio de desempenho na 1° Etapa do FutFest (Circuito Brasileiro de Futevôlei). o Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 2004. Natalie Yomura Martins CPF: 081.825.78736” É relevante destacar que não se utilizaram de Recibos de Pagamentos para Autônomos RPA tendo sido os valores creditados diretamente nas contas correntes dos participantes que revelaram ter recebido prêmio de participação com incidência de IR na fonte. Atenção deve ser dada ao fato de todos os recibos colacionados datados de 27.01.2004, posterior ao evento. Aduz que às fls. 79, consta colacionado o Regulamento do Evento onde a 1ª etapa do circuito motivo dos pagamentos em comento fora realizada de 15 a 18 de janeiro de 2004, verbis : “ O Futfest 2004 (o "Futfest) é um evento de futevôlei, criado, desenvolvido e organizado pela TopSports Ventures S.A., que será disputado em forma de circuito composto de 5 etapas, nas categorias "Profissional", "Misto" e "Junior", observado o disposto neste regulamento. As etapas do circuito serão realizadas nas seguintes datas e locais: Fl. 213DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18471.002515/200829 Acórdão n.º 2403002.268 S2C4T3 Fl. 207 15 1ª . Etapa: de 15 a 18 de janeiro de 2004 [local]; 2ª . Etapa: de 29 de janeiro a 1 0 de fevereiro de 2004 — [local]; 3ª . Etapa: de 26 a 29 de fevereiro de 2004 [local]; 4ª . Etapa: de 11 a 14 de março de 2004 [local]; e 5ª . Etapa: de 25 a 28 de março de 2004 [local].” O destaque supra tem relevo na medida em que se observam que os pagamentos em 27.01.2004 , de fato, se realizaram após os embates na arena e o foram para premiar a participação e o desempenho dos atletas na forma do pactuado. Abaixo , demais formas de premiação extraída do Reguamento: Fls 67 : Premiação i. Os jogadores em cada etapa do Futfest receberão premiação em dinheiro, desde que os jogadores tenham atendido ao que estabelece o regulamento. Todas as, referências em dinheiro neste regulamento estão expressas em moeda brasileira. k. A distribuição de prêmios, por dupla, será a seguinte: PREMIACÃO DE R$ 30.000,00 Etapas Regulares 10 lugar R$ 12.000 20 lugar R$ 6.000 30 lugar R$ 3.500 40 lugar R$ 2.500 50 lugar R$ 1.500 (2 duplas) 70 lugar R$ 1.500 (2 duplas) PREMIDO DE R$ 35.000,00 Super 8 10 lugar R$18.000 20 lugar R$ 9.000 30 lugar R$ 4.500 40 lugar R$ 3.500 I. Para todo e qualquer pagamento relativo à premiação será descontado o Fl. 214DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 Imposto de Renda na Fonte. Fls 69: Premiação a. Os jogadores em cada etapa do Futfest receberão premiação em dinheiro, desde que os jogadores tenham atendido ao que estabelece o regulamento. b. Todas as referências em dinheiro neste regulamento estão expressas em moeda brasileira. C. A distribuição de prêmios, por dupla, é a seguinte: PREMIAÇÃO DE R$ 1850,00 — Etapas Regulares e Super 8 10 lugar R$ 1.000 20 lugar R$ 500 30 lugar R$ 250 40 lugar R$ 100 d. Para todo e qualquer pagamento relativo à premiação será descontado o Imposto de Renda na Fonte. Fls 72: c. A distribuição de prêmios, por dupla, é a seguinte: PREMIACÃO DE R$ 1.000,00 — Etapas Regulares e Super 8 10 lugar R$ 500 20 lugar R$ 250 30 lugar R$ 150 40 lugar R$ 100 d. Para todo e qualquer pagamento relativo à premiação será descontado o Imposto de Renda na Fonte. Na forma da cláusula 8.1 o pagamento sequer era obrigatório e ficava condicionado a se eventualmente fizesse jus na forma do regulamento: 8.1. A TOPSPORT garantirá ao ATLETA o pagamento dos prêmios de desempenho a que o ATLETA eventualmente fizer jus, na forma do Regulamento do FutFest 2004. DO DIREITO CIVIL Fl. 215DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18471.002515/200829 Acórdão n.º 2403002.268 S2C4T3 Fl. 208 17 As cláusulas 9.2 e 9.4 são típicas de pactos albergados á luz do direito civil e não trabalhista. 9.2. Em caso de rescisão deste Contrato por culpa do ATLETA, este ficará sujeito ao pagamento à TOPSPORTS de pena convencional no valor de R$ 40.00000,000 (quarenta mil reais), à qual serão acrescidas as perdas e danos que vierem a ser apurados. 9.4. Adicionalmente ao disposto no item 5.3, as Partes estipulam que na hipótese de rescisão por culpa da TOPSPORTS, as perdas e danos cabíveis ao atleta são desde já fixadas no valor equivalente à remuneração prevista no item 8.1 multiplicada pelo número de etapas faltantes que sejam objeto deste Contrato. Pactuaram, ainda as partes, que o contrato não se referia à relações trabalhistas: 10.2. Em hipótese alguma este Contrato deverá ensejar interpretação de existir quaisquer vínculos ou obrigações trabalhistas, securitárias, previdenciárias ou empregatícias entre o ATLETA e a TOPSPORTS. No pacto está previsto , inclusive, transferência de obrigações e direitos para terceiros, impossível quando se trata de contrato de trabalho: 10.3. As obrigações e direitos ora pactuados podem ser transferidos a terceiros desde que com a expressa anuência, por escrito, da TOPSPORTS. DAS ENTIDADES NÃO ESPORTIVAS Na forma do Estatuto, a Recorrente “ é uma Sociedade por Ações que tem por objetos sociais,conforme estatuto: a) Prestação de serviços de assessoria na área esportiva e de consultoria em geral;e b) Participação, como quotista ou acionista, de outras sociedades civis ou comerciais, nacionais ou estrangeiras, não sendo portanto, entidade esportiva. No Recurso Ordinário RO 1249200249102006 SP 01249200249102006 a 4ª Turma do o TRT – 2 , julgando questão que versava sobre FALSO AMADORISMO. CONTRATO DE IMAGEM. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LEI PELÉ , registrou que na hipótese de atividade desenvolvida em clube que participa regularmente dos diversos certames, não haveria como negar a convolação do vínculo de emprego mas que a situação não se confundia com a exploração perfeitamente legítima, da imagem do jogador através de contrato com terceiros, ou seja, entidades não esportivas, que tenham interesse em alavancar suas vendas ou negócios associandoos ao prestígio do atleta, verbis: Processo: RO 1249200249102006 SP 01249200249102006 Relator(a): RICARDO ARTUR COSTA E TRIGUEIROS Fl. 216DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 18 Julgamento: 23/08/2005 Órgão Julgador: 4ª TURMA Publicação: 02/09/2005 Parte(s): RECORRENTE(S): ESPORTE CLUBE UNIAO SUZANO RECORRIDO(S): GIOVANE FARINAZO GAVIO ATLETA PROFISSIONAL. VOLEIBOL. (1) COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. Em se tratando de conflito decorrente do descumprimento de normas trabalhistas envolvendo atleta profissional, a competência material é da Justiça do Trabalho, não se condicionando a propositura da ação ao esgotamento da instância desportiva, sob pena de se restringir o direito de ação constitucionalmente assegurado (arts. 5, XXXV, e 114, IX,CF).(2) FALSO AMADORISMO. CONTRATO DE IMAGEM. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LEI PELÉ Ofende a razoabilidade, a negativado vínculo sob a alegação de exploração de imagem não conectada com o exercício da atividade profissional esportiva a partir da qual erigiuse o prestígio nacionaldo atleta. Impossível que uma agremiação esportiva de voleibol contrate atleta da modalidade apenas para explorar a sua imagem, sem que esteja obrigado a treinar e jogar. Na raiz do debate encontrase a questão do trabalho sem registro e do pagamento salarial extrafolha. A polêmica sobre o falso amadorismo no âmbito esportivo é antiga e as práticas ilegais em nosso país atingem proporções endêmicas. Para sonegar encargos trabalhistas, sociais e fiscais, clubes ocultam a natureza trabalhista da relação contratando atletas sem registro, ou através de empresas criadas em nome dos jogadores, derivando no todo ou em parte a remuneração para os chamados contratos de imagem. Essa situação não se confunde com a exploração perfeitamente legítima, da imagem do jogador através de contrato com terceiros, ou seja, entidades não esportivas, que tenham interesse em alavancar suas vendas ou negócios associandoos ao prestígio do atleta. Não se trata pois, de pura e simplesmente vetar a celebração de contratos de imagem mas sim, de impedir que tais contratos, como no caso vertente, sirvam de biombo para a perpetração de fraudescontra os direitos trabalhistas do jogador. Provada a ativação profissional do atleta de voleibol, em clube que participa regularmente dos diversos certames, não há como negar a convolação do vínculo de emprego a teor do disposto nos artigos 2º, 3º, 442 e seguintes da CLT e especialmente, o § 1º do artigo 28 da chamada Lei Pelé(Lei nº 9.615/98), com todos os direitos conseqüentes. DOS CONTRATOS DE ATLETAS PROFISSIONAIS Fl. 217DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18471.002515/200829 Acórdão n.º 2403002.268 S2C4T3 Fl. 209 19 Tratandose de esporte amador onde os atletas pactuaram suas participações em contrato atípico fomos buscar elementos de convicção nas relações de emprego previstas no artigo 2º da Lei n. 6.354/76. Consoante disposição do artigo 2º da Lei nº 6.354/76, considerase empregado (atleta profissional de futebol) o atleta que praticar o futebol sob a subordinação de associação desportiva, mediante remuneração e contrato específico. Na relação de emprego fazse necessário que o trabalho seja realizado por pessoa física, bem como que a prestação do serviço seja desenvolvida com pessoalidade (sempre o mesmo trabalhador), nãoeventualidade (continuidade da prestação do serviço), onerosidade (deve haver uma contraprestação) e subordinação (estar submetido a ordens). No caso em comento, configurado por único evento de 7 dias de duração com participação descontinuada e não necessariamente executada até o último dia face às seguras desclassificações no certame, não se observam os elementos: nãoeventualidade, e subordinação no sentido de os participantes receberes ORDENS da Recorrente . Aplicamse ao atleta profissional de futebol as normas gerais da legislação do trabalho e da previdência social, exceto naquilo que forem incompatíveis com as disposições desta lei" (art. 28 da Lei n. 6.354/76). O § 1º da Lei n. 9.615/98 dispôs quase com as mesmas palavras: "Aplicamse ao atleta profissional as normas gerais da legislação trabalhista e da seguridade social, ressalvadas as peculiaridades expressas nesta Lei ou integrantes do respectivo contrato de trabalho." Este tipo especial de contrato somente pode ser firmado por escrito e deverá conter todos os demais requisitos previstos no artigo 3º da Lei n. 6.354/76: I os nomes das partes contratantes devidamente individualizadas e caracterizadas; II o prazo de vigência, que, em nenhuma hipótese, poderá ser inferior a 3 (três) meses ou superior a 2 (dois) anos; III o modo e a forma da remuneração, especificados o salário os prêmios, as gratificações e, quando houver, as bonificações, bem como o valor das luvas, se previamente convencionadas; IV a menção de conhecerem os contratantes os códigos os regulamentos e os estatutos técnicos, o estatuto e as normas disciplinares da entidade a que estiverem vinculados e filiados; V os direitos e as obrigações dos contratantes, os critérios para a fixação do preço do passe e as condições para dissolução do contrato; VI o número da Carteira de Trabalho e Previdência Social de Atleta Profissional de Futebol. Diante de tudo que foi exposto, firmo convicção de que o evento não se realizou mediante prestação de serviços de profissionais do futvolei. Assim na forma descrita, não se trata sequer de atividade exercida por prestadores autônomos. Aduz que Fl. 218DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 20 o próprio Auditor autuante revela isto quando registra que as equipes eram formadas por “ ex jogadores profissionais de equipes de futebol, alguns atores, também conhecidos, e outros figurantes desconhecidos ”: “ Para a disputa da primeira etapa foi elaborado um Contrato para regular a inscrição e participação dos ATLETAS no evento. O contrato, anexo a este relatório, foi denominado pela TOPSPORTS como atípico, mas foi considerado pela fiscalização como um contrato comum de prestação de serviços através de profissionais habilitados para o exercício das tarefas nele descritas . Os atletas, em parte, eram conhecidos ex jogadores profissionais de equipes de futebol, alguns atores, também conhecidos, e outros figurantes desconhecidos, mas todos profundos conhecedores e especialistas da prática de futevôlei na areia.”( grifos de minha autoria) CONCLUSÃO Conheço do Recurso para , NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 219DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10073.000726/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA.
A multa pelo atraso na entrega da declaração de ajuste do IRPF deve ser exonerada, quando o motivo utilizado para o seu lançamento tornou-se insubsistente frente às provas apresentadas pelo autuado.
Numero da decisão: 2201-002.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Marcio de Lacerda Martins. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. A multa pelo atraso na entrega da declaração de ajuste do IRPF deve ser exonerada, quando o motivo utilizado para o seu lançamento tornouse insubsistente frente às provas apresentadas pelo autuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Marcio de Lacerda Martins. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 07 26 /2 00 9- 99 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO 2 Emitida Notificação de Lançamento para exigir do contribuinte acima identificado o crédito tributário de R$165,74 referente a multa por atraso na entrega da declaração de ajuste do IRPF do anocalendário de 2007. Da Impugnação Na impugnação apresenta o contribuinte alega que não estava obrigado a apresentar a declaração de ajuste naquele anocalendário de 2007, conforme regras emanadas do art. 1° da IN RFB nº 820, de 2008. divulgadas no no site da RFB, item perguntas e respostas do IRPF/2009, pergunta nr. 024 — R.) Não há a cobrança de multa por atraso na entrega da declaração para quem está desobrigado de entregar a Declaração de Ajuste Anual. Da decisão de 1ª instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJ2) decidiu, por meio do Acórdão nº 1336.523, considerar a impugnação improcedente. Reproduzo a seguir trecho do voto condutor do referido acórdão onde consta os fundamentos da decisão. “Verificase que o contribuinte participou, durante o ano calendário de 2007, de quadro societário da empresa SANTOS & TEIXEIRA LTDA ME, inscrita no CNPJ sob o n.° 68.675.719/000166, como titular ou sócio, o que torna o impugnante obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste do exercício de 2008. Tendo feito a entrega da declaração de ajuste do exercício 2008 fora do prazo legal previsto, está sujeito multa em questão.” Recurso Voluntário Cientificado em 20/12/2011, o contribuinte apresentou em 29/12/2011 o Recurso Voluntário de fl. 27 com suas razões de fato e de direito a seguir resumidas. Esclarece que sua participação na empresa Santos & Teixeira se deu a partir de 19/05/2008 e que, portanto, não era sócio de pessoa jurídica durante todo o anocalendário de 2007, contrariamente ao que consta no acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O recorrente apresenta relatório do sistema CNPJ, retirado do sítio da Receita Federal na internet que comprova o período de sua participação na empresa Santos & Teixeira Ltda ME de 19/05/2008 até 15/01/2010. A situação relatada pelo recorrente também é confirmada no relatório do sistema CNPJ, fl. 19, onde consta que o quadro societário da pessoa jurídica Santos & Teixeira Fl. 37DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10073.000726/200999 Acórdão n.º 2201002.169 S2C2T1 Fl. 37 3 Ltda ME foi alterado em 19/05/2008 para inclusão do sócio administrador Alexandre Teixeira dos Santos, com 33,34% de participação. Sendo assim, não há como prosperar o lançamento de multa pelo atraso na entrega da declaração de ajuste do anocalendário de 2007 de que não estava obrigado a apresentála. Portanto, dou provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 38DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO 4 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.169. Brasília, 6 de setembro de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ ______________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 39DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000691/2011-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL - GFIP.
Constitui infração a empresa deixar de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
MULTA.
No que pertine às penalidades de infrações em razão de inadimplementos de obrigações acessórias cujas fatos geradores se verificaram insertos sob o comando inciso IV do caput do art. 32 da Lei n° 8.212/91, o legislador se fez claro , objetivo e específico introduzindo nova determinação na forma do art. 32-A da sobredita lei.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.CAPITULAÇÃO NOVA.
Com albergue no Princípio da Retroatividade Benigna, há que se observar o comando do artigo 106, c , do CTN quando ale se determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro
.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL - GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. MULTA. No que pertine às penalidades de infrações em razão de inadimplementos de obrigações acessórias cujas fatos geradores se verificaram insertos sob o comando inciso IV do caput do art. 32 da Lei n° 8.212/91, o legislador se fez claro , objetivo e específico introduzindo nova determinação na forma do art. 32-A da sobredita lei. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.CAPITULAÇÃO NOVA. Com albergue no Princípio da Retroatividade Benigna, há que se observar o comando do artigo 106, c , do CTN quando ale se determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. MULTA. No que pertine às penalidades de infrações em razão de inadimplementos de obrigações acessórias cujas fatos geradores se verificaram insertos sob o comando inciso IV do caput do art. 32 da Lei n° 8.212/91, o legislador se fez claro , objetivo e específico introduzindo nova determinação na forma do art. 32A da sobredita lei. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.CAPITULAÇÃO NOVA. Com albergue no Princípio da Retroatividade Benigna, há que se observar o comando do artigo 106, “c” , do CTN quando ale se determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 91 /2 01 1- 31 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.000691/201131 Acórdão n.º 2403002.265 S2C4T3 Fl. 3 3 . Relatório A instância a quo produziu o Relatório abaixo que , li, compulsei com os autos e , com grifos de minha autoria, o reproduzi na íntegra: “1. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória (AI – DEBCAD nº 37.272.1893) lavrado contra a empresa acima identificada em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV e parágrafo 3º da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, e regulamentada pelo RPS (Regulamento da Previdência Social) aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, uma vez que, segundo o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 08/12), não foram informados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), nas competências 05/2006 a 12/2006, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. 1.1. Os fatos geradores não informados em GFIP, que justificaram o presente Auto de Infração, referemse à prêmios de incentivo a performance e produtividade pagos aos segurados empregados nas competências 05/2006 a 12/2006 mediante a intermediação da empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda (CNPJ: 03.069.255/000107), caracterizados no decorrer da ação fiscal como integrantes do salário de contribuição mensal. As contribuições previdenciárias incidentes sobre os fatos geradores supracitados foram incluídas nos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.272.1761 e 37.272.1788, lançados nesta mesma ação fiscal e incluídos no processo administrativo nº 19515.000686/201128. 1.2. Foi aplicada a multa prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, combinado com o art. 284, II do RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, correspondente a 100% do valor da contribuição não declarada em GFIP, observado o limite definido em função do número de segurados da empresa no § 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e no inciso I do art. 284 do RPS, atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 568, de 31/12/2010. A multa mensal, calculada nos termos da legislação supracitada, está descrita na tabela integrantes do próprio Relatório Fiscal (fls. 11). 1.3. Considerando as alterações legislativas promovidas pela Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, a Autoridade Fiscal elaborou o discriminativo integrante do relatório “SAFIS – Comparação de Multas” (fls. 17/18) no qual foi efetuada a comparação entre as multas aplicadas nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores com a atual. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 1.4. Em consequência, foram incluídas na presente autuação as multas aplicadas de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores nas competências 05/2006 a 12/2006 visto que esta, somada à multa incluída nos Autos de Infração de Obrigação Principal, se mostraram mais benéficas ao Contribuinte. 1.5. Em obediência ao disposto acima, a multa foi calculada no valor de R$ 91.414,20 (noventa e um mil, quatrocentos e quatorze reais e vinte centavos), conforme Folha de Rosto do Auto de Infração (fls. 2) e Relatório Fiscal (fls. 11). 1.6. Cumpre destacar, ainda, as seguintes informações constantes do Relatório Fiscal anexado às fls. 67/75 do processo administrativo nº 19515.000686/201128 (que inclui as autuações nº 37.272.1761, 37.272.1788 e 37.272.1800, referentes às obrigações principais), resultante da mesma ação fiscal: 1.6.1. Face à constatação de que a fiscalizada apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais pela verificação, em tese, do crime previsto no artigo 337A, inciso III do DecretoLei nº 2.848/40 (Código Penal) acrescentado pelo artigo 1° da Lei nº 9.983/00 (Sonegação de contribuição previdenciária). 1.6.2. Em razão da constatação de infração à lei, e considerando o disposto nos arts. 124 e 135, III, do CTN e no Parecer PGFN/CRJ/CAT n° 55/2009, a Autoridade Fiscal caracterizou os sócios administradores Clélia Maria Benassi Pinto e Renato Cintra Limongi como pessoalmente responsáveis pelos créditos previdenciários lançados ao término desta ação fiscal, lavrando os respectivos Termos de Responsabilidade Tributária Solidária. 1.6.3. Os Sujeitos Passivos foram cientificados da presente autuação em 26/03/2011 por via postal, conforme Avisos de Recebimentos anexados às fls. 65 do citado processo administrativo nº 19515.000686/201128. IMPUGNAÇÃO 2. Inicialmente, cumpre ressaltar que a autuada requereu a juntada de instrumento de mandato, estatuto social, ata de assembleia de eleição dos diretores e cópia de documentos pessoais dos sócios diretores, por meio da petição de fls. 23/46. Posteriormente, dentro do prazo regulamentar (fls. 77), a empresa e os sócios dirigentes impugnaram os lançamentos por meio dos instrumentos de fls. 48/66, com a juntada de documentos de fls. 49/75 (cópias de regulamentos de campanha de premiação) apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 2.1. Entendem que a fiscalização partiu da equivocada premissa de que a sistemática adotada pelos Impugnantes de outorgar premiações aos seus empregados mediante campanhas de marketing de incentivo configurou o pagamento de verbas de natureza salarial, integrando, assim, a base de cálculo das contribuições. Tal fato acarretou no lançamento das contribuições previdenciárias e das contribuições destinadas aos Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.000691/201131 Acórdão n.º 2403002.265 S2C4T3 Fl. 4 5 Terceiros incidentes sobre esta base de cálculo, com a responsabilização pessoal dos sócios. 2.2. Sustentam que a Lei nº 11.941/09 introduziu algumas modificações na Lei nº 8.212/91, especialmente no que se refere às multas a serem aplicadas em caso de mora ou infração à legislação. Na hipótese dos autos, os Impugnantes foram autuados com base no artigo 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8212/91. No entanto, de acordo com a nova redação dada pela Lei nº 11.941/09, esta violação implica na aplicação da multa prevista no novo art. 32 A da Lei nº 8.212/91, que equivalente a R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações omitidas, devendo, portanto, ser observada a alteração legislativa que prevê a regra mais benéfica aos Impugnantes. 2.3. Afirmam inexistir razão à fiscalização no que se refere ao enquadramento dos prêmios pagos como integrantes do Salário de Contribuição dos segurados empregados vez que não foram comprovados os requisitos exigidos pela legislação: (i) remuneração (ii) habitual para (iii) retribuição ao trabalho. 2.3.1. Inicialmente, sustentam a ausência de comprovação da ocorrência do principal requisito do fato gerador da contribuição previdenciária: a habitualidade do pagamento que geram ao empregado ou prestador de serviço a certeza de que sempre o receberá. Assim, na hipótese dos autos, não há que se falar na incidência do tributo sobre as parcelas genericamente apontadas pelo Agente Fiscal, vez que não cuidou de comprovar a existência de habitualidade no pagamento. 2.3.2. Sustentam que, em um processo em que se exige a busca pela verdade material, as alegações feitas pela Autoridade Fiscal não são suficientes a embasar a alegada infração. 2.3.3. Afirmam que a fiscalização não comprovou a característica essencial do salário, vale dizer, que os pagamentos eram realizados em decorrência única e exclusiva do trabalho exercido, indicando a vinculação entre o ganho e o labor do empregado. De fato, os benefícios eram absolutamente estranhos às atividades do pessoal. 2.3.4. Entendem que os pagamentos eram realizados com mera liberalidade, havida temporariamente, de natureza eventual em relação ao trabalhador, e extraordinária em relação ao contrato, subordinados a condições previamente estabelecidas e ligadas a atividades estranhas ao trabalho para o qual o funcionário foi contratado. Enfim, não há nenhuma característica que os identifiquem como sendo salário. 2.3.5. Complementam que os beneficiários da campanha não recebiam valores em dinheiro (até porque o resultado da campanha tinha um sentido meramente simbólico), e que a entrega dos benefícios não era realizada pela empresa Impugnante mas pela empresa responsável pelo desenvolvimento Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 das campanhas de incentivo, como comprovam as notas fiscais juntadas aos autos. 2.4. Relembram que, nos termos do art. 135 do CTN, a responsabilidade pessoal dos diretores se caracteriza somente quando comprovada a infração à lei praticada pelos dirigentes. Considerando que os pagamentos realizados i) eram mera liberalidade da empresa Impugnante, (ii) de natureza eventual, (iii) e a fiscalização não logrou êxito em provar que eram referentes a contraprestação de determinado serviço, não há que se falar em descumprimento da obrigação principal e muito menos de obrigação acessória. Portanto, a responsabilização pessoal dos Impugnantes Clélia e Renato não deve prosperar. 2.5. Por fim, requerem o conhecimento e acolhimento da impugnação para o fim de ser declarado insubsistente o auto de infração lavrado em face dos Impugnantes, com o cancelamento da penalidade imposta, bem como que as comunicações, notificações ou intimações referentes ao presente Auto de Infração sejam dirigidas ao endereço do patrono da Autuada. É o Relatório.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.79, a 13ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo I (SP) DRJ/SPO I, em 30 de julho de 2012, exarou o Acórdão n° 16 40.573, mantendo o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO.Reiterando as razões colacionadas em sede impugnação, a Recorrente interpôs Recursos Voluntários de fls. 99 É o Relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.000691/201131 Acórdão n.º 2403002.265 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 146, Recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PREJUDICIAL DO MÉRITO Conforme relatado, o Contribuinte deixou de declarar, nas GFIP das competências 05/2006 a 12/2006, as informações relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de premiação de incentivo a performance e produtividade. Cumpre ressaltar, de plano, que o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, decorre do Auto de Infração de Obrigação Principal resultado da mesma ação fiscal do processo administrativo nº 19515.000686/201128. Com efeito, nesta mesma sessão, esta Turma julgou o sobredito Auto o de Infração de Obrigação Principal concedendo, NO MÉRITO, PROVIMENTO PARCIAL para excluir tãosomente a imputação de solidariedade dos créditos constituídos aos sócios administradores. Na forma da máxima de que o acessório segue o principal, por economia processual, é lícito concluir que à Recorrente caberia adimplir a obrigação acessória motivo da constituição do crédito do presente Auto de Infração e efetuar as devidas retenções dos valores lançados. As discussões de mérito quanto às obrigações principais colacionadas em sede de impugnação e presentemente reiteradas em grau de recurso, repitase, foram analisadas no processo principal referido alhures. DA MULTA Conforme o item 4.3 do Relatório Fiscal : “ 4.3. Tal conduta caracterizou infração ao disposto no art. 32, inciso IV e § 3º, a Lei nº 8.212/91, com as alterações trazidas pela Lei nº 9.528/97, penalizadas por meio da multa prevista no art. 32, § 5º (acrescentado pela Lei nº 9.528/97) do mesmo diploma legal, vigente à época do descumprimento das obrigações acessórias. A referida obrigação acessória e a multa aplicada no caso de descumprimento encontramse também disciplinadas no art. 225, inciso IV e art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99” Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 Na condução do voto às fls. 85 o I. Julgador a quo decidiu que a multa aplicada foi corretamente calculada em estrita obediência à legislação de regência vigente à época dos fatos geradores ocorridos nas competências 05/2006 a 12/2006. “4.4. Foi calculada a multa equivalente a 100% do valor da contribuição previdenciária não declarada em GFIP, limitada pelo valor definido em função do número de segurados da empresa no § 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e no inciso I do art. 284 do RPS. O valor mínimo da multa foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 568, de 31/12/2010, em obediência à previsão de reajuste encontrada nos arts. 32, § 8º, 92 e 102 da Lei nº 8.212/91, e arts. 284, § 2º, e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 4.5. Assim, de acordo com o Relatório Fiscal e planilhas demonstrativas, constatase que a multa aplicada na presente autuação foi corretamente calculada no valor de R$ 91.414,20 (noventa e um mil, quatrocentos e quatorze reais e vinte centavos), em estrita obediência à legislação de regência vigente à época dos fatos geradores (competências 05/2006 a 12/2006).” Não obstante, o I. Julgador a quo observou e colacionou nova sistemática para aplicações das multas. Entretanto ao condicionar a aplicação da nova sistemática apenas às hipótese das ocorrências isoladas, fez introduzir elemento estranho ao que fora objetivamente determinado pelo legislador : “7.4. No entanto, verificase, atualmente, nova sistemática na aplicação da multa, em decorrência das alterações promovidas na Lei 8.212/91 proporcionadas pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, em especial nos dispositivos concernentes ao cálculo e aplicação da multa para o fundamento legal da infração objeto desta autuação. 7.5. De acordo com a legislação atual, a conduta anteriormente descrita no § 5º do art. 32 da Lei 8.212/91, quando ocorrida isoladamente, encontrase contemplada no art. 32 – A e incisos da mesma lei, na redação que lhe atribuiu a Lei 11.941/09, conforme transcrição abaixo: “ Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.000691/201131 Acórdão n.º 2403002.265 S2C4T3 Fl. 6 9 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” Para justificar seu entendimento, às fls. 89, sob o título ANÁLISE DA MULTA APLICADA: CONFRONTO ENTRE A LEGISLAÇÃO DA ÉPOCA DA INFRAÇÃO COM LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE, nos 15 itens numerados de 7 ao 7.15 ( fls. 92) o I. Julgador a quo fez longa exposição de motivos para negar a aplicação da legislação no que concerne à multa mais benéfica ao contribuinte. Discordando da decisão de primeira instância, trago o abaixo arrazoado: DA MULTA MAIS BENÉFICA A legislação vigente preceituava no § 5° ,artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV: “ Lei 8.212, inciso IV, § 5° (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). ” Ocorre que o referido § 5o foi revogado conforme redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 e o novo comando se expressa na forma do § 9o da Lei nº 11.941, de 2009 : “A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” O artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Visto deste prisma, impõese o recálculo da multa com base no artigo 32A da Lei nº 11.941/ 2009 em razão do novo comando expressado na forma do § 9o da Lei nº 11.941/2009 para comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 32 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Pelo exposto, no que pertine às penalidades de infrações em razão de inadimplementos de obrigações acessórias cujas fatos geradores se verificaram insertos sob o comando inciso IV do caput do art. 32 da Lei n° 8.212/91, o legislador se fez claro , objetivo e específico introduzindo nova determinação na forma do art. 32A da sobredita lei. Aduz que não impôs condicionante alguma. A restrição que apresenta é somente para o caso de aplicação de multa mínima , verbis: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.000691/201131 Acórdão n.º 2403002.265 S2C4T3 Fl. 7 11 “ Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3° A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” Do modo acima descrito, descabe afronta à legislação restando, meramente, cumprir o determinado. CONCLUSÃO Conheço do recurso para NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa nos termos do art. 32A da Lei n° 8.212/91 . É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10120.911973/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.115
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. RELATÓRIO O presente processo trata de Declaração de Compensação – DCOMP, transmitida eletronicamente, de suposto crédito de CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, no valor original de R$ 11.831,84, a ser compensada com débitos de outros tributos federais. Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 22820.62848.270407.1.3.041065, transmitida Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911973/200918 Resolução n.º 3202000.0115 S3C3T2 Fl. 2 2 eletronicamente em 27/4/2007, com base em créditos relativos à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 15/1/2007 8741 11.831,84 17/1/2007 A partir das características do DARF foi identificado pelos sistemas da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado integralmente para pagamento de outro débito, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 3292123021 11.831,84 DB: cód 8741 – PA 15/1/2007 11.831,84 0,00 Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 18), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 12.177,33. Cientificado, via postal, dessa decisão em 20/10/2009 (fl. 29), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 18/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que, o crédito original declarado no presente PER/Dcomp encontrase devidamente retificado na DCTF. Informa o mês de referência da DCTF, a data da entrega da declaração e o número do recibo. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão n° 0345.476 de 20/10/2011, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911973/200918 Resolução n.º 3202000.0115 S3C3T2 Fl. 3 3 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, onde aduz em apertada síntese que: houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual o débito não foi identificado pela SRFB. Em vista desse erro, a Recorrente procedeu à retificação da DCTF e informou à autoridade administrativa (quando da manifestação da inconformidade). Entende que com esta informação, à época, já era suficiente para a solução da questão, uma vez que foi em razão da não localização do crédito no sistema que a compensação foi indeferida (pelo despacho decisório eletrônico); a decisão recorrida reconheceu que a não homologação da compensação teve como fundamento o fato de a DCTF não indicar a existência do crédito, todavia, os julgadores de primeira instância entenderam que além da declaração retificadora, a Recorrente deveria comprovar, com base em sua escrituração contábil, a ocorrência dos fatos alegados na DCTF retificadora; embora entenda desnecessária a apresentação dessas novas provas, com a intenção de solucionar o litígio juntou aos autos os documentos fiscais contábeis que deram supedâneo à retificadora da DCTF e que justificam o crédito pleiteado. E, deste modo, requer a realização de diligência caso entendase necessário ao esclarecimento acerca do crédito compensado; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911973/200918 Resolução n.º 3202000.0115 S3C3T2 Fl. 4 4 não há nenhum impedimento para a apresentação de DCTF retificadora, ou prazo determinado na legislação para a apresentação da retificadora, desde que respeitado o limite temporal de 5 anos, aplicável a todas obrigações acessórias; a retificação da DCTF esvazia o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação apresentada e justifica a sua modificação, uma vez que no seu entender não resta mais dúvida acerca da existência de valores passíveis de compensação; por fim, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado para reformar o acórdão recorrido. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, relator. Compulsandose os autos verificase que o pedido de compensação da Recorrente foi indeferido, por meio de Despacho Decisório eletrônico, em decorrência da “inexistência de crédito”. A Recorrente apresentou DCTF retificadora, informando este fato quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade. No seu entender, com a apresentação da declaração retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no Despacho Decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que a interessada não apresentou qualquer elemento contábil demonstrando que teria havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, a Recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação. Portanto, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas na DCTF retificadora. A interessada, quando da apresentação do Recurso Voluntário, afirma que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, sendo que este fato foi informado à autoridade administrativa e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio (uma vez que o fundamento do Despacho Decisório seria apenas a inexistência de débito). Como o acórdão recorrido proferido pela DRJ – Brasília indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, a Recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Muito bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que a Recorrente pretende compensar. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911973/200918 Resolução n.º 3202000.0115 S3C3T2 Fl. 5 5 É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional — CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábilfiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF – Goiânia proceda à análise da documentação apresentada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, bem como intime a interessada para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos. Desta forma, os autos devem retornar à repartição de origem – Delegacia da Receita Federal em Goiânia para realização da diligência solicitada. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF – Goiânia deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pela Recorrente na Declaração de Compensação apresentada. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 206DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.907969/2008-06
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência indeferido.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ART. 16, § 4º, DO DECRETO Nº 70.235/1972. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. RECURSO DESPROVIDO.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. Se a prova é insuficiente, inviável a homologação da compensação. O contribuinte deve instruir o pedido de compensação com a prova da liquidez e da certeza do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Paulo Sergio Celani, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência indeferido. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ART. 16, § 4º, DO DECRETO Nº 70.235/1972. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. RECURSO DESPROVIDO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. Se a prova é insuficiente, inviável a homologação da compensação. O contribuinte deve instruir o pedido de compensação com a prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência indeferido. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ART. 16, § 4º, DO DECRETO Nº 70.235/1972. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. RECURSO DESPROVIDO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. Se a prova é insuficiente, inviável a homologação da compensação. O contribuinte deve instruir o pedido de compensação com a prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 79 69 /2 00 8- 06 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Paulo Sergio Celani, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II/RJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 210): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 ONUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ (fls. 211): Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 21064.97830.310304.1.3.042204, em 31/03/2004, de crédito no valor de R$ 591,39, referente a recolhimento que teria sido efetuado a maior, em 15/10/2003, a titulo de Contribuição para o PIS (cód. 8109), atinente ao período de apuração 09/2003, com débito da mesma contribuição referente ao período de apuração 11/2003, no valor de R$ 479,44. 2. Por meio do Despacho Decisório n° 775522367, emitido eletronicamente (fl. 07), o Delegado da Derat/ Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para guitar outros débitos da Contribuinte. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15374.907969/200806 Acórdão n.º 3802001.849 S3TE02 Fl. 484 3 3. Cientificada, em 30/07/2008 (fl. 195), a Interessada, inconformada, ingressou, em 27/08/2008, com a manifestação de inconformidade de fl. 08/09 (acompanhada da documentação de fls. 10 a 194), na qual alega, em síntese, que: 3.1 O crédito original informado no PER/DCOMP n° 21064.97830.310304.1.3.042204 no valor de R$ 591,39, é, de fato, oriundo do pagamento efetuado por meio do Darf informado na referida declaração; 3.2 Foi estimado e recolhido o valor da Contribuição para o PIS (cód. 8109) referente ao mês 09/2003, no montante de R$ 6.612,57; 3.3 O valor correto da referida Contribuição corresponde ao informado na DIPJ, no montante de R$ 6.021,18; e 3.4 Em 08/08/2008, foi transmitida DCTF retificadora informando o valor correto da contribuição. 5. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. Em suas razões recursais (fls. 221 e ss.), o sujeito passivo, após alegar que o erro material contido na Dctf original (indicação equivocada do valor do tributo devido) foi devidamente retificado, sustenta que a Dctf retificadora produz os mesmos efeitos que a declaração retificada. Aduz que, em decorrência do princípio da verdade material, a Administração tem o dever de buscar a compatibilidade entre os fatos ocorridos e sua representação meramente formal, pesquisando e apurando os fatos tributários com vistas a verificar em que circunstâncias estes efetivamente ocorreram, independente das afirmações apresentadas pelo contribuinte. Requer a reforma da decisão recorrida e, sucessivamente, caso se considere que os documentos apresentados são insuficientes para demonstrar a existência dos créditos compensados, a conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 24/10/2011 (fls. 219) e o protocolo do recurso, em 22/11/2011 (fls. 221). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Inicialmente, cumpre destacar que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou Fl. 485DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da diligência, porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova. Com efeito, notase que a Recorrente, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação, consoante o despacho decisório a seguir (fls. 14): “3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL [...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Em casos dessa natureza, a Turma tem reconhecido o direito à compensação, desde que o contribuinte comprove, de plano, a existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes acórdãos: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15374.907969/200806 Acórdão n.º 3802001.849 S3TE02 Fl. 485 5 A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012. No mesmo sentido, cf.: Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012; “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) Fl. 487DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 No presente caso, o Recorrente alega que, em 15/04/2003, recolheu R$ 6.612,57 a título de contribuição ao PIS/Pasep (período de apuração de 09/2003), quando o correto seria R$ 6.021,18. Daí teria resultado um pagamento a maior de R$ 591,39, o que, por sua vez, foi demonstrado por meio das planilhas de cálculo de fls. 457 e ss. Referida memória de cálculo apresentada, contudo, não é amparada por qualquer documentação. As páginas dos livros razão (fls. 321 e ss.) e diário (fls. 254 e ss.) apresentadas não refletem a totalidade das informações contidas na referida planilha. E, mesmo que refletisse, seria necessária a apresentação da a documentação que lastreia a escrituração fiscal, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10410.005135/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006
DEDUTIBILIDADE. DESPESAS GLOSADAS. VALORES ATINENTES AOS CRÉDITOS INFIRMADOS DE PIS E DE COFINS. VALORES CONSOLIDADOS. Todos os importes anuídos em impugnação já estão consolidados, e, pois, são imutáveis. Eventuais exonerações jamais poderão resultar, por consequência, em minoração além daquele piso.
PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. DEDUTIBILIDADE. NECESSÁRIOS. ESSENCIAIS. PERTINENTES. Devem dar direito a crédito de PIS e COFINS os seguintes gastos, atrelados, com notas de essencialidade, necessariedade e pertinência, ao objeto social da recorrente: i) despesas com água; ii) despesas com uniformes; e iii) despesas com equipamentos de proteção individual.
EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O contencioso administrativo não é competente para examinar a constitucionalidade de norma. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PIS. COFINS. RECEITAS RELATIVAS A CESSÃO DE POSIÇÃO CONTRATUAL. BASE DE CÁLCULO. A receita relativas à cessão de posição contratual não tem índole operativa. Não deriva ela de atividades usuais do objeto social da autuada. São rendimentos eventuais, que não decorrem de venda de mercadorias ou de prestações de serviços. O preço cobrado pela cessão de posição contratual não integra, portanto, as bases imponíveis do PIS e da COFINS.
Numero da decisão: 1101-000.676
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006 DEDUTIBILIDADE. DESPESAS GLOSADAS. VALORES ATINENTES AOS CRÉDITOS INFIRMADOS DE PIS E DE COFINS. VALORES CONSOLIDADOS. Todos os importes anuídos em impugnação já estão consolidados, e, pois, são imutáveis. Eventuais exonerações jamais poderão resultar, por consequência, em minoração além daquele piso. PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. DEDUTIBILIDADE. NECESSÁRIOS. ESSENCIAIS. PERTINENTES. Devem dar direito a crédito de PIS e COFINS os seguintes gastos, atrelados, com notas de essencialidade, necessariedade e pertinência, ao objeto social da recorrente: i) despesas com água; ii) despesas com uniformes; e iii) despesas com equipamentos de proteção individual. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O contencioso administrativo não é competente para examinar a constitucionalidade de norma. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PIS. COFINS. RECEITAS RELATIVAS A CESSÃO DE POSIÇÃO CONTRATUAL. BASE DE CÁLCULO. A receita relativas à cessão de posição contratual não tem índole operativa. Não deriva ela de atividades usuais do objeto social da autuada. São rendimentos eventuais, que não decorrem de venda de mercadorias ou de prestações de serviços. O preço cobrado pela cessão de posição contratual não integra, portanto, as bases imponíveis do PIS e da COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 51 35 /2 00 9- 30 Fl. 528DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Contra o contribuinte acima qualificado, lavraramse autos de infração formalizando a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins e do Programa de Integração Social — PIS, através dos quais se constituiu crédito tributário, referente aos fatores geradores ocorridos em 31/12/2005 e 31/12/2006, no valor total de R$ 13.843.799,08, incluídos multa de oficio e juros de mora. No lançamento referente ao IRPJ (fls. 215/220), encontrase registrada a seguinte infração, ao final tipificada: "001 — CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS". No Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, acostado às fls. 233/259, a autoridade autuante consignou, em síntese: A empresa autuada exerce atividades relacionadas à limpeza e conservação de vias públicas, tais como coletas de lixo e varrição. Para efeito de cômputo dos créditos do PIS e da Cofins, não se consideram insumos todas as despesas necessárias à consecução da atividade, mas tãosomente os bens ou serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos diretamente no tipo de serviço prestado, excluindose deste conceito, dentre outras, as despesas indiretas com pessoal e material, já que não se aplicam diretamente na Fl. 529DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.005135/200930 Acórdão n.º 1101000.676 S1C1T1 Fl. 3 3 prestação de serviços característicos da empresa. Tais gastos não representariam custos dos serviços prestados, mas despesas da atividade da pessoa jurídica; Do exame da escrituração contábil, passouse ao exame da situação cadastral de alguns fornecedores e prestadores de serviços, que revelou estar grande parte deles inativa ou omissa em entregar a DIPJ, relativa aos anoscalendários de 2005 e 2006. Esta situação, aliada a cada um dos fatos narrados para cada fornecedor, implicou a necessidade de comprovação do efetivo pagamento das despesas. Embora intimada, a empresa não submeteu à fiscalização os contratos de prestação de serviços ou de fornecimento de bens que pudessem auxiliar na comprovação das operações; A empresa autuada procurou justificar o efetivo pagamento de alguns gastos mediante a apresentação de cheques. No entanto, era obrigada, quando os emitisse em quantia superior a R$ 100,00 (cem reais), a indicar o nome do beneficiário, nos termos do art. 69 da Lei n.° 9.069, de 1995; Diante dos indícios convergentes de irregularidades no aproveitamento dos créditos apurados sobre os insumos, procedeuse às glosas arroladas nos itens III a XIII do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. Foram glosadas, também, importâncias não confirmadas (ou não comprovadas), que dizem respeito a despesas escrituradas cujas notas fiscais não foram providas pela empresa, apesar das intimações lavradas no curso da ação fiscal. Nos anoscalendários de 2005 e 2006, somente poderiam ter sido utilizados créditos relativos aos encargos de depreciação e amortização de bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004, nos termos do art. 31 da Lei n.° 10.865, de2004, não aqueles adquiridos em períodosbase anteriores; É vedado o aproveitamento de créditos do PIS e da Cofins incidentes sobre as seguintes despesas: a) despesas com aluguel de motocicleta pagas a pessoas fisicas; b) despesas com fretes; c) despesas com seguros diversos; d) despesas com água; e) aluguéis de imóveis pagos a pessoas físicas; f) despesas com materiais de consumo; g) uniformes; h) despesas com equipamentos de proteção individual; i) despesas financeiras e juros apropriados. Mantevese a tributação sobre a receita no valor de R$ 4.700.000,00, relativa ao mês de julho de 2005 ("venda de contrato"; conta 4.1.3.01.0005), vez que reconhecido pelo próprio contribuinte autuado o equívoco de não têla incluída na apuração dos débitos de PIS e da Cofins. Por fim, a autoridade autuante informa que, em vista das irregularidades constatadas, lavraramse autos de infração de IRPJ, com apuração reflexa de CSLL. Ademais, pelo fato de os documentos carreados aos autos também constituírem prova das infrações atinentes ao PIS e à Cofins não cumulativos, formouse um único processo, nos termos do art. 9º, § 1º, do Decreto n.° 70.235, de 1972, na redação conferida pela Lei n.° 11.196, de 2005. No prazo legal, o contribuinte apresentou duas impugnações aos lançamentos de IRPJ e da CSLL (fls. 324/328 e 269/273; ambas de igual teor), por meio Fl. 530DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 das quais sustentou que a autoridade autuante cometeu alguns equívocos ao proceder às exigências. Seriam eles os seguintes: As glosas das despesas consideradas não comprovadas foram realizadas pelo seu valor pleno, quando tais gastos, classificados como insumos e assim contabilizados nos termos do art. 3º, II, da Lei n.° 10.833, de 2003, teriam influenciado "na apuração dos resultados dos exercícios de referência, deduzidos dos créditos de 1,65% de PIS e 7,60% de Cofins, totalizando 9,25% do total desses custos"; A autoridade autuante teria expurgado créditos relativos a várias despesas, sob a alegação de não serem permitidas pela legislação. Tais créditos do PIS e da Cofins, que teriam sido expurgados, nos valores de R$ 227.019,59, em 2005, e R$ 213.307,93, em 2006, por não comporem o custo dos serviços executados nos seus respectivos exercícios, agora devem ser reconsiderados, por uma questão de justiça, para efeito de dedução do lucro tributável. Após apresentar valores de IRPJ e de CSLL, que, no seu entendimento, seriam devidos, os quais afirma serão objeto de pedido de parcelamento (no anocalendário de 2005: R$ 1.937.490,45, a título de IRPJ, e R$ 697.496,56, a titulo de CSLL; no anocalendário de 2006: R$ 224.831,15, a título de IRPJ, e R$ 89.579,21, a título de CSLL), requer a improcedência parcial do auto de infração, bem como a realização de diligências necessárias à elucidação das questões levantadas. Também no prazo legal, o contribuinte apresentou outras duas impugnações ao lançamentos do PIS e da Cofins (fls. 376/390 e 432/446; ambas, também, de igual teor), por meio das quais alega: Apesar da aceitação das glosas em relação aos insumos contabilizados sem comprovação e/ou sem amparo legal, há de se impugnar a não aceitação dos créditos lastreados na depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado. É que, através das Leis nºs 10,637, de 2002, e 10.833, de 2003, com aplicabilidade a partir de 01/12/2002 e 01/02/2004, respectivamente, foram instituídos o PIS e a Cofins não cumulativos, que permitiram o aproveitamento de crédito das citadas contribuições sobre máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda ou de prestação de serviços, bem como outros bens incorporados ao ativo imobilizado e sobre benfeitorias em imóveis de terceiros com relação ao encargo de depreciação e amortização incorridos no mês. No entanto, a Lei n.° 10.865, de 2004, vedou, a partir do primeiro dia do terceiro mês subsequente ao da sua publicação, o que se deu em 31/07/2004, o desconto de créditos apurados sobre a depreciação e a amortização de "bens e ativos imobilizados" adquiridos até 30/04/2004, fato que feriu o direito adquirido e a regra da irretroatividade das leis (reproduz decisões proferidas pelos Tribunais Regionais Federais das 3' e 4' Regiões para consubstanciar o seu entendimento); A autoridade autuante afirma que não se procedeu à inclusão, na base de cálculo do PIS e da Cofins, do valor de R$ 4.700.000,00, contabilizado em 27/07/2005, a título de "venda de contrato" (conta 4.1.3.01.0005), autuando a empresa no montante de R$ 434.750,00 (1,65% de PIS e 7,60% de Cofins). No entanto, o valor recebido não compõe o faturamento, por se tratar de receita eventual, decorrente de uma indenização recebida, conforme contrato apresentado à fiscalização. O referido valor decorre da cessão de direitos e obrigações de contratos em favor de uma outra empresa, contratos estes que foram firmados com as Prefeituras de Macapá — AP e Manaus — Fl. 531DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.005135/200930 Acórdão n.º 1101000.676 S1C1T1 Fl. 4 5 AM. Os valores recebidos são indenizatórios, mera restituição de direitos. Por isso, não configurados como receita operacional ou faturamento convencional. Depois de discorrer demoradamente sobre a impossibilidade de a tributação ir além do faturamento das empresas, para alcançar, também, a receita bruta, como base de cálculo do PIS e da Cofins — inclusive referindo decisões judiciais que envolveram a discussão sobre a ampliação das bases de cálculo das mencionadas contribuições pelo art. 30 da Lei n.° 9.718, de 1998, bem assim sobre a edição de Emenda Constitucional que permitiu a sua incidência sobre a receita das pessoas jurídicas —, conclui afigurarse ilegítima a inclusão da receita não operacional, no valor de R$ 4.700.000,00, na base de cálculo das referidas contribuições, no anocalendário de 2005, e propõe novos valores para o PIS e para a Cofins, os quais, segundo afirma, serão, posteriormente, objeto de pedido de parcelamento (no anocalendário de 2005: R$ 199.372,14, a título de PIS, e R$ 918.320,13, a título de Cofins; no anocalendário de 2006: R$ 271.674,22, a título de PIS, e R$ 1.251.674,22, a título de Cofins). Ao final, requer a improcedência parcial do auto de infração, bem como a realização de diligências necessárias à elucidação das questões levantadas. A 4ª TURMA DA DRJ NO RECIFE / PE, ao julgar as impugnações, houve por bem declarar como definitivos os valores aquiescidos pelo contribuinte, acrescidos de multa de ofício e de juros de mora, e manter os lançamentos remanescentes, em termos assim sumarizados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/12/2006 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. Se uma despesa é considerada não comprovada, deve ser excluída, na totalidade, das bases de cálculo da CSLL e do IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/12/2006 COFINS E PIS. FATO GERADOR. FATURAMENTO MENSAL. TOTALIDADE DAS RECEITAS AUFERIDAS PELA PESSOA JURÍDICA. As Lei n.° 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que instituíram a contribuição para o PIS na sistemática Fl. 532DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 nãocumulativa, previram, como fato gerador, o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. CRÉDITO DE PIS E COFINS. SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. IRRELEVÂNCIA. Se uma despesa é considerada, pela legislação, indedutível, para efeito de creditamento do PIS e da COF1NS, na sistemática nãocumulativa, este fato, por si só, não altera a base do IRPJ e da CSLL, submetidos que são a regime de apuração diverso. IRPJ E CSLL. LANÇAMENTO DE OFICIO. INDEDUTIBILIDADE DO PIS E DA COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. A dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência, na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, está restrita aos valores constantes da escrituração comercial, não alcançando os valores relativos às contribuições lançadas de oficio sobre receitas omitidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/12/2006 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de atos normativos regularmente editados. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários os pedidos de diligência ou perícia quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.005135/200930 Acórdão n.º 1101000.676 S1C1T1 Fl. 5 7 Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela interessada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificada, em 19.03.2010, da decisão proferida, a autuada interpôs Recurso Voluntário, em 09.04.2010, reiterando os argumentos outrora já agitados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Para que melhor se descortine o mérito do Recurso Voluntário, discorreremos sobre ele em partes, nos moldes das subdivisões abaixo expostas. (1) Da dedutibilidade, junto às despesas glosadas, dos valores atinentes aos créditos infirmados de PIS e COFINS Os lançamentos atinentes ao IRPJ e à CSLL tiveram por fundamento a glosa de variadas despesas, escrituradas em contabilidade, para as quais o Fisco entreviu ausência de provação suficiente, em virtude da não apresentação de documentos fiscais, de comprovantes de pagamento hábeis ou, ainda, em derivação da apuração de informações outras relativas à própria inexistência de qualquer operação travada, nos períodos fiscalizados, entre a autuada e os aventados fornecedores das mercadorias ou dos serviços. A glosa destas despesas, com a conseguinte recomposição dos lucros real e líquido, não foi, em substância, questionada pela recorrente, em nenhum momento. Dizendo de outra forma, a peticionária não buscou, em nenhuma instância, arguir eventual comprovação da realidade das despesas debeladas. O único ponto controvertido pela recorrente, em relação aos lançamentos de IRPJ e de CSLL, reportase a eventual necessidade de o Fisco deduzir, das bases de cálculo reformatadas, os créditos de PIS e COFINS inerentes às despesas infirmadas, Fl. 534DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 ainda que estas não correspondessem a aquisições gerativas de creditamento daquelas contribuições sociais. O raciocínio do contribuinte é parcialmente inteligível. Para ele, a realização de uma despesa atinente à aquisição de um bem ou de um serviço gerativo de créditos de PIS e COFINS impactaria seu resultado em montante equivalente, apenas, à diferença entre o dispêndio deduzido, de um lado, e os supracitados créditos, de outro. Assim, tão logo a Fazenda intentasse recompor o lucro líquido e o lucro real, mediante expurgo da despesa glosada, deveria adicionar não o montante integral do dispêndio, mas, sim, somente o resultado da subtração entre este importe e os montantes de créditos de PIS e COFINS descontados. Ocorre que, nesta linha, o sujeito passivo acaba por defender, inadvertidamente, situação que lhe acarretaria locupletamento desarrazoado. Ao tomar um serviço, por exemplo, passível de qualificação como insumo de sua atividade, o contribuinte, usualmente, adota duas medidas distintas. Primeiramente, ele lança, em seus livros contábilfiscais, o preço integral de aquisição, a título de despesa dedutível, a ser computada na formação do lucro tributável (IRPJ e CSLL). Segundamente, na forma dos respectivos preceitos regentes, o sujeito passivo pode se apropriar de créditos de PIS e COFINS relativos ao serviço, a serem subtraídos do quantum debeatur do período, computados segundo aplicação das alíquotas das contribuições ao preço pago. Obviamente, então, acaso o Fisco não averigue provas suficientes de que tal serviço foi efetivamente tomado, pode glosar a despesa, fazendo incidir IRPJ e CSLL sobre as bases imponíveis recompostas. Concomitantemente, para neutralizar os lançamentos irreais, deve glosar os créditos de PIS e COFINS correlatos, cobrando os importes de contribuições competentes. Notase, assim, que a argumentação da recorrente, embora um pouco lógica, é incorreta, porquanto o impacto da despesa, em seu faturamento, não se resume à diferença entre o custo de aquisição e os créditos de PIS e COFINS apropriados. Nem se diga que o contribuinte poderia deduzir, dos lucros real e líquido, os montantes concernentes aos tributos ora exigidos, forte no artigo 344 do Decreto nº 3.000/99. Essa conduta, afinal, está vedada pelo artigo em questão, por meio de seus §§ 1º e 5º, in verbis: “Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial (Lei nº8.981, de 1995, art. 41, § 1º). § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 5º).” Fl. 535DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.005135/200930 Acórdão n.º 1101000.676 S1C1T1 Fl. 6 9 Os recálculos engendrados pelo contribuinte, amparados em descontos, frente às despesas glosadas, de todos os créditos de PIS e COFINS infirmados, objeto dos autos de infração em estudo, parecemme, portanto, equivocados. Entretanto, tendo em vista que o interessado confessou dever determinadas cifras, resultantes das contas aritméticas que apresentou, impende versarmos apenas sobre o que restou controvertido. Todos os importes anuídos em impugnação já estão consolidados, e, pois, são imutáveis. Eventuais exonerações que façamos jamais poderão resultar, por consequência, em minoração além daquele piso. (2) Da glosa de créditos de PIS e COFINS pretensamente desprovidos de amparo legal No que respeita às exigências de PIS e de COFINS calcadas em glosas de créditos aventadamente desamparados de autorização legal, o contribuinte, em sua peça recursal, limitouse a aquiescer com a lavratura, nos seguintes moldes: “Não obstante a aceitação pela Impugnante, das glosas em relação aos insumos contabilizados sem comprovação e/ou sem amparo legal acima discriminados (...)” A despeito disso, tenho para mim que a busca da verdade material e o resguardo da correta aplicação da legislação demandem que este Conselho analise, em si, a legitimidade das glosas perpetradas. Vêse, do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 463/464, que os créditos questionados tocaram aos seguintes dispêndios: i) despesas com alugueis de motos pagos a pessoas físicas; ii) despesas com fretes; iii) despesas com seguros diversos; iv) despesas com água; v) alugueis de imóveis pagos a pessoas físicas; vi) despesas com materiais de consumo; vii) uniformes; viii) despesas com equipamentos de proteção individual; e viii) despesas financeiras e juros apropriados. Infelizmente, dado o desiderato do contribuinte de não controverter o trabalho fazendário neste particular ponto, não há, nos autos, subsídios claros que possam demonstrar a composição de cada uma das rubricas em epígrafe, bem como noticiar qual a relação destas aquisições de mercadorias e serviços com a atividade operacional da sociedade. Assim, analisaremos, no que for possível, somente aquelas glosas que, por sua natureza evidente, parecerem a nós ilegítimas. As Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, em seus arts. 3º, incisos II, autorizam aos contribuintes de PIS e de Cofins a tomada de créditos relativos a “bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. No exercício dessa faculdade, os sujeitos passivos, frente à ausência de maior detalhamento legislativo, sempre buscaram caracterizar, como “insumo”, vasta plêiade Fl. 536DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 de custos e de despesas operacionais e não operacionais por eles suportadas, mediante arguição da subsunção desses dispêndios ao permissivo normativo. O Fisco, no afã de delinear os contornos do conceito, acabou por restringir substancialmente a prerrogativa creditícia em questão, cerceando o alcance das autorizações insculpidas nas citadas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Nomeadamente, as Instruções Normativas relatadas buscaram identificar os “insumos”, na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins, apenas a: i) matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem e quaisquer outros bens que sofressem alterações, tais como desgaste, danos ou perdas de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, salvo os incluídos em ativo imobilizado; ii) bens aplicados ou consumidos na prestação dos serviços próprios, contanto que não inclusos no ativo imobilizado; e iii) serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos ou na prestação dos serviços próprios. Ao longo dos anos, a exegese prevalente no CARF se pautou, exclusivamente, na observância dos diplomas infralegais emanados da RFB. Recentemente, no entanto, tem este colegiado se inclinado a afastar a analogia feita com a sistemática não cumulativa do IPI. Buscase, em substituição, com notável correção, aproximar a ideia de “insumo” àquela conotação dada aos custos e às despesas operacionais dedutíveis do lucro tributável, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. A novel orientação partiu do pressuposto de que, de um lado, a materialidade do IPI distinguiase daquela do PIS e, de outro, daquela da Cofins. Mais ainda, tal corrente entendeu o cerne da diferença existente entre a não cumulatividade daquele imposto – operada mediante creditamento do tributo incidente sobre bens e serviços diretamente empregados no processo industrial –, de um lado, e a não cumulatividade das duas contribuições ora cuidadas – consubstanciada em ajustes de bases de cálculo perpetrados segundo exclusões de despesas previstas em lei, mediatas ou imediatas, necessárias à consecução da empresa – de outro. Vertendo tais considerações ao caso concreto, vejo que algumas das glosas não merecem prosperar, porquanto calcadas na restritiva visão de que “insumo” seria apenas aquilo direta e imediatamente consumido ou aplicado no processo produtivo. Destacadamente, creio que devem dar direito a crédito de PIS e COFINS os seguintes gastos, atrelados, com notas de essencialidade, ao objeto social da recorrente: i) despesas com água; ii) despesas com uniformes; e iii) despesas com equipamentos de proteção individual. As despesas com fretes também poderiam, potencialmente, gerar creditamento sustentável. No entanto, carecemos de maiores detalhes acerca da natureza dos transportes realizados. As despesas financeiras, outrossim, em qualquer de suas manifestações, só deram direito a crédito até a vigência da Lei nº 10.865/04. Como os anoscalendários em apreço são posteriores a este diploma, nada há a retificar no trabalho lançador. (3) Da glosa de créditos de PIS e COFINS atinentes a encargos de depreciação O sujeito passivo questiona, expressamente, a constitucionalidade do artigo 31 da Lei nº 10.865/04, responsável por impedir, a partir de 31 de julho de 2004, a tomada de Fl. 537DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.005135/200930 Acórdão n.º 1101000.676 S1C1T1 Fl. 7 11 créditos de PIS e COFINS calculados sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, quando estes tiverem sido adquiridos anteriormente a 30 de abril de 2004. O tema é controverso, mormente no que atine à questão da existência ou da inexistência de direito adquirido. Por ora, no entanto, em virtude da natureza administrativa deste colegiado, outra saída não há que não a simples obediência da norma, sem realização de qualquer juízo a respeito de sua constitucionalidade. Isso é o que dispõe a Súmula CARF nº 02: “SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Posto isso, não travaremos maiores considerações sobre o assunto. (4) Da tributação, pelo PIS e pela COFINS, de receitas relativas a cessão de posição contratual Por derradeiro, batese a recorrente contra o fato de o Fisco ter incluído, na base imponível do PIS e da COFINS lançados de ofício, importe de R$ 4.700.000,00 (quatro milhões e setecentos mil reais), recepcionado a título de contraprestação pela cessão, a terceiro, dos direitos e das obrigações (posição contratual) assentidos em contratos originalmente firmados entre a autuada e as Prefeituras de Manaus – AM e Macapá – AP. Os instrumentos contratuais em tela foram devidamente analisados pelo fiscal autuante. Os rendimentos relativos à cessão contratual, no entanto, foram tributados sob a égide do amplo conceito de faturamento do revogado artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrora tormentosos, os debates a respeito da abrangência do conceito de “faturamento” parecem, hoje, pacificados. O Supremo Tribunal Federal, por meio de seu Pleno, declarou, recentemente, em variadas oportunidades, a inconstitucionalidade da ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS, para fins de sua equiparação a todo e qualquer ingresso de valor, independentemente da origem ou da classificação contábil. Resgatouse, com isso, o entendimento da Lei Complementar nº 70/91, que mandava se interpretar como “faturamento”, exclusivamente, o produto operacional da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, isolada ou cumuladamente. Os julgamentos do Pretório acabaram por levar à revogação formal do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, operada pela superveniência da Lei nº 11.941/09. Pois bem. A receita em dissecação não tem, obviamente, índole operativa. Não deriva ela de atividades usuais do objeto social da autuada. São rendimentos eventuais, Fl. 538DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 que não decorrem de venda de mercadorias ou de prestações de serviços. O preço cobrado pela cessão de posição contratual não integra, portanto, as bases imponíveis do PIS e da COFINS. Vale ressaltar, de todo modo, que eventual anuência do contribuinte com este lançamento, noticiado pelo agente autuante no Termo de Verificação Fiscal, não impossibilita que este colegiado reveja de ofício a lavratura, em cumprimento ao dever maior de vigilância do cumprimento da legislação. Ainda assim, oportuno citar que a matéria em foco foi expressamente ventilada pelo contribuinte, em recurso. Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir, das bases de cálculo do PIS e da COFINS lançados, valores relativos a: i) glosas de despesas com água; ii) glosas de despesas com uniformes; e iii) glosas de despesas com equipamentos de proteção individual; e iv) receitas derivadas da cessão de posição contratual noticiada, equivalentes a R$ 4.700.000,00 (quatro milhões e setecentos mil reais), observado o limite mínimo das cifras incontroversas, definidas pelo aresto recorrido. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Constatei, em vistas aos autos, que o procedimento fiscal resultou em glosas de créditos na apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS nãocumulativos de duas naturezas: 1) por falta de comprovação documental de deduções correspondentes a despesas com combustível, peças e acessórios, pneus e câmaras, material de limpeza, consertos e reparos, serviços de terceiros, energia e luz, e aluguel de carros, equipamentos e caçambas; e 2) por não gerarem, em essência, créditos dedutíveis naquelas apurações, como nos casos de Fl. 539DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.005135/200930 Acórdão n.º 1101000.676 S1C1T1 Fl. 8 13 equipamentos de proteção industrial, água, material de consumo, seguro, frete, juros e despesas financeiras, e, no que se refere a contratações com pessoas físicas, aluguel de carros, motos, equipamentos e caçambas. Concordo com o I. Relator quanto ao primeiro grupo de glosas, pois se a pretensão da contribuinte é limitar a glosa, no âmbito do IRPJ e da CSLL, ao valor líquido da operação, deduzido o crédito computado na apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, esta providência afrontaria o art. 344 do RIR/99 por ele citado, especialmente porque tais créditos não são destacados em notas fiscais e escriturados concomitantemente com a despesa, à semelhança do ICMS, mas sim apurados em demonstrativos extracontábeis, de modo a reduzir o encargo que será registrado no reconhecimento contábil da obrigação tributária. Se, como no presente caso, a contribuinte deduziu mais créditos do que tinha direito, contabilizando menores encargos tributários, e ensejando o presente lançamento, este diferencial somente se torna dedutível no período de apuração em que não mais estiver suspensa a exigibilidade da dívida tributária, decorrente da possibilidade de recurso e de sua efetiva interposição. Registro também que da análise do procedimento fiscal desenvolvido, constatei que a Fiscalização possibilitou à contribuinte contraditar as conclusões extraídas do exame de seu documentário fiscal, e reverteu glosas que procederia por deficiências verificadas, anotando tais circunstâncias nos demonstrativos que acompanham o recálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS nos Anexos XIV e XV destes autos. Possivelmente por esta razão, a fiscalizada nada mais tinha a apresentar em sua defesa administrativa – a impugnação somente é acompanhada de cópia dos lançamentos e o recurso voluntário não é instruído com qualquer elemento de prova, além de os Anexos dos autos terem sido formados, exclusivamente, por elementos reunidos e elaborados pela Fiscalização – , limitandose a discussão aqui a questões de direito. No que tange ao segundo grupo de glosas, inicialmente cabe refutar a afirmação da recorrente de que glosas relativas a aluguel de caçambas, aluguel de carros, consertos e reparos, ferragens e parafusos foram procedidas porque "seu aproveitamento não é permitido pela legislação regente daquelas contribuições”. Estas glosas foram parciais, o que por si só já infirma tal alegação, e estão justificadas por intimações fiscais que exigiram diferentes formas de comprovação conforme o contexto da despesa e a natureza do fornecedor a ela vinculado, as quais não foram aqui contraditadas com provas. Corretas também as constatações específicas no âmbito de despesas de aluguel de caçambas e de carros, relativamente às contratações com pessoas físicas, que não dão direito a crédito na apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. De fato, tal direito a crédito pressupõe que a operação anterior tenha se sujeitado àquelas mesmas contribuições, consoante dispõe o §3o do art. 3o das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 Créditos decorrentes de despesas com aluguéis de motos foram regularmente glosados na íntegra porque também provenientes de contratação com pessoas físicas. Por sua vez, créditos decorrentes de aluguéis de imóveis foram glosados porque se referiam período no qual o imóvel era de propriedade da própria LIMPEL, ou a período no qual ele já pertencia a terceiro, mas incidia em vedação específica contida na Lei nº 10.865/2004, citada pela Fiscalização: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. [...] § 3o É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. (negrejei) Considero desnecessário abordar a validade de créditos relativos a despesas com fretes, pois, como concluiu o I. Relator, a defesa da interessada não trouxe maiores detalhes acerca da natureza dos transportes realizados. Mas reputo relevante acrescentar que os créditos decorrentes de seguros e de material de consumo padecem da mesma falta de especificação, subsistindo a glosa a eles correspondente. Quanto às despesas financeiras e juros passivos, compartilho do entendimento do relator, no sentido de que nos períodos de apuração autuados (2005 e 2006) tais operações não davam mais direito a crédito. O mesmo digo em relação aos encargos de depreciação, relativamente aos quais há disposição legal expressa a orientar o trabalho fiscal. Assim, eventual questionamento acerca da interpretação dada pela Receita Federal à legislação que rege a nãocumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS limitase às glosas de créditos decorrentes de equipamentos de proteção industrial (registrados na conta nº 3.1.1.01.00103.1.1.01.0010), uniforme (registrados na conta nº 3.1.1.01.0005) e água (registrados na conta nº 3.1.1.02.0002). Analisando este conjunto de créditos, o I. Relator decidiu afastar glosas que entendeu calcadas na restritiva visão de que “insumo” seria apenas aquilo direta e imediatamente consumido ou aplicado no processo produtivo. Dispõem as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, já da redação dada pela Lei nº 10.865/2004 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (negrejei) Intenso tem sido o debate quanto ao alcance do conceito de insumos na prestação de serviços. Penso que não é possível interpretálo como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da empresa, pois contabilmente estariam alcançadas todas as despesas, ao passo que o legislador não fez uso desta expressão. Considero mais apropriada a aproximação de “insumos” ao conceito de custos, ou seja, itens adquiridos de pessoa jurídica, Fl. 541DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.005135/200930 Acórdão n.º 1101000.676 S1C1T1 Fl. 9 15 que efetivamente sejam aplicados ou consumidos diretamente na prestação do serviço da atividadefim. Mas, mesmo sob esta vertente, também não vejo como negar direito a crédito em razão da aquisição de uniformes e equipamentos de proteção para execução da atividade de limpeza urbana. Estes itens são essenciais para a prestação do serviço da atividadefim, inclusive a ponto de ter se tornado, posteriormente, um item específico de crédito relativamente à qualquer empresa que execute serviços de limpeza – contrariamente ao que expresso na ementa da SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 217 de 14 de Junho de 2007 citada pela Fiscalização –, nos termos da Lei nº 11.898/2009, que acrescentou ao art. 3o das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 o seguinte inciso: X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Quanto à despesa com água, não acredito que uma empresa de limpeza urbana destacasse em uma conta específica (3.1.1.02.0002) o registro de gastos com aquisição de água potável para seus funcionários, como é o caso analisado na SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 453 de 27 de Setembro de 2007 citada pela Fiscalização. Mais razoável é acreditar que ali está consignada a aquisição da água utilizada em sua atividadefim, também hábil a ensejar créditos na apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Por fim, no que tange às receitas relativas a cessão de posição contratual, inicialmente ressalvo que a análise a ser feita não decorre, em meu entendimento, de revisão de ofício do lançamento, mas sim da necessária apreciação de argumento de defesa da interessada. A concordância mencionada nos autos foi firmada em resposta a intimação juntada às fls. 10/11 do Anexo XVI, e não foi reafirmada em defesa, aduzindo a interessada, tanto em impugnação, como em recurso voluntário, que não tais valores não seriam tributáveis por se tratarem de indenização. E, quanto ao mérito, observo que a exigência não está fundamentada no artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, mas sim nos dispositivos legais assim expressamente citados no Termo de Verificação Fiscal: LEI Nº 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2002. Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (...) LEI Nº 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do .faturamento, conforme definido no caput. (...) E tais normas foram editadas depois de a Emenda Constitucional nº 20/98 ter alterado o art. 195 da Constituição Federal para ampliar o âmbito de incidência das contribuições sociais do empregador ou da empresa, e alcançar não apenas o faturamento, mas também a receita. Em consequência, o contexto normativo que justifica a presente exigência é distinto daquele no qual o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Assim, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas no que tange aos créditos decorrentes de aquisições de equipamentos de proteção industrial, uniformes e água, devendo a autoridade administrativa encarregada da execução do julgado, reconstituir os demonstrativos de apuração de diferença a lançar, elaborados pela Fiscalização, admitindo os créditos a partir dos insumos registrados nas contas nº 3.1.1.01.0010, 3.1.1.01.0005 e 3.1.1.02.0002. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 543DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 11075.720021/2010-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
DIÁRIAS. ISENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PARA O VALOR DE ATÉ 50% DA REMUNERAÇÃO.
O valor das diárias correspondente a até 50% da remuneração é isento de contribuição previdenciária em todos os casos, conforme interpretação harmonizada da alínea “h” do §9º do art. 28 com o §8º do art. 28 da Lei 8.212/91.
ACORDOS COLETIVOS. OBEDIÊNCIA Á LEI.
Os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.358
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores das diárias até o limite de 50% da remuneração, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, para o cálculo da multa mais benéfica de acordo com o Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram para que seja efetuada a comparação do artigo citado com a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declarações de voto: Bernadete de Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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DE TERCEIROS DIÁRIAS PRÓLABORE Recorrente INTERFLET TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DIÁRIAS. ISENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PARA O VALOR DE ATÉ 50% DA REMUNERAÇÃO. O valor das diárias correspondente a até 50% da remuneração é isento de contribuição previdenciária em todos os casos, conforme interpretação harmonizada da alínea “h” do §9º do art. 28 com o §8º do art. 28 da Lei 8.212/91. ACORDOS COLETIVOS. OBEDIÊNCIA Á LEI. Os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores das diárias até o limite de 50% da remuneração, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, para o cálculo da multa mais benéfica de acordo com o Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram para que seja efetuada a comparação do artigo citado com a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declarações de voto: Bernadete de Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros – Declaração de voto (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes – Declaração de Voto Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 11075.720021/201078 Acórdão n.º 230102.358 S2C3T1 Fl. 191 3 Relatório Tratase de Lançamento por meio de Auto de Infração, lavrado em 25/02/2010, que constituiu crédito tributário de R$ 56.605,25 referente a contribuição de terceiros devida pela empresa, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 17/22, incidente sobre valores de diárias que excederam o limite de 50%, nas competências 01/2005 a 12/2006. Após tomar ciência postal da autuação em 03/03/2010, fls. 259, a recorrente apresentou impugnação, fls. 260/264, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 3ª Turma da DRJ/Santa Maria, no Acórdão de fls. 168/170 julgou o lançamento procedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 03/09/2010, fls174. O recurso voluntário, apresentado em 04/10/2010, fls. 180/186, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Argumenta que o valor pago aos motoristas serve para ressarcir diversas despesas destes tais como, entre outras: pedágios não oficiais, enlonamento e desenlonamento. Insiste que são pagamentos previstos em Convenção Coletiva que tem natureza indenizatória. Quanto aos prólabores, devem permanecer os valores efetivamente recebidos e não aqueles utilizados por força e apenas para fins da contabilidade. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Inicialmente, destacamos que não é a denominação do pagamento que determina sua natureza jurídica, mas sim suas características e suas finalidades. In casu, é fora de dúvida que o ressarcimento de despesas gerais tem natureza de diária, uma vez que é pago mensalmente sem necessidade de comprovação de efetividade de qualquer despesa. A natureza indenizatória do ressarcimento precisaria ser corroborada com comprovante de despesas, pois uma indenização deve, por sua própria natureza, servir para ressarcir um dano efetivo. Sendo diária, a parcela que não excede 50% do salário não comporá a remuneração do empregado conforme previsto no art. 457, §2º da CLT. Mas caso ultrapasse será parcela remuneratória que está no campo de incidência da contribuição previdenciária. Diárias paga a empregado em montante que excede 50% da remuneração A lei 8.212/91 concedeu uma isenção para as diárias no §9º, alínea “h” do art. 28, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; O referido dispositivo isencional pode ser interpretado de duas formas. A primeira, consideraria que a isenção só é concedida quando o total das diárias não exceder 50% da remuneração. Sendo ultrapassado tal limite, não há isenção para qualquer parte das diárias pagas. A segunda forma de interpretar a isenção em destaque consideraria que o valor das diárias até 50% da remuneração estaria isento. Optamos pela segunda forma de interpretar o dispositivo, pois entendemos que na primeira hipótese – só há isenção se o total das diárias não ultrapassar 50% da remuneração – estaríamos negando qualquer hipótese de isenção no caso da contribuição incidente sobre o saláriodecontribuição. Explicamos. A incidência sobre as diárias a serem incluídas no saláriodecontribuição, conforme consta do art. 28, §8º, só ocorre no caso de o Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 11075.720021/201078 Acórdão n.º 230102.358 S2C3T1 Fl. 192 5 total das diárias ultrapassar 50% da remuneração. Não ultrapassando tal limite, as diárias não compõem o saláriodecontribuição e não sofrem a incidência da contribuição a cargo do empregado ou trabalhador avulso. Tomando o dispositivo isencional em comento com a primeira hipótese hermenêutica, só concederíamos isenção para aqueles casos nos quais as diárias não ultrapassam 50% da remuneração, ou seja, concederíamos isenção para casos em que nem incidência há! Por isso, tal alternativa não nos parece ser a melhor opção hermenêutica no caso da contribuição incidente sobre o saláriodecontribuição. No caso da contribuição a cargo das empresas, a incidência não considera o saláriodecontribuição, mas por uma questão de coerência e tratamento isonômico, adotamos a mesma interpretação do dispositivo isencional que utilizamos para a contribuição incidente sobre o saláriode contribuição. Assim interpretamos a isenção da alínea “h” do 9º do art. 28, em todos os casos, como aplicável ao valor das diárias que não ultrapassam 50% da remuneração. Ressalvamos que não vemos nisso qualquer ofensa ao art. 111 do CTN, pois dado o aparente conflito entre as normas de incidência e de isenção, nossa interpretação acabou por harmonizar os dispositivos sem que utilizássemos uma interpretação ampliativa ou analógica. Passemos ao caso dos autos. Observamos, fls. 34/39, que a autoridade fiscal incluiu na base de cálculo da contribuição previdenciária o valor total das diárias e não considerou a isenção da maneira como entendemos aplicável. Logo, devem ser excluídos do lançamento os valores das diárias que não atingem 50% da remuneração, mantendo os valores que ultrapassam tal limite sofrendo a incidência do tributo. Conteúdo dos Acordos Coletivos. Respeito à lei. Em que pese o entendimento da recorrente de que as Convenções Coletivas de Trabalho, conforme a CLT, produzem efeitos de lei entre as partes, conforme o art. 7o, XXVI da CF, vale esclarecer que estas não podem contrariar a lei. Nesse sentido, nos ensina Adriana Hilgenberg de Araújo (Direito do trabalho e direito processual do trabalho: temas atuais, Editoria Juruá, p 55 e 56) : “ Como visto, as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho, cujas cláusulas serão aplicadas a todos os pertencentes a uma determinada categoria ou empresa (no caso dos acordos). As cláusulas, tanto as obrigatórias (CLT artigo 616), facultativas, obrigatórias ou normativas, devem respeitar o ordenamento legal, não podendo ferir preceitos, sejam eles constitucionais ou infraconstitucionais, salvo expressa autorização .” (grifei). Assim, a observância ao ordenamento jurídico infraconstitucional não agride a garantia constitucional do reconhecimento das convenções e acordos coletivos, prevista no inciso XXVI, art. 7º, da Constituição Federal, vez que se encontra insculpida, em toda a Constituição, o respeito ao princípio da legalidade. Em conseqüência, os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei 8.212/91. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 6 No tocante ao prólabore, tratase de discussão impertinente aos autos, uma vez que o lançamento em discussão não incluiu tais rubricas. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009 Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, seja aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de três situações: 1 lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta. 2 lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449 Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 11075.720021/201078 Acórdão n.º 230102.358 S2C3T1 Fl. 193 7 hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP: o art. 32A e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Para tanto, nossa análise percorre o seguinte caminho: primeiro verificamos a existência de diferença de contribuição constada no mesmo procedimento de ofício, depois determinamos a multa de ofício aplicável e, por último, na ausência de diferença de tributo, verificamos a multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Logo, apurada diferença de contribuição, a falta de apresentação da GFIP e a declaração inexata da GFIP, hipótese antes punidas pelos §§4º e 5º do art. 32 da Lei 8.212/981, são puníveis pela multa de 75% sobre a diferença do tributo, com base no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Por fim, se não foi apurada diferença de contribuição, hipótese antes punida pelo §6º do art. 32 da Lei 8.212/91, a MP 449 previu a aplicação da multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida em na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável às outras duas situações. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 8 § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449 Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. No tocante às penalidades que se relacionam com a GFIP, o novo regime das infrações relativas às contribuições previdenciárias prevê que separemos duas situações: quando houver diferença de tributo e quando não houver tal diferença. Nas competências em que houver tal diferença, ou seja, quando no mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo período, devemos nos basear no art. 35A. Assim, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao contribuinte é aquela que deve prevalecer. Se o caso restringese a declaração inexata de GFIP, Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 11075.720021/201078 Acórdão n.º 230102.358 S2C3T1 Fl. 194 9 comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§ 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. Nas competências em que não houver tal diferença, ou seja, quando a multa for fundamentada no §6º do art. 32 da Lei 8.212/91, a comparação há de ser feita com o art. 32 A da Lei 8.212/91, prevalecendo a multa mais benéfica. No caso concreto, afastamos a multa de mora aplicada. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a excluir da base de cálculo os valores das diárias até o limite de 50% da remuneração e afastar a multa de mora aplicada. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 10 Declaração de Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Permitome divergir do entendimento do Conselheiro Relator, em relação à nãoincidência de contribuição previdenciária sobre a parte das diárias pagas que não atinge 50% da remuneração, pelas razões a seguir expostas. O Relator, entendendo que há conflito entre as normas de incidência e de isenção, faz uma interpretação da alínea “h” do 9º do art. 28, da Lei 8.212/91, e conclui que, nos casos em que as diárias pagas exceder 50% da remuneração, incide contribuição somente sobre a parte excedente, estando isento a parte que não exceder os 50% previstos na norma. Contudo, não vislumbro o conflito entre normas, apontado pelo Relator. A alínea “h”, do § 9o, transcrito no voto do relator, deixa claro que estão isentos da contribuição previdenciária as diárias, desde que não excedam os 50% da remuneração. Ou seja, se exceder o limite estipulado por lei, as diárias integram o salário de contribuição. E a alínea “a”, do § 8o, do art. 28, da Lei 8.212/91, não deixa margens para interpretação ao estabelecer que integram o salário de contribuição, pelo seu valor total, as diárias pagas quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal. Portanto, como no caso em tela as diárias pagas pelo contribuinte, objeto do lançamento, superam 50% da remuneração, entendo que devam integrar o salário de contribuição por seu valor total, por expressa determinação legal. Divirjo, ainda, da conclusão do Relator para que seja afastada a multa de mora aplicada, uma vez que o dispositivo legal vigente à época da ocorrência do fato gerador determinava que, sobre as contribuições sociais em atraso, incidiria multa de mora, de caráter irrelevável. Em relação às demais matérias, acompanho o entendimento do Relator. Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 11075.720021/201078 Acórdão n.º 230102.358 S2C3T1 Fl. 195 11 Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 12 mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 11075.720021/201078 Acórdão n.º 230102.358 S2C3T1 Fl. 196 13 Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 14 Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Numero do processo: 13896.903251/2008-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
PROVA. PAGAMENTO INDEVIDO. DEMONSTRAÇÃO NA ESCRITA CONTÁBIL E DOCUMENTO BANCÁRIO. ESTORNO. REEMBOLSO.
Deve ser acolhida a prova inequívoca sobre a questão controvertida nos autos, mesmo trazida no recurso voluntário, em homenagem ao princípio da verdade material e/ou em cumprimento da ressalva legal da regra da concentração das provas no momento da manifestação de inconformidade, a autorizarem o afastamento da preclusão
Numero da decisão: 3803-004.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa. Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PROVA. PAGAMENTO INDEVIDO. DEMONSTRAÇÃO NA ESCRITA CONTÁBIL E DOCUMENTO BANCÁRIO. ESTORNO. REEMBOLSO. Deve ser acolhida a prova inequívoca sobre a questão controvertida nos autos, mesmo trazida no recurso voluntário, em homenagem ao princípio da verdade material e/ou em cumprimento da ressalva legal da regra da concentração das provas no momento da manifestação de inconformidade, a autorizarem o afastamento da preclusão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa. Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 32 51 /2 00 8- 18 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 38941.98210.291004.1.3.040222, fls. 2/6 em que utilizou como crédito pagamento a maior de Cofins Cumulativa relativa ao mês de fevereiro de 2004, no valor de R$ 1.200,00. A DRF/Barueri, por meio do Despacho Decisório de fl. 7, não homologou não homologou a DComp visto que o pagamento correspondente ao DARF indicado como originador do crédito encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PeR/DComp. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 11, a Interessada alegou, em síntese, que a contribuição fora retida e recolhida pela fonte pagadora e a seguir também pago pela própria por meio de DARF e solicitou a reconsideração do Despacho Decisório. Juntou das DCTFs original e retificadora do 1º trimestre /2004, do DARF recolhido em 15/03/2004 e da DIPJ em que consta o valor retido. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas, Acórdão de fls. 74/77, considerou que apenas a apresentação da DCTF retificadora, ainda que tenha sido recepcionada pelo sistema, não demonstraria a existência do crédito pleiteado, sendo indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil. Ancorouse no que dispõe o Código Tributário NacionalCTN, parágrafo 1º, do art. 147, ao tratar da retificação da declaração: Assentou que a DIPJ juntada não se presta à comprovação de que a contribuição a pagar seria aquela correspondente à Cofins efetivamente devida pelo contribuinte, por seu cunho apenas informativo, não se constituindo como instrumento de confissão de dívida. Apontou que divergências entre valores apresentados devem ser comprovadas pela Manifestante através de sua escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação, o que não ocorrera. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DIPJ. NATUREZA JURÍDICA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13896.903251/200818 Acórdão n.º 3803004.324 S3TE03 Fl. 144 3 verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de dívida. Cientificada da decisão em 27 de junho de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 83/139, em 27 de julho de 2012, em que, reitera o mesmo motivo para a origem do seu crédito de forma mais detalhada, qual seja a duplicidade de extinção da Cofins, uma pela retenção de sua fonte pagadora e respectivo; outra pelo pagamento que efetuou. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Tenho reiterado em inúmeros votos o entendimento quanto à possibilidade de acolhimento de provas apresentadas pelo recorrente apenas no recurso voluntário, no rito do PAF atribuído à inconformidade do interessado contra as decisões administrativa e do órgão de primeira instância. O princípio da verdade material que informa o Processo Administrativo Fiscal , e o princípio da moralidade que rege os atos da Administração , bem assim a ressalva legal da regra da concentração das provas na manifestação de inconformidade, são motivos autorizadores do afastamento da preclusão temporal. No presente recurso voluntário esta Recorrente trouxe cópias do Livro Diário, com respectivos Termos de Abertura, seu e da empresa que efetuara a retenção da Cofins, com o fito de demonstrar que houve recolhimento em duplicidade na importância de R$ 1.200,00, relativa dita contribuição do mês de fevereiro de 2004. Nos documentos acostados ao recurso fica comprovada: a) a prestação de serviços pela Recorrente à empresa GRIPAU COM. DE BEBIDAS E PRODS. ALIMENTÍCIOS LTDA., conforme Nota Fiscal nº 12, fl. 99, extraída em nome de AGROPEL COMERCIAL LTDA. (de mesmo CNPJ e mesma inscrição municipal), no valor de R$ 40.000,00, contabilizada pelo seu valor líquido, de R$ 37.540,00 (R$ 40.000,00 retenção de R$ 600,00 de IR Fonte e retenção de R$ 1.860,00 de CSLL/PIS/Cofins), doc. 05, fl. 101. b) também está comprovada a retenção efetuada pela GRIPAU/AGROPEL, conforme registro no Diário, no valor de R$ 1.860,00 (R$ 1.200,00 [Cofins] + R$ 260 [PIS] + 400 [CSLL]), bem como o registro da prestação de serviço no valor de R$ 37.540,00, contrapartida do lançamento pela MYRIAD, docs. 08/09, fls. 104/105; c) o pagamento do valor retido da Cofins, de R$ 1.200,00, conforme registro no Diário da GRIPAU/AGROPEL, doc. 09, fl. 106, efetuado no valor de R$ 1.860,00 (R$ Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 1.200,00 [Cofins]+ R$ 260 [PIS] + R$ 400 [CSLL]), bem como por cópia do DARF respectivo, doc. 12, fl. 109. O litígio decorrente da apreciação das compensações declaradas passou a ser submetido ao rito do Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, a partir da data publicação da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003). Assim, a princípio deve o litigante submeterse à observância do art. 16, § 4º1, que trata do momento processual de apresentação das provas como sendo o da manifestação de inconformidade, ou, ainda, até a decisão de primeira instância, autorizado pelo órgão julgador2. É consabido que a norma legal do art. 16, § 4º, citado, tem sua aplicação originária ao processo de determinação e exigência de crédito tributário, cujos fatos imputados ao fiscalizado devem ser respaldados pela provas levantadas e apresentadas pelo fisco no procedimento inquisitório do lançamento. É exigência, ainda, desse feito que os fatos de que é acusado o autuado estejam pontual e claramente descritos. Este modelo de ação tem por fim permitir o exercício da ampla defesa do contribuinte, sob amparo de garantia constitucional. Este rito foi tomado por empréstimo para reger o procedimento administrativo de apreciação da compensação tributária, como acima referido (MP 135/2003), logo após a inauguração do seu novel regime pela MP nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13896.903251/200818 Acórdão n.º 3803004.324 S3TE03 Fl. 145 5 material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência tributo já quitado ou não repetir o indébito. No caso presente, são cabais as provas de que houve o indébito uma vez que se encontra configurado o dúplice pagamento da mesma contribuição efetuado pela Recorrente, atestado pelo próprio despacho decisório, embora o considerado alocado ao débito de mesmo valor como resultante do equívoco da confissão indevida de tal débito na DCTF da Recorrente. As provas estão fundadas na escrita contábil regular, e devem, portanto, ser acolhidas para se reconhecer o direito ao crédito utilizado na DComp sob análise, devendo cobrir a compensação até o seu limite. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das sessões, 27 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13748.001811/2008-00
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer despesas médicas no montante de R$ 14.470,00 e para cancelar a glosa lançada indevidamente no valor de R$ 150,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer despesas médicas no montante de R$ 14.470,00 e para cancelar a glosa lançada indevidamente no valor de R$ 150,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 18 11 /2 00 8- 00 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13748.001811/200800 Acórdão n.º 2801003.116 S2TE01 Fl. 74 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 3.834,44, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificada, na Declaração de Ajuste Anual da contribuinte, exercício 2006, dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 14.620,00. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 12 deste processo digital, que os recibos emitidos por Alessandra Grossi de Oliveira Sardinha, Alan Mendes Machado e Marcos André Alves de Macedo não informam o nome do beneficiário dos serviços e nem o endereço dos beneficiários dos pagamentos, estando em desacordo com a legislação do imposto de renda. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente, por intermédio do acórdão de fls. 37/41, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, não podendo ser acolhidos recibos que não indicam o paciente e nem quando não tenham sido provados o efetivo pagamento e a prestação do serviço. A Interessada interpôs, em 07/07/2011, o recurso de fl. 45/46, acompanhado dos documentos de fls. 47/69. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Após o seu primeiro casamento, em 26 de novembro de 1972, passou a assinar Maria Aparecida Lacerda do Carmo. Com o divórcio, em 28 de junho de 1993, voltou a assinar o nome de solteira, Maria Aparecida Torres Viana, sem, contudo, providenciar a retificação dos documentos, o que foi feito somente em 04 de outubro de 2005. Os profissionais que a atenderam emitiram os recibos de pagamento pelos serviços prestados com o nome constante dos antigos documentos. Recebeu tratamento de Alessandra Grossi de Oliveira Sardinha, psicóloga, conforme declaração em anexo. Recebeu tratamento de Alan Mendes Machado, fisioterapeuta, conforme declaração em anexo. Recebeu tratamento de Marcos André Alves de Macedo, dentista, que se mudou para Brasília. Por isso, anexa declaração subscrita por ela própria. Ao final, requer a revisão da decisão que deixou de acolher os recibos apresentados. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13748.001811/200800 Acórdão n.º 2801003.116 S2TE01 Fl. 75 3 Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, assim dispõe: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos nocaputdeste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No caso concreto, houve três tentativas frustradas de intimação via postal, conforme comprovante dos Correios adunado aos autos em fl. 44. Em 26/05/2011 (quinta feira) foi publicado o Edital de Intimação nº 18/2011 (fl. 41 do processo nº Fl. 75DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13748.001811/200800 Acórdão n.º 2801003.116 S2TE01 Fl. 76 4 13748.001810/200857), na portaria da Agência da Receita Federal do Brasil em Petrópolis – RJ. A intimação da Interessada ocorreu, por conseguinte, em 10/06/2011, sexta feira (15 dias após a publicação do edital, sequenciais). Para a contagem do prazo do recurso devem ser seguidas as regras do art. 5º e seu parágrafo único. Desta forma, o dia de início do prazo recursal foi 13/06/2011, segundafeira. O recurso, que veio subscrito pela própria Interessada, foi protocolado em 07/07/2011 (fl. 45), dentro, portanto, do prazo de trinta dias previsto na legislação. Assim, conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. RESTABELECIMENTO DAS DESPESAS MÉDICAS Á peça recursal foi anexada declaração do fisioterapeuta Alan Mendes Machado (fl. 59), na qual consta o seu endereço profissional, atestando a prestação de serviços à Interessada no anocalendário de 2005, e retificando o nome da beneficiária dos serviços, haja vista ter constado, nos recibos anteriormente apresentados, o nome de casada da Recorrente, posteriormente modificado após o seu divórcio (comprovantes às fls. 49/50). Nesse contexto, sou pelo restabelecimento das despesas com o referido profissional, no valor de R$ 5.000,00. À peça recursal foi juntada, também, declaração da psicóloga Alessandra Grossi de Oliveira Sardinha (fl. 52), na qual consta o seu endereço, atestando a prestação de serviços à Interessada no anocalendário de 2005, e retificando o nome da beneficiária dos serviços, haja vista ter constado, nos recibos anteriormente apresentados, o nome de casada da Recorrente, posteriormente modificado após o seu divórcio (comprovantes às fls. 49/50). Nesse contexto, sou pelo restabelecimento das despesas com a referida profissional, no valor de R$ 5.950,00. No recurso, a Interessada informa que não conseguiu obter declaração do profissional Marcos André Alves de Macedo, pois o mesmo havia se mudado para Brasília. Nada obstante, entendo que é cabível a dedução das despesas com o referido profissional, pelos motivos que passo a expor. A glosa se deu por falta de indicação da beneficiária dos serviços e do endereço do prestador (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 12). Por ocasião da impugnação, a Interessada havia apresentado declaração do Sr. Marcos André Alves de Macedo atestando a prestação de serviços odontológicos a Maria Aparecida Lacerda do Carmo, constando o endereço de seu consultório (fl. 6). Ocorre que ficou comprovado, a partir da documentação colacionada aos autos quando da apresentação do recurso, que Maria Aparecida Lacerda do Carmo e Maria Aparecida Torres Viana, ora Recorrente, é a mesma pessoa, cujo nome foi alterado em razão de sua situação conjugal. Em outras palavras: a partir do momento que ficou provada a alteração do nome da Recorrente (comprovantes às fls. 49/50), os vícios apontados pela Autoridade fiscal, por ocasião do lançamento, foram sanados pela declaração de fl. 6, emitida pelo Sr. Marcos Fl. 76DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13748.001811/200800 Acórdão n.º 2801003.116 S2TE01 Fl. 77 5 André Alves de Macedo por ocasião da impugnação. Nesse contexto, sou pelo restabelecimento das despesas com o referido profissional, no valor de R$ 3.520,00. Observo, por fim, que o valor total da glosa, lançada na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 12) e no “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido” (fl. 11), está errado. Ao invés de R$ 14.620,00, o valor correto é R$ 14.470,00 (R$ 5.000,00 + R$ 5.950,00 + R$ 3.520,00), motivo pelo qual entendo que a diferença deve ser cancelada. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por dar provimento recurso para restabelecer despesas médicas no valor total de R$ 14.470,00 (R$ 5.000,00 + R$ 5.950,00 + R$ 3.520,00) e para cancelar a glosa lançada indevidamente no valor de R$ 150,00 (R$ 14.620,00 – R$ 14.470,00). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 77DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720808/2010-27
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO.
Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refira-se à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I).
COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo.
FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao frete na operação de venda (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto.
FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Trata-se de matéria-prima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, a, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL.
Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado.
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO.
O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Redator designado.
EDITADO EM: 06/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO. Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refira-se à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I). COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao frete na operação de venda (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto. FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Trata-se de matéria-prima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, a, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL. Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO. O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Redator designado. EDITADO EM: 06/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO. Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refirase à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I). COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 08 08 /2 01 0- 27 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto. FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL. Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO. O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) Fl. 376DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720808/201027 Acórdão n.º 3802001.313 S3TE02 Fl. 376 3 REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Redator designado. EDITADO EM: 06/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo ora Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/3005 COMPENSAÇÃO A compensação é regular no caso da existência de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A manifestação de inconformidade referese à pedido de ressarcimento de créditos de Cofins decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados à vendas efetuadas com alíquota zero, formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. O acórdão da DRJ não reconheceu o crédito relativo ao frete nas aquisições e nos retornos de produtos enviados para industrialização perante terceiros; na “remessa de arroz acabado para entrega a clientes, mas antes passando pela Matriz”; no transporte de subprodutos, de arroz a granel entre estabelecimentos industriais da pessoa jurídica e na aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. O ressarcimento foi admitido apenas no tocante ao frete na aquisição de matériaprima (arroz em casca) de produtor rural pessoal física, de embalagens e na remessa de matériaprima para industrialização, nos anos de 2005 e 2006. A Recorrente, nas razões recursais de fls. 340364, pleiteia a reforma da decisão recorrida, alegando que o frete na remessa e no retorno de matériaprima para industrialização por terceiros estaria vinculado ao processo produtivo, integrando, assim, o custo de industrialização do produto acabado. Sustenta ainda que a Solução de Divergência Fl. 377DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Cosit nº 26/2008 não poderia ser invocada como fundamento para a vedação do crédito de frete na transferência de produto acabado entre a filial e a matriz, porquanto, de acordo com o art. 16, § 4º, da Instrução Normativa nº 740/2007, seus efeitos não podem retroagir. Alega ter direito ao crédito nas transferências entre estabelecimentos, uma vez que se trata de operação realizada com o intuito de aperfeiçoar a logística de distribuição, isto é, despesas vinculadas diretamente à operação de venda. Aduz que o frete na remessa de subprodutos e de arroz a granel para ser industrializado, de produto acabado e de subproduto destinado à venda deve ser reconhecido, segundo recente jurisprudência do Carf, que interpreta o conceito de insumo de modo abrangente de todos os custos e despesas necessários para a operação do contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 30/08/2011 (fls. 345), interpondo recurso tempestivo em 28/09/2011 (fls. 346). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O pedido de ressarcimento foi formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 e no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que assim dispõem: Lei nº 11.116/2005 “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Lei nº 11.033/2004 “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Os créditos em discussão, por sua vez, referemse às despesas de frete devido no transporte (i) de produtos enviados para industrialização por terceiros (“retorno de Fl. 378DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720808/201027 Acórdão n.º 3802001.313 S3TE02 Fl. 377 5 mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”); (ii) de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (iii) de subprodutos; (iv) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (v) de aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. I PRODUTOS ENVIADOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Cumpre destacar que, embora a decisão recorrida se refira à “aquisições e retorno de produtos enviados para industrialização junto a terceiros, com alíquota zero (item C)”, notase, a partir do termo de verificação de fls. 26, que, a rigor, a glosa do crédito diz respeito ao frete no “retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”. A legislação aplicável ao regime nãocumulativo do PIS/Pasep e da Cofins disciplina o creditamento decorrente das despesas com frete nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; É preciso ter cautela na interpretação da amplitude do direito ao crédito relativo às despesas com frete. Isso porque, embora o art. 3º, IX, refirase à “frete nas operações de venda”, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos. Este, porém, não decorre do inciso IX, mas dos incisos I e II do art. 3º, porque a base de cálculo do crédito constitui o custo de aquisição do bem, que também é composto pelo frete pago na entrega. O creditamento do frete, assim, ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou bem adquirido para revenda. Com efeito, de acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, o cálculo do crédito deve considerar o custo de aquisição do bem ou serviço: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; Fl. 379DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços. O custo de aquisição, por outro lado, compreende as despesas de transporte, independente de se tratar de frota própria ou de frete pago a terceiro, consoante prevê o art. 13, § 1º, “a”, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13. O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; Na aquisição de insumos e mercadorias para revenda, portanto, o contribuinte tem direito ao crédito do frete, à medida que este integre o custo de aquisição, consoante amplamente reconhecido em diversas soluções de consulta: [...] FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago na aquisição dos insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Cofins não cumulativa. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica dará direito ao credito da Cofins apenas quando se tratar de produto ainda em fase de industrialização, de forma que o custo desse transporte seja considerado custo de produção. Caso se trate de produto acabado, esse frete não dará direito ao crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo (Solução de Consulta Disit 08 nº 169, de 23 de Junho de 2006). FRETE NA AQUISIÇÃO. O custo do transporte (frete), pago a pessoa jurídica domiciliada no País, de bens adquiridos para revenda e de insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens destinados a venda pode gerar crédito na sistemática não cumulativa da Cofins. A partir de 01/05/2004, o frete Fl. 380DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720808/201027 Acórdão n.º 3802001.313 S3TE02 Fl. 378 7 contratado com pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior também pode gerar crédito nessa sistemática (Solução de Consulta nº 104, de 06 de Dezembro de 2004. No mesmo sentido, cf.: Solução de Consulta Disit 06 nº 63, de 12 de Julho de 2010; Solução de Consulta nº 449, de 16 de Novembro de 2006; Solução de Consulta nº 234 de 13 de Agosto de 2007) Ao promover a glosa do crédito, a autoridade competente não divergiu dessa orientação, consoante se depreende da seguinte passagem do ato que serviu de fundamento para o despacho decisório (fls. 26 seguintes): “Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens, conforme artigo 289, § 1º do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, como é o caso das aquisições de pessoas físicas e com alíquota zero, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito.” De fato, na industrialização por encomenda, a pessoa jurídica executora está sujeita à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 25, I, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 25. A pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, sujeitase, conforme o caso, às alíquotas previstas nas alíneas a ou b do inciso I do art. 1o da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos nelas referidas. Parágrafo único. Na hipótese a que se refere o caput: I as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis à pessoa jurídica executora da encomenda ficam reduzidas a 0 (zero); e” Assim, não há direito ao crédito, porque, nas hipóteses de alíquota zero, o adquirente somente pode se creditar quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep ou pela Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 3º [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Portanto, como o crédito do frete na aquisição de bens não é autônomo em relação ao crédito do insumo adquirido porque se operacionaliza de forma atrelada ao crédito Fl. 381DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 do insumo, compondo a respectiva base de cálculo , não há como reconhecer o direito ao crédito ao Recorrente, uma vez que a operação não está sujeita à incidência da contribuição. II PRODUTO ACABADO PARA VENDA, PORÉM, COM PASSAGEM PRÉVIA PELO ESTABELECIMENTO DA MATRIZ A legislação, consoante destacado acima, estabelece que o contribuinte tem direito ao crédito de frete nas operações de venda, desde que tenha suportado o ônus respectivo (Lei nº 10.8333, art. 3º, IX): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O acórdão da DRJ, por sua vez, entendeu que o Recorrente não teria direito ao crédito, porque a mercadoria, por questões de logística, circulava pelo estabelecimento da matriz: “As remessas dos produtos acabados da unidade de Capivari do Sul para Minas Gerais para entrega aos clientes; por questão de logística, esta mercadoria circula pelo estabelecimento matriz. Esse gasto não pode ser considerado como insumo porque se refere a frete de produto acabado da filial para a matriz. Portanto, não gera crédito, conforme orientação da citada Solução de Divergência.” (fls. 336). A decisão recorrida referese à Solução de Divergência Cosit nº 26/2007, que recebeu a seguinte ementa: EMENTA: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. Essa interpretação, entretanto, carece de sentido. Isso porque “se o crédito é assegurado na hipótese de transporte da indústria diretamente para o consumidor final, não há razões para negar esse mesmo direito quando a mercadoria é remetida previamente a um centro Fl. 382DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720808/201027 Acórdão n.º 3802001.313 S3TE02 Fl. 379 9 de distribuição. O que ocorre, na espécie, é apenas um desmembramento das etapas de transporte do bem destinado à venda. Ao invés de manter o estoque na fábrica, remetendo a mercadoria para o destino final após a concretização da venda, o contribuinte promove o deslocamento em duas etapas” 1. No caso em exame, a partir do Anexo IV do termo de verificação fiscal, nota se claramente que se trata de “remessa de arroz acabado para entrega a clientes”. O fato da mercadoria, por questões de logística, circular previamente pelo estabelecimento da matriz em nada afeta o direito ao crédito, porque a legislação autoriza o creditamento desde a unidade produtora até o consumidor final. Desse modo, entendese que deve ser reconhecido o direito ao crédito. III FRETE NO TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS O crédito do frete no transporte de subprodutos destinados à venda não foi reconhecido, porque, de acordo com a decisão recorrida, “o transporte de subproduto está fora do processo produtivo e não pode ser considerado como insumo”. Por outro lado, “seguindo o disposto na Solução de Divergência nº 26, de 30/05/2008, o gasto com o transporte de subprodutos não deve gerar créditos de PIS/Cofins” (fls. 341). Entendese, entretanto, que a SD nº 26/2008 não pode ser invocada fundamento para a vedação do direito ao crédito, porque, de acordo com sua ementa, reproduzida no item anterior, a mesma não trata do transporte de subprodutos. Na verdade, devese ter presente que subproduto nada mais é do que um resíduo ou produto secundário do processo industrial. Muitas empresas, limitamse ao seu descarte no ambiente ou em aterros sanitários, dentro de uma etapa do procedimento industrial conhecida como lançamento ou disposição de resíduos. Outras, por política ambiental ou por razões econômicas, notadamente quando o produto secundário apresenta valor comercial ou quando a sua disposição se apresenta muito onerosa, promovem a sua comercialização. A legislação, ao conceder o direito ao crédito, não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX). Portanto, em se tratando de venda de produto ou subproduto, o que é irrelevante , o sujeito passivo pode se creditar. IV REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO De acordo com a decisão recorrida, “[...] o gasto com transporte de arroz a granel, mesmo que ainda em fase de industrialização, entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica não proporciona o direito ao crédito do PIS e da Cofins”, porque “o arroz a granel equivale a um produto ou a um subproduto para o contribuinte” (fls. 341). Essa interpretação, porém, não pode ser acolhida. Afinal, se o transporte do arroz à granel ocorre para fins de industrialização, não cabe qualificálo como produto nem como subproduto. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004: 1 SEHN, Solon. PISCofins: nãocumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 334. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 “Art. 8º [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;” Na verdade, arroz a granel em nada difere do arroz em casca remetido para industrialização. Ambos são matériaprima para o produto final. Portanto, se a DRJ reconheceu o direito ao crédito em relação a este, também deveria ter admitido o creditamento em relação ao primeiro, porque, consoante destacado no exame do item I, o frete integra o custo de aquisição. O acórdão, portanto, deve ser reformado nesse particular. V – AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA A DRJ não admitiu o creditamento do frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete, fuso transportador e de pêssego enlatado, com base nos seguintes fundamentos: “Segundo contribuinte, neste caso se trata de frete incidente sobre a aquisição de produto acabado (pêssego enlatado), subprodutos adquiridos e destinados a revenda, produtos estes tributados pelo PIS e a Cofins. Tratase, também, da glosa de créditos relativos a frete sobre transporte na aquisição de roletes, cone de roletes, fuso transportador. Na presente situação, não se vislumbra que esse frete referese a insumos. Esse gasto está fora do processo produtivo. Por isso não gera direito ao crédito de PIS/Cofins.” (fls. 341/342). No que tange aos roletes, cone de roletes, fuso transportador, o Recorrente alega que seriam insumo do processo produtivo, inclusive com contato direto com a matéria prima. Todavia, do exame dos autos, verificase que não há qualquer prova nesse sentido. Tampouco há qualquer elemento que permita aferir a vida útil de tais bens, o que se afigura relevante à medida que tais produtos, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato. O Recorrente, dito de outro modo, deveria ter demonstrado as circunstâncias da utilização de tais bens no processo produtivo e, principalmente, que o mesmos sofrem um desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. Por fim, em relação ao frete na aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) adquirido para revenda, entendese que o crédito deve ser reconhecido, porque, de acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, reproduzido acima, o cálculo deve considerar o custo de aquisição do bem, no qual se inclui o frete. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, para efeitos de reconhecimento do direito ao crédito relativo às despesas de frete devido no Fl. 384DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720808/201027 Acórdão n.º 3802001.313 S3TE02 Fl. 380 11 transporte (a) de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (b) venda de subprodutos; (c) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (d) de aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) para revenda. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Voto Vencedor COFINS. Regime nãocumulativo. Creditamento. Despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. No caso presente, filiome ao voto exarado pelo i. Conselheiro Relator no que toca ao reconhecimento de direito creditório da COFINS (regime nãocumulativo) previsto na Lei nº 10.833, de 2003, referente às despesas de frete devido no transporte relativo à: i) venda de subprodutos (art. 3º, IX, da Lei); ii) remessa de arroz à granel para industrialização (art. 3º, II, da Lei); (iii) aquisição de produto acabado – “pêssego enlatado” para revenda (art. 3º I, da Lei). Entendo, em consonância com os fundamentos exposto pelo i. Relator, que, em relação ao itens ii e iii acima, o custo do frete integra o custo de aquisição do insumo ou do produto para revenda refletindo positivamente no direito creditório previsto no art. 3º, I e II da Lei nº 10.833, de 2003. Noutro giro, peço vênia ao i. Relator para, acompanhando a divergência inaugurada pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, pontuar meu entendimento de que as despesas de frete devido no transporte de produto acabado para entrega a clientes, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz, não são hábeis à geração de créditos. Tratase, no caso, de frete de produto acabado da filial para a matriz, custo este não albergado pela legislação de referência. Vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Destaquei. Com efeito, o mero deslocamento de mercadorias acabadas de uma unidade para outra da mesma pessoa jurídica – operação em que inexiste qualquer contrato subjacente de transferência de propriedade do produto não se confunde com o serviço de frete na operação de venda. A estrutura do artigo 3º da Lei apresenta, a par de um dispositivo aberto que remete ao conceito de insumo (inciso II), um rol taxativo de hipóteses de creditamento que, em que pese não se enquadrarem no conceito de insumo, são, ainda assim, admitidos ao creditamento, de maneira a exigir uma interpretação restritiva nesses demais casos – e.g., aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos; edificações e benfeitorias em imóveis; vale Fl. 385DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 transporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção; e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Ainda, havendo previsão literal sobre as hipóteses de creditamento não se tratando, portanto, de ausência de disposição expressa (art. 108 da Lei nº 5.172, de 1966 – CTN) – penso incabível o uso de analogia no presente, ainda mais quando para fins de alargamento das hipóteses de creditamento legalmente elencadas, como sói ocorrer na tentativa de equiparar as despesas de transporte de mercadorias acabadas entre estabelecimentos da empresa ao serviço de frete na operação de venda. Também não há que se falar em crédito por conta do artigo 3º, II da Lei em estudo por também não se tratar aqui de frete na aquisição de insumos – hipótese em que o custo de transporte integraria o custo dos mesmos. Dessa forma, entendo, por ausência de dispositivo legal permissivo, não existir direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Conselheiro Presidente Fl. 386DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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