Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,954)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,944)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,301)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,525)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.009827/91-94
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 302-00.915
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Luis Antonio Flora
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199905
turma_s : Terceira Turma Superior
numero_processo_s : 10880.009827/91-94
conteudo_id_s : 5725773
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 302-00.915
nome_arquivo_s : Decisao_108800098279194.pdf
nome_relator_s : Luis Antonio Flora
nome_arquivo_pdf_s : 108800098279194_5725773.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
dt_sessao_tdt : Thu May 20 00:00:00 UTC 1999
id : 6765923
ano_sessao_s : 1999
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; xmp:CreatorTool: ScanPDFMaker 1.0; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-05-19T07:55:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; pdf:docinfo:custom:Protocol: usb; pdf:docinfo:creator_tool: ScanPDFMaker 1.0; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: false; Protocol: usb; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-05-19T07:55:40Z; created: 2017-05-19T07:55:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2017-05-19T07:55:40Z; pdf:docinfo:custom:DestinationAddress: /; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; TimeStamp: 2017/05/19 13:23:49.000; access_permission:can_print: true; DestinationAddress: /; producer: Samsung-M5370LX; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Samsung-M5370LX; pdf:docinfo:created: 2017-05-19T07:55:40Z; pdf:docinfo:custom:TimeStamp: 2017/05/19 13:23:49.000 | Conteúdo =>
_version_ : 1713049212458893312
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720479/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓ-LABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. DISTINÇÃO EFETIVA ENTRE AS VERBAS EM CONTRATO SOCIAL.
As remunerações por pró-labore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social.
O instrumento constitutivo da sociedade prevendo de forma certa ou determinável seu quantum, deve ser este o utilizado. Previsão expressa do valor referente ao pró-labore no Contrato Social. Fixada esta base, o que a ela exceder deve ser considerada remuneração oriunda da participação do sócio nos resultados.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AUFERIDA POR MEIO DE APLICAÇÃO DE PERCENTUAL REFERENTE A LUCRO PRESUMIDO PELA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA EMPRESA.
O valor que exceder ao pró-labore deve ser considerado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.249/95.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECÁLCULO. MP 449/2008. LEI 11.941/2009.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
A comparação das multas deverá ser realizada no momento do pagamento ou parcelamento do débito, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009.
Numero da decisão: 2202-003.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência, suscitada pelo Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja considerada como verba repassada a título de pró-labore mensal por sócio o valor disposto no Contrato Social, ou seja, o valor limite de isenção para o Imposto de Renda Pessoa Física à época dos fatos geradores, considerando como distribuição de lucros a parcela excedente a esse valor. Vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deu provimento integral ao recurso. Quanto à aplicação da multa, pelo voto de qualidade, aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte conforme Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/2009, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que reduziram a multa para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Foi designada a Conselheira Cecilia Dutra Pillar para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓ-LABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. DISTINÇÃO EFETIVA ENTRE AS VERBAS EM CONTRATO SOCIAL. As remunerações por pró-labore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. O instrumento constitutivo da sociedade prevendo de forma certa ou determinável seu quantum, deve ser este o utilizado. Previsão expressa do valor referente ao pró-labore no Contrato Social. Fixada esta base, o que a ela exceder deve ser considerada remuneração oriunda da participação do sócio nos resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AUFERIDA POR MEIO DE APLICAÇÃO DE PERCENTUAL REFERENTE A LUCRO PRESUMIDO PELA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA EMPRESA. O valor que exceder ao pró-labore deve ser considerado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.249/95. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECÁLCULO. MP 449/2008. LEI 11.941/2009. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991. A comparação das multas deverá ser realizada no momento do pagamento ou parcelamento do débito, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10140.720479/2010-33
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5737616
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.847
nome_arquivo_s : Decisao_10140720479201033.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 10140720479201033_5737616.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência, suscitada pelo Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja considerada como verba repassada a título de pró-labore mensal por sócio o valor disposto no Contrato Social, ou seja, o valor limite de isenção para o Imposto de Renda Pessoa Física à época dos fatos geradores, considerando como distribuição de lucros a parcela excedente a esse valor. Vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deu provimento integral ao recurso. Quanto à aplicação da multa, pelo voto de qualidade, aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte conforme Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/2009, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que reduziram a multa para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Foi designada a Conselheira Cecilia Dutra Pillar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
dt_sessao_tdt : Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6828624
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212465184768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2066; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 484 1 483 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.720479/201033 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.847 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SERVANGIO SERVIÇOS MÉDICOS S/S EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓLABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. DISTINÇÃO EFETIVA ENTRE AS VERBAS EM CONTRATO SOCIAL. As remunerações por prólabore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. O instrumento constitutivo da sociedade prevendo de forma certa ou determinável seu quantum, deve ser este o utilizado. Previsão expressa do valor referente ao prólabore no Contrato Social. Fixada esta base, o que a ela exceder deve ser considerada remuneração oriunda da participação do sócio nos resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AUFERIDA POR MEIO DE APLICAÇÃO DE PERCENTUAL REFERENTE A LUCRO PRESUMIDO PELA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA EMPRESA. O valor que exceder ao prólabore deve ser considerado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.249/95. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECÁLCULO. MP 449/2008. LEI 11.941/2009. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 79 /2 01 0- 33 Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 485 2 comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212/1991. A comparação das multas deverá ser realizada no momento do pagamento ou parcelamento do débito, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência, suscitada pelo Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja considerada como verba repassada a título de prólabore mensal por sócio o valor disposto no Contrato Social, ou seja, o valor limite de isenção para o Imposto de Renda Pessoa Física à época dos fatos geradores, considerando como distribuição de lucros a parcela excedente a esse valor. Vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deu provimento integral ao recurso. Quanto à aplicação da multa, pelo voto de qualidade, aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte conforme Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/2009, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que reduziram a multa para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Foi designada a Conselheira Cecilia Dutra Pillar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 486 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10140.720479/201033, em face do acórdão nº 0423.555, julgado pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da DRJ de origem: DO OBJETO Tratase do AIOA DEBCAD n.º 37.299.1637, lavrado pela auditora fiscal Márcia Kohara Severino, em face do sujeito passivo acima identificado. O crédito lançado e se refere às contribuições da empresa devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos seus sócios (contribuintes individuais) correspondentes à rubrica Contribuinte Individual segurado 11%. A empresa é constituída como sociedade simples (antiga sociedade civil) e presta serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada, mais especificamente, serviços médicos. Esse serviço é prestado pessoalmente por profissional médico. As receitas da empresa são obtidas através da força do trabalho de seus próprios sócios. Tudo, de acordo com o Relatório FiscalRefis. DA IMPUGNAÇÃO Assevera o contribuinte que não pode prevalecer o AIOP, aduzindo em síntese que: 1 Entendeu a Autoridade Fiscal que nos períodos mencionados, os sócios da Impugnante receberam valores que foram contabilizados como distribuição de lucros, quando, a seu ver, deveriam ser contabilizados como remuneração a título de pró labore, ensejando a incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos sócios (11%); 2 a improcedência das exações reside no fato de que os valores repassados aos sócios são, realmente, distribuição de lucros, e não remuneração a título de prólabore; 3 Por uma opção administrativa, os sócios da Impugnante entenderam que somente aqueles sócios administradores, diretamente envolvidos com questões administrativas e burocráticas da gestão da sociedade, tais como assinar contratos, movimentação bancária, pagamento de funcionários, dentre outros, perceberiam valores a título de prólabore, como remuneração ao tempo despendido a estas questões administrativas; Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 487 4 4 este status de sócioadministrador é rotativo, ou seja, os sócios se alternam nesta condição. 5 os creditamentos feitos pela Impugnante aos seus sócios a título de distribuição de lucro foram feitos em consonância com o seu contrato social, que permite a distribuição assimétrica dos lucros, conforme a produtividade de cada um; 6 a Autoridade Fiscal desconsiderou tais creditamentos a título de distribuição de lucro valendose de um argumento singelo. Não seria distribuição de lucro pelo fato de que os valores não encontram referência ao capital social, pois "não é factível uma distribuição de lucro de 5463% (em 2006) ou 5826% (em 2007) para cada R$ 1,00 investido". Há algum dispositivo normativo que limite o lucro que uma empresa possa obter proveniente de sua atividade econômica lícita? 7 a Impugnante é sociedade de médicos, todos profissionais extremamente qualificados, especialistas na complexa área da Angiologia e Cirurgia Vascular. Assim, é extremamente compreensível que seus serviços sejam remunerados de acordo com a sua complexidade e responsabilidade; 8 Devese ressaltar ainda que todo o serviço prestado pela Impugnante é realizado diretamente pelos seus sócios, o que reduz significativamente o custo com mãodeobra. 9 os serviços prestados pela Impugnante o são na forma pessoal, valendose da qualificação de seus sócios e das suas habilidades. Dessa forma, é irrazoável e desproporcional impor a impugnante que possua um capital social elevado para realizar suas atividades, de forma contrária a legislação tributária; 10 O que deve ser analisado é se realmente, esses valores contabilizados a título de distribuição de lucros o foram na conformidade da Lei; 11 da análise da escrita fiscal mantida pela Impugnante, em especial os Livros Diários n° 03 (2006), n° 04 (2007), n° contas 2808001, 2808002, constatase a regularidade da apuração do lucro, submetido ao tratamento tributário determinado pela legislação regente, de forma que não há nenhuma ilicitude neste creditamento de valores; 12 para sanar essa controvérsia impõese a realização de prova pericial na escrita contábil da Impugnante, com o objetivo de corroborar que seu resultado econômico traduziu a existência do lucro apurado, e que o mesmo foi submetido ao adequado tratamento tributário na conformidade da Lei; 13 a alínea "c" do inciso I do art. 195 da Constituição autoriza a União a instituir a contribuição social sobre o lucro das empresas, refletindo diretamente no tratamento tributário dispensado aos lucros distribuídos aos sócios das pessoas jurídicas; Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 488 5 14 toda a escrituração contábil da Impugnante, ao contrário do que foi colocado no relatório fiscal, estabelece na forma legal, a distinção entre tudo aquilo que foi remunerado a título de pró labore e o lucro distribuído proveniente do resultado do exercício. 15 não há nenhum dispositivo legal que obrigue as pessoas jurídicas a remunerarem seus sócios com valores a título de pró labore. Do Pedido 1 cancelamento do débito fiscal constantes nos Al 372991653, 372991645 e 372991637. 2 nos termos do art. 16, IV do Decreto 70235/72 a realização de prova pericial contábil na Escrita Fiscal da Impugnante, constantes nos Livros Diário 03 (2006), contas 2808001 – lucros acumulados, e conta 2808002 Lucros Distribuídos; Livro Diário 04(2007) contas 2808001 Lucros acumulados, e conta 2808002 Lucros Distribuídos. Formulase osseguintes quesitos: a | De acordo com a escrita fiscal apresentada, a Impugnante apresentou lucro nos anos de 2006,2007 e 2010? b I Em caso positivo, esse resultado obtido foi regularmente contabilizado, vale dizer, foram cumpridas as obrigações tributárias dele decorrentes c | O creditamento de valores a título de distribuição de lucro aos sócios foi feita em conformidade com os preceitos contábeis e com o disposto na legislação fiscal? 3 a juntada dos documentos em anexo e a produção de todos os meios de prova admitidas em Direito. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte apresentou recurso voluntário, consoante fls. 302/314 dos autos. Com a chegada dos autos no CARF, foi proferida a Resolução nº 2403 000.309 de fls. 460/473, o Conselheiro Relator Paulo Maurício Pinheiro Monteiro proferiu seu voto no sentido de converter em diligência o julgamento, a fim de aguardar o resultado do julgamento do Recurso Especial interposto pela PGFN em face da decisão da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção (Acórdão nº 2301002.814, de 16.05.2012), relativo ao conexo processo principal nº 10140.720480/201068, AIOP n° 37.299.1645. A diligência também apurará se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal. Em Resolução, o Cons. Relator elaborou o seguinte relatório, o qual adoto em parte por bem elucidar os fatos ocorridos após o julgamento da DRJ: [...] A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0423.555 4 ª Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 489 6 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campo Grande MS, fls. 267 a 277, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. SOCIEDADE SIMPLES A base de cálculo das contribuições relativas aos sócios da Sociedade Simples corresponde aos valores totais pagos ou creditados estes, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. INCONSTITUCIONALIDADE Impossibilidade de análise, por parte de órgãos administrativos de julgamento, acerca da inconstitucionalidade e da ilegalidade de dispositivos legais em vigor no ordenamento jurídico pátrio, por ser esta competência exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido [...] A empresa foi cientificada do Acórdão nº 0423.555 4 ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campo Grande MS conforme a Intimação nº 047/2011, recebida via Aviso de Recebimento – AR nº RM 082444839BR, em 12.04.2011. A tela do Sistema de Cobrança – CCADPRO juntada aos autos, indica para o AIOP nº 37.299.1637, as datas de ciência do Recurso em 12.04.2011 e a data de expiração do Recurso em 12.05.2011. Foi emitida Carta de Cobrança nº 074/2011, em 03.06.2011, em função de não ter sido interposto Recurso Voluntário e nem ter sido efetivado o pagamento relacionado ao processo n º 10140.720479/201033 e ao AIOP nº 37.299.1637, recebida pelo Aviso de Recebimento – AR nº RM 619690516BR, em 08.06.2011. Inconformada com o recebimento da Carta de Cobrança nº 074/2011, a Recorrente, em 15.06.2011, apresentou Requerimento para o recebimento do Recurso Voluntário referente ao presente processo 10140.720479/201033, alegando em relação ao Requerimento: Por equívoco foi emitida a Carta Cobrança n° 074/2011 por esta Delegacia da Receita Federal contra SERVANGIO SERVIÇOS Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 490 7 MÉDICOS S/S requerendo a regularização do saldo devedor em aberto dentro do prazo de 05 (cinco) dias. O equívoco se deve pelo fato de que há pendente de julgamento pelo Conselho Administrativo Recursos Fiscais CARF recurso voluntário interposto, tempestivamente, com fundamento no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72 c/c artigo 3, IV, Anexo II, do RICARF, contra os autos de infração n°s 37.299.1637, 37.299.1645 e 37.299.1653 oriundos do procedimento fiscal MPF n° 0140100.2010.00289 e, assim, decorrentes do mesmo suposto suporte fáticolegal. No citado Recurso Voluntário (REFERENTE EXPRESSAMENTE AO ACÓRDÃO N º 0423.556 – 4ª TURMA), cuja cópia segue em anexo, foi requerido expressamente que: "Diante de tudo que foi exposto, aliado aos doutos subsídios costumeiramente emanados deste Conselho,, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Recorrente, seja acolhido o presente recurso, cancelandose o débito fiscal constantes nos AI 372991653, 372991645 e 372991637. Em sede de primeiro grau administrativo, foi realizada apenas uma peça/petição para a impugnação aos Autos de Infração n°s 372991653, 372991645 e 372991637, aceita por esta Delegacia da Receita Federal, o que resta comprovada pelo julgamento desta defesa e a conseqüente lavratura dos acórdãos n°s 0423555 e 0423556. Assim, o contribuinte valendose da mesma prerrogativa e com o objetivo de prestigiar a efetividade do processo administrativo evitando tautologia e repetições desnecessárias valeuse de uma mesma petição recursal que mencionou expressamente todos os autos de infração contidos no MPF nº 0140100.2010.00289. Por um erro de digitação não foi mencionado na petição do Recurso Voluntário ao CARF (REFERENTE AO ACÓRDÃO N º 0423.556– 4ª TURMA), o número do processo 10140720479/201033, onde constou apenas o processo 10140720480/201068. Tal fato é autorizado pelo artigo 9, parágrafo 2o , do Decreto n° 70.235/72, que determina que os autos de infração e as notificações de lançamento formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (...) ANTE O EXPOSTO, a Contribuinte requer a esta Autoridade Fiscal que: a) reavalie o conteúdo da Carta de Cobrança n° 74/2011, eis que os Al's 37.299.1637, 37.299.1645 e 37.299.1653 oriundos do procedimento fiscal MPF n° 0140100.2010.00289 já foram Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 491 8 integrados e impugnados pelo Recurso Voluntário interposto tempestivamente pela Contribuinte. b) a manutenção da suspensão da exigibilidade do respectivo crédito tributário conforme a disposição legislativa a respeito. Outrossim, os argumentos aduzidos pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário interposto no processo 10140720480/201068,referente ao Acórdão nº 0423.556– 4ª TURMA, em apertada síntese: (i) Conforme a Fiscalização, nos períodos mencionados, os sócios da Recorrente receberam valores que foram contabilizados como distribuição de lucros, quando, a seu ver, deveriam ser contabilizados como remuneração a título de pró labore, ensejando a incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos sócios (11%); (ii) A improcedência das exações reside no fato de que os valores repassados aos sócios são, realmente, distribuição de lucros, e não remuneração a título de pró=labore; (iii) Com efeitos administrativos, os sócios da Recorrente entenderam que somente aqueles sócios administradores, diretamente envolvidos com questões administrativas e burocráticas da gestão da sociedade, tais como assinar contratos, movimentação bancária, pagamento de funcionários, dentre outros, perceberiam valores a título de prólabore, como remuneração ao tempo despendido a estas questões administrativas; (iv) O status de sócioadministrador é rotativo, ou seja, os sócios se alternam nesta condição. (v) Os créditos feitos pela Recorrente aos seus sócios a título de distribuição de lucro foram feitos em consonância com o seu contrato social, que permite a distribuição assimétrica dos lucros, conforme a produtividade de cada um; (vi) Os serviços prestados pela empresa o são na forma pessoal, valendose da qualificação de seus sócios e das suas habilidades. Dessa forma, é irrazoável e desproporcional impor a Recorrente que possua um capital social elevado para realizar suas atividades, de forma contrária a legislação tributária; Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, com a observação de que a própria unidade da RFB de jurisdição do contribuinte informa que, para fins de suspensão do crédito tributário para encaminhamento ao CARF, foi comandado no Sistema SICOB o evento "Apresentação de Recurso Tempestivo" com a data de 06/05/2011, tendo em vista que para esse evento o sistema não aceitaria a data real de 15/06/2011: Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 492 9 PROCESSO: 10140.720479/201033 INTERESSADO: SERVANGIO SERVICOS MEDICOS S/S DESTINO: SACATDRFCGEMS Apreciar e Assinar Documento DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Sr. Chefe , Cientificado da Carta Cobrança, fls. 287/290 (AR de fls.291) o contribuinte se manifestou em 15/06/2011, conforme documentos juntados às fls. 292/343, alegando que o Recurso Voluntário apresentado tempestivamente em 06/05/2011, e que fora juntado ao processo 10140.720480/201068 (referente ao Acórdão DRJ/CGE/MS nº 04.23.556) referiase também a Recurso para este processo, cujo Acórdão da DRJ/CGE foi o de nº 0423.555. Tendo em vista que o mesmo alegou também a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado, e para fins de suspensão do crédito tributário para encaminhamento ao CARF, foi comandado no Sistema SICOB o evento "Apresentação de Recurso Tempestivo" com a data de 06/05/2011, tendo em vista que para esse evento o sistema não aceitaria a data real de 15/06/2011, conforme fls. 345. No sistema SIEF foi informado o evento de Apresentação de Recurso Voluntário com a data de 15/06/2011.Proponho o encaminhamento ao CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DATA DE EMISSÃO : 20/06/2011 Aguardar Pronunciamento / SIMONE GRIGOLLI GULIM PROC FISCAL SACATDRECGEMS SACATDRFCGEMS MS CAMPO GRANDE DRF Em Sessão de Julgamento, esta Colenda Turma de Julgamento julgou pelo não conhecimento do Recurso Voluntário por intempestividade, conforme Ementa a do Acórdão 240301.156, de 13.03.2012: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO INTEMPESTIVO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER DO RECURSO, por intempestividade. Outrossim, o presente processo retorna para julgamento desta Colenda Turma de Julgamento em função da sentença proferida no Mandado de Segurança no.004700263.2012.4.01.3400 15 ª VARA FEDERAL TRF 1ª Região: Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 493 10 Portanto, se é certo que a Administração deve obedecer a formalismo, esse entendimento não pode gerar decisões desarrazoadas a ponto de desconsiderar impugnação expressa a determinado auto de infração, julgando somente os demais, relacionados na mesma peça recursal, referentes à mesma questão fáticojuridica. Ante o exposto, concedo a segurança para afastar a intempestividade e determinar que a autoridade impetrada aprecie a impugnação quanto ao AI AI 372991637. Custas pela União, em ressarcimento. Sem condenação em honorários, incabíveis na espécie (Súmulas 512/STF e 105/STJ). Recorro de ofício (CPC, art. 475, I). Subam os autos, oportunamente, ao eg. TRF/1ª Região. P.R.I. Brasília, 8 de fevereiro de 2013 João Luiz de Sousa Juiz Federal Titular da 15ª Vara Cível Anotase que a Apelação interposta pela União foi recebida apenas no efeito devolutivo, conforme consta de Ata do processo no.004700263.2012.4.01.3400. Recebo a(s) apelação(ões) do(a,s) UNIÃO FEDERAL no (_) duplo efeito (X) somente no efeito devolutivo. Ao(s) apelado(s) para contrarrazões. Após, subam os autos ao eg. TRF/ 1ª Região. Conforme o Despacho às fls. 458, a Unidade da RFB devolve o processo ao CARF: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM CAMPO GRANDE/MS SEÇÃO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO Processo: 10140.720479/201033 Interessado: SERVANGIO SERVIÇOS MEDICOS S/S CNPJ/CPF: 06.307.534/000141 Assunto: Auto de infração Senhor Conselheiro do CARF, Em atenção ao despacho de f. 456, do qual se extrai a conclusão de que se pretende aguardar o trânsito em julgado da ação mandamental para, de acordo com a decisão final, julgar o não o Recurso voluntário, e considerando que a autoridade impetrada na ação mandamental é o presidente do CARF (a quem compete efetivamente cumprir a ordem mandamental), ressalvado o entendimento particular desta unidade de que a Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 494 11 ausência de efeito suspensivo da apelação em mandado de segurança impõe o imediato julgamento do processo administrativo, restituímos o presente processo a esse conselho para que se manifeste acerca de condição que deve ser mantido o crédito tributário, com retorno de fase e suspensa a exigibilidade em razão do recurso administrativo ou mantido na condição de exigível. Campo Grande MS, 21 de fevereiro de 2014. A diligência fiscal foi realizada, sendo apresentado o seguinte relatório de diligência (fl. 476): "Em atenção à diligência determinada às páginas 460473, apresentamos as seguintes informações: 1) O Recurso Especial interposto no processo conexo n. 10140.720480/201068 encontrase pendente de julgamento, sendo que o andamento do processo pode ser verificado a qualquer instante, visto tratarse de eprocesso; 2) Não identificamos qualquer outra medida judicial que tenha por objeto o presente processo, ou a matéria nele tratada. Dar ciência ao contribuinte do resultado desta diligência para, querendo, apresentar manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, conforme previsto no parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7574/2011. Após, restituase ao CARF para julgamento." É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Este processo administrativo tem como objeto o AIOA DEBCAD n.º 37.299.1637, cujo crédito lançado se refere às contribuições da empresa devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos seus sócios (contribuintes individuais) correspondentes à rubrica contribuição patronal de 20% (DAD fls. 05/06) Verificase que no AI Debcad nº 37.299.1637 contém a contribuição patronal de 20% (DAD fls. 05/06), enquanto que o AI Debcad nº 37.299.1645 contém a contribuição pessoal dos contribuintes individuais, de 11% (DAD fls. 05/08, do processo nº 10140.720480/201068). Assim, nos autos do processo nº 10140.720480/201068, onde é objeto o Auto de Infração de nº 37.229.1645, lavrado em face de SERVANGIO SERVIÇOS MEDICOS S/S, em virtude de ter deixado a Recorrente de proceder com o regular Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 495 12 recolhimento das contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social referentes às contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos seus sócios (contribuintes individuais) correspondentes à rubrica Contribuinte Individual /11%. Ambos os Autos de Infração são oriundos do mesmo procedimento fiscal. Nos autos do processo nº 10140.720480/201068, foi proferido o acórdão CARF nº 2301002.814, da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da 2ª Seção de Julgamento, julgado na sessão de 16 de maio de 2012. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial em face deste acórdão, não sendo até o momento deste julgamento sido apreciado pela 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Coaduno integralmente com os fundamentos adotados quanto ao mérito pelo Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator do acórdão nº 2301002.814. Por tal razão, reproduzo seu voto em relação ao mérito, vejamos: "Da procedência em parte do lançamento Em seu Recurso, afirma a Recorrente serem indevidas as exações no presente processo discutidas, uma vez que os valores repassados aos sócios são, realmente, distribuição de lucros, e não remuneração a título de prólabore. É que, conforme se depreende das alegações dos autos, a Recorrente adota o tipo de organização societária conhecido como sociedade de pessoas, prestando serviços de alta complexidade, especializado, o que, consequentemente, torna compreensível que seus serviços sejam remunerados de acordo com a sua complexidade e responsabilidade. Afirma ainda que não há nenhum dispositivo legal que obrigue as pessoas jurídicas a remunerarem seus sócios com valores a título de prólabore. Ocorre que, a partir da análise dos autos, não há que se falar em total procedência no lançamento pelo Fisco realizado, vez que, consoante o a seguir demonstrado, a empresa Recorrente, em seu contrato social, procedeu com a discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, nos termos do inciso II, do §5º, do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. Destarte, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre os valores totais pagos ou creditados aos sócios. Na construção do raciocínio que embasará o presente julgamento, cabe, de início, trazer à tona o disposto no artigo 12 da Lei 8.212/91, o qual elenca as pessoas físicas que se revestem da condição de segurados obrigatórios da Previdência Social, a saber: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (.........) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (.......) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 496 13 sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Grifo meu) Por remuneração, entendese, via de regra, os valores que venham a integrar o saláriodecontribuição, isto é, “a expressão que quantifica a base de cálculo de contribuição previdenciária dos segurados da previdência social, configurando a tradução numérica do fato gerador”. (IBRAHIM, 2010). As verbas remuneratórias, portanto, integram o saláriodecontribuição, sendo este, inclusive, o expresso teor do inciso III do 28 da Lei 8.212/91, que dispõe: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Grifo meu) A partir dessa lição, portanto, concluise que o sócio que recebe remuneração é segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuinte individual, vez que as verbas por ele recebidas sob esta rubrica constituem base de cálculo de contribuição previdenciária, por integrarem o salário decontribuição. Para a resolução da controvérsia em análise, ou seja, a possibilidade de incidência, ou não, de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos sócios, é mister, de início, identificar quais as formas por meio das quais o sócio pode ser remunerado pelo seu trabalho em uma empresa. Nesse sentido, é válida a análise dos dispositivos legais no Decreto 3.048/99, Regulamento da Previdência Social, que, em seu artigo 201, §5º, inciso II estabelece: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (.......) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (Grifo meu) Tem o mesmo teor a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente à época, período de 01/2006 a 12/2007, a qual estabelecia, em relação à Sociedade Simples ,em seu artigo 71, §5º, o seguinte: Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 497 14 Art. 71. As bases de cálculo das contribuições sociais previdenciárias da empresa e do equiparado são as seguintes:(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) (........) 5º No caso de Sociedade Simples de prestação de serviços relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa em relação aos sócios contribuintes individuais terá como base de cálculo: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa, formalizada conforme disposto no inciso IV do caput e no § 4º, ambos do art. 60; II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. Pela leitura dos diplomas normativos em destaque, constatase duas formas de remuneração dos sócios, quais sejam: a remuneração decorrente do trabalho, ou pró labore e aquela proveniente do capital social, a qual, no caso ora em discussão, é paga por meio do procedimento de distribuição mensal dos lucros auferidos pela empresa, obedecido o critério da proporcionalidade na participação do capital social. Tais formas de remuneração devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. Tal distinção se presta a permitir que seja perscrutada a legalidade e pertinência dos valores, que devem ser condizentes com cada forma de remuneração. Partindo da premissa de que o plexo de significantes normativos do Direito Previdenciário não estipula um valor mínimo a título de prólabore, deve o instrumento constitutivo da sociedade prever de forma certa ou determinável seu quantum. Até porque, podem os sócios de uma sociedade simples quando da constituição da sociedade, decidirem por receber um prólabore mínimo equivalente a um salário mínimo mensal, paralelamente apostariam no sucesso da empresa e receberiam maiores valores a titulo de distribuição de lucros, atendendo assim no meu entendimento as acima mencionadas disposições legais. Além do mais, é válido destacar que a organização societária neste processo discutida apresenta características de sociedade de pessoas, nas quais “a realização do objeto social depende mais dos atributos individuais dos sócios que da contribuição material que eles dão”. (COELHO, 2010). Destarte, neste tipo societário, as qualidades subjetivas do sócio interferem diretamente na consecução do fim social, a qual depende, dentre outros fatores, da capacitação dos sócios para o negócio, do ânimo para o desempenho de atividades e do empenho e trabalho constantes de cada sócio para que seja efetivamente concretizado o objeto social. Trazendo essa importante premissa para a controvérsia nestes autos discutida, vêse que a Recorrente presta um serviço de alta complexidade, especializado, o que, Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 498 15 consequentemente, torna compreensível que seus serviços sejam remunerados de acordo com o seu empenho, responsabilidade e dedicação ao serviço. Resta, portanto, corroborado o argumento segundo o qual a realização do objeto social em uma sociedade de pessoas, no caso dos autos, uma dedicada à prestação de serviços médicos, estará diretamente ligada às qualidades pessoais dos sócios e ao empenho destes na execução de atividades. Além do mais, não se pode olvidar o fato de que, justamente por depender do empenho e das qualidades pessoais de cada sócio, pode ser que, em um determinado mês, a sociedade passe por um período de crise em virtude, por exemplo, da baixa demanda pelos serviços por ela prestados ou pela saída repentina de sócios prestadores de serviços. Tal conjuntura, muito provavelmente, acarretará em uma baixa no faturamento mensal, levando a sociedade a cortar gastos, restando prejudicado, assim, o pagamento de prólabore dos sócios remanescentes em valor igual ou superior à conjuntura anterior ao cenário de crise. Pela análise do Contrato Social juntado aos autos, verificase que a Recorrente estabeleceu, expressamente, uma remuneração a título de prólabore, conforme se depreende da cláusula nona do contrato social, que estabelece: 9ª Cláusula – PróLabore: Os sócios farão jus a uma retirada mensal a título de prólabore o valor correspondente até o limite de isenção da tabela de imposto de renda e a ser estabelecida em ata de reunião dos quotista (sic), os quais serão levadas a despesas da empresa. (Grifo meu) Quanto à distribuição dos lucros, vêse que também procedeu a Recorrente com a previsão expressa dessa forma de remuneração na cláusula sexta (DO EXERCÍCIO SOCIAL) do Contrato Social, tendo, posteriormente, confirmado essa política de resultados na Primeira Alteração Contratual, consoante o estabelecido em sua cláusula terceira, abaixo transcrita: 3ª Cláusula: Em 31 de dezembro de cada ano, serão levantados o balanço de resultado econômico e o balanço patrimonial. Os resultados serão partilhados entre os sócios na proporção de sua produção. Mediante balancetes especais os lucros poderão ser distribuídos em qualquer período do exercício. Os prejuízos serão mantidos em conta especial para compensação com lucros futuros. (Grifos meus) Restam, portanto, devidamente preenchidos os requisitos previstos no inciso II, do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social, de maneira que não há razões para que seja objeto de incidência de contribuição previdenciária o total de remunerações pagas ou creditadas aos sócios, vez que houve a distinção entre a remuneração decorrente do trabalho (prólabore) e proveniente do capital social. Em que pese o cenário acima, suficiente para atestar a cabal distinção nas formas de remuneração dos sócios pelos serviços prestados, é válido destacar, apenas a título de argumentação, que não pode a Administração Pública se perder em elucubrações obscuras acerca de qual seria o prólabore médio pago em sociedades de pessoas semelhantes às da Recorrente. Ora, tal tarefa não só extrapolaria o campo de discricionariedade típica de alguns atos administrativos, como também, se levada ao extremo, poderia afrontar os princípios da Legalidade, da Isonomia e da Impessoalidade, tão caros à Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 499 16 Administração e frutos do Estado Democrático de Direito, visto que, consoante o já afirmado, a legislação previdenciária não estabelece um valor máximo ou mínimo a referente à remuneração pelo trabalho despedido. Destarte, em virtude de tais premissas, não cabe à Administração a partir de perspectivas de mercado, cenário incerto, poroso e fluido, arbitrar qual seria a remuneração ideal a título de prólabore a ser paga em uma sociedade de pessoas. A Administração, portanto, deve permanecer numa posição de neutralidade em relação às pessoas privadas, sem discriminação nem favoritismo, razão pela qual o princípio da impessoalidade acaba por corresponder, no âmbito prático, a um desdobramento do princípio da isonomia. Somese a estes inexoráveis pressupostos o fato de que o Fiscal responsável pela lavratura originária do Auto de Infração neste processo discutido sequer especulou qual seria o valor médio de mercado a ser considerado como prólabore a ser pago aos sócios que realizam as atividades próprias da empresa Recorrente, o que, por si só, já inviabiliza qualquer discussão a respeito dessa matéria nesta esfera administrativa de julgamento. A questão nuclear que motivou a autuação foi, conforme se depreende claramente do Relatório Fiscal, a alta lucratividade da empresa. Fixada, portanto, a partir do expressamente disposto nos Atos Constitutivos da Empresa Recorrente, esta primeira premissa, isto é, a determinação do prólabore como valor correspondente até o limite de isenção da tabela de imposto de renda à época dos fatos geradores, o que a este limite exceder deve ser considerado remuneração oriunda da participação do sócio nos resultados, paga por meio da distribuição dos lucros auferidos pela empresa. Com esse posicionamento, busca este relator atender ao fim maior da legislação invocada, levando ao pé da letra o princípio da isonomia. Sobre esses valores não incide contribuição previdenciária, desde que a quantia distribuída esteja respaldada, por meio de sua contabilidade, em demonstração de resultado – DRE, mensal, corroborando a natureza de lucro superior a sua base de cálculo presumida. É este, inclusive, o teor da Solução de Consulta Número 46, formulada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em 24 de maio de 2010, publicada no DOU de 14.06.2010, cujo teor é o seguinte: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS. NÃO INCIDÊNCIA. O sócio cotista que receba pro labore é segurado obrigatório do RGPS, na qualidade de contribuinte individual, havendo incidência de contribuição previdenciária sobre o pro labore por ele recebido. Não incide a contribuição previdenciária sobre os lucros distribuídos aos sócios quando houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho (pro labore) e a proveniente do capital social (lucro) e tratarse de resultado já apurado por meio de demonstração do resultado do exercício.DRE. Estão abrangidos pela não incidência os lucros distribuídos aos sócios de forma desproporcional à sua participação no capital social, desde que tal distribuição esteja devidamente estipulada pelas partes no contrato social, em conformidade com a legislação societária. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 500 17 DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Nº 8.212/ 1991, art. 12, inc. V, alínea "f"; Decreto Nº 3.048/1999 Regulamento da Previdência Social RPS, art. 201, caput e §§ 1º e 5º, incs. I e II; Lei N° 10.406/2002, arts. 997, incs. IV e VII, 1.007, 1.008, 1.053 e 1.054. Seguindo a trilha desse raciocínio, no presente lançamento não foi objeto de contestação fiscal o descumprimento dessa exigência legal de demonstração contábil de lucro superior a sua base de cálculo, devendo pois ser presumido a adequação a esse requisito. Por fim, ressaltese, como dito, que a legislação previdenciária não regra o valor mínimo ou máximo a ser pago a título de prólabore, o que permite aos sócios adotarem políticas de gestão baseadas no resultado, para reduzir o valor da remuneração do trabalho, acreditando na remuneração do capital. No entanto, essa opção deve vir acompanhada dos requisitos legais, tais como segregação dos valores pagos, previsão contratual quanto ao prólabore, regramento da distribuição dos lucros e contabilidade ajustada, apta a dar suporte aos valores pagos. Nessa linha de coerência, ausentes tais instrumentos acessórios inafastáveis, despese a Recorrente do direito de optar pela forma de remuneração de seus sócios que melhor lhe atenda, sujeitandose ao arbitramento ora feito. Assim, considerandose o raciocínio ate então desenvolvido, como a contribuição ora discutida no presente lançamento referese à rubrica empresa, o valor que exceder ao salário mínimo por sócio, à época dos fatos geradores, deve ser considerado como distribuição de lucros." Deste modo, entendo que as remunerações por prólabore e participação nos resultados encontramse discriminadas, de maneira a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. Os normativos previdenciários não estipulam um valor mínimo a título de prólabore, devendo, assim, o instrumento constitutivo da sociedade prever de forma certa ou determinável seu quantum. Havendo, no caso em análise, previsão expressa do valor referente ao pró labore no Contrato Social (Cláusula 9ª: " Os sócios farão jus a uma retirada mensal a título de prólabore o valor correspondente até o limite de isenção da tabela de imposto de renda"), o que a ela exceder deve ser considerada remuneração oriunda da participação do sócio nos resultados. Deste modo, deve ser considerado como prólabore o valor correspondente até o limite de isenção da tabela de imposto de renda, nos termos do Contrato Social da sociedade. O valor excedente deve ser tratado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.249/95. Multa Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 501 18 Entendo que o pedido de aplicação de multa mais benéfica, por força de retroatividade benigna, pode ser realizado a qualquer tempo. Deste modo, passo a analisar tal questão. Na data da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais em questão, qualquer outro dispositivo que dispunha sobre normas punitivas aplicas à falta ou ao atraso do seu recolhimento, ou seja, não incidia sobre tais infrações multa de ofício. Assim, o atraso ou não pagamento das contribuições era punido única e exclusivamente pela multa de mora, cujo percentual variava segundo o momento do adimplemento. Somente há que se falar em aplicação de multa de ofício aos fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/08, a qual acrescentou a Lei nº 8.212/91 o art. 35A que prevê expressamente que nos casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previstas no art. 11 do mesmo diploma aplicarseá o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 multa de ofício de 75%, podendo esta ser majorada a 150% caso ocorram as hipóteses de qualificação. Desse modo, antes da edição da Medida Provisória nº 449/08, aos fatos geradores que ensejavam aplicação de penalidade pelo atraso ou pelo não pagamento das contribuições sociais aplicavase multa de mora em percentual que variava, conforme data do efetivo pagamento, de 24% a 100% (art. 35, II e III da Lei 8.212/91 com redação anterior à Lei nº 10.941/09); Após a Medida Provisória nº 449/08, nos termos do art. 61, a multa de mora é única e fixada em trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Evidente, portanto, que a norma construída a partir da edição da Medida Provisória nº 449/08 é mais benéfica ao contribuinte, pois está limitada ao percentual de 20%, devendo ser aplicado o disposto no art. 106, II, alínea "c", do CTN, que impõe a aplicação retroativa de lei que comina penalidade menos gravosa ao contribuinte. Deste modo, a multa de mora deve ficar limitada a 20%, nos termos da fundamentação. Conclusão. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito darlhe parcial provimento, para: i) que seja considerada como verba repassada a título de prólabore mensal por sócio o valor disposto no Contrato Social, ou seja, o valor limite de isenção para o Imposto de Renda Pessoa Física à época dos fatos geradores, considerando como distribuição de lucros a parcela excedente a esse valor; ii) reduzir a multa de mora para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 502 19 Conselheira Cecilia Dutra Pillar Redatora designada Multas Peço vênia para divergir do voto do Ilustre Relator, apenas no que pertine às multas incidentes sobre contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP e incluídas em lançamento fiscal, que é o caso dos autos. Verificase que na mesma ação fiscal foram lavrados três autos de infração: Debcad nº 37.299.1637 (Obrigação principal patronal), objeto deste processo; Debcad nº 37.299.1645 (Obrigação principal parte dos segurados), que está no processo nº 10140.720480/201068 e Debcad nº 37.299.1653 (por descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores em GFIP), que compõe o processo nº 10140.720481/2010 11. Nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. À época da ocorrência dos fatos geradores, as penalidades de multa estavam disciplinadas pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999, nos seguintes termos: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 503 20 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) setenta por cento, se houve parcelamento;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) (sem grifos no original) Observase que a legislação de regência remete os percentuais de multa ao momento do pagamento das obrigações previdenciárias em atraso, prevendo multas diferenciadas para pagamento espontâneo (inciso I), para pagamento de contribuições incluídas em Notificação Fiscal de Lançamento, ou seja, o lançamento de ofício, realizado pela Autoridade Fiscal (inciso II) ou pagamento de obrigações inscritas em dívida ativa (inciso III). Salientese que, apesar da denominação de "multa de mora" expressa no caput do artigo 35 em referência, concluise ser "de ofício" a natureza jurídica da multa aplicada sobre as contribuições inseridas em lançamento fiscal (prevista no inciso II). A Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe significativas alterações na sistemática das multas aplicáveis, dando nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 e incluindo o artigo 35A, que passaram a dispor: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Deste modo, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações não incluídas em notificação fiscal de lançamento (anteriormente prevista no art. 35, inciso I) passou a ser de Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 504 21 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/1991, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/1996. Por sua vez, para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, inciso II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que remete ao art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Notase que a multa decorrente do lançamento de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, é única, no importe de 75% e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento do tributo devido quanto a não declaração do tributo em GFIP, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. Até o advento das alterações promovidas pela MP 449/2008, os contribuintes submetidos a auditoria fiscal eram autuados tanto pela conduta do inadimplemento de contribuições (obrigação principal) quanto pela falta de declaração das contribuições devidas em GFIP (descumprimento de obrigação acessória). As multas por descumprimento de obrigação acessória (também constituídas em lançamento de ofício) aplicadas na vigência da legislação anterior sobre as infrações relativas à falta/inexatidão de declarações em GFIP, estavam previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/1991. Assim, com relação aos fatos geradores ocorridos até 11/2008, a verificação da penalidade mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, alínea "c", do CTN) deve considerar os tributos na forma como se encontram na data da comparação: (a) no caso em que o contribuinte incorreu em mora, ao efetuar o recolhimento em atraso espontaneamente, a penalidade original do art. 35, I, da Lei nº 8.212/1991 deve ser comparada à penalidade da nova redação do art. 35; (b) para as competências incluídas em lançamento de ofício, a multa por falta de pagamento do tributo (aplicada com base na antiga redação do art. 35, II da Lei nº 8.212/1991) também deve ser somada às multas por falta/inexatidão de GFIP (estipuladas na redação anterior do art. 32, §§ 4º, 5º, 6º, da Lei nº 8.212/1991), e o resultado deve ser comparado com a multa prevista no art. 35A, da Lei nº 8.212/1991, na redação atual, que conduz ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Este procedimento está disciplinado no art. 476A, da Instrução Normativa (IN) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 971/2009, acrescentado pela Instrução Normativa RFB nº 1.027/2010. Conforme se depreende do Relatório Fiscal do Auto de Infração nº Debcad nº 37.299.1653, quando da constituição dos créditos tributários, em 09/2010, foi observado o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, II, alínea "c", do CTN, pois a fiscalização procedeu à comparação das multas previstas na legislação de regência com as então vigentes. O comparativo das multas está demonstrado no Anexo IV do AI Debcad nº 37.299.1653, no processo nº 10140.720481/201011. Contudo, consoante o art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, DOU 08/12/2009, a análise definitiva da penalidade mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, ou caso Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202003.847 S2C2T2 Fl. 505 22 não haja regularização, no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), ocasião em que os lançamentos, se necessário, serão retificados. Isto porque a multa estabelecida no artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999 e aplicável à obrigação principal, varia em função da época em que venha a ocorrer o pagamento do crédito tributário. Nesse contexto, a tese esposada pelo i. Relator não prevalece pois este processo decorre de lançamento de ofício, não sendo aplicável a sistemática da multa para pagamento espontâneo. Ademais, pela análise dos autos, constatase que a aplicação da multa não foi questionada pelo sujeito passivo. Não tendo sido arguida tal matéria em sede recursal, e não se tratando de questão de ordem pública, entendo que não cabe a este colegiado conhecêla de ofício, sob pena de extrapolar os limites do recurso e incorrer em decisão ultra petita. Por todo o exposto, voto por manter as multas nos percentuais aplicados, devendo, quando da regularização dos créditos tributários, ser verificada a retroatividade benigna na forma da Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/2009. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Redatora designada Fl. 505DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.727404/2013-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF).O Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida no RE nº 595.838 (Acórdão publicado em 08/10/2014), declarou inconstitucional o dispositivo da nº Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho.
No caso deste lançamento, a tributação escudou-se exatamente no dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF).O Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida no RE nº 595.838 (Acórdão publicado em 08/10/2014), declarou inconstitucional o dispositivo da nº Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. No caso deste lançamento, a tributação escudou-se exatamente no dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15504.727404/2013-73
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5732676
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.848
nome_arquivo_s : Decisao_15504727404201373.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 15504727404201373_5732676.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
dt_sessao_tdt : Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6798166
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212506079232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1626; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.854 1 1.853 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.727404/201373 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.848 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF).O Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida no RE nº 595.838 (Acórdão publicado em 08/10/2014), declarou inconstitucional o dispositivo da nº Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. No caso deste lançamento, a tributação escudouse exatamente no dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 74 04 /2 01 3- 73 Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 15504.727404/201373 Acórdão n.º 2202003.848 S2C2T2 Fl. 1.855 2 Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração DEBCAD nº 51.041.6152, relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho e de saúde, não informados ou informados a menor nas guias de recolhimento do FGTS e na GFIP, no período de 01/2009 a 12/2010. O valor principal em exigência importa em R$ 4.819.392,91, acrescido de multa de ofício e mais juros de mora, calculados pela taxa Selic. No Relatório Fiscal (fl. 21), sustenta em síntese a Autoridade Fiscal autuante que: 2.1. Auto de Infração DEBCAD n° 51.041.6152, referente à contribuição previdenciária incidente sobre pagamentos efetuados às cooperativas de trabalho e de saúde não incluídos nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços e Informações à Previdência Social GFIP, nas competências 01/2009 a 12/2010, adiante descritas: a) Pagamentos à UNIMED BH referentes ao plano de saúde contratado para os associados da Caixa de Assistência dos Advogados de Minas Gerais, nas competências 01/2009 a 12/2010; b) Valores (diferenças) informados a menor nas GF1P relativos aos pagamentos efetuados às Cooperativas: SANCOP; COOPERATIVO; COMMEMGE e CRIAR. (...) Foi constatado que tais pagamentos não foram declarados em sua totalidade nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, das competências ... e que houve recolhimento parcial da contribuição previdenciária prevista no inciso IV do artigo 22 da Lei 8.212, de 24/07/91, in verbis ... Na folha 16, em "fundamentos legais das rubricas" (Contribuição das empresas em geral relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho), o Auditor Fiscal aponta como base para o lançamento a Lei n 8.212/1991, artigo 22, IV, com redação dada pela Lei n. 9.876, de 1999. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, que foi assim resumida pela DRJ em Juiz de Fora/MG (fl. 1833): A impugnação foi apresentada às folhas 1624 e seguintes, em 26/9/2013, por procuração, nos seguintes termos, em síntese: Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 15504.727404/201373 Acórdão n.º 2202003.848 S2C2T2 Fl. 1.856 3 Inicialmente, aduz inconstitucionalidade do art. 22, IV da Lei 8.212/1991 face ao art. 146, III, “a” da Constituição Federal, que determina a exigência de lei complementar para a matéria. Em seguida, alega que a impugnante não é tomadora dos serviços, mas mera intermediária, não obstante constar de sua contabilidade tais pagamentos. Salienta que existe processo judicial 2006.38.00.0050366 em grau de recurso no TRF 1ª Região, onde discute esse aspecto do lançamento. Tomador seria quem arca com o ônus dos serviços contratados. Questiona “se o usuário advogado do plano de saúde UNIMED intermediado pela Embargante fosse associado diretamente à UNIMED, se ocorreria a obrigação de pagar a contribuição de 15% que se alega devido”. Alega que a própria Unimed é a operadora e gestora do contrato, cabendo à ela inteira responsabilidade para contribuir para a previdência social. Afirma que da mesma maneira que à Unimed, a situação em relação à Cooperativa de Médicos e Especialidade Médica (Coopham) é também de mera repassadora. Quanto às demais cooperativas, afirma que a fundamentação legal é inconstitucional, posto que a lei a instituir a cobrança somente poderia ser complementar, o que não foi observado. Alega não existirem diferenças de declaração de bases de cálculo em GFIP para as cooperativas Sancop, Cooperativo, Commenge e Criar, tendo em vista a observância da legislação tributária da época. Informa que declarou em GFIP uma base de cálculo para cooperativas de trabalho de R$ 118.179,01 e que a auditoria fiscal apontou base devida de R$ 116.250,26. Assim, teria efetuado declaração a maior de R$ 1.928,75 em janeiro de 2009. Tal crédito não foi considerado no lançamento o que denota a necessidade de sua correção. A seguir, reclama da multa de 75% aplicada e da incidência dos juros Selic e também do arrolamento de bens e da representação fiscal para fins penais, elaborada pela Auditoria Fiscal. Requer a realização de diligências. Ao julgar a manifestação de inconformidade, entendeu, em resumo, a Autoridade Julgadora recorrida que: 1 o exame de inconstitucionalidade de lei em tese, pela autoridade administrativa, encontra óbices no artigo 59 do Decreto nº 7.574, de 2011; 2 – vêse entre os benefícios que concede aos seus associados (art. 17), assistência hospitalar, médico, odontológica, laboratorial e previdenciária (alínea “c”), realizada em dependências próprias ou por pessoas e entidades conveniadas. Assim, não há que se falar que é mera intermediária. A disponibilização desses serviços faz parte do objeto social da impugnante e nesse intuito, a impugnante contratou com cooperativas para fornecimento do serviço; Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 15504.727404/201373 Acórdão n.º 2202003.848 S2C2T2 Fl. 1.857 4 3 – ainda que não tenha trazido qualquer prova relativa à prestadora, a impugnante reconhece que há relacionamento entre a Coopham e estabelecimento filial seu, nominado Hospital Santo Ivo e que os valores relativos à prestação de serviços são repassados integralmente à cooperativa. Não se coaduna, portanto, a argumentação de ausência de vínculo entre a impugnante e a cooperativa. 4 reclama o impugnante de apuração incorreta da base de cálculo na competência 1/2009. A base de cálculo declarada é superior à encontrada pela auditoria fiscal que apurou a diferença com base na individualização dos pagamentos. Não nos é possível, no entanto, fazer a ilação pretendida pelo impugnante no sentido de haver um crédito com base na diferença a ser transportado para a competência seguinte uma vez que o valor declarado é de responsabilidade do sujeito passivo e foi efetuado nos termos em que mostrados. Para o reconhecimento do direito creditório seria necessário conjugar a declaração com um excesso de pagamento para os quais não há elementos presentemente para a análise. 5 multa foi aplicada foi nos termos do art. 35A da Lei 8.212/1991, incluída pela Lei 11.941/2009. O juros tem previsão no art. 35 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, e a insurgência quanto à lei em vigor esbarra no óbice já salientado anteriormente. 6 entendeu que falece competência ao órgão judicante para análise de razões contra arrolamentos. Também falece competência para deliberar sobre a representação fiscal para fins penais. Entendeu por prescindível a perícia pleiteada e votou pelo seu indeferimento, nos termos do art. 365, §2º do Decreto 7.574/2011. Deuse provimento parcial unicamente para que base de cálculo da competência 1/2009, do levantamento CPCooperativa Trabalho e Saúde, deve ser diminuída em R$ 1.586,89, o que corresponde a uma diminuição no crédito tributário devido na competência em R$ 238,03. Cientificado dessa decisão em 15/04/2014, conforme Aviso de Recebimento na fl. 1848, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/05/2014, conforme protocolo na folha 1853. Em sede de recurso, assim manifestase, em suma: a) a prova pericial é imprescindível e seu indeferimento constitui cerceamento do direito de defesa, sendo que existe documentação juntada aos autos que não foi analisada pela DRJ; b) o Acórdão recorrido deveria apreciar a questão sobre arrolamento de bens, não o fazendo existe cerceamento de defesa. Fala também da representação fiscal para fins penais; c) diz que o STF declarou, em 23/04/2014 a inconstitucionalidade da cobrança de contribuição social com base no inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, com repercussão geral reconhecida; d) defende que era mera intermediária no contrato de prestação de serviços entre os associados e a Unimed; e) não há que se falar em diferenças nas bases de cálculo declaradas em GFIP, pois foi observada a legislação pertinente; Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 15504.727404/201373 Acórdão n.º 2202003.848 S2C2T2 Fl. 1.858 5 f) a multa aplicada é extremamente rigorosa e são indevidos juros com base na taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é aquele existente na seqüência do processo digital, em meio magnético (arquivo .pdf). O contribuinte levanta preliminares e pede a anulação da decisão recorrida, para que, inclusive, se faça prova pericial de suas alegações. Entretanto, diz o § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria eventual declaração de nulidade, a autoridade não a pronunciará nem mandará repetir o feito. Portanto, deixo de apreciar essas preliminares de nulidade por cerceamento de defesa, em face da decisão de mérito a ser explanada a seguir. Em relação à medida constritiva denominada arrolamento de bens, entendo exatamente igual ao julgador de 1ª instância no sentido de faltar competência a este CARF para se manifestar sobre o assunto, que é de competência da Delegacia da Receita Federal de origem e não versa sobre "tributos" administrados pela RFB. Diz o artigo 1º do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). De acordo com a Instrução Normativa RFB nº 1.565, de 11 de maio de 2015: Art. 17. É facultado ao sujeito passivo apresentar recurso administrativo no processo de arrolamento de bens e direitos, no prazo de 10 (dez) dias contado da data da ciência da decisão recorrida, nos termos dos arts. 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.(destaquei) § 1º O recurso será apreciado pelo chefe da divisão, do serviço, da seção ou do núcleo competente para realizar as atividades de controle e cobrança do crédito tributário da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo que, se não o acatar, o encaminhará ao titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 15504.727404/201373 Acórdão n.º 2202003.848 S2C2T2 Fl. 1.859 6 Além disso, em relação à representação fiscal para fins penais, temos a matéria consubstanciada em súmula, de observância obrigatória neste julgamento, por força de disposição regimental interna: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. A seguir, vem o argumento da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV, do artigo 22, da Lei nº 8.212, de 1991. Esse argumento, que já fora declinado em sede de impugnação, não foi especificamente tratado pela DRJ porque "o exame de inconstitucionalidade de lei em tese, pela autoridade administrativa, encontra óbices no artigo 59 do Decreto nº 7.574, de 2011". Ocorre que após o Acórdão de 1ª instância, proferido em 19 de março de 2014, verificase que o Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento do RE 595.838, com repercussão geral reconhecida (Acórdão publicado em 08/10/2014), declarou inconstitucional o dispositivo da Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Vejamos: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 15504.727404/201373 Acórdão n.º 2202003.848 S2C2T2 Fl. 1.860 7 complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (sublinhei) Assim, devese observar as disposições do art. 62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Confirase o seguinte precedente, na jurisprudência recente deste CARF: Acórdão 2201003.228, de 15 de junho de 2016 COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). O Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida no RE nº 595.838 (Acórdão publicado em 08/10/2014), declarou inconstitucional o dispositivo da nº Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Em 09/03/2015, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu a Nota PGFN/CASTF nº 174/2015, solicitando a inclusão do tema relativo à inconstitucionalidade da contribuição previdenciária de serviços prestados por cooperados com intermédio de cooperativa de trabalho a cargo da empresa tomadora dos serviços (art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212, de 1991) na lista de dispensa de recorrer e contestar para fins de aplicação dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002. E, em 09/07/2015 emitiu a Nota PGFN/CRJ/Nº 604/2015, vinculando a RFB à conclusão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 15504.727404/201373 Acórdão n.º 2202003.848 S2C2T2 Fl. 1.861 8 Nesse sentido, a Solução de Consulta COSIT/RFB nº 152, de 17 de junho de 2015, publicada em 23/06/2015, assim dispôs em sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. EMENTA: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade, e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão, do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (...) Considerando que no lançamento que aqui se discute, como se pode verificar no Relatório Fiscal (fl. 22/3) e no Auto de Infração (fl. 16), a tributação escudouse exatamente no dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF, VOTO no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal em debate. Sendo assim, não há razão para se tratar sobre multa e juros aplicados. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 1861DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900420/2014-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/08/2011
NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.458
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/08/2011 NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13888.900420/2014-13
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5741732
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.458
nome_arquivo_s : Decisao_13888900420201413.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 13888900420201413_5741732.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6855102
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212514467840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1429; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.900420/201413 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.458 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de junho de 2017 Matéria DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FISCHER INDÚSTRIA MECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/08/2011 NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 04 20 /2 01 4- 13 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13888.900420/201413 Acórdão n.º 3302004.458 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação, não homologada em razão de o DARF informado na Dcomp ter sido utilizado para quitar outros débitos da recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, conforme despacho decisório constante nos autos. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que: 1. O despacho decisório é nulo, pois sem maiores esclarecimentos, indeferiu a compensação sem se dar ao trabalho de intimar a recorrente para esclarecer os fatos, considerando o pagamento indisponível, sem motivar o porquê da indisponibilidade, causando cerceamento de defesa por ausência de motivação; 2. O despacho deveria explicar o significado da expressão "disponibilidade do crédito", pois o que parece à recorrente é que se trata de encontro de contas entre o débito recolhido mediante DARF e o crédito declarado em DCTF; 3. No mérito, a recorrente defendeu que incluiu na base de cálculo do IPI não somente receitas de faturamento, mas também outras que não compuseram o faturamento, conforme teses abarcadas pelo STF sobre a ampliação do conceito de faturamento, tendo o pedido como base a declaração de inconstitucionalidade, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996; 4. Necessária a produção posterior de provas, uma vez que, de acordo com o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, não foi possível à recorrente entender a motivação do indeferimento do despacho, razão pela qual não produziu as provas na impugnação. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 14050.577. O fundamento adotado, em síntese, foi a inexistência de nulidade e a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas na impugnação, quanto à falta de motivação do despacho decisório, da decisão da DRJ, causando cerceamento de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.452, de Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13888.900420/201413 Acórdão n.º 3302004.458 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900063/201485, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.452): O recurso voluntário interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente alega apenas nulidades em seu recurso voluntário, nada referindo ao mérito, como fizera em manifestação de inconformidade. Concernente à nulidade do despacho, está claro que o indeferimento foi causado pela indisponibilidade do valor pleiteado pela recorrente, referente ao DARF de julho/2008 uma vez que fora utilizado no PA de julho/2008, conforme e fls. 38, não restando assim saldo disponível, restando evidente a motivação do indeferimento. Em manifestação, a recorrente alegou, no mérito, que se tratava de erro na base de cálculo do IPI, em razão de a tese do alargamento da base de cálculo ter sido declarada inconstitucional pelo STF. Inicialmente, esclareçase que a matéria de direito, superficialmente levantada pela recorrente em sua manifestação, se referia à PIS/Pasep e Cofins faturamento, pelo que se pode depreender, não se aplicando ao IPI, cujos fatos geradores estavam dispostos no artigo 341 do Decreto nº 4.544/2002 (vigente à época dos fatos) e não referiam a faturamento, mas a saídas dos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, e ao desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira. Quanto à alegação de nulidade da decisão da DRJ, não há reparos a se fazer na decisão que já havia exposto a motivação do despacho, acrescentando que caberia à recorrente a produção de prova de eventual pagamento indevido ou a maior que devido. O procedimento correto a ser tomado pela recorrente seria a retificação da DCTF, gerando assim um saldo credor, ou, na fase de manifestação de inconformidade, ter apresentado as provas de seu direito, como preceitua o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 e o artigo 333 da Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC) vigente à época dos fatos. Ocorre que a recorrente não se desincumbiu de tal ônus, restando não comprovadas suas alegações. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. 1 Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900420/201413 Acórdão n.º 3302004.458 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.003008/00-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2003
Ementa: Cerceamento ao Direito de Defesa - Não procede a preliminar de cerceamento ao direito de defesa quando intimado por várias vezes o contribuinte, não entrega documentos, dizendo possuí-los após o lançamento, mas nunca os tendo apresentado.
Arbitramento - Tem procedência o arbitramento decorrente de reiterada negativa do sujeito passivo em apresentar documentos ao Fisco.
Confisco - Não há que se argumentar com o mesmo quando a tributação incide sobre o lucro, com percentual de 15% ou mesmo 25%, ou ainda 30%.
Comissão - As concessionárias não são comissionadas, operam por conta e risco próprios
Numero da decisão: 101-94.194
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral nos itens trava 30% e coisa julgada.
Nome do relator: Celso Alves Feitosa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200305
ementa_s : Cerceamento ao Direito de Defesa - Não procede a preliminar de cerceamento ao direito de defesa quando intimado por várias vezes o contribuinte, não entrega documentos, dizendo possuí-los após o lançamento, mas nunca os tendo apresentado. Arbitramento - Tem procedência o arbitramento decorrente de reiterada negativa do sujeito passivo em apresentar documentos ao Fisco. Confisco - Não há que se argumentar com o mesmo quando a tributação incide sobre o lucro, com percentual de 15% ou mesmo 25%, ou ainda 30%. Comissão - As concessionárias não são comissionadas, operam por conta e risco próprios
turma_s : Primeira Câmara
numero_processo_s : 15374.003008/00-11
conteudo_id_s : 5727984
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 101-94.194
nome_arquivo_s : Decisao_153740030080011.pdf
nome_relator_s : Celso Alves Feitosa
nome_arquivo_pdf_s : 153740030080011_5727984.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral nos itens trava 30% e coisa julgada.
dt_sessao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2003
id : 6776107
ano_sessao_s : 2003
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-05-29T16:58:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: C:\Users\14675722172\Desktop\101.xps; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: 14675722172; dcterms:created: 2017-05-29T16:56:18Z; Last-Modified: 2017-05-29T16:58:38Z; dcterms:modified: 2017-05-29T16:58:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: C:\Users\14675722172\Desktop\101.xps; xmpMM:DocumentID: uuid:45e24681-46eb-11e7-0000-159786aaa94c; Last-Save-Date: 2017-05-29T16:58:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2017-05-29T16:58:38Z; meta:save-date: 2017-05-29T16:58:38Z; pdf:encrypted: false; dc:title: C:\Users\14675722172\Desktop\101.xps; modified: 2017-05-29T16:58:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 14675722172; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 14675722172; meta:author: 14675722172; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-05-29T16:56:18Z; created: 2017-05-29T16:56:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-05-29T16:56:18Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: 14675722172; producer: GPL Ghostscript 9.05; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 9.05; pdf:docinfo:created: 2017-05-29T16:56:18Z | Conteúdo =>
_version_ : 1713049212516564992
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905028/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES.
O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-003.642
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendo-os como pagamentos a maior.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10983.905028/2008-38
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5743087
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.642
nome_arquivo_s : Decisao_10983905028200838.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10983905028200838_5743087.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendo-os como pagamentos a maior. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6863590
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212517613568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.905028/200838 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401003.642 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente CENTRAIS ELETRICAS DE SANTA CATARINA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores. Recurso Voluntário Provido. Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendoos como pagamentos a maior. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 50 28 /2 00 8- 38 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10983.905028/200838 Acórdão n.º 3401003.642 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratase de Pedido de Compensação de crédito de contribuição para a PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) a não identificação do DARF está associada ao fato de que o recolhimento é uma consolidação das retenções na fonte relativas a quatro exações distintas (IRPJ, CSL, COFINS e PIS), e que a DCOMP, ao incluir os dados relativos ao DARF, segregou o valor retido referente a cada uma destas exações; (ii) não se utilizou das retenções para deduzilas das contribuições devidas relativas aos períodosbase a que se referem, porque só percebeu que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vinha efetuando tais retenções posteriormente; como já havia anteriormente adimplido as contribuições devidas relativas a estes períodosbase, só lhe restou a utilização daqueles valores retidos e não contemporaneamente deduzidos, para a compensação de débitos posteriores; (iii) está acobertado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, razão pela qual entende que o Despacho Decisório deve ser revisado, com a conseqüente homologação da compensação declarada. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade, em especial que a retenção é uma forma de pagamento, e afirmou, ainda, nunca ter utilizado o valor da retenção para fins de redução do saldo a pagar da Contribuição devida. Após encaminhamento e distribuição a este Conselho, resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, proferindo, assim, Resolução CARF para que a unidade local se pronunciasse acerca da existência de DCTF retificadora e sobre o seu acatamento ou não, bem como sobre a existência ou não de pagamento a maior realizado pela contribuinte. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10983.905028/200838 Acórdão n.º 3401003.642 S3C4T1 Fl. 4 3 A unidade, em resposta à diligência formulada, concluiu, em síntese, que verificouse a ilegitimidade ad causam da contribuinte; e que não foi verificada a existência de pagamento a maior no período de apuração analisado. O processo foi encaminhado a este Conselho, e resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter novamente o julgamento em diligência, proferindo, assim, Resolução CARF nº 3401000.599 para conceder prazo para a contribuinte sanar a irregularidade na sua representação processual, bem como se manifestar acerca da resposta formulada em sede de diligência. A unidade realizou nova resposta à diligência, na qual informa ter constatado "(...) a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 15.728,26(código 6147)1, a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/000182), ..., o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora", e reforçou o entendimento, na mesma oportunidade, de se tratar de crédito inidôneo para fins de compensação, por falta de amparo legal. Em manifestação sobre a diligência, a contribuinte apontou a informação prestada pela autoridade fiscal no sentido de que a empresa de fato teria deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo à PIS retido na fonte, no montante mencionado, e mencionou, ainda, que a diligência, ao defender que a retenção não pode ser considerada como uma modalidade de pagamento indevido, adentra inadvertidamente a matéria de mérito em momento inoportuno. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.637 de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10983.901975/200850, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.637): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10983.905028/200838 Acórdão n.º 3401003.642 S3C4T1 Fl. 5 4 A questão se resume (i) à comprovação, em primeiro lugar, da afirmação da contribuinte recorrente de que adimpliu as parcelas referentes à Cofins sem antes deduzir os respectivos valores retidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), bem como do quantum retido e não utilizado, e (ii) à resposta à indagação, em segundo lugar, sobre se as retenções na fonte podem ou não ser consideradas "pagamento indevido" ou a maior e, logo, se são ou não suscetíveis de compensação posterior. Quanto à primeira questão, destacamse, da segunda diligência efetuada, os seguintes trechos: "(...) a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 17.281,96 (código 6147), a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/000182), consoante o documento de fls. 146, o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora. (...) Em consulta aos Sistemas da RFB, notadamente o DIPJ, verificase que a recorrente teria, de fato, deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo ao PIS/PASEP retido na fonte, nos termos do art. 64, § 3º, da Lei nº 9430/1996, consoante se verifica da Ficha 19a,/Linha 20 – Cálculo do PIS/PASEP (junho/2001), extraído da DIPJ 2002 (entregue à RFB na data de 29/03/2007) – fls. 149" (seleção e grifos nossos). Entendemos que os obstáculos procedimentais, em especial aqueles relativos ao fato de não ter a contribuinte procedido à entrega de DCTF retificadora mencionado pela segunda diligência, possam ser plenamente superáveis caso se comprove a existência efetiva de valores recolhidos a maior, o que de todo modo foi feito por meio da diligência realizada, em conformidade com os trechos acima transcritos, restando, assim, comprovada a alegação de fato da contribuinte. Quanto à segunda questão, de maneira a melhor colocála, o que se discute no presente caso é se houve ou não o recolhimento a maior; neste sentido, descabe se aventar se o valor a ser restituído é proveniente da retenção, pois esta era devida: indevido foi o recolhimento por parte da contribuinte, que, por lapso, deixou de deduzir o valor retido. Assim, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/1996, acresce à fundamentação da contribuinte o fato de que todos os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal se sujeitam à incidência, na fonte do IRPJ, da CSL, da Cofins e do PIS/PASEP, sendo que o "valor retido" é, de um lado, nos termos do § 2º do dispositivo legal, levado a crédito da respectiva conta de receita da União Federal, e, de outro, nos termos do § 3º, é considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. Assim, assiste razão ao despacho decisório quando menciona que a contribuinte não observou a forma adequada para a realização da compensação, i.e., apontar como a origem do crédito o pagamento indevido, mas a retenção realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Tal inobservância, no entanto, merece ser superada uma vez constatada a existência do crédito, conforme apontado pela diligência efetuada. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10983.905028/200838 Acórdão n.º 3401003.642 S3C4T1 Fl. 6 5 Neste sentido, ademais, vem decidindo este Conselho, como no Acórdão CARF nº 3401002.805, proferido em sessão de 11/11/2014, de relatoria do Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, que julgou procedente, por unanimidade de votos, o recurso voluntário interposto pela mesma contribuinte do presente caso, em sessão da qual participaram, além do relator, os conselheiros Júlio César Alves Ramos (presidente), Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima, e cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 PIS. VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA. NÃO UTILIZAÇÃO PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. O valor referente à retenção na fonte do PIS por entidade pública e não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos. Não obstante, conforme também já decidido por este Conselho em inúmeros casos desta mesma contribuinte, fixase desde já, com a finalidade de se evitar a prorrogação indefinida deste contencioso, que a correção monetária dos valores a maior deverá ser calculada a partir do pagamento indevido, ou seja, jamais a partir do momento da retenção (devida), mas sim a partir do dies a quo do lapso do recolhimento sem a dedução realizado pela empresa, em conformidade com a ementa abaixo transcrita do Acórdão CARF nº 3401002.120, proferido em sessão de 31/01/2013, por unanimidade de votos, e de relatoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 20/08/2002 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. RETENÇÃO NA FONTE FEITA POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO LEGAL DO VALOR DEVIDO NÃO EXERCIDA. CARACTERIZAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO PAGAMENTO E NÃO DA RETENÇÃO. Caracterizase como “pagamento indevido ou a maior” a parcela correspondente ao valor da retenção na fonte feita por órgão publico sobre o valor das receitas auferidas, retenção essa que, por lapso da empresa que sofreu a retenção, deixou de ser utilizada na época correspondente para reduzir o valor da contribuição devida. De outra parte, a atualização monetária do valor reconhecido como pago a maior deve levar em conta a data do recolhimento/pagamento” da contribuição, e não a data em que houve a retenção. Recurso Voluntário Provido em Parte. Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito no valor de R$ 17.281,96, de modo a acolher os exatos e precisos termos, quanto à apuração dos esclarecimentos de fato, da diligência realizada, devendo ser a correção monetária realizada a partir do efetivo pagamento indevido, e não do momento da retenção." Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10983.905028/200838 Acórdão n.º 3401003.642 S3C4T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito no valor de R$ 15.728,26, de modo a acolher os exatos e precisos termos, quanto à apuração dos esclarecimentos de fato, da diligência realizada, devendo ser a correção monetária realizada a partir do efetivo pagamento indevido, e não do momento da retenção. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901329/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.482
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10925.901329/2012-63
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736085
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.482
nome_arquivo_s : Decisao_10925901329201263.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10925901329201263_5736085.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6817850
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212520759296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1496; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.901329/201263 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.482 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2017 Matéria DCOMP. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 13 29 /2 01 2- 63 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10925.901329/201263 Acórdão n.º 3301003.482 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.880. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10925.901329/201263 Acórdão n.º 3301003.482 S3C3T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10925.901329/201263 Acórdão n.º 3301003.482 S3C3T1 Fl. 5 4 Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000239/2005-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA jERíD1CA IRP.I
Exercício: 2003
EMBARGOS DE, DECLARAÇÃO CORREÇÃO NUI IDADE - CABIMENTO
Cabem embargos de declaração para corrigir nulidade existente no
julgamento de ecurso voluntário Esta Turma Especial é compente para julgai recursos que tenham por objeto débitos tributários dc valor que não exceda a R$ 1.000.000,00, conforme previsto no artigo 1 0, parágrafo 20, da Portaria MF ri 256, de 22,06.2009, combinado com o artigo 1" da Portaria MF n. 03, de 03.01 2008.
Numero da decisão: 1802-000.539
Decisão: ACORDAM os membros do colegiada por unanimidade de votos, acolher Os embargos de declaração, para anulai a decisão embargada em razão do valor de alçada deste colegiada nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: João Francisco Bianco
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA jERíD1CA IRP.I Exercício: 2003 EMBARGOS DE, DECLARAÇÃO CORREÇÃO NUI IDADE - CABIMENTO Cabem embargos de declaração para corrigir nulidade existente no julgamento de ecurso voluntário Esta Turma Especial é compente para julgai recursos que tenham por objeto débitos tributários dc valor que não exceda a R$ 1.000.000,00, conforme previsto no artigo 1 0, parágrafo 20, da Portaria MF ri 256, de 22,06.2009, combinado com o artigo 1" da Portaria MF n. 03, de 03.01 2008.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 14033.000239/2005-20
conteudo_id_s : 5742629
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.539
nome_arquivo_s : Decisao_14033000239200520.pdf
nome_relator_s : João Francisco Bianco
nome_arquivo_pdf_s : 14033000239200520_5742629.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiada por unanimidade de votos, acolher Os embargos de declaração, para anulai a decisão embargada em razão do valor de alçada deste colegiada nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
id : 6858586
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212524953600
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T10:28:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-15T10:28:58Z; Last-Modified: 2010-12-15T10:28:59Z; dcterms:modified: 2010-12-15T10:28:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c6531a7d-1029-4d2e-9d42-01caed3f6079; Last-Save-Date: 2010-12-15T10:28:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T10:28:59Z; meta:save-date: 2010-12-15T10:28:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-15T10:28:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-15T10:28:58Z; created: 2010-12-15T10:28:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-12-15T10:28:58Z; pdf:charsPerPage: 1509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-15T10:28:58Z | Conteúdo => 81-1 E02 F,1 44'4\11: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELII() ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SECA() DE RH ,GAM ENIO Processo n" 14033.000239/2005-20 Recurso n" 160.924 Embargos Acórdão n" 1802-00539 — r Turma Especial Sessão de 06 de julho de 2010 Matéria IRPI Embargante Centrai sl',1étricas Brasileiras S.A. Eletrobrás Interessado 4a Turma da DRI dc Brasilia AssuNio: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA jERíD1CA IRP.I Exercício: 2003 EMBARGOS DE, DECLARAÇÃO CORREÇÃO NUI IDADE - CABIMENTO Cabem embargos de declaração para corrigir nulidade existente no julgamento de ecurso voluntário Esta Turma Especial é compente para julgai recursos que tenham por objeto débitos tributários dc valor que não exceda a R$ 1.000.000,00, conforme previsto no artigo 1 0, parágrafo 20, da Portaria MF ri 256, de 22,06.2009, combinado com o artigo 1" da Portaria MF n. 03, de 03.01 2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiada por unanimidade de votos, acolher Os embargos de declaração, paia anulai a decisão embargada em razão do valor de alçada deste colegiada nos termos do rei a 1,Ofj o-e-v-Oi-o—que integram o pr es, jujgula. eíMlírqués I „irg rfé soug-ã-- 7\)(1'A ra.b.t Jay) Francisco Bianeo Relator EDITADO EM: b Ann Participaram, ainda, do csente julgamento, os Conselhoiros.Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma) .osé de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Ihánior, Nelso Kichel, idilbcrto Baptista (Suplente Convocado), João Francisco Bianco (Vice Pi esidentc de Tumia) Processo n' 14033 000239/2005-20 SI -1E02 Acórdão n° 1802-09539 H 2 Relatório Versam os presentes autos sobre declaração de compensação (tis 2) de saldo negativo de 1RPJ, apurado na DIPJ apresentada pela recorrente relativa ao ex.eicicio financeho de 2003, com débitos próprios. As autoridades fiscais, por meio do Despacho Decisório (fls. 197), homologaram parcialmente o pleito do contribuinte. Este, inconformado, apresentou manifestação de inconformidade (lis. 219). :Por seu turno, a DEU manteve o indeferimento do pleito (Os 315).. Inesignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (tis. 323), apreciado pela 8" lurma Especial do então 1" Conselho de Contribuintes, em sessão de 26.09.2009. Por intermédio do acórdão 1802-00.178 (lis, 341), a turma houve por bem negar provimento ao recurso, Inconformada, a recorrente interpõe recurso com natureza de embargos de declaração (11s. 348), aduzindo a nulidade do mencionado acórdão já que prolatado por autoridade supostamente incompetente. Com efeito, sustenta a embai gante que a turma julgadora em q uestão é competente pra julgar tão SOMelli o os recursos em processos de alçada inferior a R$] 000 000,00 (um milhão de reais), quando o valor em discussão no presente litígio ultntpassa em muito referido montante.. É o relatório. , 2 Proce:*:o 0" 14033 000239/2005-20 S1-1 E02 Acórdão n " 1802-00539 H 3 Voto Conselheiro João Francisco Bianco, .Relator O recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Passo a apreciá-lo A matéria aqui em discussão versa sobre declaração de compensação A reeoirerite pleiteou o reconhecimento de um crédito de saldo negativo de IR.P1 apurado na DIPJ, relativa ao ano-calendário de 2002, no valor de .R$ 122 283.919,50 (Os 195), e lequereu a sua compensação com débitos de IRPJ, CSIA Pis e Cotins no montante total de R$ 12.3.496,713,60 ((Is 192) O crédito foi integralmente reconhecido pela fiscalização. Mas a homologação da compensação foi apenas parcial, tendo em vista que os débitos foram extintos após a data de vencimento. Os débitos foram, portanto, compensados até o limite do valor do crédito reconhecido. O saldo dos débitos ainda em aberto não foi objeto de lançamento de oficio. A. .teconente recebeu diretamente carta/cobrança. (Os 346), exigindo o seu pagamento em 30 dias. Sustenta a ora embargante que o valor do débito em aberto é de R$ 14.906.072,06, e que esse montante supera cm muito o limite de alçada das turmas especiais, que é de R$ 1 000.000,00, conforme determina o artigo 1", pai ágrafo 2", da Portaria ME n. 256, de 22.06.2009, combinado com o artigo 1" da Portaria MF n. 03, de 03.01.2008.. Tem razão a embargante. Com efeito, por escusável lapso deste conselheiro relator, quando do ,.julgamento do recurso voluntário considerei ser a turma especial competente para apreciá-lo sob o fundamento de que a diferença entre o valor dos créditos reconhecidos e o montante dos débitos objeto da declaração de compensação era inferior a R$ 1.000.000,00. Vejo agora que mc enganei pois a diferença é de R$ 1 212,794,10, valor esse que é evidentemente superior ao nosso limite de alçada Diante de todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER Os embargos de declaração, para recon ecer a nulidade do acórdão n. 1802-00.178, de 26 08„2009 (Es 341) e determinar que os aut scÁm tri1aidos a uma turma ordinária desta i a Seção. • - 55. Rel, oão Francisco Bianco Processo I)" 14033 000239/20(15-20 SI- 11CO2 Acórdão n "1802-0053) Fl • 4 MIN I ST ÉR TO DA .FAll',NDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS IASCAIS sE,GuNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art 81, § 3 o , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portai ia Ministei ia! n" 256, de 2,2 de junho de 2009 Brasília, 09 de agosto de 2010 Mai ia Conceição de Sousa Rx.xidgues-'- Secretária da Câmara Ciência Data: Nome; Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: I' 11 apenas com ciência; com Recurso Especial; I ¡com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722116/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
PASEP. BASE DE CÁLCULO. FUNDEF/FUNDEB.
O Fundef/Fundeb não é entidade pública, mas um fundo contábil, de modo que as transferências para o fundo ou recebimentos do fundo não alteram o cálculo do Pasep, antes da Lei 12.810/2013.
PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES.
A base de cálculo legal do Pasep é constituída pelas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. As exclusões permitidas, antes da Lei 12.810/2013, são as bases de cálculo em que tenha havido retenção de PASEP na fonte e as bases de cálculo já tributadas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE.
As diretrizes constitucionais tributárias da vedação ao confisco são dirigidas ao legislador e ao controle jurisdicional de constitucionalidade. A multa de ofício, legalmente prevista, não pode ser afastada por consideração de inconstitucionalidade. Súmula Carf. Nº 2.
COMPENSAÇÃO E PARCELAMENTO. COMPETÊNCIA PARA RECEBER PEDIDOS.
A compensação e o parcelamento são institutos com forma, tempo e titularidade próprios, não cabendo ao Carf sobrepor-se aos regramentos próprios para admitir compensação ou parcelamento que não tenham atendidos aos regramentos pertinentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-002.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente substituto), José Luiz Feistauer de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisário, Mércia Helena Trajano Amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 PASEP. BASE DE CÁLCULO. FUNDEF/FUNDEB. O Fundef/Fundeb não é entidade pública, mas um fundo contábil, de modo que as transferências para o fundo ou recebimentos do fundo não alteram o cálculo do Pasep, antes da Lei 12.810/2013. PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. A base de cálculo legal do Pasep é constituída pelas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. As exclusões permitidas, antes da Lei 12.810/2013, são as bases de cálculo em que tenha havido retenção de PASEP na fonte e as bases de cálculo já tributadas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. As diretrizes constitucionais tributárias da vedação ao confisco são dirigidas ao legislador e ao controle jurisdicional de constitucionalidade. A multa de ofício, legalmente prevista, não pode ser afastada por consideração de inconstitucionalidade. Súmula Carf. Nº 2. COMPENSAÇÃO E PARCELAMENTO. COMPETÊNCIA PARA RECEBER PEDIDOS. A compensação e o parcelamento são institutos com forma, tempo e titularidade próprios, não cabendo ao Carf sobrepor-se aos regramentos próprios para admitir compensação ou parcelamento que não tenham atendidos aos regramentos pertinentes. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11516.722116/2014-13
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5729835
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.815
nome_arquivo_s : Decisao_11516722116201413.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11516722116201413_5729835.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira- Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente substituto), José Luiz Feistauer de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisário, Mércia Helena Trajano Amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6784927
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212528099328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 466 1 465 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.722116/201413 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.815 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2017 Matéria PASEP Recorrente MUNICÍPIO DE SÃO LUDGERO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010, 2011, 2012 PASEP. BASE DE CÁLCULO. FUNDEF/FUNDEB. O Fundef/Fundeb não é entidade pública, mas um fundo contábil, de modo que as transferências para o fundo ou recebimentos do fundo não alteram o cálculo do Pasep, antes da Lei 12.810/2013. PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. A base de cálculo legal do Pasep é constituída pelas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. As exclusões permitidas, antes da Lei 12.810/2013, são as bases de cálculo em que tenha havido retenção de PASEP na fonte e as bases de cálculo já tributadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. As diretrizes constitucionais tributárias da vedação ao confisco são dirigidas ao legislador e ao controle jurisdicional de constitucionalidade. A multa de ofício, legalmente prevista, não pode ser afastada por consideração de inconstitucionalidade. Súmula Carf. Nº 2. COMPENSAÇÃO E PARCELAMENTO. COMPETÊNCIA PARA RECEBER PEDIDOS. A compensação e o parcelamento são institutos com forma, tempo e titularidade próprios, não cabendo ao Carf sobreporse aos regramentos próprios para admitir compensação ou parcelamento que não tenham atendidos aos regramentos pertinentes. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 21 16 /2 01 4- 13 Fl. 466DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente substituto), José Luiz Feistauer de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisário, Mércia Helena Trajano Amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Auto de Infração de Pasep, no valor total original de R$ 546.856,97, relativo aos anos de 2010, 2011 e 2012. Informa o autuante (fl. 18): Dos mesmos Balancetes de Receita (ANEXO II), foram extraídos os valores das RECEITAS CORRENTES (inclui Transferências Correntes) e das TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL recebidas, que estão discriminados, por competência, na planilha “PASEP – BASE DE CÁLCULO”, constante do ANEXO III. A esses valores foram acrescidos os valores deduzidos pelo contribuinte a título do repasse ao FUNDEB (ANEXO IV) compondo a Base de Cálculo da contribuição destinada ao PASEP do MUNICÍPIO DE SÃO LUDGERO como consta no ANEXO III. Informa ainda que, dos valores apurados a pagar, foram deduzidos os valores retidos na fonte e valores confessados em DCTF. A Prefeitura apresentou impugnação (fls. 358 a 377), em que alega: Que a apuração fiscal teria sido feita em descordo com a legislação; Que o lançamento deveria ser declarado nulo, por incerteza e falta de liquidez, e ainda, falta de comprovação e descrição pormenorizada; Que na apuração fiscal não foram excluídos os valores previsto no §7º do art. 2º da Lei 9.715/98; apresenta cálculo que entende correto, solicitando perícia para confirmação; Fl. 467DF CARF MF Processo nº 11516.722116/201413 Acórdão n.º 3201002.815 S3C2T1 Fl. 467 3 Que também não foram excluídas as transferências a outras entidades públicas e consórcios e os valores retidos na fonte; Que os repasses ao Fundeb, que teriam sofrido retenção na fonte, não comporiam a base de cálculo do Pasep; que a base de cálculo do Pasep deveria ser composta pelo valores efetivamente recebidos do Fundeb; Que a multa de ofício seria abusiva e confiscatória, entendoa como inconstitucional; Pede perícia para verificação dos valores recolhidos; Pede que eventual crédito remanescente de Pasep seja compensado com GFIP vincendas. A DRJ/Rio de Janeiro/RJ, por meio do acórdão 1275.374, nega provimento à impugnação. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 NULIDADE Não se reconhece a nulidade de lançamento quando não verificado o alegado cerceamento de direito de defesa. PERÍCIA Indeferese pedido de perícia quando constatado ser a mesma totalmente prescindível. PASEP PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO BASE DE CÁLCULO A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é a totalidade das receitas correntes arrecadadas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas, e das transferências correntes e de capital recebidas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA DE OFÍCIO CARÁTER CONFISCATÓRIO Por expressa determinação legal, correta a incidência da multa de ofício sobre valores exigidos por meio de auto de infração. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO OU PARCELAMENTO Não compete às DRJ apreciar pedidos de compensação de crédito do contribuinte ou de parcelamento de crédito tributário. A recorreconte interpõe Recurso Voluntário, com os mesmos argumentos da impugnação. Acrescenta pedido de nulidade da decisão recorrida, ao argumento de falta de atendimento ou qualquer explicação acerca da perícia solicitada quanto às deduções de convênios, contratos de repasses ou instrumentos congêneres com objeto definido; Fl. 468DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo, e não havendo outros óbices, tomo conhecimento dele. Preliminar Preliminarmente, a recorrente pede a nulidade da decisão recorrido, por não ter atendido seu pedido de perícia, nem apresentado qualquer explicação acerca da negativa, relativamente a exclusões que entende pertinentes. A DRJ assim tratou da matéria (fl. 434): “Quanto ao pedido de perícia, é de se indeferir, visto que no presente processo não se verificam motivos que a justifiquem, pois todos os elementos necessários à apuração da base de cálculo encontramse nos autos, sendo a mesma totalmente prescindível nos termos do art. 18 e 28 do Decreto 70.235/72.” Devo concordar com esta decisão. É que a Lei 12.810/2013, que permitiu a exclusão das “transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido”, somente teve vigência a partir de maio de 2013, não atingindo, portanto, os fatos geradores do presente processo, 2010 a 2012. Verifico que as planilhas de cálculo apresentadas pela Prefeitura tratam como exclusões da base de cálculo do Pasep, além dos valores recebidos do Fundeb, também as Receitas de Capital a título de convênio, que, como tais, são tributáveis para os fatos geradores em tela. Verificase ainda que o auditorfiscal aponta que não houve transferências do Município para outras entidades públicas, o que não foi objetivamente contestado pela recorrente. Portanto, todos os elementos suficientes para decisão já se encontram juntados aos autos, e não haveria efetivamente necessidade de perícia, razão pela qual afasto a preliminar alegada. Mérito Primeiramente, assentaremos os contornos legais do Pasep. Substrato Contitucional, art. 239 da Constituição Federal; Art. 239. A arrecadação decorrente das contribuições para o Programa de Integração Social, criado pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, passa, a partir da promulgação desta Constituição, a financiar, nos termos que a lei dispuser, o programa do segurodesemprego e o abono de que trata o § 3º deste artigo. Fundamentos legais, LC 8/70, arts. 1º e 2º; Fl. 469DF CARF MF Processo nº 11516.722116/201413 Acórdão n.º 3201002.815 S3C2T1 Fl. 468 5 Art. 1º É instituído, na forma prevista nesta Lei Complementar, o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. Art. 2º A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes. II Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo da União e dos Estados através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Parágrafo único Não recairá, em nenhuma hipótese, sobre as transferências de que trata este artigo, mais de uma contribuição. Lei 9.715/98 art. 2º, III, art. 7º, art. 8º, III. Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) § 3o Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. (...) § 6o A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das Fl. 470DF CARF MF 6 transferências de que trata o inciso III. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 7o Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. (Incluído pela Lei nº 12.810, de 2013) (...) Art. 7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art. 8o A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Sujeito Passivo: Pessoas Jurídicas de Direito Público Interno; art. 2º, III da Lei 9.715/98; Pessoas Jurídicas de Direito Público Interno: União, Estados, DF, Municípios e entidades públicas criadas por lei (autarquias, fundações) – Código Civil art. 41; Base de Cálculo: Receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas; art. 2º, III, da Lei 9.715/98. Receitas correntes: São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. Art. 11, §1º, da Lei 4.320/64; Receitas de capital: em geral são receitas que não representam alteração no patrimônio do ente público, tais como obtenção de empréstimos, alienação de ativos. Transferências correntes: dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. Art. 12, §2º, Lei 4.320/64. Destinação para despesas correntes. Transferências de capital: dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar, independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo essas transferências auxílios ou contribuições, segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especial anterior, bem como as dotações para amortização da dívida pública. Art. 12, §6º, Lei 4.320/64; Fl. 471DF CARF MF Processo nº 11516.722116/201413 Acórdão n.º 3201002.815 S3C2T1 Fl. 469 7 Exclusões da base de cálculo: transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art. 7º, Lei 9.715/98; transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido, art. 2º, §7º, a partir da vigência da Lei 12.810/2013, 16/05/2013; Fl. 472DF CARF MF 8 Fl. 473DF CARF MF Processo nº 11516.722116/201413 Acórdão n.º 3201002.815 S3C2T1 Fl. 470 9 Fundeb: Fundo contábil para gestão programada de recursos para educação. Tem natureza contábil, não se constitui em entidade pública nem tem personalidade jurídica, cf. art. 1º, Lei 11.494/2007. Os recursos para formação do fundo advém, basicamente, dos recursos tributários pertinentes aos Estados e Municípios, arrecadados ou recebidos em transferência, à parcela de 20%. A União complementa o fundo cf. art. 4º da Lei 11.494/2007. Tais recursos são destinados à educação básica, na proporção dos alunos matriculados. Conforme Manual de Contabilidade Pública, 6ª edição, pág. 198, aprovado pela Portaria Conjunta STN/SOF nº 1, de 10 de dezembro de 2014 e Portaria STN nº 700, de 10 de dezembro de 2014, o Fundeb é contabilizado como dedução da Receita orçamentária, isto é, as transferências recebidas devem ser contabilizadas integralmente, e o repasse ao Fundeb, feito automaticamente pela STN, é contabilizado como dedução: “As receitas que compõem a base de cálculo do Fundeb (impostos e transferências constitucionais e legais) deverão ser registradas contabilmente pelos seus valores brutos (não líquidos dos valores destinados ao Fundeb), de acordo com o disposto no Capítulo 6 – Transações Sem Contraprestação da Parte II – Procedimentos Contábeis Patrimoniais (PCP) deste Manual. 1.4.2. Contabilização das Transferências ao Fundeb Os valores destinados à formação do Fundeb pelos estados, Distrito Federal e municípios deverão ser registrados patrimonialmente como variação patrimonial diminutiva (VPD) e orçamentariamente como dedução da receita orçamentária realizada. (...) O recebimento de recursos do Fundeb deverá ser registrado patrimonialmente como variação patrimonial aumentativa (VPA). Do ponto de vista orçamentário, deverá ser registrada a realização da receita orçamentária utilizandose as naturezas de receita “1724.01.00 – Transferência de Recursos do Fundeb” ou “1724.02.00 – Transferência de Recursos da Complementação da União ao Fundeb”, conforme o caso.” A Lei 9.715/98, art. 2º, II, define o fato gerador como as receitas correntes e transferências correntes e de capital recebidas. Portanto, no momento do recebimento das transferências já ocorre o fato gerador do PASEP. O recebimento de recursos do Fundeb (contas 1724.1 e 1724.2, de acordo com a contabilidade pública), embora seja classificado como receita corrente no plano de contas público, não se configura como base de cálculo do Pasep por já ter sido tributado por ocasião da transferência corrente recebida, a fim de evitar a bitributação. Inclusive os valores complementares alocados pela União (art. 4º da Lei 11.494/2009) (contas 1724.2) não compõem a base de cálculo do Pasep, no recebimento pelos Municípios. Nesse sentido entende a própria Receita Federal, por meio da Solução de Divergência 12/2011: Fl. 474DF CARF MF 10 “13.1. Logo, se conclui que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, ao receberem da União, repasses de valores complementares destinados ao FUNDEF/FUNDEB, efetuados com recursos oriundos das receitas correntes arrecadadas da própria União, não devem incluílos em suas respectivas bases de cálculos de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, porque como se afirmou anteriormente, referidos valores já foram submetidos à incidência da mencionada contribuição, pela União, quando da apuração de sua própria base de cálculo mensal, sem a exclusão do citados valores repassados complementarmente.” O fundamento da referida Solução de Divergência é que o repasse complementar da União ao Fundeb se configura como despesa, e não uma transferência arrecadada pertencente a outro ente federativo. Embora a referida Solução de Divergência não trate especificamente dos outros valores recebidos do Fundeb (contas 1724.1), o fundamento é o mesmo: quando do recebimento das transferências, foi destacado como despesa o valor repassado ao Fundeb, e como tal, não foi excluído da base de cálculo dos Municípios. Assim, por ocasião do recebimento dos recursos do Fundeb, tanto dos valores alocados pelos Estados e Municípios, quanto os valores alocados complementarmente pela União, não sofrem nova tributação. Portanto, somente podem ser excluídos da base de cálculo do Pasep as transferências correntes e de capital para outras entidades públicas, que por sua vez tributarão o valor recebido, e os recebimentos do Fundeb que já sofreram a tributação por ocasião da formação do Fundo. A partir de 16/05/2013, vigência da lei 12.810/2013, não compõem a base de cálculo do PASEP as transferências “decorrentes de convênio, contrato de repasse ou Fl. 475DF CARF MF Processo nº 11516.722116/201413 Acórdão n.º 3201002.815 S3C2T1 Fl. 471 11 instrumento congênere”. Sobre essa exclusão de base de cálculo, assim se manifestou o relator do Parecer nº 8/2013, da Comissão Mista que apreciou a Medida Provisória 579/2012, convertida na Lei 12.810/2013, Senador Romero Jucá: “Com relação ao PASEP, submetemos sugestão para alterar o art. 2º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, com o objetivo de excluir a incidência da alíquota de 1% sobre as receitas arrecadadas e as transferências recebidas, devida pelos Estados e Município, conforme dispõem os arts. 2º e 8º da Lei nº 9.715, de 1998, e a Lei Complementar nº 8, de 1970. Avaliamos que não se justifica tal gravame sobre transferências decorrentes de convênios com objeto específico, as quais meramente transitam pelo orçamento e pelo caixa do ente governamental recebedor, que imediatamente as aplicará no fim público definido.” A redação sugerida permaneceu na Lei 12.810/2013. Portanto, após a vigência da Lei 12.810/2013, a tributação se altera. Se os recursos com objeto próprio e sem gestão do Município não compõe a base de cálculo do Pasep, os repasses ao Fundeb, automáticos, entram nessa categoria, e passam a ser excluídos da base de cálculo do Pasep. Por outro lado, como houve esta exclusão, as receitas correntes correspondentes aos recebimentos do Fundeb (contas 1724), passam a compor a base de cálculo do Pasep, como receitas correntes geridas pelo Município. Fl. 476DF CARF MF 12 Em conclusão, antes da Lei 12.810/2013, os repasses para o Fundeb, como um fundo contábil, não alteram o cálculo do Pasep, e não podem ser excluídos ou adicionados à base de cálculo, exceto se tiverem sofrido retenção de PASEP na fonte, por parte da Secretaria do Tesouro Nacional. Os valores recebidos do Fundeb, inclusive a título de complementação da União (art. 4º da Lei 11.494/2007), também não compõem a base de cálculo do PASEP, porque já tributados na União ou nos Estados e Municípios, por ocasião das transferências de receitas próprias desses Entes. Receitas Previdenciárias – As receitas de contribuições previdenciárias, pagas pelos servidores para fins de constituição de regime próprio de previdência, constituem se em receitas correntes, e como tais, sujeitas à incidência do Pasep. Embora várias considerações acerca da constitucionalidade dessa incidência possam ser interpostas, não há previsão expressa de exclusão da base de cálculo do Pasep dessas receitas, antes da Lei 12.810/2013. O julgador administrativo não pode afastar a exigência legal, por considerações de inconstitucionalidade, cf. art. 26A do PAF. Alíquota : 1%, art. 8º, Lei 9.715/98; Retenção na Fonte: A STN deve efetuar retenção do PASEP sobre as transferências correntes da União para os Municípios. Art. 2º, §6º da Lei 9.715/98; Caso tenha havido, comprovadamente, retenção na fonte sobre os repasses ao Fundeb, esses repasses podem ser excluídos da base de cálculo do Pasep (Sol. Div. 12/2011), ou, alternativamente, e preferivelmente, os repasses são computados na base de cálculo e o valor devido de Pasep é deduzido pelo valor retido, o que é matematicamente equivalente. Analiso agora as peculiaridades do presente caso. Comparando as planilhas do auditorfiscal e as planilhas apresentadas pela Prefeitura, verifico que não há divergência quanto ao valor deduzido a título de DCTF. Os valores retidos apresentam pequenas diferenças, sendo de se aceitar os valores apurados pelo Fisco, porque foram obtidos dos extratos do Banco do Brasil, e porque a planilha da Prefeitura apenas calculou o valor que deveria ter sido retido, sem comprovar o que efetivamente foi retido. Além dessas deduções, a controvérsia restringese às exclusões relativas a convênio, e relativas ao Fundeb. O auditorfiscal adicionou às receitas correntes os valores deduzidos a título de repasse ao Fundeb, enquanto a Prefeitura exclui os valores recebidos do Fundeb. Quanto às exclusões relativas a convênio, conforme já visto em preliminar, essa parcela somente tem previsão legal para exclusão a partir da vigência da lei 12.810/2013, não atingindo os fatos geradores do presente processo. Entrentanto, em relação aos repasses ao Fundeb, assiste razão à recorrente. É que o auditorfiscal tomou como base de cálculo todas as receitas correntes, incluindo os recebimentos do Fundeb (contas 1724), que, como visto, não integram a base de cálculo do Pasep nos períodos em foco. Vejamos, para ilustrar, o mês de janeiro de 2010. A B C D E F G H Receitas tributárias 93.445,32 Receitas Correntes 1.267.488,20 Receita patrimonial 9.165,61 Fl. 477DF CARF MF Processo nº 11516.722116/201413 Acórdão n.º 3201002.815 S3C2T1 Fl. 472 13 Receitas de serviços 470,00 Outras receitas correntes 7.720,76 Transf. Estados 528.306,87 Transf. Multi (Rec. Fundeb) 172.365,40 Transf. Convênios 2.921,83 cota parte fpm 388.393,98 cota parte itr 130,90 Explo. Rec. Natur. 5.140,34 Transf. FNS 2.391,52 Transf. FNDE 16.388,77 Transf. ICMS deson 3.141,55 Outras Transf. União 37.505,35 453.092,41 Transferências correntes 1.156.686,51 Transferências da União 453.092,41 Soma Deduc Form Fundeb 0,00 Soma 1.267.488,20 1.156.686,51 453.092,41 A planilha acima nos mostra que na base de cálculo utilizada pelo auditor fiscal foram incluídos os recursos recebidos do Fundeb (contas 1724), o que é indevido. No caso da planilha acima, o valor é de R$ 172.365,40. Desse modo, devem ser excluídas das bases de cálculo os valores de recebimentos do Fundeb (contas 1724). Pedidos de suspensão A recorrente pede que os débitos do presente processo sejam suspensos. Tal pedido é desnecessário, porque todos os débitos que são objeto de lançamento e que estejam em julgamento administrativo permanecem com exigibilidade suspensa, por força do art. 33 do PAF1, sem que haja a necessidade de decisão para tanto. Pedido de compensação e parcelamento Os institutos da compensação entre tributos diferentes e do parcelamento possuem legislação e normatizações específicas, a exigirem forma, tempo e titularidade próprios. O Carf não pode se sobrepor a tais regramentos, o que poderia acarretar em alteração de direitos e deveres, tais como a decadência. A competência para receber os pedidos de 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 478DF CARF MF 14 compensação e parcelamento é das unidades da Receita Federal, conforme extensa legislação e normatização pertinentes. Multa de Ofício A recorrente alega que a multa de ofício seria abusiva e confiscatória, apresentando doutrina e jurisprudência nesse sentido. Ora, tal multa encontra explícita previsão legal no art. 44 da Lei 9.430/96, e, em sendo assim, não compete ao Carf afastar sua aplicação por considerações de inconstitucionalidade, conforme estabelecem o art. 26A do Paf2 e a Súmula Carf nº 23. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir das bases de cálculo do Pasep os recebimentos do Fundeb, contas 1724. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator 2 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 3 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 479DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.002157/2002-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO CLASSIFICADO COMO NT. SÚMULA CARF Nº 20.
O produto final classificado como NT não desfruta do direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996 posto que condiciona o incentivo a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-002.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, que dava provimento. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Júlio César Alves Ramos, que votaram pelas conclusões, farão declaração de voto. Os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos acompanharam as conclusões do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López acompanharam as conclusões do Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO CLASSIFICADO COMO NT. SÚMULA CARF Nº 20. O produto final classificado como NT não desfruta do direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996 posto que condiciona o incentivo a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10660.002157/2002-20
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5721917
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-002.173
nome_arquivo_s : Decisao_10660002157200220.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10660002157200220_5721917.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, que dava provimento. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Júlio César Alves Ramos, que votaram pelas conclusões, farão declaração de voto. Os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos acompanharam as conclusões do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López acompanharam as conclusões do Conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
id : 6755088
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212580528128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1897; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 221 1 220 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10660.002157/200220 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.173 – 3ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2012 Matéria IPI PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente COOPERATIVA DOS CAFEICULTORES DE TRÊS PONTAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO CLASSIFICADO COMO NT. SÚMULA CARF Nº 20. O produto final classificado como NT não desfruta do direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996 posto que condiciona o incentivo a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, que dava provimento. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Júlio César Alves Ramos, que votaram pelas conclusões, farão declaração de voto. Os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos acompanharam as conclusões do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López acompanharam as conclusões do Conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 21 57 /2 00 2- 20 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10660.002157/200220 Acórdão n.º 9303002.173 CSRFT3 Fl. 222 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Em Recurso Especial de fls. 165/186, recebido pelo despacho de fl. 202/203, insurgese a contribuinte contra o acórdão de fls. 151/160, que, pelo voto de qualidade, manteve a decisão recorrida para indeferir o pedido de restituição relativamente ao crédito presumido de IPI, sob fundamento de que não há fruição do direito creditório quando o produto exportado for anotado na TIPI como “NT” (não tributado). O acórdão guerreado traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Não se considera produtor, para fins fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com anotação NT. A condição sine qua non para a fruição do crédito presumido de IPI é ser, para efeitos legais, produtor de produtos industrializados destinados ao exterior. Recurso voluntário negado.” Aduz a Recorrente que o direito ao crédito presumido de IPI não guarda relação com o produto ser tributado pelo IPI, e sim, com o fato dele passar por processo produtivo. Transcreve às fls. 172/177 trecho de acórdão paradigmático que deferiu pleito de restituição de crédito presumido de IPI em pedido envolvendo produto tido como NT na tabela TIPI, considerando que a classificação do produto não guarda relação com a concessão do crédito. Cita à fl. 177 o art. 1º da Lei nº 9.363/96, resultado da conversão da MP nº 948/1995, que dispõe que: “A empresa produtora exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produto Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo(...)" Segue transcrevendo ementas de julgados favoráveis à tese trazida às fls. 180/183. Por fim, pede que o acórdão recorrido seja reformado para permitir a fruição do crédito presumido de IPI sobre o produto exportado classificado na TIPI como NT. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10660.002157/200220 Acórdão n.º 9303002.173 CSRFT3 Fl. 223 3 Contrarrazões às fls. 206/216. Preliminarmente, a Fazenda Nacional mina o conhecimento do Recurso Especial lastreandose no art. 7º, § 3º, do Regimento Interno, que é explícito ao não permitir seguimento aos Recursos que versem sobre matéria cujo entendimento foi convertido em Súmula por este Conselho, como é o caso da discussão sobre o crédito presumido de IPI sobre os produtos NT. Ultrapassada a questão preliminar, no mérito, pugna pela mantença do acórdão recorrido, argumentando que é imprescindível que o produto a ser exportado seja internamente tributado pelo IPI para que a Contribuinte faça jus ao crédito em questão. Transcreve, inclusive, art. 2º da Lei nº 9.363/96, que permite a compensação do crédito presumido com o Imposto sobre Produtos Industrializados. Adiciona ementas deste Conselho à fl. 215 cujo acórdão não permitiu direito ao crédito presumido de IPI em se tratando de exportação de produto NT. Finalmente, pede mantença do acórdão recorrido para indeferir definitivamente o pedido de restituição. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator ad hoc Por intermédio do despacho de fl. 220, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais de formalizar o presente acórdão. Ressaltese que o Relator original disponibilizou à secretaria da Câmara Superior de Recursos Fiscais o relatório e a ementa acima transcritos, bem como o voto que será aqui igualmente aproveitado. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Desta forma, adotase o voto entregue pelo Relator original, Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, vazado nos seguintes termos: O Recurso está dotado de condições para admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão trazida cingese a pleitear direito ao crédito presumido de IPI sobre produto final classificado como Não Tributado na Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Apreciando a questão preliminar contida nas Contrarrazões ofertadas pela Fazenda Nacional, lastreada no art. 7º, § 3º, do antigo Regimento Interno, atual art. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10660.002157/200220 Acórdão n.º 9303002.173 CSRFT3 Fl. 224 4 67, § 2º, entendo assistir razão à Fazenda Nacional, neste caso, porque sumulado, verbis: “Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Por essas razões, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte para manter incólume a decisão recorrida, pois a matéria em discussão possui entendimento sumulado por este Conselho. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Declaração de Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres Julguei necessário reafirmar os motivos pelos quais dei provimento ao recurso da Fazenda, já que, acredito seja bem sabido, não partilho a conclusão do dr. Francisco quanto à aplicabilidade da Súmula CARF nº 20. É que ela, a meu sentir, apenas disciplina a figura do crédito básico de IPI, isto é, aquele proveniente da sistemática da não cumulatividade, o que pode ser comprovado pela leitura das decisões que a instruem. De todo modo, sempre entendi, e não mudei de opinião, ser impossível o aproveitamento do incentivo criado pela Lei 9.363/96 por aqueles que exportem produtos não tributados pelo IPI. Essa minha posição já foi externada em diversos julgados, a exemplo do seguinte1 A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora 1 Acórdão nº 202.16.066 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10660.002157/200220 Acórdão n.º 9303002.173 CSRFT3 Fl. 225 5 desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10660.002157/200220 Acórdão n.º 9303002.173 CSRFT3 Fl. 226 6 Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Conselheiro Júlio César Alves Ramos Também entendi recomendável deixar expressas as razões pelas quais votei por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional embora também não considere aplicável a Súmula mencionada pelo i. relator. E essa necessidade avulta, pois tampouco partilho a posição do i. presidente Henrique, que nega todo e qualquer creditamento, a título do incentivo criado pela Lei 9.363/96, quando o produto exportado seja NT. Em diversos outros julgamentos de que participei, inclusive aqui na Câmara Superior, já tive oportunidade de expressar essa minha posição menos restritiva. Peço vênia, por isso, para apenas reproduzir voto proferido em uma dessas oportunidades, em que também se discutia o mesmo produto exportado: Entendo não assisitir razão à recorrente. É que, como ela mesma reconhece, a lei instituidora do benefício exigiu a ocorrência de produção. De fato, o seu art. 1º apenas o confere a quem seja empresa produtora e exportadora. Confirase: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Mas, diferentemente do que ela afirma, a mesma Lei estabelece sim o que seja “produção” para esses efeitos, remetendo o intérprete e aplicador do direito às disposições da “legislação” do IPI. Tratase, como se sabe, do parágrafo único do art. 3º a seguir transcrito: Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10660.002157/200220 Acórdão n.º 9303002.173 CSRFT3 Fl. 227 7 Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Com isso, pareceme fora de qualquer discussão que o beneficiário do instituto criado em 1996 tem de ser um estabelecimento produtor na forma do que preceitua a legislação do imposto. Como o próprio contribuinte afirma, nas palavras de Ulhôa Conta, não há necessidade de interpretar esse comando: ele é, por si só, cristalino. Ora, a legislação do IPI referida na norma tem como âncora a Lei nº 4.502 que, desde 1964, define o que seja produção para efeitos do IPI em seu art. 3º ART.3 Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto. III o preparo de medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica. * Inciso III acrescido pelo DecretoLei n. 1.199, de 27/12/1971. IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. * Inciso IV acrescido pela Lei n. 9.493, de 10/09/1997 (DOU de 11/09/1997, em vigor desde a publicação). Mas nesse conceito original, cabia sim interpretar o alcance das expressões “alterar o acabamento ou a apresentação do produto”. Os diversos decretos que aprovaram regulamentos do IPI (RIPI) delimitaram o alcance das expressões contidas na lei ao definir, com precisão, cinco modalidades de industrialização. No período das exportações promovidas pela recorrente, o que vigia era ainda o RIPI baixado pelo decreto de nº 87.981, em 1982. Seu art. 4º assim regulamentava a definição de industrialização (disposição repetida em todos os regulamentos posteriores): Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10660.002157/200220 Acórdão n.º 9303002.173 CSRFT3 Fl. 228 8 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Como se observa, a regulamentação, embora aprofundasse o alcance das expressões originais, ainda deixava aberto o campo de interpretação quanto aos limites das alterações que devem ser promovidas pelo “produtor” sobre o produto para que se configure uma industrialização. Por esse motivo, esta Câmara, por maioria, tem entendido possível ao contribuinte demonstrar o cumprimento dos requisitos previstos nesse dispositivo para enquadrarse como “produtor”, ainda que o seu produto esteja indicado na TIPI como NT. Dentre as modalidades ali definidas – ressalvese que de modo exemplificativo – duas parecem cogitáveis ao caso concreto: o beneficiamento e o acondicionamento. É também por esse motivo que se firmou o entendimento de que não cabe excluir a receita de exportação de produtos NT do total daquela receita que integra o numerador da relação utilizada para apurar a base de cálculo (receita de exportação sobre receita total). Assim, caso deferido o benefício, caberia também a revisão desse critério adotado pela fiscalização. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10660.002157/200220 Acórdão n.º 9303002.173 CSRFT3 Fl. 229 9 Divirjo desse entendimento, embora deixando registrado que não concordo com o simples argumento de que basta o produto ser NT na TIPI para que o benefício se torne incogitável. Cumpre esclarecer esse meu posicionamento. É que entendo que aquela tabela, igualmente baixada por meio de decreto regulamentar expedido pela Presidência da República, vem exatamente para impedir interpretações divergentes, no âmbito administrativo, acerca do que seja industrialização para efeito do IPI. Nesse sentido, vale transcrever as felizes lições do saudoso mestre Hely Lopes Meirelles2, acerca do alcance e vinculação dos decretos regulamentares: Decretos, em sentido próprio e restrito, são atos administrativos da competência exclusiva dos chefes do Executivo, destinados a prover situações gerais ou individuais, abstratamente previstas de modo expresso, explícito ou implícito pela legislação. Comumente, o decreto é normativo e geral, constituindo exceção o decreto individual. Como ato administrativo, o decreto está sempre em situação inferior à da lei, e, por isso mesmo, não a pode contrariar. O decreto geral tem, entretanto, a mesma normatividade da lei, desde que não ultrapasse a alçada regulamentar de que dispõe o Executivo. O nosso ordenamento administrativo admite duas modalidades de decreto geral (normativo): o independente ou autônomo e o regulamentar ou de execução. Decreto regulamentar ou de execução é o que visa a explicar a lei e facilitar a sua execução, aclarando seus mandamentos e orientando sua aplicação. Tal decreto comumente aprova, em texto à parte, o regulamento a que se refere. Regulamentos são atos administrativos, postos em vigência por decreto, para especificar os mandamentos da lei, ou prover situações ainda não disciplinadas por lei. Desta conceituação ressaltam os caracteres marcantes do regulamento: ato administrativo (e não legislativo): ato explicativo ou supletivo da lei; ato hierarquicamente inferior à lei; ato de eficácia externa. Idêntico posicionamento (salvo quanto à possibilidade dos chamados decretos autônomos) adota outro de nossos mais celebrados administrativistas, o Professor Celso Antônio Bandeira de Mello3, para quem o princípio da legalidade ínsito no art. 84, IV da Lei Maior impõe “que mesmo os atos mais conspícuos do Chefe do Poder Executivo, isto é, os decretos, inclusive quando expedem regulamentos, só podem ser produzidos para ensejar execução fiel da lei. Ou seja: pressupõem sempre uma dada lei da qual sejam os fiéis executores”. Definindo, na mesma obra, o que seja essa “fiel 2 MEIRELES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 2004, p. 181. 3 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso De Direito Administrativo. 17ª Ed. São Paulo, Malheiros, 2004, p. 94. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10660.002157/200220 Acórdão n.º 9303002.173 CSRFT3 Fl. 230 10 execução”, ensina, com a característica clareza (op.cit., p. 330) : “Ditos regulamentos cumprem a imprescindível função de, balizando o comportamento dos múltiplos órgãos e agentes aos quais incumbe fazer observar a lei, de um lado, oferecer segurança jurídica aos administrados sobre o que deve ser considerado proibido ou exigido pela lei (e ipso facto, excluído da livre autonomia da vontade), e, de outro lado, garantir aplicação isonômica da lei,pois, se não existisse esta normação infralegal, alguns servidores públicos, em um dado caso, entenderiam perigosa, insalubre ou insegura dada situação, ao passo que outros, em casos iguais, dispensariam soluções diferentes”. E mais adiante referindose à vinculação dos regulamentos (op. Cit. pp. 331 a 332): “É bem de ver que as disposições regulamentares a que ora se está aludindo presumem, sempre e necessariamente, uma interpretação da lei aplicanda... ....A respeito destes regulamentos cabem importantes acotações. A primeira delas é a de que interpretar a lei todos fazem – tanto a Administração, para imporlhe a obediência, quanto o administrado, para ajustar seu comportamento ao que nela esteja determinado – mas, só o Poder Judiciário realiza, caso a caso, a interpretação reconhecida como a ‘verdadeira’, a ‘certa’ juridicamente. Seguese que, em juízo, poderá, no interesse do administrado, ser fixada interpretação da lei distinta da que resultava de algum regulamento. De outra parte, entretanto, não há duvidar que o regulamento vincula a Administração e firma para o administrado exoneração de responsabilidade ante o Poder Público por comportamentos na conformidade dele efetuados. Isto porque o Regulamento é ato de “autoridade pública”, impositivo para a Administração e, reflexamente, mas de modo certo e inevitável (salvo questionamento judicial), sobre os administrados, que, então, seja por isso, seja pela presunção de legitimidade dos atos administrativos, têm o direito de, confiadamente, agir na conformidade de disposições regulamentares”. Aplicando tais lições ao caso em análise, vêse que o que seja industrialização, mesmo com a definição que lhe deram tanto a Lei quanto o Decreto, pode ainda, em muitos casos, ser objeto de intrepretações diversas. Para efeito de IPI, porém, toda discussão cessa diante da TIPI, pois é exatamente para dirimir qualquer dúvida nesse aspecto que ela é baixada. Não cabe, pois, ao agente administrativo considerar que o produto que ali esteja definido como não industrializado seja industrializado, ou viceversa. Trocando em miúdos, sempre que uma dada operação aparentemente puder enquadrarse como industrialização é aquela norma regulamentar que dirimirá, no âmbito das Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10660.002157/200220 Acórdão n.º 9303002.173 CSRFT3 Fl. 231 11 obrigações atinentes ao IPI, o correto entendimento (ao menos o correto na visão do Poder Executivo, de onde provém), e de forma vinculante a todos os aplicadores do direito integrantes de sua estrutura administrativa. E é claro que esse entendimento pode ser contestado pelos contribuintes, mas então há de ser objeto de apreciação pela instância constitucionalmente capaz: o Poder Judiciário. Nessa esteira é que entendo que não podem os aplicadores do direito não integrantes do Poder Judiciário ultrapassar as definições emanadas da TIPI no que se refere ao alcance do conceito de industrialização para efeito do IPI. Mas, como disse, esse posicionamento tampouco autoriza que se remeta automática e acriticamente à TIPI para desconfigurar o direito do postulante ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, apenas porque na TIPI o produto apareça como NT. E isso porque nem todos os produtos que ali aparecem com tal expressão o fazem por serem produtos não industrializados. De fato, muitos, sem dúvida a maioria, o são. Mas ao lado deles há também os casos da imunidade conferida a alguns produtos. Para eles também a TIPI reserva a expressão NT, desde que aquela não incidência não dependa de qualquer condição. No que respeita apenas à aplicação do IPI não faz qualquer diferença o motivo: sendo NT, o produto está fora do campo de incidência daquele imposto e quem o produz nenhuma obrigação tem com respeito ao tributo. Mas, quando se examina a TIPI com olhos no benefício da Lei 9.363/96, isso faz sim diferença, pois ela não exigiu, e nisso a recorrente tem inteira razão, que os produtos exportados estejam no campo de incidência do IPI. O que ela exige é que eles tenham sido submetidos a uma operação de industrialização. E, como espero ter deixado claro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Essa ressalva, porém, não afeta a situação sob exame. O produto exportado pela empresa é definido na TIPI como NT exatamente porque os processos a que se possa submeter não foram considerados pelo legislador suficientes para caracterizar uma industrialização. Vale enfatizar que nessa caracterização a existência ou não de maquinário é inteiramente irrelevante. Com efeito, tanto um estabelecimento pode ser definido como industrial mesmo sem dispor de qualquer manquinário, como outro, que o detenha, nem por isso se torna “produtor”. Assim, enquanto o café em grão, não torrado nem descafeinado, constar na TIPI como NT, é produto não industrializado, as operações adotadas em seu “processamento” não consubstanciam industrialização e o seu “processador” não faz jus ao benefício veiculado na Lei nº 9.363/96. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10660.002157/200220 Acórdão n.º 9303002.173 CSRFT3 Fl. 232 12 Foi com base nelas que dei provimento ao apelo fazendário. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
