Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16366.000333/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA GRAU. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau que, de forma adequada e suficientemente fundamentada, indefere pedido de realização de prova pericial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento- Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA GRAU. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau que, de forma adequada e suficientemente fundamentada, indefere pedido de realização de prova pericial. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16366.000333/2009-76
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5281620
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-001.887
nome_arquivo_s : Decisao_16366000333200976.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 16366000333200976_5281620.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento- Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
id : 4992025
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984336936960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 9 1 8 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16366.000333/200976 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.887 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2013 Matéria IPI RESSARCIMENTO Recorrente SEARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE PRODUTO IN NATURA EXPORTADO NO MESMO ESTADO E COM NOTAÇÃO “NT” NA TIPI. DESCABIMENTO. Não faz jus ao crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, o comprador e exportador de produtos in natura (soja e milho em grãos) exportados no mesmo estado em que foi adquirido e relacionado na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) com a anotação “NT” (não tributado). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA GRAU. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau que, de forma adequada e suficientemente fundamentada, indefere pedido de realização de prova pericial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 03 33 /2 00 9- 76 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de crédito presumido do IPI (fls. 04/22), transmitido em 27/9/2007, no valor de R$ 486.307,59, referente ao 4º trimestre de 2002, extemporaneamente lançado no livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) e erroneamente informado como pertencente ao 2º trimestre de 2006. Por intermédio do Despacho Decisório de fl. 90, o pedido foi integralmente indeferido, com base nas conclusões e nos fundamentos exarados na Informação Fiscal de fls. 78/88, assim resumidos no relatório da decisão de primeiro grau, in verbis: a) Como não houve a apresentação dos demonstrativos dos estoques e há grande divergência entre os valores, não foi possível aprofundar as análises da correta apuração do crédito presumido. As análises, portanto, foram efetuadas com elementos disponíveis e com base nos valores pleiteados pelo contribuinte; b) O total da receita de exportação é composto de produtos não tributáveis (NT) soja e milho em grãos que deverão ser excluídos do montante da receita de exportação, pois os produtos NT não fazem parte do campo de incidência do IPI e, conseqüentemente, as vendas para o mercado externo de produtos que estão fora do campo de incidência do IPI não se incorporam ao total da receita de exportação, devendo ter seu efeito anulado no cálculo do credito presumido; c) A contribuinte tem a seu favor decisão judicial que declara ser possível a inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido. Tal decisão foi acatada, porém os insumos que teriam sido empregados na produção de bens destinados à exportação são na realidade o próprio produto de exportação, adquiridos de terceiros e revendidos a comercial exportadora ou exportados diretamente, tendo passado apenas por processo de beneficiamento que consiste em limpeza, padronização e secagem, sem que tenha sido realizado nenhum processo de industrialização; e d) Em relação à Lei 9.363/1996, não é possível concluir que a empresa requerente pudesse se beneficiar do aproveitamento de crédito presumido do IPI para ressarcimento das contribuições para o Pis e Cofins, tendo em vista não se enquadrar no conceito Fl. 442DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 16366.000333/200976 Acórdão n.º 3102001.887 S3C1T2 Fl. 10 3 de estabelecimento produtor, condição indispensável para o benefício. Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 160/211), a contribuinte apresentou as seguintes alegações, que foram assim sintetizadas no citado relatório, in verbis: 1. Nos autos do processo do mandado de segurança nº 2008.70.01.0065338/ PR, houve a suspensão do prazo para apresentação de recurso administrativo. Com retorno da fluência do prazo em 30/08/2010, a manifestação de inconformidade é apresentada para a apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento; 2. A Autoridade Administrativa deixou de instruir adequadamente o processo administrativo, pois sem qualquer intimação à Manifestante, supôs que havia divergência nos estoques mensais da empresa. A apuração do quantum do crédito ressarcível é matéria a ser esgotada na instrução processual para que haja a duração razoável do processo (inciso LXXVIII do artigo 5º da Constituição Federal), uma vez que superados os obstáculos de interpretação dada à legislação pela Administração Tributária, não seja necessário voltar a discutir o montante a ser ressarcido, o que atende aos ditames previstos no artigo 2º da Lei n° 9.784/99, entre eles, os princípios da finalidade, da razoabilidade, do interesse público e da eficiência (artigo 37 da Constituição Federal). Vêse, pois, que a instrução processual não foi adequadamente realizada, o que insta pela nulidade da decisão recorrida; 3. A Manifestante é empresa produtora e exportadora de produto que industrializa, o que lhe garante o direito ao crédito presumido do IPI com ressarcimento de PIS e COFINS, na conformidade das Leis n°s 9.363/96 e 10.276/2001, pois o beneficiamento realizado, indubitavelmente, caracteriza processo de industrialização (cf. inciso II artigo 4o do Regulamento de IPI), uma vez que modifica, aperfeiçoa, altera o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento), conforme amplamente demonstrado nesta petição e no parecer anexo; 4. A Lei n° 9.363/96 e a Lei n° 10.276/2001, bem como os artigos 179 até 183 do RIR, não restringiram, em momento algum, o conceito da receita bruta da exportação. Assim, não há coerência jurídica em negar ressarcimento de PIS/COFINS sob o argumento de que os produtos exportados pela Manifestante estariam fora do campo de incidência do IPI, o que, isoladamente, insta pela reforma do despacho decisório recorrido; 5. Quanto aos pedidos de ressarcimento correspondentes aos 2° e 3º trimestres 2002, considerados prescritos porque formalizados em 27/09/2007, a própria decisão recorrida assenta que a manifestante em 03/2006 apurou e escriturou no livro de registro de apuração do IPI o crédito presumido para ressarcimento de PIS/COFINS, correspondente ao ano Fl. 443DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 calendário de 2002, ou seja, muito antes do prazo qüinqüenal que alega ter transcorrido. Isso porque a utilização do crédito presumido darseá a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha escriturado ou apurado no livro registro do IPI, conforme alíneas "a" e "b" do inciso III do artigo 22 da IN/SRF n° 315/2003, que regulamenta a matéria. Por fim, destacase que a apuração do crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS e COFINS têm apuração anual, portanto, os créditos correspondentes ao anocalendário de 2002 podem ser pleiteados até 31/12/2007, por meio da apresentada de per/dcomp, como ocorreu no presente caso, o que afasta, por completo, a alegação de caducidade do pleito; 6. A Manifestante apresenta no item “II.2.4. Da apresentação das declarações e esclarecimentos prestados à administração tributária preparadora” esclarecimentos adicionais a respeito das conclusões e fundamentos expostos na Informação Fiscal de fls. 107/118, requerendo ao final o reconhecimento integral do crédito presumido do IPI; 7. Por fim, na hipótese de ainda restar qualquer dúvida quanto ao reconhecimento do direito ao crédito, requereu realização de diligência ou perícia específica e, ainda, a juntada de novos documentos. [...] Em 15/02/2011, a contribuinte apresenta a manifestação de fls. 263/268, instruída com os documentos de fls. 269/305, em complemento a inicial, para acrescentar que o Superior Tribunal de Justiça já pacificou seu entendimento no mesmo sentido de reconhecer que existe sim crédito presumido de IPI referente aos insumos adquiridos de pessoa física ou cooperativas. E mais, no Recurso Representativo da Controvérsia julgado em dez/2010 a empresa que era Recorrente era exportadora de grãos, ou seja, beneficiava o produto, tal qual a Requerente. Assim, considerando a decisão proferida pelo STJ no Recurso Especial Representativo da Controvérsia n° 993.164, requer o julgamento imediato do presente pedido de ressarcimento, sem quaisquer restrições. Em 01/02/2012, a contribuinte apresenta a manifestação de fls. 309/313, instruída com os documentos de fls. 314/346, em complemento às outras, novamente requerendo o julgamento imediato da manifestação de inconformidade, para que seja conferido o direito de ser ressarcida em seus créditos, sem que haja limitações impostas por instruções normativas que não constam da Lei nº 9.363/96, em especial, para considerar o conteúdo do Ato Declaratório nº 14/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional [...]. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ – Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em síntese, com base nos seguintes argumentos: Fl. 444DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 16366.000333/200976 Acórdão n.º 3102001.887 S3C1T2 Fl. 11 5 a) a simples revenda para o exterior de mercadorias adquiridas de terceiros, sem sofrer qualquer processo de industrialização, não estava contemplada com o incentivo fiscal do crédito presumido do IPI; b) a exportação de soja e milho em grãos, produtos classificados na TIPI como “NT”, não geravam direito ao crédito presumido do IPI; c) não procediam as arguições de nulidade do despacho decisório denegatório do crédito pleiteado, pois não vislumbrava nos autos qualquer das hipóteses nulidade previstas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; d) o momento processual para o oferecimento da impugnação, ou da manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão temporal, era o marco temporal para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário; e e) o pedido de diligência ou perícia foi indeferido, porque era prescindível, uma vez que estavam nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide. Em 20/4/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 21/5/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 363/414, em que reafirmou os argumentos de defesa suscitados na fase de manifestação de inconformidade em relação ao mérito. Em aditamento, alegou nulidade do acórdão recorrido, com base no argumento de que houve cerceamento do direito de defesa, pois o indeferimento da produção de prova pericial havia impossibilitado o esclarecimento de dúvida quanto aos valores dos estoques mensais e que fossem apresentados os elementos e esclarecimentos necessários a regular instrução do processo. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Em preliminar, alegou a recorrente nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, com base no argumento de que o indeferimento do pedido de produção de prova pericial havia impossibilitado o esclarecimento das dúvidas atinentes aos valores dos estoques mensais e que fossem apresentados os elementos e esclarecimentos necessários a regular instrução do processo. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 No âmbito do processo administrativo fiscal, a prova pericial deve ser produzida ou refeita com a finalidade de proporcionar a autoridade julgadora a formação da sua livre convicção acerca da matéria fática, essencialmente, de natureza técnica. Nesse sentido, à autoridade julgadora de primeira instância é atribuído o poder discricionário de deferir o pedido de realização diligência ou de produção de prova pericial, apresentado pelo sujeito passivo, quando entendêla necessária ao deslinde da controvérsia, conforme dispõe o caput do art. 181 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF). No voto condutor do acórdão recorrido, o relator asseverou que considerava “desnecessária a diligência proposta pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento.” Assim, se o Órgão de julgamento de primeiro grau indeferiu a realização de nova prova pericial sob fundamento de que tal prova era prescindível, consequentemente, não cabe a este Colegiado fazer qualquer juízo de mérito sobre essa decisão, sob pena de descabida ingerência na prerrogativa do julgador de primeiro grau de, na apreciação da prova e nos termos do art. 29 do PAF, formar livremente a sua convicção. É oportuno ainda ressaltar que, nos termos do art. 28 do PAF, o indeferimento de pedido de diligência ou produção de prova pericial pelo órgão de julgamento a quo, desde que devidamente fundamentado, não constitui motivo para a nulidade da decisão de primeiro grau, por cerceamento do direito defesa. Além disso, este Conselho detém amplos poderes instrutores, logo, se constatada deficiência probatória nesta fase recursal, o julgamento do recurso pode ser convertido em diligência, o que não se vislumbra no caso em apreço. Com base nessas considerações, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Pedido de juntada de novos documentos. No recurso em apreço, com respaldo no § 6º do art. 16 do PAF, a recorrente pleiteou a juntada de novos documentos. A juntada de novos documentos, após a apresentação da impugnação, poderá ser requerida autoridade julgadora de primeira instância, com amparo no § 5º do art. 16 do PAF, mediante petição em que seja demonstrada, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do § 4º do citado art. 16. No âmbito do PAF não há previsão legal para apresentação desse tipo pedido perante este Conselho. Ademais, a recorrente não apresentou os fundamentos exigidos pelo referido preceito legal e sequer mencionou quais documentos pretendia trazer à colação dos autos. Além disso, tratandose de prova documental, não havia nenhum impedimento para que os supostos documentos fossem coligidos autos, nas duas oportunidades de defesa que lhe foi proporcionada. Por essas razões, o pedido de juntada de documentos deve ser indeferido. 1 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine". (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 446DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 16366.000333/200976 Acórdão n.º 3102001.887 S3C1T2 Fl. 12 7 Do mérito. No mérito, o cerne da presente controvérsia cingese à questão atinente ao direito de ressarcimento do crédito presumido do IPI, calculado sobre as compras de produtos in natura (soja e milho em grãos), que após processo de classificação (padronização), limpeza, secagem e armazenagem foram exportados pela recorrente, diretamente ou por intermédio de empresa comercial exportadora. Previamente a análise da controvérsia, é oportuno analisar o significado e alcance jurídico dos preceitos legais que veiculam as normas que estabelecem as condições para utilização do incentivo fiscal em destaque, especialmente, o disposto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a seguir transcritos: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970,8, de 3 de dezembro de 1970, e70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo.(Vide Lei nº 10.637, de 2002) [...] (grifos não originais) Nos referidos preceitos legais, encontramse definidos o titular do direito, a base de cálculo e a alíquota do crédito presumido do IPI. O titular do crédito é a pessoa jurídica “produtora e exportadora”. Logo, a contrário senso, não se beneficia do referido incentivo fiscal o exportador não produtor, ou seja, aquela pessoa jurídica que revende o produto para exterior no mesmo estado em que foi adquirido do produtor nacional. Por sua vez, a base de cálculo é determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Portanto, a determinação da base de cálculo depende de dois elementos essenciais: a) o valor total das aquisições de MP, PI e ME; e b) o valor da receita de exportação do produto resultante do processo de produção dos referidos insumos. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 Por fim, a alíquota é o percentual estabelecido no referido diploma legal. Porém, como não há controvérsia sobre este ponto, para o deslinde da presente lide, tornase despiciendo qualquer comentário a respeito. Do exposto e com base numa interpreção combinada dos referidos preceitos legais, é possível concluir que o direito ao crédito presumido do IPI depende do atendimento, simultâneo, das seguintes condições: (i) que haja aquisição de MP, PI e ME, (ii) que estes insumos sejam aplicados ou utilizados na produção de determinado produto e, por fim, (iii) que este produto resultante do processo de produtivo seja exportado diretamente ou por intermédio de empresa comercial exportadora. No que tange aos primeiro e o terceiro elementos, de natureza objetiva, por não existir controvérsia a respeito no caso em tela, prescindem de qualquer abordagem. Enquanto que segundo elemento, de natureza formal, por constituir o cerne da controvérsia, induvidosamente, necessita de uma precisa definição. Para esse fim, o parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, expressamente, determina a utilização subsidiária da legislação do IPI, com os seguintes dizeres, in verbis: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifos não originais) No âmbito da legislação do IPI, os arts. 3º e 4º do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), vigente no final de trimestre de apuração do crédito, de forma complementar, veiculam os conceitos, respectivamente, de produto industrializado e de operação de industrialização, com os seguintes termos, in verbis: Art. 3º Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, eLei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); Fl. 448DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 16366.000333/200976 Acórdão n.º 3102001.887 S3C1T2 Fl. 13 9 III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Com base nos mencionados comandos legais, para fim de apuração do crédito presumido do IPI, o conceito de produção equivale ao conceito industrialização, que consiste na operação que modifica “a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto”, ou o aperfeiçoa para consumo. Sob mesmo fundamento, induvidosamente, o produto exportado que atende os requisitos do incentivo fiscal em apreço equivale ao produto industrializado conceituado na legislação do IPI. Em suma, podese asseverar que o direito ao crédito presumido do IPI fica condicionado à utilização ou aplicação da MP, do PI e do ME na produção ou industrialização de produto exportado. Em outras palavras, somente podem ser utilizados como base de cálculo do incentivo fiscal em apreço o valor dos insumos aplicados no produto industrializado e exportado. A contrário senso, por falta de previsão legal, estão fora do incentivo fiscal em comento, as aquisições de produtos exportados no mesmo estado em que adquiridos de terceiros, ou seja, sem que sejam submetido a qualquer operação de industrialização, definida no art. 4º do RIPI/2002. De modo prático e segundo o entendimento do Poder Executivo, na TIPI, aprovada por Decreto, estão relacionados tanto os produtos industrializados quanto os não industrializados. Os primeiros, integrantes do campo incidência do IPI, estão relacionados com uma alíquota, ainda que zero, enquanto que os segundos apresentam notação “NT” (não tributado). Dessa forma, mediante consulta a referida Tabela, é fácil e prático saber quais são os produtos industrializados ou não, apenas com uma simples leitura das anotações sobre a situação tributária vinculada à descrição do produto. Esse procedimento encontra respaldo no art. 6º da Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002, a seguir reproduzido: Art. 6º O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, Fl. 449DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 10 excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). Diante da clareza do comando legal em destaque, é de fácil inferência que, para fim de incidência do IPI, apenas os produtos relacionados na TIPI com alíquota, ainda que zero, são considerados industrializados e integrantes do campo de incidência do IPI. Por outro lado, os demais produtos, relacionados na TIPI com notação “NT”, são considerados produtos não industrializados, aqui incluídos tantos os produtos in natura, ou seja, aqueles que são transacionados sem ser submetido qualquer operação de industrialização, quanto aqueles que, ainda que submetido a alguma operação industrial, definida no art. 4º do RIPI/2002, foi excluído do campo de incidência do imposto por determinação ou constitucional (imunidade). Para fim de apuração do crédito presumido do IPI, com respaldo no parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, combinado com o disposto no art. 4º do RIPI/2002, os produtos in natura, relacionados na TIPI com notação “NT”, pelas razões anteriormente expostas, estão fora do campo de abrangência do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI. Em face da peculiaridade do caso em tela, o entendimento aqui explicitado, embora mais restrito, a meu ver, harmonizase perfeitamente com o mais abrangente (que não faz distinção entre produto fora do campo de incidência do IPI) que vem sendo explicitado pelas demais Turmas desta 3ª Seção e pela 3ª Turma da CSRF, conforme exemplificam os enunciados das ementas dos julgados a seguir reproduzidos: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO SUBMETIDAS A PROCESSO INDUSTRIAL. DESCABIMENTO. O chamado “crédito presumido de IPI”, concedido e disciplinado pelas Leis nºs 9.363/96 e 10.276/01, beneficia tão somente o produtor exportador, assim compreendida a pessoa jurídica que realiza operação de industrialização segundo os conceitos definidos pela legislação do IPI. (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, Ac. 3403001.295, de 9/11/2011, rel. Marcos Tranchesi Ortiz) CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (CARF, 3ª Seção, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3201001.245, de 20/3/2013, rel. Mércia Helena Trajano Damorim) CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT). (CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303001.450, de 30/5/2011, rel. Marcos Tranchesi Ortiz) Definido que apenas os insumos utilizados nos produtos industrializados ( segundo o conceito de produção ou industrialização da legislação do IPI) e exportados, diretamente ou por intermédio de empresa comercial exportadora, estão contemplados com o Fl. 450DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 16366.000333/200976 Acórdão n.º 3102001.887 S3C1T2 Fl. 14 11 incentivo fiscal em destaque, passase a analisar se os produtos exportados pela recorrente atendem tais condições. No documento de fls. 64/72, informou a recorrente que, previamente à operação de exportação, os produtos eram submetidos a processo de beneficiamento, consistente na classificação (padronização), limpeza, secagem e armazenagem. Com base nessa informação, concluiu a autoridade fiscal que tais operações não atendiam o conceito de industrialização, logo, os produtos revendidos para o exterior não sofreram qualquer processo de industrialização. Ademais, a exportação de soja e milho em grãos, produtos classificados na TIPI com notação “NT”, não geravam direito ao crédito presumido do IPI. No recurso em apreço, alegou a recorrente que os produtos exportados eram industrializados, pois as atividades “de limpeza, padronização e secagem” enquadravamse no conceito de industrialização por beneficiamento, previsto no inciso II do artigo 4º do RIPI/2002, com base nos argumentos explicitados nos subitens 22.1 e 22.2, in verbis: 22.1. Referido processo de beneficiamento promove alteração no funcionamento, na utilização, no acabamento e na aparência do produto, com o incremento ou a manutenção de sua qualidade e os torna aptos a serem consumidos "in natura", ou reprocessados em outros sub produtos de interesse na alimentação humana ou animal, conforme laudo anexo. 22.2. Isto é, o produto bruto, oriundo da lavoura, possui impurezas e outros materiais infestantes que precisam ser removidos e, normalmente, apresentam teor de umidade superior para uma correta armazenagem e processamento. O beneficiamento transforma uma matéria prima bruta em um produto elaborado em que as suas qualidades físicas, organolépticas e nutricionais são preservadas, aproveitandose todo seu potencial nas diversas utilizações a que se destina, sejam em outras indústrias de transformação ou até consumidos naturalmente. (grifos dos originais) Tais atividades, a meu ver, não atendem o conceito de operação industrialização, definido no inciso II do artigo 4º do RIPI/2002. Além disso, a mera manutenção da qualidade dos produtos, de sorte a tornálos “aptos a serem consumidos ‘in natura’, ou reprocessados em outros sub produtos de interesse na alimentação humana ou animal”, ao contrário do alegado, confirma que as ditas atividades de “beneficiamento” realizadas pela recorrente, inequivocamente, não atendem o conceito de industrialização por beneficiamento, definida no artigo 4º do RIPI/2002. Em síntese, chegase a conclusão de que os produtos exportados pela recorrente, soja (NCM 1201.0090) e milho (NCM 1005.90.10) em grãos, estão fora do campo de abrangência do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, por dois motivos: a) eles foram exportados no mesmo estado em que adquiridos; e b) por serem produtos in natura relacionados na TIPI com notação “NT”, não são considerados produtos industrializados, para fim do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 12 Com base nessas considerações, fica demonstrado que a recorrente não faz jus a crédito presumido do IPI pleiteado. Em decorrência, deve ser mantido o indeferimento do pedido de ressarcimento em questão. Da conclusão. Por todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar nulidade suscitada e indeferir o pedido de apresentação de novos documentos. No mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 452DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007548/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES Ano-calendário: 2003 SIMPLES — EXCLUSÃO - PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA - A omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES, devendo a tributação se sujeitar às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do próprio ano- calendário da reiterada infração.
Numero da decisão: 1301-000.912
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencido o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: VALMIR SANDRI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES Ano-calendário: 2003 SIMPLES — EXCLUSÃO - PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA - A omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES, devendo a tributação se sujeitar às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do próprio ano- calendário da reiterada infração.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10980.007548/2008-11
conteudo_id_s : 5253860
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.912
nome_arquivo_s : Decisao_10980007548200811.pdf
nome_relator_s : VALMIR SANDRI
nome_arquivo_pdf_s : 10980007548200811_5253860.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencido o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4879259
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984343228416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.007548/200811 Recurso nº 171.091 Voluntário Acórdão nº 1301000.912 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente MCP Transporte Rodoviário Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Anocalendário: 2003 SIMPLES — EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES, devendo a tributação se sujeitar às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do próprio ano calendário da reiterada infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencido o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Fl. 438DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007548/200811 Acórdão n.º 1301000.912 S1C3T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007548/200811 Acórdão n.º 1301000.912 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório A empresa MCP Transporte Ltda. foi incluída em programa de fiscalização em decorrência de representação, encaminhada pela Procuradoria da República no Estado do Paraná, em conjunto com uma cópia de denúncia anônima, envolvendo diversas empresas. As planilhas que fazem parte da denúncia, e que tratam da sonegação das contribuições para o PIS e COFINS, foram pesquisadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, apontando incompatibilidade da movimentação financeira bancária com as receitas informadas a RFB e valores de vendas declarados a Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná SEFAZ/PR, através das Guias de Informação e Apuração do ICMS GIA, divergentes das receitas informadas a RFB. Em 18 de dezembro de 2007 iniciouse o procedimento fiscal alcançando os anoscalendário de 2003 a 2006, resultando num único Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, que amparou a lavratura de 4 autos de infração, discutidos em processos administrativos. No presente processo discutese a exigência de créditos tributários do ano calendário de 2003, por insuficiência nos recolhimentos pelo sistema SIMPLES. A fiscalização apontou as seguintes irregularidades: a) Diferença a maior entre a receita bruta informada aos fiscos estaduais do Estado do Paraná e de São Paulo, por meio de Guias de Informação e Apuração de ICMS — GIA (fls. 2144), e a declarada à Secretaria da Receita Federal, infração sujeita à multa de 150%. b) Omissão de receitas de receitas caracterizada pela falta de comprovação da origem de valores creditados em contas bancárias, na parcela excedente às receitas informadas aos fiscos estaduais, infração sujeita à multa de 75%. c) Insuficiência de recolhimento correspondente à diferença do valor devido a título de SIMPLES sobre a receita bruta originalmente declarada, em função dos novos percentuais de determinação aplicáveis em conseqüência da mudança de faixa da receita bruta mensal ao nela se computar a receita omitida, infração autuada com a multa de oficio de 75%: Tempestivamente, a contribuinte apresentou impugnação, na qual inicia por alegar desconhecimento das ilegalidades praticadas pela empresa de contabilidade que lhe prestava serviços, tendo rescindido com ela o contrato e formulado queixa ao 7° Distrito Policial de Curitiba, solicitando a apuração dos fatos relacionados às notas fiscais escrituradas em sua contabilidade e cuja emissão desconhecia. No mérito, preliminarmente, suscita a decadência para os fatos geradores ocorridos no período de janeiro a maio/2003. Omissão de receitas – informações prestadas em GIA Na seqüência, defendese da omissão de receitas com base nas informações prestadas em GIA alegando, em síntese, que não deveria ser responsabilizada pelos créditos Fl. 440DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007548/200811 Acórdão n.º 1301000.912 S1C3T1 Fl. 4 4 apurados, já que decorrentes de registros e informações efetuados à sua revelia, sob os auspícios e responsabilidade exclusiva do contabilista; que só deveria responder até os limites dos poderes conferido àquele profissional por escrito; que a irregularidade vem desde a época em que o contratou; que, comprovado que não interferiu em quaisquer dos procedimentos adotados pela excontabilista, mas que tais erros foram cometidos externamente e sem o controle ou comando seu, a multa a ser aplicada precisaria ser desqualificada para multa simples. Ainda sobre as divergências com as informações prestadas em GIA, diz que a autoridade fiscal incluiu em seu levantamento fiscal as operações classificadas como "outras" (operações sem débito de ICMS) nas GIA do Estado de São Paulo (fl. 181), mas tais operações não representam faturamento. Ressalta que a autoridade fiscal, corretamente, deixou de considerar as operações classificadas em "outras" nas GIA do Estado do Paraná. Omissão de receita. Depósitos bancários não escriturados. Sobre a omissão de receitas caracterizada por depósitos não escriturados, diz não haver prova e nem comprovação de que o valor dos créditos bancários excedentes ao da receita bruta informada em GIA seja receita omitida; que seria necessário que tais movimentos tivessem sido analisados e averiguados individualizadamente, assim como suas origens, destinações, transferências entre contas da mesma titularidade e outras, de tal sorte que, ao final, efetivamente fosse apurada a omissão de receita e o quantum efetivo. Alega que a apuração não poderia se dar como se deu, principalmente pelo fato de ela ter extraviado os livros e registros das épocas. Aduz que a autoridade fiscal apenas presumiu a ocorrência de omissão de receitas, pois nada de concreto foi provado, tendo aquela autoridade pretendido provar a omissão de receita intimandoa a justificar os aportes e as movimentações existentes em suas contas bancárias, invertendo o ônus probatório e deslocandoo para a contribuinte. Assevera que a simples comparação GIA/faturamento com a movimentação bancária nada prova, e que, em face da ausência de análise individualizada das receitas tidas como omitidas e da comprovada insubsistência do lançamento, requer sua integral desconsideração e declaração de improcedência das exigências delas decorrentes. Das multas aplicadas. Descabimento de multa com caráter de confisco. Contesta as multas ao argumento de terem caráter confiscatório, diz que STF adotou um parâmetro de 20% para considerar como não confiscatória a multa por infração fiscal, que a racionalidade que deve revestir toda a autuação fiscal abarca a necessidade de respeito ao primado da vedação ao confisco não apenas para os tributos, mas também para as multas fiscais. Descabimento de multa qualificada. Inocorrência de fraude. Alega que em momento algum agiu com escusos propósitos, mas tão somente, de boafé, confiou nas orientações e nos procedimentos do excontabilista, pois não lhe cabia conferir ou verificar o que esse profissional fazia ou deixava de fazer, bem como se o que fazia estava correto ou não; que todas as contas bancárias analisadas pela autoridade fiscal são de sua exclusiva titularidade, não existindo qualquer caso de movimentação de conta em nome de terceiros, o que comprova a inexistência de intenção de omitir ou de esconder do fisco qualquer movimentação. Diz que o fisco aplicou a multa qualificada por entender ter havido intenção de ocultar os reais valores dos tributos devidos à União, com infração ao disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, mas que esse entendimento revelase equivocado em Fl. 441DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007548/200811 Acórdão n.º 1301000.912 S1C3T1 Fl. 5 5 face de não tido a intenção e nem ter fraudado sua contabilidade, bem como não elaborou ou se utilizou documento falso. Diz que a Lei nº 11.488, de 2007, suprimiu a expressão "evidente intuito de fraude"; que constava do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, de sorte que para a qualificação da multa não basta o intuito, mas deve ser comprovada a ocorrência de algum dos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 1964, o que não ocorreu no presente caso. Menciona a distinção entre erro e fraude prevista na Norma Brasileira de Contabilidade T11, aprovada pela Resolução CGC 820/1997, e diz que, na pior das hipóteses, cometeu erro, pois foi desatenta quanto a sua contabilidade e, de boafé, confiou que os registros e lançamentos da empresa vinham sendo efetuados corretamente pelo contabilista. Ressalta que a fraude não se presume, pois ela precisa ser efetivamente provada e que, no caso, como a fraude em si não foi provada, deve prevalecer a principio do "in dúbio pro réu", devendo ser cancelada a qualificação da multa. Juros à taxa Selic Por fim, desenvolveu arrazoado para contestar a aplicação da taxa Selic para fins de juros de mora. Requereu, afinal: “a) seja reconhecida a decadência dos créditos relativos aos meses de janeiro a maio/2003; b) seja reconhecida, à luz do art. 1.178 do CC, a responsabilidade da empresa de contabilidade Escrilex Serviços de Contabilidade S/C Ltda., devendo esta ser intimada formalmente dos fatos ensejadores da presente e autuação, especialmente quanto à responsabilidade que lhe cabe ser imputada; c) se assim não entender, que sejam excluídas da base de cálculo do imposto as operações classificadas na GIA como "outras"; d) sejam desconsideradas e excluídas as diferenças entre as GIA e a movimentação bancária, porquanto ausente a análise individualizada das receitas tidas como omitidas, conforme determina o art. 287, § 3° do RIR, aliado ao fato de a autoridade final não ter produzido qualquer prova inconteste da referido omissão de receita, não tendo se desincumbido a contento em seu ônus probatório; e) a redução das multas aplicadas para o percentual de 20%, em respeito aos princípios da vedação ao confisco (art. 150, IV, da CF), da proporcionalidade e ao direito de propriedade (art. 5°, XXII, da CF). f) seja julgada improcedente a qualificação da multa de oficio, porquanto a autoridade administrativa não logrou êxito em provar o dolo ou intenção de fraudar o fisco, calcando na qualificação da multa somente em ilações e suposições; Fl. 442DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007548/200811 Acórdão n.º 1301000.912 S1C3T1 Fl. 6 6 g) seja afastada a aplicação da taxa Selic como índice de juros moratórios, porquanto fere o disposto no art. 161, § I°, do CTN; h) o provimento desta impugnação com o cancelamento integral do auto de infração, ante a sua comprovada insubsistência.” A 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Curitiba julgou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DIRETA. DIVERGÊNCIA ENTRE A GIA E A PJSI 2004 SIMPLES. Constitui prova direta de omissão de receita a apuração de diferença a maior entre os valores informados em GIA aos fiscos estaduais e a receita bruta declarada na PJSI 2004 SIMPLES. IRREGULARIDADES PRATICADAS PELO ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE. RESPONSABILIDADE DA CONTRIBUINTE. Na ocorrência de prejuízos a terceiros em decorrência de irregularidades praticas pelo escritório de contabilidade contratado para responder por sua escrita contábil e obrigações fiscais, as culpas in eligendo e in vigi/ando devem ser atribuídas à contribuinte porquanto somente a ela competia fiscalizar os serviços que determinou a esse preposto que executasse. RESPONSABILIDADE DA CONTRIBUINTE PELAS INFRAÇÕES APURADAS DE OFICIO. Ainda que a declaração de rendimentos simplificada tenha sido elaborada e apresentada pelo escritório de contabilidade por ela contratado para responder pela escrita contábil e obrigações fiscais, a contribuinte não tem como se eximir da responsabilidade sobre a diferença de crédito tributário decorrente da declaração de receita bruta em valor muito aquém do real, porquanto, na condição do sujeito passivo da obrigação tributária, tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM DOS RECURSOS NÃO FOI COMPROVADA. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007548/200811 Acórdão n.º 1301000.912 S1C3T1 Fl. 7 7 Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Tratandose de lançamento por homologação, o termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador; contudo, caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, aplicase na contagem do prazo decadencial o art. 173, I do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CSLL Com a edição da Súmula Vinculante n° 8 pelo STF, as contribuições sociais para a seguridade social submetemse às regras gerais de decadência previstas no CTN, MULTA DE OFICIO DE 75%. Legítima a aplicação da multa de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de oficio, porquanto em conformidade com a legislação de regência. MULTA DE OFICIO POR INFRAÇÃO QUALIFICADA Aplicase a multa de oficio qualificada de 150% quando caracterizado que a interessada agiu de maneira dolosa ao ocultar da autoridade fazendária a existência de receitas omitidas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. Ciente da decisão em 16 de setembro de 2008 (fl. 393), a interessada ingressou com recurso em 15 de outubro seguinte, reeditando as razões declinadas na impugnação. É o relatório. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007548/200811 Acórdão n.º 1301000.912 S1C3T1 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, a Recorrente era optante pelo SIMPLES no anocalendário de 2003, e as omissões de receitas foram apuradas com base em pesquisas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, apontando incompatibilidade da movimentação financeira bancária com as receitas informadas a RFB e valores de vendas declarados a Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná SEFAZ/PR, através das Guias de Informação e Apuração do ICMS GIA, divergentes das receitas informadas a RFB. Ocorre que, questões outras, de ordem pública, deve ser enfrentada por essa C. Turma, a despeito de não ter sido ventilada durante o processo, qual seja, de infração reiterada, da exclusão do SIMPLES e da forma de tributação, eis que a fiscalização, ao proceder ao lançamento desconsiderou as normas previstas na Lei n. 9.317/96, mais especificamente o disposto nos arts. 14, V e 15, V, que dispõe: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...); V prática reiterada de infração à legislação tributária; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Inicialmente, é de fundamental importância tecer algumas observações a respeito do conceito de reiterada infração a legislação tributária para fins de exclusão do SIMPLES e sua distinção com o conceito de reincidência. A reincidência é instituto de Direito Penal, incorporado no ordenamento jurídico brasileiro desde o Império, haja vista previsão expressa do art. 16, § 3º, do Código Criminal do Império. Atualmente, a reincidência é tratada no art. 63 do Código Penal, verbis: Art. 63 Verificase a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. Na doutrina, o tema é estudado no elenco da Teoria das Circunstâncias, sendo modalidade de agravamento da penalidade. Dessa maneira, a reincidência é assim conceituada: Fl. 445DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007548/200811 Acórdão n.º 1301000.912 S1C3T1 Fl. 9 9 “(...) a reincidência perfazse pela prática de novo crime pelo agente, depois de transitada em julgado a sentença que, no país ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. (...) A reincidência, enquanto circunstância agravante, influi na medida da culpabilidade, em razão da maior reprovabilidade pessoal da ação ou omissão típica e ilícita (...)” 1 No âmbito Direito Tributário, aludido instituto foi incorporado no antecedente de normas atinentes às sanções tributárias administrativas, as quais possuem como antecedentes tanto o descumprimento de deveres instrumentais, como o não recolhimento das obrigações tributárias principais. Isso se dá porque o Direito Tributário é um direito de sobreposição e pode internalizar no seu subsistema conceitos de Direito Penal, os quais podem servir de hipóteses para normas tributárias sancionadoras. No art. 13 do Decreto nº 70.235/72, a norma tributária processual estabelece a necessidade de se identificar o contribuinte reincidente no processo administrativo fiscal: Art. 13. A autoridade preparadora determinará que seja informado, no processo, se o infrator é reincidente, conforme definição da lei específica, se essa circunstância não tiver sido declarada na formalização da exigência. Notese que, no aludido dispositivo, o termo reincidência é utilizado no sentido de reincidência genérica, haja vista que não há a exigência de que o infrator infrinja a mesma regra jurídica. Na legislação do IPI, o Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), introduz a reincidência específica como hipótese de agravamento de penalidade: Art. 560. Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração de um mesmo dispositivo, ou de disposição idêntica, da legislação do imposto, ou de normas contidas num mesmo Capítulo deste Regulamento, por uma mesma pessoa ou pelo sucessor referido no art. 132 da Lei nº 5.172, de 1966, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior (Lei nº 4.502, de 1964, art. 70). Porém, aqui, a reincidência é tratada na modalidade específica, isto é, para caracterização o infrator deve violar um mesmo dispositivo. Independentemente da legislação tributária prever o instituto tanto na modalidade geral, quanto na específica, verificase que a legislação tributária incorporou o instituto da reincidência nos moldes estabelecidos pelo Direito Penal. 1 PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito penal brasileiro. Vol. I. 6 ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2006. p.505. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007548/200811 Acórdão n.º 1301000.912 S1C3T1 Fl. 10 10 Por sua vez, o termo “reiterada infração a legislação tributária” disciplinado no inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317/96, não se traduz em uma nova hipótese de reincidência tributária. Primeiramente, o art. 14 da Lei nº 9.317/96, ao dispor sobre as hipóteses de exclusão do regime, estabelece condutas negativas ou positivas que devem ser observada pelo contribuinte para o gozo do regime simplificado. Dentre tais condutas, está o dever de não infringir a legislação tributária sucessivas vezes. Logo, a exclusão do regime não constitui uma penalidade ou um agravamento, mas sim a impossibilidade de o contribuinte se beneficiar do regime quando não preencher os requisitos estabelecidos na lei. Surge então a primeira distinção entre a reincidência e prática reiterada à legislação tributária. Enquanto a primeira consiste em hipótese de agravamento de penalidade, a segunda se apresenta como requisito para o aproveitamento do regime simplificado do pagamento de tributos. Talvez, a origem da confusão entre os dois institutos esteja na aproximação terminológica entre reincidir e reiterar. O termo reiterar, conforme pode ser verificado em diversos dicionários, traduz a idéia de se fazer mais de uma vez determinada ação ou voltar executar ação realizada anteriormente. Sendo assim, a conduta de infringir reiteradamente a legislação consiste em uma conduta que viola mais de uma vez legislação tributária cogente, seja pelo descumprimento de deveres instrumentais, seja por inobservância da legislação para apuração e pagamento do tributo. Ora, um contribuinte reincidente pratica, inequivocamente, reiterada infração à legislação tributária, vez que executa mais de uma vez conduta contrária a legislação tributária. No entanto, a recíproca não é verdadeira para aquele que comete reiterada infração à legislação tributária, pois, conforme o conceito anteriormente exposto, para que haja a reincidência o contribuinte tem que ter sido penalizado em processo anterior já definitivamente julgado. Assim, enquanto que a existência de processo anterior definitivamente julgado é requisito indispensável para caracterização da reincidência, a reiteração a legislação tributária, para os fins do inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317/96, pode ser reconhecida no mesmo processo. A segunda observação, diz respeito ao tratamento dado ao inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317/96 na jurisprudência do CARF. Pois bem, examinando a jurisprudência administrativa, verificase que o conceito de “prática reiterada”, vem recebendo tratamento uniforme. Vejamos alguns julgados: Fl. 447DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007548/200811 Acórdão n.º 1301000.912 S1C3T1 Fl. 11 11 PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Configura prática reiterada de infração à legislação tributária a prática habitual e repetida de uma mesma infração, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente. Configurada a prática reiterada de inflação à legislação tributária, impõese a exclusão da empresa deste sistema de tributação incentivada, com efeitos a partir, inclusive, do mês de sua ocorrência. (Primeira Seção, 1ª Câmara, acórdão nº 110200262, sessão de 05/07/2010). SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A exclusão do Simples por causa de prática reiterada de infração tributária produz efeito ex tunc em vista do contribuinte ter optado por regime de tributação diferenciado e favorecido. Tratase de regime de apuração de tributos e opção regidas pelas normas tributárias que devem ser observadas rigidamente, não se admitindo a omissão de receitas. .(Primeira Seção, acórdão nº 180100.361, sessão de 08/11/2010). SIMPLES. EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES. Procede a exclusão da empresa da sistemática do Simples comprovado que reiteradamente omitiu, na DIPJ e na contabilidade, receitas recebidas, não oferecendoas à tributação. .(Primeira Seção, acórdão nº 180100.360, sessão de 08/11/2010). SIMPLES — EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA a omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, acórdão nº 101 96.630, sessão de 07/03/2008). EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 8ª câmara, acórdão nº 10809.801, sessão de 18/12/2008). No entendimento deste Conselho, o inciso V do art. 9º da Lei nº 9.317/96, deve ser interpretado quando o contribuinte pratica sucessivas infrações que podem, inclusive, ocorrer no mesmo anocalendário. Ressaltese que a ocorrência de sucessivas infrações pode ocorrer de dois modos: a) quando ocorre mais de um tipo de infração, exemplo: omissão de receitas e falta de escrituração de livro caixa; b) ocorrência de uma única infração em vários períodos consecutivos, exemplo: omissão de receita em meses seguidos. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007548/200811 Acórdão n.º 1301000.912 S1C3T1 Fl. 12 12 Ademais, no julgamento do recurso voluntário nº 339.032, a Primeira Câmara da Primeira Seção, por meio do acórdão nº 110200262, julgado em 05/07/2010, perfilhou entendimento análogo ao aqui defendido: Quanto ao segundo motivo constante do Ato Declaratório de Exclusão prática reiterada de infração à legislação tributária, é fato que a Lei n° 9.317/96 não define expressamente o seu conceito. Contudo, não procede a analogia proposta pela recorrente com o instituto da reincidência, conforme definido na legislação de regência do IP1 (art. 70 da Lei n° 4.502/64). Para a configuração da reincidência, nos termos daquele artigo, é necessário que exista decisão condenatória definitiva referente à infração anterior. Confirase o teor do citado artigo: "Art . 70_ Considerase reincidência a nova infração da legislação do Imposto do Consumo, cometida pela mesma pessoa natural ou jurídica ou pelos sucessores referidos nos incisos III e IV do artigo 36, dentro de cinco anos da data em que passar em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior” A exigência de decisão condenatória definitiva, no âmbito do Simples, para fins de determinar a exclusão da pessoa jurídica deste sistema, está expressamente prevista apenas no caso de prática de crimes contra a ordem tributária, conforme inciso VII do art. 14 da Lei IV 9.317/96. Contudo, no caso do inciso V do mesmo artigo (prática reiterada de infração), não foi prevista a mesma exigência. Confirase os dispositivos em questão: "Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: ... V prática reiterada de infração à legislação tributária; ... VII incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva” Assim, afastase a pretensa analogia da reincidência com a "prática reiterada". Tratamse de institutos distintos, estando um expressamente definido em lei, e o outro não. Os dicionários definem o termo reiterar como "repetir", "renovar", "refazer". Contudo, seria uma leviandade entender que, para a configuração da prática reiterada de infração, bastariam duas ocorrências de uma mesma infração. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007548/200811 Acórdão n.º 1301000.912 S1C3T1 Fl. 13 13 Pareceme que um bom caminho para interpretar o que se deva entender por "prática reiterada" encontrase no CTN, que utiliza esta expressão no seu art. 100, verbis: "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos. (...) III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas.” Ora, as práticas reiteradas das autoridades administrativas nada mais são do que os usos e costumes da Administração. E vejase que aqui também não há uma definição de quantas vezes ela precisa ser repetidamente observada para que se constitua em uma "prática reiterada. Assim, entendo que, para fins de exclusão de uma empresa do Simples, deve se verificar se a prática da inflação em questão é habitual e repetida, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente, consubstanciandose em um costume, E esta análise somente poderá ser feita caso a caso. Por fim, convém observar que os períodos a serem considerados para analisar a ocorrência ou não de reiteração, no caso do Simples, devem ser mensais, seja porque o período de apuração do Simples é mensal, seja porque é a própria Lei que, neste caso, menciona que a retroação da exclusão deve ser feita ao mês de ocorrência do fato em questão. No caso concreto, verificouse que a recorrente movimentou, de forma contumaz e contínua, durante todos os meses do ano calendário, vultosos recursos, os quais foram mantidos à margem da contabilidade por meio do uso de conta corrente de interposta pessoa, Desta forma, configurada a prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme imputada pela autoridade administrativa que expediu o ADE de fls.. 81. Assim, nos termos do que dispõe o art. 15 da Lei n° 9.317/96, este fato enseja a exclusão da recorrente do Simples a partir do próprio mês de sua ocorrência, ou seja, a partir do mês de janeiro de 1998, exatamente como consta no Ato Declaratório ora contestado. Neste caso, a fiscalização constatou a ocorrência de movimentação bancária e declarações em GIAS em valor muito superior ao declarado pela contribuinte, motivo pelo qual lavrou auto de infração por omissão de receitas ocorridas em todo anocalendário de 2003. Ou seja, a recorrente praticou sucessivas omissões de receitas entre os meses de janeiro a dezembro de 2003, configurando inequívoca prática reiterada de infração a legislação tributária. Desse modo, ao omitir sucessivas receitas em todo anocalendário de 2003, a recorrente deixou de cumprir um dos requisitos para permanência no regime especial de Fl. 450DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007548/200811 Acórdão n.º 1301000.912 S1C3T1 Fl. 14 14 pagamento simplificado de tributos, qual seja: absterse de praticar sucessivas violações a legislação tributária. Realmente, estamos diante da hipótese de aplicação do art.14, inciso V, cumulado com art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317/96, que determina a exclusão do SIMPLES com efeitos retroativos a data da ocorrência da primeira infração. Assim, por tudo que foi dito acima, entendo que houve a ocorrência da hipótese de exclusão do SIMPLES, pela prática reiterada de infração a legislação tributária, subsumindose a hipótese prevista no art. 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96. Logo, a fiscalização deveria ter excluído a recorrente do SIMPLES e procedido à lavratura do auto de infração com base nas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos moldes do art. 16, verbis: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Desse modo, verificase que o lançamento em apreço incorreu em erro material insanável na apuração do tributo devido, motivo pelo qual o considero totalmente improcedente. Pelo exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 08 de maio de 20122. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 35373.000105/2007-90
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2005
Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009.
Não verificada a contradição acerca das razões consideradas para definição da natureza do vício inquinado, impõe-se a manutenção do julgamento pelos seus próprios fundamentos.
Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos, com alteração do resultado do julgamento.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-002.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto do relator, para excluir a competência 13/2002 da decadência.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Junior, Eduardo de Oliveira, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2005 Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Não verificada a contradição acerca das razões consideradas para definição da natureza do vício inquinado, impõe-se a manutenção do julgamento pelos seus próprios fundamentos. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos, com alteração do resultado do julgamento. Embargos Acolhidos.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 35373.000105/2007-90
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5281639
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.490
nome_arquivo_s : Decisao_35373000105200790.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 35373000105200790_5281639.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto do relator, para excluir a competência 13/2002 da decadência. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Junior, Eduardo de Oliveira, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
id : 4992044
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984367345664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35373.000105/200790 Recurso nº 35.373.000105200790 Embargos Acórdão nº 2803002.490 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de junho de 2013 Matéria Embargos de Declaração. Embargante UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Interessado TRANSPORTADORA CARAVAN LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2005 Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Não verificada a contradição acerca das razões consideradas para definição da natureza do vício inquinado, impõese a manutenção do julgamento pelos seus próprios fundamentos. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos, com alteração do resultado do julgamento. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto do relator, para excluir a competência 13/2002 da decadência. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 37 3. 00 01 05 /2 00 7- 90 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35373.000105/200790 Acórdão n.º 2803002.490 S2TE03 Fl. 3 2 Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Junior, Eduardo de Oliveira, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35373.000105/200790 Acórdão n.º 2803002.490 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente contra acórdão da 3ª Turma Especial da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Entende a recorrente, em síntese, que o acórdão foi contraditório, pois: 1. Analisando o teor do voto condutor do aresto ora embargado à luz da parte dispositiva da r. decisão acima transcrita, observase que o r. Acórdão incorreu em pequena contradição; 2. Isso porque, da leitura da transcrição acima, chegase à conclusão de que o eminente relator do julgado considerou que todos os fatos geradores ocorridos antes de 16/1/2002, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, considerando que a intimação do contribuinte em relação ao lançamento se deu em 17/01/2007; 3. Entretanto, compulsando o teor do r. voto, da lavra do eminente Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, observouse que o mesmo excluiu da exigência a competência de 13/2002, cujo fato gerador é posterior a 16/01/2002; 4. Assim, flagrante a contradição do julgado, posto que, o voto do relator determinase a exclusão de parcela que não foi alcançada pela decadência, haja vista que o fato gerador da competência 13/2002 somente ocorre em dezembro de 2002. E como visto, a parte dispositiva reconhece a decadência de fatos geradores ocorridos antes de 17/01/2002, exclusive, o que alcança a competência de 13/2002, que pode vir a ser objeto de cobrança pela RFB; 5. Assim, o aresto embargado merece ser sanado, no que tange às competências que efetivamente foram alcançadas pela decadência, posto que a competência de 13/2002 não deve ser incluída dentre essas. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35373.000105/200790 Acórdão n.º 2803002.490 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, o vício quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Na análise do acórdão proferido verifico que há razão na oposição dos embargos e em seus fundamentos, pois o acórdão contém efetivamente a contradição descrita pela Procuradoria da Fazenda Nacional. In casu, considerando que o colegiado reconheceu a decadência de fatos geradores ocorridos antes de 17/1/2002, ou seja, dezembro de 2001 a 01/1999, obviamente que a competência 13/2002, sendo posterior a 17/1/2002, não foi alcançada pelo referido instituto, estando, portanto, inapta à cobrança pela RFB. Portanto, havendo a contradição apontada, o acórdão deve ser modificado. A competência 13/2002 está apta à cobrança Destarte, procedentes as alegações da embargante. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo acolhimento dos embargos apresentados para confirmar que a competência 13/2002 está apta à cobrança, ou seja, não está abrangida pela decadência. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35373.000105/200790 Acórdão n.º 2803002.490 S2TE03 Fl. 6 5 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979326/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/07/2001
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/07/2001 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10880.979326/2009-01
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5258350
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.711
nome_arquivo_s : Decisao_10880979326200901.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10880979326200901_5258350.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
id : 4908219
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984380977152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2105; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.979326/200901 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802001.711 – 2ª Turma Especial Sessão de 13 de junho de 2013 Matéria PERDCOMP Recorrente TRANSPORTADORA GATAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/07/2001 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 26 /2 00 9- 01 Fl. 29DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 13) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de CSLL— cód. 2372, no montante de R$ 22,65, ocorrido em 31/07/2001, com débito próprio de COFINS — cód. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 22/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a titulo de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n°16284.17353. 141105.1.2.047100, relativo ao período de apuração abr/2001. Nesse período, Fl. 30DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979326/200901 Acórdão n.º 1802001.711 S1TE02 Fl. 3 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 2.097,27, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de calculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SPI) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.373, de 27 de outubro de 2010 (fls.12/15), cientificado ao interessado em 15/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.12): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador:31/07/2001 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 23166.09028.221105.1.3.046830 (fls.01/02), transmitido em 22/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 39,94, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do CSLL no valor de R$ 22,65, código – 2372; Período de Apuração: 30/06/2001; Data de Arrecadação: 31/07/2001. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 23/09/2009(fl.07), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fl.08), uma relação de conhecimentos de transporte relativos ao período de apuração de abril/2001 e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 2.097,27. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (CSLL, código 2372) foi utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de abril/2001, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). Fl. 32DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979326/200901 Acórdão n.º 1802001.711 S1TE02 Fl. 4 5 No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de calculo da CSLL relativa ao período de apuração de abr/2001, visto que, está desacompanhada de copia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mas, apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo da CSLL do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil e comparar com os valores declarados na DIPJ/2002 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação do conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de abril/2001. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Fl. 34DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979326/200901 Acórdão n.º 1802001.711 S1TE02 Fl. 5 7 A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 22/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10983.903151/2008-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10983.903151/2008-14
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5268279
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1803-001.770
nome_arquivo_s : Decisao_10983903151200814.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : WALTER ADOLFO MARESCH
nome_arquivo_pdf_s : 10983903151200814_5268279.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
id : 4961011
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984407191552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1639; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 85 1 84 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.903151/200814 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.770 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de julho de 2013 Matéria PER/DCOMP Recorrente CANCELIER FOMENTO MERCANTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 31 51 /2 00 8- 14 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório CANCELIER FOMENTO MERCANTIL LTDA ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ FLORIANÓPOLIS (SC), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada nãohomologada a Declaração de Compensação DCOMP n° 15445.26379.231104.1.3.04 5083, transmitida pela interessada em 23/11/2004, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real (código de receita 2362). Do Despacho Decisório extraise a seguinte motivação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 408,94. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF (...) Irresignada com o feito fiscal, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega: Ao preenchermos as Per/Dcomp, informamos que o tipo de origem do crédito era procedente de pagamentos efetuados durante o exercício 2003 a maior, sendo que em dezembro de 2003 os mesmos ficaram informados na DIPJ 2004 como "Saldo Negativo ". Partindo deste princípio formalizamos cada compensação em 2004 utilizando estes pagamentos a maior por Darf recolhido até a completa utilização destes créditos conforme o resumo abaixo detalhado com ou sem Processo Decisório. Processo de Crédito 10983.903151/200814 Crédito Original R$ 408,94 data arrecadação em 31/03/2003 Cód. 2362 Referente parte saldo negativo, conforme D1PJ/2004. [...] pedimos que considerem as compensações efetuadas formalizadas através do "Tipo de Origem do Crédito" como Pagamento indevido ou a Maior por Darf recolhido já que os Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10983.903151/200814 Acórdão n.º 1803001.770 S1TE03 Fl. 86 3 mesmos compunham individualmente o Crédito do Saldo Negativo informado em 31/12/2003 na DIPJ/2004. O "Saldo Negativo" então, foi formalizado como compensação de "pagamento indevido ou a maior" por guia Darf recolhida. (...) Por desconhecimento e falta de assessoria referente à montagem dos Pedidos Eletrônicos e como utilizar o Programa gerador destas compensações assim como todos os procedimentos e termo técnicos que não conseguíamos interpretálos, optamos por utilizar o que está acima exposto. Entendendo estar corretos os procedimentos pelo que ao verificar pendências para encontrar quaisquer erros nada criticou e ainda por cima foi transmitida com sucesso deixandonos confiantes de que os procedimentos adotados foram corretos. A vista de todo o exposto, demonstrado a insubsistência e improcedência da ação fiscal, esperam e requerem a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Neste momento processual foram juntadas ao processo informações relativas a débito declarado em DCTF pela contribuinte (fl. 26). A DRJ FLORIANÓPOLIS (SC), através do acórdão nº 0724.686, de 03 de junho de 2011 (fls. 27/31 eproc), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão foi dispensado de ementa, fundamentando basicamente a decisão na impossibilidade de compensar estimativas de CSLL e IRPJ e da vedação de alteração da PER/DCOMP após o despacho decisório. Ciente da decisão em 03/08/2011, conforme ciência pessoal (fl. 33), apresentou o recurso voluntário em 25/08/2011 fls. 38/39 (eproc), onde reafirma seu direito ao crédito e homologação das compensações. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de PER/DCOMP contendo o direito creditório relativo a estimativa de IRPJ recolhida no ano calendário 2003, com débitos do ano calendário 2004. Alega a recorrente em síntese que conforme consta de sua DIPJ do ano calendário 2003 (Exercício 2004), detém saldo negativo de IRPJ e CSLL, sendo que considerou indevidamente no PER/DCOMP os DARF recolhidos como pagamentos indevidos ou a maior. Assiste parcial razão à interessada. Com efeito, inicialmente não subsiste mais a restrição em relação a compensação de estimativas de IRPJ e CSLL recolhidas indevidamente, apontada como óbice pela Delegacia de Julgamento, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 84: (verbis) Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por outro lado, resta evidente a existência de saldo negativo de IRPJ e CSLL conforme atesta a DIPJ (fls. 62/66), fato que por si só evidenciaria a existência de direito creditório frente a Fazenda Nacional. Considerando, a alegação de que o valor indevidamente recolhido integra o saldo negativo de IRPJ/CSLL, a este título deve ser considerado e apreciado pela unidade jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10983.903151/200814 Acórdão n.º 1803001.770 S1TE03 Fl. 87 5 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10925.904083/2009-86
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2005
Ementa:
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 1802-001.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2005 Ementa: RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10925.904083/2009-86
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5283438
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.793
nome_arquivo_s : Decisao_10925904083200986.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10925904083200986_5283438.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
dt_sessao_tdt : Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
id : 5005763
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984419774464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.904083/200986 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802001.793 – 2ª Turma Especial Sessão de 07 de agosto de 2013 Matéria PERDCOMP Recorrente CENTRO EDUCACIONAL EXPONENCIAL S/A CEESA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2005 Ementa: RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 40 83 /2 00 9- 86 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.37) que a seguir transcrevo: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada não homologada a Declaração de Compensação DCOMP transmitida pela interessada, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda.da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei n 5.172, de 265 de outubro de 1966 (CTN) e art: 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei n?9.430, de 27 de dezembro de 1996. Irresignada com o feito fiscal, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega: em primeiro lugar, que não apura IRPJ e CSLL sob a forma de estimativa mensal, mas sim sob a forma de balancetes de suspensão ou redução, fato que já seria suficiente para tornar insustentável o despacho decisório; que em momento algum a Lei nº 9.430/96 vedava, à época de transmissão da DComp, a compensação nos moldes do que alega o despacho decisório; que a lista contida no § 3º do art. 74 da Lei n2 9.430/96 é taxativa, não se podendo admitir a criação de novas hipóteses restritivas pela via infralegal; que a vedação à compensação em questão somente veio a ser implementada quando da edição da Medida Provisória nº 449, de 2008; que a vedação contida na MP n 449, de 2008, não consta na Lei n2 11.491/2009. que resultou da conversão daquela MP; que, em vista do que dispõe o inciso VI do art. 97 c/c inciso II do art. 156 do CTC, somente mediante lei se admite a imposição de hipóteses restritivas à extinção do crédito tributário; que o art. 170 do CTN também prestigia o princípio da legalidade em matéria de compensação; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.904083/200986 Acórdão n.º 1802001.793 S1TE02 Fl. 3 3 que é inequívoca a conclusão pela ausência de previsão legal dessa natureza, e qualquer restrição imposta constitui ilegalidade. Por fim, requer a reforma do despacho decisório e a conseqüente homologação das compensações efetuadas. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0724.582, de 27 de maio de 2011 (fls.37/40). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 19/07/2011 (Aviso de RecebimentoAR, fl.42), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 12/08/2011 (fls.43/49). As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na impugnação, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente requer seja provido o presente Recurso, com a reforma do despacho decisório, e da decisão da DRJ, com a conseqüente homologação das compensações efetuadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo, porém dele não conheço por não preencher todos os requisitos de admissibilidade. Com efeito, o presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 05130.57735.251006.1.3.040702 (fls.01/05), transmitido em 25/10/2006, em que a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (DARF: código – 2362, Período de Apuração:28/02/2005, Data de Arrecadação: 31/03/2005, Valor: R$ 15.049,45 ). Segundo o Despacho Decisório de fl.06, emitido em 11/05/2009, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Em sede de primeira instância, a pessoa jurídica apresentou a manifestação de inconformidade em 19/06/2009 (fls.10/14), julgada improcedente mediante o Acórdão nº 0724.582, de 27 de maio de 2011 (fls.37/40) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação conforme explicitado acima. Inconformado com a mencionada decisão, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 12/08/2011 (fls.43/49) no qual repisa as mesmas alegações da manifestação de inconformidade sintetizadas no relatório. Ocorre que, posteriormente, a Recorrente ajuizou ação anulatória de débito fiscal, processada sob o rito ordinário, em face da UNIÃO FAZENDA NACIONAL, objetivando provimento jurisdicional que declare a extinção, por compensação, dos créditos tributários que são objeto dos processos administrativos n. 10925904.091/200922, 10925 904.083/200986, 10925904.092/200977, 10925904.093/200911, 10925904.094/200966, 10925904.085/200975 e 10925 904.084/200921, conforme informado no “Despacho de Encaminhamento” da DRF JOAÇABA / SC de 23/10/2012, constante dos autos, vejamos: Por meio de correio eletrônico datado de 19/10/2012, a DRFJoaçaba tomou conhecimento da ação judicial 5004209 17.2011.404.7202.s.m.j., objeto da referida ação é idêntico ao que se discute no âmbito dos processos administrativos 10925 904.091/200922,10925904.083/200986, 10925904.092/2009 77, 10925904.093/200911,10925904.094/200966, 10925 904.085/200975 e 10925 904.084/200921, os quais encontramse tramitando neste CARF.Desta forma, nos termos do ADN Nº 03 de 14/02/1996, dou ciência da ação judicial ao CARF para que proceda às medidas necessárias. (Grifei) Nos presentes autos a discussão gira em torno da extinção, por compensação, dos créditos tributários que são objeto do processo administrativo nº 10925904.083/200986, incluso na demanda judicial. Desse modo, por se tratar de concomitância de discussão no âmbito administrativo e na esfera judicial há de se aplicar o entendimento desse Conselho Administrativo esboçado na súmula Carf nº 1, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há como apreciar a questão submetida ao Judiciário, devendo ser declarada a definitividade da não homologação da compensação na esfera administrativa. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.904083/200986 Acórdão n.º 1802001.793 S1TE02 Fl. 4 5 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.904085/2009-75
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/05/2005
Ementa:
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 1802-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/05/2005 Ementa: RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10925.904085/2009-75
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5283440
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.795
nome_arquivo_s : Decisao_10925904085200975.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10925904085200975_5283440.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
dt_sessao_tdt : Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
id : 5005765
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984425017344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.904085/200975 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802001.795 – 2ª Turma Especial Sessão de 07 de agosto de 2013 Matéria PERDCOMP Recorrente CENTRO EDUCACIONAL EXPONENCIAL S/A CEESA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/05/2005 Ementa: RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 40 85 /2 00 9- 75 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.37) que a seguir transcrevo: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada não homologada a Declaração de Compensação DCOMP transmitida pela interessada, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda.da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei n 5.172, de 265 de outubro de 1966 (CTN) e art: 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei n?9.430, de 27 de dezembro de 1996. Irresignada com o feito fiscal, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega: em primeiro lugar, que não apura IRPJ e CSLL sob a forma de estimativa mensal, mas sim sob a forma de balancetes de suspensão ou redução, fato que já seria suficiente para tornar insustentável o despacho decisório; que em momento algum a Lei nº 9.430/96 vedava, à época de transmissão da DComp, a compensação nos moldes do que alega o despacho decisório; que a lista contida no § 3º do art. 74 da Lei n2 9.430/96 é taxativa, não se podendo admitir a criação de novas hipóteses restritivas pela via infralegal; que a vedação à compensação em questão somente veio a ser implementada quando da edição da Medida Provisória nº 449, de 2008; que a vedação contida na MP n 449, de 2008, não consta na Lei n2 11.491/2009. que resultou da conversão daquela MP; que, em vista do que dispõe o inciso VI do art. 97 c/c inciso II do art. 156 do CTC, somente mediante lei se admite a imposição de hipóteses restritivas à extinção do crédito tributário; que o art. 170 do CTN também prestigia o princípio da legalidade em matéria de compensação; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.904085/200975 Acórdão n.º 1802001.795 S1TE02 Fl. 3 3 que é inequívoca a conclusão pela ausência de previsão legal dessa natureza, e qualquer restrição imposta constitui ilegalidade. Por fim, requer a reforma do despacho decisório e a conseqüente homologação das compensações efetuadas. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0724.584, de 27 de maio de 2011 (fls.37/40). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 19/07/2011 (Aviso de RecebimentoAR, fl.42), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 12/08/2011 (fls.43/49). As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na impugnação, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente requer seja provido o presente Recurso, com a reforma do despacho decisório, e da decisão da DRJ, com a conseqüente homologação das compensações efetuadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo, porém dele não conheço por não preencher todos os requisitos de admissibilidade. Com efeito, o presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 02523.67884.251006.1.3.040877 (fls.01/05), transmitido em 25/10/2006, em que a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (DARF: código – 2362, Período de Apuração:30/04/2005, Data de Arrecadação: 30/05/2005, Valor: R$ 14.608,38 ). Segundo o Despacho Decisório de fl.06, emitido em 11/05/2009, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Em sede de primeira instância, a pessoa jurídica apresentou a manifestação de inconformidade em 19/06/2009 (fls.10/14), julgada improcedente mediante o Acórdão nº Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 0724.584, de 27 de maio de 2011 (fls.37/40) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação. Inconformado com a mencionada decisão, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 12/08/2011 (fls.43/49) no qual repisa as mesmas alegações da manifestação de inconformidade sintetizadas no relatório acima. Ocorre que, posteriormente, a Recorrente ajuizou ação anulatória de débito fiscal, processada sob o rito ordinário, em face da UNIÃO FAZENDA NACIONAL, objetivando provimento jurisdicional que declare a extinção, por compensação, dos créditos tributários que são objeto dos processos administrativos n. 10925904.091/200922, 10925 904.083/200986, 10925904.092/200977, 10925904.093/200911, 10925904.094/200966, 10925904.085/200975 e 10925 904.084/200921, conforme informado no “Despacho de Encaminhamento” da DRF JOAÇABA / SC de 23/10/2012, constante dos autos, vejamos: Por meio de correio eletrônico datado de 19/10/2012, a DRFJoaçaba tomou conhecimento da ação judicial 5004209 17.2011.404.7202.s.m.j., objeto da referida ação é idêntico ao que se discute no âmbito dos processos administrativos 10925 904.091/200922,10925904.083/200986, 10925904.092/2009 77, 10925904.093/200911,10925904.094/200966, 10925 904.085/200975 e 10925 904.084/200921, os quais encontramse tramitando neste CARF.Desta forma, nos termos do ADN Nº 03 de 14/02/1996, dou ciência da ação judicial ao CARF para que proceda às medidas necessárias. (Grifei) Nos presentes autos a discussão gira em torno da extinção, por compensação, dos créditos tributários que são objeto do processo administrativo nº 10925904.085/200975, incluso na demanda judicial. Desse modo, por se tratar de concomitância de discussão no âmbito administrativo e na esfera judicial há de se aplicar o entendimento desse Conselho Administrativo esboçado na súmula Carf nº 1, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há como apreciar a questão submetida ao Judiciário, devendo ser declarada a definitividade da não homologação da compensação na esfera administrativa. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.904085/200975 Acórdão n.º 1802001.795 S1TE02 Fl. 4 5 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.010853/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA –PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Anos-calendário: 2002 e 2003
MULTA QUALIFICADA – SÚMULA CARF n. 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - PRAZO DECADENCIAL – Afastada a hipótese legal prevista ao final do §4º., do art. 150 do CTN, e tendo ocorrido declaração/pagamento dos tributos exigidos no ano-calendário objeto dos lançamentos, a contagem do prazo decadencial contar-se-á da data do fato gerador da obrigação tributária, consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 973.733/SC).
Numero da decisão: 1301-000.829
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferido pelo Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO DE RENDA –PESSOA JURÍDICA - IRPJ Anos-calendário: 2002 e 2003 MULTA QUALIFICADA – SÚMULA CARF n. 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - PRAZO DECADENCIAL – Afastada a hipótese legal prevista ao final do §4º., do art. 150 do CTN, e tendo ocorrido declaração/pagamento dos tributos exigidos no ano-calendário objeto dos lançamentos, a contagem do prazo decadencial contar-se-á da data do fato gerador da obrigação tributária, consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 973.733/SC).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10830.010853/2007-15
conteudo_id_s : 5253861
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.829
nome_arquivo_s : Decisao_10830010853200715.pdf
nome_relator_s : VALMIR SANDRI
nome_arquivo_pdf_s : 10830010853200715_5253861.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferido pelo Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4879260
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984439697408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1930; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.010853/200715 Recurso nº 167.956 Voluntário Acórdão nº 1301000.829 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2012 Matéria IRPJ e outros Fatos geradores 2002 e 2003 Recorrente Packduque Indústria de Plásticos Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA –PESSOA JURÍDICA IRPJ Anoscalendário: 2002 e 2003 MULTA QUALIFICADA – SÚMULA CARF n. 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PRAZO DECADENCIAL – Afastada a hipótese legal prevista ao final do §4º., do art. 150 do CTN, e tendo ocorrido declaração/pagamento dos tributos exigidos no anocalendário objeto dos lançamentos, a contagem do prazo decadencial contarseá da data do fato gerador da obrigação tributária, consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 973.733/SC). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferido pelo Relator. Declarouse impedido o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Fl. 0DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 1301000.829 S1C3T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 1301000.829 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório O litígio em exame estabeleceuse em torno de auto de infração lavrado contra Packduque Indústria de Plásticos Ltda., para exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), em decorrência da constatação de omissão de receitas oriundas de depósitos bancários de origens não comprovadas, ocorrida nos anoscalendário 2002 e 2003. A ação fiscal originouse de Representação Fiscal da ALF Viracopos, motivada pelos seguintes fatos: (a) constatação de que a empresa fora constituída no ano de 2000 com o mesmo quadro societário, a mesma atividade econômica e domiciliada no mesmo endereço onde funcionava a empresa PACKTEC INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS PLÁSTICOS LTDA. — CNPJ n° 56.121.1061000106; (b) constatação de falta de pagamentos de IPI; (c) não apresentação do livro Registro de Apuração do IPI; (d) a divergência de valores informados a titulo de estoque de matériasprimas nas DIPJ 2002 (estoque final = ZERO) e DIPJ 2003 (estoque inicial = R$ 1.122.135,50). Foi aplicada a multa de 150%, uma vez que a autoridade fiscal considerou "que houve evidente intuito de fraude, tendo o contribuinte demonstrado intuito doloso no sentido de impedir, ou, no mínimo retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção das receitas percebidos na qualidade de pessoa jurídica". A autoridade fiscal concluiu pela fraude em razão da constatação da existência de uma grande diferença entre as receitas declaradas pela fiscalizada e aquelas apuradas em sua movimentação bancária. Observou, também, que a conduta da fiscalizada foi reiterada, nos anos de 2002 e 2003. Relatou, ainda, que a consulta ao sistema Dossiê Integrado para o CNPJ do sujeito passivo dá conta de informações de compras de seus clientes em valores bastante superiores às suas vendas declaradas à Receita Federal através das respectivas Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJs), fato este que, no entendimento da autoridade lançadora, "corrobora para a convicção de que a movimentação financeira é de fato relativa a receitas de vendas de comercialização dos produtos industrializados pela fiscalizada". Em regular procedimento de fiscalização na área do IRPJ, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem de recursos correspondentes a créditos em suas contas correntes em cinco instituições financeiras, tendo resultado, afinal, na apuração de omissão de receitas correspondentes aos valores cuja origem o contribuinte não alcançou comprovar. Foram, então, procedidos os lançamentos de ofício para exigência dos tributos sobre os quais a omissão de receitas influiu. Em impugnação tempestiva a contribuinte argüiu a nulidade do procedimento porque o MPF só continha autorização para verificações no campo do IRPJ e do IPI apenas para o ano de 2002, e pelo não cumprimento das condições necessárias para a Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira (RMF). Alegou, ainda, como causa de nulidade do auto de infração, o descumprimento do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto à determinação da matéria tributável (apoderamento irregular de informações sobre a movimentação financeira, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 1301000.829 S1C3T1 Fl. 4 4 desconsideração das informações contidas nas DIPJs de seus clientes para comprovação da origem dos depósitos, tributação da totalidade dos depósitos, aplicação de penalidade incompatível com os fatos e infrações supostamente praticadas, descumprimento do §3º., inc. I, do art. 42 da Lei nº 9.430, ilegal inversão do ônus da prova). E mais, nulidade por ausência de base legal para o lançamento de IPI com base em créditos bancários. Contestou a qualificação da penalidade. Disse que não foi esse o procedimento adotado em caso análogo da PACKTEC, e sustenta não ser possível a qualificação de penalidade por presunção de fraude, quando amparada à exigência de oficio em presunção legal de omissão de rendimentos, e também por não ser cabível o arbitramento porquanto os depósitos bancários tiveram a origem devidamente comprovada pela própria fiscalização que, diante das informações das compras de seus clientes, concluiu que a movimentação financeira é de fato relativa a receitas de vendas de comercialização dos produtos produzidos pela fiscalizada. Ressalta não ser possível a qualificação por não ser o caso de movimentação de contas bancárias de interpostas pessoas, "que é a única hipótese considerada capaz de justificar a qualificação da penalidade imposta". Protestou pelo reconhecimento da decadência quanto aos fatos geradores ocorridos em 2002. Protestou provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, inclusive a posterior juntada de documentos e sustentação oral a ser realizada na sessão de julgamento; requereu a realização de perícia e diligência fiscal, em razão da incorreta apuração da base de cálculo dos impostos, seja (i) por não terem sido desconsideradas as movimentações financeiras que não correspondem a depósitos bancários mas sim como simples transferências entre contas correntes ou aplicações financeiras ou (ii) devido à não consideração da existência de notas fiscais e respectivos comprovantes de pagamento que comprovam a origem dos depósitos bancários. A 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. Apurandose infração em relação a tributo contido no MPFF, que também configure, com base nos mesmos elementos de prova, infração a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF. NULIDADE. Verificado que o procedimento adotado pela fiscalização encontra fundamento no Decreto n° 3.724, de 2001, que autoriza a expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 1301000.829 S1C3T1 Fl. 5 5 Financeira RMF, bem como na Portaria SRF n° 180, de 1 de fevereiro de 2001, não há que se falar em nulidade do feito. PRELIMINARES. MATÉRIA DE MÉRITO Rejeitamse questões postas como preliminares que, na verdade, atacam o mérito do lançamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS – CSLL, PIS E COFINS. Lavrado o auto principal (IRPJ), devem também ser lavrados os autos reflexos, nos termos do art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95, devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem, observadas as especificidades de cada um JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. PEDIDO DE PERÍCIA NEGADO Incabível a perícia quanto à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos, da verificação de exigências legais ou de detalhes que não sejam a ela importantes. SUSTENTAÇÃO ORAL – 1ª. INSTÂNCIA IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a sustentação oral no julgamento de 1ª instância, devendo este pedido ser veiculado em eventual recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 PRAZO DECADENCIAL FRAUDE. Improcede a alegação de decadência quando lançamento foi realizado no prazo prescrito no art. 173, inc. I, do CTN, norma aplicável em caso de configuração de conduta fraudulenta. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 FALTA DE ESCRITURAÇÃO NÃO APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS FISCAIS. A nãoapresentação ou o extravio dos livros fiscais obrigatórios, em especial o Livro Caixa na apuração pelo Lucro Presumido, impõe a necessidade do arbitramento do lucro. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 1301000.829 S1C3T1 Fl. 6 6 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE CABIMENTO. As circunstâncias específicas do caso, ao permitirem identificar o evidente intuito de fraude, justificam a aplicação da multa qualificada. Lançamento Procedente Ciente da decisão em 20 de agosto de 2008, a interessada ingressou com recurso em 19 de setembro seguinte, reeditando as razões declinadas na impugnação. Em dezembro de 2010 a Secretaria da 1ª Seção do CARF encaminhou o processo à repartição de origem para as providências decorrentes da renúncia expressa do recurso, mantido, entretanto, quanto à “majoração e qualificação da multa” e à decadência para os fatos geradores ocorridos até novembro de 2002 (fls.842). Retornam agora os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 1301000.829 S1C3T1 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, a Recorrente renunciou expressamente do recurso no que tange ao IRPJ e CSLL com fatos geradores ocorridos no mês de dezembro de 2002 (4º. trimestre) a dezembro de 2003, bem como ao PIS e a COFINS para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2002 a dezembro de 2003, mantendo, entretanto, a discussão quanto à “qualificação da multa de ofício” e à decadência para os fatos geradores ocorridos até novembro de 2002 (fls. 832), o que se impõe, portanto, tratar inicialmente da ocorrência ou não das hipóteses prevista nos artigos 71,72 e 73 da Lei n. 4.502/64. Isto porque, a jurisprudência sem discrepância quanto à interpretação do § 4º do art. 150 do CTN, é no sentido de que, em casos de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência se desloca para o art. 173, ou seja, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Assim, a análise da decadência reclama o prévio exame da acusação de fraude apontada pela fiscalização. Para refutar a acusação de fraude, pondera a interessada que em caso análogo, da Packtec, cujo lançamento foi efetuado em 2001, não foi qualificada a multa, e que o lançamento fundamentouse apenas em presunção legal. Acrescenta, ainda, que a origem dos depósitos foi vislumbrada pela própria fiscalização, do cotejo das informações declaradas pelos seus clientes. Por seu turno, a autoridade fiscal assim motivou a qualificação da penalidade: DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFICIO 22 No caso em apreço existe uma grande diferença entre as receitas declaradas efetivamente e os tributos apurados nas respectivas Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF dos anos de 2002 e 2003, dos valores movimentados nas contas bancárias da fiscalizada. 23) O lançamento por homologação, como é o caso do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, transfere ao sujeito passivo toda a responsabilidade pela apuração e antecipação do montante devido, sem aguardar qualquer exame prévio da Administração Fazendária. Por isso, a omissão reiterada (2002/2003) do contribuinte em prestar as informações devidas à autoridade tributária é capaz, por si só, de gerar a sonegação fiscal. 24) O art. 42 da Lei no. 9430/96 inverte o ônus da prova em favor da Fazenda, permitindo a autuação do contribuinte quando este não comprova com documentação hábil e idônea a origem de seus depósitos. E não se pode alegar que, por ser Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 1301000.829 S1C3T1 Fl. 8 8 presunção, fica afastada a possibilidade de se caracterizar o dolo. A presunção legal apenas inverte o ônus da prova o que não impede a caracterização do dolo, muito bem demonstrado no caso em comento. A presunção é espécie de prova, consoante disposto no artigo 212, inciso IV, do Código Civil. É prova indireta, mas por ser indireta não perde a sua natureza probatória. As presunções legais surgem de situações nas quais, com tranqüilidade, os indícios denotam a ocorrência do ilícito tributário. 25) Para corroborar tal entendimento buscaremos as brilhantes assertivas do acórdão do Tribunal Regional Federal da 4° Região, extraídas do Recurso Especial 379081/RS, do Superior Tribunal de Justiça: ".... Por certo, que o fato gerador do imposto de renda, a teor do art. 43, "caput", e incisos, do Código Tributário Nacional (CTN), corresponde à aquisição efetiva de disponibilidade econômica ou jurídica. E, claro, meros depósitos bancários não são, necessariamente, acréscimo patrimonial, auferido pelo contribuinte. Até, porque não se pode presumir fato gerador em matéria tributária. Só que, se por um lado, o depósito, em si, não é fato gerador de obrigação tributária, por outro, ele indica a existência de rendimentos que, aliados a outros elementos de prova confirmam a aquisição de renda, justificando a incidência tributária. Exatamente, por isso, que o contribuinte é regularmente, intimado, para demonstrar (e, em matéria tributária o ônus se inverte) que tais receitas (ou variações positivas na conta corrente, ou aplicações) não são tributáveis (como as alegadas, e não provadas, recebimentos, pelos clientes, de valores indenizados). O parágrafo 5 º, do art. 6º da Lei 8.021/90 não afronta o artigo 43, "caput", e incisos do CTN (enquanto Lei complementar), ao permitir arbitramento, com base, em depósitos bancários, ou aplicações realizadas junto às instituições financeiras. Isto porque, deixa aberta, ao contribuinte a possibilidade de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o contribuinte não demonstra a origem dos depósitos, então não estamos mais diante de uma presunção, mas, sim, diante de um efetivo acréscimo patrimonial, (grifo nosso) Como bem salientou, a Ré, em seu apelo, "... se tais valores são movimentados à sua ordem, o pressuposto lógico é que pertençam ao contribuinte. E se não foram declarados, são rendimentos omitidos, sujeitandose o infrator ao lançamento de oficio. Portanto, não cabe ao Fisco demonstrar o que já está demonstrado, ou seja, que tais depósitos são rendimentos do contribuinte e que o mesmo os omitiu a tributação. Se a situação do contribuinte fugir a tal regra de raciocínio lógico, caberia a ele e só a ele provála, demonstrando, por exemplo, que o dinheiro que transitou por suas contas bancárias não lhe pertence ou que tem por hábito ficar fazendo sucessivos saques e depósitos com o mesmo dinheiro, etc...(...) "... como ficou demonstrado, apesar da ampla defesa proporcionada, o contribuinte/Apelado Fl. 7DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 1301000.829 S1C3T1 Fl. 9 9 não provou a origem dos depósitos bancários, flagrantemente superiores ao rendimento declarado...". 26) A movimentação bancária em confronto com a declaração de imposto de renda da pessoa jurídica é prova suficiente da materialidade do delito. Assim, havendo receitas apuradas pelo Fisco, não se vislumbra ser possível que não seja uma atitude dolosa por parte da mesma, pois, se a movimentação fosse lícita bastaria o contribuinte trazer a documentação comprobatória dos recursos para elidir a presunção legal e fulminar a omissão de rendimentos. Mesmo porque, incumbe ao contribuinte demonstrar que não agiu ilicitamente. 27) E não é o Fisco que tem que demonstrar que a movimentação financeira da fiscalizada não se refere a receitas tributáveis e sim o contribuinte que teve prazo para se defender e, se não o fez, é porque, talvez, o mesmo não possa justificar o injustificável. 28) Portanto, diante do acima exposto, a fiscalizada fica sujeita a lançamento de oficio do IRPJ e tributos reflexos, com qualificação da multa (artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96), e demais conseqüências legais já que houve evidente intuito de fraude, tendo o contribuinte demonstrado intuito doloso no sentido de impedir, ou, no mínimo retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção das receitas percebidos na qualidade de pessoa jurídica. "A omissão deliberada de seus rendimentos, de forma reiterada, justifica a qualificação da multa nos termos do inciso II e parágrafo 2°. do artigo 44, da Lei no. 9.430/96." O Relator da decisão de primeira instância, após extensa consideração quanto aos conceitos de dolo e sonegação, assentou: No caso presente, a própria autuante, com o devido zelo, preocupouse em justificar a qualificação da penalidade em razão das circunstâncias especificas do caso, quais sejam: a) a grande divergência entre os valores de receitas declaradas em suas DIPJs e a movimentação financeira de origem não comprovada, assim como a própria significância dos valores transitados nas suas contas bancárias; b) a reiteração da conduta, constatada durante os anos de 2002 e 2003. E ainda cabe acrescentar a ocorrência de outras circunstâncias que comprovam a conduta dolosa do sujeito passivo: a) a falta de escrituração contábil dos valores depositados nas contas bancárias, mantidas, portanto, à margem da contabilidade, o que igualmente embaraça a ação fiscal; Fl. 8DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 1301000.829 S1C3T1 Fl. 10 10 b) coincidência das empresas PACKDUQUE e PACKTEC, instaladas no mesmo endereço, com a mesma atividade e o mesmo quadro societário, conforme apontada pela Representação Fiscal da ALF Viracopos, ambas atuando da mesma forma, em relação aos depósitos bancários. Este quadro, portanto, toma absolutamente implausível a idéia de que se estaria diante de uma conduta involuntária, de um fato isolado, de um mero erro material. Não é razoável imaginar que uma pessoa jurídica, que opere sem intuito de se furtar às suas obrigações tributárias, não possa justificar a maior parte dos ingressos significativos encontrados em suas contascorrentes bancária ou tenha se equivocado em não declarar receitas da atividade auferidas ao longo de três períodos de apuração seguidos. Por sua vez, a Recorrente alega que a DRJ aperfeiçoou o lançamento ao apontar, além das circunstâncias indicadas pela autoridade fiscal, mais duas que justificariam a conduta dolosa do lançamento. Diz carecer competência à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para suprir ausência de fundamento do ato administrativo de lançamento tributário, devendo estar adstrita exclusivamente ao julgamento da legalidade do indigitado ato. De fato, a despeito de a fiscalização carrear aos autos outros elementos que comprovaram a omissão de receitas pela Recorrente, tais como, informações de empresas que efetivamente adquiriram mercadorias da contribuinte em valores substanciais aqueles por ela declarados, a qualificação, como visto acima, se deu pelo fato de a fiscalização entender que a Recorrente agiu de forma dolosa em esconder da administração tributária, parte substancial de suas receitas em dois anoscalendário. Ou seja, o motivo declinado pela fiscalização para qualificar a multa, foi o fato de a contribuinte ter declarado em DCTFs, valores incompatíveis com a sua movimentação financeira nos anoscalendários de 2002 e 2003. Por seu turno, a omissão de receitas não foi apurada com base na circularização de informações/documentos das empresas que adquiriram mercadorias da ora Recorrente (prova direta), mas sim, exclusivamente com base na movimentação financeira da contribuinte (presunção legal capitulada no art. 42 da Lei 9.430/96), ou seja, a despeito de haver prova direta da efetiva omissão de receitas, conforme demonstrativo “Vendas DIPJ Terceiros”, a receita bruta apurada pela fiscalização para proceder ao lançamento dos tributos, se deu com base nos depósitos/créditos bancários de origem não comprovada. Logo, entendo plenamente aplicável a Súmula CARF n. 25, que prescreve: “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64.” Portanto, afastada a qualificação da multa de ofício para os anoscalendário de 2002 e 2003, fazse necessário proceder a análise da decadência suscitada pela Recorrente para os fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2002, eis que para os períodos seguintes (dezembro de 2002 a dezembro de 2003), a contribuinte desistiu expressamente de suas razões recursais, para efeito do que dispõe a Lei n. 11.941/2009. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 1301000.829 S1C3T1 Fl. 11 11 Conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal (fls. 38/45), a contribuinte apresentou regularmente as Declarações de Débitos e Créditos Tributários – DCTF dos anoscalendário de 2002 e 2003, declarando parte dos tributos efetivamente devidos, conforme se constata das fls. 488/495. Dessa forma, tendo sido comprovado nos autos que o contribuinte declarou e efetuou pagamentos dos tributos ora exigidos naqueles anoscalendário, ainda que de forma parcial, aplicase aqui a norma disposta no art. 150, §4º. do CTN, para efeito da contagem do prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de ofício, consoante entendimento do E. Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 973.733/SC). Logo, por ter o contribuinte sido cientificado dos lançamentos em 17 de dezembro de 2007, há que se afastar as exigências do IRPJ e da CSLL para os fatos geradores ocorridos até o 3º. trimestre de 2002, bem como, para o PIS e a COFINS com fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2002, ante o instituto da decadência. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de março de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 10DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 13807.003227/99-69
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1994 a 30/09/1995
BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15, de 2009.
Nos termos da Súmula CARF nº 15, de 2009, a base de cálculo do PIS, até a entrada em vigor da MP nº 1.212/1995, em março de 1996, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses.
CONSECTÁRIOS LEGAIS. RECOLHIMENTO A MENOR. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. DECRETOS-LEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. INCONSTITUCIONALIDADE COM EFEITOS EX TUNC. INAPLICABILIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN.
A falta de recolhimento do tributo e a ausência de declaração dos débitos à administração tributária autorizam o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, descabendo excluir tais consectários na hipótese de recolhimentos espontâneos com base em lei julgada inconstitucional com efeitos ex tunc. Tendo o contribuinte recolhido o PIS com base nos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, sobre as diferenças exigidas em auto de infração cabe aplicar multa de ofício e juros de mora porque a inconstitucionalidade desses dois Decretos-Leis possui efeitos ex tunc, hipótese que não se enquadra na exclusão de penalidades, juros e correção monetária prevista no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional.
Recurso não conhecido em parte e dado provimento parcial na parte conhecida.
Não pode ser acoimado de nulo o Auto de infração que atende ao disposto nos arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata.
Numero da decisão: 3401-002.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso no que envolve inconstitucionalidade de lei, e na parte conhecida dar provimento parcial, nos termos do voto do Relator.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/1994 a 30/09/1995 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15, de 2009. Nos termos da Súmula CARF nº 15, de 2009, a base de cálculo do PIS, até a entrada em vigor da MP nº 1.212/1995, em março de 1996, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses. CONSECTÁRIOS LEGAIS. RECOLHIMENTO A MENOR. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. DECRETOS-LEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. INCONSTITUCIONALIDADE COM EFEITOS EX TUNC. INAPLICABILIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN. A falta de recolhimento do tributo e a ausência de declaração dos débitos à administração tributária autorizam o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, descabendo excluir tais consectários na hipótese de recolhimentos espontâneos com base em lei julgada inconstitucional com efeitos ex tunc. Tendo o contribuinte recolhido o PIS com base nos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, sobre as diferenças exigidas em auto de infração cabe aplicar multa de ofício e juros de mora porque a inconstitucionalidade desses dois Decretos-Leis possui efeitos ex tunc, hipótese que não se enquadra na exclusão de penalidades, juros e correção monetária prevista no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional. Recurso não conhecido em parte e dado provimento parcial na parte conhecida. Não pode ser acoimado de nulo o Auto de infração que atende ao disposto nos arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13807.003227/99-69
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5262596
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3401-002.226
nome_arquivo_s : Decisao_138070032279969.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
nome_arquivo_pdf_s : 138070032279969_5262596.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso no que envolve inconstitucionalidade de lei, e na parte conhecida dar provimento parcial, nos termos do voto do Relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
id : 4929206
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984447037440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2276; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 300 1 299 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.003227/9969 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.226 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DO PIS RECOLHIDO COM BASE NOS DECRETOSLEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88 Recorrente LOJAS RIACHUELO S.A. Recorrida DRJ CAMPINASSP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1994 a 30/09/1995 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, pelo que argüições de ofensa a princípios constitucionais, como o da moralidade, não são conhecidas. SALDOS CREDORES APURADOS EM DILIGÊNCIA. COMPENSAÇÃO. RITO PRÓPRIO. IMPOSSIBILIDADE DE CÔMPUTO EM PROCESSO DE AUTO DE INFRAÇÃO. Não compete ao CARF se pronunciar sobre pedidos de compensação, exceto em sede de recurso voluntário interposto contra decisão da primeira instância que apreciou manifestação de inconformidade, sendo que eventuais excessos de recolhimentos devem ser reaproveitados pelo contribuinte por meio do procedimento próprio, em vez de empregados para redução dos valores lançados. AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA. Não pode ser acoimado de nulo o Auto de infração que atende ao disposto nos arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1994 a 30/09/1995 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 32 27 /9 9- 69 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 Nos termos da Súmula CARF nº 15, de 2009, a base de cálculo do PIS, até a entrada em vigor da MP nº 1.212/1995, em março de 1996, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses. CONSECTÁRIOS LEGAIS. RECOLHIMENTO A MENOR. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. DECRETOSLEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. INCONSTITUCIONALIDADE COM EFEITOS EX TUNC. INAPLICABILIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN. A falta de recolhimento do tributo e a ausência de declaração dos débitos à administração tributária autorizam o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, descabendo excluir tais consectários na hipótese de recolhimentos espontâneos com base em lei julgada inconstitucional com efeitos ex tunc. Tendo o contribuinte recolhido o PIS com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, sobre as diferenças exigidas em auto de infração cabe aplicar multa de ofício e juros de mora porque a inconstitucionalidade desses dois DecretosLeis possui efeitos ex tunc, hipótese que não se enquadra na exclusão de penalidades, juros e correção monetária prevista no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional. Recurso não conhecido em parte e dado provimento parcial na parte conhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso no que envolve inconstitucionalidade de lei, e na parte conhecida dar provimento parcial, nos termos do voto do Relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS – Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório O processo, que trata de auto de infração do PIS Faturamento mantido integralmente pela primeira instância, retorna após diligência determinada em 03/06/2008 pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Os valores da Contribuição foram acompanhados de juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. No Termo de Verificação Fiscal o autuante informa o seguinte (fl. 79): Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13807.003227/9969 Acórdão n.º 3401002.226 S3C4T1 Fl. 301 3 0 crédito fiscal pleiteado no processo em questão é oriundo de suposto recolhimento a maior da Contribuição ao Programa de Integração Social — PIS, em virtude desta contribuição ter sido calculada e recolhida com base nos Decretos n° 2.445/88 e 2.449/88, julgados inconstitucionais, conforme Resolução 49/95 do Senado Federal. Todavia, a Medida Provisória n° 1.175/95 e suas reedições, regulamentaram novamente a matéria restabelecendo as regras anteriores consubstanciadas na Lei Complementar n° 07/70 e 17/73 e a Lei 8.383/91. Após examinar a certidão de folhas 6, do processo, e os comprovantes de quitação do PIS referentes ao período de apuração de 04/92 a 09/95, inclusive DCTF's apresentadas, bem como proceder a conferência dos recolhimentos dos respectivos débitos considerando todas as guias de depósitos judiciais apresentadas e anexadas por cópia, folhas 08 a 78, esta fiscalização com base na Lei Complementar 07/70 e 17/73 mais as alterações introduzidas pelo artigo 52 inciso IV e pelo artigo 53, inciso IV da Lei n° 8.383/91, procedeu ao recalculo para apurar excessos e insuficiências no recolhimento da contribuição conforme demonstrativos anexos a este Termo, cuja atualização e conversão em UFIR foi calculada de acordo com a Norma de Execução COSIT/COSAR n° 08/97, constatandose que, embora o contribuinte tenha créditos em determinados meses, em outros meses existem débitos. Confrontando os créditos acumulados com os débitos existentes, apurouse insuficiência nos valores depositados em juizo, a partir do período de dezembro de 1994 a setembro de 1995 decorrente do esgotamento do crédito a compensar, a saber Impugnando o lançamento, a contribuinte alega nulidade do lançamento, inexigência simultânea de juros de mora e multa de ofício, abusividade desta e aplicação da semestralidade. A 5ª Turma da DRJ manteve a autuação, rejeitando, inclusive, a aplicação da semestralidade. Observou que a contribuinte não juntou cópia de decisão judicial que lhe assegure o suposto direito de considerar como base de cálculo do PIS, sob a égide da Lei Complementar n° 7, de 1970, o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, e considerou inexistir a possibilidade de cindir a norma tributária, de modo que o aspecto quantitativo da hipótese de incidência pudesse ser aferido no passado – seis meses atrás, como defendido na Impugnação. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte alega preliminarmente ser possível à autoridade administrativa analisar o litígio à luz dos dispositivos constitucionais, refutando o acórdão recorrido no que este considerou que o controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Judiciário. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 No mérito, insiste na improcedência do lançamento, repisando que a Contribuição deve ser apurada com aplicação da semestralidade. Afirma que conforme sentença transitada em julgado em seu favor o PIS deve ser recolhido nos moldes da LC nº 7/70 (na peça recursal menciona à fl. 223 o processo nº 92.00661858, mas às fls. 250/256 junta cópias da Ação Declaratória nº 95.03.0063884). No mais, argúi não ter havido recolhimento a menor, já que foi observada a legislação vigente à época, posta nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, cabendo aplicar à situação dos autos o art. 100, parágrafo único, do CTN, para dispensar os juros de mora e a penalidade aplicada. Menciona também o art. 18, VIII, da Lei nº 10.522, de 2002, que cancela os lançamentos relativos à parcela do PIS exigido na forma do DecretoLei n°s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, no que exceda o devido com fulcro na LC n° 7, de 1970, e alterações posteriores. Ao final requer seja reconhecida “a inexistência de relação jurídica que legitime a exigência e recolhimento do PIS no período dezembro/1994 a setembro/1995, sem a observância da forma correta da Lei Complementar 07/70, ou seja, a aliquota de 0,75% mas a base de cálculo é o faturamento do 6° mês anterior” Realizando a diligência determinada pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que visou ao recálculo da Contribuição com aplicação da semestralidade, a fiscalização elaborou a planilha de fl. 271, segundo a qual há saldos devedores nos períodos de apuração março, abril e junho de 1995 (fatos geradores cujas bases de cálculo correspondem aos meses de setembro, outubro e dezembro de 1994, tomadas sem correção monetária no intervalo dos seis meses) e saldos credores nos restantes. A informação constante da diligência, às fls. 283/284, informa também que o saldo credor já foi pleiteado pela contribuinte por meio das sete PER/DCOMP relacionadas à fl. 272, com seus respectivos processos (três, ao todo); que tais pedidos foram indeferidos pela Divisão de Orientação e Análise Tributária da unidade de origem, conforme despachos decisórios anexados as fls. 274/282; que não foi obtido o despacho referente ao processo n° 10880.7208691200663, mas ele possui conteúdo semelhante; e que a interessada ainda pode apresentar manifestação de inconformidade a ser apreciada pela DRJ. A contribuinte, manifestandose sobre o resultado da diligência, alega inexistirem os débitos nos três períodos de apuração indicados pela diligência, por haver saldos credores muito superiores aos lançados no auto de infração. Volta, então, a requerer anulação do lançamento com base art. 142 CTN, e afirma que o processo nº 10880.720869/200663 nada tem a ver com este, tendo sido nele interposto recurso voluntário em 06/10/2008. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no que defende ser possível à primeira instância analisar o litígio à luz dos dispositivos constitucionais. É que argüições de suposta inconstitucionalidade não podem ser analisadas neste processo administrativo por serem da competência exclusiva do Judiciário, a teor do que Fl. 344DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13807.003227/9969 Acórdão n.º 3401002.226 S3C4T1 Fl. 302 5 dispõe a Constituição Federal, nos seus arts. 97 e 102, I, “a”, III e §§ 1º e 2º deste último. Neste sentido, inclusive, a Súmula CARF nº 2, de 21/12/2009, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Quanto à parte conhecida, cabe reconhecer a aplicação da semestralidade, tal como já adotada nos cálculos da diligência, que não merecem reparo. No mais, o Recurso deve ser negado. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO: REJEIÇÃO Rejeito a nulidade do lançamento, por não vislumbrar a suposta ofensa ao art. 142 do CTN. O auto de infração atende não apenas ao citado art. 142, mas também ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Foi lavrado por servidor competente, possui todos os elementos exigidos, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, incluindo os dispositivos referentes às penalidades. No tocante à matéria tributada, inexistem dúvidas de que as diferenças lançadas se devem à insuficiência de recolhimentos, levandose conta os depósitos judiciais efetuados pela contribuinte. Em face da precisão do lançamento, a contribuinte o compreendeu com perfeição, definindo o litígio cujo ponto nodal é a questão da semestralidade. SEMESTRALIDADE: PROVIMENTO PARCIAL PARA APLICÁLA O tema da semestralidade não foi tratado na Ação Declaratória nº 95.03.0063884, cuja sentença, conforme o relatório da Apelação, é pela procedência parcial “para declarar a inconstitucionalidade do PIS nos moldes dos Decretosleis n.° 2.445 e n.° 2.449, ambos de 1988 e válido o recolhimento pela Lei Complementar nº 7/70.” (fl. 250). Cabe, então, analisála aqui para se chegar à conclusão oposta à do acórdão recorrido, ou seja, para dar guarida à pretensão da recorrente. É que a matéria já foi pacificada, à vista da Súmula CARF nº 15, de 2009, com o seguinte teor: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Referida Súmula interpreta que o art. 6º da LC nº 7/70 enseja a aplicação da semestralidade. Essa a construção jurisprudencial que afinal prevaleceu da interpretação do art. 6º, parágrafo único, da LC 07/70, tudo conforme decisões reiteradas do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Segundo de Conselho de Contribuintes. Embora pessoalmente entenda descabida a disjunção temporal entre o fato gerador e sua base de cálculo, curvome ao entendimento da maioria e voto pela apuração da base de cálculo do PIS com base no faturamento do sexto mês anterior. O meu entendimento pessoal prendese à necessidade de fato gerador e base de cálculo deverem estar em consonância, de modo que o aspecto quantitativo confirme o aspecto material da hipótese de incidência. O legislador ordinário, todavia, parecer ter desprezado tal necessidade, preferindo dissociar a base de cálculo do PIS do seu fato gerador, fixando este num mês e aquela seis meses antes. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 Destaco que a semestralidade, no geral, é aplicável somente até o fato gerador correspondente a fevereiro de 1996, cuja base de cálculo é o faturamento de agosto de 1995. Como é cediço, a aplicação da LC nº 7/70 até fevereiro de 1996, antes do início da eficácia da MP nº 1.212, de 28/11/95, afinal convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/98, devese à inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. Tal inconstitucionalidade, cujos efeitos são ex tunc, elimina por completo as conseqüências da aplicação dos Decretos Leis, com retorno pleno da LC nº 7/70 e alterações posteriores, exceto as dos dois diplomas julgados inconstitucionais. Dentre essas alterações está o aumento da alíquota do PIS para 0,75% a partir do exercício de 1976, na forma da LC nº 17/73. Na situação deste processo, cujos fatos geradores vão de dezembro de 1994 a setembro de 1995, as bases de cálculo correspondentes são as dos meses de junho de 1994 a março de 1995. Todos os períodos de apuração (ou bases de cálculo), portanto, são anteriores a agosto de 1995, pelo que a semestralidade deve ser adotada em todos os meses do lançamento, tal como considerou a diligência (ver planilha à fl. 271). COMPENSAÇÃO DOS SALDOS CREDORES: NECESSIDADE DE PROCESSO ESPECÍFICO A Recorrente alega que inexistiriam os débitos nos três períodos de apuração indicados pela diligência, por haver saldos credores muito superiores aos lançados no auto de infração. Despreza, no entanto, que sob pena de supressão de instância os pedidos de compensação devem seguir rito próprio, a começar pela análise por parte das Delegacias ou Inspetorias da Receita Federal, cujo indeferimento pode ser seguido de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento e posterior Recurso Voluntário, se for o caso. Se ao final dos processos específicos for reconhecido ao contribuinte algum direito creditório, o valor a repetir poderá até ser utilizado para liquidação dos saldos devedores remanescentes no presente auto de infração, mediante compensação. Não se admite, todavia, que tais saldos credores sirvam para reduzir o lançamento, como defendido no pronunciamento sobre o resultado da diligência. Ainda que o processo nº 10880.720869/200663 nada tenha a ver com este, é certo que os saldos credores levantados na diligência devem ser considerados nos processos de compensação específicos. Conforme os documentos juntados por ocasião da diligência e relação na fl. 272, no processo nº 10880.720.885/200656 foram apreciadas três PER/DCOMP, enquanto no processo nº 10880.720.870/200698 foi apreciada uma quarta DCOMP todas contemplando indébito decorrente do recolhimento do PIS com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988 (ver cópias dos despachos decisórios fls. 274/282),. Nesses outros processos, a depender dos julgamentos das manifestações de inconformidade e eventuais recursos voluntários, é que poderão ser computados os saldos credores remanescentes. No presente, que cuida de auto de infração, não há margem para cuidar de qualquer repetição de indébito, ainda que a diligência tenha apurado os saldos credores em questão. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO: LEGALIDADE Por fim, cuido da multa de ofício e dos juros de mora sobre as diferenças remanescentes após aplicação da semestralidade. Interpreto que cabe manter esses consectários Fl. 346DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13807.003227/9969 Acórdão n.º 3401002.226 S3C4T1 Fl. 303 7 legais porque a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 possui efeitos ex tunc, hipótese que não se enquadra no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional (CTN), cuja redação é a seguinte: Normas Complementares Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Como já dito, a aplicação da LC nº 7/70 até o início da eficácia da MP nº 1.212, de 28/11/95, devese à inconstitucionalidade dos malsinados DecretosLeis. Tal inconstitucionalidade, cujos efeitos são retroativos, elimina por completo as conseqüências da aplicação dos dois DecretosLeis, com retorno pleno da LC nº 7/70 e alterações posteriores, exceto as dos dois diplomas julgados inconstitucionais. Daí não caber perquirir de obediência às normas que não prevaleceram. Dentre alterações que continuam em vigor, porque não estabelecidas nos DecretosLeis inconstitucionais, está o aumento da alíquota do PIS para 0,75% a partir do ano de 1976 e até o período de apuração 02/96, na forma da LC nº 17/73. Assim, a alíquota de 0,75% deve ser aplicada até o período de apuração fevereiro de 1996. Dessarte, diante da insuficiência de recolhimento apurada à vista da LC nº 7/70, e após alteração do lançamento para se aplicar a semestralidade, sobre os saldos devedores existentes é cabível multa de ofício no percentual empregado (75%), bem como os juros de mora respectivos (Selic), como manda a legislação de regência. Não deve prevalecer a argüição de exclusão dos consectários legais, supostamente escorada no parágrafo único do art. 100 do CTN, porque não se trata de obediência às normas complementares elencadas nos incisos I a IV desse artigo. Os quatro incisos cuidam dos atos normativos da administração tributária ou decisões administrativas com eficácia normativa, das práticas reiteradas da administração tributária e dos convênios entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, mas não da inconstitucionalidade em tela. Declarados inconstitucionais com efeitos ex tunc os DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, todas as normas complementares expedidas com base neles também foram tidas sem eficácia, desde o nascedouro. Daí, por um lado, a aplicação da semestralidade Fl. 347DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 8 favorável ao contribuinte, mas por outro, a majoração da alíquota (conforme os dois Decretos Leis, 0,65% sobre a receita operacional bruta; conforme as LC nºs 07/70 e 17/73, 0,75% o faturamento). Quanto ao art. 18, VIII, da Lei nº 10.522, de 2002, determina o cancelamento dos lançamentos apenas no que excede o PIS devido nos termos da LC n° 7, de 1970. Observe se a redação: Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (...) VIII à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do DecretoLei no 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei no2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar no7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores; Na situação destes autos, após o recálculo da diligência inexiste qualquer saldo devedor excedente, em relação ao devido conforme a LC nº 7, de 1970. O PIS restou devidamente apurado nos termos dessa Lei Complementar, inclusive com adoção da semestralidade, pelo que sobre os saldos devedores calculados pela diligência cabe manter os juros de mora e a multa de ofício, nos percentuais utilizados na autuação. CONCLUSÃO Pelo exposto, não conheço do Recurso no que ser possível, neste processo administrativo, a análise do litígio à luz dos dispositivos constitucionais, e na parte conhecida rejeito a nulidade do lançamento, mas, no mérito, dou provimento parcial nos termos do resultado da diligência, para reconhecer a aplicação da semestralidade e apurar o PIS à alíquota de 0,75% sobre a base de cálculo do sexto mês anterior ao do fato gerador, sem correção monetária no período dos seis meses. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 348DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 35564.004764/2005-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005
Ementa:
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se
de ato não definitivamente julgado, quando
lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo
da sua prática.
Numero da decisão: 2403-001.256
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a
redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei
no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte.
Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Carlos Alberto Mees Stringari
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005 Ementa: MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 35564.004764/2005-96
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5064524
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-001.256
nome_arquivo_s : 2403001256_35564004764200596_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Carlos Alberto Mees Stringari
nome_arquivo_pdf_s : 35564004764200596_5064524.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4956385
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984463814656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 599 1 598 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35564.004764/200596 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403001.256 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de abril de 2012. Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CASA DA CULTURA FRANCESA ALIANÇA FRANCESA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005 Ementa: MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Fl. 612DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 600 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II, Acórdão 17 – 29.484, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal. Conforme Relatório Fiscal, o lançamento referese a contribuições decorrentes do fato de o AuditorFiscal ter considerado como segurados empregados as pessoas físicas que prestaram serviços à notificada na qualidade das pessoas jurídicas Milênio Empresarial S/C Ltda. e LJO Empresarial S/C Ltda. 2. APURAÇÃO DO DÉBITO 2.1. As contribuições incidem sobre os valores pagos através de notas fiscais de serviço as empresas: MILÊNIO EMPRESARIAL S/C LTDA, C.N.P.J n°. 02.632.440/000197, na pessoa do Sr. Wilson Rodrigues Gato, CPF/MF n.o 041.824.05820, que é empregado da empresa e conforme documento anexado à fls. 17 do presente, os serviços prestados pela Milênio são executados pelo mesmo; LJO EMPRESARIAL S/C LTDA, C.N.P.J. n.o 02.641.878/000131, na pessoa de Lourival Jacinto de Oliveira, CPF/MF nº 008.699.30893, que em todo o período objeto da ação fiscal aparece como responsável pelos setores contábil e de pessoal da Casa da Cultura Francesa, tendo sido ele a pessoa que inicialmente atendeu esta fiscalização, inclusive apresentando todas as instalações da empresa tais como teatro, salas de aula, biblioteca e inclusive abordando o enquadramento da empresa como filantrópica. Em todo o período da ação fiscal, foi observada a presença do Sr. Lourival em relação ao horário, local de trabalho etc. Em diversos documentos fiscais, trabalhistas o Sr. Lourival aparece como responsável, anotando inclusive o número do telefone e do Fax da Casa da Cultura Francesa juntamente com seu email lourival@aliancafrancesa.com.br . Para demonstrar a situação, seguem anexas de fls. 367 a 371, cópias dos recibos da entrega das DIPJ referentes aos exercícios 2001 a 2005 onde esta situação fica bem demonstrada e por isto a consideração por esta fiscalização como autêntico empregado da empresa, tendo em vista que presta serviços de forma direta, habitual, remunerada, pessoal, subordinada e exclusiva à notificada. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 O processo baixou em diligência para esclarecimentos sobre as questões da pessoalidade e subordinação e elaboração de Relatório Fiscal substitutivo e reabertura de prazo para defesa. Em razão dessa reabertura de prazo a recorrente apresentou aditivo à impugnação. Observou o julgamento de primeira instância que quando do lançamento não foi observado o limite de contribuição do empregado Wilson Rodrigues Gato. Houve retificação do débito que passou de R$ 441.569,71 para R$ 330.762,40. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega, em síntese, que: • há fatos novos determinantes para a insubsistência do presente processo administrativo, consistentes no trânsito em julgado de duas ações judiciais, versando, exatamente, sobre o tema ora discutido, de autoria de Lourival J. de Oliveira Ltda. e Wilson Rodrigues Gato, tendo como Ré a ora Recorrente (docs. 2 e 3). • transitaram em julgado dois processos judiciais ajuizados contra a ora Recorrente, quais sejam: a) Processo n° 583.00.2006.1624997, da 34a Vara Cível do Fórum Central da Comarca da Capital, tendo como autora a empresa Lourival J. de Oliveira Ltda (doc. 2); b) Processo n° 00648.2006.047.02.00 2, da 47° Vara do Trabalho da Capital, tendo como autor o Sr. Wilson Rodrigues Gato (doc. 3). • Notase, pela análise do primeiro processo, que a ora Recorrente desembolsou um quantia correspondente a R$200.000,00 em proveito da empresa autora, tendo sido o feito extinto com resolução do mérito, na esteira do artigo 269, III, do CPC. • Já em decorrência do outro processo, aquele que tramitou pela justiça do trabalho, a ora Recorrente pagou ao então Autor a importância de R$113.700,00, também com a extinção da demanda nos termos da lei e sob o manto da autoridade da res judicata. • havendo decisões judiciais transitadas em julgado, reconhecendo, por um lado a prestação de serviços da empresa Lourival J. de Oliveira Ltda. e o vinculo exclusivo de Wilson Rodrigues Gato, ambos com relação a ora Recorrente, não poderá ser o respeitável processo administrativo quem poderá modificar tal situação. Salientese que qualquer decisão condenat6ria nos presentes autos implicará em usurpa 02 da ordem jurídicohierárquica e grave ofensa à coisa julgada. • 0 que não se pode admitir é o INSS ou qualquer outro órgão ou autarquia que não seja titular de jurisdição, isto é, que não profira decisões emanadas do Poder Judiciário (arts. 2° e 5°, XXXV, CF/88) insistir na manutenção de um processo cujo tema central e objeto principal da discussão já esteja devidamente analisado — mesmo que Fl. 615DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 601 5 implicitamente— pelo Poder Judicante, com a autoridade da coisa julgada. • não detém competência o Sr. Auditor Fiscal para descaracterizar relação havida entre pessoas jurídicas • não se pode aceitar que a atuação do Sr. Auditor se sobreponha à autoridade da coisa julgada material já comentada • não houve vinculo direto entre o Sr. Lourival Jacinto de Oliveira e a Casa da Cultura Francesa. Isto é, os requisitos previstos nos artigos 2° e 3° da CLT não se achavam presentes nesta ilusória relação, pois tão somente a pessoa jurídica Lourival J. de Oliveira Ltda. é quem lhe prestava os serviços apontados nos autos da ação judicial anexa • a pessoa jurídica prestadora dos serviços apontados tinha toda uma estrutura disponibilizada em favor da ora Recorrente, como funcionários remunerados, custos diversos, além da total ausência de subordinação em contraposição à sua absoluta autonomia. Alias, o próprio Sr. Auditor Fiscal e o V. Acórdão reconhecem expressamente nos presentes autos que a empresa indigitada (Lourival J. de Oliveira Ltda.) promoveu todos os recolhimentos e encargos necessários, inclusive aqueles relativos ao INSS, cuia nova cobrança geraria, inclusive, o fenômeno do bis in idem, vedado por elementares princípios de direito. • Quanto ao Sr. Wilson Rodrigues Gato é importante que se faça imprescindível retificação. Acreditase que tenha havido equivoco ou erro material nas digressões despendidas na peça de impugnação apresentada ainda em primeira instância, pois a ora Recorrente jamais negou e nem poderia negar que o Sr. Wilson Rodrigues Gato foi seu funcionário, fato este admitido nos autos do processo trabalhista já mencionado nesta peça (doc. 3), cujo trânsito em julgado também se operou. • a empresa Milênio Empresarial S/C Ltda prestava serviços à Recorrente, de acordo com o contrato constante dos autos deste Auto de Infração, para promover cogestão administrativa, coordenação das áreas de contabilidade, contas a receber, contas a pagar, Recursos Humanos, manutenção geral etc... • a atividade do Sr. Wilson é bem diferente, até mais abrangente que aquela praticada pela empresa Milênio. Assim, a Recorrente jamais permitiu ou participou de qualquer suposto vinculo entre o Sr. Wilson e a empresa referida, até porque em nada se beneficiaria com isto, haja vista que o funcionário indigitado lhe processou judicialmente, já com trânsito em julgado, recebendo da Recorrente a importância de R$113.700,00. É o Relatório. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A recorrente traz ao processo, na fase de recurso, duas ações judiciais movidas contra a própria recorrente. A primeira, uma Ação Ordinária de Indenização, movida por Lourival J. de Oliveira Ltda e outra, uma ação trabalhista movida por Wilson Rodrigues Gato. VERDADE MATERIAL CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS Recorrente questiona a competência do Auditor Fiscal para descaracterizar relação havida entre pessoas jurídicas. A fiscalização, como consta no RF, considerou os valores pagos a pessoas jurídicas como remuneração de segurados empregados. Entendo que não cabe razão à recorrente. O Fisco tem a atribuição de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias e, quando verifica situação não conforme com a legislação tributária, por meio de lançamentos fiscais, cobra o correto cumprimento das obrigações. Um dos princípios adotados é o da verdade material. Disso resulta que a verdade dos fatos se sobrepõe a documentos quando esses não espelham a realidade. A legislação dá o respaldo necessário para ação do Fisco. Lei 8.212/1991: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. ... Fl. 617DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 602 7 § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Decreto 3048/1999: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: Iarrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único do art. 195, bem como as contribuições incidentes a título de substituição;(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) IIconstituir seus créditos por meio dos correspondentes lançamentos e promover a respectiva cobrança; IIIaplicar sanções; e IVnormatizar procedimentos relativos à arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições referidas no inciso I. ... §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. ... Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; LOURIVAL JACINTO DE OLIVEIRA A fiscalização considerou os pagamentos efetuados à empresa LJO Empresarial S/C Ltda.como sendo pagamentos ao senhor Lourival Jacinto de Oliveira. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A recorrente contesta afirmando que afetivamente os serviços foram prestados por uma empresa. Abaixo ficará demonstrado que não cabe razão à recorrente. Inicialmente registro que o contrato foi firmado em 18/05/98 com a pessoa física “Lourival Jacinto de Oliveira”. Por este instrumento particular, que entre si fazem a CASA DA CULTURA FRANCESA ALIANÇA FRANCESA, com inscrição no CGC/MF. sob n° 61.340.865/000191, com sede à rua General Jardim n° 182, Centro, São Paulo, Estado de Sao Paulo, neste ato denominada simplesmente "Contratante", representada neste ato pelos seus Diretores, Segundo Vice Presidente Sra. Cláudia Jeanne Andrée Monteil, portadora da Cédula de Identidade Rg n° 2.350.187 SSPSP e inscrita no CPF/MF sob n° 020.379.988/72, e o Primeiro Tesoureiro, Sr. Yves Louis Jacques Lejeune, portador da Cédula de Identidade Rg n° 4.984.193 SSPSP e inscrito no CPF/MF sob n° 195.142.08006, e o Sr. Lourival Jacinto de Oliveira, brasileiro, contador, inscrito no CPF/MF sob 008.699.30893, portador da Cédula de Identidade RG n° 11.909.789 SSPSP, inscrito no CRC/SP sob no 1SP122080/04, com inscrição no CEI sob n° 2.148.815.402/02 e inscrição municipal CCM sob n° 68.9238, com escritório à Alameda Vieira de Carvalho n° 345 2° Andar Salas 01 e 02, Bairro Santa Terezinha, na Cidade de Santo André, Estado de São Paulo, doravante, chamado, "Contratado" , firmam o presente contrato, mediante as seguintes condições: Consta do processo que conforme dados da Receita Federal, a pessoa jurídica LJO Empresarial S/C Ltda. — CNPJ 02.641.878/000131 iniciou atividades em 15/07/98 (fls. 64). Entendo clara a questão da pessoalidade quando se contrata uma pessoa física determinada. Quanto à remuneração, o contrato estabelece remuneração mensal. Um ponto interessante do contrato é a cláusula 4 que estabelece o pagamento de uma remuneração adicional a ser paga no dia 15 de dezembro. Entendi essa cláusula como uma décima terceira remuneração anual (décimo terceiro salário) 3 0 valor mensal da prestação de serviços de R$ 4.850,00 (quatro mil, oitocentos e cinqüenta reais), devendo ser pago até o último dia útil do mês do serviço prestado, diretamente na sede da Contratante, podendo o Contratado optar pela cobrança bancária através de avisos bancários. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 603 9 3.1) A falta de pagamento no prazo pactuado incorrerá em multa moratória de 3% (três), mais juros de 1% ao mês além da correção monetária. 4 No dia 15 de dezembro de cada ano será devido também uma anuidade no valor igual a uma mensalidade da prestação mensal de serviços. A subordinação entendo presente nas cláusulas do contrato abaixo transcritas que estabelecem que o senhor Lourival deve seguir as rotinas estabelecidas pela contratante: 1.1) A Contratante comprometese a transmitir ao Contratado, as rotinas diárias de trabalho, manuais para o uso dos programas (software), arquivos, esclarecer a respeito do uso de equipamentos, processos, datas, relatórios, etc... 1.2) 0 Contratado selecionará e treinará funcionários próprios para as áreas de Departamento Pessoal e Contabilidade, para a execução das rotinas de trabalho preexistentes da Contratante, assumindo a responsabilidade pela sua execução conforme segue: a) Departamento Pessoal: todas as rotinas incluindo desde as tarefas de registro de funcionários, atualização de cadastros e CTPS, emissão da folha de pagamento mensal, através de planilhamento fornecido pela Contratante, férias e décimo terceiro salário, rescisão contratual, emissão de relatórios existentes no programa (software) fornecido pela Contratante, inclusive para pagamentos e contabilização, emissão de guias de INSS, FGTS, PIS, IRRF, Contribuição Sindical, e demais guias, elaboração da RATS, controle de Vale Transporte, Assistência Médica, e tudo mais que já faz parte da rotina do Departamento Pessoal. b) Contabilidade, rotinas de classificação, planilhamento, escrituração, conciliação, elaboração de Balancetes mensais, Balanço, elaboração de relatórios preexistentes ou não, sejam para atender as exigências legais, estatuárias, ou por solicitação da Contratante. O Contratado assumirá as responsabilidades de Contador da Contratada... ... 10 — 0 Contratado não se obriga a fornecer materiais, máquinas, acessórios, programas e objetos para a execução dos serviços, sendo que se este fornecer algum, será considerado simplesmente um mero ato de liberalidade, ficando sob guarda e a responsabilidade da Contratante, devendo esta devolver ao Contratado, quando solicitado ou ao final do prazo da prestação de serviço, em idênticas condições de estado, uso e Fl. 620DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 funcionamento na qual lhes foi entregue , ressalvado o desgaste natural pelo uso. A não eventualidade fica caracterizada pela rotina das atividades 2 O Contratado comprometese a executar suas tarefas preferencialmente na sede da Contratante, que suprirá sempre o Contratado de todos os meios necessários, tais como: equipamentos, software, manutenção de programas e equipamentos, formulários, impressos, etc..., bem como local próprio com toda infraestrutura necessária, onde os funcionários do Contratado possam desempenharem as rotinas diárias de trabalho. A Contratante não fornecerá funcionários exceto os necessários para o fluxo de documentos entre a Contratante e o Contratado. Um ponto que pode estar chamando a atenção é que o contrato algumas vezes se refere aos funcionários da contratada. O acórdão recorrido registra que, segundo o CNIS, quando teve empregado, foi apenas um. As disposições contratuais destacadas apontam para uma aparente cessão de mãodeobra, pois prevêem que o Sr. Lourival teria ter empregados para executar todas as rotinas descritas. Entretanto, conforme dados do CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais (fls. 372/374), a LJO, quando teve empregado, foi apenas um. Não é razoável que o Sr. Lourival. com auxilio de um empregado ou, em vários meses, sem nenhum, tenha conseguido prestar todos os serviços contratados para uma empresa de cerca de 190 empregados (dado informado pela própria impugnante a fls. 81). Quanto à ação judicial, devido ao grande peso dado a ela no recurso, teço algumas considerações. Registro que foi movida pela pessoa jurídica Lourival J. de Oliveira Ltda, Processo n° 583.00.2006.1624997 e terminou em acordo onde a recorrente pagou R$ 200.000,00, sendo R$ 50.000,00 em espécie e R$ 150.000,00 por meio de cheque bancário. Em juízo não houve análise da prestação de serviço por pessoa física ou jurídica. Abaixo apresento alguns trechos do processo judicial. AÇÃO ORDINÁRIA DE INDENIZAÇÃO Fl. 621DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 604 11 Em 18 de março de 2005, por determinação da Re, ficou pactuada a contratação da Autora para o desenvolvimento de amplo projeto de planejamento estratégico, cujo contrato deveria ter continuidade ate a data de 31 de dezembro de 2007 (ou seja, por mais 2 anos e nove meses), conforme comprova a correspondência dirigida a Autora pela Ré. Contudo, atendendo a seus próprios e econômicos interesses a Re resolveu em 16 de dezembro de 2005 rescindir o contrato de prestação de serviços, alegando justa causa decorrente de um suposto descumprimento das obrigações contratuais (conforme documento anexo), impondo a Autora sérios prejuízos que serão a seguir analisados. Como justificativa da inexistente justa causa, s a Ré argumentou que a Autora havia praticado "maus procedimentos", por conta exclusiva de autuações previdenciárias sofridas pela Ré, sem qualquer prova. DO PEDIDO 0 Autor tem direito ao pagamento e ressarcimento dos valores acima mencionados, assim como à mais completa indenização dos danos materiais e morais suportados em decorrência da abrupta e ilícita ruptura desmotivada do contrato de prestação de serviços. Rescisão São Paulo, 16 de dezembro de 2005. A LOURIVAL J. DE OUVEIRA LTDA. (atual razão social de "U0 Empresarial S/C Ltda") Pela presente vimos RESCINDIR o contrato de prestação de serviços celebrado com V. Sas., em razão do descumprimento das obrigações Inerentes ao mencionado instrumento, eis que, tendo agido de forma negligente, essa empresa causou forte prejuízo financeiro à Aliança Francesa, em função dos Autos de Infrações n°s 35.875.0318, 35.875.0350 e 35.875.0334. lavrados pela fiscalização do INSS, face ao mau procedimento adotado, consubstanciado no incorreto preenchimento e apresentação de GFIP's e demais documentos previdenciários desta Instituição, bem como inobservância das exigências do artigo 93, da Lei 8.213/91. Tais atos ensejam a justa causa por parte da contratada, razão pela qual se tem como indevido o aviso prévio mencionado na clausula 8° do Contrato de Prestação de Serviços, firmado em 18 de maio de 1998. Outrossim, solicitamos que V. Sas. procedam à Imediata retirada de computadores e demais Instrumentos de propriedade de sua empresa. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Acordo Homologado a) R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) já recebidos anteriormente pela Autora, em espécie, valor do qual da plena , geral e irrestrita quitação, para nada mais repetir a este titulo; b) R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) , a serem pagos quando da competente homologação judicial deste acordo, por meio de cheque bancário. WILSON RODRIGUES GATO Inicialmente cabe registrar que, conforme consta do acórdão recorrido, na impugnação a recorrente afirmou que o senhor Wilson não era empregado. Em sua impugnação original, a Notificada referese ao Sr. Wilson nos seguintes termos: "(...) ele não é empregado, pois trabalha coin completa autonomia e sem subordinação jurídica", acrescentando que "(...) sua empresa presta serviços desde 1998 e quem assinou o contrato não foi ele próprio. Já por ai se vê que a contratada foi a empresa, não a pessoa fisica". No recurso o vínculo empregatício foi admitido. Quanto ao Sr. Wilson Rodrigues Gato é importante que se faça imprescindível retificação. Acreditase que tenha havido equivoco ou erro material nas digressões despendidas na peça de impugnação apresentada ainda em primeira instância, pois a ora Recorrente jamais negou e nem poderia negar que o Sr. Wilson Rodrigues Gato foi seu funcionário, fato este admitido nos autos do processo trabalhista já mencionado nesta peça (doc. 3), cujo trânsito em julgado também se operou. Conforme o acórdão, o senhor Wilson é empregado desde 01/04/1998. 0 que se verifica, entretanto, é que 0 Sr. Wilson Rodrigues Gato é empregado da impugnante, sob regime da CLT, desde 01/04/1998 (fls. 364) e não faz parte do quadro societário da empresa Milênio, cujos sócios são pessoas com seu mesmo sobrenome — Gato (fls. 55). Documento assinado pela Srta. Aline Serra dos Passos, responsável Departamento Pessoal da empresa, em resposta a questionamento formalmente formulado pelo Fl. 623DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 605 13 Fisco que afirma que “Os serviços prestados pela empresa Milênio Empresarial S/C Ltda., são prestados por Wilson Rodrigues Gato”. Ao Sr. José Wilson Travia Junior Auditor Fiscal da Previdência Social Prezado Sr. Atendendo ao Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, datada de 5 do corrente, prestamos os esclarecimentos abaixo: Os serviços prestados pela empresa Milênio Empresarial S/C Ltda., são prestados por Wilson Rodrigues Gato, portador da cédula de identidade RG 3.379.716 SSPSP, como assessor administrativo, no planejamento estratégico, e acompanhamento do mesmo, nas unidades da Casa da Cultura Francesa — Aliança Francesa, nos termos do Contrato de Prestação de Serviços. A caracterização da Srta. Aline Serra dos Passos como responsável Departamento Pessoal está no relatório Fiscal. 4.5. A fiscalização foi atendida pela Srta. Aline Serra dos Passos, responsável Departamento Pessoal da empresa, e também pelos Srs. Wilson Rodrigues Gato e Lourival Jacinto de Oliveira respectivamente Diretor Administrativo e responsável pela contabilidade da empresa os quais ficaram cientes da origem e natureza do débito, tendo sido recebida a 2a via da presente notificação, bem como deste relatório. Consta do Relatório Fiscal que a recorrente era a única tomadora dos serviços da empresa Milênio. 2.2. As notas fiscais de serviços foram emitidas pelas empresas MILENIO EMPRESARIAL S/ LIDA e LJO EMPRESARIAL S/C LTDA, em seqüência, no período de 01/2002 a 10/2005, para a notificada. ... Fl. 624DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 2.5. As notas fiscais emitidas em seqüência numérica, em ordem cronológica, atestam a exclusividade na prestação de serviço e foram constatadas através de análise no Livro Razão da Empresa conta 3.4.2.2 — Serviços de Terceiros, subconta 3.4.2.2.01 —Serviços Administrativos, cujos relatórios referentes ao período 01/2002 a 10/2005 seguem anexo A presente Notificação. Por concordar com a conclusão presente no acórdão, transcrevoa. Assim, não há outra conclusão possível que não a de que os valores pagos como relativos a serviços prestados pela empresa Milênio nada mais são que remuneração de um empregado da impugnante, o Sr. Wilson Rodrigues Gato. Cabe destacar que, conforme Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 375, por ele recebido, identificouse como Diretor Administrativo da empresa. Finalizo registrando que a Reclamatória Trabalhista n° 00648.2006.047.02.002, da 47° Vara do Trabalho, de Wilson Rodrigues Gato também resultou em homologação do acordo entre as partes, onde foi pago para o reclamante R$ 113.700,00. Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 625DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 606 15 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 626DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
