Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,988)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,536)
- Primeira Turma Ordinária (13,108)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,534)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,777)
- Terceira Câmara (68,236)
- Segunda Câmara (57,099)
- Primeira Câmara (21,379)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,096)
- Segunda Seção de Julgamen (115,765)
- Primeira Seção de Julgame (77,654)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,458)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,581)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,683)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,662)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,340)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.660426/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.827
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.660426/2012-54
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878812
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.827
nome_arquivo_s : Decisao_10880660426201254.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880660426201254_5878812.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7360223
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585272418304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660426/201254 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.827 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 26 /2 01 2- 54 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660426/201254 Acórdão n.º 3401004.827 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660426/201254 Acórdão n.º 3401004.827 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660426/201254 Acórdão n.º 3401004.827 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660426/201254 Acórdão n.º 3401004.827 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660426/201254 Acórdão n.º 3401004.827 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660426/201254 Acórdão n.º 3401004.827 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000435/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 08/04/2002 a 28/10/2003
LANÇAMENTO NÃO DEVIDAMENTE MOTIVADO. NULIDADE
Deve ser declarado como nulo, por vício material, o lançamento de ofício que não tiver sido devidamente motivado.
Numero da decisão: 3301-004.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 08/04/2002 a 28/10/2003 LANÇAMENTO NÃO DEVIDAMENTE MOTIVADO. NULIDADE Deve ser declarado como nulo, por vício material, o lançamento de ofício que não tiver sido devidamente motivado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10909.000435/2007-69
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5889298
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.747
nome_arquivo_s : Decisao_10909000435200769.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10909000435200769_5889298.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7384769
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585286049792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.691 1 2.690 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.000435/200769 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.747 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria II , IPI e multas regulamentares Recorrente Nova Importação e Exportação Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/04/2002 a 28/10/2003 LANÇAMENTO NÃO DEVIDAMENTE MOTIVADO. NULIDADE Deve ser declarado como nulo, por vício material, o lançamento de ofício que não tiver sido devidamente motivado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 04 35 /2 00 7- 69 Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.692 2 "Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 01 e 03 por meio dos quais são feitas as seguintes exigências: fl. 01 1 R$ 393.425,11 (trezentos e noventa e três mil, quatrocentos e vinte e cinco reais e onze centavos) de Imposto de Importação (II); 2 R$ 590.137,67 (quinhentos e noventa mil, cento e trinta e sete reais e sessenta e sete centavos) de multa de lançamento de oficio agravada do II devido a evidente intuito de fraude, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) do imposto devido, nos termos do art. 44, II da L,i if 9.430 de 27/12/1996 — DOU 30/12/1996; 3 R$ 2.017.564,08 (dois milhões, dezessete mil, quinhentos e sessenta e quatro reais e oito centavos) de multa referente a 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o arbitrado, nos termos do art. 88 parágrafo único, da Medida Provisória 2.15835 de 24/08 001 DOU 27/08/2001; 4 R$ 11.421.361,04 (onze milhões, quatrocentos e vinte e um mil, trezentos e sessenta e quatro centavos); 5juros de mora; fl. O3 6 R$ 241.098,93 (duzentos e quarenta e um mil, noventa e oito reais e noventa e três centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados Importação (IPI); 7 R$ 361.648,40 (trezentos e sessenta e um mil, seiscentos e quarenta e oito reais e quarenta ce favos) de multa de lançamento de ofício agravada do IPI devido a evidente intuito de fraude, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) do imposto devido, nos termos • o art. 44, II da Lei n° 9.430/1996 8 juros de mora. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais o presente auto de infração originouse da revisão aduaneira de 32 (trinta e duas) DI's, discriminadas às fls. 16 e 17. Seguindo o relato da fiscalização, em razão de fraude levada a efeito pelo contribuinte, tanto na fase de nacionalização como de comercialização dos produtos, tornouse imprescindível a determinação do valor aduaneiro das DI's ora revisadas, consoante o art. 88 • da MP 2.15821/2101. A fraude aludida pela Autoridade Autuante, resumidamente, consistia em importar as mercadorias através da Nova Importação, com preços subfaturados, que vendia à Betra Trading (coligada ambas interpostas pessoas) que vendia à PH Arcangeli, esta considerada a real importadora das mercadorias e responsável pelas operações. Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.693 3 As provas que suportam a exigência do presente processo se encontram nos anexos III e IV e foram obtidas em diligência empreendida à filial da Nova Importação de ItajaíSC, conforme fl 22. Foi apontado como responsável solidário pelo crédito tributário o contribuinte PH Arcangeli Cosméticos Ltda, CNPJ 53.115.911/000120. Lavrados os mencionados autos de infração e tendo sido intimadas as autuadas, estas apresentaram impugnações com as seguintes alegações, em síntese: PH Arcangeli Cosméticos Ltda (fls. 171/207): • A autuação foi baseada exclusivamente em considerações extraídas de dois autos de infração que no passado aplicaram pena de perdimento a mercadorias importadas (das quais a Impugnante nem sequer é parte), concluiu a fiscalização que teria realizado fraude pelas empresas Nova Importação e Exportação Ltda e Betra Trading S/A em beneficio da ora Impugnante que seria "induvidosamente a real compradora das mercadorias e responsável pelas operações, sempre, porém, mantida oculta ao fisco". • Que por esta razão a ora Impugnante foi incluída no pólo passivo da autuação, por força da alínea "c", do parágrafo único do artigo 32 do DecretoLei n°37/66, com redação dada pela MP n°2.15821/2001. • Defende a ilegitimidade passiva, uma vez que o trabalho fiscal está centrado na acusação de subfaturamento na importação. Argumenta que tal prática ilícita somente pode ser atribuída a quem importou as mercadorias e, por conseguinte, qualquer responsabilidade decorrente do alegado subfaturamento na importação deve ser imputada ao importador. • Defende a inexistência de conluio, transcrevendo os artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, concluindo que o conluio supõe duas ou mais pessoas agindo de forma concertada para impedir o conhecimento da autoridade administrativa sobre a existência e a importância de tributo a pagar. Portanto, somente se poderia falar em conluio na importação se houvessem dois ou mais importadores atuando em conjunto. No caso concreto, porém, todas as importações foram promovidas exclusivamente pela empresa autuada (Nova). • Argumenta que a existência de adquirente prédeterminado não descaracteriza a importação por conta própria (importação por encomenda). • Protesta pelo uso de prova emprestada. • Que a acusação fiscal está integralmente calcada em afirmações contidas no documento denominado "Procedimentos para Importação Betra DF", apreendidos pela Fiscalização na filial da empresa importadora. O referido documento não se presta a provar a ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros, uma vez que o mesmo foi produzido internamente, não era do conhecimento da ora Impugnante e se destinava a minorar "situações que tendem a atrasar ou provocar erros no faturamento das mercadorias importadas". Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.694 4 • Que um documento de uso exclusivamente interno de outra pessoa jurídica não pode ser utilizado como prova contra terceiros, sem que a Fiscalização tivesse ao menos procurado demonstrar que as "orientações" ali constantes foram observadas pelos supostos envolvidos. • Que as orientações constantes do "Procedimento para Importação Betra DF" indicam, apenas, que a Impugnante poderia ser considerada encomendante das mercadorias importadas, o que, de acordo com a legislação vigente à época e conforme explicitado pela Lei n° 11.281/2006, não caracterizava importação por conta e ordem. • Que os documentos anexos comprovam que a Impugnante adquiria as mercadorias no mercado interno, vendidas pela empresa Betra Trading S/A, efetuando o pagamento das faturas/boletos bancários nas respectivas datas de vencimento. • Defende que o alcance do art. 32 do DecretoLei n° 37/66 se limita ao Imposto de Importação, assim, mesmo na condição de suposta adquirente de mercadorias importadas por conta e ordem, não procederia a pretensão de exigir dela o pagamento do integral crédito tributário reclamado nos autos de infração lavrados. • Que, caso se entenda pela manutenção da Impugnante no pólo passivo da ação fiscal, o auto de infração ora impugnado contém nulidades que podem e devem ser reconhecidas de plano, sem prejuízo do próprio mérito da autuação, que somente poderá ser discutido pela empresa 111, importadora. • Argumenta que não foram observados os procedimentos especiais de valoração aduaneira e verificação da origem, disponibilidade e transferência de recursos, uma vez que existe legislação específica prevendo requisitos de caráter procedimental para que se apure a ocorrência dessas situações, acarretando, portanto, a nulidade da autuação. • 'Discorre sobre a desproporcionalidade na aplicação das multas e a 'violação ao princípio da proporcionalidade. • Defende a impossibilidade de imposição de multa alternativa à pena de perdimento a mercadorias desembaraçadas no passado. Por fim conclui que: 1. A Impugnante é parte ilegítima para responder à autuação, uma vez que o alegado subfaturamento, se houve, importa responsabilidade pessoal de quem o praticou, inexistindo o alegado conluio, vez que há apenas um importador. 2. A importação não era realizada por conta e ordem da Impugnante, que era mera adquirente de produtos nacionalizados no mercado interno. 3. existência de encomendante prédeterminado não descaracteriza a importação por conta própria, sendo irrelevante a eventual comprovação de contato prévio do encomendante com o exportador estrangeiro. Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.695 5 4. Os indícios alegados pela Fiscalização não são suficientes para caracterizar a importação por conta e ordem, sendo que a única presunção admitida pela lei diz respeito à utilização de recursos de terceiros. 5. Os indícios apontados pela Fiscalização não são dotados dos requisitos de gravidade, precisão e concordância, sendo baseados integralmente em documento interno da empresa importadora, do qual a Impugnante não tinha sequer conhecimento. Além disso, o Sr. Fiscal autuante, de forma arbitrária e por pura comodidade, nem sequer procurou averiguar o efetivo titular dos recursos utilizados em cada uma das importações realizadas. 6. A responsabilidade solidária restringese ao imposto de importação, não atingindo o IPI e as demais multas. 7. O auto de infração é nulo por falta de observância do procedimento especial de valoração aduaneira, não restando preenchidos os requisitos que permitem o arbitramento do valor aduaneiro (indícios de fraude envolvendo o valor aduaneiro declarado). 8. Há nulidade, ainda, pela falta de observância do procedimento de verificação da origem dos recursos utilizados na importação. 9. As multas aplicadas são desproporcionais. 10. Não é possível a imposição de multa alternativa à pena de perdimento a mercadorias desembaraçadas no passado. Nova Importação e Exportação Ltda (fls. 455 a 532). • Discorre sobre os procedimentos adotados pela Fiscalização na presente autuação. • Que o Fisco agiu incorretamente e sem a observância do permissivo legal para efetuar o arbitramento do preço das mercadorias, tal como feito no auto de infração. • Que o contexto lógico do auto de infração foi o de que, uma vez aplicada a "interposição fraudulenta" e a "ocultação do real comprador", há conseqüente e comprovada "fraude do preço". • Que a fraude, conluio e sonegação que envolve o preço declarado decorre de prática materialmente comprovada de subfaturamento, ou qualquer outro material de fato que importe em desmerecer fé aos documentos e declarações prestadas relativamente ao valor da operação na importação específica do contribuinte. • Que não basta a simples suposição de que há subfaturamento porque outra empresa (sob outras condições) pagou preço maior por produtos idênticos ou similares em outras operações. • Que a fraude quanto ao preço e a fraude quanto à interposição fraudulenta de terceiros com a ocultação de pessoa são tipos e hipóteses Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.696 6 distintas uma da outra. E uma não significa, nem conduz lógica, necessária ou legalmente à outra. • Que é dito simplesmente pelo fisco que a existência de outras importações com preços diferenciados nas DI's paradigmas ratificava o "vil subfaturamento já constatado" nos dois autos de infração correspondentes aos anexos III e IV. Entretanto, quando se percorre aqueles dois autos de infração, não se vê nenhuma prova, nem constatação material, nem aplicação formal de subfaturamento. Que foi feita diligência fiscal na sede da empresa e que nenhuma prova material foi encontrada, ainda que indiciária, sobre a prática de subfaturamento. Nem ao menos uma insinuação sequer, em toda a documentação e comunicação apreendida. Que a grande diferença entre o preço pago na importação e aquele cobrado na venda final do produto não pode ser tomada, por si só, como indicio e ao mesmo tempo como prova inconteste de subfaturamento, nem causa de desconsideração do valor da transação, como fora feito ' pelo fisco no auto de infração. 4111 • Que não foi imputada a utilização de documentos falsos ou forjados, nem mesmo se cogitou desse fato. • Que a Impugnante não prestou declaração inexata ou incompleta em relação às mercadorias, muito menos ao valor aduaneiro, nem há prova ' em contrário. • Que a Impugnante não deu causa à prática de subfaturamento nem à classificação incorreta das mercadorias. • Que a Impugnante não deu causa à prática de simulação, conluio ou outra definição que se enquadre neste contexto. • Que, por outro lado, a amostra colhida e o paradigma utilizado pelos Agentes autuantes pertence a um universo diferente daquele em que atua a Impugnante, não servindo como parâmetro de comparação. • Que no auto de infração se omite a informação que diz respeito ao tipo de comércio exercido nas importações adotadas como paradigma, uma vez que essas importações foram promovidas por empresas de Duty Free e Free Shops, e de mercadorias destinadas, além disso, para Zona Franca. • Que o preço cobrado pelo fabricante, ou seu exportador credenciado, varia de acordo com o tipo da atividade exercida pelo comprador. Se o comprador assume todas as despesas, custos e encargos referentes à venda, o preço de exportação é reduzido a um nível que comporte a incorporação dessas despesas, custos e encargos, sem ultrapassar o valor mínimo de referência para a região. Como o valor agregado após o desembaraço aduaneiro é elevado, é natural que o preço pago ao vendedor seja bem inferior ao cobrado nas vendas ao público. No entanto, se o comprador é uma loja franca (Duty Free ou Free Shop), ou a loja localizada na Zona Franca de Manaus, o preço de exportação é outro, aproximandose bastante do patamar mínimo para a venda ao público, uma vez que essas lojas não Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.697 7 pagam tributos, não possuem despesas de marketing, frete e outros custos que sobrecarregam as lojas que trabalham em regime diferente. • Que não é possível compararse preços de bens destinados à Zona Franca, livre de impostos, à venda de bens para o comércio onde a carga tributária é distinta. • Que, a título de exemplo, após verificados os dados (na data de 03.01.2005) para mercadoria com classificação 3303.00.20 junto aos Portos de Itajaí, Vitória e a média nacional, obtevese os valores médios (US$) para frascos de 50 ml os valores de 0,79; 0,56 e 1,25, respectivamente. • Que tais dados concretos demonstram que, ao contrário do que foi afirmado no auto de infração, os preços praticados na importação estão de acordo com os praticados, por regra, no mercado nacional por outras empresas que possuem idêntica condição da recorrente, inclusive tributária. • Que são improcedentes as exigências de diferenças de tributos. • Discorre sobre os processos de valoração aduaneira. • Protesta contra a aplicação da multa qualificada de 150%. Uma vez que não foi comprovada a existência de fraude, sonegação ou conluio quanto ao preço (e também quanto à acusação de interposição fraudulenta), portanto não há a ocorrência fática da hipótese de incidência descrita no antecedente da norma instituidora da multa, de modo que esta não possui respaldo legal para ser aplicada. • Que a multa administrativa, por ser acessório ao arbitramento e à acusação de subfaturamento, em face da insubsistência do arbitramento, a imposição de 100% sobre a diferença do preço declarado e do preço arbitrado não pode prosperar. • Discorre sobre a interposição fraudulenta e sua inteligência após a alteração legislativa das leis 11.281/06 e 11.452/07. • Que o caso em comento corresponde a operações de importação nas quais foi firmada uma parceria comercial que continha, como um de seus elementos, a prévia encomenda dos produtos tanto pela atacadista, quanto pela distribuidora dos produtos. • Que a existência de comunicação clara e explicita entre as empresas (Nova, Betra e PH) e o fato de PH Arcangeli ser a empresa que possuía o registro dos produtos na ANVISA e de ter contato com o exportador somaramse para que o Fisco visse, nessa parceria, uma interposição fraudulenta de pessoas. • Que não ocorreram as hipóteses de dano ao erário aventadas na autuação, porque: 1. A ausência de responsabilidade solidária do adquirente ou comprador dos bens por sua encomenda pelos tributos havidos na importação é irrelevante porque todos os tributos devidos no despacho aduaneiro já foram recolhidos integralmente e, segundo, porque o Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.698 8 arbitramento do preço foi comprovadamente feito de forma incabida e impertinente, posto que somente com base na acusação de interposição fraudulenta. 2. Além disso, a responsabilidade solidária do encomendante nas importações próprias somente foi prevista com a publicação da lei 11.281/06. Logo, não seria possível a retroação de responsabilidade legal a fatos geradores anteriores à nova lei. 3. O mesmo se dá quanto à alegação de que pretendeu elidirse à elevação da PH Arcangeli à condição de contribuinte do IPI, por equiparação a empresa industrial. É que o compradorencomendante de mercadorias somente foi equiparado a industrial por força do artigo 13 da lei 11.281/06, não possuindo esta norma o condão retroativo. • Que inexistiu a interposição fraudulenta, tanto formal quanto material, discorrendo sobre a legislação de regência. • Que, a respeito da legislação de regência da matéria, somente é possível falarse em interposição fraudulenta caso haja prévia investigação sobre origem de recursos. • Que a Impugnante apenas compra no mercado interno produtos ; estrangeiros por ela encomendados, mas efetivamente importados por Nova Importação. • Que não existe o financiamento da importação pelo adquirente, como • seria numa importação por sua conta e ordem, mas uma efetiva e concreta venda dos produtos importados, inclusive com margem de lucro e prazo de pagamento. • Que, concretamente, não há nenhuma prova lançada nos autos de antecipação de pagamento feito à Impugnante para o desenvolvimento de s importações. • Que a Impugnante possuía em todas as suas importações prazo de pagamento de até 120 dias junto ao exportador, portanto nunca precisou operar com qualquer recurso financeiro de terceiro para promover tais importações. • Que todo o negócio internacional fechado é feito diretamente e exclusivamente por funcionário da Nova Importação e oficialmente. Não houve, dentro desse contexto, negociações paralelas. • Defende a nulidade das provas colhidas, uma vez obtidas como resultado do excesso de fiscalização. Argumenta que o MPF não autorizou a invasão de computadores, eis que não faz menção a documentos eletrônicos e correspondências, as quais, sob princípio constitucional, têm sigilo garantido a exemplo das comunicações telefônicas. Por fim, requer: 1 Que reconheça a ilícita prática de obtenção de provas utilizadas no auto de infração e na sua instrução, nos termos do art. 30 da Lei 9.784/99. Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.699 9 2. Seja requisitado à Alfândega do Porto de Vitória para informar a comprovação ou se foi identificada qualquer irregularidade quanto à origem dos recursos utilizados pela Impugnante no comércio exterior no âmbito de sua habilitação para o SISCOMEX/RADAR no âmbito do procedimento especial por ela instaurado com fundamento na IN SRF 228/2002, processo esse iniciado com o objetivo de verificar a origem de recursos nas operações comerciais da Impugnante, sua capacidade econômica, financeira e • operacional 3. Seja requisitado aos auditores fiscais que lavraram o auto de infração a identificação pormenorizada de todos os importadores titulares dos registros das declarações de importação adotadas como paradigma. 4. Seja requisitado às respectivas Aduanas que jurisdicionam o estabelecimento exportador que forneçam, para fins de instrução deste processo, cópia dos comprovantes de exportação dos produtos feitos à Impugnante, para fins de comprovação do preço praticado na importação. 5. Seja requisitado ao Banco Central do Brasil que forneça um histórico ou demonstrativo de todos os contratos de câmbio fechados pela Impugnante, vinculados às declarações de importação autuadas, para o fim de comprovar o valor efetivamente pago pelas mercadorias. 6. Seja requisitado ao Ministério do Desenvolvimento que informe, nos autos, a média dos preços para a mercadoria com classificação 3303.00.20 com frascos de 50 ml, até a data de 03.01.2005, média essa praticada específica e individualmente no Porto de Itajaí/SC, no Porto de Vitória/ES e por último, a média nacional, de acordo com os dados constantes no sistema AliceWeb. 7. Requer, por derradeiro, seja julgado e decretada a improcedência e insubsistência in totum do auto de infração, em face de todos os fundamentos de fato e de direito, bem como das provas acostadas nesta defesa, com ordem de arquivamento definitivo do feito. O despacho de fls. 690 encaminha o processo a esta Unidade Julgadora para prosseguimento." A DRJ em Florianópolis (SC) considerou as impugnações improcedentes e manteve a totalidade dos lançamentos. reproduzo a ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/04/2002 a 28/10/2003 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.700 10 aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ALCANCE. A função das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, consiste em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, dão lhes sendo facultado pronunciarse a respeito da conformidade da lei, validamente editada, com os demais preceitos emanados pela Constituição Federal. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A DRJ tem competência para afastar a aplicação de dispositivo legal apenas quando este tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A apreciação da constitucionalidade ou não e da legalidade das normas vigentes é da competência privativa do Poder Judiciário. Ao julgador administrativo cabe, em face do Poder Regrado, somente aplicar a legislação vigente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/04/2002 a 28/10/2003 MEIOS DE PROVA. PROVA INDICIARIA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, podendo ser direta ou indireta, conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. Lançamento Procedente" Irresignadas, as Recorrentes, Nova Importação e Exportação Ltda. e PH Arcangelli Cosméticos Ltda., a quem foi atribuída responsabilidade solidária, apresentaram Recursos Voluntários, nos quais, basicamente, repetem os argumentos utilizados nas impugnações, sendo que, no caso da PH Arcangelli, houve acréscimo do seguinte: "Cerceamento de defesa Processos em Anexo Incompletos": alega que estavam incompletas as cópias dos processos n° 10909.003521/200481 e 10909.001725/2005 68, dos quais não é parte, porém a Nova Importação, os quais foram também utilizados como Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.701 11 fundamento para a autuação. Assim, protestam pela conversão em diligência, para que sejam incluídas as cópias faltantes, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Por meio da Resolução n° 310200.052A (fl. 1.037), em sessão do dia 17/06/2009, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência. Com relação à Nova Importação, a intimação por via postal da decisão de primeira instância foi enviada para o endereço constante no auto de infração ((fl. 708). Esta, contudo, não se mostrou profícua. Foi, então, intimada por edital (fl. 744), datado de 29/08/2007. O Recurso Voluntário (fl. 934) foi apresentado, intempestivamente, em 26/11/2007. Este colegiado identificou, todavia, que a intimação postal fora enviada para endereço diferente daquele que constava na impugnação (fl. 463). Por este motivo, decidiu baixar o processo em diligência, para que o contribuinte fosse novamente intimado, desta vez no endereço correto, e reaberto o prazo para apresentação de recurso voluntário. A Nova Importação, todavia, não apresentou novo recurso. O recurso voluntário foi incluído em pauta e levado a julgamento na sessão do dia 20/07/16. Houve leitura do relatório e voto. Contudo, na sustenção oral das recorrentes, o patrono alegou que não se encontrava nos autos os seguintes documentos: a) Sentença proferida na Ação Penal de n° 2007.72.08.0004338/SC. b) Acórdão proferido no Julgamento do Recurso de Apelação da Ação Penal de n° 2007.72.08.0004338/SC; c) Extrato do andamento do processo no Tribunal Regional Federal da 4° Região, demonstrando o trânsito em julgado do julgamento do Julgamento do Recurso de Apelação da Ação Penal de n° 2007.72.08.0004338/SC. Diante disto, o então Presidente decidiu retirar o processo de pauta e encaminhar à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para conhecimento e manifestação. De acordo com a petição da recorrente (fls. 2.571 a 2.602), em face das sentenças proferidas em sede da citada Ação Penal, a presente contenda estaria adstrita à acusação de interposição fraudulente. Por outro lado, a PGFN manifestouse no sentido de que "(. . .) não reconheceram a inexistência de subfaturamento, mas apenas disseram que sua existência não foi suficientemente provada naquele processo para fins de uma condenação criminal (art. 386, VII, do Código de Processo Penal)." É o relatório. Voto Fl. 2701DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.702 12 Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Foi lavrado auto de infração contra a Nova Importação e Exportação Ltda., com atribuição de responsabilidade solidária à PH Arcangelli Cosméticos Ltda.. Ambas compareceram aos autos. Originalmente, a Nova Importação e Exportação Ltda. foi intimada por meio de edital, publicado em 29/08/2003, pois a via postal havia se mostrado improfícua. Apresentou Recurso Voluntário, intempestivamente, em 26/11/2003. Em razão de erro no endereço da intimação postal, por meio da Resolução CARF n° 310200.052, o colegiado determinou que o contribuinte fosse novamente intimado da decisão de primeira instância e reaberto o prazo para apresentação de recurso. A Resolução foi cumprida, porém o contribuinte não apresentou novo recurso. Isto posto, reunidos os requisitos legais de admissibilidade, conheço dos Recursos Voluntários da Nova Importação e Exportação Ltda. e PH Arcangelli Cosméticos Ltda.. Fatos Tratase de Auto de Infração (AI), datado de 13/02/07, lavrado contra a Nova Importação e Exportação Ltda., com atribuição de responsabilidade solidária à PH Arcangelli Cosméticos Ltda., resultante da revisão aduaneira de trinta e duas DI (fls. 16 e 17) registradas no período de 8/4/2002 a 28/10/2003. Foram apontadas as seguintes infrações: "interposição fraudulenta" e "subfaturamento". A Fiscalização identificou que a PH Arcangelli Cosméticos Ltda. teria construído uma estratégia para reduzir os encargos com o Imposto de Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com o emprego de duas interpostas pessoas: a Nova Importação, que figurava como importadora de direito, e a Betra Trading S/A, que adquiria as mercadorias importadas e as revendia para a "real importadora", a PH Arcangelli Cosméticos Ltda.. A ação fiscal teve origem em outros dois autos de infração, em que foram constatadas as mesmas irregularidades. Cópias dos respectivos processos encontramse nos Anexos III (fl. 2.038) e IV (fl. 2.2235), nos quais há descrições detalhadas das operações praticadas. Foram lançados de ofício II e IPI, sobre as diferenças entre o preço declarado e o arbitrado, o qual foi calculado com base nos valores de produtos idênticos ou similares. Aos tributos foram adicionadas as seguintes penalidades: a) DI registradas até 30/08/2002: ao II, foram acrescidas a multa de ofício de 150% (inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/96) e administrativa de 100%, calculada sobre a diferença entre o preço declarado e o arbitrado (inc. II do art. 88 da MP n°. 2.15835/2001). Ao IPI, multa de ofício qualificada de 150% (in.II do art. 80 da Lei nº 4.502/64). b) DI registradas após 30/08/2002: punível com pena de perdimento e apreensão das mercadorias importadas. Como já haviam sido comercializadas, a pena que foi Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.703 13 convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro dos bens (§ 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76). PRELIMINAR DE NULIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO DA NOVA IMPORTAÇÃO Embora apresentada no fim da peça recursal, analiso, preliminarmente, as alegações contidas no item “Dos excessos na diligência na sede da Recorrente”, por disporem acerca de procedimentos supostamente adotados pela fiscalização que poderiam decretar a nulidade do auto de infração. Aduz a Recorrente que foram excedidos os limites constitucionais ao exercício da atividade administrativa. Havia um MPF, que autorizava fiscalização, porém não a retenção de documentos e a invasão de computadores, notadamente de correspondências, protegidas pelo sigilo. Deste modo, há que se desconsiderar as provas obtidas ilicitamente (documentos eletrônicos, cartas e correspondências) e considerar como nulo o auto de infração. No estudo do processo, não encontrei elementos que indicassem que o agente fiscal tenha cometido abusos ou ilicitudes para obtenção de provas. Com efeito, do auto de infração, vale transcrever o item 4, "diligência": “4 DILIGÊNCIA Contundentes provas que subsidiaram os procedimentos fiscais dos ANEXOS III e IV, dos quais também se lança mão no presente, foram obtidas em diligência empreendida à filial da NOVA IMPORTAÇÃO de Itajaí/SC, estabelecimento responsável pelo registro das Dls aqui revisadas. A diligência foi efetivada em 04/11/2004, dando cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n°. 0920600 2004001317 (fl. 75 do ANEXO III e fl. 206 do ANEXO IV). Os documentos de interesse fiscal foram coletados mediante a lavratura de Termo de Retenção, tendo sido todas as folhas rubricadas pelos prepostos da empresa, em especial o gerente DAVI KHOURI AFONSO. Os originais, por constituírem, em tese, prova de ilícito penal, foram juntados às Representações Fiscais para Fins Penais nº 10909.003548/200473 e 10909.001857/200590, encaminhadas ao Ministério Público Federal em 14/04 e 06/12/2005, respectivamente. Iniciada a diligência, as dependências e computadores foram franqueados à fiscalização e, nos termos dos art. 34 e 35 da Lei n°. 9.430/1996, foram extraídos arquivos e retidos documentos. Acerca da legalidade do procedimento, até porque expressamente previsto em LEI, manifestouse recentemente o Tribunal Regional Federal da 43º Região: PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. CRIMES DO ART. 299, C/C ARTS. 29 E 71, E DO ART. 288, TODOS DO CP. ALEGAÇÃO DE PROVA ILÍCITA. VIOLAÇÃO DE SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA. LEI N° 9.430/96 (ARTS. 34 A 38) E PORTARIA SRF 6.087/2005. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. INADMISSIBILIDADE VIA WRIT. 1. Em sede de habeas corpus, somente se impõe o trancamento da ação penal em situações especiais, ou seja, quando a negativa de autoria é evidente ou quando o fato narrado não constituir Fl. 2703DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.704 14 crime, ao menos em tese, ou mesmo em situações que não é necessária a instrução criminal para que se perceba tais fatos ou já estiver extinta a punibilidade por qualquer causa; 2. Para o exame da justa causa deverá ser averiguado se a existência do crime e indícios da autoria estão escudados em um mínimo de provas (in dubio pro societate), como no caso dos autos. Não se exige, nesse momento, certeza da autoria, a qual é reservada apenas para eventual condenação; 3. As informações constantes no Procedimento Administrativo, que serviu de base para a denúncia oferecida, não caracteriza violação de sigilo, porquanto foram obtidos com base na Lei n° 9.430/96 (arts. 34 a 38) e da Portaria SRF 6.087/2005, que dispõe sobre os procedimentos fiscais instaurados mediante mandado de procedimento fiscal. Dessa forma, resta caracterizada a legalidade da apreensão da documentação feita nas de pendências das empresas investigadas. Ademais, não houve qualquer resistência ao fornecimento da documentação requerida pela Fazenda Nacional junto às empresas investigadas, o que poderia dar azo à alegação de contaminação da prova, nem sequer protesto imediato contra a diligência fiscal. Precedente do egrégio STF. (TRF 4° 7a Turma Habeas Corpus n°. 2006.04.00.0317769/SC, Relator Des. Federal Tadaaqui Hirose, unânime, DJU 10/11/2006).” Assim, não vejo razão para decretar a nulidade do auto de infração, em razão dos procedimentos adotados pela fiscalização. Portanto, nego provimento às alegações de nulidade do auto de infração. MÉRITO Foi lavrado auto de infração, contendo duas infrações: "interposição fraudulenta" e "subfaturamento. O agente fiscal constatou fraude, sonegação e conluio, cometidos pelas empresas Nova importação, Betra Trading e PH Arcangelli. Não obstante a apresentação de duas acusações fiscais, da leitura do auto de infração (fls. 1 a 163), verificase que o elemento que determinou a conclusão quanto à ocorrência de ambas foi o subfaturamento, que emergiu da comparação efetuada pela fiscalização entre os preços praticados pela Recorrente e os declarados em outras importações de produtos idênticos ou similares. E a base legal para o arbitramento foi o art. 88 da MP n° 2.15835/2001: 'Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o Pais, de mercadoria idêntica ou similar; Fl. 2704DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.705 15 (. . .)' A autuante efetuou extensa pesquisa no banco de dados do SISCOMEX e apurou preços de produtos idênticos ou similares. Consta nos autos (fl. 36) que, para produtos IDÊNTICOS, o valor total das águas de colônia, em dólares, ficou aumentado em 364%, enquanto que, no caso dos produtos SIMILARES, 284%. As DI paradigmas encontramse no Anexo II (fls. 1.987 e seguintes). No Recurso Voluntário, a Recorrente Nova Importação alega que TODAS as DI paradigmas referemse a importações efetuadas por lojas "Duty Free", "Free Shop" ou localizadas em Zona Franca. Discorre, longamente, acerca da significativa diferença existente entre os preços de vendas para tais empresas e demais, destacando que compram por preços muito superiores, porque não têm gastos com frete nacional, propaganda e, principalmente, tributos aduaneiros. Tanto na impugnação, quanto na peça recursal, apresentou dados extraídos do sítio virtual do Ministério do Desenvolvimento (http://alliceweb.midic.gov.br) sobre mercadorias classificadas na posição 3303.00.20 (na fl. 32 do auto de infração, consta que as águas de colônia, classificadas nesta posição, representaram 67,53% do Valor das Mercadorias no Local de Embarque VLME em dólares), importadas pelos Portos de Itajaí e Vitória e a média nacional, em 3/1/2005, cujos valores eram menores do que os que praticou. Também destaca que o agente fiscal não fez constar no auto de infração que o exportador, em resposta a email enviado pelo próprio Fisco (fls. 591 e 592), afirmou que a Recorrente era a compradora das mercadorias e que o preço de venda encontravase perfeitamente declarado e expresso nas respectivas faturas comerciais. Adicionalmente, as recorrentes carrearam aos autos os seguintes documentos (fls. 2.576 a 2.606 e 2.611 a 2.650): a) Sentença proferida na Ação Penal de n° 2007.72.08.0004338/SC. b) Acórdão proferido no Julgamento do Recurso de Apelação da Ação Penal de n° 2007.72.08.0004338/SC; c) Extrato do andamento do processo no Tribunal Regional Federal da 4a Região demonstrando o trânsito em julgado do julgamento do Julgamento do Recurso de Apelação da Ação Penal de n° 2007.72.08.0004338/SC. Em sede do referido processo, restou decidido que não foram reunidas provas suficientes para comprovar o subfaturamento indicado em três autos de infração lavrados contra a Nova Importação, com responsabilidade solidária atribuída à PH Arcangeli, dentre os quais o objeto do presente feito. Em sua petição, a PH Arcangelli alega que, no que concerne à acusação de subfaturamento, o auto de infração deve ser cancelado, pois, com a citada decisão judicial, tornouse insubsistente. A PGFN, por sua vez, depreendeu que "(. . .) não teriam reconhecido a inexistência de subfaturamento, mas apenas disseram que sua existência não foi Fl. 2705DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.706 16 suficientemente provada naquele processo para fins de uma condenação criminal (art. 386, VII, do Código de Processo Penal)." Assiste razão às recorrentes. Da leitura das DI paradigmas utilizadas pela autuante para arbitramento dos preços, confirmase o aduzido pela Recorrente Nova Importação: TODAS referemse a importações efetuadas por lojas "Duty Free", "Free Shop" ou localizadas em Zona Franca. Da leitura de algumas DI constantes dos autos (Anexo I, fl. 1.062 e seguintes), verificase que os preços das importações de mercadorias classificadas na posição 3303.00.20, regra geral, eram realmente maiores do que as médias das efetuadas pelos Portos de Itajaí e Vitória e nacional, indicadas na impugnação e na peça recursal. E, por fim, nas fls. 591 e 592, também encontrase nos autos o email, contendo a resposta do exportador à pergunta endereçada pelo Fisco, no sentido de que a Nova Importação era a real compradora dos produtos e que os preços declarados e faturados estavam corretos. Assim sendo, a meu ver, a amostra de DI reunidas pela fiscalização não se mostrou suficiente para comprovar ter realmente ocorrido subfaturamento de importações. E a citada sentença absolutória, transitada em julgado, tão somente corrobora com este entendimento. Assim, entendo que o auto de infração não foi devidamente motivado, pelo que deve ser declarado como nulo, por vício material. Em razão da conclusão pela nulidade do lançamento de ofício, deixo de apreciar as demais alegações de defesa das recorrentes. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2706DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011923/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006
Ementa:
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Nos termos do art. 106 do CTN, tem aplicação retroativa a Lei que revoga ou altera penalidade para torná-la menos onerosa.
Numero da decisão: 2202-004.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 Ementa: MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Nos termos do art. 106 do CTN, tem aplicação retroativa a Lei que revoga ou altera penalidade para torná-la menos onerosa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.011923/2007-41
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894185
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.637
nome_arquivo_s : Decisao_10580011923200741.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DILSON JATAHY FONSECA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10580011923200741_5894185.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7401553
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585309118464
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-08-14T11:26:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-08-14T11:26:08Z; Last-Modified: 2018-08-14T11:26:08Z; dcterms:modified: 2018-08-14T11:26:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-08-14T11:26:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-08-14T11:26:08Z; meta:save-date: 2018-08-14T11:26:08Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-08-14T11:26:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-08-14T11:26:08Z; created: 2018-08-14T11:26:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2018-08-14T11:26:08Z; pdf:charsPerPage: 1214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-08-14T11:26:08Z | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.270 1 1.269 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.011923/200741 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.637 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente GDK S.A. EM RECUPERACAO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 Ementa: MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Nos termos do art. 106 do CTN, tem aplicação retroativa a Lei que revoga ou altera penalidade para tornála menos onerosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 19 23 /2 00 7- 41 Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10580.011923/200741 Acórdão n.º 2202004.637 S2C2T2 Fl. 1.271 2 Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito de Contribuições Sociais Previdenciárias. Tendo sido protocolada impugnação, a DRJ deu provimento parcial à defesa. Ainda inconformada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário ora levado a julgamento. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 19/10/2007 foi formalizado do Auto de Infração DEBCAD nº 37.054.8361 para constituir crédito tributário referente à CFL 69, ou seja, apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas referente a dados não relacionados a fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias (fls. 2/17). Conforme o relatório fiscal (fls. 50/62 e docs. anexos fls. 63/1.161), "8. A empresa declara na GFIP os mergulhadores sem, contudo, declarar no campo ocorrência o código relacionado A aposentadoria especial de 25 anos de contribuição. Até o ano de 2005, nenhum mergulhador foi declarado como exposto aos agentes nocivos. Em 2006, todavia, apenas uma parte dos mergulhadores foi declarada em GFIP com a informação de exposição aos agentes nocivos ensejadores de aposentadoria especial. Encontramse como anexo (Anexo I) o relatório fiscal e os respectivos anexos do documento de débito lavrado com apuração desse fato. 9. Assim, o contribuinte, de maneira consuetudinária, apresenta a GFIP com informações Inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Dessa forma, resta configurada a infração ao disposto no art. 32, inc. IV e § 60, da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei n° 9.528, de 10.12.97" fl. 52; (...) "20. Outrossim, observando o disposto no art. 648 da Instrução Normativa SRP 03, de 14/06/2005, nas infrações relacionadas à GFIP entregues contendo informações inexatas ou incompletas ou com omissão de informações, em campos relativos aos dados não relacionados a fatos geradores de contribuições sociais, considerase cada competência em que tenha ocorrido o descumprimento da obrigação como uma ocorrência." fl. 58. Intimada em 23/10/2007 (fl. 2), a Contribuinte protocolou impugnação em 22/11/2007 (fls. 1.166/1.190 e docs. anexos fls. 1.191/1.215). A DRJ proferiu o acórdão nº 15 16.869, de 09/09/2008 (fls. 1.222/1.228), que deu provimento parcial à impugnação e restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2003 Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10580.011923/200741 Acórdão n.º 2202004.637 S2C2T2 Fl. 1.272 3 GFIP. INFORMAÇÕES OMISSAS NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. Apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com informações inexatas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdencidrias constitui infração capitulada no artigo 32, inciso IV, § 6°, da Lei n° 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei n.° 9.528, de 1997. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. 0 prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas As contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (Nota PGFN/CAT NQ 856/ 2008). Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar o lançamento consubstanciado no Auto de Infração n° 37.054.8361, lavrado em 23.10.2007, PROCEDENTE EM PARTE, em decorrência da exclusão da multa nas competências 01/2000 a 12/2001, abrangidas pela decadência, resultando no valor remanescente de R$1.015,92 (um mil e quinze reais e noventa e dois centavos), relativamente às competências 01/2002 a 05/2003. Deixase de remeter de oficio ao Conselho de Contribuintes, em razão do valor exonerado não ultrapassar o limite de alçada de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) definido pela Portaria MF n.° 03, de 03 de janeiro de 2008 (DOU de 07.01.2008), bem como por se tratar de cancelamento de débito pela subtração da aplicação de legislação considerada inconstitucional. Intimada em 30/12/2008 (fl. 1.234), a Contribuinte protocolou recurso voluntário em 20/01/2009 (fls. 1.244/1.258), argumentando, em síntese, · Que deve ser aplicada a norma do art. 32A da Lei nº 8.212/1991 de maneira retroativa, nos termos do art. 106, II, 'c', do CTN, vez que beneficia a Contribuinte em relação à multa originalmente imposta; · Que a Lei utiliza como índice de apuração o valor de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas/omitidas. In casu, tendo sido apuradas 17 (dezessete) informações omitidas, então só se formou um grupo, não sendo possível considerar as 7 (sete) informações restantes como um novo grupo a ser considerado na apuração da multa; e · Que, entretanto, a Lei estabelece um valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos) reais, valores esse que deve ser utilizado no presente caso. É o relatório. Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10580.011923/200741 Acórdão n.º 2202004.637 S2C2T2 Fl. 1.273 4 Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Da retroatividade do art. 32A da Lei nº 8.212/1991: O Recurso Voluntário tem por objeto requerer a aplicação retroativa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Lei nº 11.941/2009. Constatase que o lançamento foi formalizado em outubro de 2007, quando o art. 32 da Lei nº 8.212/1991 ainda vigia com a redação dada pela Lei nº 9.528/1997. Acontece que em maio de 2009 foi publicada a Lei nº 11.941, que revogou parcialmente o referido art. 32, em especial no tocante às penalidades, que passaram a ser tratadas no art. 32A. Outrossim, art. 106, II, 'c', do CTN, é claro em determinar a aplicação retroativa da Lei mais benéfica em relação às penalidades. De outro lado, com razão a Contribuinte registra que são 17 (dezessete) as informações omissas. Isso porque, em seu Relatório Fiscal (especificamente às fls. 58/62) a autoridade lançadora esclareceu que cada competência seria considerada como uma informação incorreta, identificando um total de 41 (quarenta e uma) ocorrências (competências 01/2000 a 05/2003). Entretanto, a DRJ deu provimento parcial à impugnação, reconhecendo a decadência parcial do lançamento, excluindo as competências anteriores a 12/2001, inclusive. Constatase, dessa forma, que as infrações identificadas não são capazes de formar o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) estabelecido pela Lei, sendo irrelevante analisar se 17 informações configura um ou dois grupos, porquanto para alcançar o valor da multa mínima seriam necessários 10 (dez) grupos. Por esse motivo, tem razão a Contribuinte, sendo necessário reduzir a multa ao limite mínimo estabelecido pelo art. 32A, § 3º, I, da Lei nº 8.212/1991. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 1273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.010118/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/09/2008
CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO E PARTES. INOCORRÊNCIA
A recorrente impetrou mandado de segurança com o objetivo de obter a liberação da mercadoria, sem o pagamento da multa administrativa.
No presente processo, discute-se a legitimidade da multa administrativa.
Portanto, se não há identidade entre os objetos da ação judicial e do processo administrativo, não há concomitância.
Numero da decisão: 3301-004.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar a realização de julgamento pela DRJ.
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 08/09/2008 CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO E PARTES. INOCORRÊNCIA A recorrente impetrou mandado de segurança com o objetivo de obter a liberação da mercadoria, sem o pagamento da multa administrativa. No presente processo, discute-se a legitimidade da multa administrativa. Portanto, se não há identidade entre os objetos da ação judicial e do processo administrativo, não há concomitância.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11128.010118/2008-91
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887594
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.685
nome_arquivo_s : Decisao_11128010118200891.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11128010118200891_5887594.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar a realização de julgamento pela DRJ. Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7375722
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585312264192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 235 1 234 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.010118/200891 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.685 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2018 Matéria Concomitância Recorrente MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/09/2008 CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO E PARTES. INOCORRÊNCIA A recorrente impetrou mandado de segurança com o objetivo de obter a liberação da mercadoria, sem o pagamento da multa administrativa. No presente processo, discutese a legitimidade da multa administrativa. Portanto, se não há identidade entre os objetos da ação judicial e do processo administrativo, não há concomitância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar a realização de julgamento pela DRJ. Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 01 01 18 /2 00 8- 91 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 236 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Os presentes Autos de Infração, fls. 02/14, foram lavrados contra a contribuinte em epígrafe, formalizando o crédito tributário no valor de R$ 31.430,41 (trinta e hum mil, quatrocentos e trinta reais e quarenta e um centavos), com a exigência da multa prevista no artigo 84, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e no artigo 69 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (por declaração inexata dos dados da importação). Seguese um breve relatório dos fatos, conforme documentos acostados aos autos. O importador efetuou em 08/09/2008, o registro das Declarações de Importação abaixo submetendo a despacho a mercadoria: “CLORETO DE POTÁSSIO GRANULADO COM TEOR SUPERIOR A 60% DE K20, EM PESO, A GRANEL, MATÉRIAPRIMA PARA FABRICAÇÃO DE FERTILIZANTES DESTINADOS A AGRICULTURA” Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 237 3 Quando da realização da conferência aduaneira, foi constatado que os dados informados no campo "Fabricante/Produtor", da Declaração de Importação, haviam sido declarados em desacordo com as informações contidas na Fatura Comercial. À vista de tal constatação, foi registrada no SISCOMEX, a seguinte exigência: "ALTERAR, CONFORME A FATURA COMERCIAL, 0 CAMPO FABRICANTE/PRODUTOR(/ENDEREÇO) PARA: POTASH CORPORATION OF SASKATCHEWAN INC., PCS TOWER, SUITE500, 1221ST AVENUE SOUTH _SASKAT0ON, SASKATCHEWAN S7K 7G3 CANADA. RECOLHER A MULTA COMINADA ART. 63 6, I DO REGULAMENTO ADUANEIRO (MP. 215835/01, ART. 84, I ART.69, 1o e 2°, I, DA LEI 10.833/03).” Como o importador não realizou o recolhimento da multa devida, a exigência foi mantida, conforme registros no SISCOMEX (fls. 38 a 44). Em 03/10/2008, o importador solicitou o encaminhamento das Declarações de Importação n" 08/13966102, 08/13966153, 08/13966170, 08/13966226 e 08/13966242, à DICAT/GJUD, para averbação de decisão prolatada nos autos do Mandado de Segurança, processo n° 2008.61.04.0096099 (fls. 45). Inconformado com a exigência de recolhimento da multa, registrada no SISCOMEX pela fiscalização da Equipe de Despacho de Importação de Granel EQGRAN, o importador impetrou Mandado de Segurança, protocolado sob o n° 2008.61.04.0096099. Em 01/10/2008, foi proferida decisão nos autos do Mandado de Segurança, (fls. 51 a 54), nos termos a seguir transcritos: “Por outro lado, levando em conta a característica peculiar do direito aduaneiro, que não se subsume exclusivamente aoBaldomir Sosa, in Comentários à Lei Aduaneira, editora Aduaneiras, 1995, pãg. 52), cabe exclusivamente à autoridade aduaneira verificar se, efetuado o depósito integral da exigência tributária, óbices de outra natureza existem ao prosseguimento do despacho aduaneiro e conseqüente liberação das mercadorias. Assim, a realização do depósito que pretende a impetrante por ser feito, independente de autorização judicial. Se efetivado e for integral e em dinheiro, e que não existam outros óbices, deverá a Impetrada, nos termos do artigo151, inciso II, do Código Tributário Nacional, independentemente de ordem judicial, liberar as mercadorias. " Amparado na decisão judicial, o importador efetuou o depósito de R$ 204.297,68, junto à Caixa Econômica Federal, pelo CNPJ n° 61.156.501/000156 (Matriz), referente ao valor da multa devida pelas Declarações de Importação n° 08/13966102, 08/13966153, 08/13966170, 08/13966226 e 08/13966242 (fls. 51). A Declaração de Importação foi então encaminhada, em 03/10/2008, à Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 238 4 DICAT/GJUD, onde foi efetuada a averbação de decisão proferida em ação judicial (fls. 46 e 47). Dessa forma, após a averbação e confirmação no Sistema SINAL da quantia recolhida, a Declarações de Importação foi desembaraçada em atendimento à determinação judicial e, em seguida, encaminhadas a esta Equipe de Lavratura de Autos de Infração, Análise de Processos e Vistoria EQLAP, para a formalização do crédito tributário suspenso. O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força de decisão prolatada nos autos do Mandado de Segurança, processo n° 2008.61.04.0096099, da 2° Vara da Justiça Federal em Santos/SP (art. 151, incisos II e IV do CTN). Conforme tabela acima, as 05 (cinco) DI’s foram divididas em 03 (três) PAF’s, sendo que no presente PAF estão sendo discutidos eventos relativos à DI n. 08/13966170. Cientificada dos referidos autos, a contribuinte protocolizou Impugnação,fls. 66/76, em 25/02/09. É o Relatório." A DRJ em São Paulo (SP) não conheceu da impugnação e o Acórdão n° 16 62.682, datado de 30 de outubro de 2014, foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/09/2008 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Liminar concedida em Mandado de Segurança, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula nº 1 Portaria CARF nº 52, de 2010). Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que contesta a decretação da concomitância, por entender que os objetos dos processos administrativo e judicial eram diferentes. Ademais, mais uma vez combateu a cobrança da multa, essencialmente, em razão de ter prontamente retificado os registros correspondentes e não ter sido identificado ato doloso fraudulento ou simulado e tampouco havido lesão aos cofres públicos. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 239 5 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator O recurso voluntário reúne os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Em síntese, foi lavrado auto de infração para cobrança de multa administrativa, por erro no preenchimento do campo "Fabricante/Produtor" da Declaração de Importação", declarado em desacordo com as informações contidas na Fatura Comercial. A multa foi capitulada no art. 84, da Medida Provisória n° 2.15835/01 c/c os artigos. 69, §§ 1° e 2°, inciso I, e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O contribuinte impetrou o MS n° 2008.61.04.0096099/SP, com o objetivo de obter a liberação da mercadoria, sem o pagamento da multa. Posteriormente, efetuou depósito integral do valor. E impugnou o auto de infração, contestando a aplicação da multa, basicamente, em razão de os registros terem sido prontamente retificados e não identificados atos dolosos, fraudulentos ou simulados e tampouco lesão ao erário. Com efeito, em consulta ao sítio virtual do TRF da 3° Região, tal qual o informado na peça recursal, verificase que o processo já foi extinto, sem julgamento do mérito. A DRJ não conheceu da impugnação, por entender que há concomitância entre o presente processo e o proposto, na esfera judicial, pela recorrente. Com a devida vênia, discordo da conclusão da DRJ, pelos motivos a seguir apresentados. Inicio, reproduzindo a Súmula CARF n° 1: Súmula CARF n° 1 "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Assim, uma vez identificada identidade entre os objetos dos processos administrativo e judicial, o julgador de esfera administrativa não deve conhecer do recurso. Cumprenos então consignar o que vem a ser "mesmo objeto", para então perscrutarmos as peças judiciais carreadas aos autos. E, para tanto, recorro ao Parecer Normativo COSIT n° 7/14, que, apesar de não vincular esta corte, traz valioso trabalho sobre a questão, com referências a importantes doutrinadores e decisões judiciais, além de fundamentarse em dispositivos legais: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 240 6 "(. . .) Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº 3, de 1996, a Súmula nº 1 do CARF e a Portaria MF nº 341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2º da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº 2/2013: Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 241 7 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1º e 2º, do CPC; e Súmula nº 1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (. . .)"(g.n.) Isto posto, passemos ao caso em tela, iniciando pela reprodução do "Pedido" consignado no citado MS (Doc. 07 da impugnação, fls. 103 e 104) e a sentença de 2° instância (fls. 124 e 125): "Pedido" Sentença de 2° instância Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 242 8 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 243 9 Resta claro que os processos administrativo e judicial não têm o mesmo objeto. Enquanto, no primeiro, discutese se a multa aplicada pela autoridade aduaneira é ou não devida, no segundo, foi pleiteada a liberação da mercadoria, sem o pagamento da multa, pois tal condicionamento violaria a orientação jurisprudencial consolidada pela Súmula 323 do STF. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 244 10 E a distinção entre os objetos dos processos fica evidente, quando do exame do seguinte trecho do "Pedido", já acima reproduzido: "(. . .) determine à autoridade coatora a imediata liberação das mercadorias retidas (. . .) sem prejuízo de seu direito de constituir e receber a multa que considerar devida, mediante o ato de lançamento fiscal (auto de infração), (. . .)". De todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para declarar a nulidade da decisão da DRJ e determinar o retorno do processo para aquela instância, para que sejam apreciadas as razões de mérito consignadas pelo contribuinte em sua impugnação. É como voto. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.916324/2009-70
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte.
Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.916324/2009-70
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887150
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.224
nome_arquivo_s : Decisao_11065916324200970.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 11065916324200970_5887150.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7374720
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585324847104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 342 1 341 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.916324/200970 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.224 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria COFINS Recorrente OTSUKA INDÚSTRIA DE PRODUTOS QUÍMICOS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 63 24 /2 00 9- 70 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 343 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 168 dos autos: Tratase de processo de DCOMP Eletrônico por pagamento a maior ou indevido de COFINS, tendo o contribuinte, em 28/01/2008, enviado à Receita Federal a Declaração de Compensação de nº 10665.61415.280108.1.7.047896 (fls. 144 a 148). De acordo com o informado na declaração de compensação, a empresa teria um crédito inicial original de R$ 12.721,79, o qual corrigido chegaria a R$ 14.280,21, referente à COFINS de novembro de 2006. Nessa DCOMP o contribuinte estaria se compensando do valor de R$ 10.916,58 a título de COFINS relativa à competência de dezembro de 2007, como se observa à fl. 148, mas, no entanto, não fez o recolhimento dos juros de mora pelo pagamento em atraso. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório não homologando a DCOMP sob a alegação de que o valor já teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando saldo de crédito disponível. O valor recolhido no DARF seria de R$ 24.386,95 (incluindo a multa, mas não recolheu os juros de mora, tendo em vista que o pagamento foi feito fora do prazo). O valor foi completamente utilizado para quitar o débito de COFINS do período de apuração de novembro de 2006 (fl. 1). A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 20/10/2009 (fl. 151/153). O contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade em 16/11/2009, às fls. 2 a 7. Em tal manifestação a empresa em síntese alega que declarou em DCTF um débito de COFINS para a competência de novembro de 2006 no valor de R$ 24.386,95, valor idêntico ao informado em DACON. Posteriormente teria verificado erro no seu cálculo, mas não alterou nem a DCTF, tampouco o DACON. Somente após o recebimento do Despacho Decisório foi que apresentou retificadoras de DCTF e de DACON. Entende que como o órgão administrativo deve buscar a verdade dos fatos, argumenta que deva ser considerado que apresentou informação ao fisco de forma incorreta, defendendo, inclusive, a retificação de ofício por ‘erro de fato”. Por fim, requer que seja recebida a sua manifestação, considerando o despacho decisório insubsistente, a partir dos fatos e fundamentos apresentados, bem como as declarações em anexo. Alternativamente que sejam retificadas de ofício as declarações entregues por ocasião do presente despacho, e ao final considerar os valores cobrados no despacho decisório totalmente indevidos. Ou seja, verificase que a insatisfação do contribuinte diz respeito à negativa de homologação da compensação que realizou através da DCOMP nº 10665.61415.280108.1.7.047896 (fls. 144/148). Fl. 343DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 344 3 Em sua manifestação de inconformidade (fls. 03/08), o contribuinte pediu o reconhecimento de seu crédito e homologação da compensação, esclarecendo e argumentando que: i) é tributada pelo lucro real e recolhe a COFINS de forma nãocumulativa; ii) apresentou inicialmente, erroneamente e a maior, DCTF e DACON informando a COFINS de novembro/2006 no valor de R$ 24.386,95, conforme informações acerca do DARF (fl. 156); iii) ao refazer os cálculos em sua planilha de controle, percebeu que havia informado de forma incorreta o valor devido de COFINS para o período, embora não tenha demonstrado isto através de DCTF nem de DACON; iv) percebendo o crédito em razão do pagamento a maior, utilizou a diferença para compensar outros tributos através da DCOMP em questão; v) o despacho decisório não deve prevalecer face ao princípio da verdade material, à demonstração de ocorrência de erro de fato pelo contribuinte, e à apresentação de declarações retificadoras; vi) o órgão fiscalizador deve rever de ofício declarações entregues incorretamente, conforme artigo 149 do CTN e precedentes do Conselho de Contribuintes, fazendo prevalecer a verdade material sobre a formal. Pediu, ao final, a consideração dos fundamentos e declarações apresentadas e, alternativamente, a retificação de ofício das declarações entregues, considerandose indevidos os valores cobrados no despacho decisório. Nesta oportunidade, anexou aos autos: (i) documentos de identificação (fls. 09); (ii) atos constitutivos (fls. 10/28); (iii) DCTF retificadora (fls. 29/58); (iv) DACON retificador (fls. 59/153); (v) PER/DCOMP (fls. 154/158); (vi) despacho decisório (fls. 02 e 159/162). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecer o direito creditório em litígio, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 DCTF, DACON E DARF. CONCORDÂNCIA COM O DESPACHO DECISÓRIO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão de compensação. Ainda mais quando a declaração apresentada DCTF, o demonstrativo enviado DACON, e o recolhimento em DARF, espontâneos, estão de acordo com o valor considerado pela DRF de origem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ou seja, o acórdão da primeira instância (fls. 167/171) entendeu correto o despacho decisório, em razão de a DCTF e o DACON apresentados, bem como o valor recolhido em DARF, estarem em pleno acordo com o despacho decisório emitido. Observou, ainda, que o pagamento feito com o DARF ocorreu sem o devido recolhimento de juros, já que realizado em atraso. Considerou, também, o fato de o contribuinte, com a manifestação de inconformidade, não ter apresentado documentação contábil hábil a demonstrar o erro cometido naqueles documentos. Salientou o dever de prova por parte de quem alega, e a correção do despacho que se baseou nas declarações do próprio contribuinte. Por fim, entendeu que o crédito pleiteado na DCOMP não possui os requisitos de certeza e liquidez, mantendo o despacho decisório. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 345 4 O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 03/01/2013 (vide AR à fl. 174 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 04/02/2013, Recurso Voluntário (fls. 181/188). Em seu recurso (fls. 181/188), o contribuinte alegou que seria possível verificar das planilhas anexas ao recurso o verdadeiro valor devido de COFINS no período discutido, no montante de R$ 11.665,16. Afirmou que realizou o pagamento com o acréscimo de multa, mas sem o acréscimo de juros, que entende não ser devido, uma vez que o vencimento ocorreu em 15/12/06, e o pagamento em 27/12/06, ou seja, ainda no mês de vencimento. Argumentou, ainda, que deveria a DRJ ter diligenciado no sentido de verificar a verdade material, ao invés de optar por denegar o crédito a que tem direito. No intuito de comprovar o seu direito, anexou aos autos: (i) procuração; (ii) documento de identificação e atos constitutivos; (iii) comprovante de arrecadação no valor de R$ 24.386,95 (fl. 200); (iv) livro de registro de apuração do IPI (fl. 201/203); (v) planilhas com a indicação do valor contábil do período, do valor do IPI no período e do valor líquido (fls. 204/205); (v) DACON original (fl. 207/225); (vi) planilhas (fls. 226/227) (vii) livro razão analítico (fl. 228); (viii) DCTF original (fl. 229/233); (ix)planilha com levantamento de créditos extemporâneos de PIS e COFINS (fl. 234/235); (viii) DACON retificador (fl. 236/262); (ix) DCTF retificadora (fls. 263/291); (vii) balancete de verificação (fl. 292/303); (viii) PER/DCOMP (fls. 304/339). Ao final, pediu: i) a suspensão dos efeitos dos débitos discutidos até julgamento em última instância administrativa; ii) o reconhecimento do crédito e homologação da compensação; iii) no mínimo, diligência junto à empresa para verificação do valor devido. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: Considerando que o contribuinte foi intimado acerca da decisão da DRJ em 03/01/2013, uma quintafeira, (vide AR à fl. 174 dos autos), temse que o prazo para interposição do Recurso Voluntário teve início em 04/01/2003 (sextafeira), expirandose em 02/02/2013 (sábado), ficando prorrogado, portanto, para o primeiro dia útil subsequente, qual seja, 04/02/2013 (segundafeira). Assim, tendo em vista que o contribuinte interpôs o recurso ora analisado em 04/02/2013 (fl. 181), há de se reconhecer a sua tempestividade. Ademais, constatandose que o recurso interposto reúne os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passase, então, à análise dos fundamentos ali apresentados. Consoante acima relatado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 181/188), por meio do qual repisou o fundamento constante da sua manifestação de inconformidade no sentido de que havia apurado e recolhido COFINS a maior quanto ao Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 346 5 período de novembro de 2006 (vide DARF anexado, no valor de R$ 23.607,89 de principal e R$ 779,06 de multa, totalizando R$ 24.386,95). Defende que o valor devido de COFINS neste período seria de R$ 11.665,16, valor este que, segundo afirma, estaria demonstrado em planilhas anexadas ao seu recurso. Aponta, então, a existência de crédito no importe de R$ 12.721,79, correspondendo à diferença entre o valor da COFINS recolhido (R$ 23.607,89) e o valor devido (R$ 11.665,16). Segue dispondo sobre o princípio da verdade material, para fins de contestar a postura da DRJ, que entendeu por denegar o direito creditório, embora possível a diligência. Defende, então, que teria incorrido em erro de fato, cuja correção deveria ser admitida pela fiscalização. E, no intuito de comprovar o seu direito, anexou aos autos uma série de planilhas e documentos contábeis (fls. 200/339). Ao analisar o caso concreto em testilha, entendo que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito. Isso porque, verificase que o contribuinte limitouse a alegar em seu Recurso Voluntário a existência de suposto equívoco na apuração da COFINS originalmente realizada, alegando que o valor correto seria, na verdade, de R$ 11.665,16, e não de R$ 23.607,89. Acontece que não indicou, em nenhum momento, qual a origem deste equívoco, para que se pudesse verificar a consistência das suas alegações. Além disso, apesar de ter afirmado que o valor correto estaria demonstrado através dos documentos anexados ao seu recurso, por meio da leitura do recurso voluntário interposto, constatase que o contribuinte não fez qualquer conciliação entre os documentos anexados aos autos com o valor que entende devido. Ou seja, embora tenha o contribuinte anexado ao seu recurso voluntário uma série de planilhas e documentos contábeis, não trouxe em sua petição qualquer esclarecimento acerca dos valores ali apresentados. Como se não bastasse, observase que o contribuinte, embora tenha anexado ao seu recurso planilhas e registros contábeis, não apresentou os documentos fiscais que consubstanciariam as operações ali registradas. O que se denota, portanto, é que pretendia o contribuinte, com a juntada de tais documentos, que fosse realizada diligência para fins de se confirmar a correção da nova apuração do imposto realizada. Acontece que a providência de comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário é do contribuinte, e não da fiscalização. Sendo assim, entendo que faltou ao contribuinte diligência na demonstração do seu direito creditório, inclusive através da conciliação da documentação anexada aos autos com os valores que pretende ver retificados. Como é cediço, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). Sobre o assunto, inclusive, verificase que a DRJ foi categórica em afirmar que os erros apontados deveriam ter sido comprovados por meio de documentação contábil/fiscal hábil, o que não ocorrera neste caso concreto, em que havia sido juntada aos autos na manifestação de inconformidade apenas DACON e DCTF retificadora. É o que se infere da transcrição a seguir: Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 347 6 Por outro lado, a empresa ao interpor essa manifestação de inconformidade, não apresentou nenhum documento contábil que pudesse comprovar o suposto erro de fato que teria cometido quando do preenchimento da DCTF, do DACON e do recolhimento do DARF. Ora, é da essência da relação processual que as alegações sejam devidamente instruídas com as respectivas provas. Tal princípio encontrase inscrito no art. 36 da Lei n° 9.784/99, que disciplina o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, assim como no art. 16, III, do Decreto n° 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal: Lei n° 9.784/99 “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.” — O destaque é meu. Decreto n° 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (gn) De mais a mais, o próprio Código de Processo Civil (Lei n° 5.869/73), que se aplica em caráter subsidiário aos processos administrativos — inclusive aos tributários — não é menos incisivo ao atribuir a quem alega um direito a prova de seu fato constitutivo: Lei n° 5.869/73 “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” — (gn). Portanto, somase ao fato de o despacho decisório estar de acordo com o valor apresentado pelo próprio contribuinte em DCTF, corroborado pelo informado em DACON e recolhido via DARF, a verificação de que o contribuinte não juntou aos autos nenhum documento comprobatório que indicasse o erro de pagamento alegado. Os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo da COFINS são elementos indispensáveis para a comprovação da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, ou seja, o crédito informado na declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e de liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de direito creditório junto à Fazenda Pública. E, conforme acima mencionado, entendo que os novos documentos anexados ao Recurso Voluntário, sem que fosse realizada a conciliação dos valores indicados com os correspondentes livros contábeis e documentos fiscais que lhe dariam suporte, não são suficientes à comprovação da certeza e liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 348 7 Nesse contexto, entendo que a decisão recorrida há de ser mantida, visto que o Recorrente, in casu, não se desincumbiu do seu ônus probatório quanto à matéria fática (direito ao crédito). Sobre o argumento apresentado pelo contribuinte de que a DCTF fora retificada tão somente para fins de corrigir erro outrora incorrido, há de se destacar que não há qualquer impedimento na apresentação de DCTF retificadora. Conforme esclarece o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, esta poderá ser apresentada inclusive após o despacho decisório. Contudo, em tais casos, é cediço que a DCTF retificadora, por si só, não possui o condão de comprovar as informações ali inseridas, incumbindo ao contribuinte o ônus de trazer aos autos, através da correspondente documentação contábil e fiscal, a correspondente conciliação que demonstre o seu direito creditório. Por oportuno, transcrevo o conteúdo do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (grifos apostos).(...). 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação? Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação. (Grifos apostos). (...). Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 349 8 13. Ressaltese, por oportuno, que a despeito de a DCTF retificadora, em regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da autoridade administrativa, que pode exigir confirmação e comprovação das informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade. Afinal, a apresentação do PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados do CARF: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802¬002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302¬002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) 13.1. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poder dever de confirmálas. A autoridade administrativa poderá solicitar a comprovação do alegado crédito informado no PER/DCOMP, e se ele, por exemplo, for um pagamento e estiver perfeitamente disponível nos sistemas da RFB, pode ser considerado apto a ser objeto de restituição ou de compensação, sem prejuízo de ser Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 350 9 solicitado do declarante comprovação de que se trata de fato de indébito. Vale dizer, a retificação da DCTF é necessária, mas não necessariamente suficiente para deferir o crédito pleiteado, que depende da análise da autoridade fiscal/julgadora do caso concreto. Tanto que tal autoridade poderá discordar das razões apresentadas (a despeito da retificação da DCTF) e, consequentemente, indeferir/não homologar o PER/DCOMP com base em outros elementos de prova de que tal pagamento, ainda que disponível nos sistemas da RFB. Este tema, inclusive, encontrase pacificado neste Conselho Administrativo Fiscal, consoante demonstra a decisão a seguir colacionada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. (Acórdão nº 3803006.915, de 18/03/2015). (grifos apostos). No caso dos presentes autos, portanto, constatase que o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório, pelo que deverá ser mantida a negativa de homologação da compensação ora analisada. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.722396/2012-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
Quanto a Omissão de Rendimentos de Alugueis, a recorrente trouxe aos autos Declaração a título de serviços prestados na administração de recebimentos de alugueis. Correta a DAA.
Quanto as Despesas Médicas, a recorrente junta aos autos (fl.82), Declaração e recibo referentes a serviços odontológicos. Face a documentação apresentada a recorrente, faz prova do seu direito.
Numero da decisão: 2002-000.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Quanto a Omissão de Rendimentos de Alugueis, a recorrente trouxe aos autos Declaração a título de serviços prestados na administração de recebimentos de alugueis. Correta a DAA. Quanto as Despesas Médicas, a recorrente junta aos autos (fl.82), Declaração e recibo referentes a serviços odontológicos. Face a documentação apresentada a recorrente, faz prova do seu direito.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10805.722396/2012-80
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892630
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.242
nome_arquivo_s : Decisao_10805722396201280.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 10805722396201280_5892630.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7394204
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585332187136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.722396/201280 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.242 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IRPF Recorrente MARIA HELENA DA SILVA HENRIQUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Quanto a Omissão de Rendimentos de Alugueis, a recorrente trouxe aos autos Declaração a título de serviços prestados na administração de recebimentos de alugueis. Correta a DAA. Quanto as Despesas Médicas, a recorrente junta aos autos (fl.82), Declaração e recibo referentes a serviços odontológicos. Face a documentação apresentada a recorrente, faz prova do seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 23 96 /2 01 2- 80 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10805.722396/201280 Acórdão n.º 2002000.242 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.71/77) contra decisão de primeira instância (fls.59/63), que julgou pela improcedência da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 43 a 50), referente ao exercício 2008, ano calendário 2007. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar 4.034,25 (Sujeito à Multa de Ofício) Multa de Ofício (passível de redução) 3.025,68 Juros de Mora (calculado até 29/06/2012) 1.741,58 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de 0,00 Mora) Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros e Mora (calculado até 29/06/2012) 0,00 Total do Crédito Tributário 8.801,51 O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Omissão de Rendimentos de Aluguéis ou Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas– omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, relativos ao exercício 2008, ano calendário 2007. Fonte Pagadora: Missão Evangélica do Brasil (CNPJ: 42.557.454/0001 08).Valor: R$ 5.670,00. Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007. Valor: R$ 9.000,00. Motivo da glosa: Recibos apresentados sem atender as formalidades legais exigidas (sem endereço do profissional e sem identificação do paciente). A ciência do lançamento ocorreu em 28/06/2012 (fls. 58) e, em 23/07/2012, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 02/09, acompanhada de documentos, descrevendo, inicialmente, os termos da notificação. Afirma que, nos recibos, ao contrário do que consta na notificação, está identificado terem sido os valores recebidos de “Maria Helena da Silva Henriques, constando, ainda o CPF do médico, bem como carimbos, assinatura e numero de inscrição no conselho”. Reconhece que faltou no recibo a identificação do endereço do profissional e que apresenta declaração de próprio punho do profissional comprovando seu endereço Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10805.722396/201280 Acórdão n.º 2002000.242 S2C0T2 Fl. 4 3 comercial, bem como reiterando a prestação dos serviços prestados e os respectivos pagamentos. Entende que os documentos apresentados atendem a todos os requisitos previstos no art. 8º inciso II, aliena “a” e § 2º da Lei 9.250/95. Transcreve artigo. Discorda da omissão lançada, pois afirma que informou em sua declaração o valor do aluguel recebido deduzido do pagamento, no valor de R$ 8.142,43, ao Sr. Saul Coutinho Carvalho, pelos serviços prestados na administração dos imóveis e recebimento dos aluguéis, durante o exercício de 2007, conforme contrato de administração de imóveis e recibo. Transcreve o pergunta e respostas do IRPF 2012 na parte que trata da dedução de despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento de aluguel. Ressalta que o Sr. Saul Coutinho Carvalho é responsável pela administração de três imóveis de sua propriedade, dentre os quais o que esta localizado a Missão Evangélica do Brasil e que recebeu, no ano calendário de 2007, pela administração dos três contratos, o valor total de R$ 8.142,32, sendo R$ 5.670,00 a despesa referente a cobrança do aluguel da Missão Evangélica do Brasil. Requer o cancelamento da notificação. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do débito fiscal e apresentando novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 21/11/2013 (fl.69); Recurso Voluntário protocolado em 20/12/2013 (fl.71), assinado pela própria contribuinte. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10805.722396/201280 Acórdão n.º 2002000.242 S2C0T2 Fl. 5 4 Em sua peça de resistência a contribuinte faz um breve relato dos fatos, a respeito do ocorrido nestes autos, e entabula sua defesa nos seguintes termos: Quanto a Omissão de Rendimentos de Alugueis ou Royalties, a recorrente trouxe aos autos, Declaração prestada pelo Sr. Saul Coutinho Carvalho, que recebeu a título de serviços prestados, na administração de recebimentos de alugueis, no exato valor em que está sendo cobrado nos autos, ou seja, R$ 5.670,00, que representa 10% do valor recebido no ano (fl.81). Já em relação a Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas, a recorrente junta aos autos (fl.82), Declaração da Clínica Trivoli, onde diz ter recebido da paciente a quantia de R$ 9.000,00, no ano de 2007, referentes a serviços odontológicos (implantes) prestados para a própria. Face a documentação apresentada a recorrente, faz prova do seu direito. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento, cancelandose a ação fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.903181/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO.
Conforme art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL.
É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.
Numero da decisão: 3401-005.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar de 30/10/2007 (data de transmissão do pedido de ressarcimento) até a data de sua efetiva utilização, se posterior.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO. Conforme art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10665.903181/2011-29
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894796
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.214
nome_arquivo_s : Decisao_10665903181201129.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10665903181201129_5894796.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar de 30/10/2007 (data de transmissão do pedido de ressarcimento) até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7403813
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585342672896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2286; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 376 1 375 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.903181/201129 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.214 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente SIDERÚRGICA ALTEROSA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO. Conforme art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciandose e negandose o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 31 81 /2 01 1- 29 Fl. 376DF CARF MF 2 competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar de 30/10/2007 (data de transmissão do pedido de ressarcimento) até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 21, datado de 03/04/2012, que indefere pedido de restituição/ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo ao terceiro trimestre de 2007 (fls. 104 a 327 – transmissão em 30/10/2007), e não homologa compensação a ele vinculada, gerando a exigência dos débitos indevidamente compensados, em valor original de R$ 794.358,49, a sofrer ainda acréscimos de juros de mora e multa de ofício (75%). Às fls. 3 a 25 consta Manifestação de Inconformidade datada de 15/05/2002, na qual se argumenta, em síntese, que: (a) houve decadência do direito de glosar os créditos lançados em DCP até 17/04/2007; e (b) houve diversos erros cometidos pela fiscalização na apuração do IPI, como (b1) exclusão dos valores relativos a insumos adquiridos de pessoas físicas, matéria já reconhecida pelo STJ (na sistemática dos recursos repetitivos, no bojo do REsp no 993.164/MG), pelo CARF e pela própria Fazenda Nacional (Ato Declaratório no 14/2011); (b2) desconsideração das notas fiscais de entrada de carvão vegetal, considerando apenas as notas de saída dos fornecedores (exemplificando com algumas notas que efetua os pagamentos com base nas notas de entrada, exatamente da forma que escritura); (b3) a base de cálculo eleita pela lei é o valor das aquisições de insumos (e não das vendas, como adotado pelo fisco), e não exclui o IPI; e (b4) deve haver atualização monetária, com fundamento na Lei no 9.250/1996, art. 39, § 4o, e em decisões do STJ e do CARF. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 377 3 Enviado o processo à DRJ, a decisão de primeira instância foi proferida em 18/03/2014 (fls. 348 a 352), acordandose unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que tendo as glosas de crédito sido efetivadas em procedimento fiscal e formalizadas em processo administrativo de auto de infração específico, que foi regularmente impugnado, a análise da manifestação de inconformidade acerca do não reconhecimento do direito creditório deve levar em conta o resultado do julgamento da impugnação ao auto de infração, nos aspectos que concernem à apuração do saldo credor passível de ressarcimento, e, concluído que as glosas devem ser mantidas, os cálculos de apuração do direito creditório devem contemplar essas glosas. Ciente da decisão de piso em 15/04/2014 (cf. AR de fl. 354), a empresa apresentou recurso voluntário em 07/05/2014 (fls. 355 a 370, e 373/374), agregando que: (a) em relação à decadência, há precedente do CARF que endossa as razões de defesa (no processo no 10840.003399/200301); (b) o acórdão da DRJ desrespeita o decidido pelo STF na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 993.164/MG, tendo ambas as leis de regência (no 9.363/1996 e no 10.276/2001) a mesma essência; (c) em relação às aquisições de carvão vegetal, é irrelevante o fato de ter ou não havido incidência das contribuições na etapa anterior, endossando que o pagamento do carvão e a escrituração eram feitos com base nas notas de entrada; (d) não há previsão legal, na legislação de regência, para exclusão do IPI incidente sobre aquisições; (e) também não há previsão legal, na legislação de regência, para que os estoques sejam considerados no cálculo do crédito presumido do IPI; e (f) há precedentes do CARF, inclusive da CSRF, que entendem cabível a atualização, pela Taxa SELIC, dos créditos presumidos de IPI. O processo foi encaminhado ao CARF, pelo despacho de fl. 371, em 15/05/2014, sendo a mim distribuído, por sorteio, em fevereiro de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, dele se tomando conhecimento. Restam contenciosas, após o recurso voluntário, as seguintes matérias: (a) (in)existência de decadência; (b) (des)respeito a precedente julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 993.164/MG); (c) cômputo de valores nas aquisições de carvão vegetal a partir de notas de entrada; (d) exclusão do IPI incidente sobre aquisições e de estoques, no cálculo do crédito presumido; e (e) (im)possibilidade de atualização dos créditos à Taxa SELIC. Como esclarece a decisão de piso, logo de início, todas essas matérias foram analisadas no auto de infração lavrado no processo administrativo no 10665.720367/201225: Fl. 378DF CARF MF 4 Assim, a análise das matérias a seguir é simples reprodução (com leves adaptações) da externada no citado processo no 10665.720367/201225, que está sendo julgado por esta turma de julgamento na mesma data. As razões de decidir, aqui e acolá, são necessariamente as mesmas. Da decadência Ainda em sua manifestação de inconformidade, alegou a recorrente que houve decadência de o fisco glosar créditos lançados em DCP ou no RAIPI até 17/04/2007 (cinco anos da data em que tomou ciência do despacho decisório – 17/04/2012), pois o crédito tributário exigido se referiria a glosas de crédito presumido de IPI referente ao período de janeiro de 2002 a dezembro de 2007. Afirma também a recorrente que percebeu, em 2007, que apurou crédito presumido a menor, e retificou, ainda em 2007, os DCP relativos ao mencionado período (2002 a 2007), apurando novo valor de crédito presumido de IPI. A alegação de decadência, no entanto, não encontra guarida na legislação tributária. Endossese que confunde a recorrente lançamento de crédito tributário com glosa de crédito presumido de IPI, e insiste na confusão, em sua peça recursal, ao afirmar que “a glosa é um lançamento”, confundindo o ato de lançar com o efeito de rechaçar um crédito presumido. Assente neste tribunal administrativo o posicionamento neste sentido, sendo minoritário e superado o entendimento contrário externado pela recorrente em precedente de 2005, e pouco relevante o entendimento externado por órgão estadual em relação a tributo distinto. Mencionemse, a título exemplificativo, precedentes desta turma de julgamento: COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. GLOSA DE SALDO CREDOR. DIFERENÇAS. A decadência é instituto relacionado à extinção do crédito tributário (cf. art. 156 do CTN), e tanto o comando do art. 173, I, quanto o contido no art. 150, § 4o da mesma codificação são referentes a lançamento de crédito tributário, e não a glosa de saldo credor indevido ou não comprovado. (Acórdão no 3401003.102, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 23 fev. 2016) Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 378 5 “DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado.” (Acórdão no 3401 004.009, Rel. Cons. Fenelon Moscoso de Almeida, unânime em relação ao tema, sessão de 28.set.2017) Mas, no caso concreto, a situação é ainda mais clara, no sentido da inexistência de decadência, ainda que se venha a discordar, eventualmente, do posicionamento aqui externado de início. Vejase que a recorrente pretende, em 2007, ampliar seu direito a crédito presumido de IPI (no período de 2002 a 2007), mediante retificação das informações prestadas ao fisco, e entende que a fiscalização já não poderia rever tais informações, contando o prazo das entregas originais. Seria o mesmo que registrar, no ano de 2007, uma retificação gerando restituição dos tributos referentes ao período de 2002 a 2007, e entender que o fisco, v.g., em 2010, ao analisar o pedido de restituição decorrente da retificação, já não poderia rechaçar nenhum crédito anterior a 2005. Assim, por uma e por outra razão, cabe, igualmente, afastar a alegação de decadência. Das aquisições de pessoas físicas (REsp no 993.164) A fiscalização glosou as aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, não computadas originalmente nas declarações da recorrente. E a DRJ endossou a glosa, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), entendendo que o precedente do STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 993.164/MG) trata da Lei no 9.363/1996, e não do regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. Sustentase, na peça recursal, que o acórdão da DRJ desrespeita o decidido pelo STF na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 993.164/MG, tendo ambas as leis de regência (no 9.363/1996 e no 10.276/2001) a mesma essência. Nesse aspecto, entendemos assistir razão à recorrente. Colacionese, inicialmente, o que entendeu o STJ, no REsp no 993.164/MG, na sistemática dos recursos repetitivos, vinculante para este colegiado administrativo: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO Fl. 380DF CARF MF 6 NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 379 7 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” (grifos nossos) A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF no 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor 313/2003, 419/2004), diante do texto do art. 1o da Lei no 9.363/1996: “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. E o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 trata da mesma matéria (com sensível alteração de texto) em seu art. 1o, § 1o: “Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)” O regime da Lei no 9.363/1996 e o regime alternativo da Lei no 10.276/2001, são evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento Fl. 382DF CARF MF 8 em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir: Observações Lei no 9.363/1996 Lei no 10.276/2001 Ambas as leis tratam de crédito presumido de IPI para empresas (pessoas jurídicas) produtoras e exportadoras de mercadorias “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, (...). Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), (...). Ambas as leis permitem o creditamento como ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput. I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo Vejase que a expressão “incidiram as” que motivaria o entendimento de que há vedação legal literal ao creditamento em aquisições de pessoas físicas existe também no regime da Lei no 9.363/1996 (“incidentes sobre”). A argumentação, assim, guarda identidade com a apresentada em grau recursal pela PGFN (e rechaçada pelo STJ no REsp no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos), como narrado no voto do Ministro Luiz Fux: “Por seu turno, a Fazenda Nacional, em suas razões de recorrer, alega, (...). De acordo com a recorrente: "... a Lei nº 9.363/96 não conferiu ao produtor/exportador o direito ao crédito presumido quando o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e COFINS (por exemplo, pessoa física, cooperativa, etc.), assim, a IN SRF 23/97 não extrapolou os limites da lei. Isto porque se trata de lei que prevê um incentivo fiscal, a qual, de acordo não só com o disposto pelo Código Tributário Nacional (art. 111, do CTN),mas com a doutrina e a jurisprudência, deve ser interpretada restritivamente. Ademais, o modo com que o 'crédito presumido de IPI se encontra delineado pela Lei 9.363, de 1996, não permite ao intérprete concluir de outra forma, senão que o legislador condicionou a fruição do incentivo ao pagamento de PIS/PASEP e da COFINS pelo Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 380 9 fornecedor do insumo adquirido pela beneficiário do crédito presumido. (...) Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional (art. 111). (...) Assim, a condição legalmente disposta para que o produtor exportador possa adicionar o valor do insumo à base de cálculo do crédito presumido, é a exigência de tributos ao fornecedor do insumo. Sem que tal condição seja cumprida, é inadmissível, ao contribuinte, benefício de crédito presumido.” (grifo nosso) O precedente deu origem ainda à Súmula STJ no 494: “O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP.” Veja que o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei no 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o Fl. 384DF CARF MF 10 PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...)(REsp 1313043/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012); (REsp 1231755/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011)” (grifo nosso) Portanto, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. Sustentamos o raciocínio aqui externado desde o Acórdão no 3403002.892. Anteriormente, entendíamos que o precedente do STJ (REsp no 993.164/MG), na sistemática dos recursos repetitivos, tinha escopo restrito à Lei no 9.363/1996. E que no regime alternativo da Lei no 10.276/2001, não havendo incidência dessas contribuições, não haveria o que ressarcir, tendo em vista o comando do art. 1o, § 1o da norma legal. E, nesse aspecto, fui voto vencido (ao lado do relator, Antonio Carlos Atulim) nos Acórdãos no 3403001.948 a no 3403 001.953, tendo sido designado para todos os votos vencedores o Cons. Robson José Bayerl (sessão de 19.mar.2013). Aliás, o entendimento sobre a matéria já está consolidado, hoje, no CARF, cabendo mencionar dois precedentes recentes e unânimes da CSRF, na mesma linha adotada neste voto: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543 C do CPC.” (Acórdão n. 9303004.682, Rel. Cons. Andrada Marcio Canuto Natal, sessão de 14.fev.2017 – unânime em relação à matéria) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543 C do CPC.” (Acórdão n. 9303005.103, Rel. Cons. Erika Costa Camargos Autran, sessão de 16.mai.2017 – unânime) Ademais, recordese que o § 5o do art. 1o da Lei no 10.276/2001, aqui já transcrito ao início do voto, estabelece claramente: “Aplicamse ao crédito presumido Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 381 11 determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996”. Assim, segundo o entendimento do STJ, vinculante para o CARF, aliado ao referido § 5o, é improcedente a alegação fiscal de que as aquisições de pessoas físicas obstariam o direito ao crédito presumido, no regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. Nesse sentido decisões unânimes recentes desta turma de julgamento, nos Acórdãos no 3401004.457 a 459, de 22/03/2018, sob minha relatoria: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001. Assim, deve ser dado provimento ao recurso voluntário no que se refere a aquisições de pessoas físicas. Do cômputo de valores nas aquisições de carvão vegetal a partir de notas de entrada A fiscalização glosou, no valor das aquisições de carvão vegetal, a diferença entre o valor da nota fiscal de entrada da recorrente e o valor da nota fiscal de saída do fornecedor, por não terem incidido as contribuições sobre tais diferenças, conforme prescreve o § 1o do art. 1o da Lei no 10.276/2001 (aqui já transcrito), não havendo notas fiscais de venda complementares pelos fornecedores. A recorrente afirma que não há meios adequados ao fornecedor de carvão vegetal, na saída de seu estabelecimento, para medição precisa da metragem do referido produto (adotando metragem referencial), e que, por isso, toma em conta o valor constante de suas notas de entrada, emitidas com medição precisa, destacando que o valor de tais notas corresponde ao efetivamente pago, como busca comprovar exemplificativamente. Como destacou o julgador de piso, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), a glosa não se deveu a simples aspecto formal (ausência de nota fiscal complementar por parte do vendedor), mas ao fato de não haver incidência das contribuições, requisito estabelecido na lei que concede o crédito presumido de IPI, como atesta o próprio TVF (item 13): 13) (...) Como não foram emitidas notas fiscais de venda complementares pelos fornecedores, sobre tais diferenças não incidiram as contribuições sociais PIS e COFINS, requisito para que integrassem a base de cálculo do crédito presumido de Fl. 386DF CARF MF 12 IPI, conforme § 1o do artigo 1 o da Lei 10.276/2001. Por isso, essas diferenças devem ser excluídas na apuração dos custos dos insumos com direito ao crédito presumido. Os dados transcritos no referido anexo foram obtidos dos arquivos digitais entregues pelo sujeito passivo e descritos no item 7 deste termo. (grifouse) E endossou o exposto com o art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o): “Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1 o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador.” (grifo nosso) Assim, a afirmação de defesa no sentido de que “o fisco, para decidir qual nota considerar, adotou critério sem qualquer fundamento lógico” é absolutamente equivocada, visto que o fisco usou critério expressamente previsto em lei. Em sua defesa, a empresa afirma ainda apresentar, como “prova cabal” do direito ao crédito, alguns conjuntos de notas fiscais e respectivos comprovantes de depósito/cheques, e que, em nenhum momento questionou o fisco que toda a contabilização da empresa (“custos discriminados nos balancetes, balanços, demonstrações de resultado, etc”) é tomado com base nas notas fiscais de entrada. Fosse a discussão, no processo, direcionada à simples apuração de créditos básicos das contribuições, decorrentes da nãocumulatividade, até entenderíamos passíveis de análise tais alegações, em nome da verdade material, a exemplo do que decidiu este colegiado no Acórdão no 3403003.449, de minha relatoria, no sentido de que incumbiria ao fisco investigar o valor real das aquisições, e se este condiz com o registrado contabilmente. No entanto, como exposto, estamos aqui a tratar de crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições, regido por legislação própria, que, como exposto, expressamente faz menção às notas de venda do fornecedor. E, nesse cenário, desnecessário ao fisco perscrutar sobre o cotejo entre contabilização e pagamento. Correta, assim, a glosa fiscal, nesse aspecto, ao tomar em conta as notas de venda, e não as notas de entrada. De fato, incumbiria à recorrente, em sua defesa, que busca afastar a aplicação expressa do comando legal, apresentar, de forma minuciosa e organizada (não com documentos de amostragem insignificante, e sem detalhamento que os conecte silogisticamente aos valores autuados), provas de que as notas de saída não corresponderam, individualizadamente, aos valores contabilizados, ou que foram complementadas. Assim como incumbiu ao fisco o detalhamento em planilhas (vide Anexos do TVF, no processo referente à autuação) de todas as glosas, nota fiscal por nota fiscal, exigese da defesa igual labor, não podendo a argumentação genérica, ou exemplificativa desconectada de indicação expressa de quais tópicos se está a contestar operar em desfavor do lançamento regularmente constituído, ou da glosa fiscal devidamente motivada. Ademais, não se noticia aqui tenha o fisco adotado procedimento semelhante ao que se viu no referido Acórdão no 3403003.449 (uso do valor da nota de entrada somente quando este fosse menor do que o constante da nota de venda, operando sempre em prejuízo do crédito). Pelo contrário, o critério aqui adotado pela fiscalização, como visto, além de Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 382 13 uniforme, tem expressa guarida legal (art. 3o da Lei no 9.363/1996, aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o). Assim, tanto as aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas (aqui reconhecidas no tópico anterior) quanto as de pessoas jurídicas (reconhecidas pela própria fiscalização) devem gerar crédito tomando por base o valor da nota de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência). Da existência de erros no cômputo do crédito presumido Alega ainda a recorrente que a fiscalização, erroneamente, excluiu do cômputo do crédito o IPI incidente sobre aquisições e que considerou estoques no cálculo sem previsão legal. Como expôs o julgador de piso, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), incluindo menção subsidiária à legislação do imposto de renda, a expressão “valor total das aquisições” de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, constante na lei (art. 2o da Lei no 9.363/1996, aplicável ao regime alternativo por força do já mencionado art. 1o, § 5o da Lei no 10.276/2001) não inclui, por óbvio, o IPI incidente sobre as aquisições, destacado na nota fiscal. Sobre a tomada em conta os estoques, no cálculo, a própria fiscalização esclarece, no TVF, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), que decorre do não atendimento de requisitos para cálculo do crédito presumido com base no custo integrado, e que opera em benefício da empresa: 8) Segundo os Demonstrativos do Crédito Presumido – DCP e memórias de cálculo apresentadas, o sujeito passivo optou pela apuração do crédito presumido do IPI com base na contabilidade com Custo Integrado. Porém, verificamos que no período de 2002 a 2007 a escrituração contábil do sujeito passivo não atendia aos requisitos para cálculo do Crédito Presumido com base no custo integrado, pois a atualização dos estoques era efetuada apenas no último dia de cada mês pelo preço médio das compras mensais, mesmo critério adotado para apuração dos custos dos insumos consumidos na industrialização em cada mês. Para utilizar a apuração com base no custo integrado a pessoa jurídica deve manter sistema de controle permanente de estoques, no qual a avaliação dos bens é efetuada pelo método da média ponderada móvel ou pelo método denominado PEPS, em que as saídas das unidades de bens seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. Além disso, o sistema de custos deve permitir a identificação de Matérias Primas, Produtos Intermediários, Material de Embalagem, energia elétrica, combustíveis e do valor da prestação de serviços na industrialização por encomenda sujeitos à incidência das contribuições sociais PIS e COFINS. (...) Fl. 388DF CARF MF 14 17) No anexo 8, elaborado com base nos balancetes mensais e arquivos digitais da contabilidade, explicitamos os valores dos estoques a serem considerados na apuração dos custos mensais com direito ao crédito presumido do IPI. O valor do carvão vegetal foi excluído do estoque devido à impossibilidade de se determinar se o insumo estocado em cada mês havia sido adquirido de Pessoa Física, Pessoa Jurídica ou recebido em transferência de uma das fazendas do próprio sujeito passivo. Desta forma, considerouse que todo o carvão vegetal adquirido em um mês foi consumido no próprio mês da aquisição, resultando em critério mais benéfico ao sujeito passivo. Como se percebe, diante do não atendimento de requisitos para cálculo do crédito presumido com base no custo integrado, o fisco buscou apurar o crédito com base nos balancetes mensais e arquivos digitais da contabilidade, de modo a não prejudicar a fruição de créditos totalmente pelo fato de não ser possível distinguir o carvão vegetal adquirido daquele, v.g., vindo da própria empresa. Não há argumento da recorrente no sentido de que cumpria os citados requisitos, nem de que o critério adotado pelo fisco não lhe seria mais benéfico. Restringese a defesa a afirmar que foram levados os estoques em consideração ao arrepio das normas que regem a matéria. Olvidase a defesa, neste ponto, que a própria lei (art. 3o) remete à regulamentação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que é tratada nas Instruções Normativas no 69/2001, 315/2003 e 420/2004, que fundamentaram o cálculo, como explicitado também no TVF (itens 17 e 18), e que expressamente remetem a estoques. Como se percebe, pela simples leitura do TVF, não houve ofensa à legislação, mas mácompreensão, pela defesa, da metodologia adotada, digase, por não ter a empresa cumprido requisitos para cálculo do crédito presumido com base no custo integrado. Nada há de incorreto no procedimento fiscal. Ao que parece, busca paradoxalmente a defesa que o descumprimento dos referidos requisitos a beneficie. Não procedem, assim, as alegações recursais de erro no cômputo do cálculo do crédito presumido. Da atualização do crédito presumido Por fim, demanda a recorrente que seu crédito seja tomado em conta ao longo do tempo, de forma atualizada pela SELIC, com fundamento na Lei no 9.250/1996, art. 39, § 4o, e em decisões do STJ e do CARF, inclusive da CSRF. No julgamento de piso, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), decide unanimemente a DRJ que é incabível, por absoluta inexistência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto ou de seu ressarcimento, pela incidência da Taxa SELIC sobre os montantes escriturados ou pleiteados, visto que a Lei no 9.250/1996, em seu art. 39, trata de indébito de tributos, não se alastrando a crédito presumido (escritural), e que tanto a Instrução Normativa SRF no 210/2002 quanto a Solução de Consulta COSIT no 19/2002 são expressas no sentido de que “não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI”. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 383 15 A argumentação do recurso voluntário, em relação ao tema, é predominantemente jurisprudencial, colacionandose diversos precedentes do CARF no sentido de que é legítima a atualização de crédito presumido de IPI pela Taxa SELIC, e que o ressarcimento é espécie do gênero restituição. Também neste tópico assiste razão à recorrente, cabendo destacar que o tema da atualização monetária pela Taxa SELIC dos créditos é matéria que foi pacificada no âmbito administrativo com o advento do julgamento proferido pelo STJ no REsp nº 1.035.847, sob a sistemática dos recursos repetitivos (igualmente vinculante para o CARF, em função de previsão regimental no tribunal administrativo): “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 390DF CARF MF 16 Assim, e tendo em conta que houve oposição à fruição do crédito em despachos decisórios específicos, em relação às glosas efetuadas e agora afastadas (referentes a aquisições de pessoas físicas), é de se reconhecer o direito à correção do valor do ressarcimento negado pela autoridade tributária, e posteriormente acolhido no curso deste processo, calculada pela Taxa SELIC. Em precedente de minha relatoria, em agosto de 2014, decidi exatamente nesse sentido, com acolhida unânime do colegiado. Na ocasião, tomei como termo inicial a data do pedido ao qual houve oposição estatal ilegítima: “Assim, e tendo em conta que o despacho decisório representou oposição à fruição do crédito, em relação às glosas efetuadas e agora afastadas, é de se reconhecer o direito à correção do valor do ressarcimento negado pela autoridade tributária, e posteriormente deferido no curso deste processo, calculada pela taxa SELIC, a partir da data do protocolo do pedido, como já vem entendendo unanimemente esta turma, v.g., no Acórdão no 3403002.892”. (Acórdão no 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21 ago. 2014) (grifo nosso) Em sede de embargos, questionou a Fazenda a invocação do REsp nº 1.035.847 para crédito presumido, alegando que o precedente se presta somente a crédito básico, e não a crédito escritural. Os embargos foram unanimemente rejeitados no colegiado. E, na ocasião foram colacionados diversos precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais no mesmo sentido: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO. (CSRF, Acórdão no 9303002.881, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Possas, unânime, sessão de 20.fev.2014)” (grifo nosso) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 384 17 As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, Acórdão no 9303002.906, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Possas, unânime, sessão de 9.abr.2014)” (grifo nosso) Consultandose aqueles autos, no acompanhamento processual no sítio web do CARF, percebese que houve interposição de recurso especial pela Fazenda, ainda não apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). De qualquer sorte, de lá para cá o posicionamento da CSRF caminhou para o seguinte entendimento, externado recentemente: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.” (Acórdão no 9303006.250, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, sessão de 26 jan 2018, maioria, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que dava provimento parcial para considerar como termo inicial a data da ciência do despacho decisório)” (grifo nosso) Fl. 392DF CARF MF 18 Realmente, há que se configurar exatamente o momento em que se dá a oposição estatal ilegítima, pois é ela que faz com que o crédito escritural enseje atualização, por força de decisão do STJ na sistemática dos recursos repetitivos. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciandose e negandose o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). O voto do relator (Min. Luiz Fux), no citado REsp nº 1.035.847 trata exatamente de um caso de oposição ilegítima por omissão (mora). Isso é notado na leitura do texto do voto condutor do acórdão, unanimemente acatado na parte que se refere à atualização monetária do ressarcimento. Percebese que o julgamento do STJ cuja ementa foi transcrita remete à oposição constante de ato estatal, que poderia ser interpretada tanto na forma de ação (indeferimento do pleito) quanto de omissão (mora na análise do pedido) e que isso exsurge da própria situação fática que enseja o acórdão, relatada pelo Min. Luiz Fux (vejase que não houve indeferimento no caso, mas mora na análise): “Noticiam os autos que MINUANO PNEUS E ADUBOS LTDA., em 29.06.2005, ajuizou ação ordinária em face da FAZENDA NACIONAL, pleiteando a restituição dos valores correspondentes à correção monetária desde a data de apuração do saldo credor de IPI até a data da efetiva compensação. Informou que requerera a restituição dos créditos do IPI do período de agosto de 2000 e outubro de 2001, mas somente no ano 2005 foi comunicada do deferimento do pedido. Destacou que apesar de terem sido reconhecidos os créditos, a autoridade fiscal apurou débitos do PIS e COFINS e por esse motivo, iria proceder à compensação dos valores. Argumentou que os débitos das contribuições seriam atualizadas monetariamente, enquanto os créditos do IPI seriam utilizados no seu valor nominal, causando violação ao princípio da isonomia.”(grifos nossos) Assim, e concordando com o fundamento do posicionamento atual da CSRF, que harmoniza distintos precedentes do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no que se refere a oposição estatal por omissão (mora) tenho apenas leve apara a tal entendimento, no sentido de que o termo inicial deve ser a data da ciência do indeferimento do crédito, caso isso ocorra antes dos citados 360 dias do pedido (oposição por ação – análise e indeferimento do crédito). Retornando ao caso em análise nestes autos, percebese já de início, que o pedido de ressarcimento foi transmitido em 30/10/2007 (PER de final 4968 – fls. 104 a 327). E, nos itens 1 e 2 do TVF, no processo referente à autuação no 10665.720367/201225, que o pedido se referiu a créditos de 2002 a 2007, decorrentes de retificação efetuada em 2007, e foram analisados apenas em 2012: “1) No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil na execução do Mandado de Procedimento Fiscal MPF no 06107002011001473, vinculado ao sujeito passivo acima identificado, elaboramos o presente TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL para descrever os fatos relativos às irregularidades apuradas nesta ação fiscal que teve como objetivos: Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 385 19 1.a) verificar a procedência e o cálculo dos créditos presumidos de IPI vinculados aos pedidos de ressarcimento formalizados em 2007, nos termos da Lei 10.276/2001, dos artigos 179, 181, e 183 a 188 do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados – RIPI, Decreto 4.544/2002, e das Instruções Normativas SRF nº 69/2001, 315/2003 e 420/2004; (...) 2) Inicialmente, cabe informar que os ressarcimentos de IPI pleiteados pelo sujeito passivo em 2007 se referem a créditos presumidos de IPI vinculados a exportações realizadas nos anos de 2002 a 2007. Tal situação ocorreu pelo fato da empresa ter efetuado retificações, em 2007, dos Demonstrativos do Crédito Presumido – DCP apresentados originalmente ao fisco federal desde o ano 2002, incluindo nas bases de cálculo dos créditos as aquisições de carvão vegetal de fornecedores pessoas físicas, insumos esses que não foram computados nos DCP originais. Além disso, o sujeito passivo, ao escriturar no livro Registro de Apuração do IPI os valores das diferenças de créditos presumidos apuradas nos DCP retificadores, corrigiu tais valores pela taxa SELIC acumulada desde os períodos de referência até as datas de escrituração nos livros. Tais procedimentos não encontram qualquer respaldo na legislação tributária federal.” Sendo o pedido efetuado em 2007, retificando dados de 2002 a 2007, jamais poderia ter sido corrigido pela SELIC retroativamente, pois, até a retificação (e, inclusive após ela ter sido efetuada pelo sujeito passivo), não havia oposição estatal ilegítima a seu aproveitamento. A primeira oposição estatal, e que aqui, agora, se considera ilegítima (também por força de precedente vinculante do STJ a referente a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas) ocorreu em 2012, mais de 360 dias após os pedidos de ressarcimento. Tem se, então, um caso de oposição por omissão (mora), e que enseja, adotado o entendimento do STJ, de observância obrigatória pelo CARF, a atualização pela Taxa SELIC, somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do pedido. De qualquer sorte, não cabe atualização alguma dos créditos para os quais não houve oposição estatal (créditos acatados pela fiscalização, sequer discutidos especificamente neste contencioso), ou para os quais a oposição estatal foi legítima (créditos cuja glosa foi mantida). E, ao que parece nos autos, a utilização dos créditos demandados se daria ainda em 2007, e não prospectivamente, o que torna acessória a menção ao prazo de 360 dias. De qualquer modo, cabe a atualização, pela Taxa SELIC, a partir de 360 dias do protocolo do pedido de ressarcimento, até a data de sua utilização, para créditos decorrentes de aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência). Fl. 394DF CARF MF 20 Cabe à unidade de origem da RFB a verificação das datas efetivas de utilização do crédito, devendo este ser corrigido apenas após 360 dias do pedido, e até a data da efetiva utilização, se posterior ao decurso desses 360 dias. Considerações Finais – parte dispositiva Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar de 30/10/2007 (data de transmissão do pedido de ressarcimento) até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 395DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901055/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11040.901055/2011-40
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878134
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.439
nome_arquivo_s : Decisao_11040901055201140.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO WEIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11040901055201140_5878134.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7359699
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585379373056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1542; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 54 1 53 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.901055/201140 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.439 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente HW FERNANDES E CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 10 55 /2 01 1- 40 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 11040.901055/201140 Acórdão n.º 3302005.439 S3C3T2 Fl. 55 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela H W FERNANDES E CIA LTDA contra o Acórdão n. 0950.370 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, assim ementado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO DE PAGAMENTO PARA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Deve ser confirmado o despacho decisório de homologação parcial de compensação quando demonstrado que, do pagamento informado, não resulta saldo disponível para confirmar o crédito declarado. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DCOMP. INCOMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Falece competência às Delegacias de Julgamento para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a Turma não reconheceu a pretensão da Recorrente por entender que inexiste crédito a ser compensado. A pretensão central da Recorrente é reverter despacho decisório não homologou a compensação declarada na DCOMP n. 35821.57117.291007.1.3.049705. Em sua manifestação de inconformidade fl. 10 o contribuinte alega que o crédito utilizado na DCOMP nº 35821.57117.291007.1.3.049705, referese à valores indevidamente recolhidos entre os anos de 2005 e 2006, período no qual equivocadamente os débitos da empresa foram apurados e recolhidos sob a forma do lucro presumido, quando na verdade deveriam ter sido incluídos no Simples Nacional. Admite, ainda, a existência de eventual erro de preenchimento do DCOMP, razão pela qual requer prazo para análise e correção. Quando do julgamento do Acórdão recorrido a Turma entendeu que no ano calendário de 2005, a interessada apresentou Declaração pelo Simples, sendo assim, neste período faz jus ao direito creditório sobre os valores recolhidos fora dessa sistemática. Entretanto o DARF informado na DCOMP já foi parcialmente utilizado em compensações anteriores não sendo possível a retificação da Declaração de Compensação em tempo de julgamento administrativo. Declarou ainda a instância a quo não deter competência para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Em recurso voluntário – fls. 43/44 – o contribuinte alega que recolheu tributos sob o regime do lucro presumido entre 2005 e 2006 por não ter sido informado sobre sua inserção no SIMPLES. Quando teve ciência do fato pagou a multa por declaração em atraso e entregou declaração simplificada, nos termos do Simples Nacional. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11040.901055/201140 Acórdão n.º 3302005.439 S3C3T2 Fl. 56 3 Ao fim, requer o sujeito passivo “bem como achamos complexa a vossa comunicação de indeferimento, entendemos que para um melhor compreensão da nossa parte, a Receita Federal deveria nos fornecer uma conta corrente ou algo em que constasse, onde forma utilizados os valores que recolhemos indevido, ou pelo menos a informação que estes valores ora cobrado não foram compensado porque naquele tipo de contribuição já não tinha saldo para mais aquele valor, mas que em contra partida em outro imposto recolhido sobre determinado valor, pois como já nos reportamos tratava se de um valor bem superior”. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Cumpre ressaltar que é patente a boa fé do contribuinte e a presença de elementos indicadores da existência de recolhimentos indevidos, porque pagos sob o regime incorreto de apuração. Contudo, ainda que haja indícios do direito creditório, não detém esta Corte poder para alterar os dados equivocadamente inseridos pelo contribuinte na Declaração de Compensação. Detendo apenas competência para analisar os dados informados pelo contribuinte e decidir pela existência ou não do direito creditório. Tendo em vista que a homologação da compensação de débito tributário, nos termos do §1º, do artigo 74, da Lei 9.430/96, depende exclusivamente da comprovação da existência de certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não há como homologar compensação cujo crédito não seja nesses termos confirmado. A compensação de tributos é, basicamente, um encontro de contas onde cabe ao contribuinte provar que detém o crédito que pretende compensar com os valores por ele devidos e que, por essa razão, nos termos do disposto no artigo 74, da Lei 9.430/96, c/c o art. 170 do CTN, faz jus compensação pretendida. Portanto, não tendo sido comprovada nos autos a certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não resta a este tribunal outra decisão que não a manutenção do acórdão recorrido. Conforme dispõe o regimento interno deste colegiado em seu artigo 1º1, aos conselheiros cabe analisar os valores e documentos acostados aos autos, e, assim, julgar os 1 Art.1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.901055/201140 Acórdão n.º 3302005.439 S3C3T2 Fl. 57 4 recursos que lhes são apresentados. Neste caso, incumbe aos conselheiros desta Turma apenas a decisão acerca da confirmação ou não do direito creditório utilizado na compensação pretendida. Ocorre que o recorrente não trouxe aos autos qualquer documento capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, não se podendo reconhecer a existência de tal direito. No caso em estudo, o contribuinte apresentou várias declarações de compensação cuja homologação foi negada, sendo cada uma delas tratada em um processo administrativo distinto, conforme tabela/resumo abaixo. DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS Nº DCOMP APRESENTADA DCOMP INICIAL PROCESSO ADMINISTRATIVO ORIGEM DO CRÉDITO (DARF) 2 DÉBITO 29531.44582.291007.1.3.046560 15560.25031.291007.1.3.040430 11040.901048/201148 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 02.2005 62,77 02921.59675.291007.1.3.044312 13703.81870.291007.1.3.040938 11040901049/201192 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 04.2005 237,98 06813.30975.291007.1.3.040397 02782.67723.291007.1.3.048786 11040901050/201117 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 54,13 30624.33604.291007.1.3.044584 37260.89442.291007.1.3.046187 11040901051/201161 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 286,20 36413.30105.291007.1.3.043678 20569.87623.291007.1.3.045162 11040901053/201151 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 09.2005 270,68 07870.23376.291007.1.3.046716 36413.30105.291007.1.3.043678 11040901054/201103 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 308,81 35821.57117.291007.1.3.049705 07870.23376.291007.1.3.046716 11040901055/201140 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 57,21 35023.93042.301007.1.3.042367 22218.77856.291007.1.3.043173 11040901062/201141 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 01.2006 849,29 TOTAIS R$ 17,10 R$ 2.127,07 Conforme se percebe pela análise da tabela acima, a recorrente utilizou o mesmo pagamento como origem de todos os pedidos de compensação efetuados. O DARF apontado como origem do crédito foi relativo a um recolhimento de PIS, referente ao mês 02/2005, no valor de R$17,10, sendo este insuficiente para compensar qualquer um dos débitos apontados individualmente, máxime para compensar todos os débitos em conjunto. Resta evidente, portanto, que de fato ouve erro de preenchimento das DCOMP´s não homologadas. Contudo, conforme dito alhures, não cabe a este julgador proceder a retificação de tais declarações. Ademais, o reconhecimento do direito creditório, nos autos de processo administrativo, depende da comprovação documental da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. A falta das cópias dos DARF´s e dos respectivos comprovantes, pagos fora do regime simplificado de apuração quando neste já estava inserido o contribuinte, comprometeu totalmente a análise da liquidez do crédito alegado, impossibilitando o reconhecimento do direito creditório em discussão neste PAF. Diante do exposto, tendo em vista a falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito alegado, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) 2 As informações sobre o DARF indicado como origem do Crédito, foram retiradas de cada um dos despachos decisórios que não homologaram as respectivas Declarações de Compensação. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.901055/201140 Acórdão n.º 3302005.439 S3C3T2 Fl. 58 5 Diego Weis Junior Relator Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720332/2017-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013
IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. SUSPENSÃO. ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002.
O direito à suspensão do IPI previsto no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 não alcança os estabelecimentos equiparados a industriais por ausência de previsão legal.
A análise sistemática da legislação do IPI revela que é prerrogativa do legislador conferir ou não o mesmo tratamento dispensado aos estabelecimentos industriais aos equiparados a industriais. Percebe-se nessa legislação que, quando se pretende abrigar os estabelecimentos industriais e equiparados sob as mesmas regras, há expressa manifestação no texto legal ou regulamentar nesse sentido, o que inocorreu com relação à suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002.
FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. COM COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A mera falta de lançamento ou destaque do IPI nas notas fiscais respectivas é suporte fático suficiente para a incidência da multa a que se refere art. 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação que lhe foi dada pela Lei 11.488/2007, independentemente da existência de saldos devedores do imposto a recolher no período de apuração.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05.
Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. SUSPENSÃO. ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. O direito à suspensão do IPI previsto no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 não alcança os estabelecimentos equiparados a industriais por ausência de previsão legal. A análise sistemática da legislação do IPI revela que é prerrogativa do legislador conferir ou não o mesmo tratamento dispensado aos estabelecimentos industriais aos equiparados a industriais. Percebe-se nessa legislação que, quando se pretende abrigar os estabelecimentos industriais e equiparados sob as mesmas regras, há expressa manifestação no texto legal ou regulamentar nesse sentido, o que inocorreu com relação à suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. COM COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A mera falta de lançamento ou destaque do IPI nas notas fiscais respectivas é suporte fático suficiente para a incidência da multa a que se refere art. 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação que lhe foi dada pela Lei 11.488/2007, independentemente da existência de saldos devedores do imposto a recolher no período de apuração. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.720332/2017-41
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878085
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.375
nome_arquivo_s : Decisao_10830720332201741.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 10830720332201741_5878085.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7359423
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585399296000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2112; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.046 1 1.045 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720332/201741 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.375 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria IPI Recorrente ARCELORMITTAL BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. SUSPENSÃO. ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. O direito à suspensão do IPI previsto no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 não alcança os estabelecimentos equiparados a industriais por ausência de previsão legal. A análise sistemática da legislação do IPI revela que é prerrogativa do legislador conferir ou não o mesmo tratamento dispensado aos estabelecimentos industriais aos equiparados a industriais. Percebese nessa legislação que, quando se pretende abrigar os estabelecimentos industriais e equiparados sob as mesmas regras, há expressa manifestação no texto legal ou regulamentar nesse sentido, o que inocorreu com relação à suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. COM COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A mera falta de lançamento ou destaque do IPI nas notas fiscais respectivas é suporte fático suficiente para a incidência da multa a que se refere art. 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação que lhe foi dada pela Lei 11.488/2007, independentemente da existência de saldos devedores do imposto a recolher no período de apuração. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplicase ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 03 32 /2 01 7- 41 Fl. 1046DF CARF MF 2 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Versa o processo sobre auto de infração para a exigência de multa isolada, no valor total de R$ 17.598.711,60, relativo aos períodos de apuração de 04/2012 a 12/2013, por utilização indevida da suspensão do IPI, sob os seguintes fatos e fundamentos, constantes no Termo de Verificação Fiscal: O caput do art. 17 da MP n° 2.18949/01 é claro ao instituir um regime aduaneiro especial específico, e que todos os parágrafos a seguir referemse a disciplinar tal regime, inclusive, o § 5º, que interpretado corretamente, estabelece que somente a empresa comercial atacadista, adquirente dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), resultantes da industrialização por encomenda, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior, pode dar saída aos produtos com suspensão do imposto. Esse não é o caso do estabelecimento em questão, o qual, apesar de ser um estabelecimento comercial atacadista, não adquire produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da TIPI que sejam resultantes da industrialização por encomenda por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior. Tal entendimento é ratificado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 948, de 15 de junho de 2009, que disciplinou a matéria, principalmente em seus arts. 2º, 3º, 4º e 27, inciso II. Sendo assim, malgrado o entendimento do contribuinte, esta fiscalização procederá ao lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados que deixou de ser destacado devido à utilização indevida da suspensão. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10830.720332/201741 Acórdão n.º 3402005.375 S3C4T2 Fl. 1.047 3 Foi reconstituída a escrita fiscal do contribuinte, levando em consideração o disposto no art. 256 do RIPI/2010 e art. 21 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, e ressalvados os pedidos de ressarcimento – PER apontados relativos ao saldo credor de IPI do estabelecimento. Para tanto, foi acrescentada à escrita fiscal original do estabelecimento os valores dos débitos do imposto apurados, relativos ao presente Auto de Infração, sendo o resultado final apresentado na Planilha de Reconstituição de Escrita de IPI. Tendo em vista que houve cobertura de crédito para o IPI não lançado pelo contribuinte e apurado pela Fiscalização, o auto de infração limitouse a lançar a multa isolada sobre o imposto não lançado nas Notas Fiscais, cujo detalhamento se encontra no Demonstrativo de Apuração IPI Reconstituição da Escrita Fiscal Multa Sobre IPI Não Lançado com Cobertura de Crédito. Inconformada, a interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese: A autuação peca em dois aspectos: (a) se analisada a operação efetuada pela Impugnante, é de fácil conclusão que o estabelecimento autuado pelo fisco, de fato, industrializa os produtos que aqui foram glosados; (b) de forma totalmente extra legem, a IN veda a fruição do benefício de suspensão do IPI ao passo que a Lei nada disse a esse respeito, o que desde já atinge por completo as premissas impostas pela fiscalização nestes autos. O contribuinte que industrializa por encomenda não pode ter o benefício fiscal negado, enquanto ele permanece concedido àquele que industrializa por conta própria. Assim, é incabível penalizar a Empresa por simplesmente ter promovido a industrialização via encomenda, sob pena de ferir a isonomia, a livre concorrência e contrariar o art. 51 do CTN, que, de forma expressa, reconhece a equiparação da Impugnante a industrial. A cobrança dos consectários legais nestes autos é no mínimo desarrazoada, pois: (a) a multa de 75% vinculada aos débitos de IPI não lançados não tem a menor razão de ser, haja vista que sequer foi verificado prejuízo ao erário quanto a estes valores, além de estar com a tipificação incorreta no art. 80 da lei nº 4.502/64; (b) ainda quanto à multa de 75% ela é indevida visto que a cobrança é evidentemente confiscatória e fere os princípios constitucionais de vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade; e, (c) por fim, incabível cogitar a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício, haja vista a inexistência de previsão legal que legitime a referida imputação. A Delegacia de Julgamento não acatou as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: O lançamento decorre do fato de que a operação de decapagem não foi realizada no estabelecimento autuado e sim em outro por encomenda daquele, o que o equipara a industrial, ocasionando a utilização indevida do instituto da suspensão, destinado à estabelecimentos industriais e não a equiparados. O artigo 29 da Lei nº 10.637/2002, ao estabelecer que sairão com suspensão do imposto do estabelecimento industrial, as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, nas condições especificadas, exclui do seu comando os estabelecimentos equiparados a industrial. O parágrafo 6º do art. 5º da Lei nº 9.826/99, com a redação dada pela Lei nº 10.865/2004, incluiu, nas hipóteses de suspensão, os produtos saídos de estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o § 5º do art. 17 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Ora, se como entende a recorrente, a Lei já abrangia todos os estabelecimentos equiparados, qual seria a necessidade de acrescentar o parágrafo 6º? Não há outra conclusão possível, senão a de que os estabelecimentos equiparados não estão incluídos nas hipóteses de suspensão. No que diz respeito à multa de ofício aplicada no caso de falta de lançamento do imposto no percentual de 75%, independente de haver ou não saldo a recolher, a mesma está prevista no art. 80, caput, da Lei 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488, de 2007, não cabendo ao agente do fisco deixar de aplicála, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1048DF CARF MF 4 Cientificada dessa decisão em 18/05/2017, a interessada interpôs recurso voluntário em 19/06/2017, aduzindo as mesmas razões da impugnação e acrescentando outras, sob os seguintes tópicos: 3.1. Da análise da operação efetuada pelo contribuinte. Processo de industrialização efetuado mediante encomenda 3.2. Da suspensão do IPI assegurada em lei. Cumprimento dos requisitos. previsão extra legem na IN RFB nº 948/09. Legalidade estrita. 3.3. Da aplicação subjetiva da suspensão do IPI ao industrial por equiparação. 3.4. Dos motivos e finalidades para o legislador determinar a suspensão do IPI. Livre concorrência e isonomia. 4. Sucessivamente: 4.1. Da necessidade de exclusão/redução da multa isolada de IPI com cobertura de crédito. Ausência de previsão legal da multa aplicada e de eventual prejuízo ao erário. 4.2. Da necessidade de exclusão/redução da multa de IPI. Ilegalidade. Vedação constitucional à aplicação da multa imposta. Desrespeito à vedação do confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Ausência de prejuízo ao erário. 4.3. Da não incidência dos juros de mora sobre as multas de ofício e isolada. Inexistência de previsão legal quanto à incidência. art. 44, da lei nº. 9.430/96 c/c art. 161 do CTN e jurisprudência recente do CARF. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como já esclarecido pelo julgador a quo, "em nenhum momento a fiscalização contestou que a decapagem se trata de operação de industrialização, fato reconhecido pela própria impugnante como incontroverso nos autos". O ponto relevante é que a industrialização não foi efetuada pela recorrente, mas por outro estabelecimento, conforme consta na autuação: 7. No caso dos produtos destacados (Bobina Laminada a Quente Decapada), que deram saída do estabelecimento em operações de venda da produção com suspensão do IPI, os insumos foram adquiridos da empresa ARCELORMITAL Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10830.720332/201741 Acórdão n.º 3402005.375 S3C4T2 Fl. 1.048 5 BRASIL S.A, CNPJ 17.469.701/010482 (localizada em Serra/ES), de acordo com as notas fiscais referentes aos créditos de IPI escriturados, sendo descritos como “Bobina Laminada a Quente”, em diversas medidas, e remetidos ao estabelecimento da ARCELORMITTAL GONVARRI BRASIL PRODUTOS SIDERURGICOS S/A, CNPJ 02.235.994/000312, amparados por notas fiscais de saída com o CFOP 5901 – Remessa para industrialização sob encomenda. Os produtos finais – “Bobina Laminada a Quente Decapada” são então devolvidos pela ARCELORMITTAL GONVARRI, com a emissão de Notas Fiscais com CFOP 5124 Industrialização efetuada para outra empresa, referente ao produto final e ao processo industrial em si, e com CFOP 5902 Retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda, referente à devolução dos insumos utilizados, incorporados aos produtos finais. Sustenta a recorrente que seria legítima suspensão do IPI vez que, de fato, teria havido "um processo de industrialização pela autuada, ainda que via encomenda". Ocorre que o estabelecimento fiscalizado ARCELORMITTAL TUBARAO COMERCIAL S/A, CNPJ: 27.251.974/001095, baixado por sucessão no CNPJ tinha, no período de abril/2012 a junho/2013, como objeto social “a comercialização de produtos de ferro e aço e subprodutos, podendo praticar atividades comerciais de qualquer natureza”. Dessa forma o fiscalizado não se enquadra no conceito de estabelecimento industrial trazido pelos art. 8º c/c o art. 4º do Regulamento do IPI/20101, mas é considerado como estabelecimento equiparado a industrial, nos termos do art. 9º, IV do RIPI/2010, nos seguintes termos: Art.9o Equiparamse a estabelecimento industrial: (...) IV os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização tenha sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso III, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 33a); (...) 1 Art. 8o Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4o, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei no 4.502, de 1964, art. 3o). Art. 4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Fl. 1050DF CARF MF 6 Conforme consta expressamente no caput do art. 29 da Lei nº 10.637/2002, abaixo transcrito, o benefício de suspensão do IPI é concedido na saída dos produtos especificados do estabelecimento industrial, e não do estabelecimento equiparado a industrial, como pretende a recorrente: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) [negritei] (...) Em se tratando de matéria relativa ao IPI, há na sua legislação clara distinção entre estabelecimento industrial e o equiparado a industrial, de forma que é nesse contexto que deve ser lido o art. 29 da Lei nº 10.637/2002. Quisesse o legislador ordinário autorizar o benefício da suspensão também ao estabelecimento equiparado a industrial, certamente que o teria mencionado expressamente no dispositivo. Como bem esclareceu o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, em seu Voto no Acórdão nº 340301.680, é prerrogativa do legislador conferir ou não o mesmo tratamento aos estabelecimentos industriais e equiparados a industriais, nestes termos: Voto (...) Enfim, a questão que pede resposta é: quando se refere a “estabelecimento industrial”, o legislador automaticamente referese também ao “estabelecimento equiparado a industrial”? Ou, por outro giro, estabelecimentos industriais e equiparados a industriais têm o regime jurídico de IPI? Uma análise sistemática da legislação do IPI mostrame que não. O art. 24 do RIPI/10 (de dicção idêntica a dos regulamentos anteriores) define três espécies de contribuintes de IPI: o importador (inciso I), o industrial (inciso II) e o equiparado a industrial (inciso III). A partir desta definição, cada um desses três tipos de contribuinte passa a receber disciplina legal que não necessariamente é coincidente. É perceptível a iniciativa do legislador de referirse não apenas ao industrial, mas também ao equiparado a industrial, sempre que pretende dispensar a ambos uma mesma regra atinente ao imposto. Isso de atesta ao longo de todo o regulamento, como na definição de responsáveis tributários (art. 26, caput), fatos geradores (art. 35, II), momento de ocorrência do fato gerador (art. 36, II), nãoincidência (art. 38, II, ‘b’ e III), suspensão (43, II e III), isenção (art. 54, XIV, XV e XXIII), crédito presumido (art. 134), lançamento (art. 182, I, ‘b’) e base de cálculo (art. 190, II). Enfim, o estabelecimento equiparado a industrial é um contribuinte do IPI que recebe do legislador uma disciplina jurídica própria. Este foi o entendimento proferido no voto vencedor do P.A. nº 13603.000668/200794 (ac. 20181.456), julgado em 07 de outubro de 2008, pela extinta 1ª Câmara do 2º C.C., ao qual adiro sem ressalvas, in verbis: "Ocorre que o RIPI/1998 (e atualmente o RIPI/2002), embora tenha equiparado a industrial, por uma ficção legal, o estabelecimento comercial que se encontre em uma das situações previstas no seu art. 9º, em momento algum declara que essa equiparação asseguraria idêntico tratamento tributário a ambos os estabelecimentos, ou, tampouco, que eles sujeitarseiam, necessariamente, ao Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10830.720332/201741 Acórdão n.º 3402005.375 S3C4T2 Fl. 1.049 7 cumprimento das mesmas obrigações fiscais. Pelo contrário, constatase que tanto o RIPI/1998 quanto o RIPI/2002, ao longo de seus dispositivos, mantém clara distinção entre os estabelecimentos industriais (os quais realizam qualquer uma das operações previstas no seu art. 4º) e aqueles que, embora não exerçam tais atividades, foram equiparados a industriais, oferecendo, ainda, inequívoca percepção de que o legislador, quando pretende abrigar os estabelecimentos industrial e equiparado sob as mesmas regras, manifesta expressamente a sua intenção nesse sentido, através do texto da legislação." Em suma, tratase de uma prerrogativa do legislador atribuir ou não aos estabelecimentos equiparados a industriais o mesmo tratamento dispensado aos estabelecimentos propriamente industriais. (...) Nessa esteira não procede a alegação da recorrente de violação ao princípio da isonomia, da livre concorrência, da capacidade contributiva, da livre iniciativa ou outros, vez que a norma questionada visa justamente atingir situações ou pessoas jurídicas que são, segundo o entendimento do legislador ordinário, merecedoras de tratamento privilegiado dentro do contexto social, econômico e tributário do País, não se olvidando que cabe ao agente administrativo aplicar a lei tal como promulgada, sem estender seus efeitos para hipóteses nela não previstas. A Solução de Consulta Cosit nº 134, de 13.02.2017, tratou de orientação relativa ao estabelecimento executor da industrialização por encomenda e, por certo, nada poderia prescrever ao estabelecimento encomendante, de forma que o nela mencionado a esse respeito deve ser considerado um mero obiter dictum, além do que se trata de juízo hipotético, sendo que, obviamente, no caso concreto, deve ser verificado o atendimento aos requisitos legais ou regulamentares para a fruição da suspensão, em especial, quanto à condição de o estabelecimento que der saída aos produtos ser industrial, nos termos do art. 8º do RIPI/2010. Tampouco prospera o argumento da recorrente de que a Instrução Normativa RFB nº 948/20092, com o art. 27, II, teria limitado as hipóteses de suspensão previstas em lei, vez que o referido ato normativo veicula a correta interpretação que se deve ter do art. 29 da Lei nº 10.637/2002, acima mencionada, no sentido de que o benefício não abrange as saídas de produtos do estabelecimento equiparado a industrial, mas tão somente do estabelecimento industrial. Quanto à exceção prevista no art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 948/20093, no sentido de que a suspensão se aplicaria também na hipótese do específico estabelecimento equiparado a industrial ali mencionado, tratase de situação na qual o legislador ordinário, no art. 17 da Medida Provisória nº 2.189494, dentro da sua prerrogativa 2 Art. 27. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: (...) II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4º. 3 Art. 4º O disposto nos arts. 2º e 3º aplicase, também, a empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda equiparada a estabelecimento industrial, nos termos do § 5º do art. 17 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. 4 Art.17. Fica instituído regime aduaneiro especial relativamente à importação, sem cobertura cambial, de insumos destinados à industrialização por encomenda dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior. §1o Consideramse insumos, para os fins deste artigo, os chassis, as carroçarias, as peças, as partes, os componentes e os acessórios. Fl. 1052DF CARF MF 8 de conferir tratamento privilegiado a determinadas categorias que seriam merecedoras, entendeu que a "empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda" retratada deveria ter o mesmo tratamento dispensado aos estabelecimentos industriais quanto à saída dos produtos com suspensão. Nada mais do que uma exceção que confirma a regra nos casos não excepcionados. No entanto, tal exceção claramente não abriga a situação da recorrente. O art. 17 da Medida Provisória nº 2.18949 trata da instituição de um regime aduaneiro especial na importação e, quando menciona, no seu § 5º, a empresa "empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda" [negritei] está se referindo aos produtos originados da industrialização por encomenda por conta e ordem de empresa encomendante domiciliada no exterior, já referida no caput do artigo, por isso, o legislador utilizou "dos" e "da" [negritados na transcrição], em referência aos produtos e à industrialização por encomenda, respectivamente, mencionados anteriormente no dispositivo, e não "de", genericamente, para incluir quaisquer produtos resultantes de qualquer operação de industrialização por encomenda. Não há que se olvidar que, na técnica de elaboração das leis, uma das funções dos parágrafos é expressar os aspectos complementares à norma enunciada no caput, em conformidade com o art. 11, III, "c" da Lei Complementar nº 95/985. Assim, rejeitase o argumento da recorrente no sentido de que a Instrução Normativa RFB nº 948/2009 teria restringido os limites prescritos pela Lei nº 10.637/2002 ou pela Medida Provisória nº 2.18949. Prossegue a recorrente sustentando que o art. 51, II do CTN6 não teria feito distinção entre estabelecimentos industriais e equiparados, o que não prospera, vez que, no §2o A importação dos insumos darseá com suspensão do IPI. §3o O Imposto de Importação somente incidirá sobre os insumos importados empregados na industrialização dos produtos, inclusive na hipótese do inciso II do § 4o. §4o Os produtos resultantes da industrialização por encomenda terão o seguinte tratamento tributário: I quando destinados ao exterior, resolvese a suspensão do IPI incidente na importação e na aquisição, no mercado interno, dos insumos neles empregados; e II quando destinados ao mercado interno, serão remetidos obrigatoriamente a empresa comercial atacadista, controlada, direta ou indiretamente, pela pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior, por conta e ordem desta, com suspensão do IPI. §5o A empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda equiparase a estabelecimento industrial. §6o A concessão do regime aduaneiro especial dependerá de habilitação prévia perante a Secretaria da Receita Federal, que expedirá as normas necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. 5 Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: (...) III para a obtenção de ordem lógica: (...) b) restringir o conteúdo de cada artigo da lei a um único assunto ou princípio; c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; d) promover as discriminações e enumerações por meio dos incisos, alíneas e itens. 6 Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10830.720332/201741 Acórdão n.º 3402005.375 S3C4T2 Fl. 1.050 9 referido inciso, foi respeitada a distinção entre as modalidades de estabelecimento embora tenham recebido, quanto ao aspecto de ser considerado um contribuinte do imposto, o mesmo tratamento. Como já mencionado, é uma prerrogativa do legislador conferir ou não o mesmo tratamento entre os estabelecimentos industriais e os equiparados a industrial. Como visto no Voto acima do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, há várias outras situações na legislação do IPI em que o tratamento dispensado ao estabelecimento industrial é diverso daquele dado ao estabelecimento equiparado. De todo modo, o fato de a recorrente ser considerada uma contribuinte do IPI, nos termos do art. 51 do CTN, não lhe dá, por si só, o direito de fruição à suspensão de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, reservado somente aos "estabelecimentos industriais", e não aos estabelecimentos a eles equiparados. No que concerne à multa de ofício, melhor sorte não assiste a recorrente, vez que há expressa previsão no art. 80 da Lei nº 4.502/64 para o cabimento da multa também na hipótese de falta de lançamento ou destaque do imposto na nota fiscal, sendo irrelevante para incidência da multa a existência de eventual saldo do imposto a recolher no final do período de apuração ou de prejuízo financeiro aos cofres públicos. Esse entendimento está pacificado neste Conselho Administrativo, conforme se vê nos Acórdãos nºs 20216.915, CSRF/0202.301, 3402004.297, 3402004.139 e 3402003.181. Quanto à alegação de que a exigência da multa seria confiscatória, desproporcional ou desarrazoada ou lesaria o direito de propriedade e, portanto, inconstitucional, dela não se pode tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco ou lesão ao direito de propriedade seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que prevê a incidência dos tributos e da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. No âmbito do processo administrativo fiscal, por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011, é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. O entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula no 2 do CARF, de aplicação obrigatória por seus membros: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Quanto aos juros de mora, entendo que os juros de mora são devidos, nos termos do art. 61, caput e §3° da Lei nº 9.430/96, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício, após o respectivo vencimento: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. Fl. 1054DF CARF MF 10 ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ademais, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício após o respectivo vencimento encontra fundamento também no Decretolei nº 1.736/797, cujos dispositivos abaixo transcritos dispõem sobre a incidência dos juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o prazo em que a cobrança estiver suspensa em face da interposição de recurso administrativo ou de decisão judicial, cuja regra não se aplicaria somente na hipótese de depósito administrativo ou judicial do montante integral8: Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora, consoante o previsto neste decreto lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Parágrafo único. A multa de mora será de 20% (vinte por cento), reduzida a 10% (dez por cento) se o pagamento for efetuado no prazo de 90 (noventa) dias, contado a partir da data em que o tributo for devido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. 7 Solução de Consulta Cosit nº 47,de 04 de maio de 2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: OS JUROS DE MORA INCIDEM SOBRE A TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, DO QUAL FAZ PARTE A MULTA LANÇADA DE OFÍCIO.DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), arts. 113, § 1º, 139 e 161; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 44 e 61, § 3º; DecretoLei nº 1.736, de 1979, arts. 2º e 3º. 8 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. [Perguntas e Respostas no sítio da RFB: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoese demonstrativos/dipjdeclaracaodeinformacoeseconomicofiscaisdapj/respostas2012/caputuloxviii acruscimoslegaisrevisada2012.pdf, acesso em 08/09/2016] (...) 004 Haverá a incidência de juros de mora durante o período em que a cobrança do débito estiver pendente de decisão administrativa? Sim. De acordo com a legislação tributária, há incidência de juros de mora sobre o valor dos tributos ou contribuições devidos e não pagos nos respectivos vencimentos, independentemente da época em que ocorra o posterior pagamento e de se encontrar o crédito tributário na pendência de decisão administrativa ou judicial. A única hipótese em que se suspenderá a fluência dos juros de mora é aquela em que houver o depósito do montante integral do crédito tributário considerado como devido, desde a data do depósito, quer seja este administrativo ou judicial. Se o valor depositado for inferior àquele necessário à liquidação do débito considerado como devido, sobre a parcela não depositada incidirão normalmente os juros de mora por todo o período transcorrido entre o vencimento e o pagamento. Normativo: RIR/1999, art. 953, § 3º, e DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 5º. (...) Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10830.720332/201741 Acórdão n.º 3402005.375 S3C4T2 Fl. 1.051 11 Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Art 4º A correção monetária continuará a ser aplicada nos termos do artigo 5º do Decretolei nº 1.704, de 23 de outubro de 1979, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 2º deste Decretolei. Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. (...) [grifos desta Relatora] A fluência dos juros de mora sobre a multa de ofício durante o curso do processo administrativo fiscal não representa afronta ao art. 161 do CTN, eis que, no próprio CTN, o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação tributária principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e do art. 113 do CTN, abaixo transcritos, o lançamento constitui o "crédito tributário", que por sua vez pode ser decorrente tanto do tributo como de eventuais penalidades pecuniárias: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 9 Conforme assentado no Apelação Cível nº 2005.72.01.0000311/SC (TRF4, rel. Vânia Hack de Almeida), "Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo". Dessa forma, não havendo qualquer incompatibilidade dos dispositivos legais acima com o CTN, no que concerne à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, 9 "(...) É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo." (BASTOS, Celso Ribeiro. In MARTINS, Ives Gandra da Silva. Comentários ao Código tributário Nacional, vol. 2. Ed. Saraiva, 1998, p. 148. Fl. 1056DF CARF MF 12 eles devem ser aplicados ao presente caso concreto com base na taxa Selic, cuja legitimidade já é matéria já sumulada neste CARF, de aplicação obrigatória pelos membros do CARF, conforme enunciado abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1057DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724633/2014-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/12/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.962
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/12/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.724633/2014-82
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5882505
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.962
nome_arquivo_s : Decisao_11065724633201482.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11065724633201482_5882505.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7368460
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585410830336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1506; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.724633/201482 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.962 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria DACON MULTA POR ATRASO OU FALTA DE ENTREGA Recorrente COMERCIAL GAUCHA DE COMPONENTES PARA CALCADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 46 33 /2 01 4- 82 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11065.724633/201482 Acórdão n.º 3201003.962 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 076.173, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11065.724633/201482 Acórdão n.º 3201003.962 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11065.724633/201482 Acórdão n.º 3201003.962 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11065.724633/201482 Acórdão n.º 3201003.962 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
