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Numero do processo: 10510.002857/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para confirmar a prestação e o pagamento dos serviços.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.569
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1339; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 150 1 149 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.002857/200823 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.569 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria IRPF Recorrente MARCELO RUSSO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para confirmar a prestação e o pagamento dos serviços. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.002857/200823 Acórdão n.º 210101.569 S2C1T1 Fl. 151 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, José Evande Carvalho Araujo e Ewan Teles Aguiar. Ausente momentaneamente a Conselheira Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 126/128) interposto em 05 de abril de 2011 (fl. 126) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) (fls. 122/123), do qual o Recorrente teve ciência em 15 de março de 2011 (fl. 125), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 03/05, lavrado em 09 de junho de 2008, em decorrência de deduções indevidas de despesas médicas, verificadas no anocalendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. É cabível a glosa de despesas não comprovadas. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido” (fl. 122). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 126/128, alegando que os recibos apresentados comprovam que de fato os atendimentos médicos foram prestados. Apresentou ainda declaração dos profissionais que teriam realizado tais atendimentos médicos, bem como reapresentou os recibos já carreados aos autos juntamente com a impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, devese esclarecer que, com relação à dedução indevida de valor pago a título de contribuição social, o contribuinte assumiu seu equívoco e, por isso, juntou aos autos DARF devidamente recolhido, sujeito a posterior homologação. Referida despesa, portanto, não é objeto do presente recurso. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.002857/200823 Acórdão n.º 210101.569 S2C1T1 Fl. 152 3 A presente controvérsia é relativa à glosa de despesas médicas, girando em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços, bem como do respectivo pagamento, no caso, efetuado em dinheiro, conforme afirma o Recorrente. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.002857/200823 Acórdão n.º 210101.569 S2C1T1 Fl. 153 4 Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) No presente caso, verificase que o auto de infração foi lavrado em virtude de deduções indevidas de despesas médicas, constantes de recibos emitidos no exercício de 2006 por Lucas Moraes Rego (fisioterapeuta), Jeferson Sampaio D´Ávila (otorrinolaringologista) e Maria Elianete da Silva (psicóloga), totalizando o valor de R$ 10.490,00. Primeiramente, é imperioso notar que o recibo emitido pelo sr. Jeferson Sampaio D´Ávila (fl. 101) sequer preenche os requisitos elencados no artigo 8º., §2º, III, da Lei nº 9.250/96. Isto porque no referido recibo não consta o endereço do emitente, e nem quem teria recebido o tratamento, o que é de rigor para fins de dedução, como pretende o Recorrente. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.002857/200823 Acórdão n.º 210101.569 S2C1T1 Fl. 154 5 Ademais, tal recibo especifica que o atendimento médico foi para aplicação de vacina antialérgica, o que, conforme o dispositivo legal supramencionado, não configura hipótese de dedução. Quanto aos demais profissionais, os recibos também não indicam o nome do paciente e o endereço do médico. Além disso, o Recorrente não apresentou nenhum documento adicional para comprovar a efetiva prestação dos serviços e os respectivos pagamentos, mas tãosomente os recibos emitidos pelos aludidos profissionais, bem como declarações deles de que teriam prestados serviços ao Recorrente, sem qualquer especificação ou detalhamento (fls. 133/143). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000100/2002-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: DRAWBACKSUSPENSÃO
Período de Apuração: 18/04/1997 a 18/11/1997.
DRAWBACK-SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA. CACEX/SECEX. ADITIVO. INTEMPESTIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
A emissão de Ato Concessório do Regime Aduaneiro de Drawback, bem
como dos respectivos Aditivos, é de competência da CACEX. A competência da Receita Federal é para avaliar o adimplemento do compromisso por parte do contribuinte, não se estendendo para a legalidade dos atos administrativos expedidos por outros órgãos da Administração Federal.
Numero da decisão: 9303-001.932
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). O Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas votou pelas conclusões.
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ementa_s : DRAWBACKSUSPENSÃO Período de Apuração: 18/04/1997 a 18/11/1997. DRAWBACK-SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA. CACEX/SECEX. ADITIVO. INTEMPESTIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A emissão de Ato Concessório do Regime Aduaneiro de Drawback, bem como dos respectivos Aditivos, é de competência da CACEX. A competência da Receita Federal é para avaliar o adimplemento do compromisso por parte do contribuinte, não se estendendo para a legalidade dos atos administrativos expedidos por outros órgãos da Administração Federal.
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Matéria DRAWBACKSUSPENSÃO Recorrente ELEVADORES ATLAS SCHINDLER S.A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: DRAWBACKSUSPENSÃO Período de Apuração: 18/04/1997 a 18/11/1997. DRAWBACKSUSPENSÃO. COMPETÊNCIA. CACEX/SECEX. ADITIVO. INTEMPESTIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A emissão de Ato Concessório do Regime Aduaneiro de Drawback, bem como dos respectivos Aditivos, é de competência da CACEX. A competência da Receita Federal é para avaliar o adimplemento do compromisso por parte do contribuinte, não se estendendo para a legalidade dos atos administrativos expedidos por outros órgãos da Administração Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). O Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000100/200204 Acórdão n.º 9303001.932 CSRFT3 Fl. 2 2 Relatora Participaram do julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. Conforme o Termo de Constatação Fiscal presente às fls. 176/187 dos autos, apurouse a ocorrência de descumprimento de normas concernentes ao Drawbacksuspensão. O Ato Concessório fiscalizado foi firmado em 18/03/1997, estabelecendose prazo final de exportação para 18/09/1997. Temse que houve dois aditivos, sendo que um foi emitido intempestivamente, em 30/06/1998, mesma data do Relatório de Comprovação do Drawback. No Ato Concessório, o contribuinte comprometeuse a exportar duzentos e cinqüenta unidades, entre elevadores concretos e partes de elevadores, no valor de US$ 9.000.000,00. Para tanto, comprometeuse a importar US$ 4.000.000,00 em componentes para fabricação de elevadores. Segundo expresso no Termo de Constatação, em 18/10/2001, o contribuinte informou que não foram utilizadas todas as peças importadas, nos termos de planilha apresentada (fls. 279/696). Ainda, constatouse que o total de exportações consistiu em US$ 8.572.941,49. Concluiuse que: “Considerando que não foi apresentado pela empresa nenhum aditivo tempestivo alterando a quantidade de produtos a exportar, considerando ainda, com base na análise dos Registros de Exportação, e da PLANILHA DE EXPORTAÇÕES REALIZADAS, documento apresentado pelo contribuinte às fls. 259/865, foram efetivamente exportados 667 unidades. Assim sendo, constatase que a empresa efetuou a exportação de 417 (667 – 250) unidades entre ELEVADORES COMPLETOS E PARTES DE ELEVADORES, com a utilização de insumos importados, e sem previsão legal no Ato Concessório”. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 1397/1421 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 1651/1658) julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a ImportaçãoII Período de Apuração: 18/04/1997 a 18/11/1997. Ementa: DRAWBACK. COMPETÊNCIA. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000100/200204 Acórdão n.º 9303001.932 CSRFT3 Fl. 3 3 A competência para concessão do regime aduaneiro especial de drawback é da Secex. Cabe à SRF a aplicação do regime, a fiscalização dos tributos e a verificação do regular cumprimento dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. VINCULAÇÃO FÍSICA. Um dos princípios fundamentais do regime especial de drawback é a vinculação física do produto importado com aquele a ser exportado. Lançamento Procedente. O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 1667/1695 dos autos. A antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, às fls. 1752/1775 dos autos, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso do contribuinte para excluir as penalidades. Eis a ementa do acórdão: REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA. Embora a SECEX detenha a competência para a concessão do regime aduaneiro especial de drawback, incluindo na mesma as adições, bem como a emissão de aditivos, cabe à Secretaria da Receita Federal a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, inclusive o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento do referido incentivo à exportação e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela beneficiária, dos requisitos e condições estabelecidos pela legislação de regência. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de Drawbacksuspensão, é pressuposto essencial que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. O sucessor responde pelos tributos devidos pelo antecessor, não porém por multas punitivas, sobretudo se impostas posteriormente à aquisição (precedentes do STF). JUROS MORATÓRIOS TAXA SELIC. Os tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, pagos após a data do vencimento, estão sujeitos à incidência de juros de mora, calculados segundo a legislação pertinente, seja qual for o motivo determinante da falta. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000100/200204 Acórdão n.º 9303001.932 CSRFT3 Fl. 4 4 O contribuinte interpôs recurso especial às fls. 1794/1818 dos autos, com base em divergência jurisprudencial. Partiu da premissa de que o acórdão recorrido fundamentouse, principalmente, na intempestividade do segundo aditivo, de modo que não poderia ter sido aceito pela CACEX, em interpretação do artigo 314, inciso I, do Regulamento Aduaneiro c.c a Portaria MF n° 594/02. O recorrente sustentou a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem competência para fiscalizar o cumprimento das obrigações estabelecidas no regime especial, sem poder, porém, para alterar os seus termos. Defendeu que a Receita Federal apenas poderia verificar o cumprimento das condições do regime especial naquilo que foi concedido e alterado pela SECEX, sob pena de invadir a competência deste órgão. Trouxe à tona acórdãos da Terceira e da Primeira Câmaras do Terceiro Conselho de contribuintes, para a configuração da divergência jurisprudencial. Segundo o recorrente: “Do exame dos v. acórdãos paradigmas acima indicados, verificase que é assente neste E. Tribunal Administrativo o entendimento de que o ato praticado pela empresa sucedida pela recorrente não pode ser descaracterizado para justificar a imposição de uma “autuação artificial”, que desconsiderou não só a realidade fática, mas também o ato administrativo perfeito e acabado pelos órgãos competentes (SECEX/CACEX)”. Relatou que, diante do exíguo prazo concedido no Ato Concessório, requereuse, em 26/07/1997, por meio de aditivo, sua prorrogação, com o fim de viabilizar o cumprimento do compromisso firmado. Assim, o prazo para o cumprimento passou a ter como termo final a data de 17/03/1998. Em 25/05/1998, foi apresentado um segundo aditivo, para os valores de importação fossem alterados para US$ 3.813.542,58, e os valores de exportação para US$ 8.572.941,49. Este segundo aditivo foi recepcionado e processado pela CACEX, órgão que emitiu documento de comprovação do “Compromisso de Drawback”, com o reconhecimento de que “as mercadorias importadas ao amparo do ato concessório sob referência” foram “totalmente utilizados nos produtos exportados”. Ressaltou que a fiscalização desconsiderou este ato administrativo, praticado pela CACEX. Argumentou que o acórdão recorrido desconsiderou o princípio da verdade material, porque restou incontroverso que não se realizou operações importação/exportação fora do prazo de validade do ato concessório estabelecido no primeiro aditivo, tendo apresentado o segundo aditivo apenas para regularizar as informações constantes da materialidade dos fatos apurados nas suas operações comerciais. Expôs que o controle do cumprimento das condições fixadas no ato concessório compete à SECEX, e que a Secretaria da Receita Federal pode perpetrar a fiscalização sobre os atos praticados e os procedimentos autorizados por aquele órgão. A Receita Federal, aduziu, não tem competência para conceder e determinar os termos de um Ato Concessório, o que é da competência exclusiva da SECEX. Desta forma, sustentou que a Receita Federal não tem competência para desconsiderar o segundo aditamento, recebido e deferido pela SECEX, que é o órgão responsável pela concessão e administração dos atos concessórios. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000100/200204 Acórdão n.º 9303001.932 CSRFT3 Fl. 5 5 O recorrente alegou que o segundo aditivo não poderia ser reputado como intempestivo pela fiscalização, já que tinha sido deferido pela SECEX. Ressaltou que o Conselho de Contribuintes já se manifestou no sentido de que, uma vez aceito pela SECEX, ao aditivo não pode ser negado eficácia pela Receita Federal. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões às fls. 2112/2124 dos autos. Defendeu a intempestividade do segundo termo aditivo. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Com efeito, o acórdão recorrido, em relação ao objeto do recurso especial em análise, estabeleceu que: “O 2° aditivo apresentado pela empresa visou basicamente, um “acerto de contas”, alterando, após a vigência do Ato Concessório, as condições e os termos pactuados, no que tange aos valores importação x exportação e quantidade a ser exportada, tendo sido emitido no mesmo dia do ‘Relatório de Comprovação de Drawback”. Assim, o mesmo não pode nem dever ser aceito, pois emitido totalmente a destempo, fora do prazo pactuado para o regime. Mesmo que o CACEX o tenha recepcionado e processado, sua emissão afrontou normas internas daquele próprio órgão, em especial o comunicado interno n° 21, de 11/07/1997, em seu item 8.9. Ademais, não existe total identidade entre regime aduaneiro e regime econômico. Os mesmos não se confundem. Enquanto a CACEX e a SECEX são competentes no que tange ao regime econômico, é a Secretaria da Receita Federal que detém a competência relativa ao Regime Aduaneiro”. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000100/200204 Acórdão n.º 9303001.932 CSRFT3 Fl. 6 6 Os acórdão paradigmas, por sua vez, dispõem, em termos gerais, no seguinte sentido: “A ação fiscalizadora da SRF se dá em complemento ao trabalho da SECEX. As competências atribuídas a cada um dos órgãos não se superpõem, se complementam e devem ser mutuamente respeitadas. A competência para emissão de ato concessório de drawback, bem como para sua prorrogação é da SECEX (...) A autuação realizada denuncia que todo trabalho fiscal se assentou na desconsideração dos aditamentos e prorrogações dos atos concessórios autorizados pela SECEX, que é o órgão competente para isso e, ainda que houvesse qualquer irregularidade na prorrogação do prazo de validade dos atos concessórios por parte da SECEX este órgão é que seria o responsável e não o contribuinte beneficiário”. Em outro paradigma apresentado, considerouse: “Válida a prorrogação de prazo através de aditivo ao Ato Concessório, quando o pedido de prorrogação é aceito e deferido pela Secretaria de Comércio Exterior SECEX, ainda que o pedido tenha sido pleiteado após o vencimento do prazo inicial estipulado. Não cabe a fiscalização tributária negar eficácia ou desconstituir o ato administrativo legalmente emitido pelo órgão competente para administrar o regime especial”. O dissídio jurisprudencial, desta forma, reside na possibilidade, ou não, de a Receita Federal desconsiderar as prorrogações dos Atos Concessórios promovidas pela SECEX, realizadas intempestivamente, isto é, quando já expirado o prazo para o cumprimento daqueles. Conforme o Termo de Constatação Fiscal presente às fls. 169/187 dos autos, temos o seguinte panorama cronológico: a) Ato Concessório original: foi emitido em 18/03/1997, com prazo final de exportação fixado em 18/09/1997. b) Em 27/06/1997, foi expedido Aditivo, alterando o prazo de validade do Ato Concessório para 17/03/1998; c) Em 30/06/1998: novo aditivo, para alterar a quantidade de produtos a exportar, passando de 250 para 667 unidades entre elevadores completos e partes de elevadores. Este novo aditivo foi considerado intempestivo pela Fiscalização, tendo em vista que a sua solicitação deuse em 26/05/1998, após o prazo de validade do Ato Concessório, conforme o primeiro aditivo. Diante desse panorama, impende fazer algumas considerações do regime de Drawback Suspensão, consolidado para o contribuinte pelo respectivo Ato Concessório. Tratase, por óbvio, de um ato administrativo, relacionado a um instituto que objetiva incentivar a exportação de produtos oriundos do mercado interno brasileiro, mediante a concessão de um benefício fiscal. No caso, tratase, o benefício, de suspensão dos tributos incidentes na importação dos insumos utilizados na industrialização ou beneficiamento do Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000100/200204 Acórdão n.º 9303001.932 CSRFT3 Fl. 7 7 produto a ser exportado. Eis a sua definição estabelecida pelo Comunicado DECEX n° 21, de 1997: CAPÍTULO I ASPECTOS GERAIS DO REGIME DE DRAWBACK TÍTULO 1 Definição 1.1 O Regime Aduaneiro Especial de Drawback é um incentivo à exportação e compreende a suspensão ou isenção de tributos incidentes na importação de mercadoria utilizada na industrialização de produto exportado ou a exportar. 1. O Regime compreende a suspensão ou isenção de Imposto de Importação (II); do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), este na forma definida pelos Estados e Distrito Federal, inclusive no âmbito do CONFAZ; do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM); além da dispensa do recolhimento de outras taxas que não correspondam à efetiva contraprestação de serviços, nos termos da legislação em vigor. 2. As importações cursadas ao amparo do Regime não estão sujeitas ao exame de similaridade e à obrigatoriedade de transporte em navio de bandeira brasileira. A norma, ainda, ao tratar do ato de concessão do benefício, e das respectivas alterações, dispõe no seguinte sentido: TÍTULO 8 Considerações Gerais 8.7 A concessão do Regime darseá com a emissão de Ato Concessório de Drawback. 8.8 O prazo de validade do Ato Concessório de Drawback é determinado pela datalimite estabelecida para a efetivação das exportações vinculadas e será compatibilizado ao ciclo produtivo do produto a exportar, com o objetivo de permitir a exportação no menor prazo possível. 8.9 Qualquer alteração das condições concedidas pelo Ato Concessório de Drawback deverá ser solicitada, dentro do prazo de sua validade, por meio do formulário Aditivo ao Pedido de Drawback. 1. Os pedidos de alteração somente serão passíveis de análise quando formulados até o último dia de validade do Ato Concessório de Drawback ou no primeiro dia útil subsequente, caso o vencimento tenha ocorrido em dia não útil. 2. A concessão darseá com a emissão de Aditivo ao Ato Concessório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000100/200204 Acórdão n.º 9303001.932 CSRFT3 Fl. 8 8 O acórdão recorrido citou a regra estabelecida no item 8.9, para expor que a CACEX, ao recepcionar e processar o pedido do contribuinte, teria violado sua própria norma interna. À primeira vista, podese concluir neste sentido. Contudo, não se pode esquecer que o tema a ser decidido é não só a possibilidade de a CACEX conceder o Termo Aditivo quando já extrapolado o termo final do Ato Concessório original. Assim, o objeto recursal não é tão singelo que possa ser resolvido tãosomente pela análise do dispositivo em questão. Diante disso, devese dar seguimento à análise. Pois bem, no Capítulo VI, sobre a Liquidação do Compromisso de Exportação, temse que: CAPÍTULO VI LIQUIDAÇÃO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO TÍTULO 26 Considerações Gerais 26.3 Na modalidade de suspensão, vencido o Ato Concessório de Drawback e não cumprido o compromisso de exportar, em razão da não utilização ou utilização parcial da mercadoria importada, a beneficiária deverá adotar, dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da data limite para exportação, estabelecida no Ato Concessório de Drawback, uma das providências relacionadas a seguir: I providenciar a devolução ao exterior da mercadoria não utilizada; II requerer a destruição da mercadoria imprestável ou da sobra, sob controle aduaneiro, às suas expensas; ou III destinar a mercadoria remanescente para consumo interno, com o devido recolhimento dos tributos e adicionais exigidos na importação, com os acréscimos legais previstos na legislação, observadas no que couber, as normas gerais de importação. TÍTULO 27 Inadimplemento do Regime de Drawback 27.1 Será declarado o inadimplemento do Regime de Drawback, modalidade suspensão, se vencido o prazo estabelecido no item 26.3 e não comprovada a adoção de uma das providências previstas. 27.2 O inadimplemento do Regime será considerado: I Total: quando não houver nenhuma exportação que comprove a utilização da mercadoria importada II Parcial: se existir exportação efetiva que comprove a utilização de parte da mercadoria importada. 27.3 O inadimplemento do Regime será formalmente comunicado à Secretaria da Receita Federal (SRF) e aos demais órgãos envolvidos. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000100/200204 Acórdão n.º 9303001.932 CSRFT3 Fl. 9 9 Vêse, assim, que, findo o prazo estabelecido no Ato Concessório, para as exportações, ainda não há que se falar em inadimplemento do benefício. É dizer, o contribuinte ainda não pode ser objeto de fiscalização por parte da Receita Federal. Com efeito, ante o término daquele prazo, a norma é expressa em estabelecer o lapso de trinta dias para que o importador tome uma das três providências listadas, conforme acima transcrito. A declaração do inadimplemento do regime somente ocorre se, transcorrido tal prazo, o contribuinte não lograr comprovar que adotou aquelas tais providências. Aí, e só aí, o “inadimplemento do regime será formalmente comunicado à Secretaria da Receita Federal (SRF) e aos demais órgãos envolvidos”. O que se depreende disso é que a norma prevê, desde a concessão do ato concessório até a eventual comunicação à Secretaria da Receita Federal sobre o inadimplemento do contribuinte, toda uma cadeia de atos administrativos. Dentro de tal cadeia, no que tange à concessão do benefício e dos respectivos termos aditivos e, enfim, a todo o procedimento que tem que ver com o regime do Drawback suspensão, a competência é cometida à CACEX/SECEX. Somente se estes constatarem pela inadimplência das condições estabelecidas no Ato Concessório é que aqueles órgãos comunicam, formalmente, à Receita Federal para que esta adote as providências cabíveis. A competência, desta forma, para a análise das circunstâncias que envolvam o regime especial é da CACEX, e não da Receita Federal. Esta somente pode começar a agir ante a comunicação que lhe venha a dirigir aquele órgão, acerca do inadimplemento do contribuinte ou após o prazo final (decorridos os trinta dias) do término do regime. Diante disso, é de se tecer algumas considerações sobre o que vem a ser a competência administrativa, e o seu papel no ordenamento jurídico. A competência administrativa é, segundo Marçal Justen Filho, “a atribuição normativa da legitimação para a prática de um ato administrativo” 1. Celso Antonio Bandeira de Mello, em seu Curso de Direito Administrativo, designa competência administrativa, como o “círculo compreensivo de um plexo de deveres públicos a serem satisfeitos mediante o exercício de correlatos e demarcados poderes instrumentais, legalmente conferidos para a satisfação de interesses públicos” 2. A competência, como se sabe, é demarcada pelo ordenamento jurídico, e uma das suas características essenciais, segundo a doutrina, é a imodificabilidade “pela vontade do próprio titular, o qual, pois, não pode dilatálas ou restringilas, pois sua compostura é a que decorre da lei” 3. Qualquer exceção a tal regra deve ser estabelecida pelo próprio sistema legal; jamais pela Administração, sem qualquer base legal. Aplicandose estes conceitos ao presente caso, temos que o fato de a Receita Federal ter imiscuídose na competência da CACEX configura patente desvio de poder, gênero do qual constituise em espécie o desvio de finalidade. Este não resta afastado tãosomente 1 FILHO, Marçal Justen. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Editora Saraiva. 2005. p. 195. 2 DE MELLO, Celso Antonio Bandeira. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros. 14° edição. p. 126. 3 Idem. p. 127. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000100/200204 Acórdão n.º 9303001.932 CSRFT3 Fl. 10 10 pelo fato de que o último Aditivo fora concedido extemporaneamente, isto é, após o transcurso do prazo de cumprimento estabelecido no penúltimo aditivo. A competência para o ato administrativo, com efeito, não se esvai pela ausência do seu exercício, ou por seu eventual exercício irregular. Se assim é, tampouco a competência, naquelas hipóteses, transferese para outro órgão. Eis a lição de Marçal Justen Filho: “A ausência de exercício de uma competência não importa sua transferência para outrem, a não ser quando a lei assim o determinar. A lei pode estabelecer regras específicas no tocante à competência, limitando o modo de atuação do agente ou condicionando sua atuação a certos eventos”. 4 Assim, não competia à Receita Federal apurar, sem a comunicação perpetrada pela CACEX, o adimplemento ou não do compromisso firmado pelo contribuinte, quanto mais quando a própria CACEX efetivamente concedeu o aditivo questionado. Tratase, obviamente, portanto, de indevida ingerência. Lembrese o que prescreve o artigo 11 da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo fiscal, quando versa sobre competência: CAPÍTULO VI DA COMPETÊNCIA Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. A competência, ademais, é fixada justamente para assegurar que dois valores inerentes ao Estado de Direito sejam preservados: a segurança jurídica e a persecução do interesse público. De modo que o seu desvio vai de encontro justamente a estes valores, e, por conseqüência, ao Estado de Direito. Vejase a o que diz Celso Antonio Bandeira de Mello: “Todo excesso, toda demasia, não aproveitam a ninguém e acarretariam um desnecessário e incompreensível agravamento ou limitação da esfera de liberdade dos cidadãos ou das pessoas jurídicas, o que, evidentemente, sobre ilógico, ante a própria índole das competências, seria inaceitável no Estado de Direito, cujo projeto é o de contenção do poder, e não o de liberação dele. Assim, o plus no uso da competência, seja em extensão, seja em intensidade, acaso ocorrido significará, em última instância, um extravasamento dela, um desbordamento, uma ultrapassagem de seus limites naturais, ensejando fulminação tanto pela autoridade administrativa superior, de ofício ou sob provocação, quanto pelo Judiciário, a instâncias da parte titulada para insurgirse” 5. Ora, no caso, o contribuinte obteve, para si, o deferimento do último Aditivo. A CACEX, órgão competente para tanto, julgou ser cabível a sua concessão. Não havia, desta forma, o ato deflagrador da competência da Receita Federal para avaliar o cumprimento do Regime pelo contribuinte, qual seja a comunicação formal da sua inadimplência, que deve ser perpetrada pela própria CACEX. 4 Idem. p. 196. 5 Idem. p. 126 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000100/200204 Acórdão n.º 9303001.932 CSRFT3 Fl. 11 11 Desta forma, não cabe à Receita Federal avaliar a regularidade ou, especificamente, a tempestividade do Aditivo concedido pela CACEX. Se era tempestivo ou não, a este órgão caberia avaliar, e não à Receita Federal. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial do contribuinte. Sala das Sessões, em 11 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 11DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10670.000559/2006-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
COFINS PRAZO. RESTITUIÇÃO.
Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis
mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC.
De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As
decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B
e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros
no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.
Numero da decisão: 3201-000.874
Decisão: Acordam os membros do colegiado, negar provimento por maioria. Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida e Adriana Oliveira e Ribeiro votaram pelas conclusões.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 COFINS PRAZO. RESTITUIÇÃO. Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.
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RESTITUIÇÃO. Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento por maioria. Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida e Adriana Oliveira e Ribeiro votaram pelas conclusões. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausências justificadas de Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Mariz Gudiño. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratase o presente de Pedido de Restituição da Cofins incidente sobre outras receitas que não o faturamento bruto, do período de fevereiro de 1999 a setembro de 2001, no valor de R$ 804.556,91, em razão de declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, da Lei n°9.718/98, em Recurso Extraordinário n°436802. 0 presente pedido foi formulado pela interessada em epígrafe, na condição sucessora da empresa Toalia S/A, CNPJ n° 10.963.023/000155. A DRFMontes Claros/MG emitiu Despacho Decisório n° 23/2009, no qual deferiu parcialmente o direito credit6rio no valor de R$36.006,74, em 14/09/2001 (fls. 173/180). A requerente apresentou, as fls. 251/265, manifestação de inconformidade contra a decisão acima, alegando em síntese que: o direito da requerente de questionar os recolhimentos já fora exercido anteriormente à apresentação de seu pedido administrativo, tanto que o despacho decisório, no que se refere as parcelas não prescritas, nada mais fez do que dar cumprimento à decisão judicial apresentada. Não há, portanto, como se alegar que a requerente exerceu seu direito de pleitear a devolução dos valores recolhidos a maior apenas em 12/04/2006; ainda que seja desconsiderada a ação judicial da requerente, não há que se falar em prazo prescricional de cinco anos no presente caso, haja vista ser pacifico o entendimento de que o prazo prescricional para a repetição do indébito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (caso da Cofins) decorre da conjugação do artigo 168, I com o §4° do artigo 150, ambos do Código Tributário Nacional, perfazendo, normalmente, um prazo de dez anos. Às fls. 266/296, encontramse manifestações de inconformidade contra os Despachos Decisórios n° 24/2009 (processo 10670.000577/200686) e n° 017/2009. E, às fls. 306/356, encontram documentos relativos aos processos administrativos (11618.002704/200174 e 11618.002705/200119) e à Ação Anulatória (processo n°2009.82.00.0011990). Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.000559/200602 Acórdão n.º 3201000.874 S3C2T1 Fl. 2 3 Para instrução do presente feito, foram anexados os extratos de fls. 361/375, relativos ao Mandado de Segurança n° 99.00.09019, que deu origem ao Recurso Extraordinário n° 436802. É o relatório.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0926.063, de 10/09/2009, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. 0 prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive em hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5(cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido.” O julgamento foi no sentido da improcedência da manifestação de inconformidade, ratificando os termos do Despacho Decisório de fls. 173/180. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Solicitando, enfim, a reforma no acórdão, no tocante à declaração de prescrição. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o processo de pedido de restituição da COFINS, incidente sobre outras receitas que não o faturamento bruto, do período de fevereiro de 1999 a setembro de 2001, no valor de R$ 804.556,91, em razão de declaração de inconstitucionalidade, pelo STF. da Lei n° 9.718/98, em Recurso Extraordinário n° 436802. A DRFMontes Claros/MG emitiu Despacho Decisório n° 23/2009, onde deferiu parcialmente o direito creditório. Nos autos consta relatório da Apelação Cível em Mandado de Segurança — AMS,processo n° 99.00090195 que dispõe: Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 0 SR. DESEMBARGADOR FEDERAL PAULO ROBERTO DE OLIVEIRA LIMA (RELATOR): Cuidase de apelação contra sentença que denegou a segurança, a qual objetivara, liminarmente, suspender a cobrança da diferença de 1% para a COFINS e limitar a ação fiscal desta contribuição sobre base de cálculo que ultrapasse, sob qualquer hipótese o faturamento das impetrantes, respeitando o que determina a Lei Complementar n° 70/91, requerendo, ainda, que seja aceito o depósito das importâncias litigiosas correspondentes diferença de aliquota e da base de cálculo do tributo, até solução do pleito em definitivo, em conta especial — DCM , sujeita à atualização monetária numa agência da CEF. No mérito, enseja a concessão em definitivo da ordem, reconhecendo o direito da impetrante em recolher a COFINS à aliquota de 2% apenas sobre o faturamento mensal, e não sobre a totalidade de suas receitas. Em sua apelação a impetrante reitera as alegações da inicial, requerendo a reforma da sentença. Contrarazões apresentadas É o relatório. Por sua vez, a Segunda Turma do TRF da 5ª Região, à unanimidade, decidiu negar provimento à apelação da impetrante, nos termos do voto do relator (fl. 364). A recorrente interpôs junto ao STF, o Recurso Extraordinário RE n° 436802. Com o trânsito em julgado, em 24/02/2006, do acórdão do STF no RE n° 436802, que conheceu do recurso e deulhe provimento parcial, resultou sedimentado o direito da impetrante de recolher a Cofins sem a ampliação da base de cálculo levada a efeito pelo art. 3 °, § 1 °, da Lei 9.718/98 (fls. 374/375). No entanto, o direito de repetir valores porventura recolhidos a maior não foi objeto do Mandado de Segurança em questão. A recorrente pleiteou a restituição do que entende ter pago em excesso em 12/04/2006. Inicialmente, em sede de preliminar, analiso a questão do prazo para pleitear o seu pedido de restituição. Ressalto, que esta conselheira votava no sentido que prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores que comprove terem sido recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Como sabemos, o legislador, com intuito de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, Fl. 424DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.000559/200602 Acórdão n.º 3201000.874 S3C2T1 Fl. 3 5 inciso I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. No entanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatada pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC no. 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN” Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Assim sendo, por conta da decisão proferida no RE 566.621, é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. Diante do exposto, para os pagamentos ocorridos anteriormente a 12/04/2001, houve a decadência; considerando que a recorrente protocolizou o seu pedido de restituição/compensação em 12/04/2006. Cabe ressaltar que foram atrelados a este processo, às fls. 306/356, documentos referentes aos processos administrativos (11618.002704/200174 e 11618.002705/200119) e à Ação Anulatória (processo n° 2009.82.00.0011990). Tratam os processos administrativos de compensação dos débitos da Cofins de julho de 2001, no valor de R$ 42.259,30, agosto de 2001, nos valores de R$ 110.663,06 e R$ 260.234,39, e setembro de 2001, no valor de 10.823,22, e neles, essas compensações foram homologadas, extinguindo os débitos correspondentes. Logo, os débitos extintos da Cofins foram considerados pagamento a maior no que excedeu o valor devido a titulo da mesma cobrança para o período correspondente, e foram considerados como crédito a favor da empresa (fl. 178, já no âmbito do despacho decisório). À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 425DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10283.000761/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 13/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
VÍCIO FORMAL. NATUREZA DA INVALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL.
O lançamento é forma, sendo o ato de aplicação material da norma de incidência. Apesar de ser forma, exteriorização, reflete o conteúdo da norma de incidência tributária, o fato gerador. A falha na exteriorização do lançamento é um vício formal, por seu turno, o erro quanto ao conteúdo irá traduzir um vício material.
Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A falta de motivo do ato administrativo vinculado causa a sua nulidade. Motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato,
correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato.
Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal
falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício formal.
Numero da decisão: 2302-001.562
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Arlindo da Costa e Silva que entenderam tratar-se de vício material.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. VÍCIO FORMAL. NATUREZA DA INVALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. O lançamento é forma, sendo o ato de aplicação material da norma de incidência. Apesar de ser forma, exteriorização, reflete o conteúdo da norma de incidência tributária, o fato gerador. A falha na exteriorização do lançamento é um vício formal, por seu turno, o erro quanto ao conteúdo irá traduzir um vício material. Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A falta de motivo do ato administrativo vinculado causa a sua nulidade. Motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício formal.
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Recorrente DRJ BELEM PA Interessado GLOBAL SERVICE VIGILANCIA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. VÍCIO FORMAL. NATUREZA DA INVALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. O lançamento é forma, sendo o ato de aplicação material da norma de incidência. Apesar de ser forma, exteriorização, reflete o conteúdo da norma de incidência tributária, o fato gerador. A falha na exteriorização do lançamento é um vício formal, por seu turno, o erro quanto ao conteúdo irá traduzir um vício material. Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A falta de motivo do ato administrativo vinculado causa a sua nulidade. Motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas Fl. 498DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Arlindo da Costa e Silva que entenderam tratarse de vício material. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu e Manoel Coelho Arruda Júnior. Ausente momentaneamente o Conselheiro Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000761/200851 Acórdão n.º 230201.562 S2C3T2 Fl. 493 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à Previdência Social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências janeiro de 2001 a dezembro de 2005, fls. 15 a 16. Não teriam sido informadas a totalidade da remuneração dos segurados empregados, bem como parcela referente aos contribuintes individuais. A autuada apresentou impugnação às fls. 122 a 163. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento exarou a Decisão de fls. 479 a 488, julgando improcedente o lançamento reconhecendo a decadência parcial, bem como o vício material, sendo interposto recurso de ofício. É o relato suficiente. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Quanto ao recurso de ofício entendo que deva ser provido parcialmente. Nego provimento quanto à questão relativa à decadência, mas concedo provimento quanto à natureza do vício apontado pela decisão de primeira instância. Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida em parte, nos termos da decisão a quo. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Contudo, em se tratando de lançamento de ofício para aplicar penalidade pecuniária, previsto no art. 149, inciso V do CTN, há que se observar sempre a regra prevista no art. 173 do CTN, incluindo o parágrafo único desse artigo. Assim, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para notificar o contribuinte. No presente caso o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 13 de dezembro de 2007, fl. 01, pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2001, inclusive esta. A competência dezembro de 2001 não decaiu, pois a GFIP somente poderia ser exigida após o vencimento, ou seja em 7 de janeiro de 2002; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, o dia 1o de janeiro de 2003, a qual findaria em 1o de janeiro de 2008. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000761/200851 Acórdão n.º 230201.562 S2C3T2 Fl. 494 5 Corroborando a forma dessa contagem segue entendimento exarado pelo STJ nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Quanto à natureza do vício, entendo que houve um vício formal e não material, como apontado pela autoridade julgadora. O acórdão está fundamentado na falta de motivação, em virtude de os relatórios fiscais estarem incompletos. Não se pode confundir falta de motivação com falta de motivo. O lançamento é forma, sendo o ato de aplicação material da norma de incidência. Apesar de ser forma, exteriorização, reflete o conteúdo da norma de incidência tributária, o fato gerador. A falha na exteriorização do lançamento é um vício formal, por seu turno, o erro quanto ao conteúdo irá traduzir um vício material. Como é cediço, são componentes do ato administrativo: a competência, a forma, a finalidade, o motivo e o objeto. Ao lavrar um ato administrativo, a autoridade pode falhar em algum desses elementos; dessa maneira, a distinção, entre os componentes do ato, é relevante para fins de determinação dos efeitos que o vício nos elementos geram. O vício do ato pode ser sanável ou insanável. O vício na competência e na forma são sanáveis; já os vícios na finalidade, no motivo e no objeto são insanáveis. Justamente por vício na forma ocasionar a possibilidade da convalidação do ato, é importante destacar o que se entende por forma. A invalidação e a convalidação são meios para a eliminação do vício. Caso a administração não convalide o ato, este se torna passível de invalidação pelo Poder Judiciário. Destacase que na Administração Tributária há uma nítida distinção entre o órgão fiscalizador, que pratica o ato de lançamento, e o órgão que julga os recursos. Não há como o órgão julgador convalidar o ato de lançamento, pois as competências são notoriamente distintas. Assim, diante do reconhecimento do vício na confecção do lançamento, não há como se efetuar pelo decisório a complementação do lançamento. Agora, os simples erros materiais, como base de cálculo equivocada, erros de digitação, guias não consideradas pelo fisco, podem promover a Fl. 502DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 simples alteração do valor inicialmente lançado, sem ocasionar a nulidade do ato administrativo, a teor do disposto no art. 145 do CTN. Há, assim, que se distinguir os vícios que contaminam o ato administrativo das simples irregularidades. Os atos irregulares não contém vícios que comprometam a pertinência e a validade de modo decisivo. Não se classificam como inválidos, uma vez que os vícios presentes nos atos irregulares restringemse a erros, os quais a lei não considera essencial para a validade do ato administrativo e, que não demande a convalidação para corrigilo. Pode haver a retirada de valores, agora a inclusão, alteração de fundamentos legais, falhas na identificação do sujeito passivo demandam a necessidade de novo lançamento. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A falta de motivo do ato administrativo vinculado causa a sua nulidade. Motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. A falha na motivação pode ser corrigida, desde que o motivo tenha existido. Não é outra a lição do mais abalizado administrativista brasileiro, Celso Antônio Bandeira de Mello. De acordo com esse doutrinador, na obra Curso de Direito Administrativo, 22ª edição, Ed. Malheiros, pág. 385, verbis: “em se tratando de atos vinculados, o que mais importa é haver ocorrido o motivo perante o qual o comportamento era obrigatório, passando para segundo plano a questão da motivação. Assim, se o ato não houver sido motivado, mas for possível demonstrar ulteriormente, de maneira indisputavelmente objetiva e para além de qualquer dúvida ou entredúvida, que o motivo exigente do ato preexistia, deverseá considerar sanado o vício do ato.” Na mesma obra, página 451, o autor afirma que “a convalidação, ou seja, o refazimento de modo válido e com efeitos retroativos do que fora produzido de modo inválido, em nada se incompatibiliza com interesses públicos. Isto é: em nada ofende a índole do Direito Administrativo. Pelo contrário”. Na lição de Celso Antônio, página 453: “A Administração não Fl. 503DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000761/200851 Acórdão n.º 230201.562 S2C3T2 Fl. 495 7 pode convalidar um ato viciado se este já foi impugnado, administrativa ou judicialmente. Se pudesse fazêlo, seria inútil a argüição do vício, pois a extinção dos efeitos ilegítimos dependeria da vontade da Administração, e não do dever de obediência à ordem jurídica. Há entretanto, uma exceção. É o caso da “motivação” de ato vinculado expendida tardiamente, após a impugnação do ato. A demonstração, conquanto serôdia, de que os motivos preexistiam e a lei exigia que, perante eles, o ato fosse praticado com o exato conteúdo com que o foi é razão bastante para sua convalidação.” Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212 e no art. 10 do Decreto n º 70.235 de 1972, nestas palavras: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Conforme expressamente previsto no Decreto n º 70.235, a descrição do fato é requisito formal. Não se pode confundir descrição do fato com o próprio fato. A primeira é forma, exteriorização; o segundo é conteúdo. Da análise dos requisitos formais estabelecidos no art. 10 do Decreto n º 70.235 pode ser concluído que o relatório fiscal preenche todos os requisitos formais, o que permite um regular desenvolvimento para ser julgado o mérito; ou pode ser concluído que há um vício sanável, ou o vício poderá ser insanável. No caso de o vício ser sanável, a autoridade julgadora determinará a correção da eiva pela autoridade lançadora, caso não seja corrigida deverá ser anulado o lançamento por vício formal. Caso o vício seja insanável, como por exemplo o fato indicado pelo Auditor Fiscal não consta em lei como hipótese de incidência, deverá ser dado provimento ao recurso interposto pelo contribuinte, pois se não há possibilidade de correção, não há motivo para que seja realizado novo lançamento sobre aquela argumentação. Desse modo, caso o fisco não consiga demonstrar o fato gerador, há um vício formal, pois não foi atendido o requisito da motivação (expressão ou descrição de motivos). Da Fl. 504DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 mesma forma que em uma petição inicial a falha dos fatos e dos fundamentos jurídicos (art. 282 do CPC) é um vício de forma. Nessa hipótese deve ser oportunizada pelo órgão de primeira instância a correção do vício, na forma do art. 18, § 3º do Decreto n ° 70.235; caso a fiscalização não consiga realizar tal prova, o lançamento tem que ser anulado. Agora, se diante do lançamento o sujeito passivo faz prova da inexistência dos fatos alegados pelo Fisco, há um vício não na motivação, mas sim no motivo, não houve o fato gerador. Nesse caso, não há que se complementar relatório, pois não houve o pressuposto de fato e de direito para a realização do lançamento, logo o julgamento tem que ser de mérito, extinguindose o crédito tributário. Vício extrínseco são aqueles que dizem respeito à forma, seja pela inobservância das formalidades legais ou dos critérios de competência. Por sua vez os vícios intrínsecos são os inerentes ao conteúdo, à essência do documento ou à substância do ato nele representado. O lançamento pode ser defeituoso, mas pode não ser falso, no sentido de não ter vício material, mas apenas o vício formal. Caso não haja oportunidade de saneamento da falta, a autoridade julgadora nunca poderá restar convicta da ausência ou inexistência do fato gerador. O vício material é aquele que não corresponde a verdade. Um lançamento sem fundamentação, não deixa de ser um lançamento. Na lição de Pontes de Miranda: “defeito não é falta. O que falta não foi feito. O que foi feito, mas tem defeito, existe. O que não foi feito não existe, e, pois, não pode ser desfeito”. O que não existe não se anula. Por todo o exposto entendo que o vício no lançamento é de natureza formal. CONCLUSÃO: Voto por CONCEDER PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, anulando o lançamento por vício formal. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 505DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10725.002599/2007-89
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Ano calendário:2005
Ementa: FALTA DE DEPENDÊNCIA PROCESSUAL – Não caracterizada a
dependência do julgamento do presente processo ao julgamento dos
processos nºs 10725.001224/200459, 10725.001225/200401,
10725.001226/200448 e 10725.001227/2004/92, não há razão para o
sobrestar o julgamento de que tratam os presentes autos. Mormente em que os processos nº 725.001225/200401 e 10725.001227/2004/92 já foram julgados e negado provimento aos recursos voluntários.
MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DCTF Caracterizado o atraso
na entrega da Declaração (DCTF), há de se exigir a multa prevista pela inobservância do prazo regulamentar prescrito para o cumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 1802-001.067
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Obrigações Acessórias Ano calendário:2005 Ementa: FALTA DE DEPENDÊNCIA PROCESSUAL – Não caracterizada a dependência do julgamento do presente processo ao julgamento dos processos nºs 10725.001224/200459, 10725.001225/200401, 10725.001226/200448 e 10725.001227/2004/92, não há razão para o sobrestar o julgamento de que tratam os presentes autos. Mormente em que os processos nº 725.001225/200401 e 10725.001227/2004/92 já foram julgados e negado provimento aos recursos voluntários. MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DCTF Caracterizado o atraso na entrega da Declaração (DCTF), há de se exigir a multa prevista pela inobservância do prazo regulamentar prescrito para o cumprimento da obrigação acessória.
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Mormente em que os processos nº 725.001225/200401 e 10725.001227/2004/92 já foram julgados e negado provimento aos recursos voluntários. MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DCTF Caracterizado o atraso na entrega da Declaração (DCTF), há de se exigir a multa prevista pela inobservância do prazo regulamentar prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 M. M. DA ROSA FERREIRA COMÉRCIO E SERVIÇOS DE TELEFONIA, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), recorre a este Conselho Administrativo contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, mediante o Acórdão nº 1238.392, de 07 de julho de 2011, fls.39/45, que julgou procedente a exigência. Por bem resumir os fatos adoto o relatório da decisão recorrida (fl.41) que a seguir transcrevo: Trata o presente processo do lançamento de multa por atraso na entrega da DCTF do 1º semestre do ano calendário de 2005, objeto do auto de infração –1 nº 698273603, do qual o contribuinte tomou ciência em 24/09/2007. 2. A DCTF nº 1000000200720.30282199 foi entregue em 16/05/2007, quando o prazo final para a interessada o fazer era 07/10/2005. Por esse motivo foi autuada com a multa mínima no valor de R$ 500,00. 3. Inconformada, apresentou impugnação em 23/10/2007 em que alega que foi excluída indevidamente do SIMPLES a partir do 4º trimestre de 2004 e o ano de 2005, tendo contestado essa exclusão em processos administrativos de nº 10725.001224/200459, 10725.001225/200401, 10725.001226/200448 e 10725.001227/200492, que se encontram pendentes de julgamento. 4. Além da contestação apresentada, declina outras razões que embasariam e autorizariam sua permanência no SIMPLES para, no final, pedir que: 4.1. seja recebida a impugnação tempestiva com a suspensão do crédito tributário; 4.2. seja julgada procedente a impugnação, a improcedência do lançamento, afastada a penalidade pecuniária, por ser decorrente de indevida exclusão do Simples; 4.3. caso seja julgado improcedente o pedido formulado, que seja suspensa a exigibilidade da cobrança até o julgamento final dos processos acima citados. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2004 INFRAÇÕES E PENALIDADES. DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. Cabível a aplicação da multa pelo atraso na apresentação da DCTF, quando ficar comprovado nos autos que o contribuinte cumpriu com esta obrigação acessória fora do prazo regulamentar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.002599/200789 Acórdão n.º 1802001.067 S1TE02 Fl. 2 3 SIMPLES. DECISÃO NÃO INCLUSÃO RETROATIVA. EFEITOS. EX TUNC. LANÇAMENTO. ABRANGÊNCIA. O lançamento motivado por decisão que não admite a inclusão retroativa no Simples deverá abranger todos fatos geradores, inclusive os pretéritos, em que a situação excludente seja verificada. Impugnação Improcedente A empresa interessada foi cientificada da decisão mencionada, conforme Aviso de Recebimento (AR), de 27/07/2011, e, inconformada, interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF , em 12/08/2011. Essencialmente, a recorrente alega as mesmas razões expendidas na impugnação, a saber: que, a autuação fiscal é insubsistente na medida que impõe ao contribuinte uma penalidade pelo não cumprimento de uma obrigação acessória que na realidade foi fruto de sua indevida exclusão do Simples, a partir do 4 o trimestre de 2004 e o ano de 2005, exclusão esta objeto de discussão nos processos administrativos de n.os 10725.001227/200492, 10725.001225/2004 01, 10725.001224/200459 e 10725.001226/200448, os quais se encontram pendentes de julgamento em instâncias superiores, não ocorrendo o trânsito m julgado em definitivo na esfera administrativa. que, devido a esta exclusão e, pela respectiva discussão administrativa não ter tido um desfecho, a Recorrente foi obrigada a entregar, mesmo que com atraso, a sua declaração, porém, como já dito, fruto de sua indevida exclusão no simples. A seguir, toda a defesa da recorrente é no sentido da sua exclusão indevida do Simples. A recorrente requer, seja reconhecida a inexigibilidade da penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória (atraso na entrega de declaração), visto que o atraso na entrega da declaração e a presente cobrança são oriundos de uma indevida exclusão da Recorrente do Simples; Por fim, requer, ainda que não seja dado provimento ao pedido acima formulado, hipótese que admite “somente em face do princípio da eventualidade, seja suspensa a exigibilidade da presente cobrança até o julgamento final dos processos administrativos de nºs 10725.001227/200492, 10725.001225/200401, 10725.001224/200459 e 10725.001226/200448”. Foram juntados aos autos cópia dos Acórdãos nºs 140200412 de 28/01/2011 e 197 00078 de 08/12/2008, relativos aos processos 10725.001227/200492 (IRPJ) e 10725.001225/200492 (CSLL), respectivamente, nos quais se negou provimento ao recurso voluntário nos termos do voto condutor dos mencionados acórdãos. É o relatório. Voto Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso é tempestivo. Dele conheço. Conforme relatado, tanto na peça impugnatória quanto no recurso, a defesa da contribuinte se circunscreve à sua não inclusão do SIMPLES, e que estaria contestando administrativamente tal exclusão nos autos dos processos administrativos de nº 10725.001224/200459, 10725.001225/200401, 10725.001226/200448 e 10725.001227/ 200492, que se encontrariam pendentes de julgamento. Juntadas aos autos cópias dos Acórdãos nºs 140200412 de 28/01/2011 e 19700078 de 08/12/2008, relativos aos processos 10725.001227/200492 (IRPJ) e 10725.001225/200492 (CSLL), respectivamente, constatouse que, apesar de o contribuinte insistir em discutir o assunto de sua não inclusão retroativa na sistemática do Simples, os mencionados processos têm como objeto a exigência de tributos e não, o despacho denegatório de inclusão do Simples, cuja matéria fora tratada em outro processo de nº 10725.001204/200216 sobre o qual a recorrente nos presentes autos não faz qualquer menção. Para melhor afirmar o que se disse, trago à colação a parte do voto condutor do acórdão 140200412 de 28/01/2011 proferido no processo nº 10725.001227/200492 (IRPJ), que negou provimento ao recurso voluntário, que também adoto como razão de decidir, verbis: (...) Conforme relatado o contribuinte não obteve êxito em seu pedido de inclusão retroativa no Simples, que foi tratada no processo administrativo 10725.001204/200216, sendo que o contribuinte, regularmente intimado, não instaurou o litígio para contestar a negativa da autoridade local. Tal qual na peça impugnatória, a contribuinte passou boa parte do recurso voluntário contestando a sua não inclusão do SIMPLES, ocorre que sua insurgência se deu depois de esgotado o prazo para apresentação de manifestação de inconformidade no processo que tratou da referida exclusão. Portanto, está correto o entendimento da decisão recorrida no sentido de que o procedimento utilizado pela contribuinte não encontra amparo legal e por isso todos os argumentos referentes à sua exclusão do Simples devem ser mesmo ignorados, por se tratar de assunto alheio ao presente processo. Pois bem, da análise dos autos formei convencimento de que a decisão de 1a.instância não merece qualquer reparo, pelo que peço vênia para adotar seus fundamentos, em parte, haja vista que a contribuinte repisa suas alegações da peça impugnatória. (...) Da não inclusão retroativa no Simples Inicio a análise do mérito da autuação objetando o entendimento lançado pela impugnante, o qual condiciona a análise do lançamento à verificação da correção ou não da sua exclusão da sistemática do Simples. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.002599/200789 Acórdão n.º 1802001.067 S1TE02 Fl. 3 5 Com efeito, analisando os elementos constantes do processo administrativo 10725.001204/200216, do qual extrai as cópias juntadas às fls. 678/685, percebese ali que a impugnante, em realidade, não foi excluída da referida sistemática, mas sim não teve deferido seu pedido de inclusão retroativa no Simples. Quer dizer, à luz do exposto no parecer da Sacat da DRF/Campos de Goitacazes, firmouse que a impugnante não havia, em nenhum momento sido incluída no sistema; logo, dele não poderia ter sido retirada. O conteúdo daquela decisão – repito limitouse a indeferir a inclusão retroativa. A referida decisão constitui ato administrativo exarado por autoridade competente para tal. Mais ainda, uma vez cientificada dos motivos que levaram aquela autoridade a não autorizar a inclusão retroativa no Simples, tinha a impugnante o prazo de trinta dias para que manifestasse a sua inconformidade com o decisório; todavia, deixou passar in albis o referido prazo (fls. 683/685). Ou seja, nos autos específicos e próprios para que a impugnante apresentasse as suas razões contra a mencionada decisão da DRF/Campos de Goitacazes, quedouse silente, sem nada ali objetar. Agora, nos autos que apuram os tributos por ela devidos não mais pelo Simples, mas pela regra do arbitramento, busca a impugnante reavivar a matéria relativa à sua não inclusão retroativa no Simples, a qual a meu ver resta preclusa, na medida em que o posicionamento administrativo sobre o tema já foi exarado e contra ele não se manifestou a tempo a impugnante. A admitir que pudéssemos analisar novamente aqui nestes autos os motivos que fundamentaram tal decisão, seria o mesmo que ignorar os ditames legais concernentes ao processo administrativo tributário, usurpando competência que nos foge. Lembro que as delegacias de julgamento só têm competência para analisar as manifestações de inconformidade dos contribuintes contra apreciação das autoridades da DRF quando tais manifestações são apresentadas no prazo legal, pois só assim surge o contencioso administrativo que cabe às DRJs dirimir. Sobre o tema trago as seguintes ementas de acórdãos do 1º Conselho de Contribuintes: NÃO INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES DECISÃO DEFINITIVA A decisão definitiva na esfera administrativa quanto a não inclusão retroativa no simples impede a apreciação das razões que postulam o direito ao regime.(PRIMEIRA CÂMARA, 02/03/2007, Acórdão 10196040) IRPJ NÃO INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES DE OFÍCIO Tendo sido excluída de ofício do sistema integrado, através de ato declaratório executivo, a contribuinte que não apresentar impugnação contestando tal exclusão estará definitivamente excluída do sistema simplificado e sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 jurídicas. (QUINTA CÂMARA, data da Sessão: 26/07/2006, Acórdão 10515839) Entendo que a reforma de tal decisão somente se viabilizaria em sede de revisão de ofício necessariamente motivada no princípio da autotutela da legalidade dos atos administrativos – a ser promovida pela própria autoridade que proferiu a referida decisão de não inclusão retroativa no Simples. Por esses motivos, entendo que se deva rejeitar o pedido de re análise nestes autos dos fundamentos da não inclusão retroativa no Simples da impugnante, os quais restam descritos nos atos acostados às fls. 678/685, controlados no já mencionado processo 10725.001204/200216. Dos efeitos retroativos Irresignase a impugnante com os efeitos retroativos da decisão de sua não inclusão retroativa no Simples. Ao lado de serem totalmente insubsistentes os argumentos de que a retroação desses efeitos ofenderia o princípio da moralidade, ou coisa que o valha, a questão, em realidade não trata, como vimos, de efeitos retroativos de exclusão da sistemática. Exclusão do Simples é matéria distinta da aqui em análise, e vem regulada em dispositivos normativos próprios (inc. II, do §1º, e inc. IX, do art.24, da IN SRF nº 608, de 2006). Repito que dado que a impugnante jamais esteve inclusa no Simples, não há que se falar em efeitos retroativos de exclusão, pois não houve exclusão alguma. A decisão administrativa proferida pela DRF, neste caso, por sua própria natureza, traz um claro conteúdo declaratório de uma relação jurídica. A administração quando emitiu aquele provimento administrativo não constituiu, a partir dele, uma nova relação, a surtir efeitos ex nunc. Os casos em que a decisão é de cunho declaratório, é mister que se volte no tempo – sob o limite da decadência, obviamente de modo a se reconhecer em que momento se iniciou a relação tributária. Em nosso caso, a relação se inaugura com a própria constituição formal da empresa. A partir daí é que devemos verificar se as incidências tributárias obedeceram ao conteúdo da decisão. Mais claramente, é necessário que se observe se a pessoa jurídica que nunca esteve no Simples mesmo que estivesse convencida do contrário satisfez as suas obrigações tributárias por outra forma de apuração de seus tributos e contribuições. Por nunca ter estado inclusa no sistema, como também por ter sido decidido formalmente que ela não poderia se valer de uma inclusão retroativa, a impugnante, em realidade, já estava desde de sua constituição (1998) obrigada a apurar seus tributos e contribuições por qualquer outra forma admitida na lei, exceto a do Simples. Portanto, não há reparo ao fato de a fiscalização ter abrangido em sua fiscalização os fatos geradores anteriores à data do indeferimento da solicitação de inclusão retroativa no Simples feita pela impugnante. (...) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.002599/200789 Acórdão n.º 1802001.067 S1TE02 Fl. 4 7 Do exposto, afastase de plano a alegada dependência de julgamento do presente processo ao julgamento dos processos nºs 10725.001224/200459, 10725.001225/200401, 10725.001226/200448 e 10725.001227/2004/92 e, passase à análise da matéria de que tratam os presentes autos. Analisando os documentos que compõem o processo, verificase que o auto de infração nº 698273603 em que se exige a multa mínima no valor de R$ 500,00. decorre do fato de haver o contribuinte apresentado a Declaração de Débitos e Créditos Tributários – DCTF do 1º semestre do ano calendário de 2005, em 16/05/2007, após o prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal, para 07/10/2005. O atraso na entrega da DCTF revela o descumprimento, do prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), nem com as multas decorrentes por tal procedimento. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Dessarte, a DCTF, entregue em 16/05/2007 fora extemporânea, o que não exime a pessoa jurídica da exigência da multa pelo descumprimento da obrigação acessória, ou seja, a multa por atraso na entrega da DCTF no valor de R$ 500,00 nos termos da Lei nº 10.426/2002, que assim dispõe: Lei 10.426, de 24/04/2002 Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos Com efeito, a determinação prevista na Medida Provisória nº 16/2001, convertida na Lei nº 10.426/2002, consiste em que, a falta de apresentação da DCTF ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa jurídica à multa ali estabelecida, estando previsto no Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 artigo 7º, § 3º, inciso I e II) a multa mínima de R$ 200,00, no caso de pessoa jurídica inativa, ou com tributação simplificada e R$ 500,00, nos demais casos. Assim, não estando a recorrente na condição de pessoa jurídica inativa, ou com tributação simplificada, sujeitase à multa de R$ 500,00. De acordo com o artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional (CTN), somente a lei pode estabelecer dispensa ou redução de penalidades. Dessa forma, não havendo lei que permita a dispensa da penalidade em comento e, estando a interessada obrigada à apresentação da DCTF, sendo inconteste que a contribuinte apresentou a DCTF, com atraso, é de se manter a exigência da multa correspondente no valor mínimo de R$ 500,00. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10855.901794/2008-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2001
Ementa:
COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – LUCRO PRESUMIDO DO 4º TRIMESTRE DE 2001 – COEFICIENTE DE 8% OU DE 32% Se a pretensão é da contribuinte, dela é o onus probandi, de modo que, se ela se insurge contra despacho decisório sobre sua pretensão, a demonstração e comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio.
Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo.
Numero da decisão: 1103-000.662
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – LUCRO PRESUMIDO DO 4º TRIMESTRE DE 2001 – COEFICIENTE DE 8% OU DE 32% Se a pretensão é da contribuinte, dela é o onus probandi, de modo que, se ela se insurge contra despacho decisório sobre sua pretensão, a demonstração e comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio. Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo.
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Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente Fl. 0DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/04/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 110300.662 S1C1T3 Fl. 503 2 (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/04/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 110300.662 S1C1T3 Fl. 504 3 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO Em 22/07/2008, por intermédio do Despacho Decisório (fl. 3), não foi reconhecido nenhum direito creditório a favor da recorrente e, por conseguinte, não foi homologada a compensação declarada na DCOMP (fls. 1 e 2), por meio da qual a recorrente pretendia compensar débito de Cofins (código de receita: 2089) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O motivo da não homologação se fundou na constatação de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignada, em 22/08/2008, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 6 a 9), na qual alegou, em síntese, o que segue. Conforme consta de seu contrato social, a empresa em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços. Em 23/01/2003, a recorrente formulou consulta fiscal, no processo administrativo nº 10855.000267/20031 (fls. 18 a 21), requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando havendo emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido. Obteve como resposta, em 7/03/2005, o percentual de 8%. Diante disso, constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras e, consequentemente, sempre pagou IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido. Dessa forma, procedeu à compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Contudo, deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ, de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior do imposto. Entende que, embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu decorrente crédito, os documentos anexos comprovam claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações apresentadas. Aduz ainda ao fato de que a não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da recorrente, mas sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/04/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 110300.662 S1C1T3 Fl. 505 4 Pelo exposto, requereu o apensamento deste processo ao de nº 10855.900739/200881 e que seja dada procedência à manifestação de inconformidade para homologar a compensação. Anexou aos autos notas fiscais emitidas no mês de novembro do anocalendário de 2001, os contratos com a SABESP e a notas fiscais dos materiais empregados nas obras. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 26/01/2010, acordaram os julgadores da 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, pelos motivos abaixo sintetizados: Ao analisar o contrato social da recorrente, constatouse que a empresa exerce diversas modalidades de prestação de serviços. Por conseguinte, os contratos por ela firmados podem abrigar uma ou mais de uma atividade, o que torna imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal cabível para a apuração da base de cálculo do IRPJ do 4º trimestre de 2001, para demonstrar o montante do tributo devido. A recorrente apresentou notas fiscais, porém o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal, vez que a recorrente pleiteia como indébito o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001, o qual incide sobre uma base de cálculo, e não incide em relação a cada nota fiscal em particular. Assim, a recorrente deveria ter trazido aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do referido período, com a aplicação do percentual correspondente a cada atividade, no caso de atividades diversificadas, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, em consequência, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. E, ainda, a recorrente deveria ter apresentado provas que permitissem albergar a tese de pagamento indevido ou a maior, isto porque há na DCTF declaração de existência de débito de IRPJ, não sendo suficiente para desnaturála a simples alegação em contrário. O indébito, portanto, não contém os atributos necessários de liquidez e certeza e não cabe o apensamento ao processo administrativo de nº 10855.900739/200881 por referiremse a períodos de apuração distintos. Cientificada da decisão em 22/02/2010, interpôs a recorrente recurso voluntário de fls. 273 a 277 em 8/03/2010, reiterando, basicamente, as alegações feitas na manifestação de inconformidade, e juntou aos autos cópias do Livro Diário correspondente ao 4º trimestre do anocalendário de 2001, das notas fiscais emitidas nesse trimestre, dos contratos com a SABESP e das notas fiscais dos materiais empregados nas obras. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/04/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 110300.662 S1C1T3 Fl. 506 5 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A não homologação da DCOMP se deu por despacho decisório “eletrônico” com fundamento na existência de pagamento localizado para solução de débito do mesmo código (2089 – lucro presumido) e mesmo período de apuração (4º trimestre de 2001), não restando crédito disponível para compensação (fl. 3). Não obstante, vejo que a própria DCOMP estampa erros de preenchimento, pois é indicado, na ficha DARF IRPJ, como data do período de apuração 31/10/2001 ao invés de 31/12/2001 (fl. 2 – frente, fl. 26). Além disso, há falta de indicação de outra DCOMP, pois sendo informado como valor original do crédito inicial R$ 5.103,96 e crédito original na data da transmissão o valor de R$ 4.653,16 (fls. 1 e 25), é evidente que o pretenso crédito já havia sido utilizado parcialmente em outra DCOMP. A recorrente alega erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que não foram retificadas, em razão do que o despacho “eletrônico” não localizou a existência de direito creditório da recorrente, no caso, de saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2001. O erro defluiria do pagamento de IRPJ sob o regime do lucro presumido, pela aplicação da alíquota de 32% sobre a receita bruta para a determinação daquela, quando o correto seria a aplicação da alíquota de 8% sobre a receita bruta. A controvérsia acerca do direito creditório postulado pela recorrente de IRPJ pago a maior gravita em torno da aplicabilidade da alíquota de 8% sobre a receita bruta do 4º trimestre do anocalendário de 2001, na determinação do lucro presumido, ao invés da alíquota de 32% sobre tal receita bruta – o que teria gerado o direito creditório da recorrente. Invoca a recorrente a Solução de Consulta a ela conferida pela SRRF da 8ª Região Fiscal, de março de 2005, no processo administrativo 10855.000267/200351. Nela se reconheceu a aplicação da alíquota de 8% na apuração do lucro presumido, na atividade de construção por empreitada, quando houver emprego de materiais em qualquer quantidade, e a alíquota de 32% na apuração do lucro presumido, quando houver unicamente emprego de mãodeobra. Segundo o contrato social da recorrente, seu objeto social inclui atividades diversificadas na área da construção civil. Com a manifestação de inconformidade, a recorrente carreou aos autos: cópia de contratos firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/04/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 110300.662 S1C1T3 Fl. 507 6 cópias de notas fiscais emitidas pela recorrente para aquela em outubro de 2001; e cópias de notas fiscais de compra de matérias de construção civil. Documentação que fora acostada aos autos com a peça inaugural, para comprovar que as receitas auferidas pela recorrente no 4º trimestre do anocalendário de 2001 foram somente de construção civil com emprego de materiais. Na peça recursiva, a recorrente juntou aos autos cópias do Livro Diário correspondente ao 4º trimestre do anocalendário de 2001, da DRE (demonstração de resultado do exercício), do balanço do anocalendário de 2001, e do plano de contas contábil, de mais contratos firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP, e alegadamente de todas as notas fiscais emitidas nesse trimestre e de todas as notas fiscais dos materiais empregados nas obras. Posto isso, é curial registrar que se a pretensão em jogo é da recorrente, desta é o onus probandi. E, assim, se ela se insurge contra despacho decisório que infirma total ou parcialmente sua pretensão, a demonstração e comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio. Sendo a pretensão deduzida a da recorrente, a produção de provas devese limitar, em princípio, ao momento da manifestação de inconformidade. Reputo ser aceitável a apresentação de provas na fase recursiva, quando se tratar de comprovantes de rendimentos e de retenções de tributos, ou no caso de provas complementares às já apresentadas anteriormente. Diverso do que sucede (produção de provas) quando a pretensão em causa é do fisco. Em sede de processo de compensação, em que o onus probandi compete à recorrente, que postula o direito em causa, entendo não ser cabível convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel “primário” que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. Da mesma forma, se a pretensão for do fisco, minha intelecção é a de que não cabe transformar o órgão julgador ad quem em órgão de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel ou ônus “primário” (que compõe o que a doutrina italiana chama de instrução primária, a qual orienta a relação jurídicoformal do lançamento, em contraposição à instrução secundária, que se desenvolve na relação jurídicoformal processual) do fisco. A carência de certeza do crédito, nesse caso, implica nulidade (total ou parcial) do lançamento, a meu ver. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Compulsando os autos, vejo que há cópias: a) de notas fiscais emitidas pela recorrente; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/04/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 110300.662 S1C1T3 Fl. 508 7 b) de notas fiscais de compra de materiais para construção civil; c) de contratos com a SABESP para construção de casa de bombas, execução de melhoria nas ligações domiciliares de água, de rede de distribuição de água, de rede coletora de esgotos, de ligações prediais de esgotos, de corte e restabelecimento de fornecimento de água e supressões e religações de fornecimento de água, de ampliação da estação de tratamento de esgotos, de remanejamento de rede de distribuição de água; d) do Livro Diário do 4º trimestre de 2001, do plano de contas, do balanço e da demonstração de resultado. As cópias do Livro Diário do 4º trimestre de 2001, do plano de contas contábil, do balanço, da demonstração de resultado, das notas fiscais emitidas em novembro e dezembro de 2001, de parte das notas fiscais de compra, e de alguns dos contratos já mencionados somente foram trazidas aos autos com a peça recursiva. A documentação contábil, conectada às notas fiscais que dão lastro aos lançamentos contábeis, é fundamental para aferir se a recorrente não auferira receitas no trimestre em questão por atividade de construção civil sem emprego de materiais. Importa registrar, nesse passo, que a recorrente se limitou a juntar cópia do Livro Diário do trimestre em discussão, sem anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil, e sem indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os registros de compras. Além disso, não juntou cópia das contas do Razão sensibilizadas com o reconhecimento das receitas e das compras: não há anotação da somatória dos lançamentos a crédito em conta de receitas da atividade lançadas no Diário e que teriam sido com emprego de materiais em “batimento” ou cruzamento com as receitas da atividade da demonstração do resultado do trimestre. Não tendo feito isso, como meio de demonstração de sua alegação, a recorrente deveria ter elaborado no mínimo, por ex., alguma planilha: demonstrativa de tais receitas indicando sua origem contábil (indicação com nº de fl. e destaque dos lançamentos contábeis no Diário e/ou no Razão), e demonstrativa das compras (custos) indicando sua origem contábil” (indicação com nº de fl. e destaque dos lançamentos contábeis no Diário e/ou no Razão), com a indicação de um mínimo de conexão entre elas as receitas que supostamente seriam com emprego de matérias e as compras (custos). Ademais disso, a cópia do Diário só foi juntada aos autos no momento processual recursivo (além, é claro, da cópia de notas fiscais emitidas em novembro e dezembro, de parte das notas fiscais de compra e da demonstração de resultado que é do exercício, e não do 4º trimestre). Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/04/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 110300.662 S1C1T3 Fl. 509 8 Nesse passo, retomo o que deduzi acima, sobre o onus probandi, sobre o momento processual para produção de provas no caso de pretensão do contribuinte, sobre o princípio da verdade material não ser absoluto. Também, como disse alhures, não cabe transformar este juízo em fase de procedimento de auditoria. Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à recorrente, no mínimo, repito, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Não percebeu a recorrente que, sendo sua a pretensão, seu é o onus probandi, competindo a quem tem esse ônus a discriminação acima referida, para a comprovação de sua pretensão, e não simplesmente “lançar” ou “despejar” nos autos lotes de notas fiscais, o Livro Diário correspondente ao 4º trimestre de 2001, balanço e demonstração de resultado do ano calendário de 2001. De outra parte, a determinação de diligência se presta para esclarecer produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclama essa constatação (esclarecimentos); ou, eventualmente, a diligência se orienta a complementar produção probatória ordinariamente não imputável à parte que tenha o ônus da prova (por ex., o contribuinte carreia aos autos documento que comprova o pedido, à fonte pagadora, de entrega do informe de rendimentos, mas não o recebe). Ainda assim, apreciando os autos, encontro: o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) fl. 300 relativo à nota fiscal nº 180, no valor de R$ 14.715,40 (fl. 35); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) fl. 302 relativo à nota fiscal nº 181, no valor de R$ 82.622,02 (fl. 34); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) fl. 303 relativo à nota fiscal nº 182 no valor de R$ 2.023,72 (fl. 33); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 304 relativo à nota fiscal nº 183, no valor de R$ 2.344,97 (fl. 32); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/04/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 110300.662 S1C1T3 Fl. 510 9 resultado, a conta de receita) – fl. 306 relativo à nota fiscal nº 184, no valor de R$ 25.783,78 (fl. 31); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 307 relativo à nota fiscal nº 186, no valor de R$ 14.286,80 (fl. 30); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 310 relativo à nota fiscal nº 187, no valor de R$ 8.516,06 (fl. 285); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 310 relativo à nota fiscal nº 188, no valor de R$ 478,05 (fl. 286); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 310 relativo à nota fiscal nº 189 corrigida sob nº 190, no valor de R$ 96.745,77 (fls. 288 e 289); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 313 relativo à nota fiscal nº 190, no valor de R$ 1.930,00 (fl. 290); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 315 relativo à nota fiscal nº 191, no valor de R$ 3.069,68 (fl. 291); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 316 relativo à nota fiscal nº 192, no valor de R$ 188,18 (fl. 292); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 316 relativo à nota fiscal nº 193, no valor de R$ 1.145,57 (fl. 293); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 316 relativo à nota fiscal nº 194, no valor de R$ 1.220,90 (fl. 294); Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/04/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 110300.662 S1C1T3 Fl. 511 10 o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 319 relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 1.946,58 (fl. 295) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 3 de dezembro de nº 195 e o lançamento contábil ser também de 3 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 320 relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 60.022,87 (fl. 296) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 5 de dezembro de nº 196 e o lançamento contábil ser também de 5 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 321 relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 16.232,40 (fl. 297) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 10 de dezembro de nº 197 e o lançamento contábil ser também de 10 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fl. 322 relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 26.056,91 (fl. 298) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 14 de dezembro de nº 198 e o lançamento contábil ser também de 14 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado, a conta de receita) – fls. 322 e 323 relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 4.525,99 (fl. 299) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 17 de dezembro de nº 198 e o lançamento contábil ser também de 17 de dezembro. Mas isso é insuficiente para comprovar a alegação da recorrente, ademais do que tal documentação contábil foi carreada aos autos somente no recurso. Diante de tudo quanto deduzi, padece de falta de certeza o crédito postulado pela recorrente, conforme o art. 170 do CTN. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 11 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/04/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 110300.662 S1C1T3 Fl. 512 11 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/04/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11020.005682/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2006
IMUNIDADE DO ART. 149, § 2.º, I, DA CONSTITUIÇÃO. ABRANGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. IMPOSSIBILIDADE.
A contribuição ao SENAR é da espécie contribuição de interesse de
categorias profissionais e econômicas, não sendo abrangida pela regra imunizante prevista no art. 149, § 2.º, I , da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.240
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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N. TIMBER EXP. E IMP. LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2006 IMUNIDADE DO ART. 149, § 2.º, I, DA CONSTITUIÇÃO. ABRANGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. IMPOSSIBILIDADE. A contribuição ao SENAR é da espécie contribuição de interesse de categorias profissionais e econômicas, não sendo abrangida pela regra imunizante prevista no art. 149, § 2.º, I , da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.142.4712, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, visando à exigência da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR incidente sobre a receita bruta com a comercialização da produção rural própria e de terceiros realizada pela empresa J. N. TIMBER EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, sucedida pela autuada. Afirma o Fisco que a venda da produção se deu no mercado externo e que as bases de cálculo foram obtidas pela análise da escrita contábil da empresa que efetuou as operações. Foi incluída no polo passivo a empresa ELIEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA, detentora de 17,24% do patrimônio líquido da J. N. TIMBER. As autuadas apresentaram defesa, cujas razões não foram acatadas pela DRJ Rio de Janeiro I, que declarou improcedente a impugnação. Inconformadas com a decisão, as empresas interpuseram recurso voluntário, no qual asseveraram que: a) o próprio Fisco reconheceu, no Relatório Fiscal do AI n.º 37.1424747, a não incidência de contribuições sobre receitas de exportação; b) a imunidade prevista no art. 149, § 2.º; I, da Carta Magna deve alcançar as contribuições sociais na sua generalidade, inclusive as espécies e subespécies; c) não há como prevalecer o entendimento de que a natureza jurídica da contribuição ao SENAR lhe retiraria a imunidade constitucional; d) a intenção do legislador constitucional foi de desonerar as exportações como se vê nas palavras do relator da Proposta de Emenda Constitucional que resultou na EC n.º 33/2001; e) apresenta textos de vários doutrinadores acerca da imunidade, os quais coincidem com o seu posicionamento; f) o crédito tributário lançado é inexigível, posto que decorrente de incidência sobre operação imune; g) as regras que tratam da imunidade devem ser interpretadas de forma a dar maior eficácia possível ao seu conteúdo; Ao final, pede o cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.005682/200891 Acórdão n.º 240102.240 S2C4T1 Fl. 358 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A imunidade da contribuição ao SENAR A única questão posta a julgamento diz respeito à incidência de contribuição ao SENAR sobre a venda de madeira às empresas no mercado externo. As recorrentes não contestam os valores lançados, todavia, insurgemse contra a exação, por entenderem que a contribuição ao SENAR é espécie do gênero contribuições sociais e por esse motivo é alcançada pela imunidade prevista no inciso I do § 2.º do art. 149 da Carta Magna, o qual carrega a seguinte redação: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001). (...) No julgamento de primeira instância entendeuse que a natureza jurídica da contribuição ao SENAR é de contribuições de interesse de categorias econômicas e profissionais, portanto, não abrangida pela regra imunizante, assim, o resultado do julgamento a quo foi pela procedência do AI. Cabeme, então, investigar a natureza jurídica das contribuições lançadas para chegar a uma conclusão segura acerca da procedência ou não do lançamento. Nos termos do art. 149 da Constituição Federal, são três as espécies de contribuições: a) contribuições sociais – vinculadas ao custeio da Seguridade Social; Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 b) contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas – instituídas para financiar os conselhos de fiscalização e regulação de determinadas atividades profissionais ou para custear entidades que atuam em benefício de atividades econômicas; c) contribuições de intervenção no domínio econômico – instrumentos de que dispõe a União para favorecer ou restringir as diversas atividades econômicas. Após esse breve comentário já se percebe que no art. 149 da Constituição Federal trouxe uma distinção clara entre as três espécies de contribuição, apresentando a possibilidade da União instituir as chamadas contribuições especiais, que se dividem em sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais e econômicas. Por sua vez ao traçar a abrangência da imunidade direcionada as receitas com exportação, o legislador constitucional apenas relacionou as contribuições sociais e as de intervenção no domínio econômico, deixando de fora aquelas de interesse de categorias profissionais e econômicas. Para chegarmos ao nosso objetivo de fixar a natureza jurídica da exação em tela, não devemos esquecer que a natureza jurídica de uma contribuição e, por consequência, o regime jurídico a que está submetida depende da destinação dada pela Constituição aos recursos arrecadados. Sobre essa questão, no julgamento da ADIN nº 3.1287/DF, que tratou da contribuição previdenciária dos aposentados e pensionistas, o Ministro Cezar Peluso expressou: Mas, independentemente a sua aplicação dogmática como espécie autônoma, ou como subespécie de imposto ou taxa. Não há nenhuma dúvida de que as contribuições são tributos que obedecem a regime jurídico próprio, e cuja propriedade vem da destinação constitucional das receitas e da submissão às finalidades específicas que lhes impõe o art. 149 da Constituição Federal: “Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6º relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.” Desse texto vêse claro que as contribuições podem ser instituídas pela União (e também pelos Estados e Municípios, na forma do §1º) como instrumento de atuação na área social (a), de intervenção no domínio econômico (b) e no interesse de categorias profissionais ou econômicas (c). Ou seja, a Constituição predefinelhes, de modo expresso e categórico, a competência, as finalidades e o destino da arrecadação. (grifos nossos) Podese ver que o art. 149 da Constituição trata, portanto, de contribuições bem distintas e cada uma das espécies visa à arrecadação de recursos para a atuação nas respectivas áreas. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.005682/200891 Acórdão n.º 240102.240 S2C4T1 Fl. 359 5 As contribuições sociais visam garantir recursos para a Seguridade Social (saúde, previdência e assistência social), assim, vêse que essas contribuições derivam do princípio da solidariedade, sendo os seus recursos aplicados em benefício da coletividade, sem levar em conta a capacidade contributiva ou o grupo a que pertençam os destinatários do tributo. Não visam ao interesse de uma categoria, mas, norteiase pelo interesse público. As contribuições de intervenção no domínio econômico CIDE caracterizam se por servir de instrumento para uma atuação da União no domínio econômico. Por sua instituição é feita intervenção na economia, controlandoa e incrementandoa com tal tributação. O Estado ingressa nessa esfera apenas para atender aos interesses coletivos em setores descompassados ou desregulados do mercado, nos quais se esteja inviabilizando a livre iniciativa ou outros princípios com os quais esta deva conviver equilibradamente. A intervenção realizada pela CIDE deve ocorrer tanto através de sua incidência, de forma extrafiscal, como através do custeio de órgão estatal incumbido dessa intervenção. Diferentemente das duas outras espécies do gênero contribuições, naquelas instituídas no interesse de categorias profissionais e econômicas, há a necessidade de vinculação entre a atividade profissional ou econômica do sujeito passivo da relação tributária e a entidade destinatária da contribuição, mesmo porque o objetivo dessas contribuições é proporcionar maior desenvolvimento à atuação dessas categorias específicas, estando diretamente relacionadas ao interesse desse grupo econômico ou profissional contribuinte. Da categoria (profissional ou econômica) podem fazer parte os sujeitos mais diferentes, desde que exerçam a mesma atividade de produção ou explorem o mesmo empreendimento econômico, estando os seus interesses econômicos suficientemente entrelaçados para que possam ser entendidos como interesses de uma categoria econômica. Essas contribuições destinamse a promover o interesse das categorias profissionais ou econômicas abrangidas pela instituição credora dos recursos, como leciona Hugo de Brito Machado1: “as contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas devem constituir receita nos orçamentos das entidades representativas dessas categorias, enquanto as contribuições de seguridade social constituem receita no orçamento da seguridade, de que trata o art. 165, § ºCF. são, portanto, nitidamente parafiscais A jurisprudência tem se inclinado em definir a contribuição ao SENAR como pertencente a essa categoria, como se pode ver desse julgado do TRF – 3.ª Região: "TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA CONTRIBUIÇÕES À CNA (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA AGRICULTURA), À CONTAG (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA) E AO SENAR (SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL) NATUREZA JURÍDICA CONSTITUCIONALIDADE BASE DE CÁLCULO. 1 "Contribuições de intervenção no domínio econômico”, Pesquisas Tributárias, Nova Série 8, São Paulo: RT, 2002, p. 4344,. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 1 A natureza jurídica das contribuições em questão caracterizase como a de Contribuição de interesse da categoria profissional ou econômica conforme disposto no artigo 149 da 20 Constituição Federal, sendo de competência da União Federal sua instituição. 2 Aplicase a esta obrigação pecuniária, os princípios constitucionais orientadores do Sistema Tributário Nacional. 3 Reconhecida em precedentes do Supremo Tribunal Federal a recepção das contribuições para custeio das atividades dos sindicatos rurais pelo artigo 10, §2º, da ADCT e artigo 8º, IV, ´in fine´ da Carta Magna, sendo exigida nos termos do artigo 578 e seguintes da CLT, de todos os integrantes da categoria, independentemente de sua filiação a sindicato. (ADIN n.1076 Medida Cautelar; negado provimento ao Recurso em MS; Rel. Min.Sepúlveda Pertence, RMS.n.002175894). (...)” (Ap. em MS 98.03.0424769, TRF 3ª Região, julg. em 11/11/98) É fácil concluir que para as contribuições de interesse de categoria econômica ou profissional, o sujeito passivo da exação deve estar sempre inserido no campo de atuação do sujeito receptor, que é sempre ligado a uma entidade que atua em benefício da classe econômica em que está inserido o sujeito passivo. Sendo um dos integrantes do chamado sistema “S”, no qual estão incluídos ainda o SESC/SENAC, o SESI/SENAI, o SEST/SENAT e o SESCOOP, os recursos destinados ao SENAR, recolhidos pelos integrantes do grupo econômico que paga a contribuição respectiva, possuem essa vinculação aos serviços contraprestados pela entidade: as ações de Formação Profissional Rural e Promoção Social exercidas junto ao seu público alvo exclusivo (produtores e trabalhadores rurais). Ou seja, há a correlação entre o grupo específico dos beneficiários e os contribuintes. Agora já não tenho mais dúvida de que a contribuição para o SENAR está no rol das instituídas no interesse de categorias profissionais e econômicas. Assim, tendose em conta que o artigo 149 da CF permite uma distinção bem nítida entre contribuições sociais, contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas e contribuições de intervenção no domínio econômico e, ainda, considerandose que o § 2º desse art. 149 prevê a imunidade sobre as exportações apenas das contribuições sociais e das de intervenção no domínio econômico, não há, portanto, como se afastar a incidência da contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica que é devida ao SENAR. Sobre esse tema a Receita Federal do Brasil se pronunciou através da NOTA COSIT Nº 312, de 17/09/2007, assim dispondo: (...) Com efeito, para se dizer a quais contribuições se aplica a imunidade a que se referem o iciso I do §2º do art. 149 da CF e o art.245 da IN 03/2005, é suficiente ler os dispositivos e deles extrair a informação, que naturalmente deflui. Ora, o art. 149 da Constituição defere à União, de maneira exclusiva, a competência para instituir contribuições que se dividem em três especialidades: a) sociais; b) de intervenção no domínio econômico; Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.005682/200891 Acórdão n.º 240102.240 S2C4T1 Fl. 360 7 c) de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Conquanto possa acontecer de o objetivo essencial das três espécies desembocar num mesmo viés social, uma não se confunde com outra, eis que suas finalidade se acham bem definidas pelo legislador ordinário. As contribuições sociais se destinam, em regra, ao financiamento da seguridade social, como previsto no art. 195 da Constituição. As de intervenção no domínio econômico, ou interventivas, têm função extrafiscal, servindo de instrumento de que se vale o Poder Público para induzir, estimular ou disciplinar comportamentos, objetivando fins econômicos ou sociais. As de interesse imediato das categorias econômicas destinamse, principalmente, ao custeio de entidades privadas de serviços sociais e de formação profissional referidas no art. 240 da Constituição. As de interesse de categorias profissionais são as corporativas, destinadas ao custeio de atividades de fiscalização de profissões regulamentadas. A par dessa distinção, devese concluir que as contribuições destinadas ao SENAR, tanto a incidente sobre a comercialização da produção quanto a incidente sobre a folha de salários classificamse como contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a isenção a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes alcança, porquanto se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico. (...)(grifei) A pretensão das recorrentes de ver a regra constitucional interpretada de forma abrangente, de modo abarcar na imunidade a contribuição ao SEBRAE não pode ser acatada. É que a imunidade configura uma exceção ao princípio da universalidade e da generalidade da tributação. Essa interpretação restritiva da regra imunizante é adotada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme se pode ver da ementa do Acórdão proferido no bojo do RE n.º 566.259/RS (Rel. Ministro Ricardo Lewandowski) DJ n.º 179, 24/09/2010: EMENTA: CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO DA IMUNIDADE À CPMF INCIDENTE SOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DA NORMA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I – O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal é claro ao limitar a imunidade apenas às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II – Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador. III – A CPMF não foi contemplada pela referida imunidade, porquanto a sua hipótese de incidência – Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 movimentações financeiras não se confunde com as receitas. IV – Recurso extraordinário desprovido.(grifei). Portanto, o pedido de cancelamento do AI não merece acolhimento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.001345/2005-21
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2004
SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE
RECEITAS. PROVA DA ORIGEM E ENTREGA.
Na hipótese de suprimento de numerário, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, o efetivo ingresso no caixa da empresa, e a sua origem de fonte estranha à sociedade, presumindo-se, quando não for produzida essa prova, que os recursos provieram de receita omitida na escrituração.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2004
MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS
TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS
PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE.
NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO.
No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF - Repercussão Geral).
Numero da decisão: 1803-001.353
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004 SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM E ENTREGA. Na hipótese de suprimento de numerário, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, o efetivo ingresso no caixa da empresa, e a sua origem de fonte estranha à sociedade, presumindo-se, quando não for produzida essa prova, que os recursos provieram de receita omitida na escrituração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE. NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF - Repercussão Geral).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM E ENTREGA. Na hipótese de suprimento de numerário, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, o efetivo ingresso no caixa da empresa, e a sua origem de fonte estranha à sociedade, presumindose, quando não for produzida essa prova, que os recursos provieram de receita omitida na escrituração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE. NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001345/200521 Acórdão n.º 180301.353 S1TE03 Fl. 278 2 No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF Repercussão Geral). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001345/200521 Acórdão n.º 180301.353 S1TE03 Fl. 279 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 226 e 227): Trata o presente feito de autos de infração de IRPJ e reflexos, relativos ao exercício de 2004, anocalendário de 2003, cuja exigência fiscal totaliza R$ 345.055,11, incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até 31/03/2005 (fls. 81/104). De acordo com o Termo de Verificação e Intimação (fls. 78/80), a empresa contabilizou ingresso de recursos de sócios, cuja origem e efetiva entrega não restou comprovada. As disposições legais citadas nos autos de infração são as seguintes: [...]. Em 28/04/2005, a interessada tomou ciência dos autos de infração (fl. 83) e, em 30/05/2005 [segundafeira], apresentou defesa (fls. 109/117), resumidamente, nos seguintes termos: ∙ O ingresso de recurso tem origem em empréstimos tomados junto à Shirley de Barros Baptista, doravante Shirley, RG 2.155.400SP, CPF 764.966.608 59, conforme se pode constatar das cópias dos cheques emitidos pela impugnante à mencionada pessoa, como garantia do empréstimo. ∙ O empréstimo foi tomado com recursos da contacorrente de Shirley, como evidenciam os diversos depósitos realizados por ela, identificados no demonstrativo anexo. ∙ O pagamento desse empréstimo foi feito com dação em pagamento de uma casa de propriedade do sócio Horácio Grobman à Shirley. ∙ Com efeito, pretender exigir imposto sobre parcelas que não se configuram acréscimos patrimoniais da impugnante, torna inexequível juridicamente a sua cobrança. ∙ A multa de 75% aplicada possui nítido caráter confiscatório, procedimento expressamente vedado pelo artigo 150, IV, da Constituição Federal. ∙ O cálculo do imposto foi realizado sem a observância dos ditames legais que regem a matéria, e deve ser declarada a nulidade do lançamento também em face disso. ∙ A taxa SELIC tem natureza remuneratória, e não moratória. ∙ Sua aplicação sobre tributos acarreta transferência de parte do patrimônio do contribuinte ao erário público, em verdadeiro confisco, além de ser uma violação ao disposto no artigo 192, § 3º, da Constituição Federal. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001345/200521 Acórdão n.º 180301.353 S1TE03 Fl. 280 4 Por fim, protesta a impugnante pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de documentos complementares, apresentação de memoriais e sustentação oral. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 224 e 225): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Incabível cogitarse sobre nulidade do feito fiscal, se o lançamento foi efetuado em observância aos pressupostos legais estabelecidos. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Quando não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega dos suprimentos de numerários feitos por sócios, fica autorizada a presunção de que se originaram de recursos da própria pessoa jurídica, provenientes de receitas mantidas à margem da tributação. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário, não cabendo à Administração proceder a tal exame, a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício, em que restou configurado ato infringente às normas tributárias, é exigível a multa ao percentual de 75%, por imposição legal. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, com base na taxa SELIC. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 05/12/2008 (fls. 244verso), a tempo, em 17/12/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 245 a 266, instruído com os documentos de fls. 267 a 271, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que a fiscalização comete, de plano, irregularidade insanável, pois baseia a autuação em normas regulamentares, e não em lei, tornando a presente autuação nula por vício formal; b) que a comprovação da efetiva entrega e da origem dos recursos supridos não permite a presunção de omissão de receitas, uma vez que o sujeito Fl. 889DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001345/200521 Acórdão n.º 180301.353 S1TE03 Fl. 281 5 passivo desconstituiu a acusação, mediante prova cabal, não só de que os recursos ingressaram na sociedade, mas também de que estes foram percebidos pelos supridores de forma regular à sociedade e submetidos à regular contabilização; c) que a imposição da multa de ofício deve ser afastada, por não se aplicar à “infração” cometida; d) que a taxa de juros Selic é sabidamente ilegal e inconstitucional; e) que se trata de movimentação financeira de natureza de empréstimo, tomado junto a pessoa física sem qualquer relação gerencial e societária com a pessoa jurídica, com posterior quitação pelo sócio com imóvel próprio em dação em pagamento; e f) que, do malsinado auto de infração não se consegue vislumbrar qual o real dispositivo legal ou regulamentar (se possível fosse) que teria sido atacado e motivado o referido procedimento. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001345/200521 Acórdão n.º 180301.353 S1TE03 Fl. 282 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de nulidade do lançamento 5. Argui a Recorrente, preliminarmente, a nulidade do lançamento por vício formal, por se basear a autuação em normas regulamentares, e não em lei. 6. Sucede que consta, expressamente, do Termo de Verificação e Intimação, de fls. 78, parte integrante dos autos de infração e devidamente recebido pelo representante da Recorrente (fls. 80), a base legal por ela questionada, a saber, Decretolei nº 1.598/77, art. 12, § 3º, e Decretolei nº 1.648/78, art. 1º, inciso II, conforme segue: 7. Rejeito a preliminar arguida. Mérito 8. No mérito, argumenta a Recorrente com relação aos suprimentos de caixa sem comprovação de origem e efetiva entrega , basicamente, que se trataria de movimentação financeira de natureza de empréstimo, tomado junto a pessoa física sem qualquer relação gerencial e societária com a pessoa jurídica, com posterior quitação, pelo sócio, com imóvel próprio em dação em pagamento. 9. Para tanto, anexa cópias de diversos cheques (fls. 126 a 199) e cópia de matrícula de imóvel (fls. 204 a 218). 10. Contudo, não é isso o que se extrai de sua escrituração contábil, conforme se verifica, exemplificativamente, na sequência (fls. 70 e 75): Fl. 891DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001345/200521 Acórdão n.º 180301.353 S1TE03 Fl. 283 7 Fl. 892DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001345/200521 Acórdão n.º 180301.353 S1TE03 Fl. 284 8 11. Os sócios da Recorrente, conforme se observa de fls. 61, são os seguintes: Fl. 893DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001345/200521 Acórdão n.º 180301.353 S1TE03 Fl. 285 9 12. Assim, nada há que vincule as cópias de cheques emitidos pela Recorrente em favor da pessoa física de “Shirley Barros” ou, ainda, “Shirley de Barros Baptista” relativos unicamente aos meses de junho e julho de 2003 , em sua maioria, por ela endossados (fls. 126 a 199). 13. Como constou da decisão recorrida (fls. 229): Ademais, a impugnante sequer apresenta justificativa pelos quais os empréstimos, se obtidos junto a terceiros, foram contabilizados na conta 213103 contacorrente Sócios, como depósitos efetuados por Horácio Grobman e Ricardo Grobman. Tampouco se afigura sustentável a arguição de que os cheques de fls. 126/199 corresponderiam à garantia dos empréstimos, já que os lançamentos contábeis questionados foram efetuados de janeiro a dezembro de 2003, ao passo que tais cheques somente tiveram a sua emissão entre junho a julho de 2003. E mais, se esses pagamentos tivessem correlação com os empréstimos, estariam escriturados na respectiva conta contábil. Ocorre que, no Razão Analítico Individual (fls. 75), não se vislumbra registro de movimentação financeira nesses montantes. Importa ainda assinalar que, relativamente à dação em pagamento (fl. 217), da qual aduz a defesa tratarse do pagamento dos empréstimos feito pelo sócio Horácio Grobman, não há evidências de sua vinculação com os valores objeto da autuação. Pelos argumentos anteriormente expostos, verificase que as alegações apresentadas na impugnação não estão respaldadas em provas documentais bastantes para infirmar a presunção relativa de omissão de receitas, e evidenciam o seu caráter meramente protelatório, devendo ser mantida a sua tributação. Demais exigências Fl. 894DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001345/200521 Acórdão n.º 180301.353 S1TE03 Fl. 286 10 14. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Multa de ofício confiscatória 15. Tratandose de alegação de inconstitucionalidade de lei, incide na espécie a Súmula CARF nº 2, de seguinte teor: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Repercussão geral (STF) 16. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Taxa de juros Selic 17. Relativamente à questão da incidência da taxa Selic para atualização de débitos tributários, é o seguinte o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática de Repercussão Geral (art. 543B do CPC): 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. [...]. 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 582461, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 18/05/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL0256802 PP00177) Fl. 895DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001345/200521 Acórdão n.º 180301.353 S1TE03 Fl. 287 11 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 896DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 11850.000040/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/06/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. AUTUAÇÃO.
ATIVIDADE ADMINISTRATIVA VINCULADA.
O lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estritos termos da lei.
Configurado o caso concreto à hipótese prevista na lei para aplicação da multa por ausência de informação sobre a carga transportada, não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular os valores a serem exigidos do sujeito passivo, tampouco lhe compete apreciar a legalidade da norma tributária.
Recurso Voluntário conhecido em parte.
Na parte conhecida, Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.472
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se
impedido.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. AUTUAÇÃO. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA VINCULADA. O lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estritos termos da lei. Configurado o caso concreto à hipótese prevista na lei para aplicação da multa por ausência de informação sobre a carga transportada, não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular os valores a serem exigidos do sujeito passivo, tampouco lhe compete apreciar a legalidade da norma tributária. Recurso Voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou se impedido. José Luiz Novo Rossari Presidente Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, referente à multa por deixar de prestar informação sobre carga, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Conforme se depreende da leitura do Termo de Constatação Fiscal (fls. 06/07), em 30/05/2008, a companhia aérea informou no sistema Mantra a chegada de um volume no vôo GEC8270, amparado pelo Conhecimento Aéreo HAWB 020.8180.6211.3PC1002. Todavia, referido volume somente chegou no vôo GEC8270, em 03/06/2008, desacompanhado de qualquer documentação. No intuito de regularizar a situação, em 04/06/2008 a transportadora solicitou a apropriação do volume vinculado a Documento Subsidiário de Identificação de Carga (DSIC) ao Conhecimento de Carga acima citado. Considerando, assim, que as informações sobre a carga discriminada foram prestadas em desacordo com as normas estabelecidas pela IN/SRF n° 102/94, a fiscalização aplicou a multa prevista pela alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei n° 37, de 1966. Cientificada do lançamento em 22/07/2008, a contribuinte apresentou impugnação em 20/08/2008 (fls. 19/59), alegando em síntese que: a) como é sabido, no transporte aéreo internacional de cargas, o agente de cargas, no exterior, é a pessoa responsável pela consolidação dos HAWB's num Conhecimento de Carga Master e pela entrega à Companhia Aérea responsável pelo transporte dessas mercadorias, já devidamente acondicionadas nas embalagens, e de seus respectivos Conhecimentos de Carga; b) fica evidente, assim, que a Companhia Aérea de Transporte Internacional informa à Receita Federal os dados das cargas que estão sendo transportadas, com base nas informações a ela passadas pelo Agente de Cargas no exterior; c) à Companhia Aérea, via de regra, não é possível conferir se os volumes informados pelo Agente de Cargas como transportados naquele vôo, estão de fato dentre as embalagens entregues ao transportador; d) no caso em discussão, a impugnante cumpriu seu dever, a uma, quando informou no Sistema Mantra os dados da carga que seria transportada no primeiro voo, como a ela informado pelo Agente de Cargas; e, a duas, quando, ao tomar ciência de que a carga de fato veio no segundo voo, tomou de forma diligente todas as providências no sentido de regularizar a situação da carga, entregando à Receita Federal todas as informações necessárias a esclarecer que, a carga que, segundo o Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11850.000040/200822 Acórdão n.º 3202000.472 S3C2T2 Fl. 109 3 Agente de Cargas, seria em sua totalidade transportada no primeiro vôo, de fato, só foi enviada no segundo vôo; e) logo, a impugnante não deve ser penalizada, justamente por ter prestado as informações sobre a carga, na medida em que solicitou sua apropriação para que fosse corrigido o erro de informação gerado pelo Agente de Cargas; f) a situação relatada no auto de infração não implicou embaraço à fiscalização nem trouxe qualquer prejuízo ao Erário, visto que foram recolhidos todos os tributos devidos e a carga foi devidamente desembaraçada por Auditor Fiscal; g) requer, assim, seja anulado o lançamento, mormente em face da desproporcionalidade e falta de razoabilidade na aplicação da multa, o que a torna injusta e inconstitucional” A DRJSão Paulo II/SP julgou improcedente a impugnação (fls.62/67), nos termos da ementa adiante transcrita: “Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/07/2008 Ementa: MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. No caso de carga , aérea procedente do exterior, constatado que o transportador não prestou as informações no sistema Mantra, na forma e no prazo previstos pela IN SRF nº 102/94, tornase aplicável a multa regulamentar prevista pelo art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls.72/85), alegando, em suma: que a multa do art. 107, IV do Decretolei nº 37/66 deveria ter sido imputada ao expedidor/agente de carga, e não à companhia aérea, ora recorrente, pelos seguintes argumentos: a) que, de acordo com o artigo 30, caput, e parágrafo 3º do Decreto no. 4.543/2002 (Antigo Regulamento Aduaneiro, vigente época do feito), o transportador tem a responsabilidade de prestar à Receita Federal do Brasil todas as informações referentes às cargas por ele transportadas, sendolhe obrigatório informar o número do conhecimento de carga aéreo, a quantidade e a numeração dos volumes nele compreendidos, os aeroportos de procedência e de destino e o nome do consignatário; b) que, em se tratando de transporte internacional de carga, é imperativa a aplicação da Convenção de Montreal, diploma que regulamenta todas as formas de transporte aéreo, inclusive carga, Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 4 aprovado pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo nº. 59/06 e promulgado através do Decreto nº. 5.910/06; c) que, de acordo com a referida Convenção: c.1) O expedidor/ agente de cargas é responsável pela emissão do conhecimento aéreo; c.2) O expedidor/ agente de cargas é responsável pela veracidade, integridade e exatidão das informações constantes no conhecimento aéreo; c.3) A responsabilidade do expedidor/ agente de cargas se dá não somente perante o transportador, mas também perante terceiro, tal qual a Autoridade Aduaneira. que venham a suportar as consequências da inexatidão das informações; e c.4) O transportador não está obrigado a verificar se as informações e documentos providos pelo expedidor/ agente de cargas são exatos ou suficientes. que a autuação deixou de observar os princípios da legalidade, da proporcionalidade e da razoabilidade Ao final, requereu, a nulidade absoluta da imposição da multa É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Primeiramente, discute a querelante, em sede de recurso, a ilegitimidade passiva da autuação, alegando que deveria esta ter sido imputada contra o agente de carga, em razão dos conceitos trazidos pela Convenção de Montreal, diploma que regulamentaria todas as formas de transporte aéreo, inclusive quanto à carga. Acontece, porém, que, tal argumento de defesa não foi suscitado na impugnação, muito embora a interessada, naquela oportunidade, tenha alegado a ilegitimidade passiva, mas o fez por outros fundamentos. Assim, a argumentação trazida pela querelante em sede de recurso não foi analisada pela DRJ, o que impede a apreciação da matéria por esta instância superior, que tem por objetivo a revisão das decisões da instância a quo. Utilizandose de novos argumentos, vêse, claramente, que pretende a recorrente alargar os limites do litígio, já instaurado por meio da impugnação. Entretanto, não é lícito ao querelante inovar na postulação recursal, incluindo questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da apresentação da impugnação perante a instância julgadora a quo, pois o duplo grau de jurisdição assegura a devolução à autoridade ad quem apenas da Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11850.000040/200822 Acórdão n.º 3202000.472 S3C2T2 Fl. 110 5 matéria impugnada, vez que, em relação à matéria não impugnada, não se tem por instaurado o litígio. Isto porque as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituise em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazêlo posteriormente, pois, nesta hipótese, operase o fenômeno denominado de preclusão, em razão de ser processo é um “caminhar para frente”, não se admitindo, em regra, ressuscitarse questões já ultrapassadas em fases anteriores. Daí que , não tendo sido deduzida a tempo a razão apresentada somente na fase recursal, não se pode dela conhecer. Quanto às alegações da recorrente, de ter havido violação aos princípios da legalidade, razoabilidade e proporcionalidade, tais não merecem prosperar. Sendo claro que, pelo art. 30 do Regulamento Aduaneiro/2002, é do transportador a responsabilidade pelas informações prestadas acerca da carga transportada; tendo sido verificado que a carga informada não chegou no dia 30/05/2008, conforme declarado pela companhia aérea transportadora, mas sim em 03/06/2008, desacompanhada de manifesto de carga ou outra declaração de efeito equivalente; e não tendo sido efetuada nenhuma correção das informações prestadas no sistema Mantra na forma e prazos previstos no §3º do art. 4º1 da IN/SRF 102/94, restou indubitavelmente caracterizada a falta de prestação de informação no sistema Mantra sobre a carga que chegou no dia 03/06, o que autoriza a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, a saber: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; É indubitável ser o lançamento tributário atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estritos termos da lei. Por conseguinte, não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular os valores dos encargos legais a serem exigidos do sujeito passivo, pois a própria lei já os especificam. Quanto à suposta ilegalidade ou inconstitucionalidade da aplicação da multa, é de se observar que à autoridade administrativa não compete a apreciação da 1 O § 3° do art. 4° prevê que as informações poderão ser complementadas I até o registro de chegada do veiculo transportador, nos casos em que tenham sido prestadas mediante transferência direta de arquivos de dados; e II até duas horas após o registro de chegada do veiculo, nos casos em que tenham sido prestadas através de terminal de computador. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 6 constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias. Assim, como os dispositivos legais relativos ao caso objeto da presente lide não foram julgados inconstitucionais, tampouco tiveram sua execução suspensa pelo STF, não se pode negarlhes vigência, agindo, pois, corretamente o Fisco ao efetuar o lançamento. Pelo exposto, CONHEÇO EM PARTE do recurso. Na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
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Numero do processo: 10580.005531/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 22/03/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32,
IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.° 8.212/91 C/C ARTIGO 284,11 DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.' 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP -
FOLHA DE PAGAMENTO.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-deinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.: " informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-1NSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei
9.528, de 10.12.97)".
NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - RENÚNCIA A APRECIAÇÃO DO MÉRITO
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD.
AUTO DE INFRAÇÃO PELA NÃO INFORMAÇÃO EM GFIP - RELAÇÃO DIRETA COM NFLD LAVRADAS SOBRE MESMOS FATOS. GERADORES - A procedência de NFLD que descrevem os fatos geradores que ensejaram autuação pela não informação em GFIP é determinante na procedência do
auto de infração.
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior
PREVIDENCIÁRIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'.
Em se tratando de valores apurados em folha de pagamento, sem existir qualquer recolhimento, muito menos a declaração em GF1P, aplicável o art. 173 do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-001.086
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência até 11/2001. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao
recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado 44, I da Lei nº 9430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD correlatas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 22/03/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.° 8.212/91 C/C ARTIGO 284,11 DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.' 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - FOLHA DE PAGAMENTO. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-deinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.: " informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-1NSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)". NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - RENÚNCIA A APRECIAÇÃO DO MÉRITO A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. AUTO DE INFRAÇÃO PELA NÃO INFORMAÇÃO EM GFIP - RELAÇÃO DIRETA COM NFLD LAVRADAS SOBRE MESMOS FATOS. GERADORES - A procedência de NFLD que descrevem os fatos geradores que ensejaram autuação pela não informação em GFIP é determinante na procedência do auto de infração. MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior PREVIDENCIÁRIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. Em se tratando de valores apurados em folha de pagamento, sem existir qualquer recolhimento, muito menos a declaração em GF1P, aplicável o art. 173 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência até 11/2001. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado 44, I da Lei nº 9430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD correlatas.
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o quat se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5° da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, Il do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: " informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-1NSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)". NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - RENÚNCIA A APRECIAÇÃO DO MÉRITO A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. AUTO DE INFRAÇÃO PELA NÃO INFORMAÇÃO EM GFIP - • RELAÇÃO DIRETA COM NFLD LAVRADAS SOBRE MESMOS FATOS .• GERADORES - A procedência de NFLD que descrevem os fatos geradores que ensejaram autuação pela não informação em GFIP é determinante na procedência do auto de infração. MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior PREVIDENCIÁRIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. Em se tratando de valores apurados em folha de pagamento, sem existir qualquer recolhimento, muito menos a declaração em GF1P, aplicável o art. 173 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência até 11/2001. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado 44, I da Lei flQ 30, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD correlatas. ELIA 'kW RE1RE - Presidente , LAINt GRIS UNA MONTEIRO E SIL-S/A VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Peneira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. 2 Processo n° 10580.005531/2007-43 52-C4T1 Acórdão Il.° 2401-01.086 H. 243 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. NO caso, a empresa deixou de informar em GFIP valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais no período compreendido diversas competências entre 01/1999 a 11/2006, conforme anexo do relatório fiscal, fls. 08. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 22/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/03/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 182 a 189. O processo foi baixado em diligência para que a autoridade fiscal, manifeste- se acerca dos documentos apresentados na defesa, fls. 201 a 202. NO caso, manifestou-se o auditor no sentido de que não demonstrou o recorrente, ter incluído todos os segurados em GFIP, A Decisão-Notificação confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 213 a224. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 229 a 236. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: Que o motivo do inicio da ação fiscal, foi a sua intenção em aderir ao parcelamento da Lei n° 10684/2003, considerando ter tido dificuldades de em sozinho fazer o levantamento do suposto débito. Neste sentido, procurou o impugnante atender todas as solicitações da autoridade fiscal. Apenas em duas ocasiões o impugnante teve contato com o auditor fiscal, e que o mesmo poderia buscar esclarecimentos. Em momento algum o recorrente agiu com dolo na intenção de dificultar o procedimento fiscal. O contribuinte nunca fez retenções ou descontos em pagamentos de salários retiradas de sócios, à titulo de contribuição previdenciária. Parte do crédito êncontra-se alcançado pela decadência qüinqüenal, sendo assim, ilegal a cobrança de contribuições anteriores a 01/2002. 3 O auditor agindo com extremo selo, não refletiu sobre os efeitos danosos desse lançamento. Não é justo aplicar tantas multas em um microempresário que pela primeira vez está sendo fiscalizado. O contribuinte não conseguiu demonstrar já ter enviado as GFIP que ensejaram a autuação, pois a mídica HD que continha todos os dados históricos de sua folha de pagamento ficou inutilizado. As microempresa devem, nos termos da legislação ter tratamento diferenciado e favorecido. Não é justo a aplicação de multa pela falta parcial de atendimento do fisco, e mais em momento algum conseguiu demonstrado prejuízo irreparável. O recorrente nesse ato, após obter orientações enviou as GFIP objeto do lançamento em tela, conforme comprovantes anexos. Não conseguiu o recorrente a tempo providenciar o encaminhamento para obter a relevação, fato esse que requer nesta instância de julgamento. Por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal. A Receita Previdenciária encaminhou o recurso a este conselho, sem a apresentação de contra-razões . É o relatório. 4 Processo n° 10580.005531/200743 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.086 Fl. 244 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 242. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação, mesmo tendo o recorrente argüido essa preliminar apenas na esfera recursal. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de "fazer" ou "deixar de fazer", sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Já quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos analisar o contexto da NFLD,ora objeto de julgamento, qual seja, o não recolhimento por parte da empresa, dos valores descontado dos segurados empregados, o que em tese caracteriza crime de apropriação indébita. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n" 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 03-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplica-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar sumula que, a partir de sua publicação na imprensa (viciai, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela la Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTA' RIO. IS& ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA, IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI 1\1° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA, POSSIBILIDADE, HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.0 DO AR?'. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATORIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTA' RIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CT1V. I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 906/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista .anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n.` 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fálico probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445I37/MG, publicado no DJ de 01.092006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Divida Ativa demanda exame de matéria Tático-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Sumula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Divida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.° 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados 6 4#"" Processo n° 10580.0055311200743 S2-C4TI Acórdão n.° 2401-01.086 Fl. 245 nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (1SSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Inicio de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocaticios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado á causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, yç 4", do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.6591RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, afixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele preváto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (a) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iifi regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad. págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais 7 apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, ,¢ 4 0, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTIV), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 173, do CTIV. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4°, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemertte, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação fomalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. a 4-- Processo n° 10580.005531/2007-43 S2-C4TI Acórdão n.° 2401-01.086 Fl. 246 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CT1V, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da , verificação de vicio formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Inicio da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; 60 a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo 1SSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência • dos fatos imponiveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. (GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § ]0_ O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3"- Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4 0 - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciarias. No caso a aplicação do art. 150, § 4 0, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriomiente, trata-se de lavratura de Auto de Infração por não ter o Processo n° 10580.005531/2007-43 52-C4T1 Acórdão ri.° 2401-01.086 Fl. 247 a empresa comprovado o lançamento contábil na forma devida. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Em assim sendo, considerando que a lavratura da NFLD deu-se em 22/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/03/2007 e que os fatos geradores ocorreram no período de 01/1999 a 11/2006, deve ser declarada a decadência do das exigência até a competência 11/2001. Superadas a preliminar, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Trata-se de auto de infração relacionado diretamente a sorte de notificações relacionada aos mesmos fatos geradores, sendo que a procedência destas, determina o resultado dos autos de infração correlatos. Conforme prevê o art. 32,1V da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciá ria e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12,97)- (grifo nosso) Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores, destacando, inclusive que as OFIP apresentadas quando do encerramento do procedimento fiscal, não incluíam a totalidade dos fatos omissos. Importante salientar, que no recurso em questão, o contribuinte resumiu-se a atacar a validade do procedimento fiscal, por considerar as multas exorbitantes para uma micro empresa sem refutar propriamente, qualquer dos fatos geradores apurados. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão-Notificação (DN) presume-se a concordância da recorrente com a DN. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisão-Notificação. Ademais, foi colacionado as fls. 158, pedido de parcelamento do recorrente datado de 12/04/2007, em que inclui os fatos geradores descritos na NFLD n°37.018.065-8, ou I, seja a NFLD ora lançada. Justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da NFLD, recursos 158567 e 158664, que indicou como fatos geradores as remunerações pagas sendo que em ambas, não trouxe o recorrente qualquer argumentos capaz de elidir o lançamento, argumentando apenas quanto a decadência parcial das contribuições, o que já fora acatado em sede de preliminar. ejÍTI Dessa maneira, não tem porque o presente auto-de-infração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destaca-se que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como fornis de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2° do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1 A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2' A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da _fiscalização dos tributos. § 3' A obrigação acessória, pelo simples Lato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precipua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou ate mesmo da relevação da multa, neste último caso, o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999). Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MI' 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4°, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face á edição da referida MP, convertida em lei. A citada Ml' alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GHP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32-A, o qual dispõe o seguinte: "Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do capta do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será ri) 12 dr Processo na 10580.0055311200743 52-C4T1 Acórdão n.°240/-01.086 EL 248 intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar- se-á às seguintes multas: I — de ILS 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e — de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 0 deste artigo. § P Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso 11 do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo ,fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavra tura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2' Observado o disposto no § 32 deste artigo, as multas serão reduzidas: I — à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; ou 1!— a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3 A multa mínima a ser aplicada será de: 1 — R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e 11— R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos." Entretanto, a NEP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35-A que dispõe o seguinte, "Art. 35-A. Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei n' 0430, de 27 de dezembro de 1996." O inciso Ido art. 44 da Lei 9430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de . pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de oficio, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de oficio, não se aplicaria o art. 32-A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso 11, alínea "c", do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n°8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4° do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5°, observada a limitação imposta pelo § 4° do mesmo artigo, ou Nomm atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal devera verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do lançamento, face a aplicação da decadência qüinqüenal, as contribuições até a competência 11/2001, bem como para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44,1 da Lei if 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD correlatas. No mérito NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 ELA " - • lã EIRO E SILVA VIEIRA - Relatora 14 f4:c3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 'III .,5 QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10580.005531/2007-43 Recurso n°: 158.402 TERMO DE INTIMAÇÃO III Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.086 Brasil a, 12 ie março de 2010 r ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial ,[ ] Com Embargos de Declaração 'Data da ciência: / / procurador (a) da Fazenda Nacional
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