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Numero do processo: 13362.000328/2007-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1997 a 30/09/1998
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-001.332
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Foi reconhecida a fluência do prazo decadencial. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.Foi reconhecida a fluência do prazo decadencial. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 06/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva,Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Fl. 130DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13362.000328/200743 Acórdão n.º 230201.332 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente notificação lavrada em 31/10/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 13/11/2006, de contribuições previdenciárias arrecadadas dos segurados empregados, incidentes sobre as suas remunerações, nas competências de 08/1997 a 11/1997, 01/1998, 03/1998, 04/1998, 07/1998 a 09/1998. O relatório fiscal de fls. 22/24, diz que o contribuinte arrecadou a contribuição dos segurados empregados e não a recolheu à Previdência Social. Após a apresentação de defesa, DecisãoNotificação julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo onde alega que deve ser observada a decadência qüinqüenal, ou alternativamente seja expurgada a SELIC. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo a seu exame. Da Preliminar A notificação referese ao período de 08/1997 a 09/1998 e foi lavrada em 31/10/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 13/11/2006. A recorrente alega a decadência e, com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 132DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13362.000328/200743 Acórdão n.º 230201.332 S2C3T2 Fl. 3 5 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, se pode observar pelo Discriminativo Analítico do Débito às fls. 04/06, que há recolhimentos parciais que foram apropriados nos valores lançados nesta notificação, devendo ser observado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, uma vez que comprovadamente a recorrente procedeu a recolhimentos previdenciários parciais, relativos ao crédito lançado nesta notificação: Fl. 133DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Pelo exposto, voto pelo provimento do recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 134DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 35464.000819/2006-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO
COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF.
A divergência jurisprudencial que autoriza o conhecimento do recurso especial deve ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal.
Precedentes.
Acórdão que trate Mandado de Procedimento Fiscal MPF de tributos
administrado pela então Secretaria da Receita Federal não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que trata de MPF referente procedimento fiscal disciplinado pelo Decreto n° 3.969/2001, específico para os tributos federais previdenciários.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.528
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso da Fazenda Nacional, por ausência de paradigma capaz de comprovar a divergência jurisprudencial.
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF. A divergência jurisprudencial que autoriza o conhecimento do recurso especial deve ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal. Precedentes. Acórdão que trate Mandado de Procedimento Fiscal MPF de tributos administrado pela então Secretaria da Receita Federal não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que trata de MPF referente procedimento fiscal disciplinado pelo Decreto n° 3.969/2001, específico para os tributos federais previdenciários. Recurso especial não conhecido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF. A divergência jurisprudencial que autoriza o conhecimento do recurso especial deve ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal. Precedentes. Acórdão que trate Mandado de Procedimento Fiscal MPF de tributos administrado pela então Secretaria da Receita Federal não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que trata de MPF referente procedimento fiscal disciplinado pelo Decreto n° 3.969/2001, específico para os tributos federais previdenciários. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, por ausência de paradigma capaz de comprovar a divergência jurisprudencial. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente – Substituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A notificação fiscal foi lavrada em desfavor do contribuinte em epígrafe tendo em vista não ter logrado êxito em elidir a responsabilidade solidária prevista no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação vigente à época dos fatos, decorrente de contrato de prestação de serviços mediante cessão remunerada de mãodeobra em relação à empresa POLISERVICE SISTEMAS DE SEGURANÇA S/C LTDA. O crédito lançado abrange o período de 01/1995 a 12/1998. A 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade, anulou a notificação. Transcrevo a ementa do acórdão recorrido: DECADÊNCIA: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n°08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FIS CAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO E DAS AUTUAÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF toma nulo todo o procedimento. Processo Anulado. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso especial, alegando dissídio jurisprudencial, fls. 161/175, no tocante à nulidade por ausência de MPF válido, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 35464.000819/200606 Acórdão n.º 920201.528 CSRFT2 Fl. 2 3 indicando que outros colegiados têm adotado posição divergente, indicando como paradigmas os acórdãos proferidos pela Quarta Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdão n° 20400.810), Primeira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes (Acórdão n° 0133.436) e Segunda Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdão de n° 10248948), cujas ementas transcrevo a seguir: "NORMAS PROCESSUAIS. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária,não influindo na legitimidade do lançamento tributário. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL E JUROS DE MORA. Incabível a incidência dos moratórios quando o sujeito passivo deposita em juízo o montante integral do crédito litigado, no prazo de vencimento do tributo. Recurso parcialmente provido" (Acórdão n° 20400810, da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) "Assunto: Imposto sobre a Propriedade TerritorialRural – ITR Exercício: 1998 Ementa: ITR. NORMAS PROCESSUAIS.MANDADO DE PROCEDIMEIJTO FOSCAL. AUSÊNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. EXISTÊNCIA. A ausência da expedição do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF não gera nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal, vez tratarse de mero elemento de controle administrativo, não causando, por si só, prejuízoà defesa do contribuinte. ITR. TERRAS SUBMERSAS. Não incide ITR sobre as terras submersas utilizadas como reservatórios para usinas hidrelétricas. ITR. ÁREAS CIRCUNDANTES DOS RESERVATÓRIOS PARA USINAS HIDRELTRICAS. As áreas que circundam os reservatórios e suas ilhas são áreas de preservação permanente, isentas de ITR. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Acórdão de n°30133.436, da Primei Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes) NULIDADE DO LANÇAMENTO, VÍCIO FORMAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 0 MPF não se constitui ato essencial à validade do lançamento, de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NORMAS PROCESSUAIS VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. Aplicase aolançamento legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.OPERAÇÕE1 COMERCIAIS. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA. Comprovado que os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade comercial do autuado, a exigência tributária deve ser dirigida à cobrança do IRPJ e contribuições sociais. Preliminares rejeitadas.Recurso provido. (Segunda Câmara — Primeiro Conselho de Contribuintes — acórdão 102 48948) Aduz a Procuradoria da Fazenda Nacional que o MPF é documento de uso interno da Administração Tributária, sem previsão em lei e a sua ausência, no presente caso, não seria capaz de ensejar a nulidade da notificação. Acrescenta que a falta de ciência do MPF não importou em qualquer desatendimento às garantias da empresa autuada que teve plenamente assegurados os seus direitos ao contraditório e à ampla defesa. Sustenta inexistir previsão de nulidade na condição declarada pela autoridade a quo na disciplina prevista pelos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Cientificado do acórdão e do recurso especial interposto, o contribuinte não apresentou contrarazões. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial é tempestivo, conforme consta do despacho às fls. 179/181. Contudo, conforme será demonstrado, não pode ser conhecido pela ausência de requisitos de admissibilidade, a saber, a ausência de comprovação de divergência que autorize a sua interposição. Em relação às contribuições previdenciárias, o Mandado de Procedimento Fiscal foi instituído pelo Decreto 3.969, de 15/10/2001, e revogado pelo Decreto 6.104, de 2007. Assim, considerando ter sido a notificação lavrada em 20/10/2006, é forçoso concluir que o presente julgamento não pode desconsiderar o contexto normativo vigente à época dos fatos. Tal conclusão é corolário da segurança jurídica anteriormente mencionada. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 35464.000819/200606 Acórdão n.º 920201.528 CSRFT2 Fl. 3 5 No tocante às normas regentes, o art. 15 do Decreto 3969, de 2001, estabelecia que o Mandado de Procedimento Fiscal extinguiase pela conclusão do procedimento ou pelo decurso dos prazos estabelecidos pelos artigos 12 e 13 do mesmo diploma, variando de 60 dias a 120 conforme o caso, devendo a prorrogação ser formalização mediante documento complementar. Conforme consta à fl. 38, a ação fiscal teve início em 18/02/2004, e neste primeiro Mandado o procurador da empresa foi notificado. Sucessivamente ocorreram prorrogações. O último Mandado foi emitido em 14/02/2005 com prazo de execução até o dia 14/04/2005, não tendo sido prorrogado. Contudo, apenas em 06/05/2005 a empresa tomou ciência da lavratura da notificação por via postal. O inciso II do art. 15 do Decreto 3.969, de 2001, estabelecia a extinção do Mandado de Procedimento Fiscal pelo decurso do prazo para sua execução, sendo ressalvado pelo artigo 16 a possibilidade de emissão de novo Mandado com a finalidade de concluir o procedimento fiscal. Transcrevo alguns dispositivos do Decreto nº 3.969, de 2001: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários serão executados por servidores habilitados e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F) e, no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Art. 3º Para os fins deste Decreto, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos federais previdenciários, podendo resultar em constituição de crédito tributário; II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração previdenciária, inclusive para atender exigência de instrução processual. (...............) Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 Cotejando os paradigmas apresentados pela FAZENDA NACIONAL, verifico que referemse aos tributos administrados pela então Secretaria da Receita Federal. Registro que o acórdão recorrido declarou, por unanimidade, nulo o lançamento tendo em vista a ciência da notificação ter ocorrido mediante Mandado de Procedimento Fiscal com prazo de validade expirado. Conforme bem destacado pelo conselheiro Elias Sampaio Freire em voto de sua lavra, Acórdão nº 920200.794, 14/04/2010, “a divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo.” O mesmo entendimento foi defendido na oportunidade em que se julgou o Recurso Especial nº 102151.750, Acórdão nº 920200.136, da lavra do conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, cuja ementa transcrevo: REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL — INEXISTÊNCIA — RECURSO NÃO CONHECIDO — É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, . II, da Lei n°9.430, de 1996. Têmse concluído, portanto, que os acórdãos que examinem a matéria Mandado de Procedimento Fiscal – MPF de tributos administrados pela então Secretaria da Receita Federal não devem ser considerados paradigmas para demonstrar dissídio jurisprudencial quando a nulidade declarada tiver como fundamento o Decreto nº 3.969, de 2001, que tratava especificamente de contribuições previdenciárias. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL interposto pela Fazenda Nacional. Francisco Assis de Oliveira Júnior (Assinado digitalmente) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 35464.000819/200606 Acórdão n.º 920201.528 CSRFT2 Fl. 4 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
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Numero do processo: 10952.000051/2004-78
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples.
Exercício: 2000
EMENTA: ADE NULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. EFEITO TRANSLATIVO DOS RECURSOS.
O Ato Declaratório que exclui o contribuinte do Simples, com base em existência de pendências perante a PGNF, sem especificar quais sejam, encontra-se maculado de nulidade. Matéria, esta, de ordem pública, que pode ser conhecida de ofício em sede de julgamento de recurso especial.
Numero da decisão: 9101-001.078
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Acompanharam a relatora pelas conclusões os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Alberto Pinto de Souza Júnior.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Exercício: 2000 EMENTA: ADE NULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. EFEITO TRANSLATIVO DOS RECURSOS. O Ato Declaratório que exclui o contribuinte do Simples, com base em existência de pendências perante a PGNF, sem especificar quais sejam, encontrase maculado de nulidade. Matéria, esta, de ordem pública, que pode ser conhecida de ofício em sede de julgamento de recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Acompanharam a relatora pelas conclusões os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Alberto Pinto de Souza Júnior. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Fl. 93DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10952.000051/200478 Acórdão n.º 9101001.078 CSRFT1 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Orlando José Gonçalves Bueno, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial por maioria interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O contribuinte foi excluído do Simples, com fundamento na existência de “pendências da empresa e/ou sócios junto à Procuradoria Geral da Fazenda Naciona PGFN”. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferiu a solicitação do contribuinte (fls. 51/53). O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. A antiga segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuintes, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2000 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITOS PERANTE A PGFN. REGULARIZAÇÃO. A regularização fiscal tributária perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, dos débitos em aberto descaracteriza a hipótese de exclusão do Simples prevista nos Incisos XV e XVI, do artigo 9 da Lei n° 9.317/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10952.000051/200478 Acórdão n.º 9101001.078 CSRFT1 Fl. 3 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial, com base em violação à legislação tributária (fls. 72/75), sustentando, em síntese, que “regularização posterior da situação fiscal da contribuinte não tem o condão de invalidar o Ato Declaratório de Exclusão, razão que justifica a reforma da decisão ora recorrida”. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente baseouse na violação, por parte da decisão recorrida, à legislação tributária. No caso, o contribuinte foi excluído do Simples, em 12/10/2000, com base no artigo 9°, inciso XV, da Lei n° 9.317/96, por haver, em seu nome, débitos inscritos na Dívida Ativa da União ou do INSS, sem suspensão da respectiva exigibilidade. Entendeuse, no acórdão recorrido, que o fato de o contribuinte ter regularizado a sua situação fiscal perante a Procuradoria da Fazenda Nacional, ainda que após o Ato Declaratório de Exclusão do Simples, descaracteriza a hipótese de vedação à inclusão no sistema de pagamento. A Procuradoria da Fazenda Nacional argumentou, então, que a decisão proferida pelo órgão a quo violou o artigo 9°, inciso XV, da Lei n° 9.317/96. Não obstante o objeto específico do presente recurso especial, relativo à eficácia da regularização superveniente da situação fiscal do contribuinte, de início ensejadora da sua exclusão do Simples, tenho que, compulsando os autos, o processo encontrase maculado por nulidade desde a edição do próprio Ato Declaratório Executivo. Isto porque, não consta nos autos, o Ato Declaratório Executivo que importou a exclusão do contribuinte do Simples. Este teria como fundamento a existência de “pendências da empresa e/ou sócios junto à Procuradoria Geral da Fazenda Naciona PGFN”. Em face da inexistência, nos autos, do ADE, é com base em tal fundamentação que este órgão julgador deve analisar a questão, o que implica no reconhecimento da nulidade do ato, ainda que, posteriormente se trazido notícia acerca dos débitos existentes. Registrese que a nulidade do ADE, em tais circunstâncias, encontrase pacificada no âmbito do CARF, conforme o enunciado n° 22 da sua súmula jurisprudencial: Súmula CARF n° 22: E nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Veja que a nulidade do ADE constituise, indubitavelmente, em matéria de ordem pública, passível, pois, de conhecimento por parte desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, ainda que de ofício. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10952.000051/200478 Acórdão n.º 9101001.078 CSRFT1 Fl. 4 4 Com efeito, tratase, tal possibilidade, de manifestação do efeito translativo dos recursos, o qual, por definição, consubstancia a possibilidade de o tribunal conhecer, de ofício, de matéria de ordem pública. E nulidade é matéria de ordem pública. Neste caso, é irrelevante que a matéria tenha sido préquestionada perante o órgão julgador a quo, bastando, nos termos do entendimento adotado pelo STJ, que se transponha positivamente o juízo de admissibilidade do recurso especial. Superado o juízo de admissibilidade, o órgão julgador pode conhecer de matéria de ordem pública de ofício, ainda que não alegada pela parte. Vejase neste sentido os seguintes julgado: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CERTEZA E LIQUIDEZ DAS CDAS. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E 356/STF. 1. A Corte de origem, com base no contexto fáticoprobatório dos autos, entendeu que as certidões em que se funda a ação executiva encontramse incólumes. Incidência da Súmula 7/STJ. 2. É inadmissível o recurso especial quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada, e não provocada a questão por meio de embargos de declaração. Incidência, por analogia, das Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal. 3. A hodierna jurisprudência desta Corte firmouse no sentido de que as matérias de ordem pública podem ser analisadas em sede de recurso especial, quando ultrapassado o conhecimento, à luz do efeito translativo dos recursos. O que não é o caso dos autos. Agravo regimental improvido. (AgRg no Ag 1382247/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/04/2011, DJe 26/04/2011) PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO ANULATÓRIA DE ATOS DE AUXILIARES DE JUSTIÇA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. INCONFORMAÇÃO COM A TESE ADOTADA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Inexistindo qualquer das hipóteses do art. 535 do CPC, não merecem acolhimento os embargos de declaração com nítido caráter infringente. Precedentes. 2. A tese adstrita ao acórdão embargado versa sobre a impossibilidade jurídica do pedido: a causa petendi é inviável frente ao ordenamento jurídico brasileiro, em razão da impossibilidade de anulação de atos de auxiliares de justiça por meio de Ação Anulatória. 3. É suficiente à extinção da ação, de ofício, nos termos do art. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10952.000051/200478 Acórdão n.º 9101001.078 CSRFT1 Fl. 5 5 267, § 3º, do Código Processual, a manifesta impossibilidade jurídica do pedido uma vez que, nos termos desse diploma legal, a possibilidade jurídica apresentase como uma das condições da ação (art. 267, VI, do CPC). 4. "Quando eventual nulidade processual ou falta de condição da ação ou de pressuposto processual impede, a toda evidência, o regular processamento da causa, cabe ao tribunal, mesmo de ofício, conhecer da matéria, nos termos previstos no art. 267, § 3º e no art. 301, § 4º do CPC, reconhecendose o efeito translativo como inerente também ao recurso especial. Inteligência da Súmula 456 do STF e do art. 257 do RISTJ." (EDcl no REsp 993.364/MG, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 10.2.2009, DJe 25.3.2009). 5. É de se ver que, uma vez não ultrapassado sequer os requisitos essenciais à cognição do mérito da questão jurídica jungida ao apelo especial, não cabe falar em omissão dessa mesma quaestio juris. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1197027/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/04/2011, DJe 15/04/2011) Por todo o exposto, com fundamento no enunciado n° 22 da súmula do CARF, declaro a nulidade ab initio do presente processo administrativo. Sala das Sessões, em 28 de junho de 2011. 28 de junho de 2011 Susy Gomes Hoffmann Fl. 97DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10620.001129/2002-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EFEITOS DAS DECISÕES DO STF.
§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Inexistência de previsão no RICARF para que se aguarde a publicação de Resolução do Senado Federal no caso de dispositivo legal julgado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal STF proferida
em controle difuso. A própria decisão da Suprema Corte contém força normativa.
BASE DE CÁLCULO. REVOGAÇÃO DO INCISO I DO ART. 3º DA LEI Nº
9.718/98 PELA LEI Nº 11.941/09. VARIAÇÕES CAMBIAIS.
A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença
proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-001.656
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso especial.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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EFEITOS DAS DECISÕES DO STF. § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Inexistência de previsão no RICARF para que se aguarde a publicação de Resolução do Senado Federal no caso de dispositivo legal julgado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal STF proferida em controle difuso. A própria decisão da Suprema Corte contém força normativa. BASE DE CÁLCULO. REVOGAÇÃO DO INCISO I DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 PELA LEI Nº 11.941/09. VARIAÇÕES CAMBIAIS. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Fl. 257DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase da análise do Recurso Especial, interposto tempestivamente pela Contribuinte contra o Acórdão n° 20312.356, com fundamento no Regimento Interno da CSRF (RICSRF) aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. A ementa da decisão recorrida possui a seguinte redação: PIS. BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE 02/99. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS.TRIBUTAÇÃO. LEI N° 9.718/98, ART. 9°. REGIME DE COMPETÊNCIA OU DE CAIXA. OPÇÃO. MP N°2.158/35/2001, ARTS. 30 E 31. Nos termos do art. 9° da Lei n° 9.718/98, as variações cambiais ativas são incluídas na base de cálculo da Cofins, bem como do PIS/Faturamento, a partir de fevereiro de 1999, devendo ser apropriadas pelo regime de caixa ou de competência a partir do ano 2000, à opção do contribuinte e desde que adotado o mesmo regime para as duas Contribuições, o IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro, consoante o art. 30 da MP n° 2.15835/2001. Recurso não provido. Recurso não provido Em síntese, a Câmara, por unanimidade de votos, houve por bem em negar provimento ao recurso voluntário, para manter o valor das variações cambiais ativas na base de cálculo da contribuição. A recorrente (Contribuinte) em sede de Recurso Especial (art. 7º, inc. II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007) requerer reforma da decisão proferida no recurso voluntário, apresentando como paradigma os Acórdãos nºs 10195.763, 10195.764, 101 95.758 e 20217.350. Por meio do Despacho de fl. 234/235, sob o entendimento de terem sido cumpridos os requisitos de admissibilidade, o recurso foi admitido. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 239 a 248. Pede a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso especial atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.001129/200261 Acórdão n.º 930301.656 CSRFT3 Fl. 252 3 A matéria em discussão trata do alargamento da base de cálculo da contribuição (inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998) sobre as receitas financeiras (variação cambial ativa) da contribuinte no período de apuração de 28/02/1999 a 31/12/1999. Penso assistir razão à recorrente. De fato, tal entendimento encontrase referenciado no encerramento do julgamento (RE 390840/MG) proferido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, relativo ao artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, que transitou em julgado em 29/09/2006. E nem se diga que deveria ter sido aguardado a edição de Resolução do Senado para que se possa estender na via administrativa os efeitos da declaração de inconstitucionalidade proferida em controle difuso. O Supremo Tribunal Federal em razão da legislação, inclusive de natureza constitucional (Constituição Federal, art. 103A), reconhece que os julgamentos definitivos de declaração de inconstitucionalidade, proferidos em sede de controle incidental, também irradiam eficácia vinculante, a qual opera independentemente da intervenção do Senado. As decisões plenárias do STF, mesmo que em sede de controle difuso, são passíveis de serem aplicadas nesta instância administrativa, nos termos do atual Regimento Interno do CARF. Isto porque, visando prestigiar os princípios da celeridade processual e o da segurança jurídica, além de buscar diminuir a litigiosidade das pretensões envolvendo a Fazenda Nacional, o já Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, através da Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, introduziu a possibilidade de o Tribunal Administrativo aplicar às lides que lhe são submetidas as decisões do Supremo Tribunal proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, desde que seja oriunda do Pleno da Suprema Corte. A inovação veio prescrita no art. 49, parágrafo único, inc. I daquele Regimento, verbis: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...)".(original sem destaque) Ressaltese que o dispositivo acima não está deferindo ao órgão administrativo a competência de afastar a aplicação de norma cogente sob o pejo de inconstitucionalidade, o que não seria possível por força da separação dos Poderes Constituídos, nos termos, inclusive, da jurisprudência sumulada do órgão administrativo. Na hipótese, o afastamento da norma tida como inconstitucional foi realizada por quem tem competência institucional para tanto, no caso o Supremo Tribunal Federal. O Fl. 259DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Regimento apenas autoriza a aplicação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade havida pelo Pleno do STF aos casos submetidos ao Conselho de Contribuintes. E que não se alegue que a decisão plenária do Supremo Tribunal mencionada no art. 49, p. único, I do Regimento se refere apenas a decisão oriunda do controle concentrado de constitucionalidade, cujos efeitos são notoriamente erga omnes e vinculantes. Não é mais a decisão do Senado que confere eficácia geral ao julgamento do Supremo. A própria decisão da Suprema Corte contém essa força normativa. Ressaltese, ainda, o fato de a adoção da sistemática da súmula vinculante pela Emenda Constitucional nº 45/2004 reforça a noção de superação da exclusividade do ritual enunciado no referido art. 52X, da Constituição Federal, para conferir efeito vinculante erga omnes às decisões plenárias e definitivas do Egrégio Supremo Tribunal Federal declaratórias de inconstitucionalidade. A institucionalização desse novo instituto constitucional inequivocamente atribui ao próprio Supremo Tribunal Federal tal faculdade, sem qualquer interferência do Senado Federal e irrelevante a natureza do processo em que se perfizer, de conhecimento direto ou incidente. E mais: em 28.05.2009 foi publicada a Lei nº 11.941/09, a qual, em seu artigo 79, inciso XII, revogou o inciso I do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que determinava a incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas, e não apenas sobre os valores relativos ao seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços. CONCLUSÃO Em razão do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte. Maria Teresa Martínez López Fl. 260DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13732.000285/2002-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE MILITAR TRANSFERÊNCIA PARA A RESERVA REMUNERADO.
Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Os proventos recebidos por militar, em decorrência de sua transferência para a reserva remunerada, se enquadram no conceito de aposentadoria, já que ambos remuneram inatividade.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.786
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE MILITAR TRANSFERÊNCIA PARA A RESERVA REMUNERADO. Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Os proventos recebidos por militar, em decorrência de sua transferência para a reserva remunerada, se enquadram no conceito de aposentadoria, já que ambos remuneram inatividade. Recurso especial negado.
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Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Os proventos recebidos por militar, em decorrência de sua transferência para a reserva remunerada, se enquadram no conceito de aposentadoria, já que ambos remuneram inatividade. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 17/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Adelino Fernandes Augusto foi lavrado o auto de infração de fls. 05/10, objetivando a exigência de imposto de renda pessoa física do anocalendário de 1999, tendo sido apurada omissão de rendimento decorrentes do trabalho com vínculo empregatício. A Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 19200.126, que se encontra às fls. 104/107 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EXERCíCIO: 2000 IRPF MOLÉSTIA GRAVE MILITAR EM RESERVA REMUNERADA A reserva remunerada equivale à condição de inatividade, situação contemplada no art. 6°, inciso XIV da Lei n° 7.713/88, de modo que os proventos ou rendimentos recebidos pelo militar nesta condição não estão sujeitos ao imposto de renda na fonte e na declaração. Recurso provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Intimada pessoalmente do acórdão em 03/04/2009 (fls. 108) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 110/117, em que sustenta, em apertada Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13732.000285/200236 Acórdão n.º 920201.786 CSRFT2 Fl. 2 3 síntese, que não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os proveitos de militar transferido para a reserva remunerada, apontando como paradigma o acórdão nº 10614.234. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 9202 00.432, de 22/10/2009 (fls. 120/122). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 127/132. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade, tendo sido demonstrada a divergência entre a tese consagrada no acórdão recorrido – isenção de imposto de renda para os rendimentos recebidos por militar portador de moléstia grave transferido para a reserva – e a manifestada no acórdão paradigma n. 10614.234 – a isenção se aplica apenas aos rendimentos decorrentes de reforma, não de transferência para a reserva remunerada. Dele conheço. A discussão no presente recurso não é desconhecida deste Colegiado. Trata se da aplicação da isenção prevista na legislação tributária aos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, para os proventos recebidos por militar em decorrência de sua transferência para a reserva remunerada. Adoto, como já fazia no julgamento na Câmara de origem, os brilhantes fundamentos do voto do ilustre conselheiro Nelson Malmann no acórdão 10421.935, verbis: “A isenção por moléstia grave, concedida aos rendimentos de aposentadoria ou reforma, limitase aos casos de acidente em serviço e das doenças previstas em lei, com base em conclusão da medicina especializada. Para fazer jus à norma isencional, cabe ao requerente o ônus da prova de que sua situação está prevista na legislação tributária que trata do assunto. Entendo, ainda, que na análise dos pedidos de isenção ou restituição do imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos por portador de moléstia grave, devem ser analisados todos os elementos de convicção constantes dos autos, tais como, informações, atestados e exames laboratoriais que comprovem o termo inicial da doença. Visto isto, indiscutivelmente, o requerente era portador, a época referida, de moléstia grave (neoplasia maligna), prevista na legislação de regência para a concessão de isenção de imposto de renda. Entretanto, neste processo, a discussão vai além do fato de ser o requerente portador de moléstia grave, já que abrange militar que estava na situação de “transferido para reserva remunerada”, que não deixa de ser, em última análise, um sinônimo de “aposentado”, pois o militar nesta situação não se encontra mais no serviço ativo e somente em situações especiais é poderá ser feito à reversão de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 reserva remunerada para serviço ativo, conforme legislação abaixo mencionada. (...) Ora, qualquer interpretação que leve em conta tão somente à letra da lei, mas não o seu contexto, a finalidade da norma a se aplicar, está fadada a cometer equívocos. Com efeito, a um caso concreto aplicase o ordenamento jurídico vigente inteiro, com os seus freios e contrapesos, de acordo com a razoabilidade que o caso concreto pede. Há de se buscar, no caso em tela, a finalidade da norma isentiva. Parecenos objetivar a proteção ou ressalva dos proventos daquele que se encontra inativo, seja militar ou civil, desde que portador de moléstia grave especificada em lei. Esses dois requisitos são suficientes, sem necessidade de entrarmos numa discussão de termos técnicos, como, por exemplo, o da distinção entre reforma e reserva remunerada. Aquela decisão, interpretando e aplicando tãosomente a literalidade da lei, houve por bem não acolher o pleito do contribuinte, não reconhecendo a isenção a que se refere o artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, para o período em que o recorrente se encontrava na reserva remunerada, manifestandose que apenas faz jus àquele que passou para a inatividade mediante reforma. Não obstante, entendo que o portador de moléstia grave faz jus à isenção por enquadrarse na condição de aposentado. Buscando a finalidade que norteia a norma isentiva, que inegavelmente visa proteger o portador de doença grave prevista em lei, constatase que a reserva remunerada nada mais é que a aposentadoria a que se refere o dispositivo isencional acima transcrito. Da citada legislação, podese verificar que, tanto a transferência para a Reserva Remunerada como a Reforma, podem ser efetuadas “a pedido” ou “exofício”, sendo certo que, a reforma exofício, será aplicada ao militar que atingir determinadas idadeslimite de permanência na reserva ou ser portador de doença grave que o incapacite para exercer a atividade militar. Além disso, se por ventura for convocado, dentro das situações previstas em lei, para integrar novamente o serviço ativo, o militar na reserva, portador de doença incapacitante, não poderá participar do serviço ativo e será automaticamente reformado. Assim, é que o recorrente deveria ter sido reformado exofício na data em que foi constatado ser portador de neoplasia maligna, já que não poderia ser convocado para exercer atividade na ativa. Entretanto, não foi feito à transposição de reserva remunerada para a situação de reformado, que para mim, para fins tributários, é irrelevante, já que o termo transferência para inatividade (reserva remunerada ou reforma) tem o mesmo significado que aposentado, caso contrário seria uma norma tributária restritiva, não dando direitos iguais para situações iguais, pois a norma isentiva é para os portadores de moléstia grave prevista na lei, cujos rendimentos são oriundos de aposentadoria. O militar na reserva remunerada não exerce mais Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13732.000285/200236 Acórdão n.º 920201.786 CSRFT2 Fl. 3 5 atividade militar é um aposentado no sentido amplo, que só perdera esta condição se estiver em perfeitas condições de saúde e se for caso excepcional de convocação, em situações especiais previstos na lei, para reversão ao serviço ativo e para que esta condição excepcional se realize deverá, antes de qualquer coisa, passar por uma junta médica para que seja verificado a sua situação de saúde. (...) Não tenho dúvidas, de que o termo reserva remunerada, referese à aposentadoria de que trata o norma isencional, tendo recebido nominação própria em face das peculiaridades dos membros das Forças Armadas e Forças Auxiliares. Entendo, pois, que a simples negativa ao direito isencional em face da denominação de “reserva remunerada” não tira do contribuinte o direito à isenção em face de moléstia grave. Considerandose, ainda, que a tipificação primeira, naquele Estatuto, enquadra a reserva remunerada a título de inatividade. Da mesma forma, discordo daqueles que se filiam à tese de que quando a Lei nº 7.713, de 1988, no seu artigo 6º, inciso XIV quis falar, propositalmente, em proventos de reforma, e que esta norma estaria restringindo a isenção somente aos militares portadores de doença grave que fossem reformados, não entraria neste contexto os militares que estivessem na inatividade sob a condição de transferidos para reserva remunerada não importando os detalhes da situação individual de cada um, ou seja, só faz jus àqueles que estiverem na situação de reformado, apresentando como contraponto o inciso XV do artigo 6º da lei anteriormente citada, sob o argumento que neste inciso se fala em transferência para a reserva remunerada ou reforma. Ora, é evidente que a redação do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988, não poderia ser diferente, já que pela Lei 6.880, de 1980 (Estatuto dos Militares) os militares portadores de doença que incapacite para o exercício da função militar são reformados ex officio, independentemente de estar no serviço ativo ou estar na inatividade sob a condição de transferidos para reserva remunerada. Ou seja, em termos práticos o militar que esta na condição de transferido para inatividade (transferência para reserva remunerada) portador de doença que incapacite para o exercício de atividades inerentes das forças armadas, não poderá, mesmo que queira, retornar ao serviço ativo, deverá ser automaticamente reformado e não poderá mais ser convocado. Ademais, o termo transferência para a reserva remunerada utilizado pelo inciso XV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988, se comparado ao conteúdo da Lei nº 6.880, de 09 de dezembro de 1980 (Estatuto dos Militares) é letra morta, já que somente abrangeria os oficiaisgenerais, pois estes são reformados ex officio aos 68 (sessenta e oito) anos, o restante, que representam a expressividade das forças armadas, são reformados ex officio com idades entre 56 (cinqüenta e seis) anos e 64 (sessenta e quatro) anos.” Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 O entendimento quanto à isenção dos rendimentos de reserva remunerada também foi objeto da súmula CARF nº 43, cujo enunciado é o seguinte: “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (original sem grifo) Em face do exposto conheço do recurso especial para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11020.004863/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2001, 2002
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não ocorre a nulidade do auto de
infração quando forem observadas as disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não ocorrerem as hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE
FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.
MULTA DE OFICIO AGRAVADA EM 50%. CABIMENTO. ATENDIMENTO INSUFICIENTE ÀS INTIMAÇÕES FISCAIS Agrava-se a penalidade, na forma do artigo 44, § 2.º, da lei n.º 9.430, de 1996, quando em procedimento de ofício o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, ou atende de forma
insuficiente, deixando de fornecer documentos que sabidamente detinha a guarda, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações.
DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DE CREDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ, CSLL E IRFONTE.
Afastada a multa de oficio qualificada, à luz do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manifestado em recurso repetitivo, havendo antecipação do pagamento dos tributos,
o transcurso do prazo decadencial, ocorrerá em 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN.
DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO NA FORMA DO ART. 173 DO CTN, INCISO I, EM FACE DE EVENTO QUE SE AMOLDA AO PARÁGRAFO ÚNICO DO DISPOSITIVO. Independentemente da ocorrência de dolo
fraude ou simulação, se o início da contagem do prazo é deslocado do fato gerador para o primeiro dia do ano seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, o mesmo antecipa-se
para o dia do recebimento da DIPJ, se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores, ou por qualquer outra medida
preparatória ao lançamento.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGAMENTO SEM CAUSA –
Quando os recursos tidos como provenientes de omissão de receitas resultam de pagamentos feitos pelos destinatários finais dos produtos às controladas da contribuinte, não há que se falar em incidência de imposto de renda retido na fonte em razão de pagamento sem causa, posto que inexistente pagamento de valores por parte da autuada que ensejariam a retenção em fonte.
IRPJ E CSLL. OPERAÇÕES COM CONTROLADAS NO EXTERIOR. FORMA
DE TRIBUTAÇÃO. Inexistindo valores omitidos, haja vista que, em principio a operações foram efetivamente realizadas e os valores envolvidos foram regularmente contabilizados, incabível tratar o subfaturamento em vendas a subsidiárias no exterior como receita omitidas. Verificada a observância da legislação do preço de transferência, resta ao fisco, nessas hipóteses auditar os
resultados tributáveis da controlada no exterior, à luz do art. 394 do RIR/99.
RECURSO DE OFICIO. IRPJ E CSLL. SUBFATURAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovado, em sede de impugnação, que a diferença entre o
valor da venda ao adquirente final e preço de repasse à empresa controlada, em determinadas operações é mínimo (0,12%), considera-se não caracterizado o subfaturamento.
Recurso de oficio Negado Provimento. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.752
Decisão: Acordam os membros do colegiado: 1) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário: 2) Por unanimidade de votos, afastar a aplicação da multa de oficio qualificada, reduzindo-a ao percentual de 75%; 3) Por maioria de votos, manter a aplicação da multa agravada em 50%, vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo; 4) Por unanimidade de votos acolher a preliminar de decadência tão somente quanto ao IRPJ e CSLL do ano-calendário de 2001, e rejeitar as demais preliminares; 5) Por unanimidade de votos, cancelar a tributação do IRFonte, pagamento sem causa, pela inocorrência do fato gerador. O Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva votou pelas conclusões; 6) Por unanimidade de votos, cancelar a tributação do IRPJ e da CSLL por erro na forma de constituição do crédito tributário. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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AÇÃO FISCAL Recorrentes MARCOPOLO S/A 1A TURMA DRJ EM PORTO ALEGRE RS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não ocorrerem as hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. MULTA DE OFICIO AGRAVADA EM 50%. CABIMENTO. ATENDIMENTO INSUFICIENTE ÀS INTIMAÇÕES FISCAIS Agravase a penalidade, na forma do artigo 44, § 2.º, da lei n.º 9.430, de 1996, quando em procedimento de ofício o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, ou atende de forma insuficiente, deixando de fornecer documentos que sabidamente detinha a guarda, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações. DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DE CREDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ, CSLL E IRFONTE. Afastada a multa de oficio qualificada, à luz do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manifestado em recurso repetitivo, havendo antecipação do pagamento dos tributos, o transcurso do prazo decadencial, ocorrerá em 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO NA FORMA DO ART. 173 DO CTN, INCISO I, EM FACE DE EVENTO QUE SE AMOLDA AO PARÁGRAFO ÚNICO DO DISPOSITIVO. Independentemente da ocorrência de dolo fraude ou simulação, se o início da contagem do prazo é deslocado do fato gerador Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 2 2 para o primeiro dia do ano seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, o mesmo antecipase para o dia do recebimento da DIPJ, se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores, ou por qualquer outra medida preparatória ao lançamento. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGAMENTO SEM CAUSA – Quando os recursos tidos como provenientes de omissão de receitas resultam de pagamentos feitos pelos destinatários finais dos produtos às controladas da contribuinte, não há que se falar em incidência de imposto de renda retido na fonte em razão de pagamento sem causa, posto que inexistente pagamento de valores por parte da autuada que ensejariam a retenção em fonte. IRPJ E CSLL. OPERAÇÕES COM CONTROLADAS NO EXTERIOR. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Inexistindo valores omitidos, haja vista que, em principio a operações foram efetivamente realizadas e os valores envolvidos foram regularmente contabilizados, incabível tratar o subfaturamento em vendas a subsidiárias no exterior como receita omitidas. Verificada a observância da legislação do preço de transferência, resta ao fisco, nessas hipóteses auditar os resultados tributáveis da controlada no exterior, à luz do art. 394 do RIR/99. RECURSO DE OFICIO. IRPJ E CSLL. SUBFATURAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovado, em sede de impugnação, que a diferença entre o valor da venda ao adquirente final e preço de repasse à empresa controlada, em determinadas operações é mínimo (0,12%), considerase não caracterizado o subfaturamento. Recurso de oficio Negado Provimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário: 2) Por unanimidade de votos, afastar a aplicação da multa de oficio qualificada, reduzindoa ao percentual de 75%; 3) Por maioria de votos, manter a aplicação da multa agravada em 50%, vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo; 4) Por unanimidade de votos acolher a preliminar de decadência tão somente quanto ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 2001, e rejeitar as demais preliminares; 5) Por unanimidade de votos, cancelar a tributação do IRFonte, pagamento sem causa, pela inocorrência do fato gerador. O Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva votou pelas conclusões; 6) Por unanimidade de votos, cancelar a tributação do IRPJ e da CSLL por erro na forma de constituição do crédito tributário. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório MARCOPOLO S/A recorre a este Conselho contra a decisão proferida em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por seu turno, a 1a. TURMA DRJ EM PORTO ALEGRE – RS recorreu de oficio, em observância ao art. 34 do PAF, haja vista ter exonerado valor acima de R$ 1.000.000,00. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase dos autos de infração lavrados contra a interessada, em 30/11/2007, para exigirlhe o crédito tributário de R$ 192.043.531,54, referente a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) (fls. 03/77). A sociedade empresarial é tributada pelo regime do lucro real, conforme art. 246, I e III, do RIR/99. Nos anoscalendários de 2001 e 2002, período de apuração dos autos, realizou pagamentos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Os lançamentos estariam fundados em omissões de receitas, caracterizadas por subfaturamento decorrente de simulação e pela falta de recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em razão de pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa. A ação fiscal tem raízes em representação fiscal, oriunda do processo administrativo 11051.000143/200211, no qual foram detectados indícios de irregularidades em exportações praticadas pela contribuinte. A partir de então, foram lavrados autos de infração relacionados aos anoscalendários 1999 e 2000 (11020.003966/200508 e 11020.004103/200621). O relatório fiscal (fls. 81/182) aponta que a interessada utilizava as sociedades vinculadas Marcopolo International Corporation (MIC), com sede nas Ilhas Virgens Britânicas (paraíso fiscal), e Ilmot International Corporation, no Uruguai, para intermediar formalmente negócios que, na essência, corresponderiam a operações diretas entre a Marcopolo S/A e seus importadores finais. Tais operações implicariam na dissimulação da natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, ocultando a ocorrência dos fatos geradores de IRPJ, CSLL e IRRF. O esquema geral da simulação foi assim resumido no relatório fiscal: 1. Interessado na aquisição de carrocerias ou conjuntos de carroceria e chassi (ônibus), em 2000, o importador final estabelecia contato com a Marcopolo. 2. Após a efetiva negociação, era introduzida uma das Centrais de Refaturamento (MIC ou ILMOT), cujo principal papel, de fato, seria possibilitar o subfaturamento. 3. Através de uma série de operações, simulavase a participação da Central de Refaturamento na operação de exportação, de forma que esta aparentasse estar adquirindo um produto da Marcopolo para revendêlo para importador final. 4. Durante a operacionalização da saída física do produto da Marcopolo, a documentação necessária era assinada e expedida por funcionários da Marcopolo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 4 4 com devida procuração da MIC ou da ILMOT. Na prática, tanto a documentação da Marcopolo quanto da empresa “intermediária” era expedida pela mesma estrutura operacional. 5. O pagamento pela exportação era feito à Central de Refaturamento, que por sua vez repassava para a sua controladora Marcopolo apenas parcela da receita real, que seria tributada no País, enquanto o restante permanecia no exterior. As operações poderiam ser instrumentalizadas por três formas: 1ª) o fabricante de chassi e a Marcopolo vendem à “intermediária” por um valor total inferior ao preço praticado na venda do produto acabado: a Marcopolo recebe o chassi e o incorpora à carroceria, encaminhando após o produto ao importador final, em consonância com o Protocolo ICMS 10/94, que permite a exportação de chassis de ônibus com trânsito pela indústria de carroceria; 2ª) o fabricante de chassi vende seu produto diretamente ao importador final, enquanto a Marcopolo vende a carroceria à sua controlada por um preço inferior ao cobrado do mesmo importador final: o trânsito das mercadorias segue o mesmo rito do procedimento anterior; e 3ª) a Marcopolo vende a carroceria à “intermediária” por um preço inferior ao que esta cobrará da montadora do ônibus no exterior (outra controlada da contribuinte): a carroceria chega na montadora após passar por outra empresa intermediária estrangeira. No desenrolar do procedimento fiscal foi apresentado um acordo plurilateral formalizado pela MIC, onde constava a Marcopolo como exportadora de carrocerias para Bidayah Intertrade FZE, empresa sediada nos Emirados Árabes Unidos (paraíso fiscal). As operações previstas nesse ajuste fugiam do padrão usual das intermediações da MIC, mas ainda assim ela participaria no refaturamento de mercadorias, de forma análoga às outras operações fiscalizadas, para o comprador final (Tamimi & Saihati Transport Co. – Taseco – , operador de ônibus líder da Arábia Saudita). A expressão ”centrais de refaturamento” tem origem no termo inglês “reinvoincing centers” e foi assim explicada no relatório fiscal (fl. 129): ... empresas, quase invariavelmente localizadas em paraísos fiscais, cuja única função é refaturar o valor de operações comerciais, com conseqüente evasão fiscal. Normalmente constituídas de direito, mas inexistentes de fato, essas empresas não têm qualquer corpo operacional efetivo (ou têm um corpo bastante reduzido), e as mercadorias exportadas são sempre remetidas diretamente para os compradores finais. Também consta a tradução de texto explicativo, com grifos dos autuantes (fl. 130): O que é Refaturamento? Refaturamento é o uso de uma corporação offshore para agir como uma intermediária entre uma empresa nacional e seus clientes no exterior. Os lucros dessa corporação intermediária e a operacionalização dos negócios no país permitem a transferência de parte ou de todo o lucro nas transações para a corporação offshore. Estruturas similares podem ser usadas pelo importador. Uso de refaturamento – exemplo Uma corporação em uma jurisdição com alta carga tributária vende $500.000 em produtos ou serviços para a Alemanha a cada ano. Digamos que o custo de produtos Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 5 5 e despesas operacionais seja de $300.000. Assim, a empresa lucra $200.000 antes da tributação. Digamos que essa empresa estabeleça uma offshore para agir como intermediária. A empresa nacional vende seus produtos e serviços para a empresa offshore por, suponhamos, $320.000. A offshore imediatamente revende os produtos e serviços para o cliente na Alemanha por $500.000, tendo um lucro de $180.000. Como offshore não paga tributos, os $180.000 são lucro líquido. A empresa exportadora, em jurisdição com alta carga tributária, apresenta lucro mínimo ($20.000). Os $180.000 de lucro, livres de tributação, podem ser depositados em uma conta bancária ou em outro investimento, de acordo com os interesses da empresa nacional. Como é o transporte da mercadoria? A mercadoria pode ser enviada diretamente para o cliente do exportador. O relatório fiscal destaca o conteúdo dos contratos de prestação de serviços formalizados entre a Marcopolo e suas controladas MIC e Ilmot, segundo os quais estas seriam responsáveis, no exterior, pela distribuição oficial (compra, revenda, promoção de vendas e prestação de serviços pósvenda) e representação comercial (agenciamento de vendas), além de: manutenção própria ou por subcontratados de escritórios equipados com telefone, telex, máquinas, móveis, funcionários qualificados, etc.; remessa de informações detalhadas sobre os negócios, clientes visitados e situação de mercado; manutenção de técnico ou preposto para desempenharem os serviços de pósvenda; dentre outros deveres (fls. 92/93). As bases de cálculo dos tributos foram apuradas segundo a existência ou não dos dados integrais relativos às vendas de MIC e Ilmot. Quanto às informações conhecidas, os valores foram obtidos a partir da diferença em dólares americanos entre o preço faturado pelas intermediárias e o valor da fatura emitida pela Marcopolo, descontado o valor do chassi, se fosse o caso. No caso da inexistência de informações completas, inclusive nas exportações com suposta intermediação Bidayah/MIC, os valores foram arbitrados com base em índice de omissão obtido estatisticamente sobre o universo de operações conhecido pela fiscalização, diferenciado para cada controlada. Os valores em dólares foram convertidos para reais pela taxa de compra fixada pelo boletim de abertura do Banco Central do Brasil, vigente na data da averbação dos produtos (confirmação da saída da mercadoria do país). A diferença de preço omitido ao fisco federal, além de ser considerada receita operacional omitida – evadida do País e empregada a terceira pessoa, sem registro contábil ou fiscal na Marcopolo –, caracterizou a existência de pagamento sem causa, razão pela foi lançado IRRF exclusivamente na fonte sobre base de cálculo reajustada. Os autuantes valemse também de documentos e considerações de fiscalizações passadas, assim como da Câmara de Indústria e Comércio (CIC) de Caxias do Sul e da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) sobre certificados de origem emitidos. Uma das justificativas para esse procedimento foi a recusa no atendimento a intimações, como fora feito na fiscalização de 2005. A convicção dos autuantes sustentase em indícios que colocam em dúvida, inclusive, a existência fática das empresas “intermediárias”, apesar de formalmente constituídas. Dentre eles, podem ser elencados: Ø Relativamente à MIC: situada nas Ilhas Virgens Britânicas – paraíso fiscal onde é prometido sigilo e não há cobrança de impostos sobre a renda de empresas estrangeiras; onde estariam Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 6 6 registradas mais de 600.000 empresas, em país com área de 153 Km2 e população de 23 mil habitantes (a título de comparação, a Receita Federal registraria em Caxias do Sul a existência de 35.600 empresas ativas regulares, sejam matrizes ou filiais, em município de 400 mil habitantes e área de 1.644 Km2); e onde há grande quantidade de firmas que oferecem serviços de criação de offshores, tais como a sucursal de empresa panamenha, Sucre & Sucre Trust Ltd.; “Documentos Unicos Aduaneros (DOU)”, relativos a desembaraços aduaneiros efetivados no Uruguai, em 1999, consignam o domicílio da MIC no mesmo endereço da Marcopolo S/A, em Caxias do Sul; sendo solicitada fatura de energia elétrica de 2000 para justificar a existência da empresa, foi apresentado documento concernente a 2006, registrando a empresa Sucre & Sucre como usuária do serviço; tendo sido solicitada fatura de serviço de telefonia 2000, foi apresentado apenas recibo de pagamento de serviços telefônicos de 2006 em nome da Sucre & Sucre, onde sequer constava número de telefone ou endereço para qual o serviço foi prestado; as explicações da contribuinte para a divergência entre o endereço da fatura de energia elétrica e o das faturas comerciais foram inconsistentes e apresentaram erros primários, demonstrando o desconhecimento pela contribuinte da estrutura postal da localidade; há vaguidade na informação do endereço normalmente utilizado para localizar a MIC (faturas comerciais), não havendo citação de nome de logradouro, caixa postal ou número de edificação; não foi apresentada documentação que comprovasse e explicasse efetivamente a ligação entre as empresas MIC e Sucre & Sucre, relativamente ao fornecimento de bens de infraestrutura para atendimento de suas necessidades; segundo o sítio da internet, a Sucre & Sucre presta serviços de domicílio, linhas de telefone e fax, endereço eletrônico e emissão de faturas – outras empresas são até mais explícitas na internet, oferecendo a criação de companhias offshores para fazer refaturamento, providenciando serviços de caixa postal, telex, telefone e fax para uso da companhia offshore; inexiste sítio da MIC na internet – investimento justificado para o porte dos negócios formalizados; e embora o faturamento anual da MIC em 2000 tenha sido de aproximadamente US$ 13,7 milhões, por vendas para Trinidad e Tobago, África do Sul, Barbados, Uruguai, Moçambique e Costa Rica, dentre outros países, os únicos salários pagos foram os de quatro sóciosgerentes da Marcopolo S.A. Ø Relativamente à Ilmot: foi criada no Uruguai, onde as sociedades anônimas financeiras de investimentos (Safi) gozam de tratamento fiscal privilegiado; sendo solicitadas faturas de energia elétrica e de serviços telefônicos de 2000 para justificar a existência da empresa, foram apresentados documentos de 2006, onde consta a empresa KPMG Uruguay como usuária dos serviços, esta que, segundo a autuada, seria locadora o espaço para Consadi Asociados Asesoramiento Empresarial; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 7 7 nenhum documento apresentado pela fiscalizada – inclusive o recibo de pagamento de uma fatura paga em 2000, referente a serviços administrativocontábeis prestados em 1999 – foi hábil para comprovar e explicar a efetiva ligação entre as empresas Ilmot e Consadi Asociados, relativamente ao fornecimento de bens de infraestrutura para atendimento de suas necessidades; a análise de fatura telefônica apresentada, mesmo que de um período em que a contribuinte já estava sob fiscalização, estabelece forte indício de que o serviço de telefonia não era utilizado para o atendimento das necessidades da Ilmot, já que não há registro de contato com a Marcopolo no Brasil ou com importadores finais; e haveria incongruência entre o faturamento da Ilmot em 2000 (quase US$ 41,9 milhões) e a estrutura da empresa, segundo a documentação apresentada, como exemplificado por ausência de sítio na internet da Ilmot e Consadi Asociados, reduzida quantidade de ligações internacionais na fatura de telefonia e ausência de comprovação de contatos com os compradores finais. Ø Relativamente a ambas empresas externas: as controladas não tinham estrutura para fornecer os serviços de assistência técnica aos clientes dos produtos, para os quais de se comprometem contratualmente a fornecer; a justificativa da vantagem geográfica das empresas é desmentida pelo fato de somente a MIC haver vendido para o Uruguai, onde está instalada a Ilmot – o contrasenso poderia ser justificado apenas pela manutenção do ganho fiscal; o único contrato apresentado para comprovar a formalização de vendas a compradores finais é pouco para firmar a tese da contribuinte relativamente à atuação das empresas estrangeiras, considerandose que elas venderam, juntas, cerca de US$ 26,4 milhões em 1999 e US$ 55,5 milhões em 2000, e adquiriram da Marcopolo US$ 64,5 milhões em 2001 e R$ 57,3 milhões em 2002; extratos eletrônicos apresentados para representar pedidos de compras das “intermediárias” à Marcopolo, não foram aproveitados como prova em favor da contribuinte dada a existência dos indícios apontando para a simulação e pela pequena amostra e simplicidade pedidos, que poderiam ter sido formalizados até mesmo após o início do procedimento fiscal; as cópias de cartas de crédito dos importadores finais em favor das “intermediárias” também não servem de prova para estabelecer a efetiva participação dessas empresas nas operações, e ainda constituem parte da mecânica da simulação; os financiamentos obtidos pelas intermediárias apresentam a Marcopolo na figura de garantidora; o volume significativo de cópias de pedidos de importação originários da Polomex S.A., empresa mexicana controlada pela Marcopolo, não é suficiente para comprovar a efetiva ligação entre as “intermediárias” e os importadores finais, nem afastar a simulação, já que não foram apresentados documentos relativos a outras empresas, apesar de solicitados; os contratos firmados entre Marcopolo e MIC/Ilmot limitamse a negócios jurídicos direcionados a conferir aparência de legalidade a operações inexistentes; as fiscalizações efetuadas em 2006 e 2007 comprovaram que todos os documentos da MIC e Ilmot são emitidos em Caxias do Sul e assinados por funcionários da Marcopolo, mandatários das “intermediárias” que não recebem remuneração destas, mas somente da autuada; e Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 8 8 há imensa semelhança entre as faturas comerciais emitidas em 1999 e 2000 pela Marcopolo e pela MIC e Ilmot. A autuada apresentou, durante o procedimento fiscal, documentos referentes a outra empresa do grupo Marcopolo, sediada em Miami, nos Estados Unidos, chamada Marcopolo of America Inc. Tal sociedade consistiria em braço administrativo da MIC para contato com clientes e potenciais compradores. Dentre os documentos, destacamse despesas de viagens, ligações telefônicas, contratos de representação comercial, cobranças de locação de infraestrutura (instalações físicas, internet, cópias, equipamento telefônico, ligações), passagens aéreas e extratos bancários identificando endereço e créditos (maioria) originários da MIC. A administração da empresa cabia a Rafael Adauto da Costa. Consta no sítio da Division of Corporations (Florida Department of State), em 14/09/2007, como inativa. A fiscalização não aceitou os documentos relativos à Marcopolo of America como hábeis para comprovar a efetividade da intermediação de MIC e Ilmot nas operações dos produtos da Marcopolo ou para demonstrar vínculos destas com os compradores finais – mesmo que ponderando haver recebimento de recursos para custeio da MIC e que seu administrador tenha recebido poderes de gestor comercial das outras empresas. A extrema proximidade entre as pessoas físicas e jurídicas envolvidas gerou dúvidas sobre se o formalismo da estrutura não seria parte da simulação. O argumento da fiscalizada de que MIC e Ilmot seriam fundamentais na conquista e manutenção de clientes no mercado externo teria sido reprovado pelos autuantes quanto às operações efetuadas com as empresas Polomex, no México, e Marcopolo South Africa e Brasa, ambas da África do Sul, eis que todas elas têm vínculo societário com o grupo Marcopolo. A fiscalização não entendeu que a documentação concernente a contratos, honorários de advogados e despesas de patrocínio fosse relevante para comprovar a intermediação de MIC e Ilmot nas operações fiscalizadas. Enfatiza não ser o caso de desconsideração das empresas. Os recibos de comissões pagas, comprovantes de transferências de valores (extratos bancários) e cartas de crédito seriam insuficientes diante da robustez do conjunto de indícios que apontava a inexistência das intermediações. A adequação ao mecanismo dos preços de transferência seria utilizada pela contribuinte como componente da simulação, fortalecendo a aparência de legalidade das operações. Os resultados auferidos pela MIC e Ilmot não vêm sendo tributados. Uma das razões para a esquiva tributação, segundo a fiscalização, é a inexistência de órgão que assegure as informações originárias das duas empresas externas. Quando era prevista a tributação dos lucros distribuídos, os estatutos da MIC, por exemplo, previam a possibilidade de criação de fundo de reserva, antes mesmo da apuração dos dividendos – o que poderia afastar da tributação a parcela de lucro necessária –; além do mais, havia a previsão de reincorporação de dividendos não solicitados por 3 anos. Com a vigência da Medida Provisória nº 215835, de 24/08/2001, quando a tributação dos lucros independeria da distribuição efetiva, “coincidentemente, em 2001 houve um vultoso prejuízo, fato que se repetiu em 2002”, com total de prejuízos acumulados que ainda não foram revertidos até 2004. Foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.460/96, por identificação de fraude nas operações. Quanto às omissões de receitas arbitradas por insuficiência dos dados, referentes a exportações da Marcopolo diretas à MIC e Ilmot, a multa ainda foi agravada em 50% (art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96), por Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 9 9 falta de resposta às sucessivas intimações do fisco, apesar dos extensos prazos concedidos. A intimação dos autos de infração ocorreu em 10/12/2007 (fls. 05, 13 e 22) e as impugnações foram apresentadas em 07/01/2008 (fls. 2326/2406, 2877/2956 e 3005/3091). Diversos documentos foram agregados à impugnação, dentre os quais destacamse: comentários sobre o procedimento de fiscalização, contendo ordem cronológica dos termos e respostas (anexo I – fls. 2570/2581): destina demonstrar o cumprimento dos termos de intimação; explanação sobre a estratégia comercial do grupo Marcopolo (anexo II – fls. 2582/2598): registra a trajetória do modelo negocial adotado pelo grupo Marcopolo para expansão internacional de suas operações, a partir de 1990, ressaltando que a conquista de mercados consumidores em ramo dominado por multinacionais exigiu a montagem de estrutura complexa, com a inserção das controladas MIC e Ilmot, para garantir condições favoráveis de logística, mecanismos financeiros ágeis e suportes técnicos e operacionais para as operações no exterior; considerações sobre a execução material das operações (anexo III – fls. 2599/2660): demonstração, ilustrada com documentos, de como MIC e Ilmot participavam das operações; considerações sobre a existência fática da MIC e Ilmot (anexo IV – fls. 2663/2688): apresenta dados para confirmar a existência das empresas como pessoas jurídicas, titulares de direitos e obrigações, com atuação própria em transações, além de esclarecimentos sobre as contradições levantadas quanto ao endereço da MIC; parecer jurídico de Ricardo Mariz de Oliveira (fls. 2690/2728): apresenta considerações sobre as autuações; parecer jurídico de Luís Eduardo Schoueri (fls. 2729/2785): aborda conceitos jurídicos, como omissão de receitas, preços de transferência, simulação e planejamento tributário abusivo; parecer jurídico de Fábio Ulhoa Coelho (fls. 2786/2809): traz apontamentos sobre pessoa jurídica e tradings; parecer econômico de Tendências Consultoria Integrada (fls. 2810/2850): aborda as práticas operacionais e comerciais de exportação do grupo Marcopolo; parecer técnico de Emílio Garofalo Filho (fls. 2851/2869): enfoca as dificuldades econômicas brasileiras, sobretudo cambiais, que justificariam a adoção da política internacional da Marcopolo; e parecer técnico da KPMG Tax Advisors – Assessores Tributários Ltda. (fls. 2870/2876): apresenta e comenta dados sobre o desempenho econômico do grupo Marcopolo, com enfoque na participação tributária. Preliminarmente, a impugnante solicita a nulidade dos autos de infração em razão de (a) vícios e ilegalidades cometidos de forma abusiva no procedimento fiscalizatório, (b) improcedência da multa duplamente qualificada a pretexto de supostos embaraços à fiscalização e (c) enquadramento equivocado da conduta como omissão de receitas, já que os valores constantes nas notas fiscais emitidas nas operações de exportação para as empresas intermediárias corresponderiam aos preços efetivamente praticados pelas partes, sem recebimento “por fora” ou com diferença de preço recebida e não contabilizada. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 10 10 A impugnante nega com veemência haver recusado acesso aos dados e documentos solicitados pela fiscalização. As únicas lacunas (parciais) teriam ocorrido com relação a documentos de terceiros, os quais a própria fiscalização reconhece que a fiscalizada não seria obrigada a prestar. A demonstração de sua boafé estaria demonstrada no cumprimento das intimações, conforme esclarece o anexo I à impugnação (fls. 2570/2581), e pelo volume de documentos do processo, quase todo fornecido pela empresa. Demonstra inconformidade quanto à coação moral exercida pela fiscalização que, a partir de juízo préconcebido, interpretava cada resposta, documento ou informação prestada como indício de um suposto planejamento tributário ilícito. A autuada pleiteia seja declarada a decadência dos créditos tributários cujo lapso temporal desde o fato gerador até o lançamento tenha sido superior a 5 anos, conforme o art. 150, § 4º, do CTN. A contribuinte assinala a dificuldade de comprovar documentalmente fatos e atos ocorridos há mais de cinco anos, principalmente quanto aos atos que por sua natureza (atividade dinâmica) não são registrados, sendo consumidos e esgotados neles mesmos. São atos cuja comprovação decorreria somente de suas conseqüências, através dos registros e documentos relativos à venda efetivada pela intermediação. Seus rastros seriam a própria existência da figura do intermediador no negócio realizado e os documentos comerciais da compra e venda realizada, tais como faturas comerciais, comissões pagas, valores pagos e recebidos, despesas incorridas para a efetivação da venda e prospecção comercial. Tais documentos vêm sendo demonstrados à fiscalização, que sempre os tacha como “criados artificialmente”. “Como provar que foi ‘A’ (e não ‘B’) quem realmente iniciou e prospectou a venda para o cliente ‘C’?!” A impugnante pede o cancelamento integral dos lançamentos, mediante considerações que são adiante resumidas: 1) os autos de infração e o relatório fiscal não se preocuparam com a busca da verdade material quanto à ocorrência ou não de infração à legislação fiscal, mais parecendo peça de contestação às impugnações apresentadas para os autos dos anos anteriores, isenta de imparcialidade; 2) a atividade da fiscalização foi fundada em ilações premeditadas e generalistas que desconsideraram provas e esclarecimentos prestados durante o curso da fiscalização; 3) os supostos indícios das autuações passadas só podem ser utilizados para perquirir a verdade material dos respectivos exercícios – a jurisprudência é firme quanto aos limites de utilização da prova emprestada; 4) em mais de 3 anos, os agentes fiscais não conseguiram identificar prova cabal do suposto planejamento tributário ilícito – sua conclusão é baseada em conjecturas e suposições ou indícios; 5) a fiscalização manipula a interpretação sobre documentos, informações e alegações de defesa, apresentados para transformálos em indícios a corroborar sua tese de planejamento fiscal; 6) as empresas MIC e Ilmot foram constituídas com claras e concretas finalidades estratégicas e comerciais, que possibilitaram a expansão internacional do grupo Marcopolo; 7) MIC e Ilmot não foram constituídas com propósito de gerar redução fiscal, mas no contexto de uma bemsucedida estratégia operacional de expansão internacional Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 11 11 da Impugnante, implementada nos idos da década de 90, diante da situação econômica então vigente no país; 8) MIC e Ilmot são responsáveis pela organização e centralização de operações no exterior, atuando no financiamento, comercialização, apoio técnico e assistência pósvenda e mitigando riscos políticos, cambiais e financeiros brasileiros; 9) a estrutura internacional utilizada pela impugnante é legítima e comum no Brasil e no mundo, sendo adotada e divulgada inclusive por empresas públicas como a Petrobrás; 10) as operações de compra e venda (intermediação) desconsideradas pela fiscalização foram realizadas em razão de melhor se adequarem às necessidades comerciais, negociais e financeiras; 11) a autonomia privada e o direito de propriedade não são absolutos e ilimitados, mas o exercício do poder arrecadador não pode ultrapassar o próprio limite da lei, punindo o contribuinte por aquilo que praticou sem qualquer vício, em conformidade com o ordenamento; 12) o planejamento tributário ilícito ocorre quando o contribuinte realiza operações visando exclusivamente à redução da carga tributária, sem a submissão de fato aos efeitos decorrentes dessas operações, quer pela anulação de seus efeitos por meio de outros atos, quer pela mera não observância de tais efeitos – as operações de compra e venda desconsideradas ocorreram efetivamente e foram praticadas pelas partes, estando comprovadas em todos os seus aspectos comerciais, financeiros e jurídicos; 13) as operações ora questionadas não se enquadram no conceito de planejamento tributário ilícito, visto que decorrem da estrutura de internacionalização e exportação adotada, submetendose a todos os efeitos jurídicos e de fato decorrentes do modelo operacional; 14) a interpretação dos negócios jurídicos não pode significar a interpretação arrecadatória; 15) a fiscalização efetivamente desconsiderou atos jurídicos praticados; porém, como a desconsideração ainda não tem regulamentação legal, a figura da simulação foi utilizada indevidamente para justificar a autuação; 16) a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária nunca foi regulamentada, como previsto no parágrafo único do art. 116 do CTN, com a redação dada pela Lei Complementar nº 104/01; 17) a fiscalização reconhece a intermediação da MIC nas operações com a Bidayah; entretanto, para o universo das demais operações praticadas, desconsidera os efeitos da "intermediação", tratando indevidamente a MIC/ILMOT como centrais de refaturamento; 18) as exportações em questão consistem basicamente em duas operações principais (venda da impugnante para MIC/Ilmot e destas para os consumidores finais) e outras operações acessórias (com representantes comerciais e com instituições financeiras) – todas foram declaradas e quistas pelas partes, havendo total compatibilidade entre a forma e o conteúdo (substância) das mesmas; 19) As transações submeteramse aos seus regulares efeitos jurídicos, inclusive aos caracterizadores da própria compra e venda – entrega da mercadoria e recebimento do preço quanto aos vendedores (Marcopolo e MIC/Ilmot) e recebimento da Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 12 12 mercadoria e pagamento do preço quanto aos compradores (MIC/Ilmot e consumidores finais); a lei faculta a remessa de bens diretamente do vendedor original aos consumidores finais, sem que haja trânsito físico pelo adquirente intermediário (compra e venda por conta e ordem, como mencionado na Medida Provisória nº 2.15835/01); 20) as operações da impugnante com a remessa física das mercadorias diretamente aos compradores finais também encontram respaldo nos Protocolo ICMS 10/94 e no Convênio ICMS 59/2007; 21) as operações de compra e venda realmente ocorreram, sendo devidamente formalizadas com a participação efetiva e decisiva de MIC e ILMOT; 22) a existência das controladas como pessoas jurídicas que se relacionam validamente com outras partes e participam de pólo relacional subjetivo como titulares de direitos e obrigações comprova sua participação nas operações; 23) os conceitos de pessoa jurídica (sujeito de direito) e de estabelecimento comercial (reino das coisas) são distintos: o que define a pessoa jurídica é a sua capacidade de realizar negócios e gerar riqueza, mas não o tamanho de seu estabelecimento (estrutura empresarial: armazéns, funcionários etc.); 24) assim como as trading companies, MIC e Ilmot possuem estruturas operacionais compatíveis e necessárias para a execução de suas atividades, facilitadas pelas poderosas ferramentas disponíveis de tecnologia da informação, não se resumindo às operações desconsideradas; 25) é incorreta a insistência da fiscalização em apontar a inexistência de contratos de compra e venda de MIC e Ilmot como indício de simulação, bem como a afirmação de que as cartas de crédito representariam apenas “negócios jurídicos aparentes”: cartas de crédito são os instrumentos utilizados no quotidiano internacional para garantia de pagamento e cumprimento das obrigações pelo comprador; 26) a existência de gestão comercial no exterior e a utilização de extensa rede de representantes comercial constituem prova da efetiva intermediação de MIC e Ilmot, cujas atividades operacionais estão fundadas na coordenação, administração e expansão de uma rede de representantes comerciais espalhados pelos diversos países e regiões do mundo, sendo estes os responsáveis pelo contato direto com as empresas ou pessoas consumidoras das carrocerias fabricadas pela Marcopolo S.A.; 27) documentos já apresentados e outros anexos à impugnação confirmam a materialidade e o papel da MIC na efetiva intermediação das operações de exportação, feita essencialmente por representantes comerciais geridos pela MIC; 28) a Marcopolo designou o Sr. Rafael Adauto da Costa, através da controlada integral da MIC, Marcopolo of America, como efetivo gestor comercial da MIC e Ilmot no período de 2001 e 2002; 29) a atuação comercial de Rafael Adauto da Costa – reconhecida pela fiscalização e confirmada por detalhamento de contas telefônicas (ligações para a Marcopolo, representantes comerciais da MIC e Ilmot no exterior e clientes) – implica a intermediação de MIC e Ilmot nas operações; 30) a maior parte dos depósitos efetuados à Marcopolo of America proveio da MIC; 31) os contratos de financiamento de MIC/ILMOT em que a Marcopolo aparece como garantidora não indicam nada suspeito ou simulador, mas constituem prova da efetiva participação das controladas nas operações (é prática usual nomear controladores como garantidores); Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 13 13 32) o compartilhamento de recursos humanos entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico não configura indício de irregularidade, tampouco serve de argumento para provar a inexistência de intermediação das controladas; 33) as despesas incorridas por MIC e ILMOT para a consecução das vendas realizadas, bem como a remuneração paga aos gestores comerciais dessas empresas, sequer são mencionadas pelas autoridades fiscais por contrariarem sua tese; 34) os vínculos entre a Marcopolo e alguns compradores finais, tais como a Polomex e Marcopolo South Africa não representam planejamento tributário ilícito, mas opção de modelo negocial, exercida há mais tempo, em decorrência de condições adversas em nosso país, de ordem econômica, cambial e burocrática; 35) vendas para empresas uruguaias pela MIC e não Ilmot decorrem de razões comerciais e negociais – não existe ilegalidade na busca de tratamento fiscal neutro e não compete às autoridades fiscais brasileiras exercer ingerência sobre as operações da impugnante; 36) o modelo operacional do grupo Marcopolo foi implementado na década de 90 e está em operação até os dias de hoje; evidenciase, com isso, que não houve o intuito de livrar a impugnante da tributação dos lucros no exterior conforme previu a MP 215835, de 24 de agosto de 2001; 37) é desproposital a insinuação da fiscalização sobre um suposto “conluio” da Fiergs e CIC Caxias do Sul com a impugnante na prestação de informações, sendo é nula a relação direta da impugnante com essas entidades; 38) as autoridades fiscais não poderiam desconsiderar os preços praticados, taxando os de subfaturados, com base em simulação, uma vez que a legislação determina que aqueles preços, uma vez sujeitos aos ajustes de preços de transferência, equivalem aos preços praticados entre terceiros independentes – a aplicação dessas regras exaurem a de qualquer outro normativo em relação à suposta simulação; 39) São equivocadas as metodologias adotadas para determinar a base de cálculo do IRPJ, implicando na anulação dos autos de infração; 40) o cálculo utilizado para as “exportações cujos dados foram integralmente informados” não obedece a qualquer critério legal, partindo da premissa de que MIC e Ilmot não existem de fato e não considerando os seus custos incorridos: se as receitas daquelas empresas são da impugnante, as despesas delas também o seriam; 41) por não ter havido omissão de receitas, é ilegítima a aplicação dos arts. 284 e 285 do RIR/99 para o arbitramento das “exportações com informações incompletas”; ainda nesse caso, o arbitramento estaria sendo realizado através de critérios discricionários e com a aplicação inadmissível de ficção para fins de apuração do lucro real; ademais, foram desconsiderados os custos incorridos nos “artifícios estatísticos” utilizados para fixação do percentual de omissão; 42) no caso das “exportações com suposta intermediação de Bidayah e MIC”, as operações comprovam a participação material das controladas e não representam indício de simulação, sendo descabidas as acusações de conluio com outras empresas; a fiscalização não tem elementos, provas indiciárias ou prerrogativas para afirmar que Taseco ou Bidayah tenham contribuído para a suposta fraude; a impugnante apresenta planilha, nos moldes da elaborada pelo fisco, demonstrando que os valores arbitrados distanciamse dos reais valores praticados nas operações: é mínima a diferença entre o valor faturado pela Marcopolo com os fabricantes de chassis e o valor pago pela importadora final à MIC se comparada ao arbitrado pela fiscalização (fls. 2481/2569); Fl. 13DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 14 14 43) além de a aplicação da multa de 150% não encontrar suporte nos contornos legais do inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/86, não houve evidente intuito de fraude; no máximo houve erro de proibição, eis que existiam, à época das operações autuadas, inúmeras decisões do Conselho de Contribuintes confirmando a validade e licitude na espécie das operações praticadas; 44) o agravamento da multa é indevido, pois o único documento que a contribuinte deixou de apresentar à fiscalização – e parcialmente –, consiste em planilha com dados da MIC e Ilmot – não houve qualquer embaraço à ação fiscal; 45) se a fiscalização desconsidera a intermediação da MIC/Ilmot e diz que as controladas não existem para fins das operações, não pode afirmar que houve pagamento a beneficiário não identificado ou cuja causa não é conhecida e exigir IRRF sobre pagamento e recebimento decorrentes da mesma pessoa jurídica, a impugnante; 46) o IRRF é fundamentado em remessa fictícia de valores para o exterior (não houve pagamentos da Marcopolo para MIC e Ilmot) e tem cobrança indevida, pois não houve incidência em qualquer das hipóteses do dispositivo utilizado como enquadramento legal do auto de infração, art. 674, caput e § 1º, do RIR/99 (art. 61, caput e § 1º, da Lei nº 8.981/1995 – pagamento a beneficiário não identificado ou pagamento sem causa); 47) a autuação trata de suposta omissão de receitas, situação antagônica à da exigência de IRRF: pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja causa não seja conhecida; 48) o resultado do procedimento ilegal da fiscalização fere a capacidade contributiva da contribuinte e constitui evidente contradição, eis que tributa duas vezes a mesma renda, adotando hipóteses excludentes: rendimento no Brasil (IRPJ e CSLL) e remessa ao exterior (IRRF); 49) o reajuste da base de cálculo, com base no art. 20 da IN SRF 15/01, contraria o art. 43 do CTN, já que haveria tributação sobre o próprio montante do tributo devido; e 50) não bastasse a ilegalidade da IN SRF nº 15/01, o fiscal errou no cálculo do IRRF proposto na norma (ao não considerar a dedução da classe do rendimento pago). A impugnante ainda protesta pela posterior juntada de documentos. A decisão recorrida está assim ementada: DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. Comprovada a simulação, cabe à fazenda pública desconsiderar os efeitos dos atos viciados, para que se operem conseqüências no plano da eficácia tributária, independentemente de prévia manifestação judicial a respeito da validade do ato viciado ou de as operações estarem sujeitas a outras regras legais de controle tributário, por envolver empresas sediadas em países com regimes tributários favorecidos. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 15 15 OMISSÃO DE RECEITAS. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. BASE DE CÁLCULO. A fiscalização não está obrigada a perseguir despesas não contabilizadas para considerálas na formação da base de cálculo do IRPJ e CSLL, mormente se o contribuinte foi o artífice da omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITA. ARBITRAMENTO. A legislação autoriza o arbitramento da receita por métodos facultativos quando, identificada a omissão por indícios, o contribuinte adota artifícios para frustrar a apuração efetiva. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. OPERAÇÃO OU SUA CAUSA NÃO COMPROVADA. Todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas cuja operação ou sua causa não for comprovada está sujeito à incidência de IRRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, cabendo reajustamento do respectivo rendimento bruto. MULTA QUALIFICADA. EXIGIBILIDADE. Mantémse a multa qualificada de 150%, estando configurado o intuito de fraude na simulação, utilizada para redução de tributos devidos. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. Justificase a aplicação da multa de ofício agravada se o contribuinte não fornece esclarecimentos nos prazos definidos em intimação. REFLEXOS: CSLL e IRRF. As considerações deduzidas para o IRPJ estendemse aos demais tributos quanto à coincidência de causas. Da decisão em referência, relativamente à parcela exonerada de crédito tributário efetuada, extraise os seguintes fundamentos: 2.1. Decadência (prejudicial de mérito) (...) No caso do IRRF, o vencimento do tributo ocorre no dia do pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). Os fatos geradores relativos a 28/12/2001 (sextafeira) e 29/12/2001 (sábado) ainda poderiam ser objetos de lançamento em 2001, o que conduz o início da contagem do prazo decadencial para 02/01/2002 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Assim, a decadência em relação a essas hipóteses ocorreria a partir de 02/01/2007. De outra forma, os demais fatos geradores de IRRF – inclusive 31/12/2001 – somente poderiam ser lançados em 2002, sendo 02/01/2003 o dia inicial para a contagem do prazo decadencial. A decadência teria ocorrido em 02/01/2008 se não houvesse a intimação do auto de infração em 10/12/2007. (...) 2.7. Divergência de valores utilizados como bases de cálculo (...) A impugnante prova a inexistência da simulação nas vendas com intermediação da MIC/Bidayah (fls. 2481/2569). As cópias das cartas de crédito trazidas ao processo, Fl. 15DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 16 16 abertas pelo Albank Alsaudi Alfransi, a pedido de Tamimi and Saihati Transport Co. (Taseco), representam o pagamento à MIC pela venda de 830 veículos (carrocerias e chassis). O valor pago proporcionaria a margem de lucro mínima para a controlada externa de 0,12%, o que representa percentual insignificante para a constatação de subfaturamento. Com isso, há que se indeferir nas exigências fiscais os valores relacionados a essas operações. (...) Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou em 09/07/2008 o recurso voluntário de fls. 3266 e seguintes, no qual traz uma síntese do modelo negocial empregado por ela em suas exportações, contesta as conclusões do acórdão recorrido e repisa os argumentos da peça impugnatória, sintetizados em seu memoriais, a seguir transcrito: (...) Contudo, conforme passará a demonstrar, os Autos de Infração não podem prosperar uma vez que: os lançamentos foram realizados após o prazo decadencial, quer pela regra prevista no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, quer pela regra do artigo 173,1, do mesmo diploma legal. o processo de fiscalização não buscou a verificação da efetiva ocorrência nos anos de 2001 e 2002 da alegada simulação supostamente perpetrada pela Recorrente, pautando suas conclusões em indícios e documentos referentes aos fatos ocorridos nos anos de 1999 e 2000. não houve simulação, uma vez que todas as operações efetivamente ocorreram da forma como declaradas, produzindo os efeitos jurídicos a elas inerentes, estando devidamente comprovadas, conforme documentos acostado aos autos; está comprovado nos autos a execução material das operações de revenda praticadas pela empresas MIC e Ilmot; Empresa constituída em 19 de agosto de 1992, Ilhas Virgens Britânicas. ' Empresa constituída em 27 de agosto de 1985, no Uruguai. ainda que se admitisse a desconsideração das operações, tal desconsideração não poderia ser parcial, sem considerar os custos e despesas relacionados às operações, sob pena de nulidade do lançamento; a Recorrente observou as regras de preço de transferência e tributação de lucros de controladas situadas no exterior, o que, pela natureza antielisiva dessa legislação, afasta qualquer acusação de manipulação dos preços nessas operações; não houve omissão de receitas, visto que todas as receitas estão devidamente registradas e declaradas; nesse mesmo sentido, ainda que fosse possível admitir a desconsideração no presente caso, imprescindível o afastamento da multa qualificada de 150%, visto que ausente o comportamento doloso por parte da Recorrente, bem como da multa duplamente qualificada de 225%, na medida em que a Recorrente atendeu a todas as solicitações da Fiscalização; e por fim, igualmente absurdo o lançamento do IRRF, uma vez que não verificada a ocorrência do seu critério material de incidência, já que a Recorrente não realizou qualquer pagamento para suas controladas. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 17 17 I DA DECADÊNCIA Não há como se sustentar os lançamentos em relação ao ano de 2001 e 2002, na medida em que foram atingidos pela decadência, nos termos do quanto disposto no art. 150, § 4o ou do artigo 173, I e parágrafo único, ambos do CTN, tendo em vista que a notificação da lavratura do auto de infração deuse em 10 de dezembro de 2007. Isso porque, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como no caso do IRPJ, CSLL e IRRF, a regra contida no art. 150, § 4o do CTN estabelece que o direito de realizar o lançamento fiscal decai após cinco anos da ocorrência do fato gerador, o que, na situação concreta ora discutida, importa na decadência do direito em 31.12.2006. Noutro giro, de qualquer forma, mesmo diante da aplicação do art. 173, I e parágrafo único, do CTN, por suposta existência de dolo, fraude ou simulação, a decadência teria ocorrido 02.01.2007, 22.03.2007 ou, quando muito, em 28.06.2007. Isso porque o Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento de que o termo inicial do prazo previsto no art. 173, I, do CTN, tem início no primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, conforme fica claro na seguinte decisão: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173. I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4o, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rei. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rei. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rei. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, 'Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3a ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10a ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3aed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 17DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 18 18 (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (RESP N° 973.733 SC, RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX) Salientese que, o Ministro da Fazenda, com objetivo de promover atividade integrativa entre a do Superior Tribunal de Justiça e a do Supremo Tribunal Federal com o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, editou recentemente a Portaria n° 586, de 21 de dezembro de 2010, que inseriu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n" 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § I o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2o O sobrestamento de que trata o § I o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. A partir deste dispositivo, os Conselheiros deverão reproduzir o entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no rito de recursos repetitivos. Aliás, tal iniciativa é louvável, pois, compatibiliza a atividade judicante administrativa, muito importante para resolução dos conflitos tributários, com a jurisprudência dos Tribunais Superiores. Assim, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça é de observância obrigatória no caso em tela, sob pena desta Egrégia Câmara afrontar o próprio Regimento Interno do CARF. Nesse mesmo sentido, o mesmo STJ, para casos específicos de decadência do direito à constituição do crédito tributário na hipótese de dolo, fraude ou simulação, entende que esse o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de lançamento seria a própria constatação e notificação do ilícito tributário, verbis: (...) 6. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). (...) (AGRESP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 1044953, Rei. LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:03/06/2009) (g.n) Fl. 18DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 19 19 Notese que no caso em tela, conforme pode ser observado no relatório da ação fiscal (fl. 82), a fiscalização tomou conhecimento a partir da representação fiscal, tombada sob o n° 11051.000143/200211, iniciada em 21.03.2002: 5. A presente ação fiscal tem suas raízes em Representação Fiscal proferida por meio de despacho exarado nos autos do processo n" 11051.000143/2002 11, que, após apresentar indícios de ilegalidade em exportações praticadas pela contribuinte, ponderou a possibilidade de aplicação do Método de Preços de Transferência ou a invocação do instituto do subfaturamento para autuar tributariamente a contribuinte. Logo, mesmo aplicandose a regra mais severa para casos de dolo, fraude ou simulação preconizada na jurisprudência do STJ, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal teria ocorrido em 21.03.2002, de forma que, ainda sim, o presente lançamento para o ano de 2001 e 2002, está fulminado pela decadência. Ademais, ainda que assim não seja considerado, no pior cenário, a decadência do direito à constituição do crédito tributário teria ocorrido em 29 de junho de 2007, após cinco anos da entrega da declaração de rendimentos pelo contribuinte, que ocorreu em 28 de junho de 2002. Veja que, acerca dessa contagem, a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais possui entendimento pacífico, conforme abaixo exemplificado: IRPJ, PIS, COFINS E CSLL DECADÊNCIA A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da natureza e modalidade originária de apuração, para o IRPJ aplicasse a regra decadencial prevista no § 40 do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o início da contagem do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores (artigo 173, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Recurso Especial Negado. (CSRF/ 01 06.081, Rei. Cons. Karen Jureidini Dias, Pres. Antônio Praga) Assim, fica claro que, por qualquer uma das possíveis interpretações acerca da contagem do prazo decadencial previsto no art. 173 do Código Tributário Nacional, é certa a ocorrência da decadência do direito fiscal à constituição do crédito tributário para o ano de 2001 é 2002. II DA NÃO OCORRÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO PARA OS ANOS DE 2001 E 2002 É de crucial importância deixar claro que o processo de fiscalização que culminou na lavratura dos autos de infração ora combatidos, não buscou a verificação da efetiva ocorrência nos anos de 2001 e 2002 da alegada simulação imputada à Recorrente. Isso porque, equivocadamente, entendeu a fiscalização que as operações de exportação da Recorrente para suas empresas controladas no exterior MIC e Ilmot e a revenda destas para seus clientes teriam ocorrido nos exatos termos daquelas realizadas nos anos de 1999 e 2000. Assim, tendo sido constatadas supostas irregularidades nas exportações e revendas nos anos de 1999 e 2000, concluiu que nos anos de 2001 e 2002, também teriam ocorrido as mesmas irregularidades. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 20 20 Dessa forma, todo o conjunto indiciário apontado pela fiscalização como indicativo da suposta simulação ocorrida nas operações de 2001 e 2002 referemse aos anos de 1999 e 2000, ou seja, não há provas ou indícios de que haveria irregularidades nas exportações e revendas que motivaram a lavratura dos autos de infração em debate. Ao contrário, conforme veremos a seguir, a Recorrente trouxe aos autos provas contundentes da regularidade das operações praticadas nos anos de 2001 e 2002, que foram solenemente ignoradas pela decisão de primeiro grau. III DA AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO De acordo com a decisão de primeiro grau, o "esquema geral da simulação" (fls. 3142) identificado pela autoridade fiscal consistiria nas seguintes etapas: a) Clientes entrariam em contato com a Recorrente em Caxias do Sul Br; b) Após negociações comerciais com a Recorrente, introduziase uma de suas controladas offshore MIC ou Ilmot; c) Por meio de uma série de operações, simulavase a participação das empresas controladas no exterior nas revendas para clientes; d) A documentação correspondente às operações era expedida e assinada pela Recorrente; e) Os clientes pagariam às empresas controladas, que repassariam apenas parte dos valores para a Recorrente; Por sua vez, os seguintes indícios foram apontados na decisão como determinantes para a conclusão acerca da existência de simulação: a) As empresas controladas no exterior estariam localizadas em paraísos fiscais BVI e Uruguai; b) Não haveria evidências da participação das controladas nas operações de revenda; c) As empresas controladas não possuiriam estabelecimentos e funcionários condizentes com o volume de operações praticadas; d) Os documentos correspondentes às revendas realizadas pelas controladas seriam expedidos e assinados por funcionários da Recorrente em Caxias do Sul Br. Vejamos, pois, as razões pelas quais a Recorrente reafirma que a acusação de simulação apontada nos anos de 2001 e 2002 é absolutamente destituída de comprovação e, por outro lado, as provas trazidas aos autos, porém, ignoradas pela decisão de primeiro grau, que demonstram a correção das vendas realizadas pela Recorrente e suas controladas. IV DA COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES PRATICADAS Conforme mencionado, a primeira etapa da suposta simulação praticada consistiria no contato de clientes localizados no exterior com a Recorrente (Marcopolo S.A.), com a conseqüente negociação comercial sobre as condições de venda carrocerias de ônibus. Importante notar que, desde já, nenhuma prova ou indício é apontado pela fiscalização ou pela decisão de primeiro grau como motivador da conclusão de que Fl. 20DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 21 21 os clientes situados no exterior entravam em contato e negociavam diretamente com a Recorrente a venda das carrocerias. Repitase, ao longo dos cinco anos em que a Recorrente vem sendo fiscalizada acerca da presente operação, em nenhum momento qualquer indício documentos, evidência de ligações telefônicas, correspondências, mensagens eletrônicas, etc... foi trazido pela fiscalização para demonstrar a primeira etapa da simulação por ela apontada, qual seja, o contato com clientes situados no exterior com a Recorrente. E não há indícios ou provas desse contato, por mais óbvio que pareça, porque, simplesmente, os clientes situados no exterior NÃO ENTRAM EM CONTATO OU NEGOCIAM DIRETAMENTE COM A RECORRENTE, mas sim com representantes comerciais situados em países diversos, contratados (doe. 01 fls. 1289/1424) e geridos e comissionados (doe. 02 fls. 1188/1197 e fls. 2636/2660 dos autos) pelas empresas MIC e Ilmot. Notem que as atividades exercidas pelas empresas MIC e Ilmot consistiam basicamente na gestão dessa rede de representantes comerciais situados em diversos países, responsáveis pela prospecção e o contato direto com os clientes, gestão financeira para a captação de financiamentos no exterior e gestão da assistência técnica e garantia dos produtos fabricados pela Recorrente. Essas atividades de gestão, parece evidente, não demandam o uso intensivo de mão deobra ou o uso de uma estrutura operacional complexa, mas apenas e tão somente a capacidade laborai de um gestor e um escritório com funcionalidades básicas (linha telefônica, fax, email, computador e secretária). Nesse sentido, restou comprovado pela Recorrente que, nos anos de 2001 e 2002, tal atividade de gestão era exercida pelo Sr. Rafael Adauto, que possuía a sua disposição a estrutura operacional necessária para o exercício de suas atividades. Acerca da comprovação da atividade de gestão comercial da rede de representantes comerciais das empresas MIC e Ilmot, gestão financeira e da assistência técnica e garantia dos produtos fabricados pela Recorrente, foram trazidos aos autos os seguintes documentos: • Contas telefônicas com o detalhamento das ligações realizadas e recebidas para diversos clientes, representantes comerciais e para a Recorrente, bem como emails (docs. 03); • Comprovantes de despesas de viagens para visitas comerciais à clientes e representantes comerciais (doe. 04); • Comprovantes de despesas de assistência técnica e garantia dos produtos Marcopolo (does. 05 fls. 669 e seguintes); Vale mencionar que a decisão de primeiro grau, apesar de reconhecer a participação do Sr. Rafael Adauto como gestor das empresas MIC e Ilmot3, afasta a pertinência da documentação trazida sob o argumento de que não teria restado demonstrada a relação direta entre as despesas e as exportações fiscalizadas, além do referido gestor possuir vínculo empregatício com a Marcopolo no período. (A propósito da participação do Sr. Rafael Adauto da Costa como gestor da MIC e ILMOT, cuja atuação foi reconhecida pela própria fiscalização, há que se registrar que não há vinculação formal dessa participação com as vendas consideradas simuladas, além do fato de o gestor possuir vínculo empregatício com a Marcopolo no período. ) Fl. 21DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 22 22 Vejam, contudo, que essas singelas justificativas não são suficientes para afastar a robustez das provas de execução material das atividades de negociação comercial e revenda exercidas pelas empresas MIC e Ilmot por meio de seu gestor Rafael Adauto. Isso porque os comprovantes de despesas com viagens comerciais, contatos e correspondências com clientes e representantes resultaram sim nas vendas realizadas pelas empresas MIC e Ilmot e, por conseqüência, nas exportações realizadas pela Recorrente. A esse respeito, impende mencionar apenas como exemplo, os comprovantes de ligações e viagens para os representantes e clientes, que resultaram na venda e exportação das carrocerias nos anos fiscalizados. Veja que nas fls. 24412442 dos autos, encontrase juntada a conta telefônica da Marcopolo of America dos meses de abril e maio de 2002 (doe. 03). Esta conta registra uma ligação feita em 21/05/2002 para o número 0115065513119. Este número pertence à empresa Importaciones Zuzu, S.A., representante comercial da MIC na Costa Rica (contrato de representação comercial juntado às fls. 13261338), conforme se comprova pelo documento anexo (doc. 03). Registrese que no documento ora anexado, a representante comercial enviou, em 08.05.2002, após receber solicitação formal do cliente, uma cotação para a venda de uma carroceria modelo Torino, montada sob chassi Volvo. Esta carroceria de n° 3562002 acabou sendo faturada em 20.09.2002 e consta da planilha do fisco, juntada à fl. 434. Não se argumente que se trata de uma operação isolada, vez que desde 2001, a empresa Importaciones Zuzu, S.A. já realizava a venda de carrocerias para sua representada MIC, conforme se infere pelo documento ora anexado (doe. 03), no qual fica evidenciada a venda da carroceria de n° 128925, constante da planilha do fisco às fls. 433. Da mesma forma, quanto à assertiva de que o gestor comercial da MIC e da ILMOT possuía vínculo empregatício com a Marcopolo no período, é inegável o reconhecimento da Recorrente de que as empresas MIC e ILMOT compõem o grupo Marcopolo. Assim, é óbvio que os serviços prestados pelos trabalhadores das controladas (MIC e ILMOT) impactam toda a atividade do grupo. Nessa toada, visando não prejudicar o contrato de trabalho e a relação empregatícia dos empregados da Recorrente que foram deslocados para o exterior (expatriados), a Recorrente adotou a forma mais conservadora do ponto de vista fiscal, arcando com o pagamento das obrigações tributárias e fiscais desses empregados deslocados. Ademais, a manutenção do vínculo fez parte do acordo de transferência do Sr. Rafael Adauto para os Estados Unidos da América, tendo sido acertado que a Recorrente teria de dar continuidade ao pagamento das contribuições previdenciárias do gestor comercial ao Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS). Salientese que tais razões são completamente irrelevantes para a caracterização da efetiva execução material das operações de exportação em comento. Isto porque, como visto, nada impede, inclusive, o aproveitamento de recursos humanos e materiais de outras sociedades do grupo empresarial a que pertencem, ainda mais se levarmos em consideração o elevado estágio de desenvolvimento da tecnologia da informação que vivenciamos. Esse compartilhamento de mãodeobra, inclusive, prática usual no mercado, não apresenta nada de estranho ou dissimulador, Fl. 22DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 23 23 tratandose, apenas, de medidas de cunho operacional com vistas a otimizar recursos, minimizando, portanto, os custos. V DEMAIS INDÍCIOS APONTADOS PELA FISCALIZAÇÃO Como mencionado, além da suposta falta de comprovação da execução material das operações de revenda pelas empresas MIC e Ilmot, cujas provas já foram tratadas no tópico anterior, a decisão recorrida ainda arrola alguns indícios de simulação que motivaram a manutenção dos Autos de Infração, quais sejam, as empresas controladas no exterior estariam localizadas em paraísos fiscais BVI e Uruguai; as empresas controladas não possuiriam estabelecimentos e funcionários condizentes com o volume de operações praticadas; os documentos correspondentes às revendas realizadas pelas controladas seriam expedidos e assinados por funcionários da Recorrente em Caxias do Sul Br. Acerca do fato das empresas MIC e Ilmot estarem situadas em países com tributação favorecida BVI e Uruguai a Recorrente, apoiandose em seu direito de escolha, elegeu as localidades que lhe melhor convinha para a consecução de seus objetivos. (Nesse sentido, reportandose às atividades desempenhadas, pela MIC e Ilmot, verificouse que necessitavam, para sua melhor consecução, de um ambiente que permitia um fluxo ágil e seguro de valores, com flexível controle cambial, infraestrutura desenvolvida, além de eficazes serviços financeiros e legais, condições ambientais essas proporcionadas, normalmente, pelos denominados Centros Financeiros Offshore (CFOs) paraísos fiscais, na linguagem da administração.) Veja que a localização dessas empresas, em países com tributação favorecida, no máximo, poderia indicar uma motivação de economia fiscal pela Recorrente, o que não é, contudo, indicativo de irregularidade ou simulação de operações de revenda, especialmente quando tais operações e a participação dessas empresas restaram cabalmente evidenciadas. Da mesma forma, o fato estrutura física dos estabelecimentos das empresas MIC e Ilmot resumiremse a uma sala locada com equipamento básicos de escritório e funcionários administrativos terceirizados (cuja existência, além de não contestada, restou comprovada por meio de certidões notariais doe. 06 fls. 2672 e 2674/2675), tampouco representa um indicativo de que tais empresas não executaram as atividades pelas quais são responsáveis. Com efeito, tal como mencionado, as atividades exercidas por tais empresas fundamentalmente referemse à atividades de gestão comercial de seus representantes comerciais, gestão financeira e gestão da assistência técnica e garantia. Essas atividades fim, como já ressaltado, prescindem da utilização intensiva de mão deobra ou de complexa estrutura física, bastando para sua execução uma estrutura operacional mínima que possibilite o contato com clientes, representantes comerciais, oficinas mecânicas e agentes financeiros, especialmente quando, como no presente caso, parte das atividades meio administrativas e de suporte eram realizadas por outras empresas do grupo. Aliás, se considerado o total dos representantes comerciais e oficinas credenciadas que são contratados pelas empresas MIC e Ilmot o número de pessoas e recursos envolvidos nas operações praticadas por essas empresas multiplicase exponencialmente, chegando a aproximadamente trezentos funcionários. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 24 24 Assim, não é espantoso, como quer fazer crer a decisão recorrida, a disparidade entre essa estrutura e o volume de operações realizadas, visto que foi exatamente ela que levou à expansão internacional do grupo Marcopolo. Por fim, em relação ao fato dos documentos de venda das empresas MIC e Ilmot para clientes serem expedidos e assinados por funcionários da Recorrente localizados em Caxias do Sul RS, importa dizer que, dentro de um contexto de grupo empresarial, não havia outra forma de operacionalizar a entrega das mercadorias revendidas sem que tais documentos acompanhassem as mercadorias desde sua fabricação do Brasil. Vejam que, o que é trazido pela decisão como um grande indício da simulação é a existência de funcionários da Impugnante que, mediante procuração e sem receber remuneração das empresas MIC e ILMOT, tinham poderes para atuar perante portos, aeroportos nas atividades de desembaraço aduaneiro, obtenção de documentação de exportação e transporte e embarque de mercadorias. Ora, a Recorrente sempre afirmou que determinado documentos aduaneiros, por exigência da própria legislação aduaneira e comercial, eram impressos e assinados por procuradores das empresas MIC e ILMOT no Brasil, o que, aliás, encontravase devidamente previsto nos contratos de agenciamento e distribuição firmados, muito antes de qualquer procedimento de fiscalização, entre a Impugnante e a MIC e a ILMOT. Não há qualquer vedação legal ou indício de simulação nisso, pelo contrário, visto que sem tais documentos não seria possível se realizar as remessas por conta e ordem de terceiros, tal como ocorrido no presente caso. Vale ressaltar, inclusive, que terceiros, escritórios contratados, despachantes aduaneiros, poderiam imprimir e assinar (mediante procuração) os mesmos documentos em nome das empresas no exterior, o que, por obviedade e economia de custos, não foi realizado. Dessa forma, a Recorrente demonstra que não há qualquer irregularidade nas exportações e revendas objeto dos Autos de Infração ora discutidos, estando comprovado nos autos a execução material e participação das empresas MIC e Ilmot, de forma que deve ser afastado qualquer acusação de simulação nas operações em tela. VI DO CRITÉRIO ERRÔNEO DO CÁLCULO É preciso mencionar, ainda, que, mesmo que superado todos os argumentos acima expostos, e admitida a acusação fiscal de planejamento fiscal irregular, ainda sim, os Autos de Infrações lavrados não merecem prosperar visto que o suposto crédito tributário foi calculado sem qualquer critério estabelecido em lei e sem considerar os custos incorridos e as despesas efetuadas pela MIC e Ilmot nas operações "desconsideradas". Com efeito, se entende a fiscalização que as receitas supostamente omitidas são em realidade auferidas pela Recorrente, da mesma forma deveria considerar que todos os custos e despesas relacionadas também são da Recorrente, ou seja, se é para se desconsiderar as operações, imprescindível que se faça por inteiro, realizando o cálculo do crédito tributário com base na real materialidade do tributo em tela, isto é, apurando o eventual lucro dessa "operação". Aliás, de crucial importância é a menção de julgado proferido pelo E. Conselho de Contribuintes, o qual, muito embora tratando de tradings interposta no país, Fl. 24DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 25 25 determinou, além da descaracterização da simulação, a imputação dos custos no cálculo fiscal relativamente às receitas omitidas . " SIMULAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO DE CONTROLADA. Demonstrada a constituição simulada da empresa controlada, com o objetivo de gozar indevidamente de isenção tributária, cabe a exigência do imposto devido. SIMULAÇÃO POR INTERPOSTA PESSOA. Caracterizase pela venda, à controlada, de bem por valor muito inferior àquele já negociado, pela controladora, com cliente do exterior. Nesse mesmo sentido, na sessão de abril de 2008, a 1a Turma da CSRF confirmou decisão da 1 a Câmara (sessão de 15.06.2005) relativamente à empresa MLSP Comércio e Participações Ltda. (processo 11080.007081/200212), justamente para reafirmar que no caso de desconsideração de operação, em razão de planejamento fiscal irregular, há que se desconsiderar completamente os efeitos da operação irregular, tributandose a operação subjacente, sob pena de nulidade do auto de infração. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. A base de cálculo do importo devido, em decorrência da simulação, corresponderá à soma algébrica das receitas, custos e despesas que haviam sido escrituradas em contabilidades distintas, com a exclusão, destas, do valor da despesa de correção monetária resultante da manutenção indevida, no Patrimônio Líquido, de valores que, correspondentes à Provisão para o Imposto de Renda, deveriam compor o Passivo Circulante. Nesse sentido, vide 1 ° CC. I o Câmara. Acórdão n° 101 95.537. Sessão de 24 de maio de 2006. VII DA MULTA AGRAVADA Por fim, não se pode deixar de repisar que o intuito doloso é prérequisito para a aplicação da multa de 150%. Entretanto, no caso em análise não há dolo e não houve sequer tentativa de impedir o conhecimento dos atos praticados, dada a evidência como eles se externaram publicamente e na contabilidade, bem como foram dados ao direto conhecimento da fiscalização, razão pela qual não há como se aplicar a multa agravada. Ora, no presente caso, se sequer a hipótese de simulação pode ser alegada, como demonstrado à exaustão nas linhas acima, com muito maior razão, a hipótese de evidente intuito de fraude deve ser afastada, com o conseqüente afastamento da multa agravada de 150%. Ademais, não se pode deixar de mencionar que o evidente intuito de fraude resta inexoravelmente descaracterizado quando a conduta do contribuinte, à época dos fatos, afiguravase para ele sob o manto da licitude e amparo do direito. Isto é, num esforço de imaginação, caso desconsiderado tudo o quanto demonstrado pela Recorrente, é certo que se tratando de erro de proibição não tem cabimento a multa agravada. Esse entendimento vem sendo corroborado pelos mais recentes julgados deste E. CARF. VIII DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA DUPLAMENTE QUALIFICADA (225%) De plano, salta aos olhos relativamente ao procedimento realizado em 2007, a imposição da astronômica multa de 225% pelos agentes fiscais, supostamente em razão da Recorrente não ter apresentado os documentos solicitados pela fiscalização. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 26 26 Com efeito, vislumbrase que parágrafo 2°, do art. 44, da Lei n° 9.430/96 estipula o aumento em metade sobre a multa já qualificada de 150%, totalizando 225%, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para ( i ) prestar esclarecimentos, (ii) apresentar os arquivos de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei 8.218/91 e (iii) apresentar a documentação do art. 38 da própria lei. Contudo, tal situação não ocorreu no caso concreto, haja vista que a Recorrente atendeu a todas as solicitações da fiscalização (fls. 584 demonstra a boafé da Recorrente), conforme se extrai da simples evolução histórica da apresentação das respostas no PRAZO SOLICITADO E/OU CONCEDIDO: ANEXO I DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA FLS. 2570/2581: Todas as intimações foram respondidas (ainda que de forma contrária aos interesses do Fisco), o que já afasta, de plano, a multa duplamente qualificada, na medida em que sua incidência requer conduta do contribuinte que cause embaraços ou dificuldades à Fiscalização; Todos os documentos de titularidade e propriedade da Marcopolo, exigidos com base em lei, foram apresentados. Todos os documentos, os quais embora de terceiros (não havendo, assim, obrigatoriedade da Recorrente de apresentálos), que a Recorrente conseguiu obter junto às suas controladas no exterior foram, igualmente, entregues. Quando a Recorrente solicitava dilação de prazo para apresentação dos documentos, tal pedido sempre foi devidamente justificado e costumeiramente deferido pela Fiscalização; Na última intimação recebida em 2007 a Recorrente esclareceu que entregaria as informações e documentos solicitados tãologo os obtivesse do exterior, uma vez que diferentemente dos anos anteriores as informações e documentos solicitados referiamse a dois anos calendários. 2001 e 2002; Não há previsão legal para a imposição da multa agravada quando o contribuinte deixa de fornecer à Fiscalização planilha de dados contemplando exportações realizadas por outras pessoas jurídicas, mormente quando a Fiscalização poderia obter tais dados por outras fontes. Assim, é importante que se diga e repita quantas vezes for necessário: A RECORRENTE AGIU NOS TERMOS DA LEI E EM CONFORMIDADE COM AQUILO QUE ESTAVA À SUA DISPOSIÇÃO (veja que a Recorrente sofreu a exigência de preencher planilha com 3.000 operações comerciais da Marcopolo S.A. e outras empresas e mesmo assim o fez), ATENDENDO E RESPONDENDO ÀS SOLICITAÇÕES FISCAIS, MAS, JAMAIS, AGINDO COM QUALQUER CONDUTA QUE PUDESSE CARACTERIZAR EMBARAÇO OU DIFICULDADES À FISCALIZAÇÃO, À QUAL SEMPRE TEVE AMPLO ACESSO ÀS INSTALAÇÕES DA RECORRENTE E DOCUMENTOS FISCAIS E CONTÁBEIS DE SUA TITULARIDADE. Vale dizer que, atender insatisfatoriamente aos interesses fazendários é muito diferente de causar embaraços à fiscalização ou escusarse a apresentálos, de forma a não legitimar, EM HIPÓTESE ALGUMA, A INCIDÊNCIA DA MULTA DUPLAMENTE QUALIFICADA, conforme, inclusive, já decidiu esse E. Conselho: Acórdão n° 101 97.110 Sessão 04/02/2009 Fl. 26DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 27 27 Relator: Valmir Sandri. (Presidente da Câmara: Antônio Praga) Ementa: MULTA AGRAVADA Não há o que se falar em agravamento da multa de oficio, na hipótese do arbitramento do lucro da pessoa jurídica pela não apresentação dos livros e documentos. (Decisão unânime) Acórdão n° 101 94.189 Sessão 13/05/2003 Relator: Kazuki Shiobara Ementa: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. Quando o sujeito passivo apresentou os esclarecimentos, ainda que parcialmente, e entregou os livros e documentos disponíveis, não cabe o agravamento da multa. Por conseguinte, considerando o simples atendimento à fiscalização pela Recorrente, emerge incontroversa a IMPOSSIBILIDADE de aplicação da multa de 225%. Isso porque, como cediço, a multa duplamente qualificada é medida extremada que somente deve ser aplicada quando o contribuinte causa embaraços ou dificulta a fiscalização. Entretanto, não houve por parte da Recorrente, qualquer conduta que embaraçasse ou dificultasse o procedimento de fiscalização, o que é comprovado, também, pela farta documentação já acostada aos autos, os quais já somam 13 volumes. Pois, como demonstrado acima, a Recorrente sempre respondeu e atendeu a fiscalização, permitindo o conhecimento de todas as suas operações. Por fim, por cuidar da multa agravada, vale lembrar que a decisão recorrida considerou a operação Bidayah legítima, uma vez reconhecida a margem de 0,12% como "margem de lucro mínima"; ao mesmo tempo, não poderia deixar de desconsiderar a multa de 225% sobre essas operações, pois foi exatamente sobre os valores de vendas finais não determinados que a fiscalização imputou essa multa majorada. Dessa forma, mostrase incorreção no cálculo do quadro de valores exonerados que deve ser corrigido por este Conselho, ou mesmo de ofício pela fiscalização. I X DA OMISSÃO DE RECEITAS Ademais, importante mencionar que a capitulação legal da autuação foi omissão de receitas, no entanto, no caso da Recorrente, não há que se falar em omissão de receitas, visto que os valores constantes das notas fiscais emitidas nas operações de exportação para as empresas intermediárias correspondem aos preços efetivamente praticados pelas partes. Em outras palavras, não foi recebido qualquer valor "por fora", não houve diferença de preço recebida e nãocontabilizada. As autoridades fiscais não levaram em conta, na autuação, o fato de que as variações patrimoniais verificadas nos investimentos na MIC e na Ilmot foram registradas na contabilidade da Recorrente pelo método da equivalência patrimonial. Não há dúvidas de que a Recorrente contabilizou todas as operações praticadas em seus Livros Diário e Razão, mantendo planilhas com fluxo de operações, bem como reconheceu os lucros auferidos por suas controladas no exterior, assim, além da presente situação não se conformar à nenhuma das hipóteses de omissão de receita previstas no art. 283 do RIR/99, tais registros têm o condão de afastar a ocorrência de omissão de receitas na autuação em questão. XDO IRRF Fl. 27DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 28 28 Por derradeiro, cabe frisar que no caso em comento, não cabe a exigência do imposto na fonte, porquanto não se verifica a ocorrência da regramatriz de incidência tributária, visto que: (i) não houve pagamento e propriamente também não houve entrega de recursos; (ii) "in casu" há prova da operação e da causa da entrega que teria havido, que é exatamente a realização das exportações; (iii) no passado já houve a previsão legal de incidência de imposto na fonte sobre omissão de receitas, mas tal norma está revogada, sendo certo que a aplicação do IRRF em questão assume norma de caráter muito mais sancionatório, do que de norma que tipificaria verdadeira incidência tributária. Com efeito, verificase que a pretensão fiscal acaba por tributar duplamente a mesma renda (ao considerar hipóteses excludentes: rendimento no Brasil e cobrar IRPJ, CSLL e, ao mesmo tempo, aplicar regramento afirmando que referido rendimento foi remetido ao exterior), cujo resultado não é outro que não utilizar a exigência tributária, mediante a cobrança de IRFonte, como espécie de "sanção", ao arrepio da característica essencial de tributo: prestação pecuniária de característica não sancionatória. De todo o exposto, fica claro que as decisões proferidas pela Delegacia de Julgamento de Porto Alegre, que mantiveram integralmente quanto ao mérito os Autos de Infração lavrados contra a Recorrente, merecem integral reforma por esse E. Conselho, uma vez que não só as operações praticadas pela Recorrente e suas empresas controladas no exterior são legítimas e não configuram qualquer espécie de planejamento fiscal, irregular, como também as próprias autuações possuem vícios insanáveis que justificam seu cancelamento por este E. Conselho...” É o relatório. Fl. 28DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 29 29 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Os recursos, voluntário e de ofício, preenchem os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, deles conheço. Passo a apreciar as matérias em litígio. I RECURSO VOLUNTÁRIO I.1 Multa de Ofício Qualificada (percentual de 150%) Inicio pela aplicação da multa qualificada, haja vista sua implicação na forma de contagem do prazo decadencial do anocalendário de 2001, alem de seus pressupostos implicarem em outros aspectos da lide, que adiante tratarei. Vejamos a transcrição do inteiro teor da acusação fiscal nessa parte: RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL – TVF (Fls. 81 e seguintes do processo) (...) 191. O art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, define fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. 192. Diante do até então exposto, resta claro que a multa a ser aplicada de ofício é de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ... II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” 193. Transcrevemos, também, os artigos pertinentes da Lei nº 4.502/1964: Fl. 29DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 30 30 “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.: Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos art. 7l e 72.” (...) Em síntese a Fiscalização concluiu que os procedimentos da contribuinte amoldamse á prática de “fraude tributária” e conluio, de que tratam o art. 72 e 73 da Lei 4.502/1964, respectivamente. De plano, afasto a possibilidade de conluio, isso porque a Fiscalização nada trouxe aos autos para provar que os adquirentes finais dos produtos vendidos pela contribuinte obtiveram vantagens ilícitas ou, no mínimo foram coniventes. Todas as ações descritas foram unilaterais, ou seja, realizadas pela própria autuada, seus diretores ou funcionários. Logo, não restou caracterizado o conluio entre as pessoas jurídicas que participaram diretamente dos fatos que ensejaram a tributação. Quanto a fraude, nos termos do art. 72 da Lei 4.502/64, já transcrito neste voto, a prática de fraude pressupõe o dolo. Entendese por dolo a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos (materiais) da conduta que se adjetiva como dolosa. Nas palavras do ilustre conselheiro Claudemir Malaquias, o dolo é “saber e querer a realização da conduta e não exige a consciência da ilicitude” 1. Observase que nos recentes julgamentos deste Conselho tem prevalecido considerarse a ocorrência de fraude em procedimentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas(quanto apresentadas reiteradamente). No caso presente, não há registros de documentos inidôneos ou fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Noutro diapasão todos os atos societários foram registrados nos órgãos competentes, assim como na escrituração contábil e fiscal da Contribuinte. 1 "Multa Qualificada nos casos de Planejamento Tributário" http://www.ibdt.com.br/material/arquivos/Atas/IBDT_ABRIL_2011.pdf Fl. 30DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 31 31 Inexiste vedação expressa aos procedimentos adotados pelo contribuinte, logo, não há que se falar em fraude à lei, que aliás não pode ser confundido com erro de interpretação da lei. Na fraude a lei, o ato em si é ilícito tendo em vista que o ordenamento jurídico proíbe sua prática. Ora, não há dúvidas quanto a intenção da contribuinte em obter ganhos e economia de diversas ordens, tendo praticado todos os atos que entendeu válidos e amparados na lei. Há que ser analisado se incorreu em indevida redução dos tributos devidos , mas daí a se afirmar que estaria presente o dolo e configurada a fraude, data vênia, não comungo desse entendimento. A Marcopolo contabilizou regularmente todas as operações. Foi na contabilidade da contribuinte que a Fiscalização apurou todas as irregularidades que imputa à empresa. Desde o primeiro atendimento à Fiscalização, durante a auditória, o contribuinte foi transparente e coerente em seus esclarecimentos, sobretudo no que diz respeito a seu entendimento quanto ao amparo legal para seus procedimentos. Logo, ainda que a contribuinte possa ter realizado algum procedimento que se considere doloso, certamente não pode ser considerado “ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária”. Repito: foi a partir dos registros e operações da empresa que a fiscalização tomou conhecimento dos fatos e realizou as glosas. Nos últimos cinco anos participei de centenas de julgamentos neste Conselho em que foi apreciada a aplicação da multa qualificada. Formei critérios para estabelecer minha convicção nesses casos, os quais sempre observo, visando manter coerência em meus votos. Cabe aqui reportar alguns desses julgamentos: i) Acórdão 140200.337 de 14/12/2010 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A redução sistemática de vultosas receitas na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude. A apresentação de livros e documentos fiscais, durante a fiscalização, não elide a prática dolosa anterior. Naquele processo, verificouse que as receitas auferidas e escrituradas pelo contribuinte, que inclusive eram declaradas ao Fisco Estadual pela totalidade, eram reduzidas em 99% para fins de apuração dos tributos federais. Para acobertar o conhecimento da Receita Federal, o contribuinte apresentava regularmente suas DIPJ e DCTF, bem como efetuava os recolhimentos dos tributos, porém, sobre esse 1%, e durante pelo menos 3(três) anos consecutivos. A prova do dolo, no caso Sonegação (art. 71 da Lei 4.502/64) foi justamente as Declarações de Pessoa Jurídica (DIPJ e DCTF), sistemática e reiteradamente, grafando valores a menor. No citado julgamento, a multa de 150% foi mantida por 5 votos a 1. ii) Acórdão 140200.494 de 31/03/2011 Ementa: GLOSA DE DESPESAS INIDÔNEAS. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO SUPOSTAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Correta a glosa de Fl. 31DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 32 32 despesas contabilizadas a titulo de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas, amparados em contratos eivados de fraude, cujo objetivo, a toda evidência, foi reduzir o IRPJ e CSLL pelo contribuinte, devendo ser restabelecida a multa qualificada, no percentual de 150%. (Grifei). A autuada teria adquirido por R$300milhoes de Reais, debêntures cujo valor de face era de R$1mil (ágio de 299 milhões), sendo que o pagamento teria sido feito mediante TBills (Títulos do Governo dos Estados Unidos da America do Norte), cuja existência não foi comprovada. Na situação versada, a decisão de 1a. instância afastou a aplicação de multa qualificada “por não ter sido suficientemente comprovado, nos autos, o dolo nesta operação mesmo que se reconheça nela todo o artificialismo argüido pela Fiscalização”. Porem, este conselheiro entendeu que eram robustas as provas trazidas aos autos da artificialidade das operações. A começar pelo fato de a empresa, que teria emitido as debêntures possuir apenas existência formal. Nas palavras da Fiscalização: “a sociedade formalizada "produz" apenas documentos (atas, estatuto, livros contábeis, entre outros) utilizados para movimentar contabilmente recursos de outras empresas do grupo (...)”. No aludido acórdão, pelo voto de qualidade, a multa qualificada foi restabelecida. iii) Acórdão 10248.633 de 14/07/2007 Ementa: MULTA DE OFICIO QUALIFICADA RENDIMENTOS APURADOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS, OMITIDOS NA DECLARAÇÃO DE IRPF EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE O fato de a fiscalização apurar omissão de rendimentos em face de depósitos bancários sem origem ou acréscimo patrimonial a descoberto, não configura, por si só, a prática de dolo, fraude ou simulação, nos termos dos art. 71 a 73 da Lei 4.502 de 1964.). Aqui, o contribuinte omitiu na declaração de IRPF a conta bancária de sua titularidade. Além disso os valores movimentados eram elevadíssimos em relação aos rendimentos tributados. Todavia, a Fiscalização deixou de demonstrar a conduta dolosa, considerandose ainda que o lançamento de oficio se deu calcado na presunção legal (fraude não se presume). Mais a mais, “ao informar rendimentos ínfimos em sua declaração, ao invés de elidir a ação fiscal, o efeito foi justamente o contrário, o procedimento chamou a atenção do fisco.” A multa foi desqualificada à unanimidade. Situação semelhante foi observada em diversos outros acórdãos da relatoria deste conselheiro, cujo lançamento se deu exclusivamente com base em depósitos bancários, cuja contacorrente era de titularidade do próprio contribuinte. Voltando a situação versada no presente processo, constatase pela DIPJ/2002, regularmente apresentada dentro prazo e posteriormente retificada, a Marcopolo auferiu receitas tributáveis da ordem de 728 Milhões de Reais em 2001 (vide DIPJ). Por seu turno, a base de cálculo do IRPJ e CSLL foi de aproximadamente 82 Milhões de Reais, ou seja, em pouco mais de 12% da receita total. Fl. 32DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 33 33 Ora, uma empresa com esses números certamente estava sujeita ao acompanhamento especial de que trata a de que trata a Portaria SRF nº 448 de 2002. Definitivamente não é crível que a dedução pudesse ser ocultada do Fisco na contabilidade ou na DIPJ da recorrente, o que em verdade não ocorreu. Registrese, ainda, que no anocalendário de 2002 a fiscalização arbitrou a receita considerada omitida, ou seja, aplicou presunção para apurar a base de calculo, logo, este seria um motivo para desqualificar a multa de oficio, pois: a fraude não se presume. Tanto é assim que o parágrafo 3o. do artigo 24 da lei 9.249/1995, que em sua redação original estabelecia a aplicação de multa qualificada sempre que apurada omissão de receitas2, foi revogado no ano seguinte pelo art. 88 da Lei 9.430/1996. Em face do exposto, até mesmo diante do detalhamento e clareza do Termo de Verificação Fiscal, formei convencimento de que a qualificação da multa de ofício foi exacerbada, devendo ser reduzida a 75%, sem prejuízo do agravamento em 50%, que tratarei a seguir. I.2 Multa de Ofício Agravada em 50% No anocalendário de 2002, alem de aplicar a multa qualificada de 150% a fiscalização entendeu que o contribuinte dificultou o procedimento fiscal, e por isso agravou a multa em 50%, aplicando o percentual de 225%. Vejamos a transcrição dos fundamentos da aplicação dessa penalidade gravados no Relatório de Auditoria Fiscal (...) 194. A aplicação da multa qualificada de 150%, porém, pressupõe que apesar do evidente intuito de fraude, houve razoável colaboração da contribuinte ao longo da fiscalização. Como dita o parágrafo 2º do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ... § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente.” 195. Como já demonstrado entre os parágrafos 156 e 159, a despeito de a contribuinte alegar que parte das informações requeridas pelo Fisco pertenceria à MIC/ILMOT, o fato de termos desvendado que as pretensas intermediações dessas empresas eram simulações permitiunos identificar a real responsável pelas exportações (assim como por toda a sua operacionalização) para os consumidores finais: a Marcopolo. 2 "§ 3º Na hipótese deste artigo, a multa de lançamento de ofício será de trezentos por cento sobre a totalidade ou diferença dos tributos e contribuições devidos, observado o disposto no § 1º do art. 4º, da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991" Fl. 33DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 34 34 196. Incabíveis, então, os diversos argumentos utilizados pela contribuinte para justificar a não entrega dos dados solicitados (documentos no exterior, períodos remotos, falta de pessoal administrativo). As faturas e notas fiscais que pretensamente pertenceriam a MIC/ILMOT são, na realidade, fruto de um planejamento tributário ilícito. Dessa forma, os dados referentes aos valores finais para os compradores estrangeiros obviamente são de responsabilidade da Marcopolo. 197. Nos casos em que a contribuinte não respondeu às sucessivas intimações do Fisco, apesar dos extensos prazos concedidos, cabe, portanto, o agravamento da multa de ofício. Como o lançamento decorre de omissões com evidente intuito de fraude, agravouse a multa qualificada para 225%. 198. Coexistirão neste auto, então, duas multas, de acordo com a entrega ou não dos dados solicitados durante a fiscalização: 150% ou 225%. Cada caso será devidamente indicado juntamente com o cálculo do tributo devido. Em sua defesa, a recorrente afirma que “tal situação não ocorreu no caso concreto, haja vista que a Recorrente atendeu a todas as solicitações da fiscalização (fls. 584 demonstra a boafé da Recorrente), conforme se extrai da simples evolução histórica da apresentação das respostas no PRAZO SOLICITADO E/OU CONCEDIDO”. Quanto ao agravamento da multa, a meu ver, cabe razão ao Fisco. Isso porque a contribuinte deixou de apresentar as notas fiscais emitidas pela MIC/ILMOT, sua subsidiárias no exterior, sendo que nos períodos de fiscalização anteriores havia apresentado tais documentos. Além disso, a própria Contribuinte justificou que as notas fiscais aos compradores finais eram emitidas no Brasil para agilizar as operações. A toda evidência, a Marcopolo possuía a documentação e deixou de apresentar ao fisco exatamente por ter sido autuada nos anos anteriores com base nesses documentos. Não é crível que em 2006 mantivesse em boa guarda os documentos de 1999 e 2000, mas no ano de 2007 deixasse de arquivar os documentos de 2001 e 2002. É certo que a Fiscalização necessitaria desses documentos fiscais qualquer que fosse a forma de autuação a ser adotada, portanto, ao deixar de apresentar tais documentos a Marcopolo incorreu mesmo na conduta vedada pelo art. 44, parágrafo 2o. da Lei 9.430/1996, acima transcrito. A jurisprudência deste Conselho quanto ao agravamento da multa por falta de atendimento às intimações fiscais é extremamente restritiva. Há que se provar nos autos que: i) o Fiscalizado, sabidamente, possuía os documentos solicitados pela Fiscalização; ii) tais documentos ou esclarecimentos eram absolutamente necessários à apuração de irregularidades e/ou dos tributos devidos, importando em prejuízo para o lançamento; iii) a Fiscalizada foi regularmente intimada a apresentar tais documentos, com prazos adequados. Fl. 34DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 35 35 A meu ver, todas essas premissas foram atendidas e a Marcopolo deixou de fornecer os documentos à Fiscalização exatamente por estar ciente do que acarretaria. Citese nesse sentido o acórdão 10246.374 de 16/06/2004, cuja ementa elucida: MULTA AGRAVAMENTO Agravase a penalidade, na forma do artigo 44, § 2.º, da lei n.º 9.430, de 1996, quando em procedimento de ofício o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações. Sobre o tema acórdão trataram também os seguinte acórdãos: 10422618 de 13/09/2007 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVAMENTO DE PENALIDADE FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS A falta de atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, à intimação formulada pela autoridade lançadora para prestar esclarecimentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de ofício, quando a irregularidade apurada é decorrente de matéria questionada na referida intimação. 10517.113 de 26/06/2008 MULTA AGRAVADA Identificada a obstrução e não atendimento, pelo contribuinte, das notificações realizadas no curso de fiscalização, deve a multa ser agravada nos termos do parágrafo segundo do artigo 44 da Lei nº. 9.430/96. 20178413, de 18/05/2005 MULTA AGRAVADA. INTIMAÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. O atendimento insuficiente da intimação, com prestação de informações que não se prestam às verificações pretendidas, representa não atendimento da intimação para efeito da majoração da multa de ofício prevista na lei. Diante do exposto voto no sentido de manter o agravamento da multa de oficio em 50% que, passa a ser de 112,5% haja vista que a qualificação foi afastada. I.3 – Preliminares de nulidade Enfrento essa linha argumentativa também como preliminares haja vista que, se acatada, implicaria no cancelamento, de plano, dos autos de infração. Aduz a Recorrente que: Fl. 35DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 36 36 o processo de fiscalização. que culminou na lavratura dos autos de infração. não buscou a verificação da efetiva ocorrência nos anos de 2001 e 2002 da infração atribuídas à empresa. os AuditoresFiscais entenderam, equivocadamente, que as controladas no exterior MIC e Ilmot e a revenda destas para seus clientes teriam ocorrido nos exatos termos daquelas realizadas nos anos de 1999 e 2000. a partir das supostas irregularidades nas exportações e revendas nos anos de 1999 e 2000, concluiu que nos anos de 2001 e 2002, também teriam ocorrido as mesmas irregularidades. logo, não há provas ou indícios de que haveria irregularidades nas exportações e revendas que motivaram a lavratura dos autos de infração dos anos de 2001 e 2002. Correto o entendimento sedimentado na decisão recorrida no sentido de que não há qualquer irregularidade no procedimento fiscal, muito menos cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Nunca é demais reiterar que o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 (PAF) estabelece as hipóteses de nulidade, ab initio, no processo administrativo fiscal: Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Portanto não merece reparos a decisão recorrida ao afirmar que “..não há nulidade dos autos de infração se os atos e termos forem lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e se for garantido o mais absoluto direito de defesa... a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do processo administrativo (art. 14 do PAF). O procedimento de fiscalização é precedente, tendo caráter inquisitorial.” No presente caso, verificase que, tal qual asseverado na decisão recorrida, “a atuação da fiscalização foi conduzida dentro dos limites da legalidade. Não há evidências de impessoalidade, tendenciosidade ou cometimento vícios no curso da ação fiscal (tal como a “coação moral”), como alegado pela impugnante. A partir da legítima interpretação dos fatos e documentos, a fiscalização viuse obrigada a lavrar os autos de infração (art. 142, parágrafo único, do CTN)....”, sendo que certo que “... a apresentação de defesa evidencia a plena compreensão e entendimento pela impugnante acerca das infrações apontadas e possibilitou o rebate de cada uma das acusações. Isso pressupõe inexistência de prejuízo ao direito de defesa.” O arbitramento das receitas consideradas omitidas nos anos de 2001 e 2002, procedida pela Fiscalização, tem amparo no artigo 148 do CTN, que estabelece: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente Fl. 36DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 37 37 obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Segundo Misabel Abreu Machado Derzi, “ o art. 148 do CTN somente pode ser invocado para estabelecimento de bases de cálculo, que levam ao cálculo do tributo devido, quando a ocorrência dos fatos geradores é comprovada, mas o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos registrados pelo contribuinte não mereçam fé, ficando a Fazenda Pública autorizada a arbitrar o preço, dentro de processo regular. A invocação desse dispositivo somente é cabível, como magistralmente comenta Aliomar Baleeiro, quando o sujeito passivo for omisso, reticente ou mendaz em relação a valor ou preço de bens, direitos, serviços: ‘.... Do mesmo modo, ao prestar informações, o terceiro, por displicência, comodismo, conluio, desejo de não desgostar o contribuinte etc., às vezes deserta da verdade ou da exatidão. Nesses casos, a autoridade está autorizada legitimamente a abandonar os dados da declaração, sejam do primeiro, sejam do segundo e arbitrar o valor ou preço, louvandose em elementos idôneos de que dispuser, dentro do razoável” (Misabel Abreu Machado Derzi, in Comentários ao Código Tributário Nacional, Ed. Forense, 3ª ed., 1988). ....” Frise que o procedimento fiscal também é amparado pelo Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) nos seguintes dispositivos: Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 77, Lei nº 2.862, de 1956, art. 28, Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, Lei nº 8.541, de 1992, art. 40, Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, Lei nº 9.317, de 1996, art. 18, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 42): (...) II deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente; (...) VI omitir receitas ou rendimentos. (...) Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79): I arbitrandose os rendimentos mediante os elementos de que se dispuser, nos casos de falta de declaração; II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios; III computandose as importâncias não declaradas, ou arbitrando o rendimento tributável de acordo com os elementos de que se dispuser, nos casos de declaração inexata. § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, § 1º). (...) Fl. 37DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 38 38 Art. 846. O lançamento de ofício, além dos casos especificados neste Capítulo, far seá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza (Lei nº 8.021, de 1990, art. 6º). § 1º Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte (Lei nº 8.021, de 1990, art. 6º, § 1º). § 2º Constitui renda disponível, para os efeitos de que trata o parágrafo anterior, a receita auferida pelo contribuinte, diminuída das deduções admitidas neste Decreto, e do imposto de renda pago pelo contribuinte (Lei nº 8.021, de 1990, art. 6º, § 2º). § 3º Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento (Lei nº 8.021, de 1990, art. 6º, § 3º). § 4º No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas (Lei nº 8.021, de 1990, art. 6º, § 4º). (Grifei) Vejase que todos as disposições do RIR/99 supra transcritas tem matriz legal. Portanto, o arbitramento de receitas e rendimentos, diante de indícios veementes de sua ocorrência e concomitante recusa do contribuinte em apresentar os valores, tem amparo legal e pode ser levado a efeito em procedimento regular, sem que isso implique necessariamente no arbitramento de lucros de que trata o art. 43 do CTN e 541 do RIR/99. Nesse sentido há, inclusive decisões judiciais, a exemplo do seguinte julgado: I. À falta de apresentação pelo sujeito passivo de demonstrações contábeis idôneas à base de cálculo do Imposto de Renda, remanesce à Fiscalização o recurso de proceder ao arbitramento para chegar aos valores que deveriam ter sido declarados. ....” (TRF3ª Região. AC 96.03.0663158/MS. Rel.: Des. Federal Baptista Pereira. 3ª Turma. Decisão: 03/10/01. DJ de 13/11/02, p. 763.) Ora, no presente caso é inegável que as vendas ocorreram e que a fiscalizada recusouse a apresentar os documentos comprobatórios dos valores efetivos das operações. É certo que a Receita Federal poderia utilizarse de seus adidos tributários, bem como dos convênios e acordos com outros países para obter a documentação, porém o procedimento seria dispendioso e demorado, tempo que o Fisco não dispunha em razão da eminência do transcurso do prazo decadencial. Uma vez que há amparo na legislação para o arbitramento do valor das operações, rejeito também essa preliminar. Mais a mais, caso algum valor tomado pelo Fisco esteja incorreto, bastaria a contribuinte apresentar documentos idôneos do valor correto da operação, pois, tratarse ia de mero ajuste na base de cálculo. Frisese, outrossim, que a legalidade do arbitramento do preço de venda, ou receita, não implica na procedência da exigência fiscal, pois, ainda resta verificar se realmente a contribuinte deixou de reconhecer o resultado obtido nessas operações e, principalmente, se o procedimento adotado Fisco na determinação dos tributos devidos está correto. Tais questões serão abordadas adiante neste voto. Fl. 38DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 39 39 I.4 – Decadência Aduz o recorrente que não há como se sustentar os lançamentos em relação ao anos de 2001 e 2002, ‘a medida em que foram atingidos pela decadência, nos termos do quanto disposto no art. 150, § 4o ou do artigo 173, I e parágrafo único, ambos do CTN, tendo em vista que a notificação da lavratura do auto de infração deuse em 10 de dezembro de 2007. Compulsando os autos, verificase que tanto no anocalendário de 2001 quanto em 2002 o contribuinte optou pela sistemática do lucro real anual. Logo, consideramse ocorrido os fatos geradores do IRPJ e CSLL, complexivos, no dia 31/12 de cada ano. Assim, afastada a fraude, bem como os pressupostos da aplicação da multa de ofício qualificada, cumpre também reconhecer a decadência do lançamento do ano calendário de 2001, aplicandose o art. 150 parágrafo 4o. do CTN, haja vista que no presente caso houve antecipação de pagamento do IRPJ e CSLL. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de JustiçaSTJ. Cite como exemplo o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato Fl. 39DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 40 40 imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Grifos do original) O Regimento Interno do CARF, sofreu algumas alterações pela Portaria nº 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62A, segundo o qual as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, bem como pelo Supremo Tribunal FederalSTF, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Logo, à luz do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, doravante ,há que se aplicar o entendimento do STJ quanto a essa matéria. Verificase que no anocalendário de 2001 o contribuinte efetuou recolhimentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme registrado na DIPJ/2002, entregue em 28/6/2002.. Outrossim, mesmo que não se considere os pagamentos, ou não seja afastada a fraude, o lançamento do ano calendário de 2001está fulminado pela decadência, à luz do art. 173, parágrafo único do CTN, segundo o qual, o prazo decadencial “extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” No presente caso identifico duas medidas que se amoldam à hipótese do parágrafo único do art. 173 do CTN: i) a recepção da DIPJ/2002, que ocorreu em 28/06/2002; ii) a representação fiscal de que trata o processo 11051.000143/200211, que revela que a administração tributária já possuía conhecimento das operações do contribuinte, e passou a verificar as implicações tributárias, conforme asseverado no próprio Relatório Fiscal (verbis): 5. A presente ação fiscal tem suas raízes em Representação Fiscal proferida por meio de despacho exarado nos autos do processo nº 11051.000143/200211, que, após apresentar indícios de ilegalidade em exportações praticadas pela contribuinte, ponderou a possibilidade de aplicação do Método de Preços de Transferência ou a invocação do instituto do subfaturamento para autuar tributariamente a contribuinte. Fl. 40DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 41 41 6. Em decorrência dos indícios apresentados nessa representação, foi iniciada ação fiscal em 2005, em atendimento ao MPF 10.1.06.002005004279. No exame dos dados inicialmente disponíveis, constantes nos sistemas da SRF ou entregues nas primeiras respostas da contribuinte às intimações lavradas, constatouse a adequação ao Método dos Preços de Transferência da maioria das exportações da amostragem tomada. Concomitantemente, todavia, foram percebidos elementos característicos de planejamento tributário, com fortes indícios de visarem à redução indevida de obrigações fiscais. Destarte, procedeuse ao aprofundamento das análises. Portanto, em 2002, seja a partir da recepção da DIPJ/2002, seja a partir da representação de que trata o processo 11051.000142/200211, de 21/03/2002,a DRF Caxias do Sul já poderia ter iniciado a fiscalização do anocalendário de 2001, pelo que antecipase a contagem do prazo decadencial, conforme entendimento que acompanhei no Acórdão CSRF/0106081, cuja ementa elucida: IRPJ, PIS, COFINS E CSLL DECADÊNCIA A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da natureza e modalidade originária de apuração, para o IRPJ aplicasse a regra decadencial prevista no § 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o início da contagem do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores (artigo 173, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Recurso Especial Negado. Ora, tendo a Fiscalização o conhecimento dos fatos já em março de 2002 e recebido a DIPJ em junho de 2002, não poderia ter lavrado o auto de infração do ano calendário de 2001 apenas em dez/2007. No que tange ao anocalendário de 2002 não cabe razão ao contribuinte, pois, a contagem do prazo decadencial deve se iniciar após a ocorrência do fato gerador e não se anteciparia para o transcurso do próprio ano, mesmo em função da representação de que trata o processo 11051.000142/200211. Portanto, o prazo final para constituição do credito tributário de 2002, pela contagem mais “curta” se encerraria em 31/12/2007. Em relação ao IRFonte não há que se falar em decadência, dos fatos geradores que se deram a partir de 31/12/2001, e são relativos a 1a. semana de janeiro de 2002, sendo que o contribuinte não realizado pagamento do tributo, aliás, sequer reconhece a ocorrência dos fatos geradores, o prazo se iniciase em 1/1/2003 (1o. dia do ano seguinte ao que poderia ter sido lançado), encerrandose 31/12/2007. Quanto aos fatos geradores do IRFonte de 28 e 29/12/2001, a decadência já foi reconhecida pela decisão de 1a. instância, isso porque poderia ser autuados no próprio ano de 2001. Acolho, pois, a preliminar de decadência tão somente quanto ao IRPJ e CSLL do anocalendário 2001, bem como confirmo a decadência do IRFonte de 28 e 29/12/2001, nessa ultima parte negando provimento ao recurso de oficio. Fl. 41DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 42 42 I.5 – Exigência do IRFonte sobre pagamentos sem causa e/ou beneficiários não identificados A justificativa para exigência do Imposto de Renda na Fonte, está assim descrita no relatório fiscal: 225. Sobre a diferença de preço omitido ao Fisco Federal, incide também IRRF com devidos acréscimos legais. A receita omitida que serviu para a determinação da Base de Cálculo Reajustada, assim como a multa de ofício aplicada, seguiu os padrões 1, 2 e 3 explicados anteriormente (parágrafos 199 a 221). 226. Em regra, o planejamento tributário irregular executado pela Marcopolo foi amparado por, no mínimo, 2 (dois) fechamentos de câmbio: o primeiro vinculado à “exportação” da carroceria da Marcopolo para uma de suas Centrais de Refaturamento (MIC/ILMOT), envolvendo valores inferiores aos realmente praticados; o segundo vinculado à “exportação” da mesma carroceria por essa Central de Refaturamento, consignando valores superiores aos da primeira “transação”. 227. Tal diferença de preços foi evadida do Brasil, visto essas duas empresas estarem sediadas no exterior (Ilhas Virgens Britânicas e Uruguai), sem passar por qualquer registro contábil ou fiscal na Marcopolo S.A 228. Essa diferença de preços, como foi empregada a terceira pessoa (física ou jurídica) no exterior, além de ser parcela de receita operacional omitida, caracteriza “pagamento sem causa”, razão pela qual incide indubitavelmente o imposto retido exclusivamente na fonte à alíquota de 35% sobre base de cálculo reajustada, nos termos dos artigos 674 e parágrafos e 725 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 e artigo 61, parágrafo terceiro, da Lei 8981/95 (...). Por seu turno, a recorrente afirma que “não cabe a exigência do imposto na fonte, porquanto não se verifica a ocorrência da regramatriz de incidência tributária, visto que: (i) não houve pagamento e propriamente também não houve entrega de recursos; (ii) "in casu" há prova da operação e da causa da entrega que teria havido, que é exatamente a realização das exportações; (iii) no passado já houve a previsão legal de incidência de imposto na fonte sobre omissão de receitas, mas tal norma está revogada, sendo certo que a aplicação do IRRF em questão assume norma de caráter muito mais sancionatório, do que de norma que tipificaria verdadeira incidência tributária.... Com efeito, verificase que a pretensão fiscal acaba por tributar duplamente a mesma renda (ao considerar hipóteses excludentes: rendimento no Brasil e cobrar IRPJ, CSLL e, ao mesmo tempo, aplicar regramento afirmando que referido rendimento foi remetido ao exterior), cujo resultado não é outro que não utilizar a exigência tributária, mediante a cobrança de IRFonte, como espécie de "sanção", ao arrepio da característica essencial de tributo: prestação pecuniária de característica não sancionatória.” (grifos do original). Pois bem, a meu ver, quanto ao IRFonte, o ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães no acórdão 10517084 de 25/06/2008 apontou, precisamente, o equívoco do entendimento fiscal, senão vejamos: “Aditese ainda que mesmo que se ultrapasse a questão da caducidade do direito, o lançamento relativo ao imposto de renda retido na fonte não poderia subsistir, eis que, aqui, a meu ver, não se vislumbra a própria ocorrência do fato gerador. Com efeito, a tributação do imposto de renda pessoa jurídica foi formalizada pela Fl. 42DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 43 43 autoridade fiscal sob a alegação de ter havido omissão de receitas derivada do subfaturamento de exportações. Tal omissão encontrase materializada pela diferença entre os valores pagos pelos importadores finais às intermediárias no exterior (MIC e ILMOT) e os remetidos por estas à Recorrente, sendo certo que tal diferença permaneceu no exterior. Ante a inexistência de movimentação física de valores por parte da Recorrente, não há que se falar em incidência de imposto de renda retido na fonte em razão de pagamento sem causa.” (grifei) Em verdade, a exigência do IRFonte chega a ser contraditória com as conclusões da própria fiscalização, pois, mesmo que se considere que os pagamentos foram realizados pelos terceiros por conta Marcopolo, os pagamentos à MIC/ILMOT não só tiveram causa nos produtos vendidos, como também os beneficiários são identificados. Não há acusação nos autos de que os pagamentos são de outra natureza ou que tiveram outros destinatários;, pelo contrário, afirmase que os recurso são da Marcopolo e que teriam sido entregues à MIC/ILMOT no exterior para evadir da tributação do IRPJ e CSLL no Brasil. Portanto, não cabe mesmo a incidência do IRFonte, pois, a Marcopolo não fez qualquer pagamento a esses beneficiários, ainda que se considere que se tratam de receitas diretas da autuada. Noutro giro: se os valores tributados são mesmo receitas direta da Marcopolo, então MIC/ILMOT apenas receberam essas diferenças por conta desta, logo, não se sustenta a acusação de que a Marcopolo realizou “pagamentos sem causa” às suas controladas no exteriores consubstanciado nos recursos entregues pelas empresas adquirentes. Nesse sentido já decidiu este colegiado no acórdão 140200.155, de 6/4/2010, cujas ementas elucidam: PAGAMENTO SEM CAUSA CARACTERIZAÇÃO DO ATO ÔNUS DA PROVA. A caracterização pela fiscalização, mediante provas, de que ocorreu pagamento é pressuposto material para o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, de que trata o caput do art. 61 da Lei 8.981/95. Cumpre, então, o cancelamento da exigência do IRFonte. I.6 – Exigência do IRPJ e da CSLL A Fiscalização concluiu que a contribuinte simulou as vendas às empresas MIC e ILMOT, suas controladas no exterior (situadas em paises considerados paraísos fiscais), praticando valores consideravelmente inferiores ao que eram revendidos por essas a seus clientes no exterior. Isso sem qualquer justificativa material, caracterizando a prática de subfaturamento de preços. Vejamos o cerne da acusação fiscal (verbis): 177. Após a extensiva análise de todos os documentos e explicações disponíveis, restounos certo que as empresas Marcopolo International Corp. (MIC) e Ilmot International Corporation S.A. (ILMOT) são, de fato, Centrais de Refaturamento. As alegadas intermediações foram simulações visando a acobertar, por um elaborado mas ilícito planejamento fiscal, a prática de subfaturamento dos preços de produtos exportados pela Marcopolo. Concluímos que as participações dessas Centrais de Refaturamento nas operações analisadas não passaram de atos ou negócios jurídicos Fl. 43DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 44 44 aparentes, que dissimularam a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, ocultando a ocorrência do fato gerador de tributos federais (IRPJ, CSLL e IRRF) e a evasão de divisas para o exterior. Assim, resta ao Fisco apenas o devido lançamento dos autos referentes a essas irregularidades. 178. Ressaltamos que não cabem, para a determinação desse ilícito, tanto a análise de preços de transferência quanto a descaracterização da existência das empresas MIC e ILMOT. Esta, pela insuficiência de indícios que assegurem tal interpretação; aquela, pela inegável inexistência das intermediações dessas Centrais de Refaturamento. É do conjunto de simulações e refaturamentos, e não dos valores praticados (pela aplicação do mecanismo de Preços de Transferência), em suma, que resultou o indevido subfaturamento alvo dessa Fiscalização. A primeira assertiva relevante que se extrai do entendimento fiscal é que em momento algum foi desconsiderada a personalidade jurídica das empresas MIC e ILMOT, tampouco a existência formal e material de ambas, e principalmente, a efetividade dos negócios. Afirmam os Auditores que essa intermediação não ocorreu, que as vendas foram diretas, logo, as operações entre Marcopolo/MIC/Clientes e Marcopolo/Ilmot/Clientes teriam sido simuladas. Vejamos o exemplo ilustrativo das operações extraído do Relatório Fiscal: Pois bem, os AuditoresFiscais encarregados da fiscalização da empresa Marcopolo S/A executaram, por mais de 5(cinco) anos um minucioso trabalho, envolvendo os anos calendário de 1999 a 2007, cujas verificações, provas e conclusões encontramse compiladas em detalhados TVF, integrantes dos respectivos autos de infração; no presente caso são mais de 100 (cem) páginas contendo exposição dos fatos, remissões legais, gráficos, memórias de cálculo, etc. MARCOPOLO S.A COMPRADOR NO EXTERIOR CONTROLADA NO EXTERIOR OPERAÇÃO 1: A MARCOPOLO S.A. EMITE UMA FATURA DE VENDA DE ÔNIBUS PARA UMA DAS SUAS CONTROLADAS NO EXTERIOR, MIC ou ILMOT, LOCALIZADAS, RESPECTIVAMENTE, NAS ILHAS VIRGENS BRITÂNICAS E NO URUGUAI – VALOR HIPOTÉTICO DE R$ 100.000,00 ‑ OPERAÇÃO 2: COM BASE NA OPERAÇÃO 1, A MARCOPOLO S.A. FAZ REMESSA FÍSICA DIRETA DO ÔNIBUS PARA O COMPRADOR FINAL NO EXTERIOR, SEM PASSAR PELA EMPRESA INTERMEDIÁRIA (MIC ou ILMOT), – VALOR HIPOTÉTICO DE R$ 100.000,00 ‑ OPERAÇÃO 3: NESTE MOMENTO A EMPRESA INTERMEDIÁRIA DA OPERAÇÃO EMITE UMA FATURA DE VENDA DE ÔNIBUS PARA O COMPRADOR FINAL NO EXTERIOR – VALOR HIPOTÉTICO DE R$ 115.000,00 – É EM RELAÇÃO A ESSE MOMENTO QUE PROVAREMOS, INDICIARIAMENTE, A NÃO EXISTÊNCIA FÁTICA DA INTERMEDIAÇÃO, HAVENDO SUBFATURAMENTO DE R$ 15.000,00. Fl. 44DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 45 45 É de se enaltecer a qualidade do trabalho fiscal no que concerne a clareza e transparência, possibilitando o pleno conhecimento das infrações imputadas à contribuinte. A Fiscalização apurou, ao fim e ao cabo, que nas operações intermediadas pela ILMOT, a média ponderada da diferença entre o preço pago pelos compradores finais e o valor de venda da MARCOPOLO foi de 14,08%, em relação à MIC esse percentual foi de 18,94% (fl. 87 do TVF). Nos exatos termos do art. 29 do Decreto 70.235/1972, “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção”. A meu ver, a Marcopolo, logrou provar a existência formal e material de MIC e ILMOT, bem como que intermediaram as operações, ainda que de forma incipiente, conforme asseverado pela recorrente nos seguintes termos (verbis) “(...)ao longo dos cinco anos em que a Recorrente vem sendo fiscalizada acerca da presente operação, em nenhum momento qualquer indício documentos, evidência de ligações telefônicas, correspondências, mensagens eletrônicas, etc... foi trazido pela fiscalização para demonstrar a primeira etapa da simulação por ela apontada, qual seja, o contato com clientes situados no exterior com a Recorrente. E não há indícios ou provas desse contato, por mais óbvio que pareça, porque, simplesmente, os clientes situados no exterior NÃO ENTRAM EM CONTATO OU NEGOCIAM DIRETAMENTE COM A RECORRENTE, mas sim com representantes comerciais situados em países diversos, contratados (doe. 01 fls. 1289/1424) e geridos e comissionados (doe. 02 fls. 1188/1197 e fls. 2636/2660 dos autos) pelas empresas MIC e Ilmot. Notem que as atividades exercidas pelas empresas MIC e Ilmot consistiam basicamente na gestão dessa rede de representantes comerciais situados em diversos países, responsáveis pela prospecção e o contato direto com os clientes, gestão financeira para a captação de financiamentos no exterior e gestão da assistência técnica e garantia dos produtos fabricados pela Recorrente. Essas atividades de gestão, parece evidente, não demandam o uso intensivo de mão deobra ou o uso de uma estrutura operacional complexa, mas apenas e tão somente a capacidade laborai de um gestor e um escritório com funcionalidades básicas (linha telefônica, fax, email, computador e secretária). Nesse sentido, restou comprovado pela Recorrente que, nos anos de 2001 e 2002, tal atividade de gestão era exercida pelo Sr. Rafael Adauto, que possuía a sua disposição a estrutura operacional necessária para o exercício de suas atividades. Acerca da comprovação da atividade de gestão comercial da rede de representantes comerciais das empresas MIC e Ilmot, gestão financeira e da assistência técnica e garantia dos produtos fabricados pela Recorrente, foram trazidos aos autos os seguintes documentos: • Contas telefônicas com o detalhamento das ligações realizadas e recebidas para diversos clientes, representantes comerciais e para a Recorrente, bem como emails (docs. 03); • Comprovantes de despesas de viagens para visitas comerciais à clientes e representantes comerciais (doe. 04); • Comprovantes de despesas de assistência técnica e garantia dos produtos Marcopolo (does. 05 fls. 669 e seguintes); Fl. 45DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 46 46 Vale mencionar que a decisão de primeiro grau, apesar de reconhecer a participação do Sr. Rafael Adauto como gestor das empresas MIC e Ilmot3, afasta a pertinência da documentação trazida sob o argumento de que não teria restado demonstrada a relação direta entre as despesas e as exportações fiscalizadas, além do referido gestor possuir vínculo empregatício com a Marcopolo no período. (A propósito da participação do Sr. Rafael Adauto da Costa como gestor da MIC e ILMOT, cuja atuação foi reconhecida pela própria fiscalização, há que se registrar que não há vinculação formal dessa participação com as vendas consideradas simuladas, além do fato de o gestor possuir vínculo empregatício com a Marcopolo no período. ) Vejam, contudo, que essas singelas justificativas não são suficientes para afastar a robustez das provas de execução material das atividades de negociação comercial e revenda exercidas pelas empresas MIC e Ilmot por meio de seu gestor Rafael Adauto. Isso porque os comprovantes de despesas com viagens comerciais, contatos e correspondências com clientes e representantes resultaram sim nas vendas realizadas pelas empresas MIC e Ilmot e, por conseqüência, nas exportações realizadas pela Recorrente. A esse respeito, impende mencionar apenas como exemplo, os comprovantes de ligações e viagens para os representantes e clientes, que resultaram na venda e exportação das carrocerias nos anos fiscalizados. Veja que nas fls. 24412442 dos autos, encontrase juntada a conta telefônica da Marcopolo of America dos meses de abril e maio de 2002 (doe. 03). Esta conta registra uma ligação feita em 21/05/2002 para o número 0115065513119. Este número pertence à empresa Importaciones Zuzu, S.A., representante comercial da MIC na Costa Rica (contrato de representação comercial juntado às fls. 13261338), conforme se comprova pelo documento anexo (doc. 03). Registrese que no documento ora anexado, a representante comercial enviou, em 08.05.2002, após receber solicitação formal do cliente, uma cotação para a venda de uma carroceria modelo Torino, montada sob chassi Volvo. Esta carroceria de n° 3562002 acabou sendo faturada em 20.09.2002 e consta da planilha do fisco, juntada à fl. 434. Não se argumente que se trata de uma operação isolada, vez que desde 2001, a empresa Importaciones Zuzu, S.A. já realizava a venda de carrocerias para sua representada MIC, conforme se infere pelo documento ora anexado (doe. 03), no qual fica evidenciada a venda da carroceria de n° 128925, constante da planilha do fisco às fls. 433. Da mesma forma, quanto à assertiva de que o gestor comercial da MIC e da ILMOT possuía vínculo empregatício com a Marcopolo no período, é inegável o reconhecimento da Recorrente de que as empresas MIC e ILMOT compõem o grupo Marcopolo. Assim, é óbvio que os serviços prestados pelos trabalhadores das controladas (MIC e ILMOT) impactam toda a atividade do grupo.. (...)” Aliás, em pese colocar em dúvida a existência efetiva de MIC e ILMOT, a própria Fiscalização deixa claro que isso não é tão relevante. Aduz o fisco: “(...)Mesmo considerando que os indícios coletados sobre a inexistência de fato das empresas MIC e ILMOT não se limitam aos anteriormente citados, o Fl. 46DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 47 47 conjunto de provas indiciárias não se mostrou sólido o suficiente para que formássemos a convicção de que a MIC e ILMOT não existiam. Por outro lado, a contribuinte tampouco conseguiu, com os argumentos e documentos apresentados, convencernos de que existiam ... Ressaltamos, entretanto, que as conclusões a que chegamos, de acordo com o corpo do Relatório de Auditoria Fiscal, independem da existência ou não da MIC/ILMOT, uma vez que é da ausência de intermediação nas operações fiscalizadas que resulta o lançamento do crédito tributário.” (fl. 102 do TVF). Pois, pela análise dos autos formei pleno convencimento de que a contribuinte realizou um minucioso planejamento fiscal, daí a certeza pessoal da existência fática de MIC e ILMOT, bem como da participação de ambas nas operações, ainda que dispensável. Um ponto pacífico: mantendose o preço de venda ao adquirente final, se ao invés de 15%, a diferença entre esse valor e o preço de repasse da Marcopolo para MIC e ILMOT fosse em média de 0,15% (1/100), certamente inexistiria subfaturamento, mesmo mantendo todas as demais características das operações. Essa conclusão é facilmente sustentável, a começar pela própria decisão de 1a. instância que afastou a tributação sobre as operações que importaram em margem de apenas 0,12% para a MIC. ‘A medida que a Marcopolo detém o integral controle e quase 100% de participação em MIC e IMOLT, na prática, a empresa não tem lucro ou prejuízo nessas operações. Explico: elevandose o preço de venda MIC e ILMOT, aumenta o lucro de Marcopolo; reduzindose o preço de venda, aumenta o lucro de MIC e ILMOT. Ora, se o resultado de MIC e ILMOT são da Marcopolo, salvo outros aspectos secundários, relativos a movimentação de recursos no exterior, a empresa Marcopolo pode gerenciar esses preços a seu critério. Logo, se havia necessidade da Marcopolo utilizarse de MIC e ILMOT, nada impediria que o preço do repasse você próximo do de venda ao adquirente final. A contribuinte apresentou diversos documentos no intuito de comprovar as despesas da MIC/ILMOT que justificariam a diferença de preço e, consequentemente afastariam a acusação fiscal. Todavia, somandose todos esses valores não chega nem próximo da diferença de preços praticada. Repito: é evidente que Marcopolo poderia praticar o preço que entendesse adequado nas vendas à MIC e ILMOT, visando preservar seus interesses e propósitos negociais, pois, o que importaria mesmo para o resultado da empresa é o valor de venda ao adquirente final praticado pelas subsidiárias. Interessante observar que, caso a intermediação fosse realizada por terceiros independentes, ainda que o trabalho desses fosse apenas conseguir os clientes e intermediar as vendas, a exemplo de “representantes comerciais” que atuam dentro do território Brasileiro, a comissão de 10% a 15% até poderia ser considerada razoável e, provavelmente, não seria objeto de autuação. Cumpre observar também que, para regular situações semelhantes à que está sendo debatida nestes autos, quais sejam, transações jurídicas com empresas constituídas no exterior e submetidas a um tratamento de país ou dependência com tributação favorecida ou Fl. 47DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 48 48 sob regime fiscal privilegiado3, em 2009, foi editada a Medida Provisória 472, convertida na Lei 12.249, de 2010, que passou a exigir a comprovação da capacidade operacional da pessoa física ou entidade no exterior de realizar a operação. Todavia, à luz do art. 104 do CTN, tal norma não é aplicável ao caso presente em face do principio da irretroatividade (A lei vigente após o fato gerador, para a imposição do tributo, não pode incidir sobre o mesmo, sob pena de malferir os princípios da anterioridade e irretroatividade. ....” STJ. REsp 179966/RS. Rel.: Min. Milton Luiz Pereira. 1ª Turma.). Chegase assim aos pontos terminais da lide, quais sejam: a redução das bases de cálculo do IRPJ e CSLL da Marcopolo, à medida que a contribuinte teria praticado o subfaturamento, bem como a forma de tributação desses diferenças. Admitindose, em tese, a prática do subfaturamento, verificase que a fiscalização tratou tais valores como omissão de receitas, procedimento que entendo inadequado ao caso. Isso porque não há que se falar em omissão de receitas à medida que não se questiona o preço de venda praticado por MIC e ILMOT, sendo que a Marcopolo é i) obrigada a reconhecer e tributar os resultados positivos apurados pelas suas controladas, pelo método da equivalência patrimonial, tendo em vista a tributação bases mundiais, ii) bem como observar a legislação de preços de transferência. Em relação ao primeiro ponto, tributação dos resultados de controladas no exterior, o artigo 1o. da Lei 9.532/1997, dispõe: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Por sua vez, a Medida Provisória nº 2.15835/2001, Art. 74, estabeleceu que os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. O artigo 394 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) cuja matriz legal está no art. 25 da lei 9.249/1995, estabelece: Atividades Exercidas no Exterior Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital Art. 394. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25); (...) § 5º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 2º): 3 Arts. 24 e 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 49 49 I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 1966. § 6º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 3º): I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do período base de apuração da pessoa jurídica; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 7º Os lucros a que se referem os §§ 5º e 6º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada e coligada (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 4º). § 8º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 5º). § 9º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 5º e 6º (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 6º). Grifei Portanto, os lucros de controladas serão apurados segundo a legislação brasileira, isto é, com base em demonstrativos contemporâneos ao encerramento do período base da empresa nacional e com as adições, inclusões e compensações reguladas na lei nacional. Dispõe o art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 que o resultado positivo da equivalência patrimonial deverá compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL Fl. 49DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 50 50 apurados em 31 de dezembro e que o resultado negativo deverá ser adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, inclusive por ocasião do levantamento de balanços ou balancetes de suspensão ou redução de pagamentos mensais. Essa disposição é corroborada pelo entendimento desde Conselho, manifestado em diversos julgados a exemplo do acórdão 101 96.318 em 13.09.2007, cuja ementa elucida: EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL INVESTIMENTOS NO EXTERIOR Os resultados positivos da avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial, segundo a legislação do Imposto de Renda, não se enquadram na categoria de lucros auferidos pela controladora sujeitos à incidência desse Imposto. Entretanto, com o comando fixado pelo artigo 74 da Medida Provisória n. 2.158 35/2001, o resultado positivo dessa equivalência decorrente de investimentos no exterior, integram a base de cálculo do lucro real e da CSLL. Logo, considerando a existência formal e fática de MIC e Ilmot, bem como a participação dessas nas operações, ainda que incipiente, ao constatar irregularidades na apuração dos resultados das controladas no exterior, o procedimento correto do Fisco seria ajustar o valor para fins de tributação na Marcopolo, observando o art. 394 do RIR/99. Quanto a não observância desse procedimento consta o seguinte no Termo de Verificação Fiscal: NÃO TRIBUTAÇÃO DOS RESULTADOS AUFERIDOS PELA MIC E ILMOT 117. Um dos principais argumentos utilizados pelas empresas estadunidenses que se valem de empresas subsidiárias como Centrais de Refaturamento para subfaturar preços é que, por legislação local, os lucros auferidos por empresas no exterior são tributados. De forma semelhante, alegou a contribuinte em Impugnação: “56. Ademais, o fato da autoridade fiscal estar totalmente apegada à falsa idéia de conspirações fantasiosas, não permitiu que se ativesse ao fato de que o investimento da Impugnante nas duas empresas que entende a fiscalização não existirem de fato (argumento que será demonstrado e comprovado que não possui qualquer fundamento), foi trazido à tributação por decorrência dos arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249/95.” 118. Uma análise mais criteriosa, entretanto, revela outra situação. Partindo do “Demonstrativo dos Lucros/Prejuízos Acumulados” (folha nº 1741) apresentado pela contribuinte com relação à empresa MIC, extraímos os dados constantes na tabela seguinte, que serviram de base para a análise do Fisco a respeito dos lucros das empresas “intermediárias”. Lucros e Prejuízos da MIC Ano Base Lucros/Prejuízos Lucros/Prejuízos Acumulados 1998 4.320.471,00 4.291.040,00 1999 5.062.802,00 9.353.842,00 2000 (871.609,00) 8.482.233,00 2001 (30.060.574,12) (21.578.341,12) 2002 (12.824.870,89) (34.403.212,01) Fl. 50DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 51 51 2003 15.511.821,74 (18.891.390,27) 2004 17.054.509,31 (1.836.880,96) 119. No documento “Articles of Association of Marcopolo International Corp” (folhas nº 1900 a 1927), firmado em abril de 1998 (razão pela qual o quadro acima indica apenas os anos de 1998 em diante), a cláusula 16.2 permitia que, antes de serem estipulados os dividendos, os diretores da empresa constituíssem um Fundo de Reserva com a parcela do lucro que lhes parecesse necessária. Ainda, na cláusula 16.3, estava previsto que dividendos não solicitados por três anos seriam, após resolução dos diretores, reincorporados para benefício da MIC. 120. À época, a legislação vigente só obrigava a tributação de lucros e dividendos quando do pagamento ou crédito em conta representativa da empresa no exterior. Esse fato aliado às duas cláusulas citadas no parágrafo anterior explicam o porquê de os lucros auferidos pela MIC em 1998 e 1999 não terem sido disponibilizados para a Marcopolo (que, à época, já detinha 100% do capital social da MIC): eles somente seriam efetivamente distribuídos se a Marcopolo assim o quisesse. Assim, os lucros da MIC, ao invés de serem tributados no Brasil, ficaram integralmente nas Ilhas Virgens Britânicas, onde não há cobrança de imposto sobre a renda para empresas que, como a MIC, foram estabelecidas em conformidade com o BVI International Business Companies Act (No. 8 of 1984) (art. 111, folhas nº 1776 a 1805). 121. A partir da Medida Provisória nº 215835, de 24 de agosto de 2001, entretanto, os lucros apurados por empresas controladas ou coligadas no exterior passaram a ser, independente de sua efetiva distribuição, considerados disponibilizados, para a controladora ou coligada no País, na data do balanço em que fossem apurados. Percebese que, coincidentemente, em 2001 houve um vultuoso prejuízo, fato que se repetiu em 2002. Criouse, assim, um total de prejuízos acumulados que, em 2004, ainda não havia sido revertido. 122. Lembremos que, no Brasil, a Marcopolo está sob a supervisão da CVM. Não há, porém, qualquer órgão que assegure as informações prestadas em relação à MIC e ILMOT. Não se pode descartar, assim, que despesas e até prejuízos pudessem ser estabelecidos de acordo com os interesses da contribuinte, diminuindo a eventual necessidade de tributação decorrente de equivalência patrimonial. 123. Em relação aos anos 2001 e 2002, tendo em vista o prejuízo apresentado na MIC, não houve qualquer reflexo tributário para a Marcopolo. Em relação aos resultados da ILMOT, a contribuinte informou que eles eram reconhecidos pela MIC (folha nº 1752, item 6). CONTRATOS, HONORÁRIOS DE ADVOGADOS, DESPESAS DE PATROCÍNIO Parte da documentação apresentada pela contribuinte poderia comprovar a efetiva participação da MIC e da ILMOT em atividades diversas, comprovando, dessa forma, sua existência. Entre esses documentos, foram disponibilizados: contratos diversos de distribuição e agenciamento comercial, assim como de outros prestadores de serviços (folhas nº 1289 a 1424), comprovantes de pagamentos de honorários a advogados (folhas nº 1278 a 1283), recibo de despesas de patrocínio (folhas nº 1284 a 1285). Entretanto, como não estamos descaracterizando as empresas, e sim a sua intermediação nas operações fiscalizadas, esses dados não são relevantes. (Grifei) Fl. 51DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 52 52 O trecho do TVF acima transcrito, especialmente nas partes grifadas, evidenciam que a Fiscalização verificou a possibilidade da tributação dos resultados obtidos pela Marcopolo com a MIC e ILMOT na forma da legislação de regência. Mas, nada fizeram diante da constatação de que “em 2001 houve um vultuoso prejuízo, fato que se repetiu em 2002. Criouse, assim, um total de prejuízos acumulados que, em 2004, ainda não havia sido revertido.” Entendo que nesse ponto residiu o maior equívoco da Fiscalização: o correto seria, sob amparo da legislação vigente, fiscalizar esse prejuízo e glosar eventuais valores deduzidos indevidamente nos resultados. Repito: se a participação de MIC e ILMOT nas operações era mesmo incipiente, sendo que a intermediação foi uma forma da Marcopolo “viabilizar os negócios” ou manter recursos no exterior, então os lucros dessas empresas deveriam ser altos. A partir da MP 215835/2001 não há que se falar em fugir da tributação dos resultados no Brasil via controladas no exterior, a menos que existam outras irregularidades. No tocante ao segundo ponto, verificação dos Preços de Transferência, constatadas operações comerciais com empresas subsidiárias localizadas no exterior, ou empresas situadas em países com tributação favorecida, inexistindo circunstância que caracterize prática de omissão receitas na venda ao adquirente final, deve a Fiscalização apurar eventuais valores tributáveis na forma dos artigos 18, 19 e 24 da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 9.959, de 27.01.2000, DOU 28.01.2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescidos dos impostos e taxas cobrados Fl. 52DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 53 53 pelo referido país na exportação, e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 4º. Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º. Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 7º. A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. Art. 19. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. § 7º. A parcela das receitas, apurada segundo o disposto neste artigo, que exceder ao valor já apropriado na escrituração da empresa deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real, bem como ser computada na determinação do lucro presumido e do lucro arbitrado. Art. 20. Em circunstâncias especiais, o Ministro de Estado da Fazenda poderá alterar os percentuais de que tratam os artigos 18 e 19, caput, e incisos II, III e IV de seu § 3º. Art. 24. As disposições relativas a preços, custo e taxas de juros, constantes dos artigos 18 a 22, aplicamse, também às operações efetuadas por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada em país que não tribute a renda ou que a tribute a alíquota máxima inferior a vinte por cento. (grifei) Assim, alem da possibilidade de ajustar o valor tributado dos resultados no exterior, a fiscalização também poderia/deveria verificar o valor dos Preços de Transferência. Procedimento que foi feito, conforme descrito no TVF (verbis): PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: PREÇOS PRATICADOS x PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA 111. Em análise preliminar (parágrafo Error! Reference source not found.), constatouse que os preços praticados nas exportações para a MIC/ILMOT pareciam estar em conformidade com o Método de Preços de Transferência. Entretanto, ao confrontarmos essa adequação com o extenso conjunto de indícios levantados sobre a simulação da intermediação da MIC/ILMOT, nova interpretação emerge. 112. Como já observado (parágrafo Error! Reference source not found.), em casos de simulação, o ilícito é praticado de forma a dificultar a produção de provas diretas. Mais que isso, medidas são tomadas para mascarálo com a aparência de legalidade. A emissão de faturas, a contratação de empresas para emprestar domicílio em outros países, contratos e pedidos eletrônicos são apenas alguns dos meios para proteger o planejamento tributário irregular. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 54 54 113. Nesse sentido, nada seria mais seguro para coibir análises do Fisco do que se adequar a um mecanismo de fiscalização. Com o devido planejamento tributário, é possível estar em conformidade com os Preços de Transferência, muito embora o importador “intermediário” sequer exista. 114. Ao longo das fiscalizações de 2005 e 2006 e, perceptivelmente, na Impugnação ao auto de 2005, a contribuinte alegou reiteradamente a sua adequação a esse mecanismo, desconsiderando o fato óbvio de que não era essa a constatação do Fisco. Guardadas as devidas proporções, é como se, após a verificação de uma exportação fictícia, o exportador invocasse o Método de Preços de Transferência para alegar a conformidade da operação. 115. Essa demasiada insistência, por si só, caracterizouse como mais um indício de que houve um planejamento tributário ilícito: ao invés de, desde o princípio, a contribuinte buscar comprovar a intermediação da MIC/ILMOT, buscou desviar, nos anos anteriores, a atenção para a sua adequação aos Preços de Transferência e para a impossibilidade de provar a inexistência fática dessas empresas. Constatase, pois, que o planejamento tributário elaborado e executado pelo contribuinte foram respeitados os limites dos preços de transferência na forma da legislação em vigor. O conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira abordou ambas as questões em sua declaração de voto (vencido) no processo 11020.004103/200621, acordão 10 17.084, de 25/06/2008. Transcrevo seus fundamentos (verbis). Trata o presente feito de auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal no Chuí, em desconsideração dos negócios praticados pela Recorrente com suas empresas controladas MIC e ILMOT, localizadas, respectivamente, nas Ilhas Virgens Britânicas – BVI e no Uruguai (na forma de sociedade anônima financeira de investimento SAFI), ambas sujeitas ao regime de tributação favorecida. Antes de se adentrar no cerne dos negócios praticados pela Recorrente e que foram detalhadamente expostos no voto relator vejo como indispensáveis algumas considerações conceituais de forma a poder enquadrar referidos negócios ao direito pertinente. Isso se faz necessário na medida em que a norma é a descrição hipotética de um fato; sendo que, somente após a correta delimitação do instrumento normativo é que se poderá investigar a correta subsunção do fato. E, no presente caso, por se tratar de negócios realizados com empresas localizadas em Países com Regime de Tributação Favorecida, é necessário, inicialmente, conhecer o regime jurídico adotado pelo Brasil em referidas operações, para, somente depois, buscar o devido enquadramento dos fatos praticados no caso concreto. A comunidade internacional, desde a fundação da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico – OCDE, vem se ocupando das questões relacionadas à tributação no plano mundial, seja para evitar a dupla pretensão tributária sobre o mesmo fato, seja para restringir os negócios comerciais realizados com países que concedam regimes preferenciais de tributação. Em 1998, referido órgão publicou o relatório “Harmful Tax Competition – An Emerging Global Issue”, em que procura “reconhecer a distinção entre os regimes Fl. 54DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 55 55 preferenciais de tributação aceitáveis e os danosos”4, bem como os impactos e as medidas de contenção para os países exportadores e importadores de capital. Essa posição da OCDE foi bastante importante: apesar de a organização ser composta pelas maiores economias de mercado do mundo – e, por conseqüência, majoritariamente, países exportadores de capital – a OCDE também recomenda aos países nãomembros – em sua maioria, importadores de capital – a adotarem as recomendações traçadas pela organização. No entanto, muitas vezes, as recomendações traçadas para os países majoritariamente exportadores de capital não interessa aos países majoritariamente importadores de capital. Dessa forma, tratase de uma questão de política fiscal, a ser implementada por cada país, segundo sua soberania e seus interesses comerciais. Embora o Brasil não seja membro da OCDE, não se sujeitando, assim, diretamente às suas diretivas, adotou e tem adotado várias das medidas recomendadas pela organização para controle de seu comércio exterior, sobretudo no que tange ao tratamento tributário deferido a sociedades empresárias que atuam no cenário internacional. A título de ilustração, podemos citar a implementação, em 1996, de normas de controle de preços de transferência e de negócios realizados com Países com Regime de Tributação Favorecida. Conceitualmente, Países com Regime de Tributação Favorecida podem ser entendidos como aqueles que concedem regime de tributação global das pessoas e investimentos nele realizados em patamares inferiores àqueles observados no cenário internacional. No entanto, Hermes Marcelo Huck adverte que: “O conceito de um paraíso fiscal pode variar radicalmente, conforme seja a fonte do qual emana. O Secretário da Receita Federal, um fiscal de impostos, um contribuinte envolvido em negócios internacionais, um jurista, um advogado descreverão o paraíso fiscal ora como a face negra do capitalismo, ora como o algoz das economias dos demais países, ora como uma alternativa para fugir à opressão dos impostos que impedem o livre fluxo de capitais, ou ainda como um poderoso catalisador da economia capitalista mundial. Tão diversas as formas como se apresentam os paraísos fiscais que uma conceituação consensual do fenômeno dependerá muito mais do grau de facilidades ou isenções fiscais que cada um ofereça do que de qualquer outro fator. Não seria exagero afirmar que até os Estados Unidos, cujo empenho de suas autoridades fiscais contra os paraísos de impostos é notório e intenso, podem ser considerados como um deles, se o enfoque da análise se concentrar no tipo de tratamento tributário favorável que a legislação americana concede aos investidores estrangeiros que mantêm recursos depositados em bancos daquele país”5. Diante deste contexto, cabe a cada país, mediante normalização própria, a definição específica de quais critérios irá tomar para que um país seja classificado como de Regime Tributário Favorecido. No Brasil, a questão veio a ser tratada por meio do art. 24A da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que considerou de tributação favorecida o país “que não tribute a renda ou que tribute à alíquota máxima inferior a 20% (vinte por cento)”. Assim, a legislação brasileira adotou um critério objetivo, delimitando os países com Regime de Tributação Favorecida com base na alíquota máxima de tributação da 4 P. 8 relatório 5 HUCK, Hermes Marcelo. Elisão e Evasão: Rotas Nacionais e Internacionais do Planejamento Tributário. Saraiva, São Paulo, 1997. p. 257/258. Fl. 55DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 56 56 renda. Cumpre esclarecer, ainda, que a Lei nº. 9.430/96 sofreu recente alteração, restringindo ainda mais o conceito, por meio da Lei nº. 11.727, de 23 de junho de 2008, que a acrescentou o art. 24A e seu parágrafo único, que dispõe o seguinte: Parágrafo único. Para efeitos deste artigo, considerase regime fiscal privilegiado aquele que: I – não tribute a renda ou a tribute à alíquota máxima inferior a 20% (vinte por cento); II – conceda vantagem de natureza fiscal a pessoa física ou jurídica não residente: a) sem exigência de realização de atividade econômica substantiva no país ou dependência; b) condicionada ao não exercício de atividade econômica substantiva no país ou dependência; III – não tribute, ou o faça em alíquota máxima inferior a 20% (vinte por cento), os rendimentos auferidos fora de seu território; IV – não permita o acesso a informações relativas à composição societária, titularidade de bens ou direitos ou às operações econômicas realizadas.” Cabe ressaltar que são inúmeras as formas de utilização dos Países com Regime de Tributação Favorecida que permitem a redução de carga impositiva, valendose de mecanismos e procedimentos lícitos, dentro da chamada elisão fiscal6. Desta forma, cada país, identificado o planejamento empresarial ou negocial com o objetivo de redução de carga tributária, poderá adotar medidas antielisivas para atribuição de efeitos tributários próprios – e diversos – daquele que originalmente seriam aplicáveis. No caso em apreço, interessa a utilização das empresas estrangeiras no formato de trading companies, ou empresa de comercialização. Heleno Torres explica que “estas espécies de empresasbase offshore são constituídas para realizar operações comerciais fora dos países com tributação favorecida, concentrando os lucros decorrentes da suas operações comerciais no exterior com empresas vinculadas), bem como com royalties, patentes e honorários por serviços. Este tipo de empresa encontrase, portanto, representada por filiais intermediárias em operações de compra e venda, que têm como objetivo derivar os ganhos das companhias produtoras e distribuidoras de bens, situadas em território de alta tributação para países de baixa tributação”7. Para lidar com os negócios realizados com referida espécie de empresa, a Lei nº. 9.430/96 definiu o seguinte regime de tributação: Art. 24. As disposições relativas a preços, custos e taxas de juros, constantes dos arts. 18 a 22, aplicamse, também, às operações efetuadas por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com qualquer pessoa 6 “Se o indivíduo busca evitar a incidência do tributo sobre determinadas situações jurídicas de forma preventiva, evitando a própria ocorrência do fato gerador, deve ser admitida sua faculdade de agir dentro das diversas condutas lícitas possíveis para que se livre da tributação, desde que as circunstâncias não exijam a observância de forma expressa em lei, garantia que decorre dos princípios gerais da atividade econômica estabelecidos na Constituição Federal (art. 170 e seguintes). É quando ocorre a elisão ou evasão lícita”. (AC 1997.01.00.061057 6/MG, 8ª Turma do TRF da 1ª região, Rel. Des. Maria do Carmo Cardoso, pub. DJ de 10/11/2006). 7 TORRES, Heleno. Direito Tributário Internacional. Planejamento Tributário e Operações Transnacionais. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2001. p. 118. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 57 57 física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada em país que não tribute a renda ou que a tribute a alíquota máxima inferior a vinte por cento. E, com a redação dada pela Lei nº. 11.727/08, renovouse o regime aplicável: Art. 24A. Aplicamse às operações realizadas em regime fiscal privilegiado as disposições relativas a preços, custos e taxas de juros constantes dos arts. 18 a 22 desta Lei, nas transações entre pessoas físicas ou jurídicas residentes e domiciliadas no País com qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada no exterior. Verifico que, na realização de negócios com empresas ou pessoas localizadas em Países com Regime de Tributação Favorecida, a legislação adotou parâmetros mínimos de valores a serem considerados na exportação; e máximos em valores a serem considerados em pagamentos realizados ao exterior, nos mesmos critérios adotados para os preços de transferência. Aqui, importa ressaltar que a legislação não igualou os conceitos de negócios realizados com pessoas localizadas em Países com Regime de Tributação Favorecida e preços de transferência. O que a lei fez foi igualar os critérios para controle de ambos, mas para operações conceitualmente distintas. Assim, partindo do pressuposto de que o direito brasileiro trata especificamente na legislação, por meio de norma antielisiva específica, de negócios realizados com empresas em Países com Regime de Tributação Favorecida, não vejo como pretender a desconsideração dos negócios praticados pela empresa nacional com as suas subsidiárias no exterior, a partir da descaracterização destas por serem empresas offshore nos respectivos países onde estão constituídas. Na verdade, todo País com Regime de Tributação Favorecida tem, como pressuposto, a existência de empresas offshore, em que as atividades são limitadas aos negócios voltados para o exterior. No caso dos autos, temos duas empresas subsidiárias integrais da Recorrente, quais sejam, MIC – Marcopolo International Corporation, localizada nas Ilhas Virgens Britânicas e ILMOT International Corporation S.A., constituída sob a forma de sociedade anônima financeira de investimentos – SAFI, no Uruguai. Do que se extrai dos autos, os negócios realizados pela Recorrente com os adquirentes finais dos produtos eram intermediados por ambas as empresas, sendo que o auto de infração imputou, como rendimento da Recorrente, os valores finais dos negócios realizados por estas empresas intermediárias com os adquirentes no exterior. No entanto, não foi este o tratamento legal dado pelo direito brasileiro para os negócios realizados com empresas offshore estabelecidas em Países com Regime de Tributação Favorecida. A Lei nº. 9.430/96 limitouse à verificar se o preço praticado encontra respaldo nos critérios definidos pelos seus artigos 18 a 22; sendo que, alcançados estes parâmetros mínimos, há de ser respeitado o planejamento negocial8 realizado pelo contribuinte. Portanto, no caso, entendo que não poderia a Fiscalização desconsiderar os negócios realizados pela Recorrente com as suas subsidiárias integrais para além daquilo que a Lei nº. 9.430/96 prevê para a hipótese de empresas localizadas em Países com 8 A ação da contribuinte de procurar reduzir a carga tributária, por meio de procedimentos lícitos, legítimos e admitidos por lei revela o planejamento tributário. (Acórdão 10247181, do 1º Conselho de Contribuintes) Fl. 57DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 58 58 Regime de Tributação Favorecida. Aliás, também não vejo a possibilidade de a Fiscalização buscar, nas empresas MIC e ILMOT, indícios, por exemplo, da existência de funcionários e estrutura operacional compatível com o montante dos negócios realizados, ou até perquirir, de forma oficiosa, a efetiva existência do seu endereço no país estrangeiro. Ora, estas são empresas trading comerciais constituídas no formato offshore em Países com Regime de Tributação Favorecida. Por óbvio que elas não possuem o formato estrutural e organizacional de uma empresa comercial ordinária. Ressaltese, ainda, que a forma que o direito brasileiro definiu para lidar com esta categoria de empresas não foi a desconsideração dos negócios por elas realizadas com as empresas residentes, mas sim o controle dos preços praticados nas operações realizadas com estas empresas. Não fosse este argumento suficiente ao reconhecimento de improcedência do lançamento, verifico, ainda, que as empresas MIC e ILMOT tiveram, ainda que parcialmente, seu lucro tributado no Brasil por força da residência da empresa controladora, ora Recorrente. De fato, sendo estas empresas subsidiárias integrais da empresa brasileira, a tributação de seus rendimentos se faz quando da disponibilização do lucro ou por meio da equivalência patrimonial. Assim, não pode a fiscalização, ao promover a desconsideração dos negócios realizados pelo contribuinte, deixar de considerar o reflexo que referidos rendimentos provocaram na contabilidade da empresa no curso dos anos. Isso porque essa desconsideração acaba provocando a dupla incidência do imposto de renda sobre o mesmo rendimento, situação absolutamente contrária à lei e à sistemática de funcionamento do tributo em questão. O mesmo se diga com relação à consideração das despesas das empresas MIC e ILMOT na formação do lucro tributável. Na verdade, o auto de infração desconsiderou parcialmente os negócios da Recorrente com as suas subsidiárias: se por um lado, imputou como rendimento da empresa residente o resultado das vendas das subsidiárias estrangeiras; por outro não levou em consideração as despesas dedutíveis que estas empresas registravam em sua contabilidade. Conforme satisfatoriamente demonstrado pela Recorrente, as subsidiárias MIC e ILMOT, além da intermediação dos negócios na condição de trading companies, também prestavam serviços auxiliares e de pósvenda dos produtos da Recorrente, como, por exemplo, fornecimento de garantia, pagamento de comissão a vendedores finais, etc. Se a Fiscalização pretendia integrar as receitas das subsidiárias na formação do lucro tributável da Recorrente, os referidos custos também deveriam, necessariamente, ser considerados, sob pena de se tributar “receita” como se fosse “renda” da pessoa jurídica. Por estas razões, peço vênia do nobre Conselheiro Relator e dou provimento ao recurso para julgar improcedente o lançamento. (Grifei). Verificase, pois, que o ilustre conselheiro embora vencido, já havia adotado a mesma linha de entendimento que ora manifesto, pelo que peço vênia par adotar seus fundamentos como razões adicionais de decidir. Outrossim, caso o entendimento fosse pela manutenção do lançamento, todos os custos e despesas devidamente comprovados deveriam ser reduzidos da base de cálculo, haja vista que as vendas foram efetivamente realizadas, seja considerando a participação de MIC e ILMOT ou não. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 59 59 Uma vez que a exigência está sendo cancelada em face do erro na forma de tributação, as demais alegações do contribuinte ficam prejudicadas, especialmente quanto a consideração dos custos suportados nas vendas por MIC e ILMOT. II RECURSO DE OFÍCIO Uma vez que no mérito o recurso voluntário está sendo provido, o recurso de oficio perde o objeto nessa parte. Todavia, ainda que não prevaleça o entendimento deste Relator quanto ao mérito, não cabe mesmo o provimento do recurso de ofício, haja vista tratar se de ajustes da base de cálculo, em razão de equívocos na apuração fiscal do montante tributável. Vejamos os fundamentos da decisão de 1a. instância nessa parte: A impugnante prova a inexistência da simulação nas vendas com intermediação da MIC/Bidayah (fls. 2481/2569). As cópias das cartas de crédito trazidas ao processo, abertas pelo Albank Alsaudi Alfransi, a pedido de Tamimi and Saihati Transport Co. (Taseco), representam o pagamento à MIC pela venda de 830 veículos (carrocerias e chassis). O valor pago proporcionaria a margem de lucro mínima para a controlada externa de 0,12%, o que representa percentual insignificante para a constatação de subfaturamento. Com isso, há que se indeferir nas exigências fiscais os valores relacionados a essas operações. Correto o entendimento da decisão de 1a. instancia, dentro de suas premissas, no sentido de afastar o subfaturamento na venda de 830 veículos, considerando a margem de apenas 0.12% para a MIC. Voto por negar provimento ao recurso de oficio. III CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de: i) afastar a aplicação da multa de oficio qualificada, reduzindo ao percentual básico de 75%; ii) manter a aplicação da multa agravada em 50%; iii) acolher a preliminar de decadência tão somente quanto ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 2001; iv) rejeitar as demais preliminares, v) cancelar a tributação do IR Fonte, pagamento sem causa, pela inocorrência do fato gerador; vi) cancelar a tributação do IRPJ e CSLL por erro na forma de constituição do crédito tributário; vii) negar provimento ao recurso de oficio. É este o voto condutor do presente Acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Fl. 59DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 60 60 Declaração de Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. I. DOS FATOS Tratase de autos de infração lavrados contra a interessada para exigirlhe o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), relativos ao ano calendário de 2001/2002, 2003 e 2004/2007. Os lançamentos estão fundados em omissões de receitas, caracterizadas por subfaturamento decorrente de simulação e pela falta de recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em razão de pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa. As operações de exportação auditadas apresentavam como exportadora a Marcopolo, e compradoras suas controladas nas Ilhas Virgens Britânicas (MIC) e no Uruguai (Ilmot/Kilvert/Kemplive) – empresas que gozam de tratamento fiscal privilegiado nos países onde estão estabelecidas. Estas empresas, por sua vez, revendiam os produtos adquiridos da Marcopolo a clientes seus, localizados em países diversos. Elas se responsabilizavam, também, pelos serviços de pósvenda (garantia, assistência técnica, etc.). A Marcopolo, por conta e ordem das suas controladas (que, em tese, adquiriram os produtos), os remetia diretamente aos clientes destas, mediante exportação por conta e ordem. É dizer, a mercadoria não chegava a ser fisicamente transferida às controladas. Aprofundando as investigações, a fiscalização formou entendimento de que as vendas de mercadorias da Marcopolo às suas controladas eram simuladas, visando encobrir o verdadeiro negócio jurídico, entabulado entre a Marcopolo e o destinatário final da mercadoria no estrangeiro, e omitir receitas ao Fisco brasileiro. Segundo a fiscalização, o que se observou foi que as “intermediárias” (MIC, Ilmot, Kilvert e Kemplive) foram indevidamente utilizadas para simular a existência de um intermediário entre a Marcopolo e o importador final. Essas empresas funcionavam, na verdade, como centrais de refaturamento. Diante conjunto de indícios levantados, o Fisco concluiuse que a Marcopolo exportava diretamente para os compradores finais (supostos clientes de MIC, Ilmot, Kilvert e Fl. 60DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 61 61 Kemplive), operação dissimulada através da simulação de duas operações de compra e venda: uma entre a autuada e suas controladas e outra entre as controladas e os compradores finais. Afirma o Fisco que ao mesmo tempo em que reduzia as receitas de exportação para a formação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, obtinha efeito equivalente à remessa de divisas ao exterior, sem justa causa e não submetida ao pagamento de IRFonte). A Fiscalização concluiu ainda que configurouse a fraude a ensejar a aplicação de multa de 150% prevista no art. 44, §1º da Lei 9.430/96 (nova redação do art. 44, inciso II). II. DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA (EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE) No julgamento dos processos anteriores da mesma ação fiscal, relativas aos anoscalendário de 1999 e 2000, realizados na antiga 5a. Camara do Primeiro Conselho de Conribuintes, autuações, dos quais praticipei, votei no sentido de manter a qualificação da multa de oficio, por ter sido configurado o evidente intuito de fraude. Todavia, equivoquei ao não observar um aspecto crucial: não basta que seja provado que o contribuinte incorreu em dolo. À luz do artigo 72 da Lei 4.502/1964, é necessário que o procedimento doloso implique em impedir a ocorrência ou modificar as caracteristicas do fato gerador. Não foi o que ocorreu no presente caso. Isso porque todas as operações estavam devidamente contabilizadas, e a conclusão fiscal decorreu da formação de juízo de valor por parte do Fisco. Este Conselho já decidiu que irregularidades tendentes a obter vantagens cambiais ou financeiras não podem, por si só, ensejar a aplicação de multa qualificada. Inclua se aqui, dentre outros as remessas ilegais de recursos ao exterior, a utilização de interpostas pessoas para movimentação de contas bancárias, dentre outras impropriedades, desde que não implique em redução indevida de tributos. Para a caracterização da fraude, há que estar presente a figura do dolo específico caracterizado pela intenção manifesta do agente de omitir dados, informações ou procedimentos que resultam na diminuição ou retardamento da obrigação tributária. Com efeito, quem age com intuito de fraude realiza operações proibidas, não as escritura em seus registros comerciais e fiscais, não declara essas operações nos formulários de entrega obrigatória e, quando fiscalizado, não entrega a documentação solicitada, procurando sob todas as formas ocultar essas operações. E mais, adultera documentos, utiliza se de documentos calçados e paralelos, pessoas inexistentes ou “laranjas” e de documentos falsos e inidôneos. Mais a mais, certo é que os resultados obtidos com as subsidiarias no exterior foram oferecidos à tributacao pela controladora no Brasil (Marcopolo). Fl. 61DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 62 62 Uma vez que já estavam em vigor as normas de tributação em bases mundiais o procedimento do contribuinte, tratase de verdadeiro o erro na interpretação de lei que não se confunde com fraude à lei, como já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais: "PENALIDADE QUALIFICADA INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE ERRO DE PROIBIÇÃO ARTIGO 112 DO CTN. Em se tratando de matéria controvertida, temse que o resultado final é apenas pela ocorrência de erro na interpretação da lei, mas não de fraude à lei. Recurso negado" Acórdão CSRF n° 0202896. Cabe aqui transcrever o trecho do voto proferido pela I. Conselheira Relatora do acórdão em comento, Maria Teresa Martinez López, que reconheceu a inexistência de fraude nesse caso, tendo em vista que a matéria controvertida decorre, exclusivamente, de erro na interpretação de lei: "Por certo, tenho comigo quando nos referimos a dolo, devemos partir do conceito extraído do direito penal. Assim, presente na definição de fraude como sendo a vontade ou a intenção do agente de praticar o ato definido como crime. É, no meu sentir, ter a plena consciência de que o ato praticado irá ocasionar o resultado delituoso. No conceito material, crime é uma ação ou omissão que se proíbe e se procura evitar, ameaçandoa com pena, porque constitui ofensa (dano ou perigo) a um bem jurídico individual ou coletivo. Não nos olvidemos estar a fraude fiscal caracterizada pela prática de uma ação ou omissão, intencionalmente criminosa, tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do tributo. Exemplos desse tipo se mostram quando nos deparamos, por exemplo, com uma falsificação de documentos ou de livros fiscais/contábeis. Ou, diante da comprovação da existência de notas fiscais calçadas. Não é realmente a hipótese descrita nos autos, em que se discutiu, primeiramente se houve ou não incidência da CPMF, com manifestações não unânimes sobre a polêmica matéria, e a dois, a de se as normas do Banco Central, a qual está a interessada obrigada a cumprir, poderiam justificar, não a forma de proceder da interessada, mas sim a não incidência da CPMF pretendida pela fiscalização. Ora, se a forma de proceder da interessada não encontra obstáculos perante a fiscalização do Banco Central, não há em princípio, de se falar consequentemente em fraude, no sentido definido na lei n° 4.502, de 1964. Não nos olvidemos que a interessada efetuou operações com base na liberdade de contratar, na liberdade de iniciativa econômica, na livre concorrência, e essencialmente, sem a objeção do Banco Central, à época dos fatos. Vale dizer, o ponto de partida da análise é uma liberdade de escolha, de uma ou outra opção, e até mesmo, por que não, na possível escolha de poder pagar menos tributo, se permitido for a opção lícita de escolha. (...) Cabe lembrar que o chamado direito de se autoorganizar, para pagar menos impostos, é sobretudo emanação de uma liberdade individual. Não há e nem pode haver crime nisso. Ora, se a matéria mostrouse controvertida, temse que o resultado final revela apenas erro na interpretação da lei, mas não de fraude à lei. Como suporte das conclusões aqui expostas dispõe o art. 112 do Código Tributário Nacional que: "A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) Fl. 62DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 63 63 IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua gradação". É o assim chamado princípio ‘in dúbio pro reo’, consagrado no art. 112 do CTN." Pelo exposto, peço venia para retificar meu entendimento anteriormente manifestado e afastar a aplicação da multa qualificada e, por conseguinte, acolher a preliminar de decadência do anocalendário de 2001. III. DO MÉRITO O conselheiro Relator e o conselheiro Moises Giacomelli em seus votos abordaram incisivamente um ponto que não me recordo ter sido tratado com a devida profundidade nos julgamentos anteriores, qual seja: Independentemente de estar ou não configurado o subfaturamento, a eventual diferença apurada não pode ser tributada na forma de omissão de receitas. Seja porque existem regras de preço de transferencia a serem observadas, seja pelo fato de os resultados com as subsidiárias no exterior estão sujeitas a tributação na controlada pela sistemática da equivalencia patrimonial. As operações comerciais com empresas subsidiárias localizadas no exterior, mormente em países com tributação favorecida estão sujeitas ao controle de preços de transferência consoante artigos 18, 19 e 24 da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 9.959, de 27.01.2000, DOU 28.01.2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescidos dos impostos e taxas cobrados Fl. 63DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 64 64 pelo referido país na exportação, e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 4º. Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º. Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 7º. A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. Art. 19. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. § 7º. A parcela das receitas, apurada segundo o disposto neste artigo, que exceder ao valor já apropriado na escrituração da empresa deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real, bem como ser computada na determinação do lucro presumido e do lucro arbitrado. Art. 20. Em circunstâncias especiais, o Ministro de Estado da Fazenda poderá alterar os percentuais de que tratam os artigos 18 e 19, caput, e incisos II, III e IV de seu § 3º. Art. 24. As disposições relativas a preços, custo e taxas de juros, constantes dos artigos 18 a 22, aplicamse, também às operações efetuadas por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada em país que não tribute a renda ou que a tribute a alíquota máxima inferior a vinte por cento. Portanto, uma vez afastada a tributação na forma de omissão de receitas, no qual acompanho o relator, o correto seria apurar eventuais diferenças tributáveis em face da pratica abusiva de preços de transferencias. Diante do erro no critério material dos lançamentos, toda a exigência está prejudicada, pelo que reformulo meu entendimento e passo a dar provimento ao recurso. IV. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sendito de afastar a aplicação da multa qualificada, acolhendo a preliminar de decadência do anocalendário de 2001 e, no mérito, dar provimento aos recursos para cancelar integralmente as exigências. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 64DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 65 65 Declaração de Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Os documentos a que farei referência em meu voto foram entregues com os memoriais. Pelo que pude verificar, por amostragem, são cópias fiéis dos que existem nos autos. Em sendo três processos semelhantes, o de nº 11020.004863/200719, correspondente aos anoscalendário de 2000 e 2001; o de nº 11020.007753/200890 correspondente ao ano calendário de 2003 e o de nº 11020.003681/200992, correspondente aos anoscalendário de 2004 a 2007, originários de uma mesma situação fática, por evidente que desnecessário entregar memoriais com documentos repetidos, só para corresponderem ao número das folhas indicadas em cada feito. Assim, quando faço referência, em meu voto, ao número da folha nos autos estarei fazendo apenas em relação a um dos processos. Todavia, como os conteúdos dos documentos são idênticos, os fundamentos aplicamse em relação a todos os processos antes mencionados, ressalvada, evidentemente, a questão da decadência e da multa agravada que são questões pertinentes somente ao processo nº 11020.004863/200719. O contrato de fls. 549 a 572 demonstra que em 02 de janeiro de 1995, a empresa Marcopolo S.A. com sede no Brasil e a empresa Marcopolo International Corp, subsidiária integral da primeira, doravante identificada pela sigla MIC, constituída em 19 de agosto de 1992, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, firmaram termo de pareceria comercial por meio da qual cabia à segunda distribuir e comercializar os produtos na Marcopolo no mercado externo, bem como prestar os serviços de pósvendas. Pelo contrato de fls. 549 e seguintes, em termos formais, se pode afirmar que a MIC guarda alguma semelhança com as concessionárias que revendem veículos no Brasil, destacandose, todavia, que estas, em nosso território, não são subsidiárias das montadoras. Além do contrato firmado com a MIC, o documento de fls. 580 e seguintes, que compõe os memoriais que foram entregues, dá conta de que a Marcopolo, ora recorrente, em 14 de janeiro de 2000, firmou contrato semelhante com a empresa Ilmot International Corporation S.A. Prosseguindo na análise dos documentos, verifico que no ano de 1997, com a anuência da Marcopolo, a empresa MIC e a empresa Importaciones Zuzu Sociedad Anonima, com sede na Província de Cartago, na Costa Rica, constituída em 25 de setembro de 1997, doravante identificada pelo nome de ZUZU, firmaram contrato de subcontratação de agenciamento comercial e outras avenças tendo por objeto a venda de produtos da Marcopolo no território da Costa Rica e do Panamá (fl. 1327). Segundo informações contidas nos memoriais, as empresas Tredings MIC e ILMOT adquiriam os ônibus da Marcopolo e vendiam aos seus clientes ou outras controladas no exterior, sendo que a remessa dos veículos era feita diretamente pela Marcopolo, por conta e ordem das Tredings antes nominadas. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 66 66 Os custos de venda e de assistência técnica, segundo a recorrente, eram suportados pelas Tradings. No caso de vendas financiadas, diz a recorrente, ocorrida inadimplência, a legitimidade para fazer a cobrança era da MIC e da Ilmot, conforme quadro que segue: Em oposição ao que sustenta a recorrente, do que extraio do relatório do acórdão recorrido e dos memoriais entregues pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o interessado na aquisição das carrocerias e dos ônibus mantinha contato direto com a Marcopolo e somente após a negociação era introduzida uma das Centrais de Refaturamento, MIC ou Ilmot, acima identificadas. Entendeu a autoridade fiscal que a recorrente apenas utilizava as sociedades MIC e Ilmot para intermediar formalmente negócios que, na essência, correspondiam a operações diretas entre a Marcopolo S.A. e seus importadores finais. Tal modo de agir, segundo a autoridade autuante, implicou em omissão de receita a partir da dissimulação da natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, ocultando a ocorrência dos fatos geradores do IRPJ, CSLL e IRRF. Além do IRPJ e da CSSL, sobre a mesma base de cálculo, foi exigido IRRF a partir da construção teórica de que o valor correspondente ao percentual que a empresa Marcopolo deixou de receber dos adquirentes finais de seus produtos equivale a pagamento sem causa feito pela Marcopolo em favor da MIC e da Ilmot, justificando assim a incidência do IRRF, com base de cálculo reajustada, mais multa qualificada e multa agravada, chegando ao percentual, a título de multa, de 225%, calculado sobre base de cálculo reajustada. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 67 67 A multa foi qualificada por conta da alegada dissimulação dos elementos constitutivos da obrigação tributária e agravada sob o entendimento de que a Marcopolo deixou de fornecer, nos prazos fixados, os elementos necessários ao esclarecimento dos fatos. Por fim, ainda foi exigido no lançamento multa isolada por recolhimento de estimativas mensais a menor, estas decorrentes da omissão de receita nãocontabilizada, objeto da autuação. A multa isolada, no caso, incidiu tanto em relação às estimativas do IRPJ quanto da CSLL. Na defesa, além das questões inerentes à legalidade das operações e decadência, de forma subsidiária, sustenta a recorrente que, em permanecendo o entendimento de que a integralidade dos valores pagos pelos consumidores finais se constituem em receita da Marcopolo, as despesas suportadas pelas intermediárias MIC e Ilmot devem ser subtraídos da base de cálculo. Não seria razoável, segundo a fiscalizada, presumir que as empresas MIC e Ilmot seriam uma extensão da própria fiscalizada sem subtrair da base de cálculo as despesas arcadas por estas para concretizarem as operações comerciais. Por oportuno, destaco que a exigência do crédito tributário teve como base material o valor correspondente à diferença do preço pago pelo adquirente final e o valor faturado pela Marcopolo às subsidiárias MIC e Ilmot. Assim, tendo como parâmetro os números citados no exemplo acima, em termos de unidades de valores, temse o seguinte demonstrativo: Preço compra MIC e Ilmot nas aquisições da Marcopolo Preço de venda Base de cálculo da exigência (receita contabilizada nas empresas MIC e Ilmot 1.000 1.100 100 Embora o fundamento legal da exigência, em relação ao IRPJ e a CSLL, faça referência à omissão de receitas, o quadro acima demonstra que a exigência do crédito fiscal não se refere a operações omitidas, mas sim ao quantum da receita contabilizada nas empresas MIC e Ilmot. Enquanto a Fiscalização entende que os valores acima ilustrados, com o algarismo de número 100 (cem), devem compor o lucro da Marcopolo esta defende a tese de que tais valores integram a receita de suas subsidiárias, motivo pelo qual deve contabilizar apenas o lucro no exterior obtido por estas, procedimento este que sempre realizou, sem nunca omitir uma única operação e nem os lucros obtidos por aquelas empresas. Argumenta a recorrente que, ao considerar a receita obtida pelas empresas antes nominadas, a autoridade fiscal não está tributando o lucro, mas sim exigindo imposto de renda e contribuição social sobre a receita, o que é incabível. Mais, diz a recorrente que, por já ter tributado o lucro das empresas MIC e Ilmot, ao se fazer nova exigência sobre o faturamento da MIC e da Ilmot, se está tributando duplamente e, pior, tributandose a receita e não o lucro. Junto com os memoriais da recorrente foram entregues quatro pareceres, a saber: (i) o primeiro autoria de Ricardo Mariz de Oliveira; (ii) o segundo de autoria de Luiz Fl. 67DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 68 68 Eduardo Schouerri; (iii) o terceiro de Fábio Ulhoa Coelho e o; (iv) quatro de autoria de Heleno Taveira Torres. Além dos Pareceres Jurídicos aqui referidos e analisados por mim, compõem os memoriais Parecer Econômico sobre as práticas operacionais e comerciais de exportação adotadas pela Marcopolo. Em síntese, os pareceres sustentam que: a) não houve omissão de receita; b) a recorrente observou as normas legais de controle de preços nas exportações (preços de transferências); c) o Fisco, ao afirmar que houve omissão de receitas desconsiderou o fato de que os lucros das atividades das empresas MIC e Ilmot, no exterior, foram contabilizados no Brasil, pela recorrente; d) Que não houve simulação, pois na simulação temse a “desconformidade entre a intenção e a prática, coisa que não ocorreu no caso da recorrente”, cuja intenção era operar por meio de suas subsidiárias e assim o fez, não sendo lícito ao Fisco fazer ingerência na forma de atuação das empresas. É por esta razão que existe norma especial que disciplina os efeitos tributários nas transações entre empresas subsidiárias ou situadas em países com tributação favorecida (preços de transferência). e) Que no caso concreto não houve subfaturamento; nem omissão de receita caracterizada por meio de pagamento “por fora”, e tampouco a recorrente realizou pagamentos a terceiros (MIC, Ilmot, Kilvert S.A e Kenplive Corporation S.A) que pudessem materializar a exigência de pagamento sem causa. Igualmente, a Procuradoria da Fazenda Nacional entregou memoriais destacando os seguintes pontos: a) Inexistência de participação efetiva das empresas controladas nas operações de exportação; b) Que as empresas subsidiárias eram carecedoras de estrutura, pois os únicos salários pagos eram de quatro diretores que também eram sóciosgerentes ou diretores da Marcopolo; c) Que a fiscalização apurou que todos os documentos das empresas MIC e Ilmot eram emitidos em Caxias do Sul e assinados por funcionários da Marcopolo que recebiam procuração de seus diretores. d) Que as operações não ocorreram da forma como consta nos papéis e tampouco os motivos declinados pela recorrente sustentam a existência de um legítimo propósito negocial. e) Que as empresas subsidiárias estão estabelecidas em paraísos fiscais, motivo pelo qual não é possível justificar as operações comerciais por Fl. 68DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 69 69 meio desta com base no argumento de “maior proximidade com os mercados consumidores”. f) Ainda que recorrente demonstre que foram as empresas tomadoras do empréstimo que arcaram com os custos financeiros (o que não está sob questionamento na autuação), isto não afasta a conclusão de que a suposta agilidade para obter financiamentos justifica a intermediação da MIC e Ilmot, eis que tais financiamentos seriam obtidos pela Marcopolo com a mesma facilidade. g) Quanto à multa qualificada, sustenta a Procuradoria de que o ilícito não ocorreu de mero erro de proibição. i) No que tange à multa agravada, ela foi aplicada pelo não fornecimento de faturas comerciais de vendas da MIC e Ilmot aos compradores finais. É o relatório com breve relato dos fatos, passo ao voto. Inicio meu voto reconhecendo o profícuo trabalho de todos os que atuaram neste processo. Dos valiosos memoriais entregues pelo Representante da Fazenda Nacional aos pareceres dos juristas contratados pela contribuinte. Quem analisar as razões constantes do Termo de Verificação Fiscal, aos fundamentos articulados nas sustentações orais, chegando ao voto do ilustre relator, concordando ou não com as conclusões de cada um, em cada peça irá encontrar elementos para reflexões. A nós, Conselheiros, cabe a obrigação de examinar a matéria, circunstância esta que não está relacionada ao poder/dever de manter ou afastar a exigência contida no lançamento, mas sim verificar se a obrigação tributária existe e se o crédito foi constituído conforme as normas que regem a matéria. Registro, inicialmente, que para regular situações semelhantes a que está sendo debatida nestes autos, isto é, transações jurídicas com empresas constituídas no exterior e submetidas a um tratamento de país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado9, em 2009, foi editada a Medida Provisória 472, convertida na Lei 12.249, de 2010, que passou a exigir a comprovação da capacidade operacional da pessoa física ou entidade no exterior de realizar a operação. Dado o princípio da legalidade e da irretroatividade das leis, desnecessário dizer que as normas contidas no artigo 26 da Lei nº 12.249, de 2010, resultante da conversão da Medida Provisória nº 472, de 2009, não se aplicam a fatos ocorridos antes de sua vigência. Quanto às questões fáticas, tem razão a recorrente quando diz que o caso dos autos revela situação, até recentemente, tida como prática normal de mercado e adotada por incontável número de empresas, contando com a chancela da própria Administração que, por meio do Conselho de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, sempre teve este tipo de operações comerciais, por vezes nominadas como planejamentos tributários, como regulares. 9 Arts. 24 e 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 70 70 No caso dos autos não estamos diante dos conhecidos “contratos relâmpagos” que se esvaem dias após a celebração, divorciadose do negócio efetivamente praticado pelas partes. A situação está a revelar comportamento de contribuinte que ingressa no mercado externo optando por uma empresa, subsidiária ou não, para por meio desta, atingir o consumidor final. Antes de analisar se as empresas situadas em países com tributação favorecida tinham ou não estrutura operacional para desempenharem o papel proposto, diante das inúmeras vezes repetidas nestes autos de que as empresas MIC e Ilmot estavam localizadas em paraísos fiscais, destaco que à luz do direito vigente não há nada de errado nisto, desde que se observem as regras que disciplinam a apuração dos tributos em transações realizadas com empresas situadas em países com tributação favorecida, denominados pela Fiscalização de “paraísos fiscais”. O Direito, como ciência do razoável, não pode se prestar a interpretações ingênuas ou inconcebíveis. Uma empresa, cujo objetivo final é o lucro, se tiver condições de, por meio de subsidiárias ou não, operar a partir de país cuja tributação seja favorecida, ganhando maior competitividade e, consequentemente, maiores lucros, por evidente que não irá operar por meio de estabelecimento situado em local de maior tributação. Isso seria atentar contra a própria finalidade da empresa, qual seja, o lucro. Tão verdadeiro quanto a constatação de que o Estado não consegue sobreviver sem cobrar tributos é a afirmação de que a localização de estabelecimento industrial ou comercial em local de elevada carga tributária diminui a competitividade e o lucro das empresas, requisitos vitais à existência destas. Em relação a este tema não é necessário ultrapassar as fronteiras dos nossos Estados para constatarmos que os contribuintes prestadores de serviços procuram fixar suas sedes em locais cuja alíquota do Imposto Sobre Serviços, de competência dos Municípios, seja menor. O mesmo raciocínio se aplica ao ICMS e ao IRPJ, só que em relação a este último estamos falando em bases universais da tributação. Das questões relacionadas à alegação de omissão de receita Adentrando ao mérito propriamente dito, a acusação imputada à recorrente é a de omissão de receita decorrente de exportações realizadas e faturadas às empresas MIC e , Ilmot. Assim, imprescindível responder aos seguintes pontos: A empresa recorrente realizou exportações? Em tendo realizado exportações, quem pagou o respectivo valor? Os valores recebidos pela recorrente foram os que constaram dos documentos fiscais ou além destes valores a recorrente recebeu importância “por fora”? A recorrente realizou transações com empresas subsidiárias situadas em “paraísos fiscais”? Fl. 70DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 71 71 Qual a forma que o Direito Brasileiro estabelece quando uma empresa realiza transações com subsidiária localizada no exterior ou empresa situada em “paraíso fiscal”, ou melhor, em países com tributação favorecida? No que diz respeito às perguntas acima, não há dúvidas de que a empresa recorrente realizou exportações e que recebeu o valor correspondente a partir de pagamentos realizados pelas empresas MIC, Ilmot, que o termo de verificação fiscal faz referência como “centrais de refaturamento”, circunstância que analisarei mais adiante. Antes de responder a indagação para esclarecer se os valores recebidos pela recorrente foram os que constaram dos documentos fiscais ou se além destes valores a recorrente recebeu importância “por fora”, tratandose de exigência fiscal fundamentada na alegação de omissão de receita, a principal questão a ser enfrentada é: O que é omissão de receita? Quando se caracteriza? Omissão de receita é conceito subjetivo ou tem definição legal? Omissão de receita não é algo subjetivo e, dado o princípio da legalidade que fundamenta o direito tributário, não possibilita que o intérprete, ou a autoridade fiscal, caracterize omissão de receita a partir de deduções subjetivas. O conceito legal de omissão de receita encontrase no artigo 2º da Lei nº 8.846, de 1992, repetido no artigo 283 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, a seguir transcrito: “Art. 2º. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital para efeito do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais, incidentes sobre o lucro e o faturamento, a falta de emissão da nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações a que se refere o artigo anterior, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação.” Da norma acima transcrita, conforme anotado no parecer de lavra do professor Luis Eduardo Schoueri, extraise os seguintes elementos cuja prova concomitante é necessária para que se caracterize a omissão de receita: (i) recebimento de um valor; (ii) não emissão de nota fiscal referente a este valor, ou a sua emissão por um valor inferior; (iii) não escrituração deste valor; (iv) não tributação deste valor. Conforme enfoque destacado no parecer citado, “merece ênfase, neste ponto, o primeiro item, qual seja, a necessidade de recebimento do valor. Tratase da parcela ‘por fora’, que é recebida e nãoescriturada pelo contribuinte, atitude que enseja a incidência da regra de omissão de receitas.” Fl. 71DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 72 72 No caso dos autos, está demonstrado que os valores constantes das notas fiscais emitidas nas operações de exportação para as empresas MIC e Ilmot, correspondem aos preços efetivamente praticados pelas partes envolvidas. Não houve pagamento “por fora”. Assim, inexistindo diferença de preço recebida e nãocontabilizada, não há o que se falar em omissão de receita. Das situações que exige tributação com base em preços de transferência A autoridade fiscal, para caracterizar omissão de receita, desenvolve linha de raciocínio a partir da premissa de que as empresas MIC e Ilmot, estavam situadas em paraísos fiscais e que não tinham estrutura operacional para desenvolverem as operações com os adquirentes finais dos produtos exportados. Quanto a este ponto a matéria comporta os seguintes desdobramentos: a) Primeiro, a forma correta de tributação com empresas subsidiárias ou localizadas em países de tributação favorecida; b) Segundo, a avaliação da existência, da estrutura e da capacidade operacional das empresas MIC e Ilmot como elemento determinante para caracterizar ou não a infração de omissão de receita. No tocante ao primeiro ponto, constatado a existência de operações comerciais entre empresas subsidiárias localizadas no exterior ou empresas situadas em países com tributação favorecida, inexistindo circunstância que caracterize a incidência do artigo 2º da Lei nº 8.846, de 1992, isto é, o recebimento de um valor “por fora”, nãocontabilizado, a situação não caracteriza omissão de receita, mais sim tributação nos termos dos artigos 18, 19 e 24 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcritos e grifados por mim. Lei 9.430, de 1996, de 27 de dezembro de 1996. SEÇÃO V PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; Fl. 72DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 73 73 b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 9.959, de 27.01.2000, DOU 28.01.2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescidos dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação, e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 4º. Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º. Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 7º. A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. (...) Art. 19. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. § 7º. A parcela das receitas, apurada segundo o disposto neste artigo, que exceder ao valor já apropriado na escrituração da empresa deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real, bem como ser computada na determinação do lucro presumido e do lucro arbitrado. Art. 20. Em circunstâncias especiais, o Ministro de Estado da Fazenda poderá alterar os percentuais de que tratam os artigos 18 e 19, caput, e incisos II, III e IV de seu § 3º10. …. 10 Nota: Ver Portaria MF nº 222, de 24.09.2008, DOU 26.09.2008, que dispõe sobre os percentuais e margens de lucros a serem aplicados na determinação de preços a serem utilizados como parâmetro nas operações de compra e venda de bens, serviços e direitos, efetuadas por pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no Brasil, com pessoa física ou jurídica vinculada, domiciliada no exterior. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 74 74 Art. 24. As disposições relativas a preços, custo e taxas de juros, constantes dos artigos 18 a 22, aplicamse, também às operações efetuadas por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada em país que não tribute a renda ou que a tribute a alíquota máxima inferior a vinte por cento. … Dos dispositivos acima transcritos depreendese de que uma vez estabelecido o preço mínimo para transações entre empresas coligadas, ou situadas em países com tributação favorecida, a quantia que ficar aquém deste limite deve ser tributada como se fosse parcela do lucro auferido no Brasil compondo, desta forma, a base de cálculo do IIPJ e da CSLL. Conforme destacou o professor Luis Eduardo Schoueri, às páginas 25 e 26 de seu parecer “O Exportador pode simplesmente diminuir seu preço, de modo que se aproxime de seu custo, fazendo com que nenhum lucro seja apurado no Brasil. O intermediário ligado, a seu turno, cobraria o preço de mercado ao consumidor. Com isto, todo o lucro seria alocado na jurisdição do intermediário (jurisdição de baixa tributação), inclusive aquele lucro que, em condições normais de mercado, teria se manifestado no Brasil.” “As regras de preços de transferência vêm justamente para corrigir esta distorção, dando, para fins tributários, a cada jurisdição que efetivamente lhe pertence e evitando, assim, que se concretizem planejamentos abusivos com o escopo de alocar lucros de grupos econômicos em jurisdições de tributação favorecida.” … As regras de preços de transferência, na medida em que sejam capazes de concretizar o princípio arm´s length11, fariam com que o Preço A correspondente ao preço de mercado da transação, permitindo que o Brasil fosse capaz de tributar, nada mais nada menos, que a renda aqui apurada. … Não importa se a parte com a qual a empresa brasileira realizou a transação era uma pessoa ligada, uma empresa constituída em paraíso fiscal com o único escopo de alocar lucros (leiase simulação), ou qualquer outro tipo de situação. Uma vez que o preço praticado pela empresa brasileira foi ajustado pelas regras de preços de transferência, temse que, para fins tributários, o preço é considerado at arm´s length, ou seja, aquele preço 11 "Por este princípio buscase o preço, ou faixa de preços, que partes independentes fixariam, em transações celebradas em condições equivalentes em tudo às da transação concreta, exceto pela circunstância de esta ter sidoi celevbrada entre partes relacionadas". Fl. 74DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 75 75 que seria praticado em uma operação que contasse com todos os elementos de uma real situação de mercado. A produção das mercadorias, a saída destas do país, as guias de exportações, os contratos de câmbio, o ingresso de divisas no Brasil e os respectivos registros das receitas na contabilidade da recorrente não deixam dúvidas de que houve transações comerciais entre esta e as empresas MIC e Ilmot, subsidiárias da primeira e situadas em países de tributação favorecida. Se houve vendas por preço inferior ao praticado no mercado a regra a ser aplicada é a que disciplina a tributação entre empresas situadas no Brasil e empresas localizadas em paraísos fiscais. Inexistindo infração a estas normas, não cabe falar em exigência de IRPJ e CSLL, baseado em argumento de omissão de receita, pois esta exige, obrigatoriamente, o recebimento de um valor nãocontabilizado, “por fora”, circunstância inexistente nos autos. Quanto ao segundo ponto, isto é, a avaliação feita pela autoridade fiscal de que as empresas MIC e Ilmot, não passavam de centrais de refaturamento, com estrutura reduzida, a serviço da recorrente, razão pela qual foi considerado omissão de receita, digo, foi considerado lucro, a diferença do preço praticado por estas e os consumidores finais, tenho que a tese não se sustenta pelas seguintes razões: a) Se as empresas MIC, Ilmot tivessem estrutura ampla e a recorrente negociado com elas praticando os mesmos preços verificados nestes autos, não haveria omissão de receita? A partir do momento em que o lançamento caracteriza omissão de receita utilizandose do argumento de falta de estrutura operacional das empresas MIC e Ilmot temse uma situação que não se sustenta, pois bastaria que as empresas aqui nominadas aumentarem sua estrutura administrativa e realizarem os contatos pretendidos pela autoridade fiscal que estaria afastada a regra de incidência tributária. Tal raciocínio está a demonstrar que por esta linha o auto de infração não se sustenta. Não é a estrutura das empresas que caracteriza omissão de receita, mas sim uma receita nãocontabilizada, recebida à margem dos documentos fiscais e contábeis. b) Se as empresas MIC e Ilmot tivessem estrutura ampla, com farta prova de contatos com consumidores finais, funcionários no Brasil e no exterior, negociando com a recorrente por preços inferiores aos praticados no mercado, haveria omissão de receita, nos termos do artigo 283 do Regulamento do Importo de Renda, ou situação que exigia tributação com base nas normas que disciplinam os preços de transferências e as relações comerciais com empresas situadas em países de tributação favorecida? Por evidente que, em tais circunstâncias, não teríamos dúvidas em afirmar que deveriam ser aplicadas as normas relacionadas aos preços de transferência. No entanto, se assim entendemos, não podemos considerar omissão de receita tendo por elemento que fundamenta nossa decisão o fato das empresas MIC e Ilmot não terem a estrutura administrativa pretendida pela autoridade fiscal e nem realizado os atos que esta entendia necessários. Ocorrida a incidência da norma tributária, a autoridade fiscal tem o poder/dever de efetuar o lançamento. No entanto, não lhe é lícito fazer interpretações subjetivas, não previstas em lei para, antes da vigência do artigo 26 da Lei nº 12.249, de 2010, definir a estrutura administrativa mínima que uma empresa deve possuir para não caracterizar a incidência desta ou daquela norma tributária. A incidência da norma tributária, na época dos Fl. 75DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 76 76 fatos aqui discutidos, não se dá pela estrutura das empresas, mas sim pela ocorrência de situação concreta que a norma tributária caracteriza como necessária. Se o artigo 2º da Lei nº 8.846, de 1992 e o artigo 283 do Decreto nº 3000, de 1999, definem as situações que caracterizam omissão de receita, ou estas existem, de forma concreta no mundo real ou estamos diante de outra figura jurídica, que no caso dos autos, se existente, reclamaria tributação com base nas normas denominadas “preços de transferência”. c) Ademais, como já foi dito anteriormente, a comprovação da capacidade operacional da pessoa física ou entidade no exterior de realizar a operação só passou a existir a partir da Medida Provisória nº 472, de 2009, convertida na Lei nº 12.249, de 2010, normas estas que não podem ser aplicadas de forma retroativa para abrangerem os fatos de que trata este processo. O que me impressiona, neste processo, é que mesmo não descrevendo situação definida no artigo 283 do Regulamento do Imposto de Renda a autoridade fiscal contabilizou as seguintes infrações: (i) omissão de receita; (ii) multa isolada pela falta do recolhimento das estimativas; (iii) pagamento sem causa; (iv) multa qualificada com base na alegação de simulação; (v) multa agravada pela não entrega de documentos. A impressão que tenho é que em determinadas épocas ou regiões tem gerado manchetes autuações fiscais de valor elevado, como se isto, independentemente de sua procedência ou não, colocasse em evidência a eficiência do sistema da fiscalização.12 Atento ao meio social, pois não se pode julgar sem conhecer a realidade em que as normas são aplicadas, a percepção que tenho é que as autoridades constituídas, não raras vezes, extrapolam os limites legais trazendo consequências irreparáveis a quem é atingido por determinados atos. Pior, a impressão não é só minha, a propósito, por exemplo, faço referência à Conferência do Ministro Gilmar Mendes, do STF, proferida no dia 20/08/2010, sob o Título O ativismo judicial nas decisões do Supremo Tribunal Federal. Estado Democrático de Direito e Sistema Tributário no XIV Congresso Internacional de Direito Tributário, que ocorreu em Belo Horizonte. Para ele presenciamos ações de um Estado policial, e a expressão não é minha, onde se verificavam acusações, prisões e denúncias genéricas, sem fundamentos, pelo simples fato destas causarem impacto na mídia. A situação, em determinado momento, chegou a tal ponto de levar o Supremo Tribunal a estabelecer limites até mesmo para o uso de algemas. 12 Como exemplo, para não citar matéria em relação a qual eu tenha que decidir, lembro situação amplamente noticiada nos dias 28 e 29 de dezembro de 1999 em que a fiscalização do ICMS no Rio Grande do Sul aplicou multa milionária a uma grande rede de loja. Esta, de forma imediata, encerrou as atividades nos 19 (dezenove) Municípios do Rio Grande do Sul. A fiscalização, por sua chefia, apressouse em informar que analisaria equívocos da autuação. Apesar desta iniciativa da fiscalização, a pecha de sonegador já tinha sido divulgada, entendendo a empresa que não tinha mais clima para permanecer no Estado. A população, que no primeiro momento aplaudiu a ação “policialesca”, não levou muito tempo para perceber que nem tudo o que pode parecer corresponde a realidade dos fatos, mas uma vez divulgados não há como reparar os prejuízos. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 77 77 Se tais procedimentos, num primeiro momento, encontram o aparente apoio da população, no decorrer do tempo corroem o Estado de Direito. Trouxe a preocupação acima em face do aparente desacerto da fiscalização em relação à situação concreta. Pelas razões acima, não consegui ver situação que caracterize a hipótese descrita no artigo 283 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Mas, ainda que houvesse omissão de receita, conforme demonstro no item a seguir, não caberia a multa isolada pelo não recolhimento de estimativas. Da multa isolada A propósito da multa isolada pelo não recolhimento, ou recolhimento a menor das estimativas ou do carnêleão, concomitante com multa de ofício, conforme observa o Professor Paulo de Barros Carvalho, “ainda na amplitude da providência de se caracterizar a multa isolada no âmbito do sistema tributário, vale a lembrança de que, em face de sua própria natureza punitiva e de ofício, é inadmissível a sua exigência cumulativa com multa de ofício.” 13 O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, em seus incisos I e II, regula situações diversas. A multa de ofício, prevista no inciso I, aplicase aos casos de lançamento em que a fiscalização apura infrações caracterizadas por omissões decorrentes de falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação (art. 2º da Lei nº 8.846, de 1994). A multa isolada, prevista no inciso II, não decorre de omissões decorrentes da falta de emissão de documento fiscal, mas sim do não recolhimento do carnêleão ou das estimativas mensais. Aqui não há infração de omissão de receita, mas falta do recolhimento exigido pelo legislador. Tratase de infração menos grave, penalizada de maneira mais leve. Nos casos em que a fiscalização apura omissão de receita aplicase multa de 75% prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que não é cumulativa com a multa isolada prevista no inciso II do artigo 44. A multa de ofício tem como pressuposto fático a omissão de receita. A multa isolada tem como pressuposto fático o não recolhimento de determinado valor, previsto em lei, em relação a uma receita declarada. Ainda que os rendimentos caracterizados pela omissão de receita, caso regularmente declarados, pudessem resultar em valor de estimativas a recolher, não pode a autoridade fiscal, quando apura omissão de receita, recalcular o valor das estimativas para, além da multa de ofício, exigir multa isolada, aplicável sobre a mesma base de cálculo. Isto, além de não encontrar base legal, caracteriza dupla pena relativa a uma mesma infração, no caso, omissão de receita. Nesse sentido também trilha a Câmara Superior de Recursos Fiscais: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 13 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário, 22. ed. São Paulo : Saraiva, 2010, pág. 612. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 78 78 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.” (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/200219, Acórdão n° 0104.987, julg. em 15/06/2004). EMENTA: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. (CSRF 910100.450, julgado em de 4/11/2009). A propósito, na sessão de ontem (28/09/2011), em processo relatado pelo ilustre Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, foi citado a decisão do recurso nº 105 139.794, processo n° 10680.005834/200312, acórdão CSRF/0105.552, de onde foram extraídos os fundamentos abaixo que agrego as minhas razões de decidir: (...) “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Do pagamento sem causa Em relação à exigência caracterizada como pagamento sem causa, a regra de incidência tributária (art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995) exige materialidade, qual seja, a prova que demonstre que alguém entregou a outrem determinada quantia. No caso dos autos, para que fosse possível caracterizar a materialidade dos alegados pagamentos haveria necessidade de se demonstrar a saída destes recursos do caixa da recorrente e entrega às empresas MIC e Ilmot. Mais, por se tratar de se tratar de supostos pagamentos feitos a nãoresidentes, teria que ser demonstrado a saída destes recursos, fato que inexistiu. Não há nos autos prova material da realização de pagamento da recorrente em favor das empresas MIC e Ilmot. No entanto, a autoridade fiscal, à semelhança da dedução feita em relação à omissão de receita de que trata o artigo ao 283 do Regulamento do Imposto de Renda, criou silogismo desprovido de premissa correta para chegar à conclusão de suposto pagamento sem causa. A propósito de pagamento sem causa, o artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995, dispõe: Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 79 79 § 1º. A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do artigo 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Do exposto na norma anterior temse dois tipos de infração, a saber: a) Pagamento a beneficiário não identificado; b) Pagamento em que não for comprovada a operação ou a causa. Em qualquer das hipóteses acima elencadas é necessário prova do pagamento, elemento que inexiste nos autos. Não havendo omissão de receita nos termos do artigo 283 do Regulamento do Imposto de Renda; inexistindo situação que justifique a exigência, no caso concreto, de recolhimento de estimativas mensais; inexistindo prova material do alegado pagamento sem causa; inexistindo acusação de prática de preço menor daqueles praticados no mercado com as empresas situadas em países de tributação favorecida e tratandose de fatos ocorridos antes do disposto no artigo 26 da Lei nº 12.249, de 2010, não subsiste a autuação contida no auto de infração, razão pela qual voto no sentido de cancelar integralmente, sob pena de chancelar lançamento feito com base em fato que não caracteriza a incidência das normas tributárias invocadas pela autoridade autuante. Para os conselheiros que seguem a linha trilhada pela autoridade fiscal imagino que devam contemplar, em seus votos, análise dos seguintes pontos: (i) o fato de que os lucros das atividades da MIC e Ilmot no exterior foram contabilizados no Brasil pela Marcopolo. (ii) Desconsiderando as operações com as empresas subsidiárias MIC e Ilmot, atribuindo tais receitas integralmente à Marcopolo, o que fazer com os lucros que estas empresas geraram no exterior, contabilizados e tributados pela Marcopolo? (iii) É razoável o argumento contido no acórdão recorrido de que “os custos e despesas dedutíveis são aqueles vinculados à fonte produtora das receitas, não havendo que se falar em dedutibilidade quando os referidos dispêndios foram efetuados por terceiros? (iv) Mas se estes dispêndios, inerentes à comercialização (em especial custos de financiamento, cobrança, transporte, pessoal etc), efetivamente foram realizados por terceiros, como sustentar a tese de que não havia participação necessária destes para venda ao consumidor? (v) Partindo da premissa que na simulação há conluio entre o vendedor e o adquirente e se os adquirentes, no caso concreto, foram os consumidores finais, sem intervenção das empresas intermediárias, haveria conluio entre os milhares de consumidores e a Marcopolo? Qual a prova do suposto conluio? (vi) Seria possível simulação sem participação dos consumidores finais? Se os consumidores finais efetivamente negociaram diretamente com a Marcopolo e quem faturou os respectivos preços foram as empresas MIC e Ilmot, é razoável imaginar que todos deliberadamente se uniram em grande conluio para lesar o Fisco Brasileiro? Fl. 79DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 80 80 (vii) Ao se desconsiderar os custos suportados pelas empresas MIC e Ilmot, estarseia tributando o lucro ou a receita? Ao meu sentir seria a receita e, se assim é, não existe IRPJ e CSLL sobre receita. Das multas e da decadência Afastada a exigência principal, não cabe falar em multa qualificada, multa agravada e nem em decadência. Todavia, em atenção aos que possam divergir, caso não prevaleça a tese que consta deste voto, para que não venham embargos de declaração pedindo que me pronuncie acerca da multa qualificada, da multa agravada e da decadência, ou para que não se afirme que a Câmara deixou de analisar estas matérias, vou tratálos em separado. Da exigência da multa agravada Nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, as multas de 75% (setenta e cinco por cento) e de 150% (cento e cinquenta por cento) previstas, respectivamente, no inciso I e § 1º do artigo de lei aqui referido serão aumentadas de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, apresentar arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 e documentação técnica de interesse da fiscalização. Na mesma linha, o artigo 195 do CTN, prevê que “para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos.” Diante da circunstância de que, em determinadas hipóteses, a entrega de documentos podem trazer consigo revelação de crime contra a ordem tributária, previstos no artigo 1º da Lei 8.137, de 1990, partindo da garantia constitucional de que ninguém é obrigado a fazer prova contra si (art. 5º, LXIII14), tenho entendimento de que os dispositivos acima apontados, com a amplitude com que se tem atribuído, devem ser interpretados conforme a Constituição e não o contrário15. Apesar do entendimento que tenho acerca da matéria, nos termos da Súmula nº 1 do Carf, não é da nossa competência o exame de questões de ordem constitucionais. Somase na isto que junto Supremo Tribunal Federal, mesmo em tema mais sensível 14 Em face do preceito constitucional que consagra a inviolabilidade do domicílio, direito fundamental enraizado mundialmente, tenho como escudo o registro existente no discurso de Lord Chatham, no parlamento britânico: “O homem mais pobre desafia em sua casa todas as forças da Coroa, sua cabana pode ser muito frágil, seu teto pode tremer, o vento pode soprar entre as portas mal ajustadas, a tormenta pode nela penetrar, mas o Rei da Inglaterra não pode nela entrar.” 15 A justiça fiscal não se realiza a qualquer preço. Existem, na busca da verdade limitações, impostas por valores mais altos que não podem ser violados. A restrição de acesso a determinados dados, ainda que de posse de possíveis infratores, se constitui em garantia não dos infratores, mas dos indivíduos de bem cujos dados particulares, por uma razão ou outra, podem estar em poder dos transgressores da lei. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 81 81 relacionado ao sigilo em torno dos depósitos bancários, no quarto trimestre de 2010, época em que aquela corte não estava com sua composição completa, decidiu em ambos os sentidos. Encerrada as considerações antes referidas, devemos ter presente que a norma contida no artigo no artigo 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, aplicase quando presentes, cumulativamente, dois requisitos, a saber: a) que as informações ou documentos solicitados pela autoridade fiscal efetivamente estejam em poder do fiscalizado e este, de forma ilegítima, se recusa a fornecê las; b) que tais elementos sejam essenciais ao procedimento fiscal16; Nesta linha, para citar um exemplo, nos casos de depósitos bancários, cujas informações, por força da Lei Complementar nº 105, de 2005, estão disponíveis ao Fisco, não cabe falar em agravamento da multa por este motivo. No caso concreto, a multa foi agravada pelo não fornecimento de faturas comerciais de vendas da MIC e Ilmot aos compradores finais. Vou trilhar na tese da fiscalização de que, sendo empresas subsidiárias, a autuada teria meios de obter tais documentos. Isto é verdade, mas não é tudo. Há que se ter prova de que os documentos ou informações, na época em que foram solicitados, estavam disponíveis à fiscalizada. Esta demonstração, em relação ao momento do não atendimento, não está nos autos. Mas não é só. Tanto no procedimento fiscal, assim como em todas as fases do processo, a defesa sustenta de que as empresas MIC e Ilmot, Kilvert S.A e Kenplive Corporation S.A tinham estrutura e administração distintas da recorrente. Neste ponto, abro um parêntese para destacar que o nome das empresas Kilvert S.A e Kenplive Corporation S.A17, só aparecem no processo nº 10020.003681/200992 e que segundo cópia de correspondência datada de 26 de outubro de 2005, de fls. 4221 do citado processo, fora indicada pelo BankBoston, empresa com a qual o citado banco menciona manter relação comercial estável, utilizadas em última análise para agilizar o trâmite de entrega dos documentos comerciais e financeiros. Outro detalhe subsidiário, mas não desprezível, é que entre as empresas antes nominadas e a Marcopolo havia agente financiador para quem, normalmente, ao menos uma das vias do documento fiscal é remetida. 16 c) Há uma terceira hipótese que deixo de destacar por envolver questão de ordem constitucional, qual seja: Sempre que a entrega de documentos podem caracterizar prova de crime contra dirigente da empresa, não se pode agravar a multa pela não apresentação. Isto equivaleria à situação semelhante a exasperação da pena, em infração de trânsito, sempre que o condutor se recusasse a fazer exame de teor alcoólico. 17 Das traduções de fls. 4.205 e seguintes, do citado processo nº 10020.003681/200992, em pauta nesta sessão, que as recebi em face dos memoriais, formo convicção de que, em relação aos aspectos formais, nenhum dos acionistas ou diretores da recorrente integravam o quadro social das empresas Kilvert S.A e Kenplive Corporation S.A. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 82 82 Além das considerações acima, nas quais incluo o fato de se tratarem de vendas feitas no exterior, com documentos emitidos por MIC e Ilmot, em outro idioma, tenho por relevante que a norma contida no 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser interpretada de forma que não afronte à Constituição. Aqui não estou a afirmar que a norma é inconstitucional e sim que sua interpretação deve ser feita conforme a Constituição. Assim, quando a regra aqui referida faz referência à necessidade de apresentar documentos ela deve ser aplicada sem que se constitua em artifício para afetar a estratégia de defesa de quem é fiscalizado. A propósito, lembro a questão dos depósitos bancários antes referidos. A autoridade fiscal solicitava os extratos ao contribuinte que alegava não estar obrigado a fornecêlos. A fiscalização o ameaçava de agravar a multa caso não atendesse. Neste conflito, o fiscalizado ficava sem opção. Ou abria mão da sua estratégia de defesa ou ficava em silêncio e tinha a multa agravada. Isto, à luz do Direito, não pode subsistir. É evidente que no caso dos autos não se está diante de dado cuja divulgação afrontaria valores individuais da recorrente. O que conduz meu voto para afastar o agravamento da multa é a inexistência de certeza de que a fiscalizada, na época em que os dados lhes foram solicitados, tinha disponibilidade dos mesmos. Em termos de penalidade, quer seja para qualificar a multa, quer seja para agravála, não se pode presumir, ou existe prova concreta ou, em existindo dúvidas quanto às circunstâncias materiais do fato, aplicase a regra do artigo 112, II, do CTN. Com tais considerações, neste ponto, em persistindo a exigência do tributo, voto no sentido de afastar o agravamento da multa. Da multa qualificada Em conversa informal com o ilustre Conselheiro Antônio Praga, cujo tema era circunstâncias caracterizadoras da multa qualificada nos casos de simulação, com a inteligência que lhe é peculiar, mediante exemplo simples, ele traz elementos relevantes para compreensão da matéria. Diz ele, com outras palavras: Se a norma, de forma expressa, proíbe que A use camisa branca e A, desafiando a lei, coloca uma camisa branca e a encobre com uma camisa azul, usada por cima, A está simulando uma situação, qual seja, não uso de camisa branca quando na realidade está usando, só que de forma oculta. Nestas condições, caracterizada está a situação que tipifica a infração qualificada. Por outro lado, se norma não contém comando expresso proibindo o uso de camisa branca e A, sem consciência de que está violando a norma, usa camisa branca sem se preocupar em ocultála, não se pode dizer que está praticando ato simulado. Na realidade, usa a camisa branca de forma explícita, sem imaginar que isto caracteriza infração à lei. No caso dos autos, como se demonstrará nos parágrafos que seguem, em momento algum a recorrente procurou ocultar sua conduta. Assim, dados os fundamentos acima expostos, fica descaracterizada a multa qualificada. Na linha dos argumentos que fundamentam a autuação, ratificados e explicitados nos memoriais entregues pelo ilustre representante da Fazenda Nacional, a recorrente apenas utilizava as sociedades referidas no auto de infração para intermediar Fl. 82DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 83 83 formalmente negócios que, na essência, correspondiam a operações diretas entre a Marcopolo S.A. e seus consumidores finais. Tal modo de agir, segundo a autoridade autuante, implica em dissimulação da natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, ocultando a ocorrência dos fatos geradores. Para a autuada, por sua vez, para levar adiante processo de internacionalização, em especial no pósvenda e para viabilizar, com menores custos, que os adquirentes de seus veículos pudessem obter financiamentos, constituiu duas empresas subsidiárias, no exterior, em território de menor carga tributária. Também, em outros períodos, fez negócios tendo no circuito fábricaconsumidor, com as empresas Kilvert S.A e Kenplive. Inicialmente, volto a repetir, que há que se desfazer a falsa impressão de que constituir empresa em país de tributação favorecida, ou paraíso fiscal, como popularmente são identificados estes países, constituise em irregularidade. Nenhum estabelecimento, com fins lucrativos, que possa optar em se estabelecer numa região de maior ou menor tributação, em condições semelhantes, deixará de optar pela que lhe trouxer mais vantagem. O processo revela que o caso em questão não se trata de situação para concretizar esta ou aquela operação. O Diário Oficial de 1995, com cópia entregue com os memoriais, revela que os lucros das atividades da MIC no exterior foram contabilizados no Brasil, pela Marcopolo. Tal fato se repetiu nos anos seguintes incluindo a MIC e a Ilmot. Isto está a demonstrar que não existia nenhuma conduta préconcebida para ocultar ou dissimular os negócios realizados pela recorrente. O que se tinha, à toda evidência, era um conjunto de operações lícitas realizadas com empresas situadas em países de tributação favorecida, com o intuito de diminuir a carga tributária. As operações comerciais realizadas eram devidamente contabilizadas. Por sua vez, os lucros obtidos pelas empresas subsidiárias que participavam das transações eram devidamente informados e tributados aqui no Brasil. Para que resultasse caracterizada a simulação para efeitos tributários seria necessário: a) a intenção dolosa da recorrente em ocultar as verdadeiras operações comerciais; b) a participação das centenas ou milhares de consumidores que mesmo tendo negociado, em tese, diretamente com a Marcopolo, pagaram às empresas MIC e Ilmot. Em relação ao primeiro ponto, qual seja, a intenção determinada da recorrente em ocultar as verdadeiras operações, tenho que não existiu. Não é crível que alguém que queira esconder determinada situação o faça de forma aberta a todos, registrando regularmente em sua contabilidade, contabilizando, inclusive, os lucros decorrentes de suas empresas subsidiárias. Quanto ao segundo aspecto, partindo da premissa de que na simulação há conluio entre o vendedor e o adquirente e se os adquirentes, no caso concreto, foram os consumidores finais, sem intervenção das empresas intermediárias, para se reconhecer a simulação seria necessário prova de conluio entre as centenas ou milhares de consumidores e a Fl. 83DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 84 84 Marcopolo. Tal prova, nem de forma indiciária, existe nos autos. Isto, por si só, para mim, é elemento suficiente para afastar a alegação de conluio. Destacase, ainda, que em 1995 e anos subsequentes, época em que a recorrente adotou o procedimento em análise, sem omitir uma única operação, a autoridade administrativa, com a última palavra dada pelo Conselho de Contribuintes, admitia tais operações como normais. Por força do artigo 100, II e III, do CTN, as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa e as práticas, reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, se constituem em normas complementares das leis tributárias. Quando se diz que as decisões dos órgãos coletivos são normas complementares do CTN, a conduta do contribuinte que seguir esta jurisprudência não pode ser considerada ilícita e tem sua razão de ser em face do preceito estabelecido no artigo 140 do CTN, que determina que o lançamento deve reportarse à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Assim, ainda que a jurisprudência desta casa se modificou com o passar do tempo, no caso concreto, há que se aplicar o entendimento vigente quando da prática dos atos e não o existente nos dias de hoje. Aplicar a jurisprudência vigente na atualidade seria induzir o contribuinte a adotar a jurisprudência administrativa sem lhe conferir a garantia de que mais tarde não seria autuado. O órgão que tem a competência, na esfera dos julgamentos administrativos, para dizer a última palavra na interpretação da lei tributária não pode conduzir seus julgamentos de forma que não confira segurança jurídica a quem seguir sua jurisprudência. No Brasil, situação marcante de que o órgão julgador que tem a prerrogativa de dizer a palavra final em relação à interpretação de uma norma não pode deixar de amparar o direito de quem seguiu sua jurisprudência está no julgamento do mandado de segurança nº 26.603/DF, pelo Supremo Tribunal Federal. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal seguia o entendimento de que a troca injustificada de Partido Político não importaria em perda do mandato. Ocorre que o Tribunal Superior Eleitoral, em 27 de março de 2007, ao responder a Consulta n° 1.398/DF, nela assentou que a troca de partido, de forma injustificada, resultava em perda do mandato, eis que este pertence ao partido e não ao candidato eleito. Tivemos uma mudança histórica na jurisprudência da Corte. A lei era a mesma, o que mudou foi a sua interpretação. Inúmeras controvérsias surgiram em relação aos Deputados que meses antes haviam trocado de partido. Seria jurídico impor perda do mandato aos Deputados que, seguindo a jurisprudência do Supremo, haviam torçado de partido? É evidente que não e foi isto que decidiu o Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Mandado de Segurança n° 26.603/DF. Os Deputados que haviam trocado de partido, antes da data aqui referida, o fizeram baseado em um contexto objetivo de expectativa de plena validade de seus atos. Não pode a mudança de jurisprudência do órgão que tem a prerrogativa de decisão final, seja na esfera administrativa ou judicial, atingir direitos daqueles que conduziram seus atos seguindo a orientação da Corte. No Direito Tributário este fundamento jurídico está alicerçado nos artigos 100, II, III18, 140 e 146 do CTN. 18 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: Fl. 84DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 85 85 Não vou me estender na transcrição de jurisprudência que, na época dos fatos, chancelava como válidos os planejamentos tributários praticados por meio de atos lícitos, devidamente registrados, com a finalidade de reduzir a carga tributária. A título exemplificativo e sem me ater se são os melhores exemplos, já que inúmeros outros acórdãos, seguem os precedentes abaixo: GANHO DE CAPITAL – SIMULAÇÃO – PROVA. A opção do contribuinte de procurar reduzir a carga tributária por meio de procedimentos lícitos, legítimos e admitidos por lei revela o planejamento tributário. Para a invalidação dos atos ou negócios jurídicos realizados, cabe à autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador ou que o contribuinte tenha usado estratagema para revestilo de outra forma. Não havendo impedimento legal para a realização das doações, ainda que delas tenha resultado a redução do ganho de capital produzido pela alienação das ações recebidas, não há como qualificar a operação de simulada. A reduzida permanência das ações no patrimônio dos donatários/doadores e doadores/donatários, por si só, não autoriza a conclusão de que os atos e negócios jurídicos foram simulados. No anocalendário de 1997 hão havia a incidência de ganho de imposto sobre o ganho de capital produzido pela diferença entre o custo de aquisição pelo qual o bem foi doado e o valor de mercado atribuído no retorno do mesmo bem,” (Acórdão 106 13.483). Na mesma linha do acórdão acima referido, atendose especificamente à qualificação da multa, verificase o julgamento do recurso nº n° 145.171, com a seguinte ementa: “..... PENALIDADE QUALIFICADA – INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE – ERRO DE PROIBIÇÃO – ARTIGO 112 DO CTN – SIMULAÇÃO RELATIVA FRAUDE À LEI – Independentemente da patologia presente no negócio jurídico analisado em um planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a existência de conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias, bem como de precedentes jurisprudências contrários à nova interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal, implica em escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações quando da cisão, e assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Fraude à lei não se confunde com fraude criminal.(Ac. 101 95.537, Rel. Mário Junqueira Franco Júnior)19. ... II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas, reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; 19 Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora), Caio Marcos Cândido e Manoel Antonio Gadelha Dias que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior. Fl. 85DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 86 86 Em síntese, para evitar a insegurança jurídica, tenho sustentado que a mudança de entendimento das Cortes Superiores, administrativas ou judiciais, responsáveis por dizer a última palavra em relação à interpretação da lei, só pode ser aplicada para os casos futuros. Esse entendimento, conforme registra o Ministro Celso de Mello, em acórdão referente ao Mandado de Segurança n° 26.6031/DF, não é estranho à experiência jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, que já fez incidir o postulado da segurança jurídica em questões várias, inclusive naquelas envolvendo relações de direito público (MS 24.268/MG, Rel. p/ o acórdão Min. GILMAR MENDES MS 24.927/RO, Rel. Min. CEZAR PELUSO, v.g.) e de caráter político (RE 197.917/SP, Rel. Min. MAURÍCIO CORRÊA), cabendo mencionar a decisão do Plenário que se acha consubstanciada, no ponto, em acórdão assim ementado: “(...) 5. Obrigatoriedade da observância do princípio da segurança jurídica enquanto subprincípio do Estado de Direito. Necessidade de estabilidade das situações criadas administrativamente. 6. Princípio da confiança como elemento do princípio da segurança jurídica. Presença de um componente de ética jurídica e sua aplicação nas relações jurídicas de direito público. (...).” (MS 22.357/DF, Rel. Min. GILMAR MENDES – grifei) Dos fundamentos do acórdão acima referido, como razões de decidir, colho a seguinte passagem: (...) “Vale mencionar, por oportuno, que também a prática jurisprudencial da Suprema Corte dos EUA tem observado esse critério, fazendoo incidir naquelas hipóteses em que sobrevém alteração substancial de diretrizes que, até então, vinham sendo observadas na formação das relações jurídicas, inclusive em matéria penal.” “Refirome, não só ao conhecido caso “Linkletter” – Linkletter v. Walker, 381 U.S. 618, 629, 1965 –, como, ainda, a muitas outras decisões daquele Alto Tribunal, nas quais se proclamou, a partir de certos marcos temporais, considerandose determinadas premissas e com apoio na técnica do ‘prospective overruling”, a inaplicabilidade do novo precedente a situações já consolidadas no passado, cabendo relembrar, dentre vários julgados, os seguintes: Chevron Oil Co. v. Huson, 404 U.S. 97, 1971; Hanover Shoe v. United Shoe Mach. Corp., 392 U.S. 481, 1968; Simpson v.Union Oil Co., 377 U.S. 13, 1964; England v. State Bd. of Medical Examiners, 375 U.S. 411, 1964; City of Phoenix v. Kolodziejski, 399 U.S. 204, 1970; Cipriano v. City of Houma, 395 U.S. 701, 1969; Allen v. State Bd. of Educ., 393 U.S. 544, 1969, v.g.”. (Fonte: Voto do Ministro Celso de Mello, no Mandado de Segurança n° 26.6031, conhecido nacionalmente como o caso da infidelidade partidária dos Deputados Federais). Com tais fundamentos, ainda que vencido em relação à exigência do crédito, afasto a multa qualificada e, por consequência, para evitar embargos de declaração, examino a questão da decadência. Da decadência No início do século passado, mais precisamente, 06 de fevereiro de 1905, em Conferência sobre a coisa julgada, na Universidade de Bolonha, Chiovenda iniciou sua exposição dizendo que nada mais havia a ser dito sobre o tema que não fosse repetição de tudo Fl. 86DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 87 87 quanto já havia sido falado e escrito. O tempo mostrou que o ilustre processualista estava errado em sua avaliação. Nos cem anos seguintes rios de tinta e montanhas de papéis foram gastos no estudo do tema que até hoje não encontra consenso entre os processualistas. Observa se, por exemplo, a tese dos que passaram a defender a relativização da coisa julgada ou o tratamento dado a esta no atual projeto de Código de Processo Civil, para as ações coletivas,. Faço tal registro porque em relação à decadência, apesar de tudo o que já foi dito, há divergências incontáveis. A propósito, na tentativa de evitar controvérsias entre decisões proferidas na esfera administrativa e no judiciário, inseriuse no Regimento Interno do Carf o artigo 62A, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pois bem, para ficar no âmbito do STJ, nos termos do artigo 543C, do CPC, a admissibilidade, processamento, quorum e competência para julgamento de recursos repetitivos têm requisitos especiais, dentre os quais os que seguem: a) emissão de juízo valorativo pelo Ministro Relator propondo ao colegiado a matéria a ser submetida à sistemática dos recursos repetitivos; b) admissibilidade de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia (art. 543C, § 4º, do CPC); c) vista ao Ministério Público (art. 543C, § 5º, do CPC); d) possibilidade de sustentação oral dos interessados; e) julgamento pela seção ou na Corte Especial, conforme o caso, que decidirá com o quorum de que trata o art. 119 do Regimento Interno do STJ (art. 543C, §§ 6º e 9º, do CPC). Citei os requisitos acima para demonstrar que este Colegiado, na forma do artigo 62A, do Regimento Interno do Carf, deve aplicar as decisões do STJ aprovadas com observância dos requisitos contidos no artigo 543C, do CPC, e do Regimento Interno daquela Corte. Ainda que possamos compreender como absolutamente equivocado determinado julgamento submetido ao regime dos recursos repetitivos, enquanto o STJ não rever seu posicionamento, não há como deixar de observálo, sob pena de violação do disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do Carf. Aqui, para efeitos do artigo 62A, do Regimento Interno do Carf, não é possível sustentar o entendimento do STJ em julgado de Turma ou decisão monocrática. Existe a necessidade de seguir o quanto foi decidido no recurso repetitivo, com aplicação semelhante às Súmulas do Carf que por serem aprovadas com procedimento especial e quorum qualificado prevalecem em relação aos julgados dos demais colegiados que não dispõem de competência para editar súmula. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 88 88 Em relação à decadência, tenho que a decisão do STJ, proferida no REsp 973733/SC, submetido ao regime de recurso repetitivo, tinha por objeto avaliar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173, I, do CTN. Vejamos a ementa, nos pontos que interessam: Ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.... (...) 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (...)” Tenho por absolutamente equivocada a decisão do STJ, quando diz, em recurso repetitivo, que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. Isto, por não refletir a jurisprudência da Corte, me conduz à conclusão de que se aplica somente à tese discutida no REsp 973733/SC, que tinha por objeto avaliar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173, I, do CTN. A não ser este o entendimento, seguindo o que está dito no recurso repetitivo, chegarse ia a conclusão que mesmo nos casos de dolo, fraude ou simulação, com fatos geradores em 31 de dezembro, o prazo inicial da decadência iniciaria em 1º de janeiro do ano seguinte, o que destoa da interpretação feita pela doutrina e pela jurisprudência relacionada ao artigo 173, I, do CTN. A vigorar o entendimento de que os fundamentos do REsp 973733/SC, aplicamse de forma geral aos casos de decadência, tenha ou não ocorrido atividade do contribuinte, diante do que dispõe o artigo 62A do Regimento do Carf, a esperança é que seja corrigido o equívoco, à semelhança do que já se discute em relação à interpretação dada ao artigo 166 do CTN. Do contrário, enquanto permanecer a decisão do STJ e o artigo 62A, do Regimento do Carf, dizendo que, para efeitos do artigo 173, I, do CTN, o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, Fl. 88DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 89 89 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação”, não é possível buscar fundamentos em outras decisões, não submetidas ao regime dos recursos repetitivo, para construir entendimento diverso do que consta do RESP 973733/SCSC. A propósito da jurisprudência do STJ, antes mesmo do citado recurso repetitivo, sempre destaquei em meus votos o seguinte entendimento: O artigo 150, § 1º, do CTN, contém três expressões fundamentais. Vejamos: § 1º. O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória de homologação do lançamento. A norma aqui transcrita deixa claro que o que se homologa é o lançamento. É isto que está dito na lei. Quando o § 4º fala em prazo para homologação ele está se referindo à homologação prevista no § 1º, que é a homologação do lançamento. A homologação feita pela autoridade fiscal diz respeito à atividade realizada pelo contribuinte. Não se pode confundir homologação do lançamento, com o pagamento do crédito. O que se homologa é o lançamento e não o pagamento20 feito pelo sujeito passivo. O fato de haver ou não pagamento não altera a tipicidade do lançamento. (....). O pagamento do imposto devido é algo que se encontra fora do lançamento. É causa de extinção daquilo que foi validamente constituído. Para confirmar que a assertiva de que a incidência da norma que prevê o lançamento por homologação não está condicionada à necessidade de pagamento prévio, basta citar a hipótese de o contribuinte, que embora cumpra o dever legal de apurar o quantum debeatur, concluir que não há nada a ser pago, como ocorre, por exemplo, na compensação de prejuízos fiscais e nas hipóteses de isenção e de imunidade. Nesse contexto, se o contribuinte, por exemplo, estiver sob o abrigo de uma imunidade ou isenção de IPI, onde não ocorre nenhum pagamento, tendo em vista que o imposto sequer é destacado em nota fiscal, tal fato (a inexistência de pagamento) não impede que o fisco homologue expressamente a atividade à qual o sujeito passivo está obrigado por lei (como a emissão de notas fiscais, classificação fiscal dos produtos, escrituração de livros e apuração do tributo devido, se for o caso); ou então que, na ausência de homologação expressa, se opere a homologação tácita pelo decurso do prazo previsto no § 4º do art. 150, do CTN. Igualmente existe atividade a ser homologada nas hipóteses de verificação de prejuízo fiscal, quando não é apurado IRPJ e CSLL devidos, por ausência de lucro tributável. 20 O pagamento é mera causa de extinção do crédito tributário. Só se extingue o que existe. Primeiro o crédito tributário precisa ser constituído para depois, num segundo momento, por meio de causa externa, caracterizada pelo pagamento, ser extinto. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 90 90 No caso do imposto de renda pessoa física, o sujeito passivo, ao término de cada anocalendário, apresenta Declaração de Ajuste Anual. Nos casos em que o contribuinte não apurar nenhum imposto a pagar, mesmo assim a Fiscalização irá homologar sua declaração. Isto, conforme já afirmei, demonstra que o que se homologa é a atividade praticada pelo sujeito passivo e não eventual pagamento realizado21. (...) Quer o sujeito passivo tenha apurado ou não imposto a pagar; quer tenha pago ou não o tributo apurado, salvo os casos de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento em face de eventuais omissões sempre terá como marco a data da ocorrência do fato gerador. Neste ponto, tenho que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que somente admite a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150, § 4°, do CTN nos casos em que houver pagamento antecipado, merece ser revista, pois tal tese não apresenta solução para as situações em que o contribuinte faz o lançamento e apura prejuízo, para ser compensado no período seguinte, como ocorre na atividade agrícola. A jurisprudência da citada Corte também não resolve, de forma adequada, os casos em que a pessoa física apresenta Declaração de Ajuste Anual, sem imposto a pagar ou com direito a restituição. Por fim, também não apresenta solução para os casos em que a pessoa jurídica apresenta prejuízo fiscal e, por consequência, não tem imposto a pagar. Ressalvado o meu ponto de vista cujos fundamentos acima declinei, em face ao que dispõe o artigo 62A do Regimento Interno do Carf, por entender que não é possível buscar fundamentos em outras decisões, não submetidas ao regime dos recursos repetitivo, para construir entendimento diverso do que consta do RESP 973733/SCSC, tenho que o prazo decadencial, no caso concreto, em tendo ocorrido antecipação de pagamento, deve ser observado da seguinte forma: I) em relação ao anocalendário de 2001, para o IRPJ e a CSLL, com fatos geradores em 31/12/2001, o primeiro dia do exercício seguinte, na interpretação do recurso repetitivo, é 1º/01/2002, razão pela qual, quando do lançamento ocorrido em 28/12/2007, o alegado crédito tributário, em relação a 2001, se existente, já se encontrava extinto pela decadência. II) Quanto ao IRFonte, diferentemente do IRPJ e da CSLL, cuja tributação com base no lucro real têm apuração anual, o IRFonte caracterizase por fato gerador instantâneo, não complexivo. Assim, os fatos ocorridos até 30 de dezembro podem ser lançados no mesmo exercício. Desta forma, o início do prazo decadencial, quando não há pagamento, contase do 1º dia do ano seguinte. No caso em concreto, como houve pagamento, em relação ao IRFonte, o marco inicial do prazo decadencial corresponde ao dia seguinte ao do fato gerador. Assim, em relação ao IRFonte, quando do lançamento ocorrido em 28/12/2007, já se encontravam decadentes os fatos ocorridos até 27/12/2002. 21 ZUUDI SAKAKIHARA, ao comentar sobre o objeto da homologação, assim se posiciona: “Cumpre recordar, porém, que o objeto da homologação é a atividade do sujeito passivo no sentido de determinar e quantificar a prestação tributária. Assim, não será alcançada pelos efeitos da homologação, expressa ou ficta, a operação que não foi concluída nesse procedimento. Isso pode ocorrer em relação àqueles tributos, cuja apuração, para fins de antecipação do pagamento, abrange inúmeras operações, cada uma das quais constituem, por si, fato gerador do imposto, como no caso do ICMS e do IPI, por exemplo”. In “Código Tributário Nacional”, coordenador Vladimir Passos de Freitas,ed. RT, p. 150. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.004863/200719 Acórdão n.º 140200.752 S1C4T2 Fl. 91 91 Do recurso de ofício O recurso de ofício tem por objeto o afastamento da exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte em face da decadência reconhecida para o lançamento dos fatos geradores anteriores a 28/12/2002. Ao se afastar a exigência do IRFonte, resta prejudicado o recurso de ofício. Ademais, se assim não fosse, por qualquer anglo que se avalie, o recurso de ofício não merece ser provido, confirmandose por seus próprios fundamentos que, em última análise, correspondem aos fundamentos sintetizados no parágrafo anterior. ISSO POSTO, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente a exigência do crédito tributário, resultando prejudicado o recurso de ofício. Caso vencido em relação à inexigibilidade do crédito tributário, afasto a exigência da multa isolada, da multa agravada e da multa qualificada, reduzindo esta ao percentual de 75% e, por consequência, reconheço a decadência em relação ao anocalendário de 2001, para todos os tributos (IRPJ, CSLL e IRRF) e, para o ano de 2002, somente do IRRF, para os fatos geradores ocorridos em data anterior a 28/12/2002. Quanto ao recurso de ofício, caso seja entendido que este não resultou prejudicado, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 91DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digita lmente em 23/12/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000200/2002-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF.
Ano-calendário: 1998
RECURSO ESPECIAL. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE ANOTAÇÃO, NO AR, DA DATA DA INTIMAÇÃO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 23, §2°, INCISO II, DO DECRETO N° 70.235/1972.
Não constando do AR a data da intimação, e considerandose
que a sua expedição ocorreu em 10/12/2003, tem-se por intempestivo o recurso voluntário interposto em 29 de janeiro de 2004.
Numero da decisão: 9202-001.752
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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Anocalendário: 1998 RECURSO ESPECIAL. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE ANOTAÇÃO, NO AR, DA DATA DA INTIMAÇÃO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 23, §2°, INCISO II, DO DECRETO N° 70.235/1972. Não constando do AR a data da intimação, e considerandose que a sua expedição ocorreu em 10/12/2003, temse por intempestivo o recurso voluntário interposto em 29 de janeiro de 2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 1217DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 13830.000200/200210 Acórdão n.º 9202001.752 CSRFT2 Fl. 2 2 Relatora Participaram do julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonett Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial por maioria interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, para a exigência de crédito tributário no valor de R$ 1.135.915,86, relativo ao IRPF, incluídos multa proporcional e juros de mora. Constatouse a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou do investimento, mantidas em instituições financeiras, relativamente às quais o contribuinte não logrou comprovar, por documentação idônea, a origem dos recursos utilizados em tais operações. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 249/251 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento deu por procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Lançamento Procedente. O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. ....dos autos. Fl. 1218DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 13830.000200/200210 Acórdão n.º 9202001.752 CSRFT2 Fl. 3 3 A antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, às fls. 1145/1167 dos autos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Eis a ementa do julgado: “PRAZO PARA RECURSO. CIÊNCIA DA DECISÃO A intimação para ciência do acórdão sobre pleito do contribuinte pode ser feita por via postal. No entanto, para ser válida a intimação, necessário se torna que, no Aviso de Recepção, conste a data de ciência da intimação, sob pena de não produzir o efeito de dar início à contagem de prazo para interposição de recurso junto aos Conselhos de Contribuintes. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE Retroage a lei que amplia os meios de fiscalização, pois o princípio da irretroatividade somente atinge os aspectos materiais do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RENDIMENTOS Se existentes, nos autos, elementos de prova que indicam existência e atividade habitual de comércio ou de serviços pelo Contribuinte, deve ser afastada a presunção legal de omissão de rendimentos resultante de depósitos bancários sem origem comprovada. Preliminar rejeitada. Recurso Provido”. Entendeuse, no voto vencedor do acórdão recorrido, relativamente à tempestividade recursal, que: Cumpre salientar que o Contribuinte foi intimado, pela Via Postal, da respectiva decisão. Contudo, a sua assinatura, ou de seu representante, não consta do respectivo A.R, e nele não está preenchido o campo indicativo da data de sua recepção pelo destinatário. Em que pese dito A.R possuir o carimbo da sua recepção na unidade dos Correios da cidade de Bastos, em 17.12.2003, e de o mesmo ter sido devolvido e juntado aos autos em 22.12.2003, não se pode afirmar que a intimação foi formalmente realizada, já que ausente a ciência expressa do Contribuinte. Conforme previsto no artigo 33 do Decreto 70235/72, que rege o procedimento administrativo fiscal, o prazo para interposição de recurso voluntário começará a fluir da data de ciência, pelo sujeito passivo, da decisão recorrida. Entretanto, no presente caso, não se pode precisar a data da ocorrência da intimação e, por conseguinte, o início da fluência do prazo para apresentação do recurso. Dessa feita, entendo que, em face às omissões contidas no referido AR, no que concerne à ausência de assinatura e da indicação da data de seu recebimento pelo Recorrente, não se pode afirmar que resta demonstrada a data de ciência da Fl. 1219DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 13830.000200/200210 Acórdão n.º 9202001.752 CSRFT2 Fl. 4 4 decisão recorrida e, por conseguinte, não se pode declarar a intempestividade do recurso, com base em presunção de que o Contribuinte foi intimado validamente em 17.12.2003. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 1171/1175), os quais restaram rejeitados, conforme despacho de fls. 1176/1777. Às fls. 1179/1183, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com base em violação à legislação tributária, especificamente ao artigo 33 do Decreto n° 70.235/72. Sustentou a intempestividade do recurso voluntário do contribuinte, conforme os seguintes fundamentos: “Com efeito, da mera leitura do Aviso de Recebimento de fls. 273, depreendese da data da intimação: 17.12.03, sendo equivocada, data vênia, a interpretação dada pelo voto vencedor, no sentido de que o prazo continuaria em aberto por ausência de assinatura e de data. Ora, apesar de a assinatura constar no campo “nome”, é evidente que este é um erro de somenos importância, havendo inclusive as informações quanto à identificação civil do assinante: o seu nome e número de identidade: Edilson Rodrigues, C.I 15816576. A data, ao que tudo indica, pela cor da caneta e estilo da letra também fora aposta pelo assinante em 17.03.2003, apesar de estar em lugar incorreto, a princípio de uso dos funcionários dos correios. Além disso, ainda consta o carimbo da unidade dos Correios, e a comprovação da juntada do AR aos autos em 22 de dezembro de 2003”. O contribuinte não apresentou contrarrazões, conforme documento de fls. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou o dispositivo legal que reputa violado, qual seja o artigo 33 do Decreto n° 70.235/1972. Dispõe, o dispositivo legal, em questão que: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 1220DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 13830.000200/200210 Acórdão n.º 9202001.752 CSRFT2 Fl. 5 5 Primeiramente, salientese que o objeto do presente recurso especial refere se, tãosomente, à tempestividade do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Do AR presente às fls. 273 dos autos, depreendese que estão ausentes a data e assinatura de quem teria recebido a intimação. Neste passo, é de se ter que, não obstante a ausência de identificação de quem teria recebido a intimação, temse que essa de fato ocorreu, já que o recurso veio a ser efetivamente interposto pelo contribuinte. No que tange, por outro lado, à data da intimação, a ausência da anotação no documento (AR) não pode conduzir à presunção da sua ocorrência. Isto porque ordenamento jurídico dispõe expressamente sobre tal hipótese. Com efeito, o artigo 23, §2°, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972 estabelece que: Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Pois bem, considerandose que a expedição da intimação ocorreu, conforme o documento de fls. 271, em 10/12/2003, e que a interposição do recurso deuse em 29 de janeiro de 2004, é de se concluir pela sua intempestividade. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para decretar a intempestividade do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Sala das Sessões, em 27 de setembro de 201127 de setembro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 1221DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 13830.000200/200210 Acórdão n.º 9202001.752 CSRFT2 Fl. 6 6 Fl. 1222DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 10840.002007/2004-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2003 a 28/02/2004
Ementa: PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO.
CRÉDITO. ESTOQUE.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não existe nenhum prazo decadencial ou prescricional em curso a partir do
momento do levantamento do estoque para o cômputo dos créditos no regime
nãocumulativo
de PIS/Cofins. O prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN
aplicase
exclusivamente aos procedimentos de lançamento por
homologação, sendo despropositado referirlhe
aos casos de ressarcimento e
compensação. Nos pedidos de compensação apenas corre o prazo de
homologação tácita previsto no art. 70 da Lei 9.430/96, que começa a contar
da data da apresentação da declaração de compensação.
PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO.
CRÉDITO. ART. 3º, II, DA LEI
10.637/2002. BENS ADQUIRIDOS OU CUSTOS INCORRIDOS NO MÊS.
COMPLEMENTO DO PREÇO PELA AQUISIÇÃO DE CANADEAÇÚCAR.
AÇÚCAR TOTAL RECUPERÁVEL (ATR). AQUISIÇÃO
ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 10.637/2002. IMPOSIBILIDADE.
Nada obstante efetuado o pagamento na vigência da Lei nº 10.637/2002, se
tal pagamento é feito a título de complemento de preço em relação a canadeaçúcar
adquirida no ano de 2002, portanto, em momento anterior à vigência
da sistemática nãocumulativa,
não há direito de crédito porque se refere a
aquisição ocorrida antes da vigência da Lei.
O complemento do preço também não pode ser adicionado ao estoque de
abertura, na forma do art. 11 da Lei nº 10.637/2002, porque dependeria de
prova de que a canadeacúcar
adquirida ainda permaneceria em estoque na
data em que o crédito pelo estoque foi gerado.
PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO.
CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI
10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS
CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE
AÇÚCAR E ÁLCOOL. CUSTO AGRÍCOLA (ADESIVOS, CORRETIVOS,
CUPINCIDA, FERTILIZANTES, HERBICIDAS E INSETICIDAS).
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O MAQUINÁRIO DE
CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS
ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANADEAÇÚCAR.
POSSIBILIDADE.
A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas
da atividade produtiva do contribuinte.
Nada obstante o produto final seja o açúcar e o álcool, o direito de crédito
não fica restrito aos insumos utilizados na industrialização, que é a fase final
da produção, mas ao longo de todo o processo produtivo, o que inclui os
custos agrícolas, nisto considerados os adesivos, corretivos, cupinicidas,
fertilizantes, herbicidas e inseticidas, denvendo, pois, ser tomado um conceito
abrangente de produção.
Na atividade de usinagem de canadeacúcar,
o transporte dos funcionários
até o local do corte da canadeaçúcar
é uma atividade integrante, porquanto
necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do
funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a
contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo
produtivo.
PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO.
CRÉDITO. ART. 12 DA LEI
10.833/2003. ESTOQUE DE ABERTURA.
Para a apuração dos créditos em relação ao estoque, devem ser computados
os bens – incluíndose
neste conceito os adesivos, corretivos, cupincidas,
fertilizantes, herbicidas e inseticidas –, não se computando os valores
correspondentes a serviços.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.340
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso da
seguinte forma: I) por unanimidade de votos, (a) em afastar a glosa do “transporte de
funcionários” e, em relação ao estoque, para que sejam computados os valores correspondentes
aos Adesivos, Corretivos, Cupinicidas, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas, não devendo
computar no estoque o valor do serviço de transporte de pessoas e (b) para reconhecer o direito
ao crédito pelas aquisições de Adesivos, Corretivos, Cupinicidas, Fertilizantes, Herbicidas e
Inseticidas; e II) por voto de qualidade, em negar provimento quanto ao crédito pelo
complemento de preço. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan
Allegretti (Relator) e Marcos Tranchesi Ortiz. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2003 a 28/02/2004 Ementa: PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. ESTOQUE. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Não existe nenhum prazo decadencial ou prescricional em curso a partir do momento do levantamento do estoque para o cômputo dos créditos no regime nãocumulativo de PIS/Cofins. O prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN aplicase exclusivamente aos procedimentos de lançamento por homologação, sendo despropositado referirlhe aos casos de ressarcimento e compensação. Nos pedidos de compensação apenas corre o prazo de homologação tácita previsto no art. 70 da Lei 9.430/96, que começa a contar da data da apresentação da declaração de compensação. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 3º, II, DA LEI 10.637/2002. BENS ADQUIRIDOS OU CUSTOS INCORRIDOS NO MÊS. COMPLEMENTO DO PREÇO PELA AQUISIÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. AÇÚCAR TOTAL RECUPERÁVEL (ATR). AQUISIÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 10.637/2002. IMPOSIBILIDADE. Nada obstante efetuado o pagamento na vigência da Lei nº 10.637/2002, se tal pagamento é feito a título de complemento de preço em relação a canadeaçúcar adquirida no ano de 2002, portanto, em momento anterior à vigência da sistemática nãocumulativa, não há direito de crédito porque se refere a aquisição ocorrida antes da vigência da Lei. O complemento do preço também não pode ser adicionado ao estoque de abertura, na forma do art. 11 da Lei nº 10.637/2002, porque dependeria de prova de que a canadeacúcar adquirida ainda permaneceria em estoque na data em que o crédito pelo estoque foi gerado. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. CUSTO AGRÍCOLA (ADESIVOS, CORRETIVOS, CUPINCIDA, FERTILIZANTES, HERBICIDAS E INSETICIDAS). COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O MAQUINÁRIO DE CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANADEAÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Nada obstante o produto final seja o açúcar e o álcool, o direito de crédito não fica restrito aos insumos utilizados na industrialização, que é a fase final da produção, mas ao longo de todo o processo produtivo, o que inclui os custos agrícolas, nisto considerados os adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas, denvendo, pois, ser tomado um conceito abrangente de produção. Na atividade de usinagem de canadeacúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da canadeaçúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 12 DA LEI 10.833/2003. ESTOQUE DE ABERTURA. Para a apuração dos créditos em relação ao estoque, devem ser computados os bens – incluíndose neste conceito os adesivos, corretivos, cupincidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas –, não se computando os valores correspondentes a serviços. Recurso provido em parte.
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CRÉDITO. ESTOQUE. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Não existe nenhum prazo decadencial ou prescricional em curso a partir do momento do levantamento do estoque para o cômputo dos créditos no regime nãocumulativo de PIS/Cofins. O prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN aplicase exclusivamente aos procedimentos de lançamento por homologação, sendo despropositado referirlhe aos casos de ressarcimento e compensação. Nos pedidos de compensação apenas corre o prazo de homologação tácita previsto no art. 70 da Lei 9.430/96, que começa a contar da data da apresentação da declaração de compensação. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 3º, II, DA LEI 10.637/2002. BENS ADQUIRIDOS OU CUSTOS INCORRIDOS NO MÊS. COMPLEMENTO DO PREÇO PELA AQUISIÇÃO DE CANADE AÇÚCAR. AÇÚCAR TOTAL RECUPERÁVEL (ATR). AQUISIÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 10.637/2002. IMPOSIBILIDADE. Nada obstante efetuado o pagamento na vigência da Lei nº 10.637/2002, se tal pagamento é feito a título de complemento de preço em relação a canade açúcar adquirida no ano de 2002, portanto, em momento anterior à vigência da sistemática nãocumulativa, não há direito de crédito porque se refere a aquisição ocorrida antes da vigência da Lei. O complemento do preço também não pode ser adicionado ao estoque de abertura, na forma do art. 11 da Lei nº 10.637/2002, porque dependeria de prova de que a canadeacúcar adquirida ainda permaneceria em estoque na data em que o crédito pelo estoque foi gerado. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE Fl. 255DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 AÇÚCAR E ÁLCOOL. CUSTO AGRÍCOLA (ADESIVOS, CORRETIVOS, CUPINCIDA, FERTILIZANTES, HERBICIDAS E INSETICIDAS). COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O MAQUINÁRIO DE CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANADE AÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Nada obstante o produto final seja o açúcar e o álcool, o direito de crédito não fica restrito aos insumos utilizados na industrialização, que é a fase final da produção, mas ao longo de todo o processo produtivo, o que inclui os custos agrícolas, nisto considerados os adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas, denvendo, pois, ser tomado um conceito abrangente de produção. Na atividade de usinagem de canadeacúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da canadeaçúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 12 DA LEI 10.833/2003. ESTOQUE DE ABERTURA. Para a apuração dos créditos em relação ao estoque, devem ser computados os bens – incluíndose neste conceito os adesivos, corretivos, cupincidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas –, não se computando os valores correspondentes a serviços. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, (a) em afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque, para que sejam computados os valores correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicidas, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas, não devendo computar no estoque o valor do serviço de transporte de pessoas e (b) para reconhecer o direito ao crédito pelas aquisições de Adesivos, Corretivos, Cupinicidas, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas; e II) por voto de qualidade, em negar provimento quanto ao crédito pelo complemento de preço. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti (Relator) e Marcos Tranchesi Ortiz. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Robson José Bayerl – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho e Liduína Maria Alves Macambira. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002007/200460 Acórdão n.º 3403001.340 S3C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Declarações de Compensação protocoladas pelo contribuinte em 29/07/2004 (fls. 1/18), por meio das quais busca o aproveitamento de crédito de PIS que teria sido gerado no período de apuração correspondente ao meses de 05/2003 a 02/2004, correspondente a receitas de exportação, na forma do art. 5º, § 1º da Lei nº 10.637/2002. A Fiscalização, depois da coleta de informações e documentos, apresentou Relatório da Ação Fiscal (fls. 96/113) sugerindo (a) a glosa dos créditos apropriados em maio de 2003 a título de “REAJ. PREÇO Compl.ATR”, por se refererir a insumos adquiridos em período anterior à vigência da Lei nº 10.637/2002, detalhando que o pagamento efetuado pelo contribuinte “referese a reajuste de preço de aquisição de Cana de Açúcar de produtores pessoas físicas, no ano calendário 2002. Considerando que, de acordo com o art. 68, inciso II da Lei n10.637 de 2002, o cálculo de créditos do PIS não cumulativo tem vigência a partir de DEZEMBRO DE 2002, portanto, só teria direito a crédito as aquisições de insumos a partir deste período” (fl. 166); (b) a glosa dos créditos apropriados a título de “custo agrícola”, que inclui “Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas”, por entender que “como a contribuinte é produtora e vendedora de AÇÚCAR e ÁLCOOL, nenhum dos produtos relacionados com o “custo agrícola” poderão ser considerados, de acordo com a citada legislação, como INSUMOS na fabricação ou produção de açúcar e álcool” (fl. 168); (c) a glosa dos créitos pela aquisição de serviços que entende que não deveriam ser considerados como insumos, os quais referemse a valores pagos a empresas prestadoras de serviço para o “transporte de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de corte de canadeaçúcar esmagada na unidade industrial da contribuinte” (fl. 169); (d) a glosa, no cálculo do estoque de abertura, “de todos os valores relacionados ao “Custo Agrícola” (Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas) e ao Transporte de Pessoas” (fls. 109/110). A Fiscalização também identificou, em benefício do contribuinte, que na determinação do Rateio Proporcional para Atribuição de Créditos – em que se apura o percentual entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, na forma do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.637/2002 – a receita financeira deveria integrar a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa até 01/08/2004, quando da edição do Decreto 5.164/2004, o que resultou em ampliação do percentual de crédito em relação ao período de fevereiro de 2004. Ao final, contudo, a Fiscalização concluiu que o contribuinte tinha direito a um valor menor que o pleiteado. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto/SP (fls. 112/113) apoiouse na conclusão da Fiscalização, assim homologando apenas em parte as compensações, na medida dos créditos reconhecidos aos contribuinte. O entendimento do Despacho Decisório é resumido na seguitne ementa: PIS Programa de Integração Social Tributação nãocumulativa art. 3°, inciso II da Lei n° 10.637/2002 §5°, inciso I, alínea a e inciso II, alinea a do art. 66 da IN n° 247/2002 – IN n° 404/2004 Conceito de Insumos para fins de crédito de PIS Não Cumulativo A pessoa jurídica pode descontar créditos determinados mediante a aplicação da alíquota de 1,65 % sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. Entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, bem como, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Entendese como insumos utilizados na prestação de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, assim como, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Somente podem ser considerados insumos, para fins de creditamento de COFINS, os bens e serviços intrinsecamente vinculados à fabricação ou produção de bens destinados à venda ou à prestação de serviços, ou seja, quando aplicados ou consumidos diretamente no processo, não podendo ser interpretados como todo e qualquer serviço que gere despesas, mas tãosomente os que efetivamente se relacionem com a atividadefim da empresa. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 132/118) alegando o seguinte: 1) que teria ocorrido a decadência para o Fisco efetuar a glosa do estoque de abertura, pois a apuração do crédito do estoque aconteceu em dezembro de 2002, mais de 5 anos antes da glosa, de modo que “o fisco constituiu crédito tributário utilizando fatos ocorridos no passado (a mais de 5 anos), mas com repercussão no presente” (fl. 136), o que encontraria fundamento legal no art. 150, § 4º do CTN; ou, em suas própria palavras, que “a análise pelo fisco sobre a origem, valor e certeza de crédito em período impróprio, isto é, em data posterior ao que poderia ter sido perseguido agride não só a disposic ão expressa do art. 150, §4° do CTN como também a seguranc a jurídica. Assim, em homenagem à legalidade e Fl. 258DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002007/200460 Acórdão n.º 3403001.340 S3C4T3 Fl. 3 5 seguranc a jurídica, impossível admitir a glosa dos créditos de COFINS do estoque de abertura da Manifestante em dezembro de 2002, uma vez que o prazo decadencial, previsto no § 4º, do art. 150, do CTN, extinguiu o direito de faze lo em dezembro de 2007” (fl. 196); 2) que devem ser admitidos os créditos correspondentes aos pagamentos para o transporte de pessoas na lavoura de canadeaçúcar, pois “de acordo com o artigo 3º da Lei n° 10.833/03, que o direito ao crédito deve considerar todos os dispe ndios (custos e despesas) da pessoa jurídica com vistas à gerac ão de sua receita tributável. Nesse contexto, temse que o transporte dos cortadores de cana caracterizase como uma despesa incorrida numa etapa da produc ão da Manifestante, haja vista que, obviamente, a atividade da empresa tem a corte da cana como um dos primeiros pressupostos, sendo certo também que sem transporte não há como os trabalhadores chegarem à lavoura onde se encontra a cana de ac úcar” (fl. 157), ou seja, frisando que o transporte dos trabalhadores é essencial ao desenvolvimento do processo produtivo; 3) que no cálculo do estoque de abertura teriam de ser computados os custos agrícola e do transporte de pessoas, argumentando quanto aos custos agrícolas que “Todos os produtos adesivos, corretivos, cupincida, fertilizantes, herbicidas e inseticidas são integralmente consumidos durante o processo de produção da Manifestante, sendo, portanto, produtos intermediários, essenciais para a fabricação das suas mercadorias” (fl. 152), explicando ainda o seguinte: Tanto o processo produtivo do álcool quanto do açúcar tem início com o plantio da cana deaçúcar, que é a principal matériaprima desses produtos. Assim, os cuidados com tratos culturais de um canavial devem ser permanentes, sendo o período mais crítico os primeiros 90 dias do início do cultivo, quando se encontra mais suscetível ao ataque de pragas, doenças e competições severas de plantas invasoras por água, nutrientes e luz. Os mesmos cuidados em tratos culturais durante a fase de estabelecimento do canavial, deverão ser realizados durante a rebrota da soqueira. Apenas para fins de esclarecimentos, a "soqueira" ou "soca" nada mais é do que a cana deaçúcar que já sofreu um processo integral de desenvolvimento (formação do canavial) e respectivo corte, e encontrase em fase de novo desenvolvimento, que quando completo permitirá a realização de um novo corte. Tais cuidados com a lavoura de canadeaçúcar são feitos com a utilização pela Manifestante de diversos produtos, que tem por finalidade, conforme esclarecido, preparar o solo para a boa produtividade e monitorar o surgimento de pragas (cupins, formigas, cigarrinhas e lagartas) e doenças (raquitismo, mosaico e carvão). Verificase, portanto, que tais insumos, sobre os quais a Manifestante se creditou nos termos da Lei n° 10.637/2002, são absolutamente indispensáveis para produção de canadeaçúcar e, uma vez aplicados, são integralmente consumidos pela planta, incorporandose totalmente ao produto. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Corroborando com o exposto acima insta citar a lição de Silvio Aparecido Crepaldi (Contabilidade Rural"Uma abordagem Decisoria!", Atlas, São Paulo, 1993, p.88) que, ao tratar dos custos de produção nas empresas rurais, verbis: "Custo variável total: o custo variável total, ou CVT, é o custo de recursos com duração igual ou menor que o ciclo de produção. Em outras palavras, são recursos aplicados e/ou consumidos a curto prazo, incorporandose totalmente o produto. Resultam da soma dos gastos com insumos (sementes, defensivos, fertilizantes e medicamentos), serviços em geral prestados por mãodeobra braçal, técnica e administrativa, serviços de máquinas e equipamentos, conservação dos bens empresariais e juros. " Não podem haver dúvidas, portanto, de que tais insumos são totalmente incorporados na canadeaçúcar. Até porque, tais produtos são as matériasprima para a produção da canade açúcar, devendo ser contabilizados como integrantes da cultura permanente, dentro da conta de estoques, assim: "Matéria prima na indústria significa todo o material empregado na fabricação de um produto. Na empresa agrícola, significa produtos que compõem a cultura, lais como sementes, adubos, inseticidas, etc (...) esta conta é chamada "Insumo"(Marion, José Carlos, "Contabilidade Rural", Atlas, 7ª edição, p. 46). Estabelecida a premissa de que tais insumos incorporamse ao produto da lavoura, qual seja, a canadeaçúcar, passaremos a demonstrar como tais produtos são consumidos no processo de industrialização da Manifestante. O processo de industrialização da Manifestante passa pelas seguintes etapas: Após a colheita, a canadeaçúcar passa pela pesagem e pela análise no laboratório "PCTS", onde se verifica a qualidade do produto recebido; Na seqüência a cana é lavada com água e cal e, após ser picada, passa por um eletroímâ para a retirada de metais eventualmente existentes; Depois de moída, a cana passa por seis ternos de moenda, onde é extraído o caldo ao qual é adicionado o biocidapara inibição de bactérias; O caldo passa por peneiras rotativas para retirada de excesso de bagaço; Para produção do álcool: O caldo é bombeado para um tanque de recepção e, em seguida, passa por um regenerador de calor, que altera sua temperatura para 35 ou 40 °C; Após é aquecido até 115º Cpara eliminação de bactéria; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002007/200460 Acórdão n.º 3403001.340 S3C4T3 Fl. 4 7 Na seqüência é levado para decantação, onde e adicionado retenção do lodo, melhorando assim a qualidade do caldo; Após a decantação, o caldo passa por peneiras rotativas, onde se elimina possíveis resíduos de bagaço, e é enviado para um tanque pulmão (que gerencia a troca de calor); Finalmente é preparado o Mosto (caldo), que passa por um processo de resfriamento para fermentação, dando origem ao produto final álcool. Para produção do açúcar: O caldo é bombeado para um tanque de recepção e, em seguida, é adicionado ácido fosfórico (que ajuda a decantação desse caldo, melhorando a sua transparência); Na seqüência o caldo para o regenerador, onde ocorre uma troca de calor; Após o caldo passar por um tratamento de sulfitação e caleação, recebendo o enxofre, cal e clarificante; Aquecimento do caldo, aquecimento do caldo até 110° C para concentração do caldo (retirada de água). No decantador é adicionado polímero para retenção do iodo, melhorando assim a qualidade do caldo; Após a decantação o caldo passa por peneiras rotativas, onde se elimina possíveis resíduos de bagaço; Préevaporação e Evaporação é um processo de concentração do caldo até obtenção de xarope com alta concentração, neste processo utilizase antiencustrante e amónia; Após a obtenção do xarope este é aquecido e passa por um processo de flotação, que è a retirada de impurezas (utiliza se ácido fosfórico e polímero), dando origem ao produto final açúcar. OBS: o vapor utilizado como energia é obtido através do processo de geração de vapor, nesta etapa a água é tratada com os seguintes produtos:hipoclorito de sódio (cloro), sal grosso e optisperse (fosfato). Conforme demonstrado, o açúcar e o álcool nada mais são que a canadcaçúcar após o processo de transformação industrial e se, também conforme comprovado, os insumos utilizados na lavoura de canadeaçúcar incorporamse ao produto da lavoura, qual seja, à própria canadeaçúcar, não há como afastar a afirmação que tais insumos foram consumidos no processo de industrialização. 4) alega o contribuinte que o art. 11, § 3º, da Lei nº 10.637/2002, ao permitir a apuração do estoque em relação ao produtos acabado e em elaboração, estaria entendendo Fl. 261DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 que deveriam ser computados todos os custos de fabricação, sem qualquer exclusão, e “que a própria Receita Federal do Brasil entende que, para fins do cálculo do estoque de abertura, o valor que deve ser considerado é aquele constante dos registros contábeis, sem adições ou exclusões, de modo que resta demonstrado o acerto da conduta da Manifestante ao proceder ao cálculo do crédito para desconto da Pis/PASEP correspondente ao estoque de abertura levando em consideração os custos agrícolas e o serviço de transporte de pessoas” (fl. 162); 5) alega, também, que não deve prevalecer a glosa dos créditos relativos ao pagamento que efetuou em maio de 2003, nada obstante refirase a um complemento de preço de insumo adquirido em 2002, argumentando que, “ao analisar o art. 3°. em seu § 1°, interpretado juntamente com o inciso III do §3°, o qual determina que o crédito será calculado mediante a aplicação da alíquota sobre as aquisições de bens e sobre os valores relativos aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domicilada no país a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto na referida Lei, verificase a legalidade da conduta da Manifestante consistente em calcular crédito de PIS sobre um gasto efetivamente incorrido em maio de 2003” (fl. 146; sublinhado editado), detalhando ainda o seguinte (fls. 147/149): Com efeito, em atividades agrícolas como a compra da canade açúcar, em que a determinação do preço está sujeita às oscilações do mercado, observase comumente o reajuste do preço na aquisição de cana, até que haja o recebimento do total da safra adquirida e apenas quando ocorrido o evento previsto é que ocorre a determinação do valor a pagar. Nesse sentido, como a compra e venda de canadeaçúcar costuma ser objeto de contratos de longa duração, em que se verificam prestações de trato sucessivo, pois o pagamento do preço é realizado na medida em que a cana é entregue, apenas ao final do contrato é que é apurado o preço definitivo para a cana que foi entregue ao longo do exercício findo e, eventualmente, o ajuste que for necessário (normalmente complemento de preço). Nesse tocante, observese que compete ao Conselho dos Produtores de Canadeaçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo CONSECANASP a função de estipular o preço da cana de açúcar. Pelo sistema, o valor da canadeaçúcar se baseia no chamado Açúcar Total Recuperável (ATR), que corresponde à quantidade de açúcar disponível na matériaprima subtraída das perdas no processo industrial, e nos preços do açúcar e etanol vendidos pelas usinas nos mercados interno e externo. A cada mês ao longo do ano é fixado um valor para o ATR, sendo certo que é somente ao final da safra que é fixado o índice que pode ser considerado como definitivo. Assim, temse que os pagamentos realizados ao longo do ano são considerados como adiantamentos (estimativas) do valor que será devido ao final da safra, após a fixação da ATR pelo Consecana, o que ocorre até o dia 15 de maio de cada ano. Vejase que essa prática comercial é reconhecida pela legislação comercial e fiscal, uma vez que é prevista a contabilização e dedução do custo dessas mercadorias ao valor de mercado cm conformidade com a oscilação desses preços de mercado, Fl. 262DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002007/200460 Acórdão n.º 3403001.340 S3C4T3 Fl. 5 9 consoante se observa do artigo 183, § 4º da Lei 6404/76 e artigo 297 do RIR/99. Ou seja, apenas ao final das safras que é possível se apurar a cotação do valor realmente devido, valor a pagar pela Manifestante e, assim sendo, impossível considerar essa despesa desse mês. Com efeito, além da legislação tributária contemplar a possibilidade de serem considerados os reajustes desses custos e os preços pagos complementarmente ao valor que formou a aquisição, é esse também o entendimento da Receita Federal do Brasil consoante se observa da Solução de Consulta abaixo transcrita: Processo de Consulta n° 99/04 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 8a. Região Fiscal Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS NAO CUMULATIVO ~ Crédito As usinas produtoras de açúcar e álcool, sujeitas à incidência não cumulativa do PIS/Pasep podem descontar da contribuição apurada no mês de encerramento da safra, crédito calculado em relação ao complemento de preço pago ou creditado aos produtores de canadeaçúcar (pessoas jurídicas domiciliadas no país), referente à canadeaçúcar adquirida e utilizada na produção de açúcar e álcool durante a safra. Dispositivos Legais: Medida Provisória n" 66 de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, art. 3o (com as alterações introduzidas pela Medida Provisória n" 107, de 10/02/2003, convertida na Lei n" 10.684, de 30/05/2003. art. 25); e Instrução Normativa n"247, de 21 de novembro de 2002, art. 66 e 67 (com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa n° 358, de 09 de setembro de 2003, art. 1 °). (Data da Decisão: 30/03/2004 16.04.2004) Assim sendo, impossível desconsiderar que referidos custos diretos, que impactaram os resultados do período fossem estornados para cálculo do PIS/COFÍNS devido na sistemática da não cumulatividade. E decorrência lógica dessa assertiva, não apenas porque a lei não exclui essa possibilidade de tributação, mas também porque não há qualquer sentido sistemático criar dissociação entre a receita auferida (nãocumulativa sujeita a alíquota de 9,25%) e não considerar os custos/despesas diretos e previstos em lei que formaram essa receita. É decorrência lógica dessa assertiva a consideração de que esta despesa compõe o valor a descontar do P1S/COF1NS devido pela não cumulatividade. não apenas porque a lei não exclui essa possibilidade de tributação, mas também porque não há Fl. 263DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 qualquer sentido sistemático da lei contábil e fiscal em criar dissociação entre a receita auferida (nãocumulativa sujeita a alíquota de 9,25%) e os custos/despesas diretos que formaram essa receita. O regramento contábil é claro ao determinar o confronto das receitas no período que foram verificadas (por exemplo, venda de mercadoria, aplicações financeiras) independentemente do respectivo recebimento de valor em caixa, como também, os referidos custos e despesas, quando incorridas. Para isso, o conselho criou sistema de pagamento da canade açúcar pelo teor de sacarose, com critérios técnicos para avaliar a qualidade da canadeaçúcar entregue pelos plantadores às indústrias e para determinar o preço a ser pago ao produtor rural. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1432.846, de 14 de março de 2011 (fls. 174/183) manteve integralmente a decisão da DRF, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DEDIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2003 a 30/11/2003 DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE EM COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não é aplicável, em compensação tributária, o prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo o crédito tributário. No caso de compensação, o prazo para a homologação é de cinco anos contados da entrega da declaração. Cientificado o interessado da não homologação da compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de créditos tributários. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/05/2003 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. VIGÊNCIA E APLICAÇÃO. A legislação tributária aplicase aos fator geradores futuros e pendentes, não se aplicando a fatos geradores passados. As receitas e despesas referentes a períodos de apuração anteriores ao da publicação de nova lei devem ser tratados de acordo com as disposições da legislação vigente á época1 da ocorrência dos respectivos fatos geradores. A contabilização posterior de alteração de valores referentes a períodos apuração anteriores a dezembro de 2002, não os habilita ao tratamento dado pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. DISPOSIÇÕES CONTRATUAIS. CLASSIFICAÇÃO COMO RECEITAS OU DESPESAS FINANCEIRAS Dispõe o art. 9º da Lei n 9.718, de 1998 que as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do Fl. 264DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002007/200460 Acórdão n.º 3403001.340 S3C4T3 Fl. 6 11 contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/05/2003 a 30/11/2003, 31/01/2004 a 29/02/2004 DEDUÇÃO. INSUMOS. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e demais produtos utilizados em fases que não a fabricação do produto não podem ser considerados insumos, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. DEDUÇÃO. INSUMOS CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, relativamente ao estoque de abertura, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 186/227) reiterando os mesmos fundamentos da sua manifestação de inconformidade, acrescentando citações doutrinárias e precedentes do CARF, destacando o Acórdão 320200.225, no sentido de que “O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do 1PI, uma vez que a materialidade de tal tributo e distinta da materialidade das contribuições em apreço” (Processo n° 11020.001952/200622, Recurso 369.519). É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso voluntário é tempestivo (fls. 185 e 186), motivo pelo qual dele conheço. I. A decadência. Não procede o argumento do contribuinte de que teria decaído o direito do Fisco de promover a verificação do direito de crédito em relação aos créditos de Cofins originados em dezembro de 2002. Não se pode confundir o lançamento, enquanto procedimento de exigência de tributo, com o pedido de ressarcimento ou de compensação, que é procedimento cuja finalidade é reconhecimento ou não do direito de crédito alegado pelo contribuinte. O prazo de 5 anos a que se refere o art. 150, § 4º do CTN impede que o Fisco promova a revisão do cálculo feito pelo contribuinte em procedimento de pagamento de um tributo, impedindo que o Fisco exija do contribuinte um valor maior do que aquele que o contribuinte apurou e recolheu a título de adiantamento. Ou seja, em relação ao presente caso o art. 150 do CTN se referiria ao cálculo e recolhimento da Cofins nãocumulativa apurada e devida naquele período, impedindo que depois de 5 anos, contados do fato gerador, o Fisco pretendesse exigir alguma diferença de valor em relação ao tributo que foi recolhido naquela data. O prazo de homologação tácita do art. 150 do CTN, portanto, referese ao procedimento de apuração de tributo e adiantamento de pagamento realizado pelo contribuinte para o efeito do lançamento por homologação, impedindo que depois de 5 anos deste procedimento o Fisco pretenda exigir alguma diferença que eventualmente tenha sido recolhida a menor que o devido. Ocorre que no presente caso o Fisco não pretende promover qualquer lançamento, ou revisão de um lançamento por homologação, mas se trata da análise do direito de crédito alegado pelo contribuinte. Por isso não se pode falar na aplicação do art. 150 do CTN, mas do prazo de 5 anos para promover a homologação tácita da compensação, prevista no art. 74, § 5º da Lei nº 9.740/96, o qual apenas começa a correr quando da apresentação da pedido de ressarcimento, restituição ou DCOMP. Tendo sido apresentadas as declarações de compensação em 29/07/2004 (fl. 1), a homologação tácita prevista no art. 74, § 5º da Lei 9.740/96 apenas aconteceria em 29/07/2009, mas a notificação da decisão de homologação parcial aconteceu antes, em 12/06/2009 (fl. 127). Assim, não é um lançamento fiscal que estaria a depender da análise dos créditos surgidos em fevereiro de 2004, mas de tal análise depende a possibilidade de reconhecerse ou não o direito de crédito solicitado pelo próprio contribuinte. Não há, portanto, qualquer decadência ou prescrição. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002007/200460 Acórdão n.º 3403001.340 S3C4T3 Fl. 7 13 II. O direito de crédito pelo pagamento de complemento de preço. Em maio de 2003 o contribuinte realizou pagamento aos seus fornecedores a título de diferença de preços (“REAJ. PREÇO Compl.ATR”) em relação a canadeaçúcar que foi adquirida no ano anterior. Explicou o contribuinte que “o valor da canadeaçúcar se baseia no chamado Açúcar Total Recuperável (ATR), que corresponde à quantidade de açúcar disponível na matériaprima subtraída das perdas no processo industrial, e nos preços do açúcar e etanol vendidos pelas usinas nos mercados interno e externo. A cada mês ao longo do ano é fixado um valor para o ATR, sendo certo que é somente ao final da safra que é fixado o índice que pode ser considerado como definitivo. Assim, temse que os pagamentos realizados ao longo do ano são considerados como adiantamentos (estimativas) do valor que será devido ao final da safra, após a fixação da ATR pelo Consecana, o que ocorre até o dia 15 de maio de cada ano” (fl. 147). A Fiscalização glosou os créditos referentes a este pagamento, por entender que se refere a insumos adquiridos em período anterior à vigência da Lei nº 10.637/2002, momento em que ainda não existia o regime não cumulativo e, portanto, quando as aquisições ainda não geravam direito de crédito. A Fiscalização explicou que, “de acordo com o art. 68, inciso II da Lei n 10.637 de 2002, o cálculo de créditos do PIS não cumulativo tem vigência a partir de DEZEMBRO DE 2002, portanto, só teria direito a crédito as aquisições de insumos a partir deste período” (fl. 166). Inferese, pois, que a Fiscalização considera que a “aquisição” a que se refere a Lei deve ser entendida como o momento em que foi fechado o negócio, ou ainda, o momento em que houve o ingresso da mercadoria no estabelecimento. O contribuinte, por seu lado, sustenta que seu direito de crédito decorre de um dispêndio incorrido em maio de 2003, cuja natureza é a de aquisição de insumos, argumentando que “O regramento contábil é claro ao determinar o confronto das receitas no período que foram verificadas (por exemplo, venda de mercadoria, aplicações financeiras) independentemente do respectivo recebimento de valor em caixa, como também, os referidos custos e despesas, quando incorridas” (fl. 149). O art. 3º da Lei nº 10.637/2002 dispõe sobre o direito de crédito nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; …………………. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Nada obstante o legislador faça clara distinção entre em bens e serviços “adquiridos” e custos e despesas “incorridos”, parece claro que estes termos apenas procuram se adequar aos substantivos a que se referem. Com efeito, não seria adequado falar em “adquirir” custos e depesas, nem em “incorrer” em bens e serviços. Querse crer, portanto, que a utilização dos termos “adquiridos” e “incorridos” não pretende fazer uma distinção entre o momento diferentes de geração do crédito para uma e outra hipótese, ou que se pretendessem duas lógicas distintas, que colocasse em contraste estas duas categorias de insumos, senão, apenas, utilizouse a referência pertinente à natureza dos objetos referidos. Em qualquer destes casos – seja adquirir um bem ou serviço, seja incorrer em um custo ou despesa – o momento em que o crédito é gerado será o mesmo: aquele em que o lançamento contábil deve acontecer para o registro da aquisição do bem ou serviço ou do custo ou despesa incorrido. De outro lado, o crédito gerado pela nãocumulatividade não acompanha um determinado produto, ou seja, não depende da efetiva utilização daquele produto específico que gerou o crédito para permitir que o crédito possa ser utilizado para o abatimento do débito. A sistemática da nãocumulatividade considera o conjunto das entradas e das saídas ocorridas em um determinado período, não questionando se o insumo específico que gerou o crédito naquele mês teria sido efetiva e fisicamente utilizado em produto ou serviço ao qual foi dada saída naquele mesmo mês, sobre a qual houve a incidência do mesmo tributo. Ou seja, não se exige o vínculo físico entre (a) a receita obtida pela venda do serviço ou produto acabado e (b) o crédito gerado pela aquisição de bens ou serviços e as depesas ou custos incorridos. Assim, a nãocumulatividade se concretiza pelo confronto entre os créditos e os débitos gerados no período. Como se vê, esta descrição do mecanismo aplicase indistintamente a todos os tributos nos quais se aplica a nãocumulatividade. Ocorre que, se em relação ao ICMS e ao IPI os créditos e os débitos se referem aos eventos de circulação de mercadoria, ou seja, na entrada e na saída de produtos, não parece que seja este mesmo critério possa ser usado para as Contribuições. A nãocumulatividade das Constribuições não está baseada no encadeamento de atos de circulação de produtos, mas no fenômeno econômico do faturamento, criando Fl. 268DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002007/200460 Acórdão n.º 3403001.340 S3C4T3 Fl. 8 15 hipóteses de geração de crédito que, a grosso modo, busca identificar as aquisições, despesas e custos necessários para o processo produtivo que gerou o referido faturamento. De qualquer modo, no caso de complementação do pagamento pela entrada de mercadoria, o crédito deve ser gerado no momento em que foi realizado este pagamento. Entendo, com efeito, que o pagamento realizado a título de complemento de preço tem natureza de aquisição de um insumo necessário para a sua produção e, tendo sido efetuado em maio de 2003, aconteceu na vigência da Lei e, por isso, deve gerar crédito. III. Pedido alternativo: o complemento de pagamento deve integrar o preço das mercadorias no estoque, para efeito da apuração do crédito pelo levantamento do estoque de abertura. Também entendo que procede o pedido alternativo do contribuinte, no sentido de que, em se negando o direito de crédito com fundamento no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, por se entender que o complemento de preço integrava uma aquisição ocorrida no ano anterior, quando a Lei ainda não estava em vigência, então tal valor deveria ser considerado no valor do estoque de abertura, para o efeito do cálculo do crédito gerado na forma do art. 11 da Lei. Isto porque, na medida em que tal valor é um acréscimo do preço da canade açúcar a que foi dada entrada em 2002, então o valor do estoque deve ser atualizado para que conste como preço o valor efetivamente pago. Assim, vencido quanto ao reconhecimento do direito de crédito na forma do art. 3º, II, da Lei, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito na forma do art. 11 da mesma Lei, por meio da revisão do valor do estoque inicial, que deverá considerar o valor da mercadoria existente por meio daquele preço de mercadoria tal como ficou depois do pagamento do complemento do preço. IV. O crédito pela aquisição de produtos classificados como “custo agrícola” e pela aquisição do serviço de transporte de mãodeobra. Entendo que assiste razão ao contribuinte quando alega que os produtos classificados como “custo agrícola”, bem como o transporte dos funcionários para o local da extração da canadeaçúcar, devem ser tratados como insumo, enquanto necessários e integrantes do processo produtivo. O art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003 prevê a possibilidade de que do valor devido de contribuição se desconte créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (…)”. O processo produtivo detalhado pelo contribuinte deixa claro que os Adesivos, Corretivos, Cupincida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas – que se generaliza pela denominação de “custo agrícola” – são integrantes, porquanto necessários e indispensáveis, ao processo produtivo. E também o transporte dos funcionários da sede da empresa até o local do corte da canadeaçúcar é uma providência necessária e indispensável ao processo produtivo, Fl. 269DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 configurando a contratação de um serviço que traduz um dos insumos necessários para a produção da canadeaçúcar que será utilizada na industrialização do álcool e do açúcar. A DRF e a DRJ recusam o direito de crédito por pretender confinar o conceito de produção ao conceito de industrialização, pertinente à legislação do IPI. O conceito de produção, no entanto, é mais amplo que o de industrialização, alcançando todas as etapas necessárias à atividade desenvolvida pelo contribuinte, seja ele industrial, comerciante ou prestador de serviço, devendo ser considerados como insumos tanto bens como serviços, desde que necessários, o que deve ser considerado no contexto do processo produtivo do contribuinte. Assim, nada obstante os produtos finais do processo produtivo da contribuinte sejam o açúcar e o álcool, o direito de crédito não fica restrito aos insumos utilizados na industrialização, que é a fase final da produção, mas deve alcançar todos os insumos utilizados ao longo de todo o processo produtivo desenvlvido pela contribuinte, o que inclui os referidos “custos agrícolas”, em que são incluídos os adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas, devendose, pois, tomar um conceito abrangente de produção. Outrossim, não apenas os produtos adquiridos geram crédito, mas também os serviços contratados, bastando que sejam necessários e integrados ao processo produtivo O entendimento do CARF, com efeito, reconhece como insumos tanto os bens utilizados, como os serviços prestados no contexto do processo produtivo do contribuinte, conforme se ilustra nos seguintes julgados: (…) NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO E ABRANGÊNCIA. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que geram direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. (…) (Acórdão 210200.050, Recurso 150.521, Processo 10675.004362/200422, Rel. Cons. José Antônio Francisco, j. 05/03/2009) Neste caso acima o Conselheiro Relator esclareceu o seguinte: Insumo, como se sabe, é um elemento empregado na fabricação de um bem ou serviço. Entretanto, não são todos os elementos empregados na fabricação de produtos ou na prestação de serviço que originam crédito de Cofins, mas somente os insumos que sejam "bens", no sentido jurídico, e "serviços". Dessa forma, os "benefícios a empregados", a mãodeobra e os benefícios ou salários indiretos, embora possam caracterizarse como insumos utilizados na prestação de serviços, não representam "bens" e "serviços", de forma que não geram direito de crédito. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002007/200460 Acórdão n.º 3403001.340 S3C4T3 Fl. 9 17 Neste caso, como se percebe, o transporte do funcionário não se caracteriza como o pagamento de benefício aos empregados, mas como contratação de um serviço que viabiliza a produção, ou seja, como providência necessária e integrante do processo produtivo, remunerada como contratação da prestação de um serviço propriamente dito (transporte de pessoas). E ainda que se tratasse de combustível, estaria configurado então o fornecimento de bens. A propósito do transporte realizado no contexto do processo produtivo, confirase ainda o seguinte julgado: (...)CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Recurso voluntário provido em parte.” (Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008) Neste julgado o Relator manifesta o seguinte entendimento: Portanto, basta que os custos ou despesas gerem créditos para a empresa exportadora ter direito ao seu ressarcimento. No caso de empresa industrial, o crédito de PIS não se restringe aos insumos empregados diretamente na produção como defende a decisão recorrida. Todos os créditos decorrentes de custos ou despesas incorridas na produção e venda do produto exportado, apurados na forma prevista no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, são passíveis de ressarcimento. (…) Mais ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção do bem exportado. No caso sob exame, foram glosados os créditos relativos aos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículos da recorrente e aos dispêndios com a remoção de resíduos industriais, por não estarem vinculados ao processo produtivo. A recorrente alega que tem direito ao crédito dos combustíveis e lubrificantes porque os mesmos são usados em sua frota de veículos, que transporta produtos e insumos entre seus estabelecimentos. Para haver ressarcimento é necessário haver o direito ao crédito. No caso dos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículo ligados à atividade industrial geram, no meu entender, direito ao crédito, a teor do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 E geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e serviços) utilizado pela lei não é igual à soma de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, a que se refere a legislação do IPI. Insumos são todos os "custos, despesas ou encargos" vinculados ao produto ou serviço vendido, como diz o art. 2º da IN SRF nº 460/2004. Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002). Ora, se se admite o crédito em relação ao transporte dos resíduos e de entulho industrial, reconhecendo tal providência como parte do processo de produção, tanto mais será o deslocamento dos funcionários para que se execute uma das fases do processo produtivo. Vale a pena conferir também o seguinte precedente no qual se reconhece a despesa de seguros de carga como insumo que integra a atividade produtiva do contribuinte: (…) REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. DESCONTOS COM SEGUROS. Na apuração do PIS nãocumulativo podem ser descontados créditos calculados sobre as despesas decorrentes da contratação de seguros, essenciais para a atividade fim desenvolvida pela recorrente, pois estes se caracterizam sim como `insumos' previstos na legislação do IRPJ. (…) (Acórdão 20312.741, Recurso 137.910, Processo 10932.000016/200578, Redator Designado Cons. Emanuel Dantas de Assis, j. 11/03/2008) Embora não se refira à mesma hipótese concreta de crédito, o precede acima ilustra muito bem que a análise do direito ao crédito deve guardar pertinência com as características da atividade produtiva desempenhada concretamente pelo contribuinte. No presente caso fica claro que o transporte dos funcionário não é apenas uma despesa de uma empresa qualquer que deseja fornecer transporte aos seus empregados, mas da viabilização da atividade de plantação e colheita da cana de açúcar, devidamente contextualizada no processo produtivo. V. O crédito decorrente do estoque de abertura. Quanto ao direito de crédito decorrente do estoque de abertura, entendo que o contribuinte tem o direito ao cômputo dos insumos listados como “custos agrícolas”. Mas não tem o mesmo direito em relação pagamentos feitos pelo transporte de funcionários, que não pode ser computado no estoque, pois não configura produto. Com efeito, o art. 12 da Lei nº 10.833/2003 dispõe que “A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3°, terá Fl. 272DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002007/200460 Acórdão n.º 3403001.340 S3C4T3 Fl. 10 19 direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e 11 daquele mesmo artigo (…)” (grifo editado). E mesmo o parágrafo 3º deste artigo prevê que “O disposto no caput aplica se também aos estoques de produtos acabados e em elaboração”. Por certo que a palavra produto, referida pelo § 3º, equivale a palavra bens, referida no caput do art. 12, mas nenhuma destas duas alcançaria um pagamento de serviços. Mas quanto aos “custos agrícolas”, entendo que todos eles devem compor a base sobre a qual é calculado o crédito, tendo em vista que todos eles são bens que compõe o processo produtivo. Entendo, por isso, que deve ser reconhecido o direito de crédito quanto ao estoque dos adesivos, corretivos, cupincidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas. VI. Conclusão. Voto, pois, no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para (1) reconhecer o direito de crédito em relação ao complemento de preço da canadeaçucar pago às pessoas jurídicas fornecedoras do contribuinte, de quem adquiriu a cana em momento anterior, (2) reconhecer o direito de crédito em relação ao “custo agrícola” e ao “transporte de funcionários” e, (3) em relação ao estoque, para que sejam computados no direito de crédito, relativo ao estoque, os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos, não se devendo computar no estoque o valor de serviço de transporte de pessoas. Ivan Allegretti Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator Designado Em que pese os escorreitos argumentos deduzidos pelo nobre relator, peço vênia para deles discordar quanto à admissibilidade do diferencial de preço pago pelo contribuinte, ora requerente, aos seus fornecedores de canadeaçúcar, utilizada como matéria prima na produção, pelo teor de açúcar medido. Como exposto em sessão, no julgamento da questão, aludidas diferenças se vinculam a aquisições de canadeaçúcar ocorridas antes do advento da não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, ainda sob a égide da Lei nº 9.718/98. Neste passo, admitir o cômputo de créditos apurados sobre tais valores equivale a fazer retroagir as disposições das Medidas Provisórias 66/02 e 135/03, convertidas nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, haja vista que, se pagos na época oportuna, isto é, quando de sua aquisição, não haveria que se falar em créditos da não cumulatividade, demais disso, por disposição própria de referidos diplomas legais, o momento de apropriação dos créditos se concretiza na aquisição do insumo, a teor do art. 3º, § 1º das leis em comento, ainda que outro seja o momento do pagamento, como sói ocorrer nas compra a prazo. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 20 Seu aspecto temporal é a efetiva entrada dos insumos no estabelecimento, pouco importando que coincida com o pagamento, ou seja, o marco é fixo, aplicandose à compra para entrega futura, onde há antecipação de pagamento pela aquisição, para aquela que o pagamento se dá em momento futuro a partir da aquisição, ou mesmo que seja saldada em prestações. Sob este ângulo, a pretensão do contribuinte esbarra nas disposições do art. 106 do Código Tributário Nacional. Respeitante ao pedido alternativo, de reconhecer a possibilidade de aproveitamento do crédito pela inclusão de tais valores no estoque de abertura de matéria prima previsto no arts. 11 da Lei nº 10.637/02 e 12 da Lei nº 10.833/03, seria razoável sua admissão, todavia, para tal desiderato seria condição inafastável que a canadeaçúcar objeto dos complementos de preço compusesse o estoque existente em 01/12/2002, para cálculo do PIS/Pasep, e 01/02/2004, para cálculo da Cofins. Destarte, se o insumo foi utilizado integralmente quando ainda imperava o sistema de apuração cumulativo, da Lei nº 9.718/98, não haveria que se falar em crédito algum, como adrede mencionado, razão porque competiria à parte interessada fazer prova desta situação fática, que os insumos compunham os estoques nas datas especificadas. No caso vertente o contribuinte se limitou a requerer o direito, porém, sem fazer prova de sua titularidade, razão pela qual, nesta parte, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Robson José Bayerl Fl. 274DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720172/2005-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
A divergência, ensejadora de conhecimento do recurso especial, nos termos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), necessita ser específica, demonstrando a divergência de interpretações sobre mesmo dispositivo legal.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.482
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A divergência, ensejadora de conhecimento do recurso especial, nos termos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), necessita ser específica, demonstrando a divergência de interpretações sobre mesmo dispositivo legal. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 371DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 EDITADO EM: 18/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Tratase de recurso especial por divergência interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão que reconheceu ser indevida a cobrança da multa isolada instituída pelo artigo 44, § 1° inciso III da Lei n° 9.430/96 quando já lançada a multa de ofício pelo não pagamento do tributo. Segue ementa do acórdão recorrido, com destaque para a parte contra a qual o recurso foi interposto: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2002 Ementa: IRPF PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO A UNESCO/ONU TRIBUTAÇÃO — São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltarlhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 0400.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legitima quando incide sobre urna mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n°0104.987 de 15/06/2004). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada em concomitância com a multa de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente, julgado. A recorrente indicou o Acórdão 10194.858 para a comprovação da divergência: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — AC. 1998. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE — descabe em sede de instância administrativa a discussão acerca da ilegalidade de Fl. 372DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10680.720172/200568 Acórdão n.º 920201.482 CSRFT2 Fl. 2 3 dispositivos legais, matéria sob a qual tem competência exclusiva o Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS CONCOMITÂNCIA DE RECURSO ADMINISTRATIVO E AÇÃO JUDICIAL — A impetração de Ação Judicial para discussão da mesma matéria tributada no Auto de Infração, importa em renúncia ao litígio administrativo, impedindo o conhecimento do mérito do recurso, resultando em constituição definitiva do crédito tributário na esfera administrativa. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFICIO — CABIMENTO SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INFRINGENTES APÓS LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO — PROCESSO JUDICIAL EM CURSO — É cabível a manutenção de multa de ofício lançada na ausência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário Apesar dos efeitos infringentes da decisão nos Embargos de Declaração publicados depois daciência do lançamento, na data deste não havia suspensão daexigibilidade do crédito tributário. A pendência de decisão judicial é questão prejudicial à exclusão da multa de ofício, por isso, esta deve ser mantida até a decisão judicial do mérito, que se for favorável à tese da autuada resultará em sua extinção. LANÇAMENTO DE OFÍCIO VALOR DECLARADO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — INEXISTÊNCIA DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA — DECLARAÇÃO INEXATA CABIMENTO — Cabível o lançamento de ofício de parcela equivocadamente informada na DIPJ como estando com sua exigibilidade suspensa, por caracterizar a "declaração inexata" constante da parte final do inciso I do artigo 44 da lei n° 9.430/1996 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — Cabível a aplicação de multa de ofício, aplicada isoladamente, na falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa dos valores devidos, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO — MESMA BASE DE CÁLCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O lançamento de duas multas de ofício, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratarse de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas. Recurso voluntário não provido. E assim sustentou a tese nele defendida bem como o conhecimento do recurso especial: Neste ponto, vale destacar que a multa isolada prevista no art. 44, § 1°, inc. III da Lei 9.430/96 (de que tratam os presentes autos) e aquela prevista no inc. IV do mesmo dispositivo legal (aplicada no caso concreto de que trata o acórdão apontado Fl. 373DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 como paradigma) possuem a mesma essência ou razão de ser: ambas visam penalizar o contribuinte que deixa antecipar, mês a mês, o recolhimento do tributo. Ou seja: dirigemse aos contribuintes que não cumprem a sistemática de antecipação mensal do pagamento do imposto devido no final do ano calendário. ... E nem se alegue que as multas isoladas de que tratam os 2 (dois) acórdãos — recorrido e paradigma — não se assemelhariam, posto que previstas em dispositivos de lei diversos ou regulamentadas por normas diversas. No presente caso, a verificação da divergência exigida para admissibilidade das razões da União prescinde da identidade entre as multas aplicadas em cada caso concreto, porque o que se discute, em ambas as hipóteses, não é a sua previsão na legislação, nem tampouco a forma como é aplicada. ... Por outro lado, vale destacar que não há óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo; ora, como se sabe, a base de calculo é elemento que apenas quantifica o imposto ou a penalidade tributária, possuindo, necessariamente, estreita r relação com os fatos/atos que dão origem aos mesmos, mas não se confundindo com esses fatos/atos. Assim, a penalidade tributária decorre sempre de um ato ilícito e a base de cálculo mensura o montante dessa penalidade. 17. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes. Em despacho, deuse seguimento ao recurso especial. Regularmente notificado do Acórdão, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento, o contribuinte apresentou contrarazões e interpôs recurso especial contra a parte do acórdão que lhe foi desfavorável, qual seja a não incidência sobre os rendimentos percebidos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD/ONU, reiterando suas razões recursais. No entanto, após seguimento de seu recurso especial, através exame prévio de admissibilidade, o contribuinte requereu a desistência da parte recorrida, restando tão somente para apreciação pela CSRF da divergência argüida pela Fazenda Nacional. Em contrarazões, o interessado reitera suas alegações recursais e ainda que: A primeira hipótese, aos percentuais de 75% ou 150%, exigida juntamente com o tributo ou contribuição na hipótese de inexistência ou insuficiência de pagamento. A segunda hipótese, também aos percentuais de 75% ou 150%, exigida isoladamente nos casos em que a pessoa física deixar de efetuar o pagamento Fl. 374DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10680.720172/200568 Acórdão n.º 920201.482 CSRFT2 Fl. 3 5 do carnêleão. Mas o recolhimento mensal nada mais é que uma antecipação do imposto devido e o imposto devido iá está sendo exigido juntamente com a multa pela inexistência do pagamento. Daí a afirmação de que está se exigindo duplamente a multa sobre a mesma base. Não existe no texto da lei nenhum conectivo que autorize ao intérprete concluir que tais multas possam ser exigidas cumulativamente. ... Ora, a legislação tributária nem mesmo permite a aplicação concomitante da multa de mora com a multa de ofício que é muito menos onerosa. Portanto, a multa isolada de que trata o inciso III do 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96 não pode ser exigida cumulativamente com a multa incidente sobre o imposto apurado, sob pena de se impor penalidades que se sobrepõem. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Em análise sobre o conhecimento do recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional encontramos questão que deve ser analisada. Como se demonstra com clareza na decisão e no acórdão utilizado como paradigma, os dispositivos legais utilizados são diversos. O acórdão recorrido tratou da concomitância de aplicação da multa de ofício prevista no I, Art. 44 da Lei 9.430/1996 com a multa isolada prevista no III, § 1°, Art. 44 da mesma Lei (recolhimento por carnê leão). Já o paradigma utilizado trata da concomitância de aplicação da multa de ofício prevista no I, Art. 44 da Lei 9.430/1996 com a multa isolada prevista no IV, § 1°, Art. 44 da mesma Lei (falta de recolhimento da CSLL). Portanto, o acórdão e a divergência baseiamse em dispositivos legais distintos, assim, não há que se falar em divergência, pois para sua existência a interpretação tem que se basear no mesmo dispositivo legal. Peço vênia para adotar, como razões de decidir, os fundamentos do Conselheiro Elias Sampaio Freire, manifestados em voto na CSRF, referente ao processo 11065.005916/200379: Como se vê, no acórdão paradigma, a aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96 decorre da aplicação do artigo 44, § 1, inciso IV do mesmo diploma legal, aplicável, no caso, pela falta de recolhimento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido. Fl. 375DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Por seu turno, no acórdão recorrido, a aplicação da multa isolada decorre da ausência pagamento mensal do imposto de renda de pessoa física (carnêleão), com fundamento no art. 44, § 1, inciso III da Lei nº 9.430/96. Inicialmente há de se salientar que a divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. FIXAÇÃO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADA. 1. A majoração do quantum indenizatório a título de dano moral é medida excepcional e sujeita a casos específicos em que for constatada condenação ao pagamento de valor irrisório, o que não ocorre nos autos. Precedentes. 2. A divergência jurisprudencial ensejadora da admissibilidade, do prosseguimento e do conhecimento do recurso há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, embora idênticos os fatos que as ensejaram, o que não ocorre in casu. (GRIFEI) 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no Ag 1092014 / RSAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO2008/02006846, Relator Desembargador convocado do TJ/AP HONILDO AMARAL DE MELLO CASTRO, DJe 02/09/2009) DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CONSTRIÇÃO PATRIMONIAL. REQUISITOS AUTORIZADORES DA MEDIDA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I Hipótese em que os agravantes tiveram constrição patrimonial decretada em face de pedido do Ministério Público em Ação Civil Pública tendente a apurar irregularidades em certames licitatórios. II Alegam os recorrentes que existem discrepâncias entre o acórdão recorrido, que reconheceu a possibilidade da constrição patrimonial, e decisão deste Tribunal Superior sobre matéria similar. III A escorreita demonstração de dissídio jurisprudencial requer não apenas o apontamento de decisões díspares prolatadas por Tribunais diversos, mas antes de tudo que se verifique que as decisões conflitantes se deram ante a interpretação do mesmo dispositivo de lei federal. (GRIFEI) Fl. 376DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10680.720172/200568 Acórdão n.º 920201.482 CSRFT2 Fl. 4 7 IV Se, como no caso dos autos, Tribunais diversos divergem apenas quanto a quais fatos configurariam o fumus boni iuris e o periculum in mora, não há interpretação divergente de dispositivos legais. V Agravo regimental improvido. (AgRg no Ag 1120568 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO2008/02422717, Relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, DJe 10/06/2009) Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: RECURSOS. ADMISSIBILIDADE. Só se configura a divergência entre julgados quando existem interpretações diferentes do mesmo dispositivo legal aplicado a situações semelhantes. Recurso especial não conhecido (GRIFEI) (Acórdão CSRF/0202.128, Relator: conselheiro Antonio Carlos Atulim) Ademais, não se verifica, no precedentes citado, a perfeita similitude fática entre as hipóteses confrontadas, posto que o acórdão recorrido trata de ausência pagamento mensal do imposto de renda de pessoa física (carnêleão), enquanto o acórdão paradigma trata de falta de recolhimento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido. Portanto, acórdão que trate de exigência de multa isolada, de forma concomitante com a multa de ofício, cuja matéria fática refirase a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de ofício, cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física. Confirase, nesse sentido, o seguinte precedente desta Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL – INEXISTÊNCIA – RECURSO NÃO CONHECIDO – É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, . II, da Lei nº 9.430, de 1996. (Rec. Especial nº 102151.750, acórdão nº 920200.136, Relator conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva) Isto posto, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 22 de setembro de 2009 Elias Sampaio Freire Fl. 377DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Destarte, como está claro que a divergência e o acórdão não deram interpretação divergente a dispositivo legal idêntico, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela nobre Fazenda Nacional. É como voto. Marcelo Oliveira (Assinado digitalmente) Fl. 378DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 37317.003798/2005-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição do recurso especial é de 15 dias da data da ciência da decisão de segunda instância. Não observado o preceito, não se conhece do recurso por intempestivo.
Recurso especial não conhecido
Numero da decisão: 9202-001.292
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por ser intempestivo.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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