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Numero do processo: 13804.001841/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. INEXISTÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ERRO ESCUSÁVEL. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. AFASTAMENTO. POSSIBILIDADE.
Caracterizado nos autos erro escusável na apresentação de Declaração de Ajuste Anual, bem assim inexistência de obrigatoriedade de apresentação, não há de se falar de multa por atraso na entrega, restando improcedente o respectivo lançamento, com o consequente cancelamento da Declaração de Ajuste Anual a este vinculada.
Numero da decisão: 2402-007.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para desconstituir integralmente o lançamento, com o consequente cancelamento da Declaração de Ajuste Anual - Exercício 2007 - a ele vinculada, e o restabelecimento da Declaração Anual de Isento - DAI 2007 - apresentada anteriormente pelo Recorrente.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 IRPF. INEXISTÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ERRO ESCUSÁVEL. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. AFASTAMENTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado nos autos erro escusável na apresentação de Declaração de Ajuste Anual, bem assim inexistência de obrigatoriedade de apresentação, não há de se falar de multa por atraso na entrega, restando improcedente o respectivo lançamento, com o consequente cancelamento da Declaração de Ajuste Anual a este vinculada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para desconstituir integralmente o lançamento, com o consequente cancelamento da Declaração de Ajuste Anual - Exercício 2007 - a ele vinculada, e o restabelecimento da Declaração Anual de Isento - DAI 2007 - apresentada anteriormente pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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INEXISTÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ERRO ESCUSÁVEL. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. AFASTAMENTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado nos autos erro escusável na apresentação de Declaração de Ajuste Anual, bem assim inexistência de obrigatoriedade de apresentação, não há de se falar de multa por atraso na entrega, restando improcedente o respectivo lançamento, com o consequente cancelamento da Declaração de Ajuste Anual a este vinculada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para desconstituir integralmente o lançamento, com o consequente cancelamento da Declaração de Ajuste Anual Exercício 2007 a ele vinculada, e o restabelecimento da Declaração Anual de Isento DAI 2007 apresentada anteriormente pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 18 41 /2 00 8- 96 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13804.001841/200896 Acórdão n.º 2402007.425 S2C4T2 Fl. 44 2 convocada), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 31/33) em face do Acórdão n. 17 29.578 11ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II DRJ/SPOII (efls. 22/25), que julgou improcedente a impugnação (efl. 02), apresentada em 23/04/2008, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante a Notificação de Lançamento de Multa por Atraso na Entrega de Declaração (MAED) no valor total de R$ 165,74 (efl. 06). Cientificado do teor da decisão de piso em 19/10/2009 (efl. 28), o impugnante, agora Recorrente, interpôs recurso voluntário em 21/10/2009, reclamando pela nulidade do lançamento em virtude de erro material escusável consubstanciado na transmissão equivocada da Declaração de Ajuste Anual Exercício 2007 (quando já havia transmitido a Declaração Anual de Isento DAI 2007) informando os rendimentos do AC 2007, utilizando o Programa Gerador de Declaração (PGD) do Exercício 2007, que baixara antes do PGD do Exercício 2008 para a transmissão da Declaração de Ajuste Anual Exercício 2008. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Passo à análise. Da análise dos autos, verificase que o Recorrente transmitiu Declaração de Ajuste Anual Exercício 2007 AC 2006 (efls. 09/11) quando já havia transmitido a Declaração Anual de Isento DAI 2007 com as informações de rendimentos do AC 2007, conforme se observa dos comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte (efls. 04/05) e DIRF (efls. 18/19). O equívoco se deu ao transmitir a Declaração de Ajuste Anual Exercício 2008 na data de 19/04/2008 utilizando o respectivo Programa Gerador de Declaração (PGD), na oportunidade na qual fez, também, por engano, o download do PGD do Exercício 2007, preenchendo as informações de rendimentos do anocalendário 2007 (a serem informados na DAA Exercício 2008), transmitindo indevidamente a DAA Exercício 2007, que se sobrepôs à DAI 2007 anteriormente transmitida. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13804.001841/200896 Acórdão n.º 2402007.425 S2C4T2 Fl. 45 3 Verificase nos autos que, no anocalendário 2006 o Recorrente recebeu rendimentos na ordem de R$ 11.111,54, conforme informa a fonte pagadora Vanguarda Segurança e Vigilância Ltda., e no anocalendário 2007 recebeu da mesma fonte pagadora rendimentos de R$ 15.849,54. Nesse contexto, ao transmitir a Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2008, o Recorrente utilizou com as respectivas informações do anocalendário 2007, quais sejam, de R$ 15.849,54, não havendo equívoco nesse procedimento. Todavia, utilizou também as mesmas informações do AC 2007 e transmitiu indevidamente a DAA Exercício 2007 anocalendário 2006, mediante o PGD 2007, que baixara antes do PGD 2008. E desse erro de fato incorreu a constituição do lançamento de MAED no valor de R$ 165,74 em virtude da apresentação extemporânea da Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2007, ora em litígio. Ocorre que o limite da faixa de isenção de IRPF para o Exercício 2007 AC 2006 é de R$ 14.992,32, enquanto que para o Exercício 2008 anocalendário 2007 é de R$ 15.764,28. Desta forma, considerandose os rendimentos do anocalendário 2006 (R$ 11.111,54), o Recorrente está abaixo do limite da faixa de isenção, do que decorre que não estava obrigado a apresentar Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2007, tanto assim que apresentara em momento anterior Declaração Anual de Isento DAI 2007 (efl. 37). A instância de piso, ao apreciar a impugnação, entendeu que o impugnante, agora Recorrente, não informou os rendimentos da dependente portadora do CPF n. 132.100.20841, referentes ao AC 2006, no valor de R$ 8.936,47 e assim estaria realmente obrigado a apresenta a DAA Exercício 2007. Ocorre que a dependente (CPF 132.100.20841) a qual se refere a decisão recorrida foi informada na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2006 anocalendário 2005 apresentada em 27/04/2006 (efls. 14/16) inclusive com os respectivos rendimentos recebidos naquele anocalendário oportunidade em que o Recorrente optou pelo formulário completo de IRPF. Entretanto, na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2007 ano calendário 2006, o Recorrente, mesmo preenchendoa erroneamente com as informações do anocalendário 2007, optou pelo formulário simplificado, e, no mesmo Exercício (2007), a referida dependente (CPF 132.100.20841) apresentou Declaração Anual de Isento DAI 2007 (efl. 36). É dizer, não há relação entre as duas declarações, nem muito menos de se falar dos rendimentos da dependente (CPF 132.100.20841) na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2007 anocalendário 2006 do Recorrente. Nessa perspectiva, resta evidenciado que no Exercício 2007 AC 2006 o Recorrente não se encontrava obrigado a apresentar Declaração de Ajuste Anual, e, assim sendo, caracterizado erro escusável na apresentação, conforme bem circunstanciado nos autos, não há de se falar de multa por atraso na entrega da declaração (MAED), havendo por Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13804.001841/200896 Acórdão n.º 2402007.425 S2C4T2 Fl. 46 4 improcedente o respectivo lançamento, com o consequente cancelamento da Declaração de Ajuste Anual Exercício 2007 a este vinculada, e o restabelecimento da Declaração Anual de Isento DAI 2007 apresentada anteriormente pelo Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento para desconstituir integralmente o lançamento, com o consequente cancelamento da Declaração de Ajuste Anual Exercício 2007 a ele vinculada, e o restabelecimento da Declaração Anual de Isento DAI 2007 apresentada anteriormente pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.729136/2017-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-001.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
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DEDUÇÃO. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 91 36 /2 01 7- 32 Fl. 107DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 05/10) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013, onde se apurou: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública e Dedução Indevida de CarnêLeão. A contribuinte apresentou Impugnação parcial (efls. 03/04, 19/21), a qual foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/FOR (efls. 61/70). Cientificada do acórdão de primeira instância em 09/05/2018 (efls. 74), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 07/06/2018 (efls. 78/81) com os argumentos a seguir sintetizados. Expõe que trouxe no bojo de sua impugnação a condenação ao pagamento de 2 salários mínimos a título de pensão alimentícia aos netos, filhos do seu primogênito, Décio Thoni Júnior. O processo tramitou sob o número 2440/2002 na 1ª Vara Cível de Campinas. Em 2ª instância, girou sob o número 405.9284/200. Explica que a glosa parcial questionada restou acerca do valor de R$ 7.464,00 referente a outra Ação de Alimentos, processo nº 713/2005, que tramitou perante a 1ª Vara de Família e Sucessões da Comarca de Campinas. Em tal feito, fora realizado um acordo ao qual a contribuinte comprometerase a pagar, durante 100 meses, 1 salário mínimo mensal aos netos, além dos 2 salários mínimos aos quais já havia sido condenada. Tal acordo foi devidamente juntado aos autos administrativos, porém, a Autoridade Fazendária o considerou inválido em virtude da ausência da homologação judicial. Alega que, uma vez que trouxe aos autos a notícia do acordo judicial para pagamento dos alimentos, a Fazenda Nacional poderia buscar meios de verificar a veracidade do documento através da expedição de um simples ofício à Vara Julgadora. No entanto, aduz que foi possível o desarquivamento do processo judicial e que, com grande custo, conseguiu cópia da sentença homologatória que junta nesta oportunidade. Conclui que não houve glosa no valor de R$ 7.464,00 referente a outra Ação de Alimentos (processo nº 713/2005), mas sim desconto legal pelo acordo realizado nos autos. Tal valor confirmase pela multiplicação dos meses pagos no exercício (12) pelo valor do salário mínimo à época (R$ 622,00). Ao analisar o Recurso Voluntário, este Conselho converteu o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem juntasse ao presente processo a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013 objeto do lançamento (efls. 90/104). Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10830.729136/201732 Acórdão n.º 2002001.109 S2C0T2 Fl. 108 3 O litígio a ser analisado recai somente sobre a glosa da dedução de pensão alimentícia de R$ 7.464,00 contestada pela recorrente. Sobre o assunto, impõese observar inicialmente que somente pode ser deduzido na Declaração de Ajuste Anual o valor pago a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família decorrente de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A do Código de Processo Civil, nos termos do art. 4º, II, da Lei 9.250/95, alterado pela Lei 11.727/08. As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. No caso em tela a contribuinte declarou a pensão alimentícia de R$ 22.392,00 para Débora Regina Manzan e de R$ 3.732,00 para Keila Cristina do Nascimento (efls. 96). A autoridade lançadora glosou a parcela de R$ 11.196,00 por considerar comprovado apenas o montante de R$ 14.928,00 correspondente aos 2 salários mínimos mensais fixados em sentença judicial (efls. 07). Conforme se extrai do relatório do acórdão recorrido (efls. 61/70), a interessada contestou em sua Impugnação apenas o valor de R$ 7.464,00 referente à pensão alimentícia declarada para Débora Regina Manzan, o qual corresponderia ao acréscimo de 1 salário mínimo mensal estipulado na Ação de Alimentos nº 713/2005. O julgamento de primeira instância manteve a glosa devido à ausência de sentença homologatória nos autos, cabendo destacar os seguintes excertos do voto condutor: A defesa argumentou que teve reconhecida pela própria autoridade fazendária a condenação ao pagamento de 2 salários mínimos à título de pensão alimentícia aos netos, filhos do seu primogênito, Décio Thoni Júnior. O processo tramitou sob o número 2440/2002 na 1ª Vara Cível de Campinas e em 2a instância girou sob o número 405.9284/200 (fls. 14/18). Acrescentou que a contribuinte teve contra si outra Ação de Alimentos processo número 713/2005, que tramitou perante a 1ª Vara de Família e Sucessões da Comarca de Campinas. Em tal feito, fora realizado um acordo ao qual a contribuinte se comprometera a pagar durante 100 (cem) meses, 1 salário mínimo mensal aos netos — alem dos dois ao qual já havia sido condenada. Afirmou que essa informação consta na petição do acordo juntada ao expediente, com respectivo protocolo. Que por isso é legal a dedução de R$ 7.464,00 (sete mil, quatrocentos e sessenta e quatro reais). Fundamentou que os pagamentos realizados à título de pensão alimentícia são de R$ 1.866,00 (hum mil oitocentos e sessenta e seis reais) sendo dois salários (R$ 1.244,00) referente ao processo n° 2440/2002 e um salário (R$ 622,00) referente ao acordo realizado no processo 713/2005. [...] Da análise dos documentos apresentados, verificase que a contribuinte não comprovou sua condição de alimentante para fins de dedução do imposto de renda, pois apresentou apenas a petição inicial da Ação de Alimentos processo número 713/2005 (fl. 13), que tramitou perante a 1ª Vara de Família e Fl. 109DF CARF MF 4 Sucessões da Comarca de Campinas. Não consta dos autos a sentença homologatória. Portanto deve ser mantida a glosa da dedução de R$ 7.464,00. Verificase, contudo, que em seu Recurso Voluntário a contribuinte apresentou, além do acordo já apreciado pelo Colegiado a quo, a homologação do mesmo realizada em 2008 pelo Juiz de Direito da 1ª Vara de Família e Sucessões da Comarca de Campinas SP, restando suprida a pendência apontada na decisão de piso (efls. 82/84). Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento para restabelecer a dedução de pensão alimentícia em litígio de R$ 7.464,00. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901221/2008-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2001
RECURSO ESPECIAL. CONVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando o acórdão paradigma e o recorrido convergem em não permitir que seja deferida a restituição de tributo retido e exigir que a retenção sofrida seja confrontada com o montante bruto devido ao final do período de apuração, para dedução.
Numero da decisão: 9303-008.770
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando o acórdão paradigma e o recorrido convergem em não permitir que seja deferida a restituição de tributo retido e exigir que a retenção sofrida seja confrontada com o montante bruto devido ao final do período de apuração, para dedução. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de pedido de compensação, em PER/DCOMP eletrônico que restou denegado em Despacho Decisório Eletrônico, da DRF em Florianópolis SC, em razão da não confirmação da existência do crédito informado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 12 21 /2 00 8- 08 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10983.901221/200808 Acórdão n.º 9303008.770 CSRFT3 Fl. 0 2 Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual informa que sofreu retenção, por parte de órgão público, de tributos (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) na fonte, mas não deduziu esses créditos ao final do período de apuração. Pretendendo efetuar compensação dos valores pagos a maior, realizou diligência pela qual verificou a existência de valores passíveis de utilização, forte no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Assim, requer o reconhecimento do direito creditório bem como a reforma do despacho decisório. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ, que afirmou que a contribuinte não poderia "ter se valido da DCOMP para se aproveitar dos valores retidos, sem antes recompor formalmente os registros e declarações nos quais apurou e declarou os valores devidos e a pagar relativos às contribuições objeto das retenções e aos períodosbase a que pertencem". Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, no qual afirma, em resumo que: (a) nunca utilizou os valores retidos para compensação; (b) a retenção sofrida equivale à pagamento; e (c) não é razoável deixar de homologar compensação sob o fundamento de inadequação do procedimento. Em apreciação do recurso voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, decidiu converter o julgamento em diligência, para que a DRF de origem, em face das informações prestadas pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade e recurso voluntário, se manifestasse novamente sobre o pedido da interessada, após verificar se houve retenção e não foi aproveitado o valor para dedução do devido ao fim do período de apuração. Após a realização da diligência, os autos seguiram para julgamento do recurso voluntário na mesma Turma da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3401002.036, que tem a seguinte ementa: PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. RETENÇÃO NA FONTE FEITA POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO LEGAL DO VALOR DEVIDO NÃO EXERCIDA. CARACTERIZAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO PAGAMENTO E NÃO DA RETENÇÃO. Caracterizase como “pagamento indevido ou a maior” a parcela correspondente ao valor da retenção na fonte feita por órgão publico sobre o valor das receitas auferidas, retenção essa que, por lapso da empresa que sofreu a retenção, deixou de ser utilizada na época correspondente para reduzir o valor da contribuição devida. De outra parte, a atualização monetária do valor reconhecido como pago a maior deve levar em conta a data do “recolhimento/pagamento” da contribuição, e não a data em que houve a retenção. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10983.901221/200808 Acórdão n.º 9303008.770 CSRFT3 Fl. 0 3 Nessa decisão, o colegiado reconheceu a ocorrência da retenção e seu não aproveitamento, porém, caracterizou o indébito apenas ao final do período de apuração (e não no momento da retenção). Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, para rediscutir a questão do indébito do tributo referente à retenção sofrida. Tomando por base o acórdão paradigma nº 180500.013, o Procurador afirma que somente com a dedução do valor da retenção sofrida, ao final do período de apuração, após a apuração da base de cálculo do tributo e do valor bruto devido é que se pode verificar a ocorrência de indébito, referente a saldo negativo do tributo. O então Presidente da 4ª Câmara, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, deu seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões da contribuinte Cientificada dos acórdãos exarados pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional e do seu despacho de admissibilidade, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, na qual questiona a interpretação da legislação apresentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pede que seja negado provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.768, de 13 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10983.901111/200838, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.768): "Conhecimento O recurso especial de divergência é tempestivo, contudo dele não conheço. Ocorre que tanto a decisão recorrida quanto o paradigma convergem em não permitir que seja deferida a restituição de tributo retido e exigir que a retenção sofrida seja confrontada Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10983.901221/200808 Acórdão n.º 9303008.770 CSRFT3 Fl. 0 4 com o montante bruto devido ao final do período de apuração, para dedução. Somente no caso de a retenção ser superior ao valor devido é que surgiria um saldo negativo passível de caracterizar indébito, para fins de repetição. O recálculo havido na diligência que levou à decisão recorrida corrobora isso. Sendo assim, não há divergência comprovada no recurso especial da Procuradora e por essa razão ele não deve ser conhecido. Conclusão Por todo o exposto, não conheço do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.732024/2017-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Ano-calendário: 2013,2014
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. ÔNUS DA PROVA.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. Direito parcialmente comprovado. O ônus da prova incumbe ao autor.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS.
As parcelas não integrantes do salário-de-contribuição estão disciplinadas em rol taxativo no § 9°, do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de 1/3 de férias. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos.
RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTIGOS 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ARTIGO 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO.
O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62 do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, trânsito que não se verifica para o citado REsp.
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
A Administração Pública subsome-se integralmente à prescrição Legal. A atividade administrativa de lançamento, legalmente prevista, é vinculada e obrigatória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA.
Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-005.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à compensação do crédito de R$ 618.239,12 na compensação de contribuições previdenciárias da competência 10/2014, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Fernanda Melo Leal e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento integral ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 2013,2014 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. ÔNUS DA PROVA. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. Direito parcialmente comprovado. O ônus da prova incumbe ao autor. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. As parcelas não integrantes do salário-de-contribuição estão disciplinadas em rol taxativo no § 9°, do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de 1/3 de férias. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTIGOS 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ARTIGO 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62 do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, trânsito que não se verifica para o citado REsp. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A Administração Pública subsome-se integralmente à prescrição Legal. A atividade administrativa de lançamento, legalmente prevista, é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à compensação do crédito de R$ 618.239,12 na compensação de contribuições previdenciárias da competência 10/2014, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Fernanda Melo Leal e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento integral ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 2013,2014 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. ÔNUS DA PROVA. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. Direito parcialmente comprovado. O ônus da prova incumbe ao autor. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. As parcelas não integrantes do salário-de-contribuição estão disciplinadas em rol taxativo no § 9°, do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de 1/3 de férias. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTIGOS 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ARTIGO 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62 do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, trânsito que não se verifica para o citado REsp. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 20 24 /2 01 7- 73 Fl. 304DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 A Administração Pública subsome-se integralmente à prescrição Legal. A atividade administrativa de lançamento, legalmente prevista, é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à compensação do crédito de R$ 618.239,12 na compensação de contribuições previdenciárias da competência 10/2014, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Fernanda Melo Leal e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento integral ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls 266/298), interposto contra o Acórdão 06- 62.010 - 7 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR – DRJ/CTA (e-fls. 234/242), que considerou improcedente, por unanimidade de votos, Manifestação de Inconformidade da contribuinte em face de Despacho Decisório que não reconheceu o direito pretendido a compensações previdenciárias efetuadas através de GFIP das competências 01 a 03/2013 e 10/2014. 2. A seguir reproduz-se, em sua essência, o relatório do Acórdão da DRJ/CTA, por retratar adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) O valor compensado indevidamente totaliza a importância de R$4.905.439,36. (...) No Despacho Decisório de fls.116 a 126 temos que: "As compensações informadas em GFIP pela Johnson & Johnson tem como origens: o entendimento da não incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos aos seus Fl. 305DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 funcionários de 1/3 sobre férias gozadas em razão, principalmente, de decisão julgada no STJ; a correção do FAP utilizado nas GFIP do ano de 2.011, resultando em créditos, e o entendimento de que a Receita Federal aplicou multa indevida à empresa quando da transmissão de GFIP retificadoras do mês fevereiro/2013, diminuindo os créditos informados nas GFIP de seus estabelecimentos. (...) O terço constitucional de férias tem legal incidência de contribuição previdenciária nos termos do art. 28, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991, já que ostentam natureza salarial. As verbas que não integram o salário-de-contribuição estão relacionadas no artigo 28, § 9°, letras “a” a “y”, também da Lei n° 8.212, de 1991, e o terço de férias não consta do rol. Assim, não se tratam de créditos líquidos e certos como determina o Código Tributário Nacional. (...) A compensação efetuada no mês de outubro/2014 baseia-se na alegação da empresa de se referir a multa aplicada pela Receita Federal, originada de retificações nas GFIP, transmitidas em 25/11/2013, da competência fevereiro/2013. Os recolhimentos que originaram o valor compensado foram feitos através das seguintes Guias da Previdência Social – GPS quitadas em 30/01/2014 e atualizadas pela Selic até outubro/2014 para compensação: (...) Através da ordem cronológica de GFIP transmitidas e GPS recolhidas verifica-se que houve transmissão de GFIP no prazo legal, sem valores no campo “compensação”. Transmitidas retificadoras, em 29/06/2013, com compensações na matriz e filiais. No dia 25/11/2013 foram transmitidas novas retificadoras informando compensação com menor valor na matriz, e zerando as das filiais. Houve pagamento, em 18/11/2013 de GPS com valores inferiores às diferenças surgidas com as GFIP retificadoras de 25/11/2013. Estas diferenças foram recolhidas nas GPS no dia 30/01/2014, não restando débitos para a competência fevereiro/2013. Dessa forma ficou entendido que as GPS da competência fevereiro/2013 utilizadas para apurar a compensação de outubro/2014 são recolhimentos de contribuições devidas à Previdência Social informadas em GFIP, e conclui-se, que a compensação feita em outubro/2014 é indevida, cabendo à fiscalização glosá-la." (...). (...), a empresa apresentou manifestação de inconformidade tempestiva alegando em síntese que: Socorrendo-se em julgado do STJ (RE 1.230.957/RS - Tema 737) defende a não incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre a rubrica "Terço de Férias", pois sua natureza seria indenizatória/compensatória. (...) Afirma ainda que o STJ já reconheceu a não incidência no rito do art.1.036 do Código de Processo Civil vigente. Cita o Regimento do CARF, art.62, §2º, e aduz que os conselheiros devem reproduzir em seus julgados as decisões proferidas pelo STJ ou pelo STF na sistemática dos recursos repetitivos e da repercussão geral. Assim, pede a homologação de sua compensação que se refere aos créditos das contribuições previdenciárias que incidiram indevidamente sobre o Terço de Férias. Discorre, ainda, sobre o princípio da Proteção da Confiança na defesa dos interesses individuais e sobre a Segurança Jurídica e conclui que terá prejuízos imensos em decorrência da não homologação de suas compensações. Alternativamente, pede que se suspenda a análise e julgamento em tela em obediência aos artigos 313 e 1.037 do Código de Processo Civil, pois resta pendente o final do STF sobre o tema (RE 593.068) que repercutirá diretamente na análise das compensações em pauta. Fl. 306DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 Quanto ao crédito compensado em 10/2014, esclarece que se trata de pagamento indevido de Multa de Mora, conforme se observa das cinco GPS recolhidas em 30/01/2014 no total de R$618.239,22, anexadas ao processo. Explica que as multas recolhidas seriam decorrentes de recolhimentos intempestivos, relativos à competência 02/2013, da matriz e de 4 filiais da empresa, uma vez que tais recolhimentos efetuados em novembro de 2013 diziam respeito apenas ao montante do tributo e dos juros. Entende que as Multas de Mora eram indevidas no caso, pois a requerente apurou e recolheu os valores em aberto antes de qualquer procedimento fiscal. Assim, teria ocorrido a denúncia espontânea nos termos do art.138 do CTN. Esclarece que, posteriormente aos pagamentos, efetuou as correções nas GFIP de modo a refletir sua quitação. Todavia, em janeiro de 2014, obteve restrição para obtenção da CND justamente pela falta da multa de mora nos recolhimentos efetuados em 18/11/2013. Aduz que, como não poderia ficar sem CND, optou por efetuar o recolhimento das referidas Multas de Mora em 30/01/2014, mesmo ciente de que as multas não eram devidas. Assim, tendo como certos que os valores recolhidos eram indevidos, a Requerente atualizou os valores e efetuou a compensação na GFIP de outubro de 2014, no valor de R$ 719.815,91. Quanto à análise do crédito efetuada no Despacho Decisório, explica as retificações promovidas em suas GFIP de 02/2013 e conclui que a Autoridade Fiscal não apurou quais os valores que deixaram de ser recolhidos. A fiscalização apenas concluiu que os valores dos recolhimentos complementariam supostos recolhimentos a menor de principal, multa e juros na competência de fevereiro de 2013. Alega que na GPS, o campo da multa é o mesmo dos juros (Campo 10 - ATM/Multa e Juros) e que tal impedimento sistêmico não pode desnaturar a origem indevida que é a multa de mora indevida em razão da denúncia espontânea. Reafirma, então, que os créditos compensados em 10/2014 são existentes, líquidos e certos e devem ser acatados e pede a homologação de sua compensação de 10/2014. Socorre-se no princípio da Verdade Material e alega que a conclusão do Fiscal de que os valores recolhidos em 30/01/2014 se referem à complementação dos montantes devidos não pode prevalecer, pois é contrária às explicações e documentos juntados pela empresa. Por fim, requer o recebimento, conhecimento e integral provimento de sua Manifestação e a homologação de suas compensações realizadas em 01/2013, 02/2013, 03/2013 e 10/2014. É o relatório. 3. Destaquem-se também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/CTA: Voto Inexistência de Crédito Passível de Compensação - Compensação efetuada em 10/2014: Inicialmente, interessante citar o art.170 do CTN que estabelece que: (Transcreve o artigo citado) (...) Assim, não se homologa compensação alicerçada em crédito não comprovado, porquanto a certeza e liquidez do crédito é condição imposta pelo CTN (art. 170) aos créditos aproveitados pelo sujeito passivo na compensação, devendo a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados. No caso, como bem explicado pela Autoridade Fiscal, (...): "Quando se compara os valores devidos à previdência, informados nas GFIP, com as GPS recolhidas, constata-se que as GPS apontadas com direito ao crédito informado em Fl. 307DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 outubro/2014, são partes no recolhimento devido pela Johnson & Johnson no mês de fevereiro/2013." (...) Cabe esclarecer sobre a citada análise detalhada que resta evidente que, levando-se em conta as GFIP retificadoras vigentes e todos os recolhimentos, há apenas diferenças de pequena monta (totalizando R$ 844,56) em algumas das filiais da empresa o que, nem de longe, justifica a compensação efetuada no valor de mais de R$700.000,00. Por outro lado, entendo dispensável no caso em pauta a análise sobre o recolhimento supostamente indevido referente à multa de mora após denúncia espontânea, pois mesmo considerando o total recolhido nas GPS (principal + juros + multa), como foi feito pela Autoridade Fiscal, ainda assim não há saldo em favor do contribuinte para justificar a compensação efetuada. Ademais, cabe deixar claro que encontra-se equivocado o entendimento do contribuinte de que poderia promover recolhimentos em atraso sem incidência de multa de mora, por estar ao abrigo da denúncia espontânea. Isso porque o artigo 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, e o artigo 61 da Lei n.º 9.430/1996 assim dispõe sobre os recolhimentos em atraso: (transcreve a legislação citada) É de se mencionar, também, que, nos termos do art. 138 do CTN, a todo contribuinte que denuncia de forma voluntária uma infração à legislação tributária, seria dado ver excluída a sua responsabilidade pela violação praticada, afastando-se a aplicação das sanções, acaso cabíveis. Entretanto, cabe salientar que isso não autoriza a interpretação de que seria indevido o pagamento da multa moratória, pois essa multa não se constitui em pena por infração à legislação tributária, não tendo caráter sancionatório, mas sim indenizatório pelo atraso do pagamento. Também é descabida a tese de que a Autoridade Fiscal desnaturou o recolhimento de Multa de Mora por esta se encontrar no mesmo campo dos juros da GPS, como alegou a defesa. Isso porque, como já mencionado, todos os recolhimentos foram somados e confrontados com os valores totais devidos/confessados. Em conseqüência, independente dos códigos dos recolhimentos, não há crédito disponível para compensação da competência em tela. Assim, resta correta a conclusão de que as 5 GPS referentes à competência fevereiro/2013, recolhidas em 30/01/2014, devem ser consideradas recolhimentos em atraso de contribuições efetivamente devidas à Previdência Social, confessadas nas GFIP vigentes referentes à 02/2013. Em conseqüência, a compensação feita em outubro/2014 resta incorreta, pois não existe, de fato, o crédito objeto da referida compensação. Ressalte-se ainda que não há qualquer afronta ao princípio da busca pela Verdade Material. Ao revés, a análise efetuada nas citadas planilhas do Despacho Decisório deixa claro que, a despeito de suposto recolhimento indevido a título de Multa de Mora, não existia crédito em favor do contribuinte na competência 02/2013 no montante compensado. Assim, sem a comprovação da existência, liquidez e certeza do direito creditório, resta correta a glosa promovida. Compensação do Terço de Férias - Impossibilidade: (...) A legislação previdenciária ao definir, com a outorga constitucional, o salário de contribuição, através do Capítulo IX da Lei nº 8.212/1991, dispõe (in verbis): “Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua Fl. 308DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (redação dada pela M P 1.596-14, de 10/11/1997, convertida na Lei 9.528, de 10/12/1997)” (grifo no original) Em função da incontestável abrangência desta definição legal, a própria legislação previdenciária tratou de listar, através do rol exaustivo do parágrafo 9º do citado artigo, as parcelas não incluídas no conceito do “salário-de-contribuição”. Neste sentido, oportuno citar a Solução de Consulta Cosit nº 126/2014: “Em outras palavras, por se tratar de exceção à regra, a interpretação do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, antes transcrito, deve ser feita de maneira restritiva, nunca extensiva, de sorte que, para que determinada vantagem decorrente da relação laboral não integre o salário de contribuição, faz-se necessária a existência de expressa previsão legal.” Vale lembrar que, a teor do que dispõe o artigo 111, do Código Tributário Nacional, em seu inciso II, deve-se interpretar literalmente a legislação tributária que disponha sobre a outorga de isenção. É de se evidenciar, assim, que verbas que não fazem parte do rol § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 integram a base de incidência das Contribuições Previdenciárias. Desta forma, conforme bem explicado no Despacho Decisório, temos que os valores auferidos pelos empregados, a título de terço de férias, tem natureza remuneratória para fins de incidência de contribuição previdenciária patronal nos termos do artigo 28 da Lei 8.212/91, tendo em vista que a legislação não excepciona esta verba/parcela remuneratória. Ademais, ressalte-se que até o presente momento não há nenhuma norma vinculante à RFB que dispense a incidência das contribuições sociais sobre essa verba. Nesse sentido, em 22/08/2017, foi publicado no Diário Oficial da União a Solução de Consulta nº 99.101 – Cosit estabelecendo que: "O entendimento da RFB quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias e primeiros 15 (quinze) dias de afastamento do empregado em razão de doença ou acidente permanece inalterado apesar da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Resp nº 1230957, devendo continuar sendo recolhidas, já que, segundo NOTA PGFN/CRJ/Nº 520/2017, de 8 de junho de 2017, a orientação contida na NOTA PGFN/CRJ/Nº115/2017 não vincula a Secretaria da Receita Federal do Brasil." Assim, resta correta a glosa promovida pela Autoridade Fiscal. Suspensão do Julgamento - Impossibilidade: Por fim, quanto ao pedido de suspensão do julgamento até o resultado final do RE 593.068, pendente no STF, cumpre consignar que tal pedido não pode ser acatado porque não encontra nenhum amparo no Decreto 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal - PAF. Nesse sentido, cabe destacar que o processo administrativo fiscal é regido por alguns princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final, não podendo a autoridade executiva sobrestar sua apreciação na inexistência de impeditivo legal para tanto. Por todo o exposto, julgo a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo o Despacho Decisório nº 374/2017 da SAORT da DRFB de Bauru/SP. É como voto. Recurso Voluntário 4. Inconformada após cientificada da decisão a quo, a ora Recorrente apresentou seu recurso, basicamente repisando seus argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, os quais são extraídos e, em síntese, apresentados a seguir. Fl. 309DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 - apresenta apertada síntese dos fatos ocorridos; - defendendo-se do não reconhecimento de seu crédito para a compensação relativa às competências janeiro a março de 2013, alega que o STF (RE 1.230.957/RS - Tema 737) defende a não incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre a rubrica "Terço de Férias", pois sua natureza seria indenizatória/compensatória. - acrescenta que a verba envolvida nesta lide carece de habitualidade, que não possui caráter remuneratório e que, tão somente, tem natureza indenizatória/compensatória (reproduz a ementa e partes do citado RE do STJ), e que a decisão do STF vincula todos os contribuintes e os órgãos da Administração Tributária; - insurge-se contra o fato de, apesar disso, a DRJ sustentar que entendimento exarado pelo STJ não é definitivo, tendo em vista que se aguarda o julgamento a respeito da constitucionalidade da exigência nos autos do Recurso Extraordinário nº 593.068, com repercussão geral reconhecida, e de a DRJ aplicar ao caso a Solução de Consulta COSIT 99.101/2017; - discorre sobre sua tese de que o adicional de férias gozadas ou indenizadas não deve compor a base de cálculo da contribuição por possuírem natureza indenizatória, e não retributiva, novamente com base na decisão do E. STJ no Recurso Especial nº 1.230.957/RS; - pontua sobre a diferença entre “isenção tributária” e “não incidência”, e como considera que o terço constitucional de férias tem natureza indenizatória, acredita que não há que se falar em hipótese de isenção ao caso, com a respectiva aplicação do artigo 111 do CTN , mas de verdadeira situação de não incidência; - cita o Regimento do CARF, art.62, §2º, e aduz que os conselheiros devem reproduzir em seus julgados as decisões proferidas pelo STJ ou pelo STF na sistemática dos recursos repetitivos e da repercussão geral; - entende que mesmo sem ajuizamento de medida judicial própria, todos os efeitos do julgamento do REsp nº 1.230.957/RS, a ela se aplicam e não admite que o entendimento exarado em Solução de Consulta tenha o condão de respaldar o descumprimento de norma legal; - cita jurisprudência e transcreve ementa de acórdãos deste CARF sobre a verba em questão não ser remuneratória e que já reconheceu o caráter vinculante dos precedentes do STJ e do STF sobre o tema, (Acórdãos nº 2803-004.231, nº 2402-003.569 e nº 2403-002.410); - entende que apesar da matéria permanecer aguardando o julgamento a respeito pelo STF, este pode rever o posicionamento jurisprudencial a qualquer momento, o que não elide o fato do entendimento atualmente em vigor afastar a ocorrência do fato gerador das contribuições sobre o terço de férias, ainda mais que sequer há medida cautelar concedida pelo STF determinando o sobrestamento de processos ou a eficácia desta decisão proferida pelo STJ; - entende que ainda que o STF altere sua jurisprudência atual caberá ao Fisco, a partir da publicação da decisão, cobrar os contribuintes que deixaram de recolher o tributo, respeitado o prazo decadencial para tanto; - discorre ainda sobre o que entende como afronta ao princípio da Proteção à Confiança e da Segurança Jurídica, uma vez que seu crédito não foi reconhecido por não possuir decisão judicial individual e porque a matéria está sendo apreciada pelo STF; - ressalta que tais fundamentos foram simplesmente omitidos no Acórdão recorrido, e solicita então que seja suprida a referida omissão para que em respeito aos princípios Fl. 310DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 da segurança jurídica e da confiança, seja aplicado ao presente caso o entendimento decidido pelo STJ; - nesse sentido, sustenta que há norma jurídica válida e eficaz (decisão proferida pelo STJ em sede de recurso repetitivo), editada com respaldo em outra norma jurídica válida e eficaz (artigo 1.036 do Código de Processo Civil), vinculando a Administração Pública. - através de entendimento doutrinário, defende que comportamentos contraditórios da Administração Pública em matéria tributária, ocasionados pela expectativa de eventual modificação no entendimento anteriormente respaldado na jurisprudência consolidada, não podem vir a causar prejuízos aos contribuintes, citando doutrina que, a seu ver, respalda seus argumentos com base no artigo 100 do CTN; - conclui que terá prejuízos imensos em decorrência da não homologação de suas compensações uma vez que acredita que os créditos são perfeitamente certos e líquidos ; - caso não seja reformado o acórdão recorrido, requer o sobrestamento do processo administrativo para aguardar o trânsito em julgado do recurso extraordinário em questão, e muito embora o Decreto nº 70.235/1972 não disponha expressamente acerca do sobrestamento, este instituto deve ser aplicado aos processos administrativos fiscais de forma subsidiária, em atenção aos artigos 313 e 1.037 do Código de Processo Civil, e cita doutrina nesse sentido; - parte então a discorrer sobre seus motivos do inconformismo com a não homologação da compensação no valor de R$ 719.815,91, relativa à competência de outubro/2014, já que sustenta ter esclarecido à Fiscalização que esta foi realizada com créditos decorrentes do pagamento indevido da multa de mora no valor de R$ 618.239,22, em 30/01/2014, por meio das GPS’s juntadas às fls. 99/103, atualizadas pelo índice de 16,34% relativo à Taxa Selic acumulada do período; - aduz que tal multa seria supostamente devida em razão de recolhimentos realizados em 18/11/2013, relativos à competência de fevereiro/2013, para sua matriz e a quatro filiais, uma vez que os recolhimentos feitos em novembro/2013 diziam respeito apenas ao montante correspondente ao valor principal do tributo, acrescido dos juros de mora; - entende que a multa de mora seria indevida, pois, como apurou os valores em aberto relativos à competência de fevereiro/2013 antes de quaisquer pendências em seu conta corrente e/ou antes de quaisquer procedimentos fiscalizatórios, os recolheu considerando o instituto da denúncia espontânea, autorizada pelo artigo 138 do Código Tributário Nacional; - informa que posteriormente aos pagamentos realizados em 18/11/2013 retificou as GFIP relativas ao mês de fevereiro/2013 na data de 25/11/2013, de modo a refletir a correção realizada e a quitação dos valores devidos de contribuições previdenciárias; - considera que o sistema da Receita Federal não reconheceu os pagamentos realizados em 18/11/2013 com o benefício da denúncia espontânea, razão pela qual, em janeiro/2014, constou óbice à renovação da sua certidão negativa; - explica que, por celeridade, optou por efetuar o recolhimento que considera indevido da multa de mora em 30/01/2014, no valor total de R$ 618.239,22, mediante GPS elaboradas e disponibilizadas por servidor da RFB; Fl. 311DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 - informa então que em outubro/2014 atualizou os montantes recolhidos em 30/01/2014 e os utilizou em compensações de contribuições previdenciárias vincendas no valor integral de R$ 719.815,91; - insurge-se com o fato do Despacho Decisório - DD entender que os recolhimentos realizados em 01/2014, não se referiam à multa de mora e sim a valores a título de principal que ainda estariam em aberto, enquanto entende que as GPS recolhidas em 18/11/2013 são de tributo somado aos juros pelo atraso e as de 30/01/2014 são de multa de mora supostamente incidente sobre o valor principal recolhido em 18/11/2013; - sustenta que enquanto o DD afirma que tais valores recolhidos em janeiro de 2014 complementariam suposto recolhimento a menor de principal, multa e juros, sem apurar quais valores deixaram de ser recolhidos e apenas rejeitando a sua demonstração, da análise das referidas GPS seria possível observar que o valor da multa de mora de 20% não recolhida é idêntico àquele apurado pela RFB a título equivocado de remanescente de principal, corrigido pela Taxa Selic; - nesta seara, sustenta ainda que os valores em aberto corresponderiam a principal apenas no sistema da receita, que recalcularia a diferença decorrente da denúncia espontânea não como multa, mas sim como recolhimento a menor de principal acrescido de multa e juros; - indica que a tabela de GPS recolhidas apresentada no DD estaria equivocada ao desconsiderar a verdadeira natureza do pagamento realizado, levando em conta apenas o que constava indicado na GPS, enquanto o sistema da RFB para gerar GPS permite apenas o preenchimento do campo referente ao principal (campo “6 – VALOR DO INSS”), sendo o campo de juros e multa de mora calculados de maneira automática (campo “10 – ATM/MULTA E JUROS”), e no seu caso o que deveria ser considerado é o valor global e não as indicações nos campos das guias em tela; - para a Recursante, o entendimento da denúncia espontânea não ser capaz de afastar a incidência da multa de mora vai de encontro com a jurisprudência do e. STF que, em sede de repercussão geral, julgou o RE 1.149.022/SP, definindo que em denúncia espontânea a multa de mora estaria excluída (transcreve a Ementa do mesmo), e que as Câmaras Superiores deste CARF já se manifestaram pelo afastamento da multa de mora nos casos de denúncia espontânea (cita e transcreve as seguintes ementas: 1ª Turma da CSRF - Acórdão nº 9101- 001.999, 2ª Turma da CSRF - Acórdão nº 9202-002.571, 3ª Turma da CSRF - Acórdão nº 9303- 003.365); e - seria no seu entender afronta ao Princípio da Verdade Material, citando doutrina, e que o Fisco tem o dever de produzir a “prova primária” contra o contribuinte, antes de determinar qualquer tipo de exigência, com uma fiscalização efetiva das informações contidas na declaração apresentada e o cruzamento destas informações com a documentação fiscal do contribuinte, ofertando a este, também em apreço aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, o direito de previamente se manifestar sobre o assunto (cita decisão da CSRF sobre prova material apresentada na fase recursal, a busca da verdade material, Acórdão nº 03-04.371). 5. Requer, por fim, o recebimento, o conhecimento e o integral provimento do recurso, para reconhecimento dos seus créditos, reformando o Acórdão e o Despacho Decisório, a fim de que sejam integralmente homologadas as compensações realizadas; e subsidiariamente, o sobrestamento do processo administrativo até o trânsito em julgado do RE 593.068. 6. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator. 7. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresenta-se tempestivo. Portanto dele conheço. 8. Preliminarmente, quanto à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos dos Acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” e não "erga omnes ”. 9. Com isso, fica claro que decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas por este Conselho. E mais, tais brilhantes decisões, e mesmo a respeitável e renomada doutrina apresentada, não são normas complementares, apesar de pretendido pela recorrente, como as tratadas o art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras. 10. Nessa toada, vale lembrar que mesmo que o julgado não tivesse analisado cada uma das alegações da recorrente isso não prejudicaria em nada sua validade, pois, como cediço, o julgador não está obrigado a refutar, um a um, todos os argumentos deduzidos pelo recorrente, bastando apreciar com clareza, ainda que de forma sucinta, as questões essenciais ao julgamento, conforme jurisprudência consolidada nas Cortes Superiores (EDcl no AgRg no REsp nº 1.338.133/MG, REsp nº 1.264.897/PE, AgRg no Ag 1.299.462/AL, EDcl no REsp nº 811.416/SP), a qual vem sendo respeitada mesmo após o advento do art. 489 do CPC, a teor do decidido no EDcl no MS 21.315, j. 08/06/2016. 11. Apreciando os motivos do não reconhecimento do crédito pretendido para a compensação relativa às competências janeiro a março de 2013, que teriam sido gerados por recolhimento sob a rubrica "terço de férias" durante o ano calendário 2008, parte-se então para a apreciação do caráter remuneratório ou não desta rubrica, com a apreciação da decisão do STJ sobre o tema e com o desdobramento do cumprimento ou não desta decisão, tendo em vista o art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343 de 09 de junho de 2015. 12. Para aquilatar a construção do convencimento deste julgador, recorre-se a precedente recente, de 30/01/2018, o acórdão 9202-006.464 da 2 a turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, tratando de Recuso Especial do Procurador, cujos trechos da ementa e extrações relevantes do voto transcrevem-se a seguir, com o devido pedido de licença à ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora: Ementa: (...) TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. ART. 214, §4º, DO DECRETO nº 3048/99. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos Fl. 313DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. IMPOSSIBILIDADE DE OBSERVÂNCIA DE DECISÃO DO STJ. AUSÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO. Nos termos art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343 de 09 de junho de 2015, enquanto não transitado em Julgado decisão do STJ acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre um terço de férias, aviso prévio indenizado e 15 primeiros dias do auxílio doença ou auxílio acidente, não se pode afastar regra expressa do Decreto 3048/99 quanto à incidência de Contribuições Previdenciárias. (...) Voto (...) Conforme detalhado acima, os pagamentos excluídos do conceito de salário de contribuição, encontram-se exaustivamente descritos, não competindo ao julgador aumentar seu alcance, ou declarar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de qualquer dos dispositivos da lei 8212/91 e Decreto 3048/90, até que se tenha decisão definitiva acerca do tema, o que no entender desta relatora, dá-se, apenas, com o transito em julgado formal de ação judicial. Vejamos o disposto no art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria 343, de 09 de junho de 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifei) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Vencida a legislação aplicável para definir a incidência de contribuições, bem como os dispositivos regimentais que nos permitem julgar de forma diversa do que encontra-se expresso nas leis que definem o fato gerador de contribuições previdenciárias, passemos a análise de cada um dos temas. Resumidamente, a base do recurso refere-se a incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de terço constitucional de férias, afastamento por auxílio Fl. 314DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 doença/ auxílio acidente, aviso prévio indenizado e retroatividade benigna da multa aplicada. 1/3 de férias: Como esclarecido a matéria conhecida está restrita a discussão acerca da incidência de contribuição social previdência sobre o terço constitucional de férias. Afirma o Recorrente que essa possui natureza indenizatória razão pela qual não comporia a base de cálculo do tributo. Alega que referido entendimento já está pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça por meio da decisão proferida no Resp 1.230.957/RS, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Valendo citar parte do voto proferido pelo Relator, o Ministro Mauro Campbell: 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas" . ... (à legislação colacionada segue imediatamente um novo excerto, transcrito no voto da Conselheira) Nos termos do art. 7º, XVII, da CF/88, os trabalhadores urbanos e rurais têm direito ao gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal. Com base nesse dispositivo constitucional, o Supremo Tribunal Federal firmou orientação no sentido de que o terço constitucional de férias tem por finalidade ampliar a capacidade financeira do trabalhador durante seu período de férias, possuindo, portanto, natureza "compensatória/indenizatória". Além disso, levando em consideração o disposto no art. 201, § 11, da CF/88 — "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei" (parágrafo incluído pela EC 20/98) - pacificou entendimento no sentido de que "somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor sofrem a incidência da contribuição previdenciária" (AgR no AI 603.537/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Eros Grau, DJ de 30.3.2007). No mesmo sentido: AgR no RE 587.941/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Celso de Mello, Dje 21.11.2008; AgR no AI 710.361/MG, 1ª Turma, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 8.5.2009. Cumpre observar que os precedentes do Supremo Tribunal Federal referem-se a casos em que os servidores são sujeitos a regime próprio de previdência. Sem embargo dessa observação, não se justifica a adoção de entendimento diverso em relação aos trabalhadores sujeitos ao Regime Geral da Previdência Social. Isso porque o entendimento do Supremo Tribunal Federal ampara-se, sobretudo, nos arts. 7º, XVII, e 201, § 11, da CF/88, sendo que este último preceito constitucional estabelece regra específica do Regime Geral da Previdência Social. Desse modo, é imperioso concluir que a importância paga a título de terço constitucional de férias possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). Sabemos que a decisão do STJ está sobrestada pelo Recurso Extraordinário nº 593.068/SC, cuja repercussão geral foi reconhecida ("Tema 163 Contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade") e portanto não vincula os julgadores deste Conselho Administrativo de Recurso Fiscais. De toda forma entendo que a mesma traz o entendimento mais apropriado ao caso concreto.(grifado no original) Fl. 315DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 Conforme trecho trazido acima, colacionado em voto de minha relatoria nos autos do PROCESSO 35464.001960/2003-75 de interesse UNILEVER BRASIL LTDA, entendo que não compete a este conselho, afastar a incidência de contribuições sobre um terço de férias. Conforme grifado acima, a decisão do STJ não encontra-se transitado em julgado, já que a decisão encontra-se sobrestada, aguardando a decisão final do STF. Dessa forma, entendo incabível a este conselho aplicar decisão que não se encontre transitada em julgado. Apenas esclareço que, ao contrário das manifestações transcritas nos autos sobre posições dos ministros do STF, a incidência de contribuições previdenciárias sobre o abono de um terço de férias será incluído no salário de benefício do segurado empregado, tendo em vista, que todas as contribuições apuradas em nome do segurado poderão ser utilizadas para cálculo de seus benefícios. Esse fato, tem tratamento diferente em relação aos servidores públicos, basicamente pelo fato de que o cálculo do benefício dos servidores públicos leva em consideração a última remuneração percebida pelo segurado e não o montante de contribuições por ele recolhidas. Dessa forma, entendo que a manifestação dos ilustres ministros em relação aos servidores públicos não traduz necessariamente o posicionamento a ser adotado em relação aos empregados segurados da previdência social. A lei 8212/91, descreve como salário de contribuição: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Por outro lado, o Decreto 3.048/99 faz expressa previsão em relação a incidência de contribuições previdenciárias sobre o valor de um terço de férias, senão vejamos: Art.214. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; II - para os segurados empregado, inclusive o doméstico, e trabalhador avulso, ao piso salarial legal ou normativo da categoria ou, inexistindo este, ao salário mínimo, tomado no seu valor mensal, diário ou horário, conforme o ajustado e o tempo de trabalho efetivo durante o mês. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) §4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o salário-de-contribuição.(grifado no original) No meu entender, apenas após o transito em julgado, poderá este conselho excluir as verbas do adicional de férias da base de cálculo de contribuições previdenciárias, tendo em vista o art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343 de 09 de junho de 2015. (transcreve e grifa novamente o artigo 62) Isto posto, inexistindo transito em julgado que determine a aplicação da decisão do STJ nos termos do art. 62 do RICARF, e considerando a expressa previsão no Decreto Fl. 316DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 3048/99 sobre a incidência de contribuições sobre a verba 1/3 de férias, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. (...) 13. No mesmo sentido, o Acórdão 9202-006.655 da CSRF, Seção de sua Colenda 2 a . Turma, de 21/03/2018, justamente tratando de recurso especial, onde se verifica claramente a abordagem do tema, cujo extrato da Ementa transcreve-se a seguir. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NO ART. 214, §4º, DO DECRETO Nº 3.048/99. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Embora exista decisão do STJ em sede de recurso repetitivo sobre a incidência de contribuição sobre a verba 1/3 de férias, o processo encontra-se em sede de repercussão geral, devendo aguardar o julgamento da matéria com transito em julgado para que se possa excluir a verba do conceito de salário de contribuição. 14. Ainda no mesmo sentido são encontrados votos recentes das Turmas do CARF, como o de número 2201-004.833, de 16/01/2019, cujo excerto da ementa colaciono a seguir: SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. HORAS EXTRAS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. As parcelas não integrantes do salário-de-contribuição estão disciplinadas em rol taxativo no § 9°, do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de horas extras e 1/3 de férias. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62 do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014. 15. Quanto ao julgamento do REsp 1.123.957, em consulta à situação atual do mesmo junto ao site público do STJ verifica-se que o mesmo ainda carece poder ser considerado coisa julgada pois, conforme mui apropriadamente esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, desta mesma Segunda Turma, em seu recentíssimo Acórdão 2202-005.194, Seção de 08/05/2018, tal REsp mantém-se sobrestado, conforme explanado pelo excerto do citado Acórdão abaixo colacionado: Fl. 317DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 (...) Pois bem. De início, afirmo que o alegado Recurso Especial representativo de controvérsia, tido como definitivo pelo contribuinte, em realidade, ainda não fez coisa julgada, prescindindo de atos finais, inclusive, em 03/04/2019, a Insigne Vice- Presidência do STJ proferiu nova decisão no REsp n.º 1.230.957 mantendo o seu sobrestamento. Agora, invocou-se o Recurso Extraordinário n.º 1.072.485 (Tema 985/STF), nestes termos: "Ante o exposto, com fundamento no artigo 1.030, inciso III, do Código de Processo Civil, determino a manutenção do sobrestamento deste recurso extraordinário até a publicação da decisão de mérito a ser proferida pelo Supremo Tribunal Federal a respeito do Tema 985/STF (Recurso Extraordinário 1.072.485/PR) da sistemática da repercussão geral." (...) 16. Portanto, partilho do entendimento acima muito bem esclarecido e fundamentado de que o terço de férias deve ser tributado pela previsão legal ainda vigente, art. 28 caput, I, e §9 o da Lei 8.212/91 (Lei de custeio da Seguridade Social) e art. 214, II, §4º, do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social), uma vez que ainda não há decisão definitiva no Resp 1.230.957/RS, com trâmite sobrestado perante o STJ. Como extremamente pertinente exposto no voto do Acórdão 9202-006464, "apenas após o transito em julgado, poderá este Conselho excluir as verbas do adicional de férias da base de cálculo de contribuições previdenciárias". 17. E este entendimento não denota conflito com o artigo 62 do RICARF, uma vez que o seu § 1º ressalta em sua alínea b), a existência de Decisão definitiva do STJ e do STF, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil 18. Neste diapasão, justifica-se o entendimento da Receita Federal que o terço de férias possui caráter remuneratório e a aplicação pela DRF e pela DRJ da Solução de Consulta COSIT 99.101/2017, até Decisão definitiva. Neste último ponto, como a interessada não possui medida judicial própria que garanta seu entendimento de não incidência sobre a rubrica em lide, realmente deve permanecer o entendimento da DRJ de que os efeitos do REsp nº 1.230.957/RS não a beneficiam até a decisão definitiva. 19. Alcança-se então a alegação recursal de que há afronta aos princípios da Proteção à Confiança e da Segurança Jurídica, mas seu crédito não foi reconhecido pelo princípio, a eles superior, da estrita Legalidade. Ainda não há como considerar a Decisão do STJ sobre o tema como norma jurídica válida e eficaz, pela ausência da Decisão definitiva. 20. Assim, enquanto não há decisão definitiva do STJ e como a interessada não possui decisão judicial individual sobre o tema, o art. 28 caput, I, e §9 o da Lei 8.212/91 e o art. 214, II, §4º, do Decreto 3.048/99, sob vigência, devem ser aplicados pelos agentes públicos aqui envolvidos. É postura também determinada pelo Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, em seu 142, § único, abaixo transcrito: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.(grifei) Fl. 318DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 21. Quanto ao sobrestamento do presente Processo Administrativo, a própria recorrente já elucida a impossibilidade na sua peça recursal, ao lembrar que, em suas próprias palavras, "...embora o Decreto nº 70.235/1972 não disponha expressamente acerca do sobrestamento...". O processo administrativo rege-se estritamente dentro do determinado pelo citado Decreto, inexistindo a aplicação subsidiária de mecanismos previstos em outros diplomas legais para suprir os interesses dos contribuintes. 22. Não deve então ser reformado o Acórdão da DRJ no que tange ao não reconhecimento do crédito pretendido e a consequente não homologação da compensação relativa às competências janeiro a março de 2013. 23. Discorre-se a seguir sobre a análise da não homologação da compensação relativa à competência de outubro de 2014, com o crédito pretendido gerado com o recolhimento de GPS em janeiro/2014, originado, segundo a contribuinte, por divergência de entendimento entre ela e a Fazenda, sobre a forma de quitação dos valores de contribuição social devida em fevereiro de 2013. 24. Para a contribuinte, não caberia multa de mora relativa a contribuições pagas em atraso relativas à competência fevereiro/2013, uma vez que entende estar sob o resguardo da denúncia espontânea. Esta seria aplicável pois apurou o devido e efetuou o recolhimento antes de qualquer pendência em seu conta corrente e antes de qualquer procedimento fiscalizatório. Os recolhimentos foram realizados em 18/11/2013 e as GFIP retificadoras relativas à competência fevereiro/2013 foram entregues na data de 25/11/2013. 25. Entende que o sistema da Receita Federal não reconheceu os pagamentos realizados em 18/11/2013 com o benefício da denúncia espontânea, assim em janeiro/2014 constou óbice à renovação da sua certidão negativa e, por celeridade, optou por efetuar o recolhimento que considera indevido da multa de mora em 30/01/2014, sendo que agora pretende o reconhecimento deste crédito. 26. O instituto da Denuncia Espontânea é adotado pelo Direito Tributário Pátrio conforme disposto no art. 138 do CTN, que faz referência à multa de ofício, e não à de mora: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 27. Já a multa de mora é prevista no Artigo 61 da Lei 9.430/96, abaixo colacionado e, em princípio, a ora Recursante realmente seria devedora dos valores das multas, impossibilitando o reconhecimento de seu crédito. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 319DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 28. Em sua defesa indica a interessada que o entendimento pelo qual a denúncia espontânea não seria capaz de afastar a incidência da multa de mora vai de encontro com a jurisprudência do e. STF a qual, em sede de repercussão geral, julgou o RE 1.149.022/SP, definindo que em denúncia espontânea a multa de mora estaria excluída, e indica também que as Câmaras Superiores deste CARF já se manifestaram pelo afastamento da multa de mora nos casos de denúncia espontânea (1ª Turma da CSRF - Acórdão nº 9101-001.999, 2ª Turma da CSRF - Acórdão nº 9202-002.571, 3ª Turma da CSRF - Acórdão nº 9303-003.365). 29. Buscando precedentes, pode ser citado o Acórdão 1301-003.691 da 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, da 1ª Seção de Julgamento, de 24/01/2009, paradigma dos Acórdãos 1301-003.692 a 1301-003.3703, que cita em seu bojo o entendimento do STJ no RE 1.149.022/SP. Com a licença do ilustre Conselheiro Relator, Carlos Augusto Daniel Neto, extraio excertos de interesse e os exponho a seguir: Ementa (...) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. (...) Relatório Trata-se de pedido de restituição transmitido pelo contribuinte em epígrafe com vistas a reaver o valor da multa de mora incidente sobre débitos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), objeto de declaração espontânea do contribuinte, anteriormente às atividades fiscalizatórias da Receita Federal, e compensado através de PER/DCOMP. (...) O art. 138 do Código Tributário Nacional determina: (...) Desse modo, passando ao caput, verifica-se que o dispositivo exige: i) a denúncia espontânea da infração acompanhada, se for o caso, do ii) pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Não basta, portanto, que haja apenas o pagamento, ou apenas denúncia da infração através da retificação da DCTF, é preciso que ambos estejam presentes antes que se inicie qualquer procedimento fiscalizatório da infração, para que se verifiquem os efeitos do art. 138 do CTN. O REsp nº 1.149.022/SP, julgado sob a sistemática de Recurso Repetitivo, analisou a hipótese em que o contribuinte, verificando a declaração e pagamento parcial do débito tributário, retifica sua DCTF e, noticiando a diferença a maior, paga concomitantemente o tributo devido.(...) (...) Fl. 320DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 A denúncia a que se refere o art. 138 do CTN é o ato de retificar a declaração de tributos, constituindo o crédito tributário no valor correto. O escopo do dispositivo é premiar aquele que denuncia a infração, poupando esforços da burocracia fiscal, e paga o tributo com juros, evitando custosos procedimentos de cobrança - exige-se, pois, que uma vez retificado crédito, se verifique a sua extinção pelo pagamento. Nos casos em que há a retificação, mas não há o pagamento, na esteira de diversos precedentes da 1ª Seção do STJ, realmente não há que se verificar a ocorrência de denúncia espontânea, pela necessidade do Fisco de perseguir a satisfação do crédito tributário. No presente caso, entretanto, em que o pagamento foi feito anteriormente à retificação, o mesmo é feito em relação à obrigação tributária existente por decorrência do fato gerador e fica na pendência de sua conferência com o crédito tributário constituído. Após a retificação da DCTF, pode a autoridade fiscal constatar se o pagamento efetuado corresponde ao crédito constituído, apurando à partir daí a correção ou não do pagamento antecipado, bem como eventual crédito sobressalente, passível de compensação ou restituição, como no presente caso. Configurada a ocorrência da denúncia espontânea no presente caso, cabe aplicar o REsp 1.149.022/SP no tocante à abrangência do benefício às multas moratórias, como dispõe em sua ementa: "Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte." Nesse ponto, há similitude entre o caso decidendo e o precedente invocado, justificando a sua observância. (...) 30. Pode-se também buscar referências citando o Acórdão 7301-003.715, de 24/01/2019, da 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 1ª Seção, cuja ementa segue no mesmo diapasão: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO ANTERIOR À RETIFICAÇÃO DA DCTF. OCORRÊNCIA. Nas hipóteses em que o pagamento do tributo se deu anteriormente à retificação da DCTF, em procedimento de denúncia espontânea de infração, há que se reconhecer o direito do contribuinte ao benefício, visto que o pagamento é devido em razão da obrigação tributária, nascida com a ocorrência do fato gerador, cabendo à constituição do crédito (por ato do contribuinte ou do fisco) a sua quantificação e o estabelecimento o marco de sua exigibilidade. O art. 138 do CTN exige apenas que ambos, pagamento e retificação, se dêem antes de qualquer medida fiscalizatória em relação à infração denunciada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 31. Por fim, apreciemos o Acórdão referenciado pela interessada, de nº 9202- 002.571, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, prolatado em 06/03/2013, do qual, com a licença do i Relator, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, transcrevo as seguintes passagens: Ementa: Fl. 321DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO, ACRESCIDO DE JUROS DE MORA, MAS NÃO CONFESSADO PREVIAMENTE EM DCTF OU GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DE MULTAS MORATÓRIAS E DE OFÍCIO. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização e em momento anterior à entrega de DCTF, GFIP ou outra declaração que tenha a função de confissão de dívida. Decisão do STJ na sistemática do art. 543C do CPC. Precedentes da CSRF. (...) Voto: (...) A discussão cinge-se a saber se o pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, pago a destempo, em conjunto com os juros de mora, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, exclui a responsabilidade pela multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN, abaixo transcrito: (...) Veja-se a ementa do Recurso Especial nº 1.149.022 SP (2009/01341424), julgado em 09 de junho de 2010, transitado em julgado em 30 de agosto de 2010, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. (...) Assim, se o pagamento a destempo se der após a declaração do débito, não ocorre a denúncia espontânea. Se, ao contrário, o recolhimento se der após o prazo de vencimento, com pagamento do tributo devido e dos juros de mora, e antes da declaração dos débitos, ocorre a denúncia espontânea, excluindo-se as multas de mora e de ofício. Observe-se que o entendimento do STJ decorre do fato de que, se o contribuinte incluiu a dívida em declaração que tem o poder de constituir o crédito tributário, como é o caso da DCTF e da GFIP, nesse momento ele já confessou o débito, não podendo se falar que o pagamento posterior denunciou a dívida espontaneamente. Nesse sentido, o acórdão que nos vincula é expresso, especificamente no terceiro parágrafo de sua ementa, a seguir reproduzida: (...) Assim, não se pode dizer que houve declaração do débito, e o afastamento da denúncia espontânea, se o tributo foi informado em declaração que não funciona como confissão de dívida, e dessa forma não resulta na constituição do crédito tributário. 32. Uma vez que os recolhimentos considerando a denúncia espontânea foram realizados em 18/11/2013 e as GFIP retificadoras relativas à competência fevereiro/2013 foram entregues na data de 25/11/2013 (Tabela do Despacho Decisório e-fls. 124/125), e realmente os sistemas da receita não identificam ou diferenciam pagamentos sem multa de mora em GPS, Fl. 322DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 2202-005.246 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.732024/2017-73 entendo que assiste razão ao contribuinte, que tem direito então ao reconhecimento de seu crédito de R$ 618.239,12, recolhido em 30/01/2014, cf. GPS juntadas a e-fls. 99/103, para utilização na compensação da competência 10/2014. Neste quesito, deve ser alterada a decisão da DRJ. 33. Com a consideração dos fatos efetivamente ocorridos, da Jurisprudência do STJ sobre a questão, e dos Acórdão deste CARF acima colhidos, atendidos estão os princípios da Verdade Material, do Contraditório e da Ampla Defesa, invocados pela contribuinte. 34. No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova, o que foi atendido pela contribuinte para o reconhecimento de seu crédito. 35. Portando, conheço do Recurso com parcial provimento, para reconhecimento do seu crédito de R$ 618.239,12, gerados por recolhimento em 30/01/2014, a serem utilizados na compensação de contribuições previdenciárias da competência 10/2014, reformando parcialmente o Acórdão "a quo", afastando ainda o pedido de sobrestamento do presente processo administrativo. Conclusão 36. Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo o direito à compensação do crédito de R$ 618.239,12 na compensação de contribuições previdenciárias da competência 10/2014. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002989/2009-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR. ARGUIÇÃO DE NULIDADE.
As questões pertinentes à nulidade absoluta do procedimento administrativo de lançamento, tratando-se de questões de ordem pública e cognoscíveis de oficio, podem ser arguidas e conhecidas a qualquer momento e em qualquer grau de jurisdição, não havendo se falar, na hipótese, de preclusão.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
Rejeita-se a arguição de nulidade do lançamento quando comprovada a alteração do mandado de procedimento fiscal, ampliando os limites de fiscalização originalmente definidos originalmente para abarcar a totalidade dos tributos exigidos.
GLOSA DE CUSTOS. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE COMPROVASSEM A EXISTÊNCIA DAS OPERAÇÕES.
Na esteira da jurisprudência deste Conselho, "a dedutibilidade dos dispêndios realizados a titulo de custos e despesas operacionais requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações". Não apresentados documentos hábeis e idôneos para comprovar a existência e efetividade das operações, assim como descortinados indícios de irregularidades e de inidoneidade do fornecedor, é de se manter a glosa de custos.
Numero da decisão: 1103-000.781
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Hugo Correia Sotero
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. As questões pertinentes à nulidade absoluta do procedimento administrativo de lançamento, tratando-se de questões de ordem pública e cognoscíveis de oficio, podem ser arguidas e conhecidas a qualquer momento e em qualquer grau de jurisdição, não havendo se falar, na hipótese, de preclusão. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Rejeita-se a arguição de nulidade do lançamento quando comprovada a alteração do mandado de procedimento fiscal, ampliando os limites de fiscalização originalmente definidos originalmente para abarcar a totalidade dos tributos exigidos. GLOSA DE CUSTOS. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE COMPROVASSEM A EXISTÊNCIA DAS OPERAÇÕES. Na esteira da jurisprudência deste Conselho, "a dedutibilidade dos dispêndios realizados a titulo de custos e despesas operacionais requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações". Não apresentados documentos hábeis e idôneos para comprovar a existência e efetividade das operações, assim como descortinados indícios de irregularidades e de inidoneidade do fornecedor, é de se manter a glosa de custos.
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APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. As questões pertinentes à nulidade absoluta do procedimento administrativo de lançamento, tratando-se de questões de ordem pública e cognosciveis de oficio, podem ser arguidas e conhecidas a qualquer momento e em qualquer grau de jurisdição, não havendo se falar, na hipótese, de preclusdo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Rejeita-se a arguição de nulidade do lançamento quando comprovada a alteração do mandado de procedimento fiscal, ampliando os limites de fiscalização originalmente definidos originalmente para abarcar a totalidade dos tributos exigidos. GLOSA DE CUSTOS. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE COMPROVASSEM A EXISTÊNCIA DAS OPERAÇÕES. Na esteira da jurisprudência deste Conselho, "a dedutibilidade dos dispêndios realizados a titulo de custos e despesas operacionais requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações". Não apresentados documentos hábeis e idôneos para comprovar a existência e efetividade das operações, assim como descortinados indícios de irregularidades e de inidoneidade do fornecedor, é de se manter a glosa de custos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos te os do—re-rarro e voto que integram o presente julgado. Aloysio J1sé ercinio da Silva -.13 t=e- sidente Fl. 155DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09115.O66T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11065.002989/2009-02 81-C11 T3 Acórdão n.° 1103-000.781 Fl. 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Sérgio Fernandes Barroso (Presidente em exercício à época do julgamento), Marcos Shigueo Takata, Hugo Correia Sotero, Andrada Márcio Canuto Nadal e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório A Recorrente formulou pedido de ressarcimento e formalizou declarações de compensação buscando aproveitamento de créditos básicos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) decorrentes de aquisições de insumos realizadas, nos anos de 2005 e 2006, às sociedades INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PEÇAS FPS S/A e METALÚRGICA DAUMER LTDA - ME (optante do SIMPLES). 0 pedido de compensação foi inicialmente analisado pela Delegacia da Receita Federal de Osasco (SP), domicilio fiscal da Recorrente. Intimada a apresentar a documentação comprobat6ria das operações que teriam gerado os créditos reclamados, compareceu a Recorrente à Unidade da Receita Federal consignando que se estabelecimento matriz havia sido transferido para Novo Hamburgo (RS), e, por esse motivo, suscitou a incompetência da Delegacia de Osasco para analisar o pedido. Remetido o processo 6. Delegacia de Novo Hamburgo, em resposta intimação de apresentação dos documentos necessários à verificação da existência dos créditos postulados, informou a Recorrente que "as notas fiscais, juntamente com os comprovantes de pagamento bancário, relativo as notas fiscais relacionadas, não estão disponíveis para apresentação, na medida que tendo sido a matriz neste período localizada na cidade de Osasco/SP estes estão na posse do contador que Id labuta, e que por situações de inconformidades e divergências não logra em devolver a documentação ate solução final do litígio existente envolvendo o mesmo e a empresa". Novamente intimada, informou a Recorrente que "os documentos solicitados por essa Delegacia da Receita Federal foram dados para cumprimento em processo administrativo, qual seja, o de n°. 10.1.07.00-2009-00773". Seguiram-se sucessivas intimações não atendidas pela Recorrente, sendo, em consequência, lavrado o Termo de Intimação/Constatação de fls. 45/46, do qual se extrai: "Existe procedimento de fiscalização em curso em nome do contribuinte acima qualificado, MPFn°. 10.1.07.00-2009-01425- 0, que poderá ser verificado na Internet, mediante a utilização do código de acesso n°. 71620016, na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil. O contribuinte foi intimado diversas vezes, no decorrer desta fiscalização, a apresentar notas fiscais e comprovante de Fl. 156DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09115.O66T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11065.002989/2009-02 S1-(1T3 Acórdão n.° 1103-000.781 Fl. 4 pagamento referente a aquisições do fornecedor INDUSTRIA E COMERCIO DE PECAS FPS S/A — CNPJ91.669.341/0001-00, no valor total de R$2.037.917,40, durante o período de abril/2005 a dezembro/2005. Entretanto, o contribuinte não apresentou nenhum documento à fiscalização. Desta forma, este fornecedor será considerado inidáneo. As compras sera() consideradas indevidas, e, em decorrência, será(ão) glosados o saldo credor de IPI utilizado em compensagão, lançado saldo devedor de IPI e lavrado auto de infração para exigir o recolhimento do IRPJ, CSLL e PIS/COFINS, resultado da glosa de custos, conforme abaixo (valores estimados, eni reais): Tendo em vista que este procedimento esta sendo encerrado, cientificamos o contribuinte sobre o resultado da referida fiscalização, intimando-o a apresentar, se for o caso, dentro do prazo de 05 (cinco) dias, contados a partir da ciência deste termo, eventual manifestação de divergências e/ou documentos fiscais." Permanecendo silente a Recorrente, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 49/55, para exigência dos valores indevidamente compensados, bem como para cobrança de credito tributário pertinente ao Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), exigências estas decorrentes da glosa dos custos das aquisições feitas a INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PEÇAS FPS S/A, declaradas inidôneas pela fiscalização. A Recorrente formalizou impugnação ao lançamento (fls. 85/95), arguindo: (a) em relação ao fornecedor Indústria e Comércio de Peças FPS S/A, em que pese o alegado pela SRF no item 3.1. do Auto de Infração - Glosa de Saldo Credor de IPI,os prejuízos não podem incidir sobre o contribuinte autuado; (b) o fisco alega que o contribuinte não atendeu as intimações e apresentou as notas fiscais, haja vista que, em relação à empresa fornecedora, inexistem movimentações financeiras no ano de 2005; localiza-se em uma sala; segundo seu CNPJ, em 2005, teria vendido apenas A. empresa em questão; e permaneceu dois meses no ano de 2005 sem emitir documento fiscal. Ora as peças encontravam-se em estoque, bem como os moldes eram fabricados pela própria fornecedora, motivo pelo qual restam rebatidos os argumentos supra; (c) o pedido de requisição de documentos se referem A. mais de cinco anos, pelo que a situação pessoal de direito de empresa que fornece mercadorias, não tem o condão de anular crédito fiscal, visto que o dever de fiscalização cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil e não ao contribuinte, não podendo ser imputados ônus a terceiro de boa-fé; (d) a situação relativa à empresa que fornece mercadoria, não tem por si s6, o condão de desconstituir o direito ao crédito tributário existente na escrituração fiscal da impugnante, nem tampouco vedar-lhe a sua correta utilização, em decorrência do o principio legal da finalidade legal, onde o formalismo não impera; (e) todos os demais elementos trazidos e apresentados, deixam verter claro a ocorrência da aquisição e a correição de sua contabilização, desconstituindo qualquer dúvida acerca dos créditos utilizados, devendo ocorrer a compensação, com o aproveitamento de todo o crédito existente. As fls. 109-113 apresentou a Recorrente "complemento" A. impugnação, suscitando a nulidade absoluta do lançamento pertinente aos créditos tributários do IRPJ, 3 Fl. 157DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09115.O66T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11065.002989/2009-02 SI -C 1T3 Acórdão n.° 1103-000.781 Fl. 5 CSSL, PIS e COFINS, ancorada a arguição na afirmação de que o Mandado de Procedimento Fiscal somente outorgava à autoridade lançadora competência para fiscalização pertinente ao IPI. 0 lançamento foi julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre (RS) por acórdão assim ementado: "IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR. PRECLUSÃO. Apresentada a primeira impugnação tempestivamente, a autuada exerceu o seu direito de defesa, não podendo voltar a fazê-lo devido a ocorrência da preclusdo consumativa, ou seja, a consumação do ato processual contestatário. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Afasta-se a preliminar de decadência quando restar comprovado que o lançamento foi efetuado dentro do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador. GLOSA DE CUSTOS. A documentação hábil e idônea relativa ao pagamento do prego das mercadorias adquiridas e aprova do seu efetivo recebimento são fundamentais para a comprovação dos custos registrados na escrituração e aproveitados na apuração do imp sto. MULTAS DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. As multas de oficio são de aplicação obrigatória nos casos de exigência de tributos decorrentes de lançamentos de oficio, não podendo o percentual ser diminuído por falta de previsão legal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS/PASEP, CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL/COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LiOUIDO/CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 130/152, reproduzindo as razões de impugnação. o relatório. 4 Fl. 158DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09115.O66T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11065.002989/2009-02 SI-CIT3 Acórdão n. 0 1103-000.781 Fl. 6 Voto Conselheiro Hugo Correia Sotero Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Analiso, de inicio, a questão da validade do "aditamento" à. impugnação apresentado pela Recorrente para fins de suscitar a nulidade absoluta do lançamento de oficio por desbordamento dos limites de fiscalização estabelecidos no Mandado de Procedimento Fiscal, tema não analisado pela Delegacia de Julgamento ao argumento de ter se operado, na data da apresentação da impugnação original, preclusão consumativa, o que impediria o conhecimento da alegação. Adoto o entendimento, na esteira da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a suscitação de nulidade absoluta, por se tratar de questão de ordem pública, é passível de ser formulada, e conhecida, a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição, não se cogitando, em temas dessa natureza, de preclusão. Mais, em face dos efeitos devolutivo e, principalmente, translativo do recurso voluntário, são trazidas ao órgão de segunda instância todas as questões essenciais ao desenlace do litígio administrativo, mormente aquelas de ordem pública (como é o caso), passíveis de conhecimento e deliberação de oficio. Tenho, neste sentido, como possível a análise e a deliberação da questão da nulidade do lançamento l de oficio por inobservância, pela autoridade lançadora, dos limites estabelecidos no Mandado de Procedimento Fiscal, tema suscitado pela Recorrente no seio de "impugnação complementar". Argumenta a Recorrente ter sido expedido Mandado de Procedimento Fiscal exclusivamente para fins de fiscalização da apuração e recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (In, sendo ilegal a formalização dos lançamentos pertinentes ao IRPJ, CSSL, PIS e COFINS. Observa-se A. fl. 115 que o MPF n° 10.1.07.002009014250 foi alterado em 05/01/2010, tendo sido acrescentado o tributo IRPJ ao procedimento fiscal de fiscalização do tributo IPI, bem como teve sua validade prorrogada até 04 de agosto de 2010. Malgrado tenha se iniciado o procedimento de fiscalização somente para fins de conferência da apuração e recolhimento do IPI, no curso da fiscalização procedeu-se à alteração do mandado de procedimento fiscal para que abarcasse a fiscalização, também, o IRPJ e reflexos. Nestes termos, não há que se falar em nulidade do lançamento. Quanto ao mérito, sustenta a Recorrente que "a situação relativa à empresa que fornece mercadoria, não tem por si só, o condão de desconstituir o direito ao crédito tributário existente na escrituração fiscal da impugnante, nem tampouco vedar-lhe a sua correta utilização, em decorrência do o principio legal da finalidade legal, onde o formalismo não impera". Argumenta, em síntese, ser adquirente de boa-fé das mercadorias fornecidas por INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PEÇAS FPS S/A, e, não tendo o dever de fiscalização da situação do fornecedor, as consequências de eventual inidoneidade deste não poderiam ter reflexo sobre ela, adquirente. 5 Fl. 159DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09115.O66T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11065.002989/2009-02 S1 -CI T3 Acórdão n.° 1103-000.781 Fl. 7 A situação de fato narrada no Termo de Verificação Fiscal não permite o acolhimento dos argumentos expendidos pela Recorrente. Quando da instauração do procedimento utilizou a Recorrente, em diversas oportunidades, de manobras para se furtar ao atendimento das intimações de entrega de documentos, argumentando, no primeiro momento, alteração de seu domicilio fiscal (o que determinou a remessa do processo a outra unidade da Receita Federal); em sequência consignou que a mudança do domicilio a impedia de entregar os documentos necessários à apuração da ocorrência dos fatos geradores, estando os documento, alegou, em posse do antigo contador; e, por fim, suscitou que não estava mais obrigada a apresentar tais documentos. A falta de apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência e a efetividade das operações de aquisição de bens cujo valor foi considerado, como custo, na apuração do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), seria suficiente para justificar a glosa dos valores e consequente exigência do imposto, na esteira da jurisprudência deste Conselho: "GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a titulo de custos e despesas operacionais requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações." (Acórdão n°. 108-09.529, 8a. Camara, rel. Karem Jureidini Dias) "GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. FALTA DE APRESENTAÇÃ 0 DE DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÓNEOS. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a titulo de custos e despesas operacionais requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações." (Acórdão n°. 1202-00.430, Câmara, rel. Nelson Lasso) Não bastasse, as diligências efetuadas pela autoridade lançadora apontaram indícios de irregularidade nas operações de aquisição de mercadorias realizadas ern face de INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PEÇAS FPS S/A, assim narradas no Termo de Verificação Fiscal: "3.1. Fornecedor INDÚSTRIA E COMERCIO DE PECAS FPS S/A CNP.I12°. 91.669.341/0001-00. No ano de 2005, INDUSTRIA E COMERCIO DE PECAS FPS S/A teria fornecido R$2. 037.917,40 à fiscalizada; entretanto, durante todo o ano de 2005, não existe registro de movimentação financeira nos sistemas da RFB (DCPMF) em n nome deste fornecedor; o fornecedor, uma fundição de ferro e ago, localiza-se em uma sala, conforme cadastro CNPJ; a empresa, durante o ano de 2005, teria vendido apenas para a fiscalizada, conforme consta nas notas seqüenciais na tabela abaixo; a empresa permaneceu um período de dois meses, entre agosto de 2005 e outubro desse mesmo ano, sem emitir nenhum documento fiscal, quer para a fiscalizada, quer para terceiros. Quando voltou a emitir, o fez apenas para a fiscalizada." -45 6 Fl. 160DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09115.O66T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11065.002989/2009-02 SI-Cl T3 Acórdão n.° 1103-000.781 H. 8 As circunstancias indicadas no Termo de Verificação Fiscal e a falta de apresentação de qualquer documento comprobatório pela Recorrente justificam a glosa de custos efetuada e, consequentemente, o acerto da decisão pronunciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Nestes termos, conheço do recurso voluntário para negar-lhe provimento. 7 Fl. 161DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09115.O66T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE ANTONIO DA SILVA em 05/03/2015 15:00:00. Documento autenticado digitalmente por JOSE ANTONIO DA SILVA em 05/03/2015. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/07/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.0719.09115.O66T Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 354E92F6943407C4A74D59C25A96497F0A3FF3C7 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11065.002989/2009-02. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10980.909327/2008-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/09/2004
DILIGÊNCIA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Deve ser indeferida a diligência que, além de não preencher os requisitos previstos no art. 16, inciso IV, e § 1°, do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 10 da Lei 8.748/1993, também é desnecessária, tendo em vista que para comprovar os fatos alegados na impugnação, bastaria a juntada, aos autos, da documentação comprobatória, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235/1972.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional).
Numero da decisão: 1001-001.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/09/2004 DILIGÊNCIA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a diligência que, além de não preencher os requisitos previstos no art. 16, inciso IV, e § 1°, do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 10 da Lei 8.748/1993, também é desnecessária, tendo em vista que para comprovar os fatos alegados na impugnação, bastaria a juntada, aos autos, da documentação comprobatória, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235/1972. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/09/2004 DILIGÊNCIA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a diligência que, além de não preencher os requisitos previstos no art. 16, inciso IV, e § 1°, do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 10 da Lei 8.748/1993, também é desnecessária, tendo em vista que para comprovar os fatos alegados na impugnação, bastaria a juntada, aos autos, da documentação comprobatória, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235/1972. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 93 27 /2 00 8- 71 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10980.909327/200871 Acórdão n.º 1001001.292 S1C0T1 Fl. 180 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 37/40) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 02, que homologou parcialmente a compensação declarada na DCOMP nº 21616.40293.181105.1.7.044722; de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior no valor original de R$ 5.849,27, período de apuração 18/09/2004, código de receita 8045, valor total do DARF R$ 28.113,94, data de arrecadação 22/09/2004, tendo em vista a utilização parcial do pagamento indicado como origem do crédito para quitação do respectivo débito, restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP no valor de R$ 24,76. Na manifestação de inconformidade (folhas 11/14), a contribuinte informou que havia cometido erro de preenchimento da DCTF 2004 relativamente ao débito a ser extinto pelo pagamento do DARF em questão, e que efetuou retificação da DCTF para corrigir o valor de tal débito de R$ 28.138,70 para R$ 23.619,91, gerando um crédito de R$ 5.978,54. No acórdão a quo, a não homologação foi mantida por falta de comprovação de liquidez e certeza do crédito alegado. Ciência do acórdão DRJ em 30/09/2010 (folha 43). Recurso voluntário apresentado em 03/11/2010 (folha 44). A recorrente, às folhas 44/54, alega, em síntese: I Que o acórdão a quo deve ser anulado para que seja devidamente apreciada a compensação declarada, com verificação do crédito através da competente diligência fiscal, ou reformada, no mérito, a fim de que se reconheça a existência do crédito de IRRF utilizado pela recorrente na compensação em questão, homologandoa; II Que, ao considerar não homologada a compensação objeto da manifestação de inconformidade, o acórdão recorrido acabou olvidandose da realidade fática que circunscreve o caso concreto, apoiandose em razões de natureza eminentemente formal, as quais, portanto, não se justificam; III Que, constatando a inconsistência entre o crédito indicado na declaração de compensação e na DCTF, a autoridade administrativa deveria determinar a realização de diligência fiscal; IV Que o recálculo do débito e sua retificação se devem ao fato de que a recorrente acabou computando na base de cálculo do tributo valores que não se sujeitavam à incidência do imposto, quais sejam, a retenção de R$ 5.849,27 da empresa Losango Promoções de Vendas Ltda, bem como valores relativos "do Produtor 1022720 Prometheus Clube de Seguros", instituição imune à incidência do imposto, o que lhe gerou um crédito de R$ 24,76 (reconhecido no mencionado despacho decisório). Anexa, às folhas 69/76, relação de tributos a recolher referente ao período de 12 a 18/09/2004. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.909327/200871 Acórdão n.º 1001001.292 S1C0T1 Fl. 181 3 É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator Considerando que dia 30/10/2010 foi um sábado, 01/11/2010 ponto facultativo pelo "Dia do Servidor Público" e 02/11/2010 feriado, o recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Inicialmente, contribuinte pretende que a liquidez e certeza do crédito que pleiteia estejam comprovadas pela simples informação de valores em DCTF. Há uma inversão e inconsistência de raciocínio, quando a recorrente afirma que a DCTF, documento informativo, meramente formal, de confecção unilateral de sua parte, é prova suficiente de seu crédito, mas acusa a autoridade de formalismo excessivo, ao não permitir a homologação sem qualquer comprovação material de sua certeza e liquidez. A contribuinte entende, ainda, que a autoridade fiscal tem o ônus de determinar diligências caso a documentação comprobatória acostada pelo sujeito passivo seja insuficiente. Enganase. É plausível que o contribuinte possa retificar a DCTF a qualquer tempo, observado o prazo de cinco anos e respeitadas as condições impostas pela legislação. A retificação da declaração, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independente de autorização pela autoridade administrativa. Ocorre que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. Malgrado o intento da contribuinte, cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I. do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de não homologação, quando submetidas a análise que não se limite ao cotejo com a DCTF ou que a tal cotejo não resista, como no caso. Por regra, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.909327/200871 Acórdão n.º 1001001.292 S1C0T1 Fl. 182 4 por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º § 1º) ". Nesse prisma, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. O artigo 45 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispõe: "Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadência! e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal especifica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária ". Nesse sentido, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.909327/200871 Acórdão n.º 1001001.292 S1C0T1 Fl. 183 5 condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse diapasão, o indébito em questão não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). No presente caso, a recorrente retificou a DCTF posteriormente à ciência do despacho decisório de não homologação. apresentando, em sede de recurso voluntário, às folhas 69/76, após a manifestação, no acórdão a quo, de que o crédito pleiteado carecia de comprovação de sua certeza e liquidez, a relação de tributos a recolher referente ao período de 12 a 18/09/2004. Documento por ela elaborado e que, por óbvio, não tem qualquer condão probatório. A contribuinte, assim, não juntou nenhuma documentação que comprove a veracidade do valor retificado do débito, que supostamente teria gerado o crédito pleiteado no referido DARF. Não há, ainda, como acatar a alegação da contribuinte de que a apresentação de documentação comprobatória da liquidez e certeza de seus créditos dependeria de manifestação nesse sentido da autoridade julgadora, e que a ausência desta manifestação representaria cerceamento de seu direito de defesa, ensejando anulação do acórdão a quo. Como visto, a obrigação da contribuinte comprovar o direito que pleiteia decorre da lei, da qual pressupõese que ela tenha conhecimento, sendo incabível decisão com o pressuposto inverso. O art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/72 estabelece a possibilidade de determinação, de ofício ou a requerimento do impugnante, por parte da autoridade julgadora, da realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo fundamentadamente as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nas declarações de compensação ou pedidos de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação. O ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito Não se trata, portanto, de hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória do direito alegado por parte da contribuinte recorrente, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a recorrente, o que, em declarações de compensação ou de pedidos de restituição, milita em seu desfavor. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.909327/200871 Acórdão n.º 1001001.292 S1C0T1 Fl. 184 6 A contribuinte empenhase em seu pedido de diligência, mas não logra trazer aos autos documentos necessários à comprovação do crédito pleiteado. Desta forma, por todos os fundamentos já mencionados, rejeitase o pedido de diligência formulado. Não se vislumbra, tampouco, ocorrência de hipótese de nulidade prevista nos art. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72. Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002587/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IRPF. NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. POSSIBILIDADE. LEI COMPLEMENTAR Nº 105. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601.314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade - ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4
Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91.
Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Numero da decisão: 2401-006.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. POSSIBILIDADE. LEI COMPLEMENTAR Nº 105. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601.314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4 Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 87 /2 00 8- 85 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 19515.002587/200885 Acórdão n.º 2401006.615 S2C4T1 Fl. 3 2 Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier. Relatório MARCEL GOMES DE ANDRADE, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 9a Fl. 214DF CARF MF Processo nº 19515.002587/200885 Acórdão n.º 2401006.615 S2C4T1 Fl. 4 3 Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1733.838/2009, às efls. 166/176, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em relação ao exercício 2005, conforme peça inaugural do feito, às fls. 58/62, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 20/06/2008, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal, anexo. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 181/202, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, motivo pelo qual adoto o relatório da decisão de piso, vejamos: PRELIMINARMENTE 4. O presente lançamento foi instruído com base em dados obtidos em extrato de conta corrente do impugnante, após confronto feito entre os valores declarados à receita e os valores da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira — CPMF, conforme se atesta pelo "Termo de Início de Fiscalização' lavrado em 11/02/2008. No entanto, há que se verificar o status do sigilo bancário e sua inviolabilidade, garantias individuais consignadas pelo artigo 5°, inciso X e XII da Constituição federal. 4.1 O Supremo Tribunal Federal, interpretando a Constituição Federal, confirmou o direito ao sigilo de dados como cláusula pétrea, impedindo, desta forma, até / mesmo a aprovação de emenda constitucional tendente a abolilo ou mesmo modificálo estruturalmente. 4.2 Não se trata aqui de mera transferência de informações sigilosas entre as instituições do sistema financeiro nacional e a Fl. 215DF CARF MF Processo nº 19515.002587/200885 Acórdão n.º 2401006.615 S2C4T1 Fl. 5 4 Secretaria da Receita Federal do Brasil, como entende a Administração Tributária, ainda que os extratos bancários sejam entregues pelo próprio contribuinte. Mesmo nesta última hipótese, podese afirmar que a utilização dos extratos bancários para fins de apurar eventual omissão de rendimentos é ilegal e inconstitucional. Assim, nulo o produto da "investigação': o auto de infração. NO MÉRITO 5. Não cabe presunção de omissão de rendimentos sem legislação que expressamente o estabeleça. Compulsandose a legislação tributária que rege a matéria, não se vislumbra qualquer ato legal que autorize o fisco a presumir que os valores depositados ou retirados junto à instituição financeira constituem, por si só, rendimentos passíveis de tributação. 5.1 Com o advento da Lei n° 8.021/90, o legislador permitiu o arbitramento de rendimentos com base em depósitos bancários, desde que o arbitramento se dê com base na renda consumida, mediante utilização de sinais exteriores de riqueza, incompatíveis com a renda declarada. 5.2 Posteriormente, a Lei n° 9.430/96 permitiu o lançamento por meio de depósitos bancários sem a respectiva origem comprovada, mas tal lei não retira o preceito do arbitramento com base em depósitos bancários, ou seja, a necessidade de comprovação de sinais exteriores de riqueza. (...) 5.6 No caso da presente autuação, o Impugnante declara que, por força de situação pessoal e profissional insustentável, se propôs a intermediar operações comerciais, recebendo, em contrapartida, um percentual de 2% incidente sobre as operações realizadas. A maior prova desse fato é que o autuado possuía no final de 2004 um patrimônio no valor total de R$ 55.741,41, conforme atesta sua DIRPF do exercício de 2005, que registra rendimentos do trabalho assalariado no montante de R$ 2.540,00. Ora, como é possível a uma pessoa acusada de ter omitido rendimentos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada no montante de R$ 1.531.147,10 ter registrado em seu nome bens de valores tão modestos? Analisando as DIRPF dos exercícios seguintes, constatase que o patrimônio do Impugnante cresceu em valores extremamente modestos. Conforme anteriormente afirmado, para que se leve a efeito este auto de infração, necessário atrelar a ele signos exteriores de riqueza. O simples ingresso de numerário na conta corrente do contribuinte não é, por si só, indício de renda, tributável pelo imposto de renda. 6. Às fls. 98 a 111 o impugnante insurgese contra a aplicação da Taxa SELIC ao alegar que a mesma, da forma como está sendo aplicada no auto de infração, assume caráter manifestamente confiscatório, o que é constitucionalmente Fl. 216DF CARF MF Processo nº 19515.002587/200885 Acórdão n.º 2401006.615 S2C4T1 Fl. 6 5 vedado e não se pode admitir. Argumenta ainda que os juros moratórios deverão ficar suspensos durante o trâmite do processo administrativo fiscal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO A priori, o contribuinte insurgese quanto a quebra do sigilo bancário sem prévia autorização do Poder Judiciário. Pois bem, com relação à utilização das informações bancárias do Autuado para a constituição do crédito tributário, devese notar que, na espécie, não houve quebra do sigilo bancário, no momento em que as informações foram fornecidas pelo próprio sujeito passivo, voluntariamente, ainda que em atendimento à intimação fiscal, e estão cobertas pelo sigilo fiscal. Requerer, posteriormente, a nulidade de tal prova seria venire contra factum proprium, o que não se admite. Ademais, a Lei Complementar n° 105/2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, já previa, desde janeiro/2001, a possibilidade de a autoridade fiscal examinar as informações referentes a contas de depósito em instituições financeiras. Vejamos: Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Vale salientar ainda que, em recente assentada (24/02/2016), o Supremo Tribunal Federal julgou, com repercussão geral, constitucionais os dispositivos da LC n° 105/2001 que permitem à Receita Federal obter dados bancários de contribuintes, fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial1. Prevaleceu o entendimento de que Fl. 217DF CARF MF Processo nº 19515.002587/200885 Acórdão n.º 2401006.615 S2C4T1 Fl. 7 6 a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Logo, em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. MÉRITO DEPÓSITOS BANCÁRIOS O contribuinte requer seja declarada a insubsistência da autuação, no que diz respeito a suposta omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada e, principalmente, por não estar evidenciado nos autos que ditos depósitos provoram expressivos reflexos em sua situação patrimonial e financeira. Em que pesem as razões ofertadas pelo contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, senão vejamos: Primeiramente é importante salientar que o contribuinte não discute, especificamente, nenhum valor ou depósito considerado pela autoridade fiscal, apenas questionando legislação e afirmando tratarse de movimentações operacionais entre a PF e PJ, não sendo o bastante para reformular a decisão de piso, como passaremos a demonstrar. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Art. 42, Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição . financeira, em relação aos quais o titular, pessoa _física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados. I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa .física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 218DF CARF MF Processo nº 19515.002587/200885 Acórdão n.º 2401006.615 S2C4T1 Fl. 8 7 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 Oitenta mil reais) (Alterado pela Lei n" 9.481, de 13.897). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será *tirada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(incluído pela Lei n°10.637, de 30.12.2002). § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares' tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. ('Incluído pela Lei n°10637, de 30,12,2002). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado corno fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Para Pontes de Miranda, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm corno verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário, conforme demasiadamente tratado em diversos outros votos deste Relator. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem corno verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos Fl. 219DF CARF MF Processo nº 19515.002587/200885 Acórdão n.º 2401006.615 S2C4T1 Fl. 9 8 recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, existe a Súmula CARF n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9,430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser "modalidade de arbitramento" que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário e por este Tribunal. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de n° 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Mais uma vez, repiso, o contribuinte nada se esforça ou argumenta sobre a comprovação dos numerários, apenas demonstrando descontentamento com a legislação e mencionando entendimentos administrativos, ou seja, em relação aos depósitos efetuados na conta bancária não foram apresentados esclarecimentos convincentes e muito menos documentos hábeis e idôneos a demonstrar a origem de cada depósito bancário. Repiso que a mera alegação sem a juntada de documentação hábil e idônea, não é capaz de comprovar a origem dos depósitos, ou seja, o auditor solicita a comprovação específica de cada depósito, cabendo a contribuinte contrapor da mesma forma. O contribuinte aduz que o valor que realmente lhe pertence é o equivalente a 2% dos depósitos, a título de comissão. Repiso, o recorrente simplesmente alegou, mas não trouxe aos autos nenhuma prova de que os valores que transitaram em suas contas correntes se referiam a comissões advindas de intermediações em operações comerciais. O fato de o acréscimo patrimonial declarado pelo contribuinte ter sido modesto não invalida, em absoluto, o presente lançamento, que trata justamente da omissão de rendimentos. Os valores declarados pelo próprio contribuinte em suas DIRPF do exercício de 2005 e seguintes não se prestam a ilidir o lançamento efetuado com base nos extratos bancários. DA TAXA SELIC Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19515.002587/200885 Acórdão n.º 2401006.615 S2C4T1 Fl. 10 9 A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Em face do exposto, improcedente é o pedido. Quanto às demais alegações do contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.902336/2008-76
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2003
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Comprovado erro de fato no preenchimento da DCTF, nada impede a sua retificação após a ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação, desde que apresentados elementos aptos a permitir o reconhecimento do direito creditório postulado.
Numero da decisão: 1002-000.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Vieira, Marcelo José Luz de Macedo, Rafael Zedral.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. POSSIBILIDADE. Comprovado erro de fato no preenchimento da DCTF, nada impede a sua retificação após a ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação, desde que apresentados elementos aptos a permitir o reconhecimento do direito creditório postulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Vieira, Marcelo José Luz de Macedo, Rafael Zedral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 23 36 /2 00 8- 76 Fl. 201DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-000.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13005.902336/2008-76 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RJ1: Trata o presente processo de declaração de compensação n° 35850.85853.231004.1.3.04-9477 (fls. 22128) em que o interessado aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL código 2372-1 referente ao mês de dezembro de 2003, no valor de R$ 3.722,38. O pagamento foi efetuado em 3010112004 (fls. 26). Com o referido crédito o interessado compensou debito CSLL do código 2372-1 PA- 3° trim/2004, com vencimento em 2911012004, no valor de R$ 239,76 (fl. 27). A declaração de compensação foi entregue em 2311012004. O Despacho Decisório n° 790540442, de 09/09/2008 (fl. 02), não reconheceu o crédito em questão, uma vez que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou-se que o pagamento informado já foi utilizado para pagamentos de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP, e não homologou a compensação declarada. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 1910912008 (doc. fls. 40), o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 29/09/2008 (fl. 01), alegando em síntese que: • a origem inicial do crédito utilizado nas PER/DCOMP esta caracterizada na DCTF do 4° trimestre de 2003, juntada aos autos, tendo o valor pago R$ 9.319,68, valor do débito de R$ 3.494,88, valor pago indevidamente a maior de R$ 5.824,80; • a partir da disponibilidade deste crédito, foi o mesmo utilizado na geração do PER/DCOMP n° 3330.09985.160404.1.3.04-8522, em 1610412004, para compensar com o débito no valor de R$ 1.701,93, restando um saldo de R$ 4.184,07; • foi gerada nova compensação a partir da disponibilidade original através do PER/DCOMP n° 22231.86096.160704.1.3.04-0770, com valor original do crédito de R$ 4.184,07, para compensar débitos no valor de R$ 495,72, restando um saldo credor de R$ 3.772,00. • em face ainda da disponibilidade acima, realizou-se nova compensação através do PER/DCOMP n° 35850.85853.231004.1.3.04-9477, com valor original de crédito de R$ 3.722,38, para compensar com débitos no valor de R$ 239,76, restando ainda um saldo credor no valor de R$ 3.540,32. • Portanto, conforme evolução das compensações entende-se ter demonstrado a disponibilidade dos créditos citados, conforme a documentação juntada, • solicita-se o cancelamento do despacho decisório. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RJ1, conforme acórdão n. 12-36.830, de 19 de abril de 2011 (e-fl. 44), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DIREITO CREDITÓRIO. MATÉRIA JÁ EXAMINADA EM OUTRO PROCESSO. Fl. 202DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-000.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13005.902336/2008-76 A decisão de primeira instância que examina, em determinado processo, o direito creditório pleiteado pelo interessado, aplica-se, também, a todos os demais processos que estejam vinculados ao mesmo crédito. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não comprovada a liquidez e a certeza do crédito pleiteado, deixa-se de homologar a compensação declarada. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 50), no qual, oferece os argumentos a seguir sintetizados. Registra que "A origem inicial do crédito objeto das PER/DCOP anexa (sic) se deu através da Instrução Normativa nr. 390 no inciso I do Artigo 89, que determina o percentual da Receita Bruta a ser considerado para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL seria de 12% e não de 32% a partir de 01 de Setembro de 2003 para: 'Prestação de serviços em geral, exceto serviços hospitalares e de transporte'." Destaca que "o cálculo da CSLL do período de Outubro de 2003 a Dezembro de 2003 foi realizado com a aplicação da base de cálculo de 32% e não de 12% conforme determina a citada IN nr. 390 e demonstração dos valores pagos a maior cfe. Anexo 1." Sustenta que "A partir da origem inicial do crédito caracterizada na DCTF Retificadora do 4 trimestre de 2003 e respectiva DIPJ do período, utilizamos o saldos (sic) na PER/DCOMP anexa". Apresenta demonstrativo de cálculo, DARF e DCTF retificadora relativos ao crédito pleiteado e, ao final, conclui que as compensações foram realizadas na forma da lei, solicitando o cancelamento do acórdão de Manifestação de Inconformidade. Após uma primeira análise dos autos, este colegiado decidiu baixar o processo em diligência, conforme Resolução n.º 1002-000.020, desta 2.ª Turma Extraordinária (e-fls. 90), reproduzida a seguir: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: 1) Informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do ano-calendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003; 2) Junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no ano- calendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentá-los, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 3) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábil-fiscal na qual conste a origem aos créditos postulados referentes aos meses de outubro a dezembro de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes. E o Relatório do necessário. Fl. 203DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-000.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13005.902336/2008-76 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP de nº 35850.85853.231004.1.3.04-9477, sob a alegação de que o crédito nele informado já havia sido utilizado integralmente no pagamento do débito do tributo de código de receita 2372 (CSLL de Pessoa Jurídica optante pelo lucro presumido), do período de apuração de 31/12/2003, conforme mostra o excerto seguinte do Despacho Decisório Eletrônico: O acórdão recorrido assentou-se sobre dois fundamentos: a entrega da DCTF retificadora após a data de emissão do Despacho Decisório de não Homologação da compensação e a negativa de reconhecimento do crédito vindicado consignada no processo nº 13005.90053512008-40. Confira-se: (...) Fl. 204DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-000.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13005.902336/2008-76 O interessado em sua Manifestação de Inconformidade, constante do processo no 13005.90053512008-40, solicita a retificação do débito informado em DCTF para o 4º trim/2003, com o código receita 2372-1 (CSLL- PJ optantes pela apuração com base no lucro presumido ou arbitrado), do valor de R$ 9.319,68, para o valor de R$ 3.494,88, conforme DCTF retificadora juntada às fIs.08/18, resultando, desse modo, em pagamento a maior no valor de R$ 5.824,80. Na Manifestação de Inconformidade constante do processo em tela, alega o interessado, que o crédito utilizado no PER/DCOMP constante dos autos, tem origem no citado valor. Porém, conforme o Acórdão DRJ/RJ-1 no 12-036.828/2011 (doc. fls. 43/47), o pleito não foi homologado, pois a retificação da DCTF ocorreu em data posterior ao início do procedimento administrativo, fato não permitido pela legislação que trata da matéria. Sendo assim, como o interessado no processo n° 13005.90053512008-40 não teve o crédito reconhecido, não há que se falar em disponibilidade de crédito com origem no PER/DCOMP n° 3330.09985.1604.1.3.04-8522, para o pleito ora em análise. Em face do exposto, considero devido o valor de R$ 239,76 e consequentemente NÃO SE HOMOLOGA a compensação pleiteada. (...) Em resposta a diligência, o ora Recorrente apresentou páginas do livro razão no qual constam a escrituração dos valores que deram origem ao crédito pleiteado (e-fls 104-113) e memória de cálculo seguinte, na qual demonstra seu pretenso crédito: A Unidade de Origem, por sua vez, juntou cópia da DIPJ original/ativa ND 0649703 (e-fls. 149-184) e da DCTF retificadora ativa n.º 0000.100.2008.32155558 (e-fls. 185- 192) correspondentes ao ano-calendário de 2003, informando que esta última encontra-se com o status/motivo “Liberada/Recebida sem erro” no sistema Sief/DCTF. Após analisados o contexto fático e a documentação colacionada aos autos, concluo que assiste razão ao Recorrente pelas motivos seguintes: primeiro, constata-se que Recorrente exerce a atividade de transporte de cargas, conforme indica a cláusula 2ª do contrato social acostado às e-fls. 04 dos autos, não se submetendo ao percentual de 32% no cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), mas sim ao percentual de 12% previsto no art. 20 da Lei nº 9.249/1995 1 , conforme constou da memória de cálculo do crédito compensável 1 Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro e 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano-calendário, exceto para as pessoas jurídicas que Fl. 205DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-000.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13005.902336/2008-76 elaborada pelo Recorrente; segundo, os dados informados no livro razão e na memória de cálculo do crédito de CSLL são coincidentes em data, período e valor com os declarados na DIPJ (e-fls. 120) e na DCTF retificadora n.º 0000.100.2008.32155558 correspondentes ao 4º trimestre do ano-calendário de 2003 (e-fls. 186); terceiro, verifica-se que a DCTF retificadora encontra-se ativa na base de dados da Receita Federal do Brasil (RFB) com o status/motivo “Liberada/Recebida sem erro; quarto, entende-se que não procede o fundamento da perda de espontaneidade do sujeito passivo para apresentação da DCTF retificadora adotado no acórdão recorrido porquanto esta lide administrativa não trata de procedimento fiscal de determinação e exigência de crédito tributário, mas de confissão de dívida por meio de declaração de compensação não homologada por Despacho Decisório Eletrônico, a qual tem efeito próprio de dispensar a constituição de crédito tributário por lançamento de ofício, não se amoldando, destarte, aos comandos do parágrafo 1º do artigo 147 do Código Tributário Nacional 2 (CTN) e do artigo 7º do decreto nº 70.235/72 3 respeitantes à matéria. Cabe destacar, ainda, a natureza objetiva do artigo 7º do decreto nº 70.235/72, que exige para a configuração da perda da espontaneidade ato de ofício indicativo do início da ação fiscal, que deve ser praticado, no mínimo a cada 60 dias, a fim de que o sujeito passivo não readquira aquele direito, o que, como visto, não é o caso do Despacho Decisório Eletrônico, que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) (...) 2 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. 3 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (...) Fl. 206DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-000.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13005.902336/2008-76 não constituiu ato deflagratório do início do procedimento fiscal de determinação e exigência de crédito tributário por referir-se a ato de não homologação de declaração de compensação. Ademais, fosse verdadeiro o argumento da perda da espontaneidade expresso no acórdão recorrido a DCTF retificadora n.º 0000.100.2008.32155558 do ano-calendário de 2003 estaria com status "recusada" na base de dados da RFB e não "ativa". À vista exposto, entendo que o Recorrente comprova satisfatoriamente o crédito glosado no Despacho Decisório Eletrônico que deu causa à não homologação da compensação, muito embora os respectivos documentos comprobatórios só tenham sido colacionados aos autos após o prazo previsto na legislação de regência, o que, em tese, teria como consequência a perda do direito de apresentá-los por ocorrência do instituto da preclusão. Entretanto, a preclusão não vem sendo encarada em caráter absoluto neste CARF quando são colacionados aos autos elementos de comprovação inequívoca do crédito postulado, em prestígio aos Princípios da Verdade Material e do Formalismo Moderado. A propósito, como corroboração do entendimento, os seguintes julgados: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 VERDADE MATERIAL COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada tardia em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que seja demonstrada e comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado para que o mesmo seja reconhecido pela autoridade julgadora. (Acórdão nº 180300.7653 ª Turma Especial) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO. VALOR PAGO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO. Ao restar comprovado nos autos que o débito originalmente confessado em DCTF era superior ao valor efetivamente devido, a retificação da declaração deve ser admitida. Em consequência, o valor pago a maior deve ser reconhecido como direito creditório em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação. Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 2004 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Fl. 207DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-000.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13005.902336/2008-76 Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção por empreitada com ou sem emprego de materiais, aos fatos geradores anteriores à vigência das Instruções Normativas SRF nº 480/2004 e nº 539/2005, aplicam-se as disposições do ADN COSIT nº 6/1997, até então vigentes. Ao restar comprovado o atendimento cumulativo às três condições estabelecidas por este último normativo, a saber, tratar-se de contrato de empreitada, de construção e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade, aplica-se o percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Não se verificando alguma das referidas condições, o percentual aplicado deve ser de 32%. (Acórdão 130100.533 em 30/03/2011, 1ª Turma da 3ª Câmara) CSLL. ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP. Comprovado o erro no preenchimento do PER/DECOMP, ainda que após instaurado o Processo Administrativo Fiscal, deve ser acatada a retificação. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 140200.438– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) ERRO DE FATO Comprovada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DIPJ/2001, cabe a sua retificação e, por conseqüência, o reconhecimento do direito pleiteado. (Acórdão 10809.42, sessão em 14/09/2007). Ademais, a própria Administração Tributária, por meio das conclusões exaradas no Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, admite a retificação da DCTF após a data de transmissão do PERD/COMP, mesmo depois da emissão do despacho decisório de não homologação da compensação. Confira-se: (...) Conclusão 22. Por todo o exposto, conclui-se: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; (...) Fl. 208DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1002-000.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13005.902336/2008-76 Dispositivo Considerando que o Recorrente logrou demonstrar o erro de preenchimento na DCTF do 4º trimestre de 2003, voto por dar PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13877.000101/2005-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2002
MULTA. DCTF EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNCIA. SÚMULA CARF 49. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. RICARF. ART. 67, §3º.
Não é conhecido Recurso Especial contra acórdão que adota entendimento de Súmula CARF, nos termos do artigo 67, §3º, do RICARF (Portaria MF 343/2015).
O acórdão da Turma a quo amolda-se à Súmula CARF 49, que prevê: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Recurso Especial não conhecido.
Numero da decisão: 9101-004.247
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2002 MULTA. DCTF EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNCIA. SÚMULA CARF 49. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. RICARF. ART. 67, §3º. Não é conhecido Recurso Especial contra acórdão que adota entendimento de Súmula CARF, nos termos do artigo 67, §3º, do RICARF (Portaria MF 343/2015). O acórdão da Turma a quo amolda-se à Súmula CARF 49, que prevê: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Recurso Especial não conhecido.
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DCTF EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNCIA. SÚMULA CARF 49. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. RICARF. ART. 67, §3º. Não é conhecido Recurso Especial contra acórdão que adota entendimento de Súmula CARF, nos termos do artigo 67, §3º, do RICARF (Portaria MF 343/2015). O acórdão da Turma a quo amolda-se à Súmula CARF 49, que prevê: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Recurso Especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 7. 00 01 01 /2 00 5- 36 Fl. 159DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.247 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13877.000101/2005-36 Relatório Trata-se de processo originado por auto de infração para exigência de multa diante do atraso na entrega de DCTF, cujo prazo se esgotou em 15/05/2002 (fls. 13). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve a exigência da multa (fls. 74), sendo interposto recurso voluntário pelo contribuinte (fls. 80). O acórdão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da ementa do acórdão 303-34.980 (fls. 95), transcrevendo-se trecho da ementa desta decisão: DCTF/2°TRIMESTRE/2002. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. NÃO CABIMENTO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É cabível a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF à vista do disposto na legislação de regência. Devida a multa ainda que a apresentação da declaração tenha se efetivado antes de qualquer procedimento de oficio. Recurso Voluntário Negado Devidamente intimado em 07/04/08 (fls. 105), o contribuinte interpôs recurso especial em 22/04/2008 (fls. 107), no qual sustenta divergência na interpretação a respeito da configuração de denúncia espontânea para afastar multa por atraso na entrega de DCTF, identificando como acórdãos paradigmas os de nº 202-05535 e 202-05533. O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 3ª Câmara da Primeira Seção, conforme despacho às fls. 149. A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial, pleiteando seja negado seguimento ao recurso especial diante da Súmula CARF nº 49. No mérito, pede manutenção do acórdão recorrido (fls. 151). Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora A Procuradoria tem razão ao pleitear o não conhecimento do recurso especial. Com efeito, a Súmula CARF 49 tem o seguinte teor: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O acórdão recorrido, teve os mesmos fundamentos da Súmula, como se verifica da ementa desta decisão: DCTF/2°TRIMESTRE/2002. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. NÃO CABIMENTO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 160DF CARF MF https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.247 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13877.000101/2005-36 É cabível a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF à vista do disposto na legislação de regência. Devida a multa ainda que a apresentação da declaração tenha se efetivado antes de qualquer procedimento de oficio. Recurso Voluntário Negado É pertinente destacar que o Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015) impede o conhecimento de recurso especial, quando o acórdão recorrido alinhe-se ao entendimento de súmula CARF, mesmo que aprovada posteriormente à interposição do recurso especial: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, não conheço do recurso especial. Conclusão Pelas razões expostas, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.926988/2016-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/04/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.423
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 69 88 /2 01 6- 56 Fl. 49DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.926988/201656 Acórdão n.º 3401006.423 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 51DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.926988/201656 Acórdão n.º 3401006.423 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 53DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 54DF CARF MF
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