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Numero do processo: 10480.903854/2011-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 38 54 /2 01 1- 17 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903854/201117 Acórdão n.º 3801002.254 S3TE01 Fl. 147 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903854/201117 Acórdão n.º 3801002.254 S3TE01 Fl. 148 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: 1. Tratase de Declaração de Compensação (nº 01759.03933.170707.1.3.043141), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 17/07/2007, que tem por origem do crédito um suposto pagamento indevido da Contribuição para o PIS cumulativa (Código 8109), apresentando o DARF as seguintes características: Apuração Vencimento Arrecadação Principal Multa Juros Total 31/12/2002 15/01/2003 15/01/2003 17.890,19 17.890,19 1.1. Na DCOMP teria sido utilizada uma parcela daquele suposto crédito, no valor original de R$ 2.685,34, que, com a Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito, também da Contribuição para o PIS, Código 8109, relativo a junho de 2007, no valor de R$ 3.047,06, com vencimento em 20/07/2007. 2. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, culminando com a emissão, em 04/05/2011, do Despacho Decisório eletrônico Nº de Rastreamento 930835462, devidamente chancelado pela autoridade administrativa competente – no caso, o titular da DRF/Recife –, do qual a interessada foi cientificada, por via postal, em 17/05/2011.. 2.1. O DARF informado na DCOMP foi encontrado nos Sistemas Informatizados da RFB, mas já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Diante da inexistência do crédito, a compensação não foi homologada, resolvendose integralmente a extinção do débito, que passou a ser exigível, com os acréscimos legais devidos, calculados desde o vencimento. 3. Irresignada, a interessada apresentou, em 14/06/2011, Manifestação de Inconformidade, onde diz que, pelo que se depreende do teor do Despacho Decisório, “Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs ..., o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior” e sustenta que “exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu a retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias”. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903854/201117 Acórdão n.º 3801002.254 S3TE01 Fl. 149 4 3.1. Em seguida transcreve os dispositivos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que regula as compensações dos tributos administrados pela RFB, enfatizando que a compensação com valores pagos indevidamente ou a maior não se enquadra em nenhuma das vedações legais. 3.2. Sintetiza os ponto de discordância da seguinte forma (in verbis): a) Da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e do respectivo DARF; b) Do direito em retificar as DCTFs e demais obrigações acessórias. 3.3. Ao final, “demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRESSUPOSTOS. O direito à restituição decorre do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido (art. 165, I, do CTN), do qual se origina a obrigação tributária, inalterável até a extinção do crédito tributário dela decorrente (art. 113, § 1º, 139 e 140, do CTN). COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903854/201117 Acórdão n.º 3801002.254 S3TE01 Fl. 150 5 Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ADMISSÃO. UNIDADE DE ORIGEM. Cabe à Unidade de Origem decidir sobre a admissibilidade de retificação da DCTF ou de qualquer outra declaração, falecendo competência às Delegacias da Receita Federal de Julgamento para apreciar pedidos desta natureza. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese, que o seu direito creditório decorre de mandado de segurança coletivo movido pelo Sindhospe Sindicato dos Hospitais de Pernambuco voltado à permissão de compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos, ante à suspensão da exigibilidade de tais tributos, cuja sentença lhe foi favorável, tendo, inclusive, transitado em julgado. Alega ainda que ingressou com um pedido administrativo de habilitação de crédito, o qual gerou o processo n° 10480.732928/201205, que teria permitido a compensação de créditos decorrentes do pagamento do Pis e da Cofins sobre a venda de medicamentos, reconhecidos na referida ação judicial. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903854/201117 Acórdão n.º 3801002.254 S3TE01 Fl. 151 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PERDCOMP no qual pleiteia a compensação de débitos com um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição PIS e COFINS. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que o seu direito creditório decorre de ação judicial na qual havia sido reconhecido o direito à compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos. Conforme Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a compensação declarada foi não homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório não existiria, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos já declarados e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Quanto ao mérito do direito creditório alegado em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903854/201117 Acórdão n.º 3801002.254 S3TE01 Fl. 152 7 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, este princípio muitas vezes é sopesado pela busca da verdade material, sendo admitida a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações apresentadas à 1ª Instância, bem como, não juntou nenhuma documentação comprobatória que pudesse embasar o seu direito. A recorrente alega ainda que o seu direito creditório foi reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil através do despacho decisório exarado no Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, com cópia nos autos. No entanto falece razão à recorrente nesse aspecto, pois não é essa a finalidade do citado procedimento. No procedimento de habilitação se realizam as verificações constantes no art. 71, § 4º, da IN/RFB 900/08 sendo que nessa fase não se realizam os cálculos para apurar o direito creditório, visto que nessa fase não se instaura o contencioso: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903854/201117 Acórdão n.º 3801002.254 S3TE01 Fl. 153 8 reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.(grifamos) O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Significa apenas autorização para transmissão do PER/DComp. O valor constante do pedido de habilitação é informativo e de responsabilidade do contribuinte. Não implica reconhecimento de direito creditório desse valor, quando deferido o pedido. Somente após a inserção de todos esses dados no sistema CPERDCOMP é que o contribuinte conseguirá transmitir os PER/DComp correspondentes ao crédito habilitado, sendo que no caso vertente as declarações de compensação foram transmitidas muito antes do referido Pedido de Habilitação e, inclusive, anteriormente ao próprio trânsito em julgado da decisão judicial na qual a recorrente alega ter embasado o seu direito creditório . Quanto à verdade material, muito embora no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903854/201117 Acórdão n.º 3801002.254 S3TE01 Fl. 154 9 resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes, tal dever atribuído ao julgador não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental a não ser quando entender que as provas trazidas tempestivamente não espelham a realidade dos fatos. No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Salientamos que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10580.723157/2011-48
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.273
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade do contribuinte recorrente com a Notificação de Lançamento constante da fl. 22 e ss., que resultou da revisão das informações prestadas em sua declaração de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas do exercício de 2008, ano calendário de 2007, onde se verifica, na “descrição dos fatos”, que a Fiscalização constatou a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em decorrência de ação que tramitou na Justiça Federal . Narra a Autoridade Fiscal que constatou a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente no valor de R$ 16.263,90, tendo sido, na apuração, compensado o valor de IRRF de R$ 487,92. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 23 15 7/ 20 11 -4 8 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.723157/201148 Resolução nº 2801000.273 S2TE01 Fl. 77 2 O Lançamento exigiu do contribuinte o crédito tributário importando em R$ 3.800,00 a título de imposto, R$ 2.850,22 a título de multa proporcional (75%) e mais juros de mora com base na taxa Selic. Inconformado o contribuinte apresentou Impugnação que foi conhecida e tratada pela DRJ em Salvador/BA, tendo aquele julgamento concluído pela procedência da ação fiscal e manutenção do crédito tributário exigido, em suma, com os seguintes argumentos: “ Portanto, a lide se refere à forma correta de tributação dos rendimentos recebidos pelo interessado, que segundo consulta processual anexada na defesa, são decorrentes de ação judicial relativa à revisão de benefícios previdenciários (fls. 11). Os documentos anexados na impugnação são os mesmos apresentados à DRF, conforme dossiê fiscal (fls. 44/46), dentre os quais, extratos bancários que comprovam o recebimento do valor lançado, bem como a retenção na fonte no valor de R$ 487,92, que apenas confirmam os cálculos da autuação. Tais documentos não comprovam a alegada natureza indenizatória dos valores recebidos judicialmente, e também não se enquadram como tributação exclusiva na fonte, como entende o interessado, devendo ser oferecidos à tributação no ajuste anual, conforme determinam os arts. 43 e 718 do RIR/1999. (...) Portanto, subsiste o lançamento quando a omissão de rendimentos apontada não é descaracterizada. Ante o exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação e manter integralmente o crédito tributário lançado, juntamente com os acréscimos legais pertinentes”. Cientificado da decisão de 1ª instância em 07/02/2012 (AR fl. 55), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/03/2012 (fl. 56). Em sede de recurso, repisa as razões apresentadas anteriormente, nos autos, do que destaco: recebeu valor pago pela Previdência Social fruto de uma revisão do benefício de aposentadoria corrigindo valores entre os anos de 1996 e 2007, em decorrência de decisão da Justiça Especial Federal; o montante é resultado de uma “dívida” que deveria ter sido quitada mês a mês, o que não produziria o efeito tributário argüido pela Receita Federal; entende que tal verba revestese de caráter indenizatório. Verifico ainda que o contribuinte declarou o valor de R$ 16.263,90 em sua DIRPF, entretanto como “rendimento sujeito a tributação exclusiva/definitiva” (fl. 18). Requer que seja reconhecida a improcedência e insubsistência da ação fiscal, cancelandose o débito fiscal reclamado. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.723157/201148 Resolução nº 2801000.273 S2TE01 Fl. 78 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atende as demais condições de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. O lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de ação que objetivou reconhecer correção de benefício pago pelo Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS), como pode ser constatado pela cópia da Sentença judicial anexada nas fls. 62/63. Tais rendimentos foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos, como se depreende da “descrição dos fatos” constante da Notificação de Lançamento e dos comprovantes de fl. 08. Nos cálculos de liquidação da sentença que conferiu o direito à revisão do benefício, observase que o montante tem origem em diferenças constatadas em diversas competências, começando em 1998 (cinco anos antes do ajuizamento da ação) até 2005, tendo o valor sido disponibilizado apenas em 2007. (fls. 65/66/67). Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.723157/201148 Resolução nº 2801000.273 S2TE01 Fl. 79 4 respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema pela Corte Suprema, com a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verificase que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, que assim dispõe: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 03 de janeiro de 2012, estabelece que: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante do exposto acima voto por SOBRESTAR o julgamento do recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11040.500730/2004-98
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício:1997
NULIDADE. AFASTAMENTO.
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
Numero da decisão: 1801-001.810
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício:1997 NULIDADE. AFASTAMENTO. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
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AFASTAMENTO. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente teve os débitos inscritos em Dívida Ativa da União Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional (PFN) em Pelotas/RS, fls. 4145. Esses títulos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 50 07 30 /2 00 4- 98 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 1801001.810 S1TE01 Fl. 200 2 executivos extrajudiciais foram analisados e se concluiu pela seu cancelamento ficando em litígio administrativo nos presentes autos “o direito à compensação de créditos do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL) com débitos de IRRF e IRPJ [que] foi reconhecido pela 4ª Câmara do 1º C. de Contribuintes através do Acórdão n° 10418.652, no julgamento do Recurso 125.825, Proc. n° 11040.000581/9717”, fls. 4344. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 149151, as informações relativas aos débitos foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Em 30/07/2004 os débitos do IRPJ – 2362 dos PA’s de agosto a outubro/1998 declarados nas respectivas DCTF's, de fls. 04/11, foram inscritos em DAU, conforme Termo de Inscrição às fls. 19/22. Após análise de pedidos de cancelamento da inscrição efetivados junto à PSFN/Pelotas, esta entendeu pela manutenção da inscrição em DAU, conforme Despacho às fls. 57, ajuizando execução fiscal em 18/01/2005 através do processo nº 2005.71.10.0002410 (fls. 58). Contra a referida execução, o interessado apresentou Embargos processo nº 2007.71.10.0022764/RS , sendolhe reconhecida em sentença às fls. 82/83 a nulidade da inscrição e do título executivo dela oriundo, declarando extinto o processo de execução fiscal. Inconformada, a União apelou ao TRF da 4ª Região, sobrevindo decisão através do Acórdão às fls. 85/90 que deu parcial provimento ao apelo da embargante. Transcrevese trecho do referido acórdão, A compensação realizada pelo contribuinte foi devidamente informada em DCTF, sob a égide da Lei 8.383/91, não sendo, portanto, caso de débito confessado em declaração com saldo a pagar, situação em que estaria correto o procedimento de inscrição em dívida ativa e cobrança imediata. Sob o regime do art. 66 da Lei 8.383/91, faziase a compensação mediante indicação no campo próprio da DCTF. Em tais casos, não cabia ao Fisco simplesmente ignorála, levando à inscrição o montante apurado do tributo como se extinto pela compensação não estivesse. Cabia ao Fisco glosar a compensação, intimando o contribuinte tal qual no rito previsto no Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, inclusive quanto à aplicação da suspensão do artigo 151, III, do CTN, e, apenas em face da ausência de impugnação ou após a decisão contrária ao contribuinte quanto à impugnação, considerar o crédito em aberto e encaminhar a DCTF para inscrição em dívida ativa. Notese que, posteriormente, assim passou a constar expressamente do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 200DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 1801001.810 S1TE01 Fl. 201 3 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) A decisão transitou em julgado em 30/08/2010, conforme Certidão às fls. 100. Encaminhado o presente processo à Sacat para fins de prosseguimento, conforme Despacho da PSFN/Pelotas às fls. 101, esta Seção, com base na decisão judicial que reconheceu a nulidade da inscrição em DAU e considerandose a não homologação da compensação dos débitos do IRPJ – 2362 dos PA’s de agosto a outubro/1998 (fls. 38), procedeu a intimação do interessado, de fls. 111/113, do qual foi cientificado em 20/07/2011. Em 18/08/2011 o interessado ingressou com manifestação de inconformidade, de fls. 115/117, alegando, preliminarmente, a decadência e, no mérito, a compensação efetuada dentro do prazo estabelecido no Recurso nº 125.825 julgado pelo 1º Conselho de Contribuintes. A 1ª Turma da DRJ/POA, por meio do acórdão nº 1035.120, de fls. 133/137, não conheceu da manifestação de inconformidade no entendimento que não houve ato de autoridade administrativa competente para apreciar a compensação declarada pelo sujeito passivo e, portanto, não há litígio. Transcrevese trecho do citado Acórdão, “De acordo com o Despacho, acima transcrito, a não homologação da compensação deuse por meio do documento de folhas 45, cuja ciência o sujeito passivo tomou em 15/12/2004, conforme documento de folhas 55. Compulsandose os autos, observase que o documento de folhas 55 é apenas uma resposta ao pedido de informações solicitadas pela Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Pelotas (fls. 42) e que a ciência do sujeito passivo é, na verdade, requerimento à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Pelotas para que o processo de inscrição do débito em dívida ativa fosse encaminhado à Delegacia da Receita Federal em Pelotas para que essa Delegacia analisasse a compensação declarada. Evidentemente que um informação processual, sem relatório, sem fundamentação e sem dispositivo, e da qual não é dada ciência ao contribuinte, não possui característica de decisão administrativa suficiente para a instauração de litígio passível de apreciação pelas Delegacias de Julgamento. O mesmo digase a respeito do Despacho de folhas 106 à 108, que é apenas uma intimação para que o contribuinte efetue o pagamento dos débitos cuja compensação foi considerada não homologada.” Encaminhado à Sacat/DRFPEL, esta procedeu à cobrança dos débitos por meio da Intimação nº 550/2011, de fls. 139/141. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 1801001.810 S1TE01 Fl. 202 4 Irresignado, o interessado peticionou em 02/12/2011 junto à DRF/PEL o cancelamento da cobrança, alegando em síntese que, com base no fundamento do Acórdão da DRJ/POA, teria ocorrida homologação tácita da compensação. Passase aos fatos. Considerando o disposto no Acórdão da DRJ/POA supramencionado, e com base na decisão judicial, proponho que seja indeferida a Compensação com DARF dos débitos do IRPJ – 2362 declaradas na DCTF do 3º/4º trim/98, de fls. 070811 [fls. 0233], com base nos mesmos fundamentos expostos no Despacho às fls. 45, ou seja, decurso do prazo quinquenal entre o pedido de restituição/compensação e a data do pagamento indevido, nos termos do art. 168 da Lei 5.172/1966. [...] De acordo. Determino a nãohomologação da COMPENSAÇÃO COM DARF dos débitos do IRPJ – 2362 declaradas na DCTF do 3º/4º trim/98, de fls. 070811, com base nos mesmos fundamentos expostos no Despacho às fls. 45, ou seja, decurso do prazo quinquenal entre o pedido de restituição/compensação e a data do pagamento indevido, nos termos do art. 168 da Lei 5.172/1966. Cientifiquese o interessado da presente decisão, intimando o contribuinte a recolher os débitos do IRPJ de agosto a outubro/98, ou apresentar manifestação de inconformidade no prazo legal contra a não homologação da compensação, nos termos do art. 74, §7º a §11º da Lei 9.430/96. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 24.01.2012, fl. 161, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 25.01.2012, fls. 155157, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que Nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. À vista desse dispositivo legal, fica evidente que não tem cabimento a cobrança, em 2012, de supostos débitos de IRPJ, NÃO LANÇADOS, relativos aos períodos de apuração 08 a 10/1998. Além disso, cumpre registrar a inobservância, no procedimento ora contestado (o que lhe retira a validade), do disposto no art. 9º do Decreto n° 70.235/72: “as exigência do crédito tributário será formalizada em auto de infração ou notificação de lançamento, distinto para cada tributo.” Mérito. Conforme consta do 3º parágrafo da folha 91 do processo em epígrafe (anexa à Intimação referida no preâmbulo), "a SAORT/DRF/PEL entendeu pela não homologação da compensação, em vista do decurso de prazo superior a cinco anos Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 1801001.810 S1TE01 Fl. 203 5 entre a data do pagamento e a formalização da compensação através da entrega da DCTF ". Ora, é sabido que, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 435.835/SC, Relator p/o acórdão Min. José Delgado, julgado em 24/03/2004) está consagrado o entendimento de que o critério para contagem do prazo para restituição/compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é dos "cinco mais cinco" (cinco anos do recolhimento mais 5 anos da homologação tácita), havendo, recentemente (Fiscosoft on line, 05/08/2011), o Supremo Tribunal Federal perfilhado o mesmo entendimento, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 566.621. Mais: no Processo n° 11040.000581/9717, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão n° 10418.652 (já constante dos autos, conforme consignado no 5o parágrafo da folha 91), deu provimento ao recurso voluntário interposto pela postulante, estabelecendo que "o termo inicial para a compensação de crédito do IRRFLL — decorrente da declaração de inconstitucionalidade do art. 35 da L. 7.713/1998, no que diz respeito à expressão "o acionista" nele contida é a data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 82/96, ou seja: 19/11/96. Nessas condições, é forçoso reconhecer que o débito em cobrança está extinto pela decadência (art. 156, inciso V, do CTN) e que, se assim não fosse o que se admite apenas para argumentar , está extinto pela compensação (art. 156, inciso II, do CTN) procedida, dentro do prazo legal, nos termos do art. 66, da L. 8.383/91 e do art. 14, da Instrução Normativa SRFN° 21/97. Por último mas não menos importante, cumpre registrar que diante da decisão acima mencionada do 1º Conselho de Contribuintes a Intimação 364/2011 configura típico "excesso de exação", como capitulado no § 1º do art. 316 do Código Penal: "Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, (...) " Diante do exposto, a postulante requer: preliminarmente, o reconhecimento de que o débito está extinto pela decadência; ou no mérito, o reconhecimento de que a compensação declarada nas DCTF's de fls. 02/09 foi efetuada dentro do prazo estabelecido pelo 1º Conselho de Contribuintes no julgamento transitado em julgado do Recurso n° 125.825 (cópia em anexo), determinando esse Colegiado, por conseguinte, o cancelamento da indigitada cobrança. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1038.155, de 26.04.2012, fls. 173179: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 1801001.810 S1TE01 Fl. 204 6 O prazo para restituição/compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior é de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido. Notificada em 04.06.2012, fl. 189, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.06.2012, fls. 191196, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta: I DECADÊNCIA (do direito do fisco). Conforme aduzido na manifestação de inconformidade de As. 155/157, à vista do disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, é flagrante a decadência do direito fazendário de proceder à revisão e fazer exigência, no ano de 2011, de crédito tributário (relativo a IRPJ períodos de apuração 08 a 10/98) extinto por compensação (efetuada com base no art. 66, da L. 8.383/91) informada nas respectivas DCTF's apresentadas no longínquo ano de 1998. [...] Nesta conformidade, é indiscutível que o procedimento fazendário está completamente caduco, não tendo a menor consistência a justificativa apresentada pela decisão recorrida no 6o parágrafo da fl. 178, pois, como decidido pela Primeira Seção do STJ no julgamento do EDIvREsp 572.603/PR, Min. Castro Meira, jun/05, "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, (...), mas não impossibilita a Fazenda de proceder à resultar constituição de crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar". Inconsistente (para dizer o menos) também a afirmação da decisão recorrida de que "o prazo para compensação de tributo pago indevidamente ou a maior do que o valor devido é de cinco anos contados da data do pagamento", diante do posicionamento adotado a respeito da matéria pelo Superior Tribunal de Justiça (EREsp 435.835/SC, julgado em 24/03/2004) e, mais recentemente, pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário 566.621 [...]. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 1801001.810 S1TE01 Fl. 205 7 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. [...] Mais: é incompreensível o relator da decisão recorrida não reconhecer efeito vinculante à decisão do CARF proferida no Processo n° 11040.000581/9717 (v. cópia anexa à manifestação de inconformidade de fls. 155/157), em que é parte a ora recorrente e cujo objeto era, justamente, "a compensação de crédito do IRRFLL decorrente da declaração de inconstitucionalidade do art. 35 da L. 7.713/98". Nessa decisão, em que foi dado provimento, por unanimidade, ao recurso interposto pela ora recorrente, foi fixada a data da publicação (19/11/1996) da Resolução do Senado Federal n° 82/96 como termo inicial do prazo para a compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de imposto de renda sobre o lucro líquido. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, a recorrente requer a reforma da decisão recorrida mediante o reconhecimento, em preliminar, de que o débito está extinto pela decadência (art. 156, V, do CTN); e, no mérito, de que a compensação foi efetuada dentro do prazo estabelecido pela 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes no julgamento do Recurso n° 125.825 bem como dentro do prazo adotado pelo STJ e pelo STF, no caso de lançamento por homologação, determinando, por conseguinte, o cancelamento da indigitada cobrança. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 1801001.810 S1TE01 Fl. 206 8 A Recorrente discorda da cobrança dos débitos, tendo em vista que o direito creditório foi reconhecido no processo nº 11040.000581/9717, onde foi formalizada a Per/DComp com a confissão dos referidos débitos. A Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, determina: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: [...]IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; [...] Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. Em relação à previsão legal para julgar esta matéria, o Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]§ 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. O Código de Processo Civil determina: Art. 103 Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Verificase que o presente processo trata tãosomente da cobrança de débitos confessados no Per/DComp formalizado no processo principal nº 11040.000581/9717, que se encontra na DRF/Pelotas/RS 1. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª CÂMARA/1º Conselho de Contribuintes nº 10418.652, de 19.02.2002 exarado no processo nº 11040.000581/97172: “Acordam os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Consta no Voto condutor: A questão em discussão nestes autos reside na questão de saber se o recorrente possui direito à compensação do imposto de renda sobre o lucro líquido pleiteada e, além disso, se exerceu este direito dentro do prazo previsto na legislação tributária. 1 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=110400005819717&DDMovimentoQ=28032005&SQOrd emQ=0> . Acesso em: 20 nov.2013. 2 Disponível em: <http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf> . Acesso em: 20 nov. 2013. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 1801001.810 S1TE01 Fl. 207 9 Como já restou definido nas instâncias inferiores, é inequívoco o direito do recorrente ao ressarcimento dos valores recolhidos a título de imposto de renda retido na fonte nos termos do art. 35, da Lei n° 7.713/88 visto ter sido constituída sob a forma de sociedade por ações. Também é certo que os valores recolhidos, a este titulo, pela recorrente foram tiveram seu ingresso em receita confirmado (fls. 39/40). A fixação do termo inicial para a apresentação do pedido de restituição ou compensação de tributo pago indevidamente está estritamente vinculada ao momento em que o imposto passou a ser indevido. Antes deste momento os pagamentos efetuados pelos contribuintes eram pertinentes, já que em cumprimento de ordem legal. Isto quer dizer que, antes do reconhecimento da improcedência do imposto (pela declaração de inconstitucionalidade da norma que o instituiu), a recorrente e os demais contribuintes agiram dentro da presunção de legalidade e constitucionalidade da lei. Mas, declarada a inconstitucionalidade — com efeito erga omnes da lei veiculadora do tributo, este será o termo inicial para a apresentação do pedido de restituição, porque até este momento não havia razão para o descumprimento da norma, pura e simplesmente. Este, a propósito, foi o entendimento unânime desta Quarta Câmara: “IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LIQUIDO — RESTITUIÇÃO —TERMO INICIAL. Contase a partir da publicação da Resolução do Senado Federal n° 82/96, o prazo para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente recolhidos a titulo de imposto de renda sobre o lucro líquido. Recurso provido." (Recurso n° 15.288; Acórdão n°10416.684; sessão de 15/10/98). Nessa linha, não hesito em afirmar que somente a partir da publicação da Resolução do Senado Federal n° 82 de 1996 (DOU de 19 de novembro de 1996) é que surgiu o direito da recorrente em pleitear a restituição do imposto pago. O dia 19/11/96 marca, portanto, o termo inicial para a apresentação do requerimento de compensação de que se trata nos autos. Como a recorrente apresentou seu pedido de compensação em 15 de maio de 1997, não há de se falar em decadência e, atendido este prazo, a compensação poderá alcançar o imposto recolhido em qualquer momento pretérito. Por todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para reformar a decisão recorrida e reconhecer o direito à compensação pleiteada. Por conseguinte, restou caracterizada a conexão entre ambos os processos. Em relação a pedido de compensação do direito creditório anteriormente reconhecido no prazo legal, cabe esclarecer que é imprescritível no caso de preenchidas determinadas condições. Nesse sentido, o sujeito passivo pode compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação, (a) o seu pedido não tenha sido Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 1801001.810 S1TE01 Fl. 208 10 indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB e (b) se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Nesse caso, o sujeito passivo pode apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo de 5 (cinco anos)3. Restou comprovado que o direito creditório foi reconhecido no processo nº 11040.000581/9717, a respeito do qual não se pode emitir qualquer juízo de valor nos presente autos, mesmo porque aquele já se encontra com decisão de segunda instância de julgamento contra a qual não cabe mais recurso na esfera administrativa por decurso de prazo. Por essa razão não há que se falar em prescrição do direito de a Recorrente apresentar o pedido de compensação do referido direito creditório. Em relação à previsão legal para julgar ao pedido de homologação da compensação de débitos com a utilização de crédito de ILL, o Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: [...] III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; [...] Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: [...] II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); [...] Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. A matéria referente ao Per/Dcomp, cujo crédito é pagamento a maior de ILL é afeta a 2ª Seção de Julgamento do CARF, porque não se trata de IRRF de antecipação do IRPJ. É fato que o direito creditório foi analisado processo principal nº 11040.000581/9717. Os débitos a serem compensados estão sendo analisados nos presentes autos e a referida matéria foi objeto do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1038.155, de 26.04.2012, fls. 173179, em face da qual, notificada em 04.06.2012, fl. 189, a Recorrente 3 Fundamentação legal: §§ 5º e 10 do art. 41 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, e § 14 da Lei nº 9.430, de 17 de dezembro de 1996. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 1801001.810 S1TE01 Fl. 209 11 apresentou o recurso voluntário em 29.06.2012, fls. 191196, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.25, de 06 de março de 1972. Embora a análise do débitos não se conforme com o rito do Decreto nº 70.25, de 06 de março de 1972 e do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe examinar a questão do aspecto do art. 59 do referido Decreto, a saber: Art. 59. [...]: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Somente se decreta a nulidade se comprovada a ocorrência de prejuízo para a parte. Caso contrário há uma assunção de que o ato administrativo gere os efeitos, como se não viciado fosse, no caso em que o mérito será decidido em favor do sujeito passivo. No presente caso os presentes autos devem ser juntados ao processo principal nº 11040.000581/9717, para que os débitos aqui exigidos sejam compensados de acordo com o Per/DComp ali formalizado até o limite do direito creditório originalmente reconhecido e disponível naquele processo. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário e determinar a juntada dos presentes autos ao processo principal nº 11040.000581/9717, para que os débitos aqui exigidos sejam compensados de acordo com o Per/DComp ali formalizado até o limite do direito creditório originalmente reconhecido e disponível naquele processo. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002446/2002-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997
DECISÃO JUDICIAL TRANSITO EM JULGADO. COISA JULGADA. DISPOSITIVO. ART. 469 DO CPC.
A decisão judicial, transitada em julgado, reconhece o direito do contribuinte de apurar e utilizar crédito tributário, devendo-se-lhe ser utilizado nos exatos termos do dispositivo da decisão judicial, ex vi do art. 469 do CPC.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
EDITADO EM: 21/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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COISA JULGADA. DISPOSITIVO. ART. 469 DO CPC. A decisão judicial, transitada em julgado, reconhece o direito do contribuinte de apurar e utilizar crédito tributário, devendoselhe ser utilizado nos exatos termos do dispositivo da decisão judicial, ex vi do art. 469 do CPC. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 21/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 24 46 /2 00 2- 60 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. “Em decorrência de fiscalização procedida junto à contribuinte, foi lavrado, em 09/05/2002, o Auto de Infração de fl. 28, exigindolhe o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 226.061,00, sendo R$ 86.019,94 de Cofins. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 29, o lançamento, relativo ao quarto trimestre de 1997, decorreu da falta de pagamento da contribuição. A contribuinte, mediante a impugnação de fls. 01/22, apresentada por procurador habilitado pelo documento de fl. 23, aduziu, em resumo, que: 1. O tributo encontrase com exigibilidade suspensa, em face da antecipação de tutela estabelecida nos autos da Ação Ordinária n° 1998.38.03.0025354, em trâmite na I a Vara da Subseção Judiciária de Uberlândia; 2. Existe verossimilhança dos dados inseridos em DCTF, acerca da suspensão do crédito tributário, mas especificamente, o município de Belo Horizonte, ou seja, a Seção Judiciária de Minas Gerais como sendo o local do juízo, tornando factível confirmação por simples consulta ao banco de dados da Justiça Federal; 3. São nulos os despachos e decisões proferidas com cerceamento do direito de defesa (Decreto 70.235/72); 4. Deveria ter sido intimado para prestação de esclarecimentos, a teor do artigo 3o da IN SRF n° 94/1997. Artigo esse que demonstra a preocupação do legislador com a proteção dos direitos constitucionais, mais especificamente o princípio do contraditório; 5. As letras "a" e "b" do art. 3 o da IN SRF 94/1997, não são aplicáveis, uma vez que , frente ao conjunto de verossimilhança das informações prestadas na DCTF, a infração não estava claramente configurada, no sentido da regra jurídica; 6. As normas estabelecidas na Lei n° 10.426/2002 conduzem a necessária intimação para prestar esclarecimentos acerca de incorreções ou omissões constantes de DCTF, sob pena de multa. Assim somente após a previsão hipotética constante da norma, ou seja, falta de prestação de informações, poderseá aplicar penalidade. A intimação prévia é requisito primordial para ampla defesa, sob pena de vício no procedimento fiscal; Fl. 347DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10675.002446/200260 Acórdão n.º 3302001.893 S3C3T2 Fl. 347 3 7. O auto de infração é passível de nulidade pela aplicação de penalidade mais gravosa do que a prevista na Lei 10426/2002; 8. O depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário. Cita o artigo 62 do PAF e acórdão do Conselho de Contribuintes, informando que mantida a autuação estará consignada desobediência à ordem judicial; 9. Havendo equívoco nas informações prestadas em DCTF, seria cabível tãosomente a aplicação de penalidade por erro no preenchimento da DCTF. Discorre sobre esse tema; 10. Em função dos princípios reguladores da atividade do Estado tendente a aplicar penalidades, tais como da estrita legalidade, tipicidade, vinculação do ato administrativo, etc, o auto de infração deve ser reformado, para corretamente adequar os fatos subjacentes ao contencioso instaurado à legislação que os normatiza. Cita o artigo 112 do CTN. O processo foi remetido, à fl. 94, pela SACAT/DRF/UBE, para Equipe de Acompanhamento de Ações Judiciais para se pronunciar quanto à liquidez e certeza dos valores utilizados na compensação, uma vez que a contribuinte argumenta ter promovido a compensação dos valores pagos a maior de PIS, com base no processo judicial 1998.38.03.0025354. Às fls. 136/137, despacho da EQAJ, com lastro nos documentos de fls. 95/135, acusando que a empresa não possui créditos de PIS, conforme alega em sua defesa. Cientificada do referido despacho e documentos que lhe deram suporte, a contribuinte apresentou razões adicionais de defesa, às fls. 140/156, arguindo que: 1. os valores autuados foram compensados com crédito do PIS, em face da ação ordinária n° 1998.38.03.0025354, em trâmite na Ia Vara da Subseção Judiciária de Uberlândia MG, ao intento de devolução dos valores citados. Destaca trecho da sentença e também do acórdão do TRF que negou provimento à Apelação da Fazenda Nacional. Informa que o acórdão transitou em julgado em 02/09/2003; 2. o debate encontrase voltado ao posicionamento da Administração Pública em desconsiderar o julgamento pronunciado no sentido de manutenção de um dos critérios da hipótese de incidência do tributo, qual seja, a base de cálculo; 3. valoriza norma não pertencente à referida hipótese, com intento único de expurgar a decisão judicial do sistema normativo vigente com a cobrança do tributo com alíquota superior àquela constante da norma julgada inválida. A alíquota aplicável é de 0,65% constantes dos Decretos 2445/88 e 2449/88; 4. a base de cálculo do tributo constituise no faturamento ocorrido no sexto mês antecedente. Disserta sobre esse tema; Fl. 348DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 5. manutenção dos índices de correção monetária expurgados pela inflação consoante dispositivos constantes da sentença e confirmados pelo TRF.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da Segunda Turma, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, para manter a exigência do tributo expressa no Auto de Infração de fl. 28, acompanhado de multa de mora e juros de mora, calculados até a data do pagamento. Intimada do acórdão supra em 21/07/2006, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 21/08/2006. Em face da interposição do referido recurso os autos alcançaram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF onde foi proferido decisão, no sentido de encaminhar o recurso à diligência para que a douta fiscalização esclarecesse os seguintes pontos: 1. qual o montante total do indébito tributário relativo ao processo judicial em epígrafe, em consonância com a interpretação da Delegacia sobre o conteúdo final da decisão judicial, totalizando as informações analíticas acostadas às fls. 230 a 265; 2. qual o montante efetivamente devido, se houve, relativo às contribuições ao PIS ou da COFINS, de períodos de apuração anteriores ao objeto dessa lide, quais sejam, anteriores a outubro de 1997, que porventura devessem ser compensados e por conseguinte abatidos dos créditos ora pleiteados pela contribuinte. Realizada as diligências solicitadas os autos tornaram à esse E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Conforme exposto em decisão anterior, a questão tratada aqui é relativa à arguição de nulidade do lançamento por insuficiência de descrição dos fatos e indicação dos dispositivos violados, além de por falta de motivo vinculado e motivação para lavratura do auto de infração, do prazo decadencial da COFINS, além do lançamento efetuado pela fiscalização, para prevenir a decadência, uma vez que a contribuinte ainda discute judicialmente os valores que foram alvo do lançamento em questão. Vinda às informações requeridas, entendo inexistir razão à Requerente. Buscase no processo administrativo a verdade material. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos. Isto devido ao princípio da verdade material, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. No princípio da verdade material é que, diante da existência de fatos imponíveis não declarados voluntariamente pelo contribuinte, cabe à Fazenda Pública diligenciar para descobrilos e provar a sua existência real. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10675.002446/200260 Acórdão n.º 3302001.893 S3C3T2 Fl. 348 5 O princípio da livre convicção do julgador informa o sistema jurídico brasileiro. Por este princípio a valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos é feita livremente, pelo julgador. Importa saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. A perícia solicitada teve por finalidade, ajudar o julgador a formar sua convicção. Neste caso, vinda às informações, entendo que assiste razão à Recorrente, pois conforme consta das Informações Fiscais pertinentes, no ponto específico do crédito da Recorrente, há afirmação clara de inexistência de crédito, e a impossibilidade de realização da respectiva compensação.. Isso ocorre em razão de controvérsia relativa à própria interpretação da decisão judicial. O que ocorreu em síntese foi que a leitura do dispositivo da sentença nos permitiria a interpretação corrente nesse E. CARF que a base de cálculo para a apuração do PIS durante a vigência dos Decretos nº 2.445 e 2.449 se calculadas pela Lei Complementar nº 7/70 não exigiria o cálculo de sua correção ao longo do período de seis meses entre o faturamento e a data de recolhimento. Esse é a interpretação correta, e de longa data uniformemente aplicada nessa instância julgadora. Ocorreu, no entanto, que a fiscalização interpretou a sentença judicial em sua inteireza, ou seja, considerando o texto da mm. Juíza Federal que nas suas razões de decidir, às fls. 277 dos autos afirmou que: “Assim, entendo correta a exação que tenha se utilizado tão somente dos critérios contidos na Lei complementar n° 7/70 que foi recepcionada pela atual Constituição, ou seja, tendo por base dc cálculo o faturamento do sexto mês anterior, monetariamente corrigido pelos índices previstos em lei para correção dos tributos federais.” Caberia então a esse Julgador aplicar o entendimento da mm. Juíza em consonância com a decisão judicial, balizado pelo art. 469 do CPC que prevê apenas fazer coisa julgada a parte dispositiva da sentença. Verifico então que a própria autoridade fiscal, às fls. 229 o fez, adotando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior sem correção monetária. Assim, tendo sido elaborados cálculos adequadamente, confirmados pela diligência ora retornante, tendo sido adequadamente aplicada a sentença judicial, considero adequado o julgamento da instância a quo. Isso posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2012 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 6 GILENO GURJÃO BARRETO – Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 351DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10909.900204/2008-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004
DECISÃO. NULIDADE. MOTIVAÇÃO INADEQUADA. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA.
A apresentação de motivação fática e jurídica desconexa da realidade dos autos equivale à ausência de fundamentação e implica, por conseguinte, prejuízo ao exercício do direito de defesa do contribuinte. Nulidade (art. 59, II, do Decreto no 70.235/1972).
Recurso Voluntário Provido.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-002.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do presente processo a partir da decisão de 1º grau, inclusive.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004 DECISÃO. NULIDADE. MOTIVAÇÃO INADEQUADA. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. A apresentação de motivação fática e jurídica desconexa da realidade dos autos equivale à ausência de fundamentação e implica, por conseguinte, prejuízo ao exercício do direito de defesa do contribuinte. Nulidade (art. 59, II, do Decreto no 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do presente processo a partir da decisão de 1º grau, inclusive. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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TERMINAL DE CONTEINERES DO VALE DO ITAJAÍ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004 DECISÃO. NULIDADE. MOTIVAÇÃO INADEQUADA. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. A apresentação de motivação fática e jurídica desconexa da realidade dos autos equivale à ausência de fundamentação e implica, por conseguinte, prejuízo ao exercício do direito de defesa do contribuinte. Nulidade (art. 59, II, do Decreto no 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do presente processo a partir da decisão de 1º grau, inclusive. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 02 04 /2 00 8- 38 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004 RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, alegou ter pago indevidamente a Cofins no regime nãocumulativo no período de apuração objeto dos autos. Aduz que, em razão de equívoco no preenchimento na Dctf, já devidamente retificado, o crédito não teria sido identificado por ocasião do despacho decisório. Sustentou ainda que, por força do princípio da verdade material, a compensação deveria ser homologada. A DRJ, por sua vez, manteve o despacho decisório, por entender que teria sido correta “a medida da DRF/Itajaí/SC de, na imputação de créditos e débitos ter calculado o débito com a adição de multa de mora em face do adimplemento a destempo” (fls. 55). Após essa decisão, o Chefe da Seção de Arrecadação e Cobrança (SARAC) da Delegacia da Receita Federal de Itajaí proferiu o seguinte despacho: “Tratase de manifestação de inconformidade na qual a contribuinte discorda da não homologação total da compensação de débitos declarada, Despacho Decisório de fls. 06, por inexistência do crédito. Entretanto o Acórdão de fls. 52/55 tratou o caso como sendo homologação parcial. Assim, encaminhese à DRJ em Florianópolis para verificar a possibilidade de correção da referida decisão.” (fls. 58). Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10909.900204/200838 Acórdão n.º 3802002.084 S3TE02 Fl. 305 3 Foi, assim, proferido um segundo acórdão, de natureza retificadora, mas que manteve o mesmo fundamento da decisão anterior (fls. 59). A Recorrente, nas razões de fls. 65 e ss., sustenta que a decisão recorrida teria deixado de analisar os fundamentos e provas apresentados na manifestação de inconformidade, afastandose completamente da discussão travada nos autos e apresentando razões para a não homologação da compensação que sequer foram suscitados pelo contribuinte. Requer a nulidade da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 15/02/2012 (fls. 65), interpondo recurso tempestivo em 15/03/2012 (fls. 66). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Recorrente, consoante destacado, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Na manifestação de inconformidade, por sua vez, o contribuinte alegou ter pago indevidamente a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) no regime nãocumulativo no período de apuração objeto dos autos. Sustentou ainda que, em razão de equívoco no preenchimento na Dctf, já devidamente retificado, o crédito não teria sido identificado por ocasião do despacho decisório. Em razão disso, requereu, com base no princípio da verdade material, a homologação da extinção do crédito tributário. A DRJ, entretanto, apreciou e decidiu matéria completamente distinta, consoante se depreende da seguinte passagem do relatório: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte com o fim de ver compensados débitos seus com cred́itos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Itajai/SC pela homologação parcial da compensação (Despacho Decisório, A folha 06), fazendoo com base na constatação da insuficiência do crédito alegado para cobrir a integra do débito. Irresignada com a não homologação integral de sua compensação, encaminhou a contribuinte a manifestação de inconformidade às folhas 09 a 18, na qual explicita discorda do critério de imputação adotado pela DRF/Itajai/SC. Alega que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o deb́ito em questão vencido em data anterior e tendo sido Fl. 306DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Entende que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de oficio e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Junta jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Julgado por esta Quarta Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC o litígio instaurado pela manifestação de inconformidade acima relatoriada (Acórdão 0715.794, às folhas 52 a 55), foi o processo enviado à unidade de origem para formalização da ciência à contribuinte. A unidade de origem, entretanto, antes de proceder a ciência, formalizou o despacho à folha 57, no qual alega ter havido erro material no acórdão, posto que foi nele consignado que a homologação da compensação havia sido parcial pela DRF/Itajai, quando na verdade a não homologação foi total. Em análise do pedido de correção trazido pela unidade de origem, constatase que é ele procedente. Deste modo, com base no parágrafo 1.° do artigo 21 e no artigo 27 da portaria MF n.° 341, de 12/07/2011, está sendo formalizado este novo acórdão, de caráter revisor, com o intuito apenas de sanar a incorreção levantada. (fls. 60). Na verdade, conforme demonstrado, a manifestação de inconformidade tem conteúdo completamente distinto da que foi informada no relatório, o que acabou se refletindo na emenda equivocada do acórdão (já reproduzida acima) e na seguinte passagem do voto: Como no relatório deste Acórdão se viu, alega a contribuinte que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Entende que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de oficio e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Junta jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Em análise do arguido, hi que se dizer, de plano, que não se pode aqui acatar a tese da contribuinte. E que apesar dos precedentes que junta e dos excertos doutrinários a que faz menção, a multa de mora, como penalidade incidente sobre todos os recolhimentos efetuados a destempo (mesmo que espontâneos), está expressamente prevista no artigo 61 da Lei n. ° 9.430/1996, ou seja, consta de disposição legal expressa regularmente vigente, o que faz com que a única forma de se afastar a imposição da penalidade na situação posta pela contribuinte seja a da via da declaração da ilegalidade ou inconstitucionalidade daquele dispositivo legal, coisa que, à evidência, não pode este juízo administrativo fazer. (fls. 61). Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10909.900204/200838 Acórdão n.º 3802002.084 S3TE02 Fl. 306 5 A rigor, não há uma só palavra na manifestação de inconformidade acerca do cabimento ou não dos juros de mora ou do alcance do art. 138 do Código Tributário Nacional. Houve, destarte, um erro no relatório da decisão recorrida, que, por sua vez, conduziu o voto ao exame de matéria completamente destoante da realidade fática e jurídica dos autos. Tal equívoco contaminou a validade do acórdão, que, enquanto ato administrativo decisório, deve ser baseado em motivo existente e adequado. A apresentação de motivação fática e jurídica desconexa da realidade dos autos equivale à ausência de fundamentação e implica, por conseguinte, prejuízo ao exercício do direito de defesa do contribuinte. Impõese, portanto, a declaração de nulidade da decisão, nos termos do art. 59, II, do Decreto no 70.235/1972: “Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Votase pelo conhecimento e provimento do recurso, para declarar a nulidade do presente processo, a partir da decisão recorrida, inclusive, devendo ser proferida nova decisão pela DRJ. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11050.001003/2003-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 06/05/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PROVA EXTEMPORÂNEA.
Cabem embargos de declaração em relação à matéria sobre a qual resta dúvida acerca da completude da apreciação da prova.
Considera-se extemporânea a apresentação de provas em embargos de declaração com o fim de rediscussão do mérito, em processo de classificação fiscal de mercadorias, ainda mais quando a prova não se relaciona com a omissão, a contradição ou a obscuridade alegadas.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS EM PARTE
Numero da decisão: 3101-001.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão relativa à apreciação do laudo técnico.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 06/05/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PROVA EXTEMPORÂNEA. Cabem embargos de declaração em relação à matéria sobre a qual resta dúvida acerca da completude da apreciação da prova. Considera-se extemporânea a apresentação de provas em embargos de declaração com o fim de rediscussão do mérito, em processo de classificação fiscal de mercadorias, ainda mais quando a prova não se relaciona com a omissão, a contradição ou a obscuridade alegadas. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS EM PARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão relativa à apreciação do laudo técnico. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Luiz Roberto Domingo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/05/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PROVA EXTEMPORÂNEA. Cabem embargos de declaração em relação à matéria sobre a qual resta dúvida acerca da completude da apreciação da prova. Considerase extemporânea a apresentação de provas em embargos de declaração com o fim de rediscussão do mérito, em processo de classificação fiscal de mercadorias, ainda mais quando a prova não se relaciona com a omissão, a contradição ou a obscuridade alegadas. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão relativa à apreciação do laudo técnico. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 10 03 /2 00 3- 42 Fl. 684DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração em que a Contribuinte, Embargante, por considerar omisso o Acórdão nº 30134.723, de 10/09/2008, por deixar “de se pronunciar acerca do laudo pericial judicial (prova reconhecidamente admitida pelo acórdão ora embargado) na parte em que este expressamente reconhece a existência do Diclorodimetilsilano (pigmento orgânico transparente) nos produtos itens 1 (S2871) e 5 (S2947) O QUE NÃO FOI DETECTADO NO LAUDO DA FUNCAMP , amparado não só na composição química fornecida pelo fabricante do produto (vide parte do Laudo de apresentação de quesitos complementares denominada "Esclarecimentos" itens 3 – Analise química e 4 — Resposta referentes a citação de que este perito não afirma que os produtos S2871 e S1942 possuem pigmento), mas também, relativamente aos efeitos que esse elemento produz em termos de reações físicas e microscópicas em cartões de crédito.” Traz novas provas Fichas de Informações de Segurança de Produtos Químicos FISPQ elaborada pela ABNT/CB10 Comitê Brasileiro de Química e Comissão de Estudo de Informações sobre Segurança, Saúde e Meio Ambiente Relacionados a Produtos Químicos relativamente aos produtos itens 1 (S2871) e 2 (S1942) – em relação às quais alegas que “além de todos os dados de segurança identificam o código, a utilização das substancias e sua designação como TINTAS DE IMPRESSÃO, esclarecendo, ainda, em ambas as fichas, que "o produto está identificado e classificado de acordo com as directivas comunitárias e com a lei sobre substâncias perigosas”.”. Alega que o Acórdão é contraditório, pois ao dispor “(...) Quanto ao item 5, revela considerar que não teve a classificação fiscal adotada pela contribuinte contestada pela autoridade autuante, conforme se depreende do documento de fls. 32. Apesar de ter sido considerado como verniz pela FUNCAMP, doc. de fls. 117, entendo que não há elementos suficientes que autorizem ser o mesmo considerado como verniz, em face da função de segurança que exerce, conferindo autenticidade ao produto final.”, entende que a decisão considerou a finalidade do produto como fator determinante para a sua não classificação como "verniz" ("em face da função de segurança que exerce, conferindo autenticidade ao produto final"). É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do recurso em face de sua tempestividade. Alega a embargante que o Acórdão deixo de se pronunciar acerca do laudo pericial na parte em que expressamente reconhece a existência do diclorodimetilsilano (pigmento orgânico transparente) nos produtos S2871 e S2947. Os laudos de fls. 150 e seguintes analisaram os produtos S3616, S3522 – tinta de impressão, S2947. Apesar de entender que o Ilustre Conselheiro Relator apreciaou a Fl. 685DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11050.001003/200342 Acórdão n.º 3101001.374 S3C1T1 Fl. 285 3 prova, é possível que a redação do voto condutor do acórdão tenha provocado alguma dúvida acerca do quanto decidido, pelo que passo a esclarecer. Ao mencionar à fls. 234/235 que o “laudo judicial indica que os itens 1 e 2 tem base vinílica e não tem função de pigmentar o produto final”, o Acórdão embargado afasta a prova para considerar apenas as provas de fls. 150 e seguintes. Vejamos: E que o laudo de fls.150 e seguintes os considera vernizes. Outrossim, o Laudo Pericial juntado aos autos pela recorrente As fls. 182, extraído de ação declaratória c/c anulatória de débito fiscal cujo mérito diz respeito A classificação das mesmas mercadorias aqui tratadas, assim classifica os demais itens: * Item 1 verniz para laminação, ref S.2871/111. segundo o referido laudo, tratase de "produto projetado para aderência de laminagão em PVC (folhas brancas), tem propriedade que permite o intercâmbio entre as resinas vinilicas do PVC com as resinas acrílicas da tinta offset; * Item 2 verniz para laminação, ref S.1942/111. segundo o referido laudo, tratase de "cimento de adesão entre as duas lâminas, contém apenas produtos que permitem aglutinar as tintas offset ao substrato de PVC"; * Item 5 tinta ultra violeta sensitiva azul, ref S2947: segundo o referido laudo, tratase de "azul sensível a ultra violeta — produto de segurança para laminação de cartões de crédito ou como sobre impressões em tarjas de assinaturas. Do exame dessas descrições detalhadas dos produtos relacionados aos itens 1, 2 e 5, acima, verificase de plano que não são tintas de impressão. Não cumprem essa função. Especificamente, os itens 1 e 2 têm base vinílica e não têm a função de pigmentar o produto final. Como esses produtos tern constituição química de vernizes, correta está a classificação adotada pela autoridade autuante. Outrossim, não apenas o laudo da Funcamp, anexado mediante diligência requerida por esta Colenda Primeira Câmara, mas a própria recorrente afirma As fls. 26 (iteml, ref 2871) e fls. 27 (item 2, ref. 1942) que tratamse de vernizes. Ora, o fato de o Acórdão não considerar válida a prova por meio de justificativa aferível em contraprova, não quer dizer que não “reconheceu” a prova, pois, na verdade, a prova conhecida e apreciada, sendo que, na apreciação, foi afastada. Ou seja, o julgador não deixou de apreciar a prova apresentada, mas atribuiulhe valor e indicou por quais motivos não seria bastante e suficiente, A rediscussão da matéria deve cumprir rito próprio e não é cabível em embargos de declaração, inclusive a rediscussão de mérito por conta de apresentação de provas extemporâneas. Quanto à contradição apontada, entendo que esta não existe. O fato de citar a função do produto não exclui a ausência de pigmentação para efeito da classificação fiscal, cerne do quanto foi decidido. Aliás, o laudo judicial expressamente menciona na resposta do quesito 5 que “conforme relatado e análises do processo de fabricação de cartães de créditos, a 3 * regra da NCM ou TIPI, conforme classificação para interpretação do Sistema Harmonizado, que se refere que a finalidade e não a composição química do produto deve prevalecer. Não que a análise química do produto seja importante, pois esta informação é de responsabilidade do fabricante que , sempre que exporta , deve, no mínimo apresentar um Fl. 686DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Laudo de Análise Química do produto, Laudo este fornecido por Laboratório acreditado. Baseado nas respostas dos itens 1 e 4, os produtos analisados não tem função para simples proteção e decoração, mas sim, finalidades especificas, como: laminação, segurança e cimentação, propriedades estas que um produto definido como verniz não apresenta. Portanto, mantenho, a posição do NCM 3215.19.00 pelas conclusões obtidas nas finalidades deste produto”, de modo que, no meu entender, a contradição esta na alegação da Embargante e não no Acórdão recorrido. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão relativa à apreciação do laudo técnico. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 687DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10435.000528/2006-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, e Meigan Sack Rodrigues. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Alexei Vivan.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, e Meigan Sack Rodrigues. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Alexei Vivan.
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Resolvem os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, e Meigan Sack Rodrigues. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Alexei Vivan. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 35 .0 00 52 8/ 20 06 -2 6 Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10435.000528/200626 Resolução nº 1202000.222 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 5.876.053,38 (valores principais, multas e juros). De acordo com o Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 406 a 416), o lançamento decorreu de diferenças entre os valores dos tributos escriturados e os declarados/pagos relativamente aos anos calendários de 2002 a 2005. Qualificouse a multa de ofício (150%). Efetuouse representação fiscal para fins penais (Processo n° 10435.000527/200681). Incluiuse o Sr. José Porfírio de Oliveira no pólo passivo da obrigação tributária, na condição de responsável tributário (lavrouse Termo de Sujeição Passiva Solidária). O contribuinte apresentou as impugnações das fls. 429 a 451 e 948 a 970. O Sr. José Porfírio de Oliveira apresentou as das fls. 555 a 565 e 1.085 a 1.094, por meio das quais argúi a nulidade dos autos de infração e questiona a sua caracterização como responsável tributário. Por meio do Acórdão DRJ Rec n° 1118.794, de 30 de abril de 2007, fls 893 a 908, decidiuse pela manutenção em parte do crédito. Não foram apreciadas as contraposições à caracterização da responsabilidade do Sr. José Porfírio de Oliveira, por a matéria ser estranha ao processo administrativo fiscal. Em face do recurso de n° 161.653, interposto pela Bombomflex e Sr. José Porfírio de Oliveira, decidiu o CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (1a turma da Segunda Câmara da 1a Seção), por meio do Acórdão n° 120100.366 (fls. 1.161 a 1.175) pela devolução do feito à DRJ Recife, para enfretamento dos "argumentos aduzidos pelo responsável quanto à sua condição de sujeito passivo tributário", conforme ementa e dispositivo transcritos a seguir: TERMO DE RESPONSABILIDADE O lançamento, conforme disciplina do art. 142 do CTN, é procedimento composto por várias etapas, dentre as quais, a de identificação do sujeito passivo; expressão empregada pela codificação tributária, no parágrafo único do art. 121, para designar ambos: contribuinte e responsável. Desse modo, as instâncias de julgamento devem enfrentar as razões aduzidas pelo responsável relativas à sua própria condição de sujeito passivo da relação jurídicotributária. (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para devolver o feito à autoridade de primeiro grau com o fito de prosseguir no julgamento a fim de enfrentar os argumentos aduzidos pelo responsável quanto à sua condição de sujeito passivo tributário Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10435.000528/200626 Resolução nº 1202000.222 S1C2T2 Fl. 4 3 A Contribuinte foi intimada do Acórdão do CARF n° 120100.366 em 15/06/2011 (Fls. 1.173 a 1.175). Não constam dos autos a interposição, pela Contribuinte, de Recursos quanto à parte desprovida do referido Acórdão. Não constam dos autos a intimação ao Sr. José Porfírio de Oliveira do Acórdão do CARF n° 120100.366. Consta da ementa do Acórdão da DRJ/REC n° 1136.995, de 17/05/2012 (Fls. 1.183 a 1.189): GERÊNCIA. SÓCIO DE FATO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Comprovada a existência de sócio de fato, que efetivamente geriu os negócios da empresa, escorreita é sua imputação como sujeito passivo da obrigação, a titulo de responsável. Intimada em 11/06/2013(Fls. 1.192 e 1.193), a Contribuinte interpôs o presente recurso em 05/07/2013 (Fls. 1.196 a 1.220), requerendo, em síntese: (...) Outrossim, requer a juntada da presente petição recursal e Memorial incluso, para os devidos fins, recebendo em seu duplo efeito, com a concessão de suspensividade do mesmo, tendo em vista a necessidade de que seja evitado um dano à Recorrente. Assim, fazse necessária a imediata suspensão dos efeitos do Acórdão n° 1136.995 3a Turma da DRJ/REC . Requerendo o regular processamento do feito, para que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda julgue improcedente o Acórdão n° 1136.995 3a Turma da DRJ/REC , e por conseguinte, a respectiva sujeição passiva de terceira pessoa não integrante do quadro social da Recorrente. Por fim, requer que seja concedida vista à RECORRIDA, para, querendo, apresente suas contrarrazões e, por fim, seja o presente Recurso Voluntário conhecido e dado provimento ao mesmo, em todos os seus termos. (...) Não consta dos autos a intimação ao Sr. José Porfírio de Oliveira do Acórdão n° 1136.995 3a Turma da DRJ/REC. É o relatório. Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10435.000528/200626 Resolução nº 1202000.222 S1C2T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator. Tratase de Recurso Voluntário em que a Contribuinte assim fundamenta os pedidos relatados, em síntese: (...) Eméritos Conselheiros, o Acórdão in casu não preencheu as formalidades próprias, não contemplando com clareza a fundamentação e a parte dispositiva. Não foram objetivamente estabelecidos os fundamentos da decisão quanto ao exame preci&o das questões de fato e de direito. O Acórdão não foi construído seguindo as bases lógicas do judicium, pois errôneas e equivocadas são as premissas da referida decisão, não delimitando perfeitamente os preceitos do Direito objetivo para a formulação da norma aplicável, ou melhor, a quaestio juris e a quaestio facti não foram claramente elucidadas No mérito, alega o Eminente Relator Singular que "correta a caracterização da sujeição passiva do Sr. José Porfírio de Oliveira, como responsável tributário" em razão da "intigrada rede de empresas comerciais ligadas a ele entre elas a Bombonjlex". E mais: "É nelutável, o Sr. José Porfírio de Oliveira foi quem geriu a Bombonjlex (contribuinte) nos ano objeto da autuação. Malgrado não figurar como sócio no contrato social, tratouse com efeito de "sócio de fato" da empresa". (...) Preliminarmente, em relação ao pedido de suspensão dos efeitos da decisão em primeira instância para a Contribuinte, como o Acórdão CARF n° 120100.366 não apreciou o mérito da exigibilidade do crédito tributário mantido pelo Acórdão DRJ Rec n° 1118.794, de 30 de abril de 2007, e, conforme o CTN, art. 151, III, suspendese a sua exigibilidade até a decisão administrativa definitiva sobre a matéria. Pelo exposto, CONHEÇO do pedido de suspensão dos efeitos do Acórdão n° 1136.995 3a Turma da DRJ/REC para a Contribuinte quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme o CTN, art. 151, III. Quanto ao pedido de intimação à Procuradoria da Fazenda Nacional, não constam dos autos a notificação, conforme dispõe art. 48, do Anexo II, do RICARF. Conforme exposto neste relatório, não houve a intimação do Acórdão do CARF n° 120100.366 e do Acórdão n° 1136.995 3a Turma da DRJ/REC ao Sr. José Porfírio de Oliveira, contrariando respectivamente o disposto no art. 63, § 4°, do Anexo II, do RICARF e no art. 33, do Decreto n° 70.235, de 1972. Diante do exposto e de tudo o mais que consta dos autos: CONHEÇO do pedido de suspensão dos efeitos do Acórdão n° 1136.995 3a Turma da DRJ/REC para a Contribuinte quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme o CTN, art. 151, III, e RESOLVO converter o presente julgado em diligência para: Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10435.000528/200626 Resolução nº 1202000.222 S1C2T2 Fl. 6 5 determinar que a unidade da RFB de origem intime o Sr. José Porfírio de Oliveira do Acórdão do CARF n° 120100.366; determinar que a unidade da RFB de origem intime o Sr. José Porfírio de Oliveira do Acórdão n° 1136.995 3a Turma da DRJ/REC; após o decurso dos prazos recursais, retornaremse os autos ao CARF com vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Secretaria da Segunda Câmara;e após a intimação da Fazenda Nacional, retornaremse os autos sob a responsabilidade deste relator para julgamento do mérito da exigibilidade do crédito tributário, contido no Recurso Voluntário n°161.653 (Fls. 1.250 a 1.281) e de eventual Recurso Voluntário do Sr. José Porfírio de Oliveira em face do Acórdão n° 1136.995 3a Turma da DRJ/REC. É como voto. Plínio Rodrigues Lima. Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002061/2008-96
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004
ESPONTANEIDADE. RECOLHIMENTO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, sendo cabível a multa de ofício.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora são devidos sobre os tributos e a multa de ofício desde o seu lançamento.
Numero da decisão: 1803-001.251
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar à autoridade responsável pela cobrança a alocação dos pagamentos já efetuados, com observância da redução prevista no art. 6° da Lei n° 8.218/1991, em relação aos valores recolhidos antes do lançamento de ofício.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 ESPONTANEIDADE. RECOLHIMENTO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, sendo cabível a multa de ofício. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora são devidos sobre os tributos e a multa de ofício desde o seu lançamento.
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RECOLHIMENTO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, sendo cabível a multa de ofício. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora são devidos sobre os tributos e a multa de ofício desde o seu lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar à autoridade responsável pela cobrança a alocação dos pagamentos já efetuados, com observância da redução prevista no art. 6° da Lei n° 8.218/1991, em relação aos valores recolhidos antes do lançamento de ofício. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.002061/200896 Acórdão n.º 180301.251 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela DEFIC/RJ, foram lavrados os Autos de Infração, decorrentes do MPF 0719000/01985/2007, relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ (fl. 126/130), no valor de R$ 294.578,39 e A Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fl. 131/135), no valor de R$ 98.225,87, montantes estes acrescidos de multa de oficio de 75% e juros de mora. De acordo com a Descrição dos Fatos constante dos Autos de Infração (fl. 130 e 135), as autuações decorreram dos seguintes fatos apurados: • IRPJ — Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente — Saldos de Prejuízos Insuficientes— Compensação indevida do saldo de prejuízo fiscal apurado conforme Termo de Constatação Fiscal de fl. 124/125, que faz parte integrante ao auto de infração; e CSLL — Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores — Compensação Indevida de Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores — Valor apurado conforme Termo de Constatação Fiscal de fl. 124/125 que faz parte integrante ao auto de infração. No Termo de Constatação Fiscal (fl. 124/125), consta que: • A presente ação fiscal tem por origem Revisão de Declaração, Operação 93112 — SAPLI / INCONSISTÊNCIAS, ano calendário 2004; • O motivo da inconsistência deveuse ao fato de o contribuinte compensar prejuízo fiscal e base negativa da CSLL acima do limite permitido de 30% do lucro; • Em atendimento ao Termo de Inicio de Fiscalização datado de 27/11/2007, a interessada informa que o saldo de prejuízo fiscal em 31/12/2003 corresponde a R$ 8.479.521,74 e o de CSLL de R$ 8.662.436,72; • Em 09/04/2008, o contribuinte foi intimado a esclarecer o motivo da divergência entre os valores informados e os declarados em DIPJ, a saber: DATA LALUR/DIPJ CARTARESPOSTA 31/12/1998 R$ 9.585.382,66 R$ 8.311.069,09 31/12/2003 R$ 9.753.835,31 R$ 8.479.521,74 • Em resposta, informa que a divergência decorre de decisão administrativa definitiva do processo administrativo Fl. 678DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.002061/200896 Acórdão n.º 180301.251 S1TE03 Fl. 3 3 15374.000839/0003, decorrente de auto de infração com compensação de saldo de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL de 31/12/1998; • Desta forma, procedeuse à tributação dos valores compensados a maior de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL, por falta de amparo legal, uma vez que o contribuinte não obedeceu o valor máximo compensável, a saber: (...) 2 DA IMPUGNAÇÃO Regularmente cientificada em 18/08/2008 (fl. 125, 127, 132, 142 e 143), apresentou a interessada em 17/09/2008 a impugnação de fl. 145/159, juntamente com os documentos de fl. 160/469, através da qual argúi, em síntese que: 1. NULIDADE DO LANÇAMENTO — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA —DIVERGÊNCIA ENTRE A INFRAÇÃO SUPOSTAMENTE COMETIDA E A DESCRIÇÃO DA CONDUTA E 0 DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDOS: • A fiscalização inicia o seu relato esclarecendo que a inconsistência apurada decorre de suposto aproveitamento de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL acima do limite permitido de 30% do lucro; • A infração descrita é capitulada nos artigos 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510, todos do RIR/99; • Todavia, tendo a interessada, no anocalendário de 2004, apurado um lucro liquido ajustado, no valor de R$ 33.892.119,38, conforme DIPJ/2005 (original ou retificadora), observado o limite de 30%, tal montante permitiria uma compensação de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL até o valor de R$ 10.167.635,81; • Uma vez que na DIPJ/2005 originária apresentada foi compensado saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL no montante de R$ 9.753.835,31, é evidente que tal valor não atinge o referido limite; • Logo, não há que se falar em compensação do saldo de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro liquido ajustado, conforme pretendido no relatório fiscal; • Portanto não resta dúvida de que há clara divergência entre a suposta infração cometida pela interessada e a descrição dessa conduta, bem como sua capitulação legal; • 0 erro cometido viola o disposto no art. 10 do Decreto n" 70.235/1972; • Afirma que a menção à correta descrição do fato supostamente infringido e a correspondente capitulação legal, que sustentam a Fl. 679DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.002061/200896 Acórdão n.º 180301.251 S1TE03 Fl. 4 4 exigência do tributo, é de fundamental importância para que o contribuinte possa identificar a infração que lhe está sendo imposta e a sua previsão legal. Sem esta identificação, o contribuinte fica prejudicado em seu direito de defesa, direito este garantido pela Constituição Federal; • Cita o inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, que prevê a nulidade dos atos praticados com preterição ou prejuízo do direito de defesa; • Reproduz doutrina e jurisprudência administrativa; • Logo, havendo clara divergência entre a suposta infração cometida e a respectiva descrição e capitulação legal, é evidente que não estão presentes os requisitos de validade do auto de infração, de modo que o procedimento administrativo dele decorrente não pode prosseguir em razão da sua nulidade, nos termos dos incisos II do artigo 59 do Decreto re 70.235/1972; 2. INEXISTÊNCIA DE COMPENSAÇÃO A MAIOR DOS SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASE NEGATIVA DA CSLL — EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO: • No que tange ao mérito, afirma ser inexistente a compensação a maior dos saldos de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL, uma vez que os créditos tributários correspondentes foram extintos pelo pagamento; • Apesar da indevida descrição e capitulação legal da suposta infração cometida, a interessada acredita que o lançamento decorre, na realidade, de uma suposta compensação dos saldos de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL em valor superior ao que efetivamente possuía; • No entanto, ainda que seja isso, o lançamento é improcedente, conforme demonstra; • Na DIPJ/2005 originalmente apresentada, a interessada compensou saldo de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL no montante de R$ 9.753.835,31, apurando IRPJ e CSLL a pagar, respectivamente, nos valores de R$ 5.471.915,66 e R$ 2.172.445,57. 0 valor compensado corresponde ao montante do saldo de prejuízo fiscal que a interessada possuía registrado, até então, no seu Livro de Apuração do Lucro Real ("LALUR') (doc.5); • Todavia, posteriormente, no final do anocalendário de 2007, a composição desses saldos sofreu alteração em decorrência de decisão administrativa definitiva proferida nos autos do processo administrativo n° 15374.000839/0003. Isto porque, nesse processo, foram confirmados débitos de IRPJ e CSLL, do anocalendário de 1998; • Sendo assim, as autoridades administrativas, conforme se pode verificar pela cópia da decisão anexa (doc. 4) procederam aos Fl. 680DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.002061/200896 Acórdão n.º 180301.251 S1TE03 Fl. 5 5 devidos ajustes do saldo de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL; • Essa modificação no saldo de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL em 31/12/1998, consequentemente, gerou efeitos nos correspondentes saldos apurados nos anos subsequentes, até 2003; . • Deste modo, após a decisão administrativa definitiva proferida nos autos do processo administrativo nº 15374.000839/0003, passou a registrar saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, respectivamente, nos valores de R$ 8.479.821,74 e R$ 8.662.736,72; A interessada, então, refez a apuração do IRPJ e da CSLL devidos no anocalendário de 2004; • Deste modo, apurou uma diferença de IRPJ e de CSLL a pagar, no anocalendário de 2004, respectivamente, nos montantes de R$ 318.578,39 (superior ao exigido no auto de infração) e de R$ 98.225,87 (exatamente igual ao montante de principal exigido no auto de infração); • Tais valores foram recolhidos pela interessada, em dezembro de 2007, devidamente acrescidos de multa e juros de mora, conforme se comprova pelos DARF anexos (doc. 6); • A interessada também apresentou retificadoras da DIPJ/2005 (doc. 7) e da DCTF, do 4º trimestre de 2004 (doc. 8), nas quais a apuração e recolhimento do IRPJ e da CSLL acima mencionada foram refletidos; • Portanto, pela análise do auto de infração, podese verificar que a fiscalização considerou que teria ocorrido compensação a maior dos saldos de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL, pois indevidamente desconsiderou os recolhimentos realizados pela interessada após a decisão administrativa definitiva proferida nos autos do processo administrativo nº 15374.000839/0003, assim como a retificação da DIPJ/2005 e da DCTF do 4º trimestre de 2004; • Sendo assim, tendo a interessada efetuado o recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos, antes da lavratura do auto de infração ora impugnado, não resta dúvida que o crédito tributário apurado nos autos do presente processo administrativo encontrase extinto pelo pagamento, nos termos do inciso I, do artigo 156, do Código Tributário Nacional, razão pela qual o lançamento deve ser julgado improcedente. Foi juntado aos autos Relatório do Sistema SINCOR/PROFISC/RFB (fl.472/474).” Fl. 681DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.002061/200896 Acórdão n.º 180301.251 S1TE03 Fl. 6 6 A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) Verificase que os Autos de Infração em questão foram lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, portanto, norteados dentro do Principio da Legalidade. Constatase, diversamente do que afirma a interessada, que a descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição dos créditos tributários, conforme se demonstra a seguir. b) Da análise da legislação anteriormente citada juntamente com os termos lavrados e os documentos apresentados na impugnação e os juntados aos autos, constatase que a interessada foi cientificada da decisão de fl. 289/311 proferida nos autos do Processo Administrativo 15374.000839/0003 em 19/11/2007 (Relatório do Sistema SINCOR/PROFISC/RFB — fl. 472), ou seja, antes do início do procedimento de fiscalização, que se deu em 27/11/2007, e estava não espontânea em 13/12/2007 quando do pagamento dos DARF de fl. 316/317 e da apresentação da DIPJ/2005 retificadora (fl. 319/392) e da DCTF – 4° trimestre 2004 retificadora (fl. 394/469). c) Temse, portanto, corretos os lançamentos de IRPJ e de CSLL tal como efetuados, uma vez que pagamento efetuado, antes da lavratura do auto de infração, por sujeito passivo que perdera a espontaneidade, não tem o condão de interromper o curso normal da ação fiscal. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) Obrigatoriedade de reconhecimento dos pagamentos realizados pela Recorrente, para fins de amortização do crédito tributário apurado e já devidamente extinto, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional. b) Inaplicabilidade da multa de oficio exigida, tendo em vista: (i) o recolhimento dos débitos exigidos até o vigésimo dia da data da ciência do inicio da fiscalização, considerando a espontaneidade da Recorrente nos termos do artigo 47, da Lei n° 9.430/96; e (ii) a inexistência, no presente caso, de qualquer das hipóteses previstas no artigo 44, da Lei n° 9.430/96 que justificam a imposição de tal multa, uma vez que o simples início da fiscalização não configura a existência do lançamento tributário. c) Considerandose que o início do procedimento de fiscalização deuse em 27.11.2007 e a decisão que recompôs o prejuízo da Recorrente se tornou definitiva em 04.12.2007, sendo, assim, ato posterior ao inicio da fiscalização, há de se concluir que existia a espontaneidade relativa a tal decisão, sendo, assim, manifestamente equivocada a decisão recorrida. d) Requer que seja dado provimento ao recurso para: (i) considerar os pagamentos realizados pela Recorrente para amortização do crédito tributário apurado e já devidamente extinto, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional; e Fl. 682DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.002061/200896 Acórdão n.º 180301.251 S1TE03 Fl. 7 7 (ii) (ii) afastar a aplicação na multa de oficio no percentual de 75%, reconhecendose a aplicabilidade tãosomente da multa de mora no percentual de 20%, já devidamente recolhida pela Recorrente. e) Caso seja negado provimento ao recurso: (i) este Egrégio Conselho determine, à autoridade que julgar competente, a alocação dos pagamentos realizados; e (ii) seja reconhecida a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de oficio lançada, em razão do disposto no 161, do Código Tributário Nacional, conforme já decidido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no julgamento do recurso especial interposto nos autos do processo administrativo n° 10680.002472/2007 23, realizado na sessão do dia 09.11.2010. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 19/11/2010 (AR de fls. 489). O recurso foi protocolado em 20/12/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente não reiterou na fase recursal a preliminar de nulidade do lançamento em virtude de falhas na descrição dos fatos e capitulação legal. De fato, tal preliminar não é procedente, sendo que a simples leitura do “Termo de Constatação Fiscal” de fls. 124/125, nos faz concluir que inocorrem as falhas apontadas na impugnação, tal como ressaltado na decisão recorrida. I. Espontaneidade Sustenta a recorrente o descabimento da multa de ofício lançada com base no art. 47, da Lei nº 9.430/96 , que assim dispõe: “Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo.” Tal dispositivo legal aplicase aos tributos e contribuições já declarados. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.002061/200896 Acórdão n.º 180301.251 S1TE03 Fl. 8 8 No presente caso, não ocorre tal hipótese, uma vez, que o lucro real e a base de cálculo da CSLL apurados na DIPJ correspondiam a R$ 24.138.284,07. Por seu turno, a fiscalização apurou lucro real e base de cálculo da CSLL no montante de R$ 33.892.119,38. É evidente que os valores apurados pela fiscalização não estavam declarados. Logo, não é o caso de aplicação do art. 47 da Lei nº 9.430/1996. Afirma a recorrente que não teve tempo hábil e razoável entre a data da ciência da decisão administrativa no processo nº 15374.000839/0003 (19/11/2007), e o início do procedimento fiscal (27/11/2007). Decorreram 8 dias entre a data da ciência e o início do procedimento fiscal. Não há como afirmar que houve ilegalidade no procedimento da fiscalização. No momento do início do procedimento fiscal, o crédito tributário objeto do presente processo não estava declarado nem recolhido. Tal fato é inegável. O art. 138 do CTN merece ser citado por delimitar com precisão o momento em que ocorre a perda da espontaneidade do sujeito passivo, qual seja, “o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. Por sua vez, o § 1º do art. 7º, do Decreto nº 70.235/1972, é cristalino: “ 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.” A data do início do procedimento fiscal é o marco temporal fixado pela legislação, é como um divisor de águas entre os atos anteriores e posteriores do contribuinte. A decisão de primeira instância aplicou corretamente os dispositivos legais supra citados, ao afirmar que os lançamentos estão corretos, pelo fato dos pagamentos terem sido efetuados após o início do procedimento fiscal. Como já ressaltado, no momento do início do procedimento fiscal configurase claramente a situação descrita no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Também é improcedente a alegação de que existia espontaneidade relativa à decisão nº 15374.000839/0003, pelo fato dela ter se tornado definitiva apenas em 04/12/2007, ou seja, posteriormente ao início da fiscalização. Cumpre observar, que o presente auto de infração poderia ter sido lavrado logo após a entrega da DIPJ/2005, quando foram deduzidos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, que já haviam sido reduzidos por auto de infração lavrado em 2000. Ou seja, no Fl. 684DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.002061/200896 Acórdão n.º 180301.251 S1TE03 Fl. 9 9 momento em que foi entregue a DIPJ/2005, a recorrente já tinha plena ciência da possibilidade de redução dos prejuízos e bases negativas utilizadas para diminuir o valor do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Este ato, com certeza, é anterior ao início do procedimento fiscal, não havendo que se falar em espontaneidade decorrente da falta de definitividade de decisão administrativa. II. Do aproveitamento dos recolhimentos realizados para amortização do crédito tributário apurado Por óbvio que neste tópico cabe razão à recorrente. No entanto, é mister ressaltar que o crédito tributário lançado, com acréscimos e multa de ofício, deve permanecer intacto. A alocação dos pagamentos deve ser efetuada com base nos valores constituídos no presente auto de infração, não se admitindo qualquer redução em virtude dos argumentos expendidos no tópico anterior. Não é demais frisar que os recolhimentos foram efetuados após o início da ação fiscal, não havendo que se falar em espontaneidade da contribuinte. Por conseguinte, a autoridade encarregada da cobrança deverá alocar ao crédito tributário integralmente mantido, os valores já recolhidos, a fim de ser afastada qualquer possibilidade de cobrança indevida. Por fim, deve ser ressaltado que a autoridade administrativa deverá conceder a redução prevista no art. 6° da Lei n° 8.218/1991, em relação aos valores recolhidos antes do lançamento de ofício, in verbis: “Art. 6o Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da multa de lançamento de ofício nos seguintes percentuais:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I – 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” III. Juros sobre a multa de ofício Passemos a analisar a questão relativa à possibilidade de aplicação de juros de mora sobre a multa de oficio. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.002061/200896 Acórdão n.º 180301.251 S1TE03 Fl. 10 10 Sustenta a recorrente a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do julgamento do recurso especial interposto nos autos do processo administrativo nº 10680.002472/2007. Atualmente é o art. 61 da Lei n° 9.430/1996, que regula a incidência dos acréscimos moratórios sobre os débitos para com a União, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.” De acordo com o § 3°, do art. 61, da Lei n° 9.430/1996, incidem juros sobre “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Os débitos para com a União podem ser créditos tributários ou não tributários. A expressão “decorrentes de tributos e contribuições” tem a função de excluir do alcance da norma os débitos não tributários, e neste contexto é equivalente a idéia de crédito tributário. Nos termos do art. 139 do CTN o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta A questão que se coloca é saber se a multa de ofício foi alcançada pelo disposto no §3°, do art. 61, ou seja, se está contida na expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”. A multa de ofício é uma penalidade prevista no art. 44, do mesmo diploma legal. Tal penalidade é aplicável nos casos de lançamento de ofício, quanto se verificar a falta de pagamento ou recolhimento de tributo, a falta de declaração ou a declaração inexata. O art. 113 do CTN é expresso em determinar que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo e da penalidade pecuniária. Logo, a penalidade pecuniária integra o crédito tributário e a própria relação jurídica obrigacional, sendo uma conseqüência do inadimplemento do tributo. É uma decorrência possível, apesar de não necessária, do tributo. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.002061/200896 Acórdão n.º 180301.251 S1TE03 Fl. 11 11 A leitura do caput do art. 61 deixa claro que a expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” é equivalente a créditos tributários, os quais, por força do próprio CTN, incluem não só o tributo mas também as penalidades. Por conseguinte, entendo que a multa de oficio não paga no vencimento, tal como o tributo, sujeitase à incidência de juros, havendo divergência apenas quanto ao termo inicial. Os juros sobre a multa de ofício incidem a partir do primeiro dia subsequente ao trigésimo dia da data da ciência do auto de infração. O Poder Judiciário também já se manifestou no sentido da incidência dos juros de mora sobre o tributo e a multa de ofício, conforme trecho do voto proferido pela 3ª Turma, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, no processo n° 2006.61.19.0083673, em sessão de 27/11/2008: “Não houve imposição de multa moratória, mas sim de multa decorrente do lançamento de ofício no percentual de 100% (art. 4º, da Lei nº 8.218/91 e art. 992 do RIR/94). Agora, o saldo remanescente já a fixou no patamar de 75%, consoante art. 44, da Lei nº 9.430/96. Por certo que é devida desde o vencimento, pois já não havia suspensão da exigibilidade por força da liminar desde 03/96 e nem por força do recurso administrativo, decidido em 11/96. E sequer houve seu recolhimento em 1999, mas tão somente dos tributos e em valores insuficientes para a quitação do débito principal. Por derradeiro, também equivocada a autora ao pretender que os juros de mora incidam tão somente a partir do resultado final do procedimento administrativo. Com efeito, os juros de mora são devidos sobre os tributos e a multa de ofício desde o seu lançamento.” Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para determinar à autoridade responsável pela cobrança a alocação dos pagamentos já efetuados. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 687DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10845.906767/2011-27
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .9 06 76 7/ 20 11 -2 7 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906767/201127 Resolução nº 3801000.595 S3TE01 Fl. 387 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Ribeirão Preto que indeferiu pedido de restituição/compensação da contribuinte. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e que houve falta de aprofundamento na investigação dos fatos. Em face da inconstitucionalidade alegada, reclama que, na base de cálculo do tributo, somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, excluindose a parcela que foi calculada sobre receitas financeiras acostando aos autos os demonstrativos e os documentos correspondentes. Em sede de Manifestação de Inconformidade retifica o valor inicialmente pleiteado A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/02/2012 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906767/201127 Resolução nº 3801000.595 S3TE01 Fl. 388 3 A retificação de PER/DCOMP só é possível por meio de documento retificador próprio e se pendente de decisão administrativa à data do pedido de retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a contribuinte o presente Recurso Voluntário apontando como fundamento os mesmos apresentados na manifestação de inconformidade. É o importa relatar. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906767/201127 Resolução nº 3801000.595 S3TE01 Fl. 389 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São dois os pontos que ainda se encontram em discussão no presente processo: o um, a possibilidade da recorrente retificar a Per/Dcomp em sua manifestação de inconformidade e o dois o seu direito ao aproveitamento dos valores indevidamente pagos em decorrência do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS por conta da alteração do artigo 3 º, da Lei n.º 9.718/98. Quanto ao primeiro ponto, tenho que não há como se alterar o pedido de compensação/restituição no curso do presente processo, quer porque os limites do processo se dão na sua origem, nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, quer subsidiariamente pelo disposto no Código de Processo Civil, além disso, havendo meio próprio de retificação da Per/Dcomp não se pode permitir que se o faça por outros meios. Quanto ao segundo ponto apesar da brilhante tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906767/201127 Resolução nº 3801000.595 S3TE01 Fl. 390 5 Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906767/201127 Resolução nº 3801000.595 S3TE01 Fl. 391 6 Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16327.901192/2009-77
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/05/2004
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE (CSRF). RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DO INDÉBITO.
A instância a quo já havia determinado as provas necessárias para análise do pedido. Sem os documentos necessários a comprovação do pleito, após ter conhecimento de tal documentação, impossível o reconhecimento creditório, pela falta dos requisitos legais de liquidez e certeza, consoante art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1802-001.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/05/2004 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE (CSRF). RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DO INDÉBITO. A instância a quo já havia determinado as provas necessárias para análise do pedido. Sem os documentos necessários a comprovação do pleito, após ter conhecimento de tal documentação, impossível o reconhecimento creditório, pela falta dos requisitos legais de liquidez e certeza, consoante art. 170 do Código Tributário Nacional.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/05/2004 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE (CSRF). RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DO INDÉBITO. A instância a quo já havia determinado as provas necessárias para análise do pedido. Sem os documentos necessários a comprovação do pleito, após ter conhecimento de tal documentação, impossível o reconhecimento creditório, pela falta dos requisitos legais de liquidez e certeza, consoante art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 11 92 /2 00 9- 77 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cujo crédito está em suposto pagamento a maior de CSRF (Contribuições Sociais Retidas na Fonte do período de apuração 01/05/2004, recolhido através de DARF no código 5952 em 05/05/2004. O débito que se tentou compensar também é de CSRF do período de apuração relativo à 2a Quinzena de Outubro de 2005, cujo montante corresponde a R$ 47.911,99. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, adoto o Relatório proferido pela 8a Turma da DRJ/SP1, consoante Acórdão n° 16 32.193, às efls. 78/79: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 01 a 03), em face do Despacho Decisório eletrônico nº (de Rastreamento) 821097103 (fl. 04), de 18/02/2009, no qual a autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, a compensação declarada na DCOMP nº 31080.08875.100608.1.7.048950 (fls. 24 a 28). 2. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 05/05/2004, de R$ 431.000,13, código de receita 5952 (RETENÇÃO CONTRIBUIÇÕES PAGT DE PJ A PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS), relativo ao período de apuração de 01/05/2004, do qual seria parte o montante de R$ 47.911,99 declarado na DCOMP como indevido ou a maior (fl. 25), fora integralmente utilizado na quitação de débitos do interessado, não restando, assim, crédito disponível para a liquidação do débito declarado para compensação. 3. Em conseqüência, apurou valor devedor consolidado para pagamento até 27/02/2009, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 59.751,04, de principal, R$ 24.330,62, de juros, e de R$ 11.950,20, de multa. 4. Cientificado da decisão, em 04/03/2009 (fl. 39), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 03/04/2009 (fl. 01), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório invocado, de R$ 47.911,99, seria líquido e certo porque decorreria de pagamento a maior de “RETENÇÃO CONTRIBUIÇÕES PAGT DE PJ A PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS”, no montante de R$ 433.203,07, em 05/05/2004, referente ao período de apuração da 1ª semana de 05/2004, consoante comprovantes que junta (fls. 07 a 09), em lugar do valor correto, de R$ 385.291,08 (R$ 47.911,99 = R$ 433.203,07 385.291,08) ii) na DCTF do 2º trimestre de 2004 (fls. 10 a 13) teria declarado equivocadamente como débito de CSLL, PIS/PASEP e COFINS da 1ª semana de 05/2004, os valores de R$ 94.840,81, para CSLL, de 60.297,66, para PIS/PASEP, e, de R$ 278.064,60, para COFINS (totalizando R$ 433.203,07), quando o correto seria débito Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.901192/200977 Acórdão n.º 1802001.965 S1TE02 Fl. 138 3 de CSLL de R$ 84.537,16, PIS/PASEP de R$ 53.600,28 e COFINS de R$ 247.153,64 (totalizando R$ 385.291,08); essa DCTF, porém, teria sido devidamente retificada, em 23/03/2009 (fls. 14 a 17); iii) dado o exposto, requer seja revisto o Despacho Decisório, homologandose a compensação declarada (fls. 18 a 23). 5. É o Relatório. Na análise do caso, entendeu a nobre turma julgadora pela improcedência da Manifestação de Inconformidade interposta pela ora recorrente às efls. 1/3, conforme sintetizado pela seguinte ementa (efls. 76): ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 05/05/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CRÉDITO DE PAGAMENTO ALEGADAMENTE A MAIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação de que determinado débito de “RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE PAGAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA A PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO CSLL/ COFINS/PIS” teria sido pago a maior, como também declarado a maior em DCTF, mesmo posteriormente retificada, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de documentos, registros e demonstrativos que evidenciem, de forma cabal, a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento e o preenchimento da DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da manutenção do lançamento através do Acórdão supracitado em 14/07/2011, a recorrente denotando sua irresignação apresentou Recurso Voluntário em 12/08/2011, às efls. 85/97, reiterando seu pedido para homologação da declaração de compensação, sob pretexto de ter ocorrido erro na informação constante na DCTF que, contudo, não pode lhe prejudicar o direito ao indébito. É o relato do essencial. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade determinados pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dele, tomo conhecimento. A interposição de recurso na esfera administrativa de forma tempestiva, suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN), e especificamente in casu, que trata de não homologação de compensação, ao §11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. [...] Feitas essas considerações, passase à análise central do pleito, que envolve o reconhecimento do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP, na forma de recolhimento a maior de CSRF – Contribuições Sociais Retidas na Fonte, do período de apuração 01/05/2004. Como se extrai do relatório, o contribuinte efetuou recolhimento de CSRF correspondente ao período de apuração 01/05/2004, no montante de R$ 431.000,13 (efls. 7) A informação constante na DCTF (efls. 10/13) entregue (17/08/2004), foi aberta individualmente em cada contribuição – CSLL Retida na Fonte (5987), PIS retido na Fonte (5979) e COFINS Retida na Fonte (5960), que totalizam o montante devido de R$ 433.203,07. Houve a apresentação da DCTF retificadora (efls 14/17), em 23/03/2009 reduzindo o valor declarado para o montante de R$ 385.291,08. Em 11/11/2005, o contribuinte apresentou PER/DCOMP de n° 01265.74317.111105.1.3.046737, requisitando compensação cujo crédito original sustentou ser de R$ 47.911,99. O Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte, foi expedido em 18/02/2009, tendo sido intimado o contribuinte em 04/03/2009. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.901192/200977 Acórdão n.º 1802001.965 S1TE02 Fl. 139 5 O Despacho Decisório foi emitido tendo em vista que no momento da leitura do crédito pleiteado via DCTF, não constava nos sistemas da Receita Federal do Brasil referido valor disponível, pois ao “Débito” declarado constava um “Crédito” vinculado no mesmo valor. Como já relatado, após receber a intimação do referido Despacho Decisório, a recorrente reapresentou a DCTF do período, (em 23/03/2009) reduzindo o montante declarado como devido de forma a evidenciar o direito creditório pleiteado pela DCOMP. A retificação realizada após ter sido intimada da indisponibilidade do crédito não resulta no reconhecimento de seu direito ao crédito, nos termos da Súmula n° 33 deste Conselho: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Nesta altura, não havia o que se falar em crédito passível de compensação, tendo em vista que o pagamento efetuado estava extinguindo um débito confessado pelo contribuinte através dessa obrigação acessória (DCTF). É importante destacar que o art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN não condiciona o direito à restituição de um indébito a requisitos meramente formais: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Assim, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração e isto não pode resultar apenas da admissibilidade de um crédito na leitura da DCTF. Pode e deve o contribuinte fundamentar através de outros elementos e documentos que achar necessários de forma a dar suporte àquilo que sustenta comprovar seu direito creditório e deve fazêlo na primeira oportunidade disponível para fazêlo. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Isso porque, embora os requisitos formais possam ser superados, há o requisito material de liquidez e certeza que deve restar evidenciado, conforme retrata o próprio Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. No presente caso, a turma julgadora a quo especificou exatamente os documentos necessários para comprovação do direito creditório, conforme consta em seu voto às efls. 80: 8. Do exame do contido nos autos, porém, constatase que o interessado se mantém apenas no plano das generalidades, quanto à divergência existente nas apurações do valor devido de “RETENÇÃO CONTRIBUIÇÕES PAGT DE PJ A PJ DIR PRIV CSLL/COFINS/PIS”, da 1ª semana de 05/2004: entre aquela que ensejou o alegado pagamento, de R$ 433.203,07, em conformidade com o declarado na DCTF (fls. 10 a 13), e aquela que ensejou a protocolização da DCTF Retificadora, contendo os valores alegadamente corretos de débitos de CSLL, PIS e COFINS, no total de R$ 385.291,08, valor, portanto, inferior ao primeiro. Não apresenta documentos, registros e demonstrativos que mostrem, de forma cabal, que o valor correto seria o valor, inferior, consignado na DCTF Retificadora. 9. Por outro lado, a mera entrega de DCTF Retificadora, em 23/03/2009 (fl. 14), não constitui demonstração dos elementos que teriam tornado incorretos o pagamento realizado e a DCTF original, mormente se a Retificadora é entregue após a data de ciência da decisão de não homologação da compensação, que se deu em 04/03/2009. A insuficiência da Retificadora para tal fim é corroborada pelo artigo 147, § 1º, do CTN, que estipula que a aceitação, pela administração fiscal, de retificação da Declaração por iniciativa do contribuinte, de que resulte redução de tributo, está condicionada à i) comprovação do erro por parte do contribuinte, e ii) entrega do documento retificador antes da notificação do lançamento, o que, in casu, não ocorreu. (Grifouse) Como se observa, o contribuinte tinha conhecimento que seu pleito dependia de prova cabal em documentos, registros e demonstrativos. Em seu Recurso Voluntário, prossegue no plano de generalidades, sem sustentar com eficácia a existência do crédito pleiteado. Assim sendo, o voto é no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.901192/200977 Acórdão n.º 1802001.965 S1TE02 Fl. 140 7 É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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