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Numero do processo: 19515.001101/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA ORIGEM APRESENTADA DURANTE A FISCALIZAÇÃO.
Apresentadas durante a fiscalização, provas da origem dos depósitos bancários, o lançamento não mais poderá ser efetuado com base na legislação que autoriza a presunção de rendimentos omitidos a partir de depósitos de origem não comprovada, mas com base na legislação específica.
Numero da decisão: 2201-002.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Amador Outerelo Fernándes, OAB/DF 7100.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ricardo Anderle (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA ORIGEM APRESENTADA DURANTE A FISCALIZAÇÃO. Apresentadas durante a fiscalização, provas da origem dos depósitos bancários, o lançamento não mais poderá ser efetuado com base na legislação que autoriza a presunção de rendimentos omitidos a partir de depósitos de origem não comprovada, mas com base na legislação específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Amador Outerelo Fernándes, OAB/DF 7100. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ricardo Anderle (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 01 /2 01 0- 14 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 265/294, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 25.633.378,88, calculados até 31/05/2010. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: demonstrará que os 10 valores, correspondentes a 10 depósitos em contas bancárias de titularidade do contribuinte estão justificados e regularmente documentados; 2 dos depósitos foram originados em contratos de câmbio (repatriação de recursos); que a fiscalização agiu com máfé ao afirmar que não há documentos comprovando a aquisição da empresa sediada nas Ilhas Virgens britânicas, pois o contribuinte teria apresentado a documentação pertinente (fl. 304); estaria declarada, na Declaração de Bens e Direitos do exercício 2007, a operação de redução de capital e quitação de dívida de aquisição no valor apurado pela fiscalização (fl. 305) referente aos dois créditos originados de contratos de câmbio; a redução de capital da empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas teria originado o valor dos créditos correspondentes aos contratos de câmbio e esse valor teria servido para quitar a dívida com aquisição da própria empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas junto à vendedora, Evadin Indústrias da Amazônia S.A. (fls. 172 a 182 e 305); o documento de fls. 172 a 182 (original e tradução juramentada) comprovaria a compra da empresa, ao contrário do que afirma a fiscalização em seus “considerandos 1 e 2” (fls. 273 a 275); “o considerando de número ‘3’” teria “como objetivo desqualificar documentos irrefutáveis apresentados pela impugnante” pois tais documentos seriam brasileiros e não estrangeiros, não estando, portanto, sujeitos aos ditames do art. 129 da Lei nº 6.015/73 – em particular, referese ao contrato de compra da participação societária (fls. 172 a 182); com base nos documentos apresentados pelo contribuinte estaria comprovada a origem dos depósitos bancários – em especial o contrato de fls. 172 a 182, as atas de redução de capital de fls. 200 a 203 e os documentos de fls. 204 a 258; a redução de capital teria sido destinada, integralmente, ao pagamento da dívida com a Evadin Indústrias da Amazônia S/A, Fl. 416DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001101/201014 Acórdão n.º 2201002.041 S2C2T1 Fl. 3 3 fato que estaria refletido na declaração de bens e direitos do impugnante (faz outras observações a respeito, com a ressalva de não serem, em sua opinião, relevantes no exame da presente autuação); que os outros depósitos, que são de valor individual menor ou igual a R$ 12.000,00, somados não atingem de R$ 80.000,00 no ano deveriam, portanto, ser desconsiderados, em obediência ao comando contido no art. 42, §3º, inciso II da Lei nº 9.430/96. Pede que a impugnação seja acolhida integralmente, e o auto de infração considerado improcedente. A 6ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOII julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou o cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Excluemse da tributação os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, uma vez que o somatório desses créditos, dentro do anocalendário 2.006, não ultrapassou o valor de R$ 80.000,00. Intimada da decisão de primeira instância em 25/04/2011 (fl. 344verso), Dina Kryss apresenta Recurso Voluntário em 19/05/2011 (fls. 381 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário de 2006. A controvérsia dos autos, cingese, nesta segunda instância, a 2 (dois) créditos bancários ocorridos no Bradesco. O primeiro no valor de R$ 23.417.900,00, datado de 08/11/2006, e o segundo no valor de R$ 21.570.000,00, ocorrido em 24/11/2006. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Em seu apelo, alega a suplicante que os créditos referemse a dois valores transferidos do exterior, relativo à redução do capital da sociedade estrangeira Fénix Worldwide Ltd, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, conforme contratos de câmbio efetuados junto ao Bradesco e Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (fls. 400/402numeração eletrônica). Afirma, ainda, que os investimentos foram devidamente declarados na DIRPF/2007 e discriminados na declaração de bens e direitos. Por sua vez, a autoridade recorrida considerou que a contribuinte não comprovou a origem dos valores aportados em seu movimento financeiro. Fundamentalmente, entendeu a 6ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOII que não foram observadas as formalidades legais que comprovaria a origem dos recursos, em especial o art. 221, caput, do Código Civil brasileiro. Asseverou, também, que “O contrato em inglês, acompanhado de tradução juramentada, de fls. 172 a 182, é um instrumento particular. Não foi objeto de registro público no Brasil, em prazo hábil (na verdade, até onde é possível saber, não o foi até o presente momento). Seus efeitos, portanto, não se operam a respeito de terceiros (...) O documento que comprovaria a aquisição da empresa e, com isso, justificaria a entrada de recursos no país não produz efeitos frente a terceiros, entre os quais encontrase o fisco”. De início, impende registrar que a exigência fiscal está sendo exigida com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Pelo que se depreende da leitura do dispositivo legal acima, o legislador estabeleceu, a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, desde que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Com efeito, os depósitos bancários de origem não comprovada gozam de presunção certeza que somente pode ser ilidida por prova inequívoca em sentido contrário, ou seja, quando demonstrada, identificada e comprovada a origem do crédito, a teor do disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. No caso dos autos, durante o procedimento fiscal, a recorrente afirmou que os 2 (dois) créditos bancários ocorridos no Bradesco, no valor de R$ 23.417.900,00, em 08/11/2006, e no valor de R$ 21.570.000,00, em 24/11/2006, foram provenientes da Fénix Worldwide Ltd, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, conforme contratos de câmbio efetuados junto ao Bradesco e Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (fls. 400/402numeração eletrônica). Esta também foi a conclusão que chegou a autoridade lançadora, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 08/12): 15. Em relação aos depósitos ingressos no Banco Bradesco S/A, decorrentes de remessas do exterior, conforme CONTRATOS DE CÂMBIO apresentados pela contribuinte para comprovação das origens de alguns depósitos, cumpre trazer ao presente Termo as considerações abaixo. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001101/201014 Acórdão n.º 2201002.041 S2C2T1 Fl. 4 5 16. Os contratos de câmbio apresentados foram: a) contrato de câmbio, de 07/11/2006, no valor de R$23.417.900,00 (fls. 39/41 e 155/157); b) contrato de câmbio, de 22/11/2006, no valor de R$21.570.000,00 (fls. 42/44 e158/160). Conforme constam nesses documentos, o pagador no exterior é FÉNIX WORLDWIDE LTD., tendo como país de origem as ILHAS VIRGENS BRITÂNICAS. Da leitura supra, verificase que a fiscalização demonstrou e comprovou a origem dos créditos, ou seja, identificou que os mesmos são oriundos de contratos de câmbio tendo como pagador a Fénix Worldwide Ltd, empresa situada nas Ilhas Virgens Britânicas. De fato, compulsandose os autos, mais precisamente o Contrato de Câmbio de 07/11/2006, no valor de U$ 11.000.000,00 e o Contrato de Câmbio de 22/11/2006, no valor de U$ 10.000.000,00 (fls. 155/160), verificase que o autor da remessa foi a Fénix Worldwide Ltd. e, neste caso, deveria a autoridade fiscal ter observado o disposto no § 2º, do art. 42, da Lei nº 9.430/1996: § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Em circunstâncias como esta, em que está identificado o depositante, cabe à autoridade fiscal apurar se a operação em questão constitui hipótese de aplicação de outro dispositivo, por exemplo, rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior e/ou ganhos de capital apurados alienação de bens e direitos situados no exterior, na medida em que não se faz mais necessária a presunção, devendo por expressa determinação do parágrafo § 2º, do art. 42, da Lei nº 9.430/1996, ser aplicada a tributação específica. Em relação ao tema, citase o bem articulado voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Nelson Mallman, quando relatou o Acórdão nº 220200.807: Digase, a bem da verdade, que a legislação é clara por demais no sentido de que quando restar provado nos autos, que sobre os valores depositados/creditados se tem noticia dos depositantes, ou seja, se sabe quem os depositou e por via de conseqüência se conhece a origem dos recursos, incabível se torna à aplicação do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996 (lançamento com base em depósitos bancários) Comprovada a origem dos depósitos bancários caberia a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação especificas, prevista na legislação vigente à época em que foram auferidos ou recebidos. Agir de forma diversa constitui afronta ao principio da legalidade. A esse respeito, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, conforme transcrição do RE 195.227DF, relatado pelo Ministro Maurício Correa: Fl. 419DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 A Administração Pública, em toda sua atividade, está sujeita aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de invalidade do ato e responsabilidade do seu autor. Qualquer ação estatal sem o correspondente amparo legal, ou que exceda ao âmbito demarcado pela lei, é injurídica e expõese à anulação, pois a eficácia de toda atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei: na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal, e só é permitido fazer o que a lei autoriza. Destarte, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 420DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001101/201014 Acórdão n.º 2201002.041 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 19515.001101/201014 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.041. Brasília/DF, 13 de março de 2013 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 421DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002829/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
IRRF - DECADÊNCIA - O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. IRRF - BINGOS - PRÊMIOS PAGOS - TRIBUTAÇÃO - REGRA DE NÃO INCIDÊNCIA INAPLICÁVEL AO CASO - Nos termos do artigo 676, caput e inciso I, do RIR/99, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, à alíquota de 30%, exclusivamente na fonte, os prêmios em dinheiro obtidos, entre outras formas, através de sorteios de qualquer espécie. Os jogos de bingo, que estão enquadrados como sorteios de qualquer espécie, não se beneficiam da regra prevista no § 1°, do artigo 676, do RIR/99, pois ela atinge somente os prêmios de loteria e de sweepstake (apostas em corridas de cavalos). Rejeitar a preliminar de decadência.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2202-001.805
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência suscitada pela recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 IRRF - DECADÊNCIA - O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. IRRF - BINGOS - PRÊMIOS PAGOS - TRIBUTAÇÃO - REGRA DE NÃO INCIDÊNCIA INAPLICÁVEL AO CASO - Nos termos do artigo 676, caput e inciso I, do RIR/99, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, à alíquota de 30%, exclusivamente na fonte, os prêmios em dinheiro obtidos, entre outras formas, através de sorteios de qualquer espécie. Os jogos de bingo, que estão enquadrados como sorteios de qualquer espécie, não se beneficiam da regra prevista no § 1°, do artigo 676, do RIR/99, pois ela atinge somente os prêmios de loteria e de sweepstake (apostas em corridas de cavalos). Rejeitar a preliminar de decadência. Recurso Negado
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Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. IRRF BINGOS PRÊMIOS PAGOS TRIBUTAÇÃO REGRA DE NÃO INCIDÊNCIA INAPLICÁVEL AO CASO Nos termos do artigo 676, caput e inciso I, do RIR/99, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, à alíquota de 30%, exclusivamente na fonte, os prêmios em dinheiro obtidos, entre outras formas, através de sorteios de qualquer espécie. Os jogos de bingo, que estão enquadrados como sorteios de qualquer espécie, não se beneficiam da regra prevista no § 1°, do artigo 676, do RIR/99, pois ela atinge somente os prêmios de loteria e de sweepstake (apostas em corridas de cavalos). Rejeitar a preliminar de decadência. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência suscitada pela recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Fl. 445DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11020.002829/200718 Acórdão n.º 220201.805 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, ADMINISTRADORA DE JOGOS GRAMADENSE LTDA, foi lavrado auto de infração de a folhas 4 a 23 exigem o recolhimento de crédito tributário no ontante de R$ 449.177,01 O autuante atribui à autuada uma só infração, de cuja descrição adiante se faz uma síntese. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF SOBRE PRÊMIOS E SORTEIOS EM GERAL (EM DINHEIRO) Falta de recolhimento do IRRF sobre pagamentos de prêmios em dinheiro obtidos em jogos de bingo permanente. Fato gerador: 31.01.02,28.02.02,31.03.02,30.04.02,31.05.02, 30.06.02, 31.07.02, 31.08.02, 30.09.02, 31.10.02, 30.11.02, 31.12.02, 31.01.03, 28.02.03, 31.03.03., 30.04.03, 31.05.03, 30.06.03, 31.07.03, 31.08.03, 30.09.03, 31.10.03, 30.11.03, 31.12.03, 31.01.04, 28.02.04, 30.06.04. No relatório de atividade fiscal a folhas 25 a 32 o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. Tratase de pessoa jurídica dedicada à atividade de sorteio de jogos de bingo permanente, em execução de contrato de prestação de serviços firmado com o Centro Esportivo Gramadense. Ao administrador do jogo de bingo cabe o percentual de 28% sobre os valores de arrecadação bruta, consoante o disposto no artigo 105 do Decreto n° 2.574, de 1998, e no artigo 14 do Decreto n° 3.639, de 2000. Em atendimento a intimações fiscais, foi apresentado demonstrativo de distribuição dos valores arrecadados, comprovantes de recolhimento do IRRF incidente sobre os prêmios pagos e da Cofins, estes feitos em nome da entidade desportiva. Em resposta a nova intimação para que identificasse os premiados, a contribuinte apresentou novo demonstrativo, informando que não possuía a relação nominal dos ganhadores e que efetuou a retenção do IRRF nos termos do artigo 676 do RIR 1999. Relativamente aos extratos bancários, informou que remeteria os faltantes tão logo a Caixa Econômica Federal os fornecesse. A principal característica dessa atividade é a movimentação financeira instantânea. A entrada e a saída de recursos ocorre de forma imediata. O principal dispêndio são os prêmios, pagos no final de cada rodada. Esse modus operandi toma dificílimo o Fl. 447DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 acesso a informações econômicas do contribuinte por parte das autoridades públicas. Por essa razão, o trabalho fiscal baseouse nos relatórios apresentados pelo bingo e nos dados constantes das declarações de rendimentos entregues à Receita Federal. Conforme informação prestada pela empresa, ela somente prestou contas à Caixa Econômica Federal até o mês de março de 2002. No entanto, não anexou cópia dos respectivos relatórios enviados à Caixa. Em decorrência de não existir prestação de contas à Caixa Econômica Federal e da falta de outros elementos que demonstrem a real arrecadação do bingo, foram considerados como receita os valores constantes do demonstrativo fornecido pela contribuinte, o qual discrimina os valores arrecadados c sua destinação de acordo com os percentuais estabelecidos na legislação. A legislação estabelece que é de exclusiva responsabilidade da empresa comercial (exploradora) pagamento de todos os tributos incidentes sobre as receitas da atividade, inclusive sobre a parcela repassada à entidade desportiva. Consoante artigo 61 da Lei na 9.615, de 1998 (alterado pelo artigo 1° da MP na 1.926, de 1999 e suas reedições), artigo 4° da Lei na 9.981, de 2000, e o inciso X do artigo 14 da MP n" 1.858, de 1999, e suas reedições, a contribuinte, na qualidade de responsável, é sujeito passivo da obrigação tributária resultante da incidência da Cofins sobre as receitas não vinculadas à atividade própria da entidade desportiva. Apesar dessa responsabilidade, a administradora não logrou comprovar a quitação integral daquele tributo. Os comprovantes apresentados referemse a guias que o próprio Centro Esportivo Gramadense calculou e recolheu. A base de cálculo que esta usou é composta do repasse recebido da administradora de jogos e de outras receitas obtidas pela entidade. Assim, o valor da Cofins paga peja entidade desportiva foi computado na apuração da Cofins devida pelo responsável tributário. As diferenças apuradas constam da planilha a folhas 34. Verificouse que o contribuinte, na condição de responsável tributário pelo Centro Esportivo Gramadense.pagou prêmios sem a devida retenção do IRRF e assim infringiu o artigo 1 ° da Medida Provisória na 1.926, de 1999, e suas reedições, que alterou o artigo 61 da Lei na 9.615, de 199[;, e o artigo 40 da Lei n" 9.981, de 2000. Analisando as informações prestadas pelo próprio contribuinte, verificouse que os valores recolhidos aos cofres públicos são insuficientes para quitar o IRRF devido em virtude das operações declaradas. Apesar de solicitados, não foi possível obter os valores relativos à arrecadação semanal, mas sim apenas a arrecadação consolidada mensalmente. Por isso, no cálculo da diferença entre o IRRF devido e o recolhido, os valores dos recolhimentos mensais foram totalizados mensalmente. As diferenças apuradas constam da planilha a folhas 34 . Fl. 448DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11020.002829/200718 Acórdão n.º 220201.805 S2C2T2 Fl. 3 5 Conforme aviso de recebimento a folhas 325, a notificação dos lançamentos foi feita por via postal em 29.08.2007. Em 26.09.2007 os lançamentos foram contestados mediante a apresentação de uma só impugnação, juntada a folhas 330 a 365. Os enunciados seguintes resumem seu conteúdo. Considerações iniciais A exigência tributária cingese a operações realizadas entre a autuada e o Centro Esportivo Gramadense. Essa organização obteve do Indesp Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto credenciamento para captar, via jogos de bingo, os recursos necessários ao fomento das práticas desportivas previstas em seus estatutos. Para implantar c administrar a loteria na modalidade de jogos de bingo, a entidade desportiva contratou a autuada. O relacionamento comercial entre as duas empresas era orientado, de início, pela Lei n° 9.672, de 1993, e posteriormente pela Lei na 9.615, de 1998. bem como pela legislação complementar. A relação pautavase ainda pelo contrato particular mantido entre as duas organizações. Arguições preliminares Nulidade dos lançamentos por equívocos na formalização Há uma regularidade formal no preparo do processo, pois neste foram incluídas exige as. "ativas a dois tributos (IRRF e Cofins) não decorrentes duma mesma infração, ao passo que o artigo 9° do Decreto n° 70.235, de 1972, impõe como regra geral a formalização de processo distinto para cada tributo. A exceção prevista no § 10 desse artigo não é aplicável ao caso vertente, pois as exigências de IRRF e Cofins são apoiadas em fundamentos distintos, o que impede o procedimento adotado pela autoridade preparadora. A exigência dos dois tributos devia ter sido formalizada em processos distintos. Essa determinação do PAF estribase em fundamentos lógicos e práticos e protege tanto os interesses do autuado como os interesses da própria organização tributária, especialmente no que concerne à estruturação do contencioso administrativo. No tocante ao fiscalizado, a racional organização do processo administrativo é perfeitamente justificável, em vista do preceito constitucional de ampla defesa. O prejuízo a esse princípio é notório quando, através de uma mesma defesa se exige que o impugnante argumente e produza provas, ao mesmo tempo e na mesma peça, sobre duas situações absolutamente distintas. No contencioso administrativo, a formalização processual adotada não pode nem sequer ser enfrentada, pois tanto em primeiro como em segundo grau a composição dos colegiados julgadores segue o critério da especialidade, o que impede o enfrentamento de controvérsias relacionadas a tributos distintos Fl. 449DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 num mesmo processo, quando tais tributos não são derivados de uma mesma irregularidade. Desta forma, é requerido que se reconheça a irregularidade e que seja determinada a nulidade das exigências contidas nos autos de infração. Extinção parcial da exigência homologação Segundo determina o artigo 150, ~ 4", do CTN e conforme uníssono entendimento jurisprudencial, uma vez ausente o intuito de fraude, não caracterizado no presente caso, o hiato para homologação é de cinco anos. Dessa forma, a parte da exigência derivada de fatos geradores verificados até 28.08.2002 estava extinta por homologação tácita, pois o lançamento foi formalizado em 29.08.2007. Não há dúvidas sobre a ocorrência dos fatos geradores do tributo em causa. O IRRF tem como fato gerador a data de pagamento do prêmio (artigo 676, § 3°, do RIR 1999). A Cofins, por sua vez, tem seu fato gerador fixado mensalmente, no último dia do respectivo mês. Caso os tributos fossem devidos, já não seriam exigíveis o IRRF sobre pagamentos realizados até 28.08.:!002, e a Cofins sobre as receitas de janeiro a julho de 2002. Arguições de mérito Inexigibilidade de IRRF sobre prêmios por faltar especificação dos fatos geradores Conforme se observa dos demonstrativos que compõem o auto de infração, não foram identificados os valores e fatos geradores do lRRF os quais, tem tese, ocorrem na data do pagamento ou do crédito de cada prêmio. A fundamento legal do momento da ocorrência do fato gerador consta no artigo 676, § 3°, do RIR 1999. Além de lhe faltar fundamento legal, tal metodologia fere o disposto no artigo 142 do CTN, que conceituado lançamento. Inexigibilidade de IRRF sobre prêmios de pequeno valor É incontroverso que a exigência de lRRF decorre exclusivamente da falta de retenção do IRRF sobre prêmios pagos de valores não superiores a RS 11,10. observandose a tabela a folhas 34, quarta coluna, verificase que foram recolhidos valores expressivos sob a rubrica de IRRF sobre prêmios lotéricos, individualizados nos Darf juntados relo fisco (fls. 64 a 139). Esses recolhimentos decorrem de IRRF sobre pagamentos de prêmios de valores superiores a R$ 11,10. Em decorrência, os valores da quinta coluna resultam da diferença entre 30% dos prêmios brutos, menos o IRRF pago. Logo, a parcela da coluna "prêmio bruto" sobre a qual não incidiu fonte corresponde integralmente a prêmios pagos de valores não superiores a RS 11,10. A falta de retenção, por isenção, tem fundamento no § 1 ° do artigo 676 do RIR 1 999. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11020.002829/200718 Acórdão n.º 220201.805 S2C2T2 Fl. 4 7 A questão já foi resolvida há tempos por meio do Parecer Cosit n° 2, de 30.03.2001. Eventual alegação de que o parecer somente se aplica à consulente não pode ser aceita, pois ele foi provocado pelo Indesp no âmbito do processo n" 58000.000132/200119, que o remeteu para todas as autorizadas. Considerandose que o Indesp era o órgão que regulava a atividade, inclusive credenciando as entidades, o parecer é aplicável ao caso em discussão em virtude do disposto no artigo 51 do Decreto n" 70.235, de 1972. Uma análise minuciosa das leis que disciplinam a matéria também conduz ao entendimento contido no parecer referido. Discordase deste, entretanto, no que respeita ao término da isenção, segundo o qual ela teria tido validac1e apenas durante a vigência do § IOdo artigo 74 do Decreto n" 2.574, de 1998. Considerandose que os fatos são idênticos, independentemente se praticados ou não sob a vigência do referido decreto, a extinção da isenção é infundada. Verificase pela interpretação literal do artigo 676, §§ 1°,2° e 3°, do RIR 1999, que os prêmios lotéricos iguais ou inferiores a RS 11,10 são tributados unicamente no caso dos prêmios de concurso') desportivos, em virtude; do disposto no artigo IOdo Decretolei n° 1.493, de 07.12.1976. Por ser de 1976, esse decreto e o respectivo artigo são posteriores ao Decreto n 204, de 1967, que instituiu o a isenção ele lRRF sobre prêmios mínimos. Caso o Decreto n" 204, de 1967 fosse restrito aos prêmios da Loteria Federal e de sweepstake, como interpreta o fisco, nada isentaria os pequenos prêmios pagos em concursos de prognósticos desportivos. É evidente que o § 1 ° do artigo 676 do RIR 1999 referese aos prêmios lotéricos em geral, e não apenas aos prêmios da Loteria Federal. Isso emerge de forma cristalina do artigo 5° do Decreto n° 204, de 1967. A referência à Administração do Serviço de Loteria Federal fezse em razão de aquele órgão ser o responsável, na época, por todas as loterias federais. Os planos de sorteio previstos no § 2° são os referidos nos §§ 1 ° e 2° do artigo 31 e no artigo 32 desse mesmo decreto. Há de se afastar também o argumento de obrigatoriedade de interpretação literal, pois isso representaria uma interpretação míope do artigo 5" do Decretolei n? 204, de 1967. Literalmente, esse fala em prêmios lotéricos, e não prêmios da Loteria Federal. O § 2° do artigo se do Decretolei n° 204, de 1967, atribui, por ocasião da aprovação dos planos de sorteios no Ministério da Fazenda, ao Departamento do Imposto de Renda (atual Receita Federal) o dever de se pronunciar sobre os limites de isenção do IRRF. Esse pronunciamento consta do artigo 676 do RIR 1999. E o § 1° deste expressamente referese ao tratado no inciso L E Fl. 451DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 este, por sua vez menciona prêmios em dinheiro obtidos em loterias,inclusive as instantâneas. Não reste dúvidas quanto à natureza lotérica dos jogos de bingo, pois o artigo 45 do Decreto, define bingo como loteria. Não constitui nenhuma heresia considerar rendimento isento os prêmios de bingo de pequeno valor. Esse é o desejo da lei, por uma questão de ordem prática. Esse entendimento é reforçado pela dispensa de retenção de valores de lRRF inferiores a R$ 10,00, quando relativos a antecipação do devido, conforme dispõe o artigo 67 da Lei n 9.430, de 1996. O artigo 68 dessa mesma lei veda o recolhimento de valores inferiores a R$ 10,00. Por conseguinte, é ilegal a exigência cio IRRF lançado, razão pela qual se requer a decretação de sua insubsistência. Pedidos Preliminarmente, requerse a decretação da nulidade dos lançamentos, por irregularmente formalizados num mesmo processo. Também preliminarmente, argúise a constituição intempestiva de parte do crédito tributário, pois os fatos geradores ocorridos anteriormente a 29.08.2002, estavam extintos antes da formalização do lançamento. No mérito, são arguidas insubsistências quanto à quantificação dos prêmios lotéricos, pois não estão individualizados por fato gerador e nem por período de pagamento. Requerse a insubsistência da exigência de IRRF, por estarem isentos de tributação os prêmios lotéricos de valor não superior a R$ 11,10. Anuindo a proposta do relator, o Presidente da 3a Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte, determinou, por meio do despacho a folhas 379 a 382, o retomo dos autos à repartição de origem em diligência, para que: fosse providenciada a formalização dum novo processo administrativo para o qual fosse transferido a versão original do auto de infração de Cofins, que então passaria a constituir o seu objeto; uma cópia do auto de infração ele Cofins deveria substituir no presente processo o original que foi transferido para o novo processo; o novo processo, por sua vez, deveria conter uma cópia de todas as folhas que ora constituem o presente processo, ressalvado as referentes ao auto de infração original que já dele farão parte; fossem efetuados os registros e alterações cabíveis nos bancos de dados eletrônicos pertinente da Receita Federal decorrentes da constituição do novo processo e da retirada do presente processo do auto de infração de Cofins. O despacho a folhas 386, expedido pela autoridade preparadora do processo, ;nft Lia que foram realizadas as providências solicitadas no despacho mencionado. Em consequência, foi formalizado novo processo, de n° 11020.002982/201032, para o Fl. 452DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11020.002829/200718 Acórdão n.º 220201.805 S2C2T2 Fl. 5 9 qual foram transferidas as vias originais do auto de infração de Cofins, assim como o respectivo crédito tributário. A DRJ ao apreciar as razões do recorrente julgou o lançamento procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002,2003,2004 Arguição de nulidade lançamentos reunidos indevidamente num só processo Não constitui causa de nulidade nem caracteriza preterição de direito de defesa a inclusão num mesmo processo de lançamentos que deviam tramitar em processos distintos por constituírem matéria litigiosa cujo julgamento compete à autoridades diversas. Tratase de irregularidade que r.e sana pelo simples formalização dum novo processo que permita a tramitação em separado de cada litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Decadência lançamento por homologação Havendo pagamento parcial da obrigação, e não sendo verificada a ocorrência de dolo, fraude nem simulação, decai em cinco anos, contados da data do fato gerador, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Prêmios obtidos em bingos incidência do IRRF Estão sujeitos à incidência do IRRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de 0%, os lucros decorrentes de prêmios em dinheiro obtidos em loterias, concursos desportivos em geral e sorteios de qualquer espécie. lmpugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido cm Parte A autoridade julgadora entendeu que estariam decadentes os lançamentos tributários realizados com fato gerador entre 31/01/2002 a 31/07/2002. Insatisfeito o interessado, apresenta recurso voluntário onde reitera as razões da impugnação. Enfatiza os seguintes pontos: Decadência dos fatos geradores em 31/08/2002; Da inexibilidade do IRRF sobre prêmios lotéricos de pequeno valor; É o relatório. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da Decadência Uma vez que o lançamento foi cientificado no dia 29/08/2007, as infrações apontadas em relação aos fatos geradores de 31/08/2002, não devem ser excluídos do lançamento.. Cabe registrar, que o imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Como no caso concreto o fato gerador ocorreu em 31/08/2002, não há que se considerar a decadência desse mês,tal como argumenta o recorrente. Da inexigibilidade de IRRF sobre Prêmio Lotéricos de Pequeno Valor. No caso em apreço, a autoridade lançadora fundamenta a exigência do imposto de renda na fonte no artigo 676 do RIR199, segundo o qual: Art. 676. Estão sujeitos à incidência do imposto, à alíquota de trinta por cento, exclusivamente na fonte: I — os lucros decorrentes de prêmios em dinheiro obtidos em loterias, inclusive as instantâneas, mesmo as de finalidade assistencial, ainda que exploradas diretamente pelo Estado, concursos desportivos em geral, compreendidos os de turfe e sorteios de qualquer espécie, exclusive os de antecipação nos títulos de capitalização e os de amortização e resgate das ações das sociedades anônimas (Lei n° 4.506, de 1964, arT.14); II— os prêmios em concursos de prognósticos desportivos, seja qual for o valor do rateio atribuído a cada ganhador (Decreto Lei n° 1.493, de 7 de dezembro de 1976, art.10). § 1°. O imposto de que trata o inciso I incidirá sobre o total dos prêmios lotéricos e de sweepstake superiores a onze reais e dez centavos, devendo a Secretaria da Receita Federal pronunciar se sobre o cálculo desse imposto (DecretoLei n° 204, de 27 de fevereiro de 1967, art. 5°, §§ 1° e 2°, Lei n° 5.971, de 11 de dezembro de 1973, art. 21, Lei n° 8.383, de 1991, art. 3°, inciso II, e Lei n°9.249, de 1995, art. 30). Fl. 454DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11020.002829/200718 Acórdão n.º 220201.805 S2C2T2 Fl. 6 11 § 2°. O recolhimento do imposto, seja qual for a residência ou domicilio do beneficiário do rendimento, poderá ser efetuado no agente arrecadador do local em que estiver a sede da entidade que explorar a loteria (Lei n° 4.154, de 1962, art. 19, § 1°). § 3O. .O imposto será retido na data do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa.(Grifei) O inciso 1 deste dispositivo determina a tributação exclusivamente na fonte, à aliquota de 30%, de lucros provenientes de três fontes distintas, a saber a) prêmios em. dinheiro obtidos em loterias; b) concursos desportivos em geral; e, c) sorteios de qualquer espécie. Já o § 1o prevê a incidência da tributação sobre o total dos prêmios lotéricos e de sweepstake (apostas em corridas de cavalos) superiores a R$ 11,10. A atividade exercida pela recorrente estava relacionada à administração de bingos e sua defesa é no sentido de que só pode ser tributado o lucro dos prêmios pagos aos apostadores, assim entendido como a diferença entre o prêmio recebido e o valor apostado, além do que não incide imposto de renda na fonte sobre os prêmios de valores inferiores a R$ 11,10. O enfrentamento dessas questões passa pela definição do que vem a ser "bingo". A Lei n° 8.672/1993, em seu artigo 57, estabeleceu que: Art. 57. As entidades de direção e de prática desportiva filiadas a entidades de administração em, no mínimo, três modalidades olímpicas, e que comprovem, na forma da regulamentação desta lei, atividade e a participação em competições oficiais organizadas pela mesma, credenciarseão na Secretaria da Fazenda da respectiva Unidade da Federação para promover reuniões destinadas a angariar recursos para o fomento do desporto, mediante sorteios de modalidade denominada Bingo, ou similar Por sua vez, o artigo 60 da Lei n°9.615/1998 previu o seguinte: Art. 60. As entidades de administração e de prática desportiva poderão credenciarse junto à União para explorar jogo de bingo permanente ou eventual, com a finalidade de angariar recursos para o fomento do desporto. § 1°. Considerase bingo permanente aquele realizado em salas próprias,com utilização de processo de extração isento de contato humano, que assegure integral lisura dos resultados, inclusive com o apoio de sistema de circuito fechado de televisão e difusão de som, oferecendo prêmios exclusivamente em dinheiro. Já no Decreto n° 3.659/2000, artigo 2°, está expresso que: Art. 2°. Jogo de bingo é aquele em que se sorteiam ao acaso números de 1 a 90, mediante sucessivas extrações, até que um ou Fl. 455DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 mais concorrentes atinjam o objetivo previamente determinado, podendo ser realizado nas modalidades de jogo de bingo permanente e jogo de bingo eventual. § 1°. Considerase bingo permanente aquele realizado em salas próprias, com utilização de processo de extração isento de contato humano, que assegure integral lisura dos resultados, inclusive com o apoio de sistema de circuito fechado de televisão e difusão de som, oferecendo prêmios exclusivamente em dinheiro. § 2°. Bingo eventual é aquele que, sem funcionar em salas próprias, realiza sorteios periódicos, utilizando processo de extração isento de contato humano, podendo oferecer prêmios exclusivamente em bens e serviços. Portanto, bingo pode ser conceituado como uma modalidade de jogo em que se distribuem prêmios através de sorteios. E, nos termos do artigo 676, caput e inciso I, do RIR199, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, à alíquota de 30%, exclusivamente na fonte, os lucros decorrentes de prêmios em dinheiro obtidos em sorteios de qualquer espécie. Entendo que a base de cálculo do tributo é representada pelo valor dos prêmios pagos pela recorrente aos apostadores, tal qual restou decidido pelo acórdão recorrido. Com o objetivo de dar sustentação à posição defendida, trago à colação a ementa do seguinte acórdão proferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal — TRF da 49 Região: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. JOGO DE BINGO. INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR DO PRÊMIO. O imposto de renda pessoa física somente incide sobre rendimentos ou proventos, ou seja, sobre a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica que não tenha natureza indenizatória. O valor recebido pelo apostador a título de prêmio de estabelecimento administrador de jogo de bingo consiste em acréscimo patrimonial, pelo que incide o imposto de renda. Agravo de instrumento desprovido. (TRF 49 Região, Segunda Turma, AI n° 2002.04.01.035743 6/RS, Relator Desembargador Federal João Surreaux Chagas, DJU de 04/02/2004, p. 520) Com relação à regra prevista no § 1°, do artigo 676, do RIR/99, entendo que ela não se aplica ao caso em tela, pois atinge somente os prêmios de loteria e de sweepstake (apostas em corridas de cavalos). O histórico legislativo feito pela relatora da decisão de primeira instância demonstra que a não tributação dos prêmios inferiores a R$ 11,10 alcança, tãosomente, as lotéricas e as apostas em corridas de cavalos, não sendo extensivas aos concursos de prognósticos desportivos, bem como aos prêmios em dinheiro obtidos em sorteios realizados na exploração de jogos de bingo. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11020.002829/200718 Acórdão n.º 220201.805 S2C2T2 Fl. 7 13 O entendimento deste julgador conta com o respaldo da jurisprudência, tanto dos Tribunais Judiciais quanto do Conselho de Contribuintes, conforme ilustram as e_ ementas dos seguintes acórdãos: TRIBUTÁRIO. JOGOS DE BINGOS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. PIS. COFINS. ISENÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DISPENSA DE RETENÇÃO RELATIVAMENTE A PRÊMIOS CUJO VALOR NÃO ALCANCE R$ 11,10. INEXISTÊNCIA. 1. É inviável o processamento do Recurso Especial quando ausente o prequestionamento da questão nele versada. 2. Nos termos do Decreto 3.000/99, estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de 30%, exclusivamente na fonte os lucros decorrentes de prêmio em dinheiro obtidos em loterias. inclusive as instantâneas, ainda que de finalidade assistencial e exploradas diretamente pelo Estado, concursos desportivos em geral, compreendidos nestes o turfe e os sorteios de qualquer espécie. 3. Não há que se falar em isenção em virtude da natureza desportiva das empresas administradoras de jogos, porquanto não perdem elas a feição comercial. 4. São devidas as contribuições ao PIS e à COFINS, cuja base de cálculo é o faturamento da empresa, porquanto inexiste norma que impeça a incidência das referidas exações, enquadrandose a atividade da Recorrente na hipótese abstratamente prevista na legislação de regência. 5. O imposto de renda incidente sobre prêmios é retido exclusivamente na fonte, consoante determina o art. 677 do RIR/99, não compondo a base de cálculo da exação devida na declaração de rendimentos das pessoas físicas ou jurídicas. A pleiteada dispensa de retenção de que trata o art. 67 da Lei 9.430/96, invocado pela Recorrente, somente alberga o imposto incidente na fonte sobre rendimentos que devam integrar a base decálculo do imposto devido na declaração de ajuste anual, não atingindo, dessarte, a hipótese sub examine. 6. Havendo adimplemento apenas parcial do tributo, sem que haja qualquer causa suspensiva da exigibilidade do respectivo crédito, incide multa por atraso no seu pagamento, a teor do que dispõe o art. 39, § 40 da Lei 9.430/96. 7. Relativamente à Taxa SELIC é firme a jurisprudência desse Sodalício quanto à sua incidência na cobrança do crédito tributário, a partir da entrada em vigor da Lei 9.250/95, que a instituiu. 8. Recurso Especial conhecido em parte, e, nesta parte, desprovido. (STJ, Primeira Turma, REsp n° 572.781/RS, Relator Ministro Luiz Fux, Fl. 457DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 DJU de 29/11/2004, p. 233) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PRÊMIO EM DINHEIRO. ISENÇÃO. § 1° DO ARTIGO 676 DO DECRETO 3000/99. BINGO. NÃOABRANGÊNCIA. Não é o regulamento que concede qualquer isenção, apenas explicita a isenção já estabelecida por lei. A reara isentiva do IR, prevista no § 1° do artigo 676 do Decreto 3000/99, aplicase apenas àqueles casos em que o prêmio tenha sido pago em razão de Loterias Federais e Competições Turísticas, atividades estas regulamentadas pelo Decreto Lei n° 204/67 ou pela Lei n° 5.971/73. Os prêmios pagos pela apelante são oriundos da exploração de Bingo Eventual, autorizado por força da Lei n° 9.615/98. A exploração desta atividade não se encontra abrangida pelas situações restritas estabelecidas no § 1° do artigo 676. Em se tratando de isenção, não há lugar para analogia, forte no art. 111, II, do CTN. (TRF 4° Região, Segunda Turma, AC n° 2000.71.05.002528 8/RS, Relator Desembargador Federal Leandro Paulsen, DJU de 19/04/2006, p. 512) BINGO PRÊMIOS DISTRIBUÍDOS EM DINHEIRO, BENS E SERVIÇOS O regime de tributação é exclusiva de fonte, sendo que o responsável pela retenção e recolhimento do imposto é a pessoa jurídica de natureza desportiva, detentora da autorização para exploração de sorteios destinados a angariar recursos para o fomento do desporto. As convenções particulares relativas à responsabilidade pela retenção e recolhimento de tributos não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição do responsável pelas obrigações tributárias. ISENÇÃO PARA PRÊMIOS LOTÉRICOS As isenções aplicadas às lotéricas e às apostas em corridas de cavalos não são extensivas aos concursos de prognósticos desportivos, bem como aos prêmios em dinheiro obtidos em sorteios realizados na exploração de jogos de bingo. CONFISCO A oposição de preliminar de confisco, questionando a constitucionalidade da imposição tributária, não pode ser analisada por órgão da administração, haja vista não ser órgão competente para esta análise. Impõe ao Poder Judiciário posicionarse quanto ao questionamento da constitucionalidade do confisco de determinados tributos ou multas. Recurso negado. (Primeiro Conselho, Segunda Câmara, acórdão n° 10247.241, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, julgado em 07/12/2005) Fl. 458DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11020.002829/200718 Acórdão n.º 220201.805 S2C2T2 Fl. 8 15 (Grifei) IRF LOTERIAS PRÊMIOS EM DINHEIRO ISENÇÃO PARA PRÊMIOS LOTÉRICOS INAPLICABILIDADE AOS BINGOS A isenção prevista no l° do art. 5° do Decreto Lei n° 204 de 1967, é aplicável apenas aos prêmios lotéricos (Loteria Federal) e de sweepstake (apostas em corridas de cavalos). Desta forma, o limite de isenção de onze reais e dez centavos é inaplicável no caso de prêmios em dinheiro obtidos em concursos de prognósticos desportivos, bem como aos prêmios em dinheiro obtidos em sorteios realizados na exploração de jogos de bingo. (..) Preliminar de ilegitimidade rejeitada. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, acórdão n° 10419.114, Relatora Conselheira Vera Cecília Mattos Vieira de Moraes, julgado em 04/12/2002) É de se concluir, portanto, que não merecem prosperar as teses defendidas pela recorrente, analisadas neste tópico. Ante ao exposto, voto por rejeitar a argüição de decadência suscitada pela recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 459DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 16682.720594/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
CONCOMITÂNCIA.
Tratando-se de questão cujo objeto é também questionado em ação judicial, deve prevalecer a competência do Poder Judiciário, sem o conhecimento da lide no contencioso administrativo, ou com o abandono deste, uma vez iniciado.
Numero da decisão: 1302-001.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Tratandose de questão cujo objeto é também questionado em ação judicial, deve prevalecer a competência do Poder Judiciário, sem o conhecimento da lide no contencioso administrativo, ou com o abandono deste, uma vez iniciado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 94 /2 01 2- 29 Fl. 747DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720594/201229 Acórdão n.º 1302001.062 S1C3T2 Fl. 748 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 2ª Turma da DRJ/RJ1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO à impugnação para considerar devido o imposto de renda pessoa jurídica no valor de R$ 46.294.830,38, acrescido de encargos moratórios, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 AÇÃO JUDICIAL. DISCUSSÃO CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, antes ou após o procedimento fiscal de lançamento de ofício, com o mesmo objeto, não obstrui a formalização do crédito tributário mediante lançamento e acarreta a renúncia ao litígio administrativo, impedindo a apreciação das razões de mérito por parte da autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 24/05/2012, no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro DEMAC/RJ, relativo aos anoscalendário de 2008 e 2009, por meio do qual é exigido do interessado acima identificado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ no valor de R$ 46.294.830,38 (fls. 192/198), acrescido de encargos moratórios. 2. Fundamentou a exação a ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, da contribuição social sobre o lucro líquido CSLL. Enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996. Arts. 249, I, e 344, §6º, do RIR/1999. Fato gerador Vlr. Tributável 31/12/2008 R$ 88.518.466,32 31/12/2009 R$ 96.660.855,29 3. De acordo com o Termo de Verificação FiscalTVF de fls. 183/191, o interessado impetrou o Mandado de Segurança nº 1999.34.00.0030846 Fl. 748DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720594/201229 Acórdão n.º 1302001.062 S1C3T2 Fl. 749 3 perante a 21ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal requerendo a declaração de inconstitucionalidade da expressão contida no caput e parágrafo único do art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996, e, em consequência, a possibilidade de dedução da CSLL na determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ. 4. Concedida a segurança, a Fazenda Nacional interpôs recurso de apelação, recebido apenas em seu efeito devolutivo. Posteriormente o relator declarou suspenso o feito, nos termos do art. 265, IV, “a” do Código de Processo Civil –CPC, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 582.525 RG/SP. 5. O crédito tributário com exigibilidade suspensa foi constituído com a finalidade de prevenir a decadência, sem o lançamento de multa de ofício, com amparo no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996. 6. Cientificado do lançamento em 25/05/2012 (fl.193), o interessado apresentou em 18/06/2012 a impugnação de fls. 515/520, acompanhada dos documentos de fls. 521/681, alegando, em síntese, que: a não adição da CSLL ao lucro real decorre dos efeitos da sentença proferida no Mandado de Segurança nº 1999.34.00.0030846, da 21ª Vara Federal de Brasília; não existe campo para informar na DIPJ o efeito do mandado de segurança na apuração do saldo de IRPJ; na DCTF, optou por informar a dedução da despesa de CSLL no campo “suspensão”, enquanto na DIPJ o valor do IRPJ apurado com base no lucro real é registrado em sua integralidade, gerando, assim, uma distorção na declaração de saldo de imposto de renda a pagar; requer a desconstituição do crédito tributário, porquanto se encontra judicialmente amparada; a não inclusão no CADIN e/ou a inscrição do débito junto à Dívida Ativa da União, enquanto não haja uma decisão definitiva do presente processo administrativo. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na impugnação. É o relatório. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720594/201229 Acórdão n.º 1302001.062 S1C3T2 Fl. 750 4 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Insurgese a recorrente contra a decisão que manteve o auto de infração lavrado pela fiscalização para prevenção da decadência relativa à não adição ao lucro real do valor da contribuição social sobre o lucro, nos termos preconizados pelo art. 1º e parágrafo único da Lei nº 9.316/96. Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. A recorrente deixou de adicionar o valor da CSLL com fundamento em decisão obtida nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.34.00.0030846, impetrado perante a 21ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, no qual requereu e foilhe concedida a declaração de inconstitucionalidade da expressão contida no caput e parágrafo único do art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996, e, em consequência, a possibilidade de dedução da CSLL na determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ. A Fazenda Nacional interpôs recurso de apelação, recebido apenas em seu efeito devolutivo. Posteriormente o relator declarou suspenso o feito, nos termos do art. 265, IV, “a” do Código de Processo Civil –CPC, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 582.525 RG/SP. Afirma a recorrente que deixou de informar o tributo como suspenso na DCTF porque as declarações da Receita Federal não se adequam ao teor das decisões judiciais, e não havia como conciliála com a DIPJ, em que fez a apuração do tributo pelo valor correto. A DRJ manteve a autuação, entendendo que o lançamento para prevenção da decadência não fica obstado pela decisão judicial proferida. Além disso, não estando o crédito devidamente constituído em DCTF, é devida sua constituição por meio do lançamento. No que tange à matéria de mérito (dedutibilidade da CSLL do lucro real), não foi conhecida, reconhecida a concomitância. A meu ver não merece reparos a decisão recorrida. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720594/201229 Acórdão n.º 1302001.062 S1C3T2 Fl. 751 5 De fato, não estando o crédito vinculado com exigibilidade suspensa no campo específico da DCTF, e não impedindo a sentença o Fisco de constituir o crédito para prevenir decadência, não há como deixar de formalizálo por meio do lançamento, pois esta é a forma que dispõe o Fisco para cobrar o crédito caso saia vencedor do litígio judicial. Quanto à matéria de mérito, não deve mesmo ser conhecida. Ocorre que estando tal exigência fiscal no centro da presente discussão, sua postulação junto ao Poder Judiciário, impede o conhecimento da matéria por este órgão colegiado, tendo em vista que as decisões proferidas naquele poder são dotadas de definitividade, descabendo uma vez ali discutida a questão qualquer razão para sua apreciação neste âmbito. A jurisprudência do Carf é remansosa neste sentido, sendo a questão, inclusive, sumulada. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmulas 1 do 1º e 2º CC e 5 do 3º CC Desta forma, havendo identidade de objetos, deve prevalecer a competência do Poder Judiciário. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 09 de abril de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 751DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10825.900843/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 Ementa: DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificá-la. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.175
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900843/200823 Acórdão n.º 1402001.175 S1C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900843/200823 Acórdão n.º 1402001.175 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório O processo acima identificado retorna de diligência. Do relatório feito naquela ocasião, quando o processo esteve em pauta, transcrevo o quanto segue nos parágrafos subsequentes: A alteração contratual de fls. 46/50, datada de 11/11/2003, indica que em tal data a recorrente manteve o objeto social no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”. A DIPJ fls. 14/25, entregue em 24/04/2008, demonstra que a interessada protocolizou declaração retificadora do período de 01/01/1999 a 31/12/1999, indicando ser tributada na sistemática do lucro presumido e base de cálculo de 8% (oito por cento). O acórdão recorrido, à fl. 53, diz que a retificação das DCTF’s do quarto trimestre de 1999 ocorreu somente em 26/03/2008. Todavia, examinando os autos não foi possível localizar a existência da referida declaração retificadora. As DCTF’s retificadoras de fls. 26/40 se referem ao terceiro trimestre de 2004. Em síntese, no caso concreto, alega a recorrente que ao calcular o imposto devido em relação ao quarto trimestre de 1999 utilizou base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto seria 8% (oito por cento). Assim, pagou imposto a maior no ano de 1999 e, em 2004, “antes de seu crédito ser atingido pela decadência” realizou as compensações indicadas nas DCTF’s de fls. 26 e seguintes, no montante de R$ 19.481,54. O acórdão recorrido indeferiu a compensação por entender que a parte interessada não havia apresentado a documentação necessária, sendo que sequer havia retificado as DCTF’s relativas ao ano de 1999, procedimento que só realizou em 2008. Em ocasião anterior, quando examinou a matéria, este colegiado decidoiu converter o julgamento em diligência para que viessem aos autos os seguintes elementos: a) cópia do contrato social que vigorava no período de apuração do crédito em discussão; b) cópias das DCTF`s referentes aos períodos dos alegados pagamentos a maior, junto com a DIPJ de cada um dos trimestres, identificando a base de cálculo aplicada e a natureza dos rendimentos; c) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou extinção dos débitos tributários por compensação; d) quadro demonstrativo referente ao período do alegado pagamento a maior, indicando a natureza da origem da receitas (comércio, prestação de serviços, atividades de laboratórios, etc.), a base de cálculo considerada, o valor pago à época, o quanto seria devido se aplicado base de cálculo de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) e, Fl. 577DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900843/200823 Acórdão n.º 1402001.175 S1C4T2 Fl. 0 4 e) nos casos de pagamentos a maior, com débitos subsequentes, deverá a requerente fazer constar do quadro acima quando isto se deu, em que valores e em que forma (DCTF, DCOMP etc). Intimada, quando da diligência, a empresa juntou documentos e planilhas contendo os seguintes elementos: (I) quadro demonstrativo em face de faturamento obtido com pessoas jurídicas, em cada trimestre, com retenções de IRRF (ano de 1999); (II) quadro resumo contendo o faturamento com IRF, o faturamento sem IRRF, o faturamento com IRRF e a soma destes três montantes em cada trimestre do anocalendário de 1999; (III) quadro demonstrativo das retenções do IRRF por trimestre, indicando cada uma das fontes (ano de 1999); (IV) livro razão referente ao período a que se refere os itens anteriores (ano 1999); (V) DIPJ relativa ao ano de 1999. De posse das informações fornecidas pela parte interessada a autoridade fiscal elaborou o termo de verificação nº 033/2011, datado de 07122011, destacando os seguintes pontos: a) que o alegado direito creditório da recorrente referese à diferença pelo de ter recolhido tributos considerando base de cálculo de 32%, quando o correto, segundo seu entendimento, seria 8%; b) que esta diferença resultante entre 1998 e 2003 gerou mais de 180 PER/COMP; c) que de acordo com a DIPJ original, que utilizou base de cálculo de 32% e retificadora que utilizou base de cálculo de 8% da Receita Bruta, os valores respectivamente apurados foram: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900843/200823 Acórdão n.º 1402001.175 S1C4T2 Fl. 0 5 Intimada dos levantamentos feitos pela autoridade fiscal, a recorrente manifestouse destacando os seguintes pontos: a) que dos demonstrativos apurados no exaustivo trabalho da autoridade fiscal notouse algumas divergências entre a receita declarada e a receita informada em DIRF. Igualmente, percebeuse pequenas divergências entre as retenções que foram utilizadas em compensações; b) relativamente às divergências de receitas e retenções declaradas, esclarece a recorrente que a contabilização da receita era feita pela nota fiscal e o aproveitamento da retenção na fonte pelo recebimento; c) por outro lado, esclarece a recorrente que o valor da nota fiscal emitida nem sempre correspondia ao pagamento, pois existiam glosas, ainda que indevidas, pelos tomadores dos serviços; d) que os valores sem DIRF, mas representativos, são do SUS e do SEPREM, ambos órgãos públicos a quem a recorrente solicitou os devidos comprovantes, sendo que a SEPREM o forneceu e o SUS informou que tais informações somente podiam ser obtidas por meio de diligências em Brasília, pois a verba para a saúde tem origem no Ministério da Saúde que repassa para os Estados e Municípios. e) destaca, ainda, que o processo documental do SUS é diferente, pois não existe nota fiscal de serviço, mas sim relatórios que são auditados, para os quais são emitidos ofícios com estimativa de pagamento. Neste sentido a recorrente apresenta exemplos. f) Junto com a manifestação em relação ao levantamento feito pela autoridade fiscal a contribuinte juntou documentos separados por anos (1998, 1999 e 2000). g) para cada ano e para cada empresa que apresentou problemas de falta ou de divergência de valores a contribuinte elaborou planilha contendo: 1. O ano da ocorrência; 2. O nome da empresa – fonte pagadora; Fl. 579DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900843/200823 Acórdão n.º 1402001.175 S1C4T2 Fl. 0 6 3. O nº atribuído a esta empresa que irá identificálo no razão; 4. o CNPJ da fonte pagadora; 5. o Banco onde eram creditados os rendimentos; 6. O faturamento líquido e a retenção em cada mês; A planilha acima referida foi instruída com cópias de notas fiscais, onde por vezes constam anotadas as glosas, novo cálculo de retenções, valor líquido pago, data de pagamento e extrato onde se encontra registrado o crédito e, por vezes, o nome do pagador. A título de exemplo de glosa ocorrida a contribuinte menciona a nota fiscal nº 2035, de 30091998, no valor original de R$ 1008,30, com glosa de R$ 45,00. Assim, o valor da referida nota passou a ser R$ 963,30 (1.008,00 – R$ 45,00 ,00 = R$ 963,30). Sobre este valor houve retenções de R$ 81,40, o que resultou em recebimento líquido de 881,90. É o relatório. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900843/200823 Acórdão n.º 1402001.175 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Antes de adentrar ao mérito faço questão de registrar o excelente trabalho de confecção de planilhas elaboradas tanto pela fiscalização quanto pela contribuinte. O atuar de uma facilitou no trabalho da outra e ambas propiciaram melhor esclarecimentos aos fatos. Do retorno da diligência, levando em consideração seu objeto social da recorrente, os tomadores dos serviços e demais dados existentes nos autos, já analisados quando da conversão do processo em diligência, resultei convencido de que, à luz do que foi decidido no REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime de recurso repetitivo de que trata o artigo 543C, do Código de Processo Civil, que nos termos do artigo 62A, do Regimento Interno, deve ser observado por este colegiado, a base de cálculo da tributação efetivamente era de 8%. Deixo de transcrever os fundamentos constantes do REsp nº 1.116.399/BA porque já o fiz quando da resolução que converteu o processo em diligência. Porém, a questão que diz respeito ao deslinde deste processo não está relacionada à base de cálculo e tampouco ao montante dos valores retidos na fonte. À luz do parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Quer nos casos de lançamento de ofício, quer nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, a base de cálculo, a alíquota incidente, o quanto devido e realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, da CF, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos previstos no ordenamento jurídico. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988, e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas Constituições anteriores e no artigo 97, do Código Tributário Nacional. Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração Fl. 581DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900843/200823 Acórdão n.º 1402001.175 S1C4T2 Fl. 0 8 proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170, do CTN. Ainda em relação à compensação, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002).” Quando examinei o processo pela primeira vez o fiz partindo da premissa de que a contribuinte, quando formulou os pedidos de compensação, havia retificado as DCTFs, sem proceder o mesmo em relação à DIPJ. Tendo por norte esta premissa entendi que as DCTF`s entregues eram documentos hábeis para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram pagos mediante compensação. Assim, não havia o que se falar em decadência. Apesar dos fundamentos acima, como as DCTFs retificadoras não se encontravam nos autos, converti o julgamento em diligência solicitando que viessem aos autos ditos documentos. Se retificada a DCTF antes da extinção do direito da recorrente, ao meu sentir, em análise preliminar, não havia como negar a compensação ora analisada. Ocorre que a DCTF também foi retificada após o decurso do prazo de cinco anos. Assim, a premissa inicialmente considerada quando da conversão do processo em diligência, com a informação vinda aos autos, mostrouse inexistente. Nos termos do artigo 147 e seguintes do Código Tributário Nacional o lançamento pode darse por a) declaração; b) homologação e c) de ofício. No caso, interessanos o lançamento por homologação que à luz do artigo 150, co CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900843/200823 Acórdão n.º 1402001.175 S1C4T2 Fl. 0 9 Quando o sujeito passivo, no lançamento por homologação, identifica a matéria tributável, apura a base de cálculo e calcula o valor do tributo devido, informandoo à Administração Tributária por meio de DCTF, temse a constituição de um crédito em favor do Fisco. Neste caso é o sujeito passivo que apura o valor que reconhece devido ao sujeito ativo. Por outro lado, quando o Fisco, em lançamento por declaração ou de ofício, apura o valor do imposto devido e notificao ao sujeito passivo, tem o credor o prazo de cinco anos para exigir o respectivo tributo, sob pena de prescrição. Pelo que se depreende do artigo 149, parágrafo único, este lapso temporal de 5 (cinco) anos também se verifica nos casos em que o sujeito passivo comete erros na constituição do crédito tributário nos lançamentos por homologação. Por hipótese, se constituiu base de cálculo com valor adotando valor errado, lhe é assegurado o prazo de cinco anos para retificar o ato de constituição do débito, no caso a DCTF. O prazo quinquenal de que trata o artigo 150, parágrafo único do CTN, é prazo aplicável tanto em favor do Fisco quanto do contribuinte para retificar o lançamento nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido tal prazo não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o quantum do crédito tributário constituído mediante entrega de DCTF anterior. Por fim, para que não se diga que o colegiado tangenciou em relação a ponto relevante em relação ao qual deveria manifestarse, deixo consignado que o fato do sujeito passivo ter entregue pedido de compensação dentro do período de cinco anos não altera o resultado do julgamento. A compensação pressupõe um crédito do devedor para com o credor. Assim, no momento em que o sujeito passivo não retificou sua DCTF dentro do período de 5 (cinco) anos, não fez aflorar o crédito pretendido que, mediante compensação, seria extinto na medida que utilizado para pagamento de outro tributo. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso por reconhecer a impossibilidade de retificação da DCTF depois de decorridos 5 (cinco) anos de sua entrega. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 583DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 11060.001986/2003-06
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO- CSLL. SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA.
O resultado dos atos cooperados estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
Numero da decisão: 9101-001.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. O Conselheiro João Caros de Lima Junior não conhecia do recurso.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann.
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Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. O resultado dos atos cooperados estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. O Conselheiro João Caros de Lima Junior não conhecia do recurso. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 19 86 /2 00 3- 06 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI 2 Relatório O Procurador da Fazenda Nacional, inconformado com a decisão consubstanciada no Acórdão n° 10708.044 (Sessão de 14 de abril de 2005) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício, ingressou com Recurso Especial de Divergência, com fulcro no art. 32, II e § 1 0 e art. 33 e §2°, ambos do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes então em vigor, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998. A acórdão guerreado apreciou recurso de ofício em que a primeira instância administrativa entendeu que o lançamento consignado era improcedente, e ostentou a seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — SOCIEDADES COOPERATIVAS — O resultado positivo obtido pelas Sociedades Cooperativas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperados, não integra a base de cálculo da Contribuição Social. Exegese do art. 11 da Lei n° 5.764/71 e artigos 1° e 2`" da lei n° 7.689/88 (CSRF/011.734)" Assegura a Fazenda Nacional que a interpretação assumida pelo acórdão recorrido colide com abraçada pela antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho, por meio do acórdão 10513.855, cuja ementa consigna: “CSLL — Cooperativas — Os resultados positivos apurados por cooperativas em decorrência de operações com seus associados integram a base de cálculo para a apuração da contribuição social sobre o lucro.” O Presidente da Sétima Câmara negou seguimento ao recurso não vislumbrar possibilidade jurídica para a interposição de recurso especial a hipótese de decisão que nega provimento a recurso de ofício, como é o caso dos autos, mencionando haver reiteradas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido, citando como exemplo o Acórdão n° CSRF/0105.128, de 19/10/2004, nos seguintes termos: “RECURSO ESPECIAL — ADMISSIBILIDADE — RECURSO DE OFÍCIO A decisão de primeira instância favorável ao sujeito passivo, acima do limite de alçada, constituí o primeiro momento de um ato complexo, cujo aperfeiçoamento requer manifestação do Conselho de Contribuintes quando aprecia recurso de ofício. Nesse caso, o Tribunal não decide recurso, simplesmente complementa o ato complexo. A decisão de primeira instância que exonera crédito tributário abaixo do limite de alçada é definitiva, enquanto a decisão acima do limite deve ser confirmada pelo Conselho de Contribuintes para se tornar definitiva (art. 47 do Decreto nº 70.235/72). Recurso Especial interposto pela Procuradoria é impróprio para desafiar acórdão não unânime proferido em remessa ex officio. Recurso não conhecido.” A Fazenda Nacional agravou do despacho, que foi reformado, imprimindo seguimento ao recurso. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 11060.001986/200306 Acórdão n.º 9101001.552 CSRFT1 Fl. 3 3 Cientificado, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Inicialmente, considero que o recurso foi corretamente admitido, pois tanto o Regimento Interno atualmente em vigor como o que vigorava à época da interposição asseguram que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, sem distinguir entre decisão dada em julgamento de recurso voluntário ou de ofício. Por outro lado, a divergência de interpretação emerge da simples leitura das ementas dos acórdãos confrontados. Conheço do recurso. A matéria posta a julgamento cingese à definição da incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ao resultado positivo dos atos cooperativos. Dispõe a Lei nº 5.764/1971: CAPÍTULO II Das Sociedades Cooperativas Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...) VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral. (...) CAPÍTULO XII Do Sistema Operacional das Cooperativas SEÇÃO I Do Ato Cooperativo Fl. 519DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI 4 Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. SEÇÃO II Das Distribuições de Despesas Art. 80. As despesas da sociedade serão cobertas pelos associados mediante rateio na proporção direta da fruição de serviços. Parágrafo único. A cooperativa poderá, para melhor atender à equanimidade de cobertura das despesas da sociedade, estabelecer: I rateio, em partes iguais, das despesas gerais da sociedade entre todos os associados, quer tenham ou não, no ano, usufruído dos serviços por ela prestados, conforme definidas no estatuto; II rateio, em razão diretamente proporcional, entre os associados que tenham usufruído dos serviços durante o ano, das sobras líquidas ou dos prejuízos verificados no balanço do exercício, excluídas as despesas gerais já atendidas na forma do item anterior. Art. 81. A cooperativa que tiver adotado o critério de separar as despesas da sociedade e estabelecido o seu rateio na forma indicada no parágrafo único do artigo anterior deverá levantar separadamente as despesas gerais. SEÇÃO III Das Operações da Cooperativa (...) Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 11060.001986/200306 Acórdão n.º 9101001.552 CSRFT1 Fl. 4 5 Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16840, de 24 de agosto de 2001) SEÇÃO IV Dos Prejuízos Art. 89. Os prejuízos verificados no decorrer do exercício serão cobertos com recursos provenientes do Fundo de Reserva e, se insuficiente este, mediante rateio, entre os associados, na razão direta dos serviços usufruídos, ressalvada a opção prevista no parágrafo único do artigo 80. (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. A transcrição dos dispositivos supra permite uma visão clara da natureza da sociedade cooperativa. Tratase de sociedade não empresária, associação de pessoas que se unem para potencializar os resultados de suas atividades próprias (e não da sociedade). Os resultados (sobras líquidas) partilhados entre os associados, esses sim, sujeitamse à incidência dos tributos na pessoa do associado. Oportuno transcrever considerações contidas no voto condutor do Acórdão 10192.258, de 19 de agosto de 1998, que bem demonstra a condição de não incidência de tributos sobre o resultado das cooperativas: Segundo Reginaldo Ferreira Lima1 a cooperativa "é conceituada, na sua natureza jurídica, como uma "sociedade auxiliar", cuja razão de ser consiste na prestação desinteressada de serviços aos que a compõem....". "Quanto ao fim, ...existe tão só para prestar serviços aos associados, independentemente da idéia de, como pessoa jurídica, obter vantagens para si, em detrimento do cooperado, investido da dupla qualidade : de associado e utente dos serviços cooperativos." "Como sociedade de pessoas, o destino da cooperativa é servir ao grupo associado, sem a mais leve intenção de lucrar à sua custa, o que, se viesse a ocorrer, evidentemente descaracterizaria a entidade cooperativa, transformandoa em instituição lucrativista, pertinente ao âmbito das sociedades de capital."... ."O interesse da cooperativa, teoricamente, sempre coincide com o interesse do sócio, na realização dos negócios internos desenvolvidos por ambos."..."A Lei 5.764/71 não consagrou o princípio do exclusivismo, vigente em outras legislações, segundo o qual a cooperativa não pode praticar negócios pertinentes à sua esfera interna com pessoas que não integram o seu quadro associativo..."...“a Lei não determina que a sociedade cooperativa realize apenas os negócios inerentes aos atos com seus associados, podendo, também, atuar na modalidade 1 Direito Cooperativo Tributário Reginaldo Ferreira Lima Ed. Max LimonadS.P., 1997 Fl. 521DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI 6 operacional de outras pessoas jurídicas, quando então sua conduta, para todos os fins, será aquela prescrita para a característica desse ato não cooperativo. Isso não quer dizer, porém, que essa atividade, devidamente autorizada pela lei brasileira, implique na descaracterização da sua atuação em cooperativa. Isto é, os fatos que decorrem de atos cooperativos são uma coisa, e os fatos decorrentes de atos não cooperativos são outra coisa. Uns não interferem nos efeitos jurídicos dos outros."(destaquei) Quanto aos atos praticados, esse mesmo autor entende que "além de praticarem os negóciosfim e os negócios de mercado ( negócios externos), as cooperativas também realizam outros negócios, com características jurídicas distintas e que vão integrar os atos cooperativos . São os negócios auxiliares e os negócios acessórios. Como negócios auxiliares são consideradas as operações que a sociedade concretiza tendo em vista a realização dos objetivos da sociedade. São atos inerentes à movimentação interna da sociedade, que não são praticados pelos associados, mas são necessários para que a cooperativa alcance os seus fins. Negócios acessórios, por outro lado, são aqueles eventuais, não ligados diretamente para o alcance dos fins sociais, mas que ocorrem em conseqüência da prática dos negócios auxiliares." "Como conseqüência do não exclusivismo, acima exposto, no Brasil as cooperativas podem praticar atos não cooperativos, desde que se disponham a prestar serviços (inerentes a organizar a atividade de seus sócios) também a não cooperados"...."o conceito de ato não cooperativo é de definição restrita, atingindo apenas a eventual atuação da sociedade junto a pessoas que tinham condições virtuais de integrar o rol de sócios, mas que não são sócios, por razão particular." A característica básica das sociedades cooperativas é a prestação de serviços aos seus associados, sendo esse o principal aspecto que as diferencia das outras sociedades . Seu sistema jurídico está atualmente regulado pela Lei 5.764, de 16/11/71. O tratamento tributário tem se modificado, evoluindo de isenção subjetiva para algumas cooperativas (Lei 4.506/64, art. 30) para não incidência subjetiva genérica (DL 59/66, art. 18), até chegar à atual não incidência objetiva genérica (Lei 5.764/71, art. 79 c.c. 111). O artigo 31 da Lei 4.506, de 30 de novembro de 1964, dispunha que "São isentas do imposto de renda as sociedades cooperativas a seguir enumeradas : ( omissis) ". Esse regime tributário foi alterado a partir do Decretolei 59/66, cujo artigo 18 determinava que "os resultados positivos obtidos nas operações sociais das cooperativas não poderão ser, em hipótese alguma, considerados como renda tributável, qualquer que seja sua destinação". Portanto, de isenção subjetiva passouse à não incidência subjetiva, alcançando todos os resultados da sociedade. A Lei 5.764/71 trouxe significativa alteração, ao delimitar a não incidência aos atos cooperativos (Lei 5.764/71, art. 79 c.c. art. 111). Portanto, a não incidência, antes alcançando a cooperativa como um todo ( não incidência subjetiva), passou a alcançar apenas os atos não cooperativos ( Fl. 522DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 11060.001986/200306 Acórdão n.º 9101001.552 CSRFT1 Fl. 5 7 não incidência objetiva). E, por não se tratar de não incidência subjetiva, ou seja, pelo fato de a não incidência não abranger a sociedade como um todo, mas apenas os atos definidos no artigo 79 da Lei 5.764/72, em relação aos demais atos por ela praticados, submetese a sociedade às mesmas regras de tributação a que se obrigam as demais pessoas jurídicas.” Ora, sendo o suporte fático da CSLL o lucro, e se a sociedade cooperativa não tem fins lucrativos (art. 3º da Lei nº 5.764/71), é constituída para prestar serviços aos associados, tendo natureza civil (art. 4º) e o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria (art. 79), não há como sujeitar à contribuição social sobre o lucro líquido o resultado positivo (sobras líquidas) obtido nos chamados atos cooperados. A Lei no 7.689/88, que criou a contribuição sobre o lucro das pessoas jurídicas (art. 1º), tem seu fundamento de validade no art. 195, inciso I, alínea “c”, da Constituição, que concedeu autorização à União para instituir a contribuição sobre o lucro das empresas ou entidades a elas equiparadas na forma da lei. Não há lei equiparando as sociedades cooperativas a empresas (ao contrário, a lei dispõe expressamente que elas têm natureza civil). Lucro é conceito de direito privado, significado o resultado positivo da empresa, a ser partilhado entre os sócios na proporção de sua participação no capital social. Em se tratando de conceito utilizado expressamente na Constituição para definir competência, não pode ele ser alterado sequer pela lei tributária, quanto mais pelo intérprete. Se a própria lei que instituiu o regime jurídico das cooperativas define sua natureza como civil, sem fins lucrativos, é óbvio que o resultado positivo dos atos cooperados (sobras líquidas), que retorna aos associados na proporção das operações por ele realizadas (inciso VII do art. 4º), não é “lucro de empresa”, mas resultado do associado. No acórdão indicado como paradigma o relator argumenta: “(...) as cooperativas tem procurado se esquivar desta obrigação social, sob a alegação de que a referida lei deu outro nome a seus resultados.Para efeito de incidência dos tributos, sim, mas para efeito da incidência das contribuições sociais, não, porque a seguridade social é financiada por toda a sociedade, na forma definida no artigo 195 e seus §§ da Constituição Federal de 1988.” Quanto a esse argumento digase, de início, que não é o nome dado aos resultados que os retira da incidência da contribuição, mas sim, sua natureza. Quanto ao financiamento da seguridade social como dever de toda a sociedade, sua forma está definida no art. 195 e §§ da Constituição Federal de 1988, que estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Fl. 523DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI 8 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) III sobre a receita de concursos de prognósticos. IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) (...) § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. (...). Assim havendo lei específica instituindo contribuição sobre (a) folha de salários, (b) pagamento de rendimentos de trabalho a pessoa física, (c) receita ou faturamento (d) lucro, as sociedades cooperativas, sendo integrantes da sociedade, participam do financiamento da seguridade social desde que (a) paguem salários ou (b) paguem quaisquer rendimentos de trabalho a pessoa física, ou (c) aufiram receita ou tenham faturamento ou (d) aufiram lucro. Como o resultado positivo dos atos cooperados (com associados) não constituem lucro da sociedade, as sociedades cooperativas só são contribuintes da CSLL se praticarem atos não cooperativos, e apenas sobre o resultado destes. Em síntese, o resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperados, não integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Esse é o entendimento manifestado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em todos os recursos especiais a ela submetidos (Ac. CSRF 01/05.874, Ac. CSRF 01/05.929, Ac. 910100.207, Ac. 910100.208, Ac. 9101001.207, .Ac. 910100.312, Ac. 9101 001.266, Ac. 9101001.267), e que, afinal foi sumulado em sessão de 10 de dezembro de 2012, com o seguinte enunciado: Fl. 524DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 11060.001986/200306 Acórdão n.º 9101001.552 CSRFT1 Fl. 6 9 “ O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004.” Conheço do recurso da Fazenda Nacional e negolhe provimento.. Sala das Sessões, em 22 de janeiro de 2013 Valmir Sandri Fl. 525DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 15956.000006/2010-45
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.108
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a autoridade fiscal lançadora analise os argumentos do recurso voluntário demonstrando qual a atividade
preponderante do contribuinte e a alíquota correspondente de incidência para o seguro acidente do trabalho, como dispõe a legislação, bem como, apresentar demais informações que entender
necessárias. O contribuinte deve ser cientificado para oferecer contrarrazões. Ao final os autos deveram ser encaminhados para julgamento.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a autoridade fiscal lançadora analise os argumentos do recurso voluntário demonstrando qual a atividade preponderante do contribuinte e a alíquota correspondente de incidência para o seguro acidente do trabalho, como dispõe a legislação, bem como, apresentar demais informações que entender necessárias. O contribuinte deve ser cientificado para oferecer contrarrazões. Ao final os autos deveram ser encaminhados para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Osmar Pereira Costa. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000006/201045 Resolução n.º 2803000.108 S2TE03 Fl. 275 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, por intermédio do auto de infração DEBCAD 37.254.2140/2010, referente às contribuições devidas a Seguridade Social, a cargo da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho, no período de 06/2007 a 11/2009. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 28/36 e anexos, temos: tais contribuições são incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, demais agentes públicos e agente político, referentes à diferença de 1% (RAT), no período 06/2007 a 11/2009; os levantamentos deste Auto de Infração se resumem apenas aos valores da remuneração levantados nas Folhas de Pagamento e GFIP e que não estavam declarados em GFIP antes do Início do Procedimento Fiscal. Nas GFIP apresentadas pelo contribuinte este informou no campo a alíquota de 1% quando o correto seria 2%; foram lançadas diferenças de 1% sobre as remunerações dos segurados empregados (categoria 1), demais agentes públicos (categoria 12) e agente político (categoria 19), demonstradas na Planilha I de fls. 37 a 39; de acordo com o Decreto 6.042/2007, que alterou o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, a alíquota de RAT para a atividade de Administração Pública em Geral (CNAE 8411600), passou de 1% para 2% a partir da competência 06/2007; quanto à aplicação de penalidades, para as competências anteriores à Lei 11.941/09, foi aplicada multa de mora do inciso I do art. 35 (24%) mais a multa por descumprimento da obrigação acessória do art. 32, inciso IV e §§ 3o e 5o da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97. Para o período de vigência da Lei 11.941/09 foi aplicada multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 (75%); foi efetuada comparação para aplicação da retroatividade mais benigna para o período anterior a 04/12/2008 (Planilha II). DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 26/01/2010, fl. 140, apresentando defesa. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento, fls. 241 a 249. O contribuinte foi cientificado da decisão em 11/04/2011, fl. 252, apresentando recurso voluntário em 10/05/2011, fls. 254/260, alegando em síntese: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000006/201045 Resolução n.º 2803000.108 S2TE03 Fl. 276 3 deve prevalecer o disposto no art. 22, inciso II, alínea a, da Lei n° 8.212/91, a Súmula 351 do Superior Tribunal de Justiça STJ e a Divisão 85 Educação Alíquota RAT 1% do Anexo V do mencionado Decreto n° 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, pois a atividade preponderante desenvolvida pelos servidores do Recorrente sempre foi relacionada ao ramo da educação/ensino, o que lhe enquadra no grau leve quando se trata do risco de acidentes do trabalho (1%); Nos anos de 2007, 2008 e 2009, o recorrente teve em média mais de 60% (sessenta por cento) de seus servidores lotados no setor de educação, que demonstra que a atividade preponderante está relacionada ao ensino, enquadrandose na alíquota RAT de 1% (um por cento). Também, possui número baixo de ocorrências de acidentes do trabalho entre seus empregados nos últimos 10(dez) anos. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000006/201045 Resolução n.º 2803000.108 S2TE03 Fl. 277 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, pressuposto de admissibilidade cumprido, passo ao exame das questões suscitadas. A lei 8.212/91 estabelece em seu art. 22, inciso II, e artigos 202 e 202A do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, assim dispõem: Lei 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no8. 213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos:(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Decreto 3.048/99 Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1ºAs alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000006/201045 Resolução n.º 2803000.108 S2TE03 Fl. 278 5 §2ºO acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3ºConsiderase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4ºA atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5oÉ de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo.(Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). §6oVerificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos.(Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). (...) §13.A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3oe 5o.(Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). (...) Art.202A.As alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 serão reduzidas em até cinqüenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção FAP.(Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). §1oO FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à respectiva alíquota.(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) §2oPara fins da redução ou majoração a que se refere o caput, procederseá à discriminação do desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, a partir da criação de um índice composto pelos índices de gravidade, de frequência e de custo que pondera os respectivos percentis com pesos de cinquenta por cento, de trinta cinco por cento e de quinze por cento, respectivamente.(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) §3o(Revogado pelo Decreto nº 6.957, de 2009) Fl. 278DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000006/201045 Resolução n.º 2803000.108 S2TE03 Fl. 279 6 §4oOs índices de freqüência, gravidade e custo serão calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social, levandose em conta:(Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). I para o índice de freqüência, os registros de acidentes e doenças do trabalho informados ao INSS por meio de Comunicação de Acidente do Trabalho CAT e de benefícios acidentários estabelecidos por nexos técnicos pela perícia médica do INSS, ainda que sem CAT a eles vinculados;(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) II para o índice de gravidade, todos os casos de auxíliodoença, auxílioacidente, aposentadoria por invalidez e pensão por morte, todos de natureza acidentária, aos quais são atribuídos pesos diferentes em razão da gravidade da ocorrência, como segue:(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) a)pensão por morte: peso de cinquenta por cento;(Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) b)aposentadoria por invalidez: peso de trinta por cento; e(Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) c)auxíliodoença e auxílioacidente: peso de dez por cento para cada um; e(Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) III para o índice de custo, os valores dos benefícios de natureza acidentária pagos ou devidos pela Previdência Social, apurados da seguinte forma:(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) a)nos casos de auxíliodoença, com base no tempo de afastamento do trabalhador, em meses e fração de mês; e(Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) b)nos casos de morte ou de invalidez, parcial ou total, mediante projeção da expectativa de sobrevida do segurado, na data de início do benefício, a partir da tábua de mortalidade construída pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE para toda a população brasileira, considerandose a média nacional única para ambos os sexos.(Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) §5oO Ministério da Previdência Social publicará anualmente, sempre no mesmo mês, no Diário Oficial da União, os róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por Subclasse da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE e divulgará na rede mundial de computadores o FAP de cada empresa, com as respectivas ordens de freqüência, gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a esta verificar o respectivo desempenho dentro da sua CNAE Subclasse.(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) §7oPara o cálculo anual do FAP, serão utilizados os dados de janeiro a dezembro de cada ano, até completar o período de dois anos, a partir do qual os dados do ano inicial serão substituídos pelos novos dados anuais incorporados.(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) §8oPara a empresa constituída após janeiro de 2007, o FAP será calculado a partir de 1ode janeiro do ano ano seguinte ao que Fl. 279DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000006/201045 Resolução n.º 2803000.108 S2TE03 Fl. 280 7 completar dois anos de constituição.(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) §9oExcepcionalmente, no primeiro processamento do FAP serão utilizados os dados de abril de 2007 a dezembro de 2008.(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) §10.A metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social indicará a sistemática de cálculo e a forma de aplicação de índices e critérios acessórios à composição do índice composto do FAP.(Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) É dever da autoridade administrativa zelar pela legalidade de seus atos e de respeitar o princípio da verdade material e o princípio do contraditório e ampla defesa de que trata o inciso LV do art. 5º da Constituição Federal do Brasil, bem como, determinar a produção de provas indispensáveis à comprovação do fato (artigos 9º e 18, 29, todos do Decreto nº 70.235/72). A autoridade fiscal lançadora não se manifestou quanto aos argumentos do recurso voluntário que alega ser a atividade preponderante do contribuinte a educação cuja alíquota de acidente de trabalho é de 1% (um por cento). Não está bem esclarecida nos autos a atividade preponderante do contribuinte. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal lançadora analise os argumentos do recurso voluntário demonstrando qual a atividade preponderante do contribuinte e a alíquota correspondente de incidência para o seguro acidente do trabalho, como dispõe a legislação, bem como, apresentar demais informações que entender necessárias. O contribuinte deve ser cientificado para oferecer contrarrazões. Ao final os autos deveram ser encaminhados para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 280DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11330.000262/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
Ementa: CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL
É devida pela empresa a contribuição incidente sobre a remuneração paga ao segurado contribuinte individual que lhe presta serviços.
JUROS E MULTA DE MORA
A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
RESPONSABILIDADE. SÓCIOS. REQUISITOS DO ART. 135 DO CTN.
A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.483
Decisão: Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Caio Tanigushi OAB: 242.279/SP.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. RESPONSABILIDADE. SÓCIOS. REQUISITOS DO ART. 135 DO CTN. A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de Fl. 164DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Caio Tanigushi OAB: 242.279/SP. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Damião Cordeiro De Moraes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio De Souza Correa. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.000262/200733 Acórdão n.º 230102.483 S2C3T1 Fl. 165 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, incidente sobre a remuneração paga ao contribuinte individual que lhe prestou serviços. Conforme Relatório Fiscal (fls. 38), constitui fato gerador da contribuição lançada a remuneração paga ao Diretor Alfonso Gallardo Sosa, a título de PróLabore, 13°. PróLabore, 1/3 Férias PróLabore e Férias PróLabore, quando de sua retirada da empresa. A autoridade lançadora informa que a empresa recolheu, na competência 09/2005, o valor de R$.14.812,49, relativo à contribuição descontada do segurado contribuinte individual e às contribuições incidentes sobre as verbas pagas a título de PróLabore, 13°. Pró Labore e 1/3 Férias PróLabore, não recolhendo, contudo, a contribuição devida sobre Férias PróLabore. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1215.797, da 11a Turma da DRJ/RJOI (fls. 114), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 128 ), alegando, em síntese, o que se segue. Reafirma que não incide contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados a estrangeiros residentes provisoriamente no país e desvinculados do RGPS. Alega que, ao contrário do que entendeu a Autoridade Fiscal, o fato de um estrangeiro residir no país, ainda que permanentemente (para fins meramente fiscais), não é suficiente a ensejar sua vinculação ao referido sistema, e que a legislação do "Imposto de Renda" citada no acórdão nunca poderia ter sido utilizada para fins de enquadramento de cidadão estrangeiro ao sistema previdenciário nacional, pois tal expediente é de competência exclusiva da legislação própria que trata do custeio da seguridade social brasileira. Transcreve os arts. 11 e 12, da lei 8.212/91, para demonstrar que as contribuições devidas recaem sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados da Previdência Social e não aos residentes para efeitos de imposto de renda, e que qualquer trabalhador que não se enquadre a uma das hipóteses do citado art. 12 está dispensado de contribuir para a Seguridade Social, assim como a sua remuneração não pode ser considerada base de cálculo para as contribuições previdenciárias devidas pela empresa que o contratou. Entende que somente nas hipóteses das alíneas "c" e "f", do inciso I, do art. 12 da Lei 8.212/91, que tratam do segurado empregado, é que um estrangeiro poderá ser considerado segurado para dar nascimento à obrigação de recolhimento da contribuição previdenciária a cargo da empresa, mas que, em ambos os casos, além de ser necessária a prova de residência no país como ânimo definitivo, o estrangeiro deve trabalhar como empregado em sucursal, agência ou empresa nacional localizada no exterior, o que não é o caso presente, uma Fl. 166DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 vez que o estrangeiro contratado pela Recorrente prestou os serviços em empresa nacional, sediada e localizada no território nacional, e para tanto precisou acomodarse temporariamente no país. Defende que não basta que um estrangeiro exerça o cargo de diretor não empregado para ser considerado segurado obrigatório da Previdência Social, sendo necessário, imprescindível e obrigatório que tal estrangeiro se enquadre numa das hipóteses de inscrição do RGPS, e exigir a contribuição sobre as férias pro labore do estrangeiro em questão implica desafiar o princípio do equilíbrio financeiro e atuarial que estabelece todas as diretrizes orçamentárias do sistema previdenciário. Ressalta que o estrangeiro contratado pela Recorrente sempre contribuiu para a seguridade social de seu país de origem, conforme comprova Declaração emitida pela própria seguridade social estrangeira, o que indica que o estrangeiro nunca pretendeu fixar residência no país, tampouco vincularse ao sistema previdenciário. Esclarece que a Declaração acostada pela Recorrente foi datada em janeiro de 2.007 pelo simples fato de ter sido requerida naquele momento, período em que foram coletadas as provas para instrução da impugnação, o que não significa dizer que o estrangeiro vinculouse ao sistema previdenciário de seu país apenas em 2.007, mas sim que este sempre foi vinculado àquele sistema, até a data da emissão da declaração, ao contrário do que presumiu a Autoridade Fiscal, isso Traz trecho do Parecer CJ 2.991/2003 que versa sobre a vinculação de estrangeiros ao RGPS, que, conforme entende, se aplica ao caso, o que não ocorre com a definição de "residente no Brasil" dada pela IN 208/02, que se presta tão somente a evitar a evasão por intermédio da indevida remessa de recursos ou indevida negociação de bens no exterior. Assevera que se a Recorrente apurou e recolheu as contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados ao Sr. Alfonso Gallardo Sosa, seja a qual título tenha sido efetuado, o fez de forma indevida, de onde se conclui pela existência de créditos perante a Secretaria da Receita Federal Previdenciária, que serão apurados e aproveitados na forma da lei, oportunamente. Aduz que restou configurada a hipótese contida no item 7, da alínea "e", § 9o, do art. 28 da Lei 8.212/91, segundo a qual "não Integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente, as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário: Alega ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC para correção de débito tributário, e ilegalidade da inclusão dos diretores da recorrente no pólo passivo. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.000262/200733 Acórdão n.º 230102.483 S2C3T1 Fl. 166 5 Voto Vencido Conselheiro BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Inicialmente, a recorrente alega que a legislação do "Imposto de Renda" citada no acórdão nunca poderia ter sido utilizada para fins de enquadramento de cidadão estrangeiro ao sistema previdenciário nacional, pois tal expediente é de competência exclusiva da legislação própria que trata do custeio da seguridade social brasileira. Ocorre que a legislação citada não foi utilizada para fins de enquadramento de cidadão estrangeiro no RGPS, conforme entendeu de forma equivocada a recorrente, mas apenas serviu de reforço aos argumentos expendidos pelo relator do acórdão combatido. Conforme exposto com muita clareza no art. 37 do Acórdão recorrido, a IN 208/02, foi utilizada subsidiariamente no presente caso para esclarecer o conceito de residente no Brasil. Os fundamentos utilizados pela fiscalização no levantamento do débito são aqueles discriminados nos relatórios integrantes da NFLD, e em nenhum momento, reiterase, o prolator do acórdão recorrido fundamentou a filiação do estrangeiro ao RGPS na legislação do IR . A autoridade julgadora de primeira instância apenas demonstrou, contrapondose aos argumentos da recorrente em sua peça impugnatória, que o referido segurado era, sim, residente no país à época da ocorrência do fato gerador, de acordo com a definição legal de residente trazida pela legislação do IR, e segundo classificação constante da cópia da cédula de identidade de estrangeiro do Sr. Alfonso Gallardo Sosa, então diretor da empresa notificada. Parece que a recorrente quer demonstrar que um mesmo estrangeiro pode ser enquadrado como residente nos termos da legislação do Imposto de Renda e, ao mesmo tempo, não ser residente para efeitos da legislação previdenciária, o que carece de razoabilidade. Ademais, a recorrente não logrou êxito em comprovar que o referido estrangeiro não mantinha a condição de residente no Brasil. Mesmo porque, em nenhum momento ela nega que o Sr. Alfonso Gallardo Sosa era Diretor da empresa notificada. E, de acordo com a Lei n° 6.815/80, que define a situação jurídica do estrangeiro no Brasil, é vedado, ao estrangeiro titular de visto temporário, o exercício ou função de administrador, gerente ou diretor de sociedade comercial ou civil. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Portanto, sendo o Sr. Alfonso diretor da recorrente, não poderia ser detentor de visto temporário. A notificada entende que somente nas hipóteses das alíneas "c" e "f", do inciso I, do art. 12 da Lei 8.212/91, que tratam do segurado empregado, é que um estrangeiro poderá ser considerado segurado para dar nascimento à obrigação de recolhimento da contribuição previdenciária a cargo da empresa. Porém, as citadas alíneas tratam de segurados na condição de empregados, estrangeiros ou não, que trabalham para empresas brasileiras no exterior ou para empresas com maioria de capital nacional, mas domiciliada no exterior. No caso presente, o citado segurado está enquadrado como contribuinte individual. A alínea “f”, do inciso V, do mesmo art. 12 citado acima, estabelece que o diretor não empregado, que é o caso do Sr. Alfono, é segurado do RGPS na condição de contribuinte individual. E o parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social trazido pela recorrente trata de técnico estrangeiro remunerado no exterior e com vinculação à previdência social do seu país, o que, conforme consta dos autos, não é o caso sob análise. Ademais, cumpre esclarecer que, ao contrário do que entende a notificada, os pareceres da Consultoria Jurídica aprovados pelo Ministro da Previdência Social não obrigam o Conselho de Contribuintes, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda. A recorrente insiste em afirmar, mas não prova sua afirmação, que o Sr. Alfonso Gallardo Sosa era vinculado ao regime previdenciário de seu país. O documento acostado às fls. 90 apenas demonstra que o Sr. Alfonso laborava para a empresa Radionvávil Dipsa SA de CV, estando inscrito regime previdenciário mexicano naquela data, mas não quando da ocorrência do fato gerador. A recorrente se justifica argumentando que a Declaração acostada foi datada em janeiro de 2.007 pelo simples fato de ter sido requerida naquele momento, período em que foram coletadas as provas para instrução da impugnação, o que não significa dizer que o estrangeiro vinculouse ao sistema previdenciário de seu país apenas em 2.007 Contudo, tal declaração foi emitida pela Radiomóvil, empresa mexicana, empregadora do segurado em janeiro de 2007, e não pelo Instituto Mexicano del Seguro Social (IMSS). O que foi afirmado pelo julgador de primeira instância, e corroborado por esta Conselheira, é que o referido documento não comprova que o Sr. Alfonso Gallardo Sosa "sempre esteve amparado pelo Instituto Mexicano de Seguro Social". Entendo que cabe a quem alega comprovar suas alegações. Se a recorrente afirma que o Sr. Alfonso sempre esteve amparado pela previdência social mexicana, deveria ter trazido elementos comprobatórios dessa afirmação. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme seu art. 36: “Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.” Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.000262/200733 Acórdão n.º 230102.483 S2C3T1 Fl. 167 7 A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeita se às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Cumpre observar que a fiscalização constatou que a própria recorrente recolheu, na competência 09/2005, a contribuição descontada do Sr Alfonso, bem como as contribuições incidentes sobre as verbas a ele pagas a título de PróLabore, 13° PróLabore e 1/3 Férias PróLabore, deixando de fazêlo somente em relação à contribuição devida sobre Férias PróLabore, o que denota o reconhecimento, por parte da empresa notificada, da condição de segurado contribuinte individual de seu Diretor. A recorrente não nega tal afirmação, mas se justifica alegando que se a Recorrente apurou e recolheu as contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados ao Sr. Alfonso, seja a qual título tenha sido efetuado, o fez de forma indevida, de onde se conclui pela existência de créditos perante a Secretaria da Receita Federal Previdenciária, que serão apurados e aproveitados na forma da lei, oportunamente. Ora, mas ela não comprovou o que tenha se equivocado. Pois, entendo que não houve equívoco algum, tendo a recorrente recolhido corretamente parte da contribuição previdenciária devida, restando apenas recolher a diferença relativa ao pagamento realizado a título de “Férias PróLabore”. Na tentativa de afastar a incidência da contribuição previdenciária, a recorrente sustenta, ainda, que restou configurada a hipótese contida no item 7, da alínea "e", § 9o, do art. 28 da Lei 8.212/91, segundo a qual "não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente, as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário No entanto, conforme se verifica, a verba em comento não se trata de abono ou ganhos eventuais, e sim de valor vinculado a férias. Mesmo que se tratasse de abono, não há lei que expressamente o desvincule do salário. E se a rubrica foi paga quando das férias do segurado, ou quando de sua rescisão, não há que se falar em eventualidade, pois a lei é clara em não excluir do salário de contribuição os valores relativos a férias, que é uma verba paga somente uma vez a cada ano, ou quando da rescisão do segurado, e sobre a qual incide contribuição previdenciária. Portanto, não há que se falar em “ganhos eventuais” para pagamentos relacionados a férias. A recorrente inova em seu recurso, em relação à impugnação, ao alegar ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC para correção de débito tributário. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 No entanto, cabe observar que o argumento acima não foi apresentado em defesa, o que, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, se consubstancia em matéria não impugnada, para a qual ocorreu a preclusão do direito de discussão. Porém, ainda que não se considerasse ocorrida a preclusão, verificase, no caso presente, que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91, não havendo que se falar em ilegalidade da referida exação E este CARF uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio, das súmulas nºs 2 e 3. A recorrente alega, ainda, impossibilidade da inclusão dos diretores da recorrente no pólo passivo da NFLD. Todavia, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos coresponsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. O sujeito passivo que deve suporta o ônus contido na NFLD em tela é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não podendo se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplida. Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório da NFLD, previsto na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o fisco não pode incluir as pessoas físicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, entendo que deva restar consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Nesse sentido, acato o requerimento formulado pela recorrente, a fim de afastar a coresponsabilidade dos representantes legais. No entanto, mantenho a lista nominal apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, cabendo a ressalva de que esses nomes não poderão ser inscritos de imediato em dívida ativa, somente com base na indicação trazida pelo fisco. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.000262/200733 Acórdão n.º 230102.483 S2C3T1 Fl. 168 9 VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, podendo servir, posteriormente, de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DA RESPONSABILIDADE A responsabilidade da pessoa física não pode decorrer da simples falta de pagamento de tributo. É inquestionável que o lançamento tributário tem sua exigibilidade em face da sociedade contribuinte. Porém, o que é questionável é a exigibilidade de tais créditos perante o administrador dessa sociedade. A sujeição passiva da obrigação principal no direito tributário, como é sabido, se dá de duas formas: por contribuição (CTN 121, parágrafo único, inciso, I) ou por responsabilização (CTN 121, parágrafo único, inciso II). No caso em tela, inegável a condição de contribuinte da sociedade. De outro lado, é completamente dúbia a condição de responsável do administrador por esses créditos. Inexiste, no direito tributário pátrio, espécie de responsabilização objetiva do sócio por créditos tributários inadimplidos pela sociedade. O que o sistema prevê é a responsabilidade tributária do administrador por atos irregulares – atos ultra vires –, seja este administrador sócio ou não. A forma da responsabilização daquele que exerça cargo de administração ou gerência encontrase presente no art. 135, inc. III do CTN, que dispõe: “Art. 135 – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Sem a presença dos requisitos do art. 135, não há de se falar em responsabilidade do sócio administrador. Nesse sentido leciono o prof. Luciano Amaro: “Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver prática de ato para qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 social ou o estatuto de uma sociedade. Se inexistir esse ato irregular, não cabe a invocação do preceito em tela”(in Direito Tributário Brasileiro. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2003. P.319). In casu, o fisco não colacionou aos autos nenhuma manifestação que delimite a ter havido a prática de ato para o qual os relacionados não detivessem poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto da empresa. 12. Em uníssono é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SÓCIO. RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. CABIMENTO. ART. 135, III. DO CTN. PRECEDENTES.1. A arguição da exceção de pré executividade com vista a tratar de matérias de ordem pública em processo executivo fiscal – tais como condições da ação e pressupostos processuais – somente é cabível quando não for necessária, para tal mister, dilação probatória. 2. A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos.3. Recurso especial provido”[g.n] (REsp 426.157/SE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 18.08.2006 p. 361).” Assim, ante a impossibilidade de responsabilização tributária dos administradores da recorrente pelos créditos lançados (art. 135 do CTN), devem ser excluídos da relação de vínculos as pessoas nele relacionadas. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Damião Cordeiro de Moraes Fl. 173DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 13629.004052/2008-85
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. QUITAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. COMPENSAÇÃO JUDICIAL. A obtenção de decisão favorável em processo judicial sobre a possibilidade de compensar tributos de mesma espécie não é auto executável, dependendo da administração tributária para realizar o acerto de valores, e não pode ser aplicada a vários tributos (federais, estaduais e/ou municipais) recolhidos de forma unificada, por regime de tributação diferenciado e favorecido. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Os princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa e devido processo legal estão contemplados no processo administrativo fiscal, disciplinado pelo Decreto nº 70.235/72. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. Não há previsão legal para exigir que a Administração Tributária envolva o contribuinte, previamente, na apuração e constatação de fato que o impeça de permanecer no Simples Nacional. É dever do Estado expedir, de ofício, o ADE de exclusão ao verificar situação impeditiva na obtenção do favor fiscal. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. FORMALIDADES. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não padece de vício o ADE que é emitido por autoridade competente e cumpre as formalidades legais, precipuamente, fornecendo as condições necessárias para o administrado exercer plenamente o seu direito de defesa, atacando especificamente a motivação do ADE.
Numero da decisão: 1801-001.122
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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EXCLUSÃO. QUITAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. COMPENSAÇÃO JUDICIAL. A obtenção de decisão favorável em processo judicial sobre a possibilidade de compensar tributos de mesma espécie não é auto executável, dependendo da administração tributária para realizar o acerto de valores, e não pode ser aplicada a vários tributos (federais, estaduais e/ou municipais) recolhidos de forma unificada, por regime de tributação diferenciado e favorecido. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Os princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa e devido processo legal estão contemplados no processo administrativo fiscal, disciplinado pelo Decreto nº 70.235/72. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. Não há previsão legal para exigir que a Administração Tributária envolva o contribuinte, previamente, na apuração e constatação de fato que o impeça de permanecer no Simples Nacional. É dever do Estado expedir, de ofício, o ADE de exclusão ao verificar situação impeditiva na obtenção do favor fiscal. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. FORMALIDADES. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não padece de vício o ADE que é emitido por autoridade competente e cumpre as formalidades legais, precipuamente, fornecendo as condições necessárias para o administrado exercer plenamente o seu direito de defesa, atacando especificamente a motivação do ADE. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa foi excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional por possuir débitos com a Fazenda Nacional, consoante o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/Coronel Fabriciano/MG nº 254.323/08 de fls. 06. Apresentou contestação à sua exclusão, fls 01 a 05, argüindo que compensou diversos débitos por compensação autorizada judicialmente – Mandado de Segurança (MS) nº 2000.38.00.018610 – cujo acórdão favorável ao pleito já foi confirmado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região – fls. 24 e 25. Esclarece também que as inscrições em Dívida Ativa da União (DAU) nºs 60 4 05 00030474 e 00030717 foram quitadas por meio da referida compensação judicial. Instrui a contestação com cópias das peças processuais relativas ao MS impetrado, relatório de débitos compensados, pedidos de compensação formalizados, entre outros documentos – fls. 06 a 49. A autoridade preparadora do presente processo juntou às fls. 53 extrato de débitos que geraram o ADE de exclusão da empresa do Simples Nacional. Consta neste documento as inscrições em DAU nºs 60 4 05 00030474 e 60 4 05 05716579, junto à Procuradoria – Geral da Fazenda Nacional (PGFN), nos valores de R$ 14.115,46 e R$ 1.788,12, respectivamente. Às fls. 57 foi juntado ao processo uma relação de inscrições com exigibilidade suspensa na PGFN, emitida em 11/06/2010, por sistema de consulta de informações do contribuinte (SINCOR), informando que a empresa estava naquela data “Ativa Regular” com as duas inscrições de DAU que geraram o ADE com exigibilidade suspensa. Em despacho monocrático, a autoridade julgadora de primeira instância solicitou a realização de diligências junto à unidade de jurisdição da contribuinte para que fornecesse informações sobre as referidas DAU e também sobre os pedidos de compensação apresentados correspondentes àqueles débitos ajuizados – processos nºs 13629.000449/200555 (60 4 05 05716579) e 13629.000393/9885 (60 4 05 00030474) – fls. 63 e 64. A autoridade fiscal juntou aos autos, entre outros documentos, despacho proferido no processo administrativo nº 13629.000393/9885, recomendando o prosseguimento Fl. 105DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.004052/200885 Acórdão n.º 180101.122 S1TE01 Fl. 96 3 na cobrança dos débitos, registrando: que a empresa obteve junto à justiça sentença favorável à compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de Finsocial, no que exceder a 0,5%, com valores de Cofins, mas que esta ação não transitou em julgado em razão de Recurso Especial proposto pela Fazenda Nacional, bem como Embargos de Declaração proposto pela própria empresa, ainda não julgados (em 17/03/2005). Informou que o referido processo não pode ser julgado administrativamente pela concomitância da ação administrativa e da ação judicial propostas com o mesmo objeto e, ainda, que os débitos não se encontravam com exigibilidade suspensa – art. 151do CTN. Às fls. 80 a autoridade fiscal diligente respondeu à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) o que segue: “O presente processo foi remetido a esta Delegacia para informação sobre a atual situação das inscrições em Dívida Ativa da União n° 60 4 05 00030474 e 60 4 05 05716579 e sobre o resultado dos pedidos de compensação do Contribuinte (fl. 63). Os pedidos de compensação apresentados pelo Contribuinte às fls. 39/49, relativos a débitos de Simples de 07/2000, 09/2000, 10/2000, 11/2000, 12/2000, 01/2001, 02/2001, 04/2001, 05/2001, 06/2001 e 09/2001, foram analisados nos processos n° 13629.000449/200555 e 13629.000393/9885. Os débitos de Simples de 09/2001 e 11/2001 foram cadastrados no processo n° 13629.000449/200555 (fl. 74). Em 21/03/2005 (fl. 76), o Contribuinte foi solicitado a apresentar cópia dos Pedidos de Compensação desses débitos, objeto de informação indevida de "compensação com processo" na Declaração PJ/Simples (fl. 75). Uma vez que o Contribuinte não se manifestou, os processo foi enviado à PFN/MG e inscrito em Dívida Ativa da União sob o n° 60 4 05 0030717 (fl. 77). A inscrição n° 60 4 05 0030717 foi desmembrada em duas: a de n° 60 4 05 00030717, extinta por pagamento (fl. 78), e a de n° 60 4 05 05716579 (fl. 67), a respeito da qual foram solicitados esclarecimentos pela DRJ/JFA. A inscrição n° 60 4 05 05716579 encontrase com ajuizamento suspenso devido a sua inclusão no parcelamento da Lei n° 11.941/91 em 30/11/2009; entretanto, o Contribuinte está em situação irregular em relação ao recolhimento das prestações (fl. 79). Os débitos de Simples de 07/2000, 09/2000, 10/2000, 11/2000, 12/2000, 01/2001, 02/2001, 04/2001, 05/2001 e 06/2001 foram analisados no processo n° 13629.000393/9885. Houve decisão no sentido de prosseguimento da cobrança dos débitos que o Contribuinte pretendia compensar, uma vez que não havia causa suspensiva da exigibilidade (fls. 68/69). O Contribuinte teve ciência da decisão em 21/03/2005 (fl. 73). O processo foi enviado à PFN/MG e inscrito em Dívida Ativa da União sob o n° 60 4 05 0030474 (fl. 65). A inscrição encontrase com ajuizamento suspenso devido a sua inclusão no parcelamento da Lei n° 11.941/91 em 30/11/2009; entretanto, o Contribuinte está em situação irregular em relação ao recolhimento das prestações (fl. 79).” (grifos não pertencem ao original) Após analisar os autos, a Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG exarou o Acórdão nº 0930.998/10, fls. 81 a 82, mantendo a exclusão da empresa do Simples Nacional por possuir débitos sem exigibilidade suspensa. Assim restou fundamentado o aresto: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 “Na Manifestação de Inconformidade (fls. 01/05), a interessada alega que teve concedida segurança em Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0118610 tendo como objeto a compensação de tributos e que promoveu as compensações de folhas 38/49 representadas nos processos n° 13629.000393/9885 e 13629.000449/2005 55. Todavia, conforme relatado acima, os pedidos de compensação foram indeferidos, conforme despacho de folhas 68/69, cuja ciência foi dada à interessada em 21/03/2005 (fl. 73). Tais débitos vieram a ser objeto de pedido de parcelamento efetuado em 30/11/2009 (fl. 79). Independente da situação da regularidade ou não do parcelamento da Lei n° 11.941/2009, verificase nos autos (fl. 79) que o parcelamento foi requerido somente em 30/11/2009, portanto, após o prazo de 30 (trinta dias) contados da ciência do Ato Declaratório Executivo DRF/CFN N° 254323, nos termos do §2° do art. 31 da Lei Complementar n° 123/2006.” Irresignada, tempestivamente, a empresa apresentou o Recurso de fls. 85 a 93 argumentando, em apertada síntese, que: I) Em preliminar I.a) a exclusão por ato administrativo meramente declaratório afronta os princípios constitucionais inseridos nos incisos LIV e LV do artigo 5º da Constituição Federal – devido processo legal. contraditório e ampla defesa; diz que não lhe foi facultado apresentar a defesa prévia, nem se defender da imposição de penalidades; I.b) o Ato Declaratório Executivo (ADE) em questão é emitido aos contribuintes já comunicando diretamente a exclusão, sem veicular sequer os fundamentos da exclusão, ou sem intimar previamente o contribuinte, o que o torna nulo de pleno direito; I.c) as cobranças de tributos de forma retroativa, em razão da exclusão sumária do Simples Nacional, são inconstitucionais por força do princípio da irretroatividade; II) Do mérito II.a) a turma julgadora a quo não se manifestou sobre a ação mandamental, cujo Acórdão, em definitivo, transitou em julgado em 28/11/2007, consoante certidão judicial que anexa – fls. 92 e 93; II.b) o pedido de parcelamento dos débitos foi indeferido e a ação judicial prosseguiu e, não obstante o trânsito em julgado, a execução fiscal não foi suspensa prosseguindo de forma arbitrária e em total desacordo com a legislação vigente. Da Certidão Judicial relativa ao Mandado de Segurança interposto pela recorrente extraio: “[...] julgou parcialmente procedentes os pedidos para assegurar à impetrante o direito de promover a compensação dos valores recolhidos indevidamente entre 28/04/1990 e março/1992 a título de contribuição para o Finsocial, no que exceder à alíquota de 0,5%, fixada pelo DL 1940/82 até LC 70/91, com parcelas vencidas e vincendas da COFINS, incidindo a correção monetária desde cada recolhimento pelo BTN até fevereiro/1991, pelo INPC até dezembro/1991, em substituição à TR/TRD declarada inconstitucional pelo STF, pela UFIR até dezembro/1995, e pela Taxa Selic até o mês anterior à compensação, mais 1% relativamente ao mês em que for efetivada, o que deverá ser feito pelo próprio contribuinte, mas sujeitandose à oportuna homologação do lançamento pela autoridade fiscal, a quem competirá verificar sua exatidão. Condenou a União Federal no ressarcimento das custas processuais. Apelação da impetrada (fls. 93/104) e contrarazões (fls. 106/120). Em acórdão do Eg. TRF da Ia Região, a fls. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.004052/200885 Acórdão n.º 180101.122 S1TE01 Fl. 97 5 141/142, a Turma, à unanimidade, negou provimento à apelação da Fazenda Nacional e à remessa. Embargos de Declaração interpostos pela impetrante a fls. 144/148. Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls.153/174). Em acórdão do TRF a fls 181, a Turma; por unanimidade; rejeitou, os embargos de declaração da Fazenda.Nacional. Recurso Especial (fls.186/198) contrarazões da Impetrante (fls/ 202/211), Contrarazões da Fazenda Nacional (fls.214/221). Decisão do Eg. TRF afolhas:224/226 e folhas 227/228 não admitiram os recursos especiais interpostos por ambas as partes. Certidão a folhas 231 verso atesta o transcurso do prazo sem que fossem interpostos recursos às decisões de folhas 224/226 e 227/228 bem como que o v. acórdão de folhas 181 transitou em julgado em 26/11/2007. O REFERIDO É VERDADE E DOU FÉ. Belo Horizonte, 1º de julho.de 2008. Eu, MARCO ANTONIO LIMA NEVES, Diretor de Secretaria da 6* Vara/MG, subscrevi e assino: [...]” (grifos não pertencem ao original) É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Cuida o presente do exame da exclusão da recorrente do Simples Nacional em face à legalidade do Ato Declaratório Executivo (ADE), suscitada em preliminar, bem como a quitação dos débitos que ensejaram a emissão do referido ato administrativo estarem quitados por compensação autorizada judicialmente, cuja sentença já transitou em julgado, no mérito. No que respeita à invocada ação mandamental, descarto de plano as pretensões da recorrente, ainda que haja transitado em julgado a sentença, conforme comprova. A razão pela qual não se pode “subentender”, como requer a recorrente, que as parcelas de débitos do Simples objeto das execuções fiscais estão quitadas efetivamente pela sentença judicial favorável a si é justamente devido à tutela judicial concedida à recorrente. A sentença liminar, posteriormente confirmada em instâncias superiores, restringiu a compensação das parcelas recolhidas a título de Finsocial, na parte excedente a 0,5%, aos débitos vencidos e vincendos apenas de COFINS, por razão da repartição tributária e destinação dos recursos. Por conseguinte, a tutela judicial foi concedida em parte e não totalmente como a recorrente requereu – compensação com qualquer tributo como registrado na própria sentença e certidão trazida aos autos pela recorrente. Extraio trecho da decisão judicial e também repriso, por relevante, trecho da Certidão Judicial juntada às fls. 92 e 93, a qual resume o pleito da recorrente e o resultado da ação: Da sentença judicial concedendo a segurança – fls. 20 e 21: “Desta forma, a compensação autorizada judicialmente só pode se dar entre tributos e contribuições da mesma espécie (Lei 8.383/91, art. 66, § 1o), ou seja, com a mesma destinação constitucional pois, como explica Hugo de Brito Machado (1999), "se o tributo pago indevidamente teve destinação diversa daquela que se deixa de.pagar, em face Fl. 108DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 da compensação, estará havendo evidente e indevida distorção na planilha das receitas tributárias"3 e relativos a períodos subsequentes. O Finsocial foi substituído pela Cofins, criada pela LC 70/91, mas as duas contribuições destinavamse a integrar a receita da seguridade social que é o mesmo que financiála, e, por isso, os valores indevidamente recolhidos podem ser compensados com as futuras contribuições devidas ao Cofins.” Da Certidão Judicial – fls. 92 e 93 “[...] julgou parcialmente procedentes os pedidos para assegurar à impetrante o direito de promover a compensação dos valores recolhidos indevidamente entre 28/04/1990 e março/1992 a título de contribuição para o Finsocial, no que exceder à alíquota de 0,5%, fixada pelo DL 1940/82 até LC 70/91, com parcelas vencidas e vincendas da COFINS [...]” (grifos não pertencem ao original) Ademais, não tão relevante quanto o tópico acima, o magistrado explica no texto da decisão em seus fundamentos para conceder em parte a segurança que a executoriedade da tutela obtida é condicional à homologação das autoridades fazendárias quanto aos cálculos do montante a ser restituído, observado os parâmetros de atualização definidos judicialmente. Vejase: Da sentença judicial concedendo a segurança – fls. 20 e 21: “O provimento jurisdicional no caso vertente deve, por sua vez, apenas delinear os moldes em que será efetivada a compensação, mas sem estabelecer valores, competindo à autoridade fazendária conferir o montante e a exatidão, ao proceder à oportuna homologação do lançamento, como foi perfeitamente analisado pelo Ministro José Delgado referindose a decisão do Ministro Ari Pargendler, ao destacar a exclusividade da homologação do lançamento tributário apenas pela autoridade fazendária (REsp. 145.138/SP, DJ de 15/12/1997).” Da Certidão Judicial – fls. 92 e 93 “[...] o que deverá ser feito pelo próprio contribuinte, mas sujeitandose à oportuna homologação do lançamento pela autoridade fiscal, aquém competirá verificar sua exatidão. [...]” (grifos não pertencem ao original) Há que se lembrar que o Simples Nacional é um regime tributário para o recolhimento dos tributos federais, estaduais e municipais que a Lei Complementar nº 123/06 instituiu. Não consiste em um tributo, per si, mas em um regime de apuração de tributos, recolhidos de forma unificada criado em favor fiscal às microempresas e às empresas de pequeno porte. Em assim sendo, resta claro que os tributos de IRPJ, CSLL, PIS, INSS, ICMS/ISS embutidos no cálculo do Simples Nacional não estão albergados pela referida ação mandamental, pelos já citados limites judiciais determinados, bem como não há qualquer definição em juízo do quantum a que a recorrente tem o efetivo direito de compensar com as Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.004052/200885 Acórdão n.º 180101.122 S1TE01 Fl. 98 7 importâncias de Cofins vencidas e/ou vincendas. Impossível pois utilizarse da compensação autorizada judicialmente para quitar os débitos tributários cuja apuração se deu observando as regras do Simples Nacional e que ensejaram a exclusão da empresa do regime, conforme pretende a recorrente, tacitamente. No que respeita às preliminares suscitadas, observo que na contestação inicial a recorrente estava perfeitamente ciente dos débitos que ensejaram a sua exclusão do Simples Nacional. A despeito do ADE não veicular expressamente as inscrições na DAU que ensejaram a exclusão, este ato administrativo remete a contribuinte ao sítio da Receita Federal do Brasil (RFB), onde os débitos estão acessíveis e identificados em sistema próprio ao Simples Nacional (SIVEX). O que se verifica nos autos é que os débitos discriminados um a um na contestação são exatamente aqueles objetos das referidas inscrições. Destarte, rejeito a arguição de nulidade do Ato Administrativo Declaratório de Exclusão – ADE, por em nada haver ferido o direito de defesa da recorrente, que se defendeu de forma sagaz e plena. Passando a outro tópico, observo que, como bem historiado nos autos, não há sobre tais débitos já inscritos em DAU e executados judicialmente qualquer causa suspensiva nos termos exigidos pelo artigo 151 do CTN, incisos II, IV ou V – tutela antecipada ou liminar (determinando à autoridade fiscal que compense, efetivamente, o crédito requerido com os discriminados débitos de Simples Nacional), ou depósito integral dos valores ora discutidos. Aliás, a liminar requerida, ainda que contemplasse a compensação com qualquer tributo, foi indeferida judicialmente, consoante peças processuais constantes dos autos. No que concerne à indignação da recorrente por não haver a turma julgadora de primeira instância se pronunciado sobre o Mandado de Segurança sob ótica, não pode prosperar. Aquela turma julgadora abordou o assunto. Foi concisa, mas eficaz. Fez relação direta com a ação mandamental e os processos administrativos respectivos, remetendo à informação fiscal e transcrevendo trecho pertinente à matéria; todavia, firmou sua convicção no fato de os processos administrativos não haverem sido deferidos, a despeito do Mandado de Segurança. Também ressalta que os débitos foram objeto de pedido de parcelamento, ou seja, está implícito que a recorrente abriu mão da discussão administrativa a respeito de compensação tributária ao incluir tais débitos em parcelamento especial – o ato de parcelar o tributo implica em suspensão de sua exigibilidade, renúncia, por conseguinte ao instituto da compensação, que implica em pagamento. Assim dispõe o Código Tributário Nacional – CTN: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] II a compensação; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Cediço é que para aderir ao parcelamento há que se admitir como devidos e não quitados os tributos incluídos neste (confessados). É condição sine qua non. Diz a Lei nº 11.941/09, em seu art. 5º: Art. 5o A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. Portanto, desnecessário abordar extensivamente sobre a ação mandamental e vinculála aos débitos inscritos em DAU geradores da exclusão, visto que a recorrente incluiu os em parcelamento regulado pela Lei nº 11.941/09 – ou seja, confessou de forma irretratável e irrevogável serem devidos os débitos de Simples inscritos em DAU, em 2009, após o trânsito em julgado da citada sentença judicial. Daí o pouco se debruçar da turma julgadora de primeira instância sobre a referida ação judicial. Mas, registrese, o assunto foi devidamente tratado. E, como bem alertado no acórdão guerreado, o parcelamento foi requerido somente em 30 de novembro de 2009, prazo muito aquém aos trinta dias após a ciência do ADE, determinado na norma para regularizar sua situação quanto às causas de exclusão do Simples Nacional (ciência em 16 de setembro de 2008 – fls. 51). Concluise, portanto, os débitos de Simples inscritos na PGFN que ensejaram a exclusão da recorrente do regime especial na data da ciência do ADE não se encontravam nem quitados pela compensação alegada, nem com a exigibilidade suspensa. No concernente aos pagamento de tributos exigidos de forma retroativa pelo ADE, não cabe esta argumentação no caso ora tratado. Primeiro porque é matéria estranha a este processo administrativo que versa somente sobre o ato de exclusão; em segundo porque a ciência da exclusão foi dada em 16 de setembro de 2008 e os efeitos do ADE não retroagiram, mas sim foram fixados a partir de janeiro de 2009. Por derradeiro, quanto às argumentações sobre ofensas aos princípios da ampla defesa, contraditório, duplo grau de jurisdição, não se verificam no presente caso. É dever do Estadofiscalização excluir do regime favorecido e diferenciado aqueles contribuintes que não estão em observância aos requisitos determinados na norma tributária para usufruírem do favor fiscal. Por ato administrativo declaratório o contribuinte é devidamente cientificado que a Administração Tributária constatou algum óbice legal para a permanência ou usufruto do benefício fiscal. Pela contestação é que surge o litígio administrativo e o processo administrativo fiscal (PAF) disciplinado pelo Decreto nº 70.235/72 contempla todos os princípios constitucionais argüidos. Não há que aventar sobre violação aos princípios constitucionais antes de instaurado qualquer litígio. No presente caso, como já versado, a recorrente tomou ciência do ADE e dos débitos que ensejaram sua exclusão do regime especial – Simples Nacional – e foilhe facultado oferecer ampla defesa e recurso administrativos nos prazos determinados no PAF, o que foi devidamente aproveitado. Não há no direito processual tributário previsão legal exigindo intimação prévia do contribuinte para participar da sua exclusão do Simples Nacional, consistindo um ato ex officio, privativo da Administração Tributária. Dispõe, preliminarmente, a Lei Complementar nº 123/06: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.004052/200885 Acórdão n.º 180101.122 S1TE01 Fl. 99 9 Art. 39. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento, o indeferimento da opção ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. (Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) (grifos não pertencem ao original) Por delegação legal, dispõe o PAF a respeito desta matéria processual: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Nunca é demais lembrar que o ato administrativo por sua natureza pública possui atributos próprios, que lhe conferem imediata execução, tais como, presunção de legitimidade, imperatividade e autoexecutoriedade; o ato administrativo proferido pela autoridade competente pode ser contestado, mas o litígio não lhe retira os citados atributos, sendo presumíveis (juris tantum) até que haja um outro ato administrativo– decisão ex officio ou por órgão de julgamento –, ou judicial, arrancandolhe do mundo jurídico. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar as preliminares suscitadas pela recorrente, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 18471.000875/2007-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2801-003.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 252 1 251 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000875/200713 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.007 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ DE CASTRO BARBOSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 135/136 deste processo digital), reproduzido a seguir: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 75 /2 00 7- 13 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 18471.000875/200713 Acórdão n.º 2801003.007 S2TE01 Fl. 253 2 Tratase de impugnação apresentada pela procuradora do interessado contra Lançamento de Ofício, relativo ao Exercício de 2003, Ano Calendário 2002, que resultou em crédito tributário no montante de R$ 61.458,45 sendo R$ 21.960,40 de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (código de receita 2904), R$ 14.586,09 de Juros de Mora (calculados até 29/06/2007), Multa Proporcional de R$ 16.470,30 e Multa Exigida Isoladamente (código de receita 6352) no valor de R$ 8.441,66, conforme Auto de Infração de fls. 36 a 44 do presente. O referido lançamento teve origem na constatação da infração de Omissão de Rendimentos de Aluguéis e Royalties Recebidos de Pessoas Físicas e Multas Isoladas (Falta de Recolhimento do IRPF devido a título de CarneLeão) fls. 38 a 40. O contribuinte foi cientificado do presente Auto de Infração em 01/08/2007, de acordo com o aviso de recebimento de fl. 110, tendo apresentado impugnação através de sua procuradora (fls. 54 e 55) em 28/08/2007 vide fls. 49 a 52, alegando em síntese o seguinte: "Injustamente, foi dado crédito à informação prestada pela administradora do imóvel de minha propriedade, situado na Avenida Lobo Júnior, 1408 Castelo da Penha Imóveis Ltda CNPJ 30.283.931/000105, sediada na Avenida Brás de Pina n° 110 loja R, através da DIMOB (Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias). Tanto a DIMOB quanto a DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte) são declarações apresentadas por terceiros envolvidos no processo, sem, porém qualquer ingerência de quem aufere os rendimentos. Assim, s.m.j., havendo divergências, devem elas ser esclarecidas por todos os envolvidos. No caso presente, a informação prestada na DIMOB foi a que prevaleceu". "Todos os rendimentos auferidos a título de aluguéis no ano de 2002 foram devidamente incluídos na declaração de ajuste anual. O valor lançado no AI como suposta omissão, foi incluído na declaração como recebimento de Pessoa Jurídica Confecções D'Uomo Ltda CNPJ 73.930.521/000111. E não houve, no ano de 2002, nenhum aluguel recebido de Pessoa Física. Em anexo planilha discriminativa dos valores dos aluguéis recebidos referentes ao imóvel da Avenida Lobo Júnior, 1408, objeto do lançamento suplementar (doc. 8), bem como cópia dos extratos bancários, evidenciando os depósitos efetuados em conta corrente efetuados pela administradora Castelo da Penha Ltda. (does. 9 a 19). Não é anexado o extrato de outubro de 2002 por não possuílo mais". "O contrato de locação do 2º e 3º andares do prédio da Avenida Lobo Júnior, 1408 (doc. 20) foi assinado em 1º de maio de 1997, tendo como locatário o Sr. Antonio Ricardo Magalhães Moura, em virtude de ainda não haver sido constituída a empresa, mas consta da cláusula 1ª ... dá em locação ao Locatário ou a firma a ser constituída. Houve desta forma, uma transferência automática ao locatário. Assim, desde o ano de 1997 foi Fl. 253DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 18471.000875/200713 Acórdão n.º 2801003.007 S2TE01 Fl. 254 3 mencionado na declaração de ajuste anual do impugnante como rendimentos recebidos de pessoa jurídica os aluguéis recebidos do imóvel mencionado, sem qualquer questionamento por parte do fisco, (doc. 21 a 24)". A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada procedente em parte. Entenderam os julgadores da instância de piso que restou caracterizado o erro no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual por parte do contribuinte, pelo fato de o mesmo ter declarado, na ficha de “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas pelo Titular”, rendimentos que, em verdade, teriam sido recebidos de pessoa física. Em consequência, cancelouse a infração de omissão de rendimentos de aluguéis e mantevese a multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Cientificado da decisão em 09/05/2011 (AR à fl. 140 deste processo digital), o Interessado apresentou, em 09/06/2011, o recurso de fls. 141/144. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Independentemente de os recibos de aluguéis do ano de 2002 estarem em nome de pessoa física, o locatário era pessoa jurídica, que procedeu à retenção do imposto de renda na fonte e, em virtude dessa retenção, era o responsável pelo repasse do valor à Fazenda Pública. O fato de não haver, nos sistemas da RFB, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, tendo como beneficiário o Recorrente, não é de sua responsabilidade. Se retido o imposto pela fonte pagadora dos aluguéis, não cabia ao Recorrente efetuar o pagamento mensal do carnêleão, pena de haver duplicidade de antecipação pelo mesmo fato gerador. Na declaração de ajuste anual foi considerado o imposto retido como antecipação, sem qualquer oposição ou glosa do mesmo. Significa, assim, que foi dado como recebido pela Fazenda Pública. Logo, não é coerente atribuirlhe multa isolada do carnêleão. A multa isolada prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 é acessória da obrigação principal. Porém, houve a retenção pela fonte pagadora dos valores correspondentes à antecipação mensal, desobrigando, desta forma, o Locador de fazêlo, uma vez que o Locatário assumiu essa responsabilidade ao efetuar a retenção do imposto. Inexistindo a obrigação principal, não pode existir o acessório, corporificado na multa isolada. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso e cancelado o débito fiscal reclamando. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Aprecio, de início, a (in)tempestividade do recurso. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, assim dispõe: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 18471.000875/200713 Acórdão n.º 2801003.007 S2TE01 Fl. 255 4 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No caso concreto, a ciência ao contribuinte, do Acórdão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ2, se deu em 09/05/2011 (segundafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR acostado aos autos em fl. 140 deste processo digital, o que significa dizer que o prazo final para apresentação do recurso ocorreu no dia 08/06/2011 (quartafeira). Em 09/06/2011 (quintafeira) foi protocolado o recurso de fls. 141/144, ou seja, após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de primeira instância. Caracterizada, portanto, a intempestividade do recurso apresentado. Face ao exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 255DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 18471.000875/200713 Acórdão n.º 2801003.007 S2TE01 Fl. 256 5 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002808/2005-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2005
Ementa: PRELIMINAR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
DESCARACTERIZAÇÃO DE SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA.
Não implica descaracterização da sociedade e nem em nulidade o fato de o auto de infração tributar os resultados da cooperativa, tidos pelo fisco como oriundos de atos não cooperativos, em contraponto à tese de defesa de que se originaram apenas de atos cooperativos e, por conseguinte, conforme o raciocínio da recorrente, fora do campo da incidência.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O juízo sobre inconstitucionalidade da legislação tributária é de competência exclusiva do Poder Judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: PIS E COFINS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2005 COOPERATIVA: CONDIÇÕES NECESSÁRIAS E SUFICIENTES.
A sociedade cooperativa se constitui de pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens e serviços, em proveito comum, sem objetivo de lucro. Para se aquilatar se um ato é cooperativo, deve-se, portanto, dar relevo ao critério funcional, desde que associado à premissa conceitual básica
de que se trata de um esforço conjunto de pessoas que contribuem para a consecução de uma finalidade específica. A medida de todas as coisas para a cooperativa deve ser a identificação dessa moeda de troca, qual seja, deve-se averiguar se a atividade em questão objeto do estatuto pode ser convertida ou mensurada em esforço individualizado de cada um dos cooperados para a consecução desse objetivo.
BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO.
A dedução da base de cálculo do PIS e da Cofins estabelecida no inciso III, do § 9º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, aplica-se
exclusivamente às operações envolvendo compartilhamento de risco por transferência de responsabilidade.
Numero da decisão: 1401-000.763
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso nos exatos termos do resultado de diligência
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2005 Ementa: PRELIMINAR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DE SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA. Não implica descaracterização da sociedade e nem em nulidade o fato de o auto de infração tributar os resultados da cooperativa, tidos pelo fisco como oriundos de atos não cooperativos, em contraponto à tese de defesa de que se originaram apenas de atos cooperativos e, por conseguinte, conforme o raciocínio da recorrente, fora do campo da incidência. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O juízo sobre inconstitucionalidade da legislação tributária é de competência exclusiva do Poder Judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: PIS E COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2005 COOPERATIVA: CONDIÇÕES NECESSÁRIAS E SUFICIENTES. A sociedade cooperativa se constitui de pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens e serviços, em proveito comum, sem objetivo de lucro. Para se aquilatar se um ato é cooperativo, deve-se, portanto, dar relevo ao critério funcional, desde que associado à premissa conceitual básica de que se trata de um esforço conjunto de pessoas que contribuem para a consecução de uma finalidade específica. A medida de todas as coisas para a cooperativa deve ser a identificação dessa moeda de troca, qual seja, deve-se averiguar se a atividade em questão objeto do estatuto pode ser convertida ou mensurada em esforço individualizado de cada um dos cooperados para a consecução desse objetivo. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. A dedução da base de cálculo do PIS e da Cofins estabelecida no inciso III, do § 9º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, aplica-se exclusivamente às operações envolvendo compartilhamento de risco por transferência de responsabilidade.
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DESCARACTERIZAÇÃO DE SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA. Não implica descaracterização da sociedade e nem em nulidade o fato de o auto de infração tributar os resultados da cooperativa, tidos pelo fisco como oriundos de atos não cooperativos, em contraponto à tese de defesa de que se originaram apenas de atos cooperativos e, por conseguinte, conforme o raciocínio da recorrente, fora do campo da incidência. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O juízo sobre inconstitucionalidade da legislação tributária é de competência exclusiva do Poder Judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: PIS E COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2005 COOPERATIVA: CONDIÇÕES NECESSÁRIAS E SUFICIENTES. A sociedade cooperativa se constitui de pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens e serviços, em proveito comum, sem objetivo de lucro. Para se aquilatar se um ato é cooperativo, devese, portanto, dar relevo ao critério funcional, desde que associado à premissa conceitual básica de que se trata de um esforço conjunto de pessoas que contribuem para a consecução de uma finalidade específica. A medida de todas as coisas para a cooperativa deve ser a identificação dessa moeda de troca, qual seja, devese averiguar se a atividade em questão objeto do estatuto pode ser convertida ou Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.219 2 mensurada em esforço individualizado de cada um dos cooperados para a consecução desse objetivo. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. A dedução da base de cálculo do PIS e da Cofins estabelecida no inciso III, do § 9º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, aplicase exclusivamente às operações envolvendo compartilhamento de risco por transferência de responsabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso nos exatos termos do resultado de diligência (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.220 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração (fls. 143/194) para cobrança da Cofins no valor total de R$ 57.963.084,81; incluindo multa de ofício e juros de mora com consolidação em 31/10/2005. O processo original (11516.002806/200561) já foi decidido pela então Terceira Câmara do Primeiro Conselho, em 12 de setembro de 2007, sem discrepar do que aqui se decide: Formalizado originalmente nos autos do processo 11516.002807/200514, foi lavrado Auto de Infração para cobrança da contribuição ao PIS incluindo multa de ofício e juros de mora no montante de R$ 12.583.433,05; consolidado em 31/10/2005. Por decisão administrativa a cobrança foi transferida para os presentes autos com juntada dos documentos pertinentes (fls. 500/998), inclusive a autuação propriamente dita (fls. 644/695). A autuada ingressou com impugnação contra a exigência referente às duas contribuições (fls. 320/453) apresentando, na maior parte, argumentos idênticos nas duas peças: A autuação seria nula pela imprecisão na descrição do fato que ensejou a autuação, prejudicando o pleno exercício de defesa. A Fiscalização não esclareceu a razão pela qual os atos praticados pela impugnante seriam não cooperativos; As cooperativas não podem ser equiparadas às demais sociedades, pois não tem intenção de lucro e são constituídas para prestar serviços aos associados e as atividades são exercidas exclusivamente em nome deles. Fazer incidir sobre os atos cooperativos a carga tributária a que estão sujeitas as sociedades comuns significa desconsiderar a lei de regência das cooperativas; Sua descaracterização como cooperativa não tem amparo na Lei nº 5.764/71; norma que lhe garante adotar qualquer objeto social e, no caso, contratar serviços hospitalares prestados por outras pessoas jurídicas sem que possam ser definidos como estranhos à finalidade da cooperativa; Além de cooperativa de trabalho, a impugnante é operadora de planos de saúde, devidamente registrada na ANS e sujeita às normas emanadas desse Órgão inclusive plano de contas padrão. Nesse plano de contas registrou todas as contraprestações e eventos classificados na contabilidade em atos cooperativos principais, auxiliares e nãocooperativos. Entretanto, essas planilhas não foram solicitadas em nenhum momento pelo Fisco, nem tampouco os Registros Auxiliares. Por esse motivo, conforme já se pronunciou o Primeiro Conselho de Contribuintes, o lançamento deve ser cancelado; O art. 79 da Lei nº 5.764/71 não pode ser interpretado literalmente e a contratação de terceiros para a realização de serviços necessários ao cumprimento de seu objeto social compõe o ato cooperativo devendo ser interpretado como tal. Em relação à Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.221 4 segregação das receitas, todos os atos cooperativos estariam devidamente comprovados através de planilhas, descabendo a tributação sobre a totalidade dos resultados positivos auferidos; Não há como exigir Cofins das cooperativas, pois o ato cooperativo não implica em faturamento e deve ser regulado por lei complementar. Por questão de isonomia, as exclusões da base de cálculo previstas para as cooperativas de produção deveriam ser estendidas para as demais cooperativas; O alargamento da base de cálculo da contribuição trazido pela Lei 9.718/98 é inconstitucional, tendo o legislador ordinário ultrapassado a competência outorgada pelo art. 195, I, da Carta Magna; conforme já decidido pelo STF; A revogação do inciso I, do art. 6º da LC nº 70/91 seria ilegal, pois efetuada por norma hierarquicamente inferior; Ainda que as razões contra a autuação não sejam aceitas, devem ser efetuadas as exclusões da base de cálculo previstas no art. 3º da Lei nº 9.718/98. com as alterações da MP nº 2.15835/2001; A impugnante está sob amparo de decisão judicial proferida pelo STJ que afasta a incidência da Cofins sobre os atos cooperativos; A utilização da taxa SELIC como indexador dos juros de mora é ilegal e o percentual da multa aplicado tem natureza confiscatória; e: É necessária a produção de pericial com exame das planilhas, registros auxiliares e CD’s que confirmariam e existência dos atos cooperativos praticados implicando na improcedência da tributação sobre a totalidade dos resultados. Em relação ao PIS, acrescenta que só poderia ser cobrada com base na LC nº 7/70, que não poderia ser alterada pela Lei nº 9.718/98. A Delegacia de Julgamento prolatou o Acórdão 078.558/2006 (fls. 1032/1067), rejeitando a preliminar argüida e considerando integralmente procedente o lançamento, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: Assunto:Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2005 Ementa::CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DESCRIÇÃO DOS FATOS Restando evidenciado que a descrição dos fatos encontrase suficientemente clara para propiciar o entendimento das infrações imputadas, refletindose em alentada impugnação, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO – As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.222 5 a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO – Prescinde da realização de perícia técnica, quando o deslinde do litígio depende de questões estritamente de direito e os elementos constantes dos autos são suficientes para firmar o convencimento do julgador Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2005 Ementa: SOCIEDADES COOPERATIVAS. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATO NÃOCOOPERATIVO. ALCANCE Sujeitase à incidência da Cofins a receita obtida pela sociedade cooperativa na prática de atos nãocooperados. O encaminhamento de usuários a terceiros nãoassociados, como hospitais, clínicas ou laboratórios, ainda que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato nãocooperado. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE Na apuração da base de cálculo da Cofins, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as operadoras de planos de assistência à saúde, poderão deduzir de sua receita bruta o valor da diferença positiva entre os desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora e as quantias recebidas desta outra operadora a título de ressarcimento por aqueles desembolsos. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. MP 2.15835/2001– As exclusões na base de cálculo da Cofins, previstas no art. 15 da MP 2.158 35/2001, não alcançam as cooperativas de serviços médicos. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. SOBRAS. MP 101/2002 – No âmbito da tributação das receitas decorrentes de atos nãocooperativos, não há que se falar em “sobras” na apuração de resultados e, por conseguinte, inaplicável é a exclusão prevista na MP nº 101/2002, convertida na Lei nº 10.676, de 2003. Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2005 SOCIEDADES COOPERATIVAS. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATO COOPERATIVO. ALCANCE Sujeitase à incidência do PIS a receita obtida pela sociedade cooperativa na prática de atos nãocooperados. O encaminhamento de usuários a terceiros nãoassociados, como hospitais, clínicas ou laboratórios, ainda que complementar ou Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.223 6 indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato nãocooperado. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE Na apuração da base de cálculo do PIS, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as operadoras de planos de assistência à saúde, poderão deduzir de sua receita bruta o valor da diferença positiva entre os desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora e as quantias recebidas desta outra operadora a título de ressarcimento por aqueles desembolsos. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. MP 2.15835/2001– As exclusões na base de cálculo do PIS, previstas no art. 15 da MP 2.158 35/2001, não alcançam as cooperativas de serviços médicos. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. SOBRAS. MP 101/2002 – Quando não é possível identificar receitas decorrentes de atos cooperativos, não há que se falar em “sobras” na apuração de resultados e, por conseguinte, inaplicável é a exclusão prevista na MP nº 101/2002, convertida na Lei nº 10.676, de 2003. Devidamente cientificado (fl.1073), o sujeito passivo recorre a este Colegiado (fls. 1083/1117, com documentos de fls. 1118/1142). Inicialmente reafirma que ocorreu de fato sua descaracterização como cooperativa resultando daí a tributação de todo seu resultado. Nessa questão, sustenta que a jurisprudência administrativa rechaça essa descaracterização. Sustenta que a irregularidade detectada pelo Fisco reside apenas no fato de não oferecer à tributação o resultado dos atos cooperativos auxiliares, apenas fazendo isso em relação aos atos tipicamente não cooperativos. Assim, não teria ocorrido a confusão contábil que gerou a autuação, pois são facilmente diferenciáveis na contabilidade os atos cooperativos principais e os auxiliares que a recorrida entende tributáveis. Defende não haver base legal para a autuação, pois o fato de não recolher o tributo sobre o que é tributável não conduz à tributação do que a lei não autoriza o que implicaria em exigir o tributo como pena. Acrescenta que a tributação baseouse num Parecer Normativo (PN) que, sem base legal, considera a prática de operações para custeio de despesas de hospital como atos nãocooperativos não previstos em lei. Reclama que a Fiscalização parte de um conceito equivocado pois, se todo e qualquer serviço com não associados fosse tributável, tributável seria o próprio ato cooperativo pois este pressupõe uma operação de mercado ou de contrapartida, na qual são obtidos os recursos para prestar serviços ao próprio associado. Aduz que a cobrança de mensalidades para pagamento hospitais e médicos constituise em meio prático de cumprir sua finalidade forma auxiliar de fornecer serviços aos próprios associados através da negociação coletiva e do pagamento prévio desses atendimentos. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.224 7 Nessa linha, entendeu que tais atos seriam cooperativos auxiliares e não os ofereceu à tributação. Admite que caberia assim à Fiscalização tributálos com base no PN, mas nunca tributar a integralidade dos atos praticados, inclusive aqueles admitidos pelo Fisco como atos cooperativos. Se mantida a tributação, requer, como operadora de planos de saúde, o direito à dedução prevista no inciso III, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com a redação dada pela MP nº 2.15835/2001. A então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na ocasião, converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: (...) Desta sorte, proponho a conversão do julgamento em diligência para que sejam tomadas as seguintes providências pela fiscalização: 1. a partir das premissas estabelecidas neste voto, segregar as receitas e resultados decorrentes da pratica de atos cooperativos daquelas decorrentes dos atos considerados como nãocooperativos; 2. a segregação das receitas deve se dar através da aplicação de um percentual de rateio sobre a receita total. Esse fator de rateio é a proporção matemática existente entre os custos de repasses aos médicos cooperados e os outros tantos custos de serviços prestados por terceiros nãocooperados (os hospitais, laboratórios, médicos nãocooperados, etc.); 3. cabe salientar ainda, que as despesas gerais e os custos indiretos apesar de entrarem também de forma rateada, conforme acima, para compor o resultado tributável oriundo da prática de atos não cooperados, não entram no cálculo do próprio fator de rateio acima, dado sua natureza de custos indiretos. Às fls. 1328/1339 consta Retorno de Diligência Fiscal, cancelando parcialmente a autuação em atendimento às determinações do CARF. Às fls. 2120/2214 consta manifestação de inconformidade contra o resultado de diligência, aduzindo em resumo: A tributação foi pela receita bruta, considerando as receitas não operacionais. Só aquela decorrente da venda de planos de saúde serviria para compor a base de cálculo, admitindose, inclusive, as deduções legais previstas e a exclusão dos atos cooperativos intrínsecos. O fiscal não refez a base de cálculo considerando as receitas operacionais do ato cooperativo auxiliar, bem com as deduções incidentes sobre tais receitas. A recorrente juntou planilhas e documentos comprovando seu direito, mas não foram consideradas na diligência. O fiscal preferiu inovar na tese, dado que a segregação dos atos existe na contabilidade da recorrente. Inovação esta condizente com a suposta impossibilidade de possuir, a recorrente, dentre o seu quadro de cooperativados, pessoas jurídicas. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.225 8 Como são várias as matérias que a diligência suscitou, com bem visto nesta manifestação, em face do princípio da ampla defesa e do devido processo legal, o presente recurso deve ser provido, com a nulidade total do lançamento. A ser mantida a autuação, em razão desta novidade inovadora do fiscal, amarga prejuízo a recorrente, pela ausência de defesa em relação a este novo fato (restrição do conceito de ato cooperativo e do próprio direito à associação de pessoa jurídica). Também não considerou, embora reconheça, as deduções da base de cálculo introduzidas pela MP 2.15835, para os períodos de 2001 em diante, sendo que a recorrente provou estas deduções em planilhas que novamente junta. A recorrente comprovou segregar os ingressos dos atos cooperativos e dos atos auxiliares, deduzindo os custos indireto conforme a proporcionalidade daqueles. Provou a base na qual deve recair a tributação, conforme o voto vencedor do conselheiro Antonio Bezerra Neto. • Em vista de tudo isto, postula: (a) o provimento total do recurso, com a decretação da nulidade do lançamento, em face da ausência do motivo ensejador da autuação, qual seja, a suposta inexistência de segregação dos atos cooperativos intrínsecos e extrínsecos; (b) na eventualidade disto não ocorrer, seja determinada nova diligência, para que o fiscal exclua da base de cálculo todos os repasses a cooperados, inclusive pessoas jurídicas, bem como admita. as exclusões da MP n° 2.15835, de 2001. (c) se entender por proferir julgamento de mérito, que seja determinada a exclusão da base de cálculo das contribuições do COFINS e da PIS dos repasses a cooperados, independente de sua natureza, bem como a exclusão desta mesma base de todos os eventos, conforme a MP n° 2.15835/2001, na extensão aduzida neste requerimento e (d) em qualquer hipótese, que as receitas não operacionais sejam excluídas da base de cálculo. .É o Relatório. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.226 9 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A presente autuação decorreu da efetuada no Processo nº 11516.002806/2005 61, relativa ao Imposto de Renda e à contribuição social. O processo original (11516.002806/200561) já foi decidido pela então Terceira Câmara do Primeiro Conselho, em 12 de setembro de 2007, sem discrepar do que aqui se decide: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2004 IRPJ/CSLL – SOCIEDADES COOPERATIVAS ATOS NÃO COOPERADOS TRIBUTAÇÃO – As sociedades cooperativas estão amparadas pela não incidência do imposto de renda apenas em relação aos resultados positivos das suas atividades específicas, no caso, sobre os atos registrados como atos cooperativos, devendo ser levados à tributação os atos denominados como atos cooperativos auxiliares. Havendo destaque das receitas segundo a sua origem (atos cooperativos e não cooperativos) apenas sobre os atos cooperativos incide a regra da não incidência tributária. Recurso provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por UNIMED FLORIANÓPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da tributação o resultado de atos cooperados, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Esclareçase que, em regra, quando se trata de autuação de Cofins e PIS de sociedades cooperativas, os fatos que dão origem à autuação, relativamente ao IRPJ e à CSLL, são diversos, em face das alterações legais da Lei nº 9.718, de 1998. No caso dos autos, entretanto, em face da alegada ação judicial transitada em julgado que teria garantido à interessada a incidência da Cofins e do PIS apenas sobre as receitas de atos não cooperativos, a Fiscalização nitidamente adotou um critério único para apuração da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.227 10 Nesse sentido a então a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 20180.370 declinou competência para o então Primeiro Conselho de Contribuintes (ora 1a Seção do CARF). Também não discute nos autos a questão da isenção da Lei Complementar nº 70, de 1991, que foi discutida judicialmente, no âmbito de cuja ação a recorrente apresentou recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal, mas desistiu do recurso. O âmago do litígio prendese então à questão do que sejam atos cooperativos. Depreendese dos autos e da defesa que o contribuinte se arroga não condição de não praticar atos não cooperados, e sim somente atos cooperados e auxiliares. De outra banda, o autuante, em função da própria atividade exercida pelo contribuinte de planos de saúde e da não segregação das receitas considerou que o contribuinte realizasse apenas atos nãocooperados. Preliminar de Nulidade Nesse sentido, não prospera a alegação da Recorrente pugnando pela anulação do auto de infração na medida em que afirma que o autuante simplesmente desconsiderou os atos cooperativos praticados por ela. Nesse passo, a Fiscalização evidenciou que, ainda que considerássemos a UNIMEDFlorianópolis como uma cooperativa não haveria como tributar somente os atos não cooperativos, de acordo com legislação, pois a fiscalizada, segundo sua ótica, não fez de forma correta a segregação das receitas de atos cooperativos e de atos nãocooperativos, porque considera a totalidade de seus atos como cooperativos. Vêse que não houve desclassificação da cooperativa, mas sim impossibilidade de tributar os atos não cooperados em função da falta de segregação dos mesmos. Por outras palavras, o que consta dos autos é a tributação de receitas, as quais, aos olhos do Fisco, são provenientes de atos não cooperativos. De outra banda, a defesa diverge, afirmando que se originaram de atos cooperativos e, portanto, fora do campo da incidência. Outrossim, o feito foi baixado em diligência justamente para fazer essa segregação, mesmo que de forma proporcional. Ademais, tratase de questão de mérito que será melhor enfrentada no voto mais adiante. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Mérito Discordo das duas posições extremas colocadas acima (contribuinte e do autuante). É de se ver. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.228 11 Quanto à tributação pelo COFINS, as cooperativas foram, inicialmente, consideradas isentas do pagamento da COFINS pela Lei Complementar n.º 70/91, a qual instituiu este tributo, como se vê do inciso I do art. 6º e vigorou até outubro de 1999: Art. 6º São isentas da contribuição: I – as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de sua finalidade; Os atos cooperativos estão conceituados no art. 79 da Lei 5.764/71: Art. 79 – Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução de seus objetivos sociais. Parágrafo único – O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. A questão agora então passa a ser a delimitação de atos cooperativos e não cooperativos. Tenho para mim que os serviços auxiliares, prestados por hospitais, clínicas e laboratórios ou por outras instituições que tenham por objeto a realização de serviços médicos, contratados pela cooperativa para atendimento dos usuários dos seus planos de saúde são meros atos de intermediação nãocooperativos e, portanto, sujeitos à incidência do tributo. Isso porque esses atos desviam do escopo da criação da cooperativa, por lhes faltar uma qualidade essencial que é a prestação direta de serviço pelo profissional cooperado. Explico melhor. Em apertada síntese a recorrente se escora basicamente em uma premissa que considero falsa: são condições suficientes para a identificação de um ato cooperativo que sejam praticados sem qualquer intuito de lucro e visem de uma forma geral exclusivamente os interesses associativos, direta ou indiretamente. Discordo dessa premissa. No caso da cooperativa, a finalidade não pode voltarse diretamente para o atendimento pleno e geral dos associados, pois são os associados limitados a uma categoria de atuação é que formam o parâmetro do seu objeto social. Isso já estava consagrado desde o advento do DecretoLei n.º 59, de 21 de novembro de 1966, regulamentado pelo Decreto n.º 60.597, de 19 de abril de 1967: "As cooperativas, qualquer que seja sua categoria ou espécie, são entidades de pessoas, com forma jurídica própria, de natureza civil, para a prestação de serviços ou exercício de atividades sem finalidade lucrativa, não sujeitas à falência, distinguindose das demais sociedades pelas normas e princípios estabelecidos na presente Lei" O que foi reiterado pelos arts. 3º e 4º Lei n.º 5.764, de 16 de dezembro de 1971 __ que, atualmente, disciplina a Política Nacional de Cooperativismo, nos seguintes termos: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.229 12 "art. 3. Celebram contrato de sociedade cooperativa pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens e serviços, em proveito comum, sem objetivo de lucro. art. 4. As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características ..." (g.n) Portanto, na cooperativa, a finalidade está vinculada à atividade própria do associado. Essa premissa é fundamental para entender situações limites, tais como por exemplo situações tais em que determinado tipo de cooperativa tem necessariamente que lidar com terceiros. Nesses casos, embora a Lei tenha ressaltado a necessidade de as transações serem sempre com os próprios cooperados, excluindose os terceiros, o faz por um outro motivo maior, qual seja: quando se envolvem terceiros, na maioria dos casos, desnaturase o conceito de cooperativa no sentido de “sociedade cooperativa de pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens e serviços, em proveito comum (art. 3º da Lei nº 5.764/71). Essa solução de fazer com que a finalidade esteja intrinsecamente vinculada à atividade própria do associado a meu ver é a mais consentânea com o princípio da razoabilidade, pois não se deixa levar nem pela concepção dita restritiva, que muitos atribuem ao Direito Positivo Brasileiro, nem muito menos por uma concepção deveras elástica como acontecer de ser no Direito Positivo Argentino, que permite às escâncaras que o ato cooperativo seja praticado com terceiros. O artigo 4º da Lei nº 20.337, de 02.05.73, assim define o ato cooperativo: “São atos cooperativos os realizados entre as cooperativas e seus associados e por aquelas entre si em cumprimento do objeto social e da consecução dos fins institucionais. Também o são, a respeito das cooperativas, os atos jurídicos que com idêntica finalidade realizem com outras pessoas” (g.n). A Lei Argentina referida acima dá prevalência ao elemento funcional em detrimento ao elemento estrutural que identificam os sujeitos partícipes. Já a legislação brasileira define o ato cooperado como sendo composto por dois elementos que se integram em um todo: o critério estrutural subjetivo e o critério funcional que identifica a sua finalidade (“...para a consecução dos objetivos sociais”). Como já disse em minha interpretação dou relevo ao critério funcional, pois acredito que ele assimila o critério subjetivo desde que associado à premissa conceitual básica de que se trata de um esforço conjunto de pessoas que contribuem para a consecução de uma finalidade específica. A medida de todas as coisas para a cooperativa deve ser a identificação dessa moeda de troca: a atividade em questão objeto do estatuto pode ser convertida ou mensurada em esforço individualizado de cada um dos cooperados para a consecução desse objetivo? Se a resposta for afirmativa, então tratase de ato cooperado, independentemente de envolver ou não terceiros, caso contrário, será ato não cooperado. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.230 13 Em resumo, os atosmeio isentos são os que, além de essenciais à realização do objeto social da sociedade, estão diretamente relacionados com os bens ou serviços produzidos por cada associado, individualmente. Observar que essa conceituação prescinde de se utilizar açodadamente do mecanismo de identificar transações com terceiros, como fez o autuante, para daí concluir, que isso por si só daria ensejo a reputar tais atos de nãocooperativos. Sendo assim, é por isso que disse que “os serviços auxiliares, prestados por hospitais, clínicas e laboratórios ou por outras instituições que tenham por objeto a realização de serviços médicos, contratados pela cooperativa para atendimento dos usuários dos seus planos de saúde são meros atos de intermediação nãocooperativos e, portanto, sujeitos à incidência do tributo”. Isso porque esses atos desviam do escopo da criação da cooperativa, por lhes faltar uma qualidade essencial que é a prestação direta de serviço pelo profissional cooperado. De outra banda, é forçoso reconhecer que o mais importante serviço que a cooperativa de médicos presta a seus associados é o de comercialização dos serviços destes, por meio de assinatura de contratos com pessoas físicas ou jurídicas que instituem planos de assistência à saúde, os conhecidos “planos de saúde”. Dessa forma, aqui não cabe a lógica do tudo ou nada, mas a da proporcionalidade. A parcela da receita proporcional aos repasses feitos aos médicos cooperados deve ser necessariamente excluída da tributação por se constituir em ato cooperado, da mesma forma que a parcela da receita destinada a remunerar os serviços prestados por terceiros deve ser tributada por se caracterizar como ato nãocooperado. Isso posto, voltandose agora para a base de cálculo adotada no feito para o período em exame e verificando que a fiscalização não segregara a receita tributável dos atos nãocooperativos da receita com atos cooperativos mediante rateio proporcional, considerando os custos dos diversos serviços prestados, o Colegiado converteu o julgamento em diligência de forma a segregar as receitas e resultados decorrentes da pratica de atos cooperativos daquelas decorrentes dos atos considerados como nãocooperativos. A segregação das receitas foi feita através da aplicação de um percentual de rateio sobre a receita total. Esse fator de rateio é a proporção matemática existente entre os custos de repasses aos médicos cooperados e os outros tantos custos de serviços prestados por terceiros nãocooperados (os hospitais, laboratórios, médicos nãocooperados, etc.). Cabe salientar que tal segregação, embora não tenha sido delimitada na diligência, valeria apenas até o período de novembro de 1999, em função da mudança da legislação para as cooperativas em relação ao PIS e a COFINS, porém, consta dos autos que a Recorrente possui ação transitada em julgado favorável à manutenção da sistemática anterior onde se tributava apenas os atos cooperados, o que alarga esse prazo. Retorno de Diligência favorável em Parte à Recorrente Às fls. 1328/1339 consta Retorno de Diligência Fiscal, cancelando parcialmente a autuação em atendimento às determinações do CARF. Visando excluir dos atos cooperados os valores pagos pela Unimed as Pessoas Jurídicas, onde o trabalho do médico, e o próprio médico cooperado não foi identificado, o Fl. 13DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.231 14 Autuante elaborou a partir das informações apresentadas pela Unimed os seguintes demonstrativos: 1) "Relação de Produção dos Cooperados Pessoa Física", onde consta: a data do evento (competência) e do pagamento, a matrícula e o nome do cooperado e o valor da produção médica", todos informados pela Unimed. Acrescentouse a coluna "Valor da Produção Médica Apurado pela Fiscalização", na qual, constam os valores do ato médico cooperado. 2) "Relação de Produção dos Cooperados Pessoa Jurídica Pessoa Jurídica/Pessoa Física", a data do evento (competência) e do pagamento, a matrícula e o nome da pessoa jurídica ou da pessoa jurídica/pessoa física cooperada e o valor da produção médica", todos informados pela Unimed. Acrescentouse a coluna "Valor da Produção Médica Apurado pela Fiscalização", na qual, constam os valores do ato médico cooperado. Foram zerados os valores pagos as Pessoas Jurídicas que não tiveram a identificação do repasse ao médico cooperado realizada pela Unimed. Com esse procedimento chegouse aos valores pagos aos médicos cooperados, tanto os pagos diretamente aos médicos (pessoas físicas), como os pagamentos realizados aos médicos cooperados (pessoas físicas) através de uma pessoa jurídica, os quais foram transportados para o demonstrativo da base de cálculo das contribuições, a fim de apurar os percentuais de participação do ato cooperado na receita da cooperativa. Elaborouse ainda: O "Demonstrativo da Base de Cálculo do PIS e COFINS Apurada pela Fiscalização", onde excluiuse da base de cálculo das contribuições, os valores relativos aos repasses realizados diretamente aos médicos cooperados, e os recebidos pelos médicos cooperados através de uma pessoa jurídica. Ressalvou, contudo, que: “Somente os pagamentos realizados as Pessoas Jurídicas, onde a Unimed não identificou o médico cooperado que realizou o trabalho, não compuseram o ato cooperado para efeito de apuração do percentual a ser aplicado sobre a receita da cooperativa.” Sem razão à Recorrente quando se insurge em suas contrarrazões de fls. . 2120/2214 contra a ressalva acima. Apesar de intimada e reintimada a Recorrente não logrou fazer a correta identificação das pessoas físicas (médicos cooperados) que receberam o pagamento através das pessoas jurídicas “cooperadas”, o que inviabiliza a exclusão pretendida. Por outras palavras, deixouse de excluir da base de cálculo das contribuições somente os valores pagos as pessoas jurídicas não cooperadas, na qual, a Unimed, não identificou o médico cooperado que prestou o serviço. Portanto, dou provimento parcial ao recurso nos estritos termos do resultado de diligência de fls. 1328/1339 EXCLUSÕES GENÉRICAS DO ART. 15 DA MP 2.15835 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.232 15 Nesse mesmo passo, cabe salientar que a MP 1.8589, de 24 de setembro de 1999, no lugar da não incidência, introduziu exclusões à base de cálculo do PIS e da Cofins, representado pela menção direta à aplicação da Lei nº 9.718/99 às sociedades cooperativas, encerrando um texto que se tornou definitivo nas reedições sucessivas, até a derradeira e ainda vigente MP nº 2.15835, de 2001. Eis o artigo 15, caput e §§ 1º e 2º, da MP nº 18589, repetido na atual vestimenta da MP 2.15835: “Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas”. O que se verifica é que as exclusões tratadas nos incisos I a V do caput não se aplicam às cooperativas médicas de prestação de serviços, alcançando apenas as cooperativas de produção, uma vez que aquelas situações decorrem de atividades típicas desse último tipo de cooperativa. Portanto, o beneficio legal, na prática, não alcança a Recorrente. Exclusões do art. 3º da Lei nº 9.718/98 – Operadoras de planos de saúde No que se refere à base de cálculo, a recorrente pleiteia a dedução cabível especificamente às operadoras de planos de saúde e prevista no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com a redação dada pela MP nº 2.15835/2001, mais especificamente aquela estabelecida no inciso III: Art.3º Fl. 15DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.233 16 (.....) §9 Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. É que Em relação ao inciso I coresponsabilidades cedidas, alegou não possuir, quanto ao inciso II, o autuante já excluiu as provisões da base de cálculo das contribuições. A lide concentrase, portanto, no inciso III. Outrossim, o que está em jogo no inciso III é matéria eminentemente de direito, ou seja, a interpretação do dispositivo acima cabível para as operadoras de plano de saúde a partir de 2001. Conforme manifestação da ANS trazida aos autos pela recorrente, as importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade representam valores recuperados de eventos em decorrência do compartilhamento de risco, abrangendo situações nas quais, por exemplo, operadoras de saúde distintas associamse para que os conveniados de uma delas seja atendido pela outra em local onde a primeira não possui cobertura. Ainda conforme a ANS, o valor dos eventos efetivamente pago corresponde ao que a operadora de fato saldou, pagou no mês. Por outras palavras, o preceptivo legal do inciso III trata de operações com associados de outras operadoras, o que implica dizer que o critério utilizado pela contribuinte, em que considera os eventos ocorridos com beneficiários da própria operadora, não pode prosperar. Não há dúvidas, portanto, que as grandezas mencionadas no dispositivo em comento referemse especificamente às operações decorrentes do compartilhamento de risco. Assim, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos efetivamente pago indica o ônus assumido referente ao atendimento ao conveniado de outra operadora; e as importâncias recebidas, indicam a parcela desse total que foi indenizada. A esse mesmo respeito assim se pronunciou o autuante: Em relação ao inciso I coresponsabilidades cedidas, alega não possuir, quanto ao inciso II, excluímos as provisões da base de cálculo das contribuições. No entanto, em relação ao inciso III, foram informados como indenizações correspondentes aos eventos ocorridos e efetivamente pagos, todos os eventos pagos, tanto os valores pagos aos profissionais e empresas de saúde por atendimento em eventos realizados em associados de outra operadora quanto os eventos realizados em associados da própria operadora, já em relação ao recebimento de valores a título de transferência de responsabilidades, respondeu que também não possui, conforme resposta contida às fl Fl. 16DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.234 17 E óbvio, que a permissividade da legislação não pode alcançar os custos referentes aos eventos pagos dos beneficiários dos planos de saúde da própria operadora, isso fica evidente quando o próprio inciso define que o mesmo é deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Para ilustrar transcrevemos a seguir algumas definições da ANS, disponíveis no elenco de perguntas e respostas ao plano de contas que consta em seu site na Internet: www.ans.gov.br. Pergunta. O que é um Evento? Resposta. Evento é toda e qualquer utilização, pelo beneficiário, das coberturas proporcionadas pelo plano, tais como: consultas médicas / odontológicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc. A Operadora, ao tomar conhecimento da ocorrência do evento, deve, pelo regime de competência, reconhecer a despesa, creditando o valor ao prestador de serviço, Termo de Encerramento e Verificação Fiscal UN1MED Florianópolis Cooperativa de Trabalho Médico independentemente do seu pagamento que, geralmente, é feito em uma data posterior à ocorrência. Pergunta. No caso de atendimento eventual por uma Operadora "B" a um beneficiário do plano de saúde de outra Operadora "A", como será considerada nas Operadoras A e "B" esta transação e como reconhecer contabilmente? Resposta. A Operadora "B" estará funcionando simplesmente como prestadora de serviço (apesar de ser Operadora) e será considerado, contabilmente, como um atendimento de outras operações que não de plano de saúde. Já na Operadora A, a classificação contábil será como de um prestador de serviço conveniado, sendo, portanto, reconhecido como evento. Assim sendo, os lançamentos adequados serão os aplicáveis a um prestador de serviço (médico, hospitalar etc.) na Cessionária e os aplicáveis a um conveniado na Cedente. Pergunta. Como deve ser feito o lançamento para transferência de responsabilidade (atendimento continuado Repasse em prépagamento)? Resposta. O valor é transferido da OPS "A" , detentora do contrato com o beneficiário, para a OPS "B" independentemente de o serviço ter sido prestado ou não, ou seja, a OPS "B" recebe o valor de acordo com o n° de beneficiários de "A" lotados na sua localidade, segundo um contrato entre ambas. Para finalizar citamos o item 5, da Solução de Consulta n° 4, de 05 de fevereiro de 2004, SRRF/4a RF DISIT, que assim se manifesta: "5. No tocante ao inciso III do § 9o acima reproduzido, tratase da diferença entre duas quantias, ou seja, a quantia efetivamente paga referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos e a quantia relativa às importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, diferença essa que tem de ser, necessariamente, positiva para que a exclusão se permita, pois, se negativa, aumentaria algebricamente a base de cálculo, o que seria um contrasenso. Depreendese daí que o minuendo da subtração a que se refere o inciso em questão alcança o valor dos desembolsos (eventos pagos) efetivamente realizados por uma operadora de planos de saúde para indenizar seus conveniados, profissionais e empresas de saúde, por eventos realizados em associados de outra operadora, ao passo que o subtraendo representa as Fl. 17DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.235 18 quantias (repasses) recebidas pela mesma, oriundas da outra operadora, a quem caberia a responsabilidade pelos eventos que se transferiram, para ressarcila por aqueles desembolsos ". Depreendese então, do cotejamento da resposta da contribuinte ao Termo de Intimação n° 06/2005 (fls. 98), com as respostas produzidas pela ANS, retro citadas, que o atendimento que a UNIMED Florianópolis faz aos beneficiários de outras operadoras é o atendimento eventual, sendo nesse caso considerada como mera prestadora de serviços.(grifei) O CARF já se posicionou a respeito do tema, na linha do aqui esposado: COFINS. COOPERATIVAS. UNIMED. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 9º. NÃO INCLUSÃO DE CUSTOS E DESPESAS COM A REDE PRÓPRIA. Aplicamse às cooperativas de trabalho que operam com planos de saúde o disposto no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, introduzido pelo art. 2º MP nº 2.15835/2001, que permite deduzir da base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins, a partir de dezembro de 2001, as coresponsabilidades cedidas, a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Em tais deduções não se incluem custos e despesas relativos aos eventos com os próprios associados, mas com associados de outras operadoras. (2º CC, 3ª Câmara, Acórdão 2031084, DOU 12/03/2007) Portanto, sem razão a Recorrente neste ponto. Inconstitucionalidades A Recorrente também tece uma série de alegações em sua defesa que convergem todas elas ao tema da inconstitucionalidade de Lei, inclusive quanto a retroatividade da MP n°2.158 35/2001 e não podem ser opostas no âmbito administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 e é matéria inclusive já sumulada neste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Multa de ofício (75%) Conforme relatado, a Recorrente insurgese contra a aplicação da multa de 75%, utilizandose do argumento de que a aplicação da multa no percentual de 75% viola o princípio da vedação do confisco, por tratarse de uma exigência exorbitante. Por outro lado o art. 44, I da Lei nº 9.430/96 é bastante claro em comandar a cobrança da multa de 75% por falta de pagamento em função da ocorrência, por exemplo, de omissão de receitas, tal como ocorre no caso concreto: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 18DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.002808/200551 Acórdão n.º 1401000.763 S1C4T1 Fl. 2.236 19 I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal(..)”.(grifei) Sendo assim, estando ela prevista em disposição legal em vigor, não cabe a este Órgão do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº2 do então, E. Primeiro Conselho de Contribuintes e que também foi reproduzida para o âmbito do CARF: in verbis: Súmula 1ºCC nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Legalidade dos Juros de Mora Em relação aos juros de mora, determina a legislação que sobre os débitos pagos fora de prazo, independente de qualquer causa, incidirão eles a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.Não cabe, portanto, a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 4 do CARF, in verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso nos estritos termos do resultado de diligência de fls. 1328/1339 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 19DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO
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