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Numero do processo: 11968.000377/2005-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO - IE
Data do fato gerador: 06/02/2005
IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO. MULTA.
Mercadoria exportada sem despacho aduaneiro de exportação nem autorização da unidade aduaneira para embarque antecipado é infração punível com a pena de perdimento, passível de conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro quando não localizada ou já consumida a mercadoria, mas a prévia comunicação do fato às autoridades aduaneiras e o acompanhamento do embarque por auditores fiscais caracterizam a denúncia espontânea da infração e excluem a responsabilidade do infrator.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO
Numero da decisão: 9303-001.987
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, que se declarou impedido de votar. Fez sustentação oral o Dr. Igor Vasconcelos Saldanha, OAB/DF nº 20.191, advogado do sujeito passivo.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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MULTA. Mercadoria exportada sem despacho aduaneiro de exportação nem autorização da unidade aduaneira para embarque antecipado é infração punível com a pena de perdimento, passível de conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro quando não localizada ou já consumida a mercadoria, mas a prévia comunicação do fato às autoridades aduaneiras e o acompanhamento do embarque por auditores fiscais caracterizam a denúncia espontânea da infração e excluem a responsabilidade do infrator. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, que se declarou impedido de votar. Fez sustentação oral o Dr. Igor Vasconcelos Saldanha, OAB/DF nº 20.191, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Júlio César Alves Ramos, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Adotaremos o relatório da DRJ, com as alterações e acréscimos pertinentes. Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 06/02/2005 Ementa: Perdimento da mercadoria. Conversão da pena em multa equivalente ao valor aduaneiro. Denúncia espontânea. Mercadoria exportada sem despacho aduaneiro de exportação nem autorização da unidade aduaneira para embarque antecipado é infração punível com a pena de perdimento, passível de conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro quando não localizada ou já consumida a mercadoria, mas a prévia comunicação do fato às autoridades aduaneiras e o acompanhamento do embarque por auditores fiscais caracterizam a denúncia espontânea da infração e excluem a responsabilidade do infrator. Recurso Voluntário Provido Tratase de lançamento no valor de R$ 49.392.023,35, inerente à aplicação da pena de perdimento tipificada no art. 105, inciso I, do Decretolei nº 37/66, combinado com o art. 23, § 1º, do Decretolei nº 1.455/76, com a redação alterada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002 (regulamentação pelo art. 618, inciso I, do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 – Regulamento Aduaneiro), convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do art. 23, § 3°, do DecretoLei n° 1.455, de 07/04/1976, combinado com o parágrafo único do art. 104, assim como com os incisos I a XIX do art. 105, ambos do DecretoLei n° 37, de 18/11/1966, em vista de embarque para o exterior, realizado pela autuada, de mercadorias não submetidas ao controle alfandegário. Segundo a descrição dos fatos objeto do auto de infração em evidência (fls. 02/04), a recorrente, em 06/02/2005, embarcou 47.304.880 kg de GLP Propano/Butano em navio de bandeira das Bahamas sem efetivar o despacho aduaneiro de exportação, conforme exigido pelo art 1° da IN SRF n° 28/94 (a Declaração de Exportação só foi registrada em 07/04/2005). Ressalta ainda a autoridade lançadora que muito embora o inciso III do parágrafo Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11968.000377/200570 Acórdão n.º 930301.987 CSRFT3 Fl. 241 3 único do art. 52 da citada Instrução Normativa permitisse o registro da Declaração de Exportação após o embarque da mercadoria, não houve solicitação por parte da autuada para a realização do embarque antecipado, configurando a hipótese de aplicação de pena de perdimento prevista no art. 618, inciso I, do Decreto n° 4.543/2002 (art. 105, inciso I, do DecretoLei n° 37/66), convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do art. 23, § 3°, do DecretoLei n° 1.455, de 07/04/1976, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 30/12/2002, dada a impossibilidade de apreensão da carga em vista de já realizada sua remessa para o exterior. Ressaltam ainda as autoridades lançadoras que houve confirmação do contribuinte de que este não havia apresentado pedido de embarque da mercadoria, tendo o mesmo asseverado a inexistência de recusa por parte da SRF quando da emissão do Laudo de Arqueação (vide ofício de fls. 25 e 79). Quanto à questão, assim se manifestam os autuantes: (...) Esclarecemos quanto ao alegado que, apesar de o contribuinte ter solicitado laudo de arqueação para o embarque perante a Receita Federal, essa solicitação não necessariamente se vincula à exportação com embarque antecipado, não tendo assim, a unidade da Receita motivos para recusála. O contribuinte é responsável pelo ato praticado, pois a responsabilidade por infrações a legislação tributária independe da intenção do agente, conforme reza o artigo 136 do CTN, transcrito em seguida: (...) Cientificado do lançamento em 02/05/2005, o sujeito passivo apresentou, em 17/05/2005, a impugnação de fls. 26/52, onde traz as alegações a seguir relatadas. Primeiramente, defende a nulidade do auto de infração por ausência de indicação específica do dispositivo legal que teria sido infringido, com o conseqüente desrespeito ao princípio constitucional da ampla defesa; nesse sentido, faz a seguinte exegese: a) argúi que o art. 23, inciso IV, do DecretoLei n° 1.455/76, utilizado pelas autoridades administrativas para o enquadramento do ilícito, ao se referir às “hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966”, não permitiria a identificação específica do “DISPOSITIVO DE LEI que entende haver sido infringido”; b) acrescenta ainda que “ao mencionar uma série de dispositivos constantes em instruções Normativas, Decretos e Regulamentos, deixou o Auto de Infração de realizar a tarefa que deveria ser a primeira: indicar exatamente o DISPOSITIVO LEGAL que entende por infringido”; c) tais fatos implicariam em desobediência ao disposto no art. 10, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72, bem como em desrespeito à garantia à ampla defesa contida no art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal, trazendo como conseqüência a nulidade capitulada no art. 59, inciso II, do mesmo Decreto, segundo o qual são nulos “os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Na seqüência, a suplicante defende que a configuração do ilícito atribuído a si exigiria a demonstração de “elemento subjetivo de dolo”, o que faz com base em julgados do Tribunal Regional Federal – TRF – da 1ª Região, e do TRF da 3ª Região, cujas ementas prescrevem a aplicação da pena de perdimento somente quando demonstrada prática dolosa por parte do agente. E continua invocando a aplicação da interpretação sistemática do art. 23 do DecretoLei n° 1.455/76, cujas condutas contidas nas respectivas alíneas exigiriam sempre “uma tentativa de fraude, simulação, dolo ou máfé a informar a conduta recriminada pela norma”, as quais jamais poderiam ser atribuídas à recorrente (que apenas teria cometido mero lapso material temporal), até porque esta “se guia pelos comandos principais do art. 37, caput, da Constituição Federal”. Em reforço à boafé da impugnante, esta ressalta que a mercadoria estava ampara com as devidas notas fiscais, que serviram de base para o lançamento, e que teriam sido emitidos o Laudo Técnico de Arqueação (sem qualquer impugnação por parte da SRF) e os Registros de Exportação, bem como preenchidos os Conhecimentos de Embarque. Mais adiante aduz que a finalidade da norma teria sido atingida, e que os dados constantes do laudo de arqueação “estabelecem verdadeira denúncia espontânea (art. 138, do CTN) em relação às características da exportação, no particular, até pelo fato de que o Laudo de Arqueação nunca é apresentado isoladamente”. Ressalta ainda que a própria SRF jamais poderia alegar desconhecimento do citado laudo, vez que teria emitido o documento “ARQUEAÇÃO DE SÓLIDOS, LÍQUIDOS E GASOSOS” (juntado às fls. 55 e 80 dos autos), assinado por servidores públicos, o que caracterizaria a denúncia espontânea defendida. Defende a aplicação da Teoria Finalista da Ação, segundo a qual “integra o tipo punível o animus do agente, identificado como elemento subjetivo do tipo”. Nesse sentido, alega a inexistência de qualquer animus dolus, mas mero erro operacional. A inexistência de dolo teria sido reconhecida pelo próprio auto de infração, à vista do teor do Ofício n° AB MC/RNN/CM0052/05, muito embora a empresa tenha sido autuada pela exegese equivocada do art. 136 do CTN, dispositivo este que sequer fora interpretado no auto de infração, que se contentou apenas em transcrevêlo. Ainda sobre o art. 136 do CTN, argúi que o mesmo deveria ser interpretado “numa exegese que atenda, efetivamente, sua função social, adequandose à mens legis efetivamente almejada pelo Ordenamento Jurídico”. Em reforço a essa tese, traz à lide a súmula 138 do antigo Tribunal Federal de Recursos, segundo a qual “a pena de perdimento de veículo, utilizado em contrabando ou descaminho, somente se justifica se demonstrada, em procedimento regular, a responsabilidade do seu proprietário na prática do ilícito”. Com base em doutrina de Fernando Perez Royo, reforça seu entendimento de que não teria havido nenhum ilícito tributário, mas apenas “lapso operacional a permitir a relevação da penalidade pela Autoridade Superior...”. Dito lapso não seria punível pelo ordenamento jurídico, destinado apenas à correção da irregularidade, entendimento este reforçado por julgado do STJ, cuja ementa se refere à inaplicabilidade da pena de perdimento sobre bens importados ao desamparo da guia de importação, por falta de tipicidade explícita (art. 105, inciso X, do DecretoLei 37/66, e art. 23, parágrafo único, do DecretoLei n° 1.455/76). Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11968.000377/200570 Acórdão n.º 930301.987 CSRFT3 Fl. 242 5 Por tais razões, a suplicante propugna a aplicação da relevação da penalidade prevista no art. 654, incisos I e II do Regulamento Aduaneiro. Suscita ainda “relevantes razões de proporcionalidade” e a “ausência de mínima suspeição do dolo, para permitir, no caso, fosse afastada de plano a sanção extrema a pena de perdimento e/ou de sua multa por conversão, admitindose a mera correção do ato operacional equivocado”. Tal providência poderia ser tomada com base no art. 52 da IN SRF n° 28/94, cuja redação teria sido alterada pela IN SRF n° 471/2004, não correspondendo, portanto, à transcrição contida no auto de infração. A recorrente afirma que seu ato não trouxe supressão de arrecadação ou qualquer outro prejuízo, vez que “se trata de operação que não está sujeita a recolhimento de tributo, de acordo com a dicção do artigo 230, do Decreto 4.543/2002, onde é concedido o benefício fiscal da isenção a todas as operações de exportação realizadas por Empresas Comerciais Exportadoras, onde é inserida a Petrobras, sendo a mesma ISENTA de recolhimento fiscal nesse tipo de operação...”. Com base no art. 153, inciso II, da Constituição Federal, no art. 23 do CTN, no Decreto n° 1.578/77, além de doutrina de Hugo de Brito Machado, alega que “a legislação aduaneira possui função predominantemente extrafiscal”. Por sua vez, a existência do laudo de arqueação conferiria à mercadoria certeza quanto à sua existência e concernente à sua quantidade, “atingindo a finalidade extrafiscal da norma (que é efetuar o controle de saída)”, conforme previsto no art. 27 da IN SRF n° 28/94. Aduz ainda que o artigo 29 da citada Instrução Normativa prescreve o desembaraço da mercadoria após a conclusão do processo de verificação, e que, por conta da atividade vinculada a que está sujeita a autoridade aduaneira, esta não poderia negar eventual pedido de embarque, “exatamente à vistas das informações contidas no Laudo de Arqueação, este sim elemento essencial de convicção e que restou devidamente apresentado”. Em vista das informações inerentes à exportação, invoca a aplicação do Princípio da Verdade Material, ressaltando ainda que a cominação da sanção objeto do lançamento, “quando atingida finalidade fiscal, extrafiscal e econômica da norma, portanto é extrapolar a mens legis, ao tempo em que torna mais onerosa uma atividade de exportação com o mérito inquestionável de contribuir para a concretização do superávit da balança comercial brasileira”. Numa outra linha de defesa, a reclamante alega nulidade por ausência de competência funcional do agente autuante para a lavratura do auto de infração, vez que a competência para aplicação da pena de perdimento, bem como de sua conversão pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, seria do Ministro da Fazenda, exegese que faz baseada no art. 27, § 4°, do DecretoLei n° 1.455/76, assim como em acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado: ADMINISTRATIVO PENA DE PERDIMENTO AUTORIDADE COMPETENTE DL N. 1.455/76 1. A pena de perdimento é legal quando aplicada após regular tramitação do procedimento administrativofiscal, cabendo ao Ministro da Fazenda aplicála. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 2.Ilegalidade do ato praticado Inspetor da Alfândega, por ilegitimidade. 3. Remessa oficial improvida. (TRF1, REO 96.01.395210/DF, Rel Juíza Eliana Calmon, T4, DJ 09/10/1997, p. 83631). Quanto às delegações de competência para a aplicação do perdimento, argúi que as mesmas seriam nulas, “a exemplo, aliás, do que ocorreu quando da criação da Delegacia de Julgamento, em que houve decisão monocrática por delegação”. Com base no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, bem como em respeitável doutrina, aduz que a multa aplicada “é visivelmente excessiva, implicando em ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, findando por configurar confisco, como que afronta, por inconstitucionalidade direta, dispositivo constitucional pétreo, garantia do contribuinte em face de investidas do Fisco, enquanto limitação ao poder de tributar”. E continua sua exegese afirmando que a multa em evidência, “para não possuir natureza confiscatória, deve encontrar limites, não podendo abarcar a totalidade do valor da operação (como ocorre inconstitucionalmente na hipótese do art. 23, do DecretoLei n° 1.455/1976), em se compreendendo a mesma como instrumento de fiscalização tributária, e não como mecanismo de direito tributário penal”. Além disso, o fato de o próprio Fisco reconhecer a ausência de dolo o impediria de aplicar tal sanção, sob pena de caracterizar o confisco. Por fim, traz à lide ementa de acórdão do TRF 1ª Região, in verbis: ADMINISTRATIVO PENA DE PERDIMENTO AUTORIDADE COMPETENTE DL 1.455/75 1. Excessiva a pena de perdimento aplicada às mercadorias isentas de imposto de exportação, tendo como determinante tão somente a ausência de autorização de embarque expedida pela Secretaria da Receita Federal. Ausência de máfé. 2. A pena de perdimento é legal, após regular tramitação do procedimento administrativofiscal, cabendo ao Ministro da Fazenda aplicála. 3. Improvidas a apelação e a remessa oficial. Por unanimidade. (TRF 1ª Região, Ap.MS n° 199701000595324 BA – 2ª T. S., relª. J. KÁTIA BALBINO DE CARVALHO FERREIRA, j. 19/06/2001, Fonte Public. DJU 09.07.2001, p.33, JS Fiscal 33157504). Diante de todo o exposto, requer, preliminarmente, seja declarado nulo o auto de infração sub examine, por “(nulidade por ausência de indicação da disposição legal infringida, gerando comprometimento à ampla defesa; ausência de elemento subjetivo do tipo, em sendo a multa considerada sanção penal; natureza confiscatória, tomandose a mesma como instrumento de política fiscal; rompimento à teoria finalista da ação e ao principio da verdade Material; ausência de prejuízo para o Estado físico (sic); instrumentalidade conferida pela Solicitação de Arqueador recebida pela Receita e pela apresentação do Laudo de Arqueação; inobservância do procedimento próprio; aferição da competência, dentre outros)”, bem como pelo fato de “haver sido a multa aplicada por autoridade incompetente e utilizada com nítido caráter confiscatório...”. No mérito, propugna para que o lançamento seja julgado improcedente por “ausência da tipicidade da conduta, por falta de elemento subjetivo do tipo, relevandose a pena de perdimento e a multa por conversão da mesma decorrente, na forma da Lei”. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11968.000377/200570 Acórdão n.º 930301.987 CSRFT3 Fl. 243 7 Finalmente, manifesta sua intenção de “demonstrar a veracidade fático jurídica de todo o alegado, se necessário for, por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente mediante a produção de prova documental, pericial, juntada posterior de documentos”. Instruem ainda os autos, dentre os documentos acima discriminados e outros de mero expediente, os seguintes documentos: d) cópias dos conhecimentos de carga correspondentes às mercadorias carregadas no navio Dynamic Energy (fls. 05/06) e respectivos Laudo Técnico de Arqueação (fls. 07/09), notas fiscais (fls. 10/13), e Registro de Exportação (fls. 14/20); e) cópia de instrumentos de mandato (fls. 53/54) que conferem poderes ao signatário da impugnação de fls. 26/52 para a defesa da autuada no presente foro administrativo; f) cópia do auto de infração objeto da lide (fls. 56/59); e, g) cópias de conhecimento de embarque, manifesto de carga, laudo técnico de arqueação, notas fiscais e Registro de Exportação relativos a mercadoria embarcada no navio “Gurupa” (não relacionada ao presente lançamento fls. 60/78). É o relatório. Voto O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Foi apresentado pela procuradoria o presente recurso com fundamento no art. 7º, inciso I, § 1º do RICARF. Como o recurso foi não unânime e foi citada a contrariedade ao art. 138 do CTN e art. 102 e° do DecretoLei n° 37/66, deve ser conhecido conforme se afirmou no parágrafo anterior. Realmente restou caracterizada a prática infracional, eis que foi concretizada a exportação sem a devida declaração de exportação. Assim não se discute o ocorrência do fato típico ensejador da aplicação da pena de perdimento, convertida no valor aduaneiro in casu. O objeto da lide será tão somente a exoneração da multa substitutiva da pena de perdimento por fatos que, em tese, teriam o condão de elidir a sua aplicação. Todo o voto do colegiado a quo teve como linha argumentativa e razões de decidir o fato que a comunicação da exportação e o seu acompanhamento por auditores fiscais configuraria a denúncia espontânea com a conseqüente relevação da multa, conforme o final do Fl. 251DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 voto da câmara ordinária, do relator Tarásio Campelo Borges, transcrito abaixo. Vários outros argumentos foram trazidos pela recorrente no recurso voluntário. Esses outros argumentos foram repisados em contrarazões apresentadas pela recorrida. Com efeito, do exame dos autos, sobressaem dois fatos de grande relevância: (1) o embarque do GLP foi precedido de pedido de arqueação deferido pela Alfândega do Porto de Suape (PE) no dia 31 de janeiro de 2005 (documento de folha 55); e (2) o embarque para o exterior, no período de 2 a 5 de fevereiro de 2005, foi acompanhado por auditores fiscais da Receita Federal (anotações manuscritas na parte inferior da folha 55). É certo que o registro da exportação somente foi levado a efeito no dia 3 de março de 2005 (folha 15), posteriormente à saída da mercadoria do território nacional, mas o lançamento da multa ora discutida, formalizado no dia 26 de abril de 2005, do qual o sujeito passivo teve ciência no dia 2 de maio imediatamente subseqüente, foi o primeiro ato de oficio da administração aduaneira relacionado à infração denunciada. Ademais, a base de cálculo da multa foi determinada a partir dos dados espontaneamente fornecidos pela própria autuada ou por seus prepostos. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Podese perceber que o fato de a empresa ter apresentado previamente o laudo de arqueação implicou no reconhecimento da denúncia espontânea da infração de exportar bens sem a declaração de exportação, que é o fato típico constante na lei, necessário e suficiente para a aplicação da multa em questão. Porém não há como uma comunicação prévia de arqueamento ter o condão de substituir a declaração de exportação e nem tampouco ser usada como ato apto a caracterizar a denúncia espontânea. Até porque o laudo e o despacho de exportação não são documentos que se substituem, mas são documentos obrigatórios, cumulativamente. O objetivo do art. 138 do CTN, é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, com este recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém a responsabilidade por infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo a inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de atos que representem infrações à legislação tributária. Várias são a decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia Fl. 252DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11968.000377/200570 Acórdão n.º 930301.987 CSRFT3 Fl. 244 9 espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) O próprio CARF também se inclina a não aceitar a denúncia espontânea em relação às obrigações acessórias, como se pode depreender da edição da súmula Carf nº 49: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. O lançamento em análise foi motivado pelo embarque de mercadoria para exportação sem o necessário despacho aduaneiro, exigido pelo art. 1° da IN SRF n° 28/94, ou ainda, alternativamente, da prévia solicitação da interessada para a realização do embarque antecipado (conforme previsto no inciso III do parágrafo único do art. 52 da citada Instrução Normativa), o que redundou na aplicação da pena de perdimento de que trata o art. 618, inciso I, do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Regulamento Aduaneiro), convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do art. 23, § 3°, do DecretoLei n° 1.455/76, combinado com o parágrafo único do art. 104, assim como com os incisos I a XIX do art. 105, ambos do DecretoLei n° 37/66. Transcrevemos abaixo os referidos dispositivos legais. IN SRF n° 28, de 27/04/1994 Art.1º A mercadoria nacional ou nacionalizada destinada ao exterior, a título definitivo ou não, fica sujeita a despacho de exportação. § 1º Sujeitase, ainda, a despacho de exportação a mercadoria que, importada a título não definitivo, deva ser objeto de reexportação, ou seja, de retorno ao exterior. § 2º Entendese por despacho aduaneiro de exportação, o procedimento fiscal mediante o qual se processa o desembaraço aduaneiro de mercadoria destinada ao exterior, conforme disposto nesta Instrução Normativa. (...) Art. 52. O registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação, no SISCOMEX, poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria ou sua saída do território nacional, nos seguintes casos: (...) Parágrafo único. A critério do chefe da unidade local da SRF, o registro da declaração poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria ou sua saída do território nacional, na exportação: I de granéis, inclusive petróleo bruto e seus derivados; II de produtos da indústria siderúrgica e de mineração; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 III de produtos agroindustriais acondicionados em fardos ou sacaria; IV de pastas químicas de madeira, cruas, semibranqueadas ou branqueadas, embaladas em fardos ou briquetes; V de veículos novos; e VI realizada por via rodoviária, fluvial ou lacustre, por estabelecimento localizado em município de fronteira sede de unidade da SRF." (NR) Regulamento Aduaneiro – Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto lei n° 37, de 1966, art. 105, e Decretolei n° 1.455, de 1976, art. 23 e § 1°, com a redação dada pela Medida Provisória n° 66, de 2002, art. 59): I em operação de carga ou já carregada em qualquer veículo, ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo; (...) DecretoLei n° 1.455, de 07/04/1976 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (...) § 1° O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3° A pena prevista no § 1° convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) Parágrafo único. O dano ao Erário decorrente das infrações previstas no "caput" deste artigo, será punido com a pena de perdimento das mercadorias. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11968.000377/200570 Acórdão n.º 930301.987 CSRFT3 Fl. 245 11 È fato incontroverso que a mercadoria foi exportada desacobertada da declaração de exportação. A própria conduta exportar sem a devida declaração, por si, já seria suficiente para a caracterização da infração administrativa. Não interessaria o resultado. Isso acontece na maioria das infrações administrativas. É o que se chama do ato infracional de mera conduta que é idêntico ao crime de mera conduta no direito penal que se conceitua como crimes sem resultado, em que a conduta do agente, por si só, configura o crime, independentemente de qualquer alteração do mundo exterior. Segundo o conceito dado por Damásio de Jesus crimes de mera conduta são aqueles em que “o legislador só descreve o comportamento do agente”. Uma outra linha argumentativa trazida pela autuada é a ausência de dolo ou máfé. Afirma que não houve a intenção de lesar o fisco. Ocorre a prática da infração é objetiva e não há que se perquerir a presença de dolo ou máfé. O contribuinte faz uma explanação sobre a teoria finalista da ação e pede que sela aplicada. Ocorre que a aplicação de tal teoria é expressamente vedada pelo CTN, que é muito claro ao dispor sobre a impossibilidade de se argumentar elementos subjetivos a pratica de atos que configurem infração à legislação tributária. Responsabilidade por Infrações Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Com efeito, em uma análise mais minuciosa do presente caso, constatase que não houve dano à administração aduaneira, já que a comunicação foi feita à autoridade fazendária/aduaneira no momento do embraque, inclusive com a entrega do laudo de arqueação, e a Declaração de exportação foi entregue a posteriori. Estamos diante de uma conduta infracional de resultado, onde há que se haver uma ação, um dano e o nexo causal entre ambos. Em que pese parte da jurisprudência administrativa considerar que a não entrega da DE, por si, já configuraria dano à administração aduaneira, não entendemos dessa forma. Toda a legislação correlata se refere a dano e não a uma simples conduta do agente, ou seja, podese presumir que a conduta infracional deve ter a ação ou omissão, o resultado dano e o nexo causal. Na ausência desse resultado (dano) não há que se configurar a infração à legislação aduaneira. O fato típico no presente caso não é a mera exportação da mercadoria sem a devida documentação, mas sim esse fato aliado a um dano a ser causado à fazenda pública, o que não ocorreu in casu. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Não estando perfeitamente enquadrada a ação ao núcleo do tipo infracional, não há como se caracterizar a conduta como uma infração administrativa punível com o perdimento ou a multa substitutiva. Por todo o exposto, voto pelo não provimento do Recurso Especial interposto pela PGFN. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 256DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11080.722617/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2000
SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE.
A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR.
A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND.
AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2000 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE. A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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PARCELA DOS SEGURADOS Recorrente BANCO DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2000 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE. A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 26 17 /2 01 0- 33 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722617/201033 Acórdão n.º 2402003.281 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada e não recolhida em época própria, referente ao período de 05/2000 a 12/2000. O Relatório Fiscal (fls. 12/24) informa que o crédito lançado é decorrente da responsabilidade solidária imputada à notificada, contratante de serviços de construção civil, por não ter comprovado o cumprimento das obrigações previdenciárias pela contratada, conforme estabelecido pela legislação vigente à época do fato gerador. O objeto do lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa executora de obra de construção civil, VERTIKAL CONSTRUÇÃO E INCORPORAÇÃO LTDA, CNPJ: 81.002.164/000150, incluídas em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Esse Relatório Fiscal informa ainda que o presente lançamento objetiva restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) n°s 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2), por meio dos Acórdãos no 2.338/2005 e 2.339/2005, conforme ementa da 4ª CAJ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Foram mantidos todos os lançamentos constantes das NFLD originais, referentes à solidariedade com os prestadores de serviços e empreiteiros não cobertos por auditoria fiscal no fato gerador (Auditoria total com contabilidade ou na obra específica), conforme registros do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais (CNAF); O instituto da decadência foi aplicado na forma do artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966). Após a nulidade formal dos lançamentos originais, a ciência do novo lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/08/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 81/95) – acompanhada dos anexos de fls. 146/158 –, alegando, em síntese, que: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. deve ser feito o chamamento ao processo da empresa executora, para se apurar a real existência dos débitos autuados, tudo em estrita observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material, pois diversos documentos probantes estão em posse da empresa que executou os serviços; 2. a matrícula era de responsabilidade da prestadora de serviços, cabendo a ela promover os recolhimentos e, mesmo assim, à luz da legislação, a matrícula não seria necessária, vez tratarse de simples reparos, manutenção e ampliação de dependência da Impugnante, serviços esses que não necessitavam nem mesmo de profissional técnico habilitado; 3. o Banco/Impugnante, por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava respaldado pela Lei de Licitações, em que tais dispositivos transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. Cita STJ (REsp. 417.794/RS); 4. há pagamentos, comprovadamente efetuados pela empresa contratada, cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários das NFLD 35.067.6682 e 35.067.6690; 5. as Certidões Negativas de Débito (CND), expedidas à época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente; 6. o Fisco deve cobrar primeiramente da contratada e, além disso, a omissão na fiscalização da empresa contratada importa em cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade, em latente prejuízo ao Impugnante. Ao menos até 10.12.1997, a impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art. 30 e, consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem; 7. ao menos até fevereiro/99 a Impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, a redação original do art. 31 da Lei 8.212/91 (que vigeu até fevereiro de 1999, em face da edição da Lei 9.711/98), não vedava a aplicação do benefício de ordem; 8. a Diretoria Colegiada do INSS, ao expedir a IN DC/INSS 18/2000, arbitrou, ilegal e abusivamente, a forma de apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados para execução de obras de construção civil; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722617/201033 Acórdão n.º 2402003.281 S2C4T2 Fl. 4 5 9. a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos 11686.000242/200813 (NFLD 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD 35.067.6690) deverá ser aproveitada no presente feito, apensando este processo àqueles autos, tudo em nome, dentre outros, dos princípios da eficiência e economicidade processual. 10. REQUER: seja acolhida a preliminar suscitada, para chamar ao processo a empresa contratada e, ultrapassada essa, no mérito, seja acolhida a presente Impugnação, para se reconhecer a improcedência da autuação e desconstituir o lançamento fiscal, declarando insubsistentes os créditos constituídos pois, além de indevidos, não restou caracterizada a hipótese de incidência tributária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0345.263 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 146/158) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto do chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, visando apurar a real existência dos créditos lançados, bem como seja trazida aos autos a documentação comprobatória da quitação dos mesmos, que estão em posse da empresa contratada. Tal alegação não será acatada pelas razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas. Cumpre esclarecer que o chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiro provocada pelo réu, cabível apenas no processo de conhecimento dentro do âmbito judicial e não administrativo, tendo como finalidade ampliar o campo de defesa dos fiadores e dos devedores solidários, possibilitandolhes chamar o responsável principal, ou corresponsáveis ou coobrigados, para que assumam a posição de litisconsorte, ficando todos submetidos à coisa julgada. Assim, o chamamento ao processo é criado em benefício do réu dentro de um processo que corre no âmbito do Poder Judiciário e previsto exclusivamente nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil (CPC). O Processo Administrativo Fiscal (PAF), quer seja nas regras estabelecidas pelo Decreto 70.235/1972, quer seja nas regras da Lei 9.784/1999, não prevê essa modalidade de intervenção de terceiros. Contudo, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário, eis que a empresa devedora, contratante direta dos segurados empregados, já figura no polo passivo do lançamento fiscal e foi devidamente notificada, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária no 1, lavrado em 25/08/2010 (fls. 77/78). Isto é, a empresa executora da obra de construção civil também já está inserida na relação material da obrigação tributária e na constituição do crédito tributário. No presente caso, estamos diante do instituto da solidariedade, formado por um litisconsórcio necessário, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e Fl. 205DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722617/201033 Acórdão n.º 2402003.281 S2C4T2 Fl. 5 7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Além disso, os argumentos apresentados pela Recorrente como justificativa para requerer o chamamento ao processo não se aplicam ao presente processo, uma vez que os documentos probantes dos recolhimentos efetuados pela empresa executora da obra de construção civil (VERTIKAL CONSTRUÇÃO E INCORPORAÇÃO LTDA) foram aproveitados pelo Fisco, quando do relançamento, conforme registro no Relatório Fiscal (fl. 13) de que foram mantidas apenas as competências (meses) não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária, nos seguintes termos: “(...) foram excluídas as empresas do levantamento original que sofreram procedimento fiscal previdenciário (Auditoria Fiscal Total com contabilidade ou Auditoria específica na obra identificada no levantamento)”. Também não há que se falar em cobrança em duplicidade, pois o Relatório Fiscal informa que foi verificado se a contratada havia sido submetida ao procedimento de auditoria fiscal, com exame de contabilidade, no período abrangido por este lançamento, ou se as obras que foram objeto dos lançamentos, efetuados em desfavor da Recorrente, sofreram fiscalização específica. Assim, no caso de ter havido fiscalização específica ou auditoria fiscal com exame da contabilidade, o Relatório Fiscal informa que foram realizados os ajustes necessários e exclusão dessas competências analisadas. Ressaltase que o conceito de obra, para efeitos previdenciários, é bastante amplo, abrangendo a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Com esse conceito amplo, a obra de construção civil funciona como se fosse um estabelecimento ou filial da empresa construtora e, por consectário lógico, necessita de matrícula com uma numeração básica que é o Cadastro Específico do INSS (CEI), sendo que essa matrícula deverá ser efetuada mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de trinta dias contados do início de sua atividades, ou poderá ser feita de ofício pelo Fisco. Diante disso, a alegação de que a responsabilidade pela matrícula junto ao INSS caberia a empresa executora da obra também se torna irrelevante, pois não altera nem influencia o lançamento fiscal. Logo, entendemos que não é cabível aplicação de chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, pois este e a Recorrente já são integrantes do polo passivo do presente lançamento fiscal. Após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o Fisco não apropriou no lançamento fiscal os valores pagos pela contratada. Tal alegação não será acatada, eis que os pagamentos efetuados pela empresa contratada foram devidamente observados à época do procedimento de auditoria fiscal, e apropriados nas respectivas NFLD originais (35.067.6682 e 35.067.6690), não tendo a Recorrente, nem a empresa contratada, trazido aos autos novos elementos probatórios que demonstrassem quaisquer outros recolhimentos efetuados. Por outro lado, verificase que o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratado a empresa para a execução global (total) de obra de construção civil e não haver solicitado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária, quais Fl. 206DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 sejam: (i) cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante; ou (ii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada quando for o caso, por escrituração contábil; e (iii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na legislação previdenciária. A execução de obra na área de construção civil, mediante a empreitada total, enseja a solidariedade do contratante para com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra aplicada, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/19911. No que interessa ao presente processo, temse que a responsabilidade tributária solidária exsurge quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário concomitantemente com o contribuinte, arcando, independentemente deste, com o pagamento integral do crédito tributário. O art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/1966, define como devedores solidários: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (g.n.) Segundo a previsão do inciso II do preceptivo legal acima citado, ocorre a solidariedade quando a lei expressamente designa os sujeitos que irão responder pela obrigação tributária. Neste caso, é necessária a previsão em lei, e isso foi disciplinado pelo art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em que o proprietário ou dono (que é a Recorrente) de obra de construção civil é solidário com o construtor pelo cumprimento das contribuições sociais previdenciárias. No mesmo sentido, o art. 220 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, estabelece a solidariedade entre o proprietário e o executor da obra de construção civil, nos seguintes termos: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários 1 Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 207DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722617/201033 Acórdão n.º 2402003.281 S2C4T2 Fl. 6 9 com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. § 2º O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia. § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (g.n.) Percebese, então, que a apresentação de folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas é uma das formas que a contratante, no caso a Recorrente, tem de elidirse de imediato da responsabilidade solidária por contribuições de responsabilidade do executor de obra de construção civil porventura não recolhidas, sendo que, em caso do salário de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos na legislação previdenciária, a contratante deverá exigir também a comprovação de que a contratada possui contabilidade formalizada. Logo, não há como considerar a alegação retromencionada, pois o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratada a empresa executora de obra de construção civil e não haver apresentada a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária. Dentro desse contexto da solidariedade imputada à Recorrente, esta alega que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma a não aplicabilidade da responsabilidade solidária em relação à sociedade de economia mista. Essa alegação não Fl. 208DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 procede para o caso ora analisado, além dela ser também impertinente para o deslinde da controvérsia instaurada, eis que o conteúdo do acórdão do STJ – proferido no REsp 417.794 RS, Relator Min. Luiz Fux, 1ª Turma – trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme se extrai do Voto condutor a seguir reproduzido: “[...] Por seu turno, conheço do recurso no tocante à alegada afronta ao art. 31 da Lei 8.212/91. A questão sub judice é saber se incide a responsabilidade solidária prevista no art. 31, da Lei 8.212/91 sobre o Banco do Brasil S/A, sociedade de economia mista, integrante da administração indireta, no período em que contratou empresa para instalação de sistema online nos terminais de sua filial em suas dependências. O referido comando legal, à época do serviço prestado pela empresa (junho/1995), antes, portanto, das inúmeras alterações introduzidas, dispunha o seguinte: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 [...].” (g.n.) Constatase que o lançamento fiscal ora analisado é decorrente da solidariedade existente entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor (chamada de contratada), conforme ficou devidamente delineado no Relatório Fiscal (fls. 12/24) e nas planilhas anexas. Esses documentos (Relatório Fiscal e planilhas) demonstram que os valores lançados no presente processo são decorrentes do seguinte levantamento original: 1. SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999 (NFLD 35.067.6690) à Remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período a partir de 01/1999. Assim, não acatamos o argumento da Recorrente ora analisado, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária oriundo da execução de contrato de cessão de mãodeobra – conforme estabelecia o art. 31 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/19972 –, mas de responsabilidade solidária oriunda de serviços de construção civil, conforme estabelece o art. 30, VI, da Lei 8.212/1991. Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional solidária tributária previdenciária, registrase que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, diploma que institui normas gerais para licitação e contratos da Administração Pública – ao estabelecer que a inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não 2 Art. 31 da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.528/1997, posteriormente a regra estampada neste artigo foi revogada: "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)". Fl. 209DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722617/201033 Acórdão n.º 2402003.281 S2C4T2 Fl. 7 11 transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento –, não tem o condão de afastar a regra específica da legislação previdenciária – estampada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991 –, eis que a regra da legislação licitatória (art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993) é norma geral a ser aplicada, nos contratos firmados entre a Recorrente (contratante) e a contrata, caso não houvesse uma norma específica disciplinado a matéria como um preceito de direito público. Assim, a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária previdenciária, que são normas essencialmente de natureza pública –, não possuindo o arrimo de afastar a solidariedade da relação obrigacional para com a Seguridade Social estabelecida entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor, prevista no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991. Essa interpretação é corolário das normas constitucionais, pois depreendese do art. 173, § 2º, da Constituição Federal que a empresa pública exploradora de atividade econômica, que é o caso da Recorrente, está sujeita ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações tributárias e trabalhistas, salvo se a lei estabelecer estatuto jurídico especial para a empresa nos termos do § 1º desse artigo. Constituição Federal de 1988: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) II a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. (g.n.) Esse entendimento de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro também é extraído da regra prevista no art. 54 dessa mesma lei, eis que esta regra afirma que “(...) os contratos administrativos de que trata esta Lei regulamse pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público (...)”, grifamos. Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 estabeleceria uma responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas – elidindo a sua responsabilidade da obrigação solidária tributária apurada pelo Fisco –, uma vez que há regra mais específica tratando da matéria no art. 30, inciso VI, da Lei Fl. 210DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 8.212/1991, sendo que esta regra especial tributária disciplina a respectiva matéria em consonância e em obediência às normas constitucionais. Além disso, essa regra prevista no art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, que transferiria a responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas, não pode ser aplicada ao caso porque prevalece a regra constitucional, hierarquicamente superior, já que a empresa enquadrada como sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Por sua vez, entendese que não há espaço jurídico para aplicação do enunciado no Parecer AGU nº AC055, de 17/11/2006, cujo teor, em síntese, registra não haver solidariedade da Administração Pública em relação às contribuições para a Previdência Social cujo fato gerador está previsto no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, eis que o seu conteúdo não tem o condão de mudar o que a lei dispõe de forma específica (art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991). A mudança na lei só se admite via outra lei. Ademais, tal enunciado do Parecer AGU nº AC055/2006 não prever a sua aplicação para a sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, pois não poderá haver concessão de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Esse entendimento retromencionado está em conformidade com o princípio da conformidade funcional – segundo o qual a interpretação não deve subverter o mandamento funcional criado pela Constituição – e com o princípio da interpretação conforme a constituição – segundo o qual a interpretação de uma norma deverá ser aquela que apresenta maior compatibilidade com as normas constitucionais, excluindose a pertinência dos demais sentidos que colidirem com a constituição. Com relação à responsabilidade solidária no âmbito tributário, cumpre esclarecer que ela não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco escolher de quem será cobrada a dívida de forma integral, nos termos do art. 124, parágrafo único, do CTN. Assim, não acatamos a alegação da Recorrente de que antes da Lei 9.528/1997, que deu nova redação ao inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/19913, não havia vedação à aplicação do benefício de ordem e, consequentemente, somente a partir da entrada em vigor desse dispositivo, em 10/12/97, é que seria possível afastar a aplicabilidade do benefício de ordem e exigir da contratante os valores devidos por responsabilidade solidária. Com isso, entendemos que a inserção promovida pela Lei 9.528/1997 no inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991 não implicou qualquer inovação interpretativa com relação à não aplicação do benefício de ordem no âmbito tributário, tornando apenas a sua inaplicabilidade mais evidente, eis que essa inserção deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com a regra estampada no parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, não procedem os argumentos da Recorrente de que deveria ter sido cobrado primeiramente da empresa contratada os débitos anteriores à entrada em vigor dessa lei. 3 Artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em sua redação original: “VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações;” Fl. 211DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722617/201033 Acórdão n.º 2402003.281 S2C4T2 Fl. 8 13 Com relação à apresentação da Certidão Negativa de Débito (CND) pela contratada, entendemos que a emissão da CND não configura uma modalidade de extinção do extinção do crédito tributário, pois não está registrada nas hipóteses do art. 156 do Código Tributário Nacional (CTN)4, que disciplina o assunto. Assim, a concessão da CND não implica nem comprova garantia absoluta de não existência de crédito tributário a ser lançado, tanto que no corpo da própria CND está ressalvado ao Fisco o direito de cobrança de qualquer valor apurado posteriormente à sua emissão, nos termos do § 1º do art. 47 da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito CND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). (...) § 1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. (g.n.) Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a emissão da CND para a empresa contratada caracteriza uma forma de elidir a sua responsabilidade solidária da obrigação tributária apurada pelo Fisco. Isso decorre do fato de que a CND não é causa de extinção do crédito tributário, mas um mero documento que corrobora, até aquele momento de sua emissão, a inexistência de valores devidos ao Fisco. Quanto à apuração da base de cálculo por meio da aplicação do percentual de 40%, incidente sobre as notas fiscais, entendemos que se trata de uma técnica de aferição indireta para apuração dos valores devidos à Previdência Social e encontrase devidamente motivada, eis que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovassem que a contratada cumpriu as obrigações previdenciárias referentes ao serviço prestado. 4 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração Fl. 213DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722617/201033 Acórdão n.º 2402003.281 S2C4T2 Fl. 9 15 dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Em perfeita consonância com o lançamento em tela, colacionase julgado do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, que muito bem elucida a legalidade da aferição indireta, e a razoabilidade do percentual de 40% incidente sobre as notas fiscais para se aferir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. “[...] TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TOMADORA DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE. (...) 2. Tratandose de contribuições previdenciárias, prestado o serviço, por disposição legal, a tomadora se incorpora ao pólo passivo da obrigação como devedora solidária e só se exime do cumprimento da obrigação se comprovar que a outra devedora adimpliu – pagou o tributo –, pois assim extinguira a obrigação tributária. Ainda que admitida a inserção da tomadora no pólo passivo da obrigação pelo descumprimento do dever de exigir comprovação do pagamento do tributo, tal ocorreria – com o pagamento da nota fiscal ou fatura relativa à prestação do serviço – antes do lançamento de ofício, pois tratase de tributo no qual a lei atribui ao sujeito passivo a apuração e pagamento do débito tributário sem qualquer intervenção prévia da administração. 3. Incluída a tomadora, por lei, no pólo passivo da obrigação, a comprovação do pagamento pode ser dela exigida a qualquer tempo, tanto na apuração do débito quanto na cobrança dos valores lançados, já que o Fisco pode – como qualquer credor, em matéria de solidariedade – voltarse contra ela ou contra a prestadora, ou contra ambas as devedoras, já no lançamento, já na execução. 4. Segundo a legislação do período no qual ocorreram os fatos geradores (05/1995 a 01/1999), cabia à tomadora, quando da quitação da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigir da prestadora cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e folha de pagamento dos empregados postos a seu serviço, dever do qual não se desincumbiu integralmente, restando solidariamente responsável pelo débito tributário. 5. A aferição indireta só incide naquilo em que a tomadora não se desincumbiu de ônus expressamente previsto em lei – exigir as folhas de pagamentos dos empregados postos a seu serviço. 6. É razoável a fixação de percentual (40%) sobre o valor da nota fiscal ou fatura como representativo do custo da mãode obra, e, em conseqüência, do valor dos salários sobre os quais deve incidir o tributo. Com isso, não se desnatura a contribuição, mas apenas se obtém, de modo indireto, na falta da Fl. 214DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 documentação apropriada para a apuração direta (cujo ônus, no caso, era da tomadora) o valor dos salários, base de cálculo do tributo. Inversão do ônus da prova (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91), estabelecendo presunção relativa em favor do INSS; caberia, portanto, à tomadora, demonstrar que o percentual é excessivo. 7. Embargos infringentes improcedentes. (TRF 4ª R; EIAC Embargos Infringentes na Apelação Cível; Processo: 200271000090415/RS; Órgão Julgador: Primeira Seção; Data da decisão: 01/09/2005; DJU Data:28/09/2005; Página: 681; Relator DIRCEU DE ALMEIDA SOARES) [...].” (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10680.015341/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002
A base de cálculo da Cofins é o faturamento da pessoa jurídica, assim entendido o total de suas receitas, deduzidos dos valores expressamente elencados na legislação dessa contribuição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do vendedor. Vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé (Relatora), Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Adão Vitorino de Morais Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Darzé Medrado.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002 A base de cálculo da Cofins é o faturamento da pessoa jurídica, assim entendido o total de suas receitas, deduzidos dos valores expressamente elencados na legislação dessa contribuição. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do vendedor. Vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé (Relatora), Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Possas - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Andréa Medrado Darzé - Relatora. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Darzé Medrado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 10 1 9 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.015341/200714 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301001.615 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2012 Matéria PIS e COFINS Recorrente BRASCOOP COOP. BRASILEIRA DOS TRABALHADORES AUTÔNOMOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002 BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição para o PIS é o faturamento da pessoa jurídica, assim entendido o total de suas receitas, deduzidos dos valores expressamente elencados na legislação dessa contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002 A base de cálculo da Cofins é o faturamento da pessoa jurídica, assim entendido o total de suas receitas, deduzidos dos valores expressamente elencados na legislação dessa contribuição. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do vendedor. Vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé (Relatora), Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Possas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 53 41 /2 00 7- 14 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 2 Andréa Medrado Darzé Relatora. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Darzé Medrado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Belo Horizonte que manteve em parte o Auto de Infração e Imposição de Multa, exonerando o contribuinte das exigências da COFINS e da Contribuição para o PIS relativas aos períodos de apuração 01/2002 a 09/2002, em face da decadência; e exigindo do autuado o pagamento da Contribuição para o PIS e da COFINS correspondentes aos períodos de apuração 10/2002 a 12/2003, por entender que as cooperativas devem pagar essas contribuições sobre a totalidade da sua receita bruta. A ora Recorrente foi intimada da lavratura de Autos de Infração, para exigir a importância de R$ 219.316,28, relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e R$ 47.537,51, referente à Contribuição para o PIS. Consta do Relatório Fiscal de fls. 22/29 que a fiscalizada não declarou integralmente em DCTF os débitos dessas contribuições relativos ao período fiscalizado, tampouco recolheu aos cofres públicos a totalidade das contribuições devidas sobre as receitas mensalmente auferidas. A DRJ em Belo Horizonte Preto julgou improcedente impugnação apresentada, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 Cofins das Cooperativas A Cofins devida pelas sociedades cooperativas será apurada de conformidade com o disposto na Medida Provisória n 2 1.8587, de 29 de julho de 1999, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir do mês de novembro de 1999 Ato Declaratório (AD) SRF n 2 88, de 17 de novembro de 1999. Inconstitucionalidade Contencioso administrativo não é o foro apropriado para o exame questionamentos relativos à inconstitucionalidade das leis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PIS das Cooperativas Fl. 333DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10680.015341/200714 Acórdão n.º 3301001.615 S3C3T1 Fl. 11 3 A contribuição para o PIS/Pasep devida pelas sociedades cooperativas, será apurada de conformidade com o disposto na Medida Provisória nº 1.8587, de 29 de julho de 1999, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir do mês de novembro de 1999 Ato Declaratório (AD) SRF n2 88, de 17 de novembro de 1999. Inconstitucionalidade 0 contencioso administrativo não é o foro apropriado para o exame de questionamentos relativos à inconstitucionalidade das leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, dentre as matérias de defesa alegadas pela Recorrente está a não incidência da Contribuição ao PIS e a COFINS sobre as receitas decorrentes de atos cooperativos, bem com o conteúdo e alcance de ato cooperado. Pois bem. Cumpre, inicialmente, esclarecer que, nas sociedades cooperativas, os associados obrigamse a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum e sem objetivo de lucro, nos termos da Lei nº 5.764/71 ( a qual definiu a Política Nacional do Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas). Nessa espécie de sociedade, o cooperado participa como proprietário, atuando em todos os processos decisórios, de criação e de manutenção da sociedade. Ao mesmo tempo, esse sócio/proprietário figura como destinatário da atividade exercida pela cooperativa, ou seja, é consumidor dos serviços por ela prestados. Esse o elemento caracterizador da cooperativa: a existência de duas relações distintas, porém indissociáveis. Uma, relação em que o associado faz as vezes do proprietário; outra, resultado da primeira, em que o cooperado toma parte como beneficiário. Desses liames decorrem os atos cooperativos, definidos no artigo 79, caput e parágrafo único da Lei nº 5.764/71, como aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas, bem como pelas cooperativas entre si, para a consecução dos objetivos sociais, não implicando operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Esse é o fim das sociedades cooperativas: prestação direta de serviços a Fl. 334DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 4 seus associados, sem objetivo de lucro, ainda que para tanto seja necessário o exercício de atividades negociais como meio para a obtenção da finalidade proposta. E nem poderia ser diferente uma vez que a legislação que disciplina a atividade cooperativa – Lei nº 5.764/71 prescreve, em seu art. 24, § 3º, que “é vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano que incidirão sobre a parte integralizada”. Neste contexto, verificase que, sendo as cooperativas criadas para beneficiar seus membros, porém sem finalidade lucrativa, quando prestam de serviços, o fazem em nome dos cooperados que são seus efetivos beneficiados e, por conseguinte, os verdadeiros titulares dos valores pagos pelos adquirentes, conforme está graficamente representado. O gráfico acima bem ilustra que, nos casos de intermediação de cooperativa, não se tem duas operações mercantis, acarretando dois ingressos distintos, sendo um relativo aos cooperados e outro à cooperativa. Há apenas um ato de mercado, seguido de apenas um faturamento, consistente nos valores recebidos pelos cooperados e resultantes das vendas ou prestação de serviços a terceiros. Logo, inadmissível falarse em faturamento ou receita bruta da cooperativa, pois esta funciona como mera intermediária, efetuando a cobrança e recebimento de valores em nome dos cooperados. A cooperativa integra, juntamente com os seus cooperados, uma unidade econômica, agindo como um só ente, sempre em nome, por conta e em benefício dos associados, verdadeiros titulares das eventuais receitas auferidas. Por esse motivo, não possui faturamento nem receita, o que torna inadmissível sua sujeição à incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, seja nos termos das Leis Complementares nº 7/70 e nº 70/91, da Lei Federal nº 9.718/98 ou mesmo da Medida Provisória nº 18586 e suas subsequentes reedições. De fato, os ingressos financeiros registrados na escrituração das cooperativas não são decorrentes da venda de mercadorias ou da prestação de seus próprios serviços. Pelo contrário, tais ingressos são decorrentes da prestação de serviços a de seus associados, que reunidos na forma de cooperativa, alcançam melhores condições para atuar no mercado. Neste ponto, importa ressaltar que essas considerações aplicamse, única exclusivamente, em relação aos atos cooperativos típicos. Ou seja, na eventualidade de a cooperativa realizar, em nome próprio, a venda de mercadorias e a prestação de serviços, o tratamento jurídico será outro, devendo, se sujeitar sim à incidência de contribuições sociais como qualquer outra empresa. Em síntese, a caracterização do ato cooperativo é o ponto de partida para a identificação do correto tratamento tributário a ser outorgado aos ingressos financeiros recebidos pelas cooperativas. E a correta caracterização do ato cooperativo é o ponto fundamental para a outorga do adequado tratamento tributário dos ingressos financeiros recebidos pela Recorrente. Isso porque, a demonstração de que se trata de atos cooperativos típicos impede o Fl. 335DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10680.015341/200714 Acórdão n.º 3301001.615 S3C3T1 Fl. 12 5 enquadramento dos valores dele decorrente como faturamento e, por conseguinte, a sujeição à incidência de PIS e COFINS. Por conseguinte, demonstrase impróprio falar que a cooperativa aufere receita – ou obtém “faturamento” – apenas quando coloca no mercado bens ou serviços de seus associados. Isso porque, nessas circunstâncias, a cooperativa não está efetuando operação de compra e venda ou prestação de serviços em nome próprio, pois tais bens são, em verdade, de propriedade de seus associados, devendo os valores deles decorrentes, ser, necessariamente repassados aos cooperados. Pois bem. Partindo das premissas fixadas nos itens anteriores, no sentido de que o ato cooperativo não configura faturamento, e que o faturamento constitui fato gerador e base de cálculo do PIS e da COFINS, temse que a isenção prevista no artigo 6, inciso I, da Lei Complementar nº 70/91, posteriormente revogada pela Medida Provisória nº 1.8586/99, é absolutamente inócua em relação ao adequado tratamento tributário do ato cooperativo típico, pois, verdadeiramente, os ingressos decorrentes da prática do ato cooperativo não constituem faturamento, e por este motivo, não podem ser excluídos de um “universo” do qual nunca pertenceram. Ao tratar especificamente da tributação das sociedades cooperativas, o Juiz Federal Renato Lopes Becho conclui enfaticamente pela não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos. Nas suas palavras: O parágrafo único do art. 79 da Lei nº 5.764/71, já visto, reconhece que ‘o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria’. Conjugando os dois fatores, é de se reconhecer a nãoincidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos. As cooperativas realizam atos cooperativos que não se ajustam ao modelo de base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso nos leva a crer na ocorrência do fenômeno da nãoincidência tributária. Os arts. 6º e 7º da Lei Complementar nº 70/91 apresentaram isenções ao tributo – e aqui a análise em conjunto do PIS e da COFINS se separam. Pois bem, essas isenções só serão verdadeiramente válidas para as circunstâncias em que, incluindose nos limites da base de cálculo, sejam pela norma isentiva retirados os atos cooperativos da obrigação de recolher o tributo1. A interpretação construída pelo i. Juiz Federal reflete o entendimento majoritário da doutrina atual, que pode ser sintetizada na precisa lição do professor Paulo de Barros Carvalho: Todas as cooperativas, enfim, integram, juntamente com os cooperados, uma unidade econômica, agindo como um só ente, sempre em nome, por conta e em benefício dos associados, titulares das eventuais receitas auferidas, sendo essa espécie de sociedade, na terminologia empregada por Waldírio Bulgarelli, apenas uma ‘projeção do cooperado’. Por este motivo, não possuindo a cooperativa faturamento nem receita, é inadmissível 1 BECHO, Renato Lopes. Tributação das Cooperativas. São Paulo: Dialética, 2005, p. 293. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 6 seu enquadramento na regramatriz de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, seja nos termos das Leis Complementares n. 7/70 e n. 70/91, da Lei Federal n. 9.718/98 ou mesmo da Medida Provisória n. 1.8586 e suas reedições. (...) As alterações suso mencionadas, porém não podem prosperar, pois como já anotei e repito, as cooperativas não possuem faturamento nem receita bruta, o que representa cabal impossibilidade de incidência da regramatriz tributária.2 O E. Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento no sentido de que os atos cooperativos não estão sujeitos à incidência do PIS e da COFINS, destacando, ainda, que a revogação do inciso I, do art. 6°, da Lei Complementar nº 70/91, em nada altera a não incidência da COFINS sobre os atos cooperativos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RESP. PIS E COFINS. COOPERATIVAS. ISENÇÃO. ART. 6º, I, DA LC 70/91. LEGISLAÇÃO ALTERADA PELA MP 1.8586/99 (ATUAL MP 2.15835/2001) E LEI 9.718/98. REVOGAÇÃO. (...) 4. Os atos cooperativos não estão sujeitos à incidência do PIS e da COFINS porquanto o art. 79, da Lei 5.764/71 (Lei das Sociedades Cooperativas) dispõe que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 5. Não implicando o ato cooperativo em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, a revogação do inciso I, do art. 6°, da LC 70/91, em nada altera a não incidência da COFINS sobre os atos cooperativos. O parágrafo único, do art. 79, da Lei 5.764/71, não está revogado por ausência de qualquer antinomia legal. 6. A Lei 5.764/71, ao regular a Política Nacional do Cooperativismo e instituir o regime jurídico das sociedades cooperativas, prescreve, em seu art. 79, que constituem "atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais", ressalvando, todavia, em seu art. 111, as operações descritas nos arts. 85, 86 e 88, do mesmo diploma, como aquelas atividades denominadas 'não cooperativas' que visam ao lucro. Dispõe a lei das cooperativas, ainda, que os resultados dessas operações com terceiros "serão contabilizados em separado, de molde a permitir o cálculo para incidência de tributos" (art. 87). 7. É princípio assente na jurisprudência que: "Cuidandose de discussão acerca dos atos cooperados, firmouse orientação no sentido de que são isentos do pagamento de tributos, inclusive da Contribuição Social sobre o Lucro". (Min. Milton Luiz Pereira, REsp 152.546, DJU 03.09.2001, unânime). 8. A doutrina, por seu turno, é uníssona ao assentar que pelas suas características peculiares, principalmente seu papel de representante dos associados, os valores que ingressam, como os decorrentes da conversão do produto (bens ou serviços) do associado em dinheiro ou crédito nas de alienação em comum, ou os recursos 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário Linguagem e Método. São Paulo: Noeses, 2009, p. 834/835. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10680.015341/200714 Acórdão n.º 3301001.615 S3C3T1 Fl. 13 7 dos associados a serem convertidos em bens e serviços nas de consumo (ou, neste último caso, a reconversão em moeda após o fornecimento feito ao associado), não devem ser havidos como receitas da cooperativa. 9. Incidindo o PIS e a COFINS sobre o faturamento/receita bruta impõese aferir essa definição à luz do art. 110 do CTN, que veda a alteração dos conceitos do Direito Privado. Consectariamente, faturamento é o conjunto de faturas emitidas em um dado período ou, sob outro aspecto vernacular, é a soma dos contratos de venda realizados no período. Não realizando a cooperativa contrato de venda, não há incidência do PIS e da COFINS. 10. Destarte, matéria semelhante a dos autos (relacionada às sociedades civis), vem sendo discutida pelas Primeira e Segunda Turmas desta Corte Superior, que, com fulcro no Princípio da Hierarquia das Leis, têmse posicionado no sentido de que Lei Ordinária não pode revogar determinação de Lei Complementar, pelo que ilegítima seria a revogação instituída pela Lei n.º 9.430/96 da isenção conferida pela LC n.º 70/91 às sociedades civis prestadoras de serviços, entendimento, hodiernamente, sufragado pela Seção do Direito Público. Isto porque é direito do contribuinte ver revogada a suposta isenção pela mesma lei que o isentou, máxime quando a vontade política nela encartada revela quorum qualificado. Sob esse enfoque, a Eg. Primeira Seção no RESP 616.219MG. 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 748531; Rel. Min. Luiz Fux; 1ª Turma; DJ 24/10/05) Também em outras oportunidades, o Superior Tribunal de Justiça manifestou seu acertado entendimento: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CRÉDITO. COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência da Cofins sobre o resultado de tal atividade. 2. O STJ assentou o entendimento de que, em se tratando de cooperativas de crédito, toda a sua movimentação financeira, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, não havendo incidência do PIS e da Cofins. Precedentes do STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AG. REG. NO RESP 823207; HERMAN BENJAMIN; 2ª TURMA; DJ 21/08/09) TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL. COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO. LEI N. 5.764/71. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. IMPOSTO DE RENDA. COFINS. ISENÇÃO. 1. Impõese o reconhecimento da existência de omissão para esclarecer que o acórdão recorrido assentase também em fundamentos infraconstitucionais, fato que autoriza o conhecimento do recurso especial. 2. O ato cooperado é o praticado entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas para a consecução dos Fl. 338DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 8 objetivos sociais. O resultado positivo decorrente desses atos pertencem proporcionalmente a cada um dos cooperados. Em mantendose o fim societário, inexiste faturamento ou receita resultante de atos cooperativos que beneficiem a sociedade, não havendo, destarte, base imponível para o PIS. 3. Portanto, em se tratando de ato cooperado, há exclusão da incidência da Cofins e do PIS, porquanto tratase apenas do exercício pela cooperativa de seu objetivo e, nesse aspecto, não há por que falar em obtenção de lucros, de forma que, seja sob a perspectiva da Lei n. 9.718/98 ou da Lei n. 5.764/71, a conclusão é de que as sociedades cooperativas, relativamente aos atos cooperativos, não estão sujeitas à incidência dos tributos em questão. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos para conhecer e dar provimento ao recurso especial. (ED nos ED no RESP 718.001; CASTRO MEIRA; SEGUNDA TURMA; Data da Decisão: 19/04/2007; Data da Publicação: 18/11/08) Notese que não se está aqui analisando eventual inconstitucionalidade incorrida pela revogação do art. 6º, I, da Lei Complementar nº 70/91 pela Medida Provisória nº 1.8586/99, reeditada por diversas vezes até a publicação da Medida Provisória nº 2.15835/01. O que ora se defende é a não incidência pura e simples da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre os ingressos financeiros das cooperativas decorrentes da realização atos cooperados típicos e não a sua isenção. Tecidos esses breves esclarecimentos, passemos à análise do caso concreto a fim de identificar o correto tratamento que deve ser conferido à Recorrente. Pois bem. Nos termos do estatuto social da Recorrente, os objetivos da cooperativa são: (i) contratar serviços para seus cooperados em condições e preços convenientes; (ii) fornecer assistência aos cooperados no que for necessário para melhor executarem o trabalho; (iii) organizar o trabalho de modo a bem aproveitar a capacidade dos cooperados, distribuindoos conforme suas aptidões e interesses coletivos. A presente cooperativa está autorizada, ainda, (i) a realizar, em beneficio de cooperados interessados, seguro de vida coletivo de acidente de trabalho, plano de saúde e assistência médica, odontológica, hospitalar e plano de previdência privada complementar; (iii) realizar cursos de capacitação cooperativista e profissional para o seu quadro social e (iii) a instalar um armazém cooperativo para fornecimento a seus cooperados de bens de gênero alimentícios e outros artigos de uso pessoal e doméstico. Neste contexto, verificase que as operações realizadas pela Recorrente não configuram empreendimento dissociado daquele praticado pelos cooperados, representando mero instrumento para a realização dos fins por estes colimados. Por conseguinte, concluise que suas atividades são, inquestionavelmente, atos cooperativos típicos, não sujeitos, como tais à incidências do PIS e da COFINS, na medida em que preenchem todos os requistos e características previstas no art.79 da Lei nº 5.764/71, o qual prescreve: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10680.015341/200714 Acórdão n.º 3301001.615 S3C3T1 Fl. 14 9 Outro aspecto relevante, e que evidencia o caráter mutualista da Recorrente, diz respeito à expressa ausência de finalidade lucrativa prevista em seu estatuto, e que reflete a imposição contida na própria Lei nº 5.764/71, que no art. 2º, § 2º, assim preceitua: §2° A Cooperativa atuará sem discriminação política, racial, religiosa ou social e não visará lucro. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer a não incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre os ingressos financeiros da Recorrente decorrentes da realização atos cooperados típicos. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Discordo da Ilustre Relatora, quanto à não sujeição das cooperativas às contribuições do PIS e da Cofins, sob o entendimento que não auferem receitas e, portanto, não tem faturamento e, ainda, pelo seu caráter mutualista, sem fins lucrativos. As cooperativas ao venderem mercadorias ou serviços auferem receitas que são contabilizadas em contas de resultado do seu balanço patrimonial. O total das receias auferidas mensalmente constituem faturamento e base de cálculo daquelas contribuições, com as exclusões previstas em lei. O fato de não terem fins lucrativos não as isenta de tais contribuições. Todas as pessoas jurídicas que auferem receitas decorrentes de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços estão sujeitas àquelas contribuições. A isenção de que as sociedades cooperativas gozavam, exclusivamente sobre as receitas decorrentes de atos cooperativos, prevista no § 1º do art. 2º, da Lei nº 9.715, de 27/11/1998, em relação ao PIS, e no inciso I do art. 6º, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991, em relação à Cofins, foi expressamente revogada por meio da MP nº 2.15835, de 24/08/2001, com vigência a partir de 1º de novembro de 1999. Assim, a partir daquela data, as cooperativas passaram a contribuir para o PIS e para a Cofins sobre sua receita bruta operacional bruta, independente de as receitas decorrem de operações com cooperados e/ ou com não cooperados, nos termos da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, que assim dispõe: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 340DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 10 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...).” Dessa forma, as receitas auferidas pela recorrente, independentemente de terem decorrido de atos cooperativos ou de atos não cooperativos, no ano calendário de 2002, estavam sujeitas ao PIS e à Cofins, nos termos deste diploma legal. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais – Redator Designado. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
score : 1.0
Numero do processo: 13839.005663/2007-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 11/03/2003 a 31/12/2004 Ementa: PAGAMENTO. PRAZO. ART. 47 DA LEI Nº 9.430/96.DCTF. Constatado que o contribuinte efetivou o recolhimento do débito no prazo de 20 (vinte) dias a contar do início da ação fiscal, conforme assegurado pelo comando contido no art. 47 da Lei número 9.430, acrescido dos consectários, impõe em reconhecer a extinção da obrigação tributária, independemente de declaração correspondente ao montante devido, cuja obrigação acessória poderá ser efetivada em momento posterior, em razão de que não se presume pagamento por força da norma do art. 158 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3403-001.691
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o principal, os juros de mora a partir da data de cada pagamento efetuado e para que a multa de mora, constante dos DARF anexados ao processo, seja abatida da multa de ofício. Esteve presente ao julgamento o Dr. Antonio Carlos Guimarães Gonçalves. OAB/SP nº 195.691.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 11/03/2003 a 31/12/2004 Ementa: PAGAMENTO. PRAZO. ART. 47 DA LEI Nº 9.430/96.DCTF. Constatado que o contribuinte efetivou o recolhimento do débito no prazo de 20 (vinte) dias a contar do início da ação fiscal, conforme assegurado pelo comando contido no art. 47 da Lei número 9.430, acrescido dos consectários, impõe em reconhecer a extinção da obrigação tributária, independemente de declaração correspondente ao montante devido, cuja obrigação acessória poderá ser efetivada em momento posterior, em razão de que não se presume pagamento por força da norma do art. 158 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o principal, os juros de mora a partir da data de cada pagamento efetuado e para que a multa de mora, constante dos DARF anexados ao processo, seja abatida da multa de ofício. Esteve presente ao julgamento o Dr. Antonio Carlos Guimarães Gonçalves. OAB/SP nº 195.691. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em razão da decisão de piso que manteve o lançamento relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI relativo ao período de apuração de 11/03/2003 a 31/12/2004. Adoto a título de relatório da decisão recorrida: “Relatório. Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002; consoante capitulação legal consignada à fl.. 56, foi lavrado o auto de infração de fl. 53, em 07/12/2007, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Luis Correa dos Santos, para exigir R$ 3.217.663,67 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 1.702.014,28 de juros de mora calculados até 30/11/2007, e R$ 2.413.247,64 de multa proporcional, sendo o crédito tributário total consolidado de R$ 7.332.925,59. Consoante a descrição dos fatos, de fls. 54/56, foi constatado que a contribuinte, com base na ação judicial n° 84.00.201167, tendo como objeto o créditoprêmio de IPI, recebera em transferência de outra empresa o direito creditório em litígio, sendo que a escrituração no livro Registro de Apuração do IPI se deu sem o trânsito em julgado da referida ação judicial e sem a informação desta na declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Em DCTF, foi apenas declarado pelo sujeito passivo o valor líquido do saldo devedor de cada período de apuração, sendo assim reputados como não declarados os valores indevidamente compensados. A empresa, então, acabou desconsiderando o processo judicial e realizou o pagamento, em 15/01/2007, dos valores referentes à utilização indevida de créditos pendentes de pronunciamento judicial definitivo. O pagamento foi efetuado de forma irregular, já que concernente a valores não declarados em DCTF e no curso de procedimento fiscal. Os créditos foram glosados. A empresa tomou ciência da exação em 18/12/2007, por intermédio do preposto, gerente tributário. Em 16/01/2008, insubmissa, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 68/103, subscrita pelo patrono da pessoa jurídica, qualificado no instrumento legal de fls.118/122, em que aduz que: a) há nulidade do auto de infração, conforme decisões administrativas colacionadas, por descumprimento dos pressupostos legais (PAF, arts. 10 e 11), sendo que a descrição do fato e a disposição legal infringida devem guardar vinculação direta para a descrição clara do fato gerador do crédito tributário e a impugnante não deixou de efetuar o recolhimento do imposto; b) o débito fora recolhido integralmente, com multa Fl. 272DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13839.005663/200794 Acórdão n.º 3403001.691 S3C4T3 Fl. 2 3 de mora e juros de mora, no prazo de 20 dias da ciência da ação fiscal, sendo que, mesmo assim, houve a exigência do imposto; as diferenças são as seguintes: multa de ofício de 75% na autuação e multa de mora de 20% no recolhimento; juros de mora calculados tendo como termo final a data de 30/11/2007 na atuação e calculados até janeiro de 2007 (1% no último mês) no recolhimento; c) houve a extinção do crédito tributário pelo pagamento a título de estorno de crédito, com os acréscimos legais, de acordo com o CTN, art. 156, I, o RIPI/2002, arts. 193, 201 e 366, e decisão do Conselho de Contribuintes; d) a conduta da impugnante, traduzida no pagamento do tributo já declarado, com multa e juros de mora apenas, até o vigésimo dia subsequente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, tem expressa previsão legal (Lei n° 9.430/96, art. 47, e RIPI/2002, art. 468); e) não houve declaração dos valores em DCTF, realmente, mas sim em DIPJ, porque os valores dos créditos estornados não devem constar da DCTF, sendo que nesta declaração somente são informados os saldos devedores de IPI; a DIPJ, sim, possui campos específicos para a informação de créditos (escriturados antes nos livros Registro de Entradas e Registro de Apuração do IPI), na "Pasta IPI" e especificamente na "Ficha 29 Apuração do Saldo do IPI", conforme cópias carreadas aos autos, de fls. 145/191; f) ainda que seja aventada a hipótese de regularidade do lançamento efetuado, há a necessidade do abatimento dos valores já recolhidos. Por fim, requer que, conhecida a impugnação, seja declarada insubsistente a pretensão formulada no auto de infração, com o imediato cancelamento do feito, o arquivamento do processo administrativo e a devida baixa dos cadastros da repartição de origem, com o fito de afastar a cobrança indevida de débitos inexigíveis; ou, alternativamente, que seja determinado o abatimento dos valores de IPI, multa e juros de mora já recolhido “. Observase do voto à afirmativa do Julgador de Piso que o pagamento desconsiderado teria ocorrido no prazo facultado ao recolhimento à fl.202, isto é, 20 (vinte) dias, conforme termo a seguir: “O prazo de vinte dias, após a ciência do início da fiscalização, de que trata a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 47 (dispositivo reproduzido no RIPI/2002, art. 468), foi cumprido pela impugnante, mas se trata, com plena certeza, de saldos devedores de tributo não declarados em DCTF. Portanto, o dispositivo, uma exceção à solução de continuidade da espontaneidade do sujeito passivo pelo desencadeamento do procedimento de fiscalização, não é aplicável à hipótese vertente”.(destaque feito por nós’). Em razões recursais mantiveramse os argumentos aduzidos na fase inicial. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual passo a conhecer. A discussão trazida nesse caderno processual administrativo se refere o pagamento de imposto devido e reconhecido pela contribuinte após estornar de seus livros fiscais os créditos obtidos de terceiros em ação judicial em fase executória no lapso temporal de 20 (vinte) dias a contar do recebimento do Mandado de Fiscalização. Da decisão recorrida verificase que ação fiscal de que resultou o lançamento em questão foi inaugurada em 22 de dezembro de 2006, certificada pela juntada do AR do Termo de Início da Ação Fiscal de fl.11. No termo acima restou assegurado o Contribuinte o direito de proceder o recolhimento do tributo devido acrescido com os encargos financeiros e penalidades, desde que, fosse realizado no prazo de 20 (vinte) dias nos termos que dispõe a legislação vigente: “Fica o contribuinte cientificado, que poderá pagar, até o vigésimo dia subsequente à data de recebimento deste Termo, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo, conforme dispõe o art. 47 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a nova redação dada pelo art. 70 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997”. Restou atestado pelo Julgador que a Interessada procedeu o recolhimento devido no interregno autorizado, isto é, 20(vinte) dias concedido pela fiscalização consoante encontra consignado no Termo de Fiscal, assim se pronunciou: “O prazo de vinte dias, após a ciência do início da fiscalização, de que trata a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 47 (dispositivo reproduzido no RIPI/2002, art. 468), foi cumprido pela impugnante, mas se trata, com plena certeza, de saldos devedores de tributo não declarados em DCTF. Portanto, o dispositivo, uma exceção à solução de continuidade da espontaneidade do sujeito passivo pelo desencadeamento do procedimento de fiscalização, não é aplicável à hipótese vertente”. (destaque e subliamento por nós)”. Mesmo assim continuou entendendo, embora o pagamento tivesse acontecido no prazo preconizado pelo art. 47 da Lei nº 9.430/96, vislumbrouse impedimento quanto ao aceitamento em face do mesmo não ter sido incluído em DCTF. Assevera a Autoridade Fiscal que nem poderia ser em razão da perda da espontaneidade de apresentar a referida declaração por encontrar a contribuinte submetida a procedimento fiscal. Posicionamento equivocado, pois a permissão advém da legislação, se assim quis o Legislador Ordinário impõe respeitar o que resta disposto. Não pode é prevalecer Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13839.005663/200794 Acórdão n.º 3403001.691 S3C4T3 Fl. 3 5 entendimento distorcido, visto que, o pagamento pode preceder a apresentação de DCTF ou qualquer outra exigido pelo Fisco. É direito do sujeito passivo se antepor e efetuar o pagamento da obrigação antes mesmo de efetivar a obrigação acessória. No entanto, no caso concreto, em que pese existir autorização pela norma do art. 47 da Lei nº 9.430/96, esse mesmo dispositivo comina exigência no sentido de se efetivar o pagamento desde de que esteja declarado em DCTF, condição essa não atendida. Há previsão legal e o interessado antecede, isto é, adiantase e efetiva o adimplemento. Portanto, não há espaço para interpretar e dar solução diferente do que o reconhecimento da extinção do crédito tributário. Como se sabe o pagamento de um crédito não importa em presunção, é essa a norma do art. 158 do CTN, que afasta a presunção em relação a pagamento realizado. Em sendo assim, não vejo amparo e acolhimento do fundamento da decisão hostilizada de que deixou de reconhecer o pagamento como extinção da obrigação em decorrência de entender tratarse de saldos devedores de tributo deixados de serem declarados em DCTF, por esse motivo, deixa de reconhecer a exceção preconizada no art. 47 da Lei nº 9.430/96, à solução de continuidade da espontaneidade do sujeito passivo pelo desencadeamento do procedimento fiscalizatório não seria aplicável à hipótese tratada neste caderno processual. A meu sentir, a recusa implica em onerar o contribuinte com aplicação da multa de ofício diante dos motivos sustentados pelo Julgador de Piso da inexistência da declaração dos débitos. De modo que, dito pela Autoridade Administrativa que o pagamento deuse no prazo fixado de 20(vinte) dias acrescidos dos encargos inerentes, juros e multa de mora, sou inclinado a reconhecer o pagamento e sua capacidade de extinguir a obrigação tributária. Com essas razões conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento parcial para acolher o pagamento do principal e juros de mora da data dos recolhimentos realizados e determinar o abatimento do valor da multa de mora do valor da multa de ofício, constante do processo, e, considerar para todo o efeito extinto a obrigação tributária de que trata esses autos. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000185/2010-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
INFRAÇÃO. DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE.
A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
Numero da decisão: 2403-001.804
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos , em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1375; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12897.000185/201074 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.804 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente NATAN JOIAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 INFRAÇÃO. DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos , em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 85 /2 01 0- 74 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12897.000185/201074 Acórdão n.º 2403001.804 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1240.318 da 10ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.275.4333 CFL 34) lavrado em 09/06/2010 contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 14.107,77. 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa (fls. 32/39): 2.1. Da análise dos lançamentos contábeis, constatouse que o contribuinte lançou na conta 4.1.1.3.05.0300 (Serviços de Consultoria e Assessoria — Outros) remunerações pagas a serviços prestados por pessoa jurídica juntamente com serviços prestados por pessoas físicas, havendo a necessidade de pesquisa nos históricos contábeis para identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, vez que a conta "Outros" engloba diversos lançamentos de natureza inteiramente diversa, o que dificultou a busca dos fatos geradores de contribuições previdenciárias; 2.1. Ainda de acordo com o relatório fiscal os pagamentos efetuados a Norma Camargo e a Marcos Irala deveriam ter sido lançados na conta 4.1.1.3.06.1300 —Serviços de Terceiros — Serviços Prestados a P. Física e, o pagamento realizado ao contribuinte individual Ely de Assunção lançado na conta 4.1.1.3.06.1400 — Serviços de Terceiros — P. Jurídica, em 05/09/2006, deveria ter sido lançado na conta 4.1.1.3.06.1300 —Serviços de Terceiros — Serviços Prestados a P. Física; 2.2. Assim, a empresa contabilizou em titulo impróprio os lançamentos constantes do Anexo XIV (fls. 374/402 do AI de Obrigação Principal), consoante itens 8 e 15 do relatório fiscal de fls. 32/39; 2.3. Tais fatos constituíram infração aos artigos 32, II, da Lei 8.212/1991, c/c art. 225, II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999; 2.4. A multa aplicada foi apurada conforme previsto nos artigos 92 e 102, da Lei n° 8.212/1991, combinado com os artigos 283, II, "a" e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, Fl. 116DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, atualizada pela Portaria MPS/MF n° 350, de 30/12/2009; 2.5. Não foram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Apresentou toda documentação requerida. · O Auto de Infração foi entregue sem a planilha demonstrativa dos cálculos e valores. Cerceamento de defesa. · Efetuou os lançamentos na contabilidade. · A Lei 8.212/91 não estabelece quais seriam os títulos próprios para cada operação. · O lançamento se deu conforme normas contábeis vigentes. É o relatório Fl. 117DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12897.000185/201074 Acórdão n.º 2403001.804 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A autuação se deu por a empresa deixar de efetuar os registros contábeis, de forma discriminada, em títulos próprios de sua contabilidade. No lançamento consta a descrição sumária da infração, dispositivo legal infringido, dispositivo legal da multa aplicada, dispositivos legais da gradação da multa aplicada, o valor da multa e relação dos relatórios integrantes da autuação. DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 74.07.91, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, II, "a" e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. VALOR DA MULTA: R$ 14.107,77 QUATORZE MIL E CENTO E SETE REAIS E SETENTA E SETE CENTAVOS.***** RELATÓRIOS INTEGRANTES DESTA AUTUAÇÃO: IPC instruções pare o Contribuinte VINCULOS Relatório de Vínculos Fl. 118DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 REFISC Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa A obrigação acessória em questão está estabelecida no artigo 32, II da Lei 8.212/91. Art. 32. A empresa é também obrigada a: II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; O Relatório Fiscal do Auto de Infração descreve que o contribuinte lançou numa mesma conta remunerações pagas a serviços prestados por pessoa jurídica juntamente com serviços prestados por pessoa física. 8. DOS FATOS Ao analisarmos os registros contábeis contatouse que o contribuinte lançou na conta 4.1.1.3.05.0300 (Serviços de consultoria e assessoria — Outros) remunerações pagas a serviços prestados por pessoa jurídica juntamente com serviços prestados por pessoa física. Ocorre então que o contribuinte não lançou os serviços prestados por pessoa física, sobre os quais incidem contribuição previdenciária em títulos próprios, ou seja, em uma conta especifica, dificultando em muito na busca dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, já que a conta "Outros" engloba diversos lançamentos de natureza inteiramente diversa, havendo remuneração paga pessoa física juntamente com pessoa jurídica. Deve ser registrado que foi necessária uma pesquisa nos históricos contábeis, já que o título da conta, a principio, não nos chama atenção ao aplicarmos os procedimentos de auditoria fiscal. Na verdade os pagamentos efetuados a Norma Camargo e a Marcos Irala deveriam ter sido lançados na conta 4.1.1.3.06.1300 — Serviços de Terceiros — Serviços Prestados a P. Física. 0 contribuinte ainda lançou em 05/09/2006 o pagamento realizado ao contribuinte individual Ely de Assunção na conta 4.1.1.3.06.1400 — Serviços de Terceiros — Serviços Prestados P. Jurídica ao invés de lançar na conta especifica de pessoa física acima já mencionada. Tais lançamentos se encontram no Anexo XIV. Portanto, ao fazer uma conferência das principais contas constatouse a realização por parte do sujeito passivo dos lançamentos de forma englobada, ou seja, lançamentos que deveriam se encontrar em conta especifica sendo, inclusive, considerados por esta fiscalização como fatos geradores de Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12897.000185/201074 Acórdão n.º 2403001.804 S2C4T3 Fl. 5 7 contribuições previdenciárias juntamente com outros que não são. Ocorre assim que, no presente caso, o interesse fiscalizatório e arrecadatório da administração pública foi vulnerado já que o contribuinte não lançou em Títulos Próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de contribuições previdenciárias, não registrando tais valores em contas especificas dificultando o trabalho da fiscalização na identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias por intermédio dos títulos das contas, havendo a necessidade de pesquisa nos históricos contábeis do contribuinte. A remuneração de serviços prestados por pessoa física constitui fato gerador de contribuições previdenciárias enquanto que a remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica não constitui fato gerador. Lançar tudo junto na contabilidade é não lançar de forma discriminada os fatos geradores de todas as contribuições. Entendo caracterizada a infração. Entendo também que não caberia à lei de Custeio da Previdência Social estabelecer quais seriam os títulos próprios para cada operação. Quanto à alegação que houve cerceamento de defesa por o Auto de Infração ter sido entregue sem a planilha demonstrativa dos cálculos e valores, entendo que tal alegação não procede. Além da apresentação do dispositivo legal da multa aplicada, dispositivos legais da gradação da multa aplicada e do o valor da multa, já citados acima, consta do lançamento, no Relatório Fiscal da Infração, descrição do cálculo da multa, conforme abaixo: 13. DO CALCULO DA MULTA Nos termos do Art. 283 do Regulamento da Previdência Social RPS, pela infração ao dispositivo insculpido no Art. 32, II da Lei 8.212/91, c.c. Art. 225, II do RPS, cometida pelo contribuinte, é aplicada pena administrativa correspondente A multa de 14.107,77 (quatorze mil cento e sete reais e setenta e sete centavos), valor já atualizado pela Portaria MPS/MF Ng 350, de 30 de dezembro de 2009 DOU DE 31/12/2009, artigo 8 9, VI). Nesse contexto, o valor da multa aplicada em razão da infração à obrigação acessória imposta corresponde ao valor anteriormente citado, já que não ocorreu nenhuma situação agravante que pudesse majorálo. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10825.900050/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO.
O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no trimestre calendário.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1401-000.659
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no trimestrecalendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10825.900050/200812 Acórdão n.º 1401000.659 S1C4T1 Fl. 77 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Jorge Celso Freire da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1428.326, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão PretoSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/13, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, relativo ao 2o trimestre de 2005, no valor de R$ 18.540,85 (fl. 13). Por intermédio do despacho decisório de fl. 16, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que "não foi apurado saldo negativo, uma vez que. na Declaração de informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/Dcomp, consta imposto a pagar ". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 21/22. na qual alega, em síntese, que: a) em momento algum houve máfé da empresa em créditos indevidos, tanto que na Declaração de Compensação foi declarado os valores das retenções das Pessoas Jurídicas, em notas fiscais de prestação de serviços, e como também informada na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ). foram declarados os valores retidos; b) o que de fato ocorreu é que a empresa, na DIPJ/2006, anocalendário 2005, deixou de lançar na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real; c) para sanar o erro, efetuou a retificação da DIPJ; d) no mérito, alega que parte dos tributos questionados já foram pagos, anexando os documentos comprobatórios de tais recolhimentos. Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. E o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10825.900050/200812 Acórdão n.º 1401000.659 S1C4T1 Fl. 78 3 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no trimestrecalendário. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente, enfatizando: que cometera “simples erros de fato (não materiais), na medida em que nos formulários de [...] PER/DCOMP foram regularmente declarados os valores das retenções das Pessoas Jurídicas, em notas fiscais de Prestação de Serviços. No mesmo sentido, foram igualmente informados na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Juridica (DIPJ) correspondente ao período base de sua apuração.” discorre minudentemente sobre “aspectos técnicoscontábeis”, analisando a função e o funcionamento de contas contábeis. Apresentou, jurisprudência administrativa, versando sobre temas que diz respeito à prova. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10825.900050/200812 Acórdão n.º 1401000.659 S1C4T1 Fl. 79 4 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Juízo de Admissibilidade Verifico, preliminarmente, que o Recurso foi interposto no prazo de trintas dias, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. É de se ver. Conforme atesta o Aviso de Recebimento de fl. 45 referente à Intimação nº Intimação SACAT nª 452/2010 de fl.43 como consignado expressamente nele, a ciência ocorreu em 02/06/2010 (quartafeira) e o Recurso foi protocolizado em 05/07/2010 (segunda feira), conforme o carimbo de protocolo na fl. 50. O termo final do prazo se daria em 02/07/2010 (sextafeira). Porém, o referido dia 02/07/2010 não foi um dia de expediente normal nas diversas repartições da Receita Federal do Brasil, em razão da realização de um jogo da seleção brasileira, válido pela Copa do Mundo. O expediente diferenciado para o referido dia foi formalizado por meio da Portaria nº 491, de 7 de junho de 2010, da Secretaria Executiva do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Por esta razão, o termo final do prazo para apresentação do recurso voluntário passou para o dia 05/07/2010, segundafeira. Verificase, portanto, que foi tempestiva a apresentação do presente recurso, o qual merece ser conhecido. MÉRITO Em função de inconsistências encontradas entre a DIPJ e PER/Dcomp, em 08/03/2007, consta Termo de Intimação à interessada (fl. 14), solicitandolhe retificação da DIPJ correspondente ou apresentação de PER/Dcomp retificadora, nos seguintes termos: "Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação ". Mesmo devidamente intimada, não apresentou à autoridade de origem quaisquer esclarecimentos. A par disso, o Despacho Decisório de fl. 16 não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte "uma vez que, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10825.900050/200812 Acórdão n.º 1401000.659 S1C4T1 Fl. 80 5 no PER/Dcomp, consta imposto a pagar", e não saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 19.623,35, conforme a contribuinte informou na PER/Dcomp sob exame. Em 11/04/2008, às fls. 23, consta protocolo de retificação da DIPJ/2006. O que se depreende da defesa é que a retificação da DIPJ feita pela Recorrente, fazendo constar as retenções de IRRF sobre importâncias pagas por pessoa jurídica a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica, no anocalendário de 2005, que por equívoco não foi lançada na ficha 12, por si só, já seria suficiente para validar um suposto saldo negativo a restituir/compensar. O pleito da interessada, segundo sua manifestação de inconformidade e recurso, não muda de foco. É totalmente direcionado à restituição de retenções de IRRF sobre importâncias pagas por pessoa jurídica a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica, no anocalendário de 2005, que por equívoco não foi lançada na ficha 12, in verbis: “(...) cometeu simples erros de fato (não materiais), na medida em que nos formulários de [...] PER/DCOMP foram regularmente declarados os valores das retenções das Pessoas Jurídicas, em notas fiscais de Prestação de Serviços. No mesmo sentido, foram igualmente informados na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Juridica (DIPJ) correspondente ao período base de sua apuração.” A recorrente por óbvio confundiu pedido de restituição do saldo negativo do IRPJ com pedido de restituição de IRRF, que não existe. Ora o caso, não se trata nem de se invocar o princípio da fungibilidade para salvar o seu pleito, uma vez que é imperioso a comprovação da certeza e liquidez do crédito nos termos do artigo 170 do CTN, o que em hipótese alguma aconteceu por absoluta falta de provas. Outrossim, vale dizer que não existe pedido de restituição de IRRF de forma isolada, mas tãosomente de saldo negativo do IRPJ, situação esta que envolve inúmeras outras variáveis que devem ser levadas em conta para que se dê ou não a restituição/compensação. A este quadro de impossibilidade associada à compensação do IRRF de forma isolada e da falta de demonstração na própria declaração de que de fato apurara saldo negativo de IRPJ a restituir/compensar, somese o fato não menos importante de absoluta falta de prova do referido saldo negativo. Desde sua manifestação de inconformidade que o contribuinte abstevese de apresentar qualquer elemento de prova, capaz de comprovar a existência do crédito que afirmava possuir. Tais provas, conforme bem indicadas no despacho denegatório e na decisão de piso, consistiam principalmente nos comprovantes dos rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras dos rendimentos, bem como a prova contábil de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram oferecidas à tributação. Aliás, a decisão de piso foi bastante específica, ao enumerar os elementos de prova que deveriam ter sido apresentados pela interessada, mas a Recorrente preferiu quedarse inerte: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10825.900050/200812 Acórdão n.º 1401000.659 S1C4T1 Fl. 81 6 Dentre outras provas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, etc., tudo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo de CSLL declarado. Nesse contexto, de absoluta falta de prova e total desrespeito as formalidades mínimas do pedido, é forçoso concluir pela impossibilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado. Outrossim, cabe enfatizar que as considerações da Recorrente sobre “aspectos técnicoscontábeis” em nada ajuda à sua defesa, mormente quando não deixou claro a que propósito tal argumentação veio à baila, muito menos a jurisprudência trazida lhe socorre na medida em que versa a respeito de situações fáticas completamente diversas. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 15504.721562/2011-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira Presidente
Bernadete De Oliveira Barros Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva Adriano Gonzales Silverio
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira – Presidente Bernadete De Oliveira Barros – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva Adriano Gonzales Silverio RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 21 56 2/ 20 11 -5 8 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.721562/201158 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.347 S2C3T1 Fl. 299 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração, lavrado em 15/07/2011, por ter a empresa acima identificada apresentado a declaração a que se refere a Lei n. 8.212/91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528/97 e redação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, com informações incorretas ou omissas. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 07), a empresa informou de forma incorreta, nas GFIPs de 12/2008 e 13/2008, o código FPAS 639, que é destinado a Entidades Beneficentes de Assistência Social – EBAS. A autoridade autuante esclarece que a Lei 11.941/2009, entre outras alterações à Lei 8.212/91, revogou diversos parágrafos do art. 32, incluindo os §§ 4° e 5o e, visando determinar nova forma de cálculo para as infrações descritas no inciso IV do mesmo artigo, acrescentoulhe o art. 32A e que, para a infração cometida pela recorrente, a multa a ser aplicada encontrase definida no referido dispositivo legal, correspondendo a R$ 20,00 (vinte reais) por cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0236.224, da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 207), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 221), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega que embora o Auto de Infração diga respeito exclusivamente à aplicação de multa vinculada à omissão de lançamentos na GFIP, tal omissão diz respeito às contribuições previdenciárias e, por esta razão, os fundamentos da impugnação e do presente recurso são os mesmos apresentados no processo 15504.720697/201104. Informa que a recorrente protocolou pedido de reconhecimento de isenção na RFB e, tendo sido indeferido, apresentou recurso ao CARF contra o indeferimento, sendo que, em desprestígio da existência do recurso junto ao CARF, em nenhum momento o mesmo foi referenciado pela fiscalização, que emitiu os AIs exigindo contribuições previdenciárias, aos terceiros, e multas por GFIP incorreta. Lembra que na impugnação a recorrente alegou ocorrência de vício insanável em razão de os AIs terem sido emitidos na vigência de suspensão do direito de constituição do crédito tributário, em razão da existência de Recurso ao CARF, uma vez que, caso o julgamento do recurso contra a decisão que indeferiu o pedido de reconhecimento de isenção viesse ser favorável ao contribuinte neste Conselho, tal fato necessariamente deveria impor o cancelamento das exigências contidas nos AIs ora debatidos. Argumenta que, em que pese a recorrente ter juntado na impugnação, subsidiariamente, a totalidade da documentação comprobatória de que preenche todos os requisitos para a fruição da imunidade, e ter contestado os fundamentos utilizados pela SEORT para propor o indeferimento da benesse fiscal, bem como requerido expressamente o Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.721562/201158 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.347 S2C3T1 Fl. 300 3 julgamento da impugnação com a apreciação do mérito, a autoridade julgadora não apreciou a referida impugnação e os documentos que a acompanham, o que configura ofensa à ampla defesa e ao contraditório. Salienta que a autoridade lançadora em nenhum momento explicitou que o AI foi lavrado com a finalidade de prevenir a decadência e que, mesmo com esse objetivo, a lei determina que ao contribuinte deverão ser assegurados a ampla defesa e o contraditório. Deixa claro que espera que sejam julgados nulos os AIs emitidos antes de decisão irrecorrível pelo não reconhecimento de isenção, conforme jurisprudência emanada do CARF trazida na impugnação e, se assim não acontecer, requer a conexão do presente recurso com o recurso administrativo em relação ao despacho decisório que indeferiu o pedido de reconhecimento de isenção da ora recorrente, de forma que o CARF possa apreciar as razões dos dois recursos e assim julgar o feito com apreciação do mérito e dos documentos comprobatórios. Entende que, mesmo que a conexão não se materializasse, o julgamento da impugnação relativa ao AI se imporia, eis que nela existem todos os elementos necessários à formação da convicção dos julgadores, e traz o trâmite administrativo do processo 36378.000760200761, que discute o direito à isenção, requerida pela recorrente. Informa que o referido processo, após recebido pelo CARF, foi encaminhado ao SEORT a fim de se observar as novas determinações oriundas do Decreto 7237/2010, editado com a finalidade de regulamentar a Lei 12.101/2009, entendendo que esse retorno visa exclusivamente abrir prazo e condições para a comprovação do cumprimento dos requisitos por parte das Entidades, classificando as exigências de conformidade com as respectivas épocas dos fatos geradores, ou seja, se antes ou depois da nova lei. Relata que o processo foi encaminhado ao SAPAC para cumprimento do disposto no art. 234, da IN RFB 971/2009, que determina que, em caso de tramitação simultânea de processos de cancelamento de isenção e de lançamento constitutivo de crédito pendente de recurso, deverá aquele ser apensado a este e ambos retornarem à fiscalização. Ressalta que a abertura de prazo de 30 dias para a entidade se manifestar é um procedimento que se impõe, sob pena de restar caracterizada a hipótese de cerceamento de defesa, e informa que a recorrente, se antecipando à intimação, junta os documentos listados e pede que os mesmos sejam considerados no conjunto probatório. Esclarece que, considerando que os recursos sobem ao CARF devidamente apensados, a recorrente reproduz os fundamentos da impugnação, ressaltando que os mesmos não foram objeto de apreciação pela DRJ/BHE, e requer que o CARF os considere, seja no processo em que se discute o indeferimento do reconhecimento da isenção, seja nos presentes autos que discute o AI lavrado pela fiscalização, assegurando, dessa forma, o direito à jurisdição administrativa de julgamento. Cita legislação que trata da matéria para concluir que o ato de suspensão da imunidade está condicionado à apuração, pela Administração Tributária, dos pressupostos nela inseridos, e discorre sobre a imunidade tributária, observando que essa benesse fiscal assegurada às instituições de assistência social sem fins lucrativos, por ser de índole constitucional, não pode ser traspassado pela legislação infraconsititucional. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.721562/201158 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.347 S2C3T1 Fl. 301 4 Reitera que o ato de suspensão da imunidade, pela Administração Tributária, exige observância dos postulados da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, e está condicionado à apuração dos pressupostos e condições previstos no art. 9o, § 1o, e 14, do CTN ou aos demais critérios estabelecidos na legislação de regência. Reafirma que requereu a conexão do presente processo com o de nº 15504 720.697/200104, eis que as provas dos autos são exatamente as mesmas, e sustenta a ocorrência de vícios que enseja a nulidade dos autos, entendendo que o pressuposto básico para a emissão dos AIs foi o Ato Declaratório 966/2009, que foi recebido pela recorrente em 08.04.2009, tendo sido apresentado recurso ao CARF, encontrandose o mesmo ainda em tramitação. Entende que, por força do disposto no art. 151, III, do CTN, a fiscalização não poderia efetuar o lançamento, porque, na data de sua emissão, o crédito tributário encontrava se suspenso, sendo, portanto nulo o lançamento, e traz a jurisprudência administrativa e judicial nesse sentido. Sustenta que a recorrente não recolheu as contribuições por ser enquadrada como entidade beneficente de educação e assistência social, preenchendo todos os requisitos previstos na legislação de regência para a fruição do referido benefício, e reafirma seu direito em manterse imune ao recolhimento das verbas previstas nos respectivos autos de infração, não podendo, por conseqüência, se sujeitar à exigência de multa pelas irregularidades apontadas. Demonstra seu inconformismo com o indeferimento do requerimento de reconhecimento de isenção, listando a certificação de que é portadora e suas finalidades estatutárias, concluindo que a recorrente é detentora do legítimo direito à imunidade, uma vez que preenche todas as condições previstas na Lei 8.212/91 e no CTN, e tenta evidenciar a impropriedade dos fundamentos da decisão de indeferimento do processo administrativo. Tece considerações sobre os institutos jurídicos de isenção e imunidade para reafirmar seu direito à imunidade tributária, argüindo que, embora os benefícios fiscais das entidades beneficentes sejam tratados como isenção, já há jurisprudência mansa e pacífica no sentido de que, sendo veiculado diretamente na CF, tratase de hipótese exclusiva de imunidade.Tece Requer que o julgamento seja convertido em diligência para a constatação cumprimento dos requisitos previstos na legislação de regência aplicável em relação às ocasiões em que ocorreram os fatos geradores. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.721562/201158 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.347 S2C3T1 Fl. 302 5 VOTO Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Tratase o caso em tela de Auto de Infração lavrado por ter a entidade apresentado GFIP com informação incorreta, ou seja, informou o FPAS 639, que é destinado a Entidades Beneficentes de Assistência Social isentas. A recorrente requer, entre outras coisas, a conexão do presente processo com o de nº 15504720.697/200104, argumentando que, embora o Auto de Infração diga respeito exclusivamente à aplicação de multa vinculada à omissão de lançamentos na GFIP, tal omissão diz respeito às contribuições previdenciárias e, por esta razão, os fundamentos da impugnação e do presente recurso são os mesmos apresentados no processo 15504.720697/201104. Solicita também a conexão do presente recurso com o recurso administrativo em relação ao despacho decisório que indeferiu o pedido de reconhecimento de isenção da ora recorrente, de forma que o CARF possa apreciar as razões dos dois recursos e assim julgar o feito com apreciação do mérito e dos documentos comprobatórios. A autoridade julgadora de primeira instância registra que este processo foi julgado em conjunto com o processo do comprot nº 15504.720697/201104, ou seja, na mesma sessão de 24/11/2011. Contudo, no CARF os processos não vieram apensados ou foram distribuídos para o mesmo Relator. Constatase que, de fato, existe uma nítida conexão entre os lançamentos mencionados, uma vez que, estabelecida a obrigação tributária principal, por força do levantamento dos fatos geradores e lançamento das respectivas contribuições previdenciárias, deparouse a fiscalização com a obrigação descumprida,.caracterizada por deixar de declarar os respectivos valores em GFIP. Contudo, não é possível saber, pelo que consta dos autos, se já houve o julgamento definitivo dos AIs correlatos que lançaram as contribuições previdenciárias. Referida omissão impossibilita que esta autoridade julgadora tenha conhecimento pleno de todos os fatos, dificultando a formação de convicção quanto à regularidade do feito. Da mesma forma, verificase que o AI foi lavrado tendo em vista o indeferimento do pedido de reconhecimento de isenção, objeto do processo 36378.000760/200761. Nesse caso, resta inexoravelmente configurada a conexão entre os todos esses processos e, para evitar que se tenham decisões contraditórias, devese reunir os autos em uma mesma Câmara, para que se aplique a todos eles a mesma decisão. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.721562/201158 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.347 S2C3T1 Fl. 303 6 Cumpre registrar que este Conselho vem decidindo no sentido de se admitir a possibilidade da aplicação da conexão em matéria de processo administrativo fiscal, conforme se denota das ementas abaixo transcritas: “NORMAS PROCESSUAIS. CONEXÃO. Dáse a conexão quando os fundamentos de fato e direito dos pedidos de um e de outro processo são idênticos. Neste caso, devese reunir os processos em uma mesma câmara para que se aplique a ambos a mesma decisão. Recurso não conhecido.” (Acórdão nº 20400694 do Processo Administrativo nº 10980013136200217; Órgão julgador: Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 08/11/2005) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 Ementa: CONEXÃO DE MATÉRIAS ANÁLISE CONJUNTA NECESSIDADE Identificadaconexão entre as matérias contidas em processos administrativos distintos, os autos devem ser reunidos para que as decisões prolatadas sejam fundadas na totalidade dos elementos trazidos à consideração da autoridade julgadora. (Acórdão nº 10517246 do Processo 19740000426200389; Órgão Julgador: Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 15/10/2008) Dessa forma, entendo que os referidos processos administrativos fiscais devam ser reunidos, a fim de afastar a hipótese de decisões contraditórias, nos termos do artigo 6º do Regimento Interno do CARF, que estabelece: “Art. 6º Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo.” Portanto, tendo em vista que restou configurada a existência da conexão entre os citados processos, devem ser os mesmos apensados e reunidos para que sejam julgados pela C. Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo. Portanto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam os autos dos processos administrativos nº 15504.720697/2011 04 e nº 36378.000760/200761, apensados ao presente processo, a fim de que sejam julgados simultaneamente pela Câmara para a qual foi distribuído o primeiro deles. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 303DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004923/2003-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento - Jurisprudência do CARF.
O fato de, após sucessivas prorrogações, ter-se indicado o mesmo AFRF que constava de MPF extinto por decurso de prazo constitui-se em mero erro administrativo, que não tem o condão de macular o lançamento em si, que foi lavrado por autoridade competente, e por meio de instrumento formalmente perfeito.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 04/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento Jurisprudência do CARF. O fato de, após sucessivas prorrogações, terse indicado o mesmo AFRF que constava de MPF extinto por decurso de prazo constituise em mero erro administrativo, que não tem o condão de macular o lançamento em si, que foi lavrado por autoridade competente, e por meio de instrumento formalmente perfeito. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 49 23 /2 00 3- 10 Fl. 959DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 220200.517, da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 730 a 735v), julgado na sessão plenária de 12 de maio de 2010, por maioria de votos, acolheu a preliminar de nulidade do lançamento, por vício formal, na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF não é mero instrumento de controle interno constituindose de ato preparatório e indispensável ao exercício do lançamento, sem o qual o procedimento fiscal não pode ser convalidado. Assim, eventuais irregularidades na emissão do MPF ou extrapolação dos limites da investigação fiscal nele definidos acarretam a nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MANUTENÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. Comprovado nos autos de que houve a extinção do Mandado de Procedimento Fiscal MPF por decurso de prazo e no novo MPF emitido para dar continuidade ao trabalho fiscal foi indicado o mesmo responsável pela execução do MPF extinto, contrariando as normas administrativas pertinentes, é de se considerar invalido o procedimento fiscal e, conseqüentemente, nulo o lançamento tributário dele decorrente. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 19515.004923/200310 Acórdão n.º 9202002.519 CSRFT2 Fl. 7 3 Preliminar de nulidade acolhida. Cientificada dessa decisão em 19/10/2010 (fl. 736), a Fazenda Nacional manejou, no dia seguinte, recurso especial de divergência (fls. 739 a 749), defendendo que o MPF é mero instrumento de controle interno da RFB e que supostas irregularidades em sua emissão, por si só, não tem o condão de anular o lançamento. Para comprovar a divergência de interpretação da lei tributária, a recorrente apresentou os seguintes paradigmas: Acórdão CSRF no 0202.187: NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Acórdão no 20177.049: PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 750 a 752v. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 18/8/2011, o contribuinte apresentou, em 1/9/2011, contrarrazões, onde, preliminarmente, pugnou pelo não conhecimento do recurso, pois os paradigmas cuidariam de violações a artigos diversos da Portaria SRF 3007/01 e porque não foi feita a demonstração analítica da divergência, e, no mérito, defendeu a manutenção da decisão recorrida, ou o cancelamento do recurso por decadência, irretroatividade da Lei no 10.174/2001, inconstitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105/2001, impossibilidade de lançamento apenas em extratos bancários, e não movimentação da conta em 1998. Defendeu ainda o afastamento da taxa SELIC. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Preliminarmente, há que se apreciar os argumentos de não conhecimento do recurso, suscitados pelo contribuinte em suas contrarrazões. Afirma o recorrente que os paradigmas cuidam de violações a artigos diversos da Portaria SRF 3007/01 daquela apontada no presente processo, não estando configurada a divergência jurisprudencial. Assim, enquanto o acórdão recorrido reconheceu a nulidade do processo por violação ao parágrafo único do art. 16 da citada portaria, que determina que não pode ser indicado em novo MPF o mesmo auditorfiscal que constava em MPF extinto por decurso de prazo, os paradigmas trataram de nulidade por descumprimentos dos arts. 10 e 13 da portaria, que versam sobre a emissão de MPF Complementar e sua ciência ao contribuinte. Entretanto, há que se reconhecer que não se está verificando divergência de interpretação de dispositivo de portaria, mas sim da lei tributária. Nesse sentido, a divergência diz respeito à possibilidade, ou não, de que irregularidade na emissão de MPF, documento de controle administrativo, invalide lançamento devidamente alicerçado na lei tributária. Desse modo, pouco importa qual a violação do MPF ocorrida em cada caso, mas o modo como ela foi interpretada pelas decisões comparadas, sendo patente a divergência jurisprudencial. O contribuinte alega também, como impeditivo para a admissão do recurso, que não foi feita a demonstração analítica da divergência. Contudo, vejo que a recorrente efetuou devidamente a demonstração da divergência em seu item II do recurso (fls. 741 e verso), pelo que não procede o argumento. Assim, considero que o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como já dito, a discussão cingese à possibilidade, ou não, de que irregularidade na emissão de MPF, documento de controle administrativo, invalide lançamento devidamente alicerçado na lei tributária. No CARF, a posição predominante é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. Transcrevo duas decisões desta 2a Turma da CSRF nesse sentido: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 19515.004923/200310 Acórdão n.º 9202002.519 CSRFT2 Fl. 8 5 INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. (Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Filiome a essa interpretação. Por bem resumir os argumentos a favor da tese, transcrevo parte do voto Acórdão nº 920201.637, que adoto como razões de decidir: A portaria da SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, revogada pela Portaria RFB n° 4.328, de 05.09.2005, que foi publicada no DOU 08.09.2005, trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece rotinas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por meio da norma antes referida se disciplinou a expedição do MPF — Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, mormente quando foram emitidos MPF Complementares antes da lavratura do Auto de Infração. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita Fl. 963DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 6 na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada à legitimidade do agente que o pratica, isto é, ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática do ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Aplicandose esse raciocínio ao caso em tela, o fato da Administração Tributária, após sucessiva prorrogações, ter indicado o mesmo AFRF que constava de MPF extinto por decurso de prazo constituise em mero erro administrativo, que não tem o condão de macular o lançamento em si. Não é possível que falhas em um simples instrumento de controle, que objetiva informar ao contribuinte qual a autoridade fiscal executará a ação planejada, bem como quais os tributos e períodos fiscalizados, possa invalidar o crédito tributário constituído por autoridade competente, e por meio de instrumento formalmente perfeito. Assim, não existe a nulidade reconhecida na decisão recorrida. As demais questões de mérito mencionadas no recurso especial serão analisadas quando do retorno dos autos à Turma Julgadora. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade declarada, determinando o retorno dos autos para análise das demais questões pela Turma Julgadora. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 964DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 36266.002087/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/08/2003 a 31/12/2004.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE
TRIBUTOS.
Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.
ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF.
O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho.
Inocorrência das hipóteses normativas que possibilitam ao CARF reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-002.952
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/08/2003 a 31/12/2004. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF. O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. Inocorrência das hipóteses normativas que possibilitam ao CARF reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/08/2003 a 31/12/2004. RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF. O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. Inocorrência das hipóteses normativas que possibilitam ao CARF reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 2 2 com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada contra o HOSPITAL E MATERNIDADE VOLUNTÁRIOS LTDA., lavrada em 18/03/2005, no valor de R$ 1.409.572,04 (um milhão quatrocentos e nove mil quinhentos e setenta e dois reais e quatro centavos), decorrente de contribuições previdenciárias arrecadadas dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto da respectiva remuneração, e não recolhidas à Previdência Social em época própria, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 23/25, e Relatório Fiscal Complementar às fls. 86/87. Apresentada a impugnação em 31/03/2005, fls. 26/80, foi mantido o lançamento pela DecisãoNotificação (fls. 103/114), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 3 3 PREVI DENCIARIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Art. 97 e 102, I "a", da CF. JUROS. TAXA SELIC. MULTA. Sobre as contribuições sociais em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, e multa de mora, que não podem ser relevados. (art. 34 e 35, da Lei n° 8212/91). DIFICULDADES FINANCEIRAS. Salvo permissivo legal, não se deve conceder tratamento diferenciado no ato de fiscalizar, nem perdão ou isenção, ante a alegação de dificuldades financeiras da empresa, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente Irresignada, interpôs a contribuinte o Recurso Voluntário sob exame (117/132), em que destacou novamente os argumentos apresentados na defesa: 1) Alegou a inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da Taxa SELIC como juros; 2) Impossibilidade jurídica da aplicação da Taxa SELIC relativamente aos juros moratórios e compensatórios; 3) Afirmou que a multa imposta tem caráter confiscatório tributário e afronta sua capacidade contributiva. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 4 4 Do Mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas Os lançamentos da presente NFLD referemse à cobrança de contribuições devidas à Previdência Social arrecadadas dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto da respectiva remuneração, e não recolhidas em época própria. Nas razões recursais ora em apreço, o Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem, a despeito de tal discussão, imperioso trazer à baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que se reputa não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da cobrança da Taxa SELIC Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 5 5 Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da impossibilidade de análise de alegação do caráter confiscatório da multa A tentativa do contribuinte de afastar a aplicação da multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Em outras palavras, reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único seu Regimento Interno, quais sejam: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 6 6 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993 No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 7 7 Assim, afasto a alegação de confisco da multa de mora aplicada ao presente caso. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 8 8 Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 9 9 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 10 10 em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 11 11 Sala das Sessões, em 12 de julho de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 19515.000971/2005-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005
IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE.
À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.791
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Fábia Regina Freitas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PRELIMINAR DE NULIDADE. ACATAMENTO. A correta identificação do sujeito é formalidade essencial do instrumento que formaliza o lançamento do crédito tributário. O erro na identificação do sujeito passivo torna nulo, por vício material, o Auto de Infração por ilegitimidade passiva (inteligência do art. 142 do CTN, c/c art. 10, I, do Decreto nº 70.235, de 1972), ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 71 /2 00 5- 09 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Fábia Regina Freitas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo HITACHI AR CONDICIONADO DO BRASIL LTDA, CNPJ 33.284.522/000111, em face do Acórdão n° 1435.432, prolatado pela 8ª Turma da DRJ/POR, que julgou improcedente a impugnação. A Lavratura do Auto de Infração de Imposto de Produtos Industrializados, contra a empresa acima identificada, CNPJ 33.284.522/000111 (estabelecimento matriz), no montante de R$ 3.291.029,38 (inclusos juros de mora e multa de ofício), decorreu do fato de o estabelecimento industrial ter reduzido o montante do IPI a recolher, em virtude de ter se creditado de valores de imposto sem respaldo na legislação de regência. De acordo com o Termo de Constatação de IPI, o crédito indevidamente escriturado à titulo de "Outros Créditos", no período de 01/2004 a 01/2005, referese a créditos de IPI relativos à aquisição de insumos isentos, que, de acordo com a contribuinte, estariam respaldados no RE n° 2124842/ RS. Naquele termo, a autoridade lançadora ressalva que a contribuinte não intentou ação judicial contra a Fazenda Nacional no que se refere ao Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI; e que o Recurso Extraordinário citado referese à Vonpar Refrescos S.A, conforme cópia da decisão anexa ao presente processo. A contribuinte, irresignada, apresenta a impugnação de fls.53/119, instruída com os documentos de fls. 120/392, na qual efetua as alegações postas resumidamente a seguir e ao final requer o cancelamento do auto de infração lavrado: 1. Preliminarmente, solicita a invalidação do ato administrativo de lançamento por absoluta ausência dos requisitos previstos no art. 142 do CTN indispensáveis à sua realização, posto que inexiste descrição do fato praticado pela Impugnante motivador do lançamento, com as respectivas fundamentações legais, ou seja inexiste, motivação para a lavratura do Lançamento Fiscal, por falta de indicação na lei da irregularidade apontada. Há desconformidade entre a infração descrita através do Lançamento ora impugnado, com a norma tida como infringida. Apresenta doutrina e jurisprudência em seu favor; 2. A falta de determinação específica da suposta infração cometida lesou a garantia ao devido processo legal, acarretando em cerceamento ao direito de defesa; 3. O direito de creditarse do valor do IPI nas aquisições de insumos com isenção do imposto, provém do princípio constitucional da não cumulatividade; Fl. 555DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 3 4. A Constituição Federal não estabelece qualquer restrição ao creditamento nas aquisições de insumos. Apresenta jurisprudência; 5. Questiona, também, os juros de mora, com base na taxa SELIC, alegando a inconstitucionalidade e alega o caráter confiscatório da multa de ofício. A DRJ em Ribeirão Preto/SP, em 04/10/2011, por meio do Acórdão n° 1435.432 prolatado pela 8ª Turma da DRJ/RPO julga improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, consoante a ementa a seguir transcrita: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário:2004, 2005 Ementa: NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo as de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente” A contribuinte tomou ciência do referido Acórdão em 09/02/2012. Assim, devidamente cientificada, não concordando com a decisão de 1ª instância, apresentou recurso voluntário, em 06/03/2012, no qual reprisa os argumentos já efetuados na impugnação e além desses argui ainda, preliminarmente, a aplicação das decisões judiciais, afirmando que a jurisprudência do Conselho de contribuintes é norma complementar da lei e dos decretos e que, portanto, com base no art. 100, II e III do CTN devem ser aplicadas; Em 28/05/2012 a contribuinte apresenta aditivo ao Recurso Voluntário, no qual traz a alegação de preliminar de nulidade por erro de identificação do sujeito passivo, sob o argumento de que o “Auto de Infração esta formalizado no CNPJ da matriz no 33.284.522/000111, reclamando créditos fiscais de IPI registrados em Livros Registro de Apuração. Ocorre, que o Registro de Apuração em que foram escriturados os créditos objeto Fl. 556DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 da insurgência fiscal, pertence ao estabelecimento filial inscrito no CNPJ n° 33.284.522/200626 que se encontra sediado na Rodovia Presidente Dutra KM 141, no Município de São José dos Campos/SP, sendo este o estabelecimento industrial responsável pelas operações que foram glosadas pela fiscalização.”(grifos do original). Fundamenta tal pedido no princípio da autonomia dos estabelecimentos, conforme demonstra com a menção e transcrição dos seguintes dispositivos legais: parágrafo único do artigo 51 do Código Tributário Nacional e os artigos 313 e 518, incisos III e IV do Decreto 4.544/2002 — RIPI. E ressalta que: “A irregularidade do lançamento ora suscitada foi reconhecida em outro processo da mesma contribuinte como se infere da inclusa cópia em anexo, em que a Autoridade Julgadora decretou a nulidade do lançamento, como se vê da ementa transcrita abaixo: Acórdão 1436.0138a Turma da DRJ/RPO Processo 19515.005025/200974 Interessado: HITACHI AR CONDICIONADO DO BRASIL LTDA CNPJ/CPF: 33.284.522/000111 Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2007 IPI. PRINCIPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFICIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. A luz do principio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de urna mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Comprovado o equivoco na identificação do sujeito passivo, anulase o lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Acórdão Acordam os membros da 8a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido. Cientifiquese a interessada.” Fl. 557DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 5 Colaciona ainda diversas outras ementas de Acórdãos proferidos pelo Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes que decidiram no mesmo sentido. Conclui solicitando seja deferida a juntada da inclusa cópia do Acórdão em que a Egrégia 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, reconheceu a nulidade do lançamento fiscal lavrado contra o estabelecimento da Matriz CNPJ no 33.284.522/000111 utilizandose dos Livros Fiscais da Filial CNPJ n° 33.284.522/000626 tal como ocorreu com a autuação discutida nestes autos, bem como, considerando tal circunstância que seja reconhecido e decretado a nulidade do lançamento. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado acima, a requerente argui em peça aditiva ao recurso voluntário apresentado em 28/05/2012 a nulidade do lançamento do IPI, sob o argumento de existência de erro de identificação do sujeito passivo, posto que a autuação se deu na matriz da empresa HITACHI AR CONDICIONADO DO BRASIL LTDA (CNPJ 3.284.522/000111), quando o estabelecimento industrial responsável pelas operações é o inscrito no CNPJ sob n° 33.284.522/000626, situado no município de São José dos Campos, trazendo em colação, a decisão prolatada no Acórdão DRJBEL nº 1436.013 de 06/12/2011 que reconheceu a nulidade do lançamento fiscal lavrado contra o estabelecimento da Matriz CNPJ no 33.284.522/000111 utilizandose dos Livros Fiscais da Filial CNPJ n° 33.284.522/000626. A decisão colacionada foi proferida nos autos do processo n° 19515.005025/200974 e cujo recurso de ofício foi julgado por essa turma na sessão de 25 de Setembro de 2012, por meio do Acórdão n° 330201.792, cujos membros decidiram por negar provimento ao recurso de ofício. Assim, adotase neste, os mesmos fundamentos de decidir utilizados naquele processo. Para bem decidir a questão posta, impõese tecer breves considerações acerca de nulidade do crédito tributário, segundo o sistema de legalidade das formas regulador do ato de lançamento tributário, as quais têm como fonte, entre outros, o trabalho monográfico do AFRFB Raimundo Parente de Albuquerque Junior, premiado em 2º lugar pela então Secretaria da Receita Federal em parceria com a Escola de Administração Fazendária ESAF, mediante o concurso do 5º Prêmio Schöntag, em 20061, pelo o fato desta relatora concordar com os argumentos e conclusões ali defendidos, bem como analisar a legislação específica do tributo, haja vista que a adequação do ato à norma é, em princípio, condição necessária à eficácia do ato, pois a consequência natural da inobservância da forma estabelecida é que o ato seja privado dos efeitos que ordinariamente haveria de ter. 1 Nulidades no lançamento tributário http://www.esaf.fazenda.gov.br/esafsite/premios/schontag/Monografias_premiadas_arquivos/m onografia/monografias%205%C2%BA/2%20lugar%20%20Nulidades%20no%20lan%C3%A7 amento%20tribut%C3%A1rio.pdf Fl. 558DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Sabese que o lançamento tributário iniciase com o procedimento de fiscalização2 e termina com a lavratura do competente termo de encerramento da ação fiscal e respectiva ciência ao contribuinte do lançamento tributário. Esse procedimento envolve uma série de atos e termos que visam à determinação e à formalização da exigência fiscal, consoante o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966).3 Cada ato do procedimento haverá de perfazerse segundo uma tipologia legal para que o procedimento como um todo possa produzir os efeitos que lhe são próprios. O lançamento tributário, portanto, neste tipo complexo de formação sucessiva da tributação, é, também, um ato procedimental, e nesta condição, possui como elementos jurídicos os requisitos, pressupostos e condições que devem ser necessariamente observados para a sua validade. Os requisitos compreendem um conjunto de formalidades legais cuja observância integra a própria formação do ato de lançamento em si, ou seja, integra sua estrutura normativa executiva. São requisitos do ato lançamento a enunciação do fato jurídico tributário, a identificação do sujeito passivo e a determinação do tributo devido; os pressupostos compreendem um conjunto de formalidades legais (atos jurídicos e outras formalidades) cuja observância deva necessariamente anteceder à realização do ato de lançamento, tais quais o subjetivo e o procedimental, e as condições compreendem um conjunto de formalidades legais (atos jurídicos e outras formalidades) cuja observância deva necessariamente suceder à realização do ato de lançamento, contribuindo tão somente para sua eficácia (é o caso da notificação do lançamento ao sujeito passivo). Os vícios do lançamento do crédito tributário, como ato administrativo procedimental, podem ocorrer nos seus pressupostos e ou requisitos. Antônio da Silva Cabral assevera que o Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que regula o processo administrativo fiscal, não estabelece uma distinção entre vício sanável e insanável, ou, em outros termos, entre nulidade relativa e nulidade absoluta, somente o fazendo entre invalidade e mera irregularidade. Referiu se ele apenas a atos nulos, no seu art. 59, e a irregularidades, incorreções e omissões que não acarretam nulidade, no seu art. 60.4 Diante da constatação de que a lei específica do Processo Administrativo Fiscal não fixa com clareza a existência de diferentes graus de invalidades, devese, então, aplicar subsidiariamente as regras contidas na Lei nº 9.784/99 (Lei Geral do Processo administrativo Federal LPA), consoante a disposição contida em seu art. 695. Tal lei, mediante o disposto no art. 55 da Lei nº 9.784/99 (Lei Geral do Processo administrativo Federal LPA), traz a hipótese da convalidação pela administração dos atos que apresentarem defeitos sanáveis.6 2 O Decreto 70.235, em seu art. 7º, estabelece o momento em que se reputa iniciado o procedimento fiscal: “I . o primeiro ato de ofício, escrito, praticado pelo servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II . a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III . o começo do despacho aduaneiro de mercadoria importada”. 3 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” 4 Antonio da Silva Cabral, Processo administrativo fiscal, p. 525. 5 "Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhe apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei.” 6 “Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração”. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 7 O autor da monografia “Nulidades no lançamento tributário” afirma que “o critério da convalidação foi o eleito pelo legislador positivo como índice apto a graduar as infringências, em relação aos modelos legais, do atuar processual no PAT e, por conseguinte, do lançamento tributário”7, ou seja, o critério basilar para se definir o que seja ato nulo ou anulável é o da convalidação. Importa sabermos, então, quando o ato imperfeito se afigura convalidável e como se dá a convalidação. Maria Sylvia Zanella di Pietro, citando Celso Antonio Bandeira de Melo, afirma que os atos nulos são os que não podem ser convalidados e que entram nessa categoria: “a) os atos que a lei assim declare; b) os atos em que materialmente impossível a convalidação, pois se o mesmo conteúdo fosse novamente produzido, seria reproduzida a invalidade anterior; é o que ocorre com os vícios relativos ao objeto, à finalidade, ao motivo, à causa.”8 E, complementa, são anuláveis: “a) os atos que a lei assim declare; b) os que podem ser praticados sem vício; é o caso dos atos praticados por sujeito incompetente, com vício de vontade, com defeito de formalidade.”9 A obrigatoriedade de identificação do sujeito passivo é requisito previsto no art. 142 do CTN. Repetemno o art. 10 do PAF, inciso I, no caso de ser o auto de infração o veículo material do ato de lançamento, e o art. 11, inciso I, do mesmo diploma legal, no caso de notificação de lançamento. Como assinalado na lei, ao impor a obrigatoriedade deste requisito na formação do ato de lançamento, a pretensão fiscal deverá externar de modo inequívoco o sujeito passivo contra o qual a Fazenda Pública buscará a satisfação da exação formalizada, sob pena de frustrar esse desiderato. Transcrevemos a seguir, no que for pertinente, algumas das conclusões do trabalho monográfico denominado “Nulidades no lançamento tributário”10, com as quais concordo, de autoria do AFRFB Raimundo Parente de Albuquerque Junior: “O critério de invalidades do ato de lançamento, que permite distinguir entre nulidade relativa (anulabilidade) e absoluta (nulidade), assentase na distinção entre pressupostos e requisitos do ato. São requisitos do ato lançamento a enunciação do fato jurídico tributário, a identificação do sujeito passivo e a determinação do tributo devido; ao passo que são seus pressupostos o subjetivo e o procedimental. 7 Raimundo Parente de Albuquerque Junior, Nulidades no lançamento tributário, p. 76. 8 Maria Sylvia Zanella di Pietro, Direito administrativo, p.225. 9 Ibidem, p.226. 10 Raimundo Parente de Albuquerque Junior, Nulidades no lançamento tributário, p.109/110. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 A nulidade relativa tem sede nas violações dos pressupostos, os quais integram o procedimento preparatório do lançamento, enquanto a nulidade absoluta tem sede nas violações dos requisitos, os quais decorrem da norma jurídica tributária. A nulidade relativa constitui vício sanável pela preclusão temporal, por isso deve ser invocada na primeira oportunidade que o interessado tiver de falar nos autos, e o ato imperfeito correspondente é, por esse motivo, convalidável; assim, a nulidade absoluta constitui vício insanável, por isso pode ser suscitada de ofício pelo julgador administrativo, e o ato imperfeito correspondente jamais se convalida. (...); Vinculamos a nulidade relativa ao vício de forma e a nulidade absoluta ao vício de matéria ou de conteúdo, para daí identificarmos com segurança o vício formal a que alude o inc. II do art. 173 do CTN, o qual autoriza a reabertura do prazo decadencial para a efetivação de um novo lançamento, no caso de o lançamento anterior ter sido anulado por vício formal. (...); h) Apreciando a constitucionalidade da regra do § 4º do art. 16 do PAF que preceitua, sob pena de preclusão, a apresentação da prova documental com a impugnação, restringimos seu âmbito de validade às provas documentais destinadas a demonstrar a alegação de vício formal no lançamento, tendo em vista sua sanação pela preclusão, diferentemente do que ocorre com vício material, que é insanável e cuja prova não preclue.” Portanto, sendo elemento essencial do lançamento, o erro na identificação do sujeito passivo, constitui vício material que enseja a nulidade absoluta do ato, devendo ser declarada de ofício pela autoridade administrativa. Passase, então, a analisar as normas específicas referentes ao tributo IPI, com o objetivo de identificar as regras atinentes ao sujeito passivo. A CF/88 estabeleceu em seu art. 153, §3º, inciso II, o princípio da não cumulatividade para o Imposto sobre Produtos Industrializados. Coube ao Código Tributário Nacional definir o contribuinte de tal imposto, consoante as disposições contidas no seu art. 51, o qual estabeleceu no parágrafo único do referido artigo o princípio de autonomia dos estabelecimentos.11 11 ‘SEÇÃO I Imposto sobre Produtos Industrializados Art. 51. Contribuinte do imposto é: I. o importador ou quem a lei a ele equiparar; II. o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III. o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; Fl. 561DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 9 As regras contidas nos artigos 313 e 518, incisos III e IV, do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02), abaixo transcritas, estabeleceram a dinâmica de escrituração e apuração baseada na autonomia dos estabelecimentos, o que viabiliza a implementação do princípio constitucional da não cumulatividade: “Art. 313. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei nº 4.502, de 1964, art. 57).” “Art. 518. Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: (...); III a expressão "estabelecimento", em sua delimitação, diz respeito ao prédio em que são exercidas atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza; IV são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa física ou jurídica;” Diante das normas legais acima mencionadas e/ou transcritas, concluise que para efeito de cumprimento da obrigação tributária prevalece o princípio da autonomia dos estabelecimentos, motivo pelo o qual o lançamento deve se reportar a cada estabelecimento industrial, ainda que seja da mesma pessoa jurídica. No caso em questão, constatase pela análise das peças da autuação de fls. 41/51 e dos livros e documentos de fls.11/39 que o lançamento foi efetuado em face do estabelecimento matriz e que estabelecimento industrial responsável pelas operações é o inscrito no CNPJ sob n° 33.284.522/000626, situado no município de São José dos Campos, concluindose, pois, ter havido erro na identificação do sujeito passivo. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade absoluta do lançamento efetuado por meio do Auto de Infração de fls. 48/51, por vício material, tendo em vista a comprovação de erro na identificação do sujeito passivo, ressalvando que a decisão aqui prolatada não analisou as demais questões preliminares IV. o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considera se contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante.’ (grifo nosso) Fl. 562DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 e de mérito e que eventual lançamento pelos mesmos fatos, livre dos vícios que deram causa à nulidade do presente, só poderão ser efetuados enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. É como voto. (assinado eletronicamente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Fl. 563DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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