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Numero do processo: 10925.900901/2008-91
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2166; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.900901/200891 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.277 – 2ª Turma Especial Data 06 de agosto de 2013 Assunto PER/DCOMP Recorrente BERNARDON INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Tratase da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 03461.40423.111104.1.3.040407 (fls.88/92), transmitida em 11/11/2004, por meio da qual o contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 5856), referente ao período de apuração: setembro/2004, vencimento: 15/10/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004, Valor: R$ 2.011,52). Por intermédio do despacho decisório de fl.06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .9 00 90 1/ 20 08 -9 1 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900901/200891 Resolução nº 1802000.277 S1TE02 Fl. 3 2 Irresignado com o referido decisório, o contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu fato gerador da CSLL, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0725.069, de 30 de junho de 2011 (fls.99/100). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 02/09/2011 (Aviso de RecebimentoAR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 28/09/2011. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na manifestação de inconformidade, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente conclui que, restando comprovado nos documentos acostados aos autos que houve recolhimento de tributos sem a ocorrência do fato gerador da obrigação, tais valores hão de ser declarados de direito da recorrente, para ser deferido o pedido de compensação protocolado, sob pena de se perpetuar o enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 03461.40423.111104.1.3.040407 (fls.88/92), transmitida em 11/11/2004, por meio da qual o contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 5856), referente ao período de apuração: setembro/2004, vencimento: 15/10/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004, Valor: R$ 2.011,52). Conforme relatado, pelo despacho decisório de fl.06, emitido em 09/05/2008, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 16/06/2008 (fls.01/05), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 0725.069, de 30 de junho de 2011 (fls.99/100) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900901/200891 Resolução nº 1802000.277 S1TE02 Fl. 4 3 Embora não conste dos autos a cópia de DCTFs, consta do processo nº 10925.900861/200887,em julgamento nesta mesma sessão, que, o Recorrente em 28/05/2008, após a expedição do despacho decisório de 09/05/2008, cientificado ao contribuinte em 21/05/2008 (fl.96) e, antes de apresentar a manifestação de inconformidade (16/06/2008), retificou a DCTF do 1º trimestre de 2004 na qual altera para “zero”, o débito da CSLL – estimativa mensal relativa ao mencionado trimestre. A alegação da pessoa jurídica expressa na manifestação de inconformidade e repisada no recurso voluntário é que, no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu o fato gerador da CSLL, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. O crédito aventado nos presentes autos referese a pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004, Valor: R$ 2.011,52). É cediço, que a CSLL determinada mensalmente com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução deve ser paga até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir (art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996). Apesar de a DPJ/2005 Ficha 16 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido Mensal por Estimativa discriminar a FORMA DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CALCULO DA CSLL “Com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução”, o Recorrente não juntou aos autos os balanços ou balancetes mensais transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. O contribuinte requer a compensação do valor pago por estimativa mensal e vincula seu pleito a saldo negativo da CSLL em 2004, apresentando a DIPJ/2005 com base de cálculo negativa em todos os meses do ano calendário de 2004. Cabe verificar: a) se o pagamento efetuado de CSLL à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004, DARF: R$ 2.011,52, foi utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2004; b) se o pagamento da CSLL foi calculado com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução e, c) se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Joaçaba/SC, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor da CSLL por estimativa a maior, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900901/200891 Resolução nº 1802000.277 S1TE02 Fl. 5 4 Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001631/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
Ementa:
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO - DEDUTIBILIDADE - LIMITE TEMPORAL - O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o seu pagamento ou crédito. Inclusive, a remuneração do capital próprio pode tomar por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites de dedutibilidade previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou creditamento.
RENÚNCIA. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. Não há previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP. A renúncia de direitos deve ser interpretada de forma restrita, não devendo o silêncio do acionista ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários.
LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL - Tratando-se de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-000.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 Ementa: JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO - DEDUTIBILIDADE - LIMITE TEMPORAL - O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o seu pagamento ou crédito. Inclusive, a remuneração do capital próprio pode tomar por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites de dedutibilidade previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou creditamento. RENÚNCIA. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. Não há previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP. A renúncia de direitos deve ser interpretada de forma restrita, não devendo o silêncio do acionista ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários. LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL - Tratando-se de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
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Recorrentes BANCO VOTORANTIM S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 Ementa: JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o seu pagamento ou crédito. Inclusive, a remuneração do capital próprio pode tomar por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites de dedutibilidade previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou creditamento. RENÚNCIA. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. Não há previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP. A renúncia de direitos deve ser interpretada de forma restrita, não devendo o silêncio do acionista ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 31 /2 01 0- 83 Fl. 766DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 1401000.902 S1‐C4T1 Fl. 767 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1631.041, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que, por unanimidade de votos, decidiu julgar procedente em parte a impugnação apresentada, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado, pelas razões que serão adiante expostas. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: Trata o presente processo de Autos de Infração, lavrados em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL do anocalendário de 2006, decorrentes da dedução indevida de Juros sobre o Capital Próprio JCP. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 13 a 20), relata a fiscalização que a contribuinte em epígrafe informou, na DIPJ 2007 (ficha 06B, linha 45), despesas relativas a JCP no montante de R$486.950.000,01. A fiscalização acrescenta que a contribuinte entregou a planilha de fls. 21, na qual se verifica que os JCP do ano de 2006 foram calculados com base na Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP aplicada sobre os valores do patrimônio líquido da contribuinte no mesmo ano, resultando em um total de juros a distribuir de R$353.671.215,74. Nessa mesma planilha, verificase que a contribuinte utilizou saldos remanescentes relativos a exercícios anteriores a 2006 para a distribuição da diferença de R$ 133.278.784,36, resultando no total de R$ 486.950.000,01. Alega a fiscalização que a lei tributária não obriga nem veda o pagamento de JCP aos sócios das empresas, não impõe limites quanto ao valor dos juros pagos ou creditados aos sócios e não determina a obrigatoriedade de se adotar a TJLP como índice de remuneração do capital aplicado. A fiscalização assevera que a lei tributária, no art. 9o da Lei n° 9.249/95, com a redação dada pela Lei n° 9.430/96, apenas impõe limites quanto à dedutibilidade do: valores pagos ou creditados a título de JCP na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. De acordo com a fiscalização, a legislação permite a dedução de valores de JCP pagos ou creditados aos sócios das empresas, Fl. 768DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 4 limitados pela variação da TJLP sobre o patrimônio líquido, calculados pelo mesmo período de apuração do lucro real. Acrescenta que o art. 29 da Instrução Normativa SRF n° 11/96 é explicite acerca da necessária observância do regime de competência no pagamento ou creditamento dos JCP para sua dedução na apuração do IRPJ e da CSLL. A respeito da matéria, a fiscalização também cita a Instrução Normativa SRF n° 41/98 e o art. 177 da Lei n° 6.404/76. Sustenta a fiscalização que a legislação tributária não prevê o pagamento de JCP acumulados, mesmo porque o pagamento ou creditamento de JCP consiste em faculdade da pessoa jurídica, exercida mediante deliberação de seus sócios ou acionistas. A fiscalização alega que, para haver dedutibilidade de despesas de JCP, fazse necessária a deliberação social tomada no devido tempo, observadas as condições previstas na Lei nº 9.249/95. Argumenta a fiscalização que somente pode ser deduzida despesa relativa a JCP se houver decisão dos sócios ou acionistas no devido tempo, não podendo uma assembléia de acionistas decidir sobre exercícios já encerrados. Logo, conclui ser indevida a dedução de JCP relativos a exercícios anteriores. Em decorrência dos fatos acima descritos, foram lavrados autos de infração para a constituição de créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL nos seguintes valores: Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) Artigos 247, 249,I, 251 e parágrafo único e 299 do RIR/99. 23.299.787,25 Juros de Mora (calculados até 30/11/2010) Art. 6º , § 2º , da Lei n° 9.430/96. 9.303.605,04 Multa Proporcional Art. 44, I, da Lei n° 9.403/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. 17.474.840,43 TOTAL 50.078.232,72 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) Art. 2º e §§ da Lei n° 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 37 da Lei nº 10.637/2002. 8.396.563,41 Juros de Mora (calculados até 30/11/2010) Art. 28 c/c art. 6º, § 2º , da Lei n° 9.430/96. 3.352.747,76 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 1401000.902 S1‐C4T1 Fl. 768 5 Multa Proporcional Art. 44, I, da Lei n° 9.403/96. 6.297.422,55 TOTAL 18.046.733,72 Cientificada das autuações em 15/12/2010 (fls. 4 e 9), a contribuinte apresentou, em 13/01/2011, a impugnação de fls. 113 a 125, acompanhada dos documentos de fls. 126 a 478. Alega que a Lei n° 9.249/95, ao instituir a figura dos JCP, admitiu expressamente, no §7° do art. 9º, que o valor pago dessa forma poderia ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei n° 6.404/76. Assim, conclui que os JCP devem receber o mesmo tratamento societário desses dividendos. A impugnante sustenta que o art. 202 da Lei n° 6.404/76 contempla expressamente a possibilidade de suspensão pela assembléia geral do pagamento de dividendos, desde que não haja oposição de qualquer acionista presente, além de admitir que os lucros que deixarem de ser distribuídos por força de deliberação assemblear sejam pagos como dividendos assim que a situação financeira da companhia permitir. Afirma que foi exatamente isso o que ocorreu no presente caso. Tendo em vista a necessidade de recursos para o desenvolvimento de suas atividades, a impugnante alega que deliberou pela não distribuição da totalidade dos lucros apurados no ano de 2005 até que houvesse melhora em sua situação financeira. A fim de comprovar sua alegação, apresenta cópia da Ata da Assembléia Geral Ordinária realizada em 28 de abril de 2006 (doc. 02 fls. 195 e 196). A impugnante alega que, ao deliberarem pelo pagamento de JCP não creditados no passado, os acionistas não causaram qualquer prejuízo à arrecadação. Pelo contrário, afirma que acabaram por suportar ônus tributário superior àquele que lhes seria imposto se não tivessem renunciado temporariamente a essa prerrogativa em prol da saúde financeira da empresa. Afirma a impugnante que condicionar a dedutibilidade dos JCP ao pagamento ou crédito dessa verba no próprio exercício em que foi originado o respectivo lucro obrigaria os sócios ou acionistas a se submeterem à incidência tributária para evitar a preclusão do direito, importando em interferência da lei tributária na gestão da companhia, o que não é admitido pelo ordenamento jurídico. A impugnante sustenta que os JCP são dedutíveis quando efetivamente ocorrer seu pagamento aos acionistas, mesmo que em período posterior ao da apuração dos respectivos lucros. A embasar sua afirmação, cita jurisprudência do Superior Fl. 770DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 6 Tribunal de Justiça – STJ e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Às fls. 203 a 213 (doc. 04), a impugnante junta planilha na qual demonstra que, ao final de 2005, poderia ter pago aos acionistas o valor de R$308.348.000,00 a título de JCP, mas limitouse a pagar R$145.885.000,00. Às fls. 215 a 219 (doe. 05), apresenta planilha que indica que foi apurado o montante de R$356.088.000,00 passível de pagamento como JCP. Acrescenta que, ao deliberarem sobre a destinação dos lucros apurados com base nas demonstrações financeiras de 2006 (doc. 06 fls. 221 a 225), os acionistas decidiram pagar a importância de R$486.950.000,00 a título de JCP em substituição aos dividendos, dos quais R$356.088.000,00 correspondentes aos lucros apurados naquele exercício, acrescidos da importância de R$130.862.000,00 relativa a parte dos JCP apurados no exercício findo em 2005 que deixaram de ser pagos naquele período. A impugnante também alega que o art. 9º da Lei n° 9.249/95 determina que o limite para dedutibilidade dos JCP corresponde aos lucros, computados antes da dedução dos juros, ou, alternativamente, de lucros acumulados e reservas de lucros em montante igual ou superior a duas vezes o valor dos juros a serem pagos ou creditados. Afirma que tomou como limite o valor dos lucros acumulados e reservas de lucros que, ao final do ano de 2006, totalizava R$820.530.000,00, valor muito superior ao montante pago a título de JCP. Assim, conclui que o procedimento adotado encontrase em total conformidade com a lei e com os precedentes judiciais e administrativos aplicáveis à matéria em discussão. Ad argumentandum, caso se decida pela indedutibilidade dos JCP apurados em 2005, alega a impugnante que o limite a ser considerado em 2006 é de R$356.087.650,00 e não de R$353.671.215,74 como informado anteriormente à fiscalização. Esclarece que a diferença se explica pela forma adotada para a apuração da remuneração do capital pela variação da TJLP, que deveria ser calculada sobre as contas do patrimônio líquido com base no critério pro rata temporis e não sobre o saldo final indicado nas demonstrações financeiras levantadas em 31 de dezembro de 2006. Às fls. 227 a 232 (doc. 07), apresenta planilha demonstrativa de seu cálculo. Por todo o exposto, requer seja julgada integralmente procedente a impugnação, cancelandose a exigência fiscal. Caso não acolhido o pedido acima, requer ao menos seja reduzido o valor da exigência fiscal, pois o limite de dedução é superior àquele informado à fiscalização. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 1401000.902 S1‐C4T1 Fl. 769 7 Por fim, protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, esta proferiu o acórdão nº 1631.041, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2006 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. A observância do regime de competência é condição para a dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. LIMITE. A pessoa jurídica pode deduzir, na apuração do lucro real, os juros sobre o capital próprio calculados sobre as contas do patrimônio líquido, excetuadas das reservas de reavaliação, limitados à variação pro rata dia da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Anocalendário: 2006 PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROTESTO GENÉRICO. Há que ser indeferido o protesto genérico pela produção de provas, face ao não atendimento das condições previstas no art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 8 Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Inconformada com o acórdão proferido pela DRJ, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, no qual reiterou os fundamentos da sua impugnação e aprofundou a sua argumentação para combater o raciocínio defendido pela DRJ. Em seu recurso, a Recorrente também teceu breves considerações sobre o recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Alexandre Antônio Alkmim Teixeira O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em resumo, é possível sintetizar os fundamentos da autuação em dois pontos principais: o pagamento retroativo de Juros sobre Capital Próprio (JCP) e os limites de dedutibilidade que o cercam. Confirase o trecho abaixo extraído do Termo de Verificação Fiscal: Segundo a "Planilha”, os JCP do ano de 2006 foram calculados com base na Taxa de Juros a Longo Prazo — TJLP aplicada sobre os valores de Patrimônio Líquido do contribuinte no mesmo ano, obtendose um total de "Juros a Distribuir" de R$ 353.671.215,74, o qual o contribuinte denominou de "limite 1". Embora o contribuinte tenha encontrado como "limite 1" de distribuição de juros o valor de R$ 353.671.215,74, distribuiu e deduziu como despesa na apuração de seu lucro líquido do ano de 2006 de R$ 486.950.000,00. Como se verifica no quadro inferior da "planilha" apresentada (fls. 21 ), o contribuinte utilizase de "saldo remanescente", correspondente a exercícios anteriores a 2006, para distribuição de valores de JCP. Assim, o contribuinte, embora tenha contabilizado despesa com JCP no montante de R$486.950.000,00 no ano de 2006, a parte dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL é de R$ 353.671.215,74, uma vez que a lei tributária instituiu um limite quanto a dedutibilidade de valores "para efeitos da apuração do lucro real”, como veremos adiante. De início, cabe ressaltar que não está em pauta a análise da condição de existência de lucros acumulados e reserva de lucros em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos, haja vista que esse limite foi devidamente respeitado, conforme comprovado pelo contribuinte na planilha de fl. 23, não contestado pela fiscalização. Ademais, em seu recurso voluntário o contribuinte volta a reforçar que tal limite foi devidamente atendido, não tendo sido objeto de questionamento pela PGFN em suas contrarrazões ao recurso voluntário. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 1401000.902 S1‐C4T1 Fl. 770 9 O fundamento do lançamento do IRPJ e da CSLL consiste, portanto, no fato de que a Autoridade Fiscal entendeu que somente seriam dedutíveis em 2006 os valores correspondentes à variação da TJLP incidente sobre as contas do patrimônio líquido daquele ano. Inconformado com o lançamento, a Recorrente apresentou impugnação defendendo a tese de que atendeu a todas as condições legais para a dedução de valores pagos ou creditados a título de JCP no anocalendário de 2006. Também afirmou inexistir na legislação tributária qualquer vedação à dedutibilidade de JCP pagos em relação a anos calendário anteriores e, ainda, demonstrou ter observado o regime de competência na medida em que deduziu os JCP no mesmo exercício em que houve a deliberação pelo pagamento dos valores. Ao apreciar a defesa da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu manter parcialmente o auto de infração ao fundamento de que houve desrespeito ao regime de competência, uma vez que somente seriam dedutíveis os juros incidentes sobre o PL do mesmo exercício para o qual se apura lucro real em que se fará a dedução. No que diz respeito à exoneração de parte do crédito tributário pela DRJ, que retificou o limite passível de dedução a título de JCP no anocalendário de 2006, em função das alterações na mutação do patrimônio líquido comprovadas pelo contribuinte, mantenho os mesmo fundamentos, dado o acertamento nas ponderações e cálculos realizados pelas Autoridades Julgadoras. Além disso, a DRJ cita entendimento de Edmar Oliveira Andrade Filho, dando a entender que o não exercício da faculdade de dedução de despesa de JCP do ano calendário de 2005 configuraria renúncia ao direito de fazêlo, não sendo admitida a sua dedução posterior. Confirase o trecho extraído do voto da DRJ, no momento em que faz menção ao mencionado autor, segundo o qual “se as pessoas que detinham competência para deliberar pelo sobre o pagamento dos juros não o fizeram e aprovaram as demonstrações financeiras sem que tal obrigação fosse considerada, parece fora de dúvida que elas renunciaram à faculdade prevista em lei.” Equivocase, entretanto, o órgão julgador ao realizar tal afirmação, porque a renúncia a direitos sempre deve ser expressa, não sendo presumida pelo simples não exercício de determinada faculdade, salvo nos casos em que houver expressa previsão legal, que, definitivamente, não é a hipótese dos autos. Neste momento, é importante analisar o art. 114 do Código Civil, incluso no Capítulo das Disposições Gerais do Negócio Jurídico, cuja redação alerta que “os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente”. Ora, se não há previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP, se até mesmo no Direito Privado a renúncia deve ser interpretada de forma restrita, não vejo como o silêncio do acionista ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 10 Nas contrarrazões apresentadas, a PGFN também desenvolve raciocínio similar ao da DRJ, alegando ser a deliberação tomada em assembléia um negócio jurídico que não pode ser revogado ou modificado a qualquer tempo, salvo se comprovado erro, dolo, fraude ou simulação. Nesse sentido, conclui que se já houve a assembléia ordinária referente ao exercício passado, na qual foi externada a vontade social sobre a destinação dos lucros, os acionistas acabaram por renunciar a faculdade que lhes foi conferida (pagamento de JCP). Confirase a alegação da PGFN (fl. 754/756): O artigo 132 da Lei n° 6.404/76 impõe a obrigatoriedade da empresa realizar uma Assembleia Geral ordinária anual, nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social, no intuito de votar as seguintes matérias: Art. 132. Anualmente, nos 4 (quatro) primeiros meses seguintes ao término do exercício social, deverá haver 1 (uma) assembléia geral para: I tomar as contas dos administradores, examinar, discutir e votar as demonstrações financeiras; II deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos; III eleger os administradores e os membros do conselho fiscal, quando for o caso; IV aprovar a correção da expressão monetária do capital social (artigo 167). De acordo com o artigo 134, § 6º da Lei n° 6.404/76, “a ata da assembléiageral ordinária será arquivada no registro do comércio e publicada”. A deliberação tomada em Assembleia pode ser classificada como um negócio jurídico plurilateral. Negócio jurídico, no conceito desenvolvido por Antonio Junqueira de Azevedo (Negócio Jurídico: existência, validade e eficácia, 4ª edição Saraiva, 2002) é: “todo fato jurídico consistente na declaração de vontade, a que o ordenamento jurídico atribui os efeitos designados como queridos, respeitados os pressupostos de existência, validade e eficácia impostos pela norma jurídica que sobre ele incide”. Plurilateral, por se tratar de negócio que envolve a composição de mais de duas vontades paralelamente manifestadas por diferentes partes. Nos termos do artigo 1072 do Código Civil, aplicado às sociedades anônimas em razão do artigo 1.089 do Código Civil, “§ 5º As deliberações tomadas de conformidade com a lei e o contrato vinculam todos os sócios, ainda que ausentes ou dissidentes”. (...) Significa, então, que as deliberações tomadas em Assembleia pelos acionistas não podem ser simplesmente revogadas ou modificadas a qualquer tempo. Na qualidade de negócio jurídico Fl. 775DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 1401000.902 S1‐C4T1 Fl. 771 11 tutelado pelo Direito, a anulação da manifestação de vontade externada na reunião somente pode ocorrer se ficar comprovado erro, dolo, fraude ou simulação, conforme art. 171 e seguintes do Código Civil. (...) A cópia da ata comprova que o lucro apurado no período de 2005 foi destinado ao pagamento de dividendos e de JCP abaixo do limite autorizado pela lei. O restante, pelo que consta, foi destinado à reserva legal e reserva de expansão. Ora, em se tratando de exercício social pretérito já houve a realização de assembléiaferal ordinária, onde foi externada a vontade social sobre a destinação dos lucros e aprovação das demonstrações financeiras. Temse, então, ato jurídico perfeito, estando apto a produzir todos os seus efeitos. A ata, inclusive, foi arquivada e publicada, em cumprimento ao art. 134, § 6º da Lei nº 6.404/76. (...) Se a empresa, por meio de seus sócios e no momento adequado, resolveu deliberar sobre o pagamento de juros sobre capital próprio abaixo do limite permitido (ano de 2005), por óbvio, acabou renunciando à faculdade que lhe foi conferida. Tudo em absoluta observância ao princípio da livre iniciativa e autonomia privada. Porém, não pode agora pretender mudar tal decisão, sem qualquer justificativa ou prova de que houve vício na manifestação de vontade dos acionistas. Ocorre que, a i. Procuradora, apesar de bem fundamentar o conceito de “negócio jurídico”, visando defender a sua imutabilidade, se esquece de verificar que a renúncia, no âmbito dos negócios jurídicos, deve ser interpretada restritivamente, não sendo aceitável a sua presunção. Além disso, é importante salientar que a Assembleia Geral Ordinária, como bem elucidado pela PGFN, tem o dever de deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição dos dividendos. Repare que o artigo 132 da Lei nº 6.404/76 não faz qualquer referência à obrigatoriedade de constar na AGO a deliberação do pagamento de JCP. Portanto, além do impedimento de presumir a renúncia, quando esta não for explícita, não há obrigatoriedade legal em definir o pagamento de JCP na AGO. Entender o contrário é equiparar o instituto do JCP aos dividendos. E, mesmo que admitida a analogia entre os institutos para atribuir um efeito tributário, haveria a necessidade de manter um entendimento uniforme e coerente nas decisões proferidas por este Conselho. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 12 Se esta Câmara já se pronunciou que os JCP não possuem natureza jurídica de dividendos e, consequentemente, sendo tributável o recebimento daqueles, não é admissível que diante do presente caso se desconsidere o que fora outrora afirmado para, então, acolher o argumento de que JCP e dividendo possuem a mesma natureza jurídica. Confirase o julgado anterior no qual o Contribuinte pleiteava o reconhecimento da isenção aos valores recebidos a título de JCP sob o argumento de possuírem natureza jurídica de dividendos: Enfim, não merece prosperar a vontade do Recorrente de que as remunerações recebidas pelos investidores devem receber o mesmo tratamento tributário dos dividendos, sob o argumento de que possuem “a mesma natureza”, sendo que a legislação imputa tratamento tributário diverso. (Acórdão nº 14010100.401 de 16 de dezembro de 2010) Portanto, o fato de a Lei nº 6.404/76 prever a necessidade de deliberação da distribuição dos dividendos na AGO não confere essa obrigatoriedade de deliberação dos JCP. Mesmo que pudéssemos aplicar, por analogia, o entendimento de que a AGO deveria deliberar sobre o pagamento de JCP, o entendimento do Fisco não prosperaria. Isso porque, suponhamos que a sociedade não deliberou o pagamento de dividendos de um determinado exercício. Isso significaria a sua renúncia em distribuir aquele lucro e, consequentemente, aquele valor não mais poderia ser distribuído? Logicamente que não. Convém ressaltar que a Lei nº 6.404/76 estabelece expressamente que os lucros que deixarem de ser distribuídos (por inviabilidade momentânea do seu desembolso exemplo: falta de caixa para efetuar o seu pagamento) poderão ser distribuídos de forma extemporânea, por meio de deliberação posterior. Vêse que o pagamento de dividendos pode ser deliberado a qualquer momento, desde que apurada a existência de lucros passíveis de distribuição. Assim sendo, mesmo admitindo a analogia entre o JCP e os dividendos, não haveria qualquer proibição ao pagamento ou creditamento de JCP que deixaram de ser deliberados em períodos anteriores. Destarte, a deliberação em período posterior não significa modificação ou retificação das deliberações das Assembleias antigas, que continuam válidas e vigentes. Ocorre que, em período posterior, foi deliberado algo que não foi objeto das Assembleias anteriores. Feitos esses apontamentos e ausente qualquer vedação legal nesse sentido, dúvidas não remanescem quanto ao fato de que os acionistas presentes em assembléia podem, a qualquer momento, deliberar sobre essa modalidade de remuneração do capital, ainda que para períodos pretéritos, desde que observados os requisitos e limites de dedução impostos pela legislação. Aplicandose esse raciocínio para o caso analisado temse que: o fato de os acionistas terem deliberado, na AGO de 28/04/2006 (fl. 341), o pagamento de JCP para 2005 em valor inferior ao que comprovadamente teriam direito, não quer dizer que eles renunciaram ao direito de fazêlo. Eles podem simplesmente ter postergado a sua deliberação por mera estratégia na condução dos negócios da companhia. Passase, agora, a analisar o argumento do desrespeito ao regime de competência na deliberação retroativa dos JCP. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 1401000.902 S1‐C4T1 Fl. 772 13 Por meio do art. 9º da Lei nº 9.249/95, o legislador inseriu em nosso ordenamento jurídico a figura dos JCP, facultando à pessoa jurídica “deduzir para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP”. O trecho supracitado permite inferir que a dedução – para efeitos da apuração do lucro real – deve ocorrer quando os juros forem pagos ou creditados aos sócios ou acionistas. E, logicamente, os JCP somente serão pagos ou creditados quando da deliberação dos sócios ou acionistas neste sentido. Contudo, o referido diploma não realizou qualquer ressalva sobre o momento adequado para deliberação do pagamento dos juros sobre capital próprio. É dizer: não há nenhuma restrição legal em pagar ou creditar JCP aos acionistas referentes aos anos calendários anteriores. . Na hipótese dos autos verificase que houve a deliberação dos JCP seguida do seu pagamento no anocalendário de 2006, relativos aos anoscalendário de 2005 e 2006, evento ratificado na AGO de 30/04/2007. Assim, em 2006 seria possível deduzir para efeitos da apuração do lucro real os JCP pagos aos acionistas neste ano. Esse contexto fático foi comprovado pelo contribuinte ao longo dos autos, não sendo objeto de questionamento pela Autoridade Fiscal e, muito menos, pela Autoridade Julgadora ou pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. É importante lembrar que, de acordo com o Pronunciamento CPC nº 25 passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. Desta forma, a obrigação de pagamento de JCP somente se torna “obrigação presente” quando da deliberação pelos sócios. O período de competência é marcado pelo momento da deliberação dos sócios pelo seu creditamento ou pagamento, não havendo qualquer objeção legal à distribuição acumulada de JCP. Isso porque, o direito de exigir a referida remuneração somente surge para os sócios a partir do momento em que deliberam pelo ou realizam o pagamento dos JCP, valendo frisar que não existe nos instrumentos normativos que regulam a matéria qualquer imposição de que a dedução dos JCP deva ser realizada no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa. O pagamento retroativo e acumulado de JCP é pautado exclusivamente pelos critérios de conveniência financeira da pessoa jurídica e dos seus sócios, cabendolhes a faculdade de deliberar ou não pelo seu pagamento no mesmo ano em que apurado o lucro ou nos exercícios subsequentes, não havendo que se falar em renúncia ou preclusão temporal desse direito. Nesse mesmo sentido, merece destaque o precedente abaixo, também emanado deste Conselho, que aborda muito bem os pontos aqui levantados. Confirase: Fl. 778DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 14 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anoscalendário: 2002 e 2006 Ementa: JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou sua distribuição. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Provido. Por oportuno, convém transcrever o seguinte trecho, extraído do voto condutor do julgado acima, corroborando o que foi dito até o momento: De fato, a IN SRF n° 11/96, ao prever que os JCP são dedutíveis segundo o regime de competência, apenas esclarece que a despesa a eles relativa deve ser reconhecida no períodobase em que for deliberado o seu crédito ou pagamento, pois apenas nesse momento teria nascido à obrigação a eles relativa, indispensável ao reconhecimento de despesas na forma daquele regime. Nesse sentido, faço uso novamente dos ensinamentos de Edmar Oliveira Andrade Filho, que assevera que o período de competência dos juros sobre o capital é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, e sendo assim, enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou o encargo respectivo e não há o que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente. Portanto, tendo a Recorrente respeitado, para efeito de dedutibilidade, os critérios e limites previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, não há como negar a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio por ela lançada e glosada pela fiscalização. (Acórdão 10196.751 de 29 de maio de 2008) Neste sentido, não há como prosperar a alegação de que as demonstrações financeiras dos exercícios anteriores deveriam ser retificadas no caso de JCP retroativo, pois a Fl. 779DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 1401000.902 S1‐C4T1 Fl. 773 15 obrigação não nasceu nas demonstrações financeiras antigas, mas sim no momento da deliberação do pagamento. Entender o contrário é violar o princípio do livre exercício da atividade econômica, pois o Fisco, além de não ter respaldo legal para impedir a dedução retroativa do pagamento dos juros sobre capital próprio (já que a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa), também não tem o direito de interferir na gestão dos negócios da empresa. Ademais, mesmo no caso de se entender pela desobediência do regime de competência, como fundamentou a DRJ e a PGFN, não seria o caso de prosperar o lançamento. Isso porque, o RIR/99 disciplina em seu art. 273 como e quando deve ser realizado o lançamento no caso de inobservância de regime de competência. Confirase a redação do citado dispositivo: Seção VIII Inobservância do Regime de Competência Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). Depreendese da leitura do dispositivo acima que somente constitui fundamento para o lançamento de imposto ou diferença de imposto (inclusive adicional, correção monetária e multa) se da inobservância do regime de competência resultar Fl. 780DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 16 postergação do seu pagamento para exercício posterior ao em que seria devido ou redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. Entretanto, o pagamento retroativo de JCP não se enquadra nessa hipótese, justamente porque há a antecipação – e não postergação – do imposto devido, na medida em que a pessoa jurídica opta por deduzir em exercícios subsequentes despesas financeiras que já poderia reduzilas do lucro tributável dos anoscalendário anteriores, caso tivesse optado pela deliberação do pagamento do JCP naquela época. Em virtude do exposto, por entender que não há prazo legal ou convencional que permita impor a caducidade do direito ao pagamento retroativo de JCP, por ser impossível a presunção de renúncia, o período de competência está correto (mesmo se não tivesse o lançamento deveria respeitar o art. 273 do RIR/99), discordo da DRJ e admito o pagamento ou creditamento retroativo de JCP, desde que sejam observados os limites de dedutibilidade impostos pela lei, que foram observados no presente caso. Em razão do exposto, voto pelo cancelamento do Auto de Infração. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 13971.720049/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.098
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. RELATÓRIO O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento de créditos da contribuição para a Cofins não cumulativa – exportação tendo como fundamento o art. 6° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativamente ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 46.789,14, formalizado por meio do PER/DCOMP n° 11994.47124.160107.1.1.09 9930 (fls. 01 a 05), transmitido em 16/01/2007. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.720049/200811 Resolução n.º 3202000.098 S3C3T2 Fl. 986 2 Esclareceu a fiscalização (efl. 728) que o montante de crédito passível de ressarcimento apurado pela contribuinte, no presente trimestre, é de R$ 681.711,40, sendo que a requerente limitou o pedido de ressarcimento, ao crédito que remanesceu após as Declarações de Compensações tributárias apresentadas a RFB em 27/08/2004, nos autos do processo 13971.001367/200447, na qual utilizou R$ 224.189,26 referentes ao mês de julho/2004, em 23/09/2004, nos autos do processo 13971.001771/200411, na qual utilizou R$ 253.252,95 referentes ao mês de agosto/2004 e 28/10/2004, nos autos do processo 13971.001928/200416, na qual utilizou R$157.480,05 referentes ao mês de setembro/2004, restando o valor de R$ 46.789,14, objeto do presente Pedido de Ressarcimento. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento, PER/DCOMP nº 11994.47124.160107.1.1.099930, de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, nãocumulativa, decorrentes das receitas de exportação referentes ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 46.789,14. Relatório de Auditoria Fiscal Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil — DRF pelo seu indeferimento, em razão do não acatamento de valores inseridos pela contribuinte na base de calculo do crédito, como segue: a) o valor de R$ 590.984,43, informado na linha 28 da ficha 06 Apuração dos Créditos da Cofins (fl. 13), como Saldo de Créditos do Mês Anterior de Exportações, que foi objeto de outros Pedidos de Ressarcimento dos trimestres a que se referiam; b) em relação aos valores das operações de aquisição declarados na linha 02 do Dacon foram glosados os seguintes valores: a. as diferenças, a maior, entre estes (Dacon) e os informados na memória de cálculo apresentada; b. as diferenças, a maior, entre os valores informados na memória de cálculo apresentada e os apurados a partir do LRE (montantes mensais apurados por CFOP); deste foram excluídas as deduções decorrentes de devoluções de notas de aquisições que anteriormente compunham a base de créditos pleiteados e do IPI incluído no valor total das notas fiscais; c. das aquisições de bens de pessoa física, conforme as respectivas notas fiscais; d. das notas fiscais que não se referem a aquisição de bens, no caso, as notas escrituradas no CFOP 1.151 TRANSFERÊNCIA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO, de emissão da própria requerente, referentes à entrada de lenha extraída de reflorestamentos de sua propriedade; c) em relação às devoluções de vendas, foram excluídas as diferenças, a menor, verificadas entre os valores apurados nos arquivos digitais do LRE e os declarados no Dacon. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.720049/200811 Resolução n.º 3202000.098 S3C3T2 Fl. 987 3 Consta que o montante de crédito passível de ressarcimento apurado pela contribuinte para o trimestre é de RS 681.711,40, limitando, a requerente, o pedido de ressarcimento de que se trata ao crédito que remanesceu após as compensações (anexas aos autos) apresentadas: uma em 27/08/2004, nos autos do processo 13971.001367/200447, na qual se utilizou de R$ 224.189,26; outra em 23/09/2004, nos autos do processo 13971.001771/200411, na qual se utilizou de R$ 253.252,95; e outra em 28/10/2004, nos autos do processo 13971.001928/200416, na qual se utilizou de R$ 157.480,05. Em análise ao crédito pretendido pela contribuinte, efetuadas as glosas de valores da base de cálculo da apuração deste, a DRF: • decidiu pelo reconhecimento parcial do direito creditório nos valores de R$ 154.384,96, R$ 130.787,94 e R$ 122.388,29, para os meses de julho, agosto e setembro de 2004, respectivamente; • não se manifestou em relação a declaração tratada nos autos do processo 13971.001367/200447, na qual a contribuinte se utilizou do valor de R$ 224.189,26 referente ao Ines de julho/2004, em face de sua homologação tácita; • decidiu pela homologação parcial: da Declaração de Compensação tratada nos autos dos processos 13971.001771/200411, até o limite de R$ 130.787,94; da Declaração de Compensação tratada nos autos dos processos 13971.001928/200416, até o limite de R$ 122.388,29. Manifestação de Inconformidade A interessada, inicialmente, contestou a glosa das diferenças verificadas entre os valores informados na memória de cálculos e os declarados em Dacon alegando que "a informação fiscal válida é aquela prestada na DACON. A memória de cálculo apresentada posteriormente não pode ser considerada como informação oficial, nos termos da lei". Nesse sentido, defende que "Eventuais diferenças devem ser levantadas com base nas informações fiscais prestadas nos termos da legislação: Livro Registro de Entradas e Dacon". No que se refere às operações de aquisição reconhecidas como geradoras de crédito, apuradas a partir do LRE, reclama que a Autoridade Fiscal não considerou na apuração do montante destas operações os valores das aquisições de matériaprima importada (CFOP 3.101), aquisições estas que geram créditos por se referirem a insumos. Também reclama da não inclusão dos valores referentes aos serviços de transporte nas aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. A fim de corrigir os equívocos na apuração das divergências, pugna pela verificação dos conhecimentos de transporte registrados, inclusive no livro fiscal de entradas, que segue em anexo, em CD, para apurar os devidos registros. Em relação às aquisições de pessoas físicas, diz que, pelo fato terem ocorrido apenas no período de julho de 2004, em relação ao qual ocorreu a homologação tácita, não se manifestará. Quanto às notas referentes à entrada de lenha, informa que os custos referemse a serviço de extração de lenha utilizada nas caldeiras da Fl. 910DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.720049/200811 Resolução n.º 3202000.098 S3C3T2 Fl. 988 4 empresa. Explica que a empresa contratada, para efetuar o corte da lenha e pôla a sua disposição, emitia "notas de serviço globais, por períodos" e que a "cada nota de serviço correspondiam várias cargas de lenha. Para o ingresso do produto nas dependências da empresa, eram emitidas notas fiscais de entrada, englobando várias cargas transportadas". Destaca que "como as notas de serviço não são escrituráveis no livro fiscal", não tomou o crédito com base nestas, como teria "pleno direito, com base nos dispositivos do art. 3° da Lei 10.833/2003", mas "Para fins de crédito e registro fiscal, a empresa lançou as notas fiscais de entrada, conforme cada lote de cargas, atribuindolhes valor proporcional ao serviço cobrado através das notas de serviço". Junta planilhas e notas, por amostragem, a fim de demonstrar a correlação entre os valores das notas de serviço e as notas de entrada de lenha. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão n.º 0726.534 de 28 de outubro de 2011 (efolhas 868/ss). A interessada regularmente cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Florianópolis, em 23/11/2011 (efolha 890), interpôs Recurso Voluntário em 23/12/2011 (efls. 895/ss), onde alega, em apertada síntese, o que segue: (a) Existem divergências entre os valores informados na memória de cálculo e os valores declarados em DACON. Afirma que o cálculo constante no Relatório de Auditoria (itens 3.2 – Glosa Divergência aquisições com créditos X memória de cálculo) desconsidera valores que certamente gerariam créditos em seu favor; (b) Em relação às aquisições de matériasprimas do exterior, afirma que de acordo com o Relatório Fiscal (item 3.2) não foi acatada a base de cálculo no montante de R$ 1.558.693,66 para o mês de agosto/2004. E, ainda, aduz não ter sido relacionado qualquer valor no campo “Aquisições com créditos apuradas com base nos arquivos digitais do LRE”, contudo, neste período assevera que o montante de matériasprimas importadas (CFOP 3101) foi de R$ 1.382.916,75. Conclui que o crédito indicado em relação aos insumos importados deve ser considerado para fins de cálculo do ressarcimento do tributo; (c) Em relação às aquisições de serviços de transporte/frete, alega não terem sido considerados pela fiscalização os custos havidos com os serviços de transporte nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (CFOP 1.353 E 2.352) na apuração da base de cálculo efetuada pela fiscalização; (d) Em relação aos custos com extração de lenha que foram glosados pela fiscalização, afirma que que eventual equívoco cometido pela empresa (ter informado referida despesa na DACON como “aquisição de insumo” ao invés de “prestação de serviço”) não tem o condão de desconsiderar a despesa em comento e, por conseguinte, os créditos dela decorrentes. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.720049/200811 Resolução n.º 3202000.098 S3C3T2 Fl. 989 5 Esclarece, a Recorrente, que não comentará sobre as glosas de valores apurados no mês de julho/2004 (aquisições de pessoas físicas, por exemplo), pelo fato de referidas aquisições terem ocorrido no período em relação ao qual ocorreu a homologação tácita. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. Como relatado acima, a Recorrente aponta uma série de divergências factuais em relação à versão dos fatos apurada pela fiscalização, consignado no Relatório de Auditoria Fiscal, e a sua versão dos fatos, o que teria como consequência glosas indevidas quanto aos valores a serem ressarcidos da Cofins. Pareceme razoável o questionamento levantado pela Recorrente, uma vez que existem dúvidas razoáveis sobre os fatos alegados pelas partes que precisam ser esclarecidos. Destarte, entendo que ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, através da juntada de documentação probante, para que possam demonstrar suas alegações, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório. O princípio da verdade material referese ao dever de esclarecer o fato real, trazer aos autos a versão mais próxima possível do evento ocorrido, para que o julgador disponha de elementos seguros para a sua decisão. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. À vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que sejam esclarecidos os seguintes pontos trazidos pela Recorrente: i. As divergências apontadas entre os valores informados na memória de cálculo e os valores declarados em DACON; ii. Se as aquisições de matériasprimas do exterior foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo; iii. Se as aquisições de serviços de transporte/frete foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo; iv. Se os custos com extração de lenha foram glosados pela fiscalização, como afirma a Recorrente. E se houve equívoco cometido pela empresa, ao informar referida despesa na DACON como “aquisição de insumo” ao invés de “prestação de serviço”. Para tanto, a autoridade fiscal da DRF – Blumenau poderá, a seu critério, proceder à diligência na empresa, bem como intimála para apresentação dos elementos probantes que entender necessários e suficientes para esclarecimento dos fatos alegados. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.720049/200811 Resolução n.º 3202000.098 S3C3T2 Fl. 990 6 Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF – Blumenau deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestando se sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Fl. 913DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.915467/2009-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO.
Inexistindo crédito líquido e certo, inexiste o direito à compensação.
Numero da decisão: 3403-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10325.000378/2006-06
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2003
IRPF - DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVRO-CAIXA - LANÇAMENTO LAVRADO QUANDO JÁ FALECIDO O CONTRIBUINTE - ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO
Se comprovadamente o contribuinte já havia falecido muito antes da lavratura do auto de infração, sem nem sequer participado dos atos antecedentes da fiscalização, há de reconhecer-se a ilegitimidade passiva do contribuinte.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-001.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite (Relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Redator designado
EDITADO EM: 08/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello e Dayse Fernandes Leite. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2003 IRPF - DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVRO-CAIXA - LANÇAMENTO LAVRADO QUANDO JÁ FALECIDO O CONTRIBUINTE - ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Se comprovadamente o contribuinte já havia falecido muito antes da lavratura do auto de infração, sem nem sequer participado dos atos antecedentes da fiscalização, há de reconhecer-se a ilegitimidade passiva do contribuinte. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite (Relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Redator designado EDITADO EM: 08/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello e Dayse Fernandes Leite. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sidney Ferro Barros.
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite (Relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 03 78 /2 00 6- 06 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 2 EDITADO EM: 08/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello e Dayse Fernandes Leite. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Relatório Tratase de Auto de Infração de fl. 10 a 15, lavrado para a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, referente ao anocalendário de 2002, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 138.149,29, incluído multa de ofício de 75%,juros de mora, estes calculados até 04/2006, sob o seguinte fundamento: 001 — DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE —DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA Glosa de despesas pleiteadas como deduções referentes ao Livro Caixa, por falta de comprovação das mesmas. 0 contribuinte em epígrafe foi regularmente intimado e reintimado a comprovar a apresentar o livro caixa e a comprovar as despesas que supostamente nele estavam registradas, mas não o fez, apenas ignorou as intimações, d a Receita Federal. (..) Ficando a totalidade das deduções pleiteadas como deduções de Livro Caixa, tributadas conforme recomenda a legislação indicada abaixo. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados às fls. 11/12. Discordando da exigência fiscal(fls.17/18) a Sra. Elfrida Immig Scherer, responsável legal do espólio do contribuinte, consoante o relatório da decisão de primeira instância, contesta o lançamento alegando, em síntese: "Espólio de Antonio Ricardo Scherer, (...) I — Os fatos 1. 0 contribuinte teve sua Declaração de Rendimentos, exercício 2003, anocalendário 2002, revisada; 2. Tratase de revisão "Malha" pessoa física, onde a autoridade fiscal procedeu o pedido de esclarecimento via remessa postal, mas que foi extraviada, devido ter sido recebida por alguém que não deu importância devida ao documento; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10325.000378/200606 Acórdão n.º 2802001.027 S2TE02 Fl. 597 3 3. 0 auto de infração alega glosa de despesa pleiteadas como deduções ao Livro Caixa, por falta de comprovação das mesmas; 4. Em decorrência foi aplicada a multa de oficio a razão de 75% sobre o imposto considerado devido 5. Adicionalmente a penalidade, compõe o credito tributário a incidência da taxa SELIC e multa. 0 que totaliza o valor de R$ 138.149,29 conforme indicado As fls. 01 do auto de infração. II Preliminar O espólio de Antonio Ricardo Scherer, sempre trabalhou com atividade de pecuária, na compra e venda de gado para abastecer algumas pequenas mercearias no bairros, juntamente com seu pai e sua mãe. Fez sua declaração utilizando o livro caixa, pois, tinha despesas com gado que comprava. A situação que se encontra hoje: A grande maioria das notas que prova receitas e despesas foram jogadas fora, por falta de conhecimento de pessoas que residiam na casa depois de seu falecimento, acharam que eram notas velhas. Quanto a notas de receitas, o que há, para comprovar a aquisição do gado são recibos do Matadouro Público de Balsas e documentos de arrecadação da Receita Estadual, Explico: 0 próprio Estado reconhece a dificuldade do sertanejo em ter notas fiscais, por isso a cobrança do ICMS é feita de forma simplificada, ou seja, o estado envia ao matadouro um agente arrecadador onde é feita a cobrança, através do dare e dessa forma é que provamos a aquisição do gado. Quanto as notas de despesas, muitas estão em nome do Sr. Elemar José Scherer (o pai do espolio) e algumas em nome de amigos, devido a problemas de cadastro, e o restante foi extraviado depois de seu falecimento. (...) Diante do exposto, vem respeitosamente requerer que seja revisada e retirada esse crédito tributário, devindo não termos condições de pagar um valor tão alto, que seja decretado a nulidade do lançamento fiscal." Foi anexado ao presente processo os documentos de fls. 19/290.” Fl. 318DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 4 A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0818.663, de 04 de agosto de 2010, que se encontra às fls. 294/299, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO LIVRO CAIXA PREVISÃO LEGAL Incabível a dedução de Livro Caixa, na Declaração de Ajuste Anual, por falta de previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão de primeira instância em17/09/2010 (fls. 304), o recorrente apresentou recurso voluntário em 13/10/2010 (fls.305), no qual reitera as razões apresentadas em primeira instância e ainda argumenta, em síntese, que o contribuinte declarou erroneamente os valores, portanto passíveis de impugnação de lançamento, pois houve um erro de fato, com sua devida comprovação, onde a receita bruta mensal foi lançada de forma errônea em rendimentos de pessoa física, sendo o correto lançar em rendimentos tributáveis na atividade rural da pessoa física. Apela, fundamentado, no princípio da razoabilidade, para que o lançamento seja cancelado, e tributado o limite de 20% sobre a receita bruta total da atividade e sobre os 20% aplicando a tabela do IR, para apurar o devido imposto a ser pago. É o Relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10325.000378/200606 Acórdão n.º 2802001.027 S2TE02 Fl. 598 5 Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite Relatora O recurso de fls. 305 a 306 é tempestivo, consoante o cotejo do AR – Aviso de Recebimento de fl. 304. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. O lançamento envolve a glosa de dedução indevida de despesas de livro caixa do anocalendário 2002. Em sede de recurso, o sujeito passivo não se insurgiu, especificamente, contra a infração apuradas pela autoridade lançadora. A matéria em discussão, aqui, pareceme ser tãosomente a efetiva possibilidade de o contribuinte retificar sua declaração após o início do procedimento de oficio. Sim, porque a razão de recorrer do contribuinte foi o fato de a decisão de primeira instância não ter aceitado as alegações apresentadas em primeira instância.. Contudo, entendo que a retificação não pode ser admitida por expressa restrição legal (DL n° 1.967/1982, art. 21; e DL n° 1.968/1982, art. 6°) consolidada no caput art. 832 do RIR 11999, nos seguintes termos: "A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado CITO nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de oficio." Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 320DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 6 Voto Vencedor Carlos André Ribas de Mello – redator designado. Em que pese o judicioso voto da Emin. Conselheira Relatora, dela pouso discordar por entender que há um intransponível óbice à validade do lançamento. Isto porque observo que o óbito do contribuinte está atestado a fls.20, tendo ocorrido em 12 de fevereiro de 2005. Tendo o lançamento se dado em 05 de maio de 2006, passado, portanto, mais de um ano do óbito do contribuinte, não se pode admitir a sua manutenção, pois padece de nulidade, de vez que não se pode ter por sujeito passivo da obrigação tributária o de cujus. É fato que, se o lançamento houvesse se dado quando ainda vivia o contribuinte, após o seu falecimento, o espólio deveria responder pelo débito correspondente, no limite do montante da sucessão. Não é, contudo, o que ocorre nos presentes autos. Pontuese que todos os atos da fiscalização também foram dirigidos o falecido contribuinte, impondolhe, ou a espólio, grave cerceamento do direito de defesa, um vício flagrantemente material. Isto posto, dou provimento ao recurso, para desconstituir integralmente o lançamento, a este fundamento. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 321DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE
score : 1.0
Numero do processo: 10845.003745/2008-16
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVO PAGAMENTO SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL.
Não tendo a autoridade autuadora apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitando-se a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos e outros elementos, prova do pagamento das despesas, deve se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade fiscal justificar a exigência da prova do efetivo desembolso.
Recurso a que se dá provimento.
Numero da decisão: 2802-001.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas de R$41.000,00 (quarenta e um mil reais) nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 07/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVO PAGAMENTO SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. Não tendo a autoridade autuadora apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitandose a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos e outros elementos, prova do pagamento das despesas, deve se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade fiscal justificar a exigência da prova do efetivo desembolso. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas de R$41.000,00 (quarenta e um mil reais) nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 37 45 /2 00 8- 16 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 07/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls.07 e ss.) lavrada em decorrência de revisão de Declaração de ajuste Anual do imposto de Renda referente ao Exercício 2005, Ano Calendário 2004, em razão das seguintes supostas deduções indevidas: Dependente: relativa à Srª Dolores Granizo Marconi, sogra do contribuinte, por falta de comprovação, pois a sogra não pode ser dependente, salvo se sua filha houver declarado em conjunto, sendo que na declaração apresentada a esposa consta como dependente do marido, não constando como beneficiária de rendimentos em seu nome; Despesas médicas: por falta de comprovação. Intimado a comprovar o desembolso do pagamento no valor de R$R$ 41.000,00 ao cirurgiãodestista Marcos A. Gallate Fernandes, o contribuinte afirmou ter pago em dinheiro utilizandose de reserva em dólar que não foi declarada na DIRPF, não sendo constatado redução de seu patrimônio durante o ano calendário. Também não foi apresentado qualquer documento que comprove a efetividade do serviços prestados (notas fiscais das próteses, etc), alem da declaração do próprio dentista. Também glosado o valor de R$ 150,00 da Conmed, em face da não apresentação do recibo. Cientificado do lançamento (fls.5657), o contribuinte apresenta impugnação de fls. 1/14, alegando, em síntese, que: concorda coma glosa de R$ 1.431,59 (dependente de R$ 1.272,00 e despesa medica de R$ 159,59), como se vê no DARF de fl. 53, anexo; segundo dispõe o art. 80 do RIR/99 e o art. 46 da IN SRF nº 15, de 2001, a única exigência imposta para a dedutibilidade da despesa é a apresentação de comprovante de pagamento especificando o nome e o numero do CPF do beneficiário; não se vê na legislação dispositivo determinando que o valor da despesa somente poderá ser deduzido desde que o contribuinte efetue o pagamento por meio de cheque ou meio bancário, caracterizando, tal exigência, conceito subjetivo de parte de quem a faz, que não encontra amparo na lei. Transcreve varias ementas da jurisprudência administrativa sobre a matéria; não pode o funcionário publico, porque suspeita de tudo e de todos, criar óbices à efetiva dedução da despesa, exceto, por evidente, na hipótese em que sejam falsos os comprovantes de pagamento, ou que o profissional negue que os emitiu; a intimação para comprovar a efetividade dos serviços prestados e do desembolso financeiro, alem de agredir frontalmente o principio da legalidade e do direito à intimidade, é providência admitida apenas na hipótese em que existam fundadas suspeitas no Fl. 188DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10845.003745/200816 Acórdão n.º 2802001.870 S2TE02 Fl. 188 3 sentido de que o serviço não tenha sido efetivamente prestado, conforme acórdãos citados na impugnação; no presente caso autoridade administrativa não colocou em duvida a autenticidade dos recibos apresentados, limitandose, mediante meras presunções simples, e com fundamento em conceitos puramente pessoais, em criar Óbices à efetiva apuração da base de cálculo do tributo.; verificase que a autuação nada mais revela do que a prática do crime de excesso de exação, dado que, pela inobservância das prescrições legais, inclusive da presunção de veracidade atribuída ao impugnante, estáse diante de exigência tributaria absolutamente ilegítima; Requer o cancelamento do “auto de infração” lavrado, no que se refere à glosa de R$ 41.000,00 correspondente a honorários médicos. Em 24/11/2009, por meio da petição de fl. 140, o impugnante solicita a juntada de copia da decisão proferida pela 11ª turma desta DRJ SP2 (fls. 141/145), no processo nº 10845.001187/200765. Em julgamento, a 9ª Turma da DRJ/SP2, em sessão realizada no dia 17/08/2010, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, ao fundamento de que constitui matéria não impugnada as glosas de deduções com dependentes e de R$ 159,59 em despesas médicas; que não basta para comprovação de despesas médicas a exibição de comprovantes, sendo lícito à Receita exigir outras provas de efetivo desembolso, citando para tanto a legislação; que as deduções são expressivas; que o contribuinte não se desincumbiu de provar o efetivo desembolso nem a necessidade de tão prolongado e caro tratamento odontológico, apesar de intimado para tanto; que os valores despendidos comprometeram mais de 68% dos rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte no anocalendário; que todo o montante glosado e ainda em discussão foi despendido com um único profissional; que informou que os pagamentos foram efetuados em dinheiro, utilizandose de reserva de dólares, numerário não declarado em DIRPFs anteriores; que nada nos autos comprova que as despesas não ocorreram, mas as circunstâncias autorizam o fisco a exigir provas complementares; Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl.157, o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Voluntário, a fl. 158, atacando a decisão exarada pela DRJ e repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, no particular em que impugna a glosa de deduções de pagamentos com despesas médicas no valor de R$ 41.000,00, ao cirurgião dentista Marcos A.Galiate Fernandes. Com a devida vênia ao Órgão prolator da decisão recorrida, cuja decisão deve ser enaltecida em sua tese, o caso concreto é de, s.m.j., resolução simples, na medida em que o Fl. 189DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 lançamento de ofício não pode prevalecer diante dos recibos apresentados pelo contribuinte aos quais a autoridade autuante ou douta DRJ não atribuem vício algum, exceto a necessidade de comprovação de efetivo desembolso. Portanto, os pagamentos a Marcos A.Galiate Fernandes (R$ 41.000,00) foram comprovados por meio dos documentos carreados aos autos pelo contribuinte a fls.100111, 118, 121130. Se considera a fiscalização que a documentação é inidônea para comprovar as despesas informadas, deveria se haver desincumbido de apontar as razões para tanto. Por esta razões, não se pode aqui adentrar a analisar se os comprovantes trazidos pelo recorrente atendem ou não às exigências do RIR/99 para servirem de comprovação de suas deduções, já que não fundouse o auto de infração na indicação ou a decisão da DRJ de qualquer deficiência dos mesmos. Caberia, pois, à autoridade autuante dizer exatamente o porquê de sua recusa aos comprovantes apresentados pelo ora Recorrente para justificar a dedução das despesas médicas objeto de glosa, assim como igual atribuição caberia à DRJ, quando tratase de documentos apresentados após a autuação. O artigo 73 do RIR/99 estabelece em seu caput que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Ora, se o contribuinte não apresentasse qualquer comprovação ou justificativa para as deduções questionadas, dúvida não haveria em manterse o lançamento, mas, tendo apresentado comprovantes, como já dito, deveria a fiscalização apontar as razões pelas quais não os acolhe, já que não contém o RIR/99 ou outro diploma legal qualquer permissivo genérico para a exigência dos comprovantes de efetivo desembolso, independentemente de fundamentação. Desta forma, voto por dar provimento ao recurso, no sentido de restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas pelo auto de infração de fls.07 e ss., relativas ao profissional Marcos A. Galiate Fernandes, no montante de R$ 41.000,00, nos termos dos comprovantes de fls. 100111, 118, 121130. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 190DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 11634.001059/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2007
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Não existe qualquer ilegalidade a ser reconhecida quando o lançamento das contribuições foi efetuado com a finalidade de prevenir a Fazenda Pública dos efeitos da decadência, mesmo diante da existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário.
SIMPLES. EXCLUSÃO. MOTIVOS DETERMINANTES. COMPETÊNCIA. Não é de competência desta Turma a análise da legalidade ou não dos motivos de fato e de direito que determinaram a exclusão da recorrente do regime simplificado do recolhimento de impostos e contribuições federais. (SIMPLES).
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE. ART. 144 DO CTN Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, deverá ser aplicada ao caso em concreto no caso de vir a ser mais benéfica. Em se tratando do lançamento de contribuições cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência de referida Lei está correto o lançamento quando a multa aplicada é aquela vigente à época.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2007 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Não existe qualquer ilegalidade a ser reconhecida quando o lançamento das contribuições foi efetuado com a finalidade de prevenir a Fazenda Pública dos efeitos da decadência, mesmo diante da existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. SIMPLES. EXCLUSÃO. MOTIVOS DETERMINANTES. COMPETÊNCIA. Não é de competência desta Turma a análise da legalidade ou não dos motivos de fato e de direito que determinaram a exclusão da recorrente do regime simplificado do recolhimento de impostos e contribuições federais. (SIMPLES). LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE. ART. 144 DO CTN Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, deverá ser aplicada ao caso em concreto no caso de vir a ser mais benéfica. Em se tratando do lançamento de contribuições cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência de referida Lei está correto o lançamento quando a multa aplicada é aquela vigente à época. Recurso Voluntário Negado.
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Não existe qualquer ilegalidade a ser reconhecida quando o lançamento das contribuições foi efetuado com a finalidade de prevenir a Fazenda Pública dos efeitos da decadência, mesmo diante da existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. SIMPLES. EXCLUSÃO. MOTIVOS DETERMINANTES. COMPETÊNCIA. Não é de competência desta Turma a análise da legalidade ou não dos motivos de fato e de direito que determinaram a exclusão da recorrente do regime simplificado do recolhimento de impostos e contribuições federais. (SIMPLES). LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE. ART. 144 DO CTN Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, deverá ser aplicada ao caso em concreto no caso de vir a ser mais benéfica. Em se tratando do lançamento de contribuições cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência de referida Lei está correto o lançamento quando a multa aplicada é aquela vigente à época. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 10 59 /2 01 0- 65 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11634.001059/201065 Acórdão n.º 2402003.535 S2C4T2 Fl. 450 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ROMERO PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AUXILIARES DE TRANSPORTE AÉREO, em face de acórdão que manteve o parcialmente o Auto de Infração n. 37.280.9677, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte da empresa e as destinadas ao financiamento do GILRAT incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais Consta do relatório fiscal que a recorrente exerceu atividades junto a contratante TAM LINHAS AÉREAS, dentre as quais destacamse: atendimento de rampa, manuseio de solo, atendimento a passageiros, serviços de sala VIPs, atendimento aos vôos da rede nacional noturna, serviços de cargas (embarques e desembarques), tidas pela fiscalização como atividades sujeitas a cessão de mãodeobra. Por tais motivos, a Secretaria de Receita Federal, de ofício, determinou sua exclusão do SIMPLES mediante Ato Declaratório do Executivo n°. 36 de 09/09/2010, tendo em vista a ocorrência da hipótese de exclusão prevista no Art. 14, inciso I, da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996. O lançamento da multa compreende a competências de 01/2005 a 11/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 09/2010 (fls. 54). O .v acórdão de primeira instância retificou o lançamento, reconhecendo a decadência pelo art. 150, §4o do CTN das competências lançadas até 09/2005, bem como consignou pelo aproveitamento dos recolhimentos efetuados pela recorrente na sistemática do SIMPLES, da seguinte forma (fls. 384): Desse modo, serão deduzidas dos créditos apurados mensalmente as contribuições relacionadas na coluna “G” do quadro abaixo. Os valores recolhidos serão deduzidos em cada competência, primeiramente, das contribuições da empresa sobre a remuneração dos segurados empregados e depois, restando saldo favorável ao impugnante no mês, das contribuições ao SAT/RAT. Restando ainda valores recolhidos, serão eles deduzidos das contribuições calculadas sobre a remuneração de contribuintes individuais, conforme discriminado no DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado anexado aos autos. Na competência dezembro, após as operações acima, restando crédito favorável ao contribuinte, será ele deduzido da contribuição sobre o 13° salário. O contribuinte interpôs o competente recurso voluntário através do qual sustenta: 1. a nulidade do julgamento de primeira instância em razão do indeferimento do pedido de diligência formulado para Fl. 451DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 a verificação in loco da natureza dos serviços prestados pela recorrente; 2. que o lançamento não poderia ser efetuado, tendo em vista que o processo administrativo que discute a sua exclusão do SIMPLES ainda não transitou em julgado; 3. a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento; 4. a nulidade dos Atos de Exclusão do SIMPLES, tendo em vista que os mesmos não foram devidamente fundamentados e que não exerce atividade mediante a cessão de mãodeobra, mas apenas de serviços auxiliares de transporte aéreo; 5. que o lançamento deve ser anulado pois a atividade de serviços de transporte aéreo não é vedada pelo SIMPLES; 6. que seja o art. 31 da Lei 8.212/91 ou o próprio art. 219 do Decreto 3.048/99 não elencam como atividade sujeita a cessão de mãodeobra a prestação de serviços auxiliares de transporte aéreo; 7. que não havia qualquer relação de subordinação entre os empregados da recorrente e a sua contratante, no caso a TAM; sendo, pois, a única responsável pela contratação, administração e pagamento de seus funcionários; 8. que é parte ilegítima no presente processo, tendo em vista que os empregados cujas remunerações foram objeto da autuação estão registrados em outra pessoa jurídica; 9. que o auditor fiscal imputou equivocadamente à recorrente a obrigação pelo pagamento de valores a título de contribuição do empregado, como se contribuinte fosse, quando, em verdade apenas possuía a obrigação acessória de reter e repassar ao INSS; 10. que a responsabilidade do recolhimento das contribuições lançadas é do empregado; 11. a inconstitucionalidade do art. 30 da Lei 8.212/91; 12. que em relação à multa deve ser aplicado o disposto na Lei 11.941/09; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11634.001059/201065 Acórdão n.º 2402003.535 S2C4T2 Fl. 451 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Inicialmente aponto que não hã decadência a ser reconhecida no presente lançamento, em virtude da única competência lançadas ser a de 08/2006, ao passo em que a cientificação do lançamento se deu em 09/2010. Ademais, em momento algum a recorrente impugnou o fato de ter deixado de efetuar o repasse de contribuições retidas e não recolhidas incidentes sobre a remuneração de seus empregados. Logo, a exigência fiscal é incontroversa. Quanto a nulidade da decisão de primeira instância, em razão do indeferimento do pedido de realização de perícia para correta apuração da natureza do serviço prestado, melhor sorte não aufere a recorrente. No caso dos autos, como bem ponderou o v. acórdão de primeira instância, o pedido fora formulado após o prazo para defesa, em desacordo com as disposições do art. 16 do Decreto 70.235/72. Não obstante, da leitura do relatório fiscal da infração, percebese que o fiscal apontou a contento todos os motivos de fato e razões de direito pelas quais concluiu que o serviço prestado pela recorrente, deveria encaixarse na condição de serviço prestado mediante a cessão de mãodeobra, garantindolhe o pleno exercício do direito de defesa e ao contraditório, exatamente como preconiza o art. 142 do CTN, a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Logo, de fato, não subsistia qualquer necessidade da realização de nova diligência, devendo a parte, no caso a recorrente, contraporse a tais argumentos e demonstrar que as conclusões da fiscalização não estariam corretas,o que não se caracteriza, a meu ver em prova negativa de difícil realização. Ao revés, a recorrente possui todos os elementos aptos a comprovar a forma como os seus serviços de fato eram exercidos, em contraprova aos argumentos da fiscalização, todavia, deixou de trazer aos autos qualquer alegação neste Fl. 453DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 sentido, resumindose, apenas, a afirmar que o serviço auxiliar de transporte aéreo é diferente da cessão de mãodeobra. E no caso dos autos, tais alegações são até mesmo despiciendas, tendo em vista estarmos diante do lançamento das contribuições do empregado, e não da parte patronal. Logo, rejeito as preliminares de nulidade argüidas. MÉRITO Em continuidade a recorrente alega serem nulos os Atos Declaratórios Executivos que ensejaram sua exclusão do SIMPLES, eis que não exercia qualquer atividade vedada pela legislação de regência do regime. Tais alegações não serão objeto de análise, tendo em vista que fazem parte do processo administrativo relativo à sua exclusão, não podendo ser analisadas e conhecidas na presente oportunidade. O fato de que o processo administrativo relativo à exclusão da recorrente do SIMPLES ainda não está devidamente finalizado de modo a impedir o lançamento, não merece prosperar, pois o lançamento, neste caso, quando já existente e lavrado o competente ADE – Ato Declaratório Executivo de exclusão, se dá apenas com a finalidade de prevenir a Fazenda Pública dos efeitos da decadência. O efeito suspensivo do recurso administrativo impetrado nos autos do processo de exclusão, impede, entretanto, que sejam levados a efeito em face da recorrente procedimentos de cobrança, antes de seu trânsito em julgado. Assim, da mesma forma há de ser reconhecido no caso do presente processo. Ou seja, caso a recorrente obtenha êxito em sua empreitada de demonstrar que não deveria ser excluída do SIMPLES, certamente o valor lançado no presente Auto de Infração há de ser declarado extinto. Em caso contrário, restando demonstrado que a recorrente exerceu atividade vedada ao ingresso no SIMPLES, a cobrança do crédito tributário decorrente do presente lançamento somente poderá ser efetuada, também após o trânsito em julgado do processo de exclusão. Outro não é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que no mesmo sentido já se posicionou: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ EXECUTIVIDADE. CAUSAS SUSPENSIVAS DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedente: EREsp 572.603/PR, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJ 05/09/2005. 2. O lançamento do ISS referente aos meses de Janeiro a Setembro de 1991 somene ocorreu em 27 de junho de 2001. A liminar conferida em Mandado de Segurança, anteriormente impetrado pelo contribuinte, com a finalidade de ver reconhecida isenção quanto ao tributo não impede a fluência do prazo decadencial, apenas obstando a realização Fl. 454DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11634.001059/201065 Acórdão n.º 2402003.535 S2C4T2 Fl. 452 7 de atos de cobrança posteriores à constituição. Nesse sentido: REsp 1.140.956/SP, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 03/12/2010, julgado nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil. 3. Recurso especial provido. (REsp 1129450/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/02/2011, DJe 28/02/2011) Além do mais, repitase, em se tratando de lançamento de contribuições parte do empregado, qualquer questão que envolva a exclusão da recorrente ou não do SIMPLES, não afeta o presente julgamento, já que tais contribuições não são objeto de recolhimento na sistemática do regime simplificado. Logo, não há qualquer prejudicialidade entre o julgamento do processo de exclusão e o presente lançamento. No mais quanto a alegação de inconstitucionalidade do art. 30 da Lei 8.212/91, tenho que a irresignação não pode ser analisada por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Por fim, no que se refere ao pedido de retroatividade da Lei 11.941/09, verifico do relatório fiscal que no presente caso foi aplicada a multa de mora de 24%, por ser a vigente a época dos fatos geradores das contribuições lançadas, de modo que, no entender desta Eg. Turma fora respeitado o art. 144 do CTN, devendo ser a mesma mantida. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.900745/2008-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO.
Deverá ser admitida a compensação indeferida unicamente com base em DCTF declarada erroneamente uma vez comprovado o direito creditório em favor da interessada.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-001.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
Fez sustentação oral o Dr. Rafael Dias Toffanello, OAB/RS nº 54.605.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. Deverá ser admitida a compensação indeferida unicamente com base em DCTF declarada erroneamente uma vez comprovado o direito creditório em favor da interessada. Recurso ao qual se dá provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral o Dr. Rafael Dias Toffanello, OAB/RS nº 54.605.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 41 1 40 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.900745/200814 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.777 – 2ª Turma Especial Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Pioneira da Serra Gaúcha SICREDI Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. Deverá ser admitida a compensação indeferida unicamente com base em DCTF declarada erroneamente uma vez comprovado o direito creditório em favor da interessada. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral o Dr. Rafael Dias Toffanello, OAB/RS nº 54.605. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 07 45 /2 00 8- 14 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Salvador (fls. 88/90 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/12/2003 DCTF RETIFICADORA POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. NÃO ADMISSÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Reproduzo, abaixo, relatório objeto da decisão recorrida: A interessada transmitiu em 15/12/2003 PER/DCOMP eletrônico visando utilizar crédito no valor original de R$ 7.802,73 do DARF do PIS relativo a dezembro de 2002, no valor total de R$ 12.859,75, na compensação de débito do PIS relativo a novembro de 2003. A DRF/Caxias do Sul emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade alegando que recolheu o PIS relativo a dezembro de 2002 no valor de R$12.859,75, declarandoo na respectiva DCTF, quando o correto era R$2.531,72, conforme demonstra o razão analítico contábil. Logo, possui crédito no valor de R$10.328,03, não reconhecido pelo Despacho Decisório em face de erro no preenchimento da DCTF, que foi retificada. Em face da transferência de competência para julgamento prevista na Portaria nº 2.132, de 27 de outubro de 2010, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento. Da leitura da ementa do acórdão proferido pela instância recorrida, vêse que aludida decisão se fundamentou na impossibilidade legal de retificação da DCTF quando o contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme previsto no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007. “Assim, quando da transmissão e da análise do PERDCOMP, o crédito não existia, pois o pagamento estava integralmente alocado ao débito declarado pela contribuinte”. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 16/03/2012 (fls. 93). Inconformada, a reclamante apresentou, em 13/04/2012 (fls. 70), o recurso voluntário de fls. 95/101, onde aduz que a retificação decorre de simples equívoco no preenchimento da DCTF. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11020.900745/200814 Acórdão n.º 3802001.777 S3TE02 Fl. 42 3 Dessa forma, as informações prestadas na DCTF foram retificadas de modo a demonstrar que o valor correto do débito é de R$ 2.531,72 [...] e NÃO R$ 12.859,75 [...] como anteriormente informado. Apresenta tabelas onde informa os valores declarados nas DCTF original e retificadora. Ressalta que o equívoco pode ser comprovado pela cópia do Razão Contábil do período, e que o artigo 9o da Instrução Normativa RFB no 974/2009 somente veda a retificação de DCTF quando tiver por objeto reduzir débitos já encaminhados à PGFN para inscrição na Dívida Ativa da União. Assevera ainda que em outubro de 2003, a recorrente, utilizando o mesmo crédito, enviou à Receita Federal o PERDCOMP no 33084.73964.151003.1.3.049202 pleiteando a compensação com PIS de competência de setembro/2003. Diante da não homologação da compensação, apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi integralmente deferida pela DRJ Porto Alegre (processo no 11020.902097/200679, acórdão no 1034.410, de 22/09/2011), que entendeu que o Razão Analítico Contábil dava suporte ao direito creditório alegado. Cópia da decisão em tela foi anexada às fls. 103/106 do processo eletrônico. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso, com a consequente homologação da compensação pleiteada. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A recorrente alega haver incorrido em equívoco quando do preenchimento da DCTF e que o referido erro poderia ser comprovado pelo Razão Analítico Contábil do período (dezembro de 2002). O documento em tela, com efeito, foi acostado aos autos quando da apresentação da manifestação de inconformidade, conforme se constata às fls. 47 do processo eletrônico. A decisão de primeira instância, contudo, silenciou a respeito do documento em questão, tendo indeferido o pleito exclusivamente na suposta impossibilidade legal de retificação da DCTF. Tal possibilidade, todavia, subsiste, uma vez comprovado o cometimento de erro material no preenchimento da declaração, como, entendo, está caracterizado no caso presente, frente às evidências retratadas nos autos. Com efeito, segundo o Razão Analítico Contábil da conta 4.9.4.20.20.004 41092 – PIS S/ FOLHA A RECOLHER, referente ao período de 01/12/2002 a 31/12/2002 (fls. 47), o saldo da conta no período é de R$ 2.531,72. Por seu turno, às fls. 48 consta DARF correspondente ao pagamento de R$ 12.859,75 no código 8301 – PIS – Folha de Pagamento, de competência de dezembro de 2002. Isso redunda num crédito em favor da recorrente no montante de R$ 10.328,03, ou seja, a quantia exata reclamada pela mesma. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Uma vez demonstrada a veracidade dos argumentos aduzidos pela recorrente, e caracterizado o equívoco cometido quando do preenchimento da DCTF do período, deverá ser acatada a retificação procedida, com a consequente homologação da compensação objeto dos autos até o exaurimento do crédito em favor do sujeito passivo. Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 21 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10530.723475/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
Ementa:
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utiliza-se a sistemática prevista no inciso I, do art. 173, do CTN. A constituição do crédito tributário se deu por meio da lavratura do auto de infração e não respeitou o prazo quinquenal legal. Como se trata de matéria de ordem pública a decadência deve ser reconhecida de oficio.
IRPF. GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA.
O fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens imóveis ocorre no dia da alienação. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido.
Numero da decisão: 2201-002.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 04/07/2013
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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OCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utilizase a sistemática prevista no inciso I, do art. 173, do CTN. A constituição do crédito tributário se deu por meio da lavratura do auto de infração e não respeitou o prazo quinquenal legal. Como se trata de matéria de ordem pública a decadência deve ser reconhecida de oficio. IRPF. GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. O fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens imóveis ocorre no dia da alienação. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 34 75 /2 01 1- 02 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 04/07/2013 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009, consubstanciado no Auto de Infração, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor R$ 1.330.970,14, incluída a multa de ofício agravada e qualificada no percentual de 225% e juros de mora. A fiscalização apurou omissão de rendimentos decorrentes de ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural denominado “Fazenda Sete Belo”. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: a) o lançamento fiscal é nulo em razão da ação fiscal ter sido deflagrada a partir informações bancárias obtidas sem autorização judicial (processo administrativo nº 10530.721433/201048), tratandose, portanto, de prova obtida ilegalmente, o que contamina todo o procedimento fiscal; b) na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital é cabível a aplicação do fator de correção previsto no art. 37 da Medida Provisória nº 252, sem prejuízo da redução assegurada no art. 18 da Lei nº 7.713, de 1988; c) parte do preço acordado foi recebido mediante a assunção de dívida com garantia real dos vendedores por parte dos compradores junto a instituições financeiras. Portanto, tal parcela não poderia compor a base de cálculo do tributo, por não se saber se a referida dívida foi toda paga, e, também, por tal parcela fugir ao conceito de renda; d) na apuração da base de cálculo é cabível a dedução das benfeitorias incorporadas ao imóvel, nos termos do art. 19, inciso VI, a, da Instrução Normativa nº 84, de 2001. As referidas benfeitorias foram comprovadas mediante apresentação de notas fiscais e documentação constante no processo nº 10530.721433/201048, devendo estas serem incorporadas ao presente processo; e) na escritura pública apresentada consta o valor da venda do imóvel, portanto, o ganho de capital não poderia ser apurado com base em valor extraído de qualquer outro documento particular; Fl. 404DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201002.172 S2C2T1 Fl. 3 3 f) a multa de ofício e sua majoração devem ser afastadas em razão da inexistência da ocorrência de conduta dolosa por parte do contribuinte. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos vinculada a ganho de capital na venda de imóvel rural. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A falta de apresentação do demonstrativo de apuração do ganho de capital na declaração de rendimento, quando desacompanhada de outros indícios que demonstrem a intenção do contribuinte em retardar/dificultar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado da decisão de primeira instância, Loreni Luiz Comparin apresenta tempestivamente Recurso Voluntário (fls. 377/397), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos sobre ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural denominado “Fazenda Sete Belo”, conforme Contrato Particular de Compra e Venda, datado de 18 de maio de 2002 (fls. 293/302). De acordo com Relatório de Ação Fiscal, fls. 22/43, “... o valor efetivo da operação de alienação em questão, tendo em vista que no Contrato de Compra e Venda assinado pelas partes, em maio de 2002, o preço foi estipulado 1.391.467 (um milhão, trezentos e noventa um mil e quatrocentos e sessenta e sete) sacas de soja de 60 kg”. Assevera, ainda, a autoridade fiscal que “... Sobre o montante dos valores efetivamente desembolsados pelos compradores para fins de pagamento pela aquisição do imóvel em comento, foram coligidas informações tanto da parte dos adquirentes em relação aos pagamentos efetuados Fl. 405DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 durante os anos de 2003 a 2009, quanto informações prestadas pelos próprios vendedores em relação aos pagamentos recebidos entre 2006 e 2009”. De início, devese anotar que independentemente das questões levantadas pelo contribuinte, incumbe a este Colegiado verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como apreciar as matérias de ordem pública. No caso destes autos urge reconhecer de oficio a decadência do crédito tributário, matéria de ordem pública que deve ser apreciada em qualquer grau de jurisdição. A decadência em matéria tributária consiste na inércia das autoridades fiscais, pelo decurso de prazo, para efetivar a constituição do crédito tributário. As alterações legislativas do imposto de renda ao atribuir à pessoa física e jurídica a incumbência de apurar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classificase na modalidade de lançamento por homologação. E o § 4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional (CTN) fixa prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal. Transcrevese o § 4º, do art. 150, do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei) Assim, o prazo decadencial para Fazenda Pública constituir crédito tributário no lançamento por homologação é de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ressaltese que a autoridade recorrida já havia afastada a conduta dolosa do contribuinte e, consequentemente, a multa qualificada imposta. Transcrevese parte do voto condutor onde a matéria é tratada: Quanto à qualificação da multa, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, a falta de apresentação do demonstrativo de apuração do ganho de capital na declaração de rendimento, quando desacompanhada de outros indícios que demonstrem a intenção do contribuinte em retardar/dificultar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, não comprova sua conduta dolosa. Portanto, descabida a qualificação da multa de ofício. Com efeito, como não consta no anocalendário de 2006 pagamento do imposto de renda sobre ganho de capital (Código 4600), devese aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c.c art. 543C do CPC c.c art. 62A do RICARF, contando o dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do CTN: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201002.172 S2C2T1 Fl. 4 5 Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Ressaltese que no caso venda a prazo de bens imóveis, o fato gerador do imposto de renda é apurado como se a venda fosse efetuada à vista, consoante determina o art. 31 da Instrução Normativa nº 84/2001: Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: 1 o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. (grifei) Este também é o entendimento deste Órgão Administrativo, conforme ementas destacadas: IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. Para efeitos do imposto de renda, o conceito de alienação abrange o contrato de promessa de venda e compra. A legislação considera que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens imóveis ocorre no dia da alienação, diferindose o pagamento do tributo para o momento do recebimento de cada uma das parcelas do contrato. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Preliminar de decadência acolhida. (Processo: 16707.005398/200495 Acórdão 10249406, sessão 06/11/2008) ... IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. A legislação considera que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens imóveis ocorre no dia da alienação, diferindose o Fl. 407DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 pagamento do tributo para o momento do recebimento de cada uma das parcelas do contrato. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Preliminar de decadência acolhida. (Processo: 10850.002613/200113 Acórdão 10249.427, sessão 16/12/2008) ... GANHO DE CAPITAL – Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto deve ser pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebido. (Acórdão 10247217, Data da Sessão 10/11/2005) (grifei) Assim, o fato gerador relativo ao ganho de capital ocorreu em 18 de maio de 2002, e o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado corresponde a 01/01/2003, e o término do prazo decadencial de 5 anos ocorre em 31/12/2007. Deste modo, como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 19/07/2011 (Edital 35/2011 – fl. 351), todo o crédito tributário já havia sido atingido pela decadência. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 408DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201002.172 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10530.723475/201102 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.172. Brasília/DF, 19 de junho de 2013 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 409DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10735.901048/2011-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 15/12/2005
NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte.
Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal.
É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa.
MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE.
No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto n° 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados.
Trata-se de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3202-000.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, anular o processo a partir do despacho decisório da DRF, inclusive.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente.
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/12/2005 NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE. No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto n° 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados. Tratase de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte. Processo Anulado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 48 /2 01 1- 67 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901048/201167 Acórdão n.º 3202000.800 S3C2T2 Fl. 87 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, anular o processo a partir do despacho decisório da DRF, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ II), que julgou improcedente a impugnação da Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão da DRJ/RJ II, verbis: Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – nãohomologada de débito de IRPJ (cód. 236201), relativo ao período de apuração de jul/07, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de Cofins (cód. 5856), recepcionada pela RFB em 31/08/2007, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 15). Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 02/06), alegando em resumo que: 1. constatou ter efetuado pagamento a maior de PIS/Cofins no período de apuração de novembro de 2005; 2. mas, nem retificou sua Dacon, nem apresentou DCTF retificadora, gerando inexistência de crédito e a não homologação da compensação declarada; 3. apresenta em anexo a DCTF e a Dacon retificadoras. A contribuinte requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação declarada. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901048/201167 Acórdão n.º 3202000.800 S3C2T2 Fl. 88 3 Em sua decisão, a DRJ/RJ II, por unanimidade, houve por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. A ementa do acórdão foi assim formulada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2005 Prova. Momento. Preclusão. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Inconformada com a decisão da DRJ/RPO, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário, onde alega em síntese: (a) Ter apresentado DACON e DCTF retificadoras, ainda que após a ciência do despacho decisório; (b) A existência de seu crédito; e (c) A necessidade de diligência para a comprovação do seu crédito; Junta a Recorrente ao recurso voluntário cópias do Livro Razão demonstrando os créditos por ela aproveitados, bem como de contrato de locação e nota fiscal de compra de energia elétrica. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Entendo que o Despacho Decisório eletrônico que indeferiu a compensação realizada pela Recorrente não traz qualquer fundamentação para o seu indeferimento. Ressaltese que não se está aqui afirmando que o Recorrente tem ou não direito à compensação, mas sim que não está plenamente fundamentado o despacho eletrônico da DRF que denegou o pedido do contribuinte. Está, portanto, plenamente caracterizado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o que implica na nulidade do Despacho Decisório, nos termos do que prescreve o inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72, verbis: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901048/201167 Acórdão n.º 3202000.800 S3C2T2 Fl. 89 4 Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente e ou com preterição do direito de defesa. O contribuinte tem o direito constitucional (art. 5º, LV, CF/88) de saber qual o motivo do indeferimento de seu pedido, até mesmo para poder elaborar sua defesa e apresentar sua versão dos fatos, contradizendo as alegações do Fisco. Adoto a fundamentação do conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, a seguir descrita. O direito ao contraditório é o exercício da dialética processual, implica no direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos, devendo o processo ser marcado pela bilateralidade da manifestação dos litigantes. Seu desígnio é oportunizar direito à parte demandada de ser informada a respeito do que está sendo alegado pelo demandante, a fim de que possa produzir defesa de qualidade e indicar prova necessária, lícita e suficiente para alicerçar sua peça contestatória. A ampla defesa também está intimamente ligada a outro princípio constitucional mais abrangente, qual seja o devido processo legal, pois é inegável que o direito a defenderse amplamente implica consequentemente na observância de providência que assegure legalmente essa garantia. Com o objeto de dar cumprimento ao princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, o Despacho Decisório deveria ter demonstrado como chegou à conclusão apontada em seu texto, ou seja, deveria explicitar a motivação da decisão tomada, pois assim não fazendo, correse o risco do arbítrio, do subjetivismo, o que não se pode permitir. Conhecendose a motivação da decisão proferida, podem todos dela tomar conhecimento e concluir ter sido proferida em conformidade com a lei e as provas, concordando com ela, ou em caso contrário, apresentar suas razões de discordância. O Despacho Decisório, ao não explicitar o motivo pelo qual indeferiu o pedido de ressarcimento do contribuinte, é nulo por preterição do direito de defesa do contribuinte. O Despacho Decisório (emitido eletronicamente, portanto, sem maiores verificações dos fatos alegados) resignouse, apenas, não homologar a compensação declarada, e mais nada! Não apontou elementos de prova para corroborar esta afirmação. As provas são dirigidas ao julgador que formará livremente sua convicção. Cabe às partes em litígio, Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as estribam. Devem demonstrar os fatos que alegam de forma a esclarecer o julgador, proporcionandolhe o conhecimento dos mesmos. A aplicação do direito ao caso concreto, para a solução do litígio, será efetuada a partir do conhecimento que se tem sobre os fatos ocorridos, que devem ser trazidos ao processo por meio das provas. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901048/201167 Acórdão n.º 3202000.800 S3C2T2 Fl. 90 5 Em vista de tudo o que foi exposto, e diante do cerceamento do direito de defesa por falta de fundamentação do Despacho Decisório da DRF, voto por declarar a nulidade do processo a partir do Despacho Decisório eletrônico, inclusive. O processo deverá retornar a DRF competente para que seja proferido novo Despacho Decisório. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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