Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13808.000073/99-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2011
LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO REALIZADO: Verificada a correção do
procedimento do contribuinte, visando a neutralidade da correção monetária de balanço e, por conseguinte, a inexistência do lucro inflacionário advindo da falta de contabilização de receita de correção monetária, cancela-se a exigência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.519
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2011 LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO REALIZADO: Verificada a correção do procedimento do contribuinte, visando a neutralidade da correção monetária de balanço e, por conseguinte, a inexistência do lucro inflacionário advindo da falta de contabilização de receita de correção monetária, cancela-se a exigência. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13808.000073/99-99
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4652113
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.519
nome_arquivo_s : 140200519_138080000739999_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Antonio José Praga de Souza
nome_arquivo_pdf_s : 138080000739999_4652113.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4739991
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044037291737088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1770; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808.000073/9999 Recurso nº 164.052 Voluntário Acórdão nº 140200.519 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 1o. de abril de 2011 Matéria IRPJ AÇÃO FISCAL Recorrente WMJR COM PARTICIP EMPREEND E SERVICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO REALIZADO: Verificada a correção do procedimento do contribuinte, visando a neutralidade da correção monetária de balanço e, por conseguinte, a inexistência do lucro inflacionário advindo da falta de contabilização de receita de correção monetária, cancelase a exigência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13808.000073/9999 Acórdão n.º 140200.519 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório WMJR COM PARTICIP EMPREEND E SERVICOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em São PauloI em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: O lançamento contestado, decorrente da ação fiscal iniciada aos 28/09/98, fundamentouse no fato de a pessoa jurídica não haver “computado na determinação do Lucro Real o lucro inflacionário realizado no períodobase no importe de Cr$ 6.748.836,00 da empresa CRWW INDUSTRIA COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA, CGC 47.618.871/000137 da qual o contribuinte autuado é sucessor e responsável na proporção de 25%, conforme o art. 132 do CTN”. 2. Conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 41/42, o referido feito fiscal constituise “um novo lançamento”, para cuja realização, no prazo de cinco anos a contar da anulação do primeiro, há autorização expressa no art. 173 do CTN. 3. Cientificada da autuação, aos 14/01/1999, a interessada apresentou a impugnação de fls. 51/61, na qual alega as razões de fato e de direito a seguir sintetizados. O lançamento referese ao exercício de 1991, restando “inequívoca a ocorrência da decadência do direito de constituir o crédito tributário em questão, já que o período entre a entrega da declaração de IR do exercício de 1991 (abril/91) e a intimação deste auto (janeiro/99) é superior a 5 anos.” A norma em que se amparou o autuante para efetuar o lançamento “não é aplicável ao caso vertente. Isso porque não é caso de anulação do lançamento anteriormente efetuado, mas sim de nulidade do ato da administração expressamente declarada de ofício pela DRJ/SP”. Explicitando seu argumento, o impugnante alega ser “imprescindível distinguirse os conceitos de ato nulo e ato anulável: (i) nulo é aquele ato que não existe no mundo jurídico e, portanto, não pode sequer produzir qualquer efeito; (ii) anulável é o ato que tem existência jurídica, mas pode ser impedido de produzir efeitos”.Infere, pois, que o lançamento questionado “é inexistente; não produz qualquer efeito”, portanto, o prazo qüinqüenal de decadência, deve ser contado “da entrega da declaração”. “O caso dos autos são os efeitos da correção monetária, na época em que ela existia nas demonstrações financeiras, relativa à amortização do deságio de participações societárias”. Este “foi amortizado com base em laudo de avaliação” (Conta Deságio), sendo registrado no patrimônio líquido, em contrapartida de uma conta retificadora do investimento societário (Provisão de Amortização de Deságio). A correção da amortização e a correção da provisão, por terem idêntico valor, neutralizamse. No entanto, a empresa equivocouse ao “indexar a provisão e seus acréscimos – a partir do mês de sua formação – sem que houvesse a contrapartida da correção monetária devedora enquistada na receita de amortização, que se processou somente a partir do períodobase subseqüente. O resultado foi o desequilíbrio da correção monetária do balanço e a criação de um lucro inflacionário inexistente.” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13808.000073/9999 Acórdão n.º 140200.519 S1C4T2 Fl. 3 3 4. Requer, então, que o lançamento seja cancelado por decadência ou pela inexistência de crédito tributário. A decisão recorrida está assim fundamentada: Preliminarmente, a impugnante contesta o lançamento alegando que o art. 173 do CTN não se aplica ao caso, pois, reputa nulo o primeiro lançamento. Todavia, não aponta o vício determinante da aludida nulidade. Compulsando os autos, verificase que a anulação do primeiro lançamento (fls. 03/04) ocorreu por vício formal: a notificação que lhe deu origem encontravase desprovida das formalidades prescritas no inciso IV do art. 11 do Decreto nº 70235 de 06 de março de 1972 (PAF), mais especificamente, faltavalhe a identificação da autoridade responsável por sua emissão. A irregularidade descrita, por ser exclusivamente de forma, preservou íntegro o conteúdo do primeiro lançamento, mantendoo livre de vício insanável, não impedindo, assim, que se procedesse a um novo lançamento, desta feita com observância dos pressupostos formais prescritos em lei. Constatase, então, que a situação delineada nos autos configura a hipótese estatuída no inciso II do art. 173 do CTN, no qual está prevista a realização de um novo lançamento, consoante se lê, verbis: (...) No caso a Decisão DRJ/SPO/SP/Nº 014833/9711.3141 (fls. 94/95), que extinguiu definitivamente o lançamento anulado por vício formal, foi proferida aos 29/10/99. Logo, o direito da Fazenda Nacional constituir um novo lançamento só decairá em 29/10/2004. Destarte, considerando que a anulação, por vício formal do lançamento, cujo conteúdo gerou o lançamento sob exame, ocorreu a menos de cinco anos, rejeitase a preliminar de decadência. Do Mérito Quanto ao mérito, a impugnante argumenta que o lucro inflacionário objeto da tributação teve origem no equívoco ocorrido na escrituração contábil de sua antecessora, a empresa Dixbra S/A, relativamente ao registro das correções monetárias das contas “Deságio” e “Provisão de Amortização de Deságio”, alegando haver procedido à indexação da provisão e seus acréscimos a partir do mês de sua formação, sem efetuar “a contrapartida da correção monetária devedora enquistada na receita de amortização, que se processou somente a partir do períodobase subseqüente”. O lançamento contestado decorreu do procedimento de malha, no qual foi constatada que, no exercício de 1991, período base 1990, a empresa CRWW – Ind. Com. e Part. Ltda, deixou de realizar e, conseqüentemente, de tributar, a parcela mínima exigida por lei para tributação do lucro inflacionário. Nos autos verificase que, de acordo com as fichas do Razão cujas fotocópias foram anexadas às fls. 117 a 126, as contas 10315.0104.1 e 10315.0105, denominadas, até até 08/85 de “Provisão para Amortização dos Deságios Expectativa de Prejuízos” (fls. 117/118) e “Provisão para Amortização dos Deságios – Outras Razões Econômicas” (fls. 122/123) e, a partir daí, intituladas, “Amortização dos Deságios Expectativa de Prejuízos” (fls. 119/121) e, “Amortização dos Deságios Outras Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13808.000073/9999 Acórdão n.º 140200.519 S1C4T2 Fl. 4 4 Razões Econômicas” (fls. 124/126), foram indexadas desde a sua formação, em 31/12/83, pela UFIR vigente àquela data, Cr$ 7.012,99 /(fls. 117 e 122). Como o investimento foi realizado em 13/05/83, a amortização dos deságios ocorreu a partir do primeiro balanço levantado após àquela data e a sua correção monetária teve início no encerramento do balanço do exercício seguinte, inferese que não houve retardo na amortização nem na correção monetária da amortização dos deságios. Assim, a documentação anexada aos autos, ao invés de comprovar o fato alegado na impugnação, revelou a inconsistência da tese apresentada pela defesa. Destarte, em razão de a impugnação não se fazer acompanhar de prova cabal nem de uma demonstração clara e inequívoca do alegado erro que, segundo a impugnante, se sanado neutralizaria o efeito tributário do qual se originou o lançamento, o auto de infração deve ser mantido.” Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13808.000073/9999 Acórdão n.º 140200.519 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado tratase de exigência do IRPJ em função de lucro inflacionário realizado a menor por empresa antecessora do contribuinte, CRWW – Ind. Com. e Part. Ltda, no ano de 1990, exercício de 1991. Ultrapassada a questão da decadência, que a meu ver foi adequadamente enfrentada pela DRJ, haja vista que o lançamento anterior foi anulado por vicio formal, fl. 94/95, e o novo foi cientificado antes de 5 anos do cancelamento do 1o, no mérito, entendo que o lançamento não pode prevalecer. Aduz a recorrente que o lucro inflacionário objeto da tributação teve origem no equívoco ocorrido na escrituração contábil de sua antecessora, a empresa Dixbra S/A, relativamente ao registro das correções monetárias das contas “Deságio” e “Provisão de Amortização de Deságio”, alegando haver procedido à indexação da provisão e seus acréscimos a partir do mês de sua formação, sem efetuar “a contrapartida da correção monetária devedora enquistada na receita de amortização, que se processou somente a partir do períodobase subseqüente”. Os julgadores de 1a. instancia entenderam não caber razão à recorrente haja vista que o investimento foi realizado em 13/05/83, sendo que a amortização dos deságios ocorreu a partir do primeiro balanço levantado após àquela data e a sua correção monetária teve início no encerramento do balanço do exercício seguinte, logo não houve retardo na amortização nem na correção monetária da amortização dos deságios. Todavia, entendo que cabe razão ao recorrente, quanto afirma que não há reflexo algum quando a provisão é indexada a partir do exercício seguinte ao da sua formação e contabilização. Isso em face da chamada “reserva oculta” formada no patrimônio liquido da pessoa jurídica, que formava uma despesas de montante idêntico à receita de correção monetária da provisão que deixou de ser reconhecida. Logo, correto o procedimento da contribuinte em promover o estorno da indexação realizada a maior. Transcrevo a seguir, o inteiro teor das razões recursais da contribuinte, detalhando o procedimento e seus efeitos. Fiscalmente, o provento da amortização do deságio foi preservado para eventual e ulterior taxação somente no momento da venda das ações da Dixie, quando seria feita a determinação do ganho ou perda de capital na liquidação do investimento (doe. 11 da impugnação LALUR Registro da Amortização do Deságio e do Lucro Inflacionário, e does. 12 a 18 Balanços dos períodos encerrados em 1984 a 1990). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13808.000073/9999 Acórdão n.º 140200.519 S1C4T2 Fl. 6 6 Ao contrário do que pensa o colegiado a quo, interessam, aqui, os resultados da correção monetária da provisão para amortização, conta retificadora do ativo. Sem dúvida alguma a amortização do deságio aumenta o valor do investimento, já que elimina uma parte do abatimento do preço de aquisição das ações da Dixie. A sua conseqüência para o desbalanceamento da correção monetária das demonstrações financeiras somente será possível se a sociedade passar a corrigir sem que exista, ou tenha existido, uma lei que obrigasse a tanto a provisão mensalmente a partir do momento de sua constituição. Não há reflexo algum quando corretamente a provisão é indexada a partir o exercício seguinte ao da sua formação e contabilização. Explicase. O valor da amortização é corrigido monetariamente dentro da massa do patrimônio líquido da pessoa jurídica o que representa uma despesa em MONTANTE IDÊNTICO e sentido contrário que anula a indexação da provisão dentro da massa do ativo permanente o que representa uma receita. Com isso, mantémse o PRINCÍPIO DA NEUTRALIDADE da correção monetária de balanço. E, por igual, preservase o contribuinte da taxação dos ganhos puramente nominais, decorrentes de ajustes contábeis durante o período de formação do lucro real. Na hipótese, a Dixbra, e, daí, a Recorrente por sucessão, equivocadamente, passou a indexar a provisão e seus acréscimos a partir do mês de sua formação sem que houvesse a contrapartida da correção monetária devedora enquistada na receita de amortização, que se processou somente a partir do períodobase subseqüente. O resultado foi o desequilíbrio da correção monetária de balanço e a criação de um lucro inflacionário inexistente. Vejase que a Recorrente reconheceu esse erro desde o início, que foi a base de sustentação do acórdão a quo. A Recorrente, com intuito de corrigir esse erro, promoveu o estorno da indexação realizada a mais. Por isso foi autuada, de maneira indevida. Quer dizer, o colegiado a quo constatou o erro, mas a correção dele, por meio do estorno, que, invariavelmente, põe por terra a autuação fiscal, deixou de ser analisado. Ora, o sistema da correção monetária das demonstrações financeiras, enquanto em vigor, trazia para dentro da contabilidade as mutações da moeda, ajustava os valores do patrimônio líquido e do ativo permanente, agregandolhes a substância consumida pela inflação, mas, não era um meio por si só para gerar receita tributável derivada da própria aplicação do sistema. Vejase, a propósito, o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Ora, a correção monetária, realmente, não constitui rendimento, porque lhe faltam elementos constitutivos deste, principalmente a reprodutividade. A renda se destaca da fonte sem empobrecêla. Tal não ocorre na correção monetária, onde o capital continua o mesmo; apenas é atualizado para o valor do dia do pagamento. Sem ela, haveria uma diminuição do capital. Procura se, com a correção monetária, apenas dar ao capital o mesmo valor que tinha, quando do negócio. Nada se lhe acrescenta; portanto, nenhuma renda há." Acórdão CSRF/010422 Conselheiro Amador Outerelo Fernández 16.3.84) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13808.000073/9999 Acórdão n.º 140200.519 S1C4T2 Fl. 7 7 Em suma, a correção monetária de balanço é neutra. A envergadura maior de despesas e receitas do ajuste de indexação decorria das contas que a ela se submetiam. Assim, uma empresa mais capitalizada tinha maiores perdas com a inflação. Pagava menos imposto de renda, portanto. Isso não aconteceu no caso sob exame. Não existia, à época, nenhuma lei que obrigasse a Recorrente a criar provisões no curso do exercício social. Não havia nenhum diploma legal que impunha a indexação automática da provisão em descompasso com a ausência de indexação da receita que foi gerada em contrapartida. O Parecer Normativo CST n° 7, de 16.08.85, explica que as contas retificadoras do ativo permanente somente podem ser corrigidas a partir do exercício social seguinte ao de sua constituição. Motivo: imparcialidade e preservação da neutralidade da correção monetária do balanço. Diz o item n° 3 do Parecer: No períodobase em que a provisão indedutível perdas prováveis de investimentos for constituída em data diferente da do balanço, a sua correção monetária relativa ao período compreendido entre a constituição e o balanço deverá ser adicionada ao lucro líquido para determinação do lucro real. Leiase, na hipótese e a contrário senso, que a correção monetária da provisão para amortização entre o período compreendido pela sua formação e o balanço patrimonial deverá ser excluída do lucro líquido para determinação do lucro real. Não existe, pois, matéria tributável. Destarte, o acórdão a quo deve ser reformado, pois, não considerou o estorno da indexação realizada a mais pela Recorrente, que manteve a neutralidade da correção monetária do balanço, sendo de rigor, assim, a reforma do julgado. (grifei) Diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso e cancelar a exigência. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10725.000355/2004-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
Ementa: RENDIMENTOS DE ALUGUEIS. BENS DOADOS COM RESERVA DE USUFRUTO VITALÍCIO PARA OS DOADORES.
CONTRIBUINTE. No caso de bens doados com reserva de usufruto vitalício dos bens pelos doadores, o contribuinte do imposto incidente sobre os alugueis dos bens é o doador. No caso de cláusula prevendo também a doação de parte dos alugueis, os rendimentos recebidos pelos donatários caracteriza-se
como “doação” e não como rendimentos de alugueis.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.020
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao
recurso. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 Ementa: RENDIMENTOS DE ALUGUEIS. BENS DOADOS COM RESERVA DE USUFRUTO VITALÍCIO PARA OS DOADORES. CONTRIBUINTE. No caso de bens doados com reserva de usufruto vitalício dos bens pelos doadores, o contribuinte do imposto incidente sobre os alugueis dos bens é o doador. No caso de cláusula prevendo também a doação de parte dos alugueis, os rendimentos recebidos pelos donatários caracteriza-se como “doação” e não como rendimentos de alugueis. Recurso negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10725.000355/2004-19
anomes_publicacao_s : 201103
conteudo_id_s : 4851026
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-001.020
nome_arquivo_s : 220101020_10725000355200419_201103.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10725000355200419_4851026.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
id : 4739902
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044037569609728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1778; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.000355/200419 Recurso nº 166.017 Voluntário Acórdão nº 220101.020 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2011 Matéria IRPF Recorrente SILVANA PRAZERES DE AZEVEDO NAKED Recorrida DRJJUIZ DE FORA/MG Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 Ementa: RENDIMENTOS DE ALUGUEIS. BENS DOADOS COM RESERVA DE USUFRUTO VITALÍCIO PARA OS DOADORES. CONTRIBUINTE. No caso de bens doados com reserva de usufruto vitalício dos bens pelos doadores, o contribuinte do imposto incidente sobre os alugueis dos bens é o doador. No caso de cláusula prevendo também a doação de parte dos alugueis, os rendimentos recebidos pelos donatários caracterizase como “doação” e não como rendimentos de alugueis. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 18/03/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório SILVANA PRAZERES DE AZEVEDO NAKED interpôs recurso voluntário contra acórdão da (fls. 45) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 03/06, que alterou o resultado da declaração referente ao Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, do exercício de 2001, de imposto a restituir de R$ 606,61 para 0,00, isto é, resultado sem imposto a pagar ou a restituir. A infração apurada foi a glosa do valor declarado como imposto retido na fonte (R$ 606,61). A Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 e 02 na qual relaciona as fontes pagadorase os respectivos valores dos rendimentos pagsos e do imposto retido e diz que os comprovantes estão sendo apresentados juntamente com a impugnação. A DRJJUIZ DE FORA/MG julgou procedente em parte o lançamento para alterar o valor dos rendimentos tributáveis para 6.079,97, senm contudfo alterar o resultado da declaração. Observa a DRJ que os rendimentos sobre os quais teria incidido o imposto na fonte referemse a alugueis supostamente recebidos pelo esposo da Autuada e declarados na proporção de 50% para cada cônjuge. Todavia, constatou a DRJ que os imóveis em questão pertenceriam ao sogro da autuada e não ao cônjuge. Daí, cincluiu a autoridade julgadora de primeira instância: Destarte, por não estarem as informações trazidas pelos comprovantes e rendimentos de fls.r 7/11 respaldadas nos demais documentos acostados, petições — fls. 12/15 e 16/21 e Declaração de bens fls. 43/44 e por não ter a interessada oferecido outros documentos, respectivos escrituras e contratos de locação, por exemplo, para a confirmação a propriedade dos bens envolvidos e a quem de fato e de direito ertenciam os rendimentos e aluguel desses bens, conclui este relator, de tudo o que consta dos autos: 1) ser completamente descabido o pleito da interessada, devendo ser aqui mantida a glosa do IRRF declarado; e 2) que, por coerência, os rendimentos correspondentes aos IRRF glosados devem também ser excluídos da DIRPF/2001 Retificadora Revisada, isso para se ajustar a verdade formal à verdade material da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 28/12/2007 (fls. 50) e, em 23/01/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 51/52 no qual reafirma que os rendimentos de referem a alugueis recebidos por seu esposo e declarados na proporção de 50% para cada cônjuge. Referese à juntada de escritura de doação dos bens do sogro, o que demonstraria que “apesar de parte dos bens não pertencerem ao esposo da Recorrente, o mesmo aufere rendimentos de todos eles na proporção que a ele cabe, de acordo com a cláusula 3ª (pág. 15) da referida escritura, 10%, (dez por cento), os quais são partilhados em igual proporção com a esposa”. A Recorrente diz que deixa de juntar os contratos de alugueis “diante do enorme número deles e das despesas que isso acarretaria”. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10725.000355/200419 Acórdão n.º 220101.020 S2C2T1 Fl. 2 3 É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento pelo qual foram glosados valores referentes a imposto de renda na fonte incidente sobre alugueis. O fundamento para a glosa, mantido pela decisão de primeira instância, foi o de que os rendimentos sobre os quais incidiram as retenções não foram auferidos pela Recorrente, mas pelo seu sogro, legítimo proprietário dos bens. A alegação da Recorrente é de que os bens foram doados aos filhos, entre eles o seu esposo, Ricardo Naked, e que, segundo o instrumento de doação, recebe o equivalente a 10% dos rendimentos de alugueis. De fato, às fls. 70/90 consta escritura de doação de vários bens, lavrada em novembro de 1992, tendo como outorgantes doadores Fuad Naked e Leodréa Dora Naked, sogro e sogra da ora Recorrente, e como outorgantes donatários diversas pessoas, supostamente filhos e filhas dos donatários e os respectivos cônjuges, dentre eles Ricardo Naked e a ora Recorrente. Rezam as cláusulas 2ª e 3ª da referida escritura o seguinte: 2ª Que os outorgantes doadores, neste ato declaram que reservam para si o usufruto vitalício dos bens doados, sendo que na falta de um deles, o usufruto reverterá em benefício do outro, de tal forma que os donatários somente assumirão o domínio absoluto sobre os bens ora doados após a morte do último deles; 3ª que os outorgante doadores declararam, ainda, que a metade dos rendimentos dos bens ora doados, aqueles destinados a rendimentos de aluguel, que ficarão sob a administração do cônjuge varão, enquanto vivo, será partilhado igualmente, entre os outorgantes donatários. Portanto, os doadores reservaram para si o usufruto vitalício dos bens, de sorte que somente com a morte do último dos outorgantes doadores passaria aos donatários o domínio pleno dos bens. Notese que, segundo informado pela Recorrente, seu sogro já é falecido, mas não a sogra, que, pela cláusula 2ª acima, seria então a usufrutuária dos bens. Cumpre verificar, então, diante destes elementos, e considerando ainda a cláusula terceira, acima reproduzida, quem é o sujeito passivo para fins de incidência do imposto de renda. Segundo o art. 121, parágrafo único, inciso I do CTN, o contribuinte do imposto é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, e Fl. 97DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 que, no caso, do imposto de renda, é o titular da disponibilidade da renda, nos termos dos artigos 43 e 45 do mesmo CTN. Ora, neste caso, apesar da doação, os doadores reservaram para si o usufruto vitalício dos bens, portanto, alugueis ou quaisquer outros tipos de rendimentos produzidos pelos bens são usufruídos pelos doadores e não pelos donatários. É certo que, neste caso, segundo a cláusula terceira acima reproduzida, foi doado também parte dos rendimentos dos alugueis. Porém neste caso, a natureza dos rendimentos recebidos pelo donatário é a “doação” de valores correspondentes a um certo percentual dos alugueis e não o próprio “aluguel”. Isto é os doadores recebem os rendimentos de alugueis, como usufruto dos bens e, apenas num segundo momento, doam parte desses rendimentos aos filhos. Notese que a cláusula segunda acima poderia existir sem a cláusula terceira e viceversa. Isto é, poderia ter sido feita a doação dos imóveis, com reserva de usufruto, sem a doação de parte dos alugueis, assim como poderia ter sido doado parte dos rendimentos de alugueis sem a doação dos bens. Uma coisa não tem relação com a outra. Portanto, o que se tem aqui, para fins tributários, pelo menos, são dois tipos distintos de doação. E, no caso dos alugueis, vale reforçar, os titulares da disponibilidade econômica e jurídica dos rendimentos, eram os donatários, que reservaram para si o usufruto vitalício dos bens. Ora, se os rendimentos são dos doadores, quem sofreu a retenção do imposto na fonte foram os doadores. Portanto, não há IRRF a ser compensado ou restituído aos donatários. Devese observar, ainda, que, neste caso, os rendimentos declarados estão no limite de isenção, de sorte que esta conclusão implica apenas na glosa da restituição pretendida. Corretos, portanto o lançamento e a decisão de primeira instância. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 98DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001537/2004-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2003
TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. PAGAMENTO
APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA APLICÁVEL
Tributo não declarado cujo pagamento tenha se dado após a ciência do início
de procedimento de fiscalização é constituído de ofício, com o acréscimo da
multa punitiva de 75%, ainda que o referido pagamento tenha ocorrido no
prazo de vinte dias do início da ação fiscal.
EXCLUSÕES NÃO EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO. FALTA DE
COMPROVAÇÃO.
Improcedem alegações que não encontram respaldo em prova material.
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS
FINANCEIRAS.
A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718,
de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do
Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-000.983
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2003 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. PAGAMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA APLICÁVEL Tributo não declarado cujo pagamento tenha se dado após a ciência do início de procedimento de fiscalização é constituído de ofício, com o acréscimo da multa punitiva de 75%, ainda que o referido pagamento tenha ocorrido no prazo de vinte dias do início da ação fiscal. EXCLUSÕES NÃO EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Improcedem alegações que não encontram respaldo em prova material. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 06 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 19515.001537/2004-57
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4988617
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-000.983
nome_arquivo_s : 330200983_19515001537200457_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : JOSE ANTONIO FRANCISCO
nome_arquivo_pdf_s : 19515001537200457_4988617.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
id : 4740757
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044037648252928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1695; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 902 1 901 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001537/200457 Recurso nº 866.974 Voluntário Acórdão nº 330200.983 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2011 Matéria Cofins Recorrente STORAGETEK BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2003 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. PAGAMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA APLICÁVEL Tributo não declarado cujo pagamento tenha se dado após a ciência do início de procedimento de fiscalização é constituído de ofício, com o acréscimo da multa punitiva de 75%, ainda que o referido pagamento tenha ocorrido no prazo de vinte dias do início da ação fiscal. EXCLUSÕES NÃO EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Improcedem alegações que não encontram respaldo em prova material. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 777 a 819) apresentado em 1º de março de 2010 contra o Acórdão no 1326.840, de 16 de outubro de 2009, da 4ª Turma da DRJ/RJ2 (fls. 710 a 716), cientificado em 29 de janeiro de 2010, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de março de 1999 a março de 2003, considerou procedente em parte a impugnação, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/1999, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 28/02/2001, 31/03/2001, 31/05/2001, 31/07/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/03/2003 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. PAGAMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA APLICÁVEL Tributo não declarado cujo pagamento tenha se dado após a ciência do início de procedimento de fiscalização é constituído de ofício, com o acréscimo da multa punitiva de 75%, ainda que o referido pagamento tenha ocorrido no prazo de vinte dias do início da ação fiscal. COFINS. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Comprovado pelo contribuinte a existência de devolução de vendas que não foram consideradas pela Fiscalização para efeito de dedução da base de cálculo da Cofins, devem os valores correspondentes ser considerados para efeito de exoneração desta contribuição. Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 13 de agosto de 2004, de acordo com o termo de fls. 341 a 372. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.001537/200457 Acórdão n.º 330200.983 S3C3T2 Fl. 903 3 A Primeira Instância assim resumiu o litígio: [...] 1. Considerando as bases de cálculo informadas nas Planilhas “INFORMAÇÕES PRESTADAS À SRF” (f1s. 115 a 135), em atendimento à solicitação formulada no Termo de Início de 18/06/02, os valores de receitas escriturados na contabilidade, conforme balancetes mensais apresentados (cópias relativas a 2000 e 2001) e cópias do razão das contas de receita dos anos 2000 a 2002 (todas as cópias no Apenso 1 deste procedimento), os débitos de PIS e COFINS declarados em DCTF e os valores recolhidos através de DARF, foram constatadas diferenças a constituir relativamente aos valores apurados das mencionadas contribuições, conforme os DEMONSTRATIVOS DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA JAN/1999 a Dezembro/2003 PIS E COFINS (fls. 368 a 372), parte integrante do presente Termo de Verificação Fiscal, ressaltando que as bases de cálculo informadas pelo contribuinte foram alteradas em decorrência do confronto entre os valores escriturados e os declarados/informados, conforme resume o Anexo “D” (fls. 358 a 361). 2. Cabe esclarecer que o Anexo “D” consolida as divergências apuradas no período em questão, em razão dos débitos efetuados em contas de receita, devoluções de mercadorias a comprovar e outras diferenças apuradas, conforme Anexos “A”, “B” e “C III”, que sintetizam os questionamentos formulados e os argumentos e elementos de prova apresentados pelo contribuinte acerca das referidas divergências. (...) 5. Tendo em vista o exame nos Livros Fiscais e Contábeis, constatamos a ocorrência de lançamentos de débito nas contas de receita (de natureza credora) no período de 1999 a 2001; lançamentos de devolução de mercadorias em valores muito significativos, no período de nov/00 a dez/02; além da divergência entre os valores escriturados nos balancetes mensais apresentados, referentes aos anos calendários 2001 e 2002, (esclarecendo que nesse período a empresa não dispunha dos Livros Razão), intimamos o contribuinte a proceder aos esclarecimentos necessários, apresentando os documentos que respaldassem o procedimento e alertamos que não se encontrava escriturado no Livro Diário a Demonstração de Resultado relativa ao mês de Novembro/01, através do Termo de Intimação Verificações Obrigatórias de 19/02/04. (...) 15. Dessa feita, com base nos lançamentos efetuados nas contas de receita, vendas canceladas, devoluções, outras receitas, conforme cópias anexadas no Apenso 1 deste procedimento, juntamente com os respectivos balancetes, procedemos ao exame das bases de cálculo informadas pelo contribuinte, ajustando Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 conforme demonstram os Anexos “A” Débitos em Contas de Receita não comprovados; “B” Vendas Canceladas / Devoluções não comprovados; e CIII Diferença na Base de Cálculo PIS/COFINS, cuja justificativa da exclusão das receitas não foram comprovadas, sendo essas diferenças consolidadas no Anexo “D” Base de Cálculo PIS/COFINS, apurada cf. Livros Razão e Fiscais, confrontada com a DCTF e INF À SRF. 16. Informamos que as bases de cálculo apuradas no referido Anexo “D” foram inseridas no Sistema Papéis de Fiscalização, conforme planilha denominada “APURAÇÃO DA COFINS” para o período de 1999 a 2002, sendo que para 2003 consideramos as informações do contribuinte na planilha INFORMAÇÕES À SRF, em conjunto com as DCTF’s, sendo que o crédito tributário a constituir encontrase individualizado nas planilhas “DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA” P.A. 1999 a 2003, cabendo esclarecer que neste procedimento, deixaram de ser considerados os recolhimentos efetuados em 08/07/2003, através de DARF, conforme relacionado no ANEXO “E”, tendo em vista que o contribuinte promoveu o recolhimento durante a ação fiscal, relativamente a débitos não declarados, inclusive fora do prazo previsto pelos artigos 43 e 44 da Lei 9.430/96. 17. Outrossim, ressaltamos que nos períodos correspondentes ao 1 , 2 e 3 Trimestres de 2002 e 3 Trimestre de 2003, não havia declaração de nenhum débito relativo às contribuições ao PIS e COFINS, tendo sido considerados na apuração do crédito tributário somente o recolhimento efetuado à época própria, sendo que o contribuinte procedeu à regularização das declarações, através de DCTF’s Retificadoras, transmitidas em 23/07/04 (1 , 2 e 3º Trimestres de 2002) e 06/08/04 (3 Trimestre de 2003). [...] Alegação 1) Desconsideração de recolhimentos efetuados no período de procedimento espontâneo: O art. 47 da Lei nº 9.430/96 possibilita que o contribuinte submetido à ação de fiscalização, dentro do prazo de 20 dias, pague os tributos em aberto recorrendo ao “procedimento espontâneo”, como forma de se eximir da imposição da multa de ofício. O prazo de 20 dias foi obedecido, uma vez que o procedimento fiscal teve início em 18/06/2003 e os recolhimentos foram efetuados em 08/07/2003. Ao contrário do que afirma o AFRF, a falta de declaração não consiste empecilho para a prática do procedimento espontâneo, uma vez que, mesmo antes da inserção do art. 47 da Lei nº 9.430/96 já era cristalino entendimento que sobre o pagamento de tributos já declarados não recaía multa de ofício. Partindo desta premissa, concluise que, por intermédio do “procedimento espontâneo”, não se pretendeu alcançar os casos em que o débito a ser pago já se encontrava declarado, mas sim se voltou para os casos em que o débito encontravase ainda carente de declaração. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.001537/200457 Acórdão n.º 330200.983 S3C3T2 Fl. 904 5 Só pode ter sido esta a intenção do legislador ao criar o “procedimento espontâneo” sob pena de se incidir no engodo da impraticabilidade do Direito. Daí dizer que o “procedimento espontâneo” não foi introduzido à toa, mas no sentido de permitir o pagamento de tributos sob fiscalização, independentemente de estarem declarados, excluindose o contribuinte da multa de ofício. Alegação 2) Exclusão de Devolução de Vendas – novembro/2000: A impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor total de R$ 3.202.178,84, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 494 a 581. Alegação 3) Não exclusão da “reclassificação de IPI” e recolhimento da Cofins sob código da contribuição para o PIS maio/2001: Alega a impugnante que a fiscal deixou de deduzir da base de cálculo o montante de R$ 118.543,72 referente a “reclassificação de IPI”. Tal dedução consta como “aceita” pelo fiscal, conforme anexo CIII do Auto de Infração (fl. 352), sob o fundamento de que “o crédito foi feito na conta de IPI s/ faturamento, não devendo compor a BC PIS Cofins”. Assim, deduzida a “reclassificação de IPI”, a base de cálculo apurada passa a ser de R$ 2.704.612,84, e conseqüentemente a Cofins devida perfaz R$ 81.138,38. Ocorre que, por equivoco, recolheu a Cofins sob código de PIS, no montante de R$ 75.431,23 (fl. 583). O mesmo erro ocorreu com o PIS, recolhido com código da Cofins, no montante de R$ 16.343,43. Temos assim que o débito de Cofins reduzse a R$ 5.707,15, valor que não será contestado e será pago com redução de multa de ofício (vide fls. 663 a 665). Alegação 4) Exclusão de Devolução de Vendas – julho/2001: A impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor total de R$ 2.996.079,92, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 588 a 599. Alegação 5) Exclusão de Devolução de Vendas – janeiro/2002: A impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor total de R$ 759.384,40, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 601 a 605. Alegação 6) Receita diferida, variação cambial, receita não identificada – abril/2002: Inicialmente, alega a impugnante erro na apuração do montante devido, uma vez que, nos termos do anexo “CIII” a auditora consente com o fato de que a “Receita Diferida”, no montante de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 R$ 99.021,21, não é tributada pela contribuição, tendo sido este valor erroneamente incluído na base de cálculo. Com relação à glosa da exclusão de receita de variação cambial, no montante de R$ 26.460,59 (vide anexo CIII, fl.355), alega ter recolhido, em 08/07/2003 o valor de R$ 1.194,65, dentro do prazo para pagamento espontâneo, conforme já abordado na “alegação 1”. O valor recolhido é superior ao devido, considerandose a aplicação da alíquota do tributo sobre o montante glosado, o que resulta em crédito em favor da impugnante. Por fim, alega não ter identificado qual a origem da receita tributada no montante de R$ 324,87. Partindose do montante lançado de R$ 3.774,19, chegase à base de cálculo sobre a qual supostamente deixou de recolher a contribuição, R$ 125.806,33. Deduzindose desta base a “Receita Diferida” e a “Receita de Variação Cambial” abordadas acima obtémse o montante de R$ 324,87, para o qual não há no auto ou em seus anexos qualquer indício de sua procedência, o que atenta ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Alegação 7) Receita de variação cambial realizada – junho/2002: A impugnante contesta a apuração efetuada pelo fisco. Alega que da base cálculo sobre a qual teria deixado de recolher a Cofins, R$ 950.474,33, reconhece o débito calculado sobre o montante de R$ 924.265,05, sobre o qual recolheu R$ 27.717,95 durante o período de procedimento espontâneo. Considera indevida, no entanto, a cobrança sobre a diferença de R$ 26.460,59, decorrente de “receita de variação cambial realizada”. Alega não existir, no auto ou em seus anexos, qualquer indício de sua causa, o que constitui flagrante entrave à formulação da defesa. Alegação 8) Devolução de vendas, receita diferida, variação cambial – julho/2002: Inicialmente, a impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor total de R$ 1.034.990,52, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 614 a 637. Alega ainda a impugnante erro na apuração do montante devido, uma vez que, nos termos do anexo “CIII” a auditora consente com o fato de que a “Receita Diferida”, no montante de R$ 112.354,54, não é tributada pela contribuição, tendo sido esta importância erroneamente incluída na base de cálculo. Com relação à glosa da exclusão de receita de variação cambial, no montante de R$ 18.169,74 (vide anexo CIII, fl. 355), alega ter recolhido, em 08/07/2003 o valor de R$ 3.013,58, dentro do prazo para pagamento espontâneo, conforme já abordado na “alegação 1”. O valor recolhido é superior ao devido, considerandose a aplicação da alíquota do tributo sobre o montante glosado, o que resulta em crédito em favor da impugnante. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.001537/200457 Acórdão n.º 330200.983 S3C3T2 Fl. 905 7 Alegação 9) Exclusão de Devolução de Vendas – dezembro/2002: A impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor de R$ 413.198,61, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 646 a 655. Conforme ementa reproduzida anteriormente, a DRJ cancelou parte do auto de infração, relativamente às devoluções de vendas comprovadas. Em relação à “reclassificação do IPI”, à “receita diferida” e à “receita de variação cambial realizada”, concluiu o acórdão que já teriam sido considerados na apuração, conforme demonstrativos constantes da decisão. Relativamente aos pagamentos efetuados com outros códigos de recolhimento, considerou não ser possível seu aproveitamento de outro modo que por compensação ou pedido de restituição. No recurso, a Interessada reafirmou a ocorrência de procedimento espontâneo, contestou as conclusões sobre a desconsideração da “reclassificação do IPI” e do recolhimento da Cofins sob código de PIS no período de maio de 2001; afirmou que, no período de abril de 2002, teria havido inclusão indevida de receitas financeiras na base de cálculo; quanto ao período de junho de 2002, alegou que foi incluída na base de cálculo receita de variação cambial, que deveria ser excluída; em relação ao período de julho de 2002, alegou que se trataria de receitas de variação cambial, receitas diferidas e receitas não identificadas. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Não tem razão a Recorrente em relação ao prazo de vinte dias, uma vez, claramente, o art. 47 da Lei no 9.430, de 1996, referese a “tributos e contribuições já declarados”. Isso porque o art. 44 da mesma lei prevê a aplicação de multa de ofício, nos casos de simples “de falta de pagamento ou recolhimento”, além dos casos “de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Portanto, é a essa hipótese, e somente a ela, que se aplica a referida disposição. Basta lembrar que, iniciado o procedimento fiscal (art. 7º do Decreto no 70.235, de 1972, e art. 138 do CTN), o contribuinte perde a espontaneidade. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 8 Em relação a um valor de PIS que na realidade seria relativo à Cofins, caberia, primeiramente, à Interessada requerer, pelo método próprio, a retificação do Darf, e não à Receita Federal efetuar de ofício tal retificação. Não tomando tal providência, caracterizase eventual recolhimento indevido, que somente seria passível de aproveitamento por meio de compensação. Quanto à reclassificação de IPI e à receita diferida, a Interessada não demonstrou, em seu recurso, estarem incorretas as conclusões do acórdão de primeira instância, que explicitou a apuração da base de cálculo em relação a tal matéria. Ademais, no tocante à alegada receita não identificada, conforme ressaltou o acórdão de primeira instância, “toda a apuração da base de cálculo e do montante da contribuição devida encontramse minuciosamente detalhados, carecendo de sentido a afirmação da existência de “receitas não identificadas” objeto de tributação.” Quanto à receita de variação cambial, tratandose de receita financeira, cabe razão à Interessada. Em relação à inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, sobreveio, entre a aprovação da diligência e seu retorno, a declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins. Inicialmente, é preciso esclarecer que o art. 62 do novo Regimento Interno do Carf, Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único, I, do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.001537/200457 Acórdão n.º 330200.983 S3C3T2 Fl. 906 9 O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 10 da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Portanto, não estavam sujeitas à contribuição as receitas financeiras, em face da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo pela Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, os recolhimentos efetuados pela Interessada no curso da ação fiscal devem ser considerados pela própria Delegacia de origem na apuração do saldo devedor, por imputação proporcional dos pagamentos aos débitos lançados e considerando a redução de 50% da multa de ofício prevista em lei. À vista do exposto e adotando os demais fundamentos, quando cabíveis, do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1999, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras e para admitir a alocação dos pagamentos efetuados no curso da ação fiscal, nos termos anteriormente expostos. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 13985.000173/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2006
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – NÃO LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE – Toda empresa é obrigada a lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2301-001.995
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – NÃO LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE – Toda empresa é obrigada a lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13985.000173/2007-18
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4933652
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-001.995
nome_arquivo_s : 230101995_13985000173200718_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 13985000173200718_4933652.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
id : 4740559
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044037678661632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1454; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 86 1 85 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13985.000173/200718 Recurso nº 259.255 Voluntário Acórdão nº 230101.995 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente CONSTRUTORA SANTA LÚCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – NÃO LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE – Toda empresa é obrigada a lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio De Souza Correa. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 23/07/2007, por ter a empresa acima identificada deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso II, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 06), a empresa não registrou, em contas individualizadas de sua contabilidade, todos os fatos geradores de contribuições sociais de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e as não integrantes do salário de contribuição, bem como as contribuições sociais descontadas dos segurados, as a cargo da empresa, os valores retidos de empresas prestadoras de serviços e os totais recolhidos, por estabelecimento, por obra de construção civil e por tomador de serviços, no período de 10/2000 a 01/2004, da matricula CEI n°3.677.001.048/75, de sua responsabilidade. A autoridade autuante informa, ainda, que a empresa também não contabilizou o valor destacado da retenção de 11% para a Previdência Social das notas fiscais de prestação de serviços desde o exercício de 2003 até o exercício de 2006, e pagamento realizado a contribuinte individual. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0711.587, da 5a Turma DRJ/FNS (fls. 56), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 95 e seguintes), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insiste que houve flagrante extrapolação do prazo legal previsto no parágrafo 3° do art. 117 do Regulamento de Normas Gerais de Direito Tributário do Estado de Santa Catarina, que fixa o prazo de 60 (sessenta) dias para o encerramento da atividade fiscalizatória, o que torna nula a autuação, e reafirma que ocorreu a prescrição da pretensão punitiva quanto às competências mencionadas no auto de infração, por terem ocorrido ainda no ano de 1999, estando todas as demais vinculadas a esta data e, portanto, prescritas. No mérito, destaca que a empresa requerida sempre agiu dentro da legalidade, prestando serviços de terraplanagens para empresas em geral, e administrações públicas, obtendo sempre toda documentação necessária para a regularidade das prestações de serviços, não havendo que se falar em fatos ocorridos ainda nos anos de 1999, 2000 e 2001. Argumenta que o não registro de contas individualizadas não demonstra a ocorrência de nenhum dano aos funcionários ou ao fisco, pois todos foram pagos corretamente, além de terem sido retidos todos os tributos necessários e legalmente devidos, havendo, no caso em questão, ausência de fundamentação para que seja imposta a multa à empresa recorrente, haja vista que essa agiu dentro da coerência, não podendo ser prejudicada por fato que não trouxe nenhuma irregularidade passível de punição. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13985.000173/200718 Acórdão n.º 230101.995 S2C3T1 Fl. 87 3 Destaca que a empresa recorrente sabe de suas obrigações, e que, embora possivelmente possa ter deixado de registrar as contas individualizadas, certamente o fez seguindo normas direcionadas, afinal, tudo que faziam, era sob o judice de funcionários do INSS, que indicavam diretrizes incorretas e deixavam a empresa incorrer na prática irregular. Insiste na tese de que, se sempre obteve incondicionalmente todas as Certidões Negativas de Débitos Federais e tinha sua matricula efetuada junto ao CEI, não existe qualquer irregularidade por parte da empresa recorrente, considerandose que esta sempre agiu dentro da coerência e da legalidade. Insurgese contra a multa aplicada, asseverando que seu valor é abusivo e possui caráter confiscatório. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega nulidade do AI sob o argumento de que houve flagrante extrapolação do prazo legal previsto no parágrafo 3° do art. 117 do Regulamento de Normas Gerais de Direito Tributário do Estado de Santa Catarina, que fixa o prazo de 60 (sessenta) dias para o encerramento da atividade fiscalizatória. Contudo, é objeto do presente processo administrativo fiscal um Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória prevista na legislação Previdenciária, que trata de contribuição social de competência da União e que não se sujeita, portanto, ao citado Regulamento Estadual. O início da ação fiscal, no âmbito da Previdência Social, se dá com a emissão do MPF. A Portaria MPS/SRP N° 3.031/2005, estabelece que: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; Portanto, como em nenhum momento a legislação que trata das contribuições previdenciárias fixa o prazo de 60 dias para o encerramento da ação fiscal, não há que se falar em nulidade do AI por extrapolação do prazo, como quer a recorrente, por falta de embasamento legal. Por todo o exposto, entendo que o AI não deve ser anulado, mesmo porque o Decreto nº 70.235/72 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece, em seu art. 59, que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso presente, não houve a ocorrência de nenhuma das hipóteses de nulidade elencadas acima, já que o AI foi lavrado por autoridade competente e não ficou configurada a preterição do direito de defesa, pois foi dada ciência ao contribuinte do Auto de Infração juntamente com todos os relatórios que o integram, e entre eles o Relatório Fiscal da Infração, que encerra toda informação necessária para proporcionar, à autuada, a ampla defesa. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade do Auto. Ainda em preliminar, a autuada entende que ocorreu a prescrição da pretensão punitiva quanto às competências mencionadas no auto de infração, por terem ocorrido ainda no ano de 1999, estando todas as demais vinculadas a esta data e, portanto, prescritas. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13985.000173/200718 Acórdão n.º 230101.995 S2C3T1 Fl. 88 5 Entretanto, a fiscalização discrimina, no Relatório Fiscal da Infração, todas as irregularidades verificadas nos lançamentos contábeis da empresa, e elas se referem a fatos geradores ocorridos entre as competências 02/99 a 09/06. Dessa forma, nem todas as irregularidades ocorreram no ano de 1999, conforme quer fazer crer a recorrente. Cumpre observar que o auto em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, consoante determinação contida no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a I – (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; A penalidade pela infração ao dispositivo transcrito acima é a aplicação de uma multa cujo valor independe do número de fatos geradores que foram lançados em título impróprio, ou de forma indiscriminada, ou, em uma mesma conta contábil com outros pagamentos sobre os quais não há incidência de tributo. Portanto, basta a empresa deixar de registrar um fato gerador em título próprio em período não atingido pela decadência para que fique configurada a infração à legislação previdenciária, ensejando a aplicação da penalidade prevista nos dispositivos legais discriminados à fl. 01, e no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa. Dessa forma, a decadência não afeta o valor do Auto em discussão, pois engloba competências até 09/06, motivo pelo qual rejeito a preliminar suscitada. No mérito, a recorrente tenta demonstrar que sempre agiu dentro da legalidade, obtendo sempre a CND e que o não registro de contas individualizadas não demonstra a ocorrência de nenhum dano aos funcionários ou ao fisco, pois todos foram pagos corretamente. No entanto, a infração foi cometida e o auto não pode ser cancelado, pois conforme estabelecido pelo CTN em seu art. 136, “Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infração da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário. E é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A 6 A empresa tenta imputar a culpa pelos equívocos em seus lançamentos contábeis aos funcionários do INSS, que indicavam diretrizes incorretas e deixavam a empresa incorrer na prática irregular. Todavia, a obrigação de lançar em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos está na Lei 8.212/91, e a ninguém é dado o direito de alegar o desconhecimento da lei como justificativa pelo não cumprimento. Portanto a recorrente infringiu obrigação legal a todos imposta e como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. A autuada insiste em afirmar que pagou a contribuição devida e que sempre obteve a CND. Ocorre que a recorrente confunde multa, penalidade, com contribuição previdenciária. O que a recorrente afirma que sempre pagou é a contribuição previdenciária devida e o que está sendo lançado por meio do AI em tela é a multa de ofício, de caráter punitivo e se refere ao descumprimento de uma obrigação acessória, o que, conforme demonstrado nos autos, ocorreu no presente caso. Portanto, ao se deparar com o descumprimento da obrigação acessória previdenciária, o agente fiscal lavrou corretamente o presente Auto de Infração. A recorrente insurgese, ainda, contra a multa aplicada, alegando que é exorbitante e possui natureza confiscatória. Todavia, verificase que a multa encontra amparo legal na legislação vigente à época do lançamento, discriminada nos relatórios que integram o Auto de Infração, não podendo ser atenuada ou relevada, tendo em vista a não ocorrência das circunstâncias atenuantes previstas no art. 292, inciso V, do Decreto 3.048/99, ou o preenchimento dos requisitos previstos no §1º, do art. 291, do mesmo normativo legal. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13985.000173/200718 Acórdão n.º 230101.995 S2C3T1 Fl. 89 7 administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Portanto, a penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o AI. Também não cabe o entendimento de que a sanção tributária tem a finalidade de desestimular o possível devedor do descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, não podendo o direito de propriedade, pois, reiterase, a penalidade pecuniária imposta pelo legislador ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta tem como objetivo o melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa. Dessa forma, não pode a legislação dar tratamento igual a um contribuinte que é diligente, cumpre os prazos procedimentais e lança em sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores da contribuição previdenciária, a um outro contribuinte que não cumpre obrigações acessórias e dificulta a administração tributária ao deixar de registrar, em contas individualizadas de sua contabilidade, todos os fatos relacionados às contribuições sociais, de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e as não integrantes do salário de contribuição. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002523/2004-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO.
Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços
utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação
de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais.
CRÉDITO. MÃODEOBRA.
TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO.
CONTRATAÇÃO.
Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra
avulsa,
mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da
categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse
aos trabalhadores.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA.
Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic
sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de PIS na
exportação.
CONSTITUCIONALIDADE. LEIS.
Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto
de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á
ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito
ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de PIS na exportação. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10930.002523/2004-85
anomes_publicacao_s : 201103
conteudo_id_s : 4998612
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-000.863
nome_arquivo_s : 330200863_10930002523200485_201103.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : WALBER JOSE DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10930002523200485_4998612.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4739210
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044037868453888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 502 1 501 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.002523/200485 Recurso nº 270.113 Voluntário Acórdão nº 330200.863 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2011 Matéria PIS RESSARCIMENTO Recorrente COMPANHIA CACIQUE DE CAFÉ SOLÚVEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de PIS na exportação. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 02/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Externo (fl. 01), protocolizado em 30/07/2004, relativo ao 2º trimestre/2003, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637/2002. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 354, deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços relacionados às fls. 332/333 e aos pagamentos feitos a Sindicato de Trabalhadores e considerou, para efeitos de base de cálculo da contribuição, receitas financeiras não computadas pela recorrente. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 366/389, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0620.173, de 03/12/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. PIS NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM MÃODEOBRA PESSOA FÍSICA. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. •No sistema de nãocumulatividade, não geram créditos passíveis de desconto do PIS, as despesas com mãodeobra Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002523/200485 Acórdão n.º 330200.863 S3C3T2 Fl. 503 3 pessoa física, ainda que pagas por meio de sindicato da categoria, por força da • legislação. TRIBUTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. A contribuição para o PIS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões permitidas da base de cálculo são apenas as listadas de forma taxativa na legislação de regência. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos ao PIS, por falta de previsão legal. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/02/2009, conforme AR de fl. 460, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/03/2009, com o recurso voluntário de fls. 461/487, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, que abaixo resumo no essencial. 1 insumo é uma combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço. Portanto, o conceito de insumo alcança tudo aquilo que é consumido em um processo, seja para fabricação de bens ou prestação de serviços e/ou aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social. Por este conceito, são dispêndios financeiros (gastos) com insumos os gastos realizados com a aquisição dos seguintes bens e serviços: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual; Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; Outros Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; Exportação e Gastos Gerais. 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconhece o direito ao crédito da contribuição ao PIS/Pasep sobre os valores dos custos/despesas das seguintes rubricas: Materiais de manutenção, serviços de industrialização, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes; 3 Discorre sobre a natureza jurídica dos sindicatos, alega que não contratou mãodeobra de pessoa física e, com relação aos serviços prestados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral, alega que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR alterou o seu posicionamento para o fim de validar e legitimar os créditos da contribuição ao PIS/Pasep sobre os valores dos pagamentos efetuados ao referido sindicato, conforme transcrição abaixo (Processo Administrativo n° 16366.003268/200779 PIS Nãocumulativo do 2° TR/2007 fls. 363): b.3) Serviço temporário Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Constatei ainda que em relação ao item "Serviço Temporário", os dispêndios também contemplam insumos cuja aplicação foi feita diretamente na fabricação de produtos destinados à venda, e pagos para pessoas jurídicas estabelecidas no país. Cabe salientar, a título de ilustração e para estabelecer diferenciação dos serviços mencionados nos itens 1 a 15, que os pagamentos relativos ao item "serviço temporário" foram feitos para outra empresa proceder, mediante cessão de sua mãode obra, serviços que implicam no manuseio direto da matéria prima (café) utilizado pela empresa requerente em seu parque industrial. (grifei) 4 é ilegal a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo do PIS porque o disposto no artigo 3°, §1º da Lei nº 9.718/98 extrapolou o conceito de faturamento previsto na legislação societária, contábil e fiscal. Discorre sobre o conceito de receita; 5 não prospera a alegação da decisão recorrida de que as receitas financeiras integram a base de cálculo da contribuição social ao PIS em razão da Lei nº 10.637/2002 porque a EC nº 20/2003 acabou por determinar que a legislação infraconstitucional definirá os setores de atividade econômica para os quais a contribuição ao PIS será nãocumulativa. É, portanto, ilegal e inconstitucional a exigência do PIS sobre as receitas financeiras; 6 sobre a forma de apuração da receita decorrente de contratos de renda fixa e renda variável, a recorrente entende que os ajustes diários são marcações diárias dos ativos financeiros e devem ser calculados na forma que exemplifica, apurados no mês, considerando as perdas e os pagamentos efetuados pela outra parte contratante; 7 o valor a ressarcir deve ser atualizado pela Taxa Selic, conforme previsto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95. Cita decisão da CSRF sobre aplicação da taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei nº 9.363/96); Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de PIS não cumulativo, cujo crédito pleiteado foi aproveitado para efetuar a compensação com débitos também da recorrente, devidamente declarados à RFB. A RFB deferiu parte do crédito pleiteado por ter efetuado a glosa de créditos sobre despesas que não se enquadram no conceito de insumo e/ou que não existe previsão legal, além de incluir receita financeiras na base de cálculo da exação. Com relação aos créditos, a RFB efetuou a glosa em relação aos seguintes gastos da recorrente: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002523/200485 Acórdão n.º 330200.863 S3C3T2 Fl. 504 5 1. Alimentação; 2. Cesta básica; 3. Vale transporte; 4. Assistência médica/odontológica; 5. Uniforme e vestuário; 6. Equipamento de proteção individual; 7. Matérias de manutenção/conservação; 8. Materiais químicos e de laboratórios; 9. Materiais de limpeza; 10.Materiais de expediente; 11.Lubrificantes e combustíveis; (exceto os utilizados na indústria) 12.Outros materiais de consumo; 13.Serviço temporário, contratado com sindicato; 14.Serviços de segurança e vigilância; 15.Serviços de conservação e limpeza; 16.Serviços de manutenção e reparos; 17.Outros serviços de terceiros; 18.Exportação; 19.Gastos gerais. Adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida quando à legitimidade das glosas efetuadas pela RFB, aos quais acrescento os argumentos abaixo. Em sua defesa, a recorrente parte de um equivocado conceito de insumo, tanto do ponto de vista fiscal, como econômico ou fabril. Em termos fiscais, a Lei nº 10.637/2002, em seu artigo 3º, afirma que o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Não precisa muito esforço de hermenêutica jurídica para concluir que equivocase a recorrente quando afirma que insumo é tudo “aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social”. Como bem disse a decisão recorrida, os insumos são consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos. Os outros dispêndios não relacionados diretamente com a produção dos bens são custos indiretos e somente geram direito a crédito se houver expressa previsão legal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Nesse passo, as despesas realizadas com os bens e serviços acima listados não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo ou por existir expressa vedação legal, quando forem insumos, como é o caso de mãodeobra adquirida de pessoa física, inclusive via sindicato de trabalhadores. Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica, com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica e com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. Sobre os gastos com serviços temporários, realizados via sindicato de trabalhadores, enganas e a recorrente quando afirma que a DRF Londrina admite o crédito para tais gastos. Os gastos admitidos pela DRF em Londrina, a que se refere o processo nº 16366.003268/200779, foram feitos para outra empresa, pela cessão de sua mãodeobra, e não a sindicato, pela contratação da mãodeobra de seus filiados. Quanto à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS, não conheço dos argumentos da recorrente sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei nº 10.637/02, por força do que dispõe a Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à forma de contabilização e apuração da receita financeira incluída na base de cálculo do PIS, também não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto. De fato, o procedimento adotado pela recorrente, abaixo descrito pela autoridade da RFB, teve como conseqüência a não tributação da receita financeira, corretamente incluído na base de cálculo pela RFB. Em relação às receitas acima verifiquei que a empresa requerente contabiliza, incorretamente, tanto os ganhos/rendimentos quanto os prejuízos/perdas na mesma conta contábil, conforme razão contábil às fls. 311 a 326 e balancetes contábeis (fls. 43, 63 e 83). Assim, por exemplo, a conta " Rendimentos de Mercado Futuro" (fis. 315 a 317) registra valores positivos (ganhos) e também valores negativos (perdas). Percebese pelo razão que tais valores (negativos) não se constituem em estornos (que seriam registros devedores) e sim que a requerente realmente escritura tanto os ganhos quanto as perdas na mesma conta. Quando efetua algum estorno, como em 23.06.2003 (fls. 317), o histórico do lançamento espelha esta situação. [...] Assim, novamente no exemplo mencionado anteriormente, a requerente registrou a crédito da conta 85101010 — Rendimentos de Mercado Futuro, no mês de abril de 2003, o valor de R$2.656.932,75. Registrou também a débito, o valor de R$ 413.361,95 como perda com a referida aplicação (fls. 315/316). Não houve registro na conta de perdas de mercado futuro, desta forma o valor registrado a débito reduziu o valor Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002523/200485 Acórdão n.º 330200.863 S3C3T2 Fl. 505 7 oferecido à tributação pela requerente, que foi de R$ 2.243.570,80 (fls. 127). Portanto, para efeitos da legislação comercial, a requerente deveria registrar apenas o valor dos rendimentos na conta 85101010 (R$ 2.656.932,75) e o valor de R$ 413.361,95 na conta 85203003. Ao agir da forma acima, a requerente não ofereceu à tributação da contribuição para o PIS o valor de R$ 413.361,95. Por fim, pretende a recorrente que incida a taxa Selic no valor do ressarcimento pleiteado, pelos fundamentos que cita. Ratifico o entendimento da decisão recorrida de que não há previsão legal para a incidência da taxa Selic no ressarcimento e que este instituto não se confunde com a restituição. O ressarcimento em tela é uma modalidade de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep (art. 5º, § 2º, da Lei nº 10.637/02), ao passo que a restituição, prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN), é a devolução, ao contribuinte (de direito) de valores referentes a tributos ou contribuições pagos indevidamente ou a maior que os valores devidos, pelo sujeito passivo, ou seja, de receita que ingressou nos cofres da Fazenda Nacional e que não lhe pertencia de direito. Ambos são despesa pública e, como tal, a sua realização deve obedecer aos estritos limites da lei, independente do tipo de dispêndio. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000908/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Ano-calendário: 2005
Ementa:
DESPESAS COM MÉDICOS, LABORATÓRIOS, DENTISTAS E PSICÓLOGOS. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus
dependentes, limitando-se aos pagamentos especificados e comprovados.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. CABIMENTO. A perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização.
FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou
insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA
CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4. De acordo com
a Súmula n.º 4, a partir de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.
Numero da decisão: 2101-001.148
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução das despesas efetuadas com Carlos A. F. de Lima, no valor de R$ 3.700,00 e com Marcela R. Malheiros, no valor de R$ 1.200,00. Vencido
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano-calendário: 2005 Ementa: DESPESAS COM MÉDICOS, LABORATÓRIOS, DENTISTAS E PSICÓLOGOS. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitando-se aos pagamentos especificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. CABIMENTO. A perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4. De acordo com a Súmula n.º 4, a partir de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10840.000908/2009-21
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 4953896
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.148
nome_arquivo_s : 210101148_10840000908200921_201106.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 10840000908200921_4953896.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução das despesas efetuadas com Carlos A. F. de Lima, no valor de R$ 3.700,00 e com Marcela R. Malheiros, no valor de R$ 1.200,00. Vencido
dt_sessao_tdt : Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
id : 4741773
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:40:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044038118014976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2222; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 155 1 154 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.000908/200921 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.148 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de junho de 2011 Matéria Glosa de despesas médicas e de despesas com instrução Recorrente Mario Roberto Hatayde Recorrida Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 Ementa: DESPESAS COM MÉDICOS, LABORATÓRIOS, DENTISTAS E PSICÓLOGOS. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitandose aos pagamentos especificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. CABIMENTO. A perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4. De acordo com a Súmula n.º 4, a partir de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução das despesas efetuadas com Carlos A. F. de Lima, no valor de R$ 3.700,00 e com Marcela R. Malheiros, no valor de R$ 1.200,00. Vencido (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos,Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (relatora). Relatório Em desfavor do contribuinte MARIO ROBERTO HATAYDE, supra qualificado, foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 23, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2005 (exercício 2006), no valor total de R$ 6.042,68 (seis mil e quarenta e dois reais e sessenta e oito centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 29 de maio de 2009, perfazendo um crédito tributário total de R$ 12.800,81 (doze mil e oitocentos reais e oitenta e um centavos). As infrações apontadas encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 108 a 110. A Fiscalização alega ter havido: 1. Dedução indevida a título de despesas com instrução, resultando na glosa do valor de R$ 2.198,00, por falta de previsão legal (compra de livros); 2. Dedução indevida de despesas médicas, resultando na glosa do valor de R$ 22.474,37, por suposta falta de comprovação ou falta de previsão legal, conforme especificado a seguir: a) Recibos emitidos por Ana Catarina T. Scandelai (R$ 6.886,92), Carlos A. F. de Lima (R$3.700,00), Edson Yukio Shibuya (R$ 750,00), Clayton dos Reis Marques (R$ 5.288,00) e Marcela Renzetti Malheiros (R$1.200,00). b) Valor de R$ 493,00 referente a pagamento feito ao Laboratório Paulista, por não constar da Nota o nome do paciente. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 156 3 c) Valor de R$ 550,00 referente a pagamento a Fleury, por ser referente a tratamento de Isadora Moreira Geraldo Martins, a qual não é dependente do contribuinte d) Valor de R$ 1.885,00 referente a recibo emitido por Edson Yukio, por ser referente a Vitória Maria Cassiol Hatayde, a qual não é dependente do contribuinte. e) Valor de R$ 1.721,45 pago a FUNEP por se tratar de despesa de Vitória Maria Cassiol Hatayde, cônjuge do contribuinte, que entregou declaração simplificada em separado. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou, em 2 de junho de 2009, a impugnação de fls. 01 a 22, pedindo, em síntese: a oitiva pessoal de todos os profissionais que emitiram recibos de pagamentos relativos à prestação de seus serviços. Caso o Julgador entenda necessário, com o fito de demonstrar a veracidade dos recibos apresentados pelo Impugnante no referido procedimento administrativo, requerse a elaboração de perícia técnica para comprovação da efetiva prestação dos serviços pelos profissionais liberais supramencionados. a procedência dos embargos, para efeito de cancelar a inscrição da divida sub judice e, por conseguinte, extinguir o processo de cobrança dela decorrente, condenando a embargada nas verbas de sucumbência (sic). a exclusão dos juros moratórios referentes à Selic e da multa de 75%, ou, no mínimo, o redimensionamento da multa para 20%. o cancelamento do débito fiscal reclamado. A 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 negou provimento à impugnação apresentada e manteve integralmente o crédito tributário lançado, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS DE INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis os pagamentos das despesas com instrução do contribuinte e seus dependentes efetuados a estabelecimentos de ensino nos termos do Art. 8° , II, b da Lei 9.250/95, não havendo previsão para dedução de gastos com aquisição de livros. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. Todas as deduções estão sujeitas A comprovação. 0 direito As deduções de despesas médicas, condicionase A comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos e ainda, que sejam relacionadas ao tratamento do próprio contribuinte ou seus dependentes. Artigo 35, da Lei n2 9.250 de 26 de dezembro de 1995. MULTA DE OFICIO. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 A multa de oficio está prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430/96, aplicável ao caso e não se confunde com a multa de mora, mas consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestimulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. JUROS SELIC. Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula n° 4 do 1° Conselho de Contribuintes. PERÍCIA.OITIVA DE TESTEMUNHAS. É indeferido o pedido de perícia quando for prescindível para a formação da convicção em julgamento e em desacordo com o art. 16, IV do Decreto 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente cientificado dessa decisão em 23 de setembro de 2010 (fls. 128), o contribuinte ingressou, em 20 de outubro de 2010, com tempestivo recurso voluntário. Em sua peça recursal, o recorrente insurgese contra o lançamento suplementar correspondente “aos anos de 2005/2006”. Em sua defesa, baseandose em farta doutrina, alega ter havido afronta ao princípio constitucional do devido processo legal administrativo. Salienta que, no presente caso, é necessária a reforma da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 para que o lançamento de ofício seja anulado, por ser ilegal e fundado em presunção. Defende que o lançamento de ofício foi realizado com base na arbitrariedade do Auditor Fiscal, o qual ignorou o disposto no artigo 8.º, inciso II, alínea a e o § 2.º, inciso III, da Lei n.º 9,250, de 1995, já que todas as despesas declaradas pelo recorrente foram devidamente comprovadas em conformidade com esse dispositivo. A seu ver, o Auditor Fiscal deveria, em caso de dúvida, nomear perito devidamente capacitado para que este demonstrasse todo o alegado. Como não foi esta a conduta da referida autoridade, entende ter ocorrido ofensa às garantias constitucionais anteriormente mencionadas. No mérito, salienta que os documentos juntados às fls. 62, 67, 70 a 78, 91 e 92, que fazem prova inequívoca do preenchimento dos requisitos do artigo 8.º, inciso II, alínea a e § 2.º da Lei n.º 9.250, de 1995, não foram analisados pelo julgador de primeira instância. Além disso, ressalta que não tem fundamento a alegação da Fiscalização que há recibos emitidos em dias não úteis, assim como em números seqüenciais, já que esses fatos Fl. 162DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 157 5 não comprovam não serem os recibos autênticos. Caso isso evidenciasse alguma irregularidade, tal deveria ser sanada junto aos seus emitentes. Sendo assim, como não há prova inequívoca a ensejar o lançamento de ofício, este não pode prosperar sob pena de afronta ao princípio da presunção de inocência, ao da ampla defesa e do contraditório. Propugna pelo cancelamento da decisão de primeira instância administrativa, por falta de embasamento legal do lançamento de ofício, já que acredita ser totalmente descabida a exigência de apresentação de cheque nominal para comprovar o efetivo pagamento das despesas. Além do mais, em momento algum dos profissionais emitentes dos recibos negam a sua autenticidade. Para embasar seu posicionamento, cita jurisprudência e doutrina. Sustenta não terem embasamento legal as glosas dos valores correspondentes às deduções com o plano de saúde da São Francisco Clínicas (FUNEP), no ano de 2005, no valor de R$ 1.721,45. Esclarece que Vitória Maria Cussiol Hatayde é sua esposa e entregou declaração de imposto sobre a renda de pessoa física na modalidade simplificada, retificada pela decisão recorrida sem embasamento jurídico. Entende indevida a glosa do valor de R$ 2.198,00, declarado como dedução a título de despesa com instrução, já que anexou à sua declaração de imposto sobre a renda o competente recibo de pagamento oriundo da compra de livros técnicos. Alega que o Auditor Fiscal agiu de modo arbitrário e ilegal ao exigir a apresentação de comprovantes de pagamentos feitos a Ana Catarina Tezzei Scandelai, Carlos A. F. de Lima, Edson Yukio Shibuya, Marcela Renzetti Malheiros e Clayton dos Reis Marques, mas acolheu os recibos emitidos por Instituto de Olhos Reynaldo Rezende e por Mara Cristina Esteves e Tatsuko Sakima, em afronta ao princípio da isonomia. Reporta ser inaplicável a multa de 75% sobre o valor do imposto apurado, aplicada pelo agente da Fiscalização. Primeiro, por ter caráter confiscatório e segundo por não ter havido comprovação de conduta fraudulenta por parte do Recorrente, mas simples presunção por parte da Fiscalização. Defende a redução da multa ao patamar de 20%, nos termos do artigo 61, § 2.º, da Lei n.º 9.430, de 1996. Nesse sentido, transcreve ementas de julgados proferidos pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1.ª Região. Por fim, citando doutrina sobre o assunto, defende que a aplicação da taxa Selic a título de juros de mora sobre o valor da diferença de imposto apurada não encontra respaldo jurídico, e que devem ser aplicados juros moratórios não superiores a 1% ao mês, de acordo com o previsto no artigo 161, § 1.º do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Celia Maria de Souza Murphy O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 1. Das preliminares Em sua peça recursal, sem ser específico em suas razões, o Recorrente alega, em preliminar, ter havido violação ao devido processo legal administrativo. Da análise dos autos, não se observou qualquer afronta aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, ficando asseguradas as garantias previstas no artigo 5.º, incisos LIV e LV da Constituição. O Recorrente pleiteia, outrossim, ainda preliminarmente, o cancelamento do lançamento suplementar efetuado, integralmente mantido pela decisão da DRJ em São Paulo 2 (fls. 114 a 123), alegando ter havido mera presunção do Fisco de que todos os recibos médicos e odontológicos por ele apresentados são inválidos para fins de dedução. Sustenta que, para a glosa, a Fiscalização baseouse exclusivamente no fato de não terem sido apresentados “cheques nominativos coincidentes em datas e valores aos recibos apresentados ou prova da disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmo” (sic). Essa determinação, ratificada pela decisão de primeira instância administrativa, mostrase, a seu ver, totalmente arbitrária. Vejamos o que diz a legislação que rege a matéria. O caput do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, assim prescreve: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (...) Temos ainda que o lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo legal prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." Fl. 164DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 158 7 Da regra do caput do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, e também do artigo 835 do mesmo ato regulamentar, depreendese que a autoridade lançadora está autorizada a exigir comprovação ou justificação das deduções efetuadas. Desse modo, no presente caso, ao exigir as comprovações das despesas médicas e odontológicas utilizadas como deduções na declaração de imposto de renda do contribuinte, o agente da Administração agiu em consonância com o que prevê a legislação reguladora do tema. E, assim sendo, é de se afastar qualquer ilegalidade por parte do Auditor Fiscal. Com base nos mesmos dispositivos, entendo que não se pode afirmar ter havido lançamento por presunção. É que, ante o que prevêem o artigo 73, caput, e 835, § 4.º do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, acima transcritos, existe base legal para o lançamento sempre que a Autoridade lançadora julgar insuficientes as provas apresentadas pelo contribuinte para justificar deduções. Agora, se há, nos autos, provas hábeis a desconstituir o lançamento, no todo ou em parte, é o que estamos a analisar. O Recorrente sustenta que o lançamento de ofício foi realizado com base na arbitrariedade do Auditor Fiscal, o qual, a seu ver, ignorou o disposto no artigo 8.º, inciso II, alínea a e o § 2.º, inciso III, da Lei n.º 9.250, de 1995, já que todas as despesas declaradas foram devidamente comprovadas em conformidade com esse dispositivo. Entende que o Auditor Fiscal deveria, em caso de dúvida, nomear perito devidamente capacitado para que este demonstrasse todo o alegado. Entendo que a providência é desnecessária. A comprovação da efetiva prestação dos serviços médicos e odontológicos, bem como do correspondente desembolso para a prestação dos referidos serviços é ônus do contribuinte, eis que, para tal fora intimado. O que busca o Recorrente com esta perícia é a produção de prova documental que ele mesmo deveria ter providenciado, para contrapor àquelas feitas pela fiscalização. Em situações análogas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado nesse sentido: DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender impraticáveis ou prescindíveis para a formação de sua convicção, sem que isto constitua cerceamento de direito de defesa (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10422352 do Processo 11516003285200489. Data: 25/04/2007). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DILIGÊNCIA DESCABIMENTO Não é de ser acolhido pedido de diligência formulado pelo Recorrente para obtenção de informações que ele próprio poderia trazer aos autos, máxime para contraditar base de cálculo do imposto sobre a qual não existe fundada dúvida. Recurso negado (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Fl. 165DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10611450 do Processo 116180008159914. Data: 16/08/2000). PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E PERTINÊNCIA A diligência não pode ser utilizada para inverter o ônus da prova em desfavor do fisco. A diligência não é um direito subjetivo do recorrente. Para que o pedido de diligência seja deferido pela autoridade julgadora, o recorrente deve provar sua necessidade (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Data: 23/01/2008). Concluise, assim, que não cabe ao Fisco produzir prova em favor do contribuinte, comprovando que as despesas médicas e odontológicas declaradas foram efetivamente realizadas, mas sim ao próprio contribuinte, que para isso foi regularmente intimado. O agente da fiscalização agiu dentro das prerrogativas legais, com base no disposto no caput do artigo 73 do Decreto n° 3.000, de 1999, o qual prevê estarem todas as deduções sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, observando, portanto, o principio da legalidade. É dever do Auditor Fiscal, no desempenho de suas atividades, sob pena de responsabilidade funcional, certificarse que os valores utilizados como deduções pelo contribuinte estão de acordo com a lei. No caso em pauta, a insuficiência da prova da efetiva prestação dos serviços e do efetivo desembolso do valor a eles correspondente, em que se baseou a fiscalização para efetuar o lançamento, é válida e plenamente aceitável para embasar o lançamento, cabendo ao contribuinte suprir essa insuficiência, através da apresentação de outros documentos que revelassem a impropriedade da constituição do crédito tributário. A Lei n.º 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo em geral, assim prevê: Art. 4.º São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. É direito do sujeito passivo apresentar provas que possam impugnar o lançamento, assim como é seu dever colaborar com a Administração, fornecendo todos os documentos solicitados, sempre que regularmente intimado, com o objetivo de facilitar o conhecimento do fato jurídico tributário pela autoridade lançadora e de subsidiar a tomada de decisão do julgador. A recusa do sujeito passivo em colaborar com a Administração não pode ser suprida por diligências ou perícias, além do mais se desnecessárias e custeadas pelo Poder Público. Ante o exposto, afastamse as preliminares alegadas pelo Recorrente. 2. Deduções de despesas com instrução Fl. 166DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 159 9 A infração apontada pela Fiscalização e mantida pela decisão da DRJ em São Paulo 2 (fls. 114 a 123) está relatada na descrição dos fatos, às fls. 108, consubstanciandose na glosa do valor de R$ 2.198,00, deduzido a título de despesas com instrução, por suposta falta de previsão legal. O Recorrente alega, em seu Recurso Voluntário, que foi anexado, na sua Declaração de Imposto de Renda, o recibo de pagamento de livros técnicos e de nível universitário, junto à Livraria Acadêmica, gasto este, no seu entender, perfeitamente justificável, já que é professor da UNESP – Universidade Estadual Paulista. Além disso, explica, a alínea “b” do artigo 8.º, inciso II, da Lei n.º 9.250, de 1995, vigente à época dos fatos, dispunha ser possível a dedução com pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino até o limite anual de R$ 2.198,00. Sobre este assunto, verifico que o artigo 8.º, inciso II, alínea “b” da Lei n.º 9.250, de 1995, com a redação vigente à época dos fatos, assim previa: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, até o limite anual individual de R$ 2.198,00 (dois mil, cento e noventa e oito reais), relativamente: 1. à educação infantil, compreendendo as creches e as pré escolas; 2. ao ensino fundamental; 3. ao ensino médio; 4. à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); 5. à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico; (grifouse) O dispositivo autoriza a dedução de valores pagos a estabelecimentos de ensino, em razão de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes. Em que pese livros serem necessários à instrução do ser humano, a legislação do imposto sobre a renda não prevê e não previa na época dos fatos a dedução com esses dispêndios. Ante o exposto, não tem razão o Recorrente em suas alegações, haja vista não haver previsão legal para as deduções efetuadas. Mantémse, portanto, a glosa. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 3. Deduções com despesas com laboratórios, médicos, dentistas e psicólogos As deduções supostamente indevidas com despesas médicas e odontológicas, apontadas pela Fiscalização e mantidas pela decisão da DRJ em São Paulo 2 (fls. 114 a 123) estão relatadas na descrição dos fatos às fls. 109 e 110, consubstanciandose na glosa do valor de R$ 22.474,37, assim especificado: a) Recibos emitidos por Ana Catarina T. Scandelai (R$ 6.886,92), Carlos A. F. de Lima (R$3.700,00), Edson Yukio Shibuya (R$ 750,00), Clayton dos Reis Marques (R$ 5.288,00) e Marcela Renzetti Malheiros (R$1.200,00). b) Valor de R$ 493,00 referente a pagamento feito ao Laboratório Paulista, por não constar da Nota o nome do paciente. c) Valor de R$ 550,00 referente a pagamento a Fleury, por ser referente a tratamento de Isadora Moreira Geraldo Martins, a qual não é dependente do contribuinte d) Valor de R$ 1.885,00 referente a recibo emitido por Edson Yukio, por ser referente a Vitória Maria Cassiol Hatayde, a qual não é dependente do contribuinte. e) Valor de R$ 1.721,45 pago a FUNEP por se tratar de despesa de Vitória Maria Cassiol Hatayde, cônjuge do contribuinte, que entregou declaração simplificada em separado. Sobre a forma como devem ser comprovadas as deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física com despesas médicas e odontológicas, vejamos o que diz o artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) (grifouse) Fl. 168DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 160 11 Compulsandose os dados constantes dos recibos fornecidos pelo contribuinte com a regra do artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto n.º 3.000, de 1999, acima transcrito, verificase o seguinte: a.1) Os recibos emitidos por Ana Catarina T. Scandelai, anexos às fls. 70 e 71 dos autos não cumprem os requisitos constantes do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999, por não conterem o endereço do emitente. Em 22 de junho de 2009 (fls. 101 e 105), o Recorrente juntou novo recibo em substituição aos de fls. 70 e 71. Todavia, assim como os recibos anteriores, o novo não preenche os requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Mantémse a glosa. a.2) Não cumprem os requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999, os recibos constantes às fls. 76 a 80, emitidos por Carlos A. F. de Lima. No entanto, em 22 de junho de 2009 (fls. 91, 92 e 105), o Recorrente juntou fichas de exames e tratamento emitidas por esse profissional e, às fls. 99 anexou novo recibo, em substituição àqueles anteriormente acostados aos autos. No novo recibo, consta a discriminação do tratamento, assim como os valores correspondentes e demais requisitos previstos no artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Mesmo considerandose que estes documentos foram trazidos aos autos após a apresentação da impugnação, entendo que podem ser aceitos como provas, haja vista terem sido anexados aos autos antes da análise da referida impugnação pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2. Verifico ter havido um esforço do contribuinte para cumprir as exigências feitas pela Fiscalização. Sendo assim, entendo admissível aceitar esses documentos como comprovação das despesas declaradas como deduções da declaração de imposto sobre a renda de pessoa física de ajuste do exercício de 2006 do Recorrente. Restabelecese, com isso, a dedutibilidade dos valores agora comprovados, de R$ 3.700,00. a.3) O recibo constante às fls. 84 dos autos, emitido por Edson Yukio Shibuya, não atende aos requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Em 22 de junho de 2009 (fls 100 e 105), o Recorrente anexou Declaração, na qual o mesmo emitente declara ter prestado os serviços profissionais especificados a Melina Cussiol Hatayde. Verifico, contudo, que este novo documento também não cumpre os requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999, por não conter o endereço do emitente. Mantémse a glosa. a.4) Os recibos acostados às fls. 72 e 73, atribuídos a Clayton dos Reis Marques, não preenchem os requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Tendo em vista que não foram apresentadas quaisquer outras provas que pudessem demonstrar a efetiva prestação do serviço ou seu efetivo pagamento, mantémse a glosa. a.5) O recibo anexado às fls. 43, emitido por Marcela Renzetti Malheiros, não preenche os requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. No entanto, verifico que, em 22 de junho de 2009 (fls. 105), o Recorrente anexou, às fls. 97, documento que contém o orçamento e o tratamento dentário correspondente, além de cumprir os demais requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Mesmo considerandose que este documento foi trazido aos autos após a apresentação da impugnação, entendo que podem ser aceitos como provas, haja vista terem sido anexados aos autos antes da análise da referida impugnação pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2. Restabelecese, com isso, a dedutibilidade dos valores agora comprovados, de R$ 1.200,00. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 Ante o exposto, sou pelo provimento parcial do recurso, relativamente este item, para restabelecer a dedutibilidade das despesas efetuadas com Carlos A. F. de Lima, no valor de R$ 3.700,00 e com Marcela R. Malheiros, no valor de R$ 1.200,00. b) O valor de R$ 550,00 correspondente a recibo emitido por Fleury (fls. 84), pelo tratamento de Isadora Moreira Geraldo Martins não pode ser aceito como dedução do imposto sobre a renda de pessoa física do Recorrente, haja vista não se tratar de despesa efetuada nem com o próprio contribuinte nem com seus dependentes. Mantémse a glosa. c) Correta a glosa do valor de R$ 1.885,00 correspondente a recibo emitido por Edson Yukishigue Nakaghi (fls. 93), por ser referente a Vitória Maria Cassiol Hatayde, a qual não é dependente do contribuinte. d) O valor de R$ 493,00 referente a pagamento feito ao Laboratório Paulista (fls. 44 e 45), foi glosado pela Fiscalização por não constar das Notas o nome do paciente. Em sua análise, a DRJ em São Paulo 2 assim se manifestou (fls. 119 e 120): “No que diz respeito as despesas de R$ 493,00, consubstanciadas em duas notas de fls. 44/45 nas quais não constaram o nome do paciente, é de se estranhar que o laboratório tenha emitido as notas em sequência, 1883 e 1884, no intervalo de 14 dias sugerindo inexistência de outros atendimentos no período. Dito isso, a declaração de fls. 46, juntada aos autos é extemporânea e isoladamente, não comprova o efetivo pagamento além disso, é de se observar que foi firmada por uma filha do declarante.” Ante essa observação, teria sido, de todo, benéfico ao contribuinte ter apresentado provas complementares àquelas já apresentadas, ou seja, aos recibos e à mencionada declaração (fls. 46), a fim de eliminar quaisquer dúvidas quanto à prestação dos serviços e ao seu efetivo pagamento. Essa possibilidade está prevista no artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) (grifouse). Fl. 170DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 161 13 Com base no que foi apontado pela DRJ em São Paulo 2, observase que a sequência da numeração dos recibos de Laboratório Paulista indica irregularidade na sua emissão, haja vista induzir ao entendimento que, no período, o Laboratório Paulista prestou serviços exclusivamente ao contribuinte. No entanto, em sua defesa, o Recorrente limitouse a alegar falta de fundamentação para a glosa, tendo em vista que o fato de haver recibos emitidos em números sequenciais não comprova não serem os recibos autênticos; e ainda, caso isso evidenciasse alguma irregularidade, tal deveria ser sanada junto aos seus emitentes. Entendo não assistir razão ao Recorrente. Como dito antes, é dever do Auditor Fiscal, no desempenho de suas atividades, sob pena de responsabilidade funcional, certificarse que os valores utilizados como deduções pelo contribuinte estão de acordo com a lei. Ante indícios de irregularidades nas provas apresentadas, cabível o lançamento, com base no caput do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Importante para a defesa do Recorrente, aqui, teria sido a apresentação de outros documentos que revelassem a impropriedade da constituição do crédito tributário, tais como, por exemplo, a prova do desembolso do valor correspondente aos recibos emitidos por Laboratório Paulista ou a especificação dos exames realizados. No entanto, o Recorrente nada apresentou. Forçoso, portanto, manterse a glosa. e) O valor de R$ 1.721,45, pago a FUNEP, foi glosado sob a alegação de tratarse de despesa de Vitória Maria Cassiol Hatayde, cônjuge do contribuinte, que entregou declaração simplificada em separado. Sobre o alegado, o Recorrente entende não terem tais glosas embasamento legal, já que Vitória Maria Cussiol Hatayde é sua esposa e entregou declaração de imposto sobre a renda de pessoa física na modalidade simplificada, retificada pela decisão recorrida sem embasamento jurídico. Os recibos apresentados (fls. 26 e 62) nada esclarecem. Vitória Maria Cussiol Hatayde não consta como dependente do Recorrente em sua declaração de ajuste anual de 2006 (fls. 59). A alegação de que ela teria entregue declaração em separado, no modelo simplificado, em nada muda o cenário, tendo em vista que, neste caso, a despesa correspondente já está incluída no desconto padrão da sua declaração. Naturalmente, a mesma despesa não pode ser deduzida, de novo, na declaração do Recorrente. Mantémse, portanto, a glosa. 4. Da afronta ao princípio da isonomia O Recorrente alega que o Auditor Fiscal agiu de modo arbitrário e ilegal ao exigir a apresentação de comprovantes de pagamentos feitos a Ana Catarina Tezzei Scandelai, Carlos A. F. de Lima, Edson Yukio Shibuya, Marcela Renzetti Malheiros e Clayton dos Reis Marques, mas acolheu os recibos emitidos por Instituto de Olhos Reynaldo Rezende e por Mara Cristina Esteves e Tatsuko Sakima, em afronta ao princípio da isonomia. A presente alegação não tem qualquer fundamento. Os recibos aceitos pela Fiscalização preenchem os requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Os não aceitos, não preenchem esses requisitos. 5. Da multa de 75% sobre o valor da diferença de imposto apurada. O contribuinte acredita que a imputação da multa punitiva “em patamar tão exorbitante” deveuse ao fato de a Fiscalização ter presumido que ele agiu com dolo ou intuito Fl. 171DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 de fraudar o Fisco. Entende que a multa, no percentual de 75%, é inaplicável. Quando muito, a seu ver, poderia aplicarse multa de 20% sobre o valor do imposto devido, tal como prevê o artigo 61, § 2.º, da Lei n.º 9.430, de 1996. Alega ser confiscatória a multa de 75% sobre a diferença de imposto apurada. A multa de 75%, prevista no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, é devida nos casos de lançamento de ofício, quando for apurada falta de pagamento ou pagamento a menor do tributo devido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Essa multa é devida por infração à legislação tributária quando a autoridade lançadora entende não haver sonegação, fraude ou conluio. Comprovadas estas circunstâncias (artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964), a multa é qualificada, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, conforme prevê o § 1.º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. Segundo o Fisco, o Recorrente fez deduções que não ficaram devidamente comprovadas, e, por isso, foram glosadas, hipótese que se subsume ao art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, o qual prevê a multa de 75%, devendo esta prevalecer. Tendo em vista que a apuração do tributo foi feita por meio de lançamento de ofício, correta a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 44 Lei n° 9.430, de 1996, sobre o imposto apurado no procedimento de revisão de declaração Não estamos aqui diante de uma hipótese de multa moratória, limitada a vinte por cento, aplicável apenas aos débitos não pagos nos prazos previstos na legislação, mas recolhidos em data posterior por iniciativa do próprio contribuinte, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal. A estes aplicase a regra do artigo 61 da Lei n.º 9.430, de 1996, mas não aos créditos tributários lançados de ofício. Além do mais, de acordo com as regras do Direito Tributário, consubstanciadas no artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN, não é dado à Administração conduta diversa da de se aplicar a Lei em sua conformidade; na espécie, o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Sobre a alegação de caráter confiscatório da multa de 75% sobre o imposto lançado de ofício, esclareço que, a teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, deixo de me manifestar sobre o assunto. 6. Da taxa Selic O Recorrente argumenta que a incidência da taxa Selic sobre a diferença de crédito tributário apurada no lançamento de ofício não encontra respaldo jurídico, que a adoção Fl. 172DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 162 15 da referida taxa para o cálculo de juros moratórios é expediente ilegal e inconstitucional, por desnaturar o pressuposto e a finalidade desta espécie de juros. Sobre o assunto, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais fez editar a Súmula n.º 4, que assim prevê: A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Estando o assunto já pacificado na esfera administrativa, não cabe mais qualquer manifestação de minha parte. Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedutibilidade das despesas efetuadas com Carlos A. F. de Lima, no valor de R$ 3.700,00 e com Marcela R. Malheiros, no valor de R$ 1.200,00. (assinado digitalmente) Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 173DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000357/2002-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1997 a 30/06/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO
LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO
JUDICIAL.
Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre
impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de
fundamento e objeto.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-001.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Alan
Fialho Gandra, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto
vencedor.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1997 a 30/06/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13971.000357/2002-22
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4980132
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.050
nome_arquivo_s : 330201050_13971000357200222_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ALAN FIALHO GANDRA
nome_arquivo_pdf_s : 13971000357200222_4980132.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Alan Fialho Gandra, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
id : 4742474
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:40:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044038286835712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 129 1 128 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.000357/200222 Recurso nº 173.360 Voluntário Acórdão nº 330201.050 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2011 Matéria PIS Recorrente CONSTRUTORA STEIN LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1997 a 30/06/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Alan Fialho Gandra, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Redator designado. EDITADO EM: 27/03/2012 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra (Relator), Alexandre Gomes (Redator Desigando) e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Cuidase de recurso de ofício contra o acórdão no 0712.938, da DRJ/Florianópolis, (fls. 109 e ss.), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento. O acórdão tem a seguinte ementa: “CRÉDITOS RECONHECIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. SUBORDINAÇÃO AOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL A atualização monetária e a incidência de juros de mora sobre créditos contra a Fazenda Nacional reconhecidos em ação judicial, deve ser efetuada nos estritos termos da determinação posta no provimento judicial. Lançamento Procedente em Parte”. A Primeira Instância muito bem resumiu os fatos (até a apresentação da impugnação), da seguinte maneira: “Por meio do auto de infração às folhas 05 a 11, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 130.544,23, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, acrescida de multa de oficio de 75% e dos acréscimos legais devidos à época do pagamento, referentes aos fatos geradores ocorridos nos primeiro e segundo trimestres de 1997. O lançamento se deu em face da realização de auditoria interna nas DCTF apresentadas pela contribuinte. Em consulta à "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", à folha 06, verificase que a autuação se deu em razão da "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata". É que a contribuinte informou o adimplemento das contribuições devidas por via de compensação com créditos que teriam sido reconhecidos em ação judicial, sendo que tais créditos não teriam suas existências confirmadas. Irresignada com o feito fiscal, interpôs a contribuinte a impugnação constante das folhas 01 e 02, na qual reafirma ser detentora de créditos contra a Fazenda Nacional, que teriam sido reconhecidos em ação judicial regularmente proposta. Anexa cópias dos provimentos judiciais, com fins de ver corroborada a regularidade da compensação informada nas DCTF. A DRF/Blumenau/SC, em cumprimento às determinações constantes da Norma Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit n.° 32, de 19/02/2002, tratou de, anteriormente ao envio da impugnação para apreciação da DRJ/Florianópolis/SC, analisar as razões trazidas pela contribuinte em seu recurso administrativo (folhas 105 a 121), tendo constatado, nesta análise, que apesar da Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13971.000357/200222 Acórdão n.º 330201.050 S3C3T2 Fl. 130 3 existência da ação judicial reclamada, a contribuinte só conseguiu levantar crédito contra a Fazenda Nacional para fins de intentar a compensação informada nas DCTF, porque ao calcular o montante que lhe seria devido, o fez em dissonância com o determinado nas decisões judiciais. É que tais decisões judiciais garantiram à contribuinte a correção monetária nos mesmos termos em que eram corrigidos os débitos tributários e a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir da vigência da Lei n.° 9.250/1995, mas a contribuinte, ao calcular seus créditos, tratou de fazer incidir sobre os valores originais, expurgos inflacionários ocorridos no período, bem como juros de 1% ao mês desde a data dos recolhimentos indevidos. Com isso, houve uma ampliação irregular do montante de créditos contra a Fazenda Nacional. A DRF/Blumenau/SC, ainda no âmbito da análise prévia da impugnação, efetuou o recálculo do montante do crédito da contribuinte, e depois de efetuar as devidas confrontações com os valores devidos desde a data dos recolhimentos indevidos, verificou que, ao tempo da apresentação das DCTF ora em comento, não havia mais créditos remanescentes em montante suficiente para o adimplemento total das contribuições devidas declaradas, razão pela qual se manifestou pela regularidade apenas parcial do lançamento. Como exposto à folha 108, o crédito remanescente foi suficiente para confirmar integralmente a compensação do valor devido relativo ao período de apuração de março de 1997 e para confirmar parcialmente a compensação do valor devido relativo ao período de apuração de abril de 1997. Já para os débitos relativos aos períodos de apuração de maio e junho de 1997, não restaram créditos suficientes para confirmar, mesmo parcialmente, as compensações intentadas. Na seqüência, o processo foi encaminhado a esta DRJ para julgamento”. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo, em suma: i) inaplicabilidade do auto de infração, vez que por força de regulamentação específica, tanto o "débito", quanto o "crédito" a ele vinculado em DCTF, são suficientes para a "constituição" do crédito tributário e para a "liquidação" desse crédito tributário. Estando o crédito tributário constituído através de DCTF não há o que se falar em novo lançamento, gerando este último constituição em duplicidade; ii) A DCTF em questão consigna uma compensação e, sendo assim, deve ter o rito processual adequado, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Entregou a DCTF em 26/02/1998 e, não tendo sido cientificada de nada acerca da compensação, resta claro que a compensação efetuada se encontra devidamente homologada, uma vez Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 que já transcorreram mais de 5 (cinco) anos, conforme estabelecido no § 5º do citado dispositivo. iii) Repisa os argumentos acerca dos expurgos inflacionários. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inaplicabilidade do auto de infração e homologação tácita da compensação informada em DCTF Concernente às alegações “inaplicabilidade do auto de infração” e “homologação tácita da compensação”, descritas nos itens i e ii do relatório acima, entendo que não deve ser tomado conhecimento dessas matérias vez que não foram argüidas em sede de primeiro grau, restando preclusas, conforme estabelece o art. 171, do Decreto nº 70.235/72. Na impugnação a Recorrente não contestou essas questões. Conseqüentemente, sobre tais matérias não há litígio e nem foram objeto de apreciação pelo julgador de primeira instância. Portanto, não há como este Conselho apreciálas, posto que preclusas. Cumprimento de decisão judicial. Expurgos inflacionários. Pretende a Recorrente que este Colegiado reforme a decisão recorrida para reconhecer integralmente as compensações de PIS informadas em DCTF, sob a alegação de amparo em decisão judicial e na legislação de regência. Verificase nos autos que a Contribuinte informou em DCTF a compensação de PIS com créditos que teriam sido reconhecidos em ação judicial. Frisese que a Contribuinte obteve provimento judicial (fls. 18 e ss.) para corrigir monetariamente seus créditos na mesma forma pela qual são corrigidos os débitos 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13971.000357/200222 Acórdão n.º 330201.050 S3C3T2 Fl. 131 5 vencidos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal, no período respectivo e de acordo com a Súmula 46, do extinto TFR, e acrescidos de juros conforme o art. 39 da Lei 9.250/95. Sucede que o cálculo do montante que lhe é devido está superestimado e em dissonância com o determinado na decisão judicial. Ao calcular seus créditos, além do que lhe foi garantido, a Contribuinte incluiu indevidamente os expurgos inflacionários ocorridos no período, bem como juros de 1% ao mês desde a data dos recolhimentos indevidos. Com isso, contrariando a legislação vigente e a decisão judicial, ampliou os créditos a que fazia jus. Destarte, não estando provado a existência de crédito líquido e certo a favor da Recorrente, utilizado para compensar seus débitos do período autuado, fica caracterizado a inexatidão da DCTF e autorizado o lançamento de ofício. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Conclusão Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde da questão, voto no sentido de não conhecer do recurso, na parte referente as matérias “inaplicabilidade do auto de infração” e “homologação tácita da compensação informada em DCTF”; e, no restante, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Voto Vencedor Em que pese as considerações trazidas aos autos pelo eminente Relator, ouso discordar de suas conclusões pelos motivos que passo a expor. O processo administrativo fiscal, por sua essência, deve sempre respeitar os princípios da legalidade e da verdade material. No presente caso, verifico que o auto de infração teve por fundamento a não comprovação da existência do processo judicial declarada na DCTF enviada pelo Recorrente. Nesta Declaração era informada a compensação de seus débitos com créditos decorrentes dos recolhimentos indevidos promovidos em decorrência dos decretos lei. 2.445/88 e 2.449/88. Com a impugnação o Recorrente apresentou copia do Mandado de Segurança nº 96.0106273, bem como das decisões a ele relacionadas. Embora saibamos que tais autos de infração são emitidos eletronicamente através do cruzamento de informações, não podemos esquecer que a atividade do lançamento é vinculada e deve respeitar todos os requisitos legais para que tenha validade. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 Assim prescreve o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifo nosso) Restando clara e inequívoca a veracidade do fato apontado pelo contribuinte, qual seja, a existência do processo judicial, fica prejudicado o presente auto de infração. Isto porque não compete à autoridade julgadora “ajustar” a descrição do motivo para que o auto de infração tenha validade. Sendo o motivo ensejador do lançamento a ausência de processo judicial, não se pode após comprovada a existência do mesmo transmutar o lançamento justificandoo pela ausência de ordem judicial ou compensação em desacordo com a legislação. Ademais, quanto à possibilidade de manter o presente lançamento sob outros pressupostos, agravando a exigência da inicial, assim determina o § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993: “§ 3°. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.” (grifo nosso) No presente caso não foi emitida notificação complementar nem tampouco novo auto de infração. É de se ressaltar que bastaria uma simples intimação ao contribuinte para que este comprovasse a existência do processo judicial, o que possibilitaria a fiscalização de analisar as questões de mérito quanto às compensações efetuadas, se possíveis, se albergadas por decisão liminar, se o crédito era suficiente, e assim por diante. A informatização dos sistemas de controle e de lançamentos não pode ser desculpada para o não cumprimento das determinações legais quanto ao lançamento. Se o “sistema” possui falhas ou não é capaz de prever todas as situações não deve ser utilizado, ou ainda, deve ser atualizado e melhorado. A respeito do tema, cito parte da ementa de julgado deste Conselho: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. (Recurso n° 133.787 – 1ª Câmara do Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13971.000357/200222 Acórdão n.º 330201.050 S3C3T2 Fl. 132 7 Segundo Conselho de Contribuintes – relatora Fabíola Cassiano Keramidas – Data da Sessão: 08/12/2006). (grifou nosso) Destarte, conforme demonstrado e sendo este o entendimento deste Conselho de Contribuintes, não há razão para subsistência do lançamento em questão, pois, deixando de possuir fundamento para sua validade o auto de infração perde seu objeto. Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Redator designado Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.002041/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA
TRIBUTÁVEL
A receita relativa ao crédito presumido do ICMS, instituído por lei estadual, é
receita operacional e deve ser oferecida à tributação da Cofins.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.028
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A receita relativa ao crédito presumido do ICMS, instituído por lei estadual, é receita operacional e deve ser oferecida à tributação da Cofins. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11080.002041/2007-99
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 4982680
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.028
nome_arquivo_s : 330201028_11080002041200799_201106.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : WALBER JOSE DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11080002041200799_4982680.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4741645
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:40:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044038325633024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 4.31 1 33..3311 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.002041/200799 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 330201.028 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2011 Matéria COFINS RESSARCIMENTO Recorrente MUMU ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A receita relativa ao crédito presumido do ICMS, instituído por lei estadual, é receita operacional e deve ser oferecida à tributação da Cofins. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa referente ao 1º trimestre de 2006, cujo valor solicitado foi deferido parcialmente pela RFB, em face de glosas de créditos e da inclusão, na base de cálculo, da receita de crédito presumido do ICMS. Inconformada, a empresa ingressou com manifestação de inconformidade contestando unicamente a inclusão, na base de cálculo da exação, do valor do crédito presumido do ICMS, que não considera receita, nos termos da doutrina e da jurisprudência judicial que cita. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da empresa interessada, nos termos do Acórdão nº 1025.427, de 20/05/2010, cuja ementa abaixo se reproduz. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. O crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não existe previsão legal para a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do tributo. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. Ciente desta decisão em 23/06/2010 (AR de fl. 315), a empresa ingressou, no dia 22/07/2010, com o recurso voluntário de fls. 316/323, no qual repisa os argumentos de que o valor do crédito presumido do ICMS não é receita (representa recuperação de custos). Cita doutrina e jurisprudência. Na forma regimental o recurso voluntário foi a mim distribuído, para relatar. É o resumo do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário foi apresentado no prazo legal e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando que o valor do crédito presumido do ICMS não integre a base de cálculo da Cofins não cumulativa e, consequentemente, que seja reconhecido o crédito pleiteado e glosado em face a inclusão, feita pela RFB, do referido valor na base de cálculo da exação. Sem razão a recorrente. Não há reformas a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto integralmente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.002041/200799 Acórdão n.º 330201.028 S3C3T2 Fl. 5.31 3 Devo acrescentar, no entretanto, sobre a tributação da receita de crédito presumido de ICMS autorizado por Lei Estadual, que os dispositivos do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, reproduzidos nas decisões da RFB, não deixam dúvidas de que a base de cálculo da Cofins é a totalidade da receita bruta mensal auferida. A autorização legal dada pelo Estado para o contribuinte creditarse de valores presumidos de ICMS resulta, sim, em aumento patrimonial da beneficiária e, portanto, é receita operacional e, consequentemente, tributada pela Cofins. Para corroborar esse entendimento, a partir de 01/01/2009, apenas um tipo de receita de crédito presumido do ICMS ou de ISS teve a alíquota do PIS e da Cofins reduzida a zero, com a edição da Lei nº 11.945/08: são as “receitas decorrentes de valores pagos ou creditados pelos Estados, Distrito Federal e Municípios relativos ao ICMS e ao ISS, no âmbito de programas de concessão de crédito voltados ao estímulo à solicitação de documento fiscal na aquisição de mercadorias e serviços” (art. 5º). Portanto, todas as demais receitas decorrentes de valores creditados pelos Estados, relativos a ICMS, sofrem a incidência da Cofins não cumulativa, antes e depois da edição da Lei nº 11.945/08. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11618.003589/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Anocalendário:
1996, 1997, 1998, 1999
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O Recurso Voluntário interposto fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto
70.235/72 impõe ao Julgador o seu não conhecimento face à ocorrência da
perempção.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.893
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O Recurso Voluntário interposto fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 impõe ao Julgador o seu não conhecimento face à ocorrência da perempção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11618.003589/2007-41
anomes_publicacao_s : 201103
conteudo_id_s : 4937882
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-000.893
nome_arquivo_s : 330200893_11618003589200741_201103.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ALEXANDRE GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 11618003589200741_4937882.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator
dt_sessao_tdt : Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2011
id : 4739235
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044038473482240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 99 1 98 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.003589/200741 Recurso nº 207.719 Voluntário Acórdão nº 330200.893 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de março de 2011. Matéria PIS/PASEP Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE JOÃO PESSOA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O Recurso Voluntário interposto fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 impõe ao Julgador o seu não conhecimento face à ocorrência da perempção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinatura digital) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinatura digital) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por fielmente retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação — PER/Dcomp — de fls.02/29, no qual é indicado como crédito o pagamento da contribuição no valor original de R$ 3.250.462,78 e como débitos, parcelas da mesma contribuição referentes aos períodos de dezembro de 2006 a julho de 2007. 2. Após análise das DCOMP acima, o Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa, acatando o PARECER DRF/JPA/SAORT n° 604/2007, de f1.35, emitiu o Despacho Decisório de fl.36, no qual foi negada a homologação da compensação pretendida com a determinação, por conseqüência, da cobrança do débito confessado na referida declaração com os devidos acréscimos legais, nos termos dos artigos 29, 30 e 68 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005, com redação alterada pela IN SRF n° 728, de 20.03.2007 com a conseqüente ciência à contribuinte, esclarecendolhe do direito à apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, dentro do prazo de 30 (trinta) dias. 3. O Parecer DRF/JPA/SAORT no 604/2007 retrocitado, assim conclui: O crédito que fundamenta as pretensões do contribuinte já foi devidamente analisado no âmbito do Processo n° 11618.003144/2000761, oportunidade em que não foi reconhecido o direito creditório pleiteado, conforme termos do Parecer n° 544/2007 de 24/08/2007, consolidado no respectivo Despacho Decisório na mesma data – fls. 30 a 34. Desta forma, não há que se falar em crédito que fundamente a pretensão em lide. A Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. com redação alterada pela Instrução n° 728, de 20 de março de 2007, em seu art.26 § 3º, incisos IV, VIII e X, disciplina, deforma cristalina, a matéria em tela. 4. Cientificada de tal negativa em , 19/10/2007 conforme "AR" de fl. 39, a contribuinte, por meio do seu representante legal, apresentou manifestação de inconformidade, fls. 40/58, na data 'de 19/11/2007, em que contesta o indeferimento sob os seguintes argumentos, em síntese:, I informa que não foi cientificada quanto ao Parecer 544/2007 e nem quanto ao despacho Decisório citados na decisão ora impugnada, II discorda do Parecer acima, quanto à fundamentação para a não homologação em comento, contida no art.26, § 3º, inciso IV, da IN SRF n° 600/2005, uma vez que não existem, no seu caso, débitos que já tenham sido objeto de nãohomologação, pois os que existiam foram cancelados em 01 de agosto de 2007, sendo que os pedidos de cancelamento fazem parte de Manifestação de inconformidade apresentadas a esta Delegacia de julgamento referentes aos processos nº 11618.003588/200704 e 11618.003604/200751; III em relação às hipóteses previstas nos incisos VIII e X da IN SRF n° 600/2005 acima citada (o crédito não passível de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11618.003589/200741 Acórdão n.º 330200.893 S3C3T2 Fl. 100 3 restituição e já indeferido pela autoridade competente da SRF), argumenta que esses existem, em face da ocorrência de um vácuo legislativo entre a edição da Medida Provisória 1.212/95 e da Lei 9.715/98, na série de 38 medidas provisórias, que Se sucederam com 16 soluções de continuidade provocadas por publicações fora do prazo, ditado pela , norma constitucional de trinta dias, estando tal tese respaldada por decisões do STJ, sendo assim, a conseqüência jurídica relevante decorrente desses acontecimentos está no fato de que a exação Pasep não teve exigibilidade legal eficaz no período anterior à vigência da Lei n° 9.715/98 e quem a recolheu laborou em pagamento indevido, podendo repetir ou compensar; IV cita e transcreve, para corroborar a tese acima, jurisprudência e doutrina sobre o assunto; V tece considerações sobre, a distinção entre os conceitos de validade, vigência e eficácia da normal jurídica, para concluir que se a reedição de uma Medida Provisória ocorrer após o decurso de trinta dias de Validade da MP, pelo fato da previsão constitucional da perda da eficácia anterior, pela não conversão em lei, não terá a edição de nova medida provisória, ainda que versando matéria idêntica, o condão de recuperar a eficácia da medida anterior, pelo exaurimento da sua validade, devendo, ipso facto, o prazo de anterioridade nonagesimal ser reiniciado; VI requer e espera o deferimento dos pedidos formulados, referentes à contribuição ao PASEP, mediante esta manifestação de inconformidade e a aplicação dos arts.29, §1 0 e 48, da IN SRF 600/05 e: (i) livre movimentação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) junto à União, sem bloqueios; (ii) não inclusão no Cadin; (iii) não inscrição em divida ativa da União e a notificação prévia de toda e qualquer sanção a ser aplicada', decorrente do procedimento administrativo ora intentado. A DRJ de Recife entendeu por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP . Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 Compensação – NãoHomologada Considerase como não – homologada a compensação de débitos e créditos administrados pela Receita Federal, quando o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já tenha sido indeferido pela autoridade competente da RFB e os débitos já tenham sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 Em seu Recurso Voluntário a Recorrente reprisa os argumentos já apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso é intempestivo e dele não tomo conhecimento Consta nas fls.72, cópia do AR de intimação da decisão prolatada pela DRJ de João Pessoa/PB, onde restou consignado como data de recebimento o dia 11/01/2010, uma segundafeira. O protocolo do Recurso Voluntário ocorreu no dia 12/02/2010, uma sexta feira, conforme se verifica nas fls. 75. Consta ainda nas fls. 74 Termo de Perempção lavrado pela DRF de João Pessoa/PB. O Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, assim prescreve a respeito dos prazos: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...)Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...)Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Assim, contados os 30 dias de prazo para a interposição de Recurso Voluntário, temos que o prazo findou em 10/02/2010, tornando o presente Recurso perempto. Por todo o exposto, face à protocolização intempestiva do Recurso Voluntário, e por força do disposto no art. 35 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer o recurso. (assinatura digital) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11618.003589/200741 Acórdão n.º 330200.893 S3C3T2 Fl. 101 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000082/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2005
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO IV, § 6º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência
Social – GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados com os fatos geradores das contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratandose
de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte prestou informações inexatas, incorretas e/ou omissas, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº
8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.887
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO IV, § 6º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados com os fatos geradores das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte prestou informações inexatas, incorretas e/ou omissas, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 15889.000082/2008-87
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 4813842
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 15 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.887
nome_arquivo_s : 2401001887_15889000082200887_201106.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15889000082200887_4813842.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
id : 4742253
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:40:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044038771277824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2221; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 131 1 130 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000082/200887 Recurso nº 266.798 Voluntário Acórdão nº 2401001.887 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de junho de 2011 Matéria DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente KEPLER WEBER INOX LTDA. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO IV, § 6º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados com os fatos geradores das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte prestou informações inexatas, incorretas e/ou omissas, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 132 3 Relatório KEPLER WEBER INOX LTDA. E OUTROS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 10a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão nº 12 21.154/2008, às fls. 105/110, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a contribuinte, com arrimo no artigo 32, inciso IV, § 6º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com incorreções e/ou omissões em campos não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, em relação ao período de 02/1999 a 08/2005, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04/05, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2007, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.314,50 (Um mil, trezentos e quatorze reais e cinqüenta centavos), com base nos artigo 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, c/c artigos 32, inciso IV, § 6º, da Lei nº 8.212/91. A autoridade recorrida achou por bem julgar procedente em parte a autuação fiscal, acolhendo a decadência parcial do crédito, relativamente às competências 02/1999, 05/1999 e 05/2000, com base no artigo 173, inciso I, do Códex Tributário. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 116/124, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, requer seja aplicado o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN, em detrimento ao artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal, na forma decidida pelo julgador recorrido, sobretudo em face de recolhimentos de contribuições previdenciárias correspondentes, ou seja, antecipação de pagamento. Em defesa de sua pretensão, infere que as obrigações acessórias, quando descumpridas, convertemse em obrigação principal relativamente à penalidade, vinculada, portanto, ao fato gerador do tributo, impondo seja acolhida a decadência inscrita no artigo 150, § 4°, do CTN, de maneira a excluir o crédito tributário até a competência 11/2002. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender não ter deixado de apresentar à fiscalização os documentos solicitados, os quais, inclusive, foram suporte para lavratura de NFLD´s contra a empresa, não tendo prejudicado e/ou dificultado a ação fiscal em nenhum momento, inexistindo qualquer prejuízo ao INSS. Lança assertivas a propósito das notificações fiscais lavradas contra a contribuinte, pugnando pela decretação da nulidade do lançamento, repisando o argumento de ter existido equívoco na ação fiscal desenvolvida na empresa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Não houve a apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 133 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a examinar as alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento ao prazo inscrito no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma legal, na forma decidida no Acórdão recorrido, notadamente em virtude da existência de recolhimentos de contribuições previdenciárias, ou seja, antecipação de pagamento. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, senão vejamos: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Após muitas discussões a propósito da matéria, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco. “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma sessão plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149, do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150, do CTN, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades tributárias. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 134 7 Dessa forma, sendo as contribuições previdenciárias tributos sujeitos ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 135 9 Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito do tema, uma vez tratarse de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória – omissão e incorreções de informações e/ou documentos ao INSS , caracterizando lançamento de ofício, impondo a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Com efeito, este Colegiado, inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, já sedimentou o entendimento de que tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória omissão de informações e/ou documentos ao INSS , caracterizando lançamento de ofício, impõese a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, independentemente da espécie de infração incorrida. Assim, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, na forma admitida pelo Acórdão recorrido, devendo ser rejeitada a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte. MÉRITO Conforme se depreende dos autos, o presente lançamento decorreu do fato de a contribuinte ter apresentado GFIP’s com erros nos campos não relacionados com os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incorrendo na infração prevista no artigo 32, inciso IV, § 6º, da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa nos termos do artigo 284, inciso III, do RPS, senão vejamos: “Art. 32. A empresa também é obrigada a: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 6° A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no § 4º.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 [...] III – cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores.” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que determinou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Antes de adentrar ao mérito propriamente dito, impende frisar que, não obstante tratarse de autuação face à inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente dizem respeito basicamente às NFLD´s lavradas contra a empresa, bem como a propósito de matérias alheias ao presente lançamento, especialmente em relação à autuação fundamentada no artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, o que por si só seria capaz de ensejar o não conhecimento do recurso voluntário, por trazer em seu bojo questões estranhas ao auto de infração sob análise. Com efeito, a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais, e outras obrigações acessórias. Consoante se positiva do artigo 113, do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação de regência de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento apresentar o contribuinte ao fisco GFIP’s com informações omissas, inexatas ou incorretas, nos campos não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Assim, por serem independentes, os fatos ensejadores das eventuais NFLD´s lavradas contra a contribuinte não guardam relação de causa e efeito com a presente autuação, sobretudo quando a infração incorrida diz respeito à apresentação incorreta de dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, inobstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte ao longo do seu arrazoado, sua pretensão não merece ser acolhida. A uma porque se vinculam com descumprimento de obrigações tributárias principais, estranhas ao presente caso. A duas, porque, em sua maioria, dizem respeito à autuação diversa, fundada no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. No que tange às demais alegações da contribuinte, não cabe aqui tecer maiores considerações, porquanto não são capazes de macular a exigência fiscal em comento, eis que desprovidas de qualquer amparo legal ou lógico, bem como já devidamente refutadas na decisão de primeira instância. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 136 11 Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela fiscalização que serviram de base à penalidade aplicada, não fazendo uso nem mesmo do benefício da relevação da multa, inscrito no artigo 291, § 1º, do RPS. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito encimadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 11DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
