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Numero do processo: 11065.001450/2009-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS OPORTUNAMENTE.
Consideram-se preclusas as matérias não questionadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão de primeira instância. A falta de pré-questionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento das matérias.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3801-001.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Participou do julgamento o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède em substituição ao Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, que declarou-se impedido por ter participado do julgamento em primeira instância. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Oscar SantAnna Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Guilherme Déroulède, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS OPORTUNAMENTE. Consideramse preclusas as matérias não questionadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão de primeira instância. A falta de préquestionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento das matérias. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Participou do julgamento o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède em substituição ao Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, que declarouse impedido por ter participado do julgamento em primeira instância. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Oscar Sant’Anna Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Guilherme Déroulède, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 14 50 /2 00 9- 28 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001450/200928 Acórdão n.º 3801001.874 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de PER/DCOMP (pedido de ressarcimento e declarações de compensação) de créditos de Cofins nãocumulativa protocolados pela empresa Unileite Laticínios Ltda, atualmente denominada Avipal S/A Alimentos, tendo em vista incorporação daquela empresa. De acordo com o Relatório denominado Auto de Infração, verificou a fiscalização as seguintes irregularidades: a) crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas de lenha (produto com origem vegetal) com utilização do percentual de 60%; b) crédito integral do frete sobre aquisições de leite de pessoas físicas; c) crédito sobre o valor do frete efetuado entre estabelecimentos da empresa O direito creditório foi parcialmente reconhecido, sendo homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. A interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, onde alega preliminarmente ausência de motivação do Despacho Decisório, afirmando que esse não conteria as razões que levaram ao indeferimento parcial do direito creditório. Acredita que o crédito pleiteado teria sido devidamente comprovado. A DRJ em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: INDEFERIMENTO. MOTIVAÇÃO. Incabível alegação de ausência de motivação quando o contribuinte foi cientificado de relatório elaborado pela Fiscalização com análise específica dos documentos, dos fatos ocorridos e da legislação aplicável, na mesma data do Despacho Decisório atacado. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que deve ser reformada a decisão recorrida a fim de que seja dada vista à recorrente do “relatório fiscal Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001450/200928 Acórdão n.º 3801001.874 S3TE01 Fl. 12 3 intitulado Auto de Infração”, com a consequente reabertura do prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade. Outrossim, alega que faz jus ao valor integral do direito creditório pleiteado. Quanto ao crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas, a recorrente, com fundamento no parágrafo 3º do artigo 8º da Lei nº 10.925/04, discorda do entendimento literal da fiscalização de que o insumo objeto da glosa em questão é a lenha, produto de origem vegetal, portanto o percentual a ser utilizado é de 35%. Defende a tese de que na definição da alíquota aplicável – 60%, 50% ou 35% deve ser considerada a origem do produto fabricado e não a origem dos produtos/insumos adquiridos. Destaca que sua atividade principal é a produção de leite e de seus derivados, ou seja, é produtora de mercadoria de origem animal, portanto faz jus ao crédito presumido de 60% sobre o valor dos insumos adquiridos, quer seja de origem animal ou vegetal. No que se refere ao direito ao crédito integral do frete nas aquisições de leite de pessoas físicas, a interessada traz como suporte legal ao seu direito o inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/02 para a contribuição para o PIS e da Lei 10.833/03 para a Cofins. Alega que todo e qualquer serviço contratado, para utilização como insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, gera direito ao crédito das contribuições PIS e Cofins nãocumulativas. Insiste, que embora os fretes tenham sido contratados para o transporte do leite adquirido de pessoas físicas, eles se classificam como insumos necessários à industrialização de produtos destinados à venda. Em relação ao direito ao crédito dos fretes decorrentes das transferências realizadas com os insumos, reafirma a tese de que com fundamento no inciso do II do artigo 3º da Lei nº 10.637/02 para a contribuição para o PIS e da Lei 10.833/03 para a contribuição para a Cofins todo e qualquer serviço contratado, para utilização como insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, gera direito ao crédito das contribuições PIS e Cofins nãocumulativas. Colaciona doutrina e jurisprudência administrativa. Ressalta que os fretes contratados para o transporte entre o estabelecimento da recorrente e o estabelecimento da empresa contratada para a realização de parte do processo industrial, e os fretes contratados para o transporte entre o estabelecimento da empresa contratada e o estabelecimento da recorrente caracterizam custo do bem, a ensejar o direito ao crédito. Por fim, requer que seu recurso seja recebido, julgado e provido com o consequente reconhecimento do direto da recorrente aos crédito pleiteados. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001450/200928 Acórdão n.º 3801001.874 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo, todavia não atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele não se toma conhecimento, conforme será demonstrado. De imediato não se conhece da assertiva de que deve ser reformada a decisão recorrida a fim de que seja dada vista à recorrente “relatório fiscal intitulado Auto de Infração”, com a consequente reabertura do prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade, visto que a recorrente não apresentou no recurso voluntário as razões e fundamentos que sustentariam o seu pedido. Por outro lado, a interessada sustenta que faz jus ao valor integral do direito creditório pleiteado. Quanto as alegações da recorrente em relação ao mérito; crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas, crédito integral do frete nas aquisições de leite de pessoas físicas e direito ao crédito dos fretes decorrentes das transferências realizadas com os insumos, é importante consignar que tais teses não podem ser apreciadas, sob pena de supressão de instância, por constituírem matérias novas não abrangidas pelo litígio. De fato, em sua manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou uma preliminar referente a ausência de motivação do despacho decisório e no mérito limitouse a alegar que os pedidos de ressarcimento são originários de créditos de contribuições não cumulativas e que e que seus pedidos de ressarcimento foram acompanhados dos documentos comprobatórios, portanto faz jus a todo o saldo pleiteado. Do exame da decisão recorrida, verificase que as matérias acima citadas não foram enfrentadas. A decisão de primeira instância apenas apreciou a preliminar de ausência de motivação. Destarte, na apreciação do recurso voluntário não se toma conhecimento das teses por falta de préquestionamento no momento oportuno. Como visto, a recorrente não apresentou suas razões na manifestação de inconformidade em relação ao mérito do direito creditório, assim consideramse preclusas as matérias não contestadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão recorrida. A falta de préquestionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento da matéria na fase recursal. Neste sentido dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/92, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, tornandose preclusa. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer das razões do recurso voluntário por preclusão. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001450/200928 Acórdão n.º 3801001.874 S3TE01 Fl. 14 5 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.721859/2011-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire – Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 21 85 9/ 20 11 -9 9 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.721859/201199 Resolução nº 2401000.304 S2C4T1 Fl. 814 2 Relatório PRETEC PRECISÃO E TECNOLOGIA EM USINAGEM LTDA. EPP, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre tempestivamente a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 0728.724/2012, às fls. 455/472, que julgou procedentes em parte os lançamentos fiscais, lavrados em 12/09/2011, referentes às contribuições sociais devidas ao INSS, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados constantes das folhas de pagamento, em relação ao período de 01/2007 a 06/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 08/21, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração: 1) AIOP n° 37.354.3050 – Contribuições Sociais relativas à parte destinada a Terceiros (Salário Educação, SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE); 2) AIOA n° 37.354.3042 – Multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicada nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de informar a totalidade das remunerações dos segurados empregados; De conformidade com o Relatório Fiscal, as autuações consubstanciadas nos lançamentos em epígrafe decorrem de Representação Fiscal – Processo n° 10920.721358/2011 11, em que a contribuinte fora excluída do regime de tributação do SIMPLES, com a emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO n° 167, de 23 de agosto de 2011, pela Delegacia da Receita Federal em Joinville, em face da constatação de que o sujeito passivo fora constituído por interposta pessoa que não o verdadeiro sócio, nos termos do artigo 14, inciso IV, da Lei n° 9.317/96. Ressalta, ainda, que os efeitos do ato de exclusão do SIMPLES se operam a partir de 20/12/2001, com fulcro no artigo 15 da Lei n° 9.317/1996. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 478/497, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo, suscita a ilegalidade do procedimento eleito pela autoridade lançadora no sentido de promover o presente lançamento com base em ato de exclusão do regime de tributação do SIMPLES sem que tenha havido julgamento definitivo da manifestação de inconformidade oposta nos autos do processo n° 10920.721358/201111. Em defesa de sua pretensão, traz à colação jurisprudência judicial e administrativa, bem como doutrina, reconhecendo que a interposição de manifestação de inconformidade contra ato de exclusão do regime de tributação do SIMPLES suspende os seus efeitos, impedindo, assim, a lavratura de auto de infração. Pugna, ainda, pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no Fl. 503DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.721859/201199 Resolução nº 2401000.304 S2C4T1 Fl. 815 3 artigo 37 da Lei n° 8.212/91, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a notificação em meras presunções obscuras e imprecisas. Traz à colação histórico da empresa e, bem assim, as atividades desenvolvidas desde a sua constituição, opondose à exclusão do regime de tributação do SIMPLES, mormente quando sempre observou a legislação de regência. Contrapõese ao lançamento consubstanciado na peça vestibular do feito, lançando assertivas a propósito da irregular exclusão da empresa do regime de tributação do SIMPLES, sobretudo no que tange a inexistência de interposta pessoa de maneira a justificar a conduta fiscal. Opõese à caracterização de grupo econômico de fato entre as empresas elencadas nos autos, argumentando que não se fizeram presentes os pressupostos legais para tanto, razão pela qual inexiste Grupo Econômico sob qualquer enfoque que se analise a questão, de maneira a autorizar a coresponsabilização pretendida pela autoridade lançadora. Nesse sentido, defende que não se faz presente qualquer premissa fática capaz de suportar referida capitulação, mormente quando as normas legais que tratam da matéria não autorizam a conclusão de existência de Grupo Econômico entre duas ou mais empresas pelo simples fato de possuírem os mesmos sócios, sendo necessário, dentre outros requisitos, a convergência dos objetos das pessoas jurídicas com atividades e empreendimentos comuns, sob o controle de uma ou mais empresas. Assevera que a configuração de grupo econômico não pode se levada a efeito a partir de meras presunções, impondo à fiscalização a comprovação das alegações utilizadas como esteio ao lançamento fiscal, o que não se verifica na hipótese dos autos. Pretende seja recalculada a multa aplicada, com a redução contemplada pela edição da Medida Provisória n° 449, convertida na Lei n° 11.941, devendo ser adotado o cálculo inscrito no artigo 32A da Lei n° 8.212/91, na esteira da jurisprudência administrativa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.721859/201199 Resolução nº 2401000.304 S2C4T1 Fl. 816 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da questão nesta oportunidade, senão vejamos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, os lançamentos inscritos nos autos de infração sob análise decorrem de procedimento de exclusão da empresa do regime de tributação do SIMPLES, consubstanciado no processo administrativo n° 10920.721358/201111 onde fora emitido ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO n° 167, de 23 de agosto de 2011, pela Delegacia da Receita Federal em Joinville, em face da constatação de que o sujeito passivo fora constituído por interposta pessoa que não o verdadeiro sócio, nos termos do artigo 14, inciso IV, da Lei n° 9.317/96. Em que pese a autoridade julgadora de primeira instância haver reconhecido o nexo causal dos presentes lançamentos com o processo que trata da exclusão do SIMPLES, achou por bem dar seguimento ao feito, inferindo que: “[...] Saliento que como a decisão referente ao processo de exclusão do Simples é prejudicial ao processo em epígrafe, os autos foram reunidos para evitar julgamento contraditórios. Assim, se ao final, a interessada for vencedora na tese de permanência no Simples, por consequência, o presente AI será cancelado. [...]” Extraise daí inexistir dúvida de que o processo sob análise encontrase atrelado ao resultado final a ser levado a efeito nos autos do processo de exclusão do SIMPLES, em evidente prejudicial do exame da demanda, em face do nexo de causa e efeito que os vincula. Neste sentido, somente após a decisão administrativa definitiva exarada em face da manifestação de inconformidade oposta nos autos do processo n° 10920.721358/201111, é que se poderá adentrar a análise da regularidade deste feito. Dessa forma, existindo referido processo de exclusão do SIMPLES, esse, por guardar íntima relação de causa e efeito com as autuações sub examine, deverá ser julgada primeiramente, para que, somente assim, reste corroborado o entendimento da fiscalização constante destes lançamentos. Ocorre que, em consulta formulada no site do CARF (www.carf.fazenda.gov.br), constatamos que o processo n° 10920.721358/201111 encontrase pendente de julgamento, mais precisamente aguardando distribuição de Câmara/Turma da Primeira Seção de Julgamento do Conselho, competente para julgamento de processos Fl. 505DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.721859/201199 Resolução nº 2401000.304 S2C4T1 Fl. 817 5 pertinentes ao regime de tributação do SIMPLES, o que impõe o sobrestamento deste feito até seja proferida decisão definitiva nos autos daquele processo. Assim, ao contrário do entendimento encampado pelo julgador de primeira instância, em face do caráter de prejudicialidade do mencionado processo frente os Autos de Infração em epígrafe, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que os autos retornem à origem e somente venham para apreciação por esse Colegiado após o trânsito em julgado do processo n° 10920.721358/201111, onde se discute a situação da recorrente perante o regime simplificado de recolhimento. Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, sobrestando o exame meritório dos presentes Autos de Infração, até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo n° 10920.721358/201111, devendo estes autos ser encaminhado para a DRF de origem para as providências cabíveis. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 11020.918913/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
IPI. CRÉDITO BÁSICO. MATERIAL CONSUMIDO NO PROCESSO PRODUTIVO. FERRAMENTAS INTERMUTÁVEIS. INSUMO EM SENTIDO AMPLO. DIREITO DE CRÉDITO. CABIMENTO.
1. É considerado insumo industrial, para fins de apuração de crédito básico do IPI, o material não contabilizado do ativo permanente que, embora não integrando o novo produto, for consumido, desgastado ou alterado no processo de industrialização, em função de ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele.
2. As brocas, lixas, pastilhas e demais ferramentas intercambiáveis, utilizadas no processo de produção, para efeito da legislação do IPI, enquadram-se no conceito de insumos (matérias-primas e produtos intermediários em sentido amplo) e asseguram o crédito do Imposto pago na aquisição.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. CRÉDITO BÁSICO. MATERIAL CONSUMIDO NO PROCESSO PRODUTIVO. FERRAMENTAS INTERMUTÁVEIS. INSUMO EM SENTIDO AMPLO. DIREITO DE CRÉDITO. CABIMENTO. 1. É considerado insumo industrial, para fins de apuração de crédito básico do IPI, o material não contabilizado do ativo permanente que, embora não integrando o novo produto, for consumido, desgastado ou alterado no processo de industrialização, em função de ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. 2. As “brocas, lixas, pastilhas e demais ferramentas intercambiáveis”, utilizadas no processo de produção, para efeito da legislação do IPI, enquadramse no conceito de insumos (matériasprimas e produtos intermediários em sentido amplo) e asseguram o crédito do Imposto pago na aquisição. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 89 13 /2 00 9- 17 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER), transmitido em 16/11/2007, acompanhado de Declaração de Compensação (DComp) eletrônica, transmitida em 16/1/2008, na qual foi informada a compensação de parte do saldo credor do IPI do 3º trimestrecalendário de 2006, no valor de R$ 33.531,22, com débitos da interessada. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico de fls. 4/10, (i) foi reconhecido parte do crédito informado no PER, no valor de R$ 29.695,91, e (ii) homologada parcialmente a compensação declarada, por insuficiência de crédito. De acordo com a Relação de Notas Fiscais com Créditos Indevidos, anexada ao Despacho Decisório (fls. 7/10), o reconhecimento parcial do crédito pleiteado foi motivado pela glosa dos créditos indevidos, registrados no 2º trimestre de 2006, relativos a (i) mercadorias que não admite a apropriação de crédito do IPI (motivo 1) e (ii) insumos adquiridos de pessoas jurídicas optantes do Simples (motivo 7). Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte insurgiuse contra a glosa apenas dos créditos referentes às notas fiscais de compra de brocas, lixas e pastilhas, lançadas no Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP 1556 (compra de material para uso ou consumo), sob o argumento de que, embora não estivessem incorporados ao produto final, tais materiais eram considerados insumos imprescindíveis para processo produtivo, uma vez que conferiam funcionalidade às peças que compunham os produtos industrializados. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ – Porto Alegre/RS declarou definitiva a glosa dos créditos referente às aquisições de mercadorias de pessoa jurídica optantes do SIMPLES e, quanto à parte litigiosa, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob fundamento de que as compras de material para uso ou consumo não davam direito ao crédito do IPI. Em 23/4/2012, a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 22/5/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 94/102, no qual reafirmou os argumentos de defesa suscitados na fase de manifestação de inconformidade. Em aditamento, invocou a aplicação do princípio do formalismo moderado, sob a alegação de que as notas fiscais lançadas no CFOP 1556 referiamse a compras de insumos utilizados no processo de industrialização, portanto, passíveis de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 11020.918913/200917 Acórdão n.º 3102001.867 S3C1T2 Fl. 21 3 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese à glosa dos créditos que foram vinculados ao CFOP 1556 (compra de material para uso ou consumo) no demonstrativo “Livro Registro de Apuração do IPI – Entradas” dos meses de abril a junho de 2006, integrante do PER nº 28225.51166.161107.1.1.019586 (2/3), conforme discriminado na Relação de Notas Fiscais com Créditos Indevidos de fls. 7/10 (motivo 1), encartada no Despacho Decisório. No recurso colacionado aos autos, a recorrente reafirmou a alegação aduzida na fase de manifestação de inconformidade, no sentido de que, embora não estivessem incorporados ao produto final, os materiais vinculados ao CFOP 1556 eram imprescindíveis para processo produtivo, uma vez que conferiam funcionalidade às peças que compunham os produtos industrializados. Em aditamento, suscitou uma nova razão de defesa, baseada no argumento de que as citadas notas fiscais referiamse a aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização e passíveis de crédito, embora, por equívoco, tenham sido lançados na DComp como material de consumo ou uso (CFOP 1556). Em relação a esse novo argumento, a recorrente invocou a aplicação do princípio do formalismo moderado. No âmbito do processo administrativo, a aplicação do princípio da verdade material, mais do que o princípio do formalismo moderado, mostrase mais adequada aos casos em que há mero equívoco de informação. Em situações desse tipo, orienta o princípio da verdade material que a substância do ato deve prevalecer sobre a sua versão, especialmente, quando demonstrada que esta foi formalizada com equívoco. No caso em tela, alegou a recorrente que, ao invés de material de consumo ou uso, as brocas, lixas, pastilhas e demais materiais, discriminados nas notas fiscais de compra de fls. 25/82, caracterizamse como insumos utilizados no seu processo de industrialização, portanto, asseguravamlhe o direito ao crédito do IPI. Com essas breves considerações, resta evidenciado que o cerne da controvérsia cingese a questão atinente à natureza dos referidos materiais, ou seja, se eles são materiais de uso ou consumo, como entendeu o titular da Unidade da Receita Federal de origem e a Turma de Julgamento a quo, ou insumo industrial, conforme defendido pela recorrente. Em consonância com o princípio da verdade material, a presente análise levará em conta as características intrínsecas dos materiais e não apenas a questão meramente formal, atinente ao seu enquadramento no CFOP. Assim, para o deslinde da lide, é relevante saber se tais materiais enquadram se ou não no conceito de insumo industrial e como tal gera direito ao crédito básico do IPI, em conformidade com o princípio da não cumulatividade, veiculado no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988, que assegura ao produtor o direito ao crédito do Imposto em relação aos produtos entrados no seu estabelecimento, para ser compensado com o IPI devido na saída dos produtos fabricados, num determinado período fixado na legislação. A matéria encontrase definida no inciso I do art. 164 do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do IPI de 2002 (RIPI/2002), vigente no final do trimestre de apuração do saldo credor pleiteado, a seguir transcrito: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] (grifos não originais) Da leitura do referido dispositivo, verificase que, além do material de embalagem, há duas modalidades distintas de matériaprima e o produto intermediário que geram direito ao crédito básico do IPI, a saber: a) a matériaprima e o produto intermediário que integram o novo produto fabricado; e b) a matériaprima e o produto intermediário que, embora não compondo o produto industrializado, sejam consumidos no processo de produção. Na primeira modalidade, a matériaprima e o produto intermediário são considerados insumos industriais stricto sensu, enquanto na segunda são insumos industriais em sentido lato, neste caso, compreendendo quaisquer bens que, embora não se integrando ao novo produto, são consumidos no processo produtivo, salvo os contabilizados no ativo permanente. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a definição da segunda modalidade de insumo foi abordada no item 10 do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, a seguir transcrito: 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos “que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização”, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em “incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários”, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão “consumidos”, sobretudo levandose em conta que as restrições “imediata e integralmente”, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 11020.918913/200917 Acórdão n.º 3102001.867 S3C1T2 Fl. 22 5 suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). 10.4. Notese, ainda, que a expressão “compreendidos no ativo permanente” deve ser entendida faticamente, isto é, a inclusão ou não dos bens, pelo contribuinte, naquele grupo de contas deve ser juris tantum aceita como legítima, somente passível de impugnação para fins de reconhecimento, ou não, do direito ao crédito quando em desrespeito aos princípios contábeis geralmente aceitos. (grifos não originais) Assim, de acordo com o entendimento exarado no citado Parecer, para que o insumo seja considerado matériaprima e produto intermediário, lato sensu, gerador de crédito básico do IPI, ele deve atender, cumulativamente, as seguintes condições: a) ser consumido normalmente no processo de produção, ou mediante o “desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas”, em decorrência de uma ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele; e b) não ser “partes nem peças de máquinas” nem estar contabilizado no ativo permanente. Ainda com base no referido Parecer, geram direito ao crédito básico do IPI as ferramentas manuais e as intermutáveis1, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, são consumidas em decorrência de um contato físico, ou seja, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquelas. No caso em tela, a meu ver, os produtos discriminados nas notas fiscais de fls. 25/82 são considerados ferramentas intermutáveis que, pela suas características, são normalmente consumidas no contato físico, exercido sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquelas, portanto, enquadramse no conceito de matériaprima e produto intermediário em sentido lato, definido na segunda parte do inciso do I do art. 164 do RIPI/2002. No mesmo sentido, o entendimento explicitado na Solução de Consulta SRRF/10ª RF nº 7, de 14 de janeiro de 2004, a seguir transcrita: Assunto: Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI MatériasPrimas e Produtos Intermediários Créditos. As “lixas, serras circulares, serra fita, brocas” utilizadas na fabricação de móveis enquadramse, para efeito da legislação do IPI, como insumos (matériasprimas e produtos intermediários em sentido amplo), gerando direito a crédito desse imposto, desde que não devam ser classificadas no ativo permanente. Dispositivos legais: Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para (i) restabelecer os créditos relativos às notas fiscais de compra, discriminadas na Relação de 1 Segundo Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, intermutáveis são os “instrumentos mecânicos que podem substituirse reciprocamente”. Disponível em: <http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx?pal=intermutavel>. Acesso em: 18 mai 2013. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 Notas Fiscais com Créditos Indevidos, anexada ao Despacho Decisório (fls. 7/10), glosados pelo motivo 1, e (ii) homologar a compensação declarada até o limite do crédito restabelecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 13896.902360/2008-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS, ASSIM COMO COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep, a Lei no 10.637 de 2002 autoriza o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência.
Realidade em que a documentação acostada aos autos alicerçou o reconhecimento apenas em parte do direito de crédito relativo aos custos e despesas tipificados nas hipóteses legais autorizativas do desconto, notadamente prescritas nos incisos II, IV, V, VI e IX do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, bem como no artigo 3o, § 1o, inciso III da mesma Lei, e ainda, no inciso IX do artigo 3o, combinado com o artigo 15 da Lei no 10.833/2003.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-001.802
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS, ASSIM COMO COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep, a Lei no 10.637 de 2002 autoriza o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência. Realidade em que a documentação acostada aos autos alicerçou o reconhecimento apenas em parte do direito de crédito relativo aos custos e despesas tipificados nas hipóteses legais autorizativas do desconto, notadamente prescritas nos incisos II, IV, V, VI e IX do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, bem como no artigo 3o, § 1o, inciso III da mesma Lei, e ainda, no inciso IX do artigo 3o, combinado com o artigo 15 da Lei no 10.833/2003. Recurso ao qual se dá parcial provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 23 60 /2 00 8- 18 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8ª Turma da DRJ Campinas (fls. 25/29 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de PIS referente ao período de apuração de agosto de 2003. A negativa de homologação da compensação foi fundamentada na integral utilização do pagamento, alegado como superior ao devido, para a quitação do débito declarado pelo contribuinte na DCTF do terceiro trimestre de 2003, não restando, portanto, saldo creditório disponível passível de ser utilizado para a compensação desejada. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que equivocouse quando do preenchimento da DCTF e da DACON do período, mas que tais declarações foram posteriormente retificadas e entregues, tornandoas compatíveis com os fatos e com a DIPJ 2003/2004. Contudo, os argumentos aduzidos pela reclamante não foram acolhidos pela primeira instância sob o argumento de que a recorrente apresentou a retificação dos débitos quando já não mais beneficiada pela espontaneidade – já que a retificadora foi apresentada depois do decisório –, e ainda, por não ter comprovado o erro e, portanto, a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado, a teor do disposto nos artigos 147 e 170 do CTN. Cientificada da referida decisão em 08/12/2011 (vide AR de fls.32), a interessada, em 09/01/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 37/41, onde admite ter se equivocado quando da apuração do PIS no período. Ressalta que calculou a contribuição aplicando simplesmente a alíquota de 1,65% sobre a receita bruta, mas sem deduzir desse valor os descontos a que tinha direito por conta do regime da nãocumulatividade. Aduz, ainda, que quando da formalização da manifestação de inconformidade, acreditava ser suficiente a retificação das declarações DCTF e DACON, não sendo de seu conhecimento que a apresentação das retificadoras após o decisório não produziriam o efeito desejado. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13896.902360/200818 Acórdão n.º 3802001.802 S3TE02 Fl. 174 3 Agora, ciente da necessidade de fazer prova de seu direito, apresenta demonstrativo de apuração do PIS onde considera o desconto de créditos em vista da incidência nãocumulativa da contribuição, conforme resumido na tabela abaixo: A Valor da contribuição apurada sobre a receita bruta 3.984,70 B Valor do crédito a descontar (regime da nãocumulatividade) 2.072,98 C Valor devido no período (= A – B) 1.911,72 D Valor recolhido 3.984,70 E Valor do crédito solicitado para compensação 2.072,98 A título de comprovação do direito reclamado, acosta aos autos planilha de apuração do crédito (fls. 43), DACON retificadora (fls. 44/53) e DCTF retificadora (54/69) do terceiro trimestre de 2003, planilha onde são relacionados os documentos que segundo a recorrente dão direito a crédito do PIS (fls. 70/72) e cópias de notas fiscais, faturas, recibos de bens e serviços utilizados como insumos, de energia elétrica, de locação de equipamentos, extratos bancários com lançamentos de juros, demonstrativos de depreciações e de amortizações, etc., utilizados como base para apuração dos descontos segundo o regime não cumulativo (ver fls. 73 e ss.). Requer, finalmente, seja reformado o acórdão de primeira instância em vista da documentação apresentada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, a lide envolve aduzido direito creditório de R$ 2.072,98 relativamente à retificação do valor do PIS efetivamente devido no mês de agosto de 2003, uma vez que a recorrente deixou de deduzir os descontos a que tinha direito por conta do regime da nãocumulatividade. Com efeito, o regime da incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep foi instituído pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade da referida contribuição, a partir de 1o de dezembro de 2002. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep (bem como da COFINS) as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real, como, aliás, está declarado na DCTF retificadora (fls. 54/69). A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem algumas ressalvas ao direito de creditamento em tela1. Para comprovar o direito creditório reclamado a recorrente acosta aos autos planilha de apuração do crédito (fls. 43), cujos valores inerentes à contribuição sobre a receita bruta (aplicação da alíquota de 1,65 %) (R$ 3.984,70), crédito a descontar segundo regime da nãocumulatividade (R$ 2.072,98) e PIS efetivamente devido (R$ 1.911,72) correspondem aos montantes declarados na DACON retificadora (fls. 44/53) e na DCTF retificadora (54/69) do período (terceiro trimestre de 2003). Tais declarações, decerto, por terem sido apresentadas somente depois do indeferimento da compensação vislumbrada, deverão vir acompanhadas de documentos que alicercem as informações ali consignadas. Nesse sentido, a recorrente apresenta cópias de notas fiscais, cupons e recibos de bens e de serviços considerados como insumos, faturas de energia elétrica, de locação de equipamentos, extratos bancários (juros passivos), demonstrativos de depreciações e de amortizações, etc., os quais foram utilizados como base para apuração dos descontos segundo o regime nãocumulativo (ver fls. 73 e ss.). A suplicante tem como objeto social a “prestação de serviços de microfilmagem, processamento de dados, organização e administração de arquivos de documentos e almoxarifado”, conforme contrato social acostado aos autos. A natureza das atividades exercidas pela interessada, diante dos custos e despesas retratados nos documentos anexados, revela, desde já, que existe, ao menos em parte, direito a desconto de créditos do PIS em vista do regime da nãocumulatividade, e, portanto, na mesma proporção, direito ao reconhecimento do crédito pelo pagamento a maior, já que o recolhimento da contribuição foi efetuado sem a utilização de nenhum desconto. Antes, porém, de passar para o exame mais pontual das questões relevantes para a solução da contenda, ressalto que referida análise restringirseá aos aspectos normativos da lide, ou seja, à natureza das rubricas aduzidas como legítimas para fins de desconto da contribuição calculada sobre a receita bruta. Assim, deixo a parte relacionada à conferência documental e ao levantamento do crédito para a fase de execução do que ficar acordado por esta Turma, segundo os critérios de razoabilidade a serem adotados pela unidade responsável, ciente de que o montante total do crédito reclamado é de R$ 2.072,98. Feita a devida ressalva, passo a analisar as questões de direito necessárias para a solução do litígio. Em exame da tabela de apuração do crédito (fls. 70/72), bem como dos documentos anexados aos autos (fls. 73 e ss.), vêse, de início, que o direito ao desconto dos créditos do PIS de fato existe, mas apenas parcialmente. A atividade exercida pelo sujeito passivo, como já ressaltado, é a de “prestação de serviços de microfilmagem, processamento de dados, organização e administração de arquivos de documentos e almoxarifado”. Assim, com base na citada 1 Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13896.902360/200818 Acórdão n.º 3802001.802 S3TE02 Fl. 175 5 natureza empresarial, poderão ser admitidos como insumos, custos e despesas passíveis de creditamento/desconto do PIS os correspondentes dispêndios com bens e serviços diretamente relacionados à sua atividade, ou seja, correspondentes a tonner, reveladores, filmes, prestação de serviços de manutenção e reparo de máquinas e equipamentos, embalagens, iluminação, solventes, serviços de microfilmagem, serviços de desenho gráfico, material para impressão, produtos de informática, serviços de informática, etc.. Tais bens e serviços foram adquiridos de fornecedores cujos produtos/serviços vendidos guardam harmonia com as despesas e os custos necessários ao exercício da atividade empresarial da recorrente (Kodak, indústria de fitas para impressora, empresa de locação e manutenção de equipamentos, empresas de microfilmagem, de suprimento de informática, etc.). Portanto, em vista do regime da nãocumulatividade do PIS, tais custos e despesas poderão ser consideradas para fins de dedução da contribuição calculada sobre a receita bruta, conforme autoriza o artigo 3o da Lei no 10.637, de 2002, notadamente o disposto em seus incisos II, IV e VI. O mesmo se pode afirmar em relação às despesas com energia elétrica, uma vez que o desconto de créditos calculados sobre a energia consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica é autorizado pelo inciso IX do artigo 3o da mesma lei. Também, os fretes nas operações de venda poderão ser admitidos para fins de desconto/creditamento do PIS, por força do disposto no inciso IX do artigo 3o, combinado com o artigo 15 (redação anterior à conferida pela Lei no 10.865/2004) da Lei no 10.833/2003. Todavia, há alguns itens elencados na tabela de fls. 70/72 que não poderiam ter sido considerados para fins de desconto de créditos do PIS, por falta de comprovação ou de previsão legal nesse sentido. São eles: a) despesas com alimentos e refeições; b) contribuição institucional destinada à manutenção do CIEE; c) consultoria contábil; d) material de escritório; e) provedor de internet; e, f) despesas cujos documentos não foram acostados aos autos (informado na tabela de apuração de cálculo do contribuinte como "s/ docto") ou que não tenham validade fiscal (meros recibos). Também não podem ser deduzidas as despesas com combustíveis, pedágios e estacionamentos, por falta de previsão legal. Especificamente em relação aos combustíveis – adquiridos junto a postos de abastecimento de veículos – a atividade exercida pela recorrente, associada à inexistência de prova capaz de demonstrar que os mesmos teriam a natureza de insumo, não permitem que como insumos tais produtos sejam assim considerados, única forma que autorizaria o correspondente desconto, como disposto no inciso II do artigo 3o da Lei no 10.637/2002. Quanto aos juros passivos, o inciso V do artigo 3o da Lei no 10.637, de 2002, na redação à época dos fatos vigente, também autorizava o desconto de créditos calculados sobre “despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES” (redação dada pela Lei no 10.684/2003, posteriormente modificada pela Lei no 10.865/20042). 2 A redação atual do inciso permanece segundo alteração dada pela Lei no 10.865/2004, que é a seguinte: “V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES;” Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Finalmente, relativamente a depreciação e amortização, a Lei no 10.637/2002, em seu artigo 3o, § 1o, inciso III, admite o cálculo do crédito sobre encargos de depreciação e amortização “[...] dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput [...]”, ou seja, sobre VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; Os demonstrativos de depreciação e de amortização acostados pela recorrente (fls. 169/170) dizem respeito a veículos, móveis e utensílios, computadores e periféricos, máquinas, equipamentos e instalações. Tais encargos, à exclusão dos veículos (uma vez não demonstrada sua utilização na atividade fim da empresa), poderão ser utilizados para fins de desconto, posto que autorizado pela norma acima citada. Da conclusão Com estas considerações, voto para dar provimento em parte ao recurso voluntário interposto pela interessada, no sentido de reconhecer o direito ao desconto de créditos do PIS calculados sobre os seguintes custos e despesas com: a) bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade, conforme detalhes no corpo do voto; b) energia elétrica; c) juros passivos; e, d) depreciação e amortização, nos termos acima exarados. Por falta de comprovação documental ou de previsão legal autorizativa, não poderão ser acatados para fins de desconto do PIS os pagamentos relativos a: a) despesas com alimentos e refeições; b) contribuição institucional destinada à manutenção do CIEE; c) consultoria contábil; d) material de escritório; e) provedor de internet; e, f) despesas cujos documentos não foram acostados aos autos (informado na tabela de apuração de cálculo do contribuinte como "s/ docto") ou que não tenham validade fiscal (meros recibos). Fica ressalvado o direito de a autoridade administrativa, quando da execução deste acórdão, e a seu critério, examinar a autenticidade da documentação juntada aos autos, a escrituração da recorrente, bem como os cálculos apresentados pela mesma. Sala de Sessões, em 22 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10855.900460/2008-06
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001
LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. EMPREITADA.
Somente pode ser aplicado o percentual sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal de 8% (oito por cento), no caso de empreitada comprovadamente em que há emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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COEFICIENTE. EMPREITADA. Somente pode ser aplicado o percentual sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal de 8% (oito por cento), no caso de empreitada comprovadamente em que há emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 04 60 /2 00 8- 06 Fl. 948DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 948 2 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 05843.63369.130204.1.3.048105 em 13.02.2004, fls. 0608, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor de R$680,00 do DARF no valor de R$1.768,29 relativo ao recolhimento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre o lucro presumido, código nº 2089, efetuado em 30.10.2000, para compensação do débito ali confessado. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 09, acompanhado da Planilha de fl. 10, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 680,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizadas um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 30.04.2008, fl. 11, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 27.05.2008, fls. 1215, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Aduz que exerce a atividade econômica de prestação de serviços de construção civil com emprego de materiais próprios e mãodeobra e está sujeita ao lucro presumido calculado pelo coeficiente de 8% sobre a receita bruta, conforme a solução no processo de consulta. Suscita que equivocadamente calculou o lucro presumido adotando um coeficiente de 32% sobre a receita bruta. Defende que entregou a Per/DComp utilizando o crédito decorrente. Explica que à época apresentou a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) com dados incorretos, e por esta razão o crédito tributário não foi reconhecido automaticamente. Acrescenta que não agiu com dolo. Conclui Ante o exposto, requer seja dado provimento a presente manifestação de inconformidade, para homologar a compensação efetuada e anular o débito. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 949 3 Para evitar decisões divergentes sobre fatos idênticos, requer o apensamento deste processo ao processo de crédito nº 10855900.739/200881. Requer ainda, prazo de 10 dias para juntada de cópia autenticada do contrato social, caso julgue necessário. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Termos em que, e. deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1426.497, de 22.10.2009, fls. 215220:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta que Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/10/2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Notificada em 02.12.2009, fl. 223, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.12.2009, fls. 225229, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Explica A Recorrente é uma pessoa jurídica que tem como objeto social a exploração da construção civil destacando a prestação de serviços de: a) saneamento urbano e rural; b) pavimentação em todos seus tipos e modalidades; c) terraplanagem e remoção de terra; d) drenagem; e) calçamento e sua reposição; f) construção civil em geral, por empreitada ou administração, por conta própria ou de terceiros; g) serviços técnicos de engenharia civil; h) serviços especializados de impermeabilização e vedação na construção civil; i) administração de obras de construção civil; j) incorporação imobiliária em geral; k) compra e venda de imóveis e a promoção e venda de empreendimentos imobiliários de sua propriedade; l) administração de bens imóveis próprios; m) representação por conta própria e de terceiros no seu ramo de negócio; n) qualquer outro negócio conexo, conseqüente, afim ou correlato com o objetivo social; conforme disposto na cláusula terceira do seu contrato social. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 950 4 Em 23/01/2003, a Recorrente formulou Consulta Fiscal processo nº 10855.000267/200351, esclarecendo que possuía contratos de execução de obras e/ou serviços de engenharia com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SABESP, firmados por meio de procedimento licitatório, para execução de obras de instalação e prolongamento de rede de água e esgoto, construção de estação elevatória de esgoto e outras, em diversos municípios do Estado de São Paulo, que exigiam o emprego de materiais. Nela perguntou qual o percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido, obtendo como resposta o percentual de 8%. Vejamos a conclusão da Solução de Consulta: "Diante do exposto, solucionase a presente consulta informando a consulente que o percentual a ser aplicado pela pessoa jurídica prestadora de serviços na área de construção civil será de 8% sobre a receita bruta para fins de apuração do lucro presumido quando houver emprego de material em qualquer quantidade. Por outra lado, quando a pessoa jurídica executar obras de construção civil mediante emprego unicamente de mãodeobra o referido percentual será de 32%, ou seja, aquele aplicado à prestação de serviço em geral". Diante desta solução, a Recorrente constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu o IRPJ à maior, pelo quádruplo do valor devido. A Recorrente procedeu, então, a apuração do IRPJ recolhido à maior e compensou o crédito com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal (PIS, COFINS, IRPJ e CSLL) por meio do programa PER/DCOMP. No entanto, deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ, de modo que o sistema não constatou o pagamento à maior do imposto, gerando a não homologação da compensação por ausência de crédito. [...] Contra o despacho decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, narrando todos esses acontecimentos e comprovando que as suas receitas foram todas provenientes da prestação de serviços na construção civil, com emprego de materiais. Juntou as notas fiscais que emitiu e os contratos que as originaram, bem como, as notas fiscais dos materiais empregados nas obras. Contudo, a decisão recorrida entendeu que o crédito não foi devidamente comprovado, sendo imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal do trimestre para apuração da base de cálculo do IRPJ. É importante esclarecer que embora o período de apuração do IRPJ seja trimestral (lucro presumido), a Recorrente sempre o apurou e o recolheu mensalmente, para evitar que suas disponibilidades financeiras fossem destinadas a outras despesas e não restassem recursos para o pagamento do imposto no final do trimestre. Essa medida sempre implicou em antecipação parcial do pagamento do IRPJ devido no trimestre. Assim, para comprovar seu crédito, a Recorrente anexou na Manifestação de Inconformidade cópias das notas fiscais emitidas no mês correspondente ao DARF pago e os contratos de prestação de serviços com emprego de materiais que as originaram. Juntou também, as notas fiscais dos materiais empregados nas obras. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 951 5 Verificase, portanto, que os documentos apresentados eram suficientes a comprovação do crédito, não tendo a Recorrente anexado cópia dos livros fiscais porque já havia apresentado os documentos que deram suporte à escrituração. Contudo, para atender a exigência do órgão recorrido, a Recorrente anexou ao presente recurso, todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos dos demais meses que compõem o trimestre e que não haviam sido juntados, as notas fiscais dos materiais empregados nas obras e a cópia do Livro Diário correspondente ao trimestre. Referidos documentos estão sendo anexados ao recurso em respeito ao princípio da verdade material, para comprovar definitivamente que a Recorrente sempre prestou serviços de construção civil com emprego de materiais, recolhendo indevidamente o IRPJ pelo quádruplo do valor devido. Conclui Ante o exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso, para reformar a decisão recorrida e homologar a compensação. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Termos em que, e. deferimento. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.046, de 14.12.2010, fls. 223226 para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente intime a) a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP a informar se a Recorrente utiliza materiais próprios na execução dos contratos de prestação de serviços de construção civil, realizados nos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001; b) a Recorrente a apresentar: b.1) demonstrativo analítico dos materiais adquiridos com seus recursos e utilizados nos contratos de prestação de serviços que anexa aos autos; b.2) cópias das folhas do Livro Razão da conta nas quais escritura as referidas compras de materiais; b.3) cópia das folhas do Livro Razão das contas das receitas obtidas no curso dos anoscalendário em questão; b.4) demonstrativo analítico que evidencie a determinação da matéria tributável e cálculo do montante do tributo devido, bem como a existência de pagamento maior que o devido no período referente ao crédito pleiteado, acompanhado das cópias dos registros contábeis pertinentes. Foi proferida Informação Fiscal, fls. 938942, do qual a Recorrente foi regularmente noticiada em 15.06.2012, fl. 942 e permaneceu silente. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 952 6 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente solicita que os presentes autos sejam apensados ao processo nº 10855.900739/200881. Nos processos administrativos serão observadas, dentre outras, a adequação entre meios e fins, a adoção de formalidades essenciais suficientes para garantir e propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados. Por esta razão, os litígios instaurados em relação aos Per/Dcomp que tenham por base o mesmo crédito, em relação ao mesmo sujeito passivo, devem ser juntados por anexação, uma vez que a comprovação dos pleitos depende dos mesmos elementos de prova1. Cabe ressaltar que o processo nº 10855.900739/200881 se encontra findo na esfera administrativa2 e ali a Recorrente formalizou o Per/DComp nº 02315.26374.121203.1.3.048840 em 12.12.2003, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor de R$255,46 do DARF no valor de R$1.058,78 relativo ao recolhimento de IRPJ determinado sobre o lucro presumido, código nº 2089, efetuado em 30.12.1998, para compensação do débito ali confessado. Resta comprovado que não se tratando do mesmo crédito, os presentes autos não podem juntados por anexação àquele, por falta de previsão legal. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente alega que está amparada pela Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 52, de 07.03.2005 formalizada no processo nº10855.000267/200351. A solução de consulta pode ser formulada pelo sujeito passivo sobre a aplicação da legislação tributária em relação a fato determinado e não suspende o prazo para o recolhimento de tributo3. Cabe ressaltar que o processo de consulta em referência somente elucidou o teor do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, matéria posteriormente disciplinada no Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997, fls. 2629: 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 2 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp> . Acesso em: 28 mai.2013. 3 Fundamentação Legal: art. 46 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 48, art. 49 e art. 50 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 953 7 I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão deobra, ou seja, sem o emprego de materiais. [...] Diante do exposto, solucionase a presente consulta informando à consulente que o percentual a ser aplicado pela pessoa jurídica prestadora de serviços na área de construção civil será de 8% sobre a receita bruta para fins de apuração do lucro presumido, quando houver emprego de material em qualquer quantidade. Por outro lado, quando a pessoa jurídica executar obras de construção civil mediante emprego unicamente de mãodeobra o referido percentual será de 32%, ou seja, aquele aplicado à prestação de serviço em geral Nesse sentido, mediante esse procedimento fiscal a Recorrente obteve esclarecimentos sobre a questão, oportunidade em que não lhe foi reconhecido qualquer direito creditório, por falta de análise da liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A dedução esclarecida pela defendente, então, não está evidenciada. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas, pois está sujeita ao lucro presumido calculado pelo coeficiente de 8% sobre a receita bruta, uma vez que se dedica à construção civil com emprego de materiais e de mão de obra. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior4. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 954 8 natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 5. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Por via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de oito por cento sobre a receita bruta. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. Especificamente na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de 5 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 955 9 obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais 6. O pedido de reconhecimento do direito creditório de IRPJ se fundamenta na aplicação incorreta do coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) ao invés de 8% (oito por cento), tendo em vista que no período exerceu a atividade de construção por empreitada e o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de 8% (oito por cento), uma vez que houve emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra. O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais. A obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. O contrato para elaboração de um projeto não implica a obrigação de executálo, ou de fiscalizarlhe a execução. No caso em que o empreiteiro fornece os materiais, correm por sua conta os riscos até o momento da entrega da obra, a contento de quem a encomendou, se este não estiver em mora de receber. Mas se estiver, por sua conta correrão os riscos. Se a obra constar de partes distintas, ou for de natureza das que se determinam por medida, o empreiteiro terá direito a que também se verifique por medida, ou segundo as partes em que se dividir, podendo exigir o pagamento na proporção da obra executada. Tudo o que se pagou presumese verificado. O que se mediu presumese verificado se, em trinta dias, a contar da medição, não forem denunciados os vícios ou defeitos pelo dono da obra ou por quem estiver incumbido da sua fiscalização. Concluída a obra de acordo com o ajuste, ou o costume do lugar, o dono é obrigado a recebêla. Poderá, porém, rejeitála, se o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados, ou das regras técnicas em trabalhos de tal natureza 7. No presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelecem que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar8. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior9. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Está registrado no Contrato Social como objeto, fl. 1924: Construção civil e as seguintes prestações de serviços: a) Saneamento urbano e civil; b) Pavimentação em todos seus tipos e modalidades; 6 Fundamentação legal: Fundamentação legal: art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997. 7 Fundamento legal: arts. 610 a 626 do Código Civil. 8 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 956 10 c) Terraplenagem e remoção de terra; d) Drenagem, e) Calçamento e sua reposição; f) Construção Civil e Geral, por empreitadas ou administração por conta própria ou de terceiros; g) Serviços técnicos de engenharia; h) Serviços especializados de impermeabilização, vedação na construção civil; i) Administração de obras na construção civil; j ) Incorporação imobiliária em geral; k) Compra e venda de imóveis e a promoção e venda de empreendimentos imobiliários de sua propriedade; 1) Administração de bens imóveis próprios; m) Qualquer outro negócio conexo, conseqüente, afim ou correlato com o objetivo social. Constam nos autos I) Termo de Contrato (IG) nº 15.076/99 I. 1) Termo de Contrato (IG) nº 15.076/99 com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP denominado Termo de Contrato de Execução de Obras e/ou Serviços de Engenharia, fls. 3797: 1.1 Constitui o objeto do presente termo de contrato o Sistema de Abastecimento de Água do Jardim do Salto e Redes Distribuidoras e Ligações de Água em Diversas Ruas do Município de Serra Negra, de acordo com o Projeto, Edital do Convite (IG) n.° 15.076/99, Proposta da CONTRATADA e demais documentos constantes do Dossiê SABESP 99/073.288, Volume I, Tomo(s) III, as especificações técnicas, regulamentação de preços e critérios de medição Volumes 1 e 2 Revisão 1 e o Procedimento Sabesp 050/03 Segurança, Medicina e Meio Ambiente do Trabalho em Obras e Serviços Contratados de pleno conhecimento das partes. 1.2 As demais cláusulas que constituem o presente instrumento são: 2ª Preços, 3ª Serviços Extracontratuais, 4ª Reajustamento de Preços, 5ª Prazo, 6ª Medições e Pagamentos, 7ª Sustação de Pagamentos, 8ª Fiscalização, 9ª Garantia Contratual, 10ª Obrigações e Responsabilidade da Contratada, 11ª Obrigações da SABESP, 12ª Responsabilidade Civil e Seguro, 13ª Sinistros, 14ª Materiais/Equipamentos, 15ª Recebimento das Obras e/ou Serviços, 16ª Transferência, 17ª Valor, 18ª Sanções Administrativas, 19ª Responsabilidade Técnica, 20ª Rescisão, 21ª Força Maior, 22ª Documentos, 23ª Anexos, 24ª Disposições Complementares e 25ª Foro. 1.3 O objeto contratual executado deverá atingir o fim a que se destina, com eficácia e qualidade requerida. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 957 11 1.4 O regime de execução deste contrato é o de empreitada por preço unitário. 1.5 A CONTRATADA se obriga a manter, durante toda a execução do contrato, em compatibilidade com as obrigações assumidas, todas as condições que culminaram em sua habilitação e qualificação na fase da licitação. I.2) Notas Fiscais de Saída de fornecedores de materiais para a Recorrente estão incluídos, entre outros, os seguintes produtos fls. 98160: [...] tijolos, areia, brita, cimento, pedra número 1, tinta acrílica, verniz, lixa, porta, piso, prego, arame cozido, serra, arco de serra, ferro, bloco de cimento, mourão curvo de cimento, mourão reto de cimento, cerâmica, luva, cola, prego, torquês, caneleta de cimento, zarcão, pincel, rolo para pintura, tubo [...]. I.3) Notas Faturas de Serviços emitidas pela Recorrente em nome SABESP está evidenciado como discriminação dos serviços, fls. 232237: [...] Contrato nº 15.076/99 – Objeto: Sistema de Abastecimento de água do Jardim do Salto e Redes distribuidoras e ligações de água em diversas ruas no município de Serra Negra/SP [...] Contrato nº 15.076/99 – Objeto: Execução de rede de distribuição de água, rede coletora de esgotos e ligações domiciliares de água e esgoto [...] II) Termo de Contrato (IG) nº 4456/99 II. 1) Termo de Contrato (IG) nº 4456/99 com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP denominado Termo de Contrato de Execução de Obras e/ou Serviços de Engenharia, com o seguinte objeto, fls. 162201: 1.1 Constitui o objeto do presente termo de contrato a Execução de rede de distribuição e ligações prediais de água, rede coletora e ligações prediais de esgoto, do crescimento vegetativo, no município de Elias Fausto, de acordo com o Projeto, Edital do Convite 4456/99IM, Proposta da CONTRATADA e demais documentos constantes do Dossiê SABESP 99/013.058, Volume I, Tomos I e II e as especificações técnicas, regulamentação de preços e critérios de medição Volumes 1 e 2 Revisão 1 e o Procedimento Sabesp 050/03 Segurança, Medicina e Meio Ambiente do Trabalho em Obras e Serviços Contratados de pleno conhecimento das partes. 1.2 As demais cláusulas que constituem o presente instrumento são: 2ª Preços, 3ª Serviços Extracontratuais, 4ª Reajustamento de Preços, 5ª Prazo, 6ª Medições e Pagamentos, 7ª Sustação de Pagamentos, 8ª Fiscalização, 9ª Garantia Contratual, 10ª Obrigações e Responsabilidade da Contratada, 11ª Obrigações da SABESP, 12a Responsabilidade Civil e Seguro, 13a Sinistros, 14a Materiais / Equipamentos, 15ª Recebimento das Obras e/ou Serviços, 16ª Transferência. 17ª Valor, 18ª Sanções Administrativas, 19ª Responsabilidade Técnica, 20ª Rescisão, 21ª Força Maior, 22ª Documentos, 23ª Anexos, 24ª Disposições Complementares e 25ª Foro. 1.3 O objeto contratual executado deverá atingir o fim a que se destina, com eficácia e qualidade requerida. 1.4 O regime de execução deste contrato é o de empreitada por preço unitário. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 958 12 1.5 A CONTRATADA se obriga a manter, durante toda a execução de contrato, em compatibilidade com as obrigações assumidas, todas as condições que culminaram em sua habilitação e qualificação na fase da licitação. II.2) Notas Fiscais de Saída de fornecedores de materiais para a Recorrente estão incluídos, entre outros, os seguintes produtos fls. 202212: [...] cimento, tomada, tubo cerâmico, conexões cerâmicas [...] II.3) Notas Faturas de Serviços emitidas pela Recorrente em nome SABESP está evidenciado como discriminação dos serviços, fls. 161 e, 230231: [...] Contrato nº 4456/99 – Objeto: Execução de rede de distribuição de água, ligações domiciliares de água, rede coletora de esgoto e ligações domiciliares de esgoto [...], Referente à 3ª Medição [...] Por seu turno, a autoridade de primeira instância de julgamento diz que Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 3º trimestre de 2000 com aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. Remanesce, ainda, que há na DCTF declaração da existência de débito de IRPJ, código de receita: 2089 do 3º trimestre de 2000, no valor de R$5.011,00, não sendo suficiente para desnaturála a simples alegação em contrário, pois aquele documento goza do efeito de confissão legal de dívida (Decretolei n° 2.124, de 1984, artigo 5o , § 1º). Se há contradição e desejando a recorrente fazer valer montante diverso daquele regularmente declarado incumbialhe apresentar provas que permitissem albergar sua tese de pagamento indevido ou a maior. Tem cabimento insistir que são condições cumulativamente imprescindíveis para ser aplicado pela pessoa jurídica prestadora de serviços de empreitada na área de construção civil de o coeficiente 8% sobre a receita bruta para fins de apuração do lucro presumido, a efetiva comprovação regularmente escriturada de emprego de material em qualquer quantidade e de mãodeobra. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, houve realização de diligência para esclarecer a situação fática (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972) em que a Autoridade Fiscalizadora constatou efetivamente, fls. 938943: Anocalendário – 3º Trimestre de 2000 Processo Administrativo n° 10855.900460/200806. 1) Com relação à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, em sua correspondência (vide documento anexo às folhas n° 338 e 339) nada nos informou ou ajudou a esclarecer, se a recorrente utilizou material em suas obras. 2) Com relação a CAMF Engenharia e Construções Ltda objeto desta diligência, temos a informar que: 21) Referente ao item "a" acima citado, a recorrente juntou o demonstrativo de fls. 324 a 328 do presente processo, onde relacionou as notas fiscais de sua Fl. 959DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 959 13 emissão, vinculou as notas aos contratos prestados e com as notas fiscais de aquisição de materiais aplicados, mas não comprovou no demonstrativo que foram pagos com recursos da recorrente e se foram pagos não foram contabilizados em sua escrita contábil. 22) Referente ao item "b" a recorrente simplesmente juntou cópias do Livro Diário e do Livro Razão (vide fls. 410 a 925 deste processo administrativo 10855.900460/200806), mas não indicou as folhas onde comprovassem as efetividades das aquisições dos materiais. 23) Referente, ao item "c" acima citado foram entregues cópias do Livro Diário e Livro Razão, os quais foram juntados as folhas 410 a 925, das quais as receitas obtidas no curso do anocalendário foram contabilizadas nas folhas n° 173 a 176, do Livro Razão, (anexas as fls. 901 e 904) do presente processo administrativo 10855.900460/200806. 24) Finalmente, em resposta ao item "d" acima, foi apresentado uma planilha anexada a folha 341 , onde fica, demonstrada, sob a ótica, da recorrente, a matéria tributável e o cálculo do montante do tributo devido. [...] Concluímos que a recorrente não escriturou boa parte das notas fiscais dos fornecedores de materiais. Em se aceitando as razões da recorrente o instrumento em que solicita à compensação (PERDCOMP Pagamento indevido ou a maior) está inadequado. Haja, visto ser um crédito de Saldo Negativo de Lucro Presumido que deveria ser apurado na declaração retificadora, coisa que a contribuinte não o fez. Fica a CAMF Engenharia e Construções Ltda cientificada dos procedimentos desta diligência e desta Informação Fiscal para que, no prazo de 30 (trinta) dias, desejando se manifestar a respeito, com objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerente (inciso LV do art. 5° da Constituição da República). O conjunto probatório decorrente do processo investigativo realizado pela Autoridade Fiscal demonstra de forma motivadamente explícita, clara e congruente que os autos não estão instruídos com a totalidade das provas, entre outras, com os registros contábeis e os documentos que comprobatórios pertinentes, em especial, as cópias das folhas do Livro Diário e do Livro Razão das contas nas quais são escrituradas as aquisição e emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra modo a comprovar o direito à fruição do percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo mensal de 8% (oito por cento) para fins de determinação base de cálculo do IRPJ do 3º trimestre do ano calendário de 2000, referente aos dados informados para a RFB. Por seu turno, a Recorrente, embora ciente de todas as discrepâncias quantitativas, não juntou aos autos os outros elementos de prova respectivos, pois nesse caso, cabelhe produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior10. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca dos registros contábeis e documentos hábeis de que suas alegações estão corretas. Não foram produzidos nos 10 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 960 14 autos elementos de prova que comprovem a correção das informações indicadas na peça de defesa. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não está comprovada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso11. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade12. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 11 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13502.901071/2008-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
Cuida-se de Recurso Voluntário em face da decisão de piso que manteve o deferimento parcial de crédito presumido de IPI relativo ao período de apuração de 01.07.2003 a 30.09.2003.
A distorção do resultado do valor do crédito presumido constatado entre o montante apresentado em DCP e o apurado pela fiscalização decorre de metodologia utilizada conforme sustenta a Interessada.
A fiscalização teria considerado para o cálculo o custo dos produtos vendidos CPV constantes dos balancetes mensais e não a referente aquisição de insumos, motivo pela qual o valor do crédito encontrado apresentou-se inferior ao pleiteado.
Outro ponto de divergência se refere ao cálculo do crédito presumido das vendas com fim específico de exportação. Alega-se que teria sido deixado de incluir no cálculo algumas vendas, a título de exemplo menciona a nota fiscal de número 10851.
Também aponta como defeito ausência de especificação das glosas procedidas pela fiscalização. Além disso, afirma que apurou crédito presumido inferior ao apurado pela Delegacia da Receita Federal nos autos do processo de número 13502.000385-2003-37. Por derradeiro pede atualização pela Taxa Selic.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário em face da decisão de piso que manteve o deferimento parcial de crédito presumido de IPI relativo ao período de apuração de 01.07.2003 a 30.09.2003. A distorção do resultado do valor do crédito presumido constatado entre o montante apresentado em DCP e o apurado pela fiscalização decorre de metodologia utilizada conforme sustenta a Interessada. A fiscalização teria considerado para o cálculo o custo dos produtos vendidos CPV constantes dos balancetes mensais e não a referente aquisição de insumos, motivo pela qual o valor do crédito encontrado apresentou-se inferior ao pleiteado. Outro ponto de divergência se refere ao cálculo do crédito presumido das vendas com fim específico de exportação. Alega-se que teria sido deixado de incluir no cálculo algumas vendas, a título de exemplo menciona a nota fiscal de número 10851. Também aponta como defeito ausência de especificação das glosas procedidas pela fiscalização. Além disso, afirma que apurou crédito presumido inferior ao apurado pela Delegacia da Receita Federal nos autos do processo de número 13502.000385-2003-37. Por derradeiro pede atualização pela Taxa Selic. É o relatório. Voto
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em face da decisão de piso que manteve o deferimento parcial de crédito presumido de IPI relativo ao período de apuração de 01.07.2003 a 30.09.2003. A distorção do resultado do valor do crédito presumido constatado entre o montante apresentado em DCP e o apurado pela fiscalização decorre de metodologia utilizada conforme sustenta a Interessada. A fiscalização teria considerado para o cálculo o “custo dos produtos vendidos – CPV” constantes dos balancetes mensais e não a referente aquisição de insumos, motivo pela qual o valor do crédito encontrado apresentouse inferior ao pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 01 07 1/ 20 08 -8 8 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13502.901071/200888 Resolução nº 3403000.452 S3C4T3 Fl. 4 2 Outro ponto de divergência se refere ao cálculo do crédito presumido das vendas com fim específico de exportação. Alegase que teria sido deixado de incluir no cálculo algumas vendas, a título de exemplo menciona a nota fiscal de número 10851. Também aponta como defeito ausência de especificação das glosas procedidas pela fiscalização. Além disso, afirma que apurou crédito presumido inferior ao apurado pela Delegacia da Receita Federal nos autos do processo de número 13502.000385200337. Por derradeiro pede atualização pela Taxa Selic. É o relatório. Voto Considerando que as alegações aduzidas concentram em apontar como divergência o aproveitamento do custo dos produtos vendidos e não os das aquisições de insumos que integra o ICMS por se tratar de imposto não cumulativo, e, não integraria o custo dos produtos vendidos, bem como, ausência de especificação das glosas procedidas e de inclusão de algumas vendas com fim especifico de exportação, impõe transformar o julgamento em diligência para se proceder a novo cálculo do crédito presumido de IPI em conformidade com a legislação vigente e Instruções Internas da Receita Federal do Brasil Vigente no período de apuração, havendo modificação seja demonstrado separado. Assim, voto no sentido de baixar o feito em diligência no sentido de que seja apurado o crédito presumido de IPI em conformidade com a legislação aplicada ao tempo dos fatos com observância das Instruções Normativas da RFB, demonstrado de modo específico as glosas, e, seja incluído no computo do cálculo as vendas efetivadas com fim específico de exportação. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000327/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2001
DECADÊNCIA PARCIAL. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos
do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado
antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores
efetuouse
antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do
art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT).
INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e
legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT.
O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento
da sua atividade econômica preponderante por estabelecimento.
INCRA. SALÁRIO-EDUCAÇÃO.
INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES
PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e
legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: SalárioEducação/
FNDE e INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas,
sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou
seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na
taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados
pela Secretaria da Receita Federal.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador,
cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos
moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.594
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 150,
§4° do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2001 DECADÊNCIA PARCIAL. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante por estabelecimento. INCRA. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: SalárioEducação/ FNDE e INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante por estabelecimento. INCRA. SALÁRIOEDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: Salário Educação/FNDE e INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 150, §4° do CTN. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à parcela desses segurados e à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (Salário Educação/FNDE e INCRA), para as competências 01/1996 a 13/2001. O Relatório Fiscal (fls. 100/110) informa que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. E a base de cálculo decorre dos valores referentes às diferença constatadas entre aqueles declarados em folha de pagamento, nas Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS), nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s) e os registros contábeis disponibilizados durante a ação fiscal pelo contribuinte, bem como os valores aferidos em 40% do faturamento da empresa, nos termos do § 6o do artigo 33 da Lei 8.212/91, tendo em vista que no exame da escrituração contábil e de outros documentos da empresa, o Fisco constatou que a contabilidade não registrava o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, conforme se depreende do “item 7” e “subitens” do Relatório Fiscal. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 28/07/2006 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 115/128), alegando, em síntese, que: 1. Da Decadência. Os autos de infração devem ser anulados, uma vez que a Previdência Social tem o prazo de cinco anos para apurar e constituir seus créditos. A seguir transcreve ementas de acórdãos proferidos pelos Tribunais Regionais Federais; 2. Da Contribuição de Autônomos Folha de Rendimentos incluindo pessoas físicas sem vínculo empregatício. O Auto de Infração não deve prosperar mesmo não sendo esse o entendimento desta Delegacia de Julgamento, posto que, as contribuições sociais exigidas nos autos são anteriores a EC 20/98, não sendo portanto considerados segurados obrigatórios os administradores e autônomos. Continua discutindo sobre a citada Emenda Constitucional sob o argumento de que a mesma não revigora a constitucionalidade dos termos administradores e autônomos, permanecendo a inconstitucionalidade até a atualidade. Termina o argumento referindo que a contribuição sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais é ilegal e inconstitucional à medida que amplia a base de cálculo sem a devida Lei Complementar; Fl. 408DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 3. Da contribuição destinada a Terceiros e SAT. Não há que se falar em recolhimento das contribuições destinadas ao INCRA e ao SalárioEducação, pois a atividade empresarial da contestante não estar ligada ao “Sistema S” nem ao sistema agrário do país. Com relação à contribuição destinada ao SAT, transcreve ementa do TRT da quarta região que entende como de risco leve a atividade desenvolvida pela administradoras de consórcio, sujeitandose assim à alíquota de 1% a título de SAT; 4. Do Vínculo Trabalhista. A fiscalização previdenciária não possui poderes para investigar a situação fática caracterizadora da relação empregatícia. Que no Relatório Fiscal não há qualquer prova ou elementos capazes de comprovar a existência do vínculo empregatício entre o suposto empregado e a empresa de modo a tornar legitima a imposição fiscal. Que as contribuições decorrentes desse ato devem ser cobradas na justiça do trabalho; 5. Das Multas. Existe verdadeira acumulação de multa, o que é proibido pelo direito, nem se diga que se trata de multas diferentes uma pela falta de recolhimento outra pela falta de declaração em documentos. Que a multa não pode ser cumulativa nem em duplicidade; 6. Dos documentos faltantes. Foi lavrado um auto de infração por não apresentação de folhas de pagamento, no entanto explica que as mesmas estavam em poder do antigo contador e estão sendo apresentadas em anexo, devendo dessa forma ser anulado o auto de infração n° 35.835.2630, anexa ainda a relação dos trabalhadores do arquivo SEFIP das competências 09/2000 a 04/2001; 7. Do Pedido. Pelas razões expostas requer a improcedência dos referidos autos de infração e os respectivos cancelamentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão 0518.028 da 8a Turma da DRJ/CPS (fls. 345/348) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 354/375), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Jundiaí/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 393/395). É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fls. 350/374). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que seja declarada a extinção do crédito tributário, pois os supostos créditos levantados pela fiscalização estariam fulminados pelo instituto jurídico da decadência, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Pelos motivos a seguir delineados, tal alegação será acatada em parte. Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.) II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após Fl. 411DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 4 7 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação – que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' –,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. (...) 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Verificase que o lançamento fiscal em tela referese a período compreendido entre 01/1996 a 12/2001 e foi efetuado em 28/07/2006, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores a Recorrente efetuou antecipação de pagamento, eis que os valores apurados decorrem de diferenças de contribuições não recolhidas, conforme Relatório Fiscal de fls. 100/110 e Discriminativo Analítico de Débito (DAD) de fls. 04/51. Nesse sentido, aplicase o Fl. 412DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 art. 150, § 4º, do CTN, para considerar que os valores apurados até a competência 06/2001, inclusive, foram abrangidos pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência será acatada para os valores apurados até a competência 06/2001, inclusive, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/1996 a 12/2001 e as competências posteriores a 06/2001 não foram abarcadas pela decadência tributária. Diante disso, acato parcialmente a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições apuradas até a competência 06/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. E, após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Com relação à argumentação de inconstitucionalidade/ilegalidade da contribuição social destinada ao SalárioEducação/FNDE, registramos que o Supremo Tribunal Federal (STF) já se pronunciou tanto pela constitucionalidade da legislação anterior à CF/1988 quanto à sua recepção, como também pela constitucionalidade da Lei 9.424/1996. Inicialmente, a contribuição destinada ao SalárioEducação/FNDE, por força do Decreto 87.043/1982, foi fixada a alíquota em 2,5% sobre a folha de salários. Posteriormente, a Lei 9.424/1996 também disciplinou a matéria no art. 15, in verbis: Art. 15. O SalárioEducação, previsto no artigo 212, § 5° da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no artigo 12, inciso I, da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal (STF) já se pronunciou tanto pela constitucionalidade da legislação anterior à Constituição Federal de 1988 quanto à sua recepção, como também pela constitucionalidade da Lei 9.424/1996. Diante disso, vejamos o teor do enunciado da Súmula 732 do STF: Súmula 732 STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/1996. Por sua vez, a Lei 9.766/1998 estabeleceu que a contribuição social destinada ao SalárioEducação deverá obedecer os mesmos prazos e condições estipulados para as contribuições sociais devidas Seguridade Social. Lei 9.766/1998 Art. 1o. A contribuição social do SalárioEducação, a que se refere o art. 15 da Lei n° 9.424, de 24 de dezembro de 1996, obedecerá aos mesmos prazos e condições, e sujeitarseá ás mesmas sanções administrativas ou penais e outras normas relativas as contribuições sociais e demais importâncias devidas Seguridade Social, ressalvada a competência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, sobre a matéria. (g.n.) Fl. 413DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 5 9 Com isso, afasto a alegação de ilegalidade da contribuição destinada ao SalárioEducação/FNDE. Quanto à argumentação da ilegalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), tal tese não será acatada, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificou a matéria no julgamento do RE 343.446SC, Relator Ministro Carlos Velloso. Assim, entendeu o STF que a exigência da contribuição para o custeio do SAT, por meio das Leis 7.787/1989 e 8.212/1991, é constitucional e também declarou que a delegação ao Poder Executivo – para regulamentação dos conceitos de “atividades preponderante” e “grau de risco leve, médio e grave” – tem amparo constitucional. Transcrevemos a ementa do RE 343.446SC: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (g.n.) IV Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2004) Ainda o Relator desse RE 343.446SC registrou que: “(...) o regulamento não pode inovar na ordem jurídica, pelo que não tem legitimidade constitucional o regulamento “praeter legem”. Todavia, o regulamento delegado ou autorizado ou “intra legem” é condizente com a ordem jurídicoconstitucional brasileira”. Esse entendimento de que a cobrança da contribuição destinada ao SAT/GILRAT é legítima vem sendo mantido pelo STF, senão vejamos: Fl. 414DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SAT. TRABALHADORES AVULSOS. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Contribuição social. Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei n. 7.787/89, artigo 3o, II. Lei n. 8.212/91, artigo 22, II. Constitucionalidade. Precedente. 2. A cobrança da contribuição ao SAT incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos empregados quanto aos trabalhadores avulsos é legítima. Precedente. (g.n.) Agravo regimental a que se nega provimento. [...] Voto [...] 4. O Supremo afastou a argumentação de contrariedade do princípio da legalidade tributária [CB, artigo 150, I], uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para os decretos regulamentares ns. 612/92, 2.173/97 e 3.048/99 a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave". (g.n.) (AIAgR 742458/DF,Rel. Min. Eros Grau, Dje 14/05/2009) Depreendese dessas decisões do STF que a complementação dos conceitos de atividade preponderante e do grau de risco para aplicação das alíquotas do SAT/GILRAT pode ser estabelecida por meio de Decreto (regulamento do Poder Executivo), desde que a lei assim o discipline. Nesse sentido, há precedentes judiciais no Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF4), a saber: TRIBUTÁRIO. SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO SAT. CONSTITUCIONALIDADE. GRAU DE RISCO. REGULAMENTO. 1. Não há qualquer vício no se atribuir ao Executivo, ou a um órgão do Executivo, a determinação dos graus de risco das empresas, para o enquadramento destas nos correspondentes graus de risco. 2. Em muitas situações o legislador é obrigado a editar normas "em branco", cujo conteúdo final é deixado a outro foco de poder, sem que nisso se entreveja a vedada delegação legislativa. As circunstâncias dirão a quem deferir a competência. 3. Não se confunde a delegação legislativa com a suplementação técnica da norma por autoridade administrativa. O que se tem, no caso dos autos, é típica suplementação técnica da lei, atribuída à autoridade administrativa, que não estará exercendo qualquer função normativa e nem mesmo regulamentar. Via de conseqüência, não há qualquer vício de inconstitucionalidade na fixação, pelo Ministério da Previdência Social, dos critérios de enquadramento das empresas nos diversos graus de risco de acidentes do trabalho. 4. Recurso de apelação improvido.(TRF 4a Região, Recurso de Apelação nº 1999.72.01.0062983/SC, Relator Antonio Albino Ramos de Oliveira). (g.n.) Logo, em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo que são devidas à diferença de contribuição destinada para o Seguro Fl. 415DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 6 11 de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), e afasto as alegações da Recorrente de ilegalidade dessa exação previdenciária. Quanto à alegação de inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições destinadas ao INCRA, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei 8.212/1991 e demais disposições das legislações vigentes que embasaram o lançamento fiscal ora analisado. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições destinadas ao INCRA, não há razão para a Recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou debitada aos segurados empregados. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF : “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por outro lado, esclarecemos que a matéria já se encontra pacificada no âmbito do poder Judiciário, firmando entendimento de que é devida a contribuição social destinada ao INCRA, conforme se percebe do recente precedente do Superior Tribunal de Justiça, sob a égide da nova Lei de Recursos Repetitivos, confirase: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA.CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89 OU 8.212/91.NÃO OCORRÊNCIA. EXAÇÃO EXIGÍVEL DAS EMPRESAS URBANAS. ACÓRDÃO EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente os embargos de divergência (art. 266, § 3º, do RISTJ). 2. A jurisprudência da Primeira Seção, consolidada inclusive em sede de recurso especial repetitivo (REsp 977.058/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 10/11/2008), firmou o entendimento de que a contribuição para o Incra (0,2%) não foi revogada pelas Leis 7.787/89 e 8.213/91, sendo exigível, também, das empresas urbanas. 3. Incidência da Súmula 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 803.780/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 30/11/2009)”. Logo, são devidas as contribuições destinadas ao INCRA, afastando assim as alegações de ilegalidade dessa contribuição. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 417DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 7 13 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 418DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais (fls. 82/90), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 8 15 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que sejam excluídos, em decorrência da decadência tributária quinquenal, os valores apurados até a competência 06/2001, inclusive, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.006114/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 13/08/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO – OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PERÍODO
ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa apresentado documentos pertinentes a contribuições previdenciárias, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.354
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa apresentado documentos pertinentes a contribuições previdenciárias, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 103DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.006114/200735 Acórdão n.º 2401002.354 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.055.6739, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, fls. 29, a empresa deixou de apresentar os Livros Diário, solicitados através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, datado de 08/06/2007, relativos aos exercícios de 1997 (período de 01/97 a 12/97), 1998 (período de 01/98 a 12/98) e 1999 (período de 01/99 a 12/99), infringindo o disposto no artigo 33, §2o. da Lei 8.212/91. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 13/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 15/08/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 32 a 43. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 58 a 64. Vejamos ementa da referida decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 13/08/2007 MULTA POR INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração deixar a empresa de exibir documentos e livros relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias, quando devidamente solicitados pela fiscalização. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 72 a 79. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega ser a multa indevida, senão vejamos: 1. Preliminarmente, alega a nulidade do auto de infração por este abranger infrações praticadas entre os anos de 1997 a 2002, estando estas, segundo o seu entendimento, fulminadas pela decadência de 05 (anos) a que se refere o artigo 173 do Código Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Tributário Nacional — Código Tributário Nacional — CTN. Colaciona vasta doutrina e jurisprudência sobre o tema. 2. No que concerne à multa aplicada, a D. Relatora, embora tenha tenha considerado que a empresa é primária e de bons • antecedentes, manteve a multa por considerar que é "não se configura a presença das circunstâncias atenuantes, e, conseqüentemente, a relevagão pretendida". 3. Ora, vem a Recorrente, discordar cabalmente de tal afirmação, pois a aplicação de multas, sejam meramente administrativas ou punitivas, devem levar em conta sempre, o grau de falta, os antecedentes fiscais do contribuinte, o dano sofrido pelo erário público, a existência o não de conluio, fraude fiscal, a máfé, ou o dolo, enfim os elementos subjetivos devem ser analisados e perqueridos pelo aplicador da Lei, afim de que esta seja aplicada em seus principio teleológicos, e não aleatoriamente, punindose a falta mais leve, com pena maior. 4. Requer, ao final, seja julgado insubsistente o débito apurado no AI, por encontraremse prescritos, bem como seja declarada insubsistente a incidência de multa por não ter havido dolo ou culpa. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.006114/200735 Acórdão n.º 2401002.354 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 80 e 81. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Primeiramente entendo que apear da referência do recorrente de que o AI deve ser anulado pela ocorrência da prescrição, entendo que a nomenclatura por ele adotada encontrase equivocada, tanto que requer a aplicação do art. 150, § 4º, que referese a prazo decadencial do direito do fisco efetivar o lançamento seja em relação a obrigação principal ou acessória. Assim, quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.006114/200735 Acórdão n.º 2401002.354 S2C4T1 Fl. 4 7 execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.006114/200735 Acórdão n.º 2401002.354 S2C4T1 Fl. 5 9 em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.006114/200735 Acórdão n.º 2401002.354 S2C4T1 Fl. 6 11 a empresa comprovado o efetivo desconto da contribuição dos contribuintes individuais – transportadores autônomos. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 13/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 15/08/2007. A autuação consubstanciouse na falta de apresentação dos Livros Diário, relativos aos exercícios de 1997 (período de 01/97 a 12/97), 1998 (período de 01/98 a 12/98) e 1999 (período de 01/99 a 12/99). Dessa forma, a luz do art. 173, I do CTN encontrarseiam decadentes os fatos geradores até 11/2001, o que engloba todo o período descrito no auto de infração em tela. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO, face o alcance da decadência quinquenal. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 10730.004416/2003-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega da declaração do imposto
de renda pessoa física, e tendo-a feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a multa pelo atraso.
Numero da decisão: 2201-001.616
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 87 1 86 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.004416/200367 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 220101.616 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2012 Matéria Multa Obrigações acessórias Recorrente ANTÔNIO MAURÍCIO FIGUEIREDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega da declaração do imposto de renda pessoa física, e tendoa feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a multa pelo atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Redator designado. EDITADO EM: 13/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Fl. 87DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 3/06/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 1326.915 6' Turma da DRJ/RJ2 que julgou improcedente a impugnação ao lançamento que exigindo multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, correspondente ao exercício de 2002, anocalendário 2001. Cientificado, o interessado apresentou impugnação alegando que entregou a declaração em atraso por motivo de doença mas não houve máfé, apenas estava impossibilitado de fazêlo. Diz que a cobrança da multa contraria regras do Decreto n° 70.235/72 visto que a notificação carece de assinatura do responsável já que não é um documento produzido eletronicamente (art. 11) e ainda suscita a preclusão do lançamento por estar em desacordo com os prazos estabelecidos nos artigos 3° e 4° da mesma norma. Inconformado o contribuinte recorre reafirmando os termos da impugnação É o relatório Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo e dele conheço. Inquestionável é o fato da DAA ter sido entregue extemporaneamente, o fato é expressamente confessado pelo contribuinte e o recurso se baseia apenas em formalidade que supostamente teriam sido violadas. Entendo que o prazo de trinta dias para a pratica de atos que o contribuinte invoca não é aplicável ao caso. Isso porque o lançamento efetuado não decorre de “solicitação de outra autoridade preparadora ou julgadora” como dispõe o §3º do artigo 2, sendo inaplicável ao caso. Da mesma forma é inaplicável o disposto no § 4º do mesmo artigo por se tratar de prazo tipicamente impróprio. No que tange a necessidade de assinatura da notificação, apesar de não haver qualquer referência expressa, é de se notar serem os sinais exteriores indicativos de notificação eletrônica, possuindo o mesmo layout e estar em harmonia com os costumes do ato. Desta forma, nego provimento ao recurso. É como voto. Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 3/06/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10730.004416/200367 Acórdão n.º 220101.616 S2C2T1 Fl. 88 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10730.004416/200367 Recurso nº: TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.616. Brasília/DF, 1 de junho de 2012 ______________________________________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 89DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 3/06/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 10680.012312/2006-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. ENCAMINHAMENTO AO ENDEREÇO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. VALIDADE.
Á luz do artigo 23 do Decreto 70.235/1972, é válida a ciência via postal encaminhada ao domicilio eleito pelo contribuinte. Na hipótese de impossibilidade de entrega, correta a afixação de edital.
Numero da decisão: 2201-002.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator) e Ricardo Anderle (Suplente convocado), que conheciam do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
(Assinatura digital)
Eduardo Tadeu Farah Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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CIÊNCIA VIA POSTAL. ENCAMINHAMENTO AO ENDEREÇO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. VALIDADE. Á luz do artigo 23 do Decreto 70.235/1972, é válida a ciência via postal encaminhada ao domicilio eleito pelo contribuinte. Na hipótese de impossibilidade de entrega, correta a afixação de edital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator) e Ricardo Anderle (Suplente convocado), que conheciam do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator (Assinatura digital) Eduardo Tadeu Farah – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 23 12 /2 00 6- 10 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Odmir Fernandes e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG, que manteve a autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, do anocalendário 2002 sobre omissão de rendimentos apurada por meio do APD Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Auto de infração (fls.04 a 07 ), com ciência em 08/11/2006 (fls. 04), foi lavrado após a omissão constatada no Termo de Verificação Fiscal (fls. 08/11. Em decorrência das investigações requeridas pela CPI do BANESTADO Banco do Estado do Paraná, relativas às remessas de divisas feitas por esse banco e outras instituições financeiras ao exterior, a maioria a partir de agências de Foz do Iguaçu, no Paraná, a ^ movimentação das divisas no exterior, em particular através da agência do Banestado em Nova York, nos Estados Unidos da América; e transferências dessas divisas para outras instituições financeiras dos Estados Unidos e de outros países. Restou evidenciado que diversos contribuintes brasileiros enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do sistema financeiro nacional, utilizando pessoas físicas e/ou jurídicas brasileiras, ou empresas estrangeiras com a participação de brasileiros, inclusive "doleiros". (Documentos de folhas 34 a 126). Foi constatado que muitas dessas remessas de divisas feitas à revelia do sistema financeiro nacional, e sua movimentação em Nova York, utilizaram contas e subcontas mantidas em bancos americanos, tais como "JP Morgan Chase Bank", pela empresa americana "BEACON HILL SERVICE CORPORATION"(documentos, laudo n° 1258/04 e 1613/04, em anexo às folhas 98 a 114). No curso das investigações, o Departamento da Policia Federal, pela sua representação em Curitiba, PR, requereu e obteve do Juízo da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba a quebra do sigilo bancário no exterior da empresa "Beacon Hill". O Juízo da Suprema Corte do Estado de Nova York, a pedido da promotoria pública distrital da cidade de Nova York, autorizou, em setembro de 2003, o afastamento do sigilo bancário, a revelação e a entrega dos iau. ^ documentos referentes ao caso as autoridades brasileiras. Em abril de 2004 o MM Juiz da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba transferiu os dados da quebra do sigilo bancário para a Secretaria da Receita Federal (documentos de folhas 73 a 95). Os documentos e mídia eletrônica trazida para o Brasil foram periciados em maio e junho de 2004 pelo Instituto Nacional de Criminalística e o resultado repassado à Receita Federal. A Fl. 244DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 4 análise e tratamento dos documentos e dados extraídos da mídia eletrônica foram efetuados por equipe especial de fiscalização da SRF(documento laudo n° 1071/04, em anexo as folhas 38 a 51). Com base nesses documentos e dados, constatouse que o contribuinte supra identificado efetuou movimentação financeira de US$500.000,00 no ano de 2002. As ordens de pagamentos (PYMENT ORDER) de U$300.000,00 em 09/01/2002, e de U$200.000,00 em 05/01/2002, ordenando a transferência / crédito desses valores para a conta de n° 563.468/01, do AUDI BANK, Agência n° 055, ABRA SAÍDA, ABRA SIDON LEBANON onde o beneficiário final é AMIRA ABOUZAREH (JOINT ACCOUNT), com endereço a Rua AL AMLI, EDIFICIO LULUA, 3o ANDAR SIDON BEERUT LEBANON, telefone 724917, detalhes do pagamento AT YR ABRA BRANCH LEBANON AG.055,i utilizando a conta MONTE VISTA n° 530097672, administradas pela empresa Beacon Hill Service Corporation. (Documentos de folhas 35 a 37). Através do Termo de Início de Fiscalização n° 111/2006 (documento de fls.12 a 15), do qual o contribuinte tomou ciência em 21/02/2006, como consta do Aviso de Recebimento (AR) anexado à fl. 131, foi o mesmo intimado a: Com relação à movimentação financeira efetuada no ano calendário de 2002, na instituição financeira JP Morgam Chase Bank, conta Monte Vista número 530097672, administrada pela empresa Beacon Hill Service Corporation: Informar, esclarecer e comprovar, como e quando o contribuinte efetuou a remessa dos valores para alimentar a conta na Beacon Hill, que permitiram a movimentação para o Audi Bank Agency n° 55 Charles Malek Avenue P.O. Box 112560 Beirut Lebanon. Explicar e justificar qual o propósito ou objetivo dessas operações financeiras. Em atendimento à intimação, o contribuinte apresentou termo de resposta datado de 10/03/2002 (documento de folhas 17 a 23), por intermédio do qual limitouse a negar a movimentação financeira no valor de US$500.000,00 (Quinhentos mil dólares americanos) no ano de 2002, e desconhecer quaisquer movimentação efetuada como as ordens de pagamentos citadas no Termo de Início de Fiscalização. Termo de resposta complementar anexo às folhas 21/22. Os termos de respostas foram elaborados pelos advogados constituídos pelo contribuinte conforme procuração anexo à folha 16. Como podemos verificar as mídias eletrônicas estão em nome do contribuinte, que não possui homônimos e o beneficiado é a senhora Arnira AbouZareh, mãe do contribuinte. O contribuinte afirma que todas informações necessárias ao atendimento da solicitação nos itens 05 a 07, encontramse constantes de sua Declaração de Renda DIPF exercício de 2003, ano calendário 2002. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 4 5 Afirma ainda que não realizou no ano calendário, qualquer tipo de aplicação financeira e conseqüentemente não realizou qualquer tipo de resgate. E apresenta relação e contratos sociais das empresas das quais fazia parte como quotista no ano calendário de 2002. O contribuinte remeteu a esta fiscalização Termo de Resposta Complementar datado de 10 de março de 2006, (documentos de folhas 20/23), onde anexa correspondência de 15 de março de 2006, do Bank Audi Audi Saradar Group, devidamente traduzida, onde podemos ler que a conta corrente de Arnira AbouZaher foi fechada em 27/10/2004, e que não foi feito nenhuma transferência / crédito bancário durante os anos 2002, 2003 e 2004, datada de 15 de março de 2006. Em nenhum momento comprovou a origem e tributação dos valores remetidos ao exterior. Esta fiscalização, salvo melhor juízo, não pode reconhecer nesta correspondência o valor para contrapor ou anular o que consta da mídia eletrônica transferida a Secretaria da Receita Federal, oficialmente pelo juízo da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba, conseguida da Suprema Corte do estado de New York, pela quebra de sigilo bancário no exterior da Empresa Beacon Hill, documentação devidamente periciada pelo Instituto Nacional de Criminalística conforme consta do Termo de Início de Ação fiscal. Cabe ressaltar que esta fiscalização não pode confirmar junto ao Bank Audi, por estar em terras estrangeiras, os cargos, e se os senhores M. Kalo e M. Skayne podem responder pela Instituição. Dado o acima exposto fizemos o Demonstrativo Mensal de Fluxo de Caixa, anexo à folha 26, para o ano de 2002, lançando os valores constantes de sua Declaração de Imposto de Renda das Pessoas Físicas e os valores das remessas, convertidas em moeda nacional o real; em 07/01/2002 valor de R$ e em 03/01/2002 no valor de R$, sendo a conversão realizada conforme demonstrativo mensal de fluxo de caixa, em anexo à folha 25. As remessas constam como dispêndio/investimento. No demonstrativo fica explicita a "Variação Patrimonial a Descoberto" de R$1.072.393,65 em 01/2002, considerada omissão de rendimentos, conforme a Lei n° 7.713X88, arts. Io, 2o, 3o, §§ Io e 4o, Arts. Io e 2o da Lei n° 8.134/90, e Artigos 55, inciso XIII, 806 e 807 do RIR/99. Impugnação (fls. 134/146). A decisão recorrida (fls. 158/171) com ciência por edital (fls. 210), manteve a autuação pela falta de comprovação de os recursos movimentados na canta bancaria não pertencer a autuado, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 6 NULIDADE. Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de diligência/perícia sempre que se mostrar desnecessário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituem rendimentos brutos sujeitos ao imposto de renda as quantias correspondentes a acréscimo patrimonial quando esse não for justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis ou por rendimentos tributados exclusivamente na fonte, apurados por meio do confronto entre os recursos e os dispêndios realizados pelo contribuinte. MEIOS DE PROVA. RECURSOS AO EXTERIOR. Válidas as informações veiculadas em relatório da Secretaria da Receita Federal SRF, decorrentes de Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística INC, elaborados a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Comissão Parlamentar de Inquérito/CPMI do Banestado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No Recurso Voluntário (fls. 222 a 231) protocolado em 22.06.2012, sustenta em síntese: a) Preliminar de tempestividade do recurso interposto; b) A assinatura aposta nos “Payment Orders” não é do Recorrente; c) Desconhece e não tem nenhuma ligação com a empresa Monte Vista Corp ou com a Beacon Hill Service Corporation; d) Não tem e nunca teve dinheiro seu ou de terceiros nos Estados Unidos, desconhece também a origem do dinheiro relacionado nas Paymente Orders; e) Reconhece e confirma que sua mãe mora no Líbano e que à época possuía conta bancária no Audi Bank, mas não remeteu qualquer recurso financeiro para sua genitora no Líbano; d) Não pertence ao patrimônio do Recorrente e nunca chegou à conta bancária da genitora a importância objeto da autuação, que deu origem ao APD. É o breve relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Odmir Fernandes Relator Anoto que há certidão nos autos dando conta da intempestividade do recurso interposto, diante do transcuro do prazo da intimação do autuado Recorrente feita por edital (fls. 215). A notificação por edital foi realizada após retorno da intimação feita pelo correio, com Aviso de Recebimento – AR, constando: não localizado. Nas razões de recurso insiste o Recorrente na tempestividade do seu apelo. Verifico que a notificação pelo correio foi realizada apenas no endereço do domicilio fiscal, na Rua Conselheiro Dantas, 27, Bairro Calafate, Belo Horizonte/MG (fls.210, a 212), informado pelo contribuinte autuado na Declaração de Ajuste Anual. Contudo, vejo que o autuado possui ou chegou a possuir diversos endereços, conforme consta dos autos, na Rua São Paulo, 1.475, Belo Horizonte/MG (fls.01), onde foi localizado para início das diligencias que culminaram com a autuação. Na autuação constou esse endereço (fls. 04); no Termo de Verificação Fiscal, também esse endereço (fls. 8). No termo de intimação de fls. 12, constou esse mesmo endereço. Na procuração juntada fls. 16, o autuado se qualifica e indica o endereço da Rua Santa Maria de Itabera, 22, cj. 808, Bairro Sion, Belo Horizonte/MG. Em resposta a termo de intimação fiscal (fls. 17) o autuado indica esse mesmo endereço da Rua Santa Maria de Itabera. Na Declaração de Ajuste juntada a fls. 126, qualificase com endereço na Rua São Paulo, 1,475, Belo Horizonte/MG. Foi localizado e intimado nesse endereço (AR, de fls. 131). Na impugnação do lançamento (fls. 134) se qualificou com o endereço da Rua Santa Maria de Itabera, 22, cj. 808, Bairro Sion, Belo Horizonte/MG, o mesmo informado na procuração antes juntada. Nova procuração juntada a fls. 135, com o mesmo endereço da Rua Santa Maria de Itabera, 22, cj. 808, Bairro Sion, Belo Horizonte/MG. A fls. 153, o autuado informa nos autos o endereço onde poderia ser localizado: Alameda da Serra, 891, 1° andar, cjs. 912/914m Bairro Vila da Serra – Nova Lima/ MG. As fls. 235 há nova procuração com o endereço da Rua Santa Maria de Itabera, 22, cj. 808, Bairro Sion, Belo Horizonte/MG. Vejo ainda que há indicação de telefone do autuado, sem noticia, cerificada nos autos da tentativa de localizar o autuado. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 8 Há como vimos diversos endereços, telefone e o mais sintático o autuado informou o endereço onde desejava ser intimado, sem que se tentasse sua localização nesse endereço. Em suma, antes da intimação por edital não se tentou localizar o autuado nos endereços constantes dos autos. Essa providencia era e é imprescindível para validade e a eficácia da intimação editalícia. Sem isso a intimação por edital é nula de pleno direito. O autuado não se encontrava, até prova em contrário, em local incerto e não sabido, para intimação por edital, se não houve tentativa de intimação nos endereços constantes dos autos. No Estado Democrático de Direito a acusação e a exigência de qualquer prestação necessita do prévio conhecimento do responsável. Sem esse conhecimento anulamos o direito de defesa e, por conseqüência a garantia do devido processo legal e o contraditório. Por essa razão, é de suma importância da regular notificação do lançamento, e os demais atos processuais daí decorrentes para a validade e a eficácia da constituição do crédito tributário, conforme preconiza o art. 145, do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (Destacamos) O Código ao exigir a regular notificação do lançamento disciplinou o direito substantivo, no plano do direito material, não cuidou, à evidência, da forma e do procedimento da sua realização. Não cuidou por se tratar de regra própria do direito adjetivo, cuja disciplina veio com o Decreto n° 70.235, de 1972, com força de lei (ADI.19229 e 19767) e regulou o processo administrativo fiscal federal no art. 23. Vejamos: "Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (NR, Lei nº 9.532/97). II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (NR, Lei nº 9.532/97). § 1° Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (NR, Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (AC Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 6 9 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (AC Lei nº 11.196, de 2005); III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (AC Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (NR Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) ......... § 2° Considerase feita a intimação: ....... II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (NR, Lei nº 9.532/97);” .......... IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (AC Lei nº 11.196, de 2005) § 3° Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (NR Lei nº 11.196, de 2005) § 4° Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (NR Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (AC Lei nº 11.196, de 2005) Pelo procedimento administrativo fiscal federal, duas são espécies básicas de notificação do lançamento: a intimação pessoal (inciso I) e a intimação postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via (inciso II). Temos ainda a intimação por meio eletrônico (inciso III) e por edital (§ 1°). Esta – edital foi a forma da intimação da decisão recorrida, mas sem esgotar a tentativa de localização nos endereços constantes autos, um dos endereços expressamente fornecido pelo autuado. A Súmula CARF n° 9, estabelece “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário” (Destacamos), Fl. 250DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 10 Fixa o Regimento Interno deste Conselho: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” (Destacamos). Na hipótese dos autos o AR retonou sem a localização do autuado. O C. Superior Tribunal de Justiça reconheceu a validade da notificação do lançamento com a entrega da correspondência – AR no endereço do sujeito passivo “... não sendo imprescindível que o Aviso de Recebimento seja assinado por ele” Por consequência, reconheceu a regularidade da notificação com a simples entrega da correspondência, sem a assinatura do sujeito passivo no AR (cf. STJ, 1ª T., AgRg no AREsp 57.707/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, j., 17.04.2012; STJ, 1ª T., REsp. 923.400/CE, Rel. Min. Luiz Fux, j. 18.11.2008; STJ, 6ª T., RHC 20.823/RS, Rel. Min. Celso Limongi (Des. conv., TJ/SP), j., 03.11.2009), na forma da Súmula CARF n° 9, mas não se cuida nesses julgados da intimação por edital. A Lei n° 9.784, de 29.01.1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, com aplicação subsidiária ao procedimento administrativo fiscal, por disposição expressa (art. 69, embora desnecessaria), somente admite a intimação por edital, no caso de interessado indeterminado, desconhecido ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser efetuada por meio de publicação oficial. Confirase: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. ...... § 3° A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. § 4° No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser efetuada por meio de publicação oficial. § 5° As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. Cleide Previtalli Cais, comentado esse dispositivo, leciona: Os arts. 26, 27 e 28 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito federal, deixam evidente que todos e qualquer ato praticado no procedimento em curso, que possa gerar a obrigação ou direito ao contribuinte, deve ser objeto de sua intimação, efetiva, sob pena de causar violação ao devido processo legal, e ao contraditório, assegurados como direitos constitucionais. (Processo Tributário, Ed. RT, 6a ed., 2009, SP, p.252, destacamos). O C. Superior Tribunal de Justiça teve oportunidade de se manifestar em voto da relatoria da eminente Ministra Eliana Calmon: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 7 11 Notificação do Lançamento. Necessidade. A notificação do sujeito passivo da relação tributária constitui requisito de exigibilidade do crédito, representando, portanto, matéria de ordem pública passível de ser conhecida ex officio. (STJ, 2ª T., REsp 923.805/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, j. 10.06.2008, destacamos). No processo administrativo, tributário ou não, é princípio consagrado na doutrina e na jurisprudência que a Administração Pública pode, a qualquer momento, anular seus próprios atos quando eivado de nulidade. Confiramse as Súmula 346 e 473, do STF: Súmula 346, do STF: A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. (Destacamos). Súmula 473, do STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. (Destacamos) O C. Supremo Tribunal Federal também teve oportunidade de se pronunciar em situação similar sobre a validade da intimação por edital de multa ambiental. O Tribunal Pleno proclamou: a ciência ficta do processo administrativo, via Diário Oficial, apenas cabe quando o interessado esta em lugar incerto e não sabido. Confirase: Devido Processo Legal. Infração. Autuação. Multa. Meio Ambiente. Ciência Ficta. Publicação no Jornal Oficial. Insubsistência. A ciência ficta de processo administrativo, via Diário Oficial, apenas cabe quando o interessado está em lugar incerto e não sabido. Inconstitucionalidade do § 4º do art. 32 do Regulamento da Lei nº 997/76 aprovado via Decreto nº 8.468/76 com a redação imprimida pelo Decreto nº 28.313/88, do Estado de São Paulo, no que prevista a ciência do autuado por infração ligada ao meio ambiente por simples publicação no Diário. (STF, Tribunal Pleno, RE, 157.905/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, v.u., j., 06.08.1997). A situação aqui é idêntica, o autuado possui diversos endereços nos autos, um deles com informação expressa onde poderia ou deveria ser intimado, daí porque a notificação editalícia, feita sem as devidas cautelas, padece de total nulidade, no meu modesto modo de entender, com afronta aos princípios da publicidade, do devido processo legal, do contraditório e do sagrado direito de defesa. Voltando ao exame dos pressupostos de admissibilidade, vemos que o Recurso é tempestivo, preenche os requisitos e deve ser conhecido. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 12 Caso vencido nesta prejudicial de tempestividade, deixo de me pronunciar sobre o mérito. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço do recurso para exame do mérito. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 8 13 Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Com a devida vênia ao bem articulado voto elaborado pelo ilustre Conselheiro Odmir Fernandes, penso que o caso em apreço reclama o reconhecimento da intempestividade do Recurso Voluntário, consoante ao Termo de Perempção lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG (fl. 215). Como bem disse o Conselheiro Odmir Fernandes, há nos autos inúmeros endereços informados pelo contribuinte, contudo, a administração tributária ao intimar o sujeito passivo deve necessariamente observar o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 1.º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 14 IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Da análise excerto transcrito verificase que a lei considera válida apenas a intimação enviada ao domicílio tributário fornecido pelo sujeito passivo à administração tributária. Com efeito, foi exatamente esse o procedimento efetuado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG, quando remeteu o Acórdão nº 0233.707 da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte/MG à Rua Conselheiro Dantas, 27 Casa Calafate Belo Horizonte – MG (fl. 208). De acordo com os dados cadastrais fornecido pelo próprio contribuinte à administração tributária (Extrato do Processo fl. 205), verificase que o endereço eleito pelo suplicante foi de fato à Rua Conselheiro Dantas, 27 Casa Calafate Belo Horizonte – MG. Assim, como a tentativa de intimação ao contribuinte no endereço postal por ele fornecido não obteve êxito, a autoridade tributaria promoveu a cientificação pela via editalícia. E, transcorrido o prazo regulamentar de 30 dias, não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão de primeira instância, foi lavrado o Termo de Perempção na forma da legislação vigente (Decreto nº 70.235/1972, art. 33). Assim, em que pese alegue o suplicante que a correspondência foi enviada para o endereço do responsável pela elaboração de sua declaração de imposto de renda e não, para o endereço de seus procuradores, conforme solicitado por meio de Termo de resposta (fl. 17), infelizmente todo o apelo esbarra na ausência de previsão legal, conforme se observa dos inúmeros julgados transcritos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. ENCAMINHAMENTO AO ENDEREÇO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. VALIDADE. Á luz do artigo 23 do Decreto 70.235/1972, com redação dada pela Lei 11.196/2005, é válida a ciência via postal encaminhada ao domicilio eleito pelo contribuinte, informado à Receita Federal mediante do CNPJ. Na hipótese de impossibilidade de entrega, correta a afixação de edital... (Acórdão nº 140200.272) ... VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita, tanto pessoalmente, quanto pela via postal, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Assim, não é inquinada de nulidade a intimação por edital, quando resultarem improfícuos os meios de intimação pessoal e via postal, em virtude de incorreção no endereço fornecido pelo contribuinte, já que de sua desídia não pode advir vantagem para si. (Acórdão nº 2802002.166) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 9 15 ... RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO A intimação da decisão proferida pela DRJ de origem foi apresentada à interessada por três vezes consecutivas no endereço eleito como domicilio fiscal. Após o insucesso das três tentativas foi feita nova intimação, ora por edital a fixado. Correto o procedimento adotado e, em conseqüência, dada a intempestividade do recurso voluntário apresentado não se pode conhecer de seu mérito. (Acórdão nº 210100.329) Ressaltese que no endereço anterior eleito pelo contribuinte (fl. 126), também funcionava o escritório de contabilidade mencionado pela defesa, conforme consulta a lista telefônica telelista 1. Neste caso, penso que o escritório de contabilidade, quando do recebimento da correspondência, não observou com cuidado o nome do destinatário e, por essa razão, o agente postal consignou no AR a expressão “desconhecido” (fl. 211). Registrese, ainda, que a procuração constante nos autos não outorga aos procuradores poderes para alterar o domicilio fiscal do contribuinte (fl. 16). Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah 1 http://www.telelistas.net/pessoas/mg/belo+horizonte/253984175/bureau+azziz+contabilidade+e+assist+gerencial? q=bureau+azziz+contabilidade+e+assist+gerencial Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES
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