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Numero do processo: 15471.002031/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF
Nº 68.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.900
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Ausente o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 52DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1320.101 (fl. 31), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, que alterou os rendimentos tributáveis de R$73.125,15 para R$83.225,85, reduzindo o imposto a restituir para R$2.712,20, conforme demostrativo e descrição dos fatos às 07/08. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente Em seu apelo ao CARF o recorrente reafirma que os rendimentos lançados correspondem a adicional por tempo de serviço, que possui natureza não tributável, nos termos do artigo art. 1o, inciso III, alínea “n”, da Lei no 8.852, de 04 de fevereiro de 1994. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, verificase que o litígio persiste pela inconformidade do recorrente quanto ao entendimento explicitado na decisão recorrida em relação à tributação dos rendimentos por ele excluídos na declaração retificadora. Com efeito, a diferença incluída para tributação pela fiscalização corresponde a rendimentos considerados nãotributáveis pelo contribuinte, nos termos da alínea “n”, do inciso III, do art. 1o da Lei nº 8.852, de 1994: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I como vencimento básico: a) a retribuição a que se refere o art. 40 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, devida pelo efetivo exercício do cargo, para os servidores civis por ela regidos; (Vide Lei nº 9.367, de 1996) b) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.21510, de 31.8.2001) c) o salário básico estipulado em planos ou tabelas de retribuição ou nos contratos de trabalho, convenções, acordos ou dissídios coletivos, para os empregados de empresas Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 15471.002031/200719 Acórdão n.º 210101.900 S2C1T1 Fl. 2 3 públicas, de sociedades de economia mista, de suas subsidiárias, controladas ou coligadas, ou de quaisquer empresas ou entidades de cujo capital ou patrimônio o poder público tenha o controle direto ou indireto, inclusive em virtude de incorporação ao patrimônio público; II como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) n) adicional por tempo de serviço; (...) O recorrente apresentou a DIRPF do exercício de 2003 com rendimentos tributáveis em valor menor ao informado pela fonte pagadora por entender que não incide o imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço, excluídos que foram do conceito de remuneração pelo artigo 1º, inciso III, da Lei nº 8.852, de 1994. Entretanto, essa lei não trata de hipóteses de isenção do imposto de renda, servindo apenas ao propósito de fixar os limites de remuneração dos servidores públicos, nos termos dos artigos 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, até porque tal benefício fiscal somente pode ser concedido mediante lei especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. Confirase: § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) De fato, não foi informado pelo interessado a norma legal isentiva, específica, que o beneficiaria, conforme relação minuciosa do artigo 39 do RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999. As verbas recebidas pelo recorrente encontramse incluídas no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, §1°, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Ademais, o § 4º do mesmo artigo dispõe que: § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Esse entendimento já está consolidado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a publicação da Súmula CARF n° 68: Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19679.016500/2003-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2001
Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS.
DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da
regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Segundo entendimento sumulado pela Corte Administrativa, “para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em
qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Numero da decisão: 1102-000.782
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001 Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Segundo entendimento sumulado pela Corte Administrativa, “para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, José Sérgio Gomes, João Otávio Opperman Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, Silvana Rescigno Guerra Barreto e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.016500/200370 Acórdão n.º 110200.782 S1C1T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo SP assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 INCENTIVO FISCAL. FINAM. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. Solicitação Indeferida.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, relativo ao ano calendário de 2000. 2.:Conforme dados constantes do "Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais" (fis. 5), o contribuinte optou por destinar parcela do IRPJ para aplicação no FINAM. Da análise realizada pela DERAT/DIORT/ECRER/SP foram constatadas pendências de cobrança de débitos, tendo sido notificado o contribuinte através da "Intimação n° 1998/2006", de 06/06/2006 (fl.47), para que fossem regularizadas as pendências listadas, relativas a débitos com a PFN, em cobrança no Profisc. 4. Após vários pedidos de prorrogação o contribuinte apresentou a resposta à intimação, 19/05/2008 (fls.100 e 101). Em 02/09/2008 a DERAT/DIORT/ECRER/SP informa (fi.124) que "feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivas a liberação do Incentivo, conforme consta no relatório à pagina 123". 5. Cientificado dessa decisão em 18/11/2008, o contribuinte protocolizou, em 12/12/2008, a manifestação de inconformidade (fls. 126 a 131), alegado o seguinte: 5.1. para a aplicação do artigo 60, da Lei n° 9.06 95 deve ser verificada a regularidade fiscal quando da apresentação da DIPJ; Fl. 400DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.016500/200370 Acórdão n.º 110200.782 S1C1T2 Fl. 3 3 5.2. que se verifica que a posição manifestada na decisão não se coaduna com a interpretação sistêmica da legislação, já que a melhor interpretação para a definição da data da regularidade fiscal é a da entrega da DIPJ, tendo em vista que este critério trata de forma igualitária o período de fruição do benefício e a regularidade fiscal do contribuinte e oferece previsibilidade e segurança jurídica a ele; 5.3. quanto às pendências apontadas o contribuinte faz as seguintes observações: 25.1. Sistema Profisc Processo n° 19679007133/2004 02 COFINS, situação: "Medida judicial pendente de comprovação": Tratase de valores de Cotins devidos em junho (R$ 8.755,81), julho (R$ 22.490,24), agosto (R$ 48.980,47) e setembro (R$ 21.739,34) de 1999, que estavam com a exigibilidade suspensa em virtude de medida liminar em Mandado de Segurança n°1999.61.00.0152337 (doc.3), e partir outubro/2005 devido a depósito judicial (doc.4), sendo que o mandado foi ajuizado para o fim de assegurar à Recorrente, o direito de adotar como base de cálculo do Cofins o faturamento, entendido como sendo as receitas decorrentes da venda de bens e da prestação de serviços, afastandose, com isso, a base de cálculo expandida prevista no art. 3°, § 1o, da Lei n° 9.718/98. Sendo que o processo transitou em julgado em 06/11/2006, com decisão favorável à Recorrente (doc. 5). Portanto o mencionado processo não poderia constar como pendente e nem ser motivo de indeferimento do PERC. 25.2. Inscrição em Dívida Ativa n ° 80.6.04.05780203: Foi objeto de Pedido de Revisão protocolado em 13/10/2004 (doc.6), pendente de análise até o momento (doc. 7). Tratase dos valores da Cofins de junho (R$8.755,81), parte de agosto (R$ 27.139,99) e parte de setembro (R$ 95,30) de 1999, que conforme já esclarecido no item 25.1, não poderiam ter sido inscritos em divida ativa, pois estavam com a exigibilidade suspensa em virtude de liminar judicial e depósito judicial (doc. 3 e 4). 25.3. Inscrição em Dívida Ativa n 80.7.04.01349289: Foi objeto de Pedido de Revisão protocolado em 13/10/2004 (doc.8), pendente de análise até o momento (doc.9). Tratase de valores de PISFaturamento relativo aos meses de junho (R$ 1.897,10), julho (R$ 4.872,88), agosto (R$ 10.612,44) e setembro (R$ 4.710,19) de 1999, que estavam com a exigibilidade suspensa em virtude de medida liminar em Mandado de Segurança n° 1999.61.00.015652.5 (doc.10) ajuizado para o fim de assegurar à Recorrente, o direito de adotar como base de cálculo do PIS o faturamento, entendido como sendo as receitas decorrentes da venda de bens e da prestação de serviços, afastandose, com isso, a base de cálculo expandida prevista no art. 3°, 1°, da Lei n° 9.718/98. Sendo que o processo transitou em julgado em 04/12/2006, com decisão favorável ao Recorrente (doc. 11), portanto a inscrição é indevida. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.016500/200370 Acórdão n.º 110200.782 S1C1T2 Fl. 4 4 25.4. Inscrições em Divida Ativa ns 80.2.08.00176543 e 80.2.08.00176624: Foram objetos de Pedido de Revisão protocolado em 01/08/2008 (doc. 12), as inscrições são referentes a valores, respectivamente, de IRPJ apurados nos meses de janeiro (R$ 19.058,23), fevereiro (R$ 21.011,45), março (R$ 29.736,38), abril (R$ 27.929,40), junho (R$ 113.025,07) e julho (R$22.261,81) e IRRF's apurados na 3ª semana de julho (R$ 82,07) e 1ª semana de agosto (R$ 2.326,92) todos os valores do anocalendário de 2002, que foram compensados espontaneamente, conforme previsto no art. 14 da IN 21/97, com crédito tributário de IRPJ apurado na DIPJ/2002 (doc. 13), sendo que o pedido de restituição foi formalizado em 30/08/2002, através do processo n° 11610.017771/200244 (doc. 14). Ocorre que a homologação do mencionado Pedido de Restituição encontrase ainda em fase de julgamento no Conselho de Contribuintes, que analisa o recurso protocolado pela Recorrente no dia 07/11/2008 (doc.15), assim, observados os termos do Art. 151 do Código Tributário Nacional, há que se concluir que os mencionados tributos estão com a exigibilidade suspensa e por consequência a inscrição é improcedente. 26. Importante enfatizar que a suspensão da exigibilidade de tributos, em virtude de medida judicial, depósito judicial e recurso administrativo, está prevista no Art. 151 do CTN, e que tal fato deveria ter sido observado pela Receita Federal antes de proceder a inscrição da Recorrente em dívida ativa. 27. Dessa forma, é certo que as supostas irregularidades nos sistemas Profisc e as inscrições em dívida ativa, não podem constituir motivo de indeferimento do PERC, pois conforme comprovado através do exposto acima e da documentação apresentada, a Recorrente está em situação fiscal regular, e só não apresentou a Certidão Negativa em virtude de erro da própria Receita Federal, que mantém restrição no sistema Profisc e inscreveu indevidamente em dívida ativa débitos com exigibilidade suspensa e até o momento não regularizou. 28. Diante de todo o exposto, é o presente para requerer que seja dado provimento ao recurso, deferindose integralmente o Pedido de Revisão de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, tendo em vista ter ficado cabalmente provada a inexistência de quaisquer débitos impeditivos para o deferimento total do PERC do exercício de 2001, ano base 2000.” Em síntese, o acórdão recorrido rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada sob o fundamento de que o momento apropriado para a verificação da regularidade fiscal do contribuinte é justamente a data de expedição do Despacho Decisório, conforme precedentes do 1° Conselho de Contribuintes sobre a matéria. Nesse sentido, em não tendo sido demonstrada a regularidade fiscal do contribuinte no momento que lhe fora solicitado pela Fiscalização (anocalendário de 2006 e 2008 – fls 47, fls. 103 e ss e fls. 123), o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais – PERC, relativo ao anocalendário de 2000 deve ser indeferido. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.016500/200370 Acórdão n.º 110200.782 S1C1T2 Fl. 5 5 Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, notadamente no tocante ao momento adequado para a verificação pela Fiscalização da regularidade Fiscal da Contribuinte para fins de acolhimento do PERC. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Cingese a controvérsia, pois, em estabelecer a interpretação que deve ser dada ao art. 60 da Lei n. 9.069, de 1995, especialmente no que se refere ao momento da regularidade fiscal a ser comprovada pelo contribuinte. Citada legislação não faz expressa menção se o referido momento seria o do fato gerador, o da data da opção, o do indeferimento pelo Fisco ou, ainda, o momento do julgamento definitivo do PERC. Citada controvérsia encontrase superada nesta Corte Administrativa por força da edição da Súmula CARF n. 37, verbis: “Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.” Diante da edição de referida súmula, impõese o afastamento das razões do acórdão recorrido para justificar o indeferimento do direito de fruição do incentivo fiscal pelo Contribuinte, porquanto todas elas reportamse à situação fiscal da Contribuinte em 2006 e em 2008 (fls. 47, fls. 103 e seguintes e fls. 123) e não na data da entrega da DIPJ relativa ao ano calendário de 2000, momento em que a Contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda ao fundo de investimento FINAM. Nesse sentido, ausente demonstração pela Fazenda Nacional de que a situação fiscal da Contribuinte era irregular no momento da opção do benefício fiscal, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Fl. 403DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.016500/200370 Acórdão n.º 110200.782 S1C1T2 Fl. 6 6 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 11070.001767/2009-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
Numero da decisão: 3803-003.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação em relação a crédito de PIS referente ao quarto trimestre/2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 67 /2 00 9- 95 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 As fls. 43/44 sobreveio Despacho Decisório, por meio do qual o pleito foi indeferido com fundamento de ausência de previsão legal para o creditamento, uma vez que os créditos nas operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade é vedado pela legislação. Assim, para os julgadores “a quo”, embora o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha autorizado créditos em relação a vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e COFINS, por outro lado o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 ditou a regra de que a apuração dos créditos, nos termos do art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, necessariamente precisam seguir a regra do art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, razão pela qual há vedação do creditamento quando o produto adquirido estiver sob regime de substituição tributária e cuja saída esteja com suspensão das contribuições. Irresignado com a decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 46/48, sob os seguintes argumentos: · Em se tratando do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, se apura o crédito em razão da aquisição de insumos e bens para revenda, por meio da aplicação das alíquotas das contribuições sobre os valores de aquisição destes bens. Neste mesmo sentido, apura o débito mediante a aplicação das alíquotas das contribuições sobre o valor de venda das mercadorias que produz ou revende; · Com a edição da Medida Provisória n° 206/2004, art. 16, atualmente artigo art. 17 da Lei n° 11.033/04, os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero, ou com suspensão, tem direito a manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrente da aquisição de insumos; · Alertou que o regime não cumulativo do PIS e a COFINS não é idêntico ao previsto para o IPI e ICMS, onde lá a sistemática de apuração daqueles tributos é feita pela técnica imposto contra imposto, onde o imposto pago na operação anterior serve para ser abatido do imposto gerado na operação presente; · Na não cumulatividade do PIS e da COFINS, não se perquire se houve ou não tributação da etapa anterior para fins de direito de crédito. Além do que deve ser observado o § 12 do art. 195 da CF, o qual prevê que as contribuições em exame serão não cumulativas, sem qualquer restrição ao creditamento. Às fls. 56/58 a DRJ de Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1035.369 2ª Turma, com o seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001767/200995 Acórdão n.º 3803003.684 S3TE03 Fl. 73 3 regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade do PIS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando A hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, a DRJ manifestouse pelo indeferimento do pedido com fundamento na impossibilidade do reconhecimento, na esfera administrativa, da inconstitucionalidade de lei que tenha vedado a apuração de créditos em relação à operações sujeitas a substituição tributária. A DRJ ainda utilizou como argumento para indeferir o pleito, o fato de que não consta no contrato social da empresa a atividade de industrialização de qualquer dos bens objetos do pedido. Apontou ainda que as aquisições para as quais a empresa requer os créditos para o PIS e COFINS estão relacionadas no artigo 43 da Medida Provisória n° 2158 35 de 24 de agosto/2001 e na Lei n° 10.485/2.002, que por sua vez estão sujeitos aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica respectivamente. Em outras palavras, entende a DRJ que as vendas realizadas pelo Recorrente, que por sua vez é comerciantes, fica desonerada da incidência das contribuições, já que diante da substituição tributária a obrigação pelo pagamento do tributo, se dá em relação as operações praticadas pelos fabricantes ou importadores. Deste modo, o art. 1° da Lei n° 10.485/2002 reduziu para zero as alíquotas das contribuições em relação à receita bruta auferida por comerciante, com a venda dos produtos para os quais se desejam os créditos e por esse motivo o creditamente é indevido. Os julgadores de primeiro grau, adotaram ainda a tese em relação a inexistência de direito aos créditos, ainda que o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha dito caber créditos para as vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, uma vez que o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 determina que a sua apuração segue a regra disposta no art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, que por sua vez proíbem créditos em relação as operações com substituição tributária. Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e basicamente repetiu seus argumentos já trazidos na Manifestação de Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Inconformidade e reforçou o seu direito aos créditos com fundamento no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, bem como no art. 195 da Constituição Federal, sob o argumento de que a norma constitucional não impôs qualquer restrição aos créditos. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido e ao final que o seu direito creditório seja reconhecido. Em que pese a DRJ ter ingressado ao mérito e negado o pedido, cumpre informar que o Recorrente optou por discutir a matéria no Poder Judiciário, conforme citado às fl. 02. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Conforme se observa do contrato social, a Recorrente tem por objeto a revenda de máquinas agrícolas e a distribuição de peças, sendo que adquire os produtos das indústrias para posterior distribuição. Cumpre informar que estes produtos são vendidos sem a incidência do PIS e COFINS. O cerne da questão está em se apurar se há créditos em relação as vendas de produtos com suspensão do pagamento das contribuições, quando a lei estabelece o regime de substituição tributária. Alega o Recorrente que embora as vendas das máquinas e peças agrícolas estejam com a suspensão do pagamento do PIS e COFINS, ainda assim o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 confere o direito creditório e por essa razão tornase pertinente reproduzir a redação desta norma: Lei n.º 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em que pese a discussão de mérito, analisando os autos, constatei que a matéria aventada no presente Recurso Voluntário está sendo tratada na esfera judicial, conforme mencionado às fl. 02, tendo por objeto igual pretensão pleiteada administrativamente, qual seja, crédito referente ao PIS e CONFINS. Reputase idênticas 2 (duas) ações que possuam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido, como determinam os §§ 1º e 2º do art. 301, do CPC: Art. 301: “§ 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001767/200995 Acórdão n.º 3803003.684 S3TE03 Fl. 74 5 § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Sobre a litispendência, leciona Nelson Nery Junior: “Ocorre a litispendência quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso. As ações são idênticas quanto têm os mesmos elementos, ou seja, quando têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir (próxima e remota) e o mesmo pedido (mediato e imediato). A citação válida é que determina o momento em que ocorre a litispendência (CPC 219 caput). Como a primeira já fora anteriormente ajuizada, a segunda ação, onde se verificou a litispendência, não poderá prosseguir, devendo ser extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC 267 V).” (Código de Processo Civil Comentado, 6ª edição, RT, p. 655). Deste modo, optando a Recorrente pela via judicial ocasiona impedimento da manifestação do CARF a respeito na matéria em razão da concomitância verificada. Assim, aplicase a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria apreciada pelo Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001012/2004-52
Turma: Primeira Turma Especial
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
ITR - ILEGALIDADE QUANTO À EXIGÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 41, A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage - Relator
EDITADO EM: 04/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 41, “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 10 12 /2 00 4- 52 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10735.001012/200452 Acórdão n.º 9202002.487 CSRFT2 Fl. 190 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Henrique Coimbra Valle foi lavrado o auto de infração de fls. 10 15, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1999, em razão da glosa de área declarada como sendo de preservação permanente, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Engenho da Serra, situado no município de Angra dos Reis (RJ). Segundo a autoridade lançadora, a autuação decorre do fato de o contribuinte “... não ter comprovado com documentação hábil (ADA – Ato Declaratório Ambiental), o valor informado na DITR/99, como distribuição da área total do imóvel – área de preservação (Quadro 9 item 2), conforme solicitado na intimação enviada (doc. às fls. ).” (fls. 12). Á área de preservação permanente foi reduzida de 514,2 ha para 0,0 ha (fls. 13). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) considerou o lançamento procedente (fls. 4654). Apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, a Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 39100.004, que se encontra às fls. 132141, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR EXERCÍCIO: 1999 IMÓVEL RURAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ATÉ EXERCÍCIO DE 2000. DISPENSÁVEL. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10735.001012/200452 Acórdão n.º 9202002.487 CSRFT2 Fl. 191 3 A apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), como condição para o gozo da redução do ITR atinente à área de preservação permanente, somente se tornou requisito formal obrigatório a partir do exercício de 2001, quando passou ter eficácia o art. 170 da Lei n° 6.938/81, na redação dada pelo art. 1° da Lei n° 10.165/2000. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para considerar insubsistente o lançamento, vencido o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento (Suplente). Intimada do acórdão em 04/02/2009 (fls. 143144), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 145156, acompanhado dos documentos de fls. 157158, onde defendeu, basicamente, a necessidade de apresentação tempestiva do ADA para fins de isenção do ITR com relação à área de preservação permanente, trazendo como paradigma o acórdão n° 30236.278. Requereu o provimento do recurso para reformar o acórdão a quo, com o restabelecimento da decisão de primeira instância. Admitido o recurso por intermédio do despacho n° 21000156/2009 (fls. 161), o contribuinte foi intimado e, devidamente representado, apresentou contrarrazões às fls. 172183, onde defendeu, a título de preliminar, a impossibilidade de conhecimento do recurso em razão da ausência de juntada da íntegra do acórdão paradigma. Quanto ao mérito, pugnou, fundamentalmente, pela manutenção da decisão recorrida. Em 10/10/2011 o autuado protocolou nova manifestação com o objetivo de corroborar as informações prestadas na DITR. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo. A recorrente insurgiuse contra a exclusão da base de cálculo do ITR da área de preservação permanente, alegando que só faz jus a este benefício o contribuinte que tiver apresentado tempestivamente o ADA, o que não se verifica no caso em apreço, indicando como paradigma o acórdão n° 30236.278. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10735.001012/200452 Acórdão n.º 9202002.487 CSRFT2 Fl. 192 4 Eis a matéria em litígio. Muito se poderia escrever sobre a ausência de amparo legal para a exigência do ADA em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000. Até então, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam tal obrigação (IN/SRF n° 43/97, com redação dada pela IN/SRF n° 67/97). No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a matéria não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 41 tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso, cumpre reiterar, a exigência envolve o exercício 1999. Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 201DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
score : 1.0
Numero do processo: 10952.000035/2007-28
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
Numero da decisão: 1801-001.160
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10952.000035/200728 Acórdão n.º 180101.160 S1TE01 Fl. 78 2 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 03, com a exigência do crédito tributário no valor de R$33.996,23 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 11.05.2006 das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) dos quatro trimestres do anocalendário de 2004, cujos prazos finais eram, respectivamente, 14.05.2004, 13.08.2004, 12.11.2004 e 18.02.2005. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 3º do art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0102, suscitando a) O auto de infração tem sua origem pelo atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF do ano calendário de 2004; b) A Requerente esteve enquadrada no regime do "Simples" desde o ano calendário de 1998 e assim permaneceu até vinte e um de julho de 2005, quando foi autuada (processo n° 10952.000073/200519); c) Em decorrência desta autuação, a Requerente que já havia entregue a Declaração Anual Simplificada do ano calendário de 2004 em 31/05/2005 (anexo l), teve que entregar nova declaração — em 22/09/2006 (anexo II) Declaração de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica, adotando como regime de tributação o Lucro Presumido. d) A Requerente vem recolhendo regularmente (por meio de parcelamento), tanto o débito apurado pela Auditoria Fiscal como os débitos decorrentes da mudança de regime no ano calendário de 2004; e) Claro está que a multa imposta pelo auto de infração objeto desta impugnação, é conseqüência do resultado produzido pela Auditoria Fiscal acima citada, onde já estão contempladas as respectivas penalidades; f) Diante do exposto requer a improcedência do Auto de Infração, posto que o contribuinte não pode ser duplamente penalizado pela mesma infração. Termos em Que Pede Deferimento Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/SDR/BA nº 1521.997, de 18.12.2009, fls. 6162: “Impugnação Improcedente” : Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10952.000035/200728 Acórdão n.º 180101.160 S1TE01 Fl. 79 3 Os efeitos da exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES são produzidos a partir da data fixada na lei para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando o contribuinte ao cumprimento das obrigações dai provenientes. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A pessoa jurídica que, obrigada A entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal, está sujeita A multa estabelecida na legislação de regência. Notificada em 27.05.2010, fl. 67, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.06.2010, fls. 6870, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente discorda do procedimento de ofício, uma vez que cumpriu regularmente suas obrigações tributárias após sua exclusão do Simples. A obrigação tributária acessória decorre da legislação e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro de Estado da Fazenda pode instituir obrigações acessórias, cuja atribuição delegou ao RFB, relativamente a tributos federais por ele administrados, que pode estabelecer, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O sujeito passivo que deixar de apresentar, dentre outras, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10952.000035/200728 Acórdão n.º 180101.160 S1TE01 Fl. 80 4 (b) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (c) de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo Simples; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos1. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores2. A Recorrente foi excluída do Simples mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/ITA/BA n° 21, de 26 de setembro de 2005, com efeitos a partir de 01.04.2004 por ter 1 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 2 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10952.000035/200728 Acórdão n.º 180101.160 S1TE01 Fl. 81 5 ultrapassado o limite de receita bruta acumulada no ano de 2003, fls. 39403. Este procedimento foi formalizado no processo nº 10952.000083/200554, que se encontra arquivado4. No presente caso, como fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, restou comprovado que houve atraso na entrega em 11.05.2006 das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) dos quatro trimestres do ano calendário de 2004, cujos prazos finais eram, respectivamente, 14.05.2004, 13.08.2004, 12.11.2004 e 18.02.2005. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 4 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp> . Acesso em: 30 ago.2012. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13826.000498/99-80
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1995
PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 04 98 /9 9- 80 Fl. 710DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, ora Recorrente (fls. 319 a 331), contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 310 a 315) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial, reconhecendo, em síntese, como termo a quo para a repetição de indébito a data de 10 de outubro de 1995, data em que foi publicada a Resolução do Senado n° 49. Verificase que os pagamentos objeto do pedido de compensação ocorreram entre outubro de 1989 e novembro de 1995 (fls.03 a 55). Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão a quo, cujo teor, no que interessa às questões ora trazidas ao extraordinário, é o seguinte, verbis: Fl. 711DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13826.000498/9980 Acórdão n.º 9900000.609 CSRFPL Fl. 711 3 “Tratase de recurso interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão n. 202 16.539, que reconheceu o direito da interessada à restituição do PIS, originário dos inconstitucionais Decretosleis 2445/88 e 2449/88, nos termos em que formulado. A Fazenda Nacional reclama a aplicação da contagem do prazo de 05 (cinco) para a restituição, a partir do recolhimento/pagamento. Sem contrarazões, os autos seguiram para minha análise. É o relatório.” A ementa do julgado ora recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: “PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretos leis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, sendo que o prazo de decadência/prescrição de cinco anos deve ser contado a partir da edição da Resolução n° 49/Senado Federal. Recurso especial negado.” Irresignada, insurgese a Recorrente contra o acórdão a quo por meio do presente recurso extraordinário. Junta a Recorrente julgados deste Colegiado, bem satisfazendo, assim, os requisitos para viabilizar seu apelo. Aponta em síntese a Recorrente, que ao presente caso deve ser aplicado o disposto nos artigos 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005, e artigos 168, caput e inciso I e 156, I, do CTN, os quais determinam que o prazo decadencial para a repetição de indébito, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de apenas 5 (cinco) anos, contando se o referido prazo a partir da data do pagamento indevido. Verificase, assim, que a matéria trazida a debate diz respeito apenas ao prazo decadencial para a repetição de indébito tributário, se de 5 (cinco) (artigo 168, I do CTN) ou 10 (dez) anos (tese dos 5 mais cinco, soma dos prazos decadenciais dos artigos 150, §4º e 168, I do CTN). É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na Fl. 712DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, Fl. 713DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13826.000498/9980 Acórdão n.º 9900000.609 CSRFPL Fl. 712 5 que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que Fl. 714DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Fl. 715DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13826.000498/9980 Acórdão n.º 9900000.609 CSRFPL Fl. 713 7 Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo Fl. 716DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição/compensação formulado em 29/09/1999 (fls. 1/32), de valores indevidamente recolhidos a título de PIS nos períodos de outubro de 1989 a novembro de 1995. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13826.000498/9980 Acórdão n.º 9900000.609 CSRFPL Fl. 714 9 Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do pedido de restituição/compensação seria em outubro de 1999 e novembro de 2005, respectivamente. Como o pedido de restituição/compensação em apreço foi apresentado em 29/09/1999 considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional para considerar o pedido de restituição/compensação tempestivo. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 718DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11610.008090/2001-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 Ementa: LANÇAMENTO INDEVIDO.
Não poderá subsistir o auto de infração de débitos declarados em DCTF quando comprovada a extinção do crédito tributário por compensação.
NORMAS PROCESSUAIS. DCTF. REVISÃO INTERNA.
Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF, por conta de processo inexistente no Profisc. Tendo sido comprovada a regular existência do processo administrativo, elidindo a motivação do lançamento, este deve ser cancelado dada a impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento transbordando de sua competência, de modo a alargar sua motivação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-001.320
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Votaram pelas conclusões os conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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ELETRODOMÉSTICOS) Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 Ementa: LANÇAMENTO INDEVIDO. Não poderá subsistir o auto de infração de débitos declarados em DCTF quando comprovada a extinção do crédito tributário por compensação. NORMAS PROCESSUAIS. DCTF. REVISÃO INTERNA. Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF, por conta de processo inexistente no Profisc. Tendo sido comprovada a regular existência do processo administrativo, elidindo a motivação do lançamento, este deve ser cancelado dada a impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento transbordando de sua competência, de modo a alargar sua motivação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Rodrigo da Costa Pôssas. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Relator Fl. 758DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.008090/200112 Acórdão n.º 3301001.320 S3C3T1 Fl. 759 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fez sustentação oral pela parte recorrente a advogada Vanessa Spina, OAB/SP 208.294. Relatório WHIRLPOOL S.A. (atual denominação de MULTIBRÁS S.A. ELETRODOMÉSTICOS), devidamente qualificada nos autos, recorre a este colegiado, através do recurso de fls. 685/711 contra o acórdão nº 1622.290, de 29/07/2009, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – SP, fls. 662/681, que julgou procedente o auto de infração nº 0021108 (fls.30/33) relativo ao PIS, referente aos períodos de janeiro a junho de 1997, decorrente de auditoria interna na DCTF em razão de que os créditos vinculados ao Processo nº 13811.000102/9765, não foram confirmados, sob a ocorrência: “Proc inexist no Profisc”, conforme fls. 31/32, cuja ciência ocorreu em dezembro de 2001 (fls. 47/48 ), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: 4. O processo em exame versa sobre lançamento eletrônico originado de auditoria interna que realizou a DEFIS/SPO nas DCTF da contribuinte em epígrafe relativas ao primeiro e ao segundo trimestres de 1997, nas quais se apurou falta de recolhimento dos débitos de Pis referentes aos meses de janeiro a junho desse ano, conforme registra o auto de infração, anexo às fls. 28/37. 5. A irregularidade acima foi detectada em virtude da ausência de registro do processo n° 13811.000102/9765 no sistema Profisc, o qual fora informado nessas declarações para justificar a inclusão dos débitos em apreço na linha “Comp s/DARF OutrosPAF”. Tal circunstância vem atestada pela ocorrência “Proc inexist no Profisc”, consignada nos demonstrativos das fls. 31/32. 6. A interessada impugnou o feito por meio do arrazoado anexo às fls. 1/21, cujo teor passo a resumir: Afirma preliminarmente que o auto de infração deve ser declarado nulo porque: em desacordo com o art. 10, III, do decreto nº 70.235/72, a descrição dos fatos que lhe deram origem não é clara, visto que seus anexos não são autoexplicativos, o que torna impossível identificar a infração cometida e a impede de elaborar uma defesa coerente (invoca dois acórdãos do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujas ementas transcreve na fl. 4); ao deixar de descrever corretamente os fatos, tornou praticamente impossível os argumentos de defesa por parte da Fl. 759DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.008090/200112 Acórdão n.º 3301001.320 S3C3T1 Fl. 760 3 impugnante em face da infração imputada, o que fere frontalmente os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (cita excerto de doutrina nas fls. 5/6); não se reveste de motivação, princípio inerente aos atos administrativos (reproduz duas passagens doutrinárias relativas à matéria nas fls. 6/8); Alega ter realizado as compensações demonstradas nas DCTF relativas ao período de janeiro a junho de 1997 com créditos do próprio Pis resultantes de recolhimentos indevidos realizados sob a égide dos decretoslei n° 2.445/88 e n° 2.449/88, na forma do art. 66 da lei n° 8.383/91 e em conformidade com o entendimento externado pela RFB na IN SRF nº 21/97; Observa que, como tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional podem ser compensados independentemente de autorização do Fisco, não há que falar de processo de restituição/compensação, de modo que se deve desconsiderar a alegação de “proc. inexistente no Profisc”, visto que não há, de fato, qualquer processo relativo às compensações em causa; Em seguida, tece algumas considerações acerca do instituto da compensação em matéria de tributos federais e sobre a inconstitucionalidade dos decretoslei n° 2.445/88 e n° 2.449/88 (fls. 9/12), concluindo que se deve julgar improcedente o auto de infração, tendo em vista que a compensação se deu de acordo com os ditames legais; Finalmente, discorrendo sobre a matéria em ligeira dissertação inçada de citações doutrinárias, na qual invoca outrossim um acórdão do STJ, alega ser inconstitucional a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora incidentes sobre créditos tributários (fls. 12/21); Encerrando o arrazoado, requer se declare nulo ou totalmente improcedente o lançamento fiscal. 7. Em despacho anexo à fl. 48, a DERAT/SPO informou não haver localizado nenhum pagamento relativo aos débitos autuados. 8. Ao examinar o processo, propusemos a realização de diligência com o fito de verificar os registros contábeis e a regularidade das compensações, bem como a existência e suficiência dos créditos utilizados (fls. 49/50). Com a aquiescência do então presidente desta Turma de Julgamento, os autos foram encaminhados à DEFIS/SPO, cuja divisão de fiscalização, apoiandose em vasta documentação fornecida pela empresa, a qual ocupa a maior parte das folhas numeradas de 54 a 628, refez os cálculos relativos às compensações (fls. 631/635) e elaborou o relatório anexo às fls. 636/642, no qual apresenta suas conclusões. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.008090/200112 Acórdão n.º 3301001.320 S3C3T1 Fl. 761 4 9. Cientificada do resultado da diligência, a impugnante manifestouse sobre a matéria em comunicado anexo às fls. 643/648, no qual observa em síntese que: diferentemente do que afirmou a autoridade encarregada da diligência, a compensação entre tributos da mesma espécie não requer apresentação de declaração de compensação; tendo em vista tratarse de tributo cuja inconstitucionalidade foi expressamente declarada pelo STF, o prazo para repetir o indébito deve ser contado a partir da publicação da Resolução do Senado Federal, como prevê o Parecer Cosit nº 58/1998 (cujo texto reproduz nas fls. 649/653), não se aplicando ao caso o Ato Declaratório SRF nº 096, de 26/11/1999, nem tampouco a lei complementar nº 118/2005. A DRJ julgou procedente o lançamento cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 DCTF. AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. Segundo disposição expressa do art. 90 da MP nº 2.158/2001, era obrigatório à época da autuação o lançamento da diferença decorrente de compensação não comprovada informada pela contribuinte em DCTF. ESCRITURAÇÃO MERCANTIL INFORMATIZADA. FORMALIDADES LEGAIS. VALOR PROBATÓRIO. Somente faz prova em favor da contribuinte a escrituração mercantil mantida com observância das formalidades previstas em lei, as quais incluem a obrigatoriedade de submeter todas as folhas emitidas eletronicamente à autenticação da Junta Comercial. COMPENSAÇÃO ENTRE CRÉDITOS E DÉBITOS DE PIS. AUSÊNCIA DE REGISTROS CONTÁBEIS ADEQUADOS. O fato de a legislação em vigor à época permitir a realização de compensação sem prévio exame do Fisco não exime a contribuinte do ônus de registrála na escrita contábil por meio de lançamentos apropriados. CRÉDITOS DE PIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mera apresentação de planilhas e guias de recolhimento não se presta a comprovar a existência de créditos de Pis em favor da interessada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição ou compensação extinguese com o decurso do prazo qüinqüenal contado da data da extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado nos casos de lançamento por homologação. Aplicação do art. 168, inc. I, do Fl. 761DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.008090/200112 Acórdão n.º 3301001.320 S3C3T1 Fl. 762 5 CTN, do Ato Declaratório SRF n º 96/1999 e do art. 3 º da Lei Complementar n º 118/2005. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na Taxa SELIC, visto estar amparada em lei ( art. 61, § 3º, da lei nº 9.430/96). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se justifica a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o teor da impugnação apresentada demonstra à saciedade que a contribuinte tinha pleno conhecimento dos fatos objeto de autuação. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada.. Lançamento Procedente Tempestivamente, em 16/09/2009, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 685/711, apresentando os seguintes argumentos: a) era detentora de créditos de PIS decorrentes da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e nº 2.449/88, cujo direito à restituição surgiu com a Resolução do Senado Federal nº 49/1995. Assim, efetuou a compensação desses indébitos com débitos de PIS, com fulcro no art. 66 da Lei nº 8.383/91. Não obstante a diligência reconhecer a suficiência e a compensação dos créditos, a autuação foi mantida pela DRJ; b) desnecessidade de lavratura de auto de infração conforme determina a IN SRF nº 31/97; c) a Derat/SPO não localizou pagamentos relacionados aos débitos porque estes foram quitados por compensação, a qual não foi formalizada em nenhum processo administrativo, visto ser desnecessário, à época; d) caso os elementos mencionados ainda não sejam suficientes para que seja julgado nulo o auto de infração, é de se registrar que mediante a apresentação de sua contabilidade, planilhas e tabelas, demonstrou a regularidade das compensações efetuadas. A fiscalização comprovou a suficiência de crédito de PIS a compensar, o qual não pode ser ignorado pela autoridade julgadora; e) todos os documentos contábeis solicitados foram entregues não podendo, assim, ser desconsiderada a sua escrituração, como pretendeu o acórdão recorrido; f) há que se registrar que a contabilidade faz prova a favor da contribuinte. Para sua desconsideração há que se observar o ônus da prova. Ademais, a autuada tem livre escolha quanto aos processos de contabilização, consoante PN CST 347/70 e soluções de consulta que traz à colação, sendo descabida a afirmação da instância a quo no sentido de que “a impugnante não se deu ao trabalho de criar uma conta no ativo para controlar os supostos créditos de PIS, limitandose a informar que teria efetuado apenas em 30/09/1999 um lançamento a crédito das contas ‘recuperações de despesas’ e ‘pis produtos’, tendo como contrapartida a conta ‘PIS a pagar’”; g) a autoridade fiscal chega a afirmar que a apresentação de cópias simples de guias de recolhimento não podem se constituir em prova do crédito alegado, embora a legislação não obrigue o contribuinte a apresentar Fl. 762DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.008090/200112 Acórdão n.º 3301001.320 S3C3T1 Fl. 763 6 cópias autenticadas para fazer prova dos fatos alegados no processo; h) tão logo seja concluído pela empresa de auditoria, apresentará laudo técnico comprovando o crédito ora analisado; i) inocorrência de prescrição. O indébito se caracterizou a partir da Resolução do Senado. O fato de ter efetuado a baixa dos valores de PIS a pagar contra as contas de “PIS Produtos” e de “Recuperação de Despesas” em setembro de 1999 não significa que a compensação tenha sido efetuada neste momento, consistindo tãosomente num ajuste contábil efetuado pela Recorrente; j) inaplicabilidade da LC nº 118/05. Por fim, requer o reconhecimento do indébito e o cancelamento do auto de infração. Protesta pela posterior juntada de documentos que comprovem o direito em análise. Na sequência, em 18/11/2009, apresentou os documentos de fls. 746/751, consubstanciados nas cópias dos Termos de abertura e de encerramento do Livro Diário, devidamente autenticadas, para o anocalendário de 1999. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Compulsandose os autos do processo, verificase que a contribuinte foi autuada por meio de auto de infração eletrônico, em virtude de que os créditos vinculados ao Processo nº 13811.000102/9765, informado pela interessada em sua DCTF, não foram confirmados, sob a ocorrência: “Proc inexist no Profisc”. Em sua defesa a autuada informa que de fato os pagamentos não foram localizados porque os débitos foram quitados por compensação, a qual não foi formalizada em nenhum processo administrativo, visto ser desnecessário á época, por se tratar de tributo de mesma espécie, PIS com PIS, consoante art. 66 da Lei nº 8.383/91. Visando à confirmação do alegado, este e outros processos, foram encaminhados à DRF, em diligência, para comprovação da suficiência do crédito e de sua efetiva compensação (fls. 49/50). Tal procedimento teve início em agosto/2008 (fl. 52), resultou na anexação dos documentos de fls. 52/628, planilhas elaboradas pelo fisco às fls. 631/635, bem como o Relatório da diligência de fls. 636/642, de maio/2009. O relatório da diligência registra a condução dos trabalhos levados a efeito junto ao contribuinte, fazendo menção, dentre outras questões, que em resposta a termos de intimação a contribuinte informa a inexistência de processo judicial vinculado aos créditos, os quais se originam de incorporação de empresas, Cônsul S/A e Semer S/A, pela Brastemp, cuja Fl. 763DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.008090/200112 Acórdão n.º 3301001.320 S3C3T1 Fl. 764 7 razão social foi alterada para Multibrás S/A Eletrodomésticos e, posteriormente, para Whirlpool S/A. Em conclusão o fiscal diligente registra (fls. 639/642): CONTABILIZAÇÃO No que se refere a contabilização dos fatos relativos a compensação foi observado a seguinte situação: O débito do Pis foi provisionado na conta de PIS A PAGAR nos respectivos períodos de apuração. A contabilização da utilização se deu em 30/09/1999, na conta de 450703 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS no valor de R$ 12.389.333,43 (f1.412) e outra parte na conta de 405930 – PIS PRODUTOS no valor de R$ 23.008.762,08 (fl. 653), totalizando a importância de R$ 35.398.095,51 (doc. fls.411). [...] PLANILHA DE CORREÇÃO E UTILIZAÇÃO DO CREDITO Não possuindo Medida Judicial autorizando a incorporação dos expurgos inflacionários, a regra de correção a ser aplicada é a estabelecida pela Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. Assim, foi elaborada nova planilha observandose as regras ali estabelecidas. PLANILHA "A" Na Planilha "A" estão contidos os valores das diferenças a ressarcir em moedas da época, correspondentes às empresas incorporadas e corrigidas até 31/12/1995 de acordo com os índices estabelecidos pela Norma citada, abrangendo o período de julho de 1988 a dezembro de 1991, resultando no valor corrigido de credito a ressarcir de R$ 20.574.721,26. PLANILHA "B" Na Planilha "B" estão contidos os valores das diferenças a ressarcir em moedas da época correspondentes às empresas incorporadas e corrigidos até 31/12/1995, de acordo com os índices estabelecidos pela norma citada, abrangendo o período de janeiro de 1992 a setembro de 1995, resultando no valor corrigido de crédito a ressarcir de R$ 29.761.224,40, que somadas ao apurado na planilha "A" no valor de R$ 20.574.721,26, totalizam o valor corrigido a ressarcir até 31/12/1995 passa a ser de R$ 50.335.945,66. PLANILHA "C" A Planilha "C" recebe como saldo inicial o valor apurado na planilha "B" no valor de R$ 50.335.945,66, abrangendo o período de janeiro de 1996 a dezembro de 1998, procedendo a partir daí a correção de acordo com a taxa SELIC e a utilização do crédito corrigido para compensação de acordo com informação contida em DCTF. A empresa também forneceu informações a respeito de valores anteriormente utilizados: Fl. 764DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.008090/200112 Acórdão n.º 3301001.320 S3C3T1 Fl. 765 8 out/95 de R$ 947.734,51; nov/95 de R$ 1.087.544,36 e dez/95 de R$ 828.540,16, os quais foram considerados na planilha de cálculo. O saldo final apresentado de R$ 46.049.353,06 é o resultado das compensações efetuadas e atualização até 31/12/1998. [...] As páginas de referencia aos documentos citados no relatório tem como base o processo de n° 13811.003295/200243, tendo em vista que são comuns a todos os processos. Portanto, conforme se verifica do precitado Relatório e planilha de fl. 635, a partir de um saldo inicial de R$50.335.945,66, obtido em consonância com o disposto na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97, após promover a compensação, mês a mês, procedendose as devidas correções, efetuouse a compensação de R$37.320.497,76, referente ao PIS de out/95 a dez/98 e, ainda, restando um saldo credor de R$46.049.353,06. O Relatório assinala, ainda, a ausência de formalização de compensação por meio de Declaração de Compensação, nos termos do artigo 74, §§ 1° e 2° da Lei 9.430/96 e IN SRF nº 21/97, alterada pela IN SRF n° 73/97, bem assim, assevera a necessidade de se avaliar a aplicabilidade de regras de prescrição ao caso concreto. Quanto a este tópico, alertese que a contribuinte encontravase autorizada a efetuar a compensação em sua contabilidade, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91 e art. 14 da IN SRF nº 21/97, por se tratar de contribuição da mesma espécie, ou seja, PIS com PIS a vencer, independente de requerimento ao fisco. Por outro lado, o relator do voto condutor do acórdão menciona, como razões de decidir, os seguintes excertos que se transcreve (fls. 662/681): 26. Vêse portanto que, em se tratando de livros escriturados eletronicamente, não somente o termo de abertura, senão também todas as folhas deverão trazer a autenticação do órgão de registro, o qual deverá ser expressamente identificado com aposição de carimbo ou indicação do nome completo em letra de forma legível. 27. Ora, no caso em exame, verificase que as folhas extraídas dos livros Diário e Razão, além de não estarem acompanhadas dos respectivos termos de abertura e de encerramento, não apresentam a autenticação da Junta Comercial, em flagrante desacordo com a legislação citada nos parágrafos precedentes, o que as torna imprestáveis como prova. 28. Assim, como estão em desacordo com os requisitos extrínsecos previstos na legislação vigente à época, as cópias reprográficas do livro Razão anexas às fls. 385 e 628 não se prestam a comprovar a suposta compensação que alega a defendente haver realizado em 30/09/1999. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.008090/200112 Acórdão n.º 3301001.320 S3C3T1 Fl. 766 9 [...] 32. Acrescentese que a autocompensação deve estar consignada na escrita contábil por meio de lançamentos específicos feitos na época propícia que vinculem cada débito aos respectivos indébitos com ele compensados, de modo que a autoridade administrativa tenha condições de verificar a regularidade do procedimento. A não ser assim, não haveria como controlar tais operações, e os mesmos créditos poderiam ser utilizados de forma indevida mais de uma vez. [...] 34. No caso vertente, no entanto, embora a Resolução do Senado Federal nº 49/1995 tenha sido publicada em 10/10/1995, a impugnante não se deu ao trabalho de criar uma conta no ativo para controlar os supostos créditos de Pis, limitandose a informar que teria efetuado apenas em 30/09/1999 um lançamento a crédito das contas “recuperações de despesas” e “pis produtos”, tendo como contrapartida a conta “pis a pagar”, como se observa na folha 356. 35. Tal técnica contábil, naturalmente, é inadequada, uma vez que não permite saber se os supostos créditos não teriam sido utilizados em compensações anteriores. Assim, ainda que o lançamento contábil exibido pela impugnante estivesse registrado em documentação devidamente autenticada pela Junta Comercial — o que, como visto, não é o caso — não se prestaria a comprovar a regularidade da compensação. [...] Sucede, porém, que tais planilhas, embora demonstrem como a empresa apurou os créditos, não constituem prova, por si sós, de que as bases de cálculo utilizadas estejam corretas em face de sua escrituração contábil. 37. Na verdade, com a declaração de inconstitucionalidade dos decretos lei nº 2.445/88 e nº 2.449/88, a maior parte das empresas tornouse devedora, e não credora do Fisco. E isso por uma razão muito simples. A lei complementar nº 7/70 prevê a aplicação da alíquota de 0,75% sobre o faturamento, bastante superior à alíquota prevista nos referidos decretoslei, que estabeleciam a cobrança de 0,65% sobre a “receita operacional bruta”, a qual abrange, além do faturamento, outras receitas, dentre as quais sobressaem as receitas financeiras. Dessa forma, a sistemática de cálculo instituída pela lei complementar só seria mais favorável à contribuinte do que a introduzida pelos decretoslei, se ela houvesse auferido receitas financeiras expressivas, o que implicaria a diminuição da base de cálculo quando adotada a lei complementar. Ocorre que, não sendo empresa do ramo financeiro, assim como não o eram suas incorporadas, parece pouco crível que a defendente se enquadre nessa situação. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.008090/200112 Acórdão n.º 3301001.320 S3C3T1 Fl. 767 10 38. Finalmente, cumpre assinalar que, como já salientou na fl. 642 a própria autoridade fiscal encarregada da diligência, parte dos pretensos créditos utilizados pela impugnante já haviam sido atingidos pela decadência na data em que ela afirma haver exercido o direito à compensação — 30 de setembro de 1999. É o que passo a demonstrar. [...] Nessa toada, a despeito do vasto conhecimento contábil que demonstrou ter o relator do acórdão recorrido, não procedem suas considerações consignadas no precitado item 37, no sentido de que: com a declaração de inconstitucionalidade dos decretos lei nº 2.445/88 e nº 2.449/88, a maior parte das empresas tornouse devedora, e não credora do Fisco.[...] Ocorre que, não sendo empresa do ramo financeiro, assim como não o eram suas incorporadas, parece pouco crível que a defendente se enquadre nessa situação. Tais afirmações demonstram que o ilustre julgador não levou em conta a tese da semestralidade, consubstanciada na Súmula CARF nº 15, a qual dispõe: “A base de. cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” Também a autocompensação foi rechaçada pela decisão recorrida por falha nos aspectos extrínsecos e intrínseco, sintetizada no item 34, nos seguintes termos: [...] a impugnante não se deu ao trabalho de criar uma conta no ativo para controlar os supostos créditos de Pis, limitandose a informar que teria efetuado apenas em 30/09/1999 um lançamento a crédito das contas “recuperações de despesas” e “pis produtos”, tendo como contrapartida a conta “pis a pagar”, como se observa na folha 356. É certo que a boa prática contábil deve ser observada, sobretudo, para evitar a utilização indevida de créditos em duplicidade. Por outro lado, a diligência registra que “o débito do Pis foi provisionado na conta de PIS A PAGAR nos respectivos períodos de apuração” e, ainda, que “a contabilização da utilização se deu em 30/09/1999, na conta de 450703 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS no valor de R$ 12.389.333,43 (f1.412) e outra parte na conta de 405930 – PIS PRODUTOS no valor de R$ 23.008.762,08 (fl. 653), totalizando a importância de R$ 35.398.095,51 (doc. fls.411)”. Portanto, no presente caso, ainda que a contabilização pudesse ter sido efetuada de modo mais adequado, o fiscal diligente não se insurgiu contra ela e também não a desclassificou. Ao contrário, relatou a forma como foi feita, ou seja, o provisionamento do débito foi feito mês a mês e a utilização do crédito se deu em setembro de 1999, antes de qualquer procedimento fiscal. Nessa toada, entendo inadequada e desproporcional a desconsideração das conclusões da diligência fiscal, pela decisão recorrida. Repisese que a contribuinte encontravase autorizada a efetuar a compensação em sua contabilidade, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91 e art. 14 da IN SRF nº 21/97, por se tratar de contribuição da mesma espécie, ou seja, PIS com PIS a vencer, independente de requerimento ao fisco. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.008090/200112 Acórdão n.º 3301001.320 S3C3T1 Fl. 768 11 Portanto, vez que a suficiência dos créditos foi devidamente confirmada pelo fiscal diligente, conforme supradito, bem assim, sua contabilização, ainda que de modo inadequado, e tendo sido efetuada antes de qualquer procedimento fiscal, entendo improcedente o auto de infração, vez que os créditos tributários lançados já se encontravam extintos, por compensação, à época do lançamento. Reafirmando a improcedência do presente lançamento cabem, ainda, outras considerações. O fisco emitiu auto de infração em decorrência de auditoria interna na DCTF conforme consignado à fl. 33 na qual se encontra a descrição e enquadramento legal. No campo intitulado “Descrição”, temos: FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III. “DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR”, em anexo. Na sequência, consta todo enquadramento legal pertinente. No citado ANEXO I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS (fl. 31/32), está consignada a ocorrência de “Proc. inexist no Profisc”, ou seja, processo inexistente no Sistema Profisc. Contudo, à fl. 744 consta extrato de consulta ao sistema Comprot, demonstrando a existência do referido processo, em cujo assunto assinala “consulta – PIS” e como interessado, Multibrás S/A Eletrodomésticos. Destarte, constatase a existência do referido processo e, ainda, ter sido necessária a realização de diligência para que fosse avaliada a compensação efetuada. Verifica se, portanto, que o lançamento não contestou a compensação realizada, até porque, somente em agosto de 2008, por meio do Termo de Intimação Fiscal de fl. 52, o fisco perquiriu acerca da existência dos créditos e da contabilização da compensação efetuada, junto ao contribuinte. De se ressaltar as considerações da Nota Técnica Conjunta Corat/Cosit nº 61, de 28/12/2001, destinada a fornecer “orientações para o atendimento às impugnações dos autos de infração relativos às DCTF/97”, ao mencionar que, em virtude de problemas técnicos e da decadência eminente, houve comprometimento da qualidade do trabalho de auditoria das DCTF/97. “Em função desses fatores, a emissão dos autos de infração não foi precedida de todas as verificações que seriam desejáveis, pelo que estimase que grande quantidade de autos emitidos sejam inconsistentes.” Neste passo, no presente caso, o lançamento foi motivado de forma equivocada, a uma, pois o processo mencionado existe, ainda que não trate diretamente da compensação efetuada. A duas porque a complexidade que envolve esta compensação é incompatível com a autuação motivada de forma simplista contida na expressão abrangente e genérica “Proc. inexist no Profisc”. Cumpre destacar a possibilidade de que um lançamento regularmente notificado possa ser alterado. Nesse sentido, elucidativos são os esclarecimentos prestados por Antonio da Silva Cabral1, donde se extrai o esclarecedor excerto: “Quando o sujeito passivo contesta, dáse o início da fase litigiosa do mesmo procedimento. O lançamento regularmente notificado ao contribuinte e por este validamente impugnado faz com que a fase interna do procedimento de lançamento tenha continuação, até o surgimento de um crédito tributário definitivo, que é aquele não mais sujeito a recurso na área fiscal. Embora, por princípio, todo lançamento seja definitivo (já que não existe lançamento provisório, nem lançamento condicional), o ato 1 in “Processo Administrativo Fiscal”, Ed. Saraiva, 1993, p. 258/259 Fl. 768DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.008090/200112 Acórdão n.º 3301001.320 S3C3T1 Fl. 769 12 administrativo está sujeito a alteração, nas hipóteses previstas no art. 145 do CTN.” Todavia, no presente caso, extrapolouse o limite do razoável. A prosperar essa forma de lançamento teremos em breve situações do tipo: Descrição dos Fatos: “Descumprimento de obrigação tributária”; “Enquadramento Legal: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN”. Assim, a partir de uma imputação abrangente dessas, em um segundo momento, apurarseia a falta cometida. Ora, se a contribuinte não pode apresentar novas razões para se defender, de modo a que seus argumentos sejam submetidos à dupla instância, do mesmo modo, não pode a autoridade julgadora suprir procedimentos próprios da autoridade lançadora, agravando sua exigência, modificando seus argumentos, fundamentos e sua motivação, o que consistiria em inovação. Sobre o tema, assim lecionam os autores, Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2ª edição, 2004, p.262), tecendo os comentários abaixo: 11.44. Auto de Infração Complementar Agravamento Ao comentar o artigo 15, parágrafo único, discorremos sobre o agravamento da exigência por auto de infração complementar e os limites à revisão de ofício do lançamento pela autoridade administrativa. Já vimos também, que agravar, do latim aggravare significa tornar pior, mais grave, mais pesado, exacerbar. Luiz Henrique Barros de Arruda276 escreve, com muita propriedade, que "O termo agravar, na acepção do Decreto n° 70.235/72, não significa apenas tornar a exigência mais onerosa, mas compreende também modificar os argumentos que a suportam ou seus fundamentos, a exemplo do que requer a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento complementar, nos termos do artigo 18, parágrafo terceiro." Só quem pode constituir o crédito tributário por meio do lançamento é quem possui a competência para, em exames posteriores, realizados no curso do processo, verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, proceder ao agravamento da exigência fiscal. 276Arruda, Luiz Henrique Barros de. Processo Administrativo Fiscal, 2ª ed., Resenha Tributária, São Paulo, 1994. Ainda acerca da impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento, cabe trazer à colação os acórdãos abaixo: Acórdão n° 10320.074 (Rec. 118.581), sessão de 19/8/99. Ementa: (...) É vedado à Autoridade Julgadora o aperfeiçoamento do lançamento em face da previsão legal atribuindo tal atividade à Autoridade Lançadora. Publicado no DOU de 8/10/99 n° 194E. Acórdão n° 10320.754 (Rec. 125.219), sessão de 17/10/01 (DOU de 12/12/01). Ementa: (...) IRPJ Inovação quanto ao Lançamento no Ato Decisório da Delegacia da Receita Federal Fl. 769DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.008090/200112 Acórdão n.º 3301001.320 S3C3T1 Fl. 770 13 de Julgamento Impossibilidade. O deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe cabendo aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. CSSL Erro na Apuração da Base de Cálculo Impossibilidade de Aperfeiçoamento por este órgão Julgador. Não tendo a autoridade lançadora obedecido aos preceitos legais para a fixação da base de cálculo da contribuição, não cabe a este órgão aperfeiçoar o lançamento, mas apenas afastar a exigência, diante do erro ocorrido. (...) Recurso conhecido e provido em parte. Acórdão nº 10706.463 (Rec. 127.319), sessão de 7/11/01. Ementa: Processo Administrativo Fiscal Auto de Infração. Não deve subsistir o Auto de Infração que não contenha exigências tributárias, nem mesmo relativas à redução no estoque de prejuízos a compensar. Se houve erro em sua lavratura não cabe ao órgão julgador o seu aperfeiçoamento. Outro ponto que merece ser abordado é a necessária motivação dos atos administrativos. No odenamento pátrio, sua justificação sempre foi obrigatória, ou como pressuposto de existência, ou como requisito de validade, conforme entendimento da doutrina, confirmado através da norma positiva, pelo disposto na Lei 4.717/65, art.2°. Mais recentemente, houve a edição da Lei 9.784/99, corroborando a imprescindibilidade do motivo como sustentáculo do ato administrativo. Dispõe o art. 50 desta lei: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I ) neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II ) imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) § 1° A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos anteriores, pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso serão parte integrante do ato. Além das expressas disposições em lei, também a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do ato e seu resultado, invalidao por completo. Constróise, assim, a teoria dos motivos determinantes. No magistério de Hely Lopes Meirelles, "tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade" (Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Editora Lumen Juris, 1999, p. 81). Por fim, há que se registrar ser inapropriado, no presente caso, a análise quanto à eventual ocorrência de prescrição em relação aos créditos compensados, pois, conforme dito anteriormente, a motivação da autuação não decorre deste fato. Ademais, ainda que parte do crédito pudesse ter sido atingido pela prescrição, cabe relembrar que após a compensação realizada, ainda restou um saldo credor de R$46.049.353,06. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.008090/200112 Acórdão n.º 3301001.320 S3C3T1 Fl. 771 14 Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para acolher o cancelamento do auto de infração, e seus consectários. (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Fl. 771DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10580.720941/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004, 2005
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS.
A simples apresentação de notas fiscais e de livro fiscal, demonstrando a ausência de registro de aquisições de bens integrantes do ativo, não autoriza a conclusão de que os recursos empregados nas referidas compras decorreram de receitas omitidas. No caso, se os lançamentos tributários tiveram como suporte o art. 40 da Lei nº 9.430/96 (inciso II do art. 281 do RIR/99), seria necessária a demonstração inequívoca de que os pagamentos correspondentes não foram contabilizados.
FORMALIZAÇÃO DE EXIGÊNCIAS. DUPLICIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Comprovado que as exigências formalizadas foram objeto de lançamento anterior, sob idêntico fundamento, os créditos tributários correspondentes devem ser cancelados.
Numero da decisão: 1301-001.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário para cancelar, na integralidade, os lançamentos tributários efetivados, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. A simples apresentação de notas fiscais e de livro fiscal, demonstrando a ausência de registro de aquisições de bens integrantes do ativo, não autoriza a conclusão de que os recursos empregados nas referidas compras decorreram de receitas omitidas. No caso, se os lançamentos tributários tiveram como suporte o art. 40 da Lei nº 9.430/96 (inciso II do art. 281 do RIR/99), seria necessária a demonstração inequívoca de que os pagamentos correspondentes não foram contabilizados. FORMALIZAÇÃO DE EXIGÊNCIAS. DUPLICIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Comprovado que as exigências formalizadas foram objeto de lançamento anterior, sob idêntico fundamento, os créditos tributários correspondentes devem ser cancelados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário para cancelar, na integralidade, os lançamentos tributários efetivados, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 09 41 /2 00 8- 07 Fl. 794DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.720941/200807 Acórdão n.º 1301001.129 S1C3T1 Fl. 795 2 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.720941/200807 Acórdão n.º 1301001.129 S1C3T1 Fl. 796 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anoscalendário de 2003 e de 2004, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, presumida a partir da constatação de compra de veículos sem o correspondente registro no Livro de Entradas. Foi apurada, ainda, falta de recolhimento de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2003, com base no confronto entre os valores escriturados e os declarados em DCTF ou pagos. Inconformada, a autuada interpôs impugnação (fls. 653/726), momento em que trouxe os seguintes argumentos: que, como os lançamentos foram cientificados em 25 de junho de 2008, os relativos aos meses de janeiro a maio de 2003 estariam extintos por decadência; que o autuante se equivocou, seja por não identificar notas comprovadamente escrituradas no livro fiscal da empresa, seja por ignorar os lançamentos contábeis por ela realizados; que o legislador especificou que apenas a prova inequívoca de não contabilização dos pagamentos correspondentes enseja a presunção de omissão de receitas; que apresentava cópia do Razão da conta Fornecedores (fls. 728/745), contendo os registros contábeis das aquisições dos veículos listados pelo autuante, bem como dos pagamentos correspondentes (planilha de fls. 647/648); que somente pelo número da nota fiscal não lhe havia sido possível verificar, no prazo da impugnação, quando o veículo foi efetivamente adquirido; por qual estabelecimento; e qual a forma de pagamento, dados fundamentais para comprovar a inexistência da suposta omissão apurada no presente auto de infração, motivo pelo qual requeria que a autoridade fiscal incluísse em seu demonstrativo os dados referentes ao chassi e à placa dos veículos ali referidos, de modo a possibilitar o exercício do contraditório; que, caso não tivesse escriturado as notas fiscais em seu livro de entradas, caberia a aplicação de penalidade por parte da Fazenda estadual, mas nunca a presunção de omissão de receitas; que os valores lançados a título de IRPJ e CSLL contabilizados e não declarados, no anocalendário de 2003, já teriam sido objeto de autuação anterior, nos processos nºs 10580.002552/200545 e 10580.002553/200590, relativos aos anoscalendário de 2000 a 2003. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 15 19.625, de 10 de junho de 2009, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.720941/200807 Acórdão n.º 1301001.129 S1C3T1 Fl. 797 4 O referido julgado restou assim ementado: DECADÊNCIA. Para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, iniciase a contagem da data da ocorrência do fato gerador, porém, não tendo havido pagamento antecipado, a contagem deve ser iniciada no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPRAS NÃO REGISTRADAS. A falta de registro de compras, sem que a empresa comprove a origem dos recursos utilizados no pagamento dessas compras, caracteriza a hipótese de desvio de receitas. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Demonstrada a existência de lançamento anterior relacionado à mesma infração e ao mesmo fato gerador, cancelase o lançamento efetuado em duplicidade. LANÇAMENTOS DECORRENTES. ... Em se tratando de bases de cálculo originárias da infração que motivou o lançamento principal, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o matriz, no que couber. MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA. Para que seja aplicada a multa qualificada, é necessário que esteja perfeitamente descrita e demonstrada a presença de dolo na conduta do infrator. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. No que tange aos créditos tributários constituídos, a Turma Julgadora de primeiro grau decidiu excluir: i) o PIS e a COFINS do mês de janeiro de 2003, em virtude de decadência; ii) parte dos lançamentos derivados da omissão de receitas imputada, face a comprovação da contabilização de pagamentos; iii) os lançamentos de IRPJ e CSLL, formalizados com base na alegação de falta de recolhimento, em razão da constatação de que os valores correspondentes já haviam sido objeto de lançamentos anteriores. Decidiu, ainda, reduzir a multa aplicada de 150% para 75%, por não identificar nos autos qualquer menção aos fatos que ensejaram a qualificação. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 776/789), por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.720941/200807 Acórdão n.º 1301001.129 S1C3T1 Fl. 798 5 Voto Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço os recursos impetrados. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas ao anoscalendário de 2003 e de 2004. Em conformidade com a descrições feitas nos autos de infração de fls. 31/38 e fls. 61/68, foram imputadas à contribuinte as seguintes infrações: i) omissão de receitas, caracterizada por compras de veículos não registradas; ii) falta de recolhimento de IRPJ e CSLL. A autoridade fiscal aplicou multa qualificada de 150%. Apreciando a impugnação interposta, a Turma Julgadora de primeira instância decidiu: a) cancelar os lançamentos relativos ao PIS e à COFINS cujos fatos geradores ocorreram em janeiro de 2003, em virtude de caducidade, haja vista a existência de pagamentos relativos ao referido mês; b) excluir do lançamento de IRPJ (e dos reflexos) os valores correspondentes às compras de veículos cujos pagamentos restaram comprovados; c) cancelar os lançamentos de IRPJ e CSLL que decorreram da imputação de falta de recolhimento, em razão de cobrança em duplicidade; e d) reduzir a multa aplicada para o percentual de 75%, face a ausência da descrição, por parte da autoridade autuante, dos fatos que ensejaram a sua majoração. Aprecio em primeiro lugar o recurso voluntário impetrado pela autuada, por entender que argumentos ali expendidos, uma vez recepcionados, tornarão despicienda, ainda que parcialmente, a análise dos fundamentos utilizados pela autoridade julgadora de primeiro grau para cancelar parte do crédito tributário constituído. Nessa linha, observo que a Recorrente sustenta que a configuração da omissão de receitas deveria estar lastreada com provas de que as notas fiscais representativas das aquisições de veículos e os correspondentes pagamentos não foram contabilizados, o que, para ela, não ocorreu. Alega que “o ilustre autuante presumiu haver a impugnante adquirido veículos destinados ao seu ativo imobilizado com recursos não contabilizados, simplesmente por não ter encontrado, em seu Livro Registro de Entradas, a escrituração das correspondentes notas fiscais de aquisição.” Com o intuito de permitir uma melhor compreensão da imputação feita pela autoridade fiscal, reproduzo a seguir a descrição feita na peça de autuação (fls. 33/34). Fl. 798DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.720941/200807 Acórdão n.º 1301001.129 S1C3T1 Fl. 799 6 001 – OMISSÃO DE RECEITAS BENS DO ATIVO PERMANENTE NÃO CONTABILIZADOS ANEXEI: termos, declaração do contribuinte e MPFs extensivos com intimações às fábricas; planilha “Veículos Comprados sem Registro Fiscal”; notas fiscais de veículos comprados sem registro contábil; cópias dos Livros Registro de Entradas da matriz e da filial de Recife anos 2003 e 2004; DIPJs 2004 e 2005. Conferi com os originais as cópias dos Livros anexadas a este Auto de Infração. 1) A empresa fiscalizada tem como atividade principal a locação de veículos; 2) Intimada, a empresa não apresentou Livro registro de Inventário; 3) Foram intimadas diversas fábricas para que apresentassem cópias de notas fiscais de venda de veículos para a empresa fiscalizada; 4) Inicialmente a empresa não apresentou os Livros de Entradas das filiais. Declarou também que as filiais não possuem Livros de Saídas. Posteriormente apresentou os Livros de Entradas onde foram identificados registros de diversos veículos assim diminuindo a base tributável; 5) Pelas notas fiscais apresentadas pelos fabricantes constatouse a compra de veículos para o ativo imobilizado sem o devido registro no Livro de Entradas. As notas fiscais de vendas de veículos para empresas de “leasing”, entregues à fiscalizada por arrendamento, não foram consideradas. Desta forma, constam neste Auto de Infração e configuram sua base tributável apenas as notas fiscais de veículos comprados para o Ativo da fiscalizada; 6) Considerouse que a compra de veículos sem o devido registro foi viabilizada com receitas omitidas de sua atividade principal. (GRIFEI) Notase, pois, que a autoridade fiscal caracterizou a omissão de receitas com base na constatação de aquisições sem registro em livro fiscal (Livro Registro de Entradas). Como elementos de prova, carreou ao processo: planilhas demonstrativas dos veículos adquiridos sem registro fiscal (fls. 70/72); cópia de notas fiscais encaminhadas pelos fornecedores dos veículos (fls. 73/105 e 560/630); cópia do Livro Registro de Entradas (fls. 106/406); e cópia de declarações de informações DIPJ (fls. 407/535). Assim, apesar de ter apontado o inciso II do art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99) como um dos suportes para a autuação, a autoridade Fl. 799DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.720941/200807 Acórdão n.º 1301001.129 S1C3T1 Fl. 800 7 fiscal, ao descrever a infração imputada, não tratou de FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS, mas, sim, de FALTA DE REGISTRO FISCAL DE AQUISIÇÕES. Por decorrência, não cuidou de colacionar aos autos comprovação efetiva do elemento propulsor da aplicação da presunção que, supõese, pretendeu utilizar, qual seja, a aquisição de bens por meio de recursos não contabilizados. Como é cediço, tratandose de presunção prevista em lei, é necessário, para a sua aplicação, que o fato indiciário nela apontado esteja indubitavelmente comprovado, cabendo ao contribuinte, em virtude da inversão do ônus, provar que o fato presumido não ocorreu. Portanto, considerados os elementos reunidos ao processo, penso que a autoridade fiscal incorreu em equívoco ao presumir a omissão de receitas tão somente com base no fato de as compras de veículos não estarem registradas no livro fiscal. Neste caso, tratandose de mero indício (presunção simples), seria necessária a reunião de outros tantos elementos, de modo a criar a convicção de que, de fato, as aquisições de veículos não foram escrituradas no Livro Registro de Entradas porque foram efetivadas por meio de recursos mantidos à margem da contabilidade que, por presunção legal, derivaram de receitas omitidas. A autoridade julgadora recorrida, a meu ver, ao fundar a decisão pela manutenção parcial das exigências em virtude da imputação de omissão de receitas na falta de comprovação, por parte da contribuinte, dos pagamentos relativos às aquisições de veículos, distorce os termos da autuação, inovandoa, o que, salvo melhor juízo, não lhe é autorizado fazer. Diante de tal argumentação, penso que as exigências decorrente da imputação de omissão de receitas não podem subsistir, tornando, assim, desnecessária a abordagem acerca da caducidade do direito de a Fazenda constituir créditos tributários, bem como sobre o patamar da multa de ofício aplicada. No que diz respeito à alegada falta de recolhimento de IRPJ e CSLL, a matéria foi dirimida no âmbito da primeira instância, eis que restou comprovado que as exigências formalizadas já haviam sido objeto de lançamentos anteriores (processos administrativos nºs 10580.002552/200545 e 10580.002553/200590), ficando patente, assim, a duplicidade de cobrança. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para cancelar, na integralidade, os lançamentos tributários efetivados. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 800DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.720941/200807 Acórdão n.º 1301001.129 S1C3T1 Fl. 801 8 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10940.001861/2003-08
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999, 2000
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS.
Se as benfeitorias tiverem sido deduzidas como despesas de custeio na apuração da determinação da base de cálculo do imposto da atividade rural, o valor de alienação referente a elas será tributado como receita da atividade rural, caso contrário, integram o custo de aquisição para efeito de determinação do ganho de capital.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso para manter a infração de omissão de ganho de capital, reconhecendo o direito à compensação do imposto pago a maior em razão da indevida inclusão dos valores de R$ 344.355,00 e R$ 275.520,00, nos meses de junho de 1998 e abril de 1999, no resultado da atividade rural, com o imposto apurado em razão da infração mantida.
Assinado digitalmente
Rubens Maurício Carvalho Presidente em Exercício
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 25/02/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. Se as benfeitorias tiverem sido deduzidas como despesas de custeio na apuração da determinação da base de cálculo do imposto da atividade rural, o valor de alienação referente a elas será tributado como receita da atividade rural, caso contrário, integram o custo de aquisição para efeito de determinação do ganho de capital. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso para manter a infração de omissão de ganho de capital, reconhecendo o direito à compensação do imposto pago a maior em razão da indevida inclusão dos valores de R$ 344.355,00 e R$ 275.520,00, nos meses de junho de 1998 e abril de 1999, no resultado da atividade rural, com o imposto apurado em razão da infração mantida. Assinado digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Presidente em Exercício Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 25/02/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 18 61 /2 00 3- 08 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10940.001861/200308 Acórdão n.º 2102002.414 S2C1T2 Fl. 271 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra SEBASTIÃO CEZAR MENDES TRAMONTIN foi lavrado Auto de Infração, fls. 285/297, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 1997 a 1999, exercícios 1998 a 2000, no valor total de R$ 171.973,79, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/05/2003. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração foram: 001 omissão de rendimentos recebidos de João Verschoor, em 15/04/1999, no valor de R$ 95.000,00, referente à indexação, pelo dólar comercial dos EUA, da 2ª parcela do pagamento do imóvel rural denominado Fazenda Rio do Meio, em Tibagi, nos termos do art. 55, XVI, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999); 002 apuração incorreta do resultado da atividade rural, consoante descrição completa dos fatos no item 002 do Auto de Infração (fls. 293/295). Em decorrência, apurouse uma diferença de R$ 2.063,84 no resultado do anocalendário de 1997, resultando em imposto a pagar de R$ 515,96; 003 omissão de ganhos de capital na alienação do imóvel rural denominado Fazenda Rio do Meio, em Tibagi, no valor de R$ 300.158,27, apurandose imposto de R$ 25.013,19 em 06/1998 e R$ 20.010,55 em 04/1999, em virtude da opção pelo diferimento da tributação pelo contribuinte. Foi considerado pela fiscalização como custo de aquisição o valor de R$ 576.841,73 e como valor de alienação R$ 900.000,00, integrando o valor de alienação as benfeitorias do imóvel, por não terem sido deduzidas como investimento da atividade rural, quando da aquisição deste. O valor de aquisição foi apurado utilizandose dos valores de transmissão constantes no Formal de Partilha (50%), fls. 11/23 e 24/37, correspondendo à terra nua e às benfeitorias existentes, atualizados segundo a legislação de regência, além da dedução do valor de R$ 23.000,00 a título de comissão paga. 004 multa isolada devido à falta de recolhimento do IRPF a título de carnê leão em face do recebimento do pagamento de R$ 95.000,00, e sujeitandose ao recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), posto que recebida de pessoa física . Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 303/307, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, para acolher a preliminar de decadência quanto ao anocalendário 1997, cancelando a exigência de R$ 515,96 de imposto de renda e restabelecendo o prejuízo da Fl. 484DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10940.001861/200308 Acórdão n.º 2102002.414 S2C1T2 Fl. 272 3 atividade rural para o valor declarado de R$ 4.103,26. (Acórdão DRJ/CTA nº 4.457, de 09/09/2003, fls. 320/329. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 29/09/2003, Aviso de Recebimento (AR), fls. 332, o contribuinte apresentou, em 28/10/2003, recurso voluntário, fls. 333/339, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Decadência Em 18/06/2003, data da notificação do lançamento, já havia transcorrido o prazo decadencial de cinco anos relativo ao ganho de capital na alienação do imóvel denominado Fazenda Rio do Meio, posto que o fato gerador do tributo se deu em 02/06/1998, data da venda do imóvel. Correta tributação do Ganho de Capital A venda da Fazenda Rio do Meio foi tributada corretamente pelo recorrente, nos exatos termos dos artigos 123, parágrafo 2°, 136 e 140 do RIR/99. O valor de aquisição da terra nua foi superior à avaliação, não gerando ganhos de capital, conforme já demonstrado, tanto na fase de fiscalização quanto na impugnação. As benfeitorias vendidas, na proporção declarada no DIAT, e constantes da escritura de compra e venda, foram lançadas e tributadas como renda da atividade rural, havendo o contribuinte pago o Imposto de Renda devido, no seu vencimento. Compensação do valor efetivamente pago com o valor apurado pela Fiscalização – A autoridade fiscal verificou o pagamento do Imposto de Renda, decorrente do lançamento da receita da venda das benfeitorias do imóvel na atividade rural nos anoscalendário 1998 e 1999, nas Declarações de Ajuste Anual (DAA). No entanto, deixou de compensar o valor efetivamente pago com o valor apurado no auto de infração. Tributação indevida da atualização monetária – O Auto de Infração tributou como juros recebidos, a importância de R$ 95.000,00, calcandose no disposto no art. 55, inciso XVI, do RIR/99. entretanto, o art. 140, caput, do mesmo Decreto, determina que a atualização monetária seja tributada como ganho de capital. Multa isolada – Não procede a exigência cumulativa da multa de ofício com a multa isolada, conforme jurisprudência deste Conselho. Em 25/01/2006, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes apreciou o recurso voluntário apresentado, sendo proferida a seguinte decisão no Acórdão nº 10247.324, fls. 348/370: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao ganho de capital (003 do AI). Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Relator) e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que mantêm a exigência referente ao item 001 do lançamento. Designado o Fl. 485DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10940.001861/200308 Acórdão n.º 2102002.414 S2C1T2 Fl. 273 4 Conselheiro Naury Fragoso Tanaka para redigir o voto vencedor. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, fls. 380/404, solicitando a reforma da decisão recorrida, para: i) afastar a decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar os valores referentes ao IR incidente sobre os ganhos de capital, obtidos em decorrência da alienação do imóvel rural; ii) manter o lançamento fiscal, nos termos do art. 55, XVI, do RIR/99 (infração 001) e iii) manter a cobrança da multa isolada. Admitido o recurso especial, conforme Despacho, fls. 427/430, o contribuinte apresentou contrarazões e a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu Acórdão nº 920201.881, de 29/11/2011, fls. 470/482, sendo decidido o que se segue: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para excluir a multa isolada/multa de ofício. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência relativa a junho de 1998 com retorno à câmara de origem para análise das demais questões. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento. É o Relatório. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10940.001861/200308 Acórdão n.º 2102002.414 S2C1T2 Fl. 274 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Do relatório acima, verificase que a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais afastou a preliminar de decadência, no que diz respeito à infração de omissão de ganhos de capital na alienação do imóvel rural denominado Fazenda Rio do Meio, e determinou o retorno dos autos à Câmara de origem para a análise das demais questões. No recurso, o contribuinte se insurge contra a infração de omissão de ganho de capital, obtido na alienação da Fazenda Rio do Meio, alegando que a venda foi tributada corretamente, nos exatos termos dos artigos 123, parágrafo 2°, 136 e 140 do RIR/99. Aduz, ainda, que o valor de aquisição da terra nua foi superior à avaliação, não gerando ganhos de capital e que as benfeitorias vendidas, na proporção declarada no DIAT, e constantes da escritura de compra e venda, foram lançadas e tributadas como renda da atividade rural. Para a análise da questão importa observar os dispositivos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), que cuidam da matéria: Art.61.(...) §1º Integram também a receita bruta da atividade rural: IIIo valor da alienação de bens utilizados, exclusivamente, na exploração da atividade rural, exceto o valor da terra nua, ainda que adquiridos pelas modalidades de arrendamento mercantil e consórcio; Art.62. (...) §2ºConsiderase investimento na atividade rural a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade e seja realizada com (Lei nº 8.023, de 1990, art. 6º): Ibenfeitorias resultantes de construção, instalações, melhoramentos e reparos; (...) Art.123. Considerase valor de alienação (Lei nº 7.713, de 1988, art. 19 e parágrafo único): (...) Fl. 487DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10940.001861/200308 Acórdão n.º 2102002.414 S2C1T2 Fl. 275 6 §2ºNa alienação de imóvel rural com benfeitorias, será considerado apenas o valor correspondente à terra nua, observado o disposto no art. 136. (...) Art. 128 (...) §9ºPara os bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido até essa data, observada a legislação aplicável no período, não se lhe aplicando qualquer correção após essa data (Lei nº 9.249, de 1995, arts. 17 e 30). (...) Art.136. Em relação aos imóveis rurais adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra NuaVTN, constante do Documento de Informação e Apuração do ITRDIAT, observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação (Lei nº 9.393, de 1996, art. 19). Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no §9º do art. 128 (Lei nº 9.393, de 1996, art. 19, parágrafo único). Da legislação acima transcrita, inferese que, quando da apuração do resultado da atividade rural, o contribuinte pode considerar, como investimento, a parcela do preço do imóvel rural correspondente às benfeitorias. Entretanto, quando da alienação da propriedade a parcela do preço correspondente às benfeitorias, cujo custo de aquisição foi considerado despesa de investimento, deve ser computada como receita da atividade rural. Ou seja, se as benfeitorias tiverem sido deduzidas como despesas de custeio na apuração da determinação da base de cálculo do imposto da atividade rural, o valor de alienação referente a elas será tributado como receita da atividade rural, caso contrário, integram o custo de aquisição para efeito de determinação do ganho de capital. No presente caso, a autoridade fiscal afirmou no Auto de Infração que o contribuinte não considerou como despesas de custeio as benfeitorias, de modo que não poderia, quando da alienação do imóvel rural, tributar o produto da venda das benfeitorias como receitas da atividade rural. Ressaltese que o contribuinte não logrou comprovar, seja na impugnação ou no recurso, que as benfeitorias houvessem sido consideradas despesas de custeio. Assim, correto o procedimento da autoridade fiscal em ajustar o resultado da atividade rural e exigir o imposto incidente sobre o ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural, considerando para tanto, o valor da terra nua e das benfeitorias. Vale, ainda, dizer que o disposto no art. 136 do RIR/99 – que determina que o ganho de capital da terra nua seja calculado tomandose por base os VTN declarados nas DIAT dos respectivos anos de aquisição e alienação – não se aplica ao caso concreto, posto que Fl. 488DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10940.001861/200308 Acórdão n.º 2102002.414 S2C1T2 Fl. 276 7 o imóvel foi adquirido nos anos de 1993 e 1994, sendo certo que a regra inserta no art. 136 somente se aplica aos imóveis adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1997. Assim, como a Fazenda do Meio foi adquirida nos anos de 1993 e 1994, o custo de aquisição é aquele constante da escritura pública, nos termos do disposto no parágrafo único do art. 136 do RIR/99. Nestes termos, correta se encontra a apuração do ganho de capital, conforme demonstrativos, fls. 269 e 270, partes integrantes do Auto de Infração. Por fim, devese apreciar o pedido do recorrente de compensar o imposto pago nas Declarações de Ajuste Anual (DAA), nos anos calendário 1998 e 1999, em razão de o contribuinte ter considerado como receita da atividade rural a parcela do preço correspondente às benfeitorias quando da alienação da Fazenda Rio do Meio com o imposto apurado pela autoridade fiscal em decorrência da mesma operação. De fato, não resta dúvida de que o contribuinte quando da alienação do imóvel em questão considerou como receita da atividade rural a parcela correspondente às benfeitorias, tanto é verdade que a autoridade fiscal quando da descrição da infração 002 – apuração incorreta do resultado da atividade rural assim se pronunciou: Período de 1998 (planilha Atividade Rural anocalendário 1998) (...) No mês de junho a receita da atividade rural foi ajustada de R$ 344.355,00 para R$ 0,00. A receita corresponde à venda das benfeitorias da atividade rural, juntamente com a terra nua, que, por não terem sido deduzidas como despesas da atividade rural, deveriam ter sido oferecidos à tributação na apuração do Ganho de Capital. O valor antes do ajuste encontrase escriturado no Livro Caixa, fl. 78, Conforme Escritura de Compra e Venda às fls. 3840. (...) Período de 1999 (planilha Atividade Rural anocalendário 1999) No mês de abril, a receita da atividade rural foi ajustada de R$ 338.491,20 para R$ 62.971 20. A diferença de R$ 275.520,00 corresponde à venda das benfeitorias da atividade rural, juntamente com a terra nua, que, por não terem sido deduzidas como despesas da atividade rural, deveriam ter sido oferecidos à tributação na apuração do Ganho de Capital. O valor antes do ajuste encontrase escriturado no Livro Caixa, fl.142, conforme Escritura de Compra e Venda às fls. 3840. Contudo, apesar de a autoridade fiscal ter promovido o devido ajustamento do resultado da atividade rural, não compensou o imposto pago pelo contribuinte quando o resultado da atividade rural reajustado foi menor do que aquele oferecido à tributação pelo recorrente. Tal conduta, da autoridade fiscal, implicou em exigir do contribuinte tributo, com os devidos acréscimos legais (multa e juros de mora) sobre o ganho de capital apurado no Auto Fl. 489DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10940.001861/200308 Acórdão n.º 2102002.414 S2C1T2 Fl. 277 8 de Infração, sem que fosse compensado os valores já recolhidos pelo contribuinte, ainda que de forma incorreta. Logo, assiste razão ao contribuinte quando afirma que a compensação é direito, posto que, caso contrário, trará ao recorrente o recolhimento de multa de ofício sobre tributo já recolhido antes de iniciado qualquer procedimento fiscal. Nessa conformidade, devese compensar o imposto de renda pago a maior pelo contribuinte em razão da indevida inclusão dos valores de R$ 344.355,00 e R$ 275.520,00, nos meses de junho de 1998 e abril de 1999, no resultado da atividade rural, com o imposto apurado em razão da infração de omissão de ganho de capital, nos referidos meses. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento para manter a infração de omissão de ganho de capital, reconhecendo o direito à compensação do imposto pago a maior em razão da indevida inclusão dos valores de R$ 344.355,00 e R$ 275.520,00, nos meses de junho de 1998 e abril de 1999, no resultado da atividade rural, com o imposto apurado em razão da infração mantida. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 490DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA
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Numero do processo: 13974.000074/2008-46
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
Ementa:
COOPERATIVAS. TRIBUTAÇÃO. As sociedades cooperativas sujeitam-se à incidência do imposto sobre suas atividades econômicas que, na definição legal, não tenham a natureza de atos cooperados.
RECEITAS DE COOPERATIVAS DE CRÉDITO. As cooperativas de crédito destinam-se, precipuamente, a prover, por meio da mutualidade, a prestação de serviços financeiros a seus associados. Os atos praticados pelas cooperativas de crédito, na forma artigo 4º da Lei 5.764/1971, constituem atos cooperativos, portanto, não são passíveis de incidência tributária. A distribuição de sobras ou rateio das perdas do resultado anual das cooperativas de crédito, não se enquadra como distribuição de beneficio, pois trata-se da devolução dos valores cobrados à maior na realização das operações de créditos.
Numero da decisão: 1802-001.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 Ementa: COOPERATIVAS. TRIBUTAÇÃO. As sociedades cooperativas sujeitam-se à incidência do imposto sobre suas atividades econômicas que, na definição legal, não tenham a natureza de atos cooperados. RECEITAS DE COOPERATIVAS DE CRÉDITO. As cooperativas de crédito destinam-se, precipuamente, a prover, por meio da mutualidade, a prestação de serviços financeiros a seus associados. Os atos praticados pelas cooperativas de crédito, na forma artigo 4º da Lei 5.764/1971, constituem atos cooperativos, portanto, não são passíveis de incidência tributária. A distribuição de sobras ou rateio das perdas do resultado anual das cooperativas de crédito, não se enquadra como distribuição de beneficio, pois trata-se da devolução dos valores cobrados à maior na realização das operações de créditos.
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TRIBUTAÇÃO. As sociedades cooperativas sujeitamse à incidência do imposto sobre suas atividades econômicas que, na definição legal, não tenham a natureza de atos cooperados. RECEITAS DE COOPERATIVAS DE CRÉDITO. As cooperativas de crédito destinamse, precipuamente, a prover, por meio da mutualidade, a prestação de serviços financeiros a seus associados. Os atos praticados pelas cooperativas de crédito, na forma artigo 4º da Lei 5.764/1971, constituem atos cooperativos, portanto, não são passíveis de incidência tributária. A distribuição de sobras ou rateio das perdas do resultado anual das cooperativas de crédito, não se enquadra como distribuição de beneficio, pois tratase da devolução dos valores cobrados à maior na realização das operações de créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 00 74 /2 00 8- 46 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13974.000074/200846 Acórdão n.º 1802001.384 S1TE02 Fl. 399 2 (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC (“DRJFNS”), que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela Cooperativa de Crédito Rural do Vale do Canoinhas (“Recorrente”). Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Por meio de representação administrativa (f. 7 a 10), o Banco Central do Brasil – Bacen relata a apuração de irregularidades de interesse fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, nos termos que seguem (f.8): O Banco Central do Brasil, no exercício de suas atribuições, apurou irregularidades nas atividades exercidas por cooperativas singulares filiadas a cooperativas centrais de créditos dos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, consistentes na nãoretenção e falta de recolhimento de imposto de renda sobre as aplicações financeiras de seus cooperados, conforme descrito no “Relato Sucinto da Ocorrência” e em seus anexos. 2. Considerando a existência de indícios de infração à legislação tributária federal, faço a presente comunicação, em cumprimento ao disposto no art. 9º §,2º, da Lei Complementar 105/2001, regulamentado pelo art. 6º, caput, do Decreto 3.725/2001, a fim de propiciar eventual autuação do Fisco Federal. O procedimento fiscal de oficio foi iniciado em 20/08/2007, conforme Termo de Início de Fiscalização às f. 12/13. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13974.000074/200846 Acórdão n.º 1802001.384 S1TE02 Fl. 400 3 À f. 16 consta a seguinte Declaração, firmada pelo presidente da cooperativa em 24 de agosto de 2007: Em cumprimento ao que estabelece o item nº 4 do termo de início de fiscalização MPF nº 09.202.00.2007005837, declaramos que não efetuamos remuneração sobre o capital próprio; tão somente capitalização das sobras apuradas dos exercícios 2004 e 2005 conforme atas respectivas; e as demais integralizações efetuadas pelos próprios associados. Por entender que, no caso – em razão da capitalização de “sobras líquidas”(distribuição de benefícios às quotaspartes) , os resultados apurados pela cooperativa têm as características de lucro real ordinariamente tributável e não de sobras – na acepção adotada pela legislação cooperativista (beneficiadas por nãoincidência do IRPJ) , a autoridade fiscal constituiu a seguir discriminados, relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e decorrências relativas às contribuições sociais (CSLL, PIS/Pasep e Cofins), com base no disposto no parágrafo único do art. 6º da Lei nº 7.689, de 1988 (CSLL) e no art. 1º e em seu § 2º da Lei 10.676, de 2003 (PIS/Pasep e Cofins); Imposto/Contribuição Principal Juros de Mora Multa Proporcional Total Fls. IRPJ 128.789,85 44.151,24 96.592,38 269.533,47 130 PIS/Pasep 4.596,53 2.154,95 3.447,39 10.198,87 134 Cofins 28.286,37 13.261,30 21.214,77 62.762,44 138 CSLL 63.644,34 21.853,45 47.733,25 133.231,04 143 TOTAIS 225.317,09 81.420,94 168.987,79 475.725,82 Em relação à aplicação da multa de ofício no porcentual básico de 75%, assim diz a autoridade fiscal, às f. 157/158: VII DA MULTA DE OFÍCIO Aplicamos a multa de ofício de 75% (Art. 44, I da Lei 9.430/96) porque a fiscalizada tinha plena convicção que agia em conformidade com a legislação em vigor, em especial com a (Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) nº 920 de 18.12.2001, publicada em 03.01.2001 e republicada em 09.01.2001). Irresignada com o lançamento tributário (IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins), de que teve ciência por meio da pessoa de seu presidente (Dr. Francisco Greselle) em 18/03/2008 (f. 130, 158), a entidade o impugnou, em 16/4/2008, pela petição de f. 160 a 171, firmada por procurador (instrumento de mandato à f. 172), Dr. João Greselle (OAB/PR 41.274), em que alega, em síntese: a cooperativa, embora integre o sistema financeiro nacional (no que se refere à fiscalização e autorização de funcionamento a cargo do Bacen), não é “banco” (até o uso dessa denominação lhe é legalmente vedado); não visa obter lucro, nem seus empregados podem denominarse “bancários”, do ponto de vista Fl. 413DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13974.000074/200846 Acórdão n.º 1802001.384 S1TE02 Fl. 401 4 da legislação trabalhista, pois a eles não se aplicam, por exemplo, regras relativas a expediente de seis horas diárias; apenas seus associados podem ser clientes; suas operações revestem a condição de atos cooperativos e se situam fora do campo de incidência dos tributos discutidos nestes autos; a cooperativa apenas opera com seus associados, cooperantes, conforme determina a regra insculpida no art. 23 da Resolução CVM nº 3.106, de 2003; nos termos do que estabelece o art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, seus atos não têm objetivo de lucro; os cooperantes são donos e destinatários finais da cooperativa e, se for o caso, serão tributados na condição de pessoas físicas, na declaração de ajuste anual do IRPJ (f. 164); f. 164: “[...] em especial devendo ser considerada a falta de capacidade contributiva, decorrente de sua não lucratividade, bem como de regra que, caso se apure algum resultado positivo, ele não será distribuído aos cooperados, mas sim creditado ao FATES. O direito tributário exige o cumprimento da estrita legalidade. A tributação a qualquer custo desfigura a cooperativa e foge dos principais objetivos de constituição das mesmas.”; f. 165: “As eventuais sobras obtidas pelas cooperativas de crédito não pertencem a estas e sim a seus cooperados, vislumbrase, portanto, que [sic] não há que se falar em lucro para a entidade, e nesse prisma não havendo acréscimo patrimonial não é devido a incidência de imposto de renda, eis que este só e [sic] devido quando houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, fato este que não ocorreu.”; A partir da f. 165, a impugnante passa a analisar, em separado, cada um dos tributos/contribuições lançados. Em relação ao IRPJ, acrescenta (f. 165/166): Só há de cogitar de incidência de IRPJ e CSLL sobre o resultado real que decorrer de operações enquadradas nos arts. 85, 86 e 88 da Lei 5.764 ou seja sobre o resultado líquido que advier de atividades não vinculadas ao objeto essencial das sociedades cooperativas (transações que não amoldem ao conceito de ato cooperativo). Os resultados, conforme documentos em poder da autuante, provêm exclusivamente de atos cooperativos (R$ 347.630,07 para o ano de 2004 e R$ 359.529,34 para o ano de 2005). Novamente retornamos ao conceito de lucro/sobra. A cooperativa quando pratica atos cooperativos não há ocorrência Fl. 414DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13974.000074/200846 Acórdão n.º 1802001.384 S1TE02 Fl. 402 5 de lucro em tais operações. Ocorrem sim, sobras, pela cobrança de valores médios, que bem administrados, proporcionam retorno aos seus usufrutuários. Tais valores não podem ser tratados como lucro. O lucro estaria situado na esfera do ato não cooperativo. A cooperativa tem como donos apenas os seus cooperados. A sobra poderia ter sido até negativa caso a cooperativa resolvesse cobrar estritamente os custos dos serviços prestados, fato que seria temerário, pois poderia haver desestabilização do sistema. Tal sobra será oferecida à tributação pelo sócio. Ilustrando melhor, a sobra pode ser comparada com a retenção do imposto de renda na fonte sobre o trabalho da pessoa física. Por ocasião do ajuste, em havendo retenção a maior, haverá simplesmente devolução. Aqui o caso é similar. Não há qualquer distribuição de benefícios. A sobra é a simples devolução do que foi cobrado a mais por ocasião da utilização do serviço. [...] No que refere à CSLL, a impugnante reitera a argumentação relativa ao IRPJ e agrega precedente judicial e Solução de Consulta nº 339 de 18/11/2005, sem identificação da origem, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Ementa: COOPERATIVAS DE CRÉDITO. A partir de 1º de janeiro de 2005, as sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Essa disposição não se aplica às sociedades cooperativas de consumo de que se trata o art. 69 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (sem destaque na transcrição à f. 167) Sobre a exigência fiscal a título de PIS/Pasep, a impugnante assenta, às f. 167/168: 3) PIS A cobrança desse tributo também segue a mesma linha de raciocínio dos demais. A cooperativa de crédito, que não deixa de ser cooperativa por ser de crédito, seguindo a regra do cooperativismo quanto aos seus objetivos também seguirá a regra da não incidência sobre os atos cooperativos. A impugnante fez depósito judicial no período de 1999 a 2004, conforme documentação anexa comprovando o recolhimento em processo 2000.72.000006318 que corre junto a 4ª Vara da Justiça Federal de Florianópolis, tendo recolhido durante o ano de 2.004 um valor de R$ 20.406,92 (...). Portanto, tal autuação deverá ser suspensa até o resultado final em que se cumprirá a sentença daí originada (documentos 02 a 13). [...] Fl. 415DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13974.000074/200846 Acórdão n.º 1802001.384 S1TE02 Fl. 403 6 Já sobre a parte relativa à Cofins, assim agrega a impugnante, à f. 169: 4) CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Novamente aqui a Impugnante colocase na qualidade de seguidora da Lei Cooperativista, havendo que se fazer distinção sobre atos cooperativos e não cooperativos, com tributação integral sobre os últimos. A impugnante, também aqui, fez contribuição durante o ano de 2004 depositando os valores conforme ação judicial em andamento na 6ª Vara da Justiça Federal em Florianópolis, ação número 2002.72.000053640, conforme documentação apresentada em anexo (documentos 14 a 25). Por tal fato a autuação deverá ser suspensa. Os Tribunais Superiores vem firmando entendimento que as cooperativas de crédito também são isentas da COFINS faturamento. Vejase a ementa de julgado recente: [...]. DO PEDIDO (f. 171) Ante todo o exposto, dúvidas não há de que as sobras das cooperativas de crédito não deverão ser tributadas, uma vez que seu objeto é destinado aos próprios cooperados. Dessa forma, requer a desconstituição do auto de infração referente ao Processo Administrativo nº 13974.000074/200846, MPF 09.2.02.002008001983, emitido pela Secretaria da Receita Federal, face as nulidades e ilegalidades apresentadas no mesmo, devendo este ser anulado, desconsiderandose a suposta penalidade aplicada, e consequentemente, promovendo seu arquivamento por ser medida de Direito e da mais inteira Justiça. Junto à petição impugnatória vieram cópias de Documentos para Depósitos Judiciais e Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administradora Competente – DJE, referentes a depósitos judiciais – Cofins (processo nº 200072000006318, código de receita 7498, f. 202 a 212) e a depósitos judiciais – PIS/Pasep (processo nº 200272000053640, código de receita 7460, f. 213 a 224). Em sua decisão, a DRJFNS houve por bem manter o lançamento através do Acórdão n° 0724.080 de 29 de Abril de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 416DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13974.000074/200846 Acórdão n.º 1802001.384 S1TE02 Fl. 404 7 Ano Calendário: 2004, 2005 IRPJ. COOPERATIVA. NÃOINCIDÊNCIA. CONDIÇÃO. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro. É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado. COOPERATIVA. DISTRIBUIÇÃO (CAPITALIZAÇÃO) DE LUCROS. TRIBUTAÇÃO DOS RESULTADOS. A inobservância do disposto na legislação tributária específica do cooperativismo importa tributação ordinária dos resultados da cooperativa (inclusive dos provenientes de atos cooperativos), como cabível aos das demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 LANÇAMENTOS DECORRENTES. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou, em 12/07/11, Recurso Voluntário (fls. 241/252) no qual aduziu, em síntese, os mesmos argumentos apresentados na Impugnação, requerendo, ao final, que o recurso seja totalmente provido, decretandose a improcedência do Auto de Infração de fls. 1/5. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13974.000074/200846 Acórdão n.º 1802001.384 S1TE02 Fl. 405 8 Em primeiro lugar, atento para o fato de que, muito embora haja dois Recursos Voluntários interpostos pela Recorrente direcionado para duas seções do CARF, versando um sobre IRPJ e CSLL e outro sobre PIS/Pasep e COFINS, o presente voto engloba o mérito de ambos os recursos, sendo que as contribuições sociais serão tratadas de forma reflexa. O ponto central da lide repousa inicialmente em esclarecer se a interessada, na qualidade de cooperativa de crédito, com a receita bruta da atividade, resultante apenas de ato cooperativo, seria ou não contribuinte do IRPJ e da CSLL. No seu intento, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil trouxe a baila a tese de que “sobras” e “lucros” possuem a mesma definição e, nessa linha, a distribuição das sobras realizadas, ainda que estritamente na forma disposta pelo inciso VII do artigo 4º da Lei 5.764/91, configuraria distribuição de lucro levando, com isso, as Sociedades Cooperativas a regra geral de tributação. Desde já, entendo equivocado o entendimento da DRJ, pois os resultados de uma cooperativa sejam “sobra ou “perdas” jamais se confundiram com lucro ou prejuízo. Conforme definição dos arts 187 e 191 da Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das S.A.), lucro é o resultado das receitas de vendas e de prestação de serviços deduzidas de abatimentos, tributos, custos das mercadorias e dos serviços vendidos, despesas em geral e participações. Já, o conceito de lucro líquido para a legislação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas está definido no art. 248 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), da seguinte forma: Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Além dessas definições, temse ainda o conceito de lucro contábil, que resulta do lucro líquido depois de subtraída a CSLL e a provisão para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. A partir dessas constatações, no que tange ao retorno das sobras e a natureza jurídica da cooperativa, fazse necessária a reprodução dos artigos 3º e 4º da da Lei nº 5.764, de 1971: Art. 3 º Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º as cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, Fl. 418DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13974.000074/200846 Acórdão n.º 1802001.384 S1TE02 Fl. 406 9 distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características : (Grifei) [...] VII – retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da assembléia geral; A classificação de ato cooperativo e sua respectiva tributação estão tratados nos artigos 79, 85, 86, 87 e 11 da Lei nº 5.764, de 1971: Art. 79 – Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único – O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 85 – As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86 – As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e esteja de conformidade com a presente Lei. Parágrafo único – No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão administrativo. Art. 87 – Os resultados das operações das cooperativas com não associados mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta de Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social e serão contabilizados em separado, de modo a permitir cálculo para a incidência de tributos.(Grifado) Art. 111 – Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85 e 86 desta Lei. (Grifado) Assim, pelas citadas legislações, os atos praticados entre cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para consecução dos objetivos sociais, são considerados como atos cooperativos e não representam Fl. 419DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13974.000074/200846 Acórdão n.º 1802001.384 S1TE02 Fl. 407 10 operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadorias e, portanto, não sujeitos à tributação. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, na forma do art. 87 da citada lei, serão levados à conta do Fundo de Assistência Técnica e Social e serão contabilizados em separado, de modo a permitir cálculo para incidência de tributos”. E o art. 111 da mesma lei, afirma que serão considerados como renda tributável os resultados obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85 e 86 desta Lei, o que significa dizer, atos com não associados. As chamadas “sobras” estão disciplinadas no art. 4º da Lei e devem ser objeto de deliberação da Assembléia Geral Ordinária das Cooperativas. Feita a prestação de contas, verificarseá se houve insuficiência ou excesso nas contribuições dos associados para cobertura das despesas da sociedade. Na hipótese da existência de “sobras”, estas serão devolvidas aos associados, proporcionalmente às operações que realizaram com a Cooperativa, não podendo, assim, de forma alguma, equiparálas a lucro. Desta forma, somente os resultados obtidos com a prática de operações que não envolvam atos cooperativos estão sujeitos ao pagamento de tributo, em virtude de não estarem amparados por regra isentiva. A interpretação dos dispositivos legais deixa claro que todas as receitas geradas pela cooperativa, através das práticas de atos cooperativos são isentas de qualquer tributo. Com efeito, depreendese que as cooperativas, quando atuam praticando atos cooperativos não auferem lucros, em consonância com as definições da Lei das S.A. Vale ressaltar que a própria lei que rege as cooperativas dita que dos atos cooperativos não são produzidos lucros, pois, como dito, classifica os resultados de tais atos como “sobras líquidas”. Tanto assim que, o art. 87 da Lei nº 5.764, de 1971, expressamente estabelece a incidência de tributos tão somente sobre o resultado que a cooperativa apure relativamente aos chamados atos não cooperados. Deduzse, portanto, que somente quanto ao resultado ajustado de tais atos incide a o IRPJ e CSLL. Quando se trata de incidência ou não do IRPJ e da CSLL sobre o resultado decorrente de atos cooperados, não se pode desconhecer a existência de entendimentos divergentes quanto à sua tributação, antes da Lei nº 10.865, de 30/04/2004. Entretanto, a posição predominante, tanto nas instâncias superiores dos julgamentos administrativos, como também em decisões judiciais, é que os resultados positivos obtidos em relação aos atos com associados regulares das cooperativas não são alcançados pela incidência dessa contribuição. Como exemplos, além dos citados pela Recorrente, temse os seguintes julgados: CSLL – SOCIEDADES COOPERATIVAS – O regime tributário determinado na Lei nº 5.764/71 implica no reconhecimento da não incidência exclusivamente sobre atos cooperativos, recaindo a exigência da Contribuição Social somente em relação aos atos não cooperativos e às receitas financeiras. (Ac. nº 10321599, Sessão de 15/04/2004, da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do MF) Fl. 420DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13974.000074/200846 Acórdão n.º 1802001.384 S1TE02 Fl. 408 11 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – SOCIEDADES COOPERATIVAS – O resultado positivo obtido pelas Sociedades Cooperativas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperados, não integra a base de cálculo da Contribuição Social. Exegese do art. 111 da Lei nº 5.764/71 e artigos 1º e 2º da lei nº 7.689/88 (CSRF/011.734). (Ac. nº 10806091, Sessão de 13/04/2000, da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). CSLL Sobre o resultado positivo apurado pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus associados, não incide a contribuição social sobre o lucro. (Ac. nº 10320973, Sessão de 09/07/2002, da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – COOPERATIVA DE CRÉDITO. A circunstância de as cooperativas de crédito enquadraremse como instituições financeiras, segundo o artigo 22, § 1º, da Lei nº 8.212/91, não resulta em legitimar a tributação segundo o resultado dos atos cooperados. O ato cooperado não configura operação de mercado. O seu resultado não é lucro e está situado fora do campo de incidência da Contribuição Social instituída pela Lei nº 7.689/88. (Ac. CSRF/0104.381, Sessão de 24/02/2003, da Câmara Superior de Recursos Fiscais) CSLL – SOCIEDADES COOPERATIVAS – O regime tributário determinado na Lei nº 5.764/71 implica no reconhecimento da não incidência exclusivamente sobre atos cooperativos, recaindo a exigência da Contribuição Social somente em relação aos atos não cooperativos e às receitas financeiras. (Ac. nº 10321599, Sessão de 15/04/2004, da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do MF) Assim, pelos citados julgados, fica demontrado posição dominante de que os resultados positivos dos atos com associados regulares das cooperativas não são alcançados pela incidência de tributação. Ademais, de acordo com o artigo 39 da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, as sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, ficam isentas da CSLL. A isenção abrange apenas os resultados daqueles atos definidos em lei como cooperativos e a sua interpretação restritiva é reforçada pelo art. 111 do CTN, de modo que não há como alargar o benefício fiscal para alcançar também os atos não cooperados. Vale registrar que, desde o comando legal prescrito na Lei nº 5.764/71, há de se inferir que não são passíveis de tributação os resultados que decorrem de ato cooperativo tal Fl. 421DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13974.000074/200846 Acórdão n.º 1802001.384 S1TE02 Fl. 409 12 qual definido no art. 79 da mencionada lei. Tanto que o disposto no artigo 182 do Decreto nº 3000/99 (RIR/99), regulamentando a não incidência do imposto de renda sobre as “atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro”, das sociedades cooperativas, tem como suporte legal o artigo 3º da Lei nº 5.764/71 e, não, qualquer outra lei isentiva do imposto de renda. Portanto, sobre tais resultados não incide o IRPJ, a CSLL, o PIS e a COFINS, em consonância com o art. 111, da Lei 5.764/71, combinado com o art.39. da Lei nº 10.865/2004 e, com o artigo 182 do Decreto nº 3000/99 (RIR/99). Após essas considerações e, concluindo que o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS não incidem sobre o resultado positivo decorrente de atos cooperados, por guardar relação de causa e efeito, tomase também como indevida a aplicação da multa de ofício pela falta do recolhimento mensal por estimativa, quando resta inequívoco nos autos que o lançamento tem por base a incidência da CSLL e do IRPJ, sobre o resultado econômico decorrente de atos cooperativos. Diante do exposto, voto no sentido de dar integral provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Antônio N. Castilho – Relator Fl. 422DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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