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Numero do processo: 13016.000393/2006-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ESCRITURAÇÃO. ESTORNO.
Para a devida apuração do crédito presumido de IPI é necessário que o
referido crédito presumido tenha sido devidamente escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI. Remanescendo saldo credor, é permitida sua utilização de acordo com as normas que regem a matéria, dentre as quais destaca-se o necessário estorno dos valores pleiteados no Livro de Registro de Apuração do IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.837
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ESCRITURAÇÃO. ESTORNO. Para a devida apuração do crédito presumido de IPI é necessário que o referido crédito presumido tenha sido devidamente escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI. Remanescendo saldo credor, é permitida sua utilização de acordo com as normas que regem a matéria, dentre as quais destacase o necessário estorno dos valores pleiteados no Livro de Registro de Apuração do IPI. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000393/200628 Acórdão n.º 3301000.837 S3C3T1 Fl. 167 2 Relatório MULTICENTER INDÚSTRIA DE MÓVEIS LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 147/159 contra o acórdão nº 1024.397, de 18/03/2010, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS, fls. 137/139, que indeferiu solicitação de ressarcimento de crédito presumido de IPI, referente ao 1º trimestre de 2005, juntamente com declaração de compensação transmitida em 14/04/2005 (fl. 01), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos (fl. 137v): Tratase de manifestação de inconformidade apresentada tempestivamente, fls. , contra despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul/RS, fls. 52/53, que, com base na informação fiscal de fls. 50/52, não reconheceu direito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363, de 13 de dezembro de 1996, pleiteado no valor de R$ 73.288,46, transmitido no Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 42102.99120.120505.1.3.01 4180, relativamente ao 1º trimestre de 2005, e não homologou as compensações declaradas. O indeferimento do pedido, conforme informação fiscal de fls. , é decorrente da falta de escrituração dos créditos pleiteados do IPI, no Livro de Registro de Apuração do IPI – RAIPI, que é obrigatório segundo o disposto no art. 16 das Instruções Normativas SRF 419, de 10 de maio de 2004, e, da falta de estorno do valor do ressarcimento pedido em sua escrita fiscal, que também é obrigatório conforme disposto no art. 17 da Instrução Normativa nº 460, de 18 de outubro de 2004. O interessado, na sua inconformidade, após relato dos fatos, alega que, como empresa produtora e exportadora de mercadoria nacional, “é legítima titular do direito ao crédito presumido do IPI, cuja função é restituir as empresas produtoras exportadoras dos valores pagos a título de PIS e da COFINS quando da aquisição de insumos utilizados na produção dos produtos exportados, consoante determina a Lei nº 9.363/1996”. Na seqüência alega que o não registro das operações em livro é questão meramente formal, não excluindo seu direito ao crédito pleiteado, diz que o equívoco foi sanado com o registro das operações de compensação no Livro de Ocorrências Fiscais e no DCP, não havendo máfé com o intuito de dolosamente causar prejuízos aos cofres públicos. Alega que a decisão afrontou o princípio da razoabilidade previsto na Constituição Federal, e ofendeu ao princípio da legalidade tributária, repisando que seu direito ao crédito presumido do IPI é legítimo. Segue argumentando sobre a ilegalidade do auto de infração, questionando à aplicação de multa em valores arbitrários e confiscatórios. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e ampla produção de provas. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000393/200628 Acórdão n.º 3301000.837 S3C3T1 Fl. 168 3 A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ESCRITURAÇÃO. ESTORNO. O pleito de ressarcimento de crédito presumido do IPI exige a escrituração prévia dos créditos e o estorno do valores pleiteados no Livro de Registro de Apuração do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, em 23/04/2010, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 147/159, repisando seus argumentos de defesa anteriormente apresentados, no sentido de que o não reconhecimento do seu direito legalmente previsto por conta de inobservância de mera formalidade advinda de Instrução Normativa fere o princípio da razoabilidade, da legalidade e, ainda, o bom senso. Ademais, registrou as operações no Livro de Ocorrências Fiscais e na DCP, registros formais e legais para a publicidade de seus atos. Ressalta que a lei nunca fez menção de que a entrega fora do prazo do demonstrativo fosse punida com tamanha severidade. Por fim, requer seja reconhecido crédito tributário pleiteado e homologada a compensação realizada. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. O presente processo cingese ao o ressarcimento de crédito presumido de IPI, referente ao 1º trimestre de 2005, bem assim, a homologação da compensação declarada, cuja transmissão ocorreu em 14/04/2005 (fl. 01). Sobre a matéria, convém trazer à baila as considerações que se seguem. O princípio da não cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tão somente o direito ao Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000393/200628 Acórdão n.º 3301000.837 S3C3T1 Fl. 169 4 crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. O indigitado princípio, insculpido no art. 153, §3º, inciso II da CF/88 determina: “será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;” Portanto, a única garantia assegurada ao contribuinte é que o imposto devido a cada operação seja deduzido do que foi pago na operação anterior. Não há referência quanto à existência de eventual saldo credor e seu ressarcimento ou compensação. A primeira disposição infraconstitucional sobre o saldo credor se verifica no art. 49 do CTN, in verbis: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo, verificado em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” Portanto, conforme se verifica, os créditos de IPI devem ser utilizados apenas para abatimento dos débitos do mesmo imposto, transferindose eventual saldo credor para os períodos seguintes, não havendo previsão de ressarcimento de saldo credor. Desse modo, o princípio da não cumulatividade, da forma como colocado na CRFB e no CTN, o crédito de IPI tem a natureza de um crédito meramente escritural, pois garante apenas a transferência do saldo credor para o período seguinte, em vez do ressarcimento em dinheiro. Com o advento do benefício fiscal introduzido com a Lei 9.363/96, seu art. 4º possibilitou o ressarcimento em moeda corrente, nos seguintes termos: Art.4oEm caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Normatizando a matéria fora editada a IN SRF nº 23/97 (posteriormente revogada pela IN SRF nº 313/03 e, na sequência, pela IN SRF nº 419/04), dispondo em seu art. 3º e 9º o que segue: Art. 3° O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000393/200628 Acórdão n.º 3301000.837 S3C3T1 Fl. 170 5 [...] V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) ressarcidos por meio de compensação com o IPI devido; b) ressarcidos em espécie; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. [...] Art. 9° A utilização do crédito presumido farseá de conformidade com as normas sobre ressarcimento e compensação previstas nos arts. 8º a 22 da Instrução Normativa SRF nº 021, de 1997. Nessa toada, a IN SRF nº 21/97 (posteriormente revogada pela IN SRF nº 210/02 e, na sequência, pela IN SRF nº 460/04), que normatizava o tema, registra: Art. 3º Poderão ser objeto de ressarcimento, sob a forma compensação com débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da mesma pessoa jurídica, relativos às operações no mercado interno, os créditos: [...] II presumidos de IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, instituídos pela Lei nº 9.363, de 1996; [...] Art. 5º Poderão ser utilizados para compensação com débitos de qualquer espécie, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, os créditos decorrentes das hipóteses mencionadas no art. 2º , nos incisos I e II do art. 3º e no art. 4º. [...] Art. 8º O ressarcimento dos créditos relacionados no art. 3º será efetuado, inicialmente, mediante compensação com débitos do IPI relativos a operações no mercado interno. § 1º Na hipótese de total impossibilidade de compensação, o ressarcimento será efetuado em espécie, a requerimento da pessoa jurídica, apresentado no formulário "Pedido de Ressarcimento", constante do Anexo II. [...] Art. 9º A apuração do crédito presumido, a título de ressarcimento das contribuições para PIS/PASEP e COFINS, será efetuada pelo contribuinte, observadas as normas do art. 3º da Portaria MF nº, de 038 de 27 de fevereiro de 1997. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000393/200628 Acórdão n.º 3301000.837 S3C3T1 Fl. 171 6 § 1º O pedido de ressarcimento em espécie será instruído com cópias das folhas do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, correspondentes ao período de apuração. [...] Art. 11. O estabelecimento que apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, inclusive o estabelecimento matriz, no caso de apuração centralizada, deverá escriturálo no item 005 do quadro "Demonstrativo de Créditos", do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro "Observações". Portanto, desde a instituição do benefício os procedimentos de escrituração do crédito presumido no Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI e o estorno dos valores consignados no pedido de ressarcimento, já se faziam necessários. Ao tempo da transmissão do PER/DCOMP, 14/04/2005, as normas assim dispunham: IN SRF nº 419/04: Art. 16. O estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora que apurar crédito presumido de IPI deverá escriturálo no item 005 do quadro "Demonstrativo de Créditos" do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro "Observações". [...] Art. 18. A utilização do crédito presumido darseá: I – primeiramente, pela dedução do valor do IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz da pessoa jurídica; II – a critério do estabelecimento matriz da pessoa jurídica, o saldo resultante da dedução descrita no inciso I poderá ser transferido, no todo ou em parte, para outros estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, da mesma pessoa jurídica; III – não existindo os débitos de IPI referidos no inciso I ou remanescendo saldo credor após o aproveitamento na forma dos incisos I e II, é permitida a utilização de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas em ato específico da SRF: a) a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido escriturado no livro Registro de Apuração do IPI, caso se trate de matriz contribuinte do imposto; ou Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000393/200628 Acórdão n.º 3301000.837 S3C3T1 Fl. 172 7 b) a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido apurado, caso se trate de matriz não contribuinte do IPI. (grifei) Portanto, necessário se faz a escrituração do crédito presumido de IPI no Livro Registro de Apuração do IPI, pois, o aproveitamento de crédito se dá primeiramente na escrita fiscal, para dedução dos débitos decorrentes das saídas de produtos industrializados. Somente se inexistir débito de IPI ou remanescendo saldo credor é concedido, subsidiariamente, o ressarcimento. No mesmo passo, o art. 17 da IN SRF nº 460/04 assevera: Art. 17. No período de apuração em que for apresentado à SRF o pedido de ressarcimento, bem como em que forem aproveitados os créditos do IPI na forma prevista no art. 26, o estabelecimento que escriturou referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor pedido ou aproveitado. Assim, também se faz necessário o estorno, conforme determina o ato que rege a matéria. De se ressaltar que o cumprimento parcial das obrigações acessórias, registro no Livro de Ocorrência e elaboração do DCP, não supre a necessária escrituração do crédito presumido no Livro Registro de Apuração do IPI e o estorno dos valores consignados no pedido de ressarcimento. Tal procedimento se faz necessário, pois, a ausência de estorno provocará a utilização nova e indevida do valor pleiteado, ou no abatimento de débitos escriturais do IPI, ou compondo montante de outro pedido de ressarcimento. De se ressaltar que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são intensamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos, bem assim, a extinção do crédito tributário pela compensação irregular. Nessa toada cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com o regramento. Por fim, cumpre destacar a impossibilidade de aplicação de determinados princípios quando, na espécie, se verifica contrariedade ao que expressamente dispõem as normas vigentes. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 7DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000393/200628 Acórdão n.º 3301000.837 S3C3T1 Fl. 173 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.906399/2009-41
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 31/08/2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que
jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.866
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe transmitiu Per/Dcomp para restituição/compensação de IRPJ/CSLL paga a título de estimativa mensal, a maior ou indevida. Pelo Despacho Decisório, eletrônico, de fls. 31 a Per/Dcomp foi considerada improcedente e não homologada, por tratarse de pagamento de estimativa. A empresa manifestouse contrariamente ao despacho denegatório por tratar se de vedação prevista em Instrução Normativa e não de natureza legal. Ataca veemente a redação do artigo 10 da IN SRF nº 600/05, por falta de substrato legal. Às fls. 72 e seguintes, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF exarou o Acórdão nº 0339.171/10 mantendo o indeferimento do pedido de restituição e conseqüente compensação, por tratarse de estimativa mensal, consoante ementa do aresto ora transcrita: IRPJ POR ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO A MAIOR. ANTECIPAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. O IRPJ recolhido a título de estimativa é considerado antecipação no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente podendo ser utilizado na dedução do imposto de renda devido no ajuste anual, momento em que se aperfeiçoa o fato gerador. Somente saldo credor porventura gerado é passível de restituição. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, tornase prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia. Tempestivamente a empresa interpôs o Recurso de fls. 82 e seguintes reprisando os termos da defesa inicial, requerendo a nulidade do despacho decisório por fundamentarse em ato infralegal, sem respaldo em norma tributária vigente. Fez sustentação oral pela recorrente o dr. João Marques Neto, OAB/BA nº 22.082. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906399/200941 Acórdão n.º 180100.866 S1TE01 Fl. 155 3 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débitos, oriundo de estimativa de tributo paga a maior ou indevidamente. Esta turma julgadora já se defrontou com a matéria e firmou posição bem retratada em voto da conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que passo a transcrever1: “A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada ano calendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. 1 Processo nº 19647.010657/200610, Acórdão nº 180100.597, em 28/06/11. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906399/200941 Acórdão n.º 180100.866 S1TE01 Fl. 156 5 estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906399/200941 Acórdão n.º 180100.866 S1TE01 Fl. 157 7 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, conclui se que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906399/200941 Acórdão n.º 180100.866 S1TE01 Fl. 158 9 A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906399/200941 Acórdão n.º 180100.866 S1TE01 Fl. 159 11 Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 “Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação.” Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade do pedido de restituição/compensação cujo objeto é o pagamento de estimativas em valor indevido, ou a maior do que o devido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc. Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio. Observo que a empresa tem outros processos que versam sobre Per/Dcomp cujos créditos tributários são estimativas recolhidas durante o mesmo anocalendário, devendo ser analisados conjuntamente pela autoridade a quo. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16045.000307/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIDADE INOCORRÊNCIA
De acordo com o art. 60 do Decreto 70.235/72 as omissões ou irregularidades que não gerem prejuízo ao sujeito passivo não importam em nulidade do ato administrativo.
JULGAMENTO EM CONJUNTO POSSIBILIDADE
Em se tratando de processos conexos e com o mesmo fato gerador pode o julgador proferir uma única decisão para todos.
INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE NÃO CONHECIMENTO. De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 deste mesmo órgão, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar
fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO Não basta constar em cláusula de Convenção Coletiva a determinação do pagamento de
uma verba para que ela não sofra incidência de contribuições previdenciárias, é preciso que as verbas ali constantes estejam dentro das isenções contidas na legislação vigente.
VALE REFEIÇÃO PAGAMENTO EM ESPÉCIE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES Estando ou não a empresa inscrita no PAT, incide contribuições previdenciárias sobre o pagamento de vale refeição pago em
espécie.
AUXÍLIO TRANSPORTE PAGAMENTO EM ESPÉCIE NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES Sobre o pagamento de vale transporte em dinheiro não há incidência de contribuições previdenciárias tendo em vista o caráter indenizatório da verba. Súmula 60/2011 da
Advocacia Geral da União.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS A falta de comprovação de recolhimentos das contribuições incidentes sobre a remuneração dos empregados enseja a lavratura de autuação sobre o
responsável pelo recolhimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.322
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, dar provimento parcial, parcial para que sejam excluídos do lançamento os valores a título de "Ajuda de Transporte".
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIDADE INOCORRÊNCIA De acordo com o art. 60 do Decreto 70.235/72 as omissões ou irregularidades que não gerem prejuízo ao sujeito passivo não importam em nulidade do ato administrativo. JULGAMENTO EM CONJUNTO POSSIBILIDADE Em se tratando de processos conexos e com o mesmo fato gerador pode o julgador proferir uma única decisão para todos. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE NÃO CONHECIMENTO. De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 deste mesmo órgão, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO Não basta constar em cláusula de Convenção Coletiva a determinação do pagamento de uma verba para que ela não sofra incidência de contribuições previdenciárias, é preciso que as verbas ali constantes estejam dentro das isenções contidas na legislação vigente. VALE REFEIÇÃO PAGAMENTO EM ESPÉCIE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES Estando ou não a empresa inscrita no PAT, incide contribuições previdenciárias sobre o pagamento de vale refeição pago em espécie. AUXÍLIO TRANSPORTE PAGAMENTO EM ESPÉCIE NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES Sobre o pagamento de vale transporte em dinheiro não há incidência de contribuições previdenciárias tendo em vista o caráter indenizatório da verba. Súmula 60/2011 da Advocacia Geral da União. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS A falta de comprovação de recolhimentos das contribuições incidentes sobre a remuneração dos empregados enseja a lavratura de autuação sobre o responsável pelo recolhimento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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JULGAMENTO EM CONJUNTO POSSIBILIDADE Em se tratando de processos conexos e com o mesmo fato gerador pode o julgador proferir uma única decisão para todos. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE NÃO CONHECIMENTO. De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 deste mesmo órgão, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO Não basta constar em cláusula de Convenção Coletiva a determinação do pagamento de uma verba para que ela não sofra incidência de contribuições previdenciárias, é preciso que as verbas ali constantes estejam dentro das isenções contidas na legislação vigente. VALE REFEIÇÃO PAGAMENTO EM ESPÉCIE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES Estando ou não a empresa inscrita no PAT, incide contribuições previdenciárias sobre o pagamento de vale refeição pago em espécie. AUXÍLIO TRANSPORTE PAGAMENTO EM ESPÉCIE NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES Sobre o pagamento de vale transporte em dinheiro não há incidência de contribuições previdenciárias Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 tendo em vista o caráter indenizatório da verba. Súmula 60/2011 da Advocacia Geral da União. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS A falta de comprovação de recolhimentos das contribuições incidentes sobre a remuneração dos empregados enseja a lavratura de autuação sobre o responsável pelo recolhimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, dar provimento parcial, parcial para que sejam excluídos do lançamento os valores a título de "Ajuda de Transporte". Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000307/200971 Acórdão n.º 240102.322 S2C4T1 Fl. 82 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga aos empregados e não declarados em GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 57 a 66, os fatos geradores do presente lançamento foram os pagamentos efetuados aos empregados da empresa a título de "Ajuda de transporte", paga em dinheiro; Adicional de "reflexo hora extra"; Adicional a título de "hora refeição" ( "... para os segurados que não saem do posto de trabalho no horário das refeições ..."); e a título de "vale refeição", sem que o Contribuinte estivesse inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. Inconformada com a decisão de primeira instância, que julgou procedente o lançamento, a empresa recorre a este conselho alegando em síntese: a) Preliminarmente argumenta que teria ocorrido vício no lançamento uma vez que no termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF ; há afirmação de terem sido lavrados 14 autos de infração e no relatório fiscal também consta o mesmo número de autuações, porém neste último não estão relacionados os AIs 37.230.9399 e 37.230.9402. b) Argumenta que não poderia ter sido proferido um único acórdão com validade para três autuações. c) No mérito afirma que o acórdão guerreado é confesso da ilegalidade cometida quando se remetendo às Leis do PAT e do Vale Transporte, afirma expressamente que “o contribuinte deve ir ao Poder Judiciário (fls.1) porque o controle de legalidade e constitucionalidade é sua prerrogativa exclusiva (fls.6); d) Defende que estando a Administração jungida constitucionalmente ao principio da legalidade, ao invés de se interpretar que este a obriga a cumprir leis mesmo que ilegais e inconstitucionais deveria se ater mais ainda ao princípio da moralidade. e) Afirma que os pagamentos em pecúnia efetuados pela recorrente estavam previstos em Dissídios Coletivos de Trabalho. f) Alega que a negativa de produção de provas pela recorrente caracteriza cerceamento de defesa inoportunando a fase probatória na esfera administrativa. g) Requer que sejam acatadas as Preliminares argüidas e sejam anulados os autos de infração e cassado o julgamento proferido, ou então, desde logo, seja acatada a defesa meritória da própria Impugnação, reconhecendose a improcedência dos autos de infração, extinguindoos definitivamente para os fins e efeitos de direito.. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Tendo em vista que o julgamento de primeira instância optou por efetuar um único julgamento para as três autuações correlatas, processos 16045.000306/200926 (contribuições a cargo da empresa); 16045.000307/200971 (contribuições de segurados) e 16045.000308/200915 (contribuições de terceiros/outras entidades), foi apresentado um único recurso que também será acolhido como sendo extensivo a todos os processos acima mencionados. DAS PRELIMINARES A preliminar de nulidade do lançamento em face de não constarem no TEPF, os lançamentos dos AIs 37.230.9399 e 37.230.9402 não merece ser acolhida tendo em vista que a falta de tal informação não trouxe qualquer prejuízo ao recorrente. Conforme já esclarecido na decisão de primeira instância, tal fato se deu em decorrência de erro de digitação onde se repetiu os números dos DEBCADs 37.230.9267 e 37.230.9283 ao invés dos acima mencionados. Com efeito, este equívoco não é capaz de macular o lançamento já que a recorrente foi formalmente notificado de todos os lançamentos fiscais e apresentou impugnações próprias e específicas para cada um deles. No presente caso, independente de haver uma listagem relacionando todos aos AIs levantados contra a empresa, foi possível saber quais foram os fatos geradores lançados, o período do lançamento e as razões que levaram a fiscalização a efetuar a autuação, não se devendo acatar a nulidade pretendida. Com relação ao julgamento ter se utilizado de um único acórdão para as três autuações por descumprimento de obrigação principal, temos que não houve qualquer irregularidade neste procedimento uma vez que, os três Autos tratam do mesmo fato gerador com uma única diferença que é o tipo das contribuições devidas, um referente a contribuição da empresa, outro dos segurados e o último às destinadas a terceiros. DO MÉRITO No mérito defende a recorrente que a administração pública não pode se eximir de apreciar as questões sobre ilegalidade e inconstitucionalidade de leis. Não devem ser analisadas por este colegiado, as alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade de Leis, vez que, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. A Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é bem clara neste sentido, impossibilitando o Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000307/200971 Acórdão n.º 240102.322 S2C4T1 Fl. 83 5 afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Também é esse o entendimento contido na Súmula CARF nº 02, que assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Sobre a produção de provas, não foi indicado em nenhum momento quais seriam e com qual finalidade. Ademais o momento processual para se produzir todos os tipos de provas que entender serem necessárias é quando da apresentação da defesa, o que não ocorreu. Assim dispõe o art. 16, § 4º e alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do Decreto 70235/72: Art. 16. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Sobre a argumentação de que os pagamentos em pecúnia estavam previstos em Convenção Coletiva temos a seguinte sutuação: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Em um primeiro momento, entendo que as Convenções e Acordos Coletivos tem caráter normativo vez que, às empresas, não cabe descumprir a convenção coletiva, eis que estariam descumprido norma expressa do nosso ordenamento jurídico, sujeitandose a sanções administrativas e judiciais cabíveis (Auto de Infração pela Delegacia Regional do Trabalho; Ação de Cumprimento pelo Sindicato; etc...), já que a mesma é equiparada à lei, tendo efeito obrigacional sobre todas as empresas e trabalhadores dos sindicatos signatários na sua base territorial. A força de lei da convenção coletiva é conferida pela Constituição Federal, através dos artigos 7º, inciso XXVI, e 114, e pela Consolidação das Leis do Trabalho, através do artigo 611, que equiparam as mesmas as leis ordinárias, devendo, portanto, ser respeitada e cumprida. Contudo, temos que a não incidência de contribuição sobre as verbas pagas a título de abono, devem cumprir outros requisitos, em especial, o de ser expressamente desvinculado do salário. No caso dos levantamentos “Vale Refeição” e “Hora Refeição”, estando a empresa, inscrita ou não no PAT, esta verba somente não sofreria incidência de contribuição se não fosse paga em dinheiro. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, também reconheceu este entendimento, tendo publicado o Ato Declaratório nº 03/2011, que assim dispõe: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária” Já com relação aos valores pagos à título de “Ajuda de Transporte” razão assiste a recorrente. A Advocacia Geral da União inclusive publicou a Súmula nº 60/2011 entendendo não haver incidência de contribuições sobre esta verba. Vejamos o teor da Súmula: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba" Não logrando êxito na comprovação dos demais recolhimentos lançados pela autoridade fiscalizadora, a recorrente não se elidiu das obrigações a ela imputadas. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, rejeitar as preliminares e no mérito Darlhe provimento parcial para que sejam excluídos do lançamento os valores a .título de “Ajuda de Transporte”. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000307/200971 Acórdão n.º 240102.322 S2C4T1 Fl. 84 7 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15956.000422/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. RECONHECIMENTO.
A matéria que envolve a responsabilidade pessoal do sócio da empresa e do contador quanto ao lançamento foi argüida pela autoridade lançadora e combatida nas impugnações interpostas pelas pessoas físicas responsabilizadas, devendo ser enfrentada pelo julgador de primeira instância, sob pena de cerceamento do direito de defesa.
Recurso conhecido e provido para anular a decisão da DRJ.
Numero da decisão: 1201-000.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
DECLARAR a nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, ao não conhecer da matéria relativa à responsabilidade tributária do sócio Fábio Junio
da Silva Oliveira e do contador José Cloves da Silva, devendo os autos retornar à Delegacia de Julgamento competente, para proferir nova decisão com a apreciação da matéria não conhecida.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. RECONHECIMENTO. A matéria que envolve a responsabilidade pessoal do sócio da empresa e do contador quanto ao lançamento foi argüida pela autoridade lançadora e combatida nas impugnações interpostas pelas pessoas físicas responsabilizadas, devendo ser enfrentada pelo julgador de primeira instância, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Recurso conhecido e provido para anular a decisão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DECLARAR a nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, ao não conhecer da matéria relativa à responsabilidade tributária do sócio Fábio Junio da Silva Oliveira e do contador José Cloves da Silva, devendo os autos retornar à Delegacia de Julgamento competente, para proferir nova decisão com a apreciação da matéria não conhecida. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Gilberto Baptista. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização, que cobra sob o fundamento de omissão de receita IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, relativos ao anocalendário de 2006, conforme relatório fiscal abaixo transcrito: 5 O procedimento fiscal teve inicio com a diligência 0810900 2009014672, através da qual a fiscalizada foi intimada a apresentar de imediato, diversos livros e documentos conforme Termo de Intimação Fiscal n° 149/2009. Da análise da documentação apresentada cotejada com as informações constantes do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil — SRF, a diligência foi transformada na fiscalização n° 08109002009016160. Em atendimento as intimações fiscais (Termo de Intimação Fiscal N° 145/2009 (fls 52 e 53) e Termo de Inicio do Procedimento Fiscal (fls 421 a 423), a fiscalizada apresentou os seguintes livros e documentos: Cópia da alteração Contratual registrada na JUCESP sob o n° 123.209/092; Livro de Registro de Saídas do ano de 2006; Conhecimentos de Transportes do ano de 2006; Extratos bancários do ano de 2006 da conta corrente mantida pelo contribuinte no Bradesco agência localizada em Uberaba — MG n° 02640 C/C 84.3008. 6 Da análise da documentação apresentada e do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil foi constatado que: 6.1 Em sua Declaração de Informações Econômico — Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ 2007, ano calendário 2006 (fls 04 a 13), a fiscalizada declarou a Receita Federal do Brasil, receita bruta anual de R$ 404.506,00 (quatrocentos e quatro mil, quinhentos e seis reais); no entanto, de acordo com o banco de dados da Receita Federal do Brasil (DCPMF ano 2006), sua movimentação financeira foi de R$ 10.820.039,52 (dez milhões, oitocentos e vinte mil, trinta e nove reais e cinqüenta e dois centavos) nos seguintes bancos: Bradesco R$ 10.482.722,85 Sudameris R$ 337.316,67 Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 4 3 7 Em seu Livro de Registro de Saídas (fls 62 a 389) do ano calendário de 2006, a fiscalizada escriturou uma receita bruta anual de R$ 4.755.617,55 (quatro milhões, setecentos e cinqüenta e cinco mil, seiscentos e dezessete reais e cinqüenta e cinco centavos), 8 O livro de saídas está escriturado em ordem cronológica e os conhecimentos de transportes (anexados por amostragem fls 390 a 419) que embasaram a escrituração estão totalmente fora de ordem numérica. Por estes motivos, os conhecimentos de transportes foram confrontados, por amostragem, com os valores escriturados no Livro de Saídas. 9 A fiscalizada não apresentou o Livro Caixa a que está obrigado e nem Livro Diário/ Razão que seria opcional. 10 Uma vez que a receita bruta declarada é incompatível com a movimentação financeira, que a fiscalizada sequer apresentou sua escrituração obrigatória em seu Livro Caixa, os extratos bancários foram considerados imprescindíveis para se apurar a receita bruta auferida pela fiscalizada. 11 A fiscalização partiu, então, para a análise dos extratos bancários da conta corrente fiscalizada do Bradesco conforme dispõe a legislação vigente. Identificou todos os créditos efetuados nestas contas, excluiu os decorrentes de empréstimos, transferências de mesma titularidade, estornos e demais créditos que não são decorrentes da atividade comercial desenvolvida pela fiscalizada e apurou um montante de R$ 9.587.782,41 (nove milhões, quinhentos e oitenta e sete mil, setecentos e oitenta e dois reais e quarenta e um centavos). Tais créditos foram relacionados na planilha 1 anexa ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal SEFIS n° 073/2010 . Na conferência dos valores digitados com os extratos bancários, a fiscalização verificou que o crédito efetuado no dia 29/05/2006 no montante de R$ 54.158,00 foi digitado incorretamente como sendo R$ 54.185,00, portanto, o montante apurado é de R$ 9.587.755,41. 12 Do valor dos créditos apurados e descritos no item 11, o montante de R$ 4.883.940,33 (quatro milhões, oitocentos e oitenta e três mil, novecentos e quarenta reais e trinta e três centavos) apresenta no extrato bancário a identificação do remetente. 13 Do montante do item anterior, R$ 1.742.510,00 (um milhão setecentos e quarenta e dois mil, quinhentos e dez reais) tem no histórico como remetente as pessoas jurídicas relacionadas abaixo. Fato que, apesar da coincidência de todas apresentarem na sua razão social a palavra TARGA, os CNPJ são distintos; comprova que tais créditos não são transferências remetidas por filiais da fiscalizada, mas por outras pessoas jurídicas. A fiscalização relacionou tais créditos na planilha 2 anexa ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal SEAS n° 073/2010 . Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 5 4 RAZÃO SOCIAL CNPJ TARGA TRANSPORTES CATALÃO LTDA 04.956.232/000179 TARGA TRAN PORTES URUCUI LTDA 07.161.686/000141 TARGA TRANSPORTES CUBATÃO LTDA 04.345.897/000103 TARGA TRANSPORTES LIDA . 08.968.560/000146 TARGA TRANSPORTES PORTO ALEGRE LIDA 08.133.543/000199 TARGA TRANSPORTES R P L TARGA TRANSPORTES RIBEIRÃO TARGA TRANSPORTES SÃO LUIS LTDA 07.495.171/00269 TARGA TRANSPORTES U LIM TARGA TRANSPORTES UBERLÂNDIA LIMITADA 05.828.218/000152 14 Os demais créditos com a identificação do remetente, no montante de R$ 3.141.430,33 (três milhões, cento e quarenta e um mil, quatrocentos e trinta reais e trinta e três centavos) FORAM REMETIDOS PELOS CLIENTES DA FISCALIZADA, CONFORME VERIFICADO NOS CONHECIMENTOS DE TRANSPORTES e cujos valores estão discriminados na planilha 3 anexa ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal SEFIS n° 073/2010. 15 Os demais créditos, nos quais não havia a identificação de remetente, são provenientes de depósitos, transferências e liquidação de cobrança e foram relacionados na planilha 4 anexa ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal SEFIS n° 073/2010. 16 Diante de todos os fatos descritos e documentos analisados, a fiscalizada foi intimada através do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal SEFIS n° 073/2010 a prestar esclarecimentos, apresentar documentos e comprovar a origem dos créditos relacionados nas planilhas anexas a esse Termo de forma que descaracterizassem a operação comercial desenvolvida pela fiscalizada, se fosse o caso. 17 A fiscalizada solicitou prorrogação de prazo para apresentar os documentos solicitados. Foi concedido o prazo, uma vez que a fiscalizada apresentou os protocolos de solicitações juntos aos bancos Bradesco e Sudameris de cópia das fichas cadastrais e extratos do Sudameris. 18 Decorrido o prazo, a fiscalizada apresentou: 18.1 Extratos bancários da conta do Sudameris de uma agência de Uberaba — MG ag n° 1745 C/C 8.003442. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 6 5 18.2 Uma relação de pagamentos de sinistros, no entanto, não há identificação do CNPJ e tampouco os valores indenizados conferem com os valores depositados nas contas da fiscalizada nas datas das liquidações. 18.3 Extratos de movimentação da carteira de cobrança do Bradesco nos quais há identificação do sacado, Sementes Prata, THA Engenharia LTDA. Ressaltese que a empresa THA efetuou outras transferências para as contas da fiscalizada. Fato que comprova tratarse de receita auferida pela fiscalizada 18.4 Uma relação denominada "larga para larga" sob os históricos "transferências" e "depósitos" no montante de R$ 142.699,65. Ressaltese que esses créditos estão relacionados na planilha 04 do Termo de Constatação e Reintimação fiscal SEFIS n° 073/2010 nos quais o Bradesco, nos extratos, não identificou os remetentes por se tratar de transferências e depósitos. Na conta da fiscalizada do Sudameris, há débitos coincidentes em datas e valores que indiquem que houve transferência da conta do fiscalizada do Sudameris para a conta do Bradesco, portanto, não são transferências de mesma titularidade e sim de outras empresas que tem o nome "Targa" na razão social, mas que possuem CNPJ distintos, uma vez que são pessoas jurídicas distintas. A FISCALIZADA, APESAR DE REGULARMENTE INTIMADA, NÃO COMPROVOU MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, QUE A NATUREZA DESSAS OPERAÇÕES NÃO É COMERCIAL. 18.5 Planilha que a fiscalizada extraiu da planilha 04 anexa do Termo de Constatação e Reintimação fiscal SEFIS n° 073/2010 e IDENTIFICOU como remetentes a Usina Bela Vista e Usina Balzan. A fiscalização verificou que essas empresas são clientes da fiscalizada conforme vários registros efetuados no Livro de Saídas e conhecimentos de transportes. Ou seja, a fiscalizada declarou que do montante de transferências não identificadas creditadas em sua conta corrente do Bradesco, o montante de R$ 4.237.877,81 foram depositados/transferidos por dois de seus clientes para os quais a fiscalizada prestou serviços de transportes rodoviário de cargas. FATO que COMPROVA QUE TAIS CRÉDITOS SÃO RECEITAS AUFERIDAS PELA FISCALIZADA. A fiscalizada errou na digitação de um crédito efetuado no dia 15/05/2006, digitou R$ 77.664,00 quando o correto é R$ 77.644,00, portanto, o montante correto transferido pelas Usinas Bazan e Bela Vista é de R$ 4.237.857,81 (quatro milhões, duzentos e trinta e sete mil, oitocentos e cinquenta e sete reais e oitenta e um centavos). 19 A fiscalização analisou os extratos bancários da conta do Sudameris apresentados pela fiscalizada conforme dispõe a legislação vigente, excluiu todos os estornos, empréstimos e transferências de mesma titularidade que não são decorrentes da atividade Thercial desenvolvida pela fiscalizada e relacionou os demais créditos, no montante de R$ 94.567,74 (noventa e quatro mil, quinhentos e sessenta e sete reais e setenta e quatro Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 7 6 centavos), no Termo de Intimação Fiscal SEFIS n° 210/2010 para que a fiscalizada, caso fosse o caso, identificasse e comprovasse, mediante documentos hábeis e idôneos, que não são créditos decorrentes da sua atividade comercial. Nesse mesmo Termo, foi intimada a comprovar os efetivos créditos em suas contas correntes das indenizações de seguros, uma vez que, conforme relatado no item 18.2, os valores indenizados NÃO conferem com os valores depositados nas contas da fiscalizada nas datas das liquidações. 20 A fiscalizada, após decorrido o prazo, nada apresentou e solicitou, uma vez mais, prorrogação de 20 dias para ,atender a intimação fiscal, pois alega que solicitou ao Banco Real — que detalhe a origem e natureza das operações financeiras apontadas na intimação acima referida. Quanto ao comprovante dos efetivos pagamentos dos sinistros nada apresentou, muito menos se manifestou. A solicitado do contribuinte indica ser meramente protelatória, pois tratase de apenas dois lançamentos cujos documentos deveriam embasar a sua escrituração comercial, inclusive um deles, que representa mais de noventa por cento do montante relacionado, tudo indica tratarse de crédito decorrente de operação de desconto de títulos. 21 Portanto, a fiscalização INDEFERIU A SOLICITAÇÃO DA FISCALIZADA E A REINTIMOU ATRAVÉS DO TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL SEFIS N° 225/2010 A COMPROVAR, SE FOSSE 0 CASO, NO PRAZO DE 48 HORAS, QUE OS LANÇAMENTOS RELACIONADOS, CREDITADOS EM SUA CONTA CORRENTE DO SUDAMERIS, NÃO SÃO PROVENIENTES DA OPERAÇÃO COMERCIAL DE SUA ATIVIDADE. Nessa intimação, a fiscalizada foi cientificada que a planilha apresentada à fiscalização referentes às indenizações de sinistros só seria aceita caso á fiscalizada apresentasse documentação hábil e idônea. 22 Decorrido o prazo, a fiscalizada se manifestou alegando que o montante de R$ 90.567,74 referese a empréstimo financeiro. No mesmo ato,' apresentou documento que, apesar de intitulado "Sistema de Empréstimos", identifica, CLARAMENTE, QUE TAL CRÉDITO ORIGINAL, SE DE "DESCONTO DE DUPLICATA" OU SEJA, tratase de receita auferida pela fiscalizada. Quanto ao recebido no montante de R$ 4.000,00, a fiscalizada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, não se tratar de crédito proveniente de sua atividade comercial. Quanto as indenizações de seguros, a fiscalizada apresentou extrato detalhado de sua conta corrente do Bradesco, no qual constam, dois créditos no montante de R$ 38.170,24 (trinta e oito mil, cento e setenta reais e vinte e quatro centavos) efetuados pela AGF BRASIL SEGUROS SA e declaração informando que os demais pagamentos de indenizações de sinistros foram feitos pelas seguradoras diretamente aos proprietários das cargas — beneficiários de seguro de transporte. O crédito no montante de R$ 1.420,00 (um mil, quatrocentos e vinte reais) efetuado no dia 28/12/2006 pela AGF Seguros foi excluído do valor tributado. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 8 7 Quanto ao crédito no montante de R$ 36.750,24 (trinta e seis mil, setecentos e cinquenta reais e vinte e quatro centavos) não há o que se excluir, pois tal crédito não foi relacionado nas planilhas anexas ao Termo de Constatação e Intimação fiscal SEFIs n° 073/2010. 23 Diante dos fatos e PROVAS MATERIAIS, a fiscalização conclui que a fiscalizada auferiu no ano calendário de 2006 receita bruta no montante de R$ 9.680.903,15 (nove milhões, seiscentos e oitenta mil, novecentos e três reais e quinze centavos). E tendo em vista, que a fiscalizada emitiu conhecimentos de transportes, documento fiscal obrigatório de sua atividade comercial, que escriturou em seu Livro de Saída apenas o montante de R$ 4.755.617,55 e que declarou a Receita Federal do Brasil em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Federais) apenas cerca de quatro por cento do montante apurado, a fiscalização conclui que a fiscalizada prestou serviços de transportes sem emitir os respectivos documentos fiscais. 24 A receita bruta auferida pela fiscalizada e apurada pela fiscalização, no montante de R$ 9.680.903,15 (nove milhões, seiscentos e oitenta mil, novecentos e três reais e quinze centavos), pode ser resumida da seguinte forma: 24.1 R$ 9.375.294,11 são receitas comprovadas através dos seguintes procedimentos: a) identificados nos extratos bancários, b) créditos remetidos por dois clientes da fiscalizada, Usinas Bazan e Bela Vista, identificados pela própria fiscalizada, c) créditos decorrentes de operações de desconto de duplicatas, cobranças bancárias e d) créditos remetidos por pessoas jurídicas distintas da fiscalizada, que possuem a palavra "Targa" em sua denominação social, e que a fiscalizada, apesar de regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, que a natureza dessas operações não é comercial.Tais créditos estão individualizados e relacionados na planilha 01 anexa (fls 776 a 803). Uma vez que a fiscalizada escriturou em seu livro de saídas receita bruta no montante de R$ 4.755.617,55, mas que declarou em DCTF que alimenta o sistema de cobrança da SRFB R$ 400.792,96, o montante de R$ 9.375.294,11 (receitas comprovadas) será subdividida nas seguintes infrações: a) Receita operacional lançada não declarada, código 2.2.02.02.07, que corresponde a diferença entre a receita bruta escriturada e a declarada em DCTF e b) Omissão de receita da atividade, código 2.2.01.04.01, que corresponde a diferença entre a receita apurada, receita operacional não declarada e valores declarados em DCTF. 24.2 R$ 305.609,14 são depósitos e transferências de origem não comprovada. Tais depósitos estão relacionados e individualizados na planilha 2 em anexo (fls 804 e 805) e serão objeto de lançamento na infração depósitos bancários de origem não comprovada, código 2.2.01.05.01. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 9 8 25 As receitas omitidas foram apuradas mensalmente conforme planilha "Demonstrativo de apuração mensal das infrações" (fls 775) e os valores declarados em DCTF foram devidamente deduzidos dos valores tributados. (...) 38 Em atendimento a intimação fiscal, o Sr José Cloves apresentou documentos (f1s722 a 727) que comprovam ser ele o responsável pelo escritório JCS junto ao CRC e Requerimento de Empresário Individual. 39 Quanto as declarações prestadas pelo Sr José Cloves Silva, a fiscalização aponta o seguinte: 39.1 A declaração do Sr José Cloves Silva de que provavelmente ocorreu um erro do digitador não é verdade, pois a omissão de receitas ocorreu em todos os meses do ano de 2006, portanto de forma reiterada, além do que não se refere somente as receitas declaradas em DIPJ, mas também, na DACON e DCTF'S. A fiscalização verificou, ainda, que em junho de 2010, no curso do procedimento fiscal, quando não estava mais espontânea, que a fiscalizada retificou a DIPJ (documento informativo) referente ao ano calendário de 2006 alterando os valores declarados (fls 806 e 807), razão pela qual a DIPJ será cancelada. Ressaltese que não retificou as DCTF's que alimentam o sistema de cobrança conforme consulta de fls 808 que comprova que as DCTF's originais (fls 14 a 35) continuam ativas. 39.2Quanto aos demais anos, conforme consulta ao banco de dados da SRFB (FLS 809), persistiu a omissão de receitas: No ano calendário de 2005 a fiscalizada movimentou nas instituições um montante 19 vezes superior o declarado. No ano calendário de 2007 a fiscalizada movimentou nas instituições financeiras um montante de cerca 13 vezes superior ao valor declarado na DIPJ cancelada do ano de 2007. A fiscalizada retificou em 2010 a DIPJ apresentada em 2008 na qual havia declarado receita bruta no montante de R$ 383.085,60 (doc fls 810 a 821) alterando para R$ 2.492.759,32 (doc fls 822 a 833) na tentativa de ocultar sua sonegação ao diminuir a diferença entre o valor declarado e o movimentado nas instituições financeiras. No entanto, não oculta sua sonegação, pois as DCTF's que alimentam o sistema de cobrança não foram retificadas (doc fls 834 a 837), como por exemplo, apenas no segundo semestre de 2007 (fls 835), a fiscalizada apurou e declarou em DCTF débitos de IRPJ no montante de R$ 2.267,43 e de CSLL no montante de R$ 2040,68, enquanto na DIPJ informou valor devido de IRPJ no montante de R$ 16.465,87 e CSLL no montante de R$ 13.485,00. Uma vez que as DCTF's não foram retificadas foi encaminhada Representação para o setor encarregado de programação de fiscalização. O valor movimentado nas instituições financeiras Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 10 9 no ano de 2007 é cerca 13 vezes superior ao valor declarado na DIPJ cancelada do ano de 2007. DIANTE DOS FATOS, A FISCALIZAÇÃO ATRAVÉS DAS PROVAS INDICIARIAS CONCLUI QUE HA FORTES E SUFICIENTES INDÍCIOS DA PRATICA CONTUMAZ DA EMPRESA EM NÃO DECLARAR A SRFB A TOTALIDADE DAS RECEITAS AUFERIDAS. Quanto a declaração de que não foi necessariamente ele ,quem preencheu a DIPJ da fiscalizada só cabe ressaltar que a responsabilidade técnica quanto aos informações prestadas é dele, pois é ele o responsável pelo escritório JCS perante o CRC. 39.3 A empresas optantes pelo Lucro Presumido estão desobrigadas da escrituração dos livros Diário/Razão DESDE QUE ESCRITUREM 0 LIVRO CAIXA, NO QUAL DEVE CONTER TODA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE A BANCARIA. Portanto, a não escrituração e apresentação do Livro Diário / Razão ou Caixa não é justificada por ser a empresa optante pelo Lucro Presumido. 40 As declarações do contador Sr José Cloves Silva só permitem concluir que o responsável pela conduta da fiscalizada de prestar serviços sem emitir os respectivos documentos fiscais é o sócio administrador da fiscalizada Sr Fábio Júnio da Silva Oliveira e que os responsáveis pela pratica da fiscalizada de declarar a SRFB apenas parte das receitas auferidas são os senhores Fabio Júnio da Silva Oliveira, sócio administrador, e o contador da fiscalizada Sr José Cloves Silva, que ao declarar apenas parte das receitas auferidas impediu que o sistema de cobrança da SRFB fosse alimentado com os valores corretos, ou sela, colaborou com a sonegação fiscal praticada pela empresa. (...) 45 Do acima exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária relativamente às pessoas abaixo relacionadas, tendo em vista os motivos aqui destacados: Sr Fábio Júnio da Silva Oliveira, CPF 054.624.62654 pelo interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, ou seja, o lucro conforme dispõe o art. 124, inciso I, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e pela prática de sonegação fiscal (por omissão de receitas em declaração de informações fiscais Secretaria da RFB e falta de emissão de documentos fiscais): prática contraria a lei e definida por esta como crime contra a ordem tributária, conforme dispõem os artigos 135,III e 137, I, todos do CTN. Sr José Cloves Silva, CPF 019.939.27816, contador da fiscalizada tendo em vista a sua colaboração para a prática de sonegação fiscal (por omissão de receitas em declaração de rendimentos e informações fiscais a Secretaria da RFB); prática contraria à lei e definida por esta como crime contra a ordem tributária, conforme rezam os artigos 135, II e 137, I, todos da Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 11 10 Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional ) e tendo em vista a responsabilidade do contabilista, conforme o § único do artigo 1.177 da lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Novo Código Civil Brasileiro). VII DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 46 Em razão do exposto no item 40, acima, foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome Sr Fábio Júnio da Silva Oliveira, CPF 054.624.62654 e Sr José Cloves Silva, CPF 019.939.27816 para que possam exercer normalmente o direito de defesa, garantido pela Constituição Federal. Os Termos de Sujeição Passiva estão anexados às fls 838 a 841. O contribuinte foi intimado do lançamento e apresentou impugnação, alegando em síntese que: Quanto à omissão de receitas da atividade, a autoridade fiscal reconhece e admite que dito valor tributável tem lastro único e exclusivo nos extratos bancários fornecidos pela contribuinte, evidenciando a fragilidade da exigência tributária e sua nulidade, porque, ressalvado o exposto no item III da impugnação, todos os outros créditos bancários ditos identificados pelos extratos respectivos comprovadamente não constituem receitas da atividade, sendo certo que nenhum outro documento, nenhum outro fato, nenhuma outra prova nos autos sustenta essa imputação; Sendo o lançamento uma atividade vinculada, a autoridade fiscal não pode se pautar, única e exclusivamente, nos créditos existentes nos extratos bancários, conforme orientação sedimentada do egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e dos tribunais superiores (Súmula 182/TFR); O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, só autorizou a caracterização como omissão de receitas dos valores creditados em conta bancária, para fins de lançamento e exigência do crédito tributário, quando não comprovada a origem desses recursos, não sendo razoável admitirse que a aplicação da construção jurisprudencial que veda a exigência do mencionado crédito tributário apenas com fundamento nos extratos bancários do contribuinte teria sido afastada; A Súmula n° 182 do extinto TFR continua aplicável no que respeita inadmissibilidade de fixação do montante tributável pelo imposto de renda, quando se considerar, como no caso presente, tãosomente os extratos de movimentação de contas bancárias; Não há espaço para imputar à contribuinte a não comprovação da origem dos recursos tomados como receitas omitidas, pois essa origem restou e resta comprovada pelo próprio procedimento fiscal, de que decorrem de créditos remetidos por pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo empresarial da impugnante, para fins de se atender premente necessidade, Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 12 11 quando suas contas bancárias beiravam a apresentação de saldo a descoberto; Não se pode confundir "origem não comprovada" com "origem desconsiderada" pela autoridade: fiscal, que mesmo identificando, relatando e evidenciando a origem licita dos recursos, a desconsiderou, sem qualquer respaldo legal, para tê los por receitas omitidas (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, § 3°, I); Houve precipitação da autoridade fiscal ao tomar os créditos de depósitos identificados em extratos bancários, decorrentes de remessas de pessoas; jurídicas integrantes do mesmo grupo empresarial da impugnante, como receitas omitidas, porquanto meros depósitos bancários não são documentos suficientes para comprovar e/ou fundamentar a omissão de receitas; Meros depósitos em contacorrente, identificados em extratos bancários e oriundos de comprovadas remessas promovidas por pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo empresarial, não podem ser suficientes para caracterizar omissão de receitas se estas se acham legitimamente escrituradas no Livro Registro de Saídas da impugnante; As imperfeições eventualmente contidas na escrituração da impugnante poderiam, em tese, até justificar sua invalidação para fins de apuração do lucro real, mas não a afirmação inequívoca de ocorrência de omissão de receitas; Quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, repetemse os mesmos argumentos apresentados anteriormente com relação impossibilidade de se constituir crédito tributário com base única e exclusivamente em extratos bancários; Quanto à receita da atividade, escriturada e não declarada, tendo sido apurada diferença de tributo entre o devido e o efetivamente recolhido com base na receita bruta escriturada em livro fiscal próprio, e efetivamente caracterizada a ausência de dolo e/ou fraude fiscal a vista da regularidade e correção da escrituração fiscal, o crédito tributário decorrente não pode ser exigido da impugnante sem a outorga dos benefícios legais insertos na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, aos quais faz jus; Quanto à multa qualificada (majoração da multa), hão que ser reduzidas, porquanto, para ser aplicada a multa qualificada, há de restar evidente e definitivamente comprovado que a impugnante agiu com dolo ou fraude, e ainda que deixou deliberadamente de atender pedido de esclarecimento; Atendeu a tempo e hora, nos limites de suas possibilidades, todos os pedidos de esclarecimentos que lhe foram dirigidos; A simples omissão de receitas ou de rendimentos, a simples declaração inexata e/ou equivocada de receitas ou rendimentos, ou mesmo a falta de inclusão de algum valor, sem qualquer adulteração nos registros e assentos fiscais e sem qualquer Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 13 12 intuito de fraude, não têm a princípio a característica essencial de evidente intuito de fraude; Importa reconhecer ser de todo inaplicável a multa de ofício qualificada/majorada, havendo de ser reduzida para 75% (Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, I); Quanto à sujeição passiva solidária, o mero inadimplemento de tributos, ou mesmo o equivoco na prestação de informações ao Fisco sem o evidente intuito de fraude, não sustenta a imputação da responsabilidade solidária de que trata o Código Tributário Nacional (CTN), arts. 124, 135 e 137; A autoridade fiscal não logrou comprovar, isento de qualquer dúvida razoável, qualquer ato pessoal do sócioadministrador da impugnante direcionado à fraude fiscal, não havendo espaço para imputarlhe responsabilidade pessoal solidária pelo crédito tributário reclamado. A DRJ manteve o lançamento fiscal parcialmente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 14 13 Não compete as Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos exigidos do contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA AGRAVADA. REDUÇÃO. Deve a multa de oficio aplicada, majorada em 50%, ser reduzida ao percentual de 75%, quando não se encontram materializados nos autos, de forma inequívoca, os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. A contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 13/12/2010, apresentou Recurso Voluntário em 11/01/2011, alegando em síntese que: a) Quanto à matéria não impugnada, o contribuinte concorda com a decisão da DRJ, inclusive com a redução da multa de 112,5% para 75%; b) Quanto à responsabilidade tributária, a contribuinte contesta a decisão da DRJ, que se diz incompetente para analisar a questão, sob o pretexto de aplicar o artigo 202, inciso I, do CTN; c) Dessa forma, o entendimento da DRJ, ao invés de decidir, remeteu a discussão para a esfera judicial decidir quanto à validade e legalidade do crédito tributário; d) Logo, não há como desprender a imputação de responsabilidade solidária da efetiva comprovação de ter o sóciogerente agido em conformidade com o exigido pelo artigo 135 do CTN. O ato da DRJ implica em caracterização da negativa de prestação administrativa e manifesta ofensa ao princípio disposto no artigo 5°, LV, da CF; e) Quanto ao mérito, alega que o lançamento fiscal teve base de exigência única e exclusivamente nos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte em cumprimento à prévia notificação fiscal, de onde se disse identificado créditos diversos que comprovam a omissão de receitas imputadas; f) Alega ainda que os créditos bancários ditos identificados pelos extratos respectivos não constituem receitas da atividade da recorrente; g) Afirma que mesmo na vigência da presunção legal do artigo 42 da Lei n° 42 da Lei n° 9.430/96, o lançamento continua sendo uma atividade vinculada, e portanto, sendo vedado à autoridade se pautar apenas nos créditos existentes em extratos bancários do contribuinte; h) Menciona o disposto na Súmula n° 182 do TFR, que é anterior à Lei n° 9.430/96; Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 15 14 i) Afirma que não se pode confundir “origem não comprovada”, como origem desconsiderada pelos fiscais autuantes e pelo acórdão recorrido; j) Quanto à multa aplicada de 150%, insurgese afirmando que há de existir nos autos evidente dolo ou fraude, tendentes à deliberada sonegação fiscal. Não existindo, não pode a fiscalização aplicar multa qualificada. k) Com isso, a infração a lei, ainda que resulte em pagamento de tributo a menor, desprovida de qualquer adulteração de fatos e assentos fiscais não autoriza a presunção de intuito de fraude; l) Daí importa reconhecer que a multa aplicável é a de 75%, e não a majorada; m) Por fim, menciona a Súmula n° 25 do CARF. Já o contador da empresa também recorreu, protocolando sua peça em 12/01/2011, alegando em síntese que: a) Insurgese afirmando que o Colegiado sequer aborda a condição do recorrente, contador, tratandoo como se sócio o fosse, vez que sequer adentrou na correta aplicação dos artigos de lei acima citados, se limitado a dizer que a condição prevista no CTN, art. 124, I, permite fazer a inclusão dos nomes como responsáveis; b) Em suma, tal procedimento não pode acontecer da forma indiscriminada como ocorre no caso em tela, sob pena de ferimento á lei tributária, pois, o simples fato de escriturar os livros fiscais do contribuinte não lhe traz qualquer vinculação com o fato gerador da obrigação tributária; c) Não se pode negar que o não pagamento do tributo seja infração á lei, mas esta infração é praticada pela pessoa jurídica, e não pela pessoa do contador; d) Desta forma, ainda que haja infração á lei pelo não pagamento do tributo, para que haja a correta aplicação do art. 135, é necessário perscrutar quem infringiu a lei, se foi a pessoa jurídica ou se foram os terceiros; e) Ora, o principal pressuposto para a responsabilidade tributária de mandatários, prepostos e empregados das pessoas jurídicas de direito privado reside no dolo; f) Imprescindível a comprovação do intuito precípuo em fraudar a lei ou excesso de poderes para auferir vantagem indevida, posto que o art. 135 não traz hipótese de responsabilidade objetiva; g) A atribuição da responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro é sempre excepcional, e por isto as normas devem ser interpretadas com cautela, evitando sua ampliação, notadamente por ser o direito tributário pautado pela legalidade estrita, não admitindo extensões e analogia; h) No que diz respeito exclusivamente ao recorrente, autuado na condição de sujeito passivo coobrigado, sob a ótica dos insignes auditores autuantes, ele teria concorrido para a suposta "prática da infração", infringindo o que instituiu o Código Tributário Nacional Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 16 15 — o que o sujeitaria, em tese, às penalidades do parágrafo único do artigo 1.177 do Código Civil; i) Entretanto, data máxima vênia, por demais equivocados os auditores fiscais, em especial no que respeita ao recorrente, que nenhuma infração fiscal cometeu e nem concorreu para a prática de nenhum ilícito nos autos do procedimento tributário administrativo instaurado; j) Desde logo se tem, pelos dispositivos legais transcritos, a inexistência de qualquer infração à legislação tributária, máxime por parte do recorrente; k) E mais ainda, o recorrente, conceituado contador, de per si ou em concorrência, não infringiu qualquer dispositivo legal, em especial aqueles capitulados no auto de infração que inaugurou o procedimento tributário administração, ao que, data vênia, incabível e inconcebível se lhe impor a penalidade enumerada e/ou qualquer outra; l) E isso porque o que efetivamente se deu foi um manifesto equivoco de escrituração fiscal da empresa autuada, pronta e espontaneamente denunciada pelo próprio contribuinte, acompanhado do respectivo pedido de parcelamento do débito apurado. m) Logo, não há que se falar em "infração à legislação tributária" quando o próprio contribuinte, detectando o equívoco nos assentos contábeis, com recolhimento a menor do imposto devido, providencia a devida correção e espontaneamente denuncia o fato à fiscalização, efetuando de imediato pedido de parcelamento do débito verificado. n) E com maior razão, não há igualmente que se falar em "infração legislação tributária" em relação ao ora recorrente, profissional contábil, porquanto o simples fato de escriturar os livros fiscais do contribuinte não lhe traz qualquer vinculação com o fato gerador da obrigação tributária, não havendo qualquer tipo de responsabilização sua perante terceiros, exceto em havendo dolo (CC, 1.177, par. único), o que verdadeira e efetivamente não é o caso dos autos, onde, como já dito, detectado o equivoco dos lançamentos, prontamente se fez a correção e a espontânea denúncia autoridade fiscal competente, corri o respectivo pedido de parcelamento do débito apurado; o) Nesse particular, é clara a norma da Lei Substantiva Civil (art. 1.177, parágrafo único, bem assim o entendimento jurisprudencial pacificado, de que o contabilista somente, pode ser responsabilizado se comprovado dolo ou máfé no exercício de suas atividades. Daí, sendo o recorrente mero prestador de serviços contábeis, sua responsabilização solidária seria cabível somente se inequivocamente comprovado dolo ou máfé no exercício de seu munus. p) Com isso, afirma que resta claro que a autoridade fiscal responsável pela lavratura do auto de infração n. 15956.000422/201043, deu interpretação extensiva à legislação tributária que invocou (arts. 124, 135 e 137 do CTN), contrariando acintosamente o disposto no art. 112, do próprio CTN; q) E ainda, no que respeita à responsabilidade solidária imputada ao recorrente e ao oposto do que sustenta o auto de infração, contrariouse o disposto no art. 1.177, par. único, do Código Civil, vez que não demonstrou e nem comprovou, de forma clara e induvidosa, tenha ele agido com dolo no sentido de fraudar, de causar prejuízo ao erário; Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 17 16 r) Diante do exposto e do que consta nos autos requer seja acolhido e provido o presente Recurso Voluntário, para cassar o acórdão recorrido, adentrando ao mérito da responsabilidade tributária do recorrente, excluindoo da condição de coresponsável que lhe fora indevidamente imputada. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO Os Recursos são tempestivos e atendem aos requisitos legais, por isso os conheço. Quanto à parte não recorrida, conforme exposto na decisão da DRJ, o crédito tributário constituído é definitivo. Quanto à questão da responsabilidade tributária do sócio da empresa Fábio Júnio da Silva Oliveira e do contador José Cloves da Silva, a decisão da DRJ não enfrenta a matéria nos termos daquilo que fora imputado pela fiscalização, merecendo reforma. Vejamos os enunciados da decisão recorrida: Todos esses aspectos, contudo, dizem respeito à relação de natureza tributária objeto do lançamento. Este, aliás, na dicção do art. 142 do Código Tributário Nacional, é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Significa, portanto, que o exame da legalidade do lançamento a ser exercido na esfera administrativa fica restrito a esses aspectos. Não pode o julgador administrativo, encontrandose o contribuinte perfeita e incontroversamente identificado — como no caso em questão, na empresa TARGA TRANSPORTES RIBEIRÃO PRETO LTDA., ir além e declarar a existência ou inexistência de responsabilidade solidária de terceiros. Em princípio, a circunstância de haverem sido arrolados responsáveis solidários autoriza a formação de litisconsórcio passivo no momento da cobrança do crédito. Nesse momento, portanto, será apropriado discutir se aquelas pessoas físicas possuem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. E necessário registrar, portanto, que não somente o momento, mas também a autoridade incumbida de decidir essa questão, será outra, ou seja, o Poder Judiciário. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 18 17 Assim, o registro constante do termo de decisão de sujeição passiva é uma mera informação destinada a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional para a inscrição do débito em divida ativa. Como se sabe, o CTN, art. 202, I, determina que o termo de inscrição da dívida ativa indicará o nome do devedor e, sendo o caso, o dos coresponsáveis. Essa mesma disposição consta do § 5° do art. 2° da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980, que regula o processo de inscrição e cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública. Por outro lado, o § 4° do mesmo artigo estipula que a Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim sendo, fácil é de concluir que caberá à Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão incumbido da inscrição da dívida ativa, a análise das circunstâncias relatadas pela fiscalização e, entendendo que aqueles senhores realmente se encontram na condição prevista no CTN, art. 124, I, fazer constar seus nomes como responsáveis. Em hipótese contrária, proceder de forma diversa. Por óbvio, esse é um juízo de valor dos senhores Procuradores, em face dos elementos carreados para os autos pelo Fisco, ou de outros a que vierem ter acesso. Assim sendo, não estão dependentes de entendimentos anteriormente emanados a respeito, seja pelas Delegacias de Julgamento, seja pelo Conselho de Contribuintes. Demonstrado está, portanto, que não se trata de matéria que deva ser apreciada por qualquer dessas instâncias julgadoras. Necessário recordar, ainda, que o fato de constar da Certidão de Divida Ativa o nome de alguém como coresponsável não significa que essa pessoa estará definitivamente revestida dessa condição. Isso porque, como se sabe, por força do art. 3° da Lei n° 6.830, de 1980, a Dívida Ativa regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez. Todavia, o parágrafo único desse mesmo artigo ressalva que essa presunção é relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca em contrário. Concluise, portanto, que, ainda que a Procuradoria da Fazenda Nacional entenda que as pessoas mencionadas como coresponsáveis pelo crédito tributário devem efetivamente por ele responder, a última palavra a respeito caberá ao Poder Judiciário. Apenas nesse momento será cabível discutir se a situação fática determina a existência desse vinculo obrigacional. Assim, este Colegiado não dispõent da necessária competência para analisar a pretendida exclusão daqueles senhores do pólo passivo do auto de infração e afastar a imputação de responsabilidade solidária, como solicitado. Assim sendo, deve se abster de emitir julgamentos a respeito. Esse julgador entende de forma diferente. Há sim competência para a DRJ enfrentar a questão, devendo a mesma se pronunciar sobre a questão da responsabilidade das Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 19 18 pessoas físicas envolvidas no lançamento, existindo, nesse julgado, verdadeiro cerceamento ao direito de defesa. Inicialmente, a questão da inclusão do sócio e do contador como responsáveis pelo débito foi assim descrita pela fiscalização: Sr Fábio Júnio da Silva Oliveira, CPF 054.624.62654 pelo interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, ou seja, o lucro conforme dispõe o art. 124, inciso I, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e pela prática de sonegação fiscal (por omissão de receitas em declaração de informações fiscais Secretaria da RFB e falta de emissão de documentos fiscais): prática contraria a lei e definida por esta como crime contra a ordem tributária, conforme dispõem os artigos 135,III e 137, I, todos do CTN. Sr José Cloves Silva, CPF 019.939.27816, contador da fiscalizada tendo em vista a sua colaboração para a prática de sonegação fiscal (por omissão de receitas em declaração de rendimentos e informações fiscais a Secretaria da RFB); prática contraria à lei e definida por esta como crime contra a ordem tributária, conforme rezam os artigos 135, II e 137, I, todos da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional ) e tendo em vista a responsabilidade do contabilista, conforme o § único do artigo 1.177 da lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Novo Código Civil Brasileiro). Notese que a atribuição da responsabilidade nos termos do artigo 124, inciso I, e artigos 135, inciso III e artigo 137, inciso I, todos do CTN impõem conseqüências terríveis a essas pessoas, pois foram imputados contra elas participação direta nos atos ilícitos praticados pela empresa, além de responder com patrimônio próprio pelos débitos fiscais da pessoa jurídica. Vejamos as legislações abaixo transcritas: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15956.000422/201043 Acórdão n.º 120100.674 S1C2T1 Fl. 20 19 Já em relação ao contador, imputouse ainda o disposto no artigo 1.177, parágrafo único, do Código Civil, que prescreve: Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de máfé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos. Por isso, não estamos diante de algo a ser decidido apenas pela Procuradoria e pelo Poder Judiciário em razão de uma interpretação trazida no disposto no artigo 202, inciso I, do CTN, e muito menos estamos diante de uma incompetência para enfrentar tal matéria como atestou de forma equivocada o julgador da DRJ. Essa matéria pode até ser reanalisada no futuro pelo Poder Judiciário, porém faz parte do lançamento fiscal e deve ser analisada nos autos do processo administrativo. Portanto, estamos diante de matéria imputada pela fiscalização e combatida pelo contribuinte que faz parte da competência sim do julgador administrativo, não devendo esse se furtar de enfrentar a questão. Tanto é que essa imputação traz implicações patrimoniais imediatas às essas pessoas físicas, como o arrolamento de bens, entre outras, o que não pode ficar aguardando um dia o Judiciário se manifestar a respeito de um ato da fiscalização, na qual teve o julgador de primeira instância administrativo se furtado de enfrentar o problema. Diante do exposto, CONHEÇO dos Recurso e, no mérito DOULHE PROVIMENTO para anular a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, ao não conhecer da matéria relativa à responsabilidade tributária das pessoas físicas, devendo a DRJ enfrentar a matéria não conhecida. Intimese as pessoas físicas envolvidas no lançamento da presente decisão. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003521/2003-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário:1999
CRECHE. PRÉESCOLA.
ENSINO FUNDAMENTAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Não podem permanecer no Simples Federal as pessoas jurídicas que tenham se dedicado a atividades de creche, pré-escola e ensino fundamental que, optantes pela sistemática antes de 25 de outubro de 2000, foram dela excluídas de oficio, com os efeitos desta exclusão fixados para terem lugar antes da edição da Lei n° 10.034, de 2000. Nesse mesmo sentido já decidiu o E. STJ, no julgamento do REsp nº 1.021.263 SP (2008/00029439), com efeito de repetitivo.
Numero da decisão: 1801-000.871
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário:1999 CRECHE. PRÉESCOLA. ENSINO FUNDAMENTAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não podem permanecer no Simples Federal as pessoas jurídicas que tenham se dedicado a atividades de creche, pré-escola e ensino fundamental que, optantes pela sistemática antes de 25 de outubro de 2000, foram dela excluídas de oficio, com os efeitos desta exclusão fixados para terem lugar antes da edição da Lei n° 10.034, de 2000. Nesse mesmo sentido já decidiu o E. STJ, no julgamento do REsp nº 1.021.263 SP (2008/00029439), com efeito de repetitivo.
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PRÉESCOLA. ENSINO FUNDAMENTAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não podem permanecer no Simples Federal as pessoas jurídicas que tenham se dedicado a atividades de creche, préescola e ensino fundamental que, optantes pela sistemática antes de 25 de outubro de 2000, foram dela excluídas de oficio, com os efeitos desta exclusão fixados para terem lugar antes da edição da Lei n° 10.034, de 2000. Nesse mesmo sentido já decidiu o E. STJ, no julgamento do REsp nº 1.021.263 SP (2008/00029439), com efeito de repetitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Campinas/SP: Tratase de pedido de (re)inclusão retroativa no Simples Federal, parcialmente provido pela DRF de origem nos termos seguintes: Pelo exposto, tendo em vista que somente a partir de 24/10/2000 [a referência é a Lei n° 10.034, de 24/10/2000] a atividade exercida pelo contribuinte [inclusa no domínio de creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental] deixou de ser vedada ao Simples Federal, proponho a manutenção da exclusão efetuada em 01/02/1999, e a inclusão retroativa à 01/01/2001, uma vez atendidas as condições dispostas no ADE SRF n° 16 de 02/10/2002, conforme pesquisas de fls. 73 a 79. (fl. 48; texto entre colchetes acrescido). Cientificado da citada decisão em 08/08/2007, o Contribuinte protocolou a competente manifestação de inconformidade em 16/08/2007, vindos os autos a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP — DRJ/CPS em 31/08/2007 (conforme protocolo de capa). Lá, em breve síntese, argúi que disputaria a incidência da Lei n. 10.034 de 24 de outubro de 2000, certo que, quando outrora excluída da sistemática em apreço, em época anterior à indigitada Lei, fez inaugurar a competente instância administrativa, circunstância que teria suspenso os efeitos próprios daquela exclusão, sugerindo com isso que a futura decisão administrativa a respeito, tomada (ou a ser tomada) depois da edição da Lei n° 10.034/2000, a esta se sujeitaria. Colaciona, ademais, julgados administrativos e judiciais que, no seu entender, corroborariam sua tese. A DRJ em Campinas/SP, ao apreciar o litígio, indeferiu a solicitação ao argumento de que a IN SRF n º 115/2000, expressamente determina que, empresas dedicadas à atividades de creche, préescola e ensino fundamental, podem permanecer no Simples, se dele foram excluídas de ofício, desde que os efeitos da exclusão se operem a partir da edição da Lei n º 10.034 de 24 de outubro de 2000. Assim, no caso, a interessada teria sido excluída de ofício com efeitos a partir de 01/03/1999, razão pela qual não poderia permanecer no Simples durante o período de 01/03/1999 até 31/12/2000. Notificada da decisão, em 08/11/2007, como demonstra a cópia do AR à fl. 86, apresentou, a interessada, em 28/11/2007, o recurso voluntário de fls. 87 a 100, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.003521/200351 Acórdão n.º 180100.871 S1TE01 Fl. 104 3 Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. O presente processo trata de pedido de reinclusão, retroativa ao ano calendário 1999, no Simples Federal, tendo em conta que a empresa, tendo optado pela sistemática em 1997, dela foi excluída de ofício a partir de 01/03/1999. No contexto, importa salientar que a exclusão da empresa da sistemática do Simples se deu no âmbito do processo 10830.007018/9918, já apreciado. Assim, os argumentos de defesa no sentido de que, por ocasião da análise do litígio instaurado naqueles autos, a exclusão não havia sido definitivamente julgada e, por tal razão, deveria ser aplicado o quanto dispõe o artigo 106, II do CNT, não tem guarida no âmbito dos presentes autos, que tratam de pedido de inclusão retroativa. Nesse sentido verificase que somente a partir de outubro de 2000 é que as atividades praticadas pela empresa deixaram o rol das vedações estabelecidas no art. 9o., XIII da Lei n º 9.317, de 1996. Assim, qualquer autorização para ingresso ou reinclusão na sistemática do Simples, retroativa ao anocalendário 1999, no âmbito destes autos, se mostraria totalmente ilegal. Nesse mesmo sentido já decidiu o E. STJ, no julgamento do REsp nº 1.021.263 SP (2008/00029439), com efeito de repetitivo. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10680.002995/00-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa:
COMPENSAÇÃO – DESAPENSAMENTO
A controvérsia remanescente gravita, na fase recursiva, em relação a débitos não compensados com saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002.
Desapensamento do feito ocorrido com a distribuição deste ao órgão julgador ad quem. Não conhecimento do recurso, por ausência de litígio quanto à compensação com saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1999.
Matéria litigiosa que deve ser conhecida nos autos do outro processo – o desapensado.
Numero da decisão: 1103-000.611
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: COMPENSAÇÃO – DESAPENSAMENTO A controvérsia remanescente gravita, na fase recursiva, em relação a débitos não compensados com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. Desapensamento do feito ocorrido com a distribuição deste ao órgão julgador ad quem. Não conhecimento do recurso, por ausência de litígio quanto à compensação com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. Matéria litigiosa que deve ser conhecida nos autos do outro processo – o desapensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes e Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.002995/0013 Acórdão n.º 110300.611 S1C1T3 Fl. 437 2 Relatório DOS PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO O presente processo cuida de pedido de restituição de Saldo Negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1999, no valor de R$ 1.011.783,99. A recorrente solicitou a utilização do crédito pleiteado através dos Pedidos de Compensação (fls. 02, 60 a 64, 66, 67 e 69). Neste mesmo processo foram anexadas (fls. 81 a 118) as Declarações de Compensação protocolizadas através do PER/DCOMP Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação, mediante a utilização do Saldo Negativo de IRPJ apurado em 2002 e em 2003, formalizadas, respectivamente, nos processos 10680.720.757/200588 e 10680.720.756/200533, que também são objeto de análise neste processo com a inauguração do litígio. O resultado da análise do crédito utilizado foi objeto do Despacho Decisório, prolatado pela DRF/Belo HorizonteMG em 22/10/2004: Da análise dos autos, verificase que no ano calendário de 1999, a peticionaria optou pela apuração anual do lucro real... Na apuração anual do resultado do exercício, constatouse... Imposto de Renda a pagar negativo de R$ 1.044.829,47. Parte deste saldo foi utilizada para compensação com o imposto de renda devido mensalmente nos exercícios subseqüentes, conforme relatórios anexados às fls. 289 a 290, restando à requerente um saldo remanescente de R$ 938.726,42. (...) Os saldos referentes aos exercícios de 2001 e 2002, anos calendário 2000 e 2001 foram utilizados para compensação com o IRRF – Juros sobre remuneração de capital próprio referentes aos anoscalendário 2000 e 2001, conforme documentos anexados às fls. 291 a 295. No anocalendário de 2002... resulta em Imposto de Renda a pagar negativo de R$ 791.338,78. No período de 01/01/3003 a 03/03/2003...R$ 43.383,80, configurase como indébito, passível de restituição. No período de 01/03/2003 a 31/12/2003... resulta um Imposto de Renda a pagar negativo de R$ 376.382,47. (...) Reconheço à peticionaria o direito creditório sobre as quantias de R$ 938.726,42 em 31/12/1999, R$ 791.338,78 em 31/12/2002; R$ 43.383,80 em 28/02/2003 e R$ 376.382,47 em 31/12/2003, Fl. 437DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.002995/0013 Acórdão n.º 110300.611 S1C1T3 Fl. 438 3 com o acréscimo previsto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. ( grifos do original). Diante do crédito reconhecido, foi efetuada a operacionalização da compensação, resultando no seguinte demonstrativo: Processo AnoCalendário/trimestre Tipo Natureza do saldo Valor em reais 10680.002995/0013 1999 IRPJ Débito 119.507,29 10680.720757/200588 2002 IRPJ Débito 551.986,34 10680.720756/200533 2003 IRPJ Crédito 319.679,06 . DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A recorrente foi cientificada do despacho exarado em 26/01/2006, opondo manifestação de inconformidade, em 24/02/2006, na qual alega em síntese que: • Antes de tudo, e por força de prescrição, deve o Despacho Decisório ser revisto para excluir de sua apreciação as declarações de compensação da signatária, referentes ao ano calendário de 1999, posto que decorridos mais de 05 anos até o dia 26/01/2006. • Quanto à utilização do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 1999 em compensações com imposto de renda devido em períodos subsequentes, as DIPJ’s anexadas ao processo comprovam que este fato não ocorreu. Os valores compensados com o IR devido mensalmente referemse a retenções do próprio ano calendário e não de exercícios ou anos calendários anteriores. A própria legislação fiscal determina a dedução somente das retenções referentes às receitas que integram a base de cálculo do IRPJ devido. Por fim, propugna pela revisão do Despacho Decisório exarado pela DRF Belo Horizonte, e a anulação dos débitos fiscais apontados pelo fisco. DA DECISÃO DA DRJ Em face dos detalhes influem decisivamente no julgamento do recurso voluntário, transcrevo bastantes excertos do decisório a quo. Diante do art. 7º desta Lei (sic., referese ao art. 74 da Lei 9.430/96), a SRF – Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa IN nº 21, aos 10 de março de 1997; a compensação deveria ser requerida em caso de tributos de espécies distintas, de tributos lançados de ofício, ou relativos a períodos anteriores ao do crédito, bem como quanto a créditos de terceiros. O Pedido de Restituição anexado à fl. 01 foi protocolizado na vigência desta Instrução Normativa, já revogada, sem interrupção de sua força normativa por dispositivos editados posteriormente. Os Pedidos de Compensação anexados ao processo também foram protocolizados na vigência desta norma. Entretanto, por força do § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pela Lei º 10.637, de 2002, estes pedidos foram convertidos em Declarações de Compensação. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.002995/0013 Acórdão n.º 110300.611 S1C1T3 Fl. 439 4 O impugnante pleiteia a exclusão da apreciação das Declarações de Compensação apresentadas pelo contribuinte mediante a utilização do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 1999, uma vez que já alcançado pela prescrição, invocando o § 4º do art. 150 do CTN e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Esta alegação veio à baila em função da conversão dos Pedidos de Compensação protocolizados na vigência da IN SRF 21, de 1997 em Declarações de Compensação (DCOMP). Dessa forma, tornase relevante para a lide os efeitos desta conversão. CCOONNVVEERRSSÃÃOO PPEEDDIIDDOOSS DDEE CCOOMMPPEENNSSAAÇÇÃÃOO EEMM DDCCOOMMPP –– EEFFEEIITTOOSS PPRRÁÁTTIICCOOSS A conversão dos Pedidos de Compensação em DCOMP foi determinada pela Lei nº 10.637, de 2002, que inseriu no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 o § 4º. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Este parágrafo, ainda que inserido em 2002, produz efeitos em atos praticados desde 1997, quando foi normatizado o pedido de compensação, pela IN SRF nº 21. Notese que, todos aqueles processos de compensação aguardando análise na SRF, independentemente da data de protocolização, que atendessem ao determinado no caput do art. 74 da Lei nº 9.430 em sua nova versão, passaram a Declaração de Compensação. Dessa forma, os Pedidos de Compensação que se converteram em Declarações de Compensação passam a se submeter às regras determinadas pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, na versão instituída pela Lei nº 10.637, de 2002 e alterações posteriores, desde que respeitadas as demais regras ditadas pela legislação tributária vigente. Dentre elas, temos: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Este artigo está em consonância com o art. 150 do CTN, e delimita o prazo para que o fisco invalide o procedimento executado pelo sujeito passivo, no caso, a Declaração de Compensação. O termo inicial de contagem deste prazo está explícito na lei: da data da entrega da declaração de compensação. Por outro lado, o CTN, ao tratar do lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de Fl. 439DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.002995/0013 Acórdão n.º 110300.611 S1C1T3 Fl. 440 5 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco)anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notese que, em se tratando do IRPJ apurado pelo sujeito passivo em sua declaração de ajuste anual, devidamente informado na Declaração de Débitos (DCTF) e efetivamente pago, submetese ao prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. Percebese que, diferente da Declaração de Compensação, a qual a lei determinou explicitamente o marco inicial da contagem de prazo (a data da entrega da declaração de compensação), o IRPJ apurado na DIPJ, informado na DCTF e efetivamente pago, submetese ao prazo determinado no § 4º do art. 150 do CTN. Expirado este prazo, não pode mais o fisco exigir do contribuinte um valor maior que o por ele apurado, fato este que não impede a Administração Pública de aferir eventuais créditos decorrentes desta apuração para restituição ou utilização para compensação em períodos posteriores, desde que respeitado o prazo delimitado pelo § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. (...) CCOOMMPPEENNSSAAÇÇÃÃOO –– HHOOMMOOLLOOGGAAÇÇÃÃOO TTÁÁCCIITTAA. Diante dos esclarecimentos do tópico anterior, tornase imprescindível averiguarmos a data em que foram protocolizados os Pedidos de Compensação, objeto de análise neste processo: Processo 10680.002995/0013 Valor Pleiteado R$ 1.011.783,99 Origem Crédito Saldo Negativo IRPJ AC 1999 Valor reconhecido DRF R$ 928.726,42 Pedidos de Compensação Situação após operacionalização fl. 337 Data Receita PA Valor fl.. 15/03/2000 2172 fev/00 R$ 84.730,12 2 Compensação homologada 15/03/2000 8109 fev/00 R$ 18.359,84 2 Compensação homologada 14/04/2000 2172 mar/00 R$ 108.482,12 60 Compensação homologada 14/04/2000 8109 mar/00 R$ 23.504,48 60 Compensação homologada 12/05/2000 2172 abr/00 R$ 83.627,36 61 Compensação homologada 12/05/2000 8109 abr/00 R$ 18.119,30 61 Compensação homologada 15/06/2000 2172 mai/00 R$ 101.507,54 62 Compensação homologada 15/06/2000 8109 mai/00 R$ 21.993,30 62 Compensação homologada Fl. 440DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.002995/0013 Acórdão n.º 110300.611 S1C1T3 Fl. 441 6 14/07/2000 2172 jun/00 R$ 110.761,90 63 Compensação homologada 14/07/2000 8109 jun/00 R$ 23.998,41 63 Compensação homologada 14/08/2000 2172 jul/00 R$ 117.703,59 64 Compensação homologada 14/08/2000 8109 jul/00 R$ 25.502,44 64 Compensação homologada 15/09/2000 2172 ago/00 R$ 97.514,82 69 Compensação homologada 15/09/2000 8109 ago/00 R$ 21.128,21 69 Compensação homologada 13/10/2000 2172 set/00 R$ 151.211,78 66 Compensação homologada 13/10/2000 8109 set/00 R$ 32.762,55 66 Comp. parcialmente homologada – Saldo devedor: R$ 17.433,69 14/12/2000 8109 nov/00 R$ 41.275,35 67 Compensação não homologada – Saldo devedor: R$ 41.275,35 Notese que, dos Pedidos de Compensação protocolizados na vigência da IN SRF 21, de 1997, convertidos em Declaração de Compensação, somente aqueles protocolizados em 13/10/2000 e 14/12/2000 não foram homologados integralmente, em função do reconhecimento a menor do crédito utilizado. Considerando a data de protocolização destes pedidos (outubro e dezembro/2000) e a data da ciência do despacho denegatório da homologação da compensação (26/01/2006), já ultrapassado o prazo previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; assim sendo, já expirado prazo para que o fisco invalidasse o procedimento, ou seja, a compensação declarada foi tacitamente homologada. Diante da constatação acima, incabível a cobrança do saldo devedor atribuído ao PIS (8109) nos meses de setembro e novembro de 2000, nos valores respectivos de R$ 17.433,69 e R$ 41.275,35, uma vez que já extintos pela compensação, tacitamente homologada, na forma da legislação vigente. Por outro lado, ainda que a SRF não possa cancelar a compensação declarada pelo contribuinte, cabe averiguar a procedência do indébito pleiteado e o possível saldo a restituir após a homologação desta compensação. DDIIRREEIITTOO CCRREEDDIITTÓÓRRIIOO –– SSAALLDDOO NNEEGGAATTIIVVOO IIRRPPJJ EEXX 22000000//AACC11999999. O contribuinte pleiteou à fl. 01 a restituição da importância de R$ 1.011.783,99, correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 1999. A DRF Belo Horizonte apurou um saldo negativo de IRPJ para este mesmo período no valor de R$1.044.829,47 (fl. 298). Entretanto, também verificou a utilização de parte deste crédito em compensações com imposto de renda devido em períodos subseqüentes. O impugnante contesta estas compensações. As DCTF’s anexadas às fls. 213/verso e 214 indicam a utilização do saldo negativo de IRPJ apurado em períodos anteriores para extinção de parte do IRPJ apurado nos meses de outubro e novembro de 2000, nos valores de R$ 38.909,17 e R$ 83.746,16. Estas informações foram prestadas pelo próprio contribuinte quando da apresentação da DCTF. (...) Fl. 441DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.002995/0013 Acórdão n.º 110300.611 S1C1T3 Fl. 442 7 Assim sendo, não há como invalidar o procedimento adotado pelo próprio contribuinte, efetuado nos moldes da legislação vigente à época, pelo simples fato de que um mesmo crédito não pode ser utilizado para quitar dois débitos. Uma vez que já utilizado para extinção de débitos informados na DCTF, deixa de ser passível de restituição ou compensação de outros débitos. Diante das considerações acima, mantémse a compensação efetuada através da DCTF, deduzindo do valor a restituir a importância correspondente. Dessa forma, considerando que todo o valor reconhecido pela DRF/Belo HorizonteMG já foi utilizado para homologar as compensações declaradas pelo contribuinte, inexiste saldo negativo de IRPJ/EX2000/AC1999 a restituir. SSAALLDDOO NNEEGGAATTIIVVOO IIRRPPJJ –– EEXX 22000033//AACC 22000022 O contribuinte apurou em 31/12/2002 o saldo negativo de IRPJ no valor de R$791.338,78 (fl. 184/verso). Este crédito foi integralmente reconhecido pela DRF/Belo HorizonteMG, e utilizado nas compensações declaradas pelo contribuinte. As compensações homologadas mediante a utilização deste crédito: Processo 10680.720.757/200588 Crédito utilizado Saldo negativo de IRPJ AC 2002/EX 2003 Data DCOMP Receita P Apuração Valor Fl. Resultado operacionalização – fl. 383 28/11/2003 5706 0410/02 R$ 28.494,44 81 Compensação Homologada 28/11/2003 5706 0111/02 R$ 4.174,56 81 Compensação Homologada 28/11/2003 5706 0412/02 R$ 54.088,00 81 Compensação Homologada 28/11/2003 5706 0101/03 R$ 510.174,55 82 Compensação Homologada 28/11/2003 5706 0110/02 R$ 21.655,74 82 Compensação Homologada 28/11/2003 5706 0210/02 R$ 28.494,44 82 Compensação Homologada 15/01/2004 2172 Dez03 R$ 261.182,48 89 Comp homologada parcial Saldo Débito: R$ 52.617,03 14/08/2004 5993 dez03 R$ 88.055,63 349 Compensação Homologada 14/08/2004 2484 dez03 R$ 22.320,09 349 Compensação Homologada 19/08/2004 2484 dez03 R$ 16.808,53 354 Compensação Homologada 19/08/2004 5993 dez03 R$ 26.569,62 382 Compensação Homologada 15/09/2004 2172 ago04 R$ 3.401,00 360 Compensação Homologada 15/10/2004 2172 set04 R$ 15.561,56 364 Compensação Homologada 15/10/2004 5856 set04 R$ 11.839,66 364 Compensação Homologada 15/10/2004 8109 set04 R$ 3.371,67 364 Compensação Homologada 15/12/2004 6912 nov04 R$ 378,75 371 Compensação Homologada 15/12/2004 5856 nov04 R$ 1.838,76 371 Compensação Homologada 15/02/2005 6912 jan05 R$ 4.348,57 376 Compensação não homologada Saldo Débito: R$ 4.348,57 15/02/2005 5856 jan05 R$ 20.029,79 376 Compensação não homologada Saldo Débito: R$ 20.029,79 Percebese que ainda que, reconhecido o saldo negativo de IRPJ AC 2002/EX 2003 em sua totalidade, o valor apurado não foi suficiente para extinção de todos os débitos declarados pelo contribuinte em suas DCOMP’S. A invalidação do procedimento ocorreu com a ciência do Despacho Decisório ao contribuinte aos 26/01/2006, dentro do prazo regulamentar. Assim sendo, mantida a cobrança dos débitos indevidamente compensados, pela insuficiência do crédito. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.002995/0013 Acórdão n.º 110300.611 S1C1T3 Fl. 443 8 SSAALLDDOO NNEEGGAATTIIVVOO IIRRPPJJ –– EEXX 22000044//AACC 22000033 O contribuinte apurou em 31/12/2003 o saldo negativo de IRPJ no valor de R$43.383,80 (fl. 190/verso) e R$ 376.382,47 (fl.191/verso). O crédito apurado neste período também foi integralmente reconhecido pela DRF/Belo HorizonteMG, e utilizado nas compensações declaradas pelo contribuinte, e até a data da operacionalização das compensações ainda não consumido em sua totalidade pelo contribuinte. Todas as DCOMP’s apresentadas com a utilização deste crédito foram homologadas pelo fisco (fl. 389). SSIINNOOPPSSEE Considerando a análise efetuada até aqui, envolvendo o saldo negativo de IRPJ apurado em 1999, 2002 e 2003, resumese: • O saldo negativo de IRPJ apurado no EX 2000/AC 1999, disponível para extinção de débitos por via de Declaração de Compensação é insuficiente para a homologação das compensações declaradas pelo contribuinte. Contudo, uma vez que as compensações efetuadas mediante a utilização deste crédito foram declaradas até 14/12/2000, em 26/01/2006, data da ciência do despacho denegatório ao contribuinte, estas compensações já se encontravam homologadas tacitamente. • O saldo negativo de IRPJ apurado no EX 2003/AC 2002 é insuficiente para homologação de todas as compensações declaradas pelo contribuinte mediante a utilização deste crédito. A ciência desta insuficiência e dos débitos indevidamente compensados ao contribuinte foi efetuada em 26/01/2006, dentro do prazo qüinqüenal previsto pela legislação vigente. Assim sendo, impõese a cobrança destes débitos, na forma da lei. •• O saldo negativo de IRPJ apurado no EX 2004/AC 2003 foi suficiente para homologação das compensações declaradas mediante a utilização deste crédito até 15/07/2004 (última DCOMP anexada mediante a utilização deste crédito). CCOONNCCLLUUSSÃÃOO. Concluindo, à vista de tudo acima descrito, voto por DEFERIR PARCIALMENTE a solicitação do contribuinte para: • INDEFERIR o direito de utilização do direito creditório não reconhecido pela DRF/Belo HorizonteMG, referente ao EX 2000/AC 1999; • CONSIDERAR HOMOLOGADA TACITAMENTE a compensação de débitos declarada nos pedidos de compensação à fls. 66 e 67, referentes ao PIS apurado em setembro e novembro de 2000, respectivamente importando em R$ 32.762,55 e R$ 41.275,35. • NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO do saldo de débitos do processo 10680.720.757/200588, pela insuficiência do crédito utilizado. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.002995/0013 Acórdão n.º 110300.611 S1C1T3 Fl. 444 9 DO RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente articula em seu recurso que, apesar de o decisório a quo dispor que indefere o direito de utilização do direito creditório não reconhecido pela DRF/Belo Horizonte, referente ao anocalendário 1999, exercício 2000 (fl. 407 e acima transcrito), tal indeferimento não gera obrigação tributária para a recorrente, porquanto reconhecida a homologação tácita, expresso na fl. 406 do decisório: O saldo negativo de IRPJ apurado no EX 2000/AC 1999, disponível para extinção de débitos por via de Declaração de Compensação é insuficiente para a homologação das compensações declaradas pelo contribuinte. Contudo, uma vez que as compensações efetuadas mediante a utilização deste crédito foram declaradas até 14/12/2000, em 26/01/2006, data da ciência do despacho denegatório ao contribuinte, estas compensações já se encontravam homologadas tacitamente. (também já colacionado acima). Dessa forma, nada pode ser exigido da recorrente quanto às compensações do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, conforme o próprio decisório. Deduz que, como também nenhum débito pode ser dela exigido sobre as compensações do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, conforme a fl. 406 (transcrito acima na sinopse), a única questão que remanesce controvertida versa sobre a não homologação integral das compensações exercidas com o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002. Anota que, com base na DCOMP de fls. 85 e 86, o decisório a quo considerou como crédito empregado na compensação declarada em 15/01/04 o valor de R$ 261.182,48, que compõe o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. A recorrente alega que o valor desse crédito foi indicado equivocadamente. Cuidouse de erro material perpetrado pela recorrente, pois esse valor compõe, a bem ver, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003. Diante desse erro material, a recorrente acusa já ter formalizada a retificação da DCOMP (fls. 425 a 430), de modo que tal valor foi utilizado, com a correção, para compensação do débito vencível em 15/01/04 (nesse valor). Em suma, houve erro material ao informar a compensação do débito de R$ 261.182,48, vencível em 15/01/04, com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002: o erro fora sanado com a retificadora da DCOMP, com o que se declara a compensação desse débito com o crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003. Aduz que, diante de mero erro material, ainda que corrigido somente ao tempo do recurso, não se pode manter a exigência fiscal, citando acórdãos do 1º Conselho de Contribuintes – embora eles tratem de erro material em DCTF e em DIPJ. É o relatório. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.002995/0013 Acórdão n.º 110300.611 S1C1T3 Fl. 445 10 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo. Como se viu do relatório, este processo se refere à compensação com uso de saldo negativo do anocalendário de 1999, e é conexo aos de nºs 10680.720757/200588 e 10680.720756/200533: respectivamente correspondentes a compensações com uso de saldo negativo dos anoscalendário de 2002 e de 2003. Os três feitos foram juntados para julgamento conjunto pela 3ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, até porque o despacho decisório foi único para todos eles. O julgamento conjunto se deu sob o nº de processo ora em causa. Entretanto, curiosamente, o presente feito foi desapensado dos outros dois, no curso a este órgão julgador recursivo. A propósito, o desapensamento foi realizado de forma inadequada. Não foram vertidos aos autos do processo de nº 10680.720757/200588 os documentos essenciais a ele, como a íntegra do despacho decisório, a manifestação de inconformidade, a decisão da Turma da DRJ, o recurso voluntário, os quais permaneceram nos autos do presente feito. Pois bem. Como articulado pela recorrente, não há mais débito a ser exigido em relação à compensação com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, em face da homologação tácita, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96. De outra parte, a recorrente não controverteu sobre eventual excedente de saldo negativo de IRPJ de 1999. A controvérsia gravita, na fase recursiva, em relação aos débitos não compensados com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. Mas, como dito, o processo de compensação relativo a esse anocalendário foi desapensado ao se remeterem os autos a este órgão julgador ad quem. Dessa forma, a apreciação do recurso relativo a tal compensação darseá no julgamento do processo administrativo 10680.720757/200588. Por essa ordem de razões, não conheço do recurso, por ausência de litígio em relação à compensação com saldo negativo do anocalendário de 1999, e determino o apensamento dos autos do presente feito ao processo nº 10680.720757/200588. A matéria litigiosa será conhecida nos autos do último processo citado. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.002995/0013 Acórdão n.º 110300.611 S1C1T3 Fl. 446 11 É o meu voto. Sala das Sessões, em 17 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 446DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10840.001615/2005-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/03/2005
PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA.
PRODUÇÃO DE ÁLCOOL E AÇÚCAR. INSUMOS.
Geram direito a crédito do PIS não cumulativo as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na produção da empresa, no caso, transporte de cana e transporte de olhadura; transporte, pago a pessoa jurídica, de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de corte da cana de açúcar e as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no maquinário agrícola ligado ao corte e carregamento da cana de açúcar, assim como, nos caminhões que transportam a cana da lavoura até a unidade industrial, por se tratarem de bens ou serviços utilizados em etapas da produção do açúcar e do álcool.
PIS. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA.
O crédito presumido da agroindústria, previsto no artigo 8o, da Lei 10.925/04, somente poderá ser deduzido das contribuições para o PIS e a COFINS, não prevendo a norma a compensação com outros débitos.
Recurso voluntário provido parcialmente.
Numero da decisão: 3301-001.289
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: FABIO LUIZ NOGUEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2003; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 113 1 112 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.001615/200538 Recurso nº 908.508 Voluntário Acórdão nº 3301001.289 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2012 Matéria PIS. DCOMP. INSUMOS Recorrente USINA BAZAN S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2005 PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE ÁLCOOL E AÇÚCAR. INSUMOS. Geram direito a crédito do PIS nãocumulativo as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na produção da empresa, no caso, transporte de cana e transporte de olhadura; transporte, pago a pessoa jurídica, de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de corte da canade açúcar e as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no maquinário agrícola ligado ao corte e carregamento da cana de açúcar, assim como, nos caminhões que transportam a cana da lavoura até a unidade industrial, por se tratarem de bens ou serviços utilizados em etapas da produção do açúcar e do álcool PIS. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. O crédito presumido da agroindústria, previsto no artigo 8o, da Lei 10.925/04, somente poderá ser deduzido das contribuições para o PIS e a COFINS, não prevendo a norma a compensação com outros débitos. Recurso voluntário provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 07/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório O Contribuinte USINA BAZAN S/A, devidamente qualificado nos autos, recorre a este Conselho, através do recurso de fls. 89 e seguintes, contra o acórdão nº 14 32.421, de 7 de fevereiro de 2011, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, fls. 81 e seguintes, que decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, decorrente do aproveitamento de créditos do PIS nãocumulativo, do período de apuração de março de 2005, conforme relatório ao qual me reporto: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o aproveitamento de crédito da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, referente ao período de apuração março/2005, no valor de R 27.901.50, fls.1/2. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo de Informação Fiscal, fls. 37/47, onde se relata as divergências encontradas na apuração efetuada, quais sejam: a) Bens e produtos não incluídos no conceito de insumos utilizados no processo produtivo da empresa, conforme o disposto no inciso II do artigo 3o o da Lei n° 10.637/2002 e no artigo 8oo, inciso I, alínea "b" e "b1" e nos parágrafos 4oo, item I, alínea "a", e 9oo, inciso I do mesmo artigo 8oo da Instrução Normativa n° 404, de 12 de março de 2004. Aquisição de produtos não considerados como insumos pela legislação vigente, para a fabricação/produção de bens destinados à venda. Destaca que a empresa descontou crédito indevido referente ao transporte de cana e de pessoas, e referente ao valor do combustível utilizado no transporte de canadeaçúcar, bens estes não incluídos no conceito de insumo utilizado no processo produtivo da empresa, nos termos do disposto nos dispositivos acima citados. b) Irregularidades na apuração de percentuais de crédito do PIS não cumulativo. Verificou que o interessado calculou de forma equivocada os percentuais de crédito do PIS não cumulativo para o Mercado Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10840.001615/200538 Acórdão n.º 3301001.289 S3C3T1 Fl. 114 3 Interno e Mercado Externo, uma vez que considerou no cálculo, as receitas de venda de venda de álcool (sujeita ao PIS Cumulativo), resultado (“sic”) em elevação do percentual para o Mercado Interno e diminuição do percentual para o Mercado Externo. Efetuada a correção, ocorreu: a) Diminuição do percentual de créditos para o Mercado Interno, que só podem ser utilizados para desconto do PIS não cumulativo; b) Aumento do percentual de créditos para o Mercado Externo, que podem ser utilizados para compensação com quaisquer débitos. A partir das divergências encontradas, foram refeitos os cálculos do crédito da empresa, conforme planilha de fls. 36 onde foi apurado o direito ao valor de R$ 27.681,15. Através do Despacho Decisório de fls. 48/49 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, reconheceu o direito creditório da empresa ao valor apurado na Informação Fiscal, que aprovou, e homologou a compensação até o limite do referido crédito. Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls.54/71, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa e, sobre as divergências encontradas, que geraram a glosa do valor pretendido, alega em breve síntese, o seguinte: Bens e produtos não incluídos no conceito de insumos utilizados no processo produtivo Alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de canadeaçúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que os tratos culturais e o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracterizam se como despesas incorridas numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa. Continua, alegando que a IN SRF n° 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito, representando clara transgressão à sistemática da não cumulatividade. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO NA COMPENSAÇÃO Quanto à possibilidade de utilização do crédito presumido previsto no art. 8o o da Lei n° 10.925, de 2004, para compensação com outros débitos, alega que está embasada nesse próprio Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 dispositivo legal e no disposto no art. 5o, § 1o, II, da Lei n° 10.637, de 2002. Que o crédito presumido previsto no art. 8o da Lei n° 10.925, de 2004 não pode ser afastado haja vista sua referência ao art. 3o o das leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, sendo impossível "desvincular referido crédito dos dispositivos legais de ressarcimento com outros tributos federais". Que a compensação efetuada é anterior à edição da IN SRF n° 660, de 2006, sendo vedado a aplicação de norma retroativa a fim de vedar forma de compensação e que não há qualquer vedação na Lei n° 10.925, de 2004 em relação à possibilidade de utilização do crédito presumido para compensação com débitos de outros tributos. Requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado e a homologação das compensações declaradas. A DRJ decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2005 DEDUÇÃO. INSUMOS. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e demais produtos utilizados em fases que não a fabricação do produto não podem ser considerados insumos, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Não se conformando com a Decisão, o Contribuinte apresentou recurso voluntário pedindo a reforma do Acórdão da DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Luiz Nogueira O Recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual é conhecido. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10840.001615/200538 Acórdão n.º 3301001.289 S3C3T1 Fl. 115 5 Transcrevo os fundamentos que levaram a decisão recorrida a concluir pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, para melhor compreensão: Inicialmente, é de se ressaltar que não houve contestação do interessado quanto à verificação de irregularidades na apuração de percentuais de crédito do PIS não cumulativo, descritas acima. Assim, passamos a analisar os itens contestados. Bens não incluídos no conceito de insumo. ... Por conta da delegação de competência conferida pelas leis, a Receita Federal do Brasil editou a IN SRF n° 404, de 2004, que em seu art. 8oo, § 4oo, definiu o conceito de insumos para efeito da legislação do PIS e COFINS nãocumulativo: Art. 8o Do valor apurado na forma do art. 7o, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: ,,, b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.l) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda: ou (...) § 4o Para os efeitos da alínea "b"do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado (grifo nosso) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto Assim, o combustível e outros produtos utilizados em fases que não a fabricação do produto, por falta de previsão legal, não podem ser considerados como insumo gerador de crédito a ser descontado na apuração do valor da contribuição. Crédito presumido. Quanto à forma de utilização do crédito presumido, vejamos o que dispõe a Lei n° 10.925, de 2004 em seu artigo 8oo: (...) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Portanto, a partir de 1o de agosto de 2004, o crédito presumido apurado na forma prevista no caput do art. 8o da Lei n° 10.925, de 2004, somente poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins. 0 comando legal poderá faculta ao sujeito passivo que apurar tal tipo de crédito presumido, a diminuição do valor devido da contribuição para o PIS, diminuindoo de parcela do referido crédito. Não autoriza qualquer outro tipo de utilização, tal como a compensação e o ressarcimento. ... Quanto ao disposto no inciso II, do § 1o , do art. 5o da Lei n° 10.637, que autoriza a utilização do crédito apurado na forma do art. 3o , desta Lei, não se aplica ao caso uma vez que os §§ 10 e 11, do art. 3o , que tratavam da forma de utilização do crédito presumido em questão, foram expressamente revogados através do disposto no art. 16, inciso I, letra "a", da Lei n° 10.925, de 2004, que em seu art. 8o , acima transcrito, tratou da forma de utilização de créditos dessa espécie. Também não prospera a alegação de aplicação retroativa da IN SRF n° 660, de 2006, uma vez que o impedimento para a compensação ou ressarcimento dos referidos créditos está implicitamente disposta na Lei, e explicitamente no acima transcrito ADI n° 15, cujos efeitos são retroativos, fundamentado no art. 106 do CTN. Assim, por falta de previsão legal, os créditos apurados na forma do art. 8o da Lei n° 10.925, de 2004, não podem ser objeto de ressarcimento e/ou compensação com débitos do sujeito passivo. Reproduzo a seguir trechos do recurso voluntário por delimitarem a controvérsia dos autos e esclarecerem o processo produtivo da empresa (destaques acrescidos): 1 Indevida desconsideração de insumos para composição do crédito submetido à compensação serviços subsumidos ao conceito de insumos utilizados no processo produtivo. Despesa na aquisição de serviços de transporte de pessoas ... destacase que, em nítida abstração do conteúdo normativo da referida Lei n° 10.833/03, a Delegacia de Julgamento consignou o entendimento de que o combustível e demais produtos utilizados em fases que não a fabricação do produto não podem ser considerados insumos, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. Ocorre que, se não bastasse o fato de a Delegacia de Julgamento ter confundido o próprio dispêndio que a Recorrente pretende ver integrado ao seu direito creditório, presumindo, equivocadamente, que este seria relativo a combustíveis, quando, na verdade, tratase de despesas com serviços de transporte de trabalhadores rurais envolvidos no corte de cana, verificase que o entendimento consignado no acórdão recorrido teve como único fundamento o conteúdo normativo da Instrução Normativa n° 404/04, que, por sua vez, mostrase inapta para delimitar o real alcance do conceito de "insumos". Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10840.001615/200538 Acórdão n.º 3301001.289 S3C3T1 Fl. 116 7 E, ainda, mesmo que se admita a tese de que somente os dispêndios diretamente vinculados ao processo produtivo dariam o direito ao crédito, a decisão recorrida merece ser revista também sob esse aspecto, senão, vejase. Pois bem, de início, entende a ora Recorrente que o processo deve retornar a instância de origem para que esta analise corretamente o insumo que a empresa pretende tomar o crédito, qual seja, despesas com serviços de transporte de trabalhadores e não despesa com combustível utilizado no transporte de trabalhadores. (...) De outra sorte, caso este Conselho haja por bem enfrentar a matéria, a ora Recorrente expõe, nas linhas abaixo, as razões de seu inconformismo que ensejam a reforma da decisão com o provimento integral do presente Recurso Voluntário. Consoante se verifica do seu objeto social, a Recorrente exerce atividade agroindustrial, cujo objeto consiste na fabricação de açúcar e o álcool, sendo imprescindível, para o exercício dessa atividade, a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange o plantio, o corte, o carregamento, o transporte, a pesagem e amostragem, a produção do açúcar e álcool, a distribuição e a venda deste produto. Nesse sentido, desde a colheita e recebimento da canadeaçúcar até o empacotamento e armazenamento do açúcar, diversas etapas são vislumbradas no processo de produção, tornando necessária a verificação de todos os dispêndios efetivamente incorridos para que, valendose da sistemática nãocumulativa da PIS/COFINS prevista na Lei n° 10.833/03, seja reconhecido o direito creditório da ora Recorrente. Com efeito, observase que as etapas de corte, carregamento e transporte da cana até o estabelecimento industrial são representativas e envolvem grande parte dos custos operacionais necessários para o exercício da atividade de produção da Recorrente. Destarte, nessa etapa em que se faz necessário o transporte de trabalhadores rurais para o corte de canade açúcar, se faz verificar que é essencial ao processo produtivo como um todo, que resultará, ao final, na obtenção do produto que será comercializado. Assim, como não considerar como serviço essencial, para produção do açúcar e do álcool, o transporte dos trabalhadores que fazem o corte da canadeaçúcar que é a matéria prima para a produção do açúcar e o álcool? Como visto, a Recorrente é uma Agroindústria e, por isso, cultiva cana de açúcar que será inteiramente utilizada no processo produtivo do açúcar e álcool. Assim, se a receita não existe sem que a Recorrente incorra nesses gastos relacionados à produção, não há como se afastar o direito de crédito nessas aquisições, como restou consignado na r. decisão ora guerreada. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Atualmente, admitese a apropriação do crédito da PIS/COFINS sobre o frete cobrado para movimentar insumos ou produto em fase de produção entre os estabelecimentos comerciais da pessoa jurídica, porém, esse mesmo entendimento não foi aplicado no presente caso em virtude da glosa dos créditos relacionados aos gastos com serviços de transporte de trabalhadores rurais para o corte de cana de açúcar, o que implica em nítido tratamento nãoisonômico para situações absolutamente idênticas em sua essência. De mais a mais, também há que se verificar que o entendimento consignado no acórdão recorrido teve como único fundamento o conteúdo normativo da Instrução Normativa n° 404/04, que, por sua vez, mostrase inapta para delimitar o real alcance do conceito de "insumos". E é justamente nesse sentido que a decisão recorrida merece ser revista, uma vez que o alcance do conceito de insumos trazido na referida norma infralegal, por estar vinculado ao IPI, o qual possui um arquétipo tributário totalmente diverso àquele do PIS/COFINS, não poderia ter sido utilizado como fundamento para a glosa de parte do direito creditório da ora Recorrente. A assertiva acima decorre do entendimento de que o alcance do conceito de insumos prescrito na Instrução Normativa n° 404/04, o qual foi utilizado na decisão recorrida, extrapolou o próprio poder regulamentar das normas infralegais, distorcendo a própria forma de apuração de créditos sob a sistemática não cumulativa prevista no artigo 3o da Lei n° 10.833/03, em nítida violação ao princípio da estrita legalidade previsto no artigo 97 do CTN. Isso porque, tratandose, pois, de uma despesa incorrida na sua produção, com o objetivo de gerar receita que será tributada pela PIS/COFINS nãocumulativa, certo que se está diante de uma hipótese contemplada pela regra matriz do direito ao crédito (dado o fato da aquisição de determinados bens, serviços e a realização de certas despesas deve ser o direito do contribuinte ao abatimento do valor resultante da aplicação da alíquota correspondente ao quantum gasto com referidos bens, serviços e despesas). Dessa forma, verificase que a interpretação da não cumulatividade para a PIS/COFINS deve estar atrelada à atividade da empresa e, assim, hão que ser considerados todos os dispêndios que formaram as receitas tributáveis, não sendo possível cogitar o entendimento de que a atividade da Recorrente se restrinja a uma linha de produção industrial em um galpão fechado, albergando, da mesma forma, o corte de cana, sendo necessário o sacrifício de custos para a primeira parte dessa atividade da Recorrente. Nesse sentido, insta destacar que, em recentíssima decisão, este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais houve por bem adotar o entendimento de que "o conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade do PIS e COFINS deve ser entendido como todo e qualquer custo ou Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10840.001615/200538 Acórdão n.º 3301001.289 S3C3T1 Fl. 117 9 despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço" (CARF, Terceira Seção de Julgamento, Processo n° 11020.001952/200622, Acórdão n° 320200.226). (...) o conceito de custos previsto na legislação do IRPJ (artigo 290 do RIR/99), bem como o de despesas operacionais previsto no artigo 299 do RIR/99, é bem mais próprio de ser aplicado ao PIS e COFINS nãocumulativos. Com efeito, estando a nãocumulatividade da PIS/COFINS vinculada ao faturamento da empresa, ou seja, a todos os atos praticados pela empresa com fim de exercer e desenvolver suas atividades, deve o conceito de insumo estar diretamente relacionado a tal característica, de tal modo a abarcar os custos necessários para a produção de bens ou serviços realizados pela pessoa jurídica, inerentes à sua atividade. (...) Assim, uma vez evidenciado o erro de premissa adotado na decisão recorrida, na medida em que o conceito de insumo trazido pela Instrução Normativa n° 404/04 não poderia servir de fundamento para justificar a glosa de parte do direito creditório da ora Recorrente, é insofismável que os gastos com a contratação de serviços para transporte dos cortadores de cana deverão compor tal base. Deste modo temos que, caso não seja acolhida a alegação no sentido de que a despesa relativa ao transporte dos cortadores de cana configurase como uma despesa incorrida numa etapa da produção da Recorrente, mesmo após toda a explicação da sua linha de produção que se inicia com o corte da cana e finaliza com a confecção do produto final, sob o fundamento de que não encontra base na IN 404, então, obrigatoriamente, haverá de se reconhecer que a IN 404 desbordou do conteúdo da Lei 10.833/03, a qual deixa bem clara a idéia de que o direito ao crédito deve considerar todos os dispêndios da pessoa jurídica com vistas à geração de sua receita tributável. 2 Da possibilidade de compensação do crédito presumido de PIS/COFINS (Lei 10.925/04) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (...) no entendimento da Fiscalização, a vinculação dos créditos presumidos às receitas decorrentes de exportação resultaria na indevida utilização para compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, conforme prevê o artigo 8oo , §3°, inciso II , da Instrução Normativa n° 660/06. Diante disso, a Fiscalização elaborou nova planilha de cálculo do crédito do PIS, inserindo todo o crédito presumido da agroindústria na coluna dos créditos relativos às vendas no Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 mercado interno, resultando na redução dos créditos vinculados às receitas de exportação e, assim, na conseqüente insuficiência de créditos para a realização da compensação pleiteada pela ora Recorrente. Entretanto, ao contrário do que entendeu a Fiscalização, a conduta da Recorrente encontra fundamento no artigo 8o da 10.925/04 combinado com o artigo 5 o , § 1o , inciso II da Lei n° 10.637/02, além de estar embasada em posicionamento emitido pela própria Receita Federal do Brasil, os quais embasam a possibilidade de utilização do crédito presumido da agroindústria para compensação com débitos relativos a tributos federais. (...) Observase, também, que o direito ao crédito presumido somente é aplicável aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, sendo certo que os créditos não aproveitados em determinado mês poderão sêlo nos meses subseqüentes, conforme se depreende da leitura do § 2o do artigo 8o da Lei n° 10.925/04, ao vincular o mencionado dispositivo ao § 4o do artigo 3o da Lei n° 10.637/02. (...) Temse que o inciso acima destacado dispõe que o crédito apurado na forma do artigo 3o da Lei 10.637/02 poderá ser utilizado tanto na dedução do valor da mesma contribuição como na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, resta inegável que o crédito presumido previsto no artigo 8o o da Lei n° 10.925/04 não pode ser afastado de sua referência aos bens referidos no "art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003", sendo defeso portanto desvincular referido crédito aos dispositivos legais que tratam de ressarcimento com outros tributos federais. Nesse tocante, certo é que, além das referências expressas acima aludidas nos dispositivos legais, podese dizer que o crédito presumido da agroindústria formado por receitas do mercado externo assemelhase aos demais créditos decorrentes de receita de exportação. Nesse sentido, a própria Receita Federal do Brasil já teve a oportunidade de se posicionar no mesmo sentido do quanto aqui alegado pela Recorrente, asseverando que os créditos presumidos vinculados às receitas de exportações auferidas no mesmo período de apuração podem ser utilizados na forma dos § 1o , II do art. 5 ° da Lei n° 10.637, de 2002, para fins de compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, ou para ressarcimento em dinheiro, observadas as disposições contidas nos dispositivos legais referidos e na legislação pertinente: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10840.001615/200538 Acórdão n.º 3301001.289 S3C3T1 Fl. 118 11 Ao final, apresenta os pedidos para que este Conselho anule “parte da decisão recorrida que, ao invés de julgar a possibilidade de tomada de créditos com a despesa na aquisição dos serviços de transporte dos cortadores de cana, enfrentou tema diverso atinente à despesa com combustível no transporte da cana, determinando o retorno dos autos a instância de origem para enfrentar o tema, em respeito ao devido processo legal” ou julgue “procedente o recurso e decrete a nulidade do ato fiscal de lançamento, homologandose, por conseguinte, as compensações”. Afasto a preliminar suscitada, por entender que não há qualquer nulidade a ser analisada, até porque, ao contrário do que afirma o Recorrente, teriam sido glosados créditos tanto das despesas com transporte dos cortadores de cana, quanto da despesa com combustível no transporte da cana/olhadura (cf. fl. 82). Já quanto ao mérito, entendo que a Decisão Recorrida deve ser reformada, nos pontos abaixo. Segundo esclareceu o Contribuinte à Fiscalização, transporte de cana é o transporte da matéria prima, que sai do campo com destino à unidade industrial do contribuinte para produção do açúcar e do álcool. O transporte de Olhadura, que ocorre entre os meses de janeiro e abril de cada ano, é relativo à muda de cana utilizada no plantio Já o outro transporte glosado seria o transporte, pago a pessoa jurídica, de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de corte da canadeaçúcar esmagada na unidade industrial da contribuinte (cf. fls. 41 e 44/45). Ressaltese que a fiscalização efetuou, ainda, a glosa das aquisições de combustíveis e lubrificantes Tratase de combustíveis e lubrificantes utilizados no maquinário agrícola ligado ao corte e carregamento da cana de açúcar, assim como, nos caminhões que transportam a cana da lavoura até a unidade industrial da contribuinte para fabricação do açúcar e álcool (fls. 42/43). Esclareço, de início, que não comungo do entendimento manifestado pelo Recorrente e por algumas decisões deste Egrégio Conselho, no sentido de aplicação da legislação do Imposto de Renda, pelos mesmos motivos que levaram a afastar a tentativa do Fisco em utilizar o critério de crédito da legislação do IPI: são tributos com materialidades diferentes (receita em regime de nãocumulatividade e lucro). Por outro lado, não se questiona o fato de que o legislador (tanto o Executivo no encaminhamento das medidas provisórias, quanto o Congresso Nacional) não se ocupou de definir o conceito de insumo para a nãocumulatividade do PIS e da COFINS, nas Leis 10.637/02 e 10.833/03: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Não obstante o silêncio quanto à abrangência do termo insumo, a parte final do Parágrafo 7o do artigo 3o das Leis 10.637 e 10.833 traz a idéia de vinculação entre as receitas e despesas (destaques acrescidos): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Portanto, custos, despesas e encargos vinculados às atividades da empresa. Acredito que, se por um lado são admitidas todas as receitas (com algumas poucas exceções), o mais correto seria, na contrapartida, admitiremse todas as despesas vinculadas a essas receitas tributáveis. Essa seria a nãocumulatividade ideal. Entretanto, não me parece ter sido esse o espírito que norteou a introdução das novas contribuições, sob o regime da nãocumulatividade e sim a alegada “neutralidade” sob o ponto de vista da arrecadação (em relação ao sistema anterior). Cito, como exemplo, o Projeto de Lei de Conversão no 31, de 2002, da (MP no 66/02, que primeiro dispôs sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS), quando pretendeu acrescentar os serviços de telecomunicação consumidos nos estabelecimentos da pessoa jurídica, no inciso III, do artigo 3o, “verbis”: III energia elétrica e serviços de telecomunicação consumidos nos estabelecimentos da pessoa jurídica; A redação original da Medida Provisória nº 66, de 2002, admitia a utilização de crédito apenas em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa, tendo sido acrescidos, por meio do PLV, os serviços de telecomunicações. O dispositivo acabou vetado pelo Poder Executivo, restando, pois, excluídos os custos com serviços de telecomunicação consumidos nos estabelecimentos da empresa. Portanto, entendo que seriam todos os custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência nãocumulativa das contribuições, exceto aquelas expressamente excluídas pela lei específica ou retiradas por veto, como as mencionadas despesas com serviços de telecomunicações consumidos nos estabelecimentos da empresa. Voltando ao caso dos autos, a questão é disciplinada justamente pelo Inciso II, do artigo 3o, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no sentido de que todos os bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda conferem o direito ao crédito. Ou seja, todos os bens e serviços Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10840.001615/200538 Acórdão n.º 3301001.289 S3C3T1 Fl. 119 13 utilizados na produção, salvo exceções expressas na lei (como no caso da mãodeobra paga a pessoa física, por exemplo). Não cabe, com o respeito a opiniões em contrário, incluir no texto do artigo 3o das Leis que instituíram o regime da nãocumulatividade das contribuições, a expressão “diretamente”. Ao intérprete da lei não cabe incluir palavras que não estão no seu texto; a ele cabe interpretar, descobrir o seu sentido. E isso de forma restritiva, limitandose à disposição legal Entendo que todos os itens impugnados, ou seja, transporte de cana e transporte de olhadura, transporte, pago a pessoa jurídica, de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de corte da canadeaçúcar e as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no maquinário agrícola ligado ao corte e carregamento da cana de açúcar, assim como, nos caminhões que transportam a cana da lavoura até a unidade industrial são bens ou serviços utilizados em etapas da produção do açúcar e do álcool e, portanto, geram direito ao crédito de PIS e Cofins. Reconhecendo o conceito de insumo como os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços, cabe transcrever trecho da minuta de voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010 Processo nº 11065.101271/200647), transcrevendo trecho do voto Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, Processo n° 13974.000199/20036 (destaques acrescidos): A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições . Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no país, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima.” Em relação ao outro item do recurso, denominado “Da possibilidade de compensação do crédito presumido de PIS/COFINS (Lei 10.925/04) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil”, entendo que não assiste razão ao Recorrente. A matéria está regulada pelo artigo 8º da Lei nº 10.925/04, que assim dispõe: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10840.001615/200538 Acórdão n.º 3301001.289 S3C3T1 Fl. 120 15 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Não procedem as alegações do Recorrente, quando menciona como fundamento para o seu pedido o artigo 5 o, § 1o , inciso II da Lei n° 10.637/02, que ressalva expressamente para a hipótese do artigo, ou seja, de créditos vinculados às receitas de exportação, a possibilidade de utilização do crédito da contribuição na compensação de débitos tributários: § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Ressaltese que a Lei 11.116/05, que também passou a admitir a compensação de débitos com saldo credor do PIS o fez expressamente em relação ao artigo 3o, das Leis 10.637/02 e 10.833/04, em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência destas contribuições. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 16 Mantenho a decisão recorrida, nesse particular. Isto posto, dou provimento parcial ao recurso, nos termos já expostos, para admitir os créditos de PIS decorrentes dos gastos com transporte de cana e transporte de olhadura, transporte, pago a pessoa jurídica, de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de corte da canadeaçúcar e das aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no maquinário agrícola ligado ao corte e carregamento da cana de açúcar, assim como, nos caminhões que transportam a cana da lavoura até a unidade industrial. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábio Luiz Nogueira Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10580.721858/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV
CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO
IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE
URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma
da Lei complementar estadual nº 20/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.890
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2126; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721858/200847 Recurso nº 907.453 Voluntário Acórdão nº 210201.890 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria Diferença de URV Recorrente GERALDO ANTONIO VILABOIM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721858/200847 Acórdão n.º 210201.890 S2C1T2 Fl. 2 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 29/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra GERALDO ANTONIO VILABOIM foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/13, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2003 a 2006, exercícios 2004 a 2007, no valor total de R$ 389.715,65, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal foi classificação indevida de rendimentos na DIRPF, subdividida da seguinte forma: 001 – O sujeito passivo classificou indevidamente como rendimentos isentos e não tributáveis na Declaração de Ajuste Anual (DAA) os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de “Valores Indenizatórios de URV”, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. 002 O sujeito passivo declarou como isentos e não tributáveis a totalidade dos valores recebidos a título de aposentadoria no período de janeiro de 2003 a outubro de 2005, com base em Mandado de Segurança nº 1999.33.00.0070074, onde foi pleiteado o afastamento da incidência do imposto de renda sobre a integralidade dos proventos da aposentadoria dos declarantes com idade superior a 65 anos, sem a observância dos limites impostos pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que alterou o art. 6º, XV, da Lei n] 7.713, de 22 de dezembro de 1988. No desfecho do processo judicial não prosperou a tese da inobservância dos limites e restrições impostas pela Lei nº 7.713, de 19888, defendida no citado Mandado de Segurança. A segurança concedida foi denegada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região em 16/04/2002, e transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal em agosto de 2004. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação somente no que diz respeito ao item 001 do Auto de Infração (diferença de URV), cujas razões Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721858/200847 Acórdão n.º 210201.890 S2C1T2 Fl. 3 3 encontramse assim resumidas no Acórdão DRJ/SDR nº 1525.970, de 02/02/2011, fls. 124/130: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. A DRJ Salvador julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 28/03/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 133, o contribuinte apresentou, em 11/04/2011, recurso voluntário, fls. 134/209, onde repisa os mesmos argumentos trazidos na impugnação, requerendo, ainda, que, caso seja mantida a tributação sobre os rendimentos recebidos a título de diferenças de URV, refaçase os cálculos do imposto devido levandose em conta o recebimento mensal da verba em cada exercício, bem como considerando todas as despesas e Fl. 238DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721858/200847 Acórdão n.º 210201.890 S2C1T2 Fl. 4 4 deduções cabíveis, posto que as quantias cuidam de rendimentos recebidos acumuladamente. Acrescentou, ainda, que a decisão recorrida é nula, pois deixou de enfrentar a argüição de ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do Imposto de Renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção pelo Estado Membro. É o Relatório. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721858/200847 Acórdão n.º 210201.890 S2C1T2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De pronto, vale dizer que de acordo com o extrato, fls. 231/232, permanece no litígio apenas o crédito tributário relativo aos rendimentos recebidos a título de diferenças de URV, sendo certo que os demais créditos tributários apurados na Auto de Infração foram transferidos para o processo nº 10580.722225/200856. Cuidase de processo de matéria idêntica a de outro já apreciado nesta Turma, em sessão realizada em 08/06/2011, razão porque peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ConselheiroPresidente Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.337, de 08/06/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Fl. 240DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721858/200847 Acórdão n.º 210201.890 S2C1T2 Fl. 6 6 Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos Fl. 241DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721858/200847 Acórdão n.º 210201.890 S2C1T2 Fl. 7 7 magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721858/200847 Acórdão n.º 210201.890 S2C1T2 Fl. 8 8 Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões exaradas no voto acima transcrito, devese cancelar o crédito tributário exigido no Auto de Infração, de modo que se torna desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pelo contribuinte no recurso. Ainda, pelo entendimento da não tributação das diferenças de URV percebidos por magistrados estaduais, vêse o REsp nº 1187109, relatoria da Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, sessão de 17/08/2010, que restou assim ementado: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721858/200847 Acórdão n.º 210201.890 S2C1T2 Fl. 9 9 TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 16327.001780/2003-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
Ementa:
DECADÊNCIA — COBRANÇA EM DESPACHO
Na medida em que os créditos igualmente declarados em DCTF e informados como compensação são fulminados em despacho decisório de compensação, os débitos declarados em DCTF não se tornam "pura" confissão de dívida passíveis de exigência sem formalização. Trata-se de formalização de dívida impulsionada por despacho. Porquanto o despacho se aperfeiçoou em 17 de abril de 2007, operou-se a decadência em relação aos débitos constantes no
relatório integrante do despacho, com fatos geradores consumados até o final de março de 2002.
SALDO NEGATIVO DE IRPj — COMPENSAÇÃO
O suposto saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002 decorre de compensações de estimativa com saldo negativo de ano-calendário anterior, que por sua vez, igualmente deriva da compensação de estimativa com saldo negativo de ano-calendário anterior, e assim sucessivamente, em efeito "cascata". Vê-se nos autos que os saldos negativos de anos-calendário anteriores a 2002 não são aqueles apurados pelo contribuinte, pois este não
abatera muito desses valores, que haviam sido compensados
"espontaneamente" pelo contribuinte (sem pedido de compensação) com débitos de tributo da mesma espécie e declarados em DCTF. Não resultou comprovado pelo contribuinte a existência de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002.
Numero da decisão: 1103-000.196
Decisão: ACORDAM os membros do colegiada, por unanimidade de votos, DAR
provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência dos débitos cobrados, cujos fatos geradores tenham-se consumado até 31 de março de 2002, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 Ementa: DECADÊNCIA — COBRANÇA EM DESPACHO Na medida em que os créditos igualmente declarados em DCTF e informados como compensação são fulminados em despacho decisório de compensação, os débitos declarados em DCTF não se tornam "pura" confissão de dívida passíveis de exigência sem formalização. Trata-se de formalização de dívida impulsionada por despacho. Porquanto o despacho se aperfeiçoou em 17 de abril de 2007, operou-se a decadência em relação aos débitos constantes no relatório integrante do despacho, com fatos geradores consumados até o final de março de 2002. SALDO NEGATIVO DE IRPj — COMPENSAÇÃO O suposto saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002 decorre de compensações de estimativa com saldo negativo de ano-calendário anterior, que por sua vez, igualmente deriva da compensação de estimativa com saldo negativo de ano-calendário anterior, e assim sucessivamente, em efeito "cascata". Vê-se nos autos que os saldos negativos de anos-calendário anteriores a 2002 não são aqueles apurados pelo contribuinte, pois este não abatera muito desses valores, que haviam sido compensados "espontaneamente" pelo contribuinte (sem pedido de compensação) com débitos de tributo da mesma espécie e declarados em DCTF. Não resultou comprovado pelo contribuinte a existência de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO trás.' Processo n" 16327.001780/2003-13 Recurso n" 164.372 Voluntário Acórdão n" 1103-00A96 — I" Câmara / 3" Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2010 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO INDUSVAL S,A, Recorrida 8" Turma de Julgamento da DRJ/SPOI Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 Ementa: DECADÊNCIA — COBRANÇA EM DESPACHO Na medida em que os créditos igualmente declarados em DCTF e informados como compensação são fulminados em despacho decisório de compensação, os débitos declarados em DCTF não se tornam "pura" confissão de dívida passíveis de exigência sem formalização. Trata-se de formalização de dívida impulsionada por despacho. Porquanto o despacho se aperfeiçoou em 17 de abril de 2007, operou-se a decadência em relação aos débitos constantes no relatório integrante do despacho, com fatos geradores consumados até o final de março de 2002, SALDO NEGATIVO DE IRPj — COMPENSAÇÃO O suposto saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002 decorre de compensações de estimativa com saldo negativo de ano-calendário anterior, que por sua vez, igualmente deriva da compensação de estimativa com saldo negativo de ano-calendário anterior, e assim sucessivamente, em efeito "cascata". Vê-se nos autos que os saldos negativos de anos-calendário anteriores a 2002 não são aqueles apurados pelo contribuinte, pois este não abatera muito desses valores, que haviam sido compensados "espontaneamente" pelo contribuinte (sem pedido de compensação) com débitos de tributo da mesma espécie e declarados em DCTF. Não resultou comprovado pelo contribuinte a existência de saldo negativo de IRP.J do ano- calendário de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo II" 16327 001780/2003-13 Sl-C1T3 Acórdão ." 1103-00.19i H 2 ACORDAM os membros do colegiada, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência dos débitos cobrados, cujos fatos geradores tenham-se consumado até 31 de março de 2002, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente juiz • e. /11—,44 ALOYSIO -R . I I) DA SILVA – Presidente • MAtR. •• IS TAKATA –Relator EDITADO EM: o JUL Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Gomes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva. 2 Processo n" 16327 001780/2003-1.3 Si-CIT3 Acórdão n." 1103-00196 Fl 3 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em 14/05/200.3 a recorrente protocolizou declaração de compensação de débito de IRPJ, período de apuração 28.02.200.3 e vencimento em 31.03..2003, no valor original de R$ 63 „397,13, com crédito oriundo de Saldo Negativo — SN, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, ano calendário de 2002 no montante de R$ 905,28. Visando à instrução processual foi solicitado por meio da Intimação Fiscal n" 16/06 (fis, 5 e 6) demonstrativo de origem e utilização das compensações realizadas pela recorrente desde o ano-calendário de 1996, os quais foram apresentados conforme solicitação (fis. 8 a 44). A autoridade competente, para apreciação da pretendida compensação elaborou, em 30/01/2007, o Despacho Decisório (fls. 744 a 752), que, posteriormente, em março/2007, foi retificado conforme "Despacho Decisório — Retificação" de fls. 755 a 763 (11s. 1..264 a 1.272), indeferindo a compensação pleiteada pela recorrente, nos temias abaixo sintetizados: a) Inicialmente, a autoridade fiscal discorre sobre a legislação pertinente ao instituto da compensação, destacando legislação específica relativa à compensação de Saldo Negativo de IRP.I e CUL (Ato Declaratório n" 00.3, de 07/01/2000, e art. 6" da IN SRF n" 210, de 30/09/2002); b) Ao analisar o "Direito ao Crédito oriundo de Saldo Negativo de IRRI, ano-calendário de 2002", a autoridade fiscal informa que a recorrente teve analisado e denegado, pela DEINF/SPO, o pedido de compensação de diversos débitos de IRRF, ano- calendário de 2002 com crédito oriundo de pagamento a maior que o devido apurado no período compreendido entre maio de 1993 e dezembro de 1995 (processo administrativo n° 16.327.000723/2005-89); c) Anotou também a autoridade fiscal que o crédito indicado pela recorrente tem sua origem em anos calendários anteriores, cuja análise é imprescindível para a conclusão escorreita do trabalho e, em assim sendo, retrocedeu à apuração do saldo negativo relativo ao ano-calendário de 1996 (até AC 1995 já fora analisado no Processo Administrativo n" 16327.00072.3/2005-89); 3 Processo n" 16327 001780/2003-13 S1-C1T3 Aconlão n '110.3-00.196 Fl d) Com base nos dados informados nas DCTF e nas DIRPI, bem como, considerando os valores efetivamente recolhidos (Sinal 08) e Retidos na Fonte (DIRF) foram os cálculos refeitos (Demonstrativo completo às fls. 687 a 699), conforme quadro a seguir: Sáldé Néàátisô AC 1996 AC 1997 AC:1998 AC 1999 Declarado 0,00 224 501,52 468 888,85 0,00 Contribuinte Apurado SEU 0,00 223.543,36 460967,42 351.379,74 SaldoNegatiyo: AC 2000 AC 2001 : AC 2002 Declarado 1 002.823,79 69 724,51 863,82 Contribuinte Apurado SRF 351.487,84 2.447,77 ZERO e) A autoridade fiscal consignou que as diferenças entre as informações da recorrente e os valores efetivamente apurados pela DIORT/DEINF-SPO se deram ao lato de a recorrente ter considerado na apuração dos Saldos Negativos valores que teriam sido compensados, mas que durante a auditoria realizada não foram confirmados (Relatório Analítico de compensação emitido pelo sistema de apoio operacional — SAPO às fis 694 e 695); 1) Registrou a autoridade fiscal que a recorrente, no ano-calendário de 1998, sucedeu, por incorporação, a Indusval Participações S/C Ltda, CNPI n" 01.692.539/0001-11, e, no ano-calendário de 1999, a Induspart Administração e Participações SC Ltda (CNR1 n" 02,388.219/0001-35), conforme pesquisa cadastral (fl. 686), sendo que os correspondentes saldos negativos (AC 1998: R$ 1.352.460,62 + R$ 1.004.162,98 e AC 1999 — R$ 96.908,96) foram incorporados ao patrimônio da recorrente e, por conseguinte, foram utilizados como crédito favorável à ela no Sistema Operacional de Compensação da SRF: g) Como resultado das imputações, a autoridade fiscal concluiu que o crédito resultante dos Saldos Negativos apurados foi insuficiente para promover a quitação do total dos débitos indicado nas citadas DCTF (ano de 1998 a 2003). Sendo que restaram débitos ativos passíveis de cobrança; h) Ante o exposto, a autoridade administrativa decidiu: 4 Processo o" 16.327 001780/2003-13 Si -Cl T3 Acórdão o " 1103-00196 FI 5 • não reconhecer o direito de crédito da recorrente oriundo de Saldo Negativo apurado no ano-calendário de 2002, conforme pleiteado, urna vez que constatado sua inexistência, conforme Demonstrativo de apuração de Saldos Negativos (fis, 694 e 695); e reconhecer o direito de crédito da recorrente oriundo de Saldos Negativos apurados nos anos calendários de 1997 a 2001 contra a Fazenda Nacional, dos valores, conforme abaixo: ORIGEM• • CNP.). • q/4);:::: APUR. .::.• • VA.LD R hulusval Pai t Lida 01 692.539/0001-11 1997/1998 31/12/97 :1.3.52.460,62 Banco Indusval 61 024.352/0001-71 1997/1998 31112/97 • 223:543,36 Banco Inclusval 61 024 352/0001-71 1998/1999 .31/12/98 460.967,42 lnduspart Achn e Pcirt Lida 02 .388 219/0001-35 1998/1999 31/12/98 • 1.004;162,68 Induspatt Aduz e Pari Lida 02 .388 219/0001-35 1999/2000 .31/12/99 ::96.908,96 Banco Indusval 61 024.352/0001-71 1999/2000 31/12/99 5iLij7,9,74 Banco hidusval 61 024.352/0001-71 2000/2001 31/1.2/00 51.487,4 Banco Intlitsval 61 024 352/0001-71 2001/2002 31/12/01 • :2.447;7.7 o homologar as compensações indicadas nas DCTF relativas aos anos- calendários de 1998 a 2000, até o completo esgotamento do crédito reconhecido, conforme indicado no demonstrativo de compensação às fis. 696-699 e no relatório emitido pelo sistema SAPO às fis. 700-703; • cobrar o débito de 1RPJ, código 2319, apurado em 28/02/2003 e vencido em 31/03/2003 no montante de R$ 905,28, bem como os demais débitos listados na DCTF (2000, 2001 e 2002) e demonstrados no relatório de débitos emitido pelo Sistema SAPO (fis, 703 a 707), cujo valor do crédito foi considerado insuficiente para sua compensação. Devidamente cientificada em 17/04/2007, a recorrente opôs manifestação de inconformidade (fls. 1.278 a 1287), na qual requer a reforma do despacho decisório, para o fim de reconhecer o crédito oriundo do Saldo Negativo apurado nos anos-calendários de 1996 a 2002 e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada com o débito constante na DCOMP que originou o presente processo administrativo, sob as argumentações abaixo sintetizadas: a) Preliminarmente, contrapõe-se à cobrança de valores que se encontram decaídos pelo decurso do prazo de cinco anos ou, ainda, caso assim não se entenda, estaria prescrito o direito de cobrança do Fisco com relação a esse mesmo período; b) Também argúi a necessidade de julgamento conjunto do presente processo administrativo com os processos n's 16327,001781/200.3-68 e 16327.00072.3/2005- 89, porquanto: • no processo administrativo n" 16327,001781/2003-68 que decorre da Declaração de Compensação apresentada em 14 de maio de 200.3, o Requerente utilizou o crédito de 5 Processo n" 16327 00 I 780/2003-13 Si -C1T3 Acórdão n ." 1103-00,196 F I 6 IRP.1 (R$ 346.164,15), decorrente dos anos de 1995 a 1998, pata a compensação com os seus débitos apurados em Janeiro, Fevereiro e Março de 2003; no processo 16327.00072312005-89, constam as compensações referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro as quais também são objeto do presente processo administrativo (fis, 695 e D113,1/2002, fis. 184 a 186), motivo pelo qual deverão os autos ser agrupados para análise conjunta. c) Ao analisar planilha de lis, 694 e 695, em que se comparam as dados considerados pela recorrente e pelo Fisco para fins apuração cio saldo negativo do I.RPI nos anos calendário de 1996 a 2002, assevera que a autoridade fiscal teria desconsiderado alguns recolhimentos efetuados nos anos calendário de 1996 a 2002; d) Em relação ao ano-calendário de 1996, alega que a Fiscalização desconsiderou recolhimentos do IRRF (código 8045) por ela efetuados, no valor de R$ 28.677,56 (relação às fls. 1281 e 1282 e cópia das DARFS às fls. 1327 a 1339). Argumenta ainda que, analisando-se a planilha elaborada pela fiscalização (fis„ 694 e 695), nota-se que foi desconsiderado também o valor de R$ 798.284,78 decorrente da compensação com IRFonte referente ao ano-base de 1996, no valor de R$ 820.450,05, oriundo da incorporação da empresa Participação Indusval S/C Ltda (CNRI 00.377.379/0001-01), ocorrida em 08/01/97 (does anexos: atas de assembléia, laudo de avaliação, razão contábil e informe de rendimentos); e) No que concerne ao ano-calendário de 1997, entende que a diferença entre o saldo negativo apurado pela autoridade fiscal (RS 223,543,36 — ti, 694) e aquele informado pela interessada em sua DIP,1/1998 (R$ 224.501,52 — fi 76) deu-se em razão de desconsideração de valores retidos na fonte. Aponta que fixam devidamente recolhidos a titulo de IRRF, código 8045, nos meses de março, abril e maio de 1997, nos valores de R$ 320,45, R$ 302,78, e R$ 334,24, respectivamente (lis. 80, 81 e 83); f) Relativamente ao ano-calendário de 1998, de igual forma, alega que a diferença entre o saldo negativo apurado pela SIZE (R$ 460.967,42 —ti. 694) e aquele informado na DIN (R$ 468.888,85, fls. 113), decorre do fato de não terem sido considerados os valores recolhidos a título de IRR.F (código 8045), nos meses de março, abril, maio, agosto, setembro, outubro e novembro de 1998, nos valores de R$ 892,09, R$ 299,08, R$ 254,40, RS 281,33, R$ 279,49, R$ 279,49 e R$ 280,29, conforme atestam os documentos de arrecadação (fls.: 1370 a 1379); Processo n" 16327 001780/2003-13 Si -C1T3 Acórdão n " I I03-00,.196 Fl. 7 g) Quanto ao ano-calendário de 1999, apenas esclarece que apurou base de cálculo negativa de 1RP.1 (R$ 2.449,365,26, fi, 118) motivo pelo qual os valores recolhidos por estimativa, referentes aos meses de janeiro (R$ 230.911,96 — ti. 119) e fevereiro (R$ 120,467,78 — ti, 120) representam crédito para o requerente no valor de R$ .351.379,74 (crédito esse que será utilizado no ano de 2000); h) Em relação ao ano-calendário de 2000, alega que a diferença entre o saldo negativo apurado pela SRF (R$ 351.487,84 — E. 694) e aquele informado na DIR1/2001 (R$ 1,002,823,79, tis. 128) deu-se em razão de a autoridade fiscal ter considerado apenas os recolhimentos efetuados nos valores de R$ 121.797,86 e R$ 227.384,83, conforme guia DARFs anexas, desconsiderando a compensação efetuada com Saldo Negativo de IRPI no valor total de R$ 651_335,95 (vide tabela às Es. 1284 a 1286 em que se encontram discriminados os valores compensados). Destacou, ainda que, para fins de demonstrar o crédito por ela utilizado no ano-base de 2001, foi apurada, no ano de 2000, base de cálculo negativa de IRVI (R$ 500.776,42) e, conseqüentemente, saldo negativo decorrente dos recolhimentos e retenção na fonte (junho e julho — DARF anexo e 1RFonte declarado de R$ 2,305,15) e compensações por estimativa, no valor de R$ 1.002.823,79; i) Quanto ao ano-base de 2001, alega que a diferença entre o saldo negativo apurado na planilha de ff 695 (R$ 2.477,77) e o informado na DIN (R$ 69,724,51 — fls. 169) é decorrente do fato de a autoridade administrativa ter desconsiderado os valores pagos/compensados por estimativa no valor de R$ 67,276,74 com créditos provenientes do ano de 2000 (oriundos da existência de saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 1.002.823,99). Destacou ainda que, em razão da apuração de base de cálculo negativa de IRPJ no ano-base de 2001 (R$ .3,867,402,74 — #1. 155) o valor de R$ 67,276,74 compensado/pago durante o ano tornou-se crédito em favor do Requerente (ti. 169), acrescido do valor de R$ 2,447,77 (IRFonte 168); j) No que concerne ao ano-calendário de 2002, defende que, nos termos da planilha apresentada pela Autoridade Fiscal à ft 695, verifica-se que foi apurada uma diferença de R$ .371.748,53, decorrente da desconsideração de compensações efetuadas pelo requerente conforme relacionado na fl. 1286.; k) Alega também que, em razão das incorporações efetuadas em 1998 (Indusval Participações Ltda. — CNRI 01,692.539/0001-11) e 1999 (Induspart Administração e Participações Ltda — CNN ri' 02.388.219/0001-35), foi transferido para o Requerente crédito de IRFonte nos valores de R$ 1.852.68.3,85 e R$ 1.153.784,00, conforme informe de rendimentos e DIRF anexos e , ainda, DIP,1/99 da Induspart Administração e Participações Ltda (Ficha 18). k 7 Processo o" 16327 00178012003-13 SI -C1T3 Acórdilo o" 1103-00.196 Fl. 8 DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 11/09/2007, acordaram a 8" Turma da DR1/SPO-I, por unanimidade de votos, em não conhecer da manifestação de inconformidade na parte em que se discute a compensação informada em DM e indeferir a solicitação, ratificando assim o despacho decisório (fls.. 1264 a 1272) relativamente à não-homologação da compensação, objeto da Declaração de Compensação (fl, 01), débito de IRPJ, código 2319, apurado em 28/02/2003 e vencido em 31/03/2003 no montante de R$ 905,28, sob os argumentos abaixo sintetizados: a) Inicialmente, cumpriu-se assinalar que a inconformidade da recorrente com a cobrança de débitos alheios à DCOMP não foi objeto de julgamento porquanto pertinentes a DCTF, os quais não estão sujeitos ao rito do PAF (Decreto n" 70,235, de 06/03/1972), sendo analisado apenas quanto ao débito Declarado em DCOMP de fl. 01 (débito de 1RPJ, código 2319, apurado em 28/02/2003 e vencido em 31/03/2003 no montante de R$ 905,28); b) Em assim sendo, restou prejudicada a alegação de decadência/prescrição quanto à cobrança dos valores declarados em DCIF e que não foram objeto de DCOMP pertinente a este processo; c) Em relação à alegada necessidade de julgamento conjunto do presente processo administrativo com os processos n"s 16327..001781/2003-68 e 16327000723/2004.5- 89, registrou-se que tais processos já foram objeto de julgamento nesta instância administrativa. Deste modo, não foi acolhido o pedido da recorrente para a realização de julgamento conjunto, quer porque não há previsão legal para tanto, quer porque os referidos processos já foram objeto de julgamento nesta instância administrativa com resultado de indeferimento do pleito; d) Destacou-se o aut, 170 do CTN para enfatizar os requisitos da certeza e da liquidez dos créditos para que possam ser compensados; e) Em relação ao ano-calendário de 1996, alegou a recorrente que, na planilha de ti. 695, em que se comparam os dados considerados pela contribuinte e pelo Fisco para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ nos anos calendário de 1996 a 2002, teria o auditor fiscal desconsiderado recolhimentos do IRRF (código 8045) por ela efetuados no valor de R$ 28..677,56 (relação às fls. 1281 e 1282 e Cópia dos DARFs às fis, 1327 a 1339); ?)( Processo n" 16327 001780/2003- I 3 Si -Cl T3 Acórdão n " 1103-00A96 Fl. 9 1) Observou-se, de pronto, que ainda que acolhida a reclamação da recorrente relativamente aos "recolhimentos" que deixaram de ser computados pelo autuante no ano-calendário de 1996, em nada iriam alterar os dados do relatório de imputação (fls. 700 a 709), posto que não foi apurado saldo negativo no 1RP,1/1997 (AC 1996) nem pela recorrente (fis. 694 e 71), nem pela Fiscalização (ff 694); g) Quanto à reclamação pertinente ao fato de o auditor fiscal ter desconsiderado os valores indicados em sua D11)1 ./1998 (AC 1997 — Linha 06 da Ficha 09 — fis. 80, 81 e 83) a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), porquanto haviam sido recolhidos sob o código 8045, nos meses de março, abril e maio de 1997, nos valores de R$ 320,45, R$ 302,78, e R$ 334,24, os espelhos dos documentos de arrecadação extraídos do Sistema "SINAL08" acostados às fls. 1478 a 1480, indicou que o CNPJ 61 .024.352/0001-71 (Banco Indusval S.A.) peitence à pessoa jurídica responsável pelo recolhimento, Portanto, salvo prova inequívoca em contrário, a interessada reteve o imposto de renda sobre rendimentos que pagou a terceiros e, por conseguinte, o recolhimento efetuado pelo responsável (fonte pagadora), é passível de compensação pela pessoa que recebeu os rendimentos; h) Da mesma forma, não foi acolhido o argumento de que a diferença entre o Saldo Negativo do IRPJ apurado pela Fiscalização e aquele informado pela recorrente em sua Dl -PI/1999 seria decorrente de IRRF (código 8045) devidamente recolhidos. Mais uma vez, conforme atestam os documentos de fls.. 1370 a 1379, a recorrente foi responsável pelo recolhimento e, portanto, salvo prova inequívoca em contrário, ela reteve o imposto de renda sobre rendimentos que pagou a terceiros; i) No que tange ao ano-calendário de 1999, a recorrente faz apenas um esclarecimento no sentido de que os valores recolhidos por estimativa nos meses de janeiro e fevereiro de 1998 representariam crédito o qual seria utilizado no ano de 2000. Entretanto, tal esclarecimento, por si só nada acrescenta aos autos; j) A recorrente alegou que, no ano-calendário de 2000, a diferença entre o saldo negativo apurado pela SRF (R$ 351,487,84 — 11 694) e aquele informado na DIRJ/2001 (R$ 1.002,823,79, fls. 128) deu-se em razão de a autoridade fiscal ter considerado apenas os recolhimentos efetuados nos valores de R$ 121.797,86 e R$ 227..384,83, conforme guia DARFs anexados; ao mesmo tempo em que desconsiderou a compensação efetuada com saldo Negativo de IRPJ no valor total de R$ 651.335,95, reportando-se à tabela às fls. 1284 s 1286 na qual encontram-se discriminados os valores compensados. k) Segundo a tabela de fis. 1284, os valores de estimativa apurados em janeiro, fevereiro, março e abril de 2000 teriam sido compensados com saldo negativo referente ao ano de 1998, saldo negativo referente ao ano de 1999 e crédito decorrente da incorporação da Induspart. Cumpriu-se, entretanto, observar que os valores dos saldos 9 Processo n" 16,327.001780/200.3-1,3 Sl-C1 T3 Acórdão n " 1103-00.,196 Fl. I 0 negativos apurados pela fiscalização e utilizados para fins de imputação, nos anos calendário de 1998 e 1999, foram ratificados neste voto, não havendo diferença a ser . computada; 1) A alegação de que houve compensação com crédito decorrente da incorporação da lnduspart é pertinente a crédito que não consta do litígio ora instaurado. Tal crédito não consta nem da Declaração de Compensação de fis.. 01, tampouco é pertinente aos saldos negativos do IRP.1 que foram considerados pela autoridade fiscal no relatório de imputação. Dessa forma restou prejudicado o argumento apresentado com vistas a considerar que as estimativas do IRPJ pertinentes a janeiro, fevereiro, março e abril de 2000 correspondessem a débitos extintos por compensação e, por conseguinte, devessem ser considerados para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ daquele ano-calendário; m) Entendeu a recorrente que a diferença entre o saldo negativo do ano-base de 2001 apurado na planilha de fl. 695 (R$ 1477,77) e o informado na DIP1 (R$ 69.724,51 — fls. 169) é decorrente do fato de a autoridade administrativa ter desconsiderado os valores pagos/compensados por estimativa no valor de R$ 67276,74 com créditos provenientes do ano de 2000 (oriundos da existência de saldo negativo de IRP.1, no valor de R$ 1.001823,99). Também no ano-calendário de 2001, o valor do saldo negativo apurado pela fiscalização e utilizado para fins de imputação, foi ratificado neste voto, não havendo diferença a ser computada para fins da compensação com os valores de estimativa (R$ 67276,74); n) Restou, por conseguinte, também prejudicada a alegada existência de crédito no valor de R$ 67.276,74 compensado / pago no ano-calendário de 2001 em razão da apuração (pela recorrente) do saldo negativo naquele mesmo ano-calendário; o) Quanto ao ano-calendário de 2002. a recorrente reclamou que a diferença de R$ 371.748,53 apurada entre o saldo negativo declarado e o apurado pela fiscalização seria, decorrente da desconsideração de compensações efetuadas por ela conforme elencado à th 1286. Novamente verificou-se que os valores cujas compensações foram desconsideradas (IRPJ estimativa de janeiro, fevereiro, março, abril —parte, de 2002) foram devidamente listados (fis, 707) para fins do Relatório de Imputação emitido pelo sistema SAPO. Irretocável o procedimento fiscal também em relação ao ano-calendário de 2002; p) Alegou também a recorrente que, em razão das incorporações efetuadas em 1998 (Indusval Participações Ltda.. — CNPJ 01.692.539/0001-11) e 1999 (Induspart Administração e Participações Ltda CNPJ n°02.388.219/0001-35), teria sido transferido a ela crédito de IRFonte nos valores de R$ 1,852.683,85 e R$ 1.153.784,00, conforme informe de rendimentos e DIRF anexos e , ainda, DIP1/99 da Induspart Administração e Participações Ltda (Ficha 18). O crédito invocado para a compensação, decorrente de incorporações, não io Processo n" 16327 001780(2003-13 Si-ClT3 Acóltlão n° 1103-00,196 Fl 11 consta nem da Declaração de Compensação de fi. 1, tampouco é pertinente aos saldos negativos do IRP.1 que foram considerados pela autoridade fiscal no relatório de imputação. Isto significa que a autoridade administrativa não averiguou a liquidez e certeza deste crédito; q) Como se vê, a contribuinte não apresentou nenhum elemento ou prova capaz de modificar as conclusões fiscais expostas no Despacho Decisório de fls. 1264 a 1272. Devidamente cientificada em 3110/2007 da r. decisão, a recorrente, inconformada, interpôs, em 1 0/11/2007, recurso voluntário, no qual basicamente reitera as alegações já apresentadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório, II Processo n" 16327.001780/2003-13 Si -C l T3 Acórdão n " 111)3-00.196 Fl. 12 Voto Conselheiro MARCOS TAKATA, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Principio com o exame da preliminar de nulidade do decisório a quo. A recorrente articula a nulidade do decisório de origem por se subtrair da apreciação da questão da decadência do lançamento feito por via oblíqua, ao não considerar as compensações. No acórdão a quo fbi deduzido entendimento de que se encontra prejudicada a alegação de decadência/prescrição quanto à cobrança dos débitos declarados em DCTI: por entender que: os débitos não foram objeto de DCOMP pertinente a este processo; bem como esta matéria não se sujeita ao rito do PAI (Decreto 70.235/72).. Nesse passo, reconheço que assiste razão à recorrente sobre a preliminar. posta. Com efeito, a questão se tornara controvertida diante do deduzido no despacho decisório e sua irresignação firmada na manifestação de inconformidade, e a matéria se põe sob o regime previsto no PAR Por outro lado, não se pode esquecer o que preceitua o art. 59, § 3 0, do Decreto 70235/72 com a redação da Lei 8.748/93, e que materializa o princípio da economia processual: Art. 59. São nulos. ) § 1" A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência § 2" Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução tio processo. § 3', Quando puder decidir do mérito «favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe rtfalta. (Incluído pela Lei n°8748, de 1993) Não se cuida, aqui, de débitos confessados que prescindam de ato formalizador para sua exigência, malgrado informem débitos declarados em DCIF's recorrente.. Na medida em que os créditos igualmente declarados nas DCIRs, em compensação "espontânea" da recorrente — por serem casos de compensação de créditos com Processo n" 16327 001780/2003-1.3 51-C1T3 Acái dão n " 11034J0,196 F I 13 débitos de tributos da mesma espécie, antes do advento da Medida Provisória 66/02 convertida na Lei 10,637/02 — são fulminados no despacho decisório, impõe-se a formalização da exigência daqueles débitos, ainda que impulsionada pelo despacho decisório. Com isso quero dizer que a hipótese em dissídio gira em torno do instituto da decadência e não do da prescrição. Vê-se nos autos que o aperfeiçoamento do despacho decisório se dera em 17/04/2007, sendo que os débitos objetivados no despacho decisório são do final de 1999 a maio de 2002. É indisfarçável, pois, que os débitos em questão — com fatos geradores aperfeiçoados até o final de março de 2002 — encontram-se atingidos pelo fenômeno decadencial, nos termos do art. 150, § 4 0, do CIN. Outrossim, na conformidade do art. 59, § 3 0, do PAF, deixo de decretar a nulidade do acórdão de origem, para reconhecer a decadência dos débitos "lançados" pelo despacho decisório, com fatos geradores consumados até o final de março de 2002, conforme figuram no relatório do Sistema SAPO que acompanha o referido despacho.. Já, quanto à alegada necessidade de julgamento conjunto do presente processo administrativo com os processos n"s 16.327.001781/200.3-68 e 16327.000723/2005- $9, entendo que a apreciação apartada daqueles processos não prejudica o julgamento do presente feito. Ainda que a pretensão da recorrente deduzida nos autos do processo n" 16327.000723/2005-89 venha a prosperar', não resultaria afetado o desfecho deste feito. A pretensão manejada naquele processo se refere a compensações de débitos relativos aos meses de outubro a dezembro de 2002, no montante de RS 299.924,80, com créditos compreendidos entre maio de 1993 a dezembro de 1995, e que seria insuficiente para configurar saldo negativo de IRRI do ano-calendário de 2002, conforme demonstrado em cálculo de ti. 695. Prossigo no exame do feito. A DRF, em seu despacho decisório (fi 762), reconheceu o direito creditório da recorrente conforme tabela abaixo: ORIGEM : : APUR VALOR Indusval Part Lida 01 692 539/0001-11 1997/1998 31/12/97 j 1.352.46(462 Banco hidusw/ 61 021.352/0001-71 1997/1998 31/12/97 : 223.543,36 Banco Intituval 61 024.352/0001-71 1998/1999 .31/12/98 460,964.42 lnátspart Adiu e Part Lula 02 388 219/0001-3.5 1998/1999 31/12/98 1:004.162,68 induspasi Adtn e Pai t Lida 02 388.219/0001-3.5 1999/2000 31/12/99 : 26.9(3896 Banco Indusvai 61 024 352/0001-71 1999/2000 31/12/99 : :: : : : 351;379 74 Banco Indusval 61.024 352/0001-71 2000/2001 31/12/00 Banco hulusval 61 024 352/0001-71 2001/2002 31/12101 : 2.4447:7 Compulsado os autos, evidencia-se que a recorrente utilizou esses créditos para compensação de débitos de 1999 a 2002, conforme declarado em suas DCTF's (fis. 766 a 13 Processo n" 16327.001780/2003-13 Si -C1T3 Acórdão n " 1103-00,.196 A 4 1019) e que correspondem às compensações que figuram no relatório do sistema SAPO, elaborado pela autoridade fiscal. Porém, a D.RF, ao confrontar os valores creditórios utilizados pela recorrente com os valores considerados pela receita conforme tabela acima, foi constatado, por meio do sistema SAPO, que o crédito foi insuficiente para saldar todos os débitos, reconhecendo, portanto, as compensações realizadas pela recorrente de 1998 (fl. 700) até o esgotamento cio crédito, que ocorreu em dezembro de 1999 (fl, 703). A titulo de ilustração, apresento a tabela a seguir, cotejando os dados constantes do sistema SAPO com os dados (compensações "diretas") declaradas nas DCIF's: Sistema SAPO DC1 F Tr Urutu Data Valor Folhas Tributo Data Valor Folhas 5706 -IRRF 6/1/1999 426.000,00 700 5706- 1RRF 1" trimestre 1999 426.000,00 766 3426- 1RRF 13/1/1999 607.463,04 700 3426- IRRF I" trimestre 1999 607.463,04 767 8053 -IRRF 13/1/1999 112.153,20 700 8053- IRRF I" trimestre 1999 112.153,20 768 5706 -IRRF 5/5/1999 164.751,92 700 5706- IRR.F 2" trimestre 1999 [ 64.751,92 780 0561 - I RRF 14/7/1999 102.134,86 701 0561 - 1RRF 3" trimestre 1999 102.134,86 813 8053 - 1RRF 25/8/1999 14.613,10 702 8053 - 1RRF 3" trimestre 1999 14.613,10 836 0561 - 1RRF 9/9/1999 66.042,83 702 0561 - IRRF 3" trimestre 1999 66.042,83 842 0561 - 1RRF 14/10/1999 58.207,25 702 0561 - 1RRT 4' trimestre 1999 58.207,25 857 8053- 1RRF 10/11/1999 110.403,34 703 8053 - 1RRF 4' trimestre 1999 110.403,34 870 8053- 1RRF 1/12/1999 134,250,05 703 8053- 1RRF 4' trimestre 1999 134.250,05 880 5706- 1RRF 15/12/1999 235.666,56 703 5706- 1RRF 40 trimestre 1999 235.666,56 886 0561 - IRRI 15/12/1999 117.035,96 703 0561 - 1RRF 40 trimestre 1999 117.035,96 887 Das incorporações efetuadas pela Recorrente Alega recorrente que, em razão das incorporações efetuadas em 1998 (Indusval Participações Ltda.. — CNRI 01..692.539/0001-11) e 1999 (Induspart Administração e Participações Ltda CNPJ n" 02.388.219/0001-35), teria sido "transf erido para o Requerente crédito de 1RFonte nos valores de R$ 1.852..683,85 e R$ 1..153.784,00, CO17firnie infbrine de rendimentos e D1RF anexos e , ainda, D1PJ/99 da Induspart Administração e Participações. Ltda (Ficha 18)" 01 1511). O crédito invocado para a compensação, decorrente das incorporações realizadas pela recorrente, foi reconhecido pela DRI ; e integralmente utilizado na compensação de débitos conforme Demonstrativo de utilização do saldo negativo da PJ Induspaut administração e Participações SC Ltda., (fls. 696 a 699). Dessa forma, não há matéria controvertida, nesse passo, tendo em vista que esses créditos .já fbram utilizados. Anos-Calendário 1996, 1997 e 1998 Referente ao ano-calendário de 1996, a recorrente alega que foram desconsiderados pelo auditor fiscal recolhimentos do IRRF (código 8045) por ela efetuados no 14 Processo n" 16327 001730/2003-13 Si -Cl T3 Aeól dão n O 1103-00,196 Fl 15 valor de R$ 28.677,56 (relação às fls.. 1281 e 1282 e Cópia dos DAR.Fs às fls. 1327 a 1339) na elaboração dos cálculos da planilha de ff 695. Como bem colocado pelo órgão julgador a quo, ainda que acolhida a reclamação da recorrente relativamente aos "recolhimentos" que deixaram de ser computados pela DRF de origem no ano-calendário de 1996, em nada iriam alterar os dados do relatório de imputação (tis. 700 a 709), porquanto não foi apurado saldo negativo no IRN/1997 (AC 1996) nem pela contribuinte (fis.. 694 e 71), nem pela DRF (fl, 694). Deste modo, resulta prejudicado o argumento desafiado pela recorrente quanto aos dados considerados para fins de apuração do saldo negativo do ano-calendário de 1996. Sobre a argumentação da recorrente relativo ao fato de a DRF ter desconsiderado os valores devidamente recolhidos a título de IRRF (código 8045), nos meses de março, abril e maio de 1997, nos valores de R$ 320,45, R$ .302,78, e R$ 334,24 (respectivamente fis.. 80, 81 e 83), observo o seguinte. Da análise dos autos, não merece reparos, a meu ver, a assertiva do órgão julgador a gila, ao afirmar que, conforme os espelhos dos documentos de arrecadação extraídos cio Sistema "SINAL08" acostados às fis. 1478 a 1480, a recorrente, a bem ver ., é a responsável pelo pagamento desses valores, não havendo nos autos documentos que comprovem ser ela a titular do direito creditório. Portanto, salvo prova inequívoca em contrário, e que não houve, a recorrente reteve o IRF sobre rendimentos que pagou a terceiros e, por conseguinte, o pagamento do IRF efetuado pelo responsável (fonte pagadora) é passível de compensação pela pessoa que recebeu os rendimentos. Outrossim, rejeito a alegação da recorrente quanto ao erro do fisco na apuração do saldo negativo de IRN relativo ao ano-calendário de 1997.. A mesma sorte tem a arguição da recorrente de que a diferença entre o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1998 apurado pela DRF e aquele informado pela recorrente em sua DIN/1999 seria decorrente de IRRF (código 8045) devidamente pago. Não merece reparos o quanto foi colocado pela DM, em conformidade com os documentos de fis, 1.370 a 1379, em que se evidencia que a recorrente foi a responsável pelo pagamento do IRE. Dessa forma, salvo prova inequívoca em contrário, e que não houve, a recorrente reteve o IRF sobre rendimentos que pagou a terceiros. Por conseguinte, rejeito também essa alegação da recorrente quanto ao saldo negativo de !RN do ano-calendário de 1998. Ano-calendário de 1999 No que concerne ao ano-calendário de 1999, uma vez mais concordo com a conclusão do órgão julgador de origem, ao afirmar que a recorrente fez apenas um esclarecimento, no sentido de que os valores pagos por estimativa nos meses de janeiro e fevereiro de 1998 representariam crédito que seria utilizado no ano-calendário de 2000. Entretanto, tal esclarecimento, por si só, nada acresce para desenlace diverso da questão, ao comunicado pela DRF. 15 Processo n" 16327 001780/2003-13 Sl-C1T3 Acórdão n " 1103-00,196 Fl 16 É de se relembrar que em processos de compensação e restituição, em que está em jogo a pretensão da contribuinte, o ônus da prova é dela, e que devia ter sido produzida no momento próprio, diante da extensão e limites do que se deu no despacho da DR.F, vale dizer, quando da manifestação de inconformidade. Nem ar nem aqui, em sede recursiva, .fez prova a recorrente.. Ano-calendário de 2000 A recorrente articula que, no ano-calendário de 2000, a diferença entre o saldo negativo apurado pela REI3 (R$ 351,487,84) e aquele informado na DIR1/2001 (R$ 1J302.823,79) deu-se em razão de a autoridade fiscal ter considerado apenas os pagamentos feitos nos valores de R$ 121,797,86 e R$ 227.384,83, conforme guias DARF's anexadas à manifestação de inconformidade, desconsiderando a compensação efetuada com saldo negativo de IRPJ dos anos-calendário de 1998 e 1999, no valor total de R$ 651,335,95, eportando-se à tabela de fl. 1517. Segundo a tabela apresentada pela recorrente, os valores de estimativa apurados em janeiro, fevereiro, março e abril de 2000 teriam sido compensados com saldo negativo referente ao ano de 1998, saldo negativo referente ao ano de 1999 e crédito decorrente da incorporação da Induspart. Como já descrito nesse voto, os créditos indicados pela recorrente em seu recurso voluntário (fi. 1517) já foram reconhecidos pela DRF e integralmente aproveitados pela recorrente, conforme demonstrado pela autoridade fiscal, em planilha de fis 696 a 699. Dessa forma, rejeito igualmente a alegação da recorrente de que a autoridade administrativa desconsiderou os valores creditórios da recorrente. Nos mesmos moldes, rejeito a arguição da recorrente para se terem como débitos extintos por compensação os das estimativas de IRRI de janeiro, fevereiro, março e abril de 2000, e que nesses termos devam ser considerados os débitos, para apuração do saldo negativo de IRPI do ano-calendário de 2000. Ano Calendário 2001 A recorrente articula que a diferença entre o saldo negativo do ano-calendário de 2001, apurado na planilha de fl. 695 (R$ 2A77,77), e o informado na DIPJ (R$ 69.724,51), decorre de a autoridade administrativa ter desconsiderado as estimativas no valor de R$ 67,276,74, solvidas com saldo negativo do ano-calendário de 2000.. Como bem observado pelo órgão julgador a quo, também no ano-calendário de 2001, o valor do saldo negativo apurado pela fiscalização e utilizado para fins de imputação, foi ratificado, não havendo diferença a ser computada para fins da compensação com os valores de estimativa (R$ 67.276,74). Observe-se que os valores do IRPI estimativa devidos nos meses de janeiro a maio de 2000 foram devidamente listados (fis. 704 e 705) para fins do Relatório de Imputação emitido pelo sistema SAPO. Processo n" 16327.001780/2003-13 Sl-C1T3 Acórclào n " 1103-00,196 Fl 17 Rejeito, por conseguinte, a alegação da existência de crédito a maior de R$ 67.276,74 no ano-calendário de 2001, em razão da compensação de saldo negativo do ano- calendário de 2000 com estimativas do ano-calendário de 2001„ Ano-calendário de 2002 A recorrente aduz que a diferença de R$ 371..748,53, entre o saldo negativo declarado e o valor apurado pela fiscalização, decorre da desconsideração de compensações efetuadas pela recorrente conforme fl.. 1286. Trata-se, aqui, de consectário à ausência de direito creditório (saldo negativo de IRPI) de anos-calendários anteriores, ou melhor, de insuficiência de saldos negativos de IRP.1 de anos-calendários anteriores, como já enfrentado, e que, em efeito "dominó", repercute na apuração do saldo negativo do ano-calendário de 2002, objeto da DCOMP em dissídio. Bem verdade que a compensação das estimativas de 1RPJ de outubro, novembro e dezembro de 2002 (fi, 1286), conformada no processo administrativo if 16.327.000723/2005-89, encontra-se pendente de julgamento neste órgão judieante administrativo (1" Seção do CARF). Mas, como já ressaltado alhures neste voto, ainda que o desfecho do mencionado feito se dê favoravelmente ao recorrente, o valor seria insuficiente para apuração de saldo negativo de IRP3 no ano-calendário de 2002. Resulta nítido, portanto, a inexistência do postulado saldo negativo de 1RPJ do ano-calendário de 2002, no valor de R$ 905,28. De tudo quanto ficou exposto, nego provimento ao recurso quanto ao saldo negativo de IRP.1 em lide (ano-calendário de 2002). Sob essa ordem de considerações e ,juízo, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência dos débitos cobrados conforme o despacho decisório da DRF de origem (descritos no relatório do sistema SAPO, que integra o referido despacho — fis, 703 a 707), com fatos geradores consumados até o final de março de 2002. É o meu voto. "- -MAR OS TAKATA Pi ocesso n 6327. 001780/2003-13 SI -C 1 T3 At6i-c15{) n " 1103-00.196 F1. 19 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciaria no acórdão supra, nos termos do art, 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, Brasília, JOSÉ. ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da I" Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-ME Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ com Recurso Especial; [ j com Embargos de Declaração; [ 19
score : 1.0
Numero do processo: 13890.000398/2003-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/12/1995 a 28/02/1996
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. FALTA DE OBJETO.
Não havendo contestação das razões que levaram a decisão recorrida a não
conhecer da manifestação de inconformidade (única matéria decidida), a
decisão é definitiva e não há litígio a ser apreciado e julgado pelo CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-00.800
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Não Informado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1995 a 28/02/1996 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. FALTA DE OBJETO. Não havendo contestação das razões que levaram a decisão recorrida a não conhecer da manifestação de inconformidade (única matéria decidida), a decisão é definitiva e não há litígio a ser apreciado e julgado pelo CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 07/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 23/07/2003 a empresa CERÂMICA BUSCHINELLI LTDA., já qualificada, ingressou com o pedido de restituição de contribuição para o PIS, relativo a fatos gerados ocorridos no período de dezembro de 1995 a fevereiro de 1996, alegando a inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 1.212/95 (Lei nº 9.715/98), declarada pelo STF na ADIN nº 14170. A DRF em Limeira SP indeferiu o pedido da interessada, alegando a extinção do direito de a recorrente pleitear a restituição, conforme Despacho Decisório de fls. 71/72. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 84/87, na qual alega, resumidamente, que o prazo nonagesimal está definido na Constituição Federal. Cita jurisprudência. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP não conheceu da Manifestação de Inconformidade pela falta de contestação do fundamento da decisão atacada, nos termos do Acórdão no 1422.050, de 26/01/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FORMALIDADES LEGAIS. A manifestação de inconformidade obedece ao rito processual do PAF, que prevê em seu artigo 17 que a matéria não expressamente contestada pelo impugnante considerase não impugnada. Impugnação não Conhecida A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 18/08/2009, conforme AR de fl. 113, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 16/09/2009, o recurso voluntário de fls. 114/121, no qual reproduz os argumentos da manifestação de inconformidade, acrescentado 4 (quatro) novos tópicos, abaixo reproduzidos: 1 da não ocorrência da prescrição e decadência; 2 da LC 118/05; 3 ADIN 14170; 4 da Compensação A recorrente silenciou sobre as razões do não conhecimento, pela DRJ em Ribeirão Preto SP, da Manifestação de Inconformidade. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É a síntese do essencial. Voto Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13890.000398/200308 Acórdão n.º 330200.800 S3C3T2 Fl. 125 3 Conselheiro Walber José da Silva Conforme relatado, a DRJ de Ribeirão Preto SP não conheceu da Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente porque não houve expressa contestação dos fundamentos da decisão da DRF em Limeira SP, que não reconheceu o crédito pleiteado e não homologou as compensações declaradas em face da extinção do direito de a interessada pleitear restituição. Tempestivamente, a empresa interessada recorre a este Colegiado reproduzindo os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentando novos argumentos relativos à ocorrência de decadência e prescrição, à ADIN nº 14170 e à compensação sem, no entanto, contestar as razões que levaram a DRJ em Ribeirão Preto a não conhecer da manifestação de inconformidade, única matéria apreciada e decidida na decisão recorrida. Nos termos do art. 1º do seu Regimento Interno (Anexo II da Portaria MF nº 256/09), abaixo reproduzido, ao CARF compete o julgamento de decisões de primeira instância Art. 1° Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No caso em tela, a única decisão tomada no acórdão recorrido foi de não conhecer da manifestação de inconformidade por falta de contestação expressa da decisão da DRF em Limeira SP que declarou extinto o direito de a recorrente pleitear a restituição objeto deste processo. No recurso voluntário, a empresa interessada também não contesta expressamente os fundamentos da decisão recorrida de não conhecer da manifestação de inconformidade. Portanto, não há litígio a ser julgado, devendo o Colegiado não conhecer do recurso voluntário interposto pela interessada, por falta de objeto. Não tendo sido estabelecido o litígio, a decisão recorrida é definitiva. Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por falta de objeto. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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