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Numero do processo: 10630.002242/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1998 a 30/06/2003
PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De
acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código
Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta,
nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.279
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso para declarar a decadência até a competência 10/1999.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 30/06/2003 PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento Recurso Voluntário Provido.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a decadência até a competência 10/1999. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada contra o contribuinte acima identificado referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, correspondentes a parcela descontada da remuneração dos segurados, a parte patronal, a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (SAT) e as relativas a Terceiros (SESI, SENAI, SEBRAE, INCRA e Salário Educação), no período compreendido entre 02/1998 a 06/2003, com ciência do contribuinte em 11/2004 . De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 86/89, temse o seguinte: * Os valores relativos ao SAT e ao Salário Educação são originários de depósitos em Juízo nos processos nº. 1999.38000369589 e 1997.000320117, respectivamente e foram levantados para se evitar a decadência; * Além dos valores discutidos e depositados judicialmente, ao serem examinadas folhas de pagamento, recibos de férias, termos de rescisão de contrato de trabalho, GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e documentos contábeis restaram constatadas a existência de contribuições devidas e não pagas em época própria e; * Foram deduzidos das contribuições apuradas os valores recolhidos através de Guias de Recolhimento da Previdência Social — GRPS e de Guias da Previdência Social — GPS. Tais guias estão relacionadas no anexo RDA Relatório de Documentos Apresentados. Foram também deduzidos os créditos que a empresa possuía a título de saláriofamília. Após a retificação do débito proposta no Discriminativo Analítico de Débito Retificado, às fls. 240/254, foi proferida a Decisão Notificação de fls. 255/263 que julgou o lançamento procedente em parte, mantendose o débito relativos às competências 10/98; 13/98; 06/99; 07/99 e 10/99. Não se conformando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso anexando vários documentos e apontando erros da fiscalização. Em razão da documentação acostada, os autos foram baixados em diligência para a manifestação do Sr. Auditor Fiscal Notificante, que às fls. 386/387 emitiu o Relatório Fiscal Complementar, que concluiu pela exclusão dos valores referentes às competências 10/98; 06/99; 07/99 e 10/99 e pela manutenção da competência 13/98. O contribuinte tomou ciência do RFC e se manifestou pugnando pelo acolhimento do relatório e pela aplicação da Súmula nº 08 do STF com relação à competência 13/98. É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10630.002242/200831 Acórdão n.º 240102.279 S2C4T1 Fl. 409 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA A preliminar de decadência suscitada em sede de recurso merece acolhimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em novembro de 2004, conforme se verifica às fls. 01 e a única contribuição mantida referese à competências 13/98 o que fulmina totalmente o direito do fisco de constituir o lançamento, com base no art. 150, IV do CTN. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, acolher a preliminar de decadência extinto todos os débitos lançados até a competência 10/1999. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 411DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15374.940189/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário:
2003
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não resta caracterizado o cerceamento ao direito de defesa quando se verifica que a autoridade julgadora de primeira instância analisou os documentos acostados ao processo bem como as razões de defesa apontadas pela própria recorrente, porém entendeu-os insuficientes para fazer prova a seu favor.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO A COMPENSAÇÃO.
Nos termos da legislação de regência, o cancelamento ou a retificação do PERDCOMP somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento, pelo que não pode ser aceita sua retificação, mormente no presente caso, em que pleiteada apenas em sede recursal, com base em fundamentos distintos daqueles apresentados à primeira instância.
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Comprovada nos autos a regularidade das parcelas que compuseram o saldo
negativo do IRPJ, deve ser homologada a compensação desse crédito com
débitos do sujeito passivo, até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1102-000.677
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reconhecer à recorrente o crédito de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2003 de R$ 309,67, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não resta caracterizado o cerceamento ao direito de defesa quando se verifica que a autoridade julgadora de primeira instância analisou os documentos acostados ao processo bem como as razões de defesa apontadas pela própria recorrente, porém entendeu-os insuficientes para fazer prova a seu favor. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO A COMPENSAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, o cancelamento ou a retificação do PERDCOMP somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento, pelo que não pode ser aceita sua retificação, mormente no presente caso, em que pleiteada apenas em sede recursal, com base em fundamentos distintos daqueles apresentados à primeira instância. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Comprovada nos autos a regularidade das parcelas que compuseram o saldo negativo do IRPJ, deve ser homologada a compensação desse crédito com débitos do sujeito passivo, até o limite do crédito reconhecido.
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Recorrente EMPRESA CINEMAS SÃO LUIZ SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não resta caracterizado o cerceamento ao direito de defesa quando se verifica que a autoridade julgadora de primeira instância analisou os documentos acostados ao processo bem como as razões de defesa apontadas pela própria recorrente, porém entendeuos insuficientes para fazer prova a seu favor. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO A COMPENSAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, o cancelamento ou a retificação do PERDCOMP somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento, pelo que não pode ser aceita sua retificação, mormente no presente caso, em que pleiteada apenas em sede recursal, com base em fundamentos distintos daqueles apresentados à primeira instância. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Comprovada nos autos a regularidade das parcelas que compuseram o saldo negativo do IRPJ, deve ser homologada a compensação desse crédito com débitos do sujeito passivo, até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15374.940189/200860 Acórdão n.º 110200.677 S1C1T2 Fl. 296 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reconhecer à recorrente o crédito de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2003 de R$ 309,67, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida. “O presente processo versa sobre diversos PER/Dcomp, listados no Despacho Decisório de fl. 11, que foram transmitidos em: 31/05/2005, 30/06/2005, 11/08/2005, 17/08/2005, 16/12/2005, 15/03/2006, 28/04/2006 e 20/07/2006. Segundo o que consta nas Dcomp, o crédito utilizado se refere ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, no valor de R$ 86.705,27 (fl. 02). No Despacho Decisório (fl. 11) consta a não homologação das compensações das Dcomp. Os motivos foram os seguintes: Valor original do saldo negativo informado no PER/Dcomp com demonstrativo de crédito: R$ 86.705,27. Pagamentos confirmados: R$ 86.705,27 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 444.863,27. CSLL devida: R$ 358.467,67 Valor do saldo negativo disponível R$ 0,00. A interessada se insurgiu, em 23/12/2008, contra o disposto no Despacho Decisório, através da manifestação de inconformidade (fl.13 a 20), do qual tomou ciência em 03/12/2008 (fl.10), apresentando os argumentos que se seguem: As alegações do Despacho não encontram sustentação nos registros do contribuinte, uma vez que o crédito mencionado R$ 444.863,27 é superior aos da compensação. O contribuinte verificou que em 2003, recolheu CSLL, por estimativa, conforme os DARF anexos, no total de R$ 445.172,94 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15374.940189/200860 Acórdão n.º 110200.677 S1C1T2 Fl. 297 3 Ao preencher sua DIPJ 2004, em vez de lançar os R$ 445.172/94 que havia pago, por estimativa, lançou um valor menor R$ 444.863,27 (tanto na Ficha 16 como na Ficha 17) declarando, como saldo negativo da CSLL, o valor de R$ 86.395,60. O contribuinte constatou o equívoco, e ao preencher as cinco DCOMP a seguir descritas, declarou o crédito de R$ 86.705,27, considerado o saldo negativo apurado com o valor correto das CSLL pagas por estimativa R$ 445.172,94. Esse valor de R$ 86.705,27 deixou de ser transportado para a linha 48 da Ficha 17, como saldo negativo de CSLL apurado em 31.12.2003 Considerado o saldo negativo de CSLL R$ 86.705,27, o contribuinte utilizouo nas compensações. Cinco DCOMP (0269014796, 0969731363, 201728927, 1032617547 e 1538887391) declaram como crédito original o saldo negativo de CSLL informado pelo contribuinte, na ficha 17 da sua DIPJ/2004 de R$ 86.705,27. Em 2006, o contribuinte verificou que deixara de considerar na apuração do saldo negativo de CSLL de 2003, os valores de quatro retenções na fontes de CSLL, totalizando R$ 32.379,27, como discriminado na planilha anexa. Essas retenções e o saldo não utilizado foram lançados no Razão Analítico. Esse valor de R$ 32.379/27 deixou de ser lançado na linha 45 do Cálculo da CSLL na Ficha 17 – linha 45 e considerado no cálculo do saldo negativo de CSLL que, na realidade era de R$ 119.084,54: Esses créditos de R$ 32.379/27 (R$ 14.604,55; R$ 9.284,30; R$ 5.590,21; R$ 2.900,00), retidos no código 5952, foram utilizados nas três compensações declaradas nas seguintes DCOMP: 1624190160; 1040218052; 2294515928. Restou um saldo original de R$ 0,07. Os equívocos no preenchimento da DIPJ não acarretaram em prejuízos à Fazenda, não extinguem , nem alteram os créditos, nem a verdade material que deve prevalecer. É o relatório” A 8ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 pesquisou os recolhimentos constantes do sistema Sinal07, da Receita Federal do Brasil, e confirmou o recolhimento de estimativas de CSLL no ano calendário de 2003 no valor de R$ 444.863,27, o mesmo valor informado na DIPJ/2004 (fls. 33), na linha 41 da ficha 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) como sendo o total da CSLL mensal paga por estimativa. Assim, ante uma CSLL devida de R$ 358.467,67 (linha 38 da mesma ficha 17), confirmou o valor de R$ 86.395,60, nesta DIPJ informado, como o saldo negativo daquele ano, e não o valor de R$ 86.705,27 pleiteado. Com relação ao pleito de reconhecimento do valor adicional de R$ 32.379,27, relativo a quatro retenções na fonte de CSLL, constantes das planilhas e cópias do Razão anexas, como saldo negativo de CSLL de 2003, observou a DRJ que tais valores Fl. 297DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15374.940189/200860 Acórdão n.º 110200.677 S1C1T2 Fl. 298 4 somente poderiam ser considerados na apuração do saldo negativo se constassem da respectiva DIPJ, e que o contribuinte deveria, se fosse o caso, antes da ciência do Despacho Decisório, retificar a DIPJ, apresentando a documentação comprobatória. A decisão a quo restou assim ementada: “COMPENSAÇÃO A existência de parte do crédito implica no não reconhecimento parcial do direito creditório com a consequente homologação de parte das compensações, até o limite do crédito.” Cientificada desta decisão em 03/06/2011, conforme AR anexo aos autos, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 05/07/2011, fls. 145 a 161, acompanhado dos documentos de fls. 162 a 292, no qual reprisa os argumentos já expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte: Para fins de clareza, a Recorrente dividiu as oito DCOMP originalmente não homologadas em três diferentes grupos: no primeiro grupo, encontramse as cinco DCOMP que foram integralmente homologadas e que tinham por base o crédito de R$ 86.705,27; no segundo grupo, a DCOMP que utilizou o crédito de R$ 32.379,27, apurado no período de 01.01.2004 a 31.12.2004, e que restou parcialmente homologada; e no terceiro grupo, as duas DCOMP que utilizaram o mesmo crédito de R$ 32.379,27, apurado no período de 01.01.2004 a 31.12.2004, e que restaram não homologadas. A decisão recorrida, ao não distinguir as diferentes situações que estavam em julgamento, e ao não informar a parte da DCOMP nº 16241.90160 (2º grupo) que foi homologada e a parte cuja não homologação foi mantida, prejudicou a sua defesa e o contraditório. Com relação à parcela de R$ 309,67, contida no valor de 86.705,27, e que não foi reconhecida pela decisão recorrida, junta o respectivo DARF e o “Comprovante de Arrecadação” extraído da página da Receita Federal do Brasil (www.receita.fazenda.gov.br). Com relação ao crédito no valor de R$ 32.379,27, utilizado nas compensações declaradas nas DCOMP do 2º e 3º Grupos, a recorrente, ao receber, no ano calendário 2004, as remunerações por serviços prestados a quatro sociedades cujos CNPJs encontramse indicados na DCOMP n. 16241.90160, teve retidas, além do Imposto de Renda, as contribuições CSLL, COFINS e PIS, em cumprimento às disposições da Lei 10.833/2003. Em que pese a Lei 10.833/2003 já ter instituído a obrigação da retenção na fonte dessas contribuições, o código 5952 só foi criado posteriormente, e só bem depois foram criados campos específicos para a declaração dessas retenções na DIRF e na DIPJ. Por isto, a recorrente anexa a Ficha 53 de sua DIPJ/2005, relativa ao ano calendário 2004, a qual mostra as diversas retenções feitas por fontes pagadoras a título de IRRF, dentre as quais encontramse as quatro sociedades antes referidas. A desconsideração do seu crédito de R$ 32.379,27, portanto, se deu por razões meramente formais, que sequer se aplicam à situação de fato, vez que a análise dos créditos nos valores de R$ 86.705,27 e R$ 32.379,27, de forma conjunta — como se tivessem a mesma natureza, e houvessem sido apurados no mesmo ano calendário (2003) — gerou evidente confusão, prejudicando a própria decisão recorrida. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15374.940189/200860 Acórdão n.º 110200.677 S1C1T2 Fl. 299 5 A formalidade não pode sobreporse aos princípios da verdade material, da segurança jurídica e do devido processo legal. Os equívocos ocorridos não acarretaram qualquer prejuízo à Fazenda Nacional, e não passaram de meros erros materiais de preenchimento, ocorridos num período em que os contribuintes tinham muitas dúvidas sobre como compensar seus créditos e como preencher as Declarações de Compensação. O preenchimento equivocado de uma declaração não é fato gerador de tributo, podendo as declarações serem revistas e retificadas, seja por iniciativa da administração fiscal, seja pelo contribuinte, não havendo que se falar em impossibilidade de retificar a DIPJ após a ciência do Despacho Decisório, conforme sustenta a decisão recorrida. Finaliza solicitando o total reconhecimento dos seus créditos nos valores de R$ 86.705,27 e R$ 32.379,27, e a homologação das DCOMP apresentadas. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A preliminar de cerceamento do direito de defesa, levantada pela recorrente, e afeta à decisão recorrida, não deve ser acolhida. A decisão foi prolatada com base nos documentos acostados aos autos, e nas razões de defesa apontadas pela própria recorrente na sua manifestação de inconformidade. Assim, se alguma confusão houve, esta foi, sem dúvida, causada pela recorrente, pois, conforme visto, além de apresentar todas as DCOMP em análise no presente processo apontando como origem do crédito o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2003, reafirmou na manifestação de inconformidade que o seu saldo negativo neste ano seria na verdade de R$ 119.084,54, correspondente justamente à soma dos valores de R$ 86.705,27 e R$ 32.379,27, valor este último que, em sede recursal, reconhece pertencer ao ano calendário de 2004. Portanto, carece de fundamento alegar que o fato de a decisão recorrida ter analisado todas as DCOMP como se os créditos tivessem a mesma natureza, e houvessem sido apurados no mesmo ano calendário, possa caracterizar cerceamento de sua defesa, quando na verdade esta era a tese da própria recorrente. Tampouco o alegado fato de que a decisão recorrida não teria especificado qual a parcela de uma determinada DCOMP que não fora homologada se confirma, e para que disto não restem dúvidas, basta conferir os dizeres do Termo de Ciência (fls. 130) que encaminhou o acórdão recorrido ao contribuinte: Fl. 299DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15374.940189/200860 Acórdão n.º 110200.677 S1C1T2 Fl. 300 6 “Fica a interessada cientificada do Acórdão de nº 1236.303 de fls. 107/111, dos demonstrativos de compensação de fls. 115/124, da cobrança dos débitos cadastrados nos processos de nºs 15374.941.103/200816, 15374.941.105/2008 13 e 15374.941.106/200850, extratos de fls. 122/124 e do despacho de fls. 129.” No AR de fls. 131 encontramse também relacionados estes mesmos documentos acima citados, demonstrando que a recorrente teve ciência dos demonstrativos de compensação elaborados com base na decisão atacada. Passo a seguir ao mérito. Cediço que o regime jurídico da compensação tributária, em vigor a partir da Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003, as quais introduziram alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, requisita a iniciativa do contribuinte, que, mediante a apresentação da Declaração de Compensação, informa ao Fisco que efetuou o encontro de contas entre seus débitos e créditos. Este encontro de contas formalizado no PERDCOMP possui o efeito de extinção dos débitos fiscais ali indicados, desde o momento de sua apresentação, ficando, a partir daí, incumbido o sujeito ativo de, no prazo de cinco anos, homologar ou não o ato compensatório praticado, findo o qual, se não efetivada qualquer apreciação, a referida compensação se resolve pelo evento da sua homologação tácita. Assim, é certo que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, e que a este cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. O crédito apontado pela recorrente sempre foi o de saldo negativo de CSLL de 2003. Inclusive nas três DCOMP a que o contribuinte se refere como 2º e 3º grupos (homologada parcialmente, e não homologadas), podese verificar claramente (fls. 235, 241, e 246) o preenchimento dos seguintes campos: Forma de Apuração: Anual Exercício: 2004 Data inicial do período: 01/01/2003 Data final do período: 31/12/2003 Nos termos da legislação editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para a regulamentação da matéria, com base na expressa autorização dada pela Lei nº 9.430/96, temse que somente pode ser aceita a retificação ou o cancelamento da Declaração de Compensação enquanto esta se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento. No caso concreto, entretanto, sequer aventou o contribuinte, em sua petição inicial, a hipótese de retificação de suas DCOMP, ao entendimento de que estas encontravam se hígidas, já que o equívoco se dera no preenchimento da sua DIPJ/2004, na qual não foram incluídas as retenções por ela sofridas nos termos da Lei 10.833/2003. Assim, afigurase de todo desarrazoado, neste estágio processual, cogitarse de aceitar a alteração do ano calendário a que se referem algumas das Declarações de Compensação por ela apresentadas, o que tornaria prejudicados tanto a decisão recorrida Fl. 300DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15374.940189/200860 Acórdão n.º 110200.677 S1C1T2 Fl. 301 7 quanto o próprio despacho decisório, tendo de reiniciarse “do zero” uma nova análise, tendo por base um crédito totalmente distinto daquele que foi contraposto à Fazenda. A título de informação, e para melhor ilustrar os desacertos cometidos pela recorrente, acaso se entendesse possível superar tal óbice, de se ressaltar ainda que a própria recorrente reconhece que o valor de R$ 32.379,27, que ora pleiteia, referese a retenções na fonte efetuadas por pessoas jurídicas de direito privado, na forma da Lei 10.833/2003, não apenas de CSLL, mas também de PIS e de COFINS. Os demonstrativos, por ela anexos às fls. 187 a 189, confirmam a alegação. Deste modo, tendo em conta que o artigo 30 da Lei 10.833/2003 determina a retenção de um percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento) em tais casos, dos quais apenas 1% referese à CSLL, temse que, de qualquer sorte, a maior parcela em valor destas retenções sequer poderia integrar o eventual pleito de restituição/compensação de saldo negativo de 2004. Entretanto, entendo que assiste razão à recorrente quanto à parcela de R$ 309,67, contida no valor de 86.705,27, inicialmente pleiteado, a qual não foi reconhecida pela decisão recorrida, pois os documentos anexos aos autos confirmam o recolhimento desta parcela, de sorte que o total das estimativas pagas no ano de 2003, a ser levado para o confronto com a CSLL devida no mesmo período, é de fato R$ 445.172,94, e não de R$ 444.863,27, conforme fizera constar de sua DIPJ. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso para reconhecer à recorrente o crédito de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2003 de R$ 309,67, adicionalmente ao que fora reconhecido pela decisão recorrida. Nestes termos, deve a respectiva unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil homologar as compensações que dele decorrerem, até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO
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Numero do processo: 10980.017064/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003, 2004, 2005
ERRO DE FATO. PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO DE ITR. ÁREA
DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Constatado que o contribuinte incorreu em erro no preenchimento da
Declaração de ITR, deve-se retificar o lançamento para reconhecer a área de preservação permanente devidamente informada em Ato Declaratório Ambiental (ADA).
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2102-001.814
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO DE ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Constatado que o contribuinte incorreu em erro no preenchimento da Declaração de ITR, devese retificar o lançamento para reconhecer a área de preservação permanente devidamente informada em Ato Declaratório Ambiental (ADA). Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 22/02/2012 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.017064/200791 Acórdão n.º 210201.814 S2C1T2 Fl. 187 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra MADEIREIRA SÃO PEDRO DE VACARIA LTDA foi lavrado Auto de Infração, fls. 44/52, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) relativa ao imóvel denominado Fazenda Pau Oco, com 3.832,0 ha (NIRF 2.973.2409), exercícios 2003 a 2005, no valor de R$ 2.089.945,60, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/11/2007. As infrações imputadas à contribuinte foram glosa total da área de reserva legal (3.776,5 ha) e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), conforme quadros a seguir: ITR 2003 Declarado Apurado no Auto de Infração 03Área de Utilização Limitada 3.776,5 ha 0,0 ha ITR 2004 Declarado Apurado no Auto de Infração 03Área de Utilização Limitada 3.776,5 ha 0,0 ha 16Valor da Terra Nua R$ 2.073.150,32 R$ 3.832.000,00 ITR 2005 Declarado Apurado no Auto de Infração 03Área de Utilização Limitada 3.776,5 ha 0,0 ha 16Valor da Terra Nua R$ 2.073.150,32 R$ 5.364.800,00 A glosa da área de utilização limitada encontrase assim justificada no Auto de Infração: (...) em função da não apresentação dos elementos solicitados no Termo de Intimação Fiscal, e com base no previsto pelo Inciso III, art. 149 da Lei n° 5.172/66, foi procedida a glosa das áreas de utilização limitada originalmente declaradas no exercício 2003 e área de reserva legal declarada nos exercícios 2004 e 2005, totalizando 3.776,5 hectares. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 57/73, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/CGE nº 0419.128, de 20/11/2009: • O imóvel em tela foi desapropriado em favor do Estado do Paraná, portanto cabendo ao Estado o pagamento do tributo, no Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.017064/200791 Acórdão n.º 210201.814 S2C1T2 Fl. 188 3 entanto, tal ente goza de imunidade tributária, o que faz com que o ITR deixe de incidir sobre o imóvel objeto do lançamento; • Além disso, faz mais de 20 anos que o impugnante não tem a posse nem a propriedade sobre o imóvel em questão, inexistindo, portanto, fato gerador para cobrança do tributo; • Se não há propriedade e nem posse por parte da impugnante, extinguese também a responsabilidade pelos tributos devidos, o que acarreta ilegitimidade da autuada a compor o pólo passivo do presente processo administrativo; • A Fazenda Pau Oco faz parte do Parque Marumbi, situado no município de Morretes/PR, dentro do coração da Serra do Mar e sua vegetação foi declarada como de preservação permanente; • Com exceção da área de 68,0 ha que não mais pertence a impugnante em face de usucapião em favor de terceiros, o restante da área está inserida no Parque Marumbi, o que impõe a declaração da isenção integral do ITR do referido imóvel e torna nulo o AI e o crédito tributário em discussão; • Por último, requer acolhimento da preliminar de ilegitimidade passiva, em face da desapropriação do imóvel há mais de 20 anos a favor do Estado do Paraná e no mérito, seja declarado nulo o Auto de Infração relativo aos exercícios de 2003 a 2005 e das multas e juros aplicados; • Ainda protesta pela apresentação de todas as provas em direito admitidas, especialmente pelo depoimento pessoal, oitiva de testemunhas, prova pericial, juntada de documentos e que as intimações sejam feitas aos procuradores da autuada, no endereço comercial, à rua Pinheiro Machado, nº 719, Sarasvati, Vacaria/RS. A DRJ Campo Grande julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento para reconhecer uma área de preservação permanente de 3.776,2 ha, recorrendo de ofício de sua decisão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em razão do limite de alçada, estabelecido na Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008. Registre se que o valor do imposto devido passou de R$ 968.947,04 para R$ 218,17. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 15/01/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 179, a contribuinte não apresentou recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.017064/200791 Acórdão n.º 210201.814 S2C1T2 Fl. 189 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. O Auto de Infração cuida de glosa total da área de utilização limitada (3.776,5 ha) nos exercícios de 2003 a 2005 e de arbitramento do VTN, nos exercícios 2004 e 2005. A decisão recorrida reconheceu que a contribuinte incorreu em erro quando do preenchimento das Declarações de ITR, exercícios 2003 a 2005, na medida que informou a área de preservação permanente como área de utilização limitada. Assim, para fins de cálculo do ITR devido, considerou uma área de preservação permanente de 3.776,5 ha. Para melhor ilustrar a questão transcrevese a seguir trecho da decisão recorrida: Da análise efetuada nos documentos anexados aos autos, é admissível concluir que houve erro no preenchimento da declaração do ITR relativamente aos exercícios citados, pois a contribuinte declarou a área de preservação permanente como de utilização limitada/reserva legal. Fato esse confirmado no Ato Declaratório Ambiental ADA, à fl. 164, protocolizado cm 12/06/1998, onde foi registrada a área de 3.776,5 hectares de preservação permanente. Assim, impõese que seja afastada da tributação do ITR a área declarada como tal, relativamente aos exercícios analisados. De fato, consta dos autos, Ato Declaratório Ambiental (ADA), fls. 164, apresentado em 12/06/1998, onde a contribuinte informa área de preservação permanente de 3.776,5 ha. Insta frisar que no referido ADA não há informações acerca de áreas de utilização limitada, cujos campos estão zerados. Logo, correta a decisão recorrida ao reconhecer que houve erro de preenchimento das Declarações de ITR, exercícios 2003 a 2005, e, nessa conformidade, considerou para fins de cálculo do ITR devido, existente a área de preservação permanente de 3.776,5 ha. Insta frisar que a contribuinte juntou aos autos Ofício do Instituto de Terras e Cartografia, vinculado à Secretaria da Agricultura do Governo do Paraná, fls. 107, que ratifica a informação de que o imóvel possui 3.764,54 ha de área de preservação permanente e que tal área está inserida dentro do Parque Marumbi. No mesmo sentido, o contribuinte trouxe, ainda, Declaração, fls. 108 e Certidão, fls. 109, emitidas pelo mesmo órgão. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.017064/200791 Acórdão n.º 210201.814 S2C1T2 Fl. 190 5 Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 200DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10530.720119/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2004
Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO.
As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do
Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-001.839
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OAB-MG nº 52.583, patrono do recorrente.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OABMG nº 52.583, patrono do recorrente. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 23/02/2012 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte MECOMINAS MECANIZAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ/MF nº 19.814.193/000142, já qualificado neste processo, foi lavrada, em 22/10/2007, notificação de lançamento, com ciência postal em 29/10/2007, decorrente da revisão da DITR do imóvel NIRF 4.684.0885, com área de 19.950,0 hectares, denominado de Fazenda Palmas, no município de Riachão das Neves (BA), referente ao exercício 2004. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 503.189,55 MULTA DE OFÍCIO R$ 377.392,16 A autuação resumiuse a majorar o VTN declarado de R$ 2.470,00 (R$ 0,12381 por hectare) para o arbitrado de R$ 3.626.710,50 (R$ 181,79 por hectare), com base no SIPT, pois o contribuinte, regularmente intimado, não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel. Encontrase juntado aos autos um pedido de prorrogação do prazo de interposição da impugnação, datado de 26 de novembro de 2007, por mais 30 dias, no qual o peticionante informava que estaria com dificuldades para juntar a documentação que aparelharia a impugnação, havendo diversas inconsistências em sua DITR. Em 26/12/2007 (fl. 44), o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, apresentando laudo técnico, que apurou um VTN de R$ 51,78 por hectare, agregando informações sobre área de descanso (3.000 hectares) e sobre o rebanho. Nessa peça impugnatória apenas faz breve menção às dificuldades para instrumentalizar sua defesa, o que teria levado ao pedido de prorrogação de prazo para apresentar a impugnação, não recepcionado pela DRFBBelo Horizonte (MG), porém enviado via sedex para a DRFBFeira de Santana (BA). Considerando a intempestividade da impugnação, a autoridade preparadora não processou a impugnação, obstando seu envio à DRJ, e apreciou as razões do contribuinte deduzidas na peça impugnatória perempta, rejeitandoas e mantendo incólume o lançamento, asseverando que não haveria mais qualquer recurso na via administrativa. Notificado da decisão acima em 17/04/2009, sextafeira, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/05/2009, defendendo a higidez do laudo técnico apresentado e da declaração do médico veterinário, provas suficientes para contraditar a pauta fiscal presumida do SIPT, e, se assim não compreender este CARF, devese reconhecer que a autuação tem claros efeitos confiscatórios, ao aplicar a alíquota de 20% sobre o valor da terra nua, o que terá o condão de expropriar o bem em um prazo de 05 anos, o que não pode ser aceito frente a atual ordem constitucional. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.720119/200742 Acórdão n.º 2102001.839 S2C1T2 Fl. 2 3 Os créditos tributários foram inscritos na dívida ativa da União. Irresignado com o não processamento de seu recurso voluntário pela autoridade preparadora, o contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2009.33.03.0020283, autuado junto à Vara Federal da Subseção Judiciária de Barreiras (BA), tendo o douto magistrado federal sentenciante concedido a segurança, determinando o processamento do recurso voluntário, já que somente o CARF teria competência para fazer o juízo de admissibilidade do apelo a si dirigido. Cancelada a inscrição da dívida, vieram os autos a este CARF para processamento e julgamento do recurso interposto. Da tribuna, em sustentação oral, o advogado do recorrente pugna pelo reconhecimento da nulidade da autuação, em decorrência da discrepância dos valores do VTN no SIPT, nos três exercícios em apreciação nesta sessão, do mesmo imóvel, na mesma localidade, bem como a nulidade do processamento da impugnação por autoridade incompetente. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Antes de tudo, passase a fazer o juízo de admissibilidade dos recursos interpostos nestes autos, como determinado na sentença prolatada no mandado de segurança nº 2009.33.03.0020283, autuado junto à Vara Federal da Subseção Judiciária de Barreiras (BA), que concedeu a segurança para tanto. Andou bem a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Feira de Santana (BA) em não processar a impugnação para a Turma de Julgamento da DRJ, pois patentemente intempestiva a peça defensiva, sendo que o contribuinte apenas fez menção à dificuldade em instrumentalizar sua impugnação, o que teria levado a um pedido de prorrogação de prazo, o que sequer se encontra previsto no Decreto nº 70.235/72. A leitura combinada dos arts. 14 (A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento) e 15 (A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência) do Decreto nº 70.235/72 deixa claro que somente a impugnação tempestiva instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, transformandoo em processo administrativo fiscal. Obviamente que o contribuinte, mesmo em uma impugnação intempestiva, pode defender a tempestividade dela, e, nesse caso, a impugnação deve ser processada e julgada pela Turma de Julgamento da DRJ, como entender de direito. Entretanto, nestes autos, não há na impugnação qualquer preliminar de defesa da tempestividade da impugnação, não se podendo aceitar que o relato sobre a complexidade de um Laudo com os requisitos da ABNT ou a dificuldade em contratar um profissional para o mister, como se viu na peça impugnatória, possa ser encarado como preliminar a defender a tempestividade da impugnação. O pedido de dilação do prazo não tem previsão no Decreto nº 70.235/72, e caberia ao contribuinte fazer sua defesa no prazo de 30 dias da impugnação, efetuando os aditamentos posteriores, quando deveria comprovar que a prova adicional estava Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 albergada pelos permissivos do art. 16, § 4º, “a” a “c”, do Decreto nº 70.235/72 (Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos), o que não ocorreu nestes autos. Assim, na forma do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15/96, abaixo transcrito, escorreito o não processamento da impugnação pela autoridade preparadora da DRFBFeira de Santana (BA): Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15, de 12/07/96: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Apesar do não processamento da impugnação, a autoridade preparadora entendeu por bem apreciar ela mesma a inconformidade do contribuinte, com respeito ao princípio de petição e de autotutela da administração, rejeitando, ao final, a inconformidade. Assim, incabível o pedido de nulidade pugnado pela tribuna pelo Advogado do recorrente, porque se a peça impugnatória não podia ser processada, como acima se demonstrou, deveria ser apreciada pela autoridade preparadora, como de fato ocorreu. Já no Recurso Voluntário, o recorrente sequer se insurge contra o fato de sua peça impugnatória não ter sido processada dentro do rito do processo administrativo fiscal, passando a combater diretamente as matérias de mérito da autuação, em face do decidido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Feira de Santana (BA). Somente o fez na tribuna, nesta sessão de julgamento, porém, como acima explicitado, inviável a declaração de nulidade pela apreciação da petição extemporânea denominada impugnação, pois a autoridade preparadora trilhou a orientação do ADN COSIT nº 15/96 e, dentro do poder de autotutela dos atos da administração, reviu de ofício o lançamento, mantendoo intocado. Indo mais além, na forma dos arts. 25, caput (O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete:), I (em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal) e II (em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial), e 37 (O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno), ambos do Decreto nº 70.235/72, combinado com o art. 1º do Regimento Interno do CARF (O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.720119/200742 Acórdão n.º 2102001.839 S2C1T2 Fl. 3 5 por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), compete às Turmas de Julgamento do CARF o julgamento dos recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72, acima transcrito. E, nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Com as considerações acima, fica prejudicada qualquer apreciação de mérito trazida no recurso voluntário. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000370/2006-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 17/01/2006
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PIS/PASEP. COFINS.
Entende-se por "juta em bruto" o caule da planta, que ainda não tenha passado por qualquer processo de maceração ou sequer descascamento.
O produto (fibra) obtido após a maceração do caule da juta deve ser considerado como "juta macerada", cuja classificação deve ser feita no código NCM/TEC 5303.10.12 para fatos geradores ocorridos até 31/3/2009.
INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES
Para a cominação de penalidades deve haver uma perfeita e
inequívoca identificação dos fatos infracionais, não podendo
restar quaisquer dúvidas de que a ação ou omissão resultou na
tipificação legal sujeita à penalidade.
No caso em exame não consta tal inequivocidade, verificando-se,
inclusive, que com o objetivo de eliminar dúvidas a respeito da
matéria, a NCM veio a ser modificada pela Resolução d- 56/2008 do
Grupo Mercado Comum do Mercosul, tendo tal alteração sido sido
implementada no Brasil pela Resolução Camex d- 18/2009, de forma
que o produto deixou de ter sua classificação em nível de subitem, passando a constar na NCM apenas em nível de item, escrito genericamente como "juta", o que torna razoável concluir
pela aceitação da licença que amparou a importação e pelo descabimento da multa por infração administrativa.classificação,
negar provimento pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros
Rodrigo Cardozo Miranda, Heroldes Bahr Neto e Luciano Pontes de
Maya Gomes;
b)- quanto a multa por falta de licenciamento, por unanimidade de
votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Os Conselheiros Heroldes Bahr Neto, Rodrigo Cardozo Miranda e Luciano Pontes de Maya Gomes votaram pelas conclusões.
Numero da decisão: 3202-000.124
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Heroldes Bahr Neto e Luciano Pontes de Maya Gomes.
No Mérito:
a)- Quanto a classificação, negar provimento pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Heroldes Bahr Neto e Luciano Pontes de Maya Gomes;
b)- quanto a multa por falta de licenciamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Heroldes Bahr Neto, Rodrigo Cardozo Miranda e Luciano Pontes de Maya Gomes votaram pelas conclusões.
Nome do relator: José Luiz Novo Rossari
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IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. Entende-se por "juta em bruto" o caule da planta, que ainda não tenha passado por qualquer processo de maceração ou sequer descascarnento. O produto (fibra) obtido após a maceração do caule da juta deve ser considerado como "juta macerada", cuja classificação deve ser feita no código NCM/TEC 5303.10.12 para fatos geradores ocorridos até 31/3/2009. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES Para a cominação de penalidades deve haver uma perfeita e inequívoca identificação dos fatos infracionais, não podendo restar quaisquer dúvidas de que a ação ou omissão resultou na tipificação legal sujeita à penalidade. No caso em exame não consta tal inequivocidade, verificando-se, inclusive, que com o objetivo de eliminar dúvidas a respeito da matéria, a NCM veio a ser modificada pela Resolução d- 56/2008 do Grupo Mercado Comum do Mercosul, tendo tal alteração sido sido implementada no Brasil pela Resolução Camex d- 18/2009, de forma que o produto deixou de ter sua classificação em nível de subitem, passando a constar na NCM apenas em nível de item, descrito genericamente como "juta", o que torna razoável concluir pela aceitação da licença que amparou a importação e pelo descabimento da multa por infração administrativa. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Heroldes Bahr Neto e Luciano Pontes de Maya Gomes. No Mérito:- a)- Quanto a Processo n° 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 Fl. 303 classificação, negar provimento pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Heroldes Bahr Neto e Luciano Pontes de Maya Gomes; b)- quanto a multa por falta de licenciamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Heroldes Bahr Neto, Rodrigo Cardozo Miranda e Luciano Pontes de Maya Gomes votaram pelas conclusões. / NOVO ROSSARI - Presidente e Relator FORMALIZADO EM: 29 de junho de 2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Heroldes Bahr Neto, Alan Fialho Gandra, Luciano Pontes de Maya Gomes, Rodrigo Cardozo Miranda e José Luiz Novo Rossari (Presidente). Ausente o Conselheiro João Luiz Fregonazzi. • 2 Processo n° 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 Fl. 304 Relatório Conselheiro JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI, Relator Trata-se de recurso interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que concluiu pela procedência integral do lançamento que exigiu da recorrente o Imposto de Importação, Pis/Pasep e Cofins, acrescidos de juros de mora e multas por falta de recolhimento, além das multas por classificação incorreta e por infração administrativa ao controle das importações, em decorrência de classificação incorreta da mercadoria proposta a despacho pela Declaração de Importação tf 06/0062405-0, registrada em 17/1/2006, e descrita pelo importador como "juta bruta em fibras". Para historiar os fatos transcrevo o extenso e relatório constante do Acórdão citado, verbis: "DO LANÇAMENTO Trata-se de lançamento tributário da lavra da Alfândega do Porto de Belém em face da interessada ora identificada, inerente à multa regulamentar de 1% por erro de classificação, ao Imposto de Importação, ao COFPNS-Importação, ao PIS/PASEP-Importação e à multa do controle administrativo de 30% por falta de licença de importação, formalizado por meio dos autos de infração de fl. 47 a 87. Os fundamentos da exigência se reportaram à suposta dissonância entre a mercadoria declarada e a efetivamente importada, o que culmina com mudança da classificação fiscal e a não aplicação da redução tarifária da Resolução CAMEX n° 30, de 2005. Consta que a interessada importou e declarou "Juta em bruto'", NCM 5303.10.11, e a fiscalização entendeu se tratar de "Juta macerada", NCM 5303.10.12, tendo por base o resultado do laudo de identificação de fl. 12 — 13, da Engenheira Florestal Ana Cristina Magalhães Carvalho, a qual se apoiou no conceito de "maceração" da Portaria MA 149/82, na definição do verbo "macerar" do Dicionário Houaiss e nas Notas Explicativas (NESH) da posição 5303. Ato contínuo, a autoridade autuante concluiu pela ocorrência das seguintes infrações: a) Mercadoria classificada incorretamente na NCM (multa regulamentar de 1%); b) Falta de recolhimento em tempo legal de tributo (Imposto de Importação), gerada pela divergência de classificação fiscal, o que suscitou a glosa da redução tarifária na alíquota do II de 8% para 2%, disposta pela Resolução CA1VIEX n° 30, de 2005; c) Insuficiência de recolhimento da Cofins e Pis/Pasep- Importação (Cobrança de diferença das contribuições) e; d) Importação ao desamparo de licença de importação (multa do controle administrativo de 30%). Destaca-se que, dentre os fatos que permeiam o litígio, há diversos documentos (vide fl. 22 — 26) onde a CAMEX (Câmara de Comércio Exterior), reportando-se à correspondência da IFIBRAN (Instituto de Fomento à Produção de Fibras Vegetais da Amazônia), solicita à Receita Federal que fosse verificada a possibilidade de autorizar a importação de juta, com redução de alíquota do II para 2%, na posição 5303.10.12, tendo em vista que o "espírito da lei" (Resolução CAMEX 30/2005) foi o de abranger também a juta macerada e que uma correção do ato demorará mais de 1 mês. Conforme cópia do e-mail de fl. 25, consta que o Processo n" 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 Fl. 305 posicionamento da SRF é no sentido de que "deverá ser aplicada a legislação e aliquotas vigentes", isto considerando que o procedimento desta é vinculado à lei. DA IMPUGNAÇÃO Em 19 de junho de 2006, o sujeito passivo foi cientificado deste lançamento, vindo a apresentar Impugnação em 14 de julho de 2006 (fl. 92 — 113), sendo que, em suas razões de defesa, em síntese, pede, primeiramente, a reunião dos processos da interessada que versam da mesma matéria (10209.000367/2006-44, 10209.000368/2006-99, 10209.000369/2006-33, 10209.000370/2006-68, 10209.000371/2006-11, 10209.000372/2006-57 e 10209.000373/2006-00) para fins de facilitação na produção de provas. Em seguida, reportando-se aos fatos, argumenta que atua há mais de 40 anos no beneficiamento de juta, e que, em face da sazonalidade da produção nacional de fibra de juta tem recorrido à importação. Dirigindo-se ao pedido de redução tarifária que resultou na Resolução CAMEX 30/2005, informa que a redução diz respeito à NCM 5303.10.11, posto que o produto a ela inerente é o que tem sido usualmente importado (fibra de juta em bruto), sendo este o que se ajusta às máquinas existentes no Brasil, não se importando outro tipo de fibra de juta que não este. Frisa que o imposto de importação é um tributo regulatório e não an-ecadatório. Refuta a conclusão a que chegou o laudo de identificação citado, visto que a diferença entre "juta bruta" e "juta macerada" é singela e depende do que se compreende por maceração. Alega que, adotando-se um conceito "a-técnico" (sic), sem base em critérios científicos e econômicos, juta bruta seria igual à "planta", e que, não há, no mundo, comércio de juta bruta no sentido de planta ou árvore, e sim o de fibra de juta em bruto, daí o nome técnico da fibra importada ser "RAW JUTE FIBER", tal como consta nas faturas comerciais, tanto do ano de 2006, como dos anos anteriores. Traçando uma analogia com o comércio de mogno, aduz que não se exporta "árvore de mogno", mas sim "mogno", ou seja, a madeira sem a casca, sem as folhas, sem os galhos, etc., e que no caso da juta o comércio é tão somente de fibra. Prossegue salientando que é na indústria que a "fibra bruta (raw jute fiber)" sofre um processo "químico" chamado maceração, que, dentre outras possibilidades, consiste na aplicação de óleo vegetal (caso da impugnante) para que a fibra fique macia para ser penteada e pronta para fiar e ser transformada em sacos e em fio. Diz ainda que o uso do NCM 5303.10.11 foi porque a fibra é importada sem nenhum tratamento químico, apenas "limpa", sem caule ou outras impurezas, logo, é "fibra de juta em bruto", e não, "fibra macerada", sendo esta diferença "química" que muda a classificação. Aduz que a perita responsável pela elaboração do laudo de identificação de fl. 12 — 13 é uma Engenheira Florestal, e como tal, segundo ateste do CREA-PA (fl. 172), não é profissional habilitada para proceder à análise e emitir parecer técnico sobre o produto fibra de juta bruta, pelo que pede anulação do lançamento. Frisa que o órgão técnico estadual responsável pela classificação do produto é a ADEPARÀ (Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Estado do Pará), e que a mesma emitiu laudos, há época, classificando como "juta em bruto" e não "juta macerada". Para provar o que diz e alega, requer a produção prova pericial, formula quesitos e indica perito, nos termos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. 4 Processo n" 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão 0. 0 3202-00.124 Fl. 306• Sobre o lançamento da multa do controle administrativo, repudia sua imposição por diversos motivos, a saber: • Argumenta que há uma patente diferença entre "ausência de licença de importação", cerne do tipo legal, e erro de classificação fiscal, posto que não se trata de fraude, onde se declara juta e consta, p. ex., motocicletas ou aparelhos celulares, o que foi importado é juta, se macerada ou bruta é o ponto de discórdia; • Vez que esta norma possui caráter sancionatório, rege-se pelas prescrições aplicáveis ao direito penal, e não ao direito fiscal, sendo importante analisar aspectos tais como "boa fé" e "tipicidade cerrada"; • Quer seja juta bruta ou macerada a finalidade industrial é a mesma, o que indica a inexistência de fraude ou de desvio de finalidade; • Requer tratamento isonômico ao que foi conferido a um outro contribuinte importador de mercadoria idêntica, o qual, com singela troca de LI (licenciamento de importação) liberou a mercadoria sem a multa de 30%, pagando apenas a multa de 1%; • O impugnante pagou o imposto de importação com alíquota de 2%, o que afasta o dolo, ocultamento ou aplicação da vultosa multa imposta, e; • A multa de 30% possui caráter confiscatório, o que infringe o art. 150, IV, da Constituição Federal. Por fim, salientando a ocorrência de práticas reiteradas, protesta pela produção de provas e a juntada de documentos ao longo do processo, de modo a buscar a verdade material, e a conseqüente improcedência dos autos. DA DILIGÊNCIA Na sessão de julgamento de 31/07/2007, após análise do julgador Luis Carlos Maia Cerqueira, o processo foi submetido à apreciação da 2' turma desta DRJ/Fortaleza, a qual, nos termos da Resolução n." 929 (fl. 190 - 194), por unanimidade de votos, acordou em converter o julgamento em diligência para realização de perícias. As perícias demandadas buscaram respostas aos seguintes quesitos: Formulados pela fiscalização I) A mercadoria em análise é juta? 2) Qual o nome científico do vegetal em análise? 3) O produto encontra-se em estado bruto ou macerado? Justifique a resposta. 4) A mercadoria apresenta grande variação de peso em regiões de clima. úmido? Formulados pela impugnante 5) No seu entendimento, qual a diferença entre 'juta bruta" e -juta macerada"? 6) Qual o nível de maceração da juta para que ela seja classificada na posição 5303.10.12 Guta macerada) da NCM? Basta a retirada do caule e aplicação de água ou é necessária a aplicação de produtos químicos para que ela seja considerada como macerada para efeitos fiscais? Processo n° 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 Fl. 307 7) O produto que foi importado pela impugnante se classifica como "juta - bruta" ou "juta macerada"? Em atendimento à diligência, aos autos foram anexados os documentos de fl. 196 — 229 que, dentre outros, dentre: os quais se incluem dois laudos; o Fax CGQV n° 114; o Relatório da fiscalização; e a manifestação da interessada. Ao responderem os quesitos propostos pelas partes, os laudos mencionados apresentaram visões diferentes, cujo cotejo, buscar-se-á sistematizar conforme a seguir, dando destaque aos pontos mais relevantes. Para facilitar o entendimento, chamaremos o laudo elaborado pela Fiscal Federal Agropecuária, Ana Gertrudes G. Cantanhede de Laudo 1, enquanto nominaremos como Laudo 2 aquele elaborado pelo Engenheiro Agrônomo, Arlindo de Oliveira Leão. 1° - Sobre o quesito "A mercadoria em análise é juta?": • O Laudo 1 diz que sim, no caso, "juta macerada"; • O Laudo 2 diz que não, e sim, "fibra de juta em bruto". 2° - Sobre o quesito "Qual o nome científico do vegetal em análise": • O Laudo 1 diz que a definição do produto "juta" é .fibra proveniente da espécie "Corchorus capsularis", e que nos certificados fitossanitários foi indicado o gênero (Corchorus), mas não foi especificada a espécie; • O Laudo 2 diz que a "fibra de juta em bruto" pertence ao gênero "Corchorus" da família "Tiliaceae", onde se encontram inúmeras espécies, sendo as mais importantes "Corchorus Capsularis L" e "Corchorus Olitorius L", e, quanto a amostra apresentada, não foi possível identificar a espécie. 30 - Sobre o quesito "O produto encontra-se em estado bruto ou macerado? Justifique a resposta": • O Laudo 1 afirma que é juta macerada por já ter sofrido processamento e que somente a juta macerada pode ser classificada. Em seguida, faz menção e transcreve a tabela de classificação; • O Laudo 2 afirma que o produto, fibra de juta, encontra-se em estado bruto. Justifica a resposta listando as fases do processo produtivo (manual) da juta (preparo de área, plantio, tratos culturais, corte e beneficiamento), onde dá destaque à fase de beneficiamento, cujos subitens são: transporte do material cortado e enfeixado, afogamento, maceração, descorticação e lavagem, transporte da fibra para o varal e secagem, retirada da fibra seca do varal, enfardamento e classificação. No que tange ao subitem maceração, destaca a obra do Professor Libonati ("A Juta na Amazônia"), onde é dito que: (.) para extração de fibra da juta é necessário que as hastes, ou somente as cascas (.) sejam submetidas a maceração. Entende- se por maceração o fenômeno que consiste na separação dos fascículos fibrosos dos tecidos da casca, motivado pela fermentação anaeróbica ou por substâncias químicas. Daí distinguirmos dois tipos de maceração: Biológica e Química. A macera "ào bioló • ica consiste em subnieter o material à fermentação em água. Esta maceração se processa mais ou menos da seguinte maneira: O desenvolvimento dos microrganismos anaeróbicos é estimulado pela presença da água. Com tal desenvolvimento há uma série complexa de 6 Processo tf 10209.00037012006-68 S3-M2 Acórdão n°3202-00.124 Fl. 308 transformações bioquímicas, com possível desdobramento dos polissacarídeos e degradação de restos protéicos celulares. As matérias fermentadas ou em fermentação, concomitantemen te, conduzem a lenta - demolição das substancias não librilares, • criando pequenos espaços interfibrilares, facilitando assim a maior penetração da água na intimidade celular não lignificada, que ataca os compostos organo-minerais a custa dos quais as bactérias completam sua nutrição. A progressão do fenômeno desagregação dos febces fibrosos. o que possibilita a sua separação. (sublinhei) O autor do laudo complementa que: (.) Portanto, quando o agricultor coloca as hastes da planta ou mesmo as plantas inteiras para afogar ele está dando início a maceração biológica da planta que leva 15 a 20 dias em água corrente. Aproximando o prazo do término da maceração biológica da planta, Libonati recomenda que o agricultor deve examinar diariamente as hastes ou plantas, para saber se as mesmas já se encontram maceradas. Quando o agricultor reconhecer que as hastes ou mesmo plantas estão suficientemente maceradas deve imediatamente processar a separação e lavagem das fibras. O professor é bem claro quando se refere a juta suficientemente macerada, ele está se referindo à planta porque logo a seguir ele indica para se . proceder a separação e lavagem das ,fibras. Portanto o que é macerada é a planta, e como a amostra é de fibra, logo ela não pode ser designada de fibra de juta macerada. 4° - Sobre o quesito "A mercadoria apresenta grande variação de peso em regiões de clima úmido? ": • O Laudo 1 infere que (...) segundo a literatura consultada, uma das características da juta é ser hidrófila, ou seja, o produto tem afinidade com a água o que pode ocasionar alteração de peso conforme a umidade do ar de cada região. Entretanto, não dispomos de bases cientificas para quantificar essa variação de peso em função da umidade; • O Laudo 2 aduz que grandes variações não .ocorrem, o que pode acontecer são pequenas variações de peso em função do clima, das condições de armazenagem, do teor de umidade em que a mercadoria foi armazenada. Entretanto, para detectar essas variações, só um trabalho bem detalhado em laboratórios especializados. 50 - Sobre o quesito "No seu entendimento, qual a diferença entre Juta bruta' e Juta macerada'? • O Laudo 1 não respondeu; • O Laudo 2 entendeu que a consulta se refere a juta bruta em fibra. e juta macerada em fibra, e nesses termos afirma que: Juta bruta em fibra é o produto oriundo da planta juta, após suas fases de beneficiamento (.). A amostra entregue pela Receita Federal para análise enquadra-se neste caso. Juta macerada em fibra é o produto acima, que sofreu no início do processo de industrialização, na esten dedeira, unia • 7 Processo n° 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 Fl. 309 impregnação, com uma emulsão composta de água, óleo vegetal e produtos químicos, por um período de aproximadamente 72 horas. 6° - Sobre o quesito "Qual o nível de maceração da juta para que ela seja classificada na posição 5303.10.12 (juta macerada) da NCM? Basta a retirada do caule e aplicação de água ou é necessária a aplicação de produtos químicos para que ela seja considerada como macerada para • efeitos fiscais?": • O Laudo 1 não respondeu; • O Laudo 2 respondeu o seguinte: Não existe nível de maceração, neste caso, a maceração é iniciada e completada na área industrial, usando-se uma emulsão composta de água, óleo vegetal e produtos químicos. Esta maceração se realiza em 72 horas aproximadamente. Vale registrar, que seria um absurdo as industrias importarem fibra de juta macerada, pois se assim fosse feito, por absurdo, estariam importando a fibra na emulsão, o que implicaria em frete a maior, além da degradação das fibras, pois esta maceração na indústria, só dura 72 horas e o tempo de viagem - do produto importado gira em torno de 30 a 40 dias de viagem. 7° - Sobre o quesito "O produto que foi importado pela impugnante se classifica como Juta bruta' ou Juta macerada '? ": . • O Laudo 1 não respondeu; • O Laudo 2 afirmou que (...) a amostra que recebi da Receita Federal é de fibra de juta em bruto que ainda não recebeu nenhum tratamento industrial. Exposto o teor dos laudos técnicos, destaca-se o Fax CGQV n° 114, que • buscou responder o Fax n° 002/2007, o qual, dentre outros, se reportou sobre o conceito de maceração, e nesse sentido, dá o entendimento de que para obter fibra de juta é necessário o processo de maceração, o que resulta numa juta macerada. Também ilustrou a presente lide o Relatório Fiscal, o qual destaca a manifestação do Ministério da Agricultura (fi. 31 e 32) sobre a importação da juta, onde foi relatado que a mercadoria em questão compunha uma partida uniforme, sendo que foi apresentado um requerimento para uma empresa inerente à juta macerada e outro, para a interessada, relativo à juta bruta. Essa mesma manifestação faz referência aos certificados de classificação emitidos pela ADEPARÁ onde para a outra empresa o produto foi designado como "fibras de juta — fibras maceradas" e para a interessada como "fibra de juta em bruto". Destaca as discrepâncias entre os laudos. Do resultado da diligência, à interessada foi oferecida oportunidade de se manifestar a respeito, pelo que, em síntese, teceu críticas ao Laudo 1 ao defender que: (1) o laudo se apoiou em análise documental e não à amostra do material coletado; (2) é falsa a menção de que estava presente por ocasião da fiscalização da mercadoria quando do desembaraço aduaneiro em 2006; Processo n° 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 Fl. 310 (3) a análise documental que culminou com o laudo não foi bem feita, pois a perita menciona que os laudos fitossanitários indicam que a importação foi de "juta macerada" conforme classificação de BanQladesh, sendo que, em todos os laudos constam referência a "raw jute fiber", que em português significa "fibra de juta em bruto"; (4) a perita misturou a importação de 2006 (navio YOU KTNG), objeto do processo, com a importação de 2007 (navio GENERAL BLASEVISH), que não está em questão, demonstrando que a amostra sequer foi analisada; (5) a perita menciona ter falado com o SR. EDSON FURLANI, sendo que isto ocorreu em 2007, e não em 2006; (6) é ledo engano jurídico a afirmativa de que a NCM se refere apenas a luta bruta" e luta macerada", não fazendo menção a "juta bruta em bruto", posto que, o próprio Capítulo 53 é de OUTRAS FIBRAS TÊXTEIS VEGETAIS (...), e em assim sendo, seus itens só podem se referir à "fibras", jamais à "plantas", havendo uma grande diferença entre "planta de juta" e "fibra de juta", e ainda que, ninguém importa planta, e sim fibra da planta, ou seja, urna parte dela, no caso, fibra de juta em bruto, e não, juta (planta) em bruto. Prossegue, dirigindo-se ao Relatório Fiscal, onde contesta a menção inerente a suposta diferença de tratamento entre a mercadoria importada pela interessada e pela outra empresa, ao dizer que a outra empresa não mencionou trazer fibra de juta macerada, mas fibra de juta bruta, e o que ocorreu foi que, como a Receita Federal discordou a classificação fiscal, o transporte das mercadorias já estavam contratados e esperando o desembarque, o custo fiscal de enfrentar um processo era muito grande, a empresa decidiu desembaraçar tal como exigiu a RFB, - pagando a multa de 1%. Por fim, anexo à manifestação, a interessada juntou contestação às respostas dos quesitos apresentados no Laudo 1, onde se destaca a crítica feita à resposta do quesito 3 em que o perito explica, passo a passo, o processo produtivo da juta, inclusive com fotografias. Inicialmente argumenta que a amostra fornecida é fibra de juta em bruto, não podendo ser juta macerada, pois, após a maceração (biológica) da planta juta ocorre a descorticação das plantas maceradas para que se originem às fibras, sendo que, o que se classifica são as fibras. Prosseguindo em sua explicação, salienta que: (1) os fardos de fibra de juta em bruto, matéria-prima da indústria, são abertos e suas "bonecas" são refeitas objetivando homogeneizar o produto para as fases seguintes; (2) a fibra de juta em bruto é colocada no amaciador G a máquina do processo) para retirada das impurezas; (3) a fibra de juta em bruto passa pela estendedeira (2' máquina) para homogeneização das fibras e preparação da maceração (química), sendo nesta máquina aplicada a emulsão composta de água, óleo vegetal e produtos químicos para a maceração; (4) após a aplicação da emulsão, a fibra já em rolos é colocada na área de maceração por um período de 72 horas, originando a juta macerada em fib -as. É o Relatório." 9 Processo n° 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 Fl. 311 O julgamento de primeira instância foi realizado pela r Turma da DRJ em Fortaleza/CE, nos termos do Acórdão DRJ/FOR n' 08-13.677, de 10/7/2008 (fis. 235/258), cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 17/01/2006 REDUÇÃO TARIFÁRIA. JUTA EM BRUTO. A Resolução CAMEX n° 30, de 2005 concedeu o beneficio da redução tarifária à mercadoria "juta em bruto", a qual se classifica no código NCM/TEC 5303.10.11. MERCADORIA IMPORTADA. JUTA MACERADA. A maceração, quando relacionada à juta, refere-se ao processo de extração da fibra de juta contida no caule da planta. A importação da fibra já extraída do caule caracteriza a importação de juta macerada (código NCM/TEC 5303.10.12) e, por isso, não se lhe aplica a redução tarifária estabelecida na Resolução CAMEX n° 30, de 2005. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO -II Data do fato gerador: 17/01/2006 DIFERENÇA DE TRIBUTO. Constatado que a mercadoria efetivamente importada não faz jus à redução tarifária prevista na Resolução CAMEX n° 30, de 2005, está correta a exigência de diferença do Imposto de Importação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 17/01/2006 DIFERENÇA DE TRIBUTO. Constatado que a mercadoria efetivamente importada não faz jus à redução tarifária prevista na Resolução CAMEX n° 30, de 2005, está correta a exigência de diferença do Cofins-importação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 17/01/2006 DIFERENÇA DE TRIBUTO. Constatado que a mercadoria efetivamente importada não faz jus à redução tarifária prevista na Resolução CAMEX n° 30, de 2005, está correta a exigência de diferença do PIS/Pasep-importação. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/01/2006 PENALIDADE. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. FALTA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. Deve ser aplicada a multa administrativa por falta de licenciamento de importação sempre que o importador descrever incorretamente a mercadoria importada. PENALIDADE. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. Deve ser aplicada a multa por classificação incorreta sempre que o importador classificar incorretamente a mercadoria importada. Lançamento Procedente" io Processo 00 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 1:1. 312 O entendimento que norteou o acórdão foi de que os caules de juta são considerados como fibras têxteis, porque as Nesh da posição 5303 estabelecem que se compreendem nessa posição as matérias fibrosas em bruto e destacam como sendo esta matéria fibrosa em bruto exatamente os caules ainda não macerados e descascados. E mais, que as matérias vegetais do Capítulo 14 só se classificam na posição 5303 quando tenham sido trabalhadas para serem utilizadas como matérias têxteis, o que não é o caso da juta, que é fibra específica da posição 5303. Acrescenta que o processo de maceração diz respeito ao primeiro estágio, ou seja, a imersão do caule de juta em água corrente para a obtenção da fibra de juta (maceração biológica) e conclui, ao final, que o segmento que lida com a juta denomina maceração apenas o processo de extrair a fibra do caule da juta e não o tratamento posteriormente dado à fibra; deste modo, o caule da juta, com a fibra nele contida, será sempre juta em bruto, enquanto que a fibra de juta, depois de separada do caule, será sempre juta macerada, já que resulta do processo de maceração. Assim, entendeu que o Fisco classificou corretamente a mercadoria objeto de lide. A contribuinte apresenta recurso às fls. 264/285, no qual solicita a reunião dos processos para julgamento em conjunto, e alega que: • é completamente errada a posição adotada pela DRJ, em contrário ao que todo o mundo científico adota; a fibra de juta é retirada do caule, que representa entre 92 a 95% do peso da planta de juta; a fibra é retirada do caule e apenas a fibra que é beneficiada, a qual corresponde apenas a 8 e 5% do peso; • que está corretíssima a informação dos sites citados no acórdão sobre as macerações: a primeira é a que • se faz sobre a planta juta, a fim de separar de seu caule a ínfima parcela que é a fibra; a segunda é apenas sobre a fibra; a fibra importada não foi macerada; • foram omitidos o título e a origem do texto transcrito no acórdão: o foco do artigo ("Características tecnológicas dos caules de juta visando a produção de pastas celulósicas para papel') é o caule da juta e não a fibra de juta; que se busca o aproveitamento do caule da juta para a produção de papel e não para a indústria têxtil; esse uso do caule requer maceração que pode se dar através de processo biológico ou químico para uso na finalidade prevista naquele ensaio científico: fabricação de papel a partir do caule da juta; logo, trata-se de algo diverso do uso da fibra de juta para indústria de fiação e tecelagem; é nessa indústria que ocorre a maceração química da fibra da juta (e não da planta juta), daí o motivo de a importação ser de fibra de juta em bruto e não. fibra de juta macerada, sendo cabível a alíquota diferenciada de 2% prevista na Resolução Camex 30/2005; • a perita da Alfândega fez confusão na diligência e sequer analisou as amostras que foram coletadas para a fase processual, fornecendo opiniões que não se referiam à importação de 2006, e sim, de 2007, reitera a anulação dos autos de infração; • jamais mencionou que havia importado fibra de juta macerada; • é injusta a imposição da multa administrativa, ratificando as razões já expostas em sua impugnação. Pelo exposto, requer seja provido o pedido de anulação do Auto de Infração, em razão de a classificação ter sido efetuada por pessoa não perita na matéria, conforme declaração exarada pelo CREA, ou seja aquele anulado por falta de base fática que o sustente; caso não seja acatada nenhuma dessas alternativas, que seja afastada a multa de 30% imposta, vez que não existe amparo fático ou legal que a sustente na hipótese em apreço. Em petição extemporânea (fls. 289/291), junta aos autos decisão do STJ (RE 386.659-RS) sobre o descabimento, com base no art. 112 do CTN, da multa por infração ao controle administrativo por divergência entre a mercadoria importada e a descrita, e argumenta ser incabível a sua aplicação. , É o relatório. 11 Processo n° 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 Fl. 313 Voto O recurso interposto pela interessada é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões por que dele torno conhecimento. Trata-se de lide pertinente a classificação fiscal do produto descrito pela recorrente em seu despacho de importação como "juta bruta em fibras", código NCM 5303.10.11, e objeto de reclassificação pelo Fisco no código 5303.10.12, próprio de "juta macerada", e da exigência fiscal de tributos incidentes na importação desse produto, bem como da multa por falta de licenciamento que foi aplicada pelo Fisco. Preliminares A recorrente alega a nulidade do lançamento em razão de o laudo ter sido feito por engenheira florestal e o CREA/PA ter informado que os profissionais habilitados para proceder análise e emitir parecer técnico sobre o produto fibra de juta bruta são os engenheiros agrônomo, têxtil e agrícola. Verifica-se que o laudo emitido teve por finalidade fornecer informações subsidiárias para a exigência fiscal, a partir da formulação de quesitos que, da forma corno foram elaborados, já evidenciam o conhecimento básico do Fisco sobre as nuances que envolvem a matéria. De mais, os elementos constantes dos autos, inclusive diligência posterior levada a efeito, trazem informações relevantes sobre o tipo do produto importado pela recorrente e que permitem o sereno exame da lide, motivos que impõem o afastamento de qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa. Por isso que, não obstante o laudo venha a ser contestado no que respeita à competência do profissional para a sua elaboração, não vejo motivos que respaldem a pretendida nulidade dos Autos de Infração, visto que a classificação fiscal é matéria privativa do Fisco e que as peças básicas foram elaboradas com o pleno atendimento dos requisitos previstos na legislação que regula o processo administrativo-fiscal, razões pelas quais rejeito a preliminar suscitada. Também é descabida, por falta de amparo legal, a reunião dos processos para exame conjunto, visto não estar previsto tal procedimento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Classificação fiscal A recorrente importou produto que descreveu como sendo "juta bruta em fibras", tendo o Fisco entendido que o produto se tratava de "juta macerada". Assim, a dúvida respeita apenas ao nível de subitem da NCM: se juta em bruto (11) ou juta macerada (12). As NESH da posição 53.03 fornecem as explicações necessárias à compreensão da matéria, quando explicitam textualmente: "A presente posição compreende: I) As matérias fibrosas em bruto (caules ainda não macerados nem descascados); as fibras maceradas; as fibras descascadas (extraídas mecanicamente), isto é, apenas a filaça constituída por feixes de fibras - filamentos têxteis - que 12 Processo n° 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 Fl. 314 ultrapassam, às vezes, 2 m de comprimento; e os cuttings, constituídos pela extremidade inferior da filaça que se corta e vende separadamente. Todavia, as matérias vegetais que se incluem no Capítulo 14,- quando em bruto ou sob determinadas formas (por exemplo, os caules de giesta), só se classificam na presente posição quando tenham sido trabalhadas para serem utilizadas como matérias têxteis (por exemplo, pisadas, cardadas ou penteadas, tendo em vista afiação,). II) As filaças cardadas, penteadas ou tratadas de qualquer outro modo para fiação, que, em geral, se apresentam em fitas. III) As estopas e desperdícios filamentosos, provenientes, em geral, da cardação ou da penteação de fibras liberianas; os desperdícios de fios dessas fibras, recolhidos principalmente durante a fiação ou a tecelagem, e os fiapos obtidos por desfiamento de trapos, ou cordas inutilizadas. As estopas e os desperdícios incluem-se aqui, quer sejam utilizáveis em _fiação (podendo apresentar-se, então, em fitas), quer não; neste último caso, empregam-se, por exemplo, como material de enchimento (estofan2ento) ou de calafetagem ou para fabricação de papel, feltro, etc." (os destaques não são do original) A transcrição da parte específica das NESH pertinentes à juta deixa claro que nessa posição estão compreendidos desde os caules, chamados de matérias fibrosas em bruto e ali claramente explicado que se trata de caule ainda não macerado nem descascado, até as fibras maceradas ou descascadas por meio mecânico. O texto transcrito explicita que ali se compreendem os caules ainda não macerados nem descascados, restando como corolário lógico que os produtos seguintes, citados como fibras maceradas ou descascadas, referem-se às fibras obtidas do caule macerado ou descascado, sendo, no caso, utilizada a expressão "fibra macerada" corno forma de dizer que o produto é "fibra obtida após a maceração do caule". Outra não pode ser a interpretação, dado que no texto acima transcrito das NESH as fibras maceradas estão no mesmo estágio de extração que as fibras descascadas. A alegação da recorrente, de que a fibra macerada diz respeito a uma fase posterior (ou a urna segunda maceração), conforme laudo técnico no sentido de que as fibras são impregnadas de uma emulsão composta de água, óleo vegetal e produtos químicos, não há corno ser aceita, visto que, na posição correspondente, estaria faltando nas NESH o produto em sua fase de "caule macerado ou descascado" (fibra em bruto). Vale dizer, se valesse tal alegação, estaríamos de frente a urna interrupção de continuidade das fases de obtenção do produto, precisamente entre suas fases como caules (não macerados) e da alegada segunda maceração. A respeito, e em pesquisas feitas em enciclopédias mundialmente conhecidas, colecionei os seguintes trechos relativos ao produto "juta", que servem para se ter a ideia do conhecimento universal a respeito do que seja maceração, verbis: "JUTA (.) Para obtenção da fibra cortam-se as hastes e os caules depois de murcha a flor. Se obtida antes ou depois da floração, a fibra se torna frágil ou quebradiça e sem o brilho natural. As partes cortadas são maceradas em água e ao fim de alguns dias as fibras se separam facilmente. (.)" (Enciclopédia Barsa — 1968 - — 1974 — Cia. Melhoramentos de São Paulo — 13 Processo n° 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n°3202-00.124 Fl. 315 São Pazdo Encyclopaedia Britalillica Editores Ltda.) (destaquei) "JUTA (.) Os caules sofrem uni tratamento de maceração, depois do qual produzem uma filaça de cor amarelada. (.)" (Enciclopédia Tecnológica Planetarium — Editora Planetarium Ltda. — Copyright 1976 para a língua portuguesa — Copyright 1975 — Armando Curei° Editore — Ronza/Itália). (destaquei) JUTA (.) 3.1 A extração da fibra se faz por maceração e decorticação. As hastes são curtidas em água estagnada por um período que varia de 12 a 25 dias, segundo o lugar, a temperatura da água e o grau de maturidade das hastes. Na água elas se soltam da casca do caule sem romper as fibras. Depois, o córtex retorna ao banho butírico para livrar-se da goma que cola os filamentos. Estes são limpados à mão e, por fim, enxaguados. A fibra é, então, posta a secar, rapidamente. (.) (Enciclopédia Mirador Internacional — Cia. Melhoramentos de São Paulo — São Paulo — 1986) (destaquei) O entendimento universal a respeito da matéria é no sentido de que o caule é macerado e por essa maceração é extraída a fibra. Assim, maceração é o procedimento feito no caule, sobre o produto in natura, resultando daí a obtenção da fibra, a qual será sempre considerada em estado macerado. O produto nesse estágio é chamado de juta macerada ou fibra macerada. O produto em sua fase inicial é denominado juta em bruto. Em decorrência, o processo alegado pela recorrente como segunda maceração ou processo químico de maceração, embasado no laudo técnico decorrente de diligência, que consiste em submeter as fibras à impregnação de uma emulsão composta de água, óleo vegetal e produtos químicos, nada mais é do que urna fase de beneficiamento final das fibras objetivando a sua utilização na fiação de têxteis. A alegação de que o produto caule de juta não desperta interesse comercial e que por isso não é exportado para o Brasil nem para qualquer lugar do mundo não é motivo para se entender que esse produto (ou juta em bruto) não tenha a sua classificação fiscal específica no código NCM 5303.10.11. E isso porque: a um, não há como se provar que não hajam operações de compra e venda do produto em estado bruto; e, a dois, as operações de compra e venda submetem-se às leis da oferta e da procura, de onde decorrem as tratativas de interesse comercial, situação em que, considerados o preço, distância do mercado demandante e outras nuances comerciais, possa surgir a possibilidade de alienação do produto in natura, principalmente para empresas que não se encontrem muito distantes do cultivo. De se observar que, em termos de legislação nacional, a Portaria n' 149, de 1982, do Ministro de Estado da Agricultura, que aprova as normas de identidade, qualidade, apresentação e embalagem da fibra de juta, conceitua em seu item 13 a maceração como "separação da fibra dos demais tecidos da casca", não fazendo qualquer menção a uma eventual segunda maceração ou maceração química. A única maceração prevista nesse ato é a que diz respeito à obtenção da fibra dos tecidos da casca, ou seja, a extração das fibras do caule da juta. Finalmente, cumpre ressaltar que a classificação fiscal do produto foi objeto de consulta formulada pela mesma recorrente no processo n' 10209.000005/2008-15, que foi respondida por meio da Solução de Consulta d- 1-SRRF/2 a RF/Diana, de 24/1/2008, cuja ementa assim dispôs, verbis: 14 Processo n° 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 Fl. 316 "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS CÓDIGO TEC MERCADORIA • 5303.10.12 — Fibra de juta, macerada, da variedade "corchorus capsularis", proveniente de Bangladesh, fornecida por Reza Jute Traders. Dispositivos Legais: 1" RGI/SH (texto da posição 5303), 6" RGI/SH (texto da subposição 5303.10) e 1" RGC (texto do subitem 5303.10.12), da Tarifa Externa Comum, do Mercosul, aprovada pela Resolução Camex II 43/2006, e suas alterações, com subsídios das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado." Cabe transcrever, por sua relevância, os fundamentos que levaram à classificação do produto no código da NCM/TEC 5303.10.12, em relação ao qual a consulente pretendia que fosse adotado o código 5303.10.11. Seguem os fundamentos dessa decisão, verbis: "Cumpre registrar, inicialmente, que apesar da consulente ter descrito a mercadoria objeto da consulta como sendo "fibra de juta em bruto", verificou-se, a partir da amostra anexada ao processo, que se trata na verdade de fibra de juta macerada". Vejamos: 2. A fibra de juta é uma fibra de origem vegetal, encontrada na entrecasca da juta, uma planta lenhosa da família das aliáceos, cujo talo possui cerca de 3 a 4 metros de altura e aproximadamente 20nzizz de grossura. 3. A fibra encontra-se unida ao lenho e a casca da planta através de uma espécie de cola vegetal, a pectina, a qual necessita ser eliminada ou dissolvida para que a fibra possa ser extraída. 0 processo de eliminação da pectina é conhecido como maceração (retting, em inglês) e é usado não apenas na extração da fibra de juta como também de todas as demais fibras vegetais. . - 4. De uma forma geral, a maceração é feita através da ação macrobiótica de microorganismos presentes na água corrente. Apesar deste não ser o único método de maceração existente, esse é o mais comumente utilizado nas áreas com boa disponibilidade de água corrente devido seu baixo custo e pela alta capacidade de preservação das características da fibra, resultando em um produto de ótima qualidade. 5. Observando a amostra encaminhada pela consulente, constatamos que o produto a ser importado se trata da fibra de juta `Pura", ou seja, contem apenas a fibra, já separada dos elementos indesejáveis da planta, pronta para ser processada pela indústria têxtil. Trata-se, portanto, de fibra de juta macerada. 6. Mesma conclusão pode ser obtida observando-se o disposto nas notas explicativas do sistema harmonizado referentes à posição 5303, "JUTA E OUTRAS FIBRAS TÊXTEIS LIBERIANAS (EXCETO LINHO, CÂNHAMO E RAMI), EM BRUTO OU TRABALHADAS, MÁS NÃO FIADAS; ESTOPAS E DESPERDÍCIOS DESTAS FIBRAS (INCLUÍDOS OS DESPERDÍCIOS DE FIOS E OS FIAPOS)": 15 Processo n° 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 Fl. 317 "A presente posição compreende: I) As matérias fibrosas em bruto (caules ainda não macerados nem descascados); as fibras maceradas; as fibras descascadas (extraídas mecanicamente), isto é, apenas a filaça constituída por feixes de fibras - filamentos têxteis - que ultrapassam, às vezes, 2 m de comprimento; e os cuttings, constituídos pela extremidade inferior da filaça que se corta e vende separadamente. Todavia, as matérias vegetais que se incluem no Capítulo 14, quando em bruto ou sob determinadas formas (por exemplo, os caules de giesta), só se classificam na presente posição quando tenham sido trabalhadas para serem utilizadas como matérias têxteis (por exemplo, pisadas, cardadas ou penteadas, tendo em vista a fiação)." (grifei) 7. Logo, entende-se por "juta em bruto" o caule da planta, que ainda não tenha passado por qualquer processo de maceração ou sequer descascamento, o que não é o caso da mercadoria em análise. 8. Não restam dúvidas, portanto, quanto à natureza da mercadoria, a qual deve ser classificada na posição 5303, "JUTA E OUTRAS FIBRAS TÊXTEIS LIBERIANAS (EXCETO LINHO, CÂNHAMO E RAMI), EM BRUTO OU TRABALHADAS, MAS NÃO FIADAS; ESTOPAS • E DESPERDÍCIOS DESTAS FIBRAS (INCLUÍDOS OS DESPERDÍCIOS DE FIOS E OS FIAPOS)", subposição 5303.10, "JUTA E OUTRAS FIBRAS TÊXTEIS LIBERIANAS, EM BRUTO OU MACERADAS", item 5303.10.1, "JUTA", subitem 5303.10.12, "MACERADA", da Nomenclatura Comum do Mercosul, em conformidade com o disposto na 1" e na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH), e na 1"Regra Geral Complementar (RGC)." A conclusão contida nessa decisão é clara e inequívoca ao considerar que a juta em bruto é o caule da planta, ainda não passado por qualquer processo de maceração ou de descascamento, e que o produto objeto de consulta se trata de juta macerada. De se ressaltar que em importação de produto idêntico, submetido a despacho aduaneiro pela DI rig 06/0125943-7, registrada em 1g/2/2006 (processo fiscal nQ 10209.000372/2006-57 - Recurso 143.723) a recorrente procedeu à substituição da Licença de Importação (LI) ng 06/0054235-9 pela LI n06/0169847-6, de forma a retificar a discriminação do produto importado, de "juta em bruto" para "juta (macerada) em fibras", tendo alterado também a classificação fiscal para o código NCM 5303.10.12 e feito tal descrição na Declaração de Importação acima citada. Destarte, pelas razões expostas neste voto e em vista de tudo que no processo consta, entendo estar correta a exigência fiscal pertinente à classificação do produto no código NCM 5303.10.12, do que decorre o descabimento da redução tarifária para a alíquota de 2% prevista na Resolução Camex n30/2005, concedida especificamente para "juta em bruto". No que respeita a essa redução, cumpre lembrar que a aplicação de benefícios nas importações de mercadorias, inclusive de alíquota diferenciadas, subsume-se ao que consta na norma concedente do correspondente beneficio, devendo ser observada a interpretação literal de que trata o art. 111, II, do CTN. 16 _ Processo n" 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 Fl. 318 Daí que ião há como ser estendida a aliquota mais benéfica para produto não expressamente contido no ato ministerial que concedeu a redução, mesmo que venha a ser alegado pelos interessados que o "espírito da lei" era o de abranger mercadoria diversa. Para tais casos, há o remédio de retificação do ato por parte do órgão responsável pelo seu exame e concessão. Multa por Infração Administrativa ao Controle das Importações Há que se fazer devida distinção entre as exigências do Fisco em decorrência de classificação fiscal da mercadoria e a exigência de multa por falta de licenciamento de importação. Naquela, a imposição fiscal diz respeito à errônea classificação, resultante na falta de recolhimento dos tributos e contribuições; nessa, decorre da descrição incorreta da mercadoria, quando verificado que essa descrição não trouxe os elementos essenciais à sua completa identificação, o que implica considerar a mercadoria ao desamparo de licença de importação e, em decorrência, a sujeição à multa por infração administrativa ao controle das importações. No caso em exame, embora a recorrente tenha descrito o produto como "juta bruta em fibras", vê-se, pela própria discussão e pelos posicionamentos a respeito da correta denominação do produto importado, inclusive pelas NESH da posição 5303 ("JUTA E OUTRAS FIBRAS TÊXTEIS LIBERIANAS"), que o produto importado também é chamado de juta em fibras e que ao citar a expressão "fibras maceradas" corno compreendida nessa posição, as NESH não são suficientemente claras para explicar que tal designação diz respeito às "fibras obtidas da maceração do caule da juta". Para a cominação de penalidades deve haver uma perfeita e inequívoca identificação dos fatos infracionais, não podendo restar dúvidas de que a ação ou omissão• resultou na tipificaçã.o legal sujeita à penalidade. No caso sob exame não vislumbro essa inequivocidade, entendendo tratar-se de hipótese albergada pelo art. 112, I, do CTN, segundo o qual a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato. Demais, em decorrência da Resolução n° 56108, de 28/11/2008, do Grupo Mercado Comum — GMC, do Mercosul, foi modificada a Nomenclatura Comum do Mercosul pela Resolução Camex ng- 18, de 26/3/2009 (vigência a partir de 1 014/2009), tendo sido suprimidos os subitens 11 e 12 do código 5303.10 (referentes a juta "em bruto" e "macerada"), de forma a permanecer a classificação apenas em nível de item, tendo sido designado o código 5303.10.1 para o produto descrito como "juta", abrangendo todos os estados de apresentação do produto. Bem de ver que essa modificação denota a intenção de resolver as dificuldades existentes em relação à descrição do produto objeto de importação. Destarte, considerando as razões acima elencadas e o fato novo benéfico à recorrente, consistente no fato de que a nova estrutura da NCM não mais prevê a hipótese específica de apresentação do produto em seus estados bruto ou macerado, bastando que seja descrito como juta, entendo razoável aceitar a licença que amparou a importação e, em decorrência, concluo pelo descabimento da multa por infração administrativa. Quanto à multa de 1% por classificação incorreta (art. 636 do RA/2002) não houve apresentação de recurso, devendo ser considerada extinta a lide nesse tópico, com o mantença dessa penalidade. 17 Processo n° 10209.000370/2006-68 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.124 Fl. 319 Conclusão Diante do exposto, voto por que seja dado provimento parcial ao recurso, para excluir a multa por infração administrativa ao controle das importações. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2010 JOSE_L-2NOVO ROSSAR-1- 18
score : 1.0
Numero do processo: 13807.003254/00-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, “As decisões
definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
“Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados”
Numero da decisão: 9303-001.845
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento
parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 12/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann Relatório Insurgese a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, baixado pela Portaria MF nº 147/2007, contra decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que dera provimento ao recurso voluntário para adotar a tese segundo a qual o prazo prescricional para postular administrativamente a restituição do FINSOCIAL recolhido indevidamente somente começaria a fluir a partir da publicação da Medida Provisória nº 1.62136, ocorrida em 10/06/1998. Com isso, reconheceu a instância recorrida que até 10/6/2003 poderiam ser postuladas as parcelas recolhidas a maior ainda que há mais de cinco anos. No caso concreto, a petição administrativa dera entrada em 10 de abril de 2000 e os recolhimentos haviam sido efetuados em dezembro de 1988 e entre setembro de 1989 e março de 1992. O especial postula a adoção do entendimento manifestado pela Delegacia de Julgamento segundo o qual o prazo, que é de cinco anos, tem início na data de cada recolhimento efetuado por aplicação dos arts. 165, I e 168, I do CTN. E defende ser obrigatória a aplicação de Ato Declaratório Normativo, originado na SRF, dado que a ele estaria vinculada toda a Administração Tributária, por força do que dispõem os arts. 100, I e 103, I do Código Tributário Nacional Provada a divergência pela transcrição de ementa de julgado da Segunda Seção do mesmo Conselho que entendeu na forma postulada pela representação fazendária. Destarte, já estaria prescrito o direito com relação a todos os recolhimentos efetuados. Em contrarazões, sustenta a ora recorrida ser pacífica à época a jurisprudência do Conselho de Contribuintes que entendia que o marco inicial para contagem daquele prazo seria a publicação da MP 1.110, em outubro de 1995, decorrendo daí que os contribuintes teriam até outubro de 2000 para formular administrativamente seus pedidos de restituição. Informa ainda a recente adoção (àquela época) da tese dos cinco mais cinco pelo STJ mesmo nos casos em que haja reconhecimento de inconstitucionalidade da lei em que se funda o recolhimento, entendendo que, com qualquer uma delas, restava hígida a sua postulação. É o Relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13807.003254/0047 Acórdão n.º 9303001.845 CSRFT3 Fl. 2 3 Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A matéria ora discutida, contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS. Nele discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º da Lei Complementar 118/2005, que a pretendiam expressamente interpretativa de modo a poder ser aplicada mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Não se trata disso aqui, é certo, visto que a pretensão fazendária é apenas desconstituir a tese que prevaleceu no julgado administrativo segundo a qual o marco inicial é o dia de publicação de ato legal que “reconheceu” a inconstitucionalidade do dispositivo em que se baseou o recolhimento. Em outras palavras, não pugna a Fazenda pela aplicação retroativa da referida Lei, embora a forma de contagem do prazo prescricional seja o que ali veio a ser “ratificado”. Apesar disso, no entanto, a ilustre Relatora no STF não deixa de enfrentar a discussão aqui posta. Com efeito, são suas palavras: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno. Esse ato Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 regimental também é suficiente para rejeitar a alegação da douta Procuradoria no sentido de que estariam os Conselheiros membros deste Colegiado adstritos aos comandos do Ato Declaratório da SRF que reitera ser o termo inicial a data do pagamento indevido realizado. Tudo ao contrário, é este último que deve ser revisto, diante da imperiosa aplicação da interpretação emanada da suprema Corte. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer, que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código. A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que estava já prescrito o direito do contribuinte à restituição de quantias atinentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a abril de 1990, dado que o seu pedido ingressou administrativamente apenas em 10 de abril de 2000. Voto, assim, pelo provimento parcial do apelo fazendário de modo a reconhecer a prescrição com respeito aos recolhimentos efetuados nos meses de dezembro de 1988 (relativo a fatos geradores ocorridos em novembro de 1988) e entre setembro de 1989 e abril de 1990, que se referem aos fatos geradores ocorridos entre agosto de 1989 e março de 1990 (consoante planilha às fls.02), esclarecendo que para, este último, materializouse a prescrição no dia 31 de março de 2000. Não tendo se verificado o perecimento do direito com relação aos recolhimentos atinentes a fatos geradores ocorridos a partir de abril de 1990, devem os autos retornar à instância recorrida para que se pronuncie sobre o mérito, ainda não enfrentado em nenhuma instância. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 11065.005240/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO.
TRANSFERÊNCIA DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO.
Os valores correspondentes às transferências de ICMS não são base de cálculo do PIS, pois não constituem receita.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.843
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1571; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 396 1 395 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.005240/200313 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201000.843 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2012 Matéria PIS Recorrente DAIBY S.A.. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto:Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração:01/01/2003 a 31/03/2003 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Os valores correspondentes às transferências de ICMS não são base de cálculo do PIS, pois não constituem receita. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 10/02/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Daniel Mariz Gudiño, Judith do Amaral Marcondes Armando, Adriene Maria de Miranda Veras. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo dos Créditos da Contribuição para o PIS/Pasepnão cumulativo—exportação do período 01/01/2003 a 31/03/2003, de cujo saldo a contribuinte pretende ser ressarcida conforme Pedidos de Ressarcimento e/ou Declarações de Compensação apresentados. 2. Efetivada ação fiscal conforme Relatório, constatou a fiscalização que a interessada não incluía entre as receitas da base de cálculo do PIS não cumulativo as receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMs a terceiros. Esta prática, no entanto, não repercutiu na pretensão da contribuinte já que a mesma impetrou Mandado de Segurança visando não incluir na base de cálculos das contribuições tais receitas. Desta forma, foi lavrado auto de infração constituindo os créditos tributários referentes à contribuição social incidente sobre as receitas de transferência de ICMS a terceiros no período de 12/2002 a 12/2004, com exigibilidade suspensa. 3. Outra irregularidade apontada foi a de que o crédito Presumido de IPI para ressarcimento de PIS e de Cofins incidentes sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados ao mercado externo não foi considerado para fins de apuração da base de cálculo do PIS não cumulativo. Foi então calculado corretamente o valor do PIS — não cumulativo sobre tais receitas, acarretando a diminuição do valor do crédito, resultando em ressarcimento/compensação em valor menor do que o pleiteado, conforme consta do Despacho Decisório da DRF em Novo Hamburgo. 4. Tempestivamente a interessada apresentou manifestação de inconformidade, reclamando da inclusão na base de cálculo do valor da transferência para terceiros do ICMS. Também manifestouse contrária à inclusão da receita do ressarcimento do IPI, alegando que a legislação permite ao contribuinte o ressarcimento do PIS/COFINS através de crédito Presumido de IPI sobre aquisições no mercado interno de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos exportados ou destinados à empresa comercial exportadora. O benefício foi criado para incrementar a exportação, tornando mais atraente no mercado externo o produto brasileiro, já que neutralizaria o efeito cumulativo do PIS e da Cofins. Considera que o valor ressarcido na forma de crédito do IPI assemelhase à verdadeira recuperação de custos e não espécie de receita. Entende que a Lei n° 9.363, de 1996, pretendeu a não inclusão na base de cálculo das contribuições dos valores tidos como recuperação de custos, transcrevendo a exposição de motivos do projeto da Medida Provisória que posteriormente foi convertida na Lei n° 9.363. Argumenta que, mesmo se entendido como receita, seria proveniente de exportação, e como tal, desonerada de tributação. Considera que o inciso I, § 2° do artigo 149 da Constituição Federal Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 11065.005240/200313 Acórdão n.º 3201000.843 S3C2T1 Fl. 397 3 introduzido pela Emenda Constitucional n° 33, de 11 de dezembro de 2001, teria sido explícito neste aspecto. Pleiteia reforma do Despacho Decisório para o fim de reconhecer o direito ao ressarcimento integral dos valores pleiteados. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/POA n.º 11.391, de 15/03/2007, fls. 122/126: Assunto:Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração:01/01/2003 a 31/03/2003 Ementa: BASE DE CÁLCULO PIS/COFINS— NÃO CUMULATIVO O crédito presumido do IPI, uma vez abrangido pelo conceito de receita, e não tendo sido expressamente contemplado pelas hipóteses de exclusão e isenção, compõe a base de cálculo da contribuição (Lei n° 9.718, de 1998, arts. 2° e 3°; Lei n° 9.715, de 1998, art. 8°, I; Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 14; Instrução Normativa SRF n° 146, de 2002). Solicitação Indeferida. Em face da decisão, o contribuinte é intimado às fls. 128 e interpõe recurso voluntário de fls. 129/144. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O processo discute o lançamento de PIS sobre as transferências de crédito de ICMS. Entendo que tal parcela não deve ser tributada pelo PIS. O crédito de ICMS não pode, em nenhuma hipótese, ser considerado como receita. As empresas, ao adquirirem matériaprima, material secundário e de embalagem, não consideram o valor do ICMS como despesa, mas sim como uma conta transitória em seu ativo, cujo valor será, ao final de cada período de apuração, abatido dos débitos pelas saídas, e, em havendo saldo credor, este se transferirá para o período ou períodos seguintes. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 4 Citamos como exemplo a aquisição de matériaprima no valor de R$ 1.000,00, cuja alíquota de ICMS é de 17%, sendo destacado na nota fiscal o ICMS no valor de R$ 170,00. Contabilmente a empresa lançará como custo da matéria prima adquirida o valor de R$ 830,00 (1.000,00 – 170,00), sendo que o valor do ICMS será lançado no ativo circulante como ICMS a Recuperar. Supondose que esta seja a única operação do período e considerandose que as saídas todas foram imunes em razão da exportação, a empresa apresenta no final do período um saldo credor de R$ 170,00. No período seguinte a empresa efetua a transferência deste saldo credor a outro contribuinte do estado, atendidas as normas vigentes para dita transferência. Esta operação, normalmente utilizada para pagamento na compra de matéria prima, é que a Receita Federal está considerando como receita e pretende que seja incluída na base de calculo do PIS e da COFINS. Dito valor não é receita, porque nunca foi despesa ou custo, é um crédito que nunca transitou pelas contas de resultado. Não há ingresso de valor na empresa, pois o valor do crédito de ICMS, que veio embutido no preço de aquisição da matériaprima, foi um “adiantamento” efetuado pela pessoa jurídica que, pela legislação vigente, poderá ser utilizado em determinadas condições. Quando transfere seus créditos para fornecedores, na forma da lei, a autora usa aqueles como 'moeda' de pagamento do débito que possui. Deixa de retirar dinheiro do caixa ou do banco, e transfere seus direitos, quitando conta que possuía frente ao fornecedor. Não há ingresso de dinheiro novo, pois o tributo recuperado passa para o caixa da mesma forma como se ela tivesse sido ressarcida do benefício/crédito pelo fisco. Mesmo que não adentrássemos no mérito contábil do tema, o crédito de ICMS decorrente da aquisição de insumos também não pode ser considerado como receita, pois este é apenas uma mera escrituração, não havendo qualquer ingresso material de recursos na autora, apenas o lançamento contábil e a respectiva escrituração nos livros fiscais, com vistas a compensar eventuais débitos decorrentes da saída de mercadorias tributadas por aquele imposto. Apesar de desnecessário, a própria Lei nº 10.833/2003 estabeleceu que créditos de tributos não são considerados como receita: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. (...) Outro fator relevante reside no fato de que a transferência de créditos de ICMS para compra de insumos, por exemplo, não traduz ingresso de receita nova na empresa, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 11065.005240/200313 Acórdão n.º 3201000.843 S3C2T1 Fl. 398 5 mas mera cessão de crédito, um escambo, onde ocorre apenas a troca de uma moeda escritural por matéria prima. O que se verifica, ao fim e ao cabo, é que a transferência de saldo credor de ICMS não pode ser tomada como hipótese de incidência do PIS e COFINS, pois não são classificados como receita. Não é outro o entendimento expedido pela Coordenação Geral de Tributação, na solução de divergência COSIT n.º 20, de 12 de novembro de 2003, onde expressamente se manifestou no sentido de que a repetição de indébito não é fato gerador do PIS e da COFINS, como vemos: ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: Tributação do valor restituído. Aspecto material das hipóteses de incidência. Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo IRPJ e pela CSLL, somente se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL, seja qual for o fundamento para a repetição do indébito. Não há que se falar em incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago a maior, já que tais valores, no período em que foram reconhecidos como despesas, não influenciaram a base tributável dessas contribuições. DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 53 da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, a Lei federal n.º 8.981/95, ao conceituar a receita bruta, que é base de cálculo do PIS, assim a disciplinou: Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. (...) Como a concessão de um crédito escritural não se enquadra como produto da venda de bens e serviços, também por tal razão tais parcelas não poderiam ser incluídas na base de cálculo do PIS. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 25 de janeiro de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE
score : 1.0
Numero do processo: 10611.002824/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 16/06/2005, 08/07/2005, 10/08/2005
PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO. DANO AO ERÁRIO.
RESPONSABILIDADE. INTENÇÃO. EFEITOS. VINCULAÇÃO.
INEXISTÊNCIA.
Constitui dano ao Erário, sujeito à pena de perdimento dos bens, a ocultação
do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela
operação, pena convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando
as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A
responsabilidade independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e
extensão dos efeitos do ato.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO LEGAL.
COMPROVAÇÃO. DESCONSTITUIÇÃO.
A ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de
responsável pela operação é conduta punida com a pena de perdimento dos
bens. A desconstituição da presunção legal depende da comprovação, pelo
sujeito passivo, de tratar-se
de erro escusável.
MERCADORIA DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. ADQUIRENTE.
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. RECURSOS DE TERCEIRO.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Responde solidariamente pela penalidade aplicada o adquirente de
mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por
sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. A
operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de
terceiro presume-se
por conta e ordem deste.
DESPACHANTE ADUANEIRO. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO
EXTERIOR. PRÁTICA. VEDAÇÃO. COMISSÁRIA. EQUIPARAÇÃO.
SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERESSE COMUM. SOLIDARIEDADE.
O despachante aduaneiro está proibido de efetuar, em nome próprio ou de
terceiros, importação e exportação de quaisquer produtos, ou exercer
comércio interno de mercadorias estrangeiras. Respondem como
responsáveis solidários as pessoas que demonstrarem interesse comum no
fato gerador do imposto de importação.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO.
INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar
tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de
inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-01.414
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento ao Recurso.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/06/2005, 08/07/2005, 10/08/2005 PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO. DANO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE. INTENÇÃO. EFEITOS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Constitui dano ao Erário, sujeito à pena de perdimento dos bens, a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, pena convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A responsabilidade independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO LEGAL. COMPROVAÇÃO. DESCONSTITUIÇÃO. A ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação é conduta punida com a pena de perdimento dos bens. A desconstituição da presunção legal depende da comprovação, pelo sujeito passivo, de tratar-se de erro escusável. MERCADORIA DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. ADQUIRENTE. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. RECURSOS DE TERCEIRO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente pela penalidade aplicada o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste. DESPACHANTE ADUANEIRO. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. PRÁTICA. VEDAÇÃO. COMISSÁRIA. EQUIPARAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERESSE COMUM. SOLIDARIEDADE. O despachante aduaneiro está proibido de efetuar, em nome próprio ou de terceiros, importação e exportação de quaisquer produtos, ou exercer comércio interno de mercadorias estrangeiras. Respondem como responsáveis solidários as pessoas que demonstrarem interesse comum no fato gerador do imposto de importação. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado.
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(CNPJ 68.506.765/000131) PAULO EDUARDO PINTO (CPF 533.267.68672) TBI DO BRASIL PRODUTOS MECÂNICOS E FERRAMENTAS LTDA. (CNPJ 04.083.844/000102) PHILIPP MAXIMILIAN BINZEL (CPF 016.422.77681) LUIZ FERNANDO PINTO (CPF 628.131.02687) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/06/2005, 08/07/2005, 10/08/2005 PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO. DANO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE. INTENÇÃO. EFEITOS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Constitui dano ao Erário, sujeito à pena de perdimento dos bens, a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, pena convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A responsabilidade independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO LEGAL. COMPROVAÇÃO. DESCONSTITUIÇÃO. A ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação é conduta punida com a pena de perdimento dos bens. A desconstituição da presunção legal depende da comprovação, pelo sujeito passivo, de tratarse de erro escusável. MERCADORIA DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. ADQUIRENTE. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. RECURSOS DE TERCEIRO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Responde solidariamente pela penalidade aplicada o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. DESPACHANTE ADUANEIRO. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. PRÁTICA. VEDAÇÃO. COMISSÁRIA. EQUIPARAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERESSE COMUM. SOLIDARIEDADE. O despachante aduaneiro está proibido de efetuar, em nome próprio ou de terceiros, importação e exportação de quaisquer produtos, ou exercer comércio interno de mercadorias estrangeiras. Respondem como responsáveis solidários as pessoas que demonstrarem interesse comum no fato gerador do imposto de importação. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento ao Recurso. Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator. EDITADO EM: 07/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração para exigência de crédito, em prol da União, no valor de R$ 165.251,98, referente a conversão da pena de perdimento em multa referente às mercadorias importadas através das declarações de importação números 04/06278144, 05/07160759, 05/08491155, em virtude de sua não localização por entrega a consumo, lavrado contra a empresa ALFA COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA, CNPJ 42.826.727/000172, a qual denominaremos, a partir de agora, simplesmente ALFA COMERCIAL, tendo sido apontados como responsáveis solidários no Relatório de Ação Fiscal, à fl. 18 do processo: a empresa TBI DO BRASIL PRODUTOS MECÂNICOS E Fl. 657DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 3 3 FERRAMENTAS LTDA, CNPJ 04.083.844/000102, a qual denominaremos, a partir de agora, simplesmente de TBI DO BRASIL, e seu sócio administrador PHILIPP MAXIMILIAN BINZEL, CPF 016.422.77681; a empresa TRANSAEX ASSESSORIA LTDA, CNPJ 68.506.765/000131, a qual denominaremos, a partir de agora, simplesmente TRANSAEX; seu sócio administrador Paulo Eduardo Pinto, CPF 533.267.68672, bem como seu administrador Luiz Fernando Pinto, CPF 628.131.02687, também sócio administrador da autuada, ALFA COMERCIAL. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal, à fl. 08, lavrado em 21/11/2008, a aplicação da pena de perdimento, e sua conversão em multa, deuse como conseqüência do resultado de procedimento especial de fiscalização, regido pela IN SRF 228/2002, a que foi submetida a autuada, no ano de 2007, no qual teria restado comprovada a ocultação dos reais adquirentes em operações de importação realizadas pela empresa, sendo que as irregularidades apontadas são aquelas detalhadas no Relatório de Ação Fiscal (às fls. 30 a 42), lavrado em 14/12/2007, resultado final do procedimento especial acima citado, a que foi submetida a empresa, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal no. 06151002007 001268. Conforme o Relatório lavrado em 2007, a ação fiscal em desfavor da empresa ALFA COMERCIAL, teve início no dia 04/04/2007 (ciência do Termo de Início de Fiscalização), quando essa empresa foi intimada a prestar diversos esclarecimentos e apresentar seus livros e documentos. As situações que deveriam ser investigadas eram: a regularidade de seu funcionamento; a adequação de seu patrimônio e sua capacidade operacional em contraposição aos fluxos comerciais; e a autenticidade das transações efetuadas (fl. 30). Ainda conforme o citado Relatório (fls. 30 a 42), a empresa apresentou a documentação solicitada no Termo de Início, em 24/04/2007, sem apresentar os documentos de sua constituição; foi intimada novamente em 31/05/2007, apresentando resposta em 08/06/2007; em 28/06/2007 foi mais uma vez intimada, tendo sido solicitada, entre outras coisas, a comprovação da integralização do capital social, no valor de R$ 50.000,00, cuja resposta ocorreu em 04/07/2007, tendo sido comprovada apenas a parte de R$ 37.298,11, tendo sido declarado que o restante estavam ainda a integralizar; Conforme o mesmo Relatório (verso da fl. 30 do processo), em 09/11/2007, a empresa foi comunicada do prolongamento do período fiscalizado até 30/04/2007, sendo intimada a apresentar também a documentação relativa ao período acrescido, a qual foi apresentada em 21 e em 27/11/2007; e, em 29/11/2007, a empresa foi intimada a colocar à disposição da IRF/BHE, ou informar por escrito as razões de não fazêlo, as mercadorias por ela importadas, uma vez que naquelas operações teria ocorrido a ocultação do real adquirente. Em resposta, apresentada em 10/12/2007, a empresa declarou que já tinham sido vendidas. No item 3, “Da verificação do efetivo e regular funcionamento”, do Relatório lavrado em 2007 (verso da fl. 30 do processo), que compreenderia aspectos relacionados à regularidade de constituição (quadro societário), efetivo funcionamento da empresa e, também, análise de documentos que comprovariam a capacidade operacional – estrutura física e serviços – compatíveis com o tipo de atividade desempenhada, teriam sido constatadas diversas irregularidades, que indicavam a falta de capacidade da ALFA COMERCIAL, e sua dependência à empresa TRANSAEX. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Quanto à constituição da empresa ALFA (subitem 3.1 – Da constituição da empresa), consta no Relatório lavrado em 2007, à fl. 31 do processo, os dados desde sua constituição, que ocorreu em 26/03/1992, sendo que o senhor Paulo Eduardo Pinto ingressou na mesma em 01/12/1992, com a primeira alteração contratual. Na sexta alteração contratual, na qual figura, por erro, como sendo a quinta, houve a retirada dos sócios fundadores, passando a figurar, com 2,72% do capital, o senhor José Sérgio Pinto, ao lado de Paulo Eduardo Pinto, que contava com 97,28% do capital. Na oitava alteração contratual, o senhor Paulo Eduardo Pinto se retirou da sociedade, tendo nela ingressado o senhor Luiz Fernando Pinto. A participação societária também mudou, ficando José Sérgio Pinto e Luiz Fernando Pinto, ambos com 50% do capital. De acordo com a fiscalização, no verso da fl. 31 do processo, a saída do Sr. Paulo Eduardo Pinto, sócio da empresa Transaex, da administração e do quadro societário da empresa ALFA, ocorreu em virtude da legislação vigente vedar ao Despachante Aduaneiro operar como importador ou exportador (artigo 10 do Decreto no. 646, de 09/09/1992). No subitem 3.2 (Da integralização do Capital Social), do Relatório lavrado em 2007, verso da fl. 31 do processo, consta que, em resposta a intimação, a empresa afirmou que a integralização teria ocorrido em partes. Em 2003, por ocasião de alteração contratual ocorrida em março, quando o capital passou de R$ 100,00 para R$ 10.000,00; e em agosto de 2004, quando o capital foi aumentado para R$ 50.000,00, tendo sido integralizados R$ 37.000,00, faltando R$ 13.000,00 a integralizar. Mas a fiscalização aduz que, analisando os livros contábeis, bem como os extratos bancários apresentados pela empresa, foi possível encontrar depósito bancário comprovando a integralização de R$ 37.000,00 em 29/10/2004. Porém, não foi comprovada a integralização supostamente ocorrida em 2003. A empresa afirmou, após intimada, que R$ 12.701,89 estavam por integralizar. No item 4 do Relatório lavrado em 2007 (Da condição de real adquirente da mercadoria importada – Exame da origem e disponibilidade dos recursos empregados), à fl. 32 do processo, a fiscalização afirma, especificamente no subitem 4.1 (Da análise das operações de comércio exterior), ao analisar as operações de importação realizadas pela empresa, que: “Relevante destacar que não é a Alfa a responsável pelas transações internacionais, haja vista não terem sido apresentadas correspondências entre ela e seus supostos fornecedores, partindo daí a suspeita de serem outras empresas os reais adquirentes e quem, de fato, atuam nas operações supostamente realizadas pela Alfa. Sendo a mesma utilizada apenas como instrumentos para operacionalizar tais operações”. No Relatório (fl. 32 do processo), as operações de comércio exterior, para melhor análise, foram divididas em: operações realizadas com diversas empresas; e operações realizadas com a empresa Arcelor RPS Luxembourg. As primeiras (subitem 4.1.1), iniciamse em 25/05/2004, quando do fechamento de um contrato de câmbio de R$ 60.131,00, lembrando a fiscalização que, conforme informação da própria empresa, a única integralização do capital social da empresa ALFA COMERCIAL somente ocorrera em 29/10/2004; e, na verdade, a abertura de sua conta corrente bancária ocorreu em 25/05/2004, com um depósito de R$ 61.000,00. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 4 5 A fiscalização apresenta tabela (fl. 32 do processo) que abrange o período de 25/05/2004 a 27/10/2004, contendo as colunas: data, recursos recebidos pela ALFA COMERCIAL, empresa remetente, valor referente ao fechamento de câmbio, empresas destinatárias (exportadores estrangeiros). Tal tabela deixa clara a coincidência entre depósitos efetuados pela empresa FLASAN na conta corrente da ALFA COMERCIAL e os valores para fechamentos de câmbios de importações. A partir do ano de 2005, segundo consta no Relatório lavrado em 2007, no verso da fl. 32, as operações da ALFA COMERCIAL são mais complexas, pelo fato de existirem outros parceiros comerciais, dentre eles a empresa Arcelor. Mas, apesar disso, a sistemática das operações, segundo os Auditores, permanece a mesma. Para comprovar isso, apresentam duas tabelas semelhantes à acima destacada, só que envolvendo as empresas TBI do Brasil Produtos Mecânicos e Ferramentas Ltda e SBF Comércios de Produtos Esportivos Ltda. Apresentam também duas tabelas comparando, em termos de valores e datas, as notas fiscais de entrada na ALFA COMERCIAL com as notas fiscais de saídas para essas empresas. No item 5 (Da capacidade operacional, econômica e financeira) do Relatório lavrado em 2007 (fl. 36 do processo), a fiscalização analisa o fluxo financeiro da empresa ALFA COMERCIAL, a fim de verificar a possibilidade da pessoa jurídica arcar com dispêndios relativos às operações de comércio exterior, em especial a liquidação de contratos de câmbio e o pagamento dos tributos devidos. De acordo com os Auditores, nos anos de 2004, 2005 e 2006, a empresa sempre recebe adiantamentos por ocasião de algum pagamento relativo às suas atividades como importadora. A fiscalização, dando seqüência ao Relatório, item 5, afirma que a empresa ALFA COMERCIAL, embora intimada, somente apresentou os Livros Diário e Razão relativos aos anos de 2004 e 2005. Entretanto, os livros Diário apresentados somente foram autenticados pela Junta Comercial em 20/04/2007, ou seja, após iniciado o procedimento fiscal contra a empresa. Em relação aos registros contábeis de 2006, foram apresentadas folhas avulsas, uma vez que os livros ainda não tinham sido encadernados. Em agosto de 2007 a empresa solicitou a entrega destas folhas, alegando ter perdido os arquivos magnéticos das operações e que, em virtude disso, seria obrigada a encadernar as folhas que estavam em poder da fiscalização, o que foi feito em 16/08/2007, quando foram retidas cópias rubricadas pelo administrador. A fiscalização informa, ainda, no Relatório lavrado em 2007 (fl. 37), que a empresa informou “zero” em todas as linhas do Balanço Patrimonial nos anos calendário de 2005 e 2006, e, no ano de 2004, existem informações somente sobre os valores do Ativo Permanente. Ou seja, as informações declaradas à RFB seriam incompatíveis com as lançadas nos registros contábeis da fiscalizada. No item 6 do Relatório lavrado em 2007 (A presunção de interposição fraudulenta – Da ocultação do sujeito passivo), fl. 37 do processo, a fiscalização cita a INSRF 225/2002, que disciplina a importação por conta e ordem de terceiros, e seu artigo 4o., cuja base legal é o art. 23, V, do Decretolei n° 1.455/1976, com redação dada pelo artigo 59 da Lei 10.637/2002, o qual preceitua a sujeição à pena de perdimento da mercadoria importada, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. À fl. 39, no citado Relatório, a fiscalização afirma que os fatos narrados se enquadram no art. 23, V, do Decretolei n° 1.455/1976, e seus parágrafos 1o., 2o. e Fl. 660DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 6 3o., com redação dada pelo artigo 59 da Lei 10.637/2002, o qual passou a incluir como dano ao Erário a ocultação do adquirente, vendedor ou sujeito passivo, punindo essa infração com a pena de perdimento (§ 1o.), e prevendo a conversão da pena de perdimento em multa, no caso de a mercadoria não ser localizada, ou ter sido consumida (§ 3o.). Cita, também, o Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto n° 4.543/2002), que consolidou a matéria no seu art. 618, inciso XXII. A fiscalização afirma, no mesmo Relatório, ao final da fl. 39 do processo, que cumpre observar que o recolhimento de tributos incidentes sobre as importações não descaracteriza o dano ao Erário, que se configura, no caso vertente, por presunção legal, conforme art. 23, inciso V, do Decretolei n° 1.455/1976. Conclui a fiscalização, no Relatório lavrado em 2007, à fl. 40 do processo, ter havido dano ao Erário nas operações de comércio exterior da fiscalizada, pela ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, mediante a interposição fraudulenta de terceiros. A fiscalização iniciou o procedimento para perdimento das mercadorias importadas para as quais o real adquirente foi ocultado, intimandose a empresa, em 29/11/2007, a disponibilizar estas mercadorias. Em sua resposta, datada de 10/12/2007, foi informado que elas foram vendidas. Em virtude disso, no Relatório lavrado em 2007, à fl. 41 do processo, foi proposto à Inspetora da IRF/BHE a abertura de procedimento para a conversão do perdimento das mercadorias em multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, conforme art. 23 do Decretolei n° 1.455/1976, e seus parágrafos 1º. e 3º., uma vez tendo sido configurado o Dano ao Erário. Além disso, uma vez que os fatos descritos nesse Relatório identificariam situações que, em tese, poderiam configurar crime contra a ordem tributária, ficou assentado que deveria ser proposta Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos de Portaria do Secretário da Receita Federal. Para cumprir as providências propostas no Relatório acima citado, o qual foi lavrado em 2007, amparado pelo MPF 06151002007001268, foi iniciado, em 2008, novo procedimento, coberto pelo MPF 06151002008003213, para efetuar a conversão da pena de perdimento em multa. Esse segundo procedimento resultou, ao seu término, como já informado acima, em novo Relatório de Ação Fiscal (fls. 08/19), lavrado em 21/11/2008, que faz parte integrante dos autos de infração constantes do presente processo, e em cuja introdução (fl. 08 do processo) afirmase que a ação fiscal teve por objeto efetuar a conversão da pena de perdimento em multa, relativamente às mercadorias importadas através das DI´s 04/06278144, 05/07160759, 05/0849115, tendo em vista sua não localização por terem sido entregues a consumo. Quanto ao detalhamento das irregularidades que deram origem à proposta de aplicação da pena de perdimento, bem como de sua conversão em multa, citase, como base, o Relatório lavrado em 2007 (fls. 30/42), ao final do procedimento especial da INSRF 228/2002, amparado pelo MPF 06151002007001268, efetuado em desfavor da ALFA COMERCIAL. Nesse Relatório lavrado em 2008, no item 2 (Das irregularidades apuradas motivadoras do perdimento aqui aplicado), informase que a fiscalizada foi usada para encobrir operações da empresa TBI DO BRASIL, verdadeira adquirente dos produtos importados através das DI´s acima citadas. Essas importações teriam sido todas financiadas pela TBI DO BRASIL, sendo a ela remetidas logo após o desembaraço, conforme análise das notas fiscais de entrada e de saída da ALFA Fl. 661DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 5 7 COMERCIAL, emitidas em número seqüencial e com as mesmas quantidades, conforme fls. 118 a 137, 166 a 175, e 198 a 200. Tais operações teriam se iniciado em 09/06/2005, com o depósito de R$ 150.210,00 efetuado pela TBI DO BRASIL, em favor da fiscalizada e também o fechamento de um contrato de câmbio no valor de R$ 143.295,40 em favor de TBI Industries GMBH da Alemanha no dia seguinte (10/06/2005 – fls. 43 e 49). Às fls. 9/10 do processo, consta, no Relatório lavrado em 2008, um quadro no qual estão detalhados os recursos recebidos da empresa TBI DO BRASIL pela ALFA COMERCIAL, utilizados para fechamento de câmbio, pagamento de tributos aduaneiros e valores de fretes e seguros internacionais. Segundo este Relatório, lavrado em 2008, às fls. 11/12, a fiscalização, com base no que já foi constatado no Relatório lavrado em 2007, afirma que as operações em relevo seriam, na verdade, por conta e ordem, e, conforme artigo 27 da Lei n° 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiros presumese por conta e ordem deste. No caso, não teriam sido seguidas as instruções sobre esse tipo de operação previstas na INSRF 225/2002, tendo havido, portanto, ocultação do real adquirente. Os auditores, também seguindo o que consta no Relatório lavrado em 2007, afirmam, às fls. 12/13, que a real adquirente teve um ganho ao utilizar o estratagema acima, vez que deixou de ser equiparada a contribuinte do IPI, bem como, com a ocultação, houve presunção de dano ao erário, por força do inciso V do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, o que acarretaria a pena de perdimento das mercadorias ou, no caso de impossibilidade de apreensão por não terem sido localizadas ou destinadas a consumo, a conversão em multa (conforme § 1° e 3° do mesmo artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976). Tendo em vista que a empresa, intimada, informou que as mercadorias importadas tinham sido comercializadas, a fiscalização, à fl. 15, aduz que, conforme o artigo 73 e parágrafos 1° e 2° da Lei n° 10.833/2003, para a aplicação da multa prevista no § 3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/1976, deverá ser instaurado processo administrativo, sendo exigida mediante lançamento de ofício, processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União. No item 4 do Relatório lavrado em 2008 (Da Solidariedade Passiva), às fls. 15/18, a fiscalização cita o art. 124, inciso I do CTN, segundo o qual são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; cita o artigo 135, inciso III do CTN, que dispõe que são pessoalmente responsáveis pelos créditos relativos a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Cita, ainda, o artigo 137, inciso I, do CTN. A fiscalização cita, ainda, o artigo 603, inciso I, do Decreto n° 4.543/2002 (RA/2002), baseado no artigo 95 do Decretolei n° 37/1966, segundo o qual, na área do comércio exterior, a responsabilidade pela infração deve ser estendida a toda e qualquer pessoa que participe, pratique ou se beneficie dela. Segundo a fiscalização, às fls. 17/18, com base nos fatos apurados no Relatório, as seguintes empresas, através de seus sócios administradores, atuaram através da empresa ALFA COMERCIAL: Fl. 662DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 8 a TBI DO BRASIL, pela análise dos extratos bancários da empresa Alfa, nos quais ficou demonstrado que os depósitos para fechamento de contratos de câmbio e para pagamento de tributos provinham daquela empresa; além disso, em análise das notas fiscais de venda da ALFA COMERCIAL, verificouse que são repetidas as mesmas quantidades das NF de entrada, além de serem emitidas em número subseqüente e com margens de lucro que pouco ultrapassam os custos. Também não foi apresentado pela ALFA COMERCIAL nenhum documento para comprovar as negociações com os supostos fornecedores; a Transaex, pertencente o mesmo Grupo Empresarial da Alfa e responsável por todos os despachos aduaneiros efetuados, a qual valeuse da Alfa para burlar a vedação prevista no art. 10 do Decreto n° 646/1992, o qual prevê que é vedado ao despachante aduaneiro e ao ajudante efetuar, em nome próprio ou de terceiro, exportação ou importação de quaisquer mercadorias ou exercer comércio interno de mercadorias estrangeiras, excetuandose, da proibição de importação, os bens que se destinem ao uso próprio. Assim, conforme o Relatório de Ação Fiscal lavrado em 2008, à fl. 18, informase que, para a implementação da sujeição passiva solidária, lavrouse “Termo de Sujeição Passiva Solidária, através dos quais foram incluídos no pólo passivo da exigência, além da empresa ALFA COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA: a empresa TBI DO BRASIL PRODUTOS MECÂNICOS E FERRAMENTAS LTDA, CNPJ 04.083.844/000102 e seu sócio administrador PHILIPP MAXIMILIAN BINZEL, CPF 016.422.77681; a empresa TRANSAEX ASSESSORIA LTDA, CNPJ 68.506.765/000131, e seu sócio administrador Paulo Eduardo Pinto, CPF 533.267.68672, bem como seu administrador Luiz Fernando Pinto, CPF 628.131.02687, também sócio administrador da autuada, ALFA COMERCIAL. Da impugnação da responsável solidária TRANSAEX e de PAULO EDUARDO PINTO, seu sócio administrador Cientificados, a empresa TRANSAEX e o seu sócio administrador Paulo Eduardo Pinto, de Termos de Sujeição Passiva Solidária; ambos em 28/11/2008 (fls. 249 e 250), os dois apresentaram conjuntamente sua impugnação, em 24/12/2008 (fls. 351/380), cujos argumentos constam nos seguintes termos: Considerações preliminares 1. discorrem sobre a origem da legislação sobre interposição fraudulenta, afirmando que o seu objetivo fundamental é combate à lavagem de dinheiro (Lei 9.613/1998); 2. aduzem que, se o enfoque principal dessa legislação é coibir a origem ilícita de recursos e sua utilização indevida, é contrasenso incriminar alguém, se comprovado que a origem não é ilícita, que os recursos têm origem legal e estão escriturados; e também que, para que alguém seja penalizado, é imprescindível que o ato possa ser comprovadamente imputado a esse alguém, devendo, ainda, a conduta ser antijurídica e típica; 3. afirmam que, no presente caso, está comprovado que a origem dos recursos não é a de seqüestro, tráfico de drogas, etc, nem de nenhuma das condutas inspiradoras da legislação sobre interposição fraudulenta, em que se baseou a fiscalização: Lei n° 9.613/1998, Portaria MF n° 350/2002, INSRF n° 228/2002; Fl. 663DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 6 9 4. declaram que é evidente que a Administração Tributária Federal, por inspiração arrecadatória, alargou o combate à origem ilícita dos recursos para incluir outras operações de comércio exterior, não comprovadamente criminosas, por sua própria conta, criando norma legais generalizadoras para ampliar a aplicação das normas administrativas, que seriam dirigidas a criminosos, utilizandose de presunção; 5. afirmam que as normas penalizadoras são necessariamente personalíssimas, pois somente se pode responsabilizar alguém pelos atos que, comprovadamente, foram por este praticados; Da ausência da corresponsabilidade solidária da empresa Transaex 6. discorrem que os autuantes, equivocadamente, incluíram a empresa Transaex como responsável solidária, porque se utilizou da ALFA COMERCIAL para burlar a vedação prevista no artigo 10 do Decreto n° 646/1992; porém, a Transaex é uma empresa comissária de despacho, e a vedação da norma citada referese ao “despachante aduaneiro”, ou seja, à pessoa física que exerce tal atividade; 7. argumentam que a suposta ilegalidade apontada pela fiscalização não levou em conta a distinção entre pessoa jurídica e pessoa física, já que a responsabilidade daquela não é necessariamente a mesma desta. Assim, os autuantes teriam se equivocado porque não existe, no citado Decreto, vedação alguma em relação à Transaex; a vedação é dirigida aos despachantes aduaneiros, pessoas físicas; no caso em relevo, a Transaex atuou exclusivamente como prestadora de serviço, não descumprindo nenhuma norma legal; 8. declaram que quando a empresa ALFA COMERCIAL protocolizou pedido de habilitação no Siscomex, anexou ao mesmo, o contrato de prestação de serviços firmado com a Transaex, o que comprova que a autoridade lançadora tinha conhecimento de que as empresas tinham sócios em comum, que atuavam em parceria, mas cada uma com sua especialidade; 9. aduzem que a afirmação de corresponsabilidade em relação aos impugnantes não traz nenhuma prova, nem encontra sustentação jurídica; 10. afirmam que a transferência de responsabilidades, que aqui é pessoal do agente, pois se trata de penalidade, deve ser bem fundamentada, não podendo tomar o todo pela parte, não se podendo incluir os impugnantes como corresponsáveis por um suposto ilícito praticado que, se praticado, o foi pela empresa ALFA COMERCIAL. Assim, é descabida a inclusão da Transaex e de seu sócio administrador no pólo passivo, eis que não há vedação legal em relação à empresa, nem a seu sócio, nem esta utilizou a empresa ALFA COMERCIAL para burlar a vedação do art. 10 do Decreto n° 646/1992; Da operação de importação própria 11. tecem comentários a respeito das modalidades de importação por conta e ordem, por conta própria, e por encomenda; informa que a importação própria configurase quando a empresa adquirente possui departamento próprio de comércio exterior para realizar as operações necessárias, podendo ser realizado tanto por trading companies e empresas comerciais importadoras, quanto pelas empresas interessadas; Fl. 664DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 10 12. o importador ou a trading adquirem produtos no exterior para uso próprio ou para revenda a comerciantes ou consumidores finais, tratandose de operações comerciais amplamente realizadas e autorizadas pela legislação pátria; 13. argumentam que, quando o importador faz vir mercadorias do exterior, para seu próprio uso, ou para revenda a terceiros, visando lucro, sem que esses terceiros mantenham relação com o exportador, realizando os pedidos de compra no exterior, negociando preços, realizando o fechamento de câmbio, mantendo contato prévio de importação, tratase da operação de importação direta; mas, se o motivo da importação foi uma encomenda de terceiro, ou seja, o importadora traz a mercadoria, mas já teve as indicações prévias de um comprador, que manteve contatos no exterior com o exportador dos produtos e celebrou contrato prévio com o importador, a operação pode ser por conta e ordem de terceiros ou não; 14. afirmam, à fl. 362, que os fatos citados nos autos: “(...) onde a impugnante (Real e única importadora) tem uma carteira de clientes para os quais importa as mercadorias. Em razão do relacionamento comercial que mantém com seus clientes, sabe o que lhes e, ciente dessas informações, importa mercadorias que acabarão sendo revendidas para esses clientes. A relação entre o importador e os clientes é duradoura e poderíamos dizer que é razoavelmente próxima. Existe, inclusive, uma previsibilidade por parte do importador de quanto tempo as mercadorias durarão nos estoques dos seus compradores. Com base nessas informações, bastante confiáveis, faz vir mais mercadorias do exterior, com tanta precisão que as revende com muita rapidez e mantém muito baixo seus próprio estoques, sem, no entanto, deixar de atender aos pedidos, dada a qualidade de suas previsões. Tais operações se tornam úteis para as empresas compradoras as mesmas se tornam fiéis compradores dos produtos importados, nacionalizados e revendidos pela trading. Essa, por sua vez, como ocorre em grande parte do mundo, tem em tais contatos no exterior, importações, nacionalizações e revenda importante objetivo social, mantendose a partir de tais operações; 15. sustentam que, no caso, as importações não são feitas a partir de compromissos firmes de compra dos clientes, mas ocorrem a partir de previsões razoáveis da necessidade da carteira de clientes. Assim, as operações configuram importação direta e, ainda que houvesse compromisso de compra dos clientes, trata se de importações promovidas integralmente pela empresa importadora, com seus recursos, com contatos diretos com os exportadores, com nacionalização e revenda, havendo margem de lucro na operação; a relação próxima entre importador e clientes visa reduzir custos e riscos; 16. aduzem que o comércio exterior tem muitas dificuldades, exigindo coragem e ousadia; importar significa assumir riscos; o simples fato de ter havido adiantamento por parte dos clientes, não tem o condão de descaracterizar a importação própria; 17. sustentam que, apesar de terem sido feitos depósitos na conta bancária da impugnante pelos seus clientes, não se pode afirmar que toda a operação realizada no comércio exterior pela impugnante foi mediante a utilização de recursos de terceiros, estando configurada a importação por conta destes; aduzem que, no caso, não se pode presumir que houve dolo nas operações realizadas pela impugnante, no intuito de fraudar e até mesmo ocultar os reais adquirentes; isso porque, pelos próprios extratos bancários, identificase facilmente quem são os depositantes, bem como os valores depositados; se a intenção fosse ocultar teria sido mais lógico o recebimento em espécie; não há ocultação pois as operações aparecem nos extratos, nos registros contábeis e nas notas fiscais; Fl. 665DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 7 11 18. afirmam que a lisura e a boa fé da impugnante estão plenamente evidenciadas através do processo de habitação no SISCOMEX, que foi apresentado, analisado e deferido pela Administração Fazendária, permitindo sua atuação no comércio exterior, inclusive tendo deferido o aumento do volume das operações pertinentes às transações internacionais pretendidas; no citado processo a Receita Federal efetuou minuciosa análise fiscal, analisando a capacidade operacional e os recursos da empresa, tendo sido informado, como endereço o mesmo da empresa Transaex; assim, estranham que a empresa, após a análise a que foi submetida, tenha suas operações consideradas como fraudulentas, em virtude de suposta ausência de capacidade financeira para atuar no comércio exterior; 19. sustentam que quando do início do processo de habilitação no SISCOMEX, ao mesmo foi anexado o Contrato de Prestação de Serviços firmado com a empresa TRANSAEX ASSESSORIA LTDA, já sendo, portanto, do conhecimento da Autoridade Lançadora que as duas empresas atuavam em conjunto; 20. citam Acórdãos do Conselho de Contribuintes, no sentido de que, não havendo intenção dolosa, descabe penalidades; 21. aduzem que, diante do que foi acima visto, não merece prosperar o lançamento, uma vez que restou demonstrado que os fatos referemse à modalidade de importação própria, não havendo interposição fraudulenta; Da ausência de identidade entre os fatos e a norma punitiva 22. informam que, a não prevalecer, por hipótese, os argumentos até agora explanados, impugna a legalidade da multa aplicada. Isso porque na estrutura da norma prevista no art. 23 do Decretolei n° 1.455/1976, a hipótese (interposição fraudulenta), que gera a imposição da consequência (pena de perdimento – multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria), seria: a) ocultação do sujeito passivo, mediante fraude; b) caso de não comprovação da origem dos recursos; c) caso de não comprovação de disponibilidade dos recursos; d) caso de não comprovação de transferência dos recursos empregados. E como se vê, no caso em questão, nenhuma das hipóteses supra se concretiza; 23. aduzem que as infrações tributárias, que prescindem do elemento subjetivo, configuramse pelo simples não recolhimento do tributo, mas nas penalidades o dolo integra o tipo. Não se pode considerar criminosa uma ação que não preenche todos os requisitos previstos abstratamente na norma; além disso, tais requisitos devem estar provados para que a imputação seja admitida; 24. transcrevem o art. 23 e parágrafos 1º a 3º do Decretolei n° 1.455/1976, bem como o artigo 72 da Lei n° 4.502/1964, e sustentam que são figuras típicas, de conceito rígido, que não admitem aplicação sem a comprovação do intuito doloso, de se locupletar, de lesar o fisco, com atos e ações no intuito de ludibriar. Afirmam que nenhum desses elementos foi comprovado pela fiscalização, que se baseou em presunção; 25. afirmam, novamente, que a configuração do ilícito previsto no dispositivo legal citado exige que seja evidente e exaustivamente comprovado o intuito de fraude, que, claramente não está no caso concreto; citam doutrina e jurisprudência administrativa relacionadas a isso; 26. informam que, no caso, não houve ações dolosas de fraude ou simulação, por parte da impugnante, que se enquadrem na hipótese acima, da qual decorre a aplicação da pena de perdimento; não houve declaração falsa; não houve omissão de Fl. 666DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 12 documentos ou informações; não houve falsificação de documentos; não houve duplicação de notas fiscais; estas não foram calçadas; a origem dos recursos está bem definida, havendo clareza nessas informações, bem como na escrituração contábil das operações; todos os tributos foram recolhidos, conforme consta no Relatório de Auditoria Fiscal; 27. pedem a inadmissibilidade do lançamento porque inexiste nos autos a prova do elemento doloso, necessário para a configuração do ilícito; porque efetivamente não houve intuito doloso; e, se a intenção da impugnante fosse ocultar os reais adquirentes, não deixaria isso evidenciado em seus registros contábeis; 28. aduzem que, ainda que, por hipótese, pairasse dúvidas acerca da intenção dolosa da impugnante, a dúvida deveria ser aproveitada em favor de quem é acusado (in dubio pro reo), não havendo razão para aplicar à impugnante penalidade destinada a criminosos, sonegadores e fraudadores; caso contrário, haveria iniqüidade; cita doutrina sobre o tema; 29. sustentam que, em matéria de penalidade, o ordenamento pátrio não tolera analogias ou interpretações extensivas, especialmente para imputar a alguém a responsabilidade pela sua prática; na questão em relevo, está patente a diferença entre a presunção abstrata do art. 23 do DL n° 1.455/1976 e a realidade fática, sendo desarrazoada e incabível a pena de perdimento; cita doutrina sobre a legalidade e a tipicidade tributárias; 30. afirmam que a tipicidade serve à segurança jurídica, ao princípio da legalidade, presentes na Constituição Federal; aduz que, em relação a penalidades, da mesma forma, somente as instituídas em lei são passíveis de aplicação, podendo atingir exclusivamente aqueles que realizem sua hipótese legislativa; isso, quando efetivamente for possível, sem equívocos, imputar a alguém, um ato antijurídico e típico, previsto em dispositivo legal vigente; 31. se for admitida a suposta responsabilidade imputada à impugnante, estaria legitimado o arbítrio e a insegurança e revogado o Estado de Direito, onde os atos do Executivo são regidos pelo princípio da legalidade, da moralidade, da publicidade, da impessoalidade, no qual o agente público é servo da lei, não cabendo ao Executivo, nem ao Judiciário criar as normas ou darlhes um cunho pessoal. Disso decorre a total impropriedade da multa aplicada à impugnante, sob a pretensa invocação da justificativa legal prevista no art. 23 do DL n° 1.455/1976; 32. sustentam que a aplicação de penalidade deve ter em vista sempre a tipicidade cerrada, e a inexistência de norma penal em branco a ser preenchida pela vontade de seus aplicadores, sendo imprescindível a ocorrência de perfeita subsunção entre a hipótese da norma e o fato concreto para que se possa aplicar a sanção prevista; de outra forma, maculase de ilegítima, porque ilegal e inconstitucional, além de arbitrária a imposição da penalidade, o que ocorreu no caso. Desse modo, com base nos princípios da segurança jurídica, da legalidade, da especificidade conceitual ou da tipicidade cerrada, pedem o cancelamento da penalidade, haja vista a demonstração de que houve importação própria, não podendo a impugnante ser penalizada por fato que não realizou; 33. apresentam doutrina acerca da aplicação da pena de perdimento no caso de interposição de pessoas e no caso de desconsideração de uma operação por outra, em virtude da impropriedade material de sua concretização; Da aplicação do artigo 33 da Lei 11.488/2007 34. no caso de não acolhimento das razões já expostas, afirma que não merece prosperar o lançamento porque, se por hipótese, as operações de importação forem consideradas por conta e ordem de terceiros, como concluiu a fiscalização, não Fl. 667DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 8 13 haveria de se falar em aplicação de multa decorrente da conversão da pena de perdimento, pois, conforme artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, a pessoa que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de dez por cento do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00. 35. sustentam que, desse modo, se for admitida realmente a participação da empresa, cedendo seu nome, evidencia um erro substancial na autuação, podendose afirmar que os atos de ceder o nome e de importar e adquirir a mercadoria, nessa hipótese registrada pelos autuantes, não podem ser considerados idênticos. Assim, em relação à empresa autuada, não há como se atribuir a responsabilidade integral punível com o valor dos bens sujeitos a perdimento, sendo sua participação restrita à cessão do nome para as operações de comércio exterior, conforme art. 33 da Lei n° 11.488/2007; 36. transcrevem o art. 100 do Decretolei nº 37/1966, segundo o qual se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido, e conclui que, com base nesse dispositivo, não poderia ser aplicada a pena de perdimento, e sua conseqüente conversão em multa, à impugnante, eis que esta apenas teria cedido seu nome para as operações abrangidas pelo auto de infração. Afirmam, também, que não seria de se lhe aplicar as duas penalidades ao mesmo tempo, conforme art. 99 do Decretolei nº 37/1966; 37. argumentam que, não sendo idênticas as infrações atribuídas a quem cede o nome e a quem importa ou exporta a mercadoria, não há como se manter a autuação, devendo ser declarado improcedente o auto de infração e arquivado o processo. Citam decisão da DRJ São Paulo, referente a caso semelhante, tratado no processo 10314005.794/200883, cujo posicionamento estaria em sintonia com suas colocações; 38. por serem os pedidos acima consentâneos com a legalidade e com a justiça, pede a total improcedência do lançamento e arquivamento do processo; Da impugnação da empresa ALFA COMERCIAL e de LUIZ FERNANDO PINTO, seu sócio administrador Cientificada do lançamento a empresa ALFA COMERCIAL, em 03/12/2008 (fl. 03), e o seu sócio administrador Luiz Fernando Pinto, de Termo de Sujeição Passiva Solidária, em 28/11/2008 (fl. 251), os dois apresentaram conjuntamente sua impugnação, em 24/12/2008 (fls. 255/280). Cabe observar que, a não ser pelo item “Da ausência da corresponsabilidade solidária da empresa Transaex”, essa impugnação é idêntica à apresentada conjuntamente pela empresa TRANSAEX e seu sócio administrador Paulo Eduardo Pinto, já discriminada acima, motivo pelo qual deixase de relacionar, aqui, seus argumentos de defesa, os quais, por serem totalmente iguais, serão analisados em conjunto com os da TRANSAEX e do seu sócio administrador. Da impugnação da responsável solidária TBI DO BRASIL Cientificada, a empresa TBI DO BRASIL, de Termo de Sujeição Passiva Solidária, em 28/11/2008 (fl. 247), esta apresentou sua impugnação em 26/12/2008 (fls. 454/458), cujos argumentos constam nos seguintes termos: Fl. 668DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 14 1. afirma que o contrato social da empresa ALFA COMERCIAL, inicialmente prevendo apenas a prestação de serviços de assessoria aduaneira, passou a prever, em 1995, em seu objetivo social, a importação e exportação de produtos, bens e serviços, bem como a comercialização interna e externa. Assim, a recorrente teria utilizado a empresa ALFA COMERCIAL como cliente; 2. aduz que SEMPRE foi orientada pela empresa ALFA COMERCIAL a proceder da forma que se encontra nos autos; 3. sustenta que, quando da fiscalização não tinha registro no SISCOMEX, o que ocorreu em 27/10/2007; apesar disso, atuava de acordo com a legislação específica, mais precisamente, nos moldes da IN SRF 225/2002, da IN SRF 455/2004, revogada pela IN SRF 650/2006, dando ênfase ao artigo 26 desse último ato, o qual condiciona a importação por conta e ordem de terceiros à prévia habilitação da pessoa física responsável pela pessoa jurídica adquirente. Assim, afirma que atuou de acordo com a legislação vigente na época das operações, e que não houve em nenhum momento a caracterização de dolo, ou indício de fraude; 4. apresenta jurisprudência do STJ no sentido de que a aquisição de mercadoria estrangeira importada, mediante emissão de nota fiscal por firma regularmente estabelecida, gera a presunção de boa fé; 5. Afirma que, por ocasião das operações, a empresa ALFA COMERCIAL apresentou parecer jurídico, bem como cuidou de toda tramitação comercial, sendo o motivo para não importar diretamente, conforme aventado pela fiscalização à fl. 33, o fato de não estar habilitado no SISCOMEX, o que ocorreu em 27/10/2007, não tendo usado nenhuma estratégia no sentido de lesar o fisco; 6. Sustenta que tudo foi feito com a maior boa fé, ressaltando que todos os impostos inerentes às operações comerciais foram pagos, não tendo havido intenção, nem tendo sido usado “estratagema” para ludibriar o controle aduaneiro; 7. aduz que, em relação ao afirmado pela fiscalização à fl. 36, segundo parágrafo, não podia duvidar da assessoria da empresa ALFA COMERCIAL, pois a mesma fazia todas as operações comerciais; 8. argumenta que, em relação a presunção de interposição fraudulenta, por ocultação do sujeito passivo, isso não ocorreu por parte da TBI DO BRASIL, já que agiu com absoluta boa fé, tendo sido tiradas notas fiscais, pagos os impostos, endereço informado corretamente, não tendo havido ato lesivo à sociedade, até porque as operações ocorreram antes da entrada em vigor da IN SRF 650/2006. 9. afirma que as mercadorias foram adquiridas com nota fiscal emitida pela ALFA COMERCIAL, não se podendo falar em presunção de qualquer compra fraudulenta com objetivo de lesar o Fisco, nem simulação ou dolo, já que a transação ocorreu através de compra com nota fiscal para empresa legalizada, com destinação e endereço certo; 10. declara que o fato de a fiscalização afirmar que o motivo da impugnante importar mercadorias utilizandose os serviços da ALFA COMERCIAL deveuse ao fato de a TBI DO BRASIL não possuir, naquele momento, registro no SISCOMEX, não pode ser considerado indício ou mesmo qualquer forma fraudulenta, pois jamais houve essa intenção da TBI DO BRASIL; 11. informa que, além disso, a empresa ALFA COMERCIAL concordou, incentivou e orientou no fornecimento, dando todo o suporte legal, e inclusive, fornecendo as notas fiscais; Fl. 669DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 9 15 12. afirma que não há como reconhecer a procedência de sua notificação, já que cumpriu suas obrigações e efetuou os recolhimentos devidos; requer a isenção de toda e qualquer penalidade relativa à responsabilidade solidária, considerando que não houve dolo ou qualquer máfé por parte da impugnante. Da ausência de impugnação de PHILIPP MAXIMILIAN BINZEL, sócio administrador da empresa TBI DO BRASIL, Cientificado, o sócio administrador da empresa TBI DO BRASIL, Philipp Maximilian Binzel, de Termo de Sujeição Passiva Solidária, em 28/11/2008 (fl. 248), o mesmo não apresentou impugnação. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 16/06/2005, 08/07/2005, 10/08/2005 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/06/2005, 08/07/2005, 10/08/2005 LEGITIMIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração quando restar comprovado que concorreram, de qualquer forma, para a prática da mesma, ou dela se beneficiaram. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. A ausência de impugnação por parte de um dos sujeitos passivos solidários acarreta, contra o revel, a preclusão temporal do direito de praticar o ato impugnatório, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos demais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/06/2005, 08/07/2005, 10/08/2005 SUJEIÇÃO PASSIVA. DESPACHANTE ADUANEIRO. INTERESSE COMUM NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. SUJEIÇÃO PROCESSUAL PASSIVA SOLIDÁRIA. O despachante aduaneiro e seu ajudante estão proibidos de efetuar, em nome próprio ou no de terceiro, importação e exportação de quaisquer produtos, ou exercer comércio interno de mercadorias estrangeiras (art. 10 do Decreto nº 646/1992). A Comissária de Despachos equiparase ao despachante aduaneiro, pois somente essas pessoas possuem a devida autorização, perante a Receita Federal do Brasil, para procederem a atos relativos às operações de despacho de Fl. 670DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 16 importação/exportação. Se, tanto como pessoas físicas, quanto como pessoas jurídicas, demonstrarem interesse comum no fato gerador do imposto de importação e violarem essa proibição, respondem como responsáveis solidários, cabendo a exigência também contra eles dos tributos e multas nas operações de importação/exportação, concomitantemente com as penalidades pertinentes. Insatisfeitas com a decisão de primeira instância, as recorrentes apresentam Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do quais repisam argumentos contidos nas impugnações ao lançamento. A empresa Alfa Comercial Importadora e Exportadora Ltda, em conjunto com Luiz Fernando Pinto, defende não ter havido “dano ao erário, restando amplamente comprovada a origem licita dos recursos” (...). Que as operações objeto do presente litígio ocorreram, na verdade, por Conta Própria e não por Conta e Ordem de Terceiros. Explica que “quando o importador faz vir mercadorias do exterior, para seu próprio uso, ou para revenda a terceiros, visando lucro, sem que esses terceiros mantenham relação com o exportador, realizando os pedidos de compra no exterior, negociando preços, realizando o fechamento de câmbio, mantendo qualquer tipo de contrato prévio de importação para revenda, tratase da operação de importação direta”, distintamente do que ocorre quando “o motivo da importação foi uma encomenda de terceiro, ou seja, o importador traz a mercadoria mas já teve as indicações prévia de um comprador que deseja recebêlas, já efetuou, muitas vezes, contatos no exterior com o exportador dos produtos, celebrou um contrato prévio com o importador para receber tais produtos do exterior, que a operação foi realizada, podese estar diante de importação por conta e ordem de terceiros ou não”. Que “o simples fato de ter havido adiantamentos por parte dos clientes da Alfa, não tem o condão, por si só, rogata maxima venia, de se descaracterizar a importação própria”. Que não parece razoável presumir que houve dolo praticado nas operações da empresa quando “pelos próprios extratos bancários, identificase facilmente, quem são os depositantes, bem como os valores depositados”. Que “a lisura e a boafé da Recorrente Alfa também restam plenamente evidenciadas, através do processo de habilitação no SISCOMEX, que foi apresentado, analisado e deferido pela Administração Fazendária” e que “quando do inicio do processo referente ao pedido de habilitação no SISCOMEX, foi anexado ao mesmo, o Contrato de Prestação de Serviços firmados com a empresa TRANSAEX ASSESSORIA LTDA”. Ausência de identidade entre os fatos e a norma punitiva aplicada, pois “não houve ocultação do sujeito passivo, não há ausência de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, não havendo, consequentemente, declaração inexata, omissão total, parcial, fraude, ou até mesmo dolo. Portanto, nenhuma das hipóteses previstas na norma está concretizada na realidade em observação”. Advoga que “em matéria de penalidade é imprescindível a perfeita identidade entre o fato gerador da sanção, previsto na norma, e o fato concreto, verificado na realidade, notadamente para que se possa imputar a alguém a responsabilidade pela sua prática. Na questão em relevo, está patente a diferença entre a presunção abstrata do art. 23, do DL n° 1455/76 e a realidade fática ou verdade material, donde a aplicação da pena máxima, de perdimento dos bens, avultase como desarrazoada e ilegítima”. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 10 17 Que há uma “norma especifica de punição, para aquele que cede o seu nome para uma operação de terceiros. É testemunha disso, o conteúdo do artigo 33, da Lei n° 11.488/2007”. Cita disposição do Decretolei 37/66 no sentido de que “se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa á infração houver cometido". A empresa Transaex Assessoria Ltda e Paulo Eduardo Pinto na qualidade de sujeitos passivos solidários apresentam Recurso Voluntário afirmando, à inicial, que a “TRANSAEX é uma empresa comissária de despacho”, enquanto que a vedação prevista no artigo 10 do Decreto 646/92 “referese ao "despachante aduaneiro", ou seja, à pessoa física que exerce tal atividade”. Que “quando a empresa ALFA protocolizou o pedido de habilitação no SISCOMEX, anexou ao mesmo, o Contrato de Prestação de Serviços firmados com a empresa TRANSAEX ASSESSORIA LTDA., donde está comprovado que sempre foi de conhecimento da Respeitável Autoridade Lançadora, que ambas as empresas possuíam sócios em comum (...)”. Que “a transferência de responsabilidades e aqui, responsabilidade pessoal do agente, pois se trata da aplicação de penalidade, deve ser feita sempre de modo muito bem fundamentado e não há fundamentação válida e legitima que tome o todo pela parte, permitindo se posicione os Recorrentes como coresponsáveis por um suposto ilícito praticado”. Defende que “quando se tratar de pena de perdimento, inexistindo a demonstração de ocorrências dolosas (fraude, simulação, etc) no procedimento do contribuinte, tornase descabida a aplicação de qualquer penalidade”, como também que “a pena de perdimento, como qualquer outra, há de ser baseada na idéia de dano ao erário, partindo do pressuposto de que o atingido por essa pena foi quem efetivamente causou o dano”. A seguir apresenta defesa em todo semelhante, se não idêntica, à apresentada pela empresa Alfa Comercial Importadora e Exportadora Ltda e Luiz Fernando Pinto em relação à caracterização da operação como por Conta Própria, que a empresa Alfa foi habilitada no SISCOMEX. Referese também ao Contrato de Prestação de Serviços firmados com a empresa TRANSAEX ASSESSORIA LTDA”. À ausência de identidade entre os fatos e a norma punitiva aplicada e ao artigo 33, da Lei n° 11.488/2007. A empresa TBI do Brasil Produtos Mecânicos e Ferramentas Ltda, na qualidade de sujeito passivo solidário, sustenta que “sob o prisma da Instrução Normativa 650/2006, a Recorrente operou suas importações por conta e ordem, não havendo qualquer ocultação de real importador”. Que “os pagamentos e adiantamentos feitos pela Recorrente à empresa Alfa Comercial, considerados como "garantia a importação" no Relatório Fiscal, na verdade configurase uma obrigação de pagar. Se houve a negociação comercial e a importação por óbvio que a adquirente tem que pagar pela aquisição não havendo fraude alguma no pagamento”. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 18 “Com relação a capacidade financeira e econômica da Alfa Comercial, questionada pelo Fisco Federal, o questionamento não quer dizer que a mesma não possa fazer operações maiores que seu capital social, considerando a aquisição de empréstimos, adiantamentos e pagamentos antecipados de seus clientes”. Que “ao declarar que houve ganho econômico da Recorrente na importação feita em prejuízo ao Erário, ao considerar que a mesma deixou de ser equiparada a contribuinte do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, nos termos do inciso I do art. 90 do Decreto 4.544 de 2002, o Fisco teve todos os instrumentos a quantificar o prejuízo e não o fez. Não o fez porque não houve nem vantagem nem prejuízo ao Erário”. Defende que “o adquirente de boafé não pode sofrer prejuízo. Não é justo ou correto transferir a responsabilidade de fiscalização, penal e fiscal de importação, regular ou não, ao Recorrente que importou e adquiriu de boa fé as mercadorias (...)”. Que “a pena de perdimento de mercadorias ou mesmo sua conversão em multa pelo valor alfandegário fere de morte os principio constitucionais implícitos da RAZOABILIDADE e PROPORCIONALIDADE (...)”. “Quanto a alegação de que a Recorrente e a empresa TBI da Alemanha tem em comum o sócio Sr. Philipp Maximillian Binzel sem falar qual o relacionamento entre as empresas é mera conjectura. Que “o Fisco Federal se quer trouxe a evidência qualquer elemento que prove que o relacionamento entre as empresas não seja puramente comercial. Aliás é de entender que não há qualquer fato ilegal de uma pessoa ser sócia de diversas empresas, sendo mantidas entre elas somente apenas um relacionamento comercial”. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Depreendese da documentação acostada aos autos que a empresa Alfa Comercial Importadora e Exportadora Ltda foi cientificada da decisão de primeira instância no dia 04/06/2010, Luis Fernando Pinto em 09/06/2010. Ambos apresentaram Recurso Voluntário em 05/07/2010. A empresa Transaex Assessoria Ltda tomou ciência da Autuação em 08/06/2010. Paulo Eduardo Pinto em 11/06/2010. Ambos apresentaram Recurso Voluntário em 05/07/2010. A empresa TBI do Brasil Produtos Mecânicos e Ferramentas Ltda foi cientificada em 08/06/2010 e apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2010. O Sr. Phillip Maximilian Binzel, embora tenha tomado ciência por edital em 14/07/2010, não apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos Recursos Voluntários apresentados pelas empresas Alfa Comercial Importadora e Exportadora Ltda, Transaex Assessoria Ltda e TBI do Brasil Produtos Mecânicos e Ferramentas Ltda, assim como pelo Sr. Luis Fernando Pinto e Paulo Eduardo Pinto, deles tomo conhecimento. Considerando haver diversas questões comuns a todas as defesas apresentadas, as mesmas serão examinadas em conjunto, feitos os necessários destaques às suas particularidades. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 11 19 A autuação em litígio diz respeito a três importações realizadas em nome da empresa Alfa Comercial Importadora e Exportadora. Tratamse das Declarações de Importação de número 05/06278144, 05/07160759 e 05/08491155, respectivamente, de 16/06/2005, 08/07/2005 e 10/08/2005, perfazendo, as três, um valor total de R$ 165.251,98, cifra coincidente com o valor do Auto de Infração guerreado, justamente por tratarse multa de conversão da pena de perdimento pela apuração da chamada interposição fraudulenta de terceiros. O procedimento de fiscalização das empresas autuadas teve início ante a constatação de indícios de irregularidades nas operações de comércio exterior praticadas em nome da empresa retro citada. A descrição dos fatos informa que a empresa serviuse à ocultação do real adquirente. Assim detalha a Fiscalização Federal. Ao analisar as operações realizadas pela empresa constatase que a mesma foi usada para encobrir operações da empresa TBI do Brasil Produtos Mecânicos e Ferramentas Ltda, que é o verdadeiro adquirente das mercadorias constantes das DI acima transcritas, estas importações, apesar de terem sido registradas em nome da fiscalizada; foram todas financiadas pela TBI a quem as mercadorias eram remetidas logo após o desembaraço diretamente da unidade aduaneira como pode ser constatado na análise das notas fiscais de entrada e saída (fls.118 a 137, 166 a 175, 198 a 200). Tais operações iniciamse em 09/06/2005, com o depósito de R$ 150.210,00 (cento e cinqüenta mil e duzentos e dez reais) em favor da fiscalizada e também o fechamento de um contrato de câmbio no valor de R$ 143.295,40 (cento e quarenta e três mil e duzentos e noventa e cinco reais e quarenta centavos) em favor de TBI Industries GMBH da Alemanha no dia seguinte (10/06/2005 fls.43 e 49). Logo a seguir a Fiscalização demonstra, em uma tabela por ela própria elaborada, o que seria um fluxo de caixa dos recursos recebidos pela TBI e sua correspondente utilização na aquisição de produtos do exterior destinados à própria TBI. As informações demonstram grande coincidência entre valores e datas de recebimentos e pagamentos (folhas 09 e 10 do processo). Conforme apontamentos contidos no Auto de Infração e detidamente examinados ao longo da decisão de primeira instância, inúmeros sinais denotam a ocorrência da infração em epígrafe. São mencionados nos autos, (i) falta de capacidade econômico financeira da empresa importadora para movimentação dos valores transacionados com o exterior, (ii) falta de ativo imobilizado, de instalações adequadas e até mesmo de um corpo funcional capaz de conduzir os negócios, (iii) após o despacho aduaneiro as mercadorias eram remetidas diretamente para a empresa apontada como real adquirente (TBI do Brasil), (iv) utilização de recursos de terceiros, sendo todas operações de importação precedidas da antecipação de valores por parte da TBI do Brasil, (v) ausência de documentação comercial emitida ou recebida pela empresa ALFA correspondente aos negócios realizados com o exterior (vi) e, finalmente, o fato de integrar o quadro societário do exportador estrangeiro, a TBI Industries GMBH da Alemanha, o sócio majoritário da empresa TBI do Brasil. Circunstâncias como as acima descritas são típicas das operações realizadas com a intermediação de pessoas e trazem consigo a própria explicação para existência de uma legislação destinada à regulamentação das importações denominadas por conta e ordem de terceiros. Para melhor clareza dos preceitos que conduzirão à decisão que será tomada no presente voto, creio que seja de grande interesse que se faça uma breve digressão em torno Fl. 674DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 20 dos conceitos que deram origem à positivação da presunção que ampara a exigência fiscal ora combatida. Ainda que a não comprovação da origem dos recursos empregados em atividade de comércio exterior presuma a ocorrência infracional em comento, a infração propriamente dita será sempre a que consta hodiernamente no artigo 689, inciso XXII, combinado com o parágrafo primeiro, do atual Regulamento Aduaneiro – Decreto 6.759/09, cuja matriz legal não se desconhece ser a Lei nº 10.637/02, com a seguinte redação. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação /dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decreto Lei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Tratase, portanto, de infração por ocultação (i) do sujeito passivo, (ii) do real vendedor, (iii) comprador ou (iv) de responsável pela operação. Ao do final texto, fica estabelecido que a interposição fraudulenta de terceiros está inserida dentre as hipóteses de ocultação dolosa das pessoas antes relacionadas (inclusive a interposição fraudulenta de terceiros). A ocultação das pessoas elencadas no inciso XXII do Decreto 6.759/09 praticada de forma dolosa enseja a aplicação da pena de perdimento da mercadoria, por dano ao Erário, pena convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas nos casos em que elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas tal como definido no caput do artigo 689 do mesmo diploma legal – base legal, DecretoLei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23. Importante neste ponto frisar que a ocorrência do dano não se vincula à extensão dos efeitos do ato praticado. Tal como se extrai do texto legal, a ocultação dolosa do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou do responsável pela operação, caracteriza, de per si, a infração tipificada como dano ao Erário, sendo absolutamente desnecessário que a fiscalização se esforce em provar a efetiva ocorrência de prejuízo aos cofres públicos, na medida em que a própria conduta do administrado constitui uma ação não autorizada, inquinada pela presunção de ato abusivo da pessoa jurídica, em detrimento do interesse coletivo. Há que se destacar que, ao assim definir, a Lei 10.637/02 não inova em relação ao Decretolei no 37/66 e no 1.455/76. Também lá considerouse configurado o dano ao Erário independentemente da comprovação de conseqüências lesivas aos cofres públicos. Para comprovar tal assertiva, basta a leitura das demais hipóteses elencadas no artigo 689 do Regulamento Aduaneiro. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 12 21 Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): I em operação de carga ou já carregada em qualquer veículo, ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo; (grifos meus) II incluída em listas de sobressalentes e de provisões de bordo quando em desacordo, quantitativo ou qualitativo, com as necessidades do serviço, do custeio do veículo e da manutenção de sua tripulação e de seus passageiros; (grifos meus) III oculta, a bordo do veículo ou na zona primária, qualquer que seja o processo utilizado; (grifos meus) IV existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações; (grifos meus) V nacional ou nacionalizada, em grande quantidade ou de vultoso valor, encontrada na zona de vigilância aduaneira, em circunstâncias que tornem evidente destinarse a exportação clandestina; VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (grifos meus) VII nas condições do inciso VI, possuída a qualquer título ou para qualquer fim; (grifos meus) VIII estrangeira, que apresente característica essencial falsificada ou adulterada, que impeça ou dificulte sua identificação, ainda que a falsificação ou a adulteração não influa no seu tratamento tributário ou cambial; IX estrangeira, encontrada ao abandono, desacompanhada de prova do pagamento dos tributos aduaneiros; (grifos meus) X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País, se não for feita prova de sua importação regular; XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; XII estrangeira, chegada ao País com falsa declaração de conteúdo; XIII transferida a terceiro, sem o pagamento dos tributos aduaneiros e de outros gravames, quando desembaraçada com a isenção referida nos arts. 142, 143, 144, 162, 163 e 187; XIV encontrada em poder de pessoa física ou jurídica não habilitada, tratandose de papel com linha ou marca d'água, inclusive aparas; XV constante de remessa postal internacional com falsa declaração de conteúdo; XVI fracionada em duas ou mais remessas postais ou encomendas aéreas internacionais visando a iludir, no todo ou em parte, o pagamento dos tributos Fl. 676DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 22 aduaneiros ou quaisquer normas estabelecidas para o controle das importações ou, ainda, a beneficiarse de regime de tributação simplificada (DecretoLei no 37, de 1966, art. 105, inciso XVI, com a redação dada pelo DecretoLei no 1.804, de 1980, art. 3o); XVII estrangeira, em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre que a conduzir for desviado de sua rota legal, sem motivo justificado; (grifos meus) XVIII estrangeira, acondicionada sob fundo falso, ou de qualquer modo oculta; XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; XX importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa, na forma da legislação específica; XXI importada e que for considerada abandonada pelo decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado, nas hipóteses referidas no art. 642; e (grifos meus) (...) E não me parece que haja motivos para surpreenderse em razão da existência de presunções legais dessa natureza. Segundo entendo, não se tratam de disposições normativas somente aceitáveis, mas indispensáveis à obtenção dos resultados visados pela sociedade quando o assunto diz respeito à fiscalização tributária e aduaneira e perfeitamente inseridas no modelo definido na legislação tributária para o funcionamento desse Sistema. É o que se depreende do exame de inúmeros dispositivos presentes no Código Tributário Nacional, onde estão contidas as regras essenciais à formação do Sistema Tributário Nacional, regulador das relações entre Estado e particulares em matéria tributária. Proposto a garantir o melhor desempenho da máquina estatal com o menor custo social, tanto no que tange à imposição de tributos, quanto à manutenção do aparato estatal necessário à efetivação da receita, o Sistema define mecanismos de fiscalização e arrecadação de tributos baseado na obrigação do sujeito passivo de prestar à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato indispensáveis à efetivação do lançamento, na antecipação do pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, assim como de na obrigação de manter em boa ordem e apresentar à fiscalização os documentos exigidos por Lei. Todo o arcabouço lógico desse modelo se orienta nesse mesmo sentido. E a legislação não atribui ao cidadão somente o dever de agir, mas também de não agir, restando a ação em afronta às disposições da legislação tributária convertida em presunção de ocorrência da infração definida em lei. A decorrência disso é de que o administrado se vê (i) obrigado a produzir ele próprio e manter sob sua guarda as provas das quais a administração lançará mão no processo de exigência dos tributos não recolhidos; (ii) a declarar regularmente o valor dos impostos e contribuições devidos; (iii) a efetuar o auto lançamento de tributos e, também, (iv) a evitar determinada conduta. Tudo faz parte de um mesmo Sistema, cuja mecânica de funcionamento não prescinde desses dispositivos. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 13 23 Tão pouco o Código Tributário Nacional se distancia desses pressupostos ao tratar da responsabilidade por infrações, alheandoa dos efeitos do ato. Responsabilidade por Infrações Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifei) Esclarecido isso, é preciso que se faça a devida ressalva em relação à possibilidade de que o contribuinte desconstitua a presunção legal de ocorrência da infração por meio da comprovação de que as conclusões presumidas para aquelas circunstâncias não se aplicam ao caso concreto, o que será possível segundo as peculiaridades próprias de cada caso e mediante elementos de prova igualmente particulares. Desta forma vêse também preservada a busca da verdade material, outro dos pilares que sustentam as relações do particular com o Estado quando o assunto gira em torno da imposição tributária e do contencioso dela decorrente. Esclarecidas as premissas que devem ser consideradas na formação de juízo a respeito do assunto, necessário que se examinem o caso concreto e se conclua pela efetiva ocorrência da infração apurada pela Fiscalização ou por erro formal escusável. O primeiro argumento trazido aos autos diz respeito à própria caracterização das operações identificadas como tendo sido por conta e ordem de terceiros. A defesa alega que não trataramse de operações deste tipo, mas de operações de importação direta. Rememorando, sustentase que “quando o importador faz vir mercadorias do exterior, para seu próprio uso, ou para revenda a terceiros, visando lucro, sem que esses terceiros mantenham relação com o exportador, realizando os pedidos de compra no exterior, negociando preços, realizando o fechamento de câmbio, mantendo qualquer tipo de contrato prévio de importação para revenda, tratase da operação de importação direta”. Conceitualmente não há do que discordar. Perfeitamente admissível a hipótese na qual um importador traga mercadorias por conta própria para revenda a terceiros, contudo certas incongruências não foram enfrentadas. Conforme relata a fiscalização, constatouse falta de capacidade operacional da empresa Alfa para consecução de suas atividades. Cabe mais uma vez reproduzir excerto da descrição encontrada no relatório da Fiscalização. • a empresa Alfa funciona no mesmo local da empresa Transaex Assessoria Ltda. – CNPJ: 68.506.765/000131, estando a sala tida como de uso da Alfa identificada como Transaex,...”´ “(...) • o sócio Luiz Fernando Pinto, sócio administrador da Alfa, é também administrador da Transaex, cujo objeto social é, sinteticamente, a prestação de serviços aduaneiros, realizando todo trabalho relativo aos despachos aduaneiros da empresa Alfa, através da Transaex; • a empresa Alfa possuía, no início da fiscalização, uma única empregada que foi contratada em 12/07/2006. Durante o procedimento de fiscalização foi solicitada Fl. 678DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 24 a devolução da ficha funcional desta funcionária (fl. 138), para que fosse rescindido o seu contrato de trabalho. Na oportunidade foi informado a esta fiscalização que novo funcionário seria contratado, o que aparentemente não ocorreu até a presente data. Podese concluir que todos os trabalhos da Alfa, quando não realizados por funcionário próprio, são realizados pela Transaex. Assim, verificouse que empresa Alfa utilizase dos mesmos recursos materiais, logísticos e de pessoal da empresa Transaex. Verificouse também que mesmo tendo apresentado uma significativa movimentação aduaneira nos anos de 2004 e 2005; com importações superiores a US$ 70.000,00 (setenta mil dólares) em 2004 e de aproximadamente US$ 870.000,00 (oitocentos mil dólares) em 2005, a fiscalizada apresentou Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para estes exercícios, sem nenhuma movimentação”. Depois, prossegue a Delegacia da Receita Federal de Julgamento na análise das informações presentes nos autos. As primeiras operações da ALFA COMERCIAL iniciaramse em 25/05/2004, quando do fechamento de um contrato de câmbio de R$ 60.131,00, lembrando a fiscalização que, conforme informação da própria empresa, a única integralização do capital social da empresa ALFA COMERCIAL somente ocorrera em 29/10/2004; e, na verdade, a abertura de sua conta corrente bancária já tinha acontecido em 25/05/2004, com um depósito de R$ 61.000,00, proveniente da empresa FLASAN, conforme consta no livro Diário de 2004 da empresa ALFA. Esse depósito de R$ 61.000,00 efetuado pela FLASAN, depósito este que abre a conta bancária da ALFA de nº 18.5515, foi utilizado para o fechamento de um contrato de câmbio, com pagamento antecipado, no valor de R$ 60.131,00, na mesma data, relativo à DI 04/06467743, registrada em 05/07/2004, pela empresa ALFA. Também não foi encontrada a documentação comercial que testemunhasse os contatos realizados com as empresas exportadoras no exterior, tampouco foi enfrentada a informação consignada nos autos pela Fiscalização Federal com o seguinte teor. “Relevante destacar que não é a Alfa a responsável pelas transações internacionais, haja vista não terem sido apresentadas correspondências entre ela e seus supostos fornecedores, partindo daí a suspeita de serem outras empresas os reais adquirentes e quem, de fato, atuam nas operações supostamente realizadas pela Alfa. Sendo a mesma utilizada apenas como instrumentos para operacionalizar tais operações”. As recorrentes também afirmam que “o simples fato de ter havido adiantamentos por parte dos clientes da Alfa, não tem o condão, por si só, rogata maxima venia, de se descaracterizar a importação própria” e, por outro lado, que não houve dano ao Erário, pois foi comprovada a origem dos recursos por extratos bancários que identificam os depositantes e os valores depositados. Ainda mais, que, no processo de habilitação no Siscomex, foi apresentado o Contrato de Prestação de Serviços firmados com a empresa TRANSAEX ASSESSORIA LTDA”. Quanto a isso, importante destacar, em primeiro lugar, que não referimonos a um fato isolado frente a operações regularmente processadas por um importador estabelecido. Há um quadro de elementos indiciários demonstrando que a empresa ALFA apenas constou nas Declarações de Importação como sendo o importador das mercadorias. Inobstante, relevante mencionar que a legislação é taxativa na eleição do cedente dos recursos financeiros Fl. 679DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 14 25 como responsável solidário pela operação, assim como em relação à inobservância da regras fixadas pela legislação federal para este tipo de operação, se não vejamos – Regulamento Aduaneiro – Decreto 6.759/09. Art. 106. É responsável solidário: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; IV o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora; (...) § 1o A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora: a) por conta e ordem de terceiro; ou b) que adquira mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado; e § 2o A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto no inciso III do caput e no § 1º (Lei no 10.637, de 2002, art. 27). § 5o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma da alínea “b” do inciso I do § 1o presumese por conta e ordem de terceiros (Lei no 11.281, de 2006, art. 11, § 2o). § 6o A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará a aplicação dos regimes aduaneiros suspensivos de que trata o inciso VI do caput e estabelecerá os requisitos, as condições e a forma de admissão das mercadorias, nacionais ou importadas, no regime (Lei no 10.833, de 2003, art. 59, § 2o). Esses esclarecimentos respondem também à afirmação de que “sob o prisma da Instrução Normativa 650/2006, a Recorrente operou suas importações por conta e ordem, não havendo qualquer ocultação de real importador”, o que, digase, já foi enfrentado na decisão de piso que a seguir transcrevo. A empresa TBI, que somente obteve habilitação no Siscomex em 27/10/2005, conforme fl. 12 do processo (após as operações referentes ao lançamento), em sua impugnação, à fl. 455, transcreve o artigo 26 da IN SRF 650/2006, o qual exige a prévia habilitação do responsável pela empresa adquirente para a realização de importação por conta e ordem de que trata a IN SRF 225/2002, afirmando que atuou de acordo com a legislação vigente à época dos fatos. Isso não procede porque a citada IN SRF 650/2006 revogou a IN SRF 455/2004, que regulava a habilitação no Siscomex na época dos fatos, e que dispunha de forma idêntica em seu artigo 36: “Art. 36. A habilitação de pessoa jurídica importadora para operação por conta e ordem de terceiros, de que trata a Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002, está condicionada à prévia habilitação da pessoa física responsável Fl. 680DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 26 pela pessoa jurídica adquirente das mercadorias, nos termos desta Instrução Normativa”. Desse modo, constatandose que as operações a que se refere o presente lançamento eram efetivamente operações por conta e ordem de terceiro, efetuadas pela ALFA COMERCIAL, em benefício da real adquirente TBI DO BRASIL, esta empresa, para ter atuado conforme a legislação vigente na época dos fatos, teria que ter seguido os procedimentos previstos na IN SRF 225/2002, e deveria, ainda, para poder realizar as operações, estar devidamente habilitada perante o Siscomex. Alegase, também, que “os pagamentos e adiantamentos feitos pela Recorrente à empresa Alfa Comercial (...) na verdade configurase uma obrigação de pagar. Se houve a negociação comercial e a importação por óbvio que a adquirente tem que pagar pela aquisição não havendo fraude alguma no pagamento”. Não há razões para supor que a Fiscalização esteja colocando em dúvida se um adquirente tem ou não que pagar pela aquisição. O que está em discussão é porque a montagem do fluxo de caixa com as transferências da empresa TBI do Brasil à empresa ALFA revela coincidência tal de datas e valores que remete à inevitável constatação de que as importações da ALFA foram feitas com recursos da TBI Brasil. Na mesma linha a alegação de que uma empresa pode “fazer operações maiores que seu capital social, considerando a aquisição de empréstimos, adiantamentos e pagamentos antecipados de seus clientes”. O que não se admite em Lei é que uma empresa desprovida de condições patrimoniais, administrativas e estruturais suficientes para a execução de suas atividades utilize recursos de terceiros sem declarar esse tipo de operação ao Fisco, e, além do mais, demonstre não ter praticado qualquer ato comercial próprio. Outrossim, não há como reconhecer qualquer deficiência do procedimento levado a efeito pela Fiscalização Federal pelo fato de “ao declarar que houve ganho econômico da Recorrente na importação feita em prejuízo ao Erário, ao considerar que a mesma deixou de ser equiparada a contribuinte do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, nos termos do inciso I do art. 90 do Decreto 4.544 de 2002, o Fisco teve todos os instrumentos a quantificar o prejuízo e não o fez. Não o fez porque não houve nem vantagem nem prejuízo ao Erário”. A demonstração de que as empresas autuadas não cometeram as infrações decorrentes da presunção legal deve ser feita pela indicação de elementos capazes de desconstituila. Não tem qualquer efeito a tentativa de apontar falhas no trabalho da fiscalização, quando essas falhas não colocam em dúvida a efetiva ocorrência dos fatos acusados nem fragilizam o quadro indiciário apresentado. Como se disse antes, não é necessário que a fiscalização quantifique o dano ao Erário e nem mesmo que demonstre de forma inequívoca que ele ocorreu, pois a legislação apena a própria conduta. De tudo isso, forçoso reconhecer que todo esforço tendente à descaracterização da ocorrência presumida pela norma jurídica limitouse à indicação de fatos que em nada modificam o cenário encontrado pela fiscalização, prevalecendo, do ponto de vista factual, o entendimento proposto no auto de infração e corroborado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Examinados os aspectos fáticos, passase ao exame das demais questões arguidas. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 15 27 Quanto à existência de “norma especifica de punição, para aquele que cede o seu nome para uma operação de terceiros. É testemunha disso, o conteúdo do artigo 33, da Lei n° 11.488/2007”. Entendo que a multa de dez por cento do valor da operação aplicável à pessoa jurídica que ceder o nome não revogou a multa no valor aduaneiro das mercadorias por interposição fraudulenta. A Orientação Coana/Cofia/Difia sem número, datada de 11 de julho de 2007, que trata da aplicação de multa na cessão de nome a terceiro, em operações de comércio exterior, chega à seguinte conclusão. Em resumo, concluise que se aplicam as seguintes disposições legais, às hipóteses abaixo enumeradas: Interposição fraudulenta presumida pela não comprovação da origem dos recursos: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decreto lei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Proposição de inaptidão da inscrição do CNPJ da pessoa jurídica (art. 81, § 1º, da Lei nº 9.430/96, e art. 41, caput e parágrafo único, da IN RFB nº 748/2007); Interposição fraudulenta comprovada, seja pela identificação da origem do recurso de terceiro, seja pela constatação da ocultação por outros meios de prova: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decreto lei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Multa de 10% do valor da operação acobertada, aplicada sobre o importador, conforme dispõe o art. 33 da Lei nº 11.488/2007. De fato, não tenho qualquer dúvida de que jamais a intenção do legislador foi no sentido cominar penalidade mais branda nos casos de interposição fraudulenta de pessoas. Basta observar que em nenhum momento se disse que a multa decorrente da conversão da pena de perdimento, especificamente nos casos em que o dano ao Erário esteja enquadrado na hipótese de interposição fraudulenta, deixaria de ser equivalente ao valor aduaneiro e passaria a ser de dez por cento do valor da operação. Seria de se perguntar por que razão o legislador teria destacado uma das ocorrências tipificadas como dano ao Erário, que sujeitam a mercadoria à pena de perdimento, para, em circunstâncias nas quais a mercadoria não pudesse ser apreendida, converter o perdimento não em valor compensatório, mas em inexpressivos dez por cento deste. Creio que, se assim fosse, a primeira medida deveria ter sido no sentido de determinar a exclusão da infração do rol de situações compreendidas no conceito de dano ao Erário, já que a este deve ser necessariamente associado penalidade gravíssima de perdimento das mercadorias, ou, alternativamente, de multa no valor desta. Além do mais, as disposições legais a respeito são claras ao indicar, como consequência da aplicação da multa de dez por cento, a exclusão da hipótese de declaração de Fl. 682DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 28 inaptidão, a teor do parágrafo único do artigo 33 da Lei nº 11.488/07. Dito dispositivo esclarece que, à hipótese prevista no caput (aplicação da multa de dez por cento pela cessão do nome) não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (declaração de inaptidão). Também não creio que, ao assim entender, estejamos negligenciando o princípio que protege o apenado da aplicação de mais de uma penalidade à mesma conduta. Primeiro, devemos lembrar que é grande a quantidade de situações para as quais há previsão legal de aplicação de mais do que uma penalidade em vista de uma mesma ocorrência, bastando que as infrações decorrentes sejam de natureza distinta. Vejase o caso do erro de classificação. Ele sujeita o infrator à multa de um por cento do valor da operação, multa de setenta e cinco por cento da diferença de tributos e, muitas vezes, multa de trinta por cento do valor das mercadorias. E nem se fale dos casos de subfaturamento na importação. Segundo, é preciso compreender que, desde o começo, todas as disposições legais foram sendo concebidas à luz da interpretação jurídica dada às ocorrências identificadas no mundo real, a partir do que forjaramse instrumentos capazes de alcançar todas as pessoas envolvidas. Um dos pontos de partida deste empreendimento foi a interpretação de lavra da Procuradoria da Fazenda Nacional – Parecer PGFN CAT 1.316/01, por meio da qual ficou assentado que o contribuinte do imposto é sempre a pessoa cujo nome consta no conhecimento de carga, independentemente de quem estiver efetivamente interessado na aquisição das mercadorias ou fizer as negociações prévias. Como consequência, as autuações obrigatoriamente passaram a indicar como contribuinte do Imposto a pessoa informada nas declarações de importação como sendo o importador das mercadorias, restando incluir o adquirente no mercado interno como solidário na operação. Por conta disso, ao aplicar a multa compensatória nos casos de mercadorias sujeitas à pena de perdimento, forçosamente identificase como contribuinte a pessoa que registrou a declaração de importação, embora pretendase apenar o verdadeiro proprietário destas mercadorias, que figura como responsável solidário. São deformações decorrentes das manobras engendradas pelos infratores, que encontram resposta lenta e menos versátil na burocracia estatal. Operações simuladas sempre envolvem uma manifestação, declaração ou ação enganosa de vontade, com o fito de produzir efeito ou interpretação dos fatos diferente daquela que a verdade dissimulada indicaria, fosse ela conhecida. O infrator intenta situarse em posição extremamente vantajosa, pois se lhe acusam de ser o simulacro, defendese alegando ser o verdadeiro agente. Se, ao contrário, é considerado aquele que de fato empreendeu a ação, advoga ilegal a desconstituição da personalidade jurídica daquele que figura formalmente no polo passivo da relação tributária. Situações desta natureza precisam ser cautelosamente pensadas. A interpretação dos fatos e a aplicação do direito não podem admitir que o infrator se locuplete da simulação por ele próprio orquestrada, inquinando a própria jurisprudência da mácula de prestarse à função de acobertar fraudes, que assim permanecessem alheias aos incontáveis dispositivos legais inseridos na legislação no intento de coibir tais práticas. É neste contexto que as disposições legais devam ser consideradas e interpretadas. Nunca intentouse apenar duas vezes o mesmo infrator, tampouco reduzir a pena Fl. 683DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 16 29 de perdimento para dez por cento do valor das mercadorias. Tratamse somente de mecanismos criados para coibir práticas ilícitas que vinham escapando ao controle estatal, incapaz de responder com a habilidade e rapidez necessárias. Sem que se leve em consideração todos esses fatores presentes no processo de formação das regras positivadas na legislação de regência, todo o arcabouço jurídico trabalhosamente construído corre o risco de ser desarticulado por uma visão sofismada das ações legislativas levadas a efeito. Finalmente, cumpre destacar que o assunto está hoje claramente regulamentado no Regulamento Aduaneiro em vigor – Decreto 6.759/09. Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Noutro giro, no que concerne à afirmação de que a “TRANSAEX é uma empresa comissária de despacho”, enquanto que a vedação prevista no artigo 10 do Decreto 646/92 “referese ao "despachante aduaneiro", ou seja, à pessoa física que exerce tal atividade”. Acolho integralmente o teor da decisão recorrida, que passo a transcrever. Quanto à TRANSAEX e o seu sócio administrador, cabe lembrar que os autuantes não os consideraram responsáveis solidários apenas porque essa empresa valeuse da ALFA COMERCIAL para burlar a proibição prevista no artigo 10, inciso I do Decreto nº 646/1992, mas porque, conforme artigo 95, inciso I, do Decretolei n° 37/1966, acima transcrito, na área do comércio exterior, a responsabilidade pela infração deve ser estendida a toda e qualquer pessoa que participe, pratique ou se beneficie dela. No que diz respeito ao aspecto fático, a impossibilidade legal de a empresa TRANSAEX realizar operações de comércio exterior, que, ao contrário do que alegado, realmente ocorre, já que esta empresa é equiparada a despachante aduaneiro, é apenas mais um dos indícios que apontam na direção do interesse comum da TRANSAEX, e de seu sócio administrador, na situação que resultou na infração, demonstrando que concorreram para sua prática e dela se beneficiaram. A empresa que atua como comissária de despachos se confunde com a pessoa do despachante e seu ajudante, pois somente essas pessoas possuem a devida autorização, perante a SRF, para procederem atos relativos às operações de despacho de importação/exportação. Assim, a proibição posta no art. 10 do Decreto no 646 de 09/09/1992 DOU de 10/09/1992 se refere tanto aos despachantes e ajudantes pessoas físicas quanto às pessoas jurídicas que procedam às atividades de despachos aduaneiros. O fato de o sócio administrador da TRANSAEX, Paulo Eduardo Pinto, antigo sócio administrador da ALFA COMERCIAL, ter participado como despachante nas DI’s 05/06278144, 05/07160759, 05/08491155, ou seja, em todas as incluídas na autuação (fls. 91, 152 e 187), corrobora as conclusões da fiscalização. Aliás, este entendimento já foi adotado pelo Terceiro Conselho de Contribuintes em caso análogo, conforme teor do seguinte excerto da ementa do acórdão abaixo reproduzido: Fl. 684DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 30 RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS: DESPACHANTE ORDENADOR DAS IMPORTAÇÕES e COMPRADOR DA MERCADORIA QUE NEGOCIOU COM O EXPORTADOR E FECHOU CONTRATO DE CÂMBIO O despachante aduaneiro e seu ajudante estão proibidos de efetuar, em nome próprio ou no de terceiro, importação de quaisquer produtos, ou exercer comércio interno de mercadorias estrangeiras (art. 10 do Decreto nº 646/1992). A Comissária de Despachos equiparase ao Despachante Aduaneiro, pois somente essas pessoas possuem a devida autorização, perante a Secretaria da Receita Federal, para procederem a atos relativos às operações de despacho de importação/exportação. Se, tanto como pessoas físicas, quanto como pessoas jurídicas, demonstrarem interesse comum no fato gerador do Imposto de Importação e violarem essa proibição, respondem como responsáveis solidários, cabendo a exigência contra eles dos tributos e multas das operações de importação, concomitantemente com as penalidades pertinentes. O comprador que consta como cliente nas faturas próforma e fecha os contratos de câmbio também responde solidariamente com o importador e o ordenador, quanto ao crédito tributário exigido. (Terceiro Conselho de Contribuintes. Segunda Câmara. Recurso nº 132984. Acórdão nº 30238169. Processo nº 12466.002116/200265. Data da Sessão: 08/11/2006. Relatora: Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto. Resultado: Negado provimento ao recurso voluntário por unanimidade) Finalmente, no que tange ao desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, cumpre apenas lembrar uma vez mais que falece competência a este tribunal administrativo para deixar de aplicar uma lei por alegação de inconstitucionalidade, conforme art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 62 supracitado, deixar de aplicar dispositivo legal formalmente válido sob pretexto de suposta violação constitucional ou princípios nela resguardados. Por todas razões até aqui expostos, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários apresentados pelas recorrentes, nos termos deste voto. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.002824/200845 Acórdão n.º 310201.414 S3C1T2 Fl. 17 31 Sala de Sessões, 21 de março de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13963.001001/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL GFIP
TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE NÃO CONHECIMENTO DAS QUESTÕES TRAZIDAS NA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DA DECISÃO DE 1 INSTÂNCIA.
A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a questões de direito relacionadas ao procedimento fiscal realizado, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância.
Ao deixar de apreciar o cerne do recurso apresentado, qual seja a
identificação do sujeito passivo e dos argumentos de recolhimentos da parcela dos segurados pelas empresas interpostas a autoridade julgadora ensejou nulidade da decisão.
Decisão de 1ª instância Anulada
Numero da decisão: 2401-002.224
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a
Decisão de Primeira Instância.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1935; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2.522 1 2.521 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13963.001001/200981 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.224 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO SEGURADOS Recorrente IRMÃOS DA ROLT TRANSPORTES IMP E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE NÃO CONHECIMENTO DAS QUESTÕES TRAZIDAS NA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DA DECISÃO DE 1 INSTÂNCIA. A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a questões de direito relacionadas ao procedimento fiscal realizado, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância. Ao deixar de apreciar o cerne do recurso apresentado, qual seja a identificação do sujeito passivo e dos argumentos de recolhimentos da parcela dos segurados pelas empresas interpostas a autoridade julgadora ensejou nulidade da decisão. Decisão de 1ª instância Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a Decisão de Primeira Instância. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 240102.224 S2C4T1 Fl. 2.523 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n.37.237.5952, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais não retida pela empresa. Destacase que conforme descrito no relatório fiscal, o procedimento de auditoria em questão baseou no artigo 149 do CTN, isto 6, na existência de simulação. Como resultado da análise documental e dos procedimentos de auditoria fiscal da Receita Federal do Brasil, ficou configurado os seguintes pontos: 1. A despeito da aparente distinção formal entre o sujeito passivo e as sete pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, todas constituem única empresa, posto que exploram a mesma atividade econômica (transporte rodoviário de carga) com suas sedes sociais no mesmo imóvel, utilizandose indistintamente da mesma frota de veículos e quadro de funcionários, sob gestão centralizada do verdadeiro empregador — Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, empresa administrada pelo Sr. Valdemiro Da Rolt.. 2. Tratase de fatos que configuram simulação de negócios, mediante a utilização de empresas interpostas, para usufruir indevidamente dos benefícios estabelecidos no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, instituído pela Lei n°9.317, de 05 de dezembro de 1996 e do Simples Nacional instituído através da LC123/2006 com vigência a partir de 07/2007. 3. O emprego de simulação com evidente objetivo de elidir a contribuição previdenciária patronal retira a validade do ato formal, devendo prevalecer a real situação fática, com base no principio da verdade material. 4. É inconcebível que o sujeito passivo, que congrega tal quantidade de trabalhadores, com faturamento acima dos parâmetros legais, tenha usufruído indevidamente dos benefícios instituídos pelo sistema simplificado. 0 tratamento tributário instituído pela lei 9.317/96, não é dirigido a empreendimento deste porte. 5. Finalmente, será encaminhada representação fiscal para fins penais ao Ministério Público Federal pela ocorrência, em tese, do crime de sonegação de contribuição previdenciária. Além do sujeito passivo acima identificado foram também abrangidas pela auditoria fiscal as seguintes pessoas jurídicas: • RMG Transportes Ltda ME • RA Transportes Ltda ME • Transportes e Reforma de Carretas Da Rolt Ltda ME Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 • ULIS Transportes Ltda ME • FJB Transportes Ltda ME • JCMF Transportes Ltda ME • RPRM Transportes Ltda ME Dando início ao procedimento fiscal o auditor conseguiu contatar a o R. Valdemiro Dal Rolt, administrador da empresa notificada, que disse desconhecer qualquer aspecto relacionado as empresas que prestavam serviços na empresa, responsabilizandose apenas pela empresa notificada. Foi mantido contato com o contador Sr. Pedro Rampinelli, que disse efetuar a contabilidade das empresas, mas recusouse a passar os contatos dos sócios das demais empresas, responsabilizandose por colher a assinatura dos sócios das mesmas, o que o fez em data posterior. Notese que para a empresa RMG a assinatura foi realizada por pessoa não mais integrante da sociedade. No relatório fiscal enfatiza a autoridade por meio de ampla e detalhada pesquisa, que os ditos sócios da empresas, constam apenas formalmente de suas constituições, sem contudo, ter qualquer participação efetiva, desconhecendo aspectos relacionados as mesmas. Vejamos alguns trechos do relato do auditor: A Sra. Matilde confirma que realmente a sua sobrinha Denise da Silva Gomes com sua mãe Maria da Silva Gomes estão radicados nos EUA a mais de sete anos e que Denise até já casou por !A. Assegurou que a sobrinha Denise nunca foi empregada da Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda e muito menos ter participado, de fato, na condição de empresaria ou sócia de qualquer empresa no segmento de transportes de cargas. Casualmente, no momento, passa defronte à loja o Sr. Pedro Oclides Gomes, pai de Denise, que ainda permanece na cidade de Sombrio trabalhando em escritório de despachante — Despachante Gomes. 0 Sr. Pedro ratificou as informações já transmitidas pela Sr. Matilde e destacou que esta situação, ou seja, a sua filha constar como dona de empresa, deve ter sido manobra praticada pela transportadora dos Irmãos Da Rolt. Marieta Borges de Barcelos e Fabio Juner Borges Barcelos são irndos. Ocupam formalmente as funções de administradores. Este, desde 03/2001, junto à pessoa jurídica FJB Transportes Ltda ME com 50% do capital e aquela na RMG Transportes Ltda ME, desde 04/1997, com participação de 1% do capital. Consta ainda o registro de Fábio na condição de empregado da RMG Transportes Ltda ME, no período de 12/2000 a 02/2001 na função de auxiliar de escritório. Rosanaela Vieira, companheira de Fábio Juner Borges Barcelos, era menor e foi assistida por sua mãe Maria de Lourdes Carvalho Vieira quando da constituição da pessoa jurídica FJBTransportes Ltda ME, onde assume formalmente a condição de sócia cotista, com 50% na participação societária a partir de 03/2001. Em contato mantido em 24/08/2009 na sua própria Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 240102.224 S2C4T1 Fl. 2.524 5 residência no bairro Retiro da Unido na cidade de Sombrio, Rosangêla Vieira declarou que desconhece qualquer aspecto relacionado com a empresa FJB Transportes Ltda ME, pois sempre se dedicou aos afazeres domésticos no seu lar e na criação dos seus filhos. Lembra que somente assinou os papéis de constituição da empresa, assistida por sua mãe. Por último destaca que o seu companheiro Fábio não divide com ela assuntos relativos a sua atuação junto aos Irmãos Da Rolt. André de Souza Gonçalves protagoniza atuação polivalente. Figura na qualidade de sócio administrador das pessoas jurídicas RA Transportes Ltda ME com 99% do capital desde 04/2004 e na ULIS Transportes Ltda ME com 1% desde 02/2004. André assumiu a titulação da pessoa jurídica RA Transportes Ltda ME, no lugar do seu colega Rogério Alexandre Anastácio, que inicialmente lhe propôs o negócio. As condições e a maneira de gerir a empresa foram definidas por Valdemiro Da Rolt, conforme declaração feita pelo próprio André em depoimento prestado em 25/08/2009 Auditoria Fiscal, na Agência da Receita Federal do Brasil em Araranguá. Venicio Almeida da Silva, morador da rua do Mercado Araras, s/n, no bairro Mato Alto em Sombrio, embora tenha feito parte do quadro social da pessoa jurídica Transportes e Reforma de Carretas Da Rolt Ltda, lapso de 03/1999 a 08/2000, na condição de cotista com 1% do capital, está registrado formalmente como empregado na função de mecânico, desde 01/09/1999 conforme anotação à fls. 47 (cópia anexa) do livro de registro de empregados n° 1. Ulisses Marcon figura como administrador (99%) da pessoa jurídica Ulis Transportes Ltda ME no período de 09/1999 a 02/2004 e possui registro de vinculo empregaticio com o sujeito passivo a partir de 02/2005 na função de mecânico, conforme Cadastro Nacional de Informações Social — CNIS. • João Manoel Fagundes com residência à rodovia BR101, KM 423, estrada geral, Lagoa do Caverá, bairro Sanga da Toca 1, em Ararangud, consta como sócio administrador (50%) da pessoa jurídica JCMF Transportes Ltda ME, juntamente com o Sr. Bento Costa Joaquim na função de sócio cotista, desde 12/2005. Está registrado como empregado da Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda, no período de 08/2004 a 01/2006 na função de lavador de caminhão, conforme anotado fls. 35 (cópia anexa) do livro de registro de empregados n° 1 apresentado à auditoria fiscal. Em 24/08/2009 foi realizada nova tentativa de contato com o Sr. João Manoel Fagundes, desta feita, na sede do sujeito passivo onde, conforme informações obtidas, continuava a trabalhar. Nesta oportunidade foram protagonizadas novas demonstrações a fim de obstaculizar o procedimento fiscal. 0 Sr. João Manoel Fagundes chegou a ser abordado no seu posto de trabalho (rampa — lavação e lubrificação de caminhões), sem que os auditores soubessem de quem se tratava. Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Posteriormente, por suas características (pessoa na faixa dos 40 anos, baixa estatura e peculiar marca próxima ao supercilio, entre outras), ficou claramente definida a sua identidade. Joao Manoel Fagundes, esquivandose de contato, encaminha a auditoria para o Sr. Angelo Da Rolt, um dos irmãos de Valdemiro Da Rolt. 0 Sr. Angelo, fingindo indiferença, sugere que os auditores fiscais busquem informação junto ao setor administrativo da empresa. (...)Declaração categórica da moradora Mazilda Pereira Serafim4, vizinha defronte A residência, restaura a verdade dos fatos. Assegurou aos auditores que se tratava realmente da residência da família do Sr. Joao Manoel Fagundes. Alinhou as características físicas e afiançou que ele trabalha na Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. Destacou a moradora que o Sr. João Manoel Fagundes é um trabalhador incansável no sustento de sua família e que carrega na sua roupa, suja de graxa, a marca do seu trabalho. De fato o Sr. João Manoel Fagundes trabalha na chamada rampa, nos serviços de lavagdo/lubrificação dos veículos da transportadora Da Rolt. A filha da vizinha Mazilda busca complementar as informações da mãe e esclarece que naquele dia, momento antes de ali chegarmos, o Sr. João Manoel Fagundes estava conversando com alguém numa caminhonete preta. Joaquim seria outro sócio (cotista), com 50% do capital, da pessoa jurídica JCMF Transportes Ltda ME com atuação desde 12/2005. A despeito da impossibilidade/dificuldade alegada pelo contador do sujeito passivo, Sr. Pedro Rampinelli, conseguimos manter contato com o Sr. Bento. A entrevista ocorreu defronte a sua residência, no mesmo enderego5 da sede contratual da pessoa jurídica JCMF Transportes Ltda, conforme já ilustrado na foto constante em item próprio. Tratase de pessoa modesta que, secundado por sua esposa, declarou categoricamente à auditoria fiscal que: Nunca foi dono ou fez parte de fato de qualquer empresa; Tinha conhecimento que a empresa constava em seu nome, porém nunca se considerou sócio de nada e também não recebeu nada por isto; Simplesmente assinava os papéis que lhe apresentavam; Acreditava que a sua parte na empresa teria sido transferida para o outro sócio, Sr. Joao Manoel Fagundes; Desde uns dois meses atrás está aposentado e que trabalhava para o sujeito passivo na função de borracheiro e que ratificaria suas declarações em qualquer foro ou instância em que fosse chamado. Renan Prudêncio José, 20 anos, e Raquel Pereira Matheus José, ambos residentes estrada geral s/n, bairro Lagoa do Cavera, em Ararangud, representam formalmente a pessoa jurídica RPRM Transportes Ltda ME, com 99% e 1% das cotas do capital social, a partir de 07/2007. Três meses depois, em 10/2007, Raquel Pereira Matheus • José foi registrada como auxiliar de escritório do sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda, conforme fls. 25, cópia anexa, do livro de registro de empregados n°3. No dia 04/08/2007. DOS LAUDOS E AMBIENTE DE TRABALHO Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 240102.224 S2C4T1 Fl. 2.525 7 Os Laudos" Técnicos das Condições Ambientais do Trabalho — LTCAT's de 2009, identifica todo o grupo, ou seja, o sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transporte Importação e Exportação Ltda e demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal que constituem uma só empresa, exatamente no mesmo estabelecimento, situado na cidade de Araranguá. De resto, fica evidente a semelhança na estrutura dos documentos relativos as condições ambientais do trabalho bem como a atividade desenvolvida, endereço e funções envolvidas. Quanto aos livros de registros de empregados, constatouse que até os termos 12 de abertura e encerramento dos livros referentes tanto ao sujeito passivo quanto as pessoa jurídicas RMG Transportes Ltda ME e FJB Transportes Ltda ME foram assinadas pelo próprio administrador da Irmãos Da Rolt, empresário Valdemir Da Rolt, sob designação de "procurador". Ainda que na forma aparentam alguma distinção, a realidade demonstra que os trabalhadores laboravam num mesmo estabelecimento, dedicados a uma mesma atividade econômica, subordinados ao mesmo empregador. Concretamente, em outras palavras temos: a) Idêntica atividade econômica: Tanto o sujeito passivo quanto as pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, dedicamse a mesma atividade econômica, qual seja, o transporte rodoviário de cargas — CNAE 49.302. b) Mesmo endereço: A sede do sujeito passivo e demais pessoas jurídicas, é representada por um só estabelecimento, qual seja, a sede da empresa Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda, situada As margens da rodovia BR101, s/n, altura do KM423, bairro Sanga da Toca, na cidade de Ararangud/SC. c) Uma só empresa ou empregador Todas as provas indicam a existência de um único empregador: Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, sujeito passivo do lançamento. DA DECLARAÇÃO DO CONTADOR DA EMPRESA Embora o contador Pedro Rampinelli possua o escritório de contabilidade no centro de Sombrio, dedica o período matutino aos afazeres contábeis do sujeito passivo e demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, na própria sede da Irmãos Da Rolt Ltda em sala e com equipamentos próprios a este mister. Também da mesma forma, indagado pela auditoria fiscal a respeito da configuração da empresa e o estreito relacionamento com as demais pessoas jurídicas, o contador demonstra visível desconforto. Chegou a ponto de declarar categoricamente que aquelas pessoas jurfdicas 13 não emitem qualquer tipo de documento. Possuem apenas as folhas de pagamentos e não Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 auferem qualquer tipo de receita ou faturamento. Em resumo: Inexistira origem de recursos para suportar as despesas com a folha de pagamento. As pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, que integram visceralmente o empreendimento Dal Rolt, não possuem caminhões próprios, sede social, nem tampouco faturamento pelos serviços prestados. Os conhecimentos de fretes são emitidos pelo sujeito passivo. Demonstração clara que as pessoas jurídicas subsistem apenas no papel e são utilizadas somente para abrigar os registros de vínculos empregaticios do sujeito passivo que, desta forma, vem obtendo indevidamente o tratamento tributário favorecido com a conseqüente sonegação de contribuições previdenciárias. Diante da manifesta ilegalidade da situação, o contabilista Pedro Rampinelli reconheceu sua resignação perante os fatos, justificando que apenas cumpre as determinações do empresário Valdemir Da Rolt. Confidenciou que estava com a saúde abalada a exigir doses diárias de comprimidos. Evidente que não se trata de empresas distintas funcionando de "per si" e desenvolvendo cada qual a sua atividade na sede social respectiva. Estamos diante de um s6 empreendimento econômico a desenvolver a mesma atividade de transporte rodoviário de cargas, utilizandose da mesma frota de caminhões, quadro comum de funcionários, sob a mesma administração de fato, na pessoa do empresário Valdemir Da Rolt. Em resumo, uma só empresa. DAS RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS A pluralidade no pólo passivo das demandas, relatos de unicidade empresarial ou grupo econômico, práticas simulatórias ou abusivas, além de pagamentos extrafolhas de comissões (10%) sobre o valor do frete, são temas recorrentes nas reclamatórias processadas perante a Vara do Trabalho de Ararangué, envolvendo o sujeito passivo e pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. "Na realidade, todas as demandadas atuam no ramo de transporte de cargas e pertencem ao mesmo grupo econômico, ou melhor, aos mesmos sócios. Estas pessoas físicas se acobertam sob uma pessoa jurídica, dificultando a descoberta de quem, na verdade, responde pelas obrigações da sociedade, causando embaraço e confusão. 0 cedo é que durante o contrato mantido pelo de cujus, quem sempre comandou e lhe deu ordens foi à mesma pessoa, Senhor Valdemiro Darolt, proprietário de fato das empresas, embora na CTPS do Reclamante, no período que abaixo reclamará, conste anotações com pessoas jurídicas diferentes". Relatos acerca da unicidade empresarial, relação trabalhista extravagante e pagamento de comissões "por fora" estão presentes na reclamatória n° 186/02 proposta pelo motorista Rodrigo da Costa Matos contra o sujeito passivo — primeira reclamada, pessoa jurídica FJB Transportes Ltda ME — segunda reclamada e os • representantes legais do sujeito passivo, pessoas fisicas21 . Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 240102.224 S2C4T1 Fl. 2.526 9 quatro rés pertencem a mesma família; não se recorda para qual empresa trabalhou, apesar de haver anotação na CTPS; na prática todas as rés constituíam uma única empresa, operando no mesmo local, com a mesma atividade; todas as rés só tem um escritório e eram dirigidas pelos irmãos da família Da Rolt, entre os quais, o Sr. Tola (Valdemiro), Angelo, Nine (Valdemir) e Neca (Valdemar); o acerto com todos os caminhoneiros era feito pelo Sr. Nino, também da família Da Rolt; ( ) na CTPS era anotado salário fixo, mas a remuneração era somente a base de comissão de 10% sobre o valor do frete". A reclamatória trabalhista n° 181/02 proposta pelo motorista Rubens Mello de Oliveira em face de FJB Transportes Ltda ME e Irmãos Da Rolt Transportes, importação e Exportação Ltda, sujeito passivo do lançamento ora relatado, versa igualmente sobre a unicidade da empresa e do indigitado pagamento de comissões "por fora". Na esteira de outras demandas: utilização de empresas interpostas, comissões pagas • "por fora" e a introdução de testas de ferro na administração dos negócios do sujeito passivo, são causas em que se funda a reclamatória trabalhista n° 399/06, proposta pelo motorista Jovelino Gomes da Rosa contra RA Transportes Ltda ME e Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. 0 trabalhador Valcirlei Casagrande, motorista, ingressou em 05/10/2006 com reclamatória trabalhista no 657/06 contra FJB Transportes Ltda ME e Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda trazendo relatos de confusão entre as empresas e prática de pagamentos de comissões de 10% do frete bruto, fora da folha. Constantino da Silva Caetano pleiteia a retificação da sua CTPS para incluir a remuneração de fato recebida, através de reclamatória trabalhista de no 568/08 de 04/08/2008 ajuizada contra FJB Transportes Ltda ME. Informa o reclamante: "( ) foi contratado em 01.09.2004, para exercer a função de motorista, com término do pacto labora! em 18/10/2006, por iniciativa da empresa, sendo que as verbas rescisórias foram calculadas com base no valor anotado na CTPS e não no valor (extrafolha) efetivamente recebido pelo autor, havendo diferenças de valores no pagamento das referidas verbas. (....) A remuneração pactuada era a base de comissões, no importe de 10%, que resultava uma remuneração média mensal de R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais), em toda a contratualidade. No entanto, a CTPS foi anotada com o valor de R$ 658,00 (seiscentos e cinqüenta e oito reais), devendo ser retificada, informando a forma de recebimento de salário.". MANIFESTAÇÃO DE JUIZA DO TRT: Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 "Além disso, as reclamadas possuem o mesmo preposto, o mesmo procurador, ofereceram contestação conjunta e as citações de fls. 24 e 25 foram assinadas pela mesma pessoa que afirmou ser o sócio das demandadas, o que demonstra a relação havida entre elas. Dessarte, devem prevalecer as alegações do reclamante no sentido de que foi admitido em 20022001, ou seja, em data anterior àquela anotada na sua CTPS (1°62001), e que prestou serviço a ambas as demandadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico. Quanto a este último aspecto, como bem elucidado na sentença, o Sr. Valdomiro Da Rolt recebeu as duas citações iniciais de fls. 24/25 se dizendo sócio das empresas. De outro lado, o Sr. Rossi da Silva Gomes, na audiência de fL 26, foi o preposto nomeado pelas empresas para representálas na audiência inicial (cartas de preposição de fls. 29 e 30). Além disso, o procurador das rés é o mesmo, tendo estas contestado a ação em pega Onica". 10.0 SUJEITO PASSIVO NO ÂMBITO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALH0 22 Representação formulada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Vale do Ararangud, que noticia discriminação de trabalhador em virtude de ajuizamento de reclamatória trabalhista, não pagamento de férias e gratificação natalina e ausência do controle da jornada de trabalho, dá causa a instauração do inquérito civil público 39.2009.12.002/0 pela Procuradoria do Trabalho em Criciúma onde figura o sujeito passivo na condição de inquirido. PARTICIPAÇÃO DO SR. VALDEMIRO NA GESTÃO DAS DEMAIS EMPRESAS Valdemiro Da Rolt — Administrador do sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, pratica com freqüência atos de verdadeira comunhão administrativa com as demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, com as quais alega suposta distinção. Quer assinando termos de rescisão de contrato de trabalho, notificando empregados a respeito de férias ou firmando contrato de experiência e declaração de opção do FGTS, dentre outros atos típicos da gestão administrativa. Aliás, não pode prosperar eventual alegação no sentido de que estaria atuando na condição de procurador. De qualquer forma citamos, para ilustrar, a participação de Valdemiro Dal Rot assinando documentos como representante de outras pessoas jurídicas, com as quais alega não possuir qualquer vinculo. (VER TABELA FL. 89). E mais: As informações de remessa 24 da GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social relativas a cada uma das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal estão registradas em nome de um só responsável— Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. 0 nome da pessoa designada para contato é invariavelmente Valdemiro Da Rolt. Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 240102.224 S2C4T1 Fl. 2.527 11 CONTRATAÇÃO DE SEGURO COLETIVO Em 02 de maio de 2007 o sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, através do seu administrador Waldemiro Da Rolt, celebrou com a Bradesco Vida e Previdência S/A contrato25 de seguro coletivo de pessoas com as seguintes coberturas: Morte, morte acidental, auxilio emergencial e inclusão de cônjuge. 0 grupo segurável abrange todos os funcionários, sócios, diretores e gerentes do estipulante — Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda e dos subestipulantes. Inusitadamente o sujeito passivo indicou como subestipulantes as seguintes pessoas jurídicas: Transportes Anva Ltda, Transportes Rodavan Ltda, RA Transportes Ltda ME, Ulis Transportes Ltda ME, RMG Transportes Ltda ME, Reforma de Carreta Da Rolt LtdaME, FJB Transportes Ltda ME e JCMF Transportes Ltda ME. Ou seja, as pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal que integradas de fato ao sujeito passivo, constituem a unicidade empresarial de Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. EXAMES ADMISSIONAIS Os atestados de saúde ocupacional abaixo discriminados, ilustram sobremaneira a unicidade do sujeito passivo. Embora os ASO's, relativos a exames admissionais e • demissionais sejam destinados a Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, referemse a empregados com registros de contratualidade nas diversas pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. Ou seja, o sujeito passivo providencia os exames médicos, adota as providencias administrativas de praxe e distribui os empregados entre as diversas pessoas jurídicas, a fim de fragmentar a folha de pagamento, sonegando contribuições previdenciárias mediante obtenção indevida do tratamento tributário favorecido, instituído pela lei 9.317/96 — Lei do SIMPLES. CANDIDATURA A VÍNCULO DE EMPREGO Derradeiras demonstrações da unicidade empresarial do sujeito passivo podem ser verificadas nas informações prestadas (preenchimento obrigatório) pelos candidatos a emprego junto a empresa Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. MASSA SALARIAL X FATURAMENTO Quando examinada de forma isolada a empresa Irmãos Da Rolt apresenta uma evolução coerente, tanto da massa salarial quanto no número de empregados e respectivo faturamento. No conjunto, ou seja, quando se apresenta a empresa na sua real dimensão, é flagrante o contraste dos valores em comparação com as demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. Notese que, com exceção da pessoa jurídica Transportes e Reforma de Carretas Da Rolt ME, as demais não declaram qualquer faturamento. Com efeito, o próprio contador Pedro Rampinelli afirmou categoricamente que elas não emitem mesmo qualquer documento fiscal. Fato absurdo já que teriam, em tese, Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 que suportar com os encargos trabalhistas dentre os quais destacamse os salários (massa salarial) abaixo discriminados. Como poderiam tais empresas serem responsáveis pelo pagamento de salários e ao mesmo tempo declararem que não auferem qualquer tipo de receita? 0 emprego da simulação e da fraude produz situações inusitadas. Mesmo quanto a pessoa jurídica Transportes e • Reforma de Carretas Da Rolt Ltda ME se observa flagrante contradição na relação entre os valores com encargos da massa trabalhista, que superam os da receita declarada. CONCLUSÃO Repetese a partilha: Empregados e respectivos encargos para as optantes do SIMPLES e faturamento resguardado para o verdadeiro empregador. A constituição e a existência meramente formais das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal se destinam a: Servir de abrigo para registro da mão de obra e conseqüente encargo com a massa salarial, usufruindo indevidamente do tratamento tributário simplificado e favorecido do sistema SIMPLES, e resguardar o faturamento para o verdadeiro empregador — Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. O que fica patente é que toda a movimentação de empregados ocorre dentro de uma • mesma empresa, ou seja, do sujeito passivo. Tratase de um só empreendimento, perseguindo a mesma atividade econômica com a utilização da mão de obra integrada na unicidade da empresa Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. Não pode prosperar eventual alegação no sentido de que as pessoas jurídicas referidas atuam como "empresa terceirizada". A pratica da terceirização é comum no mundo moderno e no Brasil não poderia ser diferente. As empresas buscam através desta técnica administrativa maior produtividade; diminuição de custos; respostas rápidas as mudanças no mercado; foco no seu negócio; descentralização de decisões; entre outras vantagens. Desde que não constatada a fraude, a terceirização é manifestação de moderna técnica competitiva, e para tanto, deve atender aos preceitos legais vigentes em nosso pais. Foi observado anteriormente, no tópico dedicado as procurações, que o empresário Valdemiro Da Rolt estaria atuando em nome de supostas terceirizadas, o que representaria verdadeiro paradoxo, já que a finalidade precipua da terceirização é justamente o foco no seu próprio negócio. Além do mais, todos os requisitos do vinculo empregaticio são identificados na relação entre aqueles trabalhadores formalmente registrados nas pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, que realizam as atividades fins do sujeito passivo, mediante subordinação e de forma permanente. a) Pessoa física os serviços são prestados pelos próprios trabalhadores que foram treinados para as atividades de transporte rodoviário de cargas, que se constituem em atividades típicas do objetivo social do sujeito passivo. Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 240102.224 S2C4T1 Fl. 2.528 13 b) Não eventualidade Os serviços prestados não são de natureza eventual eis que visam atender uma necessidade social permanente do sujeito passivo. c) Subordinação A própria natureza dos serviços e as condições em que são prestados não permitem garantir ao trabalhador a autonomia que afastaria o vinculo de subordinação ao sujeito passivo. Além do mais, a qualidade e o padrão dos trabalhos são definidos pelo sujeito passivo, responsável pelos seus serviços perante sua clientela. A subordinação se define independentemente da afirmação contrária das partes, ela se estabelece em função das próprias condições em que o trabalho é realizado. d) Remuneração — Ocorre com o correspondente pagamento dos salários. A existência meramente formal das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, não tem o condão de garantir a inexistência de vinculo empregaticio com o sujeito passivo. Não é suficiente para descaracterizar a relação de emprego, pois estão presentes os requisitos legais que estabelecem o vinculo. A constatação pela Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil de que determinados trabalhadores são empregados, não constitui invasão da Justiça do Trabalho. Mesmo porque a competência da Justiça do Trabalho consiste no julgamento de controvérsias entre empregados e empregadores decorrentes da relação de emprego, o que não se confunde com ato de fiscalização da Receita Federal do Brasil. É aplicável também o principio da primazia da realidade, que significa que os fatos relativos ao contrato de trabalho devem prevalecer em relação à aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer. É licito à Receita Federal do Brasil pesquisar a relação de trabalho para encontrar, na • sua verdadeira configuração, a relação de emprego e cobrar a contribuição legalmente devida, pois a cogência das normas de ordem pública impede que se adote regime jurídico apenas formalmente, para frustrar os objetivos nelas perseguidos, quando a prática da relação jurídica de direito material indica tratarse de relação de emprego. DAS PROCURAÇÕES Pesquisa realizada junto aos cartórios de Sombrio e Ararangud redundou em várias procurações outorgadas por pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal e por seus representantes contratuais, transferindo poderes ao Sr. Valdemiro Da Rolt, administrador do sujeito passivo. Os mandados versam sobre representações perante estabelecimentos bancários e para a completa gestão das empresas outorgantes. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Os termos dos mandatos conforme amostragem abaixo, revelam a unicidade empresarial, onde o outorgado, representante legal do sujeito passivo, é o verdadeiro empregador.Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 10/09/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 11/09/2009. 14. PAGAMENTO POR FORA DE COMISSÕES SOBRE 0 VALOR DO FRETE Remunerar extrafolha os seus motoristas através de comissão de 10% (dez por cento) sobre o valor dos fretes realizados, é prática antiga do sujeito passivo. 0 fato é sobejamente noticiado nas reclamatórias trabalhistas e ratificado em diversos depoimentos prestados a auditoria fiscal. Tratase, infelizmente, de mecanismo perniciosamente incrustado no segmento de transportes de cargas, reconhecido pelos próprios profissionais que atuam no ramo. E pois, fato público e notório. Desta feita, entretanto, logramos êxito no desafio que imperava até então: A comprovação 410 material. Evidente que matéria relativa a remuneração extrafolha é eminentemente fáticoprobatória, posto que depende da comprovação ou não de pagamentos "por fora". No caso presente, a indigitada praxe fica comprovada a partir, principalmente, dos seguintes documentos abaixo descritos.Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 629 a 703. O recorrente anexou diversos documentos que entende pertinentes a comprovação do alegado, fl. 692 a 4588. a) Acerto de Contas Irmãos Da Rolt: Tratamse de relatórios que identificam os veículos e respectivos motoristas, data de saída e chegada da viagem. Contém ainda a discriminação das despesas (borracharia, agenciamento, outros serviços) e pedágios, valores de fretes e comissões (10% sobre o valor do frete). No final do extrato consta um campo destinado a assinatura do motorista que confirma o recebimento da comissão sobre o valor do frete. Conforme já reiteradamente manifestado ao longo do relatório, as comissões incidentes sobre o valor do frete, na aliquota de 10% (dez por cento) embora seja uma praxe do sujeito passivo já a muito tempo, são pagas em dinheiro e não figuram na folha de pagamento ou na contabilidade apresentadas a auditoria fiscal. Tratase de remuneração praticada por fora ou extrafolha, clássico exemplo de sonegação fiscal. para Controle de Viagens: Tratase de relatório juntado pelo motorista Antonio Claudino, apelido Tonhão, nos autos da reclamatória trabalhista n° 748/06 proposta contra RMG Transportes Ltda ME e Irmãos Da Roit Transportes, Importação e Exportação Ltda. 0 relatório destacase como importante elemento de prova. Intitulado Relatório para controle de Viagens Período de 01/12/2002 a 20/05/2003 — Laerte Da Rolt, foi emitido pelo próprio sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda no dia 19/05/2003 As 18:04 horas, através do Sistema de Controle de Frotas 2003 para o veiculo placa LXV8140, dirigido pelos motoristas Antonio Claudino (autor da demanda) e outro motorista de apelido Pedrão. 0 documento que contém mais de quinze colunas, revela minucioso controle das despesas e lucro incidentes sobre os Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 240102.224 S2C4T1 Fl. 2.529 15 fretes realizados. No caso do relatório sob análise, para o valor total do frete no período — R$ 80.439,90, foi destacada uma comissão no valor total de R$ 7.353,03. Aliás, a prática ilegal de pagamento "por fora" de comissões sobre o valor dos fretes continua, conforme ficou demonstrado no extrato acostado a procedimento perante a Procuradoria do Trabalho em Criciúma, examinado anteriormente. DA BASE DE CÁLCULO DAS COMISSÕES – Diante do exposto, as bases de cálculo foram indiretamente aferidas a partir da receita mensal de prestação de serviços apurada com base nos conhecimentos de transportes (contas contábeis — 1170 a 1175 e 1185 — vendas de serviços de transportes) emitidos pelo sujeito passivo, deduzidas as despesas com selo pedágio (conta contábil 1635 selo pedágio) e fretes realizados por terceiros (conta contábil 1406 fretes e carretos de terceiros). Aos valores resultantes foi aplicada a aliquota de 10% (dez por cento) a titulo de comissão. 15. APURAÇÃO DO CRÉDITO — FATOS GERADORES LEVANTAMENTOS No auto de infração ora relatado, foram utilizados levantamentos, consoante quadro abaixo, tendo por fatos geradores: a) Levantamento SMP: Referente remunerações pagas aos segurados empregados do sujeito passivo, cujos valores foram apurados através das folhas de pagamentos confeccionadas em nome das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, relativas ao período de janeiro/2006 a dezembro/2008, conforme em planilha anexa intitulada Demonstrativo do Salário de Contribuição, cujos valores mensais (totais) encontramse registrados no Discriminativo Analítico de Débito — DAD, que figura como anexo do lançamento. Levantamento COM: Relativo remunerações pagas por fora aos empregados do sujeito passivo, na função de motoristas, a titulo de comissões sobre o valor dos fretes realizados, cujos valores foram apurados através dos conhecimentos de frete, relativos ao período de janeiro/2006 a dezembro/2008, conforme Discriminativo Analítico de Débito — DAD, que figura como anexo do lançamento. 16. DOLO, SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO Já no primeiro contato com o sujeito passivo, na pessoa do sócio administrador Valdemiro Da RoIt, por ocasião da coleta das assinaturas nos Termos de Inicio do Procedimento Fiscal, constatouse o emprego de manobras a fim de encobrir a verdade dos fatos, revelada posteriormente no decorrer da ação fiscal. 0 representante do sujeito passivo em conluio com o contabilista buscou obstaculizar o exercício legal da atividade de fiscalização omitindo informações acerca da real configuração da sua empresa e do estreito relacionamento que mantinha com os sócios contratuais e das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 10/09/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 11/09/2009. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 133 a 168. O recorrente anexou diversos documentos que entende pertinentes a comprovação do alegado, mais especificamente documentos GFIP que demonstram os recolhimento da contribuição de segurados descrita na presente AIOP nas demais pessoas jurídicas objeto da ação fiscal. A Decisão de 1 instância confirmou a procedência total do lançamento, fls. 2461 a 2474. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 2477 a 2517. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 6. Como demonstrado pela autoridade fiscal, fls. 10 a 16, este constituiu de oficio o crédito tributário correspondente ao valor retido da folha de pagamento informada na GFIP pelas empresas optantes do SIMPLES. 7. Ocorre que tais valores já foram objeto de constituição na apresentação da GFIP, pelas empresas do SIMPLES, e os recolhimentos estão • devidamente efetuados na época dos descontos das contribuições, na condição de substituto tributário. 8. Assim, é de ser cancelado o presente crédito tributário por já estar devidamente recolhido e, por via de conseqüência, conforme o art. 156 do Código Tributário Nacional, estar extinto seu crédito tributário pelo recolhimento do tributo. 9. As GF1Ps e as guias de recolhimento estão relacionadas no DOC 02. 10. No Relatório de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização de folhas 50 a 105, especificadamente ao item 14 folhas 97, a autoridade fiscal faz menção somente a presunções, ou seja, utilizouse de prática tida pela autoridade fiscal como pública e notória (fls. 97) no segmento de transporte de cargas presumindo o pagamento de 10% (dez por cento) sobre o valor dos fretes realizados aos empregados. 11. Ocorre que tais fatos não ocorreram nem tão pouco foram comprovados pela autoridade fiscal no decorrer do procedimento fiscalizatório e na apresentação do relatório final de verificação fiscal a fls. 50 a 105, sendo impossível a admissibilidade deste entendimento como pressuposto de ocorrência do fato gerador da obrigação principal, conforme será demonstrado em item a seguir. 12. Contudo, na exposição de motivos do relatório final (fls 50 a 105), podemos constar que não há a identificação precisa do fato gerador da obrigação principal, ou seja, além de utilizarse da presunção simples (para inverter o ônus da prova), a autoridade fiscal tem o dever de identificar o fato • gerador da obrigação tributária e, identificandoa, deve constar no relatório final para que seja dada oportunidade de ampla defesa e contraditório ao contribuinte, sujeito passivo do crédito tributário lançado de oficio. 13. Desta forma, podemos afirmar que no relatório de folhas 50 a 105, não houve por parte do auditor fiscal identificação do fato gerador, apenas aplicou a inversão do ônus da prova, aplicando o percentual de 10% (dez por cento) sobre o faturamento, conforme fls. 86, para fins de arbitrar o referido valor tido como pago aos motoristas. Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 240102.224 S2C4T1 Fl. 2.530 17 14. Destarte, consta a fls 122, o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal — TEPF, o qual demonstra no campo "Informações Complementares" que a autoridade fiscal verificou os livros Diários de n.° 09 a 18 referente aos exercícios de 2006 a 2008, do contribuinte ora impugnante, contudo, em nenhum momento na verificação dos fatos contábeis elencados nos Livros Diários, houve a identificação, por parte da autoridade fiscal, de pagamentos aos empregados e que fosse considerado como fato gerador da obrigação principal que ensejasse na constituição do crédito tributário referente as contribuições sociais. 15. Salientamos que diante do posicionamento da autoridade fiscal que somente efetuou a inversão do ônus da prova sem identificar o fato gerador, cerceia a d• efesa do contribuinte, ora impugnante, pois, a não identificação completa do fato gerador implica numa defesa sem objetivo real, ou seja, implica numa defesa sem impugnar os verdadeiros fatos que estão sendo imputados ao contribuinte. 16. Conforme consta no relatório final de verificação fiscal, as folhas 50 a 105, onde a autoridade fiscal descreve os fatos ocorridos, podemos constatar que houve a utilização de fatos "presumidos" pela autoridade fiscal, especificadamente no item 14 a fls 97. 17. Assim, conforme acima, fica evidenciado que houve a utilização de presunção por parte da autoridade fiscal, que, utilizandose desta presunção fez nascer o fato imponivel levando este a presunção de ocorrência do fato gerador dos tributos. 18. A presunção legal deve ser utilizada quando o contribuinte tenta ludibriar a autoridade fazenddria, e a presunção existe para,no caso do Direito Tributário, para inverter o ônus da prova, contudo não pode existir somente a presunção, esta deve coexistir com a ocorrência do fato gerador, que é o fato imponivel disposto na legislação. Em outras palavras a mera presunção legal em lei não indica ocorrência do fato gerador, apenas a possibilidade do fisco presumir que tal fato ocorrido é fato gerador de tributo. 19. Em nenhum momento a autoridade fiscal identificou na contabilidade da empresa os possíveis depósitos ou pagamentos efetuados aos empregados a titulo de comissões de fretes, pois nem poderia, eis que tais fatos imputados ao contribuinte não ocorreram. 20. A autoridade fiscal apenas logrou presumir que "seja uma. praxe do sujeito passivo já a muito tempo, são pagas em dinheiro e não figuram na folha de pagamento ou na contabilidade apresentadas a auditoria fiscal." 21. (folhas 85) , contudo indícios não são fatos geradores de tributos. 22. Com o condão de afirmar o seu entendimento de necessidade de comprovação fático probatória a autoridade fiscal acosta ao relatório fiscal o que chama de "acerto de contas Irmãos Da Rolt" e "Relatório para Controle de Viagens", contudo, sem identificar a ocorrência do fato gerador. 23. Colaciona decisões do Conselho de Contribuinte, dando provimento ao recurso da recorrente naquele processo, pois, a Autuante (Fisco) não logrou comprovar o efetivo pagamento aos terceiros beneficiários, e, para tanto a contabilidade restou por provar a presunção em contrario levantada pelo Fisco. Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 24. Desta forma, em não sendo a contabilidade desconsiderada a mesma faz prova a favor do contribuinte, ora impugnante. 25. Desta forma resta cristalino que não houve a identificação de ocorrência do fato gerador, pois a própria autoridade afirma que o levantamento foi efetuado com base no faturamento, ou seja, através de arbitramento. 26. Podemos afirmar que "a caracterização de um ilícito pode darse por uma de duas vias: por uma presunção legalmente estabelecida ou, então, pela comprovação material, inequívoca, concludente da infração". 27. A autoridade fiscal relacionou a fls 73 a 86, um gama de informações em processos do âmbito trabalhista, contudo, tais fatos, em quase • sua totalidade, são de processos que tramitaram antes da data de inicio dos procedimentos de fiscalização e, portanto, não podem ser usados como prova fáticoprobatória de ocorrência de fatos geradores. 28. No âmbito do processo trabalhista, é notório que o demandante sempre relaciona fatos que não condizem com a realidade dos fatos, cabendo ao juizo do processo a constatação dos fatos elencados e foram esses fatos que foram destacados pela autoridade fiscal para desconsiderar a necessidade de identificação de pagamento de comissão, ou seja, o fato gerador. 29. A natureza da multa moratória fiscal tem um perfil nitidamente sancionatório, isto 6, visa a punição, e não o ressarcimento como leva a crer o seu rótulo. Assim, por óbvio, a mora do devedor provoca danos ao patrimônio do credor, do Fisco em se tratando de tributos, que devem ser indenizados. 30. A imposição da penalidade de 100% é absolutamente imprópria, pois configura confisco, o que é expressamente refutado pela Constituição Federal de 1988. Assim, a previsão dessa multa em percentual tão elevado configura ato legislativo da mais absoluta inconstitucionalidade, eivandose, por conseguinte, a sua aplicação do mesmo vicio. 31. Resta claro que a taxa SELIC não pode ser exigida na composição dos débitos tributários. 32. Face ao exposto, requer o Contribuinte a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que seja conhecido e provido o presente Recurso, para reformar a decisão proferida pela 5a Turma de Julgamento, para o fim de cancelar os Autos de Infração, face à improcedência dos mesmos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho sem o oferecimento de contrarrazões. É o Relatório. Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 240102.224 S2C4T1 Fl. 2.531 19 Voto PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 2523. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão preliminar relevante a ser apreciada de ofício. Ao analisarmos os termos do recurso apresentado, que no caso em questão, digase reitera todos os argumentos apresentados na peça impugnatória, verificase que a decisão proferida, apesar de guardar consonância com o lançamento realizado, apreciando fatos quanto a simulação, acabou por julgar matéria diversa da contida na defesa, descrevendo em principio, inclusive que não houve por parte do contribuinte a impugnação expressa dos fatos geradores. Ao contrário do posicionamento adotado pela ilustre julgadora, entendo que houve por parte do impugnante o questionamento dos fato geradores lançados por aferição, bem como das contribuições dos segurados inicialmente registrados nas empresas que prestavam serviços na notificada, o que classificou a autoridade fiscal, como simulação. Ou seja, questionou o recorrente que as referida contribuições já haviam sido recolhidas pelas empresas que prestavam serviços a autuada, o que entendo não restou devidamente apreciado pela autoridade julgadora de 1 instância. Notese que o ponto central da referida decisão reportase a configuração da simulação, o que na peça impugnatória desse auto de infração não foi abordada. Na verdade, acredito ter havido uma troca na apreciação da defesa apresentada neste AI com outros lavrados durante o mesmo procedimento, posto os argumentos transcrito no relatório da referida decisão. Senão vejamos trecho: o cerne da autuação fiscal, que tem como resultado a atribuição de responsabilidade i impugnante pelo pagamento das contribuições previdencidrias incidentes sobre as remunerações pagas por terceiras empresas a trabalhadores considerados pela fiscalização como empregados daquela, está adstrito basicamente a uma suposta simulação, que presumidamente teria o intuito de se furtar ao recolhimento das contribuições previdenciárias e sociais; o auto de infração está focado em indícios e presunções improcedentes, posto que não há a identificação precisa do fato Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 gerador da obrigação principal e que a contabilidade demonstra de maneira contraria a presunção fiscal de pagamento a terceiros das "ditas comissões de frete"; no entanto, mesmo que as conclusões sejam verdadeiras, não se caracterizam em prova cabal e irrefutável de que o vinculo empre2aticio, efetiva e concretamente, davase diretamente com a empresa autuada; no processo administrativo de lançamento tributário, o autor é o fisco, e a ele cabe a prova da alegação de ocorrência do fato gerador e da dimensão da base de cálculo, nada impedindo que o contribuinte alegue, na impugnação, que o fisco não comprovou a ocorrência do fato gerador e, com base nisso, requeira o seu cancelamento; é fundamental observar que, enquanto a prova deve ser definitiva, convencendo plenamente o aplicador da lei, a contraprova basta ser suficiente para trazer de volta a dúvida acerca dos fatos alegados; a doutrina e a jurisprudência mais idôneas condenam o uso puro e simples de presunções jurídicas para efeitos de proceder ao lançamento de tributos. Ocorre a presunção quando por meios indiretos de prova, postos a disposição da fiscalização, constatase determinado fato e deduzse através dele a ocorrência de um outro fato que não se possa provar, mas que, ante sua relação direta e particular com o fato constatado, permita estabelecer um raciocínio da sua existência; o emprego das presunções legais no âmbito do direito tributário não pode ser feito de maneira aleatória e indiscriminada, a ponto de que sua aplicação acabe por implicar numa distorção das hipóteses de incidência previstas em lei e de suas correspectivas bases de calculo; a fiscalização enaltece dois eventos como suscetíveis de ensejar a responsabilização da impupante pelas contribuições previdenciLias incidentes sobre as remunerações pagas porAerceiras,Arripreq$4,em face da confusão patrimonial e de pessoal, o que dificulta a individualização ou o ague derato pertence as respectivas unidades, fato este que macula o presente AI, o que pode redundar em débito incerto e inexigível. o primeiro deles é o fato de explorarem a mesma atividade econômica (transporte rodoviário de carga), com suas sedes sociais no mesmo imóvel, utilizandose indistintamente da mesma frota de veículos e quadro de funcionários. 0 segundo é o fato de as sete empresas terem, simuladamente, o mesmo administrador, não configurando este acontecimento em si mesmo elemento suficiente para implicar na ligação e interdependência entre as empresas; Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 240102.224 S2C4T1 Fl. 2.532 21 assim, a simples relação de parentesco havida entre as pessoas fisicas sócias das empresas, bem como a eventual identificação da pessoa fisica do administrador das mesmas não é elemento capaz de implicar na responsabilidade da impupante por eventuais débitos de contribuições previdencidrias e sociais das terceiras empresas, afastando, via de consequência, a incidência ao caso em tela, conforme arts. 2° § 2° da CLT, e 30. IV, da Lei n° 8.212/91; questiona a inconstitucionalidade/ilegalidade da multa em face de seu caráter confiscatório, como também da aplicação da taxa SELIC aos tributos exigidos. Ante o exposto, requer a nulidade do AI ou o cancelamento do lançamento, por já estar devidamente recolhido, como também a exclusão da representação fiscal para fins penais, uma vez que o lançamento é baseado em presunção. Isto posto, entendo que existe um vicio na Decisão de Primeira Instância, que importa sua nulidade face o cerceamento do direito de defesa do recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, nos termos acima expostos. É como voto. Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13844.000001/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo
contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas
médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os
documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física.
Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento das despesas declaradas.
Numero da decisão: 2101-001.465
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento das despesas declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ Fl. 50DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor de GERMINAL MUNOZ TRUJILLANO, médico, foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 19 a 22, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2003 (exercício 2004), no valor total de R$ 4.262,50 (quatro mil, duzentos e sessenta e dois reais e cinqüenta centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30 de dezembro de 2008, perfazendo um crédito tributário total de R$ 10.224,45 (dez mil, duzentos e vinte e quatro reais e quarenta e cinco centavos). As infrações apontadas pela Fiscalização encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 20. A Fiscalização alega ter havido a dedução indevida de despesas médicas, o que resultou na glosa do valor de R$ 15.500,00, por suposta falta de comprovação ou falta de previsão legal para sua dedução. A Fiscalização alega que o contribuinte, intimado, não comprovou o efetivo dispêndio declarado com: a) Milena dos Santos – R$ 5.000,00 b) Lisa Santos Bonani – R$ 5.500,00 c) Flavia Strang de Castro Luz – R$ 5.000,00 Em 6 de janeiro de 2009 foi apresentada Impugnação (fls. 1), na qual o contribuinte alega, em síntese, que, no ano de 2003, teve despesas com atendimento fonoaudiológico no valor de R$ 5.000,00; com tratamento dentário, no valor de R$ 5.400,00; e com tratamento fisioterápico, no montante de R$ 5.000,00, sendo tais tratamentos pagos em dinheiro ao final de cada sessão, e os recibos entregues no final de cada mês. Ante os documentos acostados às fls. 2 a 17, entende ter comprovado o dispêndio de R$ 15.400,00 com tratamentos médicos. Ao examinar o pleito, a 11.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 decidiu pela improcedência da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 1749.873, de 12 de abril de 2011, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES INDEVIDAS. COMPROVAR O EFETIVO PAGAMENTO. SERVIÇOS PRESTADOS. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13844.000001/200911 Acórdão n.º 210101.465 S2C1T1 Fl. 51 3 Mantidas as glosas de despesas médicas, visto que o direito às suas deduções condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 15 de junho de 2011, no qual reitera as razões de impugnação, acrescentando que: 1) A Notificação de Lançamento, às fls. 19 a 23, não contém indicação de motivos para a exigência de comprovação do efetivo desembolso dos valores deduzidos. A autoridade lançadora não apontou a existência de vícios nos recibos apresentados pelo contribuinte, nem indicou quaisquer fatos que possam amparar a afirmação de que os recibos não são idôneos para a comprovação de despesas médicas. 2) Os recibos apresentados às fls. 3 a 14, devidamente complementados pelas declarações das profissionais, às fls. 15 a 17, confirmam a efetividade da apresentação da prestação dos serviços e as alegações de que efetuou o pagamento em dinheiro. 3) Comprovou cabalmente o efetivo desembolso dos valores através das declarações elaboradas pelas profissionais que o atenderam, às fls. 15 a 17, nas quais consta o diagnóstico, tratamento, forma de recebimento e valores recebidos mês a mês. 4) No tocante à disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmos, alega que recebia seus proventos por meio de depósitos em conta corrente; seus rendimentos tributáveis, conforme demonstrativo de apuração do imposto devido apresentado às fls. 26 foram de R$ 132.671,58; contemplandoo com uma média mensal de R$ 11.000,00, suficiente para despender, em média, R$ 1.500,00 mensais com sua saúde. No decorrer da peça recursal, a fim de embasar seu entendimento, cita e transcreve ementas de julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ao final, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhido o recurso para o fim de cancelarse o débito fiscal reclamado É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Em primeiro lugar, cabe esclarecer a divergência dos valores glosados pela Fiscalização e os apontados na defesa do contribuinte: apesar de ter alegado haver despendido Fl. 52DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 o montante de R$ 15.400,00 com serviços médicos, o contribuinte apresenta recibos e declarações no valor total de R$ 15.500,00, valor este coincidente com o montante glosado. Sobre as glosas perpetradas, temos que o lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda. Tal dispositivo prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." Os dispositivos acima transcritos autorizam a autoridade fiscalizadora a exigir esclarecimentos sobre o conteúdo da declaração de ajuste do contribuinte. Além disso, mais especificamente, o artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, que tem por matriz legal o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, autoriza a autoridade lançadora a exigir comprovação ou justificação de todas as deduções pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste, nos seguintes termos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). [...]). Sobre a forma como devem ser comprovadas as deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física de ajuste, com despesas médicas, vejamos o que diz o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13844.000001/200911 Acórdão n.º 210101.465 S2C1T1 Fl. 52 5 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) (g. n.) Depreendese, dos dispositivos acima transcritos, que a comprovação de despesas médicas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, deve ser apta a demonstrar tanto a prestação do serviço propriamente dita, ao próprio contribuinte ou a dependente seu, quanto o seu efetivo pagamento, feito ao profissional, pelo contribuinte, em valor correspondente à referida prestação, tudo de forma especificada. No presente processo, a Fiscalização exigiu, especificamente, a comprovação do efetivo dispêndio das despesas declaradas, tal como consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 20. O contribuinte apresentou, em sede de impugnação, recibos e declarações dos profissionais emitentes dos recibos, confirmando que prestaram os referidos serviços e receberam por eles (fls. 4 a 18 do eprocesso). Alegou, todavia, que os pagamentos foram todos feitos em dinheiro e que, tendo auferido renda mensal média de R$ 11.000,00, poderia facilmente despender R$ 1.500,00 com tratamento médico. No processo administrativo fiscal, meras alegações não fazem prova. É preciso haver comprovação do alegado por meio de documentação hábil e idônea. No presente caso, em que a Fiscalização exigiu especificamente fossem comprovados os efetivos pagamentos das despesas declaradas e o contribuinte alegou têlos feito em dinheiro, teria sido de todo conveniente a apresentação dos seus extratos bancários, nos quais se pudesse identificar os respectivos saques, em valores e datas compatíveis com as despesas declaradas, medida essa que o Recorrente não tomou. Sendo assim, por falta de comprovação, o Recorrente não logrou demonstrar a sua tese. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 O contribuinte alega ainda que autoridade lançadora não apontou a existência de vícios nos recibos apresentados, nem indicou quaisquer fatos que pudessem amparar a afirmação de que os recibos não são idôneos para a comprovação de despesas médicas. Salientase que, em momento algum, a Fiscalização alegou a inidoneidade dos documentos apresentados. A questão central do presente processo não é essa, e sim a insuficiência dos referidos recibos como comprovação das despesas, para o fim de dedução dos respectivos valores do imposto sobre a renda. Para que a despesa seja dedutível do imposto sobre a renda, conforme anteriormente explicitado, a lei exige a comprovação não só da efetiva prestação do serviço, mas também do seu efetivo pagamento, feito pelo próprio contribuinte, ao profissional prestador do serviço. No presente processo, o contribuinte não comprovou o efetivo desembolso dos montantes que alega ter pago aos profissionais indicados pela prestação dos serviços médicos, razão pela qual deve ser confirmada a decisão de primeira instância administrativa, que manteve as glosas. Ao longo da peça recursal, o contribuinte cita e transcreve ementas de julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF que entende virem ao encontro de seus argumentos. Sobre este tema, salientamos que as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não estão vinculadas a decisões administrativas ou judiciais válidas somente entre as partes integrantes do processo. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida, baseada na lei, tenha por supedâneo o argumento que entender razoável ou cabível ao caso concreto, desde que devidamente fundamentada, explicitadas as razões de fato e de direito que o levaram a tal convicção. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 55DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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