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Numero do processo: 10380.005520/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/05/2006
Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA
N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas relativas à Gfip foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de
2008, esta mais benéfica para o infrator com a inclusão do art. 32-A à Lei n º
8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratá-lo
como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE
CORRESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO.
A relação de corresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os
dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores.
Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com
infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes.
Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio
nesse ponto. Ademais, os relatórios de corresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.
O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a
inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo fiscais.
Numero da decisão: 2302-001.918
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/05/2006 Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas relativas à Gfip foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, esta mais benéfica para o infrator com a inclusão do art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de corresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de corresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo fiscais.
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Recorrente G L X RESTAURANTE LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/05/2006 Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas relativas à Gfip foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, esta mais benéfica para o infrator com a inclusão do art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de corresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de corresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Eduardo Gonzales Silverio e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.005520/200809 Acórdão n.º 230201.918 S2C3T2 Fl. 66 3 Relatório O auto de infração foi lavrado em virtude de não ter entregue a GFIP referente às competências março de 2001 a outubro de 2002 do segurado José Vieira de Aquino no prazo estabelecido na legislação, fls. 8 a 10. Não concordando com o lançamento, o autuado apresentou defesa administrativa na forma das fls. 14 a 15. A Delegacia da Receita Previdenciária analisou os argumentos e emitiu o despacho decisório de fls. 35 a 36. Permaneceu apenas a competência outubro de 2002, em virtude de erro no enquadramento legal da infração. Inconformado com a decisão, o autuado interpôs recurso, fls. 50 a 54. Alegou em síntese que: a) o dispositivo legal fora revogado pela Medida Provisória n. 449; b) o sócio não podia ser responsabilizado; Não foram apresentadas contrarrazões. É o relato suficiente. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 64. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de não apresentação da GFIP, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser falta de entrega da declaração ou Fl. 136DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.005520/200809 Acórdão n.º 230201.918 S2C3T2 Fl. 67 5 entrega após o prazo, com multa de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento). Com multa mínima a ser aplicada de R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: não apresentação da GFIP. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a Gfip – assim como para a DCTF e a DIRPF – há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Em relação à Gfip aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a terceira é a apresentação de declaração inexata. Essa conclusão é facilmente alcançável pela aplicação da regra de paralelismo sintático da língua portuguesa, haja vista – no art. 44 – a repetição da preposição “de” indicar o referencial “no caso”. Esquematicamente terseia: Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1) 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos: 1.1 de falta de pagamento ou recolhimento, 1.2 de falta de declaração e 1.3 nos de declaração inexata; Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas se a despeito do pagamento não declarou em Gfip, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em Gfip não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse Fl. 137DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 modo, se o contribuinte tiver declarado em Gfip, mas não tiver pago, não se aplica o art. 44 da Lei 9.430. Esse artigo não se impõe pelo fato de o contribuinte não ter recolhido e ter declarado, deveras não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a Gfip. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em Gfip, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em Gfip a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A, o que demonstra serem condutas independentes. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e de não declarar em Gfip, não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Fl. 138DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.005520/200809 Acórdão n.º 230201.918 S2C3T2 Fl. 68 7 Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em Gfip, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispensála é o Poder Legislativo. A interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei, o que contraria o art. 150, parágrafo 6º da Constituição Federal. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei, além de violar os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Desse modo, deve ser corrigido o lançamento quanto à aplicação da multa imposta. A Receita Federal não tem que somar multa por descumprimento de obrigação com multa por descumprimento de acessória. A análise tem que ser isolada. Quanto à alegação de que devem ser excluídos os dirigentes da relação de corresponsáveis, não procede o argumento da recorrente. A relação de corresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de corresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 140DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 19515.000831/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
Pedido de pericia não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer
houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA
LEI Nº 8.212/91.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se
mostra mais benéfico ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.618
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Pedido de pericia não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a Fl. 447DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000831/201090 Acórdão n.º 230201.618 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 07/04/2010 e cientificado ao sujeito passivo em 20/04/2010, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais no período de 01/2006 a 12/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 23 a 32, o crédito foi apurado a partir do batimento GFIPxGPS, que em confronto com os valores lançados na contabilidade da empresas, apresentou divergências. Após impugnação, Acórdão de fls. 380/395, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso argüindo em síntese: a) o cerceamento de defesa em vista do indeferimento do pedido de perícia, até para provar que os valores já foram recolhidos; b) que devem ser apreciadas todas as alegações da empresa, inclusive quanto à inconstitucionalidade; c) que a multa deve ser reduzida para 20%, ao invés dos 24% aplicado. Requer o provimento do recurso para ser atendida a produção de prova pericial, ou alternativamente, que seja reconhecida a improcedência do auto de infração. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Preliminar O direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição federal, não foi maculado em razão da autuação ter sido efetuada em decorrência do exame dos documentos de posse da autuada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defender se sem qualquer restrição, eis que forçosamente, são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Ainda quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Portanto, a argumentação da recorrente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso ao Auto de Infração lavrado. Ademais, as diligências ou as perícias podem ser determinadas em razão de pedido do interessado ou, por iniciativa de ofício das autoridades preparadoras ou julgadoras, conforme contido nos artigos 17 a 19 do Decreto n.º 70.235/72. Mas, somente justificase a formulação de pedidos de diligências ou perícias, pelo Reclamante, quando em razão da natureza técnica do assunto, a comprovação não possa ser feita no corpo dos autos, quer pelo volume de papéis envolvidos na verificação, quer pela impossibilidade de deslocar os elementos materiais examináveis, quer seja pela localização da prova, que, por exemplo, pode encontrarse em poder de terceiros, ou em outros procedimentos fiscais existentes. Logo, revelase prescindível a diligência ou perícia sobre aspecto que poderia ser comodamente Fl. 450DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000831/201090 Acórdão n.º 230201.618 S2C3T2 Fl. 3 5 trazido à colação com o recurso, ou quando tratarse de matéria puramente jurídica e, para que possa ser afastada a suspeita quanto à finalidade protelatória, o requerimento deve vir acompanhado, sempre que possível, de amostragem ou qualquer forma de evidenciação dos aspectos cuja apreciação requer minucioso exame. No caso em tela, da análise dos documentos oferecidos para exame e elaborados pela própria recorrente, o fisco constatou diferenças nos valores informados em GFIP, em contraponto com aqueles constantes da contabilidade da empresa.. Dessa forma, tendo a fiscalização se baseado nos registros contábeis da própria recorrente, para verificar o descumprimento da obrigação principal, qual seja, o pagamento do tributo, afastada está a hipótese de necessidade de realização de perícia para a convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA RFB Nº 10.875, de 24 de agosto de 2007 Art. 11. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. .15. Está correta a decisão recorrida que indeferiu o pedido de perícia, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova dos fatos independe de conhecimento técnico e a recorrente poderia ter colacionado aos autos as provas acerca do recolhimento das contribuições previdenciárias, ou provar que sua contabilidade estava equivocada quanto aos lançamentos ocorridos. Todavia, a recorrente não traz qualquer prova ou evidenciação de que o lançamento está incorreto, apenas pugna pela perícia. Ademais, o relatório fiscal explicita que os valores já recolhidos pela autuada foram devidamente deduzidos do valor lançado, lhe tendo sido entregue, em meio magnético, planilha descritiva dos valores apropriados. Do Mérito Quanto à alegação de que o Contencioso Administrativo deve apreciar a inconstitucionalidade das leis, ressaltase que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A notificação teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS e lançados na contabilidade da empresa, de forma que se tornam incontroversos os valores lançados e totalmente inócua a alegação de nulidade frente à falta de comprovação dos valores devidos. Quanto à multa, a recorrente requer que seja aplicada a retroatividade benigna exposta no artigo 106 do Código Tributário Nacional para fazer incidir alterações introduzidas pela MP nº 449/2008. Todavia, é de se notar que o benefício da retroatividade benigna contido na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado sempre que uma nova lei cominar Fl. 452DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000831/201090 Acórdão n.º 230201.618 S2C3T2 Fl. 4 7 a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. No caso em tela, à época do fatos geradores, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente notificação fiscal de lançamento de débito –NFLD, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Fl. 453DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000831/201090 Acórdão n.º 230201.618 S2C3T2 Fl. 5 9 §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 455DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13909.000092/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/02/2003 a 28/02/2003,
01/03/2003 a 31/03/2003
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS IN NATURA (CAFÉ CRU).
ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.833, de
2003, § 5º do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de
produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria); sendo
caracterizada como “produção”, em relação aos produtos classificados no
código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar,
beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor
(blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos
determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei nº
11.051/04, com vigência a partir de 01/08/2004.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-00.939
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fabio Luiz Nogueira e
Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto
vencedor o Conselheiro Maurício Taveira e Silva.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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PRODUTOS IN NATURA (CAFÉ CRU). ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.833, de 2003, § 5º do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria); sendo caracterizada como “produção”, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei nº 11.051/04, com vigência a partir de 01/08/2004. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fabio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Taveira e Silva. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA Redator designado. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de Curitiba/PR (fls. 95/96), que não reconheceu o direito de crédito relativo à contribuição ao PIS nãocumulativa do período de apuração de 01/01/2003 a 31/03/2003 (1º trimestre de 2003), decorrente da aquisição de café em grãos de produtores rurais pessoas físicas, conforme depreendese da ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS (CAFÉ CRU) ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Para o mês de janeiro de 2003, inexistia previsão legal para o aproveitamento de crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas produtores rurais. Período apuração: 01/02/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA^ ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.637, de 2002, § 10 do art. 3 0, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria); sendo caracterizada como 'produção', em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos ele café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei n° 11.051, de 2004, com vigência a partir de 01/08/2004. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCABIMENTO. O exame da legalidade c da constitucional idade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando incabível qualquer discussão na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 141DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000092/200721 Acórdão n.º 330100.939 S3C3T1 Fl. 3.18 3 Direito Creditório Não Reconhecido” Ressalta a decisão recorrida, que consta do Contrato Social da empresa e Alterações, a interessada tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, benefício e rebeneficio de café (classificação fiscal 09.01) adquiridos de terceiros. Constando ainda a informação no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Dacon que a atividade econômica da empresa (CNAEFiscal) é o "Comércio atacadista de outros produtos alimentícios" A Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que dispôs sobre a não cumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), trazia em seu art. 3º, in verbis: "Art.3º. Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5º. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4..8 a 11. e nos códigos 0504. 00. 07.10. 07.12 a 07.14. 15.07 a 15.13, 15.17 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep. devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do capta. adquiridos. no mesmo período. de pessoas físicas residentes no País." Contudo, referido dispositivo foi vetado quando da conversão da MP nº 66 na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Logo, a contribuinte somente poderia utilizar créditos do PIS inerentes aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliado no País. Em relação à aquisição de pessoas físicas não havia previsão legal à época, ou seja, em janeiro de 2003. Fevereiro/2003 e Março/2003 Em relação aos períodos de fevereiro e março de 2003, vale reprisar o dispositivo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que em seu art. 25 acrescentou o § 10 ao art. 30 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, relativamente à contribuição do PIS, o qual autoriza o aproveitamento de crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, assim estabelecendo: "Art. 25. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5ºA e com as seguintes alterações dos arts. 1º, 3º, 8º, 11 e 29: (...) §10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na . forma deste artigo. as pessoas jurídicas que produzam Fl. 142DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00. 0701.90.00. 0702.00.00. 0706.10.00, 07.08, 0709.90. 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o P1S/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do capta deste artigo. adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Art. 29. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. produzindo efeitos: II em relação ao art. 25, a partir de 1 de fevereiro de 2003;” Logo, para os períodos de fevereiro e março de 2003, igualmente não havia previsão legal que pudesse fundamentar o aproveitamento de créditos decorrentes das aquisições de produtos rurais, pessoas físicas. Ademais, apenas com a edição da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que incluiu o § 6º ao art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 (regulamentada posteriormente pela IN SRF 660, cle 17 de julho de 2006), com efeito retroativo a partir de 01/08/2004, ao definir o conceito de produção, acolheu a atividade exercida pela interessada como passível de aproveitamento do crédito presumido, quando da aquisição de pessoas físicas, in verbis: "Art. 29. Os mis. 1, (5'", 9 e 15 da Lei n" 10.925, de 23 de julho de 2004. passam a vigorar com a Segllinle redação: 6º Para os eleitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da IVCAI, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) Ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação qficial.'' (Grifouse). Cientificada em 31/05/2010 (AR, fl. 99), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 100/117, em 08/06/2010, alegando, em síntese, que a não cumulatividade como princípio constitucional tem: por objetivo garantir ao contribuinte o direito de compensar o montante pago a titulo de impostos ou contribuições relativo às operações anteriores e, por fonte, a ciência econômica, sendo vedado à lei ordinária alterálo, sem permissão da própria Constituição Federal. Ressalta que mesmo antes da edição da Lei no. 10.637/02 já havia a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido decorrente da aquisição de insumos de pessoas físicas, diante do disposto no § 5°. do art. 3°. da Medida Provisória nº 66, de 29/08/02, que instituiu a cobrança da contribuição para o PIS não cumulativo. Entretanto, em que pese a Lei 10.637/02 não ter trazido em seu bojo as disposições constantes do art. 3°. § 5°. Da MP 66/02, a Lei no. 10.684, de 30/05/03, assim o fez, da seguinte forma: Fl. 143DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000092/200721 Acórdão n.º 330100.939 S3C3T1 Fl. 4.18 5 "Art. 25. A Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5°A e com as seguintes alterações dos arts. 1°, 3°, 8°, 11 e 29: "Art. 3°. .... § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País." Portanto, restabelecido o direito, ficou expressa a possibilidade da Recorrente em deduzir da Contribuição para o PIS o crédito presumido, calculado sobre as aquisições de pessoas físicas, porquanto as atividades realizadas pela Recorrente, que adquire o café cru de produtores rurais — pessoas físicas, e posteriormente, efetua sua seleção, padroniza e o beneficia, se caracterizam como PRODUÇÃO, para fins de aplicação da lei, ou seja, se beneficiar do crédito presumido. Ademais disto, a Lei 11.051/04 no § 6° do art. 8° apenas definiu e frisou o que a legislação já havia feito com a edição da Lei 10.633/03. Assim, na verdade, houve apenas, uma adequação aos mandamentos constitucionais, vez que, o objetivo constitucional é a desoneração tributária. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e revestido das demais condições necessárias à sua admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. O cerne da questão diz respeito em saber se a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que dispôs sobre a não cumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), que trazia em seu art. 3º, a possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas, justificam os créditos de PIS nãocumulativo, do s períodos de janeiro a março de 2003, in verbis: Fl. 144DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 "Art.32. Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5º. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4..8 a 11. e nos códigos 0504. 00. 07.10. 07.12 a 07.14. 15.07 a 15.13, 15.17 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul destinados à alimentação humana ou animal. poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep. devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput adquiridos no mesmo período de pessoas físicas residentes no País."(grifado) De fato, não há como prosperar o pleito da recorrente, vez que os créditos solicitados dizem respeito aos períodos de janeiro a março de 2003, quando não havia previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes das aquisições de produtos rurais de pessoas físicas, o que retornou a ser assegurado (já que o § 5º do art. 3º, da MP 66, não foi recepcionado pela Lei nº 10.637, de 2002). Apesar de estar convencido de que a Lei 11.051/04 (§ 6° do art. 8°) apenas explicitou o que a legislação já havia feito com a edição da Lei 10.637/03, entretanto, em relação à legislação do PIS, para os períodos em foco (janeiro a março de 2003), apenas parcialmente estão contemplados, a partir da edição da Lei º 10.684, de 30/05/2003. Segundo consta do Contrato Social da empresa e Alterações (fls. 07/12 e 18/29), a interessada tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, benefício e rebenefício de café (classificação fiscal 09.01) adquiridos de terceiros, constando ainda, do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Dacon (fl. 30) que a atividade econômica da empresa (CNAEFiscal) é o "Comércio atacadista de outros produtos alimentícios". A alteração introduzida através do art. 25, entrou em vigor a partir de 1º de fevereiro de 2003, nos termos do art. 29, II, da citada Lei, abrangendo todos os créditos discutidos no presente processo. Logo, faz jus ao pleito solicitado, a partir de 1º de fevereiro de 2003. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 145DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000092/200721 Acórdão n.º 330100.939 S3C3T1 Fl. 5.18 7 Voto Vencedor Conselheiro MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA – redator designado Reportome ao relatório e voto de lavra do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, de quem ouso divergir da tese que sustenta, em relação à questão abaixo relacionada. O art. 29 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 alterou a redação do art. 8º da Lei nº 10.925/04, nos seguintes termos: LEI No 10.925, DE 23 DE JULHO DE 2004. [...] Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) [...] § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Art. 17. Produz efeitos: [...] III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei; Fl. 146DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Portanto, há determinação expressa na lei prevendo que o disposto no art. 8º produza efeitos somente a partir de 01/08/2004. Tendo em vista que o pleito da recorrente referese ao período anterior ao precitado, não há reparos a fazer à decisão recorrida, negando se provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA Fl. 147DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 12897.000007/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2006
MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES.
Ao se constatar que o contribuinte atendeu, embora parcialmente, às intimações, apresentando a documentação de que dispunha, correta a decisão de primeira instância que reduziu a multa de ofício, afastando o agravamento.
ADICIONAL DO IRPJ. ERRO DE CÁLCULO NO LANÇAMENTO. CORREÇÃO.
Correta a decisão de primeira instância que corrigiu erro no cálculo do adicional do IRPJ, lançado a maior, adequando o valor exigido àquele previsto em lei.
PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DE CSLL. PERÍODOS ANTERIORES. DIREITO À COMPENSAÇÃO.
Correta a decisão de primeira instância que admitiu a compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, acumulados em períodos anteriores, respeitada a limitação legal de 30%.
PASSIVO NÃO COMPROVADO.
Se a contribuinte não consegue comprovar a existência e exigibilidade de obrigações registradas em seu passivo, na data do balanço, deve prevalecer a presunção legal de omissão de receitas
Numero da decisão: 1301-000.809
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a
preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento a ambos os recursos, de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. Ao se constatar que o contribuinte atendeu, embora parcialmente, às intimações, apresentando a documentação de que dispunha, correta a decisão de primeira instância que reduziu a multa de ofício, afastando o agravamento. ADICIONAL DO IRPJ. ERRO DE CÁLCULO NO LANÇAMENTO. CORREÇÃO. Correta a decisão de primeira instância que corrigiu erro no cálculo do adicional do IRPJ, lançado a maior, adequando o valor exigido àquele previsto em lei. PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DE CSLL. PERÍODOS ANTERIORES. DIREITO À COMPENSAÇÃO. Correta a decisão de primeira instância que admitiu a compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, acumulados em períodos anteriores, respeitada a limitação legal de 30%. PASSIVO NÃO COMPROVADO. Se a contribuinte não consegue comprovar a existência e exigibilidade de obrigações registradas em seu passivo, na data do balanço, deve prevalecer a presunção legal de omissão de receitas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento a ambos os recursos, de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. Fl. 5509DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.941 2 (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Diniz Raposo e Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório CIBRAPEL S/A INDÚSTRIA DE PAPEL E EMBALAGENS, já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 46.174.264,71, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 001. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização/RJ (fls. 01/1.287), o qual foi cientificado ao interessado em 21/01/2009 (fl. 1.286), para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) de R$ 10.487.348,87, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de R$ 772.994,21, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 3.777.605,59, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 3.560.458,21 e acréscimos legais, totalizando o crédito tributário de R$ 46.174.264,71 (fls. 01). 2 No curso do procedimento fiscal, a autoridade administrativa lançadora, conforme relatado no Termo de Verificação de Infração (fls. 1.233/1.239) e na descrição dos fatos do auto de infração, constatou a seguinte irregularidade: 3 – Omissão de Receitas Passivo Fictício: caracterizada pela falta de comprovação de pagamentos de parte das duplicatas que compuseram o saldo da conta Fornecedores constante do balanço em 31/12/2005, conforme abaixo demonstrado: Descrição Valores em R$ Saldo Fornecedores (balanço em 31/12/2005) 49.272.138,51 Total comprovado p/ empresa 2.424.004,09 Total não comprovado 46.848.134,42 Fl. 5510DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.942 3 4 Período de apuração: 31/12/2005. 5 A autoridade lançadora acrescenta em seu Termo que “As importâncias integrantes das contas Duplicatas a Pagar, Fornecedores e congêneres ficam sujeitas à comprovação, sob pena de serem presumidamente consideradas omissão de receitas, conforme determina o artigo 281, inciso III do Regulamento do Imposto de Renda de 1999”. 6 Os tributos foram exigidos com multa de 112,5%, tendo em vista que a empresa intimada reiteradamente, conforme registrado no Termo de Verificação, não apresentou nenhuma informação a respeito da diferença apurada na conta Fornecedores, como também não apresentou os comprovantes de pagamentos. 7 Em decorrência da infração acima, foram lavrados autos de infração de CSLL, PIS, COFINS. 8 O enquadramento legal da autuação encontrase descrito às fls. 1.242, 1.244, 1.247, 1.249, 1.252, 1.254, 1.257, 1.259 e no Termo de Verificação de Infração. 9 O interessado, cientificado em 21/01/2009, apresentou impugnação (fls. 1.295/1.313), em 19/02/2009, na qual alega, em síntese, que: Passivo Fictício 10 – a comprovação de um passivo não se ratifica com o seu pagamento, mas sim, com sua exigibilidade; 11 – se o interessado comprova que em 31/12/2005 o saldo da conta “Fornecedores” de R$ 46.848.134,42 representa obrigações contraídas e não pagas, não há que se falar em passivo fictício; 12 – a falta de comprovação do pagamento da obrigação não caracteriza o passivo fictício; 13 – “De modo a deixar clara a veracidade do saldo da conta “Fornecedores” no valor de R$ 49.272.138,51 em 31/12/2005 a Impugnante anexa a presente peça impugnatória a planilha Resumo do Saldo de Fornecedores, (Doc. 03), planilhas analíticas, por fornecedores, demonstrando a composição do saldo final de cada fornecedor, (Doc. 04), mídia eletrônica do livro Razão, (Doc. 05), comprovando os lançamentos.”; 14 – em algumas situações escriturou valores relativos a fornecedores da sua matriz na conta da filial e viceversa, que pode acarretar o entendimento equivocado de que há pagamentos não escriturados de determinadas notas fiscais, o que não aconteceu; 15 – todas as notas fiscais que corroboram os valores da conta Fornecedores foram apresentadas ao agente do Fisco (Termo de Retenção nº 001 de 01/10/2008); 16 – a relação apresentada onde consta como valores pagos no montante de R$ 2.424.004,09, encontrase incompleta; 17 – está preparando outra planilha de composição demonstrando de forma diferente o saldo da conta Fornecedores, que poderá ser apresentada mais adiante, se assim entender necessário o ilustre julgador; Fl. 5511DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.943 4 18 – se o passivo apontado, que corresponde a mais de 95% do saldo da conta Fornecedores, fosse fictício, a escrita seria imprestável e o tratamento aplicável para apurar o imposto seria o arbitramento; 19 – cabe ao fisco considerar a data do adimplemento da obrigação como a da ocorrência do fato gerador da obrigação principal; 20 parte significativa do saldo da conta Fornecedores tem sua origem em exercícios anteriores e jamais poderia ser imputado como passivo fictício no exercício objeto da fiscalização; Compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSSL 21 – o Auditor autuante ignorou a compensação de Prejuízos Fiscais e da Base de Cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores demonstrados à fl. 1.306 (art. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995); Agravamento da multa 22 – tomou conhecimento da inconsistente divergência, por ocasião da lavratura do auto de infração; 23 – jamais foi intimado a apresentar esclarecimentos sobre suposta divergência na conta Fornecedores, conforme se verifica nos Termos de Intimação 002 a 008, e, portanto, deve ser considerado improcedente o agravamento da multa de ofício; 24 – jamais teve a intenção de criar embaraço aos trabalhos da fiscalização, procurando sempre apresentar a documentação de que dispunha, atendendo todas as diversas intimações recebidas; 25 – a pessoa que assinou os Termos de Intimação, Sra. Cássia Marion da Silva, não tinha poderes para isso, ou seja, não era o representante legal da impugnante, mas meramente uma funcionária que compareceu à sede do Ministério da Fazenda para entregar os documentos solicitados, assinando indevidamente os Termos lavrados pelo Auditor; Autos de infração reflexos (PIS, COFINS e CSLL) 26 – em função das razões até aqui desenvolvidas, vem solicitar a anulação integral dos respectivos lançamentos, dada a íntima relação de causa e efeito que vincula um aos outros. 27 Cita jurisprudência administrativa. 28 Encerra requerendo que seja provida a impugnação, anulandose integralmente os lançamentos fiscais realizados, protestando por todos os meios de prova admitidos. 29 Acosta ao processo documentos às fls. 1.315/3.458. 30 O Interessado apura a base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social pelo lucro real anual, conforme cópia da declaração de rendimentos do anocalendário 2005, acostadas às fls. 02/40. Fl. 5512DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.944 5 A 3ª Turma da DRJ no Rio de JaneiroI / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1224.670, de 18/06/2009 (fls. 3462/3473), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente em consonância com a legislação de regência. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. INTIMAÇÃO. VALIDADE. É válida a ciência de termo de intimação, tomada por empregado do interessado. Presumese, pela teoria da aparência, que o empregado que apresenta livros e documentos à fiscalização no interesse da empresa esteja por esta autorizado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2005 PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizase como omissão de receita a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. PERÍODOS ANTERIORES. Na apuração do montante devido de IRPJ devem ser compensados os saldos de prejuízo fiscal de períodos anteriores, observandose o limite de trinta por cento do lucro líquido ajustado. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Fl. 5513DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.945 6 A falta de apresentação dos comprovantes de pagamentos das obrigações registradas no passivo, causa que ensejou a autuação, não pode, também, motivar o agravamento da multa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Por relevante, esclareço que o provimento parcial da impugnação se deu em face de: (i) redução para 75% da multa de ofício, aplicada originalmente no percentual de 112,5%; (ii) ajuste para menor do adicional do IRPJ, corrigindo erro de cálculo no valor lançado; (iii) reconhecimento de base de cálculo negativa da CSLL do próprio período, no valor de R$ 5.395.195,26, em lugar dos R$ 4.874.738,93, considerados no lançamento; e (iv) reconhecimento do direito do contribuinte a compensar prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores, observada a limitação legal de 30%. Como ocorreu o afastamento de crédito tributário em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. Ciente da decisão de primeira instância em 06/07/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 3483v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/08/2009 conforme carimbo de recepção à folha 3486. No recurso interposto (fls. 3486/3504), após historiar, por sua ótica, o desenrolar do processo até aquele momento, a interessada reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação e acrescenta os seguintes pontos, em apertada síntese: • Do passivo fictício A recorrente não discorda da Autoridade Julgadora em primeira instância quando aquela afirma que o pagamento é uma prova efetiva da exigibilidade de obrigações. Mas discorda de que essa seria a única forma de comprovação. Sustenta que jamais houve, por parte do Fisco, a alegação de obrigações já pagas e mantidas no passivo. Quanto à outra hipótese da presunção legal (obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada), também o fisco não se teria pronunciado, limitandose a exigir a comprovação do pagamento das obrigações e afastandose, assim, da presunção legal. A interessada acrescenta que pode haver obrigações exigíveis e não pagas, a exemplo de uma hipotética empresa atravessando dificuldades financeiras e que devido a isso deixa de honrar compromissos com fornecedores ou, ainda, empresas concordatárias e em processo de falência. Em seu caso concreto, a veracidade do saldo da conta Fornecedores, no valor de R$ 49.272.138,51, estaria demonstrada, desde a impugnação, mediante a “planilha Resumo do Saldo de Fornecedores, (Doc. 03), planilhas analíticas, por fornecedores, demonstrando a composição do saldo final de cada fornecedor, (Doc. 04), e mídia eletrônica do livro Razão, (Doc. 05), comprovando os lançamentos” e ressalta, ainda, que “todas as notas fiscais que corroboram os valores constantes das planilhas e compõem a conta ‘Fornecedores’ foram Fl. 5514DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.946 7 apresentadas ao ilustre agente do Fisco, fato que se comprova através do Termo de Retenção n°. 001 de 01/10/2008, cuja cópia também foi anexada à impugnação, (Doc. 06)”. Diante disso, conclui que a exigibilidade de seu passivo estaria comprovada. Mesmo discordando quanto à necessidade de comprovação dos pagamentos, a recorrente aduz que somente agora teria localizado alguns pagamentos efetuados, e faz acostar aos autos nova planilha intitulada “Relação dos Pagamentos a Fornecedores” (Doc. 05) detalhadas através de Planilhas Analíticas (Docs. 06 a XX), mediante os quais estariam comprovados pagamentos no montante de R$ 7.193.325,06. Observa que alguns dos valores teriam sido baixados mediante encontro de contas, visto que alguns dos credores também seriam simultaneamente devedores da interessada. Ressalta, ainda, que “os valores que compõem o passivo e que não tiveram os documentos relativos aos pagamentos anexados, efetivamente ainda não foram pagos e jamais poderiam ser considerados como passivo fictício”. A contribuinte enfatiza a importância da busca pela verdade material, e colaciona jurisprudência administrativa nesse sentido. Ainda sobre a comprovação dos pagamentos, a interessada afirma que “a exaustiva busca em seus arquivos revelou também a existência de alguns pagamentos efetuados no curso do anocalendário 2005 que, por equívoco, deixaram de ser registrados, acarretando, em virtude disto, uma majoração indevida do saldo da conta ‘Fornecedores’ em 31/12/2005”. Discorda, no entanto, de que tal fato pudesse caracterizar a existência de passivo fictício, visto que os pagamentos teriam sido feitos com recursos próprios existentes e que a empresa possuía saldo mais que suficiente para suportar a baixa de tais valores e seu registro. Tratarseia de mera falha, sem efeitos tributários e sem prejuízo ao erário. • Da forma indevida de apuração A interessada contesta a decisão recorrida, e busca esclarecer que sua alegação, desde a impugnação, foi de que “se o passivo fictício apontado pelo Fisco corresponde a mais do que 95% da conta Fornecedores, sua contabilidade seria imprestável, devendo, portanto, estar sujeita ao arbitramento do lucro”. A imprestabilidade da escrita seria, portanto, a hipótese de arbitramento do lucro a ser considerada, e não a falta de comprovação do pagamento de obrigações, como teria entendido equivocadamente o julgador a quo. Colaciona jurisprudência administrativa em favor de sua tese. Ainda, haveria nulidade da decisão recorrida, que não se teria manifestado sobre a argumentação da então impugnante sobre a imprestabilidade da escrita. • Da eleição indevida da ocorrência do fato gerador A recorrente insiste em que haveria erro insuperável no lançamento, no que tange à data de ocorrência do fato gerador, à luz dos artigos 142 e 144 do CTN. Em suas palavras: “cabe ao fisco, de forma indelegável, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e, à luz da legislação vigente, constituir definitivamente o lançamento, considerandose, de forma inequívoca, a data do adimplemento da obrigação como a da ocorrência do fato gerador da obrigação principal”. No caso vertente, sustenta que parte significativa do saldo da conta Fornecedores em 31/12/2005, no montante de R$ 49.272.138,51, tem sua origem em exercícios anteriores e, desta forma, não poderia ser imputado como passivo fictício no exercício objeto de fiscalização e lançamento. A interessada se reporta às planilhas anexadas à peça impugnatória, mediante as quais pretende comprovar sua assertiva, tece comentários Fl. 5515DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.947 8 questionando a decisão combatida e colaciona jurisprudência administrativa que entende apoiar sua tese. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o disposto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (fls. 3473 e 3481/3482), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, passo a apreciar cada um dos itens que levaram ao afastamento de parcela do crédito tributário, em primeira instância. 1. Redução da multa de ofício, aplicada originalmente ao percentual de 112,5%, para 75%. A decisão de primeira instância foi fundamentada como segue: 66. No item 2 do Termo de Verificação de Infração, passivo não comprovado, infração tratada nestes autos, a autoridade lançadora informa que intimou a empresa, através do Termo de Intimação nº 0002, item 1, a apresentar relação das duplicatas que compunha o saldo da conta Fornecedores em 31/12/2005 (fls. 45/46). 67. Ante a falta de atendimento, o interessado foi novamente intimado, através dos Termos nº 0003 e 0004 (fls. 47/48), apresentando, em 05/12/2008, “relações anexas às fls. 50/219, bem como, os comprovantes de pagamentos de parte das duplicatas relacionadas” (fl. 1.236). 68. No Termo de Verificação de Infração, a autoridade lançadora registra ainda que “foram apresentadas às notas fiscais anexa às fls. 220/1.226, entretanto apesar de intimada várias vezes, não foram apresentados os comprovantes de pagamentos, das mesmas.”. Fl. 5516DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.948 9 69. Depois de realizada infrutífera diligência na empresa emitente das sobreditas notas fiscais (Flexpack), a autoridade lançadora intimou o interessado e os sócios, através dos Termos de Intimação nº 0006, 0007 e 0008 (fls. 1.227/1.232) a justificarem a diferença apurada, bem como apresentar os comprovantes de pagamentos, em especial os da empresa Flexpack e o real endereço desta, além de prestar atendimento aos Termos de Intimação nº 0002 a 0005. 70. A autoridade lançadora agravou a multa de ofício de 75% para 112,5% tendo em vista que o interessado, intimado “diversas vezes, não apresentou nenhuma informação a respeito da diferença apurada na conta Fornecedores, como também não apresentou os comprovantes de pagamentos” (fl. 1.238). 71. Ocorre que a diferença apurada na conta Fornecedores, decorrente da falta de apresentação dos comprovantes de pagamentos das obrigações registradas no passivo, foi a causa que ensejou a exigência do IRPJ e seus reflexos e, portanto, não podem também, s.m.j., motivar o agravamento da multa. Mesmo porque, tal fato não impediu a autoridade administrativa de efetuar o lançamento, ao contrário, foi o motivo determinante da lavratura do auto de infração. 72. Deste modo, mantenho o lançamento com multa de ofício de 75%. Considero correta a decisão. De se observar que o contribuinte, em diversas ocasiões, apresentou as informações de que dispunha, tanto assim que logrou, ainda na fase procedimental, afastar a presunção de omissão de receitas em relação a parcela de seu passivo. Quanto à parte que, no entender do Fisco, permaneceu sem comprovação de exigibilidade e veio, afinal, a ser objeto de lançamento, foi exatamente a falta de respostas e esclarecimentos que motivou a lavratura dos autos. Não vislumbro, assim, que a conduta da interessada tenha prejudicado o procedimento fiscal ou mesmo que tenha tido esse intuito. Mais me parece que não foram apresentados os documentos e informações de que a interessada não dispunha, o que não é causa de agravamento de penalidade. 2. Ajuste para menor do adicional do IRPJ. Tratase, aqui, de correção de erro de cálculo por parte da Autoridade Lançadora, que determinou a base de cálculo do adicional de IRPJ como sendo a parcela do lucro real excedente de R$ 60.000,00, ao invés da parcela excedente a R$ 240.000,00, como manda a lei para os contribuintes optantes pela apuração anual, situação da interessada. O valor do adicional de IRPJ foi, então, recalculado e reduzido ao montante correto determinado em lei. O procedimento da Autoridade Julgadora em primeira instância não merece reparo, e é perfeitamente condizente com o caráter de revisão do lançamento, de sua adequação à lei, de que se deve revestir o julgamento administrativo. 3. Reconhecimento de base de cálculo negativa da CSLL do próprio período, no valor de R$ 5.395.195,26, em lugar dos R$ 4.874.738,93, considerados no lançamento. A decisão de primeira instância foi vazada nos seguintes termos: 64. Cabe observar que, em relação à base de cálculo da CSLL compensada do período, a autoridade lançadora utilizou o saldo negativo de R$ 4.874.738,93 (fl. 1.258), embora tenha mencionado, em seu Termo de Verificação de Infração (fl. 1.238), saldo negativo de R$ 5.395.195,26, valor este que consta na DIPJ do ano Fl. 5517DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.949 10 calendário 2005 (fl. 17) e que será considerado na apuração do montante devido de CSLL. De idêntica maneira aos itens anteriores, não há reparos a fazer. O saldo negativo apurado no próprio ano, no valor de R$ 5.395.195,26, consta da DIPJ à fl. 17, linha 17/39, e é esse valor que deve ser considerado a reduzir a base de cálculo apurada pelo Fisco no período. Impõese a correção dos cálculos do Demonstrativo de Apuração, à fl. 1258, exatamente como o fez o Julgador a quo. 4. Reconhecimento do direito do contribuinte a compensar prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores, observada a limitação legal de 30%. A decisão de primeira instância foi como segue: 63. [...] Embora a autoridade lançadora tenha feito os demonstrativos de fls. 1.290/1.291, concedendo o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL do próprio período fiscalizado e de períodos anteriores, ao efetuar o cálculo do IRPJ e da CSLL, considerou apenas o resultado declarado na DIPJ do período fiscalizado (fls. 1.243 e 1.258). [...] 65. Assim, na apuração do montante devido de IRPJ e de CSLL, serão compensados os saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, observando o limite de trinta por cento, conforme dispõe os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995 e retificada a base de cálculo negativa de CSLL do período de R$ 4.874.738,93 para R$ 5.395.195,26, conforme informado na DIPJ do anocalendário 2005 e no Termo de Verificação de Infração. Considero correto, também aqui, o quanto decidido. Os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores estão registrados no Lalur (fls. 1372/1395), e sua existência não é negada pelo Fisco. Ao contrário, tudo leva a crer que o próprio AuditorFiscal autuante estava ciente desses valores e admitia sua compensação, a teor do Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais (fl. 1290, linha 11) e do Demonstrativo da Compensação de Bases Negativas (fl. 1291, linha 7). Provavelmente por equívoco, no momento do cálculo do imposto esse valores não foram introduzidos no sistema, equívoco pronta e adequadamente corrigido em primeira instância, com o reconhecimento das compensações a que faz jus o contribuinte, observada a limitação de 30%. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e dele conheço. Cuida o presente processo de autos de infração lavrados em face da constatação, pelo Fisco, da infração de “Omissão de Receita, caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou incomprovada”, a teor do auto de infração à fl. 1242. O Fl. 5518DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.950 11 enquadramento legal foi o art. 281, inciso III, do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), verbis: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): [...] III – a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Tratase, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a existência de obrigações escrituradas no passivo da recorrente. Além disso, para que se configure a presunção legal, é preciso que a contribuinte, regularmente intimada, não apresente provas de que tais obrigações sejam existentes e exigíveis na data do encerramento do período de apuração (no caso, em 31/12/2005). Ou, em outras palavras, que a contribuinte não se desincumba do ônus que lhe cabe, da apresentação de provas capazes de ilidir a presunção. Antes de adentrar à análise dos argumentos e documentos especificamente apresentados pela recorrente acerca da acusação de passivo fictício, deve ser apreciado seu argumento vazado nos seguintes termos: “se o passivo fictício apontado pelo Fisco corresponde a mais do que 95% da conta Fornecedores, sua contabilidade seria imprestável, devendo, portanto, estar sujeita ao arbitramento do lucro”. A decisão de primeira instância, embora de maneira sucinta, apreciou esse argumento, concluindo que não se aplicaria a hipótese de arbitramento de lucros. Não vislumbro, pois, a nulidade daquela decisão, suscitada pela ora recorrente. E, da mesma forma, não vejo como seu argumento possa ser acolhido. A hipótese de arbitramento de lucros a que se refere a interessada, a saber, a imprestabilidade da escrita, para fins de apuração do lucro real, não foi em qualquer momento levantada pelo Fisco. Ao contrário, ao constatar, por presunção legal, a existência de receitas omitidas, entendeu a fiscalização que, para fins de apuração do lucro real, seria suficiente adicionálas à base de cálculo do imposto, como o fez. O montante das receitas omitidas não é tal que se possa, de plano, concluir que toda a contabilidade seria imprestável. A contribuinte escriturou receitas, custos e despesas, não questionados durante o procedimento fiscal. Se outras despesas e custos houve, não escriturados, caberia à interessada deles trazer prova e pleitear seu aproveitamento, o que não encontro nos autos. Na mesma linha, lembro que a jurisprudência do CARF aponta para o arbitramento como medida extrema, a ser adotada somente quando impossível a determinação do lucro real. Se isso for possível, ainda que mediante ajustes ou adições, decorrentes das irregularidades apuradas, o arbitramento deve ser evitado, o que considero ter sido o caso vertente. Especificamente sobre a acusação de passivo fictício, a recorrente não discorda da Autoridade Julgadora em primeira instância quando aquela afirma que o pagamento é uma prova efetiva da exigibilidade de obrigações. Mas discorda de que essa seria Fl. 5519DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.951 12 a única forma de comprovação. Sustenta que jamais houve, por parte do Fisco, a alegação de obrigações já pagas e mantidas no passivo. Quanto à outra hipótese da presunção legal (obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada), também o fisco não se teria pronunciado, limitandose a exigir a comprovação do pagamento das obrigações e afastandose, assim, da presunção legal. Equivocase mais uma vez a recorrente. A acusação de manutenção, no passivo, de obrigações já pagas e/ou incomprovadas é cristalina, à fl. 1242, e decorre de todo o procedimento de fiscalização, em que a então fiscalizada foi intimada a especificar as obrigações integrantes de seu passivo e apresentar as correspondentes duplicatas e comprovantes de pagamentos. A conferir os termos das intimações dirigidas à então fiscalizada: • Termo de Intimação nº 0002, de 23/07/2008 (fl. 45): 1)Apresentar relação das duplicatas que compunha o saldo da conta FORNECEDORES em 31/12/2005, devendo constar desta relação o nome do fornecedor, o numero da duplicata, as datas de emissão, vencimento e pagamento e o respectivo valor; 2)Apresentar as duplicatas que forem relacionadas no item acima; • Termo de Intimação nº 0003, de 27/08/2008 (fl. 47): reintimação, nos mesmos termos. • Termo de Intimação nº 0004, de 08/10/2008 (fl. 48): reintimação, nos mesmos termos. Os pagamentos das obrigações adquirem enorme relevância nesse contexto, visto que, se correspondentes a obrigações contraídas até 31/12/2005 e comprovadamente quitadas em data posterior, atestariam a existência e exigibilidade do passivo na data do balanço, afastando a presunção legal. A simples apresentação da nota fiscal ou duplicata registrada como obrigação no passivo, dentro das circunstâncias fáticas aqui delineadas, é insuficiente para comprovar sua exigibilidade, como bem decidido em primeira instância. Além disso, a recorrente passa ao largo do fato de que a maior parte dos valores autuados (R$ 31.134.394,65, de um total de R$ 46.848.134,42, ou 66,5%) corresponde a supostas compras efetuadas a uma única empresa, a Flexpack Indústria de Embalagens Ltda. O seguinte excerto do Termo de Verificação de Infração (fl. 1236/1237) é esclarecedor: Da diferença acima mencionada a maior parte, isto e, R$ 31.134.394,65 referese a compras efetuadas a empresa FLEXPACK Indústria de Embalagens Ltda., e não pagas até 31/12/2005. Foram apresentadas às notas fiscais anexa às fls. 220/1226 entretanto apesar de intimada varias vezes, não foram apresentados os comprovantes de pagamentos, das mesmas. [...] Esta fiscalização encaminhou por via postal com Aviso de Recebimento(AR), Termo de Intimação para o domicilio fiscal da empresa Flexpack, para a mesma apresentar relação das notas fiscais relativas as vendas efetuadas a CIBRAPEL, no ano calendário de 2005, e a informar os valores que foram pagos no referido período, no entanto não houve atendimento à intimação. Fl. 5520DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.952 13 Efetuamos então diligencia no endereço constante das notas fiscais da Flexpack, isto é, na Rodovia Washington Luiz n° 3968, Jardim Primavera –Duque de Caxias – RJ, este mesmo endereço consta no cadastro da empresa junto a SRF, encontramos naquele local a empresa Aparas Boa Esperança de Papeis Ltda – CNPJ 31.617.046/000188, tendo o sócio da mesma, informado que esta empresa funciona naquele endereço desde 19/09/2002, apresentando como prova, cópia do contrato social, alvará de localização, etc., os quais se encontram anexados às fls. 1260/1267. Intimada, a fiscalizada, em 04/12/2008, Termo de Intimação n° 0006, anexo às fls. 1227/1228, a justificar a diferença acima mencionada, bem como apresentar os comprovantes de pagamentos, em especial os da empresa FLEXPACK Indústria de Embalagens Ltda e a informar a localização da referida Flexpack, tendo em vista que na diligencia efetuada no endereço da mesma foi constatado que desde 19/09/2002, a mesma já não funcionava naquele local, e que apesar disto a empresa ora autuada continuou efetuando compras de mercadorias em 2003, 2004 e 2005. Tendo em vista que a empresa não atendeu ao Termo de Intimação n° 0006, intimamos a sócia Srª Rosanne da Silva Oliveira – CPF 759.377.277/20, e o sócio Sr. Rogério da Silva Oliveira – CPF 814.076.377/20, Termos de Intimações n°s 007 e 008, anexo às fls. 1229/1232 a apresentar os mesmos documentos e informações solicitados naquele termo. Também não foi apresentada nenhuma resposta a estes novos termos de intimações. Apenas estes fatos já seriam suficientes para lançar sérias dúvidas sobre as obrigações com esse fornecedor, registradas no passivo da interessada. As provas a seu encargo deveriam ser ainda mais contundentes, no sentido da efetiva aquisição e recebimento dos produtos e dos correspondentes pagamentos. No entanto, encontro às fls. 131 e segs. meros recibos, produzidos em papel sem qualquer timbre, firmados por pessoa não identificada. Quanto às notas fiscais, conforme excerto acima, o Fisco constatou que a suposta emitente Flexpack não se encontra em seu endereço cadastral, no mínimo, desde 2002, não havendo notícia sobre se ou onde continuou suas operações. A interessada aduz que pode haver obrigações exigíveis e não pagas, a exemplo de uma hipotética empresa atravessando dificuldades financeiras e que devido a isso deixa de honrar compromissos com fornecedores ou, ainda, empresas concordatárias e em processo de falência. É verdade. No entanto, cabe a ela, recorrente, a prova de que obrigações anteriormente assumidas restariam ainda exigíveis e em aberto, anos após, sem qualquer acordo com o credor ou sem que este tenha adotado as providências legais para a satisfação de seu direito. Ainda mais fora do usual seria que o credor continuasse os fornecimentos, sem o recebimento de vendas anteriores, por longo período. Diante disso, não se pode aceitar sua afirmação de que todo o seu passivo estaria demonstrado, desde a impugnação. Os documentos até então acostados aos autos foram exaustivamente analisados pelo julgador de primeira instância, e fundamentadamente tidos por insuficientes a comprovar a existência e/ou a exigibilidade das obrigações registradas no passivo em 31/12/2005. Em sede de recurso, a interessada aduz que somente agora teria localizado alguns pagamentos efetuados, e faz acostar aos autos nova planilha intitulada “Relação dos Pagamentos a Fornecedores” (Doc. 05) detalhadas através de Planilhas Analíticas (Docs. 06 a XX), mediante os quais estariam comprovados pagamentos no montante de R$ 7.193.325,06. Fl. 5521DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.953 14 Observa que alguns dos valores teriam sido baixados mediante encontro de contas, visto que alguns dos credores também seriam simultaneamente devedores da interessada. Ressalta, ainda, que “os valores que compõem o passivo e que não tiveram os documentos relativos aos pagamentos anexados, efetivamente ainda não foram pagos e jamais poderiam ser considerados como passivo fictício”. Ainda sobre a comprovação dos pagamentos, a recorrente afirma que “a exaustiva busca em seus arquivos revelou também a existência de alguns pagamentos efetuados no curso do anocalendário 2005 que, por equívoco, deixaram de ser registrados, acarretando, em virtude disto, uma majoração indevida do saldo da conta ‘Fornecedores’ em 31/12/2005”. Discorda, no entanto, de que tal fato pudesse caracterizar a existência de passivo fictício, visto que os pagamentos teriam sido feitos com recursos próprios existentes e que a empresa possuía saldo mais que suficiente para suportar a baixa de tais valores e seu registro. Tratarseia de mera falha, sem efeitos tributários e sem prejuízo ao erário. O exame da extensa documentação, no entanto, não socorre as pretensões da recorrente. Tomemos, como exemplo, a planilha intitulada Documento 001 (fl. 3514). Ali é mencionada a conta contábil 210101.2.2059, correspondente ao fornecedor Berty Derivados do Petróleo Ltda. A planilha relaciona data de entrada, nota fiscal, data do pagamento e valor pago, fazendose acompanhar por documentos às fls. 3515/3761. Tais documentos, a princípio, seriam os comprovantes dos pagamentos que constam da planilha. No entanto, não há coincidência entre os números dos documentos, datas e valores. Por exemplo, o comprovante de fl. 3515 registra o número de documento 5191/D, valor R$ 7.709,00 e pagamento em 02/01/2006. O exame da planilha de fl. 3514 não revela nenhuma nota fiscal ou duplicata com essa numeração, nenhum pagamento nesse valor ou com essa data. O mesmo se repete, com algumas variações, ao longo de toda a documentação apresentada. Além dessa falta de correspondência específica entre os documentos e as planilhas, também não é possível fazer a correspondência entre as notas fiscais ou duplicatas e os saldos do passivo que foram objeto de autuação. Melhor explicando, não é possível saber se os documentos agora trazidos não seriam aqueles apresentados e aceitos pelo Fisco ainda durante o procedimento de fiscalização ou mesmo se integrariam o saldo em 31/12/2005. Veja se que essa conta contábil 210101.2.2059, correspondente ao fornecedor Berty Derivados do Petróleo Ltda., não se encontrava na relação originalmente apresentada ao Fisco (Resumo Saldo de Fornecedores, fls. 51/54). Prosseguindo na análise, encontramos a planilha intitulada Documento 002 (fl. 3762). Ali é mencionada a conta contábil 210101.2.1588, correspondente ao fornecedor Brasivit Com. Import. Export. Ltda. Mais uma vez, a planilha relaciona data de entrada, nota fiscal, data do pagamento e valor pago, fazendose acompanhar por documentos às fls. 3763/3784. Neste caso, não obstante haja coincidência de datas e valores com relação aos pagamentos e notas fiscais apontados, todos os pagamentos foram feitos antes de 31/12/2005, o que somente confirma o fato de sua inexigibilidade na data do balanço. Repetese, aqui, a observação feita anteriormente, sobre a impossibilidade de saber, ao certo, se as notas fiscais aqui relacionadas eram, de fato, aquelas que compunham o passivo em 31/12/2005. As demais planilhas e documentos apresentados repetem, com pequenas variações, o acima exposto, e considero desnecessário tecer considerações específicas sobre cada documento acostado aos autos, bastando registrar sua insuficiência para os fins de Fl. 5522DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.954 15 comprovar a existência e exigibilidade das obrigações registradas no passivo. Três argumentos, no entanto, merecem atenção especial: • Nos casos em que a própria interessada reconhece que não conseguiu trazer aos autos os comprovantes de pagamentos, até a presente data, afirmando os débitos ainda exigíveis, sem qualquer evidência de que tais débitos tenham sido renegociados junto aos credores, entendo que se mantém a presunção legal de omissão de receitas. A inversão do ônus da prova, já mencionada neste voto, impõe à interessada essa comprovação. • A alegação de quitação de parte dos débitos mediante encontro de contas (débitos e créditos recíprocos) é absolutamente carente de comprovação, restam incomprovados os débitos e seus pagamentos. Igualmente, mantémse a presunção legal. • Em terceiro lugar, nas situações em que a documentação trazida pela própria interessada dá conta de pagamentos efetuados em datas anteriores a 31/12/2005, resta confirmada a manutenção de obrigações não mais exigíveis no passivo, mantendose também a presunção de omissão de receitas. Ressalto que essa presunção prescinde da recomposição do caixa, como parece entender a recorrente, pelo que se torna irrelevante sua alegação de que possuía disponibilidades para os pagamentos. Finalmente, cabe verificar a alegação de teria havido erro na data de ocorrência do fato gerador, visto que parte significativa do saldo da conta Fornecedores, em 31/12/2005, teria sua origem em exercícios anteriores e, desta forma, não poderia ser imputado como passivo fictício no exercício objeto de fiscalização e lançamento. Mais uma vez, as provas dos autos não são favoráveis à recorrente, especialmente o exame do que segue: • (1) Fls. 1322/1350 – RESUMO DE SALDOS DA CONTA FORNECEDORES – planilha com o saldo de cada conta integrante do passivo, totalizando R$ 49.272.138,50. • (2) Fls. 1355/1370 – RELATÓRIO REFERENTE FORNECEDORES – COM SALDO CREDOR – planilhas com o saldo de cada conta em 31/12/2004, para as contas da matriz (total R$ 4.361.965,95), filial (total R$ 34.455.135,78) e exterior (total R$ 482.657,78). • (3) Fls. 1428 e segs. – planilhas, para cada conta, com a respectiva movimentação e saldos. Ocorre que o fato de que diversas contas, em tese, já registravam um saldo no final do período anterior (2) não significa que a movimentação de 2005 deva, necessariamente, ser o saldo no final desse ano (1) subtraído do saldo no ano anterior (2). É perfeitamente possível que todas as obrigações do final do ano de 2004 tenham sido quitadas ao longo de 2005 e que novas obrigações tenham sido contraídas, o que faria com que o saldo ao final desse ano fosse integralmente composto por obrigações contraídas no mesmo ano. Considero que a prova cabal de suas afirmações não pode ser extraída das planilhas apresentadas, como quer a recorrente. Desta forma, não vislumbro erro, também aqui, capaz de macular o lançamento. Fl. 5523DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 130100.809 S1C3T1 Fl. 4.955 16 Diante do exposto, no que tange ao recurso voluntário, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negolhe provimento. CONCLUSÃO Em conclusão, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, nego provimento a ambos os recursos, de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 5524DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11330.000636/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/10/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA.
A desistência do recurso voluntário em processo administrativo fiscal implica a perda de objeto do recurso voluntário, que, por isso, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário Não conhecido
Numero da decisão: 2301-002.522
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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DESISTÊNCIA. A desistência do recurso voluntário em processo administrativo fiscal implica a perda de objeto do recurso voluntário, que, por isso, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa CAVALCANTI CIA LTDA em face da decisão que julgou parcialmente procedente o lançamento devido ao descumprimento de obrigação acessória, referente ao período 03/2003 a 10/2005. 2. Narra o relatório fiscal que o lançamento se deu “com o objetivo de analisar e regularizar divergências apontadas no batimento GFIPxGPS” (f. 51) 3. Os autos foram baixados em diligência para que a autuada juntasse ao processo “cópia autenticada (...) de documento que comprove a legitimidade da sua representação na Defesa apresentada, de forma a atender ao disposto no § 1º, do art. 8º, Portaria MPS/GM nº 520, de 19/05/2004; bem como as GPSs originais da competência 10/2004 e 13º Salário sem indicação do ano, para, uma vez confirmado um equívoco no que diz respeito às competências no momento da inclusão da guia no Sistema de Arrecadação, autenticar as cópias de fls 110 e 111, conforme estabelece o §7º, do art. 9º, também da Portaria MPS/GM n.º 520/2004; e solicitar à empresa que requeira à SRP a correção do mesmo, possibilitando a retificação do Lançamento. Pedir, ainda, os originais dos CADs, para autenticar as cópias do Processo”. (f. 117) 4. Em resposta à diligência o fisco carreou aos autos informação fiscal na qual noticiouse que a empresa apresentou alguns dos documentos solicitados, porém, algumas das informações requeridas não fora devidamente juntadas: “4. Com relação ao recálculo dos valores, faço as seguintes observações. 4.1. A guia apresentada referente a 10/2004 foi suficiente para liquidar os valores de todas as rubricas (incluindo o desconto de segurados e de contribuinte individual, que estão na NFLD 37.007.5722), excluindose, porém, o valor de terceiros. Este sofreu uma diminuição apenas (vide tabela DE PARA). Por outro lado, esta guia não tinha sido previamente utilizada no levantamento da competência 10/2000, devido ao fato de que o documento que a incluiu (LDC 35.306.5501) foi cadastrado em 31/08/2003, portanto antes da data em que a guia em questão foi paga (23/12/2004). Nada obsta, por isso, a alteração da guia para 10/2004. 4.2. A guia referente a 13/2003 não é suficiente senão para diminuir o valor apurado para a rubrica empresa (vide tabela DE PARA). Por outro lado, esta guia havia sido utilizada nesta mesma NFLD na competência 11/2003. Foi necessário, portanto, recalcular também os valores que sofreriam alteração na competência 11/2003 (nesta e na NFLD 37.007.5722). Desse modo, a única diferença que foi achada foi para SAT/RAT (vide tabela DE PARA). 4.3. A tabela DE PARA é, portanto, a seguinte: COMPETÊNCIA RUBRICA Valor inicial (DE) Valor final (PARA) 11/2003 SAT/RAT 0,00 5.588,73 13/2003 Empresa 44.002,23 13.577,78 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11330.000636/200711 Acórdão n.º 230102.522 S2C3T1 Fl. 256 3 10/2004 Empresa 70.584,51 0,00 10/2004 SAT/RAT 10.587,68 0,00 10/2004 C.ind/adm/ aut 1.600,00 0,00 10/2004 Terceiros 20.469,51 8.767,71 ” (ff. 119 e 120) 5. A ementa do acordão vergastado restou lavrada nos termos transcritos abaixo: “DIFERENÇAS DECORRENTES DO BATIMENTO GFIP X GPS. REVISÃO DE LANÇAMENTO. I – Constatandose o recolhimento a menor de contribuições sociais incidentes sobre remunerações creditadas a segurados empregados, cujos fatos geradores foram declarados em GFIP, cabe ao Auditor Fiscal da Previdência Social efetuar o lançamento do crédito tributário correspondente. II – O lançamento pode ser revisto quando for constatada matéria de gato que altere a natureza quantitativa do crédito tributário. Lançamento Procedente em Parte” (f. 186) 6. Buscando a reforma do acórdão do Colegiado de primeira instância, o contribuinte apresentou suas razões no sentido de que: a) a obrigação principal foi regularmente cumprida, com o pagamento ao FNDE, configurando excesso por parte do fisco a cobrança de tal importância, quer por divergência de código, quer em função do pagamento ter sido feito através de carnê; b) diversos valores cobrados nos presentes autos foram objeto de pedido de parcelamento, que se encontram em andamento, sendo certo que a recorrente já recolheu mais de uma dezena de mensalidades; c) por fim, requer o cancelamento parcial da exigência fiscal, excluindose da cobrança os valores devidamente recolhidos diretamente ao FNDE e aqueles inseridos no pedido de parcelamento. 7. Sem contrarrazões os autos foram encaminhados para a apreciação deste Conselho. 8. Após, a empresa apresentou “requerimento de desistência ou impugnação de recurso administrativo” direcionada a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual declarou que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referida impugnação ou recurso. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DA ADMISSIBILIDADE 1. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, porém sua análise e apreciação são insertas na esfera de competência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). 2. Isso porque o contribuinte apresentou “requerimento de desistência ou impugnação de recurso administrativo”, nos seguintes termos: “Ao Sr. Delegado da Receita Federal de Julgamento/Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: CAVALCANTI CIA LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 29.915.238/000129, requer, para efeito do que dispõe a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a desistência total da impugnação ou do recurso interposto constante do processo administrativo 11330.000636/200711. Declara, ainda, que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referida impugnação ou recurso. A desistência total acima mencionada referese à DEBCAD/NFLD nº 37.007.5730 emitida em 27/06/2006, com débitos de Março de 2003 à fevereiro de 2006.” (f. 229) 3. Dessa forma, o recurso não pode ser conhecido, visto que com o supracitado pedido de desistência o litígio perdeu seu objeto. 4. Assim não conheço do recurso voluntário. CONCLUSÃO 5. Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11330.000636/200711 Acórdão n.º 230102.522 S2C3T1 Fl. 257 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10980.723625/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2006, 2007
REMUNERAÇÃO INDIRETA. ART. 74 DA LEI Nº 8.383/91. ESPÉCIE
DE RENDIMENTO DENTRE AQUELES DO ART. 3º DA LEI 7.713/88.
PROVENTO DE QUALQUER NATUREZA E QUE BENEFICIA O
CONTRIBUINTE. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA
DE PREJUÍZO PARA A DEFESA. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.
O art. 74 da Lei nº 8.383/91 fez parte da base legal da autuação, dentro da percepção da autoridade fiscal de que o contribuinte teria se beneficiado por remunerações percebidas de empresas de seu controle societário e de sua família, e, por óbvio, também não poderia faltar a citação ao art. 3º da Lei nº 7.713/88 no corpo do auto de infração, até porque a tributação da
remuneração indireta pelo imposto de renda é um mero detalhamento de uma das hipóteses de tributação IRPF, os proventos de qualquer natureza, figura assentada no art. 3º, § 1º, da Lei nº 7.713/88. Ademais, deve-se observar que o recorrente não apontou qualquer prejuízo para sua defesa, pois claramente compreendeu as infrações e produziu um longo recurso voluntário, debatendo
cada ponto da autuação. E, nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a defesa do recorrente (pas de nullité sans grief).
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A,
DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o
Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008;
AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se
pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao
primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de
desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência
e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 - SC (2007/0176994-0), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
CONTRATOS DE MÚTUOS. DESCARACTERIZAÇÃO. MERAS REMUNERAÇÕES PERCEBIDAS DE EMPRESAS LIGADAS, EM BENEFÍCIO DO AUTUADO. TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA.
Absolutamente incompreensível como as empresas mutuantes aceitaram títulos (Obrigações da Eletrobrás) sem qualquer certeza do mutuário, fiscalizado, com valor de mercado secundário risível, com valor para pagamento administrativo mais irrelevante ainda, tudo quando comparado aos valores milionários dos mútuos, sendo ainda obrigadas a assumir todos os ônus da cobrança judicial das incertas obrigações da Eletrobrás. Indo mais
além, a fiscalização identificou que os valores recebidos foram utilizados para pagamento de despesas pessoais do recorrente, como “cursos de idiomas, ensino fundamental e superior, cartões de créditos, despesas inerentes à atividade rural explorada pelo beneficiário, despesas com condomínio, luz, telefone, celular, gás, seguros, aquisição de imóveis, transferências de recursos para contas correntes, dentre outros, despesas essas pagas em
nome do contribuinte fiscalizado, de seu cônjuge e dependentes”.
Iniludivelmente, não se tratou de contratos de mútuos, mas de remunerações que beneficiaram o contribuinte e que devem ser tributados pelo imposto de renda da pessoa física.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. BASE DE CÁLCULO REAJUSTADA DO RENDIMENTO COMO FONTE DE RECURSOS. Não se pode negar que o contribuinte sofreu uma tributação majorada pelo
reajustamento da base de cálculo das remunerações percebidas. Sendo tal rendimento majorado submetido à tributação pelo imposto de renda, deve-se considerá-lo como fonte de recursos em sua integralidade, sob pena de haver uma tributação majorada pelo reajustamento da base de cálculo e outra tributação pelo estouro de caixa, este que poderia ser suprido pelo valor reajustado. Não se pode esquecer que o fluxo de caixa apura uma presunção de omissão de rendimentos e, como tal, se determinado rendimento é
tributado, com o ônus da base reajustada, deve constar como fonte de recursos.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-001.857
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para cancelar a infração do acréscimo patrimonial a descoberto. Fez sustentação oral o Dr. Reinaldo
Chaves Rivera, OAB-PR nº 12.310, patrono do recorrente.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Ademais, deve-se observar que o recorrente não apontou qualquer prejuízo para sua defesa, pois claramente compreendeu as infrações e produziu um longo recurso voluntário, debatendo cada ponto da autuação. E, nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a defesa do recorrente (pas de nullité sans grief). IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 - SC (2007/0176994-0), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). CONTRATOS DE MÚTUOS. DESCARACTERIZAÇÃO. MERAS REMUNERAÇÕES PERCEBIDAS DE EMPRESAS LIGADAS, EM BENEFÍCIO DO AUTUADO. TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. Absolutamente incompreensível como as empresas mutuantes aceitaram títulos (Obrigações da Eletrobrás) sem qualquer certeza do mutuário, fiscalizado, com valor de mercado secundário risível, com valor para pagamento administrativo mais irrelevante ainda, tudo quando comparado aos valores milionários dos mútuos, sendo ainda obrigadas a assumir todos os ônus da cobrança judicial das incertas obrigações da Eletrobrás. Indo mais além, a fiscalização identificou que os valores recebidos foram utilizados para pagamento de despesas pessoais do recorrente, como “cursos de idiomas, ensino fundamental e superior, cartões de créditos, despesas inerentes à atividade rural explorada pelo beneficiário, despesas com condomínio, luz, telefone, celular, gás, seguros, aquisição de imóveis, transferências de recursos para contas correntes, dentre outros, despesas essas pagas em nome do contribuinte fiscalizado, de seu cônjuge e dependentes”. Iniludivelmente, não se tratou de contratos de mútuos, mas de remunerações que beneficiaram o contribuinte e que devem ser tributados pelo imposto de renda da pessoa física. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. BASE DE CÁLCULO REAJUSTADA DO RENDIMENTO COMO FONTE DE RECURSOS. Não se pode negar que o contribuinte sofreu uma tributação majorada pelo reajustamento da base de cálculo das remunerações percebidas. Sendo tal rendimento majorado submetido à tributação pelo imposto de renda, deve-se considerá-lo como fonte de recursos em sua integralidade, sob pena de haver uma tributação majorada pelo reajustamento da base de cálculo e outra tributação pelo estouro de caixa, este que poderia ser suprido pelo valor reajustado. Não se pode esquecer que o fluxo de caixa apura uma presunção de omissão de rendimentos e, como tal, se determinado rendimento é tributado, com o ônus da base reajustada, deve constar como fonte de recursos. Recurso provido em parte.
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ART. 74 DA LEI Nº 8.383/91. ESPÉCIE DE RENDIMENTO DENTRE AQUELES DO ART. 3º DA LEI 7.713/88. PROVENTO DE QUALQUER NATUREZA E QUE BENEFICIA O CONTRIBUINTE. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O art. 74 da Lei nº 8.383/91 fez parte da base legal da autuação, dentro da percepção da autoridade fiscal de que o contribuinte teria se beneficiado por remunerações percebidas de empresas de seu controle societário e de sua família, e, por óbvio, também não poderia faltar a citação ao art. 3º da Lei nº 7.713/88 no corpo do auto de infração, até porque a tributação da remuneração indireta pelo imposto de renda é um mero detalhamento de uma das hipóteses de tributação IRPF, os proventos de qualquer natureza, figura assentada no art. 3º, § 1º, da Lei nº 7.713/88. Ademais, devese observar que o recorrente não apontou qualquer prejuízo para sua defesa, pois claramente compreendeu as infrações e produziu um longo recurso voluntário, debatendo cada ponto da autuação. E, nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a defesa do recorrente (pas de nullité sans grief). IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a Fl. 5320DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). CONTRATOS DE MÚTUOS. DESCARACTERIZAÇÃO. MERAS REMUNERAÇÕES PERCEBIDAS DE EMPRESAS LIGADAS, EM BENEFÍCIO DO AUTUADO. TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. Absolutamente incompreensível como as empresas mutuantes aceitaram títulos (Obrigações da Eletrobrás) sem qualquer certeza do mutuário, fiscalizado, com valor de mercado secundário risível, com valor para pagamento administrativo mais irrelevante ainda, tudo quando comparado aos valores milionários dos mútuos, sendo ainda obrigadas a assumir todos os ônus da cobrança judicial das incertas obrigações da Eletrobrás. Indo mais além, a fiscalização identificou que os valores recebidos foram utilizados para pagamento de despesas pessoais do recorrente, como “cursos de idiomas, ensino fundamental e superior, cartões de créditos, despesas inerentes à atividade rural explorada pelo beneficiário, despesas com condomínio, luz, telefone, celular, gás, seguros, aquisição de imóveis, transferências de recursos para contas correntes, dentre outros, despesas essas pagas em nome do contribuinte fiscalizado, de seu cônjuge e dependentes”. Iniludivelmente, não se tratou de contratos de mútuos, mas de remunerações que beneficiaram o contribuinte e que devem ser tributados pelo imposto de renda da pessoa física. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. BASE DE CÁLCULO REAJUSTADA DO RENDIMENTO COMO FONTE DE RECURSOS. Não se pode negar que o contribuinte sofreu uma tributação majorada pelo reajustamento da base de cálculo das remunerações percebidas. Sendo tal rendimento majorado submetido à tributação pelo imposto de renda, devese considerálo como fonte de recursos em sua integralidade, sob pena de haver uma tributação majorada pelo reajustamento da base de cálculo e outra tributação pelo estouro de caixa, este que poderia ser suprido pelo valor reajustado. Não se pode esquecer que o fluxo de caixa apura uma presunção Fl. 5321DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.723625/201091 Acórdão n.º 210201.857 S2C1T2 Fl. 2 3 de omissão de rendimentos e, como tal, se determinado rendimento é tributado, com o ônus da base reajustada, deve constar como fonte de recursos. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para cancelar a infração do acréscimo patrimonial a descoberto. Fez sustentação oral o Dr. Reinaldo Chaves Rivera, OABPR nº 12.310, patrono do recorrente. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 28/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte NEWTON BONIN, CPF/MF nº 361.319.03972, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 14/09/2010, auto de infração (fls. 5.017 e seguintes), com ciência pessoal (procurador) em 20/09/2010 (fl. 5.022). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 15.192.586,70 MULTA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 75% SOBRE O IMPOSTO LANÇADO R$ 11.394.440,01 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: 1. omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica Logika Distribuidora de Cosmético Ltda., doravante denomina Logika, nos anoscalendário 2005 (R$ 15.419.694,88) e 2006 (R$ 32.413.995,99); 2. omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica Bonyplus ind. e comércio., exp.. e imp. Fl. 5322DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 de cosméticos Ltda., doravante denominada Bonyplus, nos anos calendário 2005 (R$ 6.695.486,06) e 2006 (R$ 621.277,43); 3. acréscimo patrimonial a descoberto, no anocalendário 2006 (R$ 109.037,91); 4. omissão de ganho de capital, no anocalendário 2006 (R$ 12.071,09). Em relação às infrações “1” e “2”, acima, assim as descreveu a autoridade fiscal (fls. 4.995 a 5.004, com as correções de referências de fls. 5.061 e seguintes): 3.1 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS NOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2005 e 2006 A partir de documentos apresentados pelo contribuinte fiscalizado e coletados em diligências realizadas junto às empresas LÓGIKA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA, CNPJ N° 06.222.722/000177 e BONYPLUS IND. E COMÉRCIO, IMP. E EXP. DE COSMÉTICOS LTDA, CNPJ N° 82.566.340/000149, constatouse que as referidas empresas efetuaram pagamentos de despesas com benefícios e vantagens concedidos ao sujeito passivo, sem que tais valores tenham sido incorporados ao rendimento da pessoa física beneficiária. Essas despesas referemse a vantagens como pagamentos de cursos de idiomas, ensino fundamental e superior, cartões de créditos, despesas inerentes à atividade rural explorada pelo beneficiário, despesas com condomínio, luz, telefone, celular, gás, seguros, aquisição de imóveis, transferências de recursos para contas correntes, dentre outros, despesas essas pagas em nome do contribuinte fiscalizado, de seu cônjuge e dependentes. Tais vantagens concedidas ao beneficiário, Sr. NEWTON BONIN foram contabilizadas nas datas em que os pagamentos foram realizados, em contas do Ativo, denominadas Empréstimos a Pessoas Ligadas, em virtude da pessoa física beneficiária ser sócia da empresa LÓGIKA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA e na conta Empréstimos e Mútuos na empresa BONYPLUS IND. E COMÉRCIO, IMP. E EXP. DE COSMÉTICOS LTDA, conforme fotocópias dos Razões e livros Diários apresentados (fls. 2142 a 2720;2996 a 3247; 3250 a 3510). Nos dias 28/12/2006 na empresa LÓGIKA e 29/12/2006 na empresa BONYPLUS foram feitas as contabilizações das liquidações dos "empréstimos" mediante a cessão de cautelas de obrigações da Eletrobrás (fl. 2144, 2224, 2134 a 2147), objeto dos contratos de "Cessão em Dação em Pagamento Particular com Cláusula de Exigibilidade Futura” (fls. 2113 a 2119). Da situação descrita, apesar das escriturações contábeis efetuadas pelas empresas classificarem os pagamentos realizados na conta de AtivoEmpréstimos e Mútuos e a pessoa física beneficiária informar nas Declarações de Ajustes Anuais (DAA) apresentadas nos anos calendários de 2005 e 2006, a obtenção de mútuos com as mesmas, depreendese, com base nos documentos constantes nos presentes autos, que a real Fl. 5323DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.723625/201091 Acórdão n.º 210201.857 S2C1T2 Fl. 3 5 natureza de tais pagamentos não são de empréstimos, mas conduzem ao inequívoco convencimento da ocorrência de pagamento de benefícios e vantagens, denominados de remuneração indireta, sem que tais parcelas tenham sido incorporadas aos rendimentos do beneficiário, enquadrandose, desta forma, perfeitamente como rendimento tributável, conforme disposição expressa no sistema normativo vigente (art. 74 da Lei n° 8.383/1991 e art. 622 do RIR/1999). Deste modo, todos os pagamentos efetuados em caráter de remuneração pelos serviços prestados à pessoa jurídica, inclusive as despesas de representação e os benefícios e vantagens concedidos pela empresa a título de salários indiretos, tais como despesas de cartões de crédito, pagamento de anuidades escolares, clubes, associações, etc, são computados para fins de apuração do montante tributável. 3.1.1 OBRIGAÇÕES AO PORTADOR EMITIDAS POR ELETROBRÁS. Superada a fase anterior acerca da natureza dos pagamentos realizados, merecem ainda serem tecidas considerações acerca das Obrigações ao Portador Emitidas por Eletrobrás. I. Aquisição das Obrigações por parte do sujeito passivo Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou fotocópia simples do instrumento particular de compromisso de compra e venda formalizado em 28/07/2006 (fls. 152 a 155), que tem por: a) Objeto obrigações ao portador emitidas por Eletrobrás Centrais Elétricas Brasileiras S/A, abaixo especificados: (...) Promitentevendedor PEDRO GILVAN SERAFINS DOS REIS e promissáriocomprador NEWTON BONIN e, Preço certo e ajustado de R$ 35.421.773,00 (trinta e cinco milhões, quatrocentos e vinte e um mil, setecentos e setenta e três reais). Demais cláusulas tratam da forma de pagamento e da posse e propriedade dos ativos financeiros. II. Solicitação de esclarecimentos ao alienante Pedro Gilvan Serafins dos Reis, CPF N° 335.114.54115: De acordo com o descrito no item 2.2.11, o alienante foi devidamente intimado a prestar esclarecimentos por intermédio do Termo de Intimação Fiscal n° 001 de 24/11/2009. Em atendimento ao solicitado, confirmou a existência da transação e apresentou fotocópia do Contrato de Compra e Venda de Bens entre Pessoas Físicas celebrado com o Sr. NEWTON BONIN, em data de 28/07/2006 (fls. 2050 a 2061) . III. Cessão em dação em pagamento Por sua vez, as empresas LÓGIKA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA e BONYPLUS IND. E COMÉRCIO, IMP. Fl. 5324DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 E EXP. DE COSMÉTICOS LTDA apresentaram, em 25/02/2010, fotocópias dos contratos de "Cessão em Dação em Pagamento Particular com Cláusula de Exigibilidade Futura" (fls. 2114 a 2119), sobre os quais são destacados os pontos a seguir: a) Credor de cada um dos contratos formalizados: BONYPLUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO,IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA, CNPJ N° 82.566.340/000149 e LÓGIKA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA, CNPJ N° 0 6.222.722/000177 b) Devedor: NEWTON BONIN c) Objeto do Contrato (Cláusula 1ª): Cessão em dação em pagamento de títulos ao portador de emissão da CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S/A ELETROBRÁS, denominadas de Obrigações, devidamente especificados, de propriedade do DEVEDOR, como pagamento dos valores adiantados como remuneração de representação, havidos em conta de adiantamentos de Distribuidores, devida ao CREDOR com expresso consentimento deste. (grifos nossos) d) Dívida e do Pagamento (Cláusula 2ª): A dívida líquida e certa, oriunda da conta de antecipações de verbas de Representação em decorrência das relações comerciais havidas entre o DEVEDOR e o CREDOR, reconhecida no valor de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) BONYPLUS e de R$ 30.421.773,00 (trinta milhões, quatrocentos e vinte e um mil, setecentos e setenta e três reais) LÓGIKA, que será quitada através da transferência da propriedade do DEVEDOR, dos Títulos ao Portador, enunciado, de emissão de CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S/A ELETROBRÁS, livres de quaisquer ônus, ao CREDOR, que assim consente na forma do artigo 356 do Código Civil Brasileiro. IV. Diligência junto a Centrais Elétricas Brasileiras SA, CNPJ N° 00.001.180/000207 (fl. 4999) Foram solicitados esclarecimentos sobre os referidos títulos ao portador, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 001 de 28/04/2010, ciência em 06/05/2010 (fls. 2775 a 2784), conforme descrito no item 2.2.14. Em atendimento ao solicitado, as CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S.A., sociedade de economia mista e de capital aberto, por meio de correspondência datada de 13/05/2010 (fls. 2785 a 2809) prestou diversos esclarecimentos, dentre eles as datas em que se tornaram resgatáveis e o valor hipotético atualizado de resgates das cautelas. V. Conclusões Diante de todo o exposto e dada a real natureza dos pagamentos realizados pelas pessoas jurídicas, depreendese, ainda, que tais títulos ao portador, cujo valor hipotético de Fl. 5325DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.723625/201091 Acórdão n.º 210201.857 S2C1T2 Fl. 4 7 resgate em data de 01/05/2010, segundo o órgão emissor, perfaz um total de R$ 3.489,23 (três mil, quatrocentos e oitenta e nove reais, vinte e três centavos), não serviriam para quitar "empréstimos" de valores tão vultosos contraídos pela pessoa física, nos montantes de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) junto à empresa BONYPLUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO,IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA e de R$ 30.638.869,34 (trinta milhões, seiscentos e trinta e oito mil, oitocentos e sessenta e nove reais, trinta e quatro centavos) com a empresa LÓGIKA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA. 3.1.2 CONSIDERAÇÕES SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS, A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA E A LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Tendo em vista que tais pagamentos se caracterizam como pagamentos de benefícios e vantagens concedidos pelas empresas e, por sua vez, não foram computados nas bases de cálculos das declarações de ajustes anuais apresentadas relativas aos anos calendários de 2005 e 2006, estão sendo submetidos à tributação. Nos termos da legislação vigente, os recebimentos de rendimentos estão sujeitos à incidência do imposto na fonte e, uma vez constatado que não houve o oferecimento à tributação, a retenção e nem tão pouco o recolhimento pela fonte pagadora o imposto de renda devido, a responsabilidade pelo mesmo passa a ser do beneficiário. Além disso, de acordo com o disposto no art. 725 do RIR/99, as importâncias pagas são consideradas líquidas, cabendo os reajustamentos dos rendimentos brutos, sobre os quais recairão os impostos devidos. Efetuados os reajustamentos nos termos do art. 20 da IN n° 15/2001, as bases de cálculo mensais dos rendimentos omitidos estão demonstradas nas planilhas de folhas n° 4936 a 4960. Diante de todo o exposto, levandose em conta o vínculo da pessoa física fiscalizada com as fontes pagadoras, a omissão dos rendimentos auferidos foi tributada da seguinte forma: 3.1.3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDO DE PESSOAS JURÍDICAS NOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2005 e 2006 LÓGIKA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA, CNPJ N° 06.222.722/000177 De acordo com os atos constitutivos da empresa (Cláusulas 5ª e 8ª nas fls. 1936 a 1938) a participação do Sr. NEWTON BONIN no capital social corresponde a 99% (noventa e nove por cento) e a ele cabe a "administração da sociedade, com poderes e atribuições de gerir e administrar os negócios da sociedade, representála ativa e passivamente, judicial e extra judicialmente perante órgãos públicos, instituições financeiras, entidades privadas e terceiros em geral, bem como praticar Fl. 5326DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 todos os demais atos necessários à consecução dos objetivos ou à defesa dos interesses da sociedade”. Por sua vez, segundo o disposto na Cláusula 1ª do "Contrato de Cessão em Dação em Pagamento Particular com Cláusula de Exigibilidade Futura" firmado entre a empresa LÓGIKA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA, CNPJ N° 06.222.722/000177 e NEWTON BONIN, constituise como seu objeto "o pagamento dos valores adiantados como remuneração de representação, havidos em conta de adiantamentos de Distribuidores, devida ao CREDOR com expresso consentimento deste" (fl. 2117) . Acrescentese que, por disposição expressa no art. 74 da Lei 8.383/1991 e, também, prevista no art. 622 do RIR/1999, todos os pagamentos realizados integrarão a remuneração do beneficiário como salário indireto. Assim sendo, tais rendimentos foram considerados líquidos, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recaiu o imposto nos termos do art. 61, § 3º da Lei n° 8.981/1995 e art. 675, § 1° do RIR/1999. Nas planilhas de folhas n° 4936 a 4945 e 4955 a 4957, bem como nos quadros a seguir, estão demonstrados todos os valores recebidos pelo beneficiário, devidamente reajustados seguindo o mandamento legal. (...) 3.1.4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VINCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDO DE PESSOAS JURÍDICAS NOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2005 e 2006 BONYPLUS IND. E COMÉRCIO, EMP E EXP DE COSMÉTICOS LTDA, CNPJ N° 82.566.340/000149 A Cláusula 1ª do "Contrato de Cessão em Dação em Pagamento Particular com Cláusula de Exigibilidade Futura", firmado entre a empresa BONYPLUS IND. E COMÉRCIO, IMP E EXP DE COSMÉTICOS LTDA, CNPJ N° 82.566.340/000149 e NEWTON BONIN, informa ser o objeto do contrato "o pagamento dos valores adiantados como remuneração de representação, havidos em conta de adiantamentos de Distribuidores, devida ao CREDOR com expresso consentimento deste" (fl. 2114). Ou seja, há o reconhecimento expresso pelas partes contratantes acerca da natureza de remuneração dos valores pagos pela empresa a pessoa física, não participante do seu quadro societário conforme contrato social e demais alterações societárias. Deste modo, por disposição expressa no art. 74 da Lei 8.383/1991 e, também, prevista no art. 622 do RIR/1999, todos os pagamentos realizados integrarão a remuneração do beneficiário como salário indireto. Assim sendo, tais rendimentos foram considerados líquidos, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recaiu o imposto nos termos do art. 61, § 3º da Lei n° 8.981/1995 e art. 675, § 1º do RIR/1999. Nas planilhas de folhas n° 4946 a 4954 e 4958 a 4960, bem como nos quadros abaixo, estão demonstrados todos os valores recebidos pelo Fl. 5327DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.723625/201091 Acórdão n.º 210201.857 S2C1T2 Fl. 5 9 beneficiário, Devidamente reajustados seguindo o mandamento legal. (...) Compulsando o contrato de promessa de compra e venda das obrigações da Eletrobrás, pactuado entre o comprador, aqui autuado, e o vendedor, Sr. Pedro Gilvan Serafins dos Reis, extraemse as seguintes informações sobre o preço: § o promitente vendedor receberia como sinal e parte de pagamento o montante de R$ 140.000,00, na data da avença (28/07/2006); § o promitente vendedor receberia 04 parcelas mensais e consecutivas de R$ 60.000,00, com a primeira vencendo em 15/07/2007; § no caso de sucesso da cobrança administrativa ou judicial das obrigações da Eletrobrás, o promitente comprador pagará o importe de R$ 29.000.088,00 ao vendedor, em 24 prestações anuais, iguais, sem juros, vencíveis a partir de 15/12/2012. Já no tocante ao acréscimo patrimonial a descoberto, a confrontação entre as fontes e dispêndios de recursos está estampada no fluxo de caixa de fls. 5.045 a 5.060, com a apuração dos estouros de caixa. Por último, o contribuinte pagou o imposto incidente sobre a omissão de rendimentos provenientes do ganho de capital (infração “4”, acima). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 4ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0629.921, de 18 de junho de 2011 (fls. 5.211 a 5.231). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 10/02/2011 (fl. 5.235). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 09/03/2011 (fl. 5.239). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. a peça acusatória é nula por não apontar adequadamente a base legal da infração, pois baseada no art. 74 da Lei nº 8.383/91 (remuneração indireta) e não no art. 3º da Lei nº 7.713/88 (remuneração genérica), esta última defendida na decisão recorrida, sendo certo que cerceia o direito de defesa do contribuinte a mera discriminação de múltiplas legislações na base legal, sem a discriminação da específica norma legal infringida, como ocorreu nestes autos, aqui lembrando que a decisão recorrida chegou até a mudar a base legal da infração, fazendo uso do art. 3º da Lei nº 7.713/88, causa, por si só, de nulidade da decisão que ora se recorre. Ademais, no caso destes autos, é da essencialidade da tributação a discriminação entre rendimentos oriundos de vínculo empregatício e sem vínculo, exatamente pela constatação do pagamento de salários indiretos ou Fl. 5328DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 vantagens indiretas (pagamento de valores a título de fringe benefits), o que foi reconhecido de forma diversa pela decisão recorrida, sendo também hipótese de nulidade da autuação; II. diferentemente do asseverado pela decisão recorrida, que visualizou na autuação uma omissão de rendimentos genericamente considerados, tratase, a toda evidência, na visão da autoridade autuante, de omissão de rendimentos, com ou sem vínculo empregatício, decorrente de remuneração indireta, inclusive porque geraram autuações de contribuições previdenciárias e multa e juros pelo não recolhimento do IRRF nas empresas envolvidas; III. o fato gerador do imposto de renda é mensal, na forma do art. 2º da Lei nº 7.713/88, submetido ao prazo decadencial quinquenal na forma do art. 150, § 4º, do CTN, sendo de rigor decretar a decadência dos fatos geradores anteriores a agosto de 2005, inclusive, pois a ciência do lançamento ocorreu em setembro de 2010; IV. considerando o que consta dos itens “3.1.3” e “3.1.4” do Termo de encerramento da ação fiscal, vêse que a autuação parece ter se fundado no art. 74, § 3º, I, da Lei nº 8.383/91 (aplicase aos benefícios e vantagens concedidos pela empresa a pessoas físicas por serviços prestados, com ou sem vínculo empregatício, observadas as isenções existentes), em decorrência do auferimento dos pretensos benefícios indiretos, apesar deste dispositivo não estar descrito especificamente no auto de infração, causa de nulidade por si só, como já dito anteriormente, sendo certo, ainda, que nunca houve prestação de serviços pelo recorrente às duas empresas, seja com vínculo empregatício (inclusive porque o autuado era sócio da Logika), sem seja vínculo (no caso da Bonyplus), condição suficiente para fazer soçobrar o lançamento, pois somente há remuneração indireta, como se apreende dos Pareceres Normativos da SRF sobre a matéria, quando há pagamento, pela empresa, de despesas particulares em favor de quem lhe prestou serviços e houve a efetiva prestação de serviços pelo beneficiário à empresa, hipóteses não ocorridas nestes autos. Ressaltese, ainda, que não parece crível uma remuneração indireta de milhões de reais, como no caso vertente; V. os valores considerados como rendimentos omitidos pela autoridade fiscal são, na verdade, mútuos obtidos pelo autuado junto às empresas Logika, da qual é sócio, e Bonyplus, da qual seus familiares são sócios, com o fito de instalar uma usina de canade açúcar em imóvel do recorrente na cidade de Umuarama, a qual, por fatores conjunturais, foi posteriormente alienada. Aqui, registrese, os registros contábeis nas empresas envolvidas, contas de empréstimos, bem como os instrumentos de formalização das operações, denunciam a verdadeira natureza dos atos jurídicos envolvidos, que fazem prova efetiva da existência de mútuos, que foram desconsiderados pela autoridade autuante, ao arrepio da condicionante do art. 116, parágrafo único, do CTN. Ainda, não se pode levantar suspeita sobre a natureza dos empréstimos, pelo simples equívoco do contador, que efetuou os lançamentos no Razão como se fossem pagamentos de contas pessoais do Recorrente (“o Fl. 5329DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.723625/201091 Acórdão n.º 210201.857 S2C1T2 Fl. 6 11 que foi feito apenas para se fazer o devido controle das entregas dos mútuos ao Recorrente, em especial no caso de pagamentos a terceiro por sua conta e ordem”), já que tudo foi contabilizado em conta de empréstimo; VI. se a fiscalização já havia deslindado a “real natureza” das operações, entendendoas como remuneração indireta, não havia motivo em aterse à liquidação dos mútuos, inclusive porque não há qualquer impedimento da liquidação na via da dação em pagamento, com obrigações da Eletrobrás, títulos, ressaltese, reconhecidos pela própria Receita Federal, como ocorreu nestes autos. Aqui, por relevante, devese desconsiderar a tendenciosa e parcial informação dos valores dos títulos prestados pela própria Eletrobrás, quando se sabe que são objeto de demanda judicial, e que, no caso de insucesso da demanda (processo judicial nº 1744281.2009.4.01.3400, em trâmite em Vara Federal de Brasília), evicta estarão em seus direitos às empresas cessionárias, devendo ser restabelecidas as operações ao seu status quo ante, com desfazimento das quitações dadas ao autuado; VII. “Por outro lado, não se deve impressionar a afirmação fiscal no sentido de que o objeto dos contratos de cessão em dação em pagamento, que serviram para liquidar os mútuos, seria o de “pagamento de valores adiantados como remuneração de representação em conta de adiantamento de Distribuidores, devida ao credor com expresso consentimento dele” (pág. 26/44 do Termo)”. Tratouse de má redação do instrumento, por pessoa leiga, que somente com a autuação as partes se aperceberam, já tendo rerratificado um novo instrumento, sem tais dizeres. Ademais, sequer há uma conta de “Adiantamento de Distribuidores” nas empresas Logyca e Bonyplus; VIII. considerando que o autuado era sócio da empresa Logika, não pode permanecer a infração decorrente da omissão de rendimentos decorrente de vínculo empregatício (item 3.1 do Termo), pois, obviamente, não há vínculo empregatício entre a empresa e seu sócio; IX. houve outros valores referentes a mútuos que foram liquidados pelo recorrente em espécie (valores devolvidos às empresas em cheques, Teds. ou Docs.), os quais não foram considerados como remuneração indireta, muito embora fossem também decorrentes dos mútuos perante as empresas (e que eram controlados pelo sistema rotativo), indicando que a autoridade fiscal atribuiu dois pesos e duas medidas aos mesmos fatos; X. a empresa Logika detinha lucros acumulados nos dois anos calendário da autuação, e, desconsiderados os mútuos, forçoso considerálos à conta de lucros acumulados, na forma do art. 60, V, Fl. 5330DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 12 do DecretoLei nº 1.598/77, como, inclusive, pacificamente acatado na jurisprudência do CARF; XI. pelo princípio da eventualidade, dentre as despesas consideradas como remuneração indireta, vêemse algumas que podem ser enquadradas como despesas particulares, amoldandose ao tipo da infração visualizado pela autoridade fiscal, porém outras foram utilizadas para compra de máquinas, equipamentos, instalações e para pagamento de laudos e pareceres técnicocientíficos, tudo isso relativo ao investimento que o recorrente fez em suas propriedades rurais e na instalação de uma usina de cana de açúcar, que estão discriminados no Anexo II (Logika e Bonyplus), acostados na peça impugnatória, e que devem ser excluídos da imputação fiscal; XII. em relação à infração do acréscimo patrimonial a descoberto APD, caso sejam considerados os mútuos como tais, desaparece o estouro de caixa. Ademais, caso os mútuos sejam considerados como rendimentos omitidos, devemse considerar os valores brutos como fonte de recursos. Ainda, como as fontes pagadoras não efetuaram qualquer retenção do IRRF, não se pode considerar os valores com as bases reajustadas, pois as fontes pagadoras não assumiram o ônus do IRRF devido. Vêse que a autoridade fiscal não considerou todos os valores recebidos das fontes pagadoras, mesmo a título de rendimentos, bem como não considerou o excesso de caixa do ano calendário 2005, o que é suficiente para afastar o excesso de aplicações sobre as fontes no anocalendário 2006. Por fim, o que deveria ser presumido seria a renda auferida e não o acréscimo patrimonial, que deveria ser confeccionado em base anual, inclusive como entendeu a autoridade julgadora a quo quando apreciou a decadência, ao afirmar que o fato gerador seria anual. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 10/02/2011 (fl. 5.235), quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 09/03/2011 (fl. 5.239), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 14/03/2011, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Passase a apreciar a preliminar de nulidade, como discriminado nos itens I e II do relatório. O recorrente busca reconstruir os fatos dos autos, dando larga ênfase ao estatuído no art. 74 da Lei nº 8.383/91 (tributação de remuneração indireta), como se as normas de tal artigo pudessem ser compreendidas sem qualquer ligação com as normas básicas de Fl. 5331DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.723625/201091 Acórdão n.º 210201.857 S2C1T2 Fl. 7 13 tributação do imposto de renda das pessoas físicas, insculpidas no art. 3º da Lei nº 7.713/88. De ressaltar que ambos os artigos legais constaram no corpo do auto de infração, como base legal. Sendo verdade que o art. 74 da Lei nº 8.383/91 fez parte da base legal da autuação, dentro da percepção da autoridade fiscal de que o contribuinte teria se beneficiado por remunerações percebidas de empresas de seu controle societário e de sua família, por óbvio não poderia faltar a citação ao art. 3º da Lei nº 7.713/88 no corpo do auto de infração, até porque a tributação dos rendimentos indiretos pelo imposto de renda é um mero detalhamento de uma das hipóteses de tributação IRPF, os proventos de qualquer natureza, figura assentada no art. 3º, § 1º, da Lei nº 7.713/88, ainda lembrando que, no parágrafo quarto deste artigo, há a menção a irrelevância de qualquer elemento acessório ao rendimento, sendo que o imposto de renda incidirá sempre que o contribuinte foi beneficiado por qualquer forma ou a qualquer título. Vejase, para tanto, a transcrição da legislação ora citada, nos pontos que aqui interessam: Art. 3º da Lei nº 7.713/88. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei.(Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Art. 74 da Lei nº 8.383/91. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; Fl. 5332DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 14 b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. (...) Devese observar que as hipóteses do art. 74 da Lei nº 8.383/91 são meramente exemplificativas, tudo se amoldando a estrutura de tributação do IRPF, na forma do art. 3º da Lei nº 7.713/88, com interpretação conjugada. Em outra vertente, haveria nulidade se não tivesse havido uma perfeita descrição da infração imputada ao contribuinte, porém isso não ocorreu. Em essência, em longo e detalhado procedimento fiscal, a fiscalização imputou ao contribuinte a percepção de valores pagos pelas empresas Logika, tratados como rendimentos com vínculo empregatício, e Bonyplus, como rendimentos sem vínculo empregatício, ambos vistos pelo sujeito passivo como mútuos, e um acréscimo patrimonial a descoberto. O contribuinte compreendeu perfeitamente a imputação que lhe foi feita, chegando até a sugerir que a base legal da autuação deveria ser o art. 74, § 3º, I, da Lei nº 8.383/91 (aplicase aos benefícios e vantagens concedidos pela empresa a pessoas físicas por serviços prestados, com ou sem vínculo empregatício, observadas as isenções existentes), implicando que não houve cerceamento do seu direito de defesa, a justificar a decretação de qualquer nulidade. Aqui se deve anotar que a base legal acima, com o detalhamento descrito pelo contribuinte, não constou no auto de infração, até porque o § 3º citado, incluído no art. 74 da Lei nº 8.383/91 pela Medida Provisória MP nº 449/2008, não tinha vigência na época dos fatos geradores (2005 e 2006) e mesmo no momento da autuação (2010), aqui porque ele não constou na Lei nº 11.941/2009, veículo de conversão da MP citada. Ademais, devese observar que o recorrente não apontou qualquer prejuízo para sua defesa, pois claramente compreendeu os fatos tidos como infracionais, a base legal que constou no auto de infração, e produziu um longo recurso voluntário, debatendo cada ponto da autuação. E, nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a defesa do recorrente (pas de nullité sans grief). Na forma acima, igualmente não houve qualquer nulidade na decisão recorrida, que também entendeu presentes os comandos do art. 3º da Lei nº 7.713/88, como autorizadores da autuação, agregado ao art. 74 da Lei nº 8.383/91. Por fim, em linha com o decidido pela decisão recorrida, entendo que a discriminação dos rendimentos percebidos pelo contribuinte, como oriundos do trabalho com e sem vínculo empregatício, não é da essência da tributação, até porque se deve tributar qualquer dinheiro percebido pelo contribuinte, desde que, no caso, não haja eventual norma isentiva. Por tudo, sem razão o recorrente na preliminar. Agora, passase ao mérito, começando pela decadência (item III do relatório). Fl. 5333DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.723625/201091 Acórdão n.º 210201.857 S2C1T2 Fl. 8 15 Primeiramente, fazse breve menção à tradicional jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF sobre a matéria decadencial. Entendiase que a regra de incidência de cada tributo era que definia a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribuísse ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldarseia à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial darseia na forma disciplinada no art. 150, § 4º, do CTN, sendo irrelevante a existência, ou não, do pagamento, e, no caso de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial tinha assento no art. 173, I, do CTN . Este era o entendimento aplicado ao lançamento do imposto de renda da pessoa física e da pessoa jurídica sujeito ao ajuste anual. Assim era pacífico no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física e jurídica sujeito ao ajuste anual amoldarseia à dicção do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo dessa jurisprudência, citamse os acórdãos nºs: 10195.026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 10246.936, relator o Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 07/07/2005; 10323.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 10422.523, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de 14 de junho de 2007; e 10615.958, relatora a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, sessão de 08/11/2006. O entendimento acima também veio a ser acolhido pelo CARF a partir de 2009, quando este Órgão substituiu os Conselhos de Contribuintes. Entretanto, veio a lume uma alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no DOU em 22.12.2010), que passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II do RICARF). E o Superior Tribunal de Justiça, no rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), confessou uma tese na matéria decadencial diversa do CARF, como abaixo se vê, sendo de rigor aplicála nos julgamentos da segunda instância administrativa. Dessa forma, no que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação, apreciouse o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o julgado submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, Fl. 5334DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 16 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 5335DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.723625/201091 Acórdão n.º 210201.857 S2C1T2 Fl. 9 17 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No precedente acima do Superior Tribunal de Justiça, a existência, ou não, do pagamento passou a ser relevante para definir a regra decadencial. Para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência, para o art. 173, I, do CTN. No caso destes autos, para o anocalendário 2005, considerando que não houve o pagamento de qualquer imposto antecipado (fls. 3 a 9), devese aplicar o prazo decadencial na forma do art. 173, I, do CTN. Assim, considerando que o fato gerador do imposto de renda dos rendimentos sujeitos ao ajuste se aperfeiçoa no último dia do ano calendário, como se pode ver pela inteligência da Súmula nº 38 (O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário), que, apesar de voltada para a tributação dos depósitos bancários, aplicase igualmente a tributação ordinária do imposto de renda, já que a controvérsia sobre a aplicabilidade da tributação mensal dos depósitos bancários (art. 42, §§ 1º e 4º, da Lei nº 9.430/96) foi afastada exatamente pela aplicação das regras ordinárias da tributação da pessoa física (Leis nºs 7.713/88 e 8.134/90), vêse que o prazo decadencial teve início em 1º/01/2007 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ultimandose em 31/12/2011, sendo hígido o lançamento, pois cientificado ao sujeito passivo em 20/09/2010 (fl. 5.022). Ainda, mesmo que fosse considerado o prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º, do CTN, a Fazenda Nacional poderia concretizar o lançamento até 31/12/2010, igualmente não havendo falar em decadência. Por tudo, inviável o reconhecimento da decadência nestes autos. Agora se debatem as defesas trazidas nos itens IV a XI, que vergastam a omissão de rendimentos percebidos pelo autuado das empresas Logika e Bonyplus. A despeito do grande esforço do recorrente em segregar os fatos dos autos, tentando fazer soçobrar o lançamento a partir do não atendimento de requisitos formais, como a não menção ao inexistente art. 74, § 3º, I, da Lei nº 8.383/91, ou mesmo pela tentativa de fazer prevalecer contratos de mútuos a partir do cumprimento de requisitos instrumentais ou os visualizando a partir unicamente da aplicação dos recursos na instalação de uma usina de cana deaçúcar, ficou absolutamente claro que os mútuos foram descaracterizadas pela singela impossibilidade de se aceitar a extinção de empréstimos milionários (R$ 5.000.000,00, no caso da Bonyplus, e R$ 30.421.773,00, no caso da Logika, como constou nos contratos de cessão em dação em pagamento particular com cláusula de exigibilidade futura, firmados entre os mutuantes e o mutuário) a partir de Obrigações da Eletrobrás, títulos sem qualquer certeza, como se vê pela ação judicial que o recorrente fez menção, proposta pela Bonyplus em desfavor da Eletrobrás1, e de valor no mercado secundário risível, quando confrontado com os 1 A Bonyplus propôs a ação 001744281.2009.4.01.3400, autuada em 28/05/2009,junto à 13ª Vara Federal de Brasília, em desfavor da Eletrobrás, sem qualquer decisão até o presente momento, cobrando todos os títulos, inclusive os da Logika, como se pode ver em: http://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=174428120094013400&secao=DF&enviar=Pe squisar. Acesso em 02/02/2012. Fl. 5336DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 18 empréstimos, como também se percebe pelo valor pago pelo recorrente ao Sr. Pedro Gilvan Serafins dos Reis, no importe um sinal de R$ 140.000,00, agregado de 04 parcelas R$ 60.000,00, tudo a ser adicionado de um valor da ordem de R$ 30.000.000,00, este a ser pago em valores anuais, sem juros, em 24 parcelas, a partir de 15/12/2012, desde que houvesse sucesso na incerta demanda de cobrança das Obrigações, na via administrativa ou judicial. Ademais, não se pode esquecer que a Eletrobrás, atendendo intimação tombada nestes autos, asseverou que tais títulos ao portador, cujo valor hipotético de resgate em data de 01/05/2010, segundo o órgão emissor, perfaz um total de R$ 3.489,23 (três mil, quatrocentos e oitenta e nove reais, vinte e três centavos), tudo a demonstrar a absoluta ausência de verossimilhança de que se tratava de verdadeiramente mútuos, mas simplesmente de rendimentos auferidos pelo recorrente em desfavor das empresas Bonyplus e Logika. Ainda a demonstrar a clareza solar de que não se trata de mútuos, mas de remunerações auferidas pelo fiscalizado, as empresas Bonyplus e Logika deram quitação às dívidas milionárias do mutuário fiscalizado, em 28/12/2006, aceitando os títulos, como já dito, para os quais o devedor, ora fiscalizado, não se responsabilizaria pela solvência ou inadimplência do emitente (Eletrobrás), cabendo as empresas cessionárias buscar as suas expensas a via judicial para constranger a emitente a pagálos, devendo algum valor recebido além das dívidas mutuadas na via judicial ser ainda vertido em prol do aqui recorrente (fls. 2.114 a 2.119). Absolutamente incompreensível como as empresas aceitaram títulos sem qualquer certeza, com valor de mercado secundário risível, com valor para pagamento administrativo mais irrelevante ainda, sendo obrigadas a assumir todos os ônus da cobrança judicial, tendo por fim que pagar ao mutuário aqui recorrente os valores que, por milagre, venham a sobejar as dívidas milionárias. Indo mais além, a fiscalização identificou que os valores recebidos foram utilizados para pagamento de despesas pessoais do recorrente, como “cursos de idiomas, ensino fundamental e superior, cartões de créditos, despesas inerentes à atividade rural explorada pelo beneficiário, despesas com condomínio, luz, telefone, celular, gás, seguros, aquisição de imóveis, transferências de recursos para contas correntes, dentre outros, despesas essas pagas em nome do contribuinte fiscalizado, de seu cônjuge e dependentes”. Ora, em um cenário como o acima posto, não se tem como acatar que os repasses feitos pelas empresas Logika e Bonyplus ao recorrente sejam mútuos, pois inegavelmente o recorrente se apropriou de dinheiros das empresas, aproveitandose de sua posição societária (ou de sua família), para consumir e investir os valores em negócios privados, não os devolvendo, havendo claro benefício em prol do autuado, sendo irrelevante se houve ou não prestação de serviço do recorrente às empresas, pois claramente ele se beneficiou dos recursos, e a tributação do imposto de renda se aplica à espécie, pouco importando a nomenclatura dos rendimentos (ou remuneração). Quanto à alegação de que o fisco não poderia desconsiderar os contratos de mútuos, devendo aguardar a regulamentação do art. 116, § único, do CTN (A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária), melhor sorte não socorre ao recorrente, pois é da essência do trabalho da fiscalização dá descrição jurídica diversa aos fatos sob auditoria, espelhados nos diversos instrumentos jurídicos, em face do entendimento do fiscalizado, daí instaurandose o contencioso administrativo. Assim, por exemplo, um valor recebido em contrato de doação, normalmente isento do imposto de renda, pode ser qualificado como pagamento de salário, quando comprovada a contraprestação de serviço, sujeito à tributação; recibo médico que ordinariamente faria a prova de despesa médica dedutível pode ser desconsiderado quando o Fl. 5337DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.723625/201091 Acórdão n.º 210201.857 S2C1T2 Fl. 10 19 contribuinte não comprova o efetivo pagamento e não tem suporte financeiro para fazer face à despesa; um contrato de permuta de imóveis pode ser desconsiderado quando se comprovar que se tratou de uma compra e venda, com o fito de apurar o ganho de capital; um contrato de captação de recursos no exterior, com o fito de financiar exportações no país (art. 1º, XI, da Lei nº 9.481/97), pode ser descaracterizado, se os recursos tiverem fins diversos, quando deverá incidir IRRF sobre os juros expatriados, e por aí vai. Em todas as situações acima descritas, o fisco sempre pôde desconsiderar os atos emergentes, privilegiando a substância sobre a forma. E aqui se deve lembrar que o direito tributário é um ramo vocacionado à concretude, rejeitando as tipificações meramente formais. Não por outro motivo, por exemplo, qualquer compra e venda, mesmo que sequer formalizada em contrato e muito menos submetida ao registro no Cartório de Registro de Imóveis, pode dar ensejo à tributação pelo ganho de capital, desde que o fisco comprove que o bem imóvel foi transacionado, com o preço pago. Porém, poderseia questionar para que serve a norma antielisiva do art. 116, § único, do CTN, para o qual a autoridade fiscal deveria respeitar procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária, para desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, para fins unicamente tributários. Tal inovação foi trazida pela Lei complementar nº 104/2001, que acabou sendo regulada pelos arts. 13 a 19 da Medida Provisória nº 66/2002, os quais não lograram conversão na Lei nº 10.637/2002, que objetivava desconsiderar atos ou negócios lícitos, que buscavam tratamento favorecido e que configuravam abuso de forma ou falta de propósito negocial. De plano, a questão acima não se aplicava aos atos praticados com dolo, fraude ou simulação, pois, para estes, o CTN já determinava o lançamento de ofício direto, na forma do art. 149, VII. O objetivo da norma antielisiva era disciplinar os planejamentos fiscais, criando um rito para sua desconsideração, permitindo inclusive que o contribuinte pudesse pagar o imposto, no caso de desconsideração, com juros e multa de mora. Não que o fisco estivesse impedido de fazer a desconsideração antes da Lei complementar nº 104/2001, pois sempre pôde fazêlo, quando demonstrava o abuso de forma ou falta de substância negocial, aqui repisando que o direito tributário não se condói com realidades abstratas, formais, mas é vocacionado para o que efetivamente ocorre no mundo da vida. No momento em que não houve a regulamentação do art. 116, § único, do CTN, por óbvio não ficará o fisco impedido de desconsiderar os atos e negócios jurídicos, lícitos, mas abusivos, sem propósito negocial, pois agora somente não se tem mais a regulamentação protetiva aos contribuintes que se tentou com a Medida Provisória nº 66/2002. A desconsideração dos atos e negócios poderá ser efetuada, como sempre o pôde, porém não há qualquer regulamentação a favorecer o sujeito passivo. Obviamente que todas as considerações acima sequer podem ser aplicadas ao caso presente, pois não se pode enxergar o simulacro dos mútuos, como se viu nestes autos, como um planejamento tributário. Aqui e em nenhum lugar, o assenhoreamento dos recursos das empresas Logika e Bonyplus pelo recorrente poderia ser encarado como um planejamento tributário, a afastar ou minorar a incidência do imposto de renda. Os contratos de mútuos e os contratos de cessão das Obrigações da Eletrobrás foram apenas instrumentos formais, sem qualquer substância, a justificar em termos contábeis as transferências dos recursos. Não se Fl. 5338DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 20 podem considerar tais contratos como um planejamento tributário, pois neste há pelo menos a montagem de uma estrutura legal que permite em regra minoração da imposição tributária, porém os atos têm alguma substância e o caminho percorrido pelo contribuinte é permitido pela ordem jurídica, sendo apenas rechaçado pelo abuso de forma ou falta de substância negocial. Já os contratos referidos não comprovam a existência de qualquer mútuo, ao revés, apenas demonstram que tal negócio jurídico jamais existiu, pelas razões já expostas, tendo havido apenas a transferência de remunerações das empresas para fruição pelo recorrente, que utilizou, para tanto, de sua condição de sócio da Logika e da sua família na Bonyplus. Pede o contribuinte, ainda, que, considerando que o autuado era sócio da empresa Logika, não pode permanecer a infração decorrente da omissão de rendimentos decorrente de vínculo empregatício (item 3.1 do Termo), pois, obviamente, não há vínculo empregatício entre a empresa e seu sócio. Ainda, pelo princípio da eventualidade, pede para que sejam afastadas as inversões na montagem da usina de canadeaçúcar, pois não se trataria de despesas particulares. Como já dito, não há qualquer relevância na discriminação da infração acima, quando a autoridade fiscal a denominou de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica Logika. O mero fato de o contribuinte ser sócio da empresa Logika não descaracterizaria uma omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, pois o sócio quotista pode perceber pro labore ou rendimentos indiretos, e o fisco, na forma escolhida pela autoridade fiscal, assim qualifica tais omissões. Tratase de mero nomem iuris da infração, com substrato no art. 3º da Lei nº 7.713/88 (ou, como também ocorre nos autos, com o art. 74 da Lei nº 8.383/91), que não criou qualquer empeço ou prejuízo à defesa do recorrente, não podendo por mera discussão terminológica afastar a infração. Caberia ao recorrente demonstrar que o rendimento não era tributável, que se tratava efetivamente de um mútuo, o que somente poderia ser comprovado com o efetivo pagamento dos valores recebidos. Quanto ao afastamento da tributação dos valores envolvidos na instalação da usina de canadeaçúcar, tratase de despesa efetuada em propriedade do autuado, em seu exclusivo benefício, não havendo qualquer diferença das demais despesas (cursos de idiomas, ensino fundamental e superior, cartões de créditos, despesas com condomínio, luz, telefone, celular, gás, seguros, aquisição de imóveis, transferências de recursos para contas correntes, dentre outros, despesas essas pagas em nome do contribuinte fiscalizado, de seu cônjuge e dependentes), pois tudo foi feito em benefício do autuado, sendo algumas despesas de custeio e outras de capital, devendo o imposto de renda incidir sobre os recursos correspondentes. Alega o recorrente, ainda, que a fiscalização não considerou outros mútuos como remuneração indireta, bem como, desconsiderados os mútuos em referência nestes autos, da empresa Logika, forçoso considerálos à conta de lucros acumulados, na forma do art. 60, V, do DecretoLei nº 1.598/77, como, inclusive, pacificamente acatado na jurisprudência do CARF. Para rejeitar as alegações acima, aqui se traz as razões expendidas na decisão recorrida, que não merecem, no ponto, qualquer reparo: Também não merece guarida a alegação de que a autoridade fiscal usou “dois pesos e duas medidas”, por ter reconhecido outros pagamentos de mútuos. Em sentido contrário, esta atitude mostra a completa coerência do critério fiscal, uma vez que a premissa do afastamento do lançamento é a devolução efetiva Fl. 5339DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.723625/201091 Acórdão n.º 210201.857 S2C1T2 Fl. 11 21 dos valores tomados, que comprova a existência material do mútuo. De qualquer forma, o contribuinte não indicou quais seriam essas outras situações idênticas e, mesmo se existentes, quando muito poderiam gerar exigências suplementares e não o afastamento daquelas aqui discutidas. Em referência ao pleito alternativo, em caso de não acatamento dos mútuos, de que se considere parte dos valores recebidos como sendo de distribuição de lucros, uma vez que a empresa Lógika possuía lucros escriturados em seus balanços patrimoniais dos anos de 2005 e 2006, não há como acatar. Primeiro, não há necessariamente essa implicação na constatação da inexistência dos mútuos. Segundo, esse voto considera completamente provada a natureza de rendimentos dos recursos recebidos pelo impugnante, pela forma como dispôs deles, pagando despesas pessoais, e pela existência de prova material estampada nos tais contratos de cessão em dação em pagamento (fls. 2.114/2119) de que os valores se referiam a “remuneração de representação” (cláusula 1ª desses contratos). Ou seja, não se tratam efetivamente de lucros distribuídos, que não podem ser presumidos, mas devem ser devidamente registrados na escrituração da pessoa jurídica, não cabendo, em sede de julgamento desse auto de infração, acatar tese que pressupõe alteração da escrituração contábil de pessoa jurídica que não é sujeito passivo da exigência e, portanto, não integra o litígio. Adicionase, ainda, para rejeitar a pretensão de considerar o mútuo da Logika à conta de lucros acumulados em 2005 e 2006, a impossibilidade de saberse, nestes autos, se o contribuinte não fruiu, em anos posteriores, dos lucros acumulados. Por tudo, correto o entendimento da autoridade fiscal que considerou os mútuos não comprovados, das empresas Logika e Bonyplus, em prol do recorrente, os quais se subsumem ao conceito de renda, devendo sofrer a incidência do imposto de renda. Agora se passa à defesa do item XII, que combate o acréscimo patrimonial a descoberto. Ao contribuinte foi imputado um acréscimo patrimonial a descoberto, no ano calendário 2006 (R$ 109.037,91). Inicialmente, apesar da peça defensória estar um pouco confusa, neste ponto, vêse que o contribuinte pugna para que seja considerado como fonte de recursos no fluxo de caixa o total dos rendimentos que constou no auto de infração, com a base reajustada, na forma do art. 61, § 3º, da Lei nº 8.981/95. Ainda, pede que sejam consideradas as sobras de caixa de 2005, para o anocalendário 2006, este da autuação, bem como que o fluxo de caixa deveria ser feito em bases anuais, pois o fato gerador do imposto de renda é complexivo, como dito pela decisão recorrida. A decisão da Turma da DRJ rejeitou a primeira pretensão acima com os seguintes fundamentos (fls. 5.229 e 5.330): Fl. 5340DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 22 Embora o auto de infração tenha apurado nos meses de janeiro e fevereiro de 2006 ( fls. 5.024 e 5.026 – R$ 4.447.674,86 + R$ 1.114.691,28 + R$ 189.434,06 = R$ 5.751.800,20) omissão de rendimentos oriundos das empresas Lógica e Bonyplus superiores àqueles considerados nos demonstrativos de fluxo financeiro (fls. 4.966 – R$ 138.059,52 + R$ 3.225.284,10 + R$ 808.928,59 = R$ 4.172.272,21), isso se deve ao fato de os valores apurados em cada uma dessas peças possuírem natureza diversa. No auto de infração, os valores se referem à omissão de rendimentos e neste caso o valor a ser levado ao ajuste anual é o do rendimento bruto, sendo necessário acrescentar ao valor líquido transferido pelas empresas o imposto de renda que deveria ter sido retido e recolhido por essas fontes pagadoras. Como não houve informação pelas fontes pagadoras a respeito dessas retenções, o cálculo do rendimento bruto é feito de acordo com o que estipula o artigo 20 da Instrução Normativa nº 15, de 2001: (...) Por outro lado, os valores a serem usados no demonstrativo de fluxo financeiro correspondem aos efetivos ingressos de disponibilidades. Ou seja, correspondem ao dinheiro que o contribuinte efetivamente recebeu e com o qual podia pagar os seus dispêndios. O imposto de renda retido na fonte, apesar de compor o rendimento bruto sujeito ao ajuste anual na respectiva DIRPF, não representa recurso financeiro disponível para pagamentos de suas despesas ou investimentos e, por isso, não pode integrar o rol de recursos no levantamento do seu fluxo financeiro para fins de apuração de acréscimo patrimonial. Corretos, pois os valores apropriados pela autuação fiscal nos meses de janeiro e fevereiro de 2006 como recebidos das empresas Lógika e Bonyplus. Parece que a decisão acima não perfilhou o melhor direito. Explicase. Não se pode negar que o contribuinte sofreu uma tributação majorada pelo reajustamento da base de cálculo das remunerações percebidas. Sendo tal rendimento majorado submetido à tributação pelo imposto de renda, apesar de o contribuinte não têlo recebido na integralidade, inclusive porque o IRRF não foi retido e recolhido pelas empresas, devese considerar como fonte de recursos a integralidade dos rendimentos tributados, sob pena de haver uma tributação majorada pelo reajustamento da base de cálculo e outra tributação pelo estouro de caixa, este que poderia ser suprido pelo valor reajustado. Não se pode esquecer que o fluxo de caixa apura uma presunção de omissão de rendimentos e, como tal, se determinado rendimento é tributado, com o ônus da base reajustada, deve constar como fonte de recursos. Para justificar o posicionamento acima, suponha, como exemplo simplório, que o contribuinte tenha sofrido uma imputação de omissão de rendimentos de 100 unidades monetárias, em determinado mês, e despendido 110 unidades monetárias no dito mês. Claramente houve um estouro de caixa de 10 unidades monetárias. Porém se o fisco resolver reajustar a base de cálculo da omissão, considerandoa como remuneração indireta, na forma do art. 74, § 1º, da Lei nº 8.383/91 c/c o art. 61, §§ 1º e 3º, da Lei nº 8.981/95, inegavelmente Fl. 5341DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.723625/201091 Acórdão n.º 210201.857 S2C1T2 Fl. 12 23 terseá uma imputação de rendimento majorada, com cobrança adicional de imposto, devendo o novel rendimento (remuneração reajustada) ser considerado como fonte de recursos no fluxo de caixa. No caso destes autos, considerando os rendimentos com a base reajustada, soçobra a infração do acréscimo patrimonial a descoberto, ficando, por óbvio, prejudicada as demais teses defensivas do recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para cancelar a infração do acréscimo patrimonial a descoberto. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 5342DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 17546.000645/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/12/1996
CONTRIBUIÇÕES PREV1DENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos
RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.024
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/12/1996 CONTRIBUIÇÕES PREV1DENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionandade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40 ou 173, do CTN). • PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. át/ 1..... EMAS SAMPAI ti 'REIRE - Presidente rá i a i ?"11111 RYCARD • 'HE 1 IQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator \ Participaram, do presente julgam- to, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n" 17546.000645/2007-62 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.024 Fl. 200 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n°83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n°35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCL4 RIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decculencial para a constituição dos créditos previdenciarios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). É o relatório. • 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Ses1 :s, em 24 de fevereiro de 20101 . . 0.ãost...-Isi zitát . lb RYCARÇO 11 RIQUE MAGALHÂES DE OV° • - • -lator.,,,. UE k, - 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 17546.000645/2007-62 Recurso n°: 162.748 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.024 Brasília, março de 2010 ELIAS SAM 10 FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência - [1 Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração ' Data da ciência: / / 1Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 11020.007134/2008-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 02/01/2004 a 30/03/2004
CPMF. MATÉRIAS SUMULADAS. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI, CONFISCATORIEDADE DE MULTA E ILEGALIDADE DA TAXA SELIC. JULGAMENTO SUMÁRIO.
As matérias relativas à possibilidade de afastamento de lei por suposta
inconstitucionalidade e à exigência dos juros Selic devem ser sumariamente
indeferidas, à vista das Súmulas Carf n. 2 e 4.
CPMF. EC N. 42, DE 2003. PRORROGAÇÃO. ANTERIORIDADE
NONAGESIMAL.
Tendo o Supremo Tribunal Federal decidido pela constitucionalidade da
prorrogação da cobrança da CPMF, sem a aplicação do princípio da
anterioridade nonagesimal, em sede de repercussão geral, cumpre ao Carf
reproduzir o entendimento do Tribunal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.567
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/01/2004 a 30/03/2004 CPMF. MATÉRIAS SUMULADAS. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI, CONFISCATORIEDADE DE MULTA E ILEGALIDADE DA TAXA SELIC. JULGAMENTO SUMÁRIO. As matérias relativas à possibilidade de afastamento de lei por suposta inconstitucionalidade e à exigência dos juros Selic devem ser sumariamente indeferidas, à vista das Súmulas Carf n. 2 e 4. CPMF. EC N. 42, DE 2003. PRORROGAÇÃO. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Tendo o Supremo Tribunal Federal decidido pela constitucionalidade da prorrogação da cobrança da CPMF, sem a aplicação do princípio da anterioridade nonagesimal, em sede de repercussão geral, cumpre ao Carf reproduzir o entendimento do Tribunal. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/01/2004 a 30/03/2004 CPMF. MATÉRIAS SUMULADAS. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI, CONFISCATORIEDADE DE MULTA E ILEGALIDADE DA TAXA SELIC. JULGAMENTO SUMÁRIO. As matérias relativas à possibilidade de afastamento de lei por suposta inconstitucionalidade e à exigência dos juros Selic devem ser sumariamente indeferidas, à vista das Súmulas Carf n. 2 e 4. CPMF. EC N. 42, DE 2003. PRORROGAÇÃO. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Tendo o Supremo Tribunal Federal decidido pela constitucionalidade da prorrogação da cobrança da CPMF, sem a aplicação do princípio da anterioridade nonagesimal, em sede de repercussão geral, cumpre ao Carf reproduzir o entendimento do Tribunal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007134/200803 Acórdão n.º 330201.567 S3C3T2 Fl. 182 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 112 a 124) apresentado em 24 de junho de 2011 contra o Acórdão no 1030.171, de 03 de março de 2011, da 3ª Turma da DRJ/POA (fls. 95 a 98), cientificado em 25 de março de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de CPMF dos períodos de janeiro a março de 2004, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2004 a 31/13/2004 CPMF EC 42/2003 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Falece competência aos órgãos julgadores administrativos para se pronunciarem sobre a inconstitucionalidade de lei tributária válida, vigente e eficaz. MULTA DE MORA Não reconhecida a legitimidade do crédito objeto da DCOMP, os débitos indevidamente comensados, e, portanto, não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos da multa de mora prevista em lei. TAXA SELIC JUROS MORATÓRIOS A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi apresentado em 29 de outubro de 2008 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fls. 39 a 42, segundo o qual não poderia ser apreciada matéria constitucional pela autoridade administrativa. No recurso, a Interessada alegou caber a apreciação da matéria à vista dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, citando opinião da doutrina. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007134/200803 Acórdão n.º 330201.567 S3C3T2 Fl. 183 3 No mérito, defendeu a inconstitucionalidade da exigência da CPMF com fulcro na EC n. 42, de 2003, requerendo a aplicação do princípio da anterioridade nonagesimal. Além disso, alegou que a multa seria confiscatória e sua exigência ainda ofenderia os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Por fim, contestou o uso da taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A maioria das questões trazidas pela Interessada em seu recurso foi objeto de súmulas do Carf, conforme Portaria Carf n. 106, de 2001: Súmula CARF n. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF n. 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Tais súmulas aplicamse à vigência da lei que instituiu a contribuição, à emenda constitucional, à exigência da multa de ofício e dos juros de mora. Além disso, devese destacar que o Supremo Tribunal Federal decidiu, no RE n. 566.032 RG / RS, cuja matéria teve repercussão geral reconhecida, que não se aplica a anterioridade nonagesimal ao caso de prorrogação de vigência de contribuição social: EMENTA: 1. Recurso extraordinário. 2. Emenda Constitucional nº 42/2003 que prorrogou a CPMF e manteve alíquota de 0,38% para o exercício de 2004. 3. Alegada violação ao art. 195, §6º, da Constituição Federal. 4. A revogação do artigo que estipulava diminuição de alíquota da CPMF, mantendose o mesmo índice que vinha sendo pago pelo contribuinte, não pode ser equiparada à majoração de tributo. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007134/200803 Acórdão n.º 330201.567 S3C3T2 Fl. 184 4 5. Não incidência do princípio da anterioridade nonagesimal. 6. Vencida a tese de que a revogação do inciso II do §3º do art. 84 do ADCT implicou aumento do tributo para fins do que dispõe o art. 195, §6º da CF. 7. Recurso provido. Aplicase, portanto, a disposição do art. 62A do Regimento Interno do Carf, com a redação dada pela Portaria MF n. 586, de 21 de dezembro de 2010: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 35464.004465/2005-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 15/12/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS,
APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/12/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS,
APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS SALÁRIOS
INDIRETOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está
diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA
VNCULANTE N. 08 DO STF
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa informado em GFIP fatos geradores, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN.
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.277
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos rejeitar as preliminar de decadência; e II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que sejam excluídas da autuação os fatos geradores excluídos por meio das DN 21.404.4/0255/2007 (DEBCAD 35.787.8175), DN 21.404.4/0256/2007 (DEBCAD 35.808.8348), DN 21.404.4/0257/2007 (DEBCAD 35.808.8356), bem como que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicava o art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 15/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS SALÁRIOS INDIRETOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VNCULANTE N. 08 DO STF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa informado em GFIP fatos geradores, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos rejeitar as preliminar de decadência; e II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que sejam excluídas da autuação os fatos geradores excluídos por meio das DN 21.404.4/0255/2007 (DEBCAD 35.787.8175), DN 21.404.4/0256/2007 (DEBCAD 35.808.8348), DN 21.404.4/0257/2007 (DEBCAD 35.808.8356), bem como que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicava o art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2298; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35464.004465/200580 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.277 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente COLÉGIO AUGUSTO LARANJA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 15/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS SALÁRIOS INDIRETOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VNCULANTE N. 08 DO STF Fl. 446DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa informado em GFIP fatos geradores, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos rejeitar as preliminar de decadência; e II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que sejam excluídas da autuação os fatos geradores excluídos por meio das DN 21.404.4/0255/2007 (DEBCAD 35.787.8175), DN 21.404.4/0256/2007 (DEBCAD 35.808.8348), DN 21.404.4/0257/2007 (DEBCAD 35.808.8356), bem como que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicava o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35464.004465/200580 Acórdão n.º 240102.277 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.124 desta 4ª Câmara de Julgamento no intuito de identificar o andamento das NFLD vinculadas aos fatos geradores constantes desse Auto de infração, evitando decisões discordantes, fl. 131 a 132. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, a empresa deixou de informar em GFIP valores pagos aos segurados empregados por meio de salários indiretos, bem como pagamentos a contribuintes individuais a título de prólabore, conforme relatório fiscal. As omissões compreendem o período de 01/2002 a 04/2005. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 15/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia.. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls.44 a 49. O processo foi baixado em diligência, fl. 58 a 67, tendo em vista terem sido baixados em diligência as NFLD relacionadas aos fatos geradores descritos nesta autuação, quais sejam NFLD's 35.787.8175 (levantamentos FF e EL) 35.808.8348 (levantamentos AC, EX, RE e RI) e 35.808.8356 (levantamento CC3). Foi emitida informação fiscal, fl. 70 a 76, retificando o valor da multa aplicada. Foi emitido despachodecisório retificando o valor da multa, fls. 78 a 83, bem como devidamente cientificado a empresa notificada para apresentação de aditivo a defesa anteriormente apresentada, fl. 90. A unidade descentralizada da SRP emitiu a DecisãoNotificação (DN), fls. 93 a 101, mantendo a autuação em sua integralidade. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário, interpôs recurso, fls. 106 a 116. Alega em síntese: O Auto de Infração é NULO de pleno • direito, haja vista que, o prazo para o a constituição do crédito tributário extinguese em 5 (cinco) anos de acordo • com o Artigo 173 da Lei Complementar n o 5.172 de 25 de outubro de 1966 – CTN. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Os valores pagos ao empregado EURICO, nada mais são do que ajudas de custo, ou seja, despesa com viagem, estada, entre outros, sendo cediço que tais verbas são isentas, portanto sendo inadmissível a lavratura de auto de infração. A empresa teve despesas de previdência privada e mensalidade de clube da empregada LOURDES DA SILVA ROSAS, inverídica tal afirmativa, haja vista, que tal pagamento teve origem face a participação dos lucros da empresa, sendo portanto, tais valores isentos de contribuição. A Lei 9711 de 20 de novembro de 1998 estabelece em seu art.20 que a participação nos lucros ou resultados das empresas de que trata o art. 7 0 1 inciso XI, da Constituição Federal, na forma de lei específica, não substitui ou • complementa a remuneração devida a qualquer empregado. Com relação ao pagamento de previdência privada, despesas pessoais, dos LARANJA, MIRZA ROSAS AUGUSTO LARANJA DE MACEDO, ALMIR AUGUSTO LARANJA E ARLETE ROSAS AUGUSTO LARANJA, tais despesas representam retiradas adiantadas de lucros, sendo portanto, isentas, não sendo necessária sua inclusão na folha de pagamento por não ser pagamentos pelos serviços prestados. Finalmente cumpre frisar que a Empresa ora recorrente possui os créditos junto a S.R.F.B. Diante do exposto, e do mais que certamente poderá ser acrescido pelo elevado saber jurídicotributário dos dignos Julgadores da Colenda Câmara, pugna se, preliminarmente, pela NULIDADE DO • AUTO DE INFRAÇÃO AB INITIO, como medida da mais lídima e salutar justiça. Ou alternativamente, caso os débitos sejam procedentes, requer, desde já que os mesmo sejam compensados com os créditos decorrentes dos Processos Administrativos n°s. 13811.002396/200116, 13811.002422/200114, 11610.006271/200104, totalizando o valor de R$ 5.517.706,27 (cinco milhões, quinhentos e dezessete mil, setecentos e seis centavos e vinte e sete centavos). A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento, após cumprimento da diligência determinada, fl. 161. Verificouse através do sistema informatizado, que não foi apresentado recurso voluntário para a NFLD conexas acima discriminadas, após a ciência da Decisão de primeira instância, sendo encaminhadas à procuradoria e já se encontrando em fase de ajuizamento, conforme telas do sistema em fl. 146, 151 e 156. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35464.004465/200580 Acórdão n.º 240102.277 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Em se tratando de retorno de diligência comandado por este conselho, despiciendo a análise dos pressupostos, tendo em vista já terem sido avaliados quando do primeiro julgamento. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Tendo a diligência sido cumprida, tenho que o primeiro ponto a ser apreciado diz respeito a preliminar de decadência, considerando que o lançamento envolve o período de 01/2002 a 04/2005. DA DECADÊNCIA Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponho a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas Fl. 450DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Fl. 451DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35464.004465/200580 Acórdão n.º 240102.277 S2C4T1 Fl. 4 7 Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o Fl. 452DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do Fl. 453DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35464.004465/200580 Acórdão n.º 240102.277 S2C4T1 Fl. 5 9 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Fl. 454DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa informado em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35464.004465/200580 Acórdão n.º 240102.277 S2C4T1 Fl. 6 11 Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 15/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia, os fatos geradores ocorreram no período de 01/2002 a 04/2005, dessa forma não existe decadência a ser decretada. Superadas as preliminares, passo ao mérito. DO MÉRITO Toda e argumentação do recorrente está em demonstrar a impossibilidade de exigir contribuições sobre diversos salários indiretos, inclusive tendo sido lavradas NFLD sobre ditos pagamentos. Contudo, nenhum dos argumentos apontados pelo recorrente são capazes de desconstituir a autuação. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de informar a remuneração por segurado por competência, recebida por meio diversos pagamentos indiretos. Justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da NFLD que indicou como fatos geradores os benefícios concedidos. No caso, importante identificar o resultado das NFLD lavradas, cuja informação foi prestada pela autoridade fiscal, quando da conversão do julgamento em diligência. Verificouse através do sistema informatizado, que não foi apresentado recurso voluntário para a NFLD conexas acima discriminadas, após a ciência da Decisão de primeira instância, sendo encaminhadas à procuradoria e já se encontrando em fase de ajuizamento, conforme telas do sistema em fl. 146, 151 e 156. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista. Restanos agora, averiguar a procedência dos fatos geradores não informados em GFIP, por meio de outras NFLD, tendo em vista que o julgamento do AI em questão depende diretamente do resultado das referidas notificações, não cabendo apreciação de questões de mérito. a) NFLD's 35.787.8175 (levantamentos FF e EL) – Lançamento Procedente em Parte, fl. 42 a 53, FORCED 11 a 27do Anexo 1. b) 35.808.8348 (levantamentos AC, EX, RE e RI) –Lançamento Procedente em Parte, fl. 96 a 112 e FORCED, fl. 55 a 95 c) e 35.808.8356 (levantamento CC3) –Lançamento Procedente em Parte, fl. 123 a 134, FORCED, fl. 121 a 122 Assim, foi correta a aplicação do autodeinfração ao presente caso, contudo, devendo o cálculo da multa aplicada pela omissão de fatos geradores, ser reapreciada para que sejam excluídos da autuação todos os fatos geradores excluídos das NFLD. Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: Fl. 457DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35464.004465/200580 Acórdão n.º 240102.277 S2C4T1 Fl. 7 13 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Fl. 458DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte, após a exclusão dos fatos geradores excluídos das NFLD, conforme descrito acima. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER recurso, para rejeitar a preliminar de decadência, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídas da autuação os fatos geradores excluídos por meio das DN 21.404.4/0255/2007 (DEBCAD 35.787.8175), DN 21.404.4/0256/2007 (DEBCAD 35.808.8348), DN 21.404.4/0257/2007 (DEBCAD 35.808.8356), bem como que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 459DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35464.004465/200580 Acórdão n.º 240102.277 S2C4T1 Fl. 8 15 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11040.720001/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESPONSABILIDADE. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE.
São tributáveis na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições.
A responsabilidade de declarar é da pessoa física que auferiu os rendimentos, não sendo possível dela se eximir com a alegação de que não recebeu o comprovante de rendimentos.
O imposto retido na fonte não substitui o tributo devido, que é apurado na declaração de ajuste, onde são considerados todos os rendimentos auferidos de forma acumulada.
Hipótese em que o contribuinte não declarou rendimentos tributáveis auferidos.
DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao
próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação.
Hipótese em que o contribuinte não comprovou as despesas médicas
deduzidas.
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO EM LEI. AGRAVAMENTO POR FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF).
É cabível a multa de ofício de 112,5%, nos casos em que o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos.
No caso, o contribuinte não apresentou resposta aos dois termos de intimação que exigiam a comprovação das deduções utilizadas nas declarações de ajuste.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.594
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por dar provimento parcial, para redução do percentual da multa para 75%.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESPONSABILIDADE. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE. São tributáveis na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. A responsabilidade de declarar é da pessoa física que auferiu os rendimentos, não sendo possível dela se eximir com a alegação de que não recebeu o comprovante de rendimentos. O imposto retido na fonte não substitui o tributo devido, que é apurado na declaração de ajuste, onde são considerados todos os rendimentos auferidos de forma acumulada. Hipótese em que o contribuinte não declarou rendimentos tributáveis auferidos. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Hipótese em que o contribuinte não comprovou as despesas médicas deduzidas. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO EM LEI. AGRAVAMENTO POR FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11040.720001/200618 Acórdão n.º 2101001.594 S2C1T1 Fl. 110 2 A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). É cabível a multa de ofício de 112,5%, nos casos em que o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos. No caso, o contribuinte não apresentou resposta aos dois termos de intimação que exigiam a comprovação das deduções utilizadas nas declarações de ajuste. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por dar provimento parcial, para redução do percentual da multa para 75%. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Jose Raimundo Tosta Santos, José Evande Carvalho Araujo, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 15, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2002 a 2004, para lançar infrações de omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e de glosa de deduções indevidas de previdência oficial, dependentes e despesas médicas, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$13.942,56, acrescido de multa de ofício de 112,5% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 61 a 70), acatada como tempestiva, onde, nos termos do relatório do acórdão de primeira instância (fl. 91), “solicita a revisão das glosas efetuadas em procedimento de revisão.” Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11040.720001/200618 Acórdão n.º 2101001.594 S2C1T1 Fl. 111 3 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 90 a 93): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis e/ou não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. Lançamento Procedente em Parte O julgador de 1a instância restabeleceu as deduções com dependentes e previdência oficial, mantendo a glosa de despesas médicas e a omissão de rendimentos. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 16/6/2008 (fl. 97), o contribuinte apresentou, em 15/7/2008, o recurso de fls. 103 a 105, onde afirma: a) que não declarou os rendimentos recebidos pela Fundação dos Funcionários da Caixa Econômica Estadual por não ter recebido o comprovante de crédito, que os valores já foram tributados na fonte, e que estão sendo tributados novamente no lançamento, e que ele deveria ter sido intimado a retificar sua declaração; b) que não possui mais as notas fiscais relativas às despesas médicas devido a ter mudado três vezes de endereço, mas que os tratamentos foram realizados; c) que a multa aplicada continua sendo injusta e arbitrária, pois o Código Civil determina penalidade de 2%, devendo ser reduzida para os parâmetros legais, como é moralmente correto e ético. Ao final, pugna pela nulidade do auto de infração. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 108, que também trata do envio dos autos ao então Conselho de Contribuintes. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11040.720001/200618 Acórdão n.º 2101001.594 S2C1T1 Fl. 112 4 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. No momento, permanecem em discussão apenas as infrações de omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e de glosa de despesas médicas, e a multa de ofício. Quanto à omissão de rendimentos, o contribuinte afirma que não declarou os rendimentos recebidos pela Fundação dos Funcionários da Caixa Econômica Estadual por não ter recebido o comprovante de crédito, que os valores já foram tributados na fonte, e que estão sendo tributados novamente no lançamento, e que ele deveria ter sido intimado a retificar sua declaração. Quanto às glosas de deduções, informa que não possui mais as notas fiscais relativas às despesas médicas devido a ter mudado três vezes de endereço, mas que os tratamentos foram realizados. Sem razão o recorrente. A Fundação dos Funcionários da Caixa Econômica Estadual, CNPJ no 87.150.3301000141, informou, em sua Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf, ter pago ao contribuinte R$1.265,35, com retenção na fonte de R$31,10, em dezembro de 2002, no código de receita “3223 IRRF RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA – PF” (fl. 34). O art. 33 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, determina que se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Entretanto, esses valores não foram informados em sua declaração de ajuste de 2003 (fls. 20 a 23). A responsabilidade de declarar é da pessoa física que auferiu as receitas, não sendo possível dela se eximir com a alegação de que não recebeu o comprovante de rendimentos. Além disso, o art. 136 do CTN determina que, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Não procede também o argumento de que não houve omissão, pois o imposto já foi pago. Na verdade, o que ocorreu foi a antecipação de parte do tributo pela retenção mensal da fonte pagadora. Mas a apuração definitiva do imposto de renda devido se dá na Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11040.720001/200618 Acórdão n.º 2101001.594 S2C1T1 Fl. 113 5 declaração de ajuste, onde são considerados todos os rendimentos de forma acumulada. Observese que o valor retido na fonte foi devidamente compensado na autuação (fl. 9). Quanto às despesas médicas, para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11040.720001/200618 Acórdão n.º 2101001.594 S2C1T1 Fl. 114 6 seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Dessa forma, há que se manter a tributação dos rendimentos omitidos e a glosa das despesas médicas não comprovadas. O contribuinte também se insurge contra a multa de ofício aplicada, considerandoa injusta e arbitrária, pois o Código Civil determina o percentual de 2%. Entretanto, essa penalidade está prevista explicitamente em lei, e não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). No caso, foi aplicada a multa de 112,5% do art. 44, inciso I e §2o, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevista para os casos em que o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos. Como bem descrito no Relatório de Procedimento Fiscal de fls. 13 a 15, o sujeito passivo foi intimado, através do Termo de Intimação n° 05/008/2006 (fl. 28), recebido em 09/02/2006 (fl. 29), a comprovar todas as deduções utilizadas nas declarações dos exercícios de 2002 a 2004, não apresentando resposta. Em virtude desse fato, foi emitido o Termo de Intimação no 05/063/2006 (fl. 30), recebido em 29/03/2006 (fl. 31), que também não foi respondido pelo contribuinte. Assim, correta a aplicação da multa de ofício no percentual agravado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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