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Numero do processo: 10855.003037/2006-96
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL. INTUITO DE FRAUDE. DOLO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. AFASTAMENTO DA QUALIFICADORA. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO.
Os fundamentos constantes do voto condutor do acórdão embargado pela caracterização e comprovação da infração imputada omissão de receitas não operacionais (falta de pagamento de ganho de capital) que aliás tal infração restou reconhecida pela própria autuada na medida em que efetuou, após a autuação, o recolhimento, ainda que em parte, do crédito tributário
concernente à operação de venda de participação societária do seu ativo – não suprem a falta de caracterização e comprovação, pela fiscalização, do intuito de fraude (dolo) para qualificação da multa.
Numero da decisão: 1802-000.801
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nelso Kichel
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PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES DE ITU LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL. INTUITO DE FRAUDE. DOLO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. AFASTAMENTO DA QUALIFICADORA. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. Os fundamentos constantes do voto condutor do acórdão embargado pela caracterização e comprovação da infração imputada omissão de receitas não operacionais (falta de pagamento de ganho de capital) que aliás tal infração restou reconhecida pela própria autuada na medida em que efetuou, após a autuação, o recolhimento, ainda que em parte, do crédito tributário concernente à operação de venda de participação societária do seu ativo – não suprem a falta de caracterização e comprovação, pela fiscalização, do intuito de fraude (dolo) para qualificação da multa. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira em substituição ao Conselheiro Alfredo Henrique Rebello Brandão. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 1802 00.505, de 05/07/2010, opôs os Embargos de Declaração (fls. 887/889) com fundamento no artigo 64, inciso I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº. 256/2009. O acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional em 21/09/2010, conforme Relação de Movimentação – RM nº 27322 de fl.885, considerandose intimada 30 (trinta) dias após (§§ 7º a 9º, do art. 23, do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.547, de 16/03/2007, D.O.U de 19/03/2007). Os embargos foram protocolizados em 23/09/2010 (fl.887), portanto, dentro do prazo de 05 (cinco) dias fixado no § 1º do artigo 65 do RICARF. A embargante afirma que o Acórdão guerreado deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela contribuinte, apenas para afastar a qualificadora da multa, reduzindoa para 75%, nos termos do voto do eminente Relator (fl. 887v); que, entretanto, da análise do citado voto extraise contradição entre as constatações e os fundamentos empregados para o reconhecimento da legalidade do lançamento dos tributos (IRPJ e CSLL) e a conclusão em favor da redeução da multa. Nesse sentido, transcrevo, no que pertinente, as razões deduzidas pela embargante (fls. 887, 888 e 889), in verbis: (...) Com efeito, em diversas passagens do voto consta, com riqueza de detalhes, que a conduta do contribuinte foi forjada para esconder da Administração Tributária a existência do negócio jurídico (...). Confirase: “Quanto ao fato da alienante das participações societárias ter continuado com as participações societárias tidas como alienadas, ainda por algum tempo, não impressiona esse argumento, é é óbvio o motivo. Ou seja: o intuito era, por algum tempo, manter a operação incógnita junto a terceiros, inclusive, do fisco (e o foi), logo – nesse tempo – não houve alteração no registro de titularidade. (...) Consta, também, da diligência fiscal que desde a data de venda das participações societárias objeto dos autos (26/11/2004), a recorrente jamais recebeu dividendos. No período em que o Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802000.801 S1TE02 Fl. 2 3 contrato ficou incógnito (contrato de gaveta), nas DIPJ (anos calendário 2004, 2005 e 2006) a recorrente constou, pro forma, como sócia; por conseguinte sem distributição de lucros; e nas DIPJ seguintes (anoscalendário 2007 e 2008) não constou como sócia e, também, não teve distribuição de lucros. Fato que reafirma que as cláusulas do contrato celebrado em 26/11/2004 foram observadas e cumpridas à risca pela recorrente” (fls. 881v/882) Mais adiante, no capítulo específico sobre a qualificação da multa, o eminente Relator reconhece o fato que “enquanto não se últimasse (sic) todas as recompras previstas o contrato não teria publicidade, seria contrato de gaveta, mas que tal instrumento contratual acabou sendo apreendido em operação da Polícia Federal” (fl. 882v). No parágrafo seguinte, contudo, concessa maxima venia, conclui contraditoriamente o seguinte: “De modo que não vislumbro a existência de dolo específico de sonegação fiscal” (fl. 882v) Ora, a constatação exposta no acórdão, a saber, que ficou comprovado o intuito de esconder de terceiros e do fisco o negócio jurídico celebrado e que o contrato, em verdade, caracterizouse como “contrato de gaveta”, não auoriza outra conclusão senão a de que houve dolo e, portanto, a multa deve ser qualificada (150%). Há, portanto, a necessidade de sanar a contradição apontada, para que a conclusão do acórdão se amolde às premissas adotadas. (...) (grifos meus) É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Os Embargos de Declaração foram protocolizados tempestivamente e preenchem as demais condições de admissibilidade. Portanto, deles conheço. De plano, não vislumbro a alegada contradição entre as constatações e os fundamentos empregados para o reconhecimento da legalidade do lançamento dos tributos (IRPJ e CSLL) e a conclusão em favor da redução da multa de 150% para 75% pela inexistência de dolo (afastamento da qualificadora). A propósito, a fiscalização narrou assim a qualificação da multa, no Termo de Constatação de fl. 112, o qual é parte integrante do lançamento fiscal de 06/11/2006, nos seguintes termos, in verbis: (...) III – QUALIFICAÇÃO DA MULTA Ao não registrar a receita tributável em sua contabilidade e não declarála ao fisco, a empresa impediu a autoridade fazendária de tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL. O fato tornouse conhecido apenas e tãosomente em virtude da apreensão pela Polícia Federal do contrato de fls. 40/45. A conduta do sujeito passivo foi intencional, fruto de sua vontade, e teve como objetivo eximirse do pagamento do imposto através da sonegação, conforme definida no art. 71 da Lei nº 4.502, de 31/11/1964. (...) O fisco utilizou como fundamento legal para qualificação da multa o art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, para fatos geradores no período de 01/01/97 a 29/06/2006 (fl. 120), in verbis: Art. 44. (...) II – Cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Ora, da narrativa dos fatos supra, extraída Auto de Infração e do Termo de Constatação Fiscal, não restou demonstrada, pela fiscalização, de forma cabal, a existência do dolo, ou seja, do intuito de fraude fiscal na falta de escrituração da operação de venda de participação societária, em 26/11/2004, pela autuada. O fato da operação de venda de participação societária não ter sido registrada na escrituração contábil e fiscal não implica, necessariamente, intuito fraudulento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802000.801 S1TE02 Fl. 3 5 De modo que, na descrição dos fatos, em relação a qualificação da multa, o elemento volitivo, o dolo, na falta de registro da operação de venda da participação societária não restou caracterizado, demonstrado, nem comprovado, de forma cabal, pela fiscalização. Nesse sentido, consta do voto condutor do acórdão embargado (fls. 882/883), in verbis: (...) MULTA QUALIFICADA. DOLO DE SONEGAÇÃO FISCAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A fiscalização entendeu que a contribuinte, ao não registrar a receita tributável em sua contabilidade e não declarála ao Fisco, impediu a autoridade fazendária de tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL cuja conduta foi intencional, fruto de sua vontade, e teve como objetivo eximirse do pagamento do imposto através da sonegação, conforme definida no art. 71 da Lei nº 4.502, de 31/11/1964. Para aplicar a multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é dolo específico de fraudar ou de sonegar. Neste ponto, concordo com a argumentação constante do voto do relator na instância a quo (DRJ/Ribeirão Preto), o qual restou vencido quanto ao afastamento da qualificadora, mas que traduz a realidade. Por isso, adoto tal fundamento para afastar a qualificadora. Nessa parte, transcrevo o voto vencido da instância a quo (fls. 232/234): (...) Com base nos autos, a única possibilidade de enquadramento do caso nas hipóteses previstas na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, II, é a sua subsunção à descrição legal de sonegação. Entretanto, não há nos autos prova material de que a contribuinte tenha intentado dolosamente impedir ou retardar, total ou parcialmente, o reconhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. A simples contatação de ter a contribuinte deixado de oferecer à tributação um ganho de capital não é razão suficiente para aplicação da multa de 150%, pois tal circunstância não figura entre suas hipóteses de aplicação. Tenho, por diversas vezes, manifestado no sentido de não acatamento de multa qualificada em virtude de simples omissões. Tal posição mostrase coerente com os ditames da lei, pois o agravamento de qualquer multa com base na referida legislação somente pode ocorrer quando a fiscalização provar de modo inconteste através de documentação acostada nos autos o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 lei. A multa não pode ser agravada através de presunção, pois a lei exige prova do dolo específico para cada fato gerador do imposto, não tendo a fiscalização provado o dolo tomase indevido o agravamento. No caso dos autos, entendo que não ficou devidamente comprovado, por meio de provas materiais, a existência do dolo por parte do contribuinte em relação à infração apurada, nas condições impostas pela norma legal. Assim, descabe a aplicação da multa (qualificada) de ofício no percentual de 150%, devendo ser reduzida para 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. (...) Ademais, conforme explanou o causídico, patrono da recorrente, em sustentação oral efetuada na própria Sessão de Julgamento, que a operação de venda irretratável e irrevogável da alienação das participações permanentes para a empresa JADANGIL, realizada em 26/11/2004, não foi registrada na escrita fiscal e contábil antes da autuação, não com propósito de sonegação fiscal, mas, sim, em face de rearranjo organizacional (...). De modo que não vislumbro a exitência do dolo específico de sonegação fiscal. (...) (Grifos meus) Os fundamentos constantes do voto condutor do acórdão embargado pela caracterização e comprovação da infração imputada do IRPJ e da CSLL (omissão de receitas não operacionais falta de pagamento de ganho de capital) que aliás tal infração restou reconhecida pela própria autuada na medida em que efetuou, após a autuação, o recolhimento, ainda que em parte, do crédito tributário concernente a operação de venda de participação societária de 26/11/2004 – não suprem a falta de caracterização e comprovação, pela fiscalização, da imputação do intuito de fraude (dolo). Logo, não vislumbro a alegada contradição apontada pela embargante. Na verdade, a embargante pretendeu rediscutir o mérito da qualificadora, o que é defeso em sede de embargos. Por conseguinte, voto para REJEITAR os Embargos de Declaração. (documento asssinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802000.801 S1TE02 Fl. 4 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002359/2005-27
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
Havendo equívocos nos julgados que não conheceram do recurso voluntário e primeiros embargos de declaração interpostos, acolhem-se os embargos com efeitos infringentes, anulam-se aquelas decisões sobre aquele ponto (não conhecimento do recurso voluntário), para que seja julgado o mérito da demanda apresentada no citado recurso.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem.
IRPJ. FATO GERADOR. REGIME DE COMPETÊNCIA.
O fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, e para as pessoas jurídicas o montante do lucro é apurado com base na escrituração contábil e que esta está subordinada ao regime de competência, com base na lei comercial. LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS. Comprovada a ocorrência de exclusão indevida na apuração do lucro real, devida é a exigência de oficio.
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. REQUISITOS.
As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica com valores superiores ao previsto no parágrafo 1°, item II, letra "c", do artigo 340, somente poderão ser deduzidos como despesa, para efeito de determinação do lucro real, se iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento.
TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE.
É defeso à administração tributária apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma jurídica tributária, a norma regularmente editada pelo Poder Legislativo e promulgada pelo Poder Executivo goza de presunção de
legitimidade.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
O crédito não integralmente pago no vencimento, é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária
Numero da decisão: 1301-001.172
Decisão: Acordam os membros deste Colegiado, acolher os embargos declaratórios, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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anomes_sessao_s : 201304
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 Havendo equívocos nos julgados que não conheceram do recurso voluntário e primeiros embargos de declaração interpostos, acolhem-se os embargos com efeitos infringentes, anulam-se aquelas decisões sobre aquele ponto (não conhecimento do recurso voluntário), para que seja julgado o mérito da demanda apresentada no citado recurso. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. IRPJ. FATO GERADOR. REGIME DE COMPETÊNCIA. O fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, e para as pessoas jurídicas o montante do lucro é apurado com base na escrituração contábil e que esta está subordinada ao regime de competência, com base na lei comercial. LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS. Comprovada a ocorrência de exclusão indevida na apuração do lucro real, devida é a exigência de oficio. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. REQUISITOS. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica com valores superiores ao previsto no parágrafo 1°, item II, letra "c", do artigo 340, somente poderão ser deduzidos como despesa, para efeito de determinação do lucro real, se iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É defeso à administração tributária apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma jurídica tributária, a norma regularmente editada pelo Poder Legislativo e promulgada pelo Poder Executivo goza de presunção de legitimidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento, é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária
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NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. IRPJ. FATO GERADOR. REGIME DE COMPETÊNCIA. O fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, e para as pessoas jurídicas o montante do lucro é apurado com base na escrituração contábil e que esta está subordinada ao regime de competência, com base na lei comercial. LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS. Comprovada a ocorrência de exclusão indevida na apuração do lucro real, devida é a exigência de oficio. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. REQUISITOS. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica com valores superiores ao previsto no parágrafo 1°, item II, letra "c", do artigo 340, somente poderão ser deduzidos como despesa, para efeito de determinação do lucro real, se iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 59 /2 00 5- 27 Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 11 2 É defeso à administração tributária apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma jurídica tributária, a norma regularmente editada pelo Poder Legislativo e promulgada pelo Poder Executivo goza de presunção de legitimidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento, é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, acolher os embargos declaratórios, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Cuidase de embargos ao Acórdão n° 10517.326, de 13/11/2008 (fls.1357/1360), alegando a tempestividade do recurso voluntário interposto e dos primeiros embargos e requerendo para que seja admitido o Recurso Voluntário com seu regular trâmite. Contra a pessoa jurídica, acima identificada, foram lavrados os Autos de Infração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), e o Termo de Constatação Fiscal de IRPJ e CSLL (TCF) de fls. 957/975. 0 Auto de Infração do IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA de fls. 976/978, com os demonstrativos de fls. 979/986, exige o recolhimento dos seguintes valores: a) R$22.330,11 de imposto de renda pessoa jurídica (adicional), ano calendário 2003, acrescido da multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996 e dos juros de mora, em razão da redução indevida desse imposto (fls. 957961) no ano calendário de 2003, por ter antecipado a escrituração de custos/despesas do anocalendário de 2004 no montante de R$319.001,79, referente a títulos de créditos (inobservância do regime de competência). Esclareçase que esse valor se refere ao adicional do IRPJ que deixou de pagar no anocalendário 2003 (demonstrativo de fl. 982). b) R$26.570,69 de multa isolada (75%) por falta de recolhimento da multa de mora, prevista no art. 44, § 1o., inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, que incidiu sobre os valores do imposto postergados nos anoscalendário de 2002 e 2003 (fls. 979982), os quais foram considerados como pagos em atraso pela Fiscalização. c) R$6.287,14 de juros de mora exigidos isoladamente, previsto no art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996, incidente sobre os valores do imposto postergados nos anoscalendário de 2002 e 2003 (fls. 979982), os quais foram considerados como pagos em atraso pela Fiscalização. 0 Auto de Infração da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO de fls. 987/988, com os demonstrativos de fls. 989/993, decorrente das infrações apuradas no Auto de Infração do IRPJ de fls. 976/978, exige o recolhimento dos seguintes valores: a) R$15.594,55 de multa isolada (75%) por falta de recolhimento da multa de mora, prevista no art. 44, § 1o., inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, que incidiu sobre os valores da contribuição postergados nos anoscalendário de 2002 e 2003 (fls. 989993). b) R$3.667,73 de juros de mora exigidos isoladamente, previsto no art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996, incidente sobre os valores da contribuição postergados nos anos calendário de 2002 e 2003 (fls. 989993). Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 13 4 0 Auto de Infração do IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA de fls. 995/1003, com os demonstrativos de fls. 1004/1010, exige o recolhimento do valor de R$461.561,74 de imposto, acrescido da multa de oficio de 75% e dos juros de mora, em razão das seguintes irregularidades apuradas na ação fiscal: a) Baixa indevida de perdas no recebimento de créditos (item A do TCF, itens 006 e 011 do Auto de Infração): Redução indevida do lucro real no montante de R$81.364,08, por baixa (escrituração) de perdas nos recebimentos de créditos do anocalendário de 2002, conforme Demonstrativo dos Valores Glosados a Títulos de Crédito Baixados como Perdas de fls. 302/303 (glosados por inobservância dos requisitos legais para a sua dedutibilidade). Redução indevida do lucro real no montante de R$796.532,81, por baixa (escrituração) de perdas nos recebimentos de créditos do anocalendário de 2003, conforme Demonstrativo dos Títulos de Crédito Baixados como Perdas Duplicatas de fls. 485/489, Demonstrativo dos Títulos de Crédito Baixados como Perdas — Cheques de fl. 490 e Demonstrativo Consolidado dos Valores dos Títulos de Crédito Baixados como Perdas em 2003 de fl. 491(glosados por inobservância dos requisitos legais para a sua dedutibilidade). Redução indevida do lucro real do valor de R$139.454,05, no ano calendário de 2003, por inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de despesa (perda no recebimento de crédito), registrada indevidamente em 2003 e estornada/recebida em 2004, resultando em redução do lucro liquido no anocalendário de 2003, de forma que o Contribuinte compensou perdas posteriores com ganhos anteriores, conforme demonstrativos de fls. 485/491 e 959/960 (valor apurado acima do lucro tributável declarado pelo contribuinte no anocalendário de 2004: R$458.455,84 — R$319.001,79). Redução indevida do lucro real do valor de R$111.366,15, por baixa (escrituração) de perdas nos recebimentos de créditos do anocalendário de 2004, conforme Demonstrativo dos Títulos de Crédito Baixados como Perdas (fls. 485491) e Demonstrativo de Consolidação dos Valores Baixados/Registrados como Perdas em 2004 (fl. 519). b) Estornos decorrentes da redução de multas, ajustes de juros TJLP/SELIC e encargos/honorários relativos à inclusão de débitos no PAES (item B do TCF, item 001 do Auto de Infração). Como consta no Auto de Infração e no TCF, o Contribuinte apropriou a maior, na sua escrituração, valores relativos à multa, juros e encargos, proveniente na adesão ao PAES. 0 contribuinte registrou na sua escrituração os valores das multas e dos juros pelo regime de competência, e na data da adesão ao PAES não realizou os estornos relativos à redução da multa de mora/oficio e dos ajustes decorrentes da variação da TJLP e da SELIC no período 01/03/2000 a 31/07/2003; c) Despesas de PIS e COFINS substituição tributária, multa de mora e juros SELIC apropriados a maior (item C do TCF, itens 002 e 003 do Auto de Infração): Escrituração a maior, em julho de 2003, da importância de R$2.461,02, referente ao PIS substituição tributária, multa de mora e juros (fls. 899/904). Essa diferença foi apurada pelo confronto entre o valor escriturado e o valor lançado em Auto de Infração, processo administrativo n° 11070.001662/200511. Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 14 5 Escrituração a maior, em julho de 2003, da importância de R$11.358,73, referente ao COFINS substituição tributária, multa de mora e juros (fls. 899904). Essa diferença foi apurada pelo confronto entre o valor escriturado e o valor lançado em Auto de Infração, processo administrativo n° 11070.001663/200557; d) Multa de oficio não adicionado ao lucro real (item D do TCF, item 005 do Auto de Infração): Glosa da importância de R$179.259,21, em julho de 2003, referente à multa de oficio sobre débitos de PIS a recolher, CORNS a recolher, PIS — substituição tributária a recolher e COFINS — substituição tributária a recolher, lançados de oficio, processos n°s 11070.001615/200216 e 11070.001614/200271 (fl. 671). Conforme o TCF, o AFRF constatou que esse valor foi registrado na contabilidade como multa de mora e transferido para o PAES, e tratase, na verdade, de multa de oficio, que é indedutivel da base de cálculo do IRPJ (art. 344 do RIR/1999). Essa importância foi adicionada ao lucro real, conforme demonstrativo de fl. 963; e) Multa de mora registrada na contabilidade sobre débitos de COFINS lançados de oficio (item E do TCF, item 005 do Auto de Infração): Glosa da dedução da importância de R$21.000,00, no anocalendário de 2004, referente à multa de mora sobre débito da COFINS dos meses de novembro e dezembro de 2003, registrada indevidamente na sua escrituração no anocalendário de 2004— conta multa s/impostos exercício anterior (fl. 953); f) Despesas com débitos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) — inobservância do regime de competência (item F do TCF, item 004 do Auto de Infração): Exclusão indevida do lucro real da importância de R$60.027,89, em maio de 2003, despesas com FNDE relativas aos períodos de apuração abril de 1995 a dezembro de 1996 (fls. 750756): g) Exclusão indevida do lucro real dos valores do credito de PIS e COFINS sobre estoque (item G do TCF, item 007 do Auto de Infração): Exclusão indevida do lucro real (fls. 5455), no anocalendário de 2004, da importância de R$39.180,12 (fl. 879), a titulo de créditos tributários não homologados (crédito de PIS nãocumulativo sobre o estoque de abertura). Exclusão indevida do lucro real (fls. 5455), no anocalendário de 2004, da importância de R$233.781,35 (fl. 869), a titulo de créditos tributários não homologados (crédito da COFINS nãocumulativo sobre o estoque de abertura). h) Exclusão indevida do lucro real do valor registrado na contabilidade a titulo de credito presumido de IPI (item H do TCF, item 008 do Auto de Infração): Exclusão indevida do lucro real da importância de R$479.479,52, no ano calendário de 2004, de crédito tributário de IPI, calculado sobre a aquisição de insumos sujeitos a alíquota zero, isentos ou não tributados, adquiridos no período de outubro de 1999 a setembro de 2003 (fls. 851865); Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 15 6 i) Exclusão indevida do lucro real relativo ao credito tributário de PIS, apurado com base na ação judicial n° 98.14.023426 (item I do TCF, item 009 do Auto de Infração): Exclusão indevida do lucro real da importância de R$260.459,98 (1.051.964,99 791.505,01), no anocalendário de 2004, de crédito tributário de PIS apurado na ação judicial n° 98.14.0234260 não homologado (fls. 3739, 54); j) Diferença entre valores do IRPJ informados no LALUR/DIPJ e declarados em DCTF (item J do TCF, item 10 do Auto de Infração): Falta de recolhimento do IRPJ no valor de R$6.211,69, no anocalendário de 2003 (fl. 973), apurado entre o imposto de renda pessoa jurídica informado na DIPJ e aquele informado na DCTF. 0 Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, às fls. 10111016, com os demonstrativos de fls. 10171023, decorrente da fiscalização do IRPJ, exige o recolhimento do valor de R$168.886,75 de contribuição, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora. Períodos de apuração: anoscalendário: 2002, 2003 e 2004. Discordando da autuação, o Contribuinte apresentou as seguintes alegações (fls. 10291046) referentes ao Auto de Infração do IRPJ de fls. 1 976978: Discorda do procedimento da Fiscalização em exigir imposto de renda, cuja origem foi a inobservância do regime de competência de alguns custos e despesas escriturados nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, carregando o lançamento em seu bojo grave equivoco procedimental, contrariando os dispositivos legais e regulamentares que orientam a atividade fiscal. Confrontando o Auto de Infração e a legislação que regula o procedimento administrativo fiscal e o próprio tributo objeto do lançamento de ofício, constatase que a peça fiscal se encontra despida de juridicidade, seja em razão dos ditames previstos no art. 142 do CTN, seja pela própria legislação do imposto de renda que não autoriza a constituição de crédito fiscal com aplicação da multa isolada, afrontando o principio da legalidade. A falta da forma apropriada ou de requisitos essenciais para a efetivação do lançamento torna ilídimo o ato, eis que em direito público tais atos são essencialmente formais e devem se expressar de forma especial e prédeterminada. Sobre o assunto, transcreve ensinamentos de A.A. Contreitas de Carvalho. No caso em tela, por tratarse apenas de postergação de imposto pago e não declarado, a multa isolada de 75% não pode ser aplicada, pois o Parecer Normativo n° 02, de 1996, apenas admite para a hipótese a cobrança de multa moratória e juros legais. Transcreve o Parecer Normativo n° 02, de 1996, e conclui que a Fiscalização adotou procedimento diverso daquele previsto nesse parecer, afrontando, assim, não só a legislação de regência, mas, também, o art. 142 do CTN. Observa que há um procedimento a ser seguido pela fiscalização, não se resumindo a mera aplicação da multa sobre o montante do imposto pago no período subseqüente, mas sim, na recomposição dos montantes devidos com o desconto das quantias da exação, o que não foi feito. Sobre o assunto, transcreve ementas do Conselho de Contribuintes. Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 16 7 0 procedimento fiscal contestado é totalmente avesso a melhor interpretação da legislação tributária, pois havendo postergação do imposto ou da contribuição, o procedimento deverá ser de reconstituição do lucro real com a apuração de novo valor devido e descontado as parcelas pagas em momento posterior, não havendo .fundamento legal que justifique o lançamento da multa isolada. Como a Fiscalização ignorou os ditames legais e regulamentares aplicáveis ao caso, configurada está o afrontamento ao principio da legalidade, sob pena de ser declarada a sua nulidade. Sobre o tema, transcreve ementas do Conselho de Contribuintes. Concluindo, requer a decretação da nulidade do presente lançamento, por falta de amparo legal. Por outro lado, por respeito ao principio da eventualidade, o Contribuinte requer o afastamento da aplicação da taxa SELIC, ou no máximo, que seu percentual seja 1% ao mês. Suas alegações sobre a matéria, em resumo, são as seguintes: A cobrança da taxa SELIC agrega ao valor cobrado juros remuneratórios mensurados através da aplicação da taxa referencial SELIC, circunstancia essa que contraria o principio da legalidade, bem como o comando expresso no artigo 161, caput, e § 1 0 do CTN, tendo nitida natureza remuneratória. Também, as Leis es. 8.981 e 9.065 de 1995, afrontam o principio da hierarquia legal, uma vez que deu tratamento diverso A. matéria objeto de lei complementar. A exigência da taxa SELIC carece de abrigo constitucional, eis que não possui característica de taxa moratória, mas sim remuneratória. Finalizando, requer: A nulidade do Auto de Infração, em razão das irregularidades constantes no Auto de Infração. Não sendo esse o entendimento, a desconstituição do crédito tributário constante no Auto de Infração, eis que se apresenta completamente "descasado" do direito, não merecendo prosperar como lançamento válido e eficaz. Na linha da eventualidade, que seja reconhecida a inaplicabilidade da taxa SELIC ou a sua aplicação no percentual máximo de 1% ao mês, como determina o art. 161 do CTN. Alegações (fls. 10691088) referentes ao Auto de Infração do CSLL de fls. 987988: Todas as alegações feitas em relação ao Auto de Infração do IRPJ de fls. 976 978 constam na impugnação do Auto de Infração da CSLL de fls. 987988, sendo desnecessário repetilas. Porém, nessa impugnação, o Contribuinte acrescentou os seguintes argumentos de defesa: Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 17 8 Mesmo que seja relevada a apontada impropriedade, o lançamento não pode manterse, pois o mesmo considera na base de cálculo da CSLL a receita advinda das exportações efetuadas. Ocorre que com a edição da Emenda Constitucional n° 33, de 11/12/2001, foi introduzida uma nova imunidade dirigida para as receitas de exportações. Segundo o § 2° do art. 149 da Constituição Federal, sobre as receitas decorrentes de exportação não incide a CSLL. Transcreve esse dispositivo legal. Embora a CSLL incida sobre o lucro e não propriamente sobre a receita, entende que a norma isentiva deve ser interpretada dentro de um contexto maior de incentivo às exportações, vez que a interpretação literal do comando levaria a inocuidade do dispositivo, pois as contribuições incidentes sobre as receitas das empresas, de longa data, já não oneravam as exportações. Se a imunidade fosse aplicável somente para as contribuições para o PIS e para a COFINS, a introdução desse novo dispositivo não teria nenhuma função prática e espelharia a introdução de uma ordem totalmente inócua no corpo da Lei Maior, o que não se pode admitir. Por certo, a base de cálculo utilizada pela Fiscalização não espelha o desejo do Legislador Constitucional e acaba de impor uma oneração tributária proibida pelo texto constitucional, uma vez que realizou exportações na ordem de R$915.931,78, R$2.950.102,62 e R$2.869.955,41 nos anos de 2002, 2003 e 2004, respectivamente. Finalizando, requer: A nulidade do Auto de Infração, em razão das irregularidades constantes no Auto de Infração. Não sendo esse o entendimento, a desconstituição do crédito tributário constante no Auto de Infração, eis que se apresenta completamente "descasado" do direito, não merecendo prosperar como lançamento válido e eficaz. Na linha da eventualidade, que seja reconhecida a inaplicabilidade da taxa SELIC ou a sua aplicação no percentual máximo de 1% ao mês, como determina o art. 161 do CTN. Alegações (fls. 1113/1147) referentes ao Auto de Infração do IRPJ de fls. 995/1003. Não concorda com o procedimento da Fiscalização, eis que o lançamento carrega em seu bojo grave equivoco procedimental, contrariando os dispositivos legais e regulamentares que deveriam orientar a atividade fiscal. Confrontando o Auto de Infração e a legislação que regula o procedimento administrativo fiscal e o próprio tributo objeto do lançamento de oficio, constatase que a peça fiscal se encontra despida de juridicidade, seja em razão dos ditames previstos no art. 142 do CTN, seja pela própria legislação do imposto de renda, afrontando o principio da legalidade. A falta da forma apropriada ou de requisitos essenciais para a efetivação do lançamento torna ilídimo o ato, eis que em direito público tais atos são essencialmente formais e devem se expressar de forma especial e prédeterminada. Em várias passagens do repudiado Auto de Infração, os Fiscais autuantes fazem afirmações e conclusões não abrigadas na lei, ou, ainda, tomam por base dispositivos inaplicáveis a situação verificada. Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 18 9 Ao apurar o valor da exação devida, a Fiscalização cometeu grave equivoco procedimental, pois no trabalho de apuração isolou os exercícios fiscalizados e procedeu a mensuração das supostas quantias devidas adicionando ao lucro real as parcelas que entendia contabilizada em inobservância ao regime de competência ou excluídas indevidamente, deixando de recompor efetivamente o lucro real de cada período de apuração. No campo do direito tributário vigoram os princípios da tipicidade cerrada, da estrita legalidade e do lançamento, atividade tendente a constituir o crédito tributário, com atuação administrativa plenamente vinculada à lei, consoante preceitua o art. 142 do CTN. Sendo o lançamento de tributo ato administrativo que somente subsiste como válido e eficaz quando atendidos os pressupostos maiores da tributação e munidos dos elementos de prova tendente a demonstrar existente a situação real, é imposto à Administração a comprovação da efetividade do pressuposto material exigido na cobrança do imposto de renda (efetiva aquisição de acréscimo patrimonial). Assim, na atividade de lançamento, deve a autoridade que administra o tributo primar pela verdade material. Sobre o assunto, transcreve ensinamentos de Alberto Xavier e de Geraldo Ataliba. No procedimento inquisitório, o lançamento de tributos e contribuições deverá sempre e obrigatoriamente considerar a totalidade das informações e fatos passíveis de ensejarem o alcance, por parte do ente fiscalizador, da verdade material, ou seja, a ocorrência de acréscimo patrimonial, caso que não ocorreu nos autos. Foram desconsiderados diversos fatos da exação eventualmente devida e que dizem respeito a diversas compensações não homologadas pela própria Secretaria da Receita Federal, como é indicado no relatório fiscal, item H. Ocorrência semelhante se verifica em relação a crédito de PIS, decorrente da Ação Judicial n° 98.14.02326, onde o relatório atesta que diversos valores compensados não restaram homologados para a Administração, mas mesmo assim procura afastar a licitude da exclusão de tais quantias não homologadas do lucro tributável. Assim, em ambas as situações tratase de compensações realizadas pela empresa que foram computadas no lucro tributável em diversos períodos de apuração, mas que não foram homologadas, sendo justamente por esse motivo que não podem compor o lucro tributável, como quer a Fiscalização. As exclusões das compensações não homologadas não foram realizadas nas épocas próprias, pois deveriam influenciar os resultados dos períodos em que foram efetivadas, porém não realizadas, uma vez que enquanto não homologadas não podem as obrigações por elas compensadas serem liquidadas, não havendo, portanto, a realização de nenhum crédito. Não pode concordar com os procedimentos da Fiscalização, pois se as compensações não restaram compensadas pelo referidos créditos e são contestadas pela administração tributária, não podendo ser exigido que tais importâncias sejam consideradas como receitas dos períodos em que foram reconhecidos contabilmente, fatos esse que altera o lucro tributável em todos os períodos fiscalizados. Se for mantido esse procedimento, a tributação recairá não sobre a renda, mas sim sobre o patrimônio do contribuinte, o que afronta os mais elementares princípios consagrados pelo direito tributário, entre os quais, o da capacidade contributiva e o do nãoconfisco. Considerandose os ensinamentos do professor Roque Antônio Carraza, concluiuse que se o tributo é sobre a renda, sua base de cálculo deverá, necessariamente, levar Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 19 10 em conta uma medida de renda. Em suma, a base de cálculo de qualquer tributo deve ser uma medida da materialidade da hipótese de incidência tributária. Assim, considerase que o crédito tributário lançado pelo Fisco colide com os princípios objeto de exame, sendo dissonante com a sua capacidade contributiva e confiscat6rio, na medida em que extrapola os limites da realidade palpável para alcançar valores outros que não se submetem â. hipótese material da incidência do imposto de renda. Os elementos que embasam a ação fiscal contrariam frontalmente ao disposto no art. 43 do CTN, bem como aos princípios e normas determinantes do surgimento da obrigação tributária. Nulo é o procedimento aqui contestado, pois abandona e ignora a forma como deveria dar sua confecção, deixando de apurar o montante efetivamente devido (acréscimo patrimonial), buscando constituir crédito tributário a guisa de imposto de renda sobre quantias que não representam renda ou lucro. Ainda que seja superado esse ponto e considerado válido, e eficaz o trabalho fiscal, mesmo assim o lançamento não poderá se manter incólume, pois em diversos itens não foram atendidos os ditames legais que deveriam orientar sua confecção, sendo imperioso adentrar nessas diversas impropriedades. Em relação ao registro de perdas no recebimento de créditos, transcreve os arts. 340 a 343 do RIR/1999, concluindo que todas as regras ditadas pela legislação, não há nenhuma que explicite a forma que deverá se dar a continuidade de cobrança administrativa, nem que esta deveria ser de alguma forma comprovada com documentos. Nem todas as dividas são cobráveis por procedimentos judiciais. Assim, por não adotar um procedimento padrão de cobrança amigável, não significa que não mantém contatos regulares com os clientes inadimplentes. A legislação não esclarece o que se considera manter os procedimentos administrativos de cobrança e não faz uma única exigência no sentido de que a empresa credora mantenha algum tipo de prova de tal cobrança amigável, não sendo licito que onde a lei não obrigou venha a Fiscalização a obrigar. Traz, novamente, a baila, o principio da legalidade. Tendo em vista tais circunstâncias, considerase ilegítimo o procedimento da Fiscalização, eis que através de exigência não prevista em lei glosou as deduções de créditos não recebidos acima de cinco mil reais e até trinta mil reais por operação, por carência de comprovação da manutenção da cobrança administrativa. Outra glosa efetuada pela Fiscalização e igualmente sem qualquer respaldo legislativo, diz respeito a uma suposta irregularidade cometida ao deixar de proceder estornos decorrentes da redução de multas, ajustes de juros TLPJ, SELIC e encargos/honorários relativos â inclusão de débitos no PAES. 0 procedimento da Fiscalização em tributar esses supostos valores contraria a literalidade das disposições legais que regulam o PAES, segundo o qual todo e qualquer beneficio concedido para a regularização dos débitos lá inclusos só se reputa alcançado e definitivamente obtido pela empresa optante, quando da conclusão do parcelamento e efetiva liquidação dos débitos. 0 art. 12 da Lei n° 10.684, de 2003, não deixa qualquer dúvida. Se os juros e multas pertinentes aos débitos inclusos no parcelamento serão "reestabelecidos", como diz a lei, significa que os mesmos não são dados por quitados, ficando sua cobrança apenas suspensa Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 20 11 enquanto o parcelamento especial mantém seu curso regular. Nem poderia ser diferente, pois se fosse "na data da adesão ao PAES e da consolidação do débito que o contribuinte realmente obteve o beneficio da redução da multa, e não por ocasião do pagamento dos débitos", como ardilosamente propõe a Fiscalização, não haveria nenhum fundamento legal para o restabelecimento de tais onerações, pois já estariam liquidadas. Ora se os débitos podem ser restabelecidos, é forte indicativo que não foram quitados e que a mera adesão ao parcelamento especial não garante ao contribuinte a fruição do beneficio, mas sim o seu pagamento regular. Também é objeto de glosa, as despesas com débito ao FNDE. Nesse caso, considerandose que a inobservância se deu no reconhecimento de despesas, não se pode afirmar que o Fisco tenha sofrido algum prejuízo, pois a despesa não contabilizada na época própria fez majorar o lucro nos anoscalendário de 1995 e 1996, e a postergação da despesa é irrelevante para o Fisco, vez que houve nítida vantagem na realização de resultados melhores no passado. Sobre o assunto, transcreve entendimentos do Conselho de Contribuintes. Assim, como se trata de postergação de despesas, não assiste razão ao Fisco, pois carece de fundamento legal. Por ser contrário à legislação de regência, merece uma análise mais profunda a suposta exclusão indevida do lucro real dos valores do crédito de PIS e COFINS sobre os estoque e no que diz respeito a créditos de PIS da Ação Judicial n° 98.14.02326, que não foram homologados. Discorda do procedimento fiscal, pois se as compensações não restaram homologadas e são inclusive contestadas, não poderia a Fiscalização passar exigir que tais valores sejam considerados como receitas dos períodos em que reconhecidas contabilmente, quando ao mesmo tempo tem por indevidas essas mesmas compensações e negase a dar por liquidadas as obrigações fiscais objeto de compensação. Não é lícito ao Fisco não aceitar as compensações e buscar a cobrança das obrigações fiscais cuja compensação foi pretendida. Se for mantido o crédito lançado, a autoridade tributária tributará o seu patrimônio, não sendo viável a exagerada tributação que lhes é imposta, que jamais poderá persistir por nftida afronta aos mais elementares princípios consagrados pelo Direito Tributário, entre os quais o principio da legalidade, e aos ditames do art. 142 do CTN. Ante o exposto, requer a decretação da nulidade do Auto de Infração, por falta de amparo legal. Por outro lado, por respeito ao principio da eventualidade, o Contribuinte requer o afastamento da aplicação da taxa SELIC, ou no máximo, que seu percentual seja 1% ao mês. Suas alegações, em resumo, são as seguintes: A cobrança da taxa SELIC agrega ao valor cobrado juros remuneratórios mensurados através da aplicação da taxa referencial SELIC, circunstancia essa que contraria o principio da legalidade, bem como o comando expresso no artigo 161, caput, e § 1 0 do CTN, tendo nítida natureza remuneratória. Também, as Leis n's. 8.981 e 9.065 de 1995, afrontam o principio da hierarquia legal, uma vez que deu tratamento diverso à matéria objeto de lei complementar. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 21 12 A exigência da taxa SELIC carece de abrigo constitucional, eis que não possui característica de taxa moratória, mas sim remuneratória. Finalizando, requer: A nulidade do Auto de Infração, em razão das irregularidades constantes no Auto de Infração. Não sendo esse o entendimento, a desconstituição do crédito tributário constante no Auto de Infração, eis que se apresenta completamente "descasado" do direito, não merecendo prosperar como lançamento válido e eficaz. Na linha da eventualidade, que seja reconhecida a inaplicabilidade da taxa SELIC ou a sua aplicação no percentual máximo de 1% ao mês, como determina o art. 161 do CTN. Alegações (fls. 11731209) referentes ao Auto de Infração da CSLL de fls. 10111016: Todas as alegações feitas em relação ao Auto de Infração do IRPJ de fls. 995 10031 constam na impugnação do Auto de Infração da CSLL de fls. 10111016, sendo desnecessário repetilas. Em alguns casos, ocorreu a substituição de termos para adaptálos a legislação da CSLL, tais como imposto de renda por contribuição social, renda por lucro, acréscimo patrimonial por lucro, disponibilidade econômica ou jurídica de renda por lucros tributáveis. Também substitui alguns dispositivos legais. Porém, nessa impugnação, o Contribuinte acrescentou os seguintes argumentos de defesa: Mesmo que seja relevada a apontada impropriedade, o lançamento não pode manterse, pois o mesmo considera na base de cálculo da CSLL a receita advinda das exportações efetuadas. Ocorre que com a edição da Emenda Constitucional n° 33, de 11/12/2001, foi introduzida uma nova imunidade dirigida para as receitas de exportações. Segundo o § 2° do art. 149 da Constituição Federal, sobre as receitas decorrentes de exportação não incidirá a CSLL. Embora a CSLL incida sobre o lucro e não propriamente sobre a receita, entende que a norma isentiva deve ser interpretada dentro de um contexto maior de incentivos às exportações, vez que a interpretação literal do comando levaria a inocuidade do dispositivo, pois as contribuições incidentes sobre as receitas das empresas, de longa data, já não oneravam as exportações. Se a imunidade fosse aplicável somente para as contribuições para o PIS e para a COFINS, a introdução desse novo dispositivo não teria nenhuma função prática e espelharia a introdução de uma ordem totalmente inócua no corpo da Lei Maior, o que não se pode admitir. Por certo, a base de cálculo utilizada pela Fiscalização não espelha o desejo do Legislador Constitucional e acaba de impor uma oneração tributária proibida pelo texto constitucional, uma vez que realizou exportações na ordem de R$915.931,78, R$2.950.102,62 e R$2.869.955,41 nos anos de 2002, 2003 e 2004, respectivamente. Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 22 13 Finalizando, requer: A nulidade do Auto de Infração, em razão das irregularidades constantes no Auto de Infração. Não sendo esse o entendimento, a desconstituição do crédito tributário constante no Auto de Infração, eis que se apresenta completamente "descasado" do direito, não merecendo prosperar como lançamento válido e eficaz. Na linha da eventualidade, que seja reconhecida a inaplicabilidade da taxa SELIC ou a sua aplicação no percentual máximo de 1% ao mês, como determina o art. 161 do CTN. A autoridade julgadora de primeira instância DRJ/SANTA MARIA/RS, decidiu a matéria por meio do Acórdão 186.728, de 08/03/2007 (fls.1250 e s.s), tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO Demonstrado que os Autos de Infração foram formalizados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se acatar o pedido de nulidade dos lançamentos formalizados por meio dos Autos de Infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 IRPJ. ANTECIPAÇÃO DE CUSTO. REGIME DE COMPETÊNCIA. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO Registro antecipado de despesa e/ou custo na escrituração e na determinação do lucro real corresponde a inexatidão quanto ao regime de competência. Resultando em falta de recolhimento ou postergação de pagamento de imposto, a infração deve ser apurada com observância do disposto no Parecer Normativo COSIT n° 02, de 1996. MULTA E JUROS DE MORA SOBRE A PARCELA DO IMPOSTO POSTERGADO. A cobrança de multa e juros de mora é devida pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. LUCRO REAL. BASE DE CALCULO. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. PROVA. O cômputo de perdas no recebimento de créditos na determinação do lucro real está subordinado ao atendimento das condições estabelecidas pela legislação aplicável, cuja prova cabe ao sujeito passivo. MULTAS POR INFRAÇÕES FISCAIS Para fins de apuração do lucro real, não são dedutíveis, como custo ou despesas operacionais, as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 23 14 tributo. Os valores indevidamente provisionados devem, portanto, serem adicionados ao lucro liquido do período base, para efeito da determinação do lucro real. LUCRO REAL. EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA Adicionase à. base de cálculo do IRPJ, os valores excluídos na apuração do lucro real, quando as exclusões feitas pelo Contribuinte não estão autorizadas pela legislação tributária ou não estão devidamente comprovadas. DESPESAS INDEDUTÍVEIS Computamse na apuração do resultado somente os custos ou despesas que forem documentalmente comprovados e guardem estrita conexão com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte de receita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase, no que couber, ao lançamento decorrente da CSLL, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO A CSLL não está incluída entre as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico alcançadas pela imunidade das receitas decorrentes de exportação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 JUROS DE MORA. TAXA SELIC É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora equivalentes a taxa do Sistema Especial de. Liquidação e Custódia SELIC, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicála. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. TRIBUTO. PAGAMENTO APÓS VENCIMENTO SEM O ACRÉSCIMO DA MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA ISOLADAMENTE. CANCELAMENTO. Cancelase a multa de oficio, exigida isoladamente, incidente sobre o pagamento ou recolhimento de tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora, em razão de norma legal que deixou de definir tal fato como infração. Lançamento Procedente em Parte É o relatório. Passo ao voto. Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 24 15 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente de EMBARGOS DECLARATÓRIOS (fl. 1367), interpostos contra a decisão exarada por meio do Acórdão n° 10517.326, de 13/11/2008 (fls.1357/1360), alegando a tempestividade do recurso voluntário interposto e dos primeiros embargos apresentados, requerendo para que seja admitido o Recurso Voluntário com seu regular trâmite. Passo a analisar. 1o. equívoco: A obscuridade reside, inicialmente, na decisão da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes ao considerar perempto o recurso voluntário interposto (Acórdão 10517.326), explicase: Ciência do Acórdão/DRJ/STM (fl. 1307), em 05/04/2007 (quintafeira); De se observar que o primeiro dia útil (06/04/2007) foi feriado (Paixão de Cristo ou Sextafeira Santa), logo, iniciase a contagem na segunda feira dia 09/04/2007 e término no dia 08/05/2007. Recurso Voluntário protocolizado em 08/05/2007 (fls.1308/1353), portanto, tempestivo. 2o. Equívoco: A DRF/Santo Ângelo (RS) opôs embargos declaratórios ao Acórdão 105 17.326, alegando que não consta a data do recebimento pela contribuinte do Acórdão de primeiro grau (DRJ/STM). Conclui que, nestes casos aplicase o prazo de 15 dias após a expedição da notificação (04/04/2007), portanto, tempestivo o recurso voluntário (fl.1361). Em decorrência, a 2o. TO da 3a. Câmara da 1a. Sejul desta Corte Administrativa, por meio do Despacho 153/2010, de 08/07/2010 (fl.1363), reitera a intempestividade nos termos do mencionado Acórdão 10517.326). Cientificado em 30/08/2010, novamente a empresa autuada protocola em 06/09/2010 Embargos de Declaração nos seguintes termos (fls. 1366e s.s): “Salvo melhor juízo, e pedindo reiteradas vênias, há no presente acórdão franca obscuridade geradora de clara dúvida e contradição ante a realidade dos autos, no que atine à contagem do prazo recursal, não podendo a empresa Contribuinte a ele curvarse, motivo pelo qual se vê obrigada a vir novamente a esse douto Conselho de Contribuintes postular — via os presentes embargos, remédio processual adequado para a busca da jurisdição integral o aclaramento da questão aqui posta, sob a lente dos integrais argumentos que a sustentam. Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 25 16 Ex positis, são os presentes embargos para, com o máximo respeito, considerando ainda o enunciado no art. 33 do Decreto n. 70.235/72, combinado com os arts. 64, I, 65 e 66 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, requerer manifestação expressa dessa Colenda Câmara a respeito do ponto supra declinado, firmando a consideração a propósito da realidade dos autos, qual seja, que no dia seguinte à intimação da contribuinte era Feriado Nacional, portanto não era dia útil (artigo 5° e parágrafo único do Decreto n. 70.235/76) capaz de principiar o prazo recursal, de forma a dar ao caso a merecida prestação jurisdicional para que seja admitido o Recurso Voluntário interposto com seu regular trâmite.” Como visto, efetivamente, o recurso voluntário e os embargos de declaração interpostos são sim tempestivos, motivo pelo qual deve ser anulada a decisão que não os conheceu por intempestividade (Acórdão 10517.326). Em face do exposto, conheço e acolho os embargos de declaração para anular o Acórdão 10517.326, ora combatido, passando, em conseqüência, a apreciação da matéria contida no recurso voluntário interposto. Irresignada com a decisão de primeira instância a empresa autuada interpôs recurso voluntário a este E. Conselho repisando os tópicos trazidos anteriormente nas peças impugnatórias e detalhadamente relatados nestes autos. Como vimos do relatório e voto combatido, alem da preliminar de nulidade, restou da lide e conseqüente matéria a ser apreciada nesta fase os seguintes pontos: (I) IRPJ adicional do AC/2003, no valor de R$ 22.330,11 mais multa de oficio e juros de mora, pela inobservância do regime de competência na escrituração de custos/despesas (postergação); (II) Mantida os juros de mora exigidos isoladamente nos valores de R$ 6.287,14 (IRPJ) e R$ 3.667,73 (CSLL), em decorrência de valores do imposto postergados nos anoscalendário de 2002 e 2003, os quais foram considerados pela Fiscalização como pagos em atraso; (III) Procedentes AI/IRPJ no valor de R$ 461.561,75 e AI/CSLL no valor de R$ 168.886,75, mais acréscimos, em decorrência de redução indevida do lucro (diversas matérias). Ressaltese que a multa isolada por falta de recolhimento da multa de mora nos valores de R$ 26.570,69 (IRPJ) e R$ 15.594,55 (CSLL) foram canceladas pela Turma julgadora de primeira instância, em virtude da nova redação dada ao art. 44, inc. II, da Lei 9.430, de 1996. Passo a análise pela ordem descrita na defesa. Primeiro ponto: NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 26 17 Primeiro, no dizer da ora recorrente: “a atividade do Poder Público no exercício de seu poder de fiscalizar, lançar tributo e impor penalidade está, em primeiro lugar, inevitavelmente atrelada ao Principio da Estrita Legalidade, somente podendo atuar dentro dos rígidos limites estabelecidos em lei, sendo irremediavelmente vinculada sua atuação a determinadas formas e requisitos legalmente prescritos. A carência ou falta de cumprimento de qualquer desses requisitos ou a adoção de práticas diversas daquelas legalmente previstas, fulminam o ato, tornandoo nulo e de nenhum efeito no mundo do direito, pois se ao particular é licito fazer tudo aquilo que lei não o proíbe, às autoridades públicas é admitida tãosomente a adoção de práticas que lhes sejam atribuídas pela lei, e na forma que esta determinar. Aqui, doutos Conselheiros, ao ver da Recorrente, a fiscalização, independentemente de estar ou não correta quanto a suas afirmativas sobre as supostas irregularidades, comete grave equivoco procedimental ao apurar o valor da exação devida, pois lastrou seu trabalho de apuração isolando os exercícios fiscalizados e procedendo a mensuração das quantias supostamente devidas pelo mero procedimento. (...) A Autoridade autuante desconsidera diversos fatos de seu conhecimento que possuem relevante influência sobre o montante da exação eventualmente devida e que dizem respeito a diversas compensações não homologadas pela própria Secretaria da Receita Federal. (...) Nulo é o procedimento aqui contestado, pois evidentemente abandona e ignora a forma como deveria se dar sua confecção deixando de apurar o montante efetivamente devido orientando seu proceder pelo efetivo lucro auferido por parte da empresa fiscalizada, buscando constituir crédito tributário a guisa de CSLL e IRPJ sobre quantias que não representam lucro ou renda, respectivamente.” Requer, pois, a nulidade dos autos infração em razão de: a) desobediência aos princípios constitucionais da legalidade, do não confisco, da tipicidade cerrada e da hierarquia legal; b) desobediência aos ditames legais e regulamentares aplicáveis ao caso; c) falta de amparo legal para as exigências do IRPJ, CSLL, multas e juros calculados com base na taxa SELIC; d) abandono da forma como deveria ser a confecção dos Autos de Infração, deixando de apurar o montante efetivamente devido (acréscimo patrimonial), buscando constituir crédito tributário a guisa de imposto de renda sobre quantias que não representam renda ou lucro. Em preliminar reputo as acusações apontadas como improcedentes. Examinado os Auto de Infrações, não se constata nenhum vício de forma, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto n° 70.235, de 1972. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa, como efetivamente o fez. Para que ocorra a nulidade suscitada, fazse míster que ocorram uma das possibilidades previstas no Decreto n.° 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 27 18 fiscal, em seus artigos 9° e 10, bem como aquelas expressas no art. 59 do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 59 São nulos: 1 os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Segundo ponto: IRPJ/CSLL. GLOSAS/MATÉRIAS DIVERSAS. (Lanç. de fls. 995/1003 e 1011/1016). Alegações genéricas da recorrente: Aqui, doutos Conselheiros, ao ver da Recorrente, a fiscalização, independentemente de estar ou não correta quanto a suas afirmativas sobre as supostas irregularidades, comete grave equivoco procedimental ao apurar o valor da exação devida, pois lastrou seu trabalho de apuração isolando os exercícios fiscalizados e procedendo a mensuração das quantias supostamente devidas pelo mero procedimento de adição à base de cálculo da contribuição social (CSLL) e mero procedimento de adição ao Lucro Real (IRPJ) das parcelas que entendia contabilizadas, em inobservância ao regime de competência ou excluídas indevidamente, deixando de recompor efetivamente o lucro tributável de cada período de apuração. (...) De outro lado, o Imposto de Renda, também objeto do auto de infração contestado, é bom lembrar, tem a sua conformação jurídica delineada pelo art. 153, III, da CF/88 e pelo art. 43 do CTN. Já esse dispositivo constitucional, afirma que o imposto incide sobre a renda e proventos de qualquer natureza, definição esta que o CTN complementa ao especificar o núcleo material de incidência do tributo como sendo o fruto do capital ou do trabalho, ou, ainda, da combinação de ambos, bem como os acréscimos patrimoniais não compreendidos em tais categorias, mas que signifiquem aquisição de riqueza nova. No caso de pessoas jurídicas comerciais, tanto no caso da CSLL como o IRPJ, a base imponível eleita por lei é o lucro (ou a renda) auferido em determinado período base de incidência, resultante do confronto direto entre as receitas e ganhos auferidos pela empresa e seus correspondentes dispêndios incorridos, podendo ser tal montante real, presumido ou arbitrado. Ora, no campo do direito tributário, vigoram os princípios da Tipicidade Cerrada, da Estrita Legalidade e do lançamento, atividade tendente a constituir o crédito tributário, com atuação administrativa plenamente vinculada à Lei, consoante preceitua o art. 142 do CTN. (...) Assim, como procedimento inquisitório que é, tendente a investigar a verdade material (CTN, art. 142, e §), o lançamento de tributos e contribuições deverá Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 28 19 sempre e obrigatoriamente considerar a totalidade das informações e fatos passíveis de ensejarem o alcance, por parte do ente fiscalizador, da verdade material, ou seja, in casu, a ocorrência de lucros por parte de algum contribuinte (CSLL) ou acréscimo patrimonial (IRPJ), do qual o pagamento realizado pela entidade fiscalizada é mera decorrência. (...) Incorporadas ao nosso atual sistema tributário temse uma gama de garantias ou princípios que norteiam e limitam o poder de tributar das pessoas jurídicas de direito público. Dentre esses princípios, ressaltam, para demonstrar a incompatibilidade do procedimento promovido pelos Fiscais Autuantes, acima sumariamente evidenciado, com os vetores constitucionais da tributação do lucro (CSLL) e renda (IRPJ), em especial o da capacidade contributiva e o da não confiscatoriedade. Pois bem, inicialmente a ora Recorrente traz a debate o conceito de aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica prevista no art. 43 do CTN, para ao final concluir que somente se efetiva com a “ocorrência de lucros por parte de algum contribuinte (CSLL) ou acréscimo patrimonial (IRPJ), do qual o pagamento realizado pela entidade fiscalizada é mera decorrência”. Não resta dúvida que o elemento material da hipótese de incidência do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, ou seja, para que o fato imponível ocorra, não é suficiente a prática de atividade, que combinando capital e trabalho, vise à produção de renda, mas sim que exista juridicamente a renda, ou seja, basta para efeitos tributários à ocorrência da disponibilidade econômica ou jurídica do rendimento, que são exatamente as causas que determinam a escrituração contábil do rendimento auferido pela pessoa jurídica. Melhor dizendo: a disponibilidade jurídica é assegurada pela posse do direito à renda, representada por um bem ou um crédito líquido e certo, que, embora temporariamente não represente a posse física da renda, já se agregou ao patrimônio da pessoa jurídica, tendo, portanto, legalmente a capacidade para dispor deste direito. O fato é que a lei prevê as duas hipóteses: como fato gerador do imposto (art. 43 do CTN) e o momento da sua ocorrência (art. 116 do CTN) e, adota como princípio o da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda para efeito de apuração do fato gerador do imposto de renda, independentemente da disponibilidade financeira, ao consagrar como regra, salvo exceções expressas, o registro e a apuração dos resultados pelo regime de competência, desvinculado do efetivo ingresso ou dispêndio do caixa da pessoa jurídica, o que por sinal é acolhido pelas regras gerais de contabilidade e pelas Leis Comerciais como sendo o que melhor retrata a situação patrimonial da pessoa jurídica em cada período. No caso, constatase dos autos que os elementos de hipótese de incidência tributária foram descritos nos Autos de Infração e no Termo de Constatação Fiscal de IRPJ e CSLL. A Fiscalização verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo e lançou as penalidades cabíveis, nos termos da legislação de regência, apontando as irregularidades que reduziram indevidamente o lucro (renda) do Contribuinte e, conseqüentemente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 29 20 Ressaltese que, com relação aos princípios constitucionais argüidos pela recorrente, uma vez sancionada a lei, esta deve ser aplicada pelo agente público o qual obrigatoriamente deve presumir sua constitucionalidade sob pena de responsabilidade funcional, a teor do parágrafo único do art. 142 do CTN. Diante do exposto, não se pode acatar as ponderações feitas pela autuada, não sendo passíveis de nulidade os Autos de Infração constantes neste processo. Passo a análise do mérito. A) Baixa Indevida de Perdas no Recebimento de Créditos (item A do TCF; 6 e 11 do AI) No dizer da ora recorrente: Sendo assim, importante mencionar que consta do já referenciado Termo de Constatação Fiscal que o contribuinte haveria cometido diversas irregularidades no registro de perdas no recebimento de créditos, sendo que grande parte dos valores cuja dedutibilidade foi glosada se refere a titulo vencidos em que a empresa não comprovou a adoção de procedimentos administrativos para a cobrança dos mesmos. Tema tratado nos artigos 340 a 343 do Regulamento do Imposto de Renda. Como é possível observar, dentre todas as regras ditadas pela legislação não há nenhuma que explicite a forma que deverá se dar a continuidade de cobrança administrativa, nem, tão pouco, que esta deveria ser de alguma forma comprovada com documentos. Ora, como pode a Fiscalização exigir que a empresa fiscalizada tenha algum tipo de procedimento padrão ou que detenha documentos que possam provar a manutenção dos procedimentos de cobrança administrativa, se a própria legislação não faz dita exigência? Do voto condutor: Como se verifica no TCF, o contribuinte efetuou a baixa na sua escrituração de diversos valores referentes a perdas nos recebimentos de créditos, nos anos calendário de 2002, 2003 e 2004. Os valores estão devidamente relacionados nos demonstrativos de fls. 302/303, 485/491, 510/515, e 519. Também, reduziu indevidamente do lucro real, no anocalendário de 2003, o valor de R$139.454,05, por inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de despesa (perda no recebimento de crédito), registrada indevidamente em 2003 e estornada/recebida em 2004, resultando em redução do lucro liquido no ano calendário de 2003, de forma que o Contribuinte compensou perdas posteriores com ganhos anteriores, conforme demonstrativos de fls. 485/491 e 959/960 (valor apurado acima do lucro tributável declarado pelo contribuinte no anocalendário de 2004): R$458.455,84 — R$(319.001,79). 0 motivo pelo qual foram efetuadas as referidas glosas foi decorrente da inobservância dos requisitos legais para sua dedutibilidade. Eis aqui o ponto principal da autuação. Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 30 21 Verificase que o legislador disciplinou a regra relativa ao não recebimento de créditos vencidos pelo art. 340, do RIR/1999 (art. 9° da Lei n° 9.430, de 1996), condicionando sua exclusão do lucro líquido à adoção de providências de caráter judicial, como se percebe no parágrafo primeiro do artigo 342 do RIR/99, vejamos: Art. 340. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo (Lei 9.430, de 1996, art.9o.). § 1o. Poderão ser registrados como perda os crédito: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: (...) Art. 342. Após dois meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido o seu recebimento, a pessoa jurídica credora poderá excluir do lucro líquido, para determinação do lucro real, o valor dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizado como receita, auferido a partir do prazo definido neste artigo (Lei n° 9.430, de 1996, art. 11). § 1 0 Ressalvadas as hipóteses das alíneas "a" e "h" do inciso II do § 1° do art. 340, o disposto neste artigo somente se aplica quando a pessoa jurídica houver tomado as providências de caráter judicial necessárias ao recebimento do crédito (Lei n° 9.430, de 1996, art. 11, § 1°). Portanto, como visto, o referido dispositivo legal estabeleceu condições para registro como perdas dos créditos não liquidados tempestivamente, aos quais estão ligadas ao tempo de vencimento e/ou às providências tomadas para recuperação dos créditos não honrados. Encontramos no Termo de Constatação Fiscal (TCF) que a contribuinte registrou/baixou na contabilidade a titulo de Perdas no Recebimento de Créditos R$ 166.478,79 no ano 2002, R$ 1.492.816,94 no ano de 2003 e R$ 539.307,81 no ano de 2004, conforme documentos de fls. 258/282. Após reiteradas intimações (e reintimações) para apresentar cópia do Livro Razão referente à conta Provisão para Devedores Duvidosos/Perdas no Recebimento de Créditos e as duplicatas e/ou títulos de crédito cujos valores foram baixados na contabilidade como perdas, juntamente com os documentos comprobatórios dos requisitos exigidos pela legislação fiscal para que tais créditos possam ser deduzidos como despesa na determinação do Lucro Real (Artigo 9° da Lei n° 9.430/96), entregou cópia de algumas duplicatas supostamente baixadas como perdas (docs. de fls. 22/23), cópia do livro razão, demonstrativos dos Títulos de Crédito Baixados como Perdas, e cópia de alguns cheques relativos às perdas registradas. Com base nos documentos apresentados a autoridade fiscal procedeu aos levantamentos dos valores deduzidos indevidamente, considerando: Em relação às duplicatas Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 31 22 e/ou cheques até R$ 5.000,00 por operação (sem garantia real), como dedutíveis os valores baixados na contabilidade como perdas, cujos títulos foram apresentados durante a fiscalização e constavam nos demonstrativos mensais elaborados pelo contribuinte, desde que vencidos a mais de 06 meses e, em relação às duplicatas e/ou cheques acima de R$ 5.000,00 até R$ 30.000,00 bem como os demais acima de R$ 30.000,00 por operação (sem garantia real), também foram considerados como dedutíveis os valores baixados na contabilidade como perdas, aqueles que a empresa comprovou, através de documentos, a adoção de procedimentos administrativos ou judiciais para a cobrança dos mesmos, tais como documento de protesto dos títulos, cartas de cobranças, documento de inscrição do devedor no cadastro SERASA, ajuizamento de ação judicial para cobrança, entre outros. Nesse passo, as perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica com valores superiores ao previsto no parágrafo 1°, item II, letra "c", do artigo 340, somente poderão ser deduzidos como despesa, para efeito de determinação do lucro real, se iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. E, no caso, cabe ao sujeito passivo, a prova de que os créditos atenderiam às condições necessárias para serem registrados como perdas, uma vez que a este (sujeito passivo) interessa o cômputo das eventuais perdas. Logo, verificada a ocorrência de infração a legislação tributária — dedução de perdas no recebimento de créditos sem observância dos requisitos do parágrafo primeiro do art. 342 do RIR/99, correto o procedimento adotado pela fiscalização e mantido pela decisão recorrida, até porque, se fosse adotado o entendimento da Recorrente, estarseia a cometer um ilícito, eis que vige no direito tributário o princípio da legalidade estrita, o que implica em dizer que a obrigação tributária nasce de lei, devendo, por isso, a autoridade administrativa pautarse pelo disposto na legislação de regência, sob pena de responsabilidade funcional se assim não o fizer. B) Estornos Decorrentes da Redução de Multas/Ajustes de Juros/TJLP/SELIC e Encargos/Honorários Relativos a Inclusão de Débitos no PAES. (Recuperação de Custos/despesas Apropriadas/Provisionadas Anteriormente) Alega a ora recorrente: Outra questão objeto de glosa pela fiscalização, e igualmente sem qualquer respaldo legislativo, diz respeito a uma suposta irregularidade cometida pela empresa contribuinte ao deixar de proceder aos estornos decorrentes da redução de multas, ajustes de juros TJLP/SELIC e encargos/honorários relativos à inclusão de débitos no PAES. Segundo o auto de infração, deveria a empresa contribuinte proceder ao registro de uma alegada recuperação de despesas apropriadas anteriormente. Neste aspecto também não inovou a decisão recorrida, aduzindo, ademais que como se depreende do dispositivo legal, a exclusão do parcelamento implica na imediata exigência da totalidade de crédito confessado ainda não pago, restabelecendose em relação ao montante não pago os acréscimos legais na forma da legislação aplicável à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Ainda afirma que como vimos, esse dispositivo legal não trata da época em que devem ser escriturados os valores da redução de multa, dos juros e demais encargos, mas da repercussão que se dará no caso de o sujeito passivo ser excluído Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 32 23 do referido parcelamento (.), adotando, em seguida, as razões da Fiscalização para decidir. Ora, é exatamente o que pretende afirmar a ora Recorrente, pois segundo o PAES, todo e qualquer beneficio concedido para a regularização dos débitos lá inclusos só se reputa alcançado e definitivamente obtido pela empresa optante quando da conclusão do parcelamento e efetiva liquidação dos débitos. E a legislação não deixa a menor dúvida neste sentido. Verificase do TCF que em face à adesão ao Programa REFIS (Lei n° 9.964/2000), os débitos da empresa foram atualizados/consolidados em 01/03/2000, conforme extrato de fls. 535/541, sobre os quais passaram a incidir, a partir desta data os encargos da TJLP, sendo que tais encargos foram reconhecidos/apropriados pelo contribuinte em sua escrita contábil com base no regime de competência. Portanto, ao aderir ao REFIS, a contribuinte utilizouse do beneficio previsto no § 7o. do art. 2° da Lei n° 9.964/2000, ou seja, utilizou o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL próprios para abater R$ 212.666,15 de multa e R$ 361.594.23 de juros, além de compensar R$ R$ 26.822,42 mediante a utilização de crédito de ressarcimento de IPI. O contribuinte permaneceu no REFIS até 31/07/2003, e durante a sua vigência, realizou um série de pagamentos/amortizações, os quais constam do extrato de fls. 535/541. Em 30/07/2003 pediu a inclusão no novo programa especial de parcelamento (PAES —Lei n° 10.684/2003). Assim, todos os débitos do REFIS, não amortizados até 31/07/2003, foram reabertos e incluídos no PAES com os acréscimos legais aplicáveis na forma da legislação vigente à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Além dos débitos que estavam incluídos no REFIS, o contribuinte também incluiu no parcelamento os débitos de PIS e COFINS lançados de oficio e controlados através dos processos administrativos n° 11070.001614/200271 e 11070.001615/200216, e os débitos registrados na contabilidade e não pagos, com vencimento até 28 de fevereiro de 2003. De acordo com a Lei no 10.684/03, os débitos objetos de parcelamento foram consolidados no mês do pedido (art. 1o. § 3o.) e, para fins da consolidação referida no § 3o., os valores correspondentes à multa, de mora ou de oficio, foram reduzidos em cinqüenta por cento (§ 7o. do art. 1°). Em razão da adesão ao novo parcelamento especial a contribuinte lançou na contabilidade os débitos lançados de ofício relativos à multa e juros na Conta PIS e COFINS a Recolher, transferindoos em 31/07/2003 para a Conta REFIS II. Ressaltase que na contabilidade o contribuinte apropriou as multas de mora dos tributos em atraso com base no regime de competência, todavia, ao transferir os saldos das referidas contas para a conta REFIS II não estornou os valores relativos à redução da multa de mora/oficio (50%) prevista no § 7o. do art. 1° da Lei n° 10.684/03. Com relação aos débitos inicialmente incluídos no REFIS (01/03/2000) e não amortizados (Lei n° 9.964/2000), excluídos do REFIS em 31/07/2003 e incluídos no PAES com base na Lei n° 10.684/03, o contribuinte foi intimado a justificar, através do Termo Intimação Fiscal de fls. 34/35, porque não foi realizado o estorno dos valores relativos a redução da multa (50%), os ajustes decorrentes da variação entre a TJLP e a SELIC no período compreendido entre a data da adesão ao REFIS e a data de adesão ao PAES e os valores relativos aos encargos da PGFN e dos honorários da procuradoria do INSS. Também foi Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 33 24 intimado a justificar, em relação aos débitos apurados após a adesão do REFIS, incluídos no PAES em 30/07/2003, porque não foram estornados/ajustados os valores relativos a redução da multa (50%) e dos honorários da Procuradoria. Em resposta a intimação o contribuinte informa que, em atenção ao principio contábil do conservadorismo, não estornou os valores relativos a redução da multa e juros concedidos no âmbito do REFIS e do PAES, pois ditas reduções são benefícios condicionados a plena execução dos programas especiais de parcelamento, somente se configurando definitivas e consolidadas as vantagem oferecidas se e quando restarem integralmente adimplidas as obrigações assumidas pelo contribuinte (fls. 36). No caso, entendo correto o procedimento dos fiscais autuantes no sentido de que equivocase a contribuinte em relação a redução da multa, pois o beneficio consta expressamente na norma legal, ao determinar que o débito objeto de parcelamento será consolidado no mês do pedido e que para fins de consolidação do débito, os valores correspondentes a multa, de mora ou de oficio, serão reduzidos em 50%. Portanto, foi na data da adesão ao PAES e da consolidação do débito que o contribuinte realmente obteve o beneficio da redução da multa, e não por ocasião do pagamento dos débitos, como afirma a contribuinte. Além disso, a partir do mês seguinte ao da consolidação os juros da TJLP passaram a incidir somente sobre o valor do débito consolidado, o qual está contemplado com a redução da multa. Havendo exclusão constitui um novo fato jurídico, e os efeitos decorrentes desse fato, tais como o retorno do valor original da multa e dos juros de mora incidentes sobre os débitos não amortizados, deverão ser reconhecidos na data da sua ocorrência (data da exclusão), tratamento esse alias a ser adotado em relação à variação dos juros da TJLP e da SELIC do período de 03/2000 a 07/2003, relativos aos débitos incluídos no REFIS e não amortizados, bem como em relação aos encargos/honorários incidentes sobre tais débitos. Portanto, considerando que o contribuinte registrou na contabilidade os valores das multas e dos juros com base no regime de competência, e na data da adesão ao PAES não realizou os estornos relativos à redução da multa de mora/oficio e dos ajustes decorrentes da variação da TJLP e da SELIC (01/2000 a 07/2003 — relativo a exclusão dos débitos do REFIS em 31/07/2003), bem como dos encargos/honorários, reputo correta o procedimento da fiscalização ao apurar os valores a serem estornados, adicionandoos ao lucro liquido da empresa e ao Lucro Real para fins de apuração do IRPJ devido, pois representam recuperação de custos/despesas apropriadas anteriormente ao resultado da empresa e na apuração do Lucro Real. De se ressaltar que na apuração dos referidos valores foram considerados os valores pagos/amortizados durante a vigência do REFIS, bem como, foram recalculados /atualizados com base na legislação vigente à época dos fatos geradores os débitos inicialmente incluídos no REFIS e não amortizados até 31/07/2003 (data da exclusão), em conseqüência resultaram valores a serem estornados na contabilidade relativos à redução da multa de mora/oficio (50%), da diferença dos juros entre a TJLP e a SELIC no período de 01/03/2000 a 31/07/2003 e dos ajustes relativos aos encargos/honorários. Percebese, que a contribuinte não discorda dos valores adicionados ao lucro real (docs. de fls. 546, 587, 609/611, 642, 671/672 e 748), mas de que os estornos decorrentes da redução de multas, ajustes de juros e encargos/honorários não devem ser efetuados na data Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 34 25 da adesão ao PAES, mas sim na medida em que forem pagas as parcelas desse parcelamento, amparando tal argumento no art. 12 da Lei 10.684, de 30 de maio de 2003. Ao contrário, deste entendimento, inferese da norma legal pertinente que, a exclusão do parcelamento implica na imediata exigência da totalidade do crédito confessado ainda não pago, restabelecendose em relação ao montante não pago os acréscimos legais na forma da legislação aplicável à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Portanto, reputo correto o entendimento adotado pela fiscalização. C) Despesas com débitos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Inobservância do regime de competência (item F do TCF, item 004 do Auto de InfraçãoR$ 60.027,89) Exclusão indevida do lucro real da importância de R$ 60.027,89, em maio de 2003, de despesas com FNDE relativas aos períodos de apuração abril de 1995 a dezembro de 1996 (fls. 750/756), com inobservância do regime de competência previsto no art. 344 do RIR/1999. 0 Contribuinte argumenta que o fato de não ter observado o regime de competência não trouxe nenhum prejuízo, pois a despesa não contabilizada na época própria fez majorar o lucro nos anoscalendário de 1995 e 1996, e a postergação da despesa é irrelevante para o Fisco, vez que houve nítida vantagem na realização de resultados melhores no passado. Assim, como se trata de postergação de despesas, não assiste razão ao Fisco, pois carece de fundamento legal. Destacase que, no caso de inexatidão na escrituração de despesas, temse a postergação no pagamento do IRPJ para o período posterior ao em que seria devido, ou redução indevida de lucro, infrações sujeitas às disposições do art. 273 do RIR/1999. No caso ora discutido, o contribuinte não observou o regime de competência, escriturando, no anocalendário de 2003, despesas referentes aos anoscalendário de 1995 e 1996. Assim, verificouse inexatidão quanto ao período de escrituração de despesas, o que constitui motivo para o lançamento da diferença de imposto, pois resultou numa redução indevida do lucro real no anocalendário de 2003 (art. 273, II, do RIR/1999). Destacase, que o Contribuinte apurou prejuízo fiscal (fls. 759 e 751) nos anos calendário de 1995 e 1996, não pagando nenhum valor a titulo de IRPJ. Eis a questão (inobservância do Regime de Competência). Art. 273, II do RIR/1999: A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DL 1598/1977, art. 6o.): Ia postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 35 26 II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. No caso, o fato de a empresa não ter observado o regime de competência na apropriação de custo/despesa nos anos calendários de 1995 e 1996 em que foi apurado prejuízo fiscal em ambos os exercícios, apropriando somente no ano de 2003, sem dúvida, acarretou prejuízos reais para o fisco, devendo ser mantida a glosa por dedução indevida. D) Exclusão indevida do lucro real dos valores do credito de PIS e COFINS sobre estoque (item G do TCF, item 007 do Auto de Infração). Conforme item "G" do TCF, o Contribuinte excluiu do Lucro Real, parte A do LALUR (fls. 54/55), no anocalendário de 2004, os seguintes valores: a) R$39.181,12 (fl. 879) referente a crédito de PIS nãocumulativo sobre estoque de abertura que não foi homologado; b) R$233.781,35 (fl. 869) referente a crédito de COFINS nãocumulativo sobre estoque de abertura que também não foi homologado. 0 Contribuinte discorda do procedimento fiscal, pois se as compensações não restaram homologadas e são inclusive contestadas, não pode a Fiscalização passar a exigir que tais valores sejam considerados como receitas dos períodos em que reconhecidas contabilmente, quando ao mesmo tempo tem por indevida essas mesmas compensações e negasse a dar liquidadas as obrigações fiscais objeto de compensação. Conforme art. 250, inciso I, do RIR/1999, na determinação do lucro real, pode ser excluído do lucro liquido, os valores cuja dedução seja autorizada pelo Decreto n° 3000, de 1999 e que não tenham sido computados na apuração do lucro liquido do período de apuração. 0 Contribuinte não pode excluir do LALUR tais valores, pelas razões descritas no TCF, às fls. 969/970, que adoto como razões de decidir: Da análise dos livros contábeis do contribuinte constatamos que: a) Quando da entrada em vigência do regime do PIS nãocumulativo (dezembro de 2002) o contribuinte registrou na contabilidade o valor apurado relativo ao crédito do estoque (art. 11 da Lei n° 10.637/2002) a débito de PIS a Compensar (conta do Ativo) e a crédito de receita financeira — conta crédito Tributário a Compensar — Lei n° 10.637/02, transferindo o respectivo valor para o resultado do exercício em 31/12/2002(fls. 879/880). Tal fato não provocou modificação/redução do custo das matériasprimas, produtos em elaboração e produtos acabados existentes em estoque naquela data: b) Na entrada em vigência da COFINS nãocumulativa (01/02/2004) o contribuinte registrou na contabilidade o valor apurado relativo ao crédito do estoque (art. 12 da Lei n° 10.833/03) a débito de COFINS a Compensar Lei 10.833/03 (conta COFINS Lei n° 10.833/03). Durante o ano de 2004, baixou R$233.781,35 (1/12 a cada mês) do valor existente na conta de Receita de Resultado de Exercícios Futuros para a conta de Receita Financeira, valor esse transferido para o resultado do exercício em 31/12/2004(fls. 879/880). Tal fato não provocou modificação/redução do custo das matériasprimas, produtos em elaboração e produtos acabados existentes no estoque em 31/01/2004. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 36 27 c) 0 contribuinte fez a apuração extracontábil do PIS e COFINS não cumulativo, registrando na contabilidade como despesa de PIS e COFINS o valor apurado antes de deduzido o crédito dos estoques (1/12 ao mês). Posteriormente, transferiu 1/12 a cada mês da conta de PIS e COFINS a Compensar para a conta PIS e COFINS nãocumulativo a Recolher. 0 caso do contribuinte ter registrado na contabilidade o valor do crédito de PIS e COFINS sobre o estoque em conta de Receita Financeira, transferindo o respectivo valor par o resultado do exercício, produz o mesmo efeito jurídico caso o contribuinte tivesse registrado o valor do crédito como redução do estoque de matérias primas, produtos intermediários e produtos acabados, que seria o procedimento correto a ser adotado em 01/12/2002 e 01/02/2004. Se o contribuinte tivesse registrado na contabilidade como despesa o valor do PIS e da COFINS nãocumulativos apurados após a dedução do crédito do estoque (1/12 ao mês), justificaria a exclusão realizada no LALUR, todavia, não foi esse o procedimento adotado, pois registrou na contabilidade como despesa os valores do PIS e COFINS nãocumulativos apurados antes da dedução de crédito do estoque (1/12 —fls. 866/898), o que torna indevida a exclusão da receita realizada via LALUR.. 0 valor relativo, à exclusão indevida no LALUR foi glosado pela fiscalização e o IRPJ apurado em função dessa glosa foi lançado de oficio, via auto de infração. Diante do exposto, a glosa dos referidos valores está correta, não prosperando os argumentos da defesa. E) Exclusão indevida do lucro real do valor registrado na contabilidade a titulo de credito presumido de IPI (item H do TCF, item 008 do Auto de Infração). Transcrevo trechos necessários do voto condutor: Tratase da exclusão indevida do lucro real da importância de R$479.479,52, no anocalendário de 2004, de crédito tributário de IPI, calculado sobre a aquisição de insumos sujeitos a alíquota zero, isentos ou não tributados, adquiridos no período de outubro de 1999 a setembro (fls. 851/865). 0 Contribuinte argumenta que foram desconsiderados diversos fatos da exação eventualmente devidos, não provando a ocorrência de acréscimo patrimonial, afrontando os mais elementares princípios consagrados pelo direito tributário, não havendo amparo legal para o procedimento. Alega, ainda, que as compensações foram computadas no lucro tributável em diversos períodos de apuração, mas que não foram homologas, sendo justamente por esse motivo que não podem compor o lucro tributável. Como vimos, em uma da suas argumentações, o Contribuinte se restringe a argumentar que a Fiscalização desconsiderou diversos fatos, porém não diz quais seriam esses fatos, não sendo possível sua análise. Por outro lado, a infração está amparada pelo art. 250, inciso I, do RIR/1999, que dispõe que na determinação do lucro real, pode ser excluído do lucro liquido, os valores cuja dedução seja autorizada pelo Decreto n° 3000, de 1999 e que não tenham sido computados na apuração do lucro liquido do período de apuração. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 37 28 No caso ora analisado, não há amparo legal para o Contribuinte excluir do LALUR o referido valor, pelas razões descritas no TCF (fl. 970), que adoto como razões de decidir: No anocalendário 2004 o contribuinte excluiu, na apuração do Lucro Real — LALUR, R$561.338,90 a titulo de Crédito Tributário não homologado relativo ao ano de 2003 (fls. 54), sendo que desse valor, R$479.479,52 são relativos a créditos tributários de IPI calculados sobre a aquisição de insumos a alíquota zero, isentos ou não tributados, adquiridos no período de outubro/1999 a setembro/2003, apurado com base no demonstrativo apresentado pelo contribuinte e anexado as fls. 851/865. Os referidos créditos foram registrados na contabilidade nos meses de outubro/2003 — R$113.016,72, novembro/2003 — R$140.000,00 e dezembro/2003 — R$226.462,80 a crédito de receitas financeiras (conta —Créditos Tributários Comp. Lei 7.067/02), cujos valores foram transferidos para a apuração do resultado do exercício em 31/12/2003 (fls. 848). ... Não existe previsão legal que permita a exclusão do referido crédito na apuração do Lucro Real do ano de 2004. Além disso, nenhum registro contábil foi realizado no ano de 2004 relacionado a esse crédito. Portanto, o crédito presumido de IPI, excluído indevidamente pelo contribuinte na apuração do Lucro Real relativo ao anocalendário 2004, no valor de R$479.479,52, foi glosado pela fiscalização, e os efeitos decorrentes dessa glosa forma considerada na apuração do valor do IRPJ devido, lançado de oficio através do auto de infração. Como visto, o Contribuinte efetuou na apuração do lucro real do ano calendário de 2004, exclusões sem nenhuma justificativa, ou seja, sem previsão legal, tributando a menor a importância de R$479.479,52. Quanto à alegação de que não ocorreu acréscimo patrimonial, tal assunto já foi discutido no item "1" deste voto, não cabendo novamente analisálo. Portanto, não assiste razão ao contribuinte, devendo mantida a adição ao lucro real do referido valor. F) Exclusão indevida do lucro real relativo ao credito tributário de PIS, apurado com base na ação judicial n° 98.14.023426 (item I do TCF, item 009 do Auto de Infração) No caso, foi incluída na base de cálculo do IRPJ, a importância de R$260.459,98 (1.051.964,99 791.505,01), no anocalendário de 2004, de crédito tributário de PIS apurado na ação judicial n° 98.14.0234260 não homologado (fls. 3739, 54). 0 Contribuinte se defende com as mesmas argumentações do tópico anterior. Da mesma forma, a seguir, transcrevo trechos do voto combatido. No caso ora analisado, não há amparo legal para o Contribuinte excluir do LALUR o referido valor, pelas razões descritas no TCF (fl. 970), que adoto como razões de decidir: Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 38 29 No ano de 2004 o contribuinte realizou os seguintes ajustes no LALUR — fls. 54/55, relativos aos créditos tributários apurados com base na ação judicial n°98.14.023426: a) Excluiu R$ 156.940,72 — relativo ao anocalendário.1998 b) Excluiu R$ 421.847,26— relativo ao anocalendário 1999 c) Excluiu R$ 391.317,63 — relativo ao anocalendário 2000 d) Excluiu R$ 81.859,38 — relativo ao anocalendário 2003 e) Adicionou R$791.505,01 — relativo AI 11070.001615/200016. Em 06/10/2005 o contribuinte foi intimado a apresentar cópia da conta contábil do Livro Razão, dos anos de 1998, 1999 e 2000, onde consta o registro dos créditos tributários excluídos em 2004, bem como informar a origem dos mesmos — fls. 37/38, tendo apresentado os documentos anexados as fls. 762/767. Da analise dos referidos documentos constatamos que os valores excluídos no LALUR relativos aos anoscalendário 1998, 1999 e 2000, referemse a compensações de débitos de PIS e COFINS do período de 07/98 a 09/2000, realizadas com base no processo judicial n° 98.14.023466 — PIS — inconstitucionalidade dos Decretosleis n° 2.445/88 e 2.449/88, cujas contra partidas foram lançadas como Receitas. Tendo em vista que a ação judicial somente autorizou a compensação com débitos do PIS, os débitos da COFINS compensados pelo contribuinte relativos ao período de 07/98 a 09/2000 foram objetos de lançamento de oficio pela fiscalização em 11/07/2002 (fls. 790/820) e incluídos no PAES em 31/07/2003 — fls. 821/822.Ressaltase que no procedimento de fiscalização encerrado em 11/07/2002 não foi verificada a procedência e /ou improcedência do crédito tributário relativo a ação judicial n° 98.14.03466. Em julho de 2003 o contribuinte registrou na contabilidade R$791.505,01 a titulo de crédito de COFINS (conta Ativo) registrando a contrapartida do lançamento em conta de Receita —fls. 848/850. Em seguida, debitou a conta de receita em R$791.505,01 e em contrapartida do lançamento reabriu os débitos da receita COFINS relativos ao período de 07/98 a 09/2000. Como conseqüência, esses lançamentos não produziram efeito no resultado do ano de 2003. Em julho de 2003, utilizou R$512.360,16 do crédito registrado na conta de COFINS (Ativo) para compensar débitos da COFINS relativo ao período de apuração 02/2003 a 07/2003, e o saldo remanescente do crédito, R$279.144,85, transferiu em 31/12/2003 para a conta do PAES (fls. 849/850). Em dezembro de 2003, registrou mais R$81.859,38 a titulo de receita financeira oriunda do crédito tributário apurado com base no Processo Judicial n° 98.14.023426, valor esse utilizado na compensação do débito da COFINS do período de 08/2003 (fls. 848). 0 valor do crédito tributário a que o contribuinte tem direito com base na ação judicial n° 98.14.023426, bem como as compensações realizadas pelo contribuinte com base nessa ação, foram objetos de verificação pela fiscalização através dos processos administrativos n° 13062.000076/200575 e 13062.000246/2000350 — fls. 825/847. Dos referidos trabalhos concluiuse que o crédito a que o contribuinte tinha direito com base na referida ação judicial foi Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 39 30 suficiente para amortizar/quitar apenas R$56.573,34 das compensações de PIS realizadas pelo contribuinte via DCTF (R$38.944,84 — ano 1998 e R$18.078,50 no ano de 1999). Em 14/04/2005 o contribuinte foi intimado a recolher os débitos de PIS do período de 04/99 a 08/2000 (compensações consideradas insubsistentes face à insuficiência do crédito) — fls. 825/835. Na mesma data, o contribuinte também foi cientificado do DESPACHO DECISÓRIO —DRF/SAO, de 06/04/2005, declarando nãohomologadas as compensações efetuadas pela empresa com os débitos da COFINS dos meses de 02/2003 a 08/2003, tendo em vista a improcedência dos créditos utilizados (crédito oriundo da ação judicial n° 98.14.023426) —fls. 836/847. Inconformado com a não homologação, o contribuinte interpôs recurso conta o Despacho Decisório de não homologação das compensações, o qual foi encaminhado à DRJ/Santa Maria/RS. No caso de restituição ou compensação de tributos com base em crédito oriundo de ação judicial, o fato gerador do IRPJ se dá no momento da liquidação dos débitos mediante a compensação, pois é nesse momento que se dá a disponibilidade econômica ou jurídica. 0 1° C.C. decidiu pelo AC. n° 10805636/99 (DOU de 20/05/99) que na recuperação de tributos pagos indevidamente, quando tributável, a inclusão do valor recuperado na base de cálculo deve operarse no momento da efetiva realização do direito, via restituição ou compensação, procedimento esse adotado pelo contribuinte quando das compensações realizadas nos anos de 1998, 1999, 2000 e 2003. Não pode assim, vir o contribuinte no anocalendário 2004 e excluir/adicionar no Lucro Real, extracontabilidade, os valores que reconheceu como receita/despesas nos anos anteriores, pois não ocorreu nenhum fato jurídico no ano de 2004 que justifique a sua adição/exclusão do Lucro Real, nem tampouco há previsão legal nesse sentido. Portanto, a diferença entre os valores dos créditos excluídos/adicionados indevidamente na apuração do Lucro Real relativos ao ano calendário 2004, com base na ação judicial n° 98.14.023426, no montante de R$260.459,48, foram glosados pela fiscalização e lançados de oficio, via auto de infração. Informamos, que nos anoscalendário 1998, 1999 e 2000, períodos esses em que os valores dos créditos foram registrados na contabilidade como receitas, o contribuinte apurou Prejuízo Contábil e Prejuízo Fiscal, conforme consta no Livro de apuração do Lucro Real LALUR (fls. 46/50). Assim, as exclusões realizadas pelo contribuinte na apuração do Lucro Real no anocalendário de 2004, relativas as receitas registradas na contabilidade em 1998, 1999 e 2000, também ferem o Regime de competência, ocasionando a redução indevida no Lucro Real no ano de 2004. Como visto, o Contribuinte efetuou na apuração do lucro real do ano calendário de 2004, diversas adições e exclusões sem nenhuma justificativa, ou seja, sem previsão legal, tributando a menor a importância de R$260.459,98 (1.051.964,99 — 791.505,01), pelo que, não procede os argumentos da defesa por falta de amparo legal. G) CSLL Receitas de Exportações (Contribuição Postergada, lanç. De fls. 987/988) Aqui entende a recorrente, especificamente no que diz com a CSLL, que o lançamento jamais poderia manterse, pois o mesmo considera na base de cálculo da contribuição social sobre o lucro a receita advinda das exportações realizadas. Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 40 31 Como bem assentado no voto recorrido, no caso deste Auto de Infração, não ocorreu lançamento da CSLL propriamente dita. Porém, efetuouse o lançamento dos juros de mora lançados isoladamente, que incidiu sobre os valores postergados da CSLL, sendo pertinente a sua discussão. Sobre a matéria, o art. 195 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 1998, assim dispõe: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vinculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; (Grifouse). Verificase que o constituinte preocupouse em discriminar as diversas bases de cálculo das contribuições sociais como forma de salientar suas diversas origens. No capitulo do Sistema Tributário Nacional da Constituição da República, dispõe o art. 149, alterado pela emenda Constitucional n° 33, de 11 de dezembro de 2001: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas àreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6°, relativamente ás contribuições a que alude o dispositivo. § 2° As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; Decidiu, portanto, o legislador dar imunidade às contribuições sociais que tenham sua base de cálculo as receitas decorrentes de exportação. Por sua vez, a Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, que instituiu a contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, expõe em seus artigos 1° e 2°: Art. 1° Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 41 32 Art. 2° A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício antes da provisão para o imposto de renda. Assim, há previsão constitucional para instituição de contribuição social das empresas, incidindo sobre o lucro (alínea "c" do inciso I do art. 195) e sobre a receita ou faturamento (alínea "b" do inciso Ido art. 195). A Emenda Constitucional n° 33, de 2001, ao dispor que as contribuições sociais não incidiriam sobre a receita de exportação, alcança apenas as contribuições instituídas com base na alínea "b" do inciso I do art. 195, que são as que incidem sobre a receita ou faturamento (por exemplo, PIS e COFINS), não alcançando a CSLL, que incide sobre o lucro. Ocorre que esta matéria já foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 56413/SC, cuja ementa e decisão transcrevo abaixo: RE 564413/SC SANTA CATARINA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 12/08/2010 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Ementa IMUNIDADE – CAPACIDADE ATIVA TRIBUTÁRIA. A imunidade encerra exceção constitucional à capacidade ativa tributária, cabendo interpretar os preceitos regedores de forma estrita. IMUNIDADE – EXPORTAÇÃO – RECEITA – LUCRO. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras. LUCRO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – EMPRESAS EXPORTADORAS. Incide no lucro das empresas exportadoras a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Portanto, mantenho a exigência relativa aos juros de mora isoladamente (IRPJ: R$ 6.287,14 e CSLL: 3.667,73). H) INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC A recorrente finaliza sua peça de defesa, requerendo, por respeito ao principio da eventualidade, o afastamento da aplicação da taxa SELIC, ou no máximo, que seu percentual seja 1% ao mês. Suas alegações, em resumo, são as seguintes: A cobrança da taxa SELIC agrega ao valor cobrado juros remuneratórios mensurados através da aplicação da taxa referencial SELIC, circunstancia essa que contraria o principio da legalidade, bem como o comando expresso no artigo 161, caput, e § 1o. do CTN, tendo nítida natureza remuneratória. Também, as Leis n's. 8.981 e 9.065 de 1995, afrontam o principio da hierarquia legal, uma vez que deu tratamento diverso à. matéria objeto de lei complementar. A exigência da taxa SELIC carece de abrigo constitucional, eis que não possui característica de taxa moratória, mas sim remuneratória. Neste ponto, a recorrente faz uma análise a respeito da taxa SELIC — questionando sua composição, sua natureza e sua forma de apuração — assim como as argüições de que a aplicação da taxa SELIC incorreria em inconstitucionalidade/ilegalidade, Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 42 33 como já analisado inicialmente neste voto, esta questão não comporta reconhecimento pela via administrativa, prevalecendo o caráter legal que vincula a atividade administrativofiscal de lançamento, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN. Entretanto, mesmo que assim não fosse, não haveria o que se falar em afronta aos princípios da legalidade e da hierarquia das leis; a uma porque, a exigência dos juros moratórios com base na taxa SELIC foi criada através do art. 13, da Lei n. 9.065/95, c/c o art. 61, § 3o., da Lei n. 9.430/96; a duas porque, não se trata aqui de majoração de tributos, até porque os juros moratórios não são sinônimos nem de tributo, nem de penalidade, mas sim de uma indenização da mora, a título de ressarcir o Estado pela não disponibilidade do dinheiro na época definida pela legislação. De fato, a taxa SELIC foi escolhida pelo legislador para o cálculo dos juros moratórios decorrentes da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação tributária, para ressarcir o encargo financeiro dos títulos da dívida publica federal, emitidos para cobrir o valor dos tributos e contribuições que deixam de ser recolhidos aos cofres públicos no seu devido tempo. No que se refere aos juros de mora aplicados em percentual equivalente à variação da taxa SELIC, em se tratando de tributos e contribuições, há que se observar à norma do CTN a respeito, no caso, o art. 161, verbis: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso , os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.". Da leitura do dispositivo acima, claramente, o § 1o. estatui que a lei, no caso ordinária, pode dispor de modo diverso, adotando outro percentual a título de juros de mora, sendo de se aplicar na falta dessa, o percentual de 1% ao mês. Conforme indicado no auto de infração, a exigência de juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC encontra respaldo no art. 61, § 3o. , da Lei n° 9.430, de 1996, que dispõe: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11070.002359/200527 Acórdão n.º 1301001.172 S1C3T1 Fl. 43 34 Inferese do dispositivo supra citado que a cobrança de juros de mora por percentual equivalente à taxa SELIC, a despeito da contrariedade apresentada pela recorrente, pautase pelo estrito cumprimento do princípio da legalidade, característico da atividade fiscal e em consonância com a regra matriz correspondente, ou seja, o art. 161 do CTN. Pelas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de acolher os embargos declaratórios, rejeitar as preliminares suscitadas e negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 10711.003004/85-86
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 1986
Ementa: Falta de volume em descarga. Carta de correção apresentada após o começo do despacho aduaneiro. Inaceitabilidade.
Recurso desprovido.
Numero da decisão: 301-25.533
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, vencido o Conselheiro
Francisco Martins Lei te Cavalcante, I em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sady D'Assumpção Torres Filho
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Recurso n.O Recorrente l08.850 AG~CIA MARíTIMA ACORDÃO N.'.j.ol._.25- •.5-JJ .. Processo nº l07ll/003004/85-86. I TRANSN0RD LTDA. Recorrid IRF - PORTO - RJ. I Falta de volume em descarga. Carta de correção apresent~ da após o começo do despacho aduaneiro. Inaceitabilidade. Recurso desprovido. 1 I Visto, relatado e discutido o presente processo, ACORDAM os Membros da Primeira câmara do Terceiro Canse lho de Contribuintes, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Francisco Martins Lei te Cavalcante, I em negar provimento ao re curso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julg~ do. JOÃO AN seguintes da Faz. Naci anal. - Relator. Sessões, lO de idezembro de 1986. /~as /- ..-:»- SADY D'ASSUMPÇÃO TORR (2 ,fJkM.!~ ~~ MAY:E:WDA S - Procurador I VISTO EM I SESSÃO DE: Participaram ainda do presente julgamento os Canse heiros: I HÉLVIO ESOOVEDO BARCElLOS, FRANCISCO MARTINS LEITE CAVAlCANTE, HOLANDA COSTA, PAULO CÉSAR BASTOS CHAUVET, AGOSTINHO SERRANO DE DRADE e HAMILTON DE SÁ DANTAS. 2. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. RECURSO NQ 108.850 ACÓRDÃO NQ 301-25.533. RECORRENTE: AG];NCIAMARíTJMA TRANSNORD LTDA. RECORRIDA RELATOR IRF - PORTO - RJ. SADY D'ASSUMPÇÃO TORRES FILHO. Recorre a Agência Marítima Transnord Ltda, cisão proferida pela IRF/porto do Rio de Janeiro, do. teor: contra de seguinte aco pela "Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração nQ 278/85 (fls. 72), acompa nhado do Termo de Conferência Final de Manifesto e do Demonstrativo de Classificação e Avaliação de Mercadorias em Falta, responsabilizando-a péLa falta de 1 (um) volume ocorrida na descarga da mercadoria manifestada sob o conhecimento de car ga nQ 211, do porto de Gothenburgo, pertencente ao navio "Taiko", entrad'oneste porto em . 01/08/84, ManifestonQ 1406/84. Devidamente intimada (fls. 80), a Autuada apre sentou, tempestivamente, impugnação (fls. 82), ~ legando inexistir a referida falta, uma vez que apresentou a esta Inspetoria Carta de Correçao do manifesto, informando que a mercadoria não embar ccou; outrossim, informa que houve cancelamento clã D.I. nº 8428/84 de despacho antecipado; Na réplica (fls. 88), a Fiscal Autuante não lheu as razões da defesa, pronunciando-se manutenção do feito., Isto posto, e CONSIDERANDO que se reputa entrada no território nacional, para efeito de ocorrência do fato ger~ dor, a mercadoria que constar de manifesto ou documento de efeito equivalente e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira (art. 86, parágrafo único do R.A.); CONSIDERANDO que a falta ou acréscimo de volumes será apurado pela Repartição Aduaneira mediante o confronto dos registros de descarga com o mani festo ou documento de efeito equivalente (art~ 476 do R.A.)j CONSIDERANDO que, de ,acordo com o conhecimento SERViÇO PÚBLICO FEDERAL 3. Rec. 108.850 Ac. 301-25.533 CONSIDERANDO ~ue, de acordo com o conhecimento de carga nº 211, foi consignada à firma FACIT S/A 1 (uma) caixa contendo peças para má~uinas de es crever elétricas marca FACIT, modelo 1830 (fls.l1 do proc. 10711-001960/85-97 apenso); CONSIDERANDO ~ue do registro de descarga do navio "Taiko" não consta mencionada a caixa acima, con forme documento de fls. 02; CONSIDERANDO ~ue a mercadoria foi submetida a des pacho antecipado através da D.I. 8428 de 27/7/84; CONSIDERANDO ~ue a carta de correção do manifesto referente ao conhecimento de carga nº 211, embora emitida em 25/7/84, antes da chegada do navio a este porto, foi indeferida em razão de acmesma ter sido apresentada em 07/08/84, após a mercado ria já haver sido submetida a despacho (fls. 2 do proc. 10711-004292/84-97 apenso); CONSIDERANDO tudo o mais ~ue ao processo constai JULGO PROCEDENTE a Ação Fiscal, para declarar de vido o Imposto de Importação no valor de Cr$ •••••• 17.190,15, impondo à Autuada a multa capitulada no art. 521, inciso 11, alínea "d", do R.A., cor respondente a C~ 8,595,07. Intime-se a Autuada para o recolhimento prazo de 30 (trinta) dias, ressalvado o de recurso, na forma da lei." Reiteram-se na peça recursal os argumentos dos na impugnação. É O RELATÓRIO. devido,no direito ventila SERVIÇO PúBLICO FEDERAL v O T O 4. Rec. 108.850 Ac. 301-25.533 A carta de correção de manifesto referente ao c~ nhecimento de carga nº 211, com"'obem salienta a autoridade singu lar, foi com razão indeferida, visto ter sido apresentada após a mercadoria haver sido submetida a despacho. A Instrução Normativa SRF nº 25, de 27/01/86, em seu item 3, dispõe "que "não será ace'itaa Carta de Correção apre sentada após o começo de despacho aduaneiro. - Nestas condições, tenho como i~ocá~ a decisão reprochãd~,pel0 que meu voto é negando provimento ao recurso. ~ sessões~o de dezembro de 1986. sÁffyDI~~ES FILHO - Relator.
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Numero do processo: 10611.001042/2009-70
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006
DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO DOS REQUISITOS DO REGIME. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. POSSIBILIDADE.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente (Súmula CARF nº 100).
DRAWBACK FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR (SECEX) E SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (RFB). INEXISTÊNCIA.
No âmbito do regime aduaneiro drawback, incluindo a modalidade fornecimento no mercado interno, inexiste conflito de competência na atuação da Secex e da RFB, porque a primeira atua na concessão do regime enquanto que a segunda fiscaliza a correta aplicação do regime, inclusive a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela beneficiária, dos requisitos e condições fixados ato concessório e na legislação de regência.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006
PREJUDICIAL DE MÉRITO. INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO DA RFB. QUESTÃO SUPERADA NO JULGAMENTO DE SEGUNDO GRAU. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO ÓRGÃO DE JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU PARA APRECIAÇÃO DAS QUESTÕES DE MÉRITO. POSSIBILIDADE.
Uma vez superada a prejudicial de mérito, para que não se configure a supressão de instância, os autos devem retornar ao órgão de julgamento de primeira instância, para que novo julgamento seja realizado, com vistas à apreciação das questões de mérito suscitadas na peça impugnatória, que não foram analisadas no julgado recorrido.
Numero da decisão: 3201-002.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração. Quanto ao recurso de ofício, acordam os membros do colegiado, também por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Acompanharam o voto do relator apenas nas conclusões os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cássio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário. Esta última apresentará declaração de voto.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Luis Eduardo Schoueri, OAB/SP nº 95111.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006 DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO DOS REQUISITOS DO REGIME. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. POSSIBILIDADE. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente (Súmula CARF nº 100). DRAWBACK FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR (SECEX) E SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (RFB). INEXISTÊNCIA. No âmbito do regime aduaneiro drawback, incluindo a modalidade fornecimento no mercado interno, inexiste conflito de competência na atuação da Secex e da RFB, porque a primeira atua na concessão do regime enquanto que a segunda fiscaliza a correta aplicação do regime, inclusive a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela beneficiária, dos requisitos e condições fixados ato concessório e na legislação de regência. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006 PREJUDICIAL DE MÉRITO. INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO DA RFB. QUESTÃO SUPERADA NO JULGAMENTO DE SEGUNDO GRAU. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO ÓRGÃO DE JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU PARA APRECIAÇÃO DAS QUESTÕES DE MÉRITO. POSSIBILIDADE. Uma vez superada a prejudicial de mérito, para que não se configure a supressão de instância, os autos devem retornar ao órgão de julgamento de primeira instância, para que novo julgamento seja realizado, com vistas à apreciação das questões de mérito suscitadas na peça impugnatória, que não foram analisadas no julgado recorrido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 42; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2486; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 21.302 1 21.301 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10611.001042/200970 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201002.208 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de maio de 2016 Matéria DRAWBACK SUSPENSÃO Embargante SMS SIEMAG EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006 DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO DOS REQUISITOS DO REGIME. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. POSSIBILIDADE. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente (Súmula CARF nº 100). DRAWBACK FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR (SECEX) E SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (RFB). INEXISTÊNCIA. No âmbito do regime aduaneiro drawback, incluindo a modalidade fornecimento no mercado interno, inexiste conflito de competência na atuação da Secex e da RFB, porque a primeira atua na concessão do regime enquanto que a segunda fiscaliza a correta aplicação do regime, inclusive a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela beneficiária, dos requisitos e condições fixados ato concessório e na legislação de regência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006 PREJUDICIAL DE MÉRITO. INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO DA RFB. QUESTÃO SUPERADA NO JULGAMENTO DE SEGUNDO GRAU. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO ÓRGÃO DE JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU PARA APRECIAÇÃO DAS QUESTÕES DE MÉRITO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 10 42 /2 00 9- 70 Fl. 21302DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.303 2 Uma vez superada a prejudicial de mérito, para que não se configure a supressão de instância, os autos devem retornar ao órgão de julgamento de primeira instância, para que novo julgamento seja realizado, com vistas à apreciação das questões de mérito suscitadas na peça impugnatória, que não foram analisadas no julgado recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração. Quanto ao recurso de ofício, acordam os membros do colegiado, também por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Acompanharam o voto do relator apenas nas conclusões os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cássio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário. Esta última apresentará declaração de voto. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Luis Eduardo Schoueri, OAB/SP nº 95111. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de autos de infração referentes a Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), COFINSImportação e PIS/PASEPImportação, lavrados em decorrência de a fiscalização ter considerado descumprido o regime aduaneiro especial Drawback Suspensão – Fornecimento no Mercado Interno, em relação aos Atos Concessórios (AC) a seguir identificados. O lançamento abrangeu as Declarações de Importação (DI’s) relacionadas a fls. 1060/1620 e 1853/1918, e totalizou R$ 49.969.134,34 à época de sua formalização, sendo que a razão social da autuada foi posteriormente alterada para SMS SIEMAG EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA. Fl. 21303DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.304 3 AC Nº BEM A SER PRODUZIDO DESTINATÁRIO 2002.0025831 Laminador a Frio e Linha de Decapagem CSNIMSA Aços Revestidos S/A (*) 2004.0258718 Convertedor Companhia Siderúrgica TubarãoCST (**) (*) Incorporada pela CISA, que por sua vez foi incorporada à Companhia Siderúrgica Nacional CSN (**) Hoje, Arcelormittal Tubarão Comercial S/A Em relação ao AC nº 2002.0025831, consta nos autos o pedido de baixa, junto com o Relatório Unificado de Drawback (fls. 864892) ; a tradução da Proposta Comercial Consolidada, elaborada pela SMS DEMAG AG (fls. 821836), e dos contratos de financiamento externo firmados (KfW: fls. 893988; EDC: fls. 11081159; e BNDES: fls. 11601179) ; o extrato das DI’s vinculadas (fls. 11802186) ; e cópia das Notas Fiscais referentes ao fornecimento dos equipamentos à CSN (fls. 2187/2188). Quanto ao AC nº 2004.0258718, consta a tradução da Proposta Comercial Consolidada, formulada pelo SMS GROUP (fls. 22332261), e dos contratos de financiamento externo aplicados (KfW – fls. 22652336 e EIB – 23382390) ; o pedido de baixa e o Relatório Unificado de Drawback (fls. 23952419) ; extrato das DI’s vinculadas (fls. 24202511) ; e cópia da Nota Fiscal referente ao fornecimento do equipamento à CST (fls. 2512). DA AUTUAÇÃO A fiscalização registrou os exames realizados, os fatos apurados e a legislação aplicável em detalhado Relatório de Auditoria Fiscal, que é parte integrante dos Autos de Infração (fls. 576669). O Relatório foi dividido em itens, dentre os quais serão comentados os que interessam diretamente à solução da lide. Observase que os termos e expressões destacados reproduzem a forma como os fatos foram apresentados pela autoridade fiscal. 3. ASPECTO LEGAL Nesse item a autoridade lançadora discorre sobre a competência dos órgãos envolvidos na concessão e na fiscalização do regime em foco, esclarecendo que a atuação de cada um deles é definida na legislação específica que regula o Drawback Suspensão, inclusive no Regulamento Aduaneiro. A fiscalização concluiu que não há nenhuma dúvida quanto às atribuições de cada órgão, considerando que: É complementar o trabalho da SECEX e da SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, uma cuida da concessão e a outra da fiscalização, constituição e cobrança dos impostos e contribuições e a aplicação de penalidade. Fl. 21304DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.305 4 Em seguida consta longa explanação sobre o conceito e a finalidade dos regimes aduaneiros especiais, bem como da legislação a eles aplicável. Foi ressaltado que nesses regimes são aplicáveis as disposições do art. 111, I∙, do Código Tributário Nacional (CTN), no tocante à interpretação restrita da legislação aplicável, e arremata: [...] a concessão e utilização do benefício do REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACK – modalidade SUSPENSÃO – submodalidade FORNECIMENTO MERCADO INTERNO somente poderá ser efetivada com plena observância do art. 78 do DecretoLei nº 37/66 e art. 5º da Lei nº 8.032/90 com redação dada pela Lei nº 10.184/2001 e com regulamentação expressa nos arts. 335 e 336 do Decreto nº 4.543/2002 (antigo Regulamento Aduaneiro – RA e nos arts. 383 e 384 do atual RA aprovado pelo Decreto 6.759/09). Em relação à legislação editada pela SECEX/DECEX (Departamento de Comércio Exterior), a autoridade lançadora informou que, devido aos Atos Concessórios analisados terem sido emitidos em momentos distintos (AC nº 2002.0025831: 21/2/2002 e AC nº 2004.0258718: 3/1/2005), submetemse a regras específicas. O primeiro foi emitido sob a vigência do Comunicado DECEX n° 21, de 11/7/1997 (DOU de 23/7/1997), e o segundo da Portaria SECEX nº 14, de 17/11/2004 (DOU de 23/11/2004). 4. DAS AÇÕES DA FISCALIZAÇÃO Nessa parte do Relatório é feita exposição sobre as intimações realizadas e o atendimento delas, por meio do qual foram esclarecidos aspectos como a sistemática de licitação e contratação das obras, os financiamentos externos utilizados, as importações realizadas ao amparo do regime, inclusive a modalidade de desembolso dos recursos para pagamento delas, o fornecimento dos bens finais no mercado interno, entre outros. 4.3 CONSTATAÇÕES Com base nas informações obtidas junto às empresas diretamente envolvidas na operacionalização do regime (DEMAG, CSN e CST), a fiscalização elaborou tópico específico para registrar suas conclusões (fls. 625650), no qual demonstra que as licitações internacionais referentes a ambos os Atos Concessórios em tela foram realizadas por meio de cartaconvite, e que não foi apresentado nenhum outro documento de divulgação dos certames, consoante trecho do Relatório a seguir reproduzido: A DEMAG não apresentou nenhum documento de divulgação da Licitação e apenas informou, para os dois Atos Concessórios: “ACs 2002.0025831 (projeto CISA) e 2004.0258718 (projeto CST/Convertedor #3): Fl. 21305DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.306 5 Ambas as licitações foram divulgadas aos respectivos participantes por meio das cartasconvite acima referida.” (negritamos) No tocante às importações vinculadas ao regime, a fiscalização efetuou o levantamento do total de tributos suspensos, que atingiu R$ 19.108.438,51, e informou que todas foram realizadas dentro do período de validade dos Atos Concessórios, os quais foram registrados no campo “Dados Complementares” das respectivas Declarações de Importação (DI’s) vinculadas. Quanto ao pagamento das importações foi afirmado que: Atendendo a nossa intimação – fls. nºs 671/673; 690 e 692/694, no tocante aos pagamentos das importações, a DEMAG em 13/03/09, fls. nºs 704/709, assim se manifestou: “O pagamento de 85% das importações, cujo percentual segue as políticas de crédito definidas pelos bancos governamentais, com recursos liberados pelo KfW e EDC deuse diretamente no exterior, sem o trânsito físico de recursos pelo país, em conformidade com os procedimentos de desembolsos estabelecidos nos respectivos contratos. Esta situação, notese, é autorizada pela legislação cambial brasileira, e não prejudica a natureza de operação de ‘crédito externo’ atribuída aos contratos firmados com o KfW e EDC." (negritamos) Em relação ao fornecimento dos bens finais no mercado interno, a fiscalização informou que foi apresentada cópia da documentação referente à entrega deles e que a beneficiária do regime apresentou cópias das primeiras vias das notas fiscais referentes ao fornecimento, que foram emitidas nos períodos a seguir indicados: AC nº 2002.0025831 – entre 16/9/2002 a 14/12/2004 AC nº 2004.0258718 – entre 12/7/2005 a 30/8/2006 Sobre o exame quanto a esse aspecto foi dito ainda que: A este, com fins de melhor informar, juntamos apenas, às fls. nº 1621/1622, cópias das notas fiscaisfaturas nºs 000389 e 000498, relativamente às remessas parciais da Linha de Decapagem e do Laminador, respectivamente. [...] Da mesma forma, juntamos apenas, à fl. 1919, cópia da nota fiscalfatura nº xxxx, relativa à remessa parcial do Convertedor. Ainda em relação ao fornecimento no mercado interno, no Relatório de Auditoria tem um tópico específico para registrar a vistoria física dos equipamentos, em que consta, inclusive, fotos deles nas instalações da CSN e da CST. Em seguida, a fiscalização abre um tópico denominado “O REAL BENEFICIÁRIO DOS ATOS CONCESSÓRIOS”, no qual demonstra que a empresa SMS DEMAG AG, controladora Fl. 21306DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.307 6 alemã da beneficiária do regime, foi quem mais se beneficiou dos Atos Concessórios em comento, pois forneceu a quase totalidade dos bens importados ao amparo do regime. A fiscalização aduz que, embora os Atos Concessórios sob exame tenham sido concedidos à SMS DEMAG LTDA, na Proposta Comercial Consolidada constam as seguintes disposições: 1. DEFINIÇÕES [...] CONSÓRCIO: Significa o grupo de empresas, não organizadas de forma corporativa ou como pessoa jurídica, que trabalharão juntas, sob a liderança da SMS DEMAG AG, com o intuito de fornecer a OBRA à CISA de acordo com os termos do CONTRATO. MEMBROS DO CONSÓRCIO: O CONSÓRCIO é constituído das seguintes empresas: SMS DEMAG AG, com sede em EduardSchloemann Str. 4, Dusseldorf, Alemanha, denominada doravante, ‘SMS’. MANNESMANN DEMAG LTDA, com sua sede e unidade industrial na Av. das Nações, 999 – Distrito Industrial, Vespasiano (MG), Brasil, denominada doravante, no presente, ‘MDL’. PROECO LIMITED ... SIEMENS AG ... SIEMENS LTDA ... ROSS AIR SYSTEMS INS COMPANHIA BRASILEIRA DE TECNOLOGIA INDUSTRIAL [...] 5. TERMOS DE PAGAMENTO [...] 5.2.1. A PARTE IMPORTADA será paga de acordos de crédito a serem celebrados entre a CISA e as respectivas instituições financeiras. Os desembolsos desses créditos deverão ser efetuados diretamente aos MEMBROS DO CONSÓRCIO estrangeiros por entregas feitas/serviços prestados, segundo cronograma de pagamento contratual e de acordo com os procedimentos a serem estipulados nos respectivos acordos de crédito. A autoridade lançadora informou que, em atendimento ao item 9 do Termo de Intimação Fiscal nº 3600 (fls. 671/673), que diz Fl. 21307DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.308 7 respeito à declaração da empresa licitante certificando que a beneficiária do drawback foi a vencedora da licitação, a autuada informou e apresentou: AC 2002.0025831 (projeto CISA) Carta de intenção, de 21.12.99, emitida pela CSNIMSA Aços Revestidos S/A, declarando a intenção de adjudicar o contrato de fornecimento ao consórcio vencedor da licitação internacional [...]. Em relação ao AC 2004.0258718, consta no Relatório de Auditoria que também houve a formação de um consórcio de empresas, mas a Proposta Comercial Consolidada foi elaborada pelo “SMS GROUP” (e não apenas pela SMS DEMAG AG), e consta nesse documento que a liderança será exercida pela autuada. De acordo com a autoridade fiscal, do total de importações realizadas pela SMS DEMAG LTDA, 75,29% das importações referentes ao AC nº 2002.0025831, e 100% das relativas ao AC nº 2004.0258718 foram adquiridas junto à SMS DEMAG AG. Tratase de empresa alemã que liderou o consórcio para fornecimento da obra à CISA, é detentora de 99,99% do capital da autuada, e recebeu no exterior, diretamente dos agentes financiadores, o pagamento pelo fornecimento das mercadorias importadas. Fechando esse tópico a fiscalização apresentou a seguinte conclusão: Diante do exposto, esta Fiscalização entende que a DEMAG foi apenas intermediária na negociação privada realizada entre a SMS DEMAG AG e os clientes CST e CSN. Sua participação teve, senão como único, o maior objetivo ser a beneficiária dos Atos Concessórios, por meio dos quais, foi possível realizar importações com a suspensão do pagamento de impostos e contribuições. 5. DAS IRREGULARIDADES APURADAS Na sequência, o Relatório de Auditoria traz item específico para descrever as irregularidades apuradas (fls. 650662), no qual consta que: Inquestionavelmente, cabe à empresa beneficiária do Regime o ônus da prova, ou seja, deve demonstrar e comprovar de forma inequívoca ao Fisco que cumpriu todas as condições e requisitos préestabelecidos no Ato Concessório, e ainda, que zelou pelo cumprimento de toda a legislação que disciplina o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, já citados no item 3.2.3 – fls. 581/593 – para que possa usufruir dos incentivos. Após a análise de toda a documentação apresentada pela DEMAG, bem como pela CSN e pela CST [...] concluímos que a beneficiária descumpriu algumas exigências legais. Fl. 21308DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.309 8 Assim, todas as importações realizadas ao amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback – modalidade Suspensão – submodalidade Fornecimento no Mercado Interno devem ser tratadas à luz do Regime Aduaneiro de Importação Comum, onde a regra é o pagamento dos tributos. As irregularidades apuradas são apresentadas destacadamente, consoante síntese a seguir. 5.1. LICITAÇÃO INTERNACIONAL A fiscalização aduz que, tratandose da concessão de benefício público, um dos requisitos principais a ser observado é a isonomia, no sentido de não ser instituído tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situações equivalentes. Para esse fim, fazse necessário que a benesse fiscal esteja ao alcance de todos os interessados que atendam aos requisitos estabelecidos, o que só é possível por meio da adequada publicidade. A legislação que regula o benefício em foco exige edital e prova de sua publicação relativamente à licitação ser promovida pela empresa que pretende adquirir o produto final. O Comunicado DECEX nº 21/1997 estipulava, inclusive, a concorrência internacional como modalidade a ser empregada (Anexo VIII da CND). Conforme consta no Relatório de Auditoria, a própria beneficiária do regime informou que a comunicação das licitações internacionais referentes aos atos concessórios sob exame foi feita por meio de cartaconvite, contrariando assim o disposto na legislação aplicável. Como a cartaconvite é divulgada apenas aos convidados escolhidos pela entidade promotora do certame, outras empresas que poderiam se interessar, e até vir a ganhar a licitação, não tiveram a devida oportunidade. Assim, a fiscalização considerou que a DEMAG, ao participar e ganhar uma licitação restrita a um grupo seleto de convidados, não provou a publicidade do evento, e nem poderia, pois ela não existiu. A autoridade lançadora entendeu prejudicado um dos objetivos do regime especial em tela, que é justamente o de possibilitar às empresas nacionais disputarem em condições de igualdade com suas concorrentes estrangeiras. Argumentou que, ao procurar dar interpretação extensiva à exigência de edital, a SMS DEMAG LTDA vai de encontro ao disposto no artigo 111 do CTN, que impõe interpretação restrita às normas que disponham sobre suspensão do crédito tributário. 5.2 PAGAMENTO DAS IMPORTAÇÕES Em relação aos recursos utilizados para pagamento das operações no âmbito do regime, a DEMAG informou que, para cumprir a exigência de financiamento proveniente de instituição financeira governamental, como estabelece o artigo 5º da Lei nº 8.032/90: [...] a CSNIMSA firmou três financiamentos, a saber: Fl. 21309DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.310 9 1) Kreditanstalt für Wiederaufbau – KfW, de 13.07.01, Contrato nº 9198, no valor de EUR 28.934.172,00 mais USD 900.000,00; 2) Export Development Corporation (EDC), de 24.04.01, Contrato nº 880BRA2201, no valor de USD 5.809.377,00; 3) BNDES – de 14.08.01, Contrato nº 01.2.309.1.1, contendo dois subcréditos (“A” e “B”) no valor total de R$ 57.204.600,00, com recursos captados no exterior em moeda estrangeira. [...] a CST firmou dois contratos de financiamentos externos, a saber: 1) Kreditanstalt für Wiederaufbau – KfW, de 21.07.04, Acordo Estrutural nº 1.153, no valor de US$ 140.000.000,00; 2) European Investment Bank (EIB), de 21.07.01, s/nº, no valor de USD 70.000.000,00. De acordo com o Relatório Fiscal, ao ser questionada sobre os contratos de financiamento e a forma de pagamento das operações vinculadas ao regime, a autuada informou (fl. 658) que: O pagamento de 85% das importações, cujo percentual segue as políticas de crédito definidas pelos bancos governamentais, com recursos liberados pelo KfW e EDC, deuse diretamente no exterior, sem o trânsito físico de recursos pelo país, em conformidade com os procedimentos de desembolsos estabelecidos nos respectivos contratos. Essa situação, notese, é autorizada pela legislação cambial brasileira, e não prejudica a natureza de operação de “crédito externo” atribuída aos contratos firmados com o KfW e EDC. (Destaquei) Em relação aos 15% restantes consta nos autos que, para o Ato Concessório nº 2002.0025831: No que tange ao pagamento dos restantes 15% do preço dos bens e insumos importados, este deuse mediante o emprego de recursos captados pela CSNIMSA junto ao BNDES, por meio do contrato de 14.08.01, acima mencionado. Tal pagamento, que corresponde a antecipação ao fornecedor, foi efetuado pela SMS Demag, conforme informado nas Declarações de Importação – DIs, por intermédio de uma transferência internacional de recursos, do Brasil para o exterior, como comprova o anexo contrato de câmbio, com os recursos recebidos da CSNIMSA provenientes do contrato com o BNDES, que também serviram para cobrir a parcela nacional dos equipamentos fornecidos pela SMS Demag à CSNCISA. Para o Ato Concessório nº 2004.0258718 foi dito que: O pagamento dos restantes 15% do preço dos bens e insumos importados, bem como a parcela nacional do equipamento, está relacionado ao contrato do EIB acima mencionado. Fl. 21310DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.311 10 Em relação a essa sistemática de pagamento a fiscalização considerou que: A alegação da beneficiária que "Esta situação, notese, é autorizada pela legislação cambial brasileira, e não prejudica a natureza de operação de crédito externo atribuída aos contratos firmados com o KfW e EDC" pode atender à legislação cambial e aos contratos de financiamento, porém prejudica, ou melhor, descaracteriza todo o processo da submodalidade de Drawback Fornecimento no Mercado Interno, que tem previsão legal e normas específicas já citadas e transcritas neste Relatório. A autoridade lançadora concluiu que ficou prejudicado um dos objetivos fundamentais do regime, que é o de propiciar o ingresso líquido de divisas em decorrência do resultado cambial das operações vinculadas, de forma a refletir positivamente no Balanço de Pagamentos do País. Mesmo na submodalidade em tela, como é exigido que o pagamento ao fornecedor nacional vencedor da licitação internacional seja feita em moeda conversível, proveniente de financiamento externo, é esperado resultado cambial positivo. Para reforçar esse entendimento foi citada a doutrina de Araújo e Sartori (2004). De acordo com o Relatório de Auditoria, era esperado que a beneficiária do regime efetuasse diretamente os pagamentos dos itens importados aos fornecedores estrangeiros, e que os adquirentes dos produtos finais lhe pagassem pela totalidade do fornecimento no mercado interno com recursos oriundos dos financiamentos captados no exterior junto a KfW e EDC. A fiscalização aduz que a autuada recebeu apenas 15% do valor antecipado para quitação das importações, pagos com o empréstimo concedido pelo BNDES. Os outros 85% foram pagos diretamente aos fornecedores estrangeiros pelos referidos agentes financeiros que concederam os empréstimos à CSN e à CST, e não ingressaram no mercado nacional. A autoridade lançadora concluiu que autuada utilizou o regime moldandoo aos seus interesses e conveniências, para se beneficiar da suspensão dos tributos quando da importação das mercadorias, sem a observância de todos os requisitos legais exigidos, o que tornou exigível a totalidade dos tributos suspensos. 7. DECADÊNCIA DOS TRIBUTOS NO REGIME DE DRAWBACK MODALIDADE SUSPENSÃO Após discorrer sobre as irregularidades apuradas e penalidades aplicáveis (item 6), a fiscalização expõe seu entendimento no tocante à decadência. Alerta que a contagem do prazo decadencial relativo aos tributos suspensos deve se basear na regra geral prescrita no artigo 173, I, do CTN. A autoridade lançadora entende que o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a beneficiária do regime apresenta a documentação para baixa do Ato Concessório ou, na Fl. 21311DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.312 11 falta desses elementos, quando o SECEX/DECEX assim o faz, de forma a possibilitar à Secretaria da Receita Federal do Brasil o exercício de seu dever de verificar a regularidade fiscal das operações. Em relação ao Ato Concessório (AC) nº 2002.0025831, apesar de ter prazo de validade até 19/11/2005, a beneficiária encerrou o fornecimento no mercado interno em 14/12/2004 e, em 30/09/2005 enviou ofício à SECEX, objetivando demonstrar o cumprimento das obrigações assumidas. Quanto ao AC nº 2004.0258718, sua data de validade era até 22/02/2007, o fornecimento no mercado interno foi encerrado em 24/04/2006 e, em 12/03/2007, a beneficiária enviou a documentação necessária para atestar o adimplemento das obrigações pactuadas. Assim, a fiscalização considerou que o prazo de decadência começou a ser contado a partir de 2006, para as importações vinculadas ao primeiro AC, e de 2008 para as do segundo. 8. CONCLUSÃO Finalizando seu Relatório, a fiscalização concluiu que: No item 5, fls. nºs 647/660, relatamos de forma detalhada as irregularidades praticadas peia DEMAG, ao descumprir parte da legislação que disciplina o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, modalidade Suspensão, submodalidade Fornecimento no Mercado Interno. As irregularidades são relativas à LICITAÇÃO INTERNACIONAL e aos PAGAMENTOS DAS IMPORTAÇÕES, que uma vez realizados, não obedeceram à forma preconizada na legislação citada e descrita às fls. nºs 576/593. [...] As infrações praticadas pela DEMAG macularam todo o processo de forma irremediável, não restando a esta Fiscalização, por dever de ofício, encerrar esta ação fiscal, concluindo pelo INADIMPLEMENTO dos Atos Concessórios de Drawback, modalidade Suspensão, submodalidade Fornecimento no Mercado Interno n°s 2002.0025831 e 2004.0258718. Dos exames levados a efeito, a autoridade lançadora apurou que a beneficiária não cumpriu todas as exigências estabelecidas na legislação que regula o Drawback Suspensão – Fornecimento no Mercado Interno, contaminando assim todo o procedimento. Portanto, considerou que todas as importações realizadas sob amparo dos Atos Concessórios em tela devem ser tratadas à luz do regime de importação comum, ou seja, com pagamento dos tributos incidentes. Dessa forma, lavrou os Autos de Infração em debate para exigência dos tributos que estavam suspensos. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 21312DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.313 12 Irresignada com o lançamento, do qual tomou ciência pessoal em 11/5/2009, a autuada apresentou impugnação (fls. 25602634), em 10/6/2009, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. Alega preliminarmente a: a) ocorrência da decadência, que se verifica ao se aplicar a regra do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN); e b) incompetência da RFB quanto ao exame dos requisitos para concessão do drawback; No tocante ao mérito, a impugnante sustenta a: a) improcedência da acusação velada de simulação; b) regularidade da sistemática de pagamento das importações realizadas; e c) cumprimento da meta cambial pactuada. Simulação Em relação ao trecho do Relatório Fiscal que fala sobre simulação, a impugnante aduziu que se trata de uma “acusação velada”, pois: O trecho acima transcrito é o último parágrafo desenvolvido pela Autoridade fiscal antes de esta iniciar a descrição das supostas irregularidades verificadas com relação aos Atos Concessórios (p. 75 do RAF). Curiosamente a descrição dessas supostas irregularidades não faz qualquer menção à afirmação que a precedeu, de forma que não parece ser possível a manutenção do Auto de Infração com base nela. Mesmo assim, por ela constar dos autos do presente processo administrativo, a Impugnante não se quedará silente a seu respeito, demonstrando a inexistência de qualquer base fática ou jurídica também a esse respeito. [...] Descabe a alegação de simulação com relação às operações praticadas com base nos Atos Concessórios, pois: (i) ausência de prova cabal de simulação: a simulação só é caracterizada quando se evidencia aquilo que BETTI1 denomina "divergência consciente entre a causa típica do negócio e a determinação causal, ou seja, a intenção prática concretamente procurada". Esse elemento nuclear da simulação, por seu turno, não se afigura devidamente comprovado enquanto ser demonstrado, cabalmente, que, além do negócio dito simulado não ter existido, o reverso, o negócio dissimulado, realmente se concretizara. Trazendo esse conceito para o caso presente, não se vislumbra, nos autos, qualquer prova conclusiva de que CST, CSN, e SMS AG, tenham estabelecido relações comerciais, e, sobretudo, relações jurídicas capazes de evidenciar a ocorrência de transações comerciais diretas entre elas (importações por CST e CSN); Fl. 21313DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.314 13 (ii) a Impugnante importou, industrializou, e forneceu: é fato incontroverso que a Impugnante importou insumos (matérias primas, materiais secundários, etc.), destinados à fabricação de máquinas que foram encomendadas por CST e CSN. É também fato incontroverso que a Impugnante produziu esses equipamentos no Brasil, fabricouos, industrializouos; o que, aliás, é um dos requisitos do drawback "mercado interno". Esse requisito, por sua vez, sequer foi questionado pela Autoridade fiscal. Logo, devese reconhecer que CST e CSN somente conseguiram adquirir aquilo que queriam (os equipamentos prontos e acabados) em razão da relevante atuação da Impugnante. Se o papel da Impugnante tivesse se restringido, a figurar como um “Veículo" para obtenção de benefícios fiscais, até hoje CST e CSN teriam em suas plantas um amontoado de peças e insumos desprovidos de qualquer funcionalidade. As fotografias anexadas ao RAF (pp. 6171) mostram que os equipamentos encomendados foram fabricados e fornecidos a CST e CSN, com plenas condições de operação. Isso, permitase dizer, não decorreu de intervenção divina; e (iii) os pagamentos ocorreram como dita a praxe de mercado e de acordo com o Direito Privado: a questão dos pagamentos relativos às importações realizadas sob o amparo dos Atos Concessórios será analisada de maneira pormenorizada mais adiante (item 5 desta Impugnação). Por ora, cumpre assinalar que a realização de pagamentos no exterior, diretamente aos fornecedores estrangeiros, não comprova a prática de simulação. Em primeiro lugar, porque o fluxo de pagamentos adotado foi aquele comumente utilizado pelo mercado, em transações desse tipo. Em segundo lugar, porque o pagamento não se confunde com a entrega do dinheiro (traditio). O que ocorreu no exterior não foi a efetivação de pagamentos por CST e CSN, de obrigações de sua titularidade. Diversamente, verificouse tão somente a tradição de recursos devidos à Impugnante, diretamente aos fornecedores estrangeiros, de quem a Impugnante, por seu turno, era devedora. O fato de alguém realizar pagamento de dívida de terceiro, por conta própria, ou por conta e ordem do terceiro, é absolutamente admitido no Direito Privado (ver, nesse sentido, os artigos 304, 346 e ss. do Código Civil). Ainda no tocante a essa acusação, a impugnante requer que, subsidiariamente, caso se entenda que ela atuou de maneira simulada em operações de importação que teriam sido realizadas pela CSN e pela CST, que a cobrança dos tributos devidos seja direcionada para essas empresas, já que nesse cenário o fato gerador teria sido praticado por elas. Licitação Internacional A impugnante alegou que todos os documentos relativos às licitações internacionais promovidas pela CSNCISA e CST foram devidamente analisados e aprovados pela SECEX. Em relação aos questionamentos da fiscalização a defesa informou que: Fl. 21314DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.315 14 Em vista dessa solicitação, a Impugnante esclareceu que, quanto às licitações promovidas por CST e CSN, a convocação dos concorrentes derase por meio do envio de cartasconvite. Asseverou ainda que esse procedimento era extremamente comum no mercado internacional, e que, ademais, não contrariava a legislação de regência do drawback "mercado interno", que, embora mencionasse a apresentação de cópia de edital para fins de emissão de ato concessório, de fato, estarseia referindo ao documento de instalação da licitação internacional, o qual nem sempre seria um edital. A Autoridade fiscal não atentou para os recentes desenvolvimentos da legislação ordinária atinente ao drawback "mercado interno". Fundamental, no caso, a interpretação autêntica contida no artigo 3º da Lei n° 11.732/08. [...] A Impugnante faz questão de transcrevêlo: “Art. 3° Para efeito de interpretação do art. 5º da Lei no 8.032, de 12 de abril de 1990, licitação internacional é aquela promovida tanto por pessoas jurídicas de direito público como por pessoas jurídicas de direito privado do setor público e do setor privado. § 1º Na licitação internacional de que trata o caput deste artigo, as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado do setor público deverão observar as normas e procedimentos previstos na legislação específica, e as pessoas jurídicas de direito privado do setor privado, as normas e procedimentos das entidades financiadoras. § 2° (VETADO) § 3º Na ausência de normas e procedimentos específicos das entidades financiadoras, as pessoas jurídicas de direito privado do setor privado observarão aqueles previstos na legislação brasileira, no que couber.” [...] (original sem grifos e negrito). Quando foram editados o item 2, inciso I, do Anexo E da Portaria SECEX n° 14/04, e o item 2, alínea "a", do anexo VII da CND, ainda não existia o artigo 3º da Lei n° 11.732/08. Nessa época, o Fisco defendia o entendimento de que apenas as licitações internacionais promovidas por pessoas jurídicas integrantes da Administração Pública, sob os auspícios da Lei n° 8.666/93, seriam aptas a se beneficiarem do drawback "mercado interno". Tal entendimento, inclusive, veio a ser exprimido, posteriormente, por intermédio do Ato Declaratório Interpretativo n° 12/07. Quando tais atos infralegais exigiam a apresentação de edital, partiam da premissa de que a licitação internacional deveria ser pública. Como a Lei n° 8.666/93 impunha, como regra, que licitações de grande porte fossem processadas sob a modalidade de concorrência, então DECEX e SECEX creram ser razoável e Fl. 21315DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.316 15 necessário, para o exercício de suas funções administrativas, requerer a apresentação do edital, o qual necessariamente estaria presente. Nada obstante, aquele entendimento do Fisco veio a se mostrar incorreto. E quem evidenciou tal equívoco hermenêutico não foi a Doutrina, ou a Jurisprudência, mas o próprio legislador ordinário. Mas as normas do DECEX e da SECEX aqui comentadas, quando exigiam a apresentação de edital, com certeza não levaram em consideração a interpretação mais correta do artigo 5º da Lei n° 8.032/90, posteriormente externada por via autêntica. Essa certeza vem de um só fato: se DECEX e SECEX tivessem considerado a hipótese de ser privada a licitação internacional, não teriam feito menção apenas ao edital, porquanto nem toda licitação internacional privada possui edital. Aliás, reparese que o próprio DECEX evidenciou não ser tão rígida a interpretação das normas em comento, pois emitiu os Atos Concessórios, a despeito da inexistência de editais. Aqui é válido, a título ilustrativo, demonstrar que a maioria absoluta das instituições financeiras internacionais que possuem normas relativas a licitações prevêem modalidades em que inexiste edital. Como exemplo, merecem menção as seguintes instituições financeiras: Para demonstrar que determinadas modalidades de licitação internacional podem ser feitas por meio de cartaconvite, a impugnante cita e transcreve trechos das regras que anexa aos autos do Banco Mundial ("Diretrizes para Aquisições no Âmbito dos Empréstimos do BIRD e Créditos da AID” – licitação internacional limitada – Doc. 3) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento ("Políticas Básicas de Aquisições” – licitação privada – Doc. 4); do European Bank for Reconstruction and Development (“Procurement Policies and Rules” – licitação seletiva – Doc. 6), entre outros. Cita também Tratado Internacional celebrado no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), denominado de “Agreement on Gonvernment Procurement” ou Acordo sobre Licitações Governamentais, que também prevê a licitação seletiva, nos termos de seu art. XV (Doc. 8). Diante desses elementos a defesa aduziu: Vêse que, CONCEITUALMENTE, não há qualquer incompatibilidade entre uma licitação e a sua instauração por intermédio de cartasconvite. Ou seja, ao contrário do que supôs a Autoridade fiscal, repitase, não necessariamente uma licitação internacional possui um edital correlato. Fl. 21316DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.317 16 Trazendo essa constatação conceitual para o caso em tela, é necessário terse em mente que as entidades financiadoras dos projetos acobertados pelos Atos Concessórios previam a realização de licitação por intermédio de cartasconvite. Frisese: o mero fato de os financiamentos terem sido APROVADOS e CONCEDIDOS pelas agências financiadoras é prova suficiente de que as licitações internacionais privadas atenderam às exigências daquelas instituições financeiras. Acaso houvesse algum requisito para a licitação internacional não cumprido naqueles casos, não teriam sequer sido concedidos os financiamentos e, muito menos, teriam sido liberados os recursos. Se o edital fosse uma exigência daquelas entidades financiadoras, então não seriam concedidos os financiamentos sem sua existência. Por último, é sabido que apenas quando inexistem normas e procedimentos impostos pelas entidades financiadoras é que se aplicam as normas e procedimentos previstos na legislação brasileira. Nesse caso é bom que se diga tais normas são aplicáveis no que couber. No caso concreto em exame, existiam tais normas, e, segundo elas, como visto, a exigência de edital era descabida. Acrescenta, ainda, que foram enviadas cartasconvite não apenas para a ela, como também a outras empresas vistas pelas promotoras das licitações como hábeis a atenderem adequadamente ao escopo do certame. Tal fato demonstra a publicidade do procedimento com relação aos potenciais adjudicatários. Fluxo de Pagamentos Em relação ao fluxo de pagamento das importações realizadas, a impugnante sustenta que não há nenhuma irregularidade, pois: [...] deuse com estrita observância ao disposto nos contratos de financiamento celebrados com as entidades financiadoras externas, KfW, EIB e EDC, os quais já constam dos autos (fls.) e consistia, sinteticamente, do seguinte: (i) 15% do valor relativo aos insumos importados foram pagos anteriormente aos respectivos embarques, com o emprego de valores disponibilizados à Impugnante, por CST e CSN. Tais montantes foram remetidos aos fornecedores estrangeiros; e (ii) 85% do valor relativo aos insumos importados foram pagos diretamente aos fornecedores estrangeiros, pelas entidades financiadoras externas, ante a realização de desembolsos parciais, à medida em que os embarques eram realizados. Inexiste dispositivo legal, constante de lei em sentido formal, que subsidie o entendimento da Autoridade fiscal a respeito do tema. Nem mesmo as normas infralegais, de lavra da SECEX ou do DECEX, estabelecem obrigatoriedade de trânsito físico do produto dos financiamentos captados no exterior pelo Brasil. Fl. 21317DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.318 17 O pagamento não se confunde com a tradição. Esta corresponde ao ato de entrega de uma coisa. Essa distinção mostrase relevante na medida em que a Autoridade fiscal instaurou uma discussão a respeito do fluxo de pagamentos adotado por CST e CSN. Devese esclarecer que este não possui relação com a figura do pagamento, em sentido técnico, mas com a da tradição. É dizer, o fluxo de pagamentos nada mais é do que o modo, lugar e tempo em que o objeto do pagamento (moeda conversível) é entregue, e, portanto, não possui influência direta sobre a caracterização do pagamento. Frisese, ademais, que a tradição não é objeto do artigo 5º da Lei n° 8.032/90. A Autoridade fiscal afirmou, num primeiro momento, que "esperava" que a Impugnante efetuasse o pagamento diretamente aos fornecedores estrangeiros. Juridicamente, é seguro dizer que isso ocorreu. Isto, pois a Impugnante, na condição de devedora quanto às importações, ajustou com as entidades financiadoras, por intermédio de CST e CSN, que aquelas efetuariam, por sua conta e ordem, a entrega (tradição) do montante correspondente a 85% do valor dos insumos importados diretamente aos fornecedores estrangeiros. Desse modo, dois fatos jurídicos distintos restaram configurados: (i) tradição: as entidades financiadoras entregaram os recursos aos fornecedores estrangeiros, na condição de mandatárias da Impugnante: e (ii) pagamento: ao fazer com que as entidades financiadoras entregassem recursos aos seus credores, com o intuito específico de liberarse do vínculo obrigacional que a vinculava àqueles, a Impugnante proporcionou o pagamento. O elemento sensível a ser percebido nesse ponto é que as entidades financiadoras não agiram por sua livre e espontânea vontade. Diversamente, agiram em nome da Impugnante, no interesse desta, representandoa. O interesse representado por este ato foi exatamente a manifestação de vontade de liberarse da dívida decorrente das importações. Isso não é nada senão pagamento. Num segundo momento, a Autoridade fiscal afirmou que "esperava" que CST e CSN efetuassem um pagamento diretamente à Impugnante, como contraprestação pelo fornecimento no mercado interno. Isso também ocorreu. Incitadas pela Impugnante, CST e CSN fizeram com que as entidades financiadoras, em vez de lhes entregar integralmente o produto dos empréstimos contraídos, separassem um montante, correspondente a 85% das importações realizadas pela Impugnante, e entregasse diretamente aos fornecedores Fl. 21318DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.319 18 estrangeiros. As entidades financiadoras, então, aturam também como mandatárias de CST e CSN, no interesse destas, representandoas. Assim, dois fatos jurídicos também se caracterizaram: (i) tradição: as entidades financiadoras entregaram os recursos aos fornecedores estrangeiros, também na condição de mandatárias de CST e CSN: e (ü) pagamento: ao fazer com que as entidades financiadoras entregassem recursos aos seus credores, com o intuito específico de liberarse do vínculo obrigacional que a vinculava àqueles, a Impugnante proporcionou o pagamento. Tal situação, aliás, encontrase plenamente refletida pela escrituração contábil da Impugnante (Doc. 14). Para explicar a escrituração contábil dos adiantamentos recebidos, a Impugnante apresentou exemplo numérico resumindo os principais lançamentos envolvidos (fls. 26102612). Em seguida prosseguiu com suas explicações: Ou seja, não se mostra cabível qualquer questionamento acerca do fato de que, juridicamente, a Impugnante pagou aos seus credores estrangeiros, e CST e CSN pagaram à Impugnante. E é esse pagamento que importa à Lei n° 8.032/08. (sic) Não deve causar estranheza o fato de, no caso vertente, os empréstimos terem sido contratados diretamente por CST e CSN. Além de essa prática ser comum no mercado em que atua a Impugnante, ela se encontra em consonância com a estrutura jurídica acima descrita (em que CST e CSN fizeram as entidades financiadoras efetuarem pagamentos em nome da Impugnante), e foi aceita e aprovada pelo Banco Central do Brasil, que dela tomou conhecimento por intermédio das Declarações de Importação, registradas no SISCOMEX, e dos ROF's relativos a cada operação de crédito. Por fim, a Impugnante chama a atenção para dois fatos de ordem prática, que devem ser levados em conta quando do exame dessa matéria: (i) em primeiro lugar, todo o fluxo de pagamentos acima descrito fora analisado e cuidadosamente apreciado pelo DECEX. Assim, além do Banco Central do Brasil, o DECEX também acolhera a sistemática de entrega de valores adotada por CST e CSN. Tal circunstância ganha relevo quando esse questionamento da Autoridade fiscal é contraposto ao princípio da segurança jurídica, o qual não pode ser ignorado quando do julgamento desta Impugnação. (ii) o fluxo de pagamentos ora debatido é adotado pela quase totalidade das empresas envolvidas em operações de drawback "mercado interno". Mas não apenas por elas. O BNDES, por exemplo, quando fornece empréstimos a empresas estrangeiras, Fl. 21319DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.320 19 que estão importando bens ou serviços provenientes do Brasil, não envia o dinheiro ao país de origem do mutuário. Pelo contrário, efetua o pagamento diretamente ao fornecedor brasileiro. Isso reforça o que está sendo destacado pela Impugnante, de que a prática, nacional e internacional, consagra o procedimento adotado no presente caso. Resultado Cambial A defesa aduz que a sistemática de pagamento das importações não acarretou prejuízo ao resultado cambial do regime, que deve ser apurado levandose em conta o valor líquido do fornecimento interno em relação ao valor bruto das importações. De acordo com a impugnante: Percebese que o resultado cambial exigido pela CND, bem como pela Portaria SECEX n° 14/04, é aquele decorrente da divisão do valor bruto das importações pelo montante líquido das exportações. Notese: o objeto da norma invocada pela Autoridade fiscal não possui qualquer relação com o fluxo de pagamentos adotado. O parâmetro "básico" a ser atendido é de 40% entre as importações e as exportações, pouco importando o caminho seguido pelo dinheiro. Como as normas acima transcritas deixam claro, esse percentual é uma referência básica. Desse modo, não se excluía a possibilidade de o DECEX, no âmbito da sua competência, aprovar operações envolvendo percentuais diferentes, desde que fosse obtido "ganho cambial" na operação, Isso fica bem claro em vista do disposto no § 2º do artigo 76 da Portaria SECEX n° 14/04, que tornou explícita tal possibilidade. Cabe questionar, nesse passo, como se verifica a questão do resultado cambial no caso do drawback "mercado interno”, em que inexistem exportações. Não há segredo nisso. Linhas acima se demonstrou que o drawback "mercado interno" nada mais é que o fruto de uma ficção, por meio da qual o fornecimento no mercado interno, decorrente de licitação internacional e mediante pagamento com recursos em moeda conversível, provenientes de financiamentos contraídos junto a instituições financeiras determinadas, foi equiparado a exportação. Com relação ao Ato Concessório CSN, o resultado cambial concretamente obtido, considerandose a taxa de câmbio da data da sua emissão, foi o seguinte, consoante evidencia seu pedido de baixa e relatório unificado (fls. 849 e ss.): (i) Valor Líquido de "Exportação" (Fornecimento no Mercado Interno): US$ 37,010,175.04; (ii) Valor Bruto de Importação: US$ 13,936,358.66; (iii) Razão Cambial (“ii”/”i”): 37,66% Fl. 21320DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.321 20 Esclareçase que, a depender da taxa de cambio que se considere, a razão cambial acima indicada pode variar. Nada obstante, qualquer que seja a cotação adotada, constatase que o resultado cambial da operação realizada entre a Impugnante e a CSN mostrase sempre melhor do que aquele aprovado pelo DECEX, e sempre representando ganho cambial. Com relação ao Ato Concessório CST, os números são os seguintes, consoante se pode extrair do próprio Ato Concessório: (i) Valor Líquido de "Exportação”. (Fornecimento no Mercado Interno): US$ 28,047,705.00; (ii) Valor Bruto de Importação: US$ 10,300,033.00; e (iii) Razão Cambial (= "ii”/"i”): 36,72% Também se verifica, acerca do Ato Concessório CST, que o ganho cambial se concretizou. Nesse sentido também versam as informações constantes do respectivo pedido de baixa e relatório unificado (Doc. 18). De modo que, em vista de todo o exposto, não resta alternativa senão reconhecer que as operações realizadas com amparo nos Atos Concessórios atenderam plenamente as especificações definidas pelo DECEX e pela SECEX, uma vez que proporcionaram o ganho cambial esperado. Fica evidente, portanto, que para demonstrar que foi atingido o resultado cambial objetivado pelo drawback "mercado interno", basta mostrar que a parcela nacional fornecida foi maior que a parcela importada, de acordo com o compromisso aprovado pelo DECEX. Como foi esse o caso da presente operação, não restam dúvidas acerca do atendimento do resultado cambial almejado. Ao final da peça defensória, a impugnante requer a insubsistência do lançamento, cancelandose o respectivo crédito tributário, bem como que todas as intimações e notificações a serem produzidas no âmbito do presente processo sejam encaminhadas ao endereço de seus procuradores, com cópias para ela. Subsidiariamente, é requerido que: [...] caso o Auto de Infração não seja inteiramente cancelado com base nas razões acima aduzidas, devese, ao menos, proceder à imputação dos tributos pagos pela Impugnante, com relação ao fornecimento efetuado no mercado interno, com o fito de reduzir o montante cobrado em virtude do presente processo administrativo. De fato, prevalecendo o entendimento de que a Impugnante atuou de maneira simulada nas operações realizadas por CST e CSN, então restariam configuradas unicamente operações de importação, entre aquelas e os fornecedores estrangeiros, sobre as quais não incidiriam os tributos pagos nas saídas efetuadas pela Impugnante (IPI, PIS e COFINS). Fl. 21321DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.322 21 Ainda subsidiariamente, caso não seja integralmente cancelado o Auto de Infração com base no direito acima argüido, o que se admite apenas para argumentar, devese, ao menos, ser determinada a exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de oficio, nos termos dos artigos 161 do CTN e 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA A fim de serem esclarecidos aspectos necessários para formar a convicção dos julgadores, foi determinada a realização de diligência, para que a autoridade preparadora adotasse as seguintes medidas: a) oficiar à SECEX para se manifestar quanto aos aspectos a seguir indicados, relativamente às irregularidades apontadas pela fiscalização quando do exame dos Atos Concessórios de Drawback Suspensão – Fornecimento no Mercado Interno nº 2002.0025831 e 2004.0258718, tendo em vista envolverem questões atinentes aos requisitos para a concessão do regime: 1. ausência dos editais de convocação e de prova da publicidade das respectivas licitações internacionais; 2. sistemática de pagamento das importações da autuada diretamente no exterior, com recursos dos empréstimos externos concedidos à CSN e à CST, sem o trânsito desses recursos nas contas da beneficiária dos atos concessórios, e com controle do fornecimento das mercadorias importadas realizado pela empresa alemã SMS DEMAG AG, que recebeu a quase totalidade dos valores aplicados nessas operações; e 3. definição do beneficiário do regime, uma vez que apesar de os atos concessórios terem sido deferidos à SMS DEMAG LTDA, verificase que nas propostas comerciais consolidadas consta que o fornecimento dos bens será realizado por um consórcio de empresas, sendo que na referente à obra da CSN, a liderança é formalmente atribuída à SMS DEMAG AG; b) apurar de que forma os pagamentos da CST e da CSN, referentes aos equipamentos finais fornecidos no mercado interno, foram repassados para a SMS DEMAG LTDA, informar o total de repasse relativo a cada Ato Concessório, e anexar documentação comprobatória; c) informar se a industrialização e o fornecimento dos referidos equipamentos foram efetivamente realizados pela SMS DEMAG LTDA; d) trazer ao processo outros documentos ou esclarecimentos que a autoridade preparadora entenda necessários ou relevantes à instrução destes autos e ao conseqüente julgamento da presente lide; e e) cientificar o sujeito passivo da presente Resolução e de seu resultado, e do prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar. Fl. 21322DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.323 22 Em atendimento à diligência determinada por este Órgão Julgador, a autoridade preparadora apresentou os seguintes esclarecimentos (fls. 20.54320544): Os quesitos constantes às fls. 3.623/24 exarados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) foram respondidos pela Secretaria do Comércio Exterior SECEX (quesito "a" itens 1, 2 e 3) e pela SMS DEMAG ( quesitos "b" e "c"), como segue: Quesito "a" itens 1, 2 e 3 Ofícios n°s 799/2011/IRFBHE/Gabin, 1015/2011/IRFBHE/Gabin e ofício 10/2012/SECEX, fls n°s 3.646/47, 3.665/66 e 3.667, respectivamente. Quesitos "b" e "c" Termo de Intimação Fiscal n° 002311 e resposta da interessada SMS DEMAG LTDA correspondência s/n° de 24/10/11, fls n°s 3.649/50 e 3.651/63, nesta ordem. Atendendo nosso Termo de Intimação fiscal n° 000177, fls n°s 3.675/77, a interessada apresentou, por meio de sua correspondência s/n°, de 21/03/12, fls n°s 3.678 os arquivos em formato PDF, tamanho máximo de 10Mb armazenados em 2 CD não regraváveis em substituição aos anteriores contidos no pendrive. Esses arquivos foram integrados às fls. n°s 3.729 a 20.493 ao eprocesso sem ateste. Quanto ao quesito "d" " trazer ao processo outros documentos ou esclarecimentos que a autoridade preparadora entenda necessários ou relevantes à instrução destes autos e ao conseqüente, julgamento da presente lide:" anexei às fls n°s 20.494/542, o inteiro teor do Julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF Terceira Seção de Julgamento tendo como recorrente a própria SMS DEMAG LTDA e tratando da mesma submodalidade do Regime de Drawback ou seja Fornecimento Mercado Interno quanto ao Ato concessório 1616.00/0000639, de 17 de maio de 2000 Processo n° 10611.003414/200650 Recurso ° 341.902 Voluntário Acórdão n° 310100.289 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de novembro de 2009 Matéria DRAWBACK Suspensão Recorrente SMS DEMAG LTDA Recorrida DRJFortaleza/ CE. Em síntese, os resultados dessa diligência foram: 1) A SECEX, oficiada a se manifestar sobre as irregularidades apontadas pela fiscalização relativamente a requisitos para concessão do regime (ausência de edital de convocação e de prova da publicidade das licitações internacionais; sistemática de pagamento das importações e adjudicação da obra a um consórcio de empresas – e não à beneficiária do regime), respondeu: 3. Esclareço que os Atos Concessórios (AC) em questão foram concedidos ao beneficiário SMS SIEMAG EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA, de inscrição no CNPJ nº 60.843.404/000130. Fl. 21323DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.324 23 A concessão de ambos os atos cumpriu todos os requisitos legais vigentes. Posteriormente, seguindo recomendação do Ministério Público, em 2006, os AC foram revistos e anulados. 4. Ademais, a edição da Medida Provisória nº 418/2008, convertida na Lei nº 11.732/2008, gerou fato novo e, em 2008, a empresa solicitou nova revisão, a partir da qual os ACs foram restabelecidos, respeitados todos os aspectos legais pertinentes, e, atualmente encontramse em processo de análise de baixa pelo DECEX. 2) A SMS DEMAG LTDA, em relação aos pagamentos recebidos de CST e CSN, após esclarecer a sistemática de antecipação para quitação das importações, informou que: 1.2 Ato Concessório nº 2002.0025831 – CSN Conforme informado durante a auditoria fiscal conduzida por V. Sas. no âmbito do presente processo administrativo (fls. 704 e seguintes), para cumprir com as exigências constantes do artigo 5º da Lei nº 8.032/90 acerca do financiamento do fornecimento que se efetuaria no mercado interno, a CSN celebrou três contratos de financiamento (todos já anexados ao presente feito), a saber: [...] Este último contrato (fls. 1038 e seguintes) serviu de lastro para o pagamento dos dois montantes aqui abordados (15% das importações e parcela local). Conforme se extrai dos documentos contábeis acostados às fls. 718, 719, 724 e 726 dos autos, a parcela paga pela CSN a título de adiantamento de 15% das importações totaliza R$ 4.590.483,58. Extraise, ademais, do pedido de baixa do ato concessório ora comentado (fls. 849 e seguintes), que os pagamentos repassados à Requerente, correspondentes à parcela local (em atenção às notas fiscais emitidas), remontam a R$ 46.171.636,39 (= total – importações). 1.3. Ato Concessório nº 2004.0258718 – CST Conforme informado durante a auditoria fiscal conduzida por V. Sas. no âmbito do presente processo administrativo (fls. 704 e seguintes), a CST celebrou dois contratos de financiamento (ambos já anexados ao presente feito), a saber: [...] Este último contrato (fls. 1771 e seguintes) serviu de lastro para o pagamento dos dois montantes aqui abordados (15% das importações e parcela local). Destacase que as informações financeiras e esquema de pagamento desse contrato foram devidamente registrados perante Fl. 21324DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.325 24 o Banco Central do Brasil, como evidencia o ROF anexado à impugnação (fls. 2305 e seguintes). Conforme se extrai dos documentos contábeis acostados às fls. 711 dos autos, a parcela paga pela CST a título de adiantamento de 15% das importações perfaz R$ 4.261.665,84. Extraise, ademais, do pedido de baixa do ato concessório ora comentado (fls. 1.828 e seguintes), que os pagamentos repassados à Requerente, correspondentes à parcela local (em atenção às notas fiscais emitidas), remontam a R$ 78.054.726,48 (= total – importações). 3) No tocante à comprovação da industrialização, a impugnante, após comentar os elementos já disponibilizados à fiscalização relativos ao fornecimento dos bens no mercado interno, assim respondeu ao TIF nº 002311 (fls. 36513659): Como se vê, o fornecimento no mercado interno foi amplamente verificado durante a auditoria fiscal da qual decorreu a lavratura do auto de infração. Toda as provas pertinentes foram adequadamente produzidas, pela Requerente, e também por V. Sas. [...] A fabricação, pela Requerente, dos equipamentos fornecidos a CSN e CST, jamais foi questionada nos presentes autos. Tornouse assim questão incontroversa. Nada obstante, com vistas a cooperar com a adequada formação da convicção dos I. Julgadores, a Requerente, enfatizando sua disposição em colaborar com o trabalho de V. Sas. apresenta os seguintes elementos [...] Devido à conversão do processo para o formato digital, a impugnante foi intimada a apresentar os referidos elementos no formado adequado (TIF nº 000177, de 29/2/2012), tendo informado que: [...] apresentamos os documentos que comprovam a fabricação dos equipamentos pela “SMS”, os quais já foram entregues a essa Fiscalização, em 24/10/2011, nos formatos eletrônicos PDF, dwg e jpg [...] agora apresentados somente no formato PDF contidos em CD não regravável como solicitado para adequação de documentos na conversão do processo para o meio eletrônico (eprocesso), a saber: a) Ordens de Produção: total 10.710 páginas, em três arquivos; b) Desenhos/Projetos: aprox. 5.500 desenhos; c) Fotografias: aprox. 1.500 fotos; d) Norma de Fabricação SMS nº SN200: total de 131 páginas em único arquivo. DA MANIFESTAÇÃO SOBRE A DILIGÊNCIA Fl. 21325DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.326 25 A impugnante tomou ciência da diligência e de seu resultado em 17/5/2012 e apresentou manifestação sobre esses elementos em 18/6/2012 fls. 2054720566), da qual são reproduzidos os seguintes trechos: Como informa a Autoridade fiscal no Termo de Anexação e Despacho de Encaminhamento de 23/04/2012 (fls. 20543), o quesito "a", itens 1, 2 e 3, foi respondido pela Secretaria de Comércio Exterior SECEX, mediante o Oficio 10/2012/SECEX (fls. 3667). Já os quesitos "b" e "c" foram atendidos pela Requerente. Após coletar as respostas acima referidas, a Autoridade fiscal não realizou qualquer análise adicional, ou formulou qualquer juízo acerca das informações obtidas. Considerandose tal cenário, a Requerente utilizase da oportunidade que lhe foi concedida para, assim como a Autoridade fiscal pretendeu fazer, destacar alguns aspectos que certamente haverão de influenciar a formação da convicção dos Senhores Julgadores, tornando ainda mais evidente a necessidade de cancelamento do Auto de Infração. A resposta da SECEX, constante do Ofício 10/2012/SECEX (fls. 3667), foi categórica: "Esclareço que os Atos Concessórios (AC) em questão foram concedidos ao beneficiário SMS SIEMAG EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA., de inscrição no CNPJ n° 60.863.404/000130. A concessão de ambos os atos cumpriu todos os requisitos legais vigentes (...)". Ao assim se pronunciar, a SECEX não deixa dúvidas sobre o real estado de coisas a ser considerado pela DRJ para o julgamento do presente caso: todos os requisitos de concessão foram cumpridos pela Requerente, quanto aos dois atos concessórios questionados por meio do Auto de Infração. A SECEX, portanto, ratificou o quanto exposto e demonstrado na Impugnação apresentada neste processo administrativo, ou seja: Convocação por meio de CartasConvite à Legal Nada a Questionar Identificação do Beneficiário (Adjudicação ao Consórcio) à Legal Nada a Questionar Fluxo de Pagamentosà Legal Nada a Questionar [...] Tivesse a SECEX indeferido o pedido de Ato Concessório de Drawback feito pela Requerente, por entender que as informações e documentos apresentados pela mesma estavam em desacordo com as normas sobre a matéria, a Requerente ainda teria tempo e oportunidade de rescindir os respectivos contratos de fornecimento com CSN e CST, que previam a utilização dos benefícios do regime de drawback, e cujos contratos não mais Fl. 21326DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.327 26 fariam sentido sem a aprovação do regime pela SECEX, pois que as condições básicas dos negócios se assentavam nos benefícios trazidos pelo regime de drawback. A Requerente, absolutamente, não daria prosseguimento aos contratos de fornecimento, caso tivesse a menor suspeita de que as operações de drawback aprovadas pela SECEX seriam colocadas em dúvida pela RFB, ou melhor, canceladas pela RFB, pois o que para a SECEX tudo foi aprovado de acordo com a legislação de regência, para a RFB não está. O fato é que a Requerente agiu de boafé, tendo apresentado ao SECEX todas as informações e documentos solicitados pelo órgão, os quais foram considerados corretos e suficientes para a emissão dos atos concessórios de drawback, o que lhe trouxe a necessária segurança jurídica para seguir com os contratos assinados com a CSN e CST. IV APÓS O VEREDITO DA SECEX, NADA RESTOU... O AUTO DE INFRAÇÃO DEVE SER CANCELADO Nesse estado de coisas, todos os fundamentos do Auto de Infração foram reputados insubsistentes por quem de direito. Por conseguinte, inexistindo qualquer outra razão a amparar a pretensão fiscal aqui criticada sendo certo que, a essa altura dos fatos não se admite a revisão de lançamento, ex vi do que dispõe o artigo 149, § único do Código Tributário Nacional CTN (a seguir examinado em maiores detalhes), há uma coisa só a fazer: julgarse procedente a Impugnação, cancelandose o Auto de Infração. V QUESTÕES ADICIONAIS: DESCABIMENTO DE REVISÃO DO LANÇAMENTO E MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO A indagação que, naturalmente, invade a mente do leitor, nesse momento, é a seguinte: se o quesito "a" da diligência abrangia a totalidade dos fundamentos do Auto de Infração, a que se referem os quesitos "b" e "c"? Devem eles ser considerados de algum modo relevantes para o julgamento do presente caso? Para se responder às indagações acima propostas, é necessário lembrar que diligências têm por objetivo esclarecer fatos que integram o rol de discussões de um processo administrativo. Não são espaços para a proposição de inovações ou aprimoramentos ao lançamento tributário. Os quesitos "b" e "c" da diligência não podem ser incluídos na presente lide porque isso implicaria, a um só tempo, mudança de critério jurídico, e ilegal revisão de lançamento. Esse catastrófico efeito decorre de uma simples situação: em momento algum, na história do presente processo, foi apontada qualquer irregularidade envolvendo qualquer dos aspectos objeto dos citados quesitos. Fl. 21327DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.328 27 Muito pelo contrário. No que tange ao tema do quesito "b", a Autoridade fiscal intimou a CSN (fls. 1920) a apresentar comprovante dos pagamentos efetuados, por aquela, em favor da Requerente. Consta do relatório de auditoria fiscal que tais documentos foram entregues (fls. 1628/1629). O mesmo ocorreu com a CST: a Autoridade fiscal a intimou (fls. 1920) a apresentar comprovante dos pagamentos efetuados em favor da Requerente. A CST atendeu à requisição que lhe foi formulada, apresentando os documentos e informações solicitados, como se apreende da carta de fls. 1927. Ocorre que a Autoridade fiscal, de posse de todos esses documentos, entendeu não haver qualquer irregularidade, tanto que não fez constar, dentre o rol de infrações do Termo de Verificação Fiscal, qualquer menção ao repasse de valores à Requerente. Ou seja, a Autoridade fiscal auditou os repasses de pagamentos à Requerente, concluindo não haver qualquer aspecto a ser criticado. Em relação ao acórdão do CARF (nº 310100.289) anexado pela autoridade preparadora quando da diligência determinada por este Órgão Julgador, a impugnante alegou que: Em primeiro lugar, o acórdão trazido à colação pela Autoridade fiscal confirma a competência da SECEX para verificar os requisitos de concessão do regime de drawback ... Em segundo lugar, o crédito tributário foi mantido, naquele caso, sob uma acusação que não encontra par no presente processo administrativo, qual seja, a de simulação. Embora exista uma insinuação nesse sentido no Auto de Infração (tanto que, para afastar eventuais dúvidas, a Requerente dedicou parte de sua Impugnação a demonstrar a inexistência de qualquer simulação), não há, no caso presente, uma acusação formalizada, verbalizada, de que teria havido simulação. Consequência natural dessa circunstância é a inexistência de qualquer prova sobre uma simulação que se pudesse supor existente. [...] Concluise, pois, que o acórdão em questão, diversamente de reforçar a pretensão fiscal, reforça a necessidade de cancelamento do Auto de Infração. Isto, pois, como aqui se discutem apenas aspectos técnicos relativos aos requisitos de concessão do regime de drawback, sendo estes de competência da SECEX (como reconheceu a DRJ, aqui; e como reconhece o acórdão n° 310100.289), deve o Auto de Infração ser cancelado, em vista da manifestação da SECEX acima já examinada. Retornados os autos para apreciação desta Turma de Julgamento, decidiuse pela necessidade de nova diligência (fls. 2056820578), pois algumas informações solicitadas não foram apresentadas de forma a esclarecer satisfatoriamente os fatos Fl. 21328DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.329 28 correspondentes. Assim, foi solicitado que a Unidade de Origem adotasse as seguintes medidas: a) esclarecer se foram examinados os pagamentos efetuados pela CSN e pela CST à SMS Demag Ltda. referentes à parcela nacional (valor total de cada bem deduzido dos adiantamentos já realizados – valor total das importações dos respectivos insumos e componentes) dos bens finais fornecidos no mercado interno, e qual foi o resultado desse exame, ou seja, o que foi apurado como pago para cada Ato Concessório, de que forma esses pagamentos foram feitos à SMS Demag Ltda. (depósito, transferência, cheque, conta utilizada), qual a origem dos recursos utilizados para realização desses pagamentos, e quais os documentos que comprovam essas informações; b) informar se, com base nos livros e documentos fiscais solicitados à SMS Demag Ltda. no item 17 do Termo de Intimação Fiscal nº 003600, e nos demais elementos constantes nos autos, podese definir se foi ou não a própria beneficiária do regime quem industrializou os equipamentos finais fornecidos à CSN e à CST; Como é de praxe, foi facultado à autoridade preparadora apresentar outros elementos que entendesse relevantes para elucidação dos fatos, e requerida a ciência ao sujeito passivo da diligência e de seus resultados. Visando obter os dados necessários para prestar as informações solicitadas, a Unidade de Origem intimou o sujeito passivo a apresentar demonstrativos dos recebimentos da CSN e da CST, referentes à parcela nacional, discriminando cada operação, inclusive quanto à forma de pagamento, acompanhado de documentação comprobatória (fls. 2058220584). Com base nos elementos fornecidos pela autuada, inclusive na auditoria fiscal e nas fases anteriores da instrução processual, a autoridade preparadora produziu a Informação Fiscal a fls. 2107521.130, da qual se destacam os seguintes esclarecimentos e conclusões, em síntese: A intermediação na negociação privada citada por esta Fiscalização referese somente às importações, cujos fornecimentos – em sua maior parte – foi realizado pela SMS DEMAG AG, conforme se constata às fls. 648 a 650, tendo a mesma sida paga, diretamente no exterior, pelos agentes financiadores dos empréstimos contraídos pela CSN e CST. [...] Não afirmamos que a SMS DEMAG LTDA não tenha realizado a industrialização. Nada foi apurado na auditoria realizada que pudesse nos possibilitar tal afirmação! [...] Fl. 21329DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.330 29 A SMS DEMAG LTDA [...] apresentou comprovantes de recebimentos (extratos bancários), os demonstrativos devidamente preenchidos, conforme intimação [...] e algumas informações que foram devidamente transcritas na parte 1, linha acima. [...] Assim, fruto do trabalho agora realizado, no demonstrativo abaixo apresentamos o “.. o resultado desse exame, ou seja, o que foi apurado como pago para cada Ato Concessório ...”, parte do que se determina na Resolução 8.002.474 da 7ª Turma da DRJ/FOR – fls. 20.577, último § e 20.578. O resultado decorre das informações/documentos no presente apresentados pela SMS DEMAG LTDA, por meio de sua correspondência, s/nº de 02/10/13 – fls. Nºs 20.600 a 20.691 – como valores recebidos da CSN e CST e também as informações/documentos apresentados, à época, por essas empresas como valores pagos. Ato Concessório nº 2002.0025831 [...] Conforme se constata, os valores informados pela CSN e CST como pagos à SMS DEMAG LTDA são inferiores aos informados pela SMS DEMAG LTDA como recebidos das mesmas. Entretanto, não podemos negar a efetividade de pagamentos efetuados pela CSN e CST, de conformidade com as “exportações fictas” compromissadas nos Atos Concessórios de Drawback – modalidade Suspensão – submodalidade Fornecimento no Mercado Interno nº 2002.0025831 e 2004.0258718, entretanto, repetimos, foram insuficientes. Esperavase mais! Esperavase que as divisas – representativas dos financiamentos contraídos no exterior que efetivamente ocorreram, conforme se comprova pelos contratos apresentados pela beneficiária – fls. nºs 893 a 988, 1.108 A 1.159, 1.161 A 1.179, 2.265 A 2.322, 2.326 A 2.337 e 2.338 a 2.390 – entrassem no território nacional em quantidade suficiente para o pagamento de 100% das importações + parcela nacional (mercadorias + serviços) e não apenas para o pagamento de 15% das importações + parcela nacional (mercadorias + serviços). Em relação à origem e comprovação dos pagamentos recebidos pela beneficiária do regime relativos à “parcela nacional” a autoridade lançadora assim se pronunciou, em relação a cada Ato Concessório em foco: Para o Ato Concessório nº 2002.0025831 Temos pois que o valor recebido no total de R$ 46.171.636,39 declarado e comprovado pela SMS DEMAG LTDA – é inferior Fl. 21330DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.331 30 ao valor do financiamento obtido junto ao BNDES (Contrato nº 01.2.309.1.1 – subcréditos “a” e “b”, R$ 41.890.800,00 e R$ 15.313.800,00 respectivamente, que totalizou R$ 57.204.600,00 – fls. nºs. 1.16 e 1.179 – o que respalda a operação. Para o Ato Concessório nº 2004.0258718 Temos pois que o valor recebido no total de R$ 78.054.726,48, declarado e comprovado pela SMS DEMAG LTDA – é inferior ao valor do financiamento obtido junto ao European Investment Bank – EIB (contrato F1 Nº BR, de 21/07/04), que totalizou US$ 70,000,000.00 – fls. nºs. 2.338 a 2.390 o que respalda a operação. No tocante à confirmação quanto à efetiva industrialização e fornecimento dos equipamentos no mercado interno, foi informado que: Assim, tendo como elementos de prova os documentos apresentados tanto pela SMS DEMAG LTDA quanto pela CSN e CST – acima relacionados – e, ainda pela constatação de que os equipamentos/máquinas objeto das exportações fictas encontravamse nos parques industriais da CSN e CST, em 19/02/09 e 02/03/09, respectivamente, datas das nossas visitas técnicas, conforme fotos – fls. 6356 a 645 – concluímos que foi a SMS DEMAG LTDA, beneficiária do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, quem industrializou e forneceu os equipamentos/máquinas à CSN e à CST. A impugnante foi cientificada da segunda diligência e de seu resultado em 21/11/2013, e apresentou manifestação tempestivamente, em 6/12/2013 (fls. 21.13521160), na qual inicialmente alerta sobre o risco de inovação no julgamento, no caso de alteração do critério jurídico do lançamento, e em seguida conclui que: [...] todas as respostas apresentadas pelas Autoridades Fiscais objetivamente aos quesitos “a” e “b” da Resolução foram amplamente favoráveis à Manifestante na medida que demonstraram, de forma cabal, que houve a efetiva industrialização e o subsequente fornecimento dos equipamentos no mercado interno, bem como a realização de pagamentos à Manifestante para tanto. Na sequência, volta a discorrer sobre a incompetência da RFB para analisar os requisitos para concessão do Drawback e a regularidade do fluxo de pagamento das importações. Tratase da reiteração e complementação de argumentos já apresentados na inicial, diante da Informação Fiscal produzida pela fiscalização, que renovou seu entendimento quanto às irregularidades apuradas na auditoria fiscal no tocante ao processo licitatório e à sistemática de pagamento das importações. A manifestante aduziu que a delimitação de atribuições entre a SECEX e a RFB, no caso sob exame, está em plena sintonia com a mais abalizada doutrina administrativa atual, conforme demonstram os acórdãos do CARF cujas ementas reproduz, Fl. 21331DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.332 31 inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujo julgamento foi unânime (Acórdãos 310100.328, de 4/12/2009 e 9303001.932, de 11/4/2012). Destaca que ambas as decisões são claras as dispor sobre a ausência de competência da RFB para revisar os requisitos necessários a concessão do regime pela Secex, como salientaram os conselheiros Tarásio Campelo Borges e Susy Gomes Hoffmann, relatores dos acórdãos supracitados. Com base nesse entendimento e na manifestação da SECEX, a impugnante considerou que não há dúvidas quanto à regularidade dos Atos Concessórios em tela. Em seguida a defendente torna a discorrer sobre a regularidade do fluxo de pagamento, inclusive para demonstrar que a sistemática utilizada, com desembolso de 85% do valor das importações diretamente no exterior, não comprometeu o ganho cambial das operações. Destaca que inexiste norma que disponha sobre a necessidade das divisas externas captadas transitarem fisicamente no País, e diferencia pagamento de tradição, para concluir que: Neste estado de coisas, juridicamente é seguro dizer que os ‘pagamentos’ de fato ocorreram no Brasil. O que ocorreu no exterior foi apenas a ‘tradição’ das divisas, ou seja, a sua efetiva entrega física. A tradição das divisas, por sua vez, através das entidades financiadoras na condição de mandatárias da Manifestante. A manifestante sustenta que essa prática é comum em operações de financiamento internacional, sendo conhecida como buyer’s credit, e que contou com a anuência não apenas da Secex, como também do Banco Central do Brasil (Bacen), onde os empréstimos contratados pela CSN e CST foram registrados no módulo ROF do SISBACEN. Foi salientado que, assim que houve a tradição das divisas no exterior, os pagamentos foram devidamente refletidos na contabilidade da requerente. A impugnante alegou que o resultado cambial previsto para o regime independe da forma de pagamento das importações, pois o que deve ser comparado é a relação entre o valor total das importações e o valor líquido das exportações, no caso o fornecimento no mercado interno, consoante dispõe a legislação regente. A defendente informou que o cálculo do ganho cambial foi demonstrado nos pedidos de baixa dos Atos Concessórios em foco, com base nos dados contidos no Relatório Unificado de Drawback (RUD), bem como na impugnação apresentada. Ao final da manifestação sobre a segunda diligência foi reiterado o pedido para cancelamento integral do crédito tributário. Sobreveio decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou, por unanimidade de votos, procedente a impugnação, Fl. 21332DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.333 32 cancelando o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006 DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. A contagem do prazo decadencial para lançamento referente a operação vinculada ao regime aduaneiro especial Drawback Suspensão obedece à regra do art. 173, I, do CTN, pois durante a vigência do ato concessório os tributos incidentes na importação ficam suspensos, e o Fisco só poderá exigilos se, e quando, ficar caracterizado o descumprimento do regime. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006 DRAWBACK SUSPENSÃO. REVISÃO DE REQUISITO PARA CONCESSÃO DO REGIME. ILEGITIMIDADE DA RFB. No âmbito do regime aduaneiro especial Drawback Suspensão, cabe à Secretaria do Comércio Exterior o exame quanto aos requisitos para sua concessão, os quais não são suscetíveis de revisão pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a quem compete fiscalizar a regularidade das operações vinculadas, inclusive quanto ao cumprimento dos termos e condições pactuados no ato concessório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006 LANÇAMENTO. INSUFICIÊNCIA DE PROVA. VÍCIO MATERIAL. É nulo, por vício material, o lançamento baseado em irregularidades cujos indícios trazidos aos autos sejam insuficientes para comproválas. Como o valor do crédito tributário exonerado ficou acima do limite alçada, o Presidente da Turma recorreu de ofício a este Conselho. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª seção de Julgamento do CARF, em sessão de 12/11/2014, decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, afastando a prejudicial de incompetência da RFB e anulando a decisão recorrida, determinando ainda o retorno do presente processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE para fim de apreciação das questões de mérito suscitadas na peça impugnatória. A contribuinte apresentou embargos de declaração frente a esta decisão, embasada em ter requerido o adiamento do julgamento do recurso de ofício, o que foi deferido pelo presidente da 2ª Câmara (fls. 21278/21287). Fl. 21333DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.334 33 O processo, contudo, foi julgado sem que fosse dada oportunidade para a contribuinte sustentar a manutenção da decisão recorrida de ofício. Os embargos foram acolhidos pelo Presidente desta Turma, entendendo que nesses casos em que a parte apresenta pedido tempestivo de sustentação oral, mas, mesmo assim, a ação é julgada sem que tenha sido realizada, cabem embargos de declaração para sanar a nulidade do acórdão, decorrente do cerceamento ao direito de defesa. O processo, então, foi novamente encaminhado a este conselheiro, para que o recurso de ofício seja apreciado pelo Colegiado, com a prolação de novo acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Conforme explicitado no despacho que acolheu os embargos de declaração, para sanar o vício contido na decisão recorrida, deve o recurso de ofício ser novamente julgado por este Turma, desta feita concedendo a oportunidade da contribuinte de apresentar suas razões por meio de sustentação oral e memoriais. Em análise ao recurso de ofício, verificase que este atende aos requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O auto de infração foi lavrado devido a fiscalização ter verificado o descumprimento pela contribuinte do ter considerado descumprido o regime aduaneiro especial Drawback Suspensão – Fornecimento no Mercado Interno, em relação a dois Atos Concessórios. A contribuinte não teria atendido aos requisitos concernentes à licitação internacional e ao pagamento das importações em moeda conversível, proveniente de financiamento com recursos financeiros captados no exterior. Impugnado o lançamento, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE declarou a nulidade do auto de infração, devido a entender que a RFB não possuiria competência para verificar os citados requisitos, que seriam de competência da Secex. Em sendo esta a questão em julgamento neste recurso de ofício, esclarecese que o CARF já possui entendimento sumulado de que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão: Súmula CARF nº 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Fl. 21334DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.335 34 Observo ainda que, em se tratando de regime aduaneiro especial Drawback Suspensão – Fornecimento no Mercado Interno, encontrase na área de competência da RFB a verificação dos requisitos de aos requisitos concernentes à licitação internacional e ao pagamento das importações em moeda conversível. Neste sentido, dada a clareza e a propriedade na explanação da matéria, transcrevo excerto do voto proferido no acórdão nº 3102002.225 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 3ª Seção, de lavra do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, ao qual adoto como razões de decidir: [...]Portanto, a questão principal que precisa ser dirimida nesta assentada cingese, novamente, a análise da competência da RFB para apreciar os requisitos concernentes à licitação internacional e ao financiamento externo das importações. Em seguida, se superada essa questão, precisa ser decidido se este Colegiado pode analisar as questões de fundo, atinentes à licitação internacional e ao financiamento externo das importações, que não foram apreciadas no julgado recorrido. Nos autos, inexiste controvérsia no sentido de que a Secex é o órgão competente para a concessão do regime drawback suspensão, modalidade fornecimento no mercado interno. Nesse sentido, expressamente asseverou a autoridade fiscal no excerto da Descrição dos Fatos (fl. 3603), a seguir transcrito: 1) A SECEX detém competência exclusiva para conceder o regime suspensivo de drawback quando efetivamente cumpridas a formalização, o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, ou (no caso vertente) o compromisso de fornecer no mercado interno equipamentos fabricados no País com peças importadas. Ao atestar o adimplemento do regime (que no caso vertente nunca se deu), a Secex confirma tão somente a condição suspensiva do regime, que até o momento se encontrava sob condição resolutória. (grifos do original) Aliás, esse entendimento está em consonância com disposto no art. 338 do Decreto nº 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro de 2002 – RA/2002), e o estatuído no art. 2º1 da Portaria MEFP nº 594, de 25 de agosto de 1992. Aliás, em consonância com o disposto no referido preceito regulamentar, no âmbito da Secex, na época dos fatos, vigia o Comunicado Decex nº 21, de 11 de novembro de 1997, com as alterações posteriores, que tratava da concessão do regime drawback, modalidade fornecimento no mercado interno, no Título 14 do Capítulo III, com os seguintes dizeres, in verbis: TÍTULO 14 Drawback para Fornecimento no Mercado Interno 1 "Art. 2º Constitui atribuição da Secretaria Nacional de Economia SNE, nos termos do art. 2o, da Lei no 8.085, de 23 de outubro de 1990, a concessão do regime, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar." Fl. 21335DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.336 35 14.1 Operação especial concedida, exclusivamente na modalidade suspensão, para importação de matériaprima, produto intermediário e componente destinados a processo de industrialização, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, conforme disposto no art. 5º da Lei nº 8.032, de 12/04/90. 14.2 Deverá ser observado o disposto no Título 8 e no Anexo VII desta CND. Do Título 8, que trata das considerações gerais sobre os requisitos e condições para concessão de todas as modalidades do regime drawback suspensão, extraise os seguintes excertos relevantes para o deslinde da controvérsia, a seguir transcritos: TÍTULO 8 Considerações Gerais 8.1 Para pleitear o Regime de Drawback, modalidade suspensão, a empresa deverá apresentar o formulário Pedido de Drawback consignando a classificação na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), a descrição, a quantidade e o valor da mercadoria a importar e do produto a exportar, em moeda de livre conversibilidade, dispensada a referência a preços unitários. 1. Deverá ser observado, obrigatoriamente, o disposto no Anexo III desta CND. [...] 8.6 No exame do Pedido de Drawback, será levado em conta o resultado cambial da operação. 1. A relação básica a ser observada é de 40% (quarenta por cento), estabelecida pela comparação do valor total das importações, aí incluídos o preço da mercadoria no local de embarque no exterior e as parcelas estimadas de seguro, frete e demais despesas incidentes, com o valor líquido das exportações, assim entendido o valor no local de embarque deduzido das parcelas de comissão de agente, eventuais descontos e outras deduções. 2. Quando da apresentação do pleito, a interessada deverá fornecer os valores estimados para seguro, frete, comissão de agente, eventuais descontos e outras despesas. 8.7 A concessão do Regime darseá com a emissão de Ato Concessório de Drawback. 8.8 O prazo de validade do Ato Concessório de Drawback é determinado pela datalimite estabelecida para a efetivação das exportações vinculadas e será compatibilizado ao ciclo produtivo do produto a exportar, com o objetivo de permitir a exportação no menor prazo possível. [...] Fl. 21336DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.337 36 8.10 Poderá ser solicitada, por meio do formulário Aditivo ao Pedido de Drawback, a inclusão de mercadoria não prevista quando da concessão do Regime, desde que fique caracterizada sua utilização na industrialização do produto a exportar. 1. Na análise do pleito serão observadas as normas em vigor para o Regime, inclusive no tocante ao resultado cambial. [...](grifos não originais) Especificamente em relação o regime drawback suspensão, modalidade fornecimento no mercado interno, os trechos do Anexo VII representativos paro apreciação do caso em apreço, seguem reproduzidos: ANEXO VII FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO (LICITAÇÃO INTERNACIONAL) 1. Poderá ser concedido o Regime de Drawback, modalidade suspensão, para os casos que envolverem a importação de matériaprima, produto intermediário e componente destinados a processo de industrialização, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, na forma do art. 5º da Lei nº 8.032, de 12/04/90. 2. O formulário Pedido de Drawback deverá ser acompanhado da seguinte documentação: a) cópia do edital da concorrência internacional; b) cópia da proposta do fornecimento; c) catálogos técnicos e/ou especificações e detalhes do material a ser importado; d) declaração da empresa licitante certificando que a empresa foi vencedora da licitação e que o Regime de Drawback foi considerado na formação do preço apresentado na proposta; e) correspondência do órgão financiador aprovando a adjudicação; [...](grifos não originais) Com base na relação de documentos exigidos para concessão do regime em apreço, verificase que o controle exercido pela Secex limitase apenas a verificação do cumprimento de formalidades meramente formais e burocráticas, atinentes à documentação apresentada. No que tange à licitação internacional e ao financiamento externo (alíneas “a”, “d” e “e”), requisitos indispensáveis para concessão do regime, a Secex limitase a exigir, no primeiro caso, cópia do edital da licitação internacional e declaração da empresa licitante informando a empresa vencedora do certame e Fl. 21337DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.338 37 que o regime drawback foi considerado na formação do preço na proposta de financiamento. No segundo caso, mera correspondência do órgão financiador. É indubitável que, em relação aos requisitos para a concessão do regime, a apreciação e a decisão de mérito cabiam às autoridades competentes da Secex. No entanto, há que se diferenciar a verificação do cumprimento dos requisitos para a concessão do regime da verificação do cumprimento das condições estabelecidas no ato de concessão do regime, bem como os as condições e requisitos estabelecidos na legislação de regência. Feita esta diferença básica, temse ainda que as consequências decorrentes do descumprimento dos requisitos para concessão do regime e do descumprimento dos requisitos e condições do regime também são distintos. No primeiro caso, implicará no indeferimento do regime, se constatado previamente à emissão do ato concessório, ou na anulação do referido ato, se detectado posteriormente. Neste caso, inequivocamente, a matéria é da competência exclusiva da Secex. Essa segunda hipótese, nulidade do ato, foi o que ocorreu no caso em tela. Nessa situação, obviamente, o regime deixa de existir e os tributos suspensos passam a ser imediatamente exigíveis. Quanto a essa questão, inexiste controvérsia, uma vez que há anuência da própria Relatora do voto que serviu de fundamento da decisão recorrida. A controvérsia emerge quanto à apreciação dos requisitos e condições do regime. Neste ponto, entendeu a Turma de Julgamento a quo que o simples restabelecimento do ato concessório era suficiente para espancar todas as irregularidades apontadas pela fiscalização, que, no que tange ao financiamento externo, relacionam às irregularidades ocorridas após a concessão do regime e que, certamente, não foram analisadas pelo Decex. Por força dessa circunstância, com a devida vênia, discordase do entendimento da i. Relatora, haja vista que o restabelecimento do ato concessório representa a confirmação de que os requisitos para a concessão do regime foram atendidos, segundo o entendimento do Decex. No caso, específico, o requisito relativo à licitação internacional. Porém, essa condição, embora necessária, não era suficiente para assegurar a manutenção da suspensão do crédito tributário contemplada na concessão do regime, que exige ainda que sejam cumpridas as condições estabelecidas no ato de concessão e na legislação de regência, o que só pode ser verificado em momento posterior, durante ou após a conclusão do regime. E a competência para verificar o cumprimento das referidas condições, posteriormente a concessão do regime, induvidosamente, desde que haja exclusão de crédito tributário, induvidosamente, é da RFB, conforme expressamente previsto no Fl. 21338DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.339 38 art. 3º da Portaria MEFP nº 594, de 25 de agosto de 1992, a seguir transcrito: Art. 3o Constitui atribuição do Departamento da Receita Federal – DpRF2 a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. (grifos não originais) De acordo com o referido artigo, inferese que, diferentemente do que entendeu a Turma de Julgamento de primeiro grau, enquanto não transcorrido o prazo de decadência do direito de lançar o crédito tributário suspenso, a RFB tem sim competência para verificar, o regular cumprimento dos requisitos e condições fixados no ato de concessão e na legislação e, se apurado irregularidades que importem no descumprimento de tais requisitos e condições, tem o poderdever de lançar os tributos devidos, com os consectários legais cabíveis, em consonância com disposto no art. 142 do CTN e do art. 10 do PAF, o que foi feito no caso em comento. Por todas essas razões, não se pode concordar com o entendimento da i. Relatora, explicitado no voto que serviu de fundamento do julgado recorrido (fl. 5103), no sentido de que a fiscalização da RFB não tinha competência para verificar o cumprimento dos requisitos atinentes à licitação internacional e ao financiamento externo das importações, sob argumento de que a verificação e a fiscalização de tais requisitos eram da alçada exclusiva do Decex. Admitir tal entendimento, a meu ver, resultaria na vinculação da atividade de lançamento do tributo não à lei, conforme determina o art. 142 do CTN, mas ao que fosse decidido por outro órgão administrativo, que, sabidamente não tem competência para se pronunciar, em caráter definitivo, sobre matéria de natureza tributária, em especial, sobre a legitimidade de concessão de incentivo fiscal. Por essa razão, entendese que, em face das competências distintas, o ato concessório emitido pelo Decex, induvidosamente, não vincula a atividade de lançamento da autoridade fiscal da RFB, a quem compete, inclusive, verificar o atendimento das condições estabelecidas no referido ato. É de sabença que, na emissão do referido ato, são fixadas algumas condições, que, se descumpridas, inevitavelmente, acarreta a perda do incentivo fiscal previsto para o respectivo regime de drawback. Não é demais ressaltar, mais uma vez, que não se podem confundir os requisitos fixados para concessão do regime ou emissão do ato concessório, que se encontram estabelecidos em atos normativos editados pela própria Secex (no caso, o 2 Secretaria da Receita Federal do Brasil, atualmente. Fl. 21339DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.340 39 Comunicado Decex nº 21, de 1997), com os requisitos e condições fixados na legislação para fruição do incentivo fiscal do regime. Na primeira hipótese, é óbvio que não cabe a RFB invadir a seara de competência da Secex e adentrar no mérito ou alterar decisão proferida pelo referido Órgão, sob pena de ingerência indevida nas atribuições de outro órgão administrativo. Nesse ponto, nenhuma divergência há com o entendimento do i. Relatora. Enquanto que, na segunda hipótese, é inquestionável a competência assegurada a RFB, para fiscalizar o regular cumprimento dos requisitos e condições do regime, fixados na legislação de regência, com a finalidade, inclusive, de verificar o adimplemento das obrigações assumidas no ato de concessão do regime pelo Decex. Nesse sentido, é evidente que a atuação dos dois órgãos ocorre em momentos e de forma distintos e complementares. Com efeito, cabe à Secex, previamente, a concessão do regime e a RFB, posteriormente, fiscalizar os requisitos e condições legais estabelecidos para fruição do regime. Não se pode olvidar que as prerrogativas da RFB e de seus auditores fiscais, em matéria de competência para fiscalizar o cumprimento da legislação relativa a tributos tem precedência sobre os demais órgãos e é de índole constitucional, uma vez que expressamente atribuída no art. 37, XVIII, da Constituição Federal de 1988. Com base nessa competência, uma vez constatada qualquer irregularidade, que implique exigência de crédito tributário, a autoridade fiscal tem o poderdever de realizar o lançamento do crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, conforme expressamente dispõe o art. 142 do CTN. Além disso, por ser o regime drawback suspensão uma espécie de isenção sob condição resolutória, sujeita a evento futuro e incerto (adimplemento dos requisitos e condições do regime), em conformidade com disposto no art. 179, § 2º, combinado com o artigo 155, ambos do CTN, o crédito tributário, obrigatoriamente, deverá ser lançado sempre que constatado que o contribuinte não cumpriu ou deixou de satisfazer os requisitos legais para concessão de tal benefício fiscal. Assim, fica demonstrado que, no caso em tela, a fiscalização tinha sim competência para verificar o cumprimento dos requisitos relativos (i) à existência regular da licitação internacional e (ii) ao efetivo pagamento das importações em moeda conversível, proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior, pois se trata de requisito fixado no art. 5º da Lei nº 8.032, de 1990, com a redação da Lei nº 10.184, de 2001, a seguir transcrito: Fl. 21340DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.341 40 Art. 5º O regime aduaneiro especial de que trata o inciso II do art. 78 do DecretoLei no37, de 18 de novembro de 1966, poderá ser aplicado à importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.184, de 2001) (grifos não originais) Com base no referido preceito legal, inferese que a comprovação do pagamento das máquinas e equipamentos, produzidos e fornecidos no mercado interno, em moeda conversível originária de financiamento externo concedido por instituição financeira pública estrangeira ou o pelo BNDES, com recursos captados no exterior, tratase de requisito imprescindível para aplicação e fruição do incentivo fiscal do regime drawback, modalidade fornecimento no mercado interno. No caso, se o pagamento dos equipamentos fornecidos no mercado interno ocorreu após a concessão do regime e emissão do ato concessório, é óbvio que a verificação do cumprimento deste requisito pode e deve ser feito pela fiscalização da RFB. Essa verificação, certamente, não implicará qualquer ingerência nas prerrogativas de concessão do regime, que, conforme anteriormente exposto, limitase a exigência de apresentação de uma mera correspondência emitida pelo órgão financiador. Dessa forma, fica demonstrado que a mera apresentação da documentação relacionada no item 2 do Anexo VII do Comunicado Decex nº 21, de 1997, embora seja requisito necessário para concessão do regime pelo Decex, certamente, não tem o condão de excluir a competência da RFB de verificar, posteriormente, enquanto não decaído do direito de lançar o tributo, se os equipamento foram pagos em moeda conversível, proveniente de financiamento ou de recursos financeiros captados no exterior pelo BNDES. Não admitir que a RFB não detém tal competência, na prática, significaria a impossibilidade material de verificação do cumprimento de requisito essencial, instituído em lei, para fruição dos benefícios fiscais decorrentes da aplicação do regime em tela. No caso, certamente, a mera apresentação da cópia do edital da licitação internacional, acompanhada de declaração da empresa licitante, certificando que a empresa beneficiária do regime foi a vencedora do certame e que o regime de drawback foi considerado na formação do preço apresentado na proposta, não impede que a fiscalização da RFB verifique os requisitos estabelecidos para a referida licitação fora cumprido. Fl. 21341DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.342 41 Por fim, no mesmo sentido do entendimento aqui esposado, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, por meio da Súmula CARF nº 100, de obrigatória adoção pelo membros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Por todas essas razões, chegase a conclusão de que, ao contrário do que entendeu a Turma de Julgamento de primeira instância, a RFB tem sim competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos e condições da modalidade do regime drawback suspensão em destaque, incluindo os requisitos concernentes à licitação internacional e ao pagamento das importações em moeda conversível, proveniente de financiamento com recursos financeiros captados no exterior. Neste passo, uma vez superada a questão prejudicial suscitada pela Turma de Julgamento a quo, uma questão de índole eminentemente processual remanesce e deve ser dirimida: este Colegiado prossegue na análise e conhece das questões de mérito ou deve devolver os autos ao órgão de julgamento a quo, para julgamento das questões de méritos não apreciadas no julgado recorrido? A segunda alternativa, a meu ver, transparece ser a mais adequada com o princípio do devido processo legal, rege o processo administrativo fiscal, sob pena de supressão de instância e de restar configurado o cerceamento do direito de defesa da autuada. Diante de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso de ofício, para afastar a prejudicial de incompetência da RFB, anulando a decisão a quo, devendo o presente processo retornar a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE para fim de apreciação das questões de mérito suscitadas na peça impugnatória. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 21342DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10611.001042/200970 Acórdão n.º 3201002.208 S3C2T1 Fl. 21.343 42 Na hipótese dos autos, acompanho o d. Relator em suas conclusões, por entender ser imperiosa a anulação da decisão colegiada de primeira instância, uma vez que esta deixou de examinar as questões de mérito suscitadas pela Recorrente em suas razões de defesa, pelo que, examinálas nesta oportunidade, acarretaria a indevida supressão de instância. Com efeito, a possibilidade de o AuditorFiscal da Receita Federal fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback suspensão está chancelada pela Súmula CARF nº 100: Súmula CARF nº 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Não obstante, cumpre salientar que tal competência limitase, como salientado na própria redação da súmula, àquilo que diz respeito ao lançamento tributário. Não cabe, à Receita Federal do Brasil, adentrar à competência legalmente estabelecida à SECEX no que diz respeito aos requisitos de emissãodo ato concessório do Drawback suspensão. Ou seja, a Fiscalização tributária, não pode atuar como verdadeira instância revisora da SECEX, sob pena, inclusive, de se esvaziar a própria competência legalmente atribuída a esta. A fiscalização tributária nas operações de Drawback deve, sim, ocorrer, conforme preceituado pela citada Súmula CARF nº 100, contudo, nos limites da sua competência para efetuar o lançamento tributário, não sendo permitido adentrar aos requisitos atinentes à política de concessão do Drawback, legalmente atribuídos à SECEX Desse modo, voto de acordo com o Relator no que diz respeito à necessidade de prolação de uma nova decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, contudo, devendo esta limitarse aos aspectos atinentes à obrigação tributária. Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 21343DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO
score : 1.0
Numero do processo: 13738.000503/2006-14
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação.
Recurso Voluntário Provido em parte
Numero da decisão: 2102-000.495
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a decadência do crédito tributário exigido e indeferir o direito creditório apurado na declaração retificadora, sendo que os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho, Carlos Amdré Rodrigues Pereira Lima, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Giovanni Christian Nunes Campos acompanham pelas conclusões, já que não consideram relevante o pagamento para definição do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos termos do voto do Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. Recurso Voluntário Provido em parte
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Numero do processo: 16004.000830/2007-11
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA- IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. GLOSA. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ.
O contribuinte que apresentou recibos declarados inidôneos por meio de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz deve apresentar contraprova do pagamento e da prestação do serviço.
Hipótese em que o Recorrente comprovou tanto a prestação dos serviços, como os respectivos pagamentos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3301.000.092
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do(a)relator(a)
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA- IRPF Exercício: 2004 Ementa: DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. GLOSA. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. O contribuinte que apresentou recibos declarados inidôneos por meio de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz deve apresentar contraprova do pagamento e da prestação do serviço. Hipótese em que o Recorrente comprovou tanto a prestação dos serviços, como os respectivos pagamentos. Recurso provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Acórdão nº 3301-00.092; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-10-19T19:12:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Acórdão nº 3301-00.092; xmpMM:DocumentID: uuid:28d063db-d169-45f0-9c63-db9ee5d676e5; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: Acórdão nº 3301-00.092; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-10-19T19:12:58Z; created: 2016-10-19T19:12:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2016-10-19T19:12:58Z; pdf:charsPerPage: 1023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-10-19T19:12:58Z | Conteúdo => Processo n° Recurso nO Acórdão nO. Sessão de Matéria Récorrente Recorrida S3-C3T1 FI. 312 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 16004.000830/2007 -11 166.468 Voluntário 3301-00.092 - 3a Câmara 1 la Turma Ordinária o1 de junho de 2009 IRPF JOÃO ELIAS FIGUEIREDO 3a. TURMA/DRJ-SÃO PAULOISP II ASSUNTO:IMPOSTOSOBREARENDADEPESSOAFÍSICA- IRPF Exercício: 2004 Ementa: DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. GLOSA. SÚMULA ADMINISTRA TIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. O contribuinte que apresentou recibos declarados inidôneos por meio de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz deve apresentar contraprova do pagamento e da prestação do serviço. Hipótese em que o Recorrente comprovou tanto a prestação dos serviços, como os respectivos pagamentos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto doCa)relator(a) . .s." O .~ MOISES GIACOMELLI NUN DA SILVA Relator Processo nO 16004.000830/2007-11 Acórdão n.o 3301-00.092 FORMALIZADO EM: o 2 DEZ 200g S3-C3T1 FI. 313 l Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Silvana Mancini Karam, Núbia Matos Moura, Eduardo Tadeu Farah, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Rubens Maurício Carvalho (Suplente convocado). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fis. 153/180) interposto em 12 de março de 2008 (fi. 253) contra o acórdão de fis. 136/148, do qual o.Recorrente teve ciência em 29 de fevereiro de 2008 (fi. 152), proferido pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo lI, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fis. 78/79, lavrado em 18 de outubro de 2007 (ciência em 29 de outubro, fi. 85), em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, verificada no ano-calendário de 2003. O relatório contido no acórdão recorrido resume as infrações apontadas e as alegações do Recorrente da seguinte forma: "O presente processo que ostenta como última página a de nO135 trata de auto de infração de fls. 78/82, para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2004, ano-calendário 2003, no valor de R$ 3.877,50 (três mil, oitocentos e setenta e sete reais e cinqüenta centavos), mais multa de ofício de 150% e juros de mora, calculados de acordo com a legislação pertinente. 2. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, tendo sido constatada a infração de dedução indevida de despesas médicas, como relatado no Termo de Constatação Fiscal de fls. 72/77, de onde se extrai o seguinte excerto: " 3. Em procedimento fiscal levado a efeito junto aos emitentes dos recibos: Carlos Eduardo Carvalho de Freitas, CPF n° 025.839.578-80, constatou-se a inidoneidade de documentos emitidos por esses ou em nome desses profissionais, conforme segue: 3.1. Carlos Eduardo Carvalho de Freitas - foi elaborada a Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz homologada pelo Delegado da Receita Federal de São José do Rio Preto-SP,' conforme Processo Administrativo nO 10850.002847/2004-11, tendo sido expedido o Ato Declaratório Executivo nO42, de 30/11/2004, publicado no' DOU - Seção 1 às fls. de n° 230, concluindo que os recibos emitidos pelo referido profissional a partir de 01/01/1997 até 31/12/2003, \ são imprestáveis e ineficazes, para dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa fisica, às fls. 06 a 07. 3.1.1. Em síntese a referida súmula concluiu que: diante do exposto, com base nas informações obtidas e demais elementos disponíveis, conclui-se que'todosos . recibos de tratamentos psicológicos emitidos pelo Sr. Carlos E~uardo ,~arvalho de Freitas CPF n° 025.839.578-80, ora Sllv1ULADOS, são INIDONEO~\rhaja vista '\ / 2 Processo nO 16004.000830/2007-11 Acórdão n.o 3301-00.092 S3-C3T1 FI. 314 . .... serem ideologicamente falsos, portanto, imprestáveis e ineficazes para dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, assim sendo, sempre que a fiscalização detectar a dedução da base de cálculo acima descrita, terá que impugnar por serem indedutíveis tais valores, impondo-se por conseqüência, aos USUARIOS por esses documentos inidôneos a tributação do imposto sonegado, acrescido de multa de ofício qualificada e de juros de mora calculados com base na taxa SELIC. 3.2. O fiscalizado foi intimado em 15/06/2007 através de Termo de Início de Ação Fiscal, pela Delegacia da Receita Federal de São José do Rio Preto, para comprovar o efetivo pagamento aos profissionais mencionados no item "2" por meio de cópia de cheques, ordens de pagamento, transferência, extratos bancários, dentre outros meios idôneos. Em 04/07 e em 10/07/2007 o contribuinte apresentou por escrito, esclarecimentos quanto aos pagamentos das despesas médicas acima citadas, bem como cópias dos recibos médicos, declarações de um dos profissionais, e demais comprovantes dessas despesas de fls. 08 às fls. 44. 3.2.1. A despeito do montante global das despesas supostamente desembolsadas pelo autuado (R$ 9.900,00 ao psicólogo) é oportuno destacar que o mesmo esclareceu de próprio punho em 04/07/2007 e por um de seus advogados (sem anexar procuração) em 10/07/2007, que pagou as despesas médicas para o referido psicólogo "em moeda corrente, exceto quanto ao último recibo, de 25/11/03 (R$ 800,00) que foi pago com cheque nominal e cruzado do Banespa de Neves Paulista (fotocópia anexa)", juntando também cópia dos recibos médicos e declarações de próprio punho do psicólogo, afirmando a prestação de serviços ao autuado e à sua esposa, conforme fls. 13 às fls. 21. 3.2.2. Quanto ao dentista, o autuado também informou em 04/07/2007 e foi corroborado pelo seu advogado em 10/07/2007 (sem anexar procuração), que pagou as despesas médicas com o dentista (R$ 5.000,00), "em moeda corrente" e também anexou cópia dos recibos médicos, do contrato de prestação de serviços de odontologia. Anexou também, cópia do comprovante da UNIMED, e afirmou que tal convênio não cobre as despesas com tratamento psicológico e odontolqgico, sem informar se o convênio possui cláusula de ressarcimento das despesas médic%dontológicas fora de seu corpo multiprofissional/não-conveniado. Na resposta apresentada pôr um de seus advogados, foi pedido também, prazo de 15 dias para juntada do instrumento de procuração, conforme fls. 22 às fls. 44. 3.3. Após o recebimento do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, em 10/08/2007, de fls. 45 às fls. 46, o fiscalizado foi intimado novamente em 15/08/2007, para: confirmar se a forma de pagamento com que as despesas médicas declaradas, tanto do psicólogo quanto do odontólogo (R$ 9.900,00 e R$ 5.000,00), foram efetivamente quitadas em moeda corrente, exceto quanto a um único pagamento efetuado ao psicólogo de 25111/2003 no valor de R$ 800,00 (...) e apresentar procuração de seus advogados uma vez que não constou da resposta desses, do dia 10/07/2007, de fls. 47 às fls. 48. 3.3.1. A citada intimação, contudo, não foi entregue ao fiscalizado, retornando-a para esta DRF, com a mensagem aposta no carimbo do Correio como "não procurado", conforme fls. 49 às fls. 50. Assim, a intimação fiscal foi efetuada pelo Edital DRF/SJR/SAFIS/N° 048/2007, e também através do Termo de Intimação Fiscal de 14/09/2007, recebido pelo autuado pelo correio em 24/0912007, às fls. 51 às fls. 54 . ->, -., - - - . ~'-' 3.3.2. Em 28/09/2007 o advogado do autuado nada apresentou de novo quanto a comprovação financeira das despesas declaradas,. cingindo-se e\~ entregar \1'I 3 , ! Processo nO 16004.000830/2007-11 Acórdão n.o 3301-00.092 S3-C3T1 FI. 315 instrumento procuratório e substabelecimento e novamente copta dos mesmos documentos anteriormente apresentados, conforme fls. 55 às fls. 71. 3.4. Em síntese, embora o autuado tenha respondido às intimações no prazo, não conseguiu comprovar materialmente os pagamentos efetuados aos profissionais declarados em sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, no ano- calendário de 2003 (exceto de um único pagamento realizado em 25/11/2003). 3.5. Em relação ao dentista Dr. Eduardo Faria Ariza é oportuno destacar que análise visual dos recibos apresentados chama atenção os seguintes aspectos: quanto a sua grafia, todos preenchidos de forma idêntica em um total de 10 (dez) recibos, todos no valor de R$ 500,00; em todos eles verifica-se que a caligrafia e a caneta utilizada para a assinatura e a grafia do número do CPF e RG do profissional são diferentes dos demais elementos preenchidos nos recibos, o que leva a levantar sérias suspeitas de que foram emitidos todos de uma só vez; . 3.5.1. O contribuinte não comprovou a efetividade de nenhum dos pagamentos efetuados, apesar de terem sido feitos 10 (dez) de valores razoavelmente elevados e não comprovou a efetividade dos serviços prestados, apesar de ter sido um tratamento relativamente caro; 3.5.2. Outro fato que chama a atenção, o profissional reside em São José do Rio Preto - SP, cidade distinta de Neves Paulista, aproximadamente, 35 km, portanto, o paciente teria de se deslocar constantemente para se submeter ao tratamento odontológico, percorrendo entre ida e volta 70 km, gastando, só em deslocamento, quase 02 (duas) horas. Sacrifício que se justificaria caso fosse um tratamento que exigisse um profissional extremamente especializado, o que não deve ser o caso, além do mais, é público e notório que a cidade de Neves Paulista - SP conta com vários profissionais do ramo. Além do mais se verifica, pela pouca idade do mesmo, tratar-se de um recém-formado, fato este corroborado pelo baixíssimo nível de rendimentos apresentados como odontólogo, uma vez que os seus rendimentos declarados estão próximos ao da isenção do IRPF. 3.6. Assim, resta evidente que todos os pagamentos declarados aos profissionais acima citados pelo autuado, com exceção do cheque nominal ao Sr. Carlos Eduardo Carvalho de Freitas, no valor de R$ 800,00, não correspondem à realidade, tratando-se, portanto de assim, imprestáveis e ineficazes para dedução da base de cálculo do Imposto de renda pessoa física. Impondo-se por conseqüência, aos beneficiários desses documentos inidôneos a tributação do imposto sonegado, acrescido de multa de ofício qualificada e de juros de mora calculados com base na taxa SELIC. 4. Face ao acima exposto, conclui-se que efetivamente o contribuinte fiscalizado não se utilizou dos serviços médicos dos profissionais acima citados, bem como, não foram efetuados os pagamentos referentes' às Despesas Médicas pleiteadas, ficando caracterizado o evidente intuito de fraude do mesmo, visando reduzir o imposto devido no(s) anos-calendário de 2003, exercício financeiro de 2004. 3. Cientificado da exigência tributária em 29/10/2007, conforme Aviso de Recebimento - AR de fl, 85, o sujeito passivo apresenta impugnação de fls. 87/113, onde traz os seguintes argumentos em sua defesa: a) os recibos de fls. 116/132 se referem efetivamente' a despesas Irtédicas e. odontológicas despendidas para si e para seus dependentes, tendo sido 1esentadO: Processo nO 16004.000830/2007-11 Acórdão n.o 3301.00.092- . S3-C3T1 FI. 316 os comprovantes, nas formalidades exigidas pelo art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR; b) entende que só caberia a apresentação de cheque, caso não fosse possível apresentar os recibos; c) "Em tais condições, é possível verificar que, simplesmente, presumiu-se a inidoneidade dos documentos apresentados, sem qualquer prova em contrário." d) a autuação foi feita com base tão-somente em mera presunção; e) aduz que não é nenhum absurdo buscar em uma cidade vizinha, pólo na área de saúde, como São José do Rio Preto, um profissional de sua confiança. f) "A presunção adotada no auto de infração chega a ser absurda. Supõe que o profissional seja inexperiente; supõe que seria um sacrificio viajar 70 km; supõe que os recibos foram preenchidos de uma só vez; supõe que tudo! Porém, não comprova nenhuma de suas alegações." g) faz amplo relato sobre a presunção, ônus da prova e princípio da boa-fé; h) após, passa a discorrer sobre a Súmula Administrativa de Documentação Tributária Ineficaz, publicada no DOU de 30/11/2004; i) "Em outras palavras, a partir do dia 30 de novembro de 2004, todo e qualquer contribuinte passou a ter ciência de que todos os recibos emitidos por Carlos Eduardo de Carvalho Freitas, CPF n° 025.839.578-80, foram considerados inaptos, sendo, via de conseqüência, indedutíveis da declaração do IR. Finalmente, nem se queira argumentar que a Declaração de Inidoneidade dos recibos médicos e odontológicos apresentados, com efeitos retroativos, são suficientes para comprovar que não houve efetivamente a prestação de serviços. Primeiro, porque, antes da publicação da Declaração de Inidoneidade, o recorrente estava completamente impossibilitado de saber que os recibos emitidos por esses profissionais eram inidôneos. Destaca-se que a publicação acerca da inidoneidade dos recibos somente ocorreu no dia 30/11/2004. É O QUE BASTA PARA SE AFERIR QUE QUANDO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS INEXISTIA QUALQUER DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE, DEMONSTRANDO A VERACIDADE DOS RECIBOS E A BOA-FÉ DO CONTRIBUINTE. " j) contesta a cobrança dos juros de mora, com base na taxa Selic; k) discorda da multa qualificada, em face de ser confiscatória e da inocorrência de qualquer intuito de fraude" (fls. 138/142) . 5 '::\ ., ., r J .. . ExerCÍcio: 2004 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF . A Recorrida julgou pro~edente o lançamento, através.qe acórdão que teve a seguinte ementa: . ...- Processo nO 16004.000830/2007-11 Acórdão n.o 3301-00.092 DESPESAS MÉDICAS - REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. S3-C3T1 FI. 317 As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código . Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus depe:ndentes, rejeitando de pronto aqueles que foram negados pelos profissionais emitentes. A simples apresentação de recibos por si só não autoriza a dedução, mormente quando, intimado, o contribuinte não faz prova efetiva de que os serviços foram prestados e de que houve o dispêndio dos recursos. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. A existência de "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz" impede a utilização de tais documentos como elementos de prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros elementos. Na falta de comprovação, por outros documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. ASPECTO CONFISCATÓRIO A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão-somente o que determina a lei tributária. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Cabível a exigência da multa qualificada prevista no art. 44, S 10 da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei na. 4.502, de 1964. A realização de operações tendentes a não pagar ou reduzir o tributo evidenciado na utilização de recibos médicos, os quais comprovadamente~ não se referem a pagamentos efetuados pelo contribuinte com o seu próprio tratamento ou de seus dependentes, caracteriza simulação e, conseqüentemente, o evidente intuito de fraude, ensejando a exasperação da penalidade. Lançamento Procedente" (fls. 136/137). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 153/180, no qual reiterou os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto .Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator' '-)\ .\ .~ ,,, 6 Processo nO 16004.000830/2007-11 Acórdão n.o 3301-00.092 S3.1C3T1 FI. 318 o recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No mérito, verifica-se que o auto de infração foi lavrado em virtude de dedução indevida de despesas médicas e odontológicas, sendo que um dos profissionais, Carlos Eduardo Carvalho de Freitas, teria emitido recibos declarados inidôneos por meio de "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz". A controvérsia gira em tomo da comprovação ou não da efetiva prestação dos serviços médicos e odontológicos, bem como dos respectivos pagamentos. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: "Art. 8°.A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; 92°. O disposto na alínea 'a' do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III -limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte corf1~do noriIiativó: - . ._. ~.-.-. ...... - - '.' ",,_. o" ~. I 'j 7 j Processo nO 16004.000830/2007-11 Acórdão n.o 3301-00.092 S3-C3T1 FI. 319 "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n.o5.844, de 1.943, art. S 3°). S 1°. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei n.o5.844, de 1943, art. 11, S 4°)." No presente caso, o psicólogo Carlos Eduardo Carvalho de Freitas reconheceu, no processo que deu origem à Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz (Processo n. 10850.002847/2004-11), que recebeu os valores informados pelo Recorrente (fi. 198). Deve-se salientar, outrossim, que o Recorrente comprovou o pagamento em. cheque de R$ 800,00 (oitocentos reais), correspondente ao último recibo (fis. 15, 122,242). Ao mesmo tempo em que referido profissional confirmou os pagamentos do Recorrente e de terceiros (item 7.13, fi. 187; item 7.17, fi. 190; item 7.19.2, fi. 193; item, 7.23.1, fi. 195; item 7.26.1, p. 196), negou que tenha recebido valores de vários outros contribuintes (item 7.15, fi. 188; item 7.19.3, fi. 193; item 7.20.1, fi. 193; item 7.21.1, fi. 194; item 7.23, p. 194/195; item 7.24.1, fi. 195; item 7.26, fi. 196). Reconhece, ainda, no mesmo processo que deu origem à Súmula, que prestou os serviços, consistentes em "Hipinoterapia e T. de base analítica" (Sr. João Elias Figueiredo) e "T. de Base Analítica e Ter. De Casal" (Sonia Aparecida) (conforme fi. 195). Deve-se salientar, outrossim, que o próprio profissional Carlos Eduardo de Freitas apresentou novas declarações confirmando.o que dissera no processo administrativo da Súmula (fis. 20/21, fis. 116 e 117,236/237). Aplicável, portanto, in casu, precedente da extinta 2a• Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo o qual, em situações como a dos autos, o recurso deve ser provido: "DESPESAS MÉDICAS - SUSPEITA DE DOCUMENTOS FALSOS - GLOSA DE DESPESAS AFASTADA - Realizado procedimento administrativo em que o profissional nega a autoria de parte dos recibos apresentados por terceiros e confirma a autoria e recebimento dos recibos apresentados pela recorrente, é de se admitir tal prova para afastar a glosa. DOCUMENTO FALSO - Em se tratando de falsidade de documento, incumbe o ônus da prova à parte que a argüir. Inteligência do artigo 389, I, do Código de Processo Civil. Recurso provido." (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2a. Câmara, Recurso 147.281, Relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, j. 21,de setembro de 2006) . ,\', J 8 Processo nO 16004.000830/2007-11 Acórdão n.o 3301-00.092 S3-C3Tl F1. 320 No que se refere ao dentista, em relação ao qual não há súmula, há cópia do contrato (fls. 22/23, 123/124, fls. 243/244), do "orçamento" aprovado pelo Recorrente, descrevendo os serviços realizados (fls. 28/29, 125/126, fls. 245/246), bem como ficha do paciente (fls. 30, 127, fl. 247), comprovando, assim, a prestação dos serviços odontológicos, o que, aliás, não foi em nenhum momento refutado pela decisão recorrida. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Sala das Sessões-DF, em 01 de junho de 2,009. / , ",' /í- i) I' .) n} , .' . / r "\'J','),,'..':' .YJ).W''-(.J~"fd./ ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA • '," •• - -.:--'". ~ -o __ ~. ..:._ •.•••••- - - - - - ~_. - .•... .:.- - -.... :.~-:.- ,.' ._~ . ';.' ".. -(~. 9 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009
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Numero do processo: 00710.002115/81-06
Data da sessão: Fri Jan 27 00:00:00 UTC 1984
Ementa: NULIDADE. - É nulo o lançamento em que se apura erro na identificação do sujeito passivo
Numero da decisão: 104-04.266
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento. Vencidos os Cons. Tereso de Jesus Torres e Helena Cristina Lana de Paula.
Nome do relator: Carlos Walberto Chaves Rosas
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RecursonO 41. 044 - IRPF - EX: DE 1979 ACORDÃO N° ....J.9.4.~.4.....2.66 Recorrente FRANCISCO VICENTE PEREIRA Recorrido DELEGADO.DA RECEITA FEDERAL NO RIO DE JANEIRO (RJ) NULIDADE. - :t': nulo o lançamento em que se apura"errona identificação do su- jeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes de recurso interposto por FRANCISCO VICENTE PEREIRA, autos ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Con selho de Contribuintes, por maiotia de votos, declarar a nulidade do lançamento. Vencidos os Cons. Tereso de Jesus Torres e Helena Cristina Lana de Paula. Sala das Sessões, em 27 FRANCISC~NSO de janeiro de 1984 - PRESIDENTE ZENDA NACIONAL - PROCURADOR DA - RELATOR FA Conselhei ..Botinelly --~L? v'l'----..~..-e---;7£.o-- CARLOS WALBERTOROSAS VISTO EM . GE~G B ~UNES SESSÃO DE: '2 3 MAR ,g~4 RECURSO DA FAZENDA NACIONAL: RP/l04-0.l33 participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes ros: Mirio Rodrigues. Teixeira, Olavo JO~o Galy~o, ..Eug~nio Soares e Victorino Ribeiro Coelho. tO ~k CtufMol~ ~/ /-1£-fon -vv1-Ç<c1o ~(o e5/2 fi0)- o. l{g) oLe 2G- (t? _ ~tr, ~ ckv,'~~ /-e Jeo JJ,: fo n .-vvt.O'V'VO ,LH O< ck V(7~O 5, d~ M l o ( vo.f--o J~c;~ fr:J }-te< ( .).,( Ot.-vl ~. ,I PRIMEIRO CONSElHO DE (ONTR~BUINTES aL C4.'cA!\'\18A) I,~ ~-~:::~;~;'R;A~ALOP:S~~'~~-" Chefe d. SecretarIa SERViÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N<? 0710/002.115/81-06 RECURSO N9: 41.044 ACÓRDÃO NC?: 104-4.266 RECORRENTE: FRANCISCO VICENTE PEREIRA R RL.A'T O R I O Em decorrência de rev.isão promovida na declaração. de rendi~entos do ura recorrente, relativa ao exercIcio de 1979 , expediu a Re~artiçãoFiscal à notificação de imposto suplementar em razão de rendimentos omitidos no valor de CR$ 167.288,00. Apresentou o interessado a impugnação de fls. 1, na qual sustenta que alguns rendimentos, perfazendo CR$ 6.1.770,00 foram recebidos e .escriturados na contabilidade da fir- ma individual do-qual é ,titular, daI porque se faz necessária a r~tificação do lançamento em tela. A fls. 116 acha-se parecer exarado- pela ilustre Fiscal de Tributos Federais, que assim se pronunciou sobre a maté ria em discussão, verbis: /~. "As empresas individuais organizadas ex clusivamente para a exploração individual das ati= vidades profissionais enumeradas no artigo 97 "b"e ~ 29 do RIR (Decreto 85w450/80) não são considera das pessoas jurídicas civis ou comerciais, ainda que por exigência legal estejam inscritas nos Car tórios de Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou nas Juntas Comerciais;-emitam notas fiscais para cobrança. de seus serviços, e possuem estabelecimen to no qual desenvolvam suas atividades e empregam auxiliares. o Código Civil, no que diz respeito ao ~-- DMF - DF /19 c-c - Secgraf - 1600/75 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0710/002.115/81-06 Acórdão n9 104-4.266 2. conceito de sociedade, admite que para a sua forma ção seja estritamente necessário a reunião de duas ou mais pessoas com o mesmo objetivo. Não pode, portanto, prevalecer o concei to primário de que seriam firmas individuais todas aquelas que tivessem registro em repartiçpes compe- tentes, porquanto esse reg~stro'pode ser irregular e, como a experiênc~a tem demonstrado, _,'"'efetuado contra a lei de regencia. Considerando que a legislação tributá- ria define expressamente, a forma-de :t~ibüta~ão para os resultados das atividades exercidas por profissionais liberais, (artigo 30 do RIR), a re ce~ta bruta produzida por tais empresas será clas= sificadana c~dula "D" da declaração de rendimen- tos da pessoa física do beneficiário. (PN CST n9 80/71 e 38/75). Assim sendo, tendo em vista o exposto, considero improcedente a solicitação efetuada pelo contribuinte, devendo pois ser considerado para efeito de tr~butação na c~dula,Dda respectiva de claração de pessoa física, a totalidade dos rendi 'mentos considerados omitidos." o decisório de primeiro grau~ arr~mando-se nas in formações de fls. 117, verso, indeferiu a pretensão, determinando a retificação, de ofício" do lançament07 para excluir das c~dulas "C" e ":F.''' ,',osrendimentos indevidamente declarados a título de "pro labore" e de lucros, respectivamente, ordenou o cancelamento do CGC da firma individual e reabriu o prazo para nova impugnação do sujeito passivo. Apresentou esse, em tempo hábil, a reclamação de fls.123,noqualaBse~a,'que~"üs;-serViçosde análise clínica são presta- dos pela firma individual e nao corno profissional liberal, traze~ do para os autos diversos documentos que comprovam a regularidade da firma ante os órgãos locais, inclusive corno contribuinte de ISS à alíquota de 5% sobre o faturamento mensal. Seguiu-se overed~to de fls. 136 que indeferiu, a pretensão do interessado, entendendo que os rendimentos auferidos somente podem ser incluídos na c~dula "D",' nos termos do art. 97, i 19 alínea ~ e S 29 do RIR/80 e Parec~res,Normativos n9 80, de 1971 e 38, de 1975. Intimado da decisão. em 9 de julho de 1982, protoc~ l~zou o irresignado o presente apelo em 6 de agosto do mesmo ano, SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0710/002.115/81-06 Ac6rd~0 n~ 104-4.266 repisando as alegações já enunciadas na peça impugnat6ria. 3. A fls: 117 encontra-se oficio da Junta Comercial do Estado dO.Rio'de Janeiroqueatesta.que a firma Francisco Vi . I cente Pereira acha-se registrada naquela Junta desde 15/6/73 e que em 14/1/82 foi registrado o contrato socí.âldo Laborat6rio Bruno Ltda.,que veio a suceder a referida firma. A fls. 148 a D:i.vis~ode Informações Enocômico-Fis- cais informa que em 2/5/78 a firma individual foi baixada, tendo sido reativada em 8 de novembro de 1979. Em 4 de março do corrente foi determinado pelo De legado da Receita Federal no Rio de Janeiro o cancelamento do CGC da firma em quest~o, constando dos autos, ainda, c6pia do contra- to social do Laborat6rioBruno Ltda~,que, a partir de 23 de d~zem bro de 1980, sucedeu a firma Francisco Vicente Pereira. É o relat6rio. V O T O Conselheiro CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS ... RELATOR Cohheçodo recursofaceã. sda oportuna interpos! çao, nos termos do art ..33 do Decreton9 70.235, de 1972. A decis~o ora atacada 'negou ao recorrente o direi- to de apresentar à tributaç~o'os ganhos. obtidos pela prestaç~o de serviços de exames efetuados. por laboratório de análise de pa- tologia clinica., mediante. dec'laraç~o de.pessoa juridica, determi- nando, adema.is, o cance'lamento do,;crespectivoCGC, por entender que os rendimentos auferidos. somente podem constar da Cédula "D" da declaraç~o a ser oferecida pela, pessoa fís:,ica. Sustenta o interessado. que os servi~os de análise clinica sao prestados'pela firma individual da.qual e titular e que "até a formalizaç~o da sociedade que passou a se denominar La- borat6rio Bruno Ltda., em:dez~mbro.de 1980r achava_se, registrada SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 104-4.266 Processo n9 0710/002.115/81-06 4. na Junta Comerciar competente e inscrita como cont~ibuinte do ISS como empresa. Não obstante, entendo que os serviços de análise clí nica prestados por profissionais. tenham seus rendimentos classifi- cáveis na c~dula "D" da declaração do respectivo prestador, nao vejo camose negar que esse profissional venha a estruturar-se na forma de firma individual e, por via de conseqtlência,'a sub!neter,...:-se a tributação como pessoa jurldica. Em que pese'reconheçaque a quase totalidade dos profissionais submetem~se à tributação do imposto de renda como pessoas físicas, não me. parece que alei de regência impeça a cons tituição de firma individual, desde que 'atendidos os requisitos in dispensáveis à sua formação,e ao seu regular funcionamento. A legislação de regência, de fato~ prevê a incidên cia do imposto com base na declaração da pessoa física, consoante disposiç6es constantes nos arts. 32~ I do RIR/75, ~~correspóndente ao art. 30, I do Regulamento em vigor, cujos preceitos matrizes acham-se consignados no Decreto~lei n9 5.844, de 1943, art. 69, alínea a e lei n9 4.480, de 1964, art. 39. A regra em questão consigna, verbis: ~. "Art. 30 - Na c~dula D serão classificados os rendimentos do trabalho. não compreendidos na c~dula anterior, tais como: I - honorários do livre exercício das profis- sões dem~dico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, enonomista, ~:contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outros que lhes possam ser assemelhados.".' Todavia, o mesmo diploma ao definir.as empresas in- dividuais, as quais se equiparam as pessoas jurídicas, para os efeitos do imposto de ..renda,. estabelece: "Art. 97 ..••• 9 19 - são as empresas individuais: a) as firmas individuais; b) as pessoas físicas que, em nome individual, exploram~ habitual e profissionalmente, qual- quer atividade econ6mica de natureza civil ou SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Ac6rdâo n9 104-4.2~6 Processo n9 0710/002.115/81-06 5. comercial, com o fim especulativo.de mediante venda.a terceiros de bens ou ÇOSi" lucro servi- refe que, ati Visando aexclusâo. da hip6tese. supra mencionada no art. 30, I, do mesmo instrumentonormativo~ o i 29 do tambªm cita- do art. 97, determina que o disposto na alínea E. do i 19 nao se aplica às pessoas físicas que, individualmente, venham a exercer as profissões ou explorar as atividades alud~das no art. 30. Ressalte-se, entretanto, que tal norma nao encontra matriz legislativa, tratando-se de orientaçâo oriunda do pr6prio Regulamento, ratificado, tão somente por atos e pareceres normati- vos expedidos pela Administraçâo Fiscal. Diante da inexistência de dispositivo legal que, expressamente ,.impeça a açâo. do administrado e levando. em conta a princípio constitucional. inserido no i 29 do art. 153 da Lei Fundamental, o qual consagra o princípio da reserva JlegaI,inclinO;:,.me a admitir a legitimidade da pretensâo,do suplicante. Recordo, nesse passo, o brilhante voto recentemente prolatado pelo ilustre Conselheiro Francisco.Amaral Manso ao apreciar o Recurso n9. 38.841 ,de sâo Paulo, cuja tese parece;;;.me.:::per feitamente aceitável e aplicável à hip6tese em exame. Esclareço que por ocasiâo ~do julgamento supra rido, apenas não acompanhei o eminente Relator por entender naquele caso a equiparaçâo.nao. se justificava por se tratar de vidade ligada à locaçâo e sublocaçâo de im6veis. Em trecho elucidativo, consigna o insigne Conselhei ro Francisco Amaral. Manso,verbis: "Assim, embora a legislaçâo civil deixe de considerar as empresas individuais' como pessoas ju- rídicas, a norma positiva tributária equiparou,para os efeitos~da legislação do imposto de renda, a pes soas jurídicas. as empresas .individuai~, entre as quais se en~ontra~, alem das £1rmas individuais e das pessoas fIsicasque praticarem operações imobi- liárias, "as pessoas. físicas que, em nome' indivi- dual, explorem, habitual e profissionalmente, qual- quer atividade econ5mica de"natureza civil ou comer cial, com o fim especulativo de lucro, mediante ven da a terceiros de bens ou serv£ç:as"('RIR/80,art.97, ~ 19, "b"). SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 104-4.266 Processon9 0710/002.115/S1-06 • 6. Observa-se, inicialmente, que a equipara- ção ocorre <objetivamente, por imposição "ex lege", independentemente de qualquer ato de reconhecimen to: "são equiparadas", "são empresas individuais "; e não: "podem ser". A descriçãohipot~tica consubstanciada na norma legal cont~mdiversoscaracteres, eleitos pe lo legislador corno necessários e suficientes para descrever o estado de fato para os efeitos de criar a hipótese de incidência. Para haver a subsunção do:fato ,imponívelàhipótese de incidência em ques- tão ê necessãrio: a) que se trate de pessoa física; b) que se explore atividade econ6mica; c) que a atividade seja de natureza civil ou comercial; d) que a exploração seja habitual; e) que a exploração seja feita em caráter profissional; f) que a atividade seja explorada com o fim especulativo de lucro; e g) que o'fim especulativo de lucro se tra- duza na venda a terceiros de bens ou serviços. Em sua obra "Imposto de ,Renda Interpretado para Empresas", Hiromi Higuchi reserva capítulo pa- ra as empresas individuais, e, depois de analisar a situação,das firmas individuais, assim se expres- sa: "No segundo grupo estão inc~uídas as pe~ o soas físicas que apesàr de não estarem or ganizadas juridicamente corno firmas indi= viduais, a eLas são equiparadas em razão da exploração habitual de atividade econ6- mica~ mediafite venda a terceiros de bens ~ ou serviços, com o objetivo de lucro. Se a atividades explorada habitualmente con- . siste na venda de bens ,materiais a tercei ros, não resta, nenhuma dúvida, trata-se de atividàde mercantil e por isso mesmo equi- p~rada a pessoa jurídica. No entanto, se a explora~ãoda atividade,.refere-se a pres tação de serviços, não há uniformidade de entendimento" (l.b., 1977~pág.14). O inciso II,do art. 39, do RIR/SO, conso- lidando o'dispostonoart.12, S 29, da Lei n9 154/47"manda classificar na C~dula"H" da declara- ção de rendimentos~ como percebidos, portanto, por SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 104-4.266 Processo n9 0710/002.115/81-06 7. pessoas fisicas, "os lucros do comãrcio e da ind6s tria, auferidos por todo aquele que não exercer, ha bitualmente, a profissão de comerciante ou induS= trial" (grifei). Os lucros, pois, da atividade . mercantil, tributam-se' na pessoa fisica, se a prática comer- cial não'-for habitual, contrariamente, tributam-se na pessoa jurídica, cujo surgimento ocorre por ex pressa equiparação "ex lege". Isto significa. que, de acordo com as nor- mas positivas tributárias, a profissão de comercian te ou industrial por~ser _exercida em caráter habi= tual ou eventual, classificando-se como lucro da pessoa fisica os resultados positivos da segunda hi pótese, e como lucro 'da pessoa juridica se o exercI' cio profissional' for habitual.'" Ao buscar'a conceituação de habitualidade, assim ex .poe o referido voto: "Embora o legislador tenha precisado, atra vãs de sucessiva legislação (DL. 515/69, DL: 1.381/84 e 1.510/76), o cbnceitode habitualifude_pa ra fins de equiparação nas operações ~imobiliárias~ deixou, contudo~.defixar qualque~ parâmetro quanti tativo ou.temporal após os quais a equiparação, por ficção' legal,ter-se-ia consumado, preferi:i:ldoater-se ao conceito de habitualidade sem qualquer interfe- rência disciplinadora ou restritiva desse mesmo con céito .. ~. É de se admitir que a habitualidade se traduz pela repetição freqüente do mesmo ato, vin- culando-se seuconcéito, intimamente, a freqüêriciá e repetição~ . Tambãm estes termos são empregados de ma neira não univoca, variando sua conceituação em função de circunstâncias, as'mais variadas. Admi te-sé que .ta~s conceitos impliquem razoável dose de subjetividade, dependendo, inclusive, do ato qu~ se pratica, ainda que a repetição e a freqüên cia dos mesmos envolVam periodos relativamente lon= gos como intervalo entre cada ato praticado e o sub sequente. Assim, a habitualidade pode ,corifigu= rar-se com a prática de atos repetidos diária, sema nal, mensal ou anualmente. Tratando-se, por exem= plo, de veículos "do tipo automóvel, "'_.,poder-5e-ia aceitar que a troca anual de automóvel corresponde ria a um padrão razoável de. comportamento de deter= minados segmentos' da,população, tendo em vista a atual conjuntura' e os principais indicadores da economia nacional. Como margem de segurança, ele- ~-'--". I~ .•..:..: . f SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Ac6rd~ocn9 104-4.266 Processa n9 0710/002.115/81-06 8. var,...se-iao número para duas, ou até três trocas anuais. A'lém desse. número, porém, estaria ev.iden- ciado o fim especulativo de lucro, característiica.de atividade comercial~.ainda que a reiterada troca anual de apenas um automóvel pudesse vir a ser con- siderada "habitual". Presente a habitualidade, fica caracteriza da igualmenteaprofissionalidade, no entender de Plácido e Silva, segundo o qual "em reqra, o vocábu lo (profiss~G), trazconsi'go a idéia do exercício de um ofíci0, árteoucargo, com habitualidade. Desse modo, a continuidade ou arepetiçao dos atos, que constituem o gênero de trabalho, do qual a pessoa se diz ou se mbstra'peritoou mestre é que caracte- riza.a qualidad~ dO.profissional a respeito da áti- vidade declarada." Em conclus~o, 'entendo aplicável ã espécie a regra contida no. fi ,19, alínea ~ dO art. 97 do Regulamento em vigor, en sejando a tributação dos. rendimentos auferidos pelo inconfonnad6::co mo pessoa jurídica, tanto ma'is quando já se estruturara ele corno , firma individual para: a prestaç~o.ouvenda dos serviços antes men cionados. Dessarte~ voto no sentido de que seja declarada a nulidade do lançamento nos termos .do art. 59 do Decreto n9 70.235, de 1972, tendo em vista a existência de.erro na identifica ção do sujeito passivo. Brasília~DF., 27 de janeiro de 1984 CARLOS WALBERTO .' RELATOR 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010
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Numero do processo: 13819.720270/2013-91
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPOSITO JUDICIAL. FATO GERADOR OCORRIDO NA DATA DO DEPÓSITO E NÃO DO SAQUE.
Tratando-se de deposito judicial, considera-se ocorrido o fato gerador do imposto de renda na data em que ocorrer a disponibilidade econômica ou jurídica da renda, sendo irrelevante a data em que o contribuinte realizou o saque de tais recursos.
Numero da decisão: 2402-006.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPOSITO JUDICIAL. FATO GERADOR OCORRIDO NA DATA DO DEPÓSITO E NÃO DO SAQUE. Tratando-se de deposito judicial, considera-se ocorrido o fato gerador do imposto de renda na data em que ocorrer a disponibilidade econômica ou jurídica da renda, sendo irrelevante a data em que o contribuinte realizou o saque de tais recursos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (Assinado Digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 78 1 77 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.720270/201391 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.213 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente MARIA SILVA CAETANO MEDEIROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPOSITO JUDICIAL. FATO GERADOR OCORRIDO NA DATA DO DEPÓSITO E NÃO DO SAQUE. Tratandose de deposito judicial, considerase ocorrido o fato gerador do imposto de renda na data em que ocorrer a disponibilidade econômica ou jurídica da renda, sendo irrelevante a data em que o contribuinte realizou o saque de tais recursos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 02 70 /2 01 3- 91 Fl. 78DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (Assinado Digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13819.720270/201391 Acórdão n.º 2402006.213 S2C4T2 Fl. 79 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 49/52, aforado contra acórdão proferido pela 16ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, em que, por unanimidade de votos, negouse provimento à Impugnação da ora Recorrente, retificando, de ofício, o crédito exigido. O relatório da decisão colegiada objurgada está assim lançado: "Contra o contribuinte em questão foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 06/09 com a exigência do pagamento de imposto de renda relativo ao anocalendário 2008 de R$ 7.424,03, de multa de ofício de R$ 5.568,02, multa de mora de R$ 220,26 e de juros de mora calculados até 30/11/2012 de R$ 2.543,47. O lançamento em questão decorreu de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste anual, em que foram constatadas as seguintes infrações à legislação tributária: 1 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, Prefeitura de São Bernardo do Campo e INSS, decorrente de trabalho com vínculo empregatício, constante em DIRF e não declarado, no valor de R$ 27.000,31 e R$ 0,32, respectivamente. Fundamentação legal: artigos 1° ao 3° e parágrafos e artigo 6° da Lei 7.713/88, artigos 1°e 3° da Lei 8.134/90, artigo 1°, da Lei 9.887/99. Cientificado em 11/01/2013 e inconformado, o contribuinte apresenta a impugnação de fls. 02, em 08/02/2013, em que alega, em breve síntese, que os rendimentos são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria de declarante com 65 anos ou mais." Em seu recurso, limitase a recorrente a alegar que a Prefeitura de São Bernardo do Campo incorreu em erro ao emitir a DIRF com o anocalendário 2008, quando, na verdade, a quantia foi percebida pela suplicante apenas em 19/2/2009. Assim, alega que, como os rendimentos não estavam à sua disposição e sim depositados em uma conta no juízo, não haveria que se falar em rendimento tributável para tal ano. Quer, portanto, o provimento do recurso e, consequentemente, a cassação do débito fiscal. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal postos no Decreto 70.235/72, entretanto, analisando a conformação da impugnação na folha 02 em confronto com o Recurso Voluntário contido na 49 a 51, verificamos não haver qualquer relação entre as teses de oposição articuladas em ambas as peças. Na impugnação a Recorrente assim se opõe ao lançamento realizado nos seguintes termos: "Os rendimentos são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria, reserva remunerada, reforma ou pensão de declarante com 65 anos ou mais" Já em âmbito recursal, argumenta a Recorrente que recebeu a quantia em 19/02/2009 e não em 2008 assim, segundo a tese recursal, nos termos do Art. 718 do Decreto nº 3.000/99, por se tratar de rendimento pago em razão de ação judicial, não haveria fato gerador antes da liberação do mesmo e, mesmo em tais casos, haveria a retenção na fonte. Em uma análise inicial poderíamos concluir pela inovação na causa de pedir, entretanto, dado o fato da decisão recorrida ter abordado os temas articulados em âmbito recursal são reflexos dos termos da decisão recorrida, portanto, merecem conhecimento. 2. Mérito. Analisando os argumentos recursais, documentos contidos no processo e os termos da decisão recorrida concluímos que o Acórdão 1648.288 16 ª Turma da DRJ/SP1 não merece qualquer reparo. A Recorrente sustenta que o pagamento em questão ocorreu em 19/02/2009, por consequência, nos termos dispostos no Art. 718 do RIR/99 não teria ocorrido o fato gerador em 2008, estando sujeito a retenção pela fonte pagadora no ato em que o rendimento se torne disponível ao contribuinte por qualquer meio, como consequência, estando nulo o lançamento. Ocorre que, em momento algum constam dos autos provas de que o pagamento não teria ocorrido no anocalendário 2008, ao contrário, os documentos contidos nas folhas 17 a 19 comprovam que os valores estavam disponíveis para saque desde 24/10/2008, ocorrendo o saque apenas em 19/02/2009. O fato da Recorrente, na data em que o mesmo foi disponibilizado em conta judicial a seu favor, não ter realizado o saque do depósito judicial não altera o momento em que ocorreu a disponibilidade econômica dos valores no anocalendário a que se refere o lançamento. A Recorrente nada tratou em seu recurso quanto a natureza jurídica do pagamento ou outros temas abordados na decisão recorrida, assim, a parte tratada na Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13819.720270/201391 Acórdão n.º 2402006.213 S2C4T2 Fl. 80 5 impugnação mas não referida no Recurso temse por não recorrida, não merecendo conhecimento. Conclusão Ante ao exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.002842/97-17
Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1988 a 30/12/1992
PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.366
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Leonardo Siade Manzan, que negavam provimento
Nome do relator: Carlos Alberto Freitas Barreto
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1988 a 30/12/1992 PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido.
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Numero do processo: 10865.001070/2007-43
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
Ementa: ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS.
A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação bancária da empresa implica o arbitramento do lucro.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.
A partir da edição da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizam-se
omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA QUALIFICADA
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
DECADÊNCIA
Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional).
Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal, aplica-se às contribuições sociais a regra de decadência expressa no art. 173 do Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CONCEITO.
São produtos industrializados, para fins de incidência do IPI, todas as mercadorias constantes da TIPI como tributadas, inclusive alíquota zero.
IPI. LANÇAMENTO DE OFICIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS.
Evidencia omissão do registro de receita, proveniente de vendas não registradas, a existência de depósitos bancários de origem não comprovada cabendo à autoridade fiscal lançar o imposto devido.
IPI NÃO DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO.
Tornando-se evidente o IPI não destacado em notas fiscais de saída do estabelecimento equiparado a industrial, cabe à autoridade fiscal lançar o imposto devido.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SAÍDAS DE PRODUTOS SEM DESTAQUE DE APLICAÇÃO DA ALíQUOTA MAIS ELEVADA.
No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e impossibilidade de separação por elementos da escrita, utiliza-se a alíquota mais elevada daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido.
IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR REACONDICIONAMENTO.
A operação de reacondicionar açúcar/cereais em pacotes de 1, 2 e 5 quilos constitui operação de industrialização, restando as saídas do produto assim reacondicionado caracterizadas como fato gerador do IPI.
JUROS SELIC
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n° 4).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL PIS. COFINS.IPI.
Em se tratando de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a
renda de pessoa jurídica, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrente.
Numero da decisão: 1301-000.962
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao
recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS. A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação bancária da empresa implica o arbitramento do lucro. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. A partir da edição da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. DECADÊNCIA Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal, aplica-se às contribuições sociais a regra de decadência expressa no art. 173 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CONCEITO. São produtos industrializados, para fins de incidência do IPI, todas as mercadorias constantes da TIPI como tributadas, inclusive alíquota zero. IPI. LANÇAMENTO DE OFICIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Evidencia omissão do registro de receita, proveniente de vendas não registradas, a existência de depósitos bancários de origem não comprovada cabendo à autoridade fiscal lançar o imposto devido. IPI NÃO DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. Tornando-se evidente o IPI não destacado em notas fiscais de saída do estabelecimento equiparado a industrial, cabe à autoridade fiscal lançar o imposto devido. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SAÍDAS DE PRODUTOS SEM DESTAQUE DE APLICAÇÃO DA ALíQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e impossibilidade de separação por elementos da escrita, utiliza-se a alíquota mais elevada daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR REACONDICIONAMENTO. A operação de reacondicionar açúcar/cereais em pacotes de 1, 2 e 5 quilos constitui operação de industrialização, restando as saídas do produto assim reacondicionado caracterizadas como fato gerador do IPI. JUROS SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n° 4). TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL PIS. COFINS.IPI. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrente.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS. A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação bancária da empresa implica o arbitramento do lucro. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. A partir da edição da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. DECADÊNCIA Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal, aplicase às contribuições sociais a regra de decadência expressa no art. 173 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 591DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CONCEITO. São produtos industrializados, para fins de incidência do IPI, todas as mercadorias constantes da TIPI como tributadas, inclusive alíquota zero. IPI. LANÇAMENTO DE OFICIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Evidencia omissão do registro de receita, proveniente de vendas não registradas, a existência de depósitos bancários de origem não comprovada cabendo à autoridade fiscal lançar o imposto devido. IPI NÃO DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. Tornandose evidente o IPI não destacado em notas fiscais de saída do estabelecimento equiparado a industrial, cabe à autoridade fiscal lançar o imposto devido. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SAÍDAS DE PRODUTOS SEM DESTAQUE DE APLICAÇÃO DA ALíQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e impossibilidade de separação por elementos da escrita, utilizase a alíquota mais elevada daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR REACONDICIONAMENTO. A operação de reacondicionar açúcar/cereais em pacotes de 1, 2 e 5 quilos constitui operação de industrialização, restando as saídas do produto assim reacondicionado caracterizadas como fato gerador do IPI. JUROS SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n° 4). TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL PIS. COFINS.IPI. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10865.001070/200743 Acórdão n.º 1301000.962 S1C3T1 Fl. 2 3 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos (fls.8/13) e do termo de verificação fiscal (fls.58/59), relativamente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, foi arbitrado o lucro, em razão de escrituração imprestável para determinação do lucro real, e foram apuradas omissões de receitas da atividade, caracterizadas por depósitos bancários próprios e de terceiro não contabilizados, de origens não comprovadas, e vendas de produtos de fabricação própria. O crédito tributário lançado totalizou R$ 4.623.938,25 até 30/03/2007, conforme demonstrativo consolidado de fl. 6, tendo sido lavrados os seguintes autos de infração: IRPJ no valor de R$ 803.150,35; PIS no valor de R$ 237.815,39; Cofins no valor de R$ 959.481,72; CSLL no valor de R$ 441.810,02 e IPI no valor de R$ 2.181.680,77. Notificada do lançamento em 17/04/2007, a interessada, por intermédio de seu sócio administrador, Armando Manarin, citando doutrina e jurisprudência, ingressou, em 17/05/2007, com a impugnação de fls.2189/2261, alegando, em suma que: • Ainda que a escrituração da requerente apresente falhas, há possibilidade de ser apurado o lucro real, até mesmo pelo manuseio dos extratos bancários que serviram como documento principal para a lavratura do auto de infração; • A fiscalização foi efetuada à distância, com vários telefonemas, sendo as intimações enviadas via correio, para ao final de seus trabalhos desconsiderar, de vontade própria, gratuita e despropositada, a opção da interessada de tributação pelo lucro real; • As afirmações de que houve venda de produtos de fabricação própria, de que a empresa acondiciona ou reacondiciona açúcar foram presumidas pelo autuante; • Por tratarse de "lançamento por homologação", todos os tributos sub examine, encontramse fulminados pela decadência, e cita o art. 150, § 4o. do Código Tributário Nacional.CTN; Discorre sobre a ocorrência do fato gerador e o inicio da contagem de prazo decadencial de cada tributo lançado, citando jurisprudência para alicerçar suas argüições, ressaltando o fato de que tendo os autos sidos lavrados em 17/04/2007, todos os créditos relativos a fatos geradores ocorridos até abril de 2002 devem ser cancelados; Fl. 593DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 O autuante desconsiderou os mais básicos princípios contábeis, jurídicos e econômicos, ao presumir os depósitos bancários como receita supostamente lastreada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e sobre ela, na totalidade, fez arbitrar e incidir tributação de IRPI CSLL, IPI, Cofins e PIS; • Faz explanações acerca de "receita não é sinônimo de lucro" alicerçando sua argumentação, nos princípios fundamentais da contabilidade, tais como o "regime de competência", "da realização da receita", do "confronto das despesas"; • A pressuposição de uma omissão de receita, surgida a partir da análise de créditos bancários, exige sejam consideradas também os débitos, a título de custos/despesas para obtenção da renda; surgindo a hipótese de incidência tributária delineada no art. 43 do CTN, e cuja base de cálculo se encontra definida no art. 44 desse mesmo diploma legal; • Ao "somar" os valores que entendeu como receita omitida da impugnante aos demais montantes registrados em sua contabilidade, o autuante soçobrou a nada, criando uma base de cálculo não prevista na Lei, descaracterizando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tributando o lucro e deixando de se tributar a receita; • Tendo em vista a impossibilidade material e temporal de levantar os valores dos custos e despesas inseridos nos extratos bancários, requer a baixa do processo em diligência pericial, para que possam ser recompostos seus custos e despesas, a partir de cada lançamento havido a débito de sua conta corrente; • Protesta, também, pela posterior juntada de documentos, necessários ao melhor desfecho da lide, esclarecendo que, neste momento, faz juntada apenas de alguns documentos probatórios dos custos e despesas vinculados às receitas; Compete ao fisco provar a materialidade dos pressupostos estabelecidos pela Lei Complementar para lançar tributo ou contribuição; • Não tem validade ou eficácia administrativofiscal, o lançamento fundado ou motivado em presunção fiscal, embora não se negue o caráter de indicio para uma investigação, jamais, porém como fim em si mesmo; • É ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, de acordo com a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos — TFR, colidindo com a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430,de 1996; • A base de cálculo do PIS e da Cofins se baseia no faturamento, nos termos de LC n° 7, de 1991 e LC n° 70, de 1991, respectivamente, compreendido por receita bruta da venda de mercadorias e serviços, sendo alterada pela Lei ordinária n° 9.718, de 1998, que é indiscutivelmente inconstitucional e ilegal, ferindo diversos dispositivos da Constituição Federal, de 1988, e das leis consagradas pelo ordenamento jurídico brasileiro; A legislação aplicada nos autos de infração do PIS e da Cofins não foram as decorrentes das opções eleitas pela empresa (Leis n° 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, respectivamente), eis que apura a contribuição sobre valores que não representam o faturamento e não admitem créditos nas compras vinculadas à atividade fim da empresa; • Como pedido alternativo, requer seja considerada todos os créditos de PIS e Cofins das entradas de mercadorias, conforme relação de fl.251 /252, e sobre todas as demais aquisições que se apresenta nessa impugnação, sobre as apuradas em diligência, que desde já requer; Fl. 594DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10865.001070/200743 Acórdão n.º 1301000.962 S1C3T1 Fl. 3 5 São afirmativas vagas e imprecisas, de que a suposta venda da empresa é derivada de industrialização própria, tomando por base todos os depósitos bancários como venda dela decorrente; • Embora conste no contrato social da impugnante "empacotamento de açúcar, beneficiamento e empacotamento de cereais e comércio por atacado dos mesmos", não há distinção, no trabalho fiscal, se todos os depósitos corresponderiam à receita de empacotamento de açúcar, ou de beneficiamento e empacotamento de cereais, ou se os depósitos seriam faturamento de comércio de atacado dos mesmos, ou se deriva de qualquer outro fato não aventado; • Nenhuma das receitas originouse de empacotamento próprio, como pode ser observado nas notas fiscais de fls. 964/976, referente ao relatório fiscal (1.122, pois delas consta a expressão "FDS", abreviatura de "fardos", como pode ser conferido no campo UNID, que referemse a produto embalado em pacotes de 1, 2 ou 5 kg, e, depois reunidos em fardos de 30 kg. Caso se tratasse de açúcar a granel, não empacotado, nas notas fiscais de compra constariam "GRANEL" ou "SACOS", não cabendo ao auditor fiscal afirmar que o açúcar vendido foi industrializado pela autuada. Para tanto junta os documentos que fazem as fls.2263/2283; • Os códigos fiscais de operação de produção próprios para o estado de São Paulo são elencadas nas notas fiscais emitidas e delas constam que nenhuma das vendas de açúcar é de produção própria e sujeita ao FPI, ao contrário do afirmado pelo autuante, além de, em algumas, constar marca de açúcar de terceiro, além de farinha de trigo da marca "Dona Benta"; Não pode prosperar a multa agravada, pois não houve intuito de fraude, especialmente nos valores movimentados em nome do sócio Armando Manarin, relativamente as movimentações bancárias e, sim de necessidade, não havendo qualquer conduta dolosa e se assim não procedesse, tornaria inviável o prosseguimento da atividade econômica desenvolvida; Não procede a aplicação da taxa Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, que confronta com o texto constitucional no art. 192, que limita os juros ao patamar máximo de 12% ao ano; • A incidência da taxa Selic sobre o débito exigido desde a data original do vencimento do tributo não encontra respaldo jurídico, visto que o Código Tributário Nacional – CTN estabelece sua incidência sobre crédito tributário, e não sobre obrigação tributária, devendo ser aplicado, portanto,a partir do lançamento, com o procedimento administrativo, nos termos do art, 161 do CTN, não podendo retroagir à ocorrência do fato gerador. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/Ribeirão Preto) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1416.417, de 19/07/2007, (fls. 2295), julgando procedentes os lançamentos, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação bancária da empresa implica o arbitramento do lucro. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Os depósitos em contas correntes mantidas em nome da pessoa jurídica e de terceiros, cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas, presumem se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL PIS. COFINS. IPI. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CONCEITO. São produtos industrializados, para fins de incidência do IPI, todas as mercadorias constantes da TIPI como tributadas (com alíquotas 0% inclusive). IPI. LANÇAMENTO DE OFICIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Evidencia omissão do registro de receita, proveniente de vendas não registradas, a existência de depósitos bancários de origem não comprovada cabendo à autoridade fiscal lançar o imposto devido. IPI NÃO DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. Tornandose evidente o IPI não destacado em notas fiscais de saída do estabelecimento equiparado a industrial, cabe à autoridade fiscal lançar o imposto devido. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SAÍDAS DE PRODUTOS SEM DESTAQUE DE IPI. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido a presunção legal de saídas de produtos à margem da escrituração fiscal e impossibilidade de separação por elementos da escrita, utilizase a alíquota mais elevada daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR REACONDICIONAMENTO. A operação de reacondicionar açúcar/cercais para pacotes de 1, 2 e 5 quilos constitui operação de industrialização, restando as saídas do produto assim reacondicionado caracterizadas como fato gerador do IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. IMPOSTO. IRPJ. IPI Tratandose de lançamento de oficio, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CSLL Fl. 596DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10865.001070/200743 Acórdão n.º 1301000.962 S1C3T1 Fl. 4 7 O prazo para a Fazenda Nacional exigir crédito tributário relativo a contribuições é de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, nos termos da Lei n° 8.212, de 1991. INCONSTITUCIONALIDADE. Não tem o julgador administrativo competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O ato de o sujeito passivo ser detentor de conta bancária de titularidade do sócio, pessoa física, configurase em evidente intuito de fraude. JUROS DE MORA. SELIC A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 REQUISITOS DA IMPUGNAÇÃO. Nos termos regulamentares do processo administrativo fiscal, constituise requisito da impugnação, entre outros, a sua instrução com os elementos de prova em que se fundamentar. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese pedido de diligência quando sua realização afigurarse prescindível para o adequado deslinde da questão a ser dirimida e quando o processo já contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo (Certidão da DRF as fl.2397) e, assente em lei. Dele tomo conhecimento. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Programa de Integração Social, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social e Imposto sobre Produtos Industrializados relativas aos anocalendário de 2002, 2003 e 2004, formalizadas em decorrência das seguintes imputações: a) omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e, depósitos bancários de origem não comprovada; b) receitas operacionais de vendas de produtos de fabricação própria. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Irresignada com a decisão prolatada em primeira instância, a contribuinte traz razões, em sede de recurso voluntário, as quais passo a apreciar. DECADÊNCIA E MULTA QUALIFICADA Argumenta a Recorrente que por tratarse de "lançamento por homologação", todos os tributos sub examine, encontramse fulminados pela decadência, e cita o art. 150, § 4o. do Código Tributário Nacional. Discorre sobre a ocorrência do fato gerador e o inicio da contagem de prazo decadencial de cada tributo lançado, citando jurisprudência para alicerçar suas argüições, ressaltando o fato de que tendo os autos sidos lavrados em 17/04/2007, todos os créditos relativos a fatos geradores ocorridos até abril de 2002 devem ser cancelados. Aduz que não houve conduta de máfé, não cabendo, assim, a aplicação da multa qualificada, vez que deveria ficar comprovado o evidente intuito de fraude. Para que a decadência seja analisada, é necessária, antes, a apreciação acerca da conduta adotada pela contribuinte. A conclusão manifestada no voto guerreado dirigese no sentido de que a Recorrente, por meio de interposição de pessoas, auferiu renda e não as submeteu à incidência tributária. Nesse sentido, releva reproduzir trecho da decisão acerca da qualificação da multa. A autuada insurgiuse contra a aplicação da multa de oficio de 150% alegando não haver intuito de fraude, relativamente às movimentações bancárias em nome do sócio Armando Manarin, não havendo qualquer conduta dolosa, pois, se assim não procedesse, tornaria inviável o prosseguimento da atividade econômica desenvolvida. A fiscalização apontou como enquadramento legal para aplicação da multa qualificada o art. 44, II, da Lei n°9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. As disposições legais referidas no inciso acima para definição de intuito de fraude têm a seguinte redação: Lei n° 4.502, de 1964: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 598DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10865.001070/200743 Acórdão n.º 1301000.962 S1C3T1 Fl. 5 9 II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 —Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que para aplicar a multa qualificada não basta simples indícios, é necessário o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar, cuja prova deve ser produzida com acuidade, apta a demonstrar a indelével intenção de cometer um dos três ilícitos descritos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 1964. Constatase, no caso, que a manutenção de contas bancárias à margem da contabilidade e em nome do sócio Armando Manarin, revela explicitamente a intenção de subtrair sua movimentação ao controle da fiscalização e, portanto, constitui fraude. Logo, correta a aplicação da multa de 150% sobre as parcelas correspondentes à omissão de receitas da atividade, caracterizadas por depósitos bancários não contabilizados, de origens não comprovadas, em nome da pessoa física do sócio Armando Manarin. Passo ao tema decadência e neste ponto tenho adotado a linha de raciocínio do ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha do qual transcrevo alguns excertos: A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A, no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A:. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e Fl. 599DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010). Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 600DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10865.001070/200743 Acórdão n.º 1301000.962 S1C3T1 Fl. 6 11 inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De se ver, portanto, de que forma essa decisão deve ser reproduzida no caso sob exame, em cumprimento das disposições regimentais. O Superior Tribunal de Justiça aponta, inequivocamente, para a contagem do prazo decadencial segundo as disposições do art. 173, I, do CTN, como regra geral. Esse seria também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, inexistindo declaração prévia do débito. No caso concreto, tratase de tributos para os quais a lei claramente estipula o dever de antecipar a exação. No entanto, no caso dos autos do presente processo, não há pagamentos ou declaração prévia do débito por se tratar de receitas omitidas para os períodos de 2002 a 2004. Nos termos da decisão do STJ que deve ser reproduzida por este Colegiado, tenho que a circunstância verificada quanto à inexistência de pagamentos antecipados e inexistindo declaração prévia do débito aplicase às disposições do art. 173, I, do CTN, ou seja, neste casos, o dies a quo deve ser considerado como o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, para o ano calendário mais antigo (2002) contase a partir de 01/01/2003 perfazendo os cincos anos em 31/12/2007. Tratandose, pois, de lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2002, cuja ciência se deu em 17 de abril de 2007, descabe falar em caducidade do direito, vez que a constituição dos créditos poderia ter sido efetivada até 31 de dezembro de 2007, mesmo desconsiderando, no caso, o prazo de 10 (dez) anos aludido na decisão de primeira instância. ARBITRAMENTO Fl. 601DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Releva repisar, tratase de analisar lançamento referente ao IRPJ e reflexos dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, em que foi arbitrado o lucro da empresa, pois, desconsiderada a escrita fiscal da contribuinte pela falta de registro da sua movimentação financeira e bancária. Restou demonstrado no processo que nos lançamentos nos Livros Diário e Razão, toda entrada e receita teve como contrapartida a conta Caixa, inexistindo a conta "Bancos" (nem as configuradas em nome da empresa nem aquela de titularidade do sócio Armando Manarin, também de uso financeiro da impugnante), além do que os valores lançados como receitas na contabilidade (e informadas nas Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — DIPJ dos respectivos anoscalendário), foram menores do que os depósitos efetuados nas contas correntes em nome da empresa. Conforme assentado no voto condutor ora combatido, “a escrita fiscal da impugnante não foi desconsiderada, por vontade própria, gratuita e despropositada do auditor fiscal, como quer fazer crer a impugnante e, mesmo que a ação fiscal tivesse sido realizada à distância, sendo as intimações enviadas via correio, à fiscalização não restou alternativa senão aplicar a legislação que rege a matéria, devidamente capitulada no enquadramento legal, e arbitrar o lucro da empresa.” Defende, a requerente, que não tem validade ou eficácia administrativo fiscal, o lançamento fundado ou motivado em presunção fiscal, sendo desconsiderados os mais básicos princípios contábeis, jurídicos e econômicos, ao presumir os depósitos bancários como receita supostamente lastreada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Alega, ainda, que mesmo que sua escrituração apresente falhas, há possibilidade de ser apurado o lucro real, até mesmo pelo manuseio dos extratos bancários que serviram como documento principal para a lavratura do auto de infração em defesa. Equivocase a recorrente. O lançamento tributário efetivado pela autoridade fiscal encontra suporte na lei, não merecendo recepção, assim, a argumentação de que a constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada não autorizam o lançamento do imposto de renda. No caso, descabe, também, falar em demonstração da existência de renda consumida, eis que, estando diante de presunção de lei, caberia ao fiscalizado comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias. Como é cediço, por força do disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizamse como omissão de receita. No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contascorrente, incompatíveis com suas receitas declaradas, em momento algum restou comprovada essa origem. Insiste a recorrente na alegação da possibilidade de recompor seus custos e despesas, a partir de cada lançamento havido a débito de sua conta corrente. Como afirmado pela autoridade julgadora que me precedeu, tais parcelas são indedutíveis tendo em vista o arbitramento, que, por sua vez, já considera o excedente do valor tributado como o representativo de custos/despesas. Deixar claro, conforme constatase no Termo de Verificação Fiscal, que foram expurgados do total valorado como omissão de receita as parcelas a título de receita Fl. 602DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10865.001070/200743 Acórdão n.º 1301000.962 S1C3T1 Fl. 7 13 bruta declarada, as devoluções de cheques e resgates de aplicação financeira, bem como as transferências existentes entre as contas bancárias admitidas, cujos cálculos encontramse explicitados nos quadros demonstrativos do referido Termo. Refeitos os cálculos, procedeuse a constituição do crédito tributário tão somente sobre a parcela omitida, sendo compensados os valores informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, para cada um dos tributos. Com relação ao lançamento do IPI, fica claro que a fiscalização constatou que a empresa exercera atividades situadas dentro do campo de incidência do imposto, estando, por conseguinte, enquadrada como contribuinte, sob a condição de estabelecimento industrial, pela realização de operação de industrialização (reacondicionamento de açúcar/cereais em embalagens de 1, 2 e 5 kg). A atividade desenvolvida pela empresa, referente ao empacotamento de açúcar ou cereais em embalagens de 1, 2 e 5 kg, evidencia, claramente, o implemento de uma operação que redunda em alteração na apresentação do produto. E, são produtos industrializados, para fins de incidência do IPI, todas as mercadorias constantes da Tabela de Incidência do IPI TIPI como tributadas, inclusive alíquota zero. Resta claro que, a atividade realizada pela fiscalizada não se enquadra nas disposições do art. 6°. I, do RIPI/1998 e igualmente no RIPI/2002, posto que não se trata de acondicionamento para transporte. O simples fato de o produto (açúcar ou cereais) ser acondicionado em embalagens de 1, 2 ou 5 kg, na qual é estampada a marca própria (Sta. Rita) ou de terceiros (por exemplo Paquere) constitui fato suficiente para excluir tal hipótese, haja vista restar caracterizada a função promocional do produto. Assim, tornase patente a perfeita consonância da aludida atividade com os preceitos estabelecidos no inciso II do artigo 6o. do RIPI/1998, e art. 6°, II, do RIPI/2002. Releva ressaltar, que a infração 001 decorrente da omissão de receitas apuradas da atividade, caracterizadas por depósitos bancários não contabilizados, de origens não comprovadas, e conseqüente vendas de produtos de fabricação própria sem emissão de notas fiscais; e infração 002 — lançamento de oficio de IPI não destacado nas Notas Fiscais de saída de produtos do estabelecimento, sem contabilização bem como inexistência de escrituração do imposto e, assim, impossibilitados de terem seus elementos apartados na escrita contábil/fiscal da empresa (art. 423 do RIPI, de 1998, transposto para o art. 448 do RIPI, de 2002, que trata da omissão de receitas, apuração de receitas com origem inexistente ou não comprovada com a aplicação da alíquota mais elevada). Ressaltese, ainda, o texto constante do relatório e voto que transcrevo: “para infirmar o procedimento da fiscalização acerca desse tópico (IPI), seria necessária a comprovação de forma irrefutável da total impossibilidade de as vendas das referidas sacas terem sido destinadas à industrialização ou à revenda, o que a autuada não logrou fazer.” Nessas circunstâncias, há que se manter o lançamento fundado na presunção legal estampada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, cabendo esclarecer, apenas, que as manifestações doutrinárias e jurisprudenciais citadas na peça recursal só são aplicáveis a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 1996. Por fim, no que tange à taxa de juros SELIC, em virtude de reiteradas decisões no mesmo sentido, este Conselho emitiu a súmula abaixo reproduzida, motivo pelo qual deixo de aprofundar a análise sobre referida matéria. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 Súmula CARF n° 4: A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de nadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 604DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 06/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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