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Numero do processo: 11070.000680/2004-96
Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004
O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.544
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Recurso especial negado.
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Numero do processo: 11610.005967/2001-13
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
PENSÃO JUDICIAL
Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a titulo de pensão em cumprimento de acordo ou decisão judicial.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Numero da decisão: 2101-001.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de R$ 2.250,00, relativa à despesa com pensão alimentícia.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Jose Evande Carvalho Araújo, Célia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Recurso Voluntário Provido Parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de R$ 2.250,00, relativa à despesa com pensão alimentícia. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 59 67 /2 00 1- 13 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Jose Evande Carvalho Araújo, Célia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 83/91) interposto em 2 de agosto de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Santa Maria (RS)(fls. 73/78), do qual a Recorrente teve ciência em 31 de julho de 2008(fls.80v), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o lançamento de fls. 08, lavrado em 23 de agosto de 2001, em decorrência de omissão de rendimentos e dedução indevida à título de pensão alimentícia judicial verificada anocalendário de 1998. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 PROGRAMA DE APOSENTADORIA INCENTIVADA. Prêmio aposentadoria, recebido por ocasião de adesão a Programa de Aposentadoria Incentivada, tem caráter indenizat6rio e não se sujeita incidência do imposto de renda na fonte e nem na declaração. PENSÃOJUDICIAL. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a titulo de pensão em cumprimento de acordo ou decisão judicial. Lançamento Procedente em Parte Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 83/91), aonde concorda com a glosa de R$ 1.216,00 referente às custas judiciais, discordando, porém, da exclusão da importância de R$ 2.250,00 paga à título de correção das pensões em atraso. Vergasta, ainda, os rendimentos tributáveis apresentados pelo julgador à quo, no valor de R$ 113.182,25, que, em sua expressão, foi “inventado” pelo Fisco. Por fim, requer o cancelamento da exigência fiscal e a restituição da importância de R$ 2.632,18. É o Relatório Fl. 154DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11610.005967/200113 Acórdão n.º 2101001.676 S2C1T1 Fl. 121 3 Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte apresentou a declaração de ajuste de ajuste do anocalendário de 1998, com irregularidades, e foi autuado sofrendo glosas relativas à omissão de rendimentos e, ainda, dedução indevida à título de pensão alimentícia judicial. O julgador a quo, relativamente à aposentadoria incentivada, excluiu dos rendimentos tributáveis, no montante de R$ 113.182,25, o valor de R$ 50.895,03. No concernente à pensão alimentícia judicial, declarada pelo contribuinte no valor de R$ 18.715,00, decidiu pela aceitação de apenas R$ 15.249,00, não acatando a dedução pretendida no valor de R$ 2.250,00 pela inexistência de comprovante de pagamento. Para melhor compreensão dos rendimentos tributáveis que totalizam R$ 113.182,25, é apresentado o seguinte quadro elucidativo: Fonte Pagadora Espécie Valor IRFonte Doc. Folhas Rendimento 70.026,48 13.074,88 62.465.117/000107 13º 5.865,27 1.097,42 67 Rendimento 4.261,45 38,35 60.933.603/000178 13º 0,00 0,00 69 Rendimento 11.150,16 52,50 29.979.036/000140 13º 951,00 7,65 70 Rendimento 27.744,32 1.468,35 60.990.751/000124 13º 0,00 0,00 68 Total Rendimento Tributável R$ 113.182,41 Total IRFonte R$ 14.634,08 Observase que os rendimentos tributáveis, em verdade, totalizam R$ 113.182,41, resultando uma diferença de apenas R$ 0,16 centavos em relação ao montante consignado na apuração apresentada às folhas 77 pelo julgador à quo. Fácil notar que não consta na DIRPF, nos rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, o rendimento alusivo à fonte pagadora FUNDAÇÃO SÃO PAULO – FUNDASP, cadastrada no CNPJ sob o nº 60.990.751/000124, cuja informação se vê às folhas 68. Constatase, assim, que o rendimento tributável vergastado pelo Impugnante não se trata de uma invenção do Fisco. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 No concernente à dedução pretendida, no valor de R$ 2.250,00, entendo que assiste razão o contribuinte. Vejamse os seguintes textos extraídos da Ação Revisional de Pensão Alimentícia, datada de 23/04/1998, às folhas 56: “O varão pagará, a partir de 01 de maio de 1998, á titulo de pensão alimentícia, para a exesposa, a importância de R$ 1.300,00 (um mil e trezentos reais), a cada dia 5 (cinco) de cada mês seguinte ao vencido, por meio de depósito em conta corrente bancária em nome da beneficiária no Banco do Estado de São Paulo S/A, BANESPA agência n°. 0154, conta 03 0262175, ou outro que ela indicar por carta, servindo o depósito como recibo.” “A exesposa recebe, neste ato, em dinheiro, diretamente do varão, o valor relativo as pensões alimentícias que seriam devidas pelo INSS., dos meses de janeiro, fevereiro, março e abril, dando plena total e rasa quitação de quaisquer valores referente à pensões alimentícias até a presente data.” Dessa forma, o recorrente foi obrigado a pagar a diferença das pensões relativas ao periodo jan/98 a maio/98, conforme demonstrado abaixo: MÊS VALOR PAGO VALOR PENSÃO jan/98 850,00 1.300,00 fev/98 850,00 1.300,00 mar/98 850,00 1.300,00 abr/98 850,00 1.300,00 mai/98 850,00 1.300,00 TOTAIS 4.250,00 6.500,00 TOTAL PENSÃO Jan/98 a Mai/98 6.500,00 TOTAL PAGO 4.250,00 DIFERENÇA 2.250,00 Importante atentar para as datas dos seguintes eventos: DATA AFASTAMENTO 31/12/1997 Fls 43 DATA ACORDO DE REVISÃO 23/04/1998 Fls 58 INÍCIO DA APOSENTADORIA 01/01/1998 DATA DA HOMOLOGAÇÃO DA REVISÃO 15/05/1998 Fls 59 DATA DA DECLARAÇÃO DO CONJUGE 05/12/2000 Fls 65 Tenho total convicção que a inclusão do mês de MAIO/98 no demonstrativo da diferença se deve ao fato de a homologação ter ocorrido somente no referido mês. Importa destacar que não se trata de correção das pensões não pagas no curso do processo judicial, mas tão somente da diferença entre o valor pago e o determinado na Ação Revisional de Pensão Alimentícia (fls. 56/58). Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de R$ 2.250,00 referente ao reajuste de pensões em atraso, relativa à despesa com pensão alimentícia. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11610.005967/200113 Acórdão n.º 2101001.676 S2C1T1 Fl. 122 5 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10855.000489/97-73
Data da sessão: Mon Mar 22 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Mon Mar 22 00:00:00 UTC 2004
Ementa: DECADÊNCIA - PIS/FATURAMENTO– Decai em cinco anos, na modalidade de lançamento de ofício, o direito à Fazenda Nacional de constituir os créditos relativos para a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetivado. Os lançamentos feitos após esse prazo de cinco anos são nulos. PIS -LC 7/70 - Ao analisar o disposto no artigo 6º, parágrafo único, da Lei Complementar 7/70, há de se concluir que “faturamento” representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). A base de cálculo da contribuição em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP 1.212/95, quando a partir dos efeitos desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado o faturamento do mês anterior.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: CSRF/02-01.613
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Josefa Maria Coelho Marques e Maria Cristina Roza da Costa (Suplente Convocada) que davam provimento parcial ao recurso para afastar a decadência.
Nome do relator: Dalton César Cordeiro de Miranda
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ementa_s : DECADÊNCIA - PIS/FATURAMENTO– Decai em cinco anos, na modalidade de lançamento de ofício, o direito à Fazenda Nacional de constituir os créditos relativos para a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetivado. Os lançamentos feitos após esse prazo de cinco anos são nulos. PIS -LC 7/70 - Ao analisar o disposto no artigo 6º, parágrafo único, da Lei Complementar 7/70, há de se concluir que “faturamento” representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). A base de cálculo da contribuição em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP 1.212/95, quando a partir dos efeitos desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado o faturamento do mês anterior. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida : ia CÂMARA DO 2° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão : 22 de março de 2004 Acórdão n° : CSRF/02-01.613 DECADÊNCIA - PIS/FATURAMENTO— Decai em cinco anos, na modalidade de lançamento de ofício, o direito à Fazenda Nacional de constituir os créditos relativos para a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetivado. Os lançamentos feitos após esse prazo de cinco anos são nulos. PIS -LC 7/70 - Ao analisar o disposto no artigo 6°, parágrafo único, da Lei Complementar 7/70, há de se concluir que "faturamento" representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). A base de cálculo da contribuição em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP 1.212/95, quando a partir dos efeitos desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado o faturamento do mês anterior. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Josefa Maria Coelho Marques e Maria Cristina Roza da Costa (Suplente Convocada) que davam provimento parcial ao ej(recurso para afastar a decadência.. , Processo : 10293.001854/90-76 Acórdão n° : CSRF/02-01.613 MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE DALTON- C 1111111-- 4-"Ce - -O D MIRANDA RELATOR FORMALIZADO EM: r4,1 7 MAI 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros.MARIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, ROGÉRIO GUSTAVO DREYER e FRANCISCO MAURíCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. Imp/cf .TUR_BR 52968v1 9002.148614 2 Processo : 10293.001854/90-76 Acórdão n° : CS RF/02-01.613 Recurso : RP/RD/201-113.735 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Inconformada com o Acórdão da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial a esta Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, esperando rever a decisão que acolheu a preliminar de decadência e aplicou a semestralidade ao PIS. Fundamenta-se o apelo especial em face de que a decisão recorrida foi majoritária e divergente do entendimento de outras Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes, sendo que a mesma não só teria atentado contra a disposição contida no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, mas, também, contra a correta interpretação a ser dada ao artigo 6° da LC n° 7/70. O apelo em comento foi recebido pelo Despacho 201-003, fls. 203 e seguintes, sendo que a recorrida não apresentou contra-razões ao referido recurso especial. É o relatório.gij7 JUR_BR 52968v1 9002.148614 3 Processo : 10293.001854/90-76 Acórdão n° : CSRF/02-01.613 VOTO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA Como relatado, a matéria em exame refere-se à inconformidade da Fazenda Nacional para com Acórdão da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que entendeu por acolher preliminar de decadência manifestada pela contribuinte e a aplicação do critério da semestralidade para o PIS. A meu entendimento não merece reparos a decisão recorrida. Fundamento. A jurisprudência majoritária do Egrégio Conselho de Contribuintes, com relação à questão do prazo decadencial para a constituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, posiciona-se no sentido de que o prazo é de cinco anos. Confira-se: "PIS - PRELIMINAR DE DECADÊNCIA - ANO DE 1991 - Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplica-se a regra essencial de decadência insculpida no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data de ocorrência do fato gerador." (Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Ac. n° 108-06027, Rel. Conselheira Tânia Koetz Moreira, Sessão de 24.2.2000) (destacamos); "IRPJ - PIS/REPIQUE - Decadência - Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldam-se à sistemática de lançamento denominado de homologação, prevista no art. 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Para o IRPJ e PIS, esse prazo é de cinco anos, consoante § 40 do artigo 150 do CTN." (Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Ac. n° 108-05237, Sessão de 15.7.1998) (destacamos); e "LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ), a contribuição social sobre o lucro (CSLL), o imposto de renda incidente na fonte sobre o lucro líquido (ILL) e a contribuição para o FINSOCIAL são tributos cujas legislações atribuem ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que amoldam-se à sistemática de lançamento impropriamente denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (173 do CTN), para encontrar respaldo no § 4° do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, ressalvada a existência de multa agravada por dolo, fraude ou simulação." (Oitava JURBR 52968v1 9002.148614_ 4 4 Processo : 10293.001854/90-76 Acórdão n° : CSRF/02-01.613 Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Ac. n° 108-05241, Rel. Conselheiro Luiz Alberto Cava Maceira, Sessão de 15.7.1998) (destacamos). Com efeito, uma vez que o lançamento ocorreu em março de 1997, tendo como objeto fatos geradores ocorridos de agosto de 1988 a abril de 1996, na esteira do entendimento da acima citada jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes, a União Federal decaiu do direito de constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores referente aos períodos anteriores a março de 1992, inclusive. O prazo decadencial para o PIS é de cinco anos, devendo-se subordinar a Fiscalização para fms de preservar seu direito de efetuar o lançamento (de oficio) ao disposto nos artigos 150, § 4'; e 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional, ou seja, aplicáveis quando houver pagamento ou não do tributo em questão, respectivamente. Feitas tais considerações, que já nos permitem definir o termo inicial de contagem do prazo decadencial do PIS, cumpre que se façam agora algumas observações complementares acerca da extensão em si deste prazo, antes que se defina os efeitos de tudo quanto se expôs e se exporá, sobre os créditos constituídos no presente processo. E que remanescem dúvidas, entre tantos quantos operam a legislação tributária, quanto ao prazo de decadência para esta contribuição, em razão da superveniência de vários atos legais que versaram, direta ou indiretamente, sobre a matéria. De se ver. Antes de mais nada, reafirme-se o óbvio: as contribuições parafiscais, das quais a Contribuição para o PIS é um exemplo, estão expressamente incluídas na Carta Magna de 1988, em seu artigo 149, que as recepcionou e deu-lhes nova vestimenta, mesmo que não lhes tenha transmutado suas naturezas jurídicas. Se tal inclusão, no entanto, é certamente suficiente para qualificá-las como tributos, exteriorizada fica, ao menos, a preocupação do constituinte em submetê-las à influência de alguns ditames da legislação tributária, entre os quais, por força da remissão feita pelo dispositivo retrocitado ao inciso III do artigo 146 da mesma lei máxima, inclui-se a submissão aos prazos decadenciais e prescricionais do CTN1. No entanto, ao contrário do que ocorreu com as demais contribuições (FINSOCIAL, COFINS e CSLL), que tiveram, por força de discutível legislação superveniente — Lei n° 8.212/91 — seus prazos de decadência alterados para 10 (dez) anos, tal não ocorreu com o PIS, mantido então para tal exação os prazos decadenciais e prescricionais do CTN (arts. 150 e 173). 1 "1. É princípio de Direito Público que a prescrição e a decadência tributárias são matérias reservadas à lei complementar, segundo prescreve o artigo 146, III, "b", da CF. (.). " Agravo de Instrumento n° 468.723A-MG Ministro relator Luiz Fux, r. decisão publicada no DJU, I, de 25.3.2003, fls. 216/217 644 JUREM 52968v1 9002.148614 5 (-)Lf Processo : 10293.001854/90-76 Acórdão n° : CSRF/02-01.613 E tal afirmativa resta corroborada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal que sobre a matéria, prazo de decadência do PIS, assim concluiu: „(...) As contribuições sociais, falamos, desdobram-se em a. 1. contribuições de seguridade social: estão disciplinadas no art. 195, I, II e III, da Constituição. São as contribuições previdenciárias, as contribuições do FINSOCIAL, as da Lei 7.689, o PIS e o PASEP (C.F., art. 239). (...). A sua instituição, todavia, está condicionada à observância da técnica da competência residual da União, a começar, para a sua instituição, pela exigência de lei complementar (art. 195, parág. 4 0 ; art. 154, I); (...). (...) Todas as contribuições, sem exceção, sujeitam-se à lei complementar de normas gerais, assim ao C.T.N. (art. 146, III, ex vi do disposto no art. 149). (...). A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. É que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146, III, "b"). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição, inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (C.F., art. 146, III, b; art. 149). (...) O PIS e o PASEP passam, por força do disposto no art. 239 da Constituição, a ter destinação previdenciária. Por tal razão, as incluímos entre as contribuições da seguridade social." 2 Aliás, o Superior Tribunal de Justiça também já encampou a aludida tese sustentada pela Corte Suprema, em parte acima transcrita, conforme se pode depreender da leitura da ementa referente ao acórdão publicado no D.J.U., Seção I, de 4/11/2002: "TRIBUTÁRIO — CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — DECADÊNCIA 1. O fato gerador faz nascer a obrigação tributária, que se aperfeiçoa com o lançamento, ato pelo qual se constitui o crédito correspondente à obrigação (arts. 113 e 142 CTN). 2. Dispõe a FAZENDA do prazo de cinco anos para exercer o direito de lançar, ou seja, constituir o seu crédito tributário. 3. O prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, nem por ordem judicial, nem por depósito do devido. 4. Com depósito ou sem depósito, após cinco anos do fato gerador, sem lançamento, ocorre a decadência. 5. Recurso especial provido."' In casu, portanto e em razão do acima exposto, quanto aos créditos tributários objetos do Auto de Infração lavrado, procedente é a manifestação preliminar de inconformidade reconhecida à interessada, pois aplicável à mécie o § 40, do artigo 150, do CTN. 2 RE 148754-2/RJ, Min. Relator Francisco Rezek, acórdão publicado no DJU de 4/3/1994, Ementário n° 1735-2; e, RE 138284-8/CE, Min. Relator Carlos Velloso, acórdão publicado no DJU de 28/8/1992, Ementário n° 1672-3 'Recurso Especial n° 332.693/SP, Ministra relatora Eliana Calmon, Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça JUR_BR 52968v1 9002.148614 6 Cf-Al Processo : 10293.001854/90-76 Acórdão n° : CS RF/02-01.61 3 Destarte, na esteira do melhor entendimento aplicável ao caso, externado pelo Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça e pelo Conselho de Contribuintes, nas decisões acima transcritas, em virtude de ter ocorrido o pagamento, o lançamento foi tacitamente homologado e o crédito tributário referente aos fatos geradores em discussão nestes autos e apontados como decaídos, definitivamente extinto. Passo, enfrentada a questão da decadência, a analisar a outra matéria suscitada nestes autos e objeto do apelo especial interposto, que em apertada síntese restringi-se a dizer qual é a base de cálculo que deve ser usada para o cálculo do PIS: se aquela correspondente ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, entendimento esposado pela recorrente, ou se ela é o faturamento do próprio mês do fato gerador, sendo, de seis meses o prazo de recolhimento do tributo. A propósito e sobre a matéria, em verdade, sopesava duas situações: uma de técnica impositiva, e outra no sentido da estrita legalidade que deve nortear a interpretação da lei impositiva. E, neste último sentido, veio tomar-se consentânea a jurisprudência da CSRF4 e também do STJ. Assim, calcado nas decisões destas Cortes, entendo que deve prevalecer a estrita legalidade, no sentido de resguardar a segurança jurídica do contribuinte, mesmo que para isso tenha-se como afrontada a melhor técnica tributária, a qual entende despropositada a disjunção de fato gerador e base de cálculo. É a aplicação do princípio da proporcionalidade, prevalecendo o direito que mais resguarde o ordenamento jurídico como um todo. E o Superior Tribunal de Justiça, através de sua Primeira Seção,' veio tomar pacífico o entendimento impugnado pela recorrente, consoante depreende-se da ementa a seguir transcrita: "TRIBUTÁRIO — PIS — SEMESTRALIDADE — BASE DE CÁLCULO — CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. O PIS semestral, estabelecido na LC 07/70, diferentemente do PIS REPIQUE — art. 3 Q, letra "a" da mesma lei — tem como fato gerador o faturamento mensal. 2. Em beneficio do contribuinte, estabeleceu o legislador como base de cálculo, entendendo-se como tal a base numérica sobre a qual incide a aliquota do tributo, o faturamento, de seis meses anteriores à ocorrência do fato gerador — art. 6', parágrafo único da LC 07/70. 4 O Acórdão n2 CSRF/02-0.871 4 também adotou o mesmo entendimento firmado pelo STJ. Também nos RD nos 203-0.293 e 203-0.334, j. em 09/02/2001, em sua maioria, a CSRF esposou o entendimento de que a base de cálculo do PIS refere-se ao faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador (Acórdãos ainda não formalizados). E o RD n° 203-0.3000 (Processo n° 11080.001223/96-38), votado em Sessões de junho do corrente ano, teve votação unânime nesse sentido. Resp n° 144.708, rel. Ministra Eliane Calmon, j. em 29/05/2001, acórdão não formalizado. JUR BR 52968v1 9002.148614 7 Processo : 10293.001854/90-76 Acórdão n° : CSRF/02-01.613 3. A incidência da correção monetária, segundo posição jurisprudencial, só pode ser calculada a partir do fato gerador. 4. Corrigir-se a base de cálculo do PIS é prática que não se alinha à previsão da lei e à posição da jurisprudência. Recurso Especial improvido." Portanto, até a edição da MP n2 1.212/95, convertida na Lei nQ 9.715/98, é de ser negado provimento ao recurso, para que os cálculos sejam feitos considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, tendo como prazos de recolhimento aquele da lei (Leis n-°- 7.691/88; 8.019/90; 8.218/91; 8.383/91; 8.850/94; 9.069/95 e MP n2 812/94) do momento da ocorrência do fato gerador. E a IN SRF n2 006, de 19 de janeiro de 2000, no parágrafo único do art. 1 2, com base no decidido julgamento do Recurso Extraordinário 232.896-3-PA, aduz que "aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 2 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplica-se o disposto na Lei Complementar n 2 7, de 7 de setembro de 1970, e n2 8, de 3 de dezembro de 1970". Ao final, faz-se ainda importante destacar que o Supremo Tribunal Federa16, quando da análise dos recursos guindados, pela Fazenda Nacional, àquela Corte Suprema, contra entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça a propósito do critério da semestralidade para o PIS, assim vem decidindo: "DECISÃO: O recurso extraordinário, a que se refere o presente agravo de instrumento, foi interposto contra acórdão que, proferido pelo E. Superior Tribunal de Justiça, firmou entendimento no sentido de que, sob o regime jurídico da Lei Complementar n° 7/70, a contribuição pertinente ao PIS tem por base de cálculo o faturamento referente ao sexto mês anterior ao da ocorrência do respectivo fato gerador, não incidindo, sobre essa mesma base de cálculo, correção monetária, em face da ausência de lei que a preveja. (...) De outro lado, e mesmo que se achasse atendida a exigência do prequestionamento, ainda assim não se revelaria cabível o recurso extraordinário a que se refere o presente agravo de instrumento. (...) Em suma: o acórdão questionado em sede recursal extraordinária não pode viabilizar a interposição do recurso extraordinário, deduzido com apoio na alínea "h" do inciso III do art. 102 da Constituição da República, pois - não custa enfatizar — o Tribunal "a quo", ao decidir a controvérsia, não pronunciou, no caso ora em exame, qualquer declaração de inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo a ele equiparado. Sendo assim, pelas razões expostas, e considerando, ainda, a existência de recentes decisões proferidas na matéria ora em exame (AI 440.280/RS, Rel. Min. CARLOS AI n° 473.029-8/RS — Ministro Relator Celso de Mello — decisão publicada no D.J.U., I, de 6/2/2004) JUR BR 52968v1 9002.148614 8 (1) Processo : 10293.001854/90-76 Acórdão n° : CSRF/02-01.613 VELLOSO), nego provimento ao presente agravo de instrumento." Em face do todo exposto, declaro que a base de cálculo do PIS deve ser calculada com base no faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Contudo, a averiguação da liquidez e certeza dos créditos e débitos em discussão nestes autos é da competência da SRF, que fiscalizará o encontro de contas efetuadas pela contribuinte, atendendo, na feitura do cálculos, a forma declarada. Assim, voto pela negativa de provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 22 de março de 2004 010Nb DALTON CE AR CORD IRO DE MIRANDA 0)°- JUR_BR 52968v1 9002.148614 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10120.007423/2005-61
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
Ementa: ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE ADA. O contribuinte não logrou comprovar a efetiva existência das áreas declaradas a titulo de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, nem a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que referidas áreas
restam não comprovadas para fins de exclusão na apuração do ITR, nos termos da legislação aplicável.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-000.082
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Helcio Lafeta Reis
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 Ementa: ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE ADA. O contribuinte não logrou comprovar a efetiva existência das áreas declaradas a titulo de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, nem a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que referidas áreas restam não comprovadas para fins de exclusão na apuração do ITR, nos termos da legislação aplicável. Recurso Voluntário Negado.
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COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE ADA. O contribuinte não logrou comprovar a efetiva existência das áreas declaradas a titulo de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, nem a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que referidas áreas restam não comprovadas para fins de exclusão na apuração do ITR, nos termos da legislação aplicável. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. éri-r07. #1-ZR-IlerUE PINHEIRO TORRES - Presidente HÉLCIO LAFETA REIS - Relator EDITADO EM: 13/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Hélcio Lafetá Reis. Relatório Contra o interessado supra-identificado foi lavrado, em 05/12/2005, o Auto de Infração (AI) de fls. 18 a 23, concernente a lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR do exercício 2001, referente ao imóvel rural denominado "Fazenda Cachoeira e Covas", localizado no município de Jataí/GO, cadastrado na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sob o número 4.991.437-5. O AI foi lavrado a partir de dados apurados pela Fiscalização da DRF Goiânia/GO, após intimação do contribuinte (fl. 6), quando foi solicitada a apresentação de documentos comprobatórios de valores declarados na declaração do ITR do exercício de 2001. A autoridade fiscal, com base na documentação apresentada pelo contribuinte, promoveu alterações nos dados originalmente declarados, glosando as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada por ausência de comprovação — inexistência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e averbação intempestiva da Reserva Legal. O contribuinte, após ciência do AI, apresentou impugnação (fls. 28 a 41), alegando em síntese: a) a área de reserva legal declarada (505,18,18 hectares) foi originariamente averbada na matrícula do imóvel em 18.11.1991 (fl. 29); b) considerando que a comprovação da veracidade das informações declaradas é obrigação da autoridade fiscal, esta deveria ter procedido à vistoria no imóvel para certificar-se quanto à existência ou não das áreas não-tributáveis declaradas. Além disso, não se considerou a prova documental apresentada (certidão da matrícula do imóvel e mapa assinado por técnico agrimensor); c) o Senhor Auditor-Fiscal fundamentou sua decisão de lançar diferença do ITR/2001 de oficio, em legislação já revogada, eis que a partir da publicação da MP 2.166-67, de 24.08.2001 (ainda em vigência por força da EC n° 32/2001), o contribuinte está dispensado de pré-comprovar a existência das áreas de reserva legal e permanente, conforme dispõe o parágrafo 7°, do artigo 10, da Lei 9.393/96 (fl. 32); d) a multa de oficio aplicada é ilegal e confiscatória. Ao final da peça impugnatória, requereu a decretação de nulidade do Auto de Infração ou, alternativamente, a suspensão da multa ou sua limitação ao mínimo legal de 20%. A DRJ Brasília/DF julgou o lançamento procedente (fls. 66 a 80), cuja ementa assim dispôs: NULIDADE DO LANÇAMENTO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do auto de infração, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal - PAF. Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis os dados cadastrais informados na sua DITR. 2 , Processo n° 10120.007423/2005-61 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.082 Fl. 104 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse anzbiental pelo IBAMA/órgéio conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DA MULTA LANÇADA (75,0%). Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração - ITR, cabe exigi-lo juntamente com a multa lançada, aplicada aos demais tributos. Em seu voto, o relator considerou, em síntese, o seguinte: a) o ônus da prova — no caso, documental - é do contribuinte, o qual cumpre guardar ou produzir, conforme o caso, até a data de homologação do auto-lançamento, prevista no § 4' do art. 150, do CTN, os documentos necessários à comprovação dos dados cadastrais informados na declaração (DIAC/DIAT) para efeito de apuração do ITR devido naquele exercício, e apresentá-los, quando exigido, à autoridade fiscal 72); b) contendo o Auto de infração os requisitos legais estabelecidos no art. 10, do Decreto n° 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, especialmente no que diz respeito à correta descrição dos fatos e ao enquadramento legal da matéria tributada — glosa das áreas declaradas como de preservação permanente e como utilização limitada/reserva legal -, e tendo a contribuinte dele tomado ciência e exercido de forma plena, dentro do prazo legal, o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE, por ofensa aos citados princípios constitucionais (fl. 74); c) no que diz respeito a essa exigência específica — averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel — é preciso dar razão à requerente, que instruiu a sua defesa com a Certidão de fls. 44/49, do CRI e Anexos da Comarca de Jataí — GO, comprovando a averbação tempestiva de uma área de utilização limitada/reserva legal de 505, 18 ha (AV.01.765, fls. 247, do livro 2-AU]), realizada em 18/11/1991. Assim, a averbação providenciada posteriormente pela requerente, conforme Certidão de fls. 08/14, do mesmo Cartório Imobiliário, visou apenas demarcar e redimensionar a nova área de utilização limitada/reserva legal da propriedade (fl. 74); d) a requerente não comprovou nos autos a protocolizaçã o, mesmo que intempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado (fl. 77); e) a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada nos dispositivos legais citados anteriormente (§ 2° do art. 14 da Lei n° 9.393/1996 c/c o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996), não havendo previsão legal que esse percentual seja reduzido para 20%, conforme pretende a requerente (fl. 79). Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fls. 84 a 95, e requer o provimento de seu recurso com reforma da decisão de primeira instância, repisando os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação relativos à comprovação das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, precipuamente no que se refere à apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), e aduzindo que a DRJ não questionou a real existência dessas áreas, tendo havido apenas apego a uma exigência 3 excessivamente burocrática e ilegal, qual seja, a necessidade de apresentação do Ato Declarató rio Ambiental (fl. 88). É o relatório. Voto Conselheiro HÉLCIO LAFETÁ REIS, Relator O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Em seu recurso, inconformado com a decisão de 1' instância administrativa que não acatou as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada por falta de apresentação do ADA, o contribuinte alega ausência de fundamentos de fato e de direito que amparem o lançamento de oficio efetuado. I. Ato Declaratório Ambiental (ADA) - Obrigatoriedade Para análise da questão relativa à exigência do ADA para comprovar as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, necessário se faz perquirir acerca do papel destinado às áreas de interesse ambiental na tributação do ITR em face da previsão constitucional relativa à matéria. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) é imposto da competência da União que, em face da extrafiscalidade que lhe é inerente, conforme se depreende do contido no art. 153, § 4°, inciso I, da Constituição Federal, visa a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas, em respeito ao princípio da "função social da propriedade" assegurado constitucionalmente como direito e garantia fundamental (art. 5 0, inciso X)(III, e art. 170, inciso III). A própria Constituição, ao tratar da política agrícola e fundiária, define, em seu artigo 186, o alcance do princípio da "função social da propriedade", in verbis: Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: - aproveitamento racional e adequado; II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho; IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. Com base nos dispositivos constitucionais referenciados, constata-se que o ITR não se restringe a um tributo de caráter meramente arrecadatório, tendo sido estruturado de forma a desonerar os imóveis rurais em que se concretiza o princípio da "função social da propriedade" por meio, dentre outras dimensões, da preservação do meio ambiente. /r 4 Processo n° 10120.007423/2005-61 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.082 F1.105 A exigência do ITR, nos termos da Lei n° 9.393/1996, foi disciplinada, inicialmente, pela IN SRF n° 43/1997, alterada e suplantada por instruções normativas posteriores contendo dicções equivalentes, dentre elas a IN SRF n° 60/2001, aplicável ao presente caso, que, dentre outras disposições, instituiu a obrigação acessória do contribuinte requerer o ato declaratório junto ao Ibama em até seis meses contados da entrega da declaração do ITR. Nesse contexto, vale ressaltar que o Código Tributário Nacional (CTN), em seu art. 113, § 2°, define que a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifei) Verifica-se, portanto, que a obrigação acessória decorre da "legislação tributária", que, por sua vez, nos termos do art. 96 do CTN, compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. O conceito de "normas complementares" consta do art. 100 do C'FN, in verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 1 - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; O Ato Declaratório Ambiental (ADA) tem a função de indicar ao órgão público responsável pela fiscalização ambiental (Ibarna) a existência ou não de áreas de interesse ambiental no imóvel rural. O Ibama, com base nessas informações, poderá proceder a vistoria no local para certificar-se quanto à veracidade dos dados declarados. Referido ato declaratório, portanto, tem função primordial de apontar as áreas não-tributáveis para fins de apuração do ITR, possibilitando ao órgão ambiental proceder a verificações in loco, confirmando-as ou emitindo de oficio um novo ato contendo a real situação existente no imóvel. A falta do ato declaratório dificulta, ou mesmo, inviabiliza a aferição da real existência das áreas de interesse ambiental declaradas e das condições de sua preservação. Deve-se ressaltar que o ADA não se restringe a uma mera formalidade, despida de fundamento lógico. Trata-se, em verdade, de um instrumento de garantia do cumprimento de valores albergados constitucionalmente, como o princípio da "função social da propriedade". Há, portanto, uma finalidade subjacente à regra, não se restringindo a uma mera exigência a serviço do formalismo inconseqüente (ÁVILA, Humberto. Teoria dos princípios — da definição à aplicação dos princípios jurídicos. 8 a ed. São Paulo: Malheiros, 2008, p.117). De acordo com o art. 186, inciso II, da Constituição Federal, a função social da propriedade rural será cumprida quando se tem "utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente". Logo, para se dar efetividade ao comando 5 constitucional, instrumentos de controle, como o ADA, são criados para possibilitar a aferição das reais condições presentes nas propriedades rurais; se atendem ou não as políticas preservacionistas incentivadas pela ordem jurídica nacional. Objetiva-se, com as exclusões das áreas ambientais no cálculo do ITR, não apenas beneficiar o proprietário rural, mas tornar a extrafiscalidade do imposto uma ferramenta de concretização de valores consagrados pelo constituinte. Sendo o ADA um dever instrumental exigido do declarante do ITR em cuja propriedade existam áreas de interesse ambiental, sua função precipua é permitir que o ente estatal, a par das informações prestadas pelo proprietário rural, possa aferir a veracidade das informações declaradas, conformando-as à sistemática de apuração do imposto a pagar. Sem a informação prestada pelo contribuinte, torna-se inviável a tarefa do Estado de verificar a conformação dos dados declarados relativamente à realidade objetiva em que se assentam. Roque Antônio Carrazza assim se posicionou sobre obrigação acessória: os deveres instrumentais tributários não se confundem com tributos. Apenas, por assim dizer, documentam a incidência ou a não-incidência (v.g., a isenção), em ordem a permitir que os tributos venham lançados e cobrados com exatidão e as isenções se façam concretamente sentir (CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 237). Outro não é o entendimento que se obtém dos seguintes excertos: Os deveres instrumentais são introduzidos no ordenamento por normas jurídicas especificas, criadas no interesse da administração tributária e com o objetivo de proporcionar a verificação pelos órgãos públicos da ocorrência ou não de fatos correspondentes àqueles descritos pelas normas de incidência tributária. Se não houver um mecanismo através do qual o Estado possa verificar e mensurar a ocorrência desse fato, a norma deixa de ter eficácia, pois o Estado, como sujeito ativo da relação tributária, jamais exigirá a prestação devida. Por isso existem os chamados deveres instrumentais: para possibilitar ao Estado a verificação da ocorrência do fato jurídico tributável (MÂNICA, Fernando Borges. Terceiro setor e imunidade tributária — Teoria e prática. Belo Horizonte: Fórum, 2005, p.82 e 83). Portanto, para que o ADA cumpra seu mister de informar à autoridade estatal a existência de áreas não-tributáveis em sua propriedade, ele deve ser protocolizado e entregue ao órgão ambiental a quem compete a verificação da veracidade das informações prestadas. O art. 17-0, § 1 0, da Lei n° 6.938/1981, com redação dada pelo art. 1' da Lei n° 10.165/2000, veio confirmar essa exigência ao determinar que o ADA é obrigatório para efeito de redução do ITR, in verbis: Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA /7P' 6 Processo n° 10120.007423/2005-61 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.082 Fl. 106 deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nQ 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) § 12 A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) - grifei O Regulamento do ITR (Decreto n° 4.382/2002) consolidou a legislação que rege o ITR, dispondo sobre a exigência de ADA nos seguintes termos: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei n°9,393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II): I - de preservação permanente (Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965 - Código Florestal, arts. 2° e 3, com a redação dada pela Lei n" 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1); II - de reserva legal (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, art. 1); III - de reserva particular do patrimônio natural (Lei n° 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto n° 1.922, de 5 de junho de 1996); IV - de servidão florestal (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44-A, acrescentado pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001); V - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e lido caput deste artigo (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II, alínea "b"); VI - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II, alínea "c"). (.) § 3' Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBANIA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei n°6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-0, § 5, com a redação dada pelo art. I° da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e - estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. 7 § 4° O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3' e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de oficio, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de oficio, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei n° 6.938, de 1981, art. 17-0, § 5, com a redação dada pelo art. 1" da Lei n° 10.165, de 2000). Grifei. Portanto, para fins de lançamento do ITR do exercício de 2001, a exigência do ADA para efeito de redução do imposto encontra-se prevista em lei, bem como nas normas complementares que a regulamentam. Contudo, para amparar sua pretensão de descaracterizar a exigência do ADA para fins de apuração do ITR, o contribuinte cita o § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/1996, com redação dada pela MP n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, que assim dispõe: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. (.) § 70 A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001) Pode-se extrair do contido no do art. 10, caput, e § 7° acima reproduzidos, que o ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, previsto no art. 150 do CTN. Nessa espécie de lançamento, o contribuinte tem o dever de antecipar o pagamento do tributo independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, pagamento esse que fica sujeito a homologação expressa ou tácita, nos termos definidos no caput do art. 150 e em seu § 4°. Nesse contexto, imperioso se torna contextualizar o contido no § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/1996 com os dispositivos legais relativos ao lançamento por homologação. O contribuinte, ao apurar e pagar o tributo devido, o faz independentemente de prévia comprovação dos dados por ela informados em declaração. Ao entregar a declaração do ITR à Receita Federal e efetuar o respectivo pagamento nos termos e prazos fixados na legislação tributária, o contribuinte não está obrigado a, antecipadamente, comprovar quaisquer dos dados declarados que serviram de base para a apuração do imposto. E não poderia ser diferente, sob o risco de descaracterizar o instituto do lançamento por homologação expressamente previsto no CTN. 8 Processo n° 10120.007423/2005-61 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.082 Fl. 107 A não apresentação do ADA pelo contribuinte não veda a entrega da declaração do ITR à Receita Federal, seja física ou eletronicamente. Nem a entrega do ADA nem de qualquer outro documento que possa ter o condão de comprovar os dados declarados. O ADA é obrigação acessória criada pela legislação tributária, encontrando- se em consonância com o contido no § 2° do art. 113 do CTN. Trata-se de uma prestação positiva compulsória a que o contribuinte se encontra obrigado. Sua apresentação pode se dar em até seis meses após a entrega da declaração do ITR (inciso II do § 4° do art. 10 da IN SRF n° 43/1997), hipótese essa que, por si só, distancia essa obrigatoriedade da expressão "prévia comprovação". O contido no § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/1996 seria descumprido se a entrega da declaração do ITR estivesse condicionada à prévia protocolização do ADA, o que não ocorre. De acordo com o inciso III do art. 111 do CTN, a dispensa de cumprimento de obrigação acessória deve ser interpretada literalmente. Dessa forma, a interpretação gramatical do § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/1996 nos leva a concluir que não houve dispensa da obrigação de apresentação do ADA pelo contribuinte. Houve, tão-somente, a dispensa de "comprovação prévia" de áreas de interesse ambiental informadas na declaração do ITR. Isso, contudo, não dispensa o contribuinte de comprovar, a posteriori, em caso de procedimento administrativo de fiscalização, as informações declaradas, por meio de documentação hábil nos termos da legislação de regência da matéria. Diante do exposto, pela não observância do contido no art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/1981, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 10.165/2000, bem como nas normas complementares que regulamentam a matéria, não há como acatar a pretensão da Recorrente de descaracterizar a exigência legal do ADA, requisito necessário à comprovação das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada. II. Comprovação da efetiva existência das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada — Mapa de Situação do Imóvel Rural A par da discussão acerca da exigibilidade do ADA para fins de exclusão das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada na apuração do ITR, a Recorrente se reporta a um mapa da área elaborado por técnico agrimensor (fl. 14) que, segundo ela, comprovaria a real existência, no imóvel rural, de referidas áreas ambientais. Contudo, referido mapa encontra-se desacompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) que lhe asseguraria o caráter probatório, em conformidade com o contido no art. 1° da Lei n° 6.496/1977, que instituiu a ART, e tendo por base a Resolução Confea n° 218/1973, artigos 24 e 25, parágrafo único, que disciplinam as atividades do técnico de grau médio que atua nas áreas de engenharia, arquitetura e agronomia. III. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do presente recurso voluntário e no mérito julgar pelo seu IMPROVIMENTO, em face da não-comprovação da efetiva existência das áreas declaradas a titulo de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, nem a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao lbama ou órgão conveniado, ,n¡n11 9 em razão do que restam não comprovadas referidas áreas para fins de exclusão na apuração do ITR do exercício de 2001, nos termos da legislação aplicável. É como voto. (A.~ HÉLCIO LAFETÁ REIS o
score : 1.0
Numero do processo: 10435.000386/2002-73
Data da sessão: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 LUCRO REAL. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. EFETIVIDADE DA ENTREGA DOS RECURSOS. Fica descaracterizada a presunção legal de omissão de receitas, de que trata o art. 229 do RIR/94, quando há elementos de prova da efetividade da entrega e da origem dos recursos.
Numero da decisão: 1103-000.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. EFETIVIDADE DA ENTREGA DOS RECURSOS. Fica descaracterizada a presunção legal de omissão de receitas, de que trata o art. 229 do RIR/94, quando há elementos de prova da efetividade da entrega e da origem dos recursos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Relatora ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Hugo Correia Sotero, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Décio Lima Jardim e Marcos Vinícius Neder de Lima (relator e Presidente da Turma, à época). Fl. 705DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10435.000386/200273 Acórdão n.º 110300.032 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de lançamento do IRPJ e os decorrentes relativos às exigências de CSLL, PIS e COFINS, do anocalendário de 1998, em razão da infração de omissão de receitas, caracterizada por suprimento de numerário sem comprovação da origem e/ou efetiva entrega dos recursos. Do Termo de auditoria, transcrevo os seguintes trechos: Procedemos à análise dos valores lançados nas contas 2.2.1.01.001Ferreira Costa Minerações Ltda e 2.2.1.02.001 Cyro Ferreira da Costa, referentes aos empréstimos efetuados pelos mesmos, para tanto, intimamos a fiscalizada a comprovar a origem e a efetiva entrega dos valores recebidos a titulo de empréstimo. Em atendimento a intimação desta fiscalização a fiscalizada nos apresentou vários recibos; alguns referentes ao pagamento de duplicatas da fiscalizada pela Ferreira Costa Minerações Ltda e outros referentes a empréstimos em dinheiro efetuados pela Ferreira Costa Minerações Ltda e pelo sócio o Sr. Cyro Ferreira da Costa. A fim de comprovarmos a veracidade das operações esta fiscalização intimou a empresa Ferreira Costa Minerações Ltda a comprovar a efetividade das mesmas, solicitando para tanto que nos fosse apresentado: o Livro Razão da conta de empréstimo, cópia das notas fiscais de vendas efetuadas para Ferreira Costa & Cia Ltda e cópia das Duplicatas emitidas. Tendo a empresa apresentado a documentação solicitada esta fiscalização procedeu a análise dos documentos apresentados conforme abaixo: Quanto aos valores de empréstimo efetuados através de quitação de duplicatas de emissão da Ferreira Costa Minerações Ltda, contra a Ferreira Costa & Cia Ltda, esta fiscalização considerou a operação devidamente comprovada, uma vez que ficou vinculada a operação de empréstimo com a quitação das respectivas duplicatas, além disso, ficou comprovada a operação de venda efetuada para a Ferreira Costa & Cia Ltda, mediante a apresentação das Notas Fiscais de venda, atentese ainda para o fato de que na operação não houve ingresso de numerário, apenas uma permuta entre as contas Duplicatas a Pagar e Empréstimos de Sócios; Quanto aos valores dos empréstimos efetuados para pagamento de duplicatas diversas de responsabilidade da Ferreira Costa & Cia Ltda, o contribuinte comprovou a origem através de cópia do extrato bancário da Ferreira Costa Mineração Ltda, no entanto não ficou devidamente comprovada a efetiva entrega do numerário tendo sido apresentado recibos assinados pela Fl. 706DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10435.000386/200273 Acórdão n.º 110300.032 S1C1T3 Fl. 3 3 empresa beneficiária do empréstimo, sem vinculação a qualquer outro documento que comprove a efetividade da entrega do numerário em questão ( recibo de depósito bancário, cópia de cheque, etc. ), anexos docs. de fls. 115 a 143; Quanto aos valores de empréstimos efetuados em dinheiro, não ficou devidamente comprovada com documentos hábeis e idôneos, a efetividade da mesma, uma vez que foi apresentado a esta fiscalização recibos assinados pela empresa beneficiária do empréstimo, sem vinculação a qualquer outro documento que comprove a efetividade da entrega do numerário em questão ( recibo de depósito bancário, cópia de cheque, etc. ), portanto, os recibos apresentados pela fiscalizada não se revestem das formalidades necessárias exigidas pela legislação do imposto de renda para comprovar a idoneidade dos mesmos, para tanto vejamos a legislação que rege a matéria, anexos, docs. de fls. 115 a 143. (...) Quanto aos valores de empréstimos efetuados em dinheiro, pelo sócio Sr. Cyro Ferreira da Costa, CPF no. 004.029.31491, foi apresentado a esta fiscalização como comprovação da origem do numerário copia da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do Sr. Cyro Ferreira da Costa, onde consta na declaração de bens a liquidação de dois empréstimos efetuados pelos Srs. Guilherme Ferreira da Costa e André Ferreira da Costa, nos valores de R$ 139.551,12 e 247.775,00, respectivamente, com os quais o contribuinte prova a origem do empréstimo efetuado a Ferreira Costa & Cia Ltda , no valor de R$ 387.326,12. No entanto a efetiva entrega não ficou devidamente comprovada com documentos hábeis e idôneos, tendo sido apresentado a esta fiscalização recibos assinados pela empresa beneficiária do empréstimo, sem vinculação a qualquer outro documento que comprove a efetividade da entrega do numerário em questão ( recibo de deposito bancário, copia de cheque, etc. ), portanto, os recibos apresentados pela fiscalizada não se revestem das formalidades necessárias exigidas pela legislação do imposto de renda para comprovar a idoneidade dos mesmos, acima transcrevemos a legislação que rege a matéria, anexo docs. de fls. 135 a 143. A Turma Julgadora considerou o lançamento procedente em parte. Do voto condutor do acórdão, merece destaque o seguinte: Como se vê do Relatório de Auditoria, os ingressos tributados (especificados no demonstrativo fiscal de fls. 150) decorrem de: (a) empréstimos efetuados em dinheiro empresa pelo sócio Cyro Ferreira da Costa; (b) empréstimos efetuados em dinheiro à empresa pelo sócio Ferreira Costa Mineração Ltda; e (c) empréstimos efetuados à empresa pelo sócio Ferreira Costa Mineração Ltda, por meio do pagamento de diversas duplicatas ou dividas pertencentes à empresa autuada, Ferreira Costa & Cia Ltda. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10435.000386/200273 Acórdão n.º 110300.032 S1C1T3 Fl. 4 4 No primeiro caso (a), explica o Defendente que os recursos tiveram origem na distribuição de juros sobre o capital próprio para os sócios André, Guilherme e Ciro Ferreira Costa. Aconteceu que os aludidos juros foram transferidos diretamente para a conta contábil patrimonial de Cyro, urna vez que André e Guilherme valeramse da parte que faziam jus para pagamento de divida pessoal contraída junto a Cyro, que emprestou à. empresa o montante de R$ 387.326,12. Segundo esclarece o Impugnante, a referida operação foi registrada na sua contabilidade por um simples procedimento de extracaixa: pelo pagamento, debitou Despesas de Juros de Capital Próprio a crédito de Caixa; depois debitou Caixa a credito da conta de patrimônio de Cyro; quando, na verdade, deveria simplesmente debitar a conta de Despesas de Juros de Capital Próprio a crédito da conta patrimonial do sócio Cyro. A seguir, sustenta o Defendente que não houve omissão de receitas, pois o valor tem origem (distribuição de juros sobre o capital próprio) e quanto à efetividade da entrega, nem é necessário, eis que se cuida de movimentação contábil que não afeta a conta Caixa da empresa. Nessa questão, não se discute que a origem dos recursos esteja comprovada. Mesmo porque a própria Fiscalização, no Relatório de Auditoria, já havia a aceitado como comprovada. Resta, pois, indagar se, efetivamente, ocorreu a efetiva entrega dos referidos recursos ao caixa da empresa? E a resposta é não. Senão vejamos. Primeiramente, a Fiscalização salientou que "no entanto a efetiva entrega não ficou devidamente comprovada com documentos hábeis e idôneos, tendo sido apresentado a esta fiscalização recibos assinados pela empresa beneficiária do empréstimo, sem vinculacão a qualquer outro documento que comprove a efetividade da entrega do numerário em questão (recibo de depósito bancário, cópia de cheque, etc.)". Ocorre que, conforme destacou o próprio Impugnante, essa operação de empréstimo não afetou a sua conta Caixa, pois, na verdade, ocorreu um simples procedimento extracaixa. Ou seja, efetivamente a referida operação (empréstimo do sócio A empresa) não envolveu nenhuma transferência de moeda (espécie) nem mesmo de crédito bancário, do mutuante ao mutuário. É evidente, pois, que não houve nenhuma entrega de dinheiro ao caixa nem transferência bancária para crédito na contacorrente da empresa. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10435.000386/200273 Acórdão n.º 110300.032 S1C1T3 Fl. 5 5 Ocorre que, nessa operação, foi comprovada" a origem dos recursos, mas não houve a efetiva entrega dos respectivos numerários ao caixa da pessoa jurídica. Nesse sentido, foi efetivada uma operação de empréstimo do sócio para a empresa, realizada pela distribuição de juros sobre o capital próprio àquele, que não o recebeu em espécie, mas, em Contrapartida, ficou com um direito creditório. Logo, o contribuinte, concomitantemente, reconheceu uma despesa e um passivo. Em suma, ocorreu um empréstimo ou mútuo feito pelo sócio à empresa, que não é uma sociedade anônima, sem que tenha havido a efetiva entrega dos recursos ao caixa No segundo (b), a Fiscalização considerou como não comprovada a efetividade da entrega dos numerários, relativamente aos valores dos empréstimos efetuados em dinheiro pela Ferreira Costa Mineração Ltda a Ferreira Costa & Cia Ltda. A defesa, por sua vez, destacou que os referidos aportes, em espécie, foram feitos sem o estouro de Caixa na empresa mutuante, Ferreira Costa Mineração Ltda. Nesse sentido, foi elaborado na impugnação um demonstrativo, coincidente em datas e valores, para demonstrar a capacidade financeira desta empresa para realizar tais aportes. Todavia, como já se disse, é irrelevante a capacidade econômica e financeira do supridor. De outro lado, a documentação apresentada restringiuse a meros recibos assinados pela mutuaria, ora Impugnante, reconhecendo a divida. No entanto, somente essa prova não está apta para atestar a efetividade da entrega dos recursos emprestados. E preciso mais, notadamente: provas lastreadas em documentos hábeis e idôneos emitidos por terceiros, atestando a entrada dos recursos no caixa do mutuário, de forma coincidente em data e valores com os dados lançados nos registros contábeis. Portanto, nesses dois casos — (a) e (b) , não restou elidida a presunção legal prevista no art. 282, do RIR199, pois não se demonstrou a regularidade dos suprimentos, notadamente, porque, no primeiro, efetuouse o empréstimo do sócio à empresa sem qualquer entrega de numerário ao caixa; no outro, não foi produzida prova capaz de atestar a efetividade da entrega dos valores emprestados, sendo irrelevante a capacidade econômica e financeira do supridor. No último caso (c), o Fisco considerou que não foi devidamente comprovada a efetiva entrega do numerário, relativamente aos empréstimos realizados pela Ferreira Costa Mineração Ltda ao Impugnante, efetivados por pagamentos de duplicatas ou dividas de responsabilidade do contribuinte. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10435.000386/200273 Acórdão n.º 110300.032 S1C1T3 Fl. 6 6 Contudo o Impugnante discordou. Confirmou que débitos seus foram pagos pela Supridora, Ferreira Costa Minerações Ltda; e sustentou que esse fato é a prova maior da efetividade da entrega. A defesa elaborou, na impugnação, demonstrativos, de fls. 160/161, discriminando os pagamentos efetuados pela Supridora das dividas da Autuada, por data, por quantidade de duplicatas, por valor e pelo cheque utilizado para pagamento, tendo também, nesse sentido, juntado aos autos vários comprovantes (doc. 07 a doc. 11 vide documentos de fls. 258/536). Primeiramente, cumpre salientar que, no caso desses pagamentos, a própria Fiscalização reconheceu a origem deles, como se pode ver deste trecho do Relatório de Auditoria: "quanto aos valores dos empréstimos efetuados para pagamento de duplicatas diversas de responsabilidade da Ferreira Costa & Cia Ltda, o contribuinte comprovou a origem através de cópia do extrato bancário da Ferreira Costa Mineração Ltda, no entanto não ficou devidamente Comprovada a efetiva entrega do numerário (.)"• (Grifouse) Como se vê, o Fisco aceitou como comprovada a origem dos pagamentos feitos em cheques, mas não a efetividade da entrega dos numerários. Todavia, nesse caso em particular, o reconhecimento da origem dos pagamentos implica necessariamente na efetividade da entrega do numerário. Isso porque a efetiva entrega do numerário ficou evidente, pois o suprimento do caixa da mutuaria (beneficiária do empréstimo) foi feito indiretamente através dos pagamentos, em cheques, que a Supridora fez diretamente aos credores da beneficiária. Ou seja, a Supridora emprestou dinheiro A. Beneficiária, ora Impugnante, pagando diretamente aos seus credores. Essa operação dá no mesmo que entregar diretamente o dinheiro à mutuaria que, o utilizaria para quitar as respectivas obrigações. Desse modo, resta comprovada tanto a origem como a efetiva entrega dos recursos, relativamente aos pagamentos feitos em cheques pela Supridora. Ademais, no mesmo passo do que ressaltou o Fisco, foram juntados aos autos comprovantes dos pagamentos, em nome da Autuada, feitos pela Supridora; e o saldo da contacorrente da Autuada está conciliado com a contacorrente da Supridora. Nesse sentido, o Impugnante apresentou, o levantamento efetuado por uma empresa de auditoria externa (vide demonstrativos de fls. 241 e 602), demonstrando que não houve divergência entre o saldo final, em 31/12/1998, no valor de R$ 3.103.388,57, da conta de mútuo ativo, registrado na Ferreira Costa Minerações Ltda; e o saldo, na mesma data e valor, da conta mútuo passivo, registrado na Ferreira Costa & Cia Ltda. Diante do que relatou o Fisco no Relatório de Auditoria e das provas apresentadas, tendo em vista, ainda, que a autoridade Fl. 710DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10435.000386/200273 Acórdão n.º 110300.032 S1C1T3 Fl. 7 7 julgadora, no exercício de suas atribuições, conta com a livre convicção motivada no exame das provas formadas de parte a parte, devem ser feitos ajustes nas bases de cálculo apuradas pela Fiscalização. Portanto, nessa parte, com base no demonstrativo feito pela defesa na impugnação e considerando apenas como comprovada a efetiva entrega dos numerários, relativamente aos pagamentos das dividas do Impugnante feitos, em cheques, pela Supridora, cabe alterar o lançamento, conforme o demonstrativo abaixo: (...) Desse modo, o valor de R$ 385.104,98, deve ser excluído da base de cálculo do IRPJ, apuração anual, periodobase de 1998. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 22.02.2008, e o recurso voluntário foi apresentado em 25.03.2008. Argumenta a recorrente que produziu as provas de improcedência da autuação, sendo que toda a prova cabe ao fisco, nos termos do art. 142 do CTN. Juntou laudo de auditoria externa da empresa Ernest Young, bem como, razão contábil de mútuo com os sócios, além de lançamentos contábeis da recorrente, que comprovariam a efetividade da entrega dos recursos. Argumenta que o fisco entendeu que alguns pagamentos efetuados pela Ferreira Costa Minerações, apesar da origem do dinheiro ter sido comprovada, não comprovou a entrega do numerário, mas que, em primeiro lugar cuidase de pagamentos efetuados por pessoa jurídica, efetuados a outra pessoa jurídica, cujos pagamentos ou empréstimos ocorreram de duas formas: a primeira em cheque, cuja parte do lançamento foi considerada improcedente, e a outra em dinheiro. Salienta que a prova da entrega está no fato da contabilidade de ambas as pessoas jurídicas estarem conciliadas; traz como prova o laudo de empresa de auditoria, que atesta que o saldo em 31.12.98, da autuada, no passivo é de R$ 3.103.388,57, e na Ferreira Costa Minerações Ltda é o mesmo valor, no ativo. Entende que essa já é prova da efetividade da entrega. Aduz que a prova da origem, está no fato de a conta analítica do caixa da Ferreira Costa Minerações Ltda, do anocalendário de 1998, comprova que não houve estouro de caixa e tampouco divergência de saldos entre a recorrente e a referida empresa, conforme doc. 6 da impugnação. Ressalta que juntou cópias do livro Razão da conta de empréstimo, das notas fiscais de vendas efetuadas pela recorrente, das duplicatas emitidas, dos cheques, dos recibos, das declarações de imposto de renda, dos livros diário e razão, e fiscais, registrados e atualizados, durante a ação fiscal, e o laudo da empresa de auditoria externa (doc. 3), na fase de impugnação. Cita o seguinte trecho do laudo: "a) Os lançamentos efetuados na rubrica de empréstimos, da Recorrente estão revestidos de documentação contábil hábil; b) Os lançamentos contábeis gerados pelas transações entre a Recorrente e a Ferreira Costa Minerações Ltda., encontramse Fl. 711DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10435.000386/200273 Acórdão n.º 110300.032 S1C1T3 Fl. 8 8 devidamente registrados na escritas contábil da Ferreira Costa Minerações Ltda.; c) Os valores que transitaram pelo pagamento ou recebimento de valores, decorrentes da movimentação financeira entre as empresas, estão devidamente lançados na movimentação contábil da conta caixa; d) As movimentações de valores entre a Recorrente e os seus acionistas, encontramse registradas na escrita contábil da Pessoa Jurídica, bem como se encontram devidamente inseridos nas Declarações de Rendimentos das Pessoas Físicas, entregues a Receita Federal na época". Ressalta que na movimentação entre pessoas jurídicas, a contabilidade faz prova em seu favor e que esta é válida, quando registrada com suporte documental, e que ademais, tratase de pagamento efetuado por sócio que é uma pessoa jurídica, e não pessoa física. Cita jurisprudência, entre os quais, o acórdão 101 13.104, de 25.02.2000 e CSRF/01 02.655, de 16.03.99, para concluir que, como se cuida de empréstimos e pagamentos entre controladora e controlada, estando devidamente escriturada a operação nas duas empresas e lastreada em documentação hábil e idônea, caberia ao fisco a prova em contrário. A seguir aborda o crédito de pessoa jurídica ligada. Explica que em 31.12.98 distribuiu, juros sobre o capital próprio para os sócios André Ferreira Costa e Guilherme Ferreira Costa, no valor de R$ 165.999,56 cada um, e Cyro Ferreira Costa, no valor de R$ 389.738,10, recolhendo inclusive o IRRF de R$ 108.280,58 (doc. 3 da impugnação). Tais recursos ficaram à disposição da conta contábil de mútuo de cada um dos sócios. Esses valores creditados e ainda não pagos foram somados ao saldo de mútuo existente para cada um dos acionistas, perfazendo em dezembro de 1998, os seguintes saldos: GFC – R$ 269.056,54, AFC – R$ 325.095,32 e CFC – R$ 1.756.172,47. Os sócios GFC e AFC deviam ao sócio CFC, pai de ambos, os montantes de R$ 139.551,12 e R$ 247.775,00, respectivamente, e resolveram liquidar esses empréstimos, com parte dos créditos que possuíam junto à recorrente, pagos com juros de capital próprio, autorizando a transferência contábil, na recorrente, de seus créditos no valor total de R$ 387.326,12 em favor do sócio CFC. Após os ajustes, em 31.12.98, o saldo das contas dos sócios ficou com os seguintes saldos: GFC – R$ 129.505,42, AFC – R$ 77.320,32 e CFC – R$ 2.143.498,59, conforme pode ser verificado no doc. 3 da impugnação, razão contábil das contas. Explica que o problema é que ao formalizar a operação, o contador da empresa efetuou as contrapartidas dos lançamentos a débito e a crédito, dentro do princípio das partidas dobradas, utilizandose da conta caixa. Por exemplo, para eliminar o passivo do sócio GFC com o sócio CFC, por conta da cessão de créditos para liquidação do empréstimo entre os sócios pessoa física, a recorrente debitou a conta de direitos do sócio GFC no passivo, e creditou, ao mesmo tempo, a conta caixa; por outro lado debitou a conta caixa e creditou a conta de CFC. Reconhece que em um sistema mais avançado, o contador poderia fazer a transferência direta, debitando a conta do sócio GFC e creditando a conta do sócio CFC. Cita jurisprudência administrativa para concluir que é dado ao contribuinte o direito de escolher a forma que melhor lhe pareça para efetiva o registro contábil, não podendo o fisco nela interferir somente para exigir tributos sobre renda que inexiste; acrescenta que a forma como foram feitos os lançamentos não teve qualquer efeito patrimonial; ou seja, o que Fl. 712DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10435.000386/200273 Acórdão n.º 110300.032 S1C1T3 Fl. 9 9 ocorreu foram lançamentos contábeis, somente para manter o preceito contábil das partidas dobradas, e ainda que se considerasse um erro, nenhum efeito fiscal produziu. Afirma que o simples registro contábil, ainda que não obedeça ao padrão técnico, não há efeito tributário, porque ocorreu apenas, simples registro transitório na conta contábil caixa; e que poderia ter feito via extracaixa, tirando mediante débito, das contas de Guilherme e André, e colocando mediante crédito na conta de Cyro, sem passar pela conta caixa, mas o resultado final seria o mesmo. Apresenta contra razões à decisão recorrida, às fls. 658/663. Este é o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, Relatora ad hoc O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. A acusação fiscal diz respeito a omissão de receitas, caracterizada por suprimento de numerário sem comprovação da origem e/ou efetiva entrega dos recursos. A Turma Julgadora considerou o lançamento procedente em parte. Excluiu do lançamento o valor tributável de R$ 385.104,98. Após a decisão de primeira instância, o litígio se restringe aos seguintes suprimentos de numerário: a) Empréstimos efetuados em dinheiro à autuada, pelo sócio Cyro Ferreira da Costa; b) Empréstimos efetuados em dinheiro à autuada, pela pessoa jurídica Ferreira Costa Mineração Ltda. Em relação aos empréstimos efetuados em dinheiro à empresa, pelo sócio Cyro Ferreira da Costa, segundo a fiscalização, a comprovação da origem dos recursos (liquidação de dois empréstimos efetuados pelos Srs. Guilherme Ferreira da Costa e André Ferreira da Costa, nos valores de R$ 139.551,12 e R$ 247.775,00 – valor total R$ 387.326,12) foi efetuada, assim, a acusação fiscal diz respeito apenas à falta de comprovação da efetiva entrega dos recursos, uma vez que a contribuinte apresentou apenas cópia de recibos. A recorrente argumenta que, em 31.12.98, distribuiu juros sobre capital próprio para os sócios André Ferreira da Costa e Guilherme Ferreira da Costa, no valor de R$ 165,999,56 cada um, e a Cyro Ferreira Costa, no valor de R$ 389.738,20, tendo inclusive recolhido o IRRF, e que esses recursos ficaram à disposição da conta contábil de mútuo de cada um dos sócios. Esses valores creditados e ainda não pagos foram somados ao saldo de mútuo existente para cada um dos acionistas, perfazendo em dezembro de 1998, os seguintes saldos: GFC – R$ 269.056,54, AFC – R$ 325.095,32 e CFC – R$ 1.756.172,47. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10435.000386/200273 Acórdão n.º 110300.032 S1C1T3 Fl. 10 10 Explica a recorrente, que os sócios Guilherme Ferreira da Costa e André Ferreira da Costa, deviam ao sócio Cyro Ferreira Costa, os montantes de R$ 139.551,12 e R$ 247.775,00, respectivamente, e que liquidaram esses empréstimos com parte dos créditos que possuíam junto à recorrente, pagos com juros de capital próprio, autorizando a transferência contábil, na recorrente, de seus créditos, no valor total de R$ 387.326,12, em favor do sócio Cyro Ferreira Costa. Salienta que ao formalizar a operação, o contador da empresa efetuou as contrapartidas dos lançamentos a débito e a crédito, utilizandose da conta caixa, ou seja, para eliminar o passivo do sócio Guilherme Ferreira da Costa com o sócio Cyro Ferreira da Costa, debitou a conta de direitos do sócio Guilherme Ferreira Costa no passivo, e creditou ao mesmo tempo, a conta caixa; e, por outro lado, creditou a conta de Cyro Ferreira Costa. Do exposto, levando em conta as informações contábeis da recorrente, acima mencionadas, ainda que não tenha havido a transferência física de moeda, concluo que o efetivo ingresso dos empréstimos à autuada pelo sócio Cyro Ferreira Costa está comprovado, descaracterizandose a presunção de omissão de receitas. Quanto aos empréstimos efetuados em dinheiro à autuada, pela pessoa jurídica ligada Ferreira Costa Minerações Ltda, acusa a fiscalização, que não foram devidamente comprovados com documentos hábeis e idôneos, a efetividade da operação, porque somente foram apresentados recibos assinados pela empresa beneficiária do empréstimo, sem vinculação a qualquer outro documento que comprove a efetividade da entrega do numerário. Ou seja, não há acusação de falta de comprovação da origem dos recursos, mas apenas, de falta de comprovação do efetivo ingresso dos recursos na empresa autuada. A recorrente afirma que a prova da entrega está no fato da contabilidade de ambas as pessoas jurídicas estarem conciliadas; traz como prova o laudo de empresa de auditoria elaborado pela empresa Ernst & Young. Aduz que a prova da origem, está no fato de a conta analítica do caixa da Ferreira Costa Minerações Ltda, do anocalendário de 1998, comprovar que não houve estouro de caixa e tampouco divergência de saldos entre a recorrente e a referida empresa, conforme doc. 6 da impugnação. Juntou cópias do livro Razão da conta de empréstimo, das notas fiscais de vendas efetuadas pela recorrente, das duplicatas emitidas, dos cheques, dos recibos, das declarações de imposto de renda, dos livros diário e razão, e fiscais, registrados e atualizados, durante a ação fiscal. Concluo que, tratandose de pessoas jurídicas, e estando as contas contábeis de ambas empresas conciliadas, representada pelo confronto entre os livros Razão de ambas empresas, “contas de empréstimo x conta caixa” e conta de empréstimos – Ferreira Costa Minerações Ltda, e conta de mútuo ativo – autuada), já são provas suficientes para comprovar o efetivo ingresso dos recursos fornecidos pela empresa Ferreira Costa Minerações Ltda, descaracterizandose a presunção legal de omissão de receitas. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Relatora ad hoc Fl. 714DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10435.000386/200273 Acórdão n.º 110300.032 S1C1T3 Fl. 11 11 Fl. 715DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11330.001204/2007-27
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/05/2003, 30/06/2006
EMENTA
DA DITA NULIDADE FORMAL DA NFLD E DA OFENSA A AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO
Alegação de que a NFLD não atende aos requisitos de lei, se todas as exigências do Artigo 5ª, inciso LV da Carta Maior e os permissíveis da legislação específica, mormente a Lei 8.212/91 e do Decreto 70.235/72 foram acudidos, como é o caso em tela, não merece prosperar.
TRIBUTAÇÃO EM COTA DE PATROCÍNIO.
Alega a Recorrente que houve tributação em cotas de patrocínio, o que não se verificou, configurando uma negativa genérica, sem substância, pois o Relatório Fiscal demonstrou cabalmente as devidas e imperiosas rubricas.
BI-TRIBUTAÇÃO.
Inexiste bi-tributação quando norma nova autoriza o parcelamento, sem que este tenha sido realizado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Correa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro Lopes.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/05/2003, 30/06/2006 EMENTA DA DITA NULIDADE FORMAL DA NFLD E DA OFENSA A AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Alegação de que a NFLD não atende aos requisitos de lei, se todas as exigências do Artigo 5ª, inciso LV da Carta Maior e os permissíveis da legislação específica, mormente a Lei 8.212/91 e do Decreto 70.235/72 foram acudidos, como é o caso em tela, não merece prosperar. TRIBUTAÇÃO EM COTA DE PATROCÍNIO. Alega a Recorrente que houve tributação em cotas de patrocínio, o que não se verificou, configurando uma negativa genérica, sem substância, pois o Relatório Fiscal demonstrou cabalmente as devidas e imperiosas rubricas. BI-TRIBUTAÇÃO. Inexiste bi-tributação quando norma nova autoriza o parcelamento, sem que este tenha sido realizado. Recurso Voluntário Negado
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TRIBUTAÇÃO EM COTA DE PATROCÍNIO. Alega a Recorrente que houve tributação em cotas de patrocínio, o que não se verificou, configurando uma negativa genérica, sem substância, pois o Relatório Fiscal demonstrou cabalmente as devidas e imperiosas rubricas. BITRIBUTAÇÃO. Inexiste bitributação quando norma nova autoriza o parcelamento, sem que este tenha sido realizado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 12 04 /2 00 7- 27 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 2 (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro Lopes. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11330.001204/200727 Acórdão n.º 2301002.609 S2C3T1 Fl. 329 3 Relatório Tratase de crédito da Seguridade Social abrangendo o período de 05/2003 a 06/2006, consolidado em 30/10/2006, decorrente de contribuições à Seguridade Social incidentes sobre os valores declarados em GFIP pela própria entidade, conforme relatório fiscal, de fls.29/32. Informou o relatório fiscal que: FGP – Patrocínio: 1.1 As contribuições previdenciárias, apuradas em conformidade com o § 3° do art. 205 do RPS — Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, cujos fatos geradores foram declarados em GFIP; 1.2 O montante devido foi apurado ano exame das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP e de Recolhimento Rescisório — GRFP, informadas ao INSS na forma como dispõe o inciso IV do art. 225 do RPS, exibidas no curso da Ação Fiscal de Fato Gerador Especifico GFIP; 1.3 A contribuição previdenciária devida à Seguridade Social, originária do fato gerador acima, equivale a 5% (cinco por cento), incidente sobre os valores declarados como RECEITA DE EVENTOS DESPORTIV/PATROCÍNIO nas GFIP considerados como PATROCÍNIO, cabendo à FBA, por ocasião do repasse, efetuar o referido desconto e o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, na forma da lei; 1.4 Ressaltese que a FBA nem efetuou a devida retenção do percentual de 5% (cinco por cento), nem recolheu a contribuição devida em GPS (código de pagamento 2500), ensejando assim a emissão da presente NFLD. 2. FGI — EMPREGADOS E CONTRIB. INDIVIDUAIS: Diferença referente a valores declarados em GFIP e recolhimentos em GPS referentes a contribuintes individuais. As bases de cálculo das contribuições acima foram apuradas através de VALORES DECLARADOS EM GFIP pela própria entidade, anexo ao Relatório Fiscal; Veio a Impugnação, tempestiva, pois, conforme os autos, apresentada com 30 (trinta) dias após a ciência, onde, em síntese alegou: Em preliminares: 1. Indica como fundamento legal da competência para arrecadação da contribuição a partir de 28/10/04, com fulcro na Lei n° 11.098/05, face conversão da MP 222/2004, que foi revogada; Fl. 364DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 4 2. Que o MPF é datado de 05/10/06 e o TEAF, por sua vez é de 18/06/07, portanto, mais de oito meses após o início do procedimento fiscal; 3. Que há contradição entre a informação constante do MPF e a do TEAF; 4. Que o Sr° Ricardo Teixeira não é representante, nem associado e tão pouco procurador da Recorrente; 5. Que não ficou cristalino na NFLD se o lançamento tem como esteio a responsabilidade tributária da entidade promotora de espetáculo ou da pessoa que realiza pagamento de patrocínio, licenciamento, publicidade e de transmissão; 6. Que há obstáculo ao pleno conhecimento da notificada acerca da justeza (exatidão) contra ela lançada. No Mérito: 1. Que sobre cotas de patrocínio não incide contribuição previdenciária; 2. Que somente poderá ser responsabilizado tributariamente a pessoa vinculada ao fato gerador. Neste sentido a lei federal criou duas formas de responsabilidade: i) a entidade promotora do espetáculo, concernente à receita do evento e, ii) da empresa ou entidade que pagar, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos; 3. Que nos casos acima não ficou claro a obrigatoriedade da Recorrente, porque ela não é promotora de qualquer evento esportivo; não realiza qualquer pagamento com natureza de patrocínio, licenciamento, publicidade, etc.; 4. Que a FAB não patrocina seus associados e por isto não tem a obrigação tributária cobrada; 5. Que a contribuição previdenciária deve incidir sobre os clubes de futebol associado e ou sobre seus representantes legais; 6. Que a Lei 11.505/07 (TIMEMANIA), autoriza os clubes de futebol a este passivo, declarando seus débitos e responsabilidades fiscais; 7. Que a base de cálculo sobre os patrocínios estão incorretas; 8. Que nos autos do processo administrativo não há informações conclusivas assaz, autorizando a fiscalização o lançamento efetuado e tão pouco como chegou ao montante que considera devido; 9. Ao final pede a anulação da NFLD e conseqüente lançamento dos lançamentos tributários. Em que pese todos argumentos expandidos a DRJ/RJ julgou procedente o lançamento efetuado, exarando o seguinte acórdão: Fl. 365DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11330.001204/200727 Acórdão n.º 2301002.609 S2C3T1 Fl. 330 5 INCIDE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA SOBRE A RECEITA BRUTA DE EVENTOS DESPORTIVOS/PATROCÍNIO DECLARADA EM GFIP. Incide contribuição previdenciária sobre contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, destinada à seguridade social, em substituição As previstas no inciso I do caput do art. 201 e no art. 202, corresponde a cinco por cento da receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos de que participe em todo território nacional, em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos, na forma do art. 22, parágrafos 6 ° e 9° da Lei 8.212/91. Em dois de julho de 2008 tomou ciência da decisão e em primeiro de agosto interpôs o presente Recurso Voluntário, o que demonstra sua tempestividade. O Recurso aviado alega: 1 – A nulidade formal da NFLD e da ofensa a ampla defesa e ao contraditório; 2 – Que há contribuição incidente sobre cotas de patrocínio: inexistência de responsabilidade tributaria; 3 – Que há ilegal presunção da base de cálculo no que tange à contribuição sobre "patrocínio" e sobre a incidente sobre pagamento a contribuintes individuais; 4 – Que há bitributação; Eis em apertada síntese o relato dos fatos Fl. 366DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 6 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa , Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. DA DITA NULIDADE FORMAL DA NFLD E DA OFENSA A AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Da alegação inicial de que a NFLD não atendeu aos requisitos de lei, não merece prosperar, mormente porque, como se vê, a fiscalização foi de uma transparência impar, demonstrando clara e precisamente os montantes que compuseram o total, esclarecendo as alíquotas aplicadas e o procedimento utilizado para apuração do crédito previdenciário. Todas as exigências do artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, foram atendidos, bem como dos permissiveis e derminativos legais da Lei 8.212/91, Decreto 70.235/72 e demais legislações. Apenas para locupletar, tenho que o contraditório é inerente ao direito de defesa e decorrente da bilateralidade do processo, ou seja, quando uma das partes alega alguma coisa, há de se oportunizar a outra de ser ouvida, dandolhe oportunidade de resposta. Neste direito de resposta, conforme ocorreu no caso em tela, onde foi oportunizado a Recorrente ter o conhecimento dos atos processuais, houve claramente a: a) a notificação dos atos processuais para ela; b) a possibilidade de exame das provas constantes do processo; c) direito de arrolar documentos; e, d) direito de apresentar defesa escrita, tanto que recorreu voluntariamente, onde se está a julgar. Quanto a ampla defesa, tenho que também não houve ofensa, uma vez que esta deve abranger a defesa técnica, ou seja, o defensor deve estar devidamente habilitado, e a defesa efetiva, ou seja, a garantia e a efetividade de participação da defesa em todos os momentos do processo, O QUE OCORREU. De forma que, neste quesito, sem razão a Recorrente. QUE HÁ CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE COTAS DE PATROCÍNIO: INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA Alega a Recorrente que inexiste responsabilidade tributária sobre cotas de patrocínio. Mas, que não lhe assiste razão. Na clareza da lei, cessa sua interpretação. E no caso em tela a legislação é cristalina. Vejamos: Lei 8.212/91. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11330.001204/200727 Acórdão n.º 2301002.609 S2C3T1 Fl. 331 7 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (Vide Lei n° 9.317, de 1996) § 6° A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional destinada a Seguridade Social, em substituição à prevista nos incisos I e II deste artigo, corresponde a cinco por cento da receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e de transmissão de espetáculos desportivos. (Incluído pela Lei n°9.528, de 10.12.97) § 7° Caberá a entidade promotora do espetáculo a responsabilidade de efetuar o desconto de cinco por cento da receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos e o respectivo recolhimento ao Instituto Nacional do Seguro Social, no prazo de até dois dias úteis após a realização do evento. (Incluído pela Lei n°9.528, de 10.12.97) §s 8° Caberá a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional informar a entidade promotora do espetáculo desportivo todas as receitas auferidas no evento, discriminandoas detalhadamente. (Incluído pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) § 9° No caso de a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional receber recursos de empresa ou entidade, a titulo de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, esta última ficará com a responsabilidade de reter e recolher o percentual de cinco por cento da receita bruta decorrente do evento, inadmitida qualquer dedução, no prazo estabelecido na alínea "b", inciso I, do art. 30 desta Lei. (Incluído pela Lei n° 9.528, de 10). Regulamento aprovado pelo Dec. 3.048/99 Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: .... Art. 205. A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, destinada à seguridade social, em substituição às previstas no inciso I do caput do art. 201 e no art. 202, corresponde a cinco por cento da receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos de que participe em todo território nacional, em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 8 Art. 225. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto A Recorrente alega que não é entidade promotora de qualquer evento esportivo, que não realiza qualquer pagamento de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculo, que não patrocina seus associados, não utiliza marcas e símbolos de seus associados, não possui veículos de propaganda e publicidade, que não transmite qualquer espetáculo. Segundo ela, tão somente intermedeia o recebimento de tais verbas para seus associados realizando o repasse, e que a operação de repasse efetuada por ela, aos clubes de futebol, não se amolda à típica previsão de responsabilidade tributária prevista em lei. Todavia, consta do Estatuto da FBA: Art. 4°A Futebol Brasil Associados tem como finalidade: I Representar os associados nos assuntos referentes à pratica de futebol e dos interesses coletivos e difusos, inerentes, perante terceiros, e em especial juntos as entidades de administração do desporto, ligas, federações regionais e confederação Brasileira de Futebol; II Negociar, autorizar, proibir afixação de imagem (direito de arena e outros) por meio ou processo, do espetáculo de prática desportiva em que os associados tomarem parte, em partidas, torneios ou campeonatos de abrangência regional ou nacional; III Negociar com terceiros, em nome dos associados, a publicidade estática dos estádios, e demais propriedades relativas as competições onde os associados estiverem presentes; IV Contribuir com sugestões, pareceres técnicos, científicos e didáticos para a regulamentação técnica e disciplinar de competições de futebol de pratica profissional; V Exercer o direito de participação e representação, quando autorizados, de seus associados, nas Assembléias Gerais de Confederação Brasileira de Futebol; Parágrafo único: Não se incluem nos direitos referidos neste artigo aqueles pertencentes individualmente aos associados, nos moldes do art. 42, caput e art. 87, da Lei 9615/98: Lei 9615/98: Fl. 369DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11330.001204/200727 Acórdão n.º 2301002.609 S2C3T1 Fl. 332 9 Art. 42. Às entidades de prática desportiva pertence o direito de negociar, autorizar e proibir afixação, a transmissão ou retransmissão de imagem de espetáculo ou eventos desportivos de que participem. § 1º Salvo convenção em contrário, vinte por cento do prego total da autorização, como mínimo, será distribuído, em partes iguais, aos atletas profissionais participantes do espetáculo ou evento. § 2º 0 disposto neste artigo não se aplica a flagrantes de espetáculo ou evento desportivo para fins, exclusivamente, jornalísticos ou educativos, cuja duração, no conjunto, não exceda de três por cento do total do tempo previsto para o espetáculo. § 3º 0 espectador pagante, por qualquer meio, de espetáculo ou evento desportivo equiparase, para todos os efeitos legais, ao consumidor, nos termos do art. 2° da Lei n° 8.078, de 11 de setembro de 1990. Art. 87. A denominação e os símbolos de entidade de administração do desporto ou prática desportiva, bem como o nome ou apelido desportivo do atleta profissional, são de propriedade exclusiva dos mesmos, contando com a proteção legal, válida para todo o território nacional, por tempo indeterminado, sem necessidade de registro ou averbação no órgão competente. Assim, ao contrário do que alega em sua peça recursiva, os poderes da Recorrente autorizado em seu estatuto, vão além de apenas aqueles referentes ao ato de negociar, autorizar e proibir a fixação, a transmissão ou retransmissão de imagem de espetáculo ou eventos desportivos de que participem, restringindo de maneira o vasto leque de opções constante do item16. Consta, ainda, do Estatuto, art. 9° do capitulo reservado aos associados que: Art. 9° Fica assegurado aos associados no pleno gozo de seus direitos: V — a garantia do recebimento individualizado dos resultados da exploração comercial obtida nas partidas de futebol em que tomar parte e todas as demais receitas a que tiver direito, inclusive aquelas que, por rateio parcial. Evidente que, se há no estatuto a permissibilidade da intermediação supra mencionada, seja tão somente graciosa, sem que exista qualquer obrigação. Tenho, portanto, que a relação criada pelo estatuto gera também a responsabilidade tributária. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 10 Ademais, a própria Recorrente confessou em GFIP, os lançamentos que serviram de base para a presente notificação. Por outro lado a Recorrente tenta se eximir de responsabilidade tributária na condição de responsável solidária quanto obrigação tributária analisada, alegando não estar enquadrada na lei. Mas, também neste quesito não assiste razão a Recorrente, pois o art. 124 da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966 CTN, diz que são solidariamente obrigadas, não só as pessoas expressamente designadas por lei, mas também as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, conforme se verifica abaixo "in verbis ":. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Desta forma, não há dúvida de que há responsabilidade tributária a Recorrente. Da ilegal presunção da base de calculo no que tange à contribuição sobre "patrocínio" e sobre a incidente sobre pagamento a contribuintes individuais Alega a Recorrente que o lançamento tributário em questão não se sustenta perante o ordenamento jurídico pátrio, já que se utilizou de abusiva presunção na verificação da base de cálculo, um dos critérios essenciais da RegraMatriz de Incidência Tributária. Alega ainda que o lançamento foi realizado em presunções e ou em fatos fictícios. Seria delongar por demais a discussão, trazendo à lume doutrina e jurisprudência a respeito do assunto, uma vez que a irresignação demonstra sua completa infundada pretensão, uma vez que os lançamentos foram substanciados de acordo com as peças que se encontram nos autos, mormente as guias. Por isto, também neste quesito não assiste razão a Recorrente. QUANTO A BITRIBUTAÇÃO. Diz que por meio da Portaria no 1.024, em vigor desde 27/9/07, o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional (PGFN) estabelece normas sobre o parcelamento de débitos das entidades de práticas desportivas de modalidade de futebol profissional e demais entidades, de que trata o art. 40 da Lei nº 11345/06, alterada pela Lei no 11.505/07, e os arts. 713 e 11 do Decreto no 6.187/07. Segundo a Recorrente a supramencionada portaria os débitos abrangem os inscritos em divida ativa da União, ainda que em fase de execução fiscal já ajuizada; os remanescentes, incluídos e não incluídos no REFIS ou no parcelamento a ele alternativo, no PAES e PAEX; e os incluídos em qualquer modalidade de parcelamento, vencidos até 15/8/07. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11330.001204/200727 Acórdão n.º 2301002.609 S2C3T1 Fl. 333 11 Com os fundamentos acima requereu a determinação do CARF para que se faça a averiguação formal das dividas confessadas, de todos os clubes filiados a Futebol Brasil Associados e beneficiados pela TIMEMANIA, evitandose assim a bitributação. Todavia, mais uma vez à Recorrente não assiste razão, porque o Colegiado tem como finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância. Neste sentido, peço vênia para juntar escólio do perleúdo jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “O tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ora, como se vê, não há previsão legal para tal requerimento. Mas, admitindo que não fosse alegada a bitributação, mas tão somente um pedido de diligência no sentido de se levantar em todos os clubes associados a sua responsabilidade tributária, ainda assim não caberia ao CARF determinar tal procedimento, pois entrarseia, novamente, na seara da ausência de legalidade, extrapolando a sua competência. CONCLUSÃO Diante do exposto, como atendeu todas as determinações legais, tenho deve ser conhecido o presente recurso aviado, NEGANDOLHE PROVIMENTO julgando procedente o lançamento efetuado. É como voto. (Assinado Digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa Relator Fl. 372DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 12 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 35464.004392/2005-26
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1995 a 31/12/1998
Ementa:: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regas do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.060
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1995 a 31/12/1998 Ementa:: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regas do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ts,511;2:.ti:.. SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo a° 35366.000803/2002-70 Recurso n° 146230 Resolução u° 2402-00.060 — C Câmara / r Turma Ordinária Data 23 de março de 2010 Assunto Solicita "çzio_de Diligência_ _ Recorrente SWISSAIR S/A - SUISSE POUR LA NAV1GATION AERIENNE Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA SRP RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem. CELO OLIVEIRA Presidente 1117ADEIRA tora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Maria da Glória Faria (Suplente). Processo n° 35366.000803/2002-70 82-C4T2 Resolução n.° 2402-00.060 Fl. 705 RELATÓRIO Trata-se do lançamento de contribuições referente à retenção incidente sobre as nota fiscais/faturas de serviços, os quais teriam sido prestados mediante cessão de mão de obra. _– — O Relatório Fiscal (fls. 55/56) informa que a notificada contratou serviços de atendimento aeroterrestre e serviços auxiliares de transporte aéreo, mediante cessão de mão de obra. As contratadas seriam as empresas Swissport Brasil Ltda e Aerosat – Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo. A notificada apresentou defesa (fls. 63/71) onde alega que a instituição da obrigatoriedade da retenção se revela indisfarçavel comodismo por parte do Poder Público que, em vez de reforçar as medidas fiscalizatórias sobre devedores e praticantes de fraudes, institui novas obrigações para cedente de mão de obra e tomador de serviços. Argúi que entrou em contato com as empresas cedentes de mão de obra para que Com a juntada de guias de recolhimento possa comprovar que os recolhimentos foram efetivados, não havendo qualquer responsabilidade perante o INSS. Cita redação anterior do art. 31 da Lei n° 8.212/1991 para concluir que a responsabilidade só pode existir se apurado débito em face do executor dos serviços. Alega a inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios. Após a análise da defesa, o lançamento foi considerado procedente pela Decisão-Notificação n° 21.401.4/0135/2002 (fls. 286/290). Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 477/487 onde alega a nulidade da decisão em exame que não teria examinado todas as manifestaçõ contidas. No mais, efetua repetição das alegações de defesa. Após apresentação de contrarrazões (fls. 647/648), os autos foram, encaminhados à então ? Câmara do CRPS – Conselho de Recursos da Previdência Social que em três oportunidades, converteu o julgamento em diligência. Nas duas primeiras para que fosse informado se as prestadoras haviam recolhido as contribuições devidas em razão dos serviços prestados e se foram fiscalizadas com cobertura total ou parcial. No cumprimento de taá diligências, a auditoria fiscal manifesta-se quanto guias juntadas pela recorrente, no sentido de que ainda que sejam guias de retenção so serviços prestados à recorrente, as mesmas se referem a outras notas fiscais que não derahA ensejo ao lançamento (lis 661/667). 2 Processo n°35366.00080312002-70 S2-C4T2 Resolução n.° 2402-00.060 Fl. 706 Os autos foram encaminhados à Coordenação Geral de Tributação e Julgamento que manifestou-se às folhas 675/681, no sentido de que não haveria de se cogitar se a prestadora recolheu ou não as contribuições, uma vez que a responsabilidade é exclusiva da tomadora. Na terceira conversão em diligência, o objetivo foi dar ao contribuinte a ciência das decisões proferidas pela r Câmara do CRPS e de despacho do Chefe do Serviço de Análise de Defesas e Recursos. O contribuinte manifesta-se (fis. 694/695) alegando que a Autarquia teria se negado a cumprir a diligência o que demonstra que o débito fiscal foi recolhido. Solicita qu o recurso seja julgado procedente. É o relatório. 3 Processo n°35366.000803/2002-70 S2-C4T2 Resolução n.°2402-00.060 Fl. 707 VOTO Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Não obstante as várias conversões em diligência já solicitadas, entendo que ainda há nos autos vicio que precisa ser saneado. Após a apresentação do recurso, os autos foram encaminhados em primeira chhgen—cm pefa 2' Câmara do CRPS para que fosse informado se as empresas prestadoras de serviços haviam recolhido as contribuições previdenciárias. Em atenção à diligência solicitada e ao fato da recorrente haver juntado cópias de várias notas fiscais, os autos foram encaminhados à auditoria fiscal que manifestou-se às folhas 661/667 a respeito das cópias de guias de retenção anexadas pela recorrente. Muito embora compartilhe o entendimento contido no voto vencedor do último decisório emitido pela 2' Caj do CRPS no sentido de que com a instituição da retenção, não há que se falar em elisão de responsabilidade pelo fato da prestadora haver efetuado recolhimentos, o que se verifica é que a informação prestada pela auditoria fiscal atende ao solicitado na diligência solicitada e apresenta conclusões no sentido de que o lançamento deve ser mantido. Nos autos, também consta manifestação da Coordenação Geral de Tributação e Julgamento no sentido de que o lançamento deve prevalecer e não consta que tal manifestação foi submetida à recorrente para contrarrazões. A meu ver, as peças que compunham os autos quando da apresentação do recurso já seriam suficientes para o julgamento, no entanto, a série de diligências solicitadas terminou por acrescentar documentos aos autos dos quais o contribuinte deve ser intimado. hz casu, verifica-se a ocorrência de cerceamento de defesa, ante a ausência do contraditório no que tange à argumentação apresentada pela auditoria fiscal e pela Coordenação Geral de Tributação e Julgamento. Desse modo, é necessário que seja efetuado o saneamento do vicio apontado para que se possa julgar a procedência ou não do lançamento. Diante de todo o exposto e de tudo mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o contribuinte seja informado das manifestações da auditoria fiscal e da Coordenaçã Geral de Tributação e Julgamento, bem como seja oferecido ao mesmo prazo par manifestação. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de março de 2010 ,. ti A : A DEIRA - Relatora 4
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000357/2005-20
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊ LEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada do carnê leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício sobre o imposto lançado no ajuste anual, esse em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-002.271
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Francisco Marconi de Oliveira
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊ LEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada do carnê leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício sobre o imposto lançado no ajuste anual, esse em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 92 1 91 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000357/200520 Recurso nº 510.952 Voluntário Acórdão nº 2102002.271 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2012 Matéria IRPF MULTA ISOLADA Recorrente JAMYR MOTTA DE FREITAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊ LEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada do carnê leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício sobre o imposto lançado no ajuste anual, esse em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 03 57 /2 00 5- 20 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de (fls. 20 a 25), no qual é cobrado o Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF), relativamente ao anocalendário de 2002, no valor de R$ 24.494,59 (vinte e quatro mil, quatrocentos e noventa e quatro reais e cinquenta e nove centavos), acrescido de multa de ofício, juros de mora e multa exigida isoladamente (cód. 6352). O lançamento decorreu em função da classificação indevida de rendimentos na declaração de ajuste anual, recebidos no ano de 2002 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em quatro parcelas, totalizando o valor de R$ 101.670,00 (cento e um mim, seiscentos e setenta reais). Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, alegando que é perito/assistente técnico do PNUD e assim, com base na legislação brasileira, bem como nos Tratados, Acordos e Convenções Internacionais, está isento do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos do organismo internacional, pois os peritos de assistência técnica, contratados localmente pelo programa, são beneficiários da imunidade conferida aos funcionários daquele organismo internacional. E, ainda, que tributar seus rendimentos seria o mesmo que tributar as receitas da ONU, que disponibiliza verbas para aplicação no desenvolvimento econômico e social da nação, havendo, assim, um desvio de finalidade para passar a integrar a base geral de arrecadação do Governo Federal. Cita normas de tributação do país, a exemplo dos arts. 22 e 25 do RIR/99 e da IN SRF nº 208/2002, que não se podem sobrepor às disposições do Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, aplicadas em conjunto com a Convenção sobre Privilégios e Imunidades da Organização das Nações Unidas. O requerente faz juntada aos autos de decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que reconhecem a imunidade/isenção rendimentos pagos pelo PNUD. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ Rio de Janeiro II considerou a impugnação procedente em parte, reduzindo o percentual da multa isolada para cinquenta por cento (50%). O contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância em 19 de outubro de 2009 e interpôs recurso voluntário no dia 27 do mesmo mês, informando que fará a adesão ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 2009, do imposto, dos juros e da multa de ofício atrelados ao código 2904. Entretanto, aduz a impossibilidade de concomitância de multas de ofício e da multa isolada. É o Relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.000357/200520 Acórdão n.º 2102002.271 S2C1T2 Fl. 93 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Considerando que o contribuinte desistiu de recorrer dos valores lançados no código 2904, com a multa de ofício e juros de mora a ele vinculados, resta a apreciação da multa isolada, no valor de R$ 20.473,62, por falta de recolhimento de carneleão, aplicada de forma concomitante com a multa de ofício sobre o imposto lançado. A multa isolada foi reduzida ao percentual de 50% no julgamento de primeira instância. Nos autos em análise, os rendimentos recebidos, cujo imposto deveria ter sido antecipado dentro do anocalendário, estão inclusos na base de cálculo utilizada para a apuração do imposto anual, com a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% incidente sobre o imposto apurado. Nesses termos, a cobrança da multa isolada atribuiria ao recorrente uma dupla penalidade, o que não seria admitido em nosso ordenamento jurídico. A jurisprudência deste Colegiado tem se assentado pela não imputação de dupla penalidade pecuniária ao autuado em decorrência da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física – a multa de ofício vinculada ao imposto devido no ajuste anual e a multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão –, quando as multas têm a mesma base de cálculo. Transcrevo ementa do Acórdão nº 9101002.073, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão recente, na sessão de 21 de março de 2012, no qual nega provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legítima quando incidem sobre a mesma base de cálculo. [...] Como a situação se assemelha, transcrevo parte do voto do acórdão acima citado, no qual o relator expõe que as reiteradas decisões deste Colegiado têm concluído pela impossibilidade de cobrança concomitante da multa normal e da multa isolada, e assim conclui: O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela. Nestes termos, seguindo o entendimento já pacificado transcrito acima entendo que no caso em exame deve ser mantida a decisão recorrida que afastou a aplicação da multa Fl. 111DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 isolada pelo não recolhimento do carnêleão sobre os rendimentos recebidos do exterior. Pelo exposto, voto em dar provimento ao recurso, afastando a multa isolada que incidiu sobre o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) não pago. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10880.029012/95-37
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
EXERCÍCIO: 1992, 1993, 1994
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. DIFERENÇA
IPC/BTNF.
Para efeito de correção monetária a partir do período-base de 1991, as contrapartidas das diferenças IPC/BTNF, correspondentes a cada conta do ativo, do patrimônio líquido, bem como o saldo da conta especial de correção monetária, devem compor o resultado da correção monetária do período.
Numero da decisão: 1804-000.032
Decisão: ACORDAM os Membros da 4ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, por
unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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I >; 1--it MINISTÉRIO DA FAZENDA :ert ; \,-;: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS . 15:4 PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10880.029012/95-37 Recurso n° 161.834 Voluntário Acórdão n° 1804-00032 — 4' Turma Especial Sessão de 18 de março de 2009 Matéria IRPJ e OUTRO - Exs.: 1992, 1993 Recorrente CÂNDIA MERCANTIL NORTE-SUL LTDA Recorrida 2a TURMA/DRJ-SALVADOR/BA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ EXERCÍCIO: 1992, 1993, 1994 ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. DIFERENÇA IPC/BTNF. Para efeito de correção monetária a partir do período-base de 1991, as contrapartidas das diferenças IPC/BTNF, correspondentes a cada conta do ativo, do património líquido, bem como o saldo da conta especial de correção monetária, devem compor o resultado da correção monetária do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os M- r . os da Q Turma Especial da P Seção do CARF, por unanimidade de votos, DAR pro ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MA 0: INICIUS NEDER DE LIMA Pr . si -nte elallr"."1111." aserr E FERREIRA DE MORAES Relatora Fomalizado em: 1 9 juN 2009 Processo no 10880.029012/95-37 S1-TE04 Acórdão ft° 1804-00032 Fl. 2 Participou, ainda, do presente julgamento, o Conselheiro Leonardo Lobo de Almeida. Ausente a Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. Relatório Trata-se de autos de infração de IRPJ e CSLL, relativos aos anos calendário de 1991, 1992 e 1993, no montante total de R$ 218.899,98. A fiscalização apontou os seguintes fatos: • A empresa não adicionou integralmente ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real, nos anos base de 1991 e 1992, os encargos de depreciação e sua correção monetária, bem como o custo contábil dos bens baixados, relativamente a bens do ativo permanente corrigidos pela diferença IPC/BTNF-90. • A empresa deduziu indevidamente como despesa operacional, no ano de 1993, o custo de aquisição de bens que deveriam ter sido imobilizados, nos termos do art. 244 do RIR/94, para posterior depreciação. A contribuinte impugnou parcialmente a autuação, não se insurgindo contra a infração relativa ao ano de 1993, alegando em síntese que: a) A fiscalização utilizou a soma das correções monetárias das contas de depreciação acumuladas dos bens do ativo permanente corrigidos pelo diferencial IPC/BTNF-90. b) Os números utilizados pela fiscalização para apuração da diferença não estão de acordo com o estabelecido no art. 39 do Decreto n°332/1991. c) A fiscalização na realidade só deveria considerar os encargos de depreciação, sua correção monetária e o custo dos bens baixados a qualquer título dos bens corrigidos pelo citado diferencial. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, com base nos seguintes fundamentos: a) Não procedem as razões da impugnante quanto a erro na apuração efetuada pela autoridade fiscal, uma vez que, os valores foram apurados segundo os Mapas e Demonstrações de Correção Complementar IPC/90 fornecidos pela contribuinte quando da ação fiscal. b) A multa de oficio terá seu percentual reduzido de 100% para 75%. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, acrescenta as seguintes considerações: j„% Processo n°10880.029012/95-37 SI-TE04 Acórdão n.° 1804-00032 Fl. 3 a) A fiscalização considerou a diferença dos índices BTNF e [PC sobre a totalidade das contas de depreciação acumulada dos bens do ativo permanente, ao invés de considerar, apenas, a diferença de correção monetária incidente sobre os encargos da depreciação do período base. b) A decisão recorrida, sem analisar a questão posta em debate na impugnação, manteve o equívoco fiscal, que, ao arrepio da lei e da Constituição Federal, tributou não a renda, mas o patrimônio da recorrente. c) A jurisprudência deste Egrégio Sodalício, bem como do Superior Tribunal de Justiça, pacificou o entendimento de que, para cálculo da CSLL, a Lei n° 8.200/91 não exigiu a adição ao lucro líquido da diferença de correnção monetária IPC/BTNF sobre encargos de depreciação de bens do ativo permanente. É o relatório. Voto Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Os pontos controvertidos no presente recurso giram em torno de duas questões: (i) nulidade do auto de infração por equívoco nos cálculos da fiscalização; (ii) indevida incidência da CSLL sobre a diferença de correção monetária IPC/BTNF. A recorrente argumenta que os números utilizados pela fiscalização para apuração da diferença não estão de acordo com o estabelecido no art. 39 do Decreto n° 332/1991, que assim dispõe: "Art. 39. Para fins de determinação do lucro real, a parcela dos encargos de depreciação, amortização, exaustão, ou do custo de bem baixado a qualquer título, que corresponder à diferença de correção monetária pelo 1PC e pelo BT7V Fiscal somente poderá ser deduzida a partir do exercício financeiro de 1994, período- base de 1993 1° Os valores a que se refere este artigo, computados em conta de resultado anteriormente ao período-base de 1993, deverão ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real. 2° As quantias adicionadas serão controladas na parte B do livro de Apuração do Lucro Real, para exclusão a partir do exercício financeiro de 1994, corrigidas monetariamente com base no ItVPC." Primeiramente cumpre observar que os valores de Cr$ 92.866.454,00, Cr$ 214.186.741,00 e Cr$ 892.700.561,00, relativos ao ano de 1991, I° e 2° semestres de 1992, ‘iti? Pmcesso n" 10880.029012/95-37 SI-TE04 Acórdão n.° 1804-00032 Fl. 4 respectivamente foram obtidos através do somatório dos valores constantes dos demonstrativos "Resultado da Correção Monetária — Correção Complementar IPC/90", anexados às fls. 7/15, conforme tabela abaixo: Contas ou subcontas sujeitas à Saldo devedor da correção correção 31/12/1991 30/06/1992 31/12/1992 Depreciação acumulada Maq. e acessórios 48.778.881,91 61.229.679,93 249.027.499,27 Móveis e utensílios 4.097.108,27 14.487.319,29 58.271.698,42 Veículos 24.304.812,53 88.840.961,14 360.743.945,88 Instalações 6.626.773,36 22.597.932,89 88.989.556,09 Vasilhames 627.786,82 2.327.895,24 9.625.578,90 Engradados 1.282.739,68 19.667.683,64 Uso de software/direitos autorais 93.222,28 344.963,84 1.358.506,32 Equipto de comunicação 1.256.155,07 4.664.042,74 19.299.017,61 Equipto de segurança 70.015,87 279.760,17 1.202.151,10 Equipto de proc. de dados 5.728.958,97 19.414.186,39 84.814.924,61 TOTAL 92.866.454,76 214.186.741,63 893.000.561,84* * A fiscalização apurou um valor menor, equivalente a R$ 892.700.561,00. Além dos demonstrativos relativos ao resultado da correção monetária da diferença IPC/BTNF, constam nos autos os mapas de correção monetária do balanço, relativos aos mesmos períodos. Neste ponto é oportuno transcrevermos os arts. 32 e 33 do Decreto n° 332/1991, os quais regulam os procedimentos a serem observados pelos contribuintes que apuraram a diferença, em relação ao ano de 1990, entre a correção com base no IPC e no BTI4 Fiscal: "Art. 32. As pessoas jurídicas que, no exercício financeiro de 1991, período-base de 1990, tenham determinado o imposto de renda com base no lucro real deverão proceder a correção monetária das demonstrações financeiras desse período com base no índice de Preços ao Consumidor-IPC. § 1° A correção monetária será efetuada com relação a todas as contas do ativo sujeitas a correção monetária e do património líquido ou, à opção da pessoa jurídica, exclusivamente em relação aos bens e direitos do ativo permanente e aos saldos das contas do patrimônio liquido constantes do balanço de encerramento do período-base. § 2° Os valores do património líquido, baixados no ano de 1990, serão corrigidos até o mês da baixa. § 3° A pessoa jurídica que tenha recebido lucros ou dividendos corrigidos na forma do parágrafo anterior deverá corrigir o Processo n°10880.029012/95-37 Si-TEM Acórdão n.° 1804-00032 Fl. 5 investimento, se avaliado pelo valor de patrimônio líquido, até o mês da distribuição. § 4° A correção monetária deverá ser registrada contabilmente no curso do período-base de 1991, mas referida a 31 de dezembro de 1990. Art. 33. A diferença, em relação ao ano de 1990, entre a correção com base no IPC e no BI7V Fiscal será apurada na fome: a seguir: I- aplicação sobre o valor de cada bem ou direito do ativo sujeito a correção monetária e sobre o saldo de cada conta do patrimônio líquido, do IPC acumulado relativo: a) a todo o ano de 1990, quando os valores referidos tenham constado dos balanços de encerramento dos períodos-base de 1989 e 1990; b) ao período a partir do mês em que os valores tenham sido acrescidos ao patrimônio da empresa, até o encerramento do período-base de 1990; c) ao período desde o início do período-base até o mês da baixa, nas hipóteses dos §,ss 2" e 3° do artigo anterior; II- diminuição, do valor apurado segundo o inciso I, o valor corrigido com base no BIN Fiscal até as datas mencionadas nas alíneas do mesmo inciso I. § I° a diferença relativa a bem ou direito do ativo será escriturada em conta ou subconta distinta da que registra o valor original corrigido com base no B77V Fiscal, em contrapartida a uma conta especial de correção monetária com base no IPC, cujo saldo final será transferido para conta de patrimônio líquido. (nosso gr(o) § 2° a diferença relativa às contas do patrimônio liquido será registrada nessas mesmas contas, exceto a correção do capital integralizado que será registrada em conta especial de reserva de capital, em contrapartida à conta especial de correção monetária. § 3° Para efeito de correção monetária a partir do período-base de 1991, a diferença correspondente a cada conta do ativo, do patrimônio líquido, bem como o saldo da conta especial de correção monetária serão convertidos em número de BTN Fiscal pelo valor deste de Cr$ 103,5081. (nosso grifo) Ao analisarmos os mapas de correção relativos ao ano calendário de 1991 e legislação pertinente à matéria, podemos assinalar as seguintes considerações: es,< Processo n° 10880.029012/95-37 SI-TE04 Acórdão n.° 1804-00032 Fl. 6 • As diferenças apuradas com base na correção pelo IPC devem ser corrigidas a partir do período-base de 1991 e suas contrapartidas devem ser registradas em conta especial que afetarão o lucro líquido do período. • Os mapas de fls. 4/9 demonstram o valor do saldo devedor da conta de correção monetária declarado na linha 19, do Quadro 13 — Demonstração do Lucro Líquido, do formulário I, da declaração de rendimentos de 1992 (fls. 39), conforme tabela abaixo: Saldo da Correção Fls. Devedor Credor Correção das contras que registram o valor original do 825.959.507,09 513.221.209,22 6 bem corrigido pelo BTN fiscal Correção das contas que registram as diferenças apuradas 92.866.454,76 232.902.962,16 9 pela correção com base no IPC Total 918.825.961,85 746.124.171,38 Resultado da Correção -172.70 .790,47 Monetária • O art. 39 do Decreto n° 332/1991 não determina a adição ao lucro líquido das contrapartidas da correção monetária da diferença IPC/13TNF, correspondente a cada conta do ativo e do patrimônio líquido, mas tão somente da parcela da despesa de depreciação, amortização, exaustão, ou do custo de bem baixado a qualquer título, que corresponder à diferença. • Não há que se confundir o resultado da correção monetária do balanço no período de 1991, inclusive das contas que registram as diferenças de correção monetária pelo IPC e pelo BTN Fiscal, com a parcela das despesas de depreciação, amortização, exaustão, ou do custo de bem baixado no período, relativa à diferença IPC/BTNF. • A fiscalização utilizou os números do demonstrativo de correção monetária sobre a diferença IPC/BTNF, correspondente a cada conta do ativo e do patrimônio líquido, somando os valores da conta depreciação acumulada. • Não constam dos autos elementos que permitam a verificação da correta aplicação do art. 39 do Decreto n°332/1991. Por conseguinte, merecem ser acolhidos os argumentos da recorrente, uma vez que a fiscalização não aplicou corretamente o art. 39 do Decreto n°332/1991. Ante todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 18 de Março de 2009. •%/IPefewe 4100.7CEIRA DE MORAES 6 Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10183.003599/2007-71
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. VIGÊNCIA E ALCANCE. Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei n° 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda apenas a partir de 29 de agosto de 2002 e alcançam apenas as verbas que tenham a natureza de reparação econômica, conforme definido em lei.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-001.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa
(Presidente em exercício e Relator)
EDITADO EM: 19/04/2012
Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício e Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Márcio de Lacerda Martins (suplente convocado) Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. VIGÊNCIA E ALCANCE. Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei n° 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda apenas a partir de 29 de agosto de 2002 e alcançam apenas as verbas que tenham a natureza de reparação econômica, conforme definido em lei. Recurso negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício e Relator) EDITADO EM: 19/04/2012 Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício e Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Márcio de Lacerda Martins (suplente convocado) Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. VIGÊNCIA E ALCANCE. Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei n° 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda apenas a partir de 29 de agosto de 2002 e alcançam apenas as verbas que tenham a natureza de reparação econômica, conforme definido em lei. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício e Relator) EDITADO EM: 19/04/2012 Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício e Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Márcio de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 35 99 /2 00 7- 71 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Lacerda Martins (suplente convocado) Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório PAULA JULIA SCARSELLI DE MORAES interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 41) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 33/36, que alterou o resultado apurano na Declaração de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2005, de imposto a restituir de R$ 42.461,21 para imposto a restituir de R$ 1.379,31. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica. Segundo o relatório fiscal, tratase de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso, no valor de R$ 177.250,21. A Contribuinte impugnou o lançamento e arguiu, preliminarmente, a nulidade da notificação por falta de fundamentação. Quanto ao mérito, sustenta que os rendimentos em questão são isentos, com fulcro na Lei nº 10.559, de 2002 e Decreto nº 4.897, de 2003, que reconhecem o direito à isenção dos proventos de aposentadoria e pensão recebidos por anistiados políticos. Diz também que o direito já foi reconhecido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso, que determinou a suspensão dos descontos do imposto. A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Rejeitou a arguição de nulidade, sustentando que a autuação procedeu conforme as normas que regem o processo administrativo fiscal, sem vícios. Quanto ao mérito, concluiu a DRJCAMPO GRANDE/MS que os rendimentos em questão não se enquadram nas condições definidas na Lei nº 10.559, de 2002 e do Decreto nº 4.897, de 2003 para fazer jus ao benefício da isenção. Observou, concordando com o posicionamento da autoridade lançadora, que a restituição de imposto já pago até a data da publicação do Decreto somente seria devida após o deferimento da substituição de regime prevista na Lei nº 10.559, de 2002. Mas ponderou que “a isenção alcança somente os valores recebidos a título de indenização a quem, tendo sido apenado por motivação exclusivamente política no período de 18 de setembro de 1946 a 5 de outubro de 1988, se encontre hoje na condição de anistiado político”, o que não seria o caso. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 13/04/2008 (fls. 46) e, em 25/04/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 51/64, que ora se examina, e no qual afirma que é pensionista e recebe seus proventos do Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso, benefício que lhe foi concedido em decorrência da morte de sua genitora e primeira beneficiária e por ser filha solteira do Sr. João Gonçalo de Moraes, que foi demitido pelo Ato Institucional nº 01, de abril de 1964. Diz que a família recebeu o benefício de pensão, hoje por ela recebido, através da Lei nº 6.883, de 1979 (Lei de Anistia) e EC nº 26/85, hoje regulamentados pela Lei nº 10.559, de 2002 e Decreto nº 4.889, de 2003, os quais, concederia o benefício da isenção aos proventos de pensão de anistiados políticos. Reafirma que o Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul reconheceu esse direito. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.003599/200771 Acórdão n.º 2201001.558 S2C2T1 Fl. 3 3 Enfim, a Contribuinte reitera, no recurso, que tem direito à isenção dos proventos de pensão. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a argüição de nulidade. A Recorrente afirma que o lançamento não apresentou fundamentação legal da exigência. A alegação, todavia, é contrariada pela própria notificação de lançamento que explicita os fundamentos da autuação: a notificação diz expressamente que a isenção pretendida pela Contribuinte está condicionada a requerimento a ser dirigido ao Ministério da Justiça, que decidirá sobre a substituição pelo regime de reparação econômica. Substituição esta que não ocorreu no caso. Não vislumbro, portanto, o vício apontado ou qualquer outro que possa ensejar a nulidade do lançamento. Quanto ao mérito, o cerne da questão está na definição sobre o direito à isenção pretendida pela Contribuinte. Conforme consta do relatório, a Contribuinte recebe pensão, na qualidade de dependente de seu pai, que fora demitido pelo Ato Institucional nº 01 e, posteriormente, anistiado. Após edição da Lei nº 10.559, de 2002, que garantiu o direito à isenção do imposto de renda sobre os valores recebidos como reparação econômica, de caráter indenizatório, pelos anistiados políticos, apresentou declarações retificadora nas quais informou como isentos os rendimentos antes declarados como tributáveis, pleiteando, assim, a restituição do imposto anteriormente pago. Ora, como se sabe, a anistia aos perseguidos politicamente foi concedida por meio dos artigos 8º e 9º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT da Constituição Federal de 1988. Para maior clareza, reproduzo a seguir estes dispositivos. Art. 8º. É concedida anistia aos que, no período de 18 de setembro de 1946 até a data da promulgação da Constituição, foram atingidos, em decorrência de motivação exclusivamente política, por atos de exceção, institucionais ou complementares, aos que foram abrangidos pelo Decreto Legislativo nº 18, de 15 de dezembro de 1961, e aos atingidos pelo DecretoLei nº 864, de 12 de setembro de 1969, asseguradas as promoções, na inatividade, ao cargo, emprego, posto ou graduação a que teriam direito se estivessem em serviço ativo, obedecidos os prazos de permanência em atividade previstos nas leis e Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 regulamentos vigentes, respeitadas as características e peculiaridades das carreiras dos servidores públicos civis e militares e observados os respectivos regimes jurídicos. (Regulamento) § 1º O disposto neste artigo somente gerará efeitos financeiros a partir da promulgação da Constituição, vedada a remuneração de qualquer espécie em caráter retroativo. § 2º Ficam assegurados os benefícios estabelecidos neste artigo aos trabalhadores do setor privado, dirigentes e representantes sindicais que, por motivos exclusivamente políticos, tenham sido punidos, demitidos ou compelidos ao afastamento das atividades remuneradas que exerciam, bem como aos que foram impedidos de exercer atividades profissionais em virtude de pressões ostensivas ou expedientes oficiais sigilosos. § 3º Aos cidadãos que foram impedidos de exercer, na vida civil, atividade profissional específica, em decorrência das Portarias Reservadas do Ministério da Aeronáutica nº S50 GM5, de 19 de junho de 1964, e nº S285GM5 será concedida reparação de natureza econômica, na forma que dispuser lei de iniciativa do Congresso Nacional e a entrar em vigor no prazo de doze meses a contar da promulgação da Constituição. § 4º Aos que, por força de atos institucionais, tenham exercido gratuitamente mandato eletivo de vereador serão computados, para efeito de aposentadoria no serviço público e previdência social, os respectivos períodos. § 5º A anistia concedida nos termos deste artigo aplicase aos servidores públicos civis e aos empregados em todos os níveis de governo ou em suas fundações, empresas públicas ou empresas mistas sob controle estatal, exceto nos Ministérios militares, que tenham sido punidos ou demitidos por atividades profissionais interrompidas em virtude de decisão de seus trabalhadores, bem como em decorrência do DecretoLei nº 1.632, de 4 de agosto de 1978, ou por motivos exclusivamente políticos, assegurada a readmissão dos que foram atingidos a partir de 1979, observado o disposto no § 1º. Art. 9º. Os que, por motivos exclusivamente políticos, foram cassados ou tiveram seus direitos políticos suspensos no período de 15 de julho a 31 de dezembro de 1969, por ato do então Presidente da República, poderão requerer ao Supremo Tribunal Federal o reconhecimento dos direitos e vantagens interrompidos pelos atos punitivos, desde que comprovem terem sido estes eivados de vício grave. Parágrafo único. O Supremo Tribunal Federal proferirá a decisão no prazo de cento e vinte dias, a contar do pedido do interessado. O que se observa dos dois artigos acima é que a Constituição, além da anistia, garantiu aos anistiados alguns direitos, inclusive o de reparação de natureza econômica, esta, todavia, a ser regulamentada em lei. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.003599/200771 Acórdão n.º 2201001.558 S2C2T1 Fl. 4 5 Pois bem, a tal reparação econômica foi regulamentada pela Lei nº 10.559, de 2002, que assegurou aos anistiados políticos vários direitos, dentre eles o da reparação econômica, de caráter indenizatório e isentos de imposto de renda, que poderia ser recebida em parcela única ou em prestações continuadas, sem prejuízo, todavia, da readmissão dos que foram demitidos em decorrência de atos de exceção. A Lei n° 10.559/2002 veio regulamentar o art. 8º, acima e o fez nos seguintes termos: Art. 1º O Regime do Anistiado Político compreende os seguintes direitos: II reparação econômica, de caráter indenizatório , em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada, asseguradas a readmissão ou a promoção na inatividade, nas condições estabelecidas no caput e nos §§ I°e 5º °do art. 8°do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; Art. 9º Os valores pagos por anistia não poderão ser objeto de contribuição ao INSS a caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias. Parágrafo único. Os valores pagos a titulo de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda. Portanto, a reparação econômica pode ser recebida de duas maneiras: em prestação única ou de forma continuada. E, é importante ressaltar, essa reparação econômica não se confunde com remuneração devida em decorrência de readmissão em emprego em decorrência da anistia, proventos de aposentadoria ou pensão recebidos em razão da aplicação das normas definidas pela legislação. São benefícios diferentes, reparações distintas. Inclusive o próprio artigo 8º do ADCT é claro ao vedar qualquer tipo de remuneração retroativa, o que reforça o entendimento de que, nos casos de readmissão, os valores recebidos caracterizam remuneração, verbas de natureza salarial. Distintas da reparação econômica. A Recorrente invoca o Decreto nº 4.897, de 2003, que regulamentou a Lei nº 10.599, de 2002, e que faz referência às aposentadorias e pensões. Todavia, o tal decreto aponta no sentido oposto ao que quer a Recorrente, como demonstrarei mais adiante. Antes reproduzo os artigos do referido decreto, pertinentes ao caso: Art. 1º. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9° da Lei n° 10.559, de 13 de novembro de 2002. §1º disposto no caput inclui as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei n° 10.559, de 2002. §2° Caso seja indeferida a substituição de regime prevista no art. 19 da Lei n° 10.559, de 2002, a fonte pagadora deverá efetuar a retenção retroativa do imposto devido até o total pagamento do valor pendente, observado o limite de trinta por cento do valor líquido da aposentadoria ou pensão. Art. 2° O disposto neste Decreto produz efeitos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Parágrafo único. Eventual restituição do Imposto de Renda já pago até a publicação deste Decreto efetivarseá após deferimento da substituição de regime prevista no art. 19 da Lei n° 10.559, de 2002. Art. 3º A Secretaria da Receita Federal poderá editar normas complementares a este Decreto. Art. 4° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Como se vê, o que o Decreto reza é que a isenção alcança as aposentadorias e pensões, que eram tributáveis, mas desde que seja deferido o pedido de substituição do regime. Isto é, a conversão da aposentadoria ou pensão em reparação econômica. Daí o parágrafo único do art. 2º referirse expressamente que eventual restituição de imposto pago (assumindo, portanto, que incidia imposto) somente efetivarseá após a substituição do regime. Por decorrência lógica, sem a substituição do regime não há falar em restituição de imposto pago. No presente caso, não consta que a Contribuinte tenha pleiteado a substituição de regime. Portanto, continua recebendo proventos de pensão, e sobre esta incide imposto. Sobre as decisões apresentadas pela defesa, vale ressaltar que, embora proferidas por um órgão do Poder Judiciário, são decisões administrativas, proferidas pelo Tribunal na condição de fonte pagadora, e, portanto, não tem os efeitos de uma decisão judicial que, de qualquer forma, não vincularia este Colegiado. Portanto, só há falar em isenção do Imposto de Renda a partir da Lei nº 10.599, de 2002, e esta alcança apenas os valores recebidos como reparação econômica, recebidos acumuladamente ou em prestações continuadas. Não é o caso da Recorrente. Portanto, deve ser mantida a exigência. Conclusão Conclusão, ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 128DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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