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Numero do processo: 10907.002072/2008-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/08/2008
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRESERVAÇÃO DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA.
Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida para quem, estando obrigado, deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal.
Numero da decisão: 3001-000.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, somente no que se refere a aplicabilidade ou não, do disposto no artigo 50 da IN/SRF 800/2007, alterado pela IN/RFB 899/2009 e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. O conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, não obstante haver manifestado a intenção de apresentar declaração de voto, esta não foi apresentada dentro do prazo regimental.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 27/08/2008 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRESERVAÇÃO DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida para quem, estando obrigado, deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/08/2008 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRESERVAÇÃO DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida para quem, estando obrigado, deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, somente no que se refere a aplicabilidade ou não, do disposto no artigo 50 da IN/SRF 800/2007, alterado pela IN/RFB 899/2009 e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. O conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, não obstante haver manifestado a intenção de apresentar declaração de voto, esta não foi apresentada dentro do prazo regimental. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 20 72 /2 00 8- 05 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10907.002072/200805 Acórdão n.º 3001000.436 S3C0T1 Fl. 131 2 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0727.091 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC DRJ/FNS, que, em sessão de julgamento colegiado realizada no dia 11.01.2012, julgou improcedente a impugnação. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório do acórdão recorrido (fls. 45 a 48, Volume V1), que segue transcrito: Relatório O presente Auto de Infração referese à multa capitulada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, no valor de R$5.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF nº 800/2007, com a alteração da IN SRF nº 899/2008. Segundo relato da fiscalização, a autuada solicitou retificação do CE nº 160805121660360 em 28/07/2008, para alteração da cubagem, em data posterior à data/hora da efetiva atracação da embarcação no porto que se deu em 21/06/2008, segundo os documentos juntados aos autos. Nos termos, então, da IN SRF nº 800/2007, com a alteração da IN SRF nº 899/2008, arts. 22 e 50, respeitadas as vigências das referidas normas, o prazo limite para prestação de informações relativas à conclusão da desconsolidação é a data da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. As retificações também são permitidas, nos termos dos arts. 23 a 27, não isentando o transportador das penalidades caso as alterações sejam feitas após o prazo estabelecido. Por não ter sido cumprido referido prazo pela autuada, foi lançada a multa Por prestação de informação a destempo estatuída no art. 107, IV, "e", do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Intimada da autuação, a interessada apresentou impugnação de fls. 20/23, alegando o que segue: Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10907.002072/200805 Acórdão n.º 3001000.436 S3C0T1 Fl. 132 3 1 Que houve problema com o sistema que não aceitou quatro casas após a virgula, tendo sido retificado o valor da cubagem e esta retificação foi aceita pelo fiscal e liberada a carga. 2 Deveria ser observado o período de contingência na utilização do Siscomex estabelecido pela IN RFB nº 835/2008, na qual, em seu art. 6º prevê que este período de contingência fosse até 30/06/2008 e nenhum procedimento foi aplicado impugnante. 3 O art. 50 da IN RFB nº 800/2007 prevê a não cobrança dos prazos para informação da escala e cargas até 31/12/2008. 4 Assim, não houve qualquer irregularidade praticada pela impugnante e por isso espera a extinção do feito. É o relatório. Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário (efls. 60 a 126) para, em apertada síntese, aduzir a: (i) ilegitimidade para figurar como autuada, na medida que entende que não lhe caberia fornecer informações ao Fisco, cuja responsabilidade deve ser imputada ao transportador ou ao armador, ou seus prepostos, pois na condição de agente NVOCC desconsolidador é dependente destes atuantes, para prestálas; (ii) inexistência de qualquer prejuízo à Fazenda Nacional, à ordem tributária ou à organização portuária, independentemente de as informações terem sido prestadas a destempo ou não, pois, fato é, que não deixou de cumprir com suas obrigações tributárias e não embaraçou o Fisco; (iii) denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN, bem como com fulcro na nova redação do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, dada pela Lei 12.350 de 2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal; (iv) a vacatio legis da IN SRF 800 de 2007, por entender que nos casos tratados nos presentes autos não se aplica a sanção contida na regra do seu artigo 22, na medida em que à época da atracação da embarcação e desconsolidação da carga não se operava a regra do mencionado artigo, por força do que reza o caput do seu artigo 50, que determinava que os prazos daquela regra só seriam válidos a partir de 01.04.2009. Diante do exposto, requer que seja reformada a decisão recorrida, julgandose improcedente a exigência impugnada. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 07.07.2014 para ser analisado por este Carf (efl. 129), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10907.002072/200805 Acórdão n.º 3001000.436 S3C0T1 Fl. 133 4 É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi protocolado em 05.06.2014, conforme depreendese do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efls. 127), após ciência no dia 16.05.2014, conforme observase do Aviso de Recebimento AR juntado (efl. 58), tendo respeitado o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Do juízo de admissibilidade Vêse que, embora tempestivo, o presente Recurso Voluntário não pode ser integralmente conhecido por este colegiado por desatendimento de pressupostos de admissibilidade, consubstanciados na inovação da tese recursal e na ausência de contestação da matéria decidida em sede de impugnação, conforme será demonstrado. Primeiramente, verifico que os argumentos apresentados em sede de Impugnação pelo contribuinte são: (1) que ocorreu problema com o sistema informatizado, que não aceitou quatro casas após a virgula, o que ocasionou a retificado do valor da cubagem e que tal retificação foi acatada pela fiscalização aduaneira, tanto que liberou a respectiva carga; (2) que a autoridade lançadora deveria ter observado o período de contingência na utilização do Siscomex estabelecido pela IN RFB 835 de 2008, na qual, em seu artigo 6º, previa que referido período de contingência fosse até 30.06.2008 e nenhum procedimento foi aplicado impugnante; e (3) que o artigo 50 da IN RFB 800 de 2007 previa a não cobrança dos prazos para informação da escala e cargas até a data de 31.12.2008, conforme indica o relatório sumarizado da decisão recorrida, argumentos que foram afastados no respectivo acórdão de impugnação, exarado pela DRJ/FNS. Posteriormente, em sede de Recurso Voluntário, verifico que o Recorrente não contesta a decisão da instância a quo relativa à problemática constantes dos itens (1) e (2), acima evidenciado, além disso, agrega os temas da (i) ilegitimidade passiva, por ser agente NVOCC desconsolidador; (ii) inexistência de prejuízo à Fazenda Nacional, na medida em que não descumpriu com suas obrigações tributárias e não embaraçou o Fisco; e (iii) denúncia espontânea, como matéria nova aos autos, vez que não apresentada em sede de impugnação. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10907.002072/200805 Acórdão n.º 3001000.436 S3C0T1 Fl. 134 5 De plano, tais matérias não podem ser analisadas por este colegiado por falta de prequestionamento, em razão de não terem sido contestadas no momento processual oportuno, caracterizandose como matérias preclusas. Neste sentido, cumpre aqui trazer a baila o disposto nos artigos 16, inciso III e 17 do Decreto 70.235 de 1972, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, considerando que não houve contestação à decisão da DRJ/FNS quanto ao problema no sistema informatizado que motivou a retificação do CE 160805121660360, quanto ao alegado período de contingência na utilização do Siscomex e quanto a não cobrança dos prazos para informação da escala e cargas até a data de 31.12.2008, e que os temas da ilegitimidade passiva, da inexistência de prejuízo à Fazenda Nacional e da denúncia espontânea são novos em relação aos argumentos apresentados pelo contribuinte em sede de impugnação, o recurso voluntário, quanto a estes últimos, não pode ser conhecido, eis que não cabe a esta instância recursal o exame de matéria não julgada pela instância a quo, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório. Por essas razões conheço do Recurso Voluntário tão somente quanto à matéria à suposta a vacatio legis da IN SRF 800 de 27.12.2007, aduzida sob o fundamento da inaplicabilidade, à época da atracação da embarcação e desconsolidação da carga, da sanção contida em seu artigo 22, haja vista que operavase a regra do seu artigo 50, por entender que referida norma dispunha que os prazos do artigo 22 somente vigeriam a partir de 01.04.2009. Da fundamentação do presente julgado Portanto, como visto, cabe a esse colegiado o enfrentamento da questão sobre a aplicabilidade do artigo 50 da IN SRF 800 de 2007, alterado pela IN RFB 899 de 2009, o qual dispôs que "os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009". O artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, prescreve o dever do transportador de prestar informações sobre as cargas que transportar, verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10907.002072/200805 Acórdão n.º 3001000.436 S3C0T1 Fl. 135 6 serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. E o artigo 107 do mesmo diploma legal traz a sanção a ser aplicada no caso de descumprimento dos prazos estabelecidos pela RFB, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, com a finalidade de preencher a lacuna legal e com autorização legislativa, estabeleceu os prazos de prestação de informação sobre o veículo ou carga na IN RFB 800 de 2007, conforme texto vigente à época dos fatos, verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10907.002072/200805 Acórdão n.º 3001000.436 S3C0T1 Fl. 136 7 § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Colhese do Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 05 a 07, Volume V1) as seguintes informações, verbis: Tendo em vista o impedimento de retificação via Sistema, por decurso de prazo, o interessado, em 28/07/2008, protocolizou nesta unidade, o pedido de retificação do CE nº 160805121660360, protocolo nº 168169, referente ao BL nº XGGPNG609706, de 08/05/2008, para alteração da cubagem. (...) Considerando que a primeira atracação no Porto de Paranaguá ocorreu no dia 03/04/2008; Considerando que Agente de Carga denominado HAND LINE TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, registrado no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica 04.845.112/000102; I. Deixou de prestar, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, as informações relativas A desconsolidação da carga sob sua responsabilidade CE nº 160805121660360. (...) O artigo 50 da IN RFB 800 de 2007 estipulava que o transportador estava obrigado a prestar informações sobre a escala com antecedência mínima de 5 horas e sobre as cargas transportadas a informação deveria ser prestada antes da atracação, verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10907.002072/200805 Acórdão n.º 3001000.436 S3C0T1 Fl. 137 8 II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Publicouse, em 29.12.2008, a IN RFB 899, estipulando que os prazo do artigo 22 seriam obrigatórios a partir de 01.04.2009. Observese que a norma regulamentar estipulava que a partir de 01.01.2009 o prazo não seria mais antes da atracação, mas sim, 48 horas antes da chegada da embarcação, ou seja, o transportador teria que ser mais diligente para prestar as informações. Posteriormente o prazo foi alterado para 01.04.2009 pelo atraso na implantação da nova funcionalidade no sistema que iria beneficiar todos os intervenientes no comércio exterior. Então, se havia uma determinação de se informar a carga antes da atracação era porque o tipo de controle que era realizado era outro, que aquela época necessitava ser efetuado nesse lapso temporal; logo, não é razoável falar em aplicação retroativa da norma, pois, evidenciase da leitura do comando inserto no artigo 50 combinado com o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 que à época dos fatos era aplicado o teor do parágrafo único para prestação de informações sobre as cargas, verbis: Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: Depois de afastada, por inaplicável, a tese defendida pelo recorrente, segundo a qual "os prazos de antecedência (...) somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009", cabe ressaltar que a presente autuação está fundamentada unicamente no fato de o autuado haver solicitado a retificação do CE 160805121660360 em 28.07.2008, para alteração da cubagem, ou seja, em data posterior àquela da efetiva atracação da embarcação "BAHIA GRANDE" no porto de Paranaguá, ocorrida em 21.06.2008, segundo atesta a própria fiscalização. Neste contexto, salientese também que o parágrafo 1º do artigo 45 da IN RFB 800 de 2007, determinava que a retificação de conhecimento de embarque fora do prazo configurava prestação de informação fora do prazo, nos seguintes termos, verbis: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (grifos não pertencem aos original) No entanto, o transcrito artigo foi revogado pela Instrução Normativa (IN) RFB 1.473 de 02.06.2014, portanto, depois da lavratura do Auto de Infração e posteriormente à decisão recorrida. Ademais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, por meio da Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10907.002072/200805 Acórdão n.º 3001000.436 S3C0T1 Fl. 138 9 Solução de Consulta Interna Cosit 2 de 04.02.2016, consolidou entendimento segundo o qual a multa em comento não se aplica ao caso de retificação de informação já prestada pelo interveniente, nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. (grifos não pertencem aos original) Da conclusão Dessarte, com supedâneo no inciso II do artigo 106 do CTN, na Instrução Normativa RFB 1473 de 2014 e na Solução de Consulta Interna Cosit 2 de 2016, voto por afastar a penalidade capitulada na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com a redação dada pela Lei 10.833 de 2003, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF 800 de 2007, com a alteração da IN SRF 899 de 2009. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18184.002977/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 29 77 /2 00 7- 09 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 18184.002977/200709 Acórdão n.º 2402006.409 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 18184.002977/200709 Acórdão n.º 2402006.409 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 18184.002977/200709 Acórdão n.º 2402006.409 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.919488/2012-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 19 48 8/ 20 12 -3 4 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10680.919488/201234 Resolução nº 3301000.929 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que a constituição do crédito tributário é feita pela apresentação da DCTF e que não existe vedação à retificação da declaração. Discorre sobre o direito à retificação da DCTF sempre que os valores apurados não tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa e não houver alteração da periodicidade da declaração anteriormente apresentada. Em relação aos fatos, informa que foi realizado pagamento em relação ao período de apuração em análise e que o despacho decisório determinou o não reconhecimento do direito creditório da Manifestante em virtude de suposta utilização dos pagamentos encontrados para o Darf. Defende que ao débito apurado para o mesmo período de apuração do Darf não foi vinculado nenhum crédito, assim o pagamento efetuado mediante Darf está totalmente disponível. Pede a reforma do despacho decisório com a homologação integral da compensação e o cancelamento da cobrança dos débitos remanescentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10680.919488/201234 Resolução nº 3301000.929 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.925, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.925): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de homologação parcial de compensação de créditos da COFINS com débitos tributários federais. A DRF de origem alegou que não havia crédito suficiente. Do Despacho Decisório (fl. 73) e PER/DCOMP auditada (fls. 66 a 71) e das cópias anexadas às peças de defesa de DCTF (retificadora), DACON (original e retificadora) e guia de pagamento (fls. 2 a 64 e 88 a 136), extraio o seguinte: 1) Em setembro de 2007, foi pago o montante de R$ 225.172,22 (fl. 51), a título de COFINS do período de apuração (PA) agosto de 2007. O valor devido foi declarado no DACON original (fls. 129). Não há cópia da respectiva DCTF. 2) Em 26/03/11, foi transmitida a DCTF retificadora do mês de agosto de 2007, por meio da qual alterou o valor da COFINS devida, que passou a R$ 172.020,11 (fl. 55). o DACON também foi retificado (fl. 137). Na DCTF retificadora o débito de R$ 172.020,11 figura como se estivesse em aberto, isto é, sem crédito (pagamento ou compensação) vinculado. Em seu recurso, informou que adotou tal procedimento, pois desejava incluir o débito de R$ 172.020,11 em parcelamento. 3) Em 26/03/11, foi entregue o PER/DCOMP auditado (fls. 66 a 71), utilizando a totalidade dos R$ 225.172,02 para liquidar outros débitos tributários federais. 4) O Despacho Decisório (fl. 73) confirma o pagamento de R$ 225.172,22 e o novo valor devido da COFINS de agosto de 2007 de 172.020,11. Contudo, ao contrário do que consta na cópia da DCTF retificadora (fl. 55), vincula parte do pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11. Em síntese, as questões que este colegiado são as seguintes: a) Pode o contribuinte retificar a DCTF para, concomitantemente, reduzir o valor devido e desvinculálo do pagamento originariamente efetuado? b) Teria a RFB poderes para, a despeito do que foi consignado pelo contribuinte na DCTF retificadora, vincular o pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11? Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10680.919488/201234 Resolução nº 3301000.929 S3C3T1 Fl. 5 4 Ao meu ver, a resposta à primeira pergunta é sim. É possível retificar, para alterar a vinculação de créditos. Senão vejamos (IN RFB n° 1.110/10 em vigor na data da retificação da DCTF): "Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (. . .)" Por outro lado, à segunda, entendo que é não. Quando muito, identificado um crédito derivado de tributo pago a maior, poderia o Fisco realizar uma compensação de ofício. Contudo, o contribuinte teria de ser previamente consultado e, inclusive, dela poderia discordar (art. 49 da IN RFB 900/08, em vigor na data do Despacho Decisório). Contudo, não há notícia nos autos de que houve compensação de ofício. Estaria pronto para votar pelo provimento do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório de R$ 225.172,02, caso não tivesse identificado duas informações contraditórias: no Despacho Decisório (fl. 73), consta que os R$ 225.172,02 teriam sido vinculados ao débito de R$ 172.020,11, enquanto que na cópia da DCTF retificadora, anexa à manifestação de inconformidade (fl. 55), não consta vinculação alguma. Assim sendo, proponho que o julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem verifique na DCTF "ativa" de agosto de 2007 se o crédito de R$ 225.172,02 foi ou não vinculado ao débito de R$ 172.020,11. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem verifique na DCTF "ativa" do respectivo período de apuração se o crédito informado no PER/DCOMP foi ou não vinculado ao débito constante no Despacho Decisório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10680.919488/201234 Resolução nº 3301000.929 S3C3T1 Fl. 6 5 Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.003484/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ATO COOPERATIVO – ISENÇÃO – DECISÃO STJ TRANSITADA EM JULGADO – CONCOMITÂNCIA – O STJ concluiu favoravelmente à contribuinte no REsp 479012 – MG, transitado em julgado, e decidiu que não
incidem tributos federais sobre lucro e receita oriundos de atos cooperativos, incluindo a venda de mercadorias a cooperados. Sendo esse o objeto do lançamento ora combatido, não se deve acolher o recurso voluntário, por força de concomitância.
Numero da decisão: 1302-000.633
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não acolher o recurso voluntário por concomitância com a matéria tratada em processo judicial.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ATO COOPERATIVO – ISENÇÃO – DECISÃO STJ TRANSITADA EM JULGADO – CONCOMITÂNCIA – O STJ concluiu favoravelmente à contribuinte no REsp 479012 – MG, transitado em julgado, e decidiu que não incidem tributos federais sobre lucro e receita oriundos de atos cooperativos, incluindo a venda de mercadorias a cooperados. Sendo esse o objeto do lançamento ora combatido, não se deve acolher o recurso voluntário, por força de concomitância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, não acolher o recurso voluntário por concomitância com a matéria tratada em processo judicial. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Fl. 396DF CARF MF Excluído Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.14322.LOKL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Em 04012007 foi lavrado auto de infração contra a contribuinte relativo aos meses calendários de 2002 para PIS e COFINS e ao primeiro trimestre de 2002 para IRPJ e CSLL. A empresa optara pela tributação com base no lucro real trimestral. A contribuinte foi intimada em 15022007. Segundo Termo de Verificação Fiscal, verificouse que a empresa pleiteia judicialmente a isenção tributária sobre o lucro e as receitas oriundos dos atos de venda de mercadorias e bens para cooperados, diante da existência do processo judicial: 2002/01346406, números de origem 199801000150103, 199838000094285, 199901000187390. À ocasião do lançamento, havia decisão favorável no REsp 79012MG, estando pendente de julgamento o Recurso Extraordinário da União. Foi efetuado lançamento com suspensão da exigibilidade sobre os valores de lucro e receita oriundos das atividades de venda de mercadoria a cooperados. Também foi efetuado lançamento, sem suspensão da exigibilidade, relativo ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS incidentes sobre as receitas financeiras e sobre venda de mercadorias a não cooperados. Esses outros lançamentos seguem discutidos nos processos administrativos no. 10680 003.486/200764 e 13606000.154/200385. Neste processo, discutese a tributação do lucro e das receitas oriundas da venda de mercadorias para cooperados. O conceito de cooperado ou não cooperado foi extraído do Estatuto da própria cooperativa e a abertura das receitas e lucros foi extraída da contabilidade da contribuinte. A autoridade fiscal entendeu que a isenção legal não se aplicaria à contribuinte, pois os cooperados dela nada mais são do que consumidores de seu supermercado que se cadastram como cliente associado. Nessa medida, a interessada mereceria ser tributada sobre a integralidade da receita e do lucro como qualquer supermercado. Em 27042007 apresentou a interessada sua impugnação. Concordou a interessada com a incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre o lucro e a receita provenientes das venda de bens e mercadorias a não cooperados. Protestou no restante, alegando que não é concebível o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre lucro e receita de atos cooperados. Não cabe fazer lançamento, nem mesmo com exigibilidade suspensa, pois essa incidência é afastada pela Lei. Alegou ainda a interessada que a receita de aplicação financeira faz parte dos atos cooperados, tomados lato senso, já que a aplicação financeira é necessária às atividades sociais da cooperativa, a receita é integralmente vertida a elas e a aplicação financeira é feita com recursos provenientes de atos cooperados. Em 16072009 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Belo Horizonte proferiu sua decisão. Embora tenha reconhecido a tempestividade da impugnação, entendeu o julgador que não era possível analisar os argumentos da contribuinte, pois ela optou por discutir o mérito na esfera judicial e, portanto, não era possível proferir decisão administrativa concomitante com decisão judicial. A contribuinte assim renunciou tacitamente à esfera administrativa. Já com relação à incidência fiscal sobre atos nãocooperados e aplicações financeiras, a matéria não está em discussão neste processo, portanto, os argumentos de defesa não foram analisados. Intimada da decisão da DRJ em 09022010, a recorrente apresentou a este Conselho suas razões em 03032010, alegando em síntese que não renunciou, nem tacitamente e nem expressamente, ao fórum administrativo pela mera interposição de ação judicial. Além disso, alegou que houve trânsito em julgado da decisão favorável do STJ já que o Supremo Tribunal Federal (STF) não acolheu o recurso extraordinário da União, fato que já era conhecido no momento em que a DRJ proferiu seu julgamento. Esta esfera administrativa deve aplicar a coisa julgada judicial. Protestou assim a interessada pelo cancelamento dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre lucros e receitas oriundos de atos cooperados. Em anexo ao Recurso Voluntário, consta Acórdão do REsp 479012 – MG, de 2803 2006 assim ementado pelo STJ: Fl. 397DF CARF MF Excluído Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.14322.LOKL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.003484/200775 Acórdão n.º 1302000.633 S1C3T2 Fl. 502 3 TRIBUTÁRIO — RECURSO ESPECIAL COOPERATIVA — ATO COOPERATIVO 4ei n.° 5.764/71 — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO IMPOSTO DE RENDA COFINS — ISENÇÃO. A cooperativa tem isenção de tributos sobre os atos cooperativos,entendendose assim aqueles praticados com o objetivo de atingir suas finalidades estatutárias. A venda de produtos ou mercadorias pela cooperativa a seus associados que se caracteriza como ato cooperativo está isenta de tributação. Recurso Especial Provido. Às fls. 231 consta relatório de acompanhamento processual do sítio de STF informando trânsito em julgado em 14/05/2008 já que em 18/04/2008 foi publicado Acórdão da Segunda Turma do STF que, pela relatoria do Ministro Eros Grau, em 04/03/2008 negou provimento ao Agravo Regimental proposto pela União contra decisão monocrática 692.4355 do mesmo ministro que em 28/11/2007 negou seguimento ao Agravo de Instrumento da União. Segundo o STF, a discussão acerca da isenção do lucro e da receita da cooperativa, oriundos dos atos cooperativos, não é matéria constitucional, razão pela qual não compete ao STF discutila. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Em 2009, a DRJ não apreciou a defesa da interessada por concomitância entre a matéria discutida neste processo administrativo e a matéria de processo judicial anterior. A Constituição Federal prevê, em seu artigo 5º, inciso XXXV, que a lei não excluirá de apreciação do Judiciário lesão ou ameaça a direito. O artigo 38 da Lei de Execuções Fiscais, a Lei 6.830/1980, é claro ao definir: “a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto”. Já o artigo 1o, parágrafo 2o do Decretolei 1.737/1979 esclarece: “a propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto”. Administrativamente, tal conceito tem sido aplicado não apenas às ações anulatórias, declaratórias ou às execuções fiscais, mas também a toda e qualquer outra ação judicial promovida pela contribuinte. Visase garantir a segurança jurídica evitando que haja decisão administrativa e judicial sobre o mesmo tema, incompatíveis. Optando pela esfera administrativa, a contribuinte terá como recorrer ao judiciário posteriormente caso não tenha êxito, por outro lado, ao buscar sua segurança diretamente no judiciário, obsta o pronunciamento e a competência da jurisdição administrativa. Assim versa a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de Fl. 398DF CARF MF Excluído Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.14322.LOKL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A matéria que justificou o lançamento fiscal ora combatido foi base de discussão judicial 2002/01346406, números de origem 199801000150103, 199838000094285, 199901000187390. No processo consta Acórdão do REsp 479012 – MG, de 28032006 assim ementado pelo STJ: TRIBUTÁRIO — RECURSO ESPECIAL COOPERATIVA — ATO COOPERATIVO 4ei n.° 5.764/71 — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO IMPOSTO DE RENDA COFINS — ISENÇÃO. A cooperativa tem isenção de tributos sobre os atos cooperativos,entendendose assim aqueles praticados com o objetivo de atingir suas finalidades estatutárias. A venda de produtos ou mercadorias pela cooperativa a seus associados que se caracteriza como ato cooperativo está isenta de tributação. Recurso Especial Provido. Tal Resp transitou em julgado em 14052008 e seu teor garante à contribuinte isenção de IRPJ, CSLL, COFINS sobre o lucro e a receita oriundos de atos cooperados, aí incluídas as vendas de mercadorias a cooperados. O objeto do lançamento fiscal combatido é exatamente a incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre o lucro e a receita oriundos da venda de mercadoria a cooperados. Tendo a contribuinte optado por discutir esse assunto na esfera judicial, não nos cabe acolher o recurso voluntário, nos termos da Súmula CARF já referida acima. Nessa medida, a contribuinte deve buscar o reconhecimento da nulidade do lançamento em sede de exceção de préexecutividade ou ação declaratória, judicialmente. Nesses termos, não acolho o recurso voluntário por concomitância com matéria submetida a julgamento judicial. É como voto. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 399DF CARF MF Excluído Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.14322.LOKL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA em 09/05/2012 17:05:51. Documento autenticado digitalmente por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA em 09/05/2012. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 14/05/2012 e LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA em 09/05/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1018.14322.LOKL Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 5DEB088B2EAFEAD33BB58BF5F00E14E32C1F0A7F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10680.003484/2007-75. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10510.003496/2010-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 03/09/2010
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 03/09/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 03/09/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 34 96 /2 01 0- 57 Fl. 188DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício) Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2302002.275, proferido na sessão de 23 de janeiro de 2013, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imposição de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte A decisão foi assim registrada: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10510.003496/201057 Acórdão n.º 9202007.137 CSRFT2 Fl. 3 3 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser recalculada levandose em consideração as disposições inscritas no inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Medida Provisória nº 449/2008, o qual, na conversão à Lei nº 11.941/2009, foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da 2ª Seção de julgamento do CARF deu seguimento ao apelo, os termos do Despacho de efls. 1.111 a 1.118. O recurso visa rediscutir a penalidade aplicável em razão do princípio da retroatividade benigna, ante a alteração introduzida na Lei nº 8.212, de 1991, pela MP/449/2008. Em seu apelo a Fazenda Nacional aduz, que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes. que antes das inovações da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada). que com o advento da MP nº 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91. que o art. 32A, em sua redação dada pela MP nº 449/2008, é preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. que o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). que a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. que a MP nº 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, cuja leitura corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Fl. 190DF CARF MF 4 que se deve privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, tem‑ se que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. que, por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35‑ A da Lei nº 8.212/91. que essa foi a conclusão a que chegou os eminentes relatores dos acórdãos paradigmas e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias. que, no caso, houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35‑ A da Lei nº 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei nº 9.430/96). que a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35‑ A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Por fim a Fazenda Nacional pede que seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja adotada a tese esposada nos acórdãos paradigmas, devendo‑ se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, registrese, inicialmente, que o presente processo trata de lançamento para exigência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, conforme auto de infração de efls. 03, relacionados aos mesmos fatos objeto do lançamento para formalização de exigência de obrigação principal, acrescido de multa de ofício, multa de mora e juros de mora, conforme se verifica do auto de infração de efls. 07, e que é objeto do processo nº 10510.003490/201080 do qual este é apenso. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10510.003496/201057 Acórdão n.º 9202007.137 CSRFT2 Fl. 4 5 Pois bem, conforme relatado, a matéria em discussão diz respeito à definição da(s) penalidade(s) aplicável(eis) no caso de lançamento de ofício quando se apure infrações relacionadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, após as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, em razão da aplicação do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir reproduzido: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Antes das alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, a Lei nº 8.212, de 1991 previa, para os casos de lançamento de ofício de contribuições sociais de que trata os incisos “a”, “b” e “c”, do parágrafo único, do art. 11, a incidência de uma penalidade para o caso de falta de declaração em GFIP de verba tributável (art. 32, § 5º) e outra penalidade pelo recolhimento insuficiente (art. 35, II). Eis a redação dos referidos dispositivos, antes da MP n° 449, de 2008: Art. 32. A empresa é também obrigada a: § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. [...] Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: [...] II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; Fl. 192DF CARF MF 6 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Incidiam, portanto, duas penalidades para duas infrações materialmente distintas: a falta de declaração de verba tributável e o recolhimento insuficiente do tributo. A partir da vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, essas duas penalidades foram substituídas por uma só: a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Vejamos: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10510.003496/201057 Acórdão n.º 9202007.137 CSRFT2 Fl. 5 7 § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). Para aferir qual a penalidade mais benigna, se a prevista anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008 ou a posterior à mudança legal, devemos sopesar, consideradas as naturezas materiais das infrações previstas, isto é, a relação entre as condutas e as infrações previstas, aquela menos onerosa para o infrator, conforme entendimento consolidado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016): AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Como, para as duas condutas: a falta de declaração e o pagamento insuficiente, para as quais a legislação anterior previa a incidência de duas penalidades, cumulativamente, a nova legislação prevê apenas a incidência de uma única penalidade, na aplicação da retroatividade benigna, devese comparar a soma das multas previstas (arts. 35, II, e 32, § 5o, da Lei n° 8.212, de 1991) à multa prevista na nova legislação (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991). Fl. 194DF CARF MF 8 Mais especificamente, como a nova legislação prevê multa de 75%, na ausência de evidente intuito de fraude, haverá retroatividade benigna se a penalidade aplicável, segundo a legislação vigente à época do lançamento, ultrapassar esse percentual. No caso de incidência das multa previstas nos §§ 4º e 5º, do art. 32 e do art. 35, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, na redação anterior à MP nº 449, de 2008, se a soma das duas penalidades for superior a 75%. No caso de aplicação, por qualquer razão, de apenas uma das penalidades, a comparação deve ser feita com o valor desta. Esse é o entendimento compatível com a posição da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, segundo entendimento também consolidada deste Colegiado, conforme voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10510.003496/201057 Acórdão n.º 9202007.137 CSRFT2 Fl. 6 9 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 196DF CARF MF 10 No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. A citada Portaria 14, de 2009, que, vale ressaltar, está em perfeita consonância com a jurisprudência do CARF, é clara quanto aos procedimentos a serem observados para aplicação, em cada caso, da retroatividade benigna. Vejamos: Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10510.003496/201057 Acórdão n.º 9202007.137 CSRFT2 Fl. 7 11 Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de Fl. 198DF CARF MF 12 obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Registrese, por fim, que o fato de os lançamentos referentes à exigência de imposto e referente à multa por descumprimento de obrigação acessória terem sido formalizada em autos apartados, em nada altera o critério de aplicação da penalidade mais benéfica. Que fique claro, todavia, que o aqui decidido se aplica a este processo e ao processo nº 10510.003490/201080, examinado conjuntamente. Em face ao exposto, conheço do recurso e doulhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como lançado. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10510.003496/201057 Acórdão n.º 9202007.137 CSRFT2 Fl. 8 13 Fl. 200DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001511/2006-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-003.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado em substituição ao conselheiro Flávio Franco Corrêa), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado em substituição ao conselheiro Flávio Franco Corrêa), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 11 /2 00 6- 61 Fl. 1958DF CARF MF Processo nº 18471.001511/200661 Acórdão n.º 9101003.694 CSRFT1 Fl. 1.959 2 Relatório Tratase de recurso especial (efls. 1882/1886) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 1402001.243, da sessão de 7 de novembro de 2012 (efls. 1864/1868), proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que negou provimento ao recurso de ofício. Tratam os autos de autuação fiscal, no qual se constatou que as receitas da LUIZINHO SUCATA LTDA ME ("Contribuinte"), optante do SIMPLES, não teriam sido oferecidas à tributação por estarem em contas correntes bancárias dos sócios pessoas físicas (e fls. 06/13), apurandose receita bruta excedente ao limite estabelecido pela legislação para se manter no regime especial de tributação. Deuse a exclusão da empresa do SIMPLES a partir de janeiro de 2002 e foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (efls. 320/383). Foi apresentada impugnação (1805/1821) no qual a Contribuinte aduz que não teria tomado ciência do Ato de Exclusão (ADE) do SIMPLES, e por isso todos os atos posteriores estariam eivados de nulidade. Com base em diligência efetuada pela DRJ (primeira instância), no qual se confirmou junto à unidade preparadora que não ocorreu a intimação do Contribuinte do ADE antes da ciência dos autos de infração, e que a ciência só foi dada posteriormente, a impugnação foi julgada procedente e os lançamentos fiscais cancelados. Em julgamento do recurso de ofício, a turma ordinária do CARF manteve o entendimento da primeira instância, e negou provimento ao recurso (efls. 1864/1868). O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECEDÊNCIA. É nulo, por vício material, o auto de infração que adota sistemática de tributação diferente da do SIMPLES, sem a anterior ciência do ato declaratório de exclusão do Contribuinte dessa sistemática de tributação favorecida. Foram opostos embargos de declaração pela PGFN que foram rejeitados. A PGFN interpôs recurso especial, apresentando paradigmas no sentido de que a inobservância de formalidades legais na lavratura de NFLD, ou que a falta de prévia intimação prevista em legislação específica em contradição ao disposto no art. 142 do CTN e arts. 11 e 59 do PAF, seriam caso de declaração de nulidade por vício formal, o que ensejaria a possibilidade da formalização de novos autos de infração, entendimento divergente do exposto pela decisão recorrida, que teria julgado no sentido de que, tendo o contribuinte não sido regularmente cientificado da exclusão do SIMPLES, caberia a anulação dos autos de infração por vício material. Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 18471.001511/200661 Acórdão n.º 9101003.694 CSRFT1 Fl. 1.960 3 Despacho de exame de admissibilidade (efls. 1889/1891) deu seguimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Passo à apreciação da admissibilidade. Entendo que o recurso especial da PGFN não deve ser conhecido, porque as situações apresentadas pelos paradigmas não guardam similitude fática suficiente para se efetuar uma comparação com a interpretação da legislação tributária dada pela decisão recorrida. Isso porque a decisão recorrida trata de situação processual no qual não foi teria sido dado ciência à Contribuinte do Ato de Exclusão (ADE, efl. 44) do SIMPLES, com efeitos a partir de janeiro de 2002. Ato contínuo, foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins para os anoscalendário de 2002, 2003 e 2004. A primeira instância (DRJ), ao apreciar a situação, providenciou diligência, cujo resultado é transcrito no relatório da sua decisão: Em 29.09.2008, esta Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem informasse e comprovasse a ciência ao autuado do Ato Declaratório Executivo DeratRJ n° 3, de 06.02.2007 (fl. 41), que o teria excluído do regime do SIMPLES (fl. 1178). Em 30.09.2008, a Dicat (DIVISÃO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO) da DeratRJ (DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA NO RIO DE JANEIRO ) encaminhou os autos para a DefisRJ (DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE FISCALIZAÇÃO NO RIO DE JANEIRO) indagando se fora dada ciência ao autuado do ato de exclusão do SIMPLES e solicitando que, caso negativo, se remetessem os autos ao CACMéier (CENTRAL DE ATENDIMENTO AO CONTRIBUINTE NO MÉIER ) para fazêlo (fl. 1179). Em 24.10.2008, DefisRJ informou que a exclusão do autuado do SIMPLES foi relatada no item 2 do Termo de Constatação de Infração Fiscal de fls. 316/323, e encaminhou os autos ao CAC Méier para que se providenciasse a ciência da exclusão (fl. 1180). Em 18.09.2009, o autuado foi cientificado da intimação expedida pelo CACMéier (fl. 1181/1182) com o seguinte teor: Fl. 1960DF CARF MF Processo nº 18471.001511/200661 Acórdão n.º 9101003.694 CSRFT1 Fl. 1.961 4 "Comparecer ao CAC/Méier a fim de tomar ciência de fls. 1180, pedido do SIMPLES foi excluído, no prazo de 15 (quinze) dias. Cuja cópia segue em anexo." O rito processual da exclusão do SIMPLES (formalizada pelo Ato Declaratório de Exclusão ADE) predica a intimação ao contribuinte, para que ele possa apresentar defesa se contrapondo ao ato excludente. Também pode ocorrer a lavratura de autos de infração, decorrentes a exclusão do SIMPLES, cuja ciência também deve ser dada, para oportunizar a apresentação de impugnação. Registrese que a ciência do ADE e dos autos de infração pode ser efetuada na mesma data. Assim, nos mesmos atos processuais a contribuinte pode apresentar a defesa tanto em face do ADE quanto dos autos de infração. O julgamento também pode ser realizado em conjunto, sendo que a existência dos autos de infração fica dependente da julgamento do ato de exclusão. Assim, em face da defesa apresentada pela pessoa jurídica, caso o ADE não seja mantido, automaticamente os autos de infração ficam prejudicados. No caso concreto, a DRJ promoveu diligência, para questionar à unidade preparadora sobre a ciência do ADE. Diante da situação, o CACMéier deu ciência do ato de exclusão, mas em data posterior àquela em que foi dada ciência dos autos de infração. A DRJ decidiu que, diante ausência de intimação prévia do ADE, decisão administrativa que exclui a empresa do SIMPLES, os autos de infração (atos processuais posteriores) estariam prejudicados, mesmo tendo sido dada a ciência posterior do ato de exclusão. A decisão recorrida teve o mesmo entendimento, aduzindo ainda que caberia anulação dos autos de infração por vício material, em razão do erro na forma de tributação, e alertou que poderiam ser lavrados novos autos, já que teria sido dada nova ciência do ato de exclusão. Por sua vez, os paradigmas não trataram de tal situação. No primeiro, de nº 2401000.018, o que se discute é se a nulidade de lançamento fiscal previdenciário (Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, por ausência ou fundamentação genérica, e omissões ou incorreções na apuração do crédito tributário, seria de natureza formal ou material. O vício que se discute no paradigma tem origem no próprio auto de infração, diferente do caso tratado no recorrido, em que o vício que se discute reside na ausência de intimação de decisão administrativa anterior cuja manutenção é requisito de existência do lançamento fiscal. A ementa não deixa duvidas sobre o objeto da discussão do paradigma: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, Fl. 1961DF CARF MF Processo nº 18471.001511/200661 Acórdão n.º 9101003.694 CSRFT1 Fl. 1.962 5 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO. No segundo paradigma, nº 30131.801, lançamento aduaneiro, trata de situação no qual no decorrer da ação fiscal não foi intimada a contribuinte a apresentar as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria importada, além da fundamentação legal omissa. Na mesma medida do primeiro paradigma, falase em vício com origem no próprio auto de infração, e não decorrente de falta de ciência de ato processual anterior, como nos presentes autos. Transcrevo a ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação específica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade dessa lançamento por vício formal. PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966. O que se observa é que os presentes autos debruçaramse sobre o rito processual de exclusão do SIMPLES, e as consequência da ausência da intimação do ADE. Aqui se fala da ausência da ciência de uma decisão administrativa declaratória que é requisito de existência dos atos processuais posteriores, dentre os quais a lavratura dos autos de infração. Os paradigmas apresentados deveriam ter tratado de situação processual semelhante, no qual a decisão administrativa que teve como consequência a lavratura dos autos de infração somente Fl. 1962DF CARF MF Processo nº 18471.001511/200661 Acórdão n.º 9101003.694 CSRFT1 Fl. 1.963 6 foi cientificada em momento posterior à realização dos lançamentos de oficio. E mais, se tal ocorrência poderia ter como resultado a anulação dos autos de infração em razão de vício formal, o que possibilitaria a lavratura de novos autos de infração. Resta evidente, portanto, a ausência de similitude fática entre a decisão recorrida e os paradigmas. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1963DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.002237/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório de fls 1762/1768, que indeferiu pedido de restituição formulado à fl 2 e, por conseguinte, não homologou as compensações declaradas nos PER/DCOMPs nº 41281.51671.260407.1.3.045089, 00799.66928.180907.1.3.040284, 05959.28066.281008.1.3.042080, 42934.17716.160109.1.3.041766 e 14759.30366.220409.1.3.048605. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 02 23 7/ 20 07 -3 6 Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.043 2 2. O direito creditório pleiteado, no montante de R$ 452.518,65, referese à alegada não incidência da Cofins retida no período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2006 sobre as receitas de exportação de serviços de praticagem prestados pelo requerente a transportador estrangeiro ou a representante deste no Brasil, cujo pagamento representou ingresso de divisas para o País (art. 6° da Lei no 10.833, de 2003, com redação da Lei n° 10.865, de 2004). 3. O despacho decisório não reconheceu a existência do alegado indébito, à luz dos fundamentos sintetizados nos seguintes excertos: 9. [Dos textos legais], depreendese que o reconhecimento da não incidência da Contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins, em quaisquer de suas formas de apuração (cumulativa ou não cumulativa), imprescinde da existência de contrato de prestação de serviços com pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, da comprovação da efetiva prestação desses serviços e do pagamento mediante ingresso de divisas no País. 10. No caso em tela, portanto, há de se verificar se a situação fática do contribuinte atende aos requisitos impostos pela legislação aplicável. 11. Tal questionamento, suscitado pelo próprio contribuinte no processo de consulta de n° 10380.014028/200735, assim foi esclarecido pela Divisão de Tributação desta Região Fiscal — SRRF/3ªRF/Disit, nos termos do Despacho Decisório n° 18, de 12/06/2008 (fls. 1695/1702): 18. Assim, não tendo a consulente suscitado dúvida quanto aos requisitos necessários para que a operação de prestação de serviços enquadrase na hipótese de não incidência das contribuições, definida de forma literal nos atos legais, e restando clara sua pretensão de ampliar o citado beneficio invocando uma interpretação sistemática e teleológica de norma que, por disposição legal, deve ser interpretada literalmente, considerase ineficaz a consulta formulada. 19. Cumpre observar que nas operações de prestação de serviços em que figurarem como contratantes a consulente e o transportador estrangeiro, participando o representante no Brasil do transportador estrangeiro na condição de mero mandatário, de posse de instrumento de procuração que atenda aos preceitos legais, persiste incólume a relação jurídica entre a interessada e o transportador estrangeiro, caracterizando, desde que comprovada a efetiva prestação de serviços, o primeiro requisito para a fruição do aludido beneficio fiscal. 20. Registrese, ainda, que as únicas formas de comprovação do ingresso de divisas aceitas, para fins de aproveitamento do beneficio da não incidência previsto no art. 5º, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002, e no art. 6°, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003, são as relacionadas no item 5 da Seção 2, do RMCCI. Não se considera válida qualquer outra forma de pagamento recebido por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, em razão de serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, que não se enquadre entre as hipóteses listadas na referida norma do Banco Central do Brasil. (...) 19. Da análise dos documentos de fls. 02/1694 constatase que a requerente, de fato, tem por objeto social a prestação dos Serviços de Praticagem no Estado do Ceará Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.044 3 — conforme Contrato Social (fl. 11). Os comprovantes de retenção de CSLL, Cofins e Pis/Pasep (fls. 21/48) e as notas fiscais apresentadas (fls. 49/1694) caracterizam a prestação dos serviços profissionais de praticagem pela interessada, pessoa jurídica de direito privado, a empresas nacionais (identificadas como sacadas nas notas fiscais) que, por sua vez, efetuaram, em nome próprio, a retenção de tais contribuições em atendimento ao disposto no art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, (...) 20. Ainda acerca das referidas notas fiscais, não há quaisquer evidências de que as empresas nacionais (sacadas) estivessem contratando os serviços prestados pelo requerente em nome de tomadores estrangeiros. Tampouco há nos autos comprovação de que os pagamentos por estes serviços tenham origem em divisas oriundas do exterior, internadas no País sob o controle do BACEN. 4. Cientificado do Despacho Decisório em 26.10.2009 (fl 1769), o requerente apresentou Manifestação de Inconformidade em 23.11.2009 (fls 1771/1783), solicitando a restituição da Cofins retida, bem como a homologação das compensações declaradas. Para tanto, aduz as seguintes razões: Os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador), por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida exclusivamente e favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida condição legal imposta. Vale ressaltar que, embora os pagamentos sejam feitos pelos representantes dos armadores, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando, previamente ao Brasil divisas suficientes para sua quitação. Os representantes em questão atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras, que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados. Assim, quando o pagamento é efetuado pela empresa estrangeira, por meio de seus agentes ou representantes no país ou mediante dedução das receitas auferidas pelos armadores estrangeiros no país, reputase ocorrido o ingresso de divisas. Assim, o nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. Embora realizados pelos representantes, tais pagamentos são suportados pelos armadores, que, como exige a legislação brasileira, remetem previamente ao País divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios pelos Portos nacionais. (...) Por todo o exposto acima, restou exaustivamente demonstrado que a existência de terceira pessoa na relação negocial entre pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e prestadora de serviços nacional não afeta a relação jurídica exigível para fins de reconhecimento da não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, respectivamente, desde que a terceira pessoa aja em condições de mero mandatário, ou seja, por conta do mandante, no caso o armador estrangeiro). 5. Juntou, com a inconformidade, cópia de contratos firmados entre a requerente e o Centro Nacional de Navegação Transatlântica CNNT (associação que representa as empresas de navegação no Brasil para o desenvolvimento do setor marítimo e o Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.045 4 comércio exterior brasileiro), a fim de comprovar a prestação de serviços para armadores estrangeiros (fls 1803/1899). 6. É o relatório." A DRJ em Fortaleza (CE) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0825.240, de 11 de abril de 2013, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 DIREITO CREDITÓRIO. RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DO INGRESSO DE DIVISAS. PROVA. A imunidade das contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, prevista no art. 5º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 6º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços pressupõe o atendimento de dois requisitos: os serviços devem ser prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e o correspondente pagamento deve representar efetivo ingresso de divisas. A falha na comprovação do cumprimento de qualquer um desses requisitos afasta a liquidez e certeza do direito de crédito e impede a homologação de compensação que dele tenha se aproveitado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que apresenta, em síntese, as seguintes alegações: i) As notas fiscais de serviços, emitidas contra os agentes de navegação, representantes dos armadores, com indicação do nome oficial da embarcação, são suficientes para comprovar que o serviço foi prestado para pessoa jurídica domiciliada no exterior e, por conseguinte, que goza da não incidência do PIS e da COFINS. Carreou documentos comprobatórios. ii) A fiscalização fez as seguintes exigências, para fins de comprovação: a) contrato direto com o armador ou procuração do agente, outorgada pelo armador; b) comprovante de pagamento, de acordo com o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais. Contudo, não são impostas por lei, além de destoar da realidade do comércio marítimo. iii) Colaciona sentença do STJ, transitada em julgado, reconhecendo que o negócio em tela (serviço de praticagem) goza da não incidência das contribuições, posto que é prestado para pessoa jurídica não residente e, ainda que indiretamente, há ingresso de divisas. Após a interposição do recurso, a recorrente trouxe ao conhecimento deste relator, por intermédio de memorial, que o STJ proferiu sentença em seu favor, já transitada em julgado, declarando que teria comprovado nos autos que presta serviço de praticagem para Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.046 5 pessoas domiciliadas no exterior e recebe pagamento caracterizado como ingresso de divisas, enquadrandose, portanto, nas regras de não incidência do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recuso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento de Pedido de Restituição (PER) da COFINS do período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2006 e consequente não homologação das vinculadas Declarações de Compensação (DCOMP). A recorrente pleiteou créditos da COFINS, pois teria efetuado pagamentos indevidos sobre receitas de serviços de praticagem prestados para pessoas não residentes no País, com ingresso de divisas, Esta receita não estaria sujeita à incidência da COFINS, de acordo com o art. 6° da Lei n° 10.833/03, a saber: "Art. 6º. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)" Os PER foram indeferidos, em suma, por falta de comprovação do direito creditório. No curso da fiscalização, a recorrente proveu a fiscalização de notas fiscais de serviços, alterações contratuais, PER, DCOMP, entre outros, porém não determinadas informações requeridas por meio do "Termo de Intimação Fiscal n° 806/2009" (fl. 1.720): "(. . .) 1. Cópias autenticadas do Contrato Social e das Alterações Contratuais posteriores registrados na junta comercial do Estado do Ceará; 2. Demonstrativo do crédito pleiteado nos aludidos Pedidos de Restituição (planilha), com firma reconhecida do contribuinte ou de seu representante legal, relacionando: o n° da nota fiscal do serviço prestado, a data de emissão da nota fiscal, o valor do serviço, o valor da retenção da Contribuição para o Pis/Pasep, o valor da retenção da Cofins, a empresa nacional intermediária do serviço (nome empresarial e CNPJ do agente marítimo), o armador estrangeiro contratante do serviço (nome empresarial e domicilio no exterior), a data da efetiva prestação do serviço discriminado na nota fiscal, o local da prestação desse serviço (ex: Porto do Mucuripe, Porto do Pecém), o nome, a bandeira e a origem da embarcação. Esta planilha também deverá ser fornecida em meio eletrônico (CD ou DVD); Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.047 6 3. Cópias autenticadas dos contratos de prestação dos serviços de praticagem (e seus anexos, se existentes) firmados entre o requerente e os armadores estrangeiros ou entre o requerente e as empresas nacionais (agentes marítimos) na condição de representantes (mandatárias) dos armadores estrangeiros; e 4. Cópias das procurações de representação emitidas pelos armadores estrangeiros As empresas nacionais mandatárias (agentes marítimos), intermediárias na contratação dos serviços de praticagem prestados pelo contribuinte. (. . .)" (g.n.) Tal fato acarretou o indeferimento do PER e não homologação das DCOMP, a saber (trecho da "Informação Fiscal", fls. 1.740 a 1.745): (. . .)" 19. Da análise dos documentos de fls. 02/1694 constatase que a requerente, de fato, tem por objeto social a prestação dos Serviços de Praticagem no Estado do Ceará — conforme Contrato Social (fl. 11). Os comprovantes de retenção de CSLL, Cofins e Pis/Pasep (fls. 21/48) e as notas fiscais apresentadas (fls. 49/1694) caracterizam a prestação dos serviços profissionais de praticagem pela interessada, pessoa jurídica de direito privado, a empresas nacionais (identificadas como sacadas nas notas fiscais) que, por sua vez, efetuaram, em nome próprio, a retenção de tais contribuições em atendimento ao disposto no art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, a saber: (. . .) 20. Ainda acerca das referidas notas fiscais, não há quaisquer evidências de que as empresas nacionais (sacadas) estivessem contratando os serviços prestados pelo requerente em nome de tomadores estrangeiros. Tampouco há nos autos comprovação de que os pagamentos por estes serviços tenham origem em divisas oriundas do exterior, internadas no Pais sob o controle do BACEN. 21. Ante a fundamentação exposta, não atendidas as condições necessárias ao reconhecimento do beneficio fiscal pretendido, PROPONHO: 21.1. 0 indeferimento do Pedido de Restituição de fl. 01, no valor de R$ 452.518,65 (quatrocentos e cinqüenta e dois mil, quinhentos e dezoito reais e sessenta e cinco centavos); e, consequentemente 21.2. A nãohomologação das DCOMP's de n° (. . .), bem como de outras DCOMP's que porventura venham a ser transmitidas, vinculadas ao crédito tratado no presente processo, ora indeferido. (. . .)" (g.n.) Verificase que o indeferimento dos créditos deuse em razão de a recorrente não ter apresentado evidência documental de que os serviços foram contratados por armadores estrangeiros e o pagamento representou ingresso de divisas. O posicionamento foi ratificado pela DRJ. Não obstante, importante destacar que restou incontroverso que o serviço de praticagem prestado para pessoa não residente no País, ainda que sendo contratado por intermédio de agente de navegação, configura exportação de serviço, para fins de não incidência do PIS e da COFINS. Para confirmar esta afirmação, reproduzo trecho do voto condutor da decisão da DRJ (fl. 1.933): Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.048 7 "(. . .) 13. Nestes termos, como já antes se disse, não merece aqui discordância a afirmação do manifestante de que uma operação de prestação de serviços envolvendo um prestador residente e domiciliado no país e um tomador residente e domiciliado no exterior (transportador internacional), perca a condição de “operação de exportação”, pelo simples e mero fato de ter sido formalizada por meio de um representante da pessoa jurídica estrangeira residente e domiciliado no país. Com efeito, tal entendimento já está expresso em vários atos administrativos da Receita Federal. 14. O litígio se instala mesmo é no terreno das provas. (. . . )" (g.n.)(g.a.) Em síntese, a recorrente alega que: i) As notas fiscais de serviços carreadas aos autos, emitidas contra os agentes de navegação, representantes dos armadores, com indicação do nome oficial da embarcação, são suficientes para comprovar que o serviço foi prestado para pessoa jurídica domiciliada no exterior e, por conseguinte, que goza da não incidência do PIS e da COFINS. ii) As exigências de a) contrato direto com o armador ou procuração do agente, outorgada pelo armador e b) comprovante de pagamento, de acordo com o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais não são impostas por lei, além de destoar da realidade do comércio marítimo. iii) Colaciona precedente do STJ, reconhecendo que o negócio em tela (serviço de praticagem) goza da não incidência das contribuições, posto que é prestado para pessoa jurídica não residente e, ainda que indiretamente, há ingresso de divisas. Adicionalmente, a recorrente encaminhou memorial, por meio do qual noticiou FATO NOVO, ocorrido após a interposição do recurso voluntário: nos autos do processo n° 080178578.2013.4.05.8100, foi proferida sentença em seu favor, já transitada em julgado, reconhecendo que a receita derivada da aludida operação goza da não incidência do PIS e da COFINS, a partir de comprovação carreada aos autos deste processo. Com efeito, não reproduzo trechos da decisão, pois não foi possível acessar informações sobre o processo, no sítio virtual do TRF da 5° Região. Conclui a recorrente, requerendo que este colegiado aplique a decisão judicial e dê provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório. Diante do acima exposto, reputo que devemos converter este julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a carrear aos autos cópia integral do citado processo judicial, mediante as quais i) certificarnosemos de que não há concomitância entre o presente processo administrativo e o processo judicial e ii) verificaremos qual comprovação foi apresentada e considerada pelo Poder Judiciário como suficiente para que a operação em tela enquadrase no dispositivo legal que dispõe sobre não incidência da COFINS. Após a juntada das cópias do processo, que seja dada ciência à PGFN. Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.049 8 Em seguida, os autos devem retornar para o CARF, para conclusão do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2049DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722697/2016-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2001-000.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1505; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.722697/201600 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.717 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente PEDRO SAKAMOTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, pensão alimentícia. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 26 97 /2 01 6- 00 Fl. 117DF CARF MF 2 tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi dispensada, por dispositivo legal. Esse acórdão apresentou a seguinte fundamentação para entender correta a glosa da pensão alimentícia. Dessa forma, sem a obrigatoriedade estabelecida em decisão judicial para pagamento de alimentos à excompanheira no decorrer de 2014, os valores declarados pelo contribuinte, a esse título, são indedutíveis da base do imposto de renda, porque considerados, segundo a legislação tributária, uma liberalidade da parte do contribuinte. O recurso voluntário entende que o pagamento da pensão, mesmo após o prazo previsto na decisão judicial não muda a natureza jurídica dos pagamentos que continuaram a ser feitos: seguiriam sendo pensão alimentícia. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase da discussão sobre pagamento de pensão alimentícia após o prazo previsto na decisão judicial. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). Como se verifica, para ser deduzida a pensão alimentícia deve haver decisão judicial que determine o pagamento. Fora dos limites da decisão judicial não há previsão legal para ser deduzida a pensão. Assim, concordamos com texto do acórdão de impugnação reproduzido no relatório. Conclusão Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10183.722697/201600 Acórdão n.º 2001000.717 S2C0T1 Fl. 3 3 Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.720800/2015-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO E BASE LEGAL. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. PROVAS NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA.
A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência na identificação da infração e fundamentação legal, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, fundamentação jurídica clara e documentos que suportam a constatação da infração.
Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA.
A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. Não há conflito objetivo de tal norma com o conteúdo do art. 43 do CTN.
Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.
É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1402-003.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que a conhecia e, na matéria conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO E BASE LEGAL. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. PROVAS NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência na identificação da infração e fundamentação legal, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, fundamentação jurídica clara e documentos que suportam a constatação da infração. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. Não há conflito objetivo de tal norma com o conteúdo do art. 43 do CTN. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 08 00 /2 01 5- 13 Fl. 363DF CARF MF 2 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que a conhecia e, na matéria conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 364 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 296 a 315) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE (fls. 254 a 267) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 225 a 242), mantendo integralmente as Autuações sofridas pela Recorrente (fls. 03 a 81). A Contribuinte era optante do SIMPLES Nacional, exigindose no presente créditos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, Contribuição Patronal Previdenciária e ICMS, referentes ao anocalendário de 2011, acrescido de multa de ofício na monta de 75%, sob a acusação fiscal de omissão de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, em face da constatação da ausência de declaração e não oferecimento a tributação de parte de valores referentes a revenda de mercadorias promovidas no período colhido, ainda que registrados em LivroCaixa quando apresentados à Fiscalização, após intimação em Fiscalização. Após a lavratura dos Autos de Infração, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/Salvador nº 06/2015, a ora Recorrente foi excluída do SIMPLES Nacional a partir de 1º de janeiro de 2012 (período posterior ao das Autuações), diante da extrapolação do limite de receita bruta auferida. Contudo, tal ato da Administração Tributária é objeto do processo nº 10580.720675/201533. Por bem resumir as alegações de Impugnação, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: O litígio decorre de impugnação apresentada pelo sujeito passivo de que trata o presente processo contra a lavratura dos autos de infração para cobrança de tributos devidos na sistemática do Simples Nacional, no valor total de R$ 1.672.940,68, incluído multa de ofício e juros de mora. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 04/05, foram apuradas “Diferenças de Base de Cálculo” e “Insuficiência de Recolhimento – Diferença de Alíquota”, em todos os meses do anocalendário de 2011. O Termo de Verificação Fiscal, fls. 80/81, detalha a infração apurada nos seguintes termos: A ação fiscal teve, como principal objetivo, verificar, em relação ao período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2011, a regularidade dos valores declarados como receita tributável no SIMPLES NACIONAL. Fl. 365DF CARF MF 4 Verificouse que o contribuinte declarou receitas com valores inferiores aos valores escriturados em seu Livro Caixa do ano de 2011. Em virtude destes fatos foram lançadas as diferenças de base de cálculo no ano de 2011, conforme apurado em Demonstrativo de Receitas obtidas através do Livro Caixa do contribuinte. O contribuinte foi cientificado do auto de infração em 24/02/2015, fls. 03 e 79, tendo apresentado em 25/03/2015 impugnação, fls. 225/243 (data aposta pelos correios no envelope de postagem, fls. 248), contrapondose aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados. Preliminar de Nulidade De acordo com a defesa, há um principal e decisivo defeito no Auto de Infração do Simples Nacional que leva a sua nulidade e, por conseguinte, do lançamento dos impostos e contribuições nele contidos. Nesta perspectiva, a fundamentação legal da suposta infração atribuída a Impugnante não se coaduna diretamente com os fatos narrados pelo digno auditor no Auto de Infração, já que se centra em dispositivos gerais da Lei Complementar n° 123/2006 e da Resolução CGSN n° 51/2008. O art. 33 da Lei Complementar nº 123/2006 referendado pelo autuante define a competência para fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias das empresas que optem pelo Simples Nacional, sem que tenha qualquer correlação como os fatos descritos no Auto de Infração Simples Nacional (“diferenças de base de cálculo”; “insuficiência de recolhimento diferença de alíquota”). A incidência e a cobrança dos tributos no ordenamento jurídico pátrio observam vários princípios constitucionais, como o da Legalidade, o da Anterioridade, dentre outros e infraconstitucionais como o da Tipicidade Tributária Cerrada. Este Princípio da Tipicidade Tributária Cerrada é um corolário do Princípio da Legalidade, e como tal, se subordina à idéia de segurança jurídica, levando, ainda, em consideração o Princípio da Capacidade Contributiva e outros vinculados à idéia de justiça. Considera a impugnante que, as supostas infrações fiscais imputadas à Impugnante deveriam guardar um nexo de causa e efeito, qual seja: os fatos descritos, como infração à legislação tributária, deveriam estar devida e legalmente tipificados guardando esse nexo de causalidade com os dispositivos tidos como violados. Não teria sido desta ordem a autuação ora combatida. Alega que foram apresentados levantamentos genéricos, capitulação legal de idêntica forma, impedindo, assim, o exercício de ampla defesa. Afirma que, somente com uma "dose de boa vontade" a Impugnante produziu a defesa para que não se alegue preclusão Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 365 5 e, assim, não seja levado ao conhecimento do Senhor Julgador "tamanha medida de injustiça, quiçá, arbitrariedade". Continua. Neste prisma, os demais dispositivos da referenciada Lei Complementar, mencionados pelo i. Auditor Fiscal, no Auto de Infração, também são de caráter geral; de per si, apresentam conceitos, imposição de base de cálculo e de obrigações acessórias (declaração própria e manutenção de escrita contábil), não guardando, de igual maneira, intima relação que deve existir entre a descrição dos fatos autuados com o seu respectivo enquadramento legal. Após fazer a transcrição dos demais dispositivos legais da Lei Complementar nº 123/2006 que embasam a infração, indaga: “o nobre Auditor apenas se referiu a dispositivos genéricos; como pode prosperar o lançamento por ele leva a cabo contra Impugnante de tributo sem que esteja perfeitamente identificada, tipificada a infração legal cometida pelo sujeito passivo, sem que isso não implique sua nulidade? Obviamente que a resposta é negativa, por uma simples questão. Procedimento desta espécie cerceia o direito de defesa atribuído ao cidadão brasileiro pela nossa Carga Magna, em quaisquer circunstâncias”. No que concerne às disposições contidas na Resolução CGSN N° 51/2008 invocadas pelo autuante, alega que tais disposições tratam da forma de tributação pela sistemática do Simples Nacional. Assim, mais uma vez ficaria perfeitamente caracterizada a falta de nexo casual entre a descrição dos fatos e a capitulação legal descrita no Auto de Infração Simples Nacional, o que por si só leva a nulidade do lançamento questionado, por dificultar o pleno exercício do direito de ampla defesa da Impugnante, que lhe é garantido constitucionalmente (Constituição Federal de 1988, artigo 5º, inciso LV). Noutra perspectiva, afirma que o lançamento ora rebatido traz outro gravame que o torna inexigível o exorbitante crédito tributário lançado fere o Princípio da Capacidade Contributiva da Impugnante, já que alcança um pequeno comerciante (mercadinho) em bairro "popular" deste município, já tão premido de tantas dificuldades de crédito, obrigações fiscais, trabalhistas, sanitárias, em que pese ser optante do Simples Nacional. Nesse aspecto, a defesa faz uma breve análise do art. 145, inciso I, da Constituição Federal, para concluir que a tributação não pode atingir níveis tão elevados que sejam considerados como confiscatórios, como se apresenta no apontado Auto de Infração Simples Nacional. Requer, ao final desse tópico da impugnação, que o Julgador passe a considerar o Sistema Tributário Nacional com uma visão da justiça fiscal e da proteção dos direitos dos contribuintes. E, é nesse contexto, que se considera a vital importância de uma efetiva aplicabilidade dos princípios da Legalidade, da Ampla Defesa, da Capacidade Contributiva como verdadeiros Fl. 367DF CARF MF 6 instrumentos aptos a concretizar a tão almejada tributação justa, adequada e equilibrada. Computo da Receita Mensal No tocante à apuração dos valores mensais de receitas, a defesa informa que a Impugnante tem conta bancária em três instituições (Banco HSBC, Bradesco e Citibank), tendo sido tomado como receita toda sua movimentação, o que não procederia. Alega que a Impugnante foi induzida a cometer grande equívoco ao escriturar um novo Livro Caixa apresentado ao auditor com referenciada movimentação bancária. Nenhum outro exame fiscal foi feito compulsando a documentação da empresa com os valores da movimentação bancária apresentada no referido livro. Considera que, se o auditor pretendia fundamentar seu lançamento na movimentação bancária da empresa, não teria que exigir da empresa que escriturasse o livro Caixa, como determinou que a Impugnante o fizesse; mas sim, intimála à comprovação da origem e efetiva entrega dos recursos bancários, como previsto no artigo art. 42 da Lei 9.430 de 1996. A partir desse entendimento, a defesa faz uma análise sobre a tributação baseada no art. 42 da Lei nº 9.430/96, destacandose os seguintes argumentos: Os depósitos bancários, por eles mesmos, não constituem fato gerador do Imposto de Renda por não representarem aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza, como previsto no art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN). Quando os depósitos bancários implicam em aumento patrimonial, em renda consumida ou em benefício de qualquer ordem da pessoa física e/ou jurídica passam eles a revelar a disponibilidade econômica da renda. Portanto, o suporte fático da tributação não é o depósito bancário em si, mas sim o acréscimo patrimonial, a renda consumida ou o benefício de qualquer ordem. Nos termos do art. 142 do CTN, é de competência exclusiva do agente lançador, identificar a renda consumida, o aumento da riqueza ou benefício econômico de qualquer ordem. Para tanto a autoridade lançadora dispõe de uma gama de recursos processuais, emanados no universo jurídico das provas, para cumprir suas responsabilidades processuais, o que não se operou no caso concreto do Auto em contestação. Por outra via, o destacado art. 42 da Lei 9.430, de 1.996, não implicou em alteração do regime tributário das pessoas físicas e/ou jurídicas, e muito menos, implicou em equiparação dos depósitos bancários à renda, como se fosse uma ficção jurídica. Simplesmente houve modificação no recurso processual probatório posto à disposição do Fisco Com base nesses aspectos, a defesa entende que o agente lançador não pode, nem poderia deixar de intimar o contribuinte Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 366 7 para prestar esclarecimentos, tampouco, leválo a prática de ato totalmente equivocado escriturar depósitos bancários simplesmente como renda e/ou receita e, assim, deixar de investigar a movimentação desses recursos, fazendo que a empresa tivesse a obrigação de atuar contra si próprio, e como se fosse delegado, ser auxiliar do agente lançador. A impugnante também questiona o conteúdo do Termo de Verificação Fiscal, considerandoo sucinto, não revelando qualquer procedimento fiscal levado a cabo pela nobre figura do agente tributário. Questiona a tributação dos seguintes valores: o auditor fiscal não excluiu no cômputo dos valores considerados como receitas as transferências bancárias, como se demonstra, a título de exemplo, no extrato do HSBC (agência 0287, conta corrente nº 3962342), operação datada de 17/01/2011, sob histórico de “TRANSF CONNECT BANK”, no valor de R$ 10.000,00. Semelhante, repetese igual passagem em 04/03/2011, no valor de R$ 30.000,00; nessa mesma instituição e de igual maneira, valores de operações com o histórico “TED DA MESMA TITULARIDADE” foram considerados como receita, como se verifica no dia 18/01/2011, no valor de R$ 13.000,00, Idêntica operação ocorre em 21/02/2011, na quantia de R$ 48.000,00; bem assim, em 21/07/2011, no valor de R$ 50.000,00. Respeitando o Princípio da Verdade Material, mencionados valores, inadvertidamente, foram colocados no Livro Caixa, apresentado ao auditor fiscal, como vendas, servindo, sem qualquer exame fiscal, como base de cálculo dos impostos e contribuições lançados de ofício, ora contestados. Reafirma: a movimentação bancária, de per si, não é uma renda, nem disponibilidade econômica jurídica; tão somente, poderia se formar num indício de sua aquisição. Daí, a necessidade imperiosa do agente fiscal aprofundar o exame deste, mediante intimação ao fiscalizado. A presunção legal em apreço (art. 42 da Lei 9.430 de 1.996) não pode ser empregada como norma penal e nem mesmo como norma material. Existem muitas atividades exercidas por pessoas físicas e/ou jurídicas, que implicam em inúmeros saques e depósitos bancários que circundam certo valor de capital necessário àquela atividade. É este capital que reflete o patrimônio da pessoa e não a somatória dos depósitos. Por isso mesmo a interpretação da presente norma processual não pode estar dissociada do que previsto no §1° do art. 145 de nossa Carta Magna que determina a identificação do patrimônio, da renda e da atividade do contribuinte, até mesmo para o legislador ordinário, quanto mais para o agente lançador ou julgador. Fl. 369DF CARF MF 8 Diante desses breves comentários sobre os recursos movimentados em contas bancárias, a defesa conclui afirmando que estes não fundam o caráter constitutivo da obrigação principal (lançamento do tributo). Dessa forma, não existiria sustentáculo legal que recepcione e fundamente o lançamento de ofício. Do Pedido Com base no exposto, a Impugnante requerer que seja cancelado o lançamento em litígio. Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o lançamento de ofício procedido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Improcede a arguição de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, quando a infração imputada ao contribuinte encontrase objetivamente descrita em termo de verificação que instrui a peça básica. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. No caso de apuração de divergências entre a receita bruta escriturada no livrocaixa e a declarada por empresa optante pelo Simples Nacional, o enquadramento legal da infração cometida corresponde às disposições da legislação que tratam da obrigação tributária (definição da receita bruta, tributos abrangidos, determinação do valor devido, escrituração do livrocaixa e competência para fiscalização). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. As disposições contidas no art. 42 da Lei nº 9.430/96 depósito bancário de origem não comprovada não se aplicam na hipótese de o lançamento ter se restringido às diferenças encontradas entre os valores escriturados no livro caixa e os declarados pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 367 9 Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, foi oposto o Recurso Voluntário, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, repisando as supostas nulidades no lançamento, bem como as razões de improcedência das exações. Ainda que primeiramente certificado que seria o Apelo apresentado pela Recorrente intempestivo, após a apresentação de Petição de esclarecimento, incluindo prova da postagem das razões, via Correios (fls. 330 a 339), foi atestado, pela mesma SECAT, que a data de interposição do mesmo foi, na verdade, 16/05/2016. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 371DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Diante da documentação acostada nos autos, confirmase que o Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Primeiro frisese que, entende este Conselheiro que, mesmo diante de clara conexão processual, o julgamento da presente contenda, que versa apenas sobre a procedência dos Autos de Infração sofridos pela Recorrente, em relação ao anocalendário do 2011, período anterior à sua exclusão do SIMPLES Nacional, não depende da resolução do Processo Administrativo nº 10580.720675/201533, devendose apenas, posteriormente, este mesmo Conselheiro, observar e transpor os seus efeitos e consequências deste Julgado no julgamento daquele outro expediente (do qual também é relator). Analisando o Recurso Voluntário, verificase primeiramente, assim como na Impugnação, que a Recorrente alega a nulidade do lançamento de ofício, em face da base legal invocada pela Autoridade Fiscal ser, supostamente, muito genérica, (...) sem que tenha qualquer correlação como (sic) os fatos descritos no Auto de Infração ("diferenças de base de cáculo"; "insuficiência de recolhimentos diferença de alíquota"). Pois bem, devese ter claro que a Recorrente era optante do SIMPLES Nacional, tendo sido as exigências impostas à Recorrente calculadas ainda dentro de tal sistemática especial de arrecadação, bem o Auto de Infração confeccionado em observância às norma que lhe regulamentam. Dito isso, foram os seguintes dispositivos invocados pela Fiscalização para arrimar as exações: Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 368 11 Estão abarcados em tais normas a definição de receita bruta tributável na sistemática do SIMPLES Nacional, os tributos inseridos, cálculo das obrigações mensais, obrigatoriedade de apresentação de declaração simplificada, obrigatoriedade de guarda de documentos e manutenção do LivroCaixa e competência para fiscalizar e autuar. Por outro lado, como expressamente descrito no TVF (fls. 80/81), in casu, a omissão de receitas foi apurada pela diferença entre os valores declarados na DASN e aqueles lançados no LivroCaixa, bem como presentes nos extratos bancários apresentados ao Fisco. Posto isso, considerando a natureza da infração, a clareza do TVF (ainda que breve) e o regime de apuração sob o qual foi lavrada a Autuação combatida, mostrase plenamente adequada a sua fundamentação e a base legal eleita. Mais do que isso, estão presentes todos elementos necessários para a plena compreensão das acusações e infrações imputadas à Recorrente, permitindo o exercício de sua ampla defesa e do contraditório. As Autuações estão munidas de toda a documentação referente à movimentação bancária percebida, individualização dos depósitos colhidos, receita bruta declarada, cópia da DASN e planilhas de cálculo. Oportuno citar passagem da v. Acórdão a quo sobre tal matéria: Retornemos agora à infração apurada fazendo a devida correspondência com o enquadramento legal apontado pela fiscalização: Verificouse que o contribuinte declarou (art. 25) receitas (art. 3º, § 1º) com valores inferiores aos valores escriturados em seu Livro Caixa do ano de 2011 (art. 26, § 2º). Os valores lançados de ofício foram apurados de acordo com art. 13 e 18, e lançados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (art. 33). (fls. 261) No mais, a Recorrente aprofunda suas razões quanto à nulidade arguida invocando os princípios da legalidade, ampla defesa, razoabilidade, da capacidade contributiva e da tipicidade cerrada, citando diretamente diversos artigos da Constituição da República de 1988 que teriam sido violados. Logo, é incidente aqui o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer das alegações exclusivamente fundamentadas em dispositivos constitucionais. Fl. 373DF CARF MF 12 Posto isso, mostrase ausente qualquer vício que ensejaria a nulidade do lançamento, sendo formalmente adequada a sua lavratura. Sob outro prisma, agora meritório, a Recorrente passa a discorrer sobre o computo da receita mensal. Em suma firma que os valores colhidos das contas bancarias (Banco HSBC, BRADESCO e CITIBANK) não poderiam ter sido tomados como receita, o que não procede. Ainda que sem explicar, afirma que foi induzido a erro pelo Auditor Fiscal quando lançou tais valores em seu LivroCaixa. Também afirma que não intima a esclarecer a origem dos depósitos. Afirma que é cediço que os depósitos bancários, por eles mesmos, não constituem fato gerador do Imposto de Renda por não representarem aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza, como previsto no art. 43 do Código Tributário Nacional. (...) Portanto o suporte fático da tributação não é o depósito bancário em si, mas o acréscimo patrimonial, a renda consumida ou o benefício de qualquer ordem. Acrescenta que não houve a identificação do acréscimo patrimonial por parte da Autoridade Fiscal em cada um dos depósitos e invoca o princípio da verdade material, afirmando que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 não pode ser utilizado de modo punitivo. Não assiste razão à Recorrente. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 está validamente inserido no sistema tributário nacional, veiculando presunção iuris tantum da omissão de receitas quando devidamente colhidas e comprovadas pela Fiscalização as condutas e ocorrências legalmente arroladas, justificada pela principiologia da praticabilidade tributária. O efeito de tal dispositivo é a inversão do ônus da prova sobre a ocorrência da infração de omissão de receitas, diante da devida fundamentação para a sua aplicação, dentro das hipótese previstas. Assim, em relação a essa matéria, não poderia o abstrato e processual princípio da busca pela verdade material, simplesmente, anular todos os efeitos de tal presunção legal, veiculada em Lei propriamente dita (obrigando, então, sempre à uma demonstração, por parte do Fisco, concreta de percepção de renda tributável em cada um dos depósitos colhidos). Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 369 13 Logo não se trata de tributação fundada em movimentação bancária, mas, sim, em disposição legal expressa, presente há mais de duas décadas na legislação federal da tributação sobre a renda, que valese de corriqueira técnica de abstração. Não existe violação ao conceito legal de renda, estampado no art. 43 do CTN ou mesmo punição/penalização do contribuinte. Há muito a legitimidade jurídica de tal dispositivo não representa celeuma neste E. CARF, não procedendo qualquer um dos supostos conflitos legais aventados. Também cabível aqui a dicção da Súmula CARF nº 26, em face da alegação de que o suporte fático da tributação não é o depósito bancário em si, mas o acréscimo patrimonial, a renda consumida ou o benefício de qualquer ordem: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Ainda, repetindo, ipsis litteris, a sua Impugnação, a Recorrente menciona que alguns valores foram, inadvertidamente, lançados na contabilidade como vendas: (fls. 308) Fl. 375DF CARF MF 14 Primeiro, não há qualquer prova que suporte tal alegação. Tratase de mera afirmação postulatória que, como já dito, não tem o condão de afastar a presunção veiculada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96. Tal carência probante já bastaria para o afastamento de tal alegação. Não obstante, prestigiando o excelente trabalho do I. Relator da DRJ a quo, colacionase e endossase o trabalho de verdadeira revisão do lançamento em relação aos valores e cálculos questionados, espontaneamente procedida: Por fim, a autuada questiona a tributação de diversos valores, que não corresponderiam a receitas (fls. 237). Nesse aspecto, a defesa apenas cita valores e datas, sem se aprofundar nos motivos que ocasionaram os depósitos bancários, nem efetuar a devida correlação com os valores registrados no livrocaixa (como, por exemplo, identificar as folhas dos autos, etc.). Provar significa contextualizar elementos relevantes, e não meramente coletar uma massa infinda de documentos não hierarquizados, ou fazer referência genérica a operações e valores. O processo não é um mero repositório de documentos e alegações, mas o locus no qual tais documentos, devidamente referenciados pela parte interessada, compõem um quadro ordenado e lógico dos fatos alegados. Mesmo diante dessas deficiências, em respeito ao princípio da verdade material procurei identificar as operações, com bases nos elementos acostados ao processo pelo autuante (a defesa não apresentou nenhum outro elemento de prova). Dessa análise, chegase às seguintes conclusões: Valor de R$ 10.000,00, extrato do HSBC (agência 0287, conta corrente nº 3962342), operação datada de 17/01/2011, sob histórico de “TRANSF CONNECT BANK”. Comentário – foram identificados os seguintes registros: Livrocaixa, fls. 96: Extrato bancário, fls. 136: Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 370 15 Considerandose que a tributação aqui tratada não tomou por base os extratos bancários, mas sim os valores lançados no livrocaixa, o contribuinte deveria ter apresentado outros elementos que justificassem o suposto erro cometido no registro da operação como VENDAS A PRAZO. Nesse contexto, se faz necessário identificar que tipo de transferência foi efetuada para conta corrente da empresa, de sorte a afastar definitivamente a hipótese de erro de preenchimento no livrocaixa. O ônus da prova, no caso, é do contribuinte, pois a fiscalização não tomou por base os extratos bancários, mas sim os valores registrados em livro fiscal obrigatório, de responsabilidade da própria empresa. Valor de R$ 30.000,00, datado de 04/03/2011 (de acordo com a defesa, tratase de situação semelhante à anterior). Comentário – foram identificados os seguintes registros: Livrocaixa, fls. 102: Extrato bancário, fls. 136: Fl. 377DF CARF MF 16 Situação idêntica à anterior. Portanto aplicamse as mesmas conclusões. Valor de R$ 13.000,00, com o histórico “TED DA MESMA TITULARIDADE”, datado de 18/01/2011: Comentário – foram identificados os seguintes registros: Livrocaixa, fls. 96: Extrato bancário, fls. 136: A situação é similar às anteriores, caberia, portanto, ao contribuinte o ônus de comprovar o suposto erro no livrocaixa, que resultou no registro de operação como venda a vista. O simples registro de “TED MESMA TITULARIDADE” no extrato bancário não é suficiente, de per si, para demonstrar que o valor não decorreu originalmente de uma venda à vista. Em idêntica situação se encontram os valores de R$ 48.000,00, datado de 21/02/2011, e de R$ 50.000,00, datado de 21/07/2011, conforme fazem prova os extratos a seguir fotocopiados: Livrocaixa, fls. 100: Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 371 17 Extrato bancário, fls. 143: Livrocaixa, fls. 120: Extrato bancário, fls. 143: Como se verifica, em nenhum dos casos alegados pela defesa restou comprovado o suposto erro na escrituração do livro caixa. Aliás, repitase, sequer foram anexados à peça impugnatória novos elementos para o deslinde da questão, tendo sido utilizado na presente análise exclusivamente os documentos que já haviam sido anexados pelo autor do procedimento. (fls. 262 a 267) Posto isso, restam integralmente apreciadas e afastadas as razões conhecidas do Apelo interposto Fl. 379DF CARF MF 18 Diante do exposto, voto por não conhecer das matérias referentes a inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.900019/2012-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 14/11/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.184
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 14/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 00 19 /2 01 2- 61 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10840.900019/201261 Acórdão n.º 9303007.184 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.472, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10840.900019/201261 Acórdão n.º 9303007.184 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10840.900019/201261 Acórdão n.º 9303007.184 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10840.900019/201261 Acórdão n.º 9303007.184 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10840.900019/201261 Acórdão n.º 9303007.184 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 181DF CARF MF
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