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Numero do processo: 14041.000229/2005-95
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF)
Exercício: 2003
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO A UNESCO/ONU - TRIBUTAÇÃO.
São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária.
(Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.747
Decisão: Acordam os membros de colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso interposto pela contribuinte.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes Da Silva
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São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros de colegiado, • er unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso interposto pela cont 'buinte. 4 CARLOS ALBERT* F EITAS BAI6ETO- Presidente nNes. MOISES GI • COMEL -1 • 1,* • PA SILVA - Relator EDITADO EM: 1 4 MAIS 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Contra o contribuinte antes nominado foi lavrado o auto de infração de fls. 34/41, exigindo o imposto de R$ 10.678,22; juros de mora de R$ 3.358,30; multa proporcional de R$ 8.008,66 e multa isolada de R$ 8.354,59, em virtude da omissão de rendimentos do trabalho recebidos de organismos internacionais, caracterizada pela constatação de que o contribuinte declarou-os como isentos e não tributáveis em sua Declaração de Ajuste Anual, no ano-calendário de 2002. A Câmara Julgadora, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da exigência do crédito tributário o valor da multa isolada, em concomitância com a multa de oficio. Intimado, o contribuinte ingressou com recurso especial de fls. 198/212 alegando, em síntese, que os rendimentos recebidos decorrentes da prestação de serviço junto ao PNUD, gozam de isenção do imposto sobre a renda. Com a finalidade de demonstrar divergência jurisprudencial, o recorrente destaca os acórdãos n°104-16.364 e n° 01-04.135, de ementas idênticas que, no ponto que interessa ao presente feito, espelham a seguinte decisão: "IRPF — REMUNERAÇÃO PAGA PELO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO NO BRASIL — ISENÇÃO — Por força das disposições contidas na Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, cujos termos foram recepcionados pelo Direito Pátrio através do Decreto n° 27.784, de 16.02.50, estão isentos do imposto de renda brasileiro, os valores auferidos a título de rendimentos do trabalho pelo desempenho das funções especificas junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento." O recurso foi admitido, conforme se verifica no despacho de admissibilidade exarado às fls. 244/245. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 250 e seguintes. É o relatório. 2 Processo n° 14041.000229/2005-95 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.747 Fl. 2 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Quanto à divergência necessária à admissibilidade do recurso, o acórdão atacado pode ser sintetizado por meio de sua ementa, a seguir transcrita: CONVENÇÃO SOBRE PRIVILÉGIOS E IMUNIDADES DAS NAÇÕES UNIDAS - Apenas gozam da isenção do imposto de renda a categoria dos funcionários do PNUD, e não de técnicos cio organismo. É requisito para usufruir da isenção a indicação dos nomes e das categorias dos funcionários, configurando-se em exigência da própria Convenção e não do Governo Brasileiro ou da Receita Federal. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO - Pacifica a jurisprudência deste Conselho de Contribuintes no sentido de que é incabível a aplicação concomitante da multa isolada prevista no artigo 44, §, inciso III da Lei n. 9.430/1996 com multa de oficio, tendo em vista dupla penaliza ção sobre a mesma base de incidência. Recurso Parcialmente provido. Em relação ao acórdão paradigma apontado como caracterizador da divergência, este apreciou a matéria nos seguintes termos: IRPF — REMUNERAÇÃO PAGA PELO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO NO BRASIL — ISENÇÃO — Por força das disposições contidas na Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, cujos termos foram recepcionados pelo Direito Pátrio através do Decreto n° 27.784, de 16.02.50, estão isentos do imposto de renda brasileiro, os valores auferidos a título de rendimentos do trabalho pelo desempenho das funções especificas junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Recurso Provido. Do confronto das ementas acima referidas, tem-se que o acórdão recorrido concluiu pela incidência do imposto de renda sobre a remuneração auferida junto a Organismo Internacional relativa à prestação de serviço contratado em território nacional e o acórdão paradigma pela não incidência. Desta foiina, fica caracterizada a divergência, razão pela qual7 admito o Recurso Especial e passo ao exame do mérito. 3 Quanto ao mérito, o litígio versa sobre exigência de IRPF sobre valores recebidos por serviços prestados em território brasileiro a organismo internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU), declarados como rendimentos isentos, esta Quarta Turma da Câmara Superior, em decisões anteriores, adotou o entendimento constante do acórdão n° 1 04-20.451 de 23/02/2005, em que foi relatora a ilustre Conselheira Maria Helena Cota Cardoso, "in verbis": " (..) A solução da lide requer a análise sistemática de toda a legislação que rege a matéria, e não apenas a invocação de alguns dispositivos legais que, citados de forma isolada, podem induzir o Julgador a uma conclusão precipitada, divorciada da 'ultima ratio' que norteia a concessão da isenção em tela. O artigo 5 0 da Lei n° 4.506/64, reproduzido no artigo 23 do RIR/94 e no artigo 22 do RIR/99, assim estabelece: 'Art. 5° Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: - Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; II - Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; III - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. • Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens II e Ill deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país.' Quanto aos incisos I e III, não há dúvida de que são dirigidos a estrangeiros, sejam eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros países. No que tange ao inciso II, este menciona genericamente os 'servidores de organismos internacionais', nada esclarecendo sobre o seu domicílio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em tela faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso II são contribuintes como residentes no estrangeiro. Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no País, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que o inciso II, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Assim, fica demonstrado que o art. 5° da Lei n° 4.506/64, acima transcrito, não contempla a situação do Recorrente —brasileiro residente no Brasil. 4 Processo n° 14041.000229/2005-95 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.747 Fl. 3 Ainda que pudesse ser aplicado a um nacional residente no País — o que se admite apenas para argumentar —, o dispositivo legal em foco é claro ao determinar que a isenção concedida aos servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte tem de estar prevista em tratado ou convênio. Nesse passo, tratando-se de rendimentos pagos pelo PNUD — Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, verifica-se a existência do 'Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica', promulgado pelo Decreto n°59.308, de 23/09/1966, que assim prevê: ARTIGO V Facilidades, Privilégios e Imunidades 1. O Governo, caso ainda não esteja obrigado afazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito à Organização das Nações Unidas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas '; b) com respeito às Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas '; c) com respeito à Agência Internacional de Energia Atômica o 'Acordo sobre Privilégios e Imunidades da Agência Internacional de Energia Atômica' ou, enquanto tal Acordo não for aprovado pelo Brasil, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas (grifei) Ressalte-se que o PNUD é um programa das Nações Unidas, e não uma das suas Agências Especializadas que, conforme a própria 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas', são: Organização Internacional do Trabalho, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Organização Mundial de Saúde, Associação Internacional de Desenvolvimento, Corporação Financeira Internacional, Fundo Monetário Internacional, Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, Organização de Aviação Civil Internacional, União Internacional de Telecomunicações, União Postal Universal, Organização Meteorológica Mundial e Organização Marítima Consultiva Intergovernamental. Sendo o PNUD um programa específico da Organização das Nações Unidas, as respectivas facilidades, privilégios e imunidades devem seguir os ditames, conforme comando do artigo Via, acima, da 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'. Esta, por sua vez, foi firmada em Londres, em 13/02/1946, e promulgada pelo Decreto n° 27.784, de 16/02/1950. Dit Convenção assim prevê: 'ARTIGO V 5 Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros. Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais (inclusive seus pronunciamentos verbais e escritos); b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; c) serão isentos de todas as obrigações referentes ao serviço nacional; d) não serão submetidos, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, às restrições imigratórios e às formalidades de registro de estrangeiros; e) usufruirão, no que diz respeito à facilidades cambiais, dos mesmos privilégios que os funcionários, de equivalente categoria, pertencentes às Missões Diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado; f) gozarão, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, das mesmas facilidades de repatriamento que os funcionários diplomáticos em tempo de crise internacional; g) gozarão do direito de importar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado. Seção 19. Além dos privilégios e imunidades previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os sub-secretários gerais, tanto no que lhes diz respeito pessoalmente, como no que se refere a seus cônjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos. '(grifei) De plano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários da ONU e encontra-se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: imunidade de jurisdição; isenção de serviço militar; facilidades imigratórios e de registro de estrangeiros, inclusive para sua família; privilégios cambiais equivalentes aos funcionários de missõe 6 Processo n° 14041.000229/2005-95 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.747 Fl. 4 diplomáticas; facilidades de repatriamento idênticas às dos fimcionários diplomáticos, em tempo de crise internacional; liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no país interessado. Embora a Convenção ora enfocada utilize a expressão genérica funcionários, a simples leitura do conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o termo não abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no País, benefícios tais como facilidades imigratórios e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, facilidades de repatriamento e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no País. Assim, fica claro que as vantagens e isenções — inclusive do imposto sobre salários e emolumentos — relacionadas no artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas não são dirigidas aos brasileiros residentes no Brasil, restando perquirir-se sobre que categorias de funcionários seriam beneficiárias de tais facilidades. A resposta se encontra no próprio artigo V da Convenção da ONU na Seção 17, que a seguir se recorda: 'ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VIL Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros.' A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de beneficios de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funcionário a que se refere o artigo V da Convenção da ONU— e que no inciso lido art. 5° da Lei n°4.506/64 é chamado de servidor — é o funcionário internacional, integrante dos quadros da ONU com vínculo estatutário, e não apenas contratual. Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo V da Convenção da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Destarte, verifica-se que o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas harmoniza-se perfeitamente com o Inciso II, do art. 5°, da Lei n° 4.506/64 (transcrito no início deste voto), já que ambos prevêem isenção do imposto de renda apenas para os não residentes no Brasil. Com efeito, conjugando-se esses dois comandos legais, conclui-se que os 1servidores/funcionários neles mencionados são aqueles funcionários/7 internacionais, em relação aos quais é perfeitamente cabível a tributação d li {7À.p outros rendimentos produzidos no País como de residentes no estrangeiro, bem como a concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriamento e de importação de mobiliário/bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Brasil. Afinal, esses funcionários não são residentes no Pais, daí a justificativa para esse tratamento diferenciado. Quanto aos técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui recrutados, não há qualquer fundamento legal ou mesmo lógico para que usufruam das mesmas vantagens relacionadas no artigo V da Convenção da ONU, muito menos para que seja pinçado, dentre os diversos benefícios, o da isenção de imposto sobre salários e emolumentos, com o escopo de aplicar-se este — e somente este — a ditos técnicos. Tal procedimento estaria referendando a criação — à margem da legislação — de uma categoria de funcionários da ONU não enquadrável em nenhuma das existentes, a saber os 'técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de renda', o que de forma alguma pode ser admitido. Corroborando esse entendimento, o artigo VI da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas assim dispõe: 'ARTIGO VI Técnicos a serviço das Nações Unidas Seção 22. Os técnicos (independentes dos funcionários compreendidos no artigo V), quando a serviço das Nações Unidas, gozam enquanto em exercício de suas funções, incluindo- se o tempo de viagem, dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho de suas missões. Gozam, em particular, dos privilégios e imunidades seguintes: a) imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais; b) imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas missões (compreendendo- se os pronunciamentos verbais e escritos). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que os indivíduos em questão tenham terminado suas funções junto à Organização das Nações Unidas. c) inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) direito de usar códigos e de receber documentos e correspondências em malas invioláveis para suas comunicações -com a Organização das Nações Unidas; e) as mesmas facilidades, no que toca a regulamentação monetária ou cambial, concedidas aos representantes dos governos estrangeiros em missão oficial temporária. f) no que diz respeito a suas bagagens pessoais as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos. 8 Processo n° 14041.000229/2005-95 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.747 Fl. 5 Seção 23. Os privilégios e imunidades são concedidos aos técnicos no interesse da Organização das Nações Unidas e não para que aufiram vantagens pessoais. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um técnico sempre que, a seu juízo impeçam a justiça de seguir seus trâmites e quando possa ser suspensa sem trazer prejuízo aos interesses da Organização.' Como se vê, a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não consta — e nem poderia constar — da relação de benefícios concedidos aos técnicos a serviço das Nações Unidas. Constata-se, assim, a existência de um quadro de funcionários internacionais estatutários da ONU, que goza de um conjunto de beneficios, dentre os quais o de isenção de imposto sobre salários e emolumentos, em contraposição a uma categoria de técnicos -que, ainda que possuindo vínculo contratual permanente, não é albergada por esses beneficios. Tal constatação é corroborada pela melhor doutrina, aqui representada por Celso D. de Albuquerque Mello, no seu 'Curso de Direito Internacional Público' (11a edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723a 729): 'Os funcionários internacionais são um produto da administração internacional, que só se desenvolveu com as organizações internacionais. Estas, como já vimos, possuem um estatuto interno que rege os seus órgãos e as relações entre elas e os seus funcionários. Tal fenômeno fez com que os seus funcionários aparecessem como uma categoria especial, porque eles dependiam da organização internacional, bem como o seu estatuto jurídico era próprio. Surgia assim uma categoria de funcionários que não dependia de qualquer Estado individualmente. (.) Os funcionários internacionais constituem uma categoria dos agentes e são aqueles que se dedicam exclusivamente a uma organização internacional de modo permanente. Podemos defini- los como sendo os indivíduos que exercem funções de interesse internacional, subordinados a um organismo internacional e dotados de um estatuto próprio. O verdadeiro elemento que caracteriza o funcionário internacional é o aspecto internacional da função que ele desempenha, isto é, ela visa a atender às necessidades internacionais e foi estabelecida internacionalmente. (.) A admissão dos funcionários internacionais é feita pela própria organização internacional sem interferência dos Estados/ Membros. (..) r /7 9 O funcionário é admitido na ONU para um estágio probatório de dois anos, prorrogável por mais um ano. Depois disto, há a nomeação a título permanente, que é revista após 5 anos. (.) A situação jurídica dos funcionários internacionais é estatutária e não contratual (.) Já na ONU o estatuto do pessoal (entrou em vigor em 1952) fala em nomeação, reconhecendo, portanto, a situação estatutária dos seus funcionários. Este regime estatutário foi reconhecido pelo Tribunal Administrativo das Nações Unidas, mas que o amenizou, considerando que os funcionários tinham certos direitos adquiridos (ex.: a vencimentos). (..) . Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. (..) *Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário-geral, secretários- adjuntos, diretores-gerais etc.). É o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades. Cabe ao Secretário-Geral determinar quais as categorias de funcionários da ONU que gozarão de privilégios e imunidades. A lista destas categorias será submetida à Assembléia Geral e `os nomes dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos governos membros'. Os privilégios e imunidades são os seguintes: a) 'imunidade de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais '; b) isenção de impostos sobre salários; c) a esposa e dependentes não estão sujeitos a restrições imigratórias e registro de estrangeiros; d) isenção de prestação de serviços; e) facilidades de câmbio como as das missões diplomáticas; j) facilidades de repatriamento, como as missões diplomáticas, em caso de crise internacional, estendidas à esposa e dependentes; g) direito de importar, livre de direitos, 'o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado Além dos privilégios e imunidades acima, o Secretário-geral e os subsecretários-gerais, bem como suas esposas e filhos menores, 'gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos'. Os técnicos a serviço da ONU, mas que não sejam funcionários internacionais, gozam dos seguintes privilégios e imunidades: a) 'imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais '; b) 'imunidade de toda ação legal no q • concerne aos, atos por eles praticados no desempenho de sua .\ io • Processo n° 14041.000229/2005-95 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.747 Fl. 6 funções'; c) 'inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) 'direito de usar códigos e de receber documentos e correspondência em malas invioláveis' para se comunicar com a ONU; e) facilidades de câmbio; 1) quanto às 'bagagens pessoais, as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos'. (grifei) Como se pode constatar, a doutrina mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos —funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo — como identifica o conjunto de benefícios com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais. Diante do exposto, constatando-se que o interessado não é funcionário internacional pertencente ao quadro estatutário da ONU, incluído em lista fornecida pelo seu Secretário-Geral, mas sim técnico residente no Brasil, a serviço do PNUD, não há como conceder-lhe a isenção pleiteada (..)." Aos fundamentos acima transcritos, que se aplicam integralmente ao presente litígio, nada merecer ser acrescentado. Com tais considerações, tendo em vista a jurisprudência unifoluie da CSRF, compartilho do entendimento de que não há fundamentos legais que justifiquem a não incidência sobre os rendimentos percebidos pelo contribuinte de organismo internacional, em decorrência de prestação de serviço de natureza contratual. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte. 41111‘ MoiseS— . .me i Nunes da Silva elator 11
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Numero do processo: 19740.000460/2003-53
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. SUCESSÃO
EMPRESARIAL. INOCORRÊNCIA. O Fato de o auto de infração ter sido
lavrado contra a empresa incorporada ou sucedida, por si só, não acarreta a nulidade do processo por erro na identificação do sujeito passivo, mormente quanto todos as intimações, termos e atos processuais são cientificados a empresa incorporadora/sucessora e atendidos, inclusive a ciência do auto de infração, não havendo qualquer prejuízo à defesa do contribuinte.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. SUJEITO PASSIVO QUE ENTENDIA NÃO SER CONTRIBUINTE DO TRIBUTO. O prazo decadencial dos tributos lançados por homologação é
contado na forma do art.150 §4º do CTN, quando restar comprovado o exercício da atividade pelo contribuinte. Na hipótese do sujeito passivo não ter apurado o tributo, por entender estar isento ou fora do campo de incidência, o prazo decadencial deve ser contado na forma do art.173 do CTN.
DILIGÊNCIA OU PERICIA. INDEFERIMENTO. O julgador tem a
prerrogativa de indeferir, justificadamente, os pedidos de diligência ou pericia que considerar desnecessárias.
CSLL. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. SUJEITO PASSIVO.
As entidades de previdência privada não se incluíam no campo de incidência da CSLL nos anos de 1999 a 2002.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Provido.
Numero da decisão: 1402-000.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado: 1) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo suscitada pelo relator, vencido também Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. 2) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência, suscitada de ofício pelo relator, relativa ao fato gerador do terceiro trimestre de 1998, vencido o relator e o Cons. Carlos Pelá. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio José Praga de Souza. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta vota pelas conclusões. 3) Por unanimidade de votos rejeitar o pedido de diligência; 4) No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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SUCESSÃO EMPRESARIAL. INOCORRÊNCIA. O Fato de o auto de infração ter sido lavrado contra a empresa incorporada ou sucedida, por si só, não acarreta a nulidade do processo por erro na identificação do sujeito passivo, mormente quanto todos as intimações, termos e atos processuais são cientificados a empresa incorporadora/sucessora e atendidos, inclusive a ciência do auto de infração, não havendo qualquer prejuízo à defesa do contribuinte. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. SUJEITO PASSIVO QUE ENTENDIA NÃO SER CONTRIBUINTE DO TRIBUTO. O prazo decadencial dos tributos lançados por homologação é contado na forma do art.150 §4o do CTN, quando restar comprovado o exercício da atividade pelo contribuinte. Na hipótese do sujeito passivo não ter apurado o tributo, por entender estar isento ou fora do campo de incidência, o prazo decadencial deve ser contado na forma do art.173 do CTN. DILIGÊNCIA OU PERICIA. INDEFERIMENTO. O julgador tem a prerrogativa de indeferir, justificadamente, os pedidos de diligência ou pericia que considerar desnecessárias. CSLL. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. SUJEITO PASSIVO. As entidades de previdência privada não se incluíam no campo de incidência da CSLL nos anos de 1999 a 2002. Preliminares Rejeitadas. Recurso Provido. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo suscitada pelo relator, vencido também Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. 2) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência, suscitada de ofício pelo relator, relativa ao fato gerador do terceiro trimestre de 1998, vencido o relator e o Cons. Carlos Pelá. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio José Praga de Souza. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta vota pelas conclusões. 3) Por unanimidade de votos rejeitar o pedido de diligência; 4) No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório COIFA PECÚLIOS E PENSÕES, CNPJ 27.084.599/0001-45, inconformada com a decisão contida no acórdão 12-13.541 de 15.03.2007, proferido pela 3ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro RJ-I, que manteve o lançamento de CSLL contido no auto de infração de folhas 312/322, interpôs recurso voluntário objetivando a reforma do julgamento. Adoto o relatório da DRJ: Trata-se de auto de infração lavrado pela Delegacia Especial de Instituição Financeira - DEINF/RJ (fls. 299/323), o qual foi cientificado ao interessado em 15/09/2003, para exigência de Contribuição Social de R$ 937.099,98 e acréscimos legais, totalizando o crédito tributário de R$ 2.219.027,11 (fls. 2). No curso do procedimento fiscal, a autoridade administrativa lançadora, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 299/311) e na descrição dos fatos do auto de infração, constatou as seguintes irregularidades: I – Falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro (Financeiras): o lançamento efetuado tomou por base os demonstrativos de apuração juntados às fls. 283/298, onde foram consideradas as compensações de bases negativas de períodos anteriores; II – Falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro – adicional referente ao período de maio/1999 a janeiro/2000 (Financeiras): aplicação do Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 19740.000460/2003-53 Acórdão n.º 1402-00.256 S1-C4T2 Fl. 2 3 adicional de 4% sobre a base de cálculo proporcional correspondente ao período em referência. III – Falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro – adicional referente ao período de fevereiro/2000 a dezembro/2001 (Financeiras): aplicação do adicional de 1% sobre a base de cálculo proporcional correspondente ao período em referência. O enquadramento legal da autuação encontra-se descrito às fls. 314/315 e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 299/311). O interessado, cientificado em 15/09/2003 (fl. 312), apresentou, em 15/10/2003, impugnação (fl. 345/377), na qual alega, em síntese, que: Do não preenchimento da hipótese de incidência da CSLL – é Entidade de Previdência Privada sem fins lucrativos, que tem por objeto instituir planos de benefícios previdenciários, sob a forma de pecúlios ou rendas; – não aufere lucros, apura superávits e déficits, dessa forma, jamais cogitou da incidência da CSLL; – informa que esse entendimento (não incidência da CSLL) foi consolidado pela Secretaria da Receita Federal, através do Ato Declaratório CST nº 17, de 30/11/1990, cujo trecho é reproduzido à fl. 347; – “o auferimento de lucros, pelas impetrantes, é também vedado por lei.”; – “a impossibilidade da Impugnante auferir lucro decorre de dupla razão: vedação estatutária e proibição legal.”; - a autoridade autuante não questionou a natureza não lucrativa da Impugnante, alega que a hipótese de incidência restaria preenchida pela simples apuração de resultado positivo no exercício, ajustado pelas adições e exclusões previstas em lei; – o termo lucro é utilizado em seu conceito comercial, como se observa na Lei nº 7.689, de 1988 (art. 1o. c/c 2o., § 1o., alínea “c”). Da alíquota aplicável – no entender da autoridade autuante, por força do § 1 o . do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, a impugnante teria sido equiparada à instituição financeira no que toca à CSLL; – tais instituições vêm sendo há muito penalizadas com alíquota de CSLL consideravelmente superior à praticada para outros tipos de empresas. Esta situação anti-isonômica se revela flagrantemente inconstitucional; – assim, as alíquotas relativas ao tributo pretensamente devidas não poderiam ser as constantes do lançamento. Recálculo da base tributável – “Caso a Impugnante efetivamente se subsumisse à exação em comento, teria ela, por exemplo, a opção de apurar o tributo pelo regime anual, e, certamente, não optaria pelo regime adotado pela Ilustre Auditora Fiscal (apuração trimestral).” Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 4 – teria também a possibilidade de realizar alguns ajustes à base de cálculo, que não foram efetuados em função da entidade sequer imaginar-se como contribuinte da CSLL. Junta em anexo quadros comparativos entre os valores apurados no procedimento fiscal e os que o interessado teria utilizado (doc 3 – fls. 399/402); – faz-se necessária a realização de diligência, a fim de determinar os critérios e montantes corretos de apuração e lançamento do tributo; – a superveniência da apresentação de novos documentos a ensejar o pedido de diligência é aceita por lei (art. 16, § 4 o . do Decreto nº 70.235/72), na medida em que a força maior, na hipótese tratada, é ilustrada pela mudança nos critérios jurídicos de determinação da base de cálculo da aludida contribuição; – a Lei nº 9.784, de 1999 faculta ao contribuinte a exibição de documentos, em qualquer fase processual, que sejam capazes de elucidar a matéria de fato acerca do litígio instaurado (art. 2o., § único, inciso X e art. 60); Da taxa SELIC – a utilização da taxa SELIC, a título de juros moratórios, nos pagamentos realizados pelo contribuinte é inconstitucional; Além das argumentações expostas anteriormente, o interessado cita decisões administrativas e judiciais, assim como o entendimento da doutrina. Encerra requerendo que: – seja julgado improcedente o lançamento, pois o interessado não é contribuinte da CSLL; – caso assim não se entenda, seja julgado improcedente o lançamento no que ultrapassar as alíquotas da CSLL aplicáveis às demais pessoas jurídicas; – seja o presente feito convertido em diligência para o fim de se proceder à verificação da escrituração fiscal do interessado; – seja julgado improcedente o lançamento no que se refere à utilização da Taxa SELIC. Acosta ao processo documentos às fls. 379/423. Juntei às fls. 430/431, consulta atualizada do processo judicial 2002.51.01.012557-2. Levado a julgamento a 3ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro RJ-I considerou procedente o lançamento pelos argumentos que podem ser sintetizados na ementa do acórdão 12-13.541, verbis: DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. O procedimento de diligência não visa coletar provas que o interessado tem por dever juntar aos autos, quando da apresentação da impugnação. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 19740.000460/2003-53 Acórdão n.º 1402-00.256 S1-C4T2 Fl. 3 5 ALÍQUOTAS. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A incidência dos juros de mora equivalentes à taxa SELIC decorre de lei e se prestam à remuneração do capital. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. SUJEITO PASSIVO. Não havendo norma de isenção, no período de apuração, incluem-se no campo de incidência da CSLL as entidades de previdência privada. ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da CSLL apurada pelas Entidades de Previdência Privada é o resultado positivo (superávit), ajustado na forma da legislação de regência. Inconformada a Entidade apresentou o recurso voluntário de folhas 453 a 486 argumentando, em epítome, o seguinte. Faz um relato dos fatos e da decisão proferida. DA NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA CSLL EM RAZÃO DA NATUREZA NÃO LUCRATIVA DA RECORRENTE. Afirma ser entidade de previdência privada sem fins lucrativos e que não pode auferir lucro por vedação estatutária e proibição legal. Diz que não auferindo lucro mas apenas superávits que são revertidos à melhoria dos planos de benefícios ou a redução das contribuições dos beneficiários, não pode ser tributada. Afirma que de acordo com o artigo 195 da Constituição Federal há autorização para a União instituir a contribuição somente sobre o lucro e não sobre outra figura que é o superávit como quis o lançamento e a decisão recorrida, o que representaria uma afronta ao artigo 150 inciso I da referida carta magna. Diz que a Lei nº 7689/88 não é aplicável à recorrente conforme entendimento consolidado pela própria administração, cita o ADN CST 17/90, e arremata que a incidência somente alcança aquelas entidades que podem auferir lucro. Cita a IN SRF 588 de 2005 que declara a isenção e diz que tal entendimento já era reconhecida pela jurisprudência administrativa. Discorre sobre o artigo 22 § 1º da Lei 8.212/91, para concluir que embora faça referência às entidades de previdência privada como contribuintes só alcança aquelas que tenham fins lucrativos. Transcreve os artigos 1º e 2º da Lei nº 7689/99, para dizer que o termo lucro é utilizado no seu conceito comercial, logo se não há lucro não há base de cálculo e, via de conseqüência, não há tributo devido. Transcreve trechos dos acórdãos 105-15.941 e 101-94.668, que tratam de entidades de previdência privada fechada, para concluir que a incidência não pode prosperar. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 6 DA ILEGITIMIDADE DA BASE DE CÁLCULO UTILIZADA – DA NÃO EXCLUSÃO DOS VALORES DESTINADOS À FORMAÇÃO DA RESERVA DE CONTINGÊNCIA. Afirma que foram incluídas na base de cálculo parcelas manifestamente indevidas. Faz um relato das receitas percebidas pela entidade para concluir que todas elas tem um único destino, arcar com os benefícios dos associados, não havendo que se cogitar em lucro da entidade. Faz um longo arrazoado sobre as reservas e a forma de apuração de superávit ou déficit para concluir que os recursos destinados à formação de reservas técnicas e reservas de contingências não podem compor a base de cálculo. Diz que as reservas matemáticas e de contingências podem ser deduzidas da base de cálculo da contribuição conforme explicitou a solução de consulta COSIT 07/2001. Conclui finalmente que como os resultados obtidos pela recorrente são integralmente destinados à formação de reservas de contingências, não há, obviamente, base de cálculo tributável para a CSLL. Diz que a apuração mensal, trimestral ou anual é incompatível com uma atividade cujo horizonte de apuração do equilíbrio econômico financeiro tende ao infinito, sendo totalmente diferente das entidades que visam lucro. Afirma que o ciclo operacional pode superar 35 anos que é o prazo de entrada de um participante e o inicio da percepção de beneficio, reafirma a posição de que não há resultado do exercício. Argumenta que no período autuado destinou todo superávit para formação de reservas técnicas, reservas matemáticas e reservas de contingências, este último grupo não extrapolando o limite de 25% das reservas matemáticas. Conclui que o saldo disponível para constituições é aquele apurado no programa previdencial, ou seja, o superávit. Cita jurisprudência contida no acórdão 101-95.801, recurso 141.938 da 1ª Câmara do 1º CC, que entendeu ser possível a dedução das reservas matemática, de contingência e o fundo de oscilação de riscos para apuração da base de cálculo da CSLL. Faz demonstrativo chegando a base de cálculo ZERO em todos os períodos, argumentando que as bases tributáveis encontradas pela fiscalização dizem respeito exclusivamente a adições e exclusões de provisões de contingências as quais, a despeido de sua constituição ou reversão, não afetam a apuração da CSLL e conduzem sempre a apuração de base de cálculo zero. Conclui dizendo que os valores das constituições e das reversões de provisões contingenciais sejam anulados no confronto das adições e exclusões, exatamente conforme demonstrado nas planilhas elaboradas. Chama a atenção mais uma vez para a solução de consulta da COSIT dizendo que as reservas de contingências são igualmente consideradas reservas técnicas, uma vez que somente podem ser utilizadas para a redução de contribuições ou para melhoria de benefícios. Logo não podem ser base de calculo da CSLL. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 19740.000460/2003-53 Acórdão n.º 1402-00.256 S1-C4T2 Fl. 4 7 Transcreve os itens 11.1 e 11.2 da Portaria MPAS nº 4.858 de 26 de novembro de 1.998, que trata das sistemática contábil das EFPC. DA NECESSIDADE DE RECÁLCULO DA BASE TRIBUTÁVEL. Afirma que em sã consciência nenhuma empresa optaria pelo regime trimestral, pois o prejuízo apurado em um trimestre não poderia ser totalmente compensado no seguinte pois teria que respeitar o limite de 30%. Diz que os ajustes foram efetuados em função da entidade sequer imaginar-se como contribuinte da CSLL razão pela qual solicita seja o julgamento convertido em diligência a fim de determinar os critérios e montantes corretos de apuração e lançamento do tributo, caso fosse a recorrente contribuinte do mesmo. Cita doutrina de Alberto Xavier para dizer que no PAF deve-se sempre buscar a verdade material ou real dos fatos em detrimento do mero formalismo das provas. Requer que seja reconhecido não ser contribuinte da CSLL pois não tinha à época dos fatos fins lucrativos, alternativamente que seja convertido em diligência para exata determinação da base de cálculo. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 8 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator O recurso é tempestivo dele conheço. PRELIMINAR – ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Inicialmente cabe levantar de ofício vício de origem que macula o lançamento relativo a erro na identificação do sujeito passivo. Analisando os autos verifico que a autuação foi realizada em 15 de setembro de 2003, conforme ciência no auto de infração de folha 312. Na folha 383 encontro publicação no diário oficial da Portaria SUSEP 1523 de 10 de dezembro de 2.002 homologando a incorporação feita da COIFA PECÚLIOS E PENSÕES pela MONGERAL – PREVIDÊNCIA PRIVADA em 30 de julho de 2002, fls 384 e 385. Assim na data da lavratura do auto de infração, o lançamento deveria ter sido feito em nome da MONGERAL e não em nome da COIFA, conforme mandamento contido no artigo 132 do CTN verbis: “Art. 132 - A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.” Nos termos do artigo 142 do CTN cabe à fiscalização a identificação do sujeito passivo, sendo nulo de pleno direito por vício substancial o lançamento feito em nome de pessoa jurídica que no momento da ciência já não mais existia. Pelo exposto voto no sentido de declarar nulo o lançamento por vício substancial. Caso seja vencido na preliminar manter o lançamento excluindo o fato gerador ocorrido em 03/98 em virtude da decadência, contada na forma do art. 150, §4 o . do CTN, haja vista a natureza do lançamento do tributo (por homologação). A ciência foi em 15/09/2003 (fl. 312). Vencido na preliminar de erro na identificação do sujeito passivo passo à análise do recurso. DILIGÊNCIA. Requer a empresa a realização de diligência, porém os autos contêm todos os elementos necessários para a decisão sendo prescindível tal providência. Ressalte-se que de acordo com o artigo 16 do Decreto 70.235/1972, a autoridade julgadora pode indeferir diligências e perícias prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 19740.000460/2003-53 Acórdão n.º 1402-00.256 S1-C4T2 Fl. 5 9 Indefiro o pedido de diligência com os mesmos argumentos contidos na decisão recorrida, como se aqui estivessem escritos. NO MÉRITO Tomando como base o relatório apresentado, toda a questão do presente processo passa pela questão da imunidade da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, no período compreendido entre janeiro de 1998 e dezembro de 2001 da RECORRENTE que é uma Entidade de Previdência Privada sem Fins Lucrativos, mesmo sendo uma entidade aberta. No Brasil, há dois tipos de entidades de previdência complementar: A fechada e a aberta. Uma entidade fechada de previdência complementar é uma instituição sem fins lucrativos que administra os planos de previdência de uma determinada sociedade, chamada de patrocinadora, normalmente uma empresa pública ou privada, pelos chamados fundos de pensão. O que a caracteriza como "entidade fechada" é o fato de atender exclusivamente aos empregados de suas patrocinadoras. Já uma entidade aberta de previdência complementar pode ter fins lucrativos e o objetivo principal é administrar planos de previdência de qualquer pessoa. Essas são as instituições privadas, normalmente ligadas a seguradoras. Aqui não vou me ater às questões levantadas pela fiscalização e pela DRJ de que: (a) As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhe atribua eficácia, não constituem normas complementares de direito tributário; (b) Não havendo norma de isenção, no período de apuração, incluem-se no campo de incidência da CSLL as Entidades de Previdência Privada; e (c) A base de cálculo da CSLL apurada pelas Entidades de Previdência Privada é o resultado positivo (superávit) ajustado pelas normas de regência. O ponto a ser tratado é se a RECORRENTE, uma entidade de Previdência Privada sem Fins Lucrativos aberta pode está amparada ou não pela imunidade da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. E, no presente caso a resposta é sim! E, não quero aqui levar essa discussão para conceitos e definições, busco aqui argumentos e premissas para validar meu posicionamento na flagrante impossibilidade de incidência da CSLL sobre o “superávit” obtido pela RECORRENTE, que no meu ponto de vista não aufere lucro. Essa posição tem lastro no Estatuto Social da RECORRENTE onde é vedado expressamente a possibilidade de auferir lucros. Observando o recurso fica claro que a RECORRENTE apura “superávits”, que são devidamente revertidos na melhoria dos referidos planos de benefícios ou na redução das contribuições dos beneficiários, mas nunca distribuídos como se lucro fosse. E, isso acontece porque a atividade da RECORRENTE é disciplinada pela Lei Complementar nº 109/01, que, em seu art. 77, §1º, conforme pode ser visto abaixo: “Art. 77. As entidades abertas sem fins lucrativos e as sociedades seguradoras autorizadas a funcionar em conformidade com a Lei no 6.435, de 15 de julho de 1977, terão o prazo de dois anos para se adaptar ao disposto nesta Lei Complementar. § 1º No caso das entidades abertas sem fins lucrativos já autorizadas a funcionar, é permitida a manutenção de sua organização jurídica como sociedade civil, sendo- Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 10 lhes vedado participar, direta ou indiretamente, de pessoas jurídicas, exceto quando tiverem participação acionária: I – (...)” (grifos nossos) Assim, entendo que não existe fato gerador que possa motivar a incidência da CSLL; tanto é que a Instrução Normativa SRF nº 588/05, regulamentando o art. 5º da Lei nº 10.426/02, isentou as Entidades de Previdência Complementar sem Fins Lucrativos da CSLL, conforme visto abaixo: “Art. 17. As entidades de previdência complementar sem fins lucrativos estão isentas do imposto sobre a renda devido pela pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido.” (grifos nossos). E, para encerrar a questão, trago decisão da 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária dessa 1ª Seção do CARF, no processo nº 19740.000660/2003-14, cópia na integra em anexo, onde a RECORRENTE também figura no pólo passivo e que tem a seguinte ementa: “(...) BASE DE CÁLCULO. CSLL. INCIDENCIA. ENTIDADE PRIVADA DE PREVIDENCIA SEM FINS LUCRATIVOS.As entidades fechadas de Previdência Privada não têm finalidade lucrativa e, por conseqüência, não apuram lucro, elemento este tomado como base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Descabe, neste caso, interpretação extensiva que dê ao resultado por elas apuradas a natureza jurídica de lucro liquido, que é definido segunda as regras da Lei das S/A, pelas empresas com fins lucrativos.” (grifos nossos). Assim, tomo emprestados os argumentos do voto vencedor da Lavra do Conselheiro Alexandre Antonio Alkimin Teixeira proferido nos autos do processo nº 19740.000660/2003-14 para excluir a incidência da CSLL os “superávits” apurados pela RECORRENTE, tendo em vista que não se enquadram no conceito de lucro líquido que é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. Portanto, o lucro líquido é aquele definido no art. 191, da Lei 6.404/76, porém, sem as deduções do art. 189 (prejuízos contábeis acumulados e provisão para o imposto sobre a renda), o que não se aplica a RECORRENTE. Conclusão: vencido na preliminar de nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, bem como da decadência relativa ao fato gerador ocorrido em 03/1998, rejeito o pedido de diligência e, no mérito, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 19740.000460/2003-53 Acórdão n.º 1402-00.256 S1-C4T2 Fl. 6 11 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza – Redator Designado. Tendo em vista que o Relator restou vencido em duas matérias, fui designado para redigir o voto vencedor. Passo a decidir. 1. Preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo O ilustre relator, que sucitou a preliminar, cita em seu recurso voluntário julgados do Conselho de Contribuinte em que foi reconhecida a ilegitimidade passiva em casos de lançamento realizado contra empresa incorporada. Todavia, não menciona que, nos casos citados, a nulidade foi reconhecida não pelo simples fato do lançamento tributário em nome de incorporada, mas sim pela possibilidade de prejuízo à defesa No presente caso, ao contrário, a entidadea incorporadora, sucessora e responsável perante o Fisco com relação às obrigações fiscais da antiga empresa, recebeu todas as intimações, tomou conhecimento do procedimento fiscal efetuado, tomou ciência dos autos de infração lavrados, enfim, exerceu plenamente o seu direito de ampla defesa nos presentes autos. Neste sentido se manifesta a jurisprudência do CARF: “SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. INDICAÇÃO DA INCORPORADA COMO SUJEITO PASSIVO. VALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO APÓS A INCORPORAÇÃO. A pessoa jurídica incorporadora é responsável, por sucessão, pelo crédito tributário devido pela incorporada, devendo aquela (incorporadora) constar do auto de infração na condição de sujeito passivo. No entanto, é válido o auto de infração lavrado após formal encerramento de atividades da incorporada, que contém sua indicação (incorporada) no pólo passivo da obrigação tributária, desde que assegurados o devido processo legal e a ampla defesa à sucessora. Publicado no D.O.U. nº 230 de 30/11/2007.”(Data da Sessão: 24/05/2007; Relator: Alexandre Barbosa Jaguaribe; Decisão: Acórdão 103-23043) “PRELIMINAR – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INCORPORAÇÃO - ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA - A indicação no pólo passivo da obrigação tributária de pessoa jurídica constituída à época dos fatos, após a data da incorporação, é procedimento regular, que não pode provocar nulidade do lançamento, pois ausente qualquer prejuízo para o contribuinte, haja vista inexistir cerceamento de defesa, mormente quando o próprio responsável pela primeira toma ciência do lançamento e subscreve as defesas apresentadas nos autos. Nesses casos, o formalismo não pode prevalecer.”(Data da Sessão: 14/06/2007; Relator: Caio Marcos Cândido; Decisão: Acórdão 101-96215) “NORMAS PROCESSUAIS – NULIDADE FORMAL – ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO AUTUADO. Não configura erro na identificação do sujeito Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 12 passivo quando, embora o lançamento tenha sido formalizado em nome da empresa incorporada, não se evidencie qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da recorrente, representada pelo mesmo funcionário em todas as fases do processo, desde a fiscalização até o julgamento de segunda instância. A irregularidade no preenchimento dos requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do lançamento quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida.”(Data da Sessão: 19/10/2004; Relator Designado: Marcos Vinícius Neder de Lima; Acórdão: CSRF/01-05.113) A norma do art. 135 do CTN só valida a existência de vício de origem, que macula o lançamento, quando na exigência fiscal figurar pessoa diversa daquela que cometeu a infração, impedindo assim o direito de defesa do contribuinte. Não foi o que aconteceu nos presentes autos.. Ressalte-se, que foi a incorporadora quem tomou ciência de todos os procedimentos fiscais e que apresentou os documentos da incorporada solicitados pelo Auditor Fiscal relativos à incorporada. Aa incorporadora pode inclusive fornecer os demonstrativos de resultados da incorporada, antes de sua incorporação, o que não seria possível se a contribuinte que apresentou a impugnação fosse uma completa estranha, sem qualquer relação com a fiscalizada. Dessa forma, não há se falar em ilegitimidade passiva, ante a completa ausência de prejuízo à defesa do contribuinte. 2. Decadência Manifestei em dezenas de julgamento que pude participar neste Conselho, que em se tratando de fato jurídico-tributário cuja tributação é condicionada a procedimento de ofício da autoridade fiscal, não há que se falar em atividade de lançamento por parte do contribuinte, sujeito a aplicação do prazo decadencial estabelecido no art. 150 do CTN, pelo qual se homologa a atividade, independentemente da natureza do tributo. Se o fiscalizado entende não ser contribuinte do tributo em questão, o lançamento só pode se dar de oficio, à luz do art. 149 do CTN, sendo que o prazo decadencial é o definido no art. 173, inciso do mesmo Código. É sabido que o CTN estabelece 3 tipos de lançamento: i) por declaração (art. 147), de ofício (art. 149) e por homologação (art. 150). Algumas hipóteses de incidência, mormente relativas a infrações à legislação tributária, comportam apenas lançamento de ofício, pois, são absolutamente incompatíveis com à atividade atribuída ao contribuinte no caput do art. 150 do CTN: “O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, (...)” Ora, para antecipar o pagamento, se devido, é preciso que, antes de mais nada, o contribuinte reconheça a ocorrência de um fato jurídico-tributário passível de incidência de algum tributo. A seguir, determinar a base de cálculo sobre a qual incidirá determinada alíquota. Na situação versada nos autos, a contribuinte não fez qualquer apuração do tributo em sua contabilidade, declarando isenta à Receita Federal.. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 19740.000460/2003-53 Acórdão n.º 1402-00.256 S1-C4T2 Fl. 7 13 Enfim, o lançamento em comento não se se subsume à modalidade tratada no art. 150 CTN (homologação) e sim ao art. 149, inciso I, que dispõe: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; (...)” Disso decorre a conclusão que o prazo decadencial deva ser contado na forma do art. 173, inciso I, do CTN, independentemente da acusação de dolo, fraude ou simulação. Portanto, no presente caso, não há que se falar em decadência. Ademais, em recentes julgados o STJ têm decidido que não há que falar em homologação quando não forem realizados pagamentos, a exemplo da decisão unânime proferida em 03/08/2006 no Recurso Especial Nº 775.479 - AL (2005/0138696-1), cuja ementa elucida (verbis): “EMENTA: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. NÃO OCORRÊNCIA DO PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL. ART. 173, I, DO CTN. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO FINANCEIRO SEGUINTE À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, nas hipóteses em que não ocorre o pagamento antecipado do mesmo pelo contribuinte, impondo o poder- dever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício substitutivo deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 2. Deveras, é assente na doutrina: ‘aplicação concorrente dos artigos 150, § 4º e 173, o que conduz a adicionar o prazo do artigo 173 - cinco anos a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido praticado - com o prazo do artigo 150, § 4º - que define o prazo em que o lançamento poderia ter sido praticado como de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Desta adição resulta que o dies a quo do prazo do artigo 173 é, nesta interpretação, o primeiro dia do exercício seguinte ao do dies ad quem do prazo do artigo 150, § 4º. A solução é deplorável do ponto de vista dos direitos do cidadão porque mais que duplica o prazo decadencial de cinco anos, arraigado na tradição jurídica brasileira como o limite tolerável da insegurança jurídica. Ela é também juridicamente insustentável, pois as normas dos artigos 150, §4º e 173 não são de aplicação cumulativa ou concorrente, antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação :o art. 150, § 4º aplica-se exclusivamente aos tributos 'cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa'; o art. 173, ao revés, aplica-se aos tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento.(...) A ilogicidade da tese jurisprudencial no sentido da aplicação concorrente dos artigos 150, § 4º e 173 resulta ainda evidente da circunstância de o § 4º do art. 150 determinar que considera-se 'definitivamente extinto o crédito' no término do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Qual seria pois o sentido de acrescer a este prazo um novo prazo de decadência do direito de lançar quando o lançamento já não poderá ser efetuado em razão de já se encontrar 'definitivamente extinto o crédito'? Verificada a morte do crédito no final do primeiro quinquênio, só por milagre poderia ocorrer sua Fl. 13DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 14 ressurreição no segundo.’(Alberto Xavier, Do Lançamento. Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 1998, 2ª Edição, págs. 92 a 94). 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte. 4. In casu, a NFLD foi lavrada em 23.04.1999, referente a fatos geradores ocorridos no período de 1991 a 1994. Desta forma, revela-se inequívoca a impertinência de reforma do aresto que reconhecera a decadência quanto aos fatos geradores ocorridos entre 1991 e 1993. 5. Recurso Especial parcialmente conhecido, e, nesta parte, desprovido”. (grifei e negritei). Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência. 5. Conclusão Por todo o exposto, no tocante às matérias apreciadas em plenário, voto no sentido de: a) Rejeitar a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo; b) Rejeitar a preliminar de decadência. c)Rejeitar o pedido de diligência; d) No mérito, dar provimento ao recurso, acompanhando o relator. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 14DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 11/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 16327.000112/2005-31
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA
Estando o acórdão paradigma pendente de integração em razão de interposição de embargos de declaração acolhidos pela Câmara Embargada, não se presta ele a servir de paradigma para fins de recurso especial. Não tendo no acórdão paradigma se manifestado acerca da matéria objeto da divergência, não ocorreu o necessário prequestionamento para se verificar a similitude fática entre os dois julgados, pressuposto para o conhecimento do recurso especial de divergência.
Numero da decisão: 9101-001.171
Decisão: ACORDAM os membros da lª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencidos os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo, Alberto Pinto Souza Junior, Walmar Fonseca de Menezes e Jorge Celso Freire da Silva. Declarou-se impedido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Fez declaração de voto o Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA Estando o acórdão paradigma pendente de integração em razão de interposição de embargos de declaração acolhidos pela Câmara Embargada, não se presta ele a servir de paradigma para fins de recurso especial. Não tendo no acórdão paradigma se manifestado acerca da matéria objeto da divergência, não ocorreu o necessário prequestionamento para se verificar a similitude fática entre os dois julgados, pressuposto para o conhecimento do recurso especial de divergência.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 16327.000112/2005-31 Recurso n" 148.709 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-001.171 — la Turma Sessão de 13 de setembro de 2011 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente Fazenda Nacional Interessado Eagle Distribuidora de Bebidas S.A. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA — Estando o acórdão paradigma pendente de integração em razão de interposição de embargos de declaração acolhidos pela Câmara Embargada, não se presta ele a servir de paradigma para fins de recurso especial. Não tendo no acórdão paradigma se manifestado acerca da matéria objeto da divergência, não ocorreu o necessário prequestionamento para se verificar a similitude fatica entre os dois julgados, pressuposto para o conhecimento do recurso especial de divergência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NA- 0 CONHECER do recurso. Vencidos os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo, Alberto Pinto Souza Junior, Walmar Fonseca de Menezes e Jorge Celso Freire da Silva. Declarou-se impedido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Fez declaração de voto o Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias. (documento assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AutelitiGadr, dioalniente eni 26r10/2011 por VALivlif-2 SANDHI, Assaiado drartahner te ein 17:1112011 per 01 DAN AS CAR1AX0 Assinado dlqiialriw:nte ern 31/10/2011 poi CLAUDLMIR RODRIGUL:8 MAL,AtiiiJiAS A;.gri do dicataimente en i 0i20 11 por VAL MIR SANDHI linpre ,ir,o cm 12)01:7012 por SUELI TOLENT!NO MENDES DA CRUZ Dr CARF H. 22_86 Processo n° 16327.000112/2005-31 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-001.171 . Fl. 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo, Walmar Fonseca de Menezes, Joao Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias. Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Autenticado digitalmente em 2fii10,2011 pot VALMIR SANDNI Assinado digttalmente eto 17 1 1112011 pot UAN [AS CAN I NCO As6Inado dtgita!mente em 31/1012011 por CLAUDLMIR RODRIGULS MALAOU1AS Assino do digilaIntente em 26 1 1012011 pot VALMIR SANDRI 2 in-Ties- so vm 12/01/2012 pot- SUFI 1 TOI.F NUN() MENDFS DA cRu7 DI CARF MI: H. 2 1 87 Processo n° 16327.000112/2005-31 Acórdão n° 9101-001.171 CSRF-T I Fl. 3 Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional, tendo tomado ciência da decisão consubstanciada no Acórdão n° 101-95.802 (Sessão de 19/10/2006) que, entre outras deliberac6es, por maioria de votos DEU provimento PARCIAL ao recurso para excluir da matéria tributável os lucros auferidos por intermédio da empresa controlada espanhola, impetrou RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA dentro do prazo regimental, com fulcro no art. 7°, inciso II e art. 15 § 2°, ambos do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007. Requereu a reforma da decisão proferida no recurso, apresentando como paradigma o Acórdão n° 108-08765, cuja ementa transcrevo na parte que interessa: IRPJ - CONTROLADA NA ESPANHA - LUCROS A PARTIR DE 2001 — MP 2158-34/2001 - TRATADO INTERNACIONAL - O art. 74 da MI' 2158-34 estabeleceu a presunção absoluta (ficção) de que o lucro auferido por controlada no exterior deve ser considerado distribuído à controladora no Brasil em 31 de dezembro de cada ano. 0 Tratado entre Brasil e Espanha não afasta a incidência de tributação por empresa sediada no Brasil relativamente ao lucro de empresa espanhola considerado distribuído. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso parcialmente provido. O Presidente da Primeira Camara deu seguimento ao recurso por entender atendidos os pressupostos legais. E assim situou a divergência jurisprudencial: O Acórdão recorrido entendeu que a partir do advento do art. 74 da MP n° 2.158-35/2001, e para fins de aplicação do Tratado para evitar a dupla tributação entre Brasil e Espanha, o imposto de renda brasileiro incide sobre os lucros da sociedade residente na Espanha, pois a partir da MP. 2.158-35-2001 a tributação passou a não depender mais de pagamento ou crédito, deixando, pois, de ter como base os dividendos. Por outro lado o Acórdão paradigma abraça o entendimento de que aquela incidência se dá sobre os dividendos presumidos. Dessa forma, a partir dessas premissas postas de forma diversas o Acórdão recorrido afastou a tributação nos termos do art. 7° da Convenção destinada a evitar a dupla tributação promulgada pelo Decreto n° 76.975/76 e o Acórdão paradigma, de forma diametralmente oposta, manteve a tributação em situação fcitica similar, nos termos do art. 10 da referida convenção, segundo o qual haveria permissivo para tributação no Brasil. Dessa forma, patente está a demonstração da divergência, motivo pelo qual dou seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Autr,inticado digitalmente em 26110/2011 ,,to relatórioom Assoado cigtaltnenIe en 17/11/2(111 tier i )1 AL,ILl0 DAN f AS Crl;k1AX0 Assinado digitalmetite em 31/10/2011 pot CL AUDEZMIR RC/DP.1(11.)LS Mitt At )t.,11. Az>iirta do digitalmente 001 26/1002011 pot VALMIR 3'ANDN1 3 Impress() eir 12/01/2012 por SUFI I TOLENTING MENDES DA CRUZ DF (,\ j: Nil: I I. 2288 Processo n° 16327.000112/2005-31 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-001.171 Fl. 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Preliminarmente, observo que o Acórdão 108-000407, trazido pela Recorrente como paradigma, encontra-se pendente de integração pela interposição de embargos de declaração por parte do contribuinte, que alegou que a Camara se omitiu acerca da apreciação do art. 23, § 4° do Tratado Brasil — Espanha. Os embargos de declaração foram acolhidos para sanar a omissão. A e. Oitava Camara converteu o julgamento em diligência (Resolução n.° 108- 00407), para que fosse verificado junto ao Fisco Espanhol o regime de tributação da pessoa jurídica residente na Espanha. Confira-se o voto condutor da resolução: "Um dos argumentos da Embargante é relativo ao art. 23, n° 4, do Tratado entre Brasil e Espanha, que efetivamente não foi apreciado pelo Acórdão embargado. Embora tal dispositivo e a argumentação a ele relativa não tenham sido sustentados pela ora Embargante no seu Recurso Voluntário, entendo que mereçam ser conhecidos os Embargos em face da relevância do tema (correlação entre os artigos 10 e 23) e para que haja efetivo controle de legalidade do lançamento. Porem, a Embargante não trouxe aos autos elemento necessário ao deslinde deste caso. 0 dispositivo dispõe: "4 — Quando um residente do Brasil receber dividendos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis na Espanha, o Brasil isentará de imposto esses dividendos." Como é sabido, o cabimento do recurso especial se da em causas decididas em última instância e, nos julgamentos de embargos declaratórios, é possível a alteração do julgado pelo reconhecimento de omissão, contradição ou erro material, passando o aclaratório a integrar o aresto embargado, formando a última decisão. Assim, estando o Acórdão 108-000407 pendente de integração, não se presta ele a servir de paradigma, para fins de recurso especial. Ainda, na hipótese de ultrapassada a preliminar de admissibilidade do recurso acima arguida, trago a apreciação dessa E. Turma alegação da Recorrida, para o não conhecimento do recurso, no sentido de que o v. acórdão recorrido, por unanimidade de votos, cancelou o auto de infração quanto aos lucros auferidos pela controlada da Recorrida sediada na Espanha, fulcrada (a decisão) em duplo fundamento", ao passo que o v. acórdão invocado como paradigma pela D. Procuradoria, tratou de apenas um destes fundamentos, razão pela qual não merece ser conhecido o recurso diante da ausência de paradigma quanto a fundamento autônomo por si só suficiente a manutenção da decisão que cancelou o lançamento. conforme Autenttcado digitalmenie em 260 (1 :2011 pot VALL,AiR SANDRI. Assmado digitalmente ein 17 1 11 120 II por ?) AGiLIO DAN AS (.1AR TAXO As;,inado digitalmente e.rn 31, -1012011 pot CL.ALIDL-MIP A61.x,a do digitalniente em 20i1 3/2011 pot VAL MtH SAM:Lk I 4 Itliptir:sso em 12101/201,2 por SUFI I 'IDLE NINO MENDFS DA r• PO? DI . CAR!' MI: H. 2289 Processo no 16327.000112/2005-31 CSRF-TI Acórdão n.° 9101-001.171 Fl. 5 pacifica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, que transcreve. Sendo vejamos: O acórdão vergastado assentou não haver tributação no Brasil pelos seguintes fundamentos: (i) por uma primeira linha de raciocínio, conclui-se que a tributação com fulcro no art. 74 da MP n° 2.158-35/2001 incide sobre o lucro das empresas, e não sobre os dividendos e, nessa circunstância, tendo em vista o art. 7 0 da Convenção, não pode haver tributação no Brasil dos lucros auferidos por intermédio da Jalua, enquanto não disponibilizados; (ii) dentro da segunda linha de raciocínio, que considera que os rendimentos sobre cuja tributação se controverte podem ser considerados dividendos, e se regem pelo Artigo 10 da Convenção, não cabe a tributação, em face do que dispõe o parágrafo 4 do Art. 23. Por seu turno, o acórdão paradigma trazido à colação pela Recorrente sequer mencionou o art. 23, § 4 0 do Tratado Brasil-Espanha, fundamento autônomo do v. acórdão recorrido, sendo de se salientar que a Resolução n° 108-00.407, além de nada ter de fato decidido, somente converteu o julgamento em diligência porque entendeu ausentes naqueles autos os elementos de prova que, no caso concreto, constavam dos autos e foram devidamente considerados pelo v. acórdão recorrido. De fato, da leitura dos acórdãos confrontados, vê-se que, no guerreado, a D. Relatora concluiu que, tanto o art. 74 da MP no 2.158-35/2001 que instituiu a tributação dos lucros auferidos pela controlada no exterior, não se aplicaria em face do art. 7 ° da Convenção Brasil-Espanha, bem como, se para quem entendesse tratar-se de dividendos, hipótese em que não seria aplicável o art. 7 ° , mas sim o art. 10° da Convenção, encontrava-se vedada a tributação, no caso, por conta da isenção do art. 23, § 4 ° da Convenção. Por outro lado, o acórdão paradigma, embora entendo ser aplicável o art. 10 da Convenção, não fez qualquer menção ao seu art. 23, §4°, que isenta de tributação os dividendos, a não ser por ocasião dos embargos de declaração pendente de decisão. Logo, ultrapassada a primeira preliminar acima, qual seja, de que independentemente dos embargos encontrar-se ainda pendente de julgamento, o entendimento esposado pelo voto vencedor do acórdão paradigma ser suficiente para demonstrar a divergência, eis que os dois confrontaram o disposto no art. 74 da MP no 2.158-35/2001, como o disposto nos arts. 7°. e 10°. da Convenção, ainda sim restaria ausente o segundo fundamento (art. 23, parágrafo 4). Assim, se o acórdão recorrido apreciou a matéria dita divergente, mas o acórdão paradigma não se manifestou sobre a matéria objeto da divergência, não houve o necessário prequestionamento, inclusive para se verificar a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Isto posto, entendo que o presente recurso não atende os pressupostos legais para a sua admissibilidade, razão porque voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso. Autentioado c1g1a1mente em 20/10)2011 por VAI row SANDHI Assinado digitalmoMe em 17111/2011 por .)1\N 1AS AX0 Assinado diyitaimento em 31110)2011 por CLAUDL1,11R RIUHRICAA- S MA) AÜUIAS Asaq,a do drptalnlente ern 20/10/2011 por VALMiR SANDHI lIrProsso um 0001 001 2 por SUE LI TQLEN1INO MEW-Jr= S DA CRUZ 5 DI: CART MI. 11. 229() Processo no 16327.000112/2005-31 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.171 Fl. 6 Sala das Sess6es, em 13 de setembro de 2011 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Autenticado digitainente em 20110/2011 por VALMIR SANDRI. Assinado digitalmente em 17111/2011 por C)1 AULlo DAN AS DAR IMO Assinado digItalmente em 31/10/2011 pot CLAUDEMR RODRIGUES MALAWIAS f,sina nto diollalt»calte em '2611012011 por VALMIR SANDRI loresso col 12101/2012 psi TOLENTINC) MFNDES DA CRUZ 6 DI' (SARI: MI: Fl. 2291 Processo n° 16327.000112/2005-31 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.171 Fl. 7 Declaração de Voto Em razão das peculiaridades presentes neste caso e das extensas discussões que se travaram por ocasião do julgamento pela câmara a quo, optei por solicitar vistas ao processo. Ao analisar os autos, busquei formar de maneira cuidadosa minha convicção acerca do conhecimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Peço vênia ao ilustre Relator para aduzir ao seu voto outros elementos necessários ao exame definitivo da admissibilidade do recurso especial no âmbito desta Corte. 1. Da decisão recorrida O colegiado a quo afastou a exigência ao fundamento de que os rendimentos sujeitos à tributação com base na MP 2158-34 devem ser qualificados como "lucros" e estes são referenciados pela Convenção Brasil-Espanha em seu Artigo VII — Lucros das Empresas, o qual estabelece que a tributação é exclusiva no Pais de residência da sociedade geradora dos lucros, sendo vedado ao Pais da sociedade controladora tributar os mesmos rendimentos. No entanto, o Colegiado considerou como um segundo fundamento para a decisão de afastar a exigência, a possibilidade jurídica de se qualificar tais rendimentos como dividendos e, consequentemente, referenciados pelo Artigo X — Dividendos da Convenção. Ao adotar esta segunda linha de raciocínio, o Colegiado entendeu que a exigência também deveria ser afastada por este segundo fundamento. Consignou que, no caso da convenção Brasil-Espanha, o Artigo X deve ser interpretado de forma combinada com o disposto no Parágrafo 4 do Artigo XXIII, que afasta a tributação no Brasil dos dividendos recebidos de fonte pagadora residente na Espanha,' quando estes, de acordo com as disposições da Convenção, sejam tributáveis naquele Pais. Com base em documento obtido junto ao Fisco espanhol, juntado aos autos pela defesa, aquela Turma julgadora entendeu estarem presentes as condições para a isenção prevista pela Convenção. "ARTIGO 23 Métodos para eliminar a dupla tributação I Quando um residente de um Estado Contratante receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis no outro Estado Contratante, o primeiro Estado, ressalvado o disposto nos parágrafos 2, 3 e 4, permitirá que seja deduzido do imposto que cobrar sobre os rendimentos desse residente, um montante igual ao imposto sobre a renda pago no outro Estado Contratante. Todavia, o montante deduzido não poderá exceder a fração do imposto sobre a renda, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos tributáveis no outro Estado Contratante. 0 disposto neste parágrafo se aplica, na Espanha, tanto aos impostos gerais como aos impostos a conta. 2. Para a dedução mencionada no parágrafo 1, o imposto sobre os juros e "royalties" será sempre considerado como tendo sido pago com as aliquotas de 20% e 25% respectivamente . 3. Quando um residente da Espanha receber dividendos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis no Brasil, a Espanha isentará de imposto estes dividendos, podendo no entanto ao calcular o imposto incidente sobre os rendimentos restantes desse residente, aplicar a aliquota que teria sido aplicável se tais dividendos não houvessem sido isentos. 4. Quando um residente do Brasil receber dividendos que de acordo com as disposições da presente Convenção sejam tributáveis na Espanha, o Brasil isentará de imposto esses dividendos." Autelltica:lo cligitaimente em 2611012011 por VAI.mik SANLMI Asynodo cfigItalmenie em 17/11/2 (1 11 um )1 Al;!., II) URN AS GAR I AXO Assinado cirgiIriimenle em 31/1012011 pot CLAUDL - MIR ROL )f-OC .U[r;3 MALAC/Uk:, Au Jo d! em 217/10 12011 rot VALMIR SANDR 7 o.1112;01,?0 1 2 por SUFI.l TOLEN UN() MENDS S nA CRUZ DECISÃO RECORRIDA DECISÃO PARADIGMA A partir do advento do art. 74 da MP n.° 2.158- 35/2001, e para fins de aplicação do Tratado para A partir do advento do art. 74 da MP n 2 2.158- 35/2001, e para fins de aplicação do Tratado para 8 Auteidicodo (NI DAN CANIAXO. Assinado digiEllmtinte ern 31/10/2011 poi CLAUDI1IIR RODEOWES MALAQUIAS ASSIf'd digitaimonre em 2E)/ I 0/2011 por VAL MIR -SANURI 2:01. 20 12 por SUFI i TOL EWING MENDES DA CRUZ 1)1: CARA' MF Processo n° 16327.000112/2005-3 I CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.171 Fl. 8 A decisão recorrida restou assim ementada, na parte que interessa a esta discussão: "LUCROS AUFERIDOS POR INTERMÉDIO DE COLIGADAS CONTROLADAS NO EXTERIOR- Na Lei 9.532/97 o fato gerador era representado pelo pagamento ou crédito (conforme definido no art. 1° da Lei 9.532/97), e o que se tributavam eram os dividendos. A partir da MP 2.158- 35/2001, a tributação independe de pagamento ou crédito (ainda que fictos), deixando, pois, de ter como base os dividendos. LUCROS ORIUNDOS DE INVESTIMENTO NA ESPANHA — Nos termos da Convenção Destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Imposto sobre a Renda entre Brasil e a Espanha, promulgada pelo Decreto n° 76.975, de 1976, em se tratando de lucros apurados pela sociedade residente na Espanha e que não sejam atribuíveis a estabelecimento permanente situado no Brasil, não pode haver tributação no Brasil. Não são também tributados no Brasil os dividendos recebidos por um residente do Brasil e que, de acordo com as disposições da Convenção, são tributáveis na Espanha. (destacou-se)" Em resumo, segundo a decisão recorrida, a exigência deveria ser afastada por dois fundamentos. Primeiro, por se tratarem de rendimentos quali ficados como "lucros", a tributação é exclusiva no pals de residência (Artigo VII) e, segundo, como entendiam alguns conselheiros, tais rendimentos devem ser qualificados como "dividendos" e, da mesma forma, não estariam sujeitos à tributação no Brasil por força do Artigo X da Convenção que, no presente caso, deve ser interpretado conjuntamente com o Artigo XXIII, Parágrafo 4. 2. Do Recurso A Fazenda Nacional interpõe seu especial com base no permissivo do art. 7 2, inciso 11 do Regimento. Sustenta que há divergência entre a decisão recorrida (com dois fundamentos) e o Acórdão n2 108-08.765, proferido pela Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. Intenta demonstrar a divergência entre os julgados resumindo a controvérsia da seguinte forma (fls. 825): Dr CAM' mr 1'I. Processo n0 16327.000112/2005-31 .CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.171 Fl. 9 evitar a dupla tributação entre Brasil e Espanha, o evitar a dupla tributação entre Brasil e Espanha, o imposto de renda brasileiro incide sobre os lucros imposto de renda brasileiro incide sobre os da sociedade residente na Espanha. dividendos distribuídos pela sociedade residente na Espanha. Ainda que, com o art. 74 da MP n2 2.158-35/2001 Para concluir se os dividendos pagos pela o imposto de renda brasileiro incida sobre os sociedade residente na Espanha estão isentos do dividendos distribuídos pela sociedade residente na imposto de renda brasileiro, por força do art. 10 Espanha, esses são isentos no Brasil por força do combinado com o art. 23, § 42 do Tratado Brasil - art. 10 combinado com o art. 23, § 42 do Tratado Espanha, é necessário verificar, junto ao Fisco Brasil Espanha. Espanhol, qual a forma de tributação desses dividendos naquele Pais. A discrepância entre os julgados na parte relativa ao primeiro fundamento é de fácil compreensão. Porém, quanto ao segundo, se faz necessária uma análise mais detida, perquirindo o âmago das decisões submetidas ao cotejo regimental. Quanto a este fundamento da decisão ora recorrida, sustenta a Fazenda que (fls. 825): "A diferença nas decisões decorre de clara divergência de entendimento a respeito do mesmo dispositivo. Para a Primeira Câmara, o art. 23, § 42 do Tratado Brasil - Espanha concede isenção sobre os dividendos pagos por empresa sediada na Espanha a empresa brasileira, independentemente de a Espanha tributar ou não esses dividendos. Para a Oitava Camara não é assim, ou seja, a isenção depende da forma com que a Espanha tributa esses dividendos pagos a empresa brasileira, e dai a conversão do julgamento em diligência." (negritou-se) Nestes termos, em síntese, a Fazenda Nacional pede seja reconhecida a divergência na interpretação do julgados, requisito necessário para o conhecimento de seu recurso. Passo à análise das divergências suscitadas. 3. Quanto ao primeiro fundamento A decisão apresentada como paradigma está assim ementada na parte que interessa ao presente julgado: "IRRI. CONTROLADA NA ESPANHA. LUCROS A PARTIR DE 2001. MP 2158-34/2001. TRATADO INTERNACIONAL. 0 art. 74 da MP 2158-34 estabeleceu a presunção absoluta (ficção) de que o lucro auferido por controlada no exterior deve ser considerado distribuído à controladora no Brasil em 31 de dezembro de cada ano. 0 Tratado entre Brasil e Espanha não afasta a incidência de tributação por empresa sediada no Brasil relativamente ao lucro de empresa espanhola considerado distribuido". Como se dessume da parte acima transcrita e com base no teor do voto condutor, a Oitava Câmara qualificou o rendimento a ser tributado com base na MP n 2 2I58-34 Auteiiticado digitalment.e em 20/10/2011 por VALMIR SANDRI. Assinado digitalmente em 17/11/2011 pot O AC1L I() DAN1AS CAR1AXO. Asstnado diqitalmente cm 31110/2011 por CLAUDEMIR POUR CULS MALAGUIAS /\S//tt 03 do digitalmente em 201102011 por VALMIR SANDHI 1111p4 tl.S.S0 em 12,01/2012 por SUE LI I °LENT NO MENDES- DA CRUZ 9 1)1: CAR1 2 MI: H. 2294 Processo n0 16327.000112/2005-31 CSRF-T1 Acórdão n° 9101-001.171 Fl. 10 como sendo "dividendo pago" e em consequência, referido na Convenção no seu Artigo X - Dividendos2 . Por outro lado, a decisão recorrida afastou a exigência (primeiro fundamento) qualificando os rendimentos no Artigo VII — Lucro das Empresas 3 e, portanto, tributáveis somente no pais de residência. Em outras palavras, a decisão paradigma manteve o lançamento, qualificando os rendimentos como dividendos, com base no Artigo X — Dividendos, cuja tributação pode recair tanto no pais de residência do beneficiário (Brasil), como no pais da fonte pagadora (Espanha). Sobre este ponto, a recorrente demonstra fundamentadamente a existência de divergência, estando, portanto, satisfeito o pressuposto para admissibilidade do recurso quanto ao primeiro fundamento. 4. Quanto ao segundo fundamento Como dito acima, a decisão recorrida ao afastar a exigência, também fundamentou-se na aplicação do Artigo X, combinado com o Artigo XXIII, Parágrafo 4 da Convenção Brasil -Espanha. Importa para esta análise, transcrever o seguinte trecho do voto condutor da decisão: "C..) Sobre a mesma questão, uma segunda linha de raciocínio é possível, e consiste em entender que o Artigo 10 se destina apenas a regular a tributação na fonte por parte do Estado de que a sociedade que paga é residente. Com isso se pode entender que o Estado de residência do beneficiário é livre para tributar de imediato os lucros auferidos por intermédio da coligada no exterior, criando uma ficção juridica de disponibilização que permita conceituar os lucros apurados como dividendos. Ao argumento de que a tributação dos lucros antes da dedução do tributo pago no pais 2 A rt igo 10 Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. 2. Todavia, esses dividendos podem ser tributados no Estado Contratante onde reside a sociedade que os paga, e de acordo com a legislação desse Estado, mas o imposto assim estabelecido não poderá exceder 15% do . montante bruto dos dividendos. Este parágrafo não afetará a tributação da sociedade com referência aos lucros que deram origem aos dividendos pagos. 3. 0 disposto nos parágrafos 1 e 2 não se aplica quando o beneficiário dos dividendos, residente de um Estado Contratante, tiver, no outro Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos, um estabelecimento permanente a que estiver ligada a participação geradora dos dividendos. Neste caso, serão aplicáveis as disposições do Artigo 7. 3 Artigo 7 Lucro das Empresas I. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente ai situado. No último caso, os lucros da empresa serão tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. Autenticado digitalmente em 26/10/2011 prr VAL MIR SAM:JR! Assinado digitalinoiAe em 17/11.,2011 or 01 AC ILI() CAN I AS CART AX'). Assinsido digii,rimertte em 31/10/2011 poi CLAUCL11:11R R()Cf-0 3(JE ti MALAOLIIÀS Assrry do dig :11 , ital1.1e Om 2 1 5:10 10 f2011 our VALMIR SANDNI liii es/,c, cio 12/01[2(112 por SUELI TOLFN 1 INI)1v1F.NCE s CA CRUZ 1)1 CARF Processo n° 16327.000112/2005-31 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.171 Fl. 11 de residência da sociedade descaracterizaria o conceito de dividendo (vez que não se distribui mais do que existe para distribuir), seus seguidores opõem o argumento de citk.s, no caso, trata-se apenas de técnica de tributação, que consiste em tributar o bruto e deduzir, do imposto apurado, o imposto pago no pais de residência. Nessa linha de raciocínio, o artigo da Convenção a reger a tributação desses rendimentos seria o artigo 10, e o Brasil, em principio, é livre para tributá-los segundo suas regras próprias. Ao mesmo tempo, a Espanha pode também tributá- los, de acordo com a lei desse pais, porem observando o limite máximo de 15% do dividendo. Esse parece ter sido o entendimento que conduziu o Acórdão 108- 008.765, da 8° Câmara deste Conselho. Ocorre que, dentro dessa segunda linha de raciocino, teria que ser observado, também, o Artigo 23 da Convenção, que tem aplicação naqueles casos em que o próprio acordo internacional admite a tributação pelos dois Estados celebrantes. Seus parágrafos 3 e 4 tratam, exatamente, da hipótese de pagamento de dividendos, em que a convenção admite a tributação pelos dois Estados. Determina o parágrafo 4° que "quando um residente do Brasil receber dividendos que de acordo com as disposições da presente Convenção sejam tributáveis na Espanha, o Brasil isentará de imposto esses dividendos". (...) A Recorrente demonstrou que o Ato Declaratório Interpretativo invocado é impertinente, pois trouxe documento (original e tradução juramentada) fornecido pela Agencia Estatal de Administração Tributária da Espanha, Delegação de Tenerife, que comprova que a Jalua paga o imposto sobre sociedades pelo regime geral, não tendo optado pelo Regime Especial de Entidades de Guarda de Valores ( em espanhol, Régimen Especial de Entidad de Tenencia de Valores). Por outro lado, o item IX da Portaria MF 75/76 estabelece que "Os dividendos de que trata o artigo 23, parágrafo 4, da Convenção, recebidos por residente ou domiciliado no Brasil, não estão sujeitos a imposto." Assim, ainda dentro a segunda linha de raciocínio, que considera que os rendimentos sobre cuja tributação se controverte podem ser considerados dividendos, e se regem pelo Artigo 10 da Convenção, ainda assim não caberá a tributação, em face do que dispõe o parágrafo 4 do Art. 23. (...)" (destacou-se) Conforme se depreende do voto, para a Camara a quo, os dividendos pagos pela sociedade espanhola á. sociedade brasileira estariam isentos de tributação, pois os mesmos estariam submetidos ao regime geral, nos termos da informação trazida pela Recorrente advinda da Agência Estatal de Administração Tributária da Espanha e que foi admitida pelo colegiado naquela ocasião. Este é seu segundo fundamento, para o qual, a recorrente deveria apresentar outra decisão considerada divergente. Em seu recurso, a Fazenda Nacional sustenta que o mesmo acórdão integrado com a Resolução n 2 108-000.407, proferida em sede de embargos de declaração, constitui a divergência necessária para o conhecimento do apelo. Autenocado dfcptalmente em 26;10i2011 por VALfAIR SANDR1 Assrog10 dqtalmente on 17'11 12011 ;,0 , 01 ACIt .0 [JAN f AS LANIAXO. Assoriodo Off4italmt-nte em 31:1012011 pin CLAUULMIP HOUNif.11.11.- S kIALAfJUJAS driitaln10(11.0 em 21 .1'10,1011 por VALOIR SANDR; II Imp mico ,v.2111 12/01 0012 of SI/EL 1 PNT1NO MEN111)FS f 1 1,4' CRUZ DI' CARL NI j: II 2296 Processo n° 16327.000112/2005-31 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.171 Fl. 12 De fato, a decisão paradigma foi objeto de embargos declaratórios opostos pela contribuinte. Ocorre que os declaratórios estão pendentes de solução, pois o colegiado decidiu, por meio da Re,ulução n-c-' 108-000407, converter o julgamento em diligência para "que fosse verificado junto ao Fisco Espanhol o regime de tributação da pessoa jurídica residente na Espanha". Nos exatos termos do RICARF (art. 67, § 6 2), é cediço que a recorrente deve demonstrar "analiticamente os pontos nos paradigmas colacionados que dividam de ponios especijicos no acórdão recorrido". A simples disposição das decisões sem o necessário cotejo não enseja a demonstração da divergência, necessária ao conhecimento do recurso. Em caráter extraordinário, já se admitiu nesta Corte recurso com tese divergente, ainda que distinta situação Mica que ensejou as decisões consideradas discrepantes. De se notar também que, nos termos do art. 63 do RICARF, as resoluções dos colegiados constituem espécie de decisão deste Tribunal e como tal podem ser admitidas como paradigmas para demonstração de dissenso jurisprudencial. Entretanto, da resolução que se apresenta como paradigma deve se extrair seu conteúdo decisório, que pode, perfeitamente, ser admitido como divergente de outra decisão proferida por outro colegiado. Ou seja, ainda que a resolução não tenha resolvido definitivamente a questão em determinado processo, é possível apartar seus fundamentos e identificar eventual divergência na interpretação da legislação tributária, caracterizando-se assim o requisito necessário ao processamento dos recursos especiais. Caso estes fundamentos sejam suficientes para representar uma tese divergente, pode-se considerar que a recorrente logrou demonstrar esse requisito necessário ao conhecimento de seu recurso. Pois bem, delimitando o cerne desta discussão, é necessário, para melhor análise, transcrever alguns excertos da mencionada Resolução, cujo conteúdo pretende a Recorrente demonstrar a existência de divergência: "Um dos argumentos da Embargante é relativo ao art. 23, n° 4, do Tratado entre Brasil e Espanha, que efetivamente não foi apreciado pelo Acórdão embargado. Embora tal dispositivo e a argumentação a ele relativa não tenham sido sustentados pela ora Embargante no seu Recurso Voluntário, entendo que mereçam ser conhecidos os Embargos em face da relevância do tema (correlação entre os artigos 10 e 23) e para que haja efetivo controle de legalidade do lançamento. Porém, a Embargante não trouxe aos autos elemento necessário ao deslinde deste caso. 0 dispositivo dispõe: "4 — Quando um residente do Brasil receber dividendos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis na Espanha, o Brasil isentará de imposto esses dividendos." Pelos debates havidos, neste processo e em outros, despontam duas interpretações do comando: uma que exige a verificação da efetiva tributação (na Espanha) e outra que se satisfaz com a possibilidade de tributação. Assim, levando em conta que a tributação efetiva pode ser fundamento para decisão por julgador desta Câmara, e para que se tenha a devida apreciação Airier iticado digitalmente em 26/10/2011 por VA( MIR SANDRI. Assinado digtairnente em 17/11/2011 poi 01 ACILIO DAN I AS CAR1AX0 Assinado dqp1;41rm , nte em 31110/2(111 poi CLAUDLMIR RODRIGULS MALAQUIAS Assine do digitaimente em 2610/2011 pra VALM , k SANDRI 12 Imp 550 (Jo 12;012012 por Stir Li 1 01.F N1 INO MFN1T1- S CRUZ 1)1 CARF MI: IT 2297 Processo n° 16327.000112/2005-31 CSRF-T1 Acórdão n° 9101-001.171 Fl. 13 por cada conselheiro, deve ser trazida aos autos comprovação de que, nos anos a que se refere o lançamento (2001 e 2002), os dividendos da subsidiária espanhola 1iiama Participações Sociedad Limitada estiveram sujeitos à tributação. (...)" (destacou-se) De plano, é necessário saber se o fato do colegiado que proferiu a resolução afirmar que "despontam duas interpretações do comando: uma que exige a verificaçõo da efetiva tributageio (na Espanha) e outra que se satisfaz com a possibilidade de tributaçcio" constitui por si só a divergência, suficiente para cumprir o requisito regimental. Entendo que não. luz das disposições regimentais, a resposta a esta primeira indagação deve ser negativa, pois não se vislumbra que a recorrente existência de divergências internas nos colegiados deste Tribunal se transmudem em dissenso jurisprudencial e adquiram força suficiente para provocar a manifestação desta Camara Superior. As divergências de entendimento entre os conselheiros, próprias dos órgãos colegiados podem subsistir por longos períodos enquanto se mantém aquela composição. Exemplo disso são matérias consideradas superadas na Camara Superior, mas cujas decisões ainda estão longe de serem unanimes. Em razão disso, vejo que neste ponto não se configura a divergência necessária para legitimar o acolhimento do recurso. Prosseguindo nesta analise, outro questionamento que deve ser formulado para a solução do presente caso é acerca da determinação da diligência para obter informações sobre o regime tributário a que estão submetidos os dividendos na Espanha. Deve-se perquirir se "o fato do colegiado determinar que se trouxesse aos autos a comprovação de que os dividendos da subsidiária estão sujeitos à tributação na Espanha" implica considerar que a decisão sobre a divergência interna daquela Camara se materializou no corpo da Resolução e, dessa forma, pode ser utilizada como paradigma no presente caso. Para esta segunda questão, entendo que a resposta também é negativa. O conteúdo decisório da Resolução firmou o entendimento de que, para aquele colegiado, é necessário saber a tributação efetiva dos dividendos na Espanha, mas que precisamente pode não ser determinante para a decisão definitiva da turma julgadora. Ou seja, o que se decidiu é que "6 necessário saber sobre a tributação efetiva", mas não que a tributação efetiva automaticamente implicará o afastamento da exigência. Por outras palavras, a Resolução efetivamente lido decidiu que para a aplicação do Artigo XXIII, Parágrafo 4 da Convenção, é necessária a comprovação de que os referidos dividendos efetivamente foram alcançados pela tributação na Espanha. 0 que se decidiu é que, como para alguns conselheiros, tal comprovação seria essencial para seu posicionamento, o colegiado entendeu que, para possibilitar a correta convicção destes julgadores, deveria o julgamento ser convertido em diligencia. De se notar que a decisão de que a aplicação do Artigo XXIII, Parágrafo 4 depende iniludivelmente da efetiva tributação dos dividendos na Espanha não chegou a se consubstanciar. Portanto, o teor a decisão exarada por meio da Resolução no caso paradigma não comprova a existência de dissenso jurisprudencial acerca da interpretação da legislação Autenttaido diosribmlári4i6JAQ,-por„ qtm,.aslqpi6.4QAwnkturairtay,4, rpalizo0Q ,cierdjfi gência para esclarecer fato fAcq Lil‘r: t;po-,. Axo isssatado cituita,nettle em 31/102011 poi CLAUDL MIR M.:LA-(4 ,LiJi L:5 MAL AOULAS Ara d. Olgiri:L110,110 LLLtli 20.1012011 pot VALLMIR SANDR1 It ■ prL.o LL.o 12,01.7012 por SUFIL1 TOLL FNTINO MONDES IA CRUZ I 3 Di CAM' MI' H. 2298 Processo n° 16327.000112/2005-31 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.171 FL 14 (não questão de direito) que 6. essencial para o posicionamento dos julgadores, não incorpora a decisão que será adotada após o retorno das informações solicitadas, e que poderá ser diferente em face da alteração da composição da Turma e pela sua não vinculação aos termos da Resolução. In casu, a exigência do conhecimento prévio sobre a tributação efetiva (razão de decidir da resolução) não se converte em decisão que será proferida em momento posterior. Ern suma. o que o colegiado decidiu por meio da resolução foi que é necessário saber se há tributação efetiva no outro Pais, o que não equivale a dizer que a isenção prevista na Convenção exige-se a tributação efetiva. Quanto a este ponto, as situações fáticas são divergentes e por isso ensejaram decisões diferentes da Primeira e Oitava Câmaras. Enquanto na Camara recorrida, as informações sobre a tributação efetiva no outro Pais já constavam no processo, no caso paradigma, não havia documento algum que indicasse o regime de tributação dos referidos rendimentos. Na decisão recorrida, o colegiado fi rmou de plano sua convicção com base nas informações que já constavam nos autos. No segundo, por não dispor destas informações por ocasião do julgamento, decidiu-se pela sua conversão em diligência. 0 que resta claro, portanto, é que as decisões foram diferentes em razão das situações faticas distintas, mas não divergentes em seu âmago, ao menos neste ponto. Seguindo a análise da divergência apontada pela recorrente, há que se perquirir também o que se entendeu, naquela ocasião, por "tributação efetiva". Aqui, ao menos dois entendimentos são possíveis: a) a tributação efetiva significaria que houve recolhimento de tributos sobre os referidos rendimentos, em montantes e datas conhecidos; ou b) a tributação efetiva significaria que tais rendimentos seriam tributáveis naquele Pais, não sendo alcançados por qualquer espécie de isenção ou não incidência em razão de algum regime especial de tributação. Acerca desta questão: a efetividade da tributação no outro Pais Contratante, ainda se poderia cogitar de admitir que a isenção de que trata o referido Artigo XXIII, Parágrafo 4 está condicionada apenas que os dividendos "de acordo com as disposições da Convenção sejam tributáveis na Espanha", independente de se investigar de sua efetiva sujeição a regime de tributação. Mas esta discussão não será aqui desenvolvida, uma vez que em ambas as decisões, tal ponto não foi objeto de análise pelos colegiados. Com vistas a analisar este terceiro ponto cabe, então, verificar as possíveis significações para a expressão "tributação efetiva", quais sejam: se i) basta a simples sujeição a um regime de tributação considerado não privilegiado ou; se ii) a isenção está condicionada comprovação do efetivo recolhimento dos tributos no outro Pais Contratante. Partindo da decisão paradigma (resolução), e necessário analisar os quesitos formulados pelo colegiado e que deverão ser atendidos na diligência determinada pelo colegiado, quais sejam: "(1) qual o regime de tributação a que estavam submetidos os dividendos da Mama Participações Sociedad Limitada, nos anos 2001 e 2002, levando em conta que a sócia beneficiária era pessoa jurídica sediada no Brasil; (2) qual o regime de tributação a que estava submetido o lucro da lliama Participações Sociedad Limitada, nos anos 2001 e 2002; e AuteritIcado digitalmente em 26/10/2011 pot VAI MIR SANDRI. t-tssInarro digaaltnente em 17/11/2011 por OT .1; ir )1 ■ ANlisS CAR I NCO. Assirrodo digitalmente em :31/10r2011 pot CLAUDL.MIR IRODRI(.3LJE5 MALAQU14S, Asso do ritgitAlmeitte (..m 26110/2011 por VALM!H SANDRI 14 Lormesso 1210 1/2 0 12 por ,-;UF1 I Mt ENT I NO MENDE S DA CRUZ DI CAR': MI: [I. 2299 Processo n° 16327,000112/2005-31 CSRF-T1 Acórdão n° 9101-001.171 Fl. 15 (3) se a !llama Participações Sociedad Limitada gozava de tratamento fiscal favorecido." (destacou-se) Como se verifica, em nenhum deles consta a indagação se os referidos dividendos foram efetivamente tributados na Espanha. Todas as questões foram no sentido de se identificar o regime de tributação e não a efetividade da incidência de tributos na Espanha. Ora, isso permite inferir que o colegiado desejava saber tão somente se os referidos dividendos estariam, frise-se estariam no sentido de "poderiam estar" sujeitos a tributação na Espanha, ou seja, eram tributáveis naquele Pais. Os quesitos revelam o entendimento do colegiado de que bastava que os rendimentos estivessem sujeitos a um regime de tributação na Espanha para firmarem seu entendimento. Verifica-se que aos quesitos formulados pela Resolução, as respostas possíveis e que serão prestadas pelo Fisco espanhol poderão ser somente duas: ou sic) tributáveis ou não são tributáveis, ou integravam a base cálculo do imposto sobre a renda naquele pais ou não integravam. Portanto, pelos questionamentos formulados, solicitando indicar apenas o regime de tributação, as respostas serão todas em termos de possibilidade jurídica e não de efetividade de fato com a identificação de eventuais valores recolhidos. Portanto, quanto a este ponto, não há dissenso entre as decisões recorrida e paradigma, pois enquanto a Primeira Camara formou sua convicção com base na declaração do Fisco Espanhol, juntada aos autos pela contribuinte, que atestava que os rendimentos estavam sujeitos a regime de tributação normal disposto na Lei do Imposto sobre Sociedades, a Oitava Câmara, por não dispor de informação equivalente sobre qual regime estavam sujeitos os dividendos, converteu o julgamento em diligência. Em suma, vê-se aqui também que as decisões foram diferentes, porém convergem em seu fundamento, qual seja: a isenção prevista na Convenção está condicionada a que os dividendos sejam tributáveis no outro Pais. Também não há outra resposta possível aos referidos questionamentos em razão do contexto em que foram formulados. Veja-se que este entendimento está coerente com a aplicação do art. 74 da MP n2 2158-34. No âmbito deste Conselho, é pacifica interpretação de que a MP n 2 2158-34 modificou o aspecto temporal da tributação do resultado positivo obtido por intermédio de controladas e coligadas no exterior. No regime da Lei n 2 9.249/95, com as alterações da Lei n 2 9.532/97, o que se tributavam eram os dividendos efetivamente disponibilizados, sendo que o momento da ocorrência do fato gerador era o pagamento, o crédito ou o emprego do valor. Com o advento da MP 2158-34, o aspecto temporal do fato gerador antecipou-se, deslocando-se para o momento da apuração no balanço de 31 de dezembro de cada ano. Assim, com esta antecipação da tributação para momento antes da efetiva distribuição, a tributação no Brasil se dará, em todas as situações (sem exceção), antes da disponibilização efetiva, que deverá ocorrer em momento posterior mediante o pagamento, credito ou emprego do valor. Ora, a decisão embargada sobre a qual se proferiu a referida Resolução, admitiu a aplicação do art. 74 da MP 2158-34 e que os dividendos, considerados distribuídos por presunção absoluta (ficção), poderiam ser tributados no Brasil e na Espanha, nos termos do Artigo X da Convenção. Embora tenha se omitido quanto ao disposto no Artigo XXIII, Autenticado digitalmente em 26/1()12 011 pot VAL MIE SANDR1. Assinado digital; 'reine nor 17/11/2011 por O f ACILio DAN I AS CAk1 AXO Assinado gigitaircerite em 31/10/2o II pot CLAUDEMIR EL)! .LILS MA! AULJIAS Ar do digitalmoule our 20/10/2011 por VALMIR SANDRI 15 Impresso em 1201/2012 pot SUED TO! EN TINO MONDES DA CRUZ DI: CAM' NIF H. 1 300 Processo n° 16327.000112/2005-31 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.171 Fl. 16 Parágrafo 4, o colegiado concluiu ser aplicável ao caso o art. 74 da MP, tributando-se os dividendos como se distribuidos estivessem. Desta forma, a tributação no Brasil se deu em momento anterior a possível tributação na Espanha, pois aquele pais, nos termos da convenção, poderá tributá-los por ocasião de seu pagamento, considerando pagamento também o crédito e o emprego do valor. Logo, se conclui que em hipótese alguma tais dividendos que foram tributados (no Brasil) por ocasião de sua apuração, já haviam sido tributados (em momento anterior) na Espanha, pois os mesmos ainda não estavam disponibilizados no momento de sua apuração. Compulsando-se os autos verifica-se que tais dividendos não foram efetivamente distribuídos e, além disso, consta que tais reservas foram absorvidas por resultados negativos experimentados pela empresa na Espanha. Assim, ao formular os quesitos indagando o regime tributário aplicável aos referidos dividendos, o colegiado não buscava saber sua efetiva tributação, pois já sabia, pelas premissas adotadas no acórdão embargado, que a tributação no Brasil, por ocorrer antes da disponibilização, era antecedente à possível tributação na Espanha. Ou seja, no momento da tributação no Brasil (apuração no balanço de 31 de dezembro), sabidamente os dividendos não haviam sido tributados ainda pelo Fisco Espanhol. E, desse modo, o único questionamento possível e coerente com o entendimento do colegiado era saber qual o regime de tributação aplicável aos referidos dividendos. No momento da tributação no Brasil (apuração) tais dividendos seguramente não haviam sido tributados, uma vez que não haviam sido disponibilizados. E foi esse o entendimento do colegiado, pois os quesitos formulados ao Fisco Espanhol indagam sobre a possibilidade jurídica de tributação destes rendimentos, ou seja, se são tributáveis. Caso fosse para se indagar sobre a efetiva tributação dos dividendos naquele Pais, os questionamentos deveriam ser apresentados de forma expressa, solicitando-se inclusive informações sobre os montantes e respectivas datas de pagamento. Nesta linha argumentativa, não se sustenta a tese de que a decisão contida na Resolução de converter o julgamento em diligência seja divergente da decisão recorrida. Ao contrário, porém, vê-se que ambas as decisões, quanto a esse segundo fundamento, são convergentes e não divergentes, porquanto em ambos os casos far-se-ia necessário conhecer qual o tratamento tributário aplicável As empresas pelo Fisco espanhol, com vistas interpretação do supramencionado dispositivo do Parágrafo 4, do Artigo XXIII. Ademais, o referido dispositivo estabelece que "4. Quando um residente do Brasil receber dividendos que de acordo com as disposições da presente Convençõo sejam tributáveis na Espanha, o Brasil isentará de imposto esses dividendos", não exigindo que os rendimentos tenham sido efetivamente tributados naquele Pais. Ou seja, a isenção a ser concedida pelo Brasil está condicionada à que os referidos dividendos sejam submetidos a regime de tributação, considerado normal nos termos da Convenção. Não interessa, perquirir se houve ou não pagamento de tributos sobre tais rendimentos. A dupla tributação é eliminada pelo método da isenção, não importando a parcela paga no outro Pais, bastando que sejam Id tributáveis. Atitenticado digitalmente em 261(V1.011 por VAL_M1N SANDR I. Asstnado Llgtalmelle en 17:11/2011 por I ) I A(.II 1 . , DANIAS CAR Assinado digiLlImente em 31;1012011 nov CL AUDEMIR ROURIGUI S MALf■ QUIAS Assino dta ■ nir,,nte ttln 26 , 1012011 poi VAI MIR SANDRI 16 .i sso -1111',,,r(1112012 por SUFLITI )1_[L,Nr . ,No MENDF-;-: DO ( F/I?? DI: CARL' MI: F L 2.10 Processo n°16327.000112/2005-31 CSRF-T1 Acórdão n." 9101-001.171 Fl. 17 Nesse sentido, repriso a decisão a quo, que assim apreciou os documentos acostados aos autos, asseverando que a condição para aplicação da isenção havia sido atendida, qual seja: a demonstração de que os rendimentos eram tributáveis na Espanha, in verbis: A Recorrente demonstrou que o Ato Declaratório Interpretativo invocado é impertinente, pois trouxe documento (original e tradução juramentada) fornecido pela Agência Estatal de Administração Tributária da Espanha, Delegação de Tenerife, que comprova que a Jalua paga o imposto sobre sociedades pelo regime geral, laic) tendo optado pelo Regime Especial de Entidades de Guarda de Valores (em espanhol, Régimen Especial de Entidad de Tenencia de Valores). Por outro lado, o item IX da Portaria MF 75/76 estabelece que "Os dividendos de que trata o artigo 23, parágrafo 4, da Convenção, recebidos por residente ou domiciliado no Brasil, não estão sujeitos a imposto." Assim, ainda dentro a segunda linha de raciocínio, que considera que os rendimentos sobre cuja tributação se controverte podem ser considerados dividendos, e se regem pelo Artigo 10 da Convenção, ainda assim não caberá a tributação, em face do que dispõe o parágrafo 4 do Art. 23. (...)" (destacou-se) Na decisão paradigma a informação sobre a sujeição dos rendimentos à tributação não era conhecida, dai a conversão do julgamento em diligência, enquanto que na decisão recorrida essa informação já era do conhecimento do colegiado, tendo a recorrente trazido aos autos documento (original e tradução juramentada) fornecido pela Agência Estatal de Administração Tributária da Espanha, que comprova a sujeição ao regime tributário espanhol. Importante destacar que este documento foi suficiente para formar a convicção no colegiado de que os referidos dividendos estariam sujeitos a tributação na Espanha e, portanto, sobre eles deveria ser aplicada a isenção prevista no Parágrafo 4 do Artigo XXIII da Convenção. Por derradeiro, deve-se fazer menção à argumentação trazida no recurso e na tribuna, no que diz respeito ao fato do próprio colegiado da Primeira Camara haver, segundo a Fazenda, alterado sua convicção anterior, corroborando a tese que ambas as decisões são divergentes. Com todas as vênias, ouso divergir e esclarecer que, pela leitura atenta da decisão posterior proferida em processo da mesma Contribuinte, o contexto fático foi distinto e a valoração probatória dos elementos constantes dos autos foi inconclusa, porém não divergente. Explico. Antes de tudo, deve-se asseverar que a "mudança de posição" da ilustre Relatora se deu em relação ao entendimento acerca da incidência do disposto na MP 2:158. Ou seja, o novo entendimento da Conselheira foi relativo ao artigo de regência da matéria: Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por VALkilç;-'?:;ANDRI Asstriatlo oe lo em 17/11 12011 por 01 6.6 ACIL /0 I ;AN AN GAR AX/i. Assinalo digila'rrienle OM 31/10)2011 no CAUDCMIR ROURIG.UL6 MALAWIAN 1\;,,ma , lo di ■ ilt,iltilente em 2h/10/2011 por VALMIR 2501/2(112 por SUFI IOLFNPINO NrIESI -)A ■''Rl 17 1)1 CAR': N11. Processo n°16327.000112/2005-31 Acórdão n. ° 9101-001.171 Por isso, revejo minha posição anterior, de que o artigo de regência do Tratado seria o 72, por ter me convencido que o art, de regência seria o 10. Como se vê, a mudança de posição foi em rein -do a qual artigo do Tratado seria aplicável ao caso. 0 voto condutor desta decisão (mais recente) destacou a "mudança de posição" descartando o entendimento anterior (proferido na decisão recorrida) e adotando o novo entendimento de que seria aplicável ao caso o Artigo X, por entender, ao final, que os rendimentos objeto da tributação pela MP 2.158 são qualificáveis como "dividendos". No entanto, em relação a este primeiro argumento da Fazenda, a divergência Ibi reconhecida e acatada neste Voto. Trata-se do primeiro fundamento da decisão recorrida, acerca do qual, a Recorrente logrou demonstrar o dissenso jurisprudencial. Ocorre, porem, que o ponto fulcral da discussão reside no segundo fundamento e sobre este, as diferenças até aqui demonstradas revelaram -se no âmbito do contexto fático e não em torno das posições jurídicas, as quais, continuo entendendo serem convergentes. Vejamos. Destaca a Fazenda em seu recurso que a "própria Primeira Câmara, após apreciar novos argumentos, evoluiu e revisou sua posição anterior para alterar diametralmente a decisão a respeito do art. 74 e o Tratado Brasil Espanha". E que a ilustre Relatora, mudando de posição, adotou a mesma decisão proferida no acórdão paradigma, qual seja, converter o julgamento em diligência para que fosse confirmado, junto ao Fisco espanhol, qual o regime de tributação dos dividendos distribuídos para o Brasil pela Jalua Spain. Sucede, entretanto, que o que levou o colegiado a converter o julgamento foi uma questão de fato interna ao processo e não uma dúvida de natureza jurídica. Consignou a Relatora, naquela ocasião: "Considerando tratar-se de dividendos presumidos, seria aplicável a regra de isenção do art. 23 do Acordo Internacional. Ocorre que a PFN suscita que esses dividendos não sic, tributados na Espanha, por condição especial relativa às Ilhas Canárias. Em que pese os elementos trazidos pelo contribuinte e pela PFN, o primeira para demonstrar o contrário, não são eles suficientes para que eu forme minha convicção." (destacou-se) Ora, depreende-se do teor desta manifestação que o fundamento para o Colegiado decidir pela conversão do julgamento em diligencia, não foi uma questão jurídica, mas uma questão de natureza eminentemente Mica, qual seja: saber se os dividendos considerados distribuídos presumidamente estavam sujeitos a um regime de tributação considerado normal, ou ao contrário, estavam sujeitos a um regime fiscal privilegiado, próprio das Ilhas Canárias. Com efeito, foi a insuficiência dos elementos fiticos que ensejou a conversão do julgamento em diligência. No caso da decisão recorrida (proferida no primeiro processo da mesma contribuinte) a declaração da Fisco Espanhol, elemento de prova juntado Amentwrido doi.a.os, latiwspe1a.)C9otritannte,i+foiivalorado4zoiniotsuficientelparama convicção dos julgadores. I() LiAR I AR c ■s•P ANO. AsstnaLio olg aaIrilente ■-qo 31/10(2011 por CLAUDEMIR HOORIC;;UES MALAOUIAS Assina '10 .1ottriln1k:n1c, L.01 2 000/2011 por VALMIR SAI/CRI o(L550 Lnri 12101(7012 por SUELI Ta 1-N TINO MENDER DA CRUZ 18 DI: CAM' MI. I:I. 2.303 Processo n° 16327.000112/2005-31 CSRF-T1 Acórdão n° 9101-001.171 Fl. 19 Naquela ocasião, consideraram que os dividendos (tidos como distribuídos pela NIP 2.158) estavam sujeitos a regime normal de tributação na Espanha e, consequentemente, não poderiam ser tributados no Brasil, por força do disposto no Artigo XXIII, Parágrafo 4. Frise-se que o mesmo não ocorreu por ocasião do segundo processo julgado pela mesma Camara. Neste segundo caso, a PFN trouxe nova informação em sentido contrário, aduzindo que os rendimentos não são tributados na Espanha por condição especial das Ilhas Canárias, localidade da sede da empresa controlada. Portanto, o que ensejou a conversão em diligência no segundo processo da mesma Contribuinte foi a dúvida de fato suscitada entre os elementos do processo que não permitiram aos julgadores formarem sua convicção acerca da tributação ou não tributação dos rendimentos na Espanha. Também neste ponto, não se vislumbra divergência entre as decisões, pois ambas consideraram que a isenção prevista no Artigo XXIII, Parágrafo 4 está condicionada a que os dividendos sejam tributáveis na Espanha, ou seja, não estejam sujeitos a um regime de tributação considerado privilegiado. Na primeira decisão, os elementos trazidos aos autos foram considerados suficientes para formar a convicção do colegiado e assim, proferiram a decisão. No segundo caso, o colegiado entendeu que aquela declaração anterior, considerada suficiente no primeiro julgado, não era tão robusta, em razão da nova informação trazida pela Procuradoria (empresa nas Ilhas Canárias). Diante desta incerteza quanto aos elementos fiticos, frise-se, elementos fiticos e 'I'M) jurídicos, o colegiado decidiu pela conversão do julgamento em diligência. Isto infirma a tese da Recorrente de que no primeiro julgamento, o colegiado entendeu que não era necessária a verificação do regime de tributação aplicável aos dividendos na Espanha e que no segundo, passou a ser necessária. 0 que se verifica é o contrário, a convicção jurídica acerca da aplicação da isenção prevista no Artigo XXIII, Parágrafo 4 se formou com base no documento juntado aos autos pela Contribuinte naquela ocasião e que mais tarde foi contraposto pela Fazenda, mas em ambas decisões buscou-se saber qual o regime de tributação dos dividendos na Espanha. 5. Conclusão Diante destas considerações, vê-se que o especial da Fazenda poderia, por hipótese, ser conhecido parcialmente na parte relativa ao primeiro fundamento da decisão recorrida, porquanto em relação a este, restou demonstrada a divergência alegada. No entanto, a parte não conhecida, correspondente a interpretação dada isenção prevista no Artigo XXIII, Parágrafo 4 da Convenção Brasil-Espanha, diz respeito ao segundo fundamento da decisão, que nos termos do voto condutor é considerado autônomo e suficiente para afastar a exigência. Assim sendo, ainda que se conhecesse de forma parcial o especial da Fazenda, a eventual reforma do julgado a quo na parte conhecida não seria suficiente para afastar a exigência, cuja decisão se apoia em dois fundamentos. No exame da admissibilidade de recursos que desafiam decisões amparadas em mais de um fundamento, esta Corte tem seguido o entendimento exarado pelo Enunciado 283 da Stimula do STF, in verbis: Auterrtirado digitarmenie ern 20/1012011 por VAL.M1H SANDHI. Assinado digqiiimenle um 17 , 11 12011 por U AGIL I() DAN f AS CAR I ANC) Assinado dloriainwmte em 31110/2011 por CLAUDL:MiR 01ODHI(3UE:: -.3 NIALAoulA:). Assma do drvaimeirte 2r5:10/2011 pot VALMIR SANDHI I 9 Impresso :rn 12/01:2012 por SUED TOLEN TN° Mt- NDFS PA C.RU7 DI CAR • 2304 Proccsso n° 16327.000112/2005-31 Acórdão n.° 9101-001.171 CSRF-T1 FL 20 "É inadmissirel o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida iissenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso nào abrange todos eles." Desta forma, entendo que o recurso especial não pode ser conhecido, em razão da falta de elementos suficientes para reverter a decisão recorrida. Por todo o exposto e tendo em conta que o cotejo entre as decisões recorrida e paradigma não revela divergência de interpretação da legislação tributária, direciono meu voto no mesmo sentido do proferido pelo ilustre Relator, considerando prejudicada a admissibilidade do recurso especial da Fazenda. como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias - Conselheiro Autetitiedoo digdalmenle em 26/1102011 por VAI mu -4. SANDR I Assinado dicptahnente em 17111/2011 por ()I Ac,11._ ■ 01.141\11A:3 !..;AH1AX(..) Ass,riad ..) diytdimente cm 31/10/2011 pot CLAUDLNIIN RODHI(3LIES MALAUU1A1 -.3. Assina do di:jitaIn 'erne em 20/10/2011 por VAI MR SANDki 20 !Ti l2ÚI,20te pot SUFI I FOLENnNO MENDE S 11A CRLI7
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Numero do processo: 10845.003414/2005-25
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA POR FALTA DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO. NOVA APURAÇÃO DE FATOS POR DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO OU NÃO DO DIREITO.
Reconhecido o direito de a Interessada produzir prova de seu crédito por meio de diligência, que trouxe aos autos análise original e inovadora sobre os créditos admitidos e não admitidos, cabe à autoridade fiscal competente da unidade de jurisdição do contribuinte, por meio de novo despacho decisório, apreciar a declaração de compensação
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Fez Sustentação Oral pela Recorrente Rogério do Amaral Silva Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA POR FALTA DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO. NOVA APURAÇÃO DE FATOS POR DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO OU NÃO DO DIREITO. Reconhecido o direito de a Interessada produzir prova de seu crédito por meio de diligência, que trouxe aos autos análise original e inovadora sobre os créditos admitidos e não admitidos, cabe à autoridade fiscal competente da unidade de jurisdição do contribuinte, por meio de novo despacho decisório, apreciar a declaração de compensação Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez Sustentação Oral pela Recorrente Rogério do Amaral Silva Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 34 14 /2 00 5- 25 Fl. 933DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003414/200525 Acórdão n.º 3302002.201 S3C3T2 Fl. 933 2 (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso retorno de diligência, requerida pela Resolução n. 3302 00.064, de 23 de agosto de 2010. Foi realizada diligência conjunta dos seguintes processos, segundo o termo de informação fiscal de fls. 521 a 604: 1. 10845.003528/200494 (CARF); 2. 10845.000524/200535 (CARF); 3. 10845.000525/200580 (CARF); 4. 10845.001219/200561 (CARF); 5. 10845.001220/200595 (CARF); 6. 1845.003161/200590 (CARF); 7. 10845.003162/200534 (CARF); 8. 10845.003414/200525 (CARF); 9. 10845.000184/200623 (DRJ); 10. 10845.000186/200612 (DRJ ); 1 1 .10845.000398/200608 (DRJ); 12. 10845.000399/200644 (DRJ). A Fiscalização deu conta de que intimou a Interessada a apresentar documentação, que lhe foi apresentada em meio magnético e analisada por amostragem. Seguiuse intimação para apresentar documentação adicional e justificar valores apurados. Ainda relatou a Fiscalização: Verificamos em relação a situação dos fornecedores da VOLCAFÉ perante o cadastro CNPJ, que alguns encontramse na situação atual de INAPTA, SUSPENSA ou BAIXADA. Em relação às aquisições de cooperativas, a Fiscalização esclareceu o seguinte: Com base em informações prestadas pelas cooperativas e/ou nas DACON's, verificase que uma parcela pequena da receita foi Fl. 934DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003414/200525 Acórdão n.º 3302002.201 S3C3T2 Fl. 934 3 oferecido a tributação do PIS e COFINS, não se podendo assegurar da inclusão dos valores relativos aos fornecimentos efetuados por estas cooperativas ao contribuinte (VOLCAFÉ). A partir daí a Fiscalização fez a apuração dos valores, analisando cada um dos adquirentes. Ainda reportouse às aquisições de pessoas físicas, a notas fiscais consideradas em duplicidade, valores contabilizados a maior, créditos não previstos em legislação (Despesas de Corretagem, Seguros (sobre transporte até o armazém, depósito em armazém e transporte do armazém ao porto), Despesas Diversas, Telefone, Taxa de Manutenção de PABX, Despesas Bancárias, Comissões Bancárias, Taxa de Entrada em Armazém e Taxa de Saída de Armazém). Na sequência, passou a tratar dos questionamentos efetuados pelo Carf e pela DRJ, explicando o seguinte: 1) Especificamente, quais as razões do indeferimento inicial (se falta de apresentação de documentos ou se os livros não permitiam a apuração e, nesse último caso, se há alguma incompatibilidade em relação ao apurado na auditoria apresentada pela Interessada). a) Como se pode observar do relato acima, a empresa não apresentou naquela oportunidade a composição dos créditos contabilizados (detalhado por nota fiscal). Nesta diligência, em atendimento a intimação fiscal apresentou inicialmente em CD relação compondo os valores contabilizados. Intimada a apresentar relação impressa devidamente assinada, a mesma, apresentou outras duas relações com alteração na composição. Diante disso foi diligenciado, tendo como base a primeira relação apresentada em CD, e cuja composição consta do anexo de n° 004. b) Em relação aos valores apurados pela auditoria, informamos que os valores são divergentes do apurado nesta diligência, considerandose as situações acima relatadas, com respeito a aquisições de sociedades cooperativas, créditos oriundos da aquisição de produtos em bolsa de mercadorias operadoras das negociações de estoques públicos (CONAB), aquisições de empresas com situação cadastral atual: inapta ou suspensa ou baixada, glosa de créditos presumidos nos meses de dezembro/02 e janeiro/03 (aquisições de pessoas físicas), notas fiscais em duplicidade, valores a contabilizado a maior em relação ao demonstrado pelo contribuinte e créditos calculados sobre insumos/despesas em desacordo com a legislação. 2) Verificar se os seguintes problemas formais com as declarações de compensação eram sanáveis e se foram resolvidos: a. A adoção de conta única para registro dos créditos de PIS e COFINS e a consequência de haver ocasionado compensações indevidas de PIS. Os registros contábeis referente aos créditos de PIS e COFINS foram efetuados em contas distintas: 115040000001 Créditos Fl. 935DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003414/200525 Acórdão n.º 3302002.201 S3C3T2 Fl. 935 4 de Pis e 115040000003 Créditos da COFINS. Ocorreu que a contabilização do valor de R$ 3.518.916,04 compensado pelo contribuinte no mês de novembro/04, objeto do processo 10845.003528/2004¬94, foi efetuado na conta do COFINS, quando o correto seria parte (R$ 955.483,71) na conta do PIS e outra parte (R$ 2.563.432,33) na conta do COFINS. Diante das apurações constantes deste Relatório, este fato encontrase alterado, pois os valores dos créditos passíveis de compensação apurado pela fiscalização diferem daquele apontado no Relatório da Auditoria Externa. b. Compensação de débitos da COFINS utilizando créditos de PIS sem a elaboração de PER/DCOMP. c. Compensações indevidas de PIS; sobre a falta de acréscimo de juros e multa de mora e sua regularização. Em relação aos itens "b" e "c", da mesma forma, diante da apuração de outros valores, estes itens encontramse prejudicados. d. Compensações não identificadas no livro Razão. Referese a período (2006 /2007) não considerado nesta diligência, conforme anteriormente relatado. e. Apropriação indevida de despesas diversas para o período de dezembro de 2.002 a janeiro de 2.007 (PIS) e fevereiro de 2.004 a janeiro de 2.007 (COFINS). f. Apropriação indevida de despesas de estufagens, transporte nas docas , taxa de entrada e saída com descarga de caminhões, seguros, telefone, taxa de manutenção de PABX. Em relação aos itens "g" e "h", os valores relativos aos créditos calculados sobre essas despesas/custos relativos estas contas, por falta de previsão na legislação, os mesmos estão sendo glosados. 3) Esclarecer se apuração dos créditos foi, de fato, demonstrada após a auditoria, e se por amostragem, a critério da Fiscalização, os cálculos estão corretos e são f suficientes para a compensação, abrangendo, eventualmente, juros e multa de mora. Nos quadros demonstrativos de n° 006 e 007, deste Relatório encontramse demonstrados os resultados mensais de créditos de PIS EXPORTAÇÃO E COFINS EXPORTAÇÃO, passíveis de serem compensados, considerandose as glosas mencionadas neste Relatório. Em decorrência dessas glosas, os valores apurados divergem daqueles apurados pela Auditoria Externa. Em relação se os mesmos são suficientes para a compensação, cabe ao SEORT, manifestação à respeito. 4) Certidão de objeto e pé da ação judicial cautelar apresentada e cópias de eventuais nela decisões proferidas. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003414/200525 Acórdão n.º 3302002.201 S3C3T2 Fl. 936 5 A certidão de objeto e pé referente ao processo 2008.61.04.0076581 (cautelar inominada) da 4ª Vara Federal de Santos, encontrase anexa a correspondência datada de 19/06/2012. Verificase nesta certidão, não ter havido nenhuma decisão proferida até então. A Seort elaborou o relatório de fls. 835 a 837, esclarecendo o seguinte: b) Com relação a suficiência dos créditos acima demonstrados para compensação do débito constante da Declaração de Compensação apresentada pelo Recorrente, como o crédito apurado pela Fiscalização foi maior que o solicitado, o débito foi totalmente compensado. Intimada, a Interessada manifestouse nas fls. 846 a 930, em que tratou inicialmente do seu direito de ressarcimento e de compensação segundo a legislação, do direito a crédito relativo às contribuições não cumulativa. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Com a realização da diligência, várias das questões inicialmente apresentadas pela Interessada foram superadas e outras surgiram, à vista da apresentação da documentação. A situação é peculiar à vista de, inicialmente, a Interessada não haver identificado na documentação a origem dos valores que lhe confeririam o direito de crédito. Como a Fiscalização não foi clara na descrição desses fatos e a Interessada insistia em afirmar que tinha a documentação comprobatória, resolveuse converter o julgamento em diligência. Como resultado, as questões que são agora apresentadas a análise visam a apuração do crédito da Interessada, que não foi efetuada até o momento. Tratase de matéria de competência privativa da autoridade fiscal, nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012), art. 224. Ademais, admitindo, em tese, que a matéria pudesse ser apreciada no âmbito do Carf, haveria necessariamente supressão de instância, o que seria vedado pelas leis disciplinadoras do Processo Administrativo Fiscal. E, quando se falar, em “matéria” no parágrafo anterior, devese esclarecer que se trata de outra matéria em relação à originalmente apresentada no recurso da Interessada. A questão posta no recurso dizia respeito, primeiramente, à existência de prova do direito, razão pela qual os autos foram baixados em diligência. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003414/200525 Acórdão n.º 3302002.201 S3C3T2 Fl. 937 6 Essa foi a questão que levou ao indeferimento original e que veio à discussão no recurso. Portanto, realizada a diligência, o presente processo deve ser saneado, restabelecendo o contraditório apropriadamente. Para isso, a diligência deve servir de base à unidade de origem para que emita novo despacho decisório a respeito da declaração de compensação. Tal despacho decisório não poderá desconsiderar a documentação juntada aos autos com a diligência, nem a informação fiscal da Fiscalização e a chamada “manifestação de inconformidade” apresentada pela Interessada. Do indeferimento parcial ou total do direito de crédito da não homologação das compensações, caberá direito a manifestação de inconformidade à DRJ. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para admitir reconhecer o direito da Interessada a ter seu direito de crédito analisado com base na documentação apresentada e nas demais informações coletadas na diligência, por meio de novo despacho decisório da seção competente da unidade de jurisdição da RFB. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 938DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.000036/2001-37
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1994
PROPRIEDADE. POSSE. SUJEIÇÃO PASSIVA.
O assentamento de terceiros promovido para fins de reforma agrária titulariza os novos possuidores para aquisição originária do direito de propriedade. A posse regular do imóvel toma o posseiro sujeito passivo do imposto sobre o imóvel rural, com preterição sobre o antigo proprietário.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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POSSE. SUJEIÇÃO PASSIVA. O assentamento de terceiros promovido para fins de reforma agrária titulariza os novos possuidores para aquisição originária do direito de propriedade. A posse regular do imóvel toma o posseiro sujeito passivo do imposto sobre o imóvel rural, com preterição sobre o antigo proprietário. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os prese es autos. Acordam os membrs do colegiaddl, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. CARLO AL Z E ' • EITÂnS- 134RETO - Presidente • JULIO C • •A VIEP • GOMES - Relator \';EDITADO ,EM: 14 MAIO 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffrnann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual, deu-se provimento ao recurso voluntário, tendo sido acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva do proprietário sem posse. O acórdão restou assim ementado: N° Acórdão 301-34058 Tributo / Matéria Decisão Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Luiz Roberto Domingo. Ementa Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1994 ITR— Posseiros. Comprovada nos autos a posse do imóvel para terceiros à época da ocorrência do fato gerador, há de ser afastada a cobrança do tributo daquele que detinha apenas a propriedade sem dela poder usar, gozar ou fruir. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO O acórdão indicado como paradigma foi reconhecido como divergente da decisão proferida: N° Acórdão 201-72142 Tributo / Matéria Decisão Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Ementa ITR - DUPLICIDADE DE REGISTRO. ALIENAÇÃO A TERCEIROS E/OU OCUPAÇÃO POR INVASORES - Os lançamentos do ITR espelham os dados fornecidos pelo contribuinte através de suas declarações. Situações novas, como duplicidade de registro, ocupação por invasores e alienação a terceiros para serem consideradas precisam se comprovadas. O cancelamento do crédito tributário depende da anulação da transição imobiliária em nome do sujeito passivo. Recurso a que se nega provimento. Portanto, vê-se que a divergência cinge-se à seguinte questão: pode ou não o fisco cobrar o ITR do proprietário quando, comprovadamente, não exerce a posse direta, esta atribuída a terceiros por assentamento de posseiros através de ato do poder público? O contribuinte apresentou contra-razões ao recurso especial reiterando suas ‘1 razões recursais É o relatório. 2 Processo n° 10280.000036/2001-37 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.488 Fl. 2 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Comprovada a divergência e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade passo ao voto. Assim dispõe o Código Tributário Nacional - CTN, Lei n° 5.172/1966: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel por n. atureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Pretende o recorrente que se reconheça o direito de se constituir o crédito relativo ao ITR de quaisquer das pessoas indicadas no artigo 31 do CTN como contribuintes do imposto. Por essa tese, o fisco poderia eleger de quem o cobraria. Com a devida vênia à douta Procuradoria, não é essa a leitura que faço. Explico. A Constituição Federal atribuiu à União competência tributária para instituir imposto sobre a propriedade territorial rural, isto é, sobre o bem imóvel localizado em área rural. A expressão propriedade empregada pelo constituinte não deve ser interpretada restritivamente para alcançar apenas àquele que detenha o vínculo jurídico de propriedade sobre a coisa. Assim fosse, tanto o artigo 31 do CTN como o artigo 4° da Lei n° 9.393/96 padeceriam de inconstitucionalidade na parte que atribui responsabilidade àquele que detém o domínio útil ou a posse do imóvel: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: • '' VI - propriedade territorial rural; Prosseguindo, para que se possa atribuir deliberadamente responsabilidade tributária a mais de um sujeito passivo, excluindo os demais ou atribuindo-a conjuntamente, devemos verificar se aplicável o instituto da solidariedade. Assim definida no CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. No presente caso, é pacífico que proprietário e posseiro não possuem interesse em comum no imóvel; ao contrário, o direito de um exclui o do outro. Com relação a 3 responsabilidade solidária dita legítima, aquela que decorre diretamente da vontade legislativa, não encontro no ordenamento jurídico, a começar pelo Capítulo V do CTN, qualquer regra de atribuição da solidariedade no presente caso: CAPITULO V Responsabilidade Tributária SEÇÃO 1 Disposição Geral Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. • Portanto, não havendo rega jurídica atributiva do direito de o fisco eleger livremente o contribuinte, dentre aqueles indicados no artigo 31 do C'TN, o tributo deverá ser cobrado daquele que melhor exerce os poderes sobre o bem imóvel: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Entretanto, no caso sob exame, os assentados no imóvel objeto da cobrança adquiriram a propriedade desde 1990 adquiriram a propriedade originariamente, através da posse direta, conforme declaração do Estado do Tocantins, fls. 38. Ainda que o interessado tenha declarado o imóvel como de sua propriedade, efetuado o correspondente pagamento do tributo em alguns anos e, ainda, posteriormente apresentado documento de renúncia à propriedade, não é pelo seu erro de conhecimento que se deve construir a legalidade da relação jurídica tributária. O que se mostra como suficiente e relevante para o deslinde da questão é saber em que momento a propriedade havia sido transferida. E, como documentado nos autos, foi em 1990; quando a partir de então, o tributo deveria ser cobrado dos nos novos proprietários. Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial. É COMO V* O. Julio C Gs. itira Gomes - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000090/2006-05
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Identificada omissão relativa a ponto sobre o qual deveria se pronunciar a Turma Julgadora que prolatou o acórdão embargado, devem os Embargos de Declaração ser acolhidos para o fim de suprir a omissão.
RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade de despesa atribuída a rateio de custos comuns entre empresas conveniadas depende da comprovação de sua efetividade, necessidade e normalidade.
Embargos da Fazenda Nacional Acolhidos.
Numero da decisão: 9101-002.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, por voto de qualidade, acolher os embargos com efeitos infringentes, para restabelecer o lançamento de ofício, nos termos da decisão de 1ª instância, com retorno dos autos para que a Câmara a quo se manifeste sobre as multas isoladas da estimativa (matéria não analisadas em razão da exoneração do lançamento), vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. A Conselheira Cristiane Silva Costa apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Identificada omissão relativa a ponto sobre o qual deveria se pronunciar a Turma Julgadora que prolatou o acórdão embargado, devem os Embargos de Declaração ser acolhidos para o fim de suprir a omissão. RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade de despesa atribuída a rateio de custos comuns entre empresas conveniadas depende da comprovação de sua efetividade, necessidade e normalidade. Embargos da Fazenda Nacional Acolhidos.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Identificada omissão relativa a ponto sobre o qual deveria se pronunciar a Turma Julgadora que prolatou o acórdão embargado, devem os Embargos de Declaração ser acolhidos para o fim de suprir a omissão. RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade de despesa atribuída a rateio de custos comuns entre empresas conveniadas depende da comprovação de sua efetividade, necessidade e normalidade. Embargos da Fazenda Nacional Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, por voto de qualidade, acolher os embargos com efeitos infringentes, para restabelecer o lançamento de ofício, nos termos da decisão de 1ª instância, com retorno dos autos para que a Câmara a quo se manifeste sobre as multas isoladas da estimativa (matéria não analisadas em razão da exoneração do lançamento), vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. A Conselheira Cristiane Silva Costa apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 90 /2 00 6- 05 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 689 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração (efl. 664) opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 9101002.114 (efl. 622), proferido por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF em julgamento de Recurso Especial da Fazenda Nacional (sessão de 24/02/2015). O acórdão embargado adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 PRECLUSÃO APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL RATEIO DE CUSTOS. Em que pese o princípio do formalismo moderado que informa o processo administrativo fiscal, não é razoável, depois da impugnação, a reabertura de oportunidade ao sujeito passivo para trazer a prova quando, sem qualquer justificativa aceitável, ele deixou de fazêlo em duas oportunidades anteriores (no curso da fiscalização e com a impugnação). Contudo, se aspectos específicos da prova a ser produzida demonstram que ela não se realizaria mediante a apresentação de planilhas e demonstrativos, e se os documentos trazidos posteriormente são suficientes a formação da convicção do julgador, não demandando diligências, o sopesamento dos princípios da verdade material, do formalismo moderado e do princípio finalístico do processo justificam o acolhimento das provas. A empresa autuada, então denominada Banco Banerj S/A, participava de um Convênio de Rateio de Custos Comuns (CRCC) nos anos de 1999 a 2003 (efl. 19), tendo realizado pagamentos à empresa centralizadora de custos e reduzido esses pagamentos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a título de dedução de despesas. O presente processo trata das deduções realizadas em 2001, 2002 e 2003, as quais foram glosadas pela fiscalização, com a seguinte fundamentação (TVF, efls. 80 e seguintes): Fl. 689DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 690 3 Em sua resposta apresentada em 21 de março de 2006 (fls. 25 a 29), o Banerj reconheceu ter pagado ao longo dos anos de 2001 a 2003, ao controlador Banco Itaú S/A, em razão do Convênio de Rateio de Custos Comuns, os valores de R$ 38.832.359,00, R$ 35.156.146,50 e R$ 39.476.222,00 respectivamente. Reconheceu ainda ter registrado o montante em conta de despesa (conta Cosif 8.1.7.99.000) naqueles anos e que tratou a despesa como dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. No mais, limitouse a ratificar as ponderações já apresentadas por seu controlador anteriormente, não apresentando qualquer elemento novo ou documentação que comprovasse a efetiva utilização da "estrutura compartilhada", os critérios de rateio, os valores rateados ou a necessidade dos encargos pagos para manutenção da fonte produtora dos rendimentos. Novamente, portanto, não ficou comprovado que os encargos suportados pelo Banerj por conta do Convênio de Rateio de Custos Comuns foram necessários à exploração de suas atividade. Aliás, sequer foi comprovado ou foi apresentado qualquer elemento que indicasse, ainda que de forma precária, que as despesas rateadas tenham de fato ocorrido, que seu ônus tenha sido suportado pelo controlador e que seus efeitos tenham beneficiado o Banerj de alguma forma. Em sede de impugnação, a empresa autuada apresentou laudos técnicos (efls. 157 e seguintes) os quais afirmam que os critérios de rateio de despesas foram corretamente aplicados em relação ao Banerj nos anos de 2001 a 2003. Todavia, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que referidos laudos não eram prova suficiente para sustentar a pretensão do impugnante de ser exonerado dos lançamentos (efls. 279): Contudo, observase que os laudos apresentados se limitam a descrever os critérios de rateio utilizados e a demonstrar genericamente que tais critérios estariam de acordo com as normas contábeis. Não apresentam quaisquer elementos definitivos que possibilitem determinar com precisão se os critérios adotados acarretaram efetivamente a distribuição correta das despesas que teriam sido levadas a efeito pelas empresas signatárias do convênio de rateio. Da mesma forma, não trazem evidências fáticas que permitam comprovar a efetiva utilização da estrutura que teria sido disponibilizada pelo Banco Itaú S/A à interessada, nos termos referidos no "Convênio de Rateio de Custos Comuns". De fato, o laudo não comprova, especificamente, as operações nas quais teria havido a utilização efetiva de funcionários do Banco Itaú S/A, nem demonstra o custo homens/hora das diversas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/ financeira, marketing, recursos operacionais e recursos humanos utilizados nas operações que teriam modificado a situação patrimonial da interessada. Em relação às situações nas quais teria sido utilizado o custo direto, não comprova ainda adequadamente a utilização dos recursos mediante a demonstração das horas disponibilizadas por funcionários etc. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 691 4 Prosseguindo no contencioso, agora em sede de memoriais dirigidos aos conselheiros da turma julgadora de segunda instância, a empresa autuada apresentou novos laudos técnicos (efls. 352 e seguintes) que pretendem demonstrar os critérios de execução do CRCC e a sua aplicação ao Banerj. Desta feita, aquela autoridade julgadora entendeu que as provas apresentadas eram suficientes para demonstrar a existência das despesas e a sua dedutibilidade, conforme a seguinte fundamentação (efls. 507 e seguintes): Ocorre que o Recorrente está agora trazendo pareceres técnicos de renomadas entidades, que analisam procedimentos contábeis do Banco Itaú, relacionados ao convênio de rateio de custos, e relatam uma revisão e avaliação dos métodos utilizados no rateio de custos comuns do Conglomerado 'tail nos exercícios de 1999 a 2003. ... Da análise dos documentos trazidos, a primeira constatação que aflora é de que a possibilidade de verificação do rateio pelo fisco não se resumiria a analisar "planilhas e demonstrativos", exigindo uma auditoria profunda, tal como as feitas, especialmente, pelo FIPECAFI e pela Moore Stephens, cujos relatórios se encontram anexados ao memorial. Essa constatação atenua a percepção de que o contribuinte teria descumprido seu dever de colaboração com a fiscalização. Veja se que, ao ser intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itaú às demais empresas, identificando e quantificando os funcionários envolvidos na referida prestação e destacando a parcela dos serviços destes que teria sido debitada empresa contratante, o Banco esclareceu ser inviável, face ao sistema de compartilhamento de custos, identificar quais funcionários trabalham para cada uma das empresas. Aduziu que o processo de apuração do montante a ser rateado mensalmente toma como base os valores efetivamente utilizados, bem como os volumes produzidos pelos recursos compartilhados e que, para tanto, utiliza um modelo de apuração de custos, em que os custos departamentalizados são alocados aos produtos ou diretamente As empresas através da medição dos custos das áreas envolvidas. Esclareceu que o rateio abrange um imenso volume de informações, visto envolver praticamente toda a estrutura operacional do conglomerado, e se dispôs a prestar os esclarecimentos que se fizessem necessários. ... Considero que os documentos trazidos, cuja anexação aos autos foi determinada, demonstram que os valores foram rateados tendo em vista a efetiva utilização dos serviços e à necessidade das empresas, não podendo prevalecer a glosa. Diante da decisão de exoneração dos lançamentos, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (efls. 516 e seguintes) no qual afirma que a decisão recorrida adotou interpretação da legislação tributária que diverge da jurisprudência deste CARF em dois pontos, assim resumidos: (i) a juntada aos autos dos pareceres apresentados pelo contribuinte em memoriais não pode ser aceita em decorrência do disposto no art. 16, §4º, do Decreto n.° 70.235/72; (ii) mesmo acolhidos os pareceres apresentados pelo contribuinte, estes não Fl. 691DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 692 5 poderiam alterar os lançamentos, pois demonstrariam apenas o critério de rateio utilizado sem comprovar que as despesas foram deduzidas com base nesse critério. O Recurso Especial foi admitido por meio do despacho de efl. 536. Ao apreciar o feito, esta Turma de Julgamento conheceu do Recurso Especial e negoulhe provimento, por maioria de votos, afastando a alegada preclusão do direito de apresentar provas após a impugnação, assim mantendo a exoneração dos lançamentos tributários em tela (efls. 622). A Fazenda Nacional interpôs os presentes Embargos (efls. 664) por entender que o acórdão recorrido deixou de abordar uma das divergências apontadas no seu Recurso Especial que diz respeito ao mérito do processo. Estes Embargos de Declaração foram admitidos por meio do despacho de efls. 684. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora Os Embargos são tempestivos e merecem ser acolhidos em razão de trazerem, sim, uma omissão no acórdão embargado. Verificase que à fl. 514 e seguintes (volume 3), a PFN traz como paradigma para discutir o mérito, o acórdão nº 10516.141. É bem verdade que o despacho de admissibilidade não analisou detalhadamente esta divergência, mas deu provimento integral ao recurso, havendo a contribuinte se manifestado, inclusive, sobre essa divergência a partir da fl. 542 e seguintes das suas contrarrazões. Mesmo assim, passo à admissibilidade dessa divergência. O acórdão paradigma trata, entre outras questões, da dedutibilidade das despesas da empresa ITAÚ CAPITALIZAÇÃO S/A (sucedida pela empresa PARANÁ CIA DE SEGUROS) a título de "convênio rateio de custos comuns Itaubanco", nos anos 2000, 2001 e 2002. Diante da omissão do contribuinte em demonstrar as operações nas quais houve a utilização efetiva de funcionários do Banco Itaú S/A e o custo/hora das atividades centralizadas, a fiscalização entendeu ser impossível a aplicação do método de custeio direto, de acordo com a efetiva utilização dos recursos, conforme previsto no CRCC. Assim, aplicou o método de custeio indireto, parametrizado pela receita bruta, glosando os valores deduzidos que superaram os valores assim arbitrados. Já na fase de impugnação, a empresa autuada apresentou "Laudos de Avaliação dos Critérios Utilizados no Convênio de Rateio de Custos Comuns pelo Banco Itaú". Ao apreciar o feito, a 5ª Câmara do 1º Conselho de contribuintes entendeu que os referidos laudos não poderiam causar a mudança de critério de apuração das despesas dedutíveis, do método indireto utilizado pela fiscalização para o método direto requerido pelo recorrente, conforme o seguinte excerto: Fl. 692DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 693 6 Realmente a fiscalização não teve acesso ao laudo, a empresa mormente o Rata centralizadora dos custos, que foi intimado de forma clara, poderia ter já no curso da fiscalização apresentado os laudos que poderiam permitir a aferição, não só dos custos globais como os métodos de rateio pela auditoria. Diante de tal impossibilidade e consciente de que efetivamente a autuada utilizara a rede Itaú para colocar os seus produtos a fiscalização não teve outra alternativa, senão utilizar o método de repartição dos custos de acordo com o percentual de receita. Como não há arbitramento e nem lançamento condicional, não há como acatar os laudos, pois acatálos seria o equivalente a modificar a base de cálculo, alterar o critério de lançamento. Ao contrário da decisão paradigma, em situação equivalente, a decisão recorrida aceitou, sem restrições, os laudos apresentados em memoriais, já na fase recursal de segunda instância, exonerando integralmente a exigência tributária. Nesse ponto, é pertinente o destaque do recorrente quando afirma que a autoridade recorrida, ao acatar os laudos inéditos para aplicar o método direto de aferição, não realizou a verificação dos critérios e valores lá contidos em relação aos valores escriturados pelo contribuinte, de forma que a decisão restou viciada por falta de fundamentação. Em outras palavras, foi decidido sobre a possibilidade de utilização dos laudos mas não foi verificado se tais laudos levavam aos valores pretendidos pelo contribuinte. Desta feita, fica patente a divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma apontado, razão pela qual conheço da divergência alegada pelo recorrente. O Recurso Especial foi apresentado para que fossem solucionadas duas alegadas divergências na interpretação da legislação tributária em relação às seguintes questões: (i) a preclusão do direito de apresentar provas após a impugnação dos lançamentos; e (ii) a capacidade dos laudos técnicos apresentados afetarem os lançamentos realizados. O acórdão embargado admitiu o Recurso Especial, sem ressalvas, e apreciou o primeiro item (preclusão). Todavia, o segundo item não foi abordado, razão pela qual reconheço a omissão alegada nos embargos e passo a apreciar a divergência ainda não tratada. A empresa autuada (Banco Banerj S/A) realizou pagamentos à empresa centralizadora do CRCC (Banco Itaú S/A) e reduziu os respectivos valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por considerálos dedutíveis. O artigo 45 da Lei nº 4.506, de 1964, determina que as despesas operacionais da empresa são dedutíveis do lucro operacional1, enquanto o artigo 47 da mesma lei define 1 Art. 45. Não serão consideradas na apuração do lucro operacional as despesas, inversões ou aplicações do capital, quer referentes à aquisição ou melhorias de bens ou direitos, quer à amortização ou ao pagamento de obrigações relativas àquelas aplicações. § 1º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício deverá ser capitalizado para ser depreciado ou amortizado. § 2º Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sôbre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 694 7 como despesa operacional aquela necessária à atividade da empresa e usual ou normal no seu tipo de atividades2. O procedimento fiscal que levou aos presentes lançamentos tributários buscou verificar a efetividade, a necessidade e a usualidade das referidas despesas. Para isso, intimou o contribuinte a prestar informações, nos seguintes termos (efls. 17 e seguintes): 4. Comprovar, com documentação hábil e idônea: a) A efetiva utilização dos serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itaú S/A ao Banco Banerj S/A no anocalendário de 2000; b) O rateio dos valores pagos mensalmente em 2000 em decorrência desses mesmos serviços, elaborado com base no item "a" acima, discriminando os funcionários que teriam sido objeto de rateio, o custo bruto desses funcionários, o total de horas trabalhadas para o Banerj, o total de horas apropriadas no rateio e o valor apropriado; c) Que os referidos gastos foram necessários às transações ou operações exigidas para a exploração das atividades (principais ou acessórias), bem como, que estão vinculadas com as fontes produtoras dos rendimentos. Em resposta, o contribuinte assim se manifestou (efls. 21 e seguintes): 3. o Convênio de Rateio de Custos Comuns não envolve prestação de serviços do Banco Itaúl para o Banco Banerj, pois tratase de compartilhamento de estrutura material e pessoal para o atendimento das necessidades operacionais de ambas as partes, com custos atribuídos a cada uma delas segundo os critérios apontados na resposta fornecida pelo Banco Itaú; 4. os custos incluídos no Convênio referemse a despesas operacionais, tais quais a manutenção de estrutura de pessoal para atendimento das necessidades das contratantes, nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/finanças, recursos operacionais e recursos humanos; Essas informações foram reproduzidas em relação aos anos 2001 e 2002 (efl. 23). O Convênio de Rateio de Custos Comuns, celebrado entre o contribuinte e o Banco Itaú S/A encontrase na efl. 19, do qual se destaca o trecho que trata do critério de rateio de custos: 5.1. mensalmente, em todo dia 27 ou no dia útil anterior, a EMPRESA pagará, provisoriamente, ao ITAUBANCO uma estimativa de custos que será equivalente à média aritmética dos 2 Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 695 8 custos efetivamente devidos pela EMPRESA no 2° e 3° meses anteriores ao de competência do pagamento. 5.1.1. a apuração da média aritmética dos custos obedecerá à seguinte formula de cálculo: 2º + 3º meses anteriores ———————————— 2 5.2. nos três primeiros meses de vigência do presente convênio usarseá, no lugar do subitem 5.1.1, o valor real dos custos apurados nos meses em questão, acrescidos dos juros calculados com base na taxa preCETIP de 30 dias, a ser pago no dia 11 de fevereiro de 1998. 5.3. apurado o valor efetivamente devido pela EMPRESA, a eventual diferença existente entre este e o apurado no subitem 5.1 será acertada até o ultimo dia útil do mês subseqüente ao de competência do pagamento. 5.4. a diferença será acrescida, à título de ressarcimento das perdas financeiras suportadas por qualquer das partes, a variação média do CDBpré CETIP de 30 dias, ou próximo de 30 dias, verificada no período entre os pagamentos efetuados e a liquidação da diferença. A fiscalização entendeu que as informações prestadas pelo contribuinte não eram suficientes para demonstrar a efetiva realização das despesas, a sua necessidade e usualidade, glosandoas da apuração do lucro real e lavrando os presentes autos de infração. O contencioso administrativo foi instaurado com a impugnação de efls. 136 e seguintes, a qual foram anexados laudos técnicos (efls. 157 e seguintes), os quais afirmam que os critérios de rateio de despesas foram corretamente aplicados em relação ao Banerj nos anos de 2001 a 2003. Todavia, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que os referidos laudos não eram hábeis a demonstrar os requeridos critérios de efetividade, necessidade e usualidade (efls. 279 e seguintes). O contribuinte ingressou com recurso voluntário (efls. 294) e, por ocasião do respectivo julgamento, apresentou memoriais em que traz ao conhecimento da Turma Julgadora um parecer e dois relatórios da lavra de auditores independentes (efls. 352). Com fundamento nesses últimos documentos, a decisão da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes exonerou os lançamentos guerreados (efls. 497). A Fazenda Nacional, em sede de Recurso Especial (efls. 516), afirma que a decisão supracitada, quando considerou os referidos pareceres como prova documental da dedutibilidade das despesas glosadas, divergiu da jurisprudência de outras câmaras. Em seguida, requer a reforma da decisão de segunda instância, por entender que os referidos documentos ainda não demonstram as requeridas efetividade, necessidade e usualidade. A respeito da preclusão temporal para apresentação de provas, há de se entender que a matéria já foi decidida pela decisão embargada e quanto à afirmação pela Procuradoria de que foi alterado o critério jurídico do lançamento, entendo que inexiste essa alteração. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 696 9 É que, na espécie, as provas acolhidas pela autoridade julgadora recorrida tendem a afetar a natureza das despesas em tela, antes consideradas indedutíveis e depois consideradas dedutíveis. Todavia, o critério jurídico para a realização dos lançamentos continuou sendo o mesmo, a apuração do lucro real, embora o montante deste possa ser reduzido em razão das despesas consideradas dedutíveis. Assim, entendo que as referidas provas colhidas tardiamente podem afetar o presente lançamento. Afirmada a possibilidade de as provas extemporâneas afetarem o lançamento, a solução da presente questão exige uma análise desses documentos para verificar se seus elementos poderiam levar à exoneração combatida. O primeiro documento apresentado (efls. 351) é intitulado "parecer técnico quanto aos procedimentos contábeis do Banco Itaú, relacionados ao convênio de rateio de custos comuns com empresas ligadas, face a termos de verificação fiscal da Receita Federal", de autoria da FIPECAFI. Transcrevese o objetivo deste parecer (efl. 353): 1. Objetivo O estudo contido neste documento tem por objetivo avaliar as práticas de custeio adotadas pelo Banco Itaú S/A, contemplando tanto os aspectos conceituais como os procedimentos metodológicos utilizados para rateio do custo das atividades compartilhadas com suas empresas ligadas. Ao final é emitido um Parecer Técnico quanto à adequação de tais conceitos e procedimentos, bem como quanto à validade técnica contábil dos Termos de Verificação Fiscal emitidos pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras, da Receita Federal em São Paulo. Portanto, esse documento não tem a finalidade de informar as atividades centralizadas que beneficiaram o Banerj, o seu montante, o seu critério de rateio e o valor da parte que lhe cabia. A exposição de aspectos conceituais e procedimentos metodológicos não podem, sozinhos, demonstrar os requisitos de dedutibilidade de despesas. Apesar disso, fazendo uma leitura do documento, destaco o seu item 3.3, intitulado "rateio de custos às empresas do grupo", do qual transcrevo o seguinte trecho (efl. 380): Neste ponto reside uma característica fundamental do sistema de rateio. O ressarcimento, como foi dito no parágrafo anterior, é realizado com base no volume de atividade, e este é medido por meio de fatores físicos e operacionais que representem, efetivamente, a demanda da atividade por parte da empresa usuária; estes fatores são conhecidos, na literatura, como direcionadores de custos. Um exemplo clássico, e que é utilizado pelo Itaú, é a quantidade de funcionários, para ratear o custo da Área de Recursos Humanos às empresas usuárias de suas atividades. Embora os direcionadores de custos, de um modo geral, possam variar de uma organização para outra, não havendo um padrão único, para as atividades de Administração de Recursos Humanos o número de funcionários é, sem dúvida, o mais utilizado. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 697 10 Outros exemplos de direcionadores utilizados pelo Itaú para fins de ressarcimento de custos são: número de lançamentos (para custos de Contabilidade), número de pagamentos (para Contas a Pagar), número de horashomem (para o custo de desenvolvimento de sistemas), etc. A relação completa dos direcionadores de custos utilizados pelo Banco Itaú no período de 1999 a 2003 para fins de ressarcimento de custos pelas empresas encontrase indicada no item 3.1. Esse texto afirma que a empresa centralizadora de custos utiliza direcionadores de custos para realizar o rateio destes entre as empresas conveniadas e que a lista completa desses direcionadores estão no item 3.1. De fato, esse item traz uma tabela que indica os direcionadores de custos de cada atividade, mas sem trazer dados efetivos, concretos, em relação ao período alcançado pela auditoria fiscal. Portanto, embora este parecer traga a delineação da estrutura de rateio de custos do CRCC, em nada contribui para a comprovação da efetividade das despesas deduzidas pelo Banerj, bem como da sua necessidade e usualidade. O segundo documento apresentado nos memoriais (efls. 402 e seguintes) é intitulado "Banco Banerj S.A. relatório de avaliação dos métodos utilizados no convênio de rateio de custos comuns do conglomerado Itaú nos exercícios de 1999 a 2003", de autoria da Moore Stephens Auditores e Consultores. O índice do Relatório já aponta a natureza do seu conteúdo: 1) empresas do conglomerado Itaú; 2) referencial teórico; 3) sistema de custo do Itaubanco; 4) análise comparativa do sistema de custo adotado pelo Itaubanco ocorrido no exercício de 2003; 6) conclusão. Esse Relatório, mais uma vez, não traz informações que possam levar à verificação e aceitação da dedutibilidade das despesas em tela. Tratase de uma exposição do método de rateio utilizado e de sua adequação técnica sem, contudo, informar o rateio efetivamente realizado. O Banerj é citado apenas em dois momentos. No item 1.2 (efl. 422), intitulado "demonstração de rateio de custos administrativo, operacional e comercial compartilhados", usamse os dados globais de novembro de 2003 e os dados de algumas rubricas associadas ao Banerj do mesmo período com a finalidade de exemplificar o mecanismo de rateio. No item 3.4.2, intitulado "critérios de rateios de custos comuns", a única informação para o Banerj é o fato de ele ser o centro de custo 388.074 do critério 1001Custos dos Bancos Incorporados. Como se vê, as informações trazidas nesse relatório estão longe de demonstrar a efetividade, a necessidade e a usualidade das despesas em análise. O terceiro documento apresentado pelo contribuinte nos referidos memoriais (efls. 481) é intitulado "Banco Banerj S.A. relatório de revisão especial sobre convênio de rateio de custos comuns período de janeiro de 1999 a dezembro de 2003", de autoria da BDO Trevisan. O item 7 desse Relatório (efl. 489) descreve os trabalhos realizados: 7. DESCRIÇÃO DOS TRABALHOS REALIZADOS Os trabalhos de revisão especial consistiram na verificação do reconhecimento contábil, por parte do Banco Banerj S.A., dos valores pagos ao Banco Itaú S.A. a titulo de reembolso de custos em função do Convênio de Rateio de Custos Comuns, bem como Fl. 697DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 698 11 no exame da efetiva liquidação financeira destes pagamentos. Adicionalmente foi realizada a verificação do reconhecimento contábil, por parte do Banco Itaú S.A., dos valores recebidos na qualidade de reembolso de custos. Os procedimentos realizados demandaram a verificação do Convênio de Rateio de Custos Comuns, estabelecido entre o Banco Banerj S.A. e o Banco Itaú S.A., de balancetes mensais do Banco Banerj S.A., relativos ao período compreendido entre Janeiro de 1999 e Dezembro de 2003, análise do processo e documentos de liquidação financeira dos pagamentos realizados por parte do Banco Banerj S.A., análise dos demonstrativos de apuração de custos relacionados com o rateio de custos comuns, elaborados pela DIRCO Diretoria Executiva de Controladoria do Banco Itaú S.A. e, adicionalmente, a verificação dos balancetes mensais do Banco Itaú S.A.. Logo em seguida, o Relatório traz a conclusão dos trabalhos (item 8), afirmando a regularidade do rateio de custos e a liquidação das obrigações atribuídas ao Banerj. Transcrevese o segundo item das conclusões, de maior interesse para a presente questão (efl. 492): • Os valores reconhecidos contabilmente por parte do Banco Banerj S.A., a débito de grupo contábil de despesa, no período compreendido entre Janeiro de 1999 e Dezembro de 2003, estavam suportados por demonstrativos de apuração de custo, elaborados pela DIRCO — Diretoria Executiva de Controladoria do Banco Itaú S.A., conforme estabelecido no Convênio de Rateio de Custos Comuns. O relatório afirma que foram analisados os "demonstrativos de apuração de custo, elaborados pela DIRCO — Diretoria Executiva de Controladoria do Banco Itaú S.A", contudo, estes não foram juntados aos autos. Com isso, mais uma vez, não é possível verificar se os valores pagos pelo contribuinte ao Banco Itaú S/A, a título de despesas dedutíveis, têm o suporte fático suficiente para suportar a requerida dedutibilidade. Na espécie, os autores da auditoria fiscal foram impedidos de averiguar a efetividade, necessidade e usualidade das despesas em apreço, em razão da absoluta ausência dos dados necessários a esse mister, conforme já foi assinalado na decisão recorrida, da lavra da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que caracterizou esse comportamento como ofensiva ao dever de colaborar do contribuinte (efl. 505): Durante o procedimento de fiscalização a instituição financeira foi regularmente intimada, com relação a cada uma das empresas participantes do convênio, a comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itaú S/A às referidas empresas, identificando e quantificando os funcionários envolvidos na referida prestação e destacando a parcela dos serviços destes que teria sido debitada à empresa contratante, nada apresentando nesse sentido. Essa postura ofende o dever do contribuinte de colaborar com a fiscalização. Como bem destacou a decisão recorrida, a empresa, durante o procedimento de fiscalização, já estava de posse dos laudos Fl. 698DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 699 12 elaborados pelos auditores independentes Boucinhas e Campos, e omitiuse de apresentálos. Contudo, a mesma decisão, ora recorrida, entendeu que o parecer e os relatórios acima analisados supririam essa omissão e decidiu exonerar os lançamentos. Entendo que essa decisão não possui suporte fático e deve ser reformada. Os documentos referidos não suprem a omissão do contribuinte perante a fiscalização, porque também não trazem qualquer documento que possa ser cotejado no sentido de demonstrar os requisitos de dedutibilidade das despesas em tela. Igualmente aos autores da auditoria fiscal, os Conselheiros desta Câmara Superior estão impedidos de verificar a dedutibilidade das despesas, em razão da conduta omissiva do interessado deste processo. Ora, ao optar por deduzir custos segundo um contrato de rateio entre as empresas do conglomerado, certamente essas empresas dispunham dos documentos necessários para, segundo a metodologia trazida pelos laudos, efetuar a contabilização desses custos. Ou, em outras palavras: certamente o contribuinte possui os dados concretos dos montantes dos custos centralizados, dos montantes dos custos por departamento, dos montantes dos custos por centro de custo e da memória de cálculo dos custos que atribuiu a si, até porque precisou fornecer esses dados a vários auditores independentes. O relatório da BDO Trevisan, por exemplo, afirma expressamente que analisou "demonstrativos de apuração de custos relacionados com o rateio de custos comuns, elaborados pela DIRCO Diretoria Executiva de Controladoria do Banco Itaú S.A.". Todavia, estes nunca foram juntados aos autos. O contribuinte recusouse, reiteradamente, a fornecer esses dados à fiscalização e às autoridades julgadoras encarregadas de solucionar a questão trazida por ele mesmo. As únicas alternativas que restam a nós, Conselheiros, são: acreditar “cegamente” na palavra dos auditores independentes ou reconhecer que o interessado não atendeu ao ônus de comprovar o alegado direito de deduzir os valores em tela. Neste sentido, convém trazer à tona o disposto nos artigos 923 e 932 do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Art. 932. Havendo dúvida sobre quaisquer informações prestadas ou quando estas forem incompletas, a autoridade tributária poderá mandar verificar a sua veracidade na escrita dos informantes ou exigir os esclarecimentos necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 108, § 6º). Ou seja, é preciso comprovação desses custos e não apenas esclarecimentos de sua metodologia de rateio e que a autoridade fiscal pode exigir esclarecimentos quando as informações prestadas gerarem dúvidas ou forem incompletas. Por oportuno, destaco que os documentos acima analisados foram todos elaborados em meados de 2006, muito depois dos fatos e já depois da lavratura dos autos de Fl. 699DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 700 13 infração em apreço, o que diminui seu valor de prova, no meu entender, em razão da falta de espontaneidade. Em face do exposto, voto no sentido de acolher os embargos interpostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para restabelecer os lançamentos de ofício nos termos da decisão de 1ª instância. Por restabelecer a exigência, determino o retorno nos autos para que a Câmara a quo se manifeste sobre as multas isoladas da estimativa, questionadas pelo sujeito passivo por ocasião do seu recurso voluntário, que deixaram de ser analisadas em razão da exoneração do lançamento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia ao entendimento da nobre Relatora, os embargos de declaração não merecem conhecimento, pela ausência de omissão no acórdão embargado. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial alegando divergência na interpretação adotada pelo acórdão recorrido e pelo acórdão paradigma apenas quanto à análise de provas não apresentadas à fiscalização. Nesse sentido, transcrevese quase a totalidade do tópico denominado “Do Cabimento do Recurso Especial”: “O Recorrido não apresentou em sua impugnação qualquer prova da dedutibilidade das despesas declaradas (...) Todavia, a e. Câmara a quo deu provimento ao recurso voluntário, com base em ‘pareceres técnicos’ apresentados pelo Recorrido em memoriais de julgamento, oferecidos diretamente à Câmara, que foram anexados aos autos. Consoante se infere do voto condutor do acórdão, a e. Câmara a quo considerou que tais ‘pareceres’ representariam prova de que as despesas glosadas seriam dedutíveis. A se considerar que tais ‘pareceres’ representam prova documental da dedutibilidade das despesas glosadas, a e. Câmara divergiu da jurisprudência de outras câmaras acerca do disposto no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72, como se pode ver nas seguintes ementas de acórdãos paradigma, verbis: Acórdão 10516003 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 701 14 PRECLUSÃO – A luz das disposições contidas no parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, tratandose de prova documental e ressalvados os casos ali previstos, a sua apresentação deve ser feita por ocasião da interposição da peça impugnatória, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual. Recurso negado. Acórdão 20215.430 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRODUÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL – PRECLUSÃO – Na forma do §4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente; ou destinese ” Consoante os acórdãos paradigma, a prova documental somente pode ser apresentada após a impugnação caso reste demonstrada a ocorrência de alguma das exceções dispostas nas alíneas do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. (...) O ponto é que a Câmara a quo, apesar de ter nomeado os pareceres como prova documental, não justificou seu acolhimento com base em alguma das exceções dispostas nas alíneas ‘a’ a ‘c’ do §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Ao inverso, afirmou claramente que os documentos eram acolhidos em decorrência do ‘princípio finalístico do processo’, de onde se infere que no caso concreto tais exceções não restaram configuradas. Há, portanto, divergência jurisprudencial, eis que ao contrário do que decidido pela e. Câmara a quo, vêse nos acórdãos paradigma que, caso não configurada alguma das exceções dispostas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, está precluso o direito ao oferecimento de provas documentais. O acórdão proferido pela e. Câmara a quo diverge, ainda, do acórdão nº 10516,141, proferido pela e. Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em julgamento de recurso voluntário interposto por sociedade que, assim como o Recorrido, era parte no convênio de rateio de custos firmado por empresas do ‘grupo Itaú’. Confirase a ementa do acórdão paradigma: Acórdão 10516.141 (...) RATEIO DE CUSTOS. DEDUTIBILIDADE. Não comprovado o critério utilizado para rateio das despesas de pessoal, entre empresas interligadas, prevalece o critério com base na receita bruta. (...) Os autos de infração analisados no acórdão paradigma e no acórdão proferido pela e. Câmara a quo estão fundamentados nos mesmos fatos e nas mesmas normas legais, porque decorrem de glosa de despesas que estariam justificadas no citado convênio de rateio, mas não provadas com os documentos adequados. (...) Fl. 701DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 702 15 Consoante o acórdão paradigma, não seria possível acatar os laudos que poderiam comprovar a suposta dedutibilidade das despesas do Recorrido, porque não foram apresentados à fiscalização. Confirase o seguinte trecho do voto condutor do acórdão paradigma: ‘A empresa sustenta que utiliza metodologia e correta apresentou ainda na fase de impugnação Laudos dos Critérios Utilizados no Convênio de Rateio de Custos Comuns pelo Banco Itaú, nos exercícios objeto de autuação. É certo que os custos e despesas efetivamente suportados é que devem compor a equação matemática de apuração do lucro real, porém também é certo que tais custos e despesas devem ser necessários, efetivos, comprovados, escriturados e possíveis de aferição por parte das auditorias, quer independentes, para defesa dos acionistas minoritários, quer por parte da fiscalização tributária. (...) Realmente a fiscalização não teve acesso ao laudo, a empresa mormente o Itaú centralizadora dos custos, que foi intimado de forma clara, poderia ter já no curso da fiscalização apresentado os laudos que poderiam permitir a aferição, não só dos custos globais como os métodos de rateio pela auditoria. Diante de tal impossibilidade e consciente de que efetivamente a autuada utilizara a rede Itaú para colocar os seus produtos a fiscalização não teve outra alternativa, senão utilizar o método de repartição de custos de acordo com o percentual de receita. Como não há arbitramento e nem lançamento condicional, não há como acatar os laudos, pois acatálos seria o equivalente a modificar a base de cálculo, alterar o critério de lançamento. (...) Os laudos não podem mudar o critério de fiscalização, pois se tais laudos existiam por ocasião da auditoria deveriam ter sido apresentados de modo a demonstrar a correção no compartilhamento de custos de acordo com o convênio assinado, assim seria possível a aferição por parte da fiscalização.’ Notese que além da identidade fática entre os casos acima mencionados, a divergência jurisprudencial se sustenta ainda que o Recorrido não tenha apresentado aqueles ‘pareceres técnicos’, anexados nos memoriais de julgamento, à e. Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Como se percebe com a leitura do acórdão paradigma, tal fato não seria relevante para a e. Quinta Câmara, que decidiu que as supostas provas de dedutibilidade das despesas deveriam ter sido apresentadas aos fiscais autuantes, para a devida aferição. Ou seja, consoante tal entendimento, a apresentação de provas pelo Recorrido na fase de impugnação ou de recurso voluntário seria indiferente, eis que, após a lavratura do auto de infração não seria possível alterar o critério de lançamento, qual seja, o cálculo destas despesas com base no percentual de receita do Recorrido. (grifos e negritos originais) Fl. 702DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 703 16 A longa transcrição é feita para elucidar que o único ponto que justificava o cabimento do recurso especial interposto, identificado pela parte, foi a preclusão na análise de provas que não foram apresentadas à fiscalização, como se observa das razões da então recorrente. Mesmo quando trata do acórdão nº 10516.141, a Recorrente o faz para tratar da preclusão. Das suas razões, destaquemse os trechos que demonstram claramente que só a divergência na interpretação da legislação era apenas quanto a este ponto: Consoante o acórdão paradigma, não seria possível acatar os laudos que poderiam comprovar a suposta dedutibilidade das despesas do Recorrido, porque não foram apresentados à fiscalização. (...) Ou seja, consoante tal entendimento, a apresentação de provas pelo Recorrido na fase de impugnação ou de recurso voluntário seria indiferente, eis que, após a lavratura do auto de infração não seria possível alterar o critério de lançamento, qual seja, o cálculo destas despesas com base no percentual de receita do Recorrido. Mesmo se analisado o trecho do acórdão paradigma reproduzido pela Recorrente, notase que o enfoque é a respeito da preclusão, como se observa do seguinte trecho: Realmente a fiscalização não teve acesso ao laudo, a empresa mormente o Itaú centralizadora dos custos, que foi intimado de forma clara, poderia ter já no curso da fiscalização apresentado os laudos que poderiam permitir a aferição, não só dos custos globais como os métodos de rateio pela auditoria. Diante de tal impossibilidade e consciente de que efetivamente a autuada utilizara a rede Itaú para colocar os seus produtos a fiscalização não teve outra alternativa, senão utilizar o método de repartição de custos de acordo com o percentual de receita. Como não há arbitramento e nem lançamento condicional, não há como acatar os laudos, pois acatálos seria o equivalente a modificar a base de cálculo, alterar o critério de lançamento. (...) Os laudos não podem mudar o critério de fiscalização, pois se tais laudos existiam por ocasião da auditoria deveriam ter sido apresentados de modo a demonstrar a correção no compartilhamento de custos de acordo com o convênio assinado, assim seria possível a aferição por parte da fiscalização.’ Colacionase, ainda, trecho do despacho admitindo o recurso especial, que confirma que a única matéria tratada em recurso especial é a preclusão para apresentação de documentos: “Observase que, de fato, há divergência entre os julgados, vez que no recorrido temse a seguinte argumentação utilizada pelo relator que se fundamenta nos princípios da verdade material, do formalismo moderado e finalístico do processo, senão vejamos: Fl. 703DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 704 17 Sopesando os princípios da verdade material e do formalismo moderado com o princípio finalístico do processo, entendo que, caso os documentos trazidos com o memorial não permitisse ao julgador formar convicção, mas demandassem diligência, não deveriam ser considerados nessa fase processual. Já nos acórdãos paradigmas, temse que só poderia ser afastada a preclusão caso ficasse demonstrada a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no artigo 16 do Decreto 70.235/72. Ademais, observase também, no caso do último acórdão paradigma, que não é possível o recebimento de provas que alterem o critério do lançamento, vez que estes deveriam ter sido apresentados no momento da ação fiscal. Verificados os pressupostos de admissibilidade da peça recursal, tempestividade e divergência entre os julgados, acabo a Informação supra e DOU seguimento ao Recurso Especial.” Notese que o próprio presidente de Turma interpretou que o último paradigma (Acórdão 10516.141) trata unicamente da impossibilidade de apresentação de documentos após a ação fiscal. Ressaltese, ainda, que o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais apenas autoriza a análise de dois acórdãos paradigmas, determinando sejam descartados os demais. Nesse sentido, é a prescrição do artigo 67, § 6º e §7º do atual Regimento (Portaria 343/2015): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der À legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) §2º. Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas decisões divergentes) por matéria. §7º. Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. O Regimento Interno anterior continha previsão similar, conforme artigo 67, §4º e §5º (Portaria nº 256/2009): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 705 18 Considerando que a sessão de julgamento do recurso especial ocorreu em 24 de fevereiro de 2015, vigia ao tempo deste julgamento a Portaria nº 256/2009, razão pela qual se confirma que só seria necessária a apreciação de dois paradigmas por esta Turma, considerando que todos tratavam da mesma matéria. Nesse sentido, inexiste qualquer omissão no acórdão embargado que pudesse justificar o conhecimento de embargos de declaração. Pondero, ainda, que esta Câmara Superior de Recursos Fiscais tem adotado interpretação muito abrangente na admissibilidade de recursos especiais, a despeito da previsão no artigo 67, §8º, do atual Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que exige a demonstração analítica dos pontos no acórdão paradigma que divirjam do acórdão recorrido: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Em sentido similar, previa o Regimento Interno anterior (Portaria nº 256/2009), conforme artigo 67, §6º: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Em respeito à verdade material e ao formalismo moderado, são usualmente admitidos recursos que não cumpram rigorosamente a exigência de demonstração analítica dos pontos de divergência, mas tal flexibilidade não pode chegar ao limite de enfrentar temas não tratados em recurso especial de qualquer das partes, sob pena de julgamento ultra petita. A competência desta Câmara Superior de Recursos Fiscais está delimitada pelo objeto do recurso, isto é, pela divergência demonstrada pela recorrente em suas razões, mesmo que tal divergência não seja “analiticamente” demonstrada. Por fim, é importante anotar que os embargos de declaração apresentados tem 1 (uma) folha, limitandose a mencionar que existe contradição / omissão (sem sequer identificar se seria uma ou outra) e que “se o recurso foi integralmente conhecido, a consequência seria o enfrentamento de todas as suas alegações. No entanto, contrariamente o Relator não se pronunciou sobre o mérito abordado no apelo”. Também pela falta de enfrentamento de qual seria o “mérito” abordado no recurso especial sobre o qual haveria “contradição / omissão” no acórdão embargado, os embargos não merecem conhecimento, afinal, como mencionei anteriormente, cabe às partes Fl. 705DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 706 19 apresentar recursos de forma fundamentada, não aos Conselheiros desta Câmara Superior de Recursos Fiscais avaliar todas as possíveis divergências entre acórdãos recorrido e paradigmas. Do contrário, firmandose entendimento nesta Câmara de que basta menção a uma genérica “contradição/omissão”, até poderei me curvar a tal entendimento, mas que valha para todos os processos e recursos. Por tais razões, divirjo do entendimento da Relatora, concluindo pela negativa de conhecimento dos embargos de declaração. Além disso, mesmo se fossem conhecidos os citados embargos de declaração, para eventual suprimento de omissão, tal conhecimento não é suficiente ao provimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Como tratado largamente no acórdão recorrido, os pareceres técnicos apresentados nos autos demonstram de suficiente a legitimidade do rateio de despesas feito pela ora Embargada. Do voto condutor, colacionamse trechos relevantes: A análise do FIPECAFI contemplou aspectos conceituais e procedimentais relativos ao sistema de custos utilizado pelo Grupo Itaú e à forma de rateio, a abrangeu o período de 1999 a 2003. (...) Em sua conclusão, afirma o parecer do FIPECAFI que: (a) o procedimento está conceitualmente correto; (b) nas duas formas de ressarcimento (com base na grade de rateio e com base no custo dos produtos efetivamente comercializados) houve mensuração sistemática, direita e indireta, individualizada por empresa; (c) embora a empresa venha migrando, gradativamente, do ressarcimento feito com base na grade de custeio para o feito com base no custo dos produtos — na medida em que se aperfeiçoa o processo de mensuração de seus custos — não foi detectada utilização assistemática, errática ou aleatória de critérios de rateio, como se houvesse intuito de manipular resultados. Da mesma forma, a Moore Stephens Auditores Independentes, no item 2 do Relatório de Avaliação dos Métodos Utilizados, descreve as principais características do sistema de custos adotado pelo Grupo Itaú. No item 3, para melhor visualizálo, apresenta dois casos reais, e no item 5 conclui que o sistema atende a diversas e importantes finalidades, uma das quais é a mensuração dos valores devidos pelas empresas do Conglomerado Raiá pelo compartilhamento das estruturas administrativa, operacional e comercial do ltaubanco. (...) Considero que os documentos trazidos, cuja anexação aos autos foi determinada, demonstram que os valores foram rateados tendo em vista a efetiva utilização dos serviços e à necessidade das empresas, não podendo prevalecer a glosa." Compartilho do entendimento manifestado pela Primeira Câmara do extinto Conselho de Contribuintes no sentido de que há efetiva comprovação de que os valores foram rateados, tendo em vista a efetiva utilização do serviço e a necessidade das empresas. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19740.000090/200605 Acórdão n.º 9101002.202 CSRFT1 Fl. 707 20 Acrescento que as funções devidamente descritas pelos pareceres técnicos são necessárias e usuais para a manutenção de atividades da Embargada. Como identificado pelo acórdão recorrido, as atividades que originaram as despesas a serem rateadas são as seguintes: Os direcionadores de custos utilizados pelo Banco Itaú no período de 1999 a 2003 foram os seguintes: Atividades Direcionadores Gestão de pessoal Número de funcionários Administração de processos trabalhistas Número de processos trabalhistas Administração de segurança Custo com segurança Administração de serviços gerais Área ocupada Administração do imobilizado Área ocupada Administração do layout de agências Área ocupada por agência Pagadoria Número de pagamentos efetuados Processamento de dados R$ processados Administração de suprimentos Itens requisitados Desenvolvimento de sistemas Hora Processamento de sistemas UPS, microfichas, toques de digitação, etc. Organização de agências Horashomem Expedição Peso (kg) expedido Backoffice de agências Número de transações, ponderado pelo tempo médio de cada transação Todas as atividades acima são necessárias e usuais para o desenvolvimento de atividades pela Embargada, razão pela qual divirjo também quanto ao mérito, para concluir pela negativa de provimento aos embargos de declaração e ao recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 707DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10940.002185/2008-96
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA FEDERAL. FONTE PAGADORA INSS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 543-C DO CPC. REGIMENTO INTERNO DO CARF.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ com aplicação da sistemática do Art. 543 - C do CPC. Art. 62-A do RICARF determinando a reprodução do entendimento.
ALTERAÇÃO DA DIRPF APÓS A NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. CONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitam-se a lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações. O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento. Não compromete, porém, os direitos de petição e até de acesso ao Judiciário. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão pela autoridade, forte nos arts. 145 e 149 do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica (INSS), no valor de R$ 43.089,23, e para descontar o valor da previdência oficial (R$ 537,01) da omissão de rendimentos do trabalho recebidos por dependente do contribuinte, consubstanciada na Notificação de Lançamento, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento ao recurso em menor extensão.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
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JUSTIÇA FEDERAL. FONTE PAGADORA INSS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 543C DO CPC. REGIMENTO INTERNO DO CARF. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ com aplicação da sistemática do Art. 543 C do CPC. Art. 62A do RICARF determinando a reprodução do entendimento. ALTERAÇÃO DA DIRPF APÓS A NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações. O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento. Não compromete, porém, os direitos de petição e até de acesso ao Judiciário. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão pela autoridade, forte nos arts. 145 e 149 do CTN. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 21 85 /2 00 8- 96 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10940.002185/200896 Acórdão n.º 2801003.770 S2TE01 Fl. 66 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica (INSS), no valor de R$ 43.089,23, e para descontar o valor da previdência oficial (R$ 537,01) da omissão de rendimentos do trabalho recebidos por dependente do contribuinte, consubstanciada na Notificação de Lançamento, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento ao recurso em menor extensão. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Este processo já foi objeto de apreciação por esta Turma Especial, anteriormente, tendose decidido pelo sobrestamento do julgamento. Transcrevo o Relatório elaborado na ocasião, que descreve e resume os fatos (fl. 61 e ss): Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 05/09, exigese do contribuinte R$ 12.041,10 de imposto suplementar, R$ 9.030,82 de multa de oficio de 75% e R$ 1.768,83 de juros de mora sobre o imposto suplementar, calculados até agosto de 2008. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 06/07, referese à constatação de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista e omissão de rendimentos do trabalho assalariado recebidos por seu dependente, na base de cálculo relativa ao exercício de 2007, ano calendário de 2006. Cientificado do lançamento em 18/06/2008, o contribuinte entrou com Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL), que foi deferida parcialmente. Desta decisão resultou a Notificação de Lançamento no 2007/609450154875036, da qual foi cientificado em 01/09/2008 (fl.39) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10940.002185/200896 Acórdão n.º 2801003.770 S2TE01 Fl. 67 3 e apresentou, tempestivamente, em 10/09/2008, a impugnação de fls.01/03, instruída com os documentos de fls. 04/31, onde alega em síntese que: Nos rendimentos do processo judicial trabalhista contra o INSS foi recebido o valor de R$ 43.089,23 dos quais R$ 20.081,48 é o valor principal (..) e R$ 23.007,75 são correção e juros. Ressaltamos ainda que R$ 12.926,77 são honorários advocatícios e R$ 158,83 são CPMF, sendo então rendimento o valor de R$ 20.081,48; Nos (sic) rendimento tributável R$ 7.200,00 recebido pelo dependente Vilmar Francisco Carlot CPF 037.691.95906 considerar a contribuição a Previdência Oficial como dedução no valor de R$ 537,01; Citou jurisprudência judicial sobre o assunto e a Solução de Consulta n° 192, de 14 de julho de 2008 da DRF/CTA, que o contribuinte alega ter decidido que "os juros e correção recebidos em virtude de decisão judicial são isentos de tributação, quando recebidos por pessoa física". Anexou documentos referentes à. ação judicial e comprovante de rendimentos recebidos por seu filho, dependente declarado. Por fim, requer o impugnante a insubsistência do lançamento. Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. AÇÃO TRABALHISTA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos A. tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos. DIRPF RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Impugnação Procedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10940.002185/200896 Acórdão n.º 2801003.770 S2TE01 Fl. 68 4 Doravante, foi apresentado recurso voluntário pelo contribuinte suscitando os mesmos argumentos da impugnação. Em Sessão de 20 de novembro de 2012, mediante a Resolução nº 2801 000.168, decidiuse pelo sobrestamento do julgamento, considerando que, no presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte e ante o reconhecimento da repercussão geral do tema pela Corte Suprema, com a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, vinhase sobrestando os julgamentos dos recursos atinentes, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), até que ocorresse o julgamento final do Recurso Extraordinário, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Com a revogação de dispositivos regimentais que determinavam o sobrestamento, nesses casos, volta o processo à pauta de julgamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme Despacho de encaminhamento na folha 60 e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Na Notificação de Lançamento constam duas infrações apontadas, conforme Relatório: 1 Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebido por dependente e, 2 Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação judicial e, OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA OFICIAL. Em relação à primeira listada acima, a DRJ, em primeira instância, disse que "o contribuinte não se manifesta contra a omissão relativa aos rendimentos recebidos por seu dependente ... no valor de R$ 6.662,99...". Mas adiante, no seu Voto, a Relatora trata da mesma infração dizendo que: "em sua impugnação, o autuado solicita que seja aproveitada como dedução do imposto de renda a pagar o valor de R$ 537,01, descontado no demonstrativo de rendimentos de seu dependente...". Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10940.002185/200896 Acórdão n.º 2801003.770 S2TE01 Fl. 69 5 O contribuinte, apesar de não contestar o recebimento do valor de R$ 7.200,01, recebidos por seu dependente da fonte pagadora Metalúrgica Schiffer S/A, entende que o valor apurado não está correto, uma vez que deveria ser descontada a previdência oficial retida, no valor de R$ 537,01. A existência da obrigação acessória de prestar declarações ao Fisco raramente diz respeito a um lançamento por declaração. Não é sua existência que define a modalidade de lançamento, mas quem efetua os cálculos e define o montante a pagar. Assim, o IR é tributo sujeito a lançamento por homologação e não por declaração. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse ao lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações, com eficácia imediata. Considerando que a decisão administrativa de 1ª instância baseouse no § 1º do art. 147 do CTN (fl. 48) para negar que sejam consideradas deduções legalmente previstas, é de se citar LEANDRO PAULSEN: “... O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento...Não compromete, porém, os direitos de petição e de acesso ao Judiciário. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do CTN. Poderá também ajuizar ação no sentido de ver anulado lançamento e cancelada inscrição indevidos...” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1054) O STJ já reconheceu a possibilidade do contribuinte socorrerse da via judicial para anular crédito oriundo de lançamento eventualmente fundado em erro de fato, em que o contribuinte declarou base de cálculo superior à realmente devida para a cobrança de imposto. (STJ, 2ª T. Resp 1015623/GO, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, maio/2009). Assim, estando em aberto discussão administrativa sobre lançamento que se baseia na DIRPF/2007 do contribuinte, considerando o art. 145, III, e o art. 149, VIII, todos do CTN, com o fito de evitar uma desnecessária demanda judicial e também em homenagem ao princípio da verdade material, devem ser considerados os documentos apresentados, de fácil e rápido conhecimento, para conferir ao contribuinte o direito à dedução do valor da previdência oficial (fl. 16). Ademais, não é razoável entender que o contribuinte, que não acrescentou os rendimentos na DIRPF, houvesse de incluir as deduções correspondentes a esses rendimentos. Entretanto, sendo a dedução de previdência oficial da base de cálculo do imposto decorrente de lei, ao efetuar o lançamento, devese observar sua dedução. DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10940.002185/200896 Acórdão n.º 2801003.770 S2TE01 Fl. 70 6 O lançamento também versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de ação judicial de revisão de benefício previdenciário, em face do INSS, como se observa na Sentença da Justiça Federal (fl. 18), apesar da Notificação de Lançamento referirse a rendimentos "trabalhistas". Tais rendimentos, que se referem a períodos compreendidos entre 07/1997 e 02/2004, como se verifica nos documentos de folhas 13 e seguintes, foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos, em março de 2006, como se depreende da Notificação de Lançamento. Observase que a tributação deuse, então, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, que determina que, nesses casos, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, no mês do recebimento do valor, diminuído das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento. Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema pela Corte Suprema, com a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, vinhase Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10940.002185/200896 Acórdão n.º 2801003.770 S2TE01 Fl. 71 7 sobrestando os julgamentos dos recursos atinentes, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), até que ocorresse o julgamento final do Recurso Extraordinário, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, que assim dispõe: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 03 de janeiro de 2012, estabelece que: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Contudo, os §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF foram revogados em decisão do Sr. Ministro da Fazenda, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013: PORTARIA No 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. A (in)constitucionalidade ainda não foi declarada pelo Pretório Excelso e o dispositivo de lei permanece em vigor. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), contudo, já se manifestou, inclusive atribuindo aos recursos a sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10940.002185/200896 Acórdão n.º 2801003.770 S2TE01 Fl. 72 8 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1.118.429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio Fl. 72DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10940.002185/200896 Acórdão n.º 2801003.770 S2TE01 Fl. 73 9 constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013) Houve inclusive a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 que sedimentou o entendimento de que não pode prevalecer a tributação integral de verbas recebidas acumuladamente segundo a tabela progressiva vigente no mês do recebimento. É fato também que esse Parecer da PGFN foi posteriormente revogado, mas de tal sobreveio o AD PGFN nº 1/2009, com o seguinte teor, que transcrevemos a título de ilustração, registrando que se encontra suspenso: “ATO DECLARATÓRIO Nº 1, DE 27 DE MARÇO DE 2009 O PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13/05/2009, DECLARA que fica autorizada a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.". JURISPRUDÊNCIA: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). “SUSPENSÃO DE ATO DECLARATÓRIO. (Suspende o Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009 (DOU de 14.05.2009, Seção I, p. 15), que dispõe sobre a dispensa de recursos nos casos de imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, em face do acolhimento de Repercussão Geral pelo STF dos RREE 614.406 e 614.232). Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009 (DOU de 14.05.2009, Seção I, p. 15), editado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional com fundamento no Fl. 73DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10940.002185/200896 Acórdão n.º 2801003.770 S2TE01 Fl. 74 10 PARECER PGFN/CRJ 287/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13.05.2009, Seção I, p. 9. Reconhecimento de Repercussão Geral nos RREE 614.406 e 614.232. Suspensão (Parecer PGFN nº 2.331, de 27.03.2010). Assim o Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12 de fevereiro de 2009, aprovado por Despacho do Ministro da Fazenda publicado no Diário Oficial da União em 13 de maio de 2009, teve os seus efeitos suspensos em 27/10/2010, por intermédio do Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, o que significa dizer que a sua aplicação se restringe aos lançamentos efetuados no período de produção de seus efeitos (13/05/2009 a 27/03/2010). Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinanos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) O que o STJ entende, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador, e que o artigo 12 da Lei nº 7.713/1998 rege o aspecto temporal, mas não o aspecto quantitativo: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10940.002185/200896 Acórdão n.º 2801003.770 S2TE01 Fl. 75 11 Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, ....(HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial, com a sistemática do Art. 543C do CPC e observo a determinação contida no Art. 62A caput do Regimento Interno do CARF, como fundamento para decidir. CONCLUSÃO A decisão recorrida já havia dado provimento parcial à impugnação para descontar dos rendimentos recebidos em virtude de ação judicial o valor dos custos com honorários advocatícios. Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica (INSS), no valor de R$ 43.089,23, e para descontar o valor da previdência oficial (R$ 537,01 fl. 16) da omissão de rendimentos do trabalho recebidos por dependente do contribuinte, consubstanciada na Notificação de Lançamento de folha 09/10. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 75DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 11868.000603/2008-93
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2003
AFERIÇÃO INDIRETA
A constatação de que a contabilidade não registra o movimento real do faturamento, do lucro e de remuneração dos segurados a serviço da empresa, enseja a aferição indireta das contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
O valor da remuneração da mão-de-obra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Numero da decisão: 2301-003.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator Manoel Coelho Arruda Júnior
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Manoel Coelho Arruda Júnior - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2003 AFERIÇÃO INDIRETA A constatação de que a contabilidade não registra o movimento real do faturamento, do lucro e de remuneração dos segurados a serviço da empresa, enseja a aferição indireta das contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O valor da remuneração da mão-de-obra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2424; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 217 1 216 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11868.000603/200893 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.496 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria AFERIÇÃO INDIRETA Recorrente CONSTRUART EMPREITEIRA S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2003 AFERIÇÃO INDIRETA A constatação de que a contabilidade não registra o movimento real do faturamento, do lucro e de remuneração dos segurados a serviço da empresa, enseja a aferição indireta das contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator Manoel Coelho Arruda Júnior Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 86 8. 00 06 03 /2 00 8- 93 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Bernadete De Oliveira Barros Relator. Manoel Coelho Arruda Júnior Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 262DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11868.000603/200893 Acórdão n.º 2301003.496 S2C3T1 Fl. 218 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal (fls. 68), o fato gerador da contribuição lançada é o pagamento da remuneração dos segurados empregados utilizados na obra, arbitrada por aferição indireta, obtida com base no percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais de prestação de serviço, emitidas sem fornecimento de material e sem utilização de equipamentos mecânicos, de acordo com o artigo 441 da IN 100/04. A autoridade notificante informa que a escrita contábil da empresa não espelha a sua realidade econômica e financeira, uma vez que não há registro, nos livros contábeis, de despesas usuais de empresas, acarretando um numerário elevado na conta caixa e alterando o valor do lucro, o que ensejou a aferição do débito, conforme o disposto nos §§ 2°, 3° e 6°, do artigo 33 da Lei 8.212/91 e parágrafo único do artigo 233, do RPS. Relata que não foi observado, na contabilidade, registro de despesas administrativas, tais como taxas de água, luz, telefone, materiais de escritório, aluguéis, etc, além de não constar qualquer patrimônio, como móveis e utensílios, e nenhum tipo de aquisição de ferramentas necessárias à atividade de pedreiro, pintor, encanador, nem de EPI, sendo que consta, dos Contratos de Prestação de Serviço com a tomadora YOKI Alimentos S/A, que o prestador de serviço deve fornecer uniformes, crachás e equipamentos de proteção individual aos seus empregados. Esclarece que não há contabilização de despesas de transporte de empregados e não foram apresentadas copias de cheques nos anos em que houve movimento bancário, quais sejam, 2001, 2002 e 2003. Informa ainda que, conforme contrato social de constituição da empresa, o sóciogerente exerce a função de construtor, tendo sido contabilizado o pagamento de apenas um salário mínimo pelo serviço prestado, a título de pro labore e conclui que a contabilidade não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa. A recorrente apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, conforme Despacho de fls. 132, para que a fiscalização esclarecesse, entre outras coisas, sobre a constatação da insuficiência da mãodeobra declarada na contabilidade. Em atendimento à solicitação de diligência, a fiscalização se manifestou (fls. 137), esclarecendo, entre outras coisas, que o montante de mão de obra formal para a realização dos serviços de construção civil prestados pela recorrente era totalmente desproporcional ao usualmente utilizado pelas demais empresas desse mesmo de atividade, ou seja, a remuneração total paga pela recorrente no período fiscalizado não ultrapassou 10,21 % do total do faturamento. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Cientificada do resultado da diligência fiscal, a recorrente se manifestou aditando a impugnação e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN 21.423.4/0244/2005 (fls. 154), julgou a autuação procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 170), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, discorre sobre as duas fases do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário, a inquisitiva e a contenciosa, salientado que as duas são informadas pelo primado da verdade real ou material, de forma que, para aplicação da norma jurídica tributária, fazse imprescindível a constatação efetiva, pela Administração, dos fatos eleitos pelo legislador como núcleo objetivo da norma. Ressalta que perpetrouse, no caso, uma ilegalidade ante o desconhecimento da verdade e, havendo dúvida, inarredável a incidência do princípio do “in dubio pro contribuinte", conforme prevê o art. 112, do CTN. Nota que está havendo a transferência para a Recorrente do dever de realizar prova negativa com vistas a demonstrar que a contabilidade não retrata, fidedignamente, a ocorrência dos fatos geradores das contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados, sendo que cabe à autoridade administrativa a tarefa de se atestar a ocorrência das hipóteses de incidência das normas jurídicas de tributação para que se proceda à subsunção lastreada em elementos de certeza. Entende que, ao se deslocar a realização deste mister para os contribuintes, além de se vulnerar a regra traçada no art. 142, do CTN, estarseá depondo contra a própria finalidade da fase inquisitorial de constituição do crédito tributário (procedimento administrativo), justamente porque nesta etapa, conforme abordado, não se permite a produção de provas por parte do sujeito passivo. Sustenta que a assertiva de que os valores mostravamse desproporcionais em relação ao usualmente utilizado pelas demais empresas é extremamente frágil e nada demonstra, uma vez que no ambiente empresarial não há espaço para afirmações desse talante, já que cada empresa representa um universo diferente e, não fosse assim, todas as empresas deste País seriam bem sucedidas. Assevera que o Sr Cícero, representante legal da Recorrente, sempre foi pessoa humilde, simples, honesta e trabalhadora, condições que continuam norteando os seus passos até hoje e que lhe proporcionaram levar à diante o desafio de sobreviver, promover o sustento da sua família e o estudo de seus filhos. Esclarece que o Sr. Cícero sempre exerceu o oficio de pedreiro, mas que, pretendendo desempenhar a sua atividade dentro da formalidade e diante de exigências formatadas pelos tomadores dos seus préstimos, o Sr. Cícero se viu compelido a constituir uma sociedade empresária. Registra que a Recorrente, como boa parte das sociedades empresárias e firmas individuais brasileiras, não é um modelo de boa administração, valendose, assim, de procedimentos rudimentares de gestão, motivo pelo qual sequer há um local utilizado somente como sede da empresa, já que o imóvel utilizado se confunde com a residência do seu sócio, o que não significa que a sua contabilidade deixa de retratar com fidelidade os eventos ocorridos. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11868.000603/200893 Acórdão n.º 2301003.496 S2C3T1 Fl. 219 5 Defende o entendimento de que o percentual de arbitramento em 40% não consta de nenhuma lei, o que implica em ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, I, da CF, e também ao art. 97, IV, do CTN. Afirma que o raciocínio empregado pelo Sr. Auditor implica na incidência do tributo sobre um "não fato", ou seja, ele não comprova o fato e considera, por presunção, que ele tenha ocorrido, e o que é pior, escondendose atrás dos permissivos flexíveis e inexatos contemplados pelos indigitados §§ 2°, 3° e 6° do art. 33, da Lei n° 8.212/91. Explica que não se pretende o reconhecimento de inconstitucionalidades em sede administrativa, mas que não se pode conceber com o comportamento adotado pela administração que, sob a alegação de os seus atos se sujeitarem incondicionalmente ao primado da estrita legalidade, sobrepõe a legislação infraconstitucional ao Texto Magno. Argumenta que, apesar de a administração estar vinculada a determinações contidas em lei, tais regras, para legitimar os atos administrativos, devem se mostrar absolutamente afinizadas com a vontade do Constituinte Originário e, se assim não o for, plenamente possível é o afastamento de sua aplicação, o que não se confunde com a efetiva declaração da sua inconstitucionalidade. Traz a doutrina e jurisprudência para tentar demonstrar que afigurase plenamente possível às autoridades julgadoras em âmbito administrativo deixar de aplicar leis flagrantemente vulneradoras da Lei Maior, argumentando que, se assim não fosse, acabarseia por admitir a existência de uma garantia constitucional capenga. Alega que menos insustentável, ainda, é a afirmação de que ilegalidades não podem ser reconhecidas na fase contenciosa do processo administrativo, e questiona qual seria a serventia do processo administrativo então. Reitera que o importante para o deslinde da questão é que os custos com mãodeobra indicados na contabilidade são os verdadeiros, não tendo a Fiscalização demonstrado o contrário, sendo que esse ônus de prova a ela compete, sobretudo porque o lançamento é privativo da autoridade administrativa, como determina o caput do art. 142 do CTN. Reafirma que os outros elementos trazidos ao processo administrativo de lançamento são irrelevantes e decorrem da tentativa de desclassificar a contabilidade, invertendo o ônus de prova, mas, como esses pontos foram abordados nas informações e diante do engodo arquitetado pela Fiscalização, entende que a Recorrente não pode se furtar de tecer considerações. Insiste em asseverar que todos os documentos solicitados pela Sra. Auditora foram devidamente apresentados pela Recorrente, com exceção das cópias dos cheques, cuja ausência de obrigatoriedade foi reconhecida pela própria Fiscal, que, segundo entende, extrapolou os limites de suas atribuições, na medida em que investiu contra elementos que fogem da sua esfera de competência. Repete que não há materiais de escritório , móveis, utensílios, luz, telefone, ferramentas e equipamentos, despesas com transporte de empregados, justamente porque a Recorrente não conta com estrutura administrativa adequada, mantendo procedimentos Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 antiquados, além do que a sua sede coincide com o endereço residencial do seu sócio, uma vez que a pessoa jurídica se encontra instalada na casa do Sr. Cícero. Sustenta que a existência desses elementos não é obrigatória, tanto que eles não se fazem presentes, motivo pelo qual a contabilidade não poderia retratálos, sendo uma clara demonstração de desconhecimento a afirmação de que as despesas com telefone, água, luz, etc, não são custos ou despesas das pessoas físicas porquanto a pessoa jurídica é titular de direitos e obrigações. Esclarece que a pessoa jurídica, dotada de personalidade jurídica que é, somente é titular dos direitos e obrigações que assumiu, registrando em sua contabilidade apenas as operações que a ela competem e, se a casa onde está instalada a empresa é a residência do seu sócio, e se lá há despesas com luz, telefone ou coisas do tipo, tais despesas são indispensáveis à sobrevivência da sua família, permitindose, por mera liberalidade, que estes serviços sejam, quando necessário, franqueados às atividades da empresa. Lembra que o titular desses contratos é o sócio, Sr. Cícero e, portanto, as despesas não podem ser atribuídas à empresa, tampouco ser contabilizadas por ela, como também o valor dos lucros distribuídos condiz com a realidade, sendo que a Fiscalização não conseguiu reunir elementos para descaracterizar a sua veracidade, baseandose em meras suposições, ressaltando que o acréscimo patrimonial auferido pela empresa e a sua respectiva distribuição foram devidamente tributados de acordo com a legislação do imposto de renda, não havendo qualquer irregularidade quanto a isso. Finaliza requerendo o recebimento do presente Recurso Voluntário, com vistas a lhe dar total provimento, desconstituindose, assim, o lançamento guerreado. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11868.000603/200893 Acórdão n.º 2301003.496 S2C3T1 Fl. 220 7 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Inicialmente, a recorrente alega que o procedimento administrativo de constituição do crédito deve ser informado pelo primado da verdade real ou material, de forma que, para aplicação da norma jurídica tributária, fazse imprescindível a constatação efetiva, pela Administração, dos fatos eleitos pelo legislador como núcleo objetivo da norma e que, no caso, perpetrouse uma ilegalidade ante o desconhecimento da verdade e, havendo dúvida, inarredável a incidência do princípio do “in dubio pro contribuinte", conforme prevê o art. 112, do CTN. Porém, não ocorreu, no caso presente, “desconhecimento da verdade” de modo a ser aplicado o disposto no citado dispositivo legal, uma vez que a fiscalização constatou, e comprovou, que a notificada deixou de registrar, em sua contabilidade, despesas administrativas necessárias a todas empresas que atuam no ramo de construção civil, tais como taxas de água, luz, telefone, materiais de escritório, aluguéis, aquisição de ferramentas necessárias à atividade de pedreiro, pintor, encanador, nem de EPI. Em diligência realizada na tomadora de serviços da recorrente, a YOKI Alimentos S/A, a fiscalização constatou que o prestador de serviço era o responsável por fornecer uniformes, crachás e equipamentos de proteção individual aos seus empregados, além de ferramentas e outros utensílios necessários na execução do serviço. No entanto, conforme observado pela autoridade notificante, não há registro, nos livros contábeis, de despesas usuais de empresas, acarretando um numerário elevado na conta caixa e alterando o valor do lucro. Dessa forma, não houve presunção da ocorrência do fato gerador, como quer fazer crer a recorrente, e sim a constatação da ocorrência do fato, comprovada por meio dos documentos analisados. A recorrente insiste em afirmar que todos os documentos solicitados pela fiscalização foram apresentados e que a autoridade notificante extrapolou os limites de suas atribuições na medida em que investiu contra elementos que fogem da sua esfera de competência. Todavia, a recorrente deixou de apresentar as cópias dos cheques, solicitadas pela fiscalização por meio de TIAD, e que demonstrariam o movimento bancário da empresa nos anos de 2001 a 2003. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Ademais, toda empresa está obrigada a registrar todos os movimentos financeiros realizados durante a prestação dos serviços, como todas as despesas necessárias para o funcionamento da pessoa jurídica, como mobiliário, material de escritório, água, luz etc, e de aquisições de bens, como ferramentas, utensílios, material de mobiliário, EPI etc. E o débito foi arbitrado tendo em vista a constatação de que a empresa não registra tais despesas nos seus Livros Contábeis, o que prova que a contabilidade não espelha a realidade econômicofinanceira da notificada. Os parágrafos 2°, 3o e 6o, do art. 33, da Lei n.° 8.212/91, na redação vigente à época, estabelecem que: § 2° A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Fedem! – DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Da mesma forma, o artigo 233, do RPS, dispõe que: Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (grifei) E o AFPS, ao constatar que a contabilidade da recorrente não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, por omissão de qualquer lançamento contábil relativos às despesas da empresa ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, agiu em conformidade com os ditames legais e lavrou a competente NFLD, uma vez que sua atividade é vinculada aos ditames legais. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11868.000603/200893 Acórdão n.º 2301003.496 S2C3T1 Fl. 221 9 À recorrente caberia provar que as irregularidades verificadas durante a ação fiscal não procedem e apresentar elementos que comprovem a regularidade dos registros contábeis. A autuada não nega a falta de escrituração de despesas, mas se justifica afirmando que não há materiais de escritório, móveis, utensílios, luz, telefone, ferramentas e equipamentos, despesas com transporte de empregados, justamente porque a Recorrente não conta com estrutura administrativa adequada, mantendo procedimentos antiquados, além do que a sua sede coincide com o endereço residencial do seu sócio, uma vez que a pessoa jurídica se encontra instalada na casa do Sr. Cícero. Ou seja, a recorrente afirma que é seu sócio, como pessoa física, quem arca com todas as despesas administrativas da pessoa jurídica. Tal fato e mais os narrados no relatório fiscal, comprovam que houve violação ao princípio contábil da entidade, pois não há distinção entre as despesas da empresa e as despesas das pessoas físicas que lhe prestam serviço. Da análise dos fatos relatados, restou evidente a confusão patrimonial da recorrente, que não contabilizou despesas que foram suas, ao argumento de terem sido arcadas por seu sócio. A recorrente afirma que isso não é proibido. Todavia, a contabilidade de qualquer empresa deve observar os Princípios Fundamentais da Contabilidade, estabelecidos pela Resolução CFC n° 750/93, e às Normas Brasileiras de Contabilidade, e espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa, sob pena de ser descaracterizada, ensejando a aferição indireta das contribuições efetivamente devidas, transferindo à empresa o ônus da prova em contrário. A autuada argumenta que o acréscimo patrimonial auferido pela empresa e a sua respectiva distribuição foram devidamente tributados de acordo com a legislação do imposto de renda, não havendo qualquer irregularidade quanto a isso. Porém, cumpre observar que as normas expedidas para o imposto de renda e aquelas relativas à contribuição previdenciária não são excludentes entre si, cabendo ao contribuinte cumprilas. A fiscalização observou, ainda, que o montante de mão de obra formal para a realização dos serviços de construção civil prestados pela recorrente não ultrapassou 10,21 % do total do faturamento. Todos os fatos narrados pela fiscalização, aliados à falta de documentos que pudessem comprovar as alegações da recorrente, levam à convicção de que a contabilidade da empresa autuada não espelha a sua realidade econômicofinanceira, pois as despesas citadas, bem como os custos ou aquelas relacionadas a sua atividade fim deixaram de ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorreram. À recorrente caberia provar que as irregularidades verificadas durante a ação fiscal não procedem e apresentar elementos que comprovem a regularidade dos registros contábeis. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 O art. 148, do CTN estabelece que “Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tem em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” No caso dos autos, o fato de a empresa não declarar, em sua contabilidade, todas as despesas necessárias para a prestação dos serviços demonstra que não merecem fé os seus Livros contábeis, que são documentos expedidos pelo sujeito passivo, no exercício em que tais omissões ocorreram. E o AFPS, cuja atividade é vinculada aos ditames legais, ao constatar que a contabilidade da recorrente não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, agiu em conformidade com os ditames legais e apurou corretamente o débito por aferição indireta, mediante a aplicação dos percentuais previstos na legislação, sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços. Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, observase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. A IN 100/2003, vigente à época da lavratura da NFLD, determinava os percentuais a serem utilizados no caso da aferição indireta do valor da mão de obra utilizada na prestação de serviços: Art. 441. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Assim, ao deixar de apresentar as cópias dos cheques solicitados pela fiscalização, e ao apresentar documentos que não registram o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, a recorrente não deu outra alternativa à auditoria fiscal a não ser arbitrar o débito, conforme determina os §§ 2o, 3º e 6o, do art. 33, da Lei 8.212/91, aplicando os percentuais previstos na legislação vigente à época. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, o agente fiscal, ao constatar tal situação, agiu corretamente arbitrando o débito e lavrando a presente NFLD, em estrita observância aos ditames legais. Ademais, segundo nos ensina Hely Lopes Meirelles: “Na Administração Pública, não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei Fl. 270DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11868.000603/200893 Acórdão n.º 2301003.496 S2C3T1 Fl. 222 11 para o particular, significa ‘pode fazer assim’; para o administrador público significa ‘deve fazer assim’.” (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991. 16ª ed. Atual. Pela Constituição de 1988, 2ª tiragem, p. 78). Assim, o Fiscal notificante aferiu o débito, consoante normativos legais vigentes à época do lançamento. Com relação ao argumento de que o julgador administrativo não pode escusarse da apreciação dos argumentos ofertados pela recorrente alegando tratarse de matéria inconstitucional, é oportuno esclarecer que a Portaria 520/2004, que regia o Contencioso Administrativo Fiscal à época da emissão da DN combatida, determinava que: Art. 20 É vedado ao Instituto Nacional do Seguro Social afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I – já tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II – haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República. Esse também é o entendimento manifestado pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, conforme Parecer/CJ nº 2.547/2001: (...) Ante o exposto, esta Consultoria Jurídica posicionase no sentido de que a Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes ou reconhecidos pela Chefia do Poder Executivo. Da mesma forma, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 02/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 Nesse sentido, a autoridade julgadora, como agente da Administração, não está obrigada a apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivos legais, já que está impedida de aplicálas. Por todo o exposto e, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Multa Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 caput acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para que a multa seja calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, se mais benéfica à recorrente. Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 272DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11868.000603/200893 Acórdão n.º 2301003.496 S2C3T1 Fl. 223 13 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
score : 1.0
Numero do processo: 13689.000048/92-04
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO
FISCAL PEREMPCÃO
Não se conhece de recurso interposto
com inobservância dos prazos
determinados, conforme disposto no
artigo 33 do Decreto 70.235172.
Numero da decisão: 102-30.293
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ursula Hansen
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RECORRIDA DRF em UBERLÂNDIA, MG PROCESSO ADMINISTRATIVO .FISCAL PEREMPCÀO Não se conhece de recurso interposto com inobservância dos prazos determinados, conforme disposto no artigo 33 do Decreto 70.235172. Ví4to4, telatado4 e ck4c..ut,(1do4 o pi-LeAentu auto4 de itecuito ínteitpo4to pot COMERCIAL MARTINS PATROCÍNIO LTDA. ACORDAM oi MembAo3 da Segunda Cãmata do P,L,Lme,L,to Con ise£ho de ContruLbuínteis, pot unanímídade de voto, não ,cOnhecet do tecut)so pot íntempeAtívo, no tetmo4 do te.latõt,Lo e voto que paam a íntegtat o pneAente julgado. Sala da4 Se6,2.,5 , em 19 de outubto de 1995 ANTON-1,0 DE FAITAS DUTRA - PRESIDENTE / U RS UL RELATORA VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DA F Á - SESSÃO DE: 2 O OUT 1995 ZENDA NACIONAL Pattíe21.patam, ainda, do pituente julgamento o egc.tín.tu UnSe Waldevan A/vu de OtLveíta,Maa ClElía de Andtade. Fí- gue-Litedo, Jose ClõtLL A-ÉveA , Suelí E-Lge2n-La Mendeó de 131U.tto, J. lío Ce-Aat GomeA da S-LIva e Jo --e: Caos Pauello. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO a 13689/000.048192-04 RECURSO n. 88.057 ACÓRDÃO n. 102-30 . 293 RECORRENTE COMFRCIAI., MARTINS PATROCNIO LTDA. RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 09 e anexos, lavrado contra Comercial Martins Patrocínio Ltda., CGC . 17.327.172/0001-77, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Uberlândia, MG, formalizando a exigência de PIS Faturamento, relativa ao exercício de 1988, no valor de 37,95 UFIR e correspondentes gravames legais. O lançamento, com base na alínea "a" do artigo 3 da Lei Complementar n. 7/70, c/c o parágrafo único do artigo 1 o. da Lei Complementar n. 17/73, e Regulamento do PIS/PASEP, decorreu de procedimento de fiscalização sendo apuradas irregularidades - omissão de receita operacional, ocasionando insuficiência na determinação da base de cálculo da Contribuição, e lançado Imposto do Renda - Pessoa Jurídica, conforme demonstrado no processo 13689/000.045/92-16. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou, em 30/07/92, sua impugnação de fls. 17,, fundamentando suas alegações nas ra7ões apresentadas no processo matriz. A decisão de primeira instância, de número 562/92, foi proferida às fls. 28/301, e, em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado parcialmente procedente. Ciente da decisão singular em 03/12/92 (fls. 33), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 10/03/93, reiterando, sem suas Razões, acostadas aos autos às fls. 36, os argumentos foi =lados na fase impugnatória. É o relatóriéj. ( 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO a 13689/000.048/92-04 ACÓRDÃO n, 102- 30 . 2 9 3 VOTO Conselheira Ursula Hansen Relatora O Decreto 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, contém todos os prazos concernentes aos meios de defesa de que dispõe o contribuinte para se contrapor a exigências fiscais decorrentes de procedimento de oficio. No entanto, a contribuinte deixou de observar o prazo para interposição de recurso voluntário, que, nos termos do artigo 33 do citado Decreto, é de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão. Tendo esta ocorrido em 03112192, conforme comprova assinatura aposta às fls. 33, somente em 10/03/93 a parte ingressou com o recurso junto a este Conselho de Contribuintes. Face ao exposto, deixo de tomar conhecimento do recurso interposto a destempo. BRASÍLIA, DF, 19 de o utubto de 1 995 - URSULAI4EN Relatora 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10380.008887/2005-23
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
RECURSO DE OFÍCIO - Decisão de primeira instância pautada dentro das normais legais que regem a matéria e de conformidade com o que consta nos autos não merece qualquer reparo. Recurso de oficio a que se nega provimento.
Recurso de oficio negado.
Numero da decisão: 3301-000.011
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara
da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Vanessa Pereira Rodrigues Domene
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 RECURSO DE OFÍCIO - Decisão de primeira instância pautada dentro das normais legais que regem a matéria e de conformidade com o que consta nos autos não merece qualquer reparo. Recurso de oficio a que se nega provimento. Recurso de oficio negado.
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Recurso de oficio a que se nega provimento. Recurso de oficio negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da 3' Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao r .. o de oficio, nos termos do voto da relatora. 41 .:- ' M • AQUI: .. • ESSOA MONTEIRO Pre.idente i r:--- V NESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE '• Relatora i 4 Processo n° 10380.008887/2005-23 S3-C3T1 Acórdão n.• 3301-00.011 Fl. 616 FORMALIZADO EM: 03 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta, Silvana Mancini Karam, Núbia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo Tadeu Farah e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Relatório Em 28/09/2005 foi lavrado contra a contribuinte o Auto de Infração de fls. 05/11, exigindo o recolhimento do crédito tributário de R$ 3.412.035,42, sendo R$ 989.374,70 de imposto de renda retido na fonte, R$ 1.484.061,98 de multa proporcional e R$ 938.598,74 de juros de mora calculados até 31/08/2005. A ciência do auto de infração se deu em 03/10/2005, conforme o "AR" de fls. 322. O auto de infração decorreu da verificação de falta de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre os pagamentos de serviços prestados por pessoas físicas sem vínculo de emprego, relativos aos anos de 1999, 2000 e 2001. Devidamente notificada do auto de infração a contribuinte apresentou impugnação (fls. 323/328), na qual alegou: Em sede preliminar: A decadência de parte do crédito fiscal exigido, relativo ao período de janeiro/1999 a setembro/2000, já que o IRRF é tributo sujeito a lançamento por homologação, sendo aplicável o art. 150, § 4°, do CTN; A inexistência de fraude, dolo ou simulação que pudessem justificar a contagem do prazo decadencial conforme o art. 173, I, do CTN; No mérito: Que retificou as DCTFs espontaneamente, com o objetivo de confessar os débitos do IRRF sobre o trabalho sem vínculo empregaticio, solicitando, ainda, adesão ao Parcelamento Especial — PAES; A multa exigida, no importe de 150%, tem caráter confiscatório. Às fls. 557/576 a 411 Turma da DRJ de Fortaleza (CE) julgou o lançamento parcialmente procedente, sob os seguintes argumentos: Parte do crédito tributário exigido foi atingido pela decadência, mas somente no que diz respeito ao período de janeiro/1999 a novembro/1999, pois, tendo a contribuinte praticado conduta tipificada como crime (retenção e não recolhimento de IRRF), o termo "a quo" para contagem do prazo qüinqüenal é conferido pelo art. 173, I, do CTN, e não art. 150, § 4°, do mesmo diploma legal; c (\1\ 2 • Processo n°10380.00888712005-23 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.011 Fl. 617 No mérito, a contribuinte não logrou comprovar a alegada espontaneidade, pois tomou a iniciativa de retificar as DCTFs somente após o início da ação fiscal; neste particular, a alegação de que o MPF original não incluía expressamente o IRRF não merece respaldo; A opção ao PAES formalizada pela contribuinte compreendeu somente uma parcela devida a título de 1RRF, no montante de R$ 269,15, já considerada pela fiscalização quando do lançamento; ademais, embora a legislação do PAES admitisse a inclusão de débitos ainda não confessados, esta exigia do contribuinte que os confessasse de forma irretratável e irrevogável, por meio da DECLARAÇÃO-PAES (Portaria PGFN/SRF n°. 03/2003); Por fim, não há que se falar em multa de caráter confiscatório, pois a exegese do art. 150, IV, da CF/88 refere-se apenas a tributo. A ciência do referido acórdão ocorreu em 24/11/2006 (fls. 607), sendo que a autuada não interpôs Recurso Voluntário. Tendo em vista o fato de que a decisão de primeira instância exonerou parte do crédito tributário formalizado, há indicação, às fls. 559, de "Recurso de Oficio", nos termos da legislação de regência, motivo pelo qual os autos foram distribuídos a este E. Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE, Relatora. Primeiramente, esclareço que tomo conhecimento do presente Recurso de Oficio porque o valor exonerado em sede de primeira instância é superior ao limite estabelecido pela Portaria MF n°. 3, de 3 de janeiro de 2008, que assim determina: "Art. V O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo." No presente caso concreto, o valor do tributo exonerado corresponde a R$407.036,60, ao qual deve ser acrescida a multa de 150%, correspondendo a um total de R$1.017.591,50. Conforme se verifica dos termos da decisão de primeira instância, esta reconheceu, a favor da autuada, a decadência de parte do crédito tributário, especificamente no tocante aos valores de IRRF relativos aos meses de janeiro/1999 a novembro/1999. A DRJ de Fortaleza assim decidiu tendo em vista (i) a data da ciência do auto de infração (03/10/2005) e (ii) o termo "a quo" para a contagem do prazo decadencial fixado 3 o Processo n°10380.008887/2005-23 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.011 Fl. 618 pelo art. 173, I, do CTN, pois, no caso concreto, não houve pagamento antecipado do tributo e, ainda, a fiscalização apurou o cometimento, pela autuada, de conduta tipificada como crime. Assim, entendeu o órgão julgador de primeira instância exonerar as cobranças relativas aos meses de janeiro/1999 a novembro/1999, mantendo, no entanto, a cobrança relativa ao mês de dezembro/1999, já que, com relação a esta o lançamento poderia ter sido efetuado já em janeiro de 2000, e o primeiro dia do exercício seguinte seria 01/01/2001, com termo final de contagem do prazo decadencial em 31/12/2005. Tenho para mim que a conclusão apresentada pelo órgão julgador tributária de primeira instância não merece reparos. Primeiramente, cumpre salientar que sou da opinião de que o termo "a quo" para a contagem do prazo decadencial, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, não se desloca do art. 150, § 4°, do CTN, para o art. 173, I, do mesmo diploma legal, pela simples inocorrência de pagamentos antecipados por parte do contribuinte. Isto porque coaduno do entendimento daqueles que defendem que o pagamento do tributo é mera causa de extinção do crédito tributário, motivo pelo qual cabe à autoridade fazendária homologar o lançamento, e não o pagamento. No entanto, não obstante a observação supra, verifico que no caso concreto, de fato, a contagem do prazo decadencial realizada nos termos do art. 173, I, do CTN revela-se de rigor. Isto porque a fiscalização apurou ter cometido a autuada conduta tipificada como crime tributário, qual seja a de reter o Imposto de Renda dos prestadores contratados sem que, no entanto, os valores retidos fossem devidamente recolhidos aos cofres públicos. Sendo assim, o deslocamento da regra fixada pelo art. 150, § 4°, do CTN, para a regra imposta pelo art. 173, I, do mesmo diploma, revela-se medida que se impõe, a teor do que vem decidindo este E. Tribunal. Veja-se: "DECADÊNCIA. Para os tributos lançados por homologação, o inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4 0 do artigo 150 do CTIV: Configurados o dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é realizada nos termos do art. 173, inciso do CTIV." (I" CC — Oitava Câmara — Recurso n°. 146.870 — Relator: Cândido Rodrigues Neuber - Sessão de 25/06/2008). "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ano- calendário: 1999, 2000. IRPJ. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇA-0. Nos lançamentos por homologação, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação; nesses casos, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral, prevista no art 173, I, do CTIV." (I° CC — Sétima Câmara — Recurso n". 152.994 — ' Relator: Jayme Juarez Grotto — Sessão de 05/03/2008). "IRPJ. SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL. HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFICIO. DOLO TIPIFICADO. QUINQÜÊNIO. ARTIGO 150 § 4.° DO CTN. IMPROCEDÊNCIA. Na hipótese de a matéria se inserir no ft-9 Processo n°10380.00888712005-23 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-00.011 Fl. 619 concerto de crime contra a ordem tributária, aplica-se, à espécie, o comando do artigo 173, 1, do CT1V., considerando-se como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conformando-se - este exercício - ao calendário gregoriano. Com as ressalvas do relator." (1° CC — Sétima Câmara — Recurso n°. 130.365 — Relator: Neicyr de Almeida — Sessão de 21/08/2002). A identificação dos períodos alcançados pela decadência, por parte do órgão julgador de primeira instância, também se mostra acertada. Isto porque, sendo o IRRF tributo cuja apuração se dá mensalmente, e considerando que os períodos autuados — 01/1999, 02/1999, 03/1999, 04/1999, 06/1999, 07/1999, 08/1999, 09/1999, 10/1999, 11/1999, 12/1999, 01/2000, 02/2000, 03/2000, 05/2000, 07/2000, 08/2000, 11/2000, 08/2001, 11/2001 e 12/2001 — tiveram inicio no ano de 1999, o termo "a quo" para a contagem do prazo qüinqüenal teve início em 01/01/2000, exceção feita ao mês de dezembro/1999, hipótese em que, de fato, o imposto poderia ser cobrado somente em janeiro/2000 e, por isso, o termo inicial do prazo decadencial se daria somente em 01/01/2001. Assim, acertada a decisão de primeira instância, que exonerou o crédito tributário relativo aos meses de janeiro a novembro de 1999, pois estes deveriam ter sido formalizados até 31/12/2004. Já os débitos apurados a partir de dezembro/1999 foram devidamente constituídos, uma vez que a fiscalização poderia formalizá-los até 31/12/2005, assim o fazendo em 03/10/2005. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Oficio, a fim de manter a decisão de primeira instância em seus integrais termos. Sala das Sessões - DF, em 04 de março de 2009 S./2n VAN A PEREIRA RODRIGUES DOMENE • 541".• ' MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 10380.00888712005-23 Recurso n° 156.636 Voluntário TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 61 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria Ministerial n° 147, de 25 de junho de 2007, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quinta Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a tomar ciência do Acórdão n°3301-00.011. Brasília, 4-SleNTItIt5 T Presidente da Terceira Seção do CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência Procurador(a) da Fazenda Nacional Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1
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