Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,954)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,890)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,944)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,141)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,301)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,525)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10768.001215/2003-81
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
1RPJ. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE
Ante a inexistência do crédito tributário pleiteado, que já fora usado em outras compensações anteriores, não poderá o sujeito passivo utilizá-lo em novas compensações de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF.
Descabe a retificação de Declaração de Compensação por não se tratar de simples inexatidão material, situação que exige apresentação de nova DCOMP.
Numero da decisão: 1802-000.537
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Gilberto Baptista e João Francisco Bianco.
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 1RPJ. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE Ante a inexistência do crédito tributário pleiteado, que já fora usado em outras compensações anteriores, não poderá o sujeito passivo utilizá-lo em novas compensações de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF. Descabe a retificação de Declaração de Compensação por não se tratar de simples inexatidão material, situação que exige apresentação de nova DCOMP.
numero_processo_s : 10768.001215/2003-81
conteudo_id_s : 5640960
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.537
nome_arquivo_s : Decisao_10768001215200381.pdf
nome_relator_s : NELSO KICHEL
nome_arquivo_pdf_s : 10768001215200381_5640960.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Gilberto Baptista e João Francisco Bianco.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
id : 6506631
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076782354759680
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-10T13:25:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-10T13:25:50Z; Last-Modified: 2011-10-10T13:25:50Z; dcterms:modified: 2011-10-10T13:25:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:91ca4d22-0a52-48c8-a05d-645a5115259e; Last-Save-Date: 2011-10-10T13:25:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-10T13:25:50Z; meta:save-date: 2011-10-10T13:25:50Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-10T13:25:50Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-10T13:25:50Z; created: 2011-10-10T13:25:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-10-10T13:25:50Z; pdf:charsPerPage: 1503; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-10T13:25:50Z | Conteúdo => SI-TE02 Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10768.00121512003-81 Recurso no 157.245 Voluntário Acórdão n° 1802-00.537 — 2' Turma Especial Sessão de 06 de julho de 2010 Matéria IRPJ - Declaração de Compensação Recorrente BANCO FININVEST S/A Recorrida 3' TURMA/DR.J - RIO DE JANEIRO/RJ-I ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 1RPJ. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE Ante a inexistência do crédito tributário pleiteado, que já fora usado em outras compensações anteriores, não poderá o sujeito passivo utilizá-lo em novas compensações de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF. Descabe a retificação de Declaração de Compensação por não se tratar de simples inexatidão material, situação que exige apresentação de nova DCOMP. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Gilberto Baptista e João Francisco Bianco„- -- ster Marq a es Lins de Sousa esidente. Relator EDITADO EM: 0 5 01I 3110 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco (Vice Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ/Rio de Janeiro I que indeferiu solicitação de revisão de compensação tributária não homologada pela DRF de origem, pela inexistência do crédito do IRPJ utilizado para extinção de débitos da COF1NS e da Contribuição para o PIS do periodo de apuração novembro/2002 (códigos de receita 7987 e 4574). Vale dizer, consta dos autos que o contribuinte pretendeu extinguir, mediante compensação, débitos do ano-calendário 2002: (PA 11/2002); 11/2002). 4,727.245,34. 1) - CM-NS - Código de receita 7987-, debito no valor de R$ 580.918,66 2) - PIS - Código de receita 4574-, debito no valor de R$ 172.821,44 (PA Crédito utilizado de R$ 753.740,10. Origem do crédito: saldo negativo do IRPJ do ano-calendário 1998 de R$ A DCOMP, no caso, foi apresentada em 14/02/2003 (fls. 01/02). Débitos confessados — DCTF (fls. 64/68). A unidade de origem — Deinf/Rio de Janeiro -, primeiro órgão a apreciar o pleito, e antes de prolatar sua decisão, constatou que o crédito infbrmado inexistia, pois já havia sido utilizado em compensações anteriores (crédito saldo zerado). Intimado a explicar a situação em 07/01/2004 (fls. 25/26), o contribuinte em 17/02/2003 pediu retificação, ou seja, que fosse desconsiderado o crédito que fora informado (bem como o ano-calendário), e que fosse considerado — doravante — o crédito fiscal — saldo negativo da CSLL - DIPJ 2002 (ano-calendário 2001), cujo montante do crédito seria R$ 2.008.203,24, juntando cópias da documentação contábil/fiscal (Livro Razão, DCTF retificadora do 4° trimestre 2002), através do quais se verificou que ele efetuara a pretendida retificação da compensação por sua própria iniciativa (fls. 44 e 69). Na sequência, em 11/03/2004 o contribuinte foi intimado pelo Fisco a estornar as retificações contábeis e fiscais que havia feito por iniciativa própria, quanta a origem dos créditos, pela vedação expressa na legislação tributária de retificação da DCOMP original, pois não se tratava de mera correção de inexatidão material (fl. 70) Porém, em 26/04/2004 o contribuinte ratificou o pedido de retificação da DCOMP original, mudando, mais uma vez, a origem do crédito, solicitando a retificação (fls.74/75): 4.727.245,34; 9.359.113,95. a) de: crédito fiscal do IRPJ do ano-calendário 1Y48 (saldo negativo ) de R$ b) para: crédito fiscal do IRPJ do ano-calendário 2001 (saldo negativo) de R$ 2 Processo n° 10768.001215/2001-81 SI-TEO2 Acórdão n, 1802-00.537 Fl 2 A unidade de origem da Receita Federal não acatou a pretensão do contribuinte, pois a legislação tributária somente permite a apresentação de DCOMP retificadora para corrigir inexatidão material (que a substituição de crédito não se enquadra no conceito de correção de simples inexatidão material e que seria caso para cancelamento da PER/DCOMP e apresentação de outra — IN SRF n° 414/2004 — arts. 6° a 10), prolatando então decisão — Despacho Decisórido de 25/04/204 - denegando a compensação, cuja ementa é a seguinte(fl.. 87): (. ) Assunto: Declaração de Compensação - DComp Compensação — HMI — saldo negativo do ano de 1998 — Ante a inexistência cio crédito tributário pleiteado, que já fora usado em outras compensações anteriores, não poderá o sujeito passivo utilizá-lo em novas compensações de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF. Descabe a retificaccio de Declaração de Compensação por não se tratar de simples inexatidão material. Seria cabível o cancelamento da Declaração de Compensação caso houvesse sido solicitado pelo contribuinte — Compensação não homologada.. (grifos do original) (-) Inconformado com essa decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade perante a DRJ/Rio de Janeiro I, aduzindo as seguintes razões, em síntese 93/97) - que o fundamento pelo qual foi denegada a homologação 6, em síntese, o disposto pela IN SRF n° 414/04 (arts. 6° a 10), com base no entendimento, equivocado, de que o procedimento de retificação adotado pela impugnante estaria incorreto, tendo em vista a inexistência de erro material no pedido, inicialmente protocolado, quando "o correto" (no entender do Sr. Agente Fiscal) seria o cancelamento; - que tal decisão não deve prevalecer, não somente pela natureza do equivovo que ensejou a retificação, como pela evidência do erro; - que, na verdade, o crédito a compensar referia-se ao ano-calendário 2001 e não a 1998/9, como, equivocadamente, constou da Declaração de Compensação; - o equivoco da Declaração de Compensação torna-se evidente coin a simples comparação com os registros contábeis; - o equivoco da Declaração de Compensação não implicou prejuízo ao Fisco, uma vez que havia crédito a compensar de outro ano-calendário; - que é inaplicável, no caso, o disposto no art. 10 da IN SRF no 414/2004, que seria aplicável na hipótese de "desfazimento" (anulação) do pedido, ou alteração quanto a sua substância, o que não seria a situação obejto dos autos; 3 que — na situação — tanto o credito quanto o debito são existentes, sendo que o equivoco referiu-se a sua especificação, qual seja, ao invés de IRPJ do ano-base 1998/9, trata-se de crédito do IRPJ do ano-base 2001 — DIPJ 2002 (fl. 69); que, indubitavelmente, assim 6, como se verifica do "Razão Analítico" — fl. 129 Não obstante essas alegações, a DRJ/Rio de Janeiro indeferiu a solitação do contribuinte Acórdão de 18/01/2007 (fls. 133/135), cuja ementa é a seguinte: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário, - 1998 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Mantém-se o Despacho Decisório proferido na forma da legislação de regência., Solicita çâo indeferida. (.) Novamente inconformado, o interessado tomou ciência da decisão em 15/02/2007 (fl. 138) e apresentou Recurso Voluntário em 19/03/2007 (segunda-feira) de fls. 143/147, juntando ainda os documentos de fls.148/207, cujas razões, em síntese, são as mesmas aduzidas na primeira instância j á resumidas anteriormente, constando ainda: - que "0 erro grosseiro do declarante, como o de operações aritméticas, engano na classificação de rendimentos, etc,, pode ser considerado e corrigido ex officio pela autoridade, ainda que o sujeito passivo não se apresse a pedir-lhe isso." - "O contribuinte pode retifica,' a declara çâo eivado de erro que lhe seja prejudicial mediante comprovação do erro em que se funde e antes da notificação do lançamento (art. 147, § 1). 0 erro tanto poderá ser erro de fato ou de direito," Por fim, o recorrente entende que a discussão não é quanto a existência do crédito, uma vez que ele existe (claro, se for aceita a declaração retificadora); que, na verdade, se discute tão-somente se o erro cometido pelo recorrente é possível de correção ou não para exercer o seu direito de uso desse credito existente; pediu, em suma, a reforma da decisão recorrida. o relatório. 4 Processo 1.1° 10768 001215 12003-81 Acórdão n.° 1802-00.537 Sl-TE02 Fl 3 Voto Conselheiro Relator, Nelso Kichel Conheço do recurso por ser tempestivo e por atender aos demais pressupostos de admissibilidade. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo, de imediato, b. análise do mérito da lide. A presente lide trata de compensação tributária não homologada por inexistência do crédito informado na DCOMP original ou primitiva. O contribuinte após notificação do Fisco sugerindo que fosse cancelada a DCOMP pela inexistência do crédito, e apresentada outra procedeu diversamente, ou seja, pediu e procedeu unilateralmente retificação da DCOMP substituindo o crédito inexistente, por duas vezes: primeiro, substituiu o crédito inexistente pelo crédito de CSLL do ano-calendário 2001 (saldo negativo) f1.44; por último, desconsiderou a substituição anterior, e substituiu pelo crédito do IRPJ ano-calendário 2001 (saldo negativo). A inexistência do crédito da DCOMP primitiva foi, expressamente, reconhecido pelo próprio recorrido nos autos (fl.74), nos seguintes termos: a) Demonstrativo de Crédito de MAT do ano calendário 1998/R$ 4,727,245,34 (doc.1), crédito este indicado equivocadamente na Declaração de Compensação — PA (...) e que conforme Razão Analítico (anexo) encontrava-se com saldo zerado desde 29/11/2001: Visto que, o débito ora compensado refere-se a CORNS e PIS cujo sfato gerador ocorreu em Nov/2002 e os créditos já se encontravam 100% utilizados nesta data, afirmamos que houve erro no preenchimento da Declaração de Compensação e solicitamos a retificação. (..) A recorrente realmente foi surpreendida pelo Fisco, quando recebeu a notificação de que o crédito utilizado era inexistente e que seria caso de solicitar o cancelamento e apresentar nova DCOMP, pois a situação não se trata de hipótese de retificação de DCOMP. Entretanto, o recorrente de forma insistente, primeiramente, substituiu de forma unilateral o crédito inexistente pelo crédito da CSLL, do ano-calendário 2001 — saldo negativo (fl. 44), e depois, reconsiderando tudo, substituiu pelo crédito do IRPJ do ano- calendário 2001 — saldo negativo (fls.74175). 5 A retificação da DCOMP não foi aceita pela DRF de origem, bem como pela DRJ/Rio de Janeiro I, pela existência de vedação na legislação tributária, impedindo a substituição do credito inexistente por outro existente, como pretendida pelo recorrente, pois, nesse caso, não se trata de mera correção de inexatidão material, exigindo apresentação de outra DCOMP, com cancelamento da anterior. A questão controvertida, destarte, resume-se ao conteúdo ou alcance da expressão "inexatidões materiais", para efeito do art. 7 0 da IN SRF n° 414/2004, de 30/03/2004, cujo texto é o seguinte: Art. 7"_ A retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP 1.3 (ou versão anterior) ou elaborada mediante utilização dos formulários a que se refere o art 3" somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento e, ainda, da não ocorrência da hipótese prevista no art, 8. A propósito deste ponto controvertido, o Decreto 70,235172 (art. 32), que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal, quanto a inexatidões materiais, assim dispõe: Art. 32, As inexatidaes materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de oficio ou a requerimento do sujeito passivo Nesse diapasão, por inexatidões materiais, no preenchimento da DCOMP primitiva ou original, entende serem os lapsos manifestos, ou seja, de evidência metidiana; são os equívocos que se percebem primo ictu oculi e que, sem maior exame, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção . Assim, são exemplos de erros materiais erro de soma, equivoco de datas, eiras ortográficos, de digitação, troca de campos no preenchimento,etc. De modo que a inexatidão material não abarca a análise, de mérito, quanto a existência ou inexistência do crédito utilizado. Se o crédito é inexistente, como no caso, isso não é erro a ser corrigido, mas sim matéria que exige análise de mérito, pois a inexistência do crédito foi apurada de oficio, e não por iniciativa do contribuinte. Logo, a substituição de crédito na DCOMP (de um crédito inexistente, por outro existente) não é permitida, pois tat situação não configura inexatidão material de preenchimento da DCOMP primitiva ou original, mas sim inovação (substituição do crédito cornpensável para efeito de extinção de obrigação tributdria). Tal hipótese exige apresentação de nova DCOMP, mediante cancelamento da anterior (IN SRF 414/2004, art. 10). Não procede, também, a alegação de que o pedido de retificação teria ocorrido antes de notificação de oficio e que, nesse caso, teria direito a retificação da DCOMP (CTN, art. 147, § 1°). O raciocínio da recorrente está equivocado. Como já demonstrado, e diferentemente do alegado pelo recorrente, a tentativa de retificação da DCOMP deu-se após notificação do Fisco de 13/01/2004 para que o 6 Process° n° 10768001215/2003-81 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00,537 Fl 4 recorrente comprovasse o credito utilizado, em face da constatação de oficio da inexistência do credito utilizado (fls. 25/31, 70/72 e 74/76). Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. Nelso Kichel 7
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000100/2005-28
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Auto de Infração de IRPJ por glosa de incentivos fiscais - PERC Ano-calendário: 2000
Ementas: IRPJ - INCENTIVO FISCAL FINAM - GLOSA NÃO JUSTIFICADA - É insubsistente a exigência de IRPJ, lastreada na não confirmação de aplicação em incentivo fiscal FINAM, quando o fisco justifica o lançamento na alegação de pendências em relação ao FGTS, quando tais pendências não estão comprovadas nos autos.
IRPJ - INCENTIVO FISCAL FINAM - ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DO INCENTIVO - Na hipótese de pagamento a menor de imposto sobre a renda em virtude de excesso de valor destinado para o FINAM, por não excluída da base de apuração do incentivo a Doação ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente, a diferença é exigível com acréscimo de multa e juros, ainda mais quando a irregularidade autuada é incontroversa por não contestada no recursos voluntário.
MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE. A multa de oficio tem base legal no art 44 da Lei n" 9.4.30/96. Diante disso, não é possível conhecer a reivindicação da recorrente de insubsistência dessa penalidade pecuniária, mesmo porque as normas regimentais não permitem "aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade". Diante disso, é devida a multa de oficio de 75%, calculada sobre a parcela incontroversa do IRPJ, lançada e mantida, decorrente de erro de quantificação da base do incentivo.
Numero da decisão: 1103-000.331
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Gervasio Nicolau Recktenvald
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
ementa_s : Auto de Infração de IRPJ por glosa de incentivos fiscais - PERC Ano-calendário: 2000 Ementas: IRPJ - INCENTIVO FISCAL FINAM - GLOSA NÃO JUSTIFICADA - É insubsistente a exigência de IRPJ, lastreada na não confirmação de aplicação em incentivo fiscal FINAM, quando o fisco justifica o lançamento na alegação de pendências em relação ao FGTS, quando tais pendências não estão comprovadas nos autos. IRPJ - INCENTIVO FISCAL FINAM - ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DO INCENTIVO - Na hipótese de pagamento a menor de imposto sobre a renda em virtude de excesso de valor destinado para o FINAM, por não excluída da base de apuração do incentivo a Doação ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente, a diferença é exigível com acréscimo de multa e juros, ainda mais quando a irregularidade autuada é incontroversa por não contestada no recursos voluntário. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE. A multa de oficio tem base legal no art 44 da Lei n" 9.4.30/96. Diante disso, não é possível conhecer a reivindicação da recorrente de insubsistência dessa penalidade pecuniária, mesmo porque as normas regimentais não permitem "aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade". Diante disso, é devida a multa de oficio de 75%, calculada sobre a parcela incontroversa do IRPJ, lançada e mantida, decorrente de erro de quantificação da base do incentivo.
numero_processo_s : 13830.000100/2005-28
conteudo_id_s : 5626120
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1103-000.331
nome_arquivo_s : Decisao_13830000100200528.pdf
nome_relator_s : Gervasio Nicolau Recktenvald
nome_arquivo_pdf_s : 13830000100200528_5626120.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
id : 6474242
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-09-21T17:20:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; xmp:CreatorTool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-09-21T10:17:35Z; Last-Modified: 2015-09-21T17:20:13Z; dcterms:modified: 2015-09-21T17:20:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:bbf6e4dc-b710-4af5-9468-f8586621bc5c; Last-Save-Date: 2015-09-21T17:20:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-09-21T17:20:13Z; meta:save-date: 2015-09-21T17:20:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2015-09-21T17:20:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-09-21T10:17:35Z; created: 2015-09-21T10:17:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2015-09-21T10:17:35Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Xerox WorkCentre 5755; pdf:docinfo:created: 2015-09-21T10:17:35Z | Conteúdo =>
_version_ : 1714076782358953984
score : 1.0
Numero do processo: 10907.003149/2006-94
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO OBJETO DE CONTESTAÇÃO JUDICIAL.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
Para períodos subseqüentes deve o sujeito passivo cumprir normas
complementares de competência legal da SRFB, sem o que deixa de atender requisito formal prévio e necessário ao pleno exercício do reconhecido direito creditório no ambito administrativo
Numero da decisão: 1202-000.325
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento
ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO OBJETO DE CONTESTAÇÃO JUDICIAL. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Para períodos subseqüentes deve o sujeito passivo cumprir normas complementares de competência legal da SRFB, sem o que deixa de atender requisito formal prévio e necessário ao pleno exercício do reconhecido direito creditório no ambito administrativo
numero_processo_s : 10907.003149/2006-94
conteudo_id_s : 5939050
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1202-000.325
nome_arquivo_s : Decisao_10907003149200694.pdf
nome_relator_s : Orlando José Gonçalves Bueno
nome_arquivo_pdf_s : 10907003149200694_5939050.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
id : 7548146
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:15:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076782361051136
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T21:17:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T21:17:24Z; Last-Modified: 2010-09-01T21:17:24Z; dcterms:modified: 2010-09-01T21:17:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:555461a3-d757-4327-ba10-f70f2b8c1e8e; Last-Save-Date: 2010-09-01T21:17:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T21:17:24Z; meta:save-date: 2010-09-01T21:17:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T21:17:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T21:17:24Z; created: 2010-09-01T21:17:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2010-09-01T21:17:24Z; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T21:17:24Z | Conteúdo => S f -C21 2 Ff 1 .:.!'ç : .... MINISTERIO DA FAZENDA ,.i, 47. CONSELHO ADMINISTRA UIVODE RECURSOS FISCAIS PRIMFIRA SEÇÃO DE .TULGAMENTO Si.'Pri.4ri Processo n" 10907. 003149/2006-94 Recurso n" 170 752 Voluntário Acórdão n" 1202-00.325 — 2" Câmara! 2" Turma Ordinária Sessão de 05(10 julho de 2010 Matéria SIMPI ,PS Recorrente Indústria e Comércio de Conservas Floresta Ltda Recorrida 2" Turma da DRI/CIA ASSUN I O: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO OBJETO DE CONTESTAÇÃO JUDICIAL. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Para períodos subseqüentes deve o sujeito passivo cumprir normas complementares de competência legal da SRFB, sem o que deixa de atender requisito formal prévio e necessário ao pleno exercício do reconhecido direito creditório no ambito administrativo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Nélso:Tos o -7T . — . -esidente/ Orland( José Gon-a vos Bueno - Relato!. EDITADO EM: t',É 5. i\án Nin Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (Presidente), Carlos Alberto Donassolo, Valeria Cabral Geo Verçoza, Darei Mendes de . I Carvalho Pilho (Suplente Convocado),. Nereida de Minmda inamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Nieto (Vice Pr 'sidente da Turma), 2 Processo n" 10907_003149/2006-94 S I -C21-2 Acórdão n '' 1202-00.325 .1-1 2 Relatório Trata-se de exigência de diferenças tributárias relativas ao 1RPJ, P1S, CSL,I„ COFINS e CONTR,IBUIÇÁ.0 PARA O INSS, decorrentes do regime SIMPLES, dos anos- calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004, motivado por constatação de irregularidade na compensação de débitos do SIMPLES com a utilização indevida de créditos decorrentes de ações judiciais, uma contra. o INSS (processo n° 2002,70.08.000125-6) e outra contra a União (processo IV 2002„70.08.000126-8) antes do trânsito em julgado das respectivas ações, ao arrepio do disposto no art, I 70-A do Código Tributário Nacional, além de -utilizar corno crédito contribuição previdenciária não administrada pela SRF. A contribuinte apresentou, tempestivamente, sua impugnação aos lançamentos de oficio, alegando, em apertada síntese, o seguinte: - preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, alegando que não consta o motivo da infração, além dos autos de infração não se revestirem dos requisitos do artigo 56, inciso III da Lei n" 11.580/96, assim como a capitulação legal esta incomplela, dificultando sua defesa; -sustenta a tese do abuso de direito, como limite ao exercício de poderes discricionários; - clama pela nulidade do lançamento por omitir previsão legal dos incisos III e TV do artigo 10 do Decreto a' 70.235/72; - questiona a capacidade técnica do auditor fiscal, que a seu entender, deve ser contador habilitado pelo conselho profissional de classe dos contabilistas; - no mérito sustente que o agente fiscal foi omisso ao não acatar as compensações promovidas em desrepeitando as decisões judiciais que autorizaram as compensações, argumentando que tal direito a compensação decorre do pagamento indevido, reconhecido pelo Judiciário, antes do advento da alteração do art. 170 do CTN, pela LC 104/2001, ou seja, que os créditos compensados pela impugnante foram recolhidos ao cofre público antes de tal restrição legal; - que existem compensações cobradas mesmo após o trânsito em julgado das ações . judiciais, posto que o trânsito ocorreu em 22/09/2004, sendo exigidas as diferenças de compensações de 30/09/2004 até .31/12/2004; - entende que a multa é confiseatoria, além de ter sido capitulada erroneamente„ A 1' Turma. da DR,J de Curitiba .julgou o lançamento procedente em parte, adotando a seguinte ementa: Assunto... Sistema Integrado de Pagamento de impostos e Contribuições das Miemempresas e das. /72 3 Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano -calendário.: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO OBJETO DE CONTESTAÇÃO JUDICIAL É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto cie contestação judicial pelo sujeito passivo, atues do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSA Ç Y.i.0 DE VALORES RECOLIIIDOS A MAIOR A 'UL() DE PIS COM PARCELAS V1NCENDAS DA MESMA CONTRIBUIÇÃO DESNECESSIDADE DE REQUERIMEN10 • Tratando-se de compensação e pretendendo o contribuinte efeatá-ia Com o próprio PIS, relativo a períodos _subseqüentes, é admissivel que a faça por sua própria iniciativa, independentemente de P equer imento Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: MULTA DE OFÍCIO - PERCENTUAL APLICÁVEL - LEGALIDADE. Constatada infração à legislação tributária, a imposição de penalidades pelo fisco obedece ao principio da estrita legalidade, nos termos do art. 97, inciso V, do ("IN, sendo inerente ao lançamento de oficio, não cabendo à autoridade tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão legal PRESUNÇÃO LEGAL. .NTILIDADE 1)0 AUTO DE INFRAÇÃO fl\ • - -n4à 4 Processo n" 10907 003149120(16-94 SI -C21.2 Acói ao o'' 1202-00 325 ri 3 Comprovado que O procedimento fiscal .foi.kito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. .59 do Decreto n' 70. 235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. PRELIMINARES. FALTA nr FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CE,RCEA MENTO D.E DEFESA. Rejeitam-se as preliminares quando a infração 010 apurada subsume-se à hipótese prevista na norma que .fundamentou a imposição fiscal, não se caracterizando o cerceamento de AI c'?sa ou ufalla de limdamentação legal do kito. Assunto: Normas de Administração Tributária Evereicio.. 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. PROFIS,SÃO. COMPETÊNCIA. .Nas atividades inerentes à constituição de créditos da Fazenda Nacional administrados pela Secretaria da Receita Federal não se aplicam, aos Auditores Fiscais da Receita Federal, quaisquer limitações à profissão de contabilista. A autoridade .julgadora "a quo" rejeitou as preliminares suscitadas, notadamente a questão do cerceamento do direito defesa posto que o auto de inflação aponta. a razão da exigência tendo em vista que pleiteou a compensação desses mesmos créditos com valores pleiteados em ação ordinária itinto ao Poder Judiciário, nem se pode olvidar que a interessada foi cientificada por meio do Despacho Decisório .DRF/ PGA n" 198/2005 (Iis, 102/ .10400) das razões que levaram a autoridade fiscal a considerar corno não declaradas as compensações de débitos do SIMPLES, assim, quando da. lavratura do auto de infiação, ela já tinha conhecimento pleno do motivo da ação fiscal., 1101' )11 5 /Vasta a preliminar da necessidade de que o auditor seja contador inscrito, posto que sua competência decorre expressamente dos artigos 194 e 195 do CTN. Quanto as ações judiciais diz o seguinte: "44. A empresa efetuou compensações de parte dos valores devidos ao Simples com créditos que teria obtido com base em duas ações judiciais distintas. A ação de n° 2002.70.08.000125-6 foi impetraria contra o Instituto Nacional do Seguro Social - •• .1NSS,visando o direito de recuperação de Contribuição Previdenciárja recolhida sobre o pró- labore e.,a segunda ação, sob O protocolo 2002.70.08.000126-8, movida contra a União Federal, visando o reconhecimento do direito de recuperação dos valores recolhidos a título de PIS com fundamento nos Decretos n02.445 e 2.44.9, ambos de 1988. 45.. Conclui-.se, portanto, que a contribuinte buscou junto ao Poder Judiciário autorização para compensar créditos recolhidos com ba.se no art. 3 0, inciso [da Lei n" 7.787/L989 e artigo 22, inciso .1 da Lei ri" 8.212/1991. Na sentença, .fl. 70, foi .julgado procedente o pedido para compensar os valores pagos indevidamente, com a contribuição incidente sobre a Mha de salários. 46.Relativamente ao PIS, pleiteou a restituição dos valores pago.s indevidamente ou, alternativamente, a restituição dos mesmo.s e obteve sentença "reconhecendo o direito das autoras à compensação do.s valores recolhidos a maior, nos moldes dos referido.s decretos, até o limite de 30% (trinta por cento) do valor devido em cada competência, com parcelas vincendas da contribuição ao PIS, corrigido o montante pelos índices INPC„ U1,11?". A sentença ressalta ainda que seriam aplicados juros equivalentes à taxa SELAI', a partir de janeiro de 1996, na atualiray-hr monuiário do indébito.. 47.Re.ssalte-se, de inicio, que a contribuinte não cumpriu a autorização obtida junto ao Poder .Judiciário nos termos em que lin proferida, visto que constava expressamente, nas dita .s.sentenças que a compensação com a contribuição incidente .sobre a folha de .salários (no caso da ação impetrada contra o INSS) e, seria com parcelas vincendas de PIS ( no caso (Mação movida contra a União). 48.Atente-se que a questão não se prende à existência ou não de crédito da contribuinte junto à Fazenda Publica, que, embora não quantificado nos autos, reconhecimento na referida sentença, mas sim ao procedimento relativo à compensação efetuado com os citados créditos.. 49.Como bem historiado na impugnação, a Secretaria da Receita Federal, responsável pela administração dos tributos e contribuições federais em questão, fundamentada legislação regularmente inserida rio ordenamento jurídico nacional, disciplina os procedimento.s a que se submetem os contribuintes, para a regular compensação de créditos e débitos tributários junto à Fazenda Pública. 50.De fato, a compensação de créditos de natureza distinta, de conformidade com a regulamentação da matéria contida na IN SRF n' 21, de .10/03/1997, vigente à data do procedimento da empresa, exigia a formalização junto à unidade da Receita Federal de pedido de compensação, a saber /destaques acrescidos] • Compensação entre Tributos e Contribuições de Dif. e rentes Is'spécies Art. .12. Os créditos de que tratam os arts.. 2' e 3 O, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados • para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de oficio ou a requerimento do interessado. §1 O A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. ,0°4 compensação a requerimento do contribuinte será formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo §7 0 A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada ernjulgado, para compensação, somente poderá ser ele' tuada após 6 Proceso n" I 0907 003149/2006-91 S1-C21-2 Acórdão n 1202-00,325 Fl. 4 atendido o disposto no art 17. • Art 14.. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resuhantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria, poderão :ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de oficio, independentemente de requerimento. 6".. utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação„ somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. "Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de . crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contrilnzinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação O No caso de titulo judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRE a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do titulo judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocaticios Não poderão ser obj(*) de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório." (Alteração dada pela IN SRF n° 73, de 1.5/09/1997) .51. Ressalte-se que, como consta da Representação Fiscal de ti. 2, existem indícios de que o interessado, desde a data da impetração da ação (janeiro de 2002), vêm utilizando os créditos de PLS', na compensação de débitos apurados pela sistemática do Simples, sem qualquer requerimento ou comunicação prévia à Secretaria da Receita Federal. 52. Tais indícios finam posteriormente confirmados, quando da intimação ao sujeito passivo, fato que gerou o Despacho Decisório DRF/PGA n" 198, de 29 de junho de 2006, cuja cópia se encontra às fls 102/104. 53. Dessa jOrma„ a legislação tributária vigente à (poca da exigência determinava o lançamento de oficio de tributos objeto de pedidos de compensação que descumprissenz requisitas exigido.s pela administração tributária, conforme disposto no art.. 90 da Medida Provisória (A4P) n°2.158-3.5, de 2001, que assim estabelece /destaques acrescidos]. "Art. 90 Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo decorrentes de pagamento, parcelamentO, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal," 54. Isto porque a compensação somente pode ser efetivada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, segundo o disposto no ar! 170 do CliN Não possuindo a pessoa .jurídica . fiscalizada no momento do lançamento qualquer crédito reconhecido definitivamente nas esferas judicial e administrativa, caberia ao . fisco exigir os tributos "compensados" indevidamente. 55. Evidentemente que qualquer' decisão judicial que alaste as exigências estabelecidas no disciplinamento da SR/' deve ser observada de pronto, e sem qualquer' ressalva, pela if 7 autoridade administrativa. Da mesma fo' rma, a determinação judicial deve ser integrahnente cumprida pelos contribuintes que igualmente devem se .submeter à conclusão da Justiça. 56.Logo, não pode O impetrante, 00 obter do Poder Judiciário autorização para proceder de forma diversa do regramento vigente, considerar urna terceira solução, desrespeitando tanto as exigências da SR)? corno do Poder Judiciário. 57.Quanto ao pedido para que sejam subtraídos da ação os meses de outubro, novembro e dezembro de 2004, período em que . já teria O amparo da sentença transitada em julgado, entendo que não merece acolhimento de vez que não fórum observados os trâmites estabelecidos na legislação que regia a matéria e que determinava que para pleitear a compensação, a contribuinte deveria . formalizar o pleito por meio do "Pedido de C'orrifrensação", fato que não ocorreu. Da multa de oficio 58. Por conseguinte, correto o procedimento do auditor fiscal ao formalizar a exigência de tributos e contribuições indevidamente compensados' pela autuada, visto não atender aos requisitos contidos na IN SR17 n° 21, de 1997, que determinava, à época dos . flitos, a formaliza cão de pedido junto ao órgão jurisdicionante do domicilio fiscal da contribuinte, para compensação de tributos e contribuições de espécie e destinação constitucional distintas. 59.. Dessa forma, considerando que as corripens.ações realizadas com créditos de PIS e débitos do SIMPLES nos períodos de apuração de dezembro de 200.1 a dezembro de 2004 não estavam amparadas em autorização judicial, perfeitamente aplicável a multa de oficio prevista no artigo 44, inciso 1, da Lei n" 9..430, de 1996, corri°. rine registra o enquadramento legal da infração, visto que a dispensa da imposição da penalidade, prevista no art. 63 da mesma lei, rc?.;!ring2.-..,;e 005 laq.ç.l.P111-' 11t( 3N pfira prevenir a decadência de tributos cuia exigibilidade houver • sido suspensa na firma do art. 1,51 do CIN., fato não presente na situação em pauta. A decisão de primeira instância afastou a exigência relativa ao PIS; uma. vez que poderá o m.estno pleitear tal compensação com o PIS pago com. base nos Decretos-lei n° 2A45 e2,449 de 1988, julgados inconstitucionais, pelo que entendeu procedente -em parte o lançamento. O contribuinte, tempestivamente interpôs seu recurso voluntário alegando em seu arrazoado o seguinte: - direito da empresa compensar os valores pagos indevidamente a título de PIS, citando inlcusive _jurisprudência judicial a seu favor; - A Recorrente, diz ela a lis, 242, " obteve, através da Ação Ordinária n° 2002.70.08 000.126- 8, em trâmite perante a Vara Federal da Subseção Judiciária de Paranaguá Paraná, autorização para compensar o indébito tributário dos valores pagos indevidamente a titulo de PIS. Segundo o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, o ente público está ciente do trânsito em julgado dos autos que autorizaram à Recorrente esta compensação. A própria Receita _Federal do Brasil admite o crédito da Impugnante e a sua compensação, tanto que extinguiu o lançamento refèrente a parcelas do P18 - Simples. Já é um bom começo, no entanto, não é o suficiente, visto que o procedimento fiscal apontou supostas falhas na compensação promovida pela Recorrente, as quais são inexistentes A hnpugnante ao receber a noticia de decisão favorável à compensação pleiteada na Ação Ordinária n° 2002.70.08 000126-8, iniciou o procedimento, utilizando-se de s(.?u crédito para a compensação do SIMPLES. Tal compensação fin cuidadosamente assistida por contador inscrito no CRC, sempre dentro dos limites . legais e . judiciais,- a Impugnante apresentou uma conduta de extrema cautela e lisura no pagamento de seus tributos'. No entanto, segundo o depreendido do Auto de Infração em comento, a Autoridade .Fazendária incorreu em conduta omissiva ao não baixar as compensações promovidas, em detrimento da Impugnante, com fins (4) 8 Processo n" 10907 00.3149/2006-94 Sl-C21-2 Acótcrio " 1202-00.325 11 5 de locupletamento ilícito através da arrecadação de multas; também agiu com desrespeito ao Poder Judiciário, o qual autorizou as compensações adininistrativas na exata fOrma nas quais elas ocorreram.. A alegaçã.o cdc que as compensações administrativas não podem ser . aceitas por terem ocorrido antes do trânsito em . julgado da ação judicial não pode prosperar, tendia em vista que o pagamento indevido gerador do crédito se deu muito antes do acréscimo do ar! 170-4 ao Código Tributário Nacional. Com efeito, o art. 170-A, o qual determina o aguardo do trânsito em julgado da ação .judicial para o inicio da compensação dos créditos resultantes do processo, .foi introduzido na legislação tributária brasileira em 2001, através da LC,' 104/2001 No entanto, almpugnante, na ação n° 2002.70..08.000126-8, buscava a restituição dos valores indevidamente pagos a titulo de 1)15, no interregno de janeiro de 1992 ajáneiro de 1996, como bem assinalado no Acórdão do julgamento destes autos. Sendo assim, busca-se a compensação ou repetição de indébito de valores pago.s . entre 1992 e 1996, ou seja, muito antes da vigência da regra que determina o trânsito em . julgado do processo judicial como condição para o inicio da.conzpensação." - aduz ainda, a 118.244, que "Mesmo que remotamente o argumento exposto supra seja rechaçado, ainda há de se levar em conta que existem compensações promovidas pela Impugnanie que ocorreram após o trânsito em julgado da ação judicial, que erroneamente estão .sendo aqui cobradas pela autoridade lazendária, o trânsito em julgado das autos n" 2002 70.08..000126-8 ocorreu em 22/09/2004, segundo Certidão do Superior Tribunal de Justiça. No entanto, note-se que o Auditor responsável pelo Auto de Infração alega que as compensações do 1R1I, da C55.1.„ da COHNS e ao iN,5',5" d enfadas em 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004 e 31/12/2004 leriam ocorrido antes do trânsito em julgado do processojtuficial, O que é uma grande inverdade.''; - se insurge contra a multa por a considerar confiscatória, Eis o relatótio. Voto Conselheiro Relato" Orlando .José Gonçalves Bueiro Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele torno conhecimento.. A decisão colegiada de primeira instância não está a merecer' reparos. Afastou, com precisão, as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo.. Neste grau recursal reitera seu direito a compensar o direito cieditorio reconhecido judicialmente relativamente ao PIS -- Ação Ordinária n° 2002.70.08.000126-8, em trâmite perante a Vara Federal da Subseção .hidiciária de Paranaguá Paraná- com o SIMP.LES, ao arrepio do disposto no art. 1.70-A do CTN, com a redação dada pela Lei Complementar IV .104, de 10 de janeiro de 2001, alegando que o pagamento indevido se deu em momento anterior a edição de relerRia. alteração do CIN, fazendo jus a compensação ULliflo requerida. Não comungo do mesmo entendánento, ainda que se deva absoluta reverência ao trânsito em julgado da decisão lavorável ao contribuinte, mesmo porque a disposição do artigo 170-A, do CTN, é explicita ao proibir, taxativamente, a compensação mediante o aproveitamento de tributo antes do trânsito em julgado da respectiva decisão .judiciar. Os finos relatados nestes autos trazem a informação que a ação para discussão judicial somente foi proposta em 2002, portanto, ainda, posteriores aos tatos geradores, e foi reconhecido o direito creditorio somente após o advento da alteração promovida no CTN pela citada lei complementar 104/2001, não podendo, por expressa vedação, o sujeito passivo, antes do trânsito em ,julgado adotar por liberalidade, na sua contabilidade e conta corrente fiscal, qualquer aproveitamento do reconhecido posterior direito creditório, e que o trânsito) cru julgado somente ocorreu em 22 de setembro de 2004 (11s.. 244), Portanto, até essa data não poderia, por expressa vedação legal, proceder qualquer compensação administrativa, como apurada pela fiscalização e exigida corretamente no presente auto de infração, compreendendo Os períodos de 2001. até 2004. - Processo n i 0907.0(R [49/2006-91 S1-C212 Acóaião n." 1202-00.325 F! 6 Argumenta, mais a frente, que a autoridade administrativa deveria ter deferido a compensação referente aos meses outubro, novembro e dezembro de 2004, posto que posteriores a data consignada do trânsito em julgado. Em tese cabe ao contribuinte tal reconhecimento, posto que tem assegurado seu direito creditório por força de decisão .judicial transitada em julgado, conquanto assim seja, no âmbito administrativo, restou descumprida regra administrativa, como bem lembrado pela decisão de primeira instância, de competência legal da SRFB, para que o sujeito passivo requeresse previamente, na forma da instrução normativa competente, a devida formalização de tal compensação, o que não foi realizado pela Recorrente, como se depreende dos autos. Assim., correto o entendimento do voto condutor do colegiado "a quo", que assim decidiu, a lis. 223: "Quanto ao pedido para que sejam subtraídos da ação Os -meses de outubro, novembro e dezembro de 2004, período em que . já teria o amparo da sentença transitada em julgado, entendo que não merece acolhimento de vez que não -1i-wam observados os trâmites estabelecidos na legislação que regia a matéria e que determinava que para pleitear a compensação, a contribuinte deveria formalizar o pleito por meio do "Pedido de Compensação", fato que não ocorreu." Por igual motivo sigo o mesmo entendimento, lembrando, neste momento, que neste processo administrativo não se questiona mais o direito creditório, mas sim a ausê,ncia de um requisito normativo administrativo fiscal, necessário para o pleno exercício da pretensa compensação tributária como solicitada. Nesse sentido, por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário. 41,Eis como voto_ _ Relator Orlando _é Gonçalves Buen" MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS , SUGUN DA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO TERMO DE INTIMAÇÃO) Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n'' 256, de 22 de junho de 2009. Bi asilia, 09 de agosto de 20 l O Maria Conceição &Sousa Rodngues - Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador (a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da VIN: [ 1 apenas com ciência; I _I com Recurso Especial; [1 com Einhar g,os de Declaração,
score : 1.0
Numero do processo: 10410.002925/2003-78
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1999
CSLL - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL
Identificada a falta de recolhimento do valor de estimativas mensais, após o ténnino do ano-calendário, deve a fiscalização lavrar auto de infração abrangendo a multa pela falta de recolhimento do tributo e o valor do tributo devido em 31 de dezembro, conforme previsto no artigo 16 da Instrução
Nornativa SRF n. 93, de 24.12.1997.
Numero da decisão: 1802-000.467
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: JOÃO FRANCISCO BIANCO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201005
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1999 CSLL - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL Identificada a falta de recolhimento do valor de estimativas mensais, após o ténnino do ano-calendário, deve a fiscalização lavrar auto de infração abrangendo a multa pela falta de recolhimento do tributo e o valor do tributo devido em 31 de dezembro, conforme previsto no artigo 16 da Instrução Nornativa SRF n. 93, de 24.12.1997.
numero_processo_s : 10410.002925/2003-78
conteudo_id_s : 5630964
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.467
nome_arquivo_s : Decisao_10410002925200378.pdf
nome_relator_s : JOÃO FRANCISCO BIANCO
nome_arquivo_pdf_s : 10410002925200378_5630964.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
dt_sessao_tdt : Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
id : 6485731
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076782378876928
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-08-17T14:37:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-08-17T14:37:05Z; Last-Modified: 2010-08-17T14:37:05Z; dcterms:modified: 2010-08-17T14:37:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4dc029bc-dc73-4ada-b9f9-eda0d1809270; Last-Save-Date: 2010-08-17T14:37:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-08-17T14:37:05Z; meta:save-date: 2010-08-17T14:37:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-08-17T14:37:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-08-17T14:37:05Z; created: 2010-08-17T14:37:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-08-17T14:37:05Z; pdf:charsPerPage: 1153; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-08-17T14:37:05Z | Conteúdo => Si -TEU H. 1 , MINISTÉRIO DA FAZENDA -I, f • . j • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1,,KftN' i PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 4. -- Processo n° 10410.002925/2003-78 • Recurso n° 164.771 Voluntário Acórdão n° 1802-00.467 - 2" Turma Especial Sessão de 18 de maio de 2010 Matéria CSLL •Recorrente Taiyo Auto Import Ltda Recorrida 3a Turrna/DRJ-Fortaleza/CE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1999 CSLL - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL Identificada a falta de recolhimento do valor de estimativas mensais, após o ténnino do ano-calendário, deve a fiscalização lavrar auto de infração abrangendo a multa pela falta de recolhimento do tributo e o valor do tributo devido em 31 de dezembro, conforme previsto no artigo 16 da Instrução Nonnativa SRF n. 93, de 24.12.1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório_e voto que integram o presente julgado. ------- - - R M-------1-0:-- LIN- --""-ivt--------------------"------e SA - President-- • (`')•;jii fl --r- c_ 4n.-‘..,-.....›1JO rO FRANCISCO BIAN . - Relatorij / / i Processo n° 10410.002925/2003-78 Si -TE02 Acórdão n.° 1802-00.467 Fl. 2 EDITADO EM: 8 JUL 2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Çilberto Baptista (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, João Francisco Bianco (Vice Presidente de Tuima). Relatório Tratam os presentes autos de exigência de CSLL devida por estimativa mensal, relativa a junho de 1998, no valor de R$ 5.630,21. Alegam as autoridades fazendárias no auto de infração (fls. 03) ter sido identificada a falta de recolhimento da referida contribuição, devidamente informada na DCTF (fls 13). Intimado, a recorrente apresentou sua impugnação (fls. 01) argumentando ter havido extinção desse crédito tributário por meio de compensação, informada na DCTF, com créditos de CSLL recolhida a maior, devida por estimativa sobre o mês de maio de 1998. A fiscalização, após analisar os documentos juntados na impugnação, proferiu despacho (fls. 20) dando prosseguimento ao processo administrativo, conforme demonstrativos de consolidação e recálculo (fls. 16). A recorrente apresentou nova manifestação (fls. 29) apontando que o valor da CSLL devida contante da DCTF estaria errado e que o valor correto seria aquele informado na DIPJ, no LALUR, no Livro Diário e nos balancetes, conforme cópia juntada aos autos. Ao final, requereu a retificação da DCTF. Por seu turno, a DRJ manteve parcialmente o trabalho fiscal (fls. 68). Em sua decisão, sustentou que não há previsão legal para a compensação de "recolhimentos mensais por estimativa" efetuados a maior em um mês com débitos mensais subseqüentes, no transcurso do ano calendário. Ainda, apontou a falta de liquidez e certeza dos supostos créditos. Por fim, exonerou a multa de lançamento de oficio, tendo em vista a nova redação dada ao artigo 18 da Lei n. 10833, de 2003, pela Lei n. 11.051, de 2003, combinado com o princípio da retroatividade benigna da lei, previsto no artigo 106, inciso II, alínea "c", do C'TN. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls 79), juntando documentos com o objetivo de demonstrar que o valor do débito aqui exigido havia sido compensado com créditos efetivamente existentes. Além disso, reiterou que os valores lançados na DCTF seria ilíquidos e incertos, pois totalmente errados e não condizentes com aqueles anotados na DIPJ e demais livros contábeis da empresa. É o relatório. 2 • Processo n° 10410.002925/2003-78 Si -TE02 Acórdão n.° 1802-00.467 Fl. 3 Voto Conselheiro Relator João Francisco Biauco, Relator O recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Passo a apreciá-lo. A matéria em discussão nestes autos versa sobre a exigência de CSLL devida por estimativa mensal (relativa a junho de 1998) que, informada na DCTF, deixou de ser recolhida aos cofres públicos. Sustenta a recorrente que o valor constante da DCTF estava incorreto, pois em desconformidade com os valores anotados na sua DIPJ, Lalur e escrituração comercial e fiscal. Além disso, o valor declarado teria sido pago mediante compensação com recolhimento feito a maior de CSLL, devida por estimativa mensal relativa a maio de 1998. A decisão recorrida não se manifestou sobre os supostos erros cometidos no preenchimento da DCTF, limitando-se a sustentar não haver base legal que autorize a compensação de valores recolhidos a maior do que o devido a título de estimativa mensal, tendo em vista que esses recolhimentos não tem natureza de tributo pago mas sim de mero recolhimento antecipado de tributo que será devido ao final do período de apuração. A exoneração da multa de lançamento de oficio não é matéria ora em discussão. A meu ver, não procedem os argumentos foimulados pela DRJ para manter o trabalho fiscal. Com efeito, após o término do ano-calendário — como é o caso dos autos — não pode a fiscalização exigir o pagamento das estimativas mensais devidas e não pagas. Nessa hipótese, o lançamento de oficio deverá abranger a multa pela falta de recolhimento do tributo e o valor do imposto devido em 31 de dezembro. Esse é o exato teor do comando previsto no artigo 16 da Instrução Normativa SRF n. 93, de 24.12.1997. Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Sai das Sessões, em 18 de maio de 2010 • - • Jo t o Francisco Bianco • • 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo : 10410.002925/2003-78 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1802-00.467. Brasília - DF, em 08 de julho de 2010 / ,iosé Roberto Trança Secretárid da 2' Câmara da Primeira Seção CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: • - Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000346/2004-12
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1998, 1999
NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de
contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatar-se nova decisão suprindo a omissão, observando-se o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 1801-000.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada pela recorrente de nulidade do acórdão de primeira instância, e dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1998, 1999 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatar-se nova decisão suprindo a omissão, observando-se o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição.
numero_processo_s : 19740.000346/2004-12
conteudo_id_s : 5779728
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.502
nome_arquivo_s : Decisao_19740000346200412.pdf
nome_relator_s : Ana de Barros Fernandes
nome_arquivo_pdf_s : 19740000346200412_5779728.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada pela recorrente de nulidade do acórdão de primeira instância, e dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
id : 6959824
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076782394605568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1625; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 463 1 462 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000346/200412 Recurso nº 160.517 Voluntário Acórdão nº 180100.502 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de março de 2011 Matéria Processo Administrativo Fiscal Nulidade de Decisão Recorrente SUL AMÉRICA CAPITALIZAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1998, 1999 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatarse nova decisão suprindo a omissão, observandose o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada pela recorrente de nulidade do acórdão de primeira instância, e dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, André Ricardo Lemes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 489DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa teve contra si lavrado Auto de infração para exigência da Multa Isolada pelo não recolhimento da estimativa de CSLL, objeto deste processo. O Termo de Verificações de fls. 80 a 90 nos noticia que a empresa é autora de diversas ações judiciais, inclusive a ordinária n. 95.00260875, que trata da exigência de CSLL, assunto conexo ao do presente processo. Analisadas as referidas ações judiciais, a empresa teve contra si lavrados outros Autos de Infração para exigência do tributo CSLL, formalizados em processos distintos. De posse da documentação relativa às ações judiciais, a autoridade fiscal elaborou um demonstrativo das parcelas exigíveis de CSLL, destacando as estimativas de CSLL não recolhidas e os valores exigíveis no ajuste de cada ano analisado (1997, 1998), bem como relacionou tais parcelas às pertinentes ações judiciais – fls. 300 a 303. Continuando os esclarecimentos, elaborou outro demonstrativo de cálculo para as exigências de multa isolada (aplicação de penalidade e não exigência de tributo) – fls. 304 a 305. Assim resta explicitado no Termo de Verificações de fls. 306 a 315: “[...] A conseqüência direta é a necessidade de lançamento de multa isolada sobre a parte agora exigível das estimativas não recolhidas, bem como sobre a parcela exigível da contribuição apurada no Ajuste. Assim sendo, examinamos a contribuição social devida a cada período de apuração, a partir da planilha de fls. 78/79, destacando de forma sistemática as parcelas ainda suspensas e as parcelas tornadas exigíveis. Para tanto, elaborouse o demonstrativo de fls. 300 a 303. Uma vez apuradas as parcelas exigíveis da CSLL, passamos ao cálculo da multa. O lançamento compreende duas hipóteses de multa isolada: a) multa isolada decorrente do nãorecolhimento da parcela exigível da CSLL (Lei 9.430/96, art. 44, I, § 1°, IV); e b) multa isolada decorrente do pagamento após o vencimento, mas sem o acréscimo de multa de mora, em DARFs e depósitos judiciais (Lei 9.430/96, art. 44, I, § 1°, II). O cálculo da multa consta do demonstrativo de fls. 304 a 305. Observese que a multa a que se refere a alínea "b" do parágrafo anterior deve ser lançada com suspensão de exigibilidade, em razão de decisão proferida na ação judicial de multa. Do Lançamento de Oficio Efetuamos o lançamento de oficio das multas isoladas apuradas no demonstrativo de fls. 304 a 305, sendo parte exigível e parte com exigibilidade suspensa. O lançamento objeto do presente Termo, formalizado neste processo 19740.000346/200412, referese à parcela lançada sem suspensão. A parcela do lançamento efetuada com suspensão de exigibilidade foi objeto de auto próprio, formalizado no processo fiscal número 19740.000345/200460.” (alguns grifos não pertencem ao original) Fl. 490DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19740.000346/200412 Acórdão n.º 180100.502 S1TE01 Fl. 464 3 Esclarece, ainda, que este Auto de Infração para a exigência das multas isoladas decorrentes dos não recolhimentos das estimativas de CSLL guarda relação com o processo n. 10768.014791/200126, pois neste é que foram apuradas as CSLL (o resultado pode influenciar nos valores das estimativas e consequente penalização). O Auto de Infração objeto do presente litígio encontrase às fls. 316 a 319 e restringese à exigência da multa isolada pela falta de recolhimento das CSLL sobre as bases estimadas relativas a novembro de 1997, julho e dezembro de 1998. Na impugnação, fls. 324 a 341, a autuada informa, em suma, que: a) a exigência das retro mencionadas multas isoladas decorre de insuficiência de depósito judicial efetuado no processo n. 98.002.18084, cujo objeto é o direito que entende em compensar bases negativas da CSLL sem observância do limite legal de 30%; b) a cobrança ora debatida não merece prosperar, pois os depósitos foram feitos de forma integral; c) o lançamento do suposto débito está decaído, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional – CTN; os débitos são relativos a novembro de 1997, julho e dezembro de 1998, e o lançamento tributário ocorreu somente em setembro de 2004, portanto, fora do prazo hábil; d) passa a discorrer sobre as diferenças de bases de cálculos entre os valores que entende fazer jus, para a apuração de CSLL, e aqueles apurados na auditoria fiscal; e) analisa minuciosamente cada valor relativo à base de cálculo da multa isolada, na tentativa de descontiuílos, consoante o que discute no processo judicial 95.002.60875; f) discorre sobre a impossibilidade de autuação para a exigência das parcelas de antecipação das CSLL durante ou após o encerramento do anocalendário; g) alega duplicidade de base de cálculo utilizada na cobrança; h) cita diversas ementas de julgados administrativos que defendem a impossibilidade da aplicação da multa isolada, nos quais defendese que esta só pode decorrer do descumprimento de obrigação acessória, e não falta de recolhimento de antecipação. A Sétima Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro / RJ – I exarou o Acórdão nº 1214.193/07, fls. 430 a 433, não conhecendo da impugnação interposta pelos seguintes fundamentos: “O mérito quanto ao crédito tributário impugnado encontrase jungido aos processos judiciais n° 98.002.18084, da 1ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro e 95.002.60875, da 28ª Vara Federal do Rio de Janeiro. A presente autuação guarda conexão indissociável ao processo 10768.014791/2001 26, cuja impugnação a 3' Tunna desta Delegacia deixou de conhecer, em face de ações judiciais ajuizadas pelo contribuinte. Fl. 491DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Como os processos judiciais versam sobre os mesmos objetos do lançamento em análise, a apreciação da peça impugnatória fica prejudicada, em face do disposto no § 2° do art. 1° do Decretolei n° 1.737/1979, combinado com o § único do art. 38 da Lei n° 6.830/1980 e disciplinado, no âmbito administrativo, pelo Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 3 de 14/02/1996 e Portaria MF n°258 de 24/08/2001. Nos termos da legislação citada, a propositura — por qualquer que seja a modalidade processual — de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa, por parte do interessado, em renúncia tácita às instâncias administrativas e desistência de eventual recurso interposto, operandose, por conseguinte, o efeito de constituição definitiva do crédito tributário na esfera administrativa.” (grifos não pertencem ao original) A recorrente, tempestivamente, interpõe o Recurso Voluntário de fls. 438 a 461 argumentando, em apertada síntese, que o acórdão padece de nulidade porque não enfrentou os argumentos trazidos na impugnação sobre a improcedência do lançamento de multas isoladas, e não do tributo em si, e da requerida decadência deste lançamento. Nesta oportunidade, a dra. Ana Carolina G P de Andrade, OAB/RJ n. 114.499, fez sustentação oral pela recorrente. É o relatório, passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, relatora. Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. O cerne da discussão deste recurso está no fato de a recorrente entender que a turma julgadora de primeira instância não se ateve às razões impugnatórias divergentes daquelas levadas a juízo. É de se reconhecer, primeiramente, que as bases de cálculos das penalidades ora aplicadas à recorrente – multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas a que se sujeitava – de fato estão inequivocamente vinculadas à sorte da ação judicial que discute os valores de CSLL, compensáveis, ou não, desde 1989. Todavia, entendo que a decadência do lançamento das referidas multas foge ao escopo da ação judicial, não podendo a instância de julgamento a quo declinar a apreciação desta preliminar. Principalmente porque tratase de matéria de ordem pública, cogente o pronunciamento da turma julgadora, ainda que não houvesse a sua alegação. Se o lançamento das presentes multas isoladas estiver decaído, pouco importa o desfecho da ação judicial que debate as bases de cálculo destas penalidades, este não poderá subsistir. Saliento, mais uma vez, que a ação judicial, conforme explicitado pela autoridade fiscal do lançamento, não versa sobre a cominação das multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas, mas especificamente sobre valores devidos a título de CSLL. Claro que se, judicialmente, a recorrente obter parecer favorável e não forem devidas as CSLL calculadas sobre as bases estimadas, este lançamento de penalidade também não subsistirá. Fl. 492DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19740.000346/200412 Acórdão n.º 180100.502 S1TE01 Fl. 465 5 A contrário senso, se as exigências dos tributos, no caso CSLL, forem reconhecidas como devidas na esfera judicial, há que, administrativamente, apreciarse se a cominação das multas isoladas decorrentes dos não recolhimentos de estimativas é devida ou não, matéria esta não levada ao crivo judicial, mas aventada na seara administrativa, ainda que de relance pela recorrente por meio da invocação de ementas de julgados correlatos. Pelo exposto, e em prestígio ao duplo grau de jurisdição, voto no sentido de determinar a devolução dos autos à primeira instância de julgamento para: a) enfrentar a preliminar da decadência do presente lançamento e, b) quanto ao mérito, decidir sobre a procedência da autuação para a exigência da penalidade imposta pelo não recolhimento de CSLL mensais pelas bases estimadas. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Relatora Fl. 493DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.025434/99-80
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/1999 a31/12/1999
COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS.
Face às normas regimentais, processam-se perante o Terceiro Conselho de Contribuintes os recursos relativos à classificação de mercadorias.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-000.100
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara/2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência à Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF
Nome do relator: Rodrigo Bernardes de Carvalho
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200905
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/1999 a31/12/1999 COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Face às normas regimentais, processam-se perante o Terceiro Conselho de Contribuintes os recursos relativos à classificação de mercadorias. Recurso não conhecido.
numero_processo_s : 10380.025434/99-80
conteudo_id_s : 6054772
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-000.100
nome_arquivo_s : Decisao_103800254349980.pdf
nome_relator_s : Rodrigo Bernardes de Carvalho
nome_arquivo_pdf_s : 103800254349980_6054772.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara/2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência à Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF
dt_sessao_tdt : Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
id : 7876045
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076782396702720
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-05-10T11:22:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-05-10T11:22:46Z; Last-Modified: 2010-05-10T11:22:46Z; dcterms:modified: 2010-05-10T11:22:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-05-10T11:22:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-05-10T11:22:46Z; meta:save-date: 2010-05-10T11:22:46Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-05-10T11:22:46Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-05-10T11:22:46Z; created: 2010-05-10T11:22:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-05-10T11:22:46Z; pdf:charsPerPage: 1190; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-05-10T11:22:46Z | Conteúdo => S2-C2T1 El 1 "1:10 44 t(.-àlfr.:n:(' MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINIS IRATIVO DE RECURSOS FISCAIS fre : - SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10380.025434/99-80 Recurso n° 155.090 Voluntário Acórdão n° 2202-00.100 — 2' Câmara / Turma Ordinária Sessão de 7 de maio de 2009 Matéria IPI Recorrente VON ROLL DO BRASIL LTDA Recorrida DRJ - BELÉM/PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - Período de apuração: 01/10/1999 a31/12/1999 COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Face às normas regimentais, processam-se perante o Terceiro Conselho de Contribuintes os recursos relativos à classificação de mercadorias. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara/2' Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência à Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF. \)totittzzákt NAY B STOS MANATTA Presidenta RcÁGO BERNARDES DE CAR ALHO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Julio César Alves Ramos, Ali Zraik Junior, Silvia de Brito Oliveira, Marcos Tranchesi Ortiz, Alexandre Kern (Suplente) e Leonardo Siade Manzan. Processo n° 10380.025434/99-80 S2-C2T1 Acórdão n.° 2202-00.100 Fl. 2 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DAI em Belém/PA que manteve o indeferimento do pedido de ressarcimento do IPI feito pela DRF em Fortaleza/CE em virtude de reclassificação fiscal do produto fabricado pela contribuinte, alterando-se a alíquota de zero para 15%, mas, por outro lado reconheceu como homologadas as compensações pleiteadas com os créditos decorrentes do ressarcimento do IPI, em virtude do disposto no art. 74,§ 5° da Lei n° 9430/96, com a nova redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/02, combinado com o art. 17 da MP n° 135/03. A contribuinte apresentou recurso voluntário acerca do indeferimento do ressarcimento de créditos do LPI. É o Relatório. Voto Conselheiro RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO, Relator O recurso interposto encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado, ressaltando-se que a compensação não é objeto de recurso uma vez que foi homologada pela instância julgadora a quo. Apenas o pedido de ressarcimento é objeto de recurso. A razão do motivo do indeferimento do ressarcimento de créditos de IPI foi erro na classificação fiscal e nas alíquotas das mercadorias saídas do estabelecimento industrial da recorrente. Exatamente esta é a matéria objeto do recurso: classificação fiscal das mercadorias. O Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MT n° 55/98, com as alterações introduzidas pela Portaria MF ri° 103, de 23/04/2002, estabeleceu como competência do Terceiro Conselho de Contribuintes o julgamento acerca de questão que envolva, apenas a classificação fiscal de mercadorias. A partir de tais considerações, faz-se mister que se decline a competência para o julgamento da matéria relativa à classificação fiscal das mercadorias saídas do estabelecimento industrial da recorrente e pelo encaminhamento do processo ao Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes para que este se manifeste acerca desta questão. Assim sendo, concluo por declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes, nos termos do Decreto n° 2.562/98, para analisar e julgar a matéria objeto do litígio. W`f 2 Processa n° 10380.025434/99-80 S2-C211 Acórdão n.° 2202-00.100 E. 3 Assim sendo, voto por ao conhecer do recurso interposto. Sala das Sessões, em 7 de maio de 2009 47/6 RO IO/0 BERNARDES DE CARVALHO 3
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912454/2012-19
Data da sessão: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2005
MULTA DE MORA. DÉBITOS. PAGAMENTOS A DESTEMPO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA.
O pagamento de débitos fiscais declarados nas respectivas DCTF, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), em data posterior à dos seus respectivos vencimentos, não configura denúncia espontânea, incidindo multa de mora sobre débitos compensados a destempo.
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-008.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2005 MULTA DE MORA. DÉBITOS. PAGAMENTOS A DESTEMPO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. O pagamento de débitos fiscais declarados nas respectivas DCTF, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), em data posterior à dos seus respectivos vencimentos, não configura denúncia espontânea, incidindo multa de mora sobre débitos compensados a destempo. Recurso Especial do Procurador provido.
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.912454/2012-19
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6026071
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.797
nome_arquivo_s : Decisao_10680912454201219.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10680912454201219_6026071.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7808440
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076782397751296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1422; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.912454/201219 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.797 – 3ª Turma Sessão de 14 de junho de 2019 Matéria COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2005 MULTA DE MORA. DÉBITOS. PAGAMENTOS A DESTEMPO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. O pagamento de débitos fiscais declarados nas respectivas DCTF, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), em data posterior à dos seus respectivos vencimentos, não configura denúncia espontânea, incidindo multa de mora sobre débitos compensados a destempo. Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 24 54 /2 01 2- 19 Fl. 318DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3403003.628, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer ao contribuinte a aplicação da denúncia espontânea no pagamento realizado em relação ao débito confessado e pago por meio da Decomp 13059.10276.031007.1.7.048309, cujo efeito é o de afastar a exigência de multa, devendo ser recalculado pela Delegacia de origem o aproveitamento do crédito em relação aos débitos apresentados pelo contribuinte, mas apenas considerando o valor do principal e os juros, sem o cômputo de multa. O Colegiado a quo, assim, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALOCAÇÃO DO SALDO DE CRÉDITO ENTRE DIVERSAS COMPENSAÇÕES. CANCELAMENTO DE OFÍCIO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento da Declaração de Compensação apenas é possível no momento anterior à decisão administrativa que lhe homologue ou negue homologação. DENUNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO PRÉVIA. DIFERENÇA DE VALOR Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10680.912454/201219 Acórdão n.º 9303008.797 CSRFT3 Fl. 3 3 CONFESSADA E PAGA EM MOMENTO SUPERVENIENTE. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça não é de que a denúncia espontânea seria impossível em tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mas de que a denúncia espontânea não se configura se o contribuinte, em razão de tal sistemática de lançamento, faz a prévia confissão do débito e deixa transcorrer o prazo de vencimento, para depois pretender uma falsa espontaneidade (Súmula STJ/360 e Recursos Especiais nºs 886.462 e 962.379 da Primeira Seção do STJ, Dje 28/10/2008). Não se tratando de prévia confissão, mas de diferença de tributos que foi confessada e paga de maneira superveniente, aplicase a denúncia espontânea, afastandose a aplicação de penalidades, em cujo conceito se insere a multa de mora. Entendimento firmado em regime de recurso repetitivo, na forma do art. 543C do CPC (Recurso Especial nº 1.149.022, da Primeira Seção do STJ, Dje 24/06/2010), que deve ser aplicado no julgamento administrativo por força do art. 62ª do Regimento Interno deste Conselho. Precedentes (acórdão 3403001.946, j. 19/03.2013; acórdão 3403002.060, j. 24/03/2013). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. São equivalentes o recolhimento por meio de DARF e a compensação por meio de DCOMP para o efeito de configuração da denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN. Recurso parcialmente provido.” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que a compensação e o pagamento constituem duas modalidades distintas de extinção do crédito tributário. O que, não caberia estender o benefício da denúncia espontânea para a compensação, uma vez que o art. 138 do CTN se refere tão somente ao pagamento. Em Despacho às fls.237 a 238, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 320DF CARF MF 4 Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo que a compensação por ser uma das modalidades de extinção de obrigação tributária – é caracterizador de denúncia espontânea. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Vêse que o cerne da lide se resume a equiparação das modalidades de extinção do crédito tributário, especificamente compensação com pagamento, para fins de aplicação da tese da denúncia espontânea ao presente caso. Eis o art. 138 do CTN: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Para melhor direcionar o meu entendimento, importante recordar: · Tratase de despacho decisório que homologou em parte a compensação dos débitos tributários declarados na DCOMP; · A homologação parcial decorreu da falta de recolhimento de multa de mora, vez que o contribuinte adotou a tese da denúncia espontânea nesse caso – eis que entregou a DCOMP antes da apresentação da DCTF retificadora. Resta assim, inegável, que houve a extinção de parte do débito com a homologação parcial, vez que a Receita Federal do Brasil homologou parcialmente a declaração de compensação, Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10680.912454/201219 Acórdão n.º 9303008.797 CSRFT3 Fl. 4 5 considerando que faltava o recolhimento da multa. Inegável, assim, que houve a quitação total do débito, com a homologação, se adotarmos a tese da denúncia espontânea. Tal informação é relevante, considerando o decidido pelo STJ, em sede de Recurso Repetitivo (Grifos meus): "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. Fl. 322DF CARF MF 6 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Vêse que o STJ traz que quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. O STJ traz o termo recolhido integralmente, e não pago integralmente, além mencionar a palavra quitação. Por óbvio, vez que o que devese considerar para a aplicação do art. 18 do CTN é a quitação – extinção do débito. E, no presente caso, ocorreu. A compensação tem o mesmo efeito prático e jurídico do recolhimento: ambos surtem o efeito imediato de extinção do crédito tributário e estão sujeitos, igualmente, à homologação pela autoridade fiscal. Frisese tal entendimento a Nota Técnica Cosit 1 – que aplico, ainda que “extinta”: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10680.912454/201219 Acórdão n.º 9303008.797 CSRFT3 Fl. 5 7 “[...] Aplicabilidade da denúncia espontânea no caso de compensação 18. Com relação a aplicabilidade da denúncia espontânea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensação se equivalem, ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como consequência, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. [...]” Cabe considerar ainda o decidido pelo STJ que decidiu que “compensação” se equiparava a “pagamento” – Resp 1.122.131/SC: “TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DE NORMA LEGAL. ART. 9°. DA MP 303/06, CUJA ABRANGÊNCIA NÃO PODE RESTRINGIRSE AO PAGAMENTO PURO E SIMPLES, EM ESPÉCIE E À VISTA, DO TRIBUTO DEVIDO. INCLUSÃO DA SSP 1669290v7 12 HIPÓTESE DE COMPENSAÇÃO, COMO ESPÉCIE DO GÊNERO PAGAMENTO, INCLUSIVE PORQUE O VALOR DEVIDO JÁ SE ACHA EM PODER DO PRÓPRIO CREDOR. PLETORA DE PRECEDENTES DO STJ QUE COMPARTILHAM DESSA ABORDAGEM INTELECTIVA. NECESSIDADE DA ATUAÇÃO JUDICIAL MODERADORA, PARA DISTENCIONAR AS RELAÇÕES ENTRE O PODER TRIBUTANTE E OS SEUS CONTRIBUINTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. [...] Considerandose a compensação uma modalidade que pressupõe credores e devedores recíprocos, ela, ontologicamente, não se distingue de um pagamento no qual, imediatamente depois de pagar determinados valores (e extinguir um débito), o sujeito os recebe de volta (e assim tem extinto um crédito). Por essa razão, mesmo a interpretação positivista e normativista do art. 9°. da MP 303/06, deve conduzir o intérprete a albergar, no sentido da expressão pagamento, a extinção da obrigação pela via compensatória, especialmente na modalidade ex officio, como se deu neste caso (2/6/16)” (REsp 1122131/SC, relator: ministro Napoleão Nunes Maia Filho, primeira turma, data do julgamento: 24/5/16, data da publicação/fonte: DJe 2/6/16, g.n.).” Fl. 324DF CARF MF 8 Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado Com a devida vênia, divirjo da i. Conselheira Tatiana M. Migiyama. Entende a Dra. Tatiana Migiyama "que houve a extinção de parte do débito com a homologação parcial, vez que a Receita Federal do Brasil homologou parcialmente a declaração de compensação, considerando que faltava o recolhimento da multa". Ou seja, para a digna relatora a compensação tem, em toda sua extensão, natureza de pagamento. Aí reside nossa divergência. A aplicação da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, na extinção de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, já foi objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob o rito dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 16/03/2015, por meio do REsp nº 1.149.022/SP, no qual aquele Tribunal Superior decidiu que não se aplica aquele instituto aos débitos declarados pelo contribuinte nas respectivas DCTF e liquidados depois das datas de seus vencimentos. Assim, por força no disposto no art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aplicase ao presente caso essa decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), reconhecendo que a transmissão da Dcomp depois das datas dos prazos de vencimentos dos débitos tributários compensados, visando suas extinções, não configurou denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Vejase, nesse sentido, outro julgado do STJ: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou se no sentido de que é incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aos casos de compensação tributária, justamente porque, nessa hipótese, a extinção do débito estará submetida à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo fisco, a qual, caso não ocorra, implicará o não pagamento do crédito tributário, havendo, por consequência, a incidência dos encargos moratórios. Precedentes. (AgInt nos EDcl nos EREsp 1.657.437/RS, Relator Min. Gurgel de Faria, Dje 17/10/2018) Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10680.912454/201219 Acórdão n.º 9303008.797 CSRFT3 Fl. 6 9 Portanto, em casos que o alegado pagamento operouse com o envio de DCOMP não há que falarse em denúncia espontânea. Esse é o entendimento majoritário desta E. Turma, como no presente julgado. A título de exemplo cito o aresto 9303008.370, de 20/03/2019, de relatoria do Dr. Rodrigo da Costa Pôssas. DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço e provejo o recurso especial fazendário, desta forma revigorando os termos da decisão da DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000530/2003-37
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN,
tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vicio relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento dele decorrente.
LEI N° 10.174, DE 2001. RETROATIVIDADE.
0 art. 11, § 3 0, da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Sumula CARF N° 35)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado,
não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SUJEITO PASSIVO. TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
A titularidade dos depósitos bancários pertence As pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF N° 32)
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-000.582
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201003
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vicio relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento dele decorrente. LEI N° 10.174, DE 2001. RETROATIVIDADE. 0 art. 11, § 3 0, da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Sumula CARF N° 35) DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SUJEITO PASSIVO. TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. A titularidade dos depósitos bancários pertence As pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF N° 32) Preliminares rejeitadas. Recurso negado
numero_processo_s : 19515.000530/2003-37
conteudo_id_s : 6092768
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-000.582
nome_arquivo_s : 220100582_19515000530200337_201003.PDF
nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 19515000530200337_6092768.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
id : 7985975
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076782450180096
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-19T12:53:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-19T12:53:17Z; Last-Modified: 2011-09-19T12:53:17Z; dcterms:modified: 2011-09-19T12:53:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:631a2704-a794-4d58-bba1-3651310a2dbd; Last-Save-Date: 2011-09-19T12:53:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-19T12:53:17Z; meta:save-date: 2011-09-19T12:53:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-19T12:53:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-19T12:53:17Z; created: 2011-09-19T12:53:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-09-19T12:53:17Z; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-19T12:53:17Z | Conteúdo => S2-C2T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19515.000530/2003-37 Recurso n° 161.625 Voluntário Acórdão n° 2201-00.582 — 2 Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2010 Matéria IRPF Recorrente MILTON DONIZETI HEINEKE TEIXEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. 1NOCORRÊNCIA. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vicio relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento dele decorrente. LEI N° 10.174, DE 2001. RETROATIVIDADE. 0 art. 11, § 3 0, da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Sumula CARF N° 35) DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SUJEITO PASSIVO. TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. A titularidade dos depósitos bancários pertence As pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF N° 32) Preliminares rejeitadas. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os mem ros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar pro• imento ao recurso 'es termos do voto do Relator. cisc de Oliveira Júnior — Presidente • f. -a o Paul'o Pereira Barbosa — Rela or EDITADO EM: 1 8 MAI 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). 2 Processo n° 19515.000530/2003-37 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.582 Fl. 2 Relatório MILTON DONIZETI HEINEKE TEIXEIRA interpôs recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente lançamento formalizado por meio do auto de infração de fls. 130/138. Trata-se de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, no valor de R$ 68.114,85, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 163.257,66. A infração que ensejou o lançamento e que está detalhadamente descrita no Termo de Verificação Fiscal de fls. 130/133, foi a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no ano-calendário de 1998. Na impugnação de fls. 154/170 o Contribuinte insurgiu-se contra a aplicação retroativa da Lei complementar n° 105 e da Lei no 10.174, ambas de 2001. Diz que esta aplicação retroativa constitui abuso de poder. Quanto ao mérito, afirma que depósitos bancários não caracterizam o fato gerador do imposto; que não podem sustentar o inicio de procedimento fiscal e que cabe ao Fisco comprovar a existência de acréscimo patrimonial. Diz que a única fonte pagadora de seus rendimentos e a empresa Berkana Produtos Eletrônicos Ltda., da qual é sócio, e que valores pertencentes a esta empresa transitaram por sua conta particular. E argumenta que a fiscalização não comprovou a existência de outra fonte de rendimentos. A Delegacia de Julgamento - DRJ julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. A DRJ rejeitou, inicialmente, a arguição de nulidade do lançamento, ressaltando que a LC n° 105 e a Lei n° 10.174 referem-se a atividade de lançamento, aplicando- se o disposto no art. 144 do CTN. Anota, também, que já desde 1997 existia a previsão legal de lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Quanto ao mérito, após expor sobre a natureza do lançamento com base em depósitos bancários, enfatizando a sua previsão legal, rejeitou a alegação do Contribuinte de que depósitos bancários não se confundem com renda e de que o Fisco teria que comprovar a existência de acréscimo patrimonial. Anotou que não houve comprovação da origem dos depósitos bancários, caracterizando-se a omissão de rendimentos, 0 Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 04/07/2007 (fls. 185v) e, em 02/08/2007, interpôs o recurso de fls. 189/196, que ora se examina e no qual reproduz, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator 0 recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a manifestação do Contribuinte contrária ao que chama de aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105, de 2001 e da lei n° 10.174, de 2001, que recebo como arguição de nulidade, vez que seria essa a consequência do acolhimento da tese. Sobre a Lei n° 10.174, de 2001, a matéria já está pacificada no âmbito deste conselho que editou súmula a respeito, de aplicação obrigatória, a saber: Súmula CARE N° 35 0 art. 11, § 3°, da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Quanto A. Lei complementar n° 105, esta versa expressamente sobre o dever de sigilo das instituições financeiras em relação às operações financeiras de seus clientes, e fez a ressalva quanto ao acesso a essas informações pelos agentes do Fisco, a saber: Lei Complementar n° 105, de 2001: Art. I° — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 3° Não constitui violação do dever de sigilo: VI — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3', 4°, 5', 6°, 7" e 9° desta Lei Complementar. Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municipios somente poderão examinar documentos, livPos e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. 4 Processo n° 19515.000530/2003-37 52-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.582 Fl. 3 Parágrafo único. 0 resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Entretanto, não foi esta lei complementar que instituiu a possibilidade de acesso dos agentes do Fisco As informações sobre a movimentação financeira, neste aspecto, ela apenas reafirmou o que legislação anterior já previa e definiu procedimentos administrativos a serem observados neste processo. Portanto, não há falar aqui em aplicação retroativa desta lei no que se refere ao aspecto essencial do acesso ás informações e, quanto aos procedimentos, estes têm aplicação imediata. Assim, não há falar em aplicação retroativa desta lei. Não vislumbro, pois, qualquer vicio no procedimento fiscal ou no auto de infração dele decorrente quanto a este aspecto, razão pela qual rejeito a preliminar. Quanto ao mérito, o Contribuinte questiona o lançamento afirmando que depósitos bancários não se confundem com renda. Note-se, todavia, que se trata aqui de lançamento com base em presunção legal, que tem previsão em disposição expressa de lei a qual prevê como conseqüência para a verificação de depósitos bancários cuja origem, regularmente intimado, o Contribuinte não logre comprovar como documentos hábeis e idôneos, a se de presumir que se trata de rendimentos subtraidos ao crivo da tributação, autorizando o Fisco a exigir o imposto correspondente. Trata-se do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei n°9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, in verbis: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-cio às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente a época ern que auferidos ou recebidos. §3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; II -no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4° Tratando-se de pessoa fisica, as rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente a época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a tercel . to, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas sera efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Como se vê, é a própria lei que considera como rendimentos omitidos os depósitos bancários de origem não comprovada, instituindo, assim, uma presunção, no caso, relativa, que é um instrumento ao qual o Direito lança mão para alcançar certos tipos de situações que sem ele lhe escapariam. Como ensina Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3 a Ed. — Sao Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificam-se em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptiones júris). Estas, por sua vez, se subdividem ern absolutas, condicionais e mistas. As absolutas Yuris et de jure) não admitem prova ern contrário; as condicionais ou relativas (júris tanturn), admitem prova em contrario; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas sendo certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseando-se no fato conhecido cuja existência certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina foi feito com base em presunção legal do tipo furls tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraidos ao crivo da tributação. Não se trata de confundir depósitos com renda, mas de se presumir um a partir do outro. Sobre as origens dos depósitos bancários, o Contribuinte afirma, genericamente, que movimentava na conta da pessoa fisica recursos da empresa da qual é sócio. Esta afirmação, sem efetiva demonstração das origens dos depósitos, contudo, não 6 Processo n° 19515.000530/2003-37 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.582 Fl. 4 aproveita á defesa. É que a pessoa jurídica e a pessoa fisica dos sócios não se confundem e, até prova em contrário, a titularidade da movimentação financeira em conta corrente é daquele cujo nome figura no cadastro da instituição bancária. Isto, aliás, é entendimento já pacificado e, inclusive, consolidado em sumula deste Conselho, a saber: Sumula CARE N°32 A titularidade dos depósitos banccirios pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação húbil e idônea o uso da conta por terceiros. Não basta, pois, afirmar que os recursos pertenceriam à pessoa jurídica. é preciso comprovar este fato, relacionando os depósitos com a apontada origem. Neste caso, verifica-se que, relativamente aos depósitos cuja origem foi possível identificar, a Fiscalização já afastou a exigência. Como o Contribuinte não traz no recurso nenhum elemento novo, paira incólume a presunção de omissão de rendimentos. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mé *to, negar provimento ao recurso. t/tÁ DRO PAULO PEREIRA BARBOSA 7
score : 1.0
Numero do processo: 13804.724766/2013-01
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2002 a 31/07/2003
1.ª SEÇÃO DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
O IRPJ é tributo de competência da 1.ª Seção conforme Art. 2.º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Se o processo for distribuído para outra seção, esta deve declinar a competência para a 1.ª Seção de julgamento.
Numero da decisão: 3201-003.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso e declinar competência a primeira seção do CARF. Vencido o Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que conhecia o recurso. Fez sustentação oral a patrona Dra. Marcela Greco, OAB/SP 299.940, escritório Leite Martinho Advogados.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2002 a 31/07/2003 1.ª SEÇÃO DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. O IRPJ é tributo de competência da 1.ª Seção conforme Art. 2.º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Se o processo for distribuído para outra seção, esta deve declinar a competência para a 1.ª Seção de julgamento.
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13804.724766/2013-01
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900896
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.621
nome_arquivo_s : Decisao_13804724766201301.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 13804724766201301_5900896.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso e declinar competência a primeira seção do CARF. Vencido o Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que conhecia o recurso. Fez sustentação oral a patrona Dra. Marcela Greco, OAB/SP 299.940, escritório Leite Martinho Advogados. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7420283
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:15:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076782478491648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 832 1 831 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13804.724766/201301 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.621 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria Competência Recorrente TERRAÇO ITÁLIA RESTAURANTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2002 a 31/07/2003 1.ª SEÇÃO DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. O IRPJ é tributo de competência da 1.ª Seção conforme Art. 2.º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Se o processo for distribuído para outra seção, esta deve declinar a competência para a 1.ª Seção de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso e declinar competência a primeira seção do CARF. Vencido o Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que conhecia o recurso. Fez sustentação oral a patrona Dra. Marcela Greco, OAB/SP 299.940, escritório Leite Martinho Advogados. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 72 47 66 /2 01 3- 01 Fl. 832DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 791 em face da decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 783, que indeferiu a Manifestação de Inconformidade de fls. 531 e manteve o Pedido de Restituição indeferido, nos mesmos moldes do Despacho Decisório de fls. 517. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "Tratase de Pedido de Restituição protocolizado em 08/10/2013 (fls. 03/33), no valor de R$ 135.771,40, referente a crédito proveniente de recolhimentos efetuados no âmbito do programa de parcelamento instituído pela Medida Provisória nº 470, de 2009. Segundo consta, a contribuinte apresentou pedidos de compensação, no período de 2002 a 2003, utilizando créditos cedidos por terceiros (créditoprêmio de IPI e crédito de IPI sobre insumos não onerados), conforme IN SRF nº 21/97. Tais compensações, após decisões judiciais desfavoráveis à interessada, foram canceladas. Posteriormente, a interessada desistiu das compensações para aderir ao parcelamento instituído pela Medida Provisória nº 470 de 2009. A interessada requereu a restituição do parcelamento, alegando que não houve qualquer procedimento formal de constituição dos créditos tributários, e que os débitos constantes das declarações de compensação somente poderiam ser exigidos pelo Fisco por meio de auto de infração lavrado dentro do prazo legal. Além disto, alegou que o direito de constituir o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência em momento anterior aos pagamentos realizados, e que o recolhimento por meio de um programa de parcelamento não poderia fazer renascer uma obrigação tributária já extinta. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT proferiu o Despacho Decisório de fls. 517/524, indeferindo o pedido de restituição por entender que como os débitos foram informados em DCTF, já estavam confessados, não havendo necessidade de lançamento através de auto de infração. Além do mais, não teria ficado configurado prejuízo para a empresa, pois ela própria. apurou tais débitos, declarouos e compensouos nas DCTF e, posteriormente, com a invalidação das compensações pleiteadas, com conhecimento de causa, sabidamente parcelouos e quitouos integralmente com os benefícios da MP n.º 470/2009. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 531/554, alegando, em síntese, que: Fl. 833DF CARF MF Processo nº 13804.724766/201301 Acórdão n.º 3201003.621 S3C2T1 Fl. 833 3 no período compreendido entre 2002 e 2003, a contribuinte utilizou para a quitação de tributos de sua titularidade compensações com "CréditoPrêmio de IPI" e “Crédito de IPI sobre insumos” cedidos por terceiros (artigo 1o e 5º, do Decreto Lei n.° 491/1969); referidas compensações foram realizadas com fundamento em decisões judiciais, proferidas em processos ajuizados pelos, cedentes dos créditos, e documentadas perante esta Secretaria mediante a utilização de Pedidos de Compensação de Créditos (PCC), previstos pela Instrução Normativa nº 21/97 e Decreto nº 2.138/97; em que pese o decurso do prazo de mais de 05 (cinco) anos sem que houvesse qualquer manifestação de discordância com o procedimento realizado, ou lavratura de auto de infração, a contribuinte aderiu ao Programa de Parcelamento Especial instituído pela Medida Provisória n.° 470/2009 e incluiu referidos tributos no mencionado programa; o parcelamento foi consolidado e liquidado, conforme informações da Equipe de Parcelamento (EQPAC) da DERAT/SPO; tratandose de tributos compensados com "CréditoPrêmio de IPI" e "Crédito de IPI sobre Insumos" cedidos por terceiros, a legislação e o posicionamento desta Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional são claros quanto ao fato de que tais tributos são considerados como "não declarados" e, qualquer discordância com o procedimento ou ato de cobrança, demandaria o competente lançamento de ofício; o mesmo raciocínio pode ser extraído do art. 2o da Instrução Normativa n.° 77/1998, que referencia expressamente a necessidade de lavratura de auto de infração por ocasião das revisões nas declarações apresentadas pelos contribuintes, nas hipóteses de discordância de compensações nelas declaradas; o art. 90, da Medida Provisória n.° 2.15835/2001 também confirma a necessidade de constituição do crédito tributário, via auto de infração, por parte da autoridade administrativa nesses casos, sendo irrefutável á impossibilidade de cobrança sem o competente lançamento; a inclusão dos tributos no parcelamento também não poderia ser considerada como fato constitutivo do crédito tributário, porque, a "confissão de dívida" quando da adesão ao parcelamento, não tem o condão de restabelecer um.tributo que já estava extinto pela decadência; depreendese que todos os tributos incluídos no parcelamento, que não haviam sido regularmente constituídos por auto de Fl. 834DF CARF MF 4 infração lavrado dentro do prazo decadencial, já se encontravam extintos no momento da adesão, mostrandose indevido o respectivo pagamento, e sendo de rigor a sua restituição; as DCTFs são declarações apresentadas pelo Contribuinte que podem ou não representarem confissões de dívida; há situações em que o Contribuinte declara o tributo devido e não informa a sua quitação por nenhum meio, fato popularmente denominado como "débito declarado e não pago"; já nas situações em que o Contribuinte.declara o tributo devido, mas informa sua quitação por qualquer meio, não há nenhuma confissão de tributo devido; nesse caso, a DCTF não configura instrumento hábil à constituição do crédito, pois não há declaração de débito; o Contribuinte apenas informa uma quitação de tributo, formalizando a inexistência de saldo a ser pago (saldo zero); ao informar em sua DCTF os tributos e os créditos compensados, a Contribuinte declarou saldo zero de pagamento de tributo, fato que demonstra a inequívoca necessidade de lançamento de ofício para legitimar a cobrança do tributo compensado; quanto à alegação de que o lançamento não seria possível face à derrogação do art. 90, do Decreto 2.15835/2001, pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 135/2003, não pode ser admitida, porque, nos termos do art. 144, do Código Tributário Nacional, as normas aplicadas ao lançamento são aquelas vigentes à época da ocorrência do fato gerador; importante consignar que justamente em razão da previsão contida no art. 90, do Decreto nº 2.15835/2001 é que a Secretaria da Receita Federal realizou o lançamento no caso análogo, controlado no processo administrativo n.° 19515.001185/200600, em que se discutia a exigência de tributos compensados com os mesmos créditos de origem; a Secretaria da Receita Federal lavrou auto de infração em 14/06/2006, ou seja, mesmo após a alteração do art. 90, do Decreto nº 2.15835/2001 pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 135/2003, uma vez que os fatos geradores e as respectivas compensações ocorreram na vigência da redação original do referido art. 90; Por fim, requereu que seja integralmente acolhida a manifestação de inconformidade, reformandose o despacho decisório, a fim de reconhecer o pagamento indevido realizado e, por conseguinte, o direito creditório da Contribuinte postulado no pedido de restituição." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/SP foi publicado com a seguinte Ementa: Fl. 835DF CARF MF Processo nº 13804.724766/201301 Acórdão n.º 3201003.621 S3C2T1 Fl. 834 5 "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2002 a 31/07/2003 VALORES DECLARADOS EM DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os valores de débitos declarados em DCTF, ainda que vinculados a fatos que representem hipótese de suspensão de exigibilidade ou de extinção do crédito tributário, são considerados confissão de divida, permitindo a sua cobrança, após apuração de eventual incorreção ou falta na vinculação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." Os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, os fatos, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria estranha à esta 3.ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, está ausente o requisito de admissibilidade, portanto o Recurso Voluntário não deve ser conhecido. O contribuinte alega que houve pagamentos indevidos em forma de parcelamentos, mas é possível verificar nos autos que existem parcelamentos de débitos de IRPJ e outros tributos, conforme fls 493 e seguintes. Em acordo com o Art. 2 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, podese verificar que a competência é da primeira seção para julgar a presente lide administrativa fiscal, conforme segue: "Seção I Das Seções de Julgamento Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ)." Fl. 836DF CARF MF 6 Em razão do exposto, voto por DECLINAR A COMPETÊNCIA para a 1.ª Seção de julgamento, conforme regimento interno. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 837DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003303/2004-37
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. É inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte não apura tributo devido.
Numero da decisão: 1402-000.903
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. É inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte não apura tributo devido.
numero_processo_s : 10675.003303/2004-37
conteudo_id_s : 5850597
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.903
nome_arquivo_s : Decisao_10675003303200437.pdf
nome_relator_s : Frederico Augusto Gomes de Alencar
nome_arquivo_pdf_s : 10675003303200437_5850597.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que negava provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
id : 7195056
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:15:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076782497366016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1650; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 352 1 351 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.003303/200437 Recurso nº 170.037 Voluntário Acórdão nº 140200.903 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 2 de fevereiro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente UBERTEC SANEAMENTO AMBIENTAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. É inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte não apura tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 140200.903 S1C4T2 Fl. 353 2 Relatório UBERTEC Saneamento Ambiental Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I/RJ, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata este processo de lançamento de multa isolada sobre os não recolhimentos de IRPJ apurados sobre estimativas mensais, no total de R$ 68.470,09, relativos aos períodos de fevereiro de 2000 a março de 2004, acompanhados de juros moratórios. A ciência do auto de infração se deu em 08/09/2004 (fl. 05). À folha 06 auto de infração a Auditora Fiscal justifica a lavratura do auto com os argumentos a seguir. a) Nos meses de janeiro de 2000 e janeiro e fevereiro de 2001, conforme informado nas DIPJ do interessado, a apuração da estimativa foi efetuada com base na receita bruta e acréscimos. Porém, para o mês de janeiro de 2001 não foi efetuado qualquer recolhimento. b) O interessado, em resposta a termo de intimação, afirmou que os balancetes que apresentou à fiscalização são suficientes para demonstrar a suspensão de recolhimentos do IRPJ. c) A aplicação da multa isolada de 75% prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 se deveu ao fato de que o interessado, além de não cumprir a determinação legal de fazer os balanços/balancetes mensais que pudessem comprovar seu direito à suspensão ou redução do recolhimento do IRPJ durante os anos calendários, também não os fez durante o processo de fiscalização que durou pouco mais de quatro meses. O quadro "Demonstrativo de situação fiscal apurada" que foi apresentado ao interessado na intimação de folha 22/27, e que serviu de base para o lançamento, utilizou as receitas informadas pelo próprio às folhas 31 a 43 e conferem com as receitas informadas nos "balancetes" que foram entregues e juntados as folhas 174 a 210. O interessado juntou apenas partes dos balancetes de verificação do ano calendário de 2003 as folhas 211 a 222. Os "balancetes" apresentados relativos ao período de janeiro de 2000 a dezembro de 2002 só contêm as receitas (fls. 174 a 210). Já, relativamente ao período de janeiro a março de 2004, o interessado informa, apenas, as seguintes linhas: recebimento de serviços referente a janeiro e fevereiro e débito de serviços referente a março. Na impugnação apresentada em 07/10/2004 às folhas 237 a 250, os principais argumentos de defesa do interessado estão a seguir resumidos. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 140200.903 S1C4T2 Fl. 354 3 a) O interessado apurou lucro real anual em 2000, 2001 e 2002 e prejuízo fiscal em 2003. b) No ano calendário em que apurou prejuízo não há que se falar em imposto devido por antecipação. c) Os valores cobrados a titulo de multa isolada serão passíveis de restituição, já que os lucros reais apresentados nos anos de 2000 a 2002 são menores que os cobrados pela fiscalização. d) O efeito do crédito tributário é nulo, já que fatalmente o interessado requererá administrativamente ou judicialmente os valores passíveis de restituição. e) Os balancetes apresentados continham perfeitamente todos os elementos necessários à apuração de resultados. O interessado é prestador de serviços e não possui estoques, ou seja, só possui receitas e despesas, que constam dos seus balancetes. f) O interessado apresentou espontaneamente suas DIPJ nos anos fiscalizados e apurou IRPJ a pagar em 31/12/2000, 31/12/2001 e 31/12/2002, tendoos recolhido, daí o instituto da denúncia espontânea não ter sido respeitado pela Auditora Fiscal. g) É fato que a imensa maioria das decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, reconhece que a declaração de rendimentos entregue tempestivamente com o conseqüente recolhimento do tributo apurado em balanço patrimonial no final do exercício, dentro do prazo de ajuste exigido pela legislação tem o efeito da denúncia espontânea, não cabendo à autoridade fiscalizadora a imposição de qualquer penalidade isolada. A competência para julgamento da lide foi transferida da DRJ de Juiz de Fora MG para esta DRJ/RJ 1, através da Portaria SRF n° 296, de 20/03/2007, publicada no DOU de 22/03/2007. É meu relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 12 15.194 (fls. 305313) de 27/07/2007, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento. A decisão foi assim ementada. “MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. Aplicase a multa isolada, quando a empresa, sujeita ao recolhimento por estimativa com base em balancete de suspensão/redução, não apresentar os balancetes nem recolher os valores devidos a titulo de antecipação, independente do resultado apurado ao final do anocalendário. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Em face do principio da retroatividade benigna, reduzse o percentual da multa de oficio isolada para 50%, nos termos da nova redação do art. 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, promovida pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007.” Fl. 358DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 140200.903 S1C4T2 Fl. 355 4 Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 28/04/2008 (A.R. de fl. 334), a interessada interpôs recurso voluntário em 28/05/2008 (fls. 335342) onde repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 140200.903 S1C4T2 Fl. 356 5 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Tratase de auto de infração para exigência, após o encerramento dos períodos, de multa de ofício isolada em face do não recolhimento do IRPJ sobre estimativas para os anoscalendário de 2000 a 2003. Verificase, de início, que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1º, inciso IV, da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2º, referido no inciso IV do § 1º do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 140200.903 S1C4T2 Fl. 357 6 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei nº 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 daquela Lei, com as alterações da Lei nº 9.065/95, consubstancia hipótese em que a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Nesse sentido, destaco trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105141498, Processo n° 13629.000292/200304, Acórdão CSRF/0105.838, in verbis: “As remissões relevantes são as seguintes: Art. 35 (Lei nº 8.981/95) – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) §2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei nº 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 140200.903 S1C4T2 Fl. 358 7 Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. Na verdade, Kelsen já dizia que toda norma legal deriva de uma vontade pré jurídica (um querer), mas a dificuldade do intérprete repousa na identificação de o que se reputará como sendo essa vontade. No dizer de Marçal Justen Filho, não há qualquer caráter predeterminado apto a qualificar o interesse como público. Sustenta que “o processo de democratização conduz à necessidade de verificar, em cada oportunidade, como se configura o interesse público, Sempre e em todos os casos, tal se dá por meio da intangibilidade dos valores relacionados aos direitos fundamentais”. (in MARÇAL, Justen Filho. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005, p.43/44). Nessa trilha de raciocínio, iniciaremos pelo exame das formulações literais, isolando os enunciados prescritivos e sua estrutura lógica, para depois alcançar as significações normativas e, como produto final, a regra jurídica. Norma não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática dos textos. (in Ricardo Guastini citado por Humberto Ávila em Teoria dos Princípios, São Paulo: Malheiros, 2005, p.22). Nesse sentido, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 prescreve, de forma sintética, o seguinte: 3 A hipótese de majoração da multa de ofício para 150% está prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 caso identificado verdadeiro intuito de fraude. O exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa seja calculada “sobre a totalidade ou diferença de tributo”. Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1º, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo, ao contrário, do quer fazer crer a Procuradoria da Fazenda Nacional. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só Fl. 362DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 140200.903 S1C4T2 Fl. 359 8 será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, a semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo nãorecolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 140200.903 S1C4T2 Fl. 360 9 Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ”pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave...” E prossegue “no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave”. (in Instituições de Direito Penal, Parte Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, págs. 276 e 277). Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de ofício de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades – de mora e de ofício – na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dossimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de ofício pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo a penalidade isolada não deve mais incidir sobre “sobre a totalidade ou diferença de tributo”, mas apenas sobre “valor do pagamento mensal” a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6º). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de ofício em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos Fl. 364DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 140200.903 S1C4T2 Fl. 361 10 casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. No caso presente, em relação ao anocalendário de 1998 a 2002, o relatório indica que a empresa foi autuada para exigir principal e multa de ofício em relação ao imposto de renda não recolhido ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como exposto, essa dupla aplicação, por força do princípio da consunção, não pode subsistir.” Portanto, a multa somente pode ser aplicada após o encerramento do ano calendário, estando rigorosamente de acordo com a lei; ou seja, desde que não se apresente concomitante com a multa proporcional de oficio sobre o tributo devido e que, evidentemente, seja apurado saldo de tributo a pagar no final do período de apuração. Este Colegiado possui entendimento sedimentado nessa linha. Faço referência, além do já citado, ao acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa transcrevo. MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. No presente caso, o contribuinte apresentou as declarações de IRPJ para os períodos (relativas aos anoscalendário de 2000 a 2003) sem saldo de imposto a pagar, após as deduções de Imposto Retido na Fonte e estimativas pagas (fls. 54, 65/66, 111/112 e 147, respectivamente). Assim, tendo sido verificado que o contribuinte não apurou IRPJ a recolher no final dos períodos de apuração, e que o lançamento ocorreu após o encerramento do último período em questão, não há que se falar em exigência da multa de ofício isolada por falta de recolhimentos de estimativas mensais. Por todo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Sala das Sessões, em 2 de fevereiro de 2012. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
