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Numero do processo: 10530.904844/2011-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.959
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 84 4/ 20 11 -5 8 Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 10530.904844/201158 Resolução nº 3201000.959 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 10530.904844/201158 Resolução nº 3201000.959 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 10530.904844/201158 Resolução nº 3201000.959 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 10530.904844/201158 Resolução nº 3201000.959 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.903125/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.399
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 25 /2 01 2- 12 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de COFINS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.661, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.903451/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.654
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Restituição formulado por meio do PER/DCOMP. O pedido de restituição referese a suposto pagamento a maior de contribuições sociais no período de apuração referido na ementa deste julgado. O despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 51 /2 01 2- 77 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10283.903451/201277 Acórdão n.º 3402004.654 S3C4T2 Fl. 3 2 decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, tendo em vista o pagamento efetuado já fora integralmente alocado a outros débitos. Cientificado da decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o direito à restituição regularmente pleiteado, alegando que seu direito creditório adviria do alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, decorrente da inclusão indevida do ICMS no conceito de faturamento. Seu pleito foi julgado improcedente pela DRJ, ensejando a interposição de Recurso Voluntário, repisando suas razões originais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.636, de 27 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.903445/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.636): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 1. Sobre a necessidade de suspensão do processo administrativo Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, foi reconhecida a repercussão geral da temática pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Recurso Extraordinário 574.706, julgado favoravelmente ao Contribuinte mas pendente de publicação do acórdão, e passível ainda de Embargos de Declaração. Não há, portanto, o seu trânsito em julgado. Como bem ponderado pela Conselheira Thaís de Laurentiis em outro acórdão, haja vista o conteúdo do artigo 15 do Código de Processo Civil (CPC), que determina a sua aplicação supletiva ou subsidiária aos processos administrativo; bem como do artigo 1.035, §5º do mesmo Codex, com a regra sobre a necessidade de sobrestamento dos processos cuja matéria foi objeto de reconhecimento do repercussão geral no âmbito do STF, entendo que o presente processo administrativo deveria ser sobrestado, até que a melhor solução acerca do direito da Recorrente fosse apresentada pelo Pretório Excelso. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10283.903451/201277 Acórdão n.º 3402004.654 S3C4T2 Fl. 4 3 Nesse sentido, destaco as razões apresentadas pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeirão no Acórdão n. 3402004.271, com as quais concordo inteiramente. Contudo, sabendo que o entendimento majoritário desse Colegiado é pela impossibilidade de sobrestamento face à ausência de previsão regimental nesse sentido, passo à análise do mérito. 2. Da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS/COFINS Sobre esse tema, este Colegiado se manifestou por unanimidade com a ressalva do voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em substituição ao Conselheiro Pedro Bispo ao prolatar o Acórdão CARF nº 3402003.317 de relatoria do Cons. Atulim,e cujas razões reproduzo aqui e adoto como fundamentos da minha decisão: No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10283.903451/201277 Acórdão n.º 3402004.654 S3C4T2 Fl. 5 4 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/ netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10283.903451/201277 Acórdão n.º 3402004.654 S3C4T2 Fl. 6 5 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.000457/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO COM BASE EM DIRF. PRESUNÇÃO RELATIVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
De conformidade com a jurisprudência administrativa, a Dirf não pode ser considerada como elemento de prova isolado, hábil a sustentar a exigência. Como qualquer outra declaração prestada por terceiro, tem valor de prova relativo, o qual deve ser afastado quando o sujeito passivo tem sucesso em comprovar o erro em que se funda, o que se vislumbra na hipótese dos autos, o autuado não apresentou provas robustas para demonstrar que os dados constantes da DIRF, fundamento da autuação, não representava a realidade dos fatos, notadamente em relação aos pretensos rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica.
Numero da decisão: 2401-005.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros:, Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO COM BASE EM DIRF. PRESUNÇÃO RELATIVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. De conformidade com a jurisprudência administrativa, a Dirf não pode ser considerada como elemento de prova isolado, hábil a sustentar a exigência. Como qualquer outra declaração prestada por terceiro, tem valor de prova relativo, o qual deve ser afastado quando o sujeito passivo tem sucesso em comprovar o erro em que se funda, o que se vislumbra na hipótese dos autos, o autuado não apresentou provas robustas para demonstrar que os dados constantes da DIRF, fundamento da autuação, não representava a realidade dos fatos, notadamente em relação aos pretensos rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 04 57 /2 00 7- 21 Fl. 93DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros:, Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 19647.000457/200721 Acórdão n.º 2401005.041 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório ALBERTO ALAX GONDIM MONTEIRO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão nº 1132.979/2011, às efls. 23/27, que julgou procedente o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos, em relação ao anocalendário 2004, conforme peça inaugural do feito, à fl. 03, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 27/12/2006 (AR fl. 11), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: Apurouse omissão de rendimentos tributáveis auferidos acumuladamente em virtude de processo judicial no valor de R$ 35.699,35, resultantes da diferença entre o rendimento bruto declarado: R$ 144.876,97 e o que teria sido efetivamente percebido: R$ 180.576,32. Sustenta a Autoridade Fiscal que o valor considerado como rendimento bruto foi obtido por meio da soma dos valores entregues ao Impugnante (R$ 144.876,97) com o valor retido a título de IR Fonte (R$ 35.699. 35). Informa ainda dita autoridade que, devidamente intimado, o contribuinte não apresentou planilha de cálculos que discrimine os valores percebidos e os descontos efetuados. Constatouse ainda, segundo campo homônimo à fl. 4, que o contribuinte promovera a compensação indevida, a título de IRRF, dos encargos legais pagos em decorrência de atraso no recolhimento do referido imposto. Finalmente, consta a acusação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 22.901,64, assim distribuídos: Bradesco Saúde, R$ 2.062.00 e Governo do Estado de Pernambuco, R$ 19.839,56, conforme informação das fontes pagadoras através de DIRF. Relativamente aos rendimentos do Serviço Social da Indústria (SESI), verificouse divergência no valor de R$ 1.000,00 Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 33/41, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, afirmando comprovar os valores declarados em sua DIRPF pelo Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda emitido pela fonte pagadora. Questiona a alegação de que o valor informado em DIRF pela fonte pagadora foi superior ao por ele declarado, carecendo de comprovação, uma vez inexistir nos autos qualquer documento neste sentido. Fl. 95DF CARF MF 4 Insurgese quanto a falta de comprovação das alegações fiscais, porquanto sua declaração e argumentos encontramse devidamente documentado e comprovado. Esclarece constar nos autos os documentos referentes aos valores recebidos em decorrência da ação trabalhista, qual seja: alvará do Tribunal Regional do Trabalho da 6° Região e o DARF do recolhimento do imposto. Contrapõese quanto ao entendimento dos julgadores de primeira instância, afirmando restarem todos os fatos comprovados por documentos hábeis e idôneos. O DARF comprobatório está novamente sendo anexado. Observese que o mesmo foi preenchido a mão. Embora a fonte pagadora encarregada da pagamento ao reclamante fosse a Caixa Econômica Federal, não é o número de seu CNPJ que consta no campo 03 do DARF. Nem mesmo é o CNPJ da Companhia de Produtos Pilar, reclamada da causa trabalhista. O número que consta do campo 03 do DARF é o do CPF do reclamante! Isso evidencia que tal recolhimento foi feito pelo beneficiário dos rendimentos, que considerou restar cumprindo obrigação de antecipar o imposto que seria devido na declaração e que não fora devidamente retido pela fonte pagadora. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Em 15 de Agosto de 2012, (Fls. 58 a 63) aprouve aos membros do Colegiado da egrégia 1° Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, com base no disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria. Retornando ao Tribunal após regular processamento do feito, em 15 de abril de 2014, foi proposta resolução pelo Nobre Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 64/69, in verbis: [...] Compulsando os autos, verifico que resta em litígio somente a omissão de rendimentos acumulados recebidos em decorrência de ação trabalhista e a omissão de rendimentos do Governo do Estado do Pernambuco. Contudo, desde sua impugnação, o contribuinte afirma que não recebeu do Estado do Pernambuco tais valores, mas sim os valores constantes em seu comprovante de pagamento, e que não há prova de que este tenha recebido valores superiores aos constantes em seu comprovante de pagamento. Por seu turno, a fiscalização afirma que os valores recebidos do Governo do Estado do Pernambuco foram apurados através de DIRF. Verifico que, de fato, não constam nos autos qualquer documento a prova dos recebimentos do Governo do Estado do Pernambuco. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 19647.000457/200721 Acórdão n.º 2401005.041 S2C4T1 Fl. 4 5 Tenho o entendimento de que é fundamental que conste nos autos a prova do ilícito que embasou a autuação. Portanto, é necessário converter o presente julgamento em diligência, a fim de que a unidade administrativa competente junte aos autos todas as provas que dispuser acerca do recebimento, pelo contribuinte, dos valores relativos ao Governo do Estado do Pernambuco. Ante o acima exposto, proponho o retorno dos autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora junte aos autos todas as provas que dispuser acerca do recebimento, pelo contribuinte, (DIRF, ou outros) dos valores relativos ao Governo do Estado do Pernambuco.[...] Em resposta a diligência encimada, a autoridade administrativa elaborou um termo de informação fiscal à efl. 89, aduzindo o seguinte: Em atendimento à solicitação de Diligência efetuada por meio da Resolução nº 2801 000.296 – 1ª Turma Especial 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 64 a 68), informamos que foi encaminhado à Gestão Financeira de Pessoal do Estado de Pernambuco, o Ofício SEFIS/DRF/RCE Nº 15/2015 (fl. 85), solicitando esclarecimentos relativos aos rendimentos pagos a Alberto Alax Gondim Monteiro, no anocalendário 2004, bem como os respectivos valores descontados a título de previdência oficial e imposto de renda retido na fonte, uma vez que havia divergência entre os valores informados na Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – DIRF (fl. 84), apresentada pela Secretaria de Administração do Estado de Pernambuco, e os valores informados no comprovante de rendimentos apresentado pelo contribuinte. Em atendimento, foi encaminhado a esta Delegacia da Receita Federal em Recife o Ofício SAD nº 440/2015SAD/GEFIP (fls. 86 a 88), mediante o qual foram confirmados os valores dos rendimentos e respectivos imposto de renda retido na fonte e contribuição à previdência informados na DIRF anteriormente citada. Informamos, ainda, que foi dada ciência ao interessado, acima identificado, do resultado da diligência realizada junto à Secretaria de Administração do Estado de Pernambuco, tendo sido facultado ao interessado que se manifestasse quanto ao resultado das diligências no prazo de 30 (trinta) dias a partir da citada ciência (fls. 72 a 74). Em atendimento, o interessado apresentou apenas a carta resposta anexada às fls. 78 e 82, conforme Termos de Solicitação de Juntada (fls. 76 e 80). É o relatório. Fl. 97DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Compulsando os autos, verifico que resta em litígio somente a omissão de rendimentos acumulados recebidos em decorrência de ação trabalhista e a omissão de rendimentos do Governo do Estado do Pernambuco, por terem sidos as únicas matérias contestadas no Recurso Voluntário. MÉRITO OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PERNAMBUCO Consta a acusação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 19.839,56 pagos pelo Governo do Estado de Pernambuco, conforme informação da fonte pagadora através de DIRF. Em sua defesa inaugural, o contribuinte sustentou não ter havido omissão de rendimentos, os quais foram declarados corretamente, informando que o montante percebido seria de R$ 4.780,00 e não, como constatada na DIRF da fonte pagadora. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu rejeitar a pretensão do contribuinte, mantendo a exigência fiscal relativamente ao valor recebido, com base nos seguintes fundamentos: [...] Da mesma forma, a apresentação de um comprovante anual, por si só, não é suficiente para firmar convicção acerca tia inexatidão da DIRF elaborada pela Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco, base para a detecção do montante de rendimentos omitidos percebidos daquela fonte pagadora. É fato que há divergência entre as informações da DIRF e de dito documento, mas não foram trazidos ao processo elementos que demonstrem que este último está correto. Nesse sentido, observese que não foram colacionados, por exemplo, os contracheques do período em questão ou os extratos bancários do contribuinte, ou, sequer, alguma manifestação do sujeito passivo pleiteando, junto à fonte pagadora, a correção da referida DIRF. Aliás, não há elementos que permitam deduzir com segurança que aquele seria único vínculo mantido entre o sujeito passivo c aquele ente estatal. Notar que, dada a permissão contida no art. 37. VI. "c" da Constituição Federal de 1988, como é de Fl. 98DF CARF MF Processo nº 19647.000457/200721 Acórdão n.º 2401005.041 S2C4T1 Fl. 5 7 conhecimento geral, é possível acumularse dois cargos privativos de profissional de saúde.[...] Em suma, a manutenção da exigência fiscal com base exclusivamente na DIRF da Secretaria de Administração de Pernambuco, foi a falta de comprovação das alegações do contribuinte por meio documentos hábeis e idôneos. Ainda irresignado com a autuação e, bem assim, a decisão recorrida, o contribuinte interpôs recurso voluntário, asseverando que inexiste nos autos qualquer prova juntada pelo fisco que evidencie a alegação de que o valor informado pela fonte pagadora à Receita federal, através de DIRF, tenha sido superior ao informado pelo contribuinte, sendo o ônus da prova de quem acusa. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pelo contribuinte, a sua pretensão não merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. Destarte, o lançamento encontrase escorado exclusivamente na DIRF apresentada pela fonte pagamento, Secretaria de Administração de Pernambuco, documento que se apresenta como meio hábil para realizar lançamento, mas não como uma verdade absoluta. Tratase, portanto, de uma presunção "juris tantum" (presunções discutíveis), onde fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez e certeza da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca, nos termos do artigo 204, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. A jurisprudência administrativa, aliás, já se debruçou sobre o tema, reconhecendo que o lançamento fundado exclusivamente em informações constantes das DIRF's de fontes pagadores, em que pese serem válidos, podem ser rechaçados quando o contribuinte consegue comprovar que os dados ali inseridos não representam a realidade dos fatos. É o que se extrai do Acórdão n° 1276.284, da lavra da 7ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro, exarada nos autos do processo administrativo n° 10735.720403/201441, com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser cancelado o lançamento, no tocante à omissão de rendimentos, cujo recebimento foi contestado, quando não há nos autos prova da infração cometida. DIRF VALOR DE PROVA. A Dirf não pode ser considerada como elemento de prova isolado, hábil a sustentar a exigência. Como qualquer outra declaração prestada por terceiro, tem valor de prova relativo, o qual deve ser afastado quando o sujeito passivo tem sucesso em comprovar o erro em que se funda. Fl. 99DF CARF MF 8 Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido em Parte." Diante desse cenário, em oportunidade anterior, houve conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal trouxesse aos autos a DIRF ensejadora do lançamento, bem como esclarecimentos acerca desta. Em resposta aos termos da Resolução, foi anexada a DIRF da fonte pagadora e a informação de que o valor ali constante fora efetivamente pago ao contribuinte. Confrontando as informações fiscais e DIRF acostada aos autos em resposta a diligência, as alegações e documentos ofertados pelo contribuinte não tem o condão de rechaçar a pretensão fiscal, bem como os fundamentos dos julgadores de primeira instância, as quais estão muito bem fundamentadas. Não tendo o contribuinte, em sede de recurso, trazido novos documentos e/ou fundamentos, entendo que deva ser mantido o lançamento quanto este aspecto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA Apurouse omissão de rendimentos tributáveis auferidos acumuladamente em virtude de processo judicial no valor de R$ 35.699,35, resultantes da diferença entre o rendimento bruto declarado: R$ 144.876,97 e o que teria sido efetivamente percebido: R$ 180.576,32. Sustenta a Autoridade Fiscal que o valor considerado como rendimento bruto foi obtido por meio da soma dos valores entregues ao Impugnante (R$ 144.876,97) com o valor retido a título de IR Fonte (R$ 35.699. 35). Informa ainda dita autoridade que, devidamente intimado, o contribuinte não apresentou planilha de cálculos que discrimine os valores percebidos e os descontos efetuados. Constatouse ainda, segundo campo homônimo à fl. 4, que o contribuinte promovera a compensação indevida, a título de IRRF, dos encargos legais pagos em decorrência de atraso no recolhimento do referido imposto. Por sua vez o contribuinte afirma constar nos autos os documentos referentes aos valores recebidos em decorrência da ação trabalhista, qual seja: alvará do Tribunal Regional do Trabalho da 6° Região e o DARF do recolhimento do imposto. Contrapõese quanto ao entendimento dos julgadores de primeira instância, afirmando restarem todos os fatos comprovados por documentos hábeis e idôneos. O DARF comprobatório está novamente sendo anexado. Observese que o mesmo foi preenchido a mão. Embora a fonte pagadora encarregada da pagamento ao reclamante fosse a Caixa Econômica Federal, não é o número de seu CNPJ que consta no campo 03 do DARF. Nem mesmo é o CNPJ da Companhia de Produtos Pilar, reclamada da causa trabalhista. O número que consta do campo 03 do DARF é o do CPF do reclamante! Isso evidencia que tal recolhimento foi feito pelo beneficiário dos rendimentos, que considerou restar cumprindo obrigação de antecipar o imposto que seria devido na declaração e que não fora devidamente retido pela fonte pagadora. Conforme depreende das razões recursais, pretende o contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve integralmente a exigência fiscal, aduzindo para tanto os mesmos argumentos da impugnação, não acrescentando nem um novo documento ou fundamento sequer. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 19647.000457/200721 Acórdão n.º 2401005.041 S2C4T1 Fl. 6 9 Importantíssimo salientar que, foi solicitado ao autuado a planilha com os cálculos da ação trabalhistas, e, este, informou ter solicitado ao Tribunal do Trabalho, no entanto por motivo de recesso, não foi possível juntar ao processo tal documento. Contudo, o contribuinte poderia ter trazido aos autos em motivo posterior em petição apartada ou em sede de recurso, o que não o fez. Assim sendo, uma vez que o contribuinte simplesmente repisas as alegações da defesa inaugural, peço vênia para transcrever excertos da decisão recorrida e adotálos como razões de decidir, por muito bem analisar as alegações suscitadas pela autuada e documentos acostados aos autos, in verbis: [...] Tomando emprestadas tais conclusões, penso que, no presente litígio, o contribuinte não conseguiu comprovar que a autoridade judicial determinara o levantamento integral do depósito junto à Caixa Econômica Federal, sem a presumível observância à determinação fixada no art. 46 da Lei n" 8,541, de 1992J , que impõe a prévia retenção do imposto de renda na fonte. Somese a isso o fato de o contribuinte, no curso da ação fiscal, ter sido intimado a apresentar os demonstrativos de cálculo elaborados pelo perito judicial e não ter trazido tais elementos ao processo, naquele momento ou em sede de impugnação. Desse modo. entendo que constam dos autos elementos que permitem concluir que, efetivamente, a base de cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser obtida por meio da soma do valor liberado (rendimento líquido) e do imposto recolhido na fonte, totalizando foi R$ 180.576,32. Ou. dito de outro modo. os elementos presentes não respaldam a alegação do impugnante de que o Juiz determinara o saque integral da conta de depósitos à disposição da justiça para, passados quase dez meses do recebimento dos proventos, determinar ao próprio contribuinte (e não à fonte pagadora dos recursos) a realização de uma retenção retroativa. Nesse ponto, cabe esclarecer que a petição acostada demonstra, efetivamente, a preocupação do impugnante com o recolhimento dos tributos, mas isso, com a devida licença, não autoriza reconhecer que. àquela data. a retenção do imposto que viria a ser recolhido ainda não havia sido efetuada. Sabidamente, a retenção do imposto que futuramente será recolhido não se confunde com o recolhimento em si. Ademais, ainda que o imposto tenha sido efetivamente recolhido sem prévia retenção, não há qualquer elemento que permita deduzir que o ônus de tal recolhimento tenha sido suportado diretamente pelo contribuinte. Nesse particular, observese que o código de receita adotado no DARF diz respeito a imposto de renda retido na fonte. Fl. 101DF CARF MF 10 Em síntese, se, como é plausível presumir com base nos elementos presentes no processo, o 1RRF foi recolhido pela parte derrotada na ação judicial (fonte pagadora), esse montante integra o rendimento bruto auferido pelo contribuinte em decorrência da referida ação. Não custa relembrai', nesse passo, que desde a execução da ação fiscal, foi solicitada ao impugnante a apresentação dos elementos que demonstrassem os cálculos relativos à sentença em questão, restando esvaziada a justificativa de que, dado o recesso da Justiça, não teria condições de apresentar tais elementos.[...] Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do imposto de renda, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando os lançamentos sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a integralidade dos lançamentos fiscais, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003711/2008-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O inconformismo da contribuinte é com o entendimento manifestado no acórdão recorrido no sentido de que, para os tributos com apuração trimestral (IRPJ/CSLL), o prazo decadencial previsto no §4º do art. 150 do CTN somente é contado a partir do encerramento do trimestre, mas nenhuma das decisões por ela apresentadas, para fins de caracterização de divergência, trata de questões sobre quando se deve considerar ocorrido o fato gerador do IRPJ/CSLL, no caso de apuração por períodos trimestrais. Nenhuma delas aborda qualquer entendimento de que o fato gerador deve ser verificado no dia a dia em que a contribuinte aufere renda/lucro, ou mês a mês, etc., mesmo no caso de apuração por período trimestral.
Numero da decisão: 9101-003.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O inconformismo da contribuinte é com o entendimento manifestado no acórdão recorrido no sentido de que, para os tributos com apuração trimestral (IRPJ/CSLL), o prazo decadencial previsto no §4º do art. 150 do CTN somente é contado a partir do encerramento do trimestre, mas nenhuma das decisões por ela apresentadas, para fins de caracterização de divergência, trata de questões sobre quando se deve considerar ocorrido o fato gerador do IRPJ/CSLL, no caso de apuração por períodos trimestrais. Nenhuma delas aborda qualquer entendimento de que o fato gerador deve ser verificado no dia a dia em que a contribuinte aufere renda/lucro, ou mês a mês, etc., mesmo no caso de apuração por período trimestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 37 11 /2 00 8- 43 Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 9101003.044 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao que foi decidido sobre a decadência do crédito tributário objeto dos presentes autos. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 130200.447, de 16/12/2010, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, entre outras questões, por unanimidade de votos, rejeitar a alegação de decadência apresentada pela contribuinte em sede de recurso voluntário. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Decadência. O prazo decadencial para os tributos de apuração trimestral tem seu início de contagem a partir do encerramento do trimestre, quando aplicável o art. 150 do CTN. Inconstitucionalidade. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à contagem da decadência. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 9101003.044 CSRFT1 Fl. 4 3 Seu inconformismo é com o entendimento de que, para os tributos com apuração trimestral, a decadência somente é contada a partir do encerramento do trimestre. Segundo ela própria afirma, "tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 27 de março de 2008, todos os débitos constituídos antes de 27 de março de 2003, ou seja, janeiro e fevereiro de 2003, estão decaídos". No que toca à admissibilidade do recurso, a contribuinte desenvolve os argumentos descritos abaixo: DA DIVERGÊNCIA QUANTO AO MARCO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL RELATIVO AO IRPJ E CSLL conforme demonstrado acima, o v. acórdão considerou que o marco inicial para contagem do prazo decadencial do IRPJ e da CSLL, no caso da Recorrente, por ter sido feita a opção pelo regime de apuração trimestral, seria o dia 31/03/2003, último dia do 1º trimestre para apuração do lucro real; Acórdão nº 10323047 Decisão Por maioria de votos tomar conhecimento do recurso vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Guilherme Adolfo dos santos Mendes que não tomaram conhecimento; Por maioria de votos acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL dos fatos geradores até o 3º trimestre de 1999, inclusive, e quanto às contribuições ao PIS e COFINS, para os fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 1999, inclusive, vencidos o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que admitiu apenas em relação ao PIS e IRPJ e o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que acolheu a preliminar apenas em relação ao IRPJ e, no mérito, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso para reduzir multa de lançamento ex officio qualificada de 150% ao seu percentual normal de 75%. O julgamento foi acompanhado pelo doutor José Henrique Cabelho, inscrição OAB/SP n° 199.411. Ementa DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, tal como o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito tributário é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4º do CTN. No caso dos autos, dada a ciência do lançamento ao contribuinte em 14.12.2004, é de se reconhecer a decadência do direito do Fisco de constituir crédito relativo a fatos geradores ocorridos em períodos anteriores a 30/11/1999, inclusive. Preliminar de decadência acolhida. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. Não caracteriza o evidente intuito de fraude indispensável à qualificação da multa de ofício a mera existência de depósitos de valores de origem não comprovada em conta corrente de titularidade do contribuinte. Precedentes. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 9101003.044 CSRFT1 Fl. 5 4 ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Precedentes. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro real trimestral implica arbitramento do lucro, que se dará mediante a aplicação dos percentuais fixados no RIR/99, acrescidos de vinte por cento. A aplicação desses percentuais sobre a receita conhecida para a apuração do lucro considera fictamente os custos e despesas incorridos pelo contribuinte no curso de suas atividades. Recurso voluntário a que se da parcial provimento. Publicado no D.O.U. n° 230 de 30/11/2007. do voto condutor do acórdão, extraímos: "Nas hipóteses de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tais como o IRPJ, a CSLL, a contribuição ao PIS e a COFINS, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito tributário é a própria ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4°, do CTN, e não a data da entrega da declaração de rendimentos pelo contribuinte. Verbis: Art. 150 [...]". em outras situações o Conselho, pacificamente decidiu da mesma forma: Acórdão nº 10322564 Decisão Por maioria de votos acolher a preliminar do direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até o mês de outubro de 1999, inclusive, vencido o conselheiro Leonardo de Andrade Couto que não a acolheu; por unanimidade de votos rejeitar as demais preliminares suscitadas e, no mérito DAR provimento parcial ao recurso para excluir a exigência da multa de lançamento ex officio isolada. Ementa DECADÊNCIA CSSL Consoante a sólida jurisprudência administrativa, sem a comprovação de dolo, fraude ou simulação, a decadência do direito estatal de efetuar o lançamento de ofício da CSSL é regida pelo artigo 150, § 4º, do CTN. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO QUE, EM CONTROLE INCIDENTAL, AFASTOU A APLICAÇÃO DA NORMA, POSTERIORMENTE DECLARADA CONSTITUCIONAL PELO STF SURGIMENTO DA LEI NOVA NÃO DECIDIDA NA SENTENÇA A decisão que transitou em julgado, fundada na Lei n° 7.689/88, não obsta a cobrança da CSLL decorrente de fatos geradores ocorridos sob a vigência de outras normas não discutidas no processo judicial. No mais, acrescentese que a declaração da inconstitucionalidade da Lei n° 7689/88, proferida em controle incidental, não integra o dispositivo da sentença, não sendo alcançada pelo efeito da coisa julgada. Nesse sentido, a superveniência da Lei n° 8.212/91 reafirma a instituição da contribuição referida para os períodos de apuração sob sua regência. CSSL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA DA CSSL MULTA ISOLADA Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 9101003.044 CSRFT1 Fl. 6 5 Encerrado o período de apuração da CSSL, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, apurado em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelando se improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças de estimativas. JUROS DE MORA TAXA SELIC É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de juros de mora incidentes sobre débitos tributários não pagos no vencimento, diante da existência de lei que determina a sua adoção, com o respaldo do art. 161, § 1°, do CTN. Publicado no D.O.U. n° de 06/10/06 resta clara, portanto, a divergência quanto ao momento da ocorrência do fato gerador do IRPJ e CSLL para fins de contagem do prazo decadencial desses tributos; ressaltase ainda que a Recorrente cumpre expressamente os requisitos de admissibilidade do presente apelo, de forma que mesmo não juntado cópia autenticada dos acórdãos considerados paradigma, junta a presente peça os impressos retirados diretamente do site do CARF (inteiro teor de acórdãos) para cada assunto divergente tratado no Recurso Especial, nos exatos termos do art. 67, §§ 7º a 9º , do Regimento Interno do CARF; ora, o referido "fato gerador trimestral", na realidade, não se trata da data de ocorrência do fato gerador do IRPJ e sim de um período fixado pela legislação ordinária para fins de apuração e recolhimento dos tributos em questão, conforme se pode verificar do texto do art. 1º da Lei 9.430/1996: [...]; como se pode verificar, foi dada uma interpretação equivocada ao dispositivo retro transcrito, pois este, em hipótese alguma, visou modificar o momento da ocorrência do fato gerador do IRPJ, o qual é determinado pelo art. 43 do CTN, e muito menos alongar o prazo do fisco para homologação do crédito tributário em questão, o qual é determinado pelo art. 150, §4° do CTN, mas apenas determinar o período de apuração e recolhimento do referido imposto. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 166/2012, de 23/11/2012, deu seguimento ao recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Está consignado no acórdão recorrido, no que interessa ao exame do presente recurso: "(...) Sobre a alegação da decadência, importa esclarecer que o contribuinte optou pelo regime de apuração trimestral do lucro real, conforme declaração de rendimentos de fls. 244 e seguintes. Portanto, diferentemente do alegado pela recorrente, em relação ao 1° trimestre de 2003, o fisco tinha o prazo até 31/03/2008 para dar ciência do lançamento. Tendo sido a ciência do lançamento em 27/03/2008, não há que se falar em decadência.” Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 9101003.044 CSRFT1 Fl. 7 6 Conforme demonstrado acima, o v. acórdão considerou que o marco inicial para contagem do prazo decadencial do IRPJ e da CSLL, no caso da Recorrente, por ter sido feita a opção pelo regime de apuração trimestral, o termo inicial para contagem do prazo decadencial seria o dia 31/03/2003, último dia do 1º trimestre para apuração do lucro real. Os acórdãos paradigmas apresentados, na parte que interessa ao objeto de análise, têm as seguintes ementas: 10323047 Ementa DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, tal como o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito tributário é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4º do CTN. No caso dos autos, dada a ciência do lançamento ao contribuinte em 14.12.2004, é de se reconhecer a decadência do direito do Fisco de constituir crédito relativo a fatos geradores ocorridos em períodos anteriores a 30/11/1999, inclusive. Preliminar de decadência acolhida. 10323088 Ementa Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Ano calendário: 2000, 2001. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Inexistência de pagamento, ou descumprimento do dever de apresentar declarações, não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. CSLL. COISA JULGADA. ALCANCE. Em matéria tributária, segundo a consolidada jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a sentença transitada em julgado não alcança fatos posteriores ao seu comando, especialmente com o advento de alteração legislativa aliada a manifestação do STF pela constitucionalidade das disposições da lei atacada. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de ofício prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96 sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Publicado no D.O.U. n° 185 de 25/09/2007. Examinando os acórdãos paradigmas verificase a divergência quanto ao momento da ocorrência do fato gerador do IRPJ e CSLL para fins de contagem do prazo decadencial destes tributos. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 9101003.044 CSRFT1 Fl. 8 7 Em 12/12/2012, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 17/12/2012 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com argumentação de mérito defendendo a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 9101003.044 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Não há condições para se conhecer do recurso especial da contribuinte. Como já mencionado, seu inconformismo é com o entendimento manifestado no acórdão recorrido no sentido de que, para os tributos com apuração trimestral (IRPJ/CSLL), o prazo decadencial previsto no §4º do art. 150 do CTN somente é contado a partir do encerramento do trimestre. Segundo ela própria afirma, "tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 27 de março de 2008, todos os débitos constituídos antes de 27 de março de 2003, ou seja, janeiro e fevereiro de 2003, estão decaídos". O que a contribuinte procura sustentar é que o fato gerador ocorre no momento em que se verifica a materialidade descrita na hipótese de incidência, ou seja a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda. De acordo com o seu entendimento, o marco inicial da contagem do prazo decadencial não pode ser deslocado para momento diverso (no caso, para o final do trimestre), apenas em razão de ficção jurídica criada com o objetivo de controle e fiscalização do fisco federal. Mas os acórdão paradigmas apresentados não servem para caracterizar a divergência suscitada pela contribuinte. O que eles dizem é apenas que a contagem da decadência deve ser feita a partir da data do fato gerador. Aliás, o primeiro paradigma, ao tratar da contagem de decadência para fins de IRPJ e CSLL, usa expressamente o marco trimestral, exatamente como fez o acórdão recorrido. E o segundo paradigma não aborda nenhum problema sobre contagem de decadência, no contexto da questão suscitada pela contribuinte. Essa decisão apenas afirma que "sem a comprovação de dolo, fraude ou simulação, a decadência do direito estatal de efetuar o lançamento de ofício da CSSL é regida pelo artigo 150, §4º, do CTN". O mesmo pode ser dito do "terceiro" paradigma (Acórdão nº 10323088), que foi utilizado pelo despacho de admissibilidade para fins de reconhecimento da divergência jurisprudencial. Nenhuma das três decisões trazidas pela contribuinte trata de questões sobre quando se deve considerar ocorrido o fato gerador do IRPJ/CSLL, no caso de apuração por períodos trimestrais. Nenhuma delas aborda qualquer entendimento de que o fato gerador deve ser verificado no dia a dia em que a contribuinte aufere renda/lucro, ou mês a mês, etc., mesmo no caso de apuração por período trimestral. Não foi comprovada nenhuma divergência sobre essa matéria que é objeto do recurso especial da contribuinte, de modo que ele não deve ser conhecido. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 9101003.044 CSRFT1 Fl. 10 9 Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 580DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.001046/2005-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 22/10/2002 a 13/10/2003
DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO.
Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao regime.
Numero da decisão: 9303-005.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 10 46 /2 00 5- 59 Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte VALESUL ALUMÍNIO S/A (fls. 2.343 a 2.371) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3202000.651 (fls. 2.223 a 2.239) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara Terceira Seção de julgamento, em 27 de fevereiro de 2013, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 22/10/2002 a 13/10/2003 DRAWBACK. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. Somente serão aceitos para comprovação do regime especial de drawback modalidade suspensão, Registros de Exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham todas as informações de que se referem à operação de drawback. O descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback enseja a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas com desoneração tributária. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02. Recurso Voluntário Negado. Por bem retratar a origem do processo administrativo, adotase o relatório do acórdão recorrido, com os acréscimos devidos, in verbis: [...] O presente processo trata lançamento de ofício, veiculado através de autos de infração, para a exigência de crédito tributário referente ao Imposto sobre a Importação, multa de ofício e juros de mora, no valor de Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 4 3 R$ 1.814.103,86 (fls. 04/ss), e ao Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de ofício e juros de mora, no valor de R$ 1.421.668,43 (fls. 14/ss), em decorrência do suposto descumprimento de obrigações inerentes ao regime aduaneiro especial de drawback, mais especificamente: (i) em relação aos Atos Concessórios nºs 20020125780 e 20030083745: a utilização do código de enquadramento de exportação errado, uma vez que a empresa utilizou o código 80.000 exportação normal e 81.301 exportação sujeita a registro de venda, quando deveria utilizar o código 81.101 drawback suspensão comum; e a omissão da informação do número do ato concessório nos respectivos registros de exportação, nos termos do disposto no artigo 325 do Decreto nº 90.030/85 e no artigo 352 do Decreto nº 4.543/2002 (item 4.1 do Termo de Constatação Fiscal, fls. 38/42); (ii) em relação especificamente ao Ato Concessório nº 20020125780: restou caracterizado o descumprimento ao Princípio da Vinculação Física, uma vez que se comprovou que a empresa não aplicou/utilizou 1.755.556,00 kg do insumo importado “coque calcinado” no processo produtivo de produtos a serem exportados (item 4.2 do Termo de Constatação Fiscal, fls. 42/45); (iii) em relação especificamente ao Ato Concessório nº 20030083745: restou caracterizado o descumprimento ao Princípio da Vinculação Física, uma vez que se comprovou que a empresa 6.410,00 kg do insumo “fluoreto de alumínio” não haviam sido importados quando ocorreram as exportações, ou seja, não integraram qualquer dos produtos exportados dentro do Ato (item 4.3 do Termo de Constatação Fiscal, fls. 45/47). Deste modo, a fiscalização glosou todos os REs – registros de exportação apresentados pelo contribuinte, seja pela falta de indicação do código de enquadramento de exportação correto, seja pela falta de vinculação dos REs ao Ato Concessório respectivo e, por conseguinte cobrou os tributos incidentes nas importações, até então com a exigibilidade suspensa, em relação a todas das Declarações de Importações utilizadas ao amparo dos respectivos Atos Concessórios (nºs 20020125780 e 20030083745). Para melhor detalhar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Do processo em análise, depreendese que a empresa acima identificada realizou importações de mercadorias com suspensão dos tributos exigíveis na sua nacionalização ao amparo no regime aduaneiro especial de drawback suspensão, tendo em vista a obtenção dos Atos Concessórios (AC's) n° 20020125780 e n°20030083745. No Termo de Constatação Fiscal de fls. 25 a 47 temse evidenciado o fundamento da exação, por absolutamente elucidativo, peço vênia para transcrever os trechos relevantes. Vejamos: Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 5 4 “(...) em relação ao AC 20020125780, verificase que, de acordo com os dados informados pelo contribuinte no SISCOMEX: I O contribuinte estava autorizado a importar 12.811.790,00 kg de coque calcinado e 550.000,00 kg de fluoreto de alumínio. Em contrapartida deveria exportar 7.300.000,00 kg de alumínio não ligado e 25.053.000,00 kg de ligas de alumínio; 2 Com relação ao insumo fluoreto de alumínio o contribuinte importou 396.000,00 kg, deixando, portanto, de importar 154.000,00 kg; 3 O contribuinte informou que exportou os produtos através dos Registros de exportação relacionados no extrato do siscomex de fls. 96/447; 4 Com relação ao produto alumínio não ligado o contribuinte estava obrigado a exportar 7.300.000,00 kg e exportou 4.576.734,00 kg e em relação ao produto ligas de alumínio o contribuinte estava obrigado a exportar 25.053.000,00 kg e exportou 23.202.749,00 kg; 5 Da análise dos extratos de todos os REGISTROS DE EXPORTAÇÃO de fls. 96/447, verificouse que o contribuinte utilizou os códigos de enquadramento 80000 e 81301 nas exportações vinculadas ao ato concessório, referentes respectivamente à exportação normal e exportação sujeita a registro de venda. ..., em relação ao AC 20030083745, verificase que, de acordo com os dados informados pelo contribuinte no SISCOMEX. I O contribuinte estava autorizado a importar 12.480.000,00 kg de coque calcinado e 750.000,00 kg de fluoreto de alumínio. Em contrapartida deveria exportar 855.000,00 kg de alumínio não ligado e 30.445.000,00 kg de ligas de alumínio; 2 Com relação ao insumo fluoreto de alumínio o contribuinte importou 12.463.120,00 kg, deixando, portanto, de importar 16.880,00 kg; 3 O contribuinte informou que exportou os produtos através dos Registros de exportação relacionados no extrato do SISCOMEX de fls. 488/1073; 4 Com relação ao produto alumínio não ligado o contribuinte estava obrigado a exportar 855.000,00 kg e exportou 865.171,00 kg e em relação ao produto ligas de alumínio o contribuinte estava obrigado a exportar 30.445.000,00 kg e exportou 30.656.729,00 kg; 5 Da análise dos extratos de todos os REGISTROS DE EXPORTAÇÃO de fls. 488/1073, verificouse que o contribuinte utilizou os códigos de enquadramento 80000 e 81301 nas exportações vinculadas ao ato concessório, referentes respectivamente à exportação normal e exportação sujeita a registro de venda. (...) 4.1 DAS INFRAÇÕES COMUNS AOS DOIS ATOS CONCESSÓRIOS: Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 6 5 A empresa beneficiária dos atos concessórios de drawback — suspensão apresentou a esta fiscalização para comprovar o adimplemento da condição de exportar os REGISTROS DE EXPORTAÇÃO de fls. 96/447 e 488/1073, contudo nestes RE's utilizou os códigos de enquadramento 80.000 e 81.301 que caracterizam respectivamente as exportações normais e as exportações sujeitas a registro de venda. (...) Dessa forma, não pode o exportador, utilizarse de exportações efetuadas no "regime comum" para comprovar um ato concessório Drawback suspensão. Neste caso, somente exportações enquadradas, quando da efetiva exportação, nos códigos de operação para regime aduaneiro de drawback (81101) são hábeis para comprovar o ato concess6rio drawback suspensão. Igualmente, a anotação do n° do ato concessório no documento de exportação RE, é condição necessária para caracterizar a vinculação daquela exportação ao ato concessório, e como se vê nos extratos dos RE's, de fls. 96/447 e 488/1073, em nenhum dos REGISTROS DE EXPORTAÇÃO consta esta anotação, vinculando as exportações aos Atos Concessórios. (...) A efetiva exportação através de TODOS OS REGISTROS DE EXPORTAÇÃO referentes aos dois atos concessórios sem a utilização do código 81101 que identifica o Regime Aduaneiro Especial de Drawback suspensão e sem a anotação do n° do ato concessório, constituem infração aos artigos 325 da RA (Dec. 90.030/85) e 352 do RA (Dec. 4.543/2002). (...) Portanto, não comprovada a relação entre as exportações e o ato concessório, seja pela falta de vinculação da exportação ao Ato Concessório respectivo, seja pela falta de indicação do código próprio da operação de Drawback nos campos apropriados dos Registros de Exportação, não há como se demonstrar que as mercadorias importadas foram efetivamente utilizadas na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não há como atestar que o contribuinte cumpriu o compromisso assumido. (...) Assim sendo, conforme tabelas abaixo, todos os insumos importados sob o amparo dos dois atos concessórios vinculados as licenças de importação / declaração de importação que foram desembaraçadas com a exigibilidade dos tributos suspensa por estarem sendo beneficiadas pelo Regime de DrawbackSuspensão, serão tributadas de acordo com a legislação que trata da importação comum. (...) 4.2 DA INFRAÇÃO RELATIVA AO ATO CONCESSÓRIO 20020125780: Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 7 6 De acordo com o extrato do siscomex CONSULTA DIAGNÓSTICO E AC, às fls. 59/63, temos o seguinte quadro em relação às importações: (...) Conforme laudo técnico de fls. 58, apresentado pelo contribuinte as mercadorias exportadas, na sua produção consumiram 0,398 toneladas métricas do insumo coque calcinado por tonelada métrica de produto final e 0,024 toneladas métricas do insumo fluoreto de alumínio por tonelada métrica de produto final. Utilizando as proporções acima descritas foram elaboradas as planilhas de fls. 448/451, para verificar o atendimento, por parte do contribuinte do compromisso de exportar produtos elaborados com insumos importados. Desse cotejamento verificouse que: Em relação ao insumo coque calcinado houve uma sobra de 1.755.556,00 kg, que não foram utilizados na fabricação dos produtos exportados. Desse modo, ficou claramente caracterizado que 1.755.556,00 kg de coque calcinado não foram necessariamente aplicados kg de coque calcinado não foram necessariamente aplicados nos fins para os quais foram importados no Ato Concessório, ou seja, não integraram qualquer dos produtos exportados dentro do Ato, ficando, portanto, sujeitos ao recolhimento dos impostos sob suspensão. L..1 4.3 DA INFRAÇÃO RELATIVA AO ATO CONCESSÓRIO 20030083745: De acordo com o extrato do siscomex CONSULTA DIAGNÓSTICO E AC, as fls. 454/458, temos o seguinte quadro em relação às importações: Conforme laudo técnico de fls. 453, apresentado pelo contribuinte as mercadorias exportadas, na sua produção consumiram 0,398 toneladas métricas do insumo coque calcinado por tonelada métrica de produto final e 0,024 toneladas métricas do insumo fluoreto de alumínio por tonelada métrica de produto final. Utilizando as proporções acima descritas foram elaboradas as planilhas de fls. 1074/1077, para verificar o atendimento, por parte do contribuinte do compromisso de exportar produtos elaborados com insumos importados. Desse cotejamento verificouse que: As mercadorias exportadas através dos três primeiros RE's 30792133001 (12/07/2003), 30790160001 (12/07/2003) e 30837572001 (23/07/2003), não utilizaram o produto fluoreto de alumínio, pois a primeira importação deste insumo foi através da Declaração de Importação no 03/05787831 desembaraçada na data de 10/07/2003, sendo que estes insumos entraram no estoque da empresa na data de 28/07/2003, conforme planilha de fls. 1080 apresentada pelo contribuinte. Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 8 7 Desse modo, ficou claramente caracterizada a infração ao Princípio da Vinculação Física, anteriormente relatado, já que os insumos referentes a 6.410,00 kg do insumo FLUORETO DE ALUMÍNIO não haviam sido importados quando ocorreram as exportações, ou seja, não integraram qualquer dos produtos exportados dentro do Ato, ficando, portanto, sujeitos ao recolhimento dos impostos sob suspensão. (...) Constatado o cometimento, por parte da beneficiária do regime aduaneiro especial de drawbacksuspensão, das infrações acima mencionadas, a fiscalização competente lavrou os autos de infração de fls. 04 a 19, complementado pelo termo de constatação fiscal de fls. 25 a 47 (parte integrante e indestacável daqueles) e o termo de encerramento de fl. 20, constituindo o crédito tributário de R$ 3.235.772,20, decorrente da exigência do Imposto de Importação II e do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, vinculado à importação, acrescidos dos demais encargos legais, calculados até 31.08.2005. Cientificada do lançamento em 22.09.2005 (fls. 04, 14 e 20), a beneficiária protocolou, em 22.10.2005, a impugnação de fls. 1117 a 1130, acompanhada dos documentos de fls. 1131 a 2060, para contestar os fundamentos da autuação, notadamente quanto às glosas fiscais decorrentes da não vinculação dos Registros de Exportação com os respectivos Atos Concessórios n° 20020125780 e n° 20030083745, bem como da anotação equivocada do código da operação, ou seja, da utilização dos códigos de enquadramento 80000 e 81301 nos documentos de exportação (RE's) que a beneficiária apresentou como prova do cumprimento do regime aduaneiro pleiteado (fls. 96/447 e 488/1073), por entender que se tratam de meros erros formais que não têm o condão de invalidar as exportações efetivamente realizadas, posto que embasada em simples presunção. Ademais, afirma que a fiscalização depois de analisar os documentos referentes às operações de importação e exportação objeto da autuação litigada constatou, afora o equívoco acima apontado, apenas duas irregularidades, que não tem o condão de invalidar todo o procedimento adotado. Salienta também que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes tem entendido que uma vez comprovada a exportação e respectiva vinculação entre os insumos importados com os produtos exportados, cumprido está o regime de drawback, não podendo eventuais falhas na utilização do código de enquadramento correto ocasionar a desconsideração das operações realizadas. Esclarece que em relação às irregularidades apontadas pela fiscalização nos itens 4.2 e 4.3 do termo de constatação fiscal concorda com os fundamentos da autuação, razão pela qual já providenciou o recolhimento dos créditos tributários exigidos, conforme demonstram os DARF's juntados a fl. 1142. Diante do exposto, requer o acolhimento das razões de defesa a fim de que seja determinada a improcedência da parte remanescente do crédito tributário exigido nos presentes Autos de Infração. Este é o Relatório. Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 9 8 A DRJ – Florianópolis (SC) proferiu o Acórdão Nº 0714.875, em sessão de 19 de dezembro de 2008 (fls. 2.163/ss), julgando o lançamento procedente, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 22/10/2002 a 13/10/2003 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. O descumprimento das condições estabelecidas em ato concessório referente ao regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas com beneficio fiscal e demais encargos legais. DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente serão aceitos para comprovação do regime especial de Drawback, Registros de Exportação devidamente vinculados ao Ato Concessório, e que contenham todas as informações de que se referem à operação de Drawback. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera se não impugnada a matéria na qual o contribuinte tenha expressamente concordado com sua autuação fiscal. Lançamento Procedente A interessada foi cientificada do Acórdão da DRJ – Florianópolis em 08/01/2009 (folhas 2170/2172). Foi interposto Recurso Voluntário em 09/02/2009 (fls. 2175/ss), onde a Recorrente alega, em apertada síntese, que: em relação à matéria que não foi impugnada (itens 4.2 e 4.3 da autuação), efetuou o recolhimento parcial do presente lançamento, relativamente aos valores decorrentes dos fatos narrados naqueles itens, deste modo, requer, desde logo, a retificação do lançamento para reduzilo no montante recolhido em 21.10.2005, conforme cópia dos comprovantes de arrecadação anexos (doc. 01); a desconsideração de qualquer regime especial aduaneiro regularmente concedido, tal como o regime de drawback, deverá ser motivada e justificada por violações substanciais, que afrontem de forma robusta as condições e formas em que o regime foi instituído. Aduz que no caso não houve afronta de forma substancial aos requisitos e obrigações assumidas no regime; entretanto, a desconsideração do regime especial perpetrada pelo auditor fiscal baseouse apenas na utilização de dois códigos inapropriados o que, segundo a referida autoridade, impossibilitou a vinculação entre os insumos importados com os produtos efetivamente exportados pela Recorrente; Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 10 9 o preenchimento dos Registros de Exportação — RE com códigos de enquadramento equivocados não é suficiente para descaracterizar o regime especial concedido através de atos concessórios, conforme a jurisprudência do Conselho de Contribuintes que cita; a autuação baseouse em simples presunção, que não pode gerar tributação. Alega que só faz nascer a obrigação tributária é o comportamento (fato imponível) adequado à prescrição normativa estabelecida em lei (hipótese de incidência). Desta forma, verificase que a autuação, mesmo com todos os elementos bastantes para comprovar a vinculação entre os insumos importados e os produtos exportados, desconsiderou todos os Atos Concessórios em virtude de uma mera formalidade quanto à utilização do correto código de enquadramento; em atendimento ao princípio da busca pela verdade material, não poderia a fiscalização invalidar todo procedimento adotado pela Recorrente por constatar, dentre toda extensa documentação verificada, apenas dois equívocos no preenchimento de registros de exportação. Salvo esses dois equívocos que a própria Recorrente admitiu ainda em sede de impugnação e aos quais diligenciou o recolhimento dos respectivos créditos tributários, em todas as demais operações foi demonstrado que houve a perfeita vinculação entre os insumos importados com os produtos exportados; afirma que no caso foram desconsiderados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; por fim, requer a retificação do lançamento para excluir do valor supostamente devido o montante recolhido em 21.10.2005 e, no mérito, seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário para o fim de reformar o acórdão recorrido. [...] Sobreveio julgamento de negativa de provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 3202000.651 (fls. 2.223 a 2.239) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara Terceira Seção de julgamento, em 27 de fevereiro de 2013, ora recorrido, ratificado pelo despacho nº 3202062, de 20 de dezembro de 2013 (fl. 2.333) que rejeitou os embargos de declaração (fls. 2.279 a 2.321) opostos pelo Sujeito Passivo com base em suposta omissão/obscuridade. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 2.343 a 2.371), instruído com documentos (fls. 2.372 a 2.436), alegando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de ser reconhecido como cumprido o Regime Especial de Drawback Suspensão, quando devidamente comprovada a efetiva exportação das mercadorias, mesmo diante de equívocos nas formalidades e obrigações acessórias, que gerou o desatendimento do princípio da vinculação física. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou os acórdãos paradigmas nºs 30235.851 e 30236.312. Suscitou, ainda, preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 11 10 (a) preliminarmente, o acórdão recorrido está eivado do vício de nulidade, pois, embora tenham sido interpostos embargos de declaração, a decisão permaneceu obscura quanto ao reconhecimento da existência da efetiva exportação, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, premissa fática importante para o caso; (b) tendo em vista o reconhecimento, pela Autoridade Fiscal e consignado no Termo de Verificação Fiscal, que ocorreram as exportações, requer seja também reafirmado o fato pela Câmara Superior de Recursos Fiscais; (c) os erros formais, consistentes na indicação incorreta do código SISCOMEX e na ausência de anotação dos números dos atos concessórios nos registros de exportação, não invalidam o regime especial de drawback suspensão, entendimento explicitado nos acórdãos de nºs 30235.851 e 302 36.312, indicados como paradigmas. Comprovada a realização da exportação da mercadoria, em conformidade com o compromisso assumido pela empresa beneficiária no referido regime especial, restam supridas as deficiências decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias; (d) na espécie, tendo restado comprovado o efetivo cumprimento do compromisso de exportação, faz jus o contribuinte ao benefício da isenção dos impostos até então suspensos pelo regime especial de drawback suspensão, prevalecendo o princípio da equivalência ou da fungibilidade dos insumos em detrimento do princípio da vinculação física; (e) a exigência da vinculação física entre os insumos importados e a mercadoria exportada pode trazer efeitos contrários ao pretendido pela criação do regime especial de drawback suspensão, que é o de fomentar as exportações, ocasionando o desestímulo das empresas nacionais a se valerem desse benefício em razão da dificuldade e da onerosidade para comprovação da vinculação física ou da sua própria inexistência; (f) no sentido da tese defendida em sua peça recursal, a Recorrente colaciona precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/03.05.562) e do Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 341.285 e AgRg no RESP nº 413.564); (g) a prevalência do princípio da fungibilidade em relação ao da vinculação física está expressamente prevista no art. 17 da Lei nº 11.774/2008, incluído como art. 402A do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009) pelo Decreto nº 8.010/2013, que reafirma a desnecessidade da perfeita vinculação física entre os insumos importados e as mercadorias exportadas para fins de cumprimento do compromisso de exportação do regime especial de drawback suspensão; (h) o caso em exame enquadrase na norma contida no art. 402A do Regulamento Aduaneiro, pois houve a efetiva ocorrência das exportações compromissadas, conforme observado pela Fiscalização, tendo restado descaracterizado o cumprimento do regime especial unicamente pelo não atendimento de obrigações acessórias (indicação incorreta dos códigos das operações no Siscomex e ausência da anotação dos números dos respectivos Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 12 11 atos concessórios). Além disso, a aplicação do art. 402A à espécie vem garantida pelo art. 106, inciso II, alínea "b" do Código Tributário Nacional; (i) ao final requer o provimento do recurso especial para: (a) na hipótese de não ser reconhecida a ocorrência das exportações, anular o acórdão recorrido e determinadar a realização de novo julgamento pelo Colegiado a quo, considerando o Termo de Verificação Fiscal que afirma terem havido as exportações e, sucessivamente, (b) a reforma da decisão recorrida para cancelar o crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 26 de junho de 2015 (fls. 2442 a 2446), proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial suscitada pela Contribuinte "[...] em razão da manutenção, no Acórdão recorrido, da exigência fiscal, na parte em que a empresa autuada deixou de prover a efetiva comprovação das exportações de produtos sob a égide do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade Suspensão, mais especificamente quanto à valoração dos documentos apresentados – Registros de Exportação (RE), para demonstrar o cumprimento do regime especial, quais sejam, a indicação incorreta dos códigos das operações no sistema SISCOMEX e da ausência da especificação dos números dos respectivos atos concessórios". A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 2448 a 2454) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 13 12 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecido. No mérito, reside a controvérsia na possibilidade de se reconhecer como adimplido o compromisso de exportação do regime especial de drawback suspensão independente da demonstração da vinculação física entre os insumos importados com a suspensão do pagamento de tributos e a mercadoria exportada. O fundamento para negativa de provimento ao recurso voluntário, em síntese, é de que as normas regulamentares do incentivo fiscal do drawback suspensão impõe de forma clara a necessidade de vinculação física entre a mercadoria importada como insumo e o produto a ser exportado no regime, permitindo ao Fisco o controle efetivo da utilização dos insumos importados com desoneração tributária e a destinação dos bens produtivos à exportação. Acrescentou, ainda, o Ilustre Relator do acórdão recorrido que a vinculação física entre as mercadorias importadas e as mercadorias exportadas deve estar claramente demonstrada, mediante a devida vinculação dos Registros de Exportação aos Atos Concessórios emitidos pela Secex, bem como pela identificação das exportações beneficiadas pelo regime aduaneiro especial mediante a indicação do código de operação respectivo. No âmago das razões do julgado recorrido, portanto, está o Princípio da Vinculação Física, segundo o qual a correção das informações apostas nos documentos de exportação registros de exportação transpõe as formalidades, constituindose em elemento essencial no adimplemento do compromisso de exportar. Ocorre que a solução emprestada ao caso pelo bem fundamentado acórdão recorrido, com a devida vênia, não merece prosperar, sendo imperioso o provimento do recurso especial da Contribuinte com fulcro nos argumentos que serão aqui expendidos. Os Regimes Aduaneiros Especiais caracterizamse pelo não pagamento dos tributos quando da importação, que seriam devidos no Regime de Importação Comum1, e pela temporariedade da entrada da mercadoria em território nacional enquanto que na importação comum os bens ingressam em definitivo no país. 1 No regime comum de importação são devidos os seguintes tributos: imposto sobre as importações (II), imposto sobre produtos industrializados (IPI), imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS), contribuições sociais para o PIS/PASEP e para a COFINS e contribuição destinada à intervenção no domínio econômico AFRMM, esta última quando o transporte se der pela via marítima. Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 14 13 Dentre os regimes aduaneiros especiais, está o drawback, previsto no art. 78 do DecretoLei nº 37/66, e que pode ser concedido em três modalidades distintas: suspensão, isenção e restituição, in verbis: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (Vide Lei nº 8.402, de 1992) § 1º A restituição de que trata este artigo poderá ser feita mediante crédito da importância correspondente, a ser ressarcida em importação posterior. § 2º O regulamento estabelecerá limite mínimo para aplicação dos regimes previstos neste capítulo. (Revogado pela de Medida Provisória nº 497, de 2010) (Revogado pela Lei nº 12.350, de 2010) § 3º Aplicamse a este artigo, no que couber, as disposições do § 1º do art.75. (grifouse) Consoante disposto no art. 335 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 20022, Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos geradores, e que atualmente encontrase reproduzido no art. 383 do Decreto nº 6.759/2009, Regulamento Aduaneiro em vigor, o regime aduaneiro especial de drawback é um incentivo fiscal à exportação, podendo ser aplicado nas modalidades de suspensão, isenção e restituição. Por conseguinte, trata da suspensão de tributos incidentes sobre as importações de mercadorias a serem utilizados em produtos exportados ou a exportar, sendo que a mercadoria deverá sofrer algum processo de aperfeiçoamento e/ou beneficiamento 3. 2 Decreto nº 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro). Art. 335. O regime de drawback é considerado incentivo à exportação, e pode ser aplicado nas seguintes modalidades (Decretolei no 37, de 1966, art. 78, e Lei no 8.402, de 1992, art. 1o, inciso I): I suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; II isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado; e III restituição, total ou parcial, dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada. 3 Decreto nº 4.543/2002. Art. 336. O regime de drawback poderá ser concedido a: I mercadoria importada para beneficiamento no País e posterior exportação; II matériaprima, produto semielaborado ou acabado, utilizados na fabricação de mercadoria exportada, ou a exportar; III peça, parte, aparelho, máquina, veículo ou equipamento exportado ou a exportar; Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 15 14 No regime aduaneiro especial do drawback suspensão os fatos geradores dos tributos incidente na importação ocorrem no desembaraço aduaneiro. Por se tratar de importação de mercadoria a ser exportada após o seu beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada, haverá a suspensão do pagamento dos impostos e contribuições exigíveis (II, IPI, ICMS, PIS, COFINS e AFRMM). Verificandose a exportação no prazo e condições legais, a suspensão do pagamento transformase em isenção definitiva, ensejando a exclusão do crédito tributário. Na hipótese de não serem atendidas as condições legais, por outro lado, passam a ser exigíveis os tributos suspensos. No caso dos autos, a discussão a ser enfrentada, portanto, com relação ao drawback suspensão, é sobre a necessidade ou não da vinculação física para se ter como atendidas as exigências legais do regime aduaneiro especial: se os insumos importados no referido regime aduaneiro especial necessariamente deverão ser aplicados na elaboração do produto final a ser exportado ou se é admissível a sua substituição por outros equivalentes nacionais. Na vigência das disposições legais do Decretolei nº 37/66, regulamentado pelo Decreto nº 91.030/1985 (Regulamento Aduaneiro de 1985), posteriormente revogado pelo Decreto nº 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro de 2002) o qual, por sua vez, foi revogado pelo Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro atualmente em vigor), para o regime de drawback suspensão a norma expressava a necessidade de vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados, devendo os insumos importados ser efetivamente utilizados na industrialização dos produtos a serem exportados. Ainda na vigência dos referidos diplomas legais, o Superior Tribunal de Justiça modificou o entendimento, posteriormente consolidado pela jurisprudência daquela Corte 4, no IV mercadoria destinada a embalagem, acondicionamento ou apresentação de produto exportado ou a exportar, desde que propicie comprovadamente uma agregação de valor ao produto final; ou V animais destinados ao abate e posterior exportação. § 1o O regime poderá ainda ser concedido: I para matériaprima e outros produtos que, embora não integrando o produto exportado, sejam utilizados na sua fabricação em condições que justifiquem a concessão; ou II para matériaprima e outros produtos utilizados no cultivo de produtos agrícolas ou na criação de animais a serem exportados, definidos pela Câmara de Comércio Exterior. § 2o Na hipótese do inciso II do § 1o, o regime será concedido: I nos limites quantitativos e qualitativos constantes de laudo técnico emitido nos termos fixados pela Secretaria da Receita Federal, por órgão ou entidade especializada da Administração Pública federal; e II a empresa que possua controle contábil de produção em conformidade com as normas editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 3o O regime de drawback, na modalidade de suspensão, poderá ser concedido à importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com recursos captados no exterior (Lei no 8.032, de 1990, art. 5o, com a redação dada pela Lei no 10.184, de 12 de fevereiro de 2001, art. 5o). 4 Citese, exemplificativamente, o julgado proferido no recurso especial nº 341.285/RS, de relatoria do Ministro Herman Benjamim, assim ementado: "TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. SODA CÁUSTICA IMPORTADA. CELULOSE EXPORTADA. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE FÍSICA. DESNECESSIDADE. EQUIVALÊNCIA. 1. Hipótese em que a contribuinte importou soda cáustica para ser utilizada como insumo na produção de celulose a ser posteriormente exportada, no regime de drawback, modalidade suspensão. Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 16 15 julgamento do recurso especial nº 413.564/RS, pela desnecessidade de vinculação física entre o insumo importado e a mercadoria exportada para se ter como adimplido o compromisso do regime especial de drawback suspensão, prevalecendo a aplicação do "princípio da fungibilidade". Os fundamentos do julgado foram sintetizados na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. DRAWBACK. SODA CÁUSTICA. EMPREGO DE MATÉRIA PRIMA IDÊNTICA NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO EXPORTADO. BENEFÍCIO FISCAL. 1. É desnecessária a identidade física entre a mercadoria importada e a posteriormente exportada no produto final, para fins de fruição do benefício de drawback, não havendo nenhum óbice a que o contribuinte dê outra destinação às matériasprimas importadas quando utilizado similar nacional para a exportação. 2. In casu, o acórdão de segundo grau decidiu que o fato de a empresa ter empregado similar nacional da soda cáustica importada na industrialização da celulose que foi exportada não implica a desconstituição do benefício da suspensão do tributo. 3. Recurso especial nãoprovido. (REsp 413.564/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2006, DJ 05/10/2006, p. 236) (grifouse) Sobreveio, então, alteração na legislação, excluindo do ordenamento jurídico brasileiro a necessidade da vinculação física entre os insumos importados e os produtos finais a serem exportados. A modificação foi introduzida pelos artigos 12 e 14 da Lei nº 11.945, de 04 de junho de 2009, combinado com o art. 17 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009 (drawback suspensão) e artigos 31 e 32 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 (drawback isenção), in verbis: Lei nº 11.945/2009 Art. 12. A aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria para emprego ou consumo na 2. A empresa adquiriu a soda cáustica também no mercado interno e, por questões de segurança e custo, utilizou indistintamente o produto importado e o nacional na produção da celulose exportada. 3. É incontroverso que a contribuinte cumpriu o compromisso de exportação firmado com a CACEX. Assim, a quantidade de soda cáustica importada foi efetivamente empregada na celulose exportada. 4. Seria desarrazoado exigir que a fábrica mantivesse dois estoques de soda cáustica, um com o produto importado e outro com conteúdo idêntico, porém de procedência nacional, apenas para atender à exigência de identidade física exigida pelo fisco. 5. O objetivo da legislação relativa ao drawback, qual seja a desoneração das exportações e o fomento da balança comercial, independe da identidade física entre o produto fungível importado e aquele empregado no bem exportado. É suficiente a equivalência, o que ocorreu in casu, sem que se cogite de fraude ou máfé. 6. Precedente da Primeira Turma. 7. Recurso Especial não provido. (REsp 341.285/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/05/2009, DJe 25/05/2009)" Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 17 16 industrialização de produto a ser exportado poderá ser realizada com suspensão do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. § 1º As suspensões de que trata o caput deste artigo: I aplicamse também à aquisição no mercado interno ou à importação de mercadorias para emprego em reparo, criação, cultivo ou atividade extrativista de produto a ser exportado; II não alcançam as hipóteses previstas nos incisos IV a IX do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III a IX do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e nos incisos III a V do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. III aplicamse também às aquisições no mercado interno ou importações de empresas denominadas fabricantesintermediários, para industrialização de produto intermediário a ser diretamente fornecido a empresas industriaisexportadoras, para emprego ou consumo na industrialização de produto final destinado à exportação. § 2º Apenas a pessoa jurídica habilitada pela Secretaria de Comércio Exterior poderá efetuar aquisições ou importações com suspensão na forma deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 12.058, de 2009) § 3º A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo. [...] Art. 14. Os atos concessórios de drawback, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei, poderão ser deferidos, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, levandose em conta a agregação de valor e o resultado da operação. § 1º A comprovação do regime poderá ser realizada com base no fluxo físico, por meio de comparação entre os volumes de importação e de aquisição no mercado interno em relação ao volume exportado, considerada, ainda, a variação cambial das moedas de negociação. § 2º A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo. Lei 12.058/2009 Art. 17. O art. 12 da Lei no 11.945, de 4 de junho de 2009, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 12. ........................................................... § 1o ........................................................... III aplicamse também às aquisições no mercado interno ou importações de empresas denominadas fabricantesintermediários, para industrialização de Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 18 17 produto intermediário a ser diretamente fornecido a empresas industriais exportadoras, para emprego ou consumo na industrialização de produto final destinado à exportação. § 2o Apenas a pessoa jurídica habilitada pela Secretaria de Comércio Exterior poderá efetuar aquisições ou importações com suspensão na forma deste artigo. Lei nº 12.350 Art. 31. A aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria equivalente à empregada ou consumida na industrialização de produto exportado poderá ser realizada com isenção do Imposto de Importação e com redução a zero do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação. § 1o O disposto no caput aplicase também à aquisição no mercado interno ou à importação de mercadoria equivalente: I – à empregada em reparo, criação, cultivo ou atividade extrativista de produto já exportado; e II – para industrialização de produto intermediário fornecido diretamente a empresa industrialexportadora e empregado ou consumido na industrialização de produto final já exportado. § 2o O disposto no caput não alcança as hipóteses previstas nos incisos IV a IX do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, nos incisos III a IX do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e nos incisos III a V do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o O beneficiário poderá optar pela importação ou pela aquisição no mercado interno da mercadoria equivalente, de forma combinada ou não, considerada a quantidade total adquirida ou importada com pagamento de tributos. § 4o Para os efeitos deste artigo, considerase mercadoria equivalente a mercadoria nacional ou estrangeira da mesma espécie, qualidade e quantidade, adquirida no mercado interno ou importada sem fruição dos benefícios referidos no caput, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. Art. 32. O art. 17 da Lei no 11.774, de 17 de setembro de 2008, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 19 18 § 1o O disposto no caput aplicase também ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo.” (NR) (grifouse) Com as alterações introduzidas na legislação pelos dispositivos acima citados, não se faz mais necessária para o adimplemento do regime de drawback suspensão a vinculação física entre os insumos importados e a mercadoria destinada à exportação. Passoua a ser possível: (a) a utilização dos insumos importados combinados (ou não) com aqueles adquiridos no mercado interno, e (b) a substituição dos insumos importados por outros, idênticos ou equivalentes, nacionais ou importados, de mesma espécie, qualidade e quantidade. Para regulamentar a possibilidade de "substituição" dos insumos a serem utilizados na produção da mercadoria a ser exportada, foi editada a Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467/2010, que em seu art. 5ªA dispõe: "Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de que trata o art. 1º, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras, idênticas ou equivalentes, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes". Além disso, com as alterações introduzidas pela Portaria Conjunta RFB/Secex nº 1618/2014, foram estabelecidos os requisitos para que determinada mercadoria seja reconhecida como equivalente, em espécie e qualidade. Outro ponto importante é o disposto no §6º, do art. 5ºA da Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467/2010, o qual estabelece a aplicação das disposições contidas no referido artigo aos fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010, desde que cumprida a formalidade prevista no §único, do art. 6ºA. Prevê, portanto, efeitos retroativos a 28/07/2010, tornando improcedentes os lançamentos com fatos geradores posteriores a 28/07/2010, que tenham por base a falta de vinculação física. De outro lado, com base na aplicação do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN, temse que a retroatividade do art. 17 da Lei nº 11.774/2008, com a redação dada pelo art. 32 da Lei nº 12.350/2010, darseá a fato ou ato inclusive anterior a 28/07/2010, deixando se de ter como hipótese de descumprimento do regime especial de drawback suspensão a não observância do princípio da vinculação física. Dispõe o art. 106, do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 20 19 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Aplicável, assim, a retroatividade benigna do art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN, cancelandose os lançamentos de ofícios efetuados unicamente com base na falta de vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados, independente da data de ocorrência do fato gerador. No caso dos autos, a discussão remanescente no processo, portanto, relacionase diretamente à parte do auto de infração embasado exclusivamente no descumprimento do princípio da vinculação física pela ocorrência de erros formais no preenchimento dos documentos relativos à exportação e que seriam elementos essenciais para o Fisco controlar a utilização dos insumos importados com desoneração tributária e a destinação dos bens (exportação). Face às alterações introduzidas na legislação e o disposto no art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b", do CTN, deve ser cancelado o lançamento de ofício, pois o descumprimento da vinculação física já não mais se constitui como infração às normas do regime aduaneiro especial de drawback suspensão. Importante acrescentar que não houve questionamento quanto à efetiva exportação das mercadorias produzidas, mas sim quanto aos erros formais cometidos no preenchimento da documentação, razão pela qual resta nítida a evidência de terem ocorrido as exportações, ainda que com falhas no preenchimento da documentação obrigatória, o que não mais é causa de revogação do regime. Tendo em vista terse entendido assistir razão à Contribuinte no mérito do recurso especial, restou prejudicado o exame da preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 21 20 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho conclusões diferentes a respeito do presente processo em julgamento. O recurso especial interposto pela contribuinte contempla dois pedidos distintos. Em primeiro plano, requer a decretação da nulidade da decisão recorrida, em face da inadmissão dos embargos de declaração por ela interpostos. A seguir, a reforma do acórdão, na esteira do entendimento expresso nas decisões divergentes apresentadas como paradigma à demonstração do dissenso jurisprudencial. O despacho de admissibilidade do recurso especial, ainda que o tenha admitido sem ressalvas, não se manifestou acerca do pedido de nulidade da decisão recorrida. A esse respeito, creio que seja pertinente pontuar que essa matéria, em particular, não foi prequestionada (e nem poderia ter sido mesmo, pois é fato superveniente ao recurso voluntário), razão pela qual não deve ser apreciada como se pedido do contribuinte fosse. Inobstante, por se tratar de matéria de ordem pública, nada impede que o Colegiado, se assim entender, entenda que o acórdão recorrido padece de omissão e, por conseguinte, o declare nulo. Mérito Feitas as considerações delineadas no tópico anterior, destacase, desde logo, que não assiste razão à recorrente em relação ao pedido de decretação da nulidade da decisão a quo. A omissão alegada nos aclaratórios aponta a falta de manifestação do Colegiado recorrido acerca do art. 17 da Lei 11.774/08; contudo, a recorrente não fez referência à Lei 11.774/08 em sede de recurso voluntário; assim, não era mesmo de se esperar que a Turma se manifestasse a esse respeito. E com muito menos razão podese falar em nulidade da decisão recorrida porque os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento teriam atestado a efetiva ocorrência das exportações planejadas. Observese o que afirmaram os autoridades autuantes no corpo do Termo de Constatação Fiscal: "Ao solicitar e efetuar todas as exportações com enquadramento da operação normal ou sujeita a registro de venda, o exportador fez com que todo o procedimento de desembaraço aduaneiro na exportação fosse conduzido com tratamento fiscal de uma exportação no 'regime comum', (...) sem o devido controle (...). E "A efetiva exportação através de TODOS OS REGISTROS DE EXPORTAÇÃO referentes aos dois atos concessório sem a utilização do código 81101 (...)" Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 22 21 Ora, a toda evidência, as duas afirmações pretende esclarecer que todas as exportações foram enquadradas equivocadamente e não de que todas as exportações foram realizadas. Com base nos mesmos fundamentos não será atendido o pedido de que essa confirmação seja reafirmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, pela simples razão de que tal afirmação nunca foi feita. Superado isso, temse que a controvérsia gira em torno da obrigatoriedade ou não de (i) fazer constar nos Registros de Exportação de Drawback o código da operação 81.101, e não, como aconteceu, o código 80.000, que se refere a uma operação de exportação normal, ou 81.301, que se refere a exportações sujeitas a registro de venda (uma obrigatoriedade antiga. Não existem mais produtos sujeitos a esse tipo de registro prévio); e (ii) fazer constar nos Registros de Exportação de Drawback o número do Ato Concessório correspondente. A contribuinte pretende a mitigação do efeito da inobservância das formalidades por ele negligenciadas, em prestígio ao primado da verdade material. Considera, também, que nem mesmo a exigência de vinculação física entre insumos importados e produtos exportados deve prevalecer quando confrontada com a efetiva exportação dos valores pactuados. Defende a fungibilidade dos insumos. Releva dizer que, embora a defesa se esforce com veemência em demonstrar a desnecessidade da efetiva vinculação física entre o insumo importado e o produto exportado, não me parece que seja isso que está em discussão no processo. A indicação do código da operação no registro de exportação traz consequências para o controle da operação de exportação em zona primária. Quando o código é corretamente informado (81101), os Auditores Fiscais da RFB encarregados de conferir as mercadorias tem melhores condições de monitorar com rigor a operação de Drawback (já que ela atesta o adimplemento de uma condição que desonera a importação das matériasprimas utilizadas na fabricação do produto exportado). Por sua vez, a vinculação dos registros de exportação ao ato concessório correspondente permite que a fiscalização verifique o adimplemento do compromisso de exportação de maneira individualizada. Se a anotação não for feita, a fiscalização teria que auditar todos os atos concessórios do contribuinte para certificarse de que ele não utilizou um mesmo registro de exportação na comprovação de diversos atos concessórios. Ou seja, pelo menos em princípio, nenhum desses dois requisitos guarda relação com a controvertida exigência de vinculação física entre insumo importado e produto exportado. Essa, em regra geral (a menos que exista controle de estoques por lotes ou com segregação das mercadorias importadas com o benefício fiscal) é atestada com base em um controle de disponibilidade de matériasprimas em estoque. E, de fato, às folhas 36 e 38 do processo, no corpo do Termo de Verificação Fiscal, os AuditoresFiscais autuantes referemse aos problemas, identificados em ambos Atos Concessórios, de erro de enquadramento da operação e falta de vinculação do RE ao AC. No final, concluem: Portanto , não comprovada a relação entre as exportações e o ato concessório, seja pela falta de vinculação da exportação ao Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 23 22 Ato Concessório respectivo, seja pela falta de indicação do código próprio da operação Drawback nos campos apropriados dos Registros de Exportação, não há como se demonstrar que as mercadorias importadas foram efetivamente utilizadas na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não há como atestar que o contribuinte cumpriu o compromisso assumido. É verdade que às folhas 42 e 45 do processo, ainda no Termo de Constatação Fiscal, demonstramse cálculos baseados em laudo pericial que indicam que parte da matéria prima importada não foi empregada nos produtos exportados, senão vejamos. 4.2 DA INFRACAO RELATIVA AO ATO CONCESSÓRIO 20020125780: Desse modo, ficou claramente caracterizado que 1.755.556,00 kg de coque calcinado não foram necessariamente aplicados nos fins para os quais foram importados no Ato Concessório, ou seja, não integraram qualquer dos produtos exportados dentro do Ato, ficando, portanto, sujeitos ao recolhimento dos impostos sob suspensão. (...) 4.3 DA INFRACAO RELATIVA AO ATO CONCESSÓRIO 20030083745: Desse modo, ficou claramente caracterizada a infração ao Principio da Vinculação Física, anteriormente relatado, já que os instunos referentes a 6.410,00 kg do insumo FLUORETO DE ALUMiN0 não haviam sido importados quando ocorreram as exportações ou seja, não integraram qualquer dos produtos exportados dentro do Ato, ficando, portanto, sujeitos ao recolhimento dos impostos sob suspensão. Contudo, a recorrente é taxativa a respeito dos limites dentro dos quais permanece litigando. Observese (efolha 2.346). 5. Ademais, apontou a autoridade fiscal nos itens 4.2 e 4.3 do mencionado Termo de Constatação Fiscal (fls.26 a 51) que havia infrações específicas relacionadas a cada um dos referidos Atos Concessórios. Neste ponto é importante destacar que já ao apresentar sua impugnação a contribuinte reconheceu o equívoco neste particular e promoveu o recolhimento do crédito tributário, conforme DARFs de fls. 1142, novamente apresentados por ocasião da interposição do Recurso Voluntário (fls. 2.208). 6. Dessa forma, a matéria em litígio submetida à análise do CARF Colegiado limitouse ao equívoco cometido pela Recorrente na indicação dos códigos de enquadramento das operações nos Registros de Exportação (REs) no SISCOMEX indicou os códigos 80.000 e 81.301, que se referem às "exportações normais" e às "exportações sujeitas a registro de venda", quando deveria ter indicado o código 81.101 que se Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 24 23 refere ao "Drawback Suspensão" e à ausência de anotação nos respectivos Atos Concessórios. Esclarecido o alcance da controvérsia, analisemos as alegações da recorrente à luz das particularidades do regime e da legislação que regulamenta sua concessão e as condições de adimplemento da obrigação que lhe confere condição de eficácia. O regime especial de Drawback, modalidade suspensão, está previsto no inciso II do art.78 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, c/c o art.1º, inciso I, da Lei n.° 8.402/92. Ele oferece a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso do importador e beneficiário do regime de aplicálos na fabricação de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos firmados pela contribuinte e que passam a compor o correspondente Ato Concessório expedido pela SECEX, verbis: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição,total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento,ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (Vide Lei nº8.402,de 1992) (...) Na modalidade suspensiva, o Regime permite à contribuinte importar insumos com suspensão dos tributos incidentes na importação, com o compromisso firmado de, em certo prazo e condições, utilizálos no beneficiamento ou industrialização de produtos e efetivamente reexportálos. Cumprido esse compromisso aquela suspensão inicial dos tributos é convertida em uma isenção. Tratandose de uma isenção condicionada, portanto, reclama a aplicação dos art.111, 155 e 179 do CTN, in verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 25 24 Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa,em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (...) §2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor,cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: (...) Pois bem, o Registro de Exportação é o documento que comprova a exportação vinculada ao regime drawback e, por conseguinte, tanto o correto enquadramento do tipo de regime quanto a sua vinculação ao Ato Concessório são obrigações acessórias inerentes ao cumprimento do regime. Não havendo vinculação entre os Registros de Exportação apresentados e o citado Ato Concessório, resta evidenciado que a contribuinte infringiu ao disposto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº. 91.030/85, vigente à época de ocorrência dos respectivos fatos geradores, in verbis: Art.325 – A utilização do benefício previsto neste Capítulo será anotada no documento comprobatório da exportação. Além disso, o Registro de Exportação que não contenha ou que contenha de forma inexata informação relativa ao código da operação de Drawback também não faz prova do cumprimento do regime. Este entendimento tem como pressuposto o fato de que a indicação de um código de operação diverso ao regime Drawback e/ou a falta da indicação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação impedem o controle na utilização dos benefícios fiscais inerentes ao regime. Nesse sentido, confiramse as disposições normativas: Portaria Secex nº 01, de 25 de janeiro de 2000 Art. 35 Na comprovação ou habilitação ao Regime de Drawback, os documentos eletrônicos registrados no Siscomex utilizarão somente um Ato Concessório de Drawback. Art. 37 O Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) estabelecerá as normas e procedimentos específicos necessários à apresentação do Relatório Unificado de Drawback e à utilização do Registro de Exportação Simplificado." Comunicado Decex 02, de 31 de janeiro de 2000 COMPROVAÇÕES TÍTULO 19 Modalidade Suspensão Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 26 25 19.1. Para comprovação do Regime de Drawback, na modalidade suspensão, as empresas utilizarão o Relatório Unificado de Drawback, identificando os documentos eletrônicos registrados no Siscomex, relativos às operações de importação e exportação, bem como as Notas Fiscais de venda no mercado interno, vinculadas ao Regime, ficando as empresas dispensadas de apresentar documentos impressos. (...) 19.4. Os documentos utilizados nas importações e exportações amparadas pelo Regime de Drawback deverão estar vinculados a apenas um Ato Concessório. 19.5. As Declarações de Importação (DI) e os Registros de Exportação (RE) indicados no Relatório Unificado de Drawback deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de baixa. 19.6. Não serão aceitos para comprovação do Regime, Registros de Exportação (RE) que possuam um único CNPJ vinculado a mais de um Ato Concessório de Drawback. 19.7. Para fins de comprovação, será utilizada a data de registro da Declaração de Importação (DI), que deverá ser indicada no Relatório Unificado de Drawback. Em simples leitura da regulamentação, verificase a necessidade de constar nesses documentos eletrônicos (Registros de Exportação) o correto enquadramento da operação e também a sua vinculação ao Ato Concessório. Sem a devida averbação de tais dados no Registro de Exportação não há como o Fisco controlar a adimplemento do regime aduaneiro especial de drawback. O ônus probatório é do contribuinte. Cabe a ele comprovar que o Registro de Exportação está corretamente preenchido e devidamente vinculado aos respectivos Atos Concessórios. Ademais, o despacho de exportação é a oportunidade que a contribuinte tem de apresentar à autoridade alfandegária os produtos que estão sendo exportados com aproveitamento dos bens beneficiados com o tratamento fiscal do drawback e, desse modo, comprovar o cumprimento da condição suspensiva. E nesse momento, com base nas informações prestadas pela contribuinte no Registro de Exportação é que a Aduana vai inspecionar os produtos e, a partir dessa inspeção, manifestar sua anuência sobre a comprovação aqui em discussão. Se a contribuinte não informa corretamente à Aduana que são exportações decorrentes de regime drawback, elas não recebem o correspondente e necessário procedimento de verificação. Como se vê, a informação inexata nos Registros de Exportação não significa “mero” erro formal, como deseja crer a Recorrente, mas subtração da condição de verificação para se concluir pela extinção da obrigação tributária. Esses "erros de preenchimento" dos Registros de Exportação praticados pela contribuinte, na verdade, mascaram as correspondentes operações de exportação. De todo o exposto, constatase que é da contribuinte a obrigação de comprovar o integral cumprimento das exportações para se beneficiar do referido benefício fiscal. No meu entender, a autuada não obteve esse êxito, além de adotar procedimentos que dificultaram o controle das operações decorrentes da adoção do Drawback Suspensão, como ficou exaustivamente demonstrado no lançamento fiscal. Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 27 26 Ressalto que este colegiado, embora utilizando de fundamentação discretamente diferente, também já decidiu nesse sentido.Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão nº 9303003.850, de 17/05/2016, da relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: ASSUNTO:REGIMES ADUANEIROS Período de apuração:23/01/2007 a 12/12/2007 Data do fato gerador:16/07/1996 (...) DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de Drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Alegase, também, no especial supostos efeitos favoráveis da inovação introduzida pela Lei 11.774/08, que, segundo a defesa, prevê expressamente a fungibilidade e deve ser aplicada a fatos pretéritos, por força do disposto no art. 106 do CTN. Segue o dispositivo legal em referência vigente à época dos fatos e, a seguir, o texto com as alterações introduzidas pela Lei nº 12.350/12. Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos nacionais adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes por aplicação do § 1o do art. 59 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, podem ser substituídos por outros produtos nacionais da mesma espécie, qualidade e quantidade, adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (grifos acrescidos) Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplicase também ao regime aduaneiro de isenção, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. ... Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 28 27 limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1o O disposto no caput aplicase também ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo. (grifos acrescidos) A regulamentação prevista desde a origem veio através da Portaria Conjunta RFB_SCE 467/10, mais tarde alterada pela Portaria Conjunta RFB_SCE nº 1.618/14. Observese o que dispunha o § 2º do art. 1º da Portaria Conjunta RFB_SCE 467/10: Art. 1º A aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria para emprego ou consumo na industrialização de produto a ser exportado poderá ser realizada com suspensão do pagamento do Imposto de Importação (II), do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. § 2º O regime especial de que trata este artigo denominase Drawback Integrado. E os artigos 2º e 3º do mesmo Ato Normativo Art. 2º A pessoa jurídica será habilitada no Drawback Integrado por meio de ato concessório expedido pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). § 1º A habilitação no regime especial deverá ser solicitada por meio de requerimento específico no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), módulo Drawback web, disponível na página do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), no endereço <http://www.desenvolvimento.gov.br>. § 2º O requerente informará o valor, a quantidade na unidade de medida estatística, a descrição e os códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) das mercadorias que serão adquiridas no mercado interno ou das que serão importadas, bem como dos bens a exportar. § 3º É permitida a conversão de ato concessório de Drawback VerdeAmarelo em Drawback Integrado, quando o primeiro foi concedido antes da vigência desta Portaria, sendo vedada a conversão nos casos das operações de que trata o art. 90 da Portaria SECEX Nº 25, de 27 de novembro de 2008. Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 29 28 Art. 3º A mercadoria admitida no Drawback Integrado não poderá ser destinada à complementação de processo industrial de produto já amparado por regime de drawback concedido anteriormente. A toda evidência, a legislação da qual a recorrente pretende socorrerse trata de um regime especial novo, específico, denominado Drawback Integrado, criado pela Lei 11.774/08. Inequivocamente, não se aplica a fatos pretéritos e tampouco pode ser confundido ou miscigenado com a modalidade de Drawback Suspensão típica, cujas regras eram de conhecimento das partes envolvidas e devem ser observadas à risca pelo importador (sobretudo por tratarse de uma desoneração fiscal). E não é só isso. A Portaria Conjunta RFB_SCE nº 1.618/14 veio mais tarde determinar o que se pode reconhecer como equivalente. § 1º Poderão ser reconhecidas como equivalentes, em espécie e qualidade, as mercadorias que, cumulativamente: I sejam classificáveis no mesmo código da NCM; II realizem as mesmas funções; III sejam obtidas a partir dos mesmos materiais; IV sejam comercializadas a preços equivalentes; e V possuam as mesmas especificações (dimensões, características e propriedades físicas, entre outras especificações), que as tornem aptas ao emprego ou consumo na industrialização de produto final exportado informado. Quer dizer, é um despropósito sugerir que o Regime de Drawback Suspensão como tal conhecido à época da outorga do direito à importação seja simplesmente transmutado em Drawback Integrado, ao bel prazer da outorgada, segundo as condições que melhor lhe aprovem e à margem de toda a regulamentação do Poder Executivo. Para encerrar, fazse derradeiro destaque ao elemento de limitação temporal de eficácia normativa introduzida pelo § 6º do artigo 5º da Portaria Conjunta RFB_SCE nº 1.618/14: Art. 5ºA Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de que trata o art. 1º, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras, idênticas ou equivalentes, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes. (Incluído pela Portaria RFB/Secex nº 1.618, de 2 de setembro de 2014) § 6º O disposto neste artigo aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010, desde que cumprida a Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 30 29 formalidade prevista no parágrafo único do art. 6ºA (grifos acrescidos) Portanto, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000935/93-46
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 201-00.244
Decisão: RESOLVEM, os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar à DRJ em Ribeirão Preto - SP que cumpra o Acórdão nº 201-73.033, de 15.08~2000, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Serafim Fernandes Corrêa
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';, Vistos, relatad?~ e discútidos os' prys~ntêsautosde recufs9 interpost~; 'por: ' ',SAT~ENGENHARIAE COMERCIOLTDA.' " " . ,. , ,RESOLVEM, os Membros daPrirheiré). ,Câmara do Segundo Conselho de ) \ Contribuintes, por unanimidade~de votos, deter~inar'J .DRJem Ribeirão Preto - SP que " .cQmpra o Acór-dão nO201-73.~933, de 15.08~2000, nos termos do voto do Relato ••.' -I r J .1. . J' " " , . I ,. , ! i' I' ) , '. " .. -' ...' .' '" . 1.', , .\. \.., .. '.. "'.' . /, " SAT'-'- ENGENHARIA ECOMÉRCIO LTDA. , DRJemRibeirãd Préto -, SP . . RESOLUÇÃO' N° 201-00.244 10825.00093'5/93-46, .' 201-00.244 101.217 MINISTÉRio DA FAZENDA . . " "I .SI!GVNpÓCONSELHODE CONfRIB~~ " .'Sala das SessÕes; em 22 de janeiro de 2002 Jl~)' ~. '. preside~~_ ... ~~Z2'~""'".... 'C.•...' .~ .. ' .. ' " .). " .. -" '. .• .'."- ' '. (_, . :.J.' . .. .".-' : Serafim Femandes Corrêa: ' 'f Relator ... ". ", , , Processo :' Resolução: Recurs9 : . ( Iao/c( . Recorrente: .•: Recprrida , : . .' , \. l, I I ~: f i .) \ " / ) , ( , r " , Processo: Resolução: Recurso - Recorrente : - MINIsTÉRIO DA FAZENDA • SEGUNDO CbNSELH~ DE CONTRIBUINTES 10825.000935/93-46 201-00.244 101.217 SAT - ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA RELATÓRIO \ Adoto como Relatório o de fls. 157/158 e aéresço mais o seguinte . ..-. Em Sessão de 15.08.2000, esta C~mara, à unanimidade de votos, através do Acórdão nO201-73.933, assim-decidiu: "NORMAS PROCESSUAIS DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO - NULIDADE - É nula a decisão que não toma conhecim~nto das razões de defesa apresentadas pela -impugnante. Processo que se anula, a partir da decisão deprimeira instância, inclusive. " Foi dado ciência do acórdão correspondente à contribuinte e, em seguida, remetido o processo para julgamento pela DRJ em Ribeirão Preto - SP, que, por sua vez, reduziu a multa de~fOO%para 75%, mas não conheceu do mérito do litígio, sob o fundamento que a opção do contribuinte pela via judicial implica em renúncia à esfera adininistrativa. • Cientificada de tal decisão, a contribuinte interpôs recurso a este Conselho, arrolando bens e alegando qué a matéria levada à apreciação do Judiciário é diferente da que se dis~ute na esfera administrativa. Tendo em vista a não reconduç-ã.o do ilustre Conselheiro Valdemar Ludvig, foi o processo a mim redistribuído. _/ 2 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SERAFIM FERNANDES CORRÊA O .recurso é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento .. 10825.000935/93-46. 201-00.244 .101.217 SEGUNrio CONSELHO DE CONTRIBUINTES .MINIsTÉRIO DA FAZENDA Processo : Resolução: Recurso Inicialmente, cabe, registrar a completa inversão da hierarquia das instâncias ocorrida neste processo. . '.À época do julgamento em segunda instância (15.08.2000), bem como do novo julgamento em primeira instância, decorrente' da nulidade declarada da anterior decisao singular. (3 1.07.2001), assim dispunha o art. 25 do Decreto nO70.235/72 :. "Art. 25. O julgamento do processo compete: I - emprimeira instância: . , j ~ JI .,f . . a) aos Delegados .da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas 'atividades concernentes 'afl;"lgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da . Receita Federal. (Redação dada pelo ar[. 10 da Lei nO 8.748/93) . b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação, aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido; 11- em segunda instância, aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, coma ressalvaprevista no inciso III dO.S 1~" ! I ~ Através do Acórdão n° 201-73.933, de 15.08.2000, esta Câmara, à unanimidade de votos,' anulou adecisão recorrida, que não conhecia da impugnação, por alegar que a contribuinte havia recorrido ao Judiciário (fls. 50), e mandou que outra fosse proferida enfrentando o mérito do litígio, de vez que a matéria levada' ao Judiciário era diferente da submetida à esfera administrativa (fls. '159). , .. ,-.. . *'A autoridade julgadora de .primeira instância, o Delegado da DRJ e . Ribeirão Preto ~ SP, no ~taóto, nãoenfrento~ o mérito, vale dizer, descumpriu " deei - 't!J, . . J/ . Processo : Resolução: Recurso .. MINIsTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDo CONSELHO DE C0l'ITRIBUlNTEs 10825:000935/93_46 201-00.244 101.217 { ] ". í . I t J ; mstiÍncia.superior, reiterando a decisão singular anterior, afumando, .em sintese, o que .consta 'da Ementa de fls. 169: I "EMENTA: AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. A opção do contribuinte pelo Poder Judiciário para a discusSão do crédito tributário exigido por meio de auto de infração implica renúncia à instância administrativa e desistência de recurso acaso interposto. " Ora, a matéria. foi apreciada e decidida pela segunda instância, que entendeu não haver concomitfuicia entre o processo administrativo e o judicial, de Vez que num. (o judicial) diseute-se se cabe, ou não, a multa de mora, ao invés da de oficio, em função de processo de consulta e do que dispõe a Portatia nO 655, de 09.12.93, e no outrn (o admínístrativo) se cabivel a aplicação no presente processo da multa de mora, ao invés da de oficio, elü função do que dispõe o art. l°da Lei nO8.696/93. Embora objetivando a mesma coisa - parcelamento com. multa de 20%, aó,invés de 100% -, os fundamentos são diferentes. .. E" nessas condições, agiu corretamente esta Câmara em anular o julgamento anterior da primeira instância para que, em nova decisão, a mesma se manifestasse sobre o litigío na esfera administrativa, de Vez que só existe impedimento para tal manifestação se amatéria for igual, o que não é O caso.' . No entanto, t~.l não ocorreu, num completo desrespeito a esta Câmara e à1iierarquia das instâncias. ~ . Isto posto, já existindo 1)6s autos acórdão desta Câmara que não foi cumprido pela instância inferinr, devem os autos retomarem à DRJ em Ribeirão Preto _ SP . para que aquela Delegacia respeite a hierarquia, cumpra o acórdão e julgue o litígio quanto ao mérito, sob pena de, não o fazendo, estar, de novo, desrespeitando decisão hierarquicamente. superior, sujeita, portanto, às penalidades previstas na legislação correspondente. É o voto que submeto à consideração dos meus pares. Sala das Sessões, em 22 de janeiro de2002. O.."...m •••• _-=---... --..-'. '--'-"'C9:'. .. , (:) =-"'" c:::2-.--- -., ~. - , SERAFIM FERNANDES CORRÊA 4 ___ o ._ 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10665.721055/2014-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa.
Numero da decisão: 2301-005.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto- Relator
EDITADO EM: 11/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto- Relator EDITADO EM: 11/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
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ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para negarlhe provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 11/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 10 55 /2 01 4- 09 Fl. 60DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0954.251, de 04/09/2014, (fls. 42 a 44). No lançamento, relativo ao anocalendário 2012 (fls. 22 a 34), o imposto a restituir foi reduzido de R$ 8.827,26 para R$ 0,02, uma vez que: (i) teria havido uma compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 9.967,34 (fl. 24); (ii) teria havido uma omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva na fonte, na monta de R$ 1.964,20 (fls. 26 e 27); e (iii) teria havido uma dedução indevida de previdência oficial relativa a rendimentos recebidos acumuladamente no valor de R$ 16.780,27 (fls. 28 e 29); Na impugnação (fls. 3 e 4), o recorrente argumentou que o valor corresponde à retenção de imposto de renda sobre rendimentos recebidos em virtude de ação judicial, assim como o valor da retenção na fonte/depósito judicial foi declarado no CNPJ 00.360.305/000104 da Caixa Econômica Federal. A DRJ julgou a impugnação improcedente, visto que foi entendido que a Fiscalização apenas produziu as alterações devidas na Declaração de Ajuste Anual do interessado de forma a amoldála aos efetivos valores que constaram na planilha da ação trabalhista, da qual a Unimed foi a parte reclamada, e a Caixa Econômica Federal a instituição bancária que repassou os valores em questão ao interessado na qualidade de reclamante. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 50) reiterando as alegações anteriormente feitas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Tal qual já exposto no Acórdão da Delegacia Regional de Julgamento, o recorrente não ofereceu contradita às infrações alusivas à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva na fonte, de R$ 1.964,20 (fls. 26 e 27), e à dedução indevida de previdência oficial relativa a rendimentos recebidos acumuladamente – tributação exclusiva, de R$ 16.780,27 (fls. 28 e 29). Logo, com relação a tais parcelas não impugnadas, não foi instaurado litígio, nos termos do artigo 17 do Decreto n. 70.235/72. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10665.721055/201409 Acórdão n.º 2301005.002 S2C3T1 Fl. 61 3 No que diz respeito à “compensação indevida de imposto de renda retido na fonte” (fl. 24), no montante de R$ 9.967,34, o recorrente aduz que tal valor correspondeu ao retido em face de ação judicial. O recorrente declarou os rendimentos advindos da ação judicial em comento, tendo por reclamada a Unimed e por instituição bancária pagadora a Caixa Econômica Federal, sendo que informou tais rendimentos na ficha de Rendimentos Recebidos Acumuladamente, com tributação exclusiva na fonte. Tal qual assinalado no Acórdão da Delegacia Regional de Julgamento, a Fiscalização apenas produziu as alterações devidas na Declaração de Ajuste Anual do interessado de forma a amoldála aos efetivos valores que constaram na planilha da ação trabalhista, da qual a Unimed foi a parte reclamada, e a Caixa Econômica Federal a instituição bancária que repassou os valores em questão ao interessado na qualidade de reclamante, sendo que o montante do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 9.967,34 já foi considerado no cálculo da fiscalização (fl. 30). Vale lembrar que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, conforme dispõe o artigo 36 da Lei n° 9.784/99, "in verbis": Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Portanto, no caso em tela caberia ao recorrente demonstrar que o lançamento e o Acórdão da DRJ não procedem, o que não foi feito, de modo que deve ser mantida a glosa por compensação indevida. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720381/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007
PROVAS. OPORTUNIDADE DA APRESENTAÇÃO.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, exceto quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente, ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas
Numero da decisão: 3302-004.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Charles Pereira Nunes Relator
Participaram ainda do presente julgamento: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes, Cassio Schappo .
Nome do relator: CHARLES PEREIRA NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 PROVAS. OPORTUNIDADE DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, exceto quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente, ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Charles Pereira Nunes Relator Participaram ainda do presente julgamento: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes, Cassio Schappo .
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 PROVAS. OPORTUNIDADE DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente, ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Charles Pereira Nunes – Relator Participaram ainda do presente julgamento: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes, Cassio Schappo . S3C3T2 Fl. 2 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 81 /2 01 2- 46 Fl. 694DF CARF MF Relatório Com arrimo no art. 65 inc. III do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, com a redação aprovada pela Portaria MF nº 343, de 2015, a FAZENDA NACIONAL embargou o Acórdão 3302003.370, de 27 de setembro de 2016. Esse julgado recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/10/2007 a 30/11/2007 PRAZO. DOMICÍLIO ELETRÔNICO. TRANSCURSO DE PRAZO. LEI N. 12.844/2013. Até o advento da Lei n. 12.844/2013 (DOU de 19/07/2013) a contagem de prazo recursal, quando a intimação feita por via eletrônica, iniciavase exclusivamente pelo decurso de prazo. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PRECEDENTES. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora. Assinto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/10/2007 a 30/11/2007 BOLSA DE VALORES. BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO. CONVERSÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS EM AÇÕES. NEGOCIAÇÃO. CURTO OU MÉDIO PRAZO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente devem ser contabilizados no Ativo Circulante. Caracterizada a intenção prévia de negociar em prazo exíguo as ações recebidas em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas e, após, a efetiva consumação do negócio, não se cogita da hipótese de exclusão da base de cálculo prevista no inciso IV do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Há incidência da Contribuição sobre o valor da receita obtida na transação. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 3 2 Fl. 695DF CARF MF Declarados inconstitucional o § 1º e constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 31/10/2007 a 30/11/2007 BOLSA DE VALORES. BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO. CONVERSÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS EM AÇÕES. NEGOCIAÇÃO. CURTO OU MÉDIO PRAZO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente devem ser contabilizados no Ativo Circulante. Caracterizada a intenção prévia de negociar em prazo exíguo as ações recebidas em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas e, após, a efetiva consumação do negócio, não se cogita da hipótese de exclusão da base de cálculo prevista no inciso IV do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Há incidência da Contribuição sobre o valor da receita obtida na transação. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarados inconstitucional o § 1º e constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido em Parte Consta do acórdão da decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para que a base de cálculo seja apurada pela diferença entre o preço de venda e valor arbitrado no processo 16327.720438/201126 Acórdão n. 1101 Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 4 3 Fl. 696DF CARF MF 000.868, de 09/04/2013 (Bovespa: 10,80 e BM&F: 9,98), vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e as Conselheiras Sarah Araújo e Lenisa Prado, que davam integral provimento ao Recurso. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Recurso Voluntário Provido em Parte A Embargante acusa a decisão do vício de omissão ao não apreciar, ou ao não afastar expressamente, a inexistência de pressupostos a permitirem a apreciação de matéria que não se configura como de ordem pública, tratandose, na verdade, de matéria preclusa, a teor do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Os embargos foram admitidos no seguintes termos: "1 Omissão A PFN entende que o Colegiado não poderia ter apreciado e decidido o pleito recursal, no sentido de que a base de cálculo fosse apurada pela diferença entre o preço de venda e valor arbitrado no processo 16327.720438/201126 Acórdão nº 1101000.868, de 09/04/2013. A propósito, o voto vencedor da decisão embargada, depois de decidir sobre o mérito de outras matérias, assim abordou o pleito de redução da base de cálculo: (...) Resolvido isso, resta decidir a respeito da alega a redução da base de cálculo das Contribuições decorrente do arbitramento do valor das ações determinado no processo de exigência do Imposto de Renda. Revejamos as alegações da Recorrente. 'A saber, a RFB considerou que os lindos foram alienados por valores inferiores aos praticados à época no mercado e autuou a Unibanco Corretora, formalizando o Processo Administrativo n. 16327.720438/201126 e. ao fazêlo. fixou que os valores unitários de mercado na data das alienações da Unibanco Corretora para o Recorrente seriam de RS 10.80 para Bovespa (e não de R$2,23) e RS 9,98 para BM&F (e não de RS 1,42). Considerando que a suposta receita obtida nas alienações das ações se dá pela diferença entre valor de custo e o de venda, é certo que o aumento do custo determinado pela Fiscalização redundou, necessariamente, na redução da receita supostamente auferida pelo Recorrente. Pontuese que já há decisão proferida pelo CARF no P.A. n. 16327.720438/201126 que não possui, ainda, caráter de definitividade". Creio que a parte tenha direito a ver sua pretensão atendida. Se o próprio Fisco rejeitou a base de cálculo indicada pela empresa na apuração do IRPJ, adaptandoa aos valores de mercado que considerou compatíveis com o tipo de negócio exercido, a mesma premissa deve ser considerada no caso concreto, calculandose a base em função dos valores arbitrados Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 5 4 Fl. 697DF CARF MF pela Fiscalização Federal no processo de determinação e exigência do valor do Imposto de Renda devido. VOTO por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para que a base de cálculo seja apurada pela diferença entre o preço de venda e valor arbitrado no processo 16327.720438/201126 Acórdão n°.1101000.868. de 09/04/2013 (Bovespa: 10,80 e BM&F: 9,98). (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa' Compulsando os autos, nas fls. 337 a 347, constato que o pleito apreciado pelo Colegiado Recursal foi inédito, não constando da impugnação. Nada obstante, o voto vencedor da decisão embargada não declinou os motivos pelos quais conhecia de matéria com essa natureza. Tratase de carência de fundamentação que enseja saneamento pela via dos aclaratórios. 2 Conclusão Com essas considerações, e para os fins previstos no § 7° do art. 65 do RI CARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho os embargos interpostos, para que uma nova decisão seja prolatada, colmatandose a omissão referida." É o relatório Voto Conselheiro Charles Pereira Nunes Inicialmente vêse que não é o caso de se reexaminar o mérito relativo à base de cálculo uma vez que os embargos alegam apenas que a matéria estava preclusa, a teor do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Realmente essa matéria não foi expressamente impugnada, todavia vêse que ela se revelou como prova ainda não disponível para a Embargada no momento da impugnação, uma vez que a produção desta prova estava acontecendo em outro processo ainda em tramitação, vindo a ter uma definição depois do julgamento de primeira instância quando então foi levada ao conhecimento da segunda instância. Cronologia dos fatos: em 04 de maio de 2012 foi apresentada a impugnação; em 13 de junho de 2013 ocorreu a sessão de julgamento na DRJ; em 27 de janeiro de 2014 a empresa peticionou nos autos de produção da prova nos seguintes termos (negritei) Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 6 5 Fl. 698DF CARF MF ITAÚ UNIBANCO S/A (atual denominação de UNIBANCO CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS E CÂMBIO), com sede na Praça Alfredo Egydio de Souza Aranha n° 100, São PauloSP, inscrito no CNPJ/MF sob o n° 60.701.190/000104, vem, por suas advogadas infraassinadas (doc. 01), nos termos do artigo 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 07, de 15 de outubro de 2013 (com as alterações da Portaria PGFN/RFB n° 13/2013), comunicar que efetuou o recolhimento do IRPJ e CSLL, relativo ao anocalendário de 2007, discutidos nestes autos, com os benefícios concedidos pela Lei n° 11.941 de 27 de maio de 2009, cujo prazo para adesão foi reaberto pela Lei n° 12.865, de 09 de outubro de 2013, conforme guias de arrecadação e planilha de cálculo anexas (doc.02). Por essa razão, o peticionante desiste do Recurso Especial interposto e renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam referido recurso, requerendo, desde já, a extinção dos créditos tributários e a baixa do processo administrativo em epígrafe. Pois bem, neste momento a validade do arbitramento, que aumentaria o valor de custo, se confirmou e automaticamente se transformou em prova a ser emprestada para o processo em exame nesta turma, e assim, em 21 junho de 2016 a Embargada requereu à relatora deste processo sua juntada, fl. 485, de onde colho o exceto: Processo nº 16327.720381/201246 Relatora: Conselheira Lenisa Rodrigues Prado (Item 46 da Pauta de 22/06/2016) HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO S.A., sucessor por incorporação do UNICARD BANCO MÚLTIPLO S.A. (doc. 01), já qualificado nestes autos, vem, por meio de seu advogado, requerer, nos termos do art. 16, § 4º, alínea "b" do Decreto nº 70.235/72, a juntada da petição de desistência da discussão relativa ao PA nº 16327.720438/201126, que comprova o encerramento definitivo daquele feito (doc. 02). 1. De início, salientese que o recurso voluntário interposto nestes autos deve ser integralmente provido, uma vez que as receitas decorrentes da substituição títulos patrimoniais por ações processo de desmutualização da Bovespa e da BM&F integram do ativo permanente do recorrente (hipótese de exclusão legal") e, ainda que assim não fosse, tais receitas não decorrem da atividade típica bancária por ele desenvolvida (não se caracterizam como fato gerador do PIS e da Cofins2). 2. Todavia, a comprovação da desistência relativa ao PA nº 16327.720438/201126 se revela imprescindível pois, caso essa D. Turma supere as questões meritórias ventiladas neste processo, o que se admite para argumentar, é certo que o montante cobrado nesses autos deve, necessariamente, ser reduzido em razão de alterações promovidas pela RFB na base de cálculo autuada, nos termos do item III do recurso voluntário a ser julgado. Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 7 6 Fl. 699DF CARF MF 6. Ocorre que, no que toca às ações adquiridas da pessoa jurídica Unibanco Corretora de Valores Mobiliários S/A3, a RFB acabou por entender, em uma outra fiscalização, que tal aquisição se deu por um valor inferior ao praticado no mercado (PA nº 16327.720438/201126). 7. Por tal razão, a RFB autuou a Unibanco Corretora de Valores Mobiliários S/A, elevando, para tanto, o preço de custo dos títulos mobiliários (PA n2 16327.720438/201126). 8. A saber, a RFB considerou que os títulos foram alienados por valores inferiores aos praticados à época no mercado e autuou a Unibanco Corretora, formalizando o processo administrativo nº 16327.720438/201126. 9. Ao fazêlo, fixou que os valores unitários de mercado na data das alienações da Unibanco Corretora para o Recorrente seriam de R$ 10,80 para Bovespa (e não de R$ 2,23) e R$ 9,98 para BM&F (e não de R$ 1,42). 15. Ad argumentandum, caso essa D. Turma não determine de plano a redução da autuação, requerse sejam os autos baixados em diligência para a Unidade de Origem, a fim de que esta confirme os valores alterados em razão da definitividade relativa ao PA 16327.720438/201126 e recalcule tanto a base de cálculo em discussão quanto o montante autuado. Termos em que, Pede deferimento." Verificase que, a despeito do voto condutor do acórdão embargado não ter fundamentado sua aceitação da prova apresentada, não se configurou a preclusão, pois no caso em análise o disposto no art. 16, § 4ª alínea "b" do Decreto nº 70.235, de 1972 PAF1 amparou a juntada da prova depois da impugnação. Conclusão Do exposto acolho os embargos de declaração opostos pela Fazenda nacional para rerratificar o acórdão embargado, sem conferirlhe efeitos infringentes. Charles Pereira Nunes Relator . 1 Decreto nº 70.235/72 (PAF) Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: b) refirase a fato ou a direito superveniente; § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterio.r § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 8 7 Fl. 700DF CARF MF Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 701DF CARF MF
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Numero do processo: 13016.000552/2003-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.392
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13016.000552/200341 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.392 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADEM SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 05 52 /2 00 3- 41 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13016.000552/200341 Acórdão n.º 9303005.392 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380300.872. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13016.000552/200341 Acórdão n.º 9303005.392 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13016.000552/200341 Acórdão n.º 9303005.392 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13016.000552/200341 Acórdão n.º 9303005.392 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 177DF CARF MF
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