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Numero do processo: 10768.002006/2003-54
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000 a 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA — MULTA DE MORA.
O simples fato de existir o pagamento de tributos em atraso com multa de mora, "per si", não é suficiente para configurar a ocorrência de denúncia espontânea, sendo imprescindível a demonstração dos demais elementos que a caracterizam, assim, não restando provado as circunstâncias que se subsumem ao disposto no art. 138 do CTN, não há que se reconhecer eventual direito creditório a titulo de recolhimento da multa moratória.
Numero da decisão: 1803-000.087
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Luciano Inocêncio dos Santos
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 a 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA — MULTA DE MORA. O simples fato de existir o pagamento de tributos em atraso com multa de mora, "per si", não é suficiente para configurar a ocorrência de denúncia espontânea, sendo imprescindível a demonstração dos demais elementos que a caracterizam, assim, não restando provado as circunstâncias que se subsumem ao disposto no art. 138 do CTN, não há que se reconhecer eventual direito creditório a titulo de recolhimento da multa moratória.
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SI-TE03 Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA s i...0 )f);, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ... .., Processo n° 10768.002006/2003-54 Recurso n° 161.725 Voluntário Acórdão n° 1803-00.087 — 3• Turma Especial Sessão de 27 de julho de 2009 Matéria Denúncia Espontânea - Restituição Recorrente DELTA CONSTRUÇÕES S.A. Recorrida 53 TURMA DA DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ II AssuNTo: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 a 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA — MULTA DE MORA. O simples fato de existir o pagamento de tributos em atraso com multa de mora, "per si", não é suficiente para configurar a ocorrência de denúncia espontânea, sendo imprescindível a demonstração dos demais elementos que a caracterizam, assim, não restando provado as circunstâncias que se subsumem ao disposto no art. 138 do CTN, não há que se reconhecer eventual direito creditório a titulo de recolhimento da multa moratória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. a 'ti , . a rd<2~11.19~. a .• - Presidente NI IC 7.44.... L NO EN 10 DOS SANTOS - R lator , EDITADQ_Elyr2 7 A e 1 1 e Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente da turma), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice- presidente), Walter Adolfo-Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Benedicto Celso Benício Júnior, Márcia Miranda Gomes Clementino. 1 Processo n° 10768.002006/2003-54 SI-TE03 Acórdão n.° 1803-00.087 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 5' Turma da DRJ/RJ II, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo indeferimento do pedido de restituição Multa de Mora, considerando o beneficio da Denúncia Espontânea. Conforme consignado em primeira instância, o objeto do presente pedido de restituição refere-se exclusivamente a valores de multa de mora recolhidos em função de alegada denúncia espontânea de débitos a titulo de IRPJ e CSLL, sendo o presente Processo Administrativo devidamente desmembrado (fl. 59) em razão da competência dos órgão de julgamento. A ora Recorrente, em seu Pedido de Restituição, pleiteia o reconhecimento de suposto direito creditório (fls. 01/02), proveniente do recolhimento de valores pagos a título de multa de mora, em razão do pagamento do principal a título de IRPJ e CSLL fora do prazo, no período de maio de 2002 a janeiro de 2003, sustentando, para tanto, a subsunção ao instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. A autoridade fiscal indeferiu o pedido de restituição (fl. 42), com base no Parecer Conclusivo Eqpej/Diort n°52/2003, às fls. 40/41, sob o entendimento de não ter havido "qualquer incompatibilidade entre o disposto no artigo 138 do CTN e a aplicação da multa de caráter moratário, motivo pelo qual considerar-se-á devida a multa de mora informada pelo contribuinte". Cientificada de referida decisão, em 24/05/04 (fl. 43 v), a ora Recorrente, apresentou a competente Manifestação de Inconformidade, em 03/06/2004 (fls. 45/52), alegando, em síntese, que: 1. O indeferimento do pedido de restituição estaria em desacordo com o Código Tributário Nacional, bem como com a doutrina e a jurisprudência dos tribunais superiores; 2. O legislador não distinguiu a multa de caráter punitivo daquela de caráter compensatório para efeitos de caracterização de infração, de forma que multa moratória também estaria albergada pelo beneficio da denúncia espontânea. Em suas razões de decidir, os julgadores da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro, entenderam pelo indeferimento do pedido de restituição da multa de mora incidente sobre valores pagos em atraso, sob o entendimento de que o instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) se aplica apenas às multas de caráter punitivo, lançadas de oficio, não afetando àquelas de função meramente indenizatória, como é o caso das multas de mora. Nesse sentido, esclarecem que nos termos do art. 138, do CTN, a responsabilidade do sujeito passivo pela infração cometida é excluída pela denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, não cabendo eisib Processo n° 10768.00200612003-54 SI•TE03 Acórdão re.° 1803-00.087 Fl. 3 apenas multa de oficio, o que não significa dizer que não possam ser exigidas penalidades de natureza moratória ou indenizatória, conforme disposto no art. 161, do CTN. Finalmente, afirmam que na forma do art. 61, da Lei n°9.430/96, os débitos com a União decorrentes de contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora. . Cientificada em 24/05/2007 (fi.70) do acórdão da DRJ e, inconformada com referida decisão, interpôs a ora Recorrente, em 18/06/2007, o presente recurso (fis.71/81), alegando, basicamente, os mesmos argumentos já invocados em sede de Manifestação de Inconformidade, valendo-se da colação de diversos julgados judiciais para embasar sua arguição, requerendo, por fim, o deferimento da restituição pleiteada, bem como seja assegurado seu direito à compensação do crédito com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminarmente, deve-se ressaltar que, não obstante a argumentação suscitada em Recurso Voluntário cingir-se à possibilidade da exclusão ou não da multa mora nos casos de denúncia espontânea, em análise à premissa que fundamenta o suposto direito creditório da ora Recorrente é possível constatar que não restou demonstrado sequer a regularidade do instituto da denúncia espontânea, o qual daria azo à eventual discussão quanto ao cabimento da exigência da multa moratória. Com efeito, compulsando os autos, especificamente o Pedido de Restituição apresentado pela ora Recorrente, é possível observar que, muito embora esta tenha acostado todos os DARFs que comprovam o recolhimento do 1RPJ e da CSLL acrescido de multa e juros de mora, não há documentos que comprovem que o recolhimento foi realizado antes do inicio de qualquer procedimento da administração tributária relacionado com a infração ou tendente a detectá-la. Não se trata, aqui, de exigir que o contribuinte produza uma prova negativa, o que jamais se poderia conceber, mas sim, de exigir-lhe que comprove que o ato praticado está albergada pelo instituto da denúncia espontânea, qual seja, o de que (i) descumpriu uma obrigação que lhe sujeitaria a uma sanção, depois (ii) cumpriu, por iniciativa própria, esta obrigação, antes mesmo de qualquer iniciativa ou procedimento da administração tributária tendente a identificar o seu descumprimento, e, por fim, que (iii) deu conhecimento a autoridade tributária do ocorrido. -No caso vertente, não se demonstra que o recolhimento foi suficiente para ),saldar a obrigação tributária, haja vista que não há dentre os documentos anexados ao Pedido • 3 )7- _ Processo n° 10768.002006/2003-54 SI-TE03 Acórdão n." 1803-00.087 Fl. 4 de Restituição as DCTFs correspondentes, bem como a respectiva DIPJ, o que coloca em dúvida se obrigação foi, de fato, cumprida. Ora, admitir, nesta situação, que poder-se-ia devolver a multa recolhida (sob a forma de compensação), seria o mesmo que premiar, pelo cumprimento voluntário da obrigação, aquele que pode (talvez) não a ter cumprido. No presente caso, portanto, não havendo a demonstração, pelo contribuinte, de que a denúncia espontânea é regular, ou seja, de que o recolhimento não foi precedido de nenhum tipo de procedimento que desencadeasse a identificação da infração, pela administração tributária, como, por exemplo, a entrega das DCTFs em data anterior a dos recolhimentos, não há como se reputar válida a denúncia espontânea pretendida. Uma peculiaridade dessa situação reside no fato de que a declaração do contribuinte (DCTF), a qual a lei atribui força de instrumento de confissão de dívida, guarda algumas similaridades ao lançamento de oficio, efetuado pela autoridade fiscal, dentre as quais, a eficácia de constituir o crédito tributário, introduzindo obrigação legal individual e concreta no ordenamento jurídico, cujos efeitos se comparam aos do lançamento previsto no art. 142 do CTN. Assim, uma vez constituído o crédito, com a entrega da DCTF, antes do recolhimento do tributo, já não há como supor possível a configuração de sua denúncia espontânea, como prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional — CTN, exceto se o recolhimento lhe foi anterior, o que não se pode comprovar com os documentos juntados nos autos.. Outra peculiaridade, que merece minuciosa análise, diz respeito ao papel que as declarações, demonstrativos se informações enviadas (eletronicamente) à administração tributária (DCTF, DIPJ, DACON, etc.) representam nos procedimentos de fiscalização. Isto porque, com o avanço da tecnologia, muitos procedimentos de fiscalização, e até mesmo o próprio lançamento, são feitos exclusivamente por computadores, sem qualquer interferência da pessoa do agente fiscalizador responsável, onde, muitas vezes, até a sua própria assinatura é feita por meio eletrônico. Não são raros os casos, em que o contribuinte só toma conhecimento de uma infração quando recebe uma notificação de lançamento, emitida eletronicamente, pelas autoridades fazendárias, são os chamados lançamentos de "malha" e, é óbvio, que esses, assim como quaisquer outros lançamentos de oficio, são precedidos de procedimentos tendentes a identificar o descumprimento da obrigação tributária, sejam eles realizados por um indivíduo ou diretamente por computadores. Logo, com os avanços tecnológicos atuais, as entregas eletrônicas das declarações e demonstrativos elaborados pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc.) desencadeiam, quase que automaticamente os procedimentos fiscais tendentes a verificar a ocorrência de eventuais infrações, o que as tomam determinantes, a meu ver, na identificação da situação preconizada no art. 138 do CTN. Em que pese, respeitável parte da doutrina entenda que "só se considera • iniciado o procedimento administrativo, ou a medida de fiscalização, no momento em que o infrator é intimado." (Hugo de Brito Machado, Comentários ao Código Tributário Nacional, PA; Processo n° 10768.002006/2003-54 SI-TE03 Acórdão n.° 1803-00.087 El. 5 volume II, Editora Atlas, 2004, pag. 643), me parece que esse entendimento, hoje não mais se amolda às novas circunstâncias advindas dos avanços tecnológicos da fiscalização, pelo menos, se considerarmos como intimação a notificação formal que antes ocorria. Nesse sentido, verifica-se que, antigamente, os procedimentos de fiscalização eram realizados na sua totalidade, pessoalmente, logo, a assinatura da intimação é que noticiava o contribuinte sobre o início dos procedimentos de fiscalização, hoje, a mera emissão do recibo de entrega das declarações e demonstrativos (DCIT, DIPJ; DACON, etc.), enviados através da internet, noticiam, do mesmo modo, ao contribuinte, que sua informações eletrônicas foram recepcionadas pelos computadores da administração tributária, dando o início aos procedimentos de verificação para apurar possíveis infrações, por parte da administração tributária, como é cediço. Em alguns casos, como os de entrega de declarações em atraso, o lançamento eletrônico é feito quase que instantaneamente, o que só corrobora a situação desse novo cenário. Desta forma, me parece, que a entrega dessas declarações e demonstrativos se amoldam perfeitamente, aos procedimentos iniciais de verificação da administração tributária, no intuito de identificar possíveis infrações, cuja emissão do recibo eletrônico de entrega lhe aponta o inicio, cuja data de recepção, seja ela anterior ou posterior ao recolhimento, torna-se, a meu ver, determinante para a identificação da espontaneidade. No caso vertente, a ausência destas informações (declarações), não comprova a subsunção dos fatos à norma consubstanciada no art. 138 do CTN. Todavia, caso restasse demonstrado não ter ocorrido a entrega prévia da DCTF, DIPJ, ou qualquer outra declaração, pelo contribuinte, antes dos recolhimentos que foram acrescidos de multa de mora, concomitante com a comprovação da notificação do erário acerca da infração cometida, qual seja, a falta de recolhimento do tributo na época própria, através da entrega da DCTF, configurar-se-ia, a meu ver, a denúncia espontânea, mesmo se tratando de recolhimento de multa de mora. Em primeiro lugar, porque, diferentemente do que sustente uma respeitável parte da doutrina, mas corroborado por outra parte, não menos respeitável, "Não há dúvida de que a multa moratória tem natureza punitiva." (Hugo de Brito Machado, Comentários ao Código Tributário Nacional, volume II, Editora Atlas, 2004, pag. 656), ou seja, ela é a própria sanção, pela infração de não recolher o tributo no prazo legalmente previsto. Em segundo lugar, porque o CTN não distingue a aplicação do beneficio à multa de mora da multa punitiva, não cabendo ao interprete da norma mitigar sua aplicação onde o legislador não o fez. Contudo, não logrando a recorrente comprovar as circunstâncias que se subsumem ao disposto no art. 138 do CTN, não há que se reconhecer eventual direito creditório a título de recolhimento da multa moratória. Aponte-se ainda, que a aduzida comprovação incumbe ao contribuinte, interessado em que se reconheça o instituto da denúncia espontânea, para que, por conseguinte, se reconheça seu direito creditório, no que tange à multa de mora recolhida. _ dirta 0 5 Processo n° 10768.002006/2003-54 SI-TE03 Acórdão n.° 1803-00.087 Fl. 6 Conforme preceitua o artigo 333 do Código de Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, ou ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, cabendo, portanto, no presente caso, à Recorrente a comprovação de que se configurou a denúncia espontânea alegada. No mesmo sentido dispõe a Lei Federal n° 9.784/99, a qual regula o processo administrativo, no âmbito federal, ao preceituar que onus probandi, incumbe ao interessado que alegar o fato, ex vi do artigo 36, verbis: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei." Assim, para ter direito à eventual restituição da multa moratória, caberia primeiramente ao sujeito passivo demonstrar a efetiva configuração do instituto da denúncia espontânea, pois somente verificado este é que se poderia cogitar o pleito de eventual indébito de multa de mora. Todavia, não havendo prova no sentido de que a denúncia espontânea é regular, melhor sorte não resta ao pedido de restituição do contribuinte, o qual, consequentemente, deve ser negado. Ou seja, o simples fato de a recorrente ter procedido ao pagamento de tributos em atraso com multa de mora, "per si", não é suficiente para configurar a ocorrência de denúncia espontânea, sendo imprescindível a demonstração dos demais elementos que a caracterizam, o que não restou provado pela recorrente, in casu, razão pela qual não há que se reconhecer eventual direito creditorio a título de recolhimento da multa moratória. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. como votoi . IP' Luciano I • cêncio .5 Santos - Relator (91 Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1
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Numero do processo: 11610.003987/2001-41
Data da sessão: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições
das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. Tendo o contribuinte comprovado a quitação dos débitos, não há que se falar em exclusão do Simples, nos termos dos incisos XV e XVI do art. 9° da Lei n° 9.317/96.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/03-06.178
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. Tendo o contribuinte comprovado a quitação dos débitos, não há que se falar em exclusão do Simples, nos termos dos incisos XV e XVI do art. 9° da Lei n° 9.317/96. Recurso Especial do Procurador Negado
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Tendo o contribuinte comprovado a quitação dos débitos, não há que se falar em exclusão do Simples, nos termos dos incisos XV e XVI do art. 9° da Lei n° 9.317/96. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a i egrar o presente julgado. ANT e', e PRA: A - Presidente n • -4SUSY Gr, H G" MANN - Relatora FORMALIZADO EM: O 5 OUT 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Nilton Luiz Bartoli (Substituto convocado), Maria Cristina Roza da Costa, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado), Antonio Carlos Guidoni Filho (Substituto do vice-presidente convocado) e Antonio Praga(Presidente). Ausentes justificadamente as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nanci Gama e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho( Vice-Presidente). Processo n° 11610.003987/2001-41 CS RF/T03 Acórdão n.° 03-06.178 Fls. 2 Relatório Trata o presente de Recurso Especial por maioria, interposto pela União Federal, por meio de seu Procurador, alegando que o Acórdão n° 302-38055, proferido pela 2" Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes contraria legislação tributária, no que tange ao provimento do recurso voluntário do contribuinte, determinando a sua reinclusão, no SIMPLES. O contribuinte fora excluído do Sistema através do Ato Declaratório Executivo n° 398075 de 02 de outubro de 2000, pelo fato de terem sido verificados débitos em nome da empresa e/ou sócios. Em Manifestação de Inconformidade (fl. 01) o contribuinte alega que os débitos que foram inscritos na dívida ativa foram devidamente quitados, apresentando comprovantes de pagamento (fls. 04 e 06), bem como Certidão Negativa emitida em 05/09/2001 (fl. 09). Entretanto, por meio de acórdão proferido às fls. 39/43, a DRJ de São Paulo indeferiu a solicitação de reinclusão no Simples, sob o argumento de que a empresa era inscrita na dívida ativa quando da emissão do Ato Declaratório de exclusão. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (às fls. 45/50), reiterando os argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade e requerendo a procedência do pedido de revisão de exclusão do Simples. Os membros da Segunda Câmara do Conselho de Contribuintes decidiram, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, vez que "a comprovação da regularização fiscal tributária perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio da expedição de Certidão Negativa de Débito descaracteriza a hipótese de exclusão do Simples prevista nos incisos XV e XVI, do artigo 9° da Lei n° 9.317/96." A União Federal interpôs o presente Recurso Especial por maioria em face da contrariedade à legislação tributária, alegando que de acordo com os arts. 9 0, XV e 13 da Lei n° 9.317/2000, o contribuinte optante pelo Simples não pode possuir pendências junto à PGFN ou INSS, sob pena de ser excluído do Sistema. Argumenta ainda a Ilustre Procuradora que para se determinar a permanência do contribuinte no SIMPLES, "haveria que se invalidar a exclusão, o que não se mostra viável", afirmando que o Ato é plenamente legítimo. Despacho de admissibilidade às fls. 68/70. Contra-razões do contribuinte às fls. 73/79. Em síntese é o relatório. 2 Processo n° 11610.003987/2001-41 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.178 Fls. 3 Voto Conselheira SUSY GOMES HOFFNI_AINFInI, Relatora. O presente recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão porque dele tomo conhecimento. Da análise dos presentes autos verifica-se que o contribuinte fora excluído do Simples com base no art. 90 da Lei n° 9.317/96, veja-se: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (.) XV - que tenha débito inscrito ern Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; XVI - cujo titular, ou sócio que participe de seu capital com mais de 10% (dez por cento), esteja inscrito em LX-vida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa;" No caso sob análise verifica-se que o contribuinte apresentou comprovantes de pagamento (fls. 04 e 06), bem como Certidões Negativas às fls. 09, 27 e 28, ou seja, o contribuinte comprovou a inexistência de débitos em nome da empresa e sócios, o que descaracteriza as hipóteses previstas nos incisos supra-transcritos. No meu entendimento, tais documentos comprovam a inexigibilidade do débito, autorizando a permanência do contribuinte no SIMPL.ES. A propósito, veja-se como trata a jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre o assunto: SIMPLES. Débito do contribuinte junto a SIZ.F" existente na PGFN. Processo de comprovação de débitos já quitados_ _Extinção do débito. Certidão Negativa quanto a Dívida Ativa da (inicio expedida pela PGFN. Exclusão da empresa do sistema - impossibilidade. Recurso Voluntário Provido por Unanimidade. _Acórdão ri° 303-32113. Terceira Câmara. Processo n° 10830.007705/00-01. Relator: Silvio Marcos Barcelos Fiúza. Julgado em 16/06/2005. SIMPLES. EXCLUSÃO. EMPRESA E/C)CT SÓCIO COM DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA. Quando o contribuinte, no curso do processo, faz prova da quitação do débito dapontado no ato declarató rio deve ser mantido no Simples. Recurso Volurztário _Provido por Maioria. Acórdão n° 302-38289. Seg-irndcz Cdmarcz. Processo n° 13766.000172/2001-62. Relator Luis Antonio Flora. Julgado em 06/12/06. Desta forma, entendo que não há o que se reformar na decisão ora combatida pela Procuradora, posto que proferida em consonância corri a. previsão legal para o presente caso, ou seja, inexistindo débitos em nome da empresa e/ou sócios, não há que se falar na (113 3 Processo n° 11610.003987/2001-41 CS RF/T03 Acórdão n.° 03-06.178 Fls. 4 exclusão do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, de acordo com os incisos XV e XVI do art. 9° da Lei n° 9.317/96. Nas duas vezes ele pagou em 30 dias Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR, mantendo-se a decisão ora combatida. Brasília, 30 de Outubro de 2008 G, it> SUSY G* ' O "tnA ANN - Relatora 4 Processo n° 11610.003987/2001-41 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.178 Fls. 5 • INTIMAÇÃO Intime-se o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do § 30 do artigo 81, Anexo II, c/c inciso VI do art. 8°, Anexo I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília-DF, em ROSEMARI CORRÊA E SILVA Chefe do Serviço de Secretaria da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ciente em Procurador da Fazenda Nacional 5
score : 1.0
Numero do processo: 13977.000023/2001-18
Data da sessão: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2000
TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA MORATÓRIA INDEVIDA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual ocorre no caso em tela. Precedentes da CSRF e do Egrégio STJ.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-00.257
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Caio Marcos Candido, Julio Cesar Vieira Gomes, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto, que lhe davam provimento.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allagi
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2000 TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual ocorre no caso em tela. Precedentes da CSRF e do Egrégio STJ. Recurso especial negado.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS; nit : 14' CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13977.000023/2001-18 Recurso n° 152.547 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.257 — 2 Turma Sessão de 22 de setembro de 2009 Matéria IRF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado METALÚRGICA FEY LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2000 TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual ocorre no caso em tela. Precedentes da CSRF e do Egrégio STJ. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os consel eiros Caio M. os Candido, Julio Cesar Vieira Gomes, Elias Sampaio Freire e Carlos Albe Freitas Barre I, que lhe davam provimento. CARLOS ALBERT* •I' ITAS BARR r TO - Presidente 40111N -n11!. GONÇALO BONET A GE - Rela or EDITADO EM: 24.5E1 20 . " i Processo n° 13977.000023/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.257 Fl. 151 , i , 1 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gustavo Lian Haddad (convocado), Julio Cesar Vieira Gomes, Moisés GiacOmelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, temporariamente, do conselheiro Damião Cordeiro de Moraes (convocado). Relatório , Metalúrgica Fey Ltda., CNPJ n° 84.229.624/0001-75, apresentou o pedido de restituição de fls. 01, no valor de R$ 27.305,03, relativo à multa de mora recolhida juntamente com o imposto de renda na fonte incidente sobre juros remuneratórios do capital próprio, tendo por fundamento o artigo 138 do Código Tributário Nacional — CTN. De acordo com o DARF de fls. 02, a empresa pagou em 02/02/2001 R$ 285.319,10 de principal (código da receita 5706), R$ 27.305,03 de multa e R$ 2.853,19 de juros, totalizando R$ 315.477,32, relativamente a débito vencido em 04/01/2001, cujo período de apuração se deu em 30/12/2000. Importa destacar, desde já, que a DCTF relativa ao 4° trimestre de 2000, 1 informando o débito em apreço, fora apresentada em 12/02/2001 (fls. 57-60), portanto, em momento posterior ao pagamento a destempo. Tal crédito fora compensado com débito de COFINS, do período de apuração 11/2003, nos termos da PER/DCOMP n° 04489.85611.021203.1.3.04-9094 (fls. 17-20). Através do despacho decisório de fls. 22-26, a solicitação da contribuinte foi indeferida, na medida em que "A multa de mora tem caráter indenizatório e tem por fim reparar o Estado pelos transtornos que causa o recolhimento em atraso. Não tendo caráter punitivo, não cabe afastá-la em caso de denúncia espontânea". A 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) manteve o entendimento da repartição de origem, invocando a aplicação ao caso do artigo 61, §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.430/96 (fls. 70-72). Na seqüência, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de ContribUintes, apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, proferiu o acórdão n° 104-22.879, que se encontra às fls. 92-115, cuja ementa é a seguinte: TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA -INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA - O Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e multa simplesmente moratória: no respectivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal. Considera-se espontânea a denúncia que precede o início de ação fiscal, e eficaz quando acompanhada do recolhimento do .4 2 Processo n° 13977.000023/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.257 Fl. 152 tributo, na forma prescrita em lei, se for o caso. Desta forma, o contribuinte que denuncia espontaneamente ao fisco o seu débito fiscal em atraso, recolhendo o montante devido com juros de mora, está exonerado da multa moratória, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso provido. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado, cujo valor deve ser apurado pela autoridade executora, vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta CardoZo (Relatora), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Antonio Lopo Martinez, que negaram provimento ao recurso, sendo Redator Designado o Conselheiro Nelson Mallmann. Intimada do acórdão em 15/05/2008, a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, então vigente, recurso especial às fls. 118-126, cujas I razões podem ser assim sintetizadas: 1 a) Ao julgar que o pagamento espontâneo de tributo em atraso afasta a aplicação da multa de mora, a decisão recorrida contrariou frontalmente o artigo 138 do CTN, pois interpretou equivocadamente o referido dispositivo legal, bem como a prova constante dos autos, restando, portanto, constatados os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial; 1 I b) Ao contrário do aduzido pela E. Câmara a quo, a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN não dispensa o contribuinte do, pagamento da multa de mora em função de atraso no recolhimento; c) Tal dispositivo exclui a responsabilidade pela prática do crime tributário e não o pagamento da mora; d) A natureza jurídica da confissão espontânea é a de causa extintiva da, I punibilidade, à semelhança daquelas elencadas no artigo 107 do Código Penal; e) A lei tributária não dispensou o pagamento do tributo e da mora; f) É cabível a multa de mora sempre que o tributo é recolhido fora do prazo devido, não se caracterizando propriamente por ser uma sanção/punição ao contribuinte que se encontra em atraso, mas sim, por ser uma forma de retomar o equilíbrio do erário, que se encontrava abalado em razão do não ingresso de verbas esperadas em determinado momento. A recorrente transcreveu diversos ensinamentos doutrinários e jurisprudenciais relacionados à tese defendida.W 1 1 3 I 1 Processo n° 13977.000023/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.257 1F1. 153 Admitido o recurso por meio do Despacho n° 104-278/2008 (fls. 128-129), a contribuinte foi intimada e apresentou contra-razões às fls. 131-135, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido, em razão da rega do artigo 138 do CTN e da jurisprudência da CSRF e do Egrégio Superior Tribunal de Justiça - STJ. É o Relatório. Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pela empresa, reconhecendo, com fundamento no artigo 138 do CTN, o direito creditório pleiteado, cujo valor deve ser apurado pela autoridade executora. Segundo a recorrente, a multa de mora é devida também nos casos de pagamento espontâneo, como ocorre no caso em apreço, sendo que o artigo 138 do CTN não daria sustentação à restituição de indébito pleiteada pela contribuinte. Eis a matéria em litígio. Cumpre destacar, desde já, que a espontaneidade da contribuinte é incontroversa. O tributo devido, cujo prazo de recolhimento pontual expirou em 04/01/2001, fora pago em 02/02/2001, enquanto a apresentação da DCTF informando tal débito ocorreu em 12/02/2001 (fls. 02, 57-60), não havendo ação fiscal instaurada contra a empresa. Pois bem, o instituto da denúncia espontânea encontra previsão no artigo 138 do CTN, a seguir transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 4 Processo n° 13977.000023/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.257 Fl. 154 Sob minha ótica, a denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal. O professor Eduardo Marcial Ferreira Jardim' dá a seguinte definição para "denúncia espontânea": , DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Representa fórmula excludente da responsabilidade por infrações, prevista no art. 138 do CTN, cujo comando deve ser conjugado com as disposições relativas ao processo administrativo tributário que verse sobre o tributo, objeto da denúncia. Segundo o Código, na hipótese de haver infração à legislação tributária, o contribuinte pode proceder à denúncia espontânea da infração, a qual deve ser necessariamente acompanhada do pagamento do tributo devidamente corrigido e dos juros moratórios, ficando a salvo de quaisquer penalidades, até mesmo a multa de mora, desde que essa providência seja tomada antes da instalação de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração. Por considerar que o Código correlaciona o instituto sob exame com a exclusão de multas, é óbvio que a multa de mora jaz nesse rol de supressões. (..). O saudoso mestre Geraldo Ataliba deixou as seguintes lições sobre o tema "denúncia espontânea": Desde que o contribuinte tenha a iniciativa de cumprir seus deveres tributários, goza de exclusão da responsabilidade por infrações, e, em conseqüência, não arca com as respectivas sanções. (.) Segundo o C7'N, havendo espontaneidade, não há penalidade alguma. Só juros morató rios e correção monetária, que não são penalidades. Nada mais. ("Espontaneidade no Procedimento Tributário", in Revista do Direito Mercantil, ed. Revistas dos Tribunais, pág. 34) A multa de mora é uma sanção administrativa imposta aos contribuintes para coagi-los ao cumprimento de suas obrigações fiscais perante o Estado, tendo como finalidade única a punição. O debate acerca do caráter punitivo ou indenizatório da multa moratória foi dirimido pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal — STF a partir do julgamento do RE n° 79.625, cujo relator foi o Ministro Cordeiro Guerra, no qual ficou sedimentado que desde a edição do CTN não se justifica a distinção entre multas fiscais punitivas e multas moratórias, uma vez que ambas são sempre punitivas. Há longa data o Egrégio STF entende que deve ser afastada a multa moratória g em casos como este, conforme se verifica na ementa do seguinte julgado: ' Dicionário Jurídico Tributário, São Paulo: Saraiva, 1995, p. 31. 5 I Processo n° 13977.000023/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.257 Fl. 155 ISS. INFRAÇÃO. MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. EXONERAÇÃO. O contribuinte do ISS, que denuncia espontaneamente ao fisco o seu débito em atraso, recolhendo o montante devido, com juros de mora e correção monetária, está exonerado da multa moratória, nos termos do art. 138 do CNT. Recurso Extraordinário não conhecido." (STF, 1' Turma, RE n° 106.068-9 SP, Rel. Ministro Rafael Mayer, DJ de 23/08/85) No voto condutor do acórdão, o eminente relator assim fundamentou a decisão: Entende o venerando acórdão, em confirmação da douta sentença, incidir, na espécie, o art. 138 do Código Tributário Nacional, para exonerar daquela imposição, uma vez que estão satisfeitos os pressupostos para a exclusão dessa responsabilidade. Esse entendimento é correto, contando com o endosso da boa doutrina. Decerto a multa moratória, imponivel pela infração consistente no descumprimento da obrigação tributária no tempo devido, é sanção típica do direito tributário, compartilhando tanto do caráter repressivo, quanto do caráter compensatório (Hector Villegas, Elementos de Direito Tributário, p. 281). Ora a exoneração da responsabilidade pela infração e da conseqüente sanção, assegurada, amplamente, pelo art. 138 do C77V; é necessariamente compreensiva da multa moratória, em atenção e prêmio ao comportamento do contribuinte, que toma a iniciativa de denunciar ao Fisco a sua situação irregular, para corrigi-la e purgá-la, com o pagamento do tributo devido, juros de mora e correção monetária. O alcance da norma, na verdade, representa uma especificidade do princípio geral da purgação da mora, que tem valor de reparação e cumprimento. É o sentido consentâneo do dispositivo questionado, ao qual deu aplicação devida". Após diversas alterações de posicionamento, a jurisprudência do Egrégio STJ, restringindo ao máximo o alcance do artigo 138 do CTN, firmou-se no sentido de que o pagamento do tributo devido, acrescido de juros de mora, antes do início de procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, caracteriza a denúncia espontânea e afasta a exigência de multa de mora. Ilustram este entendimento as ementas dos seguintes acórdãos: TRIBUTÁRIO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — PAGAMENTO DO PRINCIPAL, JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA ANTES DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PELO CONTRIBUINTE — CONFIGURAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA — EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS, COM EFEITOS INFRINGENTES. 1. A Primeira Seção desta Corte pacificou o entendimento no sentido de que não configura denúncia espontânea a hipótese de d" 11* 6 Processo n° 13977.000023/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.257 Fl. 156 declaração e recolhimento do débito, em atraso, pelo contribuinte, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do fisco, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Contudo, no presente caso, o recolhimento em atraso, acrescido de juros de mora e de correção monetária, se deu antes da entrega da DCTF, situação diversa da prevista na Súmula 360/STJ. 2. Conforme consignado no acórdão recorrido, "no caso dos autos, a impetrante apresentou, em 14.05.99 (11. 32) DCTF relativa ao 1° trimestre de 1999, tendo pago, parcialmente, o tributo devido na data de seu vencimento (DARFS de fls.30/31) e parte em 30.04.99, esta última adicionada dos juros de mora correspondentes. Todos os pagamentos foram realizados com considerável antecedência a qualquer ação fiscal, vez que o Termo de Intimação de n° 9.742 foi lavrado somente em 23.03.2004" (11.190). 3. Se é a declaração do contribuinte que elide a necessidade da constituição formal do crédito, a inexistência desta declaração, bem como de qualquer procedimento fiscal, não permite que o débito seja imediatamente inscrito em dívida ativa, razão pela qual, o pagamento em atraso, com os acréscimos legais e anterior ao procedimento de entrega da declaração do contribuinte, configura a denúncia espontânea. 4. Em outras palavras, se somente após o pagamento, com os devidos acréscimos legais, é que houve a transmissão da declaração pelo contribuinte, é consequência lógica que, diante da ausência de intervenção do fisco, inexiste, no caso, documento formal apto a inscrever o débito em dívida ativa. 5. Para configuração de pagamento parcelado exige-se, ainda que indiretamente, a intervenção da administração. Na espécie, pelo contrário, observa-se que não houve pagamento parcelado do débito, mas complementação eficaz de pagamento realizado a menor. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para dar provimento ao agravo regimental e, via ide consequência, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (STJ, Segunda Turma, EDcl nos EDcl no AgRg no AgRg no REsp 943814/PR, Relator Ministro Humberto Martins, DJE de 02/06/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO, DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA PELA l a SEÇÃO, NO RESP 886462/RS, DJ DE 28/10/2008, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543-C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543-C, á' 79, QUE IMPÕE SUA ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. PAGAMENTO INTEGRAL ANTERIOR A QUALQUER AÇÃO @r. 7 i Processo n° 13977.000023/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.257 Fl. 157 1 1FISCAL. CONFIGURAÇÃO. REEXAME DE MATÉRIA FÁ TICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 07/STJ. 1. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o REsp 886462/RS, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 28/10/2008, sob o regime do art. 543-C do CPC, reafirmou o entendimento, que já adotara em outros precedentes sobre o mesmo tema, segundo o qual (a) a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS — GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco, e (b) se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não configura denúncia espontânea (art. 138 do CTI n) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido, nos termos da Súmula 360/STJ. 2. Entretanto, conforme também registrado naquele precedente, não tendo havido prévia declaração pelo contribuinte, configura denúncia espontânea, mesmo em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a confissão da dívida acompanhada de seu pagamento integral, anteriormente a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo. 3. É vedado o reexame de matéria fático-probató riaem sede de recurso especial, a teor do que prescreve a Súmula 07 desta Corte. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (STJ, Primeira Turma, REsp 932.109/SC, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJE de 17/12/2008) A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais também é nesse sentido, conforme evidenciam os seguintes julgados: DENÚNCIA ESPONTÂNEA - PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA - C7N ART. 138 — INENGIBILIDADE DE MULTA DE MORA — RESTITUIÇÃO - Tendo o contribuinte efetuado, após seu vencimento, o recolhimento do imposto devido, com juros de mora, de forma voluntária e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, há de se lhe aplicar o beneficio da denúncia espontânea estabelecida no art. 138, do Código Tributário Nacional, que alcança todas as penalidades, sejam punitivas ou compensatórias, decorrentes de descumprimento de obrigações principais. A multa de mora constitui penalidade resultante de infração legal, devendo, portanto, ser excluída pela denúncia espontânea. Em decorrência, a multa de mora recolhida por ocasião da denúncia espontânea caracteriza indébito tributário, devendo ser reconhecido o direito do contribuinte à restituição dos e respectivos valores. 8 Processo n° 13977.000023/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.257 Fl. 158 Recurso especial negado. (CSRF, Quarta Turma, Recurso Especial n° 104-146.200, Acórdão CSRF/04-00.652, Relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, julgado em 18/09/2007) DENÚNCIA ESPONTÂNEA — MULTA MORATÓRIA — Considera-se denúncia espontânea, portanto, abrigada pela exceção prevista no art. 138 do CIN, o recolhimento de tributos antes de qualquer procedimento da administração tributária.Recurso especial provido. (CSRF, Primeira Turma, Recurso Especial n° 106-129.0'54, Acórdão CSRF/01-05.154, Redator Designado Conselheiro Dorival Padovan, julgado em 29/11/2004) Sob minha ótica, a matéria não comporta maiores digressões e a decisão recorrida merece confirmação, pois a denúncia espontânea está configurada e é plenamente aplicável ao caso o artigo 138 do C'IN, de modo que a multa moratória recolhida pela empresa deve ser restituída. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. ,44074í Gonçalo Bonet llage - Relator 9
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Numero do processo: 10880.013475/00-25
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÓES
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/01/1990, 01/02/1990 a
28/02/1990, 01/04/1990 a 31/10/1991.
Período de pagamento: 18/02/1990; 21/03/1990 e 18/05/1990 a
13/11/1991.
Pedido de restituição: 31/08/2000
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO -
O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o
conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a
autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que
tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a
declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou
com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada
inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n° 1.110 em 31/08/95 - p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%.
PRECEDENTES: AC. C S RF/03 - 04.227, 301-31.406, 301-31404
e 301-31.321.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-06.089
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, determinando o retomo dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito. As conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando, que
adotam contagem do prazo de 10 anos para o pleito da restituição, tese dos 5 + 5, e a conselheira Anelise Daudt Prieto acompanha a elheira Relatora pelas suas conclusões.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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Pedido de restituição: 31/08/2000 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - • O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95 - p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. C S RF/03 - 04.227, 301-31.406, 301-31404 e 301-31.321. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, determinando o retomo dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito. As conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando, que adotam contagem do prazo de 10 anos para o pleito da restituição, tese dos 5 + 5, e a conselheira Anelise Daudt Prieto acompanha a elheira Relatora pelas suas conclusões. X Processo n° 10880.013475/00-25 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.089 Fiz. 2 O NetPresidente Nal 8 SUSY st,. E ' • FFMANN Re . era FORMALIZADO EM: 1 O JUL 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffinann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama e Antonio Carlos Guidoni Filho (Substituto convocado). Relatório Cuida-se de Recurso Especial interposto pela União Federal em face da decisão da 2a Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que decidiu pela não ocorrência da decadência do direito de pleitear a restituição do Finsocial. O presente processo trata de pedido de restituição/compensação, relativo a valores pagos a maior a título de Contribuição para o Finsocial. Tal pedido foi protocolizado em 31 de agosto de 2000 e refere-se ao período de apuração de 01 de janeiro de 1990 a 31 de janeiro de 1990; 01 de fevereiro de 1990 a 28 de fevereiro de 1990 e 01 abril de 1990 a 31 de outubro de 1991, de créditos decorrentes de pagamentos efetuados no período de 18 de fevereiro de 1990; 21 de março de 1990 e 18 de maio de 1990 a 13 de novembro de 1991. Em despacho decisório emitido às fls. 119/122, a autoridade fiscal indeferiu o pedido sob a fundamentação de que, teria decaído o direito de pleitear a restituição/compensação, pois de acordo com a redação do Ato Declaratório SRF n° 96/1999, o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou a maior, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado do pagamento. Tendo tomado ciência da decisão, o contribuinte protocolizou Manifestação de Inconformidade às fls. 215/222 alegando em síntese que: a) recolheu no período de janeiro de 1990 a março de 1992 a contribuição do Finsocial às alíquotas vigentes a época e requereu a restituição dos valores recolhidos a maior, objetivando a compensação de débitos; b) o STF decidiu pela inconstitucionalidade da majoração das alíquotas da contribuição, legitimando a cobrança dos valores recolhidos a maior; 2 Processo n° 10880.013475/00-25 CSFtF/T03 Acórdão n.° 03-06.089 Fls. 3 c) antes da declaração de inconstitucionalidade, o contribuinte estava impedido de pleitear a restituição/compensação destes valores e que isso só foi permitido com a edição da MP 1621-36, em 12 de junho de 1998, data em que entende ser o marco inicial da contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição; d) a IN 32/1997 convalidou a compensação dos excedentes de Finsocial recolhidos com a Cofins e com isso, implicitamente, reconheceu a inexistência de decadência do direito de restituição e que este diploma é incompatível com o Ato Declaratório n° 96/1999, que fundamentou a decisão administrativa no presente caso; e) requer ao final, seja autorizada a restituição/compensação pleiteada. Em acórdão proferido às fls. 231/236, a DRJ de Campinas/SP manteve a decisão de fl. 119/122, sob o fundamento de que "o direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento, inclusive nos casos de tributos sujeitos à homologação ou declaração de inconstitucionalidade." Irresignado o contribuinte protocolizou Recurso Voluntário às fls. 246/253, reiterando praticamente todos os argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade. O Terceiro Conselho de Contribuintes, em acórdão proferido às fls. 263/281, deu provimento por maioria de votos ao recurso do contribuinte para reformar a decisão da autoridade administrativa que indeferiu o pedido de restituição da Contribuição para o FINSOCIAL. Os Ilustres Conselheiros da Segunda Câmara entenderam que "o direito de pleitear a restituição/compensação extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data em que o contribuinte teve seu direito reconhecido pela Administração Tributária, no caso, a da publicação da MP 1.110/95, que se deu em 31/08/1995". Diante desta decisão a União Federal por meio de seu Procurador, interpôs o presente Recurso Especial pleiteando a reforma do v. Acórdão, para que se reconheça a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição da contribuição para o Finsocial paga a maior ou indevidamente, com fundamento no Ato Declaratório n°96/1999, restaurando- se o inteiro teor da decisão de P Instância. Despacho de admissibilidade às fls. 289/293. Intimado da interposição do Recurso Especial em 01/02/07, o Contribuinte não apresentou Contra-razões. Em síntese, é o relatório. 3 Processo n° 10880.013475100-25 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-08.069 Rs. 4 Voto Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN, Relatora. O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Trata-se de pedido de restituição/compensação, relativo a valores pagos a maior a título de Contribuição para o Finsocial, referente ao período de apuração de 01 de janeiro de 1990 a 31 de janeiro de 1990; 01 de fevereiro de 1990 a 28 de fevereiro de 1990 e 01 abril de 1990 a 31 de outubro de 1991, de créditos decorrentes de pagamentos efetuados no período de 18 de fevereiro de 1990; 21 de março de 1990 e 18 de maio de 1990 a 13 de novembro de 1991. O pedido de restituição foi formulado em 31 de agosto de 2000 perante Delegacia da Receita Federal. O meu entendimento firma-se no sentido de que o prazo para o pedido de restituição deve ser computado em 05 (cinco) anos a contar da publicação da Medida Provisória n° 1.110 ocorrida em 31 de agosto de 1995, vencendo-se o prazo em 31 de agosto de 2000. Sobre este tema adoto como razões de decidir as razões bem colocadas na declaração de voto vencido do Conselheiro e Presidente do Terceiro Conselho de Contribuintes, Dr. Otacilio Dantas Cartaxo, no Processo 13899.000702/2002-48, nos termos a seguir transcritos: "A matéria versa sobre o reconhecimento de direito creditório de contribuinte, oriundo de indébito tributário, em decorrência da inconstitucionalidade da majoração da alíquota do F1NSOCIAL declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do RE no. 150.764-1, em 02/04193, bem como quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional para o ressarcimento do indébito. Inicialmente é mister registrar a inexistência de Aviso de Recebimento — AR nos autos, bem como da data de ciência da decisão de primeira instância pela ora recorrente. Havendo o presente processo sido diligenciado à repartição de origem, por iniciativa da DRF/Osasco em 06/12/04, para informar a data em que.o contribuinte foi cientificado do Acórdão DRJ/CPS n°. 3.703 (fls. 80/88), Posteriormente, foram os respectivos autos encaminhados a esta Corte com a informação de fl. 126, informando da impossibilidade do atendimento da demanda outrora formulada. Entende este Julgador, em caráter excepcional, a partir do infortuito ocorrido, por motivos devidamente justificados pela repartição preparadora, que se pode aplicar ao caso sob exame, os dispositivos contidos no art. 27 da Lei 9.784/99, que assim nos ministra: 4 Processo n°10880.013475/00-25 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.089 ns. 5 "Art. 27 — O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos faros, nem a renúncia a direito pelo administrado. Parágrafo Único — No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao interessado." Isto posto, passa-se a apreciação dos autos. De antemão, assinale-se que a tese esposada pela decisão de primeira instância, apesar de reconhecer o direito creditório, nos termos do art. 165-1 do CTN, defende que o direito de o contribuinte pleitear a restituição extinguiu-se com o decurso de prazo de cinco anos, contado da data do pagamento antecipado, de acordo com o disposto no art. 168-1 do mesmo mandamus, nele não influenciando a condição resolutória (a homologação). Observou-se, também, que a autoridade fiscal manteve-se inerte por um lapso temporal de cinco anos, não se pronunciando quanto à restituição do indébito (art. 165-1, CTN). Logo, depreende-se que o cerne da querela restringe-se a contagem do prazo prescricional de cinco anos distinguindo-se quanto ao acerto do seu marco inicial, ou seja, da data para o contribuinte exigir o ressarcimento do indébito tributário, sob a égide dos arts. 165-1 e 168-1 do CTN, não havendo o que se falar em decadência, por conseguinte em homologação. A posição emanada pela SRF em relação à repetição de indébito nos termos do art. 165-1 do CTN é ambígua uma vez que inicialmente adotou o entendimento contido no Parecer COSIT n". 58/98, de 27/10/98, o reconhecimento expresso naquele Parecer que referenda como dies a quo pra o contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior que o devido, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, pela via incidental, é a data da publicação da MP no. 1.110/95, DOU de 31/08/95, sendo essa orientação seguida pelos seus órgãos até a edição do AD/SRF n°. 96/99, de 30/11/99, ocasião em que passa o novo entendimento a se contrapor àquele esposado anteriormente. Como visto, a SRF, em momentos distintos, adotou entendimentos diversos sobre a mesma matéria, desde a edição da MP n°. 1.110/95. Com isso muitos contribuintes obtiveram êxito em seus pleitos no que concerne ao reconhecimento do direito creditório do Finsocial pelo simples fato de aviarem seus pedidos de restituição/compensação até a data de 30/11/99, enquanto outros tantos foram prejudicados por protocolarem seus pedidos após aquela data. Resta claro que a conduta adotada pelo Fisco atenta não apenas contra a isonomia tributária, mas contra os princípios da segurança jurídica e do interesse público. Logo, depreende-se não ser esse o parâmetro adequado para a aferição do prazo ora questionado. Ao contrário do que expôs o juízo a quo, é importante registrar que para que se cogite de um pleito da envergadura do ora analisado, faz-se necessário que o direito do contribuinte possa ser exercitável em sua plenitude. Nesse sentido, até que fosse julgada a inconstitucionalidade das majorações da alíquota do FINSOCIAL pelo STF, os recolhimentos efetuados mês-a-mês pelo contribuinte, gozavam da presunção de legalidade. Logo, não haveria como se questionar a existência de indébito tributário, não haveria como se falar em prescrição, nem mesmo em marco inicial para contagem de prazo para restituição de valores, uma vez que o seu direito de ação ainda não podia ser exercido. Não havia, ainda, a liquidez e a certeza do direito ao crédito do sujeito , • Processo n° 10880.013475/00-25 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.089 Fls. 6 passivo, pressuposto este autorizativo para a realização da compensação de seus créditos com débitos próprios junto à Fazenda Nacional (art. 170, CTN). Apenas após a publicação do trânsito em julgado da decisão judicial no DJ, ou seja, a partir dessa data é que se pode falar em contagem de prazo de cinco anos em relação à prescrição. Análise essa pela qual a decisão de primeira instância passou ao largo. Mediante esse raciocínio, em não se pronunciando a autoridade fiscal, materializou-se o direito subjetivo de ação de o contribuinte (arts. 174 e 168-1 do CIN), para promover a ação de cobrança do crédito, ou seja, para se ressarcir do indébito tributário. Quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional matéria essa questionada pela ora recorrente, traz-se à baila o Ac. CSRF/01-03.239 que sabiamente estabelece que em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo STF em ADN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; e c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. A MP no. 1.110/95, art. 17— ifi, DOU., de 31/08/95 — p. 013397, por sua vez, foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, passando a ser utilizado como referencial para o marco inicial da contagem do prazo decadencial. Somente com o advento dessa MP é que os contribuintes, de boa-fé e com a observância do dever legal, puderam demandar sobre o ressarcimento dos pagamentos indevidos, com base nas alíquotas majoradas, acima de 0,5%, nas épocas indicadas, da referida Contribuição para o F1NSOCIAL, estabelecendo-se, certamente, com isso, o marco inicial. O reconhecimento desse indébito restou consolidado através das reiteradas reedições e posteriores edições da retromencionada MP sob os n's 1.142/95, 1.175/95, 1.209/95, 1.244/95, 1.281/96, 1320/96, ..., 1.490/96 e 1.621-36/98, sendo convertida na Lei n°. 10.522/02, a qual trata da matéria através do art. 18-111. Posteriormente a essa MP a Secretaria da Receita Federal através da N/SRF no. 32, de 09/04/97, em seu artigo 2° convalidou a compensação efetivada pelo contribuinte de seus créditos de Finsocial com os débitos reconhecidos e não recolhidos da Cofins, com fundamento no art. 90 da Lei tf. 7.689/88, na alíquota superior a 0,5%. Significa dizer que a Administração Tributária por meio de ato administrativo também reconheceu o caráter indevido do já mencionado recolhimento. Com esse entendimento também se coaduna a manifestação do jurista e tributarista Nes Gandra Martins, adiante: "Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a título de tributo, a questão refoge do âmbito da mera repetição de indébito, prevista no CTN, para assumir os contornos de direito à plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, § 6°, da CF." (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, p. 178). -26 6 . • Processo n° 10880.013475/00-25 CSRF/r03 Acórdão n. 03-08.089 Fls. 7 Finalmente, considerando que o pedido de restituição de Finsocial formulado junto a DRF/Niteréi é de 03/04/02 (fl. 01). Considerando que o término da contagem do prazo sob a égide do raciocínio aqui desenvolvido dá-se em 31/08/00. Ante o exposto, conheço do recurso por preencher os requisitos à sua admissibilidade para, no mérito, negar-lhe provimento, em razão de haver expirado o prazo concernente ao direito de a recorrente postular pela repetição do indébito tributário." Desta forma, como o pedido do contribuinte foi formulado em 31/08/2000, entendo que não ocorreu a decadência do direito de pleitear a restituição/compensação dos valores pagos a título de Finsocial. Isto posto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela UNIÃO FEDERAL, a fim de manter a decisão proferida pela r Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, para afastar a decadência, determinando o retomo do processo à DRF para exame das demais questões de mérito. Brasília, 09 de setembro de 2008. ' 4va SUSY GOM H ANN • 7 Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10680.906744/2009-28
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 RETIFICAÇÃO DE PERDCOMP. ALEGADO ERRO DE FATO Não se admite a retificação de PERDCOMP quando o alegado “erro de fato” no seu preenchimento refere-se, na verdade, a erro na essência ou na substância do pedido comprometendo, diretamente, a natureza jurídica do direito creditório que se pretende restituir.
Numero da decisão: 1801-000.891
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RETIFICAÇÃO DE PERDCOMP. ALEGADO ERRO DE FATO Não se admite a retificação de PERDCOMP quando o alegado “erro de fato” no seu preenchimento referese, na verdade, a erro na essência ou na substância do pedido comprometendo, diretamente, a natureza jurídica do direito creditório que se pretende restituir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP n º 23206.05277.190105.1.3.04.8700, transmitido eletronicamente em 19/01/2005, pelo qual pretende a empresa interessada a compensação de débito de CSLL de 12/2004, no valor de R$ 4.595,04, com direito creditório relativo a pagamento a maior ou indevido de CSLL recolhida em janeiro de 2004, no valor de 4.000,21 (fls. 11/16). Pelo Despacho Decisório Eletrônico de fls. 09/10 a compensação pleiteada foi não homologada sob a seguinte justificativa: “... Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 4.000,21. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ..." Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada (fls. 01/02), a empresa alegou erro de fato no preenchimento do referido PERDCOMP. Afirma que na página 2 deveria ter sido informado o número do PERDCOMP retificado (34783.28917.260704.1.3.030304), assim como o valor original do crédito, de R$ 48.055,92. A DRJ em Belo Horizonte julgou improcedentes as argumentações de erro de preenchimento do PERDCOMP, ao fundamento de que tratarseia de diferença na especificação do tipo de crédito tributário reivindicado como indébito, de pagamento indevido ou a maior para saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003 e que, nessas circunstâncias, os artigos 6o e 7o da Instrução Normativa n° SRF n° 432, de 22/07/2004, determinariam que a retificação de declaração de compensação só teria cabimento nos casos de inexatidão material e enquanto pendente de decisão administrativa. No presente caso, não haveria inexatidão material, mas sim, questão de direito, pois seriam créditos de natureza distinta (fls. 30/) Aquela autoridade consignou, ainda: O exame eletrônico de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior é diferente da análise eletrônica para a aferição do saldo negativo. No caso de pagamento indevido, primeiramente é verificado a existência do pagamento representado pelo DARF e posteriormente é realizado o confronto com outros sistemas informatizados da RFB para verificar a disponibilidade de sua utilização. Já o saldo negativo requer a análise de todas as parcelas que compõem o referido saldo, entre elas, todos os pagamentos mensais das estimativas, o imposto de renda retido na fonte, as DCTFs de todo o período de apuração, etç. Além disso, a título de exemplificação, destacase que as datas de valoração do crédito podem ser diferentes. Assim, para exercer o direito à restituição, o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.906744/200928 Acórdão n.º 180100.891 S1TE01 Fl. 78 3 Assim, afirmou que o PERDCOMP sob análise corresponde a pedido de repetição de indébito de IRPJ do mês de dezembro de 2003, cujo DARF estaria comprometido com a quitação da estimativa de IRPJ do mês de dezembro/2003, razão pela qual indeferiu o pedido e não homologou a compensação. Cientificada da decisão, em 24/05/2011 (AR à fl. 36), apresentou, a interessada, em 20/06/2011 o recurso voluntário de fls. 37/47, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade, acrescentando teses e estudos doutrinários a respeito de erro e verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Assim como no Direito Processual Civil, no processo administrativo fiscal a exordial fixa os limites da controvérsia sobre o qual deverá se dar a jurisdição. O PERDCOMP transmitido eletronicamente encerra um pedido de restituição de crédito e um pedido de compensação de débitos com o crédito reclamado. Nele deve indicar, o interessado, o tipo e valor do direito creditório que julga possuir, assim como os débitos que pretende compensar com o crédito reivindicado. Entretanto, além de meras questões formais de preenchimento, o pedido de restituição eletrônico contém, necessariamente, a reivindicação de um direito, questão que deverá ser dirimida: a existência e a suficiência daquele direito creditório alegado pela parte interessada. No caso em apreço a recorrente formalizou, em 19/01/2005, o pedido de restituição/compensação eletrônico PERDCOMP n º 23206.05277.190105.1.3.04.8700, indicando o seu desejo de ver reconhecido o direito de reaver pagamento que alega ser indevido ou maior que o devido, de estimativa de CSLL, efetuado em 30/01/2004, no valor de R$ 4.000,21, conforme demonstrou na página 2 do referido PERDCOMP (fl. 13). Na página seguinte, de número 3 (fl. 14) a interessada descreveu as características do DARF utilizado no pagamento da estimativa de CSLL, cuja restituição reclama, no total recolhido de R$ 9.932,28. Na página 4 do PERDCOMP (fl. 15) indicou o débito tributário que pretendia saldar por via da compensação com o direito creditório pleiteado. Nestes termos, a interessada fixou os limites do seu pedido. Somente em 2009, passados mais de 4 anos da transmissão do referido PERDCOMP, e depois de ser cientificada (em 02/04/2009) do despacho decisório eletrônico que negou a restituição e a compensação, é que a interessada veio alegar que cometeu “erro de fato” no preenchimento do referido PERDCOMP. O erro de fato residiria na indicação do tipo Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 do crédito reclamado, que passou a ser o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003, e no valor total do indébito, que passou de R$ 4.000,21, para R$ 48.055,92. De acordo com o Código Civil Brasileiro e a dominante doutrina erro de fato é aquele que recai sobre uma situação fática referente ao negócio realizado e subdividese em erro acidental e erro essencial ou substancial,conforme sua capacidade de influir na validade ou não do ato jurídico. É acidental o erro sobre as qualidades secundárias da coisa ou pessoas envolvidas numa relação jurídica, sem mostrarse fator determinante da manifestação de vontade. Dele não resulta qualquer conseqüência para a validade do contrato. Já o erro essencial ou substancial vulnera a manifestação de vontade de pelo menos, um dos contraentes. O engano, aí, é quanto a própria substância do ato, impondo a sua anulação. No caso em apreço verificase que o alegado “erro de fato” no preenchimento do PERDCOMP, na verdade referese a erro na substância do pedido pois, como bem observou a autoridade julgadora de 1a. instância, a natureza jurídica do crédito indicado no PERDCOMP – pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, no valor de R$ 4.000,21 é distinta da natureza jurídica do crédito que a recorrente alega estar a reivindicar – saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003, no valor de R$ 48.055,92. Nessas condições o alegado erro influi, diretamente, na validade do direito creditório reivindicado, afetandoo na sua essência, na sua substância e não pode ser sanado por via de defesa administrativa, seja na forma de manifestação de inconformidade, seja na forma de recurso voluntário. O Artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, estabelece as regras para a restituição e a compensação de tributos. Nesse sentido a Lei expressamente confere à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), competência para disciplinar as regras sobre a compensação estabelecidas no art. 74. Para além disso, a lei, direta e expressamente, determina que a compensação poderá ser efetuada exclusivamente mediante a entrega de declaração em que constem as informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Portanto, a única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1º. Regulamentando os procedimentos da compensação a IN 900, de 2008 Quando o PERDOMP foi transmitido, em 19/01/2005, estava em vigor a IN SRF n º 486, de 12/2004, que revogou a IN SRF n º 432, de julho/2004. A IN SRF 486/2004 também foi sendo sucessivamente substituída e atualmente se encontra em vigor a IN SRF n º 900, de 2008, que assim dispõe: Art. 76. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e da Declaração de Compensação apresentados em formulário em meio papel, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.906744/200928 Acórdão n.º 180100.891 S1TE01 Fl. 79 5 apresentação à RFB de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da RFB. Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Verificase, assim, que nas sucessivas alterações regulamentares, mantevese a autorização de retificação de PERDCOMP somente nos casos de inexatidão material, o que não se verifica no presente processo, conforme amplamente analisado nos parágrafos anteriores. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 89DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19515.001386/2007-80
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. EXAME DO CASO CONCRETO. INEXISTÊNCIA.
A identificação do autuado, a descrição dos fatos, a disposição legal infringida e o valor do crédito tributário são requisitos essências à validade do auto de infração.
No caso concreto, tendo a autoridade fiscal identificado o sujeito passivo e feito referência que a autuação decorre da insuficiência de recolhimento apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados, indicando os períodos em que se verificaram tais diferenças, o quantum destas e a norma de incidência, não há o que se falar em nulidade do lançamento por defeito decorrente da descrição dos fatos ou na norma de incidência tributária.
DECADÊNCIA. IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE DOLO. PRAZO DECADENCIAL QUE SE INICIA NO DIA SEGUINTE A DATA DO FATO GERADOR.
Os valores recolhidos a título de estimativas e de carnê-leão são deduzidos do imposto devido, apurado no encerramento do período-base. Em sendo deduzidos do valor do tributo devido possuem a mesma natureza deste e correspondem à antecipação de pagamento. O mesmo aplica-se em relação ao IRRF.
Assim, considerando que em relação ao quarto trimestre de 2001 houve retenção de IRRF, que tem natureza de tributo pago na medida em que se deduz do imposto apurado, conta-se o prazo decadencial a partir da data do fato gerador, razão pela qual, quando efetivado o lançamento em 17-05-2007 o crédito tributário correspondente ao quarto trimestre de 2001 já se encontrava extinto pela decadência.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL DEVIDO SOBRE AS ESTIMATIVAS MENSAIS. É inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte não apura tributo devido.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 1402-001.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acolher a decadência em relação ao 4º trimestre de 2001 e cancelar a multa isolada. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto em relação à multa isolada. O conselheiro Carlos Pelá acompanhou o Relator pelas conclusões em relação à decadência.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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REQUISITOS. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. EXAME DO CASO CONCRETO. INEXISTÊNCIA. A identificação do autuado, a descrição dos fatos, a disposição legal infringida e o valor do crédito tributário são requisitos essências à validade do auto de infração. No caso concreto, tendo a autoridade fiscal identificado o sujeito passivo e feito referência que a autuação decorre da insuficiência de recolhimento apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados, indicando os períodos em que se verificaram tais diferenças, o quantum destas e a norma de incidência, não há o que se falar em nulidade do lançamento por defeito decorrente da descrição dos fatos ou na norma de incidência tributária. DECADÊNCIA. IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE DOLO. PRAZO DECADENCIAL QUE SE INICIA NO DIA SEGUINTE A DATA DO FATO GERADOR. Os valores recolhidos a título de estimativas e de carnêleão são deduzidos do imposto devido, apurado no encerramento do períodobase. Em sendo deduzidos do valor do tributo devido possuem a mesma natureza deste e correspondem à antecipação de pagamento. O mesmo aplicase em relação ao IRRF. Assim, considerando que em relação ao quarto trimestre de 2001 houve retenção de IRRF, que tem natureza de tributo pago na medida em que se deduz do imposto apurado, contase o prazo decadencial a partir da data do fato gerador, razão pela qual, quando efetivado o lançamento em 17052007 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 86 /2 00 7- 80 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001386/200780 Acórdão n.º 1402001.182 S1C4T2 Fl. 0 2 o crédito tributário correspondente ao quarto trimestre de 2001 já se encontrava extinto pela decadência. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL DEVIDO SOBRE AS ESTIMATIVAS MENSAIS. É inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte não apura tributo devido. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acolher a decadência em relação ao 4º trimestre de 2001 e cancelar a multa isolada. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto em relação à multa isolada. O conselheiro Carlos Pelá acompanhou o Relator pelas conclusões em relação à decadência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001386/200780 Acórdão n.º 1402001.182 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório Pelo que se extrai do auto de infração de fls. 350 e seguintes, com cópia às fls. 407 e seguintes, o lançamento que constituiu o crédito tributário objeto de litígio diz respeito à “insuficiência de recolhimento e de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados”, relacionados aos seguintes fatos geradores: Fato gerador Valor tributável Multa 30062001 591.960,61 75% 31122001 1.354.176,99 75% 31122002 162.418,14 75% Além dos valores acima referidos foi exigido multa isolada em virtude de erro relativo a estimativa calculada nos balancetes de suspensão e o valor declarado em DCTF, com fato gerador em 31122002, conforme segue demonstrado: Data Valor da multa 31122002 82.905,27 A recorrente foi notificada do lançamento em 51052007 e apresentou impugnação parcialmente acolhida pela DRJ, conforme demonstrativo existente à fl. 453, a seguir transcrito: Pelo que se extrai dos autos, a decisão recorrida excluiu o valor de R$ 591.960,61, correspondente a foto gerador ocorrido em 30062001 e manteve as demais exigências. No segundo e no quarto trimestre do anocalendário de 2001, após subtraído o imposto de renda retido na fonte, cujos valores seguem indicados, a recorrente apurou imposto a pagar nos seguintes montantes: Trimestre Imposto a pagar IRRF 2º 521.226,22 35.226,22 4º 1.354.176,99 50.695,09 Em relação ao anocalendário de 2002, com tributação anual, a linha 18 da ficha 12A da DIPJ, que consta à fl. 173 dos autos, indica que a recorrente teve prejuízo de (R$ 5.979.904,98), conforme demonstrado: Fl. 586DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001386/200780 Acórdão n.º 1402001.182 S1C4T2 Fl. 0 4 Doravante, em face da especificidade de detalhes, passo a adotar as seguintes informações extraídas do termo de verificação fiscal e do acórdão recorrido: 3.1. A presente auditoria teve por objetivo analisar as diversas inconsistências apontadas pela DIORT/DERATSPO no processo administrativo n° 11610.007675/200379 que versa sobre DCOMP formalizada pelo contribuinte para comunicar a utilização dos saldos negativos do IRPJ (anoscalendário de 1998 a 2002 e 1º trimestre de 2003). 3.2. Intimamo o contribuinte a esclarecer cada item do citado despacho, sendo que após análise de toda a documentação apresentada, verificamos que: 3.2.1. no anocalendário de 2001 foi constatado, no 2° e no 4º trimestres, IRPJ a pagar nos valores de R$ 521.960,61 e R$ 1.354.176,99, respectivamente. 0 contribuinte confirma estes valores e informa que efetuou o pagamento dos mesmos sob a forma de COMPENSAÇÃO e não com DARFs. Informa, ainda, que à época, a empresa tinha o entendimento de que não seria necessário informar nas DCTFs as compensações de tributos da mesma espécie. Apresenta para comprovação das compensações, planilha referente a Pagamento Antecipado IRPJ que abrange o período a partir de 1996 corrigido pela SELIC. 3.2.2. para o anocalendário de 2002, demonstramos abaixo as compensações efetuadas pelo contribuinte, baseadas em suas planilhas de Pagamento Antecipado IRPJ (período a partir de 1996, corrigido pela SELIC) e de IRRF a compensar —Operações Financeiras com inicio em janeiro/95 corrigido pela SELIC. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001386/200780 Acórdão n.º 1402001.182 S1C4T2 Fl. 0 5 IRPJ Estimativa — Anocalendário 2002 3.3. Diante das irregularidades acima expostas, LAVRAMOS, nesta data, o competente Auto de Infração do IRPJ, pelas seguintes razões: 3.3.1. Anocalendário de 2001: IRPJ a pagar referente ao 2° e 4° trimestres (R$ 521.960,61 e R$ 1.354.176,99, respectivamente), haja vista que o contribuinte não declarou estes valores em DCTF, não estando, portanto, constituído o crédito tributário; 3.3.2. Anocalendário de 2002: Dedução indevida na apuração do lucro anual de estimativa não paga, em razão da diferença de R$ 61.726,37 (sic.) entre o valor apurado como devido em DIPJ e o valor declarado em DCTF, conforme demonstrado acima. 3.3.3. Tornase exigível, ainda, multa de 50 %, devido as declarações inexatas prestadas pelo contribuinte nas DCTFs do anocalendário de 2002 (erro entre a estimativa calculada nos balancetes de suspensão e o valor declarado em DCTF a menor),conforme segue: Conforme referido anteriormente, a DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento. O acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2001, 2002 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente serão considerados nulos os atos em que presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelos incisos I e II o art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Em não se dando, não há que se falar em nulidade. Preliminar rejeitada. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001386/200780 Acórdão n.º 1402001.182 S1C4T2 Fl. 0 6 DECADÊNCIA. Não havendo pagamento antecipado, o termo inicial do prazo decadencial para que se efetue o lançamento se desloca para o previsto no artigo 173 do CTN, sendo ele de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento realizado após o prazo decadencial apenas com relação ao fato gerador ocorrido no 2° trimestre do anocalendário de 2001. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA. JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 IRPJ A PAGAR. AC 2001. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. Não comprovada a compensação do IRPJ apurado no 4° trimestre do AC 2001, correta a exigência. IRPJ. AC 2002. ESTIMATIVA INFORMADA EM DCTF EM VALOR INFERIOR AO APURADO E UTILIZADO NA DIPJ. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA. Correto o lançamento do valor correspondente à diferença entre o valor da estimativa informado e utilizado na DIPJ para apuração do IRPJ devido, e o indicado na DCTF. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO DECLARADA. Correta a cobrança de multa isolada sobre a diferença verificada entre o valor de estimativa mensal apurado na DIPJ e o declarado em DCTF, multa esta reduzida para 50 % em face da aplicação do disposto no art. 106, II, "c", do CTN. A parte interessada foi intimada do acórdão em 15102009 (fl. 495) e em 16 112009 ingressou com o recurso de fls. 477 e seguintes alegando, em síntese: a) nulidade do auto de infração por ter sido lavrado sem qualquer motivação fática e jurídica; b) que encerrado o anocalendário a exigência de recolhimento por estimativa deixa de ter sentido, uma vez que prevalece o valor efetivamente devido com base no lucro real apurado ao final do exercício; c) Decadência em relação ao 4º trimestre de 2001 e janeiro, fevereiro e março de 2002. d) Que os valores exigidos estão pagos por meio de compensações efetuadas nos termos da lei. e) Quanto ao anocalendário de 2002, sustenta a recorrente que inexiste a diferença de R$ 162.418,14, pois comprovou por meio da juntada de sua DIPJ e das planilhas em questão que possui crédito e que efetuou a compensação dos valores devidos nos meses de Janeiro, Março e Abril de 2002, nos seguintes termos: DIPJ/MÊS Valor DIPJ R$ Valor Crédito Saldo Origem do crédito janeiro 502.580,66 502.780,66 0,00 Pg. antecipado março 1.064.209,64 1.067.602,06 3.392,42 IRRF – Op financeiras abril 1.553.549,86 1.553.549,80 0,00 IRRF – Op financeiras Fl. 589DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001386/200780 Acórdão n.º 1402001.182 S1C4T2 Fl. 0 7 f) Que o fisco jamais podia ter exigido multa isolada e multa de oficio em concomitância; É o relatório. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001386/200780 Acórdão n.º 1402001.182 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. I Da alegação de nulidade do auto de infração Ao tratar dos requisitos do auto de infração o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, assim dispõe: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A identificação do autuado, a descrição dos fatos, a disposição legal infringida e o valor do crédito tributário são requisitos essências à validade do auto de infração. No que diz respeito à indicação do autuado, só e nulo o auto de infração que não identificar, com precisão, o sujeito passivo a quem se atribui os fatos descritos, em relação aos quais houve incidência de determinada regra de exigência tributária, cuja consequência é a obrigação de pagar tributo, ainda que decorrente do não cumprimento de obrigação acessória. Por sua vez, a data, o local, a hora, a intimação para cumprir a exigência ou apresentar defesa, a indicação do cargo do autuante e o número de sua matrícula são requisitos que, se inexistentes, podem ser repetidos sem que isto se constitua em um novo lançamento. A falta de assinatura do autuante, por sua vez, é elemento que antecede a existência do próprio ato. Tal defeito é de tamanha proporção que impede que o ato ingresse no mundo jurídico. Em síntese, da análise que faço acerca da natureza dos vícios inerentes ao auto lançamento, entendo que os que dizem respeito a identificação do autuado, a descrição dos fatos, a disposição legal infringida e o valor do crédito tributário se constituem em vícios materiais. Por sua vez, a data, o local, a hora, a intimação para cumprir a exigência ou apresentar defesa, a indicação do cargo do autuante e o número de sua matrícula são elementos relacionados aos vícios formais. A falta de assinatura do auto de lançamento é elemento que diz respeito à existência do próprio ato. Em outras palavras, a assinatura do documento em Fl. 591DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001386/200780 Acórdão n.º 1402001.182 S1C4T2 Fl. 0 9 relação ao qual se pretende atribuir a condição de ato jurídico, com aptidão para criar, extinguir ou modificar obrigações, se constitui em elemento essencial à existência deste. A falta de assinatura se constitui em defeito que impede que o ato se forme e ingresse no mundo do direito com o atributo de ato jurídico. No caso concreto, destacou a autoridade fiscal que a autuação decorre da “insuficiência de recolhimento e de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados.” Prosseguindo na descrição dos fatos, a autoridade fiscal indicou o mês, a diferença que considerou devida e o dispositivo legal incidente. Desta forma, não há o que se falar em nulidade do lançamento por defeito decorrente da descrição dos fatos ou na norma de incidência tributária. II – Decadência alegação de decadência em relação ao 4º trimestre de 2001 e janeiro, fevereiro e março de 2002. Nos termos do artigo 45, do CTN, “a lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributários a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.” Há casos em que o imposto retido pela fonte pagadora constituise em tributação exclusiva. Há hipóteses, como na prestação de serviços a pessoas jurídicas em que o imposto descontado pela fonte pagadora é deduzido do imposto devido, apurado no encerramento do períodobase. O valor descontado pela fonte pagadora tem natureza de tributo, tanto é assim que pode ocorrer situações, como no caso de pessoas físicas, em que o imposto retido na fonte é superior ao imposto devido. Nestas situações, encerrado o anocalendário, ao deduzir o imposto retido do montante apurado no encerramento do períodobase, temse imposto a restituir. No caso concreto, em relação ao quarto trimestre do anocalendário de 2001 a empresa teve imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 50.695,09. Na medida em que este imposto é deduzido do valor apurado no encerramento do períodobase, tal valor tem natureza jurídica de pagamento parcial, pois se assim não fosse não poderia ser deduzido do imposto apurado. Tratase de valor que integrava a receita do sujeito passivo e que foi alocado ao fisco, pela fonte pagadora, como antecipação do imposto devido. Situação idêntica se verificaria caso tivéssemos diante de recolhimento de estimativas. Em assim sendo, em relação ao quarto trimestre de 2001, dado a existência de pagamento caracterizado pela retenção na fonte no valor de R$ 50.695,09, há que se reconhecer a decadência em relação ao quarto trimestre de 2001, visto que a notificação do lançamento somente se efetivou em 17052007. No que diz respeito ao anocalendário de 2002, no ponto em que a recorrente alega decadência relacionada às diferenças de estimativas nos meses de janeiro, fevereiro e março, ainda que se considere as retenções como pagamento, não lhe assiste razão. Ocorre que em relação ao anocalendário de 2002 a tributação da recorrente deuse com base no lucro real. O recolhimento da estimativa caracteriza pagamento antecipado de tributo cujo fato gerador somente se efetiva no final do anocalendário. O marco inicial da decadência é a data do fato gerador e não da data prevista para pagamento do tributo. Em assim sendo, quando do lançamento em 17052005, ainda não tinha decorrido 05 (cinco) anos em relação ao fato gerador ocorrido em 31122002. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001386/200780 Acórdão n.º 1402001.182 S1C4T2 Fl. 0 10 Da alegação de impossibilidade de exigência de estimativa, quando encerrado o anocalendário, o contribuinte não apura imposto a pagar. Conforme relatado, no anocalendário de 2002 a recorrente não apurou tributo devido em razão de saldo negativo. Nesta linha, conforme já decidido na sessão de 25 de janeiro de 2011, em acórdão relatado pelo ilustre Conselheiro Antônio Praga, este colegiado, por maioria de votos, na ocasião vencida a Conselheira Albertina, firmou entendimento no sentido de que é inaplicável a penalidade referente à multa de isolada, após o encerramento do período de apuração, quando o contribuinte não apura imposto devido. O citado acórdão de nº 140200.458 possui a seguinte ementa: Ementa: MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL DEVIDO SOBRE AS ESTIMATIVAS MENSAIS. É inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte não apura tributo devido. A decisão acima referida, após fazer referência ao acórdão CSRF/0105.838, da lavra do Conselheiro Marcus Vinícius Neder de Lima, destaca que “verificado que o contribuinte não apurou IRPJ a recolher no final do período de apuração, dezembro de 2004, e que o lançamento ocorreu no ano de 2009, não há que se falar em exigência da multa de ofício isolada por falta de recolhimentos de estimativas mensais. Assim deve ser negado provimento ao recurso de oficio e dado provimento ao recurso voluntário.” O caso concreto revela situação idêntica, mudandose apenas o ano calendário. Verificado que no anocalendário de 2002 a recorrente não apurou imposto a pagar e que o lançamento somente ocorreu em 2007, na esteira da jurisprudência deste colegiado, não há que se falar em exigência da multa de ofício isolada por falta de recolhimentos de estimativas mensais. Ao meu sentir, ainda que se admita, após o encerramento do anocalendário, a exigência de multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, o valor destas não pode superar ao valor do imposto devido. Se a estimativa é antecipação do imposto supostamente devido ao final do anocalendário, por evidente que o não recolhimento desta não pode gerar multa superior ao próprio imposto. Nesta linha comungo com o entendimento do Conselheiro Marcus Vinicius Neder de Lima, citado no voto do Conselheiro Antônio Praga, no ponto em que faz o seguinte destaque: “A interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico...., pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. Em que pese ter destacado na sessão de 17 de janeiro de 2012, no acórdão nº 140200.858, que discordo dos fundamentos do ilustre Conselheiro Marcus Vinícius quando ele menciona que “o valor pago a título de estimativa não tem natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador só será tido ocorrido no final do período anual (31/12)”, com ele concordo quando se reportando às normas anteriores à Lei nº 11.488, de 2007, assim fundamentou decisão cuja cópia extraio do voto do Conselheiro Antônio Praga, antes referido: Fl. 593DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001386/200780 Acórdão n.º 1402001.182 S1C4T2 Fl. 0 11 “O exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa seja calculada “sobre a totalidade ou diferença de tributo”. Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1º, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo, ao contrário, do quer fazer crer a Procuradoria da Fazenda Nacional. ... O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, a semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções:(i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo não recolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição Fl. 594DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001386/200780 Acórdão n.º 1402001.182 S1C4T2 Fl. 0 12 prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, deve se investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ”pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave...” E prossegue “no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave”. Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de ofício de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades – de mora e de ofício – na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dossimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de ofício pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo a penalidade isolada não deve mais incidir sobre “sobre a totalidade ou diferença de tributo”, mas apenas sobre Fl. 595DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001386/200780 Acórdão n.º 1402001.182 S1C4T2 Fl. 0 13 “valor do pagamento mensal” a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6º). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de ofício em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. No caso presente, em relação ao anocalendário de 1998 a 2002, o relatório indica que a empresa foi autuada para exigir principal e multa de ofício em relação ao imposto de renda não recolhido ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como exposto, essa dupla aplicação, por força do princípio da consunção, não pode subsistir.” Portanto, a multa pode ser aplicada após o encerramento do anocalendário, estando rigorosamente de acordo com a lei, desde que não seja concomitante com a multa.” Observo ainda que em outra ocasião este egrégio colegiado, em composição da qual integrava somente a Conselheira Albertina, que votou vencida, no acórdão nº 107 09.493, julgado em 17092008, relatado pela própria Conselheira Albertina e designado o Conselheiro Marcus Vinícius Neder de Lima para fazer o voto vencedor, decidiu com os seguintes fundamentos que se aplicam integralmente ao caso concreto, os quais agrego ao meu voto como razões de decidir: “A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é pacífica, quanto à improcedência da aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. Representando esse entendimento, cito o acórdão CSRF/0105.552, de 04.12.2006: O artigo 44 da Lei n° 9.430 de 1996 determina que a multa de oficio seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. Assim, a multa foi exigida após o encerramento do ano calendário e segundo esse entendimento está limitada ao valor do ajuste e por essa razão deveria ser exigida a multa isolada apenas sobre o valor do ajuste, entretanto, o ajuste anual também foi lançado no auto de infração (item 5 do auto — aplicação indevida de alíquota), cujo imposto apurado é de R$ 23.005,52. Assim, também não deve prevalecer a multa isolada Fl. 596DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001386/200780 Acórdão n.º 1402001.182 S1C4T2 Fl. 0 14 incidente sobre o imposto apurado no ajuste, em razão da concomitância. ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, acolher parcialmente a preliminar de decadência, reconhecendo extintos os créditos referente ao quarto trimestre de 2001 e, no mérito, dar provimento ao recurso para cancelar a multa isolada. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 597DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10235.001284/2005-74
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO.
Constatado que a averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente ocorreu em data anterior à ocorrência do fato gerador, cancela-se o lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2802-002.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior Relator
EDITADO EM: 22/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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AVERBAÇÃO. Constatado que a averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente ocorreu em data anterior à ocorrência do fato gerador, cancelase o lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Relator EDITADO EM: 22/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 12 84 /2 00 5- 74 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 41 a 48, formalizado para exigência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em virtude da alteração do valor da terra nua tributável, uma vez que o contribuinte, após intimado, não apresentou os documentos comprobatórios da exclusão da "área de utilização limitada" declarada em sua Declaração do ITR/2001(fls. 06 a 08). Em sua impugnação o contribuinte alega que apresentou tempestivamente o ADA, averbou a área de Reserva Legal no Cartório de Registro de Imóveis, conforme documentos juntados à sua petição, fls. 78 a 80. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE julgou o lançamento procedente, fls. 87 a 91, tendo em vista que “a averbação da área de Reserva Legal ocorreu em data de 22 de setembro de 2005, após a data do fato gerador do ITR no ano de 2001, isto é, 1° de janeiro de 2001, conforme Certidão cartorial de fi. 79v. Portanto, a destempo para fins da não tributação daquela área”. Cientificada em 21/07/2008, fls. 92, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 14/08/2008, fls. 93 a 97, na qual aduz que “consoante se depreende da leitura da matricula do imóvel, verificase que na averbação 003/0043 foi AVERBADA a RESERVA LEGAL, em 17 de setembro de 1997”. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Examinando a Certidão de Registro de Imóveis, fls. 79,V., apresentada pela impugnante, a decisão de primeira instância concluiu que área de utilização limitada declarada foi averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente somente em 22/09/2005. Após, portanto, à data de ocorrência do respectivo fato gerador do ITR/2001. O Recorrente, por sua vez, alega a existência de erro na apreciação da prova, uma vez que o acórdão recorrido teria utilizado, como data de averbação, a data de expedição da certidão de matrícula do imóvel. Da leitura da matrícula AV 003/0043, fls. 79, V., constatase que, de fato, a averbação da Reserva Legal declarada na DITR/2001 ocorreu em 17/09/1997. Averbada anteriormente à data da ocorrência do fato gerador, resta patente o direito à exclusão para fins de apuração da área tributável declarada, a teor do art. 44 da Lei Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10235.001284/200574 Acórdão n.º 2802002.027 S2TE02 Fl. 123 3 4.771, de 15/09/1965, com a redação dada pelo art. 1° da Medida Provisória n° 1.511, de 25,07.1996 e § 7°, art. 10 da IN n°43, de 1997. Voto, pois, por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10235.001284/200574 Acórdão n.º 2802002.027 S2TE02 Fl. 124 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 22 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10680.006270/2002-46
Data da sessão: Mon May 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - CSLL - SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA - APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN - A Contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por
unanimidade de votos, no RE N° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, das regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o artigo 150, § 4° do CTN. Súmula Vinculante do STF n° 08.
Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e improvido.
Numero da decisão: 9101-000.115
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de vetos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- auto eletrônico (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: José Carlos Passuello
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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10680.006270/2002-46 Recurso n° 105-147.856 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-00.115 — 1' Turma Sessão de 11 de maio de 2009 Matéria CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BONSUCESSO DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - CSLL - SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA - APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN - A Contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, das regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o artigo 150, § 4° do CTN. Súmula Vinculante do STF n° 08. Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primei a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de vetos, NEGAR •rovimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a in egar o prese . e julgado. CARLOS ALBERTO F ITAS B • " TO Presidi: /14 o/ / J8,: C • 'LOS PASSUELLO Relator Processo n° 10680.006270/2002-46 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.115 Fl. 2 Formalizado em: 01 SET 2000 Participaram, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Adriana Gomes Rego, Antonio Praga, Marcos Vinicius Neder de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, Nelson Lósso Filho, Valmir S. • (Substituto Convocado), Karem Jureidini Dias e Alexandre Andrade Lima da Fonte •• • (Vice-Presidente Substituto). 4 2 Processo n° 10680.006270/2002-46 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.115 Fl. 3 Relatório Trata-se de recurso especial da Fazenda Nacional com arrimo no art. 32, I, do RI vigente à época da interposição, face à decisão da 5a Câmara consubstanciada no Acórdão n° 105-15.657, assim sumariado no sitio eletrônico dos Conselhos: Número do Recurso:147856 Câmara:QUINTA CÂMARA Número do Processo:10680.00627012002-46 Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO Matéria:CONTRIBUIÇÃO SOCIAULL Recorrente:BONSUCESSO DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. Recorrida/Interessado:3 a TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG Data da Sessão:26/0412006 00:00:00 Relator:Daniel Sahagoff Decisão:Acórdão 105-15657 Resultado:DPM - DAR PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão:Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Luís Alberto Bacelar Vidal, Cláudia Lúcia Pimentel Martins da Silva e Wilson Fernandes Guimarães. Ementa:CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - PRAZO DECADENCIAL - Face ao disposto no art. 146, inciso III, letra B da Constituição Federal, somente Lei Complementar pode dispor sobre prazos prescricionais e decadenciais tributários, razão pela qual prevalece o prazo decadencial de cinco anos contados do fato gerador, previsto no artigo 150 do C.T.N, recepcionado com força de Lei Complementar pela atual Constituição Federal, sobre aquele de dez anos previsto na Lei Ordinária n° 8.212/91 .Recurso provido. O recurso ataca a decisão no que se refere ao prazo decadencial da CSLL, apresentando a contrariedade à lei n° 8.212/91 (art. 45), além de tecer alegações acerca da incompetência do Conselho em afastar a aplicação da lei por inconstitucionalidade, e teve seguimento por força do despacho Pres n° 105-188/2006 (fls. 126). O contribuinte manifestou-se em contra-razões, pela manutenção da decisão recorrida. O lançamento ocorreu em 30.04.2002 (fls. 54) e teve como fatos geradores os trimestres de 1996. A empresa apre - tara sua declaração de rendimentos com valores insuficientes, o que corresponde a .. gamem is parciais. Assim se aprese a o processo para julgamento. É o Relatório 4 3 Processo n° 10680.006270/2002-46 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.115 Fl. 4 Voto Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO, Relator O recurso foi adequadamente admitido e deve ser conhecido. A discussão sobre a contagem do prazo decadencial relativamente às contribuições sociais vem se travando há longo tempo e estava centrada na hierarquia das leis. Questionava-se a aplicação do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 1 , em especial o seu inciso I, em cotejo com o artigo 150, par 4°, do CTN, perante o artigo 146, III, da Constituição Federa12. Era predominante neste Colegiado a posição que entendia que, sendo a Lei n° 8.212/91 norma ordinária, não lhe competia regular matéria relativa à decadência, que recebia pelo texto do artigo 146, III, da Carta Magna, definição pela necessidade de tratamento por lei complementar, a cujo "status" estava guindado o CTN. Assim, aceitava-se que o prazo decadencial era aquele estatuído no par 4°, do artigo 150, do CTN, de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. O judiciário também estava indeciso, apesar da predominância pela aplicação do CTN em prejuízo da lei ordinária (Lei n° 8.212/91). A Corte Especial do STJ, na competência definida no artigo 97 da Constituição Federa1 3, na sessão de 15.08.2007, em AI no REsp 616348/MG, apreciando argüição de inconstitucionalidade, assim decidiu: Processo AI no REsp 616348 / MGARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO RECURSO ESPECIAL2003/0229004-0 Relator(a) /ri ART.45 - O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contar s: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; (..-) 2 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (-..) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. 4 • ••1~~.-9.- - Processo n° 10680.006270/2002-46 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.115 Fl. 5 Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI (1124) Órgão Julgador CE - CORTE ESPECIAL Data do Julgamento 15/08/2007 Data da Publicação/Fonte DJ 15.10.2007 p. 21ORDDT vol. 149 p. 129RET vol. 59p. 51 Ementa CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212, DE 1991. OFENSA AO ART. 146,111, B, DA CONSTITUIÇÃO. 1. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica- se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social. 2. Argüição de inconstitucionalidade julgada procedente. Acórdão Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Primeira Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, preliminarmente, conhecer, por maioria, da argüição de inconstitucionalidade, vencido o Sr. Ministro José Delgado, e, no mérito, após o voto-vista do Sr. Ministro José Delgado e os votos dos Srs. Ministros Fernando Gonçalves, Felix Fischer, Aldir Passarinho Junior, Gilson Dipp, Eliana Calmon, Paulo Gallotti, rancisco Falcão e Luiz Fux acompanhando o voto do Sr. Ministro Relator, por unanimidade, declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Na preliminar os Srs. Ministros Antônio de Pádua Ribeiro, Francisco Peçanha Martins, Humberto Gomes de Barros, Fernando Gonçalves, Felix Fischer, Aldir Passarinho Junior, Gilson Dipp, Eliana Calmon, Paulo Gallotti, Francisco Falcão e Luiz Fux votaram com o Sr. Ministro Relator. No mérito os Srs. Ministros Antônio de Pádua Ribeiro, Francisco Peçanha Martins, Humberto Gomes de Barros, Cesar Asfor Rocha, José Delgado, Fernando Gonçalves, Felix Fischer, Aldir Passarinho Junior, Gilson Dipp, Eliana Calmon, Paulo Gallotti, Francisco Falcão e Luiz Fux votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participaram do julgamento os Srs. Ministros Nilson Naves, Barros Monteiro, Hamilton Carvalhido, João Otávio de Noronha e Arnaldo Esteves Lima. Ausentes, justificadamente, a Sra. Ministra Laurita Vaz e, ocasionalmente, os Srs. Ministros Cesar Asfor Rocha e Carlos Alberto Menezes Direito. Nesse processo, o Ministério Público já se manifestou pelo Parecer do Dr. Benedito Izidro da Silva, Subprocurador-Geral da República, no referido REsp n° 1613481MG, pelo cabimento do incidente com a declaração da inconstitucionalidade formal do art. 45 da Lei Ordinária n° 8.212/91, adotando nas conclusões o seguinte teor, reproduzido abaixo- "Utilizando-se a hermenêutica constitucional, a solução da antinomia jurídica configurada entre o C77V e a lei ordinária da IA previdência social deve ocorrer pelo critério da hierarquia, que( / 5 • • —• Processo n° 10680.006270/2002-46 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.115 Fl. 6 faz prevalecer a norma cuja a Constituição Federal de 1988 situou em grau hierárquico superior; in casu, o Código Tributário Nacional que foi recepcionado pela ordem constitucional como lei complementar. Conclui-se, destarte, por meio das diversas conclusões parciais que se concatenam, no seguinte sentido: 1) a contribuição social como tributo deve observância as normas gerais de Direito Tributário; 2) A decadência como norma geral deve ser veiculada pelo instrumento normativo da lei complementar por expressa previsão constitucional (art. 146, III, b da CF) e a mesma se submete as contribuições sociais; 3) reconhecido o status de lei complementar do CTN quando dispõe de normas gerais em matéria de legislação tributária, 4) disposição expressa no C1N fixando o prazo qüinqüenal; 5) lei ordinária adotando prazo diverso; 6) prazo determinado que não elide seu conteúdo de norma geral; 7) regras de hermenêutica constitucional, critério da hierarquia das normas e principio do paralelismo das normas; 8) inconstitucionalidade da lei ordinária que adentra competência reservada à lei complementar em matéria de direito tributário. No sentido da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, a Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4' Região também se pronunciou no AI n° 200070010041785 — 2/PR em julgamento proferido na data de 22 agosto de 2001. Pelo exposto, opina o Ministério Público Federal por seu representante, o Subprocurador-Geral da República infra- assinado, pelo cabimento do incidente com a declaração da inconstitucionalidade formal do art. 45 da Lei ordinária nr 8.212/9" Finalmente, encerrando a discussão, o STF, na sessão de 11 de junho de 2008, decidiu que somente a lei complementar pode dispor sobre normas gerais como a prescrição e a decadência, ao apreciar os Recursos Extraordinários n° 556664, 559882, 559943 e 560626, todos por unanimidade. Seguiu-se a aprovação da Súmula vinculante n° 8, assim formalizada: "Súmula Vinculante n°8 Após ouvir a opinião favorável do vice-procurador-geral da República, Roberto Monteiro Gurgel, os ministros aprovaram a Súmula Vinculante número 8, sobre o tema julgado, que passa a vigorar com a seguinte redação: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário"." A Súmula Vinculante compromete o Poder Judiciário em todas suas instâncias e as decisões prolatadas após sua aprovação serão a ela submissas. Se bem possam alguns entenderem que a Súmula Vinculante não subordina os processos administrativos, apenas por falta de previsão expressa, seria insanidade não ado _ Processo n° 10680.006270/2002-46 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.115 Fl. 7 suas determinações, sob pena de permitir o ingresso de discussões no Judiciário que somente terão como conseqüência a determinação de pesadas sucumbências aos cofres públicos. Além disso, o Decreto n° 2.194/97 determina em seu artigo 3°, ao se referir a matéria tratada em texto declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que os créditos tributários pendentes de julgamento devem subtrair a aplicação da lei, na forma de seu texto: Art. 3° Caso os créditos tributários constituídos estejam pendentes de julgamento, compete aos órgãos julgadores, singulares ou coletivos, subtraírem a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional. Dessa forma, além de me basear na jurisprudência administrativa forjada neste Colegiado, decido diante da declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 declarada formalmente tanto pelo STJ quanto pelo STF, esse último se expressando definitivamente pela Súmula Vinculante n° 8. Deixo de apreciar os demais argumentos expendidos no recurso da Fazenda Nacional, por não conduzirem razões que possam se sobrepor às razões adotadas no presente voto. Assim diante do que consta do processo, voto por conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negar-lhe provimento. Sala d. sões, -m 11 de maio de 2009. JO CALOS PASSUELÉO 7
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Numero do processo: 10825.901294/2010-29
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI - FALTA DE PROVAS. INDEFERIMENTO
Nos pedidos de ressarcimento ou restituição, recai sobre a requerente o ônus de provar a pretensão deduzida. O pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente
DILIGÊNCIAS - IMPOSSIBILIDADE
A diligência não se presta a suprir material probatório da parte obrigada pela sua produção.
Numero da decisão: 3803-003.439
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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INDEFERIMENTO Nos pedidos de ressarcimento ou restituição, recai sobre a requerente o ônus de provar a pretensão deduzida. O pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente DILIGÊNCIAS IMPOSSIBILIDADE A diligência não se presta a suprir material probatório da parte obrigada pela sua produção. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 12 94 /2 01 0- 29 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de IPI formulado em 31 de outubro de 2006, através do PER/DCOMP 13001.17957.311006.1.1.019073 (fls. 2 a 23) no valor de R$ 60.223,50. Em despacho decisório eletrônico (fls 24 a 29), com fundamento no art. 11 da Lei 9779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4544/2002; art. 74 da Lei 9430/96 e art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008, foi homologado o valor de R$ 45.751,74, remanescendo o valor de R$ 14.471,76, objeto do presente recurso. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando que os produtos: CONTINUUM, CORRSHIELD, LOGOSFLOC, STOCKOSORB, CORTROL, FLOGARD, OPTISPERSE, HYPERPERSE, SPECTRUS, STEAMATE e OPTISPERSE, são primordiais ao processo produtivo, tendo papel fundamental para atingir a temperatura , pressão, PH e tempo de resistência controlados na caldeira de cozimento de cavacos de madeira. Aduz, em sua manifestação, explicação do processo industrial Kraft de produção de celulose. Ao final pede que sejam reconhecidos os créditos. A DRJ em Ribeirão Preto considerou improcedente a manifestação de inconformidade, confirmando o despacho decisório. Em seu acórdão a turma traz uma pesquisa feita nos sites das fabricantes dos produtos químicos objeto da glosa e constata que a função destacada pela manifestante não é relatada nem mencionada nas descrições. Alega ainda que o ônus da prova é da recursante e não foram anexadas provas que comprovem a utilização dos produtos químicos no seu processo produtivo. Ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DO IPI. MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 24/11/2011, apresentou recurso voluntário para este Conselho, no qual questiona a fonte de pesquisa da DRJ e que a turma julgadora possuía em mãos todos os recursos para buscar as provas necessárias que corroborasse as alegações deduzidas pela recorrente. Advoga a mesma tese da manifestação sobre a importância dos produtos, e requer ao final, a conversão do julgado em diligência a fim de dirimir a dúvida levantada pela fiscalização acerca da finalidade e utilização dos produtos listados. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10825.901294/201029 Acórdão n.º 3803003.439 S3TE03 Fl. 11 3 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, pelo que conheço e passo a análise do mérito. A interessada, em seu recurso voluntário, discorre sobre a importância dos produtos químicos objeto da glosa, no processo de dissociação da lignina, por comporem o vapor d'água utilizado na produção da celulose. A presença dos componentes, alega a empresa, seria de fundamental importância por garantir a pureza da água. Aduz que o vapor d'água carregado dos referidos produtos químicos continua a agir sobre a celulose nas demais etapas do processo produtivo e que sua utilização é preponderante para atingir a temperatura, pressão, PH e tempo de resistência controlados. Alega que é impossível manter o controle de PH unicamente com a utilização de vapor d'água. Frisase que, nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária. A defesa, porem, nada trouxe que pudesse comprovar suas afirmações. Trata se de postulado do Código de Processo Civil, instituído pela Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. Assim, na hipótese de pedidos de ressarcimento e restituição, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, o pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente. As diligências destinamse à formação da convicção do julgador, e servem para que se aprofunde ou complemente matéria probatória existente nos autos. Jamais poderão estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Não se pode conceber, portanto, o uso da diligência para fins de suprir material probatório da parte obrigada pela sua produção. No presente caso, não foi apresentado nenhum elemento de prova destinado a pelo menos evidenciar as afirmações proferidas. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Em face ao exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, indeferindo o pedido de diligência. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000537/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.540
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ângela Sartori – Relator Julio Cesar Alves Ramos – Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Simões Mendonça, Ângela Sartori e Julio Cesar Alves Ramos. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11968.000537200823 Resolução n.º 3401000.540 S3C4T1 Fl. 2 2 Relatório O importador, através das Declarações de Importação enumeradas às fls. 07 e 08 do AI submeteu a despacho de importação mercadoria descrita como: "ladrilhos de granito artificial para uso exclusivo em revestimento de pisos, na construção em geral", classificando a na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) , então vigentes, no código 6810.19.00, como: "Outras obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, mesmo armadas", com alíquotas de 8% de II, 0% de IPI, 1,65% de PIS/PASEP, e 7,60% de COFINS. De acordo com entendimento Nota Coana/Cotac/Dinon 0319, de 2007 (Anexo 01), a mercadoria foi reclassificada para o código 6907.90.00 da NCM/TEC e da NBM/TIPI, como "Placas de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento". A alteração na classificação do produto importado gerou diferenças a recolher relativamente ao II, ao PIS/PASEP e à COFINS, e imposto a pagar no que toca ao 1PI, além da multa regulamentar de 1% sobre valor aduaneiro da mercadoria por classificação incorreta da mesma na NCM/TEC, tudo conforme Demonstrativos de Apuração desses impostos, contribuições e multa. Fazem parte dos Autos de Infração, a cópia da Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 16.08.2007, As fls. 104 a 107, cópia da Decisão prolatada no Mandado de Segurança n° 2008.83.00.0066185, impetrado pela empresa contra o Inspetor da ALF/SPE, as fls. 65 a 69. Intimado nos respectivos Autos de Infração, em 06.11.2008, a empresa apresentou, tempestivamente impugnação, as fls. 85 a 99 alegando que importou matéria prima, classificandoa no código NCM/TEC 6810.19.00, classificação essa consolidada pela RFB em diversas importações e fundamentada em Laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, emitido em agosto de 2002, por solicitação da própria ALF/SPE, juntado aos autos. Diz que foi surpreendida pela alteração da classificação, sem direito a ampla defesa, o que ensejou a impetração de Mandado de Segurança n° 2008.83.00.0066185, com o objetivo exclusivo de desembaraçar as mercadorias importadas mediante o deposito das diferenças de tributos porventura devidas, enquanto não regularmente intimada do processo administrativo que determinou a nova e equivocada interpretação quanto à classificação do produto importado. Alegou ainda: Fl. 651DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11968.000537200823 Resolução n.º 3401000.540 S3C4T1 Fl. 3 3 Na Preliminar, 1) Ausência de Concomitância: alegando que o MS impetrado teve apenas o fito de discutir a liberação das mercadorias mediante depósito prévio dos valores exigidos. Em nenhum momento pretendeu discutir no MS a classificação fiscal do produto importado ou qualquer outra matéria de direito. 2) Nulidade da autuação afronta ao Principio da Verdade Material: A autoridade lançadora não apresentou classificação fiscal válida para embasar o lançamento e fundamentou a autuação em Nota Coana/Cotac/Dinon n. 0319, de 2007, que se pronunciou sobre o produto ao desamparo de qualquer análise de amostra do mesmo, o que vai de encontro ao principio da verdade material. No Mérito: 3) Mudança de Critério Jurídico: A mudança de critério jurídico foi fruto da insistência da Secretaria da Fazenda do Estado de PE que, baseada em questionável laudo e informações de concorrentes que produzem produtos diversos do importado e industrializado pela impugnante, pretendem alterar a classificação fiscal do produto por ela importado há anos, tendo sido, inclusive, objeto de previa e regular Consulta, conforme provam os documentos anexos. 4) Inadequação da Classificação imposta: Na realidade, "...tratase de importação de produto comercialmente denominado de porcelanato, nome que não existe na nomenclatura cientifica e em nada se aproxima da porcelana. Justamente por se tratar de produto relativamente "novo", surgiram divergências quando à classificação fiscal a ser adotada" O porcelanato é um produto composto predominantemente por feldspato (mineral fundente), dolomita (rocha calcária que atua como agente fundente), quartzo e uma pequena quantidade de argila, inferior a 15%, composição que é diversa da cerâmica e se assemelha mais ao granito, consoante laudo técnico do IPT, de São Paulo (item 26 da defesa). O porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente de feldspato, substância que não se modifica no processo produtivo, já que seu ponto de fusão é acima de 1.400° C, podendo ser submetido a temperaturas que variam de 1.210° C a 1.250 ° C, de sorte que os seus elementos não atingem o ponto de fusão, sendo apenas aglutinados. Não alcançando o ponto de fusão, são mantidas as características químicas dos elementos que compõem o porcelanato, diferentemente do que ocorre quando a cozedura ultrapassa o ponto de fusão. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11968.000537200823 Resolução n.º 3401000.540 S3C4T1 Fl. 4 4 A cerâmica, por sua vez, submetese a temperaturas de ate 1.150° C, podendo ser fundida a temperatura de 1.000° C, donde se conclui, quanto a cozedura e ponto de fusão, que há uma substancial diferença entre porcelanato e cerâmica. "Em que pese a similaridade do processo produtivo da cerâmica com o do porcelanato, há caracteristicas .fundamentais que diferenciam os referidos produtos, tanto que, comercialmente, são tratados como mercadorias que podem se prestar ao mesmo fim, mas são de espécies diferentes. ...quando se fala de revestimento de pisos ou paredes, têmse como principais opções: cerâmica, granito ou porcelanato.inexiste confusão ou dúvidas quanto às característica de cada um dos produtos, que são bastante distintos. Entretanto, facilmente, se constata major similaridade entre o granito e o porcelanato do que entre este e a cerâmica." 5) Multa regulamentar incabível: A imposição da multa regulamentar decorreria do suposto erro quanto classificação da mercadoria importada. Contudo, não se trata de erro, mas de divergência de interpretação. uma divergência de interpretação das regras de classificação fiscal". 6) Pedido de Perícia: A defendente requer a realização de perícia, de acordo corn o artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, tendo em vista estar envolvida no litígio a composição do produto importado (apresenta alguns quesitos a serem respondidos, às fls.97 e 98). Corroborando o seu pedido, transcreve Ementa de Acórdão do então Conselho de Contribuintes que diz respeito à dúvida de classificação de determinado produto estar pautada exclusivamente na sua composição química, tornandose, nesse caso, indispensável a produção de perícia. Anexa, o Parecer Técnico n° 8.202, de agosto de 2002, do IPT, de São Paulo, do qual fazem parte o Relatório Técnico n° 58.258, além de outras análises. Por todo o exposto, a Recorrente requer seja julgado nulo de pleno direito o Auto de Infração. Caso assim não entenda a autoridade julgadora, pede que seja a ação fiscal julgada improcedente pelas razões de mérito apresentadas, protestado pelo deferimento do pedido de perícia formulado. A DRJ decidiu em síntese: Fl. 653DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11968.000537200823 Resolução n.º 3401000.540 S3C4T1 Fl. 5 5 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 Classificação incorreta de Mercadorias na NCM/TEC e NBM/TIPI. Multa. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Lajes de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento classificamse no código 6907.90.00 da NCM/TEC e NBM/T1PI, aprovadas pela Resolução Camex n° 43, de 2006, e pelo Decreto n° 6.006, de 2006, respectivamente. A mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC cabe a aplicação de multa, no percentual de 1%, sobre o valor aduaneiro, nos termos da Medida Provisória 11° 2.15835, de 2001, combinada corn a Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 Desclassificação de Mercadoria. Recolhimento a menor. Constatado o recolhimento a menor do imposto no registro da Declaração de Importação, em função da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC, cabe o lançamento da sua diferença, nos termos do Decreto n° 4.543, de 2002, Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, e Lei n° 10,833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 Desclassificação de Mercadoria. Falta de recolhimento. Constatado o não recolhimento do imposto sobre a mercadoria importada objeto de nova classificação tarifária, cabe o lançamento desse imposto nos termos do Decreto n° 4.544, de 2002 (RIPI/2002). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 Desclassificação de Mercadoria. Recolhimento a menor. Em razão da diferença das aliquotas do II e do lPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Fl. 654DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11968.000537200823 Resolução n.º 3401000.540 S3C4T1 Fl. 6 6 Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004 c/c Decreto n° 4.543, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 Desclassificação de Mercadoria/ Insuficiência de recolhimento Em razão da diferença das aliquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei IV 10.865, de 2004, c/c Decreto n°4.543, de 2002. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 Revisão de Oficio Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu dever, deve proceder à revisão de oficio e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do registro da Declaração de Importação e do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis. Perícia. Indeferimento. Dispensável a produção de mais um laudo técnico sobre as características da mercadoria quando os laudos e documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e consequente julgamento do feito. Concomitância entre Processos Administrativo e Judicial. Impugnação conhecida. Tomase conhecimento da impugnação, no tocante à matéria (classificação tarifária) que não faz parte da discussão judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. A Recorrente no Recurso Voluntário corroborou os argumentos descritos na impugnação acima transcrito, requerendo a nulidade do processo e insubsistência do auto de infração. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11968.000537200823 Resolução n.º 3401000.540 S3C4T1 Fl. 7 7 É o relatório Voto O Recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Ângela Sartori Conselheira PRELIMINAR O Mandado de Segurança impetrado, cuja Decisão (cópia) foi juntada aos autos fls. 65 a 69 teve apenas o fito de discutir a liberação das mercadorias mediante depósito prévio dos valores exigidos. Em nenhum momento entrou no mérito da classificação fiscal do produto importado ou abordou qualquer outra matéria de direito. A preliminar levantada sob o argumento de que a autoridade lançadora não apresentou classificação fiscal válida para embasar o lançamento e fundamentou a autuação em Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 2007, que se pronunciou sobre o produto ao desamparo de qualquer análise de amostra do mesmo, é completamente descabida de razão, porquanto, como se verá na apreciação do mérito, o lançamento foi efetivado levando em conta as diretrizes legais do Sistema Harmonizado (SH), base da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) Tarifa Externa Comum (TEC) e da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). A Nota em questão apenas corroborou esse posicionamento. MÉRITO Diante do exposto, dos fatos narrados acima, havendo dúvidas quanto ao direito requer seja o processo convertido em diligência para que seja formulado laudo técnico pelo INT no sentido de elucidar as dúvidas, respondendo inclusive os seguintes quesitos: Qual a composição do porcelanato? O porcelanato é uma obra de pedra natural como mármore, granito? É semelhante ao granito? Felpatzo é uma pedra natural? Fl. 656DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11968.000537200823 Resolução n.º 3401000.540 S3C4T1 Fl. 8 8 Há transformação química do Si02 a partir das matériasprimas de partida? 0 acabamento do porcelanato para polimento é o mesmo realizado em granitos e mármores? Uma cerâmica pode ser submetida ao mesmo tipo de polimento do porcelanato? É correto afirmar que o produto importado pela Recorrente é feito de pó de pedra natural? É correto afirmar que o porcelanato é uma imitação de pedra? A Recorrente deverá ser cientificada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30 dias. Após, o processo deverá retornar a este Colegiado. Angela Sartori (assinado digitalmente) Fl. 657DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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