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Numero do processo: 35349.001152/2006-77
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2005
Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. -DESCONTO DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS – – AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO, RESPONSABILIDADE DA EMPRESA.
A decisão de primeira instância se manifestou sobre os argumentos apontados pela notificada; não há, portanto, nulidade no procedimento.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente.
A empresa é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados que lhes prestaram serviços.
Recurso negado.
Numero da decisão: 205-00.119
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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NULIDADE NÃO • . OCORRÊNCIA. -DESCONTO DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS — — AUSÊNCIA DE RECOLIIMENTO, RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. A decisão de primeira instância semanifestou sobre os argumentos apontados pela notificada; rião' há, pateio, nulidade no potto. Houve disaintaçâoe clara e precisa dos fittos geradaes, posslalitando o pleno conhecimento pdarecorraile. A empresa é responsável pelo mcolhimenb das contnbuições pevidenciárias descontadas dos segura33s empregados que lhes prestaran serviços. Remo negado. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE CONI O ORIGINAL 44 plal7 — • RosilendWS Soares S4 191077 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. — — — e .I Processo n.° 35349.001152/2006-77 CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-00.119 Fls. 98 ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTESÇ\ por animidade de votos, em negar provimento ao recurso. i 'I A4o .4 JULI a CESA VIEIRA GOMES Presid - ti a / ;alei,' 014,0 --aí - fr4, marast,-.."; ;. - - 1,4-4S VIEIRA Relator MF - SEGUNDO CONSEL110 DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL &ardia, eik , 41- Ia 7 le.0II"i Soam Mat. 1198377 I Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacronix Thomasi, Adriana Sato e Misael Lima Barreto. _ — – Processo n.• 35349.001152/2006-77 MF - SEGUNO0 CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/CO5 Acerdio n.• 205-00.119 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 99 020,1-Brada, 12- 40 Rosnem ., • . *ares Relatório Mat. Si, f • 1198377 A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que não foram recolhidas pela empresa nas competências janeiro de 2004 a julho de 2005, relatório fiscal às fls. 30 a 32. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pelo recorrente, fls. 35 a 44. A unidade descentralizada da SRP emitiu a Decisão-Notificação (DN), fls. 64 a 69, mantendo o lançamento em sua integralidade. A recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário interpôs recurso, fls. 73 a 90, alegando em síntese: • É indevida a exigência do depósito recursal, sendo inconstitucional a exigência; • Houve cerceamento de defesa, pois foi julgado o processo administrativo sem oportunizar à recorrente a produção de provas pelas quais expressamente protestou; • A prova pericial era necessária para demonstrar a regularidade fiscal da empresa; • Não há provas das alegações da fiscalização; • A cobrança de juros e multa possui natureza confiscatória; • É ilegal a cobrança de juros Selic; • Requerendo que seja tomado insubsistente o lançamento. A Receita Previdenciária apresenta suas contra-razões às fls. 95 a 96. O órgão previdenciário alega, em síntese, que: • não foram trazidos argumentos ou documentos novos; • Requerendo, por fim, que seja mantido o lançamento. É o Relatório. _ _ Processo n.• 35349.001152/2006-77 CCO2ICO5 Acórdão ri.• 205-00.119 MF • SEGUNOO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 100 CONFERE COM O ORIGINAL ak /a- /2430? Voto Rosden s Soares Met S pe 1198377 Conselheiro MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Relator. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 94, a recorrente implementou o depósito recursal de 30%, conforme fl. 91. Pressupostos superados, passo ao exame das questões de mérito. DAS OUESTÓES PRELIMINARES: Quanto ao ponto suscitado pela recorrente de que o depósito recursal é indevido, por ser inconstitucional e ferir a legislação complementar, teço os seguintes comentários. O referido depósito possui previsão no art. 126, § 1° da Lei n ° 8.213/1991, nestas palavras: Art.126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social-MSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) 5 1° Em se tratando de processo que tenha por objeto a discussão de crédito previdenciário, o recurso de que trata este artigo somente terá seguimento se o recorrente, pessoa jurídica, instrui-lo com prova de depósito, em favor do Instituto Nacional de Seguro Social-INSS, de valor correspondente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 9.639, de 25/05/1998) Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. Nesse sentido, segue trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997. Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas — MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 35349.001152/2006-77 &adia, 024 t CCO2/CO5 Acérdo n.° 205-00.119 Fls. 101 Rosik. ires Soares Mar tape 1198377 disposições. Nesse mesmo sentido segue trecho do Parecer/CJ n ° 2.547, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 23/8/2001. Ante o exposto, esta Consultoria Jurídica posiciona-se no sentido de que a Administração deve abster-se de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes ou reconhecidos pela Chefia do Poder Executivo. Quanto ao argumento de que houve cerceamento de defesa, pois foi julgado o processo administrativo sem oportunizar à recorrente a produção de provas pelas quais expressamente protestou; não lhe assiste razão. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzi-las. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas têm que ser colacionadas na peça de defesa. No processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colecioná-las na contestação, sob pena de preclusão. Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. De acordo com o disposto no art. 90, IV da Portaria MPAS n O 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9°A impugnação mencionará: 1- a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV - as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § P A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a)fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 2°A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com -__ MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 35349.001152/2006-77 P I , „9- b1W7 CCO2105Acórdão n.• 205-00.119 e Fls. 102 Rosilene 'ires Mai %coe R177 fundamentos, a oca,, • alíneas do parágrafo anterior. § 3° Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4° A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra-razões, se houver recurso. § 5° A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6° Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7° As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8° Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considera-se não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11 0 da Portaria MPAS n 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de oficio ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva Decisão-Notificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1° Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9°. § 2° O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de oficio ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. _ _ MF - CoNSELho ut CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL ali Processo o' 35349.00115212006-77 anasilla, 402. 209 CCO2A:05 Acórdão n.° 205-00.119 Fls. 103 Rosilene $ Soares Mal Si e 1198377 Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 18, in fine. (Redação dada pelo art. 1 0 da Lei n° 8.748/93) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicando-se, no que couber, o disposto no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n o 70.235/1972. A necessidade de o requerimento da perícia ter que constar na peça de impugnação não fere a ampla defesa, pois no processo judicial, rito sumário, os quesitos da perícia têm que constar na petição inicial, bem como na contestação. A notificação fiscal tomou por base documentos do próprio recorrente, fls. 31, os fatos geradores estão discriminados de modo claro e preciso às fls. 15 a 19, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado. Os valores foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § I° do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecido, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciá ria e outras informações de interesse daquele Instituto; _ MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COMO ORIGINAL Processo n.° 35349.001152/2006-77 atuas. 1-t I aoo- CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-00.119 Fls. 104 Rosde Soares Mai Sia 119W377 ,f I° As informações prestadas na Gui de Recolhimento ao rbndo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir-se-a o em termo de confissão de divida, na hipótese do não- recolhimento. A obrigação da empresa em arrecadar as contribuições dos segundos empregados a seu serviço mediante desconto sobre as respectivas remunerações está prevista no art. 30,1 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5/01/93) 1- a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração; (.) Uma vez que a notificada remunerou segurados, descontando as contribuições previdenciárias por eles devidas, conforme informação nos registros documentais da empresa, deveria a notificada efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. Mesmo não efetuando os referidos descontos a responsabilidade, perante a Previdência Social, sempre será do empregador, conforme previsto no art. 33, § 5° da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 33 (..) §5°O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo licito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária provou a existência do fato gerador, com base nos termos de confissão, GFIP, elaborados pela própria recorrente. _ —_ ME - Saiu ONSELtio DE CONTRIBUINTES CONFERE COM 0 ORIGINAL Processo n.°35349.001152/2006-77 Brasa'', C:24 / fila» CCO2/CO5 Acérdão 205-00.119 Fls. 105 Rosnem: Aire \mires Mat. Snroe I 98377 Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, a presente NFLD não foi lavrada apenas com base em presunções, a fiscalização demonstrou, por meio de documentos elaborados pela própria recorrente, a veracidade do argumento da existência dos fatos geradores. A cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em nohficação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevervel (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei n°9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MA7ÉRI4 FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, I°, do Cl?. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1701/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2° Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. SÚMULA N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Não tem natureza de confisco a exigência de multa moratória. A cobrança da multa moratória é de natureza objetiva, isto é, não sendo recolhido no vencimento, incidirá multa, independente da intenção do agente. Conforme prevê o art. 35 da Lei n 0 8.212/1991, ME SEGU: .0)r :NSELHO DE CONTRIBUINTES9 COAI- tR COM O ORIGINAL 02.Processo n.• 35349.001152/2006-77 62°0?" CCO21CO5Acórdão n.° 205-00.119 Fls. 106lÁ Rosilene oures Mat. Sia. 198377 não recolhendo na época própria, o cantil Dum — . • . - om o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 31 Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99) I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. I°, da Lei n°9.876/99). b)quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. I°, da Lei n°9.876/99). c)vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. I°, da Lei n°9.876/99). LI - para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notgicação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da not(icação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; (Redação dada pelo art. I°, da Lei n°9.876/99). d)cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei n°9.876/99). 111 -para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n° 9.876/99). b)setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. I°, da Lei n° 9.876/99). c)oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. I°, da Lei n°9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. I°, da Lei n°9.876/99). ti\ . • - _ _ ME - SEGUN//0 CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.• 35349.001152/2006-77 Braille, POP 7- CCO2/035 Acórdão n.• 205-00.119 9 Fls. 107 Rosilene mat. Si 198377 § 1° Nas hipóteses de parcelamento ou de eparcelamento, inci irá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP n° 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n°9.528/97) § 2° Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP n° 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n°9.528/97) § 3° O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1 0 deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela Ml' n°1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97) § 4° Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei n°9.876/99) Não há previsão na norma jurídica que tais multas somente seriam aplicáveis aos casos de sonegação fiscal ou para aqueles que agiram de má-fé. Portanto, a cobrança da multa moratória é cabível e deve persistir. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão-Notificação (DN), haja vista os argumentos apontados pela recorrente serem incapazes de refinar a DN. CONCLUSÃO: Voto por CONHECER DO RECURSO do notificado para no mérito NEGAR- LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de novembro de 2007. Amer, <der a er. s VIEIRAsi, • . Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1
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Numero do processo: 13808.000728/99-56
Turma: Quinta Turma Especial
Câmara: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IRPJ-CSL-IRF – LUCRO PRESUMIDO – APLICAÇÃO DOS ARTS. 43 E 44 DA LEI Nº 8.541/92, ALTERADOS PELA LEI Nº 9.064/95 E REVOGADOS PELA LEI Nº 9.249/95 – RETROATIVIDADE BENIGNA: A forte conotação de penalidade da norma de incidência, combinada com a quebra da isonomia e da sistemática que instrui o lucro presumido e o conflito entre os conceitos de receita e lucro, faz com que seja aceitável a aplicação da retroatividade benigna quando da revogação da norma de caráter punitivo, aplicando-se aos casos de omissão de receitas de empresa que tributou pelo lucro presumido seus resultados do ano-calendário de 1.995.Por impedimento legal, inevitável o cancelamento da exigência como um todo. - A base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior, (art. 6º § único Lei 07/70) Súmula nº 14 1º CC.
COFINS – Configurada a omissão de receitas, correta a exigência da COFINS prevista na Lei Complementar 70/91.
Numero da decisão: 195-00.089
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a tributação relativa ao PIS e, pro maioria em relação ao IRPJ, CSLL, e IRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Nome do relator: JOSÉ CLOVIS ALVES
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MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES #"%rat :"V-2 QUINTA TURMA ESPECIAL Processo no 13808.000728/99-56 Recurso n° 161.998 Voluntário Matéria IRPJ E OUTROS - Ex(s): 1996 Acórdão n° 195-0.0089 Sessão de 9 de dezembro de 2008 Recorrente SUPERMERCADO AMÉRICA LTDA Recorrida 7" TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I IRPj-CSL-Fitiz — LUCRO PRESUMIDO — APLICAÇÃO DOS ARTS. 43 E 44 DA LEI N° 8.541/92, ALTERADOS PELA LEI N° 9.064/95 E REVOGADOS PELA LEI N° 9.249/95 — RETROATIVIDADE BENIGNA: A forte conotação de penalidade da norma de incidência, combinada com a quebra da isonomia e da sistemática que instrui o lucro presumido e o conflito entre os conceitos de receita e lucro, faz com que seja aceitável a aplicação da retroatividade benigna quando da revogação da norma de caráter punitivo, aplicando-se aos casos de omissão de receitas de empresa que tributou pelo lucro presumido seus resultados do ano-calendário de 1.995.Por impedimento legal, inevitável o cancelamento da exigência como um todo. - A base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior, (art. 6° § único Lei 07/70) Súmula n° 14 1° CC. COFINS — Configurada a omissão de receitas, correta a exigência da COFINS prevista na Lei Complementar 70/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a tributação relativa ao PIS e, pro maioria em relação ao IRPJ, CSLL, e IRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. /4S • • VIS LVES/ I residente e Re ator Formalizado em: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUCIANO 1NOCÊNCIO DOS SANTOS, BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR. rt9 Processo n°13808.000728/99-56 CCOI/T95 Acórdão n.° 195-0.0089 Fls. 2 Relatório SUPERMERCADO AMÉRICA LTDA, CNPJ N° 60.465.093/0001-51, já qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela r Turma da DRJ em São Paulo SP-I, contida no acórdão de n°05.652 de 28 de julho de 2004, que analisou o lançamento bem como a impugnação apresentada pelo contribuinte e decidiu pela manutenção do crédito lançado. Adoto o relatório da DRJ. 2 Durante a realização dos trabalhos de auditoria fiscal, o autuante intimou o contribuinte a preencher demonstrativos de fluxo de caixa para cada um dos meses de 1995. 3 De posse do demonstrativo relativo ao mês de janeiro de 1995 (fl. 07), a fiscalização observou que os saldos de caixa, bancos e fornecedores do mês de dezembro de 1994, foram informados em montantes distintos daqueles constantes na DIRPJ/1995, quadro 19 «1. 31). 4 O autuante ajustou o demonstrativo de fluxo de caixa do mês de janeiro de 1995, com os valores informados na DIRPJ/1995 (fl. 06). Assim, apurou um excesso de dispêndios em relação aos recursos, no valor de R$ 85.302,62, montante considerado omissão de receitas, conforme relato contido no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (fls. 04/05). 5 Em decorrência das faltas apuradas, foram lavrados, em 09/06/1999, os seguintes autos de infração, que foram cientificados ao contribuinte em 10/06/1999: 5.1. Imposto de Renda Pessoa Jurídica-IRPJ (fls. 71/72): Total do crédito tributário, R$ 63.629,38, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigos 523, § 3°; 739 e 892, todos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) aprovado pelo Decreto n°1.041/1994. 5.2. Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 75/76): Total do crédito tributário, R$ 1.908,88, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigo 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07/1970, c/c artigo 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/1973, c,/c artigo 83, III, da Lei n°8.981/1995. 2 - • Processo n° 13808.000728/99-56 CCOI/T95 Acórdão n.° 195-0.0089 Fls. 3 5.3. Contribuição para a Seguridade Social — COFINS (fls. 80/81): Total do crédito tributário, R$ 5.090,34, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigos 10 ao 5° da Lei Complementar n°70/1991. 5.4. Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF (fls. 84/85): Total do crédito tributário, R$ 87.997,34, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigo 44 da Lei n° 8.541/1992, c/c artigo 3° da Lei n° 9.064/1995 e artigo 62 da Lei n° 8.981/1995. 5.5. Contribuição Social — CSLL (fls. 88/89): Total do crédito tributário, R$ 25.451,74, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigo 43 da Lei n° 8.541/1992, c/c artigo 3° da Lei n° 9.064/1995, artigo 57 da Lei n° 8.981/1995 e artigo 2° e parágrafos da Lei n°7.689/1988. 6 O contribuinte apresentou defesa de fls. 92/94, em 02/07/1999, alegando em síntese: 6.1. os saldos de caixa, bancos e fornecedores do mês de dezembro de 1994, desconsiderados pela fiscalização, foram pautados no Livro Caixa da empresa; 6.2. estes saldos foram erroneamente informados na DIRPJ/1995. Este equívoco foi sanado com a entrega da declaração retificadora contento os dados corretos; 6.3. a escrita contábil da empresa está à disposição do Fisco para qualquer espécie de exame; 6.4. requer o cancelamento dos autos. A 7' Turma da DRJ em São Paulo SP-I, analisou a autuação bem como a impugnação e através do acórdão n° 05.652 de 28 de JULHO de 2004 decidiu pela manutenção do lançamento ementando sua decisão da seguinte forma: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/01/1995 Ementa: Omissão de receitas-Quando o total de dispêndios supera o total de recursos resta evidente que parte dos dispêndios foram suportados por receitas omitidas da tributação. PIS, COFINS, IRRF e CSLL — O decidido quanto ao lançamento do rRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes devido a relação que os vincula. Inconformada a empresa apresenta dentro do prazo legal o recurso voluntário de s2folhas 131 a 143, argumentando em resumo o seguinte. 3 • Processo n° 13808.000728/99-56 CCOPT95 Acórdão n.° 195-0.0089 Fls. 4 Que não pode ser mantida a tributação relativa a 100% da receita omitida conforme artigos 43 e 44 da Lei 8.541/92. Que a omissão não foi comprovada pela fiscalização e esta é a sua obrigação nos termos do artigo 142 do CTN. Cita jurisprudência do Conselho e da CSRF sobre a tributação com base nos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92. Afirma que o lançamento do PIS não respeitou a semestralidade contida na LC 07/70. Pede a retroatividade benigna, pois a Lei 9.249/95 determinou a tributação da omissão de acordo com a opção do contribuinte, sendo devida a refroação com base no artigo 106-II-c do CTN. Pede o afastamento da penalidade, pois configura confisco. Na sessão de 20 de outubro do corrente ano, esta Turma Especial por unanimidade de votos decidiu através da Resolução 195-0.0001 converter o julgamento em diligência. Tendo o representante do contribuinte feito sustentação oral e, portanto verificado o resultado do julgamento apresentou petição informando não mais possuir os documentos relativos ao ano objeto da autuação e requereu a continuidade do julgamento. Retornam, portanto os autos para julgamento. É o relatório.i 4 . ' • Processo n°13808.000723/99-56 CC01/795 Acórdão n.° 195-0.0089 Fls. 5 Voto Conselheiro JOSÉ CLÓVIS ALVES, Relator. O recurso é tempestivo, dele conheço. Analisando os autos verifico que o lançamento do IRPJ com base no lucro presumido, tendo como motivador o fluxo de caixa de janeiro de 1.995, que demonstrou dispêndios (saídas) de caixa em valor superior às disponibilidades resultando numa omissão no valor de R$ 85.302,62 conforme demonstrativo de folha 06. O contribuinte alega erro de fato no preenchimento da D1PJ relativa ao exercício de 1.995, ano calendário de 1994, segundo ele teria havido erro nos itens 08 e 09 do quadro 19. Na impugnação fez juntar declaração retificadora bem como página do livro caixa. Ocorre que tendo o contribuinte formalmente desistido da diligência em virtude da falta da documentação relativa ao ano autuado resta, portanto tão somente a matéria de direito a ser decidida. LRPJ e CSLL e FONTE Tratam os autos de IRPJ e CSLL em virtude da constatação de omissão de receitas tendo a autuação relativa ao IRPJ sido enquadrada nos artigos 523, § 3 0, 739 e 892do RIR/94 e art. 24 da Lei n° 9.249/95. A omissão de receitas no lucro real é distinta daquela no âmbito do lucro presumido já que no lucro real a presunção é de que a empresa tenha já utilizado todo custo, configurando a omissão em verdadeiro lucro, já no presumido não há como fazer tal ilação já que os custos e despesas embora precisem seus pagamentos ser escriturado não há o que falar em base de cálculo por diferença em relação a eles já que há uma presunção legal de custos/despesas em determinado percentual de acordo com a atividade. Não há dúvida de que em relação ao lucro presumido à uma presunção de custo/despesa que varia de 68% para prestação de serviços em geral até 98,4% para combustíveis. Não há mais discussão em quanto à ocorrência de omissão de receita, mas tão somente em relação à legislação a ser a ela aplicada.T s Processo n° 13808.000728/99-56 CCOUT95 Acórdão n.° 195-0.0089 Fls. 6 Adoto voto sobre a matéria contido no AC CSRF/01-05.618 de 26.03.2007. "Durante uma longa data votei no sentido de que os artigos 43 e 44 da Lei 8.541/92, são plenamente aplicáveis ao lucro presumido durante o ano de 1.995, visto que a MP 492/94, modificou a redação da referida lei e incluiu os lucros presumidos e arbitrados. Porém sem abdicar do meu entendimento me curvo à jurisprudência desta Turma da CSRF manifestada em vários julgados, dos quais cito o AG-CSRF 01-04.477 de relatoria do conselheiro José Carlos Passuello, assim ementado": "IRPJ — LUCRO PRESUMIDO — APLICAÇÃO DO ART. 43 DA LEI N° 8.541/92, ALTERADO PELA LEI N° 9.064/95 E REVOGADO PELA LEI N° 9.249/95 — RETROATIVIDADE BENIGNA: A forte conotação de penalidade da norma de incidência, combinada com a quebra da isonomia e da sistemática que instrui o lucro presumido e o conflito entre os conceitos de receita e lucro, faz com que seja aceitável a aplicação da retroatividade benigna quando da revogação da norma de caráter punitivo, aplicando-se aos casos de omissão de receitas de empresa que tributou pelo lucro presumido seus resultados do ano-calendário de 1.995. Por impedimentos legais, inevitáveis o cancelamento da exigência como um todo". As conclusões do voto transcritas no aresto combatido adoto como se aqui estivessem escritas. Quanto ao IR fonte, tratando-se também do conceito de renda contido no artigo 43 do CTN, tendo a tese adotada entendido o caráter penalizante da legislação analisada não há como modificar o aresto vergastado, pois seria um contra sensu, admitir para o IRPJ e CSLL o caráter penalizante e não para o IR Fonte, assim adoto o voto proferido pelo Conselheiro relator, Caio Marcos Cândido e mantenho o afastamento pelas razões ali adotadas." PIS — Quanto ao PIS verifico que a autação se fez considerando a base de cálculo no próprio mês da omissão, não respeitando os seis meses previstos no artigo 6 0 § único da Lei n° 07 de 07 de setembro de 1.970, já objeto da Súmula n° 15 do 1° CC. Afasto também o PIS. Quanto a COFINS estando a autuação de acordo com a legislação contida na Lei Complementar n° 70 de 1.991, e não tendo recurso especifico sobre tal contribuição é de se mate-la. ir^ 6 • Processo n° 13808.000728/99-56 CCOI/T95 Acórdão n.° 195-0.0089 Fls. 7 Quanto à legação de multa confiscatória, vale ressaltar que a limitação constitucional diz respeito a tributo e não penalidade e conforme artigo 30 do CTN tais figuras — tributo e penalidade não se confundem. Pelo exposto, conheço o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte e no mérito voto para DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para afastar as tributações relativas ao IRPJ, CSLL, IRRF e PIS, mantendo-se a tributação relativa a COENS. „L7Sala d eas s es rasil . -DF, em 9 de dezembro de 2008. JOS i' ' i IS S 7 Page 1 _0022300.PDF Page 1 _0022400.PDF Page 1 _0022500.PDF Page 1 _0022600.PDF Page 1 _0022700.PDF Page 1 _0022800.PDF Page 1
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Numero do processo: 37280.000863/2005-19
Data da sessão: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 205-00.217
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, Por unanimidade de votos, conhecido o embargo de declaração para rescisão do acórdão recorrido e por unanimidade de votos, convertido o julgamento em diligência. Ausência justificada da Conselheira Renata Souza Rocha.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Data 04 de setembro de 2008 Recorrente ESTADO DO RIO DE JANEIRO - GOVERNADORIA DO ESTADO Recorrida DRP RIO DE JANEIRO-SUL/Ri Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por, ESTADO DO RIO DE JANEIRO — GOVERNADORIA DO ESTADO RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Por unanimidade de votos, conhecido o embargo de declaração para rescisão do acórdão recorrido e por unanimidade de votos, convertido o julgamento em diligência. Ausência justificada da Conselheira Renata Souza Rocha. Sala das ' - • • s, em 04 de setembro de 2008. , \4140.N JULIO S • • VIEIRA GOMES Presidente uu-rçt-coto ,..,-, sEtSciog:011411/4‘• ,--,ektafecl• ' . aspo a... 7à:tbk O ,..„ eis:_a_.---• LIEGE LA ROIX THOMASI Ia - CSn"" Relatora eask,„:90i); ap, . ve, et ;.:- 1 1 tAõ '11 Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros, Marco André • Ramos Vieira, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. 1 . — Processo n.° 37280.00086312005-19 CCO2/CO5 ' Resolução n.° 205-00.217 Fls. 619 RELATÓRIO Trata o presente de pedido de revisão interposto pela Receita Previdenciária, conforme tls.583/593; combatendo o acórdão de fls. 575/578, proferido pela 4' Câmara do CRPS que anulou a NFLD por vício formal. Aquele Colegiado entendeu que deveria ser emitida nova NFLD com observância do art. 351 da Instrução Normativa n ° 100. A unidade da SRP entende, em síntese, que a falha encontrada é uma mera irregularidade e não um vício insanável. Há acórdãos divergentes da própria 45 Câmara de Julgamento do CRPS. Cientificada do pedido de revisão, a notificada manifestou-se às fls. 596/609 Em síntese alega que não cabe o pedido de revisão, por se tratar de rediscussão de matéria; inexistindo violação a preceito legal. É o Relatório. 5$».-c•300 orW'‘45 C 41.7 ."511-itk vs”'' so 2 Processo n.° 37280.000863/2005-19 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/CO5 • Resolução n.* 205 -00.217 CONFERE COMO ORIGINAL Fls. 620 • Brasilia, / 290 Rosilene VOTO Mat. Sia Conselheira LIEGE LACROIX THOMASI, Relatora De acordo com o previsto no art. 60 da Portaria MPS n ° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade de revisão é medida extraordinária. A revisão é admitida nos casos de os Acórdãos do CRPS divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovados pelo Ministro da pasta, bem como do Advogado-Geral da União, ou quando violarem literal disposição de lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vício insanável, nestas palavras: Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de oficio ou a pedido, suas decisões quando: 1— violarem literal disposição de lei ou decreto; II — divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do Advogado-Geral da União, na forma da Lei Complementar n°73, de 10 de fevereiro de 1993; - depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável; 1V—for constatado vício insanável. § 1" Considera-se vício insanável, entre outros: I — o voto de conselheiro impedido ou incompetente, bem como condenado, por sentença judicial transitada em julgado, por crime de prevaricação, concussão ou corrupção passiva, diretamente relacionado à matéria submetida ao julgamento do colegiado; II — a fundamentação baseada em prova obtida por meios ilícitos ou cuja falsidade tenha sido apurada em processo judicial; III— o julgamento de matéria diversa da contida nos autos; IV — a fundamentação de voto decisivo ou de acórdão incompatível com sua conclusão. § 2" Na hipótese de revisão de ofício, o conselheiro deverá reduzir a termo as razões de seu convencimento e determinar a notificação das partes do processo, com cópia do termo lavrado, para que se manifestem no prazo comum de 30 (trinta) dias, antes de submeter o seu entendimento à apreciação da instância julgadora. § 3 0 0 pedido de revisão de acórdão será apresentado pelo interessado no INSS, que, após proceder sua regular instrução, no prazo de trinta dias, fará a remessa à Câmara ou Junta, conforme o caso. 1 3 Processo n.° 37280.000863/2005- I 9 CCO2/035 • • ' Resolução n.° 205-00.217 Fls. 621 § 4" Apresentado o pedido de revisão pelo próprio INSS, a parte contrária será notificada pelo Instituto para, no prazo de 30 (trinta) dias, oferecer contra-razões § 5" A revisão terá andamento prioritário nos órgãos do CRPS. § 6" Ao pedido de revisão aplica-se o disposto nos arts. 17, § 4", e 18 e deste Regimento Interno. co Fe' § 7° Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, -2 O "C proferida em única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursal ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo 1.62 2- \• oo órgão julgador. o oo a, § 8" Caberá pedido de revisão apenas quando a matéria não comportar .".? 8 Ç lb:,.-Í, recurso à instância superior. 8 Lu CL a § 9° O não conhecimento do pedido de revisão de acórdão não impede c3; os órgãos julgadores do CRPS de rever de oficio o ato ilegal, desde que não decorrido o prazo prescricionat § 10 É defeso às partes renovar pedido de revisão de acórdão com base .4 nos mesmos fundamentos de pedido anteriormente formulado. § II Nos processos de beneficio, o pedido de revisão feito pelo INSS só poderá ser encaminhado após o cumprimento da decisão de alçada ou de última instância, ressalvado o disposto no art. 57, § 1", deste Regimento. O acórdão sob revisão fundamentou-se na inobservância do art. 351 da Instrução Non-nativa n ° 100 para anular a NFLD. Contudo, tal fundamentação não corresponde a realidade, uma vez que o lançamento, ao contrário do afirmado no acórdão recorrido, observou a Instrução Normativa, no aspecto da identificação do sujeito passivo. O caput do art. 351 exige que os documentos de constituição sejam emitidos em nome do ente federado, sendo obrigatória a lavratura de notificações distintas por órgão público, o que foi observado pela fiscalização. O parágrafo único do art. 351 exige que no campo de identificação seja consignada a designação do órgão a que se refere. Ocorre que a notificação fiscal de lançamento não é composta apenas pela capa, ou folha de rosto, mas possui anexos, entre os quais, a peça mais relevante que é o relatório fiscal. Desse modo, o documento de constituição do crédito a que se refere o parágrafo único do art. 351 da Instrução Normativa, não pode ser confundido com a folha de rosto da NFLD, mas sim deve ser compreendido como a NFLD em sua integralidade, compreendendo capa, discriminativos e relatório fiscal. O campo identificação do sujeito passivo está expressamente discriminado à fl. 224 do relatório fiscal, em tal campo consta o nome da SECRETARIA DE ESTADO DE TRANSPORTES, portanto, a fiscalização atendeu ao previsto no art. 351, parágrafo único da Instrução Normativa n° 100. Desta forma, é procedente o pedido de revisão e uma vez reconhecendo o vicio do acórdão anterior Guizo rescindente), deve ser apreciada toda a questão devolvida a este Colegiado por meio do recurso interposto pelo notificado Guizo rescisório), incluindo as matérias cujo conhecimento deva ser realizado de oficio. 4 Processo n.° 37280.000863/2005-19 CCO2/COS - • • • Resolução n.° 205-00.217 Fls. 622 DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Todavia, antes da apreciação de mérito há um ponto a ser esclarecido. O MPF inicial foi emitido em 26 de novembro de 2003, fl. 556; sendo cientificado o representante do contribuinte em 08 de dezembro de 2003. O TIAF foi cientificado ao contribuinte também em 8 de dezembro de 2003, fl. 561, e o TIAD também foi emitido em 8 de dezembro de 2003, fl. 563. Contudo há um outro TIAD emitido em 6 de outubro de 2003, tl. 562; portanto em data anterior ao MPF, bem como ao TIAF. Desse modo, antes de o Colegiado proferir qualquer decisão pela nulidade do • procedimento pela falta de cobertura do MPF, entendo ser mais prudente a conversão do julgamento em diligência a fim de que a unidade da Receita Federal do Brasil informe o motivo de emissão do TIAD à fl. 562, e se há um MPF embasando esse TIAD, e se for o caso juntando cópia aos autos. CONCLUSÃO Voto por CONHECER do PEDIDO DE REVISÃO da Receita Previdenciária e resolvo RESCINDIR o Acórdão anterior. Em substituição àquele, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGENCIA. Após o que, deve ser conferida ciência ao contribuinte, com abertura de prazo de quinze dias para eventual manifestação. Sala das Sessões, em 04 de setembro de 2008 Wein"'1/14.4 LIEGE LA 1 IX THOMASI . /1 Relatora A, / eyX‘JV O rs- ..S.' -.lo „O k c9 c, n i '4;, n ‘ 011:ii. c., o 4., c 4%.9., 4S. I- e+ 5 Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1
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Numero do processo: 13896.722411/2017-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3302-002.416
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à unidade de origem para: (i) apurar os reflexos sobre o presente caso da decisão definitiva a ser proferida no processo onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora, elaborando parecer conclusivo; (ii) intimar o contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iii) retornar os autos ao CARF para julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.414, de 25 de abril de 2023, prolatada no julgamento do processo 13896.722410/2017-76, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Flávio José Passos Coelho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Walker Araujo, Fabio Martins de Oliveira, Jose Renato Pereira de Deus, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Mariel Orsi Gameiro, Denise Madalena Green, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO JOSE PASSOS COELHO
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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à unidade de origem para: (i) apurar os reflexos sobre o presente caso da decisão definitiva a ser proferida no processo onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora, elaborando parecer conclusivo; (ii) intimar o contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iii) retornar os autos ao CARF para julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.414, de 25 de abril de 2023, prolatada no julgamento do processo 13896.722410/2017-76, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Walker Araujo, Fabio Martins de Oliveira, Jose Renato Pereira de Deus, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Mariel Orsi Gameiro, Denise Madalena Green, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter integralmente o Despacho Decisório atacado, cujas razões de fato e direito constam da referida peça recursal. É o relatório. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 22 41 1/ 20 17 -1 1 Fl. 406DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3302-002.416 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13896.722411/2017-11 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto em lei. Passa-se, assim, na sua análise. Conforme se verifica dos autos, constasse que a DRJ condicionou o insucesso da Recorrente ao resultado do julgamento proferido nos autos onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora e onde foi realizado a reconstituição da escrita fiscal. Como se vê, a decisão definitiva à ser proferida no processo onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora e onde foi realizado a reconstituição da escrita fiscal, por envolver períodos e matérias idênticas, caso seja parcial ou totalmente favorável ao contribuinte, validará parcial ou totalmente o crédito por ele apurado e modificará o despacho que não homologou os pedidos de compensação. Neste cenário, verifica-se que a decisão à ser proferida no processo administrativo onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora e onde foi realizado a reconstituição da escrita fiscal, repercutirá nestes autos, sendo, necessário determinar o sobrestamento do presente feito para: (i) aguardar a decisão definitiva daquela processo; (ii) apurar os reflexos da decisão definitiva a ser proferida no processo onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora e onde foi realizado a reconstituição da escrita fiscal com o presente caso, elaborando parecer conclusivo; (iii) intimar o contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iv) retornar os autos ao CARF para julgamento. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º , 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de determinar o retorno dos autos à unidade de origem para: (i) apurar os reflexos sobre o presente caso da decisão definitiva a ser proferida no processo onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora, elaborando parecer conclusivo; (ii) intimar o contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iii) retornar os autos ao CARF para julgamento. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente Redator Fl. 407DF CARF MF Original
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Numero do processo: 37172.000232/2006-08
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2301-000.146
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, vencidos os
conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Bernadete de Oliveira Barros, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES
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Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Bernadete de Oliveira Barros, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente) e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/08 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S Processo nº 37172.000232/200608 Resolução n.º 2301000.146 S2C3T1 Fl. 2 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ACESITA S/A contra decisão de primeira instância que julgou procedente auto de infração pela apresentação das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP, relativas ao período de 06/2003 a 04/2004, com informações inexatas, incompletas ou omissas. 2. A ementa do decisum vergastado restou assim redigida: “INFRAÇÃO FISCAL. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao art. 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91, de 24/07/91, com redação dada pela Lei 9.528/97, a apresentação de Guia de Recolhimento do Findo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.. AUTUAÇÃO PROCEDENTE.” 3. A empresa, por sua vez, traz em seu recurso voluntário, os argumentos que ora transcrevo das contrarazões: “3.1 – inicialmente ratifica todos os fundamentos fáticos e jurídicos constantes dos recursos interpostos na NFLD’s 35.762.1891 e 35.762.1905, pedindo a remissão àqueles autos; 3.2 – renova a nulidade do AutodeInfração, pois é a própria decisão que confessa não constar dos autos a memória de cálculo da multa, ausentandose de um dos requisitos de sua validade. Não há como exercer o direito de defesa sem ter conhecimento de sua origem. A decisão não nega a nulidade (somente tem dificuldades de admitila) apenas diz que o método de apuração constava da autuação; 3.3 – ainda que assim não fosse a multa é indevida, quanto ao mérito, isto porque, na mesma data, a empresa recebeu as NFLD’s mencionadas e a Fiscalização agiu por ato contínuo, ou seja, entenda que determinada verba era devida, assim, lançada em cobrança (NFLD), ao mesmo tempo entendia que aquele valor não foi declarado na GFIP e lavrado o AutodeInfração; 3.4 – mas como a empresa poderia ter declarado na GFIP valores que entendia, como ainda entende, serem absolutamente indevidos?... 3.5 – como poderia a empresa confessar (lançamento na GFIP) valores de abonos de férias que entende (e tem pleno respaldo jurisprudencial) que tais valores não compõe a base cálculo das contribuições previdenciárias? Como pode declarar devido o adicional se contesta a existência de alguns agentes nocivos além da tolerância legal?; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/08 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S Processo nº 37172.000232/200608 Resolução n.º 2301000.146 S2C3T1 Fl. 3 3 3.6 – a multa fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois não se pode apenar alguém se não tem certeza de sua culpa; lembrese que em recente decisão o Supremo Tribunal Federal proferiu histórica decisão de que somente com o término do processo administrativo se dará a certeza e liquidez necessárias às providencias cabíveis no âmbito criminal; mutatis mutandis, a multa por não declarar na GFIP somente pode ser cobrada quando se decidir se o lançamento é procedente ou não; 3.7 – se lançados tais valores nas NFLD’s, na mesma data, devese aguardar o prazo de defesa, não impugnado ou pago os valores, estes passam a ser reconhecidamente devidos, portanto, passíveis de serem retificados na GFIP, mas somente após o prazo de defesa é que surgiria esta obrigação e não no mesmo instante da lavratura; 3.8 – se no prazo de defesa a impugnante apresentar sua defesa administrativa e, posteriormente, a matéria for para o âmbito judicial, somente após a decisão passada em julgado é que os valores passam a ser reconhecidamente devidos, gerando a obrigação acessória de declarar em GFIP; 3.9 – em processo similar a fiscalização reduziu a multa inicial em aproximadamente R$ 500 mil, sob a alegação de que estes valores estão sendo discutidos em Juízo, portanto, a empresa somente tem a obrigação de fazer constar da GFIP tais valores 30 (trinta) dias após o trânsito em julgado da decisão judicial; 4. Quando da exposição de suas razões o fisco pugnou pela conservação da decisão recorrida, a qual manteve a integralidade do lançamento fiscal haja vista a ausência de elementos novos e suficientes para refutar tal decisão. 5. Em seguida, os autos foram encaminhados para a apreciação da antiga 4ª Câmara de Julgamento (CAJ). Nessa ocasião, os autos foram baixados em diligência, para que ficassem sobrestados junto a SRP, e fossem encaminhados juntamente com as NFLDs que com ele se vinculam. 6. Foi juntada ao processo a Resolução n.º 20500.143 da 5ª Câmara de Julgamento, do processo 36378.004044/200671, recurso voluntário 144.379 que converteu o julgamento em diligência para que um perito do fisco se manifestasse sobre os quesitos formulados a respeito da exposição dos segurados a agentes de risco, os quais seguem abaixo: “1º. Existem condições especiais que prejudiquem a saúde ou integridade física, no ambiente de trabalho, capazes de implicar no direito à aposentadoria especial aos segurados da Notificada? 2º. Em caso de resposta positiva, quais são? 3º. E em quais condições foram observados? 4º. Em que fundamento legal se encaixa tal condição, se existente? 5º. Há histórico de concessão de aposentadoria especial aos segurados da Notificada? Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/08 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S Processo nº 37172.000232/200608 Resolução n.º 2301000.146 S2C3T1 Fl. 4 4 6º. Em caso positivo, em função de qual agente nocivo? 7º. Há utilização de equiparação de proteção coletiva ou individual capazes, por si só, de afastarem a concessão do benefício? 8º. Os equipamentos de minimização dos riscos ambientais do trabalho atendem às especificações técnicas? 9º. Os argumentos da Recorrente quanto ao controle das condições do ambiente de trabalho procedem? 10. As condições do ambiente do trabalho podem ser consideradas as mesmas para todo os período pretérito abrangido pela Fiscalização? 11. O perito pode prestar quaisquer outros esclarecimentos que possam elucidar a questão controvertida.” 8. Após, os autos foram encaminhados para este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Considerando que os pressupostos de admissibilidade recursal já foram devidamente analisados em assentada anterior, passo ao exame das questões trazidas pela recorrente. DAS PRELIMINARES REALIZAÇÃO E DILIGÊNCIA 2. O meu voto é pela manutenção da decisão da 4ª CAJ e pela aplicação da Resolução nº 20500.143, a qual determinou, por unanimidade de votos, no processo 36378.004044/200671, contra a mesma empresa, a realização de perícia técnica para avaliação dos riscos ambientais supostamente enfrentados pelos empregados da empresa. 3. Isso porque, era o entendimento do Colegiado que fossem avaliadas as questões ambientais por perícia técnica, fato esse que deve ser respeitado no processo pela Administração Pública. Até porque, nos termos da Lei n.º 9.784/99, em seu art. 2º, parágrafo único, inciso X, é assegurado aos contribuintes a produção de provas nos processos administrativos. 4. O voto proferido quando da apreciação do recurso n.º 144.379 , pautouse nos seguintes fundamentos: “1. Segundo consta do relatório fiscal, tratam os autos de contribuições a cargo da empresa, para financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n.º 8.213/91, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/08 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S Processo nº 37172.000232/200608 Resolução n.º 2301000.146 S2C3T1 Fl. 5 5 laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas pela empresa ao empregado segurado, a título de abono em acordo coletivo de trabalho, gratificação de retorno de férias e abono regime de trabalho, conforme a atividade exercida pelo mesmo, permita a concessão do benefício da aposentadoria especial. 2. Ainda segundo a informação fiscal a empresa não comprovou que gerencia de forma correta e eficaz o seu ambiente de trabalho, bem como que o lançamento foi realizado por aferição indireta. 3. No meu entender, não obstante o bom relatório fiscal trazido aos autos pelo auditor notificante, a matéria é complexa e depende de uma análise pericial da realidade fática encontrada no interior da empresa. 4. Vale ressaltar que o lançamento ora realizado somente poderá ser validado quando restar plenamente comprovado que a empresa, pela respectiva atividade desenvolvida, expõe seus empregados a riscos que ensejam a aposentadoria especial ou efetua precariamente o controle desses agentes, de tal sorte que efetivamente permaneçam expostos a tais riscos. 5. No presente caso, a procedência do lançamento terá o condão, em verdade, de declarar e afirmar o direito à aposentadoria especial de todos os trabalhadores considerados expostos pela auditoria fiscal, de tal sorte que todo esse contingente de pessoas poderá apresentar requerimento junto às Agências da Previdência Social pleiteando o reconhecimento do tempo de contribuição para a aposentadoria especial. Tal conseqüência não se mostra em consonância com as mudanças feitas na legislação de aposentadoria especial, que passou a exigir a efetiva exposição aos agentes nocivos para o deferimento dos benefícios. 6. Desta forma, considerando o acima exposto e a natureza eminentemente técnica da controvérsia travada nos presentes autos, tenho que o presente julgamento deve ser convertido em diligência, a fim de que seja elaborado parecer técnico conclusivo para o estabelecimento da empresa, a ser elaborado por Médico Perito do Fisco mediante inspeção técnica no local, de forma a comprovar que os segurados empregados da recorrente encontramse efetivamente expostos a agentes nocivos (considerando, inclusive, se havia ou não utilização eficaz de equipamento de proteção para cada um dos agentes), que lhes garanta aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 e seguintes da Lei n° 8.213/91. 7. Da mesma forma, seja informado se houve a concessão de benefícios por incapacidade acidentária aos segurados da empresa em epígrafe, no período do levantamento do crédito previdenciário.” 5. Dessa forma, nos termos da Resolução nº 20500.143, tenho que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. CONCLUSÃO 6. Assim, voto por CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA, na forma acima exposta, cabendo ao Fisco dar cumprimento às providências descritas, cientificando o contribuinte dos resultados obtidos. É como voto. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/08 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S Processo nº 37172.000232/200608 Resolução n.º 2301000.146 S2C3T1 Fl. 6 6 Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/08 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S
score : 1.0
Numero do processo: 10715.724930/2013-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 27/06/2008, 06/08/2008
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O art. 106, IV, e do Decreto-lei no 37/66 literalmente atribui ao agente de carga a obrigação de prestar informações à Secretaria da Receita Federal, por inserção destas no sistema de registro eletrônico referente a veículo ou carga transportada proveniente do exterior.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPROCEDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 11 DO CARF.
Não corre prescrição contra a Fazenda Nacional durante o Processo Administrativo Fiscal.
INFORMAÇÃO PRESTADA SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE REGISTRO. APLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E DO DECRETO-LEI 37/66.
O descumprimento do prazo previsto para informação do veículo e carga transportados configura a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei 37/66.
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Numero da decisão: 3401-011.634
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não reconhecer a prescrição intercorrente, vencidas, neste ponto, as conselheiras Fernanda Vieira Kotzias e Carolina Machado Freire Martins, que a reconhecem, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-011.631, de 25 de abril de 2023, prolatado no julgamento do processo 10715.723881/2013-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Winderley Morais Pereira, Renan Gomes Rego e Carolina Machado Freire Martins, ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ARNALDO DIEFENTHAELER DORNELLES
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/06/2008, 06/08/2008 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O art. 106, IV, e do Decreto-lei no 37/66 literalmente atribui ao agente de carga a obrigação de prestar informações à Secretaria da Receita Federal, por inserção destas no sistema de registro eletrônico referente a veículo ou carga transportada proveniente do exterior. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPROCEDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 11 DO CARF. Não corre prescrição contra a Fazenda Nacional durante o Processo Administrativo Fiscal. INFORMAÇÃO PRESTADA SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE REGISTRO. APLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E DO DECRETO-LEI 37/66. O descumprimento do prazo previsto para informação do veículo e carga transportados configura a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei 37/66. PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não reconhecer a prescrição intercorrente, vencidas, neste ponto, as conselheiras Fernanda Vieira Kotzias e Carolina Machado Freire Martins, que a reconhecem, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-011.631, de 25 de abril de 2023, prolatado no julgamento do processo 10715.723881/2013-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Winderley Morais Pereira, Renan Gomes Rego e Carolina Machado Freire Martins, ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/06/2008, 06/08/2008 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O art. 106, IV, “e” do Decreto-lei no 37/66 literalmente atribui ao agente de carga a obrigação de prestar informações à Secretaria da Receita Federal, por inserção destas no sistema de registro eletrônico referente a veículo ou carga transportada proveniente do exterior. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPROCEDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 11 DO CARF. Não corre prescrição contra a Fazenda Nacional durante o Processo Administrativo Fiscal. INFORMAÇÃO PRESTADA SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE REGISTRO. APLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E” DO DECRETO-LEI 37/66. O descumprimento do prazo previsto para informação do veículo e carga transportados configura a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei 37/66. PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 49 30 /2 01 3- 82 Fl. 288DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-011.634 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724930/2013-82 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não reconhecer a prescrição intercorrente, vencidas, neste ponto, as conselheiras Fernanda Vieira Kotzias e Carolina Machado Freire Martins, que a reconhecem, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-011.631, de 25 de abril de 2023, prolatado no julgamento do processo 10715.723881/2013-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Winderley Morais Pereira, Renan Gomes Rego e Carolina Machado Freire Martins, ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para aplicação da penalidade prevista pelo artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, diante da constatação de que informações sobre a desconsolidação de cargas aéreas procedentes do exterior foram prestadas pela agente de carga autuada, ITATRANS AGILITY LOGÍSTICA INTERNACIONAL S/A, CNPJ nº 57.067.928/0003-72, de forma intempestiva; em desacordo com o prazo determinado pelo artigo 8º da IN SRF nº 102/1994. Fl. 289DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-011.634 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724930/2013-82 A autuada foi intimada do auto de infração, tendo ela apresentado impugnação e documentos. A unidade preparadora considerou a impugnação tempestiva. A defesa alegou que: Preliminares. Denúncia espontânea. 1. O instituto da denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) e do artigo 102 do Decreto nº 37/66, alterado pelo Decreto nº 2.472/88, e, notadamente, após a redação dada pelo artigo 18 da MP nº 497/10, é passível de ser aplicado ao caso em tela; 2. A impugnante prestou as informações cabíveis com pequeno atraso, mas muito antes de qualquer procedimento fiscalizatório; 3. Essa antecipação da parte impugnante ao ato fiscalizatório permite o seu enquadramento no conceito de denúncia espontânea, que, como se sabe, elide qualquer suposto dano ao erário ou ao sistema aduaneiro nacional através do efetivo cumprimento da obrigação de que se ressente o auto de infração em questão; 4. Dessa forma, nos termos da legislação citada, requer seja acatada a denúncia espontânea, excluindo a penalidade imposta; Aplicação analógica da vacatio legis do artigo 50 da IN RFB nº 800/07. 5. Tanto a IN SRF nº 102/94 quanto a IN RFB nº 800/07 tratam de matéria idêntica, qual seja, a prestação de informações a destempo ao sistema alfandegário nacional; 6. Salvo disposição em contrário, a lei começa a vigorar 45 dias depois de oficialmente publicada. Esse interregno entre a publicação da lei e o início da sua vigência é conhecido como vacatio legis; 7. Tendo em mente esse conceito, o caput do artigo 50 da IN RFB nº 800/07 estabelece que as sansões derivadas do descumprimento do artigo 22 da mesma norma legal não se aplicam antes de 01/04/09; 8. No caso, os fatos geradores são anteriores a 01/04/09, o que determina a exclusão das multas aplicadas; Questões de mérito. Ilegitimidade de parte da impugnante. 9. Quem tem obrigação de prestação de informações junto ao sistema MANTRA são as companhias aéreas. Reproduziu legislação; 10. A impugnante não é a transportadora, não tem e não tinha à época o dever de prestar informações, portanto, não tem legitimidade para ser multada; 11. Diante desse fato, o auto em questão deve ser declarado nulo; Fl. 290DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-011.634 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724930/2013-82 Lesão ao princípio da legalidade. 12. O artigo 5º, II, da CF/88 é claro no sentido de que as obrigações estão afetas ao que diz a Lei, e não ao mero crivo do agente público. Reproduziu legislação; 13. Houve quebra do princípio da legalidade; Limitação à discricionariedade administrativa. 14. Não há ditame algum que equipare o agente de carga ao transportador; 15. Trata-se de verdadeiro absurdo falar-se em equiparação do agente de carga ao transportador; 16. O agente de estado abusou do seu poder discricionário, ferindo a lei e o bom senso. Reproduziu doutrina; Da natureza jurídica da pena de multa e princípios. 17. A multa administrativa tem caráter punitivo, tratando-se, portanto, de pena, a qual decorre do exercício do poder regulatório (poder de polícia do ente administrativo) do Estado-Administração. Reproduziu doutrina; 18. Discorre sobre o princípio da individualização da pena. Reproduziu legislação; 19. A pena não pode passar de quem a deu causa e, à toda evidência, quem lhe deu causa foi o transportador; 20. Discorre sobre o princípio da tipicidade tributária. Reproduz doutrina; 21. Se a lei fala que o dever de prestar informações é do transportador (e uma vez que a impugnante não é transportadora), não pode o agente estatal, por seu crivo, deixar de aplicar a multa ao ente inscrito na lei como sujeito passivo da obrigação, para em seu lugar multar a impugnante, agente de carga; 22. Quando falamos em lesão ao princípio da tipicidade tributária, por extensão estamos falando em lesão ao princípio de legalidade, ao qual está umbilicalmente ligado; Da ausência de prejuízo à Fazenda Nacional. 23. A destempo ou não, as informações foram prestadas à Receita Federal; 24. Aponta a ausência de razoabilidade e a falta de proporcionalidade na aplicação de multas altíssimas, mesmo diante da ausência de dano ou prejuízo ao sistema tributário nacional ou ao sistema organizacional alfandegário; 25. Não se configurou situação danosa ou prejudicial que determinasse a imposição de multa. Mais que isso, acaso tivesse o ente fiscalizador observado a matéria em questão debaixo dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, certamente a multa não teria sido imposta por uma simples questão de bom senso; Fl. 291DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-011.634 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724930/2013-82 Aplicação do artigo 112 do CTN. 26. Aplica-se ao caso o artigo 112 do CTN, notadamente porque suscita inúmeras dúvidas e apresenta questões que denotam o caráter absurdo e injusto da multa imposta. Reproduziu legislação e trechos de julgados do Poder Judiciário; 27. A impugnação deve ser observada de maneira mais benéfica ao contribuinte; 28. Reproduziu argumentos que já haviam sido apresentados; Ocorrência de bis in idem. 29. A autoridade impôs mais multas do que o devido; 30. Se o fato gerador é a chegada do voo, tratando-se de apenas um AWB, não há sentido em apenar seis vezes o mesmo transporte; 31. Configura-se, de maneira franca, o bis in idem, que, como se sabe, é vedado. Reproduziu doutrina; 32. Ainda que se entenda pela manutenção da multa imposta, que seja mantida apenas uma multa para cada AWB; Pedidos alternativos. 33. Caso os julgadores não entendam pela exclusão da multa, de acordo com os tópicos acima, pede que se aplique ao caso o disposto pelo artigo 736, caput, do Decreto nº 6.759/09, que permite seja relevada a penalidade imposta. Reproduziu legislação; 34. De forma alternativa, pede que a multa aplicada seja reduzida. Reproduziu ementa de julgado do Poder Judiciário; Pedidos finais. 35. Apresentou um resumo dos pedidos constantes da peça de impugnação, requerendo a exclusão, cancelamento ou relevação da multa aplicada ou, ainda, a sua mitigação; 36. Por fim, requereu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário enquanto pender de julgamento a impugnação apresentada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à impugnação. A decisão foi assim ementada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS MULTA ADUANEIRA. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. Infração capitulada no Decreto-lei nº 37/1966, artigo 107, inciso IV, alínea “e”. O autuado deixou de prestar informação sobre carga no prazo estipulado pelo artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 102/1994. Impugnação Improcedente Fl. 292DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-011.634 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724930/2013-82 Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, repisando as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Não conhecimento das matérias referentes a constitucionalidade do lançamento. O Recurso alega que a penalidade aplicada estaria em desacordo com as normas constitucionais. Quanto a esta matérias não conheço do recurso. Eventuais discussões sobre a legalidade de Leis e ofensa a princípios constitucionais não pode ser enfrentada por este Colegiado diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Quanto às demais matérias, o recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, serem conhecidas. Alegação de instabilidade do sistema que impediram o registro das informações Em sede preliminar, a Recorrente alga a existência de instabilidade nos sistemas da RFB, que impediram o registro tempestivo das informações. Não vislumbro assistir razão ao recurso. A provas para sustentar a alegação de problemas nos sistemas precisam constar dos autos e temos situação oposta, conforme descrito no voto condutor da decisão de piso: Segundo a interessada, as informações não foram prestadas dentro do tempo não por vontade própria da impugnante e sim porque foi forçada a isso devido a uma imprestabilidade do sistema onde são efetuados os lançamentos. Apresentou a tela de fl.47 visando comprovar o referido fato. O documento apresentado pela interessada de fl.47 aponta a data de 19/05/2009, às 12:18:18h, ou seja, já intempestivo, segundo o prazo previsto na legislação, ora citada, pois a embarcação atracou no porto às 10:03:00h, portanto não Fl. 293DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-011.634 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724930/2013-82 alterando os fatos levantados pela autoridade fiscal quanto à aplicabilidade da penalidade. Prescrição Intercorrente Alega a Recorrente a existência da prescrição intercorrente, o que não se aplica ao Processo Administrativo que se iniciou com a impugnação do lançamento e continua em curso até o momento, seguindo os ritos previstos no Decreto nº 70.235/72. Jogando uma pá de cal na discussão a Súmula nº 11, do CARF, publicada no DOU de 22/11/2209, resolve em definitivo a questão da prescrição intercorrente. Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Atribuição da Receita Federal para definir obrigações acessórias A Recorrente tece nos seus argumentos diversas considerações acerca da obrigação acessória que obriga os intervenientes a informação de transporte e carga. Para um melhor deslinde da questão faz-se necessário, antes de qualquer discussão, a análise da atribuição da Receita Federal para criar obrigações acessórias A definição de obrigação acessória e assunto pertinente aos órgãos da administração tributária, para confirmar este entendimento, basta a análise da matéria do ponto de vista dos diplomas legais disciplinadores da matéria. Inicialmente o art. 113 do Código Tributário Nacional definiu o que vem a ser obrigação principal e obrigação acessória. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Nos termos do Código, a obrigação acessória é prestação comissiva ou omissiva prevista na legislação tributária, no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos e não se confunde com a obrigação principal de recolhimento tributário. Não há como falar em obrigação acessória ligada a lançamento, mas a obrigação de fazer ou não fazer do sujeito passivo. Fl. 294DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-011.634 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724930/2013-82 A alegação que a obrigação acessória somente poderia ser definida em lei e não em normas administrativas, não encontra respaldo nas normas de direito tributário, pois, no art. 113 do CTN é esclarecido, de forma cristalina, que a obrigação acessória nasce da legislação tributária. A legislação tributária abarca outros institutos normativos, tais como decretos e normas complementares como preceitua o art. 96 também do CTN. Ao analisar a questão Luciano Amaro afirma que nos casos em que a obrigação acessória foi definida por ato de autoridade administrativa, pode-se dizer que decorre de “lei” diante do caráter de vinculação legal da administração tributária. Parece que ao dizer serem as obrigações acessórias decorrentes da legislação tributária, o Código quis explicitar que a previsão dessas obrigações pode estar não em “lei”, mas em ato de autoridade que se enquadre no largo conceito de “legislação tributária” dado no art. 96; mesmo, porém que se ponha em causa um dever de utilizar certo formulário escrito em ato de autoridade, melhor seria dizer que a obrigação, em situações como esta, decorre da lei, pois nesta é que estará o fundamento com base no qual a autoridade pode exigir tal ou qual formulário, cujo formato tenha ficado a sua discrição. E, obviamente, também nessas situações, o nascimento do dever de alguém cumprir tal obrigação instrumental surgirá, concretamente, quando ocorrer o respectivo fato gerador”. (Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 16ª ed., São Paulo, Saraiva. pg. 276-277). Confirmando a atribuição da Receita Federal de definir obrigações tributárias, foi editada a MP 1.788/98, convertida posteriormente na Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que no seu artigo 16, torna inconteste a atribuição da Receita Federal para dispor sobre as obrigações acessórias. Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável Conforme descrito a Receita Federal possui a competência legal para criar e regular obrigações acessórias referentes aos tributos por ela administrados. Destarte, quaisquer declarações, controles e prazos referentes a tributos sobre o seu controle, são de cumprimento obrigatório pelos intervenientes do comércio exterior e o seu descumprimento enseja a aplicação das penalidades pertinentes. A inaplicabilidade do principio da boa-fé e da ausência de dano no descumprimento das obrigações acessórias Quanto à discussão sobre dano ou prejuízo a administração aduaneira e aplicação do principio da boa-fé no descumprimento das obrigações acessória, também não se aplica nestes casos. A responsabilidade tributária independe da intenção do agente, nos termos previstos no art. 136, do CTN. Fl. 295DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-011.634 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724930/2013-82 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O texto legal explicita a posição adotada no Código, de afastar as características subjetivas para análise da responsabilidade. As sanções estão previstas em lei e salvo disposição em contrário, não consideram o instituto da subjetividade, não sendo considerada na aplicação da penalidade, a intenção do agente no ato comissivo ou omissivo. A ausência da necessidade de comprovação do dolo fica mais evidente, quando aplicada aos tributos e controles aduaneiros, que na sua origem não possuem caráter arrecadatório, mas de controle e segurança da soberania nacional. As obrigações aduaneiras, tanto principais, quanto acessórias, são determinadas em função de decisões administrativas e políticas de Estado. As obrigações acessórias, definidas no controle aduaneiro, caminham em conjunto com os controles administrativos e fitossanitários. Todas as informações exigidas nas declarações tipicamente aduaneiras são relevantes e determinam critérios de riscos que levam a níveis diferenciados de controle aduaneiro, inclusive podendo definir a ausência total da verificação física das mercadorias importadas. Dai a definição de sanções aplicáveis a descumprimento de obrigações acessórias. A falta ou informação em atraso prejudicam sobremaneira o controle, portanto, a penalidade aplicada vem no intuito de estimular o correto cumprimento das obrigações acessórias, punindo aquele que falta com as informações nos termos previstos pela norma. Denúncia espontânea e retroatividade benigna Quanto à alegação de denúncia espontânea, entendo não assistir razão a Recorrente. As informações intempestivas correspondem a transporte de cargas vinculados a procedimento fiscal. Ademais, considerando o caráter informativo e de controle, constante das declarações aduaneiras, não há como afastar o prejuízo causado aos controles tributários e administrativos. A informação incorreta ou intempestiva dos dados do transporte da carga, afeta os controles efetuados pelos órgãos responsáveis pelo comércio exterior. Os controles específicos que deveriam ter sido realizados com a carga, já não mais será possível. Jogando uma pá na discussão, a matéria foi resolvida no âmbito do CARF pela Súmula CARF nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de Fl. 296DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-011.634 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724930/2013-82 2010.(Vinculante, conformePortaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Portanto, aqui não há como prosperar o argumento da espontaneidade para afastar a penalidade ou aplicação de retroatividade benigna em relação ao prazo para informação da carga. Enquadramento legal da penalidade aplicada, responsabilidade e retificação de informações A penalidade aplicada consta da alínea “e”, do inciso IV, do art. 107 do DL nº 37/66, que trata da falta de prestação de informação. Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a- porta, ou ao agente de carga; No caso em estudo, a indicação no enquadramento legal da alínea “e” do art. 107, do DL nº 37/66, que determina a penalidade para os casos de informação intempestiva, referentes à carga transportada, se amolda perfeitamente ao caso em tela, pois, a discussão travada em todo o processo, versa sobre a informação intempestiva de dados de embarque. Diante desta determinação legal, a Secretaria da Receita Federal editou a IN SRF nº 102/1994 que estabeleceu, dentre outras diversas determinações, e no art. 8º define como responsável pela informação da carga o agente transportador: Art. 8º As informações sobre carga consolidada procedente do exterior ou de trânsito aduaneiro serão prestadas pelo desconsolidador de carga até duas horas após o registro de chegada do veículo transportador. Portanto a obrigação da informação é de responsabilidade do agente de carga não cabendo a alegação e ilegitimidade passiva. Quanto a aplicabilidade nos casos em que o responsável pela informação, realiza retificações sobre informações já registradas, a RFB se manifestou por meio da Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 2, de 04/02/2016, que apresentou o entendimento que nestes casos de retificação de informações que foram prestadas tempestivamente, não cabe a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea e. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE Fl. 297DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-011.634 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724930/2013-82 IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Assim, consoante o entendimento da RFB, para os casos em que as informações em discussão tratar-se de mera retificação de informações não caberia a aplicação da penalidade. Lançamento em razão da informação intempestiva de dados Nos termos descritos no relatório fiscal a penalidade aplicada ao Recorrente ocorreu por informação intempestiva de dados. Fl. 298DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-011.634 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724930/2013-82 Nesse caso não se trata de mera retificação, as informações foram prestadas fora do prazo previsto. Assim, para o caso em tela não se aplica as definições da Solução de Consulta 02/2016. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 299DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-011.634 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724930/2013-82 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não reconhecer a prescrição intercorrente e negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Fl. 300DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10980.926047/2009-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS
OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS - IOF
Período de apuração: 25/09/2006 a 30/09/2006
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO
DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO
APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO
ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA
VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, ainda que parcial,
compensação deve ser homologada em relação ao direito creditório
demonstrado, a despeito da retificação a posteriori da Dctf.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.126
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 1.270,00, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, ainda que parcial, compensação deve ser homologada em relação ao direito creditório demonstrado, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 1.270,00, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 17/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 25/09/2006 a 30/09/2006 DCTF. RETIFICAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL EM ANDAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não pode ser aceita como prova a DCTF retificadora que tenha por objeto alterar débitos em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 25/09/2006 a 30/09/2006 INTIMAÇÕES. ENDEREÇAMENTO AOS PROCURADORES. INDEFERIMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indeferese o pedido de endereçamento de intimações ao escritório dos procuradores. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. OBRIGATORIEDADE. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o manifestante fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 25/09/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Deve ser não homologada a parcela da compensação para a qual o crédito reconhecido não for suficiente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.926047/200917 Acórdão n.º 380201.126 S3TE02 Fl. 135 3 Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ: Por meio da Declaração de Compensação – Dcomp no 03251.07201.251006.1.3.045107 (fls. 6 a 11), apresentada em 25 de outubro de 2006, o interessado compensou crédito próprio relativo a pagamento a maior de IOF com débito também de IOF relativo à competência 2º decêndio de outubro/2006. Em Despacho Decisório proferido em 7 de julho de 2009 (fl. 2), a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF em Curitiba/PR homologou parcialmente essa compensação, uma vez que o pagamento informado já havia sido parcialmente utilizado para a quitação de outros débitos do contribuinte, tendo restado saldo disponível inferior ao crédito pleiteado. No dia 14 daquele mesmo mês (fl. 5) o contribuinte foi cientificado do referido Despacho Decisório, tendo sido também intimado a efetuar o pagamento do débito cuja compensação não foi homologada. Inconformado, o interessado apresentou, em 12 de agosto de 2009, a manifestação de inconformidade de fls. 12 a 22, acompanhada dos documentos de fls. 23 a 56, o que motivou o encaminhamento dos autos a esta DRJ. Nesse recurso, informa que efetuou o pagamento de Darf no valor de R$ 1.794.940,01, relativo a IOF referente ao período de apuração encerrado em 30 de setembro de 2006, e que, pouco depois, constatou que o valor pago foi superior ao efetivamente devido (R$1.785.985,72), gerandolhe crédito passível de compensação no montante original de R$ 8.954,29. Segue afirmando que, ao contrário do que constou em sua DCTF, o valor por ele devido era de R$1.785.985,72 e não de R$1.792.918,35. Por esse motivo, retificou essa declaração em 4 de agosto de 2009, comprovando a existência do crédito a ser compensado. Também argumenta que, uma vez que sempre possuiu o crédito alegado, em homenagem ao princípio da verdade material a decisão da DRF Curitiba deve ser reformada, e que, além disso, a retificação da DCTF configura fato superveniente que enseja a sua revisão. Na seqüência, cita jurisprudência administrativa no sentido de que meros erros de preenchimento de declaração não podem se transformar em fatos geradores de obrigação tributária, não devendo prevalecer sobre a verdade dos fatos. Segue defendendo que a apresentação da DCTF retificadora constitui fato superveniente, que pode ser alegado em manifestação de inconformidade por permissão do art. 16, §4o, alínea ‘b’, do Decreto no 70.235, de 1972. Daí, esclarece que o despacho decisório é o ato que dá início a um processo administrativo fiscal semelhante à impugnação administrativa e, pelos princípios do contraditório de da ampla defesa, é facultado à manifestante apresentar, nessa primeira oportunidade, as provas de seu direito; cita jurisprudência administrativa. Ante o que expôs, solicitou a alteração da decisão com a conseqüente homologação da compensação. Requer, também, que as intimações relativas a este processo sejam feitas diretamente aos procuradores, sob pena de nulidade conforme entendimento dos tribunais judiciais superiores. A Recorrente, nas razões de fls. 6780, reitera as alegações apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, apresentando a documentação que entende comprobatória do direito creditório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 12/09/2011 (fls. 66), interpondo recurso tempestivo em 11/10/2011 (fls. 67). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A análise da documentação acostada aos autos mostra que o Recorrente efetuou o recolhimento de IOF no valor de R$ 1.794.940,01. Porém, após constatar que o correto seria R$ 1.785.985,72, apresentou Per/Decomp visando a compensação da diferença (R$ 8.954,29). Ocorre que, ao encaminhála, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período, circunstância que, como se sabe, fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, como se inexistisse crédito disponível para compensação. Em razão disso, a compensação foi apenas parcialmente homologada, consoante passagem seguinte do despacho decisório: “3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão o informado no PER/DCOMP: 8.954,29. Valor do crédito original reconhecido: 2.015,23. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação o de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Após a prolação do despacho decisório, o Recorrente promoveu a retificação da Dctf, apresentando manifestação de inconformidade desacompanhada da prova do crédito compensado. A DRJ, por sua vez, entendeu que a retificação não poderia ocorrer após o despacho decisório e que, “ainda que essa operação fosse realizada em outra ocasião, não se pode aceitar que a mera retificação de uma DCTF faça surgir qualquer crédito. No intuito de demonstrar ter sido um débito declarado equivocadamente, deve o interessado comprovar não ser esse valor efetivamente devido, esclarecendo o motivo do pagamento indevido e comprovando, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a correta base de cálculo do débito respectivo” (fls. 62). O Recorrente, assim, providenciou a juntada da prova do crédito por ocasião do julgamento do recurso voluntário, requerendo a sua apreciação . Portanto, cabe avaliar preliminarmente a admissibilidade da prova em face das regras de preclusão previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe: Art. 16. [...] Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.926047/200917 Acórdão n.º 380201.126 S3TE02 Fl. 136 5 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Entendese que o caso em exame se subsume à hipótese prevista no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. A prova, com efeito, foi destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, até a prolação do acórdão da DRJ, a ausência de prova do crédito não havia sido aventada, à medida que, consoante destacado, a não homologação estava assentada apenas na falta de retificação da Dctf. Admitida a juntada da prova, esta deve ser apreciada e, caso demonstrada de plano a existência do direito creditório, autorizada a compensação, uma vez que, por força do princípio da verdade material, a Fazenda Pública tem o dever de tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade: “O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas.” (MEDAUAR, Odete. A Processualidade do Direito Administrativo. 2. ed. São Paulo: RT, 2008, p. 131). “A força de tais princípios é tanta que o dever de investigação do Fisco só cessa na medida e a partir do limite em que o seu exercício se tornou impossível, em virtude do não exercício ou do exercício deficiente do dever de colaboração do particular [...]. Enquanto essa possibilidade subsiste, deve o Fisco prosseguir no cumprimento de seu dever, seja qual for a complexidade e o custo de tal investigação.” (XAVIER, Alberto. Do lançamento no direito tributário brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 152). Portanto, se a existência do crédito é inequívoca, não há como deixar de reconhecer o direito à compensação, inclusive porque, nos termos do art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001, a Dctf retificadora tem a mesma natureza da declaração retificada, substituindoa integralmente: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Por outro lado, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, vigente ao tempo da apresentação da Dctf, a retificação pode ocorrer nas seguintes hipóteses: Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Nesse sentido, embora mais ampla que a interpretação ora adotada, colocase o seguinte julgado da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2005 CIDE. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.926047/200917 Acórdão n.º 380201.126 S3TE02 Fl. 137 7 Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 330201.406. 2ª TO. 3ª C. 3ª S. Processo 10880.920505/200924. Rel. Conselheiro José Antonio Francisco. S. 26/01/2012). O exame da documentação, por sua vez, mostra que o Recorrente efetivamente reteve dos clientes relacionados às fls. 97, a importância de R$ 8.954,29, a título de IOF, que, somada a outras operações tributadas, foi recolhida através da Darf no valor de R$ 1.794.940,01. Todavia, a documentação apresentada nesta fase processual faz prova apenas de parte do pagamento indevido. Destarte, os extratos dos clientes Mellon, Fundo Mercatto, BNP Paribas, Sambaqui Fundo, Marcos Adolfo e Hsbc Fiem contêm apenas os lançamentos do débito do IOF (fls. 118 a 123), o que não permite a avaliação da natureza da operação. Tampouco há qualquer detalhamento da natureza do estorno e do contrato nº 13420596308, firmando com Balaroti Comércio de Materiais de Construção Ltda., que sequer foi juntado aos autos. Não há, portanto, como determinar se o pagamento foi efetivamente indevido em tais operações, circunstância que inviabiliza o reconhecimento do direito creditório nesta fase processual. Também não há prova do direito creditório no tocante às operações com Cooperativa Agropecuária do Alto Paranaíba e Cooperativa Regional de Eletrificação Teutonia, uma vez que a declaração prevista no art. 47, I, do Decreto nº 4.494/2002 (vigente na época dos fatos), condição para a aplicação da alíquota zero prevista no art. 8º, I, não foi apresentada pelo interessado: Art. 8º A alíquota é reduzida a zero na operação de crédito: I em que figure como tomadora cooperativa, observado o disposto no art. 47, inciso I; Art. 47. Para efeito de reconhecimento da aplicabilidade de isenção ou alíquota reduzida, cabe ao responsável pela cobrança e recolhimento do IOF exigir, no ato da realização das operações: I no caso de cooperativa, declaração, em duas vias, por ela firmada de que atende aos requisitos da legislação cooperativista (Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971); Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos I e II, o responsável pela cobrança do IOF arquivará a 1ª via da declaração, em ordem alfabética, que ficará à disposição da Secretaria da Receita Federal, devendo a 2ª via ser devolvida como recibo. Há prova, porém, do pagamento indevido relativo ao IOF recolhido nas operações financeiras com o cliente Associação Paranaense de Cultura, uma vez que referida entidade, na condição de associação civil com fins educacionais, tem suas operações de tomada de crédito sujeitas à alíquota zero, nos termos do art. 8º, XV, do Decreto nº 4.494/2002: Art. 8º A alíquota é reduzida a zero na operação de crédito: [...] XV em que o tomador do crédito seja órgão da Administração Pública Federal, Estadual, do Distrito Federal ou Municipal, Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 direta, autárquica ou fundacional, partido político, inclusive suas fundações, entidade sindical de trabalhadores, instituição de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Registrese, por fim, que referida Associação, de acordo com a Relação de Entidades Certificadas disponível no site do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome1, é reconhecida como entidade de educação sem fins lucrativos pelo Cnas Conselho Nacional de Assistência Social, o que denota o atendimento dos requisitos a que se refere a parte final do inciso XV. Votase, assim, pelo conhecimento e pelo provimento parcial do recurso, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 1.270,00. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator 1 Atualizada em 13/08/2009, conforme http:// http://www.mds.gov.br/cnas/entidadescertificadas/sicnas entidadescertificadas_13082009.pdf/download. Acesso em 25/06/2012. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 35590.009890/2006-09
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/08/2004
Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. –
VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato ou documento juntado.
Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório.
Decisão-Notificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada.
Decisão de primeira instância anulada
Numero da decisão: 205-00.198
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em anular a Decisão de Primeira Instância.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 30/08/2004 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. – VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Decisão-Notificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Decisão de primeira instância anulada
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SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA! ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Decisão-Notificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Decisão de primeira instância anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. , e Processo ri." 35590.009890/2006-09 CCO2./CO5 Acórdão n.• 205-00.198 Fls. 570 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em anular a Decisão de Primeira Instância. I i i, \ !M n4e, JULIO ESAR VIEIRA GOMES . Presidentej rira ta,......,;ion;.:---!,.- ..-: • • .:',,, ç e yr Relator ME - SEGUNDO CONSEL110 DE CONTRIBUINTES CONFLRE COM O ORIGINAL Brasilik_ra ,p_.4. .a:0 vi ellikiNk ) 44,11 l at. Soim 7 . 1 1 i Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Damião Cordei De Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomas-i, Adri Sato e Misael Lima Barreto. . 1 , Processo n.• 35590.009890/2006-09 CCO2JCO5 Acórdão n.° 205-00.198 Fls. 571 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como as destinadas aos Terceiros. Os fatos geradores incluem aferição indireta em obras de construção civil encerradas em janeiro de 2000 e agosto de 2004; pagamentos a autônomos, contribuintes individuais (agosto de 2000 a março de 2004); contribuição sobre notas fiscais de cooperativa de trabalho (março e abril de 2003); pró-labore aos sócios (janeiro de 2000 a agosto de 2004); retenção sobre cessão de mão- de-obra em diversas prestadoras (maio de 2000 a agosto de 2004); glosa de salário-família (março de 2000 a maio de 2000). Relatório fiscal às fls. 78 a 80. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pelo contribuinte, fls. 144 a 161. Foi comanda diligência fiscal, fls. 209 a 211; tendo a fiscalização se pronunciado às fls. 214 a 216. A Decisão-Notificação confirmou a procedência, em parte, do lançamento, fls. 354 a 365. Foram excluídos os lançamentos referentes à aferição de obra; despesas com veículos do levantamento pró-labore. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 372 a 391. A unidade descentralizada da SRP apresenta suas contra-razões às fls. 562 a 566. O órgão previdenciário alega, em síntese: • não foram trazidos elementos novos capazes de alterar a decisão anterior; • Requerendo, por fim, que seja mantida a decisão recorrida. É o Relatório. SEGUN90 CONSELHO DE CONTRIBUIN7 ES CONFERI: COMO ORIGINAL .2.00 dítJaressilb.,141t54..~ n Processo n.• 35590.009890/2006-09 CCO2/CO5 MF - SEGUNDO CONSELHO DF. CONTRIBUINTES Acórdão ti. .198 CONFF.RE COM O ORIGIN,kL Fls. 572 Brasilia, 029 03- .-7-0d>2 dea Voto •,tukeragS LI • , h377 1 Conselheiro MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 562. A recorrente implementou o depósito recursal, conforme fi. 394. Pressupostos superados, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS OUESTÕES PRELIMINARES: Analisando os autos verifiquei algumas irregularidades. O órgão previdenciário comandou diligência fiscal, fls. 209 a 211, e como resultado dessa diligência o Auditor juntou novos documentos, fls. 217 a329, e novas informações, fls. 214 a 216, principalmente em relação à questão que envolveu a caracterização da cessão de mão-de-obra. Não há provas de que a autuada foi cientificada do resultado da diligência, sendo emitida a Decisão-Notificação sem a possibilidade do contraditório em relação à diligência fiscal. A impossibilidade de conhecimento das informações colacionadas pelo Auditor Fiscal ocasionou a supressão de instância. A recorrente possui o direito de apresentar suas contra-razões aos fatos apontados pela fiscalização ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado o procedimento, o direito da contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. Entendo que no presente caso, as informações trazidas pela fiscalização não tiveram natureza de simples réplica na forma prevista nos artigos 326 e 327 do CPC. De acordo com o CPC, haverá réplica quando na impugnação o autuado tiver alegado alguma questão preliminar, ou tiver aduzido fato constitutivo, impeditivo ou extintivo do direito do Fisco. No caso, a fiscalização trouxe detalhamentos que não estavam contidos no relatório fiscal inicial. De acordo com o previsto no art. 27 da Portaria RFB n ° 10.875/2007, as decisões proferidas com preterição do direito de defesa são nulas. Assim, deve ser anulada a Decisão-Notificação, reabrindo-se o prazo para manifestação, conferindo ciência ao recorrente do resultado da diligência fiscal. CONCLUSÃO: Voto por ANULAR a Decisão de Primeira Instância. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2007 /001/11"i ‘I\J . 048,1 4‘ ^-44:_im pIV Page 1 _0075900.PDF Page 1 _0076000.PDF Page 1 _0076100.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003232/2003-07
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
LUCRO PRESUMIDO. REAJUSTE DE PREÇO ATÉ A DATA DO FATURAMENTO. EQUIPARAÇÃO A VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. DESCABIMENTO.
As parcelas de reajuste recebidas, não referentes a direitos de crédito advindos de eventual pagamento fora de prazo, são parte do preço e devem sofrer tributação como receita da atividade, nos termos da legislação em vigor para o lucro presumido.
ÔNUS DA PROVA. COMPROVANTES DA ESCRITURAÇÃO. É ônus do contribuinte a apresentação dos comprovantes de sua escrituração, mantendo-se a exigência na falta de documentação hábil e idônea a corroborar o lançamento contábil.
Numero da decisão: 1803-000.774
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores relativos às variações monetárias ativas.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. REAJUSTE DE PREÇO ATÉ A DATA DO FATURAMENTO. EQUIPARAÇÃO A VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. DESCABIMENTO. As parcelas de reajuste recebidas, não referentes a direitos de crédito advindos de eventual pagamento fora de prazo, são parte do preço e devem sofrer tributação como receita da atividade, nos termos da legislação em vigor para o lucro presumido. ÔNUS DA PROVA. COMPROVANTES DA ESCRITURAÇÃO. É ônus do contribuinte a apresentação dos comprovantes de sua escrituração, mantendo-se a exigência na falta de documentação hábil e idônea a corroborar o lançamento contábil.
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REAJUSTE DE PREÇO ATÉ A DATA DO FATURAMENTO. EQUIPARAÇÃO A VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. DESCABIMENTO. As parcelas de reajuste recebidas, não referentes a direitos de crédito advindos de eventual pagamento fora de prazo, são parte do preço e devem sofrer tributação como receita da atividade, nos termos da legislação em vigor para o lucro presumido. ÔNUS DA PROVA. COMPROVANTES DA ESCRITURAÇÃO. É ônus do contribuinte a apresenteção dos comprovantes de sua escrituração, mantendo se a exigência na falta de documentação hábil e idônea a corroborar o lançamento contábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores relativos às variações monetárias ativas. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora EDITADO EM: 17/02/2011 Fl. 267DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Luciano Inocêncio dos Santos, Sérgio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 228.199,56. A fiscalização apontou os seguintes fatos e infrações em seu Termo de Verificação Fiscal (fls. 71/72): Juros ativos – diferença de R$ 15,582,45 • A contribuinte não acresceu à base de cálculo do IRPJ – Lucro Presumido o total dos juros ativos efetivamente auferidos no mês de maio/99, lançados no Diário às fls. 167, 169 e 172 e constantes no Razão na conta 362109 – Juros Ativos, no valor total de R$ 40.018,76. • Consta no Razão como estorno, “ajustes ref. juros creditados a maior em 03 e 04/99 rel. a devolução de caução retida pelo CDHU”, no valor de R$ 24.506,71, não considerado, devido a não comprovação do ajuste por meio de documentação hábil pelo contribuinte. • Dos juros ativos auferidos foi descontado o valor de R$ 15.582,45, declarado na DIPJ/99, resultando no lançamento da diferença de R$ 24.436,31 de juros ativos não declarados. Variação monetária ativa • A contribuinte declarou como receita da atividade a totalidade das receitas recebidas na conta 310711 – Conj. Hab. SP Leste, nos meses de fevereiro a maio/99. Como já havia tributado o montante de R$ 620.520,00 na DIPJ/98, compensou tal valor com a receita auferida em fevereiro. • Nas notas fiscaisfatura de serviços nº 2659, 2660, 2661 e 2663 dos meses acima citados, o valor da total é discriminado em valor do principal e do reajuste. • No contrato nº 1.2.00.00/6.0.00.00/0005/96 firmado entre a CDHU – Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo e o contribuinte, no item A3 está regulado o valor do contrato, no B3 a forma de pagamento, e no B3.2 a previsão de reajuste: “o valor contratual será ajustado anualmente, pela variação do índice FIPE – Construção Civil e Obras Públicas/SP – Coluna Edificações, ou outro índice que o suceda, obedecidas as disposições da Lei Federal nº 8.880/94, considerandose, a esse fim, a data da assinatura deste instrumento”. • Os valores lançados como reajuste tem a natureza de variações monetárias ativas. Assim foram lançados o valor do principal na nota fiscal como receita da atividade e o valor do reajuste como variação monetária ativa, tendo sido apurada diferença a tributar. Fl. 268DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003232/200307 Acórdão n.º 180300.774 S1TE03 Fl. 252 3 Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, onde aduziu as seguintes razões: (i) o valor das notas fiscais reflete o preço na data efetiva da prestação dos serviços, se modo que não há como confundir reajuste de preços de serviços de construção com variação monetárias de direitos de crédito; (ii) a simples assinatura de um contrato para execução de obras de construção civil não confere ao contratado nenhum direito de crédito contra o contratante, mas uma obrigação de fazer; (iii) a diferença de juros referese a estorno de juros provisionados a maior em meses anteriores devido a atrasos da CDHU no pagamento do faturamento. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: Juros ativos a) A contribuinte não comprovou a sua alegação, não tendo juntado documentação hábil. b) Sua alegação não mostra perfeita consonância com o histórico do lançamento. Variações monetárias ativas c) A contribuinte firmou o contrato n° 1.2.00.00/6.0.00.00/000596 com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo (CDHU) (fls. 54 a 62). Ficou acordado, quanto ao objeto, que a contribuinte forneceria certo terreno e prestaria serviço de implantação de Conjunto Habitacional e Urbanização na área. Ademais, ficou pactuado, no contrato de empreitada, o prazo de 18 meses para execução total da obra. Em decorrência deste prazo, fixouse o índice FIPE para atualização do valor ajustado, isto é, R$ 12.918.418,69. d) O direito de crédito oriundo da assinatura do contrato de empreitada não perde sua natureza por não ser ainda exigível. No caso em análise, o empreiteiro possuía um direito de crédito, correspondente à remuneração da obra, que se tornou exigível quando cumpriu seu dever oriundo do mesmo contrato, mais especificamente, o avanço fisico do empreendimento. e) A interpretação da Secretaria da Receita Federal (SRF) sempre foi no sentido de considerar a receita ora discriminada como caso de variação monetária ativa (IN 84/1979, 67/1988, e art. 9° da Lei n° 9.718/1999, IN 25/1999). Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, no qual alega em síntese que: a) O preço contratado, como é praxe neste tipo de contrato de longo prazo, se reporta à data do orçamento básico da licitante, mesmo porque o próprio contrato é celebrado, por vezes, muitos anos depois da licitação pública e dito preço é pago ao contratante pelo valor reajustado vigorante na época da execução dos serviços. b) O pagamento dos serviços executados, nos termos do contrato, foi efetuado por medições mensais da quantidade de serviços executados, pelo preço contratado reajustado até mês da execução pelo índice de preços previsto no contrato. As últimas medições foram faturadas através das notas fiscais nºs 2659, 2660, 2661 e 2663. Fl. 269DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 c) Embora não necessário, a recorrente destacava no faturamento o valor do preço original e o respectivo reajuste. d) O valor total dos documentos fiscais reflete o preço dos serviços prestados, na data em que foram prestados, independente de destaque, ou não, do preço original e do reajuste, de modo que não há como confundir preço reajustado com variação monetária de direitos de crédito. e) O direito de crédito propriamente dito, assim considerado o valor dos serviços efetivamente executados, medidos periodicamente, virá ao mundo jurídico somente após a medição dos serviços executados em cada período, materializado nos competentes documentos fiscais e comerciais, não com a assinatura do contrato. f) O art. 1º da IN SRF nº 104/1998, determina que a pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de prestação de serviços com pagamento em parcelas na medida do recebimento, deverá emitir a nota fiscal quando da conclusão do serviço. g) A prevalecer a tese esposada pela decisão recorrida, a simples assinatura do contrato que instrui o auto de infração atribuiu à recorrente o direito ao crédito pelo valor nele consignado, de modo que a recorrente poderia de imediato ter emitido uma duplicata de prestação de serviços e a descontado mediante endosso na rede bancária. h) Não será o simples destaque do reajuste de preços das medições que o converterá em “variações monetárias dos direitos de crédito”, ou, em outros termos, se destacado o valor do reajuste este será receita financeira. i) Haverá variação monetária se o faturamento não for pago no prazo previsto no contrato, contada do vencimento da obrigação de crédito, ou seja, do direito de crédito que veio ao mundo jurídico com a regular emissão de cada fatura. Não há como confundir preço reajustado com variação monetária, para efeitos fiscais. Em sessão de 3 de fevereiro de 2009, a antiga Sétima Turma Especial do 1° Conselho de Contribuintes, atual 3ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, converteu o julgamento em diligência para as seguintes verificações: “b) juntada do orçamento básico do licitante com a discriminação dos valores relativos ao terreno fornecido e aos serviços e obras executados. c) cálculo da parcela de reajuste incidente sobre o preço do terreno.” Foram anexados aos autos os seguintes documentos: • Cópia da proposta apresentada na concorrência pública (fls. 172). • Planilha de composição do preço proposto para a execução do objeto da concorrência, constando o preço destacado proposto para o terreno (fls. 173). • Orçamento detalhado das obras de construção civil executadas (fls. 174/199, 202/209) • Carta da CDHU (fls. 218/219). Fl. 270DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003232/200307 Acórdão n.º 180300.774 S1TE03 Fl. 253 5 A fiscalização elaborou relatório fiscal, com as seguintes conclusões (fls. 239/241): “a) O valor do terreno é de 10,55% do preço global da obra, já incluído o custo do terreno, e o terreno foi pago em 11/11/1996, conforme itens 7 (a) e (b) acima; b) O contribuinte não apresentou demonstrativo de rejuste do preço do terreno, conforme esclarecimento do item 7 (O acima, e item 8(a) c) O contribuinte alegou que as Notas Fiscais Faturas contemplam exclusivamente os serviços de execução da obra, conforme itens 7 (d), (e) e (f) acima;” A contribuinte manifestouse nos seguintes termos (fls. 244): a) Anexou a cópia da escritura translativa do domínio do terreno pelo preço de R$ 1.363.318,41. b) A correção do terreno é a diferença entre o valor da oferta e o valor efetivamente recebido nos termos da ordem de pagamento n° 1875/96, da CDHU. c) Nos termos da lei, as notas fiscais faturas emitidas, objeto da autuação fiscal se referem exclusivamente à prestação dos serviços de construção, de modo que nelas não se contém nenhum valor referente ao preço do terreno. d) Os valores das notas fiscais faturas de serviço objeto da autuação, correspondentes à parte do preço dos serviços contidos em sua proposta, foram emitidas e recebidas no ano base de 1999, enquanto que o preço do terreno foi integralmente pago no ano base de 1996. É o relatório. Voto Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. São duas as questões a serem enfrentadas no presente recurso: i) a da natureza dos valores lançados como reajuste; ii) diferença apurada de juros ativos. Para enfrentar a primeira questão, novamente trazemos como subsídio para discussão, trechos da obra “Comentários à lei de licitações e contratos administrativos”, de autoria de Marçal Justen Filho: “Na sistemática original da Lei nº 8.666, atualização monetária e reajuste de preços eram figuras distintas, mas a alteração das Fl. 271DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 condições posteriores tende a eliminar a diferenciação. Previa se que o reajuste incidiria até a data da execução da prestação devida pelo particular. A partir dessa data, passaria a correr a atualização monetária. Isso significava que as duas figuras envolviam indexação a índices de variação de preços. Mas o reajuste teria por fundamento índices setoriais específicos, destinados a avaliar a variação dos custos necessários à execução da prestação. Já a atualização monetária seria uma compensação genérica pela perda do valor monetário. A existência das duas figuras indicava a possibilidade de existirem “inflações específicas” a certos setores, que não seriam acompanhadas pelos índices gerais de preços. Em tese, essa distinção permanece existindo. Mas a figura da atualização monetária deixou de ser praticada, passando a aludirse apenas a reajuste de preços.” O mesmo autor cita jurisprudência do STJ: “1. A correção monetária é mera técnica de atualização de valores, a qual não altera o equilíbrio econômico inicialmente estabelecido no contrato. Em contratos administrativos, a correção monetária é devida sempre que o pagamento for posterior ao ato administrativo de entrega (medição)”. (Resp nº 837.790/SP, rel. Min. Eliana Calmon, 2ª T., j. em 02.08.2007, DJ de 13.08.2007, p. 357)” O entendimento mais correto da questão é aquele contido no voto vencido, que a seguir reproduzimos: “VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS 8. As variações monetárias ativas decorrem de atualizações de direitos de crédito, de ganhos cambiais ou monetários, conforme o conceito disseminado no art.375 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, "in verbis": "Art.375 Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de créditos do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações(Decretolei n° 1.598, de 1977, art.18, Lei n°9.249, de 1995, art.8°) Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei 9.718, de 1998, art.9°)." 9. Embora o dispositivo legal reportese à determinação do lucro operacional, para empresas tributadas com base no lucro real, o conceito ali delineado é o mesmo utilizado na definição de bases de cálculos de outras contribuições ou IRPJ com base no presumido, conforme verificamos na leitura da Instrução Normativa SRF n° 25, de 1999, que dispõe sobre o tratamento tributário das variações monetárias, nos casos que especifica: Fl. 272DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003232/200307 Acórdão n.º 180300.774 S1TE03 Fl. 254 7 "Art. 1° Nas atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis, as variações monetárias a que se refere o art. 9° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, para efeitos do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, terão o seguinte tratamento: I no caso de tributação com base no lucro real, as receitas e despesas serão reconhecidas segundo as normas constantes das Instruções Normativas de20 de dezembro de 1979, 023, de 25 de março de 1983, e 067, de 21 de abril de 1988; II na caso de tributação com base no lucro presumido, as receitas serão adicionadas ao próprio lucro, pelo regime de competência ou de caixa, conforme opção do contribuinte. 10. Assim, à luz do conceito acima de variações monetárias ativas, não vemos como capitular o reajuste indicado nas Notas FiscaisNF 2659, 2660, 2661 e 2663 como receita dessa natureza, porque a parcela do reajuste discriminada nas NF é decorrente de cláusula inserida em contrato de contrução por empreitada de longo prazo, entre a autuada(contratada) e a CDHU(contratante), sendo praxe a previsão legal de reajuste para manterse o equilíbrio financeiro entre as partes e somente gera o direito ao crédito na medida da efetivação dos serviços prestados e faturados; 11. Em outras palavras, a simples estipulação de índices legais de reajuste, conforme cláusula B3.2(fis.56), não confere à prestadora dos serviços, a contribuinte, direitos de crédito contra a contratante. A parcela correspondente à atualização monetária do valor contratado significa mera reposição do valor de compra da moeda e tem como contrapartida a realização dos serviços. 12. Nesse sentido, em caso análogo, o parágrafo 3° do art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 104, de 1998, que estabelece normas para apuração do Lucro Presumido com base no regime de caixa: "Art. 1° A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, Fl. 273DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2° Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. § 3 0 Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4° O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de oficio, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente." Parágrafo único......” 13. Ante o exposto, há que se considerar as parcelas de reajuste recebidas, não referentes a direitos de crédito advindos de eventual pagamento fora de prazo, como parte do preço e assim sofrerem tributação como receita da atividade nos termos da legislação em vigor para o lucro presumido. 14. Assim, da base da autuação devem ser desconsiderados a matéria tributável relativa ao IRPJ e CSLL, conforme segue: tributo/contribuição trimestre matéria tributável IRPJ 1° trimestre R$ 88.344,47 2° trimestre R$ 158.266,07 CSLL 1° trimestre R$ 84.503,41 2° trimestre R$ 151.384,94” Após a diligência restou cabalmente comprovado que as notas fiscais se referem exclusivamente à prestação dos serviços de construção, de modo que nelas não se contém nenhum valor referente ao preço do terreno. A CDHU declarou que o terreno foi pago em 11/11/1996, através da Ordem de Pagamento n° 1875/96. Tem razão a recorrente ao afirmar que a correção do terreno é a diferença entre o valor da oferta e o valor efetivamente recebido nos termos da ordem de pagamento n° 1875/96, da CDHU. Eventual diferença de variação monetária ativa em relação ao terreno apenas poderia ter sido apurado até a data do pagamento. No presente auto os fatos geradores referemse ao ano de 1999. Quanto à diferença de juros ativos, a recorrente alega que o estorno de R$ 24.506,71, referese a juros provisionados a maior em meses anteriores relativos a atrasos da CDHU, no pagamento do faturamento. Anexa o documento de fls. 99, em que consta Fl. 274DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003232/200307 Acórdão n.º 180300.774 S1TE03 Fl. 255 9 lançamento a débito com o seguinte histórico: ajustes ref. juros creditado a maior em 03 e 04/99 rel. a devolução de caução retida pelo CDHU. Tal lançamento encontrase registrado no Livro Diário (fls. 43). No entanto, não foi apresentada a documentação hábil a demonstrar a correção do estorno pela contribuinte. A fiscalização apontou desde o início a falta de comprovação do lançamento. Os empresários têm o dever de manter a escrituração dos negócios de que participam, nos termos do art. 1.179 do Código Civil (lei n° 10.406/2002), e do art. 10 do Código Comercial (lei n° 556/1850, revogado pela Lei n° 10.406/2002): “Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Art. 10 Todos os comerciantes são obrigados: 1 a seguir uma ordem uniforme de contabilidade e escrituração, e a ter os livros para esse fim necessários; 2 a fazer registrar no Registro do Comércio todos os documentos, cujo registro for expressamente exigido por este Código, dentro de 15 (quinze) dias úteis da data dos mesmos documentos (artigo nº. 31), se maior ou menor prazo se não achar marcado neste Código; 3 a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondências e mais papéis pertencentes ao giro do seu comércio, enquanto não prescreverem as ações que lhes possam ser relativas (Título. XVII); 4 a formar anualmente um balanço geral do seu ativo e passivo, o qual deverá compreender todos os bens de raiz móveis e semoventes, mercadorias, dinheiro, papéis de crédito, e outra qualquer espécie de valores, e bem assim todas as dívidas e obrigações passivas; e será datado e assinado pelo comerciante a quem pertencer.” No RIR/1999 também a previsão expressa sobre o dever de conservar os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, in verbis: “Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37)”. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 10 Por estes dispositivos legais, fica claro que a documentação que deu origem à escrituração deve ser conservada. Por outro lado, os comprovantes da escrituração devem ser apresentados para a fiscalização. O Código de Processo Civil estabelece em seu art. 333, incisos I e II, a quem incumbe o ônus da prova: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” O ônus de apresentar os comprovantes da escrituração é do contribuinte. Arruda Alvim, em sua obra “Manual de Direito Processual Civil”, assim se manifesta sobre as conseqüências do descumprimento do ônus da prova: “De um modo geral, podemos dizer que, recaindo sobre uma das partes o ônus da prova relativamente a tais e quais fatos, não cumprindo esse ônus e inexistindo nos autos quaisquer outros elementos, pressuporseá um estado de fato contrário a essa parte. Assim, quem devia provar e não o fez perderá a demanda.” (ALVIM, Arruda. Manual de direito processual civil, volume 2: processo de conhecimento, 11. ed.rev., ampl. e atual. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007). No presente caso, a recorrente não apresentou os comprovantes relativos ao lançamento em tela, devendo ser mantida a autuação em relação a este item. Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores relativos às variações monetárias ativas. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 276DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 37183.005842/2006-61
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/08/2004
Ementa: TAXA DE ADMINSITRAÇÃO PAGA A COOPERATIVA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIA SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL
Recurso negado.
Numero da decisão: 205-00.186
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ADRIANA SATO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-04T23:35:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-04T23:35:45Z; Last-Modified: 2009-08-04T23:35:45Z; dcterms:modified: 2009-08-04T23:35:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-04T23:35:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-04T23:35:45Z; meta:save-date: 2009-08-04T23:35:45Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-04T23:35:45Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-04T23:35:45Z; created: 2009-08-04T23:35:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-04T23:35:45Z; pdf:charsPerPage: 781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-04T23:35:45Z | Conteúdo => I AAP - SEGUNDO CONSELHO Dr: CONTRIOUINTESI_ . 91,NFERE. CCM o op;stt<AL t\ I gas123, 40 14,2v 1-2—: CCO2/CO5 Fls. 127 Isis Souza Sbura Met Siara 94418 MINISTÉRIO DA FAZENDA ;72 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES mir, Ws» QUINTA CÂMARA Processo n° 37183.005842/2006-61 MF-Segunde Coneeeio de Contribuintes Recurso n° 141.501 Voluntário dePuir DiárA°L°11/122 Matéria Cooperativa Á Acórdão n° 205-00.186 Sessão de 11 de dezembro de 2007 Recorrente ESTADO DE SEGIPE - FUNDO ESTADUAL DE SAÚDE Recorrida DRP Aracajú - SE Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/08/2004 Ementa: TAXA DE ADMINSITRAÇÃO PAGA A COOPERATIVA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIA SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. C\7\il I ME- SEGUNDO CONSELHO Er: CONt43i.,111"ES CONFERE COMO 0;;;C: v. : BraslUa, ão /22„. 1(:)d) Processo n.° 37183.005842/2006-61 CCO2/CO5 •i•Acórdão n.°205-00.186 Fls. 128 I 154 Saca Moura "St Steln 94486 ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. t4.4{t JULI ES • • VIEIRA GOMES Presid je i •lh:N AIS' It I lato Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi e Misael Lima Barreto. • St-O- Initt Processo n.°37183.005842/2006-61 gszECCO CCO2JCO5r-"- n.„d,M-0/4- DAcórdão n.° 205-00.186 a_tr:-..4.00;°* 04011- Fls. 129 egjtV... O / >"-C7 ' • •• Relatório Trata-se de NFLD lavrada a fim de reconstituir os débitos levantados na NFLD 32.568.653-8 que foi anulada por vício formal. Em 10/07/2006 o Recorrente tomou conhecimento do Mandado de Procedimento Fiscal (fls.33) e foi intimado para apresentar documentos, conforme fls.34. O Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (TEAF) ocorreu em 25/07/2006 com a lavratura da NFLD cuja ciência do Recorrente ocorreu em 26/07/2006 na pessoa do Procurador Geral do Estado. Às fls. 77/84 o Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 90/96 consta a Decisão-Notificação que julgou procedente o lançamento, e, inconformado, às fls. 100/110 o Recorrente apresentou recurso alegando em síntese: • Inconstitucionalidade da cobrança incidente sobre valores pagos a cooperativas de trabalho por infração ao artigo 195, I, alínea "a" da Constituição Federal; • Caso seja reconhecida a exigência da contribuição de 15% incidentes sobre os valores pagos aos cooperados através da cooperativa deverá haver a exclusão do cálculo da taxa de administração destacada nas notas fiscais; • E, por fim, que seja declarado extinto o débito definido na NFLD por ser inconstitucional, ou, na hipótese do não acolhimento, que o processo seja baixado em diligência fiscal a fim de se excluir da base de cálculo da contribuição apurada, os valores destacados nas notas fiscais e que não estão relacionados com o pagamento aos cooperados. A Recorrida apresentou contra-razões que foram juntadas às fls. 116/125, pleiteando que seja negado provimento ao recurso interposto. É o Relatório. 4?-7 Processo n.° 37183.00584212006-61 CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-00.186 Fls. 130 há Maus Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatora. Presentes os pressupostos de admissibilidade do presente recurso, passo ao exame das suas razões. Em primeiro lugar, cumpre-me esclarecer ao Recorrente que a alegação de inconstitucionalidade de Lei não merece prosperar tendo em vista que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção I, pág. 28, a Súmula 2, que dita: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Também não merece prosperar a alegação do Recorrente para exclusão da taxa de administração da base de cálculo da NFLD vez que o artigo 22, IV da Lei 8.212/91 prevê: Art.22 — A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no artigo 23 é de: IV— quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Reiterando os termos do mencionado artigo, a Instrução Normativa SRP 003/2005, em seus artigos, afastam qualquer dúvida quanto a base de cálculo. Art. 71 — As bases de cálculo das contribuições sociais previdenciá rias da empresa e do equiparado são as seguintes: III — o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços em relação a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. Art. 291 — Nas atividades da área da saúde, para o cálculo da contribuição de 15% devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: II — nos contratos coletivos por custo operacional, celebrados com empresa, onde a cooperativa médica e a contratante estipulam de comum acordo, uma tabela de serviços e honorários, cujo pagamento é feito após o atendimento, a base de cálculo da contribuição social previdenciária será o valor dos serviços efetivamente realizados pelos cooperados. (114F - SEGUNDO CONSELHO DE COMR,ELSNTES CONFERE COM O 0111:3.,.;:. Processo n. 37183.005842/2006-61 i Brasa C>90 r CO? I 05 CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-00.186 FIs. 131 Sol ueitatrerklours /At ~94448 Parágrafo único — Se houver parcela adicional ao custo de serviços contratados por conta do custeio administrativo da cooperativa, esse valor também integrará a base de cálculo da contribuição social previdenciária. Por todo o exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2007. . I 1 k A I' • • 11'0 Page 1 _0066000.PDF Page 1 _0066100.PDF Page 1 _0066200.PDF Page 1 _0066300.PDF Page 1
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