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Numero do processo: 11128.002344/2006-37
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Período de apuração: 17/08/2005 a 23/11/2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS.
Merecem ser conhecidos, porém, não providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que não existe omissão, contradição, obscuridade ou contrariedade à prova dos autos no acórdão embargado. A decisão refletiu perfeitamente, à época, o entendimento do Colegiado, sufragado pelas provas carreadas aos autos.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3102-000.046
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecidos e rejeitados os Embargos Declaratórios, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Período de apuração: 17/08/2005 a 23/11/2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Merecem ser conhecidos, porém, não providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que não existe omissão, contradição, obscuridade ou contrariedade à prova dos autos no acórdão embargado. A decisão refletiu perfeitamente, à época, o entendimento do Colegiado, sufragado pelas provas carreadas aos autos. Embargos Rejeitados.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS . P:,,J1,4 7 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ....„,.r... ,.. Processo n° 11128.002344/2006-37 Recurso n° 137.722 Embargos Acórdão n° 3102-00.046 — i a Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2009 Matéria MULTA DIVERSA Embargante LEFORT COML DE EQUIPS ELETRÔNICOS LTDA Interessado Segunda Turma da Primeira Câmara da Terceira Seção ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Período de apuração: 17/08/2005 a 23/11/2005 EMBARGOS DECLARATORIOS. Merecem ser conhecidos, porém, não providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que não existe omissão, contradição, obscuridade ou contrariedade à prova dos autos no acórdão embargado. A decisão refletiu perfeitamente, à época, o entendimento do Colegiado, sufragado pelas provas carreadas aos autos. Embargos Rejeitados. 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecidos e rejeitados os Embargos Declaratórios, nos termos do voto do relator. tutizz.._-1----mo,r35)1hn M RCIA E ENA T 1 NO DAMORIM - Presidente i 0, I jiiiCORINTHO OLIVBI t ACHADO — Relator V /I EDITADO EM: 09/09/2009 Participaram, ainda, do pre ente julgamento, à Conselheiros Mércia Helena Traj ano Damorim, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. 1 Processo n° 11128.002344/2006-37 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.046 Fl. 1.147 Relatório Versa o presente litígio, em sua origem, sobre exigência de Multa Equivalente ao Valor Aduaneiro da Mercadoria, prevista no § 3° do art. 23 do Decreto-Lei 1.455/76, acrescentado pela Medida Provisória n° 66, de 29/08/2002, convertida na Lei 10.637, de 30/12/2002. Após decisão da DRJ/SÃO PAULO II/SP, recurso voluntário e decisão desta Câmara, fls. 1.073 e seguintes, veio a recorrente apresentar embargos de declaração, fls. 1.097 e seguintes, tempestivos, em virtude de vícios no acórdão. Os supostos vícios seriam omissão, contradição e obscuridade em relação às alegações da embargante, e ainda contrariedade à prova carreada aos autos. Pode-se sintetizar os vícios em três tópicos: 1) houve decisão, no processo que tratava da inaptidão da recorrente, que decretou nulidade formal (por não apreciação do pedido de diligência) da decisão declaratória da inaptidão da recorrente, então, se naquele processo, que embasou o auto de infração deste processo, houve cerceamento do direito de defesa, neste processo também houve; 2) houve negativa do pedido de diligência no recurso voluntário, caracterizando, pois, cerceamento do direito de defesa na decisão embargada; 3) houve omissão quanto à apreciação da decisão administrativa que declarou nula a inaptidão da recorrente. É o Relatório sucinto. 2 Processo n° 11128.002344/2006-37 S3-C1T2 Acórdão n." 3102-00.046 Fl. 1.148 Voto Conselheiro CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Relator Os embargos declaratórios são tempestivos, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado e julgado nesta oportunidade. Quanto aos supostos vícios de omissão, contradição e obscuridade em relação às alegações da embargante, e ainda contrariedade à prova carreada aos autos, não obstante as hipóteses supramencionadas desembocarem sempre no cerceamento do direito de defesa e o discurso predominante ser no sentido de que o processo de declaração de inaptidão da recorrente continha vícios que contaminaram este outro processo (auto de infração), matéria sobejamente discutida na sessão de julgamento de 18 de junho de 2008, passa-se a apontar, didática e especificadamente os trechos do acórdão em que tais matérias foram tratadas. Ah initio, cumpre afastar a alegação de que houve cerceamento do direito de defesa neste processo derivado da existência de decisão no processo que tratava da inaptidão da recorrente. A autonomia entre os dois contenciosos foi apreciada quando do julgamento do recurso voluntário; e a decretação de nulidade daquela decisão que declarava a inaptidão, por vício formal (não apreciação do pedido de diligência) não atinge este processo, uma vez que a inaptidão da recorrente, naquele processo, não embasou o auto de infração deste processo: DO AUTO DE INFRAÇÃO Em primeiro plano, releva dizer que o procedimento fiscal previsto na IN-SRF n° 228/2002 não tem os contornos de um processo fiscal, uma vez que é fase inquisitória e precedente a possível lavratura de auto de infração e/ou declaração de inaptidão de CNPJ, estes dois atos administrativos sim, diversos e autônomos, cada qual possibilitando a existência de um processo administrativo stricto sensu, na medida em que contêm sanções, e como tal, devem seguir ritos que observem os postulados do contraditório e da ampla defesa. Busco nas palavras da decisão guerreada apoio para o meu pensamento no que tange à competência para julgamento do presente auto de infração e do julgamento da declaração de inaptidão: Quanto às questões sobre a declaração de inaptidão da empresa no CNPJ, não cabe a esta DRJ/SPOII manifestar-se, uma vez que não existe tal competência determinada para as Delegacias de Julgamento. Entretanto, cumpre, apenas como medida de boa ordem, transcrever o art. 11 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 228/2002: 1 "Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicar-se-á a ' pena de perdimento das mercadorias objeto das operações 3 Processo n° 11128.002344/2006-37 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.046 Fl. 1.149 correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decreto-lei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I - ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II - interposição fraudulenta, nos termos do ,¢ 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. Parágrafo único. Nas hipóteses previstas nos incisos I e II do caput, será ainda instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ)." Sobre o dispositivo reproduzido, duas observações são necessárias. Primeira: "concluído" o procedimento "aplicar-se- á" a pena de perdimento nas hipóteses citadas (incisos I e II). Isto quer dizer que aplicação do perdimento (e a sua eventual conversão em multa, na hipótese de mercadoria não localizada ou que tenha sido consumida) prescinde de qualquer outro ato além da conclusão do procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, instituído pela IN SRF n°228/2002. Segunda: será instaurado "ainda", isto é, também o procedimento com vistas à inaptidão da inscrição da empresa no CNPJ. A expressão "ainda" não está ali por acaso. Ela significa que, além do processo de perdimento, será promovido igualmente o processo de inaptidão. Logo, o processo de inaptidão é paralelo ao processo de perdimento e não fundamento deste último. Em outras palavras, os processos de perdimento e de declaração de inaptidão têm uma origem comum, qual seja o procedimento especial no qual se constata a ocultação do verdadeiro responsável pelas operações ou a interposição fraudulenta, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, todavia são autônomos entre si. Enfim, o término do processo de inaptidão não é pressuposto para o início do processo de perdimento. Um independe do outro. Dessarte, como todos os supostos vícios apontados encontram-se no procedimento fiscal (o qual não identifica-se com processo, como se viu), precedente ao auto de infração, e não no auto de infração em si mesmo, não há que se falar em nulidade do auto de infração, razão por que deve ser rejeitada a preliminar. 4 Processo n° 11128.002344/2006-37 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.046 Fl. 1.150 Num segundo momento, também não vislumbro cerceamento do direito de defesa na decisão embargada, tão-somente porque houve negativa do pedido de diligência no recurso voluntário, note-se que o deferimento, ou não, da diligência é prerrogativa do julgador, a qual foi devidamente motivada: Quanto à diligência solicitada, fls. 1.029/1.030, cujo requerimento leio em sessão para os meus pares, creio ser despicienda no caso vertente, pois além de as respostas aos quesitos propostos serem possíveis tão somente com a análise da documentação acostada aos autos, a maioria dos quesitos referem-se ao procedimento fiscal que precede a lavratura do auto de infração, naquela visão superada (e explicitada supra) de que o procedimento é processo administrativo, e não fase inquisitória e preparatória daquele. E por fim, quanto à omissão por não apreciação da decisão administrativa que declarou nula a inaptidão da recorrente, o argumento não procede, porquanto a decisão administrativa apontada foi apreciada, tanto quanto todos os demais elementos constantes do expediente, apenas não teve a relevância para a solução da lide que queria a recorrente, e isso decorre justamente da autonomia entre os processos de inaptidão e deste auto de infração, que reitera-se, não tem base na inaptidão, e sim no procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, instituído pela IN SRF n° 228/2002. Ante o exposto, conheço dos presentes embargos e NEGO-LHES PROVIMENTO, por inexistência dei omissão, contradição, obscuridade ou contrariedade à prova carreada aos autos pela recorrexikel pr4judicados os demais argumentos. 17/ CORINTHO OLIV VIRA MACHADO I
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002361/99-05
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PERC. FINAM. ATUALIZAÇÃO DO VALOR RECOLHIDO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE OBSCURIDADE, OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO
Numero da decisão: 1102-000.153
Decisão: ACORDAM os Membros da 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: João Carlos Lima Junior
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Numero do processo: 15586.000620/2007-67
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001.
A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. SUB-ROGAÇÃO DO ADQUIRENTE.
O adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub-rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na forma estabelecida no Regulamento da Previdência Social.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUB-ROGAÇÃO.
É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural.
As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de sub-rogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial.
Possuindo a lei presunção iuris tantum de constitucionalidade, não tendo sido as normas tributárias que regem a contribuição para o SENAR abraçadas expressamente pelo Pretório Excelso na declaração de inconstitucionalidade aviada no RE 363.852/MG, conclui-se que a contribuição social em foco permanece sendo devida pelas empresas a que se refere o art. 3º da lei nº 8.315/91, sem qualquer solução de continuidade.
Recurso Voluntário Negado
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Juliana Campos de Carvalho Cruz que entenderam pela inconstitucionalidade do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, Paulo Roberto Lara dos Santos, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. SUB-ROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. O adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub-rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na forma estabelecida no Regulamento da Previdência Social. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUB-ROGAÇÃO. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de sub-rogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial. Possuindo a lei presunção iuris tantum de constitucionalidade, não tendo sido as normas tributárias que regem a contribuição para o SENAR abraçadas expressamente pelo Pretório Excelso na declaração de inconstitucionalidade aviada no RE 363.852/MG, conclui-se que a contribuição social em foco permanece sendo devida pelas empresas a que se refere o art. 3º da lei nº 8.315/91, sem qualquer solução de continuidade. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. O adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam subrogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na forma estabelecida no Regulamento da Previdência Social. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUBROGAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 06 20 /2 00 7- 67 Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial. Possuindo a lei presunção iuris tantum de constitucionalidade, não tendo sido as normas tributárias que regem a contribuição para o SENAR abraçadas expressamente pelo Pretório Excelso na declaração de inconstitucionalidade aviada no RE 363.852/MG, concluise que a contribuição social em foco permanece sendo devida pelas empresas a que se refere o art. 3º da lei nº 8.315/91, sem qualquer solução de continuidade. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Juliana Campos de Carvalho Cruz que entenderam pela inconstitucionalidade do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato, Paulo Roberto Lara dos Santos, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007 Data da lavratura da NFLD: 17/08/2007. Data da Ciência da NFLD: 22/08/2007. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.336 3 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, tendo por objeto as contribuições previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao financiamento da seguridade social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos (SENAR) não declaradas em GFIP, incidentes sobre a comercialização da produção rural adquirida de pessoas físicas, por subrogação, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 157/159. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 168/199. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito alegações suscitadas pela Impugnante, e suprisse algumas omissões apontadas no Relatório Fiscal, conforme Despacho a fls. 2583/2584. Informação fiscal a fls. 2585/2586, Relatório Fiscal Complementar a fls. 2587/2590 e Anexo a fls. 2591/2634. Promovida a ciência da Informação Fiscal e Relatório Fiscal Complementar acima referidos ao sujeito passivo em 06/06/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 2637, e reaberto o prazo normativo para o oferecimento de nova impugnação, nos termos do Comunicado SECAT/DRF/VIT nº 4004, de 29/05/2008, a fl. 2636, o Notificado ofereceu aditamento à defesa administrativa, a fls. 2639/2646. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 3003/3022, julgando procedente em parte o lançamento, para dele fazer excluir as obrigações tributárias referentes aos fatos geradores ocorridos nas competências de jan/1999 a nov/2001, aniquiladas pela decadência, bem como as diferenças apuradas pela Auditora Fiscal Notificante, decorrente da retificação das respectivas bases de cálculo, conforme Informação Fiscal, mantendo o crédito tributário na composição consignada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 2979/3002, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 17/10/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 3028. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 3031/3048, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Nulidade do Auto de Infração em razão da decadência parcial; · Que a Recorrente não tem responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias lançadas em virtude de ela não ter retido tais contribuições; Ao fim, requer o provimento integral de seu recurso. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 17/10/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 12 de novembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.337 5 O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. Igualmente, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido no parágrafo anterior, entende este relator que o lançamento encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário que permeia esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à tese de que, ao lançamento de contribuições previdenciárias cujas rubricas qualificadoras dos fatos geradores levantados não tenham sido contempladas com recolhimentos antecipados das respectivas contribuições previdenciárias, ou que as contribuições previdenciárias devidas somente poderiam ter sido apuradas mediante o desenvolvimento de ação fiscal na empresa, como assim se revela o presente caso, aplicase o regime assentado no Inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN. De outro eito, para os casos em que a rubrica investigada tenha sido agraciada com recolhimentos antecipados e, cumulativamente, não se configurando hipóteses de dolo, fraude ou simulação, sujeito estará o seu lançamento à regência pelo §4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita. Por outro lado, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Com fulcro nos fundamentos expostos nessas breves digressões, deflui da análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência que, ao caso sub examine, opera se a incidência das disposições inscritas no inciso I do art. 173 do CTN. Tal conclusão deflui da própria argumentação da empresa, em sede de impugnação administrativa e de recurso voluntário, de que não providenciou o recolhimento de tais contribuições por entender que não tem responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias lançadas, em razão de não efetuado a retenção de tais contribuições. Diante desse quadro, não havendo realizado o Notificado espontaneamente o recolhimento antecipado das contribuições previdenciárias ora em exposição, imperiosa é a incidência das disposições inscritas no inciso I do art. 173 do CTN. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.338 7 b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 2001 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 de 2003, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2007, inclusive. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 22 dias do mês de agosto de 2007, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2001, inclusive, excluídos os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano, nos termos do art. 173, I do CTN, de modo que encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2001, exclusive, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. Rogase atenção ao fato de que o reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário não inquina de vício todo o processo. A declaração de caducidade acima aduzida apenas tem o condão de extirpar do lançamento tributário, tão somente, as parcelas atingidas pelo citado instituto de direito tributário uma vez que a ocorrência deste constituise causa extintiva do crédito tributário, nos termos do art. 156, V, in fine, do CTN, e não hipótese de nulidade do lançamento tributário. Dessarte, o crédito tributário relativo às competências atingidas pela decadência encontrase extinto, e não nulo, sendo por aquele motivo, e não por este, excluído do presente lançamento. Por tais razões, neste específico tópico, negamos provimento ao recurso de ofício. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que, em razão do provimento relativo à decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário de que trata o presente processo, nos termos do item 2.1. supra, apenas será objeto de apreciação por este Colegiado as matérias de fato e de direito referentes aos fatos geradores ainda não alcançados pelo decurso do prazo decadencial acima referido. Dessarte, o exame do mérito se cingirá aos fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro de 2001, inclusive. Em relação aos demais, consideraremos ter havido perda do interesse processual, razão pela qual não serão mais objeto de deliberação. Também não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte, bem assim como aquelas oferecidas à apreciação desta Corte após o exaurimento do prazo recursal, em razão da preclusão temporal. Não serão, igualmente, objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.339 9 3.1. DA RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO Alega o Recorrente não ter responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias lançadas em virtude de ele não ter retido tais contribuições. A razão não lhe sorri, todavia. No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Constituição Federal de 1988 fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente, dentre outros, sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários, e contribuintes, a teor do art. 146, III da CF/88, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Bailando em sintonia com os tons alvissareiros orquestrados pelo Constituinte Originário, sob a batuta do seu regente Ulisses Guimarães, o art. 121 do CTN, em performance pa de deux normativa harmônica com o regramento acima ponteado, ao escolher os atores da obrigação tributária principal, reservou o papel do sujeito passivo à figura do contribuinte ou, a critério da lei, do responsável tributário. Código Tributário Nacional Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A coreografia assim encenada, quando executada no papel passivo pelo responsável tributário, é conhecida nos palcos jurídicos como substituição tributária e, nessas apresentações, todos os movimentos que nas formas originárias seriam praticados pelo contribuinte, passam então a ser desempenhados pelo novo personagem, que assume toda a responsabilidade pelo recolhimento do tributo associado. Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Tal transferência de responsabilidade também encontra amparo nas disposições insculpidas no art. 128 do Código Tributário Nacional, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN CAPÍTULO V Responsabilidade Tributária SEÇÃO I Disposição Geral Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. No caso de que ora se cuida, a responsabilidade do Recorrente decorre das disposições encartadas no inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, que atribui à empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou de consignação da produção terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Nesse sentido consolidouse o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, como se depreende do julgado a seguir referenciado, cuja ementa tomamos a liberdade de transcrever: REsp 503406/SC Rel. Min. Luiz Fux Órgão Julgador T1 Primeira Turma Data da Publicação/Fonte DJ 15/03/2004 p. 160 Ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL. RECOLHIMENTO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI 8.212/91, ARTS. 25 E 30. EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. LEGITIMIDADE AD CAUSAM PARA O PEDIDO. PROVA DO ENCARGO FINANCEIRO. CTN, ART. 166. SÚMULA 546/STF. Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.340 11 1. Na hipótese da contribuição previdenciária exigida do produtor rural (Lei nº 8.212/91, art. 25, I e II) incumbe ao adquirente de sua produção destacar do preço pago o montante correspondente ao tributo e repassálo ao INSS (Lei nº 8.212/91, art. 30, III e IV). Evidenciase, nessa sistemática, que o adquirente não sofre diminuição patrimonial pelo recolhimento da exação, pois separou do pagamento ao produtor rural o valor do tributo. 2. O adquirente não detém legitimidade ad causam para discutir a legalidade da referida exigência, caso a entenda descabida, de modo a obter provimento jurisdicional que lhe autorize a recolher o tributo da forma que entende conforme à lei, e nem para postular a repetição de valores indevidamente recolhidos a título da mencionada contribuição, já que somente cabem a discussão da exigibilidade do tributo e sua restituição quando evidenciado que o contribuinte de direito não recuperou do contribuinte de fato o valor recolhido. 3. Recurso especial desprovido. Anotese que o papel do contribuinte continua a ser representado pelo personagem que ostenta relação pessoal e direta com o fato gerador, digase, a pessoa jurídica prestadora dos serviços. Ao responsável tributário, in casu, o adquirente, são designadas apenas as atuações pautadas na retenção e no respectivo recolhimento, nada mais. Dessarte, concluída a contento a execução do seu papel, o responsável tributário sai de cena, restandolhe, todavia, a incumbência de manter resguardados, em seus guardados, os documentos comprobatórios da higidez dos passos a seu encargo, enquanto não se operar a decadência das obrigações correspondentes. Não nos afigura exagerado requinte ressaltar que, por se tratar de hipótese legal de substituição tributária, milita em favor da retenção das contribuições previdenciárias ora em destaque a presunção absoluta de que ela tenha sido sempre feita pelo adquirente, a este não sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando ele diretamente responsável pelo recolhimento das contribuições que eventualmente tenha deixado de reter, ou que houver retido em desacordo com a legislação. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifos nossos) Revelase improcedente, portanto, a alegação esposada pelo Recorrente de que não tem responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias ora lançadas pelo fato de não ter retido do produtor rural tais contribuições. O substituto atua tão somente como órgão arrecadador. Nesse cenário, o adquirente de produção rural de pessoa física tem o dever jurídico, por força de lei formal, de operar a retenção das contribuições previdenciárias devidas pelo produtor rural pessoa física e do segurado especial incidentes sobre a comercialização de sua produção rural, conforme previsto nos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). §1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no caput, poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.540/92) §2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.540/92) §3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. (Parágrafo acrescentado pela Lei n º 8.540/92) § 4o (Revogado pela Lei nº 11.718/2008). § 5º (VETADO na Lei nº 8.540/92) § 6º (Revogado pela Lei nº 10.256/2001). § 7º (Revogado pela Lei nº 10.256/2001). § 8º (Revogado pela Lei nº 10.256/2001). Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.341 13 § 9o (VETADO na Lei nº 10.256/2001). §10. Integra a receita bruta de que trata este artigo, além dos valores decorrentes da comercialização da produção relativa aos produtos a que se refere o § 3o deste artigo, a receita proveniente:(Incluído pela Lei nº 11.718/2008). I – da comercialização da produção obtida em razão de contrato de parceria ou meação de parte do imóvel rural; (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). II – da comercialização de artigos de artesanato de que trata o inciso VII do § 10 do art. 12 desta Lei; (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). III – de serviços prestados, de equipamentos utilizados e de produtos comercializados no imóvel rural, desde que em atividades turística e de entretenimento desenvolvidas no próprio imóvel, inclusive hospedagem, alimentação, recepção, recreação e atividades pedagógicas, bem como taxa de visitação e serviços especiais; (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). IV – do valor de mercado da produção rural dada em pagamento ou que tiver sido trocada por outra, qualquer que seja o motivo ou finalidade; e (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). V – de atividade artística de que trata o inciso VIII do § 10 do art. 12 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). §11. Considerase processo de beneficiamento ou industrialização artesanal aquele realizado diretamente pelo próprio produtor rural pessoa física, desde que não esteja sujeito à incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI. (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). Decorre dos dispositivos legais e constitucionais acima selecionados a improcedência das alegações promanadas pelo Recorrente. 3.2. DOS FATOS GERADORES. Em razão da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, da relatoria do Min. Marco Aurélio, mostra se alvissareiro enveredarmos por algumas breves digressões acerca do tema, tendo sempre em mente que o vertente lançamento, em razão do provimento do pedido de declaração de decadência aviado no item 2.1. supra, apenas contempla fatos geradores ocorridos a contar da competência dezembro/2001, inclusive. 3.2.1. DO ORDENAMENTO JURÍDICO Entendese por Ordenamento Jurídico Positivo o conjunto de regras e normas de conduta, caracterizadas pela coercitividade e imperatividade, oriundas das diversas estirpes de diplomas normativos adotados pelo Estado, visando a regular a vida em sociedade. Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 O Ordenamento Jurídico, portanto, é formado por um complexo de normas de conduta, as quais lhe são introduzidas por intermédio de um leque de diplomas normativos – Constituição, Leis, Decretos, Instruções Normativas, etc. , produzidos pelos Poderes competentes, consoante opção política de cada Nação. Todavia, a norma jurídica não se confunde com o instrumento normativo que lhe introduziu no Ordenamento. Tratamse de institutos jurídicos totalmente distintos. Para ilustrar tal raciocínio, tomemos exemplificativamente a lei ordinária. No caso brasileiro, ao ser promulgada e sancionada, ao cabo do processo legislativo desenhado nos artigos 59 a 69 da CF/88, a lei cumpre e realiza sua primazia que é a de introduzir no Ordenamento Jurídico as normas em si encartadas, as quais se desprendem, então, do texto legal passando a ter existência própria um ser etéreo e imaterial , figurando o texto legal apenas como uma fonte de interpretação e de referência da norma nele carreada. Uma vez inserida no ordenamento jurídico, a norma passa a impor ao seu público alvo um dever ser, uma conduta devida a ser observada pelo grupo de pessoas sob sua égide, até que uma outra norma de mesmo pedigree a retire do Sistema Jurídico mediante revogação expressa, ou de maneira tácita, por dispor de forma distinta sobre a mesma matéria. 3.2.2. DA CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA A norma jurídica encartada no art. 25 da Lei nº 8.212/91, em sua redação originária, estatuiu a contribuição previdenciária, à alíquota de 3% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, do segurado especial referido no inciso VII do art. 12 desse mesmo Diploma legal, assim compreendidos o produtor rural, o parceiro rural, o meeiro rural e o arrendatário rural, o pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam essas atividades individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de quatorze anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo. Ao mesmo tempo, os incisos III e IV da suso citada Lei de Custeio da Seguridade Social instituíram como obrigação acessória da empresa adquirente ou consignatária da produção rural do segurado especial ou a cooperativa a reter, mediante desconto, em razão de subrogação, e a recolher aos cofres públicos a contribuição referida no aludido art. 25 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) VII como segurado especial: o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o garimpeiro, o pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam essas atividades individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de quatorze anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo. §1º Entendese como regime de economia familiar a atividade em que o trabalho dos membros da família é indispensável à Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.342 15 própria subsistência e é exercido em condições de mútua dependência e colaboração, sem a utilização de empregados. Art. 25. Contribui com 3% (três por cento) da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção o segurado especial referido no inciso VII do art. 12. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) III – O adquirente, o consignatário ou a cooperativa são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o 5º dia útil do mês seguinte ao da operação de venda ou consignação da produção, ou no dia imediatamente anterior caso não haja expediente bancário naquele dia, na forma estabelecida em regulamento; IV – O adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogadas nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; Conforme detalhadamente demonstrado, a norma inserida no ordenamento jurídico pela Lei nº 8.212/91 instituiu a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física, que laborasse individualmente ou em regime de economia familiar sem empregados, à alíquota de 3% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, e transferiu para o adquirente, consignatário ou à cooperativa, mediante subrogação, a responsabilidade pelo recolhimento de tal contribuição. Ainda sob a égide da CF/88, em sua redação originária, a Lei nº 8.540/92 revogou tacitamente as normas jurídicas representadas pelos artigos 12, V, ‘a’, 25 e 30, IV da Lei nº 8.212/91, dentre outras, fazendo excluir do conceito de segurado equiparado a autônomo a pessoa física que explorasse a extração mineral. Criou também a contribuição destinada ao custeio da Seguridade Social a cargo da pessoa física produtora rural que se utilizasse de empregados, incidente sob a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural à alíquota de 2% , além de reduzir de 3% para 2% a contribuição social do segurado especial, aqui incluído o produtor rural pessoa física que não se utilizasse de empregados. A citada lei nº 8.540/92 fez inserir no ordenamento pátrio norma jurídica que criou a contribuição, a cargo do empregador rural pessoa física e do segurado especial, à ordem de 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização das suas produções, para financiamento das prestações por acidente do trabalho, além de elastecer a responsabilidade e a subrogação do adquirente, consignatário e da cooperativa previstas, respectivamente, nos incisos III e IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, fazendoa alcançar as operações de mesma natureza realizadas com as pessoas físicas produtoras rurais que se utilizassem de empregados. Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como equiparado a trabalhador autônomo, além dos casos previstos em legislação específica: a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; (Redação dada pela Lei n° 8.540, de 22.12.92); Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada a Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 22/12/92) I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 22/12/92) II – um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (inciso acrescentado pela Lei nº 8.540, de 22/12/92) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV O adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 22/12/92) A lei nº 9.528/97, fruto da conversão da Medida Provisória nº 1.5239, de 27/06/97, e de reedições subsequentes, sem lhe modificar o conteúdo e a essência do revisitado art. 25 da Lei nº 8.212/91, alteroulhe a redação anterior, nos seguintes termos: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada a Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.343 17 I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) Mas não parou por aí a lei nº 9.528/97. Fez mais. Na mesma tacada legiferante, o legislador ordinário, por intermédio do art. 6º do documento legal em realce, instituiu a contribuição social a cargo do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, à alíquota de 0,1% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, in verbis. Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997. Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212, de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, criado pela Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de 0,1% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. 3.2.3. DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Ocorre que, em 03/02/2010, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, e nos termos do voto do Relator, Ministro Marco Aurélio, deu provimento ao Recurso Extraordinário nº 363.852 / MG para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a Receita Bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada pela Lei nº 9.5287/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98 viesse a instituir a contribuição em foco. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Em seu voto condutor, salientou o ministro nas palavras que se vos seguem: “A regra, dada à previsão da alínea ‘’b’’ do inciso I do referido artigo 195, é a incidência da contribuição social sobre o faturamento, para financiar a seguridade social instituída pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, a obrigar não só as pessoas jurídicas, como também aquelas a ela equiparadas pela legislação do imposto sobre a renda artigo 1º da citada lei complementar. Já aqui surge duplicidade contrária à Carta da Republica, no que, conforme o artigo 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o produtor rural passou a estar compelido a duplo recolhimento, com a mesma destinação, ou seja, o financiamento da seguridade social recolhe, a partir do disposto no artigo 195, inciso I, alínea ‘’b’’, a COFINS e a contribuição prevista no referido artigo 25. Vale frisar que, no artigo 195, temse contemplada situação única em que o produtor rural contribui para a seguridade social mediante a aplicação de alíquota sobre o resultado de comercialização da produção, ante o disposto no §8º do citado artigo 195 a revelar que, em se tratando de produtor, parceiro, meeiro e arrendatários rurais e pescador artesanal bem como dos respectivos cônjuges que exerçam atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, dáse a contribuição para a seguridade social por meio de aplicação de alíquota sobre o resultado da comercialização da produção. A razão do preceito é única: não se ter, quanto aos nele referidos, a base para a contribuição estabelecida na alínea ‘’a’’ do inciso I do artigo 195 da Carta, isto é, a folha de salários. Daí a cláusula contida no §8º em análise ‘... sem empregados permanentes...’. Forçoso é concluir que, no caso de produtor rural, embora pessoa natural, que tenha empregados, incide a previsão relativa ao recolhimento sobre o valor da folha de salários. É de ressaltar que a Lei nº 8.212/91 define empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos, ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional inciso I do artigo 15. Então, o produtor rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para terse novo ônus, relativamente ao financiamento da seguridade social, isso a partir de valor alusivo à venda de bovinos. Cumpre ter presente, até mesmo, a regra do inciso II do artigo 150 da Constituição Federal, no que veda instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. De acordo com o artigo 195, §8º, do Diploma Maior, se o produtor não possui empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição a folha de salários a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção. Se, ao contrário, conta com empregados, estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento, da Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei n. 8.212/91. Assim, não fosse suficiente a duplicidade, Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.344 19 considerado o faturamento, temse, ainda, a quebra da isonomia. O tema ora em discussão por pouco não foi objeto de julgamento quando apreciada a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.1031/DF. O Tribunal deixou de adentrar a questão ante a falta de pertinência temática, porque ajuizada a ação pela Confederação Nacional da Indústria. Todavia, foi adiante quanto ao § 2º do artigo 25 da Lei nº 8.870/94, que tinha a seguinte redação: (...) Pois bem, concluiuse pelo surgimento de uma nova base de cálculo, ficando assim redigida a ementa: (...) Assentou o Plenário que o §2º do artigo 25 da Lei nº 8.870/94 fulminado ensejara fonte de custeio sem observância do §4º do artigo 195 da Constituição Federal, ou seja, sem a vinda à balha de lei complementar. O enfoque serve, sob o ângulo da exigência desta última, no tocante à disposição do artigo 25 da Lei nº 8.212/91. É que, mediante lei ordinária, versouse a incidência da contribuição sobre a proveniente da comercialização pelo empregador rural, pessoa natural. Ora, como salientado no artigo de Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo, houvesse confusão, houvesse sinonímia entre o faturamento e o resultado da comercialização da produção, não haveria razão para a norma do §8º do artigo 195 da Constituição Federal relativa ao produtor que não conta com empregados e exerça atividades em regime de economia familiar. Já estava ele alcançado pela previsão imediatamente anterior do inciso I do artigo 195 da Constituição. Também sob esse prisma, procede a irresignação, entendendose que comercialização da produção é algo diverso de faturamento e este não se confunde com receita, tanto assim que a Emenda Constitucional nº 20/98 inseriu, ao lado do vocábulo "faturamento", no inciso I do artigo 195, o vocábulo "receita". Então, não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar. O mesmo enfoque serve a rechaçar a óptica daqueles que vislumbram, no artigo 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, a majoração da alíquota alusiva à citada contribuição que está prevista na Lei Complementar nº 70/91. Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Dessai do voto condutor do Min. Marco Aurélio que os vícios de constitucionalidade presentes na legislação guerreada consistiram na quebra da isonomia entre o produtor rural pessoa física que utilizasse mão de obra assalariada e aquele que não se utilizasse de empregados, e na duplicidade de recolhimento sobre o faturamento a que estaria sujeito o empregador rural pessoa física, já que a Norma Constitucional insculpida no art. 195, I da CF/88, em sua regulamentação inata, apenas previa a criação de contribuições previdenciárias a incidir sobre a folha de salário, sobre o faturamento e sobre o lucro. Ponderou o Ministro Relator que o empregador rural pessoa física estaria sujeito a triplo recolhimento, a saber, a contribuição sobre a folha de salários (art. 22 da Lei nº 8.212/91), sobre o faturamento (COFINS – Lei Complementar nº 70/91) e sobre a receita bruta da comercialização da produção rural (art. 25 da Lei nº 8.212/91) enquanto que o produtor rural pessoa física estaria sujeito, apenas, às duas últimas. O voto condutor em destaque fundamentouse na concepção adotada pelo Eminente Relator, um pouco hesitante, é certo, de que o conceito de faturamento não se confundiria com o de receita bruta da comercialização, tampouco um se encontraria inserido no outro. Concluiu então o Ministro que “comercialização da produção é algo diverso de faturamento e este não se confunde com receita, tanto assim que a Emenda Constitucional nº 20/98 inseriu, ao lado do vocábulo "faturamento", no inciso I do artigo 195, o vocábulo "receita". Então, não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar”. Nesse contexto, a Suprema Corte conheceu e proveu o “recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate”. Para tanto, houvese por declarada a “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, 12, incisos V e VII1, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Não escapa do conhecimento daqueles que militam no Ramo do Direito que em 15 de dezembro de 1998 foi promulgada pelo Congresso Nacional a Emenda Constitucional nº 20 que, dentre outras providências, fez introduzir no Sistema Jurídico Brasileiro novo regramento constitucional relativo ao Sistema de Previdência Social, promovendo profundas modificações nas normas antes referenciadas ao art. 195 da CF/88, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: 1 Em realidade, a Lei nº 8.540/92 não promoveu qualquer modificação no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, no inciso V desse mesmo dispositivo legal. Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.345 21 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Em razão das modificações estruturais promovidas pela EC n° 20/98, o legislador ordinário costurou novo modelito legal consubstanciado na Lei nº 10.256/2001, ajustando a legislação previdenciária ao novel manequim constitucional, fazendo inserir no ordenamento pátrio normas de caráter cogente disciplinando a contribuição previdenciária a cargo do segurado especial assim como a do empregador rural pessoa física. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Em suma, honrou a norma legal acima referida instituir as contribuições a cargo do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, e a cargo do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 desse mesmo diploma legal, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, respectivamente. Mostrase alvissareiro salientar, de molde a afugentar qualquer resquício de dúvida, que a inserção no ordenamento jurídico da norma legal referida nos parágrafos precedentes poderia ter sido realizada de dois modos distintos: (a) Pela regulamentação integral no próprio corpo da Lei nº 10.256/2001; (b) Pela alteração do texto legal atualizado da lei de regência da matéria, digase, art. 25 da Lei nº 8.212/91. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Insuflado pelos ventos da consolidação que dimanam do art. 13, caput e §1º da Lei Complementar nº 95/98, a qual dispõe sobre a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis, conforme determina o parágrafo único do art. 59 da Constituição Federal, pautouse o legislador infraconstitucional pela integração de todas as normas atinentes à matéria em debate num único diploma legal, optando assim pela introdução da norma tributária no ordenamento mediante a alteração parcial do texto vigente do art. 25 da Lei nº 8.212/91, à época com as modificações decorrentes da Lei nº 9.528/97, conforme expressamente previsto no art. 12, III da suso comentada LC nº 95/98. Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de 1998 Art. 12. A alteração da lei será feita: I mediante reprodução integral em novo texto, quando se tratar de alteração considerável; II – mediante revogação parcial; (Redação dada pela Lei Complementar nº 107, de 26.4.2001) III nos demais casos, por meio de substituição, no próprio texto, do dispositivo alterado, ou acréscimo de dispositivo novo, observadas as seguintes regras: (...) Art. 13. As leis federais serão reunidas em codificações e consolidações, integradas por volumes contendo matérias conexas ou afins, constituindo em seu todo a Consolidação da Legislação Federal. (Redação dada pela Lei Complementar nº 107, de 26.4.2001) §1o A consolidação consistirá na integração de todas as leis pertinentes a determinada matéria num único diploma legal, revogandose formalmente as leis incorporadas à consolidação, sem modificação do alcance nem interrupção da força normativa dos dispositivos consolidados. (Parágrafo incluído pela Lei Complementar nº 107, de 26.4.2001) Nesse cenário, ao promover a Lei nº 10.256/2001 as alterações necessárias ao texto do art. 25 da Lei nº 8.212/91, e mantendo inalterado o texto dos dispositivos da lei anterior que seriam repetidos pela norma posterior, in casu, os incisos I e II do mesmo art. 25 em tela, fez o Congresso Nacional, com a anuência do Presidente da República, inserir no Sistema Jurídico Nacional norma de estirpe legal que, ao mesmo tempo em que revogou tacitamente, por dispor de forma diversa, a exação tributária introduzida pela Lei nº 9.528/97, instituiu as contribuições a cargo do empregador rural pessoa física e a cargo do segurado especial, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, respectivamente, norma essa que se mantém vigente e eficaz até a data presente, não tendo ela sofrido qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade promovida em sede controle concentrado, exclusivo do STF. Teve a virtude a norma ora em comento de sanear todos os vícios de inconstitucionalidade apontados pelo Pretório Excelso no RE 363.852/MG. 1 A isonomia houvese por restabelecida eis que a norma aviada no art. 25 da Lei nº 8.212/91 instituiu a contribuição do empregador rural pessoa física incidente receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.346 23 do art. 22 do pergaminho legal em trato. Assim, tanto o empregador rural pessoa física quanto o segurado especial não se encontram sujeitos à contribuição previdenciária sobre a folha de salários. 2 A alínea ‘a’ do inciso I do art. 195, com a redação dada pela EC n° 20/98 passa a prever a contribuição social do empregador incidente sobre a receita. 3 Estando a fonte de custeio compreendida na hipótese genérica e abstrata encartada no inciso I do art. 195 da CF/88, na redação dada pela EC nº 20/88, as contribuições para a seguridade social podem ser instituídas mediante lei ordinária, in casu, a Lei nº 10.256/2001, não se aplicando, aqui o disposto no art. 154, I da Constituição da República. Tal questão já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional que pacificou o entendimento em torno da matéria em debate, conforme dessai dos seguintes julgados assim ementados: “CONFORME JÁ ASSENTOU O STF (RREE 146733 E 138284), AS CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL PODEM SER INSTITUÍDAS POR LEI ORDINÁRIA, QUANDO COMPREENDIDAS NAS HIPÓTESES DO ART. 195, I, CF, SÓ SE EXIGINDO LEI COMPLEMENTAR, QUANDO SE CUIDAR DE CRIAR NOVAS FONTES DE FINANCIAMENTO DO SISTEMA (CF, ART. 195, PAR. 4º)” (RE 150.755, Redator para o acórdão o Ministro Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, DJ 20.8.1993). “AS CONTRIBUIÇÕES DO ART. 195, I, II, III, DA CONSTITUIÇÃO, NÃO EXIGEM, PARA A SUA INSTITUIÇÃO, LEI COMPLEMENTAR. APENAS A CONTRIBUIÇÃO DO §4º DO MESMO ART. 195 É QUE EXIGE, PARA A SUA INSTITUIÇÃO, LEI COMPLEMENTAR, DADO QUE ESSA INSTITUIÇÃO DEVERÁ OBSERVAR A TÉCNICA DA COMPETÊNCIA RESIDUAL DA UNIÃO (C.F., ART. 195, §. 4º; C.F., ART. 154, I)” (RE 138.284, Rel. Min. Carlos Velloso, Tribunal Pleno, DJ 28.8.1992) Assim, a contar da vigência da Lei nº 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional nº 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001. No caso presente, o período de apuração remanescente situase de 01/12/2001 a 31/03/2007, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal suso referido, e não pelas regras consignadas nas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, estas, sim, declaradas inconstitucionais pelo STF. 3.2.4. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SENAR O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR foi criado pela Lei 8.315, de 23 de dezembro de 1991, nos termos do Artigo 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que determinou sua criação nos moldes do SENAI e SENAC, sendo, posteriormente, regulamentado pelo Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, com alterações introduzidas pelo Decreto 790/93, e pelas Leis 9.528/97, e 10.256/2001. Tratase o SENAR de uma Instituição de direito privado, paraestatal, vinculada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil CNA, mantida com recursos provenientes da contribuição compulsória sobre a comercialização de produtos agrossilvipastoris, nos termos do art. 3º da Lei nº 8.315/91, e tem como objetivo organizar, administrar e executar em todo território nacional, o ensino da formação profissional rural e a promoção social dos trabalhadores rurais. Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991 Art. 3º Constituem rendas do SENAR: I contribuição mensal compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o montante da remuneração paga a todos os empregados pelas pessoas jurídicas de direito privado, ou a elas equiparadas, que exerçam atividades: a) agroindustriais; b) agropecuárias; c) extrativistas vegetais e animais; d) cooperativistas rurais; e) sindicais patronais rurais. II doações e legados; III subvenções da União, Estados e Municípios; IV multas arrecadadas por infração de dispositivos, regulamentos e regimentos oriundos esta Lei; V rendas oriundas de prestação de serviços e da alienação ou locação de seus bens; VI receitas operacionais; VII contribuição prevista no artigo 1º do DecretoLei nº 1.989, de 28 de dezembro de 1982, combinando com o artigo 5º do DecretoLei nº 1.146, de 31 de dezembro de 1970, que continuará sendo recolhida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, VIII rendas eventuais; §1º A incidência da contribuição a que se refere o inciso I deste artigo não será cumulativa com as contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, prevalecendo em favor daquele ao qual os seus empregados são beneficiários diretos. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.347 25 §2º As pessoas jurídicas ou a elas equiparadas, que exerçam concomitantemente outras atividades não relacionadas no inciso I deste artigo, permanecerão contribuindo para as outras entidades de formação profissional nas atividades que lhes correspondam especificamente. §3º A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a da Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à disposição do SENAR, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral. §4º A contribuição definida na alínea "a", do inciso I, deste artigo, incidirá sobre o montante da remuneração paga aos empregados da agroindústria que atuem exclusivamente na produção primária de origem animal e vegetal. A lei 9.528/97, mediante seu art. 6º, modificou o regramento legal da contribuição em apreço, passando a instituir, a contar de sua vigência, a contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, à alíquota de 0,1% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. Posteriormente, em julho de 2001 foi promulgada a Lei nº 10.256/2001 a qual, por dispor de forma diversa, revogou tacitamente a norma explicitada no parágrafo anterior, fazendo criar, a contar da data de sua publicação, a contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. Lei nº 10.256/2001, de 09 de julho de 2001 Art. 3o O art. 6o da Lei no 9.528, de 10 de dezembro de 1997, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 6o A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Mostrase conveniente esclarecer que mesmo a receita oriunda da exportação constitui base de cálculo dessa contribuição, posto não ter natureza de contribuição social ou de intervenção no domínio econômico, mas, sim, de interesse das categorias profissionais ou econômicas, espécie de contribuição social que não se inclui na hipótese de não incidência Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 qualificada prevista no inciso I do §2° do art. 149 da Constituição Federal, acrescido pela Emenda Constitucional 33/2001. Constituição Federal Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. §1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) §2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Com efeito, a Emenda Constitucional nº 33/2001 introduziu no ordenamento um novo regramento de imunidade visando a diminuir a carga tributária incidente sobre receitas decorrentes de exportações, mediante a inclusão do §2º ao art. 149 da Constituição Federal. A identificação da natureza jurídica das contribuições tributárias tem grande importância prática, pois determina o seu regime jurídico. De acordo com o caput do art. 149, são três as espécies de contribuições: a) Contribuições sociais – com finalidade de custeio da seguridade social; b) Contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas ligadas a órgãos representativos de categorias profissionais ou econômicas; c) Contribuições de intervenção no domínio econômico através das quais o Estado intervém na econômica, controlandoa e incrementandoa com tal tributação. Assim, apesar de o caput do dispositivo constitucional em realce prever a existência de três espécies distintas de contribuições as sociais, as de intervenção no domínio econômico e as de interesse das categorias profissionais e econômicas , a regra da não incidência tributária perfilada em seu §2° abraçou, tão somente, as duas primeiras, não Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.348 27 incluindo no campo da renuncia fiscal em voga as contribuições de interesse das categorias profissionais e econômicas, como é o caso do SENAR. Tal compreensão não discrepa do entendimento adotado no Parecer PFE INSS/CGMT/DCMT 16/2004 e Nota COSIT 312/2007, o que vem a consolidar o entendimento sobre tal matéria no âmbito administrativo tributário. Não há que se falar, portanto, de inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural e seus acessórios, devidas pelos produtores rurais pessoas físicas, a que os adquirentes estão obrigados por subrogação legal. A uma, porque os fatos geradores que constituem o presente lançamento, em sua parte remanescente, houveram por ocorridos já sob a égide da Lei nº 10.256/2001, a qual não foi sequer arranhada pela declaração de inconstitucionalidade veiculada no RE 363.852/MG, conforme exaustivamente demonstrado. A duas, por que o STF apenas desobrigou as empresas da retenção e do recolhimento da contribuição previdenciária ou do seu recolhimento por subrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, mediante a declaração de inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, 12, incisos V e VII2, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, sem realizar qualquer menção ao SENAR, ou mesmo à Lei nº 8.315/91. Assim, possuindo a lei presunção iuris tantum de constitucionalidade, não sendo as normas tributárias que regem a contribuição para o SENAR abraçadas expressamente pelo Pretório Excelso, na declaração de inconstitucionalidade em apreço, concluise que a contribuição social em apreço permanece sendo devida pelo Recorrente, sem qualquer solução de continuidade. A três, porque as contribuições para o SENAR são completamente independentes e autônomas em relação às contribuições previdenciárias. Competenos enfatizar que inexiste qualquer conexão jurídica interligando a contribuição para o SENAR e a contribuição previdenciária, tampouco esta se revela principal em relação àquela. As duas contribuições são totalmente autônomas, distintas e independentes; ostentam natureza jurídica diversa; possuem destinação constitucional bastante divisa uma em relação à outra; foram criadas e disciplinadas por documentos legislativos próprios e diversos, além de os beneficiários de tais contribuições serem pessoas jurídicas diferentes. A lei apenas atribuiu à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e o recolhimento das contribuições sociais devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições legais referentes às contribuições previdenciárias. Frizese que, nos termos do §3º do art. 3º da lei nº 8.315/91, a arrecadação das contribuições destinadas ao SENAR deve ser realizada pelos seus contribuintes legais aos 2 Em realidade, a Lei nº 8.540/92 não promoveu qualquer modificação no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, no inciso V desse mesmo dispositivo legal. Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 cofres públicos juntamente com as contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da seguridade social, devendo ser observadas todas as regras atinentes a prazos, período de arrecadação, acréscimos legais decorrente de atraso no recolhimento, etc. Além disso, a fiscalização da regularidade de seu recolhimento e a competência para efetuar o lançamento de ofício também foram atribuídas ao órgão fazendário responsável pela fiscalização das contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social. Apesar disso, a contribuição em relevo se revela totalmente autônoma em relação às contribuições previdenciárias em questão, muito embora a matéria tributável lhes seja idêntica. 3.2.5. DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei nº 8.212/91. Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à sub rogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a sub rogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, incluiu na regra de subrogação as contribuições previdenciárias a cargo do empregador rural pessoa física. Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1º A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Art. 12. ................................................... V ............................................. a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.349 29 temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; d) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do país do domicílio; Art. 22. ....................................................................... § 5º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. §1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. §3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) (...) Art. 30. .................................................... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor.” Ocorre que, ao declarar a inconstitucionalidade do aludido art. 1º da Lei nº 8.540/92, o STF, de um só golpe, derriscou ab ovo a eficácia de todas as normas jurídicas modificadoras da legislação previdenciária encartadas no dispositivo inquinado, mesmo que algumas dessas normas não estivessem infectadas por qualquer vício de inconstitucionalidade, como se revelaram os normativos encapsulados no inciso V do art. 12 e nos incisos IV e X do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Contudo, mesmo partindose de uma interpretação literal do dispositivo do voto do Ministro Relator, haveríamos de concluir que a subrogação em relação ao segurado especial ainda permaneceria de observância obrigatória pelo adquirente, pelo consignatário e pela cooperativa, eis que tal obrigação houvese por estatuída diretamente pela Lei nº 8.212/91, em sua redação de origem, não tendo sido atingida pela declaração de inconstitucionalidade em realce. Aliás, registrese que a responsabilidade do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo recolhimento das contribuições em foco, a estes determinada pelo inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, não foi igualmente alvejada pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) III – O adquirente, o consignatário ou a cooperativa são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 5º dia útil do mês seguinte ao da operação de venda ou consignação da produção, ou no dia imediatamente anterior, caso não haja expediente bancário naquele dia, na forma estabelecida em regulamento; (Redação originária da Lei nº 8.212/91) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.350 31 trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) IV O adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação originária da Lei nº 8.212/91) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Por outro viés, conforme muito bem interpretado pelo Mestre Fabio Zambitte Ibrahim, citado pelo Min. Carlos Veloso no julgamento do Recurso Extraordinário RE 393.946/MG – Informativo STF nº 368, de outubro de 2004, a obrigação de retenção e recolhimento de tributo “é um facere, isto é, uma prestação positiva imposta a determinada pessoa, no interesse da arrecadação de exações devidas”. Nesse sentido salientou o Relator, no julgamento ora no placar: “A Constituição autoriza coisa maior: a lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. C.F., art. 150, §7º. E o Código Tributário Nacional, art. 128, prescreve que, "Sem prejuízo do disposto neste Capítulo (Capítulo V Responsabilidade Tributária), a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." Ora, tratandose de obrigação tributária acessória, assim entendidas aquelas que têm por objeto prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, nos termos do art. 113, II do CTN, estas podem ser validamente instituídas mediante qualquer documento normativo que integre o conjunto denominado Legislação Tributária, do qual são espécies as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, estando enquadrada nesse rol as Instruções Normativas expedidas pelos órgãos competentes, a teor dos artigos 96 e 100 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Imerso nessa Ordem Constitucional e Legal, em 14 de julho de 2005, a então Secretaria da Receita Previdenciária editou a Instrução Normativa SRP nº 3/2005, cujos artigos 92, V e 259 instituíram a obrigação acessória da empresa adquirente, inclusive se agroindustrial, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na condição de subrogada, a arrecadar, mediante desconto e a recolher as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 92. A empresa é responsável: (...) V pela arrecadação, mediante desconto, e pelo recolhimento da contribuição do produtor rural pessoa física e do segurado especial incidente sobre a comercialização da produção, quando adquirir ou comercializar o produto rural recebido em consignação, independentemente dessas operações terem sido Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.351 33 realizadas diretamente com o produtor ou com o intermediário pessoa física, conforme disposto no art. 259; Art. 259. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a responsabilidade pelo recolhimento: I do produtor rural, pessoa física, e do segurado especial, quando comercializarem a produção diretamente com adquirente domiciliado no exterior, observado o disposto no art. 245, com outro produtor rural pessoa física, com outro segurado especial ou com consumidor pessoa física, no varejo; II do produtor rural pessoa jurídica, quando comercializar a própria produção rural; III da agroindústria, exceto a de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e a de avicultura, quando comercializar a produção própria e a adquirida de terceiros, industrializada ou não, a partir de 1º de novembro de 2001; IV da empresa adquirente, inclusive se agroindustrial, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na condição de subrogada nas obrigações do produtor rural, pessoa física, e do segurado especial; V dos órgãos públicos da administração direta, das autarquias e das fundações de direito público que ficam subrogados nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial, quando adquirirem a produção rural, ainda que para consumo, ou comercializarem a recebida em consignação, diretamente dessas pessoas ou por intermediário pessoa física; VI da pessoa física adquirente nãoprodutora rural, na condição de subrogada no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial, quando adquirir produção para venda no varejo, a consumidor pessoa física. (...) § 3º A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa deverá exigir do produtor rural pessoa jurídica a comprovação de sua inscrição no CNPJ. § 4º A falta de comprovação da inscrição de que trata o §3º deste artigo acarreta a presunção de que a empresa adquirente, consumidora, consignatária ou a cooperativa tenha comercializado a produção com produtor rural pessoa física ou com segurado especial, ficando a adquirente, consumidora, consignatária ou cooperativa subrogadas na respectiva obrigação, conforme previsto no inciso IV do caput, cabendolhe o ônus da prova em contrário. §5º A responsabilidade da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou da cooperativa prevalece quando a comercialização envolver produção rural de pessoa física ou de segurado especial, qualquer que seja a quantidade, independentemente de ter sido realizada diretamente com o produtor ou com o intermediário, pessoa física, exceto no caso previsto no inciso I do caput. Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 §6º A entidade beneficente de assistência social, ainda que isenta das contribuições patronais, na condição de adquirente, consumidora ou de consignatária, subrogase nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial. §7º O desconto da contribuição legalmente autorizado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou pela cooperativa, a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando ela diretamente responsável pela importância que eventualmente deixar de descontar ou que tiver descontado em desacordo com as normas vigentes. E não se desdenhe do poder normativo da Instrução Normativa SRP nº 3/2005. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Sintonizado nessa mesma frequência, a Suprema Lei reservou aos Ministros de Estado a competência para expedir instruções expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: I exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República; II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; (grifos nossos) Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.352 35 III apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério; IV praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da República. Art. 3o As atribuições de que tratam os arts. 1o e 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. Depreendese do exposto que as Instruções Normativas expedidas pelos órgãos da administração direta decorrem da competência constitucional do Presidente da República e dos Ministros de Estado, estes últimos, para complementar e concretizar a vocação presidencialista, constitucionalmente afigurada. Por via de consequência, as Instruções Normativas dos órgãos da administração direta fulguram como emanações de agentes políticos de elevada estatura – Presidente da República e Ministros de Estado – ocupantes do arquétipo fundamental de Poder, os quais, nestas circunstâncias, aliamse para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assim, com esteio na Ordem Constitucional desfraldada nos parágrafos anteriores, e no uso das atribuições conferidas pelos arts. 1º e 3º da Lei nº 11.098, de 13 de janeiro de 2005 e pelo inciso IV do art. 18 do Anexo I do Decreto nº 5.469, de 15 de junho de 2005, a Secretária da Receita Previdenciária editou a Instrução Normativa SRP nº 3/2005 dispondo sobre normas gerais de tributação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social e das destinadas a outras entidades ou fundos. Lei no 11.098, de 13 de janeiro de 2005. Art. 1o Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e consequentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento. Art. 3o As atribuições de que tratam os arts. 1o e 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. Decreto nº 5.469, de 15 de junho de 2005 ANEXO I Art. 18. À Secretaria da Receita Previdenciária compete: (...) Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 IV propor, em conjunto com a Secretaria de Previdência Social, o aperfeiçoamento da legislação tributária relacionada à previdência social e expedir os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução; Assentado que a IN suso citada encontrase dotada de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência Social, deflui daí que, de acordo com a norma administrativa em realce, a empresa adquirente, consumidora, consignatária ou a cooperativa encontramse agrilhoadas à obrigação instrumental de promover o desconto e recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção devidas pelo empregador rural pessoa física e pelo segurado especial, não lhes sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando elas diretamente responsáveis pela importância que eventualmente deixaram de descontar ou que houveram descontado em desacordo com as normas vigentes. 3.2.6. DA REPERCUSSÃO GERAL Adentrando o epílogo desta narrativa, mostrase oportuno descortinar a questão atinente à repercussão geral pertinente à matéria. O art. 62A do CARF, aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro de Estado da Fazenda, é dirigente no sentido de que, nos julgamentos dos recursos no âmbito desse Conselho, os membros do Colegiado devem reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil, o qual trata da análise da repercussão geral. Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. §1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. §2º O sobrestamento de que trata o §1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Código de Processo Civil Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). §1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.353 37 pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). §2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). §3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). §4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). §5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Realmente, no caso presente, a Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Repercussão Geral no Recurso Extraordinário RE 596.177 RG/RS, reconheceu a existência de Repercussão Geral relativa à contribuição social previdenciária a cargo do empregador rural pessoa física, incidente sobre a comercialização da sua produção, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada a partir da lei nº 8.540/92, cuja ementa se vos segue. RE 596.177 RG/RS RIO GRANDE DO SUL REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator: Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 17/09/2009 Publicação DJe191 PUBLIC 09102009 EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA A PARTIR DA LEI 8.540/92. RE 363.852/MG, REL. MIN. MARCO AURÉLIO, QUE TRATA DA MESMA MATÉRIA E CUJO JULGAMENTO JÁ FOI INICIADO PELO PLENÁRIO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia, Cezar Peluso, Joaquim Barbosa e Menezes Direito. Avulta de forma hialina do julgamento aludido no parágrafo precedente que a matéria objeto da repercussão geral referese, única e exclusivamente, à contribuição social Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 previdenciária a cargo do empregador rural pessoa física, incidente sobre a comercialização da sua produção, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada a partir da lei nº 8.540/92, não portando o julgado acima transcrito qualquer referibilidade, a mínima que seja, à matéria atávica à subrogação abordada neste tópico. Considerando que os efeitos do julgamento do RE 363.852/MG, referido no RE 596.177 RG/RS, proferido sob o rito do controle difuso de constitucionalidade, circunscrevese às partes vinculadas à demanda judicial, e que os dispositivos contaminados permanecem vigentes e eficazes no ordenamento jurídico. Considerando que os Conselheiros desta Turma, por força do Regimento Interno do CARF, devem reproduzir a decisão do STF proferida na sistemática da repercussão geral. Considerando que a questão impregnada de repercussão geral não ultrapassou os limites da análise da constitucionalidade da exação previdenciária em foco, não abarcando a questão da subrogação, exsurge não poderem os membros desta Corte Administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar as disposições do art. 30, IV da Lei nº 8.212/91, mesmo na redação lhe foi outorgada pela Lei nº 9.528/97, uma vez que o dogma da subrogação foi mantido em apartado da questão levada à repercussão geral, não vinculando, por conseguinte, o julgamento deste Colegiado. Regimento Interno do CARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Nessas circunstâncias, cai por terra qualquer alegação de inconstitucionalidade ainda renitente, porventura. 3.2.7. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Vencidas tais digressões, revelase auspicioso expender algumas ressalvas necessárias acerca do julgamento do Recurso Extraordinário nº 363.852/MG acima comentado: a) Equivocouse o Min. Marco Aurélio, no que foi acompanhado por unanimidade, ao assentar no voto condutor, em aposto, que o art. 1º da Lei nº 8.540/92 declarado inconstitucional teria dado nova redação ao Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.354 39 inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual trata do segurado especial. Em realidade, tanto a Lei nº 8.540/92 quanto a Lei nº 9.528/97 não promoveram qualquer modificação na disciplina jurídica relativa ao segurado especial, cujo regramento permanece, sem solução de continuidade, regido pela regra jurídica inserida pelo art. 12, VII da Lei nº 8.212/91, o qual não sofreu qualquer sequela de inconstitucionalidade. Repisese que, a inconstitucionalidade declarada atevese ao art. 1º da Lei nº 8.540/92, e não ao art. 12, VII da Lei nº 8.212/91. b) Os vilões da novela ora em exibição foram protagonizados pela quebra da isonomia entre o produtor rural pessoa física que utilizasse mão de obra assalariada e aquele que não se utilizasse de empregados, e pela duplicidade de recolhimento sobre o faturamento a que estaria sujeito o empregador rural pessoa física. A norma relativa à subrogação em momento algum foi abordada no julgamento, desempenhando papel de figurante na trama em tela, havendo sido declarada a sua inconstitucionalidade por arraste, eis que incluída no texto do art. 1º da Lei nº 8.540/92, este sim, declarado inconstitucional pelo STF. Todavia, tratandose de obrigação tributária acessória, o dever instrumental de reter e recolher as contribuições devidas pelos empregadores rurais pessoas físicas pode ser instituído mediante qualquer espécie normativa encartada no conceito de legislação tributária, o que de fato veio a se suceder com a edição da IN SRP nº 3/2005, mediante seus artigos 92 e 259. Por outro lado, a matéria objeto da repercussão geral referiuse, única e exclusivamente, à contribuição social previdenciária a cargo do empregador rural pessoa física, incidente sobre a comercialização da sua produção, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada a partir da lei nº 8.540/92, não portando qualquer referibilidade à questão pertinente à subrogação. Assim, havendo sido a inconstitucionalidade em apreço declarada na sistemática do controle difuso, os dispositivos inquinados permanecem vigentes e eficazes no ordenamento jurídico não podendo este Colegiado negarlhe vigência. c) A obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária ou da cooperativa pelo recolhimento da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física não foi atacada pela declaração de inconstitucionalidade veiculada no RE nº 363.852/MG, permanecendo vigente e eficaz, produzindo todos os efeitos que lhe são típicos. d) A inconstitucionalidade declarada pela Suprema Corte atingiu, tão somente, as normas infraconstitucionais assentadas no inciso V do art. 12, incisos I e II do art. 25 e inciso IV do art. 30, todos Lei nº 8.212/91, introduzidas no ordenamento jurídico pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, assim bem como as normas legais aviadas na Lei nº 9.528/97 as quais, revogando tacitamente os dispositivos insculpidos nos incisos I e II do art. 25 e inciso IV do art. 30, todos Lei nº 8.212/91, lhe conferiram nova postura legislativa. Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 Assim, considerando que a declaração não modulada de inconstitucionalidade varre do ordenamento jurídico, operando ex tunc, os efeitos produzidos pela norma declarada inconstitucional, terseá que reconhecer que os dispositivos da lei nº 8.212/91 tacitamente revogados pelas duas leis supervenientes acima atacadas jamais perderam seu assento na plateia normativa pátria, eis que a suposta revogação ora aludida não se houve por confirmada. Registrese, por relevante, que em relação aos dispositivos em apreço, tanto a Lei nº 8.540/92, como a Lei nº 9.528/97, apenas revogam as disposições em sentido contrário. Assim, não mais existindo disposições contrárias, permanecem vigentes e eficazes as normas introduzidas no ordenamento jurídico pelos aludidos dispositivos da Lei nº 8.212/91. e) A regra tributária carreada pela Lei nº 10.256/2001 saneou os vícios de inconstitucionalidade apontados pelo STF no RE 363.852/MG. Ademais, tal norma não se houve por alcançada pela inconstitucionalidade declarada no RE nº 363.852/MG, permanecendo vigente e eficaz, produzindo todos os efeitos de estilo, de molde que, a contar da data de sua vigência, passam a ser devidas as contribuições previdenciárias a cargo do empregador rural pessoa física, nos termos assentados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. f) Possuindo a lei presunção iuris tantum de constitucionalidade, não sendo as normas tributárias que regem a contribuição para o SENAR abraçadas expressamente pelo Pretório Excelso na declaração de inconstitucionalidade aviada no RE 363.852/MG, concluise que a contribuição social em foco permanece sendo devida pelas empresas a que se refere o art. 3º da lei nº 8.315/91, sem qualquer solução de continuidade. Assim, temos que: 1) No horizonte temporal compreendido entre 23/12/92 (data da publicação da Lei nº 8.540/92) até 29/11/99 (data da publicação da Lei nº 9.876/99), o produtor rural pessoa física, proprietário ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua, mantevese regulamentado pela norma inscrita no art. 12, V, ‘a’ da Lei nº 8.212/91, em sua redação originária, na qualidade de equiparado a trabalhador autônomo; 2) O segurado especial, aqui incluído o produtor rural pessoa física que opera sem empregados, permanece regido ab initio pelo inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91; 3) No período compreendido entre 23/12/92 (data da publicação da Lei nº 8.540/92) até 01/11/2001 (data da vigência da Lei nº 10.256/2001), a contribuição previdenciária do segurado especial mantevese regulamentada pelo art. 25 da Lei nº 8.212/91, em sua redação de Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000620/200767 Acórdão n.º 2302002.237 S2C3T2 Fl. 3.355 41 berço, à alíquota de 3% (três por cento) incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; 4) No período compreendido entre 23/12/92 (data da publicação da Lei nº 8.540/92) até 01/11/2001 (data da vigência da Lei nº 10.256/2001), a contribuição previdenciária do segurado especial mantevese regulamentada pelo art. 25 da Lei nº 8.212/91, em sua redação de berço, à alíquota de 3% (três por cento) incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; 5) A contar de 01/11/2001 (data da vigência da Lei nº 10.256/2001), a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física e a do segurado especial passaram a ser devidas às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, respectivamente, nos termos assinalados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação que lhe foi conferida pela Lei nº 10.256/2001; 6) Permanecem sendo devidas as contribuições para o SENAR, sem qualquer solução de continuidade, nos termos da Lei nº 8.315/91 e alterações posteriores; 7) A subrogação e a responsabilidade pelo desconto e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pela pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e pelo segurado especial permanece de observância obrigatória pela empresa adquirente, consumidora, consignatária ou da cooperativa. Conforme amplamente demonstrado, os fatos geradores que remanesceram ativos no presente lançamento houveram por ocorridos já sob a égide da Lei nº 10.256/2001, a qual não foi sequer arranhada pela declaração de inconstitucionalidade aviada no Recurso Extraordinário acima mencionado, sendo devidas as contribuições lançadas pela fiscalização. 4. DO RECURSO DE OFICIO Não merece reparo a decisão de 1ª instância. A questão atinente à decadência parcial houvese por adequadamente enfrentada pelo Colegiado a quo, conforme demonstrado no item 2.1. supra. Quanto à exclusão das diferenças, tal providência revelouse necessária, uma vez que a Autoridade Lançadora verificou, quando da emissão da Informação Fiscal e do Relatório Fiscal Complementar, diferenças na base de cálculo do lançamento. Assim, imperiosa é a retificação do lançamento, tendo procedido com correcção, também neste tópico, o Órgão Julgador de 1ª Instância. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 Por tais razões, nego provimento ao Recurso de Ofício. 5. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Outrossim, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13864.000156/2008-38
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2005
AUTO-DE-INFRAÇÃO.
A empresa deve de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91.
A falta de registro contábil discriminado das parcelas passíveis de incidência contributiva previdenciária, acarreta lavratura de auto de infração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Juliana Campos de Carvalho Cruz, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2005 AUTODEINFRAÇÃO. A empresa deve de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91. A falta de registro contábil discriminado das parcelas passíveis de incidência contributiva previdenciária, acarreta lavratura de auto de infração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Juliana Campos de Carvalho Cruz, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 01 56 /2 00 8- 38 Fl. 807DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento o artigo 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter lançado em títulos próprios de sua contabilidade de forma discriminada as verbas que são base de incidência contributiva previdenciária, nas competências de 01/2003 a 03/2005. A multa punitiva foi aplicada de acordo com artigo 283, inciso II, letra “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, e atualizada pela Portaria Ministerial MPS/MF n.º 77, de 11/03/2008, na forma do artigo 373, do mesmo Regulamento. De acordo com o relatório fiscal de fls. 14, as despesas incorridas com a mão de obra de empregados na obra de construção civil, Matrícula CEI 4352002049/78 foram lançadas na mesma conta contábil que as despesas com notas fiscais de prestadoras de serviço pessoas jurídicas. Após a impugnação, Acórdão de fls. 119/122, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que a expressão título próprio carece de regulamentação específica; b) que o agente fiscal não pode efetuar exigências que não estejam previstas em lei; nem definir por vontade própria o conceito aplicado a cada caso; c) que o Livro Diário contém as informações correspondentes aos fatos geradores; d) que o fiscal não observou a contrapartida dos lançamentos registrados no Livro Diário, analisando apenas os razões; e) que a recorrente fez documentos complementares e apresentou recibos de origem interna que não foram considerados; f) que o plano de contas é elaborado conforme o interesse da empresa; g) que sua escrita é regular e não houve lesão à essência da contabilidade; h) que as formalidades foram cumpridas e a contabilidade está registrada, não podendo ser desconsiderada pelo fiscal; i) que a deficiência foi suprida devendo a multa ser relevada j) que não houve o descumprimento da norma especificada no auto de infração; k) a autuação não foi baseada em hipóteses legais, ferindo os direitos da empresa. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13864.000156/200838 Acórdão n.º 2302002.535 S2C3T2 Fl. 394 3 Requer que seja declarada a insubsistência do auto de infração, a sua nulidade e a extinção do crédito tributário. É o relatório. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. À época da autuação, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarretava a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarretava a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. O não recolhimento do tributo acarretava a aplicação dos juros legais e da multa moratória, enquanto o descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em lei, acarretava a multa punitiva. No caso presente, o contribuinte ao lançar as despesas incorridas com a mão de obra de empregados na obra de construção civil, Matrícula CEI 4352002049/78 na mesma conta contábil que as despesas com notas fiscais de prestadoras de serviço pessoas jurídicas, descumpriu a obrigação acessória exposta no artigo 32, II, da Lei n.º 8.212/91. É obrigação da empresa registrar de forma discriminada os fatos geradores de contribuição previdenciária. O art. 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91, traz que a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Esse ordenamento encontra respaldo, também, no art. 225, inc. II e §13, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) Fl. 810DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13864.000156/200838 Acórdão n.º 2302002.535 S2C3T2 Fl. 395 5 § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: I – atender ao princípio contábil do regime de competência; e II – registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos relatados no "Relatório Fiscal da Infração", revelase procedente a autuação, eis que é disposição legal trazida na Lei 8212/91, conforme citado acima, que a empresa discrimine em sua contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da mesma possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a areal situação da empresa no período analisado. Assim, quando a fiscalização se depara com uma escrita contábil onde os fatos geradores de contribuição são lançados na mesma conta contábil onde estão escriturados outros valores, é mister a lavratura do auto de infração, por descumprimento da obrigação acessória contida no artigo 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91. São improcedentes as alegações da recorrente quanto as exigências de escrituração dos fatos geradores de contribuição previdenciária não constarem da legislação e serem definidas pelo fiscal, eis que conforme já explicitado acima a obrigação acessória do registro individualizado dos fatos geradores está estipulada pela Lei n.º 8212/91. A recorrente não comprovou a correção da falta não havendo que se falar em relevação da multa. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 811DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13707.000213/2004-68
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Havendo a omissão quanto aos limites da decisão proferida devem ser acolhidos os Embargos de Declaração, para consignar que o recurso foi provido somente de forma parcial.
Embargos acolhidos.
Embargos de Declaração Acolhidos.
Numero da decisão: 3102-000.025
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e prover os Embargos Declaratórios, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Havendo a omissão quanto aos limites da decisão proferida devem ser acolhidos os Embargos de Declaração, para consignar que o recurso foi provido somente de forma parcial. Embargos acolhidos. Embargos de Declaração Acolhidos.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Ar,„ TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13707.000213/2004-68 Recurso n° 138.162 Embargos Acórdão n° 3102-00.025 - P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2009 Matéria SIMPLES - INCLUSÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Havendo a omissão quanto aos limites da decisão proferida devem ser acolhidos os Embargos de Declaração, para consignar que o recurso foi provido somente de forma parcial. Embargos acolhidos. Embargos de Declaração Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e prover os Embargos Declaratórios, nos termos do voto do relator. o 1 M rcia Helena Trajam Ill&amorim - Presidente , .4rOkA,C&C.A,-CA,^celo Ribeiro Nogueira - Relator EDITADO EM: 04/11/2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Na sessão de 10 de julho passado este processo entrou em pauta para julgamento do respectivo recurso voluntário, cujo resultado ensejou o Acórdão 302-39.674. Na oportunidade, após fazer um breve relato dos fatos e das razões recursais, o Colegiado deu provimento ao recurso, na forma do voto deste conselheiro, por maioria, vencidos os ilustres Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Corintho Oliveira Machado e Ricardo Paulo Rosa. A douta Procuradoria da Fazenda Nacional, tempestivamente, por entender que: "o conteúdo desta decisão terminou por criar hipótese de reinclusão automática de contribuinte na sistemática do Simples, não prevista em Lei." Isto porque, entende a douta PFN, em breve resumo, que, tendo o contribuinte solicitado sua reinclusão ao Simples, a partir de 1° de janeiro de 2004, não pode este Colegiado deferir sua reinclusao a partir de 1° de janeiro de 2005, pois tal decisão seria extra petita, já que para a inclusão nesta data deve o contribuinte formular novo pedido específico. Tendo os Embargos sido recebidos regularmente, foram os autos remetidos a este relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator Os embargos declaratórios são tempestivos. Não há qualquer julgamento extra petita, por evidente. O que fez este Colegiada com muita propriedade e acerto, foi deferir parcialmente o pedido formulado pelo contribuinte. O pedido formulado tem limites quanto à matéria e quanto ao tempo, assim foi deferido o pedido de reinclusão na sistemática de tributação do Simples, contudo, esta reinclusão foi limitada no tempo, em parcela inferior à pleiteada pelo recorrente. Talvez a interpretação confusa emprestada pela douta PFN ao comando desta Câmara decorre do equívoco cometido por este relator ao consignar simplesmente que foi dado provimento ao recurso, quanto o correto teria sido declarar que o provimento foi parcial, o que merece ser reparado. 2 Processo n° 13707.000213/2004-68 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.025 Fi. 118 Assim, devem ser acolhidos os Embargos de Declaração interpostos somente para fazer constar do resultado do julgamento e da correspondente ementa que o provimento dado ao recurso foi parcial. É como voto. • ' (. C-1 • • _ak,CL en,-( Á _je• Marcelo Ribeiro Nogueira 3
score : 1.0
Numero do processo: 10314.001470/00-93
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 16/01/1997
CLASSIFICAÇÃO FISCAL RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO E COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO
O produto MYKON ATC WHITE (N,N,N,N - tetraacetiletilenodiamina estabilizado com carboximetil-celulose sódica) classifica-se no código NCM 3824.90.89, com alíquota do imposto de importação de 14% à época da importação realizada. Tendo o importador pago a alíquota correta, não há que se talar, portanto, em pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, não havendo direito à restituição e, conseqüentemente, à compensação pretendida, por inexistência de crédito.
Recuso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.595
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário Vencidas as conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena e Nanci Gama. A conselheira Beatriz Veríssimo de Sena apresentara declaração de voto.
Nome do relator: Celso Lopes Pereira Neto
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 16/01/1997 CLASSIFICAÇÃO FISCAL RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO E COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO O produto MYKON ATC WHITE (N,N,N,N - tetraacetiletilenodiamina estabilizado com carboximetil-celulose sódica) classifica-se no código NCM 3824.90.89, com alíquota do imposto de importação de 14% à época da importação realizada. Tendo o importador pago a alíquota correta, não há que se talar, portanto, em pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, não havendo direito à restituição e, conseqüentemente, à compensação pretendida, por inexistência de crédito. Recuso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSEN I O: NotzmAs DE ADMINIS I RAÇÃO TRIBUT ÁRIA Data do fato gerador: 16/01/1997 CLASSIFICAÇÃO FISCAL RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTO fNIDUVIDO E COMPENSAÇÃO DF,SCABIMEN'l 0. INEXISTISCIA DE CRÉDITO O produto MYKON ATC., WHITE (N,N,N,"N" - tetraacetiletilenodiamina est ab i izado com earbo x i il-celulose sódica) elassi fica-se no código NCM 3824.90.89, com aliquota do imposto de importação de 14% à época da importação realizada. Tendo o importador pago a alíquoia coneta, não há que se talai, portanto, em pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, não havendo direito à restituição e, conseqüentemente, à compensação pretendida, por inexistência de crédito Recuso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos Os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário Vencidas as conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena e Nanci Gama. A conselheira Beatriz Veríssimo de Sena apresentara declaração de voto W-s-Mateelo Guerra de Castro - Presidente Celso I ,opes Pereira Neto - Relator EDITADO EM: 23/02/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo (iticrra de Castro, Jose 1 mandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Narrei Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e .Ni lton Luiz 13artoli. 12.e1atór10 iiirla-se de Recurso Voluntário contra decisão proferida pela Delegacia da Receita ledeu.ai de Julgamento em Fortaleza • DR140k, através do A.cordão n" 08-11.941, de 1.0 de outubro de 2007.. Por berr descrever os fatos, adoto o relatório componente da decisão recorrida, de lis. 146/150, que transcrevo a seguir: "Do pedido de restituição O pos-tel 101 C011112Cils açâo Trata o presente prOCe.S se de manifestação de inconformidade contra deca.são que indeferiu pedido cie re.siltuicão do briposto de Importação, ac.vmpanhado de pedido de compensação, no valor de R.8 95 256,36 (noventa e cinco mil duzentos e cinqüenta e seis 1O111 O trinta e wi.s centavos), confOrine dc.nrumentos .fis 02107, ente () Declaração de.' 0" 97/0016311-5 (fls 1.9/22), registrada em16/01/1997. Con.slú dos iiiitóç que, através de uma outái Dl, sob n" 06986.5, legistrada em 20/0671995, a requerente piocedeu é importação da mercadoria "til YKON AR( Wí/J7'L (N,N,N,N retraaectilerileriodiamina estabilL(.ldo com earbo..vinietil-t:elusose sódica), classificando-a no código M.M 2922.30 90 (a//quota do 11 2'.10 Naquela. o:'asiêo, com 15(1.se nos exame S. procedidos pelo Laboratório Nacional de Análises - LAilANA dl y 34/352, a Equipe de Classificação e Valoração Aduaneira discordou do iódi‘5o adotado pela requerente e entendeu que o correto seria o códigy. ) NCM 3823.90 90 (a//quota II— 11%) Desta forma, em 29/0511990, o riftrida equipe deo ciência ao importador do Denzonstrafivo de Cálculo de Lançamento Complementar (//,s 33), onde o mesmo lei intimado a apresentar Declaração Complementai de Importação (DO). a fim de recolher os ft 1l21.-1/0,n e Uai- ( '.f5.cii110.5 legais dec.:orientes da tecla s sificação fiscal Em SVU. 1 CqUC.f (11.s 02/07), a peticionária iritO, ma que a partir desta auttio(ão passou a adotai o códdo apontado pela fiscalização, e conseqüentemente, o impo.sto de importação passou usem calculado e recolhido com base na aliquota de 14% Od avia, por meio do proces so admi ni .5 ativo n" 10880 011252/98-80, a requerente efetuou consulta fiscal com o intuito de esclarecer a clas.sificação do produto Como resposta, e confirme fimdamernação contida na Decisão DI4N4/S7AT/8" RI , 0" 319, de 29/06/1998 (IR 23/272, conetniu-se que o código a ser adotado é 2922 .30 90, ou seja, o código adotado pela conrribmine anteriormente ao evento do Demonstrativo de Cálculo de Lan çameumto COMpleffielliar acuria meneionado 2 Pi ()cesso n" J 03 14 001470/00-93 S3-C1.12 Acórdão n " 3102-00 595 01. 199 niante disso, atrave ;s do pi esente processo e com fUndamento IN SRE- n" 21/97, i tecottente Solicita restituição acompanhada de pedido de compensação de parte do pagamento do Imposto de Importação relativo à mercadoria ol?jeto da ()cauí ação de Imporiaç .ão n" 07/0016341-5 Ul• 19/22), re,gistrada 16/01/1997, o qual do/mole ter sido pago a maior indcferiniclito do pleito /1 o itp1TC1(7.1 • o pleito da i rdéfreSSaild, oASWVIA/IRE/ST, pot meio do despacho às . fis 37/38, destacou que, "00 foi malizar O pedido de consulta, a inkessada dei vou de infOr mar que já havia sido intimada (7 cumprir 01»igação tributária relativa ao falo objeto da consulta ( ) razão pela qual, enh?ndemor conth,,iirada a hipótese de não atenrhinclito a0 ar] 52, 11, do Dec:teto 70 235/72 (PilF)", para, cm seguida, concluir que "a decisão .1)1,1NA/,SWRI-7/8" RI ,- não se aplica ao presc'rue caso, 1110(1 vez que, nos termos do Decreto 70.235/72 (P41/), o Decreto 2 . 227/85 e IN ,SRP - 59/85, a nova classificação somente será aplicada aos fatos ,5_,eradoi es ocorridos data protocolização da consulta e aos fatos f:,)-eradores ()cot-tidos a partir da data em que a consulente foi- notificada da decisão que RE8VH.TE EM À GR 4 ULMO DA TR1RUTAÇ4()" Em decotrència, foi p1 0/105/o O encaminlmunento do processo ao SESIT/1RE/SP, para apreciação. L717. 26/12/2000, ao apreciar questão, o SES1T solicitou a realização de coou/ta DIS1IZS1/RF/8"K1', nos seguintes termos (fls 39/40) "I Orlai O cot tela classificação tarifária a ser seguida para o produto de que trata ; ekrida consulta 2.. A partir de que momento ir decisão de nina consulta rcf:Tente à classificação tarifária In oduz (feitos 3. Uma decisão dessa naturc.'.za retroe para fins de re2f da classificação do 10eS700 produto já desembaraçado em situações anteriores à (ferida consulta O processo seguiu à S401?T/IRF/S1-) que, nos termos da Decisão • 08772003 /7s. indeferiu o pedido da int(?c es.sada, não reconhecendo o dii(jto à restituição do Cl ádito iributário pleiteado. Dentre outras considerações, alei ida (/ecisào apresenta como fundamentos para negativa da restituição o fi.no de que 1) em 29/01/2001, fài exarada a 1)1;CLSÃO DIANA/SRRF/8"RE n" 005, tornando insiihsis •tente a DECISÃO DlANA/NRRF/8"RE n' 319, de 29/06/1998, ii) de acordo eom a inani" esta.ção do SEFIA/GRED (fls 37/38), fin efetuada a f. evisií o da Dl 97/0016341-5, de 16/01/97, sem resuhado, não tendo sido autorizada a sna retificação, concluindo, ainda, pela inexistència do valores a sei-em ICS ti/UídOS Da manifestação de inconformidade Cientificada do despacho decisório em 22/12/2003, conforme A VISO de Recebimento juntado às /Is 53, a interessada apresentou sua manifestação de inconfoi miríade (17s 54/64) em 13/01/2004, por meio dc upt esc/nação Ols. 65/67), opoi nulidade em que, após um breve relato dos /Mos, discoidou da decisão mofei ida., nos seguintes ler mos. ao comi (li 10 do alugado na decisão inymgnada, tem a requerente dto a restituição dos valores pagos a ¡Juno), diante da incorreta classificação fiscal adotada pelo agente tio fisco, fi..n protocolizaria perante a própria Secretaria da Receita bedetal consulta fiscal sob o li" 10880 014252/98-80, na qual eselateceu a cla.ssifieaç.ão correta do produto, que sei ia a 2922 30 90, incidindo aliqwla de 29/, decisões. do Conselho de Contribuintes demonstrwn testar claro o direito dciestintição dos valores pagos a maior,. s('If da eito encontra limdanlento em consulta fiscal respondida pula prol» ia Receita l'ederal. que a//tina a cm reta elas sdicação para o produto, ein que pese o pedido de compensação haver .sido indelet ido, sob o argumento de que a Decisão ri" 005 de 05/04/2001 tornou nula a Decisão n" :31.9 de 29/06/1998, esse falo não obsta o direito . cle jestitiação da requerente, urna ver que a mustna estava recolhendo o valor da aliquoto a maior desde 24/05/1996 quando fOi autuada e concomitantemente ao procedimento de autuação, a requerente plotocolizou a consulta, que fOi solucionada em 29/00/1998, pet manccendo seu direito à c:diluição em face do lapso de tempo entre 05 (1015 111" OCC(1 ¡MCI 110'5: C.Ssulta a questão da se,(,,, ttrança jaridica para defender que a recorrente não pode ser penalizada poi rompi ir dispositivo excitado pela pi opr ia Receita Puderal, e, ponde] a ainda que, 11.Car (1 pleito á O mesmo que agi, de modo contrário ao principio cio tetivatividade mais benigna ao contribuinte,. ti (Inscreve neeho da obra de Valchr de Oliveira Rocha (Comentai io ao Código Tributário Nacional, vol 2, Ed. Saraiva., g 56), que .se ao ai t. 5", XL, da Constituição Federal ("a lei penal não reit ()agir á, salvo para beneficiai réu"), além de texto da lavra de Cel yo Ribeiro Bastos, onde destaca o principio expresso no uri 2", c.aptit, do Código Penal (Ninguém pode ser punido por faio que lei postei deixa de considelar crime, cessando em virtmle dela a execução e os çfC:ilos penais da sentença condenatória), princípio este que entende deva ser aplicado por analogia ao caso pi escale, 0c:inscrevendo ainda minas ementas de julgados do e TR1'/291?, e ainda, suscitando o parii .:rrajó Unieo do artigo 100 do ('TN, destaca que na ocasião do pagamento e posterior pedido de .i cstfluiçuo, d norma que eslava em vigor ela a da resposta à consulta expedida pela Decisão IF» 30 de 29/00/1908, não cabendo a alegação de que a Decisão de n" 00.5, de 05/04/2001 retrodge seus efeitos, sendo cei to que a MCSma somente tem validade e eficenia a partir de sua publicação datada de 19/03/2001, ou seja, a reco, Write, em lace do principio da !( 4 h oces:so n e 10314 001410/00-93 S3-C1 Ac(m .lio n 3102-00.595 F 1 200 fcmpoi aliclark, se CFICOTIll orla protegida soh a égide do efeito da consuha fiscal a" 319/98, no período de 18/0611.998 a 19/03/2001,- • pot Jim, requer a restituição do Imposto de Impoi tatuo pago a maior e a consequente iclOi ma da decisão reco, tida. 1.)iante da manifistação de inConfr)rinidade apresentada, e após a juntada da documentação pertinente, o processo foi encaminhar-1c) em. 17/03/2004 à DR,11,SPO Tl/SP, unidade o, iginalmente competente para julgar a fide Por /Orça da Portai m S1?1' n" 956, de 08/0412005, DO (1 de 12/04/2005, que tians. filiu a competência de julgamento, o proce.s.so foi encaminhado a esta 1...)R.1/Forialeza .1)a convc:Tsão do julgamento cru dikgência Submetido à apreciação desta 2" 'Dama da DRI/Foi poi unanhindade do,s votos de seus integrantes, esta re.'.solvett pela coo Ices/ia do ji*ctinento em. dilip, ência, nos !crinas da Resolução DRI/UOR n" .530, de .19/12/200.5 Oh 81/90). Fut atendimento às pi ovidâleias solicitadas por eve julgado; , foram juntados aos autos os documentos de fls . 93/143, tendo sido dado ciência à interessada do resultado da diligência, confim me fls 110/111, cuhninando com sua manifestação às fls. 1131119, acompanhada dos documentos de outorga de poderes .signa/avio às fls 130/131 C.'abe aqui destaca, a f.:"Vi.SlêfiCii.7 de outros processos (c:vali» me numeiação elacionada no cabeçalho do despacho às f/.> 15/46 dos autos) onde a matéria tratada à idêntica a deste, e, como tal, em atendimento à dilicência solicitada, por urna quc?stão economia pl-Vccs'SPill, c...ópia do m()cesso dc consulta Mi' 10880.011252/98-80 fio juntada ao acesso .M1 (»Janto à 710 Vil liklitifiitittlçii0 apt escalada pela interessada, esta, em sáttc se. I OrlifiiAtir o 1201" de sua manifestação versa//ando, quanto aos motivos que suscitai" a anulação da DF.CLS40 1)11N4/SRR1.187/F n".3/ 9, de 29/06/1998, que o anta dc infração já se encontrava cytinto por pagamento Frisou que o pagamento objeto do pleito foi comprovado no sistema ,51N",-.1.1„ c. ao final, solicitou a restintiçiio conforme petição inicial Em 13/07/2007, o pi oce,sso reto; miou a esta DRI/FOR para prosseguimento do julgamento Os memblos da 2a Tritura de Julgamento da DRi/FORTALF/A, por unanimidade de votos, indeferiram a solicitação, através do referido Acórdão, cuja ementa transcrevemos, verbi5: /1SS47N10 NORMAS .41).41INISTR.4GiO TR1R( ÁR1.4 Data do fato ,!'?,-eradoi 16/01/1997 MA/VITLS1.10-0 DE PVCONT (UMIDADE PEDI1)0 L ('014,1"P1AISAÇ :1. A SS 11-1C.:ACÃO C.'onstatatlo que o produto . Y.A.(N .A1C WRITE (A", /Y, Ai, Ar - /cif aaceidetitenodiatnina CSIahiliradO rola CUrb0.tililleffi-CCMOS'e Ncidie -a) ciá s SifiCa-SV 170 código NOW $8249089,89, que sua correspondente alíquota do imposto de importação é igual a do código NeM aplicado no despacho aduaneiro, O que, via de corlseqrrçrleia, o valor recolhido do imposto de importação coincido com. o valor deste tributo inerente é da correra (lias s ijicao7o fiscal do bem impor lado, não há- c .t édito ir ibutár io O ser re.stituido Ou compensado ASSU/VIO PRO('LSSO 4D.1141NISIRAll1/0 FISCAL Data do fato gerador . 16/01/1997 .SOLUÇÃO DE CONSULTA AVILRAÇÃO DL EN1ENDItilt,N10 ANTERIOR LPEITOS A °Peruca() de entendimento expres . so em S'olução de Consulta (11(rifiç.Yitél 0.11)01110 o Jcilo.s geradores que ocon eram após ("1 .511a public.acão ou após a ciência do con.sulente, ex:ecto se a nova orientação lhe for mais favorável,. caso em que esta atingirá, também, o período abrartido pela soluçáo ante/ tormento dada. Constatado que o fato gerador objeto do pedido de resPlitieã) °ir compensação Ocorreu anteriormente é Solução de ConmPa tornada ia subsis tente e 5 Upef alia por Nina .1101 ,(1 orientação, que, por sua 1)1'2, não araireta em tratamento mais favorável, incubível será a aplicação do principio da retroatividade mais benigna ,S'olicitação Indcler ida incsignado, o Contribuinte interpôs recurso voluntário (tis. 156/164), no qual argumenta, em síntese, que no período compreendido entre a Declaração de Impoitação e a publicação da nova Resolução RF a" 005, de 29 de janeiro de 2001, ele estaria amparado em decisão administrativa que declarava, para todos os efeitos, que a classificação correta do produto era o código -N GNI" 2922 30,90, 50 jeita aliquota do Imposto dc Importação de 2% (dois por cento). Aponta como violado o art. 106 do CTN O relatório Voto (.".onsellicii o Celso Lopes Pereira Neto, Relator () recurso voluntário é tempestivo: a i ocorrente tomou ciência da decisão bostili/ada em 06/11/2007 (AR. de tls 155v) e apresentou sua peça lecursal em. 06/12/2007 (lis. 156) Dos tatos Fm 16/01/ .1997, a recorrente registrou a "Declaração de Importação n" 97/0016341-5 (lis 20/22), amparando a importação de 200 toneladas de mercadoria, cuja k_Y\" Processo n'' l031 ,1.(5014 70/00-93 S3-C1.1 2 A coudão n " 3102-00..595 1-,1 201 descrição não consta da D1, elassificando-a no código NCM 3824.90.90 -aI íquota do II - 14%. Dos documentos acostados aos autos temos a informação de que a mercadoria tratava-se de composto orgânico de função mista anima e amida • tetraacetiletilenodiamina, utilizado na fabricação de detergente em pó, nome comercial MYKON ATC Em 18/06/1998, o contribuinte formalizou de Processo de Consulta (processo n" 10880.014252/98-80), solucionado em 29/06/1998 - Solução da Consulta - Decisão D1ANA/SR -RF/8"RF n" 319 (fls. 23/27) -- em que se concluiu que a mercadoria em questão deveria ser classificada, no código NCM 2922.30.90.. Em 10/04/2000, foi protocolado o Pedido de Restituição/Compensação (fls. 2/3), objeto do presente processo, com fundamento no pagamento a maior do imposto de importação em relação à classi ricaça° fiscal no código NCM 2922.30.90, ao qual se aplicaria, à época da importaçã.o, a aliquota de 2%. Fm 29/0 -1/2001, a Solução de Consulta SRRI F/8"RF/D1.A.NA n" 005 tornou insubsistente a. Decisão DIAN A/SRRIIS ÚR E IV 3 -19, de 29/06/1998, concluindo que a mercadoria importada pela recorrente - preparação constituída por letraaretiletilen.odármina (92% em peso) e calboximetilcelulose de sódio (7% CM peso) destinada à formulação industrial de detergentes em pó, com a função de ativar substâncias denominadas perboratos, responsáveis pelo efeito de branqueamento dos tecidos (remoção de manchas coloridas), uma preparação da indústria química, acondicionado enr sacos de 25 kg ou em bags"dc 500 a 750 kg, marca -M-.YKON ATC W1-1111 -1:,, fabricante Warwick International Limited — tem correta classificação fiscal no código NCM 3824.9(.-t 89, cuja aliquota do ff era de 14%, em 16/01./1997 (data do registro da Mn" 97/0016341-5). Da correta classificação da mercadoria importada Inicialmente, é necessário estabelecer a correta classificação fiscal da. mercadoria importada, objeto do presente processo.. A Decisão DIANA/SRR1/8"RF n" 005, de 29/01/2001, baseada em sólidos fimdamentos, concluiu como aplicável à mercadoria em questão o código NC .N4 3824.90.89 Adoto tal decisão, a qual passo a transcrever: "RELATÓRIO I Vers'a pr e.s ente sob Te a clas'sfficação fiscal na Tatifa EXtenld COMUM (112, 0, do Hercosul do produto r caracterizado pela intercs•s•etcla Nome vulgar, comercial, cientifico e técnico' Nome comercial: IV! YKON ATC WHI Nome tc'enico afivadoi de perborato TALD, Nome cientifico • N,N,N,N-leti,locei&!filenodiamina estabilizado com carboximetilcé.lulore Marca registrada, modelo, tipo e fabricante: Marca registrada . Mykon, (17 Jipe 4J( Pabrieante i'Varviel,- International Limitei, Mostyn, Holvïvell, .1:linIs1/iH: (118 91-IE United Ringdom Função principal e tiecundária: Punção principal ativador de agente de Lo anqueumen to/alvejo men to (ativado) de per- In)) atos) de mofá ias té,vieis Princípio e descrição resumida do funcionamento: A5te composto químico 111,Ar,111,N--tutr0acetiletilenodionrina é utilizado na pi odikiío de dete';gente.s, com a /Unção especifico de UM ativado" (ativado" de pCI'boralos) de cmerne branqueamento de matérias têxteis 01's 0/71 ineipio de todos os ativodotes de perboi ato ba.seia-se em meu agi os sdo nucleólila do ânion da pei idroxila a compostos contendo nitrogenio (7) ou oxigênio (O/ potencializocão do alpç'jamento/Inanqueamento de matérias têxic.i5 é alcançado ah av(s da reireõe entie tetraoceiiletilenodiamina (T,117.1)) e o in:rborato s Mico, reação essa que aumenta a produç-ào de oxigênio ativo, fesponsável pelo In anqileamcino Aplicação. uso ou emprego: Utilizado na indústria química corno ativadoi de agente de bianqueomentoáilvelamento (olhador de per boiotas) de uratffiaS /éVei 5. MI til). 711111(1(:ãli deleigeille5 em pó Dimensões e peso líquido: 114}'IsON ATC ffIlITIE é embalado e comercializado em saco!s contendo 25 kg de produto (peso líquido) ou "big bags - de 500 kg a 750 kg (peso líquido). l'eso molecular, ponto de fusão e densidade (cap. $9): Peso molec.ular (produto ativo) 228,25 Ponto de fusão (produto ativo) 152 "(7 I)e3rsidade aparente (produto (itivo) 550 -I- 30 ky,./n1' Ob.s..: densidade aparente: aprox. 420 lig/ny' forma e apresentação: 101 ma brancos Ain esentação sacos contendo 25 kg de produto (peso líqui(to) OH /20 bags" de 500 kg a 750 kg- (peso liquido) Matéria constitutiva e suas percentagens em peso ou em Volume: Processo n" 10314 .001170100-93 S3-C112 Acól (Iào íi" 3102-(0,595 R. 202 a) tc!fiaacetiletilemodiamina- 92 iL 2 % h) carboxinietilcchdose sódica 7 2 Processo de obtenção: .1 mercadoria em questão é obtida a partir das seguintes etapas a) 7)7ilileiftlille111C, há a reação química entre irs matérias primárias etileriodiamina e o anidrido do ácido ac(tico, obterhio-,se o lA L1) (/efiaaceliletilenodiarninci) eia .1bn-uri cristalina e altamente pura, I?) pos /crio í'mente, L1 EE) pas sa em uma unidade de compaetação onde é incrustado (adicíonado) estahili2„-adorroteloi (material inerte -- Cai bo)imetih.whilose dica), obtendo-se o produto final na . forma de f,-1 (11/1..Y.KON 1Ir: WHITT) Classificação fiscal adotada e pretendida com os correspondentes critérios- utiliz,ados: a) a Ernpre.Sa consulente pretende adotar a classificação da mercadoria pela posição 2922 da NCM/TEC, pol se ízataz de "cotupostas aminados de funções oxigenadas" Entre esses, na .subpasição 2922.30, encontram-se as "arniflocetonas" No código residual N(711/TEC 2922.30,90 estão compreendida as aminoccionas No Capitulo 29 (Produtos ()mímicos Orgânicos), a .Nout 1 di.spãe que es/do compreendidas no presente Capítulo ap(Juts. a) os compostos ork.ânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impureuts- b) os produtos das alíneas "a", "b", "c", "d" ou "e" «cima, adicionados de um estabilizaute (incluído tun azente antinlomerante) indispensável a sua conservação ou transporte: Por w tratar de um composto orgânico (NA', N, adicionado de um estabilizante (carboximetilceltdose) indispensável a sua conservação, esse produto MYKON ifICWHITI;:, atende perfeitamente as Notas la e _ff zlo Capítulo 29 b) por .-se tratar, a mercadoria eia consulta, de Hm composto orgânico de constituição química definida (N.N,N,N- tetraacetiletilenodiamina) adicionado de um estabilLante (caihoximetilcdulose sódica), indi,spensável à cons:?rvação mercadoria sob consulta, cabe aplicar-se no caso O di.V.n.Pdo na Nota 7, letras "a" e "1" do Capítulo 29 . dUvidas• poderiam singir • que levariam a • classificação da _ mercadoria para o código TEC/NCAd 3824 90 89, em boa bom desear fada., uma veu que a MiSt117"a dag duas matérias /9/\r constituir va.s incude disposto nas loiras "a" O "7 .- do Capitulo 29, daí O acerto da classificação adotada (2922.30.90. IINI.)AMLN708 LEGAIS 2 C'onsoante as informaçõe..s prç'siada.s pela Comute:file e docurnentos anexados, além dos laudos de anális .e firrnocidos pelo Laboratório de ,,Inálises da Allandega do Porto de ,S'antos (LABOR) (11s 57 e 58, lis. 60 a 70) um resposta aos Pedido do Exorno ri" 10831,/00.1/2000/LADI-C.V.LUMB1A (fls. 56) e seu aditamento (fls 59) o produto objeto do prescrito procc.s.so trata- se do 111110 prepw ação c'onstituída do ton. aacetiletilenodiamina (92"; em peso) e carhoximetilceltdose do sódio (7% em peso) destinada à formuWão industrial do dctorgente.s . em pó com a função de ativar substâncias denominadas peiboraros, re.spon.sávoís pelo deito de branqueamento dos tecidos (remoção cio inclik•has coloridas), uma preparação da indústria química 3. O par ágrâto 3" do artigo 30 do licor -cio 70 235772, aliciado pelo art 67 da Lei 9 532/97 estabelece • 3" Alribuir-se-á cios 10;100 s O paruz.'(.7 is técnicOS solHo produtos . , exarados em outros procos.sos i•ulministrativos fiscais o tran.sladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fio!, nos „seguintes casos • cinturdo- irtinfre'in oriiíri'ihtis do 1.úto firbr á ante, com 15:9ral denominação, !HUECO e especificação, Seguindo essa orientação os laudos do análise firrneeidus polo Laboratório do A ná/ises da Allandew do Porto de ,S'antos (LABOR) (lis 57o 58; lis 60 a 70 )„ são caudas paia a ourado) r ção do produto objeto do presente processo pois rclereur,s0 a ploduto O, igínóno du musmo ¡cante, com igual denominação O marca. 4 A .Noto 1 do Capítulo 29 estabelece "1 - Ressalvadas as di.spo.siçõeS em c:unitário, s posições do presente Capitulo apenas compreendem. a) os compostos orgânicos de cortsfituição ddinida apresentados isoladamonte ., mesmo contendo impurezas, • 1) os produtos (.1(15 alíneas "a", "b", "e", "d" ou "e" acima, adicionados do um esIabilizante (1.17difid0 IfFil agente tintlaglome(ante) indisponsávol à sua conservação ou ti URV)011e, L as No/as L-Nplieativas do Sistema Ilarmonizado em 511(.1.5- COR.SideHIS*JCti GefaiS' tiobie o Capitulo 29 esclarecem. "Os compostos . de constituição quirnica definida apr-esentados isoladamente contendo .subsnincias que .firram acroseentadas deliheradamente durante ou apos a ,sua .fribricação (incluída (1 purificação) e,s tão excluídos do presente' (..'apítuto. Pot COUN'CljfiênCia. 1 ,1311 produto constituído, por e.verriplo, por NUC:(11 misturada com lactose, a fim do que possa ser utilLado V- ‘)."- o Orcem) n" TO 14 CO 1170/00-93 S3-C11.2 Acórdão n ' 3102-00S95 I 203 como caiu/corante, está excluído do presente Capítulo ('e¡ .Nota Ekplicativa da posição 29 25) • • • • • • • . . . .„ . Os compostos de constituição química. definida, apresentados isoladamente, classificados no presente Capítulo, podem apresc¡urn-se oin solução (..uprosa Com as illeSmas rese¡vas que as indicadas nas Conside¡açõç..s do Capítulo 28, o presente Capitado também campreende as soluções- não aquosas e os compostos, Ou respectivas soluções ., adicionados de um estabilizamo (por exemplo, hutileatecol te; ciá rio com estilem) da posição 29 02), substancias antipoenas ou de cor anic..s /1,s disposiçiks relativas à adição de esiabilizantes-, substâncias antipodias ou de corantes, que constam das. Considerações Gerais do Capítulo 28, aplicam-se. intricais mutandis. aos compostos químicos incluídos no presente Capítulo Além disso, acrs produlo.s desta Capítulo podem, nas mesmas condiçõos com as mesmas ¡oscilas previstas quanto aos c-c-mantes, adicionar-se sub.stâncias odoilteras (por exemplo, hromoniciano da posição 29.03 adicionado de. pequena quantidade da cloropici ina) (grifim-se) .1.;, as Notas L.-xplicativas en) suas Con.siderações Gerais sobre o Capítulo 28 esclarecem "Os elementos químicos isolados e os compostos que, consoante as regras piocedentes, se considerem compostos de constituição química definida, podem conter um e,stabilLantc., das-de que e.sw seja indispensável à .sua conservação ou transpork.,. (Por exemplo, o petO yido de hidrogênio estabilizado com ácido bórico inclui-se na posição 28.47, 131(1S O peróxido de sódio, associado (1 catalisadores e destinado à produção de peróxido de hidrogênio, exclui-se do Capítulo 28 e classifica-se na posição 38 24) Também se consideram como estabilizantes as substâncias que se adicionam a determinados produtos químicos no intui¡o dc o.s manter no seu estado físico inicial, desde que a quantidade adicionada não ultrapasse a HeC'eSsáha pai a obtenção do que se pretende e que essa adição 11ãO modifique as cai acto íslicas do produto de base nem o foi na paFtiCidartnente apio para usos específicos de In4erência à sua aplicação gql 0.5 produtos do presente Capítulo, de acordo com as disposições precedentes, podem, por exemplo , apresentar-.se adicionados de substâncias antiaglomerantes Pelo contrário, excluem.-se os produtos a que tenham sido adicionadas substancias hidrófugas, dado que essa adição modifica as características do produto inicial " (grifou- se). O produto sob analisa, AdYKON ATC WRITE, ê constituído poi ietraacetilenlenodiamina e carboximetileehdose de sódio e --- destina-se à formulação industrial de doterg, enles em pó nos. ----- quais exercerá a Pinção de olhador de porborato O per boi ato --de sódio é a substância presente nos detergellteS em pó i'espoiisávei pela degradação de manchas coloridas, I- crivei ando 11 para tanto altas temperaturas ou um longo por iodo de contato A pi CS •Clly1 95 kill(id como a tetroacetiletilenodiamina /10 s s /bilha que o branqueamento possa se, realizado em lomperalwaS mais baixas O composto U.iiaacetiletilenocliainina reage com agonlcs avir/antes sob condiç .õos alcalinas, piesentes nas fOi mutações do detergente em pó, nece Ynitando, pot tanto, da adição da carboximetilcolulose do .soclio, na forma de /IMO Cafilrld0 /)/O/0 (10. paia impedi] que 'erija »R'maturamenle.. do modo que somente quando em SUO utilização dome', stica, no momento de mistura do deterg, ente ein pó com a água, possa reagi' cOrt1 O per borato de sódio desencadeando as reações responsáveis polo branqueamento das lec.idos Assim, o composto cai bo yrinetilcchilose de sódio nao se trata de um estabilizante indíspensável à consei vação ou transporte do componente ativo 100 actc,oliletilenodiainina, mas ?MI COillpOriCilIC fleeeS,SáriO 'tinção da utilização a que se destina O piOdzito sob análise, mio atendendo, portanto, o disposto 00 Nolo If do Capitulo 29 A s Notas P,":\plicatints dos Capítulos 29 e 28 em suas Considei ações Gerais esclarecem que os estabilizantos que ãí) adicionados a ciciei minaclos produtos químicos não podem toi ná-los pai trunfai mente apto pai a uso 0 specifkos de pi c:kr ència à sua aplicação •1ei al 4 pi esença de cai boximeldoelidose de sódio rei.,estinclo o tetraacetiletileriodiamina de sódio toina este último composto adequado para Sei eltipi . Cgt1(10 COMO (Itil ,ddOK de pt11)01a/05 em fOrmulaçoes de detergentes em pó, foi nanclo-o partic.vilarmente apto para mu uso especifico de pieferemia à WO dpliCaÇãO pois »01111ile que se mantenha intaclo em piescnça de dgc.'ittos wadanies em meio alcalino, pre.sentes nos detergonte em pó, aie O momento da utilização deste,s n/(inws 5 () composto tett aacetilefilenodiamina Si' apresentado isoladamente classifica-se no córlo 2922 .30 90, mas O modulo ein questão, 111);KON A TC WITI IL., S'end0 iiiiiu preparação contiluida dc. tetraac.:etiletilenocharnina (92% em peso) o cai bokimetileclulose de sódio (7% em peso), não se encontra compreendido entre aqueles que se classificam no Capítulo 29 nao se tratar de 11171 C0T7lpOS1 O 01:{0111CO de C071 quimica definida apresentado isoladamente, nos termos da Nota ia ido L'aphillo, não podondo o 00/117)0 510 carbovimotilechilose cie sódio sei considerado um estabilizante incli.spensável à SUO consvrwNiio nos termos da Nota do Capitulo 29. 6. Assim, o produto sol? análise, HYKON AT(' WIII1L, constiluinclo-se 0 llnld preparação de len- wieetiletilenodiaritina (92(' o Uo peso) o earboxlmetdoeluloso do sódio (7% em poso), 111710 pf epuração da indústria química não compicondida ein posição específica do Sistema Mn m01n0010, inclui-se entre aquelas que se classificam no posição 3824. No âmbito dessa posição encontra-se compieendida na suhposição .3824,90, na fillta de subposic,à0 específica brotando-se de 11[11(1 pt epara yiio à baSU do compostos orgeinico.s cias silica-su no có(h,s.;o 3824.90 89 7 Portanto, o pioduto dci ,e ser classificado, com base nas Mils I "e 6 "Castos da posição 3824 e da subposição .3824.90), I?(..;C-I, todas da TE(, do Mercostfl, c0711 Os esclarecimentos das Notas .Explicativas do Sistema HaimonLado {Dec' elo ri`) Vr 12 Processo n" 10314.001470/00-03 53-C I 12 Acórdãoii" 3102-00,595 H 204 435792 — alterado pela 1N SRF n '' 123/98, 005/99, 054/99 e 059/00), no código 3824 90 89 da 111CS ma IL.( (fl(creto n' 2.376/97) CONC1. US.,;i O 8. Com base no exposto, proponho que ,se inf»,rine ú con.sulerite para adotar, 1101 0 O proáno ol:) exame, o código .3821 90 89 da Externa Comum (TEC), do Alereosal, aprovada pelo Deeteto n" 2 376, de 12/11/97 (1) 0„t1. de 13/1179 7) - Retificação (L) 011 de 12/12/97). "O-O/Os of . iginais) Vale ressaltar que a recorrente não discorda da classificação fiscal constante da Solução de Consulta anteriormente descrita, apenas alegando que, à época do pedido de restituição, estava, em vigor outra solução de consulta que adotava classificação diversa, 'Portanto, a mercadoria i 1-11 portada pela recorrente, cujo nome comercial é MYKON A.TC W1 IfTE, tem, correta classificação fiscal no código NCM 3824.90.89, cuja. alíquota do II era de 14%, em 16/01/1997 (data do registro da "D1 n" 97/00 I 6341 -5) Dos eleitos das soluções de consulta sobre classificação de mercadorias e do direito ü restituição O processo de consulta é regido pelos mis. 48 a 50 da "Lei n" 9.430/96 e, no caso de processos de consulta relativos à classificação de mercadorias, aplicam-se, também, as disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto .tr 70.2.35, de 6 de março de 1972 ("PA.1.-). O capa! do art. 46. do Decreto n" 70.2.35/72 dispõe que o sujeito passivo poderá formular consulta sobre dispositivos da legislação tribulária aplicaVeis a fato determinado.. O Objetivo do processo de consulta é justamente este: que a Administração declare o seu entendimento sobre o alcance, conteúdo, objeto, ou seja, interpretação de dispositivos da. legislação tributária. Não tem a solução de consulta efeito constitutivo mas apenas declaratório, interpretativo. Como leciona Leandro Paulsen: "a consulta tem a finalidade de obter, de parte da Autoridade Tributária, esclarecimento _soim e o seu entendimento relati .VaMCIVIC (. aplicação de norma tributária eyistente." (Leandro Paulsen, Direito Processual Tributário, Livraria do Advogado, 4" cd., 2007, p.120) A solução de consulta tem o caráter de norma complementar, nos termos do art. 100 da Lei n" 5.172/1966 CTN, mas não revoga nem modifica a legislação interpretada de tal forma que, se uma determinada mercadoria, pela aplicação da lei e decretos pertinentes, tem uma correta classificação fiscal, tal classificação não poderá ser alterada por uma decisão em sede de processo de consulta, Portanto, a Solução de Consulta IMANA/SRIZ1//8"Rfi n" 319, de 29/06/1998 era. urna norma complementar ilegal, pois incompatível com a. legislação que regia a determinação da classificação fiscal das mercadorias, razão pela qual foi tornada insubsistente pela-Solução de Consulta SRRF78"RF/DIANA n" 005, de 29/01/2001. Ou seja, em nenhum momento a classificação correta das mercadorias importadas pela recorrente tbi a do código NCM 2922.30,90, e sim a do código .3824.90.89, ao qual era aplicá.vel a alíquota do tmposto de Importação - .1.1 de 4% (e não de 2%), pol ocasião da importação realizada, mesma aliquota aplicável (14%) às mercadorias da NCM 3824,90.90, classificação utilizada pela reconente em sua declaração de importação. A aliquota de 14% seria, inclusive, a correta para as mercadorias importadas no período entre as duas soluções de consulta No entanto, a recorrente, amparada pela Solução de Consulta DIANA/S1ZRF/8"RF n' 319, de 29/06/1998, pagou apenas o nuposto à aliquota de 2%, nesie período entre consultas. O. art 100, parairatb único do CTN estabelece que a obsei vancia das normas complementares exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de calculo do tributo, Mas não proíbe a cobrança de eventuais tributos pagos a menor, por ter o sujeito passivo agido de acordo com aquelas normas. No entanto, o art. 50 do Decreto 70 2.35/72, dispondo de maneira mais lavoravel ao contribuinte que o CTN, estabelece que "a decisiio de .se,_,,,unda iristrincla não obriga ao recolhimento de tributo que deixou de ,s . el retido ou autolançado ipós deciúio rdillmada e de acordo com a orientação deNta, noperiodo compreendido entre a.s data.s . de Ciência cla dna deci‘i;e.s.'', de tal forma que, para as importações realizadas entre as duas Soluções de Consulta, Clitendo que não se poderia cobrar a diferença do imposto Mas a importação em tela (Dl n" 97/0016341-5 de 16/01/1997). não se lerei e a despacho realizado durante a vigência da Solução de .Consulta DiANA-/SIZRF/8"12,F n" 319, de 29/06/1998 Outro ponto a considerar, é que não estamos tratando de exigência de diferença de tributo que teria sido pago a menor e sim de restituição de tributo que teria sido pago a maior. O art . 1.65, do CTN estabelece os casos em que o sujeito passivo tem direito à restituição total ou pai cial do tributo, cujo pagamento era indevido ou maior que o devido. Vejamos: "Art 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou paleio! do ii ibin0. S4C1 qílil I lin a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no ri do ar ligo 162, nos yeguintes caN'o s 1 COhnilly(i ou pagalihMt0 esponkineo de tributo indevido ou maior que o devido em face da lezi,slacão tributária aplicável, ou da natureut OH dICUTI,SkindaY materiais do fato gelado' efetivamente ocorrido. ii - ei to na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável. no cálculo do montante do débito on na vlabouição ou conferencia de qualquer documento relativo ao pagamento,. - rejOrma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória "(gi Q caso presente Hão se enquadra em nenhuma das linpóteses do art. 165 do Cf N. O imposto de importação .pago pela importação, em 16/01/1.997, da mercadoria MYKON 14 / Froccsso n" 1031'1 001470/00-93 S3-C112 Acôrfflo n ' 3102-00.595 vi 205 Al(r [TE, à aliquota de 14%, era exatamente o imposto devido em face da legislação tributária. aplicável à época do fato gerador. Não há que se t'alar, portanto, em pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, não havendo direito à restituição e, conseqüentemente, à compensação pretendida, por inexistência de crédito. Também não há. que se falar em aplicação da retroatividade benigna prevista. no artigo 106 do C:TN, uma vez que as disposições deste artigo relerem-se à aplicação de penalidades menos gravosas a infrações cometidas. No presente processo, não tratamos de infrações nem de penalidades aplicadas, nem sequer de exigência de qualquer crédito tributário. Por último, cabe discorrer sobre as Instruções Normativas SRF n" 02/97 e n° 230/2002 que, no entender de alguns, re,:_;paldariam o presente pedido de restituição. Tanto a Instrução Normativa SRF n" 2, de 09 de janeiro de 1997, que dispunha sobre os processos de consultas relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita. f ederal à época da consulta relacionada ao presente processo, quanto a instrução Normativa SRF n" 230, de 25 de outubro de 2002, que revogou a IN &RI:, n" 2/97.c passou a dispor sobre a consulta acerca da interpretação da legislação tributária e da classiricação de mercadorias, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, trazem dispositivos que falam da não retroatividade das consultas sobre classificação de mercadorias que alteraram ou refi.)rmarain decisão anterior, Vejamos: n" 2/97 Art 10 ( ,§ 6" Ala hipótese de alteração ou refC)rina, de ofício, de decisão Nolerida em processo de consulta sobre classificação de mercadorias, aplicam-se as conclusões da decisão allefada ou Jormada em relação aos atos ptaticados até a data em que fi.n dada ciência ao consulente da nora orientação ( "IN ST?I-7 230/2002 Ari, 14 § 7" Na hipótese de alteração ou refC)rma„ de ofício, de Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias, aplicam-se as conclusões da solução alterada ou reformada em relação aos aios praticados atê a data em que . fór dada CiAlCia ao consnlente da nova orientac,..yio ( -)" Ou seja, estes dispositivos . falam de irretroatividade e não de retroatividade benigna das consultas.. 7-Y1/7 Só para argumentar, analisemos os dispositivos destas mesmas Instruções Normativos que versam sobre outros processos de consultas, que nãc.) aqueles sobre classificação de mercadorias. Tratain-se dos arts. 10, §5" e .14, §6" das 1Ns n" 02/97 e n" 230/2002, respectivamente: "IiV ,51?1 . n" 02/97 Ari 10 ) 5' No hipótese de alteração de entendimento expie:~ em elec-isão proferida em proces yo de consulta já solucionado, a novo m-lentação atingirá. apen(05 0.5 fatos ,garadot as eme (/00/) 01, 01/1 apás a sua publicação na imprensa oficnil ou após a ciência do consulentc, e.Yeeto se a nova orientação lhe lin' mais firvorável, ça.so 0111 que esla atingirá, também, o J)01 iodo abrangido pela solução anterior monte dada. ( "'IN- SRL 230/2002 Ari 14 ) ó" Na hipótese da alteração de entendimento expres- 5-0 Solução de Consulta, á nova orientação alcança apena.s os mios, geradores que ocorreram após a sna publicação na iniprensa oficial ou após a ciência do coii.sidente. axeeto se o nova oiieniação lha lin nuns favorável, ca s o que.'. esta atingirá, lambam, o perimio ah-amido pala solução anicliormente dada ( Tais dispositivos, que -não se referem a consultas sobre classiticação mercadorias, que têm dispositivo específico anteriormente transcrito, falam sobre a retroatividade da solução mais nvorável, ao 'período abrangido pela consulta anterior. Mesmo que estes dispositivos pudessem ser' aplicados a soluções sobre classifica.cão de mercadorias, o que entendo não ser possível, não seria aplicável ao presente caso pois a nova solução de consulta não foi mais favorável que aquela reformada e também a. importação realizada não ocorreu no período de vigência da consulta anterior. .Fon resumo, -uma vez que o imposto de importação pago, por ocasião da importação considerou a aplicação de aliquota de 14%, exatamente aquela devida cio 1 ice da legislação tributária aplicável, não ha que se tilar em pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, :não havendo direito à restituição e, conseqüentemente, O compensação pretendida., por inexistência cie crédito, Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Celso Lopes Pereira Neto • -/ 1 G íj(-) Processo n' 10:314 001470100-03 S3-C11.2 Aoól dão n " 3102-00..595 01 200 Declaração de Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena Peço licença para, respeitosamente, abrir divergência. Conforme jí relatado, o Imposto de Importação sobre o qual a Requerente reg LICT, a devollIÇãO rerere-se à f)eclaração de Importação anterior ao correspondente Processo de Consulta, protocolado com a finalidade de esclarecer a classifica.cã.o do produto importado. Antes de obter a solução de consulta, o Connibuinte passou a recolher o Imposto de Importação em aliquota maior, conforme classificação feita pela Autoridade Fiscal em autuação. Posteriormente, foi expedida decisão DIANA/SRRF na. qual o órgão administrativo competente declarou que a classificação correta era aquela inicialmente adotada pelo contribuinte, sujeita a alíquota. de II menor, seria a correta. O presente pedido de restituição/compensação, ampara-se nessa decisão DIANA. A Autoridade fiscal, no entanto, entende ser indevida a restituição porque, posteriormente, foi expedida nova decisão pela DIANA/SR.R.F sobre o mesmo produto, refOrmando o entendimento relativo a classificação, De acoi do com essa nova decisão, a classificação correta seria aquela da primeira. autuação, anterior ao início do processo de consulta. Contudo, entendo que reside razão ao (..ntribuinte. No período anterior à. nova revisão do entendimento sobre a classificação do produto a "Requerente encontrava-se a.mpai ada por decisão administrativa da DIANA, cabendo-lhe recolhei; o imposto de importação tal como determinado por aquela solução de consulta. Tem, portanto, direito à restituição ou compensa.ção, Ocorre que, ao expor entendimento mais favorável ao contribuinte, a pri incita. Decisão DIANA/SRRF analisou não apenas a classificação fiscal a ser utilizada no fUturo, mas dispôs, também, sobre a classificação correta nas operações comerciais até então .. já realizadas. Em outras palavras, naquele momento, a DIANA passou a. dispor sobre a questão, vinculando o contribuinte e a fiscalização, no sentido de determinar o recolhimento do Imposto de Importação a allquota de menor. Em face da primeira Decisão D1ANA/SRR1 , não poderia o Contribuinte, nem a fiscalização, deixar de obedecer a classificação fiscal apontada pelo resultado apurado no primeiro processo de consulta fiscal. Ademais, depreende-se do art. 50, inciso IV, do Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), que a nova consulta formulada não se aplica a .fato pretérito quando esse fato jú tiver sido objeto de decisão anterior, proferida em e011Sti I Trata-se, exatamente, do caso em tela, , .1)J\ •(-)7- Transcreve-se o art. 52 do Decreto 70.2:35/1972 para melhor ilustrar a questão: 1it 52 Não oduzit á dedo a consulta fOrmu Ioda - cio desacordo com os . artigos 46 e 47,- - por aliem live, sido intimado a cumpra obrigação relaiiva ao Pito objeto da consulta,. - por quem estiver sob pHÀ:c.dimento fiscal inie'iado para CUIM CU (11Í0 50 1 ClaCi01701n com a matérril consultada, LV - quando O fino já 1101Wer sido 000/0 do decisão anterior, ainda 11(10 010 11/101/110, proferida 0111 consulta ou litígio em que lenha 010 o consulente, - quando o falo estive] disciplinado e'rn, ato no) motivo, publicado antes de sua apresentação, VI - quando O filio estiver definido ou declarado em dísposição literal de ler, - curando O falo for definido como 01/1/10 01i contravenção penal,- t3// (piando não dcscrever, completa ou exalamenk, a 111p1l050 (1 ([1(0 50 1 0J0Í7T, 011)100 0017111V1 OS' elementos necessários à sim solução salvo se a inevatidão 01:f 01111S'SíiO for escusável, a cïild io tia auto) idade /u/adora (destaque atua]) A modificação posterior do entendimento da DIANA não alcançou as operações de comei cio exterior já perteitas e acabadas, definidas a luz da resolução anterior. Por um lado, não poderia o Contribuinte ser surpreendido pela modificação unilateral e em seu prejuízo — do entendimento fiscal, com eleitos retroativos Por outro lado, antes dessa nova resolução, encontrava-se o contribuinte seguindo de boa-te as orientações expedidas pela própria DIANA, não podendo ser por isso penalizado. Isto poslo, dou provimento ao recurso voluntário. jTfiiz _ VeristiiilIO de Sena 18
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Numero do processo: 10920.002596/2006-58
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2004, 2005, 2006
NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NOVA DECISÃO PROFERIDA. IMPOSSIBILIDADE DE REFORMA DA DECISÃO ORIGINAL NO QUE CONCERNE ÀS MATÉRIAS JÁ APRECIADAS. VEDAÇÃO DO REFORMATIO IN PEJUS.
A decisão de primeira instância considerada nula em razão da falta de apreciação de determinada matéria trazida na impugnação tem por conseqüência a expedição de nova decisão. Contudo, no que diz respeito às matérias já apreciadas na decisão original não pode a autoridade julgadora de primeira instância alterar o entendimento já manifestado em favor do contribuinte, posto que em assim procedendo incorre em reformatio in pejus.
DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação pré-escolar), de 1º, 2º e 3º graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes.
REDUÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. CONDIÇÃO.
A redução da multa de ofício proposta na legislação é gradual e tem por objetivo o recebimento do crédito tributário, pondo fim a discussão administrativa sobre a exigência consubstanciada no lançamento de ofício, sendo certo que o benefício somente se aplica nos casos de pagamento, parcelamento ou compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício de 150% para 75%.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 19/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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NOVA DECISÃO PROFERIDA. IMPOSSIBILIDADE DE REFORMA DA DECISÃO ORIGINAL NO QUE CONCERNE ÀS MATÉRIAS JÁ APRECIADAS. VEDAÇÃO DO REFORMATIO IN PEJUS. A decisão de primeira instância considerada nula em razão da falta de apreciação de determinada matéria trazida na impugnação tem por conseqüência a expedição de nova decisão. Contudo, no que diz respeito às matérias já apreciadas na decisão original não pode a autoridade julgadora de primeira instância alterar o entendimento já manifestado em favor do contribuinte, posto que em assim procedendo incorre em reformatio in pejus. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), de 1º, 2º e 3º graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes. REDUÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. CONDIÇÃO. A redução da multa de ofício proposta na legislação é gradual e tem por objetivo o recebimento do crédito tributário, pondo fim a discussão administrativa sobre a exigência consubstanciada no lançamento de ofício, sendo certo que o benefício somente se aplica nos casos de pagamento, parcelamento ou compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 25 96 /2 00 6- 58 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10920.002596/200658 Acórdão n.º 2102002.649 S2C1T2 Fl. 184 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício de 150% para 75%. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 19/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JOSÉ LUIZ MENDES MADEIRA foi lavrado Auto de Infração, fls. 61/70, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2001, 2003, 2004 e 2005, exercícios 2002, 2004, 2005 e 2006, no valor total de R$ 80.768,09, incluindo multa de ofício, nos percentuais de 75% e 150% e juros de mora, estes últimos calculados até 31/08/2006. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 53/60, foram omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e Fapi e dedução indevida de despesas com instrução. No Termo de Verificação Fiscal a autoridade fiscal esclarece que as infrações de omissão de rendimentos foram exigidas com multa qualificada (150%), por entender que, ao omitir os rendimentos, o contribuinte teria demonstrado a intenção de reduzir o imposto de renda devido. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 73/80, onde se insurge contra a infração de glosa de despesas com instrução e a qualificação da multa de ofício. Informa, ainda, que procedeu a depósito administrativo, no valor de R$ 58.732,94, e requer que: Assim, na hipótese de êxito do contribuinte no que tange a discussão do percentual da multa aplicada, havendo o reenquadramento da mesma ao patamar que seria o correto de 75% (pois tratase in casu tãosomente de declaração inexata), o Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10920.002596/200658 Acórdão n.º 2102002.649 S2C1T2 Fl. 185 3 valor correspondente ao referido percentual (75%), diante do depósito realizado, deverá ainda sofrer a necessária redução de 50%, cuja diferença deverá ser restituída ao contribuinte nos termos do que foi requerido no parágrafo anterior. A DRJ Florianópolis/SC julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento, para: (i) manter a exigência do IRPF, no valor de R$ 495,00, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao anocalendário 2003; (ii) reduzir o percentual da multa de ofício de 150% para 75% sobre as parcelas não impugnadas da exigência, relativas aos anoscalendário 2001, 2003, 2004 e 2005; e (iii) considerar não impugnadas as exigências no montante de R$ 30.251,96, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativos aos anoscalendário 2001, 2003, 2004 e 2005. (Acórdão DRJ/FNS nº 0710.336, de 27/07/2007, fls. 109/114). Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 24/08/2007, Aviso de Recebimento (AR), fls. 122, o contribuinte apresentou, em 25/09/2007, Recurso Voluntário, fls. 126/132, no qual traz, em apertada síntese, as seguintes alegações: No que concerne ao depósito administrativo, o acórdão recorrido determinou que caberia à Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte (DRF/Joinville) dispor sobre o direito de o contribuinte usufruir o benefício de redução de 50% da multa de ofício de 75%, quando caberia ao julgador de primeira instância manifestarse a respeito, sob pena de a matéria (concessão da redução) ficar subjetivamente na esfera da DRF/Joinville. O recorrente impugnou pontualmente esta questão e deveria a DRJ/FNS manifestarse expressamente sobre tal pedido por tratarse de sua jurisdição e não delegar competência a DRF/Joinville. Quanto às glosa de despesas com instrução, muito embora não esteja previsto expressamente na legislação que despesas efetuadas com aulas de língua inglesa possa ser deduzida, há que se levar em consideração a situação atípica que se apresenta no caso, qual seja, necessidade profissional do contribuinte em ter proficiência na língua inglesa. Apreciando o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, esta Turma, em sessão plenária realizada em 24/09/2009 declarou a nulidade da decisão recorrida, por unanimidade de votos, nos termos do Acórdão nº 210200.332, fls. 138/140. Em 19/11/2010, a autoridade julgadora de primeira instância proferiu nova decisão, Acórdão DRJ/CTA nº0629.280, cujo dispositivo está assim redigido: Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo a parcela do crédito tributário impugnado e a incidência da multa qualificada de 150% sobre o imposto calculado nas omissões de rendimento apuradas. No que se refere à redução da multa em 50% em face do depósito efetuado no prazo de impugnação o voto condutor da decisão assim se pronunciou: Tendo em conta que efetuou o depósito do crédito exigido dentro do prazo de impugnação, o impugnante pleiteia a redução da multa em 50%, com fundamento no parágrafo 3° do art. 44, da Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10920.002596/200658 Acórdão n.º 2102002.649 S2C1T2 Fl. 186 4 Lei 9.430, de 1996, com a devolução da importância excedente decorrente do sucesso da impugnação. O dispositivo invocado tem o seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: §3º Aplicamse as multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 60 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. O art. 6° da Lei 8.218, de 1991, por sua vez, tem a seguinte redação: Art. 6º Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a titulo de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da multa de lançamento de oficio nos seguintes percentuais:(Redação dada pela Lei nº11.941, de 2009) I 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) III 30% (trinta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) IV 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º No caso de provimento a recurso de oficio interposto por autoridade julgadora de primeira instância, aplicase a redução prevista no inciso III do caput deste artigo, para o caso de pagamento ou compensação, e no inciso IV do caput deste artigo, para o caso de parcelamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10920.002596/200658 Acórdão n.º 2102002.649 S2C1T2 Fl. 187 5 No presente caso, em conseqüência do voto expressado nos tópicos anteriores, encaminhado no sentido da manutenção tanto do crédito impugnado quanto da multa qualificada de 150%, não há que se atender ao pleito da impugnação, de restituição de 50% do valor da multa, uma vez que o depósito já foi efetuado pelo seu valor reduzido de 50% dessa cominação, ou seja, de 75% sobre o imposto incidente nas omissões de rendimento e de 37,5% sobre o imposto apurado nas glosas de despesas com instrução, consoante benefício inscrito no inciso I do art. 6° da Lei 8.218, de 1991, para o caso de pagamento do débito dentro de trinta dias da notificação do lançamento. Cientificado da decisão acima citada em 02/12/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 156, o contribuinte apresentou, em 07/12/2010, embargos de declaração contra o Acórdão DRJ/CTA nº0629.280, de 19/11/2010, onde aponta a existência de omissão e contradição no que se refere ao benefício da redução de 50% da multa de ofício. Em 23/12/2010, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 164/180, onde traz as seguintes alegações: Da impossibilidade de haver reformatio in pejus pelo acórdão da DRJ/CTA – Não resta dúvida que o acórdão recorrido incorreu em Reformatio in Pejus, o que é vedado pelo direito pátrio. Deveria a DRJ/CTA resumirse exclusivamente a complementar o julgamento anteriormente realizado pela DRJ/FNS e passar a abordar e decidir exclusivamente sobre a declaração de direito do uso do beneficio da redução da multa de oficio no percentual de 50%, posto que o acórdão n° 2102 00.00.332 do CARF é claro ao determinar que a primeira instância julgue aquilo que deixou de apreciar no momento oportuno, mas jamais para impor que toda a matéria já decidida passe a ser novamente analisada e julgada. Da dedução de despesas com instrução Muito embora não esteja previsto expressamente na legislação que despesas efetuadas com aulas de língua inglesa possa ser deduzida, há que se levar em consideração a situação atípica que se apresentada no caso, qual seja, a necessidade profissional do contribuinte em ter proficiência na língua inglesa. Da inaplicabilidade da multa de 150% Em momento algum o contribuinte agiu com dolo, tentando impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco dos equívocos cometidos por si em suas declarações, tampouco praticou qualquer fraude, logo, não pode prosperar a qualificação da multa de ofício. Do depósito administrativo – O depósito administrativo (ou judicial) equivale ao pagamento. Assim, deve o CARF reformar a decisão recorrida a fim de garantir o direito do recorrente em reduzir a multa de 150% para 75% e da possibilidade de deduzir as despesas com instrução, culminando então, no direito do recorrente usufruir sucessivamente da redução de 50% da multa de mora sobre o valor depositado administrativamente, já que o mesmo ocorreu antes de vencidos o prazo de 30 dias da intimação do auto de infração. Em despacho, fls. 182, a autoridade administrativa de jurisdição do contribuinte encaminhou os autos a este CARF, para apreciação dos embargos de declaração e do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10920.002596/200658 Acórdão n.º 2102002.649 S2C1T2 Fl. 188 6 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que os embargos de declaração apresentados pelo contribuinte, o foram em relação à decisão recorrida, proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Portanto, não há que se falar em apreciação de tais embargos de declaração por parte deste CARF. Importa dizer, ainda, que de acordo com a Portaria MF nº 341, de 12 de junho de 2011, que disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, não há previsão legal para a apresentação de embargos de declaração contra as decisões de primeira instância. Nestes termos, passase ao exame das alegações apresentadas pelo contribuinte no recuso voluntário. Em sede preliminar, o recorrente afirma que a decisão de primeira instância incorreu em reformatio in pejus, ao reformar a decisão anterior que havia reduzido o percentual da multa de ofício de 150% para 75%. O Acórdão n° 210200.00.332, de 24/09/2009, deste CARF, declarou a nulidade do Acórdão DRJ/FNS nº 0710.336, de 27/07/2007, em razão da falta de apreciação do requerimento do contribuinte de ver concedida a redução de 50% do percentual da multa de ofício em razão da existência de depósito administrativo. Ou seja, declarouse a nulidade da decisão da DRJ apenas para que a autoridade julgadora de primeira instância se pronunciasse acerca de matéria que deveria ter sido apreciada na decisão recorrida e não o foi. Contudo, no que diz respeito as matérias já apreciadas não poderia a autoridade julgadora de primeira instância alterar o entendimento já manifestado em favor do contribuinte, posto que em assim procedendo incorreu em reformatio in pejus. Nesse sentido, importa transcrever as ementas que constaram do Acórdão que considerou nula a decisão de primeira instância: MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DE 50%. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. As DRJ são competentes para apreciar as alegações suscitadas pelo contribuinte, no que diz respeito à redução de 50% da multa de ofício. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. MATÉRIA NÃO APRECIADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, a decisão de Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10920.002596/200658 Acórdão n.º 2102002.649 S2C1T2 Fl. 189 7 primeira instância que deixa de apreciar matéria contestada pelo contribuinte em sede de impugnação. Das ementas acima transcritas, resta evidente que a nulidade declarada atingia o acórdão apenas no que concerne a matéria não apreciada, sendo certo que a nova decisão, que substituiu a original, jamais poderia incorrer em agravamento da situação do contribuinte, que já havia obtido uma decisão favorável à concessão da redução do percentual da multa de ofício de 150% para 75%. Tal entendimento impossibilidade da ocorrência de reforma de decisão favorável ao contribuinte já foi manifestada por este CARF no Acórdão nº 140100.410, de 16/01/2012 (processo 10855.001065/9924), cuja ementa a seguir se transcreve: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROVIMENTO RECURSAL COM REFORMATIO IN PEJUS. Tendo sido identificado que a decisão do recurso tornou a situação do Recorrente mais gravosa, é de se limitar os seus efeitos ao que decido na decisão original, sob pena de ofensa ao princípio do non reformatio in pejus. Nestes termos, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%, conforme já decidido no Acórdão DRJ/FNS nº 0710.336, de 27/07/2007. No mérito, o contribuinte se insurge apenas contra a infração de dedução de despesas com instrução, afirmando que muito embora não esteja previsto expressamente na legislação que despesas efetuadas com aulas de língua inglesa possa ser deduzida, há que se levar em consideração a situação atípica apresentada no caso, qual seja, a necessidade profissional do contribuinte em ter proficiência na língua inglesa. De acordo com o disposto no art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, somente são dedutíveis os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, ao ensino fundamental e médio, à educação superior e à educação profissional. Logo, despesas com aula de língua inglesa não são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Assim, devese manter a glosa de despesas com instrução, nos termos em que consubstanciado no Auto de Infração. Por fim, devese analisar a pretensão do contribuinte de ver concedida a redução de 50% do percentual da multa de ofício em razão da existência de depósito administrativo. De imediato, devese dizer que o voto condutor da decisão recorrida neste aspecto foi de fato bastante confusa, sendo certo que no acórdão sequer há ementa sobre o tema. Contudo, considerando que o dispositivo da decisão foi no sentido de considerar improcedente a impugnação, a conclusão a que se chega é de que a Turma entendeu que a existência do depósito extrajudicial não implica na concessão da redução da multa de ofício. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10920.002596/200658 Acórdão n.º 2102002.649 S2C1T2 Fl. 190 8 Como tal matéria foi abordada no recurso, passase a análise da questão, sob a luz do que dispõe a legislação pertinente: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 Art. 6o Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da multa de lançamento de ofício nos seguintes percentuais:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I – 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) III – 30% (trinta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o No caso de provimento a recurso de ofício interposto por autoridade julgadora de primeira instância, aplicase a redução prevista no inciso III do caput deste artigo, para o caso de Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10920.002596/200658 Acórdão n.º 2102002.649 S2C1T2 Fl. 191 9 pagamento ou compensação, e no inciso IV do caput deste artigo, para o caso de parcelamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o A rescisão do parcelamento, motivada pelo descumprimento das normas que o regulam, implicará restabelecimento do montante da multa proporcionalmente ao valor da receita não satisfeita e que exceder o valor obtido com a garantia apresentada.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Da leitura dos dispositivos legais acima transcritos se infere que a redução da multa de ofício somente é concedida nos casos de pagamento, compensação ou parcelamento, não havendo previsão legal para a concessão do referido benefício para o contribuinte que optar por fazer o depósito extrajudicial ou administrativo. A redução da multa de ofício proposta na legislação é gradual e tem por objetivo o recebimento do crédito tributário, pondo fim a discussão administrativa sobre a exigência consubstanciada no lançamento de ofício. Em suma, concedese redução de 50% ou 40% para o contribuinte que efetua o pagamento ou o parcelamento no prazo de 30 dias da data em que foi notificado do lançamento, sem a imposição de impugnação e de 30% e 20% para o contribuinte que efetua o pagamento ou parcelamento no prazo de 30 dias da data em que foi cientificado da decisão de primeira instância, sem a imposição de recurso. A concessão da redução somente é possível para os casos em que ocorre a extinção do crédito tributário, nos termos do disposto art. 156 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), pondose fim a qualquer tipo de discussão sobre a procedência do crédito tributário. O depósito extrajudicial ou administrativo não é uma das formas de extinção do crédito tributário, sendo certo que este pode conviver com a impugnação e com o recurso, possibilitando ao contribuinte apenas o benefício de cessar a fruição dos juros de mora. Nessa conformidade, não há como acolher o pedido do contribuinte de ver concedida a redução de 50% do percentual da multa de ofício em razão da existência de depósito administrativo efetuado dentro do prazo de 30 dias contados da data da ciência do lançamento. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício de 150% para 75%. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10920.002596/200658 Acórdão n.º 2102002.649 S2C1T2 Fl. 192 10 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13807.008150/2004-60
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2002
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no de prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.170
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: BEATRIZ VERISSIMO DE SENA
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TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13807.008150/2004-60 Recurso n° 142.702 Voluntário Acórdão n° 3102 -00.170 — 1' Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2009 Matéria DCTF Recorrente CENTRO PAULISTA DE NEUROCIRURGIA LTDA. Recorrida DRJ SÃO PAULO/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no de prazo 1e8a1 de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem 1 necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. iià „\j4, ej~, \Cr\CIA HELE RAJANÕ D'AMORIM - Presidente BATRIZ VERÍSSIMO DE SENA—Relatora EDITADO EM: 09/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. 1 Relatório Contra a empresa supra identificada foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativas ao ano calendário de 1999, nos termos do § 3° do art. 113 e do art. 116 do CTN, dos arts. 4° .e 2° da IN SRF n° 73/96, arts. 2° e 6°, da IN SRF n° 126/98, item I da Portaria 118/84 do Ministério da Fazenda, art. 5° do Decreto-Lei n° 2.124/84, e art. 7° da Lei n° 10.426/2002. Em sua impugnação o Contribuinte pediu, em síntese, que o auto de infração fosse cancelado ou anulado, ou reduzida a multa cobrada, porque a multa seria confiscatória. Remetidos os autos a exame da colenda Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP, o lançamento foi julgado procedente, porquanto a multa teria sido aplicada em conformidade com a legislação tributária. Contra a decisão da DRJ- São Paulo/SP, o Contribuinte interpôs recurso voluntário dentro do prazo legal de trinta dias. É o Relatório. Decido. Voto Conselheira BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, Relatora. Entendo que não merece prosperar o recurso voluntário, na medida em que está correta a aplicação de multa pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. O art. 113, §§ 2° e 3°, do CTN e Portaria do Ministério da Fazenda n.° 118/84, que delegou competência ao Secretario da Receita Federal, através da Instrução Normativa n.° 126/1998, instituiu a Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, como obrigação acessória, que consiste na entrega mensal de informações relativas à arrecadação de tributos ou contribuições federais, por meio de formulário padrão. Em caso de inobservância de tal obrigação, a referida norma impõe a aplicação de multa, como é o caso concreto. Além disso, a multa em questão tem fundamento e suficiência legal no art. 11, §§ 2°, 3° e 4° do Decreto-Lei n° 1.968/82, com a redação do art. 10 do Decreto-Lei n°2.065/83, e do art. 5', § 3°, do Decreto-Lei n°2.124/84. Por possuir amparo legal, o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo pela manutenção da multa por atraso de entrega de DCTF em hipóteses como a presente, como ocorreu nos julgados abaixo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. LEGALIDADE. 1. É cabível a aplicação de multa pelo atraso na entrega da declaração de rendimentos, a teor do disposto na legislação de regência. Precedentes. 2 Processo n° 13807.008150/2004-60 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.170 Fl. 25 2. "A par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um" (REsp. 243241/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 21.08.2000 p. 114). 3. Recurso Especial provido (REsp 591.726/GO, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ de 21.5.2008). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - RECURSO ESPECIAL1 INADMITIDO - AGRAVO DE INSTRUMENTO - DCTF - ATRASO NA ENTREGA - MULTA - POSSIBILIDADE - ENTENDIMENTO PACIFICADO - SÚMULA 83/STJ. - É pacifico na jurisprudência deste Tribunal Superior o entendimento no sentido da possibilidade de aplicação de multa ao contribuinte pelo atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF. Incide, à espécie, o enunciado 83/S TI, fundamento suficiente para se negar seguimento ao agravo de instrumento. - Agravo regimental improvido (AgRg no Ag 572.765/MG, Rel. Min. Peçanha Martins, DJ de 24.3.2006). Ressalte-se, por oportuno, que no que se refere às alegações de inconstitucionalidade, o exame das mesmas é vedado nesta instância administrativa, segundo o art. 49 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por acompanhar a jurisprudência do STJ e deste órgão administrativo, que também vem julgando no mesmo sentido, nego provimento ao recurso voluntário. BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA 3
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Numero do processo: 10283.900057/2006-39
Data da sessão: Fri Jul 02 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA — Presidente e Relator, EDITADO EM: 12/08/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Luis Eduardo G. Barbieri e Alexandre Gomes, Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação transmitida em 15/08/2003 pela empresa IFER DA AMAZÔNIA LTDA., na qual indicou crédito de COFINS do período de apuração de março de 2003, com arrecadação em 15/04/2003, no valor total de R$ 105.215,53. O Delegado da RFB não homologou a compensação sob a alegação de que o referido Darf fora utilizado integralmente para quitação de débitos da recorrente, não restando crédito disponível para compensação. Processo n" 10283.900057/2006-39 S3-(:3 1 2 Resolução n "3302-00.051 F. I 112 Cientificada, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade julgada improcedente pela DRJ em Belém — PA, sob a alegação de que a interessada não logrou provar, por meio de documentação hábil e idônea, o valor devido de Cotins do período de apuração de março de 2003, nos termos do Acórdão n° 01 ,13.857, de 05/05/2009. Ciente da decisão de primeiro grau em 03/06/2009, a interessada ingressou com o Recurso Voluntário de fls. 89/103 no dia 30/06/2009, no qual alega, em apertada síntese, que: 1- houve erro na apuração, no pagamento e na declaração do débito de Cotins de março de 2003, conforme alegado na manifestação de inconformidade e DR,I que proferiu a decisão recorrida não poderia indeferir ., de plano, o pleito da recorrente sem antes realizar diligência para comprovar as alegações da decisão recorrida, especialmente se considerar que o sistema eletrônico de transmissão da compensação não permite a produção de provas; 2- o crédito pleiteado originou-se de pagamento indevido resultando da inclusão na base de cálculo da Colins da venda de mercadorias a estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus (art. 5°-A da Lei n° 10.637/2002, com redação da Lei if 10.684/2003). Sem a inclusão dessas vendas na base de cálculo da exação, o valor devido é de R$ 187,05, conforme documentos que acosta aos autos; Ao final requer a realização de diligência para apurar o crédito alegado e a procedência da compensação realizada e declarada. É o relatório: Conselheiro Walber José da Silva - Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, Dele se conhece. Como relatado, a lide versa sobre matéria de fato: o valor devido da Cotins do mês de março de 2003. A recorrente alega que o valor devido é R$ 187,05 e que o valor declarado e pago originalmente está errado porque nele está incluído a Cotins incidente sobre as vendas para empresas sediadas na ZFM, todas com projetos aprovados pelo SUFRAMA. A DR,1 de Belém — PA indeferiu o pleito da recorrente porque a mesma deixou de apresentar prova de suas alegações. Correto o procedimento da DR,1 Em sede de recurso voluntário, a interessada trouxe os documentos de fls. 104/108. Tais documentos não são provas inequívocas da base de cálculo da Cotins do mês de março de 200.3, mas são indícios (muito fortes) de que a recorrente vendeu mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, nas condições que afirma. Em homenagem ao princípio da verdade material, entende que deve ser deferido o pedido da recorrente para que a repartição competente da RFB apure o valor devido da VotoVoto 2 Processo n" 10283 900057/2006-39 Resolução n." 3302-09.05I S3-C3 [2 Fl. 113 COfi 11S no mês de março de 2003 e se manifeste sobre a DCTF retificadora apresentada pela recorrente. Esclareço que sobre a mesma querela, mudando apenas o período de apuração para alguns deles, existem os processos abaixo relacionados, cujas diligências podem ser realizadas conjuntamente, economizando tempo da RFB e da recorrente. PROCESSOS 10283.900056/2006-94 10283.900057/2006-39 10283.900058/2006-83 10283.900059/2006-28 10283.900060/2006-52 10283.900061/2006-05 10283.901048/2008-27 10283.901425/2008-28 10283.901773/2008-03 10283.901774/2008-40 10283.901778/2008-28 Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição da RFB de origem para apurar o valor da Cofins devida no mês de março de 2003 e se manifestar sobre a procedência da DCTF retificadora apresentada pela recorrente e sobre a existência de pagamento a maior realizado através do Darf indicado na DCOMP. Sala das Sessões, em 02 de julho de 2010. Walber José da Silva 3
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005391/00-86
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
HOMOLOGAÇÃO. PRAZO.
O prazo de que dispõe a Administração Tributária para rever a compensação, comunicado por meio da Declaração instituída pela Lei n° 10.637/2002, é de cinco anos, findo o qual consideram-se homologadas as compensações formalizadas pela contribuinte e definitivamente extinto o crédito tributário nelas informado.
Recurso Especial da Fazenda Nacional negado
Numero da decisão: 9303-001.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarouse impedida devotar.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Ad Hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros
Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres (Substituta convocada), Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo de que dispõe a Administração Tributária para rever a compensação, comunicado por meio da Declaração instituída pela Lei n° 10.637/2002, é de cinco anos, findo o qual consideramse homologadas as compensações formalizadas pela contribuinte e definitivamente extinto o crédito tributário nelas informado. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarouse impedida devotar. (ASSINADO DIGITALMENTE) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão– Relator Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres (Substituta convocada), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 53 91 /0 0- 86 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO 2 Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão recorrida: A recorrente protocolara, em 98, quatro pedidos de ressarcimento de créditos de IPI com base no beneficio fiscal instituído pela Lei nº 9.363/96 a ser utilizado para compensação de débitos, então ainda não vencidos, de CSLL, PIS e Cofins. Os pedidos foram formalizados ainda em formulário impresso e cada um cobria um mês. Eles foram indeferidos pela DRF de origem em virtude de o crédito presumido dever ser pleiteado por trimestre nos termos da Portaria MF nº 38/97. Essa decisão foi corroborada pela DRJ. A empresa recorreu dessas decisões em apenas três dos processos originais. No quarto (n° 10830.0059299893) não apresentou recurso e antes da decisão do Conselho nos demais substituiuos, todos, pelo presente, formalizado em 17 de agosto de 2000, o que engloba quatro pedidos de ressarcimento, cada um referente a um trimestre do ano de 1998. Indicou como débitos a compensar os mesmos já indicados nos períodos originais, todos vencidos no mesmo ano de 1998 e em 1999. Os recursos interpostos ao Conselho tiveram seguimento. Dois deles foram providos e um não. Neste, a empresa formalizou recurso especial, mas antes de seu julgamento, formalmente dele desistiu, "uma vez que se encontra(va) corrigida a falha inicial quanto à apresentação de dados, em relação ao pleito de ressarcimento de IPI, anteriormente indeferido". Todas as decisões do Conselho são posteriores ao ingresso deste processo, a respeito do qual a primeira manifestação da SRF somente veio a se dar em 26 de janeiro de 2006 (v. informação fiscal de fi. 187). Na análise dos pleitos consubstanciados nos outros três processos (informação fiscal datada de 11 de dezembro de 2005) também se faz referência à existência deste processo. No entanto, na apuração dos débitos a DRF fez distinção quanto à apuração do montante do débito a compensar. Assim, com relação àqueles em que houve recurso, considerou que houve desistência deles e determinou sua apensação a este, considerando como data de protocolização da Declaração de compensação a data de ingresso dos processos originais. Ao contrário, com respeito ao processo acima indicado, considerou que a empresa teria acolhido a decisão e que o presente processo constituía um novo pedido de compensação. Tomou, por isso, como data de valoração do débito ali indicado para compensação a data de protocolo deste, isto é, 17 de agosto Fl. 322DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 10830.005391/0086 Acórdão n.º 9303001.187 CSRFT3 Fl. 312 3 de 2000, aplicando multa e juros sobre o principal. Com isso, o crédito indicado para compensação, embora integralmente válido, foi insuficiente. Em despacho proferido pelo Chefe do Seort da DRF Campinas, datado de 20 de abril de 2006, o montante dos créditos postulados foi integralmente deferido mas as compensações homologadas apenas parcialmente. Contra ele, a empresa apresentou manifestação de inconformidade em que postulou, unicamente, que também em relação ao débito originalmente. indicado para compensação no Processo 10830.005929/9893 também fosse considerada a data da declaração de compensação original. A DRJ indeferiu essa solicitação, em decisão datada de 07 de fevereiro de 2007 da qual a empresa teve ciência no dia 05 de março de 2007 (fl. 232), dela recorrendo em 04 de abril de 2007 (fl. 233). No recurso, aponta a improcedência da distinção de procedimentos praticada pela SRF, na medida em que o direito creditório postulado para cobrir o débito restou reconhecido e o único motivo pelo qual não formalizou recurso contra a decisão original no quarto processo foi o mesmo que o levou a desistir do recurso formalizado em um deles: sua decisão de corrigir o erro cometido, que reputa meramente formal. Indica ainda que comunicou, em 2001, à SRF sua intenção de sanar a irregularidade verificada. É o Relatório. Apresentado o voluntáro, que foi provido, restou a ementa do julgado recorrido consubstanciada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo de que dispõe a Administração Tributária para rever a compensação comunicado por meio da Declaração instituiria pela Lei n° 10.637/2002 é de cinco anos, findo o qual consideramse homologadas as compensações formalizadas pela contribuinte e definitivamente extinto o crédito tributário nelas informado. Recurso Voluntário Provido Intimada da decisão, a Fazenda Nacional, sob a alegação de omissão no Acórdão nº 340200.203 (fls. 288), apresentou embargos, que foram rejeitados por meio do Acórdão n. 20402.946, de 22 de novembro de 2007. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO 4 Inconformada, apresentou recurso especial por divergência, no qual discute a aplicabilidade do prazo de homologação tácita das Declarações de Compensação apresentadas antes da edição da MP nº 135, de 30/10/2003. O recurso foi admitido pelo presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Em decorrência da aposentadoria da Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora neste julgamento, sem a formalização do acórdão, o processo foi a mim distribuído para redigir o acórdão 9303001.187. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão – Relator ad hoc Tratase de processo da Relatoria da Conselheira Judith do Amaral Marcondes Fernando. Em razão de sua aposentadoria, foi a mim incumbida a tarefa, como Relator Ad Hoc. Por atender aos requisitos de admissibilidade, devese conhecer do recurso. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à discussão sobre o prazo de que dispõe a Administração Tributária para rever a compensação comunicado por meio da Declaração instituiria pela Lei n° 10.637/2002. Entendese, no mesmo sentido do voto condutor da decisão recorrida, que o pedido original converteuse em Declaração de Compensação, pois sobre ele, em 2002, não foi ainda emitido qualquer pronunciamento pela SRF. Isto porque pedido formalizado ainda sob a égide da Lei n° 9430 em sua redação original, e, por conseqüência, da IN 21/97, que a regulamentou, porém se converteu em Declaração de Compensação por força do que dispôs o art. 49 da Lei n°10.637/2002. Vejase o que diz lei: Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizado na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 10830.005391/0086 Acórdão n.º 9303001.187 CSRFT3 Fl. 313 5 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o credito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.’(NR) Esse fato, aliás, foi mencionado tanto no despacho Seort quanto na decisão DRJ. Não obstante, não se aperceberam aquelas autoridades que, nesses termos, iniciarase, na data de sua protocolização, o prazo para que a SRF promovesse a homologação das compensações comunicadas, que somente veio a ser definido no art. 17 da Medida Provisória n° 135, posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003, que transcrevo, também salientando o que interessa mais de perto: Art. 17. O art. 74 da Lei 11° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar coma seguinte redação: ‘Art. 74 ............................................................ ......................................................... § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: ................................................... III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União; IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO 6 ................................................... § 5º o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10º Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. § 12º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição." (NR) Não deve proceder portanto a alegação da Recorrente no sentido de que o lapso de cinco anos, por incidência do mesmo dispositivo legal acima citado, só pode ser contado a partir de 30 de outubro de 2003, data da alteração da lei nº 9.430/96 pela MP 135/2003, visto que, antes de tal marco, não havia para a administração tributária qualquer prazo limite para a homologação. Ora, não se deve admitir prazo infinito para a homologação do procedimento do contribuinte. A tese da actio nata para administração aqui não se aplica, como não se aplica, mutatis mutantis, para o contribuinte. O direito de agir não nasce, nem se extingue, com a superveniência de norma, ou entendimento novos, seu marco temporal é sempre o referenciado em um ato (data do fato gerador, data do pagamento, dia em que poderia ter sido lançado, data da entrega de documento de compensação, etc). Desta forma, nos termos do CTN há que se entender que em 17 de agosto de 2005 findou o prazo para que a SRF sobre ele se pronunciasse e, portatno, homologaramse tacitamente, nos termos do art. 17 acima, as compensações ali indicadas. Alinhase ao entendimento de que o prazo em questão diz respeito ao direito da Administração Tributária rever os montantes indicados para compensação pela contribuinte, aplicandose ao caso o prazo previsto no § 4° do art. 150 do CTN, à semelhança dos pagamentos efetuados. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 10830.005391/0086 Acórdão n.º 9303001.187 CSRFT3 Fl. 314 7 Assim, há que se entender que está decaído o direito da Fazenda à revisão do procedimento de compensação do sujeito passivo e, neste sentido, há que se negar provimento ao recurso da Fazenda. Marcos Aurélio Pereira Valadão – Relator Ad Hoc. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO
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