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Numero do processo: 13971.901067/2013-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
PER/DCOMP. RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO TRIMESTRE.
O valor do crédito a ser reconhecido no trimestre é o valor apurado na escrita fiscal, partindo-se de um saldo inicial do trimestre ajustado pelos valores dos créditos solicitados/utilizados em PER/Dcomps de trimestres anteriores.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
O pronunciamento impreciso na decisão recorrida acerca da origem do saldo credor do período anterior, questionada na manifestação de inconformidade, constitui cerceamento do direito de defesa e fundamento de nulidade da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3001-003.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de cerceamento de defesa por falta de fundamentação específica na decisão de primeira instância.
Assinado Digitalmente
Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Relator
Assinado Digitalmente
Francisca Elizabeth Barreto – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Bernardo Costa Prates Santos, Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Wilson Antônio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIZ FELIPE DE REZENDE MARTINS SARDINHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PER/DCOMP. RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO TRIMESTRE. O valor do crédito a ser reconhecido no trimestre é o valor apurado na escrita fiscal, partindo-se de um saldo inicial do trimestre ajustado pelos valores dos créditos solicitados/utilizados em PER/Dcomps de trimestres anteriores. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O pronunciamento impreciso na decisão recorrida acerca da origem do saldo credor do período anterior, questionada na manifestação de inconformidade, constitui cerceamento do direito de defesa e fundamento de nulidade da decisão de primeira instância.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PER/DCOMP. RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO TRIMESTRE. O valor do crédito a ser reconhecido no trimestre é o valor apurado na escrita fiscal, partindo-se de um saldo inicial do trimestre ajustado pelos valores dos créditos solicitados/utilizados em PER/Dcomps de trimestres anteriores. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O pronunciamento impreciso na decisão recorrida acerca da origem do saldo credor do período anterior, questionada na manifestação de inconformidade, constitui cerceamento do direito de defesa e fundamento de nulidade da decisão de primeira instância. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de cerceamento de defesa por falta de fundamentação específica na decisão de primeira instância. Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Relator Assinado Digitalmente Fl. 166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.058 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.901067/2013-51 2 Francisca Elizabeth Barreto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Bernardo Costa Prates Santos, Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Wilson Antônio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente processo do pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente ao 2º trimestre de 2009, no valor de R$ 45.189,72, efetuado por meio do PER/Dcomp nº 00849.46670.040809.1.1.01-1831, ao qual foram vinculadas declarações de compensação. Analisada a pretensão, a Delegacia da Receita Federal proferiu despacho decisório eletrônico (fl. 117) reconhecendo parcialmente o direito creditório, no importe de R$ 37.278,96, por constatar que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Desse modo, homologou parte das compensações declaradas. Cientificada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) julgou improcedente, não reconhecendo o direito creditório, decidindo em síntese: i) rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa baseada na alegação de falta de fundamentação legal do despacho decisório; ii) não acolher o argumento de que o saldo inicial, na apuração, deveria ser igual ao saldo credor do trimestre anterior escriturado no livro de apuração do imposto. Cientificada do julgamento em 24/05/2021, a recorrente apresentou recurso voluntário em 23/06/2021, alegando em síntese que: i) o despacho decisório cerceia o seu direito de defesa porque carece de fundamentação válida, devendo ser anulado; ii) o acórdão recorrido cerceia o seu direito de defesa porque não se pronunciou a respeito de elementos apresentados, devendo ser anulado; iii) os processos administrativos relativos aos pedidos de ressarcimento/compensação de créditos do IPI do 4º trimestre de 2008 ao 3º trimestre de 2010 devem ser analisados conjuntamente, pois a análise do saldo credor pretendido em um influencia os demais; e iv) houve equívoco do agente fiscalizador ao analisar o saldo credor. Fl. 167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.058 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.901067/2013-51 3 Ao final, requer: i) reunir todos os processos administrativos e, assim, reconhecer a nulidade dos despachos decisórios e, por consequência, as exigências dos valores não homologados; ii) julgar os processos administrativos procedentes, para reformar o acórdão recorrido e homologar os pedidos administrativos de ressarcimento /compensação, uma vez comprovada a legitimidade do crédito pleiteado nos pedidos administrativos; e iii) converter o julgamento em diligência, à luz do princípio da verdade material, para fins de que sejam afastadas quaisquer dúvidas capazes de infirmar o convencimento dos julgadores quanto à higidez dos créditos pleiteados. Juntamente com o presente processo, foram a mim distribuídos para apreciação e tratam de matéria idêntica àquela aqui discutida os seguintes processos atinentes a pedidos de ressarcimento/compensação de créditos do IPI apresentados pela recorrente: Processo PER/Dcomp do Crédito Trimestre do Crédito 13971.901065/2013-61 08905.73018.140109.1.1.01-4538 4° trimestre de 2008 13971.901066/2013-14 37917.67807.130509.1.1.01-0699 1° trimestre de 2009 13971.901067/2013-51 00849.46670.040809.1.1.01-1831 2° trimestre de 2009 13971.901068/2013-03 22412.46991.141009.1.1.01-3045 3° trimestre de 2009 13971.901069/2013-40 12649.59309.180110.1.1.01-6599 4° trimestre de 2009 13971.901070/2013-74 12709.33764.280711.1.1.01-3063 1° trimestre de 2010 13971.901071/2013-19 18203.34168.280711.1.1.01-1101 2° trimestre de 2010 13971.901072/2013-63 14223.02751.280711.1.1.01-3890 3° trimestre de 2010 A recorrente juntou memorial ao processo. É o relatório. VOTO Conselheiro Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Relator. 1. Da competência para julgamento do feito Com base no artigo 65, do Anexo da Portaria MF nº 1.634, de 2023, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, de forma que o conheço. Fl. 168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.058 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.901067/2013-51 4 3. Preliminar 3.1 Nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa A recorrente alega, em síntese, que o acórdão recorrido deve ser anulado visto que cerceou o seu direito de defesa ao não se pronunciar a respeito de elementos apresentados. Apreciando os processos relativos aos pedidos de ressarcimento de créditos do IPI do 4º trimestre de 2008 ao 3º trimestre de 2010, a mim distribuídos conforme mencionado acima, entendo que assiste razão à recorrente, pelas razões a seguir. Na manifestação de inconformidade, a recorrente: i) alegou que ficou impedida de realizar defesa específica porque o despacho decisório não demonstrou a origem do valor considerado como saldo credor do período anterior, no valor de R$ 0,00; ii) apresentou o livro de apuração do IPI o qual indica que o saldo credor para aquele período corresponde ao valor de R$ 125.522,70; e iii) afirmou que a utilização incorreta do saldo credor do período anterior ocasionou uma diferença a menor no cálculo do crédito que poderia ser compensado pela empresa. Na peça recursal, alega que houve clara omissão do julgador na apreciação de elementos de prova trazidos ao processo quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade, configurando negativa de prestação jurisdicional, acarretando cerceamento de defesa decorrente da falta de análise de argumentos essenciais quanto à matéria controvertida, em flagrante prejuízo concreto à parte. Reproduz trecho do acórdão da DRJ destacando que não foram observados os documentos juntados aos autos, que demonstram o direito ao crédito tal como pleiteado, reiterando que o saldo credor do período anterior de acordo com o livro de apuração do IPI juntado aos autos é de R$ 125.522,70. Aduz que os pedidos de ressarcimento/compensação de créditos do IPI do 1º trimestre de 2009 ao 3º trimestre de 2010 foram diretamente prejudicados ao ser considerado como saldo credor do período anterior ao 4º trimestre de 2008 o valor de apenas R$ 12.211,47. Conclui que houve cerceamento ao seu direito de defesa e requer a anulação da decisão de primeira instância na medida em que os elementos por ela apresentados não foram avaliados no acórdão recorrido. Em relação ao “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL”, que instrui a apuração do direito creditório em todos os processos acima referidos, a DRJ esclareceu que: (...) o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL tem por finalidade evidenciar a apuração do saldo credor passível de ressarcimento Fl. 169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.058 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.901067/2013-51 5 ao final do trimestre de referência. São considerados passíveis de ressarcimento, relativamente ao trimestre de referência, apenas os créditos escriturados neste trimestre. O saldo credor acumulado de trimestres anteriores é considerado não passível de ressarcimento no trimestre de referência, podendo ser utilizado, neste trimestre, apenas para deduzir, escrituralmente, os débitos de IPI. Desta forma, o saldo credor inicial do demonstrativo (Saldo Credor de Período Anterior Não Ressarcível no primeiro período de apuração - coluna b) corresponde ao Saldo Credor apurado ao final do trimestre-calendário anterior ajustado (reduzido) pelos valores dos créditos compensados em PERDCOMP de trimestres anteriores. Observe-se que o ressarcimento de créditos escriturados em outros trimestres, que não o de referência, deve ser pleiteado em PERDCOMP apresentado especificamente para cada trimestre. Sendo assim, o cálculo feito na Dcomp e o saldo do trimestre passível de ressarcimento é bem diferente do valor apurado no livro de apuração do imposto. (Grifou-se). Conforme mencionado acima, o saldo credor inicial do demonstrativo corresponde ao saldo credor apurado ao final do trimestre-calendário anterior ajustado. Por esse motivo, há relação entre os saldos finais e iniciais nos processos de ressarcimento de créditos do IPI do 4º trimestre de 2008 ao 3º trimestre de 2010, a mim distribuídos para apreciação. Ocorre que o acórdão proferido no processo de nº 13971.901065/2013-61, referente ao 4º trimestre de 2008, não se manifestou de forma precisa acerca da origem do saldo credor do período anterior, ou seja, de setembro/2008, no valor de R$ 12.211,47, tendo informado unicamente que: De acordo com referido demonstrativo, a empresa possuía R$ 12.211,47 de saldo credor de período anterior disponível para o abatimento de débitos de IPI no período, pois do valor de R$ 207.781,12 de saldo credor registrado no livro, R$ 195.569,65 fora ressarcido ou compensado em períodos anteriores. Não obstante tenha esclarecido que parte do saldo credor registrado no livro de apuração do IPI fora ressarcido em períodos anteriores, a DRJ não especificou os períodos, valores e respectivos processos relativos ao citado valor de R$ 195.569,65. Considerando que o direito creditório reconhecido em cada trimestre subsequente foi apurado a partir do saldo credor do período anterior ao 4º trimestre de 2008, no valor de R$ 12.211,47, entendo que a imprecisão acerca da origem desse valor, de fato, impossibilita a recorrente de apresentar defesa específica nos processos, restando prejudicado o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Desse modo, segundo o entendimento deste relator, fica caracterizado o vício de motivação específica nos termos constantes do voto condutor da decisão recorrida, restando configurada a nulidade da citada decisão em virtude da preterição do direito de defesa, conforme prevê o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: Fl. 170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.058 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.901067/2013-51 6 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim sendo, reconheço a preliminar de cerceamento de defesa, por falta de fundamentação específica na decisão de primeira instância, para fins de decretar a nulidade do acórdão recorrido e, por conseguinte, determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados os argumentos constantes da impugnação apresentada. Resta prejudicada a análise dos demais argumentos da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto por acatar a preliminar de cerceamento de defesa, por falta de fundamentação específica na decisão de primeira instância, para decretar a nulidade do acórdão recorrido e, por conseguinte, determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados os argumentos constantes da impugnação apresentada. Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha Fl. 171DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000341/2008-95
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
ATIVIDADE RURAL. CANA-DE-AÇÚCAR. GLOSA DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA.
Os dispêndios incorridos na exploração da cultura de cana-de-açúcar (ou canaviais), por corresponderem a encargos ocorridos na atividade rural da empresa, podem se valer do benefício da depreciação integral previsto no art. 6º da MP nº 2.159-70. Daí a improcedência da glosa.
Numero da decisão: 9101-007.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por dar provimento. Votou pelas conclusões, no mérito, o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.
Assinado Digitalmente
Luis Henrique Marotti Toselli– Relator
Assinado Digitalmente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo dos Santos Pereira Júnior, Jandir Jose Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por dar provimento. Votou pelas conclusões, no mérito, o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Assinado Digitalmente Luis Henrique Marotti Toselli– Relator Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os julgadores Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo dos Santos Pereira Júnior, Jandir Jose Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício).
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Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 ATIVIDADE RURAL. CANA-DE-AÇÚCAR. GLOSA DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA. Os dispêndios incorridos na exploração da cultura de cana-de-açúcar (ou canaviais), por corresponderem a encargos ocorridos na atividade rural da empresa, podem se valer do benefício da depreciação integral previsto no art. 6º da MP nº 2.159-70. Daí a improcedência da glosa. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por dar provimento. Votou pelas conclusões, no mérito, o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Assinado Digitalmente Luis Henrique Marotti Toselli– Relator Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em exercício Fl. 622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.219 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13116.000341/2008-95 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo dos Santos Pereira Júnior, Jandir Jose Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). RELATÓRIO Trata-se de recurso especial (fls. 358/378) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (“PGFN”) em face do Acórdão nº 1401-006.723 (fls. 317/356), o qual deu provimento ao recurso voluntário com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2007 GLOSA DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. CANA-DE-AÇÚCAR. COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Comprovado nos autos que os valores deduzidos a título de depreciação incentivada referem-se a encargos ocorridos na atividade rural da empresa relativos ao cultivo da cana e que a este tipo de cultivo aplica-se a depreciação, estabelece-se a possibilidade de utilização do incentivo da depreciação da atividade rural Intimada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou o recurso especial, tendo sido este admitido nos seguintes termos (fls. 386/388): [...] 9. Da contraposição dos fatos e fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos confrontados, evidencia-se que a Recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso interpretativo, como a seguir demonstrado (destaques do original transcrito): “Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira estão sujeitos à exaustão, e não à depreciação” Fl. 623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.219 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13116.000341/2008-95 3 10. Afirma-se, em síntese, que (e-fls. 378): Em suma, a contribuinte não faz jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada, previsto no art. 6º da MP nº 2 .159-70/ 2001, pois o custo da formação da lavoura de cana-de-açúcar é bem sujeito à exaustão, e o benefício é exclusivo para os bens sujeitos à depreciação, merecendo interpretação restritiva nesse aspecto. 11. Com relação a essa matéria, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. 12. Enquanto a decisão recorrida entendeu que “ao cultivo da cana [...] aplica-se a depreciação” e, portanto, “estabelece-se a possibilidade de utilização do incentivo da depreciação da atividade rural”, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 9101- 002.798 e 9101-003.978) decidiram, de modo diametralmente oposto, que “os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à exaustão e não à depreciação” e “portanto, não se beneficiam do incentivo da depreciação rural acelerada”. 13. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, conclui -se pela caracterização da divergência de interpretação suscitada. 14. Pelo exposto, do exame dos pressupostos de admissibilidade, PROPONHO seja ADMITIDO o Recurso Especial interposto. Chamada a se manifestar, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões (fls. 396/412). Questiona o conhecimento recursal e, no mérito, pugna pela manutenção da decisão de segunda instância. É o relatório. Fl. 624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.219 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13116.000341/2008-95 4 VOTO Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, relator Conhecimento O recurso especial é tempestivo. E ao contrário do que sustenta a recorrida, os paradigmas trazidos (9101-002.798 e 9101-003.798) a meu ver são aptos a caracterizar o dissídio, tendo em vista que eles, em sentido oposto ao que prevaleceu no acórdão recorrido, entenderam que os dispêndios destinados à formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, não poderiam se valer do benefício da depreciação integral por estarem sujeitos à exaustão. É justamente este o cerne da questão: decidir se a técnica de depreciação imediata se aplica ou não na atividade rural consistente na exploração da cana-de-açúcar. Tal divergência, aliás, se torna ainda mais evidente quando se observa que o voto vencido da decisão ora recorrida incorporou ambos os julgados em suas razões de decidir (favoráveis à glosa), tendo sido o primeiro deles, o Acórdão nº 9101-002.798, inclusive proferido em autuação feita contra a própria contribuinte, não reformada na esfera administrativa. Nesse ponto, cabe ainda observar que ainda que haja decisão judicial em sentido contrário, manifestando-se em sentido contrário à caracterização do dissídio, fato é que tal provimento não é vinculante, de modo que nenhum reparo cabe ao juízo prévio ao admitir o Apelo. O recurso especial, contudo, deve ser conhecido. Mérito A controvérsia diz respeito ao tratamento fiscal dos recursos aplicados na formação de canaviais, integrados ao ativo imobilizado. Mais precisamente, a questão consiste em definir se tais dispêndios estão ou não sujeitos à aplicação do benefício da depreciação integral previsto no art. 6º da MP nº 2.159-70, que assim dispõe: Art. 6º - Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. Fl. 625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.219 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13116.000341/2008-95 5 Trata-se de matéria conhecida por esta E. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que já decidiu, em outras ocasiões, que os “gastos com cana-de-açúcar”, por estarem sujeitos à exaustão, e não à depreciação, impediria a sua apropriação integral como encargos do período correspondente à sua aquisição. Partindo, então, da premissa de que à cultura canavieira aplica-se a técnica de exaustão (e não depreciação), não haveria que se falar em depreciação incentivada, na linha do que restou decidido nos acórdãos nºs 9101-002.798, 9101-002.801, 9101-002.982, 9101-003.017, 9101-003.976, 9101-003.978 e 9101-004.305, todos eles, diga-se, proferidos com voto de qualidade. Em linhas gerais, e seguindo o entendimento da ex-Conselheira Viviane Vidal Wagner no Acórdão nº 1202-000.794, tais decisões assinalam que a jurisprudência chegou a caminhar no sentido de que as culturas sujeitas à depreciação se limitariam apenas às frutíferas, ou seja, àquelas das quais se podem extrair frutos botânicos, como é o caso, por exemplo, da uva. Por outro lado, as culturas não frutíferas não se sujeitariam à depreciação, mas sim à exaustão, englobando àquelas cuja extração demanda o sacrifício da planta em si, como a pastagem artificial, a cana-de-açúcar, as florestas artificiais ou não (pinus, araucária, eucalipto, dentre outras). Tal distinção na aplicação da regra específica de depreciação integral prevista no referido artigo 6º da MP nº 2.159-70, ressalte-se, parte essencialmente de uma alegada “interpretação sistemática” com os artigos 3071 e 3342, ambos do RIR/99 e do Parecer Normativo 1 Art. 307. Podem ser objeto de depreciação todos os bens sujeitos a desgaste pelo uso ou por causas naturais ou obsolescência normal, inclusive: I - edifícios e construções, observando-se que (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 9º): a) a quota de depreciação é dedutível a partir da época da conclusão e início da util ização; b) o valor das edificações deve estar destacado do valor do custo de aquisição do terreno, admitindo-se o destaque baseado em laudo pericial; II - projetos florestais destinados à exploração dos respectivos frutos (Decreto-Lei nº 1.483, de 6 de outubro de 1976, art. 6º, parágrafo único). Parágrafo único. Não será admitida quota de depreciação referente a (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, §§ 10 e 13): I - terrenos, salvo em relação aos melhoramentos ou construções; II - prédios ou construções não alugados nem utilizados pelo proprietário na produção dos seus rendimentos ou destinados a revenda; III - bens que normalmente aumentam de valor com o tempo, como obras de arte ou antigüidades; IV - bens para os quais seja registrada quota de exaustão. 2 Art. 334. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor de recursos florestais, resultante de sua exploração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59, e Decreto-Lei nº 1.483, de 1976, art. 4º). § 1º A quota de exaustão dos recursos florestais destinados a corte terá como base de cálculo o valor das florestas (Decreto-Lei nº 1.483, de 1976, art. 4º, § 1º). § 2º Para o cálculo do valor da quota de exaustão será observado o seguinte critério (Decreto-Lei nº 1.483, de 1976, art. 4º, § 2º): I - apurar-se-á, inicialmente, o percentual que o volume dos recursos florestais utilizados ou a quantidade de árvores extraídas durante o período de apuração representa em relação ao volume ou à quantidade de árvores que no início do período de apuração compunham a floresta; Fl. 626DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4506.htm#art57%C2%A79 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1483.htm#art6p https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1483.htm#art6p https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4506.htm#art57%C2%A710 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4506.htm#art57%C2%A713 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4506.htm#art59 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4506.htm#art59 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1483.htm#art4 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1483.htm#art4%C2%A71 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1483.htm#art4%C2%A72 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1483.htm#art4%C2%A72 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.219 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13116.000341/2008-95 6 CST nº 18/1979, notoriamente no ponto em que se atrelam a exaustão aos recursos florestais destinados a corte e a depreciação aos projetos florestais destinados à exploração dos respectivos frutos, categoria na qual os colmos da cana-de-açúcar não se inseririam. Ocorre que, posteriormente, em sessão de 11 de julho de 2023, essa matéria foi reapreciada aqui na 1ª Turma da CSRF, tendo sido julgada, por maioria de votos, de forma favorável a determinado contribuinte, de acordo com o Acórdão nº 9101-006.643, do qual transcrevo a respectiva ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2013, 2014 LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação, e não à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada (artigo 6º da MP 2.159- 70/2001). Do voto condutor desse julgado, da ex-Conselheira Lívia de Carli Germano, percebe- se que a mudança jurisprudencial em questão não se deu em face, digamos, do campo de aplicação da norma propriamente dito, mas diante da própria natureza da cana-de-açúcar, que passou a ser considerada como um ativo passível de depreciação, e não exaustão. Em suas palavras: Em síntese, não se nega que incentivo é dirigido apenas a um modo de perda de valor: a depreciação. A questão é que a cana de açúcar se encaixa em tal conceito. A touceira produz periodicamente os colmos, que são, apenas estes, colhidos, remanescendo intacta a parte subterrânea da touceira, que volta a crescer e a gerar mais colmos, é dizer, apesar de não produzir “frutos”, a exploração da lavoura canavieira resulta em mero desgaste, e não ao esgotamento do recurso. Esse entendimento, destaca-se, foi acompanhado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado pelas conclusões, tendo este Eminente Julgador apresentado declaração de voto, da qual reproduzo os seguintes excertos: [...] II - o percentual encontrado será aplicado sobre o valor contábil da floresta, registrado no ativo, e o resultado será considerado como custo dos recursos florestais extraídos. § 3º As disposições deste artigo aplicam-se também às florestas objeto de direitos contratuais de exploração por prazo indeterminado, devendo as quotas de exaustão ser contabilizadas pelo adquirente desses direitos, que tomará como valor da floresta o do contrato (Decreto-Lei nº 1.483, de 1976, art. 4º, § 3º). Fl. 627DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1483.htm#art4%C2%A73 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.219 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13116.000341/2008-95 7 Como relator, este conselheiro já teve oportunidade de se manifestar acerca do tema em discussão quando proferi o voto condutor do Acórdão nº 1302-002.116, de 16 de maio de 2017, tratando da aplicação do benefício precisamente quanto à exploração da atividade de cana-de-açúcar. Naquele voto sustentei o entendimento de que o termo “depreciação” utilizado no texto legal deveria ser interpretado como a possibilidade de dedução dos investimentos feitos na atividade rural como um todo, como se fossem custos no ano de sua aquisição, em simetria com o tratamento dado à atividade rural para as pessoas físicas, conforme excertos abaixo: [...] Entendo que o termo "depreciação" utilizado no texto legal deve ser interpretado como a possibilidade de dedução dos investimentos feitos na atividade rural como um todo, como se fossem custos no ano de sua aquisição. A diferenciação, com relação às pessoas físicas, é que para estas não existe a possibilidade de depreciação dos bens, ao contrário das pessoas jurídicas. Estas últimas, muito embora continuem a registrar esses investimentos no seu ativo, apropriando-se as quotas de depreciação/exaustão permitidas, passaram a ter o direito à deduzir integralmente o valor desses investimentos como custos no ano de aquisição, sob a forma de depreciação acelerada, sendo que as quotas normais de depreciação/exaustão correspondentes devem ser adicionadas ao resultado nos períodos subsequentes, na medida de sua realização. É nesse sentido que se colhe do voto do ilustre Conselheiro Marcelo Cuba Neto, ao proferir o Acórdão nº 1201-001.243, de 10/12/2015, verbis: Em relação à primeira questão entendo que sim, os custos ativáveis na lavoura de cana-de-açúcar, incorridos por pessoa que exerce atividade rural, submetem-se à depreciação acelerada. É importante notar que embora seja poss ível defender-se, como fez a Solução de Consulta nº 05/2004, da DISIT da 4º Região, que a lavoura de cana -de-açúcar sujei ta-se à exaustão e não à depreciação, o fato é que, a meu ver, o termo “depreciados” contido no abaixo transcri to art. 12, § 2º, da Lei nº 8.023/90 (revogado em 1995 e, após , devolvido ao mundo jurídico pelo art. 6º da Medida Provisória nº 2.15970/ 2001), não deve ser interpretado em seu sentido técnicojurídico (o conceito de depreciação encontra-se estabelecido no art. 183, § 2º, "a", da Lei nº 6.404/76): [...] Isso porque o art. 12, § 2º, da Lei nº 8.023/90 foi criado com a finalidade deconceder incentivo tributário à atividade rural como um todo, tal como definida em seu art. 2º, e não apenas às atividades rurais submetidas à depreciação em sentido técnico-jurídico. Então, segundo uma interpretação finalís tica da lei , o termo “depreciados” contido em seu art. 12, § 2º, deve ser compreendido como “deduzidos como despesa”. [...] Isso posto, como dito antes, entendo o termo “depreciados” contido em seu art. 12, § 2º, da Lei nº 8.023/90 não só pode, como deve ser compreendido como Fl. 628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.219 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13116.000341/2008-95 8 “deduzidos como despesa”, e não em seu sentido técnico jurídico estabelecido no art. 183, § 2º, "a", da Lei nº 6.404/76. Por outro lado, não me impressiona o argumento de que a interpretaçã o do citado dispositivo deve ser l iteral, nos termos do art. 111 do CTN. Primeiro, porque, embora seja um benefício fiscal, não configura suspensão (nas hipóteses indicadas no art. 151 do CTN) ou exclusão (isenção ou anistia, art. 175 do CTN) do crédito tributário. Segundo, porque, de acordo com a melhor doutrina e a jurisprudência do STJ, o termo "literal" contido no art. 111 do CTN deve ser entendido como restritivo, devendo ser compatibil izada com os princípios constitucionais tributários, de forma que, de um lado, evitem-se "interpretações ampliativas ou analógicas", por outro, não levem "a interpretações que restrinjam mais do que a lei quis". [...] [...] Nesta perspectiva, a leitura da Instrução Normativa SRF. nº 257/2002, revela que o tratamento tributário dado à atividade rural pela própria administração tributária, encarregada de sua regulamentação e aplicação, é no sentido de considerar que a aquisição e alienação de bens utilizados exclusivamente na produção, com exceção da terra, compõe o resultado da atividade rural (art. 11, § 1º), nos mesmos moldes da pessoa física. Ou seja, o gasto com bens ativáveis, exceto a terra nua, devem compor o lucro real , como custos ou despesas, sob a forma de depreciação acelerada, no ano de sua aquisição; em contrapartida, a receita com sua alienação é considerada como resultado da atividade rural quando isto ocorrer. [...] Por fim, me parece relevante observar que a única exceção trazida pela MP. 2159- 70/2001, quanto à possibilidade de depreciação acelerada incentivada dos bens ativáveis, se refere à "terra nua", verbis: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. Ora, é cediço que os terrenos (sejam urbanos ou rurais), não se submetem à quotas de depreciação, nos termos do art. 57, § 10, "a" da Lei nº 4.506/1964, verbis: Art. 57. [...] 1 0. Não será admitida quota de depreciação referente a: a) terrenos, salvo em relação aos melhoramentos ou construções; [..] Sendo assim se a dedução integral no ano de aquisição, por meio da depreciação acelerada, fosse aplicável apenas aos bens sujeitos à depreciação (em sua acepção estritamente técnica), a exclusão expressa da terra nua seria por óbvio, desnecessária. Fl. 629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.219 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13116.000341/2008-95 9 Em sentido oposto, a sua exclusão expressa está a indicar que o incentivo fiscal se aplica a todos os demais bens do ativo permanente imobilizado adquiridos pela pessoa jurídica para uso nessa atividade. Não obstante, o entendimento acima sufragado perante o colegiado da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara foi reformado por esta colenda 1ª Turma por meio do Acórdão nº 9101-004.302, 06 de agosto de 2019, nos termos sintetizados na sua ementa, verbis: [...] Com todo respeito ao entendimento do r. acórdão, mantenho meu entendimento no sentido de que é despiciendo discutir o tratamento contábil dado à perda de valor do bem pela sua utilização, sob a forma de depreciação, exaustão ou amortização, com vistas a aplicação do dispositivo em relação à atividade rural, posto que como bem apontado pelo d. conselheiro Marcelo Cuba Neto, no voto citado em meu voto, “o termo “depreciados” contido em seu art. 12, § 2º, da Lei nº 8.023/90 não só pode, como deve ser compreendido como “deduzidos como despesa”, e não em seu sentido técnico jurídico estabelecido no art. 183, § 2º, "a", da Lei nº 6.404/76.” Por tais razões, acompanho a i. relatora apenas pelas conclusões de seu voto, para dar provimento ao recurso especial da contribuinte. Como se percebe, o posicionamento exposto na declaração de voto em questão interpretou o termo “poderão ser depreciados” previsto no art. 6º da MP nº 2.159-70 a partir da natureza da atividade (rural), e não por conceitos societários e contábeis, compreendendo que é a exploração de atividade rural o gatilho para se valer da depreciação acelerada, de modo que seria desnecessário adentrar-se às diferenças entre exaustão e depreciação. Nesse contexto, cabe salientar que o presente julgador também participou do julgamento do caso apreciado no Acórdão nº 9101-006.643, tendo acompanhado o voto condutor da Relatora também pelas conclusões, mas por fundamentos distintos que acabaram não sendo consignados na época. Com efeito, durante os debates travados naquela ocasião, acabei relendo um voto meu sobre a matéria (Acórdão nº 1201-001.862, proferido em Sessão de 17 de agosto de 2017), no qual já havia entendido aplicável a depreciação integral em caso semelhante, por três fundamentos: (i) pela indevida tentativa do Parecer Normativo 18/79 ampliar o campo de atuação da lei (art. 6º da MP nº 2.159-70); (ii) pelo fato da cana-de-açúcar não corresponder a uma cultura florestal; e, em sentido oposto ao voto da Relatora do Acórdão nº 9101-006.643 ; (iii) por já entender cabível a depreciação acelerada em razão da natureza rural da atividade vinculada ao respectivo ativo imobilizado (cana) Daí o meu acompanhamento pelas conclusões. De qualquer forma, e trazendo essas considerações para esse caso concreto, verifico que o fundamento do item (iii) acima, que está alinhado com a posição constante na Fl. 630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.219 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13116.000341/2008-95 10 referida declaração de voto do Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, não é só suficiente para afastar a glosa e manter a decisão recorrida em seus próprios termos, como também tem o condão de dirimir o dissídio jurisprudencial ora instaurado de forma mais eficaz e plena. De fato, tal como positivado, o “benefício” da depreciação integral previsto no art. 6º da MP nº 2.159-70 na verdade não está condicionado à natureza do ativo ou a espécie da exploração, mas ao fim a que ele se destina. Ou seja, se o ativo for empregado em atividade rural, aplica-se o permissivo legal para dedução total do dispêndio no ano corrente. Caso contrário, não se aplica. Essas discussões quanto à classificação contábil do ativo ou seu enquadramento enquanto bem sujeito à depreciação ou exaustão mostram-se, isto sim, irrelevantes para definir a materialidade da norma em questão. Isso porque, repita-se, restando inequívoco o uso do ativo imobilizado para o exercício de alguma atividade rural, este ativo, aos olhos da lei, já é passível de depreciação integral, pouco importando seu enquadramento nas regras ordinárias de amortização (exaustão x depreciação). Ora, basta ler o texto do artigo 6º da MP 2.159-70/20013, inclusive à luz do artigo 111 do CTN4, para concluir que o Legislador autorizou expressamente, por meio desta regra específica (ou especial), à pessoa jurídica que explore atividade rural depreciar integralmente os bens do ativo imobilizado usado nesta atividade. Dessa forma, e considerando que não se discute aqui que a exploração de cultura canavieira de fato constitui espécie de atividade rural, o reconhecimento do direito à depreciação integral dos respectivos dispêndios é medida que se impõe. Dito de outro modo: restringir o direito previsto nesse dispositivo legal apenas para parte de bens do ativo imobilizado usado na atividade rural, como pretende a Recorrente, não só feriria a ratio legis, como permitiria colocar o intérprete na indevida posição de Legislador, o que definitivamente não se sustenta. Como diria Carlos Maximiliano5: Cumpre evitar não só o apego exagerado à letra dos dispositivos positivos, como também ao excesso contrário, o de forçar a exegese e deste modo encaixar na regra escrita, graças à fantasia do hermeneuta, as teses pelas quais este se apaixonou, de sorte que vislumbra no texto idéias apenas existentes no cérebro, ou no sentir individual, desvairado por ojerizas e pendores, entusiasmos e 3 Transcreve-se, novamente: Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. 4 Art. 111. Interpreta-se l iteralmente a legislação tributária que disponha sôbre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 5 Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense. 9ª edição. 1984. P. 103. Fl. 631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.219 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13116.000341/2008-95 11 preconceitos. A interpretação deve ser objetiva, desapaixonada, equilibrada, às vezes audaciosa, porém não revolucionária, aguda, mas sempre atenta, respeitadora da lei. Nenhum reparo, portanto, cabe ao que restou decidido pelo Colegiado a quo. Conclusão Dessa forma, nego provimento ao recurso especial. É como voto. Assinado Digitalmente Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 632DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 15504.004461/2010-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O contribuinte tem direito à restituição e/ou compensação, desde que faça prova de possuir crédito próprio, líquido e certo, contra a Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1101-001.434
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para homologar a compensação até o limite do direito creditório disponível, nos termos do voto do Relator.
Sala de Sessões, em 21 de novembro de 2024.
Assinado Digitalmente
Jeferson Teodorovicz – Relator
Assinado Digitalmente
Efigênio de Freitas Júnior – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente).
Nome do relator: JEFERSON TEODOROVICZ
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O contribuinte tem direito à restituição e/ou compensação, desde que faça prova de possuir crédito próprio, líquido e certo, contra a Fazenda Pública. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para homologar a compensação até o limite do direito creditório disponível, nos termos do voto do Relator. Sala de Sessões, em 21 de novembro de 2024. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente). Fl. 141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.434 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.004461/2010-38 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Hierárquico, recebido como Recurso Voluntário (fls.23/48), contra Despacho Decisório n. 932, fls. 18/20, que não homologou as declarações de compensação apresentadas em papel, em datas diversas, que pretendiam compensar débitos distintos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos, por considera-la não declarada no âmbito dos processos administrativos listados (principal e apensos, que somam o número de 16), que totalizam à época R$ 107.712,32, conforme despacho decisório às fls. 17 a 19, sob a fundamentação de que o artigo 34 da Instrução Normativa 900/2008, publicada no DOU de 31/12/2008, veda a utilização de crédito apurado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal - Refis para compensação. O recorrente alegou que havia sido excluído do REFIS em 24/04/2008, sob justificativa de que estaria inadimplente, mas somente foi cientificado em 18/05/2008. Assim, o recorrente recorreu da decisão recolhendo os valores referentes ao REFIS. Por não ter obtido êxito em seu recurso, entendeu que os valores recolhidos, após sua exclusão, não teriam natureza de REFIS. Além disso, pugnou pelo respeito aos princípios da administração pública, nos termos do art. 37 da CF. O processo foi encaminhado para a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, que decidiu pela devolução à DRF de origem, para julgamento. Contudo, às fls. 72 e ss, a DRF conheceu do recurso e negou provimento, mantendo a decisão do despacho decisório e considerando ainda que dessa decisão não caberia mais recurso, estando o processo encerrado na esfera administrativa. Nesse aspecto, o contribuinte, inconformado, impetrou Mandado de Segurança na esfera judicial para que o recurso fosse apreciado pelo extinto Conselho de Contribuintes. Em resposta, a autoridade judicial decidiu por atribuir efeito suspensivo ao presente recurso administrativo; determinar o encaminhamento do aludido recurso ao Conselho de Contribuintes da Receita Federal do Brasil; suspender, até instância final, a inclusão da pendência que trata o mencionado recurso no relatório de pendências no sistema de informações da Receita Federal do Brasil, bem como o encaminhamento dos débitos da impetrante à Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim, a DRF, atendendo à decisão liminar, encaminhou o processo para julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fl.92). Em análise aos argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte, assim como à decisão de piso, apresentei o seguinte racional, votando para converter o julgamento em diligência, o que foi unanimemente aceito pela Turma, às fls. 111/114, na Resolução n. 1201- 000.746, pelos seguintes fundamentos: Inicialmente, o Recurso foi encaminhado à Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamento, mas, conforme Resolução às fls. 110/113, pelo fato de os processos principal e apensos conjuntamente superarem o valor limite atribuído às turmas extraordinárias, nos termos do art. 23-B, Anexo II, do RICARF, decidiu-se por encaminhar os autos para apreciação e julgamento da Turma Ordinária. Ainda, nos autos do Processo Administrativo, verifica-se cópia de decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n. 68966-47.2010.4.01.3800 que determinou o encaminhamento do recurso ao Conselho de Contribuinte. Verifica- Fl. 142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.434 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.004461/2010-38 3 se ainda que não há concomitância, pois o referido mandado de segurança não adentra no mérito da questão discutida nos presentes autos. A questão de mérito gira em torno à qualificação jurídica dos pagamentos realizados pela Recorrente. Isto porque, a IN 900/2008, que motivou a denegatória do crédito inadmite a compensação de: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) XII - o crédito apurado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) de que trata a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, do Parcelamento Especial (Paes) de que trata o art. 1º da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, e do Parcelamento Excepcional (Paex) de que trata o art. 1º da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, decorrente de pagamento indevido ou a maior; Contudo, tendo a Recorrente já sido excluída, pode-se falar que tais créditos foram apurados “no âmbito do Refis”. Em relação à exclusão, assim dispõe a Lei n. 9964/2000: Art. 5o A pessoa jurídica optante pelo Refis será dele excluída nas seguintes hipóteses, mediante ato do Comitê Gestor: I – inobservância de qualquer das exigências estabelecidas nos incisos I a V do caput do art. 3o; II – inadimplência, por três meses consecutivos ou seis meses alternados, o que primeiro ocorrer, relativamente a qualquer dos tributos e das contribuições abrangidos pelo Refis, inclusive os com vencimento após 29 de fevereiro de 2000; III – constatação, caracterizada por lançamento de ofício, de débito correspondente a tributo ou contribuição abrangidos pelo Refis e não incluídos na confissão a que se refere o inciso I do caput do art. 3o, salvo se integralmente pago no prazo de trinta dias, contado da ciência do lançamento ou da decisão definitiva na esfera administrativa ou judicial; IV – compensação ou utilização indevida de créditos, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa referidos nos §§ 7o e 8o do art. 2o; Fl. 143DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.434 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.004461/2010-38 4 V – decretação de falência, extinção, pela liquidação, ou cisão da pessoa jurídica; VI – concessão de medida cautelar fiscal, nos termos da Lei no 8.397, de 6 de janeiro de 1992; VII – prática de qualquer procedimento tendente a subtrair receita da optante, mediante simulação de ato; VIII – declaração de inaptidão da inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, nos termos dos arts. 80 e 81 da Lei no 9.430, de 1996; IX – decisão definitiva, na esfera judicial, total ou parcialmente desfavorável à pessoa jurídica, relativa ao débito referido no § 6o do art. 2o e não incluído no Refis, salvo se integralmente pago no prazo de trinta dias, contado da ciência da referida decisão; X – arbitramento do lucro da pessoa jurídica, nos casos de determinação da base de cálculo do imposto de renda por critério diferente do da receita bruta; XI – suspensão de suas atividades relativas a seu objeto social ou não auferimento de receita bruta por nove meses consecutivos. § 1o A exclusão da pessoa jurídica do Refis implicará exigibilidade imediata da totalidade do crédito confessado e ainda não pago e automática execução da garantia prestada, restabelecendo-se, em relação ao montante não pago, os acréscimos legais na forma da legislação aplicável à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. § 2o A exclusão, nas hipóteses dos incisos I, II e III deste artigo, produzirá efeitos a partir do mês subseqüente àquele em que for cientificado o contribuinte. § 3o Na hipótese do inciso III, e observado o disposto no § 2o, a exclusão dar-se-á, na data da decisão definitiva, na esfera administrativa ou judicial, quando houver sido contestado o lançamento. Como se observa do parágrafo primeiro acima, a exclusão implica exigibilidade imediata, verdadeiro rompimento do programa de parcelamento, de sorte que qualquer pagamento realizado após a exclusão não está mais “no âmbito do Refis”. Por tal razão, entendo que não é aplicável a vedação estabelecida na IN 900/2008, não havendo ulterior empecilho para a análise do pedido de compensação se os créditos estão efetivamente disponíveis ao contribuinte. Contudo, há dúvida se os pagamentos foram efetivamente alocados ao débito original ou se estariam ainda disponíveis para utilização pelo contribuinte. Tal informação não foi confirmada nos autos (nem no processo principal ou apensos), e não se sabe qual o status atual do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Por esse motivo, entendo que o melhor caminho para dirimir a dúvida instalada é a conversão do julgamento em diligência, para que se confirme se os pagamentos foram alocados aos débitos originais (e, portanto, levaria à redução daquelas dívidas, por um lado, mas, por outro, não poderiam mais ser utilizados pelo contribuinte em compensações futuras), ou se encontram disponíveis e, em tese, aptos à demonstrar a existência de direito creditório alegado. Fl. 144DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.434 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.004461/2010-38 5 Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência, para que a autoridade de origem analise as informações trazidas nos autos e informe qual o status dos pagamentos realizados após a exclusão do contribuinte do REFIS (se alocados ou não a débitos do contribuinte), sem prejuízo de intimar o contribuinte a apresentar documentos que a autoridade administrativa julgar necessários para comprovação do alegado pelo contribuinte e verificar se estão disponíveis para utilização. Após a conclusão da diligência, deve-se elaborar Relatório de Diligência do qual se dará ciência ao contribuinte para que se manifeste no prazo de trinta dias. Após, os autos devem ser encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Assim, o processo foi convertido em diligência, remetendo-se os autos para a autoridade de origem verificar a situação dos pagamentos realizados pelo contribuinte após a exclusão pelo REFIS, se disponíveis ou não à administração tributária para fins de eventual compensação. Em 27 de março de 2023, a autoridade de origem manifestou-se sobre a Resolução, na Informação no 9/2023-RFB/DEVAT/EQAUD/DEMAISFAZ/DEMAISFAZPJ, às fls. 133, no seguinte sentido: 1. Trata-se de relatório em decorrência de determinação do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) que na Resolução 1201-000.746 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária de 22.10.2021, em sessão de julgamento de Recurso Voluntário do contribuinte em epígrafe, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem adote as seguintes providências: • Analise as informações trazidas nos autos e informe qual o status dos pagamentos realizados após a exclusão do contribuinte do REFIS (se alocados ou não a débitos do contribuinte), sem prejuízo de intimar o contribuinte a apresentar documentos que a autoridade administrativa julgar necessários para comprovação do alegado pelo contribuinte e verificar se estão disponíveis para utilização. Os pagamentos feitos pelo contribuinte com o código de receita 9100 (Refis - Parcelamento Vinculado Receita Bruta) após a data de 01.05.2008 (data do efeito da exclusão do Refis) estão disponíveis. Conforme extrato da conta Refis (fls. 121/132), eles não estão amortizando débito algum do contribuinte. 2. Dê-se ciência ao contribuinte desta Informação Fiscal e da Resolução nº 1201- 000.746 do Carf, para que, caso queira, apresente alguma manifestação no prazo de trinta dias. Posteriormente, retorne-se os autos ao Carf para prosseguimento.. O contribuinte foi devidamente intimado (por abertura de mensagem eletrônica), às fls. 134 e 135, sobre o teor da Resolução e da Informação acima mencionadas. Sem manifestação do contribuinte no prazo aventado, o processo principal foi novamente encaminhado para esta Turma (efls. 136/138), para apreciação e julgamento. Ademais, é importante mencionar que ao presente processo principal foram apensados os processos de números 10680722839201377, 15504000416201012, 15504000693201017, 15504000694201061, 15504000695201014, 15504000696201051, 15504000697201003, 15504000701201025, 15504002019201077, 15504002020201000, Fl. 145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.434 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.004461/2010-38 6 15504002022201091, 15504004459201069, 15504004460201093, 15504020482200967, 15504020483200910, 15504020484200956. É o Relatório. VOTO Conselheiro Jeferson Teodorovicz, Relator Conforme aposto na resolução n. 1201-000.746, o Recurso foi encaminhado à Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamento, mas, conforme Resolução às fls. 110/113, pelo fato de os processos principal e apensos conjuntamente superarem o valor limite atribuído às turmas extraordinárias, nos termos do art. 23-B, Anexo II, do RICARF, decidiu-se por encaminhar os autos para apreciação e julgamento da Turma Ordinária. Ainda, nos autos do Processo Administrativo, verifica-se cópia de decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n. 68966-47.2010.4.01.3800 que determinou o encaminhamento do recurso ao Conselho de Contribuinte. Verifica-se ainda que não há concomitância, pois o referido mandado de segurança não adentra no mérito da questão discutida nos presentes autos. Naquela oportunidade decidi por converter o julgamento em diligência por entender que a exclusão do programa de parcelamento implica exigibilidade imediata, verdadeiro rompimento do programa de parcelamento, de sorte que qualquer pagamento realizado após a exclusão não está mais “no âmbito do Refis”. Nesta linha, entendo que não é aplicável a vedação estabelecida na IN 900/2008, não havendo ulterior empecilho para a análise do pedido de compensação se os créditos estão efetivamente disponíveis ao contribuinte. No caso concreto, a diligência confirmou que os pagamentos feitos pelo contribuinte com o código de receita 9100 (Refis - Parcelamento Vinculado Receita Bruta) após a data de 01.05.2008 (data do efeito da exclusão do Refis) estão disponíveis, conforme extrato da conta Refis (fls. 121/132), não amortizando débito algum do contribuinte. Assim, diante da disponibilidade do crédito, da certeza de se tratar de pagamento indevido, entendo deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário. Ante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação até o limite do direito creditório disponível. É como voto. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz Fl. 146DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000434/2001-41
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. É nula a decisão proferida cujos fundamentos não acomodam a situação fática descrita pela fiscalização.
Processo anulado.
Numero da decisão: 204-03.021
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir do despacho decisório. Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Luiz Romano.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Segundo Conselho de Contribuintes RutglaYr Processo n0 : 13876.000434/200141 Recurso n° : 136.931 Acórdão n° : 204-03.021 Recorrente : ALCOA ALUMÍNIO S/A Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP • PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. É nula a decisão proferida cujos fundamentos não acomodam a situação fática descrita pela • fiscalização. Processo anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ALCOA ALUMÍNIO S/A. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir do despacho decisório. Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Luiz Romano. • Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2008. tritl MF - SEGP. t r r CON cRallINTES CO :H r; .; z: c .2 OtRiC,INAL arasuia. 1 eri 1 17"S?ennque Pinheiro Toll*Pia' Presid nte Mariu Lt:Lirnar No% ais S:Jrt: 91611 ;nii 1 tilei • :nto • tv- • • I Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Ana Maria Barbosa Ribeiro (Suplente), Airton Adelar Rack e Leonardo Siade Manzan. 1 • • 2° CC-NIF ••• Ministério da Fazenda ia': • -I% Fl. • "..1:170- Segundo Conselho de Contribuinteg AI- .7) -.M4TR:SuINTES sl; Processo n° : 13876.000434/2001-41 _ . 18 j cri eit Recurso n° : 136.931 Acórdão n° : 204-03.021 1 (li Recorrente : ALCOA ALUMÍNIO 8/4"----- RELATÓRIO Trata-se de pedido de ressarcimento, cumulado com pedido de compensação, de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (EPI) apurado no 1° trimestre de 1999, com fulcro no art. 11 da Lei n°9.779, de 19 de janeiro de 1999. O pedido, formalizado em 11 de setembro de 2001, foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal (DRF) em Sorocaba-SP, em virtude da glosa de iéditos relativos à aquisição de insumos não-tributados (NT) e de partes, peças e acessórios de máquinas que, por não se desgastarem em contato direto com o produto final, não dariam direito a crédito, conforme Despacho Decisório constante das fls. 163 a 165. Contra essa decisão, foi apresentada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto-SP, que manteve o indeferimento, nos termos do voto condutor do Acórdão constante das fls. 199 a 205, ensejando a interposição de recurso a este Segundo Conselho de Contribuintes, às fls. 214 a 230, para aduzir, em preliminar, a nulidade da decisão da instância de piso, por indeferir o pedido de realização de perícia documental e técnica e, com isso, ofender os princípios do devido processo legal e do contraditório e ampla defesa e, no mérito, alegar, em síntese, que: I — os insumos cujos créditos foram glosados são equipamentos de grande porte (britadores, moinhos, eletrodos, fomos), que mantêm contato direto com as grandes estruturas maciças, e outros materiais (peneiras, esferas, rolos e martelos dos moinhos, mandíbulas, grelhas e placas de revestimento) que mantêm contato direto com o próprio produto final; e II — esses insumos são, sim, em consonância com o art. 519, inc. II, do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002, produtos intermediários e são imprescindíveis no processo produtivo da contribuinte, desgastando-se por contato direto com os grãos em processo de produção, conforme Parecer Normativo CST n° 65, de 1979. A recorrente alegou ainda a necessidade de converter o julgamento do recurso em diligência, pois a matéria litigiosa depende da produção de prova pericial técnica e documental para demonstrar que os materiais cujos créditos foram glosados são utilizados no processo de industrialização e não são do ativo permanente e que se consomem ou se desgastam em decorrência de ação direta sobre o produto fabricado. Ao final, solicitou-se o integral provimento do seu recurso para, preliminarmente, decretar-se a nulidade da decisão recorrida e, no mérito, seja reconhecido seu direito à compensação pleiteada, pois os bens relativos às glosas de crédito são considerados intermediários ou insumos, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, e arts. 164, inc. I, e 519, inc. II, do Decreto n° 4.544, de 2002, refazendo-se, por conseqüência, os cálculos dos créditos que devem ser estornados, em virtude das saídas do produto não tributado denominado mulita. %,111 2 1 — ; „ - r CC-MF Ministério da Fazenda • Fl. Segundo Conselho de Contribuintes ? c17 Processo n° : 13876.000434/2001-41 1 Recurso n° : 136.931 • • Acórdão n° : 204-03.021 Também foi requerida a reunião dos processos administrativos que listo; por serem de conteúdo idêntico, possuírem decisões similares e estarem na mesma fase processual. ; É o relatório. 3 • TES á:e : 1k a §..tin C.ONTRIBUIN 2° CC-MF Ministério da Fazenda ',F sEtWxr41' r 2j-4r:f o -ft; stv ALcr El 7.;.; . --'1*" Segundo Conselho de Contribuintes ,;;;:::1/213 :n• Processo n° : 13876.000434/2001-41 Recurso n° : 136.931 — Acórdão n° : 204-03.021 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA SILVIA DE BRITO OLIVEIRA O recurso é tempestivo, por isso dele conheço. O litígio nestes autos foi estabelecido em torno do valor a ser estornado, em virtude da aplicação de insumos, indistintamente, na elaboração de produto não-tributado e dos demais produtos, e dos créditos relativos a aquisição de materiais que a fiscalização concluiu não se desgastarem por ação direta sobre o produto final em fabricação. Contudo, a matéria que se tornou litigiosa não acomoda os fatos efetivamente constatados no procedimento fiscal relativo à verificação da legitimidade dos créditos e à apuração do saldo credor do IPI no primeiro trimestre de 1999, pois, conforme fls. 156 a 161, a fiscalização salientou particularidade relativa aos pedidos de ressarcimento dos saldos credores do IPI apurados no primeiro e no segundo trimestre de 1999, em virtude da escrituração extemporânea de créditos do primeiro trimestre no segundo trimestre de 1999, consignando o que a seguir transcreve-se: (..) Os créditos escriturados no 1° trimestre referem-se a compras de mercadorias para comercialização (CFOP 3.12 – importação) e não dão direito a ressarcimento. Portanto, o pedido do 1° trimestre está sendo inteiramente indeferido. (.4.) Assim, pode-se concluir que o fato ensejador das glosas foi a constatação de que os créditos eram relativos a aquisição de insumos para mera revenda e essa matéria não foi alcançada pelo litígio aqui instaurado. Contudo, sua situação fora dos limites da lide decorreu, primeiro, da fundamentação da decisão da unidade de origem. Vale dizer, não se configura aqui omissão da ora recorrente, de forma a tornar a matéria preclusa, pois a omissão foi, antes, da autoridade administrativa, que praticou o primeiro ato passível de contestação no âmbito do processo administrativo fiscal, o despacho decisório, com fundamentação legal completamente dissociada da situação fática apontada pela fiscalização. Em face disso, tem-se configurada a impropriedade das decisões até então prolatadas nestes autos, visto que omissas em relação à realidade fática reportada na informação fiscal, razão pela qual nenhum efeito podem elas produzir sobre a matéria fática que foi apontada e, portanto, a medida que se impõe é a decretação de sua nulidade. Pelas razões expostas, voto pela nulidade do processo, a partir do despacho decisório constante das fls. 163 a 165, inclusive, para que outro seja proferido em consonância com a situação fática apontada na informação fiscal em relação aos créditos do primeiro trimestre de 1999 Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2008. nt, S '1L : P TOOL EIRA 4 Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000785/2002-98
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PEREMPÇÃO. A apresentação da peça recursal fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 acarreta a perempção e impõe ao julgador o não conhecimento do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 204-03.011
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso
por intempestivo.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 15586.000856/2005-31
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2001 a 20/12/2002
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL E LANÇAMENTO. CIÊNCIA. CONCOMITÂNCIA.
A ciência do Mandado de Procedimento Fiscal e do lançamento concomitantemente não macula a peça fiscal com vício de nulidade.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto-Lei nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 20/12/2002
IPI. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. GRANITOS POLIDOS.
O polimento de pedras de granito extrapola o simples desbaste, razão pelo qual a sua correta classificação fiscal é na posição 6802, que abrange os produtos polidos fabricados a partir das pedras das posições 2516, nos termos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias - NESH.
CRÉDITO EXTEMORÂNEO DE IPI. LANÇAMENTO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE OPOSIÇÃO DO FISCO. DESCABIMENTO.
A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, RESP nº 1035847 RS. Deste modo, procede a
glosa de créditos relativos a correção monetária calculada sobre créditos escriturais registrados extemporaneamente pelo contribuinte, pois somente se admite referida atualização quanto houver oposição da Administração no reconhecimento do direito ao referido crédito.
Numero da decisão: 3402-001.642
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior (Relator) e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva. Designada a Conselheira Silvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta votaram pelas conclusões. No mérito, negou-se provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR
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CIÊNCIA. CONCOMITÂNCIA. A ciência do Mandado de Procedimento Fiscal e do lançamento concomitantemente não macula a peça fiscal com vício de nulidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do DecretoLei nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 20/12/2002 IPI. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. GRANITOS POLIDOS. O polimento de pedras de granito extrapola o simples desbaste, razão pelo qual a sua correta classificação fiscal é na posição 6802, que abrange os produtos polidos fabricados a partir das pedras das posições 2516, nos termos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias NESH. CRÉDITO EXTEMORÂNEO DE IPI. LANÇAMENTO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE OPOSIÇÃO DO FISCO. DESCABIMENTO. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por Fl. 1DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 ausência de previsão legal, RESP nº 1035847 RS. Deste modo, procede a glosa de créditos relativos a correção monetária calculada sobre créditos escriturais registrados extemporaneamente pelo contribuinte, pois somente se admite referida atualização quanto houver oposição da Administração no reconhecimento do direito ao referido crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior (Relator) e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva. Designada a Conselheira Silvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta votaram pelas conclusões. No mérito, negouse provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Nayra Bastos Manatta. (assinado digitalmente) Nayra Bastos Manatta Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator (assinado digitalmente) Silvia de Brito Oliveira – Redatora Designada Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 2DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.000856/200531 Acórdão n.º 3402001.642 S3C4T2 Fl. 1.335 3 Relatório O processo é decorrente de Auto de Infração, lavrado em desfavor do interessado em 09.12.2005, no qual exigiu o IPI no período compreendido entre 01.04.2001 e 20.12.2002, apurando o crédito tributário, no montante de R$ 624.515,57 (seiscentos e vinte e quatro mil, quinhentos e quinze reais e cinqüenta e sete centavos). Tal autuação teve origem com a constatação, por parte da autoridade autuante, da insuficiência de lançamento de IPI relativo aos decêndios dos anoscalendário 2001 e 2002, por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos com classificação incorreta, bem como de se creditar de créditos básicos indevidos. No tocante aos erros de classificação fiscal, a autuação recaiu sobre chapas/placas de granitos polidos ou levigados e ladrilhos de granito, que para o autuado se classificavam na posição 2516 e a fiscalização os reclassificou em na posição 6802. Verificouse, de início, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº. 07.2.01.002004003535, para o período de 1997 a 2002, que o contribuinte dava a saída a produtos tributados sem o destaque do IPI, bem como escriturava créditos indevidos de IPI, que o levou à lavratura do auto de infração. O MPF de nº. 07.2.01.002005005639, relativo à autuação, foi entregue juntamente com o Auto de Infração. DA IMPUGNAÇÃO Notificado em 11.12.2005, o contribuinte apresentou, por intermédio de seu procurador, em 10.01.2006, impugnação, alegando, em síntese: Preliminarmente, sob o argumento de nulidade do Auto de Infração, por falta de documento legalmente previsto, entende que o MPF deve ser entregue, obrigatoriamente, no início do procedimento fiscal, sob pena de ser considerado nulo ou desprovido de validade, o que estaria ocorrendo nos autos, já que o MPF 07.2.01.002005005639 foi entregue na mesma data do auto de infração. Sobre o MPF, cita que não foi respeitada a autonomia dos estabelecimentos, prevista na legislação do IPI, pois o MPF nº. 07.2.01.002004003535 foi dirigido ao estabelecimento matriz e o auditor fiscal, além de se valer do referido MPF para fiscalizar o estabelecimento filial, mudou o rumo da investigação para que foi expedido aquele documento e culminou por lançar créditos tributários em nome da filial. Aduz, ainda, que a fiscalização extrapolou o período de suas atividades, que era de 01.01.2002 a 31.12.2001, exigindo livros fiscais relativos as anoscalendários 2003, 2004 e 2005. Requer, ao fim, que seja declarado o cancelamento integral do auto de infração, em virtude de não ter sido respeitado o roteiro de procedimento. Fl. 3DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 No tocante ao mérito, após fazer uma análise etimológica das palavras “desbastar” e “obras”, conclui que as placas de granito não servem em nada para o consumidor final, nem tampouco para o varejista de material de construção, restando claro que é subproduto com pequeno beneficiamento, não tendo padronização nem acabamentos exigidos pelo beneficiário final, é um insumo que vai servir para outra empresa dar acabamento, e tal operação é tida, na TIPI, como nãotributada. Chega a conclusão de que placa de granito não é obra de granito e que “este é o sentido que a TIPI quis diferenciar entre o capítulo 25 – pedra bruta ou semi acabada (insumo para terceiros) e o capítulo 68 – obras de pedra, gesso, cimento ..., para aplicação na construção civil.” Declara que ao pesquisar o efetivo significado do verbo “desbastar”, como consta na TIPI/NESH, a classificação fiscal e a respectiva alíquota, adotadas por ele, ficam comprovadas, no tocante à classificação fiscal dos produtos indicados como Chapa Polida (CP) e que ensejou, por discordância da fiscalização, a ação fiscal e, para robustecer seu posicionamento, a contribuinte recorre às Notas 1 e 4 do Capítulo 25 (sal; enxofre; terras e pedras; gesso; cal e cimento). Ao fim, alega ter havido omissão e erro na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, de modo a lhes causar o cerceamento do direito de defesa. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, proferiu o Acórdão de nº. 0922.081, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 20/12/2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). Os vícios formais do MPF não tem o condão de anular lançamento, vez que não há no Decreto nº. 70.235, de 1972, tal previsão a ensejar sua anulação. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não pode ser acatado o argumento do cerceamento do direito de defesa quando o impugnante rebate ponto as razões da autuação. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 20/12/2002 CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTOS. Fl. 4DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.000856/200531 Acórdão n.º 3402001.642 S3C4T2 Fl. 1.336 5 A classificação das pedras de granitos polidas é na posição 6802, conforme Regra Geral de Interpretação nº. 1 e Texto das Posições 2516 e 6802 das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias – NESH. Lançamento Procedente. No que tange as preliminares, a contribuinte apontou como ofensa ao princípio da autonomia dos estabelecimentos o fato de as verificações fiscais terem sido centralizadas no estabelecimento matriz e terem sidos exigidos a apresentação de livros e documentos fiscais pertencentes à filial cujo CNPJ é 27.189.513/000815. Sustenta, a DRJ, que o MPF nº. 07.2.01.002004003535 foi utilizado não somente para execução dos trabalhos de fiscalização do estabelecimento matriz, mas também para a lavratura do auto de infração em nome do estabelecimento filial. Além disso, a aludida autonomia de que tratam os dispositivos legais cingese à escrituração fiscal que deve possuir cada estabelecimento individualmente, bem como da responsabilização pelo pagamento dos créditos tributários de IPI que apurarem isoladamente. Acontece que, no caso em discussão, o exame a ser realizado pela fiscalização dizia respeito à verificação da legitimidade de créditos presumidos de IPI e, com a edição da Lei nº. 9.779/99, o crédito deve ser, obrigatoriamente, apurado pela matriz, mesmo que esta não seja o estabelecimento produtor exportador. Assim, o MPF em nome do estabelecimento matriz envolve a apuração sobre a integralidade dos estabelecimentos que compõem a pessoa jurídica. Acerca da simultaneidade da apresentação do MPF, que teria dado sustentação à autuação, e do auto de infração, destaca, inicialmente, que a MPF é instrumento de controle administrativo interno, usado para planejamento e execução das ações prioritárias da RFB e sua ausência sequer decretaria a anulação de um auto de infração, muito menos sua entrega simultânea com o auto de infração ensejaria tal conseqüência. Após analisar as questões preliminares, a DRJ passou ao exame de mérito, cita o fato de que o contribuinte insistiu que os blocos polidos, tributados de ofício, não tinham serventia nem para o consumidor final, nem para o comerciante varejista, para estar nesse patamar, necessitaria, segundo ele, tratamento mais avançado para que o produto estivesse completo ou em vias de ser completado, para tanto buscou as conceituações de desbastar, desbastado e obra. Entende que no contexto normativo vigente, podese buscar a classificação que melhor se encaixa às chapas polidas buscando amparo nas notas explicativas das posições 2516 e 6802, a primeira, defendida pela impugnante a segunda, adotada pelo auditor fiscal. Comparando as notas explicativas supracitadas, entendeu ser evidente que as chapas polidas e os ladrilhos se encaixam na posição 6802, pois é explícita suas posições na classificação, onde o polimento caracteriza trabalho mais avançado que aqueles referidos na posição 2516 e os ladrilhos estão expressamente incluídos na 6802. Outro ponto abordado pela contribuinte, em sede de impugnação, é a suposta omissão, por parte da autoridade fiscal, do enquadramento legal e do dispositivo que determina Fl. 5DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 a classificação dos produtos e a alíquota exigida, o que implicaria em cerceamento do direito de defesa e conseqüente anulação da ação fiscal. Aduz, a DRJ, que a defesa do contribuinte foi minuciosa e instruída com documentos que não deixaram transparecer o cerceamento do direito de defesa, desfazendo a eficácia da propositura de anulação do auto de infração. Quanto ao item relativo a Créditos Básicos Indevidos, decorrentes do cômputo de atualização monetária sobre créditos escriturais extemporâneos de IPI, admite que houve, equivocadamente, a indicação do inexistente inciso IV do art. 199 do RIPI/2002, entretanto, tal vício não pode ter ocasionado dano à defesa do contribuinte, uma vez que houve a citação de todos os artigos do RIPI aprovados pelo Decreto nº. 2.637/98, entre eles do art. 183, IV, que na realidade estava em vigor na apuração da infração indevida. Ao fim, mantida toda a autuação, entendeu confirmada a necessidade de estorno fiscal do impugnante no montante de R$ 8.303,51 (oito mil, trezentos e três reais e cinqüenta e um centavos), de acordo com intimação contida no auto de infração (fl. 456). Após todo o exposto, votou pela procedência do Auto de Infração. DO RECURSO Ciente em 14/01/2009 do Acórdão acima mencionado, o contribuinte apresentou em 13/02/2009 Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, fundamentado com jurisprudência e doutrina, em síntese: Que a fiscalização não observou o Princípio da Autonomia dos Estabelecimentos, centralizando, por cerca de quinze meses, no estabelecimento matriz, os documentos fiscais da filial (indústria), que foram utilizados para o encerramento da ação fiscal, sendo que no caso em discussão, o MPF específico para a filial teria sido entregue dois minutos depois de dar ciência ao Auto de Infração. Assim, entende que o Auto de Infração foi entregue sem a existência formal de um MPF de IPI para a empresa autuada. Que a ação fiscal iniciou com a presença da Fiscalização, objetivando verificar a legitimidade do crédito presumido, mas teve seu objetivo supostamente desvirtuado, dando ênfase a uma possível infração à legislação tributária, envolvendo o estabelecimento filial. Que a classificação Fiscal adotada pela Fiscalização não corresponde à mercadoria produzida pela empresa, pois, como já expôs em sede de impugnação, entende que os produtos da filial deveriam ser classificados nas posições 2515 e 2516. Que o estudo etimológico das palavras “desbastar” e “obra” é de suma importância para a correta classificação fiscal do principal produto industrial gerado na filial autuada, porque “os nossos granitos, por exemplo, simplesmente cortados a serra, em placas de forma quadrada ou retangular, em bruto ou desbastado (primeiro polimento), se enquadram, perfeitamente, na posição 2516.11.00 (NT), ficando comprovada a correta classificação fiscal, e a respectiva alíquota adotada pela autuada, para as (CP) Chapas Polidas repassadas a terceiros para beneficiamento final.” Que a Fiscalização limitouse a impor a posição 6802.23.00 no Demonstrativo de Débitos apurados, não informando que a omissão no enquadramento legal e Fl. 6DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.000856/200531 Acórdão n.º 3402001.642 S3C4T2 Fl. 1.337 7 do dispositivo que determina a classificação dos produtos e a alíquota exigida, implicando, segundo ele, na hipótese de cerceamento ao direito de defesa e resultando nulidade da ação fiscal. Ao fim, requereu que fossem aceitos todos os fatos e justificativas expostos e que sejam julgados improcedentes os efeitos do Auto de Infração. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 03 (três) Volumes, numerado até a folha 543 (quinhentos e quarenta e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Voto Vencido Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, tendo sido apresentando tempestivamente, razão porque dele tomo conhecimento. 1 – Preliminar de Nulidade do Lançamento por vícios do MPF: Preliminarmente argui a recorrente que o lançamento tributário padeceria de vício de nulidade, pois que a Autoridade Fiscal procedera a fiscalização baseada em Mandado de Procedimento Fiscal – MPF que fora emitido para fiscalização da Matriz do contribuinte, relativamente a análise de créditos presumidos de IPI, sendo que com base nas informações obtidas com respaldo nesse MPF, teria lavrado Auto de Infração contra o estabelecimento Filial, sendo que apenas entregou o MPF relativamente a esse estabelecimento Filial, “02 minutos” após cientificarlhe do lançamento, e não antes do inicio ou em até 05 dias do início da atividade de fiscalização, como exigiria a legislação. Sustenta, ainda, que para o caso específico do IPI, vigora o princípio da autonomia dos estabelecimentos, e, portanto, o MPF da Matriz não poderia aproveitar a fiscalização de outros estabelecimentos Filiais, e a entrega tardia do MPF, após a ciência ou concomitantemente a entrega do Auto de Infração, inquinaria o lançamento de nulidade. Para poder chegar a conclusão sobre a matéria ora trazida a debate, que no mais das vezes mostrase bastante polêmica no meio jurídico, cujo alcance está refletido nos debates travados no âmbito do processo administrativo fiscal, entendo que fazse necessária uma análise sobre a posição que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF ocupa no Sistema Tributário Brasileiro. Com efeito, é indubitável que a atividade de lançamento tributário, realizada pelos agentes públicos, está inserta nas competências e atribuições da Administração Pública, na medida em que o Ministério da Fazenda é órgão governamental, vinculado ao Poder Executivo, devendo, por tais razões, atenderem aos preceitos do art. 37, da Constituição da República Federativa do Brasil – CRFB/1988, assim redigido: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...)” A redação acima transcrita, na parte que aqui se torna mais pertinente, traça como cânones a serem observados pela Administração Pública (e a Administração Tributária dela faz parte), da legalidade, da moralidade e da publicidade. Guardemos referidos princípios como pedras angulares dos atos administrativos, tal e qual é o ato de lançamento tributário. Devemos colocar ainda como premissa, que os “tributos” inseremse dentre as receitas ditas derivadas, auferidas pelo Poder Público através do “poder do Príncipe”, ou seja, aquele poder conferido pela Constituição Federal, baixada sob o manto do Poder Originário (ou seja, pelo próprio Povo da Nação), que permite ao Estado deslocar para si, Fl. 8DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.000856/200531 Acórdão n.º 3402001.642 S3C4T2 Fl. 1.338 9 extraindo do particular parcelas de seu patrimônio. Como condição para essa “invasão patrimonial”, a constituição e as leis que ela devem se compadecer, colocaram as Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar (art. 150, da CRFB88), que foca o Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária. A partir da “estrita legalidade em matéria tributária”, temse que muito mais que a “simples” Legalidade, para a qual seria permitido ao particular praticar tudo aquilo que a Lei não proibir (art. 5º, inciso II), em matéria tributária, somente é permitido a administração agir dentro daquilo que estiver expressamente autorizado pela legislação tributária. Tais premissas nos remetem ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente seu parágrafo único, com a seguinte redação: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” (destaquei) Essa atividade é em decorrência do princípio da legalidade expresso no já transcrito artigo 37, da CRFB88, que ganha ênfase especial em se tratando de matéria de tributação (pela qual há permissão extrair bens particulares e vertelos ao Estado), pdlo art. 1150, I, da mesma CRFB, ou seja: é atividade plenamente vinculada. Em decorrência deste primado da “vinculação dos atos administrativos”, a autoridade competente deve agir atendose aos limites impostos pela norma. Vale a lição de Hely Lopes Meireles1: Atos vinculados ou regrados são aqueles para os quais a lei estabelece os requisitos e condições de sua realização. Nessa categoria de atos, as imposições legais absorvem, quase que por completo, a liberdade do administrador, uma vez que sua ação fica adstrita aos pressupostos estabelecidos pelo Poder Público para a validade da atividade administrativa. Desatendido qualquer requisito, comprometese a eficácia do ato praticado, tornandose passível de anulação pela própria Administração, ou pelo Judiciário, se assim o requerer o interessado. Conforme ensina Lourival Vilanova2 “o direito é o instrumento do Estado para realizar seus fins”. Não pode assim o Estado atingir seus fins, sem que haja nos estritos contornos do Direito. 1 Hely Lopes Meirelles, Direito administrativo brasileiro, 19ª Edição, Malheiros Editores, p.150. 2 Lourival Vilanova, Relação jurídica de direito público, RDP 74, p. 47. Fl. 9DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Portanto, a atividade de lançamento é plenamente vinculada, como preceitua o art.. 142, mas que igualmente está expresso no art. 3º, ambos do CTN. Já viuse que a vinculação limita e condiciona a validade do ato. Por outro lado, o mesmo parágrafo único art. 142, do CTN, diz que a atividade de lançamento é também “obrigatória”. Assim assim capitular, estaria a Administração Pública com um salvo conduto a praticar obrigatoriamente o lançamento, pelo simples fato de ter identificado a ocorrência do “fato gerador”? Os “fins” justificariam os “meios”? Penso que não, pois que o parágrafo único do dito art. 142 é expresso em pontuar que “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória”. Não diz o dispositivo que a atividade é vinculada OU obrigatória. Portanto, em identificando a ocorrência do fato gerador, a autoridade pública estará obrigada a efetuar o ato administrativo de lançamento, mas para tanto essa atividade deve ser feita de tal forma que atenda a Lei tributária, pois seus atos são plenamente vinculados. Em termos de legislação tributária, para identificar sua extensão, necessário socorrermonos dos preceitos dos arts. 96 e 100, do CTN: “Art. 96. A expressão ‘legislação tributária’ compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.” “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...)” Com efeito, em termos de delimitação da atuação da Autoridade Administrativa, está claro que as normas ditas “internas” ou “procedimentais”, baixadas pelo Presidente ou por seus ministros, para dar fiel execução a Lei, compreendem os Decretos, as Instruções Normativas, Portarias, Resoluções, dentre outras, vinculando a atuação da Administração Tributária aos seus limites. Em termos de atividade de Fiscalização, igualmente é importante ter a dimensão do que determina o art. 194 e 196, do CTN: “Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação.” Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas.” (grifamos) A partir das digressões legislativas acima, temse claro que o termo “legislação tributária” compreende os atos infralegais editados pela própria Administração Pública (Decretos, Portarias, Instruções Normativas, Resoluções etc.), e que a atividade de fiscalização, que é plenamente vinculada (arts. 3º e 142, do CTN), deve a ela restar adstrita e limitada; e no desenvolver da fiscalização, a devese atuar de acordo com as competências e os Fl. 10DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.000856/200531 Acórdão n.º 3402001.642 S3C4T2 Fl. 1.339 11 poderes fixados por essa “legislação” (art. 194, do CTN), lavrandose os termos necessários para que se documente o início do procedimento (art. 196, do CTN). O Direito Positivo brasileiro estabelece que o lançamento realizado pela autoridade deve ocorrer no limite de sua competência. E a competência do auditorfiscal está expressa no artigo 6º da Lei 10.593/2002, com a redação modificada pela Lei 11.457/2007, assim expresso: “Art. 6o São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 1o O Poder Executivo poderá cometer o exercício de atividades abrangidas pelo inciso II do caput deste artigo em caráter privativo ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil.” Como se vê, novamente a norma se refere a definição legal, vinculando o ato do Auditor aos termos e limites da “legislação específica”, que, por óbvio, abrange a legislação tributária em sentido lato. E aqui chegamos à disciplina do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Através da Portaria nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, a Administração Tributária estabeleceu que os procedimentos fiscais, relativos aos tributos e contribuições administrados pela então Secretaria da Receita Federal, deveriam obedecer e somente seriam Fl. 11DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 instaurados mediante ordem específica denominada de Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Essa Portaria foi revogada, havendo, sucessivamente, a Portaria 3.007/01, a Portaria nº 4.328/05, a Portaria nº 6.087/05, estas com base no Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001. Atualmente encontrase em vigor a Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 (que possui redação essencialmente idêntica as anteriores, nos pontos aqui abordados), que tomo aqui como ato normativo complementar da “legislação tributária”, expedido pela autoridade administrativa, nos termos e para os efeitos dos arts. 96 e 100, do CTN, cujos artigos que reputo relevantes ao que interessa para o caso em análise, transcrevo: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). ... Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 2º No caso de auditoria em matéria previdenciária, o prazo a que se refere o § 1º será de dez anos. § 3º Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o MPFF alcançará o exame dos livros e Fl. 12DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.000856/200531 Acórdão n.º 3402001.642 S3C4T2 Fl. 1.340 13 documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. § 4º O MPFD indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 5º O MPFE indicará a data do início do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 6º Na hipótese de instauração de procedimento fiscal destinado exclusivamente a verificar o cumprimento de obrigação acessória, o MPFF deverá identificar a obrigação e o período a que se refere, conforme modelo aprovado por esta Portaria, não se aplicando o disposto no § 1º deste artigo. § 7º O disposto no § 1º não se aplica no caso de procedimento fiscal destinado a constatar a correta aplicação da legislação de comércio exterior que possa resultar tão somente em apreensão de bens ou mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigência de multas ou direitos comerciais, hipótese em que o MPFF poderá indicar apenas a descrição sumária das verificações a serem efetuadas. ... Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. Vêse que toda a conduta do auditor fiscal é delimitada pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF, cabendolhe atuar dentro dos contornos da competência que o superior hierárquico assim definiu, sendo que todos esses pressupostos de validade são cumulativos e obrigatórios, dado o princípio da legalidade já exposto, e em especial porque a atividade de lançamento é plenamente vinculada (arts. 3º e 142, do CTN). Assim, pelas Portarias acima citada, a indicação da autoridade responsável, qual o tributo, quais as diligências, sempre por meio de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, como previsto na “legislação tributária” que engloba as Portarias emitidas nesse sentido, pois que referido ato é a norma garantidora da liberdade do Auditor Fiscal atuar. Quanto a indicação, no MPF, do período fiscalizado, temse que o mesmo é facultativo, porém, acaso seja referido período fixado no MPF, a autoridade fiscal poderá analisar documentos e livros relativos a outros períodos, mas apenas como complemento da análise do período sob fiscalização. Fl. 13DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 E mais, a norma também é clara que, acaso o Auditor fiscal se depare com irregularidade ou com a ocorrência de fatos geradores que estejam fora do escopo inicial dos trabalhos de Fiscalização, e, portanto, fora dos limites autorizados pelo MPF, nada obsta que o agente público represente ao seu superior hierárquico solicitando para que amplie os poderes inicialmente conferidos, através da emissão do MPFC. Está na norma. Faz parte da “legislação tributária”, de observância obrigatória, nos termos dos arts. 96 e 100, 142, 194 e 196, todos do CTN. Expressa o próprio executivo, na mensagem de veto nº 11/2001 ao o Projeto de Lei no 112, de 2000 (no 3.756/2000 na Câmara dos Deputados), que pretendeu alterar o artigo 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996 (Lei 10.174/2001), do seguinte modo: Preliminarmente, cumpre afirmar que a atuação da Secretaria da Receita Federal é pautada sob os princípios constitucionais e éticos impostos ao Poder Público e a seus agentes, em especial os da impessoalidade, da moralidade, da legalidade e, no caso específico, dos sigilos funcional e fiscal, o que garante a preservação integral da privacidade dos contribuintes. Ademais, a partir da instituição do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, por meio da Portaria SRF no 1.265, de 22 de novembro de 2000, o cumprimento daqueles princípios passou a ter total transparência, pois, ao contribuinte submetido à ação fiscalizadora da Receita Federal é assegurado, desde o início do procedimento, o pleno conhecimento do objeto e da abrangência da ação, em especial em relação aos tributos e períodos a serem examinados, com fixação de prazo para a sua execução, além de possibilitar a certificação da veracidade do MPF por intermédio da Internet. Ressaltese, por oportuno, que o MPF é outorgado pelos chefes das unidades da SRF, não sendo, assim, uma iniciativa pessoal do agente encarregado de sua execução, sendo sua instituição um marco histórico na relação entre a Administração Tributária Federal e os contribuintes. Sublinhei o entendimento claro acerca do MPF. Fosse modificálo deveria o fiscal ter tomado as medidas determinadas na norma (artigo 9º da Portaria RFB nº 11.371/2007). Também são pertinentes ao caso as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello3 com relação aos procedimentos administrativos: Nos procedimentos administrativos, os atos previstos como anteriores são condições indispensáveis à produção dos subseqüentes, de tal modo que estes últimos não podem validamente ser expedidos sem antes completarse a fase precedente. Além disso, o vício jurídico de um ato anterior contamina o posterior, na medida que haja entre ambos um relacionamento lógico incindível. Especificamente no que diz respeito ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF, são importantes as lições de Marcos Vinícius Neder e Maria Tereza Martinez López4: 3 Elementos de Direito Administrativo, 1ª Ed., 5ª Tiragem, Editora Revista dos Tribunais, 1986, pág. 72. 4 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2ª edição, Dialética, 2004, pp. 107 a 112. Fl. 14DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.000856/200531 Acórdão n.º 3402001.642 S3C4T2 Fl. 1.341 15 A eleição de um servidor específico para essa função tem por finalidade proteger o contribuinte, assegurandolhe o direito de ser fiscalizado apenas por quem a lei atribua o dever se sigilo das informações obtidas em razão do exercício dessa atividade, e que atue de forma exclusiva e imparcial, sem influências estranhas ao interesse público. Com o objetivo de delegar competência para o Auditor Fiscal agir em nome da Fazenda Pública foi criado o MPF Mandado de Procedimento Fiscal que, como o próprio nome já diz, é ele que confere o mandado (exercício da ordem de mandar) e dá a competência para agir em nome do Fisco. Esse instrumento foi criado pela própria Administração Tributária como uma forma de legitimar e melhor controlar as ações dos seus agentes e a legalidade dos respectivos atos. É certo assim, que o MPF estabelece mais do que o limite de atuação do Agente Público; estabelece o limite da responsabilidade de colaboração do contribuinte no procedimento de fiscalização, mesmo porque antes da ciência do MPF não pode ser o mesmo compelido a colaborar. Além disso, com respeito aqueles que entendem diferente, entendo que o MPF não é ato administrativo de mero controle interno; o MPF é ato administrativo que encontra amparo na “legislação tributária”, tendo a função de permitir o início do procedimento fiscal, atribuindo condições de procedibilidade ao agente do Fisco competente para o exercício da auditoria fiscal, sendo, por conseguinte, ato preparatório e indispensável à produção dos atos subseqüentes, entre ele e o lançamento. Entendo inclusive, que a ciência ao contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é apto para excluir a espontaneidade do contribuinte, se não existir um anterior “Termo de Início de Fiscalização”, pois que referido MPF preenche os atributos de “primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto” (art. 7º, I, do DecretoLei nº 70.235/72). Foi a própria Administração que estabeleceu o procedimento, seu mecanismo, procedimentalização e hierarquia. Determinou, também, como modificálo (art. 9º da Portaria acima citada). Se não fosse vinculativo de nada serviria, e poderia colocar em descrédito, inclusive no âmbito interno, a força cogente e de gestão que as Portaria e atos congêneres, poderiam causar no seio da Administração. Se não fosse vinculativo, terseia que bastaria ao fiscal informar um protocolo ao contribuinte a fim de que averiguasse a inexistência de fraude, e passasse a agir. Além disso, o MPF está alinhado com o já citado art. 37, da CRFB88, no que diz respeito ao princípio da publicidade dos atos administrativos, que traz consigo um valor fundamental, corolário do Princípio da Segurança jurídica, que visa preservar que o particular não terá contra si deflagrado um procedimento que poderá culminar na diminuição forçada de seu patrimônio, por ato emanado do Poder Público e em decorrência da prática de um Ato Lícito (art. 3º, do CTN), sem que lhe seja garantida a Publicidade dos atos administrativos. Fl. 15DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 Com efeito, a transparência e o cumprimento de todos os requisitos inerentes ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, são elementos de validade do procedimento fiscal que culmina no lançamento, sem o que a autoridade que o pratica não está investida da competência e dos poderes necessários para a prática daquele ato, e, como tal, pratica ato ilegal, devendo ser proclamada sua nulidade por vício formal. Neste sentido, partilhando do ponto de vista e conclusões aqui expendidas, cumpre trazer a colação entendimentos jurisprudenciais emanados do hoje extinto Conselho Federal de Contribuintes, extraídos do artigo intitulado “O Mandado de Procedimento Fiscal como Pressuposto de Instauração e Regularidade do Procedimento Fiscal. Norma obrigatória e vinculante”, de Mary Elbe Queiroz, sobre a matéria: "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NATUREZA. O Mandado de Procedimento Fiscal não é mero instrumento de controle interno, atribuindo condições de procedibilidade ao agente do Fisco competente para o exercício da auditoria fiscal, sendo, por conseguinte, ato preparatório e indispensável ao exercício do lançamento.” (Acórdão 10194060. 1ª Câmara. Relatora: Sandra Faroni.) "MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL INVALIDADE EXERCÍCIO DA COMPETÊNCIA CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE PARA O LANÇAMENTO VÁLIDO. Uma vez constatada a ausência válida e regular, nos moldes determinados pelas normas administrativas pertinentes, expedidas pela Secretaria da Receita Federal, do Mandado de Procedimento Fiscal e se tratando de ato procedimental imprescindível à validade do atos fiscalizatórios, no exercício de competência do agente fiscal, é de se considerar inválido o procedimento, e, com efeito, nulo o lançamento tributário conforme efetuado, sem a necessária observância do ato mandamental precedente e inseparável do ato administrativo fiscal conclusivo.” (Acórdão 10613156 Sexta Câmara. Relator: Luiz Antonio de Paula.) "NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE. Afora as hipóteses de expressa dispensa do MPF, é inválido o lançamento de crédito tributário formalizado por agente do Fisco relativo a tributo não indicado no MPFF, bem assim cujas irregularidades apuradas não repousam nos mesmos elementos de prova que serviram de base a lançamentos de tributo expressamente indicado no mandado.”(Acórdão 101 94116 Primeira Câmara. Relatora: Sandra Maria Faroni.) "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal deve ser feita antes de ter se escoado o seu prazo de validade, sendo que a ciência do contribuinte pode ser dada posteriormente, sem com isto causar a nulidade do lançamento.” (Acórdão 10612.653 1º Conselho de Contribuintes 6ª Câmara) Fl. 16DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.000856/200531 Acórdão n.º 3402001.642 S3C4T2 Fl. 1.342 17 "MPFNULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal é um documento que atribui a competência específica de fiscalização sobre determinada pessoa jurídica em nome da Secretaria da Receita Federal, podendo estabelecer o período a ser abrangido pela auditoria, o qual, uma vez discriminado, deve ser respeitado. (Acórdão 10612.653 1º Conselho de Contribuintes / 6ª Câmara Rel. Wilfrido Augusto Marques) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS – NULIDADE. Afora as hipóteses de expressa dispensa do MPF, é inválido o lançamento de crédito tributário formalizado por agente do Fisco relativo a tributo não indicado no MPFF, bem assim cujas irregularidades apuradas não repousam nos mesmos elementos de prova que serviram de base a lançamentos de tributo expressamente indicado no mandado. Outro vício insanável que pode contaminar irremediavelmente o lançamento tributário e o Auto de Infração, na hipótese da respectiva lavratura após o decurso para execução do prazo do MPF, é o fato de que, no momento da lavratura de tal ato administrativo, o MPF autorizativo do procedimento inicial já se encontrar extinto e a lavratura implicar em novo exame ou reexame de escrituração.” (Acórdão 10194497 Primeira Câmara. Rel. Sebastião Rodrigues Cabral). Já emanado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, cito ainda o seguinte precedente: “NULIDADE LANÇAMENTOS MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALC VÍCIO FORMAL. Os comandos do decreto que impõem o MPF são preceptivos e vinculantes para os procedimentos fiscais que culminam no ato de lançamento. A portaria que regula os MPF lança suporte no decreto e no art. 196 do CTN. Tanto o decreto como a portaria prescrevem a emissão de MPF antes ou no início do procedimento fiscal, e não no fim ou com seu encerramento, e até mesmo nos casos que os diplomas permitem o início do procedimento fiscal sem MPF, eles determinam que o MPF deva ser emitido no prazo de cinco dias do início do procedimento fiscal. Emissão de MPFF para apuração de infrações à legislação de IPI, em que os elementos de prova que serviram de base àquela são diversos dos empregados para apuração de irregularidades de tributo distinto o que impõe a emissão de MPFC para iniciar novos procedimentos fiscais. Emissão de MPFC, no fim dos procedimentos fiscais de apuração de IRPJ, IRRF, CSLL, e COFINS, constitui descumprimento dos preceptivos do decreto e da portaria que inquinam os atos de lançamento de nulidade por vicio formal.” (Acórdão 110300.029 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1a. Seção 3a. Turma da 1a. Fl. 17DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 Câmara Processo nº 11020.001108/200600 Recurso nº 155.244 Voluntário Sessão de 26 de agosto de 2009) Especificamente com relação a possibilidade de se fiscalizar estabelecimentos diferentes, baseandose num mesmo MPF, tendo que a princípio não haveria nenhuma nulidade, como aponta o precedente abaixo transcrito: PIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. RECOLHIMENTO CENTRALIZADO DE PIS. JURISDIÇÃO. ESTABELECIMENTO MATRIZ. Mandado de Procedimento Fiscal expedido para a autoridade fiscal da jurisdição do estabelecimento matriz autoriza o lançamento de PIS, relativo a fatos geradores ocorridos em filiais de outras localidades, tendo em vista que a apuração e o recolhimento de tal contribuição devem ser procedidos de forma centralizada na matriz. (...) ” (2º Conselho de Contribuintes 2º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 202 18.042, em 23.05.2007 Relator: Maria Teresa Martínez López) Porém, usando esse mesmo precedente acima, mas aplicando suas premissas ao caso em concreto, em que estamos diante do IPI, cuja apuração e recolhimento se dá de modo descentralizado, tenho que para fins fiscais estáse sim diante de estabelecimentos autônomos. Como tal, entendo que o MPF destinando a fiscalização do estabelecimento Matriz, cujo objeto são verificações de créditos presumidos de IPI, não pode aproveitar a fiscalização de débitos de IPI do estabelecimento Filial, pois que ao indicar o estabelecimento e o tributo fiscalizado, não foi específico na indicação, como manda a Portaria. Além disso, o MPF destinado a esse estabelecimento não poderia ter sido entregue concomitantemente a entrega do Auto de Infração, pois que se tem claro na legislação tributária que o citado mandado deve ser entregue no início dos trabalhos de fiscalização. Desse modo, o MPF deve se ater aos seus limites. Havendo interesse de ampliálo, em termos de tributos ou de estabelecimentos, ou ainda quanto ao escopo, poderia o fiscal têlo feito por conta das determinações normativas da própria Receita Federal do Brasil. Não tendo feito eivou o lançamento com vício formal que não lhe permitiria lançar o IPI aqui discutido, até porque estava fiscalizando créditos presumidos de IPI, e não débitos de outro estabelecimento fiscalmente autônomo. Assim sendo, no caso em concreto, voto dar provimento ao recurso, para o fim de acolher a preliminar de nulidade do lançamento por vícios formais no MPF. 2 – Preliminar de Nulidade por Cerceamento do Direito de Defesa: Se acaso restar vencido na preliminar, cumpre então adentrar a análise das demais questões trazidas aos autos. Nessa esteira, alega ainda a recorrente que a Fiscalização, ao proceder o lançamento, baseado em errônea classificação fiscal de produto, feita pelo contribuinte, limitouse a impor a posição 6802.23.00 no Demonstrativo de Débitos apurados, não informando o enquadramento legal e do dispositivo que determina a classificação dos produtos e a alíquota exigida, implicando, segundo ele, na hipótese de cerceamento ao direito de defesa e resultando nulidade da ação fiscal. Fl. 18DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.000856/200531 Acórdão n.º 3402001.642 S3C4T2 Fl. 1.343 19 Todavia, aqui igualmente não identifico que tenha havido nulidade baseado em cerceamento do direito de defesa, pois, como se pode ver de todas as manifestações que a recorrente fez nos autos, ela demonstrou pleno conhecimento da matéria fática que cerca a discussão em tela, tendo desempenhado com profundida a defesa dos seus interesses, o que, certamente, não lhe seria viável se tivesse havido cerceamento do direito de defesa. Vejase que a recorrente inclusive menciona que a matéria foi objeto de consulta a administração tributária, feita por entidade de classe que a ela congrega, mas que acabou não sendo conclusiva quanto a correta classificação fiscal dos seus produtos, demonstrando, mais uma vez, ser hábil conhecedora da problemática debatida nos autos. Portanto, não vislumbro a nulidade suscitada pela recorrente. As nulidades em matéria tributária, embora não sejam as únicas fontes de Direito Positivo que as arrolam, vêm expressamente citadas na norma de regência do Processo Administrativo Fiscal, aprovada pelo Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: CAPÍTULO – III DAS NULIDADES Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Portanto, no art. 59 estão arrolados os casos de nulidade material, ou absoluta, que não poderão, segundo permissão do art. 60, ambos do Decreto nº 70.235/1972, serem saneadas pela autoridade julgadora em sede de processo administrativo tributário. Fl. 19DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 20 Essas nulidades deverão ser proclamadas sempre que importarem em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o que, reportandose ao caso em concreto, não se verificou, pois que o contribuinte demonstrou ser conhecedor da matéria fática e legal relativa a matéria tributável. Ademais, o lançamento tributário veiculado no Auto de Infração foi praticado com observância aos requisitos do arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/1972, e no art. 142, do CTN, sendo lavrado por autoridade competente, trazendo a descrição dos fatos e os enquadramentos legais pertinentes, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa. Assim, entendo que não há qualquer nulidade na decisão recorrida, pois que ausente o cerceamento do direito de defesa, já que foi garantido ao contribuinte a ampla defesa e o contraditório. Por essas razões, rejeito a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. 3 – No mérito: Adentrando a questão de mérito, verificase que o cerne da controvérsia reside nas classificações fiscais atribuídas pelo contribuinte na posição 2516, recebendo classificação NT na TIPI, enquanto que a Fiscalização entendeu que a posição correta é a 2516, essa tributada pelo IPI. Entendeu a decisão recorrida que no contexto normativo vigente, podese buscar a classificação que melhor se encaixa às chapas polidas amparandose nas notas explicativas das posições 2516 e 6802, a primeira, defendida pelo sujeito passivo e a segunda, adotada pela Administração. Segundo a decisão da DRJ, comparando as notas explicativas seria evidente que as chapas polidas e os ladrilhos se encaixariam na posição 6802, pois é explícita suas posições na classificação, onde o polimento caracteriza trabalho mais avançado que aqueles referidos na posição 2516 e os ladrilhos estão expressamente incluídos na 6802. Por outro lado, a Recorrente, após fazer uma análise etimológica das palavras “desbastar” e “obras”, conclui que as placas de granito, ainda que recebendo um polimento (entendendo tal como modalidade do termo “desbaste”), não servem em nada para o consumidor final, nem tampouco para o varejista de material de construção, restando claro que é subproduto com pequeno beneficiamento, não tendo padronização nem acabamentos exigidos pelo beneficiário final, é um insumo que vai servir para outra empresa dar acabamento, e tal operação é tida, na TIPI, como nãotributada, razão pela qual sustenta o desacerto da autuação fiscal. Analisando então as posições das classificações fiscais, temos que: POSIÇÃO 68: Obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes. POSIÇÃO 25: Sal; enxofre; terras e pedras; gesso, cal e cimento SubPosição 68.02: Pedras de cantaria ou de construção (exceto de ardósia) trabalhadas e obras destas pedras, exceto as da posição 68.01; cubos, pastilhas e artigos semelhantes, para mosaicos, de pedra natural (incluída a ardósia), mesmo com suporte; grânulos, SubPosição 2516: Granito, pórfiro, basalto, arenito e outras pedras de cantaria ou de construção, mesmo desbastados ou simplesmente cortados à serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular. Fl. 20DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.000856/200531 Acórdão n.º 3402001.642 S3C4T2 Fl. 1.344 21 fragmentos e pós, de pedra natural (incluída a ardósia), corados artificialmente. Posição Final 68.02.23.00: Granito Posição Final 2516.11.00: Em bruto ou desbastado Notas: 1. O presente Capítulo não compreende: a) os produtos do Capítulo 25; (...). 2. Na acepção da posição 68.02, a expressão pedras de cantaria ou de construção trabalhadas aplicase não só às pedras incluídas nas posições 25.15 ou 25.16, mas também a todas as outras pedras naturais (por exemplo: quartzitas, sílex, dolomita, esteatita) trabalhadas do mesmo modo, exceto a ardósia. Notas: 1. Salvo disposições em contrário (...), apenas se incluem nas posições do presente Capítulo os produtos em estado bruto ou os produtos lavados (mesmo por meio de substâncias químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), partidos, triturados, pulverizados, submetidos à levigação, crivados, peneirados, enriquecidos por flotação, separação magnética ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização). Não estão, porém, incluídos os produtos ustulados, calcinados, resultantes de uma mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições. (...) 2. O presente Capítulo não compreende: a) o enxofre sublimado, o precipitado e o coloidal (posição 28.02); b) as terras corantes contendo, em peso, 70% ou mais de ferro combinado, expresso em Fe2O3 (posição 28.21); c) os medicamentos e outros produtos do Capítulo 30; d) os produtos de perfumaria ou de toucador preparados e as preparações cosméticas (Capítulo 33); e) as pedras para calcetar, meiosfios e placas (lajes) para pavimentação (posição 68.01); os cubos, pastilhas e artigos semelhantes, para mosaicos (posição 68.02); as ardósias para telhados ou para revestimento de construções (posição 68.03); f) as pedras preciosas e semipreciosas (posições 71.02 ou 71.03); g) os cristais cultivados de cloreto de sódio ou de óxido de magnésio (exceto os elementos de óptica) de peso unitário igual ou superior a 2,5g, da posição 38.24; os elementos de óptica de cloreto de sódio ou de óxido de magnésio (posição 90.01); h) os gizes de bilhar (posição 95.04); i) os gizes para escrever ou desenhar e os de alfaiate (posição 96.09). (...). Verificando as posições acima, entendo que o ponto central da controvérsia reside na interpretação da expressão “desbastada”, para ver se nela estaria inserida a atividade de “polimento” aplicada sobre as pedras, e ainda, do alcance da expressão “Pedras de cantaria ou de construção (exceto de ardósia) trabalhadas e obras destas pedras”. Minha convicção está no sentido de que o que a Tabela de Incidência de IPI – TIPI tencionou excluir da tributação do imposto, posicionando como NT, são as pedras em Fl. 21DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 22 bruto, e, quanto atribuiu a qualificação de “desbastadas”, permitiu que se procedesse à uma rudimentar trabalho sobre a pedra, viabilizando seu transporte. Ao ser aplicado “polimento” sobre as pedras, penso que esse tênue limite entre o que se tem por pedra bruta ou meramente desbastada, afasta do conceito de atividade meramente superficial sobre o produto. Para se realizar “polimento”, tenho que demandase um processo industrial mais sofisticado que o mero “desbaste” proporcionaria. O polimento, portanto, deslocou o centro da análise para a identificação se o polimento – no sentido de desbaste seria rudimentar e superficial (prova essa a cargo do sujeito passivo, ante ao que ele próprio fez constar de suas NF’s), caso em que a classificação na posição 2516 estaria adequada, ou se esse polimento já representaria uma atividade industrial mais sofisticada e profunda sobre a pedra, ainda que não a deixasse pronta ao consumidor final, para que viabilizasse que as “marmorarias” trabalhassem citados blocos para deles extrair a pedra polida, apta para se alcançar o último estágio de uso pelo destinatário final. Assim, interpreto que o termo “obra” contido na posição 6802, diz respeito a atividade exercida sobre a pedra, e não necessariamente que seja já uma obra/produto pronto para aplicação em obra de construção civil. Verificando, então, os documentos anexados aos autos, mais especificamente no volume II (páginas 188 à 197), identificamse os seguintes produtos: Granito Cinza Andorinha 002 POLIDO Granito Verde Silvestre 002 POLIDO Granito Amarelo S. Francisco 002 POLIDO Granito Preto S. Gabriel POLIDO Granito Sta Cecilia POLIDO 10 chapas 200 x 160 Granito Cinza Corumra POLIDO 04 CHAPAS 285 x 170 Granito Café Brasil 002 POLIDO Está claro que todas as Notas Fiscais constantes dos autos mencionam dessa forma os produtos, qualificandoos como a expressão “POLIDOS”. Não há nos autos qualquer menção que contrarie a expressão aposta pelo sujeito passivo em seus documentos fiscais, quanto a proceder a venda de produtos meramente “desbastados”. Constara sempre tratarse de produtos “polidos”. Em face destas designações, não entendo que na expressão “desbastado” está contido todo e qualquer tipo de “polimento”, e, a míngua de prova técnica que demonstre que esse polimento seria rudimentar, artesanal e superficial, que nem de longe retirasse o aspecto de pedra bruta dos seus produtos (cujo ônus penso caber ao sujeito passivo, por ser fato impeditivo do direito do Fisco), entendo que agiu acertadamente a Fiscalização ao classificar os produtos do sujeito passivo (constantes das NF’s acima, ou outras congêneres), na posição 68.02.23.00. Finalmente, quanto a parte da autuação que glosara Créditos Básicos Indevidos, decorrentes do cômputo de atualização monetária sobre créditos escriturais extemporâneos de IPI, a própria recorrente admite que não escriturara tempestivamente seus créditos, e ao fazêlo, lançou os valores de sua atualização. Porém, é matéria assente que os créditos corrente de IPI, admitidos como de direito do contribuinte, se não lançados à época, não podem receber correção monetária, já que tratamse de créditos meramente escriturais. Somente admitese a correção de créditos cuja escrituração seja vedada pela Administração, e haja necessidade de intervenção de órgão julgador nesse sentido. Fl. 22DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.000856/200531 Acórdão n.º 3402001.642 S3C4T2 Fl. 1.345 23 Quanto a matéria, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aplico a regra contida no acórdão proferido no Recurso Especial nº 1035847 RS, da relatoria do Ministro Luiz Fux, que afasta a correção monetária sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, segue a ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃOMONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, Dje 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como o acórdão foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, sua observância é obrigatória por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Assim sendo, igualmente sobre o direito a correção monetária dos créditos escriturais, porque lançados sem que houvesse oposição fiscal a sua tempestiva escrituração, assiste razão a autoridade autuante, que glosou o lançamento da atualização procedida pelo contribuinte. Fl. 23DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 24 Ante o exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. (Assinado digitalmente) Joao Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 24DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.000856/200531 Acórdão n.º 3402001.642 S3C4T2 Fl. 1.346 25 Voto Vencedor Sílvia de Brito Oliveira, Redatora designada Inicialmente, registro que, em tese, do voto do I. Conselheiro Relator divirjo apenas quanto ao seu entendimento de que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) seria apto a dar início ao procedimento fiscal e, consequentemente, excluir a espontaneidade do sujeito passivo, mas cumpre registrar também que, dentre meus pares que me acompanharam no voto divergente, há quem concorde com o I. Relator nesse aspecto. Assim, embora concordando em parte com a tese defendida, passo a expor as razões condutoras da minha divergência na aplicação dessa tese, ressalvando, por lealdade a meus pares, que, para alguns deles, a divergência seria derivada do entendimento de que o MPF constituiria mero ato de controle interno que, por si só, não teria o condão de macular o lançamento. Ao compulsar estes autos, notase que, conquanto o relator refirase a MPF para fiscalização do estabelecimento matriz, as peças processuais trazem apenas o MPF emitido para a fiscalização do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao período de janeiro de 2001 a dezembro de 2002, do estabelecimento autuado. O sujeito passivo, ora recorrente, foi cientificado do referido MPF em 12 de dezembro de 2005 e, nessa mesma data, teve ciência também do auto de infração lavrado. À época dessa ciência, para tratar do MPF, vigia a Portaria SRF nº 6.087, de 21 de novembro de 2005, de cujo texto destacamse os seguintes dispositivos, ipsis litteris: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). (...) Art. 4º O MPF será emitido na forma dos modelos constantes dos Anexos de I a V, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Ora, o precípuo fim do MPF é assegurar a transparência da ação fiscal, garantindo ao sujeito passivo o pleno conhecimento do objeto e da abrangência dessa ação. Assim, uma vez inobservadas as limitações de caráter temporal de validade do próprio MPF, as relativas aos tributos e ao período nele especificados e a circunstância de ter sido, no período de sua vigência, franqueada ao contribuinte a ciência desse mandado, é possível que estejase diante de ato nulo do agente fiscal. Ocorre que, no caso em exame, o que se tem comprovado nos autos é que a recorrente teve ciência do MPF e do lançamento na mesma data e essa circunstância não macula a peça fiscal com vício de nulidade, pois o que a disciplina do MPF requer é que a contribuinte seja dele cientificada nos termos do art. 23 do Decreto Decreto nº Fl. 25DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 26 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade arguida pela recorrente e, no mérito, acompanho o voto do I. Conselheiro Relator. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Fl. 26DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10006.ZOLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR em 11/03/2012 21:29:45. Documento autenticado digitalmente por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR em 11/03/2012. Documento assinado digitalmente por: NAYRA BASTOS MANATTA em 20/05/2012, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA em 14/03/2012 e JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR em 11/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 19/02/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP19.0220.10006.ZOLJ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: B76B55F8C4D52FD4BF6AB8EC36D3CF470C4D0CC7 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15586.000856/2005-31. 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Numero do processo: 10805.002696/2001-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP
Ementa:
DECADÊNCIA
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005. (RE nº 566621- RS, de 04/08/2011 – Relatora Ministra Ellen Gracie) As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
ANTERIORIDADE NONAGESIMAL
O Egr. STF, ao julgar o mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.417-0 e do Recurso Extraordinário nº 232.896/PA em 02.08.99, declarou ilegítima a retroação da Medida Provisória nº 1.212/95 (art. 15), e não da Lei nº 9.715/98 e firmou entendimento de que o prazo de noventa dias, estabelecido no artigo 195, § 6º da Constituição Federal, conta-se a partir da publicação da primeira medida provisória, a de número 1.212/95, validando, assim, todas as medidas provisórias reeditadas a partir desta, por meio de nova medida provisória, dentro do prazo de validade de trinta dias e que resultou na referida Lei. Desta Forma, aos fatos geradores ocorridos no período de 01.10.95 a 29.02.96, aplica-se o disposto na Lei Complementar nº 07/70 e alterações. Legítima a existência da contribuição, dos períodos seguintes, ao amparo da MP nº 1.212/95 e reedições até a conversão da Lei nº 9.715/98.
Numero da decisão: 3402-001.627
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Ementa: DECADÊNCIA Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005. (RE nº 566621- RS, de 04/08/2011 – Relatora Ministra Ellen Gracie) As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL O Egr. STF, ao julgar o mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.417-0 e do Recurso Extraordinário nº 232.896/PA em 02.08.99, declarou ilegítima a retroação da Medida Provisória nº 1.212/95 (art. 15), e não da Lei nº 9.715/98 e firmou entendimento de que o prazo de noventa dias, estabelecido no artigo 195, § 6º da Constituição Federal, conta-se a partir da publicação da primeira medida provisória, a de número 1.212/95, validando, assim, todas as medidas provisórias reeditadas a partir desta, por meio de nova medida provisória, dentro do prazo de validade de trinta dias e que resultou na referida Lei. Desta Forma, aos fatos geradores ocorridos no período de 01.10.95 a 29.02.96, aplica-se o disposto na Lei Complementar nº 07/70 e alterações. Legítima a existência da contribuição, dos períodos seguintes, ao amparo da MP nº 1.212/95 e reedições até a conversão da Lei nº 9.715/98.
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(RE nº 566621 RS, de 04/08/2011 – Relatora Ministra Ellen Gracie) As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL O Egr. STF, ao julgar o mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.4170 e do Recurso Extraordinário nº 232.896/PA em 02.08.99, declarou ilegítima a retroação da Medida Provisória nº 1.212/95 (art. 15), e não da Lei nº 9.715/98 e firmou entendimento de que o prazo de noventa dias, estabelecido no artigo 195, § 6º da Constituição Federal, contase a partir da publicação da primeira medida provisória, a de número 1.212/95, validando, assim, todas as medidas provisórias reeditadas a partir desta, por meio de nova medida provisória, dentro do prazo de validade de trinta dias e que resultou na referida Lei. Desta Forma, aos fatos geradores ocorridos no período de 01.10.95 a 29.02.96, aplicase o disposto na Lei Complementar nº 07/70 e alterações. Legítima a existência da contribuição, dos períodos seguintes, ao amparo da MP nº 1.212/95 e reedições até a conversão da Lei nº 9.715/98. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10805.002696/200196 Acórdão n.º 3402 001627 S3C4T2 Fl. 205 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso NAYRA BASTOS MANATTA Presidente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Masaaki Kanamaru (Suplente). Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Tratase de Pedido de Restituição fl.01, protocolado em 27/12/2001, cumulado com Pedido de Compensação vinculado ao direito creditório pleiteado, fl. 02, utilizando direito creditório oriundo de pagamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, relativos aos períodos de apuração de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, no valor de R$ 878,35. Objetivando a comprovação dos pagamentos efetuados, interessada apresentou os originais dos DARFS as fls. 09/10. Na peça que acompanha o Pedido, fls. 02/05, a contribuinte fundamentou sua pretensão, especialmente no fato de a parte final do art. 18 da Lei n° 9.715, de 1998 (e do art. 17 da Medida Provisória n° 1.121, de 1995), que determinava a sua aplicação a fatos geradores ocorridos a partir de 01/10/1995, ter sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, devendo suas disposições ser aplicadas somente a partir de 10 de março de 1996. Examinados os elementos do processo, o Sr. Chefe do Seort da Unidade jurisdicionante, através do Despacho Decisório de fls. 70/72, indeferiu o pedido de restituição, por não reconhecer o crédito que a interessada alegava possuir, e não homologou a compensação efetuada, pelos seguintes fundamentos: 1. ...com relação a Lei 9715/98, foi julgado inconstitucional o recolhimento sobre os fatos geradores ocorridos a partir de outubro de 1995, até fevereiro de 1996, em razão do principio da Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10805.002696/200196 Acórdão n.º 3402 001627 S3C4T2 Fl. 206 3 anterioridade nonagesimal, estatuído no art. 195, parágrafo 6° da Constituição Federal. E transcreve parte da Instrução Normativa n° 6, de 19/01/2000, destacando o parágrafo único do art. 10, o qual determina que aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1º de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplicase o disposto na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e nº 8, de 3 de dezembro de 1970; 2. Extinção do direito de pleitear a restituição por decurso do prazo de 5 (cinco) anos, em conformidade com o Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999. Cientificada em 12/06/2006, a interessada encaminhou via postal, em 11/07/2006, a Manifestação de Inconformidade de fls. 76/86, na qual alega, em suma e fundamentalmente, que: 1. Verificase na hipótese vertente o que a doutrina costumeiramente denomina de “repristinação" e acrescenta que ...encontrase totalmente despida de qualquer fundamento legal a alegação de que deve ser aplicada a Lei Complementar 7/70 no período em que a norma posterior foi julgada inconstitucional por duas razões: A uma por impossibilidade de vigência simultânea das normas (at. 2°, § 1° da LICC). A duas por inexistência do chamado efeito repristinatório (art 2°, § da LICC); 2. Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, como é o presente caso, o prazo para o pedido de restituição é de 5 anos contados da homologação do lançamento, que ocorre de forma tácita em 5 anos da ocorrência do fato gerador, em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; assim, os pedidos de restituição seriam tempestivos, eis que formulados dentro do prazo decenal. É o relatório. A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0519435, no sentido do declarar a decadência dos recolhimentos efetuados a mais de cinco anos contados de 27/12/2001 e, para declarar que para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/10/1995, em face da anterioridade nonagesimal, deve ser observado os cânones da Lei nº 07/70. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a) qualquer valor recolhido a título de PIS com base no fato gerador retroativo à 01/10/1995, previsto no artigo 18 da Lei nº 9.715/98, cuja eficácia foi suprimida, se constitui em crédito restituível ou compensável; e b) o prazo decadencial para reaver as quantias indevidamente recolhidas, a título da contribuição para o PIS, é de cinco anos a partir da ocorrência do fato Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10805.002696/200196 Acórdão n.º 3402 001627 S3C4T2 Fl. 207 4 gerador, somados de mais cinco anos, contados da homologação tácita do lançamento, ou seja, 10 anos. Termina sua petição requerendo que seja reformada a decisão guerreada, reconhecendo o direito da recorrente à restituição pleiteada e homologadas as compensações apresentadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Decadência Uma das pedras angulares do litígio posta nos autos está adstrita em definir o dies a aquo e o prazo para contagem do instituto da decadência para fins de apresentação de pedido de repetição de indébito tributário. Esta controvérsia é conhecida por esse Colegiado. O recorrente defende a tese dos dez anos para se repetir o indébito tributário, enquanto o acórdão vergastado declarou que o prazo da decadência tem seu início na data do recolhimento do valor que se pretende repetir contados cinco anos. Em recente decisão, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou a matéria e definiu que o prazo reduzido para repetição do indébito só seria aplicado às demandas protocoladas a partir de 09 de junho de 2005, no acórdão proferido no Recurso Extraordinário nº 566621 RS, de 04/08/2011. Segue o voto condutor do acórdão que fechou a questão do dies a quo e do prazo de repetição do indébito tributário, in verbis: Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para tributos sujeitos a lançamentos por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150 § 4º, 156, VII e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10805.002696/200196 Acórdão n.º 3402 001627 S3C4T2 Fl. 208 5 se submete, como qualquer outra, ao controle judicial, quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Consoante noção cediça, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelo artigos 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, por força regimental, sou obrigado a rever minha posição e aplicar a decisão da mais alta Corte Judiciária. Retornando aos autos, o pedido de restituição foi protocolado em 27/12/2001, antes da data definida pelo STF para aplicação da LC 118/08, o que determina a observância do prazo de 10 anos contados do fato gerador para fins de decadência do direito à repetição de indébito. Compulsando os autos, identificase que os fatos geradores objeto deste processo ocorreram entre 10/1995 e 02/1996. Cotejando a data de protocolo do pedido administrativo com período pleiteado pelo recorrente, é lícito concluir que não operou a decadência do direito à restituição, uma vez que o interregno de tempo entre a ocorrência dos fatos geradores e a ação do sujeito passivo foi menor que dez anos, conforme prevê a decisão do STF. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10805.002696/200196 Acórdão n.º 3402 001627 S3C4T2 Fl. 209 6 Portanto, resta afastado o instituto da decadência para os fatos geradores contidos neste lide administrativa. Anterioridade Nonagesimal A presente lide está focada em definir qual a legislação do PIS era aplicável aos fatos geradores ocorridos entre 10/1995 e 02/1996. Para clarear a discussão, trago aos autos a evolução legislativa do PIS. A contribuição para o Programa de Integração Social PIS foi instituída pela Lei Complementar nº 07/70 tendo como base de cálculo o faturamento das empresas. Várias leis posteriores alteraram as alíquotas e a base de cálculo do PIS, entre elas os Decretosleis nº 2.445/88 e 2.449/88. Esses Decretos tiveram a inconstitucionalidade declarada por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e a execução suspensa pela Resolução do Senado Federal nº 49/95, voltando a ser aplicáveis as disposições da Lei Complementar nº 7/70 e alterações posteriores. Importante ressaltar que as regras previstas no Decreto nº 2.346/97, que consolida normas e procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais, vinculam toda a Administração Pública Federal, e ela deverá observar, uniformemente, as decisões do Supremo Tribunal Federal que declarem a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal, decisões essas que, dotadas de eficácia “ex tunc”, produzem efeito desde a entrada em vigor da norma inconstitucional (art. 1º, § 2º). Em seguida à Resolução do Senado, a Medida Provisória nº 1.175/95, no seu artigo 17, inciso VIII e reedições, determinou que fossem dispensadas as constituições de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como dívida ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma dos Decretosleis nºs. 2.445/88 e 2.449/88, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7/70 e alterações: Neste mesmo diapasão dispõe o artigo 18, inciso VIII da Lei nº 10.522/2002: Art. 18. Ficam dispensada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente (...) VIII à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do DecretoLei n o 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei n o 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar n º 07, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores. A modificação da sistemática do PIS/PASEP ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 1.212/95 e reedições até a conversão na Lei nº 9.715/98, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995, conforme disposto na parte final do artigo 15 da Medida Provisória nº 1.212/95. Ocorre que a contribuição para o PIS/PASEP, por força do artigo 239 da Constituição Federal, constitui uma contribuição social destinada a financiar a seguridade social, e somente pode ser exigida depois de decorridos noventa dias da Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10805.002696/200196 Acórdão n.º 3402 001627 S3C4T2 Fl. 210 7 data da publicação da lei que introduziu a modificação (no caso a MP nº 1.212/95) nos termos do disposto no § 6º do artigo 195 da Constituição. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar, em 02.08.99, o mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 14170, requerida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e do Recurso Extraordinário nº 232.8963/PA (acórdão publicado no DJ de 01.10.99), decidiu , entre outras questões , que o prazo de noventa dias estabelecido no artigo 195, § 6 da Constituição Federal, contase a partir da publicação da primeira medida provisória, a de número 1.212/95, que ocorreu em 29.11.95. A toda evidência, a Suprema Corte declarou ilegítima a retroação prevista na Medida Provisória nº 1.212/95 (art. 15, parte final) e não a Lei nº 9.715/98, validando, portanto, todas as medidas provisórias reeditadas a partir da Medida Provisória originária nº 1.212/95 e que resultaram na Lei nº 9.715/98. Outrossim, quanto ao entendimento do Excelso Pretório na ADI n.º 1.417 0/DF importa destacar que o entendimento em apreço sempre esteve relacionado à retroatividade da eficácia do novo regramento do PIS. Tal foi, aliás, o entendimento firmado no STF, em sede do RE 232.8963/PA, quando foi declarada a inconstitucionalidade do art. 15, in fine, da Medida Provisória nº 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, e do art. 18, in fine, da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, nos termos do voto do Relator Ministro Carlos Velloso, onde pontificam os trechos abaixo reproduzidos: Esclareçase, primeiro que tudo, que a Medida Provisória n.º 1.212, de 28.11.95, que dispõe sobre as contribuições para o PIS e o PASEP, após inúmeras reedições, foi convertida na Lei n.º 9.715, de 25.11.98, estabelecendo, no seu artigo 18: ‘Art. 18. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995.’ Repetiuse, no ponto, portanto, o disposto no art. 15 da Med. Provisória 1.212, de 28.11.95, disposição repetida nas diversas reedições do citado diploma legal. Esclareçase, aliás, que o art. 17 da Med. Prov. 1.325, de 9.2.96, reedição da citada Med. Prov. 1.212, que dispunha exatamente como o art. 15 da Med. Prov. 1.212 –‘aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995’ – foi suspenso, cautelarmente, pelo Supremo Tribunal Federal, na ADIn 1.417DF, Relator o Sr. Ministro Otávio Gallotti (...). É dizer, o Supremo Tribunal Federal determinou a suspensão cautelar da disposição inscrita no art. 17 da Med. Prov. 1.325, que dava efeito retroativo à cobrança. Isto esclarecido, examinemos o acórdão recorrido. Dois são os temas nele tratados que devemos apreciar: 1º) a questão da não observância do princípio da anterioridade nonagesimal; 2º) o acórdão decidiu, mais: não ocorrida a conversão legislativa, fica restaurada a eficácia jurídica dos diplomas legislativos afetados pela medida provisória, dado que Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10805.002696/200196 Acórdão n.º 3402 001627 S3C4T2 Fl. 211 8 a medida provisória não convertida em lei perde eficácia com efeitos ex tunc. Examinemos a primeira questão, a da anterioridade nonagesimal. O acórdão, no ponto, é de ser mantido. No RE 168.421PR, Relator o Ministro Marco Aurélio, decidiu o Supremo Tribunal Federal: ‘CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ANTERIORIDADE MEDIDA PROVISÓRIA CONVERTIDA EM LEI. Uma vez convertida a medida provisória em lei, no prazo previsto no parágrafo único do artigo 62 da Carta Política da República, contase a partir da veiculação da primeira o período de noventa dias de que cogita o § 6º do artigo 195, também da Constituição Federal. A circunstância de a lei de conversão haver sido publicada após os trinta dias não prejudica a contagem, considerado como termo inicial a data em que foi divulgada a medida provisória.’ (...) O RE é de ser reconhecido e provido, no ponto, em parte, simplesmente para que seja observado o princípio da anterioridade nonagesimal, contados os noventa dias a partir da veiculação da Med. Prov. n.º 1.212, de 28.11.95, pelo que declaro a inconstitucionalidade da disposição inscrita no seu artigo 15 – ‘aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995’. Examino a segunda questão. No ponto, decidiu o acórdão que, não ocorrida a conversão legislativa, fica restaurada a eficácia jurídica dos diplomas legislativos afetados pela medida provisória, que, não convertidos em lei, perdem eficácia ex tunc. O acórdão é de ser reformado no ponto. É que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido do decidido na ADIn 1.617MS, Relator o Ministro Otávio Gallotti: ‘não perde eficácia a medida provisória, com força de lei, não apreciada pelo Congresso Nacional, mas reeditada, por meio de outro provimento da mesma espécie, dentro de seu prazo de validade de trinta dias.’ (‘DJ’ de 15.8.97). Ainda na mesma trilha, confirmando o que já havia sido decidido em sede de Medida Cautelar, o Supremo Tribunal Federal – STF julgou procedente a ADI n.º 1.4170/DF, para declarar a inconstitucionalidade tãosomente do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei nº 9.71598, consoante restou consignado na respectiva ementa: EMENTA: Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Medida Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10805.002696/200196 Acórdão n.º 3402 001627 S3C4T2 Fl. 212 9 Provisória. Superação, por sua conversão em lei, da contestação do preenchimento dos requisitos de urgência e relevância. Sendo a contribuição expressamente autorizada pelo art. 239 da Constituição, a ela não se opõem as restrições constantes dos artigos 154, I e 195, § 4º, da mesma Carta. Não compromete a autonomia do orçamento da seguridade social (CF, art. 165, § 5º, III) a atribuição, à Secretaria da Receita Federal de administração e fiscalização da contribuição em causa. Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei nº 9.71598. A Secretaria da Receita Federal tendo em vista a inconstitucionalidade da expressão “aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º outubro de 1995” contida no artigo 15 da MP nº 1.212/95, por meio da IN SRF nº 6/2000, artigo 1º, determinou que ficasse vedada a constituição de crédito tributário referente à contribuição para o PIS/PASEP, com base nas alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95, no período compreendido entre 1º de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996. Estabelece no parágrafo único do artigo 1º da citada Instrução Normativa que aos fatos geradores ocorridos no período de 1º de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996 aplicase o disposto nas Leis Complementares nº 7/70 e nº 8/70, que tratam originalmente do PIS e do PASEP, evidentemente com as alterações introduzidas pela legislação superveniente. Afigurase oportuno assinalar algumas considerações acerca do princípio da anterioridade. É um princípio especificamente tributário, já que se projeta apenas no campo da tributação. Encontrase delineado nos arts. 150, III, “b”, 150, § 1º e 195, § 6º, todos da CF/88. É da conjugação de todos estes dispositivos, e não de cada um, isoladamente considerado, que se extrai o verdadeiro perfil constitucional do princípio da anterioridade. O objetivo deste princípio é vedar a aplicação da lei instituidora ou majoradora do tributo sobre fatos geradores no mesmo exercício financeiro em que entrou em vigor. Não devemos perder de vista que por trás do princípio da anterioridade está o princípio da segurança jurídica. É ele que lhe serve de apoio e lhe revela as reais dimensões, ou seja, o princípio da anterioridade é o corolário lógico do princípio da segurança jurídica. Se utilizarmos a interpretação teleológica, notaremos que a preocupação precípua destes princípios é de evitar surpresas para o contribuinte, com a instituição ou majoração de tributos no curso do exercício financeiro. Importante ressaltar que estamos discorrendo sobre a regra geral da anterioridade, e que para as contribuições existe uma anterioridade especial. Neste tipo de anterioridade, o que importa é a data de publicação da Lei, pois, independente do mês de criação ou majoração, para produzir seus efeitos, terá que obedecer ao vacatio legis de noventa dias. Ao julgar inconstitucional a aplicação da MP originária 1.212/95, o STF teve a intenção de manter a segurança jurídica. Portanto, entendo que os fatos geradores ocorridos entre 10/95 a 02/96 encontram respaldo legal na LC nº 7/70 e não na MP nº 1.212/95 e suas reedições até a conversão na Lei nº 9.715/98, conforme demonstrado. Ex positis, VOTO no sentido de afastar a decadência do direito à repetição de indébito referente aos fatos geradores ocorridos entre 10/95 e 02/96, e, no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2012 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10805.002696/200196 Acórdão n.º 3402 001627 S3C4T2 Fl. 213 10 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA
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Numero do processo: 11080.729450/2018-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
MULTA ISOLADA. INCONSTITUCIONALIDADE. CANCELAMENTO
Tendo em vista a decisão preferida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, com repercussão geral reconhecida (Tema 736), e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4905, na qual julgou inconstitucional o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, deve ser cancelada a penalidade aplicada em virtude da compensação não homologada.
Numero da decisão: 1101-001.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Sala de Sessões, em 21 de novembro de 2024.
Assinado Digitalmente
Jeferson Teodorovicz – Relator
Assinado Digitalmente
Efigênio de Freitas Júnior – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente).
Nome do relator: JEFERSON TEODOROVICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 MULTA ISOLADA. INCONSTITUCIONALIDADE. CANCELAMENTO Tendo em vista a decisão preferida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, com repercussão geral reconhecida (Tema 736), e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4905, na qual julgou inconstitucional o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, deve ser cancelada a penalidade aplicada em virtude da compensação não homologada.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 MULTA ISOLADA. INCONSTITUCIONALIDADE. CANCELAMENTO Tendo em vista a decisão preferida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, com repercussão geral reconhecida (Tema 736), e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4905, na qual julgou inconstitucional o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, deve ser cancelada a penalidade aplicada em virtude da compensação não homologada. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Sala de Sessões, em 21 de novembro de 2024. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Fl. 87DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.430 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729450/2018-99 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário, efls. 64/77, contra acórdão da DRJ, efls.24/32, que julgou procedente impugnação, efls. 64/77, contra notificação de multa isolada por não homologação de compensação lastreado em crédito pleiteado e não reconhecido, mantendo a multa de 50% sobre os débitos remanescentes após a liquidação das compensações do processo nº 10880.925621/2015-88, processo originário onde o crédito é discutido, por sua vez decorrente de Declaração de Compensação (DCOMP), em 25 de julho de 2013 com a finalidade de compensar crédito decorrente de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao ano calendário de 2001, com débitos confessados em DCOMP. Para síntese dos fatos, reproduzo o relatório do acórdão combatido: Trata-se de impugnação apresentada contra a Notificação de Lançamento n£' NLMIC - 822/2018, por meio da qual foi aplicada a multa por compensação não homologada com fundamento no § 17 do art. 74 da Lei n£' 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Notificação de Lançamento De acordo com informação constante na Notificação de Lançamento (NL) e do seu anexo, as compensações foram declaradas nos PER/Dcomp indicados na folha 3. A análise foi realizada no âmbito do processo administrativo n£' 10880.925621/2015-88. Do valor total dos débitos declarados nos PER/Dcomp, R$ 170.660,70 não tiveram as respectivas compensações homologadas, o que resultou na aplicação de multa de R$ 85.330,35, equivalente a 50% (cinquenta por cento) do valor dos débitos cujas compensações não foram homologadas. Impugnação Ciente da NL, a empresa apresentou impugnação, alegando a pendência da apreciação do processo administrativo n£' 10880.925621/2015-88, a existência do crédito pleiteado para fins de compensação, a inconstitucionalidade da aplicação da multa objeto do presente processo e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, requerendo que a multa lavrada seja julgada improcedente. Alega não ter atuado com má-fé, uma vez que agiu no exercício de um direito. Tal fato não seria suscetível de punição. Ademais, como a não homologação foi efetuada em caráter precário, cabível a observância da regra insculpida no artigo 116, II, da Lei n£' 5.172, de 25 de outubro de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN). Alternativamente, alega a inviabilidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. A ciência do lançamento ocorreu no dia 12 de novembro de 2018, que foi uma segundafeira (fl. 5). Fl. 88DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.430 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729450/2018-99 3 A impugnação foi protocolada no dia 19 de novembro de 2018, que foi uma segunda -feira (fl. 6). No entanto, o acórdão combatido, julgou parcialmente procedente a pretensão impugnatória, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/11/2018 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não tendo sido homologada a compensação, ainda que pendente de decisão definitiva, cabível o lançamento da multa de 50% sobre o valor do débito cuja compensação não foi homologada, como determinado pelo § 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, o acórdão recorrido julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, apenas para acatar os efeitos da decisão de primeira instância exarada no processo nº 10880.925621/2015-88 e, após a liquidação das compensações do citado processo, manter a multa de 50% apenas sobre os débitos remanescentes. Cientificado do acórdão recorrido, o recorrente não interpôs recurso voluntário. Contudo, foi juntada impugnação administrativa (considerada como “recurso voluntário”, efl.80), alegando o seguinte: – DA INEXISTÊNCIA DA PREVISÃO NORMATIVA PUNITIVA, À ÉPOCA DA DCOMP – DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA QUE, POSTERIORMENTE À DCOMP, PASSOU A PREVER A MULTA SOBRE O DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA; – IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE DUPLA PENALIDADE SOBRE O MESMO FATO; – DA VIOLAÇÃO À PROPORCIONALIDADE, RAZOABILIDADE E AO DIREITO DE PETIÇÃO; DA NECESSÁRIA SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DA MULTA ENQUANTO NÃO JULGADA DEFINITIVAMENTE A MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, para, ao fim, requerer: (i) seja cancelado o lançamento da multa isolada sobre os débitos compensados, pela impossibilidade de aplicar retroativamente o art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/96 e por implicar modificação do critério jurídico do lançamento anteriormente efetuado nos termos dos arts. 106 e incisos, 144 e 146 do CTN; (ii) caso assim não seja entendido, requer seja acolhida a presente Impugnação para cancelar o lançamento da multa isolada uma vez que configura aplicação de dupla penalidade sobre os mesmos fatos, assim como, diante da violação ao direito de petição, e à razoabilidade e proporcionalidade; (iii) caso não seja acolhido nenhum dos pedidos acima, requer seja suspensa a exigibilidade da multa isolada objeto da Notificação de Lançamento até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário 796.939/RS. Ainda, este processo foi juntado, por apensação, ao processo nº 10880.925621/2015-88, onde o crédito originário havia sido discutido. Contudo, foi desapensado do presente processo, por despacho posterior. Este processo já encontra-se encerrado e em processo de cobrança (conforme efls. 44). Observe-se que não foi identificado recurso voluntário para apreciação e julgamento referenet ao processo em tela. Fl. 89DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.430 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729450/2018-99 4 Nas efls. 56/57 há despacho de autoridade de origem para extinguir em parte e recalcular o valor do débito tributário restante e em liquidação. Após, os autos foram encaminhados ao CARF, para apreciação e julgamento. Fato relevante é que, conforme fls. 63, foi juntado aos autos impugnação (embora considerado recurso voluntário, mas dedicado a atacar apenas o auto de infração), em 19/05/2021. Porém, no despacho de encaminhamento, às efls. 80, consta a seguinte informação: Em verdade, consultando as efls. 24/32, supramencionadas, verificamos equívoco por parte da autoridade de origem, pois os documentos são, em verdade, o próprio acórdão de manifestação de inconformidade, referente ao processo n. nº 10880.925621/2015-88, e que foi posteriormente desapensado (por extinto) do presente feito. É o relatório. VOTO Conselheiro Jeferson Teodorovicz, Relator. Preliminarmente, antes de analisar o mérito, há uma questão prejudicial que precisa ser analisada, isto é, como deve ser recebida a petição que foi juntada na esfera recursal foi designada como “impugnação administrativa” e, de fato, guarda similaridade com a petição Fl. 90DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.430 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729450/2018-99 5 impugnatória apresentada para combater a autuação e que foi objeto de análise do Acórdão recorrido. Contudo, por uma questão de eficiência processual, assim como também por aplicação subsidiária do CPC/20151, entendo que a mencionada petição deve ser recebida como recurso voluntário, à luz do princípio da fungibilidade recursal. O princípio da fungibilidade recursal viabiliza a substituição de um recurso ou petição por outra quando se verifica erro ou equívoco do contribuinte na interposição recursal, mas cuja situação possa ser superada em prol da continuidade processual, sem prejudicar a parte contrária. Sobre caso similar já decidiu a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, no julgamento do processo n. 18470.730176/2015-11 no Acórdão n. 1201-004.881, de relatoria do Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior: 13. O processo nº 18470.727651/2014-83 que trata dos débitos excludentes foi julgado improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em 27/02/2015 e não houve interposição de recurso, conforme informado no acórdão recorrido. (e-fls. 391). 14. Consta, entretanto, do processo nº 10010.005968/1115-61, apenso a estes autos (efls. 2-50), peça recursão denominada “impugnação” interposta no processo nº 18470.727651/2014-83 (auto de infração) logo após a decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento. O teor dessa “impugnação” é semelhante ao recurso voluntario interposto nestes autos em que o contribuinte discute basicamente o auto de infração. 15. Inicialmente a “impugnação” foi incluída no processo nº 18470.727651/2014- 83, mas em seguida foi excluída ao argumento de que o julgamento de primeira instância já havia encerrado. Assim foi apensada a estes autos e prosseguiu-se com a cobrança do auto de infração. Veja-se o Despacho: O presente dossiê/memorial foi formulado para receber impugnação do contribuinte que questiona o Ato Declaratório para exclusão do SIMPLES. Inicialmente, a impugnação foi recebida pelo CAC e incluída nos autos do processo nº 18470.727651/2014-83 onde tramita a lide administrativa em relação ao Auto de Infração do Simples Nacional, entretanto neste processo não cabe mais apresentação de impugnação tendo em vista que já foi apresentada às fls. 519 a 583 e julgada, conforme fls. 591 a 596. Assim, encaminho à DIORT/DRF RJII para análise da petição no que tange à solicitação de cancelamento do Ato Declaratório para Exclusão do SIMPLES NACIONAL. 16. A meu ver, ante a aplicação subsidiária1 do Código de Processo Civil (CPC) ao processo administrativo, o caso deve ser analisado à luz do princípio da fungibilidade recursal, que permite a admissão de um recurso interposto por outro que seria cabível, ainda que com nomenclatura diversa. O objetivo é garantir maior efetividade ao processo e está em consonância com o enunciado nº 104 do Fórum Permanente de Processualistas Civis cujo teor dispõe que “o princípio da fungibilidade recursal é compatível com o CPC e alcança todos os recursos, sendo aplicável de ofício”. 1 Lei nº 13.105, de 2015 (CPC/2015): Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Fl. 91DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.430 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729450/2018-99 6 17. O processo é instrumento para a realização de determinados fins. Portanto, se, por um lado, é preciso rigor com vistas a oferecer segurança jurídica e previsibilidade à atuação do julgador e das partes, por outro lado, a observância das regras processuais deve ser mitigada pela razoabilidade e proporcionalidade. 18. Com efeito, o equívoco da parte em denominar a peça recursal de “impugnação” em vez de recurso voluntário, ao amparo do princípio da fungibilidade recursal, não é suficiente para o não conhecimento da irresignação se atendidos os pressupostos recursais do recurso adequado, como ocorreu na espécie. Em situação semelhante já decidiu o STJ no REsp 1.822.640, de 2019. Veja-se: RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. RECURSO INOMINADO. APELAÇÃO. DENOMINAÇÃO. EQUÍVOCO. ERRO MATERIAL. [...] 4. Como o processo é instrumento para a realização de certos fins, se, de um lado, é preciso que seu rigorismo seja observado com vistas a se oferecer segurança jurídica e previsibilidade à atuação do juiz e das partes; de outro, a estrita observância das regras processuais deve ser abrandada pela razoabilidade e proporcionalidade. 5. No Direito Processual, a razoabilidade e a proporcionalidade consubstanciam o princípio da instrumentalidade das formas, consagrado no art. 283, caput e seu parágrafo único, do CPC/15. 6. A aplicação do princípio da fungibilidade pressupõe que, por erro justificado, a parte tenha se utilizado de recurso inadequado para impugnar a decisão recorrida e que, apesar disso, seja possível extrair de seu recurso a satisfação dos pressupostos recursais do recurso apropriado. 7. O equívoco da parte em denominar a peça de interposição recursal - recurso inominado, em vez de apelação - não é suficiente para o não conhecimento da irresignação se atendidos todos os pressupostos recursais do recurso adequado, como ocorreu na espécie. (REsp 1822640/SC, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/11/2019, DJe 19/11/2019) (Grifo nosso) 19. Assim, ainda que a “impugnação”, que a meu ver deve ser recebida como recurso voluntário, seja intempestiva a exigibilidade do auto de infração continua suspensa, pois, por força do art. 35 do Decreto nº 70.235, de 1972, o recurso voluntario, mesmo perempto, deve ser encaminhado ao órgão de segunda instância para julgar a perempção, o que não ocorreu no caso. Assim, pelos fundamentos acima, passo a conhecer a petição juntada aos autos enquanto recurso voluntário, à luz do princípio da fungibilidade, e reconheço sua tempestividade. Superada a etapa do conhecimento, passo às demais questões de mérito. No mérito, trata-se de multa isolada lavrada nos termos do art. 74, §17 da Lei n. 9.430/1996. Entre os fundamentos aduzidos pela Recorrente encontra-se a constitucionalidade da multa isolada. Embora a princípio o CARF não tenha competência para analisar tais fundamentos, no caso concreto deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário em razão do decidido pelo Supremo Tribunal Federal ao julgar o tema 736 da Repercussão Geral: Fl. 92DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.430 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729450/2018-99 7 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. (RE 796939, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 18/03/2023, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 22-05-2023 PUBLIC 23-05-2023) Assim, referido entendimento deve ser refletido no presente processo a teor do disposto no art. 99 do RICARF: Art. 99. As decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica nos casos em que houver recurso extraordinário, com repercussão geral reconhecida, pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, sobre o mesmo tema decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos. Fl. 93DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.430 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729450/2018-99 8 Neste aspecto, declarada inconstitucional a base normativa do lançamento, este deve ser cancelado. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para dar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz Fl. 94DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10735.001847/2003-21
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001
Ementa: NORMAS REGIMENTAIS. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO.
Nas autuações de Cofins que se lastreiem nos mesmos fatos que serviram de base à apuração de infração à legislação do Imposto sobre a Renda a competência para julgamento é do Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 20, I, d do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes baixado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007.
Recurso Voluntário Não conhecido.
Numero da decisão: 204-02.991
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência para o Primeiro Conselho de Contribuintes.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Maria Luzin , 1#r"---40vais Ementa: NORMAS REGIMENTAIS. COMPE- Mut. Sispe 91641 TÊNCIA PARA JULGAMENTO. Nas autuações de Cofins que se lastreiem nos mesmos fatos que serviram de base à apuração de infração à legislação do Imposto sobre a Renda a competência para julgamento é do Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 20, I, d do Regi- mento Interno dos Conselhos de Contribuintes baixado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, - para declinar competência para o Primeiro Conselho de Contribuintes. •,....4..., 4::7*-1("I`2a.' OLP HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente 28270142549 1 • 1111 - - • Processo n.° 10735.001847/2003-21 CCO2/C04 i Acórdão n.° 204-02.991 Fls. 2 . — .. . . . ,., . , _ . . . . • _ . . . . , 4, N 1 .-. •(.. g 1., 'IL LIO CÉSAR ALVE' RAMOS 'ator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Jorge Freire, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Airton Adelar Hack e Leonardo Siade Manzan. g ....... 14n,......1.r , : n4,F • SEGUNDO CON,SnHD DE CONTRIBUINTES ri: O ORIGINAL i Brasili:::, 03 I E4: 1 cr3 I rv1;:ri-, ,laczine Irs(t)\.:ais 28270142549 • Processo n.° 10735.001847/2003-21 miNIAL CCO2/C04 Acórdão n.° 204-02.991 4 A'r' SE GICJONDONFECROENSE ccitHaGO DEo hCON:TRISUINTES Fls. 3 .1 ;-.Tr.4s4W f . n ‘,1 zpe (r 611 Relatório 1, vaisMarta 1 t In No O presente processo veicula auto de infração de Cofins relativo aos períodos de apuração mensais ocorridos no período de janeiro de 1998 a dezembro de 2001. Foram apontadas divergências entre os valores reconhecidos pela autuada, uma cooperativa "de usuários de assistência médica", em suas DCTF e aqueles decorrentes das receitas obtidas que constam em sua contabilidade. Em Termo de Esclarecimento (fls. 106/113), elaborado como folha de continuação da descrição dos fatos, a autoridade autuante procurou demonstrar que a cooperativa se enquadra mais corretamente como uma cooperativa de consumo, uma vez que a grande maioria das suas receitas advém da venda de medicamentos a pessoas fisicas. Nessas vendas, ela praticaria preços normais para os não-associados e aplicaria descontos nas vendas a associados. Considera associados diretos as pessoas fisicas que pagam uma taxa anual de manutenção e uma mensalidade; para eles, o desconto chega a 23% do preço praticado nas vendas a não-associados. Também considera associados pessoas físicas titulares de planos de saúde com a UNIMED — Cooperativa de Trabalho Médico. Esses planos podem ter sido firmados em qualquer das unidades da Unimed no País. Seus usuários gozam de um desconto de 15% sobre o preço cobrado de não-associados, e as receitas decorrentes dessas vendas são contabilizadas como vendas a associados. Ainda segundo a fiscalização, os estatutos da cooperativa exigem que o representante de associadas pessoas jurídicas assine o livro registro de matrículas e discrimine os nomes de todos os associados pessoas fisicas. No livro da autuada apenas constam os associados diretos e como associada pessoa jurídica apenas a Unimed Petrópolis — Cooperativa de Trabalho Médico, não constando os nomes das pessoas físicas integrantes, como associados, desta última. A autoridade fiscal considerou indevidas as exclusões feitas na base de cálculo da contribuição, nos anos de 1998 a 2001, pela autuada, que considerou receitas de atos cooperativos beneficiados com a isenção da Lei Complementar n° 70/91 tanto as receitas decorrentes de vendas aos associados diretos como as obtidas com as vendas aos titulares de planos de saúde Unimed. Para tanto, faz expressa remissão à legislação do IRPJ, ao defender que, sendo uma cooperativa de consumo, a exclusão do lucro real das parcelas acima configura infração ao art. 69 da Lei n° 9.532/97 (fl. 108). Tal artigo impõe a tributação dessas cooperativas como pessoas jurídicas comuns, sem beneficio de isenção. A autoridade fundamenta, então, que, em decorrência dessa infração ao IRPJ, se materializaria também a infração à Cofins. No enquadramento legal específico da infração à contribuição não cita (item 10 do Termo de Esclarecimento, fl. 110) aquele art. 69 da Lei n° 9.532/97. Aponta ainda que mesmo que se considere a cooperativa como mista (item 9.2 do Termo de Esclarecimento, fl. 109) a exclusão da receita na composição do lucro real seria indevida porque os associados da Unimed não constam do seu livro de matrículas discriminadamente. A autoridade fiscal apontou uma segunda infração, essa enquadrada exclusivamente na legislação da própria contribuição. Segundo ela, a cooperativa também 28270142549 Processo n.° 10735.001847/2003-21 CCO2/C04_ _ Acórdão n.° 204-02.991 Fls. 4 — -J . deixou de tributar parcelas que decorreriam de vendas de medicamentos sujeitos a aliquota zero da Cofins na forma definida na Lei n° 10.147/2000. Para tanto, entendeu que a autuada não cumpriu as obrigações acessórias determinadas pela IN SRF 40/2001 consistentes na necessidade de identificação das operações na documentação fiscal e totalização em separado nos livros fiscais. A cooperativa ofereceu tempestiva impugnação, em que apenas contestou a primeira das infrações apontadas. Quanto a ela, embora admitindo que a cooperativa é de consumo, procurou demonstrar que os atos praticados para os associados da Unimed são atos cooperativos e se beneficiam da isenção da Cofins prevista na Lei Complementar n° 70/91. A DRJ no Rio de Janeiro II-RJ, porém, manteve integralmente a autuação, fundamentando-se exclusivamente no fato de o art. 69 da Lei n° 9.532/97 determinar a tributação normal das cooperativas de consumo, entendidas estas como as que vendem bens aos consumidores. Na definição de consumidores aplicou o conteúdo do Ato Declaratório Normativo SRF n° 04, segundo o qual estes incluem os associados e os não-associados das cooperativas. Afirmou que esse foi o enquadramento do auto de infração porque "...o referido dispositivo legal (art. 69 da Lei n° 9.532/97).. .foi mencionado, pelo Auditor Fiscal autuante, no citado Termo de Esclarecimento" (fl. 183). Dessa decisão, da qual teve ciência em 12 de março de 2007, recorre a empresa ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em petição protocolada em 09 de abril de 2007. Nela aduz quea decisão se escora unicamente no conceito de "consumidores" proferido por um Ato Declaratório Normativo, sem força de lei, que leva à incorreta interpretação de que as cooperativas de consumo devem tributar toda e qualquer receita obtida. Também que as exclusões admitidas pela Medida Provisória n°2.158-35/2001 só se aplicam às cooperativas de produção, o que afronta a isonomia entre as cooperativas. Complementa o recurso com os conhecidos argumentos relacionados à especificidade das cooperativas, cujas operações estariam fora do campo de incidência das contribuições, não sendo correto falar em "isenção tributária" que tivesse sido extinta pela Lei n° 9.532. É o Relatório. lh , SEGUNCC ;s!,,;: J 8, Marl: I , C...-,77).ais i()4; 28270142549 Processo n.° 10735.001847t2003-21 CCOVC04 Acórdão n.° 204-02.991 MF - SEGUNDO CONSELHO r".'E CTRIBUINTES Fls 5 CONFEU: :s.),; CrRY::VAL .W.S íía _ o .) 7- d) og _ Voto t.'„;' .r Novais ' Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator Como ficou assentado no relatório, o recurso é tempestivo e foi dirigido ao Primeiro Conselho de Contribuintes, e, no meu entender, corretamente. Isto porque, ao menos para o autuante, a infração à Cofms decorre de uma infração ao IRPJ. Assim consignou expressamente no "Termo de Esclarecimento", à fl. 106: "Os fatos que levaram ao entendimento... de que as exclusões...sâ'o consideradas indevidas, decorrem de Infração apurada em relação ao FRPJ, nos anos-calendários auditados..." E essa infração ao IRPJ, ele a descreve no item 9 desse Termo de Esclarecimento como sendo a exclusão da base de cálculo do IRPJ (lucro real) das receitas obtidas com a venda de remédios e demais medicamentos a pessoas que não seriam associados, como queria a cooperativa. Destarte, embora tenha o entendimento de que o art. 69 poderia e deveria ter sido utilizado como fundamento próprio da autuação de Cofins, independentemente da infração ao IRPJ, não foi esse o fundamento adotado pelo autuante e não foi assim que originalmente se defendeu a empresa. Não me parece correta a afirmação da DRJ de que a mera menção no Termo referido ao art. 69 da Lei n° 9.532/97 seja bastante para entender-se como sendo ele o fundamento legal do auto. Não o é e isso está expresso; basta ler o item 10 do Termo de Esclarecimento. Para o julgamento em primeiro grau, isso talvez não traga diferença, na medida em que a mesma DR.' seja competente para julgar o IRPJ e as contribuições, embora, repita, a defesa da empresa não tenha atacado este ponto porque não foi ele o fundamento do auto. Mas é certo que faz toda a diferença no âmbito desta Casa. Isto porque o seu Regimento Interno em vigor, baixado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, determina expressamente que as autuações de Cofins que se lastreiem em fatos que serviram à apuração de infração do IRPJ devem ser julgadas pelo Primeiro Conselho de Contribuintes. Reproduzo o artigo aludido: Art. 20. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: I - às Primeira, Terceira, Quinta, Sétima e Oitava Câmaras, os relativos à: a) tributação de pessoa jurídica; b) tributação de pessoa flsica e à incidência na fonte, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos 28270142549 ifQ/J\ Processo n.° 10735.001847/2003-21 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-02.991 Fls. 6 - _ _ _ • - os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu também para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica; c) exigência da contribuição social sobre o lucro líquido; e d) exigência da contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial), da contribuição para o PIS/Pasep e da contribuição para o financiamento da seguridade social (Cofins), quando essas exigências estejam !astreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu também para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica. E não era diferente a disposição do Regimento anterior, vigente quando do ingresso do recurso (Portaria MF 55/98, art. 7'). Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso interposto em virtude de a competência regimental para o seu exame ser do Primeiro Conselho de Contribuintes. É como voto. Sala das Sessões, 12 de dezembro de 2007 YA..4 , .1( 10 CÉSAR ALVES •Á OS Xe~‘j iF . SEGUNCOCOSELHO DE r _ 28270142549 Page 1 _0035200.PDF Page 1 _0035300.PDF Page 1 _0035400.PDF Page 1 _0035500.PDF Page 1 _0035600.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.720662/2021-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017
ARRENDAMENTO MERCANTIL FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS.
Reconhecido o direito líquido e certo da Recorrente aproveitar a isenção prevista no art. 3°, § 2°, inciso IV da Lei n° 9.718/1998 (Despesas de arrendamento mercantil financeiro passíveis de dedução ou exclusão das bases de cálculo do PIS/COFINS que alcançam as quotas de depreciação calculadas sobre o preço de aquisição dos bens arrendados, de acordo com as Leis nº 9.701/1998, nº 9.718/1998 e nº 6.099/1974, assim como Portaria MF nº 140/1984).
Todavia, ao fazê-lo, não é facultado a Recorrente realizar a operação em duplicidade, ou seja, diluir (proporcionalmente) o montante nos meses de duração do contrato, e, também, subtrair o montante total no encerramento do contrato de arrendamento mercantil. Dessa sistemática decorrem as bases negativas que foram objeto de glosa.
Numero da decisão: 3202-002.091
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
Assinado Digitalmente
Aline Cardoso de Faria – Relator
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Wagner Mota Momesso de Oliveira, Jucileia de Souza Lima, Francisca Elizabeth Barreto (substituto[a] integral), Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria (Relatora), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Rafael Luiz Bueno da Cunha, substituído(a)pelo(a) conselheiro(a) Francisca Elizabeth Barreto.
Nome do relator: ALINE CARDOSO DE FARIA
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BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. Reconhecido o direito líquido e certo da Recorrente aproveitar a isenção prevista no art. 3°, § 2°, inciso IV da Lei n° 9.718/1998 (Despesas de arrendamento mercantil financeiro passíveis de dedução ou exclusão das bases de cálculo do PIS/COFINS que alcançam as quotas de depreciação calculadas sobre o preço de aquisição dos bens arrendados, de acordo com as Leis nº 9.701/1998, nº 9.718/1998 e nº 6.099/1974, assim como Portaria MF nº 140/1984). Todavia, ao fazê-lo, não é facultado a Recorrente realizar a operação em duplicidade, ou seja, diluir (proporcionalmente) o montante nos meses de duração do contrato, e, também, subtrair o montante total no encerramento do contrato de arrendamento mercantil. Dessa sistemática decorrem as bases negativas que foram objeto de glosa. ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Aline Cardoso de Faria – Relator Fl. 691DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 2 Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Wagner Mota Momesso de Oliveira, Jucileia de Souza Lima, Francisca Elizabeth Barreto (substituto[a] integral), Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria (Relatora), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Rafael Luiz Bueno da Cunha, substituído(a)pelo(a) conselheiro(a) Francisca Elizabeth Barreto. RELATÓRIO Trata o presente de auto de infração relativo ao lançamento de PIS e de COFINS, de fatos geradores ocorridos no período de 01/07/2017 a 31/12/2017, em desfavor do Recorrente Banco ITAU Brasil S.A. Por bem descrever os fatos, adota se o relatório do Acórdão recorrido: Trata o presente processo dos Autos de Infração lavrados pela DEINF/SP para a exigência do PIS/Pasep e da Cofins decorrentes da insuficiência de seu recolhimento no período de apuração de janeiro a dezembro de 2017, nos valores a título de principal de R$ 11.823.822,74 e R$ 72.761.986,18 respectivamente, acrescidos de multa vinculada de 75% e de juros moratórios calculados até 30/09/2021 (fls. 353 a 368). De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (REFISC) (fls. 370 a 423), trata se a autuada de sociedade anônima dedicada a "atividade bancária, nas modalidades autorizadas para banco múltiplo, carteiras de investimento, de crédito, financiamento e investimento e de arrendamento mercantil, bem como a emissão e administração de cartões de crédito, próprios ou de terceiros, a instituição e gestão de arranjos de pagamento e a administração de carteira de valores mobiliários". O procedimento fiscal objetivou verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas não apenas ao PIS e à Cofins, como também ao IRPJ e à CSLL, tendo apurado infração à legislação das referidas contribuições sociais, objeto do presente processo (PIS/Cofins), bem como do processo n° 16327.720661/2021 45 (CSLL). Em atendimento a diversas Intimações Fiscais, o sujeito passivo apresentou planilhas contendo informações sobre os contratos de arrendamento mercantil firmados no ano calendário de 2017, acompanhados de seu roteiro contábil, bem como do Razão das contas contábeis 7130.001.003.001 6 "superveniência de depreciação", 7130.001.003.002 6 "( ) superven. De depreciação (M)" e 8139.001.002.001 5 "insuficiência de depreciação", relativas a receitas e despesas lançadas em contrapartida às superveniências e insuficiências de depreciações (fls. 137 a 140, 307). É apresentado o histórico da legislação sobre o PIS/Pasep e a Cofins, com início nas Leis Complementares n° 07/1970 e 70/1991, passando pelas Leis n° 9.701/1998 e 9.718/1998 – cujo art. 3°, § 1° foi declarado inconstitucional e posteriormente revogado –, bem como pela Medida Provisória nº 2.158 35/2001, que incluiu o § 6º ao referido artigo, ainda vigente: Fl. 692DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 3 Art. 39 (...) § 6 Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 19 do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no parágrafo anterior, poderão excluir ou deduzir: (...) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; Em seguida, a redação do caput do referido art. 3° da Lei n° 9.718/1998, que passou a definir a base de cálculo do PIS/Cofins no regime cumulativo, foi alterada pela Lei n° 12.973/2014, vigente a partir de 2015, com a determinação de que esta é o faturamento, assim entendido a receita bruta do art. 12 do Decreto Lei n° 1.598/1977, compreendendo as receitas operacionais auferidas, oriundas da atividade principal da pessoa jurídica, independentemente da natureza dos negócios jurídicos por ela praticados. Neste sentido, deve se frisar que “principal” nessa redação não deve ser interpretado como atividade “preponderante”, isto é, aquela que produz o maior faturamento mensal, sob pena de se beneficiarem indevidamente as empresas que exercem mais de um tipo de atividade operacional (CNAE), em detrimento das que exercem apenas uma, ferindo assim diversos princípios constitucionais. Cita se ainda o art. 8° da Instrução Normativa RFB n° 1.285/2012, que elenca as exclusões da base de cálculo do PIS/Cofins aplicáveis aos bancos e congêneres, entre as quais as “despesas de arrendamento mercantil restritas a empresas e instituições arrendadoras” (inciso IV). Essa possibilidade também está disciplinada nas Leis n° 9.701/1998 (art. 1º, inciso III) e n° 9.718/1998 (art. 3°, § 5º e 6º, inciso I), que permitem a exclusão para os bancos das despesas diretamente relacionadas às operações por ele realizadas, de modo que a tributação recaia sobre o resultado bruto da intermediação financeira, adicionado das outras receitas operacionais, conforme se observa na estrutura do modelo de demonstração do resultado, apresentado no documento nº 8 anexo à Circular BACEN nº 1.273/1987. Nele, o resultado bruto das operações de arrendamento mercantil é obtido pela diferença entre as receitas e as despesas de arrendamento mercantil em cada período. Em seguida, analisam se as operações de Arrendamento Mercantil Financeiro (item 4.2), através inicialmente da reprodução das normas que regem o tema, com destaque para a Lei n° 4.595/1964 , que dispõe sobre as competências do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central do Brasil (BACEN), assim como o regramento contábil aplicável às instituições financeiras. A Resolução BACEN n° 2.309/1996 conceitua o Arrendamento Mercantil Financeiro, cujo tratamento tributário é regulado pela Lei n° 6.099/1974, e mais especificamente no caso do IRPJ e da CSLL devido pelas arrendadoras, bem como incidente sobre os resultados apurados na alienação de bens arrendados, pelas Portarias MF n° 140/1984 e nº 564/1978, cujos dispositivos também são reproduzidos. Em consonância com estes, cita se igualmente a Circular BACEN nº 1.273/1987 (Cosif), na redação da Circular BACEN n° 1.429/1989, que dispõe sobre a contabilização das contraprestações e dos encargos de arrendamento mercantil, bem como das antecipações do valor residual garantido (VRG), o qual deve ser computado na baixa dos bens arrendados, em virtude do exercício da opção de compra pelo arrendatário ou da venda a terceiros não arrendatários, resultando em lucro ou prejuízo. Fl. 693DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 4 Convergente com essa legislação e a normatização contábil do BACEN, tem se que, no caso do PIS e da COFINS, as contraprestações de arrendamento mercantil financeiro devem ser reconhecidas como receita no momento em que se tornarem exigíveis, enquanto o VRG deve ser computado no resultado do exercício a partir da baixa do imobilizado de arrendamento, de maneira indireta, mediante o confronto entre o VRG apropriado (receita) e o saldo não depreciado dos bens (custo), culminando na apuração de lucro ou prejuízo na alienação dos bens arrendados. Portanto, devem ser incluídas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS as receitas das contraprestações exigíveis, os lucros auferidos na alienação dos bens arrendados, bem como as demais receitas operacionais, ainda que não estejam computadas no resultado bruto das operações de arrendamento mercantil. Já as despesas de arrendamento mercantil financeiro passíveis de dedução ou exclusão das bases de cálculo do PIS/COFINS alcançam as quotas de depreciação calculadas sobre o preço de aquisição dos bens arrendados, de acordo com as Leis nº 9.701/1998, nº 9.718/1998 e nº 6.099/1974, assim como Portaria MF nº 140/1984. Em seguida, passa se à análise das Superveniências e Insuficiências de Depreciações (item 4.3), com base na referida Circular BACEN n° 1.273/1987 (Cosif), segundo a qual os imobilizados de arrendamento mercantil financeiro devem ter seu valor ajustado mensalmente na escrituração e nas demonstrações contábeis, pela diferença positiva (superveniência de depreciação) ou negativa (insuficiência de depreciação) entre o valor presente das contraprestações e outros pagamentos contratuais a vencer, e o valor contábil do bem arrendado (custo de aquisição menos depreciação acumulada), com a finalidade de refletir o resultado das baixas dos bens arrendados. Essa norma implica o seguinte lançamento, ao longo do prazo contratual do arrendamento: i) Nas superveniências de depreciações, de um ajuste mensal a débito no código Cosif 2.3.2.30.00 8 "superveniências de depreciações" (ativo imobilizado), elevando o valor dos bens arrendados, em contrapartida com receitas de superveniências de depreciações no código Cosif 7.1.2.10.00 1 "rendas de arrendamentos financeiros — recursos internos" (resultado). ii) Nas insuficiências de depreciações, de um ajuste mensal a crédito no código Cosif 2.3.2.40.00 5 "insuficiências de depreciações" (ativo imobilizado), reduzindo o valor dos bens arrendados, em contrapartida com despesas de insuficiências de depreciações no código Cosif 8.1.3.10.00 1 "despesas de arrendamentos financeiros — recursos internos" (resultado). O BACEN determina que, no momento da baixa do bem arrendado, havendo lucro, a conta "superveniência de depreciações” (ativo imobilizado) seja creditada pelo valor do lucro auferido na venda, com contrapartida no ativo circulante (Disponibilidades); e em caso de prejuízo, a conta “insuficiência de depreciações” (ativo imobilizado) seja debitada pelo valor do prejuízo incorrido na venda, em contrapartida em bens arrendados (ativo imobilizado). No primeiro caso, o lançamento tem a finalidade de evitar uma sobreposição entre as receitas de superveniências de depreciações e o lucro na alienação dos bens arrendados, o que implicaria distorção na apuração do resultado dos contratos de arrendamento financeiro. E no segundo caso, o lançamento tem o objetivo de impedir uma alteração indevida no resultado dos contratos de arrendamento financeiro, consubstanciada na duplicidade entre as despesas de insuficiências de depreciações e o prejuízo (perda) na alienação do bem. No cálculo do valor presente dos contratos de arrendamento financeiro, para fins dos ajustes de superveniências e insuficiências de depreciações, são incluídos mensalmente os valores residuais a realizar, inclusive os recebidos antecipadamente. Cita se doutrina a respeito dessas regras de contabilização dos arrendamentos financeiros, de onde se extrai que o reconhecimento das receitas e despesas de superveniências e insuficiências de depreciação assemelha se a operações de financiamento de bens, pois a essência econômica prevalece sobre a jurídica, de modo que aquelas compõem a receita bruta para fins do PIS/COFINS, enquanto estas se revelam como despesas de arrendamento mercantil. Fl. 694DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 5 Assim, verifica se que o contribuinte distorceu os resultados mensais de seus contratos de arrendamento, reduzindo as bases de cálculo do PIS/COFINS, ao não obedecer à regra do BACEN de reconhecimento mensal do lucro ou prejuízo vinculado às baixas dos bens arrendados, que é quantificado pelas contrapartidas das superveniências e insuficiências de depreciações lançadas no resultado, incluindo o VRG. De modo distinto, no caso do IRPJ/CSLL, os ajustes de superveniências e insuficiências de depreciações não surtem efeitos tributários na determinação do lucro líquido, nos termos do Ato Declaratório Normativo CST n° 34/1987, sendo que, nesse caso, o lucro ou prejuízo na alienação dos bens arrendados é reconhecido no resultado a partir da baixa do imobilizado, após o encerramento dos respectivos contratos. É citada jurisprudência administrativa a corroborar esse entendimento quanto à inclusão das receitas e despesas de superveniências e insuficiências de depreciações nas bases de cálculo do PIS/COFINS. Trata se do Acórdão nº 3401 007.007 de 22/10/2019 (3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma do CARF), que decidiu por voto de qualidade que os ajustes efetuados no encerramento dos contratos e na baixa dos bens arrendados, realizados em inobservância às normas contábeis do BACEN, não podem distorcer o montante das bases de cálculo das contribuições. Esclarece se ainda que não se trata no presente caso de avaliar o imobilizado de arrendamento a preço de mercado, seja a valor presente (AVP) ou a valor justo (AVJ), ou ainda como resultado de perdas decorrentes de testes de recuperabilidade, previstos na Lei n° 12.973/2014 (art. 4°, 5°, 13, 14 e 32), mas apenas de igualar mensalmente, na escrituração contábil e nas demonstrações, o valor dos imobilizados de arrendamento ao montante atualizado das contraprestações e outros pagamentos contratuais a vencer, descontado mediante a taxa interna aplicável a cada contrato. Com base inclusive na Exposição de Motivos da referida norma, frisa se ainda que a isenção do art. 3°, § 2°, inciso IV da Lei n° 9.718/1998 não alcança o lucro auferido na alienação dos bens arrendados, seja em razão do recebimento ou apropriação do valor residual garantido (VRG), do exercício da opção de compra ou da aquisição por terceiros não arrendatários. Isso porque ela se aplica apenas às receitas do art. 187, inciso IV da Lei n° 6.404/1976 ("outras receitas”, anteriormente denominadas “receitas não operacionais"), que não abrangem as receitas incluídas na apuração do lucro ou prejuízo operacional, as quais estão referidas em seus incisos I e III. Tal lucro constitui receita operacional que deve ser registrada em contas contábeis classificadas no código Cosif 7.1.2.60.10 9 "lucros na alienação de bens arrendados, arrendamento financeiro" (desdobramento do 7.1.2.60.00 6 "lucros na alienação de bens arrendados"), sendo computada no resultado bruto da intermediação financeira, de acordo com o modelo do documento nº 8 anexo à Circular BACEN n° 1.273/1987. Além disso, o arrendamento mercantil financeiro constitui espécie distinta de negócio jurídico em relação à compra e venda de bens do ativo não circulante (classificados como investimentos, imobilizado e intangível), de que trata a hipótese isentiva do referido inciso IV do art. 3°, § 2° da Lei n° 9.718/1998. Sendo assim, constatou se infração descrita como insuficiência de recolhimento do PIS e da COFINS no ano de 2017, através da exclusão indevida de sua base de cálculo, a qual resultou negativa conforme sua EFD Contribuições, dos seguintes saldos devedores: i) nas contas de receita 7130.001.003.001 6 "superveniência de depreciação" e 7130.001.003.002 6 "( ) superven. de depreciação (M)" (Cosif 7.1.2.10.00 1 "rendas de arrendamentos financeiros — recursos internos"), referentes a contrapartidas de superveniências de depreciações, bem como a estornos lançados na liquidação dos contratos, concernentes a superveniências e insuficiências de depreciações reconhecidas durante os prazos contratuais; e (ii) na conta de despesa 8139.001.002.001 5 "insuficiência de depreciação" (Cosif 8.1.3.10.00 1 "despesas de arrendamentos financeiros"), relativa a contrapartidas de insuficiências de depreciações. Observa se que aquelas contas de receitas de superveniências de depreciação tiveram seus saldos agregados devedores em todo o período, o que se explicaria pela adoção pelo contribuinte de uma metodologia contábil em desacordo com a norma do BACEN, com a Fl. 695DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 6 consequente distorção de seus resultados econômico financeiros mensais, constatada através da análise de uma amostra de 10 contratos de arrendamento mercantil financeiro, com destaque para os contratos n° 5066910 0 e 5070523 5, cujo roteiro contábil é então minuciosamente descrito (subitens 5.2 e 5.3 do REFISC). Tais saldos devedores decorreram de estornos indevidos efetuados nas referidas receitas de superveniências de depreciações, quando da liquidação dos contratos em 2017, que geraram bases de cálculo negativas para a incidência do PIS/COFINS sobre a atividade de arrendamento mercantil financeiro, ainda que tenha havido também estorno das despesas de insuficiências de depreciações, porém em valores insignificantes em relação àqueles. De acordo com a Lei nº 4.595/1964 e o art. 61 da Lei nº 11.941/2009, a normatização do BACEN determina que as operações de arrendamento mercantil financeiro devem ser contabilizadas em cumprimento às disposições da legislação do IRPJ e da CSLL, ou seja, a Lei nº 6.099/1974 e as Portarias MF nº 564/1978 e 140/1984. Observa se que, ao se aplicar esse tratamento do IRPJ/CSLL, desconsiderando as superveniências e insuficiências de depreciações na apuração do PIS/COFINS, o resultado econômicofinanceiro total é idêntico ao escriturado pelo contribuinte; porém, comparado com os resultados mensais, há diferenças significativas, que são então apontadas (itens 5.2.8 e 5.3.8). Ressalta se que nos contratos de arrendamento mercantil financeiro, a tributação concomitante das receitas de superveniências de depreciações e dos ganhos na alienação dos bens arrendados teria o efeito de elevar as bases de cálculo do PIS/COFINS para um valor superior ao seu efetivo resultado econômico financeiro. E a dedução simultânea das despesas de insuficiências de depreciações e dos prejuízos na alienação dos bens arrendados reduziria as bases de cálculo do PIS/COFINS para um montante inferior ao efetivo resultado econômico financeiro das operações. Em ambos os casos, haveria uma distorção nesse resultado econômico financeiro a ser tributado pelas referidas contribuições sociais. No caso do contrato n° 5066910 0 (item 5.2), a tributação das receitas de superveniências de depreciações registradas de abril/2014 a março/2017, no valor acumulado de R$ 73.125,89, juntamente com a glosa do estorno no mesmo valor lançado a débito em abril/2017 (liquidação), elevaria o resultado bruto de R$ 10.988,80 para R$ 84.114,69, de modo a extrapolar o efetivo retorno sobre os recursos investidos pelo arrendador na operação, conforme previsto no art. 5º, inciso I, da Resolução BACEN nº 2.309/1996. Para não exceder o efetivo resultado econômico financeiro, a inclusão das receitas de superveniências de depreciações reconhecidas de abril/2014 a março/2017 nas bases do PIS/COFINS demandaria a exclusão do lucro na alienação dos bens arrendados, o qual foi corretamente apurado, de conformidade com a normatização do BACEN e a legislação do IRPJ/CSLL, tendo sido incluído pelo próprio sujeito passivo nas bases de cálculo das contribuições. E no caso do contrato n° 5070523 5 (item 5.3), a dedução nas bases de cálculo do saldo das despesas de insuficiências de depreciações registradas no período de setembro/2014 a maio/2017, no valor acumulado de R$ 14.185,35, ainda que fosse tributado o estorno no mesmo valor lançado a crédito em junho/2017 (liquidação do contrato), reduziria o resultado bruto de R$ 55.559,16 para R$ 41.373,81, tornando o inferior ao efetivo retorno sobre os recursos investidos pelo arrendador na operação. Para evitar essa redução, a dedução das despesas de insuficiências de depreciações reconhecidas de setembro/2014 a maio/2017 demandaria a glosa parcial da perda na alienação dos bens arrendados, a qual foi do mesmo modo corretamente apurada, no valor de R$ 42.157,32, creditado em junho/2017 na conta contábil 2300.008.001.000 6 "Veículos e Afins" (ativo imobilizado). Assim, a fim de evitar tais distorções, são calculados os efetivos resultados econômico financeiros mensais obtidos nas operações de arrendamento mercantil, por intermédio do somatório entre as contraprestações exigíveis e o ganho ou perda na alienação dos bens (no encerramento dos contratos), deduzidas as quotas de depreciação calculadas sobre o custo de aquisição, tudo de acordo com a legislação do IRPJ/CSLL. Esses resultados econômico financeiros mensais são então utilizados para recompor as bases de cálculo do PIS/COFINS no ano calendário em questão, desconsiderando se a totalidade das receitas e despesas Fl. 696DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 7 registradas em contrapartida dos ajustes de superveniências e insuficiências de depreciações, mas mantendo as demais receitas e despesas computadas nessa apuração, em convergência com a legislação que rege o tratamento fiscal aplicável ao IRPJ/CSLL, bem como recente jurisprudência do CARF a respeito. A apuração de ofício em questão consta do Anexo I do REFISC. Cientificado do lançamento em 22/09/2021, o sujeito passivo apresentou impugnação em 22/10/2021 (fls. 435 a 480), nos seguintes termos: Apresenta inicialmente uma breve descrição das normas que regem a “insuficiência e superveniência de depreciação”, as quais não têm qualquer relação com as quotas de depreciação de bens do ativo imobilizado, sendo ajustes contábeis obrigatórios nos termos da Circular BACEN n. 1.273/1987 (COSIF), bem como das Leis n. 4.595/1964 (art. 4°, XII), n. 6.099/1974 (art. 7°, que trata das operações de arrendamento mercantil) e n. 11.941/2009 (art. 61). Quanto ao imobilizado de arrendamento, mensalmente devem ser feitos ajustes na contabilidade da Arrendadora, para refletir a redução ou o acréscimo de valor dos bens arrendados, que correspondem à diferença entre o valor presente e o valor contábil dos contratos, entendendo se o arrendamento mercantil financeiro em sua essência como uma venda financiada. Nesse caso, como determina o item 1.11.8.6 do COSIF, se positiva, essa diferença se trata de Superveniência de Depreciação, lançada a débito de Ativo Imobilizado (Contrato) e a crédito de “Rendas de Arrendamento Recursos Internos"; e se negativa, como Insuficiência de Depreciação, lançada a débito de “Despesas de Arrendamento” e a crédito de Ativo Imobilizado. Essas contas de resultado não se confundem com aquelas em que são registrados os "Lucros ou Perdas na alienação dos bens arrendados", no caso da venda do bem arrendado ao arrendatário ou a terceiros, com o encerramento dos contratos, venda essa que, por sua vez, não se confunde com o arrendamento em si ou com os seus resultados. Transcreve parte do COSIF (Circular BACEN n. 1.273, Seção 7, que trata do Arrendamento Mercantil), bem como fornece a definição e o tratamento fiscal do "Valor residual garantido" (VRG), entendido como "o preço contratualmente estipulado para exercício da opção de compra do bem arrendado, ou na ausência desta, o valor contratualmente garantido pela arrendatária como mínimo a ser recebido pela arrendadora na venda a terceiros", objeto das Portarias MF n. 564/1978 e 140/1984. Sustenta que o ponto nodal da autuação é a premissa do Fisco de que as operações de arrendamento mercantil financeiro devem ser contabilizadas conforme a legislação do IRPJ, em que os ajustes determinados pelo COSIF não podem afetar o resultado tributável, consoante Lei n. 6.099/1974, Portarias MF n. 564/1978 e n. 140/1984, bem como Súmula CARF n. 136 e precedentes desta, e ainda o Ato Declaratório Normativo (ADN) CST n. 34/1987, que se aplicaria ao caso, e não o art. 58 da Lei n. 12.973/2014, que é posterior a ele. Para o Fisco, as superveniências e insuficiências de depreciação não se confundem com os ajustes a valor presente (AVP), a valor justo (AVJ) ou por “impairment”, de que trata essa Lei n. 12.973/2014. E o BACEN somente adotou o Pronunciamento Técnico CPC n. 46 a partir de 2020, através da Resolução n. 4.748. Segundo o Fisco, o procedimento adotado pela Impugnante teria reduzido sistematicamente as bases de cálculo do PIS/COFINS, ao distorcer a apuração dos resultados de seus contratos de arrendamento e descumprir as normas do BACEN quando da baixa dos bens arrendados. Ele entende que o COSIF determina que, nessa baixa, a conta “Superveniências de Depreciação" (ativo imobilizado) seja creditada pelo valor do lucro auferido na alienação do bem, em contrapartida a débito da conta “Disponibilidades” (ativo circulante), ou que a conta de “Insuficiências de Depreciação” (ativo imobilizado) seja debitada pelo valor do prejuízo incorrido, em contrapartida a “Bens Arrendados” (ativo imobilizado). Ainda segundo o Fisco, as receitas lançadas em contrapartida aos ajustes de superveniências de depreciação incluem se no conceito de receita bruta para fins de Fl. 697DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 8 tributação pelo PIS/COFINS (art. 3º, “caput”, da Lei n. 9.718/1998), ao passo que as despesas registradas em contrapartida aos ajustes de insuficiências de depreciação representam despesas de arrendamento financeiro (art. 1º, III, “d” da Lei n. 9.701/1988, c/c art. 3º, parágrafos 5º e 6º da Lei n. 9718/1998). Para ele, não se aplicaria ainda ao caso a isenção prevista para a venda de bens do ativo imobilizado (inciso IV, parágrafo 2º, do art. 3º da Lei n. 9.718/1998), porque as operações de arrendamento financeiro não têm a natureza jurídica de uma compra e venda, e especialmente porque a isenção abrange apenas as vendas de bens do ativo não circulante (classificados como investimentos, imobilizado e intangível), e não as que integram o lucro operacional. Em seguida, a Impugnante vai demonstrar que a autuação tributa indevidamente e em duplicidade valores que não são realmente receita. Em primeiro lugar, as superveniências e insuficiências de depreciação não são receitas ou despesas efetivas de arrendamento mercantil, mas sim ajustes contábeis de natureza escritural, determinados pelo COSIF para trazer o saldo dos contratos a valor presente, durante as suas vigências. Por isso, o COSIF determina os seus estornos, quando do encerramento dos contratos, a crédito ou a débito das respectivas contas no imobilizado, em contrapartida ao resultado, sempre em sentido inverso, mas nas mesmas contas de resultado em que os lançamentos foram realizados durante a vigência dos contratos, para anular o impacto da sua contabilização em relação ao seu valor efetivamente apurado no encerramento; Dada a sua natureza de ajustes, o saldo das superveniências de depreciação representa valores que, ao longo do contrato, presumiu se que seriam recebidos, mas que, ao final da avença, já se sabe, em definitivo, que jamais serão recebidos, até porque o valor presente do bem arrendado, nesse momento, é zero e não mais existe fundamento para a conta; o mesmo valendo para os saldos de insuficiências de depreciação, apenas em sentido contrário; A determinação do COSIF de que os ajustes de superveniências e insuficiências de depreciação sejam creditados/debitados ao resultado, durante a vigência dos contratos, acarreta a tributação das receitas correspondentes pelas duas contribuições, assim como a diminuição do valor que seria devido sem a consideração das despesas respectivas. Isto decorre do fato de que a RFB, para o PIS e a COFINS, diferentemente do que fizera quanto ao IRPJ, adotou o procedimento contábil para determinação da base de cálculo das suas contribuições, através da Instrução Normativa SRF n. 247/2002; Assim, o procedimento adotado pela impugnante neutraliza a tributação sobre valores que não configuram receita efetiva (superveniências de depreciação), bem como oferece à tributação valores que não têm natureza efetiva de despesas (insuficiências de depreciação), procedendo assim durante toda a vigência do contrato e no seu encerramento, neste caso quanto a saldo que ainda remanesça; Portanto, longe de distorcer a apuração dos resultados econômico financeiros mensais dos seus contratos de arrendamento mercantil, o procedimento adotado pela impugnante, em obediência ao COSIF, permite apurar o seu verdadeiro valor, pois reflete a totalidade das receitas de arrendamento efetivamente recebidas, expurgando as receitas inexistentes, ou que somente existiram temporariamente na contabilidade, com a natureza de ajustes de superveniências e insuficiências dos contratos em andamento; A não ser assim, a impugnante não só teria recolhido PIS e COFINS sobre valores que não estão no campo de incidência das duas contribuições, como estaria sendo obrigada a arcar com este ônus indevido duplamente, em manifesta ofensa aos princípios da legalidade, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco; Não só, a persistir a acusação fiscal estar se ia permitindo ao fisco contornar a isenção do inciso IV, parágrafo 2º, do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 na venda de bens do ativo imobilizado, a qual, ao contrário do afirmado no REFISC, aplica se ao caso concreto. Discorre sobre a inaplicabilidade ao PIS e à COFINS, que incidem sobre receitas, da legislação citada no REFISC — ADN COSIT n° 34/1987, Lei n. 6.099/1974, Portarias MF Fl. 698DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 9 n. 564/1978 e 140/1984, e IN RFB n. 1700/2017, art. 277, caput — para fins de convergência de seu tratamento fiscal com o do IRPJ e CSLL, que incidem sobre a renda disponível. Cita os Acórdãos do CARF de 2018 n. 3301 004.760 e 3301 005.179, que esclarecem a natureza dos ajustes de superveniências e insuficiências de depreciação, os quais não deveriam integrar as bases de cálculo do PIS/Cofins, por não serem efetivas receitas, cujo conceito é então explicitado. A Recorrente cumpriu rigorosamente as determinações do COSIF, bem como da IN SRF n. 247/2002 (Anexo I), recolhendo mensalmente as contribuições, tal como assim apuradas. Durante os contratos, as superveniências de depreciação foram contabilizadas a débito do ativo relacionado ao contrato e a crédito de receita na conta de “Rendas de Arrendamentos Financeiros” (conta 7.1.2.10.00 1), integrando as bases de cálculo do PIS/COFINS, juntamente com as receitas de arrendamento mercantil (aluguéis) dos respectivos bens. Ainda segundo o COSIF, os estornos devem ser feitos a crédito da conta do ativo, diminuindo o saldo de superveniências de depreciação, e a débito da mesma conta em que as contrapartidas das superveniências de depreciação foram creditadas, ou seja, à conta de “Rendas de Arrendamentos Financeiros” (conta 7.1.2.10.00 1), consequentemente reduzindo nesse mês as referidas bases de cálculo demonstradas no Anexo I da IN SRF n. 247/2002, o que, entretanto, não significa insuficiência de oferecimento das receitas de arrendamento à tributação, porque os mesmos valores foram tributados antes. Ainda durante os contratos, mas em sentido contrário, as insuficiências de depreciação são creditadas diminuindo esta conta do ativo e debitadas na mesma conta COSIF de “Rendas de Arrendamentos Financeiros” (conta 7.1.2.10.00 1); ou alternativamente, porém sem alterar o resultado, a débito na conta “Despesas de Arrendamentos Financeiros” (conta 8.1.3.10.00 1), que também constava do rol de deduções autorizadas pelo parágrafo 5º do art. 3º da Lei n. 9718/1998 e do Anexo I da IN SRF n. 247/2002. A despeito dos ajustes mensais, é necessário baixar o saldo de superveniências ou insuficiências de depreciação que ainda exista quando cada contrato seja encerrado, momento em que o seu valor presente é igual a zero, e qualquer saldo existente na conta do contrato deixa de ser recebível/incorrido. Frisa que o estorno dos saldos pendentes de superveniências e insuficiências de depreciação, quando do encerramento dos contratos, deve ser feito exatamente para neutralizar alterações no resultado do período, advindas do passado, ao contrário do que sustenta a fiscalização. O procedimento fiscal alterou drasticamente o resultado econômico da atividade da impugnante, impondo uma tributação total maior do que a receita total do contrato e, mais, uma dupla exigência de valores que sequer poderiam ser tributados. Ao cancelar os ajustes de superveniências e insuficiências que integraram as bases de cálculo das duas contribuições apenas durante os meses do ano de 2017, sem considerar os outros anos do contrato, com seu evidente aumento face à preponderância de insuficiências naquele ano, a fiscalização desconsiderou o fato de a Recorrente haver antecipado pagamentos, impondo lhe uma dupla tributação e sobre uma receita maior do que a dos próprios contratos, o que revela uma contradição insanável do lançamento em questão. Ressalta a natureza distinta dos ajustes de superveniências/insuficiências de depreciação com relação aos lucros/prejuízos nas vendas dos bens arrendados, inclusive lançados em contas distintas (“Rendas de Arrendamentos” ou “Despesas de Arrendamento”, no primeiro caso, e “Lucro na Alienação de Bens Arrendados” ou “Perdas em Arrendamentos a Amortizar”, no segundo), que foi reconhecida no próprio Anexo I da IN SRF n. 247/2002, e a qual teria sido desconsiderada pela fiscalização. Do mesmo modo, o Valor Residual Garantido (VRG) não possui relação com os referidos ajustes. A Impugnante ao final recolheu mais PIS/Cofins do que deveria, uma vez que ofereceu à tributação os ganhos com a venda dos bens arrendados que, ao contrário do que afirma a fiscalização, são isentos das duas contribuições, conforme jurisprudência administrativa. Do mesmo modo, as perdas na venda de bens arrendados não foram deduzidas da base de cálculo das contribuições. Fl. 699DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 10 Além disso, discorda da interpretação do Fisco de que não teria seguido os procedimentos do COSIF (Item 1.11.8.6 e Observações do item 2.3.2.30.00 8) para os referidos ajustes de superveniências e insuficiências de depreciação, porque sua contrapartida não pode se dar a débito da conta de ativo “Disponibilidades", no primeiro caso, e a crédito de “Bens Arrendados”, no segundo, o que somente ocorre para os lucros ou perdas na alienação dos bens arrendados, de natureza distinta, inclusive porque os lucros são isentos, ao passo que as superveniências são tributadas. Cita jurisprudência do CARF a respeito. Ressalta ainda que o procedimento por ela adotado está em consonância com a máxima de que o regramento específico posterior prevalece sobre o genérico anterior, isto é, que as regras do item 1.7 e 1.8 do COSIF (“Normas Básicas"), derivadas da Circular BACEN n. 1.429/1989, prevalecem sobre as do item 2.3.2.30.00 8 (“Elenco das Contas"), segundo a Circular BACEN n. 1.273/1987. Destaca a irrelevância de se discutir nos autos a norma relativa à isenção prevista no inciso IV, parágrafo 2º, do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 para a venda de bens do ativo imobilizado, cujo resultado não sofre a interferência dos ajustes de superveniências e insuficiências de depreciações, contabilizados em contas distintas, sendo que somente as prestações de arrendamento são tributadas. Ainda assim, reitera que renunciou a seu direito à referida isenção. Destaca igualmente a irrelevância de se discutir a eventual confusão entre as insuficiências/superveniências de depreciação em contratos de arrendamento e os ajustes contábeis a valor justo, a valor presente ou por irrecuperabilidade de ativos (impairment), que são fatos contábeis distintos, com normas legais específicas. A título de argumentação, caso não acatados seus argumentos, requer o afastamento da multa e dos juros aplicados, nos termos do art. 100 do CTN, porque se submeteu ao plano de contas do COSIF e às diretrizes da IN SRF n. 247/2002. Pelo exposto, requer que seja acatada a presente impugnação, para declarar a improcedência total ou parcial do lançamento, nos termos da fundamentação. Em 22/11/2022, a Recorrente peticionou no sentido de anexação aos autos do documento intitulado “Termo de Constatação”, elaborado por KPMG Assessores Ltda., e que segundo ela corroboram o seu entendimento quanto à improcedência do lançamento fiscal (fls. 525 a 586). É o relatório. Em decisão por unanimidade, a 16ª TURMA/DRJ07 votou para JULGAR IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo a integralidade do crédito tributário em litígio, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 Arrendamento Mercantil Financeiro. Base de Cálculo. PIS/Cofins. As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas instituições financeiras de arrendamento mercantil financeiro, serão calculadas mensalmente com base no seu faturamento, feitos os ajustes, de modo que o valor submetido à tributação corresponda à remuneração da arrendadora. Base de Cálculo. Ajustes. Depreciação. Ajustes em decorrência de encerramento do contrato de arrendamento e baixa do bem não influenciam a apuração da base de cálculo do PIS/COFINS. Fl. 700DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 Arrendamento Mercantil Financeiro. Base de Cálculo. PIS/Cofins. As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas instituições financeiras de arrendamento mercantil financeiro, serão calculadas mensalmente com base no seu faturamento, feitos os ajustes, de modo que o valor submetido à tributação corresponda à remuneração da arrendadora. Base de Cálculo. Ajustes. Depreciação. Ajustes em decorrência de encerramento do contrato de arrendamento e baixa do bem não influenciam a apuração da base de cálculo do PIS/COFINS Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada, a Recorrente repisou os argumentos contidos na impugnação, requerendo que se reforme a decisão da Delegacia de Julgamento, em Recurso Voluntário, portado da seguinte estrutura: 1. Tempestividade. 2. 2. Dos fatos. 3. Preliminarmente. A nulidade do acórdão recorrido. 4. Breve descrição das normas regulatórias relativas a insuficiências e superveniências de depreciação em contratos de arrendamento mercantil. 5. Síntese das razões da autuação e da decisão da DRJ. 6. Razões para o descabimento dos autos de infração e consequente reforma do v. acórdão recorrido. 6.1. O Termo de Constatação elaborado pela KPMG. 6.2. Erro de premissa: superveniências e insuficiências de depreciação não são receitas ou despesas efetivas, não podendo ser incluídas nas bases de cálculo de PIS e COFINS em conformidade com o tratamento fiscal prescrito pela legislação em regência, inclusive com o ADN CST n. 34/87. 6.3. Equívocos de interpretação do COSIF. 6.4. Irrelevância de discutir a norma de isenção. 6.5. Insuficiências e superveniências de depreciação não se confundem com ajustes a valor justo, ajustes a valor presente e ajustes por impairment. Não se aplica o art. 58 da Lei n. 12.973, porque o assunto é regido pelo Ato Declaratório Normativo CST n. 34/87, que é anterior a essa lei. O Banco Central, através da Resolução n. 4.748, adotou o Pronunciamento Técnico CPC n. 46. 7. Descabimento da multa e de juros. Art. 100 do CTN e o princípio nemo potest venire contra factum proprium. Por fim, pede o que se segue: Fl. 701DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 12 Tendo sido demonstrada a invalidade das razões dos autos de infração e a correção do procedimento da recorrente, bem como a improcedência das alegações suscitadas pela DRJ, requer se que o presente recurso seja conhecido e provido, para que se determine a reforma da decisão recorrida, com o consequente cancelamento dos autos de infração em comento. É o relatório. VOTO Conselheira Aline Cardoso de Faria, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. Inicialmente, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão recorrido sob o argumento de que não foi realizada análise criteriosa do conjunto fático-probatório trazido à baila. Com efeito, foram analisados pela autoridade fiscal todos os procedimentos e as normas voltadas para a escrituração das transações realizadas, bem como todos os documentos apresentados pela fiscalizada à época dos fatos. Quanto ao documento apresentado pela Recorrente em 22/11/2022 (fls. 525 a 586), em observância ao princípio da verdade material as alegações nele trazidas também foram consideradas. Trata se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ/07, que julgou procedente o lançamento de PIS e COFINS da Instituição Financeira, lavrado em decorrência de insuficiências e superveniências de depreciação em contratos de arrendamento mercantil financeiro, no período de janeiro a dezembro de 2017. O Auto de Infração lavrado pela DEINF/SP determinou a exigência PIS e da COFINS decorrentes da insuficiência de seu recolhimento no período de apuração de janeiro a dezembro de 2017, nos valores a título de principal de R$ 11.823.822,74 e R$ 72.761.986,18 respectivamente. O contribuinte teria deduzido indevidamente das bases tributáveis os saldos devedores da conta de superveniência de depreciação, verificados ao fim de contratos de arrendamento mercantil financeiro (leasing financeiro). Ao montante do débito foram acrescidos de multa vinculada de 75% e de juros moratórios calculados até 30/09/2021 (fls. 353 a 368). De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (REFISC) (fls. 370 a 423), trata se a autuada de sociedade anônima, autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil Fl. 702DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 13 (BACEN) e, conforme o artigo 2º de seu Estatuto Social registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo, tem por objeto a "atividade bancária, nas modalidades autorizadas para banco múltiplo, carteiras de investimento, de crédito, financiamento e investimento e de arrendamento mercantil, bem como a emissão e administração de cartões de crédito, próprios ou de terceiros, a instituição e gestão de arranjos de pagamento e a administração de carteira de valores mobiliários". Antes de adentrar nas razões de mérito, faz se necessário delinear o conceito de arrendamento mercantil financeiro, bem como a legislação de regência, as normas do BACEN e as legislações do PIS e da COFINS aplicáveis ao caso em tela. De acordo com o inciso XII do art. 4° da Lei nº 4.595/64, o Conselho Monetário Nacional é o órgão responsável por estabelecer normas gerais de contabilidade e estatística de aplicação cogente pelas instituições financeiras. A partir de 1978 o Banco Central do Brasil (BACEN) revestiu se de delegação para exercer aludidas competências. Por conseguinte, por força da Resolução BACEN n 1.273/, 1 as instituições financeiras, e, dentre elas, as sociedades de arrendamento mercantil, precisam adotar o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF). De tal sorte, que no Capítulo I encontram-se as "Normas Básicas" e, no Capítulo II, o "Elenco e Função das Contas". Com a disciplina legal da Lei n. 6.099 para os contratos de arrendamento, também há que se considerar seu art. 7º, segundo o qual “todas as operações de arrendamento mercantil subordinam-se ao controle e fiscalização do Banco Central do Brasil, segundo normas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, a elas se aplicando, no que couber, as disposições da Lei n. 4.595, de 31.12.1964, e legislação posterior relativa ao Sistema Financeiro Nacional.” Com advento da harmonização da contabilidade brasileira face à internacional, prescreve o art. 61 da Lei 11.941 que a escrituração de que trata o art. 177 da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, quando realizada por instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, deve observar as disposições da Lei n 4.595, de 31 de dezembro de 1964, e os atos normativos dela decorrentes. Pois bem, no que tange à superveniência e insuficiência de depreciação, necessário consignar que para que as demonstrações financeiras espelhem as reais posições patrimonial e financeira e sejam fonte confiável de informações para os usuários, o BACEN estabelece uma série de regras contábeis a serem cumpridas pelas respectivas instituições financeiras. Dentre as regras aplicáveis às sociedades de arrendamento mercantil há o item 1.11.8.5 que determina seja contabilizada, mensalmente a diferença entre o valor de cada contrato de leasing, calculado com base na taxa interna e de retorno o valor contábil. Destarte, conforme consignado no Acórdão n° 3301-004.760, julgado pela 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018, deste CARF: 1 Circular BACEN n. 1.273/87 (COSIF) “Art. 4º Compete ao Conselho Monetário Nacional, segundo diretrizes estabelecidas pelo Presidente da República: XII - Expedir normas gerais de contabilidade e estatística a serem observadas pelas instituições financeiras;” Fl. 703DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 14 Infere se da norma do BACEN que o registro da insuficiência ou superveniência de depreciação não tem como objetivo o de aumentar ou diminuir a receita oriunda do contrato de arrendamento, porém o de fazer com que seja reconhecida, mensalmente e até o fim do contrato, de acordo com o efetivo resultado econômico-financeiro proporcionado à sociedade arrendadora. (Fls. 12). Verifica-se que, no grupo "Normas Básicas", há determinação no sentido de que os valores da superveniência ou insuficiência de depreciação, complementos ou estornos, produtos do cálculo anteriormente apresentado, sejam exclusivamente lançados nas contas "Rendas de Arrendamentos Financeiros" (receita) ou "Despesas de Arrendamento Financeiro (despesa) em contrapartida das contas "Superveniência ou Insuficiência de Depreciação" (imobilizado). Adicionalmente, que o resultado na venda, quando lucro, seja creditado na conta "Lucros na Alienação de Bens Arrendados", e, se prejuízo, na conta "Perdas em Arrendamento a Amortizar". Contudo, no "Elenco e Função das Contas", os códigos 2.3.2.30.008 e 2.3.2.40.005 dispõem que os resultados nas vendas, quando lucro, devem ser creditados na conta de superveniência, e, se prejuízo, debitados na conta de insuficiência. Em caso de conflito entre normas do COSIF, deve prevalecer o disposto nas "Normas Básicas", conforme o previsto no item 1.1.4 do COSIF, que dispõe sobre a hierarquia das normas e sua interpretação: "4 Os capítulos deste Plano estão hierarquizados na ordem de apresentação. Assim, nas dúvidas de interpretação entre Normas Básicas e Elenco de Contas, prevalecem as Normas Básicas. (Circ 1273)." (...) Do exposto até aqui, reitero e destaco para atenção desta turma que minha leitura das normas do BACEN é a de que os ajustes de superveniência e insuficiência de depreciação são meramente escriturais e, mais importante, temporários. Não têm o condão de alterar o resultado da operação de arrendamento mercantil, porém tão somente fornecer aos leitores das demonstrações financeiras informações sobre o efetivo resultado econômico-financeiro ao longo do período contratual. Isto posto, ao fim de cada contrato, o eventual saldo existente nas contas de insuficiência ou superveniência de depreciação devem ser estornados, cujos lançamentos a crédito ou débito de conta de resultado do exercício devem aumentar ou reduzir as bases de PIS e COFINS do respectivo mês, de forma que, se consideradas todas as bases tributáveis apuradas ao longo do tempo de duração do contrato, tais ajustes não tenham aumentado ou diminuído a tributação pelas contribuições do resultado econômico-financeiro da operação. (Fls. 13). Ora, pelo exposto conclui-se que as normas estabelecidas pelo Banco Central do Brasil estabelecem um padrão cogente de normas de escrituração das receitas e despesas, reconhecimento, mensuração e evidenciação contábeis que devem ser observadas por todas as instituições autorizadas a funcionar pelo BACEN. A contrario sensu, as instituições financeiras que não observarem aludidas normas não estarão autorizadas a funcionar ou terão seu funcionamento temporariamente suspenso. Pois bem, a Recorrente alega que se o acórdão recorrido tivesse procedido à análise criteriosa e cuidadosa do conjunto fático-probatório trazido à baila, a conclusão não poderia ser Fl. 704DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 15 outra, que não a de (i) a recorrente cumpriu fielmente as normas aplicáveis à matéria; e (ii) que toda a receita efetiva decorrente dos contratos de arrendamento mercantil foi devidamente submetida à tributação ao longo da vigência dos contratos (Fls. 624). Todavia, o Relatório Fiscal do Auto de Infração acostado às folhas 370 à 425, fornece uma análise detalhada das operações e da metodologia utilizada pela Recorrente indispensável para elucidar a questão ora em análise. Em resposta aos Termos de Intimação Fiscal n° 3 e 4, a Recorrente apresentou planilhas digitais contendo os roteiros contábeis de 10 (dez) operações de arrendamento mercantil, liquidadas durante o ano de 2017, bem como cópias dos respectivos contratos firmados com os arrendatários. Com base nas informações apresentadas é possível concluir que a metodologia contábil utilizada pela Recorrente, além de transgredir a normatização do BACEN, distorceu os resultados econômico-financeiros obtidos no ano de 2017, senão vejamos: 5.1.7 No subitem 5.2 foi analisada a contabilização do contrato nº 5066910-0 de 16/04/2014 (fls. 270 a 279) no qual foi verificado um saldo final de superveniências de depreciações no momento de sua liquidação, ocorrida em abril de 2017. Já no subitem 5.3 foi examinada a escrituração do contrato nº 5070523-5 de 19/09/2014 (fls. 219 a 234), que, ao contrário do anterior, apresentou um saldo final de insuficiências de depreciações em seu encerramento, que se deu em junho de 2017. 5.1.8 A partir das constatações descritas nos subitens 5.2 e 5.3 e das informações financeiras acerca de todos os contratos liquidados em 2017, foi possível concluir no subitem 5.4 que a metodologia contábil utilizada pelo sujeito passivo para o registro das superveniências e insuficiências de depreciações ocasionou uma redução nos resultados econômico-financeiros mensais obtidos de janeiro a dezembro de 2017, relativamente às operações de arrendamento mercantil financeiro. Por conseguinte, ao considerar as receitas e despesas de superveniências e insuficiências de depreciações na apuração do PIS e da COFINS, o sujeito passivo acabou por reduzir indevidamente as bases de cálculo dessas contribuições, tornando-as negativas em todos os períodos de apuração fiscalizados. Às folhas nº 408 a 416 a autoridade fiscal descreve de forma minuciosa o roteiro contábil dos contratos nº 5066910-0 de 16/04/2014 e nº 5070523-5 de 19/09/2014 e passa à análise no item 5.4 Dos efeitos da contabilização indevida dos ajustes de superveniências e insuficiências de depreciações sobre os efetivos resultados econômico-financeiros mensais e as bases de cálculo do PIS e da COFINS e conclui no seguinte sentido: 5.4.1 Em resposta aos Termos de Intimação Fiscal Nº 1 e 5, o sujeito passivo apresentou a planilha digital de fl. 137 em que estão relacionadas as informações acerca dos contratos de arrendamento mercantil financeiro encerrados durante os meses do ano de 2017. 5.4.2 Em exame à supracitada planilha digital, verificam-se nas colunas “Superveniência/Insuficiência_de_Depreciação” (colunas “AQ”) dos meses de janeiro a dezembro de 2017, em valores negativos, os montantes correspondentes aos débitos lançados na conta contábil 7130.001.003.001-6 “superveniência de depreciação” que estornaram, no mês de liquidação dos contratos, as receitas de superveniências de Fl. 705DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 16 depreciações reconhecidas durante os períodos de arrendamento. A tabela a seguir consolida os valores mensais dos referidos estornos para o ano de 2017: 5.4.3 Os números da tabela acima evidenciam que os estornos de receitas de superveniências de depreciações, efetuados pelo sujeito passivo na liquidação dos contratos em 2017, deram causa aos saldos devedores agregados verificados nas contas contábeis de receitas 7130.001.003.001-6 “superveniência de depreciação” e 7130.001.003.002-6 “(-) superven. de depreciação (M)”, nos meses de janeiro a dezembro daquele ano. 5.4.4 É importante salientar que os retrocitados saldos devedores ocorreram porque os valores estornados referentes aos contratos liquidados superaram as receitas de superveniências de depreciações dos contratos em andamento em todos os meses do ano de 2017, tornando sempre negativo o resultado bruto mensal verificado na atividade de arrendamento financeiro. 5.4.5 Por terem sido deduzidos ou excluídos na apuração do PIS e da COFINS, os supracitados estornos, lançados a débito na conta contábil 7130.001.003.001-6 “superveniência de depreciação” no momento da liquidação dos contratos, tornaram negativas as bases de cálculo declaradas pelo sujeito passivo para a atividade de arrendamento mercantil financeiro, ensejando uma redução sistemática dos valores devidos dessas contribuições, nos meses de janeiro a dezembro de 2017. 5.4.6 Por seu turno, ainda em exame à planilha digital de fl. 137, verificam-se nas colunas “Superveniência/Insuficiência_de_Depreciação” (colunas “AQ”) dos meses de janeiro a dezembro de 2017, em valores posi,vos, os montantes correspondentes aos créditos lançados na conta contábil 7130.001.003.001-6 “superveniência de depreciação” que estornaram, no mês de liquidação dos contratos, as despesas de insuficiências de depreciações reconhecidas durante os períodos de arrendamento. A tabela a seguir consolida os valores mensais dos referidos estornos para o ano de 2017: Fl. 706DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 17 5.4.7 Por serem bastante inferiores aos números apresentados na tabela do subitem 5.4.2, os valores indicados na tabela acima, lançados a crédito na conta contábil 7130.001.003.001-6 “superveniência de depreciação”, ainda que tenham sido oferecidos à tributação, restaram insignificantes para evitar a redução sistemática das bases de cálculo do PIS e da COFINS no período fiscalizado. Para não restarem dúvidas sobre a operacionalização contábil empregada pela Recorrente, no Termo de Anexação de Arquivo Não-paginável – ARQ, à planilha do arquivo não paginável da fl. nº 138, documento identificado DOC Comprobatório 02 – Movimentação Contábil e Financeira, foram demonstradas as deduções realizadas pela Recorrente, de tal forma que é possível identificar a duplicidade de lançamentos (mensal) e ao final no encerramento do contrato. As disposições legais que disciplinam o lançamento no contrato de arrendamento mercantil tem o objetivo de impedir uma alteração indevida no resultado dos contratos de arrendamento financeiro, consubstanciada na duplicidade entre as despesas de insuficiências de depreciações e o prejuízo (perda) na alienação do bem. É importante esclarecer que no caso em tela, não é negado o direito líquido e certo da Recorrente aproveitar a isenção prevista no art. 3°, § 2°, inciso IV da Lei n° 9.718/1998. Pois se tratam de despesas de arrendamento mercantil financeiro passíveis de dedução ou exclusão das bases de cálculo do PIS/COFINS que alcançam as quotas de depreciação calculadas sobre o preço de aquisição dos bens arrendados, de acordo com as Leis nº 9.701/1998, nº 9.718/1998 e nº 6.099/1974, assim como Portaria MF nº 140/1984. Todavia, ao fazê-lo, não é facultado a Recorrente realizar a operação em duplicidade, ou seja, diluir (proporcionalmente) o montante nos meses de duração do contrato, e, também, subtrair o montante total no encerramento do contrato de arrendamento mercantil. Dessa sistemática decorrem as bases negativas que foram objeto de correta glosa realizada pela fiscalização. Pelo exposto, me alinho às razões da DRJ e expostas no Relatório Fiscal do Auto de Infração (REFISC). Nessa linha de intelecção, as contribuições para o PIS/Pasep e a COFINS, devidas pelas instituições de arrendamento mercantil, como é caso da Recorrente, devem ser calculadas de modo que a tributação corresponda a efetiva remuneração da arrendadora. CONCLUSÃO Do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e, na parte conhecida, negar- lhe provimento. É como voto. Fl. 707DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.091 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720662/2021-90 18 Assinado Digitalmente Aline Cardoso de Faria Fl. 708DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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