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Numero do processo: 11070.001720/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Acompanhou o julgamento o Dr. Rafael Lima Marques, OAB nº 46.693 (RS).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Acompanhou o julgamento o Dr. Rafael Lima Marques, OAB nº 46.693 (RS). Relatório Contra a empresa UNIMED NOROESTE/RS SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA Cooperativa, doravante denominada de UNIMED, foi lavrado Auto de Infração formalizando a exigência de COFINS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 468.094,79, referente a fatos geradores entre 31/10/2003 e 31/12/2004. Esse valor (principal)foi acrescido de juros moratórios. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .0 01 72 0/ 20 08 -4 1 Fl. 933DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 934 2 O crédito tributário encontravase com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial, proferida pelo STJ, nos autos dos processos nºs 2001.71.10.0008467 e 92.00108008 (art. 151, incisos II e IV do CTN). De acordo com as decisões proferidas em sede do mandado de segurança, constatase que o contribuinte obteve provimento judicial favorável, junto ao STJ, reconhecendo o direito à isenção da COFINS sobre os atos tipicamente cooperativos, quais sejam: àqueles correspondentes à atividade fim das cooperativas. Cientificado do Auto de Infração, a contribuinte protocolizou impugnação, defendendo a nulidade do lançamento, devido a imprecisão da autuação e de seu relatório, que teria impedido a cooperativa de exercer plenamente seu direito de defesa. No mérito, caso não acolhida a nulidade do lançamento, a contribuinte pediu que fosse reconhecida a decadência dos créditos tributários anteriores a outubro de 2003, além da improcedência total do lançamento, por ter violado o ato cooperativo e alargado indevidamente a base de cálculo da contribuição lançada, conforme defendido pela cooperativa em ações judiciais, relacionadas no Termo de Constatação das autuações. Pediu, ainda, que fossem afastados os juros de mora, tendo em vista a suspensão da exigibilidade, por decisão judicial, do crédito tributário lançado. Sustenta, por fim, que, independente da tese quanto ao conceito de ato cooperativo e de faturamento, o lançamento incluiu valores na base de cálculo da exação, cuja exclusão seria autorizada pelo art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98. Ressaltou a Recorrente, que o citado tema não é discutido judicialmente, pedindo a realização de diligência para comprovar tal fato se necessário. Apreciando a impugnação, a DRJ em Porto Alegre (RS), em 18/07/2012, emitiu o Acórdão nº 1039.687, que julgou improcedente as alegações. Cientificado da decisão acima destacada, a recorrente apresentou recurso voluntário, pedindo a nulidade do acórdão recorrido, porque apreciou genericamente e sem fundamentação o argumento da cooperativa, de que a exclusão da base de cálculo, permitida pelo art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, e o conceito de receita bruta, previsto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, não seriam objeto de discussão judicial e, portanto, deveriam ser conhecidas pela DRJ, ante a ausência de concomitância de discussão da matéria. No mérito, a recorrente defendeu a reforma do julgado, pois teria violado o art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, e mantido indevida tributação de receitas que não constituiriam faturamento da cooperativa (para a recorrente, o faturamento da sociedade cooperativa se resume a sua taxa de administração e os resultados não repassados aos seus associados), levandose em conta a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo STF. Os autos foram, então, encaminhados para este CARF, para apreciação do recurso. Em 25/03/2014, a 2ª TO, da 2ª Câmara, da 3ª Sejul, prolatou o Acórdão nº 3202 001.115 (fls. 824/830), concluindo o seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 Fl. 934DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 935 3 CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA PARCIAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS PARA A DRJ DAR CONTINUIDADE AO JULGAMENTO. Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida,cabe o enfrentamento das questões pela instância a quo, onde restar não comprovada a simultaneidade das discussões, para que não sobre venha supressão de instância. Preliminar rejeitada. Recurso voluntário provido em parte. E conclui com o seguinte dispositivo (fl. 830): "(...) Forte nessas razões, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando o retorno dos autos à instância a quo, para que esta se pronuncie quanto às questões (art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98), em que não ficou evidenciada a opção pela via judicial, proferindo novo julgamento." (Grifei). Em 16/05/2014, o processo foi encaminhado à DRJ/POA, para o atendimento no disposto do Acórdão do CARF acima referenciado (fl. 836). Devolvido o processo à DRJ/POA, foram os autos analisados. Em 24/06/2014 emitiuse pedido de diligência para, em especial, efetuarse novas verificações/análises quanto à questão das deduções permitidas às operadoras de planos de saúde, que tiveram por fundamento o art. 3º, § 9º com seus incisos, da Lei nº 9.718, de 1998, e que, no entendimento do CARF, não se encontravam sob discussão judicial. Em atendimento a diligencia, o Órgão preparador anexou documentos e a Informação Fiscal de fls. 858 a 862. Cientificada a Recorrente apresentou nova impugnação onde em síntese, elaborou as seguintes razões: • a diligência realizada demonstra que, com exceção dos custos assistenciais decorrentes dos atendimentos realizados aos beneficiários de outras operadoras, a fiscalização aceitou os demais. Os custos assistenciais decorrentes de atendimentos de beneficiários de planos de saúde de outras operadoras deverão ser excluídos, ficando na base de cálculo, apenas as receitas próprias da operadora (diferença entre o valor gasto pela Unimed e o valor recebido de outra operadora, por conta da transferência de responsabilidade). Este valor (diferença), a Unimed inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado na autuação; • foram mantidas glosas ao arrepio da Lei. Ela determina que o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, podem ser abatidos da base de cálculo; • o valor depositado, a título de COFINS, no processo judicial não foi considerado pela fiscalização, que tributou duas vezes a mesma grandeza econômica. Ocorre que já foi depositado, juntamente com outros valores do Ato Principal, este valor Fl. 935DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 936 4 remanescente, considerados todos os custos assistenciais de usuários de outras operadoras, mantida a tributação apenas sobre a receita da Unimed; • pede seja considerada a integralidade da disposição legal e, via de consequência, autorizada a exclusão total dos custos assistenciais, inclusive os de beneficiários de outras operadoras. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 CARF. DECISÃO ANULADA. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. NOVO JULGAMENTO. Tendo o CARF entendido pela inexistência de concomitância quanto as deduções do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998, e anulado a decisão de primeira instância, procedese a novo julgamento com o enfrentamento das questões propostas na impugnação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. PAF. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. Considerase não formulado pedido genérico de diligência, por desatender a dispositivo legal que requer indicação de quesitos sobre matéria objeto de discordância. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA. Os juros de mora são cabíveis seja qual for o motivo determinante da falta, ainda que o crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em resumo, a decisão recorrida não conhece da impugnação na parte levada ao crivo do Poder Judiciário, declarando a definitividade da discussão na esfera administrativa, rejeita a preliminar de nulidade argüida e julga a Impugnação procedente em parte, nos termos Fl. 936DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 937 5 do relatório e voto. Do total de R$ 468.094,79 lançado, foi excluído R$ 408.307,38, ficando um saldo remanescente de R$ 59.787,41, conforme quadro demonstrativo à fl. 888. Em 24/11/2014 (cópia do AR Correios à fl. 890), a Recorrente foi devidamente cientificada da decisão e não se conformando, em 17/12/2014 (fl. 892), apresentou o recurso voluntário de fls. 892/897, onde argumenta em síntese, que: aduz que na origem, realizada diligência, foram acatadas as deduções das indenizações dos eventos praticados pelos usuários da própria recorrente, sendo negado, por outro lado, o direito à exclusão dos pagamentos feitos por conta de atendimento de beneficiários de outras operadoras. Ou seja, a decisão cumpre parcialmente o art. 3º, §9º, da Lei nº 9.718/98, embora a tese jurídica tenha sido acolhida, em face da inclusão do §9ºA no §3º do art. 3º, pela Lei nº12.873/13; a tese foi acolhida, sendo que a decisão merece reparos apenas por não excluir a totalidade dos valores lançados, em relação aos custos com usuários de outras operadoras. Os custos assistenciais decorrentes dos atendimentos de beneficiários de planos de saúde de outras operadoras deverão ser excluídos, ficando, apenas, na base de cálculo, as receitas próprias da operadora (diferença entre o valor gasto pela Unimed e o valor recebido de outra operadora, por conta da transferência de responsabilidade); este valor (diferença), a Recorrente inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado na autuação. Afirma que o valor do débito remanescente é exatamente 3% da receita de atendimentos de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal; em vista disto, a contribuinte elaborou PLANILHA (como elemento de prova) demonstrando que a autuação segue tributando os valores gastos com atendimento de beneficiários de outras operadoras, bem como, em acréscimo, tributa duas vezes essa mesma grandeza econômica; requer Diligência diante da necessidade de conferência dos valores mantidos na autuação, que decorrem dos custos com atendimentos de beneficiários de usuários de outras operadoras, bem porque houve dupla tributação sobre o mesmo valor (da taxa de administração, em face da tributação desta receita de intercâmbio), entende seja necessária uma diligência específica para comprovação destas irregularidades no auto de infração. Em face do exposto, postula o acolhimento integral do recurso, com o cancelamento da exigência fiscal, em sua integralidade. Alternativamente, a realização de uma diligência, com a finalidade específica de enfrentar o ponto colocado neste recurso. (receitas de intercâmbio menos os custos com atendimentos destes beneficiários, e conseqüente tributação do resultado destas operações, de forma duplicada). Os autos foram, então, foram remetidos ao CARF e distribuídos para este Conselheiro dar prosseguimento ao julgamento do Recurso. É o Relatório. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 938 6 Voto / Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade dos recursos O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. 2. Objeto da lide Os procedimentos que redundaram nas exigências constantes do respectivo Auto de Infração, bem como os fatos apontados como determinantes para o lançamento, cingemse aos valores deduzidos pela empresa da base de cálculo da COFINS com base no inciso III, do §9º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, relativos aos períodos de apuração (PA) 10/2003 a 12/2004, que foram glosados integralmente pelo Fisco. Já os valores devidos a título de COFINS sobre os atos cooperativos próprios (ACP) foram lançados de ofício, com exigibilidade suspensa. A concomitância verificada entre Processo Administrativo e Judicial, já se encontra superada pela decisão a quo, e não foi objeto de contestação pela Recorrente em seu recurso interposto. 3. Das deduções do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998 Trata a matéria nestes autos de glosa de deduções da base de cálculo utilizada pela empresa relativo a custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde despesas médicas, hospitalares e de laboratório incluindose nestes custos decorrentes de beneficiários da própria operadora UNIMED e os decorrentes de beneficiários de outras operadoras intercâmbios entre UNIMED. A Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pela MP nº 2.15835, de 2001, que disciplinou a sistemática de apuração cumulativa do PIS/COFINS para as operadoras de planos de assistência à saúde (arts. 2º e 3º, §§ 1º, 2º e 9º). Em razão de discussões relativas à interpretação do inciso III do § 9º do art. 3º, a RFB, mediante SC Cosit nº 23, de 2011, a RFB se posicionou no sentido de que as operadoras de planos de assistência à saúde não poderiam deduzir da base de cálculo das contribuições as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes). No entanto, a Lei nº 9.718, de 1998, foi alterada pela Lei nº 12.873, de 2013, que incluiu o § 9ºA, com objetivo de esclarecer acerca da interpretação do inciso III do § 9º do art. 3º. Vejase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide arts. 49 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) (...) § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) Fl. 938DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 939 7 (...) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) § 9ºA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) (os grifos não constam do original) Grifei. Desta forma, com a publicação da Lei nº 12.873, de 2013, que acrescentou o §9ºA, restou pacificada qualquer divergência quanto à interpretação do inciso III do §9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Ou seja, restou autorizado às operadoras de planos de saúde deduzirem a totalidade dos custos assistenciais decorrentes não somente dos serviços médicos prestados aos beneficiários de outras operadoras, mas também aos utilizados pelos seus próprios beneficiários. Não bastasse o texto do enfocado §9ºA já deixar expresso que a regra ali disposta tem caráter interpretativo, o art. 8ºA, da Lei nº 9.718/98 (também incluído pelo art. 19, da Lei nº 12.873/2013), ao fazer remissão a este parágrafo, deixa mais uma vez claro que o sobredito dispositivo constitui “norma de interpretação”. "Art. 8ºA. Fica elevada para 4% (quatro por cento) a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devida pelas pessoas jurídicas referidas no § 9º do art. 3º desta lei, observada a norma de interpretação do § 9ºA, produzindo efeitos a partir de 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao da publicação da lei decorrente da conversão da Medida Provisória n° 619, de 6 de junho de 2013, exclusivamente quanto à alíquota". Tratandose, pois, de norma interpretativa, ela deve ser retroativamente aplicada, em função do que preceitua o inciso I, do art. 106, do CTN, por ser mais benéfica ao contribuinte, na medida em que proporciona exclusão da base de cálculo das contribuições mais ampla que a definida na interpretação da RFB. E em sendo possível a exclusão das despesas próprias da base de cálculo do PIS e da COFINS, não subsistiria mais a diferença apurada pela fiscalização no valor a pagar das contribuições. Dentro desse contexto, a decisão a quo, concordou que com a inserção do novo dispositivo legal (§9ºA, ao art. 3º da Lei nº 9.718/98), tornaram a interpretação dada pela fiscalização superada. Vejase a conclusão do voto condutor (fl. 883): "(...) De ver, ainda, que a autoridade fiscal, durante a auditoria e na formalização do lançamento tributário, se valeu de interpretação de lei que, apesar de então vigente, acabou sendo superada por posterior dispositivo legal de caráter interpretativo. A superveniência legal expressamente estabelece seu caráter interpretativo, o que, a teor do inciso I do art. 106 do CTN, lhe dá efeito retroativo. Muito embora a autoridade fiscal tenha se valido de referenciais legais (ato legal e ato administrativo, por exemplo) que estavam efetivamente em vigor à época da fiscalização e de sua conclusão, tais referenciais, com a posterior inserção do § 9ºA ao artigo específico da Lei nº 9.718, de 1998, tornaram a interpretação dada superada, donde inválido tudo quanto foi produzido em face do manejo de tais referenciais (...). Fl. 939DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 940 8 "(...) Diante deste quadro, impõese o cancelamento do lançamento, na parcela alcançada pelo critério jurídico incorreto, devendose afastar a exigência da COFINS relativa à glosa dos valores das deduções à base de cálculo das contribuições, contabilizados nas contas indicadas pela Fiscalização (ver demonstrativo ao final deste Voto)". Observase que na Informação Fiscal elaborada pela DRF/Santo Ãngelo/RS, quando da diligência solicitada pela DRJ/POA, a fiscalização elaborou os seguintes demonstrativos: "1 Detalhamento das Receitas e Custos (fls. 846/851) e 2 Demonstrativo de Ajustes das Glosas Lançadas de Ofício" (fl. 844), indicando que "(...) No quadro abaixo, estão demonstrados os valores lançados originalmente no auto de infração, os ajustes efetuados por força da nova interpretação inserida pelo § 9ºA, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e o débito remanescente mantido no auto". Nesta tabela de fl. 861/862, a Fiscalização apresenta um resumo demonstrativo mensal, informando que do total de R$ 468.094,79 lançado, foi excluído R$ 408.307,38, ficando um saldo remanescente de R$ 59.787,41. Essa mesma tabela foi reproduzida pela DRJ em sua decisão à fl. 888. Por outro lado, a Recorrente, argumenta que na diligência realizada, foram acatadas as deduções das indenizações dos eventos praticados pelos usuários da própria Recorrente, sendo negado, por outro lado, o direito à exclusão dos pagamentos feitos por conta de atendimento de beneficiários de outras operadoras. Ou seja, entende que a decisão cumpre parcialmente o art. 3º, §9º, da Lei nº 9.718/98, embora a tese jurídica tenha sido acolhida, em face da inclusão do §9ºA no art. 3º, pela Lei nº 12.873/13. Destaca em seu recurso que, (...) Os custos assistenciais decorrentes dos atendimentos de beneficiários de planos de saúde de outras operadoras deverão ser excluídos, ficando, apenas, na base de cálculo, as receitas próprias da operadora (diferença entre o valor gasto pela Unimed e o valor recebido de outra operadora, por conta da transferência de responsabilidade). Afirma que este valor (diferença), a Recorrente inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado na autuação. E, que o valor do débito remanescente é exatamente 3% da receita de atendimentos de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal. Em vista disto, a Recorrente elaborou uma PLANILHA demonstrando que o Fisco segue tributando os valores gastos com atendimento de beneficiários de outras operadoras, bem como, em acréscimo, tributa duas vezes essa mesma grandeza econômica. Alega que em vista disto, o presente feito envolve uma questão de ajuste matemático, não apreciação de teses jurídicas. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF Santo Ângelo/RS, proceda à análise da documentação (tomando por base a PLANILHA Fl. 940DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 941 9 demonstrativa de fls. 898/899), apresentada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, bem como intime a interessada para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar o que segue: (i) em face da inclusão do §9ºA no art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo art. 19 da Lei nº 12.873/13: a) apurar a veracidade da afirmação da Recorrente de que a autuação (saldo remanescente) segue tributando os valores gastos com atendimento de beneficiários de outras operadoras, bem como, em acréscimo, tributa duas vezes essa mesma grandeza econômica, conforme consta da PLANILHA demonstrativa de fls. 898/899 (receitas de intercâmbio menos os custos com atendimentos destes beneficiários, e conseqüente tributação do resultado destas operações, de forma duplicada), em resumo, para quantificação pelo Auditor Fiscal autuante, da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, sobre os valores exigidos no lançamento; e b) se confirma a alegação de que este valor (diferença remanescente no lançamento), a Recorrente inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado nos autos (afirma que o valor do débito remanescente é exatamente 3% da receita de atendimentos de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal). (ii) Desta forma, os autos devem retornar à repartição de origem Delegacia da Receita Federal em Santo Ângelo (RS), para realização da diligência solicitada. (iii) Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal, deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a alegada existência da cobrança em duplicidade e da realização do depósitos judiciais em comento. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 941DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.001583/2009-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO.
O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto não é tributável pela Cofins no regime da não cumulatividade.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO.
O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade.
Numero da decisão: 9303-005.495
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente TERMOTÉCNICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto não é tributável pela Cofins no regime da não cumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 15 83 /2 00 9- 12 Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial (fls. e442 a 469) interposto pelo sujeito passivo com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais– RI CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão nº 3302002.962, de 26 de fevereiro de 2016, fls. e371 a 378, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O crédito presumido de IPI sobre a aquisição de insumos não tributados, do qual a empresa é beneficiária por força de tutela judicial, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitandose à incidência nãocumulativa da contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF N° 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62A DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A do Anexo II do RICARF. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 4 3 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O crédito presumido de IPI sobre a aquisição de insumos não tributados, do qual a empresa é beneficiária por força de tutela judicial, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitandose à incidência nãocumulativa da contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF N° 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62A DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A do Anexo II do RICARF Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Em rápida síntese, cuidase de Autos de Infração para formalização da determinação e da exigência de créditos tributários referentes à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, decorrentes da constatação de que o recorrente teria excluído da base de cálculo da contribuição não cumulativa o valor do ressarcimento de crédito presumido do IPI auferido no período. Referido crédito presumido é decorrente de decisão judicial favorável ao contribuinte que autorizou o aproveitamento de créditos presumidos de IPI sobre a aquisição de insumos sem incidência do tributo (isentos, NT e alíquota zero). O Acórdão recorrido assentou que o benefício fiscal calculado, por força de autorização judicial, sobre o valor de aquisição de insumos não tributados, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitandose à incidência nãocumulativa da contribuição. O sujeito passivo suscita divergência jurisprudencial quanto à natureza dessa rubrica [redução de custos X receita] e quanto à conseqüente tributabilidade no regime não cumulativo. O recurso foi admitido pelo Despacho nº 330000.533, de 10 de dezembro de 2013, fls. e316 a 318. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 5 4 A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. e587 a 496), insistindo na tese de que o crédito presumido de IPI constitui receita sujeita à incidência de PIS/Cofins não cumulativos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Não há preliminares a respeito da admissibilidade do recurso especial a serem apreciadas. Tratase da inclusão ou não do crédito presumido de IPI na base de cálculo do PIS e da Cofins nãocumulativas. Esta matéria é muito polêmica no âmbito do direito tributário e na esfera de julgamento administrativo. O contribuinte defende que esses ingressos na verdade seriam redutores de custos e não se consubstanciam em receitas, daí a impossibilidade de sua tributação pelo PIS e pela Cofins no regime não cumulativo. Compreendo os argumentos expostos pelo contribuinte e pelos acórdãos paradigmas, porém tenho entendimento diverso, ou seja, que há a incidência do PIS e da Cofins sobre os valores recebidos a título de crédito presumido do IPI. Transcrevo abaixo a legislação que trata do assunto: Lei nº 10.833, de 29/12/2003: Art. 1° A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. §1° Para eleito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 6 5 §2º A base de cálculo da contribuição é o valor do ,faturamento, conforme definido no caput §3º Não integram a base de cálculo u que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à aliquota O (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. Lei nº 10.637/2002: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 7 6 IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. (...) De acordo com os dispositivos legais acima transcritos, as contribuições ao PIS e à Cofins incidem sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou classificação contábil, ou seja, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, com exceção das exclusões previstas na própria lei. Considerando que não há nenhuma exclusão específica relativa ao crédito presumido do IPI, a única hipótese de não incidência seria a consideração de que estes ingressos de recursos não teriam a denominação de receita. Entendo que o crédito presumido de IPI tem a característica de receita, assim entendida no sentido amplo estabelecido pela lei, pois o vocábulo receita, sem qualquer tipo de especificação, corresponde a todo ingresso que se integra positivamente ao patrimônio de uma entidade, provocando um aumento no seu ativo sem um correspondente aumento no passivo, o que é justamente o caso do crédito presumido do IPI decorrente de provimento judicial, de que trata o presente processo. Peço vênia para me socorrer também nos valiosos ensinamentos do eminente Conselheiro Sólon Sehn no artigo denominado “Crédito Presumido de IPI e a Base de Cálculo de PIS e Cofins” publicado no volume 2 do livro “PIS e cofins à luz da Jurisprudência do CARF, fls. 519/537. Ressalto que esse mesmo artigo foi citado no acórdão recorrido, porém com referência a esse relator, pois eu já havia incluídoo por ocasião do voto proferido no Acórdão de minha relatoria, 3301002.395. Segue excertos do citado artigo: (...) Não há qualquer impedimento à cobrança do tributo no regime não cumulativo, uma vez que a recuperação de custos integra a receita bruta da empresa. Afinal, se o conceito de receita compreende o acréscimo patrimonial líquido, não há motivos Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 8 7 para afastar de seu âmbito de significação o incremento resultante do recebimento do crédito presumido do IPI. O patrimônio compreende não só os bens, mas os direitos de crédito e todas as demais relações jurídicas de conteúdo econômico titularizadas pelo sujeito de direitos. Por conseguinte, a receita pode ser auferida não apenas mediante recebimento de dinheiro, mas pela aquisição de qualquer direito susceptível de apreciação pecuniária. Por outro lado, embora a Lei nº 9.363/1996 faça referência a “ressarcimento”, devese ter presente que não se trata propriamente de uma indenização. A concessão do crédito constitui uma liberalidade, um ato unilateral do Poder Público, que não se confunde com as obrigações derivadas da responsabilidade extracontratual. Tampouco se trata de reembolso, porque este pressupõe a recomposição do patrimônio devida em razão de uma despesa realizada por conta e ordem de outrem. (...) Os créditos presumidos são benefícios fiscais concedidos unilateralmente pelo Poder Público, podendo apresentar natureza de subvenção de custeio (v.g. crédito presumido do IPI para ressarcimento de contribuições previsto na Lei nº 9.363/1996) ou de subvenção para investimentos (v.g. crédito presumido para incentivos da Lei nº 9.826/1999). No primeiro caso, as subvenções integram o resultado da pessoa jurídica e, nessa condição, têm natureza de receita bruta do sujeito passivo. Portanto, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, desde que se trate de contribuinte submetido ao regime não cumulativo... (...) As conclusões acima expostas, apesar de terem sido analisadas sob o âmbito do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, são perfeitamente aplicáveis a qualquer tipo de crédito presumido ou ficto, ou seja, aplicamse também ao crédito presumido apurado em face de determinação judicial, como vem a ocorrer no presente processo. Tanto é verdade que o próprio contribuinte, neste recurso especial, apresentou acórdãos paradigmas relativos ao crédito presumido de que trata referida lei. Enfim, avalizo o entendimento consubstanciado no Acórdão recorrido, da relatoria do ilustre Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, o qual transcrevo parcialmente abaixo: Como mencionado pelo acórdão recorrido, a NBC T 19.30, norma brasileira de contabilidade aprovada pelo Conselho Federal de Contabilidade, dispõe que Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 9 8 Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis assim define receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecêla. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Conceitualmente, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 ainda determinam que a incidência independe da denominação ou classificação contábil. De acordo com a norma de incidência do PIS e da Cofins nãocumulativa, esta contribuição incide sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou classificação contábil, ou seja, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, com exceção das exclusões previstas na própria lei. Uma vez que não há nenhuma exclusão específica relativa ao crédito presumido do IPI, a única hipótese de não incidência seria a consideração de que estes ingressos de recursos não teriam a denominação de receita, o que se afasta com base nas razões Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 10 9 expostas anteriormente de que teriam a natureza de receita em seu sentido amplo de que trata a legislação de incidência do PIS e da Cofins já alinhavada. Quando a norma quis excluir alguma receita de seu campo de incidência o fez expressamente, como a exemplo das receitas decorrentes de subvenções para investimento, as quais tem conteúdo semelhante ou parecido com o crédito presumido de IPI. Note que no caso a Lei 10.833, afirma expressamente de que se tratam de receitas, porém excluemnas da base de cálculo das contribuições: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) IX de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Redator designado. Com o devido respeito ao voto do relator, mas meu entendimento sobre a matéria é diferente. É incontroverso que a contribuinte tem direito aos créditos presumidos de IPI na aquisição de insumos nãotributados, em decorrência de decisão judicial transitada em julgado. Os acórdãos paradigmas tratam o crédito presumido de IPI como rubrica de redução de custos, ao invés de receita. No caso do acórdão recorrido, a rubrica tratada não é exatamente o crédito presumido de IPI, mas crédito de IPI por decisão judicial, incidente sobre aquisições de insumos a alíquota zero, isentos ou não tributados. Entendo que tais rubricas são diferentes. Entretanto, o próprio acórdão recorrido, no voto condutor, para desenvolver sua argumentação, inclui decisões do Carf acerca de crédito presumido de IPI, atribuindolhes, desse modo, analogia suficiente para compor sua fundamentação. Portanto, voto pelo conhecimento do recurso. No mérito, entendo que o crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito decorre dos insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador. A exigência do Fisco centrase no argumento de que a Lei nº 9.718/98 ampliou a base de cálculo de ambas as contribuições, constituindo regra a inclusão de qualquer receita auferida, inclusive os valores em questão, considerados como outras receitas operacionais, e exceção apenas as exclusões expressamente previstas na Lei. Assevera que, apesar de o crédito instituído pela Lei nº 9.363/96 ter como objetivo o ressarcimento do PIS e Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 12 11 da COFINS incidentes sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos exportados, o ressarcimento em si é meramente presumido, não havendo como assemelhálo a uma restituição de tributos, porque não houve pagamento indevido de PIS e COFINS. Conclui afirmando que o crédito é receita nova, decorrente de benefício concedido, e não recuperação de custos. Em relação ao crédito presumido, o legislador, dentro da máxima econômica de que 'não se exportam tributos, buscou dar incentivo às exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e COFINS, embutidas no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados, concebendo um benefício fiscal consubstanciado no crédito presumido de IPI, para ser lançado na escrita fiscal contra o próprio IPI. Ou seja, o produtorexportador se apropria de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. Entretanto, a seguir a dicção da Lei, o incentivo não se direciona precipuamente ao imposto em comento, senão que o intento primeiro foi exonerar o pagamento das exações previstas nas Leis Complementares nº 7 e 8/70 e 70/91. Daí que a perspectiva adotada pelo criador da norma não pode ser distorcida de modo a colocar na base de cálculo do PIS e da COFINS importâncias que derivam, em última análise, da dispensa do pagamento das próprias contribuições. Isso implicaria diminuir o benefício fiscal, fazendo com que a desoneração pretendida ocorra de forma parcial. Do ponto de vista econômicofinanceiro e contábil, o incentivo instituído pela Lei nº 9.363/96, na verdade, não constitui receita, mas um valor retificador de custo. O que efetivamente gera o crédito presumido são os insumos comprados pelo industrial, em cujo preço foram adicionados os valores do PIS e COFINS, de forma cumulativa. Se a legislação oferecesse a esses tributos o mesmo tratamento jurídico dado ao IPI, a conta de insumos refletiria apenas o custo efetivo da matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem, pois dele seriam expungidas as contribuições ao PIS e à COFINS, cujos valores seriam lançados na conta contábil pertinente, para posterior recuperação. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 13 12 Logo, ainda que o PIS e a COFINS a recuperar constituíssem um direito da empresa contra o Fisco, não representam ingresso de receita, seja na acepção contábil, seja na econômicofinanceira. Cumpre assinalar que esse raciocínio fundase na teleologia da norma inserta na Lei nº 9.363/96, uma vez que não há que falar, obviamente, em nãocumulatividade de PIS e COFINS, antes do advento da Lei nº 10.637/2002. Há que terse em vista a finalidade a ser atingida pelo incentivo às exportações. Se o crédito presumido receber o mesmo tratamento jurídico de rendimentos obtidos em aplicações financeiras, por exemplo, a empresa, na prática, pagará PIS e COFINS sobre os insumos consumidos no processo de industrialização, os quais são a causa da existência do crédito. Concordo que o crédito presumido não se equipara a restituição de tributos, mas também não entendo que seja equiparado a uma receita de venda, para fins contábeis e tributários. Na análise contábil, se a aquisição do insumo utilizado na industrialização de produtos exportados não estivesse onerada de PIS e COFINS, o valor lançado à conta de "Estoque de MatériaPrima" estaria livre de tributos e, conseqüentemente, o valor apurado na conta "Custo dos Produtos Vendidos" seria menor. Melhor explicando, o valor do crédito presumido apurado, dentro do mês de competência a que se referem as exportações, não transitaria por conta de resultado a título de receita, mas sim como recuperação de custo, creditandose o valor do crédito presumido apurado na conta "Custo dos Produtos Vendidos" e debitandose na conta "IPI a recuperar". Lançamento: IPI a Recuperar a Custo dos Produtos Vendidos Supondose, no entanto, que os contribuintes devessem incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS sobre o faturamento o valor do crédito presumido em questão, então, estarseia pagando PIS e COFINS sobre insumos aplicados no processo industrial de fabricação dos produtos exportados, quando foi justamente esta a razão da criação deste crédito: desonerar o custo de produção dos produtos exportados. De qualquer modo, o referido crédito presumido é ressarcimento de custo e ressarcimento de custo não é receita. Desse modo, se o objetivo da norma é desonerar as Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 14 13 exportações, é irracional qualquer pretensão de exigir tais contribuições justamente sobre o benefício fiscal instituído para incentivar tais operações. O acórdão recorrido também traz que as próprias Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, ao disporem no §3º sobre as receitas que integram a base de cálculo, conferem natureza de receita às reversões de provisões e às recuperações de crédito baixados como perda, que foram expressamente excluídas da base, indicando a abrangência da definição de receita e a necessidade de a lei definir expressamente as exclusões. Também não concordo com tais argumentos, pois só haveria sentido que as Leis citadas previssem expressamente a exclusão do crédito presumido do conceito de receita se, em algum momento de todo o histórico normativo sobre o tema, as normas tivessem o considerado como receita, o que não me parece ter ocorrido. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 510DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.004348/2008-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 2004 Ementa: DILIGÊNCIA - Não constitui direito do contribuinte, a realização de diligência, quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada aos autos de documentos que a recorrente alega possuir. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES E LIGADOS À MEDICINA. LEI INTERPRETATIVA. O art. 29 da Lei nº 11.727 de 23/06/2008, ao dar nova redação à alínea “a “do inciso III do § 1 o do art. 15 da Lei n o 9.249, de 26 de dezembro de 1995, denota sua natureza interpretativa, tornando claro em quais condições e quais atividades ligadas à medicina e serviços hospitalares deverão ter aplicação de 8% sobre a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. CONFIGURAÇÃO. O percentual de 8% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido somente se aplica nos casos de prestação de serviços médicos, quando cumpridos os requisitos estipulados na alínea “a” do inciso III do § 1 o do art. 15 da Lei n o 9.249, de 26 de dezembro de 1995. PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário, além de exercer atividade permitida na legislação, que os serviços sejam prestados por estabelecimento constituído por empresário ou sociedade empresária que ostente caráter empresarial.
Numero da decisão: 1802-000.967
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Vencidos os conselheiros: Nelso Kichel, Marcelo Baeta Ippolito e Edgar Silva Vidal que votavam pela conversão do julgamento em diligência.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES E LIGADOS À MEDICINA. LEI INTERPRETATIVA. O art. 29 da Lei nº 11.727 de 23/06/2008, ao dar nova redação à alínea “a “do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, denota sua natureza interpretativa, tornando claro em quais condições e quais atividades ligadas à medicina e serviços hospitalares deverão ter aplicação de 8% sobre a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. CONFIGURAÇÃO. O percentual de 8% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido somente se aplica nos casos de prestação de serviços médicos, quando cumpridos os requisitos estipulados na alínea “a” do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995. PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário, além de exercer atividade permitida na legislação, que os serviços sejam prestados por estabelecimento constituído por empresário ou sociedade empresária que ostente caráter empresarial. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Vencidos os conselheiros: Nelso Kichel, Marcelo Baeta Ippolito e Edgar Silva Vidal que votavam pela conversão do julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Edgar Silva Vidal e Marcelo Baeta Ippolito. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.004348/200815 Acórdão n.º 1802000.967 S1TE02 Fl. 142 3 Relatório Trata o presente processo, do auto de infração de fls. 01 a 08, que exige o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$ 79.562,57, relativo ao ano calendário de 2004, acrescido da multa de ofício de 75% e dos juros de mora calculados até 28/11/2008, totalizando o crédito tributário no montante de R$186.506,88, cientificado ao sujeito passivo em 12/12/2008, fl.06. De acordo com a descrição dos fatos, o lançamento decorre da aplicação do coeficiente de 8% (oito por cento) sobre as receitas da atividade de prestação de serviços, quando o correto seria de 32% das receitas das atividades, pois, conforme o Termo de Verificação de Irregularidade Fiscal (fl.09), a pessoa jurídica não comprovou a prestação de serviços hospitalares que justificasse a aplicação da alíquota de 8%, portanto, os valores de receita bruta trimestrais declarados, discriminados à fl.09, sofreram a incidência do percentual de 32% para apuração da base de cálculo do imposto sobre o lucro presumido, conforme dispõe o artigo 15, parágrafo 1°, inciso III, alínea "a" da Lei n0 9.249/95. Do relatório da decisão recorrida, fl.51, transcrevo a seguinte parte que demonstra a síntese da matéria impugnada pelo contribuinte: Regularmente notificada da imposição tributária, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 20/26 com alegação de que sua atividade, de diálise, está prevista na Instrução Normativa SRF n. 306, de 2003, art. 23, V, "1". Acresceu que oferece serviços de hemodiálise mediante internação ou não, seguida de acompanhamento médico, terapêutico e nutricional. Aduziu que seu quadro de funcionários e prestadores de serviço é composto de profissionais com habilitação técnica idêntica à dos proprietários. Referiuse à Solução de Consulta n.128, de 29/08/2003, da 10ª Região Fiscal, que entendeu ser aplicável a alíquota de 8% para as atividades de hemodiálise e diálise peritonial. Argüiu que, em face de a fiscalização ter procedido apenas a verificação documental, fazse necessária a realização de perícia e diligência com a finalidade de confirmar a atividade desenvolvida. (...) A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 14 30.865, de 16 de setembro de 2010 (DRJ/Ribeirão Preto/SP), fls.50/56, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 144DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Exercício: 2005 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário, além de exercer atividade permitida na legislação, que os serviços sejam prestados por estabelecimento constituído por empresário ou sociedade empresária que ostente caráter empresarial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS. 0 pedido de diligência ou perícia deve ser denegado se tiver sido formulado em desacordo com as prescrições legais, aliado A circunstância de estarem presentes nos autos elementos de convicção suficientes à adequada compreensão dos fatos para solução da lide. A recorrente foi cientificada do referido acórdão, em 14/10/2010, conforme Aviso de Recebimento (AR), (fl.59), e, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em 12/11/2010, (fls.62/78) reiterando, no essencial, as mesmas razões expendidas na impugnação acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Inicialmente a recorrente alega nulidade no auto de infração ao afirmar que, a fiscalização não demonstrou a forma utilizada para cálculo juntamente com as explicações técnicas matemáticas de como se chegou ao valor por ela cobrado, pois, não consta informação com relação ao termo inicial da contagem dos juros de mora, e, da correção monetária, o que impede a Recorrente de verificar se o calculo apresentado pela Fiscalização esta correto, e, por conseguinte, de constatar se o valor dela cobrado é devido ou não. E assim, entendendo que o auto de infração não cumpriu com as formalidades necessárias e exigidas pela legislação federal, requer seja julgado nulo, o vergastado auto de infração. Sob o título DA VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL, a recorrente alega que acórdão, ora combatido, ao não converter o julgamento em diligência, violou frontalmente o direito da Recorrente à ampla defesa, o qual se encontra previsto na Constituição Federal, especificamente em seu artigo 5°, inciso LV. Aduz, que os julgadores foram contraditórios. Isto porque, em um primeiro momento alegam que não se fazia necessária a conversão do julgamento em diligência, e, depois alegam que a Recorrente não comprovou ter empregados atuando em sua atividade fim. A recorrente diz que, apresentou uma lista contendo diversas pessoas com as quais mantém vinculo de emprego. Assim, se a Fiscalização não "acreditou" no alegado pela Recorrente, deveria no mínimo ter convertido o julgamento em diligência, até porque, o Estado tem o dever de buscar a verdade material. E que, a realização da diligência é imperiosa, até porque, teria o condão de comprovar o caráter empresarial da Recorrente. Portanto, requer desde já que o venerando acórdão seja declarado nulo de pleno de direito, determinando, consequentemente, a realização de diligência a fim de apurar se a Recorrente possui empregados atuando na sua atividade fim. Situação esta, que conferirá a ela caráter empresarial. Quanto à COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES QUE JUSTIFIQUE A ALÍQUOTA DE 8%, E CONSEQÜENTE NÃO UTILIZAÇÃO DA Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.004348/200815 Acórdão n.º 1802000.967 S1TE02 Fl. 143 5 ALÍQUOTA DE 32%, a recorrente alega que, oferece serviços de hemodiálise aos seus pacientes, mediante internação ou não, seguido de acompanhamento médico, terapêutico e nutricional, possuindo equipamentos de tecnologia avançada para tanto, e, por fim, atendendo em mais de 80% de sua demanda ao Sistema Único de Saúde. Argúi que possui empregados e prestadores de serviços que ali trabalham em conjunto com os sócios, outros médicos, que executam tanto o tratamento em si, quanto o acompanhamento posterior dos pacientes, incluindo nutricionistas, psiquiatras, psicólogos e clínicos gerais, conforme relaciona (fls.76/77). E diz, acostar ao presente recurso documentos que comprovam que mantém vinculo de emprego com diversas pessoas que atuam em sua atividade fim. Ao final conclui que possui todos os requisitos para que haja a equiparação da clínica recorrente aos serviços hospitalares, e, assim, faz jus ao benefício fiscal em questão. Ao final requer seja provido o presente recurso. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Conforme relatado, a recorrente alega duas nulidades. A primeira em relação ao auto de infração e a segunda em relação ao acórdão recorrido pelo indeferimento da diligência requerida pela recorrente. Quanto ao auto de infração alega que não consta informação sobre o termo inicial da contagem dos juros de mora, e, da correção monetária, o que impede a Recorrente de verificar se o cálculo apresentado pela Fiscalização está correto, e, por conseguinte, de constatar se o valor dela cobrado é devido ou não. A alegação é totalmente infundada. A uma, porque o auto de infração não exige “correção monetária” do débito, e, a duas porque os juros de mora encontramse discriminados no demonstrativo de fl.04, com o termo inicial de contagem dos juros a partir do vencimento do débito ocorrido trimestralmente em 2004. Consta, inclusive a informação que: APURAÇÃO TRIMESTRAL (p/ Fatos Geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Conforme o Art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Sobre a matéria, eis o enunciado da Súmula nº 4 desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que por si se explica, verbis: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Melhor sorte também não tem a recorrente sobre a alegada nulidade no tocante ao indeferimento do pedido de diligência. Sobre este aspecto, vale esclarecer que a diligência reservase à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pelos documentos juntados aos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. O julgador na análise das provas produzidas nos autos, deve decidir conforme o seu convencimento em consonância com o artig.29 do Decreto nº 70.235/72, assim estabelecido: “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. A autoridade julgadora entendeu desnecessária a diligência por entender que a questão está diretamente vinculada à interpretação da Lei n° 9.249, de 26/12/1995 e que, as informações carreadas aos autos pela autoridade fiscal permitiram aquilatar a matéria tributável. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.004348/200815 Acórdão n.º 1802000.967 S1TE02 Fl. 144 7 Se o interessado aduz possuir prova documental de suas atividades que o equiparam às atividades hospitalares terá que carrear aos autos as provas que diz possuir a evidenciar os requisitos necessários à equiparação da clínica recorrente aos serviços hospitalares, e, que é organizada sob a forma de sociedade empresária. Não cabe, pois, à autoridade julgadora substituir à recorrente na produção dessas provas. Portanto, não constitui cerceamento ao direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência, haja vista que o Decreto nº 70.235/72, coloca a questão no campo do convencimento da autoridade julgadora, podendo deferir aquelas que julgar necessárias ao deslinde do feito e indeferir àquelas que entender meramente protelatórias. Nulidade rejeitada. No que diz respeito ao mérito, o litígio decorre da decisão administrativa que manteve o auto de infração, tendo em vista a pessoa jurídica haver apurado o IRPJ a menor, por aplicação indevida do percentual de 8% em vez de 32% para determinar o lucro presumido relativo aos trimestres de 2004. A recorrente, insistindo pela aplicação do percentual de 8% na determinação do lucro presumido, fundamentase no fato de que, oferece serviços de hemodiálise aos seus pacientes, mediante internação ou não, seguido de acompanhamento médico, terapêutico e nutricional, possuindo equipamentos de tecnologia avançada para tanto, e, por fim, atendendo em mais de 80% de sua demanda ao Sistema Único de Saúde. Argúi que possui empregados e prestadores de serviços que ali trabalham em conjunto com os sócios, outros médicos, que executam tanto o tratamento em si, quanto o acompanhamento posterior dos pacientes, incluindo nutricionistas, psiquiatras, psicólogos e clínicos gerais, conforme relaciona (fls.76/77). E diz, acostar ao presente recurso documentos que comprovam que mantém vinculo de emprego com diversas pessoas que atuam em sua atividade fim. Ao final conclui que possui todos os requisitos para que haja a equiparação da clínica recorrente aos serviços hospitalares, e, assim, faz jus ao benefício fiscal em questão. Consta da decisão recorrida sobre a qual se insurge a recorrente a seguinte observação que, por se tratar dos mesmos fatos também adoto como razão de decidir, vejamos: Da documentação apresentada na fase impugnatória, notadamente os instrumentos de constituição e posterior alteração, verificase que até outubro de 2005 a contribuinte ostentava a natureza jurídica de sociedade civil. Por conseguinte, não poderia pleitear tributação mais benéfica pois tal condição apenas é permitida às sociedades empresárias. A partir da alteração contratual protocolizada na Jucesp sob n. 872067/063 (fls.41/48) é que fora cumprido tal requisito. Abstraindose as demais exigências, somente após outubro de 2005 é que a contribuinte poderia enquadrarse como prestadora de serviços hospitalares. Entretanto, conforme dito anteriormente, não basta apenas ter natureza jurídica de empresário ou sociedade empresária. É necessário que a pessoa jurídica tenha em seu quadro funcional Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 servidores com competência técnica para realizar sua atividade fim sem a necessidade de atuação dos sócios. O que efetivamente caracteriza a pessoa jurídica como sociedade simples ou empresária será o modo de explorar seu objeto. 0 objeto social explorado sem empresarialidade (isto é, sem profissionalmente organizar os fatores de produção) confere à sociedade o caráter de simples, enquanto a exploração empresarial do objeto social caracteriza a sociedade como empresária. Embora tivesse relacionado nomes de profissionais que, a principio, emprestariam à contribuinte a característica de empresarialidade, isto é, organização dos fatores de produção, não há qualquer documento comprobatório de vinculo entre as pessoas cujos nomes foram declinados na impugnação e a contribuinte. A recorrente reitera às fls.76 os mesmos nomes de profissionais alinhados na impugnação, mas novamente não junta aos autos qualquer documento comprobatório de vinculo entre as pessoas cujos nomes foram declinados também na peça recursal da contribuinte. A recorrente não comprovou que possuía em 2004 quadro de funcionários. Apenas trouxe aos autos às fls.99/139, cópias de supostos “CONTRATOS DE TRABALHO À TÍTULO DE EXPERIÊNCIA” e Rescisões dos mesmos Contratos, mas nenhum desses documentos tem empregados com data de admissão em 2004 e anos anteriores, e, pelas minguadas provas, em 2005, teria contado apenas com uma assistente administrativa e uma assistente social, a saber: 1) Documento (fls.99/103), admitida em 20/02/2006, como assistente administrativa, sem assinatura da empregada. Rescisão do Contrato em 11/10/2007 (fl.104); 2) Documento (fl.107), admitida em 01/09/2005, como psicóloga, com assinatura da empregada. Rescisão do Contrato em 11/10/2007 (fl.110); 3) Documento (fl.113), admitida em 03/07/2006, como enfermeira, com assinatura da empregada. Rescisão do Contrato em 11/10/2007 (fl.117); 4) Documento (fl.120), admitida em 01/04/2006, como enfermeira, com assinatura da empregada. Rescisão do Contrato em 13/11/2007 (fl.125); 5) Documento (fl.128), admitida em 01/09/2005, como assistente social, com assinatura da empregada. Rescisão do Contrato em 11/10/2007(fl.131); 6) Documento (fl.134), admitida em 11/10/2006, como nutricionista, sem assinatura da empregada. Rescisão do Contrato em 11/10/2007 (fl.137); Como se vê, a documentação é notoriamente precária e suficiente para comprovar que em 2004, quando ocorrido o fato gerador objeto da autuação, a autuada não possuía sequer um empregado, pois, não há nos autos um comprovante de registro de empregados relativo ao ano calendário de 2004. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.004348/200815 Acórdão n.º 1802000.967 S1TE02 Fl. 145 9 Dos fatos acima depreendese que os serviços prestados em 2004 eram efetuados pelos sócios e referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos. Observese ainda que pelos mencionados documentos todos os ditos empregados tiveram rescisão de contrato em outubro ou novembro de 2007. Com efeito, a base de cálculo do imposto de renda das empresas tributadas pelo lucro presumido, em cada trimestre, é determinada mediante a aplicação de percentuais fixados no art.15 da Lei nº 9.249/95, de acordo com a atividade da pessoa jurídica, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 205) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) Grifei. Sabese que, regra geral a lei tributária não retroage aos fatos pretéritos. No entanto o artigo 106 do CTN dispõe que a lei se aplica a ato ou fato pretérito, em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa. Nesse contexto excepcional de aplicação retroativa da lei, entendo que o art. 29 da Lei nº 11.727 de 23/06/2008, ao dar nova redação à alínea “a “do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, denota natureza interpretativa, ao tornar claro em quais condições e quais atividades ligadas à medicina e serviços hospitalares deverão ter aplicação de 8% sobre a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido. A mencionada lei, no caso, em nada inovou, apenas limitouse a esclarecer a alínea “a “do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249/95 que tinha significado duvidoso haja vista a grande quantidade de solução de consultas e atos normativos e interpretativo expedidos pela Secretaria da Receita Federal, sobre a matéria em comento. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 A recorrente não cumpre os requisitos legais para que sua atividade seja considerada prestação de serviços hospitalares, pois, conforme já visto, a contribuinte não é constituída por empresários, nem pode ser considerada sociedade empresária, nos termos do atual Código Civil, Lei n° 10.406, de 10/01/2002, verbis: "Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Depreendese do artigo 982 que, as sociedades empresárias são pessoas distintas dos sócios, titularizam seus próprios direitos e obrigações. De acordo com à alínea “a “do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a prestadora dos serviços nele elencados deve ser organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Assim, a prestadora dos serviços hospitalares precisa ser caracterizada como sociedade empresária. Como bem asseverado na decisão recorrida: Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário, além de exercer atividade permitida na legislação, que os serviços sejam prestados por estabelecimento constituído por empresário ou sociedade empresária que ostente caráter empresarial. Ora, a pessoa jurídica que presta serviços por intermédio da atuação, apenas, dos sócios, e de profissão regulamentada, não configura sociedade empresária, mas sim pessoa jurídica não empresária, pessoa jurídica simples, de serviços de profissão regulamentada. É o caso dos presentes autos. O percentual de 8% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido somente se aplica nos casos de prestação de serviços médicos, quando cumpridos os requisitos estipulados na alínea “a”, do inciso III, do art. 15, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Destarte, não havendo a Recorrente demonstrado estar enquadrada na exceção contida na alínea “a”, do inciso III, do art. 15, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, qual seja, ser prestadora de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, não há motivação legal para a aplicação de 8% sobre a receita bruta para a determinação de sua base de cálculo pelo lucro presumido, devendo permanecer com a aplicação do percentual de 32%, e por conseqüência deve ser mantido o auto de infração. Diante do exposto, voto no sentido de afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.004348/200815 Acórdão n.º 1802000.967 S1TE02 Fl. 146 11 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10980.911568/2010-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.535
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 15 68 /2 01 0- 03 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10980.911568/201003 Acórdão n.º 3302004.535 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.424. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10980.911568/201003 Acórdão n.º 3302004.535 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10980.911568/201003 Acórdão n.º 3302004.535 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.911568/201003 Acórdão n.º 3302004.535 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.911568/201003 Acórdão n.º 3302004.535 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.911568/201003 Acórdão n.º 3302004.535 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 48DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.000459/2005-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.902
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Advogado Flavio Eduardo S. de Carvalho, OAB/DF nº 20.720.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
Paulo Roberto Duarte Moreira- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Fez sustentação oral pela Recorrente, o Advogado Flavio Eduardo S. de Carvalho, OAB/DF nº 20.720. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins, relativo a receitas de exportação, referente a setembro de 2004. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: 4. O caso submetido à apreciação desta DRJ versa sobre diversas declarações de compensação apresentadas pela empresa Perdigão Agroindustrial S/A (incorporada posteriormente por BRF – Brasil Foods S/A), com o objetivo de compensar débitos próprios com supostos créditos de Cofins oriundos de operações de exportação, os quais teria apurado no mês de setembro de 2004 pelo regime não cumulativo e com fundamento no art. 6°, § 1°, da lei n° 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 00 45 9/ 20 05 -1 2 Fl. 822DF CARF MF Processo nº 13804.000459/200512 Resolução nº 3201000.902 S3C2T1 Fl. 3 2 5. A primeira declaração, apresentada em 31/01/2005, deu origem ao processo em exame e as demais, entregues em datas posteriores, aos processos apensos: 19679.012018/200522, 19679.012238/200556, 19679.012353/200521, 19679.012431/200597, 19679.012902/2005 67 e 13804.001979/200623. Todas as declarações ocupam as duas primeiras folhas dos respectivos autos. 6. Dada a complexidade da matéria e a necessidade de apurar a liquidez e certeza dos créditos informados pela requerente, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO, em despacho de 22/08/2007 (fls. 22/23), determinou o envio do processo principal e seus apensos à DEFIS/SP para a realização de auditoria fiscal. 7. As autoridades tributárias incumbidas da diligência elaboraram em 22/07/2009 a informação fiscal anexa às fls. 36/38, na qual declaram em síntese que o sujeito passivo não apresentou a documentação mencionada no Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 26/31), reiterado pelo Termo de Reintimação constante nas fls. 33/34, o que as impediu de analisar os créditos reivindicados. 8. Retornando os autos à DERAT/SP, a DIORT emitiu em 07/10/2009 o Parecer Decisório anexo às fls. 39/43, no qual se exprime nos seguintes termos: “Diante do exposto, indefiro o pedido de restituição e, como conseqüência, não homologo as compensações constantes das declarações de compensação vinculadas aos processos em tela, pela falta de comprovação dos créditos pleiteados, nos termos da legislação tributária vigente.” (fl. 43) 9. Intimado da decisão por via postal em 11/11/2009 (fl. 50 – v.), a interessada apresentou em 10/12/2009 a manifestação de inconformidade anexa às fls. 52/75, cujo teor resumo a seguir, acompanhada de diversos documentos (fls. 76/141). Resumo I. Apresenta inicialmente dois quadros demonstrativos nas fls. 53/54. No primeiro descreve a apuração do crédito de Cofins, relacionando algumas linhas do DACON (Demonstrativo de apuração de contribuições sociais) e mencionando as contas contábeis e valores correspondentes. No segundo, expõe minuciosamente o conteúdo das declarações de compensação ora examinadas, informando a natureza dos débitos, bem como os respectivos valores, códigos e períodos de apuração. II. Afirma que o “histórico do objeto” emitido pelos Correios e anexo à fl. 32 indica meramente a data de entrega do Termo de Início de Fiscalização, não contendo o aviso de recebimento com o nome e assinatura do recebedor. Acrescenta que o setor responsável da empresa não recebeu o aludido documento, o que a levou a solicitar aos Correios informações acerca do nome do recebedor no intuito de averiguar se teria havido extravio no interior de suas dependências. III. Assevera que, ao receber o Termo de Reintimação, entrou em contato com os auditores fiscais por intermédio de seu patrono, a fim de obter cópia do Termo de Início de Fiscalização e solicitar Fl. 823DF CARF MF Processo nº 13804.000459/200512 Resolução nº 3201000.902 S3C2T1 Fl. 4 3 prorrogação do prazo de 5 dias concedido para a entrega dos arquivos magnéticos, tendo em vista que o art. 2o da IN SRF n° 86/2001 lhe facultava prazo de 20 dias para cumprir tal exigência. IV. Observando que, além de indeferir o pedido de prorrogação, os auditores fiscais não aceitaram os arquivos magnéticos que lhes foram apresentados após o decurso do prazo de 5 dias, assinala que o prazo de atendimento da segunda intimação também deveria ser de 20 dias, visto que, embora possuam discricionariedade para decidir se devem reintimar ou não o contribuinte, não podem as ditas autoridades fixar o prazo a ser cumprido, quando este se encontra previsto em diploma legal. Entende portanto que a fixação do referido prazo constitui ato vinculado, diferentemente do envio de nova intimação, a seu ver ato discricionário da autoridade administrativa. V. Ressalta ademais ser desnecessária a verificação dos arquivos magnéticos pertinentes à contabilidade da empresa, alegando que, para atestar a existência e a validade dos créditos de Cofins apurados, bastaria analisar seus documentos fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, consistindo basicamente em DIPJ, DCTF, DACON, notas fiscais, livros de registro de entradas e saídas, etc. VI. Salienta a impossibilidade de apresentar no exíguo prazo de 5 dias os documentos requisitados, em virtude de seu volume expressivo, o qual se deve à quantidade de informações solicitadas e de lançamentos correspondentes. VII. No tocante ao item “6” do Termo de Início de Fiscalização, afirma que as notas fiscais de entrada e saída nele mencionadas sempre estiveram à disposição do Fisco e continuam a sua disposição. VIII. Esclarece que os créditos de Cofins pleiteados, como consta no demonstrativo anexo à fl. 2, provêm de custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação e que os apurou na forma da lei n° 10.833/2003, declarandoos devidamente na DIPJ e no DACON, os quais reproduz em cópia simples no “Anexo 2” (fls. 115/132). IX. Ressalta que as autoridades fiscais, além de não abordar nenhum aspecto relativo à inexistência do direito creditório ou do seu quantum, não comprovaram que ele seja ficto ou inventado. X. Voltando a mencionar o DACON, o demonstrativo de créditos de Cofins anexo à fl. 2, a DCTF e a DIPJ, assinala que os auditores fiscais não lhes questionaram a veracidade ou validade. XI. Assinala que as informações contidas nas fichas 24 e 25 da DIPJ relativa ao exercício de 2005 conferem com aquelas exibidas pelo DACON, como mostram as cópias desses documentos incluídas nas fls. 59/61, e apresenta nas fls. 62/63 uma tabela intitulada “Demonstrativo do Crédito da Cofins (composição dos valores constantes do Dacon, com a indicação das contas contábeis lançadas)”. XII. Declara que, ao não apreciar os arquivos magnéticos, a DIPJ (fichas 24 e 25), o DACON, a DCTF, as notas fiscais de saída e de entrada e os livros fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, Fl. 824DF CARF MF Processo nº 13804.000459/200512 Resolução nº 3201000.902 S3C2T1 Fl. 5 4 o autor do parecer decisório impugnado feriu os princípios da instrumentalidade processual e da verdade material. XIII. Afirma haver juntado aos autos dois DVDs contendo os arquivos magnéticos solicitados (“Anexo 4”), assim como cópia física dos seguintes documentos: DACON, fichas 24 e 25 da DIPJ e demonstrativo do crédito da cofins (“Anexo 2”). XIV. Finalmente, estribada em diversos julgados do Conselho de Contribuintes transcritos nas fls. 65/74, requer que — na linha desses precedentes e em nome do princípio da verdade material — este órgão judicante anule o presente processo a partir do despacho decisório e determine que a autoridade a quo analise o pedido de restituição à luz dos documentos e arquivos magnéticos trazidos aos autos, “deferindo se, por conseguinte, o pedido de restituição e homologandose as compensações declaradas vinculadas ao presente processo” (fl. 75). 10. É o relatório. O pleito foi indeferido no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1625.459 de 27/05/2010, proferida pelos membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A falta de comprovação do crédito informado não permite a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário, tempestivamente, onde repisou os argumentos anteriormente apresentados. Submetido a julgamento nesta Turma Ordinária, em preliminar, fora suscitada dúvida quanto à regularidade da ciência ao contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Início de Ação Fiscal, realizada por via postal (Correios, com AR). Por conseguinte, com unanimidade de votos, a Turma decidiu pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA, através da Resolução de n° 3201000.573, de 25/01/2016 (fls. 731/736) para que a unidade de origem anexasse aos autos cópias do AR, nos termos abaixo: Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio versa sobre pedido de compensação de débito próprio com crédito da Cofins apurada sob o regime não cumulativo oriundo de operações de exportação de mercadorias para o exterior. Indeferido o pleito e mantida a decisão pela instância a quo, a Recorrente comparece a este Colegiado Administrativo alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento de cerceamento ao seu direito de defesa. Fl. 825DF CARF MF Processo nº 13804.000459/200512 Resolução nº 3201000.902 S3C2T1 Fl. 6 5 Argumenta que, através do Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 28/33, teria sido intimada a apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias, uma série de documentos e arquivos magnéticos referentes a compensações de débitos seus com créditos de PIS/Cofins, solicitação que, no entanto, sustenta jamais ter chegado ao seu conhecimento, embora conste nos autos extrato dos Correios indicando que a entrega se deu em 17/04/2009 (fl. 34). Posteriormente, em 29/05/2009, foi reintimada a apresentar, também no prazo de 5 (cinco) dias, os documentos e arquivos antes solicitados (Termo de Reintimação de fls. 35/36), que foi recebido em 24/06/2009, conforme cópia do Aviso de Recebimento AR de fls. 37. Assevera que, em face do exíguo prazo para a apresentação dos documentos e arquivos magnéticos, o que estaria em desacordo com o disposto no art. 2° da Instrução Normativa – IN SRF n° 86, de 2001, solicitou a dilação de prazo à fiscalização, pedido que, todavia, foi indeferido, “não tendo sido aceita a apresentação de qualquer documento à fiscalização após 29 de junho de 2009 (5 dias após o recebimento do Termo de Reintimação)”. Em seguida, a unidade de origem prolatou a sua decisão, negando, por falta de comprovação do crédito vindicado, o pedido formulado pela Recorrente. Pois bem. De início, verificamos existir uma irregularidade na intimação que teria ocorrido por meio do primeiro Termo de Início de Ação Fiscal: não há nos autos prova de que tenha sido recebido no endereço cadastral da Recorrente, uma vez que não anexado aos autos o AR correspondente, mas apenas informação unilateral, extraída do site dos Correios, de que a entrega teria ocorrido em 17/04/2009. A lei processual, contudo, exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor, que não necessariamente precisa ser o representante legal do contribuinte, sendo perfeitamente válida a intimação mesmo que o AR tenha sido firmado por membro de sua família ou pelo porteiro do prédio onde mora ou onde funciona o seu estabelecimento. É o que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação dada pelo Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;” (g.n.) Considerar, tal como considerou a decisão recorrida, que o simples histórico da entrega do AR, extraído do sítio eletrônico dos Correios, constituiria documento oficial dotado de fé pública, demandando, para que se o infirme, prova em contrário, significa exigir da Recorrente apresentar prova negativa do fato da intimação, algo absolutamente impossível de ser realizado. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem anexe aos autos Fl. 826DF CARF MF Processo nº 13804.000459/200512 Resolução nº 3201000.902 S3C2T1 Fl. 7 6 cópia do AR correspondente à primeira intimação cuja data de realização consta do extrato dos Correios de fl. 34. Ao término do procedimento, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Retornou da unidade de origem com a juntada dos seguintes documentos: a) Cópia do Ofício 101/2016, de 04/05/2016 (fl. 745) – RFB/Delex encaminhado aos Correios (GENCO). b) Cópia do Ofício 8449/2016, de 11/05/2016 (fl. 747/749) – GENCO/SPM – GMRO01/DEOPE/VIENC encaminhado à RFB. O Ofício 101/2016 fora encaminhado à Genco – Gerência de Encomendas da Diretoria São Paulo Metropolitana dos Correios, que é setor dos correios responsável por manter informações sobre as encomendas, solicitando a 2ª via do AR nº SX604609249BR. A resposta dos Correios deuse por intermédio do Ofício 8449/2016 que, em síntese, afirmou não mais dispor do documento, e informou que o Sr. Josué Mendes da Silva é quem havia recebido a correspondência (Termo de Início) cujo AR é o de nº SX604609249BR. Submetido a novo julgamento, na sessão de 25/01/2017, este relator propôs nova conversão em diligência em razão da ausência de ciência do resultado da diligência à interessada. Assim, por intermédio da Resolução nº 3201000.767 a Turma decidiu determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem para suprir a deficiência processual. A interessada foi cientificada e se manifesta (fls. 802/816) quanto ao resultado da diligência e documentos acostados, que em síntese aduz: a. Resta evidenciada a nulidade do procedimento de fiscalização em razão da intimação revelarse inválida e irregular; b. Não fora cumprida a determinação deste CARF para anexar cópia do AR, com a comprovação da entrega do objeto (Termo de Início de Ação Fiscal); c. A fiscalização da RFB tivera oportunidade para sanar o vício da intimação, contudo sem fazêla; d. O Ofício expedido por setor dos Correios não supre a ausência de comprovação do recebimento da regular intimação no domicílio tributário eleito pelo contribuinte, como preceitua o inciso II, do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972; e. A conclusão é que jamais ocorrera sua intimação no Termo de Início de Ação Fiscal lavrado em 14/04/2009; f. A jurisprudência do CARF é pacífica em afirmar a necessidade da comprovação da intimação mediante a apresentação do AR assinado e datado (cita acórdãos); Fl. 827DF CARF MF Processo nº 13804.000459/200512 Resolução nº 3201000.902 S3C2T1 Fl. 8 7 Finaliza suas razões com o pedido de reconhecimento de nulidade de todos os atos processuais posteriores à irregular intimação do Termo de Início de Ação Fiscal. O processo foi redistribuído e encaminhado a este Conselheiro para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator. O recurso voluntário fora recebido como tempestivo, razão pela qual esta Turma apreciouo em julgamento anterior e dele tomou conhecimento. A conversão do julgamento em diligência (a primeira delas) teve o claro escopo de verificar a existência de comprovante de entrega da intimação por intermédio de AR, com data e assinatura do recebedor, pois do contrário evidenciaria irregularidade na intimação. Com o devido respeito ao entendimento exarado pela Turma no julgamento de 23/02/2016, penso despiciendo enfrentar questão relativa à ciência do Termo de Início de Ação Fiscal, de 14/04/2009 (fls. 28/33). Eis as razões. A uma, a contribuinte não nega seu recebimento, mas tão somente alega que o Termo não fora recebido pelo setor responsável pelo atendimento à Fiscalização (fl. 65), com os excertos reproduzidos; a duas, a Fiscalização diligentemente procedeu à reintimação da recorrente, mediante o envio pelos Correios do Termo de Reintimação, de 29/05/2009 (fls. 35/37), entregue no domicílio da contribuinte, em 24/06/2009, conforme AR (fl. 37). Assim, entendo inexistência da alegada falta de intimação do conteúdo do Termo de Início de Ação Fiscal, pois restou suprido pelo Termo de Reintimação do qual a recorrente mostrou ter pleno conhecimento em suas peças recursais. Conquanto a complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas após Despacho Decisório, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Há ainda questão relevante acerca do diminuto prazo concedido para a apresentação de substancioso conjunto de documentos e providências comprobatórias do alegado direito creditório, que por certo demandaria prazo superior aos 05 (cinco) dias concedidos pela fiscalização. Vejo sob esta ótica mais uma vertente do princípio da verdade material que rege o processo administrativo, pois que na instauração do contencioso foram apresentados pelos contribuinte argumentos e indícios que apontam para um direito seu perante o Fisco, assim, mister se faz a mitigação da preclusão na apresentação de provas. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 13804.000459/200512 Resolução nº 3201000.902 S3C2T1 Fl. 9 8 Pois bem. O Termo de Início de Ação Fiscal e o Termo de Reintimação tiveram por escopo intimar a contribuinte a comprovar seu direito creditório declarado em PER/DCOMP. Coube o procedimento à Delegacia de Fiscalização de São Paulo DEFIS/SP em face da complexidade da matéria e a necessidade de apurar a liquidez e certeza dos créditos, como apontado (fl. 26): Tendo em vista a complexidade que advém da análise desse incentivo fiscal, bem como a necessidade de comprovação da liquidez e certeza do crédito pretendido, o presente deve ser encaminhado ao Órgão competente a fim de que seja realizada auditoria fiscal para apurar a exatidão das informações prestadas pelo contribuinte, em conformidade com o artigo 24 da Instrução Normativa n° 600/2005 da Secretaria da Receita Federal (...) Entendeu a fiscalização que seriam necessários documentos normalmente possuídos pela contribuinte (declarações de entrega à RFB DIPJ, DCTF, DACON, notas fiscais, Livros fiscais e contábeis), além de arquivos digitais e planilhas de dados a serem elaboradas conforme ato normativo da Receita Federal e/ou "layout" especificado pela autoridade solicitante. O prazo para atendimento de intimação fiscal para apresentação de arquivos digitais é regido pela Lei nº 8.218/91, com a redação alterada pela Medida Provisória nº 2.158 35/2001: Art. 11 As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). § 4º Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. Atendendo a essa determinação, a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 86, de 2001, que dispõe, textualmente: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF Nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 11 da Lei Nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, alterado pela Lei Nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória Nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, resolve: Art. 1º. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria Fl. 829DF CARF MF Processo nº 13804.000459/200512 Resolução nº 3201000.902 S3C2T1 Fl. 10 9 da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...) Art. 2º. As pessoas jurídicas especificadas no art. 1º, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. Há ainda a previsão legal para se intimar concedendo o mesmo prazo de vinte dias e, em situação específica, o prazo de cinco dias úteis, prevista no art. 71, da MP nº 2.15835, de 2001, que alterou a redação do artigos 19 da Lei nº 3.470/1958, conforme abaixo destacado: Art. 71. O art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. § 1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. Assim, temse prazos distintos para a intimações que visam a entrega de arquivos digitais e informações/documentos necessários ao procedimento fiscal vinte dias; e aquele em que as informações e documentos referemse a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal cinco dias úteis. Na situação presente, vislumbrase apresentação de arquivos, documentos e informações necessários aos procedimento fiscal e aqueles que devam estar registrados na escrituração contábil/fiscal. Portanto, razoável seria que a intimação concedesse o prazo único de cumprimento de 20 (vinte dias) a todas às solicitações. Por outro lado, a exigência de apresentação de arquivos digitais e planilhas no prazo de cinco dias encontrase em desacordo com o que determina a legislação que rege o tema. Tal fato, ao meu sentir torna perfeitamente razoável e necessária a flexibilização das regras de preclusão estabelecidas no § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 para que se analise todos os documentos apresentados, relacionados nos Anexos da Manifestação de Inconformidade e em sede de Recurso Voluntário, dentre eles: a. Cópia do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON; b. Cópia da Ficha 25 da DIPJ onde consta a base de cálculo da Cofíns Regime Nãocumulativo Incidência Total ou parcial; Fl. 830DF CARF MF Processo nº 13804.000459/200512 Resolução nº 3201000.902 S3C2T1 Fl. 11 10 c. Cópia da Ficha 24 da DIPJ 2005 AnoCalendario onde consta a Apuração dos Créditos da Cofíns Regime nãocumulativo, cujas informações conferem com o DACON; d. Planilhas informando a composição dos valores constante da DACON (linha a linha), indicando as contas contábeis lançadas; e. Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON; e Demonstrativo do crédito da COFINS; f. Planilha Excel em mídia eletrônica com o respectivo Hash Code, informando a composição dos valores constante da DACON (linha a linha), do mês de setembro/2004, indicando as contas contábeis lançadas (item 1 do termo de Intimação); g. Livros de registro de Entradas e Saídas do ano calendário de 2004 (item 7 do Termo de Intimação); h. Arquivos magnéticos 4.1.1, 4.1.2, 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3. 4.3.4, 4.3.5, 4.3.6, 4.4.1, 4.5.2 (individual para cada início e fim de mês), 4.6.1, 4.7.1, 4.9.1, 4.9.2, 4.9.5, conforme "layout" definido pela IN SRF 86/2001, do ano calendário de 2004 (item 7 do Termo de Intimação); i. Planilha em Excel com a identificação dos produtos utilizados pela empresa referente a Combustíveis e Energia Elétrica nos arquivos 4.3.4 (arquivo de itens de mercadorias/Serviços (entradas) Emitidas por Terceiros). Ressaltase que este entendimento coadunase com aquele expresso por este Colegiado no julgamento do processo nº 13804.000470/200582, da mesma recorrente e com semelhança fática: Nesse sentido, não tendo sido apreciado quaisquer documentos juntados aos autos em detrimento da Verdade Material, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o processo retorne à autoridade preparadora, para serem apreciados os documentos trazidos aos autos, e outros, que se entendam necessários, nesse caso dandose o prazo de 30 dias, para que referida documentação seja apresentada pela Recorrente. Analisados os documentos e elaborado o relatório de diligência, intimese a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional, para que, desejando, manifestemse. Após, retornem os autos a esse Turma Julgadora, para prosseguimento do julgamento. (Resolução 3201 000.645, sessão de 23/02/2016, Cons. Relatora Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo) Assim, pactuo com a decisão exarada em processo semelhante da mesma recorrente e voto para a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos mesmos termos da Resolução nº 3201000.645, para a análise dos documentos "a" a "i", antes mencionados, dandose às partes o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma única vez por igual, para a manifestação ao relatório de diligência. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 831DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.720265/2014-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. DISPONIBILIDADE JURÍDICA.
No curso das etapas do procedimento de incorporação de ações, instituto do direito societário previsto no art. 252 da Lei nº 6.404/76, ocorre alienação de participação societária, com relação a qual, havendo constatação de acréscimo patrimonial sob a forma de ganho de capital, incide o imposto de renda face à disponibilidade jurídica revelada.
ISENÇÃO. ART. 4º DO DECRETO-LEI Nº 1.510/76. REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA.
Não havendo sido concedida a prazo certo, a isenção prevista no art. 4º do Decreto-lei nº 1.510/76 foi revogada pela Lei nº 7.713/88, não havendo falar em direito adquirido a regime jurídico.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
Numero da decisão: 2402-005.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. No curso das etapas do procedimento de incorporação de ações, instituto do direito societário previsto no art. 252 da Lei nº 6.404/76, ocorre alienação de participação societária, com relação a qual, havendo constatação de acréscimo patrimonial sob a forma de ganho de capital, incide o imposto de renda face à disponibilidade jurídica revelada. ISENÇÃO. ART. 4º DO DECRETO-LEI Nº 1.510/76. REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. Não havendo sido concedida a prazo certo, a isenção prevista no art. 4º do Decreto-lei nº 1.510/76 foi revogada pela Lei nº 7.713/88, não havendo falar em direito adquirido a regime jurídico. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 101 1 100 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.720265/201427 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.889 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2017 Matéria IRPF Recorrente ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. No curso das etapas do procedimento de incorporação de ações, instituto do direito societário previsto no art. 252 da Lei nº 6.404/76, ocorre alienação de participação societária, com relação a qual, havendo constatação de acréscimo patrimonial sob a forma de ganho de capital, incide o imposto de renda face à disponibilidade jurídica revelada. ISENÇÃO. ART. 4º DO DECRETOLEI Nº 1.510/76. REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. Não havendo sido concedida a prazo certo, a isenção prevista no art. 4º do Decretolei nº 1.510/76 foi revogada pela Lei nº 7.713/88, não havendo falar em direito adquirido a regime jurídico. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 02 65 /2 01 4- 27 Fl. 1573DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, pelo voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 10880.720265/201427 Acórdão n.º 2402005.889 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 16.507.101,94 (fls. 2/35), em decorrência da apuração de omissão de ganho de capital auferido em operações de incorporação de ações da HFF Participações S.A. e da Sadia S.A. pela BRF Brasil Foods S.A., ocorridas em julho e agosto de 2009. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 9/35, integrante do lançamento, a fiscalização apresenta histórico dos procedimentos fiscais e a motivação da autuação. Dele se extraem as observações e argumentos a seguir transcritos, no essencial: III. 2.1. Ações da HFF Participações S.A. de ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA, em 08/07/2009 64. Na AGE da HFF Participações S.A., de 08/07/2009, deliberouse (dentre outras questões) o aumento de capital social em R$9.926.613,00 e aprovou, ainda, imediatamente posteriores, dois aumentos de capital social, de R$628.670,00 (item 4.7 da ata) e de R$215.840.122,00 (item 4.8 da ata), efetivados mediante a emissão, respectivamente, de 9.926.611, 628.668 e 215.840.122 ações ordinárias nominativas. (...) 66. Portanto, após os três sucessivos (quase concomitantes) aumentos de capital e a redução do capital social da HFF Participações SA, aprovados na AGE de 08/07/2009, o capital social da HFF passou a ser de R$226.395.804,55, correspondente a 226.395.405 ações, das quais 5.050.627 eram patrimônio de ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA. (...) III. 2.2. Incorporação das ações da HFF Participações S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. 70. A incorporação da totalidade das ações da HFF Participações S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. operação de reorganização societária que converteu aquela em subsidiária integral desta foi prevista, inicialmente, no Acordo de Associação firmado em 19/05/2009 entre a Perdigão S.A. (anterior denominação social da BRF Brasil Foods S.A., vigente até 07/07/2009), a Sadia S.A. e a HFF Participações S.A., cujo teor está sintetizado no Fato Relevante de 19/05/2009. 71. Este Acordo ressaltou que o propósito mediato desta operação de reorganização societária (a incorporação das ações da HFF pela BRF) era a iminente associação entre as empresas Perdigão S.A. e Sadia S.A., sendo, portanto, uma das etapas da futura junção. 72. Neste Acordo já estava prevista a relação de substituição de 1 ação da HFF por 0,166247 ação da (futura) BRF. 73. Ulteriormente, em 22/06/2009, a (ainda) Perdigão e a HFF celebraram o "Protocolo e Justificação da Incorporação das Ações de Emissão da HFF Fl. 1575DF CARF MF 4 Participações S.A. pela Perdigão S.A.", que é documento obrigatório e inerente à incorporação de ações, por disposição expressa do caput do art. 252 da Lei n° 6.404/1976, que remete aos termos dos artigos 224 e 225 desta Lei. 74. O "Protocolo e Justificação" previu, como condição suspensiva da efetivação da operação de reorganização societária, a HFF tornarse proprietária de ações da Sadia (131.070.000 ações, no mínimo, e 231.236.725 ações, no máximo) até 08/07/2009, que foi a data prevista para a aprovação, em Assembléia Geral da Perdigão, da incorporação de ações (item "c" da Cláusula Primeira). 75. Em sintonia com o Acordo de Associação, a Cláusula Segunda do "Protocolo e Justificação" destacou a incorporação de ações como uma das etapas da iminente associação entre a Perdigão S.A. e a Sadia S.A., enquanto a Cláusula Terceira dispôs sobre a relação de substituição, já previamente definida, de 1 ação ordinária da HFF por 0,166247 ação ordinária da (futura) BRF, tendo em vista as conclusões alcançadas nos laudos de avaliação econômicofinanceira. 76. A Cláusula Oitava, item 8.2, condicionou a consumação da incorporação de ações à convocação de assembléias gerais, no âmbito da HFF e da Perdigão (...) 77. Os laudos de avaliação econômicofinanceira (da HFF, feito pela "PLANCONSULT", e da Perdigão, feito por "CREDIT SUISSE") foram anexados ao "Protocolo e Justificação" (Anexos I e II), com a ressalva de que as nomeações das empresas que os elaboraram seriam ratificadas na AGE que deliberaria a incorporação de ações. (...) 80. No âmbito da HFF, o "Protocolo e Justificação" foi aprovado na AGE realizada em 08/07/2009 as 10h:30 (item 4.10 da ata), registrandose, nesta ocasião, que houve a implementação de todas as condições de eficácia da incorporação de ações (item 4.11). (...) 84. Portanto, a incorporação da totalidade das ações da HFF pela BRF foi deliberada no "Acordo de Associação", de 19/05/2009; no "Protocolo e Justificação", de 22/06/2009 e nas AGES ocorridas, nas duas empresas, em 08/07/2009, e observou todas prescrições legais pertinentes. 85. Esta operação de reorganização societária consubstanciou a alienação, pelos acionistas da HFF, para a BRF, de todas as suas ações mediante o recebimento de 0,166247 ação da BRF, com preço unitário de R$39,40, por cada ação da HFF alienada. 86. O evento resultou, ainda, no aumento de R$1.482.889.902,75 no capital social da BRF (correspondente ao valor econômico atribuído à HFF no laudo de avaliação) por meio da emissão de 37.637.557 ações ordinárias, a R$39,40, a serem integralizadas pelos (ex) acionistas da HFF com suas ações, assim como na conversão da HFF em subsidiária integral da BRF, que passou a ser sua única acionista. (...) Concluída a análise da "incorporação de ações", passase à análise do efeito tributário deste evento na seara individual da contribuinte: Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 10880.720265/201427 Acórdão n.º 2402005.889 S2C4T2 Fl. 103 5 88. Em 08/07/2009, ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA alienou à BRF Brasil Foods S.A., por meio da incorporação de ações, 5.050.627 ações da HFF Participações S.A, das quais ela era proprietária. 89. O custo de aquisição de suas ações da HFF Participações S.A. foi R$5.050.627,00 (5.050.627 x R$1,00, que é o preço unitário das ações da Sadia S.A. conferidas ao patrimônio da HFF Participações S.A., a título de integralização do capital social por ele subscrito); 90. Em contraprestação, ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA recebeu, dentre as novas ações ordinárias da BRF Brasil Foods S.A. emitidas em aumento de capital social, 839.651 ações, nos valores unitário de R$39,40 e total de R$33.082.249,40 (produto da multiplicação do número de ações recebidas 839.651 pelo preço unitário destas R$39,40). 91. Portanto, o ganho de capital auferido pela contribuinte foi R$28.031.622,40 (R$33.082.249,40 R$5.050.627,00). 92. O Imposto de Renda devido pela contribuinte em relação a este ganho de capital é R$4.204.743,36 (R$ 28.031,622,40 x 15%). III 2.3 Ações preferenciais da Sadia S.A., de ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA 96. Em 18/08/2009, se efetivou a incorporação da totalidade das ações da Sadia S.A. pela já BRF Brasil Foods S.A., que foi fato pertencente ao processo de associação destas empresas e que será explicitado adiante. ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA era proprietária de 9.964.035 ações da Sadia S.A, todas da classe preferencial, ao custo médio unitário de R$2,904794, conforme informou em sua resposta ao Termo n° 12 – Intimação Fiscal. III 2.4 Incorporação das ações da Sadia S.A. pela BRF Brasil Foods S.A.: Ganho de Capital Imposto de Renda 97. Da mesma forma que a incorporação das ações da HFF Participações S.A. pela BRF Brasil Foods S.A., a incorporação das ações da Sadia S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. foi prevista, inicialmente, no Acordo de Acionistas de 19/05/2009, firmado entre a então Perdigão S.A., a Sadia S.A. e a BRF Brasil Foods S.A., como mais uma das operações pertinentes à unificação das operações dessas empresas (Perdigão S.A. e Sadia S.A.). 98. Em 08/07/2009, os administradores da BRF e da Sadia firmaram o "Protocolo e Justificação" (cópia do documento registrado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina sob o n° 20092879586), o qual; ratificou a relação de substituição, anteriormente prevista no Acordo de Associação, pela qual os acionistas da Sadia S.A. receberiam, em contraprestação à transferência de cada ação ordinária ou preferencial, de sua titularidade, à BRF Brasil Foods S.A. a título de integralização do capital social subscrito 0,132998 ação ordinária desta empresa. Esta relação de substituição foi estabelecida com base no laudo de avaliação econômicofinanceira, elaborado por Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. em 19/05/2009. (...) 101. O "Protocolo e Justificação" previu, também, o aumento do capital social da BRF em montante correspondente ao valor econômico atribuído à Sadia no Laudo de Avaliação elaborado pela PLANCONSULT Planejamento e Consultoria Fl. 1577DF CARF MF 6 Ltda., com database 31/12/2008, o qual definiu o valor de R$5,23 por ação cláusulas 5.1 e.5.2. 102. Finalmente, o "Protocolo e Justificação" condicionou a consumação da incorporação de ações à realização de AGE, no âmbito das duas empresas, com os seguintes escopos (cláusula décima, item 10.1): (...) 104. No âmbito da BRF, a AGE de 18/08/2009 deliberou a aprovação de (ata registrada na Junta Comercial sob o n° 20092879560): (...) 106. A AGE da Sadia ocorreu na mesma data, 18/08/2009 (ata registrada na JUCESC sob o nº 20092879624), e também aprovou o "Protocolo e Justificação", a incorporação de ações e a subscrição do capital social da BRF aumentado em virtude deste evento (dentre outras deliberações). 107. O Boletim de Subscrição de 18/08/2009, registrado na JUCESC sob o n° 20092998011, demonstra, com clareza, o número de ações ordinárias da BRF Brasil Foods S.A. subscritas pelo DiretorPresidente da Sadia S.A., por conta dos acionistas desta empresa; o valor do capital social da BRF Brasil Foods S.A. correspondente à subscrição e, ainda, a forma de integralização do capital social subscrito (qual seja, a conferência de todas as ações da Sadia S.A.). 108. Portanto, a incorporação da totalidade das ações da Sadia pela BRF foi deliberada no "Acordo de Associação", de 19/05/2009; no "Protocolo e Justificação", de 08/07/2009 e nas AGES ocorridas, nas duas empresas, em 18/08/2009, e observou todas prescrições legais pertinentes. Concluída a análise da "incorporação de ações" preferenciais da Sadia S.A. pela BRF Brasil Foods S.A., passase à análise do efeito tributário, desta decorrente, em relação à contribuinte: 109. Em 18/08/2009, 9.964.035 ações preferenciais da Sadia S.A. de propriedade de ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA foram incorporadas pela BRF Brasil Foods S.A.. 110. O.custo total de aquisição de suas ações preferenciais da Sadia S.A. foi R$28.943.470,31, conforme resposta da contribuinte ao Termo n° 12 – Intimação Fiscal. 111. Em contraprestação, ela recebeu, dentre as novas ações ordinárias da BRF Brasil Foods S.A. emitidas em aumento de capital social, 1.325.196 ações, nos valores unitários de R$39,32 e total de R$52.106.706,72 (produto da multiplicação do número de ações recebidas 1.325.196 pelo preço unitário destas R$39,32). 112. Portanto, o ganho de capital auferido pelo contribuinte foi R$23.163.236,41 (R$52.106.706,72 R$28.943.470,31). 113. O imposto de renda devido pelo contribuinte em relação a este ganho de capital é R$ 3.474.485,46 (R$23.163.236,41 x 15%). (...) 117. Conforme os fatos e as verificações fiscais já expostos, com base nos documentos que embasam o trabalho desenvolvido neste procedimento fiscal, concluí que foram omitidos, no anocalendário 2009, rendimentos sujeitos à tributação definitiva, correspondentes aos Ganhos de Capital decorrentes de: Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 10880.720265/201427 Acórdão n.º 2402005.889 S2C4T2 Fl. 104 7 • alienação de ações ordinárias da HFF Participações S.A. para a BRF Brasil Foods S.A., por meio da operação de incorporação de ações, em 08/07/2009; • alienação de ações preferencias da Sadia S.A. para a BRF Brasil Foods S.A., por meio da operação de incorporação de ações, em 18/08/2009. Irresignada, a contribuinte impugnou o lançamento, aduzindo as razões por ela assim sintetizadas: Incorporação de Ações (i) a incorporação de ações consiste em instituto de direito societário, com regime jurídico próprio, exaustivamente regulamentado pela Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações "LSA"), como forma de constituição de uma subsidiária integral de sociedade brasileira; (ii) na incorporação de ações, a participação na sociedade incorporadora é um reflexo daquela mesma participação anteriormente detida na sociedade que foi objeto da conversão em subsidiária integral; (iii) tratase a incorporação de ações, portanto, de hipótese de subrogação real legal por meio da qual se operou a substituição das ações detidas anteriormente por ações da BRF, mantendose a mesma proporção e valor do investimento anteriormente detido; (iv) a incorporação das ações foi deliberada e aprovada por assembléia geral em vista dos interesses da sociedade e não de seus acionistas; (v) não houve, no referido processo de aprovação, manifestação de vontade expressa por parte dos acionistas no sentido da transmissão da propriedade das ações em questão à BRF no contexto de tal operação. Os acionistas que participaram de tal processo enquanto integrantes da Assembléia Geral e votaram acerca da aprovação da operação, o fizeram no exercício de sua função social e não em vista de seus interesses individuais; (vi) com efeito, não houve, em momento algum, a intenção por parte da Impugnante em transferir o investimento detido na Sadia à BRF. Eventual alienação deste investimento iria de encontro com o propósito primordial de sua constituição: a preservação do investimento na Sadia no âmbito familiar; (vii) buscouse, por meio do uso desse instrumento societário (i.e. incorporação de ações), a unificação/associação de dois negócios que antes eram performados/executados separadamente. Conforme destacado no Fato Relevante, o objetivo de ambas as companhias em se associarem consistiu em passar a atuar conjuntamente no mercado, ganhando força operacional, administrativa e negocial em escala nacional e internacional; (viii) a incorporação de ações é o único instrumento societário hábil à associação de sociedades como Sadia e Perdigão. No caso da fusão, duas sociedades operantes deixam de existir, para que uma terceira, resultante da união de ambas, assuma os negócios, com inscrições e demais registros novos. Contudo, por questões regulamentares e comerciais, essa terceira sociedade ficaria inoperante até conseguir todas as licenças necessárias para funcionamento, bem como a alteração de cadastros de fornecedores e clientes; Fl. 1579DF CARF MF 8 (ix) por outro lado, na incorporação de sociedades, uma das sociedades deixa de existir, o que, além de ir de encontro com a vontade de associação das Assembléias Gerais das envolvidas, também gera dificuldades operacionais; (x) na sessão de julgamento de 20.2.2013, a 2a Câmara da 2a Turma Ordinária do E. CARF proferiu decisão favorável ao contribuinte em processo administrativo que trata da não incidência de IRPF sobre o ganho de capital na incorporação de ações, sob o entendimento de que, de fato, a operação de incorporação de ações não consiste em evento de alienação apto a ensejar a apuração de ganho de capital sujeito à incidência do imposto de renda; (xi) diante da ausência da manifestação de vontade da Impugnante em transferir a propriedade de suas ações à BRF no contexto de tal operação, não pode ser esta tratada como evento de alienação apto a ensejar a apuração de ganho de capital sujeito à regular incidência do IRPF; (xii) admitir que a incorporação de ações é uma operação de alienação sujeita à apuração de ganho de capital, além de ir contra o ordenamento jurídico Sadia, que investiram seu patrimônio na sociedade devido à sua sólida tradição e não necessariamente pretendiam alienar as suas ações; e (xiii) se em complemento à inexistência da cultura de investimentos em bolsa no Brasil, o Governo passar a tributar fatos que independem da vontade dos acionistas e/ ou exigir tributos sobre ganhos irreais, criarseá um ambiente de insegurança jurídica generalizada no Mercado, no qual as pessoas deixarão de investir em bolsa com receio de serem autuadas sem nem mesmo saberem que ocorreu uma operação supostamente sujeita à incidência de imposto de renda. Permuta e Inexistência de Acréscimo Patrimonial (xiv) ad argumentandum, tendo em vista que a própria D. Fiscalização reconhece que a Impugnante recebeu ações BRF em contraprestação às suas ações anteriormente detidas, não há dúvidas de que, na remota hipótese de se considerar que a incorporação de ações é alienação, tratarseia de uma típica operação de permuta. Conforme remansosa jurisprudência do E. CARF, a permuta não está sujeita à incidência de IRPF se não houver torna, sendo a autuação insubsistente também por este ângulo; e (xv) o próprio Superior Tribunal de Justiça referendou decisão no sentido de que o recebimento de ações e quotas de outras empresas em substituição à participação acionária anteriormente detida gera apenas expectativa de lucro que não poderia dar ensejo à incidência do Imposto de Renda. Regime de Caixa (xvi) ainda que se entenda que a incorporação de ações é uma forma de alienação sujeita à apuração de ganho de capital, o auto guerreado não merece prosperar nos termos em que lavrado, na medida em que o suposto ganho nunca foi percebido pela Impugnante. Isenção do IRPF (xvii) a Impugnante possuía ações Sadia desde 1983, sendo assim, quando da revogação do DecretoLei, seu direito subjetivo à isenção do IRPF incidente sobre o ganho de capital decorrente da alienação desta participação societária tornouse um direito adquirido, que não pode ser modificado, conforme determina a Constituição Federal e a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. Sendo assim, não subsiste a pretensão da D. Fiscalização em tributar suposto ganho auferido pela Impugnante com relação a essas ações. Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 10880.720265/201427 Acórdão n.º 2402005.889 S2C4T2 Fl. 105 9 Insubsistência do valor de principal apurado (xviii) tendo em vista que a Impugnante registrou as ações HFF em sua DIRPF pelo mesmo custo de aquisição das ações Sadia anteriormente detidas (i.e. pelo custo com base no qual conferiu as ações Sadia à HFF), para a apuração do valor correto do IRPF devido sobre suposto ganho de capital apurado pela Impugnante na operação de incorporação das ações HFF pela BRF, esta D. DRJ deve, data máxima vênia, considerar como custo unitário das ações HFF o custo unitário correto e devidamente corrigido das ações Sadia já contemplando as capitalizações de lucros realizadas por esta sociedade, a saber, R$2,913900. Juros (xix) merecem ser afastados os juros de mora sobre a multa de ofício, por manifesta ofensa à Legislação Pátria e ao Princípio da Segurança Jurídica. A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 1316/1359), ensejando a interposição de recurso voluntário em 23/4/2015 (fls. 1365/1490), o qual repisou, em linhas gerais, os termos da impugnação. De sua parte, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (fls. 1494/1514), contestando os argumentos da recorrente. Mediante a prolação da Resolução nº 2402000.557, em 15/6/2016 (fls. 1529/1540), esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem se pronunciasse acerca da correção dos cálculos efetuados pela contribuinte que levaram à atribuição do custo unitário médio de aquisição de R$ 2,9139 às ações da Sadia S.A. por ela detidas. Elaborando a fiscalização informação sobre a questão levantada (fls. 1547/1551), e juntada a correspondente manifestação da interessada (fls. 1554/1570), retornaram os autos a este Colegiado para prosseguimento. É o relatório. Fl. 1581DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, motivo pelo qual passo diretamente a seu exame. Da incorporação de ações. Conforme relatado, ações da HFF Participações S.A e da Sadia S.A., das quais a recorrente era proprietária, foram incorporadas pela BRF Brasil Foods S.A., estabelecendose a controvérsia, na essência, sobre se no decorrer dessas operações verificaramse efetivamente alienações nas quais foi auferido ganho de capital, tributável pelo imposto de renda. A incorporação de ações é regrada pelo art. 252 da Lei nº 6.404/76 (Lei das S.A.): Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 2º A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230.(Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. § 4o A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de incorporação de ações que envolvam companhia aberta. Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 10880.720265/201427 Acórdão n.º 2402005.889 S2C4T2 Fl. 106 11 Tratase, assim, de instituto específico, que não se confunde com a incorporação de sociedades (art. 227 da Lei nº 6.404/76), tampouco com permuta (art. 533 do Código Civil), visto estar regrado pelas normas próprias de direito societário acima transcritas. É, em síntese, operação por meio da qual a totalidade das ações de uma sociedade anônima (HFF S.A/Sadia S.A.) é incorporada ao patrimônio de outra companhia (BRF Foods S.A.), tornandose sua subsidiária integral, em procedimento conforme o qual há o aumento do capital da sociedade incorporadora, com a subscrição desse por conta dos acionistas da sociedade incorporada. Para viabilizar tal subscrição, os sócios se desfazem das ações que detinham da incorporada, recebendo em contrapartida as ações da incorporadora. A partir desse ponto, deve ser averiguado se a operação em tela traz em seu bojo espécie do gênero alienação. Tragase à colação esse conceito, aqui retirado do Vocabulário Jurídico1: A alienação, também chamada de alheação e alheamento, é o termo jurídico de caráter genérico, pelo qual se designa todo e qualquer ato que tem o efeito de transferir o domínio de uma coisa para outra pessoa, seja por venda, por troca ou por doação. Ora, inegavelmente, no decorrer de uma incorporação de ações ocorre alienação, pois em dado momento as ações da sociedade incorporada saem do domínio dos seus sócios, para a propriedade da controladora, com vistas a que a primeira passe a constituir se em subsidiária integral da segunda. A controladora fica, daí, com a obrigação de disponibilizar ações suas a esses sócios, o que é realizado mediante aumento de capital e emissão de novas ações a um certo preço, as quais são então entregues aos sócios da incorporada. Temse na operação desse modo pagamento, assim considerado em seu sentido precípuo, adimplemento exato da obrigação assumida, mesmo que não se tenha dado em forma de pecúnia, a mais usual. É possível considerar, sob outro ângulo, que nessa fase da incorporação de ações prepondere a obrigação de dar uma coisa (ações da incorporada) vinculada à entrega de outra (ações da incorporadora) rem pro re ao invés de rem pro pretio assemelhandose, quanto a tais atos, então, a uma troca. Não obstante, em todo caso, verificase alienação, como explicitado no parágrafo anterior, posto que o domínio das ações da incorporada foi transferido para outrem, ainda que se considere prevalecer tal prisma de entendimento. Vale salientar mais uma vez, por oportuno, que a incorporação de ações não se trata de subespécie do gênero compra e venda, permuta, incorporação de sociedades, etc., mas sim de instituto societário de caráter único e dotado de certa complexidade, sendo composto de diversas etapas consecutivas e necessárias, dentre as quais se destaca, como de especial interesse para o caso vertente, a realização de alienação das ações detidas pelos sócios da sociedade incorporada. Mister chamar a atenção, nesse passo, para o fato de que a situação abordada não se confunde com subrogação real legal. 1 SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico/atualizadores : Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho. 23ª Edição. Rio de Janeiro, 2003, p. 94. Fl. 1583DF CARF MF 12 Esta diz respeito à situação na qual, em uma relação jurídica, há substituição de um objeto por outro, que não apenas toma o lugar do substituído, mas também se submete ao seu regime jurídico. Não lhe foi destinado capítulo específico no Código Civil, o qual porém regulamentou diversas aplicações da subrogação real, como nos arts. 1.659, incisos I e II, 1.719 e no 1.425, § 1º, o qual preceituou, no pertinente aos princípios gerais dos direitos reais de garantia, que, nos casos de perecimento da coisa dada em garantia, esta se subrogará na indenização do seguro, ou no ressarcimento do dano, em benefício do credor, a quem assistirá sobre ela preferência até seu completo reembolso. Ou seja, a subrogação real se dá dentro do contexto de uma relação jurídica na qual o bem original tinha uma destinação certa, como ocorre quando um bem dado em garantia está ameaçado de perecer, ou mesmo se torna de manutenção dispendiosa para o devedor, vindo a ser substituído por outro que satisfaça a função original. Na incorporação de ações, porém, a relação jurídica original existente entre os sócios e uma determinada pessoa jurídica é desfeita, estabelecendose novo vínculo societário entre aqueles e a pessoa jurídica incorporadora, a qual pode atuar em outros mercados/atividades e geralmente possui outros sócios, além daqueles da companhia incorporada. É outra relação jurídica que se estabelece, envolvendo outros sujeitos de direitos e bens. Sobre o tema, aliás, Luis Eduardo Schoueri2 com argúcia refletiu: Nesse contexto, não vislumbramos a previsão de subrogação real no artigo 252 da Lei das Sociedades Anônimas. Ali, não criou, o legislador, qualquer ficção. Em momento algum o dispositivo dá a entender que as ações de 'B' deveriam ser consideradas como ações de 'A'. Não vemos, ademais, que a lei tenha estabelecido a substituição das ações mediante um juízo relativo, ou seja, com vistas a uma relação jurídica particular. Pelo contrário, as ações, tanto as da companhia 'incorporada' como as da companhia 'incorporadora' são tratadas em si e por si. Prova disso é, como se disse acima, que as ações de 'B' não autorizam o sócio a exercer quaisquer direitos em face de 'A', o que decorre da relação jurídica particular em que se encontram insertas as ações desta. Acrescentese, ainda, que não se vislumbra incompatibilidade entre a sub rogação real e a alienação. É perfeitamente possível que se aliene bem com o escopo de viabilizar sua substituição por outro que assuma o seu lugar em certa relação jurídica, via sub rogação; mesmo assim, não deixa de ocorrer a alienação. Em outras palavras, não são conceitos ou institutos reciprocamente excludentes, como uma vista desavisada pode indicar. Melhor sorte não favorece ao argumento de que inexistia intenção por parte da recorrente de transferir seu investimento na Sadia S.A à BRF Foods S.A., e que não se apresenta elemento volitivo face à ausência de manifestação expressa por parte dos acionistas quanto às operações realizadas. Com relação ao primeiro ponto, digase desde já que o fato é que, a despeito de sua pretensa falta de intenção, a referida não mais é investidora da Sadia S.A., mas sim da BRF Foods S.A., como consequência da incorporação de ações efetuada. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Incorporação de ações; natureza jurídica societária e efeitos tributários, in Revista Dialética de Direito Tributário, n. 200, São Paulo, Dialética, maio de 2012, p. 52. Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 10880.720265/201427 Acórdão n.º 2402005.889 S2C4T2 Fl. 107 13 E, contrariamente ao que ela parece aduzir, estava presente manifestação de vontade dos acionistas das empresas incorporadas, dentre os quais ela se inclui, pois houve deliberação em assembléiageral aprovando as operações analisadas, de acordo com os elementos de prova constantes nos autos. Anotese, por pressuposto, que os sócios de uma companhia aberta estão sujeitos à observância, por força de lei, da sistemática de decisões majoritárias. E não há como se admitir que a recorrente, sendo acionista relevante das companhias, não estava a par das tratativas levadas a efeito em assembléia. Caso delas discordasse, poderia sem empecilhos exercer seu direito de retirada, previsto no § 2º do art. 252 da Lei das S.A. Não o exercendo, estava sim, assentindo com os termos das operações, por lhes serem de interesse, concordância essa que se estende também, por decorrência lógica, às etapas necessárias à consecução do procedimento, que incluíam a alienação/transferência da propriedade de suas ações da Sadia S.A. e da HFF S.A à BRF Foods. Destarte, constatado ter havido alienação das ações em referência no bojo das incorporações levadas a efeito, cumpre aferir se houve acréscimo patrimonial em decorrência. Giza o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1oA incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.(grifei) Ou seja, havendo acréscimo patrimonial, disponibilizado econômica ou juridicamente ao sujeito passivo, incide o fato gerador do imposto de renda. Já a Lei nº 7.713/88, ao regrar o imposto de renda pessoa física, preceitua, sempre em harmonia com os ditames do encimado art.43: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Fl. 1585DF CARF MF 14 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.(grifei) A simples leitura das normas supra reproduzidas revela que quaisquer operações que importem alienação algumas das quais exemplificadas no § 3º são consideradas para fins de apuração de eventual existência de ganho de capital. Na espécie, e reprisando o dantes narrado no relatório, a recorrente alienou em 8/7/2009 à BRF Foods, no decorrer da incorporação de ações, 5.050.627 ações da HFF S.A., cujo custo era de R$ 5.050.627,00 (5.050.627 x R$ 1,00, que é o preço unitário das ações da Sadia S.A. conferidas ao patrimônio da HFF Participações S.A., a título de integralização do capital social por ela subscrito). Necessário ressalvar não prosperar o argumento ventilado no recurso de que deveria ser considerado nessa operação o custo unitário das ações da Sadia conferidas a HFF S.A., contemplandose as capitalizações de lucro alegadamente realizadas por aquela. Como bem enfatizado na informação fiscal resultante da diligência efetuada nos termos da Resolução nº 2402000.557, foram as próprias pessoas físicas acionistas da Sadia S.A, dentre as quais a contribuinte, que, por meio de deliberação unânime em sede própria, que decidiram que o custo de aquisição a ser atribuído às ações da Sadia S.A para fins de integralização ao capital da HFF S.A seria de R$ 1,00, independentemente do custo individual que a ação da Sadia tenha para cada sócio. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 10880.720265/201427 Acórdão n.º 2402005.889 S2C4T2 Fl. 108 15 Tal fato está devidamente atestado no item 4 da Ata da Assembléia Geral Extraordinária da HFF S.A. que tratou do aumento de capital dessa companhia via conferência das ações da Sadia S.A. (fls. 1549/1550). Sendo assim, para a operação focada, resta então bastante apropriado e em conformidade com a legislação de regência, o custo de aquisição tal como considerado pela autoridade lançadora, não havendo reparos a realizar, no particular. Prosseguindo, como contraprestação da alienação das ações da HFF S.A., recebeu a contribuinte, dentre as novas ações ordinárias da BRF Brasil Foods S.A. emitidas em aumento de capital social, 839.651 ações, nos valores unitários de R$ 39,40 e total de R$ 33.082.249,40 (839.651 x R$ 39,40). Auferiu, daí, R$ 28.031.622,40 (R$ 33.082.249,40 R$ 5.050.627,00) como ganho de capital nessa incorporação de ações. Em outra operação, quase concomitante, a recorrente alienou em 18/8/2009 à BRF Foods, por meio de incorporação de ações, 9.964.035 ações da Sadia S.A., cujo custo era de R$ 28.943.470,31 (conforme resposta da própria a intimação do Fisco), recebendo em contraprestação, dentre as novas ações ordinárias da BRF Brasil Foods S.A. emitidas em aumento de capital social, 1.325.196 ações, nos valores unitários de R$ 39,32 e total de R$ 52.106.706,72 (1.325.196 x R$ 39,32). Nessa outra operação auferiu, portanto, 23.163.236,41 ((R$ 52.106.706,72 R$ 28.943.470,31) a título de ganho de capital. Diante desses acréscimos patrimoniais constatados, correta a imputação fiscal. Noutro giro, pugna a recorrente que o imposto de renda da pessoa física obedece ao regime de caixa, não podendo ser tributado ganho de capital não realizado, dado que a recorrente não recebeu quaisquer valores em decorrência desse pretenso ganho. Mais uma vez, não lhe assiste razão. Deve ser esclarecido, de início, que regime de caixa no imposto de renda pessoa física diz respeito à observância do mandamento do art. 2º da Lei nº 7.713/88, o qual enuncia que esse imposto "será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos". Tal dispositivo é interpretado sob a realidade de que a lei complementar, (CTN), à luz da qual aquela lei ordinária deve ser compreendida, dispõe em seu art. 43 que o fato gerador do imposto de renda ocorre não só com o recebimento de fluxo financeiro (disponibilidade econômica), mas também com a aquisição de disponibilidade jurídica ou seja, com a integração do acréscimo patrimonial à esfera jurídica do contribuinte, havendo ele sido ou não transformado antes em pecúnia, etapa na verdade desnecessária para a incidência do imposto. Vejase que não há como partilhar das exegeses que associam o acréscimo patrimonial passível de tributação pelo imposto de renda à necessária percepção de dinheiro, pois tal acepção torna inócua, ao fim e ao cabo, a menção apartada realizada no art. 43 do CTN Fl. 1587DF CARF MF 16 de que a aquisição de disponibilidade jurídica, independentemente daquela percepção, consubstancia fato gerador do imposto. E, como vetusto princípio de hermenêutica há muito consagrado, é sabido que a lei não contém palavras inúteis, só sendo adequada a interpretação que encontrar um significado útil e efetivo para cada expressão contida na norma, sendo dever do intérprete buscar a eficácia do conjunto de suas prescrições. Não bastassem tais razões, destaquese que Rubens Gomes de Souza explicou3 com a maestria habitual o real significado do conceito de disponibilidade jurídica, previsto na legislação em referência: A disponibilidade 'econômica' (...) verificase quando o titular do acréscimo patrimonial que configura renda o tem em suas mãos, já separado de sua fonte produtora e fisicamente disponível; numa palavra, é o dinheiro em caixa. Ao passo que a disponibilidade 'jurídica' (...) verificase quando o titular do acréscimo patrimonial que configura renda, sem o ter ainda em mãos separadamente de sua fonte produtora e fisicamente disponível, entretanto já possui título jurídico apto a obter a disponibilidade econômica. (grifei) Por conseguinte, como elucida o estimado jurista, autor do anteprojeto que serviu de base para o CTN, e componente da Comissão que o elaborou, frisese, a disponibilidade econômica efetivamente corresponde a renda sob a forma de "dinheiro em caixa". Porém, malgrado entendimentos em sentido diverso, a disponibilidade jurídica não tem associação com tal fato, verificandose já no momento em que se apresenta título jurídico apto a ser convertido, livremente, naquela disponibilidade econômica. Esse é precisamente o caso abordado, no qual a recorrente já possui título jurídico participações societárias da empresa incorporadora hábil a ser transformado em disponibilidade financeira imediata, sendo que o recebimento de tais participações configurou acréscimo patrimonial sob a forma de ganho de capital auferido em alienação. Nessa esteira, adquirida disponibilidade jurídica relativa ao ganho de capital na alienação das ações, com o resultante acréscimo do patrimônio da recorrente, ocorreu o fato gerador do imposto de renda, por força do art. 43 do CTN, o qual tornouse devido no mês em que acontecido tal evento aí sim, correspondendo ao "regime de caixa". Cabe assinalar, também, que a tributação da disponibilidade jurídica prevista expressamente na lei complementar, repitase à saciedade não possui repercussão, ao contrário do que alguns aventam, em violação à capacidade contributiva ("capacidade econômica", nos termos do § 1º do art. 145 da CF). Como projeção do princípio republicano, os impostos devem ser cobrados, sempre que possível, de acordo com as possibilidades de cada um, possuindo caráter pessoal. Entretanto, como já alertava Sacha Calmon Navarro Coelho, tal capacidade é subjetiva, levando em conta a aptidão concreta de determinado contribuinte arcar com o ônus do imposto. 3 SOUSA, Rubens Gomes de . Pareceres I Imposto de Renda. Resenha Tributária, 1975, p.248, apud PAULSEN, Leandro, Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e jurisprudência. 16ª ed. Porto Alegre; Livraria do Advogado, 2014, p.818. Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 10880.720265/201427 Acórdão n.º 2402005.889 S2C4T2 Fl. 109 17 Dessa feita, não basta aduzir, genericamente, que o pagamento de impostos sobre a "mera disponibilidade jurídica" aflige a capacidade contributiva, é necessário demonstrar concretamente de que maneira tal situação estaria a acontecer, como em caso hipotético em que se tributa a ganho de capital não convertido em pecúnia, e o contribuinte evidencia, de modo incontroverso, não dispor de renda/patrimônio para suportar o gravame tributário. No particular, entretanto, não se verifica tal comprovação, devendo ser rejeitadas aduções do gênero. Registrese, por outra via, que a alegação de que a 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF teria proferido decisão favorável ao [sic] contribuinte, não encontra respaldo na realidade, pois o número de processo aludido 10680.726772/200186 (fl. 1426) corresponde a lide envolvendo pessoa física e empresas diversas do caso ora enfrentado. Ao fim, quedam prejudicadas as ilações quanto à permuta, tendo em vista tratarse a incorporação de ações, como explicado e reiterado desde o início desta fundamentação, de instituto específico societário, normatizado pelo disposto no art. 252 da Lei das S.A., não se confundindo daí com permuta ou incorporação de sociedades. De qualquer maneira deve ser observado, em muito apertada síntese, que o § 3º do art. 3º da Lei nº 7.713/88 se refere expressamente à permuta como sendo forma de alienação sujeita à eventual apuração de ganho de capital, e que o permissivo constante do art. 121 do Decreto nº 3.000/99 se aplica tão somente à permuta sem torna de unidades imobiliárias, como bem já esclareceu o Parecer PGFN/CAT 1722/2013, o qual superou as considerações trazidas nos Pareceres PGFN/CAT nº 970/91 e 454/92, os quais foram exarados e voltados especificamente ao contexto das privatizações de ativos estatais então em curso. Da isenção prevista no art. 4º do DecretoLei nº 1.510/76. O art. 4ª do DecretoLei nº 1.510/76 veiculava norma isentiva aplicável a alienação de participações societárias, nos seguintes termos: Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (...) (d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Tal dispositivo foi expressamente revogado pela Lei nº 7.713/88, com efeitos a partir de 1º/1/1989. Porém a recorrente alega que, como possuía ações da Sadia desde 1983, quando daquela revogação a isenção em tela já havia se tornado seu direito adquirido. Ora, o art. 178 do CTN prescreve que: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. Fl. 1589DF CARF MF 18 No caso, ainda que se considerasse atendida a condição de permanência da participação durante cinco anos, é de se destacar que a norma em foco não concedeu a isenção a prazo certo, como demanda a lei complementar para que se tratasse de isenção que não estivesse sujeita à possibilidade de revogação a qualquer tempo, como restou por ocorrer com o advento da Lei nº 7.713/88. Na verdade, a regra é então que as normas isentivas possam ser revogadas a qualquer tempo, sem gerar direito adquirido, sendo a ressalva contida no art. 178 voltada para aquelas situações em que a isenção visa estimular a execução de empreendimentos ou atividades de interesse público. Nesse sentido, exemplifica o tributarista Luciano Amaro4: Por exemplo, conferese a isenção do imposto 'X', durante dez anos, às empresas que se instalarem em certa região para fabricar determinado produto. É evidente que, instalandose nessa região uma empresa que atenda às condições para enquadrarse na norma de isenção, não pode o legislador frustrar o direito da empresa à isenção, cassandoa antes do prazo assinalado. Não se confundido o caso em apreço com situação do gênero, e não se adequando a norma isentiva examinada às exceções discriminadas no CTN, não procede o intento da contribuinte. No sentido do entendimento aqui exposto, vem trilhando a jurisprudência do CARF, vide decisão recente da CSRF no Acórdão nº 9202004.506, j. em 25/10/2016, e o Acórdão nº 2402005.791, julgado por este Colegiado em 6/4/2017. Notese, ademais, ser malfadada a referência a existência a direito adquirido, visto que não há direito adquirido a regime jurídico ainda que isentivo ou imunizante consoante jurisprudência pacífica do STF, da qual citese, dentre outras, as decisões exaradas nos RMS nº 27.093 (DJe 13/11/2008) e nº 26.932 (Dje 5/2/2010), e no AgRg no RE nº 227.755 (DJe 23/10/2012). Impende ressaltar, como remate deste tópico, que várias das participações societárias das quais é detentora a recorrente ingressaram no seu patrimônio após a revogação da mencionada isenção, sendo bastante elucidativas a respeito as observações da DRJ/ SPO (fl. 1351): Alega a defesa que, a prevalecer a tese de ocorrência de alienação de participações societárias, haveria direito adquirido à não incidência prevista no artigo 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510, de 1976, nas hipóteses em que, antes da revogação do referido dispositivo legal pela Lei n° 7.713, de 1988, a participação societária alienada já havia permanecido sob a titularidade do contribuinte por mais de 05 (cinco) anos. Por conseguinte, considera que não incidiria a tributação sobre o ganho de capital auferido na alienação de 3.563.454 ações ordinárias e 3.098.753 ações preferenciais da Sadia, que corresponderiam às ações adquiridas até 1983, conforme se extrai do cotejo das planilhas “OMSF – Carteira de 31.12.1983 de Oneida Maria Schnitzer Fontana – Movimentações” e "OMSF – Segregação da Carteira de 31.12.1983 de Oneida Maria Schnitzer Fontana – Estoque pertencente a Carteira Posterior a 31.12.1983", de fls. 992 a 997. De início, assinalese que a interessada computa no “estoque pertencente à carteira posterior a 31.12.1983” (fl. 997), 1.896.170 ações ON e 3.727.003 ações PN recebidas em 03/05/2007, por transferência causa mortis, 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 13ª edição. São Paulo: Saraiva, 2007, pp. 287/288. Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 10880.720265/201427 Acórdão n.º 2402005.889 S2C4T2 Fl. 110 19 cujos totais recebidos foram de 4.912.590 e 6.341.913, respectivamente. Portanto, considera como adquiridas até 1983 3.016.420 ações ordinárias e 2.614.910 ações preferenciais recebidas em 2007, em decorrência de partilha. Ou seja, a maior parte das ações que a recorrente detinha e que foram objeto das operações de incorporação ingressaram em seu patrimônio pessoal em 2007, via transferência causa mortis, quando já não vigorava o regime isentivo que a contribuinte pretensamente entende lhe favorecer. Vale, aliás, destacar que o STJ se pronunciou recentemente sobre o assunto, no REsp nº 1.632.483/SP (j. 8/11/16), tendo decidido haver impossibilidade de transmissão, via sucessão causa mortis, de direito adquirido à isenção em relevo, após a revogação promovida pela Lei nº 7.713/88. Em outros termos, ainda que se considerasse poder haver direito adquirido à isenção regrada pelo art. 4ª do DecretoLei nº 1.510/76, não aproveitaria, em grande medida, à recorrente, pois a maior parte de suas participações societárias foi adquirida após 1988. Dos juros de mora sobre a multa de ofício. O caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REsp nº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : Fl. 1591DF CARF MF 20 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1592DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.002065/2001-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. ARTIGO
Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. Recurso especial não conhecido, nos termos do artigo 67, §12, incisos II e III, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015).
Numero da decisão: 9101-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, conforme acórdão do colegiado de origem. Julgado dia 12/09/2017, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego -Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. ARTIGO Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. Recurso especial não conhecido, nos termos do artigo 67, §12, incisos II e III, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, conforme acórdão do colegiado de origem. Julgado dia 12/09/2017, no período da tarde. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 20 65 /2 00 1- 91 Fl. 2628DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de processo originado pela apresentação de Pedido de Compensação identificandose crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre aplicações financeiras e comissões (código 5706) do período de janeiro de 1996 a dezembro de 2001 (fls. 276) e débitos de PIS e COFINS, apresentado em 25/10/2001 (fls. 20/21, volume 1) A Delegacia da Receita Federal em Santa Maria não homologou a compensação, pelas razões seguintes (fls. 1.915/1.923: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Inexiste previsão legal para restituir ou compensar Imposto de Renda Retido na Fonte, visto que se trata de antecipação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica devido e somente pode ser aproveitado na dedução deste, caso não se sujeite A incidência exclusiva ou definitiva na fonte. Se a soma das retenções e pagamentos for superior ao IRPJ devido no ajuste anual, apura se saldo negativo, e este sim é passível de restituição e compensação, mediante solicitação própria, tempestiva e sujeita A análise da autoridade administrativa competente. Direito creditório não reconhecido. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO A compensação, modalidade de extinção do crédito tributário, requer que o crédito ofertado seja passível de restituição, líquido e certo, e que sejam atendidos todos os requisitos necessários A sua realização. Compensações não homologadas. (...) 19. A interessada vem apurando, no decorrer dos anos, o Imposto de Renda na sistemática do Lucro Real (fl. 1821). Isso vale também para a pessoa jurídica por ela incorporada (fl. 1797). Nos anoscalendário de 1996 a 1998, para fins de apuração do Lucro Real, compensou prejuízo fiscal de períodos anteriores em percentual acima do limite permitido pea legislação (fls. 1736, 1746, 1822, 1823). A incorporada procedeu dessa forma nos anoscalendário 1997 e 1998 (fls. 1800, verso, e 1804). Caso houvesse obedecido o limite de 30% (trinta por cento) do Lucro Real na compensação com prejuízos fiscais, apuraria IRPJ devido e poderia deduzir o IRRF nesses anos. Fl. 2629DF CARF MF Processo nº 11060.002065/200191 Acórdão n.º 9101003.071 CSRFT1 Fl. 2.629 3 20. Além disso, indevidamente, a interessada e sua incorporada mantiveram na escrituração contábil os valores referentes ao IRRF lançados nas declarações de Imposto de Renda, bem como lançaram nas declarações dos anoscalendário 1997 e 1999 valores retidos desde 1993, conforme o Relatório mencionado: (...) 23. Significa dizer que caso fosse passivel de restituição o IRRF, visto que não é, o direito de requerêlo, decairia com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos. (...) 25. Em relação ao suposto crédito, afastado o impedimento de restituição/compensação de IRRF com diversos tributos administrados pela SRF, caberia ainda ao contribuinte a apresentação de todos os comprovantes de retenção sofridas na fonte. 28. Não sendo passíveis de restituição ou de ressarcimento, muito menos sendo líquidos e certos, os supostos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública oferecidos As compensações, o efeito de extinguir os créditos tributários se resolve, se desfaz, pela não homologação do procedimento realizado pelo sujeito passivo, tornandose exigíveis os créditos tributários indevidamente compensados. Com base no Parecer DRF/STM/SAORT n.° 261, de 21 de julho de 2005, As fls. 1824 a 1828, anverso e verso, que aprovo, DENEGO O DIREITO CREDITÓR1O pleiteado pela interessada, correspondente ao Imposto de Renda Retido na Fonte até o anocalendário de 2001, por inexistir previsão legal para restituir ou compensar os valores retidos na fonte, que somente podem ser aproveitados, se for o caso, na dedução do IRPJ devido e na formação de eventuais saldos negativos de IRPJ. NÃO HOMOLOGO as compensações efetuadas por iniciativa do sujeito passivo, visto que não há crédito passível de restituição ou de ressarcimento e por carência dos atributos de certeza e liquidez, nos termos do art. 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, e do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Após a apresentação de manifestação de inconformidade (fls. 1.930 – volume 10), a Delegacia da Receita Federal de julgamento em Santa Maria manteve a decisão da DRF (fls. 2.520 volume 12). O acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Período de apuração: 31/01/1996 a 31/12/2001 Ementa: IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO O imposto de renda retido na fonte incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras e de comissões, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com tributos Fl. 2630DF CARF MF 4 e contribuições. Esse imposto configurase crédito do contribuinte somente quando o imposto apurado no encerramento do período de apuração resultar em valor inferior ao montante antecipado ou quando for apurado prejuízo fiscal. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO Não reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte, impõese, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas. Solicitação Indeferida Destacase trecho do voto condutor na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento: Em relação à tributação dos rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, e os ganhos líquidos, cabe esclarecer que a partir de 01/01/1995, tais rendimentos passaram a integrar o lucro real e o IRRF passou a ser compensável com o imposto apurado na declaração do IRPJ. O art. 76, I, da Lei n° 8.981, de 1995 (...) Por sua vez, o imposto de renda retido na fonte sobre comissões também considerado como antecipação, nos termos do art. 651, inciso I e § 2°, do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999 (...) Portanto, diante da legislação citada, concluiuse que o IRRF sobre aplicações financeiras e sobre comissões contribui para a apuração de eventual de saldo negativo de IRPJ no caso de pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro real. (...) Portanto, embora tenha apurado em algumas DIPJs saldo negativo de IRPJ, o pleito do Contribuinte se restringiu ao pedido de restituição do IRRF sobre aplicações financeiras e comissões e não de eventual saldo negativo de IRPJ apurado em algumas DIPJs. Como já vimos, o IRRF sobre aplicações financeiras e de comissões, por ser considerado como antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser restituido ou compensado diretamente com outros tributos e contribuições, devendo ser deduzido do imposto devido no final de cada período para eventual apuração do saldo negativo de IRPJ. Como o pedido do Contribuinte tem por objetivo o pedido de restituição de IRRF sobre aplicações financeiras e comissões, pelos motivos expostos, esse pedido não pode ser atendido, estando correto o procedimento a autoridade administrativa em denegar o direito creditório pleiteado. (...) Ademais, por outros outros motivos, a seguir discriminados, o pedido de reconhecimento do direito creditório não pode ser reconhecido integralmente, nem homologada na sua totalidade as compensações efetuadas pelo contribuinte. (...) Fl. 2631DF CARF MF Processo nº 11060.002065/200191 Acórdão n.º 9101003.071 CSRFT1 Fl. 2.630 5 a) Falta comprovação das retenções do imposto Considerando o que determina o art. 55 da Lei n° 7.450, de 1985, a dedução do imposto de renda retido na fonte na DIPJ pode ser feita desde que possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A existência dos comprovantes de retenção é imprescindível para a dedutibilidade do imposto retido incidente sobre rendimentos computados na declaração. No presente caso, o Contribuinte não apresentou os comprovantes das retenções do IRRF sobre aplicações financeiras e de comissões nos moldes exigidos pela legislação, fato esse que impede a dedução dos valores retidos na DIPJ. b) Decadência (...) Como regra geral, pelo ditame dos artigos 165, I, e 168, I, do CTN, o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição/compensação total ou parcial de tributo ou contribuição pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. (...) Por último, registrese que recentemente foi editada u Lei Complementar n° 118, de 2005, que trata no art. 3° da correta interpretação a ser dada ao art. 168, I, do CTN. (...) No caso ora analisado, o Contribuinte protocolou o pedido de restituição no dia 25/10/2001. Deste modo, mesmo que fosse possível a restituição do IRRF, os valores retidos até 25/10/1996 foram atingidos pela decadência e não poderiam ser restituídos. Já, no caso de eventual apuração de saldo negativo de IRPJ, esses saldos apurados até o anocalendário 1995 (inclusive) também foram atingidos pela decadência, não podendo ser restituídos. c) Compensação de prejuízos fiscais superior a 30% do lucro real Sobre o assunto, o art. 15 da Lei n° 9.065, de 1995, determina que, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda poderá ser reduzido em. no máximo, de trinta por cento do referido lucro liquido ajustado. A compensação somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Analisandose as DIPJ dos anoscalendário de 1996 a 1998 (fls. 1731, 1736, 1746, 1822), constatase que o Contribuinte e a pessoa jurídica por ela incorporada compensaram prejuízos Fl. 2632DF CARF MF 6 fiscais em valor superior a 30% do lucro real apurado em cada período. Assim, se tivesse obedecido a esse limite, conforme determina a legislação, teria a possibilidade de deduzir, na respectiva DIPJ, o IRRF do imposto apurado no final do período. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 2.532/2.542 – volume 12), alegando que (i) as retenções (IRRF) teriam sido informadas em declarações de renda e, após o prazo de 5 anos, seriam inequestionáveis; (ii) teria direito à compensação de IRRF, pois não houve apuração de lucro tributável nos anos posteriores aos créditos, razão pela qual a única forma de aproveitálos seria por compensação da forma procedida; (iii) não teria ocorrido a decadência; (iv) não teria havido auto de infração para constituir eventual débito decorrente da compensação de em valor superior à trava de 30%. O recurso voluntário foi parcialmente acolhido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001 BUSCA DA VERDADE MATERIAL No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros de procedimentos dos contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo às partes e, por conseqüência, ao processo. SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ, acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. O voto do relator foi acompanhado pelo Colegiado à unanimidade, julgando o processo da forma seguinte: Conforme relatado, trata o presente processo, originalmente, de pedido de restituição/compensação de imposto de renda retido na fonte, protocolizado em 25/10/2001. Em realidade o pleito do contribuinte é para a restituição de eventual Saldo Negativo de Recolhimento de IRPJ, em face das retenções de IRFonte, cujos rendimentos/receitas sujeitamse a tributação do IRPJ, lucro Real. Ou seja, tais retenções são antecipação do imposto de renda da empresa, a ser apurado no ajuste anual, e podem constituir em tributo devido u não. (...) Prazo para pleitear a restituição ou compensação de saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL, bem como da Fazenda Pública para verificar a correção dos valores pleiteados. Fl. 2633DF CARF MF Processo nº 11060.002065/200191 Acórdão n.º 9101003.071 CSRFT1 Fl. 2.631 7 Assim, quanto a esta matéria, voto no sentido de afastar a alegação do decurso de prazo de 5 anos tanto para o Contribuinte pleitear a Restituição do Saldo Negativo de Recolhimentos, quanto para a Fazenda Pública verificar a correção do valores pleiteados. No que tange ao fato do contribuinte ter interposto o pedido de restituição de IRFonte e não do saldo negativo de recolhimentos, entendo ser esta uma falha superável, haja vista ser de conhecimento Administração Tributária a impropriedade e impossibilidade do pleito na forma manejada. Nunca é de mais lembrar que no processo administrativo predomina o principio da verdade material, no sentido de que ai se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros e procedimentos dos contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo as partes e, por conseqüência ao processo. É certo que em seu despacho decisório a unidade de origem apontou uma série de incoerências e incorreções que podem implicar no reconhecimento parcial do pleito do contribuinte ou até mesmo em sua completa improcedência. Todavia, essa verificação deve ser feita abstraindo os erros de preenchimento do pedido e das próprias DIRPJ/DIPJ. A análise deve partir da reconstituição dos resultados do contribuinte, em cada período de apuração, observando a premissa que de o lucro real apurado e regularmente declarado não pode mais ser objeto de auditoria. Porém, na auditoria da formação do saldo negativo de recolhimentos do IRPJ/CSLL, e conseqüente apuração do saldo acumulado podem e devem ser computadas as compensações de prejuízo ou bases negativas da CSLL. no limite da legais (salvo se a contribuinte possuir decisão judicial favorável), os recolhimentos por estimativa, as retenções em fonte comprovadas (cujas receitas ou rendimentos compuseram o resultado tributável do período), compensações já efetuadas, e demais procedimentos relacionados. Lembro que a contribuinte pode e deve ser intimada a produzir demonstrativos desses valores, período a período, com transposição de saldos, devidamente respaldados e acompanhados da documentação contábil e fiscal a que está obrigada a conservar para fazer jus ao pleito, consoante art. 264 do RIR199. Diante do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário para, anular parcialmente o despacho decisório da DRF, e determinar o retorno dos autos a Unidade de origem para recomposição dos saldos negativos de recolhimento do IRPJ. Registrese que, desse novo despacho decisório, se desfavorável, o contribuinte poderá, caso deseje, apresentar manifestação de inconformidade à DRJ no prazo de 30 dias. Fl. 2634DF CARF MF 8 Os autos foram encaminhados à Procuradoria em 15/02/2011 (fls. 2585), que interpôs recurso especial em 31/03/2011 (fls. 2589 – volume 12, PDF 239), por divergência exclusivamente na interpretação da lei tributária a respeito do prazo para repetição de indébito na forma dos artigos 165 e 168, do Código Tributário Nacional. Indica como paradigma os acórdão nº 10709.539, no qual se decidiu que “O direito à compensação do ‘pagamento’ indevido ou que se venha a configurar a maior se opera ao cabo de cinco anos contados da data do pagamento indevido ou da data em que se configure a maior”. Assim, pleitea a reforma do acórdão recorrido para que se reconheça que o saldo negativo do ano calendário de 1995 foi atingido pela decadência. O recurso especial foi admitido pela então Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, conforme despacho às fls., do qual se extrai: Da leitura da ementa deste paradigma, percebese, ao contrário da interpretação fixada no acórdão recorrido, a definição de um prazo (cinco anos do período de apuração) para se pleitear a restituição de saldos negativos. (...) De acordo. Com fundamento nas razões expostas, nos termos dos art.18, III, c/c art.68, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, ADMITO o recurso especial interposto. O contribuinte foi intimado em 15/08/2011, apresentando contrarrazões em 23/08/2011 (fls. 2.610/2.621 pdf 260), nas quais requer, no mérito, a de manutenção do acórdão recorrido com a negativa de provimento ao recurso especial fazendário. O contribuinte reitera razões de peças anteriormente apresentadas nos autos, inclusive quanto às matérias não devolvidas ao conhecimento desta Turma da CSRF. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. De toda forma, não conheço do recurso especial, conforme razões a seguir. A Procuradoria sustenta a contrariedade do acórdão recorrido ao artigo 168, I, do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Para julgamento da matéria, sobreleva considerar a previsão dos artigos 3º e 4º, da Lei Complementar nº 118/2005, que prescrevem: Fl. 2635DF CARF MF Processo nº 11060.002065/200191 Acórdão n.º 9101003.071 CSRFT1 Fl. 2.632 9 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Ao assim dispor, o citado artigo 4º tinha por finalidade atribuir eficácia retroativa à inovação veiculada pelo artigo 3º. Com efeito, o artigo 106, do Código Tributário Nacional é nos seguintes termos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; O Supremo Tribunal Federal decidiu em sessão do Pleno, aplicando a sistemática do artigo 5453B, do Código de Processo Civil, que: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da Fl. 2636DF CARF MF 10 segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Tribunal Pleno, Recurso Extraordinário nº 566.621, DJe 10/10/2011, Rel. Ministra Ellen Gracie) Os Conselheiros deste Conselho Administrativos de Recursos Fiscais devem reproduzir as decisões do Supremo Tribunal Federal, tomadas com fundamento no artigo 543 B, do antigo CPC/1973, na forma do artigo 62, §2º, do atual RICARF (Portaria MF nº 343/2015), verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ressaltese, ainda, que a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/06 pode ser proclamada por este Colegiado em observância ao próprio RICARF (Portaria MF nº 343/2015), termos do artigo 62, §1º, I e II, alínea b: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 2637DF CARF MF Processo nº 11060.002065/200191 Acórdão n.º 9101003.071 CSRFT1 Fl. 2.633 11 b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; O citado dispositivo regimental encontra fundamento no artigo 26A, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Pois bem. Diante disso, entendo necessário adotar o entendimento do STF no julgamento acima, que reconheceu: (i) que a LC 118/2005 não é interpretativa, tendo alterado o prazo para restituição de indébito de 10 anos (contados do fato gerador), para 5 anos (do pagamento indevido). (ii) a segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/05, é inconstitucional; (iii) o novo prazo para restituição de indébito (5 anos) só seria aplicável às ações ajuizadas a partir de 9/06/2005. Cumpre destacar, ainda, que o CARF aprovou Enunciado de Súmula em sentido similar, dispondo que: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso destes autos, a Turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para assegurar o direito à compensação de saldo negativo de 1996 a 2001 quanto à compensações apresentada em 25/10/2001. Nesse sentido, destaco trecho do acórdão recorrido: Prazo para pleitear a restituição ou compensação de saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL, bem como da Fazenda Pública para verificar a correção dos valores pleiteados. Fl. 2638DF CARF MF 12 Assim, quanto a esta matéria, voto no sentido de afastar a alegação do decurso de prazo de 5 anos tanto para o Contribuinte pleitear a Restituição do Saldo Negativo de Recolhimentos, quanto para a Fazenda Pública verificar a correção do valores pleiteados. No que tange ao fato do contribuinte ter interposto o pedido de restituição de IRFonte e não do saldo negativo de recolhimentos, entendo ser esta uma falha superável, haja vista ser de conhecimento Administração Tributária a impropriedade e impossibilidade do pleito na forma manejada. Nunca é de mais lembrar que no processo administrativo predomina o principio da verdade material, no sentido de que ai se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros e procedimentos dos contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo as partes e, por conseqüência ao processo. É certo que em seu despacho decisório a unidade de origem apontou uma série de incoerências e incorreções que podem implicar no reconhecimento parcial do pleito do contribuinte ou até mesmo em sua completa improcedência. Todavia, essa verificação deve ser feita abstraindo os erros de preenchimento do pedido e das próprias DIRPJ/DIPJ. A análise deve partir da reconstituição dos resultados do contribuinte, em cada período de apuração, observando a premissa que de o lucro real apurado e regularmente declarado não pode mais ser objeto de auditoria. Porém, na auditoria da formação do saldo negativo de recolhimentos do IRPJ/CSLL, e conseqüente apuração do saldo acumulado podem e devem ser computadas as compensações de prejuízo ou bases negativas da CSLL. no limite da legais (salvo se a contribuinte possuir decisão judicial favorável), os recolhimentos por estimativa, as retenções em fonte comprovadas (cujas receitas ou rendimentos compuseram o resultado tributável do período), compensações já efetuadas, e demais procedimentos relacionados. Lembro que a contribuinte pode e deve ser intimada a produzir demonstrativos desses valores, período a período, com transposição de saldos, devidamente respaldados e acompanhados da documentação contábil e fiscal a que está obrigada a conservar para fazer jus ao pleito, consoante art. 264 do RIR199. Diante do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário para, anular parcialmente o despacho decisório da DRF, e determinar o retorno dos autos a Unidade de origem para recomposição dos saldos negativos de recolhimento do IRPJ. O recurso especial da Procuradoria não se coaduna com o entendimento do Pleno do Supremo Tribunal Federal, conforme acórdão acima colacionado, como tampouco com a Súmula 91 do CARF. Diante disso, voto por não conhecer o recurso especial da Procuradoria, nos termos do atual RICARF (Portaria MF nº 343/2015): Fl. 2639DF CARF MF Processo nº 11060.002065/200191 Acórdão n.º 9101003.071 CSRFT1 Fl. 2.634 13 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (...) II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; e III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Em sentido similar, decidiu esta Turma da CSRF no acórdão nº 9101002.980 (processo administrativo nº 11831.002884/200160). Por tais razões, não conheço o recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo o acórdão recorrido. O processo deve retornar à unidade de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, conforme acórdão da Turma a quo. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2640DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.721433/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/01/2010 a 29/02/2012
OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA.
Diante dos fatos apurados, restou comprovado que, na realidade, as importações analisadas se deram na modalidade por encomenda com ocultação dolosa do real interessado, sendo corretamente aplicada a multa por conversão da pena de perdimento prescrita no Decreto-Lei nº 1.455/1976, artigo 23, V e §§ 1º e 3º.
Numero da decisão: 3402-004.353
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento para excluir a responsabilidade solidária do sócio-quotista, o Sr. Gregori José Zmonzinski Fonseca, vencidos os Conselheiros Waldir Navarro, Pedro Bispo e Jorge Freire. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao mérito, vencidos os Conselheiros Carlos Daniel, Relator, Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis e Maysa Pittondo. Designado redator do voto vencedor Conselheiro Pedro Bispo.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros:Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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EPP E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2010 a 29/02/2012 OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. Diante dos fatos apurados, restou comprovado que, na realidade, as importações analisadas se deram na modalidade por encomenda com ocultação dolosa do real interessado, sendo corretamente aplicada a multa por conversão da pena de perdimento prescrita no DecretoLei nº 1.455/1976, artigo 23, V e §§ 1º e 3º. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento para excluir a responsabilidade solidária do sócioquotista, o Sr. Gregori José Zmonzinski Fonseca, vencidos os Conselheiros Waldir Navarro, Pedro Bispo e Jorge Freire. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao mérito, vencidos os Conselheiros Carlos Daniel, Relator, Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis e Maysa Pittondo. Designado redator do voto vencedor Conselheiro Pedro Bispo. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 14 33 /2 01 4- 11 Fl. 1106DF CARF MF 2 Pedro Sousa BispoRedator Designado. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros:Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado pela prática da interposição fraudulenta de terceiros na importação, com lançamento de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, com fundamento no art. 23, §3º, do DecretoLei nº 1.455/76. A multa foi lançada contra a empresa ÔMEGA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA (ÔMEGA), na condição de contribuinte, e contra os Srs. MANOEL FONSECA NETO, sócioadministrador, e GREGORI JOSÉ ZMOZINSKI FONSECA, sócio, na condição de responsáveis solidários. A fiscalização iniciou o procedimento fiscalizatório em face da empresa MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA (MOMENTO), onde constatou que ela realizava importações para diversos clientes, dentre os quais a autuada. Diante disso, lavrouse contra ela multa relativa à cessão de nome, no Processo 10111.721469/201224. Foi instaurado procedimento fiscal específico sobre ÔMEGA, com solicitação de documentos. Tal intimação foi atendida tempestivamente, com a entrega de todas as informações solicitadas e outras mais, sobre a operação. Apresentou a ÔMEGA o seguinte: Contrato Social da empresa e suas alterações; • Livros Diário e Razão do período fiscalizado; • Livros de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias no período fiscalizado. • Extratos bancários originais de todas as contascorrentes de propriedade da empresa, contendo toda a movimentação das contas, no período fiscalizado; • Contratos de fornecimento de mercadorias importadas, firmados previamente à importação das mesmas; • Relação de todas as Declarações de Importação registradas em nome da empresa Momento, contendo as mercadorias constantes nos anexos dos Contratos supracitados; • Notas Fiscais de Saída de mercadorias importadas emitidas pela Momento para a Ômega, entre outros. A análise dos documentos apresentados ensejou a conclusão da fiscalização de que as operações entre MOMENTO e ÔMEGA foram de “importação por encomenda, onde o importador não realizaria tais importações sem que tivesse um encomendante Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10111.721433/201411 Acórdão n.º 3402004.353 S3C4T2 Fl. 1.107 3 predeterminado e onde não há quaisquer adiantamentos de recursos por parte do real adquirente oculto”. Frisese que na fiscalização que resultou no auto de infração objeto deste processo foram consideradas apenas as declarações de importação (DI) registradas entre 1/1/2010 e 29/2/2012. Consignou a fiscalização que: (…) todas as Declarações de Importação da empresa Momento, cujas mercadorias foram repassadas à Ômega, mesmo que parcialmente, foram registradas como importações próprias da Momento, sem constar qualquer informação acerca de seu encomendante predeterminado – Ômega, descumprindo, dessa forma, o estabelecido na legislação aduaneira (fl. 35). E conclui: “Em verdade, esta não é uma relação comercial onde um importador revenderia as mercadorias importadas a adquirentes no mercado interno brasileiro, tratase de uma simulação onde o real interessado na importação contrata os serviços de importação de uma Trading, permanecendo oculto nestas operações de importação.” Além disso, discorre o auditor fiscal sobre a solidariedade passiva (tópico 10 do Relatório de Verificação Fiscal). Entende que são solidárias as pessoas que tenham interesse comum (CTN, artigo 124, I) e que, no caso concreto, os sócios da OMEGA (CTN, artigo 134, VII, combinado com artigo 135, I e III), são, portanto, pessoalmente responsáveis pelos créditos resultantes deste Auto de Infração, visto que as obrigações tributárias são resultantes de atos praticados com infração de lei, conforme detalhado no item 9 deste Relatório”. A solidariedade também foi capitulada no art. 95, inc. I do DecretoLei nº 37/66. Também lavra de Representação Fiscal para Fins Penais, com imputação dos crimes capitulados nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/1990. Os sujeitos passivos apresentaram Impugnação conjuntamente, alegando: 1. O presente auto é um desdobramento do processo 10111.721469/201224, pelo qual a empresa Momento, sua fornecedora, foi acusada de ceder seu nome em importações. O auto de infração abrange 48 contratos de compra e venda no mercado interno. 2. Não houve embaraço à fiscalização (cita fl. 32 dos autos). 3. A única questão observada nos lançamentos fiscais foi o preenchimento das declarações de importação (DI) em nome da MOMENTO. A impugnante achou que se encontrava na legalidade, sem qualquer intenção de burlar a legislação aduaneira. Fl. 1108DF CARF MF 4 4. As operações feitas pela impugnante não podem ser pensadas e analisadas de forma limitada e estritamente legalista. 5. Devese verificar a mens legis da legislação de interposição fraudulenta e a boa fé objetiva e subjetiva. 6. Cita texto relativo a “Seminário Sobre Legislação Aduaneira” (fls. 851 e 852). 7. A legislação de interposição fraudulenta não pode ser aplicada de forma objetiva, independentemente de dolo ou culpa, sem levar em consideração (i) a intenção do agente e (ii) lesões ao controle aduaneiro e ao patrimônio da União. 8. Não há prova de intuito fraudulento por parte de OMEGA. A fiscalização violou o devido processo legal (Constituição Federal, artigo 5º, incisos LIV e LV). 9. MOMENTO e ÔMEGA firmaram contratos de compra e venda. MOMENTO importou mercadorias “por conta própria”. 10. Não houve ocultação do real adquirente, pois as importações foram feitas pela MOMENTO para cumprir o contrato de compra e venda, que reflete a vontade real das partes, uma operação de compra e venda interna entre a MOMENTO e a impugnante ÔMEGA. Cita artigo 104 do Código Civil. 11. As operações foram contabilizadas e pagos os tributos. Não houve dano ao erário. 12. Discorre sobre simulação e interposição fraudulenta (fls. 858 e 859). Para configuração de interposição fraudulenta são necessários os requisitos: (i) conluio das partes, (ii) propósito de enganar terceiro ou fraudar a lei e (iii) dissonância consciente entre a vontade e a declaração. 13. A fraude se materializa formalmente numa declaração de vontade viciada em sua origem, que não corresponde à verdade dos fatos. 14. ÔMEGA e MOMENTO não se uniram com o objetivo de fraudar a lei. A impugnante não teve intuito de manterse oculta na operação ou utilizar a MOMENTO para “lavagem de dinheiro. Para ocultação de bens, direitos e valores, sonegação de impostos, subfaturamento das importações” (fl. 860). 15. A ocultação do sujeito passivo não gera conclusão imediata de fraude, pois “fraude não se presume”. Faz citações. 16. Não houve prova de sonegação ou pagamento a menor de tributos. Não houve prejuízo aos cofres públicos. Também não houve lavagem de dinheiro. 17. Não houve antecipação de valores por parte da impugnante. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10111.721433/201411 Acórdão n.º 3402004.353 S3C4T2 Fl. 1.108 5 18. Nulidade da responsabilização solidária. A fiscalização apenas citou dispositivos da legislação tributária, sem identificar e comprovar a conduta que justificaria a responsabilização ou o dispositivo legal que se estaria aplicando. 19. Como podem os impugnantes se defenderem se não foi indicado com precisão o dispositivo legal utilizado para a responsabilização? Foram violados os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. 20. É impossível a responsabilização com base nos artigos 124, 134 e 135 do CTN e no artigo 95 do DecretoLei nº 37/1966. Discorre sobre os dispositivos citados. Faz citações. 21. Os sócios da ÔMEGA não possuem “interesse comum” nas operações que motivaram o auto de infração, ainda que possa caracterizar o interesse econômico. Não eram sujeitos da relação jurídica e não possuíam interesse jurídico decorrente dos atos praticados. 22. Nenhuma das hipóteses do artigo 134 do CTN se aproxima do relatado no auto de infração. 23. Não houve prova de ato com “excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos” em face de MANOEL FONSECA NETO (fl. 874). 24. O artigo 135 do CTN não é fundamento suficiente, diante da falta de demonstração e comprovação dos requisitos legais. 25. Em relação ao DecretoLei nº 37/1966, artigo 95, inciso I, aduz que a autoridade fiscal deve demonstrar e comprovar qual pessoa concorreu para a prática do ato, ou se beneficiou. A lei não admite presunção da responsabilidade. 26. Os incisos V e VI do artigo 95 somente podem atingir o encomendante ou o adquirente, não os sócios e administradores. 27. O artigo 95 do DL 37/1966 não pode servir de fundamento para a responsabilização pretendida. 28. GREGORI JOSÉ ZMOZINSKI FONSECA não é, e não era à época da importação, administrador da empresa ÔMEGA, não podendo ser responsabilizado. 29. ÔMEGA era administrada apenas por MANOEL por ocasião da importação. 30. Sócio sem poderes de gestão ou representação não pode ser responsabilizado pelas dívidas da empresa. Faz citações. Fl. 1110DF CARF MF 6 31. Questiona a “Representação Fiscal para Fins Penais” e a capitulação dada (crime contra a ordem tributária). Requer o reconhecimento da improcedência da capitulação e da impossibilidade de qualquer representação. A DRJ/São Paulo julgou improcedente a impugnação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2010 a 29/02/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. Estando caracterizado que o real adquirente de mercadorias importadas foi ocultado nas DI registradas em nome do importador, decorre a conclusão de que foi prestada informação falsa à Receita Federal e que houve simulação, o que enseja, portanto, a aplicação da pena de perdimento ou sua conversão em multa (artigo 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do DL 1.455/1976) SOLIDARIEDADE PASSIVA. Os sócios da empresa possuem interesse comum nas operações que envolvem a empresa. Os lucros gerados beneficiam os respectivos sócios. Diante de atos praticados com “infração de lei”, consubstanciados em falsa declaração e simulação, é certo que a empresa não agiu à revelia de seus sócios. Os sócios concorreram para a prática da infração. Acolhese a responsabilização solidária. A ÔMEGA apresentou petição após o transcurso do prazo de 30 dias de sua intimação, alegando nulidade processual pelo fato dos responsáveis solidários não terem sido intimados, fato que implicou preterição do direito de defesa. Tal petição foi apreciada pela autoridade fiscal, que verificou a correção de seu pleito e reintimou todos os sujeitos passivos. Os sujeitos passivos apresentaram Recurso Voluntário conjuntamente, reiterando parte dos argumentos da Impugnação. Verificado vício na representação processual, os sujeitos passivos foram intimados a comprovar a identidade dos subscritores do Recurso, o que foi feito em seguida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. À luz do caso concreto, podese identificar duas questões meritórias de fundo: i) a ocorrência ou não da interposição fraudulenta na importação, prevista no art. 23, V Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10111.721433/201411 Acórdão n.º 3402004.353 S3C4T2 Fl. 1.109 7 do DecretoLei 1.455/76; ii) responsabilidade solidária dos sócios pela pena de perdimento convertida em multa. Passase a elas: I) Da (In)ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros. Sobre a caracterização desse tipo infracional, já nos manifestamos recentemente (DANIEL NETO, Carlos Augusto. A Simulação na Interposição Fraudulenta de Terceiros. In Revista Direito Tributário Atual, v.36. IBDT, 2016. P.7088), pelo que reproduziremos abaixo nossas considerações. Ao tratar da importação, suas modalidades são três: i) importação própria; ii) importação por conta e ordem; e iii) importação por encomenda. A importação própria é a mais simples e comum, envolvendo apenas um comprador nacional (importador) e um vendedor estrangeiro (exportador), que realizam a venda, habilitandose nos sistemas requeridos e demonstrando capacidade econômica comprovada e compatível com o volume de importação. A importação por conta e ordem é aquela que ocorre por meio de um terceiro (importador), que presta serviço ao adquirente interno e efetua o despacho aduaneiro em seu nome, apresentando o contrato de prestação de serviços à autoridade aduaneira (MOREIRA JÚNIOR, Gilberto de Castro; MIGLIOLI, Maristela Ferreira. Interposição Fraudulenta de Terceiros nas Operações de Comércio Exterior. IN Questões Controvertidas do Direito Aduaneiro. São Paulo: IOB, 2014. P.383384). Nessa hipótese, o importador é mero detentor da mercadoria, devendo repassála ao adquirente, em razão do mandato que lhe foi conferido. Inclusive, nesses casos, a entrega da mercadoria não configura uma operação de venda, mas mera operação de remessa. Seu regramento é veiculado através da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, nos seguintes termos: Art. 86. O disposto no art. 12 aplicase, exclusivamente, às operações de importação que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I contrato prévio entre a pessoa jurídica importadora e o adquirente por encomenda, caracterizando a operação por conta e ordem de terceiros; II os registros fiscais e contábeis da pessoa jurídica importadora deverão evidenciar que se trata de mercadoria de propriedade de terceiros; e III a nota fiscal de saída da mercadoria do estabelecimento importador deverá ser emitida pelo mesmo valor constante da nota fiscal de entrada, acrescido dos tributos incidentes na importação. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o documento referido no inciso III do caput não caracteriza operação de compra e venda. Fl. 1112DF CARF MF 8 §2º A importação e a saída, do estabelecimento importador, de mercadorias em desacordo com o disposto neste artigo caracteriza compra e venda, sujeita à incidência das contribuições com base no valor da operação. Portanto, há uma série de requisitos específicos que devem ser cumpridos para uma regular importação por conta e ordem de terceiro, sob pena de, nos termos do §2º do art.86, a remessa ser tratada como compra e venda, aplicandose aí os consectários legais cabíveis, sobretudo tributários. A terceira modalidade – importação por encomenda – é aquela em que o importador adquire por conta própria as mercadorias no exterior, com recursos seus ou financiados, assumindo todas as responsabilidades da operação de exportação, inclusive negociações, para posteriormente alienálas ao adquirente. Nesse caso, sob a ótica do importador, ela em nada difere de uma importação própria (MOREIRA JÚNIOR; MIGLIOLI. Ob.cit., P.385). Diferentemente do caso anterior, onde a importadora era uma prestadora de serviço que realizava a importação em nome do terceiro adquirente, neste caso o que há uma obrigação de vender o bem importado para o encomendante. Sua regulamentação é veiculada na IN SRF nº634/2006, nos seguintes termos: Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. Posteriormente, o art.11, §2º da Lei 11.281/2006 trouxe a prescrição específica de que caso a importação por encomenda não atenda aos seus requisitos próprios, presumirseia que fora realizada por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do regime jurídico previsto nos arts.77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Ou seja, o descumprimento de algum dos requisitos do regime da importação por encomenda não a torna, para todos os efeitos, como uma importação por conta e ordem, mas lhe aplica o regime jurídico desta quanto à responsabilização por multas e tributos devidos. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10111.721433/201411 Acórdão n.º 3402004.353 S3C4T2 Fl. 1.110 9 Pois bem, esclarecidas as espécies de importação, a infração aduaneira de interposição fraudulenta está tipificada no art. 23 do DecretoLei 1.455/76, com redação dada pela lei 10.637/2002, verbis: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Em primeiro lugar, analisando o caput, verificase que o “produto” da infração é o “Dano ao Erário”, o que conduziu diversos argumentos no contencioso tributário no sentido de desqualificar a ocorrência do ilícito quando os tributos tivessem sido todos pagos pela pessoa interposta, alegando inexistência do dano. Sobre isso, devese frisar que o bem tutelado pelo dispositivo não é o Erário exclusivamente, mas também o controle aduaneiro, como reconhecido pela jurisprudência do CARF em diversas oportunidades, ainda que sob argumentos diversos. O primeiro argumento, de que o Dano ao Erário seria presumido por força de lei, tem redação de especial clareza no Acórdão 3403002.842, de relatoria do Cons. Rosaldo Trevisan1: 1 “A aplicação das penalidades previstas no art. 23 do Decreto Lei nº 1.455/1976, não demanda demonstração de qual tenha sido o dano ao Erário. Uma leitura sistemática do referido art. 23 (aqui já transcrito) afasta o equívoco, pois é cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1o) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente se pode afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário.” Por outro lado, um segundo argumento seria de natureza finalística, frisando que o bem tutelado pelo tipo infracional seria o controle aduaneiro e a proteção das fronteiras Fl. 1114DF CARF MF 10 nacionais (BARBIERI, Luís Eduardo Garrossino. “Interposição Fraudulenta de Pessoas: Tipicidade da Infração e a necessidade de comprovação do Dolo” In Questões Controvertidas do Direito Aduaneiro. São Paulo: IOB, 2014. P.422). Sem pretender entrar na análise da constitucionalidade ou não da previsão do art. 23 do DL 1.455/76, verificase que os argumentos são cumuláveis para sustentar a aplicação da sanção nos casos em que não há prova de efetiva perda de arrecadação do Erário. Através da ocultação dos partícipes da operação, especialmente do real adquirente da mercadoria importada, era possível reduzir a carga tributária de maneira ilícita, escapando à incidência do IPI decorrente da equiparação estabelecida no referido art. 79 da MP 2.15835/2001. Para além do aspecto tributário, há vantagens aduaneiras, como evitar controles aduaneiros de natureza administrativa (parametrização com base nas características do sujeito passivo). Portanto, quando o DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, eleva a ocultação do sujeito passivo ao status de dano ao erário, ele não apenas protege o erário sob o aspecto da sonegação, mas também (e principalmente) sob o aspecto de todas as outras inúmeras formas de dano que uma importação fraudulenta pode causar à economia. Em razão disso, o argumento levantado pelos sujeitos passivos no sentido de que todos os tributos foram pagos, por si, não tem o condão de afastar a ocorrência do tipo infracional. Nesse ponto, tornase essencial uma observação. O art. 23 do DL 1.455/76 traz duas espécies distintas de interposição fraudulenta de terceiros. A primeira é a denominada comprovada, diante da existência de provas inequívocas de que uma empresa acobertou outro sujeito mediante fraude ou simulação; enquanto a segunda é a modalidade presumida, bastando para tanto que não haja comprovação, por parte do importador, da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Tratase, pois, de hipóteses normativas distintas (ocultação de pessoas e não comprovação da origem de recursos) para as quais se aplicam a mesma sanção, qual seja, a pena de perdimento dos bens importados, conversível em multa – com a peculiaridade de, nos casos de interposição comprovada, incidirem multas específicas relativas à cessão de nome para acobertamento. Retomando a análise especificamente da interposição comprovada, devese atentar que a norma não pune qualquer espécie de ocultação de pessoas – é necessário não apenas o resultado final, mas também a adoção de um meio específico, qual seja, a utilização de fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros. Quanto à definição de fraude, é usual na prática tributária e aduaneira que essa definição seja colhida no art.72 da lei 4.502/64: Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Naturalmente, em razão do escopo mais amplo da regra proibitiva, que tem por finalidade a proteção do controle aduaneiro, devese compreendêla de forma mais ampla, para incluir qualquer ação ou omissão dolosa tendente a fraudar o controle aduaneiro como, Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10111.721433/201411 Acórdão n.º 3402004.353 S3C4T2 Fl. 1.111 11 por exemplo, com a ocultação de adquirente de mercadoria de importação proibida1, caso em que não há qualquer efeito tributário na conduta. A outra possibilidade é a hipótese da simulação. A interposição de pessoas simuladas é uma espécie de simulação subjetiva, razão pela qual a caracterização da interposição fraudulenta de terceiros na importação está sujeita inteiramente ao regime jurídico das simulações do Direito Civil, prescrito no art. 167 do Código Civil: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. É necessário, pois, que os elementos presentes no conceito de simulação sejam amplamente comprovados pelo Fisco para que se possa configurar a interposição fraudulenta de terceiros. Ângela Sartori e Luiz Roberto Domingo corroboram esse entendimento, afirmando que “não haverá infração sem ocultação. E não haverá infração sem prova de fraude ou prova de simulação.” (SARTORI, Ângela; DOMINGO, Luiz R. Dano ao Erário pela ocultação mediante fraude a interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior. In Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF. São Paulo: MP Editora, 2013, p.60). Entendemos, pessoalmente, que a simulação seria a realizada através de um conluio das partes negociantes para realizar dolosamente um negócio cuja forma seja utilizada para ocultar substância inexistente ou absolutamente incompatível com a causa típica da forma praticada, com o objetivo de prejudicar terceiros, através da aposição de elementos falsos nas declarações negociais. Desse modo, não bastaria prova de que houve a ocultação do real adquirente para que se configure a interposição fraudulenta, mas seria necessária também a comprovação dos requisitos configuradores da simulação ou fraude. Como exemplarmente colocado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan no Acórdão 3403002.842: Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2o do art. 23 Decreto Lei no 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Fl. 1116DF CARF MF 12 Pois bem, podese passar assim, com segurança, à apreciação do caso concreto. O Auditor Fiscal fundou a sua autuação na existência de um "contrato de fornecimento de bens", na forma de um Compromisso de Compra e Venda (fls.179 e ss.) em relação a determinados bens que seriam importados pela MOMENTO, com recursos próprios e por seu próprio risco, e seriam posteriormente alienados à ÔMEGA, na forma avençada: A respeito dos contratos, verificase que existem tantos contratos quantas as operações realizadas entre a MOMENTO e a ÔMEGA, atendendo todos eles as prescrições legais, e não abrangendo forma prescrita ou objeto ilícito, o que permite afirmar a plena validade de todos. Além disso, como reconhecido pela própria fiscalização em fl. 33, as operações realizadas entre a MOMENTO e a ÔMEGA não envolveram o adiantamento de recursos por parte desta última, de modo que a operação de importação foi feita pela MOMENTO através de seus próprios meios. Tampouco há qualquer prova nos autos que indique que a ÔMEGA negociasse diretamente com o exportador estrangeiro, utilizandose da MOMENTO apenas para internalizar o produto. Pelo contrário, o que demonstram os autos é que a operação de importação era operada tanto em plano negocial, quanto financeiro e logístico, pela MOMENTO, para fins de adimplemento do contrato de fornecimento de bens assumido junto à ÔMEGA. Outro aspecto usualmente avaliado para interpretação de operações jurídicas de importação e revenda é a presença ou ausência de risco. A tomada de risco de revenda das mercadorias é uma característica essencial da importação direta, enquanto em uma operação de venda casada, como a promovida por uma interposta pessoa em operações de importação este risco é inexistente, já que toda operação de compra e venda foi previamente arranjada (por conta e ordem do adquirente oculto) e seus termos são bem conhecidos no momento em que o importador promove o despacho aduaneiro das mercadorias. O critério é assaz pertinente para detectar a prática de interposição fraudulenta, mas no caso em tela milita contra a própria fiscalização, visto que o compromisso assumido pela MOMENTO é com o fornecimento de bens, e não com a importação restando sujeito a cláusulas penais no caso de atraso ou descumprimento do fornecimento avençado (cláusula 3ª do contrato). Da mesma forma, comprometese com a entrega dos bens especificados no contrato, de modo que em caso de vício no bem ou na não efetivação da importação, não há qualquer transferência de recursos da ÔMEGA para a MOMENTO (Cláusula 1ª e 5ª). É dizer, o risco da importação repousa todo sobre "os ombros" da MOMENTO, responsabilizandose pela internalização daqueles bens e posterior alienação à ÔMEGA, no prazo e na especificação de bens determinada contratualmente. Não é de todo incomum a confusão entre contratos de importação por encomenda e contratos de fornecimento de bens, situação análoga foi analisada pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan em acórdão já citado acima, onde bem observou: É de se destacar que nesse aspecto assiste razão às recorrentes, pois a presença da palavra “encomenda”, no contrato, não parece ter sido inserida para fazer referência à “importação por encomenda”, mas a fornecimento sob encomenda (aliás, sequer Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10111.721433/201411 Acórdão n.º 3402004.353 S3C4T2 Fl. 1.112 13 há menção a importação no contrato). A (...) contratou a (...) para fornecerlhe mormente equipamentos de som automotivo segundo as especificações que estabeleceu, adequadas a seus veículos, sendo, pelo contrato, aparentemente irrelevante se tais aparelhos são ou não importados. Diante do modelo/padrão de contrato, não se crê que sejam diferentes as contratações com outros fornecedores da empresa (assim como não se crê que sejam diferentes as contratações de fornecimento desse e de outros fornecedores a outras montadoras). Em síntese, nada no contrato que sugira necessariamente a intenção de que alguém importe mercadorias no exterior sob encomenda da montadora, e/ou a oculte, mediante fraude ou simulação. [omitiuse o nome dos envolvidos] Inclusive, a alteridade operacional da MOMENTO foi expressamente reconhecida pela fiscalização, ao observar que parte das mercadorias importadas por ela iriam para outras empresas que não a ÔMEGA, deixando claro que a mesma era responsável pelo fornecimento de diversos sujeitos distintos. O fato da MOMENTO não possuir depósito para a armazenagem das mercadorias não implica, necessariamente, a ocorrência da interposição fraudulenta. Ora, é absolutamente plausível que uma importadora que se engaje no fornecimento de bens a outras empresas, através de contratos assinados muitas semanas antes da ocorrência das importações, dispense o aluguel de depósitos, visto que uma vez internalizado o bem, pode dar prosseguimento direito ao adimplemento da promessa de compra e venda. Outro fato irrelevante para o caso em tela é a ocorrência do adiantamento dos recursos em relações com outros clientes da MOMENTO, como apontado pelo Auditor Fiscal. Devese analisar a autuação com base nas DIs que ela abrange e nas operações de venda que foram realizadas com a ÔMEGA, sob o risco de se criar uma presunção de culpa da importadora para todas as suas importações. Na modalidade de importação por encomenda, apontada pelo fiscal como ocorrida no caso em tela, o adquirente (encomendante) não participa em praticamente nada na internalização das mercadorias, sendo inclusive vedado que ele participe com recursos junto ao importador. Essa vedação de participação de recursos é o principal ponto de distinção com a interposição fraudulenta. Afinal, se não há recursos de terceiros sendo aplicados, não há que se falar em ocultação (FARIA, Renata. Como uma operação de importação regular e de boafé pode terminar como Interposição Fraudulenta. Acesso em: http://estudosaduaneiros.com/interposicaofraudulenta/). É preciso que algo fique fortemente consolidado nesses casos: não é qualquer ocultação do adquirente que se caracteriza como interposição fraudulenta, é preciso que ela se dê por fraude ou simulação. Um breve exemplo deixa isso claro: um sujeito vai à loja de eletrônicos importados e lá pretende adquirir determinado gadget da moda, mas verifica junto ao funcionário que a mercadoria está esgotada. Irresignado, consulta o vendedor sobre a possibilidade deles trazerem o referido produto, pagando antecipadamente e guardando a nota Fl. 1118DF CARF MF 14 fiscal para retirada posterior. No caso relatado há interposição fraudulenta de terceiros? De forma alguma, pela ausência dos requisitos configuradores da simulação e da fraude. Ora, a operação não foi simulada, ocorrendo inteiramente às claras, com contratos válidos e amplamente documentos tanto que foram voluntariamente fornecidos pela ÔMEGA logo que intimada a apresentar os primeiros documentos. Não se demonstrou qualquer indício de conluio entre a MOMENTO e a ÔMEGA com o objetivo interpor de forma simulada um sujeito entre o exportador e o adquirente final (consilium simulationis), muito menos qualquer dissonância consciente entre a vontade das partes contratantes e a declaração feita por eles, visto que o contrato de fornecimento foi plenamente cumprido, nos termos estipulados. Tampouco foi provado dolo do adquirente na fraude em relação à Fiscalização e ao Controle Aduaneiro pelo contrário, presumiuse o dolo à partir da constatação da "ocultação", quando em rigor deveria a fiscalização ter demonstrado tal elemento característico do tipo infracional da interposição fraudulenta. Como bem colocado pelo Professor e Procurador da Fazenda Nacional, Luís Alberto Saavedra: Deve ser dito que apenas a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, de per si não tem o condão de caracterizar uma fraude punível com a aplicação da pena de perdimento às mercadorias objeto da operação comercial espúria, mas há que ser constatável a intenção de fraudar a lei, e, portanto, pretender, de maneira dolosa, causar dano ao Erário. (SAAVEDRA, Luís Alberto. Interposição fraudulenta de terceiros nas importações. Repertório IOB de jurisprudência: tributário, constitucional e administrativo, n.1, p.29) Assim, entendese que não houve a comprovação da ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros na importação, razão pela qual se dá provimento integral ao Recurso Voluntário dos sujeitos passivos. II) Da responsabilidade solidária dos sócios. Subsidiariamente, caso reste vencido quanto ao item I, manifestome sobre o pleito da responsabilidade dos sócios. Nas pgs. 6670 dos autos, a fiscalização justifica a imputação da responsabilidade solidária a ambos os sócios da empresa através da citação de diversos dispositivos legais que versam sobre responsabilidade tributária e aduaneira: arts. 124, 121, 128, 134 e 135 do CTN; e art. 95, I do Decretolei 37/66. Em primeiro lugar, equivocase o Fiscal ao dizer que o art. 135 determina a responsabilidade solidária dos diretores pois, em rigor, o mesmo atribui responsabilidade pessoal pelas obrigações tributárias. Em segundo lugar, os atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto devem ser atos correspondentes ao fato gerador de um tributo, e não atos ilícitos até mesmo porque o art. 3º do CTN determina que ato ilícito não será descrito como hipótese de incidência de um tributo. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10111.721433/201411 Acórdão n.º 3402004.353 S3C4T2 Fl. 1.113 15 Além disso, o art. 124 e dos demais dispositivos do CTN invocados pelo fiscal, têm alcance ao crédito tributário decorrente da realização do fato gerador, e não de multas haja vista que o CTN tem um artigo específico para tratar delas,e que não foi invocado em qualquer momento pela fiscalização. Quanto ao art. 95, I do DL 37/66, ele diz o seguinte: Art. 95. Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;” Assim, para a sua aplicação, é preciso que a fiscalização determine precisamente de que forma o responsável concorreu para a prática do ilícito, ou de que forma o mesmo se beneficiou. Não basta alegação genérica como a feita no auto de infração, que após de diversas páginas com longas citações de dispositivos legais, concluiu em um único parágrafo o seguinte: Os sócios da empresa Ômega são, portanto, pessoalmente responsáveis pelos créditos resultantes deste Auto de Infração, visto que as obrigações tributárias são resultantes de atos praticados com infração de lei, conforme detalhado no item 9 deste Relatório. (pg;68) Não se discrimina as condutas de cada um dos sócios, o grau de envolvimento da conduta, a forma que cada um se beneficiou etc. Sequer se distingue, por exemplo, entre o sócioadministrador (MANOEL) e o sócio meramente quotista (GREGORI), abrangendo ambos indistintamente. Compulsando o art.10 do Decreto 70.235/72, verificase que o mesmo traz o rol de elementos do auto de infração, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. É requisito desse ato administrativo que ele indique o fato de forma clara e determinada apresentando provas e indícios da ocorrência do fato gerador ou de Fl. 1120DF CARF MF 16 descumprimento de obrigação principal ou acessória e também impute a esse fato os efeitos jurídicos que entenda cabíveis por força da lei, identificando os fundamentos da autuação. Tratase do inarredável dever de motivação dos atos administrativos, previsto no art. 2º da lei 9.784/99 como princípio vinculante à Administração Pública, cujo conteúdo mandatório, imediatamente prescritivo, vem veiculado no art. 50 do mesmo diploma legal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Ainda que essa regra não existisse expressa, a obrigatoriedade de motivar os atos administrativos decorreria do conjunto de princípios retores das relações de administração, por a atuação administrativa, em um Estado Democrático de Direito, deve ser motivada e motivável, sob pena de vício grave (Cf. FREITAS, Juarez. O controle dos atos administrativos, 5ªed. São Paulo: Malheiros, 2013. P.389392). Nos termos da lei, a motivação deverá ser explícita, clara e congruente. Resta identificarmos as condições legais de sua validade, dentro dos parâmetros indicados. Por explícita, há que se compreender enunciados todos os elementos do raciocínio jurídico aplicado desde os indícios e provas utilizados para construção da premissa maior do argumento, até a interpretação dada à legislação para identificar a premissa menor, explicitando assim o iter intelectual subjacente à instanciação da norma consubstanciada naquele ato. Portanto, tratase de uma característica decorrente de uma relação entre a motivação adotada e o agente administrativo. Por clara, referese naturalmente à clareza textual como virtude de linguagem, essencialmente ligada à capacidade do texto ser compreendido pelos destinatários, o que exige a eliminação de ambiguidades e indeterminações, bem como a adoção de uma escrita objetiva. Consubstancia, pois, uma elemento da motivação em si mesma, enquanto texto gramaticalmente estruturado. Por fim, resta a congruência. Tratase de um conceito linguístico adaptado da geometria, dizendo respeito a uma relação de semelhança, correspondência ou referibilidade é dizer, a motivação congruente deve guardar precisa referibilidade com os fatos ou atos que ensejaram a atuação administrativa. Tratase, pois, de um elemento que se depreende do cotejo da motivação com os fatos/atos aos quais ela se refere. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10111.721433/201411 Acórdão n.º 3402004.353 S3C4T2 Fl. 1.114 17 No presente caso, a motivação utilizada pela fiscalização pela ausência de congruência e de explicitude. Explico. Carecelhe explicitude pois ao citar apenas os dispositivos legais e determinar a aplicação da responsabilidade, ele não deixou claro o iter silogístico que envolve uma premissa menor (normativa) e uma premissa maior (fática) para o alcance de uma solução. Há apenas a premissa normativa e a conclusão, sem que se possa saber quais os fatos concretos que justificaramna. Quanto à congruência, se dá pela ausência de referibilidade fática da motivação adotada. Não se faz referência em nenhum momento, em todo o relatório fiscal e o auto de infração, aos responsáveis solidários. Seus nomes surgem apenas na conclusão do relatório, em um arremate arbitrário cuja motivação não guarda qualquer vínculo com os fatos concretos do caso. Desse modo, diante da ausência de demonstração da concorrência ou do benefício dos sócios da empresa, não há que se manter a responsabilidade solidária imputada. III) Da inexistência de crime tipificação relativa a crimes contra a ordem tributária não aplicável ao presente caso: Sobre este tópico, já se manifestou este Colegiado no acórdão 3402002.868, da lavra da Ilustre Conselheira Maria Aparecida, nos seguintes termos: Quanto à insurgência da recorrente em face da Representação Fiscal para Fins Penais, não podemos conhecer dessa matéria no julgamento administrativo, o que consta inclusive, na Súmula CARF nº 28: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais". Nos termos da legislação de regência, a Representação Fiscal para Fins Penais deve ser formalizada pelo servidor da Receita Federal do Brasil que identificar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária e outros crimes. Na hipótese de crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 83 da Lei nº 9.430/96, a referida Representação será encaminhada ao Ministério Público somente após a decisão administrativa definitiva desfavorável ao sujeito passivo. Não obstante a Representação Fiscal para Fins Penais seja originária da mesma ação fiscal que originou a exigência tributária sob estudo e deva, no caso de crime contra a ordem tributária, aguardar a decisão administrativa definitiva desta, não há qualquer previsão legal de julgamento do mérito da Representação Fiscal para Fins Penais por este Conselho Administrativo. Além do que, tratase de peça de mera comunicação de fato ao Ministério Público, que é o órgão competente para verificar a existência de prova de materialidade e indícios de autoria de crime suficientes para a deflagração da persecução penal. IV) Conclusão Fl. 1122DF CARF MF 18 Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Voto Vencedor Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre Conselheiro Relator para negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos a seguir explicitados. Quanto ao sócio Gregori José Zmozinski Fonseca, o voto do Conselheiro Relator saiu vencedor, por maioria dos votos da turma, a fim de excluir a sua responsabilidade solidária. Quanto a responsabilização do sócioadministrador Manuel Fonseca Neto e no mérito, quanto a multa lançada, o Relator restou vencido, por voto de qualidade, uma vez que sua conclusão foi no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Então fui designado para redigir o presente voto vencedor. Em suma, a matéria ora analisada se refere a aplicação de pena de perdimento de mercadoria que, por ter sido consumida ou não ter sido localizada, foi convertida em multa em valor equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, decorrente da identificação da Ômega Tecnologia da Informação Ltda como a real adquirente em importação com características de interposição fraudulenta, nos termos dos inciso V, art.23, do DecretoLei nº 1.455/1976, in verbis: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ...................................................................................... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. ...................................................................................... § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. O auto de infração ora analisado resultou de desdobramento dos trabalhos de fiscalização na empresa Momento Comércio e Representações Ltda. Na referida fiscalização foi constatado que a empresa agia como interposta pessoa em diversas operações de comércio exterior, ocultando os reais adquirentes e que resultou no Auto de Infração nº10111.721.469/201224, no qual foi lavrada a multa por cessão de nome (multa de 10%). O auto de infração foi objeto de julgamento recente desta turma colegiada por meio do acórdão nº340002.868 que manteve integralmente o lançamento de ofício. Dentre as empresas acusadas de serem as reais adquirentes das importações realizadas pela Momento, a fiscalização identificou que a Ômega foi uma das que se utilizou da Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10111.721433/201411 Acórdão n.º 3402004.353 S3C4T2 Fl. 1.115 19 Momento para manterse oculta em operações de importações, conforme consta no TVF (Termo de Verificação Fiscal) constante no processo. OMEGA e seus sócios (MANOEL e GREGORI) apresentaram Recurso Voluntário em conjunto. A Recorrente arguiu em sua defesa, em suma, que as operações realizadas não devem ser analisadas de forma estritamente legalista, que se deve verificar a mens legis da legislação de interposição fraudulenta e a boa fé objetiva e subjetiva, bem como que não houve prejuízo ao erário haja vista que todos os tributos incidentes na importação foram pagos. Não assiste razão à Recorrente em suas argumentações, como passo a explicar. A infração lançada em ação fiscal prevista no artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976, decorre da ocultação do real adquirente. No tipo infracional em questão não consta qualquer exigência de verificação dos elementos suscitados pela recorrente, tais como: de abastecer a economia informal, subfaturamento, empresa de fachada, não comprovação de origem de recursos ou a ocorrência de dano ao patrimônio público pela falta de pagamento dos tributos sobre a importação., Não havendo que se falar em exclusão da infração pela ausência de elementos que não integram o tipo. O bem jurídico tutelado pela norma do tipo infracional em questão é o controle aduaneiro. Como se sabe, a função desse controle é principalmente extrafiscal, com inúmeras funções de proteção à economia e à sociedade brasileira, sendo a falta de pagamento dos tributos apenas um desses aspectos. Assim, mesmo que o contribuinte tenha pago todos os tributos sobre a importação, mas não tenha obedecido as normas previstas na legislação aduaneira e tributária que estabelecem a adequada identificação na Declaração de Importação do adquirente na modalidade caracterizada como por encomenda, há subsunção da conduta a infração prevista no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/1976. No caso concreto, a fiscalização entendeu que, pelo conjuntos dos fatos apurados, a empresa Ômega deveria configurar como o real adquirente predeterminado (importação por encomenda) nas Declarações de Importações relacionadas aos 48 (quarenta e oito) contratos de fornecimentos lavrados com a empresa Momento no período de janeiro de 2008 e dezembro de 2012, conforme a legislação aduaneira prescreve. A fiscalização chegou a essa conclusão baseada nos seguintes fatos, abaixo transcritos: 1. A existência de contrato celebrado previamente à realização da importação e que estabelece a obrigação de compra das mercadorias importadas; 2. Os contratos contemplavam valor, descrição e quantidade das mercadorias a serem importadas, e determinavam a forma e o prazo de pagamento, em geral, após 30 (trinta) dias da emissão na Nota Fiscal; 3. Os contratos previam a autorização por parte da compradora (real adquirente) para que a vendedora (importador) emitisse as duplicatas referentes ao comprometimento financeiro do fornecimento em questão, imediatamente após a assinatura do contrato; Fl. 1124DF CARF MF 20 OBS: A empresa Momento celebrou 48 (quarenta e oito) contratos com a Ômega para fornecimento de diversos produtos importados, entre janeiro de 2008 e dezembro de 2012, totalizando o montante de R$ 1.120.156,62. Para a presente fiscalização, serão considerados apenas os contratos cujas respectivas Declarações de Importação foram registradas no período de 01.01.2010 a 29.02.2012. (Ver anexo 2 – Contratos) 4. As mercadorias importadas foram repassadas, na maioria das vezes, em sua totalidade, normalmente no mesmo dia, poucos dias após a emissão das Notas Fiscais de Saída da Momento ou, em algumas situações, com Nota Fiscal de Saída da empresa Momento para a Ômega, em data anterior à Nota Fiscal de Entrada na empresa Momento, para atendimento dos contratos previamente firmados, geralmente, com baixa agregação de valor; 5. Cada contrato firmado é seguido de uma ou mais importações das mercadorias relacionadas, que em seguida são repassadas para o real adquirente (Ômega), sem passar pelo estoque da Momento, geralmente no mesmo dia da emissão da Nota Fiscal de Saída da Momento; 6. Financiamento das operações de importação com recursos do próprio importador (Momento), sem que houvesse quaisquer adiantamentos por parte do real adquirente – Ômega (o prazo para pagamento das importações é sempre de 30 (trinta) dias após a emissão da Nota Fiscal). A emissão de duplicatas pelo importador, prevista em contrato, cria a obrigação entre as partes de modo que a Momento possa contratar financiamento por "desconto de duplicatas" tendo como garantia o compromisso da real interessada na operação de importação. Os recursos para o financiamento das importações são do importador (Momento), mas estão garantidos pelas duplicatas emitidas em nome da Ômega. Cláusula Sexta dos contratos. Cabe aqui fazer breves considerações sobre as características essenciais da importação por encomenda a fim de comparar se o caso ora analisado se enquadra nessa modalidade ou não. A importação por encomenda é aquela em que a empresa importadora adquire mercadorias com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre elas, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou a operação pactuadas (art.2º, § 1º, I, da IN SRF nº634/06). Cabe ao importador fazer a negociação com o exportador no exterior, adquirir as mercadorias, providenciar a sua nacionalização e revender ao encomendante. Outra característica importante dessa modalidade é que o importador contratado deve dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação. Por sua vez, o encomendante também deve possuir capacidade econômica para adquirir no mercado interno as mercadorias do importador contratado. As operações do presente caso, conforme fatos narrados anteriormente, guardam estreita similaridade com as características da modalidade de importação para revenda a encomendante predeterminado. Nesse sentido, foram lavrados contratos de fornecimento Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10111.721433/201411 Acórdão n.º 3402004.353 S3C4T2 Fl. 1.116 21 anteriores a importação, no qual consta o valor, descrição, data para quitação e quantidade de mercadorias a ser importada. Também a fiscalização demonstrou que as mercadorias importadas pela Momento foram, na maioria das vezes, em sua totalidade, repassadas imediatamente, sem passar por depósito da Momento, à Ômega em coincidência de valores e quantidades com os contratos lavrados. Além disso, o suporte financeiro das importações teve como origem recursos da própria Momento que, segundo a fiscalização, emitia as duplicatas previstas no contrato e as utilizava para financiamento por "desconto de duplicatas", obtendo, assim, os recursos suficientes para quitar as importações. A fiscalização assim sintetizou os fatos ocorridos com o fluxograma das etapas envolvidas nas transações realizadas entre a Momento e a Ômega: Apesar sas operações se identificarem perfeitamente com a importação na modalidade por encomenda, elas foram declaradas nas DIs como importação por conta própria da Momento. Dar a importação uma aparência de conta própria, quando na sua essência se trata de importação por encomenda, caracteriza a ocorrência de simulação que, pelos fatos narrados, visou tão somente ocultar de forma dolosa o real interessado na importação. O artigo 13 da Instrução Normativa SRF nº 228/2002 vem reforçar esse entendimento: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de Fl. 1126DF CARF MF 22 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. (grifei) Assim, diante dos fatos apurados, restou comprovado que, na realidade, as importações ora analisadas se deram na modalidade por encomenda com ocultação dolosa do real interessado, no caso a Ômega, sendo corretamente aplicada a multa por conversão da pena de perdimento prescrita no DecretoLei nº 1.455/1976, artigo 23, V e §§ 1º e 3º. Quanto a responsabilidade solidária do sócio Manoel Fonseca Neto, a Recorrente alega nulidade da responsabilização solidária, pois a fiscalização teria deixado de identificar e comprovar a conduta, tendo apenas citado dispositivos legais. Haveria violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Não procede a alegação da Recorrente de nulidade da responsabilização solidária do sócio Manuel Fonseca Neto pela falta de especificação da sua conduta, uma vez que está claro nos autos que essa responsabilização se deu pelos atos praticados com infração de lei, conforme treco do TVF, a seguir transcrito: Os sócios da empresa Ômega são, portanto, pessoalmente responsáveis pelos créditos resultantes deste Auto de Infração, visto que as obrigações tributárias são resultantes de atos praticados com infração de lei, conforme detalhado no item 9 deste Relatório. Reproduzo trechos do item 9 do Termo de Verificação Fiscal, onde foram especificadas as condutas que resultaram na responsabilização solidária por infração a lei: Por tudo que foi descrito neste Relatório resta comprovado que a empresa Momento ocultou dolosamente os reais adquirentes das mercadorias por ela importadas com a utilização da sua estrutura documental, contábil e bancária. A empresa Momento agiu diretamente como instrumento da irregularidade na ocultação dos reais responsáveis pelas operações. ... Pela ocultação, as mercadorias importadas através das DIs em questão e, no presente caso, repassadas à Ômega, mesmo que parcialmente, estão sujeitas à aplicação da pena de perdimento das mercadorias, por dano ao Erário Público, na forma do Art. 23, inciso V, § 1º, do DecretoLei nº 1.455/1976. ... A Ômega, ao ser intimada a apresentar as mercadorias a ela transferidas, declarou já ter utilizado a totalidade das mercadorias no processo de industrialização e montagem de computadores e servidores de fabricação própria, industrializadas e vendidas como produtos acabados. (Ver anexo 1) Sobre essas mercadorias será aplicada então a multa substitutiva da pena de perdimento, na forma do § 3º do mesmo Art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10111.721433/201411 Acórdão n.º 3402004.353 S3C4T2 Fl. 1.117 23 Em complemento às disposições do CTN, a responsabilização pela conduta também é prevista artigo 95, inciso I, do DecretoLei nº 37/1966: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. (grifei) Assim, tendo em vista os atos ilícitos praticados pela empresa com a concorrência do sócioadminstrador, entendo que deve ser mantida a responsabilização solidária do sócioadministrador Manoel Fonseca Neto com base no artigo 135, I, combinado com o artigo 134, VII, ambos do CTN e artigo 95, inciso I, do DecretoLei nº 37/1966. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a multa lançada contra a empresa Empresa Ômega Tecnologia da Informação Ltda e a responsabilização do sócioadministrador Manoel Fonseca Neto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Redator Designado. Fl. 1128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.004382/2008-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano Calendário:2004 Ementa: REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO - Constatada a redução injustificada do Lucro Real do período, constante da DIPJ, decorrente da redução indevida do valor do Lucro Liquido antes do IRPJ, justifica-se a exigência de oficio da diferença, pois, o balancete analítico apresentado pelo contribuinte não fora suficiente para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. MULTA DE OFÍCIO - Constatado o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de 75% nos termos da determinação legal. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA – MATÉRIA SUMULADA – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2). JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC – MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1802-000.983
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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MULTA DE OFÍCIO Constatado o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõese a aplicação da multa de 75% nos termos da determinação legal. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA – MATÉRIA SUMULADA – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2). JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC – MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa – Presidente e Relatora. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho,Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.004382/200881 Acórdão n.º 1802000.983 S1TE02 Fl. 109 3 Relatório PROPACK INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, DRJ/Campinas/SP, que julgou procedente o Auto de Infração, fls.32/37, consolidado à fl.32, que constituiu o crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao ano calendário de 2004, no valor de R$ 146.975,38, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2008, cientificado ao contribuinte em 23/11/2008, conforme Aviso de Recebimento (AR), fl.38. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl.34), a exigência tributária decorre da seguinte infração: TRANSPORTE INCORRETO DO LUCRO LÍQUIDO ANTES DO IRPJ Valor relativo ao transporte incorreto do Lucro Liquido antes do IRPJ,constante da Linha 53, da Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, para a Linha 01.Lucro Liquido antes do IRPJ, da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral,conforme Termo de Verificação, às fls. 2829. Conforme relatório da decisão recorrida (fls.81/82) a autuada impugnou o feito fiscal adotando os argumentos que a seguir transcrevo: Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, cientificada em 23/11/2008, por intermédio de seus representantes legais (procuração as fls. 55/56), ofereceu a impugnação de fls. 40/49, protocolada em 22/12/2008, com as seguintes razões de fato e de direito. Alega ter havido equivoco de escrituração decorrente de informação lançada na Demonstração de Resultado, vez que o Lucro Antes do IRPJ deveria ter sido lançado com o valor R$25.857,47 , e não R$ 355.857,47, como restou escriturado. Afirma se dever tal descompasso em sua contabilidade aos procedimentos de depreciação de seu ativo permanente. Defende não haver tributo a recolher, mas apenas obrigação acessória descumprida, como se vê abaixo: "Assim sendo, na pior das hipóteses, o Sr. Agente Fiscal poderia terlhe imputado multa por descumprimento de obrigação acessória, mas nunca a cobrança de tributo e seus consectários, já que, na realidade, não ocorrera o fato gerador da tributação, qual seja, o auferimento de renda no decorrer do ano de 2004." Questiona ainda a imputação de multa nos moldes realizados, considerando ter a mesma efeitos confiscatórios. Traz explanações doutrinárias, bem como julgados do STF, que sustentariam suas alegações. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Conclui sua defesa analisando a impossibilidade de utilização da Taxa SELIC como índice de atualização para o crédito tributário, por restar maculada pelos mesmos vícios que teriam ensej ado a declaração de inconstitucionalidade da utilização da Taxa Referencial na correção monetária de valores. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Campinas/SP) julgou procedente o lançamento em decisão proferida no Acórdão nº 0531.026 de 13/10/2010, da 5ª Turma da DRJ/Campinas/SP (fls.81/84), cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 REVISÃO DE DIPJ. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. Constatada a redução injustificada do Lucro Real do período, constante da DIPJ, decorrente do transporte incorreto do valor do Lucro Liquido antes do IRPJ, justificase a exigência de oficio da diferença. ALEGAÇÃO DE ERRO EM CONTA DE DEPRECIAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. BALANCETES ANALÍTICOS. Somente os livros e documentos fiscais e contábeis relativos ao período são elementos capazes de confirmar a ocorrência de erro nas despesas de depreciação computadas no resultado. Meras cópias de balancetes analíticos, desacompanhadas de escrituração de suporte, não logram comprovar o alegado. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestimulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias. Não cabe à Administração Tributária perquirir sobre o impacto da exigência no patrimônio do sujeito passivo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes A. taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. A mencionada decisão, conforme o Aviso de Recebimento (AR), fl.89, foi cientificada ao contribuinte em 16/11/2010, o qual interpôs Recurso ao Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 03/12/2010, fls.91/101. Em seu apelo, a recorrente reitera as mesmas alegações da impugnação, portanto, desnecessário repetilas porquanto acima relatadas. Ao final requer seja apreciado o presente Recurso e reformada a decisão guerreada, como medida de JUSTIÇA. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.004382/200881 Acórdão n.º 1802000.983 S1TE02 Fl. 110 5 É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e suas alterações posteriores. Dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a irregularidade apontada no auto de infração decorre da DIPJ/2005, em que se constatou o transporte incorreto do Lucro Liquido Antes do IRPJ — PJ em Geral, do valor de apurado na Ficha 06A — Demonstração do Resultado — PJ em Geral, para a Ficha 09A — Demonstração do Lucro Real — PJ em Geral. Na Demonstração do Resultado, consta o valor do “Lucro Liquido Antes do IRPJ” no montante de R$ 355.857,47 e somente fora transportado para a Demonstração do Lucro Real, o valor de R$ 25.857,47. Desse modo, restou declarado o Lucro Real no montante de R$ 25.857,47 em vez de R$ 355.857,47, resultando na diferença tributada no valor de R$ 330.000,00. A defesa alega ter havido equivoco de escrituração decorrente de informação lançada na Demonstração de Resultado, vez que o Lucro Antes do IRPJ deveria ter sido lançado com o valor R$ 25.857,47 , e não R$ 355.857,47, como restou escriturado. Aduz que, o equívoco seria resultante de erro na apuração da depreciação de seu ativo permanente. A recorrente juntou aos autos um balancete analítico de 01/12/2004 a 31/12/2004, fls.59/78 emitido em 06/11/2008.E só. A DRJ de Campinas ao analisar os fatos argüidos pela recorrente na impugnação, fez a seguinte observação em relação aos mesmos argumentos trazidos na fase recursal, vejamos: Entretanto, não há como dar razão à Impugnante. A documentação apresentada, correspondente à copia dos balancetes analíticos, fls. 59/78, mostrase insuficiente para sustentar as declarações prestadas pela contribuinte, pois não foi comprovada a coincidência de informações entre os documentos acostados aos autos e os dados escriturados em livros contábeis. Somente os livros e documentos fiscais e contábeis relativos àquele período são elementos capazes de confirmar as informações prestadas pela contribuinte em sua Impugnação. Meras cópias de balancetes analíticos, sem respaldo em documentos que lhes atribuam legitimidade, não logram comprovar o alegado. Além disso, o fundamento apresentado pela contribuinte como justificativa do erro não abarca todo o montante questionado, vez que do próprio balancete analítico por ela trazido aos autos como prova da diferença do Lucro apresentado na ficha 06 A e aquele da ficha 09A a depreciação (motivo apontado para a sua Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.004382/200881 Acórdão n.º 1802000.983 S1TE02 Fl. 111 7 ocorrência) possui saldo final no ano de 2004 de R$120.000,00 (fl. 75), valor não suficiente para validar o erro alegado, que tem como montante R$ 330.000,00. No recurso apresentado a recorrente insiste que os balancetes analíticos colacionados são o resumo fiel dos livros contábeis, não merecendo prosperar a argumentação de que estes não seriam suficientes para confirmar a inexistência do fato gerador que ensejou o suposto crédito tributário. Afirma que não pode ser compelida a efetuar o pagamento de suposto crédito tributário cujo fato gerador não ocorreu. Sendo certo que os documentos acostados aos autos demonstram de forma clara a inexistência de fato gerador a ensejar tributo, com efeito, perfaz flagrantemente equivocado o lançamento realizado. Penso que a razão não está com a recorrente, pois, como se sabe o balancete de verificação é uma relação de contas extraídas do livro Razão, com seus saldos devedores e credores em determinado período. Porém, apenas tal relação não substitui a apresentação da escrituração porventura realizada nos livros Diário e Razão. Pois, bem, ainda sobre os balancetes, somente os saldos das Contas de Despesas e Receitas são transferidos para a conta “Resultado do Exercício” cujo resultado desta última conta deve ser transferido para a conta “Lucros ou Prejuízos Acumulados” que deve constar do Balanço Patrimonial a ser transcrito no Livro Diário, bem como a Demonstração do Resultado do Exercício. A recorrente não trouxe aos autos os Livros Diário e Razão a evidenciar o Balanço Patrimonial, a Demonstração de Resultado, bem como os lançamentos contábeis da conta Resultado do Exercício relativa ao ano calendário de 2004 a demonstrar o alegado equívoco ou erro na DIPJ/2005. Compulsandose os autos, depreendese que o recurso apresentado pela recorrente tem natureza meramente protelatória, pois, a própria DIPJ/2005 demonstra cristalinamente a inconsistência da alegação da recorrente, vejamos: 1) Na Ficha 05A Despesas Operacionais PJ em Geral (fl.14), consta no item 20: Encargos de Depreciação e Amortização – R$ 330.000,00 e no item 31: TOTAL DAS DESPESAS OPERACIONAIS DAS ATIVIDADES EM GERAL, o montante de R$ 8.101.892,78, incluída a referida despesa. 2) Na Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral (fl.20), foi deduzido do LUCRO BRUTO, no item 31: ()Despesas Operacionais o mencionado montante de R$ 8.101.892,78, sem a exclusão da mencionada despesa de R$ 330.000,00. Dessa forma, não havendo a recorrente apresentado provas hábeis e idôneas a ilidir a autuação, o resultado/lucro líquido do período de apuração declarado na DIPJ/2005 no valor de R$ 355.857,47, indevidamente rebaixado para R$ 25.857,47 na Demonstração do Lucro Real, não padece do erro alegado pela recorrente. A conclusão que se impõe é que o contribuinte com a sua prática de injustificável corte de R$ 330.000,00 no lucro líquido, na Demonstração do Lucro Real, pretendeu utilizarse duas vezes da despesa “Encargos de Depreciação e Amortização” no mesmo valor de R$ 330.000,00 (uma como despesa deduzida do lucro bruto e outra como redução do lucro líquido). Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Dessarte, constatada a redução injustificada do Lucro Real do período, constante da DIPJ/2005, decorrente da redução indevida do valor do Lucro Liquido antes do IRPJ, justificase a exigência de oficio da diferença, pois, o balancete analítico apresentado pelo contribuinte não fora suficiente para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. No tocante a aplicação da multa de ofício de 75%, a recorrente alega caráter confiscatório. O inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, não deixa margem a qualquer discricionariedade da autoridade administrativa ao assim determinar: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Com efeito, a aplicação da multa de ofício decorre de expressa disposição legal, não cabendo a autoridade administrativa deixar de aplicála, e, conforme o enunciado da súmula administrativa nº 2 do desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Constatado o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõese a aplicação da multa de 75% nos termos da determinação legal acima transcrita. Quanto aos juros de mora a recorrente discorda da utilização da taxa selic em matéria tributária. A questão não cabe discussão tendo em vista que o entendimento se encontra pacificado no âmbito desse Conselho Administrativo, expresso na Súmula CARF nº 4, que por si se explica, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.004382/200881 Acórdão n.º 1802000.983 S1TE02 Fl. 112 9 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721031/2015-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DATA DE INÍCIO DA MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Nos termos do § 5º, inciso III, do art. 39 do Decreto nº 3.000/99, a data de início da moléstia grave, para fins da isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstias graves, é aquela identificada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a autuação por omissão de rendimentos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DATA DE INÍCIO DA MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Nos termos do § 5º, inciso III, do art. 39 do Decreto nº 3.000/99, a data de início da moléstia grave, para fins da isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstias graves, é aquela identificada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a autuação por omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 10 31 /2 01 5- 92 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10073.721031/201592 Acórdão n.º 2202004.071 S2C2T2 Fl. 79 2 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10073.721031/201592, em face do acórdão nº 03069.389, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), na sessão de julgamento de 29 de setembro de 2015, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Contra a contribuinte qualificada nos autos foi emitida a notificação de lançamento, referente ao imposto de renda de pessoa física, exercício 2014, anocalendário 2013. O crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto Suplementar 5.084,36 Multa Proporcional (passível de redução) 3.813,27 Juros de Mora (cálculo até 30/06/2015) 656,39 Total do Crédito Tributário 9.554,02 A notificação de lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações, conforme demonstrativos de descrição dos fatos e enquadramento legal. Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício – com base em informações constantes em dirf da fonte pagadora constatouse omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 28.739,90, do Instituto Nacional do Seguro Social. De acordo com a descrição da infração o documento apresentado pela contribuinte não preenche os requisitos exigidos pela legislação para comprovar a isenção do imposto de renda, como a identificação completa do serviço médico emissor, a matricula do profissional do serviço médico e se a doença é passível de controle. A base legal do lançamento encontrase nos autos. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10073.721031/201592 Acórdão n.º 2202004.071 S2C2T2 Fl. 80 3 Na impugnação apresentada, a contribuinte, alega, que os rendimentos são isentos por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave. Acrescenta que, os valores recebidos se refere a um benefício recebido do INSS de aposentadoria por invalidez. Junta ao processo comprovantes de rendimentos, comprovantes de aposentadoria e um documento emitido por médico especializado que atesta a existência de doença grave." A 3ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB) entendeu por manter o lançamento. Transcrevo abaixo o principal fundamento para julgamento de improcedência da impugnação: "Apesar de ser aposentada por invalidez a contribuinte não comprovou adequadamente o estado da moléstia grave, mediante laudo médico oficial, conforme observou a fiscalização na descrição da infração constante da notificação de lançamento, pois o laudo apresentado não contém todos os requisitos exigidos pela legislação, como a identificação completa do serviço médico emissor, a matricula/vinculação do profissional com o serviço médico, entre outros. Juntamente com a sua defesa a contribuinte apresentou um laudo particular emitido pela Policlínica, o laudo já examinado pela fiscalização e um protocolo de pedido de isenção junto ao INSS. A legislação citada exige a comprovação mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Poderia a contribuinte, nesta oportunidade ter apresentado um laudo retificado, mas não o fez. Com efeito, constatase que não foram preenchidos cumulativamente os requisitos necessários para usufruir a isenção por moléstia grave prevista em lei sobre os proventos de aposentadoria, no anocalendário 2013." Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 46/47, reiterando as alegações expostas em impugnação. Em anexo ao recurso apresentou a contribuinte laudo pericial oficial original emitido pelo INSS — APS / Volta Redonda, conforme fl. 49 dos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10073.721031/201592 Acórdão n.º 2202004.071 S2C2T2 Fl. 81 4 Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. A contribuinte alega que seus proventos de aposentadoria e pensão são isentos do imposto de renda por ser portador de moléstia grave, conforme documentos juntados ao processo. O pleito de isenção do contribuinte está previsto no inciso XXXIII, do art. 39, do regulamento do imposto de renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26.03.1999, que tem como base legal o inciso XIV, do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, com alterações do art. 47, da Lei nº 8.541, de 1992, e art. 30, § 2º, da Lei nº 9.250, de 1995, in verbis: Art. 39 Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão de medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma.” [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (grifouse) Do dispositivo legal mencionado, inferese que duas condições básicas devem ser preenchidas pelo contribuinte que pretende pleitear a isenção decorrente de moléstia grave, sendo a primeira que os rendimentos recebidos sejam oriundos de aposentadoria, Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10073.721031/201592 Acórdão n.º 2202004.071 S2C2T2 Fl. 82 5 reforma ou pensão e a segunda concernente à comprovação do estado de moléstia grave, mediante laudo médico oficial. Conforme a Carta de Concessão/Memória de Cálculo emitida pelo INSS, a contribuinte adquiriu aposentadoria por invalidez a partir de 19/01/2012. Pelo laudo médico oficial, de fl. 49, verificase que a contribuinte é portadora de esclerose múltipla (CID G350). O laudo é de serviço médico oficial (INSS APS / Volta Redonda RJ), consoante carimbo. O laudo não possui validade, sendo ele emitido em 09/05/2014. No entanto, está declarado no laudo que a contribuinte é portadora da moléstia grave desde 05/2005. Portanto, cabendo ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado e tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a autuação por omissão de rendimentos. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 82DF CARF MF
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