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Numero do processo: 13161.720286/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. CIÊNCIA POR AVISO DE RECEBIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, nos prazos devidos, o seu direito de defesa. Hipótese em que a alegação de ausência de intimação se mostra incompatível com o que consta dos autos.
IMÓVEL POSSUÍDO EM CONDOMÍNIO PRO INDIVISO. BEM COMUM PERTENCENTE AOS CONDÔMINOS. SOLIDARIEDADE. A propriedade de condomínio pro indiviso, bem como pertencente aos condôminos, implica que tais pessoas têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador do imposto lançado, sendo solidariamente obrigadas no tocante ao imposto lançado, não havendo, ainda, beneficio de ordem, na forma do art. 124, I e parágrafo único, do CTN. Dessa forma, o fisco pode exigir toda a obrigação de um dos condôminos, cabendo ao autuado o direito civil de regresso em favor do outro condômino que não constou do auto de infração.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra - SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. No caso, o contribuinte não carreou aos autos Laudo Técnico de Avaliação firmado por profissional habilitado, acompanhado de ART, contendo elementos suficientes à convicção do julgador.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-002.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
EDITADO EM: 28/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy .
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. CIÊNCIA POR AVISO DE RECEBIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, nos prazos devidos, o seu direito de defesa. Hipótese em que a alegação de ausência de intimação se mostra incompatível com o que consta dos autos. IMÓVEL POSSUÍDO EM CONDOMÍNIO PRO INDIVISO. BEM COMUM PERTENCENTE AOS CONDÔMINOS. SOLIDARIEDADE. A propriedade de condomínio pro indiviso, bem como pertencente aos condôminos, implica que tais pessoas têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador do imposto lançado, sendo solidariamente obrigadas no tocante ao imposto lançado, não havendo, ainda, beneficio de ordem, na forma do art. 124, I e parágrafo único, do CTN. Dessa forma, o fisco pode exigir toda a obrigação de um dos condôminos, cabendo ao autuado o direito civil de regresso em favor do outro condômino que não constou do auto de infração. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 02 86 /2 00 8- 16 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 terra. No caso, o contribuinte não carreou aos autos Laudo Técnico de Avaliação firmado por profissional habilitado, acompanhado de ART, contendo elementos suficientes à convicção do julgador. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. EDITADO EM: 28/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy . Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.73/82) interposto em 12 de maio de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (fls.56/60), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de abril de 2011, fls.66, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 35/39, lavrado em 24 de novembro de 2008, em decorrência da não comprovação do valor da terra nua declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), exercício 2005, relativo ao imóvel NIRF nº 1.077.1719, constituindose um imposto suplementar no valor de R$ 547.667,72, mais cominações legais. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 SUJEITO PASSIVO DO ITR. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. O imóvel rural titulado a várias pessoas, enquanto for mantido indiviso, deve ser declarado por um dos titulares, na condição de condômino declarante. Havendo comprovação de que o interessado figurava junto ao Registro de Imóveis como um dos condôminos do imóvel e que vinha declarando em seu Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13161.720286/200816 Acórdão n.º 2101002.430 S2C1T1 Fl. 186 3 nome as partes pertencentes a ele e mais dois condôminos, resta a redução da área total a ser tributada em seu nome para o tamanho correspondente a soma das áreas de cada um desses, como extraído da matrícula do imóvel. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de primeira instância em 13/04/2011 (fl.66), o contribuinte apresentou, em 12/05/2011, o recurso de fls. 73/82, onde em sede de preliminar argui que não foi regularmente intimado para apresentação de Laudo Técnico, constituindo vício capaz de invalidar o crédito tributário pretendido. No mérito alega que: a) quase totalidade da área objeto da notificação de lançamento tratase de várzea, imprestável para qualquer exploração comercial, dado a vegetação nativa existente no local e a proibição dos órgãos do Meio Ambiente em deixar explorar economicamente o imóvel; b) Não fora subtraído da base de cálculo do ITR a área de reserva legal, no total de 895,40 hectares; c) O acórdão apresentase confuso. Faz anexar cópia da Declaração do Imposto de Renda do exercício de 2004 bem como de comprovantes de ITR de proprietários lindeiros da propriedade em questão. d) A média do VTN dos proprietários lindeiros é deR$ 450,00 conforme DITRs carreadas aos autos. Por fim, requer a improcedência da exigência fiscal, cancelandose o lançamento em sua totalidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 184. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A autoridade de primeiro grau cancela parte do lançamento, a partir da análise da propriedade do imóvel em condomínio, característica do imóvel objeto da autuação. A motivação do julgador à quo fundouse no disposto da Lei nº 6.015/1973, artigo 252 e no Decreto nº 4.382/2002, artigo 39 e, com base em provas obtidas junto ao CAFIR, definiu como área de propriedade do Recorrente um total de 2.316 hectares. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Relativamente à preliminar arguida pelo Recorrente em seu Recurso Voluntário, temse, de plano, que a mesma não merece prosperar, senão vejamos: O Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 23, dispõe: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Ora, verificase às folhas 11 que o Recorrente fora intimado a apresentar Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua, cuja ciência ocorreu em 21/10/2008, ou seja, bem antes da data de notificação do lançamento, no caso 24/11/2008. Incabível, portanto, a preliminar suscitada, vez que a peça básica observou todos os requisitos exigidos no procedimento do lançamento, inocorrendo quaisquer vícios ou cerceamento ao direito de defesa. No mérito discutese a não dedução da área de reserva legal e o arbitramento do VTN. Relativamente à dedução da área mencionada, dispõe o artigo 10, § 1º, Inciso II, alínea “a” da Lei nº 9.393/1996, na redação então vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; O artigo 16, Inciso III, § 8º, da Lei nº 4.771/1965, vigente à época do fato gerador, disciplinava: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13161.720286/200816 Acórdão n.º 2101002.430 S2C1T1 Fl. 187 5 supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Compulsandose os autos verificase o seguinte registro em certidão expedida pelo Serviço Registral de Imóveis, da Comarca de Batayporã: “Av. 1/54 em BatayporãMS, 12 de julho de 2006: Conforme Av. 14 da matrícula nº 10.455 do Serviço Registral de Nova AndradinaMS, faço constar a existência de RESERVA LEGAL de 20% (vinte por cento) do imóvel desta matrícula, de que trata as leis 4.771/65 e 7.803/89, onde não é permitido o corte raso, ou destinada a reposição florestal.” Contudo, ao se apurar o imposto, fazendose a dedução da área de reserva legal (20% sobre 2.316,66ha) a apuração é prejudicada ante as demais informações prestadas pelo Recorrente, conforme se vê no quadro abaixo: Total da Área do Imóvel 2.316,60 () Área de Preservação Permanente 13,60 () 20% Reserva Legal 463,32 Área Tributável 1.839,68 () Área com Benfeitorias 5,00 Área Aproveitável 1.834,68 Área de Produtos Vegetais 180,8 Área com Reflorestamento 345,6 Área de Pastagem 1.733,40 Área Utilizada pela Atividade Rural 2.259,80 Grau de Utilização Constatase que o total da distribuição da área utilizada é superior a área aproveitável, impossibilitando verificar o Grau de Utilização e, de consequência, a efetivação de uma adequada apuração do imposto. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No que tange ao arbitramento do VTN, dispõe o artigo 14, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.393/1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. O artigo 8º, da Lei nº 9.393, de 1996, determina que o Valor da Terra Nua refletirá o preço de mercado de terras apurado no dia 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado auto avaliação da terra nua a preço de mercado. No caso em concreto a autoridade lançadora utilizou os dados constantes no Sistema de Preços de Terra – SIPT, evidenciado nos extratos de fls. 34, uma vez que o Recorrente não apresentou laudo técnico de avaliação, consoante requisitos da ABNT e elaborado por profissional competente, de maneira a comprovar o valor declarado.Em seus argumentos o contribuinte relata que a apresentação de laudo técnico demandaria prazo que excederia o prazo limite de entrada do Recurso Voluntário. É de sabença geral que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, referirse a fato ou a direito superveniente ou destinarse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, nos termos do art. 16, § 4º, "a" a "c", e § 5º, do Decreto n°70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13161.720286/200816 Acórdão n.º 2101002.430 S2C1T1 Fl. 188 7 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Compulsandose os autos verificase que o Recorrente não carreou aos mesmos, o laudo técnico capaz de elidir a exigência documental comprobatória do Valor da Terra Nua declarado. Sequer requereu dilação do prazo para eventual entrega. Isso posto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10640.721178/2011-77
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave, quando devidamente comprovados por laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave, quando devidamente comprovados por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/JFA/MG. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 11 78 /2 01 1- 77 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.721178/201177 Acórdão n.º 2801003.476 S2TE01 Fl. 42 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Para o contribuinte já qualificado nos autos foi emitida a Notificação de Lançamento – IRPF/2005, a fls. 4/7, que lhe deu o direito à restituição do imposto no valor de R$2.665,68 em detrimento ao pleiteado na DIRPF/2010 de fl. 22, R$9.482,26. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na referida DIRPF. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 5 foi apurada omissão de rendimentos no valor de R$66.459,79, conforme Dirf apresentada pela fonte pagadora – Sete Lagoas Prefeitura, CNPJ nº 24.996.969/000122. Esclareceu a autoridade revisora que: “A concessão de isenção tratada no inciso XXXIII do artigo 39 do RIR/99 só pode ser reconhecida mediante Laudo Pericial emitido por SERVIÇO MÉDICO OFICIAL da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O laudo apresentado pelo contribuinte não apresenta este requisito”. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fl. 2, instruída pelos elementos de fls. 8/11, na qual contesta o feito fiscal argumentando que os rendimentos em questão são proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave conforme laudos anexos, portanto, isentos do IRPF. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 25/28, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO OFICIAL. A comprovação de moléstia grave, para fins de isenção do imposto de renda pessoa física, é feita através de laudo pericial emitido exclusivamente por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal ou do Município, no qual deve haver a denominação da moléstia na forma expressa pelo legislador, além de elementos suficientes para formar a convicção da autoridade fiscal e evidenciar o pleito passivo. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Regularmente cientificado daquele acórdão em 12/12/2011 (fl. 30), o Contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 31/33, em 09/01/2012. Em sua defesa, sustenta ser portador de moléstia grave, conforme laudo oficial que ora apresenta. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.721178/201177 Acórdão n.º 2801003.476 S2TE01 Fl. 43 3 A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, o Recorrente sustenta que faz jus à isenção prevista no inciso XIV, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988 e alterações. Sobre a matéria, assim dispõe o inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004)” Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995 determina: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose).” Fl. 43DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.721178/201177 Acórdão n.º 2801003.476 S2TE01 Fl. 44 4 Cumpre destacar que a partir de 1º de janeiro de 1996, para a concessão da isenção pleiteada, a moléstia enumerada no art. 6º, inc. XIV da Lei nº 7.713, de 1988 e alterações deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Quanto a essa matéria, a decisão recorrida assim se manifestou: O interessado apresentou, para fazer prova da isenção pretendida, à fl. 11, o documento emitido, em 16/10/2009, pela Prefeitura Municipal de Piau/MG, no qual a profissional de saúde médico de família, que o subscreveu, declarou que o contribuinte é portador, desde setembro/1999, de “carcinoma basocelular”; informou se tratar a doença passível de controle e determinando o prazo de validade da situação médica declarada como sendo 16/12/2009. Da análise do referido documento, no entanto, verificase que faltam nele elementos suficientes para formar a convicção desta autoridade julgadora e evidenciar o pleito passivo nos termos da lei tributária, assim vejamos: 1) a médica de família não classificou na tabela CID a moléstia do contribuinte, também não identificou sua denominação nos termos expressos pela legislação tributária, o que impede a interpretação literal da lei de isenção; 2) no campo “Exposição das observações, estudos, exames efetuados e registros das conclusões” se limitou a reproduzir o informado na declaração de fl. 10, emitida por outro médico, particular, valendo notar que a data de emissão desta se encontra ilegível; a simples reprodução da referida declaração permite inferir que a médica de família da Prefeitura Municipal de Piau/MG emitiu seu parecer, smj, sem solicitar exames relacionados ao estado de saúde do contribuinte, sem fazer algum estudo próprio para tirar suas conclusões, etc, ou seja, não submeteu o paciente a uma perícia médica, baseouse apenas numa declaração de outro profissional de saúde, em que pese a especialidade, o conhecimento médico e o currículo do declarante; causa estranheza, ainda, a validade do documento ser de apenas dois meses de sua emissão; logo, no entendimento deste relator tal documento não tem as características de um laudo médico pericial. Destarte, diante de tais considerações, concluise por não acatar o documento de fl. 11 como hábil para o fim a que se propôs. Em sede de recurso, o Contribuinte apresentou, à fl. 34, o Laudo Oficial emitido pela Secretaria de Saúde, Saneamento e Desenvolvimento Ambiental em Juiz de Fora, atestando que o Contribuinte é portador, desde 2002, de moléstia referida no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88, qual seja: carcinomas cutâneos, CID/76.0 (neoplasia maligna da cabeça, face e pescoço), CID/76.1 (neoplasia maligna do tórax) e CID/76.2 (neoplasia maligna do abdome). Fl. 44DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.721178/201177 Acórdão n.º 2801003.476 S2TE01 Fl. 45 5 Portanto, entendo que restou demonstrado que, no período sob exame, o Contribuinte era portador de moléstia elencada na norma isentiva (neoplasia maligna). Assim, tendo em vista que os rendimentos tidos como omitidos foram recebidos pelo Interessado a título de aposentaria ou pensão, haja vista o comprovante de rendimentos de fl. 68 com o registro de valor recebido pelo sujeito passivo a título de “Parcela Isentas dos Proventos de Aposentadoria, Reserva, Reforma e Pensão ((65 anos ou mais), é de se reconhecer a isenção invocada e cancelar o lançamento referente à omissão de rendimentos. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 45DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720183/2012-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Na hipótese de compensação indevida com falsidade na declaração aplica-se multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida com falsidade na declaração aplica-se multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida com falsidade na declaração aplicase multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 83 /2 01 2- 53 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720183/201253 Acórdão n.º 2402003.975 S2C4T2 Fl. 191 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 15/06/2012 em razão da falta de recolhimentos das contribuições descontadas dos segurados. A fiscalização se iniciou em 09/08/2011, após realização de diligência com início em 14/02/2011. O objeto de ambos os procedimentos é a verificação da regularidade de compensações declaradas em GFIP. Seguem transcrições da ementa e trechos do relatório/voto que compõem o acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO PREVIDENCIÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Consoante o relatório fiscal de fls. 52 a 55, o processo acima identificado é composto pelo Auto de Infração nº 51.006.1010, lavrado para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias de que tratam os art. 20 e 21 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, correspondentes à competência novembro de 2010 e incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada naquele mês. Ainda nos termos do mencionado relatório: 1º) Durante a ação fiscal, que abrangeu o segundo semestre de 2010 e janeiro de 2011, verificouse que a empresa compensou débitos previdenciários (da empresa, do segurado empregado e contribuinte individual) argumentando ser detentora de crédito judicial em fase de execução contra a Fazenda Nacional e o Fl. 192DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 INSS e que o campo "compensação" da GFIP foi utilizado na medida em que não existe na GFIP campo destinado a depósito judicial.; 2º) No período em que julgou ter direito a compensação, a empresa entregou GFIP's retificadoras informando esses valores, porém na competência 11/2010, a empresa entregou a GFIP originalmente em 01/12/2010 e nessa mesma data enviou GFIP retificadora constando apenas parte insignificante do salário de contribuição da empresa e funcionários, aparentemente, visando complementar as primeiras informações prestadas. Este documento permaneceu válido e inalterado até o início da ação fiscal; 3º) Deve ser observado que não existe inicialmente declaração de compensação na competência 11/2010, embora o recolhimento tenha seguido o padrão adotado desde 06/2010, ou seja, efetuou apenas o recolhimento em GPS Guia de Recolhimento da Previdência Social devido a outras entidades; 4º) Assim, as contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, embora descontadas, não foram recolhidas; 5º) O valor apurado neste auto de infração é o reconhecido pela empresa em sua GFIP original, enviada em 01/12/2010; 6º) Desta forma, temse como resultado da ação fiscal o auto de infração para obrigações principais, sob número de cadastro de débito DEBCAD 51.006.1010, relativo às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, e que têm como base de cálculo a soma dos levantamentos e infrações descritos nos itens 3 e 4 do próprio relatório fiscal; 7º) O débito foi lavrado considerandose a multa de ofício de 75%, prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/1991, incluído pela Lei n° 11.941/2009; 8º) Na composição dos valores devidos não há recolhimentos (GPS Guias da Previdência Social) considerados pela fiscalização; e 9º) Considerando que os fatos acima relatados configuram, em tese, crime de apropriação indébita previdenciária, previsto no artigo 168A, do Código Penal, acrescentado pela Lei 9.983, de 14/07/2000, será formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação à autoridade competente, para providências cabíveis. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 1ª) Ao contrário do quanto é afirmado no relatório fiscal, em nenhum momento foi declarado a COMPENSAÇÃO como forma de extinção das obrigações tributárias de responsabilidade da autuada, mas sim, PAGAMENTO ATRAVÉS DE CONVERSÃO EM RENDA, que tem natureza jurídica totalmente diversa da COMPENSAÇÃO, guardando com esta somente o resultado final, quer seja a extinção da obrigação tributária; Fl. 193DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720183/201253 Acórdão n.º 2402003.975 S2C4T2 Fl. 192 5 2ª) Na verdade o que ocorreu é que, por limitação do programa em que se pode declarar o procedimento adotado, não existe qualquer opção que faça referência a modalidade de extinção da obrigação tributária adotada pela Impugnante, não restando a ela outro procedimento que não fosse o autolançamento na modalidade compensação; 3ª) Embora limitada pelas ferramentas fornecidas pelo Ente Público, ainda assim, a Impugnante, através de simples requerimento, explicitou exatamente os fatos acima narrados, qual seja, que embora houvesse sido efetivado o autolançamento na modalidade compensação, na realidade o procedimento adotado era o de pagamento através de conversão em renda, não havendo, portanto, qualquer possibilidade de entender que o que ocorrera, na verdade, tivesse sido efetiva compensação; 4ª) O Órgão arrecadador (RFB) discordar do procedimento adotado não autoriza interpretálo como falso, como ocorreu no caso em tela, pois falsidade não houve, todos os fatos ocorridos foram devidamente declarados, como exige a lei, com a ressalva acima apontada. 1ª) A Impugnante utilizou crédito financeiro de que passou a ser detentora através de Contrato de Cessão de Crédito, em Ação de Execução de Título Extrajudicial que promove em desfavor da União Federal, para extinguir suas obrigações tributárias, na forma de pagamento através de conversão em renda; 2ª) Esse crédito, que é revestido dos requisitos de certeza, exigibilidade e liquidez, tem sua origem nos Títulos da Dívida Pública de responsabilidade da Secretaria do Tesouro Nacional, inclusive reconhecido pelo BACEN, além de constar no Orçamento da União Federal, uma vez que tratase de REPACTUAÇÃO DE DÍVIDA EXTERNA do DL n.° 6.019/43, conforme se apresenta no objeto do pedido de execução, com ordem de pagamento contra a Fazenda Nacional e o INSS, autorizando a modalidade de conversão em renda c/c poder liberatório de pagamento de qualquer tributo da esfera federal, como forma substitutiva da Recorrente receber seus créditos, dos quais a União é devedora (aqui, a empresa reproduz dispositivos da Lei nº 10179/2001); 3ª) Em decorrência do regime jurídico especial dispensado aos bens da Fazenda Pública, dentre cujas características deste destacamse a inalienabilidade e a impenhorabilidade, erguese um impedimento à sujeição da mesma ao rito comum por quantia certa do CPC, não se aplicando, na prática, os meios coercitivos geralmente utilizados, como por exemplo, a penhora; 4ª) Isto posto, é necessário mediano conhecimento para vislumbrar que, só não existe o deposito da quantia devida na Ação Executiva promovida pela Recorrente em decorrência das benesses legais que recaem sobre a União enquanto parte executada, pois acreditase que a mesma seja devedora solúvel e, como tal, prima em honrar seus compromissos; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 5ª) Tais prerrogativas não retiram, contudo, a certeza da existência do crédito utilizado para pagamento através da conversão em renda, pois perfeitamente plausível e legal, partir se da premissa de que o Juízo está igualmente garantido; 6ª) O procedimento adotado pela Impugnante nada mais é do que uma forma de execução provisória do que lhe é devido, pois o pagamento através de conversão em renda, somente se aperfeiçoará por ocasião da efetiva liquidação do crédito executado; 7ª) Ainda, esse procedimento, lastreado com créditos do Decretolei n° 6.019/43, pela modalidade de extinção do crédito tributário, está legalmente amparado pelo que institui o artigo 156, I, VI do CTN, c/c artigo 6o da Lei n° 10.179/2001, ratificados pela Lei n.° 11.803/2008 e, principalmente, no que preconiza o art. 4750 do CPC; 8ª) Revelase totalmente descabida a afirmação de que, por ter sido indeferido o seu pedido de habilitação nos autos da execução, a empresa impugnante não é detentora do crédito em tela, pois decisão não retira a eficácia do Contrato de Cessão de Crédito retro citado. Também não se sustenta a insinuação de que a cessão, para ter efeito jurídico deveria ter aquiescência do judiciário, pois ela gera efeitos por sua natureza jurídica, não necessitando da homologação do Juízo para gerar seus efeitos; Diante da falta de previsão legal que dê competência a RFB para manifestarse sobre a forma de extinção da obrigação tributária da Requerente, quer seja o pagamento através de conversão em renda, o auto de infração aqui impugnado, no que toca a capitulação que trata da extinção da obrigação tributária, indevidamente tratado e denominado de COMPENSAÇÃO, é totalmente nulo; Quanto à multa de 150% 1ª) Quanto à aplicação das multas pela fiscalização, cumprenos informar que são confiscatórias e, por isso, devem ser expurgadas deste lançamento, por ofensa ao disposto no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; 2ª) Apesar de vislumbrarmos que tais penalidades estão amparadas pela lei, é de se admitir que as multas de 50°/o, 75%, 150% e maiores são exorbitantes e absolutamente violadora dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, razão pela qual a multa in casu aplicada deve ser adequada ao percentual de 20%. É o Relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720183/201253 Acórdão n.º 2402003.975 S2C4T2 Fl. 193 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 196DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito No presente caso, a recorrente alega que deixou de realizar pagamentos de contribuições previdenciárias sob o fundamento de que teria extinto os créditos previdenciários Fl. 197DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720183/201253 Acórdão n.º 2402003.975 S2C4T2 Fl. 194 9 através da conversão de depósito em renda. Teria declarado em GFIP como compensação por ausência de campo específico para a conversão de depósito em renda. Essas alegações foram apresentadas formalmente durante os procedimentos de diligência e fiscalização através petições à delegacia de fiscalização. O crédito que alega tem origem em título da dívida externa brasileira. A recorrente o adquiriu através de contrato de cessão de créditos. Entendo que a decisão recorrida não merece reparos. As GFIP originárias apresentadas pelo recorrente para o mês 11/2010 trazem os valores descontados dos segurados e não repassados à previdência social. Nesse mês não há informação sobre compensações. Somente durante a fiscalização é que o recorrente trouxe a retificação das declarações anteriores. Ainda que se considerem as declarações retificadoras e se examinem os argumentos do recorrente vêse que os supostos créditos não se prestam para extinção dos créditos relativos às contribuições previdenciárias. A extinção do crédito tributário por meio de conversão de depósito em renda é prevista no inciso VI de seu art. 156 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) VI a conversão de depósito em renda; A recorrente confunde em suas alegações depósito com crédito fundado em título judicial ou extrajudicial. Nessa modalidade de extinção do crédito tributário, o depósito realizado pelo sujeito passivo tem finalidade relacionada ao tributo em litígio. Com a sentença transitada em julgado, o depósito é convertido em renda para o sujeito ativo. Com isso, o crédito tributário é extinto. No caso das modalidades de extinção de crédito tributário com créditos do sujeito passivo é necessário que se comprove a liquidez e certeza desses créditos. Pretendendo se a compensação e sendo os créditos de natureza diversa da tributária é necessária previsão legal ou decisão judicial transitada em julgado. A administração pública não possui a liberalidade de aceitação de créditos de natureza diversa daquela prevista em lei como idônea para a extinção do crédito tributário. Vê se que mesmo a compensação em caráter individual, aquela que a lei confere à autoridade administrativa, nos limites legais, a discricionariedade para estipular sobre as condições de sua aceitação, é necessária a previsão legal da origem desses créditos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Em conclusão, o crédito alegado, ainda que de fato pertença ao recorrente, não se presta para a compensação. No mais, a recorrente alega efeito confiscatório da exação e outras inconstitucionais; no entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 199DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10907.000911/2003-38
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2002 a 30/11/2002
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. AUTUAÇÃO POR NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na hipótese de autuação decorrente de não homologação de compensações, aplica-se retroativamente o comando do art. 18 da Lei no 10.833/2003, em observância ao art. 106, II c do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3403-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor Wolszczak, OAB/RJ no 169.407, que requereu a aplicação do princípio da retroatividade benigna.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2002 a 30/11/2002 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. AUTUAÇÃO POR NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na hipótese de autuação decorrente de não homologação de compensações, aplica-se retroativamente o comando do art. 18 da Lei no 10.833/2003, em observância ao art. 106, II c do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor Wolszczak, OAB/RJ no 169.407, que requereu a aplicação do princípio da retroatividade benigna. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
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AUTUAÇÃO POR NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na hipótese de autuação decorrente de não homologação de compensações, aplicase retroativamente o comando do art. 18 da Lei no 10.833/2003, em observância ao art. 106, II “c” do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor Wolszczak, OAB/RJ no 169.407, que requereu a aplicação do princípio da retroatividade benigna. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 09 11 /2 00 3- 38 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 30 a 351), lavrado em 25/03/2003 (com ciência na mesma data, cf. fl. 31), para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP referente ao período de agosto a novembro de 2002, no valor original a título de principal de R$ 157.614,28, em decorrência de indeferimento de pedido de restituição no processo administrativo no 10907.001984/200266 (tendo sido efetuadas compensações indevidas, cabendo a aplicação do disposto no art. 90 da Medida Provisória no 2.15835/2001). O despacho decisório do referido processo consta às fls. 6 a 10. Em sua impugnação (fls. 37 a 44), a empresa alega que o pedido de restituição no outro processo se deve a recolhimento indevido em função de erro contábil (ausência de contabilização de efeitos ativos ou passivos referentes a contrato de arrendamento de instalação portuária), e as razões para a negativa de acolhida pela unidade local são descabidas, visto que a forma de contabilização que originou os créditos requeridos independe da natureza jurídica do contrato. E complementa afirmando que tal processo ainda não foi objeto de julgamento definitivo, o que torna nula a autuação. Junta também cópia da manifestação de inconformidade naquele processo (fls. 45 a 54), cópia de relatório de empresa de auditoria (fls. 62 a 65) e parecer jurídico (fls. 82 a 128). O julgamento de primeira instância ocorre em 31/07/2003 (fls. 130 a 137), decidindo a DRJ que não houve nulidade (por não estar configurada situação descrita no art. 59 do Decreto no 70.235/1972) e que a não homologação (ainda que pendente de recurso) das compensações constitui condição resolutória a reverter a extinção condicional dos créditos da contribuição (na forma do art. 150, § 1o do CTN). Por fim, o pedido de suspensão para que se aguardasse o julgamento do outro processo é rechaçado pela DRJ, por ausência de previsão no art. 151 do CTN. Em seu recurso voluntário, apresentado em 01/10/2003 (fls. 140 a 149), a empresa reitera a argumentação trazida em sua impugnação, no sentido de que as razões para negação da restituição no processo administrativo no 10907.001984/200266 são descabidas, e que tal processo ainda não foi definitivamente julgado na via administrativa. Pede ainda que os processos administrativos no 10907.000912/200382 e no 10907.001085/200344 sejam analisados conjuntamente, por se tratarem da mesma matéria. O processo é apreciado em 13/04/2004 pela Primeira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, que decide converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução no 20100.412 (sob relatoria da Cons. Adriana Gomes Rego Galvão fls. 191 a 194), para aguardar o julgamento administrativo definitivo do processo no 10907.001984/200266. São anexados ao processo então cópias da decisão de primeira instância no processo administrativo no 10907.001984/200266 (fls. 199 a 213), proferida em 05/08/2004, na qual unanimemente se nega a restituição, e informação fiscal (fls. 214 e 215) que dá conta de que houve parcial provimento do recurso voluntário apresentado, conforme reconhecido no Acórdão no 910100.445, que determinou ainda o retorno dos autos à unidade de origem, para que fosse proferido outro despacho decisório em relação a créditos de IRPJ e CSLL, após 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 251DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.000911/200338 Acórdão n.º 3403002.788 S3C4T3 Fl. 251 3 atendidas providências pela recorrente (efetivação de registros contábeis, e elaboração de novas demonstrações de resultado de exercício e de Lucro Real/IR sobre Lucro Real). Cientificada do acórdão e intimada a cumprir as exigências nele estabelecidas para comprovação de seu direito creditório (AR à fl. 217, datado de 23/11/2010), a recorrente não toma nenhuma providência. Ainda em relação ao processo no 10907.001984/200266, é proferido, então, o despacho decisório de fls. 219 a 223 (em 28/06/2010), reconhecendo a definitividade da decisão do CARF em relação à parcela não reconhecida da restituição, e, em relação ao restante (parcela condicionalmente reconhecida), atestando a inexistência de qualquer providência por parte da interessada, o que culmina em não homologação das compensações. Cientificada do novo despacho decisório em 04/07/2011 (AR à fl. 225), a empresa apresenta manifestação de inconformidade, informando que as alterações contábeis demandadas são complexas e exigem trabalho minucioso, provocando inclusive reflexos em exercícios futuros, não tendo sido possível ainda efetuálas, e requerendo a suspensão do processo até que seja possível a empresa efetuar os registros demandados na decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A DRJ, em 24/11/2011, efetua novo julgamento do processo (fls. 227 a 233), acordando unanimemente em não conhecer da manifestação de inconformidade, por ser a pretensão da empresa tão somente a suspensão da cobrança, inexistindo contraditório. Na informação fiscal de fls. 235 a 237 (datada de 12/01/2012), narrase que o processo no 10907.001984/200266, diante da nova decisão da DRJ, “transitou em julgado administrativamente”. A empresa foi cientificada da nova decisão da DRJ e da informação fiscal em 30/05/2012 (cf. AR de fl. 247). Por fim, na informação fiscal de fl. 248, emitida em 15/08/2012, informase que resta atendida a solicitação de diligência efetuada pela Resolução no 20100.412 com a decisão administrativa definitiva no processo no 10907.001984/200266, retornando os autos a este colegiado para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Retornando o processo da diligência, tendo em vista a decisão administrativa definitiva no processo no 10907.001984/200266, verifiquei no sítio web do CARF se a Conselheira relatora do voto pela diligência ainda se encontra nos quadros do tribunal. Diante da negativa, e da distribuição do processo a mim, passo a analisálo. É preciso destacar, de início, que não há efetivo contencioso no presente processo. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Já na autuação se expressa que tendo em vista o indeferimento do pedido de restituição objeto do processo no 10907.001984/200266, e a existência de compensações, estava m sendo “lançados os valores de PIS compensados indevidamente, conforme art. 90 da Medida Provisória no 2.158/2001”. Diante da dependência do resultado administrativo definitivo daquele processo é que houve a baixa em diligência, pela Resolução no 20100.412. E agora se tem tal decisão. O Acórdão no 910100.445 acabou não sendo juntado ao presente processo. Contudo, é de fácil obtenção no sítio web do CARF: “Assunto: IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 IPRJ. CSLL. CONTRATO DE CONCESSÃO DE SERVIÇOS OU BENS PÚBLICOS. AMORTIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE DAS VARIAÇÕES PASSIVAS DA DÍVIDA. POSSIBILIDADE. A assinatura de contrato de concessão de serviço público ou e bens públicos com o Poder Público provoca reflexos no patrimônio do contribuinte que devem ser contabilizados (tanto os direitos adquiridos quanto as obrigações assumidas). É legítimo ao particular, parte em contrato de concessão de serviços ou bens públicos, amortizar o valor pago ou devido ao Poder Concedente em parcelas iguais durante o prazo do contrato de concessão e deduzir, de acordo com o regime de competências, as variações passivas da dívida decorrentes de expressas previsões no contrato de concessão. IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL OU BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO EM PERÍODOS BASE ANTERIORES. Os prejuízos verificados pelo contribuinte em determinado período de apuração somente podem afetar a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social no mesmo período ou, nos casos e na forma previstos em lei, em períodos de apuração posteriores. O prejuízo decorrente do contrato assumido pelo contribuinte em abril de. 2001 não pode refletir em períodos base anteriores à data em que assumidas as obrigações e os direitos inerentes ao vínculo contratual. (CSRF, Acórdão no 910100.445, Rel. Cons. Antonio Carlos Guidoni Filho, unânime, sessão de 04.nov.2009) (grifo nosso) Com a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, dáse parcial provimento ao recurso especial do contribuinte: “para manter a decisão recorrida no que tange aos pagamentos das quotas do IRPJ e da CSLL apurados no segundo, terceiro e quarto trimestres de 1999, primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2000 e no primeiro trimestre de 2001, e para determinar o retomo dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para que seja proferido outro despacho decisório quanto aos pagamentos relativos às quotas do IRPJ e da CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2001 e no primeiro e segundo trimestres de 2002”. (grifo nosso) No interior do voto do relator (com excertos abaixo transcritos), percebese o detalhamento do provimento parcial: Fl. 253DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.000911/200338 Acórdão n.º 3403002.788 S3C4T3 Fl. 252 5 “As considerações supra não significam provimento integral ao recurso da Contribuinte. (...) Se o Contribuinte Recorrente assumiu a posição de concessionário apenas em 10/4/2001, não é possível que os direitos e as obrigações a ele inerentes tenham causado reflexos sobre períodos de apuração anteriores à data da assunção da posição contratual (i. e., anteriores ao mês de março de 2001). (...) Por estas razões, no que tange aos pagamentos das quotas do IRPJ e da CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 1999, primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2000 e no primeiro trimestre de 2001, o pedido de restituição deve ser indeferido. (...) A partir de abril de 2001, momento em que o contribuinte assumiu os direitos e obrigações inerentes ao contrato de. concessão é que lhe é possível proceder às retificações que deseja aplicar em sua contabilidade. Para tanto, deverá o contribuinte: (...) (i) Na data em que assumida a posição contratual (10/4/2001), deve o contribuinte considerar em conta de ativo permanente o seu direito à exploração do serviço e dos bens concedidos, avaliado pelo valor a ser quitado da obrigação para com o poder concedente. A contrapartida desse lançamento deverá ser feita em conta de passivo exigível a longo prazo. (ii) A dívida deverá ser amortizada, a cada período de apuração do imposto e da contribuição social, em parcelas iguais e durante o prazo restante do contrato de concessão. Os lançamentos devem ser feitos a crédito do ativo permanente e à débito em conta de despesa (valores dedutíveis da base de cálculo do imposto e da contribuição). (iii) Os lançamentos correspondentes às variações ativas (débito na conta de passivo exigível a longo prazo) e passivas (crédito na conta de passivo exigível) da dívida deverão ser lançadas contra contas de resultados (receitas ou despesas, se o caso), conforme o regime de competência. As variações passivas que estiverem expressamente previstas no contrato de concessão ou em seus termos aditivos serão dedutíveis no período em que contabilizadas. (iv) Os valores pagos ao poder concedente deverão ser lançados a crédito de disponíveis e a débito da conta de passivo exigível a longo prazo representativa da obrigação do Contribuinte em face do Poder Concedente. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 As instâncias a quo (Delegacia da Receita Federal de jurisdição do Contribuinte, Delegacia de Julgamento e Câmara recorrida) não apreciaram o procedimento do Contribuinte com base nas premissas acima declinadas pois entenderam que não seriam aplicáveis ao caso do Contribuinte. No que tange as quotas do IRPJ e da CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2001 e nos primeiro e segundo trimestres de 2002, pois, o pedido merece ser novamente apreciado, devendo a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do Contribuinte intimálo a demonstrar, com base nas premissas acima, o pagamento indevido do IRPJ e da CSLL cuja repetição pleiteia, para, então, proferir novo despacho decisório.” (grifos nossos) Assim, a Câmara Superior não reconhece parte do direito creditório, e, em relação à parte que reconhece, o faz condicionalmente, demandando à unidade local que intime a empresa a demonstrar o pagamento indevido com base nas premissas relacionadas de (i) a (iv), sujeitando o feito a novos julgamentos. Não atendida a condição, resta não comprovado o direito creditório naquele processo. Cabível, então, a exigência dos montantes indevidamente compensados a título de Contribuição para o PIS/PASEP, pois efetivamente os débitos relacionados na autuação não foram pagos nem compensados. Dispõe o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835/2001 (ainda vigente por força do art. 2o da a Emenda Constitucional no 32/2001): “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” Cabe, contudo, ressalvar a existência de comando legal posterior disciplinando a mesma matéria o art. 18 da Lei no 10.833/2003, com as alterações efetuadas pela Lei no 11.488/2007: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.000911/200338 Acórdão n.º 3403002.788 S3C4T3 Fl. 253 7 § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” (grifo nosso) Sendo derivada de legislação superveniente à data da autuação, a matéria demanda análise de ofício, à luz do art. art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifo nosso) Considerando que não se apura nem suscita no presente processo a existência de falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo, nem se visualiza hipótese de compensação não declarada, deve ser afastada a multa de ofício aplicada. Nesse sentido várias decisões deste CARF, sintetizadas em decisão unânime recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “COMPENSAÇÃO INDEVIDA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 10.833/03. Necessário lançamento de ofício para exigência de valor declarado em DCTF como quitado por meio de compensação posteriormente não homologada, quando a compensação foi efetuada sob a égide do artigo 90, da MP 215835/ 2001, antes do advento da Lei 10.833/03, uma vez que o pedido de compensação ou a declaração de compensação não se constituíam em documentos hábeis à confissão de dívida. Válido o ato administrativo do lançamento. A retroatividade benigna se aplica para efeito de penalidade, excluindose a respectiva multa de ofício.” (CSRF, Acórdão n. 9101001.617, Rel. Cons. Karem Jureidini Dias, unânime, sessão de 16.abr.2013) Fl. 256DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para excluir a multa de ofício lançada. Rosaldo Trevisan Fl. 257DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 13896.721491/2012-82
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA. OBEDIÊNCIA AS DETERMINAÇÕES LEGAIS. RECUSA DE APRESENTAÇÃO/ FORNECIMENTO DE DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS AO FISCO. VIOLAÇÃO À LEI TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. VALOR DA AUTUAÇÃO PREVISTA EM LEI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA. OBEDIÊNCIA AS DETERMINAÇÕES LEGAIS. RECUSA DE APRESENTAÇÃO/ FORNECIMENTO DE DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS AO FISCO. VIOLAÇÃO À LEI TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. VALOR DA AUTUAÇÃO PREVISTA EM LEI. Recurso Voluntário Negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA. OBEDIÊNCIA AS DETERMINAÇÕES LEGAIS. RECUSA DE APRESENTAÇÃO/ FORNECIMENTO DE DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS AO FISCO. VIOLAÇÃO À LEI TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. VALOR DA AUTUAÇÃO PREVISTA EM LEI. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 14 91 /2 01 2- 82 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 405 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 51.012.9439, em razão de deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 09 a 15, com período de apuração de 01/2008 a 12/2008, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 34 e 35. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 20/06/2012, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 01. Foi emitido o Termo de Sujeição Passiva Solidário em face da pessoa física Senhor José Fernando Correa Parra, fls. 04 e 05, cientificado ao interessado, conforme AR, de fls. 06, recebido, em 23/06/2012. O contribuinte apresentou sua defesa, em 19/07/2012, as fls. 344 a 356, acompanhada dos documentos, de fls. 357 a 358. A impugnação foi considerada tempestiva e determinada sua remessa ao órgão julgador a quo, fls. 360. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0539.741 6ª, Turma DRJ/CPS, em 15/01/2013, fls. 368 a 378. No qual a impugnação foi considerada improcedente. Os contribuintes tomaram conhecimento desse decisório, em 31/05/2013 e 10/06/2013, conforme Edital e AR, de fls. 384 e 385. Irresignados os contribuintes impetraram o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 387, recebido, em 04/06/2013, com razões recursais, as fls. 388 a 392, acompanhado dos documentos, de fls. 393 a 399. Mérito. · que o acórdão recorrido não observou a ausência da fundamentação da autuação, pois o agente lançador limitouse a anexar uma relação confusa, genérica e imprecisa de legislação, não indicando as que expressamente estavam sendo aplicadas, devendo ser o acórdão reformado e declarada a nulidade com a desconstituição e cancelamento dos autos em comento; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 406 3 · que a recorrente não se conforma com a falta de prestação jurisdicional no que concerne ao abuso de poder do agente lançador, o qual autuou a recorrente por supostos valores não recolhidos e razão de diversas rubricas, mas que restou não comprovada na fiscalização e nas impugnações; · que o agente lançador cometeu erro grosseiro ao concluir pela tributação da “cota utilidade”, permanecendo o julgador de primeiro grau no erro ao manter a rubrica sem qualquer fundamento; · que de maneira dissimulada o agente lançador, considerou tais pagamentos como salário de contribuição, o que revela afronta aos termos das leis orçamentárias; · que o acórdão a quo manteve a autuação sob o fundamento de falta de apresentação de documento por parte da recorrente, mostrandose abusivo, ilegal e inconstitucional, pois a recorrente no curso do procedimento fiscal toda vez que intimada, sempre atendeu o fisco de forma clara e transparente, as vezes necessitando de dilação de prazo para reunir os documentos, mas sempre apresentou todos; · que o julgador de primeiro grau não levou em conta as contradições nas afirmações do agente lançador, pois este diz que a recorrente se esquivou em apresentar as informações e documentos, mas depois afirma que após diversas solicitações a empresa apresentou as planilhas solicitadas, sendo fundamental o cancelamento do auto de infração, pois os fundamentos apresentados são ilegais e inconstitucional; · que a recorrente não se conforma com as explicações dadas pelo julgador a quo para justificar os valores absurdos de multa imposta pelo lançador nos referidos autos, sem uma planilha que a justifique, como o somatório foi obtido, o que contrária a legislação nacional, bem como pela rejeição da perícia técnica pedida, o que é direito garantida pela lei, sendo necessário a apresentação do cálculo de forma clara e transparente para o contribuinte que é um leigo em assuntos tributários, em homenagem ao contraditório e a ampla defesa; · que os fundamentos da autuação são meras presunções vagas e hipotéticas, não podendo prevalecer, bem como seus drásticos efeitos, pois imposta uma multa de R$ 16.170,98 e outra de R$ 549.820,80, tendo como fundamento a não apresentação de documentos no curso da ação fiscal, o que é abuso de poder, não podendo a multa ser utilizada de forma disfarçada como meio arrecadatório, não cabendo a aplicação de multa, quando a conduta praticada é permitida por lei, sendo demonstrada a lisura do procedimento adotada pela recorrente, requerse a desconstituição da multa aplicada, por ausência de infração, uma vez que esta inviabiliza a atividade econômica da recorrente, devido a sua baixa lucratividade e sua crise financeira, Fl. 406DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 407 4 requerendose a reforma por este conselho e a desconstituição da multa; · Requerimento: a) acolhimento do recurso com sua decisão; b) cancelamento do débito do auto 51.012.9439; c) produção de todos os meios de prova admitidos em direito em especial a prova pericial, requerendo a posterior formulação de quesitos e indicação de assistente técnico. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 402. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 402. É o Relatório. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 408 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. O contribuinte recorrente está equivocado não há ausência de fundamentação na autuação e muito pelo contrário a fundamentação esta claramente apresentada e descrita na Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 03, identificando cada situação como abaixo transcrito. Não havendo relação confusa, genérica ou imprecisa, inexistindo motivos ou fundamentos para a reforma do acórdão a quo e muito menos para declaração de nulidade da autuação, pois todos os motivos alegados para tal inexistem. Novamente, opera em equivoco a recorrente. A uma, por que a atuação objeto desses autos nada tem a ver com valores não recolhidos, bem como não se reporta a rubrica alguma, pois tais elementos são caracterizadores de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP e nesses autos estamos a tratar de Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, sendo estas, também, chamadas pela doutrina e jurisprudência de descumprimento de dever instrumental, ou seja, obrigação de fazer ou não fazer, nos termos do artigo 115, da Lei 5.172/66, ficando claro que a recorrente não sabe o que diz. A duas, por que ao agente lançador não cabe exercer a jurisdição. Ainda, que na seara administrativa, uma das acepções do vocábulo “jurisdição” é o deverpoder de dizer o direito, coisa que não cabe ao lançador e para melhor clareza da situação, transcrevo a doutrina abaixo. Ato de jurisdição ou jurisdicional: é todo aquele que contém decisão sobre matéria controvertida. No âmbito da Administração, resulta, normalmente, da revisão de ato do inferior pelo superior hierárquico ou tribunal administrativo, mediante provocação do interessado ou de ofício1. (grifo do original). 1 1 Meirelles, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 27ª Edição. Editora Malheiros . São Paulo 2002. página 173. Atualizado por Azevedo, Eurico de Andrade. Aleixo, Délcio Balestero e Burle Filho, José Emmanuel. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 409 6 O agente lançador cumpre o dever estabelecido no artigo 142 e seu parágrafo único, da Lei 5.172/66, não havendo maiores margens para a sua atuação, pois o ato de lançar é direito potestativo do fisco e ato vinculado do agente fiscal, sendo que o agente lançador não é esfera adequada para maiores embates. O lançamento tributário, na modalidade de ofício, é direito potestativo do fisco e o contribuinte não tem participação em sua produção, assim diz a lei, a jurisprudência e a doutrina, veja as transcrições abaixo. Lei 5.172/66 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. PIS. OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. ATO FINAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo omitese no cumprimento dos deveres que lhe foram legalmente atribuídos, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício (CTN, art. 149), iniciandose o prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito (art. 173, I, do CTN). 2. Se a Fazenda Pública notifica o contribuinte do auto de infração no prazo de cinco anos a que alude o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência do direito à constituição do crédito tributário. 3. O direito de lançar é potestativo. Logo, iniciado o procedimento fiscal com a lavratura do auto de infração e a devida ciência do sujeito passivo da obrigação tributária no prazo legal, desaparece o prazo decadencial. 4. Súmula TFR 153: "Constituído, no qüinqüênio, através de auto de infração ou notificação de lançamento, o crédito tributário, não há que se falar em decadência, fluindo, a partir daí, em princípio, o prazo prescricional, que, todavia, fica em suspenso, até que sejam decididos os recursos administrativos". 5. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso especial. (EDRESP 200900655845, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 14/02/2011) Fl. 409DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 410 7 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do Fl. 410DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 411 8 exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. (AGRESP 201001395597, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, 24/11/2010) TRIBUTÁRIO IOF DECADÊNCIA TERMO INICIAL FATO GERADOR DRAWBACK SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE IRRELEVÂNCIA PARA O EXERCÍCIO DO DIREITO POTESTATIVO AO LANÇAMENTO. 1. O IOF não é tributo inerente à atividade de importação/exportação e não integra, em regra, o Termo de Compromisso, forma de constituição do crédito tributário prevista na legislação aduaneira. 2. O fato gerador do IOF na operação de câmbio é a a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este, nos termos do art. 63, II, do CTN. 3. A decadência, direito potestativo, não se interrompe, nem se suspende, de modo que o regime aduaneiro de drawback é irrelevante na fixação do termo inicial do prazo para a constituição do crédito tributário. 4. Recurso especial provido. (RESP 200702726133, ELIANA CALMON, STJ SEGUNDA TURMA, 18/02/2009) Fl. 411DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 412 9 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Para uma melhor compreensão, podese citar o estado de sujeição em que se encontra o contribuinte ao lançamento tributário, não lhe sendo possível impedir o direito de a Fazenda Pública lançar o tributo. Efetuado o lançamento, no entanto, o sujeito passivo poderá simplesmente não realizar o pagamento, frustrando, então, a pretensão da Fazenda. Nesse caso, o prazo para o Fisco efetuar o lançamento tributário (direito potestativo), segundo essa tese, seria de decadência. Já o prazo para a cobrança do crédito tributário não pago (direito a uma pretensão) de prescrição. 2 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx O processo de determinação e exigência do crédito tributário, ou processo de acertamento, ou simplesmente o lançamento tributário, dividise em duas fase: (a) unilateral ou não contenciosa e (b) bilateral, contenciosa ou litigiosa. Este processo também tem recebido a denominação de ação fiscal. A fase não contenciosa é essencial no lançamento de ofício de qualquer tributo. A fase não contenciosa ou unilateral termina com o termo de encerramento de fiscalização, que será acompanhado de um auto de infração nos casos em que alguma infração da legislação tributária tenha sido constatada. Denominase auto de infração o documento no qual o agente da autoridade da Administração tributária narra a infração ou as infrações da legislação tributária atribuídas por ele ao sujeito passivo da obrigação tributária, no período abrangido pela ação fiscal. 3 (todos os destaques são meus). O agente fiscal lançador não agiu com abuso de poder este apenas deu cumprimento ao seu dever legal e utilizouse das prerrogativas que a legislação confere ao dever de fiscalização do agente e nada mais. Aliás, isso fica claro, explicito e cabalmente demonstrado pelo tanto de termos variados que o agente usou no curso do procedimento para comunicar ao contribuinte suas necessidades, suas constatações e conclusões, observese a lista. · Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 34, o qual solicita documentos, recebido, em 26/11/2010; 2 HABLE, José. Decadência e prescrição no direito civil em confronto com o direito tributário. Jus Navigandi, Teresina, ano 13, n. 1941, 24 out. 2008. Disponível em: http://jus.uol.com.br/revista/texto/11878. Auditor tributário da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, graduado em Agronomia pela UFPR, Administração de Empresas pela FAE e em Direito pela CEUB, pósgraduado em Direito Tributário pelo ICAT, mestre em Direito Internacional Econômico pela UCB, professor de Direito Tributário é autor do livro: "A Extinção do Crédito Tributário por Decurso de Prazo" 3 Machado, Hugo de Brito Curso de Direito Tributário 13 Edição Editora Malheiros 1998, pág. 336 e 337. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 413 10 · Termo de Intimação Fiscal – TIF, de fls. 37, o qual concede dilação de prazo para apresentação dos documentos pedidos pelo termo anterior, recebido, em 16/12/2010; · Termo de Intimação Fiscal – TIF, de fls. 39, o qual solicita a apresentação de documentos e esclarecimentos, recebido, em 25/01/2011; · Termo de Constatação Fiscal, de fls. 41, o qual concede prazo suplementar para apresentação dos documentos solicitados pelo termo anterior, recebido, em 18/03/2011, a solicitação de dilação ocorreu apenas em 10/03/2011, ou seja, mais de quarenta dias após o prazo fixado para tal apresentação; · Termo de Intimação Fiscal Nº 2 – TIF, de fls. 42, o qual solicita a apresentação de documentos e esclarecimentos, recebido, em 08/04/2011; · Termo de Intimação Fiscal Nº 3 – TIF, de fls. 44, o qual solicita a apresentação de documentos e esclarecimentos, recebido, em 31/05/2011; · Termo de Intimação Fiscal Nº 4 TIF, de fls. 39, o qual solicita a apresentação de documentos, recebido, em 21/07/2011; · Termo de Intimação Fiscal Nº 5 – TIF, de fls. 47, o qual solicita a apresentação de documentos e esclarecimentos, recebido, em 21/07/2011; · Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 49 a 68, o qual solicita a apresentação de documentos já solicitados e não apresentados e informa sobre irregularidades nos documentos apresentados e a possibilidade de autuação; · Termo de Intimação Fiscal Nº 6 – TIF, de fls. 69 a 82, o qual solicita a apresentação de documentos e justificativas, recebido, em 04/08/2011; · Termo de Constatação Fiscal, fls. 83, o qual concede prazo suplementar para apresentação de documentos, recebido em 16/09/2011; · Termo de Reintimação Fiscal Nº 2 – TRF, de fls. 84, o qual reintima o contribuinte a apresentar os documentos solicitados e não apresentados, recebido, em 10/11/2011; · Termo de Intimação Fiscal Nº 7 – TIF, de fls. 87, o qual solicita a apresentação de documentos e justificativas, recebido, em 06/01/2012; Fl. 413DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 414 11 Inclusive, verificase da leitura desses termos que em várias ocasiões o contribuinte solicitou prorrogação do prazo para apresentação dos documentos e teve esta prorrogação concedida, bem como apesar das diversas solicitações feitas vários dos documentos não foram apresentados, o que está consignados nos próprios termos e no REFISC, de fls. 09 a 15. Isso ao contrário do que diz a recorrente comprova de forma clara, objetiva e terminativa o cometimento de infração por desrespeito à lei tributária. Mais uma vez a recorrente se engana, no presente caso não existe tributação da “cota utilidade” e muito menos erro do julgador a quo em razão desta rubrica este apenas no relatório de seu acórdão cita tal cota em obter dictum, transcrevendo passagens do REFISC e da própria recorrente na Impugnação e nada mais, se houve erro foi da recorrente. A infração caracterizouse justamente pela não apresentação por parte do contribuinte de determinados documentos solicitados pelas fiscalização, o que ficou caracterizado nos termos alhures citados e no REFISC, conduta essa do contribuinte que viola a lei. Não há contradições nas alegações e afirmações do agente lançador, pois esse solicitou ao contribuinte diversos documentos e esclarecimentos e o fornecimento de um e o não fornecimento do outro caracteriza a infração e não se funda em contradição, se esta ocorreu foi da parte da recorrente. Assim sendo, não há razão para que o auto seja cancelado, pois este se encontra dentro de todas as determinações constitucionais e legais. A recorrente tem o direito de não se conformar com o que ela bem entender, mas isso não é motivo para que a atuação ou qualquer de seus elementos sejam modificados, pois esta atende a todos os requisitos e exigência legais, não havendo mácula a inquinála. Não há valor de multa absurda, abusiva ou injusta a multa aplicada foi determinada pelo legislador ordinário que no curso do projeto de lei no Congresso Nacional certamente levou em conta a razoabilidade e a proporcionalidade, pois só a ele cabe a aplicação desses princípios na elaboração das leis ou ao Presidente da República quando utilizase de seu prerrogativa de iniciativa legislativa, artigo 84, III, da CRFB/88. Ao fisco só cabe cumprir e aplicar a lei existente, vigente e válida e nada mais. As multas estão previstas no artigo 92 e 100, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 283, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99 e anualmente são reajustadas por MP convertida em lei. Tratase de providência desnecessária e inútil fazer, confeccionar ou elaborar planilha para demonstrar valor fixo de multa que está determinada na legislação tributária e que foi expressamente explicitada no REFISC, fls. 13, observase a transcrição do relatório. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 415 12 As provas do processo são meios para que o julgador chegue ao seu livre convencimento motivado e as provas periciais podem e devem ser rejeitadas quando não apresentarem utilidade para o processo e o convencimento do julgador, vejam as posições, abaixo citadas. HABEAS CORPUS. ART. 19, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 7.492/1986. ART. 333, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO PENAL. PACIENTE ABSOLVIDO. PEDIDO PREJUDICADO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL REQUERIDA NA DEFESA PRELIMINAR E NA FASE DO ART. 499 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO FUNDAMENTADA. RAZOABILIDADE. 1. Diante da notícia de que um dos pacientes foi absolvido na ação penal de que aqui se cuida, o writ mostra se prejudicado quanto a ele. 2. É pacífico o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal de que o deferimento de prova pericial e de diligências na fase do art. 499 do Código de Processo Penal está condicionado à avaliação de sua conveniência, cabendo ao julgador aferir, em cada caso, dentro da esfera de discricionariedade, a real necessidade da medida para a formação de sua convicção. 3. Não há que falar em cerceamento de defesa se o indeferimento da realização da perícia está suficientemente justificado, de forma razoável, notadamente pela possibilidade de a defesa produzir provas diversas capazes de atingir o fim almejado com a perícia, assim também pela existência de outros elementos de convicção hábeis a comprovar a prática do delito, não evidenciado qualquer constrangimento ilegal. 4. Habeas corpus julgado prejudicado quanto a a Flávio Antônio Bonet e denegado em relação a Cezar Antônio Bonet. (HC 200601141456, PAULO GALLOTTI, STJ SEXTA TURMA, 30/06/2008) (o grifo é meu). Além do que dito acima, o pedido de perícia não atende as determinações legais sobre a matéria, o que implica a aplicação do artigo 16, IV, parágrafo 1º, do Decreto 70.235/72, o que demonstra desconhecimento da recorrente sobre a matéria. A ampla defesa e contraditório se desenvolve e se realiza dentro do devido processo legal e no caso do PAF Federal este se dá nos termos do Decreto 70.235/72 é o que diz o Superior Tribunal de Justiça – STJ, veja a ementa transcrita. EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO Fl. 415DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 416 13 ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: Fl. 416DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 417 14 "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu). A recusa e sonegação de apresentação de documentos por parte da empresa recorrente está amplamente demonstrada nos relatórios, termos e documentos que compõe os presentes autos, não sendo verídicas as alegações de que este se baseia em presunções vagas e hipotéticas. Como exaustivamente esclarecido anteriormente o presente AIOA aplica uma multa de R$ 16.170,98 e nada mais o outro valor citado não é objeto deste auto e em relação a este, bem como a “cota utilidade” ocorre divórcio ideológico. Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer Fl. 417DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13896.721491/201282 Acórdão n.º 2803003.155 S2TE03 Fl. 418 15 a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) A lei não autoriza que o contribuinte deixe de apresentar ao fisco os esclarecimentos e documentos necessários ao desenvolvimento dos procedimentos de fiscalização pelo contrário a lei obriga que os contribuintes apresentem todos os documentos, livros e esclarecimentos solicitados pelo fisco, artigo 33, parágrafos 1º, 2º, da Lei 8.212/91 c/c artigo 195, parágrafo único, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 1.193,da Lei 10.406/2002, sendo que o artigo 33, § 3º autoriza a aplicação de multa não caso de descumprimento da lei. A infração está devidamente demonstrada e comprovada não havendo razão para a sua desconstituição, as dificuldades financeiras da empresa recorrente não autoriza que a multa seja desconstituída, pois o risco da atividade econômica é do empreendedor, especialmente quando a conduta do próprio recorrente dá causa a autuação, aplicase aqui o artigo 136, da Lei 5.172/66. Desta forma, rejeitos todas as alegações de fato e de direito da recorrente, pois desprovidas de fundamentos. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 35166.000508/2007-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamento correlatos.
Numero da decisão: 9202-003.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamento correlatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 16 6. 00 05 08 /2 00 7- 84 Fl. 24DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 9202003.079 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls.0478, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0466, que decidiu dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. ENTIDADE ISENTA A entidade isenta está obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, consoante determinação expressa no art. 175, § único, do CTN. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103 A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. MULTA APLICADA Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A, da Lei n. 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos motivadores da multa até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar Fl. 26DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. Em síntese, o litígio em questão versa sobre a forma de cálculo para aplicação da retroatividade benigna, determinada no Art. 106 do CTN, na infração à obrigação acessória citada (GFIP). Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Decisões que divergem sobre a forma de cálculo para aplicação da retroatividade benigna, determinada no Art. 106 do CTN, Acórdão 240100.127; 2. Devem ser comparada, para a correta aplicação do determinado no CTN, as penalidades sofridas antes da alteração legislativa, com a aplicada atualmente, após a alteração legislativa; 3. Nessa linha de raciocínio, o lançamento e o Auto de Infração devem ser mantidos, corn a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, c 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP 449; 4. Ante o exposto, requer conhecimento e provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0482, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0488, argumentando, em síntese, que o recurso não deve ser conhecido e, caso seja, que seja improvido. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 9202003.079 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Esclarecendo, ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, com o surgimento do Art. 35A na Lei 8.212/1991. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para a recorrente, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Para tanto, devese comparar as penalidades impostas antes da alteração legislativa com as posteriores a alteração legislativa. Conseqüentemente, para tanto, devese comparar a multa constante dos autos com a resultante do cálculo da multa expressa no I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzidas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos e caso seja mais benéfico à recorrente utilizar esse valor. Portanto, o recurso deve ser provido, nos termos solicitados pela recorrente. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO ao recurso da Procuradoria, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 29DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 18088.720298/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
GANHO DE CAPITAL VENDA DE ÔNIBUS USADOS. SIMULAÇÃO. A criação e utilização de terceira sociedade empresária coligada com o fim de oferecer à tributação, sob a forma de lucro presumido, receitas decorrentes da venda de ônibus usados que se fossem tributadas na empresa cedente seriam taxadas integralmente, sob a modalidade de lucro real, autoriza o lançamento da diferença dos tributos na contribuinte cedente, bem como a imputação de multa qualificada em razão da fraude cometida.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES. Os administradores da pessoa jurídica respondem solidariamente pelo crédito tributário que deixar de ser recolhido mediante simulação e fraude.
Numero da decisão: 1101-001.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
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SIMULAÇÃO. A criação e utilização de terceira sociedade empresária coligada com o fim de oferecer à tributação, sob a forma de lucro presumido, receitas decorrentes da venda de ônibus usados que se fossem tributadas na empresa cedente seriam taxadas integralmente, sob a modalidade de lucro real, autoriza o lançamento da diferença dos tributos na contribuinte cedente, bem como a imputação de multa qualificada em razão da fraude cometida. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES. Os administradores da pessoa jurídica respondem solidariamente pelo crédito tributário que deixar de ser recolhido mediante simulação e fraude. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 02 98 /2 01 2- 62 Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório EMPRESA CRUZ DE TRANSPORTES LTDA e responsáveis tributários Constantino de Oliveira Júnior, Joaquim Constantino Neto, Henrique Constantino, Ricardo Constantino e Rui Martins de Oliveira, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 28/05/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 7.390.381,46. A autoridade lançadora constatou que ônibus usados pertencentes à autuada foram transferidos para Morasol Comércio de Veículos Ltda (MORASOL) mediante integralização de capital, sendo posteriormente vendidos e tributados na sistemática do lucro presumido, com distribuição da quase totalidade dos lucros contábeis obtidos de R$ 8.610.185,63 aos seus sócios. Apurou, contudo, que MORASOL estava estabelecida em uma sala nas instalações da contribuinte autuada, permanecendo os ônibus no pátio desta, com a qual também foram mantidos os contatos para compra dos veículos. Além disso, a autuada arcou com os custos administrativos e de vendas vinculados às operações supostamente realizadas por MORASOL, e compradores declararam ter mantido contato com funcionários da autuada para a aquisição dos veículos. Assim, a Fiscalização concluiu que MORASOL não dispunha de autonomia patrimonial que lhe possibilitasse ter exercido a venda de ônibus usados para terceiros. O resultado apurado na venda de tais veículos, no montante de R$ 8.820.368,81 (vendas de R$ 9.250.490,00 reduzidas pelo custo de transferência dos ônibus de R$ 430.121,19), foi adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL da autuada, assim como o foram receitas financeiras contabilizadas por MORASOL, provenientes dos valores auferidos pelas vendas dos ônibus usados. A autoridade fiscal admitiu despesas registradas por MORASOL, mas considerou desnecessárias aquelas correspondentes à constituição de MORASOL e ao ICMS pago na revenda de veículo usado, dado que a operação seria de venda de imobilizado. No cálculo das exigências, foram descontados os tributos federais recolhidos por MORASOL, porque provenientes de atividades da autuada. Ante o estreito vínculo entre MORASOL e a autuada, ambas submetidas à ingerência das mesmas pessoas naturais; a transferência de ônibus usados da autuada para MORASOL por valores notoriamente inferiores aos preços de mercado; as declarações de empresas que teriam pago pela compra de ônibus antes de a autuada têlos transferido à MORASOL; e, por fim, o fato de que todo o lucro contábil teria retornado aos seus quotistas, que em última análise são as pessoas físicas de Constantino de Oliveira Júnior, Joaquim Constantino Neto, Henrique Constantino, Ricardo Constantino e Rui Martins de Oliveira, a Fiscalização entendeu tratarse de operações simuladas, em que MORASOL foi utilizada apenas para emissão de nota fiscal a terceiro com o fim de concentrar nela a tributação reduzida, caracterizando evasão fiscal. Em conseqüência, foi aplicada multa qualificada no percentual de 150%. Foram considerados responsáveis tributários, com base no art. 135, III, do Código Tributário Nacional (CTN) os senhores Constantino de Oliveira Júnior, Joaquim Constantino Neto, Henrique Constantino, Ricardo Constantino e Rui Martins de Oliveira. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 5 4 A autuada e os responsáveis impugnaram a exigência opondose à acusação de sonegação; justificando a atuação de MORASOL e a separação das atividades de transporte e venda de veículos; questionando o encerramento de procedimento fiscal perante MORASOL sem apuração de infrações; esclarecendo a atuação dos administradores e sócios; afirmando a validade da cessão gratuita de espaço e materiais entre as empresas; negando a existência de dolo; reportandose aos procedimentos previstos no parágrafo único do art. 116 do CTN; observando que o numerário percebido não foi incorporado ao patrimônio da autuada; questionando a tributação dos rendimentos de aplicação financeira; argüindo cerceamento ao direito de defesa na imposição da multa qualificada; negando a existência de simulação; invocando a Súmula CARF nº 14; e questionando a imputação de responsabilidade tributária. Noticiaram, ainda, o depósito em juízo do crédito tributário discutido, mas a autoridade julgadora de 1a instância observa que, ante medida cautelar preparatória para depósito judicial em face da União, na qual os interessados postularam também o direito à redução da multa de ofício em 50%, o pedido de antecipação de tutela foi indeferido sob o fundamento de que a impugnante não efetuou o depósito da parte controvertida. A Turma Julgadora, observando inexistir concomitância em face do pedido dirigido ao Poder Judiciário, rejeitou os argumentos veiculados na impugnação, aduzindo que: · Ao promover a venda dos veículos fazendo uso apenas formal da Morasol, com a utilização de toda a estrutura da Empresa Cruz, os responsáveis por ambas instituições visaram reduzir os tributos decorrentes das operações, conforme será detalhado adiante. Do que consta dos autos verificase que a Morasol prestouse apenas a emissão de documentos fiscais. · O procedimento fiscal anterior realizado em Morasol prestouse apenas a verificar a sistemática de cálculo do lucro presumido, sendo sua identidade com a autuada constatada posteriormente; · Quanto à desnecessidade de uma estrutura complexa para as poucas vendas realizadas, temse que contrato de cessão não tem objeto determinado e carece de comprovação de ser contemporâneo aos fatos apurados. Por sua vez, as diferentes formas de tributação adotadas pelas empresas ensejou a realização de despesas equivalentes a 92% das receitas sem qualquer comprovação, e conseqüente economia de imposto no valor de R$ 2.434.287,42. · ... os atos praticados devem ser encarados sob a óptica do abuso de direito, que se ocupa com a inibição de práticas que embora observem legislação específica implicam distorção no equilíbrio do relacionamento entre as partes, seja pela utilização de um poder ou de um direito em finalidade diversa daquela para a qual o ordenamento assegura sua existência, seja pela sua distorção funcional, por inibir a eficácia da lei incidente sobre a hipótese sem razão suficiente que a justifique... · ... não há dúvida de que os impugnantes têm o direito de organizar sua vida da maneira que melhor julgarem. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. No caso, configurou abuso de direito os impugnantes terem criado a interposta pessoa Morasol, de existência meramente formal, com o objetivo de obter base de cálculo decorrente da venda de ônibus reduzida, pois os custos foram suportados pela Empresa Cruz. Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 6 5 · Em resumo, o abuso de direito é um caso de ineficácia parcial de um ato praticado, cuja figura tem como características uma norma, um direito e um excesso cometido no seu exercício. Assim, a ilicitude que contamina a operação está no excesso, não sendo caso de desconsiderála e sim de identificar o ilícito cometido, como feito neste caso. Nestas condições, o Fisco não fica submetido aos procedimentos do artigo 116, parágrafo único, do CTN, pois o preceito legal aplicável ao caso em foco é a norma do artigo 149 do CTN c/c o artigo 249 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999). · ... se o objetivo foi o de esconder, iludir, ainda que tivesse sido dado conhecimento ao Fisco do que fora instituído no lugar do que efetivamente o contribuinte pretendia, não há dúvida de que obrou em dolo na prática da figura típica. No caso, ficou caracterizada a intenção dolosa em face da simulação praticada pelos impugnantes, que se utilizaram de empresa de existência meramente formal com o objetivo de recolher tributos substancialmente inferiores àqueles que seriam devidos pela Empresa Cruz, se tivesse oferecido à tributação a receita decorrente da venda dos ônibus. · A solidariedade dos responsáveis está presente, na medida em que a afirmação inserida no relatório fiscal de que os sócios tinham pleno conhecimento de que a Morasol estava sendo utilizada pela Empresa Cruz para praticar as vendas com vistas à redução da carga tributária foi confirmada pelos próprios impugnantes quando afirmam que os administradores retiraram as operações de venda de veículos da Empresa Cruz e suscitaram a possibilidade de elas terem sido realizadas apenas por seus administradores e sócios diretos e indiretos, utilizandose gratuitamente da estrutura da outra sociedade empresária (fl. 1324, itens 32/5). Conseqüência disto foi a absorção 92% do valor da receita que seria integralmente oferecida se as vendas fossem oferecidas à tributação por meio da Empresa Cruz. Cientificados da decisão de primeira instância entre as datas de 17/07/2013 e 27/07/2013 (fl. 1450/1458), a contribuinte e os responsáveis interpuseram recurso voluntário conjunto, tempestivamente, em 09/08/2013 (fls. 1461/1478). Preliminarmente anotam que o acórdão recorrido não enfrentou argumentos da defesa referentes a: 1) impossibilidade de MORASOL ter sido constituída para sonegar tributos, na medida em que o ganho de capital só é apurado após a alienação dos veículos; 2) inocorrência de sonegação se houvesse prejuízo fiscal; e 3) alienação de 44 veículos no período de 56 meses, ou seja, menos de um veículo por mês, e conseqüente desnecessidade de uma estrutura empresarial completa. Pedem, assim, que haja enfrentamento do fato de que as atividades da Morasol são diminutas e podem ser executadas pessoalmente por seus sócios, bem como a total impossibilidade de que as operações tenham sido realizadas com o objetivo de sonegar tributos cuja apuração de crédito tributário demandam a obtenção de lucro em operações futuras. Com referência ao procedimento fiscal anterior, argumentam que se existência física não tivesse, obviamente, o procedimento de fiscalização da Morasol jamais teria andamento ou seria concluído. Ou seja, em resumo e de forma simples, em outra fiscalização, a Receita Federal do Brasil não constatou que a Morasol não existe; ou que foi criada para sonegar tributos; ou que suas operações são simuladas; ou que se trata de Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 7 6 sonegação fiscal e crime tributário; ou que há fraude com o explícito intuito de não pagar tributos; etc... Prosseguem apontando que o acórdão recorrido não enfrentou as negativas de planejamento tributário ou elisão fiscal, quanto mais de evasão fiscal, justificando a separação das operações de transporte e de venda de veículos por serem estas extremamente reduzidas, e novamente destacando que a apuração dos tributos somente se dá ao final do anocalendário, ao passo que em 2006 somente foram alienados dois ônibus, e outros poucos de 2007 a 2010. O acórdão recorrido também não teria enfrentado a impossibilidade de os recorrentes saberem que teriam lucro em suas atividades nos seis anos subseqüentes à constituição da MORASOL. Insistem na possibilidade de as operações terem sido realizadas apenas por seus cinco administradores e sócios diretos e indiretos da Morasol e na desnecessidade de estrutura complexa no âmbito financeiro, contábil e comercial. E questionam por que os seus sócios, utilizandose gratuitamente da estrutura de uma mesma empresa do mesmo grupo empresarial, não podem realizar este trabalho? Não houve, assim, planejamento tributário, elisão fiscal, simulação ou fraude, mas apenas o propósito negocial que se recusa reconhecer: duas empresas do mesmo grupo econômico têm os mesmos administradores – em uma eles vendem veículos e em outra eles transportam pessoas, até porque seus sócios conversam com seus conhecidos do mesmo ramo de atividade e vendem os veículos usados, pagando comissões para intermediários quando cabível, como expôs o Ilustre Fiscal de Renda as fls. 61 do Relatório Fiscal. Negam a ocorrência de evasão fiscal, dolo ou simulação porque todos os atos praticados foram explicitamente declarados ao Fisco na forma da lei e todos os tributos devidos em todas as operações foram recolhidos corretamente. Não foi praticado nenhum ato anti jurídico, declarandose todas as operações e lucro obtidos na alienação dos veículos, e a jurisprudência deste Conselho não se satisfaz com a mera presunção por meio da constatação de que houve pagamento de tributos a menor. Entendem que o bom senso demonstra que uma empresa criada em 2006 para vender dois ônibus, que vendeu seis veículos no ano seguinte, certamente não tem o explícito objetivo de sonegar tributos. Citam julgado administrativo em reforço aos seus argumentos. Argumentam que a simples leitura do Auto de Infração demonstra que ele se fundamenta sim no artigo 116, parágrafo único do CTN, e asseveram que o acórdão recorrido não enfrenta argumento substancial da defesa, no sentido de que se existiu uma dissimulação da ocorrência do fato gerador, o que se admite apenas para considerar, somente existiria a possibilidade da autoridade fiscal desconsiderar os atos ou negócios jurídicos praticados e realizar o lançamento sobre os seus participantes, se fossem observados os procedimentos estabelecidos em legislação ordinária. Observam que a lei ordinária tratando do tema ainda não foi editada e citam doutrina para afirmar inaplicável a desconsideração de atos jurídicos pela Autoridade fiscal, classificando de nulo o lançamento. Acrescentam que o acórdão recorrido não analisou a questão da ausência de renda tributável, no sentido de que o numerário resultante das operações em questão não foram incorporados ao patrimônio da Empresa Cruz, em clara ofensa ao disposto no artigo 43 do Código Tributário Nacional e todas as demais normas correlatas, uma vez que a Empresa Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 8 7 Cruz não adquiriu a disponibilidade econômica tributável. Estendem seus argumentos à tributação de rendimentos de aplicações financeiras de MORASOL e observam que o acórdão recorrido não avaliou que os atos praticados pela Morasol na realização de suas aplicações financeiras não foram questionados pela Fiscalização e não se correlacionam com as atividades próprias da Empresa Cruz, tendo sido regularmente tributados. Com referência à multa de ofício, aduzem que o acórdão recorrido não julga o fato de não ter havido indicação de qual hipótese legal de enquadramento dos fatos objetos desse processo administrativo, tendo em vista que do item 10 (pág. 64) do Relatório de Atividade Fiscal não há indicação se as pretensas operações simuladas caracterizariam sonegação, fraude ou conluio. Entendem que esta omissão impõe o afastamento das alegações de operações simuladas, até porque as pessoas envolvidas jamais agiram com máfé, tendo em vista que a Morasol sempre recolheu seus tributos regularmente, bem como os termos de sujeição passiva dos corresponsáveis administradores da sociedade descrevem que eles apenas tinham conhecimento dos pretensos fatos alegados. E invocam a Súmula CARF nº 14 para afirmar indispensável a caracterização de conduta dolosa para a qualificação da penalidade. Por fim, quanto aos termos de sujeição passiva, asseveram que não foi considerado o fato de que para a caracterização da corresponsabilidade é imprescindível que haja a específica definição de qual o ato ilícito praticado por cada um dos corresponsáveis, bem como provado o dolo da conduta. Em seu entender, o acórdão recorrido não aponta quais elementos do processo administrativo demonstram que ato foi praticado por cada um dos corresponsáveis pelo ilícito fiscal, não analisa a inobservância das disposições da Portaria 180/210 da PGFN, bem como não atende a regulamentação específica da Receita Federal do Brasil sobre o tema. Neste contexto, a corresponsabilização se dá em razão do AuditorFiscal ter constatado que a pessoa física do administrador tinha pleno conhecimento de que a Morasol foi utilizada pela Empresa Cruz para fins de prática de operações simuladas visando a evasão fiscal de tributos, embora nada nos autos comprove este conhecimento, até porque os administradores não foram intimados a se manifestar. Acrescentam que ter conhecimento de algum ato ou fato jurídico não é agir com excesso de poderes ou em infração a lei ou ao contrato social da empresa, e, de qualquer forma, as pessoas físicas dos administradores jamais agiram com intenção de sonegar tributos ou com máfé na condução de seus negócios. Citam doutrina no sentido de que somente é possível a responsabilização pessoal se houver prova inequívoca de que o não recolhimento de tributo resultou da atuação dolosa ou culposa do sóciogerente ou diretor, que, com o seu procedimento, causaram violação a lei, ao contrato ou ao estatuto. Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Os recorrentes enfatizam aspectos de sua defesa que teriam sido desmerecidos pela autoridade julgadora de 1a instância. Todavia, observase que a decisão recorrida acolheu a acusação fiscal de simulação, e conseqüente fraude na redução dos tributos devidos, aspectos suficientes para manutenção da exigência, da qualificação da penalidade e da imputação de responsabilidade tributária. E, de fato, não merece qualquer relevo a alegação de que MORASOL não poderia ter sido constituída para sonegar tributos, no suposto de que o ganho de capital somente é apurado após a alienação dos veículos. Isto porque o valor de mercado de veículos é de conhecimento público, e não poderia ser ignorado pelos representantes da fiscalizada, os quais certamente vislumbraram claramente o ganho de capital que seria obtido com a alienação de veículos depreciados contabilmente, e buscaram reduzir a carga tributária que, na sistemática do lucro real, incidiria sobre a totalidade do ganho a ser auferido em tais operações. E, conhecedores do negócio operado, certamente a possibilidade de apuração de prejuízos fiscais pela autuada mostrouse significativamente inferior à possibilidade de obtenção de lucros nos períodos autuados, os quais ensejariam a incidência do IRPJ e da CSLL sobre a integralidade do resultado auferido, em confronto com o insignificante valor contábil dos ônibus. Na prática, as operações geraram lucros que variaram de 401% a 17.611%. Acrescentese a estas inferências a constatação fiscal de tratativas para aquisição de ônibus iniciadas antes da transferência dos veículos da autuada para MORASOL, como demonstrado no quadro que integra o Relatório Fiscal (fl. 1237): Além destas, a Fiscalização constatou operações supostamente realizadas por MORASOL em até 10 (dez) dias após a data em que os ônibus usados foram transferidos pela autuada: Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 10 9 Ou seja, a estrutura formal construída pelos interessados lhes permitia antever o ganho de capital que seria auferido e promover, no curso das tratativas, a transferência do veículo para MORASOL, de modo a reduzir a carga tributária sobre o resultado da operação. Basta observar que o capital social de MORASOL, originalmente no valor de R$ 50.000,00 em 10/05/2006, foi elevado sucessivamente para R$ 400.000,00 em 03/05/2007, R$ 600.000,00 em 26/09/2008 e R$ 700.000,00 em 01/03/2011, os quais nunca foram integralizados totalmente naquelas datas (Relatório Fiscal, fls. 1220/1221), sempre restando parcelas a serem entregues pelos sócios em momento futuro, quando lhes fosse conveniente. A própria Fiscalização destaca que tais operações evidenciam que a autuada tinha conhecimento do preço de mercado dos ônibus usados que teria transferido à MORASOL, visto que os contratos para alienação dos veículos acima citados ocorreram ANTES da transferência dos mesmos para a MORASOL. E acrescenta outras referências a recibos de adiantamento firmados na mesma data de transferência dos veículos à MORASOL cujo valor já superava o de transferência do veículo, e a recibos reportandose à celebração de compromisso de compra e venda de mesma data da transferência dos veículos. Os recorrentes também enfatizam que somente foram alienados 44 veículos no período de 56 meses, ou seja, menos de um veículo por mês, a evidenciar a desnecessidade de uma estrutura empresarial completa, pois as atividades são diminutas e podem ser executadas pessoalmente por seus sócios. Mais à frente acrescentam que seus sócios conversam com seus conhecidos do mesmo ramo de atividade e vendem os veículos usados, pagando comissões para intermediários quando cabível, como expôs o Ilustre Fiscal de Renda as fls. 61 do Relatório Fiscal. Todavia, o extenso trabalho fiscal demonstra que as vendas não eram praticadas pessoalmente pelos sócios da autuada, bem como prova que ao menos um intermediador apresentou documentos de seu relacionamento com empregado da autuada. De fato, MORASOL já havia esclarecido à Fiscalização que não possuía empregados porque seus administradores respondiam pessoalmente pelas operações de compras e vendas em todas as suas fases, inclusive valendose do suporte de empresas que intermediavam as negociações mediante comissão. E, analisando as operações de MORASOL, a Fiscalização constatou que: · O anúncio de venda de veículos usados no imóvel da autuada não fazia referências a MORASOL e inexistia qualquer outra placa indicativa de sua operação naquele mesmo endereço, permitindo Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 11 10 concluir que MORASOL se valia dos meios de propaganda da autuada; · O estabelecimento de MORASOL restringese a uma sala com uma placa indicando sua razão social e o número 2, e seu acesso se faz mediante identificação e condução de funcionários da autuada; · Inexiste qualquer armário de documentos, telefone ou computador na referida sala, mas apenas uma mesa sem gavetas ou cadeiras, sobre a qual estavam diversos equipamentos usados de propriedade da autuada, além de um ponto para conexão de telefone/fax e de tomada de rede elétrica. Em segunda visita ao estabelecimento, foram encontradas também quatro cadeiras e outros equipamentos usados, destinados a doação, e caixas vazias. Em terceira visita, constatouse a presença de auditores independentes que estariam, segundo alegações, auditando a contabilidade da autuada e de MORASOL; · Os ônibus usados “adquiridos” por MORASOL ficavam no pátio da autuada e estavam anunciados no site desta onde, embora com referência à razão social de MORASOL, somente estavam indicados telefones e email da autuada, sendo as ligações atendidas por empregados desta; · O procurador designado por MORASOL para atendimento à Fiscalização é empregado da autuada; alguns documentos de MORASOL estavam arquivados na sala 13 do imóvel da autuada, juntamente com os principais documentos desta e de Cruz Encomendas Rodoviárias Ltda (CRUZ ENCOMENDAS), e outros no arquivo geral da autuada, inclusive rotulados como referentes a ela; · MORASOL valiase de programa contábil cuja utilização era paga, apenas, pela autuada de CRUZ ENCOMENDAS, e os registros contábeis eram feitos por empregados da autuada, em equipamentos da autuada; · A documentação de veículo para venda foi localizada na referida sala 13, assim como o ônibus correspondente estava no pátio da autuada, ainda identificado com o seu logotipo; · Os compradores declararam ter buscado informações sobre os ônibus em telefones da autuada, e alguns informaram como contatos empregados da autuada ou de CRUZ ENCOMENDAS, os quais não declararam qualquer rendimento recebido de MORASOL; · A maior parte das vendas foi realizada mediante contato com o administrador da autuada, de CRUZ ENCOMENDAS e de MORASOL Rui Martins de Oliveira; Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 12 11 · Intermediador indicou como contato para venda de ônibus funcionário da autuada, que poderia ser localizado em outra sala desta, distinta daquela que serviria de domicílio a MORASOL; · Mensagem de funcionário da autuada orientando o depósito de sinal do negócio em conta de MORASOL, para a qual o veículo ainda seria transferido, a evidenciar que após toda a negociação com o adquirente (estipulado qual veículo seria alienado: placa CZB0360; definido o valor do sinal a ser pago pelo cliente: R$ 45.000,00; estabelecido o valor total da operação: R$ 245.000,00 e combinada a forma de pagamento do sinal: depósito em conta bancária), o ônibus usado seria transferido para a MORASOL para, apenas e tão somente, emitir a nota fiscal de venda; · Contrato de comodato firmado entre a autuada e MORASOL não permitia confirmar sua assinatura em 16/08/2006 por ausência de reconhecimento de firma, não tinha por objeto bens não fungíveis, e a referência a parcelas de imóvel, estrutura administrativa, móveis, serviços e quaisquer outros itens necessários revelava objeto indeterminado, inclusive quanto à responsabilidade de MORASOL pela correspondente conservação; · Empregados da autuada estão indicados na nota fiscal como responsáveis pelo transporte dos ônibus do pátio desta para o endereço do comprador, inexistindo qualquer registro na MORASOL de pagamento de contribuição previdenciária em razão de serviços autônomos por eles prestados; Evidente, assim, que a alegada segregação entre as atividades da autuada e de MORASOL não se verificou na prática. Os fatos constatados embasam a conclusão fiscal de que a constituição da MORASOL não possibilitou que a EMPRESA CRUZ pudesse se concentrar em suas atividades específicas, conforme alegação do administrador daquela pessoa jurídica. Permitem concluir, também, que as atividades de venda de ônibus usados não foram promovidas pessoalmente pelos sócios de MORASOL, mas sim por meio da estrutura administrativa e comercial da autuada, figurando a pessoa jurídica por eles constituída apenas formalmente na emissão das notas fiscais de venda. A Fiscalização destaca, inclusive, a resposta de Rui Martins de Oliveira a uma das intimações, na qual ele disse que a Fiscalização requeria documentos de MORASOL como se a Contribuinte fosse uma empresa comum de comércio de veículos, o que não poderia prosperar pois as atividades da Contribuinte estão intimamente ligadas às de sua sócia majoritária. E, comprovando que MORASOL não era uma pessoa jurídica comum, enuncia a aquisição de ônibus exclusivamente da autuada, e sempre por valor notoriamente inferior ao de mercado, os quais eram supostamente vendidos sem a utilização de mão de obra contratada, sequer para transporte dos ônibus vendidos, e sem dispor de qualquer infraestrutura, ou incorrer em qualquer custo usual em sociedades empresárias (despesas com IPTU, água e esgoto, energia elétrica, Internet, telefone, segurança ou limpeza), mas ainda assim auferindo lucros que variaram de 401% a 17.611,8% em suas operações, no total de R$ 8.610.185,63, quase integralmente (99,9978%) distribuídos aos sócios de MORASOL. Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 13 12 Não há dúvidas, portanto, que antevendo o ganho de capital que seria auferido na venda de ônibus de sua frota já significativamente depreciados, a contribuinte e seus responsáveis constituíram uma estrutura artificial por meio da qual reduziram a base tributável em razão destas operações e distribuíram o lucro assim auferido àqueles que arquitetaram o esquema de evasão fiscal. Frente a este contexto, revelase destituída de qualquer eficácia a defesa da contribuinte no sentido de que se existência física não tivesse, obviamente, o procedimento de fiscalização da Morasol jamais teria andamento ou seria concluído. Ou seja, em resumo e de forma simples, em outra fiscalização, a Receita Federal do Brasil não constatou que a Morasol não existe; ou que foi criada para sonegar tributos; ou que suas operações são simuladas; ou que se trata de sonegação fiscal e crime tributário; ou que há fraude com o explícito intuito de não pagar tributos; etc.. A autoridade lançadora promoveu diligências no estabelecimento de MORASOL e reuniu todas as evidências acima resumidas acerca da sua inexistência de física, de modo que a realização da diligência não pode se prestar como argumento para afirmar o contrário. Antes disto, como já observado pela autoridade julgadora de 1a instância, outro procedimento fiscal realizado restringiuse a aferir o cumprimento das obrigações tributárias decorrentes das vendas, tendo o foco da fiscalização na Morasol sido direcionado para verificação da sistemática de cálculo do lucro presumido (fls. 1401/3), não para constatação de sua existência física, até porque os termos apresentados pelos recorrentes foram lavrados na própria DRF/Araraquara, e não no estabelecimento de MORASOL. Em verdade, o fato de as operações de venda de veículos serem extremamente reduzidas é um argumento contrário à sua segregação, pois não justificaria a constituição de uma outra estrutura empresária para a prática de operações que poderiam ser facilmente realizadas pela própria autuada, como aliás, foram. E, quanto à possibilidade de os seus sócios, utilizandose gratuitamente da estrutura de uma mesma empresa do mesmo grupo empresarial, realizar este trabalho, inexistiria qualquer objeção se ambas as empresas estivessem submetidas à mesma sistemática de tributação. No caso, porém, além de descarregar na autuada os custos para manutenção da estrutura supostamente utilizada gratuitamente pelos sócios das empresas (a Fiscalização destaca às fls. 1263/1264 que não houve qualquer adição ao lucro real, pela autuada, das despesas que caberiam a MORASOL em razão do contrato de comodato, a reforçar o seu objeto indeterminado), as receitas daí decorrentes foram submetidas à tributação na sistemática do lucro presumido, classificadas como venda de mercadorias, e não de imobilizado, sendo assim reduzidas em outros 92% por conta de custos e despesas que já haviam onerado o lucro da fiscalizada. Patente o planejamento tributário baseado em meios ilícitos, que conduz à evasão fiscal na forma da doutrina citada pela Fiscalização, mediante simulação, frente à evidente inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado (Acórdão nº 101 95.409, citado pela Fiscalização) e conseqüente fraude, como claramente exposto no Relatório Fiscal (fl. 1281), ao contrário do que alegado pelos recorrentes; 10. MULTA DE OFÍCIO APLICADA Inicialmente, convém destacar o que dispõem os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.5402 de 30/11/1964: [...] Conforme demonstrado no item 7, deste relatório, a EMPRESA CRUZ se utilizou de operações simuladas para tributação dos valores auferidos nas vendas dos seus Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 14 13 ônibus usados a terceiros. Houve simulação, também, na tributação dos rendimentos de aplicação financeira na MORASOL, visto que os valores aplicados foram provenientes das vendas dos ônibus usados da EMPRESA CRUZ. Portanto, para os valores lançados de ofício discriminados nos subitens 9.1 e 9.2, foi aplicada MULTA DE OFÍCIO de 150% em virtude da ocorrência de fraude em virtude do disposto no art. 44, inciso I, §1o da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, transcrito a seguir: [...] A acusação fiscal reúne todos os elementos necessários para conclusão de que a simulação praticada equivale, na forma do art. 72 da Lei nº 4.502/64, a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir seu pagamento. É clara a intenção dos responsáveis tributários em impedir, em relação à autuada, a ocorrência do fato gerador decorrente do ganho de capital na venda de imobilizado, modificando as características essenciais da operação comercial, de modo que ela aparente ter sido realizada por MORASOL, assim reduzindo o montante dos tributos devidos, pela indevida utilização da sistemática do lucro presumido e da classificação daquelas operações como venda de mercadorias. Imprópria, portanto, a invocação da Súmula CARF nº 14 e correta a aplicação da penalidade qualificada. Neste contexto, a alegação de que todos os atos praticados foram explicitamente declarados ao Fisco na forma da lei e todos os tributos devidos em todas as operações foram recolhidos corretamente, em nada afeta a exigência, pois a declaração ao Fisco teve por objeto as operações simuladas, e não as operações efetivamente realizadas. Impróprio, também, dizer que houve mera presunção por meio da constatação de que houve pagamento de tributos a menor, pois o conjunto probatório é robusto, e aponta unicamente em uma direção: que MORASOL não teve existência física e foi constituída apenas formalmente para emissão das notas fiscais de venda de ônibus, com vistas a reduzir a tributação incidente sobre o ganho de capital decorrente da alienação de imobilizado. Registrese, ainda, que a acusação fiscal em nada depende do disposto no art. 116, parágrafo único do CTN, que trata de dissimulação da ocorrência do fato gerador, e não de simulação e fraude como aqui veiculado. Irrelevantes, assim, os argumentos acerca da necessidade de regulamentação da matéria por lei ordinária. Por fim, quanto à ausência de renda tributável, no sentido de que o numerário resultante das operações em questão não foram incorporados ao patrimônio da Empresa Cruz, em clara ofensa ao disposto no artigo 43 do Código Tributário Nacional, a decisão recorrida é clara no sentido de que as receitas de venda de ônibus usados foram auferidas pela autuada, e não por MORASOL: Em suma, não há dúvida de que os impugnantes têm o direito de organizar sua vida da maneira que melhor julgarem. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. Entendo que configurou abuso de direito os impugnantes terem criado a interposta pessoa Morasol, de existência meramente formal, com o objetivo de obter base de cálculo decorrente da venda de ônibus reduzida, pois os custos foram suportados pela Empresa Cruz. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 15 14 Como tal, uma vez provado tratarse de operação com esta razão principal, como restou evidenciado nos autos, pode o Fisco recusarse a aceitar seus efeitos no âmbito tributário de modo a neutralizar os efeitos fiscais do excesso abusivo. Se, de outro lado, os recorrentes cogitam que a tributação somente poderia incidir sobre a autuada se os recursos provenientes da venda fossem transferidos para suas contas de disponibilidade, importa recordar que a quase totalidade dos valores formalmente por MORASOL foram distribuídos como lucros aos responsáveis tributários aqui indicados, os quais também figuram como sócios, direta ou indiretamente, da autuada. Significa dizer que, mesmo sem integração transitória ao patrimônio da autuada, os resultados auferidos foram destinados aos seus titulares, mediante distribuição de lucros, inclusive na parte que caberia ao Fisco em razão da tributação prevista nos casos de ganho de capital auferido na venda de imobilizado. Ou seja, a autuada valeuse da disponibilidade decorrente das operações de venda de imobilizado, bem como das aplicações financeiras destes recursos, para beneficiar seus sócios mesmo sem o trânsito destes recursos em suas contas bancárias ou em caixa. Por esta razão, e também porque a Fiscalização aponta que Constantino de Oliveira Júnior, Joaquim Constantino Neto, Henrique Constantino, Ricardo Constantino e Rui Martins de Oliveira tinham conhecimento da economia ilícita de tributos aqui demonstrada, correta é a imputação de responsabilidade tributária a estes administradores na forma do art. 135, III do CTN. Os recorrentes entendem para a caracterização da corresponsabilidade é imprescindível que haja a específica definição de qual o ato ilícito praticado por cada um dos corresponsáveis, bem como provado o dolo da conduta, mas estes elementos estão presentes na medida em que em tal acusação a Fiscalização reitera a ocorrência de simulação, e a intenção de praticar evasão fiscal, bem como demonstra que aquelas mesmas pessoas, eleitas administradores de MORASOL, exerciam influência significativa na autuada, figurando como sócios diretos ou indiretos, além de administradores. De fato, Constantino de Oliveira Júnior é acionista e presidente da empresa COMPORTE, sócia majoritária da autuada e minoritária de MORASOL; Joaquim Constantino Neto, Henrique Constantino e Ricardo Constantino são diretores e acionistas de COMPORTE; e Rui Martins de Oliveira detém o restante da participação na autuada e é o segundo minoritário de MORASOL, cujo sócio majoritário é a própria autuada. Por sua vez, a simulação constatada pela Fiscalização consistia no aporte dos ônibus usados como capital social de MORASOL sem que estes jamais deixassem o estabelecimento da autuada, submetendose ao controle de sua estrutura administrativa, providências que não podem ser realizadas sem o conhecimento e a concordância dos sócios de ambas as empresas, os quais, também na condição de administradores, não podem negar o conhecimento das irregulares práticas tributárias da autuada e de MORASOL. E a autoridade julgadora de 1a instância bem observou que tais condutas ilícitas foram reconhecidas pelos responsáveis em sua impugnação: A afirmação inserida no relatório fiscal de que os sócios tinham pleno conhecimento de que a Morasol estava sendo utilizada pela Empresa Cruz para praticar as vendas com vistas à redução da carga tributária foi confirmada pelos próprios impugnantes quando afirmam que os administradores retiraram as operações de venda de veículos da Empresa Cruz e suscitaram a possibilidade de elas terem sido realizadas apenas por seus administradores e sócios diretos e indiretos, utilizando se gratuitamente da estrutura da outra sociedade empresária (fl. 1324, itens 32/5). Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 16 15 É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas a situação que constitui o fato gerador ou que, em comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. Ficou demonstrado por meio de robusta comprovação que sob a forma de apuração do resultado pelo lucro presumido a Morasol fora constituída com o objetivo de absorver 92% do valor da receita que seria integralmente oferecida se as vendas fossem oferecidas à tributação por meio da Empresa Cruz. Assim, como dito pelos recorrentes, a corresponsabilização se dá em razão do AuditorFiscal ter constatado que a pessoa física do administrador tinha pleno conhecimento de que a Morasol foi utilizada pela Empresa Cruz para fins de prática de operações simuladas visando a evasão fiscal de tributos, e as constatações fiscais permitem esta conclusão, pois demonstram o ilícito tributário e a atuação dos responsáveis como administradores e beneficiários dos resultados auferidos em tais operações. Irrelevante, assim, se os administradores não foram intimados a se manifestar, na medida em que Fiscalização reuniu evidências suficientes para suportar a acusação, restando destituída de qualquer substrato fático a alegação de que as pessoas físicas dos administradores jamais agiram com intenção de sonegar tributos ou com máfé na condução de seus negócios. A violação de lei, mediante simulação e fraude, foi demonstrada, e a administração da pessoa jurídica pelos responsáveis permite afirmar sua atuação dolosa, mormente tendo em conta que os resultados assim auferidos lhes foram distribuídos. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18088.720298/201262 Acórdão n.º 1101001.059 S1C1T1 Fl. 17 16 Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10925.907302/2012-84
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 73 02 /2 01 2- 84 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 5.454,37, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 14/10/2005. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907302/201284 Acórdão n.º 3803005.798 S3TE03 Fl. 65 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907302/201284 Acórdão n.º 3803005.798 S3TE03 Fl. 66 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907302/201284 Acórdão n.º 3803005.798 S3TE03 Fl. 67 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19515.001133/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2002
NULIDADE. FALTA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS DE DEFESA.
A falta de apreciação de argumentos fundamentais apresentados na impugnação caracteriza cerceamento do direito de defesa do contribuinte, ensejando a nulidade da decisão.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto (relator), que dava provimento parcial para alocar os pagamentos feitos aos débitos lançados. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 01/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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FALTA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS DE DEFESA. A falta de apreciação de argumentos fundamentais apresentados na impugnação caracteriza cerceamento do direito de defesa do contribuinte, ensejando a nulidade da decisão. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto (relator), que dava provimento parcial para alocar os pagamentos feitos aos débitos lançados. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 33 /2 00 7- 14 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19515.001133/200714 Acórdão n.º 3302002.447 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 01/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda: Contra a empresa em epígrafe foram lavrados, em 21 de Maio de 2007, os Autos de Infração: o primeiro representado pelo crédito tributário da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 113.322,96 (fls.436 a 439) Fato Gerador (31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 31/10/2002, 30/11/2002 e 31/12/2002); o segundo da Contribuição para o PIS/Pasep de R$ 26.077,72 (fls. 441 a 445), Fato Gerador (31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 31/10/2002, 30/11/2002 e 31/12/2002), ambos em razão de falta de recolhimentos decorrentes da análise da escrituração da empresas em confronto com a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF's, apresentadas trimestralmente; No Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 426 a 434) o autor do procedimento fiscal conduz a descrição dos fatos conforme descrito a seguir: Informa o autor do procedimento fiscal que foram apresentadas as DCTF’s com débitos apenas para os meses de abril a setembro, e após intimação o contribuinte informou que havia um processo administrativo fiscal de compensação de tributos, sob o número 13804.002336/0040, onde constavam os valores dos débitos para os demais períodos. E, ainda, foi verificada no Sistema da Receita Federal a compensação realizada, porém, nos meses de janeiro a março foram pagos à época, sem, no entanto, figurarem na declaração; Também existem processos n° 13804.007639/200282 e 11610.000517/2003 98 que fazem referência aos meses de outubro e dezembro, porém não figuram na DCTF relativa ao quarto trimestre e, portanto, não havia confissão de divida necessária à configuração pretendida pelo contribuinte de que os débitos estariam todos declarados. Assim, os fatos remetem para as conclusões demonstradas nos quadros dos autos. Intimado o contribuinte em 22/02/2007, sobre a não inclusão de algumas contas na apuração da base de cálculo dos tributos fiscalizados, argumentou que os valores foram considerados, porém, a base de cálculo constante da DIPJ não contempla todos os valores exigidos pela legislação corrente; O contribuinte consignou recolhimentos, tanto do PIS/Pasep quanto da COFINS, referentes aos períodos de apuração de 2002, em setembro de 2006, portanto sem espontaneidade para tal, haja vista, estar sob ação fiscal desde o dia 31/08/2006. Este procedimento foi baseado na art. 9° da Medida Provisória n° 303/2006 (REFIS – Parcelamento Excepcional) que reduz significativamente a multa de mora devida, conforme documento Fl. 605DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19515.001133/200714 Acórdão n.º 3302002.447 S3C3T2 Fl. 4 3 enviado à fiscalização em 12/03/2007, o que não afastaria a falta de espontaneidade contribuinte; Fundamenta o procedimento fiscal trazendo os dispositivos legais infringidos sobre a matéria questionada, que são fontes referenciais para a constituição do crédito tributário das contribuições sociais para o PIS/Pasep e da COFINS, com a multa de oficio e juros de mora regulamentares sobre os valores não declarados e não recolhidos; Inconformada com a exigência fiscal apresentou, em 13 de Junho de 2007, por intermédio de seu representante legal (fls. 498), a impugnação (fls. 462 a 535), instruída com os documentos e a jurisprudência administrativa e judicial. A Defesa descreve todo o procedimento fiscal, e após síntese dos fatos relacionados, combate em parte a exação fiscal em dois pontos com as razões discriminadas abaixo: O primeiro ponto reclama da inclusão na base de cálculo da COFINS e do PIS/Pasep nos meses de junho e julho de 2002, das quantias de R$ 26.879,06 e R$ 125.073,73 recebidas pelo impugnante a titulo de "indenização seguro", conforme consta do Razão Analítico de fls. 316 e 323 dos autos, valores estes levados a crédito da Conta 4.2.1.004.004 509, Perdas Recuperadas; O segundo ponto, se refere aos valores pagos a titulo de COFINS e PIS/Pasep, no curso da ação fiscal, utilizando os benefícios contidos no art. 9o. da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, que perdeu sua eficácia a partir de 27 de outubro de 2006, conforme Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional n° 57, de 31 de outubro de 2006. O contribuinte argumentou que o seguro agrícola tem caráter estritamente indenizatório e não compõe a base de cálculo das contribuições sociais, pois se refere a perdas ocorridas no plantio do produto caqui, fazendo referência a jurisprudência administrativa Acórdão: 20178.014, Sessão: 09/11/2004; Ademais, informou que o seguro em espécie, visa reparar perdas decorrentes da atividade agrícola, cobriu apenas os custos dos insumos aplicados na atividade rural desenvolvida pela impugnante, custos estes, digase, irrecuperáveis. Dai o caráter indenizatório do seguro, que corresponde, como bem afirmado pela ilustre relatora a ingressos eventuais relativos a recuperação de valores que integram o ativo da impugnante, não podendo, portanto, serem considerados como receita para fins de incidência do PIS/Pasep e da COFINS; No tocante as contribuições sociais pagas no curso da ação fiscal traz como fundamento a Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, concluindo, que o referido dispositivo permite parcelar o débito para com a fazenda Nacional, constituídos ou não em Divida Ativa da União ou do INSS, sem fazer menção à fase em que se encontra a constituição dos mesmos. Ou seja, não inibe o contribuinte de gozar dos benefícios trazidos por esse ordenamento jurídico, ainda que o crédito esteja em fase de constituição, como no caso, o decorrente de um procedimento administrativo fiscal; Os argumentos são fundamentados na jurisprudência administrativa Acórdão: 20179.160, Sessão: 28/03/2006, e na Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, para que sejam aceitos os recolhimentos realizados ao longo do procedimento fiscal; Fl. 606DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19515.001133/200714 Acórdão n.º 3302002.447 S3C3T2 Fl. 5 4 A Defesa traz ao final à baila a discussão da ilegalidade da aplicação da Taxa Selic aos créditos tributários juntando posições defendidas pelos principais doutrinadores à respeito da matéria, cuja justificativa reza pela impossibilidade de utilização da taxa de referência Selic como taxa de juros moratórios para os créditos ficais federais, posto que o Código Tributário Nacional, art.161, estipula que o crédito tributário não pago no vencimento, será acrescido de juros de mora de 1%, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis; Dessa forma, ainda que não sejam acolhidas as argumentações trazidas autos, os juros cobrados devem limitarse ao percentual de 1% ao mês. Esse entendimento é brilhantemente sustentado pelo insigne e ilustre Ministro do Superior Tribunal de Justiça Dr. Franciulli Netto ao relatar o Acórdão de que trata o Recurso Especial n° 439.040SP (2002/0069520), que apesar de referirse a indébito fiscal é perfeitamente aplicável ao caso presente; Requereu, ainda, a suspensão da incidência e exigibilidade dos juros moratórios no curso do contencioso administrativo fiscal com base no Código Tributário Nacional (CTN) art. 151, Inciso III, e no Decreto n° 70.235, de 1972, porque é de elementar raciocínio e se apresenta de forma cristalina e insofismável que o legislador pátrio, ao inserir no texto legal a determinação de que os procedimentos fiscais fossem julgados em prazos estabelecidos pela Administração Tributária, procurou amparar o contribuinte ante a possível inércia e incapacidade dos Órgãos Julgamento de promoverem a apreciação do feito fiscal de forma célere, transformando os encargos legais, e principalmente os juros moratórios, em verdadeira penalização para o sujeito passivo; Registrou que a Portaria n° 454, de 29 de abril de 2004, da Secretaria da Receita Federal, invocando o preceito legal retro transcrito, ao determinar a prioridade da distribuição dos processos fiscais para julgamento, dispõe em seu art. 2°, Inciso IV: Art. 2° Serão distribuídos prioritariamente as turmas e julgadores os processos fiscais que: (..) IV— tenham sido protocolados há mais de quatro anos, contados do primeiro dia do ano em curso; Afirmou ser incontestável que a Administração Tributária admitisse taxativamente a existência de processos fiscais que tramitam em seus órgãos de julgamento há mais de quatro anos. Dai indagarse: Por que o sujeito passivo da obrigação tributária deve arcar com os juros moratórios incidentes a partir da data da protocolização de sua impugnação e até a decisão final do feito, se a mora está sendo provocada pela inércia da própria Administração Tributária? Notou que o citado art. 27, em sua versão original e antes de ser alterado ela Lei n° 9.532, de 1997, dispunha textualmente: "Art. 27. O processo será julgado no prazo de trinta dias, a partir de sua entrada no órgão incumbido do julgamento". O enunciado leva o intérprete a concluir que o legislador pátrio por proteger o cidadão e o contribuinte pessoa física ou jurídica da inércia da Administração Fiscal, evitando com isso o agravamento de sua situação fiscal, pela imputação de pesados encargos financeiros; A Defesa ressaltou como paradigma o art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, no que pertine à imputação da multa moratória cujos débitos estejam com a exigibilidade suspensa por Medida Judicial, por ser similares à interposição de impugnação e recursos na esfera administrativa, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, por força do comando legal contido no art. 151 do Código Tributário Nacional; Fl. 607DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19515.001133/200714 Acórdão n.º 3302002.447 S3C3T2 Fl. 6 5 Assim, se a exigibilidade do crédito tributário está suspensa, estará suspensa, também, a exigibilidade dos encargos financeiros a ele inerentes multa e juros moratórios enquanto a lide não for definitivamente julgada, na esfera judicial ou administrativa; Conclui, portanto, que não se poderiam imputar ao contribuinte os encargos financeiros pela demora no julgamento dos procedimentos administrativos fiscais. Enquanto não for regulamentado o parágrafo único do art. 27 do Decreto n° 70.235, de 1972, incluído por força do dispositivo na Lei n° 9.532, de 1997, não há que se falar em imputar os juros moratórios no período compreendido entre a data da interposição da impugnação até a decisão final da lide instalada; Ao final, requereu o seguinte: (i) que se acolham no mérito todas as razões de fato e de direitos expendidos nesta exordial impugnatória, para o fim de cancelar o auto de infração impugnado; (ii) se mantido o lançamento, ainda que parcialmente, se afaste a cobrança dos juros moratórios com base na Taxa SELIC; (iii) que seja excluída a incidência dos juros moratórios durante o trâmite do processo administrativo fiscal, desde a data da protocolização desta impugnação até a decisão final contencioso na esfera administrativa, caso mantido o lançamento atacado. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos julgar procedente em parte a impugnação reduzindo o crédito tributário das contribuições sociais da COFINS e do PIS, consubstanciados no auto de infração, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora regulamentares. Intimada do acórdão supra, em 29.10.2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 18.11.2011. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. São dois os aspectos controversos do presente lançamento. O primeiro, relativo à possibilidade ou não da inclusão de ingressos auferidos a título de indenização de seguros na base de cálculo dos tributos. Nesse caso, as razões foram acolhidas pela instância a quo. O segundo referese à consideração pela fiscalização dos pagamentos efetuados durante a vigência da MP nº 303/06, por uma possível espontaneidade trazida pela referida Medida Provisória, ainda que o contribuinte estivesse sob fiscalização. Prosseguindo, alega o Recorrente que no voto proferido pela Primeira Instância o Julgador Relator não decidiu acerca do crédito tributário constituído a título de PIS e COFINS referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2002, tendo, portanto sido mantido o auto de infração sobre os referidos valores. Referemse aos valores pagos pela contribuinte. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19515.001133/200714 Acórdão n.º 3302002.447 S3C3T2 Fl. 7 6 Entendo assistir razão ao Recorrente, motivo pelo qual passo a analisar as razões de seu recurso no que tange ao crédito tributário constituído a título de PIS e COFINS referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2002, o qual alega o Recorrente terem sido pagos, a vista, com base no artigo 9º, da Medida Provisória nº 303/06. Nos termos do artigo 9º da Medida Provisória nº 303/06, àqueles contribuintes que possuíam débitos junto à Secretaria da Receita Federal com vencimentos até fevereiro de 2003, poderiam pagar ou, parcelar os referidos débitos com as reduções determinadas na respectiva Medida Provisória, nos seguintes termos: Art. 9º Alternativamente ao parcelamento de que trata o art. 1º desta Medida Provisória, os débitos de pessoas jurídicas junto à SRF, à PGFN ou ao INSS com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, poderão ser pagos ou parcelados, excepcionalmente, no âmbito de cada órgão, na forma e condições previstas neste artigo. § 1º O pagamento à vista ou a opção pelo parcelamento deverá ser efetuado até 15 de setembro de 2006, com as seguintes reduções: I trinta por cento sobre o valor consolidado dos juros de mora incorridos até o mês do pagamento integral ou da primeira parcela; e II oitenta por cento sobre o valor das multas de mora e de ofício. § 2º O débito consolidado, com as reduções de que trata o § 1o, poderá ser parcelado em até seis prestações mensais e sucessivas, sendo que o valor de cada prestação será acrescido de juros calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais até o mês anterior ao do pagamento. Neste sentido, tendo o Recorrente se utilizado, corretamente, do benefício trazido pela Medida Provisória nº 303/06, não há que ser mantido o crédito tributário lançado, pois ele agira nos estritos termos da legislação em vigor à época dos fatos geradores, isto porque o Recorrente pagou a vista os débitos referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2002, nos termos prescritos na aludida Medida Provisória, conforme DARF´s acostadas às fls. 207/212, dos presentes autos. Independentemente da espontaneidade e do fato de o contribuinte encontrar se sob fiscalização, a Medida Provisória enquanto vigeu permitiu aos contribuintes fazêlo. Não reconhecêlo significaria ofensa ao próprio princípio da isonomia, pois permitiria a existência de contribuintes de duas categorias, com direitos distintos aquele em pleno exercício do ato sonegatório, para quem a fiscalização quedou inerte, beneficiado, e aquele sob fiscalização, sem o benefício da Lei. Ademais, conforme exposto pelo Recorrente, o próprio Auditor Fiscal, acolheu os pagamentos efetuados, nos períodos de maio a setembro de 2002, todos efetuados com base no artigo 9º da MP nº 303/06, conforme documentos juntados às folhas 567/568. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19515.001133/200714 Acórdão n.º 3302002.447 S3C3T2 Fl. 8 7 O recorrente alega ainda que se mantido o lançamento, ainda que parcialmente, se afaste a cobrança dos juros moratórios com base na Taxa SELIC; e que seja excluída a incidência dos juros moratórios durante o trâmite do processo administrativo fiscal, desde a data da protocolização desta impugnação até a decisão final contencioso na esfera administrativa, caso mantido o lançamento atacado. Nesse caso, caso vencido seja este relator em relação aos períodos exonerados, e em relação aos períodos não exonerados, necessário a análise do mérito das duas alegações. Quanto à Taxa Selic, aplico in limine a Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Quanto à última solicitação, no sentido de inaplicar a mesma Taxa Selic a partir do momento do protocolo dessa impugnação, o faz a partir do art. 27 da Lei nº 9.532/97. Nesse sentido, necessário aplicarse a Súmula nº 5 do CARF: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. Inexistindo no processo evidência de depósito no caso concreto, impossível acatar o pleito da recorrente. Por todo exposto, conheço do recurso voluntário e doulhe provimento, para que sejam acolhidos os pagamentos efetuados nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2002. Quanto à inaplicabilidade da taxa Selic e a eventual impossibilidade de sua aplicação a partir da data da impugnação, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Voto Vencedor Antes de adentrar no mérito da lide, entendo que merece ser apreciada, em sede de preliminar, a alegação de nulidade do acórdão recorrido suscitada pela Recorrente. Alega a Recorrente que o acórdão recorrido deixou de apreciar duas matérias relevantes, suscitadas na impugnação. As matérias são: pagamento, com os benefícios da MP nº 303/2006, do PIS e da Cofins dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2002 e suspensão da incidência e exigibilidade dos juros de mora no curso do contencioso administrativo fiscal. Como se pode observar no Relatório, a empresa Recorrente não contesta o valor do crédito tributário lançado, mas apenas que a autoridade lançadora não considerou os pagamentos (que entende corretos) efetuados nos dias 12 e 13 de setembro de 2006, com o benefício da MP nº 303/2006, . Fl. 610DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19515.001133/200714 Acórdão n.º 3302002.447 S3C3T2 Fl. 9 8 Por evidente, no curso da Fiscalização a Recorrente poderia efetuar o pagamento de débitos não declarados até o dia 15/09/2006, porém com multa de ofício reduzida em 80% e com juros de mora reduzidos em 30%, conforme autoriza o § 1ª, do art. 9º, da MP 303/2006. A multa aplicável é a de ofício, posto que a empresa Recorrente estava sob ação fiscal, e não a multa de mora, como entende a Recorrente. A pretensão da Recorrente é que aos débitos lançados sejam alocados os pagamentos realizados antes da lavratura do auto de infração, mas após o início da Fiscalização. Tal presentão não foi apreciada pela decisão recorrida, caracterizando uma omissão no acórdão recorrido. A outra omissão diz respeito à alegação da recorrente de que não incide juros de mora desde a data da protocolização da impugnação até o trânsito em julgado da decisão administrativa deste processo. Sobre esta matéria a decisão recorrida não se manifestou. A falta de apreciação desses argumentos da Recorrente, apresentados na impugnação, caracteriza cerceamento do seu direito de defesa, ensejando a nulidade da decisão recorrida, para que outra seja proferida na forma da Lei. Em face da constatação das omissões apontadas, voto no sentido de anular o processo a partir da decisão recorrida, inclusive, devendo os autos retornar à DRJ em São Paulo I SP para proferir nova decisão, desta feita apreciando todas as alegações suscitadas na impugnação. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 611DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 13982.000304/2011-73
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
Glosa de custos. Notas Fiscais Inidôneas. Fraude
Correto o lançamento de ofício que glosa custos apropriados com base em notas fiscais inidôneas e quando a contribuinte não comprova o efetivo recebimento e pagamento das mercadorias supostamente adquiridas.
Decadência. Dolo. Fraude. Simulação.
Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF n º 72)
Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude.
Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
Lançamento de Ofício. Diferença entre Valores Escriturados, Declarados e Recolhidos.
Devem ser objeto de lançamento de ofício os valores de IRPJ e de CSLL escriturados, apurados pela empresa em DIPJ mas não declarados, ou declarados a menor em DCTF e não recolhidos, ou recolhidos a menor.
Decadência. Lançamento por Homologação.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional.
Estimativas Mensais. Falta de Pagamento
Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor da estimativa mensal de IRPJ e de CSLL que deixou de ser declarada (DCTF)/paga, nos termos do que dispõe a Lei n º 9.430, de 1996, art. 44, II b
Tributação Reflexa. CSLL, PIS e COFINS.
O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-001.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que votou por dar provimento parcial para exonerar a multa isolada sobre a falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 Glosa de custos. Notas Fiscais Inidôneas. Fraude Correto o lançamento de ofício que glosa custos apropriados com base em notas fiscais inidôneas e quando a contribuinte não comprova o efetivo recebimento e pagamento das mercadorias supostamente adquiridas. Decadência. Dolo. Fraude. Simulação. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF n º 72) Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Lançamento de Ofício. Diferença entre Valores Escriturados, Declarados e Recolhidos. Devem ser objeto de lançamento de ofício os valores de IRPJ e de CSLL escriturados, apurados pela empresa em DIPJ mas não declarados, ou declarados a menor em DCTF e não recolhidos, ou recolhidos a menor. Decadência. Lançamento por Homologação. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Estimativas Mensais. Falta de Pagamento Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor da estimativa mensal de IRPJ e de CSLL que deixou de ser declarada (DCTF)/paga, nos termos do que dispõe a Lei n º 9.430, de 1996, art. 44, II b Tributação Reflexa. CSLL, PIS e COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 GLOSA DE CUSTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. FRAUDE Correto o lançamento de ofício que glosa custos apropriados com base em notas fiscais inidôneas e quando a contribuinte não comprova o efetivo recebimento e pagamento das mercadorias supostamente adquiridas. DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF n º 72) MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIFERENÇA ENTRE VALORES ESCRITURADOS, DECLARADOS E RECOLHIDOS. Devem ser objeto de lançamento de ofício os valores de IRPJ e de CSLL escriturados, apurados pela empresa em DIPJ mas não declarados, ou declarados a menor em DCTF e não recolhidos, ou recolhidos a menor. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 03 04 /2 01 1- 73 Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 2 tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE PAGAMENTO Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor da estimativa mensal de IRPJ e de CSLL que deixou de ser declarada (DCTF)/paga, nos termos do que dispõe a Lei n º 9.430, de 1996, art. 44, II “b” TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que votou por dar provimento parcial para exonerar a multa isolada sobre a falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada contra as exigências consubstanciadas nos autos. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo relatório da DRJ em Florianópolis: Relatório. Por meio do Auto de Infração foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 123.289,59 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, acrescida, uma parte, de multa de ofício de 150 % (a importância de R$ 13.502,00 é exigida com multa de 75% item 002 do Auto) e encargos legais devidos à época do pagamento, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2006 a 2009 além da importância de R$ 92.998,44, a título de Multa Exigida Isoladamente IRPJ. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 13982.000304/201173 Acórdão n.º 1801001.945 S1TE01 Fl. 3 3 Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal (is) verificase que a autuação se deu em razão de (i) Custos dos Bens ou Serviços Vendidos Glosa de Custos – Notas Fiscais de Entrada (Tozzo & Cia Ltda.), (ii) falta de recolhimento de valor apurado LALUR/DIPJ e (iii) Multa Isolada – falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada. Exigidos, ainda, como lançamentos decorrentes daquele: (i) também por meio de Auto de infração, a importância de R$ 53.167,74 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, também acrescida de multa de ofício de 150 % e encargos legais devidos à época do pagamento, referente aos mesmos fatos geradores. Lançada, também, a importância de R$ 70.063,44, a título de Multa Exigida Isoladamente CSLL, conforme Auto de infração, que exige, também, a importância de R$ 5.827,75 a título de CSLL, por insuficiência de recolhimento, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora (para fato gerador em 31/12/2007, não sendo esta última decorrente do lançamento do IRPJ). (ii) também por meio de Auto de infração, a importância de R$ 11.408,73 a título de Contribuição para o Pis/Pasep – incidência não cumulativa, também acrescida de multa de ofício de 150 % e encargos legais devidos à época do pagamento, referente aos fatos geradores mensais ocorridos entre 28/02/2006 e 31/08/2009. (iii) também por meio de Auto de infração, a importância de R$ 52.549,87 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – incidência nãocumulativa, também acrescida de multa de ofício de 150 % e encargos legais devidos à época do pagamento, referente aos fatos geradores mensais ocorridos entre 28/02/2006 e 31/08/2009. Por meio do Termo de Verificação Fiscal – Auto de Infração de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS e Multa Isolada (fls.79), relata a Autoridade Fiscal que a empresa autuada logrou proveito de esquema fraudulento engendrado pela empresa Tozzo e Cia Ltda, ao utilizarse de notas fiscais graciosas (notas referentes) emitidas por esta empresa. Assim descreve a motivação da ação fiscal e como o tal esquema era realizado (destaques do original): 2. DA MOTIVAÇÃO DA AÇÃO FISCAL Por meio do Ofício n° 0180901217192000001(fls. 186), de 16 de outubro de 2009, a D. Juíza Substituta Dra. Lizandra Pinto de Souza disponibilizou para a Receita Federal do Brasil os dados obtidos quando da busca e apreensão na empresa Tozzo & Cia Ltda os quais se encontravam sob custódia da ForçaTarefa do Ministério Público de Santa Catarina. Da mesma forma foram encaminhados cópia da decisão de busca e apreensão (dos autos n° 018.09.0187900, dos termos de apreensão e exibição e do pedido de compartilhamento de dados (fls. 93 a 97). Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 4 Por sua vez, através do Oficio no 340/2009/6 PJC PRCCT (F15.273 e verso) o Ministério Público de Santa Catarina descreveu para a Receita Federal do Brasil as ocorrências do dia 17 de setembro de 2009, na cidade de Chapecó (SC), quando grupo de ForçaTarefa integrado por agentes do Ministério Público de Santa Catarina e da Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina apoiados pelos órgãos de segurança (Polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal), deram cumprimento a mandados de busca e apreensão relativos à chamada "Operação Nota Referente ATZO", tendo como alvo a empresa Tozzo & Cia Ltda. Os documentos apreendidos pelo Ministério Público de Santa Catarina revelam que os responsáveis pela empresa Tozzo & Cia Ltda organizaram esquema de vendas sem notas fiscais com a conseqüente emissão de notas fiscais e duplicatas simuladas para outros destinatários. (fluxograma fl. 102). O esquema fraudulento de vendas operavase da seguinte forma: Parte das mercadorias vendidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda eram entregues por motoristas funcionários, utilizando caminhões próprios, a destinatários que não desejavam receber nota fiscal (com intuito de revender as mercadorias também sem nota fiscal, sonegando os tributos e permitindo a permanência em regimes de tributação favorecidos como é o caso do SIMPLES). Estas entregas sem nota fiscal eram acompanhadas de um documento paralelo denominado de "Pedido ATZO". Por outro lado para manter a regularidade do estoque de mercadorias e para beneficiar interessados em registrar créditos de ICMS, os responsáveis pela empresa Tozzo & Cia Ltda simulavam a venda de mercadorias com a emissão de notas fiscais para destinatários que não correspondiam aos verdadeiros adquirentes/recebedores das mercadorias. Tais notas fiscais eram denominadas pelos envolvidos de "Nota Referente", pois correspondia (ou se "referiam") a uma entrega de mercadoria sem nota fiscal, ou seja, referiase a um "Pedido ATZO". Sendo assim, as vendas sem nota fiscal (Pedido ATZO) geravam uma nota fiscal ideologicamente falsa (Nota Referente) contendo um destinatário irreal. A fim de manter o controle financeiro do esquema fraudulento, a Tozzo & Cia Ltda, simulava a emissão de duplicatas que eram registradas e quitadas via Caixa, dando uma aparência de regularidade para todas as operações. Neste passo, impende salientar que as notas fiscais com destinatários forjados, quais sejam, as chamadas "Notas Referentes" eram identificadas nos sistemas informatizados da empresa Tozzo & Cia Ltda por meio do seguinte procedimento: Tais notas eram lançadas como tendo um desconto de 0,01 %. Esta conduta resta comprovada nos depoimentos prestados ao Ministério Público de SC pelas seguintes pessoas: SILVIA BOROWICC, exerce a função de ADMINISTRADORA DE DADOS DA EMPPRESA TOZZO, conforme Fls. 152/154; ANDRE MARCOS GELHEN, exerce a função de DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA DE CONTROLE DE VENDAS E FINANCEIRO da empresa TOZZO e CIA LTA, conforme fls. 155/158.; Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 13982.000304/201173 Acórdão n.º 1801001.945 S1TE01 Fl. 4 5 DÁRIO MÂNICA, exerce as funções de DESENVOLVIMENTO DE PROGRAMAS. MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA E DE REDE da empresa TOZZO e CIA LTDA, conforme fls. 159/163. ANTONIO SERGIO NARDES FANFA, exerce a função de COORDENADOR DOS TRABALHOS DE SETOR DE CPD na empresa Tozzo e Cia Ltda, conforme fls. 164/167; BRUNA DE ALMEIDA PRADO exerce a função de AUXILIAR DE VENDAS a empresa Tozzo e Cia Ltda, conforme Fls. 168/170; MARCOS LUIZ MOREIRA exerce a função de ASSISTENTE DE VENDAS na empresa Tozzo e Cia Ltda, conforme Fls. 171/172. É de curial importância ressaltar que as pessoas acima nominadas eram aquelas encarregadas de criar e controlar os sistemas informatizados da empresa Tozzo & Cia Ltda. Daí a relevância dos seus depoimentos. Ainda nesta senda, o Ministério Público de SC, por meio do Ofício 942/09/CIE/MP, (fls. 100), encaminhou à Receita Federal do Brasil cópia do ofício n° 3708/09 do Instituto de Criminalística, (fls. 101), acompanhado de um DVD contendo informações digitais apreendidas durante a operação realizada no dia 17 de setembro de 2009 na cidade de Chapecó. Da análise dos documentos recebidos (arquivos apreendidos na empresa Tozzo e Cia, conforme fls.274), constatouse que a empresa MARCOS AIRTON PILZ & CIA LTDA. logrou proveito do esquema fraudulento já multicitado, visto que aquela (MARCOS AIRTON PILZ & CIA LTDA.) foi beneficiária de notas fiscais graciosas (notas referentes fls.337 a 364) emitidas peia empresa Tozzo & Cia Ltda. A conclusão de que a empresa MARCOS AIRTON PILZ & CIA LTDA. se beneficiou do esquema acima relatado, qual seja, a de receber notas fiscais graciosas (notas referentes) é o fato de que o relatório resultante do exame em mídia de armazenamento computacional, e que está adunado a fls. 388 a 421, discrimina a existência de vendas da empresa Tozzo & Cia que tiveram desconto de 0,01 % (parâmetro apontado nos depoimentos acima citados) e que apresentavam como adquirente da mercadoria a MARCOS AIRTON PILZ & CIA LTDA. 3. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS ... Constatada utilização de notas fiscais "graciosas", propôsse o início de ação fiscal a fim de verificar as irregularidades na apuração e recolhimento de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Em relação ao procedimento fiscal, relata a Autoridade Fiscal que, inicialmente, para verificar o emprego pela contribuinte das notas fiscais graciosas, o procedimento ocorreu por meio do Mandado de Procedimento Fiscal quando foram obtidas em meio digital informações relativas às notas fiscais de entrada e a escrituração contábil e fiscal (fls. 88 a 90). Pela Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 6 confirmação do emprego das notas fiscais graciosas instaurouse procedimento fiscal para que fossem apuradas as irregularidades de recolhimento nos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Iniciado o procedimento de fiscalização, foi efetuada ação fiscal junto à empresa a fim de que esta, entre outras demandas, comprovasse, por meio de documentação hábil e idônea, o efetivo recebimento das mercadorias relativas àquelas notas fiscais emitidas pela Tozzo e Cia Ltda. e que teriam sido utilizadas indevidamente pela empresa fiscalizada, bem como comprovar o efetivo pagamento das mesmas. Informa a autoridade autuante (fl.82) que (i) a fiscalizada, no entanto, quanto à comprovação do efetivo recebimento das mercadorias, não se manifestou, tendo apresentado o Livro Diário, Razão e LAUR, onde consta o registro destas notas fiscais e, (ii) quanto ao pagamento, a interessada informou que “Todas as notas fiscais eram pagas em carteira mediante a apresentação das duplicatas.” Ainda, o Termo de Verificação Fiscal – Auto de Infração de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS e Multa Isolada: 3.1 DAS AQUISIÇÕES NÃO COMPROVADAS Primeiramente cabe frisar que a Empresa fora intimada pela Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina para comprovar e prestar esclarecimentos referentes a créditos de ICMS sem recebimento de mercadorias da empresa TOZZO & CIA LTDA. Posteriormente a própria Empresa no final do ano de 2009, efetuou espontaneamente a confissão deste débito (ICMS) e solicitou parcelamento de n°. 91100133804 junto à Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina, o que de fato reforça a tese da simulação de compras fictícias. Como já repisado consta do livro de entradas da empresa MARCOS AIRTON PILZ & CIA LTDA o registro de aquisições de mercadorias para revenda ao amparo de "notas fiscais referentes" emitidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda. Identificadas por esta fiscalização as notas fiscais que teriam sido utilizadas indevidamente pela empresa fiscalizada, a mesma foi regularmente intimada para comprovar com documentação hábil e idônea o recebimento das mercadorias e o efetivo pagamento das mesmas, conforme Termo de Início de Ação Fiscal (Fls.191 a 216). Em resposta (Fls.217) a empresa fiscalizada cingiuse a alegar que: a) quanto a entrega das mercadorias a empresa MARCOS AIRTON PILZ & CIA LTDA não se manifestou e nem consignou qualquer documento referente ao efetivo recebimento das mercadorias em seu depósito. Inclusive, a grande maioria destas Notas Fiscais não consta nenhuma assinatura do recebedor no "canhoto" das Notas Fiscais (juntamos cópia, por amostragem destas Notas Fiscais fls. 422 a 425). b) quanto à forma de pagamento alegou a empresa fiscalizada que as referidas aquisições foram quitadas por melo de duplicatas em "CARTEIRA" e com recursos saídos diretamente de seu caixa. A empresa MARCOS Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 13982.000304/201173 Acórdão n.º 1801001.945 S1TE01 Fl. 5 7 AIRTON PILZ & CIA LTDA não apresentou comprovantes de pagamento de forma diferente, ou seja, pelos meios costumeiramente utilizados que são os boletos bancários, cheques nominativos e transferências entre contas bancárias (fl. 217). As alegações da empresa MARCOS AIRTON PILZ & CIA LTDA confirmam os indícios apurados durante a operação de busca e apreensão realizada pelo Ministério Público de Santa Catarina e pela Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina. O "modus operandi" constatado (fl.102) a partir dos documentos apreendidos na sede da empresa Tozzo & Cia Ltda e dos depoimentos colhidos de pessoas a ela ligadas (vendedores, funcionários de escritório, prestadores de serviço de computação e programadores), e que consistia na emissão de notas fiscais para destinatários falsos, cujo estoque era acertado com a simulação de pagamento por meio de quitação de duplicatas diretamente no caixa, se coaduna com a resposta da empresa fiscalizada. Sendo assim, a empresa MARCOS AIRTON PILZ & CIA LTDA não logrou êxito na comprovação da efetiva aquisição/recebimento das mercadorias supostamente vendidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda e que foram relacionadas no ANEXO ao Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 194 a 215). Frente ao até aqui exposto, cumpre ressaltar alguns dispositivos legais atinentes à legislação fiscal no tocante à determinação do lucro real: (conforme documento a Fls.229, 252, 277 e 306 a empresa MARCOS AIRTON PILZ & CIA LTDA é optante pelo lucro real). [...] Da leitura do comando legal acima reproduzido, emerge que a legislação fiscal exige que a determinação do lucro real não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus efeitos tributários. Nesse sentido, os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. Para que um custo possa ser aceito como dedutível, há de se comprovar que o bem e/ou serviço correspondente foi contratado formalmente, que houve o desembolso, e que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. Assim sendo, compete ao contribuinte apresentar à fiscalização a documentação, oriunda de fonte externa, hábil e idônea, apta a comprovar, além de que as despesas foram contratadas, assumidas e pagas, que correspondam a bens e serviços efetivamente recebidos, e que esses bens e serviços eram necessários, normais e usuais na atividade da empresa. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 8 As condições acima expostas não foram identificadas por esta fiscalização. Constam às Fls.387 a 421 a relação contendo os totais mensais de notas fiscais de aquisições de mercadorias pela empresa MARCOS AIRTON PILZ & CIA LTDA, os quais foram glosados por estas autoridades fiscais. As implicações destas glosas na apuração dos tributos devidos à União são as a seguir amiudadas. 3.2 DA APURAÇÃO DO IRPJ 3.2.1 – GLOSA DE CUSTO NOTAS GRACIOSAS TOZZO & CIA LTDA. [...] Se infere das DIPJ's de Fls.229 a 333 que o contribuinte apurou o resultado dos anos calendários de 2006 a 2009 de acordo com as regras do Lucro Real Anual (balanço de suspensão). Sendo assim, no auto de infração de Fls. 02 a 20, os valores constantes das Planilhas de Fls. 387 a 421, denominada de RESUMO DAS NOTAS FISCAIS GLOSADAS, foram informados como a infração: 001 CUSTO DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS GLOSA DE CUSTOS NOTAS FISCAIS DE ENTRADA (Tozzo & Cia Ltda). [...] 3.2.2 DIFERENÇA DE IRPJ RECOLHIDO e/ou DECLARADO A MENOR ano 2007. Conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ do anocalendário de 2007 (fl.252 a 276), e no que diz respeito ao cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real Anual ficha 12A (fl.262), o montante devido de Imposto de Renda Anual foi de R$ 22.232,45. A título de pagamento de estimativas, esta autoridade fiscal comprovou o recolhimento em DARF do valor de R$ 8.730,45 (fl.359). Da mesma forma, salientamos que não identificamos a existência de PERDCOMP's. Sendo assim, resta um saldo a recolher (anual) de R$ 13.502,00, o qual foi Informado no auto de infração de Fls.06/07 como a infração: 002 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. 3.2.3 DA MULTA ISOLADA [...] Destacamos que não consta transcrito no Livro Diário nem no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR o balanço ou balancete de suspensão conforme determina o Art.12 § 5°,letra "b" e art.13 da IN SRF n°. 93/97. [...] Diante disso, para os anoscalendário de 2006 a 2008 a forma de determinação da base de cálculo do IRPJ aplicada por esta fiscalização foi com base na Receita Bruta e não com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução. Para o anocalendário de 2009 mantevese a opção Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 13982.000304/201173 Acórdão n.º 1801001.945 S1TE01 Fl. 6 9 feita pelo contribuinte (com base no balanço ou balancete de suspensão ou redução). Em decorrência da glosa dos custos amiudada no item 3.1 e 3.2.1 deste relato, mister se fez recalcularmos o IRPJ devido pela autuada Sendo assim para os anoscalendário de 2006 a 2008, o IRPJ a Pagar expresso nas DIPJ's às fls.229 a 305, foi modificado na forma discriminada nas planilhas denominadas de APURAÇÃO DA MULTA ISOLADA IRPJ MULTA ISOLADA LUCRO REAL COM BASE NA REC BRUTA, (fls.426/427) a qual é assim composta: [...] Para o anocalendário de 2009, o IRPJ a Pagar expresso na DIPJ às fls. 306 a 333, foi modificado na forma discriminada nas planilhas denominadas de APURAÇÃO DA MULTA ISOLADA IRPJ LUCRO REAL COM BASE NO BALANÇO DE SUSPENSÃO, (f1.428) qual é assim composta: [...] O valor da multa de que trata a linha 10 (planilha anos calendário 2006 a 2008) e linha 12 (ano calendário 2009) acima mencionada, corresponde a 50 % sobre o IRPJ a pagar e não solvido, (linha 9 e 11 respectivamente), conforme previsto na alínea "b" do inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, multa esta informada no auto de infração de fls. 03 a 10 como a infração: 003 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. 3.3 DOS REFLEXOS No período abrangido pela fiscalização a Empresa declarou e pagou PIS e COFINS de forma nãocumulativa, sendo que não consta nenhum credito de PIS e COFINS a compensar nem informados em PERDCOMP. Constatamos pagamentos em todos os meses conforme demonstrado nas planilhas de f1.432 a 435. Efetuamos a glosa dos créditos de PIS/COFINS de forma reflexa com base nas notas fiscais demonstradas nas planilhas de fls.387 a 421. Considerando a natureza da Infração apurada, foram efetuados os lançamentos reflexos relativamente ao PIS/PASEP, COFINS e CSLL como segue:[...] 3.4 DA DIFERENÇA DA CSLL e DA MULTA ISOLADA CSLL. 3.4.1 DIFERENÇA DE CSLL PAGA/DECLARADA A MENOR EM 2007 Conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ do anocalendário de 2007 (fl.252 A 276), e no que diz respeito ao cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro o Real Anual ficha 17 (fl.267), o montante devido de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido foi de R$ 13.339,47. A Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 10 título de pagamento de estimativas, esta autoridade fiscal comprovou o recolhimento em DARF do valor de R$ 7.511,72 (fl.361). Da mesma forma, salientamos que não identificamos a existência de PERDCOMP 's. Sendo assim, resta um saldo a recolher (anual) de R$ 5.827,75, o qual foi informado no auto de infração de Fls.64 A 78 como a infração: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 3.4.2 – DA MULTA ISOLADA DA CSLL [...] O valor da multa de que trata a linha 8 (planilha anos calendário 2006 a 2008) e linha 9 (ano calendário 2009) acima mencionada, corresponde a 50 % sobre a CSLL a pagar e não solvida, conforme previsto na alínea "b" do inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, multa esta informada no auto de Infração de fls.64 a 78 como a infração: 002 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. [...] 4. DA MULTA DE OFÍCIO A multa aplicada sobre os valores devidos a título de diferença de IPRJ e CSLL recolhido e/ou declarado a menor (item 3.2.2/IRPJ e item 3.4.1/CSLL) foi de 75% conforme art.44, inciso I da Lei 9.430/96. Para as demais Infrações (glosa de custo notas fiscais TOZZO CIA LTDA) juízo destas autoridades fiscais, a autuada adotou conduta que teve por desiderato Impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das exações devidas pela mesma durante o ano calendário de 2006 a 2009. A empresa fiscalizada praticou de forma reiterada durante o período fiscalizado (anoscalendário 2006 a 2009), ato que modificou a característica essencial do fato gerador de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal de modo a reduzir o montante devido, ao inserir em sua escrituração contábil e fiscal documentos Inidôneos. [...] Ao incorrer na prática de sonegação e fraude, o contribuinte se sujeita à multa prevista no § 1 º do artigo 44 da Lei no. 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007, que assim assevera: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 13982.000304/201173 Acórdão n.º 1801001.945 S1TE01 Fl. 7 11 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifo nosso). [...] A fraude no caso vertente consistiu em utilizarse de notas fiscais de entrada de mercadoria ideologicamente falsas (não houve estas aquisições) escriturando em sua conta caixa, enquanto pagamento, valores que não foram efetivamente pagos. Desta maneira, frente as ações/omissões da autuada estas autoridades fiscais fixaram a multa de ofício em 150%. [...] Da Impugnação Irresignada a contribuinte impugna (fls.438 a 457 – p/ lançamento de CSLL e às fls.556 a 575 p/ lançamento de IRPJ) os lançamentos onde insurgese contra a utilização de presunções na apuração dos fatos tributáveis. Nesse sentido: reclama da utilização “tãosomente de elementos indiretos para apurar, presumivelmente, suposta infração” e da “premissa utilizada como fundamento pela Fiscalização para lançar IRPJ”, qual seja a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da lei nº 9.430/96. Pugna pela observância do art. 112 do CTN, em face da dúvida quanto as circunstância materiais dos fatos. Passa, então, a discorrer sobre as presunções, afirmando que as de fato pouco ou nenhum valor tem no direito tributário, que consistem de “meros indícios”,“vestígios” que não conferem a “necessária clareza ou certeza quanto à sua existência para que possam suportar as conclusões que deles se pretende extrair”, pelo que “não são suficientes a embasar o procedimento administrativo que constitui o crédito tributário”. Alega que as Autoridades Fiscais “partiram simplesmente dos LANÇAMENTOS CONTÁBEIS REALIZADOS POR CONTRIBUINTE DIVERSO DO AUTUADO PARA CONSIDERAR TODO E QUALQUER LANÇAMENTO IRREGULARMENTE FEITO POR AQUELE COMO UMA OPERAÇÃO ILÍCITA DA IMPUGNANTE” e que, sem que houvesse qualquer investigação mais profunda, sem respaldo fático, todas as suas operações feitas com a empresa Tozzo e Cia Ltda foram consideradas irregulares, efetuadas com supressão de tributos. Já em relação às presunções legais, defende que mesmo estas não são suficientes para fundamentar lançamentos tributários, se ausentes elementos consistentes para caracterizar a ocorrência do fato gerador. Segundo a Impugnante “Não se pode rotular de "renda" o que não é, até porque não há no processo quaisquer outras provas que comprovem a utilização da suposta disponibilidade de milhares de reais atribuída ao Contribuinte.” Conclui ser inválido o Auto de Infração impugnado, haja vista a “inexistência de provas produzidas pelas autoridades fiscalizadoras, capazes de sustentar a tese de omissão de receita”. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 12 Em relação à multa de ofício alega que inexiste fundamento para sua aplicação já que inexistente se mostra a exação principal. No mais, argumenta que, mesmo que houvesse infração a legislação tributária, a aplicação da multa no percentual de 150% é inconstitucional por violar o princípio do não confisco. Por fim, argúi que não há como “reconhecer dolo ou má fé da impugnante, a qual foi utilizada pela grandiosa rede atacadista TOZZO...” Requer que seja declarada a insubsistência dos Autos de Infração, quanto ao mérito, pelas razões postas e, inclusive, preliminarmente pela decadência, nos termos do art. 150, §4º do CTN, reconhecimento de autenticidade de documentos acostados na defesa, pela juntada posterior de provas e pela realização de perícia contábil. Apreciando o litigo a Turma Julgadora de 1a. Instancia afastou a argüição de decadência sustentando que a contagem do prazo se dá pela regra do art. 731, I do CTN. No mérito salientou que o lançamento não se deu por presunção mas por comprovação direta do ilícito, com a validação das provas produzidas pela auditoria fiscal. A multa qualificada foi mantida em razão de ter agido, a autuada, com máfé, como afirmou aquela autoridade. Notificada da decisão, em 06/11/2012 (AR fl. 1.045 do p.d.), apresentou a interessada, em 03/12/2012, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz que inexistiria a comprovação de fraude entre as empresas Tozzo & Cia e Marcos Airton Pilz, mas meros indícios de irregularidades para configurar suposta infração tributária. Reproduz os argumentos de defesa deduzidos na impugnação atinentes a exigência fiscal sustentada em mera presunção, não configuração da fraude, impossibilidade de aplicação da multa qualificada. Defende, ainda, que seria inaplicável ao caso a cobrança de multa isolada sobre falta de pagamento de estimativa após o encerramento do período base, e que haveria, ainda, concomitância de penalidades. Ao final pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 13982.000304/201173 Acórdão n.º 1801001.945 S1TE01 Fl. 8 13 1 Glosa de Custos. Notas Fiscais Inidôneas A defesa alega que a auditoria fiscal se pautou em meros indícios e presunções para caracterizar as infrações e constituir o crédito tributário. Não é verdade. A partir de denuncia do Ministério Público no âmbito de investigação de procedimentos irregulares adotados pelas empresas Tozzo & Cia Ltda. (matriz) e Tozzo & Bebidas Ltda. (filial) apurouse que a recorrente Marcos Airton Pilz & Cia Ltda. poderia estar se utilizando de notas fiscais graciosas fornecidas por aquelas empresas. Assim é que, com base nas notícias enviadas pelo Ministério Público, deuse inicio a procedimento fiscal próprio e independente junto a Marcos Airton Pilz & Cia Ltda para verificar se a empresa estaria em situação regular cumprindo com suas obrigações fiscais. Observese que pelo Termo de Início da Ação Fiscal a empresa foi intimada a apresentar seus atos constitutivos, livros contábeis de escrituração obrigatória, arquivos contábeis digitais com plano de contas, lançamentos, centro de custos e notas fiscais de entradas. Especificamente em relação às notas fiscais emitidas pela Tozzo & Cia Ltda a auditoria juntou à intimação demonstrativo contendo a relação das notas fiscais e solicitou que a contribuinte comprovasse o efetivo recebimento das mercadorias nelas consignadas, bem como apresentasse a comprovação do pagamento dos valores por meio de boleto bancário, transferência bancária ou liquidação em carteira. Posteriormente, já de posse dos elementos apresentados pela empresa, a auditoria fiscal lavrou nova intimação, desta feita solicitando a apresentação de balanço patrimonial e balancetes. Toda a prova de acusação constante dos presentes autos foi, portanto, produzida pela auditoria fiscal a partir dos elementos fornecidos pela recorrente em respostas às intimações lavradas, não se verificando, in casu, qualquer tipo de prova emprestada. Da mesma forma não se utilizou, nos lançamentos formalizados nos autos, de presunções. A auditoria apurou que a recorrente se aproveitou de documentos inidôneos, para minimizar seus custos e, com isso, reduzir os valores dos tributos exigidos nos autos. Não há qualquer raciocínio presuntivo aqui, vez que comprovada a utilização de documentos fraudulentos. A recorrente foi intimada a comprovar o pagamento e o efetivo recebimento de mercadorias que sua contabilidade registrava como tendo sido adquiridas de Tozzo & Cia Ltda. Não fez a comprovação. Não apresentou qualquer cópia de cheque, ou extrato bancário demonstrando a saída do numerário utilizado nas supostas compras. Como visto tratase de autos de infração lavrados em decorrência da apuração, em procedimento fiscal, de apropriação de custos inexistentes, amparados em notas fiscais fraudulentas, cujos valores foram glosados na apuração do IRPJ e da CSLL devidos, assim como implicaram, também, no pagamento menor que o devido de PIS, COFINS . A propósito, reproduzse, uma vez mais, trechos do Termo de Verificação Fiscal: Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 14 ... Os documentos apreendidos pelo Ministério Público de Santa Catarina revelam que os responsáveis pela empresa Tozzo & Cia Ltda organizaram esquema de vendas sem notas fiscais com a conseqüente emissão de notas fiscais e duplicatas simuladas para outros destinatários (fluxograma fl. 102). O esquema fraudulento de vendas operavase da seguinte forma: Parte das mercadorias vendidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda eram entregues por motoristas funcionários, utilizando caminhões próprios, a destinatários que não desejavam receber nota fiscal (com intuito de revender as mercadorias também sem nota fiscal, sonegando os tributos e permitindo a permanência em regimes de tributação favorecidos como é o caso do SIMPLES). Estas entregas sem nota fiscal eram acompanhadas de um documento paralelo denominado de "Pedido ATZO". Por outro lado para manter a regularidade do estoque de mercadorias e para beneficiar interessados em registrar créditos de ICMS, os responsáveis da empresa Tozzo & Cia Ltda simulavam a venda de mercadorias com a emissão de notas fiscais para destinatários que não correspondiam aos verdadeiros adquirentes/recebedores das mercadorias. Tais notas fiscais eram denominadas pelos envolvidos de "Nota Referente", pois correspondia (ou se "referiam") a uma entrega de mercadoria sem nota fiscal, ou seja, referiase a um "Pedido ATZO". Ou seja, as vendas sem nota fiscal (Pedido ATZO) geravam uma nota fiscal ideologicamente falsa (Nota Referente) contendo um destinatário irreal. A fim de manter o controle financeiro do esquema fraudulento, a Tozzo & Cia Ltda simulava a emissão de duplicatas que eram registradas e quitadas via caixa, dando uma aparência de regularidade para todas as operações. ... Identificadas por esta fiscalização as notas fiscais que teriam sido utilizadas indevidamente pela empresa fiscalizada, a mesma foi regularmente intimada para comprovar com documentação hábil e idônea o recebimento das mercadorias e o efetivo pagamento das mesmas, conforme Termo de Inicio de Ação Fiscal (Fls.191 a 216). Em resposta (Fl. 217) a empresa fiscalizada cingiuse a alegar que: a) quanto a entrega das mercadorias a empresa MARCOS AIRTON PILZ & CIA LTDA. não se manifestou e nem consignou qualquer documento referente ao efetivo recebimento das mercadorias em seu depósito, inclusive a grande maioria destas Notas Fiscais não consta nenhuma assinatura do recebedor no "canhoto" das Notas Fiscais (juntamos cópia, por amostragem destas Notas Fiscais fls. 422 a 425). b) quanto à forma de pagamento alegou a empresa fiscalizada que as referidas aquisições foram quitadas por meio de duplicatas em “CARTEIRA” e com recursos saídos diretamente de seu caixa. A empresa MARCOS AIRTON PILZ & CIA LTDA. não apresentou comprovantes de pagamento de forma diferente, ou seja, pelos meios costumeiramente utilizados que são os boletos bancários, cheques nominativos e transferências entre contas bancárias (fl. 217). Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 13982.000304/201173 Acórdão n.º 1801001.945 S1TE01 Fl. 9 15 As alegações da empresa MARCOS AIRTON PILZ & CIA LTDA.. confirmam os indícios apurados durante a operação de busca e apreensão realizada pelo Ministério Público de Santa Catarina e pela Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina. ... Na verdade a defesa targivesa todo o tempo com alegações superficiais e não enfrenta a questão de não ter apresentado a comprovação da suposta compra das mercadorias, tampouco a comprovação do pagamento dessas supostas aquisições. Aliás, nesse sentido limitouse a afirmar, à auditoria, que os pagamentos das supostas aquisições teriam sido efetuados com dinheiro vivo. Observese as implicações dessa afirmação: Mais de 5.000 (cinco mil) notas/duplicatas. Emitidas por um único fornecedor, flagrado emitindo notas fiscais falsas. No decorrer de 4 anos consecutivos Pagamentos efetuados somente em dinheiro vivo. Nenhuma prova da entrada das mercadorias no estabelecimento da recorrente. Lembrando que se trata, a recorrente, de supermercado, presumindose a existência de inúmeros, dezenas, senão centenas de fornecedores. Mas tal fato se deu com um único e exclusivo fornecedor. Não há, assim, qualquer possibilidade em se admitir que a afirmação da defesa tenha qualquer credibilidade. Fato é que a empresa se aproveitou de notas fiscais fraudulentas emitidas pela Tozzo & Cia Ltda., para se apropriar de custos inexistentes. Nunca adquiriu as mercadorias constantes das notas. Nunca pagou por tais notas. Não há como negar. A recorrente foi flagrada em esquema de sonegação fiscal. E nesse contexto é totalmente procedente a imputação da penalidade qualificada. Uma vez comprovada a inidoneidade dos documentos utilizados pela recorrente, é possível a imputação de conduta fraudulenta. No caso em apreço, a caracterização do dolo e do evidente intuito de fraude foi feita, pela fiscalização, a partir da constatação da utilização, pela recorrente, de notas fiscais falsas, no decorrer de 4 (quatro) anoscalendário consecutivos, denotando uma ação continuada no intuito de não levar ao conhecimento do Fisco sua real situação econômicofinanceira, simulando custos inexistentes a fim de ocultar ou suprimir da Fazenda Federal a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Relevante destacar que a fraude e a simulação devem, necessariamente, ser veiculadas em instrumento específico, de forma que não se podem imputar tais infrações se não Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 16 materializadas documentalmente. In casu, cumpre reconhecer que o instrumento mediante o qual a fraude se materializou foram as irrefutavelmente inverídicas notas fiscais de aquisição de mercadorias da Tozzo & Cia Ltda., das quais se utilizou a recorrente. Salientese que a fraude se caracteriza, também, pela apresentação das DIPJ nas quais foram inseridas informações falsas relativas a custos inexistentes, como mais uma tentativa da contribuinte de suprimir do conhecimento pelo Fisco Federal do fato gerador da obrigação tributária. Dessa forma, tendo em conta a conduta reiterada e sistemática da recorrente, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. A jurisprudência desta casa já se solidificou nesse sentido, como se exemplifica pelas ementas de acórdãos a seguir transcritas: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. Ac. 1102001.039 – 1a. Câmara – 2a. Turma Ordinária MULTA QUALIFICADA Caracterizado na espécie o evidente intuito de fraude que autoriza o lançamento de multa agravada, como previsto no inciso I, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, impõese a mantença da multa qualificada. Ac. 1301001.323 – 3a. Câmara – 1a. Turma Ordinária MULTA QUALIFICADA Evidenciada a falsidade material dos contratos que comprovam as despesas, estão presentes os fundamentos que autorizam a qualificação multa, pois é inequívoco o evidente intuito de fraude e a intenção dolosa em reduzir o montante devido, sendo devida à qualificação da multa de ofício ao patamar de 150%. Ac. 1301001.266 – 3a. Câmara / 1a. Turma Ordinária 2 IRPJ E CSLL Apurados na DIPJ e não Recolhidos Integralmente (item 2 do auto de infração). A recorrente não se defende especificamente a respeito do tema, razão pela qual mantémse as exigências de IRPJ e de CSLL relativas a essa infração. 3 Decadência. Em razão da comprovação do evidente intuito de fraude, no presente caso a contagem do prazo decadencial se dá pela regra prevista no artigo 173, inciso I, do CNT. Esse entendimento já se encontra pacificado neste Conselho, pela edição da seguinte Súmula vinculante Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 13982.000304/201173 Acórdão n.º 1801001.945 S1TE01 Fl. 10 17 Sumula CARF nº 72. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Assim, em relação ao prazo decadencial para constituição de crédito tributário, temos: (i) em relação a multa isolada: o fato gerador mais antigo da multa isolada ocorreu em janeiro/2006. O exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado é o próprio ano de 2006. O primeiro dia do exercício seguinte se deu em 01/01/2007 e o prazo final para constituição do crédito tributário recaiu em 31/12/2011. Tendo em conta que o lançamento foi cientificado em 27/04/2011 não se operou a decadência. (ii) em relação ao IRPJ e CSLL: o fato gerador mais antigo do IRPJ e da CSLL pelo lucro real ocorreu em 31/12/2006. O exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado é o de 2007. O primeiro dia do exercício seguinte se deu em 01/01/2008 e o prazo final para constituição do crédito tributário recaiu em 31/12/2012. Tendo em conta que o lançamento foi cientificado em 27/04/2011 não se operou a decadência. (iii) relativamente ao lançamento de IRPJ e de CSLL, contemplados com multa de ofício de 75%, referente a fato gerador ocorrido em 31/12/2007, cuja contagem decadencial se faz pelo disposto no § 4º do art. 150 do CTN (cinco anos contados do fato gerador), não se verifica a ocorrência de decadência. (iv) relativamente ao PIS e a COFINS: o fato gerador mais antigo do PIS e da COFINS ocorreu em 28/02/2006. O exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado é o próprio exercício de 2006. O primeiro dia do exercício seguinte se deu em 01/01/2007 e o prazo final para constituição do crédito tributário recaiu em 31/12/2011. Tendo em conta que o lançamento foi cientificado em 27/04/2011 não se operou a decadência em relação às contribuições. 4 Multa Isolada Como último argumento a defesa afirma não ser cabível a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais após o encerramento do ano calendário e concomitantemente com a multa de ofício exigida pela falta de pagamento do tributo devido apurado ao final do período de apuração, colacionando jurisprudência administrativa deste Órgão Colegiado para ilustrar sua tese. Entretanto, esta Relatora considera que a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas é devida em qualquer caso. A exigência de multa isolada pela falta ou insuficiência de recolhimentos estimados visa punir a conduta do contribuinte que abandona a regra geral de tributação, que é o lucro real trimestral, sem cumprir o requisito para o ingresso na sistemática das estimativas mensais antecipatórias dever instrumental. Tal penalidade não se confunde com a multa aplicável sobre o montante devido de imposto ou contribuição apurado ao final do período de apuração, pois esta última visa punir a absoluta falta de pagamento de tributo, obrigação principal. Como se verifica as hipóteses de incidência são distintas, o que torna os ilícitos distintos e inconfundíveis. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 18 Ambas as penalidades a multa exigível no caso de falta de pagamento sobre a CSLL ou IRPJ apurados e devidos ao final do período de apuração e a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas são aplicáveis por se tratarem, ambas as situações, de infrações diversas, com hipóteses de incidência distintas: (i) no caso da multa de ofício exigida juntamente com o tributo ou a contribuição não pagos, o fato ilícito que sustenta a imputação é a falta de pagamento e a falta de declaração ou declaração inexata do tributo ou contribuição devidos ao final do período de apuração anual; (ii) no que diz respeito à multa isolada, a ilicitude decorre da falta de recolhimento das estimativas mensalmente devidas no curso do anocalendário. Extraio tal entendimento da própria Lei 9.430/96, cujo artigo 44, base legal do artigo 957 do RIR/99 transcrevo, em sua redação original: Lei nº. 9.430, de 26 de dezembro de 1996 (com alterações da Lei nº. 11.488, de 15 de junho de 2007): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Nesse contexto o conteúdo jurídico, a dicção do dispositivo não deixa margem de dúvida acerca do seu alcance. A aplicação da multa isolada independe da apuração de resultado positivo, ou seja, é aplicável em qualquer situação, com ou sem base de imposto final, bastando apenas que se constate o dever – não observado de recolher antecipações, mediante estimativas, pouco importando se estas possuem apenas um caráter provisório, pois o que se busca é punir a conduta do contribuinte que, espontaneamente, abandonou a regra geral de tributação lucro real trimestral, sem respeitar o requisito para o ingresso na sistemática do lucro real anual, cujas estimativas mensais antecipatórias são de recolhimento imprescindível. O contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato – multa isolada. Aquele que deixa de pagar o imposto devido ao final do período de apuração também descumpre norma específica, o dever de recolher a obrigação principal, para o qual a Lei prevê a multa de ofício (75%) que será exigida juntamente com o valor do imposto não recolhido. Entretanto, pode ocorrer de um mesmo contribuinte se subsumir aos dois tipos. Deixar de recolher as antecipações obrigatórias, sujeitandose à penalidade da multa isolada, e, conjuntamente, deixar de recolher o imposto apurado ao final do anocalendário, sujeitandose ao recolhimento deste imposto acrescido da multa de ofício de 75%. É o que se observa no presente caso. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 13982.000304/201173 Acórdão n.º 1801001.945 S1TE01 Fl. 11 19 Há, inclusive, jurisprudência administrativa a referendar o entendimento aqui adotado: RECURSOS DE OFÍCIO IRPJ – ESTIMATIVAS – Cabível o lançamento de multa de ofício isolada na falta de recolhimento de estimativas, quando o lançamento se dá depois de encerrado o anocalendário correspondente [Acórdão 10196176 PRIMEIRA CÂMARA Data da Sessão: 24/05/2007 Relator: Caio Marcos Cândido]. CSLL – MULTA ISOLADA – EXIGIDAS, CONCOMITANTEMENTE, NO LANÇAMENTO – Por se tratar de hipóteses legais distintas, são cabíveis, no lançamento de ofício, a aplicação de multa exigida isoladamente, por falta de recolhimento dos valores devidos por estimativa, bem como as que se exigem juntamente com o imposto ou contribuição que forem apurados no procedimento fiscal. (Inciso II parágrafo 1º,do artigo 44 da Lei 9430).Contudo, nos termos da alínea c, do inciso II do artigo 106 do CTN deverá ser aplicado o coeficiente de 50%, veiculado no artigo 18 da MP303/2006 [Acórdão 108 08962 OITAVA CÂMARA Data da Sessão: 17/08/2006 Relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro]. MULTA DE OFÍCIO – MESMA BASE DE CÁLCULO – APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE – O lançamento de duas multas de ofício, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratarse de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas [Acórdão 10196049 PRIMEIRA CÂMARA Data da Sessão: 28/03/2007 Relator: Caio Marcos Cândido]. Procedente, também, in casu, a aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. 5 Tributação Reflexa No que tange aos autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, destaquese que se tratam de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Em assim sendo, a decisão de mérito prolatada em relação à exigência matriz constitui prejulgados na decisão das exigências reflexas. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 20 Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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