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Numero do processo: 10730.900925/2009-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/04/2005
PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA.
O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.461
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/04/2005 PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIEN COMPANHIA DE INTERCONEXÃO ENERGÉTICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2005 PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 25 /2 00 9- 16 Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 9303004.461 CSRFT3 Fl. 3 2 Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402001.887, que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Em síntese, o colegiado a quo entendeu que o preço predeterminado constante de contrato não perde sua natureza pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária com base no IGPM. Insatisfeita com a decisão acima apontada a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, trazendo, em apertada síntese, os seguintes argumentos: · Pela própria definição e composição do IGPM, fica evidente que não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”; · O reajuste estipulado no contrato não descaracteriza o preço predeterminado apenas se for equivalente ao custo da produção ou se utilizar índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1° do art. 27 da Lei 9.069/95, cabendo ao sujeito passivo trazer laudo técnico que demonstrasse os custos que ela tem, os insumos utilizados, bem como memoriais de reajustes dos preços desses bens; · Por outro lado, se o reajuste não refletir a variação dos custos e insumos, a consequência será a tributação pela regra geral, ou seja, sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, pois não estará mais caracterizado o preço predeterminado. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da Câmara competente. O sujeito passivo, então, apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda, reafirmando suas alegações com menções a jurisprudências de tribunais. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.452, de Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 9303004.461 CSRFT3 Fl. 4 3 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 10730.900910/200940, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.452), quanto à admissibilidade do recurso e quanto o mérito. Voto Vencido Deixase de transcrever a íntegra do voto vencido apresentado pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama, por ter sido apresentado no Acórdão 9303004.452 (processo paradigma). Transcrevese, tãosomente, a parte relativa à admissibilidade do recurso, que foi acatada pelo Colegiado por unanimidade, e, no mérito, fragmentos do voto vencido, que resumem o entendimento adotado por parte dos integrantes do Colegiado, que votaram por negar provimento ao recurso da Fazenda: "O Recurso é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O que concordo com a análise feita através do Despacho de fls. 509 511 apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3º Seção desse Conselho em exercício à época, eis que o confronto das decisões comprova a divergência. O acórdão recorrido decidiu que a correção dos valores de contratos pelo IGPM não descaracteriza o preço prédeterminado, do que resultou manter a contribuinte no regime cumulativo das contribuições. E os arestos indicados se direcionam em sentido contrário. Passo a analisar o cerne da lide trazida em recurso especial, qual seja, se o reajuste estipulado no contrato descaracteriza o preço predeterminado, nos termos do inciso art. 27, § 1º, inciso II, da Lei 9.069/95, pois, conforme alega a Fazenda Nacional, caso não reflita a variação dos custos e insumos, o sujeito passivo deveria observar a sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, pois não restará mais caracterizado o preço predeterminado. (...) Ademais, cabe trazer ainda que o sujeito passivo apresentou Ofício 1431/2006 – SFF/Aneel – afirmando que os índices por ela aprovados ou homologados, bem como nos contratos celebrados nos moldes dos examinados nesse processo “visam exatamente refletir as variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”. Para desconsiderar esse ofício, a autoridade fazendária deveria, de acordo com o art. 79, § 1º, do Decretolei 5.844/43, produzir contraprova demonstrando que os índices dos contratos eram superiores a esses, atestando eventual falsidade ou inexatidão desse Ofício. Ante todo o exposto, entendo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Frisese tal entendimento a Solução de Consulta da 8ª Região 390 de 2006 Os reajustes de preço de venda de energia elétrica determinados ou autorizados pela ANEEL, conforme procedimento previsto em cláusula de contrato de venda de energia, os quais expressem exclusivamente a variação de custos do Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 9303004.461 CSRFT3 Fl. 5 4 gerador/vendedor, reconhecida por aquela agência, são aceitáveis para efeito do que dispõe o art. 109 da Lei 11.196/05, não descaracterizando o fornecimento a preço predeterminado." Quanto ao voto vencedor transcrevese sua íntegra, pois traz o entendimento que prevaleceu no Acórdão 9303004.452 (paradigma), e que deve ser adotado na solução deste litígio: Voto Vencedor "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, peço licença para discordar de suas conclusões. Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui redator do voto vencedor do Acórdão de número 3301 002.196, de 25/02/2014, processo nº 16349.720019/201136, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. IGPM. PREÇO PREDETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. A utilização do IGPM como índice de atualização implica em descaracterizar o contrato como sendo de preço predeterminado. Disposição expressa do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, pois o IGPM não é índice que reflete a variação dos custos de produção. Não sendo o contrato de preço predeterminado aplica se a apuração nãocumulativa da Cofins. (...) Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016. Eis a ementa do Acórdão nº 9303003.470, por meio do qual se reformou referida decisão: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 9303004.461 CSRFT3 Fl. 6 5 Apesar dessa decisão ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e da Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN1, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. 1 IN SRF nº 658, de 4/7/2006; Nota Técnica Cosit nº 1, de 16/2/2007; Parecer PGNF/CAT nº 1.610, de 2007. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 9303004.461 CSRFT3 Fl. 7 6 Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) Porém, ao contrário daquele, no presente processo, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM seria igual ou menor do que obtido pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN. Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 9303004.461 CSRFT3 Fl. 8 7 b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matérias primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 9303004.461 CSRFT3 Fl. 9 8 custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Em resumo, o Acórdão recorrido bem como o voto da ilustre relatora, fundamentamse no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM. Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido bem como no voto da ilustre relatora, afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 9303004.461 CSRFT3 Fl. 10 9 A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 9303004.461 CSRFT3 Fl. 11 10 O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM),que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 9303004.461 CSRFT3 Fl. 12 11 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime nãocumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 543DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723403/2014-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Verificada no acórdão embargado contradição e obscuridade internas à fundamentação, cabe a modificação desta bem como dos correspondentes termos da ementa, de modo que seja refletido apropriadamente o entendimento firmado, com efeitos infringentes quanto a esses aspectos, ainda que se mantenha a conclusão constante no dispositivo.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração para acolhê-los, com efeitos infringentes no que se refere à fundamentação e à ementa, sem modificação no dispositivo, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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CONTRADIÇÃO. Verificada no acórdão embargado contradição e obscuridade internas à fundamentação, cabe a modificação desta bem como dos correspondentes termos da ementa, de modo que seja refletido apropriadamente o entendimento firmado, com efeitos infringentes quanto a esses aspectos, ainda que se mantenha a conclusão constante no dispositivo. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 34 03 /2 01 4- 03 Fl. 1808DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração para acolhêlos, com efeitos infringentes no que se refere à fundamentação e à ementa, sem modificação no dispositivo, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10166.723403/201403 Acórdão n.º 2402005.550 S2C4T2 Fl. 351 3 Relatório Em sessão plenária realizada em 12 de maio de 2016, esta Turma julgou Recurso Voluntário, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2402005.298 (fls. 1748/1761), assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2009, 2010 PERDÃO DE DÍVIDA. AUSÊNCIA DE VÍNCULO COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO TRIBUTAÇÃO. O perdão de dívida do sócio junto à empresa, sem vínculo atestado com prestação de serviços, mesmo que viabilizado por operações irregulares não enseja a tributação pelo imposto de renda, tendo em vista o inciso I do art. 55 do RIR/99, bem como o entendimento esposado pela administração tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MÚTUO NÃO COMPROVADO. CONTA CORRENTE COM A PESSOA JURÍDICA Não se consubstanciam em efetivos empréstimos, mas sim em omissão de rendimentos, pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas aos sócios, quando amparados em contratos de conta corrente sem previsão de encargos e com estipulação apenas formal do prazo de devolução dos valores. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SIMULAÇÃO. O descompasso da escrituração e dos contratos de mútuo formalizados, com as provas carreadas nos autos, evidencia a intenção de dissimular o pagamento de rendimentos às pessoas físicas dos sócios, apta a respaldar a qualificação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. O dispositivo do acórdão recebeu a redação abaixo transcrita: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$8.004.000,00, relacionado com o levantamento R2 e atinente à competência julho de 2009. O processo foi encaminhado para ciência do acórdão por parte da Fazenda Nacional em 13/06/2016, a qual interpôs embargos tempestivamente em 15/7/2016, manifestando inconformidade relativamente ao aresto, o qual teria incorrido em contradições (fls. 1763/1767), e demandando, ainda, o provimento dos embargos, com efeitos infringentes, "de modo que, não restando caracterizado o perdão das supostas dívidas, permaneça hígido o Fl. 1810DF CARF MF 4 lançamento em sua totalidade". Também a DRF/Brasília/DF interpôs, em 15/8/2016, embargos tempestivos alegando a existência de omissões, contradições e obscuridade no julgado (fls. 1785/1789). Mediante o Despacho datado de 26/7/2016 (fls. 1770/1772), foi admitida a apreciação das contradições objetivamente apontadas pela PGFN, e, em 27/9/2016, através do respectivo Despacho (fls. 1804/1807), foram admitidos os embargos da DRF/Brasília, para o fim específico de sanar obscuridade alegada. É o relatório. Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10166.723403/201403 Acórdão n.º 2402005.550 S2C4T2 Fl. 352 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator Os embargos interpostos são tempestivos e merecem ser conhecidos, consoante explanado no relatório e nos despachos de admissibilidade. Necessário explicar, de início, que o processo trata de lançamento decorrente de operação de aumento de capital de empresa com base em reavaliação de marca, seguido de redução de capital social, a qual, segundo o Fisco, teria resultado no pagamento de remuneração indireta ao contribuinte. Também foi objeto de autuação o recebimento de valores associados a mútuos não comprovados, lançamento esse mantido integralmente, cabendo observar não ter sido a conclusão do aresto quanto a esse segundo aspecto objeto de embargos. Na decisão embargada, foi firmado o entendimento de que, ainda que cercada de suspeitas, não se poderia asseverar, tal como manejado pela autoridade lançadora, que a reavaliação da marca efetuada tinha sido de todo artificial. Noutro giro, salientouse que a reserva formada com esteio nessa reavaliação não poderia ter sido utilizada para o aumento de capital de cerca de 20 milhões realizado em 12/3/2008 com base na 54ª alteração contratual (fls. 75/78), tendo em vista as disposições da Lei nº 11.638/07, resultando na ilegalidade de tal operação. Também verificouse que a redução de capital no mesmo montante, preconizada em 2/4/2009 pela 57ª alteração contratual (fls. 89/95), teve como contrapartida créditos em contas de ativo denominadas "Conta Corrente Financeira" e "Títulos a receber" (fl. 433). Tais contas estavam associadas a dívidas que o autuado supostamente tinha para com a companhia, referentes a mútuos e integralização de capital, respectivamente. Diante da constatação de que os mencionados títulos a receber contabilizados não foram comprovados documentalmente, bem como de que a conta corrente financeira estava parcialmente vinculada a mútuos inexistentes, tevese como sem suporte fático a operação de compensação realizada pela empresa, pois o suposto crédito que daria lastro para tanto tinha sido formado mediante capitalização da reserva de reavaliação em desconformidade com o ordenamento jurídico. Como fecho, destacouse no Acórdão que tais eventos não se consubstanciariam remuneração indireta, tal como percebido pela fiscalização, mas sim em perdão de dívida sem repercussão tributária, conforme entendimento baseado na SC Cosit nº 70/2013, vinculante no âmbito da RFB. Pois bem, a Fazenda Nacional assim se expressou acerca da primeira contradição do acórdão: (...) o voto condutor afirma que foram quitadas dívidas do sócio para com a empresa por meio de compensação com crédito oriundo de redução de capital social redirecionado ao sócio, e, ao mesmo tempo, afirma que houve um perdão ou remissão de dívidas de origem não comprovada. Fl. 1812DF CARF MF 6 8. Ora, ou as dívidas foram quitadas por meio da compensação, ou as dívidas foram perdoadas. Quitar dívidas por meio de uma compensação é diferente de não precisar quitálas em razão de um perdão ou remissão. O cancelamento, por sua vez, ocorre quando se constata a inexistência, por qualquer motivo, da dívida registrada, sendo hipótese também distinta da quitação. (grifos do original) Apontou ainda essa embargante para uma segunda contradição, que seria a impossibilidade de se reconhecer perdão de dívidas quando estas são referidas em diversas ocasiões, no acórdão embargado, como não estando adequadamente comprovadas. Também a DRF/Brasília manejou por via similar em seus embargos, denotando a impropriedade de se cogitar de haver "perdão de dívida" do sócio para com a empresa, estendendose em considerações diversas sobre quais seriam as consequências de tal entendimento. Com efeito, têm em certa medida razão os embargos interpostos, pois não há falar em perdão de dívida tendo em vista a constatação anterior, constante no próprio voto condutor, de que a diminuição das dívidas foi acompanhada de redução de capital. De fato, a partir do momento em que foi decidida a redução de capital em reunião societária, a empresa passou a ter uma obrigação para com os sócios de restituição do capital que eles nela investiram a despeito de sua origem questionável, já referida. E aquele feito foi viabilizado não por meio de entrega de recursos financeiros aos sócios, mas sim através da redução de créditos que a companhia detinha frente aos referidos (lançamentos a crédito contabilizados à fl. 433). De todo modo, houve um ato societário de redução de capital correspondente à diminuição dessas dívidas, e não simples perdão unilateral delas, a despeito das dúvidas que sombreiam a sua constituição. Admitida a impropriedade de tal abordagem, impõese retirar da fundamentação do voto o seguinte excerto: (...) Na verdade, não ocorreu pagamento tal como suscitado pela autoridade lançadora, e sim perdão de dívida. Na espécie, então, aplicável o entendimento constante na Solução de Consulta nº 70/2013, cuja ementa transcrevese: RENDIMENTOS ORIUNDOS DE PERDÃO OU CANCELAMENTO DE DÍVIDA. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. O perdão ou cancelamento de dívida somente terá repercussão tributária para o beneficiário se corresponder à contraprestação de serviços ao credor. Tal entendimento, vinculativo no âmbito da Receita Federal doa Brasil por força do art. 9º da IN RFB nº 1.396/2013, com a redação dada pela IN RFB nº 1.424/2013, tem seu supedâneo em interpretação a contrario sensu do disposto no inciso I do art. 55 do RIR/99: Art.55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26,Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e70, §3º, inciso I): I as importâncias com que for beneficiado o devedor, nos casos de perdão ou cancelamento de dívida em troca de serviços prestados; (...) Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 10166.723403/201403 Acórdão n.º 2402005.550 S2C4T2 Fl. 353 7 Nesses termos, considerando não estar o perdão de dívida em evidência caracterizado como retribuição por serviços prestados, bem como o entendimento da própria administração tributária a respeito do assunto, acima resumido, deve ser dado provimento ao contribuinte para que seja excluído do auto de infração o valor correspondente ao levantamento R2 (fl. 636), qual seja, os R$ 8.004.000,00 atinentes à competência julho de 2009. Noutro giro, a exclusão de tal desfecho da fundamentação não interfere no cerne da conclusão então partilhada pelo Colegiado (fls. 1758/1759), que aqui se reproduz: Diante desses fatos, a fiscalização concluiu que "mediante a utilização de um processo arbitrário, recheado de vícios e ilegalidades, que se iniciou com a avaliação distorcida da marca da empresa e culminou com o direcionamento de verbas aos seus sócios; houve o pagamento de remunerações indiretas aos seguintes sócios da empresa: Mauro César Alves Lacerda, Eugênio César Alves Lacerda e Paulo César Nogueira Lacerda". Ademais, continua, como "tais verbas não foram pagas em conformidade com a legislação, têm natureza salarial, incorporam a remuneração dos trabalhadores para todos os efeitos legais e são consideradas bases de cálculo de tributos". Todavia, e a despeito das considerações mais acima tecidas, tais conclusões não possuem respaldo nas provas do processo. O que se constatou, como acima exposto, é a existência de uma remissão de dívida de origem não comprovada, ao menos de maneira satisfatória, pelo contribuinte. Pagamento não houve então, mas sim a liquidação de um passivo que o recorrente tinha para com a empresa. Em outras palavras, podese dizer que houve um crédito indevido, dado que sem respaldo legal, liquidando dívida do referido com a pessoa jurídica, débito esse de origem, repito, indeterminada. Vejase que tal dívida, alocada na conta "títulos a receber" ao longo dos anos, não apresentou valor variável no período, o que poderia indicar, sendo o caso, sua vinculação com a retribuição por serviços prestados à empresa. A conclusão da fiscalização acaba por se consubstanciar em verdadeiro "salto" argumentativo, ao entender que se o montante relativo à reavaliação das reservas foi creditado em conta passivo da empresa para com o recorrente, isso representaria remuneração indireta, de "natureza salarial". Ora, não há qualquer habitualidade naquele creditamento, o qual se deu como evento isolado, acontecido em julho de 2009, sem liame aferível com prestação de serviços. Como acréscimo a tais razões, e em substituição ao remate equivocado referente ao perdão de dívida, cabe inserir o seguinte trecho à guisa de conclusão desta parte da fundamentação do Acórdão: Vejase que a autoridade lançadora não logrou demonstrar a existência de rendimentos ou mesmo de proventos percebidos, assim entendidos como acréscimos patrimoniais nos termos do art. 3º da Lei nº 7.713/88 e legislação de regência, decorrentes da quitação de dívidas do contribuinte perante a empresa, sejam aquelas constantes na conta "títulos a receber", seja as lançadas na conta "conta corrente Fl. 1814DF CARF MF 8 financeira", previamente a julho de 2009. Dívidas essas, aliás, acerca das quais o próprio procedimento fiscal lançou incisivas dúvidas sobre sua concreta existência. Reiterese que não houve fluxo financeiro vinculado à redução de capital em tela, passível porventura de tributação pelo imposto de renda na fonte, tampouco evidenciouse no Termo de Verificação Fiscal a mínima descrição de acréscimo patrimonial a dar azo à tributação pelo imposto de renda. Por outra via, a ação fiscal não teceu menção sequer no sentido de guardar, a situação ora analisada, similaridade com a prevista no art. 22 da Lei nº 9.249/95, que trata de devolução de participação no capital por meio da entrega de bens e direitos em valor superior ao constante na declaração da pessoa física. Mister notar que a fiscalização se esmerou em lançar dúvidas sobre a operação de reavaliação da marca, em frisar a ilegalidade do aumento de capital, e em questionar a própria existência das dívidas escrituradas como "títulos a receber" e "conta corrente financeira" objeto de redução, porém não se revelou capaz de delinear os fatos concretos hábeis a atrair a incidência do imposto de renda pessoa física. Ou seja, em esclarecer em que medida houve a subsunção de tais fatos à hipótese normativa de incidência do tributo em questão. Na verdade, se tais dívidas estavam associadas a retiradas anteriores de recursos da empresa, caberia à fiscalização ter identificado claramente no curso da ação fiscal as ocasiões em que tais levantamentos foram feitos, bem como os valores neles envolvidos, e verificar a eventual percepção de acréscimo patrimonial decorrente de tais ocorrências. Não é esteio suficiente para manutenção do gravame em questão, por conseguinte, a mera constatação de que uma dívida espelhada na contabilidade foi quitada, compensada, ou mesmo 'perdoada', mediante lançamento a créditos em contas de ativo, sem que tenha se comprovado o acontecimento de efetivas saídas de recursos da companhia para o sócio, a elas relacionados, em algum momento. Ademais, registrese que a eventual artificialidade ou mesmo ilegalidade das operações examinadas não se consubstancia, por si só, em fundamento para a imposição da autuação. Deve restar configurado no ato do lançamento o fato gerador do imposto de renda, ônus esse que obviamente cabe à autoridade lançadora, não ao julgador administrativo. Nesses termos, cumpre dar provimento ao recurso do contribuinte para fins de que seja excluído do auto de infração o valor correspondente ao levantamento R2 (fl. 636), qual seja, os R$ 8.004.000,00 atinentes à competência julho de 2009. Por fim, é necessária outrossim a substituição do excerto de ementa do Acórdão embargado: PERDÃO DE DÍVIDA. AUSÊNCIA DE VÍNCULO COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO TRIBUTAÇÃO. O perdão de dívida do sócio junto à empresa, sem vínculo atestado com prestação de serviços, mesmo que viabilizado por operações irregulares não enseja a tributação pelo imposto de renda, tendo em vista o inciso I do art. 55 do RIR/99, bem como o entendimento esposado pela administração tributária Pelo seguinte novel trecho: REDUÇÃO DE CAPITAL. CONTRAPARTIDA REDUÇÃO DE DÍVIDA DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INEXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO INDIRETA. Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10166.723403/201403 Acórdão n.º 2402005.550 S2C4T2 Fl. 354 9 A redução de dívidas contabilizadas de origem não comprovada, do sócio perante a empresa, a título de contrapartida de redução de capital social, não se configura, por si só, em remuneração indireta que enseje a incidência do imposto de renda pessoa física. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos de declaração para acolhêlos, com efeitos infringentes no que se refere à fundamentação e à ementa, sem modificação no dispositivo, nos termos deste voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1816DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.000171/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2801-000.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (27/01/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (27/01/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/SP2, na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida, em 29/12/2008, notificação de lançamento de fl.04, relativa ao imposto sobre a renda da pessoa física anocalendário 2004, por meio da qual foi apurada omissão de rendimentos informados pela fonte pagadora, Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 15.717,55, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl.05. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .0 00 17 1/ 20 09 -1 1 Fl. 33DF CARF MF Processo nº 13819.000171/200911 Resolução nº 2801000.201 S2TE01 Fl. 34 2 Cientificado do lançamento, em 16/01/2009 (fl.11), o contribuinte apresentou, em 03/02/2009, a impugnação de fl.01, alegando em síntese que recebeu o valor de R$12.004,58, e não, R$ 15.717,55. Que a diferença foi paga à Advogada Dra. Jussara Banzatto. Requer, ainda, o acerto do valor recebido do INSS. Junta para comprovação os documentos de fls.09/10. Passo adiante, a decisão de primeira instância entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE AÇÃO TRABALHISTA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente em função de ação judicial, poderá ser excluído, para efeito de tributação na declaração de ajuste anual, o valor das respectivas despesas judiciais necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização Cientificado em 16/08/2011 (Fl. 27), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 02/09/2011 (Fl. 28), no qual alega que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de Fl. 34DF CARF MF Processo nº 13819.000171/200911 Resolução nº 2801000.201 S2TE01 Fl. 35 3 caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Fl. 35DF CARF MF Processo nº 13819.000171/200911 Resolução nº 2801000.201 S2TE01 Fl. 36 4 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 36DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.016485/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
Ementa:
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
Comprovado o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial inicia sua contagem com a ocorrência do fato gerador, operando-se a extinção do crédito tributário lançado após o decurso de prazo para a fazenda pública constituir o crédito tributário pelo lançamento.
ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL.
Comprovado nos autos que o imóvel rural está integralmente inserido em Área de Proteção Permanente, cumpridos os demais requisitos da legislação, é insubsistente o lançamento
Numero da decisão: 2201-003.388
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-02-14T17:44:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: RODOLFO GADOTTI AJUSTADO.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2017-02-14T17:44:52Z; Last-Modified: 2017-02-14T17:44:52Z; dcterms:modified: 2017-02-14T17:44:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: RODOLFO GADOTTI AJUSTADO.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:cb73c99e-f538-11e6-0000-85382076d586; Last-Save-Date: 2017-02-14T17:44:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2017-02-14T17:44:52Z; meta:save-date: 2017-02-14T17:44:52Z; pdf:encrypted: true; dc:title: RODOLFO GADOTTI AJUSTADO.pdf; modified: 2017-02-14T17:44:52Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-02-14T17:44:52Z; created: 2017-02-14T17:44:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2017-02-14T17:44:52Z; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-02-14T17:44:52Z | Conteúdo => S2-C2T1 Fl. 183 1 182 S2-C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.016485/2008-86 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201-003.388 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2017 Matéria ITR Recorrente RODOLFO GADOTTI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Comprovado o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial inicia sua contagem com a ocorrência do fato gerador, operando-se a extinção do crédito tributário lançado após o decurso de prazo para a fazenda pública constituir o crédito tributário pelo lançamento. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. Comprovado nos autos que o imóvel rural está integralmente inserido em Área de Proteção Permanente, cumpridos os demais requisitos da legislação, é insubsistente o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator EDITADO EM: 14/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária janeiro de 2017 janeiro de 2017 RODOLFO GADOTTI RODOLFO GADOTTI FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 195DF CARF MF 2 da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata do Auto de Infração de fl. 60, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$ 54.891,26, com Multa de Ofício de R$ 41.168,44 e juros de mora de R$ 22.264,30 (calculados até 30/102008), perfazendo o total apurado de R$ 118.324,00. O lançamento é relativo aos exercícios de 2003 a 2006 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 3.705.404-0. Atesta a Fiscalização que, regulamente intimado a comprovar as isenções declaradas (Área de Preservação Permanente – APP e Área de Reserva Legal – ARL), o contribuinte apresentou protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA protocolizado em 25 de setembro de 2008, Laudo referente à apuração do uso e ocupação do solo e cópia de requerimento e cadastro de imóvel com reserva legal e preservação permanente, protocolizado em 29 de setembro de 2008. Afirma, ainda, a fiscalização que o contribuinte solicitou prorrogação de prazo para complementar a documentação, no que foi atendido. Contudo, ao final, o contribuinte apenas alegou não ser possível apresentar o Laudo de Avaliação da Terra Nua; que a Área de Reserva Legal e de Mata Nativa declaradas anteriormente nas DITR correspondem à realidade, conforme levantamento topográfico realizado recentemente; que o valor da terra nua do imóvel é bem inferior ao das demais áreas, em função de estar localizada dentro de uma APA (Área de Proteção Ambiental) e também no entorno do Parque Ambiental do Rio Cubatão, com parte desta área situada numa declividade acima de 45. Diante dos documentos apresentados, a APP foi alterada de 67 para 4,1 ha, pois, embora o contribuinte não tenha apresentado o ADA para o exercício, o Agente Fiscal identificou ADA protocolado pelo proprietário anterior com indicação de APP, assim, considerou a área assim identificada no Laudo Apresentado (4,1 ha); a ARL declarada de 247,2 ha foi integralmente glosada, por não restar comprovada o protocolo do ADA, tampouco por estar devidamente averbada junto à matrícula do imóvel; o VTN foi arbitrado com base nos valores disponíveis no SIPT por falta de comprovação da procedência do valor declarado. Ciente do lançamento em 12 de dezembro de 2008, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 71/94, em 12 de janeiro de 2009, na qual expressou suas considerações acerca dos seguintes temas: - Da decadência do crédito tributário; - Da decadência do crédito tributário nos moldes da Súmula 08; - Da ilegalidade da exigência de averbação da Reserva Legal e do Ato Declaratório Ambiental – ADA; - Da avaliação do imóvel e das Áreas de Proteção Ambiental da propriedade; - Do caráter confiscatório da multa; Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10980.016485/2008-86 Acórdão n.º 2201-003.388 S2-C2T1 Fl. 184 3 - Dos juros; Ao final, solicitou o reconhecimento da decadência para os exercícios de 2003 e 2004; o cancelamento do Auto de Infração e, caso necessária, a produção de prova pericial para comprovação do valor venal do imóvel e das áreas de utilização limitada. Requer, ainda, caso prevaleça a procedência do Auto, que a multa de 75% seja excluída, bem assim os juros que ultrapassem 12% ao ano. No julgamento da impugnação, fl. 116 a 128, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário integralmente. Das conclusões da DRJ, merecem destaque: Da decadência: Embora o impugnante alegue que o lançamento do tributo relativo aos exercícios 2003 e 2004 estão decaídos, vale ressaltar que não consta dos autos nenhum comprovante de recolhimento antecipado de ITR. Desta forma, não há o que homologar e, assim, para o marco temporal de inicio de contagem do prazo de cinco anos, que tem a Fazenda Pública para constituição do crédito tributário, prevalece o previsto no artigo 173, do CTN: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" No presente caso, ITR/2003, o prazo finalizou em 31/12/2008 e do ITR de 2004, em 31/12/2009. Como o interessado tomou ciência do lançamento em 12/12/2008, fl. 111, o lançamento ocorreu, de fato e de direito, dentro do prazo decadencial. (...) Do pedido de perícia: Assim, nenhuma circunstância há que justifique a perícia pleiteada. O lançamento limitou-se a formalizar a exigência apurada a partir do conteúdo estrito dos dados apresentados pelo contribuinte, não havendo matéria controversa ou de complexidade que justifique Parecer Técnico Complementar. Assim, e de conformidade com o art. 18 do Decreto no 70.235/1.972 (PAF), cumpre que se indefira o pedido de perícia sob análise. Da Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente O lançamento foi legal e corretamente efetuado com base nas declarações apresentadas pelo contribuinte A Receita Federal. O presente processo versa sobre a glosa parcial da área de preservação permanente, total da área de utilização limitada/reserva legal em virtude de não ter sido comprovada a isenção total para as áreas declaradas pelo contribuinte. (...) Fl. 197DF CARF MF 4 Para o cumprimento dessa obrigação, deve ser obedecida a disposição contida no art. 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador da obrigação - no caso do ITR, de acordo com o art. 10, caput, da Lei n° 9.393/96, o dia 10 de janeiro de cada ano. Assim, a área de reserva legal somente pode ser excluída da tributação se cumprida a exigência de sua averbação à margem da matricula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício e do seu reconhecimento com o Ato Declaratório Ambiental — ADA. Do VTN: No que se refere à comprovação do valor da terra nua, o Laudo de Avaliação apresentado à fl. 100, não atende aos requisitos exigidos na intimação, pois deixou de indicar as fontes pesquisadas para encontrar o prego da avaliação do imóvel, a metodologia e a memória de cálculo. Além do que foi elaborado por corretor de imóveis. Dos Juros e da Multa de Ofício: A respeito dos juros, o § 1° do artigo 161, do Código Tributário Nacional - CTN diz que os mesmos são calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. A exegese que se extrai do citado dispositivo é a de que o quantum previsto no CTN somente é aplicável de forma supletiva, na ausência de lei que discipline a matéria, o que não constitui a hipótese. O artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, dispõe que, a partir de 01/01/1997, sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, incidem juros de mora equivalentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Portanto, a taxa SELIC é índice de juros de mora, por determinação legal. (...) Quanto à multa de oficio, aplicada ao caso em análise, a mesma se trata de uma penalidade cabível em virtude do caráter inexato, incorreto ou fraudulento, das informações inicialmente prestadas pelo contribuinte nas declarações, estando prevista no § 2°, do art. 14, da supracitada Lei n° 9.393, de 1996 c/c o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. (…) Sendo clara a existência de respaldo legal para a multa de oficio e para os juros moratórios, estes devem persistir, lembrando que a explanação a respeito foi apenas como informação, pois, questões de inconstitucionalidade, não são assuntos a serem apreciados na esfera administrativa, por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. Ciente do Acórdão da DRJ em 13 de setembro de 2010, fl. 135, ainda inconformado, o contribuinte formalizou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 136 a 159, em 11 de outubro de 2010, no qual reiterou os argumentos já expressos na impugnação. Em 14 de agosto de 2012, a Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da 2ª Seção de Julgamento, por maioria de votos, resolveu converter o julgamento em diligência, para verificação da existência de pagamento antecipado relativo ao ITR 2003. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10980.016485/2008-86 Acórdão n.º 2201-003.388 S2-C2T1 Fl. 185 5 Atendendo a diligência, foram juntados aos autos o documento de fl. 173, bem assim a informação de fl. 177, que evidenciam o pagamento do ITR 2003 em 30/09/2003. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Da decadência. Inicialmente cumpre destacar que o contribuinte alega decadência dos lançamentos do ITR 2003 e 2004, por entender que os mesmos são relativos a fato geradores ocorridos em 2002 e 2003, respectivamente. Contudo, tal afirmação não tem amparo na legislação, pois o art. 1º da lei 9.393/96 é claro a definir que “o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano”. Ou seja, quando tratamos do ITR 2003, estamos falando do exercício de 2003, cujo fato gerador ocorreu em 1º de janeiro de 2003, e assim sucessivamente. Com o edição do diploma legal citado no parágrafo precedente, em particular considerando os temos do seu art. 10, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural passou a ser tributo sujeito a lançamento por homologação. Sobre a questão da fluência dos prazos decadenciais, mister trazermos à balha os preceitos legais que regem a matéria, em particular o § 4º do artigo 150 e o art. 173, todos da Lei 5.172/66 (CTN): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 199DF CARF MF 6 I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Grifou-se Para a aplicação da contagem do prazo decadencial, este Conselho adota o entendimento do STJ, no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, e, portando, de observância obrigatória neste julgamento administrativo, por força de disposição regimental interna, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, o prazo decadencial conta-se a partir da ocorrência do fato gerador quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o contribuinte não antecipa o pagamento devido, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10980.016485/2008-86 Acórdão n.º 2201-003.388 S2-C2T1 Fl. 186 7 Quanto ao exercício 2004, ainda que existente pagamento antecipado, tendo em vista que o direito da fazenda pública de constituir o crédito tributário iria, na melhor das hipóteses, até 1º de janeiro de 2009 e como a ciência do lançamento ocorreu em data anterior (18/12/2008), não há que se falar em decadência. Portanto, necessária a verificação da existência ou não do pagamento antecipado para o exercício de 2003, com o merecido destaque à previsão da lei 9.393/1996, segundo o qual não existe situação em que não haverá imposto devido ao final da apuração do ITR: Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicando-se sobre o Valor da Terra Nua Tributável - VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização - GU. § 1º Na hipótese de inexistir área aproveitável após efetuadas as exclusões previstas no art. 10, § 1º, inciso IV, serão aplicadas as alíquotas, correspondentes aos imóveis com grau de utilização superior a 80% (oitenta por cento), observada a área total do imóvel. § 2º Em nenhuma hipótese o valor do imposto devido será inferior a R$ 10,00 (dez reais). Grifou-se Ou seja, ainda que o contribuinte tenha declarado toda a área de sua propriedade como área não tributável, ainda assim estaria obrigado ao recolhimento do valor mínimo lançado do imposto. Correta a interpretação majoritária dada pelo Colegiado de 2ª Instância ao converter o julgamento em diligência, pois a informação de fl. 48 aponta que houve imposto devido na declaração apresentada, o que não é suficiente para demonstrar que, de fato, houve pagamento. Ate porque, como destacado no parágrafo precedente, TODAS as declarações de ITR resultam em saldo a pagar de tributo, o que, frise-se, não se confunde com o efetivo pagamento. Analisando a informação resultado da diligência requerida, fl. 177, verifica- se com clareza que o débito apurado na DITR apresentada para o exercício de 2003 foi extinto por pagamento antes de qualquer procedimento de ofício. Assim, considerando que o pagamento espontâneo efetuado pelo contribuinte tem o condão de configurar pagamento antecipado, o prazo decadencial inicia sua contagem a partir da ocorrência do fato gerador, 1º de janeiro de 2003. Portanto, considerando que a ciência do lançamento ocorreu em 12 de dezembro de 2008, considero operada a decadência do lançamento relativo ao exercício de 2003, já que o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário expirou em 1º de janeiro de 2008. Pelo exposto, dou provimento parcial nesta parte ao recurso voluntário para considerar o débito lançado para o exercício 2013 extinto pela decadência, nos termos do inciso V do art. 156 do CTN. Fl. 201DF CARF MF 8 DA ILEGALIDADE DA EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL E DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA DAS ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DA PROPRIEDADE. Alega a recorrente que a Autoridade Fiscal desconsiderou a ARL sob o argumento de que não foi averbada no Registro de Imóveis e por não ter sido objeto de ADA. Assevera que a exigência viola o Princípio da Legalidade, já que extrapola o que está previsto na Lei 9.393/96, que no § 7º do art. 10 dispõe que não ha necessidade de prévia comprovação das áreas isentas. Cita jurisprudência sobre o tema de modo a corroborar suas conclusões. Sustenta que a apenas um pequena parte da propriedade é produtiva, estando as demais áreas, conforme documentos apresentados, sob proteção do IBAMA, dentro de um Parque Nacional e no Programa de Proteção da Mata Atlântica. Além do que, 30% da propriedade se constitui de relevo montanhoso. Afirma que a Prefeitura Municipal de Guaratuba atesta que o imóvel está inserido integralmente em área de proteção ambiental e que apresenta limitações para a utilização agroeconômica. Salienta que há entendimento reiterado deste Conselho sobre a comprovação da reserva legal não se dá apenas com a averbação ou com a exigência do ADA, já que tais documentos são administrativos e servem apenas para que terceiros e o IBAMA tenham conhecimento da reserva legal, não garantindo sua concreta existência. A recorrente cita julgado do 3º Conselho de Contribuinte que faz menção à exigência do ADA contida nas IN SRF 47 e 67/97 - Acórdão n º 303-31705. Cita, ainda, outro precedente semelhante relativo ao ITR 1997 - Acórdão 303-31340. Lastreado em suas razões, o contribuinte conclui que o Auto de Infração é ilegítimo, pois fundado em norma ilegal. Os argumentos da recorrente não guardam relação temporal com o lançamento discutido no presente processo. Na verdade, até fariam sentido se estivéssemos tratando de um exercício anterior a 2001, contudo, os fatos geradores em discussão ocorreram a partir do exercício de 2003. Assim, quanto aos temas, oportuno destacar a legislação correlata vigente à época dos fatos geradores em tela: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10980.016485/2008-86 Acórdão n.º 2201-003.388 S2-C2T1 Fl. 187 9 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior. Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965: Art. 16. (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Grifou-se. Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5º Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. IN SRF 256, de 11 de dezembro de 2002 (texto então vigente) Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I - de preservação permanente; II - de reserva legal; III - de reserva particular do patrimônio natural; IV - de servidão florestal; V - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou Fl. 203DF CARF MF 10 estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR; (...) Art. 11. São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. § 1º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas a que se refere o caput devem estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Grifou-se. Em seu Recurso, o recorrente alega que, por conta do que previa o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, não estaria obrigado a comprovar as informações declaradas. Trata-se de claro equívoco na interpretação da norma, pois o que se esperava de tal comando normativo, atualmente revogado, seria deixar clara a desnecessidade de apresentação de documentos juntamente com a Declaração. Observados os destaques normativos acima expostos, constata-se que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Ademais, indispensável, no caso da reserva legal, a efetiva averbação junto à margem da matrícula no registro de imóvel. Não obstante, a análise dos autos evidencia que, por ter sido identificada, ainda no curso do procedimento fiscal, fl. 63, a protocolização de ADA pela proprietária anterior do imóvel, fl. 50, em que foi informada ao Ibama, a título APP, a área integral da propriedade, foram assim consideradas 4,7 ha, já que este foi o total de APP atestada no Laudo de fl. 35 e seguintes. Portanto, em relação ao ADA, a Autoridade Fiscal considerou suficiente o protocolo efetuado pela proprietária anterior. Em fl. 160, o contribuinte junta Declaração da Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Guaratuba atestando que o imóvel rural em questão está integralmente inserido na Área de Proteção Ambiental de Guaratuba, Unidade de Conservação Estadual criada pelo Decreto 1234/1992, listando algumas limitações ao direito de propriedade decorrentes. Desta forma, considerado o protocolo do Ato Declaratório Ambiental que ampara a área total do imóvel, bem assim a informação do ente público sobre a inclusão integral do imóvel em tela em área de proteção ambiental, entendo que a autuação deve ser declarada insubsistente. Conclusão Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10980.016485/2008-86 Acórdão n.º 2201-003.388 S2-C2T1 Fl. 188 11 Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para cancelar integralmente a exigência. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720336/2014-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
UTILIZAÇÃO DE SALDO DE BASE NEGATIVA DE CSLL PELA SUCESSORA NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível o aproveitamento de bases negativas de CSLL apuradas pela sucedida por empresa sucessora. A legislação fiscal aplicável na apuração da base de cálculo do IRPJ é, em mais de uma oportunidade, estendida por lei para a apuração da base de cálculo da CSLL, as quais partem do mesmo lucro líquido apurado na forma da legislação comercial e diferem, ao final, tão somente pelas expressas adições e exclusões a que estão legalmente sujeitas.
Numero da decisão: 1402-002.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves e Fernando Brasil De Oliveira Pinto.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 UTILIZAÇÃO DE SALDO DE BASE NEGATIVA DE CSLL PELA SUCESSORA NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível o aproveitamento de bases negativas de CSLL apuradas pela sucedida por empresa sucessora. A legislação fiscal aplicável na apuração da base de cálculo do IRPJ é, em mais de uma oportunidade, estendida por lei para a apuração da base de cálculo da CSLL, as quais partem do mesmo lucro líquido apurado na forma da legislação comercial e diferem, ao final, tão somente pelas expressas adições e exclusões a que estão legalmente sujeitas.
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IMPOSSIBILIDADE. Não é possível o aproveitamento de bases negativas de CSLL apuradas pela sucedida por empresa sucessora. A legislação fiscal aplicável na apuração da base de cálculo do IRPJ é, em mais de uma oportunidade, estendida por lei para a apuração da base de cálculo da CSLL, as quais partem do mesmo lucro líquido apurado na forma da legislação comercial e diferem, ao final, tão somente pelas expressas adições e exclusões a que estão legalmente sujeitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 36 /2 01 4- 24 Fl. 606DF CARF MF 2 Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves e Fernando Brasil De Oliveira Pinto. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 19515.720336/201424 Acórdão n.º 1402002.422 S1C4T2 Fl. 607 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 10 53.510, da 5ª Turma da DRJ em Porto Alegre (RS), transcrito abaixo: O presente processo trata de auto de infração exigindo Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativa ao anocalendário de 2010, exercício de 2011, no montante de R$ 9.234.634,97, acrescida dos juros de mora e da multa de ofício de 75%. O termo de verificação fiscal, parte integrante do auto de infração, informa que, no anocalendário 2010, a autuada teria incorrido em compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores. Intimada a prestar esclarecimentos sobre a compensação realizada, a contribuinte explicou que tinha havido a cisão da empresa Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S/A, onde a Empresa Bandeirante de Energia S/A, atual Bandeirante Energia S/A, havia recebido o montante de R$ 442.600.443,42, referente a saldo de base negativa da CSLL, devidamente registrados na sua parte B do Lalur e também na sua DIPJ 1998 (AC 1997). Em consulta ao sistema SAPLI, a autoridade fiscal verificou que a contribuinte, em 31/12/2009, não possuía saldo de base de cálculo negativa de períodos anteriores. Em virtude de não haver previsão legal para o aproveitamento da base de cálculo negativa da CSLL da empresa cindida (Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S/A) e considerando a ausência de saldo de sua própria base de cálculo negativa de períodos anteriores, ficou caracterizado o excesso de compensação de base de cálculo negativa na apuração da CSLL, no ano calendário de 2010, conforme quadro abaixo, extraído do termo de verificação fiscal: QUADRO I PERÍODO APURAÇÃO 30% da Base de Cáculo da CSLL antes Compensação (R$) Na DIPJ BCN CSLL COMPENSADA (RS) No Sistema Saldo Anterior de BCN CSLL <R$) Excesso de BCN CSLL Compensado (RS) 31/12/2010 102.607.055,2S 102.607.055,28 0,00 102.607.055,28 A constatação da ocorrência de compensação indevida de base de cálculo negativa no valor de R$ 102.607.055,28 culminou com o lançamento da CSLL no montante de R$ 9.234.634,97. Enquadramento legal: art. 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; art. 3° da Lei n° 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei n° 11.727/08; art. 58 da Lei n° 8.981/95; art. 16 da Lei n° 9.065/95. Em sua impugnação, a contribuinte alega, em síntese: Fl. 608DF CARF MF 4 a) que impugnação é tempestiva; b) que, na cisão parcial de uma sociedade, a empresa que recebe parcela do patrimônio da sociedade cindida passa a figurar na condição de sucessora tributária desta última, herdando tanto os seus direitos como também as suas obrigações tributárias contra o Fisco; c) que essa regra foi excepcionada pelo art. 33 do Decretolei n° 2.341/87, mas apenas quanto aos prejuízos fiscais apurados pela sucedida. E os prejuízos fiscais são apurados apenas em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ("IRPJ"), e em nada se confundem com as bases de cálculo negativas apuradas pelo contribuinte no que se refere à CSLL; d) que é preciso ter em conta que, pouco depois da publicação da Lei n° 8.981/95, em 1999, com a promulgação da Medida Provisória n° 1.8586, foi instituída disposição que passou a vedar expressamente o aproveitamento de bases negativas de CSLL de empresa sucedida, nos termos do art. 20; e) que somente a partir de 29 de junho de 1999, com a edição da MP n° 1.8586, é que as empresas sucessoras por incorporação, cisão ou fusão passaram a estar impedidas de aproveitar as bases negativas da CSLL acumuladas pelas sociedades sucedidas; f) que antes disso, por absoluta ausência de vedação legal, prevalecia a regra geral do art. 229 da Lei n° 6.404/76, sendo admitida a incorporação das bases negativas de CSLL da sucedida ao patrimônio da sociedade sucessora, conforme jurisprudência administrativa e judicial que cita; g) que não existia vedação legal ao aproveitamento de bases negativas de sucedidas, a Impugnante agiu acertadamente ao incorporar ao seu patrimônio, na condição de sucessora tributária, parte das bases negativas de CSLL acumuladas pela Eletropaulo Eletricidade de São Paulo, quando de sua cisão parcial, em 1997; h) que, por conseguinte, possuía o direito de compensar esse valor, já integrante de seu patrimônio desde a data da cisão, na apuração da CSLL própria devida no anocalendário de 2010, como expressamente autorizado pelo art. 58 da Lei n° 8.981/95, sendo indevida a glosa procedida pela Autoridade Fiscal. Passo, agora, a complementar este relatório. O Recurso Voluntário foi interposto sem inovação de argumentos ou pedidos em relação à impugnação apresentada. A decisão combatida na via recursal restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SUCESSÃO. CISÃO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica sucessora por cisão não pode compensar bases negativas de CSLL da sucedida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 609DF CARF MF Processo nº 19515.720336/201424 Acórdão n.º 1402002.422 S1C4T2 Fl. 608 5 Não foram apresentadas Contrarrazões pela Fazenda Nacional. Não há Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 610DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, a questão de mérito posta pelo contribuinte em seu recurso voluntário cingese à suposta inexistência de legislação que vede, à exemplo da existente para o IRPJ (arts. 32 e 33 do Decretolei nº 2.341/87), a utilização de saldo de base negativa de CSLL de empresa cindida pela empresa sucessora na apuração da base de cálculo da CSLL até o advento do art. 20 da Medida Provisória 1.8586/99 e reedições. Por inexistir preliminares, passo ao exame de mérito. Inicialmente, é preciso ressaltar que em dois outros processos administrativos, tombados sob o nº 19515.721111/201223 e 19515.722180/201254, o mesmo assunto trazido através do recurso voluntário, vinculado ao mesmo contribuinte e aos mesmos fatos em análise, já foi debatido e julgado por esta 4ª Câmara, através do acórdão nº 1402 001.811, de relatoria do eminente Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto e pela 1ª Câmara, através do acórdão nº 1101001.162, relatado pela i. Conselheira Edeli Pereira Bessa, mas com designação para o voto vencedor do i. Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni, respectivamente e, em ambos os casos, ainda que houvesse alguma controvérsia em relação aos motivos, as decisões foram unânimes quanto às conclusões, qual seja, que não é possível o aproveitamento de bases negativas de CSLL apuradas pela sucedida por empresa sucessora. Vejase, inicialmente, que o contribuinte informa, em seu recurso voluntário, que a teor do disposto no art. 33, do DL 2.341/87, é vedado à pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão compensar prejuízos fiscais da sucedida na apuração da base de cálculo do IRPJ. Deixou de ter a mesma atitude em relação à CSLL por entender que “prejuízos fiscais” são apurados apenas em relação ao IRPJ e não se confundem com “base de cálculo negativa” apuradas pelo contribuinte no que se refere à CSLL, não se estendendo a vedação do citado art. 33 para a CSLL. Tal situação mudou apenas com a edição do art. 20, da MP 1.8586/99, que expressamente indica que o citado art. 33, do DL 2.341/87, aplicase à base de cálculo negativa da CSLL. Afirma, assim, que, antes da vedação expressa, a utilização era possível tendo em vista o contido no art. 229, § 1º, da Lei 6.404/76, que garante que “a sociedade que absorver parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão”, para concluir, ao final, que uma vez ocorrida a sucessão, a base de cálculo negativa da cindida passa a ser patrimônio da sucessora que, ao utilizála posteriormente, o faz em nome próprio. Além de colacionar vários precedentes deste Conselho, o contribuinte trouxe uma decisão do E. STJ – REsp 949.117/RS, na qual a conclusão da Exma. Min. Relatora Denise Arruda, inclusive apontando o Acórdão 10196.838 deste Conselho como fundamento Fl. 611DF CARF MF Processo nº 19515.720336/201424 Acórdão n.º 1402002.422 S1C4T2 Fl. 609 7 de decidir, foi no sentido de que “somente com a edição da Medida Provisória nº 1.8586/99, de 30 de agosto de 1999, a proibição de a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão de compensar prejuízos fiscais da sucedida, já existente para o IRPJ, foi estendida para a CSLL”. Complementou a Exma. Ministra: “Ademais, saliento que essa alteração na disciplina da CSLL encerra norma de caráter restritivo ao direito do contribuinte da CSLL – proibição de compensar prejuízos fiscais da sucedida (sic) em caso de incorporação, fusão ou cisão , fazendo, mesmo de forma indireta, aumentar a carga tributária. (...)” No presente caso, os processos de incorporação e de cisão ocorreram, respectivamente, em abril de 1999 (fl. 37) e em 1997 (fl. 35), e não foram atingidos pela nova restrição ao aproveitamento dos créditos de base de cálculo negativa que passou a viger em novembro de 1999. Demonstrase, assim, ilegítima a conduta da fazenda em aplicar, retroativamente, norma limitadora ao direito do contribuinte. (...)” A decisão acima do E. STJ não foi tomada sob a regra dos “recursos repetitivos” e, desta forma, não é de observância obrigatória pela Administração Pública. Embora tenha enfrentado o tema de forma objetiva, é fato que não levou em consideração a existência de outras leis ordinárias, anteriores à MP 1.8586/99, que já determinavam a paridade da legislação da CSLL com a do IRPJ para fins de apuração da base de cálculo daquela contribuição. A CSLL, instituída com a edição da Lei 7.689/88, tem como base de cálculo, nos termos do art. 2º da referida lei, “o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda”, acrescentandose, através da letra ‘c’, do § 1º, do mesmo art. 2º, que o resultado do períodobase será apurado com a observância da legislação comercial, ajustado por adições e exclusões. A Lei nº 8.981/95 trouxe inovações na apuração da base de cálculo do IRPJ e, em seu art. 57, estende, textualmente, a aplicação, para a CSLL, das mesmas normas de apuração do IRPJ, mantida a base de cálculo prevista na legislação em vigor, que é o resultado do períodobase apurado com a observância da legislação comercial ajustado ou, a teor do contido no § 3º, do citado art. 57, “o lucro líquido ajustado”: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro(Lei nº 7.689, de 1988)as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (...) § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. Fl. 612DF CARF MF 8 A Lei nº 9.430/96, por sua vez, especificamente em seu art. 28, na redação original, garante que “aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1ºa 3º, 5ºa 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 desta Lei.” Especificamente o art. 2º da Lei nº 9.430/96 reforça a observância das alterações introduzidas pela Lei nº 8.981/95 na apuração da base de cálculo do IRPJ, extensível para a CSLL. E, antes mesmo desta legislação acima indicada, o art. 44, da Lei 8.383/91, também tratava do tema da extensão das normas do IRPJ para a CSLL: Art. 44. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro(Lei n.° 7.689, de 1988)e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido(Lei n° 7.713, de 1988, art. 35)as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Desta forma, a legislação fiscal aplicável na apuração da base de cálculo do IRPJ é, em mais de uma oportunidade, estendida por lei para a apuração da base de cálculo da CSLL, as quais partem do mesmo lucro líquido apurado na forma da legislação comercial e diferem, ao final, tão somente pelos expressas adições e exclusões a que estão legalmente sujeitas. Ou seja, se não há previsão legal de utilização de base de cálculo negativa gerada em empresa cindida pela empresa incorporadora na apuração da base de cálculo da CSLL, ela não pode interferir na apuração da referida base de cálculo, uma vez que a legislação, como acima demonstrado, determina que para a apuração da base de cálculo da CSLL deve ser observada a legislação aplicável ao IRPJ, vindo o art. 20, da MP 1.8586/99 apenas explicitar o que já existia na legislação vigente anteriormente. De se observar, ainda, que a compensação levada a termo pelo contribuinte ocorreu no encerramento do anocalendário de 2010, decorrente de uma cisão ocorrida em 1997. Já estava vigente, em 2010, a vedação imposta pelo art. 20, da MP 1.8586/99. Por fim, o contribuinte não questionou fato inserto no v. Acórdão recorrido que, por si só, já justificaria a manutenção da presente autuação: consulta ao sistema SAPLI, levada a efeito pela fiscalização, demonstrou que o contribuinte, em 31.12.2009, não possuía saldo de base negativa de períodos anteriores. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário, mantendo íntegro o crédito tributário constituído a título de CSLL. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator Fl. 613DF CARF MF Processo nº 19515.720336/201424 Acórdão n.º 1402002.422 S1C4T2 Fl. 610 9 Fl. 614DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.674792/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.386
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 47 92 /2 00 9- 95 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.674792/200995 Acórdão n.º 3301003.386 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de PIS (código de receita 8109), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16038.211. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.674792/200995 Acórdão n.º 3301003.386 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.674792/200995 Acórdão n.º 3301003.386 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.674792/200995 Acórdão n.º 3301003.386 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.674792/200995 Acórdão n.º 3301003.386 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001748/2008-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9202-000.056
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos informação, especificamente para cada um dos levantamentos apurados pela fiscalização, no lançamento, dos débitos declarados e recolhimentos efetuados com código correspondente ao mesmo fato gerador (retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal), nos períodos em litígio, de 12/2002 a 11/2003; e elabore relatório conclusivo. Após, que seja intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias, retornando-se os autos à relatora, para prosseguimento.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos informação, especificamente para cada um dos levantamentos apurados pela fiscalização, no lançamento, dos débitos declarados e recolhimentos efetuados com código correspondente ao mesmo fato gerador (retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal), nos períodos em litígio, de 12/2002 a 11/2003; e elabore relatório conclusivo. Após, que seja intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias, retornando-se os autos à relatora, para prosseguimento. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes, que entenderam não ser necessária a conversão em diligência (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira dos Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor De Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 74 8/ 20 08 -4 2 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 74 8/ 20 08 -4 2 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Especial do Procurador 2ª Turma2ª Turma ubro de 2016 ubro de 2016 Contribuições Sociais Contribuições Sociais FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL PH EMPREENDIMENTOS E LOCAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA - ME PH EMPREENDIMENTOS E LOCAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA - ME Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos informação, julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos informação, especificamente para cada um dos levantamentos apurados pela fiscalização, no lançamento, especificamente para cada um dos levantamentos apurados pela fiscalização, no lançamento, dos Fl. 225DF CARF MF Processo nº 16327.001748/2008-42 Resolução nº 9202-000.056 CSRF-T2 Fl. 226 2 Cuida-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2401-02.021, fls. 173/187 do e-processo, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para aplicação do art. 150, §4º do CTN, como regra de contagem do prazo decadencial, para declarar a decadência até a competência 11/2003. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2006 MPF. EXPIRAÇÃO DO PRAZO DE VIGÊNCIA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não se verifica na espécie a lavratura do Auto de Infração em período não coberto por MPF, por isso, incabível a alegação de nulidade do procedimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. RETENÇÃO DE 11%. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. A regra geral do prazo decadencial para os tributos submetidos à modalidade do lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do CTN, afora nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou ausência de antecipação de pagamento, os quais deverão estar devidamente comprovados pela autoridade lançadora com o fito de deslocar aludido prazo para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. A inocorrência dessa comprovação enseja a manutenção do lapso temporal contemplado pela regra geral do artigo retromencionado. DÚVIDA QUANTO À CAPITULAÇÃO DO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Não se verifica nos autos qualquer dúvida quando aos fatos narrados e ao direito aplicado, portanto, incabível a interpretação favorável ao contribuinte preconizada no art. 112 do CTN. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO, APRECIA AS PROVAS ACOSTADAS E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. PARCIALIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 16327.001748/2008-42 Resolução nº 9202-000.056 CSRF-T2 Fl. 227 3 Não se vislumbra parcialidade do órgão de julgamento, quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas pela contribuinte, analisa as provas colacionadas e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado. Trata-se de Auto de Infração referente à contribuição previdenciária no percentual de 11% que não foi retida das notas fiscais sobre serviços de construção civil, apurados com base no Livro Razão. O lançamento apresenta como período de apuração 01/05/2003 a 30/09/2006, consolidado em 12/12/2008. A 07ª Turma da DRJ em Campinas/SP julgou procedente o lançamento fiscal, conforme Acórdão nº 05-25.892 de fls. 128/135 do e-processo. O Contribuinte, inconformado com tal decisão, interpôs Recurso Voluntário de fls. 144/161 do e-processo, o qual foi julgado procedente em parte pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, no dia 23 de agosto de 2011, conforme Acórdão nº 2401-02.021 de fls. 173/187 do e-processo. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial com fundamento no art. 67, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009 (vigente a época dos fatos), alegando que o referido acórdão merece reforma, entendendo pela aplicação do art. 173, I do CTN, citando como paradigma os Acórdãos ns. 2302-00.359 e 2402-00.362, cujas ementas transcrevo: ACÓRDÃO nº 2302-00359 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Sumula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4° do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 16327.001748/2008-42 Resolução nº 9202-000.056 CSRF-T2 Fl. 228 4 Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 ASSISTÊNCIA MÉDICA - BENEFÍCIO NÃO OFERECIDO À TOTALIDADE DE EMPREGADOS E DIRIGENTES - INCIDÊNCIA Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de assistência à saúde, a qual não é oferecida à totalidade de empregados e dirigente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (2402-00.362) Conforme despacho de admissibilidade de fls. 212/214, foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sendo o Contribuinte intimado via correspondência, conforme AR de fls. 221. Não houve a interposição de Recurso Especial e Contrarrazões, por parte do Contribuinte, conforme despacho de fls. 222. É o relatório. Conselheira Patrícia da Silva - Relatora O presente caso trata-se de Auto de Infração referente à contribuição previdenciária no percentual de 11% que não foi retida das notas fiscais sobre serviços de construção civil, apurados com base no Livro Razão. Não obstante o relatório acima, o Colegiado decidiu em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos informação, especificamente para cada um dos levantamentos apurados pela fiscalização, no lançamento, dos débitos declarados e recolhimentos efetuados com código correspondente ao mesmo fato gerador (retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal), nos períodos em litígio, de 12/2002 a 11/2003; e elabore relatório conclusivo. Após, que seja intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias, retornando-se os autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.722023/2014-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RETIRADAS DO CAIXA DA EMPRESA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. LUCROS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
São isentos de tributação de imposto de renda na pessoa física apenas os lucros apurados contabilmente e distribuídos a todos os sócios, não se enquadrando nesse conceito as retiradas de valores do caixa da empresa por um dos sócios, que têm natureza tributável e não podem ser presumidas como lucros distribuídos.
MULTA QUALIFICADA
É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do Contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento de fatos geradores por parte do Fisco, apresentando documentos que não condizem com a realidade contábil de pessoa jurídica envolvida, a fim de se eximir da cobrança do imposto de renda.
Numero da decisão: 2401-004.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RETIRADAS DO CAIXA DA EMPRESA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. LUCROS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. São isentos de tributação de imposto de renda na pessoa física apenas os lucros apurados contabilmente e distribuídos a todos os sócios, não se enquadrando nesse conceito as retiradas de valores do caixa da empresa por um dos sócios, que têm natureza tributável e não podem ser presumidas como lucros distribuídos. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do Contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento de fatos geradores por parte do Fisco, apresentando documentos que não condizem com a realidade contábil de pessoa jurídica envolvida, a fim de se eximir da cobrança do imposto de renda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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RETIRADAS DO CAIXA DA EMPRESA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. LUCROS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. São isentos de tributação de imposto de renda na pessoa física apenas os lucros apurados contabilmente e distribuídos a todos os sócios, não se enquadrando nesse conceito as retiradas de valores do caixa da empresa por um dos sócios, que têm natureza tributável e não podem ser presumidas como lucros distribuídos. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do Contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento de fatos geradores por parte do Fisco, apresentando documentos que não condizem com a realidade contábil de pessoa jurídica envolvida, a fim de se eximir da cobrança do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 20 23 /2 01 4- 70 Fl. 461DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10120.722023/201470 Acórdão n.º 2401004.655 S2C4T1 Fl. 461 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário exigido, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RETIRADAS DO CAIXA DA EMPRESA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. LUCROS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. São isentos de tributação de imposto de renda na pessoa física apenas os lucros apurados contabilmente e distribuídos a todos os sócios, não se enquadrando nesse conceito as retiradas de valores do caixa da empresa por um dos sócios, que têm natureza tributável e não podem ser presumidas como lucros distribuídos. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do Contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento de fatos geradores por parte do Fisco a fim de se eximir da cobrança do imposto de renda. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. MULTA QUALIFICADA. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. DECISÕES JUDICIAIS. EMENTAS CITADAS NA IMPUGNAÇÃO. EFEITOS. Os entendimentos expostos nas ementas de decisões judiciais citadas na impugnação, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário, não podendo ser estendidos genericamente a outros casos e somente vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Tratase de Auto de Infração AI lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe (fls. 3/12) pela omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica no ano calendário de 2009, no qual foi constituído o crédito tributário no valor de R$ 7.457.417,88. Fl. 463DF CARF MF 4 Em relatório elaborado pela Fiscalização (TVF de fls. 13/17), foi constatado que o contribuinte incorreu em omissão ao deixar de declarar à RFB os valores recebidos da empresa Metrafort Terraplenagem e Construções Ltda., da qual é sócio. Conforme apurado, a partir do Inquérito 134737.2010.4.01.000/DF – TRF 1ª Região (“Operação Esperança”), o contribuinte alega ter recebido a título de “Antecipação de Lucros” os seguintes valores, da empresa Metrafort: No entanto, verificouse nos dados contábeis da empresa que não ocorreram distribuições de lucros para os sócios ao longo do ano de 2009 e os valores em questão sequer foram declarados pelo contribuinte na DIRPF. Por esse motivo a DRF considerou que os recibos apresentados foram simulados. Diante de tais fatos, a Fiscalização autuou o contribuinte com a incidência da multa de 75%, pelas omissões, tendo sido ela agravada para 150% devido por terem sido os atos realizados considerados como de máfé. Foi anexado o Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 19); o TIF com AR (fls. 20/22); a resposta ao TIF com os valores discriminados (fl. 23) e seus respectivos recibos (fls. 24/34); DIRPF do contribuinte (fls. 36/42); Relatório do Procedimento Fiscal realizado na Metrafort (fls. 44/64); Balanço Patrimonial da empresa no exercício de 2009 (fls. 192/210) Após cientificado da autução em 19/03/2014 (AR fls. 344/345), o recorrente apresentou impugnação (fls. 350/375). No julgamento da peça impugnatória do contribuinte, foi mantido integralmente o lançamento, sendo proferido o Acórdão nº. 1271.047 (fls. 405/412), cuja ementa está reproduzida acima. Intimado do acórdão da DRJ/RJO em 18/12/2014 (AR fl. 417), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 419/444 em 08/01/2015, alegando, em síntese: a) Que foram violados os princípios da proporcionalidade, capacidade contributiva e da vedação do confisco; b) Que foram atentidas todas as exigências solicitadas pela Fiscalização e mesmo assim o Auditor desconsiderou que os fatos ocorridos eram Antecipações de Distribuições de Lucros, passando a intitulálos como rendimentos do trabalho com vínculo empregatício sem a devida fundamentação; c) Que os valores recebidos detém o título de distribuição de lucros, pois estão previstos no Contrato Social, além de ter sido confirmado pela própria empresa Metrafort, ao ser intimada; d) Que a Fiscalização deixou de provar a contrapartida laboral; Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10120.722023/201470 Acórdão n.º 2401004.655 S2C4T1 Fl. 462 5 e) Que, caso não seja reconhecida a nulidade ou improcedência dos autos de infração, seja afastada a qualificação da multa, uma vez que aplicada mesmo ausente de demonstração de dolo, fraude ou concluio. f) Que, por ter sido o valor da multa aplicado de forma despoporcional ao do tributo e deixado de se utilizar os critérios técnicos de estipulação, incorreuse em abuso de autoridade. É o relatório. Fl. 465DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O contribuinte alega que o fisco incorreu em erro ao considerar as parcelas recebidas da empresa Metrafort como omissas na DIRPF, ao invés de intitulálas como Distriuição de Lucros, sendo, portanto, isentas do IR, conforme os recibos apresentados às fls. 24/34. Em que pese tais alegações, não merecem prosperar, uma vez que da análise de todos os documentos contábeis juntados aos autos (Balanço Patrimonial, Balancete Analítico e Demonstrativo de Resultado– fls. 192/221) não foi possível localizar qualquer conta referente à distribuição de lucros, o que remete às obrigações fixadas na Lei 6.404/76, dentre as quais está a da Pessoa Jurídica de manter seus registros contábeis atualizados. Portanto, não cabe ao fisco a obrigação de reconhecer os valores recebidos a título isento de tributação. É nesse sentido o art. 111, inciso II do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) I outorga de isenção; Ainda, no Regulamento do Imposto de Renda está previsto que a caracterização de auferição de rendimentos independe da titulação, verbis: Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título Em relação à alegação de que não ficou demonstrado que seria caso da aplicação da multa qualificada, o art. 44 da Lei 9.430/96 prevê o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10120.722023/201470 Acórdão n.º 2401004.655 S2C4T1 Fl. 463 7 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Enquanto que o disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei citada referese ao dolo. Dessa forma, para que seja aplicada a multa de 150% é necessário que fique provada a ocorrência de dolo ao omitir os fatos geradores do fisco, o que ocorreu no caso em questão. O contribuinte ocultou o recebimento de vultosas parcelas recebidas, tendo, inclusive, tentado postergar a cobrança ao apresentar recibos fornecidos pela empresa que não condiziam com os registros contábeis do ano de 2009. Por isso, impossível se afastar a incidência da qualificadora. Por fim, alega o recorrente violação aos princípios da proporcionalidade, capacidade contributiva e da vedação do confisco na cobrança do crédito tributário. Entretanto, não compete ao CARF julgar constitucionalidade de lei tributária, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, entendo que o lançamento deve ser mantido em sua integralidade. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 467DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.000507/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
IRPJ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IRRF RETIDO POR ÓRGÃO PÚBLICOS. COMPROVAÇÃO.
Estando devidamente comprovadas as retenções dos tributos pelos órgãos públicos, deve ser reconhecido o direito creditório proporcional relativo ao IRPJ utilizado pelo sujeito passivo para fins de compensação.
Numero da decisão: 1302-002.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 IRPJ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IRRF RETIDO POR ÓRGÃO PÚBLICOS. COMPROVAÇÃO. Estando devidamente comprovadas as retenções dos tributos pelos órgãos públicos, deve ser reconhecido o direito creditório proporcional relativo ao IRPJ utilizado pelo sujeito passivo para fins de compensação.
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Saldo Negativo de IRPJ Recorrente CAMDESA Campina Grande Diesel Ltda. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 IRPJ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IRRF RETIDO POR ÓRGÃO PÚBLICOS. COMPROVAÇÃO. Estando devidamente comprovadas as retenções dos tributos pelos órgãos públicos, deve ser reconhecido o direito creditório proporcional relativo ao IRPJ utilizado pelo sujeito passivo para fins de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 05 07 /2 00 7- 19 Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10425.000507/200719 Acórdão n.º 1302002.075 S1C3T2 Fl. 463 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1128.523, proferido em 16 de dezembro de 2009, pela 3ª Turma da DRJRecife/PE, mediante o qual os membros do colegiado acordaram, por unanimidade, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A manifestação de inconformidade foi apresentada em face de decisão da autoridade administrativa da DRFCampina Grande/PB, que homologou parcialmente o pedido de compensação de saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário 1998, apresentado por meio do PER/DComp nº 39232.13993.300604.1.3.027171 (efls. 2), no qual a interessada pleiteou o crédito no montante original de R$ 37.697,30, tendo o Despacho Decisório deferido o valor de R$ 36.951,90 (efls. 16/26). A parcela do crédito não reconhecido deveuse à falta de comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF. De acordo com o relatório da decisão recorrida, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que a diferença não reconhecida, no valor .de R$ 745,37, diz respeito a retenções efetuadas pelo Banco do Brasil e por órgãos públicos, cujos comprovantes estariam anexos à peça de defesa. Cientificada em 10/02/2010, a interessada apresentou recurso voluntário em 12/03/2010, no qual reitera suas alegações no sentido de que os documentos apresentados são suficientes para comprovar o imposto de renda retido na fonte, a despeito das fontes pagadoras não terem fornecidos os comprovantes de rendimentos e informado os valores na DIRF. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10425.000507/200719 Acórdão n.º 1302002.075 S1C3T2 Fl. 464 3 Em 24 de maio de 2011, o recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 1202000.093, exarada pelo conselheiro relator designado à época, nestes termos: Tratase de matéria eminentemente probatória. Como diz respeito a pedido de compensação, tendo a Recorrente, em sede de manifestação de inconformidade, apresentado o extrato bancário onde consta discriminação da retenção na fonte do IR, conforme alegada, para composição do valor pretendido em compensação, entendo existir condição necessária para confirmação do possível direito creditório da Recorrente, motivo pelo qual considero relevante a circunstância de se conferir a veracidade do quanto alegado e demonstrado, ainda que não propriamente pelo comprovante específico a ocorrência da tributação na fonte, como aventado. Assim, sou por propor a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade de origem intime a instituição financeira, Banco do Brasil, na agência, constante do documentos a fls...com o objetivo de confirmar as retenções na fonte constantes do mesmo, assim como dêse ciência ao contribuinte, para sua consideração, no prazo de 30 dias, retornando os autos para o competente julgamento. Remetidos os autos à unidade preparadora, a autoridade fiscal responsável pela diligência prestou a seguinte informação fiscal (efls. 452/453): O processo de nº 10425.000507/200719 foi baixado em diligência para, conforme fl. 314, que a instituição financeira, Banco do Brasil, fosse intimada a confirmar as retenções na fonte. No despacho do CARF, fls. 312/312, o relator não identificou as retenções a serem confirmadas, limitando a afirmar que seriam as retenções junto ao Banco do Brasil, mas afirma que o Recorrente, em sede de manifestação de inconformidade, apresentou extrato bancário e que se faz necessário conferir a veracidade desse extrato. Pelo exposto, deduzse que o extrato a que o relator se refere é o de fl. 297. Assim, com a finalidade confirmar essas retenções no valor total de R$ 465,50, foi encaminhado ao Bando do Brasil em Campina Grande – PB o Ofício nº 259/2013, fls. 321/324, solicitando ao referido banco que confirmasse ou não as retenções da empresa CAMDESA – CAMPINA GRANDE DÍESEL LTDA, CNPJ 08.963.696/000163, listadas no extrato de fl. 297, nos valores de R$ 15,63, R$ 265,06, R$ 120,12 e R$ 64,59, no total de R$ 465,50. Ocorre que o citado banco mesmo tendo recebido o referido ofício, conforme consta do Aviso de Recebimento – AR, à fl. 322, não encaminhou respostas. Mas mesmo diante da negativa de respostas do Banco do Brasil, foi feito uma análise detalhada no extrato de fl. 295 e na DIRF às fls. 325/326 e constatouse que os valores constantes do mesmo foram confirmados com os valores constantes na DIRF, com exceção do valor de R$ 15,63, conforme fl. 295 e DIRF às fls. 325/326. Na tabela de fl. 295 consta o valor declarado pela empresa de retenção do Banco do Brasil de R$ 465,40 e na mesma folha consta os valores confirmados na DIRF no Banco do Brasil de 449,77. Assim, o valor declarado pela empresa (R$ 465,40) menos o valor encontrado na DIRF (449,77) corresponde ao valor de R$ 15,63. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10425.000507/200719 Acórdão n.º 1302002.075 S1C3T2 Fl. 465 4 Por todo o exposto, tendo em vista o extrato de fl. 297, tabela de fl. 295 e DIRF de fls. 325/326, o único valor constante do extrato e que não foi confirmado em DIRF foi o valor de R$ 15,63. Não foi necessário intimar o contribuinte para manifestação em 30 dias porque a conclusão a que se chegou nesta diligência foi a mesma a que chegou a auditora com o parecer às fls. 289/291. Tendo sido devolvido o processo ao CARF para continuidade do julgamento o processo foi distribuído a este relator mediante sorteio, tendo em vista a extinção do colegiado que proferiu a Resolução e que o antigo conselheiro relator não integra mais os quadros do CARF. É o relatório. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10425.000507/200719 Acórdão n.º 1302002.075 S1C3T2 Fl. 466 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atendeu aos pressupostos regimentais, tendo sido conhecido nos termos da Resolução nº 1202000.093, pela qual o colegiado da 2º Turma da 2ª Câmara desta 1ª Seção do CARF, resolveu converter o julgamento em diligência. O processo retornou ao CARF com a informação da autoridade preparadora de que não houve resposta à intimação da instituição financeira (Banco do Brasil) no sentido de confirmação do imposto retido na fonte conforme havia sido determinado na resolução citada. Aduziu a autoridade diligenciante que "mesmo diante da negativa de respostas do Banco do Brasil, foi feito uma análise detalhada no extrato de fl. 295 e na DIRF às fls. 325/326 e constatouse que os valores constantes do mesmo foram confirmados com os valores constantes na DIRF, com exceção do valor de R$ 15,63, conforme fl. 295 e DIRF às fls. 325/326". Assim nenhuma diferença há de ser reconhecida com relação ao IRRF retido por instituições financeiras e demais empresas, cujos valores totais confirmados pela unidade de origem foi de R$ 36.931,74, de um montante total pleiteado de R$ 36.947,38 (Planilha efls. 128). Assim, impende analisar a documentação comprobatória da diferença de R$ 729,74, que decorreria da retenção por órgãos públicos. A autoridade administrativa responsável pela análise do pedido de compensação reconheceu apenas o montante de R$ 20,16, de um total pleiteado de R$ 749,92 pela interessada, conforme planilha (efls. 127). A autoridade administrativa reconheceu tão somente os valores de retenção constantes de Comprovante Anual e Retenção de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep (efls. 146 a 148 e 323 a 425), sob o código 6147, desconsiderando as retenções sob o código de DARF 6190. A D. autoridade não reconheceu os valores constantes de extratos dos sistema CONDARF e/ou CONDIRF extraídos do Sistema Siafi nos quais constam os valores retidos por outros órgãos públicos e que identificam a interessada como beneficiária (efls. 141 a 145 e 426 a 430). A interessada demonstrou em planilhas (efls. 149 e 431), o montante proporcional relativo ao IRPJ retido pelos órgão públicos junto com os demais tributos federais, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/19961 que seria passível de compensação. 1 Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. [...] Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10425.000507/200719 Acórdão n.º 1302002.075 S1C3T2 Fl. 467 6 A Instrução Normativa SRF / STN / SFC Nº 4, DE 18 DE AGOSTO DE 1997, que disciplinou a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados, a pessoas jurídicas, por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal, assim estabeleceu sobre a compensação e comprovação dos tributos retidos: Art. 5º Os valores retidos na forma deste ato poderão ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único. O valor a ser compensado, correspondente ao IRPJ e a cada espécie de contribuição social, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor da fatura, da alíquota respectiva, constante da coluna 02, 03, 04 ou 05 da Tabela de Retenção (Anexo I). [...] Art. 23. O órgão ou a entidade que efetuar a retenção deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, comprovante anual da retenção, até 28 de fevereiro do ano subseqüente, informando o somatório dos valores pagos, assim entendido o valor antes de efetuada a retenção, e o total retido, por mês e por código de recolhimento, conforme modelo constante do Anexo IV. § 1º A fonte pagadora poderá emitir o comprovante anual de retenção em meio magnético, conforme especificações da CoordenaçãoGeral de Tecnologia e Sistema de Informações Econômico Fiscais COTEC, da Secretaria da Receita Federal. § 2º Como forma alternativa de comprovação da retenção, poderá o órgão ou a entidade fornecer ao beneficiário do pagamento cópia impressa do DARF, desde que este contenha, no campo destinado a observações, o valor pago, correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. § 3º Anualmente, até 28 de fevereiro do ano subseqüente, os órgãos ou as entidades que efetuarem a retenção de que trata esta Instrução Normativa deverão apresentar, à unidade local da Secretaria da Receita Federal, Declaração de Imposto e Contribuições Retidos, em meio magnético, discriminando, mensalmente, o somatório dos valores pagos e o total retido, por contribuinte e por código de recolhimento, conforme especificações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal. Analisando os documentos juntados aos autos (em cópia) verificase que os extratos do sistema CONDARF (efls. 141, 142 e 145) trazem todos os dados do DARF de recolhimento previsto no § 2º do art. 23 da IN acima citada. Já os extratos do sistema CONDIRF (efls. 143/144), por sua vez trazem as mesmas informações que devem constar do comprovante previsto no caput do mesmo dispositivo. Assim, entendo que, não tendo sido contestada a autenticidade/validade dos referidos documentos pela unidade preparadora e, ainda, considerando o pequeno valor em Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10425.000507/200719 Acórdão n.º 1302002.075 S1C3T2 Fl. 468 7 litígio, que desaconselha a realização de nova diligência para este fim, devem ser acolhidos estes documentos como comprovantes da retenção alegada pela interessada. Também não vejo razão para a autoridade administrativa não ter considerado as retenções sob o código 6190, mesmo aquelas consideradas comprovadas. Dito isto, cumpre verificar se os valores trazidos pela contribuinte na sua planilha (efls. 149/431) foram corretamente apurados nos termos da divisão proporcional dos tributos contida na IN SRF/STN/SFC Nº 4/1997, conforme os códigos de recolhimento previstos no Anexo I daquele ato: TABELA DE RETENÇÃO ALÍQUOTAS IRPJ CSLL COFINS PIS/PASEP PERCENTUAL A SER APLICADO CÓDIGO DE RECOLHIMENTO 1,2 1,0 2,0 0,65 4,85 6147 4,8 1,0 2,0 0,65 8,45 6190 Aplicandose a proporcionalidade sobre os valores retidos apurase exatamente o valor pleiteado pela recorrente a título de retenção de Imposto de Renda por órgãos públicos, conforme tabela abaixo: Fonte Pagadora CNPJ Fls. Mês Código Vlr. Retido IRRF (prop.)* DNOCS DIBRA/R Campina Grande 08963696/000163 145 mar/98 6147 6,81 1,68 Escola Agrotécnica Federal de Souza 12724340/000144 143 mar/98 6147 33,24 8,22 Escola Agrotécnica Federal de Souza 12724340/000144 143 abr/98 6147 62,62 15,49 Escola Agrotécnica Federal de Souza 12724340/000144 143 jun/98 6147 39,84 9,86 Escola Agrotécnica Federal de Souza 12724340/000144 143 jul/98 6147 62,09 15,36 Escola Agrotécnica Federal de Souza 12724340/000144 143 nov/98 6147 1,26 0,31 Escola Agrotécnica Federal de Souza 12724340/000144 143 dez/98 6147 25,73 6,37 Escola Técnica Federal da Paraíba 08963696/000163 141 mar/98 6147 22,72 5,62 Escola Técnica Federal da Paraíba 08963696/000163 142 jul/98 6147 53,96 13,35 FNS Distrito Sanitário de Campina Grande 26989350/056847 148 mar/98 6147 2,08 0,51 FNS Distrito Sanitário de Campina Grande 26989350/056847 148 ago/98 6147 59,65 14,76 FNS Distrito Sanitário de Campina Grande 26989350/056847 148 set/98 6147 28,90 7,15 FNS Distrito Sanitário de Campina Grande 26989350/056847 148 out/98 6147 45,16 11,17 31º Batalhão Infantaria Motorizado 00394452/008260 146 jul/98 6190 21,54 12,24 Escola Agrotécnica Federal de Souza 12724340/000144 144 mar/98 6190 944,03 536,25 Escola Agrotécnica Federal de Souza 12724340/000144 144 jul/98 6190 40,90 23,23 Escola Agrotécnica Federal de Souza 12724340/000144 144 out/98 6190 3,38 1,92 Escola Agrotécnica Federal de Souza 12724340/000144 144 dez/98 6190 29,66 16,85 Escola Técnica Federal da Paraíba 08963696/000163 141 mar/98 6190 41,57 23,61 FNS Distrito Sanitário de Campina Grande 26989350/056847 147 set/98 6190 6,76 3,84 FNS Distrito Sanitário de Campina Grande 26989350/056847 147 out/98 6190 38,87 22,08 Total de IRRF Retido 749,90 * Cálculo do IRRF proporcional Código 6147: (Valor retido)/4,85*1,2 Código 6190: (Valor retido)/8,45*4,8 Assim, considerando que o despacho decisório havia reconhecido apenas o valor de R$ 20,16 a título de IRRF de Órgãos Públicos, deve ser reconhecido o direito creditório adicional de R$ 729,74 relativo a estas retenções. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10425.000507/200719 Acórdão n.º 1302002.075 S1C3T2 Fl. 469 8 Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 729,74 que, somado ao crédito total reconhecido (R$ 36.951,90), passa a totalizar R$ 37.681,64 e, homologar as compensações pleiteadas até o montante do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 469DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.001350/2004-58
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
ATIVIDADE ECONÔMICA. INSTALAÇÃO DE MÁRMORES E GRANITOS INDUSTRIALIZADOS E COMERCIALIZADOS PELA PRÓPRIA UNIDADE PRODUTORA.
A execução de serviços de instalação de mármores e granitos
comercializados pela própria unidade produtora não configura a prestação de serviços de construção, demolição, reforma e ampliação de edificações, ou obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil.
Numero da decisão: 1803-000.672
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 ATIVIDADE ECONÔMICA. INSTALAÇÃO DE MÁRMORES E GRANITOS INDUSTRIALIZADOS E COMERCIALIZADOS PELA PRÓPRIA UNIDADE PRODUTORA. A execução de serviços de instalação de mármores e granitos comercializados pela própria unidade produtora não configura a prestação de serviços de construção, demolição, reforma e ampliação de edificações, ou obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-30T01:28:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2109239_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-11-30T01:28:40Z; Last-Modified: 2010-11-30T01:28:40Z; dcterms:modified: 2010-11-30T01:28:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2109239_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:c0f09d09-1753-446b-b62f-f80f7dd0152b; Last-Save-Date: 2010-11-30T01:28:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-11-30T01:28:40Z; meta:save-date: 2010-11-30T01:28:40Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2109239_0.doc; modified: 2010-11-30T01:28:40Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-11-30T01:28:40Z; created: 2010-11-30T01:28:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-11-30T01:28:40Z; pdf:charsPerPage: 1389; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-11-30T01:28:40Z | Conteúdo => S1-TE03 Fl. 1 1 S1-TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.001350/2004-58 Recurso nº 178.442 Voluntário Acórdão nº 1803-00.672 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de novembro de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente DANTAS E OLIVEIRA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 ATIVIDADE ECONÔMICA. INSTALAÇÃO DE MÁRMORES E GRANITOS INDUSTRIALIZADOS E COMERCIALIZADOS PELA PRÓPRIA UNIDADE PRODUTORA. A execução de serviços de instalação de mármores e granitos comercializados pela própria unidade produtora não configura a prestação de serviços de construção, demolição, reforma e ampliação de edificações, ou obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Fl. 427DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 EDITADO EM: 29/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Conforme apreciação da SRS (fls. 43/44), com ciência em 22/02/2006 (fl. 45), foi mantida a exclusão do Simples efetuada através do Ato Declaratótio n° 134/2004 (fl. 7). O interessado foi excluído do Simples, a partir de 01/01/2002, em virtude da vedação imposta pelo art. 9°, inciso V, da Lei n° 9.317/1996, conforme Representação Fiscal de autoria do INSS. O interessado apresentou, em 13/03/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 47/55. Na referida peça, alega, em síntese, que: - não faz a simples colocação de peças de mármore e granito, mas o processamento das pedras para adaptá-las às necessidades de seus clientes e, complementarmente à operação mercantil de venda das peças, são executados os serviços de colocação; - a natureza da sua atividade é comercial, não se confundindo com construção civil; - este tipo de revestimento é utilizado, apenas, para embelezamento; - não há necessidade de habilitação profissional para a realização do serviço. Cita jurisprudência e encerrra requerendo o cancelamento do Ato Declaratório.” A Delegacia de Julgamento considerou julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos seguintes fundamentos: a) O Ato Declaratório Normativo Cosit n° 30, de 14/10/1999, expedido pela Coordenação- Geral do Sistema de Tributação, da Secretaria da Receita Federal, esclarece que a vedação ao exercício da opção pelo Simples, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como a de “pintura, carpintaria, instalações elétricas, hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias”. Fl. 428DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.001350/2004-58 Acórdão n.º 1803-00.672 S1-TE03 Fl. 2 3 b) O serviço de assentamento de mármores e granitos enquadra a pessoa jurídica que o presta na vedação contida no inciso V, do art. 9° da Lei n° 9.317/1996. c) O exercício de atividade impeditiva, qualquer que seja a participação da respectiva receita no total auferido pela pessoa jurídica, acarreta, obrigatoriamente, a sua exclusão do Simples. Portanto, por prestar serviço de assentamento de mármores e granitos — atividade vedada nos termos do inciso V do art. 9° da Lei n° 9.317/1996, o interessado não pode permanecer no Simples. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) Analisando os fundamentos jurídicos que nortearam a ação do fiscal responsável pela representação, e que foram novamente repisados quando do julgamento por parte da DRJ, verificamos que o mesmo, ao se deparar com a existência de uma nota fiscal indicativa da prestação de serviços de colocação de ladrilhos, entendeu que a atividade desenvolvida pela empresa era a de prestação de serviços auxiliares à de construção de imóveis, conforme tipificação legal utilizada. b) O fundamento jurídico primordial que rege as vedações à opção pelo Simples é o de afastar a possibilidade de que empresa que sejam meras prestadoras de serviços de engenharia e arquitetura possam, utilizando os seus profissionais legalmente habilitados, usufruir os beneficios do sistema simplificado de recolhimento de tributos. c) A empresa em questão não faz a simples colocação de peças de mármore e granito, a empresa faz o processamento das pedras de granito para adaptá-las às necessidades de seus clientes atuando, assim, complementarmente à operação mercantil de venda das peças de mármore e granito, são executados os serviços de colocação do material onde for solicitado. Tais fatos são corroborados pela cópia de diversas notas fiscais acostadas à presente, juntamente com o contrato social da empresa onde consta o seu objeto social. d) Diferentemente do que fez entender o auditor responsável pela, fiscalização o objeto da atividade desenvolvida pela empresa é o comércio de compra e venda de mármores, granitos e similares, aí incluído o beneficiamento do granito e a colocação das peças onde solicitado pelos clientes. A natureza da atividade desenvolvida pela empresa é a de comércio não podendo, em hipótese alguma, confudí-la com, construção de imóveis ou coisa parecida. e) A colocação de peças de granito ou mármore em um imóvel não tem o condão de proporcionar a característica de unidade imobiliária utilizável, haja vista que este tipo de revestimento é utilizado apenas para fins de embelezamento. Constata-se, deste ponto, a inúmera quantidade de casas, apartamentos e escritórios que são utilizados e habitados sem que nestes conste qualquer peça de mármore ou granito. Nem por este motivo esses imóveis deixam de ser legalmente habilitados pelo serviço de controle de construções dos municípios. É o relatório. Fl. 429DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 Voto Conselheiro Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 15/01/2009 (AR de fls. 640). O recurso foi protocolado em 27/01/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. O cerne do litítigio a ser dirimido no presente recurso consiste em sabermos se a atividade exercida pela contribuinte – industrialização de mármores e granitos, comércio de mármores e granitos e serviços de assentamento de mármores e granitos – enquadra-se na vedação prevista no inciso V, do art. 9° da Lei n° 9.317/1996, tal como conceituada em seu parágrafo 4°, in verbis: “Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V - que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; (...) § 4o Compreende-se na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. (Incluído pela Lei no 9.528, de 10.12.1997)” Na realidade, a exclusão do regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, foi motivada pela alteração contratual que incluiu no objeto social da empresa a atividade de prestação de serviço de assentamento de mármores e granitos. A decisão recorrida fundamentou suas conclusões no ADN Cosit n° 30/1999, que assim dispõe: “Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: 1.a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; 2. sondagens, fundações e escavações; 3. construção de estradas e logradouros públicos; 4. construção de pontes, viadutos e monumentos; 5. terraplenagem e pavimentação; Fl. 430DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.001350/2004-58 Acórdão n.º 1803-00.672 S1-TE03 Fl. 3 5 6. pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e 7. quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo.” Por sua vez, a recorrente afirma que sua atividade não pode ser identificada com a construção de imóveis, sendo que sua atividade principal é o comércio de mármores e granitos. Constam dos autos notas fiscais de prestação de serviços relacionados à venda de mármores e granitos, tais como assentamento, colocação, declives anti-derrapantes, polimento, cortes, boleados, recortes (fls. 16, 402, 403, 408, 415, 435). No mundo real, a maior parte das unidades produtoras exerce mais de uma atividade, possuindo uma ou mais atividades secundárias. Tal fato é reconhecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, órgão gestor da Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, conforme trechos a seguir reproduzidos: “Introdução à Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE versão 2.0 1.8 Definição de atividades: principal, secundária e auxiliar A atividade econômica se traduz pela criação de valor adicionado mediante a produção de bens e serviços, com a utilização de trabalho, de capital e de insumos (matérias- primas). Define-se a atividade principal de uma unidade estatística como seu principal processo de produção, o que mais contribui para geração do valor adicionado. (...) A atividade secundária é uma atividade cuja produção é destinada a terceiros, mas cujo valor adicionado é menor do que o da atividade principal. A maior parte das unidades produtoras exerce mais de uma atividade e, portanto, tem uma ou mais atividades secundárias. Como, por definição, a unidade de produção deve ter uma única atividade principal, nos casos em que produz produtos (bens e/ou serviços) associados a outras classes da classificação de atividades, estes são considerados produção secundária.” (http://www.ibge.gov.br/concla/pub/revisao2007/PropCNAE20/ CNAE20_Subclasses_Introducao.pdf) A decisão recorrida, ao afirmar que “o exercício de atividade impeditiva, qualquer que seja a participação da respectiva receita no total auferido pela pessoa jurídica, acarreta, obrigatoriamente, a sua exclusão do Simples”, expressa o entendimento de que vedação prevista no inciso V, do art. 9° estende-se às atividades secundárias desenvolvidas pela empresa. Constatamos, a partir das notas fiscais anexadas, que a contribuinte efetua a instalação dos mármores e granitos por ela comercializados, bem como seu beneficiamento, como atividade secundária. Fl. 431DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 Mais uma vez nos socorremos dos conceitos expostos na Introdução à Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE versão 2.0: “A instalação consiste na colocação do produto em condição de uso, por exemplo, a instalação de aparelhos de ar condicionado, de elevadores, de máquinas e equipamentos, etc. Os serviços de instalação ora são realizados em conjunto com outras atividades (fabricação ou venda), ora são exercidos por unidades especializadas. É usual que unidades empresariais na indústria, construção, comércio atacadista ou varejista instalem os produtos que vendem para outras empresas e para as famílias. Quando a instalação é feita pelas unidades que vendem o produto, deve ser tratada como uma atividade secundária da unidade. Isso porque o valor adicionado da atividade de instalação é normalmente menor do que o da produção principal da unidade, por exemplo: a instalação de elevadores pelo fabricante. No entanto há muitas unidades que se especializam na execução de serviços de instalação. Nesse caso, a atividade de instalação é a atividade principal da unidade e, como tal, deve ser classificada.” Ora, o entendimento que estende a vedação às atividades secundárias de instalação dos produtos industrializados ou comercializados, tais como assentamento e colocação de pisos, merece ser afastado. No presente caso, uma vez que as atividades secundárias da empresa giram em torno da instalação dos mármores e granitos por ela industrializados e comercializados, ou seja, são atividades coadjuvantes ao beneficiamento e comercialização das peças, não é cabível a aplicação do inciso V, do art. 9° da Lei n° 9.317/1996. Em outras palavras, a execução de serviços de instalação não desnatura o caráter industrial e comercial da atividade principal da empresa. Depreende-se dos elementos de prova acostados aos autos – notas fiscais de saída de mercadorias - que a recorrente não se especializou na execução dos serviços de instalação. No mesmo sentido reproduzimos trecho do voto do Conselheiro João Luiz Fregonazzi, proferido por ocasião do julgamento do recurso n° 135.383: “A contribuinte dedica-se à compra e venda de material de construção, aí compreendida a fabricação artesanal de peças de granitos. A aplicação do produto é apenas realizado a pedido do cliente, mas resta claro que não é a atividade à qual se dedica a querelante. Outrossim, a aplicação de granito em corrimão não pode ser equiparada a construção, reforma ou ampliação de edificações. Entendo que as atividades mencionadas no referido ato declaratório normativo devem estar relacionadas ao comando legal, eis que os atos administrativos, adstritos ao princípio da legalidade, não podem impor vedação desprovida de base legal. Assim, o rol de atividades presentes no referido ato, como pintura, instalações elétricas e hidráulicas ou colocação de azulejos, devem estar relacionadas àquelas atividades inseridas no campo de incidência da hipótese legal. Exemplificando, uma pessoa jurídica que vende e instala uma luminária, esta última Fl. 432DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.001350/2004-58 Acórdão n.º 1803-00.672 S1-TE03 Fl. 4 7 como atividade coadjuvante, não poderia ser considerada como realizando uma construção ou reforma. Inobstante, alguém que procede à reforma da instalação elétrica ou hidrossanitária de uma edificação poderia estar realizando atividade vedada.”(Acórdão n° 301-34.526, sessão em 21/05/2008) Ainda citamos um outro acórdão proferido em caso semelhante: SIMPLES — EXCLUSÃO INDEVIDA A industrialização e a comercialização de pedras, mármores, granitos e afins não se confunde com atividade de construção civil, e nem dessa é complementar, pelo que indevida a exclusão do contribuinte sob esse fundamento”(Acórdão n° 303-31632, sessão em 16/09/2004). Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 433DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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