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Numero do processo: 11080.720525/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 20 52 5/ 20 10 -1 9 Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de COFINS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/10/2008 a 30/09/2009 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no mercado interno e exportação. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: Créditos Indevidos 1 – Serviços Utilizados como Insumos Fretes incorridos em compras à alíquota zero, com suspensão e com crédito presumido PF. 2 – Serviços Utilizados como Insumos Fretes Transferências MatériaPrima p/depósito. 3 Fretes nas operações de vendas – Fretes de transferências entre estabelecimentos. 4 Crédito indevido de aluguéis veículos. 5 Outras operações com direito a crédito – Controle de pragas e Serviços de Terceiros (serviços prestados por pessoas físicas, serviços de estiva, movimentação de cargas, combustível de veículos, aferição do INMETRO, manutenção de ar condicionado split e outros). 6 Apuração de créditos calculados sobre aquisições de insumos com suspensão das Contribuições. A Auditora fiscal, neste item de infração, esclarece em sua Informação fiscal que: “19. (...). No caso específico do beneficiamento de arroz a empresa adquire o arroz em casca de vários fornecedores, tanto pessoas físicas como pessoas jurídicas, bem como de cooperativas de produção agropecuária. 20. Em relação ao produto arroz em casca, a empresa calcula crédito integral (1,65% PIS e 7,6% para Cofins) sempre que realiza aquisições de pessoas jurídicas. Ocorre que de acordo com a legislação que regulamenta a matéria não é toda a aquisição de pessoa jurídica que dá direito a crédito integral, sendo que boa parte dos insumos agropecuários é adquirida com suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins”. Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 4 3 pedido de ressarcimento de COFINS NãoCumulativo Receita no mercado interno e exportação, referente ao período do 4º TRIM. 2008 ao 3º TRIM.2009. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando,em síntese: Defende a apuração de créditos sobre os fretes incorridos nas operações de compra de bens sujeitos à alíquota zero, com suspensão e com crédito presumido. No caso, aponta que as compras de arroz em casca teriam sido todas tributadas pelo PIS e Cofins, alega adiante que não teria cumprido os requisitos para aplicar a suspensão e apurar crédito presumido. Esclarece, também, que a autoridade administrativa teria deixado de perceber que o creditamento realizado foi tãosomente sobre os valores referentes às despesas de fretes dos produtos e não sobre os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero destas contribuições. Entende que a vedação do art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, só seria aplicável ao caso, se na aquisição dos insumos sujeitos à alíquota zero das contribuições, o frete fosse arcado pelo vendedor. Da mesma forma, considera que ainda que adquirisse o arroz em casca com suspensão e apurado crédito presumido, o art. 8º, § 3º, inciso III, da Lei nº 10.925/2004, só seria aplicável ao caso, se na aquisição dos insumos o frete fosse arcado pelo vendedor. Explica que na situação em apreço, a aquisição dos insumos e do arroz em casca, tributados à alíquota zero, contempla apenas o preço de aquisição das mercadorias, sendo o frete das mercadorias de responsabilidade do comprador. Cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento e conclui pela legitimidade do creditamento destes valores referentes às despesas de frete, visto que esses serviços foram tributados pelas contribuições. Considera as despesas de fretes na transferência de matériaprima para depósitos como intrínsecas à sua atividade, portanto seriam legítimos os créditos calculados sobre as mesmas. Informa que, eventualmente, contrata serviços de industrialização por encomenda para o beneficiamento de arroz e necessita remeter matéria prima para terceiros, bem como retornála a seus estabelecimentos após o beneficiamento, o que acarreta em despesas com serviços de transporte para estas operações. Desta forma, os correspondentes fretes de transferência integrariam seu processo produtivo, o que legitimaria o respectivo creditamento. Acrescente que a prestação destes serviços de frete, prestados por pessoas jurídicas nacionais, são tributadas pelas contribuições PIS e Cofins, o que já autorizaria o respectivo creditamento sobre estas despesas, com base no art. 3º, inc. II da Lei nº 10.833/2003. Com o mesmo fundamento, defende o direito a apurar créditos sobre as despesas decorrentes dos serviços de estiva e movimentação de cargas, as quais também entende como integrantes do processo produtivo da empresa. Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferência entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir diversos centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Conclui, então, que pelas razões logísticas expostas, as Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 5 4 operações de fretes entre seus estabelecimentos seriam apenas um desdobramento das operações de venda e também se enquadrariam como custos, gerando igualmente direito ao correspondente creditamento pela lógica da não cumulatividade. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da não cumulatividade e do nãoconfisco. Sustenta seu direito a apurar créditos sobre as despesas incorridas com aluguel de veículos utilizados nos deslocamentos de seus representantes comerciais, bem como dos combustíveis utilizados nestes veículos, com base no disposto no art. 3º, incisos II e IV, da Lei nº 10.833/2003. Argumenta que o dispositivo legal em comento, ao prever a expressão “máquina”, não estabeleceu a sua definição ou restrição de seu alcance, desta forma os veículos automotores poderiam ser enquadrados como máquinas. Entende que, por ser a comercialização a atividade que dá vazão à sua produção, todas as despesas envolvidas com este fim se demonstram como necessárias. Da mesma forma, entende como legítimos os créditos apurados sobre as despesas com o controle de pragas, o qual se trataria de serviço indispensável, consumido de forma direta em sua atividade. Esclarece que durante seu processo produtivo seria obrigada a cumprir normas sanitárias com a finalidade de manter seu produto final (arroz) dentro da classificação adequada, como apto ao consumo e livre de pragas. Para amparar seus argumentos, cita e transcreve legislação e atos normativos tributários, jurisprudência administrativa, soluções de consulta, bem como trechos de normas e regulamentos expedidos pela ANVISA. Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei 10.925/04 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela IN SRF nº 660/2006, portanto não estaria sujeita à obrigatoriedade de observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Novamente cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que o advento da IN RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009, com eficácia normativa a partir de 1º de novembro de 2009, alterou o anteriormente disposto na IN SRF nº 660/2006, para tornar obrigatória a aplicação da suspensão em todos os casos elencados no Art. 2º da IN 660/66. Desta forma, sustenta que a nova Instrução Normativa modificou o sentido que até então era vigente para o caso, ou seja, trouxe uma inovação no ordenamento, tornando obrigatório o que antes era facultativo. Conclui, assim, que anteriormente à inovação trazida pela IN 977/09, a utilização da sistemática da suspensão/crédito presumido não era obrigatória, sendo ela, portanto, uma opção do contribuinte. Acrescenta, ainda, que nas Notas Fiscais de aquisição do arroz em casca emitidas no período de janeiro a setembro de 2008 não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 6 5 PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art. 2º, § 2º da IN 660/06. Cita e transcreve jurisprudência do STJ para amparar seu entendimento. Alternativamente, requer a garantia de que nas operações aqui guerreadas seja mantida a possibilidade de registro do crédito presumido nos termos da Lei 10.925/04. Considera que na hipótese de desprovimento da presente Manifestação de Inconformidade, não poderia restar sem qualquer possibilidade de registro de crédito nestas operações, sendo que se revestiria de caráter lógico a concessão do crédito presumido no caso de desacolhimento dos pedidos aqui trazidos. Ao final, pede que sua Manifestação de Inconformidade seja acolhida, para a imediata reforma do Despacho Decisório ora combatido, com o deferimento total do crédito pleiteado. Sucessivamente, caso não seja deferido o direito creditório integral em relação às aquisições de insumos (arroz em casca) sem suspensão da Contribuição para a COFINS, requer seja deferido o direito ao registro do crédito presumido. Com relação aos créditos pleiteados sobre os fretes de transferência, caso não sejam acolhidos como mero desdobramento das operações de venda e exportação, pede, sucessivamente, que lhe seja concedido o creditamento pela forma prevista no art. 3º, inc. II e § 3º, inc. II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, pois o frete se trataria de insumo utilizado na concretização da comercialização. Requer, ainda, a possibilidade de juntar outros documentos que possam corroborar com a comprovação da legitimidade dos créditos pleiteados, durante o trâmite do presente processo administrativo, bem como, caso se entenda necessário, seja determinada diligência fiscal”. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 Ementa: FRETES NAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO, ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COM SUSPENSÃO. Se não ocorreu a tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto de crédito da contribuição, também não pode haver sobre bens e serviços que se agregam à matériaprima. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 7 6 CREDITAMENTO SOBRE DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. Existe vedação legal para o creditamento sobre despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de Pis e Cofins. MOVIMENTAÇÃO E ACONDICIONAMENTO DE MERCADORIAS. As despesas com a movimentação e o acondicionamento de mercadorias não podem ser descontadas como crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, por não se configurarem como despesas de armazenamento. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Preenchidos os requisitos para aplicar a suspensão das contribuições PIS e Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DO DIREITO II. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS II. II – DA AUSÊNCIA DE SUPOSTAS IRREGULARIDADES APONTADAS PELA INFORMAÇÃO FISCAL II.II.1. DESPESAS DE FRETES NA OPERAÇÃO DE COMPRA DE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO, COM SUSPENSÃO E COM CRÉDITO PRESUMIDO II. II. 2. DESPESAS DE FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAPRIMA PARA DEPÓSITO II. II.3 DESPESAS DE FRETES DE TRANSFERÊNCIAS II. II.4 DESPESAS DE ALUGUÉIS DE VEÍCULOS II. II. 5 DAS DESPESAS COM CONTROLE DE PRAGAS II. II. 6 SERVIÇOS DE TERCEIROS Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 8 7 II. III DA APURAÇÃO DE CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE AQUISIÇÕES DE INSUMOS SEM SUSPENSÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS II. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA II. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 II. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 977/09 II. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA II. IV DA PERÍCIA III DO PEDIDO: Formula seu pedido nos seguintes termos: “...requer seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legalidade. Sucessivamente, caso não seja deferido o direito creditório integral em relação às aquisições de insumos (arroz em casca e cana de açúcar) sem suspensão da Contribuição para a COFINS, requer seja deferido o direito ao registro do crédito presumido.” Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 9 8 quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: 24. Tendo em mente os dispositivos legais transcritos acima, as condições para que a fiscalizada, adquira produtos com contribuições PIS e Cofins suspensas nas vendas no mercado interno, são totalmente implementadas: apurar imposto de renda com base no lucro real, exercer atividade agroindustrial e utilizar o produto adquirido (arroz em casca) como insumo no processo produtivo dos produtos listados no artigo 5º da IN 660/2006 (arroz industrializado). 25. E as condições a serem cumpridas por grande parte dos seus fornecedores também se encontram completamente implementadas: serem cerealistas ou exercer atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária e vender produtos agropecuário a ser utilizado como insumos em produtos do artigo 5º da IN 660/2006. 26. Alguns desses fornecedores informaram inclusive no corpo da nota fiscal ou em observação que as vendas foram efetuadas com a suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e mesmo assim foram incluídos na base de cálculo de créditos com alíquotas integrais. Cópias de notas fiscais (NF) desse exemplo estão a fls.248 e 249 deste processo entregues em atendimento a solicitação de uma NF de cada fornecedor como amostragem. 27. No caso da compra de arroz em casca pela fiscalizada estão presentes todos os requisitos para a ocorrência da suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, sempre que o produto adquirido for utilizado como insumo na fabricação dos produtos que trata o art. 5º da IN SRF 660/2006. Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais emitidas no período em questão não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições. Diz a Recorrente: Como pode ser observado nas notas fiscais emitidas no período em questão relativas à aquisição de arroz, estas não contém a expressão “Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, requisito formal exigido pelo art. 2º, § 2º da IN nº 660/06. Diante da inexistência de ressalva quanto às informações constantes na nota fiscal de seus fornecedores, a Recorrente entendeu que as operações de compra de arroz em casca de cooperativas e demais pessoas jurídicas ocorridas no período, não deveriam ensejar o registro de crédito presumido de Cofins. Pelo contrário, às aquisições aplicamse as regras gerais da nãocumulatividade, tal qual exposto alhures, restando à Recorrente o direito de registrar crédito integral sobre estas operações (com alíquota de 7,6% para a COFINS e 1,65% para o PIS), tendo em vista que as operações realizadas pelos fornecedores devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins (não estando Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 10 9 sujeito à suspensão de sua exigibilidade pelo Fisco, por não cumprimento de requisitos necessários). Como prova de sua alegação, a empresa Recorrente juntou cópia de notas fiscais de 04 (quatro) fornecedores. Das notas fiscais juntadas pela Recorrente, as de emissão das empresas POLIAGRO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA e AGROPEC VIVEIRO S/A, ao contrário do afirmado, constam a expressão “Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS” no corpo das notas fiscais. Já nas notas fiscais de emissão das empresas SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA e PURO GRÃO IND. E COM. DE ARROZ E SOJA LTDA realmente não consta a referida expressão. Como se vê, a alegação da Recorrente é contraditória e incoerente. De outra banda, confirmase a afirmação da Autoridade Fiscal da DRF de que no corpo de algumas notas fiscais, ou em observação, consta que as vendas foram efetuadas com a suspensão das contribuições para o PIS e Cofins. No entanto, a Fiscalização não identificou em quais notas fiscais consta a referida informação ou a “observação”. Outro fato relevante é que, no período de apuração objeto deste processo, a Recorrente adquiriu arroz em casca de outros fornecedores, além daqueles que ela trouxe cópia de nota fiscal, conforme “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pelas IN SRF nº 636/06 e 660/06, posto que há indícios de que alguns fornecedores não cumpriram as referidas obrigações. Para o julgamento da lide, há necessidade de se comprovar que a mercadoria efetivamente saiu com suspensão do PIS e da Cofins. Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário esta comprovação, conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 (possui a declaração fornecida pela SLC Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 11 10 Alimentos S/A e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins). Outro ponto que precisar ser esclarecido é sobre os produtos e serviços utilizados no controle de pragas. Há necessidade de saber em que momento estes produtos são empregados e com qual objetivo. Deve, portanto, a Fiscalização solicitar à Recorrente informações sobre cada produto ou serviço utilizado no controle de pragas. Para isto, deve a Recorrente relacionar cada despesa realizada, identificando a data da apuração do crédito, o número da nota fiscal, o nome e o CNPJ do fornecedor, o produto/serviço adquirido, o valor pago e a descrição do emprego do produto/serviço, identificado em que é empregado, em que momento e com que objetivo. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 12 11 consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Intimar a Recorrente para prestar informações sobre cada produto ou serviço utilizado no controle de pragas. Para isto, deve a Recorrente informar: 7.1 data da apuração do crédito (separar por período de apuração); 7.2 número da nota fiscal de aquisição; 7.3 nome e CNPJ do fornecedor; 7.4 descrição do produto/serviço adquirido; 7.5 valor do produto/serviço adquirido 7.6 descrição do emprego do produto/serviço adquirido, identificado em que é empregado, em que momento e com que objetivo. 8 Manifestarse sobre a veracidade das informações prestadas pela Recorrente, a que se refere o item anterior; 9 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 10 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Numero do processo: 10768.720422/2007-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.423
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim- Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi. Relatório Tratase de pedido de restituição e compensação referente a pagamento a maior de COFINS, código de retenção 2172, do período de apuração 01.04.2003 a 30.04.2003, no valor de R$ 104.746,38, com o qual pleiteia compensar débito também de COFINS, código 6840, do período de apuração de agosto de 2005. Com vista uma apresentação sistemática e abrangente deste feito aproveitase do relatório da decisão recorrida a adiante transcrito: “Tratase no presente processo de declaração de compensação (Dcomp) de débito da Cofins, código 6840, do período de apuração 08/2005 mediante o aproveitamento de crédito proveniente de pagamento a maior a título de Cofins, código 2172, relativo ao período de apuração de 04/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .7 20 42 2/ 20 07 -6 1 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.720422/200761 Resolução nº 3403000.423 S3C4T3 Fl. 6 2 A autoridade fiscal, com base no Parecer Conclusivo nº 30/2010 (fls. 59 a 65), exarou o despacho decisório de fl. 66, decidindo não reconhecer o direito creditório pleiteado e, conseqüentemente, não homologar a compensação declarada. No Parecer Conclusivo consta consignado, resumidamente, que: Acórdão Andréa Paula de Morais Machado – Relatora. Ricardo Tadeu Bogado Carreteiro – Presidente. a) O contribuinte retificou a DCTF alterando o valor da Cofins devida para o período/em questão. Retificou também o valor da CIDE utilizado para a compensação da Cofins. O valor retificado em DCTF coincide com o declarado na DIPJ. Constam recolhimentos de R$ 44.757.710,81 e R$ 32.948,64 no código de retenção 2172; b) O processo foi encaminhado à DEFIC para realização de diligência visando à apuração do valor efetivo devido à Cofins. O resultado da diligência consta do relatório de fls. 50/57 onde consta que após análise das informações contábeis e extra contábil fornecidas pelo contribuinte, persistiram divergências na base de cálculo da Cofins e quanto aos valores da rubrica "outras receitas", ressaltandose a inclusão das variações cambiais, uma vez que foi utilizado o regime de competência. Também foi alterado o valor das "vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais", pois havia duplicidade de dedução. O valor das receitas sujeitas às alíquotas diferenciadas não coincidiu com o informado pelo contribuinte na DIPJ, tendo sido reapurado. O relatório conclui que o valor a pagar, código 2172, foi retificado para R$ 197.693.436,12 e código 6840 para R$ 626.363.330,84. A dedução da CIDE admitida foi a demonstrada pelo contribuinte em fls. 40; c) A alteração relativa ao valor das "vendas canceladas e descontos incondicionais" não será acatada, posto que não se verificou a duplicidade de exclusão apontada no relatório d) As deduções indicadas pelo contribuinte referentes a "liminares impetradas", tanto para a receita da venda de gasolina quanto de óleo diesel, admitidas no relatório fiscal, não serão consideradas já que não há na legislação da Cofins qualquer autorização para efetuar tal exclusão. Havendo discussão judicial sobre determinada receita, o procedimento apropriado é informar na DIPJ o total da receita auferida, apurar o tributo devido e, na DCTF, especificar o montante discutido, que ficará com a exigibilidade suspensa até findar a lide. Assim sendo, foi retificada a planilha elaborada pela fiscalização, para incluir na base de cálculo da Cofins sujeita a alíquotas diferenciadas, o valor indevidamente excluído, bem como para ajustar a receita de venda e as demais exclusões com base na planilha apresentada pelo contribuinte à fl. 39; e) A receita de exportação foi alterada para o valor declarado na planilha apresentada pelo contribuinte; f) A soma das receitas de venda e revenda no mercado interno foram alterados para os valores constantes da planilha do contribuinte; Fl. 446DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.720422/200761 Resolução nº 3403000.423 S3C4T3 Fl. 7 3 g) As receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero foram consideradas pelo valor informado à fl. 56 do relatório fiscal, com base na planilha do contribuinte; h) O valor de "outras receitas" será o indicado no relatório; i) O valor das vendas canceladas, descontos e devoluções de venda foi considerado pelo indicado na planilha; j) A dedução referente à venda de produtos sujeitos às alíquotas diferenciadas foi considerada pelo valor líquido para evitar duplicidade de dedução; 1) Após as retificações demonstradas em fls. 64/65 e considerando os pagamentos constantes do sistema SINAL 07, concluise que não há que se falar em pagamento a maior, posto que os pagamentos não são insuficientes para quitar o correspondente débito apurado, seja referente ao código 2172, seja referente ao código 6840. Cientificada do Parecer Seort em 09/09/2010 (fls. 69), a contribuinte apresentou, em 08/10/2010, a Manifestação de Inconformidade de fls. 80 a 100, alegando, em síntese, que a) O Parecer Conclusivo apresenta equívoco em sua linha de raciocínio, ao incluir o valor relativo a venda de combustível objeto de liminares na base de cálculo da Cofins; b) Por força das liminares, os fatos geradores passaram, devido à ordem judicial, a se comportar como fatos geradores condicionais. No caso dos autos, as ordens judiciais adicionaram aos atos jurídicos condição suspensiva, fazendo que o tributo somente incidisse caso as liminares fossem afastadas por decisão judicial posterior; c) Como a exigibilidade estava suspensa por força de ordem judicial, não poderia a requerente incluir tais valores na base de cálculo da Cofins, posto que tal inclusão representaria um reconhecimento da incidência do tributo sobre essas parcelas com liminares, tributo esse cuja exigência foi obstada por força judicial, configurando uma contradição; d) O raciocínio engendrado no Parecer Conclusivo também conduz a uma projeção dos efeitos do fato gerador para além dos comandos legais, já que os mesmos se encontravam afastados por ordens judiciais; e) O cálculo da Cofins não observou as alíquotas corretas no tocante às operações envolvendo gasolina e GLP; f) Na base de cálculo da venda de gasolina foi incluída a venda de gasolina de aviação, na ordem de R$ 2.253.574,20, que deveria ser tributada à alíquota de 3%; g) Do mesmo modo, quanto ao propano/butano, passou a ser tributado como GLP a partir de março/2003, resultando numa base de cálculo de R$ 47.316.704,57, que deve ser diferenciado da receita de GLP; h) A variação cambial positiva é, na realidade, ajuste de valor contabilizado anteriormente, não representando aumento do Fl. 447DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.720422/200761 Resolução nº 3403000.423 S3C4T3 Fl. 8 4 patrimônio ou ingresso de novas receitas, razão pela qual não poderia ser tributada pela Cofins; i) O procedimento adotado na apuração da Cofins encontra respaldo na própria Lei 9.718/98, no inciso II do § 2 o do artigo 3 o e no § Io do art. 3°, vigente para a Cofins em j) A doutrina é uníssona no que tange à impossibilidade de se tributar a variação cambial em 2003; k) O STJ apresenta diversos julgados que reforçam o entendimento do contribuinte, o que não foge do entendimento dos tribunais Regionais Federais; 1) O STF já se manifestou sobre esse tema ao considerar a inconstitucionalidade do tf I o do artigo 3o da Lei 9.718/98 que ampliou o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita. O referido precedente, nos termos do que dispõe o art. 26A, § 6o, I do Decreto 70.235/72, deve ser observado de modo a que se afaste da base de cálculo da Cofins a receita oriunda de variação cambial; m) Parte do óleo diesel, da ordem de R$ 3.344.957,45, por ser adquirido de outrem, deve ser excluído do cálculo da Cofins, posto que nesse caso o produto está sob o regime da monofásica, conforme planilha em anexo; n) Na planilha elaborada no Parecer, o óleo diesel apresenta como vendas canceladas, devoluções e descontos o valor de R$ 16.132.671,68, que tem como base a planilha apresentada pelo contribuinte. Contudo, a devolução relativa ao óleo diesel importado, no valor de R$ 9.508.306,75 não foi considerada; o) Segue em anexo planilhas do contribuinte, balancete digitalizado contemplando receita bruta, planilha relativa a venda às empresas com liminares e planilhas relativas a vendas de nafta petroquímica para a central petroquímica e venda de gás natural para o Programa Prioritário de Termoeletricidade; p) Por fim, requer seja declarada legítima e homologada a compensação efetuada e protesta pela juntada posterior de documentos que venham a reforçar os argumentos apresentados”. É o relatório. Relatório Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. A discussão cinge a composição da base de cálculo. Os pontos conflitantes se referem à inclusão de receitas em conformidade com o entendimento da recorrente não compõe a base de cálculo e quanta aplicação da alíquota, mantidos pela decisão recorrida em razão da ausência de segregação contábil, entre esses encontram: a) Gasolina de Aviação; b) produto 614 – propeno grau polímero, NCM 29.01.22.00, distinto do GLP, alíquota especial, c) óleo diesel – tributação monofásica, d) vendas efetuadas para empresas detentora de liminares (gasolina e diesel). Fl. 448DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.720422/200761 Resolução nº 3403000.423 S3C4T3 Fl. 9 5 A documentação acostadas pela Interessada a primeira vista parece suficiente a suprir ausência de segregação contábil e possibilitar análise quanto aplicação da alíquota correta ao produto comercializado. Em relação à gasolina de aviação foi incluída à base de cálculo por estar contabilizada em receita de gasolina sem o destaque de produto a sofrer incidência de alíquota diferenciada de 3%, cujo total incluída na conta de gasolina é de R$ 2.253.574,20. O produto 614 – propeno grau polímero, NCM 29.01.22.00, distinto do GLP, alíquota especial, total de R$ 47.316.704,57 relativo às vendas foram incluído à base de cálculo, diante da documentação acostada deve ser apurado com base nos documentos fiscais. Sustentase que a comercialização de óleo diesel alcançada pela tributação monofásica decorre de ter sido adquirido da empresa REPAR, portanto, deveria compor a base de cálculo na determinação da contribuição devida pela Interessada, cujo valor informado é de R$ 3.344.957,45; Assim como, as vendas de mercadorias realizadas a empresas com liminar judicial no montante de R$ 40.997.672,70 e R$ 19.363.211,69, gasolina e diesel respectivamente, não pode ser considerado apropriação de crédito, mas sim receitas excluídas da base de cálculo. Deve ser juntado aos autos prova da existência, uma vez que a fiscalização em diligência acolheu os valores que restou não acatado pela Autoridade Fiscal, que afastou sobre o argumento de que não se pode utilizar crédito pendente de discussão judicial. De modo que vislumbro a necessidade de transformar o julgamento em diligência no sentido de apurar à base de cálculo por meio do exame dos documentos colecionados nos autos e diante da comprovação da existência de liminares relativas às vendas de gasolina e diesel para excluir da base de cálculo as receitas provenientes da comercialização de: a) Gasolina de Aviação; b) produto 614 – propeno grau polímero, NCM 29.01.22.00, distinto do GLP, alíquota especial, c) óleo diesel – tributação monofásica, d) vendas efetuadas para empresas detentora de liminares (gasolina e diesel). Desse modo voto no sentido de converter o julgamento em diligência. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 449DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 13830.001221/2005-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT.
Nos termos da Súmula/CARF n° 20, Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-001.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Daniel que dava provimento parcial e fará declaração de voto.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT. Nos termos da Súmula/CARF n° 20, “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Daniel que dava provimento parcial e fará declaração de voto. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 12 21 /2 00 5- 97 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que homologou parte das compensações declaradas, em razão da glosa dos créditos utilizados na produção de produtos não tributados pelo imposto (TIPI/NT) Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade, tecendo várias considerações, entremeadas de citações doutrinárias e julgados administrativos e judiciais, sobre a natureza não cumulativa do IPI, a qual justificaria seu direito ao suposto crédito.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO no 1436.206, de 21/12/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Rebate, em seu recurso voluntário, que alguns produtos, porém quando vendidos, são contemplados com isenção, NT ou alíquota zero, tem constantemente estoque de crédito com relação a tais produtos. Indignase, em face do não cumprimento de seu direito líquido e certo de efetuar o lançamento desses créditos, ferindo o Princípio da Não–Cumulatividade, nos termos do art. 155 da CF e 49 do CTN. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13830.001221/200597 Acórdão n.º 3201001.194 S3C2T1 Fl. 269 3 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de inconformidade, tendo em vista, homologação de parte das compensações declaradas, em razão da glosa dos créditos utilizados na produção de produtos não tributados pelo imposto (TIPI/NT) e alíquotas zero. Dispõe o Termo de Constatação Fiscal, à fl. 54 dos autos: 1A atividade desenvolvida pelo contribuinte é o beneficiamento de arroz,produzindo principalmente produtos não tributados e, em menor quantidade, produtos tributados a alíquota zero: Arroz beneficiado NCM 10063021 NT Quebrado de arroz NCM 10064000 NT Arroz benef.parboilizado NCM 10063011 NT Farelo casca arroz NCM 23022090 zero Farelo de arroz gordo NCM 23022010 zero Farelo premix NCM 23022090 zero Palha de arroz NCM 23022090 – zero Apuramos que o contribuinte creditouse indevidamente do IPI decorrente da aquisição de embalagens destinadas aos produtos NÃO TRIBUTADOS, infringindo o artigo 11 da Lei 9.779/99 e artigo 2°, § 3°, da IN SRF 33/99. 2Verificamos, também, que o contribuinte creditouse indevidamente dos valores de IPI incidente nas aquisições de peças de máquinas, no total de R$ 14.214,21, conforme notas fiscais relacionadas na planilha anexa. De acordo com a legislação é permitido o crédito do IPI apenas sobre matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. ................. O art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.788, de 30 de dezembro de 1998, dispõe: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (grifei) O regramento foi introduzido pela IN SRF nº 33, de 4 de março de 1999, in verbis: Art. 1º A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei n.º 9.779, de 1999, dar seá de conformidade com esta Instrução Normativa.(g.n) Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos;II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente;II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997. § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT).(grifei) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Assim sendo, o art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, e a IN SRF nº 33, de1999, que admitem a possibilidade de se aproveitar o saldo credor do IPI oriundos da entrada de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, via ressarcimento, não se aplicam ao presente caso, já que foram aplicados em produtos não tributados pelo imposto. Concluindo, pois, é indiscutível que o direito aos créditos básicos tem origem constitucional diante do Princípio da nãocumulatividade, entretanto, esse direito não é irrestrito. Há limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais para a sua utilização, tal como ocorre com vários outros direitos e garantias previstos na Constituição. Inobstante o exposto, a matéria encontrase pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pela edição de Súmula nº 20, a seguir: SÚMULA CARF N° 20: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13830.001221/200597 Acórdão n.º 3201001.194 S3C2T1 Fl. 270 5 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Como as decisões reiteradas e uniformes do Carf, consubstanciadas em súmula, são de observância obrigatória pelos seus membros, conforme art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, logo, deve incidir ao caso a súmula referida. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Declaração de Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño A Súmula CARF nº 20 prescreve que não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. De acordo com o art. 72 do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, a observância das súmulas é de observância obrigatória para os conselheiros. O mesmo regimento estabelece, em seu art. 73, § 1º, que a proposta de súmula será dirigida ao Presidente do CARF, indicando o enunciado, devendo ser instruída com pelo menos 5 (cinco) decisões proferidas cada uma em reuniões diversas, em pelo menos 2 (dois) colegiados distintos. Os precedentes que foram utilizados para justificar a edição da Súmula CARF nº 20 são os seguintes: Acórdão nº 20215266, de 05/11/2003, Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003, Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004, Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 e Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005. A ementa do Acórdão nº 20215266 assim dispõe: NORMAS PROCESSUAIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL. O termo inicial de contagem da decadência/prescrição para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados, mas com o da resolução do Senado da República que suspendeu do ordenamento jurídico a Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 lei declarada inconstitucional. Pedido acolhido para afastar a decadência. COMPENSAÇÃO. Os indébitos, oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. Recurso provido em parte. (2ºCC, 2ª Câmara, Ac. 20215266, de 05/11/2003, rel. Nayra Bastos Manatta) Como se percebe, um dos precedentes que supostamente justificaram a edição da Súmula CARF nº 20 nada dispõe sobre a impossibilidade de creditamento de IPI na aquisição de insumos para industrialização de produtos NT. Diante do exposto, a súmula em comento possui um vício de origem, contrariando o próprio regimento interno do CARF. Não sendo legítima a Súmula CARF nº 20, não resta descumprido o art. 72 do referido regimento. No mérito, a análise dos dispositivos constitucionais e legais pertinentes se faz imprescindível: Constituição Federal Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] IV produtos industrializados; [...] § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Lei n° 9.779 de 1999 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13830.001221/200597 Acórdão n.º 3201001.194 S3C2T1 Fl. 271 7 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado a alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda Na interpretação da colegiado julgador de 1ª instância, o trecho “inclusive produto isento ou tributado a alíquota zero” contido no dispositivo legal transcrito acima não albergaria os produtos NT, por não haver menção expressa a essa categoria de produtos. Entretanto, ao disciplinar a manutenção do crédito na forma do art. 11 da Lei nº 9.779 de 1999, a Instrução Normativa SRF nº 33 de 1999 acrescentou a categoria de produtos imunes no rol daqueles produtos mencionados expressamente no texto legal. Depreendese disso que o legislador não quis restringir a manutenção do crédito apenas à aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens destinados à industrialização de produtos isentos ou tributados a alíquota zero. A vedação à manutenção ao crédito de IPI no tocante aos produtos NT surgiu por meio do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5 de 2006, que assim dispôs: Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Tal dispositivo pretendeu restringir o alcance da Instrução Normativa SRF nº 33 de 1999, no tocante aos produtos imunes, e da própria Lei nº 9.779 de 1999, relativamente aos produtos NT e imunes, exceto quando a imunidade decorrer da exportação para o exterior. Ocorre que essa interpretação normativa não está alinhada com a plenitude da não cumulatividade do IPI. A Constituição Federal exige o estorno do crédito apenas na Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 apuração do ICMS, quando a saída de mercadoria do estabelecimento comercial for isenta ou não tributada. Tratase de um temperamento da não cumulatividade do ICMS. Confirase: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) [...] II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) [...] § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; II a isenção ou nãoincidência, salvo determinação em contrário da legislação: a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações seguintes; b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores; Esse temperamento da não cumulatividade não se aplica ao IPI. Não é por outra razão que o art. 11 da Lei nº 9.779 de 1999 utilizouse do aposto “inclusive produto isento ou tributado a alíquota zero” para esclarecer que não eram apenas as saídas tributáveis que dariam ensejo ao crédito de IPI. Além disso, o termo “inclusive” denota que a intenção do legislador não foi restringir o rol de produtos que ensejariam a manutenção do crédito, mas tãosomente exemplificálo. Portanto, o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5 de 2006 nada interpretou sobre o assunto, e sim restringiu deliberadamente o alcance originário da lei e da instrução normativa que versavam sobre o assunto até então. Nesse contexto, a referida norma complementar restritiva é ilegal, violando a hierarquia das normas previstas no art. 96 do Código Tributário Nacional. Consequentemente, é plausível a pretensão da Recorrente, devendo ser deferido o seu pedido de cancelamento do lançamento ora discutido. Ainda que se entenda de forma diversa, o fato é que o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5 foi editado em 2006, ou seja, posteriormente à data do fato gerador que motivou o presente lançamento. Vale lembrar que as quantias pleiteadas a título de ressarcimento referemse ao segundo trimestre de 2003. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13830.001221/200597 Acórdão n.º 3201001.194 S3C2T1 Fl. 272 9 Considerando, pois, que tal norma complementar não interpretou o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33 de 1999 e muito menos o art. 11 da Lei nº 9.779 de 1999, a fiscalização jamais poderia ter pretendido aplicar o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5 de 2006 retroativamente. Tal conduta violou o art. 105 do Código Tributário Nacional, sendo certo que, também por esse motivo, o lançamento deveria ser cancelado. Mas ainda que se pudesse admitir que o referido ato declaratório é realmente interpretativo, no mínimo, a fiscalização deveria ter lavrado o auto de infração sem a multa de ofício, por força do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; A aplicação da penalidade no caso concreto afronta claramente o dispositivo legal transcrito, e, por essa terceira razão, o lançamento ora analisado deveria ser cancelado, ainda que parcialmente. Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10880.907849/2008-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir.
Numero da decisão: 3403-002.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para apurar o crédito do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação dos créditos alegados. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 78 49 /2 00 8- 67 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para apurar o crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório SOBRAL INVICTA SOCIEDADE ANÔNIMA transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 08066.59474.111203.1.3.047083, visando à extinção de débito de Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 2.188,18. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 781231788 indeferiu o pleito repetitório e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado, em preliminar, inquinou o DDE de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, na medida em que não foi intimado a comprovar seu direito creditório. No mérito, explicou que, por intermédio de sua consultoria tributária, identificou, em outubro de 2003, que, no período de fevereiro e abril de 1999 e julho a setembro de 2003, lançou na sua escrita fiscal e contábil créditos de tributos pagos indevidamente como receita tributável pelo PIS e pela Cofins, nos termos da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, tendo o referido direito nascido do recolhimento indevido dessas contribuições sobre aproveitamento de créditos reconhecidos judicialmente, visto que tais valores não configuram receita nova tributável pelas citadas contribuições, em procedimento que se amolda ao Ato Declaratório Interpretativo nº 25, de 2003. Requereu diligência pai a fins de constatação da veracidade dos fatos narrados. Instruiu sua manifestação com cópia do relatório de crédito promovido pela sua consultoria acerca da origem dos créditos apropriados. A 9ª Turma da DRJ/SP1 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 16028.399, de 9 de dezembro de 2010, fls. 51 a 59, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2001 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte e regularmente cientificado do despacho decisório, Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.907849/200867 Acórdão n.º 3403002.184 S3C4T3 Fl. 208 3 sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que — por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado — expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação. DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação e circunstância apta a embasar a não homologação de compensação. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. E requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Improcede o pedido de diligência realizado em desconformidade com o prescrito na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 9ª Turma da DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 61 a 77, após dispensarse do arrolamento de bens, requer a suspensão da exigibilidade dos débitos emergentes da compensação não homologada e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a preliminar de nulidade do DDE, por cerceamento do direito de defesa, nos mesmos termos da oferecida na Manifestação de Inconformidade. No mérito, também repete a explicação sobre a origem dos créditos e o pedido de realização de diligência para que se ateste a veracidade de suas alegações. Aduz que o Ato Declaratório Interpretativo nº 25, de 24 de dezembro de 2003 (DOU de 29.12.2003), que transcreve, ampara o seu procedimento. Nesse ponto, adita sua arguição de nulidade, acrescentando que o DDE é carente de motivação. Desenrola lista de princípios processuais administrativos que teriam sido violados pelo DDE. Instruiu a peça recursal com cópia de extrato do Livro Razão conta 440200 e com demonstrativos denominados COFINS sobre Receitas de Recuperação de Créditos Fiscais (Lei nº 9.718/98) e PIS sobre Receitas de Recuperação de Créditos Fiscais (Lei nº 9.718/98). Pede que o patrono da causa seja pessoalmente comunicado da data da realização do julgamento. É o Relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 61 a 77 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/SP19ª Turma nº 16028.399, de 9 de dezembro de 2010. Pedido de intimação pessoal dos patronos da causa Com relação ao requerimento de que seja previamente intimado da realização deste julgamento, nas pessoas de seus patronos, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório O recorrente e sua assessoria tributária devem saber, não há falar em processo enquanto não houver um pretensão resistida. Daí porque a doutrina costuma distinguir a fase inquisitorial do procedimento de sua fase processual. Nesta, e não naquela, erigemse todas as garantias processuais que o recorrente (e sua assessoria tributária) arrola no seu arrazoado. Em sede de pedido de restituição, por exemplo, procedimento provocado pelo contribuinte, o processo só se instaura quando a Administração opõe resistência à pretensão deduzida do pleito restituitório por meio de um despacho decisório. A partir daí podese falar em garantia à ampla defesa; antes, não. A noção é simples: do que se defenderia o interessado antes da edição de um Despacho Decisório? Percebese desde já que a arguição de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico nº 781231788 é leviana, pois somente a partir de sua edição é que passaram a viger os princípios garantidores do devido processo legal. Antes, não. Dito de outra forma, a Administração simplesmente não estava constrangida a intimar o contribuinte a explicar o seu crédito anteriormente ao Despacho Decisório. Por outro lado, percebese que as garantias do contraditório e da ampla defesa foram plenamente asseguradas a partir de então. A arguição de nulidade do Despacho Decisório por carência de motivação também é esdrúxula. Motivar consiste em apresentar razões porque a autoridade administrativa tomou determinada decisão,... 1. O DDE nº 781231788, para rejeitar a pretensão do contribuinte, expressamente declinou que: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito 1 NEDER, Marcos Vinicius e LÓPES, Maria Teresa Martínez. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL COMENTADO. São Paulo: Dialética, 2002. p. 414. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.907849/200867 Acórdão n.º 3403002.184 S3C4T3 Fl. 209 5 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Como se vê, a Autoridade Administrativa apresentou as razões de fato e de direito que a levaram à conclusão, demonstrando também o nexo causal existente entre elas. Enfim, inexiste este ou qualquer outro vício a infirmar o presente processo. Rejeito a preliminar. Mérito – Prova do indébito O recorrente já teve julgado diversos recursos voluntários, idênticos ao presente e, em todos eles, foilhe negado provimento à unanimidade dos votos dos respectivos colegiados. À guisa de ilustração, transcrevo duas ementas: Acórdão nº 330201.301, de 09 de novembro de 2011, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, relatoria do Conselheiro José Antônio Francisco: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2002 PIS. DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação é circunstância apta a embasar a não homologação de compensação. Restando claros as razões da nãohomologação, não há que se falar em nulidade ou cerceamento de direito de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Recurso Voluntário Negado Acórdão nº 380101.030, de 20 de março de 2012, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção, relatoria da Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 30/04/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. GARANTIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE Fl. 211DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 VÍCIOS NO LANÇAMENTO. CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELAS DECLARAÇÕES APRESENTADAS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO, PELO CONTRIBUINTE, DAS DECLARAÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO CABAL DOS CRÉDITOS INDICADOS NO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Em que pese o processo administrativo ser norteado pelo princípio da verdade material, o contribuinte deve trazer aos autos elementos para o convencimento do julgador, para que este, após análise da documentação e das alegações apresentadas, possa, se for o caso, requer diligências afim de apurar o real acontecimento dos fatos. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). Fl. 212DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.907849/200867 Acórdão n.º 3403002.184 S3C4T3 Fl. 210 7 § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a Fl. 213DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. O recorrente, implicitamente à sua arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa, objetou que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF2,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar parecer opinativo e planilhas, elaboradas por consultoria tributária, que pretendem demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, e, principalmente, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada. Nesse ponto, destaco a insuficiência da cópia do de extrato do Livro Razão conta 440200, não somente porque não se reveste das formalidades mínimas requeridas para os demonstrativos contábeisfiscais, mas principalmente porque não logram comprovar o erro na confissão operada na DCTF, hábil para afastar o seu atributo de irretratabilidade. Pergunto ao recorrente: existe alguma prova nos autos de que o valor da contribuição do período de apuração 01/08/2001 a 31/08/2001, confessado na DCTF vigente, foi apurado sem a exclusão dos valores dos créditos constantes das tais planilhas elaboradas pro sua assessoria tributária? A resposta, evidentemente, é negativa. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: 2 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.907849/200867 Acórdão n.º 3403002.184 S3C4T3 Fl. 211 9 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). Fl. 215DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 10 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 216DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11634.001317/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2009
AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO
A autoridade fiscal tem por obrigação legal justificar sua autuação.
Autuação que respeita a lei, descreve os fatos e embasa legalmente a lavratura não encontra imperfeição.
No presente caso alega a Recorrente que a ação fiscal foi ababelada, não descrevendo os fatos, o que é mera alegação com fim procrastinatório.
A Recorrente foi devidamente intimada, através de instrumentos próprios, devidos e imperiosos para apresentar à Fiscalização os documentos requeridos, e não o fez, razão pela qual foi multada.
CERCEAMENTO DE DEFESA
O Processo Administrativo Fiscal é dirimido pelo Decreto 70.235/72, e, sendo ele respeitado, não há de se falar em cerceamento de defesa.
No presente caso, cotejando as peças dos autos, vê-se que o procedimento do Fiscal acudiu todas as exigências do mencionado Decreto, razão pela qual não se observa o dito cerceamento de defesa.
DA MULTA INDEVIDA
No direito tributário a responsabilidade do contribuinte é objetiva, não carecendo de ônus probanti a fiscalização, tão pouco demonstrar a intenção do contribuinte. Basta o simples descumprimento da norma.
No caso em tela a Recorrente deseja, de uma forma reflexiva, contrapor-se a abrangência da responsabilidade objetiva tributária imposta pelo artigo 136
do CTN, evidenciando como deveria ter sido construída a prova do Fisco contra ela, para poder aplicar a multa. IMPOSSIBLIDADE.
Numero da decisão: 2301-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2009 AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO A autoridade fiscal tem por obrigação legal justificar sua autuação. Autuação que respeita a lei, descreve os fatos e embasa legalmente a lavratura não encontra imperfeição. No presente caso alega a Recorrente que a ação fiscal foi ababelada, não descrevendo os fatos, o que é mera alegação com fim procrastinatório. A Recorrente foi devidamente intimada, através de instrumentos próprios, devidos e imperiosos para apresentar à Fiscalização os documentos requeridos, e não o fez, razão pela qual foi multada. CERCEAMENTO DE DEFESA O Processo Administrativo Fiscal é dirimido pelo Decreto 70.235/72, e, sendo ele respeitado, não há de se falar em cerceamento de defesa. No presente caso, cotejando as peças dos autos, vê-se que o procedimento do Fiscal acudiu todas as exigências do mencionado Decreto, razão pela qual não se observa o dito cerceamento de defesa. DA MULTA INDEVIDA No direito tributário a responsabilidade do contribuinte é objetiva, não carecendo de ônus probanti a fiscalização, tão pouco demonstrar a intenção do contribuinte. Basta o simples descumprimento da norma. No caso em tela a Recorrente deseja, de uma forma reflexiva, contrapor-se a abrangência da responsabilidade objetiva tributária imposta pelo artigo 136 do CTN, evidenciando como deveria ter sido construída a prova do Fisco contra ela, para poder aplicar a multa. IMPOSSIBLIDADE.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado MARCELO OLIVEIRA - Presidente. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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Autuação que respeita a lei, descreve os fatos e embasa legalmente a lavratura não encontra imperfeição. No presente caso alega a Recorrente que a ação fiscal foi ababelada, não descrevendo os fatos, o que é mera alegação com fim procrastinatório. A Recorrente foi devidamente intimada, através de instrumentos próprios, devidos e imperiosos para apresentar à Fiscalização os documentos requeridos, e não o fez, razão pela qual foi multada. CERCEAMENTO DE DEFESA O Processo Administrativo Fiscal é dirimido pelo Decreto 70.235/72, e, sendo ele respeitado, não há de se falar em cerceamento de defesa. No presente caso, cotejando as peças dos autos, vêse que o procedimento do Fiscal acudiu todas as exigências do mencionado Decreto, razão pela qual não se observa o dito cerceamento de defesa. DA MULTA INDEVIDA No direito tributário a responsabilidade do contribuinte é objetiva, não carecendo de ônus ‘probanti’ a fiscalização, tão pouco demonstrar a intenção do contribuinte. Basta o simples descumprimento da norma. No caso em tela a Recorrente deseja, de uma forma reflexiva, contraporse a abrangência da responsabilidade objetiva tributária imposta pelo artigo 136 do CTN, evidenciando como deveria ter sido construída a prova do Fisco contra ela, para poder aplicar a multa. IMPOSSIBLIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 13 17 /2 01 0- 11 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado MARCELO OLIVEIRA Presidente. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11634.001317/201011 Acórdão n.º 2301003.391 S2C3T1 Fl. 7 3 Relatório A Recorrente foi autuada por ter deixado de prestar à Auditoria Fiscal, no decorrer da ação fiscal nela empreendida, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto na Lei 8.212, de 1991, art. 32, III e parágrafo 11, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999. O relatório fiscal da infração assim noticia a omissão da empresa: 2. O contribuinte embora intimado através de Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), datado de 01/03/2010 e Termos de Intimação Fiscal (TIF), datados de 27/04/2010 e 16/06/2010 (anexos), deixou de apresentar a esta Auditoria Fiscal os documentos que possibilitariam a verificação da ocorrência ou não de cessão de mão de obra (contratos de prestação de serviços), referentes às seguintes empresas: .... Em face dessa omissão, que configura infração ao art. 32, III, da Lei 8.212, de 1991, foi aplicada a multa prevista no art. 92 e 102, da mesma Lei, combinado com o artigo 283, II, "b" e art. 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1991, no valor de R$ 14.317,78. Constata a existência de autuações em duas ações fiscais anteriores por infrações de natureza diversa, fato este que configura a reincidência genérica de que trata o inciso IV do art. 292 do RPS, a pena foi elevada em 4 (quatro) vezes, perfazendo o montante de R$ 57.271,12. Inconformada com a autuação apresentou impugnação com suas razões, cujas quais foram julgadas improcedentes. Em 21.JUNH.2011 foi intimada da decisão singular e no dia 14 do mês seguinte e do mesmo ano aviou o presente recurso voluntário, alegando: i) ausência de motivação; ii) cerceamento de defesa; iii) inaplicação da multa. Eis em apertada síntese o relato dos fatos e o necessário para julgamento. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Sendo que o presente remédio processual recursivo encontrase de conformidade com a determinação legal, dele conheço. Passo para análise das razões apresentadas. i) AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO Alega a Recorrente que a Fiscalização enumerou uma série de normas, mas não descreveu o fato que deu origem à autuação, e que por isto estaria eivada. Que a obrigação de indicar com precisão os elementos da constituição do crédito é da fiscalização, na dinâmica do artigo 142 do CTN. Junta jurisprudência. Razão assiste a Recorrente quanto a tese, mas não quanto aos fatos no caso em testilha. A ação fiscal não foi ababelada como ela pretende demonstrar. Ao contrário, seguiu as normas determinada pela legislação previdenciária. Ora, se devidamente intimada, através de instrumentos próprios, devidos e imperiosos para apresentar à Fiscalização os documentos requeridos, insta por desaguar na aplicação da penalização, conforme determina a lei. No cotejo das peças frias dos autos vêse que a Fiscalização seguiu a lei, mas, mesma razão não seguiu a Recorrente, porque intimada em 01/03/2010 do início de procedimento fiscal, e, em 27/04/2010 e 16/06/2010 para apresentação de documentos indispensáveis para fiscalização, mantevese inerte. Portanto, não restou à Fiscalização senão tomar as sanções disponíveis na lei, que, inclusive, é sua obrigação, na condição de agente público. E, a lei é clara, e, na clareza da lei, já diziam os latinos, cessa sua interpretação. Vejamos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11634.001317/201011 Acórdão n.º 2301003.391 S2C3T1 Fl. 8 5 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo D004.8622003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assim, neste sentido e pelas razões acima nada há de modificarse da decisão ora anatematizada. ii) CERCEAMENTO DE DEFESA Diz a Recorrente que houve o cerceamento de defesa, uma vez que não lhe foi concedido o direito de se defender no presente processo administrativo. O Processo Administrativo Fiscal é dirimido pelo Decreto 70.235/72, e, como nele se vê, há, em que pese o fato de o mesmo ter sido editado bem antes da Carta Maior de 1988, todo o respeito aos princípios pétreos de ampla defesa, contraditório, devido processo legal e outros quejandos. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Cotejando as peças dos autos, vêse que o procedimento do Fiscal acudiu todas as exigências do mencionado Decreto, razão pela qual não se observa o dito cerceamento de defesa. Mister se diga que a Recorrente teve todas as oportunidades de exercer o seu livre direito de defesa. Tanto o fez que apresentou impugnação, com suas razões e juntou, oportunamente com a peça defensiva, documentos para que pudessem corroborar com sua tese defensiva. Não olvidemos que aviou o presente remédio recursivo, e, se fato novo houvesse, poderia ter juntado novos documentos. Agora, não pode olvidar a Recorrente que a única coisa que não fez em sua defesa foi juntar os documentos requeridos pela Fiscalização, o que era obrigação sua, conforme alhures demonstrado, desaguando na autuação. Assim, sem razão a Recorrente. DA MULTA INDEVIDA Diz a Recorrente que a MULTA que lhe fora imposta é indevida, haja vista que, pelo fato de ter deixado de apresentar documentos à Fiscalização não trouxe nenhum dano ao erário, e por isto também não pode serlhe imputada a responsabilidade objetiva, conforme preceitua o artigo 136 do CTN. É bem verdade que no Direito Tributário há uma consubstanciada aplicação da responsabilidade tributária objetiva. E ela pode até não ser unanimidade, como é o caso da insurgência da Recorrente, mas que é quase absolutamente aplicável nos tribunais superiores e nessa Casa. No caso em tela a Recorrente deseja, de uma forma reflexiva, contraporse a abrangência da responsabilidade objetiva tributária imposta pelo artigo 136 do CTN, evidenciando como deveria ter sido construída a prova do Fisco contra ela, para poder aplicar a multa. Em primeiro lugar, não olvidemos que a responsabilidade objetiva não se prova, tampouco se inquire sobre o dolo ou a culpa, porque são questões de fórum íntimo que nos remeteria à subjetividade. Portanto, como não é necessário o conhecimento da causa, mas a mera infração, já se tem o resultado infrator, porque assim a lei diz, OU SEJA, não há de se falar na intenção, como pretende a Recorrente. Basta o simples fazer ou deixar de fazer, sem relevância do que se pretendia com aquele ato. E isto é extremamente necessário na relação Fisco/Contribuinte, pois se fosse diferente a intenção de cada contribuinte deveria o Fisco provar para cada descumprimento. E, neste diapasão imaginemos se o legislador não deixasse cristalino que a responsabilidade objetiva na lei tributária seja imperativa? Se introduzisse o dolo e a culpa na descrição da conduta? Por certo o Fisco iria ter que provar que o contribuinte praticou a conduta nos termos em que delineada no critério material da hipótese. E, ademais, no caso de dolo ou culpa, invertese o ônus da prova, cabendo assim à administração provar o fato que sustenta a sua pretensão. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11634.001317/201011 Acórdão n.º 2301003.391 S2C3T1 Fl. 9 7 No caso em tela, como seria? Por certo deseja a Recorrente que o Fiscal provasse o ‘animus neganti’ de apresentar os documentos, entrando na esfera da subjetividade. O que é impossível! Por isto que a responsabilidade tributária é objetiva, ou seja, para garantir de forma mais eficaz a coercibilidade do sistema punitivo tributário, pois, sem a qual a atividade fiscalizadora estaria inviabilizada, haja vista que se a cada infração tivesse que provar que o contribuinte não entregou documentos por negligência, imperícia ou imprudência nunca haveria infração. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 10580.722575/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2006
RETENÇÃO DE 11% . SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃ-DE-OBRA. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. AUSÊNCIA. VÍCIO MATERIAL QUE MACULA O LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO DO ART. 142 DO CTN. No lançamento de contribuições com base no art. 31 da Lei 8.212/91, deve a fiscalização apontar de forma clara e precisa no relatório fiscal da infração, os motivos determinantes que levaram a conclusão da caracterização da prestação de serviços mediante a cessão de mão-de-obra, sob pena, de violar o disposto no art. 142 do CTN, inclusive, de cercear o direito de defesa do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente CENTRO MÉDICO CASSEB LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2006 RETENÇÃO DE 11% . SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃDEOBRA. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. AUSÊNCIA. VÍCIO MATERIAL QUE MACULA O LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO DO ART. 142 DO CTN. No lançamento de contribuições com base no art. 31 da Lei 8.212/91, deve a fiscalização apontar de forma clara e precisa no relatório fiscal da infração, os motivos determinantes que levaram a conclusão da caracterização da prestação de serviços mediante a cessão de mãodeobra, sob pena, de violar o disposto no art. 142 do CTN, inclusive, de cercear o direito de defesa do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 25 75 /2 01 0- 37 Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.722575/201037 Acórdão n.º 2402003.609 S2C4T2 Fl. 2.006 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por CENTRO MÉDICO CASSEB LTDA, em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.249.1332, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias no percentual de 11% incidente sobre serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. Conta do relatório fiscal que a recorrente deveria ter efetuado a retenção de 11% sobre as notas fiscais de empresas que lhe prestaram serviços na área de saúde, construção civil, limpeza, zeladoria e conservação, pois tais atividades se encontram elencadas na legislação como sujeitas a cessão de mãodeobra. O fiscal apontou que as notas fiscais da prestação de serviços sobre os quais deveria ter ocorrido a retenção são as seguintes: NOME DA EMPRESA DESCRIÇÃO DO SERVIÇO ASSESSORIA E APOIO PSICOLÓGICO PAULA FRAGA CERQUEIRA SERVIÇOS MÉDICOS PSICOLOGIA CLINICA DE PROCTOLOGIA E ANGIOLOGIA DA BAHIA LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PROCTOLOGIA ACTUALLITY RH TERCEIRIZAÇÃO E SERVIÇOS LTDA SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO PREDIAL CAFAM CENTO DE ASSISTENCIA A FAMÍLIA S/C LTDA SERVIÇOs MÉDICOS DERMATOLOGIA AGE ATENDIMENTO GERIÁTRICO ESPECIALIZADO LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GERIATRIA ALLMED CLINICAS MEDICAS ESPECIALIZADAS S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS CARDIOLOGIA AUGUSTA MARIA MASCARENHAS BOMFIM ATENDIMENTO PEDIÁTRICO S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PEDIATRIA CLANP CLÍNICA DE ADOLESCÊNCIA NEONATOLÓGICA E PEDIÁTRICA S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PEDIATRIA ASPAS ASSISTÊNCIA PSICOSOCIAL LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PSIQUIATRIA ANA RABELO FISIOTERAPIA E SERVIÇOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS FISIOTERAPIA AL SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS OFTALMOLOGIA ANA VIRGÍNIA SANTIAGO ATENDIMENTO PSICANALÍTICO LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PSICOLOGIA CARECLIN CLÍNICA DO APARELHO CÁRDIO RESPIRATÓRIO S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PNEUMOLOGIA CLAB CENTRO DE ANÁLISES CLÍNICAS DA BAHIA S/C LTDA ANÁLISES CLÍNICAS CORTE CLÍNICA DE ORTOPEDIA REUMATOLOGIA TRAUMATOLOGIAESPECIALIZADA SERVIÇOS MÉDICOS CARDIOLOGIA CLÍNICA PSICOLÓGICAFÁTIMA KRUSCHEWSKY S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PSICOLOGIA CLINICA HOMOSERVIÇOS MÉDICOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS ENDOCRINOLOGIA CLÍNICA NEUROLÓGICA DE JEQUIE LTDA SERVIÇOS MÉDICOS NEUROLOGIA E ELETROENCEFALOGRAMA CLINAGO CLÍNICA GINECOLÓGICA DA BAHIA S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA CLINICA DE PSICOLOGIA MARIA ANGELA TOCHILOVSKY LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PSICOLOGIA Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 CLINNAZZA CLÍNICA NAZARÉ S/C SERVIÇOS MÉDICOS CIRURGIA GERAL CREG CLÍNICA DE REUMATOLOGIA E GASTROENTEROLOGIA LTDA SERVIÇOS MÉDICOS CLÍNICA PRO SAÚDE LTDA SERVIÇOS MÉDICOS OTORRINOLARINGOLOGIA CLINICA DE TRATAMENTO DA DOR DA BAHIA CTD SERVIÇOS MÉDICOS ANESTESIOLOGIA E ACUPUNTURA CLINICA VITÓRIA ALVES LTDA SERVIÇOS MÉDICOS REUMATOLOGIA E ACUPUNTURA DOMUS DOMINI CLÍNICA MÉDICA S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PERÍCIA MÉDICA DERMOGIN CLÍNICA MÉDICA LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GINECOLOGIA E OBSTETRÍÇIA GLOBE ALL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PSICANÁLISE G. B. S. CONSTRUÇÕES E REFORMAS LTDA SERVIÇO DE REFORMAS GAMA GRUPO DE ASSISTÊNCIA A MOLÉSTIAS ANGIOLÓGICAS S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS ANGIOLOGIA GAS GRUPO DE ANESTEIOLOGIA S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS ACUPUNTURA GINOCAP SERVIÇOS MÉDICOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GINECOLOGIA OBSTETRÍCIA E CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO HOLOCLIN LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GASTROENTEROLOGIA CLÍNICA MÉDICA E ENDOSCOPIA DIGESTIVA HARA SAÚDE FÍSICA E MENTAL LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GASTROENTEROLOGIA E ENDOSCOPIA DIGESTIVA ISME INSTITUTO DE SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS CARDIOLOGIA INSTITUTO DE SAÚDE MULTIDISCIPLINAR ZOE LTDA SERVIÇOS MÉDICOS NUTRIÇÃO JOVANKA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROISSIONAIS LTDA SERVIÇO DE PORTEIRO FOLGUISTA NO ESTACIONAMENTO J&W STANGL SERVIÇOS MÉDICOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS MASTOLOGIA MAGI CLIN SERVIÇOS MÉDICOS EM IMAGEM LTDAEPP SERVIÇOS MÉDICOS ULTRASSONOGRAFIA MEDVASC S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS ANGIOLOGIA CLÍNICA MÉDICA DE SALVADOR LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA NUTRIVIDA CONSULTÓRIO DE NUTRICAO CLÍNICA LILIANE DE SOUZA BITTENCOURT ME SERVIÇOS MÉDICOS NUTRIÇÃO ONCOCENTRO SERVIÇOS MÉDICOS PSICOLOGIA PROAME PRONTO ATENDIMENTO MÉDICOS S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS CARDIOLOGIA PARANHOS CONSULTORIA EM FONOAUDIOLOGIA LTDA SERVIÇOS MÉDICOS FONOAUDIOLOGIA PROGOB POCEDIMENTOS GINECOLÓGICOS E OBST ESP LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA PLURIMED ESPECIALIDADES MÉDICAS S/C SERVIÇOS MÉDICOS CARDIOLOGIA PNEUMOCLIN PNEUMOLOGISTAS ASSOCIADOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PNEUMOLOGIA ESPIROMETRIA CLÍNICA PRÓSAÚDE LTDA SERVIÇOS MÉDICOS OTORRINARINGOLOGIA SOI SERVIÇO OFTALMOLÓGICO DE IT A PO AN LTDA SERVIÇOS MÉDICOS OFTALMOLOGIA SEDIRBA SERVIÇO DE DIAGNÓSTICO SERVIÇOS MÉDICOS RADIOLOGIA Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.722575/201037 Acórdão n.º 2402003.609 S2C4T2 Fl. 2.007 5 CTO CLÍNICA DE TRATAMENTO DOS OLHOS S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS OFTALMOLOGIA Acresce o fiscal no item 2.5 do relatório que : Os serviços acima descritos caracterizamse como cessão de mão de obra, em virtude da colocação à disposição do contratante em suas dependências de mão de obra para exercer serviços contínuos relacionados ou não com a atividade fim da empresa, conforme demonstram os contratos e notas fiscais em anexo. O lançamento compreende o período de 01/2006 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 18/03/2010 (fls. 02). O lançamento foi impugnado sob o fundamento de que para os contratos médicos não existe a determinação da necessidade da retenção de 11%, bem como o contribuinte é a empresa prestadora dos serviços, e não a tomadora. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que os serviços médicos da forma como foram prestados não configuram a cessão de mãodeobra, a justificar a imposição da retenção de 11%; 2. que no presente caso o contribuinte é o prestador do serviço, e não o tomador; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. PRELIMINARMENTE Da análise dos autos, percebese que num só lançamento a fiscalização achou por bem que cerca de 50 (cinqüenta) contratos firmados pela recorrente, eram executados sob a forma da cessão de mãodeobra, tendo em vista que se tratam de atividades elencadas pela legislação como sujeitas a referido regime, no caso, atividades de saúde e limpeza. Assim consta no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: Ilimpeza, conservação e zeladoria; [...] XXIVsaúde; e Ressaltese que com relação a atividade de limpeza, somente há nos autos um contrato a este respeito, sendo os demais todos relativos à execução de atividades na área de saúde, nas suas mais variadas especialidades, quais sejam, cardiologia, endocrinologia, acupuntura, fisioterapia, mastologia, psicanálise, gastroenterologia, entre outros. E ao justificar a ocorrência da mão de obra, assim consignou o fiscal quando da autuação lavrada (item 2.5 do relatório fiscal): Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.722575/201037 Acórdão n.º 2402003.609 S2C4T2 Fl. 2.008 7 Os serviços acima descritos caracterizamse como cessão de mão de obra, em virtude da colocação à disposição do contratante em suas dependências de mão de obra para exercer serviços contínuos relacionados ou não com a atividade fim da empresa, conforme demonstram os contratos e notas fiscais em anexo. Em que pese o entendimento adotado e reafirmado pelo v. acórdão de primeira instância, tenho que o mesmo não se adequa aos julgados deste Eg. Conselho, sobretudo tendo em vista que no caso em concreto se tratam de mais de cinqüenta contratos, que mesmo relacionados a área de saúde, são referentes ao exercício de diferentes especialidades, algumas, por exemplo, com uso de aparelhagem, outras não. E no particular, a fiscalização não fez qualquer menção no relatório fiscal sob a forma de execução de cada um dos contratos, mas apenas fez alusão ao conceito da cessão de mão de obra trazido no parágrafo primeiro do art. 219 do Decreto 3.048/99. Não basta para a caracterização da cessão de mãodeobra, que o serviço esteja simplesmente previsto no Decreto, mas que a fiscalização, em cumprimento ainda ao disposto no art. 142 do CTN, faça expressa alusão em seu arroazoado a justificar a imposição da tributação, demonstrando os fatos e razões de direito relativos a execução da prestação contratada, para assim enquadrála no conceito de mão de obra, e, por conseguinte, permitir ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa. A não indicação no relatório fiscal da forma como os serviços eram de fato executados, seja mesmo por mera indicação das cláusulas contidas no contrato de prestação, não permite ao contribuinte contraporse devidamente ao Auto de Infração, exatamente pelo não conhecimento das razões que levam o órgão a divergir de seu entendimento pela desnecessidade em efetuar a retenção pretendida. A ausência da devida exposição fática acerca da ocorrência do fato gerador, viola o disposto no art. 142, a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Sobre o assunto, cito recentes julgados deste Eg. Conselho no mesmo sentido. Confirase: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006 RECURSO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11% NA CESSÃO DE MÃODEOBRA. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. Levantamento fiscal fundado na cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991), incidente sobre pagamentos Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 de serviços executados com cessão de mãodeobra, sem a comprovação dos correspondentes requisitos legais caracterizadores dessa modalidade de prestação de serviços. Não há como serem lançados os valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991) na falta de comprovação dos requisitos legais caracterizadores da execução de serviços com cessão de mãodeobra. A falta de apresentação pelo fisco de documentos e fatos que individualizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra, o que acarreta cerceamento de defesa na esfera administrativa. (Rel. Conselheio Damião Cordeiro de Moraes, Sessão de 17/04/2012, Acórdão 2301002.699) CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DOS 11% CARACTERIZADA A CESSÃO DE MÃO DE OBRA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. .FALTA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DEOBRA OU AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO ERRO NA BASE DE CÁLCULO. RELATÓRIO INCOMPLETO. NULIDADE. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11% e para os casos de diferença de retenção não indica o erro cometido quanto a redução da base de materiais. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n º 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DOS 11% DIFERENÇA DE RETENÇÃO SOBRE SERVIÇO DE COLETA DE LIXO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES As empresas prestadoras de serviços de coleta de lixo doméstico, são sujeitas ao adicional de 2% (11% +2% = 13%) na retenção em decorrência dos riscos ambientais do trabalho (aposentadoria especial aos 25 anos). A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2006 RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.722575/201037 Acórdão n.º 2402003.609 S2C4T2 Fl. 2.009 9 não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório. Recurso Voluntário Provido em Parte (Rel. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Sessão de 12/05/2011, Acórdão 2401001.820) A ausência da devida caracterização da ocorrência do fato gerador, em casos como o presente, macula a própria substância do lançamento, motivo pelo qual entendo que o vício, neste caso, é material. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para anular o lançamento, pela ocorrência de vício material. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13005.000145/2010-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
Ementa: RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA
RECORRENTE. –
VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA.
O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em
relação a qualquer ato praticado ou documento juntado.
Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do
contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de
1972. Decisão emitida sem observância dos princípios que regem o processo
administrativo merece ser anulada.
Numero da decisão: 2302-001.840
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. – VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. Decisão emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada.
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Recorrente ASSOCIAÇÃO PRO CULTURA E EDUCAÇÃO COMUNITÁRIA DE MONTENEGRO Recorrida DRJ JUIZ DE FORA MG Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. – VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. Decisão emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13005.000145/201092 Acórdão n.º 230201.840 S2C3T2 Fl. 302 3 Relatório O presente lançamento tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, cujos valores constaram em folhas de pagamento, referente ao período compreendido entre as competências janeiro de 2006 a dezembro de 2007, fls. 23 a 27. A autuada não teria direito à isenção no período objeto do lançamento. Não conformado com a autuação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 183 a 219. Houve conversão do julgamento em diligência, fl. 244, visto que não constava na folha de rosto o local, o dia e a hora de lavratura e a assinatura da autoridade lançadora. A solicitação foi atendida pela fiscalização, conforme fl. 245. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento analisou os argumentos da autuada e exarou a decisão, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 246 a 248. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, conforme fls. 259 a 294. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme comprovantes às fls. 249 e 259. Pressuposto de admissibilidade superado, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Analisando os autos verifiquei uma irregularidade. A Receita Federal, antes da emissão da decisão de primeira instância, verificou irregularidade no procedimento, fl. 244, e retornou os autos para a fiscalização. Como resultado dessa diligência, a auditoria fiscal prestou informação à fl. 245. Não há provas de que o recorrente foi cientificado da juntada das fls. 244 a 245, sendo emitida a Decisão de fls. 246 a 248 sem a possibilidade do contraditório em relação ao resultado da diligência. A impossibilidade de conhecimento dos fatos apontados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fl. 244, ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contrarrazões aos fatos apontados pela fiscalização ou aos documentos juntados ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. De acordo com o previsto no art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972, as decisões proferidas com preterição do direito de defesa são nulas. Assim, deve ser anulada a decisão de primeira instância, reabrindose o prazo para manifestação e conferindo ciência ao recorrente do resultado da diligência às fls. 244 e 245. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR a DECISÃONOTIFICAÇÃO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10640.000051/2008-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.127
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Julio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Julio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 00 05 1/ 20 08 -1 5 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000051/200815 Resolução nº 2403000.127 S2C4T3 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento vinculado resultado da mesma ação fiscal que motivou as razões expressas no requerimento de diligência do processo n° 10640.005532/200817. Por economia processual procedo o relatório de forma sumária. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000051/200815 Resolução nº 2403000.127 S2C4T3 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Ivacir Júlio de Souza – Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Reitero, na íntegra o que foi requerido no sobredito processo 10640.005532/200817. A autuação foi descrita em minucioso e bem elaborado Relatório Fiscal. Entretanto, por segurança processual e, ainda, para formar convicção para decisão, alguns aspectos necessitam esclarecimento. Cumpre ressaltar que a recorrente não logrando êxito em sede administrativa, na hipótese de as questões a seguir colacionadas restarem pertinentes, argüidas em sede judiciária reúnem possibilidade de prosperar ao tempo que eventualmente concorram para a imposição de ônus de sucumbência. Desse modo é conservador observar o que se segue. DA AUTUAÇÃO E DO ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR O auto de Infração de fls. 01, aponta como sujeito passivo obrigação tributária a filial representada pelo CNPJ 18.540.906/000830. A matriz da empresa tem CNPJ n° 18.540.906/0001 64. Consulta ao sítio da RFB registra que o CNPJ da filial data de 09/04/1999. Nos itens 3 e 3.1 do Relatório Fiscal às fls. 17, a Autoridade autuante justifica a razão do sobredito procedimento: “ 3 A sede da empresa foi transferida para o Rio de Janeiro passando a utilizar o CNPJ 18.540.906/000164, a partir de 09/04/1999. O estabelecimento existente em Matias Barbosa transformouse em filial com CNPJ 18.540.906/000830, conforme Ata da Quinta Assembléia Geral Extraordinária arquivada na JUCEMG sob n° 1747615, de 09/04/1999. 3.1 O procedimento fiscal foi programado para se desenvolver no estabelecimento situado no Empresarial Park Sul 1 Rodovia BR 040 Matias Barbosa CNPJ 18.540.906/000830, em razão de a centralização da estrutura administrativa de pessoal e contábil da empresa estar localizada no endereço mencionado.” Na forma do art. 745. da Instrução Normativa MPS/S|RP nº 3, de 14 de julho de 2005 vigente à época da ação fiscal, “ o estabelecimento centralizador será alterado de ofício pela SRP, quando for constatado que os elementos necessários à AuditoriaFiscal da empresa se encontram, efetivamente, em outro estabelecimento, observado o disposto no § 2º do art. 22.” O Termo de Inicio da Ação Fiscal – TIAF de fls. 20 procedeu a intimação à filial. Aduz que o referido documento registra respaldo nos termos do Mandado de Fl. 300DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000051/200815 Resolução nº 2403000.127 S2C4T3 Fl. 5 4 Procedimento Fiscal MPF : 0610400.2008.00005 emitido pela chefia da Autoridade autuante para o CNPJ da filial, que apenas cumpriu a determinação de iniciar a ação fiscal naquele definida circunstância. Reiterese que a competência atribuída à SRP para fazer de ofício a alteração, estabelece cumprir o disposto no § 2º do art. 22, verbis: “ Art. 22. As alterações cadastrais serão efetuadas em qualquer UARP ou pela Internet, conforme o caso, exceto as abaixo relacionadas, que serão efetuadas na UARP da circunscrição do estabelecimento centralizador: I de início de atividade; II de responsáveis; III de definição de novo estabelecimento centralizador; IV de mudança de endereço para outra circunscrição. § 1º Para quaisquer das alterações previstas no caput, será necessária a apresentação do contrato social, das alterações contratuais ou da ata de assembléia, registrados no órgão competente, considerandose quanto aos efeitos de vigência das alterações, o disposto no §1º do art. 21. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) Redação original: § 1º Para quaisquer das alterações previstas no caput, será necessária a apresentação do contrato social, alterações contratuais ou da ata de assembléia, registrados no órgão competente. § 2º Para alteração do estabelecimento centralizador, prevista no inciso III do caput, deverá o sujeito passivo apresentar requerimento específico de alteração de estabelecimento centralizador contendo as justificativas e a indicação do número do novo CNPJ ou CEI centralizador. § 3º Para efeito do disposto no inciso III do caput, a SRP recusará o estabelecimento eleito como centralizador quando constatar a impossibilidade ou a dificuldade de realizar o procedimento fiscal neste estabelecimento. § 4º Quando a empresa solicitar alteração de estabelecimento centralizador, deverá ser cientificada da aceitação ou da recusa de sua solicitação, pela Delegacia da Receita Previdenciária DRP, no prazo de trinta dias, contados da data em que tenha protocolizado o requerimento.” Isto posto, é relevante ressaltar que não consta colacionado nos autos documentação que demonstre formalizada a eleição do estabelecimento como centralizador. DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO Na exegese do art. 127 do Código Tributário Nacional é lícito concluir que se exige formal da eleição do domicílio tributário pelo contribuinte e que , na falta, determinase : Fl. 301DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000051/200815 Resolução nº 2403000.127 S2C4T3 Fl. 6 5 “ Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: I quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. Realçando a necessidade de eleição formal do estabelecimento centralizador, regulamentando o sobredito, vigendo por ocasião da autuação, a Instrução Normativa MPS/S|RP nº 3, de 14 de julho de 2005 , nos arts. 741, 743 e 744, instruíam efetivamente : “ Art. 741. Domicílio tributário é aquele eleito pelo sujeito passivo ou, na falta de eleição, aplicase o disposto no art. 127 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). (...) Art. 743. Estabelecimento centralizador, em regra, é o local onde a empresa mantém a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral, sendo geralmente a sua sede administrativa, ou a matriz, ou o seu estabelecimento principal, assim definido em ato constitutivo. Art. 744. A empresa poderá eleger como centralizador quaisquer de seus estabelecimentos, devendo, para isso, protocolizar requerimento na SRP, observado o disposto no art. 22. Art. 745. O estabelecimento centralizador será alterado de ofício pela SRP, quando for constatado que os elementos necessários à Auditoria Fiscal da empresa se encontram, efetivamente, em outro estabelecimento, observado o disposto no § 2º do art. 22. § 1º A escolha ou a alteração do estabelecimento centralizador levará em conta, alternativamente, o estabelecimento empresarial que: I possuir o maior número de segurados; II concentrar o funcionamento contábil e de pessoal; III apresentar o maior valor de contribuição para a Previdência Social. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000051/200815 Resolução nº 2403000.127 S2C4T3 Fl. 7 6 § 2º Se o estabelecimento definido como novo centralizador estiver circunscrito a outra DRP, será providenciada, pelo Serviço/Seção de Fiscalização da DRP, a transferência dos documentos e dos registros informatizados da empresa para a DRP circunscricionante do novo estabelecimento centralizador que, no prazo de trinta dias, comunicará à empresa esta mudança. ” Não formalizar a exigência apontada, produz severas implicações. A Jurisprudência deste Conselho registra que por não ter exercido a faculdade de centralizar em um de seus estabelecimento a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição ao PIS, devida pela matriz e suas filiais, o contribuinte não se legitimou para pleitear eventual repetição de indébitos referente a pagamentos efetuados por estabelecimentos distintos daquele que efetuou o pedido de restituição., verbis: “ Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20400448 do Processo 109800072930023 10/08/2005 NORMAS PROCESSUAIS CONTRIBUIÇÃO AO PIS SEMESTRALIDADE PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. RESOLUÇÃO N° 49 DO SENADO FEDERAL. O prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS decorrentes da aplicação da base de cálculo prevista no art. 6°, parágrafo único da LC n° 7/70 é de 5 (cinco) anos, contados da Resolução n° 49 do Senado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/95. Inaplicabilidade do art. 3° da Lei Complementar n° 118/05. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento do direito creditório pertinente a indébitos só é possível quando houver prova dos recolhimentos indevidos ou efetuados a mais que o devido. O ônus dessa comprovação incumbe ao demandante. LEGITIMIDADE PARA REPETIR. INEXISTÊNCIA DE ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. A contribuinte, ao não ter exercido a faculdade de centralizar em um de seus estabelecimento a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição ao PIS, devida pela matriz e suas filiais, não se legitima para pleitear eventual repetição de indébitos referente a pagamentos efetuados por estabelecimentos distintos daquele que efetuou o pedido de restituição. PIS. BASE DE CÁLCULO. Os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nº.s 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº. 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso provido em parte.” DO ARROLAMENTO DE BENS O Termo de Arrolamento de Bens e Direitos às fls. 60, está formalizado em face da filial cujas notas fiscais de fls. 62 representam entradas emitidas por ela mesma para o seu próprio CNPJ de bens adquiridos no exterior, Guadalara e Madrid . No Relatório de Fundamentos Legais do Debito FLD de fls.14 não se faz referência a à legislação de suporte para arrolamento de bens. Desse modo, para segurança da decisão a ser exarada, informar se não existiam as prioridades aludidas no parágrafo 3°, do art. 620, da Instrução Normativa MPS/SRP N° 03 de 14/07/2005, definindo que o arrolamento deva recair sobre bens e direitos suscetíveis de registro público, com prioridade aos imóveis. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000051/200815 Resolução nº 2403000.127 S2C4T3 Fl. 8 7 Por oportuno, que se providencie, se for o caso, os elementos ausentes exigíveis na forma do comando dos § § 1°, 2° , 3° , 4° e 5° do art. 7° e § 1° , inciso II do art. 8° da então vigente Instrução Normativa SRF, n° 264, de 20 de dezembro de 2002, revogada pela IN RFB n° 1088, de 29 de novembro de 2010, bem como dos arts. 64 e 64A da Lei n 9.532/97. Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça Superior Tribunal de Justiça, 1ª Turma, registra que Efetivado o arrolamento fiscal, deve o mesmo ser formalizado no registro imobiliário : “ REsp 689472 / SE 05/10/2006 TRIBUTÁRIO. ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS DO CONTRIBUINTE EFETUADO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. ARTIGO 64, DA LEI 9.532/97. INEXISTÊNCIA DE GRAVAME OU RESTRIÇÃO AO USO, ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE DA MEDIDA ACAUTELATÓRIA. (...) Efetivado o arrolamento fiscal, deve o mesmo ser formalizado no registro imobiliário, ou em outros órgãos competentes para controle ou registro, ficando o contribuinte, a partir da data da notificação do ato de arrolamento, obrigado a comunicar à unidade do órgão fazendário a transferência, alienação ou oneração dos bens ou direitos arrolados. O descumprimento da referida formalidade autoriza o requerimento de medida cautelar fiscal contra o contribuinte. (...)8. Recurso especial provido Decisão Prosseguindo no julgamento, após o votovista do Sr. Ministro Teori Albino Zavascki, os Ministros da Egrégia Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça acordam, por maioria, vencido o Sr. Ministro José Delgado (votovista), dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki (votovista) e Denise Arruda votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. ” DA DILIGÊNCIA A necessidade de diligência tem fulcro na forma expressa no art. 63 do Decreto 7.574, de setembro de 2011, verbis: “ Art.63.Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou de perícias, observado o disposto nos arts. 35 e 36 (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 29 e 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o).” Assim, retornese à DRJ de origem para que a fiscalização informe de forma precisa a respeito dos sobreditos destaques: DA AUTUAÇÃO E DO ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR; DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO; e DO ARROLAMENTO DE BENS. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000051/200815 Resolução nº 2403000.127 S2C4T3 Fl. 9 8 CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, na forma do artigo 63 do Decreto 7.574/2011, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que se procedam às providências supra. Concluída a ação, participe o resultado ao contribuinte ao tempo em que se reabra prazo para que a recorrente, se assim desejar, apresente seus argumentos. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 305DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10680.003034/2001-97
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1993
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO ART. 173, II, DO CTN.
A nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do art. 173, II, do CTN, pressupõe a realização de novo lançamento repetindo tudo o que foi consignado no lançamento original, exceto os defeitos de forma que ensejaram a sua nulidade. Em sendo extrapolada a prerrogativa concedida à fiscalização pelo mencionado dispositivo do CTN, o novo lançamento estará alcançado pela decadência, se cientificado ao sujeito passivo após o transcurso do prazo qüinqüenal de caducidade.
Numero da decisão: 9101-001.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade do votos, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado), José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), Plínio Rodrigues de Lima e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e João Carlos de Lima Junior.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1993 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO ART. 173, II, DO CTN. A nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do art. 173, II, do CTN, pressupõe a realização de novo lançamento repetindo tudo o que foi consignado no lançamento original, exceto os defeitos de forma que ensejaram a sua nulidade. Em sendo extrapolada a prerrogativa concedida à fiscalização pelo mencionado dispositivo do CTN, o novo lançamento estará alcançado pela decadência, se cientificado ao sujeito passivo após o transcurso do prazo qüinqüenal de caducidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade do votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado), José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), Plínio Rodrigues de Lima e Francisco de Sales Ribeiro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 30 34 /2 00 1- 97 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Queiroz. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN com fulcro no art. 7º, inciso II, do então vigente Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, contra decisão proferida pela extinta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no acórdão nº 10322.970, de 30/03/2007 (fls. 103/112), cujo seguimento a esta instância especial foi dado através do Despacho nº 1030.185/2008 (fls. 126/127). A recorrente insurgese contra o fato de a decisão guerreada ter cancelado integralmente lançamento de ofício que fora efetuado com vistas a sanar vícios formais no lançamento original, anulado por decisão administrativa de primeira instância, não alcançado pela decadência à luz do inciso II do art. 173, do Código Tributário Nacional – CTN. O crédito tributário apurado no lançamento retificador foi em montante superior ao originalmente lançado, extrapolando, assim, o que havia sido objeto da nulidade por vício de forma, consistente na falta do nome, do cargo, do número de matrícula e da assinatura do autuante, consoante inciso VI do art. 5º da INSRF nº 94/1997. A decisão da DRJ considerara que estaria alcançado pela decadência apenas a parte do lançamento suplementar que excedera o valor do lançamento primitivo, declarado nulo por vício formal, enquanto que a decisão recorrida considerou que todo o lançamento estaria decaído, sob os fundamentos constantes do seu voto condutor, a seguir transcritos (fls. 111/112): (...). Nesse passo, concluo que a fiscalização ao efetuar através do auto de infração de fls. 02/05 lançamento diverso daquele formalizado na Notificação de Lançamento Suplementar, anexa aos autos do processo n° 10680.001513/97 68, extrapolou a permissão contida no inciso II, do artigo 173, do CTN, maculando, assim, de vicio insanável todo o procedimento fiscal. (...). Dessarte, deve ser cancelado o lançamento efetuado através do auto de infração de fls. 02/05, haja vista que este se afastou da prerrogativa conferida à fiscalização pelo inciso II, do artigo 173, do CTN, por tratarse, como visto, de novo lançamento. Há ainda, que se observar que o lançamento primitivo não levou em consideração a declaração retificadora, apresentada antes do lançamento. Também, a glosa das retenções na fonte não foi objeto de questionamento no segundo lançamento, de forma a merecer a sua não aceitação no julgamento de primeiro grau. Pelo exposto, voto por acolher a preliminar de decadência, para dar provimento ao recurso. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.003034/200197 Acórdão n.º 9101001.610 CSRFT1 Fl. 9 3 A recorrente apresentou como paradigma o acórdão nº 10513.033, assim ementado (fls. 117/118): Acórdão Paradigma nº 10513033 "Número do Recurso: 120221 Câmara: QUINTA CÂMARA Número do Processo: 10384.001744/9824 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: MOANA PREMOLDADOS E CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida/Interessado: DRJFORTALEZA/CE Data da Sessão: 08/12/1999 01:00:00 Relator: Ivo de Lima Barboza Decisão: Acórdão 10513033 Resultado: OUTROS OUTROS Texto da Decisão: Por unanimidade de votos: 1 acolher, em parte, a preliminar suscitada pelo contribuinte (de decadência), para excluir da base de cálculo da exigência a parcela que exceda ao valor constante do lançamento original, anulado por vicio formal; e 2 no mérito, negar provimento ao recurso Declarouse impedido o Conselheiro Luis Gonzaga Medeiros Nábrega. Ementa: IRPJ Pelo disposto no inciso II, do art. 173, quando ocorre anulação, por vicio formal, é dado ao fisco mais 5 anos "da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado", para realizar novo lançamento. Só que o sujeito ativo deve se limitar a corrigir os vícios formais e manter o valor originariamente exigido, não sendo permitido suplementar a exigência pela ampliação da base de cálculo e do valor do imposto, porque em relação aos valores adicionais incide a decadência ou a homologação do crédito, que são formas de extinção do crédito tributário, em face dos incisos V e VII do art. 156 do CTN. Recurso negado." A seguir, aduz a recorrente que (fls. 118): 6 Dessa forma, enquanto o acórdão recorrido decidiu por cancelar integralmente o lançamento suplementar que extrapolou o propósito de sanar vícios formais do lançamento original, o acórdão paradigma adotou solução diversa, qual seja, excluir da base de cálculo da exigência a parcela que exceda ao valor constante do lançamento original, anulado por vicio formal. Cientificada da decisão e do Despacho que deu seguimento ao recurso especial, a contribuinte apresentou contrarrazões, das quais destaco os seguintes excertos: Fls. 137/139: Como falado no recurso voluntário, "além do vício formal existente no lançamento originário, há outro substancial e que, por si só, torna insubsistente o primeiro lançamento efetuado. Nestas hipóteses de concomitância de vícios de forma com outros tipos Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 de vícios, o prazo decadencial de cinco anos não se desloca do artigo 150, § 4°, do CTN (lançamento por homologação) para o artigo 173, II, do CTN'. Pois bem, ao apreciar essa questão, o acórdão 10322.970 concluiu o seguinte: "A regra de caráter especial do inc. II, do art. 173 do CTN, somente admite o caso em que o lançamento novo tem por fito a preservação de um lançamento previamente qualificado, mas que padecia de vício formal. (...) É que, pressupõese, que o lançamento original encontravase materialmente perfeito, padecendo somente de vicio de forma. (...) Há, ainda, que se observar que o lançamento primitivo não levou em consideração a declaração retificadora, apresentada antes do lançamento. Também, a glosa das retenções na fonte não foi objeto de questionamento no segundo lançamento, de forma a merecer a sua não aceitação no julgamento de primeiro grau." (fl. 111) Como se pode perceber, a Terceira Câmara do Primeiro Conselho reconheceu que o lançamento contém vícios substanciais, os quais ensejam a decadência do crédito tributário exigido nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Como o recurso especial nem ao menos menciona esses vícios substanciais (e eles são suficientes para manter a decisão recorrida), o apelo extremo não pode ser sequer conhecido: "RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA ADMISSIBILIDADE Para que se caracterize a divergência jurisprudencial é necessário que se demonstre contradição com decisão de outra Câmara ou de outro Conselho. Caso haja mais de um fundamento na decisão, cada um por si só suficiente, todos devem ser enfrentados no recurso especial de divergência." (Acórdão CSRF/0105.043) "RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA ADMISSIBILIDADE Para que se caracterize a divergência jurisprudencial e caso haja mais de um fundamento na decisão, cada um por si só suficiente, todos devem ser enfrentados no recurso especial de divergência. Recurso especial não conhecido." (Acórdão CSRF/0105.545) (...). Continuando em suas contrarrazões, conclui a contribuinte que: Com efeito, a pretensão de "apenas afastar a parte do lançamento suplementar que se distanciou do saneamento do vício formal' (fl. 120) só teria sentido se os vícios existentes fossem meramente formais. Como a Terceira Câmara do Primeiro Conselho concluiu pela existência de vícios substanciais no lançamento, fica claro que o recurso do Fisco está completamente fora de foco. Enfim, como o Acórdão nº 10513033 (acórdão paradigma) não trata de todas as questões discutidas nos autos e, por isso mesmo, ele está longe de ser "paradigma", deve prevalecer a decisão recorrida, que, aliás, nada mais fez do que prestigiar a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes sobre o tema: "NORMAS PROCESSUAIS LANÇAMENTO ANULADO POR VICIO FORMAL ART. 173, II, DO CTN INTELIGÊNCIA DE SUA APLICABILIDADE. A regra excepcional do CTN, de Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.003034/200197 Acórdão n.º 9101001.610 CSRFT1 Fl. 10 5 reabertura do prazo de 5 (cinco) anos para realização de novo lançamento destinado a corrigir lançamento anterior anulado em função de vicio formal, somente dá ao fisco a possibilidade da correção do vicio que teria implicado na anulação do lançamento primitivo, não porém para a correção de vícios substanciais que nele se continha. NORMAS PROCESSUAIS LANÇAMENTO INSUBSISTENTE – ANULAÇÃO POR ALEGAÇÃO DE VÍCIO FORMAL INAPLICABILIDADE DO ART 173, II, DO CTN DECADÊNCIA. Constatado que o lançamento que fora anulado por vicio formal em verdade continha vícios substanciais, é inaplicável a regra do art, 173, II do CTN, pelo que os lançamentos subsequentes, destinados á suposta correção dos lançamentos anteriores anulados, foram atingidos pela regra normal de contagem do prazo decadencial inserta no CTN." (Acórdão 10707043) É o relatório. Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator. Inicialmente, devemos apreciar se estão presentes os requisitos necessários ao conhecimento do recurso especial de divergência. Conforme foi relatado, o presente recurso pautase no fundamento de que o lançamento de ofício suplementar, efetuado em face da declaração de nulidade do lançamento original, por vício de forma, deve ser mantido até o montante do crédito tributário lançado primitivamente, cancelandose o valor excedente constituído através do lançamento suplementar. Desse entendimento discorda o sujeito passivo em suas contrarrazões, fazendo ver que os fundamentos do acórdão recorrido, que serviram de supedâneo ao seu integral cancelamento, estariam corretos, à luz da jurisprudência trazida à colação, aduzindo ainda que a recorrente não contestara um segundo fundamento, que também seria suficiente para manter incólume a decisão recorrida, qual seja o de que: (...) a Terceira Câmara do Primeiro Conselho reconheceu que o lançamento contém vícios substanciais, os quais ensejam a decadência do crédito tributário exigido nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Como o recurso especial nem ao menos menciona esses vícios substanciais (e eles são suficientes para manter a decisão recorrida), o apelo extremo não pode ser sequer conhecido. A respeito, entendo que a questão deve ser posta nos seguintes termos: · a DRJ considerou que o lançamento suplementar, efetuado para corrigir vícios de forma, não se conteve nos limites da formalidade e adentrou em questões outras que não mais poderiam ser levantadas em face do prazo decadencial, à luz do que dispõe o Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 inciso II do art. 173 do CTN, e que, sendo assim, aplicarseia ao caso a decadência parcial do lançamento suplementar, mantendose o valor originalmente lançado, afastados os vícios formais; · a decisão recorrida considerou que o lançamento suplementar, efetuado sem a observância do sobredito dispositivo do CTN, adentrandose a questões outras que não mais poderiam ser levantadas em face do prazo decadencial, deveria ser cancelado, por ter se afastado da prerrogativa conferida à fiscalização pelo inciso II, do artigo 173, do CTN, por tratarse, como visto, de novo lançamento (fls. 111), estando, assim, integralmente alcançado pela decadência. Quanto ao alegado segundo fundamento, levantado nas contrarrazões apresentadas pela contribuinte, entendo não ter sido aquela a conotação que na decisão recorrida se pretendeu dar, ou seja, não haveria uma segunda razão para se considerar nulo o lançamento suplementar, mas apenas um fundamento divergente, acima delineado, no bojo do qual o alegado segundo fundamento estaria compreendido. As razões de decidir do acórdão paradigma estão postas nos seguintes termos: Entretanto, no tocante à questão do novel lançamento está ampliando o valor que constava do originário, aí penso que a contribuinte tem razão, ainda que se trate do mesmo tema anteriormente exigido, qual seja, a compensação de prejuízos acima do limite legal. Neste caso, não pode o fisco exigir além do valor originário porque, do contrário, passaria a ser novo lançamento e não reparos visando suprir vícios formais, posto que foi objetivo da norma do art. 173, II, do CTN, fazer com que a essência fosse superior a forma, mas não permite que o valor exigido seja superior ao primitivo, mormente quando ocorre a decadência porque ai seria suprir mais que a forma, seria refazer situação extinta nos termos do art. 156, V do CTN. Sendo assim, conheço do recurso especial por restar caracterizado o dissenso jurisprudencial. Verificandose, agora, em que consistiu as alterações introduzidas pela DRJ, consta do voto condutor da decisão que (fls. 66/67): (...) levando em conta que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário exigido pelo lançamento originário que foi anulado por vicio formal, não se extinguiu até a data de constituição e ciência do presente lançamento, que é o dia 19/04/2001, a parcela equivalente àquele crédito tributário, no valor de 1.331,59 UFIR, que compõe a exigência atual difundida pelo auto de infração formalizado no processo em tela, não padece de decadência e subsiste incólume. Confirase: (...) Seguese, no voto condutor da decisão da DRJ, demonstrativo de apuração do crédito tributário primitivo, equivalente a 1.331,59 UFIR, que foi anulado por vício formal. Concluindo, aquela decisão de primeiro grau considera que: Todavia, levando em conta que o lançamento em tela, difundido pelo auto de infração, exige IRPJ no valor de 7.278,79 UFIR, referente a infrações apuradas, cujos fatos geradores é 30/06/1992, cumpre considerar que o acréscimo à exigência, no Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.003034/200197 Acórdão n.º 9101001.610 CSRFT1 Fl. 11 7 valor 5.947,20 UFIR (ressalvado o valor de 193,43 UFIR de acréscimo por erro material de cálculo que adiante será apreciado quando adentrar o exame de mérito) padece, de fato, de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o credito tributário, diante da fluência do lapso qüinqüenal, haja vista que a Decisão que anulou, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado (inc. II, do art. 173 do CTN), estava circunscrita à exigência originária de 1.331,59 UFIR que, portanto, não contemplava o aludido acréscimo. Em seguida, é apresentado demonstrativo dos valores apurados no lançamento suplementar, cujo auto de infração foi lavrado no valor equivalente a 7.278,79 UFIR, sendo reduzido para o valor primitivo equivalente a 1.339,59, mediante exclusão da parte excedente (5.947,20 UFIR). Decidindo a lide, a princípio, fazse mister entender que o vício de forma compreende aspectos extrínsecos do lançamento, ou seja, defeitos sanáveis que não comprometem a sua estrutura, não se comunicando, para efeito da contagem do prazo decadencial, com o fato gerador da obrigação tributária, que diz respeito aos seus aspectos intrínsecos. Sobre esse divisor de águas entre o vício formal e o substancial tive a oportunidade de expor meu entendimento no acórdão nº 10706.757, sessão de 22/08/2002, no processo nº 10240.000205/9885, do qual peço vênia para transcrever sua ementa: RECURSO EX OFFICIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Seguindo essa linha de raciocínio, no presente caso o vício formal que motivou a nulidade do lançamento primitivo foi justamente a falta do nome, do cargo, do número de matrícula e da assinatura do autuante, consoante inciso VI do art. 5º da INSRF nº 94/1997, segundo o qual o auto de infração deverá conter: VI o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; Ora, se a nulidade foi declarada em face da ausência desses elementos necessários à formalização do lançamento, caberia à autoridade fiscal limitarse ao saneamento Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 desses defeitos formais, não mais cabendo a realização de qualquer mudança relativamente aos seus elementos essenciais, que já se encontravam alcançados pela decadência, porquanto o fato gerador da obrigação remontava a 30/06/1992 e o lançamento suplementar fora cientificado à contribuinte em 19/04/2001 (fls. 13), extrapolando, assim, a prerrogativa conferida à fiscalização pelo dispositivo do inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional CTN. Por essas razões, entendo que a decisão recorrida não merece reparo, motivo pelo qual voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10235.000853/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2002
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2302-002.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 08 53 /2 00 8- 15 Fl. 615DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10235.000853/200815 Acórdão n.º 2302002.407 S2C3T2 Fl. 525 3 Relatório A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada e cientificada ao sujeito passivo em 30/09/2002, referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos servidores comissionados lotados em gabinete, apuradas nas folhas de pagamento, no período de 07/2001 a 07/2002. Após a impugnação os autos baixaram em diligência, fls.202/203, para a verificação da existência de servidores vinculados a regime próprio de previdência, no levantamento efetuado. Informação de fls. 204, retifica o crédito lançado, retirando do lançamento 28 servidores que não pertenciam ao regime geral de previdência social, conforme planilhas de fls.205/211, juntando documentos de fls. 212/300. O contribuinte foi notificado e DecisãoNotificação de fls. 304/316, julgou o lançamneto procedente em parte. Não foi apresentado recurso e o notificado impetrou Mandado de Segurança para que lhe fossem apresentados os autos originais das NFLD’s e para que fosse reconhecida a Procuradoria Geral do Estado como competente para se manifestar no procedimento administrativo e não a Procuradoria da Assembléia Legislativa. A segurança foi concedida porque o Estado do Amapá não tinha sido cientificado da DecisãoNotificação que tinha sido enviada à Assembléia Legislativa. A Decisão foi então enviada e recebida pelo Gabinete do Governador. Sentença de fls. 343/348, proferida no MS diz: (...) b) anulo os atos praticados nos autos das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD n.ºs 35.439.4053/2002 e 35.439.4061/2002, a partir da expedição das notificações destinadas a dar ciência ao Estado do Amapá das decisões relativas à sua impugnação ao lançamento dos débitos, a fim de que sejam renovados com observância dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. (...) Reaberto o prazo recursal, frente à sentença acima referida, a Procuradoria Geral do Estado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: a) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; b) que seja declarada a nulidade da notificações desde o seu início, pois não foia assinada pelo Governador ou pelo Procurarador Geral; Fl. 617DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 c) a nulidade da decisão de primeira instância, pois a Procuradoria Geral do Estado não foi intimada do resultado da diligência que modificou o crédito lançado; d) a improcedência do lançamento pela insubsistência fática ou jurídica do fato gerador ou da base de cálculo; e) a nulidade da multa aplicada e o afastamento dos juros moratórios; f) por fim protesta por todos os meios de prova e que as intimações sejam feita à Procuradoria Geral do Estado do Amapá. É o relatório. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10235.000853/200815 Acórdão n.º 2302002.407 S2C3T2 Fl. 526 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido. O lançamento referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de servidores não abrangidos pelo Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá e antes da emissão da Decisão de primeira instância foi realizada diligência, que retificou o crédito lançado. De acordo com o exame dos autos é de se ver que o Estado do Amapá impetrou Mandado de Segurança para que as intimações fossem efetuadas à Procuradoria Geral do Estado e não à Procuradoria da Assembléia Legislativa, cuja sentença, além de conceder a segurança determinou a anulação de todos os atos, a partir da ciência da impugnação, para que fossem renovados com a observância dos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. Analisando os autos verifiquei que não há provas de que a notificada, leiase Procuradoria Geral do Estado (conforme sentença proferida no MS) tenha sido cientificada do resultado da diligência de fls.204/300, que retificou o crédito lançado. A DecisãoNotificação pugnou pela procedência em parte do lançamento, sem a possibilidade do contraditório em relação à diligência fiscal. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pelo Auditor Fiscal ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contra razões aos fatos apontados pela fiscalização ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado o procedimento, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos Fl. 619DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que prolatada sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de se manifestar, regularmente, em relação à informação fiscal carreada aos autos pelo fisco. Pelo princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Nesse sentido, entendo que a decisão proferida é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 31, II, da Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10235.000853/200815 Acórdão n.º 2302002.407 S2C3T2 Fl. 527 7 Art. 31. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por todo o exposto, voto pela anulação da decisão de primeira instância. devendo ser conferida ciência ao recorrente, conforme disposto na sentença do Mandado de Segurança, do resultado da diligência fiscal de fls. 204/300, abrindolhe prazo para manifestação e posterior emissão de nova decisão. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 621DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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