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Numero do processo: 10730.904480/2009-35
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2002 DCTF. ERRO DE FATO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF é possível sua retificação mesmo após o despacho decisório que indeferiu a DCOMP. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2002 CSLL ESTIMADA. COMPENSAÇÃO. Comprovado o recolhimento indevido ou a maior de CSLL estimada é possível a restituição ou compensação antes ou após o término do período de apuração, conforme já reconheceu a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 2011, sendo inaplicáveis quaisquer restrições anteriores a vigência da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
Numero da decisão: 1803-001.266
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2002 DCTF. ERRO DE FATO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF é possível sua retificação mesmo após o despacho decisório que indeferiu a DCOMP. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2002 CSLL ESTIMADA. COMPENSAÇÃO. Comprovado o recolhimento indevido ou a maior de CSLL estimada é possível a restituição ou compensação antes ou após o término do período de apuração, conforme já reconheceu a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 2011, sendo inaplicáveis quaisquer restrições anteriores a vigência da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 223 1 222 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.904480/200935 Recurso nº 923.979 Voluntário Acórdão nº 180301.266 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de abril de 2012 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente AUTO LOTAÇÃO INGÁ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2002 DCTF. ERRO DE FATO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF é possível sua retificação mesmo após o despacho decisório que indeferiu a DCOMP. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2002 CSLL ESTIMADA. COMPENSAÇÃO. Comprovado o recolhimento indevido ou a maior de CSLL estimada é possível a restituição ou compensação antes ou após o término do período de apuração, conforme já reconheceu a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 2011, sendo inaplicáveis quaisquer restrições anteriores a vigência da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10730.904480/200935 Acórdão n.º 180301.266 S1TE03 Fl. 224 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório AUTO LOTAÇÃO INGÁ LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o processo de Declaração de Compensação não homologada sob o fundamento de inexistência do direito creditório por ter sido utilizado para extinção de débito tributário regularmente confessado e declarado em DCTF. O alegado direito creditório referese ao DARF (fl. 37), referente ao PA 31/03/2002, Vcto. 30/04/2002, recolhido no valor de R$ 12.869,15, com o código 2484 (CSLL estimada). Em sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que o recolhimento foi indevido pois conforme DIPJ apresentada em 10/10/2006 (fl. 26) não há CSLL estimada devida em relação ao período de apuração 31/03/2002. A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão nº 1237.620, de 31de maio de 2011 (fls. 96/104), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, apoiada em duas premissas básicas: a) falta de comprovação através da escrituração contábil e fiscal do alegado erro de fato da DCTF, não se prestando para tanto apenas a DIPJ; b) impossibilidade de repetição de indébito de CSLL estimada antes do encerramento do período de apuração. Ciente da decisão em 01/09/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 111), apresentou o recurso voluntário em 30/09/2011 fls. 112/117, onde refuta os argumentos da DRJ, com a juntada de elementos da escrituração contábil e fiscal e possibilidade de utilizar o recolhimento indevido da CSLL estimada antes do encerramento do período de apuração. É o relatório. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10730.904480/200935 Acórdão n.º 180301.266 S1TE03 Fl. 225 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de declaração de compensação, com direito creditório relativo ao recolhimento indevido de CSLL estimada relativa ao período de 31/03/2002, recolhida em 30/04/2002, cujo despacho decisório eletrônico acusou a inexistência do direito creditório. Conforme exposto no relatório, a decisão de primeira instância rejeitou a manifestação de inconformidade baseada em duas premissas: 1) de que não teria havido a comprovação inequívoca de erro no preenchimento da DCTF através da apresentação da escrituração contábil e fiscal, não sendo possível outrossim, sua retificação após o despacho decisório que indeferiu a compensação; 2) de que a Instrução Normativa SRF nº 460/2004, veda a utilização de IRPJ e CSLL estimada antes do encerramento do período de apuração somente permitindo sua utilização mediante inclusão no saldo negativo do período. A recorrente por seu turno, afirma estar comprovando através do LALUR e balancete contábil, a inexistência de CSLL a recolher relativo ao período de 31/03/2002 por ter apurado base de cálculo negativa, bem como insiste na possibilidade de utilizar o direito creditório da CSLL estimada recolhida indevidamente, mesmo sem sua inclusão na base de cálculo negativa do período. A decisão de primeira instância merece reforma. Com efeito, resta evidente que a recorrente incorreu em erro de fato no preenchimento da DCTF relativa ao 1º trimestre de 2002 pois conforme DIPJ (fls. 25/26), somente apurou estimativa devida em relação a Janeiro 2002, sendo que em relação aos períodos de apuração de Fevereiro e Março 2002, apurou base de cálculo negativa nos balancetes de suspensão/redução. Da mesma forma, comprova a correção dos dados da DIPJ através de escrituração fiscal (fl. 150) e contábil (fls. 151/156), em contraponto às alegações da decisão de primeira instância. Assim, comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF do período, plenamente possível a retificação desta mesmo após o despacho decisório que indeferiu a compensação. No tocante ao mérito igualmente assiste razão à interessada. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10730.904480/200935 Acórdão n.º 180301.266 S1TE03 Fl. 226 4 Com efeito, desde o momento em que a Instrução Normativa SRF nº 900/2008, deixou de prever qualquer restrição no tocante a possibilidade de compensação ou restituição de IRPJ e CSLL estimados recolhidos indevidamente, passouse a admitir este entendimento de forma retroativa no âmbito da Administração Tributária e também dos colegiados julgadores administrativos. Se restavam dúvidas quanto a lisura deste procedimento estas foram espancadas com a Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Destarte, conforme a própria Administração Tributária reconheceu com a edição do ato acima transcrito, comprovado o recolhimento a maior ou indevido de estimativa é possível a sua restituição ou compensação, independentemente de integrar ou não o saldo negativo do período de apuração. No caso, comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF e sendo possível o reconhecimento de indébito no recolhimento de CSLL estimada, recolhida indevidamente, deve ser acolhido o pleito da recorrente. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10730.904480/200935 Acórdão n.º 180301.266 S1TE03 Fl. 227 5 Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório original de R$ 12.869,15, homologandose em conseqüência as compensações realizadas, até o limite do crédito apurado. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 227DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13971.911864/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.536
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrente PROAÇO INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Amauri Amora Câmara Júnior e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que as aquisições de insumos de empresas optantes do SIMPLES não geram direito ao crédito básico de IPI. A contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de crédito básico do IPI, relativo ao 3º trimestre de 2006. A Delegacia da Receita Federal em Blumenau proferiu Despacho Decisório, indeferindo parcialmente o pleito do contribuinte e homologou as compensações pleiteadas, no limite do crédito reconhecido. Apresentou como fundamento legal para as glosas efetuadas os seguintes dispositivos legais: art. 11 da Lei n° 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Inconformada com o despacho decisório, a ora Recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese, que: (i) o direito à compensação é exercido na entrega da DCTF que informa os débitos compensados com créditos líquidos e certos, nos termos da legislação, não cabendo, por esta razão a cobrança de multa de mora; (ii).o despacho decisório é nulo por desrespeito aos princípios da estrita legalidade e da ampla defesa, tendo em vista que ele não observou formalidades essenciais para a produção de efeitos; (iii) não há qualquer dispositivo legal que vede a utilização de créditos de IPI decorrentes da aquisição de empresas optantes pelo SIMPLES. Isso porque a Lei nº 9317/96 que trazia esta disposição foi revogada pela Lei Complementar nº 123/06; (iv) com a revogação da Lei 9.317/96 o art. 166 do RIPI/2002 perdeu sua eficácia, cuja redação somente foi alterada através do art. 228 do novo RIPI em 15/06/2010. Portanto, durante o período de 01/07/2007 a 14/06/2010 não havia legislação vigente vedando a utilização do crédito presumido previsto no art. 165, nas aquisições de micros e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional; (v) além disso, qualquer vedação a apropriação ou transferência de créditos relativos ao IPI fere flagrantemente o princípio da não cumulatividade bem como o art. 170, caput e inciso IX e 179 da Constituição Federal, além do CTN, que tem status de norma geral. A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SORRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13971.911864/200960 Acórdão n.º 3301001.536 S3C3T1 Fl. 93 3 Na compensação de créditos com débitos de espécies diferentes já vencidos é cabível a imputação de multa de mora e juros de mora sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos. IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na sua manifestação de inconformidade e acrescentado o seguinte: O acórdão traz como fundamentação legal o art. 23 da Lei Complementar n° 123/2006, com a alegação de que tal artigo limita o alcance do aproveitamento do crédito presumido disposto no art. 165 do RIPI/2002. Tal fundamento não pode prosseguir haja visto que, o sistema "Simples Nacional" veio integrar a legislação tributária, a partir de Julho de 2007, com o intuito de simplificar, como diz o próprio nome, e unificar a arrecadação de vários impostos e contribuições que outrora vinham sendo recolhidos individualmente pelas microempresas e empresas de pequeno porte, implicando em pagamento mensal unificado de imposto e contribuições federais. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa sobre a aplicação da multa e dos juros de mora sobre os débitos já vencidos no momento da transmissão da DCOMP e sobre a possibilidade de se creditar dos valores relativos à aquisição de insumos de empresas optantes do SIMPLES. Pois bem. Restou incontroverso nos autos que o débito que o contribuinte pretende compensar fora confessado por meio de DCTF, já se encontrando vencido no momento da transmissão da DCOMP. Sendo assim, completamente cabível a aplicação de multa e juros de mora. Afinal, com o vencimento do débito sem que haja sua extinção por qualquer modalidade, devem incidir os acréscimos moratórios. Assim, diferentemente do que Fl. 311DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 alega a Recorrente, mesmo que tivesse optado pelo pagamento em dinheiro, os consectários legais seriam cabíveis em face da sua quitação fora do prazo legal, nos termos do art. 61da Lei nº 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por outro lado, não procede a alegação de que a multa de mora deveria ser afastada em face da denúncia espontânea do débito tributário. O art. 138 do Código Tributário Nacional é bastante claro ao prescrever que a regra de exclusão da responsabilidade por infrações somente se aplica quando a confissão é acompanhada do pagamento do tributo, o que não se verificou no caso concreto, haja vista que o pedido de compensação somente fora apresentado em momento posterior, quando já vencido o débito. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, não há dúvida que não assiste razão à Recorrente neste ponto. No que se refere ao direito ao crédito de IPI decorrente da compra de insumos de pessoas jurídicas optantes do SIMPLES, vale esclarecer que a matéria foi inicialmente regulada pela Lei nº 9.317/96, que assim dispunha em seu art. 5º: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Esta disposição foi regulamentada pelo Decreto nº 4.544/2002 (RIPI), que determinava igualmente a vedação aos créditos decorrentes de compras de insumos de pessoas jurídicas optantes do SIMPLES, em seu artigo 118: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13971.911864/200960 Acórdão n.º 3301001.536 S3C3T1 Fl. 94 5 Art. 118. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao imposto Em 14 de dezembro de 2006, a Lei nº 9.317/96 foi revogada pela Lei Complementar nº 123. Todavia, diferentemente do que alega a Recorrente, este diploma legal manteve a vedação ao crédito nas compras de insumos de empresas optantes do SIMPLES: Art. 23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. Referido enunciado normativo passou a ser regulamentado pelo Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), nos seguintes temos: Art. 178. Às microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo SIMPLES Nacional, é vedada: I a apropriação e a transferência de créditos relativos ao imposto; e II a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal Diante dessas disposições expressas, a conclusão é única: não é permitido a este colegiado, no exercício do controle de legalidade, reconhecer como possível o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Por outro lado, deixo de apreciar a alegação de que os dispositivos normativos acima citados seriam inconstitucionais, por violação ao princípio da não cumulatividade e aos arts. 170, caput, e inciso IX, e 179 da Constituição Federal, por se tratar de matéria que escapa à competência deste tribunal administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 313DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 16327.900045/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
TRIBUTO PAGO SOBRE LUCROS AUFERIDOS NO POR SUBSIDIÁRIA EXTERIOR EFETIVAMENTE TRIBUTADOS NO BRASIL. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. o IR-Fonte pago no Brasil por subsidiárias domiciliadas no exterior, é passível de compensação ou aproveitamento na apuração do IRPJ da Controladora Brasileira, quando essa faz prova da efetiva adição dos lucros das subsidiárias na apuração devido no País.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 17.839.382,24; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. o IRFonte pago no Brasil por subsidiárias domiciliadas no exterior, é passível de compensação ou aproveitamento na apuração do IRPJ da Controladora Brasileira, quando essa faz prova da efetiva adição dos lucros das subsidiárias na apuração devido no País. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 17.839.382,24; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 00 45 /2 01 1- 02 Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório BANCO FIBRA SA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que indeferiu seu pleito. Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): O presente processo trata da compensação de diversos débitos com crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005. O crédito em questão foi declarado no PER/DCOMP nº 20681.54327.310709.1.7.029028 (fls. 192 a 197) e foi utilizado nas compensações declaradas nas DCOMP discriminadas a seguir: (...) Por meio do Despacho Decisório nº 912667697 (fls. 25), a autoridade a quo reconheceu o montante de R$116.770,51 como saldo negativo disponível para compensação, valor inferior ao declarado pela contribuinte de R$17.956.674,38. Verificase que a diferença se deve ao IR pago no exterior no valor de R$17.839.382,24 e ao IRRF no valor de R$521,63 não confirmados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Assim, foi homologada a compensação até o limite do crédito reconhecido, resultando em saldo devedor consolidado para pagamento até 28/02/2011 no seguinte montante: Principal (R$) Multa (R$) Juros (R$) 18.988.381,04 3.797.675,73 9.317.650,34 Cientificada do despacho decisório em 18/02/2011 (fls. 48), a contribuinte apresentou, em 21/03/2011, a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 15, acompanhada dos documentos de fls. 16 a 37. A requerente alega que o não reconhecimento do crédito decorreu de mero erro no preenchimento da DIPJ. Argumenta que, por um lapso ocorrido na elaboração da ficha 12B da DIPJ 2006, declarou o IR Fonte Exterior de R$17.839.382,24 juntamente com as retenções sofridas no anocalendário de 2005, de R$117.292,14, na linha 08 (Imposto de Renda Retido na Fonte), quando, na verdade, o IRRF Exterior deveria ter sido informado na linha 07 (Imposto Pago no Exterior s/ Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital) dessa mesma ficha. A requerente alega que apresentou à Deinf/SPO/Diort, em atendimento à Intimação Deinf/SPO/Diort nº 544/2010, a documentação comprobatória das operações realizadas com o exterior, bem como dos respectivos recolhimentos do IRRF. Esclarece que o IRRF Exterior foi retido por ocasião das remessas a título de juros e rendimentos em operações de swap com destino às suas filiais localizadas nas Ilhas Cayman e Ilhas Bahamas (Nassau). Alega que o saldo negativo do IRPJ está devidamente comprovado por documentação idônea, sendo o mesmo passível de ser utilizado em compensação. Argumenta que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade administrativa conhecer de todas as provas e documentos pertinentes à matéria objeto do questionamento. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 4 3 A requerente sustenta que houve mero erro formal no preenchimento da DIPJ, devendo ser reformada a decisão que não homologou as compensações declaradas, visto que foi comprovada a existência do crédito. Ante o exposto, requer seja dado provimento à manifestação de inconformidade, reconhecendose o crédito pleiteado e homologandose as compensações declaradas. Requer também seja autorizada e processada a retificação da DIPJ e do PER/DCOMP a fim de que sejam sanados os erros formais cometidos. Por fim, protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários. Em 03/05/2011, a manifestação de inconformidade apresentada pela requerente foi julgada improcedente por esta 10ª Turma da DRJ/SP1, que proferiu o acórdão nº 16 31.232 (fls. 222 a 226). Entretanto, em 06/05/2011, antes que a requerente tivesse ciência do referido acórdão, verificouse que não haviam sido juntados ao presente processo os documentos por ela apresentados em 04/04/2011, não tendo sido tais documentos considerados no julgamento. Tratase da petição de fls. 228 a 230, na qual a requerente solicita a juntada dos documentos de fls. 231 a 1.205. Alega que se trata dos mesmos documentos apresentados em resposta à Intimação Deinf/SPO/Diort nº 544/2010, os quais não foram juntados à manifestação de inconformidade, pois já haviam sido apresentados anteriormente à Receita Federal. Todavia, alega a requerente que a Deinf/SPO/Diort lhe devolveu os referidos documentos, em razão de a análise do DCOMP ter se realizado de forma automática pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações, conforme se verifica no Termo de Devolução de Documentos de fls. 249. Assim, requer a juntada dos documentos, a fim de subsidiar sua defesa no presente processo. A decisão recorrida está assim ementada: SALDO NEGATIVO. IRRF INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS PAGOS A FILIAL SITUADA NO EXTERIOR. O imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados à filial de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 24 da Lei no 9.430, de 1996, só pode ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, quando os resultados da filial que contenham os referidos rendimentos forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil, e ainda até o limite do imposto de renda incidente no Brasil sobre tais rendimentos. REVISÃO DE ACÓRDÃO. LAPSO MANIFESTO. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. NOVO ACÓRDÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. A fim de efetuar a correção, deve ser proferido novo acórdão, anulandose o anterior. PRODUÇÃO DE PROVAS. PROTESTO GENÉRICO. Há que ser indeferido o protesto genérico pela produção de provas posteriormente à entrega da manifestação de inconformidade, face ao não atendimento das condições previstas no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 5 4 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguinte termos: É o relatório. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório em face de saldo negativo de recolhimentos do IRPJ (SNR), do anocalendário de 2005. Tal SNRIRPJ tem origem na compensação de imposto de renda efetivamente pago no Brasil sobre rendimentos auferidos por subsidiaria da contribuinte no exterior. O indeferimento do pleito em 1a. instancia ocorreu sob os seguintes fundamentos de mérito (verbis): “(...) A requerente alega que o não reconhecimento do crédito decorreu de mero erro no preenchimento da DIPJ. Argumenta que, por um lapso ocorrido na elaboração da ficha 12B da DIPJ 2006, declarou o IR Fonte Exterior de R$17.839.382,24 juntamente com as retenções sofridas no anocalendário de 2005, de R$117.292,14, na linha 08 (Imposto de Renda Retido na Fonte), quando, na verdade, o IR Fonte Exterior deveria ter sido informado na linha 07 (Imposto Pago no Exterior s/ Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital) dessa mesma ficha, conforme instruções de preenchimento da DIPJ. Argumenta que o indeferimento do crédito se deu por meio de cruzamento eletrônico de informações constantes nos sistemas informatizados da RFB, que apontou a inexistência de crédito decorrente de IR Fonte Exterior em razão de a requerente terse equivocado no preenchimento da DIPJ. Alega que as retenções do imposto ocorreram por ocasião de remessas a título de juros e rendimentos em operações de swap com destino às suas filiais localizadas nas Ilhas Cayman e Ilhas Bahamas (Nassau). A compensação pretendida pela requerente encontrase prevista no art. 9º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, abaixo reproduzido: MP nº 2.15835/2001: “Art. 9º O imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 24 da Lei no 9.430, de 1996, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 7 6 Parágrafo único. Aplicase à compensação do imposto a que se refere este artigo o disposto no art. 26 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995.” (destacamos) Lei nº 9.249/95: “Art. 26º A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais.” (destacamos) A partir da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, concluise que o IRRF sobre os rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, controlada ou coligada situada em país com tributação favorecida pode ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada domiciliada no Brasil, desde que atendidas duas condições, a saber: i) os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada que contenham os referidos rendimentos devem ser computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil, ii) a compensação fica limitada ao imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos rendimentos. No presente caso, a requerente não alegou e nem demonstrou que os resultados das filiais localizadas nas Ilhas Cayman e nas Ilhas Bahamas, contendo os juros e rendimentos auferidos nas operações de swap, foram adicionados ao seu lucro real. Além disso, no anobase de 2005, a requerente apurou prejuízo fiscal. Dessa forma, não havendo base tributável sujeita ao IRPJ, não há que se falar em imposto incidente no País sobre os rendimentos auferidos pelas filiais situadas no exterior, não sendo admissível a utilização do IRRF em questão na composição de saldo negativo. Portanto, deve ser mantida a decisão da autoridade a quo, manifestada no Despacho Decisório nº 912667697. (...)” Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 8 7 No recurso voluntário, a contribuinte, após tecer longo arrazoado acerca do direito a compensação do tributo, apresenta provas da efetiva tributação dos resultados auferidos pelas subsidiárias em comento. Vejamos: “(...) 2.2 Da Decisão Recorrida Pois bem. Uma vez tratado genericamente acerca do crédito do Recorrente de IRRF sobre remessa de montantes às filiais das Ilhas Cayman e das Ilhas Bahamas (Nassau), bem como analisada a finalidade da norma contida no artigo 9o da MP n° 2.15835/01, tornase possível cuidar da improcedência da decisão recorrida. 2.2.1 –Da Adição dos Resultados das Filiais do Recorrente ao Lucro Real Conforme já adiantado, os i. Julgadores da 10a Turma da DRJ/SP1 deixaram de reconhecer o crédito do Recorrente referente a IRRF sobre remessa de valores às filiais das Ilhas Cayman e das Ilhas Bahamas (Nassau), sob o argumento de que não houve alegação, tampouco demonstração, de que os resultados dessas filiais foram adicionados ao lucro real do período, de forma a comprovar o atendimento ao requisito do já mencionado artigo 9o da MP n° 2.15835/01: “No presente caso, a requerente não alegou e nem demonstrou que os resultados das filiais localizadas nas Ilhas Cayman e nas Ilhas Bahamas, contendo os juros e rendimentos auferidos nas operações de swap, foram adicionados ao seu lucro real.” Ocorre que, considerando que a não homologação do crédito (e indeferimento das compensações) pela d. autoridade fiscal havia se dado exclusivamente em razão de cruzamento eletrônico das informações contidas na DCOMP n° 20681.54327.310709.1.7.029028 e na DIPJ referente ao exercício de 2006, o Recorrente entendeu por bem limitar sua defesa quanto ao erro formal cometido. Isso porque, uma vez esclarecido o mero equívoco no preenchimento das declarações, estaria evidente o direito ao crédito de IRRF de que trata o artigo 9o da MP n° 2.15835/01, eis que a informação do cômputo dos resultados das filiais ao lucro real do período consta da própria DIPJ entregue, de livre acesso às autoridades fiscais e julgadoras. (...) Mas, para que não reste qualquer dúvida acerca da legitimidade do direito do Recorrente ao crédito de IRRF, por terem sido adicionados ao lucro real os resultados das filiais domiciliadas em países enquadrados no artigo 24 da Lei n° 9.430/96 nat. .se a fazer prova de tanto, com base na DIPJ 2006, que é acostada ao presente apenas para facilitar o julgamento (Doc. 02). Pois bem, nas Fichas 09B Demonstração do Lucro Real PJ Componente do Sistema Financeiro e 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ 2006, consta a indicação de adição ao lucro líquido do período, para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, do montante de R$ 99.730.566,29, relativo a Lucros Disponibilizados no Exterior (linhas 04 e 05, respectivamente). Lembrese que, segundo o Manual de Preenchimento da DIPJ 2006, as linhas 04 da Ficha 09B e 05 da Ficha 17 serviam justamente à indicação dos lucros de filiais localizadas no exterior adicionados ao lucro real e á base de cálculo da CSLL: Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 9 8 Ficha 09B Demonstração do Lucro Real Esta ficha deve ser preenchida pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Linha 09B/04 Lucros Disponibilizados no Exterior Indicar nesta linha, os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, que tiverem sido , disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil no curso do anocalendário (Lei n9.532, de 1997, art. 1&, § 1S; Lei n& 9.959, ' , de 27 de janeiro de 2000, art. 3S ; MP n1.99115. de 2000. art. 35 e reedições: MP n^ 2.15834, de 2001, art. 74). Em caso de apuração trimestral do imposto, tais lucros devem ser informados na coluna relativa ao 4^ trimestre. Outras informações no subitem 15.4. Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (LR) Esta ficha deve ser preenchida pelas pessoas jurídicas submetidas à apuração da CSLL com base no resultado do período ajustado, trimestral ou anualmente (ajuste), para demonstração do cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). As empresas que exploram atividades rurais e outras atividades em geral que desejarem usufruir os benefícios previstos na legislação para a atividade rural devem preencher ambas as colunas nos trimestres correspondentes. Informações detalhadas sobre segregação do resultado da atividade ' rural do resultados das demais atividades estão contidas no subitem 15.1.8. • ' Linha 17/05 Lucros Disponibilizados no Exterior Valores informados na Linha 09A/05, Linha 09B/04 ou Linha 9C/04. Destacase, por oportuno, que a quantia de R$ 99.730.566,29 refere se, precisamente, aos resultados das filiais das Ilhas Cayman e das Ilhas Bahamas (Nassau), como inclusive se verifica das Fichas 34 Participações.no Exterior e 35 Participações no Exterior Resultado do Período de Apuração, páginas 21 e 22: Nessa esteira, depreendese ser indiscutível que os resultados das filiais localizadas nas Ilhas Cayman e nas Ilhas Bahamas (Nassau), contendo os juros e rendimentos auferidos nas operações de swap, objeto de IRRF no Brasil, quando das remessas dos valores, foram adicionados tanto ao lucro real quanto à base de cálculo da CSLL do Recorrente. Tal fato que, até então, em momento algum fora objeto de questionamento, justificando a inexistência de alegação do Recorrente a esse respeito, reiterese, poderia (e até mesmo deveria), nos termos do citado artigo 29 da Lei n° 9.784/99 ser Filial Resultado Banco Fibra S/A Cayman R$ 10.203.703,81 Banco Fibra S/A Nassau R$ 89.526.862,48 Total R$ 99.730.566,29 Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 10 9 identificado de ofício pelas d. autoridades fiscais, vez que de fácil constatação na DIPJ 2006. , Assim, não prospera o entendimento dos i. Julgadores da 10a Turma da DRJ/SP1 no sentido de manter o não reconhecimento do crédito e a não homologr nãc dó compensações, em razão de suposta inexistência de prova quant av pão dos resultados das filiais do "Recorrente das Ilhas Cayman e das llhas Bahamas (Nassau) ao lucro real do período. 2.3 Da Tributação dos Resultados das Filiais no Brasil Outro argumento erroneamente levantado pelas d. autoridades julgadoras da 10a Turma da DRJ/SP1, para negar o crédito de IRRF do Recorrente e, consequentemente, manter a não homologação das compensações, diz respeito à apuração de prejuízo fiscal no período: Além disso, no anobase de 2005, a requerente apurou prejuízo fiscal. Dessa forma, não havendo base tributável sujeita ao IRPJ, não há que se falar em imposto incidente no País sobre os rendimentos auferidos pelas filiais situados no exterior, não sendo admissível a utilização do IRRF em questão na composição do saldo negativo, (grifos nossos) Não obstante, ao fazêlo, data venia, a 10a Turma da DRJ/SP1 deixa de observar a finalidade do limite do artigo 26 da Lei n° 9.249/95, cuja observância é determinada pelo artigo 9o, parágrafo único, da MP n° 2.15835/01, bem como confunde a incidência do imposto com seu efetivo recolhimento. Consoante já esclarecido alhures, no momento em que estabelece que o crédito pelo imposto pago no exterior limitase ao quantum incidente no país, o legislador tão somente nega eventual crédito pela quantia tributada no exterior que exceder a quantia tributada no país. (...) Depreendese que o limite do artigo 26 da Lei n° 9.249/95, como inclusive visto alhures, diz respeito a evitar que o crédito concedido pelo imposto pago no exterior, quando o mesmo rendimento/resultado é computado ao lucro real da empresa brasileira, ultrapasse o montante do IRPJ INCIDENTE sobre a quantia oferecida à tributação no país. Contudo, por momento algum, vinculase o crédito apurado ao pagamento do imposto. Nesse ponto, é imprescindível destacar que a norma em comento fala em "imposto de renda incidente, no Brasil", e não em "imposto de renda recolhido, pago, no Brasil". Aliás, tanto é assim que a já citada IN SRF n° 213/02, por meio de seu artigo 14, §15°, regulando a ordinária situação do artigo 26 da Lei 9.430/1996, que trata de países que tributam a renda, assegura que, em situações em que a empresa brasileira apure prejuízo fiscal, isto é, em que não há pagamento do tributo no Brasil, o imposto pago no exterior pode ser utilizado em períodos de apuração sul sequentes: Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. (...) Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 11 10 § 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subseqüentes, (grifos nossos) ' Assim, resta evidente que o limite do artigo 26 da Lei n° 9.249/95 não se refere ao imposto pago no Brasil sobre resultados do exterior, mas, sim, ao imposto incidente no país sobre resultados de filiais, controladas ou coligadas computados no país. Desse modo, tendo em vista que o artigo 9o, parágrafo único, da MP n° 2.15835/01 determina a observância do artigo 26 da Lei n° 9.249/95, estabelecendo, por conseqüência, ser o limite do crédito de IRRF o imposto incidente no Brasil, o mesmo racional aplicase, mas não podendo se perder de vista, no caso, o fato de que o tributo que se pretende compensar foi pago no Brasil. Portanto, independentemente de ter ou não a empresa, no caso o Recorrente, apurado lucro real positivo no período, é assegurado o direito ao crédito do IRRF incidente sobre a remessa de valores a filiais localizadas em países com tributação favorecida até o limite do imposto incidente, e não até o limite do imposto pago no país. Dessa forma, o que importa para constatação do limite do crédito de I \RF de que trata o artigo 9o da MP n° 2.1583501, para além do já comprovado cômputo dos resultados do exterior ao lucro real, é o quantum que seria devido no Brasil a título de IRPJ sobre os resultados das filiais do Recorrente das Ilhas Cayman e das Ilhas Bahamas (Nassau), não tivesse o Recorrente incorrido em exclusões outras que implicaram em prejuízo fiscal. Em síntese, devem ser considerados para constatação do limite do artigo 9o da MP n° 2.15835/01 c/c o artigo 26 da Lei n° 9.249/95 o oferecimento dos resultados das filiais das Ilhas Cayman e das Ilhas Bahamas (Nassau) à tributação 1 pelo IRPJ e a quantia do IRPJ INCIDENTE (E NÃO PAGO) sobre' referidos resultados. Na hipótese, como ocorrido com o Recorrente, de a pessoa jurídica brasileira ter apurado prejuízo fiscal no período de apuração correspondente, em decorrência de razões outras que não se confundem com o oferecimento ou não dos resultados do exterior à tributação (já visto que foi adicionado ao lucro real a título de lucro das Ilhas Cayman e das Ilhas Bahamas R$ 99.730.566,29), o crédito do artigo 9° da MP n° 2.15835/01 acaba por compor saldo negativo do período. Não é demais mencionar que o prejuízo fiscal apurado pelo Recorrente no período decorreu de exclusões de valores do lucro líquido, na apuração do lucro real, realizadas em perfeita consonância com a legislação, e.g. exclusão de resultados de equivalência patrimonial. Não obstante, em que pese o prejuízo fiscal do período, restou comprovado que os resultados do exterior foram computados ao lucro real/oferecidos a tributação e que o valor do imposto incidente sobre tais resultados i. e. 24.908.641,57 (IRPJ à alíquota de 15% e adicional de 10% sobre 99.730.566,29), ultrapassa o crédito de IRRF reconhecido pelo Recorrente, i.e. R$ 17.839.382,24, donde se depreende ter sido observado o limite do artigo ; 26 da Lei n° 9.249/95. Quanto ao fato de o crédito de IRRF do artigo 9o da MP n° 2.15835/01 ter, juntamente com as demais retenções sofridas pelo Recorrente no anocalendário Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 12 11 2005, composto o saldo negativo do imposto, é oportuno esclarecer que está em perfeita consonância com a já mencionada configuração do IRRF sobre remessa de rendimentos a filial, sucursal, controlada ou coligada domiciliada em país com tributação favorecida como antecipação do IRPJ devido ao final do período de apuração. Com efeito, as retenções do imposto sobre remessas a filiais, sucursais, coligadas ou controladas domiciliadas em "países com tributação favorecida" que não são tributadas e compensadas no exterior, uma vez sendo consideradas no lucro real da empresa remetente, como resultado daquelas, consistem em retenções de caráter não exclusivo e, consequentemente, em antecipações do tributo devido ao final do período de apuração. Insistase: em sendo os rendimentos do exterior integralmente adicionados na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL é evidente que, quaisquer retenções sofridas antecipadamente na fonte sobre os mesmos rendimentos recebem, na sistemática de apuração do lucro real, o tratamento de antecipação, cujo "crédito" servirá para abater eventual imposto apurado no ajuste anual. E, se o montante antecipado ao longo do período já tiver ultrapassado o imposto que seria devido com o cômputo desses rendimentos no ajuste anual, a diferença formará o saldo negativo de IRPJ para ser compensada pelo Recorrente com demais tributos federais! Nessa esteira, resta patente a improcedência do argumento dos i. julgadores da 10a Turma da DRJ/SP1 de que o Recorrente não faria jus ao crédito em razão da apuração de prejuízo fiscal no período, vez que todas as condições para o direito ao crédito do artigo 9o da MP n° 2.15835/01, inclusive a observância do limite do artigo 26 da Lei n° 9.249/95, foram observadas. (...)” (os destaques são do original). Inobstante a extensão e veemência do recurso voluntário, o litígio é de simples compreensão e, a meu, ver tratase de (i) matéria de prova e de (ii) interpretação. No que tange as questões de prova verifico que estão absolutamente comprovados nos autos, quais sejam: 1) O efetivo recolhimento do IRFonte sobre os pagamentos de juros (código 0481) e ganhos e operações de swap (código 5273), auferidos pelas subsidiárias no exterior. Aliás, tais valores foram recolhidos pela própria contribuinte, bem como contabilizados conforme documentos de fls. 228 a 1205, sendo que os recolhimentos totalizaram R$17.839.382,24. Tais documentos já haviam sido entregues em 22/11/2010, em atendimento à Intimação Deinf/SPO/Diort nº 544/2010. 2) Os lucro auferidos com as subsidiárias no exterior, no montante de R$ 99.730.566,29 (anocalendário de 2005) foram tributados pela contribuinte, conforme cópia da DIPJ às fls. 1394. Quanto a esse valor observo que não se tratam de receitas e sim “Resultados Líquidos”, ou seja, o IR pago no total de R$17.839.382,24 que é inferior aos 25% do tributo incidente no Brasil sobre tais valores. Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 13 12 Portanto é incorreto e estranhável o fundamento da decisão recorrida no sentido de que a contribuinte não alegou e nem provou que os resultados com as subsidiárias no exterior foram adicionados ao Lucro Real. Ora, a cópia dos elementos da contabilidade estava nos autos e a DIPJ poderia ter sido acessada pelas próprias autoridades julgadoras. Quanto a interpretação de que o tributo pago no exterior não poderia ser aproveitado em razão de a contribuinte ter apurado prejuízo fiscal, também se equivoca a decisão recorrida. Isso porque não há qualquer disposição legal nesse sentido, haja vista que o resultado positivo obtido no exterior compôs a apuração do lucro real da empresa. Aliás, o tributo não poderia ser aproveitado apenas se a contribuinte não obtivesse lucro no exterior, tanto é assim que a citada IN SRF n° 213/02, por meio de seu artigo 14, §15°, regulando a ordinária situação do artigo 26 da Lei 9.430/1996, que trata de países que tributam a renda, assegura que, em situações em que a empresa brasileira apure prejuízo fiscal, isto é, em que não há pagamento do tributo no Brasil, o imposto pago no exterior pode ser utilizado em períodos de apuração subsequentes: Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. (...) § 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subseqüentes. (Grifei)' Em verdade o que se verificou in casu foi uma completa absorção dos resultados positivos auferidos no exterior pela prejuízo das operações no Brasil. Tal fato não pode impedir a compensação/aproveitamento do imposto pago sobre os ganhos no exterior, retido e recolhido no Brasil, até porque implicou em redução do montante do prejuízo fiscal que poderia ser objeto de compensação futura. Aliás, a própria DIPJ/2006 (anocalendário 2005) na sua ficha 12b (cópia à fl. 1399) indica que o imposto pago no exterior sobre os lucros efetivamente tributados no Brasil, linha 07, podem compor eventual Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado, relativo a parcela do Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ do anocalendário de 2005, no valor original de R$ 17.839.382,24, homologandose as compensações realizadas pelo contribuinte até esse limite. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira ] Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 14 13 Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10183.721730/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2005
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do
Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação
do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16
da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da
base de cálculo do ITR.
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.564
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada e uma área de reserva legal de
4.913,5ha. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (relator) e Marcio de Lacerda Martins. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada e uma área de reserva legal de 4.913,5ha. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (relator) e Marcio de Lacerda Martins. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente E Redatordesignado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/06), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.077.666,48, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Três Irmãos do Rio Suia Missu”, localizado no município de São Felix do Araguaia MT. A fiscalização glosou as áreas declaradas como sendo de preservação permanente e reserva legal de 252,7 ha e 6.676,6 ha, respectivamente, além de alterar o VTN de R$ 178.972,84 para R$ 2.389.864,26, com base no Sistema de Preço de Terras (SIPT). Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Em Das Preliminares tratou, longamente, a respeito da exigência do ADA. Disse que não tem sido aceito como única forma de o contribuinte desfrutar da isenção prevista em lei. Mencionou decisões de tribunais que, embasadas no § 7º, do artigo 10, da Lei nº 9.393/1996, afirmam que a apresentação do referido ato não seria requisito para configuração de APP e ARL e, conseqüentemente, exclusão do ITR e, na seqüencia, reproduziu jurisprudência que trata do assunto. Prosseguiu tratando da ARL, da dimensão já averbada, da demora da certificação do georreferenciamento e da Licença Ambiental Única – LAU pelo INCRA, indispensável para averbação de 80,0% da ARL. Tratou de diligências a serem efetuadas no imóvel, de envio de ofício para a Secretaria do Meio Ambiente – SEMA/MT para verificação da efetiva entrega da LAU, do envio de ofício ao INCRA, bem como listou os quesitos a serem respondidos na perícia e nomeou perito. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 220101.564 S2C2T1 Fl. 2 3 Em Dos Pedidos, apurada as áreas de isenção após as diligência e perícia, requereu: Seja acolhida a impugnação com o fim de declarar o cancelamento do lançamento dos impostos apurados pela falta de apresentação do ADA. Seja julgada procedente a declaração de APP e ARL. Seja julgada improcedente a exclusão dessas áreas quando da apuração do imposto. Sejam acolhidas as razões expostas na impugnação considerando as áreas declaradas como de utilização limitada, excluindoas dos valores de referência do VTN tributável. Seja cancelado o imposto suplementar lançado, bem como as multas de ofício e juro incidente sobre as mesmas. Pretende provar o alegado por todos os meios de prova permitidos na legislação, especificamente a realização da perícia no local, bem como a juntada de documentos que se fizerem necessários para melhor convencimento do julgador. Instruiu a impugnação com a documentação de fls. 55 a 68, composta por: procuração, cópias dos documentos de identificação do contribuinte e do procurador, da NL, da matrícula do imóvel, entre outros. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Matéria não impugnada Valor da Terra Nua VTN Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 21/07/2011 (fl. 91), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 17/08/2011 (fls. 92 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, nulidade integral do lançamento tendo em vista o indeferimento do pedido de diligência/perícia. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal glosou a área de preservação permanente (252,7 ha) e a área de utilização limitada (6.676,6 ha), além de alterar o VTN declarado de R$ 178.972,84 para R$ 2.389.864,26, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Três Irmãos do Rio Suia Missu”, localizado no município de São Felix do Araguaia MT. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a autoridade fiscal glosou as áreas informadas a título de preservação permanente e reserva legal por falta de apresentação do ADA. Além do mais, a área de reserva legal averbada na matrícula do imóvel no Cartório de São Felix do Araguaia/MT consta 4.913,5 ha, todavia, a área informada na DITR/2005 foi de 6.676,6 ha. Finalmente, em função da ausência do laudo de avaliação a fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 178.972,84 (R$ 18,76/ha) para R$ 2.389.864,26 (R$ 250,56/ha), com base no SIPT (fl. 07). Em sua peça recursal alega o recorrente, em preliminar, nulidade do auto de infração, pois, segundo seu ponto de vista, o indeferimento do seu pedido de diligência/perícia causou graves ofensas aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Quanto ao mérito argumenta o suplicante que de posse das informações fornecidas pelo INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais poderia facilmente ser constatada que a propriedade possui florestas nativas intactas. Preliminar – Indeferimento do Pedido de Diligência/Perícia Inicialmente, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). Em verdade, os procedimentos de perícia não podem ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho do Fisco ao lançar o crédito ou da Impugnação apresentada pelo interessado. Tais instrumentos Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 220101.564 S2C2T1 Fl. 3 5 se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas ao julgador no exame do litígio. No presente caso houve a devida apreciação pela turma julgadora do pedido de perícia e foi bem explicitada a razão pela qual foi indeferida. Transcrevese o art. 29 do Decreto 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formar livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessária. No caso dos autos, bastava a apresentação de laudo técnico, elaborado de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, conforme devidamente solicitado pela autoridade lançadora, para que a autoridade julgadora de primeira instância pudesse confirmar as informações prestadas pelo recorrente em sua DITR/2005. Assim, pelo exposto, não merece ser acolhida a suscitada preliminar. Área de Preservação Permanente De início, deve ser registrado que sempre me posicionei no sentido de que antes do exercício de 2000, não havia previsão legal para a apresentação do Ato de Declaração Ambiental – ADA para fins de exclusão da tributação do ITR de áreas declaradas como preservacionistas. Esse entendimento está arrimado ao fato de que a redução da área tributável do ITR, por falta de previsão legal, não estava condicionada a obtenção do ADA, podendo ser fundada em quaisquer outros meios probatórios idôneos. Todavia, a Lei nº 10.165/2000 alterou a Lei n° 6.938/1981 ao incluir letras ao art. 17, verbis: Art. 1o Os arts. 17B, 17C, 17D, 17F, 17G, 17H, 17I e 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) (...) Pelo que se vê, para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal, além de comprovação efetiva da existência dessas áreas, é Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 necessário o reconhecimento específico pelo Ibama ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA. Quanto ao § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, mencionado pela defesa, registrese que sua redação apenas determina que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada: § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (grifei) Portanto, a partir do exercício 2001 a utilização do ADA é um dos requisitos legais para que algumas áreas especificadas na legislação não sejam tributadas pelo ITR, não importando se são as áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou área declarada de Interesse Ecológico) ou as de Preservação Permanente. Em se tratando do exercício de 2005 e considerado o art. 10, § 4º, inciso II, da IN/SRF nº 043/97, com redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 67/97, e, especificamente, o parágrafo 3º do art. 9º da IN/SRF nº 256/2002, o prazo para a protocolização, junto ao IBAMA/órgão conveniado, do requerimento do Ato Declaratório Ambiental ADA expirou em 30 de março de 2006, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/2005, até 30.09.2005, de acordo com a IN/SRF nº 554/2005. No caso dos autos, em que pese conste informação sobre a distribuição do solo (fl. 34), bem como imagem de satélite fornecida pelo INPE (fls. 38/39), como o suplicante não logrou comprovar a entrega tempestiva do ADA, não poderá se beneficiar da isenção do imposto sobre a área de preservação permanente. Área de Reserva Legal De acordo com o artigo 10 da Lei n° 9.393/1996, o sujeito passivo poderá suprimir da base de cálculo da apuração do ITR a área de reserva legal: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 220101.564 S2C2T1 Fl. 4 7 Todavia, para fazer jus à redução deverá o sujeito passivo cumprir determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Assim, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. Neste sentido, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Assim, compulsandose os autos consta averbação tempestiva totalizando 4.913,5 ha, em que pese tenha o contribuinte solicitado em sua DITR/2005 o reconhecimento de 6.676,6 ha. Além do mais, não se encontra nos autos o requerimento do ADA protocolado tempestivamente junto ao Ibama. Destarte, mantémse, pois, as glosas perpetradas pela autoridade fiscal. VTN – Valor da Terra Nua Da análise das peças do presente processo, verificase que a autoridade fiscal considerou que o VTN declarado pela recorrente estava subavaliado, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal em consonância ao art. 14, caput, da Lei 9.393/96: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Com efeito, o VTN declarado para o imóvel na DITR/2005 foi de R$ 178.972,84 (R$ 18,76/ha) e, desta feira, considerando que o valor informado estava muito aquém do preço médio das terras para a região, a autoridade lançadora intimou a contribuinte o comprovar o valor declarado, mediante apresentação de laudo técnico emitido de acordo com as normas da ABNT. Todavia, como o recorrente não apresentou laudo técnico de avaliação a autoridade fiscal alterou o Valor da Terra Nua para R$ 2.389.864,26 (R$ 250,56/ha), com base no VTN por aptidão agrícola fornecido pela Prefeitura Municipal de São Felix do Araguaia/MT, conforme extrato fl. 07. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade Dele conheço. Fundamentação Divergi do bem articulado voto do i. Conselheirorelator apenas quanto à manutenção das glosas das áreas de preservação permanente e de reserva legal. O Relator concluiu pela manutenção das glosas baseado no fato de que o Contribuinte não apresentou Ato Declaratório Ambiental – ADA. Pois bem, o dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 220101.564 S2C2T1 Fl. 5 9 [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA para todas as situações de áreas ambientais como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou de regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância do fato expresso pelo verbo”beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 10 no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer ato determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 220101.564 S2C2T1 Fl. 6 11 e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. A não apresentação do ADA, portanto, não é um obstáculo para a admissibilidade das exclusões das áreas ambientais pretendida pelo Contribuinte. No presente caso, o único fundamento para a manutenção da glosa da área de preservação permanente é a falta do ADA. Portanto, penso que deve ser afastada a glosa. Quanto à área de reserva legal, como ressaltado pelo Relator, foi averbada apenas totalizando 4.913,5 ha, de uma área declarada de 6.676,6 ha. Mas, se a apresentação do ADA não é condição para a exclusão da área de reserva legal, a sua averbação é indispensável, e, neste ponto, estou inteiramente de acordo com a posição do Relator. Portanto, concluo que deve ser reconhecida uma área de reserva legal de apenas 4.913,5ha. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada e uma área de reserva legal de 4.913,5ha. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 220101.564 S2C2T1 Fl. 7 13 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10183.721730/200947 Recurso nº: TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.564. Brasília/DF, 25 de abril de 2012. ______________________________________ Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente em exercício Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000061/2007-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO. Sujeita-se ao lançamento de ofício o Imposto de Renda Pessoa Jurídica informado na DIPJ e não pago e tampouco confessado tempestivamente em DCTF, reduzindo-se a exigência ante o comprovado erro de fato na apuração do tributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 PRODUÇÃO DE PROVAS. A produção das provas das alegações é ônus da parte que alega, mormente tratar-se de provas singelas que não demandam de maiores indagações ou perícias. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 TAXA DE JUROS SELIC. Conforme preconiza a Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1803-001.369
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para reduzir o imposto original devido para R$ 8.662,76, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO. Sujeitase ao lançamento de ofício o Imposto de Renda Pessoa Jurídica informado na DIPJ e não pago e tampouco confessado tempestivamente em DCTF, reduzindose a exigência ante o comprovado erro de fato na apuração do tributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PRODUÇÃO DE PROVAS. A produção das provas das alegações é ônus da parte que alega, mormente tratarse de provas singelas que não demandam de maiores indagações ou perícias. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 TAXA DE JUROS SELIC. Conforme preconiza a Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 117 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o imposto original devido para R$ 8.662,76, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório SOL IND. COM. DISTRIB. IMP. EXP. LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada, no ano calendário de 2002, insuficiência de recolhimento do IRPJ, uma vez que os valores declarados na DIPJ são superiores àqueles informados na DCTF e aos recolhimentos efetuados. O crédito tributário lançado totalizou R$ 55.821,72 (Cinquenta e cinco mil, oitocentos e vinte e um reais e setenta e dois centavos), conforme demonstrativo de fl. 1, tendo sido lavrado o auto de infração de fls. 42 a 45, exigindo IRPJ no valor de R$ 22.875,88, juros de mora de R$ 15.788,93 e multa proporcional de R$ 17.156,91. O enquadramento legal da autuação é o Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), arts. 516, §§ 40 e 50, 541, 841, I e IV. Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com a impugnação de fls. 52 68, subscrita pelos procuradores Cristina Lucia Paludeto Parizzi e André Hachisuka Sassaki (fls.69, 71 a 75), alegando: O auto de infração é nulo, pois procedeu a retificação da DCTF do 4° trimestre de 2002 antes da lavratura Fl. 125DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 118 3 do presente auto de infração, sendo certo que somente depois efetuou o pagamento das diferenças apuradas. Assim, não deve ser exigida a multa de 75%; Houve ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório, uma vez que foi lavrado o auto de infração, mesmo já tendo sido sanado o equívoco cometido; A Fiscalização negou a validade aos princípios constitucionais concluindo que houve omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, o que configura uma presunção juris tantum, a qual inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte provar sua inocência; Não se enquadra no percentual de presunção de 16%, mas sim no de 8%, pois, desde a sua constituição, a sua atividade foi o comércio, como consta no seu contrato social: "Distribuição e Comércio no Atacado e Varejo de Bebidas em Geral, Água Mineral, Gelo, Carvão, Artigos para Festas, produtos de Higiene e Limpeza, Latarias, Frios, Leite e Derivados, Comestíveis em Geral, Cestas Básicas, Importação e Exportação"; O valor correto do IRPJ seria, então, R$ 8.662,76 e não R$ 22.875,88; As multas aplicadas devem observar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. A multa exigida de 75% onera o seu patrimônio, razão pela qual deve ser reduzida; A aplicação da taxa Selic é ilegal, tendo em vista que não foi criada por lei, não podendo servir de índice de atualização para tributos federais. A ausência de dispositivo legal para sua instituição e cobrança afronta os princípios emanados da Constituição Federal (CF). Solicitou a produção de provas tais como a pericial com a indicação de assistente técnico, fazendose a conversão do julgamento em diligência. A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1427.258, de 21 de janeiro de 2010 (fls. 86/92), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. RETIFICAÇÃO. A retificação do percentual de presunção informado pela própria contribuinte só é admissível mediante a apresentação de documentos e registros contábeis que corroborem a alteração pretendida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 119 4 NULIDADE. Descabe falar em nulidade do lançamento que respeitou os requisitos legais para sua constituição. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo. DCTF RETIFICADORA. A retificação da DCTF no curso do procedimento fiscal, com a finalidade de incluir valor de tributo não confessado na DCTF original, não impede o lançamento de oficio desse valor acrescido da respectiva multa. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese, por prescindível, o pedido de perícia e diligência, quando não existir nos autos matéria que necessite de opinião de perito para ser decidida. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à contribuinte a anexação ao processo de todas as provas das alegações apresentadas na impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. MULTA DE OFÍCIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de oficio, cujo percentual é fixado em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor da taxa referencial do Selic tem previsão legal. Ciente da decisão em 09/02/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 95), apresentou o recurso voluntário em 23/02/2010 fls. 96/113, onde reitera os argumentos da inicial. É o relatório. Voto Fl. 127DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 120 5 Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração, relativo ao IRPJ fato gerador trimestral (Lucro Presumido) – 31/12/2002, lavrado mediante procedimento da Malha IRPJ em virtude da falta de confissão em DCTF e recolhimento do IRPJ do período. A recorrente alega em síntese: a) Nulidade do lançamento por ter sido realizado de forma precária sem a certeza e liquidez, já que havia sanado a irregularidade com a retificação da DCTF antes do lançamento; b) A ilegalidade do auto de infração por não ter verificado que a empresa se sujeita ao percentual de 8% e não 16% para presunção da contribuição, sendo indevida a exigência no patamar constante do auto de infração; c) A necessidade de redução da multa de ofício aplicada considerando o excesso em relação a infração cometida; d) A ilegalidade da taxa SELIC à título de juros de mora; e) requer a produção adicional de provas como perícia técnica e conversão do processo em diligência. Assiste parcial razão à interessada. Com efeito, embora tenha a própria contribuinte contribuído em muito para a falta do correto deslinde da questão não se pode olvidar de necessidade de alterar em parte a decisão de primeira instância. Constatase pelos elementos do processo que a recorrente após ter sido intimada pela Malha IRPJ acerca de diferenças existentes entre a DIPJ 2003 (AC 2002 – 4º Trimestre) e a DCTF, apressouse em retificar a DCTF inserindo o valor do IRPJ apontado na DIPJ e que não havia sido confessado anteriormente. A jurisprudência reiterada deste colegiado julgador administrativo consolidada na Súmula CARF nº 33, deixa claro que a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não tem o condão de infirmar o lançamento de ofício, conforme se observa de seu enunciado: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Ressaltese outrossim, conforme se verifica da tela extraída do sistema de conta corrente da RFB (fl. 08), que a recorrente desde o início de suas atividades (10/12/2001) até a data de 13/03/2007, nada pagou (fl. 08) a título de imposto de renda pessoa jurídica. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 121 6 Tampouco nada havia declarado a título de tributos federais relativo ao período objeto do lançamento (fl. 07). Desta forma, rejeito as alegações de nulidade do lançamento por suposta correção da infração através da apresentação de DCTF retificadora. Com razão a recorrente quando aponta equívoco do lançamento, pois embora tenha reconhecido o valor devido à título de IRPJ no 4º Trimestre de 2002, apresentando a correspondente DCTF retificadora, afirma que o cálculo do valor estaria incorreto pois teria utilizado o percentual de presunção de 16% quando o correto seria 8%. Com efeito, o art. 15 da Lei nº 9.249/95, dispõe: (verbis) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 205) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Constatase, pois que a teor do inciso II do art. 15 acima transcrito, o percentual de 16% somente é aplicável para a atividade de prestação de serviços de transporte de passageiros e instituições financeiras. Considerando os elementos contidos nos autos às fl. 03 cadastro do CNPJ; fl. 13 – DCTF, e fls. 31, 34 e 139 – Alteração do Contrato Social, a recorrente tem atividade eminentemente mercantil de revenda de bebidas e outros produtos, não havendo qualquer indício de que exerça qualquer atividade relacionada com transporte de passageiros ou instituições financeiras. Revelase evidente erro de fato no preenchimento da DIPJ, ao apurar o imposto com base no percentual de 16%, (dezesseis por cento) quando o percentual geral para presunção do lucro presumido é de 8% (oito por cento). Fl. 129DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 122 7 Destarte, deve a exigência ser reduzida para R$ 8.662,76, considerando a receita bruta declarada de R$ 721.896,94 (DIPJ fl. 05), conforme cálculo a seguir: Receita Bruta em R$ Coeficiente Presunção Base de Cálculo R$ Alíquota IRPJ (*) IRPJ devido 721.896,94 8% 57.751,76 15% 8.662,76 (*) Não cabe adicional – base de cálculo inferior a R$ 60.000,00 Rejeito portanto, a alegação de nulidade do auto de infração e também o pedido de perícia que deveria ser requerida não de modo genérico mas na forma preconizada no art. 16, , inciso IV do Decreto nº 70.235/72, sujeitandose ao disposto no § 1º do mesmo comando legal. Já com relação ao suposto caráter excessivo ou confiscatório da multa de ofício de 75% aplicado no lançamento, incide a Súmula CARF nº 02, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, sendo defeso ao julgador administrativo a apreciação da validade da norma tributária vigente por envolver o exame da sua constitucionalidade competência esta restrita ao Poder Judiciário, rejeito as alegações acerca da multa de ofício. Por derradeiro, com relação à suposta ilegalidade da taxa SELIC à título de juros de mora, a matéria encontrase sumulada no âmbito deste conselho, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual de presunção do lucro presumido para 8% e em conseqüência o imposto original devido para R$ 8.662,76. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 123 8 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10830.014190/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3202-000.077
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda votou pelas conclusões. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido. Fez sustentação oral,
pela contribuinte, o advogado Marcos Prado, OAB/SP nº 154.632.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda votou pelas conclusões. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Marcos Prado, OAB/SP nº 154.632. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10830.014190/201011 Resolução n.º 3202000.077 S3C3T2 Fl. 986 2 RELATÓRIO O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração, lavrado em 25/10/2010 (folhas 01/ss), para a cobrança do IPI – imposto sobre produtos industrializados, multa proporcional, multa do IPI não lançado com cobertura de crédito e juros de mora, perfazendo um montante de R$ 291.394.122,29, referente ao período de apuração de outubro/2005 a dezembro/2009, em decorrência do uso indevido dos benefícios fiscais trazidos pela Lei da Informática (Lei n° 8.191/91, alterada pela Lei n° 8.248/91, com a redação dada pelas Leis n°s 10.176/2001 e 11.077/2004). Por bem descrever os fatos transcrevese o relatório da decisão de primeira instância administrativa: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado auto de infração decorrente da falta de lançamento do IPI na saída do estabelecimento de produtos tributados, por ter o contribuinte utilizado indevidamente do benefício do instituto da isenção, instituído pela Lei nº 8.248/91 e Decreto nº 792/93 (lei da informática) e concedido para os produtos relacionados na Portaria MCT/MDIC/MF nº 838/2001. Segundo a descrição dos fatos, a utilização indevida do benefício decorreu da saída de produtos, como se isentos fossem, cujas descrições não correspondem àquelas contidas na portaria supracitada e no processo de habilitação MCT nº 01200.003903/200148, conforme demonstrado nas planilhas de fls.56/151. Assim, feita a reconstituição da escrita fiscal, foi constituído o crédito tributário montante em R$ 291.394.122,29, sendo R$ 92.122.528,84 de imposto e R$ 172.145.973,46 relativo à multa (de ofício e sobre o IPI não lançado por cobertura de crédito). Regularmente cientificado, o sujeito passivo apresentou a impugnação alegando, em preliminar, nulidade da autuação por patente falha na busca da verdade material. No mérito fez, em resumo, as seguintes considerações: 1. Todos os produtos fabricados e comercializados pela impugnante e seus respectivos modelos estão listados na Portaria nº 838/01. Fechou os olhos o agente autuante para as versões de alguns modelos criadas pela impugnante em situações de mera atualização de software ou de redução de custos dos produtos por ela produzidos, sem procurar entender a origem e natureza dos sufixos escolhidos para controlar tais versões. 2. Os produtos contidos nas notas fiscais que embasaram a autuação fiscal são os telefones celulares, os terminais de sistema troncalizado e as placas de circuito impresso desses dois produtos e o artigo 1º da Portaria nº 838/01 faz expressamente referência a esses quatro produtos. A irresignação da fiscalização, portanto, diz respeito apenas aos seguintes modelos : C151, ROKR E2, V3 e V9 e aos terminais de sistema iDEN i205, iDEN i530 e iDEN i730. Contudo, ao se examinar as listas de modelos para cada um desses produtos Fl. 986DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10830.014190/201011 Resolução n.º 3202000.077 S3C3T2 Fl. 987 3 constantes da já referida portaria concluise, sem qualquer esforço, que todos os oito modelos acima mencionados estão expressamente nela mencionados; 3. Salta aos olhos a falta de interesse do Fisco em descobrir se os modelos destacados nas notas fiscais seriam os mesmos elencados na Portaria ou se realmente se tratavam de produtos diversos; 4. Para se comprovar o que se afirma foi feito um minucioso levantamento por via do qual se buscou vincular claramente os pedidos de compra efetuados pelos clientes da impugnante com as notas fiscais de venda por esta, emitidas em atendimento a tais pedidos (doc. 03). Por este levantamento fica evidenciado que, nos pedidos, os clientes usaram a nomenclatura geral (V3 e C151), seguindose a emissão de notas fiscais em que se indicavam as nomenclaturas internas da empresa (V3_05 e C151t), criadas para fins exclusivos de controle dos mesmos modelos ou, ainda, por simples divergência de descrição. 5. Ademais, se tivesse o d. agente fiscal real interesse em desvendar a diferença de descrições encontradas nas notas fiscais em face da citada portaria, poderia ter acessado o sítio da impugnante e/ou, ainda, buscado informações no mercado e sobre as tecnologias envolvidas, onde poderia observar facilmente que os modelos iDEN i205, iDEN i530 e iDEN i730 há muito são descritos internamente e no mercado em sua forma abreviada, isto é i205, i530 e i730. O modelo C151 também existiu em versão única, sendo que o sufixo “t” foi adicionado à sua descrição apenas e tão somente para evidenciar que se tratava de um aparelho celular que operava na tecnologia TDMA. Os aparelhos ROKR E1 e E2 funcionam com a tecnologia móvel GSM e são descritos internamente como Motorola E1 e Motorola E2; 6. Quanto aos outros modelos não mencionados, devese fazer as mesmas colocações, pois os sufixos inseridos nas notas fiscais com relação aos modelos iDEN i205, V9 e V3 não tiveram outra função a não ser a de determinar, exclusivamente internos, as novas versões destes mesmos modelos, decorrentes de atualizações de software, reduções de custos e demais mudanças não significativas nos projeto inicial destes terminais portáteis e suas placas de circuito impresso; 7. A impugnante não buscou alcançar benefício fiscal que não lhe seria próprio, tampouco procurou ludibriar o fisco Federal para reduzir, indevidamente a carga tributária dos produtos que fabrica e comercializa. A escolha pela não inclusão dos produtos foi consciente e embasada em critérios técnicos, incapazes de desqualificála ao gozo dos benefícios fiscais a que legalmente faz jus; 8. A multa aplicada sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito representa mais do que 35% do valor total da autuação e mais do que 111% do débito tributário efetivamente apurado pela fiscalização, o que, por si, é suficiente para evidenciar sua absoluta falta de razoabilidade e proporcionalidade, o que a torna ilegal; Fl. 987DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10830.014190/201011 Resolução n.º 3202000.077 S3C3T2 Fl. 988 4 9. O Fisco Federal vem cobrando juros sobre as multas decorrentes da falta de pagamento de um determinado tributo sem base legal, fundamentada apenas e tãosomente no Parecer MF nº 28/1998, o que é ilegal. Encerrou requerendo o cancelamento das exigências fiscais consubstanciada no auto de infração, protestando pela produção de provas adicionais, eventualmente julgadas necessárias para reforçar os fatos e argumentos apresentados. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão n° 1432.958 de 22/03/2011 (fls. 748/ss). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa, interpôs Recurso Voluntário, em 07/06/2011 (fls. 859/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, além de arguir a nulidade da decisão de primeira instância. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou “contrarrazões” às fls. 919/940. Consta ainda dos autos, petição datada de 24/01/2012 (protocolizado diretamente no CARF), através da qual a Recorrente apresenta laudo pericial elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia – INT. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro, na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. A questão central para o deslinde do litígio fiscal consiste na apuração se os diversos modelos/produtos comercializados com o benefício fiscal pela Motorola estão efetivamente relacionados dentre aqueles que constam de processo de habilitação da empresa junto Ministério da Ciência e Tecnologia. Pelo que consta dos autos, persiste dúvida razoável em relação ao enquadramento dos produtos vendidos pela Recorrente dentre aqueles autorizados Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838. Deste modo, entendo que deve ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, através da juntada de Laudo Técnico que possa demonstrar o seu direito, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à DRFCAMPINAS para a realização de perícia técnica, para que sejam respondidos os seguintes quesitos: Quesitos: 1) Identificar tipo, modelo, código dos produtos, características técnicas, nome técnico e comercial, fabricante e país de origem dos modelos/produtos constantes das Notas Fiscais de Saída objeto da autuação fiscal. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10830.014190/201011 Resolução n.º 3202000.077 S3C3T2 Fl. 989 5 2) Elaborar um quadro comparativo entre os modelos/produtos constantes das Notas Fiscais de Saída (vide folhas 173 a 176) e aqueles modelos/produtos habilitados à fruição dos benefícios fiscais da Lei de Informática e descritos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838 (vide folhas 169 e 177 a 181). Descrever, detalhadamente, as semelhanças e/ou divergências técnicas existentes entre esses grupos de modelos/produtos. 3) Acrescentar outras informações que entender necessárias e úteis para a perfeita identificação dos modelos/produtos sob análise. As partes (Fisco e Recorrente), caso entendam conveniente, podem apresentar quesitos adicionais a serem respondidos pelos peritos. Desta forma, a autoridade fiscal da DRFCAMPINAS (SP) deverá intimar a Recorrente para contratar instituição de renomada reputação (IPT, UNICAMP, ou outra similar) para realização do Laudo Técnico. Caso entenda necessário, ao término da perícia, a fiscalização poderá manifestarse sobre o Laudo Técnico elaborado. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 989DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11610.014302/2002-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1998
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA DE TESE OPOSTA.
Nos casos em que não se verifica no acórdão paradigma tese oposta àquela defendida no acórdão recorrido e objeto do Recurso Especial não deve ser conhecido o recurso, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-001.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA DE TESE OPOSTA. Nos casos em que não se verifica no acórdão paradigma tese oposta àquela defendida no acórdão recorrido e objeto do Recurso Especial não deve ser conhecido o recurso, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial requisito de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 43 02 /2 00 2- 73 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 3/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 2 Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 164/321) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67, do anexo II, do antigo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria MF 256/2009. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 130100.177 (fls. 151/159) proferido pelos membros da 1ª Turma, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, na parte em que, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso de ofício e mantiveram a exoneração da multa de ofício aplicada ao lançamento. O acórdão recorrido foi assim ementado: AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO DÉBITOS EXTINTOS EM OUTROS PROCESSOS. Devem ser exoneradas as exigências quando resta comprovado que se trata de débitos que foram extintos por pagamento ou por compensação em outros processos. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO DÉBITOS CONTROLADOS EM OUTRO PROCESSO. Não se conhece dos argumentos acerca de débitos que foram transferidos para outro processo e lá são exigidos e controlados. Recurso de Ofício Negado. Em relação à manutenção da exoneração da multa de ofício, o voto condutor do acórdão recorrido foi no sentido de que, no caso dos autos, a multa aplicada foi aquela prevista no artigo 44, inciso I e § 1º, inciso I, da Lei n° 9.430/96 em razão da não homologação de compensação declarada pelo contribuinte, em vista do que dispunha o artigo 90 da Medida Provisória 2.15835/2001, o qual foi limitado pelo artigo 18 da Lei nº 10.833/03, e que tal limitação alcança o presente lançamento em razão da aplicação do instituto da retroatividade benigna. A Fazenda Nacional, em sede de Recurso Especial, afirmou a existência de divergência jurisprudencial quanto ao entendimento do acórdão recorrido e trouxe como paradigma o acórdão cuja ementa segue transcrita: IPI. DCTF. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS INDEVIDOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Nem todos os valores informados em DCTF constituemse em confissão de divida. Nos termos das IN SRF nºs 45/98 e 126/98, somente os valores dos saldos a pagar de tributos informados em DCTF é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 3/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 11610.014302/200273 Acórdão n.º 9101001.554 CSRFT1 Fl. 227 3 Diferentemente, valores para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio, acompanhados da multa de oficio respectiva. Recurso negado." (Acórdão 20309707). Em suas razões recursais argumentou que, no caso dos autos, o art. 18 da Lei nº. 10.833/03 não pode ser aplicado retroativamente, pois foi concebido para disciplinar apenas os fatos atrelados à sistemática da PER/DCOMP, devendo ser mantida a multa de ofício prevista no artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96. Em sede de exame de admissibilidade (fls. 175/176) foi dado seguimento ao Recurso. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 189/205 e afirmou que, em vista da penalidade aplicada no caso com fundamento no artigo 44, I, da Lei 9.430/96, foi correto o entendimento no sentido da retroatividade benigna em relação à multa de ofício. Ademais, observou que no caso dos autos a autuação decorreu da não homologação de declarações de compensação apresentadas, as quais já foram devidamente homologadas pela Receita Federal e o tributo devido afastado, inexistindo, portanto, base de cálculo para a multa de ofício. Concluiu que foi correta a exoneração da multa de ofício e requereu a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. Tratase de Recurso Especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 130100.177 na parte que manteve a exoneração da multa de ofício do lançamento. O presente Recurso Especial é tempestivo, entretanto não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada pela Fazenda Nacional, senão vejamos. No acórdão recorrido restou consignado o entendimento de que a multa de ofício, aplicada em razão da não homologação de compensação declarada pelo contribuinte e com fundamento no artigo 44, inciso I e § 1º, inciso I, da Lei n° 9.430/96 e artigo 90 da Medida Provisória 2.15835/2001, deveria ser afastada em vista da limitação imposta pelo artigo 18 da Lei nº 10.833/03, que alcança o caso dos autos em função do instituto da retroatividade benigna. Assim, o acórdão recorrido afastou a multa em razão do instituto da Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 3/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 4 retroatividade benigna que permitiu a aplicação da limitação imposta pelo artigo 18 da Lei nº 10.833/03 que dispõe: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Por outro lado, o acórdão paradigma cuida, exclusivamente, da aplicação da multa de ofício nos casos de vinculação de créditos indevidos a débitos informados em DCTF e nada dispõe sobre a aplicação do instituto da retroatividade benigna em matéria de penalidades. Desta forma, temse que o acórdão acostado aos autos como paradigma não trata da questão objeto do Recurso Especial, qual seja, a aplicação do instituto da retroatividade benigna em matéria de penalidades e conseqüente exoneração da multa de ofício. Não há, portanto, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial, pois o acórdão acostado aos autos como paradigma não sustenta tese oposta àquela defendida no acórdão recorrido. É nesse mesmo sentido o entendimento adotado por este Conselho: RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Do exposto, não comprovada a divergência jurisprudencial, não conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 229DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 3/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTA XO
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000815/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não se reputa nulo o processo administrativo quando ausentes qualquer causa que importe em preterição ao direito de defesa do contribuinte ou incompetência da autoridade administrativa que proferiu o ato.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
Numero da decisão: 1301-001.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual de multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual de multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não se reputa nulo o processo administrativo quando ausentes qualquer causa que importe em preterição ao direito de defesa do contribuinte ou incompetência da autoridade administrativa que proferiu o ato. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual de multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 08 15 /2 01 0- 11 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Verificase que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), acrescidos de juros de mora e multa de ofício no patamar de 150%. De acordo com o Relatório de Fiscalização (fls. 606 – 621), apurouse que no anocalendário 2006 a recorrente teria omitido receitas, conclusão esta, baseada na existência de depósitos bancários não contabilizados e cuja origem não fora comprovada. A capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos (fls. 598 676). Depreendese do mencionado Relatório de Fiscalização, que de posse dos registros lançados no Livro de Apuração do Lucro Real e o cotejo entre a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a Declaração de Débitos e Créditos Federais (DCTF) constatouse que a contribuinte apresentou as DCTF sem qualquer informação sobre crédito tributário e a DIPJ fora apresentada apenas em 28/10/2010, com registro de apuração de lucro no anocalendário de 2006. Salientou a Fiscalização, no que diz respeito às contribuições para o Pis/Pasep e a Cofins, que dos valores informados pela contribuinte em atendimento de intimação, deduziuse o que havia sido lançado no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais do mês de janeiro/2006. Os valores assim obtidos foram objeto de lançamento tributário sob a rubrica de omissão de receita por falta ou insuficiência de declaração. Além dos valores obtidos na forma descrita anteriormente, a autoridade fiscal apurou omissão de receita decorrente de falta de escrituração contábil de ingressos oriundos de operações de transporte além de depósitos bancários cuja origem não fora comprovada. Após intimar a contribuinte a justificar a origem dos valores lançados no demonstrativo que lhe fora endereçado, a autoridade fiscal relacionou nas planilhas de folha 617 e 618 os valores que seriam objeto de tributação, sendo que em relação aos depósitos Fl. 997DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18088.000815/201011 Acórdão n.º 1301001.002 S1C3T1 Fl. 3 3 bancários, após excluir créditos decorrentes de resgate de aplicações financeiras, estornos e transferências entre contas da mesma titularidade, elaborouse demonstrativo dos créditos em relação aos quais a contribuinte deveria comprovar a origem quanto às receitas de transporte, a contribuinte fora intimada a apresentar registro contábil correspondente. Verificada pela Fiscalização a intenção dolosa em ocultar da administração tributária a ocorrência dos fatos geradores respectivos, materializada na figura da sonegação, aplicouse multa qualificada de 150%. Regularmente intimada, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 682 – 742), com alegação preliminar de nulidade, porquanto o procedimento administrativo de lançamento não estaria acobertado por Mandado de Procedimento Fiscal, que além de expirado permitia apenas a verificação do IRPJ e da CSLL. No mérito, alegou ser improcedente o método utilizado pela autoridade fiscal, que por arbitramento, presuntivamente considerou depósitos bancários como omissão de receita para utilizálos como substrato do fato gerador do imposto de renda, cuja hipótese de incidência é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que não fora demonstrada. Aduziu que os créditos lançados em conta de depósitos não se prestam para justificar lançamento tributário, conforme prescrito no enunciado da Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, cujo texto estabelece que "é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários", sustentando ser improcedente a constituição do crédito tributário por meio administrativo de lançamento em que a autoridade fiscal apurou presuntivamente a matéria tributável sem demonstrar cabalmente o fato jurídico tributário, mencionando que a autuação afrontou o princípio constitucional da proporcionalidade e que a multa teria feição meramente protelatória. 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 774 a785, julgou procedentes os autos de infração, fundamentando, resumidamente, que não ser caso de reconhecer qualquer nulidade, pois estariam ausentes os pressupostos autorizadores contidos no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, registrando que o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle interno da Administração Tributária. No mérito, concluiu que a recorrente não afastou a presunção legal de omissão de receitas, registrando falecer competência aquele órgão julgador para se manifestara cerca da constitucionalidade do quadro legal vigente. Ciente da decisão desfavorável (fl. 796), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (anexo sem paginação), reiterando os mesmo argumentos já relatados e pugnando pro provimento. É o relatório. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Analiso primeiramente a sustentada nulidade, advinda, segunda a recorrente, do fato de o Mandado de Procedimento Fiscal autorizar apenas a auditoria relacionada ao IRPJ e à CSLL, bem como o fato de não ter sido renovado. Neste ponto em particular, bem assentou a decisão recorrida o entendimento segundo o qual o Mandado de Procedimento é instrumento de controle interno da Fiscalização, e no caso em apreço, com maior razão se revela a improcedência dos argumentos da recorrente, ao se verificar que os lançamentos de tributos cuja fiscalização não constaria no MPF originário, foram meros reflexos dos lançamentos de IRPJ, porquanto estes foram baseados em omissão de receitas. Tanto é assim, que o que restar decidido em relação à omissão de receitas, de imediato se aplicará aos lançamentos de PIS e COFINS, porquanto se traduzem, como dito, em meros lançamentos reflexos, situação que por si só afasta qualquer alegação de nulidade. Não bastasse isso, andou bem a decisão recorrida ao concluir que não se configurou nenhuma das hipóteses descritos no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, traduzidas na incompetência do agente fiscalizador ou qualquer forma de preterição ao direito de defesa da contribuinte, razões pelas quais, afasto a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, muito embora se reconheça plausibilidade no que argumenta a recorrente e que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receitas, fato é, que os argumentos da recorrente devem se relevados ao se constatar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Temse na espécie, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação, não foi a simples existência dos depósitos, como sugere a recorrente, o critério legal de se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, essa sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria à recorrente afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, e tendo em conta que a recorrente apresentou DIPJ “zerada” para o período em questão, está a incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18088.000815/201011 Acórdão n.º 1301001.002 S1C3T1 Fl. 4 5 Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. Contudo, ao meu sentir a multa qualificada ao patamar de 150% deve ser reduzida, porquanto a Fiscalização, além da omissão de receitas pura e simples, nada demonstrou que indique o dolo da recorrente, de sorte que aplicase ao presente caso o disposto na Súmula CARF nº 14, cujo teor segue abaixo transcrito: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por tais razões, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para reduzir a multa de 150% ao patamar de 75%. Sala das Sessões, em 07 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720121/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 03/07/2009
ADMISSÃO TEMPORÁRIA NO REGIME REPETRO. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA.
A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária.
ADMISSÃO TEMPORÁRIA. REPETRO. MUDANÇA DE PROPPRIEDADE EM REGIME ESPECIAL DE BEM JÁ IMPORTADO.
A mudança de propriedade em regime especial de Repetro para Admissão Temporária não configura importação para que seja necessário se enquadrar a condição de material usado, pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação de transferência de propriedade. Inaplicável a multa por declaração inexata.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-002.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de oficio, e, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Emanuel Carlos Dantas de Assis. Designada a Conselheira Ângela Sartori para redigir o voto vencedor.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho Relator
Ângela Sartori Redatora designada
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Adriana Oliveira Ribeiro.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 03/07/2009 ADMISSÃO TEMPORÁRIA NO REGIME REPETRO. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. REPETRO. MUDANÇA DE PROPPRIEDADE EM REGIME ESPECIAL DE BEM JÁ IMPORTADO. A mudança de propriedade em regime especial de Repetro para Admissão Temporária não configura importação para que seja necessário se enquadrar a condição de material usado, pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação de transferência de propriedade. Inaplicável a multa por declaração inexata. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de oficio, e, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Emanuel Carlos Dantas de Assis. Designada a Conselheira Ângela Sartori para redigir o voto vencedor. Júlio César Alves Ramos - Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Ângela Sartori Redatora designada Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Adriana Oliveira Ribeiro.
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DRJ EM FLORIANÓPOLISSC ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 03/07/2009 ADMISSÃO TEMPORÁRIA NO REGIME REPETRO. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. REPETRO. MUDANÇA DE PROPPRIEDADE EM REGIME ESPECIAL DE BEM JÁ IMPORTADO. A mudança de propriedade em regime especial de Repetro para Admissão Temporária não configura importação para que seja necessário se enquadrar a condição de “material usado”, pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação de transferência de propriedade. Inaplicável a multa por declaração inexata. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de oficio, e, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Emanuel Carlos Dantas de Assis. Designada a Conselheira Ângela Sartori para redigir o voto vencedor. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho – Relator Ângela Sartori – Redatora designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 21 /2 01 0- 30 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Adriana Oliveira Ribeiro. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI Processo nº 10725.720121/201030 Acórdão n.º 3401002.095 S3C4T1 Fl. 232 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração cientificado ao sujeito passivo em 31/5/2010 para a exigência de crédito tributário correspondente à “Multa do Controle Administrativo”, no valor de R$ 256.852.089,00, e à “Multa do Setor Aduaneiro”, no valor de R$ 8.561.736,30. O enquadramento legal utilizado pela autoridade lançadora, para a primeira das multas foi o art.706, inciso I, alínea "a" do Decreto n° 6 .759/2009. (DecretoLei no 37, de 1966, art. 169, caput e § 6°, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art.2°), e os arts. 550 e 707 do Decreto n° 6.759/2009. Para a segunda delas, foi o art. 711 e parágrafo l°do Decreto n° 6.759/2009 (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei n° 10.833, de 2003, art. 69, § 1o e 2o ). Para o Fisco, a autuada promoveu a admissão temporária de Unidade Móvel de Perfuração Marítima (Ocean Quest) sem a Licença de Importação e sem declinar em formulário próprio a sua condição de “material usado”. Na Impugnação, a autuada argumentou que a referida plataforma Ocean Quest fora admitida originalmente no país em maio de 2009 pela empresa Eni Oil do Brasil S/A, operação essa que se dera mediante autorização das autoridades fiscais sob o regime especial aduaneiro de admissão temporária conhecido como Repetro, e que, posteriormente, em 3/7/2009, solicitara para si a transferência da condição de beneficiária, tudo nos termos do disposto no inciso I, do art. 27 da IN SRF nº 844, de 2008. Dessa forma, entende a Impugnante não ser cabível a aplicação da multa correspondente a 30% do valor aduaneiro que lhe foi aplicada com base na alínea a, do inciso I do art. 706, do Decreto nº 6.759, de 2009, porquanto referido texto legal trata de regime comum de importação e não de regime especial. Ponderou a Impugnante que o parágrafo único do art. 8º da mencionada Portaria Secex nº 25, de 2008, não deixaria dúvida de que a importação de bens amparados pelo Repetro estaria dispensada de licenciamento. Ademais disso, alega a Impugnante que dentre todas as regras que regulam o processo de admissão temporária sob o regime do Repetro não há uma que exija a apresentação de licença de importação, embora a sua emissão não esteja vedada, tanto assim que emitira uma licença de importação para a plataforma em 30/3/2009, com vencimento para 8/7/2009. Entende a Impugnante que o disposto no art. 36 da Portaria Secex nº 25, de 2008, que enquadra as “mercadorias usadas” na modalidade de “licenciamento não automático” também não pode ser aplicado ao caso vertente porquanto não se pode dizer que uma “plataforma” possa ser considerada como “mercadoria objeto de comercialização”. Também alega que por ocasião da Licença de Importação que emitira em março de 2009 informara a condição de “material usado” da referida plataforma. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI 4 Por fim, invocou a aplicação dos princípios da legalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade, do interesse público e da eficiência, para cancelar a autuação. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FlorianópolisSC, cancelou a multa que fora lavrada pela falta de Licença de Importação, recorrendo de oficio a este Colegiado, e manteve aquela lavrada por falta de indicação da condição de “usada” da plataforma. Eis a ementa do acórdão: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 03/07/2009 ADMISSÃO TEMPORÁRIA NO REGIME REPETRO. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. As operações de importação submetidas ao regime especial de admissão temporária, incluído a modalidade Repetro, não se enquadram como importações "desembaraçadas no regime comum de importação". A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. REGIME ESPECIAL DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. BEM USADO. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. MULTA. A multa aplicase também ao beneficiário de regimes aduaneiros especiais que omitir ou prestar de forma inexata e/ou incompleta informação de natureza administrativotributaria, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à "condição da mercadoria", se esta se enquadrar na condição de "bem usado", deve ser declarada pelo beneficiário do respectivo regime especial na declaração de importação que consubstanciou seu ingresso no território aduaneiro, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No Recurso Voluntário a Recorrente procurou enfatizar seu inconformismo com a imputação de que omitira a condição de “material usado” da plataforma. Argumenta que essa informação constou claramente das Licenças de Importação (LI) nºs 09/08313885 e 09/0595670, bem como que a Declaração de Importação (DI) 09/05741999 fez expressa referência à LI nº 09/08313885. Além disso, que a Declaração Simplificada de Importação (DSI) nº 09/0016764 indica a data de fabricação da plataforma como sendo o ano de 1973, o que, a seu ver, deixaria claro a sua condição de usado. Considera que sua conduta não se amoldaria de forma clara e precisa nos preceitos legais utilizados pela fiscalização para a imposição da multa (art. 69, §§ 1o e 2o da Lei nº 10.833, de 2003). Socorreuse de doutrina e de decisões judiciais na linha de que, para a aplicação de penalidade por infração da legislação tributária, há de se apontar a existência do elemento volitivo relacionado ao agendo do ilícito, o que não teria se dado no presente caso. Cientificada do conteúdo dos autos, a Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI Processo nº 10725.720121/201030 Acórdão n.º 3401002.095 S3C4T1 Fl. 233 5 Voto Vencido Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Ambos os recursos, o de ofício e o voluntário, preenchem todos os requisitos para admissibilidade e devem ser conhecidos. Recurso de Ofício A DRJ cancelou a multa que fora aplicada pela fiscalização com base no art. 706, inciso I, alínea “a”, cujo teor transcrevo abaixo: Art.706. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 169, caput e §6 o , com a redação dada pela Lei n o 6.562, de 1978, art. 2o): I de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b", e §6 o , com a redação dada pela Lei n o 6.562, de 1978, art. 2 o ); (grifei) A DRJ considerou que, ao aplicar a multa pela falta da licença de importação, o auto de infração invalidou, de forma indevida, a concessão e aplicação do regime especial aduaneiro de admissão temporária que fora deferido pela autoridade competente nos termos do disposto no artigo 18 da IN RFB nº 844, de 2008. Argumentou a instância de piso que: [...] se a LI era determinante para a concessão do regime em tela e esta não foi apresentada por ocasião da sua concessão, então a questão está relacionada ao ato administrativo que o concedeu; no entanto, até que referido ato de concessão venha a ser invalidado ou modificado, sua presunção de legitimidade não pode ser afastada. Assim, depreendese que a autoridade competente para conceder o regime, o fez por entender ser prescindível a apresentação de LI para o ingresso da plataforma "Ocean Quest", à época da concessão.[...] Em relação, de um lado, à dispensa de apresentação da LI para as importações efetuadas sob o regime de admissão temporária, inclusive o Repetro, de que trata o inciso II do art. 8o da Portaria Secex nº 25, de 2008, e, de outro, à sua exigência para a importação de materiais usados, de que trata a alínea “e” do art. 10 da referida norma infralegal, circunstâncias essas presentes no presente caso, a instância de piso considerou não haver um grau de prioridade entre as modalidades “dispensa” e “não dispensa”. Quanto à informação contida no sítio da internet do Ministério da Indústria e Comércio Exterior e citado no auto de infração, de que a orientação era a de que os materiais usados, ainda que internados sob o regime aduaneiro especial, estavam sujeitos à LI, a DRJ Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI 6 considerou que a mesma não fazia parte ainda da legislação de regência à época da concessão dos regimes de que se trata neste processo. Confrontando, desta feita, de um lado, a dispensa de apresentação da LI para as importações efetuadas sob o regime de admissão temporária, inclusive o Repetro, de que trata o inciso II do parágrafo único do art. 8o da Portaria Secex nº 25, de 2008, e, de outro, a que consta do inciso VII da referida Portaria (dispensa de licenciamento as importações de “doações, exceto de bens usados”), concluiu que as importações pelo Repetro comportariam operações com bens novos ou usados. Entendeu ainda a instância de piso que somente com a edição da Portaria Secex nº 10, de 25/5/2010, por meio de seu § 2º do art. 8o, é que surgiu uma regra clara quanto ao assunto em discussão, ou seja, prevaleceria o tratamento administrativo do Siscomex sobre as hipóteses de dispensa de licença de importação. O voto da DRJ considerou que, para os casos de aplicação de multa relacionada à infração administrativa, sua exigência somente se materializaria com o respectivo lançamento de tributo, a teor das regras contidas nos artigos 105, 142 e 144 do Código Tributário Nacional. Por fim, entendeu a DRJ que o dispositivo legal tido pela fiscalização como infringido não se aplica às circunstâncias narradas no auto de infração, que tratou de um regime aduaneiro especial, enquanto a alínea “a”, do inciso I, do art. 706, do Decreto nº 6.759, de 2009, trata de mercadoria desembaraçada no regime comum de importação. Entendo não haver reparo a ser feito na decisão ora recorrida, razão pela qual, nego provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário A Recorrente indica como prova de que as autoridades fazendárias tiveram conhecimento de que se tratava da importação de “material usado” o documento constante das fls. 159/161, que é um extrato do licenciamento de importação emitido pelo Siscomex, no qual, de fato, no campo “Andamento das Anuências”, há a seguinte anotação, verbis: Andamento das Anuências Anuência 01 Órgão Anuente: DECEX Tratam. Administrativo: MATERIAL USADO Situação: DEFERIDO Data da Situação: 09/04/2009 Data de Validade: 08/07/2009 Andamento da Anuência tem Restrição de Data de Embarque NÃO EXISTE LAUDO PARA ESTA ANUÊNCIA LI: 09/05956700 Registro: 30/03/2009 Situação: Deferido M. de Fátima Souza Matr.: 2270788 Data de Validade: 08/07/2009 Com base na alínea "c" e n o " 1" do Art. 25 da Portaria DECEX n" 08, de 13.05.91, com redação dada pela Portaria MDIC nº 235, de 07.12.06, as importações de bens usados sob o regime de admissão temporária estão dispensadas, respectivamente, do exame de produção nacional e da apresentação do laudo técnico Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI Processo nº 10725.720121/201030 Acórdão n.º 3401002.095 S3C4T1 Fl. 234 7 de vistoria e avaliação. Observamos que, na hipótese de nacionalização, será realizada a análise da importação sob os aspectos de inexistência de produção nacional, vida útil e preço. SECEX7DECEX/CGIM Brasília/DF (09/04/09) (grifos e destaques meus) Todavia, referida informação deixou de constar do documento utilizado ou considerado para fins de controle da importação, qual seja, no campo apropriado da Declaração de Importação, de sorte que, pela engrenagem de funcionamento do Siscomex, não ficou evidenciado para as autoridades fiscais de que se tratara de um material usado a ser objeto da importação em comento, razão pela qual a multa deve ser mantida. Socorrome ainda à argumentação utilizada pela DRJ, cujos excertos peça vênia para reproduzir: Noutro passo, antes de tratarmos da multa por nãoprestação de informação necessária ao controle aduaneiro § I o , do art. 69, da Lei 10.833/2003, convém, para o completo deslinde da questão relativa à sistemática das operações de comércio exterior, iniciar o presente exame pela definição do Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex, afirmando se tratar de instrumento que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior (importação/exportação), por meio de um fluxo único, computadorizado, de informações, cujo processamento é efetuado exclusiva e obrigatoriamente pelo respectivo sistema, cuja administração é realizada conjuntamente entre a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) o Banco Central do Brasil (Bacen), na condição de órgãos gestores do sistema. O Siscomex tem por finalidade precípua permitir a interligação eletrônica dos exportadores e importadores aos referidos órgãos gestores, a fim de possibilitar a emissão dos documentos indispensáveis ao desembaraço aduaneiro das mercadorias, na exportação e na importação RE, LI e DI. Atuam como integrantes do Siscomex outros órgãos, denominados intervenientes, estes na condição de anuentes, tais como: o Banco do Brasil, o Conselho Nacional de Energia Nuclear (Cnem), o Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), o Departamento Nacional de Combustíveis (DNC), o Departamento da Polícia Federal (DPF), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Brasileiro de Patrimônio Cultural (IBPC), o Ministério da Aeronáutica, o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério do Exército, o Ministério da Saúde, a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR) e a Secretaria de Produtos de Base (SPB). Os usuários são os demais órgãos da administração direta e indireta, os intervenientes no comércio exterior, as instituições financeiras autorizadas a operar em câmbio, as instituições financeiras autorizadas pela Secex a conceder licença de importação, bem assim, os exportadores, importadores, depositários, transportadores, despachantes. Com vista a atender demanda assaz antiga dos usuários do comércio exterior, o Estado brasileiro, com a implantação do Siscomex, permitiu uma maior agilização dessas operações ao tornar mais eficiente o controle efetuados pelos órgãos envolvidos e ao permitir que as empresas exportadoras e aos demais usuários, realizem o registro, o acompanhamento e o controle das operações, uma vez que esse conjunto de atividades, que antes eram executadas em mídia papel, portanto, de Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI 8 forma burocratizada e naturalmente demorada, passaram a ser realizadas por um fluxo único de informações informatizadas. Ao que nos interessa, podemos afirmar, portanto, que o despacho aduaneiro de mercadorias, na importação, é o procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo importador em relação às mercadorias importadas, aos documentos apresentados e à legislação específica, com vistas ao seu desembaraço aduaneiro. Logo, toda mercadoria procedente do exterior, importada a título definitivo ou não, sujeita ou não ao pagamento do imposto de importação, deve ser submetida a despacho de importação, processado com base em declaração (DI) apresentada à unidade aduaneira sob cujo controle estiver a mercadoria, que é dividido, basicamente, em duas categorias: o despacho para consumo e o despacho para admissão em regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais. O despacho para consumo é próprio para as mercadorias ingressadas no país que forem destinadas ao uso, pelo aparelho produtivo nacional, como insumos, matérias primas, bens de produção e produtos intermediários, bem como quando forem destinadas ao consumo próprio e à revenda. É o típico despacho que visa a nacionalização da mercadoria importada e a ele se aplica o regime comum de importação. Já o despacho para admissão em regimes aduaneiros especiais ou aplicados em áreas especiais tem por escopo o ingresso no país de mercadorias, produtos ou bens provenientes do exterior, que deverão permanecer no regime por prazo certo e conforme a finalidade destinada, sem sofrerem a incidência imediata dos gravames aduaneiros, os quais permanecem suspensos até a extinção do regime; que, entre outros, se aplica para as mercadorias admitidas temporariamente, caso que devam retornar ao exterior após cumprirem a sua finalidade. Portanto, antes de iniciar a importação, a interessada deve sempre verificar se a mercadoria a ser ingressada está sujeita a controle administrativo, pois, em regra, este deve ser efetuado anteriormente ao embarque da mercadoria no exterior, sob pena de pagamento de multa específica. Nesse contexto, é de ver que a DI deve conter, entre outras informações, a identificação do importador, assim como a identificação, a classificação, o valor aduaneiro e a origem da mercadoria; deve ser formulada pelo importador ou seu representante legal no Siscomex de acordo com o tipo de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro, apresentando as informações de natureza geral (correspondentes à operação de importação) e de natureza específica (dados comerciais, fiscais e cambiais sobre cada tipo de mercadoria). Logo, o preenchimento correto da DI é que determina a escolha do tratamento aduaneiro a ser aplicado para a mercadoria importada, se o despacho aduaneiro de importação, iniciado pelo registro da DI no Siscomex, não evidenciar plenamente a realidade da operação ou a real natureza da mercadoria por ele ingressada, desvirtuará o controle informatizado realizado pelo sistema e, por conseguinte, implicará num tratamento aduaneiro aplicado equivocado, pois a prestação incompleta ou equivocada dessas informações, que pelo "censo comum" poderia representar "mero erro", efetivamente redunda na ineficácia jurídica da DI, que, a depender do equívoco constatado, poderá acarretar a aplicação, inclusive, da pena de perdimento e conseqüente destinação da mercadoria para um dos fins previstos na legislação. Nesse sentido, as informações indicadas na DI devem efetivamente demonstrar a real situação da operação pretendida, bem como evidenciar plenamente a natureza, especificidade e condição da mercadoria importada, a fim de possibilitar à fiscalização da RFB a correta análise, seja a realizada com base na conferência documental ou na conferência física da mercadoria e aplicar o controle aduaneiro apropriado. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI Processo nº 10725.720121/201030 Acórdão n.º 3401002.095 S3C4T1 Fl. 235 9 Identificada a importância dos elementos que consubstanciam a processo de importação, notadamente a DI processada no Siscomex, trago à colação o disposto no § I o , do artigo 69, da Lei 10.833/2003 e no artigo 84, da MP 2.158/01 Das normas transcritas depreendese que a penalidade deve ser aplicada àquele importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que prestar de forma inexata informação de natureza administrativotributaria, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Quanto aos limites definidos no § 2°, do artigo 69, da Lei 10.833/2003, convém fazer um exame minucioso do conteúdo e alcance da expressão "a descrição detalhada da operação'". Na primeira parte o comando indica que as informações de natureza administrativotributaria, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado "compreendem" "a descrição detalhada da operação". Em seguida, da palavra "incluindo" depreendese que o legislador não buscou especificar ou restringir o conteúdo da referida expressão, mas esclarecer que as hipóteses enumeradas em seus incisos I a V estão igualmente nela abrangidas. Por conseguinte, o referido comando normativo não restringiu seu sentido, pelo contrário, visou, com a inclusão de hipóteses enumeradas, evidenciar sua inserção e integração ao conceito de "descrição detalhada da operação". Não há dúvida que a penalidade em comento é aplicável ao beneficiário de regime aduaneiro especial, conforme evidencia o § I o , do artigo 69, da Lei 10.833/2003. Já o § 2o do referido artigo de lei, faculta, mediante expedição de ato normativo, à RFB estabelecer outras informações que, por ventura, estejam fora do conceito da expressão "descrição detalhada da operação". Foi com esse permissivo legal que a RFB, por meio da IN/SRF 680/2006, determinou que as informações constantes do seu Anexo Único devam ser prestadas pelo importador. Vejamos o que dispõe referida norma complementar: Art. 4o A Declaração de Importação (DI) será formulada pelo importador no Siscomex e consistirá na prestação das informações constantes do Anexo Único, de acordo com o tipo de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro. (...) (g.n.) ANEXO ÚNICO INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR (...) 40 Indicativos da Condição da Mercadoria Assinalar o(s) indicativo(s) abaixo, se adequado(s) à condição da mercadoria objeto da adição: 1 Material usado (...) (g.n.) Portanto, considerando que não foi assinalada na DI 09/08497126 a condição de que a plataforma "Ocean Quest" se tratava de "material usado", e sendo essa informação necessária para determinar o procedimento de controle aduaneiro apropriado, cuja análise se faz via Siscomex mediante aferição da respectiva informação, está consentânea com as norma de regência a respectiva exigência, posto que o fato de a referida informação constar na LI 09/08313885 que instruiu a Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI 10 DI 09/05741999 registrada pela Eni Oil do Brasil S/A ou constar na LI 09/0595670 0 apresentada pela impugnante, mas não referenciada na DI objeto da presente autuação ou ainda em quaisquer outros documentos, não tem o condão de afastar a obrigação acessória de informar a condição do bem no "campo" apropriado da DI, evidenciando aos sistemas informatizados de controle que se tratava de "material usado". Nego, pois, provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ao Recurso de Ofício. Odassi Guerzoni Filho – Relator Voto Vencedor Conselheira Ângela Sartori, designada para elaborar o voto vencedor. Considerando que não foi assinalada na DI a condição de que a plataforma "Ocean Quest" se tratava de "material usado", a DRJ considerou essa informação necessária para determinar o procedimento de controle aduaneiro apropriado, em caso de mudança de propriedade na DI 09/05741999 registrada pela Eni Oil do Brasil S/A. Entendo que a autuação não pode ser mantida porque (i) não houve prestação de informação incorreta ou inexata e (ii) mesmo que se apontasse a não marcação da condição de bem usado como informação incorreta, esta não se caracterizaria como necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, tendo em vista que se tratava de mudança de PROPRIEDADE em regime especial e não importação definitiva ou importação em regime especial. Neste contexto, importante é a INSRF 680/2006 (anexo único) que prevê a necessidade de assinalar a condição de que a mercadoria se trata de “material usado” na DI em caso de importação e importação em regime especial. No entanto depreendese que tal norma não é aplicável no presente caso, pois tratase de mudança propriedade em regime especial. A IN SRF 680/2006 é clara: “Disciplina o despacho aduaneiro de importação” e não a alteração de propriedade em regime especial, de mercadoria já importada e internada no país, como é o caso, portanto o fato típico que é a importação para aplicação da norma não ocorreu. Ademais, o fato de a Recorrente ter deixado de assinalar a condição “material usado” na Declaração de Importação de transferência de propriedade de regime especial não caracteriza informação incorreta ou inexata porque constava o ano em que o bem foi fabricado e reconstruído sendo fato notório para a própria Receita Federal que o bem era usado. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI Processo nº 10725.720121/201030 Acórdão n.º 3401002.095 S3C4T1 Fl. 236 11 Com efeito, tal informação não se configurava como necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, tendo em vista que se tratava de mera transferência de propriedade entre regimes aduaneiros inclusive com menção ao proprietário em regime aduaneiro anterior. Diante do exposto dou provimento ao Recurso Voluntário. Ângela Sartori (assinado digitalmente Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI
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Numero do processo: 11070.001773/2009-42
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
Numero da decisão: 3803-003.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação em relação a crédito de PIS referente ao primeiro trimestre/2006. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 73 /2 00 9- 42 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 As fls. 229/230 sobreveio Despacho Decisório, por meio do qual o pleito foi indeferido com fundamento de ausência de previsão legal para o creditamento, uma vez que os créditos nas operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade é vedado pela legislação. Assim, para os julgadores “a quo”, embora o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha autorizado créditos em relação a vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e COFINS, por outro lado o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 ditou a regra de que a apuração dos créditos, nos termos do art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, necessariamente precisam seguir a regra do art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, razão pela qual há vedação do creditamento quando o produto adquirido estiver sob regime de substituição tributária e cuja saída esteja com suspensão das contribuições. Irresignado com a decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 232/233, sob os argumentos: · Em se tratando do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, se apura o crédito em razão da aquisição de insumos e bens para revenda, por meio da aplicação das alíquotas das contribuições sobre os valores de aquisição destes bens. Neste mesmo sentido, apura o débito mediante a aplicação das alíquotas das contribuições sobre o valor de venda das mercadorias que produz ou revende; · Com a edição da Medida Provisória n° 206/2004, art. 16, atualmente artigo art. 17 da Lei n° 11.033/04, os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero, ou com suspensão, tem direito a manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrente da aquisição de insumos; · Alertou que o regime não cumulativo do PIS e a COFINS não é idêntico ao previsto para o IPI e ICMS, onde lá a sistemática de apuração daqueles tributos é feita pela técnica imposto contra imposto, onde o imposto pago na operação anterior serve para ser abatido do imposto gerado na operação presente; · Na não cumulatividade do PIS e da COFINS, não se perquire se houve ou não tributação da etapa anterior para fins de direito de crédito. Além do que deve ser observado o § 12 do art. 195 da CF, o qual prevê que as contribuições em exame serão não cumulativas, sem qualquer restrição ao creditamento. Às fls. 242/244 a DRJ de Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1035.3742ª Turma, com o seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de Fl. 310DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001773/200942 Acórdão n.º 3803003.689 S3TE03 Fl. 258 3 ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade do PIS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando A hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, a DRJ manifestouse pelo indeferimento do pedido com fundamento na impossibilidade do reconhecimento, na esfera administrativa, da inconstitucionalidade de lei que tenha vedado a apuração de créditos em relação à operações sujeitas a substituição tributária. A DRJ ainda utilizou como argumento para indeferir o pleito, o fato de que não consta no contrato social da empresa a atividade de industrialização de qualquer dos bens objetos do pedido. Apontou ainda que as aquisições para as quais a empresa requer os créditos para o PIS e COFINS estão relacionadas no artigo 43 da Medida Provisória n° 2158 35 de 24 de agosto/2001 e na Lei n° 10.485/2.002, que por sua vez estão sujeitos aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica respectivamente. Em outras palavras, entende a DRJ que as vendas realizadas pelo Recorrente, que por sua vez é comerciantes, fica desonerada da incidência das contribuições, já que diante da substituição tributária a obrigação pelo pagamento do tributo, se dá em relação as operações praticadas pelos fabricantes ou importadores. Deste modo, o art. 1° da Lei n° 10.485/2002 reduziu para zero as alíquotas das contribuições em relação à receita bruta auferida por comerciante, com a venda dos produtos para os quais se desejam os créditos e por esse motivo o creditamente é indevido. Os julgadores de primeiro grau, adotaram ainda a tese em relação a inexistência de direito aos créditos, ainda que o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha dito caber créditos para as vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, uma vez que o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 determina que a sua apuração segue a regra disposta no art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, que por sua vez proíbem créditos em relação as operações com substituição tributária. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e basicamente repetiu seus argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade e reforçou o seu direito aos créditos com fundamento no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, bem como no art. 195 da Constituição Federal, sob o argumento de que a norma constitucional não impôs qualquer restrição aos créditos. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido e ao final que o seu direito creditório seja reconhecido. Em que pese a DRJ ter ingressado ao mérito e negado o pedido, cumpre informar que o Recorrente optou por discutir a matéria no Poder Judiciário, conforme citado às fl. 02. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Conforme se observa do contrato social, a Recorrente tem por objeto a revenda de máquinas agrícolas e a distribuição de peças, sendo que adquire os produtos das indústrias para posterior distribuição. Cumpre informar que estes produtos são vendidos sem a incidência do PIS e COFINS. O cerne da questão está em se apurar se há créditos em relação as vendas de produtos com suspensão do pagamento das contribuições, quando a lei estabelece o regime de substituição tributária. Alega o Recorrente que embora as vendas das máquinas e peças agrícolas estejam com a suspensão do pagamento do PIS e COFINS, ainda assim o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 confere o direito creditório e por essa razão tornase pertinente reproduzir a redação desta norma: Lei n.º 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em que pese a discussão de mérito, analisando os autos, constatei que a matéria aventada no presente Recurso Voluntário está sendo tratada na esfera judicial, conforme mencionado às fl. 02, tendo por objeto igual pretensão pleiteada administrativamente, qual seja, crédito referente ao PIS e CONFINS. Reputase idênticas 2 (duas) ações que possuam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido, como determinam os §§ 1º e 2º do art. 301, do CPC: Art. 301: “§ 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001773/200942 Acórdão n.º 3803003.689 S3TE03 Fl. 259 5 § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Sobre a litispendência, leciona Nelson Nery Junior: “Ocorre a litispendência quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso. As ações são idênticas quanto têm os mesmos elementos, ou seja, quando têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir (próxima e remota) e o mesmo pedido (mediato e imediato). A citação válida é que determina o momento em que ocorre a litispendência (CPC 219 caput). Como a primeira já fora anteriormente ajuizada, a segunda ação, onde se verificou a litispendência, não poderá prosseguir, devendo ser extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC 267 V).” (Código de Processo Civil Comentado, 6ª edição, RT, p. 655). Deste modo, optando a Recorrente pela via judicial ocasiona impedimento da manifestação do CARF a respeito na matéria em razão da concomitância verificada. Assim, aplicase a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria apreciada pelo Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN
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