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Numero do processo: 11080.901442/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS
FÍSICAS.
Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitese
a
inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores
pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior
Tribunal de Justiça (RESP nº 993164).
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMO PARA ENTREGA
FUTURA. CÁLCULO.
Por expressa determinação legal, o valor dos insumos adquiridos para entrega
futura devem compor o cálculo do crédito presumido no IPI no mês do seu
efetivo recebimento pelo estabelecimento industrial.
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO. REAJUSTE DE PREÇO. CÁLCULO.
O valor do reajuste de preço de insumo deve compor o cálculo do crédito
presumido do IPI quando efetivamente ocorrer, ou seja, no mês do registro da
respectiva nota fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.003
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os
conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que consideravam os custos de
aquisição para entrega futura na data do registro da operação.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMO PARA ENTREGA FUTURA. CÁLCULO. Por expressa determinação legal, o valor dos insumos adquiridos para entrega futura devem compor o cálculo do crédito presumido no IPI no mês do seu efetivo recebimento pelo estabelecimento industrial. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO. REAJUSTE DE PREÇO. CÁLCULO. O valor do reajuste de preço de insumo deve compor o cálculo do crédito presumido do IPI quando efetivamente ocorrer, ou seja, no mês do registro da respectiva nota fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMO PARA ENTREGA FUTURA. CÁLCULO. Por expressa determinação legal, o valor dos insumos adquiridos para entrega futura devem compor o cálculo do crédito presumido no IPI no mês do seu efetivo recebimento pelo estabelecimento industrial. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO. REAJUSTE DE PREÇO. CÁLCULO. O valor do reajuste de preço de insumo deve compor o cálculo do crédito presumido do IPI quando efetivamente ocorrer, ou seja, no mês do registro da respectiva nota fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que consideravam os custos de aquisição para entrega futura na data do registro da operação. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, relativo a fatos geradores do segundo trimestre de 2003. Ao pedido de ressarcimento foi vinculado pedidos de compensação. Após a realização das verificações fiscais no estabelecimento da recorrente, a DRF em Porto alegre RS reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, nos termos do Despacho Decisório nº 200/2008 (fls. 32/33). A autoridade competente glosou as seguintes parcelas da base de cálculo do benefício pleiteado: a) insumos adquiridos de pessoas físicas, não contribuintes da Cofins; b) as notas fiscais de reajuste de preço foram considerados, no cálculo do benefício, na data do seu registro nos livros fiscais da recorrente; a) as aquisições insumos para entrega futura foram consideradas, no cálculo do benefício, na data da efetiva entrega dos insumos. Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujos argumentos estão sintetizados no relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1017.403, de 09/10/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: Crédito Presumido de IPI As compras de produtos, de pessoas físicas, não se incluem no cálculo do beneficio, porque não sofrem a incidência do PIS e da COFINS. As notas fiscais de reajuste de preços são consideradas, para fins: de cálculo do , crédito presumido: no período de apuração em que tais documentos ingressam no estabelecimento do produtorexportador. Os valores dos produtos adquiridos para entrega futura integram a base de cálculo do crédito presumido do período de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.901442/200561 Acórdão n.º 330201.003 S3C3T2 Fl. 10.8 3 apuração da efetiva entrada desses produtos no estabelecimento do produtorexportador. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 10/11/2008, conforme AR de fl. 71, e, no dia 04/12/2008, ingressou com o recurso voluntário de fls. 72/85, onde reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade de que: 1 tem direito ao crédito nas aquisições de pessoas físicas porque a Lei nº 9.363/96 se refere ao valor total das aquisições, sem fazer referência à incidência ou não da Cofins. Cita jurisprudência administrativa e judicial; 2 os reajustes de preço não são novas aquisições. São mera complementação da nota fiscal de entrada de mercadoria e, por isto mesmo, deve seu valor integra o valor de venda do insumo pelo fornecedor e do custo de aquisição pela recorrente e, nos termos do art. 3º da lei 9.363/96 c/c art. Da IN SRF nº 313/03, considerase o somatório dos custos de aquisição no cálculo do benefício na data da efetiva entrada dos insumos do estabelecimento da recorrente; 3 nas aquisições para entrega futura devese considerar, no cálculo do benefício, não a data da efetiva entrada do insumo, mas a data de aquisição, ou seja, da escrituração da respectiva nota fiscal, nos termos do disposto no § 1º, do art. 11, da IN SRF nº 313/03. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. A empresa recorrente está pleiteando que no cálculo do crédito presumido do IPI (Lei nº 9.363/96) seja incluído: (i) o valor do reajuste de preço na data da entrada do insumo; (ii) o valor da compra para entrega futura na data do registro da nota fiscal de aquisição; (iii) e o valor das aquisições de insumos junto a pessoas físicas. A decisão recorrida, por seu turno, entende que no cálculo do crédito presumido do IPI (Lei nº 9.363/96) seja incluído: (i) o valor do reajuste de preço na data do registro na nota fiscal de reajuste de preço; (ii) o valor da compra para entrega futura na data da efetiva entrada do insumo. Também entende que o valor das aquisições de pessoas físicas não devem entrar no cálculo do benefício. A questão relativa à inclusão, no cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de insumos feitas junto à pessoas físicas já foi pacificada pelo STJ ao julgar o RESP nº 993164, pela sistemática do recurso repetitivo (art. 543C do CPC), decidindo que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não pode ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF nº 23/97. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Concluiu o STJ pela "ilegalidade" da referida instrução normativa por ter extrapolado os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Considerando que as decisões proferidas pelo STJ em recursos repetitivos são de aplicação obrigatória por este Colegiado (art. 62A do RICARF), deve ser reconhecido o direito de a recorrente incluir o valor das aquisições de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido do IPI. Quanto ao momento em que as aquisições para entrega futura devem ser incluídas na base de cálculo do crédito presumido do IPI, não há como negar vigência ao que dispõe expressamente o art. 13 da IN SRF nº 313/2003, reproduzido na decisão recorrida. Se inexistisse esta previsão legal, teria razão a recorrente. Portanto, ao contrário do que argumenta a recorrente, há previsão legal no sentido de que o momento da inclusão, no cálculo do crédito presumido do IPI, do valor do insumo adquirido para entrega futura é o da entrada efetiva do mesmo no estabelecimento e não o do registro na escrita fiscal da respectiva nota fiscal de aquisição para entrega futura. Por último, a recorrente defende que os reajustes de preço de insumos devem compor o cálculo do crédito presumido não no mês do registro da nota fiscal, mas no mês da efetiva entrada dos insumos. Sobre este tema, defendo que no cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos custos de aquisição dos insumos deve ser considerado, salvo expressa determinação legal em contrário, na data do registro da nata fiscal, que pode ou não coincidir com a entrada do insumo no estabelecimento. Este entendimento não fere o disposto no art. 3º da Lei nº 9.363/96 ou da IN SRF nº 313/03 porque todo o custo de aquisição foi considerado pela autoridade da RFB. Estes dispositivos legais não legitimam o procedimento adotado pela recorrente, como defende em seu recurso. Se o custo de aquisição ainda não é conhecido em um determinado mês, não pode ser nele incluído para fins de cálculo do crédito presumido do IPI. Se o seu reconhecimento ocorre em mês posterior à entrada do insumo, só nesse mês pode ser considerado no cálculo do benefício pleiteado, não havendo previsão legal para retroagir à data da entrada do insumo a que se refere. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para incluir no cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos (MP, PI, ME) adquiridos de pessoa física. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.901442/200561 Acórdão n.º 330201.003 S3C3T2 Fl. 11.8 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 14485.001665/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1994 a 31/12/1994
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO
QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos
previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se
a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda
aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.744
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1994 a 31/12/1994 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1994 a 31/12/1994 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatouse a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório SYMRISE AROMAS E FRAGANCIAS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da Decisão da então Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo/SP – Sul, DN nº 21.404.4/0022/2005, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela notificada, correspondentes à parte da empresa, dos segurados e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, apuradas por aferição indireta, com base no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, uma vez que a empresa não apresentou a documentação solicitada pela fiscalização, em relação ao período de 07/1994 a 12/1994, conforme Relatório Fiscal, às fls. 26/31. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 22/11/2004, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 1.863.541,16 (Um milhão, oitocentos e sessenta e três mil, quinhentos e quarenta e um reais e dezesseis centavos). Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 687/724, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja reconhecida a decadência pleiteada em sua impugnação, sob o argumento que a Lei nº 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, restando decaído o crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 150, § 4°, do CTN, o que se vislumbra no caso vertente. Ainda em sede de preliminar, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, deixando de discriminar os cálculos utilizados na constituição do crédito previdenciário de forma individualizada/segregada, de maneira a possibilitar a ampla defesa e contraditório da contribuinte, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a notificação em meras presunções. Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, notadamente em relação ao arbitramento utilizado na constituição do crédito previdenciário, alegando ser totalmente injustificado e imotivado. Assevera que a contribuinte nunca se recusou a prestar os esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, não se justificando a constituição do crédito previdenciário a partir de presunções (arbitramento) em detrimento da documentação ofertada pela notificada, sendo dever do fisco comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.001665/200724 Acórdão n.º 240101.744 S2C4T1 Fl. 828 3 Contrapõese ao lançamento fiscal em comento, especialmente em relação à aferição indireta procedida, argumentando que referido procedimento somente poderá ser utilizado em situações extremas, quando inexistir escrita contábil ou outros casos devidamente dispostos na legislação de regência, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Em defesa de sua pretensão traz à colação doutrina e jurisprudência a propósito da matéria, corroborando seu entendimento. Alega ser ilegal e inconstitucional a contribuição destinada ao SAT, por desrespeitar o princípio da estrita legalidade, inscrito nos artigos 5º, inciso II; e 150, inciso I, da CF, tendo em vista que a Lei 8.212/91, não definiu a conceituação de atividades preponderantes nem delimitou os parâmetros dos três graus de risco das atividades econômicas, não podendo um Decreto contemplar tais definições por afrontar com nossa Carta Magna, sendo competência do Poder Legislativo. Argúi a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, aduzindo para tanto, entre outros motivos, que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Alega, ainda, tratarse referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. Traz à colação inúmeras decisões de nossos Tribunais. Opõese à multa aplicada, por considerála confiscatória e abusiva, sendo por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do crédito em questão. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A então Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contrarrazões, às fls. 777/792, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. Incluído em pautas de julgamento na 2a Câmara do CRPS, em duas oportunidades, àquele Colegiado entendeu por bem converter o julgamento em diligência, conforme Decisórios nºs 260/2006 e 44/2007, às fls. 793/794 e 816/818, respectivamente, tendo a autoridade previdenciária competente elaborado Informações Fiscais de fls. 795/798 e 824, ressaltando na última resposta à diligência a decretação da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, determinante ao reconhecimento da improcedência do feito. Instada a se manifestar a propósito do resultado da diligência requerida pela 2a Caj do CRPS, a contribuinte peticionou nos autos, às fls. 803/811, reiterando suas razões de fato e de direito em defesa do reconhecimento da insubsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário da contribuinte e passo a analisar as alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45 da Lei nº 8.212/91, por considerálo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.001665/200724 Acórdão n.º 240101.744 S2C4T1 Fl. 829 5 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.001665/200724 Acórdão n.º 240101.744 S2C4T1 Fl. 830 7 relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela ocorrência da decadência, sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, do CTN). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.001665/200724 Acórdão n.º 240101.744 S2C4T1 Fl. 831 9 Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 22/11/2004, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram durante o período de 07/1994 a 12/1994, fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do CTN, seja com base no artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, impondo seja decretada a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar de decadência total do crédito previdenciário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13739.001024/2003-54
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1998
Ementa:
PARCELAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ CONSTITUÍDO.
Alegação de parcelamento após a constituição do crédito tributário não
instaura o litígio. O parcelamento é forma de confissão irretratável da dívida.
Não cabe ao CARF manifestarse
sobre pedidos inerentes a parcelamentos e
forma de cobrança da dívida confessada, matéria de competência da Unidade
da Receita Federal do domicílio tributário do contribuinte. Recurso não
conhecido.
Numero da decisão: 2802-000.667
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso por falta de litígio.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 Ementa: PARCELAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ CONSTITUÍDO. Alegação de parcelamento após a constituição do crédito tributário não instaura o litígio. O parcelamento é forma de confissão irretratável da dívida. Não cabe ao CARF manifestarse sobre pedidos inerentes a parcelamentos e forma de cobrança da dívida confessada, matéria de competência da Unidade da Receita Federal do domicílio tributário do contribuinte. Recurso não conhecido.
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ CONSTITUÍDO. Alegação de parcelamento após a constituição do crédito tributário não instaura o litígio. O parcelamento é forma de confissão irretratável da dívida. Não cabe ao CARF manifestarse sobre pedidos inerentes a parcelamentos e forma de cobrança da dívida confessada, matéria de competência da Unidade da Receita Federal do domicílio tributário do contribuinte. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por falta de litígio. (Assinado digitalmente) Valéria Pestana Marques Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Relator. EDITADO EM: 22/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valéria Pestana Marques (Presidente da turma), Jorge Claudio Duarte Cardoso, Ana Paula Locoselli Erichsen e Fl. 107DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Lúcia Reiko Sakae. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Carlos Nogueira Nicácio e Sidney Ferro Barros. Relatório Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 1998, anocalendário 1997, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. O referido auto de infração foi impugnado intempestivamente, motivo pelo qual a DRJ Brasília rejeitou a preliminar de tempestividade e não conheceu da impugnação, conforme acórdão 0320.081 3a Turma da DRJ/BSA (fls. 85 e ss). Ciente da decisão de primeira instância em 08022008 (fls. 77), o requerente apresentou recurso voluntário em 19022008 (fls. 78), no qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: 1. que preocupado com o aumento do valor da dívida, provocado pela demora do julgamento, solicitou parcelamento em 60 parcelas no setor da Dívida Ativa em Niterói; 2. que das 60 parcelas, 46 foram pagas de forma consecutiva, restando apenas 14 parcelas a vencer; 3. que não concorda com a informação recebida na ARF São Gonçalo no sentido de que o processo da dívida ativa 10730.600155/200491, nº de inscrição 7010400121773 será extinto e que o valor atualizado será cobrado neste presente processo; 4. que já havia pedido o parcelamento da dívida desde 2004, o que tem o efeito de fazer cessar a atualização do valor da dívida; 5. também não concorda com a compensação (sic) do valor da dívida. Em suma, requer que seja julgado procedente o recurso ou que, se não for de competência desse Conselho, que encaminhe ao setor competente para: a) manter o processo (n° 10730600.155/200491 código de receita 3543 —inscrição 7010400121773) para possibilitar o pagamento das 14/60 parcelas, à vencer no decorrer do meses vindouros subseqüentes; e Fl. 108DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13739.001024/200354 Acórdão n.º 280200.667 S2TE02 Fl. 96 3 b) extinção do presente processo gerado na ARF São Gonçalo (n° 13739001024/2003 54, código da receita 2904), informando à DRF de Niterói a decisão. É o relato do essencial. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo, porém não deve ser conhecido pelos motivos adiante explicitados. O recorrente não se insurge contra a decisão da DRJ (acórdão 0320.081 3a Turma da DRJ/BSA), pois em momento algum contesta aquela decisão. Especialmente relevante consignar que o recorrente alega que a dívida foi objeto de parcelamento desde 2004, com 46 parcelas quitadas, fato que por si só demonstra a inexistência de litígio que justifique o conhecimento do recurso por esse Conselho. O parcelamento é confissão irretratável de dívida. Ademais, o inconformismo do recorrente restringese à forma de cobrança e, especialmente, quanto ao aumento da dívida por força dos acréscimos legais, bem como os pleitos que faz ao final de sua peça recursal são estranhos à competência do CARF, por se tratar de matéria submetida à competência da Unidade da Receita Federal com jurisdição fiscal sobre o domicílio tributário do recorrente. No caso dos autos, não há litígio. Diante do exposto, voto por , NÃO CONHECER do recurso por falta de litígio. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 109DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11080.009801/2003-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
DCTF — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA — INOCORRÊNCIA DE
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - 0 instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal de entregar, com atraso, a declaração de informações econômico fiscal. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato imponivel do tributo, não estão alcançadas por esse instituto.
PAF - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - EXTENSÃO DO CONCEITO - A denúncia espontânea acontece quando o contribuinte, sem qualquer conhecimento do administrador tributário, confessa fato tributário delituoso ocorrido e promove o pagamento do tributo e acréscimos legais correspondentes, nos termos do artigo 138 do CTN. Por outro lado o descumprimento de obrigação acessória não se enquadra no comando deste artigo.
Numero da decisão: 1102-000.409
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11080.009801/2003-65 Recurso no 340.982 Voluntário Acórdão n° 1102-00.409 — P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2010 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente REPRESENTAÇÃO RODEL LTDA ME Recorrida 2a.TURMA DRJ PORTO ALEGRE/RS Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 DCTF — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA — INOCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA - 0 instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal de entregar, corn atraso, a declaração de informações econômico fiscal. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato imponivel do tributo, não estão alcançadas por esse instituto. PAF - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - EXTENSÃO DO CONCEITO - A denúncia espontânea acontece quando o contribuinte, sem qualquer conhecimento do administrador tributário, confessa fato tributário delituoso ocorrido e promove o pagamento do tributo e acréscimos legais correspondentes, nos termos do artigo 138 do CTN. Por outro lado o descumprimento de obrigação acessória não se enquadra no comando deste artigo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, cis termos do relatório e voto que integram o presente julgado. r ALA UIAS RESSOA MONTEIRO - Presidente e Relatora EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Oppennann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Manoel Mota Fonseca (Suplente convocado) José Sergio Gomes (Suplente convocado) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente). • MAI Relatório Trata-se de AUTO DE INFRAÇÃO I, fls.05, ri ° .de rastreamento 13504431-e, que exige a Multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF 1999, no valor de R$ 1.860,10, com vencimento em 20/10/2003. Na insurgência de fls.1 e 2, a Contribuinte busca eximir-se da multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, invocando o comando da INSRF 127 de 30/10/1998,cujo artigo 6 ° ., inciso IV reproduz. Junta que somente a partir do exercício de 2002 se viu novamente obrigada entrega dessas declarações, quando observou o calendário regular de entrega e cumpriu a obrigação principal. Acrescenta não apresentar nenhum débito junto a Receita Federal. Infonna que mantém na Junta Comercial do Rio Grande do Sul seu registro de Micro-empresa, mas não participa do SIMPLES.Em razão do seu baixo faturamento caberia no sistema de onde foi excluído em razão da sua. atividade. Pede, em relação a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF, que seja aplicada a disposição do artigo 138 do Código Tributário Nacional, na linha de jurisprudência do STJ. Sobrevém o acórdão 10-9.060 - 2a Turma da DRJ/POA, fls. 39/41, de 18/07/2006, assim ementado: Assunto: Obrigações Acessórias - Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 Ementa: Incabível a argüição de denúncia espontânea com o intuito de eximir-se de penalidade em caso de atraso na entrega de obrigação acessória. Lançamento Procedente Ciente da decisão em 21/09/2006, fls.44, interpõe as razões de recurso de fis.46/48 em 09/10/2006, onde narra os fatos e pede seja revista a decisão para cancelar a exigência. Repisa que ainda esta cadastrada como Microempresa na Junta Comercial do seu Estado, por isto entendeu não estar obrigada a entrega da DCTF — Declaração de Tributos e Contribuições Federais. Contudo, ao saber desta obrigatoriedade, apresentou as Declarações, o que demonstra não haver dolo ou fraude, pois os impostos declarados nas referidas, foram integralmente pagos em seus vencimentos. Informa que somente após a entrega das Declarações 'e destaca :"somente depois", veio a ser notificada pelo Fisco, do que recorre tempestivamente. Pede a reandlise dos dois pontos nos quais se basearam a decisão para não acolher sua impugnação e julgar procedente o lançamento do crédito tributário exigido. 0 item 7 do Acórdão recorrido analisa o Art 138 do Código Tributário Nacional, e afirma que "o instituto da denúncia espontânea prende-se ao pagamento do tributo 2 Processo n° 11080.009801/2003-65 S 1-CI T2 Acórdão n.° 1102-00.409 Fl. 2 devido ou ao deposito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. É certo, também, que multa não é tributo, na dicção do Art 3'. do CTN." As razões discordam desta afirmação, por entender que o artigo 138 do Código Tributário Nacional, do qual destaca a expressão "acompanhada, se for o caso" por entender que neste momento o legislador definiu a "infração" corno passível de exclusão da responsabilidade se o sujeito passivo a denunciasse espontaneamente, antes de qualquer ação do fisco. E no seu caso a infração ocorrida foi a não entrega da DCTF no prazo estipulado. Insurge-se também porque o item 09 do acórdão reconhece que "a autoridade administrativa não dispõe de competência para examinar argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico". Contudo, em seu caso deveria ser observado o CTN e não urna instrução normativa. Refere-se ao mérito para solicitar ao Colegiado que "acolha a exoneração prevista no Art 138 do CTN, considerando a entrega da DCTF espontaneamente, como passível da exclusão da multa, pois não houve fraude nem dolo no atraso da entrega, sendo que os impostos devidos foram todos religiosamente pagos." Repete o comando do artigo 138 do CTN, junta cópia do contrato social com registro do ENQUADRAMENTO DE MICRO-EMPRESA NA JUNTA COMERCIAL, por ocasião de seu registro, se diz obrigada a entrega da DCTF não em razão de seu faturamento, nem de seus sócios e sim da exclusão definida pela sua atividade. Conclui para dizer que demonstrara a improcedência da ação fiscal, portanto, obrigatório seria a acolhida de suas razões para cancelamento da exigência. Despacho de fls. 55 dá seguimento ao processo. Recebo-o para relato. Este o Relatório. Voto 0 recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Da Recorrente é exigida a multa pelo atraso da DCTF referente ao período compreendido de 01/01/1999 a 31/12/1999. As razões de apelo pretendem tratar a questão da multa por atraso na entrega da DCTF sob enfoque do instituto da denúncia espontânea, albergando-se no comando do artigo 138 do CTN. A questão já foi objeto de julgados administrativos e judiciais e am ambos os fóruns a questão já se encontra pacificada. Hiromi Higuchi bem definiu o assunto quando afirmou: "A exclusão da multa moratória no pagamento espontâneo cio tributo após o prazo de vencimento ou entrega espontânea, fora do prazo de DCTF decorreu de interpretação equivocada do artigo 138 do CTN. Este artigo dispõe que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração acompanhada se fbr o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo depende de apuração. A responsabilidade de que trata o artigo 138 não se refere ao pagamento do tributo ou ao cumprimento de obrigação acessória de fazer, mas trata-se da responsabilidade pessoal ou não do agente quanto ao crime, contravenção ou dolo, referidos nos artigos 136 e 137 do CTN. O artigo 138 está dizendo que a responsabilidade do agente quanto às infrações conceituadas em lei como crimes, contravenções ou dolo especifico é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. artigo 138 não está dispensando qualquer multa moratória, equivoco ocorre pela interpretação isolado do artigo 138 e não em conjunto com os artigos 136 e 137 que tratam da responsabilidade por infração. "(Destaque do voto). Nunca é demais lembrar a lição de Celso Ribeiro Bastos, em sua obra editada em 2000, âs fls. 191, quando nos remete â forma que deve ser adotada na interpretação jurídica, o que vem mostrar que não é possível se utilizar, apenas, do comando do artigo 138 do CTN isoladamente, como pretende a Recorrente porque: (...) Como ocorre no direito das obrigações em geral, a obrigação tributária consiste em um vinculo, que prende o direito de crédito do sujeito ativo ao dever do sujeito passivo. Há, pois em toda obrigação um direito de crédito que pode referir-se a uma ação ou omissão a que está submisso o sujeito passivo . Pode-se dizer que o objeto da obrigação é o comportamento de fazer alguma coisa. Mais comumente, entende-se por objeto da obrigação Processo n° 11080.009801/2003-65 St -C1T2 AeOrd'3o n.° 1102-00.409 Fl. 3 aquilo que o devedor deve entregar ao credor ou também é óbvio, o que deve fazer ou deixar de fazer. " a ordem jurídica é um sistema composto de normas e princípios. A significação destes não é obtenível pela pretensão isolada de cada um. É necessário também levar-se em conta em que medida se interpretam. É dizer , até que ponto um preceito extravasa o seu campo próprio para imiscuir-se com o preceituado em outra norma. Disso resulta ulna interferência reciproca entre normas e princípios , que faz com que a vontade normativa só seja extraivel, a partir de uma interpretação sistemática , o que por si só , já exclui qualquer possibilidade de que a mera leitura de um artigo isolado esteja em condições de propiciar o desejado desvendar daquela vontade".' 0 artigo 136 do CTN determina que a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação 6. objetiva, como objetiva é a penalidade pelo seu descumprimento, devendo esta ser aplicada mesmo na hipótese de apresentação espontânea, se esta se deu fora do prazo estabelecido em lei. 0 que se exige neste procedimento é a multa prevista para o caso. Conforme determina o Código Tributário Nacional (descumprimento de obrigação acessória que se transforma em principal), a saber : Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. §1 0 — A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o credito dela decorrente: § - A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tern por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação e da fiscalização dos tributos. § A obrigação acessória pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. (Destaques do voto) No caso dos autos, nos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001 a entrega das DCTF's era disciplinada pela IN SRF no 126, de 30 de outubro de 1998, que dispunha em seu artigo 6°: "A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art.2°„sujeitaró a pessoa jurídica ao pagamento da multa correspondente a cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos, por mês-calendário ou fração de atraso, tendo como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega (Decreto-lei n°1.968, de 1982, art. 11, §§ 2°e 3°, com as modificações do Decreto-lei n°2.065, de 1983, art.10; Lei n°8.383, de 1991, art. 3°, inciso 1; da Lei n°9.249, de 1995, art. 30)." Por seu turno, a IN SRF n° 255, de 11 de dezembro de 2002, estabeleceu, com base no art. 70 da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, novas formas de cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF, que foi aplicada, no caso, tendo em vista o principio da retroatividade benigna estatuída no art. 106 da Lei n° 5.172. BASTOS, Celso Ribeiro, Curso de Direito Financeiro e Tributário 5 A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em várias decisões, pacificou o entendimento da pertinência da multa por descumprimento da obrigação acessória de entrega de declaração, conforme é exemplo o acórdão CSRF/01-02.775 de 14/09/1999. Também a extensão do comando do artigo 138 do CTN esta assim definida naquele Colegiado, conforme mostra o Ac.9101-00.238 - 1 a .Turma, de 28/07/2009. (.) Restituição Compensação DENÚNCIA ESPONTÂNEA EXTENSÃO DO CONCEITO A denuncia espontânea acontece quando o contribuinte, sem qualquer conhecimento do administrador tributário, confessa fato tributário delituoso ocorrido e promove o pagamento do tributo e acréscimos legais correspondentes, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. 0 Supremo Tribunal de Justiça, STJ, chegou a mesma conclusão no Recurso Especial n." 208.097 — PR 99/0023056-6 na Segunda Turma cujo Relator foi o Ministro Hélio Mosimann em Sessão de 08/06/1999. Nesta ordem de juizos nego provimento ao recurso. Ma1üiã1?essoa Monteiro 6
score : 1.0
Numero do processo: 12883.001644/2002-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1998
DIREITO À COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA
A compensação é opção do contribuinte, devendo este comprovar a
existência do crédito e a efetiva ocorrência daquela, o que não foi feito.
MULTA. CONFISCO.
A multa aplicada obedeceu ao disposto na legislação e, ainda, a este órgão é vedada a análise de inconstitucionalidade de lei.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.778
Decisão: Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara
/ 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1998 DIREITO À COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA A compensação é opção do contribuinte, devendo este comprovar a existência do crédito e a efetiva ocorrência daquela, o que não foi feito. MULTA. CONFISCO. A multa aplicada obedeceu ao disposto na legislação e, ainda, a este órgão é vedada a análise de inconstitucionalidade de lei. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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CRÉDITO. PROVA A compensação é opção do contribuinte, devendo este comprovar a existência do crédito e a efetiva ocorrência daquela, o que não foi feito. MULTA. CONFISCO. A multa aplicada obedeceu ao disposto na legislação e, ainda, a este órgão é vedada a análise de inconstitucionalidade de lei. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 20/03/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Robson José Bayerl. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração, a seguir especificado, para exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), períodos de apuração maio a dezembro de 1998. VALOR (EM REAL) CONTRIBUIÇÃO 93.867,98 JUROS DE MORA 64.509,10 MULTA PROPORCIONAL 70.400,99 MULTA ISOLADA 10.773,13 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 239.551,20 2. Por meio do relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 28, o AFRF autuante descreve o seguinte fato: falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme anexo. 3. Inconformada, a contribuinte apresentou a peça impugnatória às fls. 01/024, afirmando, em síntese, que: 3.1 – a adoção pelo ordenamento jurídico do dever de comunicação ao contribuinte – mediante termo – do início do procedimento de fiscalização de sua regularidade fiscal, sob pena de nulidade do auto de infração a que der ensejo, da maneira que prescreve o art. 196 do Código Tributário Nacional. Alicerce cuja falta faz ruir por completo a validade da autuação dos agentes fazendários, pois se irradia por mais de uma norma jurídica, definindo o espírito que dá lógica e racionalidade às garantias do contribuinte frente ao Estado, como se observa nos artigos 7º e 8º do Decreto nº 70.235/72. Portanto, se verifica a impossibilidade de a Receita Federal lavrar um auto de infração precedido somente de uma auditoria interna a qual não teve o início devidamente informado ao contribuinte; 3.2 – observandose da perspectiva do princípio da legalidade, a nulidade do auto de infração em questão também se impõe. Está claro o descumprimento da prescrição imposta pelo art. 196 do CTN, pelo Decreto nº 70.25/72 e pela Lei nº 9.784/99. Impõese a necessidade de declaração da nulidade de pleno direito do Fl. 2DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 12883.001644/200286 Acórdão n.º 3201000.778 S3C2T1 Fl. 286 3 auto de infração por ofensa aos princípios da cientificação e da legalidade, diante da ofensa dos artigos 194 e 196 do Código Tributário Nacional, dos artigos 7º e 8º do Decreto nº 70.235/72 e do art. 3º da Lei nº 9.784/99; 3.3 – no auto de infração ora impugnado não consta assinatura de próprio punho da autoridade autuante, mas sim uma mera reprodução mecânica, o que inviabiliza a perfeita apuração da identidade e conseqüente averiguação da competência da pessoa que lavrou o auto, pois é impossível verificar se foi realmente o detentor da assinatura mecânica que expediu o auto de infração; 3.4 – tendo sido declarados inconstitucionais os DecretosLeis 2.445 e 2.449, de 1988, é necessário que o período cobrado indevidamente seja recalculado nos moldes da já referida Lei Complementar nº 7/70, com as modificações introduzidas pela Lei Complementar nº 17/73, na qual o recolhimento da contribuição ao PIS, para as empresas comerciais e industriais, deve ser feito com base no faturamento do sexto mês anterior, sem se cogitar de correção monetária de seu valor.O contribuinte recolheu o PIS a maior com bases nos Decretos Leis até o seu banimento do ordenamento jurídico pátrio pela Resolução nº 49/95 do Senado Federal, sendo evidente o seu direito de se utilizar do crédito apurado no recolhimento de importâncias correspondentes a períodos subseqüentes de tributos da mesma espécie, inclusive a COFINS, conforme determina o art. 66, da Lei nº 8.383/1991; 3.5 – o Decreto nº 70.235/72, diploma que regula o procedimento administrativo fiscal, prescreve, em seu art. 62: “Durante a vigência judicial que determinar a suspensão da cobrança do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente à matéria sobre que versar a ordem de suspensão”. Vêse, pois, que em virtude do que preceitua o dispositivo em exame, não poderia o Fisco Federal ter lavrado o ora combatido auto de infração, cobrando a multa de ofício e juros de mora, já que a matéria objeto da autuação está sub judice, conforme atestou o próprio agente fiscal. A autuação somente poderia se dar após a publicação da decisão judicial final transitada em julgado, desfavorável ao contribuinte; 3.6 – diante do exposto, requer: a) em sendo acolhidas as alegações de existência de vício formal, da maneira indicada, seja julgado nulo o auto de infração; b) – em não sendo julgado nulo, requer desde já a realização de exame pericial na documentação fiscal da impugnante, a fim de que seja declarada Fl. 3DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES 4 a total improcedência do auto de infração, de modo que fique afastada a indevida cobrança dos valores ali consignados. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG deferiu parcialmente o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/JFA nº 15.891, de 26/03/2007, fls. 84/93: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1998 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se cogita da nulidade do auto de infração quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal. DIREITO À COMPENSAÇÃO. A compensação é opção do contribuinte. O fato de ser detentor de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de ofício relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado ter exercido a compensação antes do início do procedimento de ofício. PEDIDO DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário, não havendo como imputar o caráter confiscatório à penalidade aplicada de conformidade com a legislação regente da espécie. MULTA DE MORA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106 do Código Tributário Nacional, exonerase a multa isolada lançada por falta de pagamento da multa de mora em recolhimentos intempestivos, porquanto revogado o dispositivo legal que amparava a exigência. Lançamento Procedente em Parte. Em face da decisão, o contribuinte é intimado às fls. 97 e interpõe recurso voluntário de fls. 106/111. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 12883.001644/200286 Acórdão n.º 3201000.778 S3C2T1 Fl. 287 5 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O processo discute o lançamento de PIS e o recurso alega a compensação dos tributos e a inconstitucionalidade da multa aplicada. A recorrente não traz em seu recurso qualquer prova da compensação realizada, muito menos o fez no decorrer do seu processo. Sem que sejam trazidos aos autos elementos que comprovem o direito da recorrente, não há como dar guarida à pretensão da empresa. Neste sentido, a decisão recorrida às fls. 88/89 é clara: Entende a autuada que por pleitear créditos em processo de compensação já teria o direito assegurado. Contudo, para ter direito à compensação o crédito tem que ser líquido e certo. Entretanto, a contribuinte não havia efetuado os recolhimentos devidos e nem estava amparada por decisão definitiva administrativa e ou decisão judicial transitada em julgado que determinasse a extinção da Contribuição para o Programa de Integração Social por meio de compensação com créditos decorrentes de pagamento a maior ou indevido ou gerados de valores a serem ressarcidos/restituídos, definitivamente reconhecidos. Como a Defendente não comprovou ter crédito a compensar por decisão definitiva administrativa ou judicial transitada em julgado, tal alegação não pode prosperar. A esse respeito o Código Tributário Nacional (Lei nº 5. 172, de 25 de Outubro de 1966) dispõe: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo 170A incluído pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001)” Fl. 5DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES 6 A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, ainda que haja pedido de compensação formalizado por meio de processo administrativo ou judicial. Quanto à multa aplicada, não há o que ser debatido, já que lançada nos moldes em que previsto na legislação. Por fim, este órgão não pode se manifestar sobre inconstitucionalidades de normas, como bem prevê sua súmula n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 12 de agosto de 2011. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13657.001655/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2007
DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA DIPJ. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO.
A pessoa jurídica que é obrigada à entrega da DIPJ e a apresenta fora do prazo legal sujeita-se
à multa estabelecida na legislação de regência.
Numero da decisão: 1401-000.463
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2007 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA DIPJ. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A pessoa jurídica que é obrigada à entrega da DIPJ e a apresenta fora do prazo legal sujeita-se à multa estabelecida na legislação de regência.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A pessoa jurídica que é obrigada à entrega da DIPJ e a apresenta fora do prazo legal sujeitase à multa estabelecida na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Viviani Aparecida Bacchmi, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 32DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13657.001655/200898 Acórdão n.º 140100.463 S1C4T1 Fl. 29 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0525.231, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP. No caso específico, trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega da DIPJ do anocalendário 2007, da empresa supra, no valor de R$ 500,00. Na impugnação, argumenta o contribuinte, em síntese, que o atraso na entrega foi motivado por falha técnica da RFB, no dia 30/06/2008. Esse fato foi informado à ouvidoria da RFB. A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2007 MULTA POR ATRASO. DIPJ. É devida a multa por atraso na entrega da DIPJ quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, nos seguintes termos: como pode ser verificado através de matéria publicada no diário do comércio em 17/02/2010, esta pane no site do SIMPLES NACIONAL, ocorreu em 2008 e também em 2009 (cópia em anexo), portanto já houve registro sim desta falha que impossibilitou a entrega de declarações pela internet. no caso em lide é incontroverso que a recorrente "comunicou" a Receita Federal a impossibilidade de transmissão e, posteriormente, efetuou a "transmissão" da DIPJ. nestes termos, os atos de 'comunicar' e 'transmitir' foram espontâneos, devendo ser acionado os artigos 138e 112 do CTN É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 33DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13657.001655/200898 Acórdão n.º 140100.463 S1C4T1 Fl. 30 3 Tratase de auto de infração para cobrança da multa por atraso na entrega da DIPJ referente ao anocalendário de 2007. Não se questiona, no caso, o aspecto quantitativo, o efetivo atraso na entrega ou qualquer ilegalidade na cobrança da mesma. A sua contestação cingese apenas na justificativa de que o referido atraso deveuse à problema de acesso na página da Internet no último dia do prazo e que isso, por si só, já seria motivo suficiente para o cancelamento da penalidade, uma vez que estaria acobertado pelo Instituto da denúncia espontânea. Em primeiro lugar devese esclarecer que o dia 30/06/2008 não foi o único dia hábil para a transmissão da Declaração pela Internet, mas tratase apenas do último dia do prazo. O prazo foi até 30/06/2008. Por outro lado, como bem ressaltou a DRJ o contribuinte nem ao menos comprovou sua alegação, fato este também não infirmado em sede recursal. É que de fato não há registro de falha ocorrida na página do Simples Nacional que impossibilitasse a entrega de declarações pela internet no dia 30/06/2008. A Recorrente na falta dessa prova, traz um fato acontecido e noticiado na imprensa no ano seguinte em 2009, o que não a evidência não lhe socorre, pelo contrário demonstra que não houve reclamações gerais noticiadas na imprensa de outros escritórios para aquele dia (30/06/2008). Outrossim, o mero comunicado à Ouvidoria da RFB não é suficiente para caracterizar erro na página do Simples Nacional, mesmo porque essa reclamação além de não ter sido geral, a Ouvidoria orientou o Contribuinte entrar “... em contato com o Centro de Atendimento ao Contribuinte e/ou Plantão Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil de seu domicílio para esclarecer e solucionar pendências porventura existentes.” Nesse contexto, diante do fato peremptório de que o contribuinte não cumpriu a obrigação acessória no prazo hábil, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 34DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000636/2004-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OBSCURIDADE.
Caracterizada a obscuridade no Acórdão carente de melhor explicação, acolhe-se em parte os embargos.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SANADA COM ACRÉSCIMO DE EMENTA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, de 2002.
A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional.
Numero da decisão: 1401-000.474
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para ratificar o Acórdão nº 1401-00.272, sem alterar o decidido, apenas acrescentando lhe mais uma ementa.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OBSCURIDADE. Caracterizada a obscuridade no Acórdão carente de melhor explicação, acolhe-se em parte os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SANADA COM ACRÉSCIMO DE EMENTA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, de 2002. A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 226 1 225 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13876.000636/200436 Recurso nº 165.232 Embargos Acórdão nº 140100.474 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2011 Matéria Dcomp Embargante BRASSUCO INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OBSCURIDADE. Caracterizada a obscuridade no Acórdão carente de melhor explicação, acolhese em parte os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SANADA COM ACRÉSCIMO DE EMENTA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, de 2002. A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração para reratificar o Acórdão n 140100.272, sem alterar o decidido, apenas acrescentandolhe mais uma ementa. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13876.000636/200436 Acórdão n.º 140100.474 S1C4T1 Fl. 227 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Viviani Aparecida Bacchmi, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega OMISSÃO no Acórdão nº 140100.272, proferido pela 1ª Turma ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que por maioria de votos, negou provimento ao recurso por considerar decaído o pedido de compensação, nos termos da ementa abaixo: DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIR INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ^ TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Decai em cinco anos, contados inexoravelmente do pagamento indevido, o direito de repetir tributo espontaneamente recolhido a maior (CTN: art. 165, I; art. 168, I; e § Io do art. 150), não prevalecendo a tese dos "cinco anos mais cinco". A embargante assim afirma : (...) acórdão recorrido enseja sua revisão por apresentarse omisso, já que a Primeira Seção de Julgamento deste E. Conselho quedouse silente quanto ao sustentado pela embargante, mormente no que diz respeito ao início do procedimento homologatório, o qual se deu com a entrega da DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Federais em 14.02.2003 referente ao trimestre 4º Trimestre de 2002, vez que fora neste momento que a autoridade administrativa federal tomou conhecimento dos atos praticados pela embargante tendente a apurar os valores correspondentes, tanto ao crédito oriundo de recolhimento a maior de CSLL apurada em 30.06.1998 e paga em 31.07.1998, quanto ao débito tributário desta mesma contribuição apurada em outubro de 2002, a qual pretendia liquidar através da compensação (...). (grifos no original) Da análise perfunctória dos autos, por entender estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma foi proferido despacho de informação propondo à Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção que submetesse referidos embargos à deliberação da Turma, que foi aceito como proposto. É o relatório, no que interessa a este julgamento. Voto Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13876.000636/200436 Acórdão n.º 140100.474 S1C4T1 Fl. 228 3 Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Em primeiro lugar, verifico que a referida matéria dita omissa não foi tratada no voto vencedor, pois foi enfrentada pelo relator do voto vencido, nos seguintes termos: Inicialmente, alega a Recorrente que respeitara todas as disposições legais pertinentes à compensação de tributos federais, instituídas por lei e/ou reguladas pela Secretaria da Receita Federal por meio de instruções normativas, quando da informação a esta por meio de DCTF do seu procedimento compensatório. Ocorre que o crédito fora compensado em outubro e novembro de 2002, durante a vigência da Instrução Normativa nº 210/2002, na qual dispunha: (...) Ou seja, a compensação deveria ter sido efetuada mediante o encaminhamento à Declaração de Compensação, que somente foi realizada em 23/09/2004. Diante da decorrência do lapso temporal entre a compensação contábil e a entrega da declaração de compensação, passase a discorrer acerca do prazo decadencial do direito de o contribuinte pleitear a compensação.(...) Como se vê, o relator deixou implícito que o advento de nova legislação (MP n. 66/2002), regulamentada pela Instrução Normativa SRF 210/2002, quaisquer compensações (mesmo sendo tributos mesmo que da mesma espécie), devem ser precedidos dos competentes Declarações de Compensações, sendo este o marco temporal a ser considerado para efeito de contagem do prazo decadencial. O que estava implícito no Acórdão embargado e aqui se esclarece mais expressamente é que eventual menção do crédito na DCTF, desacompanhada do dever instrumental exigido pelos citados normativos tributários (Dcomp) não serviriam como marco final para a contagem do prazo decadencial. Outrossim, embora não de todo necessário, aproveito a oportunidade para sanar ausência da correspondente ementa da referida matéria tratada no voto vencido, sendo proposta a ementa abaixo para suprir a omissão: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, de 2002. A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional. Por todo o exposto acolho parcialmente os embargos de declaração apenas para reratificar o Acórdão n 140100.272, dessa feita acrescentandolhe a ementa sem qualquer modificação do que fora decidido: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, de 2002. A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13876.000636/200436 Acórdão n.º 140100.474 S1C4T1 Fl. 229 4 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 10680.006870/2003-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000, 2001
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO.
De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar que o referido acréscimo
patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.
EMPRÉSTIMO ENTRE IRMÃOS. COMPROVAÇÃO.
A jurisprudência do CARF tem mitigado a exigência de contrato escrito entre irmãos, admitindo apenas e tão-somente a indicação dos valores do mútuo nas declarações de ajuste anual do mutuante e do mutuário.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-000.932
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar o Acréscimo Patrimonial a Descoberto do ano-calendario de 2000, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões o Conselheiro Jose Raimundo tosta Santos.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000, 2001 IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar que o referido acréscimo patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. EMPRÉSTIMO ENTRE IRMÃOS. COMPROVAÇÃO. A jurisprudência do CARF tem mitigado a exigência de contrato escrito entre irmãos, admitindo apenas e tão-somente a indicação dos valores do mútuo nas declarações de ajuste anual do mutuante e do mutuário. Recurso parcialmente provido.
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar que o referido acréscimo patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. EMPRÉSTIMO ENTRE IRMÃOS. COMPROVAÇÃO. A jurisprudência do CARF tem mitigado a exigência de contrato escrito entre irmãos, admitindo apenas e tão-somente a indicação dos valores do mútuo nas declarações de ajuste anual do mutuante e do mutuário. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar o Acréscimo Patrimonial a Descoberto do ano-calend: II' s de 2000, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões o Conselheiro Jose R mundo osta Santos. Processo n° 10680.006870/2003-95 S2-C1T1 Fl. 246 Acórdão n.° 2101-00.932 Alexandre Naoki Nishioka - Relator EDITADO EM: 15 ASR 20 11 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 215/225) interposto em 12 de março de 2008, contra o acórdão de fls. 206/209, do qual o Recorrente teve ciência em 12 de fevereiro de 2008 (fl. 214), proferido pela 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar arguida e, no mérito, considerou procedente o lançamento na parte objeto de litígio, consubstanciado pelo auto de infração de fls. 05/10, lavrado em 13 de maio de 2003, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Física, em decorrência de acréscimo patrimonial a descoberto, verificado nos anos-calendário 1999 e 2000. O acórdão teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Sao tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, isentos, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. EMPRÉSTIMO. O empréstimo deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea, para ser aceito como origem de recursos capaz de elidir acréscimo patrimonial a descoberto. PROVAS. Cabe ao contribuinte a apresentação de provas concretas com o fim de elidir a tributação do acréscimo patrimonial a descoberto. Lançamento Procedente" (fl. 206). 2 Processo n° 10680.006870/2003-95 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.932 Fl. 247 Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 215/225, no qual praticamente repetiu os argumentos contidos na impugnação parcial de fls. 171/179, aduzindo, preliminarmente, que o auto de infração lavrado seria nulo em virtude de a fiscalização ter apurado o imposto de,renda mensalmente, mas aplicado, quando da tributação, a tabela anual, o que afrontarias principio da estrita legalidade, trazendo vários julgados do então Primeiro Conselho de Contribuintes para comprovar sua tese. No mérito, alegou que o acréscimo patrimonial a descoberto constatado pela fiscalização se baseou em presunção não prevista em lei, bem como inexiste em lei previsão que impeça ou tribute a realização de empréstimos entre pessoas fisicas em moeda. Afirmou ainda que, no que tange aos empréstimos contraídos, os mutuários são irmãos do Recorrente, o que justificaria a ausência de documentos formais que comprovem os valores, e com relação às verbas percebidas do Sr. Elejo Antonio de Azevedo, em dezembro de 1999, trata-se na verdade de recebimento de valor a ele emprestado anteriormente (R$ 80.000,00). Não obstante, "como comprovação da capacidade financeira, é de se considerar que o Sr. Jairo Azevedo fez constar na sua declaração de rendimentos do ano-base de 1.999 a propriedade e posse de R$ 170.000,00 em dinheiro, fato que justifica plenamente os empréstimos feitos ao Impugnante no ano-base de 2.000, inclusive e principalmente aquele relativo ao mês de janeiro de 2.000 posto que atendida a exigência da fiscalização" (fl. 221). Por fim, no que concerne à venda do veiculo GM Vectra, placa GTZ 9196, adquirido de Tutti Veículos Ltda. e vendido em 1999, por R$ 15.500,00, como consta de sua declaração, informa que, a despeito de a fiscalização exigir a cópia do recibo do DETRAN, o Recorrente informa não mais possui-la, mas tanto a SRF como a própria DRJ podem, facilmente, ter acesso ao órgão mencionado para aferir a regularidade do negócio realizado. E o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Preliminarmente, é imperioso esclarecer que o contribuinte não se insurgiu quanto à omissão de ganhos de capital em maio de1998, nem quanto à parte do acréscimo patrimonial a descoberto verificado em dezembro de 1999, no valor de R$ 16.695,98, tendo parcelado a exigência correspondente (fls. 200/202). Deste modo, o crédito tributário não litigioso foi transferido para o Processo n.° 10680.011711/2003-11, consoante documento acostado A. fl. 200. Portanto, restam em litígio no presente processo os valores de R$ 26.262,50 (R$ 30.853,90 - R$ 4.591,40) e R$ 634,35, respectivamente referentes aos exercícios de 2000 e 2001 (fl. 205). 3 Processo n° 10680.006870/2003-95 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.932 Fl. 248 Inicialmente, cumpre destacar que, consoante a jurisprudência pacifica deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na constatação de acréscimo patrimonial a descoberto devem ser consideradas todas as fontes e aplicações de recursos, desde que inequivocamente comprovadas nos autos (cf. Primeiro Conselho de Contribuintes, 6a Camara, Acórdão 106-17.183, de 16/12/2008, Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos). No que se refere à preliminar, sustenta o Recorrente que o auto de infração de fls. 5/10 padeceria de vicio insanável de nulidade, pois a fiscalização apurou o acréscimo patrimonial a descoberto mensalmente, como consta do Demonstrativo de Apuração do IRPF, anos-calendário 1999 e 2000, mas na tributação se utilizou da tabela anual. Ora, A luz do que se passa a expor, razão não assiste ao contribuinte. É válido pontuar que a avaliação do acréscimo patrimonial encontra respaldo na Lei Federal n°. 7.713/88. Confira-se: "Art. 2° 0 imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3 0 0 imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. § 1° Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados." 0 que se percebe, com a edição do instrumento normativo em referência, é que o ordenamento efetivamente adotou o sistema de bases correntes na tributação do imposto sobre a renda das pessoas fisicas, segundo o qual o tributo passa a ser devido mês a mês, conforme os rendimentos tributáveis forem sendo auferidos. Esta é a lição de Ivan Izoldi Avila e René Bergmann Avila: "A segunda alteração está na adoção definitiva do sistema de bases correntes, objeto de timidas tentativas anteriores. 0 tributo das pessoas físicas passa a ser devido, em cada mês, na mesma moeda cm que o rendimento ou ganho de capital é auferido, sendo recolhido por um dos três sistemas: - por via de retenção na fonte, obrigatória, quando a fonte pagadora for pessoa jurídica (art. 7°); - por via de recolhimento mensal a cargo do próprio contribuinte, obrigatório, quando as fontes pagadoras forem pessoas físicas, o chamado `carne-leão' (art. 8°); ou - por via de recolhimento mensal a cargo do próprio contribuinte, voluntário, quando titular de mais de uma fonte de renda, o chamado `mensaleão' (art. 23)" (in "0 Novo Imposto de Renda — Pessoa Física", Porto Alegre: Síntese, 1989. p. 17). Em consonância com os preceitos legais citados, o Regulamento do Impost sobre a Renda, Decreto n°. 1.041/1994 assim estabelecia: 4 Processo n° 10680.006870/2003-95 S2 -CIT I Acórdão n.° 2101 -00.932 Fl. 249 "Art. 115. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto, a pessoa física que receber de outra pessoa fisica, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no Pais (Lei n° 7.713/88, art. 8°). § 1° 0 disposto neste artigo também se aplica: e) ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva". "Art. 855. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei n° 4.069/62, art. 51, § 1°). Parágrafo único. 0 acréscimo do patrimônio da pessoa fisica seri tributado mediante recolhimento mensal obrigatório (art. 115, quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados salvo se o contribuinte provar gue aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis sujeitos a tributação definitiva ou jA. tributados exclusivamente na fonte (Lei n° 4.069/62, art. 52)." Disposição semelhante encontra-se contida no Regulamento do Imposto sobre a Renda editado pelo Decreto 3.000/99: "Art. 55. São também tributáveis (...): XIII - as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva". Cumpre trazer a colação, nesse passo, o entendimento assente na Camara Superior de Recursos Fiscais e no então Primeiro 1° Conselho de Contribuintes, consubstanciado nos seguintes acórdãos: "IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - CRITÉRIO DE APURAÇÃO - A partir do ano calendário de 1989, a omissão de rendimentos revelada através de "Acréscimo Patrimonial a Descoberto", deve ser apurada mensalmente nos exatos termos do art. 2°. da Lei n°. 7.713, de 1988." (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso de Divergência, Acórdão CSRF/04-00.415, relator Conselheiro Jose Ribamar Barros Penha, sessão de 12/12/2006). f). "ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - Sujeita-se A tributação por caracterizar omissão de rendimentos, o acréscimo patrimonial a descoberto apurado em Análise da Evolução Patrimonial Mensal, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva." 5 Processo n° 10680.006870/2003-95 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.932 Fl. 250 (1° Conselho de Contribuintes, 2. Camara, Recurso Voluntário n°. 139.458, relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de 25/01/2007) "IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - APURAÇÃO MENSAL - Tendo o imposto de renda tributação A. medida em que os rendimentos vão sendo percebidos deve o fisco, em seu trabalho de análise da atividade do contribuinte, voltar-se para o exato momento da ocorrência dos fatos a fim de imputar obediência ao principio constitucional tributário da isonomia. Destarte, necessária a análise mensal da evolução patrimonial, sem a qual restaria, também, maculada a determinação legal da formação do fato gerador." (1° Conselho de Contribuintes, 2 Camara, Recurso Voluntário n°. 127.683, relator designado Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 22/02/2002) Veja-se, por oportuno, que não se trata de alterar o aspecto temporal da hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A interpretação e, bem assim, a aplicação do comando legal em sua inteireza, demandam do aplicador a observância de preceitos contidos em outros diplomas legais. Nesse sentido, faz-se necessário compatibilizar os dispositivos com a Lei 8.134/1990, que assim dispõe: "Art. 2° 0 Imposto de Renda das pessoas fisicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11." "Art. 11. 0 saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual (art. 9°) sera determinado com observância das seguintes normas: I - será apurado o imposto progressivo mediante aplicação da tabela (art. 12) sobre a base de cálculo (art. 10); II - será deduzido o valor original, excluída a correção monetária do imposto pago ou retido na fonte durante o ano-base, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo (art. 10)" A regra, portanto, é de que o imposto é apurado anualmente. Antes da declaração anual, por força da alteração legislativa ocorrida com o advento da Lei Federal 7.713/88, o sujeito passivo passou a ter o dever de antecipar o seu recolhimento. Entretanto, como se sabe, tal antecipação não é definitiva, a não ser nos casos expressamente previstos em lei, como, por exemplo, no caso do ganho de capital em decorrência da alienação de bens ou direitos, tal como previsto no art. 21 da Lei 8.981/95. É de se ressaltar, nesse sentido, que o disposto na Lei 7.713/88 não estabelece o dever de recolher o tributo em definitivo, razão pela qual tais valores devem ser considerados na declaração anual do imposto em que se apura a base de cálculo, deduzindo-se as despesas incorridas e compensando-se o imposto devido com as antecipações operadas ao longo do ano-calendário. Nesse sentido é a jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes: "ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - CRITÉRIOS DE APURAÇÃO - A variação patrimonial do contribuinte deve, necessariamente, ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e 6 Processo no 10680.006870/2003-95 S2-C1 T1 Acórdão n.° 2101-00.932 FL 251 as aplicações de recursos. Tributam-se na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais encontrados através da apuração mensal. Interpretação sistemática das Leis nOS 7.713/88 e 8.134/90." (1° Conselho de Contribuintes, 2a Câmara, Recurso Voluntário n°. 143.035, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, sessão de 05/07/2007) Desse modo, infere-se que a fiscalização agiu com absoluta correção, apurando os acréscimos patrimoniais Ines a Ines e verificando, ao término do ano-base, o valor devido sobre o qual se aplicou a multa de oficio no montante de 75%, consoante as planilhas acostadas às fls. 15/16 dos autos, em que a fiscalização houve por colar o demonstrativo mensal do fluxo de caixa do Recorrente nos anos-calendário de 1999 e 2000. Isto posto, rejeito a preliminar suscitada e passo ao exame do mérito. É de se notar, a priori, que o acréscimo patrimonial a descoberto (APD) constitui presunção legal de recebimentos não declarados pelo contribuinte, sendo, portanto, mero meio probatório pelo qual se induz ao reconhecimento jurídico de um fato provado de maneira indireta, isto 6, com base em fato indicidrio. Isto e, provando-se diretamente o fato indicidrio, tem-se, por conseguinte, a formação de um juizo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte, invertendo-se o Onus probandi. No caso, provou-se, inequivocamente, que o patrimônio do contribuinte sofreu sensível alteração ao longo do ano- base, sendo tal evolução minuciosamente descrita nas planilhas de fls. 15/16. Ademais, conforme se depreende das Declarações de Ajuste Anual referentes aos anos-calendário 1999 e 2000 (fls. 154 a 157 e fls. 158 a 161, respectivamente), houve evolução patrimonial do Recorrente, passando de R$ 8.892.919,03 em 1999 para R$ 9.113.578,99 em 2000. Compulsando-se os referidos documentos, em especial a Declaração de fls. 158 a 161, que traz quadro comparativo da relação de bens e direitos do Recorrente em 1999 e 2000, denota-se que a diferença de valores se deve, em especial, ao item 57 da declaração, do qual constam R$ 110.000,00 indicando "dinheiro em espécie", não obstante outros valores recebidos de fundos de investimento e a titulo de distribuição de lucros. A disponibilidade financeira, portanto, no caso, e perfeitamente presumível em vista do efetivo aumento patrimonial dissonante da declaração de rendimentos oferecida à 1-1 Receita Federal. Nesse sentido, configura-se a hipótese de incidência da presunção prevista o no parágrafo primeiro do artigo 3° da Lei 7.713/88. Como se vê, em especial a partir dos argumentos expostos pelo Recorrente em sua peça recursal, no mérito a questão se cinge a não aceitação, pela fiscalização, de todos os empréstimos tomados em moeda corrente constantes de seu Demonstrativo de Fluxo de Caixa. Nesse diapasão, consignou o ilustre Auditor Fiscal, no Termo de Intimação Fiscal n° 172, que: "Cabe esclarecer que, na elaboração dos Demonstrativos de Variação Patrimonial - Fluxo de Caixa Financeiro, não foram consideradas as quantias referentes aos empréstimos obtidos tendo em vista a falta de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea (cópias de cheques, extratos bancários), dos valores 7 Processo n° 10680.006870/2003-95 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.932 Fl. 252 recebidos bem como a falta de comprovação da capacidade financeira dos credores nas datas dos respectivos empréstimos (por exemplo recebimento pela venda de algum bem ou saque bancário na mesma data ou em data anterior próxima concessão dos empréstimos)." In casu, não procede o argumento trazido á. baila pelo contribuinte de que tal tributação dos empréstimos, sem a respectiva documentação hábil e idônea a comprovar sua origem, decorreria de presunção não prevista em lei. Isso porque, uma vez mais, cumpre mencionar o já invocado parágrafo único do artigo 3°. da Lei n. 7713/88, apto a demonstrar a ocorrência do fato gerador quando tais numerários não possuem a comprovação. Todavia, a constatação de que o fato gerador ocorreu não implica que os numerários não possam ser justificados e, assim, não seriam classificados como acréscimo patrimonial a descoberto. 0 Recorrente, à fl. 221 do presente recurso voluntário, aduziu que: "Com relação ao recurso recebido do Sr. tick) Antonio de Azevedo, em dezembro de 1.999, é de ver que é recebimento de empréstimo anteriormente a ele feito, sua declaração de rendimentos comporta perfeitamente o pagamento, tudo conforme elaboração de seu Demonstrativo mensal de fluxo de caixa, que aqui se anexa. Portanto, sendo recebimento de empréstimos anteriormente concedidos deve ser considerado o recebimento como origem. Ainda neste item deve ser observado que o Recorrente apresentou saldo de dinheiro em espécie, no dia 31 de dezembro de 1999, o valor de R$ 110.000,00 evidentemente sendo parte deste numerário aquele valor de R$ 80.000,00, recebido de seu irmão tleio Antonio de Azevedo. No que se refere aos empréstimos efetuados no decorrer do ano de 2.000 tomados do Sr. Jairo Siqueira de Azevedo, são eles nas seguintes datas e valores: Data Valor 14.01.00 40.000,00 09.04.00 30.000,00 09.08.00 30.000,00 Total 100.000,00 Como comprovação da capacidade financeira, é de se considerar que o Sr. Jairo Azevedo fez constar na sua declaração de rendimentos do ano-base de 1.999 a propriedade e posse de R$ 170.000,00 em dinheiro, fato que justifica plenamente os empréstimos feitos ao Impugnante no ano-base de 2.000, inclusive e principalmente aquele relativo ao Ines de janeiro de 2.000 posto que atendida a exigência da fiscalização (recebimento pela venda de algum bem ou saque bancário na mesma data ou em data anterior próxima à concessão dos empréstimos)." Em que pese o entendimento manifestado pelo contribuinte, é inolvidável que, regra geral, não basta a mera alegação do Recorrente, em sua declaração de ajuste, de que o valor em referência seja oriundo de contrato de empréstimo. Faz-se mister, nesse sentido, que o contribuinte demonstre, seja por meio de extratos bancários que comprovem a saída ou 8 Processo n° 10680.006870/2003-95 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.932 Fl. 253 entrada de recursos em conta bancária, seja por meio da apresentação do contrato firmado e assinado pelas partes, a existência de tais recursos. Vê-se que, em principio, não tendo apresentado o contribuinte quaisquer documentos comprobatórios da existência efetiva do contrato, não pode a autoridade fazendária computar tais valores como integrantes do fluxo de caixa do Recorrente. Confira-se o entendimento do então Primeiro Conselho de Contribuintes a respeito do tema: "ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - EMPRÉSTIMO RECEBIDO - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO - Para que seja considerado como ingresso de recursos, o recebimento de empréstimo deve ser plenamente comprovado. 0 cheque administrativo entregue diretamente ao credor do contribuinte não é bastante para comprovar a existência do contrato de mútuo, já que não comprova o responsável pelo pagamento do respectivo titulo de crédito. Igualmente, a nota promissória, por ser representativa de um negócio jurídico abstrato, em oposição aos causais, sendo por ela mesma válida para determinar a obrigação do pagamento, não revela a causa do negócio jurídico. Logo, não é prova efetiva do mútuo por não se prestar somente a esta finalidade, qual seja a de garantir um empréstimo." (1° Conselho de Contribuintes, 20 Câmara, Recurso Voluntário n°. 146.993, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, sessão de 21/06/2006). "IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - Incide imposto de renda pessoa física sobre os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, nos termos do artigo 3°, § 1 0 , da Lei n° 7.713/88. Para que empréstimos ou contratos de mútuo possam ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar dispêndios ou variação patrimonial, necessário se faz que a ocorrência dos negócios jurídicos esteja efetivamente comprovada." (...) (1° Conselho de Contribuintes, e Câmara, Recurso Voluntário n° • 141.361, relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, sessão de 03/12/2004). "VARIAÇÃO PATRIMONIAL - COMPROVAÇÃO - DINHEIRO EM ESPÉCIE - MÚTUO ENTRE DESCENDENTES - DECLARAÇÃO RETIFICADORA - Valores declarados, a titulo de dinheiro em espécie e de mútuo entre ascendentes/descendentes, informados em declaração retificadora apresentad após o inicio do procedimento fiscal, só podem ser aceitos para acobertar acréscim patrimonial a descoberto se acompanhado de provas de sua real existência, ao final do ano-calendário e da efetiva entrega dos recursos objeto do mútuo." (1° Conselho de Contribuintes, 4a Camara, Recurso Voluntário n°. 138.775, relator Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, sessão de 11/08/2004). "EMPRÉSTIMOS - COMPROVAÇÃO - Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos por empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo, feita somente com a declaração firmada pelo mutuante, sem qualquer outro meio, como comprovação da efetiva transferência de numerário, capacidade financeira do credor, ou ainda, regularmente declarado pelos 9 11 Processo n° 10680.006870/2003-95 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.932 Fl. 254 contribuintes, devedor e credor, nas declarações de rendimentos tempestivamente apresentadas." (1° Conselho de Contribuintes, 4 Câmara, Recurso Voluntário n°. 120.481, relator Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de 01/12/2004). Ocorre, todavia, que, em se tratando de empréstimo entre irmãos, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem mitigado a exigência do contrato escrito, admitindo apenas e tão-somente a indicação dos valores do negócio nas declarações de ajuste anual do mutuante e do mutuário. No presente caso, o Recorrente sustenta que o empréstimo no valor de R$ 80.000,00, concedido por seu irmão Elejo Antonio de Azevedo, estaria incluído na disponibilidade financeira de R$ 110.000,00, constante da declaração de ajuste anual do contribuinte. Ainda que essa assertiva estivesse correta, em nada beneficia o Recorrente, pois os R$ 110.000,00 foram considerados pela fiscalização como origem de recursos no demonstrativo de fls. 15/16. No que se refere A. alegação de que a autoridade lançadora deveria ter considerado como origem de recursos, no ano-calendário de 2000, o valor de RS 100.000,00, referente a empréstimos contraídos com seu irmão Jairo Siqueira de Azevedo, nos valores de R$ 40.000,00, R$ 30.000,00 e R$ 30.000,00, entendo que o recurso deva ser provido, pois tais valores foram indicados na declaração de ajuste anual do mutuante e do mutuário, que são irmãos. Por derradeiro, cite -se que, quanto a inclusão da venda de um automóvel em dezembro de 1999 por R$ 15.500,00, tampouco é possível acatar o pleito do Recorrente, uma vez que, saliente-se, o ônus da prova é do contribuinte, e não da fiscalização, o qual, ao admitir que não mais possui o recibo do DETRAN, não logrou comprovar a origem do recurso. De acordo com os fundamentos mencionados retro, conclui-se que (i) a evolução patrimonial do contribuinte deve ser aferida de forma mensal, com base em demonstrativo de evolução patrimonial; (ii) tal apuração mensal não significa, pois, que tais rendimentos não devam ser computados anualmente, em conjunto com a declaração de ajuste, eis que a tributação exclusiva mensal é exceção A regra da tributação anual da renda; (iii) no caso verificou-se a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto apenas no ano-calendário de 1999, uma vez que o patrimônio declarado ao final do ano-base foi superior aos rendimentos informados pelo contribuinte. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de AFASTAR a preliminar e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para afastar o APD relativamente ao ano- calendário de 2000. Alexandre Naoki Nishioka 10
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001490/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2001
RECEITA BRUTA. LIMITE. EFEITO DA EXCLUSÃO.
É precluso o ingresso ou a permanência no Simples Federal daquele
Contribuinte que, no ano calendário anterior, tenha auferido receita total acima do limite imposto no art. 9º, inciso II, da Lei nº 9.317/96.
Numero da decisão: 1402-000.500
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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LIMITE. EFEITO DA EXCLUSÃO. É precluso o ingresso ou a permanência no Simples Federal daquele Contribuinte que, no anocalendário anterior, tenha auferido receita total acima do limite imposto no art. 9º, inciso II, da Lei nº 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.001490/200631 Acórdão n.º 140200.500 S1C4T2 Fl. 133 2 Relatório Colégio Padre Anchieta S/C Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Campinas/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de negativa de ingresso/permanência no Simples Federal (Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996) à conta de excesso de receita bruta auferida no anocalendário de 2000 (fls. 21, 76/78, 105/106), dada à ciência do Contribuinte em 18/07/2006 (fl. 108), que, à sua vez, manifestase inconformado em 16/08/2006 (fls. 01/16), quando alega, breve síntese, que a receita considerada para efeito de sua exclusão do sistema foi não só aquela auferida da prestação de serviço de “Educação Infantil e Ensino Fundamental”, bem como a decorrente da prestação de serviço de educação afeta ao 2º grau de ensino. Considerada apenas a primeira atividade, a sua receita não ultrapassaria o limite criticado pela DRF de origem. A digna Autoridade Fiscal ora impugnada não atentou para o fato de que as receitas declaradas no anocalendário de 2000 englobavam todas as receitas auferidas pelo Impugnante, ou seja, não só aquelas advindas da “Educação Infantil e Ensino Fundamental”, como também, outras receitas derivadas das outras atividades de ensino, conforme a seguir se demonstra e que estão devidamente atestadas na contabilidade da sociedade, [...] (fl. 08). Subsidiariamente, argumenta que a sua exclusão venha a ter efeitos a partir de 02/08/2004, data de expedição do Ato Declaratório Executivo.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 05 26.743 (fls. 110112) de 10/09/2009, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela impugnante. A decisão foi assim ementada. “RECEITA BRUTA. LIMITE. EFEITO DA EXCLUSÃO. Não é permitido o ingresso ou a permanência no Simples Federal daquele Contribuinte que ultrapassa o limite de receita imposto no art. 9º, inciso II, da Lei nº 9.317, esta apurada globalmente, isto é, sem considerar sua eventual distribuição entre atividades permitidas e não permitidas no âmbito do sistema em causa. De outro tanto, na hipótese, a exclusão do sistema em referência terá lugar a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado dito limite de receita.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 21/10/2009 (termo de fl. 119), a interessada interpôs recurso voluntário em 04/11/2009 (fls. 116130) onde repisa seus argumentos apresentados em sede de impugnação. Fl. 151DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.001490/200631 Acórdão n.º 140200.500 S1C4T2 Fl. 134 3 É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Por concordar com os fundamentos apresentados na decisão de primeira instância, peço vênia ao autor para adotar como razões de decidir o voto contido no acórdão recorrido, o qual transcrevo a seguir. “Para o desate da questão posta desimporta o critério da atividade econômica explorada. O que interessa – e é o próprio Contribuinte que o admite e demonstra (fls. 09/10) – é o montante de receita bruta auferida no curso do anocalendário de 2000: R$ 1.223.559,95, acima do limite previsto no art. 9º, inciso II, todos da Lei nº 9.317, de 1996, vigente à época (R$ 1.200.000,00). Nesse passo, não há na Lei nº 9.317, de 1996, o descrímen sugerido pelo Contribuinte: segregação das receitas em função da natureza da atividade econômica explorada, particularmente, entre uma vedada e outra não no âmbito do sistema tributacional em consideração. De outro lado, sobre os efeitos da exclusão da sistemática do Simples Federal, na hipótese versada (excesso de receita bruta), há previsão legal expressa: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; O Contribuinte, no anocalendário de 2000, ele próprio o admite, ultrapassou o limite versado no art. 9º, inciso II, da Lei nº 9.317, de 1996, vigente à época. Logo, deve ser excluído do Simples Federal com efeitos a partir de 01/01/2001. Posto isto, e tudo o mais que dos autos consta, este voto é pelo INDEFERIMENTO DA SOLICITAÇÃO.” Concluise, portanto, que, ao contribuinte que no anocalendário de 2000 auferira receitas totais (incluindo aqui aquelas advindas de atividades vedadas ou não aos optantes do regime) acima do limite previsto, era vedada a opção pela sistemática do Simples no ano posterior. Assim, a empresa não poderia optar pela sistemática simplificada no ano calendário de 2001. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.001490/200631 Acórdão n.º 140200.500 S1C4T2 Fl. 135 4 Fl. 153DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10855.003316/2004-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
O lançamento da infração de omissão de rendimentos/receitas de aluguéis deve recair sobre o proprietário do imóvel, ainda que os valores sejam depositados em contas bancárias de terceiros.
Numero da decisão: 2102-001.084
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O lançamento da infração de omissão de rendimentos/receitas de aluguéis deve recair sobre o proprietário do imóvel, ainda que os valores sejam depositados em contas bancárias de terceiros. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 09/03/2011 Fl. 96DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10855.003316/200498 Acórdão n.º 210201.084 S2C1T2 Fl. 93 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JERSU FERREIRA foi lavrado Auto de Infração, fls. 14/18, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativo ao ano calendário 2002, exercício 2003, no valor total de R$ 54.893,16, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2004. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Constatação Fiscal nº 001, fls. 07/08, foi omissão de rendimentos recebidos da Companhia Brasileira de Distribuição, no valor de R$ 111.323,10. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 21, onde alega o que se segue: É sócio da empresa Cerealista Ferreira Ltda, proprietária do imóvel alugado para a Cia. Brasileira de Distribuição. A Cerealista Ferreira Ltda se encontra impedida de manter contas em bancos, motivo pelo qual os aluguéis recebidos da Cia. Brasileira de Distribuição eram efetuados em sua contacorrente. A Cerealista Ferreira Ltda declara como receita o recebimento dos aluguéis. A DRJ São Paulo II julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão nº 1727.868, de 01/10/2008, fls. 75/77, justificando sua decisão nas seguintes razões: (i) o contribuinte deixou de comprovar a transferência dos valores recebidos à título de aluguel para a Cerealista Ferreira; (ii) também não restou comprovado que a mencionada pessoa jurídica houvesse tributado as receitas de aluguéis nos anoscalendário anteriores; (iii) a DIPJ/2003 da Cerealista somente foi apresentada em 21/12/2004, data posterior à lavratura do Auto de Infração. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 14/04/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 83, o contribuinte apresentou, em 13/05/2009, recurso voluntário, fls. 84/89, onde alega, em apertada síntese, que a fonte pagadora, caso não efetue a retenção no fonte, é responsável pelo pagamento do imposto incidente sobre rendimentos de aluguéis recebidos por pessoa física de pessoa jurídica. É o Relatório. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10855.003316/200498 Acórdão n.º 210201.084 S2C1T2 Fl. 94 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Dos documentos acostados aos autos não resta dúvida de que o imóvel alugado à Cia. Brasileira de Distribuição pertence à Cerealista Ferreira Ltda e que, via de conseqüência, as receitas provenientes do referido aluguel foram auferidas pela Cerealista. Logo, a tributação dos valores recebidos a título de aluguéis deve recair sobre a Cerealista, que é a proprietária dos imóveis alugados. Ressaltese que o fato de os valores serem depositados na contacorrente do sócio não transfere ao mesmo a titularidade dos valores correspondentes aos aluguéis, independentemente de ter ou não ocorrido o repasse dos valores recebidos para a Cerealista. Na hipótese de o sócio da Cerealista ter se apropriado das receitas da pessoa jurídica, a implicação e a possível infração imputada ao sócio jamais seria a de omissão de rendimentos de aluguéis. Aliás, a existência de omissão de rendimentos de aluguéis está condicionada à existência de posse ou a propriedade de imóveis, salvo nos casos de sub locação, o que definitivamente não é o caso. Também não se pode manter a infração de omissão de rendimentos de aluguéis sobre o sócio da pessoa jurídica, proprietária do imóvel, sob a fundamentação de que a empresa deixou de tributar a receita ou que somente o tenha feito após o lançamento imputado ao sócio. Tais fatos devem ter como conseqüência a exigência do tributo devido pela proprietária do imóvel e não na manutenção do lançamento efetivado com claro erro na identificação do sujeito passivo. Nessa conformidade, não pode prosperar o lançamento imputado ao recorrente. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 98DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10855.003316/200498 Acórdão n.º 210201.084 S2C1T2 Fl. 95 4 Fl. 99DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
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