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Numero do processo: 10183.005913/2004-15
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2801-001.396
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Julio Cezar da Fonseca Furtado, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Fl. 133DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 17/02/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 2 Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 155.045,42, referente ao exercícios de 1999, a título de imposto (R$ 42.213,86), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$31.660,39), além de juros de mora (R$ 41.171,17). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, a título de resgate de previdência privada Centrus Instituto Mato Grosso de Seguridade Social, conforme informação constante da DIRF apresentada pela referida fonte pagadora. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que: • O imposto de renda em discussão ficou à disposição da Justiça Federal até a decisão final transitada em julgado, sendo liberada através de Alvará Judicial, após unânime decisão, onde a procedência deste auto de infração se torna incabível; • A baixa definitiva do processo judicial em que houve a interposição de Apelação interposta pela Fazenda Nacional deuse em 15/07/2003, com decisão final transitada em julgado; • Restalhe proceder a correspondente retificação em sua DIRPF/1999, do valor correspondente ao imposto de renda no caso do resgate quanto às contribuições pagas a partir de 01/01/1996 e no rateio do patrimônio, como determinou a decisão transitada em julgado. Por falta de elementos suficientes à solução da lide, os autos retornaram à delegacia de origem para que fosse realizada diligência junto ao Centrus — Instituto Mato Grosso de Seguridade Social, ao contribuinte e à Justiça Federal, a fim de que fossem esclarecidos e detalhados os seguintes pontos: a) discriminar a parcela do resgate ocorrido em 1998, decorrentes das contribuições efetuadas dentro do período de janeiro/1989 a dezembro/1995, bem como das contribuições efetuadas a partir de janeiro/1996; b) confirmar a correção da DIRF apresentada pela fonte pagadora; c) verificar se o contribuinte retificou a DIRPF/2004, incluindo os resgates efetuados em 2003, decorrentes dos Alvarás de Levantamento; d) elaborar relatório com as conclusões do auditor responsável pela diligência. O resultado da diligência consta do Relatório Fiscal de fls. 93/94, que foi instruído com os documentos de fls. 62/92. A 2ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS, conforme Acórdão de fls. 97/101, julgou procedente em parte o lançamento sob os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 17/02/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10183.005913/200415 Acórdão n.º 280101.396 S2TE01 Fl. 126 3 O resgate de contribuições de previdência privada é tributável, excetuandose, apenas, os correspondentes às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, cujo ônus tenha sido da pessoa física. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 17/02/2010 (fl. 107), o interessado, representado por seu procurador (fl. 114), interpôs o recurso voluntário de fls. 110/113, em 15/03/2010, no qual defende a improcedência do lançamento, argumentando que o valor em questão foi recebido pela extinção da Entidade de Previdência Privada, como verba indenizatória, sendo, portanto, isento da incidência do imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Embora a preliminar de decadência não tenha sido suscitada pelo recorrente, por ser matéria de ordem pública, pode ser levantada de ofício, como ocorre no presente caso. De plano, importa registrar que não houve a imposição de multa de oficio qualificada para a exigência formalizada no presente lançamento, restrito ao exercício de 1999, anocalendário de 1998. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 135DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 17/02/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 4 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 17/02/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10183.005913/200415 Acórdão n.º 280101.396 S2TE01 Fl. 127 5 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Assim, considerando que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, verificase que houve pagamento antecipado, ainda que a menor, conforme extrato de fl. 18, que reúne as informações apresentadas em DIRF por todas as fontes pagadoras do autuado, relativamente ao anocalendário de 1998. Portanto o prazo decadencial contase a partir de 31/12/1998. Ora, se somente em 23/12/2004 (fl. 08) o contribuinte foi notificado do auto de infração, resta cancelar o lançamento por força da decadência. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 137DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 17/02/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.001352/99-01
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.615
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 14041.000668/2005-06
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO A
UNESCO/ONU - TRIBUTAÇÃO — São tributáveis os rendimentos decorrentes
da prestação de serviço junto A Organização das Nações Unidas para a
Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais
contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos
internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal
e tributária. (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005).
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA
BASE DE CALULO - A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de
oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão
CSRF n°01-04.987 de 15/06/2004).
Recurso parcialmente provid
Numero da decisão: 102-48.182
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir do lançamento a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 14041.000668/2005-06 Recurso n° 150.346 Voluntário Matéria IRPF - Exercício de 2003 Acórdão n° 102-48.182 Sessão de 26 de janeiro de 2007 Recorrente DANIELA BUOSI Recorrida 3 TURMA/DRJ-BRASILIA/DF Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO A UNESCO/ONU - TRIBUTAÇÃO — São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CALULO - A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n°01-04.987 de 15/06/2004). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir do lançamento a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. mraL LEILA b IA SCHERRER LEITÃO Presidente nCfati Processo ri.° 14041.000668/2005-06 CCOI/CO2 Acórdão n.° 10248.182 Fls. 2 "Ofal ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Relator FORMALIZADO EM: 02 ABR 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NAURY FRAGOSO TANAKA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, SILVANA MANCINI KARAM, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. n Processo n.° 14041.000668/2005-06 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-48.182 Fls. 3 Relatório • DANIELA BUOSI recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 3' TURMA/DRJ-BRASILIAJDF, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972 (PAF). Trata-se de exigência de IRPF no valor original de R$ 25.218,23 (inclusos os consectários legais até a data da lavratura do auto de infração). Em razão de sua pertinência, peço vênia para adotar e transcrever o relatório da decisão recorrida (verbis): "Contra a contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao exercício 2003, ano-calendário de 2002, lavrado por AFRF da DRF/Brasília/DF. A ciência do lançamento ocorreu em 06/09/2005, conforme Aviso de Recebimento de fi. 77. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (...) O referido lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos de Fontes no Exterior: omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismos Internacionais (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU), no valor de R$ 50.193,72, informados• indevidamente como rendimentos isentos e não tributáveis na DIRPF/2003. Enquadramento legal: arts. 1°a 3°e 8° da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1°a 4° da Lei n° 8.134, de 1990; art. 6° da Lei n°9.250, de 1995; art da Lei n° 10.541, de 2002; arts. 55, VII e 995 do RIR/1999; arts. 22 e 23 da IN SRF n°073, de 1998 e arts. 21 e 22 da IN SRF n° 208, de 2002. Multa Exigida Isoladamente pela Falta de Recolhimento do IRPF Devido a Titulo de Carnê-Leão: falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, tendo em vista a omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismos Internacionais, caracterizada pela constatação de que os rendimentos foram declarados como isentos e não tributáveis na DIRPF/2003. Enquadramento legal: art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988 c/c arts. 43 e 44, §1", III da Lei n° 9.430, de 1996; art. 957, parágrafo único, III do R1R11999; art. 22 da IN SRF n° 073, de 1998 e art 21 da IN SRF n° 208, de 2002. Em 12/09/2005, o lançamento foi impugnado, em petição de fls. 78/90, acompanhada dos documentos delis. 91/136, na qual se alega, resumidamente, o quanto segue: Preliminarmente, por meio de transcrição dos arts. 43 e 45 do Código Tributário Nacional — CTN, sustenta que a responsabilidade pelo pagamento do Imposto de Renda é da fonte pagadora (UNESCO/ONU), independente de constar no contrato de trabalho que a obrigação pela retenção do Imposto seria do contratado. Por conseguinte, os valores recebidos são líquidos. Ainda, de forma preliminar, solicita a exclusão dos juros de mora e das multas em observância ao parágrafo único do art. 100 do CTIV, pois acredita que se aplicam a eles os Pareceres Normativos es. 17, de 06/04/1979 e 03, de 28/08/1996. Tais Pareceres, feitos em atendimento à consultas do PNUD, esclarecem que não têm direito à isenção os funcionários recrutados no local e que sejam remunerados à taxa horária, condições cumulativas. Situação diversa tem a contribuinte, posto que trabalhava de forma permanente para o Organismo. Processo n.° 14041.000668/2005-06 CC0I/CO2 Acórdão n.° 102-48.182 Fls. 4 Relata que foi contratada pela UNESCO/ONU, a fim de trabalhar co;: horário pré- estabelecido, sob subordinação hierárquica, em labor não eventual e mediante o recebimento de salários fixos mensais. De acordo com o previsto em convenções e acordos internacionais promulgados pelo Brasil, deveria gozar de isenção de Imposto de Renda em virtude de trabalhar para Organismo Internacional, mas, apesar de haver informado na declaração de rendimentos que gozava de isenção, foi surpreendida com o auto de infração. A Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n°27.784, de 1950, dispõe nas Seções 17 e 18 do artigo V que as categorias de funcionários determinadas pelo Secretário-Geral da ONU, segundo lista submetida à Assembléia Geral e comunicada aos Governos dos membros, estarão isentos de qualquer imposto sobre salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas. Idêntica linha de raciocínio é adotada pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n° 52.288, de 1963, ao declarar que os funcionários gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas as de que gozam os funcionários das Nações Unidas. Defende, então, a supremacia dos tratados internacionais em relação à legislação interna, por força do disposto no art. 5°, § 2° da Constituição Federal e nos arts. 96 e 98 do CTN e a aplicação da Convenções indistintamente aos funcionários estrangeiros ou nacionais dos Organismos Internacionais. A seguir, adota as razões contidas na decisão prolatada pelo Juiz Substituto da 19" Vara Federal de Brasília/DF, o Dr. Juliano Taveira Bernardes, no processo n° 99.9405-8, em 05/02/2001, transcritas na impugnação e resumidas adiante. A fruição da isenção depende da contribuinte incluir-se dentre as categorias indicadas pelo Secretário Geral da ONU (Seção 17 do art. V do Decreto n° 27.784, de 1950); enquadrar-se na conceituaç tio de 'funcionário da ONU"; e de determinar se é necessária a veiculação de seu nome na lista periódica prevista no dispositivo. O primeiro requisito foi cumprido com a Resolução n° 76 da ONU, de 07/12/1946, que outorgou os privilégios e imunidades mencionados nos artigos V e VII da Convenção em tela a todos os membros do pessoal das Nações Unidas, à exceção daqueles recrutados no local e que sejam remunerados à taxa horária, condições estas cumulativas. • Foi cumprido, também, o segundo requisito ao se afastar a limitação dos privilégios e imunidades previstos na Convenção daqueles que atendam ao art. 4.1 do Estatuto de Pessoal da ONU, e considerar o conceito nacional de 'funcionário". No direito pátrio, o termo 'funcionário" é de utilização exclusiva na definição de servidores públicos civis e, portanto, a alusão a funcionários da ONU deve ser entendida como empregados da ONU. A contribuinte atendeu a todos os requisitos necessários para a configuração de uma relação de emprego, conforme estabelece o art. 3 0 da Consolidação das Leis Trabalhistas — CL T. Quanto à identificação das categorias dos funcionários a serem beneficiados com a isenção, o Conselho de Contribuintes têm considerado ser inexigível do contribuinte a produção desta prova Ademais, a Resolução n° 76, de 1946 já determinou as categorias favorecidas com a isenção, logo a comunicação periódica é mera faculdade deferida ao Secretário Geral da ONU e não requisito de gozo da isenção. Assim, conclui que preenche todos os requisitos para a fruição da isenção. • • Processo n.° 14041.000668/2005-06 CC0UCO2 Acórdão n.° 102-48.182 Fls. 5 Seu entendimento é corroborado por orientações emanadas pela Receita Federal, contidas no Parecer CST n° 717, de 06/04/1979 e nas perguntas 172 e 176 do Manual Perguntas e Respostas de 1995, transcritos. Transcreve, também, jurisprudência do Tribunal Regional Federal da I° Região, da Sexta Cámara do Primeiro Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes, favoráveis a sua tese. Por fim, solicita a declaração de insubsistência do auto de infração e a conseqüente inexigibilidade do crédito tributário lançado. (..)" A DRJ proferiu em 20/12/05 o Acórdão n° 16.065, do qual se extrai as seguintes conclusões do voto condutor (verbis): "(...)Temos, então, que os rendimentos recebidos pela contribuinte da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, decorrente da prestação de serviços contratuais, não gozam de isenção do Imposto de Renda por falta de previsão legal, e estão sujeitos à tributação mensal sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão) no mês do recolhimento, sem prejuízo do ajuste anual. Quanto à solicitação de exclusão dos juros de mora e das multas aplicadas, em virtude do disposto no art. 100, parágrafo único do CTN c/c os Pareceres Normativos n°s. 17, de 1979 e 03, de 1996, verifica-se que a contribuinte encontra-se em situação diversa da exposta nos Pareceres. Ela não se enquadra na condição de funcionária do Organismo, não sendo possível beneficiar-se com a exclusão de penalidades prevista no art. 100 do CTN por observáncia das orientações contidas nos Pareceres. O pedido de exclusão de penalidades deve, por tal motivo, ser indeferido. A segunda infração, multa exigida isoladamente pela falta de recolhimento do carnê- leão, foi impugnada pelo contribuinte somente de forma indireta ao discordar da tributação dos rendimentos auferidos da UNESCO. Conseqüentemente, ao ser mantido o imposto lançado, fica mantida a aplicação da multa. Em resumo, VOTO pela PROCEDÊNCIA do lançamento. (..)" Cientifica, a aludida decisão foi objeto de recurso voluntário que, em síntese, reitera e aprofunda as alegações da peça impugnatória. A unidade da Receita Federal responsável pelo preparo do processo, efetuou o encaminhamento dos autos a este Conselho, tendo sido verificado atendimento à Instrução Normativa SRF n° 264/2002. É o Relatório. Processo n.° 14041.000668/2005-06 CCOI/CO2 Ac6rdâo n.° 102-48.182 Fls. 6 Voto Conselheiro ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. O litígio versa sobre exigência de IRPF sobre valores recebidos por serviços prestados em território brasileiro a organismo internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU), declarados como rendimentos isentos. Exige-se também a multa de oficio isolada pela falta de recolhimento mensal obrigatório do IRPF sobre tais rendimentos. De inicio cumpre registrar que nos procedimento de auditoria, bem assim na lavratura do auto de infração, foram observadas as pertinentes normas do Decreto 70.235 de 1972 (PAF) e da Lei 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), especialmente os art. 10 do PAF e art. 142 do CTN. Logo, não se observam vícios ou falhas tendentes a macular a exigência tributária. A matéria de fundo, rendimentos pagos por "Organismos Internacionais, em face de prestação de serviços por nacionais, contratados no País, mas sem vínculo empregaticio", já é por demais conhecida no Primeiro Conselho de Contribuinte, sendo que a jurisprudência predominante está refletida nos recentes acórdãos da 4a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, senão vejamos: Tipo do Recurso: RECURSO DE DIVERGÊNCIA Data da Sessão: 21/06/2005 Acórdão: CSRF/04-00.024 Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD - TRIBUTAÇÃO — São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. Recurso especial provido Peço vênia para aqui adotar, como razões de decidir, os fundamentos da Ilustre Conselheira MAMA HELENA COTTA CARDOZO, presidente da 4a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, manifestados em declaração de voto no Acórdão n° 104-20.451 de 23/02/2005 (verbis): "(...)A solução da lide requer a análise sistemática de toda a legislação que rege a matéria, e não apenas a invocação de alguns dispositivos legais que, citados de forma isolada, podem induzir o Julgador a unia conclusão precipitada, divorciada da 'ultima ratio' que norteia a concessão da isenção em tela. Processo n.° 14041.000668/2005-06 CCOI/CO2 Acenda° n.° 10248.182 Fls. 7 O artigo 5° da Lei n°4.506/64, reproduzido no artigo 23 do RJR/94 e no artigo 22 do RIR/99, assim estabelece: 'Art. 5° Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: 1- Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; II - Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; III - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens II e III deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país.' (grifei) Quanto aos incisos I e III, não há dúvida de que são dirigidos a estrangeiros, seja»: eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros países. No que tange ao inciso II, este menciona genericamente os 'servidores de organismos internacionais', nada esclarecendo sobre o seu domicilio, o que conduz a unia conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em tela faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso II são contribuintes como residentes no estrangeiro. Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no País, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que o inciso II, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Assim, _fica demonstrado que o art. 5° da Lei n° 4.506/64, acima transcrito, não contempla a situação do Recorrente — brasileiro residente no Brasil. Ainda que pudesse ser aplicado a uni nacional residente no País — o que se admite apenas para argumentar —, o dispositivo legal em foco é claro ao determinar que a isenção concedida aos servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte tem de estar prevista em tratado ou convênio. Nesse passo, tratando-se de rendimentos pagos pelo PNUD — Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, verifica-se a existência do 'Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atómica s, promulgado pelo Decreto 17° 59.308, de 23/09/1966, que assim prevê: 'ARTIGO V Facilidades, Privilégios e Imunidades I. O Governo, caso ainda não esteja obrigado a fazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, findo e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito à Organização das Nações Unidas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'; b) com respeito às Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas '; Processo n.° 14041.000668/2005-06 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-48.182 Fls. 8 c) com respeito à Agência Internacional de Energia Atómica o 'Acordo sobre Privilégios e Imunidades da Agência Internacional de Energia Atômica' ou, enquanto tal Acordo não for aprovado pelo Brasil, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'.' (grifei) Ressalte-se que o PNUD é um programa das Nações Unidas, e não uma das suas Agências Especializadas que, conforme a própria 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas', são: Organização Internacional do Trabalho. Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Organização Mundial de Saúde, Associação Internacional de Desenvolvimento, Corporação Financeira Internacional, Fundo Monetário Internacional, Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, Organização de Aviação Civil Internacional, União Internacional de Telecomunicações, União Postal Universal, Organização Meteorológica Mundial e Organização Marítima Consultiva Intergovernamentat Sendo o PNUD um programa especifico da Organização das Nações Unidas, as respectivas facilidades, privilégios e imunidades devem seguir os ditames,- conforme comando do artigo Via, acima, da 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'. Esta, por sua vez, foi firmada em Londres, eu: 13/02/1946, e promulgada pelo Decreto n°27.784, de 16/02/1950. Dita Convenção assim prevê: 'ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VIL Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros. Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais (inclusive seus pronunciamentos verbais e escritos); b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; c) serão isentos de todas as obrigações referentes ao serviço nacional; d) não serão submetidos, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, às restrições imigratórios e às formalidades de registro de estrangeiros; e) usufruirão, no que diz respeito à facilidades cambiais, dos mesmos privilégios que os funcionários, de equivalente categoria, pertencentes às Missões Diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado; fi gozarão, assim como suas esposas e demais pessoas da familia que deles dependam, das mesmas facilidades de repatriamento que os funcionários diplomáticos em tempo de crise internacional; g) gozarão do direito de importar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado. Processo n.° 14041.000668/2005-06 CCO I /CO2 Acórdão n.° 102-48.182 Fls. 9 Seção 19. Além dos privilégios e imunidades previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os sub-secretários gerais, tanto no que lhes diz respeito pessoalmente, como no que se refere a seus cônjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos.' (grifei) De plano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários da ONU e encontra-se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: imunidade de jurisdição; isenção de serviço militar; facilidades imigratórios e de registro de estrangeiros, inclusive para sua família; privilégios cambiais equivalentes aos funcionários de missões diplomáticas; facilidades de repatriamento idênticas às dos funcionários diplomáticos, em tempo de crise internacional; liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no país interessado. Embora a Convenção ora enfocado utilize a expressão genérica funcionários, a simples leitura do conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o termo não abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no Pais, benefícios tais conto facilidades imigratórios e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, facilidades de repatriamento e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no País. Assim, fica claro que as vantagens e isenções — inclusive do imposto sobre salários e emolumentos — relacionadas no artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas não são dirigidas aos brasileiros residentes no Brasil, restando perquirir-se sobre que categorias de funcionários seriam beneficiárias de tais facilidades. A resposta se encontra no próprio artigo V da Convenção da ONU, na Seção 17, que a seguir se recorda: 'ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VIL Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros.' A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de benefícios de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funcionário a que se refere o artigo V da Convenção da ONU — e que no inciso lido art. 5° da Lei n°4.506/64 é chamado de servidor — é o fiincionário internacional, integrante dos quadros da ONU com vínculo estatutário, e não apenas contratuaL Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo V da Convenção da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vinculo contratual permanente. Destarte, verifica-se que o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas harmoniza-se perfeitamente com o Inciso II, do art. 5°, da Lei n° 4.506/64 (transcrito no início deste voto), já que ambos prevêem isenção do imposto de renda apenas para os não residentes no Brasil. Com efeito, conjugando-se esses dois comandos legais, conclui-se que os servidores/funcionários neles mencionados são aqueles funcionários internacionais, em relação aos quais é perfeitamente cabível a tributação de outros rendimentos produzidos no País como de residentes no Processo n.° 14041.000668/2005-06 CC01/CO2 Acórdão n.° 102-48.182 Fls. 10 estrangeiro, bem como a concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriamento e de importação de mobiliário/bens de uso pessoal quando da primeira instalação no BrasiL Afinal, esses funcionários não são residentes no País, daí a justificativa para esse tratamento diferenciado. Quanto aos técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui recrutados, não há qualquer fundamento legal ou mesmo lógico para que usufruam das mesmas vantagens relacionadas no artigo V da Convenção da ONU, muito menos para que seja pinçado, dentre os diversos benefícios, o da isenção de imposto sobre salários e emolumentos, com o escopo de aplicar-se este — e somente este — a ditos técnicos. Tal procedimento estaria referendando a criação — à margem da legislação — de uma categoria de funcionários da ONU não enquadrável em nenhwna das existentes, a saber os 'técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de renda', o que de forma alguma pode ser admitido. Corroborando esse entendimento, o artigo VI da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas assim dispõe: 'ARTIGO VI Técnicos a serviço das Nações Unidas Seção 22. Os técnicos (independentes dos funcionários compreendidos no artigo 10, quando a serviço das Nações Unidas, gozam enquanto em exercício de suas funções, incluindo-se o tempo de viagem, dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho de suas missões. Gozam, em particular, dos privilégios e imunidades seguintes: a) imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais; b) imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas missões (compreendendo-se os pronunciamentos verbais e escritos). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que os indivíduos em questão tenham terminado suas funções junto à Organização das Nações Unidas. c) inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) direito de usar códigos e de receber documentos e correspondências em malas invioláveis para suas comunicações com a Organização das Nações Unidas; e) as mesmas facilidades, no que toca a regulamentação monetária ou cambial, concedidas aos representantes dos governos estrangeiros em missão oficial temporária. j) no que diz respeito a suas bagagens pessoais as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos. Seção 23. Os privilégios e imunidades são concedidos aos técnicos no interesse da Organização das Nações Unidas e não para que aufiram vantagens pessoais. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um técnico sempre que, a seu juízo impeçam a justiça de seguir seus trámites e quando possa ser suspensa sem trazer prejuízo aos interesses da Organização.' • Processo n.° 14041.000668/2005-06 CC01/CO2 Acórdão n.° 102-48.182 Fls. 11 Corno se vê, a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não consta — e nem poderia constar — da relação de beneficios concedidos aos técnicos a serviço das Nações Unidas. Constata-se, assim, a existência de um quadro de funcionários internacionais estatutários da ONU, que goza de um conjunto de benefícios, dentre os quais o de isenção de imposto sobre salários e emolumentos, em contraposição a uma categoria de técnicos que, ainda que possuindo vínculo contratual permanente, não é albergado por esses benefícios. Tal constatação é corroborada pela melhor doutrina, aqui representada por Celso D. de Albuquerque Mello, no seu 'Curso de Direito Internacional Público' (11° edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723 a 729): 'Os funcionários internacionais são um produto da administração internacional, que só se desenvolveu com as organizações internacionais. Estas, como já vimos, possuem um estatuto interno que rege os seus órgãos e as relações entre elas e os seus funcionários. Tal fenómeno fez com que os seus funcionários aparecessem como uma categoria especial, porque eles dependiam da organização internacional, bem como o seu estatuto jurídico era próprio. Surgia assim uma categoria de funcionários que não dependia de qualquer Estado individualmente. (•) Os funcionários internacionais constituem uma categoria dos agentes e são aqueles que se dedicam exclusivamente a uma organização internacional de modo permanente. Podemos defini-los como sendo os indivíduos que exercem funções de interesse internacional, subordinados a um organismo internacional e dotados de um estatuto próprio. O verdadeiro elemento que caracteriza o funcionário internacional é o aspecto internacional da função que ele desempenha, isto é, ela visa a atender às necessidades internacionais e foi estabelecido internacionalmente. A admissão dos funcionários internacionais é feita pela própria organização internacional sem interferência dos Estados Membros. (.) O funcionário é admitido na ONU para um estágio probatório de dois anos, prorrogável por mais um ano. Depois disto, há a nomeação a título permanente, que é revista após 5 anos. (.) A situação jurídica dos funcionários internacionais é estatutária e não • contratual (.) Já na ONU o estatuto do pessoal (entrou em vigor em 1952) fala em nomeação, reconhecendo, portanto, a situação estatutária dos seus funcionários. Este regime estatutário foi reconhecido pelo Tribunal Administrativo das Nações Unidas, mas que o amenizou, considerando que os funcionários tinham certos direitos adquiridos (ex.: a vencimentos). (.) Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. (..) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário-geral, secretários-adjuntos, diretores-gerais etc). É o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades. Processo n.° 14041.000668/2005-06 CCO I/CO2 Acórdão n.° 102-48.182 Fls. 12 Cabe ao Secretário-Geral determinar quais as categorias de funcionários da ONU que gozarão de privilégios e humildades. A lista destas categorias será submetida à Assembléia Geral e 'os nomes dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos governos membros'. Os privilégios e imunidades são os seguintes: a) 'imunidade de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais '; b) isenção de impostos sobre salários; c) a esposa e dependentes não estão sujeitos a restrições imigratórios e registro de estrangeiros; d) isenção de prestação de serviços; e) facilidades de cámbio como as das missões diplomáticas; fi facilidades de repatriamento, como as missões diplomáticas, em caso de crise internacional, estendidas à esposa e dependentes; g) direito de importar, livre de direitos, 'o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado'. Além dos privilégios e imunidades acima, o Secretário-geral e os sub- secretários-gerais, bem como suas esposas e filhos menores, 'gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos'. Os técnicos a serviço da ONU, mas que não sejam funcionários internacionais, gozam dos seguintes privilégios e imunidades: a) 'imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais '; b) 'imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas funções'; c) 'inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) 'direito de usar códigos e de receber documentos e correspondência em malas invioláveis' para se comunicar com a ONU; e) facilidades de câmbio; fi quanto às 'bagagens pessoais, as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos (grifei) Como se pode constatar, a doutrina mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos — funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo — como identifica o conjunto de benefícios com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais. Diante do exposto, constatando-se que o interessado não é funcionário internacional pertencente ao quadro estatutário da ONU, incluído em lista fornecida pelo seu Secretário-Geral, mas sim técnico residente no Brasil, a serviço do PNUD, não há como conceder-lhe a isenção pleiteada (J." Aos brilhantes fundamentos acima transcritos, que se aplicam integralmente ao presente litígio, nada merecer ser acrescentado. Em relação à exigência cumulativa da multa isolada, por falta de recolhimento do Carnê-Leão, com a multa de oficio, vejamos o que prevê a Lei 9.430/96, no seu art. 44, in verbis: "Art. 44 - Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Processo n.° 14041.000668/2005-06 CC01/CO2 Acórdão n.° 102-48.182 Fls. 13 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 'As multas de que trata este artigo serão exigidas: I -juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente" (grifo nosso). Da leitura da lei, conclui-se facilmente que existem duas modalidades de multa imponíveis ao contribuinte: a multa de 75% por falta de pagamento, pagamento após o vencimento, falta de declaração ou por declaração inexata e a multa qualificada de 150% em casos de evidente intuito de fraude. O § 1° vem apenas explicitar a forma de cobrança das multas definidas no caput, posto que podem ser cobradas juntamente com o imposto devido ou isoladamente. Verificado que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (Camê-Leão), sobre rendimentos que também foram objeto de lançamento do lançamento de oficio, ou seja, havendo a dupla incidência da penalidade sobre a mesma base de cálculo, a multa isolada não deve prevalecer. Nesse é a interpretação dada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO — CONCOMITÂNCIA — MESMA BASE DE CÁLCULO — A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo." (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/2002-19, Acórdão n° 01-04.987, julgado em 15/06/2004). Portanto, a multa isolada deve ser excluída no lançamento, mantendo-se a exigência da multa de oficio de 75%, incidente sobre o imposto devido no ajuste anual. Processo n.° 14041.000668/2005-06 CCOI/CO2 Acórdâo n.° 102-48.182 Fls. 14 Registre-se que apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio proporcional de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de oficio, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o principio do não confisco insculpido na Constituição Federal (art. 150, IV), dirige-se ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtar-se à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO — A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal" (Ac. 102-42741, sessão de 20/02/1998). "MULTA DE OFICIO — A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar; restringe-se ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei n°9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CT1V." (Ac. 201-71102, sessão de 15/10/1997). Por sua vez, a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3° da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." No que tange à exclusão dos juros de mora e das multas aplicadas, em virtude do disposto no art. 100, parágrafo único do CTN c/c os Pareceres Normativos n°. 17/1979 e n° 3/1996, ambos da Secretaria da Receita Federal, reitero que o recorrente encontra-se em situação diversa da tratada nos aludidos Pareceres. Isso porque não se enquadra na condição de funcionário do Organismo, logo, não há que falar na exclusão de penalidade, prevista no art. 100 do CTN, por observância das orientações contidas nos Pareceres. Conclusão Voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de oficio isolada por falta do recolhimento mensal obrigatório (Carnê-Leão). Sala das Sessões— DF, em 26 de janeiro de 2007. ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016400.PDF Page 1 _0016500.PDF Page 1 _0016600.PDF Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016800.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1 _0017000.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13808.000137/2002-91
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA
Incabível a alegação de quebra do sigilo bancário do contribuinte quando o próprio fornece os extratos bancários de suas contas em atendimento à intimação fiscal.
DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
IRRETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF nº 35).
MULTA OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996.
CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
JUROS MORATÓRIOS - SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2801-001.269
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-07T01:51:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2182103_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-07T01:51:07Z; Last-Modified: 2010-12-07T01:51:07Z; dcterms:modified: 2010-12-07T01:51:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2182103_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:b8f36b84-ec65-421a-96aa-e06d98e3844b; Last-Save-Date: 2010-12-07T01:51:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-07T01:51:07Z; meta:save-date: 2010-12-07T01:51:07Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2182103_0.doc; modified: 2010-12-07T01:51:07Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-07T01:51:07Z; created: 2010-12-07T01:51:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-12-07T01:51:07Z; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-12-07T01:51:07Z | Conteúdo => S2-TE01 Fl. 129 1 128 S2-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808.000137/2002-91 Recurso nº 172.680 Voluntário Acórdão nº 2801-01.269 – 1ª Turma Especial Sessão de 01 de dezembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente TÂNIA ADELAIDE REIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA Incabível a alegação de quebra do sigilo bancário do contribuinte quando o próprio fornece os extratos bancários de suas contas em atendimento à intimação fiscal. DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). IRRETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF nº 35). MULTA OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n o 9.430/1996. CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). JUROS MORATÓRIOS - SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são Fl. 138DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 08/12/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES 2 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende - Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 159.024,16, referente ao exercício de 1999, a título de imposto, acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora. O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos, mantidas em instituição financeira, em relação às quais o titular (contribuinte), regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em sede de impugnação, a contribuinte apresentou, em síntese, as seguintes argumentações: • A autoridade fiscal violou o sigilo bancário sem a competente autorização judicial; • Os valores movimentados eram desconhecidos, eis que foram feitos por um amigo, de nome Noir Silva Alves, a quem fornecia os talões de cheque assinados; • Jamais movimentou o valor apurado de R$ 276.684,72, não tendo, assim, condições de comprovar a origem desses recursos, porquanto é uma pessoa humilde, que mora em conjunto habitacional e ganha o piso salarial; Fl. 139DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 08/12/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES Processo nº 13808.000137/2002-91 Acórdão n.º 2801-01.269 S2-TE01 Fl. 130 3 • A aplicação da taxa SELIC e a sua utilização como juros moratórios é ilegal e inconstitucional; • A cobrança da multa de ofício de 75% é indevida, tendo em vista seu caráter confiscatório e, ainda, considerando a inexistência, no caso, de fraude ou sonegação fiscal. A 11ª Turma da DRJ em São Paulo II/SP, conforme Acórdão de fls. 102/115, julgou procedente o lançamento, conforme os fundamentos consubstanciados nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 1998 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade não é pertinente do processo administrativo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, ou na conta de interposta pessoa. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de oficio no percentual de 75% e de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 08/12/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES 4 Havendo previsão legal para a aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 08/09/2008 (fl. 120), a interessada, representado por seu procurador (fl. 99), interpôs recurso voluntário de fls. 121/125, em 07/10/2008, no qual repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De plano, saliente-se que, no presente caso, não há que se falar em quebra do sigilo bancário em relação aos extratos bancários que embasaram o lançamento, pois estes foram fornecidos pela própria contribuinte, titular da conta fiscalizada, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal à fl. 76/77. Ainda assim, importar esclarecer que a disponibilização das informações relativas à movimentação bancária dos sujeitos passivos por parte das instituições financeiras está devidamente prevista em atos legais regularmente editados, quais sejam: art. 6 o da Lei Complementar n o 105, de 10 de janeiro de 2001, disciplinado pelo Decreto n o 3.724, também de 10 de janeiro de 2001. A menos que o contribuinte detenha um provimento judicial que lhe conceda, de forma específica, o direito de não ver seus dados disponibilizados à autoridade fiscal, regular será o acesso do fisco a tais dados. Tal discussão, aliás, como as demais propostas pela recorrente já estão pacificadas neste Conselho, de sorte que já se encontram sumuladas, conforme Consolidação, publicada no DOU em 22 de dezembro de 2009. Assim transcrevem-se a seguir as súmulas que se aplicam ao presente caso: Constitucionalidade de lei tributária: Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Retroatividade da Lei Complementar nº 105/2001 e da Lei nº. 10.174/2001 (que estabelecem novos critérios de apuração e processos de fiscalização nos sentido de ampliar os poderes de investigação das autoridades administrativas): Súmula CARF nº 35 - O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Depósito bancário não é renda: Súmula CARF nº 26 - A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda Fl. 141DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 08/12/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES Processo nº 13808.000137/2002-91 Acórdão n.º 2801-01.269 S2-TE01 Fl. 131 5 representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Ilegalidade dos juros cobrados com base na taxa Selic Súmula CARF nº 4 - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Logo, as teses defendidas pela contribuinte, no que diz respeito às matérias já sumuladas não devem prosperar. Assim, restando não comprovada a origem dos recursos depositados nas contas-correntes de titularidade da contribuinte, considera-se acertada a tributação do total dos depósitos bancários não justificados, nos termos do art. 42 da Lei n o 9.430/1996. Por conseguinte, deve se mantida a multa de oficio de 75%, aplicada nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, visto que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração. Isto é, havendo lançamento de ofício, essa multa é devida. Observe-se que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme disposto no art. 136 do Código Tributário Nacional. A existência de dolo só tem importância quando a multa de ofício é qualificada, o que não ocorreu no caso, pois foi aplicado o percentual de 75%. A cobrança dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 30 da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 142DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 08/12/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES
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Numero do processo: 13133.000345/2001-99
Data da sessão: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.611
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar a competência em favor do Primeiro Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: OTACILIO DANTAS CARTAXO
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DRJ/BRASÍLlAlDF R E S O L U ç Ã O Nº301-01.611 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • • •I • RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar a competência em favor do Primeiro Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. OTAcíLIO~CARTAXO Presidente e Relator r Formalizado em: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Valmar Fonsêca de Menezes, Atalina Rodrigues Alves, Susy Gomes Hoffmann, Irene Souza da Trindade Torres e Carlos Henrique Klaser Filho. cos .1 Processo nO Resolução nO 13133.000345/2001-99 301-01.611 RELATÓRIO •• • • • • O procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte já identificado, através do MPF nO0120100 2001003235, resultou na lavratura do auto de infração de Imposto de Renda e seus reflexos (fls. 169/180) para exigência de crédito tributário de R$ 67.546,52 a título de multa regulamentar, pela falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF, no período de apuração entre jan/96 e abr/OI. Constatou-se que o contribuinte optou, indevidamente, pelo SIMPLES no ano calendário de 1997, visto que o faturamento obtido no ano calendário de 1996 (R$ 2.680.509,00) superou o limite legal estabelecido para adesão ao Simples . Impugnando o feito a interessada aduz sucintamente em sua defesa (fls. 190/195) . • Requer, preliminarmente, o fornecimento de cópias pela Fazenda Estadual das Declarações Periódicas de Informação - DPI, que embasaram o levantamento do faturamento bruto da empresa no período de 1996 a 1999, para fins de cotejamento de valores . apurados, ante a sua impossibilidade de reconstituir esses documentos atingidos pela incineração. • É intermediadora de serviços de transporte, sem frota própria, e quando prestava informações a SRF através das DIRPJ e pJ - Simples o fazia de acordo com a sua capacidade contributiva, vez que o lucro bruto real obtido na intermediação de serviços de transporte não ultrapassa o percentual de 10% desse faturamento, eis que a receita bruta auferida no período de jan/96 a marl01 foi de 12.416.717,00, computado inclusive o período em que não há mais documentos fiscais devido a incineração, portanto, sendo oferecido a tributação federal a título de base de cálculo R$ 1.241.671,70. • O não fornecimento dos documentos fiscais e contábeis solicitados pela autoridade administrativa deu-se em razão de haverem sido os mesmos incinerados, notadamente no período de 1996 a 1999, não o sendo com o intuito de frustrar a ação fiscal. • A não entrega das DCTP nas datas aprazadas não poderá ser interpretada como ilícito tributário ensejando a aplicação de sanção . pecuniária de R$ 67.546,52, fundamentando a sua defesa de acordo com os arts. 113, 139 e 142, do CTN. 2 Processo nO Resolução n° 13133.000345/2001-99 301-01.611 • Alega que a aplicação da multa tem caráter de confisco, ensejando a possibilidade de declaração de inconstitucionalidade por violação expressa do art. ISO-IV, da CF/88, eis que não observa os princípios da proporcionalidade, devendo ser uma extensão do tributo, observando-se os mesmos princípios deste. • Requer o atendimento da solicitação preliminar e o cancelamento da multa aplicada. • • • • • • o Acórdão DRJ/BSA n° 4.136/02 (fls. 2111216) indeferiu a solicitação da contribuinte conforme ementa adiante, in verbis: "Ilegalidade da Norma. Não há ilegalidade no estabelecimento de obrigação acessória por Instrução Normativa da SRF, pois existe decreto-lei autorizado o Ministro da Fazenda eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Multa por atraso na entrega da DCTF. Comprovado que a declaração não foi entregue, é devida a multa por falta de entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF, devendo ser mantido o auto de infração referente àquele lançamento. Mesmo porque a atividade fiscal é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não sendo possível se desviar do comando legal. Extravio de documentos Contábeis e Fiscais. A falta de cumprimento das providências legais previstas nos casos de extravio de documentação toma inaceitável a justificativa do contribuinte para não apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais. Multa Confiscatória . . O instituto do confisco, constitucionalmente posto, importa prejuízos exorbitantes para toda a sociedade, não ocorre com infrações à legislação tributária. Lançamento procedente." A decisão prolatada afastou a alegação formulada pela impugnante de que deve ser dispensado o mesmo tratamento para a exigência de multas e para os tributos, sob a égide de que não há distinção em texto expresso de lei, com base no art. 5° do DL nO2.124/84, que estabelece que o Min. da Fazenda poderá instituir ou 3 Processo n° Resolução nO 13133.000345/2001-99 301-01.611 • • • • • eliminar obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela SRF, e que os SS 1° e 3° daquele artigo expressam que o documento que formalizar o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, E mais, que o não cumprimento desta obrigação na forma da legislação sujeitarão infrator à multa de que tratam os SS 2°, 3° e 4° do art. Ii do DL n° 1.968/82, com a redação dada pelo DL 2.065/83. Complementa o seu entendimento mencionando o art. 3° do CTN que define o que tributo para diferenciá-lo da forma de tratamento da multa, também citando o art. 145, I, II e III, para afastar a alegação de que a multa é de natureza confiscatória. Em relação à não apresentação da DCTF ou se apresentada a mesma fora do prazo, aplica-se a multa de R$ 57,34, por mês-calendário ou fração de atraso, nos termos do Anexo I, item 5, da IN/SRF nO 073/94, e AD COSAR/COTEC n° 13/95, explicitando que a alegada incineração não elide a tributação com base no lucro arbitrado, mormente quando não atendidas as disposições do art. 10 do DL 486/69, em função de que esse fenômeno era contumaz, não restando outra possibilidade de tributação. A decisão repele, ainda, a assertiva formulada pela impugnante de que não é proprietária de veículos, posto que há registros junto ao Detran conforme o processo nO13133.000346/2001-33 (fi. 06), que afirma justamente o contrário. Sobre a opção indevida pelo Simples a autuação se pautou de acordo com as disposições expressas da Lei nO9.317/96 e alterações posteriores, combinadas com as IN's da SRF . Por último esclarece que as DPIs foram utilizadas como referência de indicação de receitas de serviços prestados para o período de j an/96 a dez/99, enquanto que para o período de 2000/2001 foram utilizados os livros Caixa. Sobre aquelas o contribuinte tem a faculdade de obtê-Ias junto a Fazenda Estadual. Ciente da decisão em 10/02/2003, (fl. 220), interpõe seu Recurso Voluntário (fls. 221/228) cuja tempestividade foi atestada à fl. 238, portanto, tempestivo, e relação de bens e direitos (fls. 229/237) consoante a IN 264, aduzindo em síntese: • A simples lavratura do auto de infração não é condição suficiente à constituição do crédito tributário, haja vista haver a necessidade de exaurimento da fase administrativa para que se tenha como certa a presunção de legalidade e veracidade do crédito reclamado pelo Fisco (STF, 1"Turma, RE n° 93.871-SP). • O arrolamento de bens no âmbito administrativo, conforme disciplinado pelo art. 64 da Lei 9.532/97, fere os princípios 4 Processo n° Resolução nO 13133.000345/2001-99 301-01.611 constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e contraditório e do direito a propriedade, art. 5°, LVI e LV, CF/88. • Persiste na solicitação das cópias das DPI's que embasaram o levantamento do faturamento bruto da empresa no periodo de 1996 a 1999, com vistas a conferir os valores lançados pela RF, com base no art. 16-IV, repetindo os demais argumentos expendidos na peça exordial. • I • É o relatório . • • • • • 5 Processo nO Resolução n° 13133.000345/2001-99 301-01.611 VOTO • • • Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo, Relator Versa a matéria submetida à apreciação sobre multa regulamentar pela não apresentação por parte da ora recorrente ao Fisco das DCTF relativas ao período circunscrito entre jan/96 e abrlOI, bem como sobre a realização de sua opção indevida pela sistemática do ~imples, em razão do seu faturamento bruto no ano calendário de 1996 superar o limite expresso na Lei n° 9.317/96 e atualizações respectivas . Inicialmente, cabe informar que o processo objeto desta análise é oriundo, por tributação reflexa, de auto de infração lavrado para a exigência de crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, consoante expressamente mencionado no Termo de Encerramento (fl. 180) no campo denominado de "contexto" e na folha de continuação do auto de infração (fl. 172), in verbis: "Este fato foi objeto de Representação Fiscal para Fins Penais formalizado pelo processo n° 13133.000346/2001-33, que encontra- se anexo por apensação ao processo nO13133.00034212001-55, que trata de Auto de Infração de IRPJ e Reflexos." • '. • • É mister complementar que o processo n° 13133.000342/2001-55, recurso voluntário n° 136.436, foi julgado em 23/02/05, havendo o Acórdão n° 107- 07.937 prolatado a decisão que negou, por unanimidade de votos, provimento ao recurso interposto. Significa que a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes havendo se pronunciado em relação à matéria originária e principal (IRPJ), também deve julgar aquela acessória (multa regulamentar pela não entrega de DCTF), por tratar-se de tributação reflexa e de matérias conexas, a fim de que se alcance o sentido de harmonização entre as decisões. Nesse sentido dispõe o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes no seu art. 7°, I, 'b', litteris: "Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente ao imporso sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, observada a seguinte distribuição: 6 • • Processo n° Resolução nO 13133.00034512001-99 301-01.611 . I - às Primeira, Terceira, Quinta, Sétima e Oitava Câmaras: a) omissis; b) os relativos à tributação de pessoa jisica e à incidência na jonte, quando procedimentos decorrentes ou reflexos. assim compreendidos os reférentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuracão serviu para determinar a prática de infracão à legislacão pertinente à tributacão de pessoa jurídica." (Sem grifo no original) . • • • • • No mesmo sentido já decidiu esta Corte em julgamento semelhante ao abdicar da apreciação do feito em função da competência do Primeiro Conselho de Contribuintes para fazê-lo, em conformidade com os termos exarados no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes . Ex positis, pugno que se decline da competência do julgamento do presente processo em favor do Primeiro Conselho de Contribuintes pelas razões esposadas . . É assim que voto. Sala das Sessões, em 19 de junho de 2006 OTACÍLIO ~ CARTAXO - Rd"m 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000916/2009-66
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO INDEVIDA DE INCENTIVO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS.
Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante, consolidandose
administrativamente o respectivo crédito tributário apurado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INDENIZAÇÃO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA.
Sujeitam-se à incidência de imposto de renda na fonte as verbas recebidas a título de indenização em decorrência da quebra de estabilidade de emprego de funcionário que ocupa cargo de direção sindical.
JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. RENDIMENTOS DE AÇÃO JUDICIAL.
A parcela relativa aos juros e correção monetária, recebida por força de decisão judicial, está sujeita à incidência do imposto de renda, quando do seu recebimento, se o principal a que está correlacionado não possuir natureza isenta ou não tributável.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.291
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO INDEVIDA DE INCENTIVO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante, consolidandose administrativamente o respectivo crédito tributário apurado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INDENIZAÇÃO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. Sujeitam-se à incidência de imposto de renda na fonte as verbas recebidas a título de indenização em decorrência da quebra de estabilidade de emprego de funcionário que ocupa cargo de direção sindical. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. RENDIMENTOS DE AÇÃO JUDICIAL. A parcela relativa aos juros e correção monetária, recebida por força de decisão judicial, está sujeita à incidência do imposto de renda, quando do seu recebimento, se o principal a que está correlacionado não possuir natureza isenta ou não tributável. Recurso Voluntário Negado.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante, consolidandose administrativamente o respectivo crédito tributário apurado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INDENIZAÇÃO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. Sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte as verbas recebidas a título de indenização em decorrência da quebra de estabilidade de emprego de funcionário que ocupa cargo de direção sindical. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. RENDIMENTOS DE AÇÃO JUDICIAL. A parcela relativa aos juros e correção monetária, recebida por força de decisão judicial, está sujeita à incidência do imposto de renda, quando do seu recebimento, se o principal a que está correlacionado não possuir natureza isenta ou não tributável. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10825.000916/200966 Acórdão n.º 280101.291 S2TE01 Fl. 150 2 Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Eivanice Canário da Silva. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 09/12, que exige crédito tributário referente ao ano calendário de 2005, no montante de R$ 61.968,14, sendo R$ 26.314,09, a título de imposto de renda pessoa física suplementar (sujeito à multa de oficio), R$ 19.735,56, de multa de oficio, R$ 9.473,07, de juros de mora, calculados até 30/04/2009, R$ 4.131,69, de imposto de renda pessoa fisica (sujeito à multa de mora), R$ 826,33, de multa de mora, e R$ 1.487,40, de juros de mora, calculados até 30/04/2009. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 10verso e anverso e 11anverso), o procedimento resultou na apuração das seguintes infrações: 1. Dedução Indevida de Incentivo Pagamento declarado à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São José do Rio Preto. A dedução de incentivo somente é possível se efetuada através dos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente. 2. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídicas Decorrentes de Ação Trabalhista Incluída a diferença entre o valor do rendimento recebido através do processo trabalhista 0854/1994, 44' Vara do Trabalho de São Paulo (R$ 203.352,83) e o valor declarado (R$ 107.883,39). 3. Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Valor de R$ 4.131,89 compensado indevidamente, referente ao IRRF incidente sobre o 13 0 salário. Inconformado, o interessado protocolizou, em 26/05/2009, a impugnação de fls. 01/08, alegando, em resumo, o que segue: 1. em 18/04/1994 foi demitido sem justa causa e em razão da estabilidade que gozava por ser dirigente sindical, ajuizou ação cautelar almejando a reintegração no emprego e postulou, alternativamente, a indenização por quebra da estabilidade; 2. obteve, através de ação rescisória, decisão que reconheceu ao estabilidade provisória e o direito a todas as verbas indenizatórias postuladas na reclamação trabalhista, processo n° 859/94, recebendo em 2005, após a liquidação da sentença, o valor de R$159.574,54 (principal), Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10825.000916/200966 Acórdão n.º 280101.291 S2TE01 Fl. 151 3 acrescido de juros de mora de R$214.88,39 (acessório), perfazendo um total de R$ 374.462,93; 3. as verbas trabalhistas pagas por determinação judicial, com vistas a indenizar o impugnante, vieram a ressarcir direito trabalhista violado, não fruído em sua integralidade, por motivo alheio à sua vontade; 4. a situação abraçada pelo impugnante se enquadra no tema referente às indenizações, devendo, por conseguinte, ser extraída da incidência de imposto de renda, pois a própria legislação tributária concede isenção para as verbas indenizatórias; 5. a indenização a que fez jus não passou de uma recomposição de seu patrimônio, sendo inadequado tratála como um rendimento, ganho ou acréscimo patrimonial; 6. admitir a incidência de imposto de renda sobre verbas de caráter indenizatório é aceitar a tributação injusta e ilegal, ou seja, hipótese de incidência e fato gerador não previsto em lei, contrariandose, desta forma, a essência do direito tributário; 7. o STJ já fixou que o pagamento em espécie aos trabalhadores decorrente de indenização não é passível de sofrer a exação que vem sendo imposta; 8. os juros e correção monetária constituemse valores acessórios e, portanto, seguem a sorte do principal, qual seja, a isenção tributária.” Passo adiante, a DRJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: “DEDUÇÃO INDEVIDA DE INCENTIVO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante, consolidandose administrativamente o respectivo crédito tributário apurado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INDENIZAÇÃO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. Sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte as verbas recebidas a título de indenização em decorrência da quebra de estabilidade de emprego de funcionário que ocupa cargo de direção sindical. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. RENDIMENTOS DE AÇÃO JUDICIAL. A parcela relativa aos juros e correção monetária, recebida por força de decisão judicial, está sujeita à incidência do imposto de renda, quando do seu recebimento, se o principal a que está correlacionado não possuir natureza isenta ou não tributável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10825.000916/200966 Acórdão n.º 280101.291 S2TE01 Fl. 152 4 Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator Conheço do Recurso, porque presentes os seus requisitos de admissibilidade. Primeiramente, devese destacar que o contribuinte não se insurge contra a suposta compensação indevida de IR. Portanto, considero não impugnadas as matérias não contestadas, estando definitivamente consolidado o crédito tributário a elas relativo. No mais, aduz o contribuinte que omitiu os rendimentos, pois a indenização a que recebeu judicialmente não passou de uma recomposição de seu patrimônio, uma vez que não poderia ter rescindido seu contrato de trabalho, já que gozava de estabilidade. Entretanto, devese observar que a indenização paga ao ora Recorrente em razão da não observância da estabilidade provisória, objeto da presente discussão, corresponde, em realidade, à remuneração que seria recebida no aludido período, possuindo, portanto, natureza tributável. É equivocado afirmar que esses valores tenham “recomposto” patrimônio do Recorrente se ele não sofreu prejuízo financeiro por ter sido demitido. No que tange à parcela relativa aos juros e correção monetária, estas devem ser submetidas à tributação, conforme disposto do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99), que assim dispõe: "Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como: (...) §3° Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei n° 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único)." "Art. 55. São também tributáveis: (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; (...)" "Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei n°7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se Fl. 160DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10825.000916/200966 Acórdão n.º 280101.291 S2TE01 Fl. 153 5 tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12). " "Art. 640. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12, e Lei n° 8.134, de 1990, art. 3°)." Sendo assim, fica claro que a autuação merece prosperar. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 161DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL
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Numero do processo: 11080.101414/2004-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
RETIFICAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE
Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento, e sem a apresentação de provas do erro material.
DEDUÇÃO. IRRF.
Mantém-se a glosa de dedução de IRRF quando o contribuinte não provar as retenções alegadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.397
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 RETIFICAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento, e sem a apresentação de provas do erro material. DEDUÇÃO. IRRF. Mantém-se a glosa de dedução de IRRF quando o contribuinte não provar as retenções alegadas. Recurso Voluntário Negado.
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ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento, e sem a apresentação de provas do erro material. DEDUÇÃO. IRRF. Mantémse a glosa de dedução de IRRF quando o contribuinte não provar as retenções alegadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator Fl. 90DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Padua Athayde Magalhaes, Tania Mara Paschoalin, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos Cesar Quadros Pierre, Eivanice Canario da Silva e Julio Cezar da Fonseca Furtado. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 4ª Turma da DRJ/POA, na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Através do Auto de Infração foi apurado imposto suplementar no valor de R$7.368,64 relativo ao exercício de 2001. O crédito tributário totaliza R$ 17.703,25. O lançamento decorreu da glosa da dedução indevida do imposto retido na fonte por falta de comprovação mediante documento hábil, sendo considerado o valor informado em DIRF pela empresa KOCK Metalúrgica S.A. O enquadramento legal se encontra no artigo 12, inciso V da Lei n° 9250/1995. Em sua defesa, f1.1, o contribuinte alega que foi vítima de golpistas quando prestava serviços na empresa KOCK Metalúrgica S.A. e que as informações enviadas à Receita Federal não condizem com a realidade. Argumenta que teve diversos problemas financeiros decorrentes da conduta dos envolvidos na relação comercial com a citada empresa, conforme documentos de cobrança em anexo. Solicita que lhe seja dada à oportunidade de produzir provas, inclusive testemunhais a respeitos dos fatos ocorridos. Junta os documentos de fls. 12/17.” Passo adiante, a 4ª turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 Ementa: IMPOSTO RETIDO NA FONTE Mantida a glosa do IRF por falta de comprovação mediante documentação hábil e idônea.” Cientificado em 05/08/08 (Fls. 57 e 58), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 04/09/08 (fls.59 a 69), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11080.101414/200461 Acórdão n.º 280101.397 S2TE01 Fl. 83 3 Voto Carlos César Quadros Pierre – Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Argumenta o recorrente que teria sido ludibriado pelo contador da empresa Koch Metalúrgica S/A; posto que referido contador, que lhe auxiliou, teria enviado sua declaração de rendimentos com erro no valor de sua renda e erro no valor do IRRF. Segundo o recorrente, o valor correto de seus rendimentos em 2000 seria R$22.221,28, e o valor correto do IRRF seria R$1.520,10. Em primeiro plano, cabe esclarecer que o contribuinte recorrente teve um prazo superior a dois anos para promover a retificação de sua declaração, e apresentar para a tributação os valores que entendia corretos; mas assim não o fez. Não há como aceitar o argumento do recorrente de que só teria sabido os valores apresentados em sua própria declaração no momento em que foi notificado da autuação, e por isso não procedeu a retificação. Em segundo plano, é de se esclarecer que a retificação, nos termos do Código Tributário Nacional, por iniciativa do próprio declarante, só pode ser realizada antes da notificação de lançamento, e mediante a comprovação de erro; in verbis: Art. 147 do CTN §1 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Ademais não há prova nos autos do erro da informação da declaração de ajuste do recorrente. O simples fato de o recorrente afirmar que trabalhava exclusivamente para a empresa Koch Metalúrgica S/A não constitui prova cabal de que os seus rendimentos foram recebidos unicamente de tal empresa. No mais, falece competência para este Conselheiro retificar a Declaração de Ajuste do IRPF do recorrente. Assim, não há como acatar o pedido do recorrente de retificação dos valores recebidos, e do IRRF, do ano base de 2000. Quanto aos valores do Imposto de Renda efetivamente retidos na fonte, inobstante o recorrente reconheça que não houve uma retenção no valor de R$9.491,60, afirma o mesmo que o valor corretamente retido na fonte importaria em R$1520,10. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 4 Para provar tais retenções, o recorrente juntou os seus contra cheques, o seu termo de rescisão trabalhista, e planilha (folha 61 dos autos); alegando que tinha sido contratado em março, e a DIRF apresentada pela empresa Koch Metalúrgica S/A não continha o IRRF deste mês. Ora, segundo o Termo de Rescisão apresentado pelo próprio recorrente, este foi contratado em 01 de março, e despedido em 01 de novembro. Temos pois, que o recorrente trabalhou durante oito meses na empresa Koch Metalúrgica S/A, e na DIRF apresentada por tal empresa consta exatamente a retenção na fonte de oito salários recebidos. De resto, a planilha apresentada pelo recorrente apresenta o valor de R$341,56 como sendo referente ao IRRF efetuado na rescisão do mesmo. Contudo, é possível verificar que o Termo de Rescisão apresentado pelo contribuinte não apresenta nenhuma retenção de Imposto de Renda, afora a de R$65,05 referente a tributação exclusiva na fonte do 13° salário, que, por sua vez, não pode ser aproveitada na Declaração de Ajuste Anual. Deste modo, ante tudo acima exposto e que consta nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator Fl. 93DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10580.003915/2001-36
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NORMA PROCESSUAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. MULTA DE OFÍCIO. PARCELAMENTO. O ato praticado pelo contribuinte dentro dos 60 dias a que se refere o art. 7º, § 1º do Decreto n.º 70.235, de 1972, não pode ser considerado espontâneo para elidir a multa de ofício, mesmo que essa espontaneidade seja readquirida pelo transcurso daquele prazo (60 dias) sem que o fisco tenha praticado qualquer ato de ofício indicando o prosseguimento dos trabalhos.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-02.525
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez e Mário Junqueira Franco Júnior que deram provimento ao recurso.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Recorrida : 34 CÂMARA DO 24 CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : FAZENDA NACIONAL Sessão de : 17 de outubro de 2006 Acórdão n4 : CSRF/02-02.525 NORMA PROCESSUAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. MULTA DE OFÍCIO. PARCELAMENTO. O ato praticado pelo contribuinte dentro dos 60 dias a que se refere o art. 7 0 , § 1 0 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não pode ser considerado espontâneo para elidir a multa de ofício, mesmo que essa espontaneidade seja readquirida pelo transcurso daquele prazo (60 dias) sem que o fisco tenha praticado qualquer ato de ofício indicando o prosseguimento dos trabalhos. Recurso especial negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela MPC NORDESTE S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez e Mário Junqueira Franco Júnior que deram provimento ao recurso. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESI,DENTE .141, A<IITIONIed ZERRA NETO RELATO ABN Processo riQ :10580.003915/2001-36 Acórdão n : CSRF/02-02.525 FORMALIZADO EM: 1 8 MAR 2007 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJA0 BARRETO, ANTONIO CARLOS ATULIM, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, ADRIENE MARIA DE MIRANDA e HENRIQUE PINHEIRO TORRES. • . Processo O :10580.003915/2001-36 Acórdão O : CSRF/02-02.525 Recurso nQ : 203-122.363 Recorrente : MPC NORDESTE S/A. Interessada : FAZENDA NACIONAL Relatório Trata o processo de Auto de Infração, lavrado em 26/06/2001, em decorrência de falta de recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social — PIS, referente aos períodos de apuração compreendidos entre julho de 1999 a março de 2001 (fls. 02/08). A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, remanescendo o valor de R$49.580,07 e acréscimos legais correspondentes, bem como, em relação aos períodos de novembro/2000, dezembro/2000 e janeiro/2001, a redução do porcentual de 40% da multa de ofício. Irresignada com a decisão da DRJ em Salvador - BA, a interessada interpôs Recurso Voluntário, de fls. 126 a 133, a este Conselho de Contribuintes, onde alegou e fundamentou, em suma, que: - considerando que os valores pertinentes às competências 07/99 a 10/00, não foram recolhidos, a recorrente acata os valores e os recolhe conforme Darf anexo; - no entanto, em relação às competências 11/00 a 01/1, o lançamento não pode ser mantido; - a decisão de primeira instância é nula porque houve cerceamento do direito de defesa, ao não ter decidido acerca da inconstitucional idade de norma legal (juros e multa de ofício); - discorda quanto a redução de 40% no percentual de multa aplicado sobre os valores parcelados — competências de 11/00 a 01/01 (de 75% passaria a ser de 45%); Alega que o termo foi lavrado em 07/02/2001; - o auto de infração foi emitido em 26/06/2001, não constando qualquer termo de prorrogação. Que, segundo o parágrafo 10 do art. 7° do Decreto n° 70.235/72, o início do procedimento fiscal afastaria a espontaneidade, mas no entanto, o 52° do mesmo artigo ressalta que, para afastar a espontaneidade, o prazo para conclusão é de 60 dias; - é verdade que tal prazo pode ser prorrogado, mas para tanto, deve haver manifestação por escrito o que não ocorreu no caso. Que, portanto, o parcelamento pleiteado, deve ser considerado como espontâneo pela fiscalização, considerando que, à data da emissão do Auto de infração, tais competências já haviam sido regularizadas. gil 3 • . Processo n2 :10580.003915/2001-36 Acórdão n2 : CSRF/02-02.525 Os membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, através da decisão de fls. 145 a 153, acordaram, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos da seguinte ementa: "ESPONTANEIDADE. Não se considera a espontaneidade do contribuinte quando a data de protocolização do pedido de parcelamento foi posterior e dentro do prazo de 60 dias de qualquer ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, com a ciência do sujeito passivo, cabendo a imposição de multa de ofício. Recurso negado." A contribuinte interpôs Recurso Especial, solicitando a reforma da decisão, expondo para isso os tópicos já trazidos anteriormente, bem como a citação jurisprudências que confirmam seu entendimento. Contra-razões da Fazenda Nacional. É o relatório. 619 4 • . Processo n2 :10580.003915/2001-36 Acórdão n2 : CSRF/02-02.525 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O recurso especial do sujeito passivo pode ser admitido nos termos do art. 32, II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 55/98, e, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente questiona, com lastro em divergência dos acórdãos paradigmas, a multa de ofício aplicada de forma reduzida, constante no parcelamento, considerando que estaria acobertada pela espontaneidade, uma vez que a falta de prorrogação expressa do procedimento fiscal teria o condão de retroagir a espontaneidade à data do seu início, de modo que o tal pleito seria reputado espontâneo, restando daí incabível, neste cenário, a referida penalidade, mesmo que cobrada de forma reduzida. Dos dispositivos envolvidos Sobre o tema, assim dispõem os arts. 138 do Código Tributário Nacional (CTN) e 70 do Decreto n.° 70.235, de 1972: CTN: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo única Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Decreto n.° 70.235. de 1972 (PAF): "A ri. 7° O procedimento fiscal tem início com: 1 - o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; 11 - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III- o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadgs. 5 . Processo n 2 :10580.003915/2001-36 Acórdão n2 : CSRF/02-02.525 § 2 0 Para os efeitos do disposto no § I°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." Os Votos condutores dos Acórdãos paradigma extraem da leitura dos textos legais acima transcritos que os atos referidos nos incisos I e II do art. 70 do PAF, que iniciam o procedimento fiscal, têm validade por 60 dias e que, caso este prazo não tenha sido prorrogado em razão da prática de qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, a espontaneidade do sujeito passivo restabelece-se no 61° dia após o início dos mesmos. Muito amiúde não se explica a passagem do segundo fragmento do citado parágrafo, qual seja. ... "prorrogável. sucessivamente, por igual período. com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos" para o uso da expressão "restabelecer". Ora, sem a tal explicação, fica bastante fácil, agora, consultar o dicionário e descobrir que tal vocábulo significa repor no antigo estado ou condição, restaurar, recuperar, colocar na situação primitiva. Pronto, com essa omissão, agora a subsunção estaria perfeita: estando a espontaneidade restabelecida, caso não tenha sido praticado nenhum ato escrito que indicasse o prosseguimento dos trabalhos, não teria havido prorrogação do prazo inicialmente previsto de sessenta dias e, em conseqüência, ficaria descaracterizado o início do procedimento fiscal de forma retroativa. Mas, então vem a indagação: será mesmo que a expressão "prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos", indicaria a retroatividade da espontaneidade readquirida, caso não cientificado o contribuinte da prorrogação dos trabalhos? Ou será que apenas prevê a possibilidade de sua prorrogação? Penso que esta última asserção é a que se mostra verdadeira, o que se provará mais adiante através de uma interpretação teleológica. Poder-se-ia utilizar, agora sim, outro vocábulo, ao menos como sugestão, este, sem a menor sombra de dúvida presente na norma: o verbo "valer". Para ele, também o mesmo dicionário tem a sua valia: Ser válido ou valioso; ter validade; vigorar. Perceba-se que o verbo está flexionado no futuro do presente ( -valerão), como que determinando a validade do procedimento pelo prazo assinalado. Trata-se de norma cogente, de ordem pública, de observância obrigatória, sem que norma ulterior — isto é importante — em complemento ao mesmo parágrafo, nele mesmo previsto ou noutro em seguida, tenha restringido o âmbito de seu alcance. E, por fim, apenas para argumentar e também para que não se venha alegar, de forma até cansativa, que se privilegiou aqui a interpretação literal (uso da expressão "valer"), mesmo que tenha sido descartada outra interpretação literal equivocada (expressão "restabelecer") , vamos, então, demonstrar adiante é que existem casos em que o plano sintático/gramatical se perfilha hannonicamente com o plano teleológico/Pragmático, não se podendo dizer, in casu, que a 6 Processo n2 :10580.003915/2001-36 Acórdão n2 : CSR F/02-02.525 interpretação utilizada ficou atrelada à mera literalidade do texto normativo, mas sim, de outra forma, o "texto" combinou com "contexto". Interpretação Teleológica Continuando, agora com auxílio do método teleológico, é de perquirir qual a fmalidade do legislador ao positivar semelhante norma jurídica? Responde-se: além de prever um período mínimo para a prossecução dos trabalhos relativos à fiscalização, visou não estender ad aeternum o procedimento, em apreço ao princípio da segurança jurídica. Noutro dizer, resolveu, através de uma ficção legal, na ausência da vontade da autoridade, encenar o procedimento dentro do período aprazado e substituí-la pela sua própria vontade, a voluntas legislatoris, prevendo expressamente o seu término (60 dias). Nada mais que isso. Como se vê, por todos os caminhos que se percorram, não há como emprestar ao §2° do art. 7° do PAF a interpretação que se lhe deu os acórdãos paradigmas, mas tão-somente aquela que entende devida a multa de ofício (reduzida), para pagamentos ou parcelamentos de tributos efetuados depois do início da ação fiscal, mas dentro do prazo de 60 dias do início de fiscalização, mesmo que esse prazo não tenha mais sido prorrogado. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo. É assim como voto. Sala das Sessões -DF, em 17 de outubro de 2006. NTONI EZERRA NETO7 1 Page 1 _0035300.PDF Page 1 _0035400.PDF Page 1 _0035500.PDF Page 1 _0035600.PDF Page 1 _0035700.PDF Page 1 _0035800.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001697/2002-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
APROVEITAMENTO DE SOBRAS DE RECURSOS.
As sobras de recursos apuradas em um determinado mês devem ser
transferidas para o seguinte. Eventual sobra constatada, ao final de dezembro do ano-calendário, pode ser considerada no cálculo de janeiro do ano seguinte, desde que devidamente comprovada.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA.
No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2801-001.367
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se
impedido o Conselheiro Julio Cezar da Fonseca Furtado. Realizou sustentação oral o Dr. EDGARD DO AMARAL SOUZA, OAB 100.369/RJ.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 APROVEITAMENTO DE SOBRAS DE RECURSOS. As sobras de recursos apuradas em um determinado mês devem ser transferidas para o seguinte. Eventual sobra constatada, ao final de dezembro do ano-calendário, pode ser considerada no cálculo de janeiro do ano seguinte, desde que devidamente comprovada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA. No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. Recurso provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 254 1 253 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001697/200225 Recurso nº 164.594 Voluntário Acórdão nº 280101.367 – 1ª Turma Especial Sessão de 08 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Recorrente CECÍLIO DO REGO ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 APROVEITAMENTO DE SOBRAS DE RECURSOS. As sobras de recursos apuradas em um determinado mês devem ser transferidas para o seguinte. Eventual sobra constatada, ao final de dezembro do anocalendário, pode ser considerada no cálculo de janeiro do ano seguinte, desde que devidamente comprovada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA. No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Declarouse impedido o Conselheiro Julio Cezar da Fonseca Furtado. Realizou sustentação oral o Dr. EDGARD DO AMARAL SOUZA, OAB 100.369/RJ. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Fl. 277DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 16/02/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Julio Cezar da Fonseca Furtado, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 10.078,01, referente ao exercício de 1999, a título de imposto (R$ 4.382,51), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 3.286,88), além de juros de mora (R$ 2.408,62). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, no mês de janeiro de 1998. Em sua impugnação, o contribuinte informou que, pela similitude das operações que serviram de base para a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto relativamente ao presente processo, referência ano base 1998, e o processo n° 18471.001698/200270, referência ano base 1997, anexou a esta impugnação cópia daquela apresentada no processo supracitado. A 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II/RJ, conforme Acórdão de fls. 129/135, julgou procedente o lançamento sob os fundamentos consubstanciados nas seguintes ementas: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFORMADOS PELO TOTAL. RATEIO EFETUADO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. Não tendo o contribuinte informado o valor dos rendimentos obtidos em cada mês e não podendo tal informação ser obtida por outros meios, é válido o rateio do valor anual promovido pela autoridade lançadora. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revelase prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 20/02/2003 (fl. 137), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 139/141, em 20/03/2003, no qual pretende seja considerado o saldo do exercício anterior no montante de R$ 477.662,86 na análise da variação patrimonial a descoberto. Contesta ainda, o fato de a fiscalização ter aceitado a temporalidade no registro da receita e a distribuição dos valores de "Aplicações/Dispêndios" enumerados por duodécimos, relativos aos meses de 1998, sem levar em conta as datas em que se efetivaram os dispêndios/aplicações. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 16/02/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 18471.001697/200225 Acórdão n.º 280101.367 S2TE01 Fl. 255 3 O recorrente pretende seja considerado o saldo do exercício anterior correspondente ao montante de R$ 477.662,86 na análise da variação patrimonial a descoberto, conforme Fluxo Financeiro Mensal elaborado pelo próprio contribuinte, à fl. 126. Observase, no que se refere aos meses de janeiro a maio de 1997, que o contribuinte apresenta renda disponível para o mês seguinte, sendo que para os mesmos períodos, a fiscalização, mediante o Processo nº 18471.001698/200270, apurou acréscimo patrimonial a descoberto, conforme demonstrativo de fl. 124. Somente por essa razão, já não é possível acolher as sobras reclamadas. Além disso, temse que não foi carreada aos autos cópia do demonstrativo elaborado pela fiscalização, referente ao período de junho a dezembro de 1997. Assim, sem a prova da existência de recursos disponíveis em 31/12/1997, ainda não considerados no presente caso, reputase infundado o pleito do recorrente. Salientese que o lançamento de acréscimo patrimonial a descoberto está fundamentado nos arts. 2o e 3o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em que são confrontados, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução patrimonial do contribuinte. À fiscalização compete comprovar as aplicações e/ou dispêndios efetuados pelo contribuinte que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal, e, por outro lado, ao contribuinte cabe demonstrar que tais aplicações tiveram origem em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, para que estes recursos sejam considerados como origem no referido demonstrativo. Constatase, na espécie, que a autoridade fiscal elaborou planilha com valores mensais em que muitas das aplicações, como empréstimos concedidos e doações efetuadas, foram apuradas com o rateio mensal das despesas, sob a justificativa de que o contribuinte deixou de informar o momento preciso em que ocorreram as despesas. Considerando que o ônus de comprovar as aplicações de recursos para fins de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto é do Fisco, deve este adotar critério mais favorável ao contribuinte, quando não se consegue identificar com precisão o momento da realização do gasto, o que não aconteceu no caso. Portanto, não pode prosperar a exigência do imposto calculado sobre acréscimo patrimonial a descoberto apurado com base em critério não previsto em lei. Diante do exposto, voto dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 279DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 16/02/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000454/99-12
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1995
ITR - Alterado o VTN por decisão de primeira instância, não há
que se alegar que o novo lançamento pudesse ser atingido pela
decadência.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 301-34.238
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da primeira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. fhk. OTAd LIO DAN S CARTAXO - Presidente • ) 0.1.5 SUSY G eq H r FMANN - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, João Luiz Fregonazzi, Rodrigo Cardozo Miranda e Patrícia Wanderkoke Gonçalves (Suplente). Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Brochini. Processo n° 13827.000454/99-12 CCO3/C0 I Acórdão n.° 301-34.238 Fls. 118 Relatório Cuida-se de impugnação de Auto de Infração, de fls.01/04, no qual é cobrado o Imposto Sobre Propriedade Territorial Rural — ITR, relativo ao exercício de 1995, sobre o imóvel denominado "Fazenda Santa Generosa", localizado no Município de Pederneiras — SP, com área total de 505,0ha., cadastrado na SRF sob n° 2953068-7, perfazendo um crédito tributário total de R$ 3.724,70. A contribuinte apresentou impugnação alegando que o valor da terra nua está muito próximo do valor de mercado. No mais, esclarece que de acordo com a Lei n°. 8847/94, o VTN é o valor do imóvel, excluídos o valor dos seguintes bens: I — construções, instalações e benfeitorias; II — culturas permanentes e temporárias; III — pastagens cultivadas e melhoradas; IV — florestas plantadas. Informa ainda, que o Valor da Terra Nua mínimo por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base de levantamento de preços do hectare da terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no município. Por fim, requereu a apuração do valor do imóvel através de perícia, conforme disposto no Decreto n°. 70.235/72, artigo 16 e 17 c/c artigo 420 do CPC. Juntou laudo técnico de avaliação as fls.22/32. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande proferiu acórdão (fls.50/55) julgando o lançamento parcialmente procedente. Com relação ao valor da terra nua, foi aceito o valor informado pelo contribuinte, urna vez que o laudo técnico foi elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - 1110 ABNT, apresentado valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. O pedido de perícia foi desconsiderado, pois não atendeu aos requisitos do Decreto n°. 70.235/72. Irresignada a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls.65/67) alegando que não procede a imposição da multa moratória de 20% do débito já atualizado. Requer a nulidade do lançamento, pois obteve o valor correto do exercício de 1995 somente em 14/12/2004, portanto, oito anos depois do prazo. Alega ainda, que a cobrança de multa e juros caracteriza "bis in idem". Os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes acordaram (fls.81/83) em converter o julgamento em diligência para apensar o processo no. 10825.001376/96-34, referente ao recurso n°. 123.211, que se refere ao mesmo número de INCRA do presente processo. Depois de apensado o processo de n°. 10825.001376/96-34, foi encaminhado ao Terceiro Conselho de Contribuintes que novamente acordaram (fls. 96/99) em converter o julgamento em diligência para verificar corretamente o erro na valoração do imóvel rural, a fim de constatar se são duas propriedades com o mesmo nome ou se é uma só com dois registros. r236 2 Processo n° 13827.000454/99-12 CCO3/C01 " Acórdão n.° 301-34.238 Fls. 119 A contribuinte, em resposta a intimação de fls.101, procedeu a juntada da matricula do imóvel, comprovando a existência de um único imóvel. É o relatório. 19 11P 3 Processo n° 13827.000454/99-12 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.238 Fls. 120 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffi-nann, Relatora Conheço do recurso por preencher os requisitos de admissibilidade. Primeiramente, cumpre esclarecer que o presente voto refere-se aos recursos 132.763 e 123.211, que foram apensos em face da cobrança de ITR relativo ao exercício de 1995 se referir ao mesmo imóvel. Conforme se contata dos documentos acostados, a contribuinte é proprietária de apenas um imóvel rural. Entretanto, o imóvel possui dos números de registro junto à Secretaria da Receita Federal, motivo pelo qual ensejou a notificação de duas cobranças de ITR, relativo ao mesmo imóvel e ao mesmo exercício. O imóvel rural registrado na matricula n°, 8,920 do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Pederneiras, possui os seguintes registros junto à SRF: 1) Referente ao recurso n°. 132.763 — n". SRF 2953068-7 e INCRA 622125.006904-7; 2) Referente ao recurso n°. 123.211 — SRF 4131806-0 e INCRA 622125.006904-7. Dessa forma, por se tratar do mesmo imóvel, necessária se faz a regularização do registro do imóvel junto à Secretaria da Receita Federal, o que, consoante informação de fls. 104 já ocorreu, posto que consta da referida informação que foi cancela o NIRF 4.131.806-0 por decisão administrativa. 10 O presente julgamento refere-se ao imóvel indicado no item 1 e tal julgamento resolve os dois processos. No mérito do Recurso, tem-se que o objeto da impugnação foi o VTN. Na decisão de 1'. Instância foi efetivamente diminuído o valor do VTN, alterando-se, por conseqüência, o lançamento do ITR e contribuições. Constou do final do voto da DRJ (fls. 55): "Isto posto e considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO PELA PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO, cuja cobrança deverá prosseguir conforme consta da Notificação de Lançamento de fls. 11, com alteração do VTN Tributado para R$ 120.014,00, inclusive com os acréscimos legais, de acordo com a orientação contida no Parecer/MF/SRF/COSIT/DIPAC n. 1575, de 19 de dezembro de 1.995." Ato contínuo foi expedido novo lançamento (fls. 59), observando-se a decisão da DRJ, sem a indicação de multa ou juros moratórios. Assim, o Recurso Voluntário traz como objeto a "caducidade" do novo lançamento, que ocorreu 08 anos após a ocorrência do fato gerador, o que desde logo se refuta, ".") 4 , Processo n° 13827.000454/99-12 CCO3/C0 I Acórdão n.° 301-34.238 Fls. 121 pois este novo lançamento ocorreu como conseqüência do julgamento da DRJ que alterou o VTN, diminuindo-o, e não havendo prazo decadencial ou prescricional a ocorrer no curso do processo, portanto, afasto a ocorrência da dita "caducidade" do novo lançamento. No que diz respeito às demais alegações recursais, elas estão circunscritas à cobrança de multa de mora e juros moratórios, temas que não merecem prosperar, visto que quando feito o novo lançamento não houve a cobrança dos juros e multa, como esclarecido anteriormente. Portanto, diante do exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Sala das Sessões, em 06 de dezembro de 2007 110 / SUS ê MES H F MANN - Relatora • 5
score : 1.0
