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Numero do processo: 11543.002685/2010-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO.
Os valores decorrentes da percepção de pensão alimentícia judicial estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda, devendo ser informados na DIRPF como rendimentos recebidos de pessoa física.
MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. ERRO ESCUSÁVEL INDUZIDO PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Não cabe a aplicação da multa de ofício na hipótese de erro escusável, decorrente das informações equivocadas disponibilizadas pela fonte pagadora. Aplicação da Súmula CARF nº 73: "erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício".
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para a exclusão da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento).
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO. Os valores decorrentes da percepção de pensão alimentícia judicial estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda, devendo ser informados na DIRPF como rendimentos recebidos de pessoa física. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. ERRO ESCUSÁVEL INDUZIDO PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Não cabe a aplicação da multa de ofício na hipótese de erro escusável, decorrente das informações equivocadas disponibilizadas pela fonte pagadora. Aplicação da Súmula CARF nº 73: "erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício". Recurso Voluntário Provido em Parte.
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TRIBUTAÇÃO. Os valores decorrentes da percepção de pensão alimentícia judicial estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda, devendo ser informados na DIRPF como rendimentos recebidos de pessoa física. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. ERRO ESCUSÁVEL INDUZIDO PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Não cabe a aplicação da multa de ofício na hipótese de erro escusável, decorrente das informações equivocadas disponibilizadas pela fonte pagadora. Aplicação da Súmula CARF nº 73: "erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício". Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 26 85 /2 01 0- 98 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para a exclusão da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11543.002685/201098 Acórdão n.º 2402005.297 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 8.801,36, relativo ao anocalendário 2007 (fls. 20/23). A notificação decorreu da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, correspondentes a pensão alimentícia, conforme demonstrado a seguir: R$ 15.224,02 (Ministério da Saúde) + R$ 7.834,22 (INSS) + R$ 45.375,59 (Universidade Federal do Espírito Santo) = R$ 68.433,83. A contribuinte declarou R$ 50.934,00 como rendimentos recebidos de pessoa jurídica ao invés de rendimentos recebidos de pessoa física (pensão alimentícia). A diferença (R$ 17.499,83) foi tributada como rendimentos recebidos de pessoa física. Em sede de impugnação (fls. 1/11), a notificada alegou que não omitiu valor algum, admitindo ter preenchido a DIRPF errado mas afirmando que informou o total recebido na Declaração de Bens e Direitos, onde somou o valor a ser tributado com a parcela isenta de proventos para maiores de 65 anos. Juntou documentos. Mantida a exigência no julgamento de primeira instância (fls. 28/30), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 12/12/2012, repisando os argumentos da impugnação (fls. 107/114), e demandando o direito de proceder a sustentação oral do presente recurso. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, cabe esclarecer à recorrente que a realização de sustentação oral é direito da parte, nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 543/2015), bastando, para tanto comparecer na sessão de julgamento, divulgada conforme § 1º do art. 55 do mencionado regimento. Assim, descabida qualquer manifestação adicional do Colegiado sobre a questão, visto inexistir controvérsia a ser solvida no particular. Mister destacar, no que se refere à questão de fundo, ser incontroverso que a contribuinte auferiu R$ 68.433,87 como pensão alimentícia no anocalendário 2007, tendo sido tal fato apontado pela fiscalização e reconhecido por aquela, que inclusive assim o informou, erroneamente, na ficha "Declaração de Bens e Direitos" da DIRPF/2008, ainda que com ligeira diferença no somatório dos valores consignou R$ 68.011,97. como total (fl. 28). Aliás, a notificada cometeu diversos equívocos no preenchimento da declaração, inserindo dados relativos a rendimentos na declaração de bens, como visto, e informando rendimentos percebidos de pessoa física como tendo sido recebidos de pessoa jurídica (fls. 13/14). De todo modo, resta cabalmente comprovado pela documentação carreada nos autos, que por força de determinações judiciais exaradas em ação de separação judicial (fls. 24/94), foram expedidos ofícios às entidades pagadoras do excônjuge da recorrente, com o fito de implementar o acordado pelas partes. Ou seja, efetuar o desconto em folha de pagamento do referido dos valores acertados como pensão alimentícia. Nessa seara, temse os ofícios de fls. 44/46, que ilustram as alterações nos percentuais dos descontos, que já vinham sendo realizados, nos pagamentos efetuados pelas fontes pagadoras Universidade Federal do Estado do Espírito Santo, Ministério da Saúde, e INSS, ao excônjuge Wilson Mário Zanotti,. Nos comprovantes de rendimentos do anobase 2007 emitidos pela Universidade Federal do Estado do Espírito Santo e Ministério da Saúde (fls. 37/40, consta como fonte pagadora ou pagador Wilson Mário Zanotti, mas, aparentemente, a recorrente se confundiu e entendeu dever preencher a Declaração de Ajuste como sendo rendimentos pagos por pessoa jurídica. Essa, contudo, apenas cumpriu a ordem judicial de desconto, sendo o efetivo pagador, a pessoa física do excônjuge. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11543.002685/201098 Acórdão n.º 2402005.297 S2C4T2 Fl. 43 5 Por outra via, constatase que o INSS, com vistas a implantar o desconto em folha da pensão alimentícia, acabou por conferir erroneamente ao rendimento pago à notificada, no respectivo comprovante (fl. 65), a inusitada qualidade de "aposentadoria especial". Não bastasse, ainda destacou que os rendimentos seriam "isentos e não tributáveis", em parte por moléstia grave, parte por suposta isenção de proventos para maiores de 65 anos. Sem embargo, é fato que os rendimentos percebidos do INSS decorrem de adimplemento de pensão alimentícia judicial, não se confundindo com aposentadoria ou pensão pagas que tem parcela isenta consoante o art. 6ª, inciso XV da Lei nº 7.713/88 c/c o art. 8º, inciso I, § 1º da Lei nº 9.250/95 (maiores de 65 anos), tampouco com o benefício regrado pelo incisos XIV e XXI do art. 6º daquele diploma (moléstia grave). Os rendimentos de pensão alimentícia judicial são, na realidade, rendimentos tributáveis, consoante giza o § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713/88: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei.(Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (grifei) Constatada assim a ocorrência no mundo fático da hipótese de incidência prevista na norma em comento, e não sendo verificado o recolhimento do tributo devido, escorreita a constituição de ofício do respectivo crédito tributário, em observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. Não obstante, a contribuinte, como visto, pautou sua conduta em grande parte com base nas informações incorretas constantes no comprovante de rendimentos que lhe foi disponibilizado pela fonte pagadora INSS Por conseguinte, no que se refere à incidência da multa de ofício, considero ter incorrido a recorrente em erro escusável ao classificar os rendimentos em questão como isentos e não tributáveis, dado o teor das informações que lhe foram disponibilizadas por aquela fonte pagadora. Nesse toada, afasto o gravame aplicando o entendimento constante na Súmula CARF nº 73, c/c o art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que a contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, excluindo do lançamento contestado a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Ronnie Soares Anderson. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000022/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PATRONAIS. EMPRESA REINCLUÍDA NO SIMPLES. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Tendo a empresa autuada sido reincluída no Simples por decisão administrativa irrecorrível, são improcedentes os lançamentos das contribuições sociais patronais.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-004.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PATRONAIS. EMPRESA REINCLUÍDA NO SIMPLES. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Tendo a empresa autuada sido reincluída no Simples por decisão administrativa irrecorrível, são improcedentes os lançamentos das contribuições sociais patronais. Recurso Voluntário Provido
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EMPRESA REINCLUÍDA NO SIMPLES. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Tendo a empresa autuada sido reincluída no Simples por decisão administrativa irrecorrível, são improcedentes os lançamentos das contribuições sociais patronais. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 00 22 /2 00 9- 16 Fl. 20904DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 20905DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16004.000022/200916 Acórdão n.º 2402004.854 S2C4T2 Fl. 20.880 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo e demais devedores solidários contra o Acórdão n.º 1435.311 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.128.7880. Lançamento O lançamento em questão contempla as contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT. Os fatos geradores das contribuições foram segregados em itens de apuração (levantamentos), conforme a seguir: a) FP1– folha de pagamento – fora da GFIP, com aplicação da multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96, tendo em vista mostrarse mais benéfica do que as multas previstas na legislação anterior à MP 449/2008; b) Z1– contribuinte individual – fora da GFIP, com aplicação da multa de mora; c) CI1– contribuinte individual – fora da GFIP, com aplicação da multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96, tendo em vista mostrarse mais benéfica do que as multas previstas na legislação anterior à MP 449/2008; e d) Z2– folha de pagamento fora da GFIP, com aplicação da multa de mora. Foram lançadas no presente AI contribuições devidas pela empresa em decorrência de sua exclusão do SIMPLES, conforme Ato Declaratório Executivo 23, de 26 de junho de 2007, com efeitos a partir de 24 de agosto de 2004 (Anexo II), sendo deduzidas as contribuições recolhidas em DARF do SIMPLES (rateadas em proporção às contribuições previdenciárias) e GPS, além das deduções legais e compensações. Os valores foram apurados conforme base de cálculo declarada em GFIP. Passo a reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância, no qual são narrados fatos que levaram o fisco a atribuir a responsabilidade solidária pelo crédito a diversas pessoas físicas e jurídicas: "O Relatório Fiscal lista as pessoas físicas e jurídicas solidariamente responsáveis pelos tributos lançados, integrantes do grupo econômico de fato denominado “Grupo Nivaldo”, discorrendo na seqüência acerca da “Operação Grandes Lagos”, deflagrada pela Polícia Federal por solicitação da Receita Federal com vistas a apuração de fraudes à administração tributária. Fl. 20906DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Nesse contexto, foi apurada a participação do Sr. Nivaldo Fortes Peres (CPF 785.735.99804) como “cabeça” do grupo que por isso recebeu a denominação de “Grupo Nivaldo”, responsável pela criação de diversas empresas paralelas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) com o objetivo de desviar o faturamento das empresas lícitas do grupo. O Anexo I é composto por documentos referentes ao processo da empresa Rio Preto Abatedouro outra integrante do “Grupo Nivaldo”. Também estão à frente na condução dos negócios do “Grupo Nivaldo” os Srs. Luciano da Silva Peres (CPF 217.280.06864), Rodrigo da Silva Peres (CPF 276.282.42812), Maria Helena La Retondo (CPF 029.175.81859), José Roberto Giglio (CPF 070.679.24839), Pedro Giglio Sobrinho (CPF 085.082.21819) e Antonio Giglio Sobrinho (CPF 075.677.45860). (Na condição de sócios de direito da empresa autuada aparecem os Srs. Nilvana Fortes Peres CPF 086.388.58884, e Rogério Alves Ferreira CPF 300.293.94805). Além da autuada, o Relatório Fiscal identifica as seguintes pessoas jurídicas integrantes do “Grupo Nivaldo” e por tal motivo responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário lançado: Sebo Sol Indústria de Sub Produtos de Bovinos Ltda EPP (CNPJ 07.330.898/000105), Agro Rio Preto Representações Comerciais Ltda (CNPJ 03.577.919/000130), Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda (CNPJ 05.038.080/000198), Fortes Empreendimentos Rio Preto Ltda (CNPJ 00.588.243/000192), Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda (CNPJ 03.577.891/000131), CMG Transportes Rio Preto Ltda (CNPJ 05.750.774/000153), FEISP Ltda (CNPJ 04.519.455/000179), Viena Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda (CNPJ 59.638.999/000141), RPMC Comércio de Carnes e Derivados Ltda (CNPJ 62.067.129/000506), Sol Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda (CNPJ 60.006.251/000105), América Industrial e Comercial Ltda (CNPJ 04.305.053/000171), Agroalto Industrialização e Distribuição Ltda (CNPJ 04.816.026/000163), Mega Distribuidora de Gorduras Ltda (CNPJ 06.204.954/000100), Comercial de Carnes e Derivados Valentim Gentil Ltda (CNPJ 01.996.600/000114), Frigo Vale Indústria e Comércio de Carnes Ltda (CNPJ 02.462.383/000145). Informa que foi constatada a existência de empresas que vendiam notas fiscais para lastrear operações realizadas por pessoas jurídicas e físicas diversas, tanto na aquisição da produção rural (gado para abate) quanto na venda do produto resultante do abate. Por isso, as empresas que atuavam na venda de documentos fiscais receberam a denominação de “noteiras”, discorrendo acerca da cassação de suas inscrições junto ao CNPJ. É mencionada a aquisição dos citados documentos fiscais pela autuada junto às empresas “noteiras” e de que a identificação de cada “cliente” das “noteiras” foi possível graças ao acesso da fiscalização à listagem de códigos desses “clientes”." Impugnações A autuada em sua defesa apresentou inconformismo contra a sua exclusão do Simples, primeiro porque não foi regularmente cientificada do Ato Declaratório e, depois, pelo fato do mesmo haver produzido efeitos retroativos. Alegou que o fisco não poderia alicerçar o lançamento em fatos constantes do processo de exclusão do Simples, o qual ainda não foi concluído. Fl. 20907DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16004.000022/200916 Acórdão n.º 2402004.854 S2C4T2 Fl. 20.881 5 Asseverou que a autoridade lançadora não levou em conta que todos os fatos geradores de contribuições foram devidamente informados na GFIP, além de que não teria havido sonegação dos elementos solicitados, mas total impossibilidade de apresentálos, posto que sua documentação se encontrava com o fisco estadual. Sustentou que jamais se utilizou de interposta empresa para realizar os negócios, ressaltando que o fisco não conseguiu demonstrar a existência de grupo econômico. Por outro lado, mencionou que o fisco não conseguiu comprovar a existência de "interesse comum" a justificar a solidariedade. Assegurou ainda que as supostas notas fiscais falsas sequer foram juntadas aos autos. Garante que foram acostados pelo fisco papéis que não lhe dizem respeito, o que representa atropelo ao direito de defesa, posto que não pode refutálos, haja vista que não os conhece. As provas obtidas na "Operação Grandes Lagos" representam apenas indícios, posto que os procedimentos ali levados a efeito não teriam sido ainda submetidos ao crivo do Poder Judiciário. Foram apresentadas outras impugnações por pessoas físicas e jurídicas arroladas como solidárias, ora para desqualificar as provas acostadas, ora lançando argumentos para questionar as suas inclusões no polo passivo da exigência mediante a suposta utilização de presunção e de provas ilícitas, bem como suscitando a irregular exclusão da empresa autuada do Simples e a impossibilidade de fundamentar o lançamento em processo ainda não concluído. Decisão de primeira instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) declarou improcedentes as impugnações apresentadas, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO COM RECURSO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra o ato declaratório de exclusão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recursos Fl. 20908DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Contra essa decisão foram apresentados recursos voluntários, nos quais, em resumo, foram alegadas: a) nulidade da autuação por cerceamento ao direito de defesa das pessoas arroladas no polo passivo; b) impossibilidade da lavratura antes do trânsito em julgado do processo relativo à exclusão da empresa fiscalizada do Simples; c) inexistência dos vínculos de solidariedade firmados pelo fisco. Diligência fiscal O julgamento no CARF foi convertido em diligência, fls 20.803/20.806, para que os autos fossem devolvidos à repartição de origem para aguardar o trânsito em julgado do processo n.º 16004.000307/200795, relativo à exclusão da autuada do Simples. Às fls. 20.826/20.847 foi acostado cópia do Acórdão n.º 1201001.086, de 25/09/2014, no qual a 1.ª Turma da 2.ª Câmara da 1.ª Seção do CARF, por unanimidade, deu provimento aos recursos do contribuinte e solidários para cancelar a exclusão do Simples e tornar sem efeito os lançamentos correlatos. Eis a parte dispositiva do voto condutor do acórdão: "Ante o exposto CONHEÇO dos Recursos Voluntários e, no mérito, voto por DARLHES provimento, para afastar a exclusão do Simples e cancelar os lançamentos efetuados contra a empresa Valentim Gentil Abatedouro de Bovinos e Suínos Ltda. e, por decorrência, a responsabilidade solidária imputada aos Srs. Nivaldo Fortes Peres, Luciano da Silva Peres e Rodrigo da Silva Peres." O referido processo teve trânsito em julgado, conforme atesta o Termo de Encerramento do Processo n.º 16004.000307/200795, fls. 3400/3406. É o relatório. Fl. 20909DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16004.000022/200916 Acórdão n.º 2402004.854 S2C4T2 Fl. 20.882 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da improcedência da lavratura Conforme narrado no relatório toda a motivação do lançamento decorreu possibilidade de se exigir as contribuições lançadas em razão da exclusão da empresa autuada do Simples, conforme Ato Declaratório Executivo n.º 23, de 26 de junho de 2007. Ocorre que este ADE foi julgado sem efeito por decisão administrativa irrecorrível Acórdão n.º 1201001.086, o que é suficiente para fulminar o lançamento objeto do processo que ora se analisa. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 20910DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 11251.000048/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE VALE ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não configura violação a princípios constitucionais o lançamento de contribuições previdenciárias, quando exigíveis em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes.
Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 aos princípios e às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.
Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento as Obrigações Tributárias decorrentes da parcela de refeição fornecida in natura, e por maioria de votos, para prover o recurso em relação à parcela do auxílio alimentação fornecida por meio de vale refeição. Vencidos nesta última os conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Carlos Henrique de Oliveira - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE VALE ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não configura violação a princípios constitucionais o lançamento de contribuições previdenciárias, quando exigíveis em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes. Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 aos princípios e às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 25 1. 00 00 48 /2 00 9- 29 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento as Obrigações Tributárias decorrentes da parcela de refeição fornecida in natura, e por maioria de votos, para prover o recurso em relação à parcela do auxílio alimentação fornecida por meio de vale refeição. Vencidos nesta última os conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidentesubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000048/200929 Acórdão n.º 2401004.011 S2C4T1 Fl. 172 3 Relatório Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 Data da lavratura da NFLD: 28/02/2002. Data da Ciência da NFLD: 04/03/2002. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Gerência Executiva do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.430.9722, consistentes em contribuições patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as verbas pagas, creditadas ou devidas a segurados a título de alimentação, fornecida na forma de vales alimentação, a segurados empregados, de janeiro a dezembro de 1999, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 34/36. De acordo com o Relatório Fiscal, foram considerados para a apuração do presente levantamento, os valores registrados em contas específicas, a saber: 411.010.11 (Vale Refeição); 414.010.12 (Vale Refeição) e 421.010.12 (Vale Refeição), dispostas na contabilidade da empresa, relativo ao período de janeiro a dezembro/1999. Informa a Fiscalização que a empresa não estava inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. Após tomar ciência da autuação, por via postal, em 04/03/2002, conforme Aviso de Recebimento a fl. 126, a Autuada apresentou impugnação a fls. 40/46. A Gerência Executiva do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos lavrou Decisão Administrativa aviada na DecisãoNotificação nº 21.025.0/0081/2002, a fls. 130/133, julgando procedente o lançamento e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 22/04/2002, conforme recibo a fl. 135. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 137/143, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que pelo princípio constitucional da legalidade, a empresa não pode ser punida sem que haja uma efetiva comprovação de que a mesma não apresentou referido programa de alimentação ao trabalhador. Aduz que o Agente Fiscal não pode presumir que a empresa não tenha Programa de Alimentação do Trabalhador; Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 · Que a empresa comprovou documentalmente a contratação de empresas destinadas ao Programa de Alimentação ao Trabalhador, e que não pode ser penalizada por um princípio exclusivamente formal, ou seja, ter ou não comunicado o Ministério do Trabalho MTb sobre a implantação do referido serviço; · Que não há uma decisão transitada em julgado que diga que a contestante é devedora do INSS, tudo que se assinala é a posição unilateral do instituto que não passou pelo crivo do Poder Judiciário; · Que a Constituição Federal, veda a cobrança de qualquer tributo com efeito de confisco; Ao fim, requer a anulação da presente NFLD. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000048/200929 Acórdão n.º 2401004.011 S2C4T1 Fl. 173 5 Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 22/04/2002. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 02/05/2002, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000048/200929 Acórdão n.º 2401004.011 S2C4T1 Fl. 174 7 compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. O que dizer, também, do salário do jogador de futebol não titular, que passa a temporada inteira sem ser, sequer, escalado para o banco de reserva? Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas. Assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada começou a perceber que o conceito de remuneração não mais se circunscrevia meramente à contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, tinha a sua abrangência elastecida a todas as verbas e vantagens auferidas pelo obreiro em decorrência do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o trabalhador estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora possam não representar contrapartida direta pelo trabalho realizado. Em magnífico trabalho doutrinário, Amauri Mascaro Nascimento compra essa briga, desenvolvendo uma releitura do conceito de remuneração, realçando as notas características da prestação pecuniária ora em debate: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000048/200929 Acórdão n.º 2401004.011 S2C4T1 Fl. 175 9 Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo segurado, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000048/200929 Acórdão n.º 2401004.011 S2C4T1 Fl. 176 11 Da matriz jurídica e filosófica dos aludidos dispositivos, podese extrair, por decorrência lógica, que se encontram compreendidos no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer vantagem concedida e/ou verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000048/200929 Acórdão n.º 2401004.011 S2C4T1 Fl. 177 13 de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II, do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 14 I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Conjuguese ainda, nesse mister, que o preceito encartado no art. 176 do CTN exige previsão legal para a concessão de isenção, não podendo tal requisito ser suprido por acordo coletivo de trabalho, os quais produzem efeitos, unicamente, entre as partes que os celebram, sendo imprestáveis para vincular o Estado aos termos pactuados em suas cláusulas. Código Tributário Nacional Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. (grifos nossos) No caso em arguição, a alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui, de forma expressa, que não integra o Salário de contribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. Extraise dos preceitos legais acima aludidos que as importâncias despendidas pela empresa em louvor à alimentação de seus trabalhadores, para se subsumir à hipótese de não incidência legal em apreço, necessitam atender, cumulativamente, a duas condições essenciais: a) Que a alimentação seja fornecida “in natura” pela empresa aos seus empregados, ou seja, pronta para consumo imediato. b) Que a alimentação fornecida esteja de acordo com os programas de alimentação do trabalhador – PAT, aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76; No caso ora em foco, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, restou a cargo da Lei nº 6.321/76, a qual dispõe sobre os Programas de Alimentação do Trabalhador. Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art. 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (grifos nossos) Ressaltese que os preceptivos aqui enunciados não conflitam com as linhas traçadas pelo art. 5º do Decreto nº 5/1991, que aponta para o mesmo norte. Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000048/200929 Acórdão n.º 2401004.011 S2C4T1 Fl. 178 15 Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo Dec. 2.101/96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. (grifos nossos) Visando a brindar executoriedade ao Programa de Alimentação do Trabalhador, a Secretaria de Inspeção do Trabalho e o Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego baixaram a Portaria nº 03, de 1º de março de 2002, cujo art. 2º estatuiu como exigência formal para a fruição dos benefícios fiscais a devida inscrição no programa em foco, mediante o preenchimento de formulário adrede, cuja cópia e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deve ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal. PORTARIA Nº 03, DE 1º DE MARÇO DE 2002 II – DAS PESSOAS JURÍDICAS BENEFICIÁRIAS Art. 2º Para inscreverse no Programa e usufruir dos benefícios fiscais, a pessoa jurídica deverá requerer sua inscrição à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), através do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em impresso próprio para esse fim a ser adquirido nos Correios ou por meio eletrônico utilizando o formulário constante da página do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet (www.mte.gov.br). (grifos nossos) §1º A cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deverá ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal do trabalho. §2º A documentação relacionada aos gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes será mantida à disposição da Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 16 fiscalização federal do trabalho, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação. §3º A pessoa jurídica beneficiária ou a prestadora de serviços de alimentação coletiva registradas no Programa de Alimentação do Trabalhador devem atualizar os dados constantes de seu registro sempre que houver alteração de informações cadastrais, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar informações a este Ministério por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) Com efeito, a inscrição no PAT não se constitui mera formalidade ou capricho da Administração. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: o fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. De fato, a Portaria nº 03/2002 estabeleceu as instruções para a perfeita execução do Programa de Alimentação do Trabalhador, estabelecendo de forma taxativa que a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador acarretará o cancelamento da inscrição ou registro no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda do incentivo fiscal, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Revelase de extrema importância chamar a atenção para o fato de que a hipótese de não incidência legal de contribuições previdenciárias prevista alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, referese, exclusivamente, à parcela recebida "in natura" pelo empregado, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta aos seus empregados, e desde que tal fornecimento esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76. Deflui do exame dos dispositivos legais suso selecionados, apreciados segundo a exegese restritiva exigida pelo art. 111 do CTN, que para os valores despendidos pela empresa a título de alimentação aos empregados serem excluídos da base de incidência das contribuições sociais em foco é necessária a satisfação de dois requisitos fundamentais: a) Que a alimentação seja fornecida in natura, isto é, seja entregue pela empresa ao empregado pronta para consumo imediato; b) Que o fornecimento de alimentação seja efetuado de acordo com o programa de alimentação ao trabalhador, aprovado pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76, o qual exige como formalidade indispensável, a inscrição formal do empregador, em atenção ao art. 2º, caput, da Portaria nº 03/2002 da Secretaria de Inspeção do Trabalho e do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, que estabelece as instruções para a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador. Como se observa, ambos os requisitos fixados como essenciais pela lei de custeio da seguridade social não se encontram presentes no caso em debate. Isto porque a Fl. 186DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000048/200929 Acórdão n.º 2401004.011 S2C4T1 Fl. 179 17 empresa autuada não possuía inscrição no PAT, tampouco a alimentação em apreço houvese por fornecida in natura, mas, sim, mediante reembolso de refeições, vale alimentação e vale refeição, os quais possuem liquidez e circulabilidade equiparadas a dinheiro. Conforme já enaltecido alhures, tratandose de hipótese de renúncia fiscal, urge emprestarse exegese restritiva à fórmula isentiva acima abordada. Inferese, portanto, dos preceptivos ora revisitados, que a natureza “in natura” da alimentação fornecida e a adesão ao PAT constituemse condições sine qua non para a fruição dos benefícios fiscais tributários e previdenciário, conforme expressamente previsto na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, verbatim: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) Cumpre alertar que as disposições insculpidas no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 possuem âmbito de influência restrito ao fornecimento de alimentação in natura, não alcançando as hipóteses de fornecimento ser realizado em espécie, ou na forma de reembolso de refeição, ticket alimentação ou vale refeição. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. É de se salientar que a formulação do citado Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional decorreu da sedimentação da jurisprudência em torno da matéria no Superior Tribunal de Justiça, que pacificou o entendimento de que a alimentação in natura oferecida pela empresa ao trabalhador, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta aos seus empregados, não se subsume à hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, mesma que a empresa não esteja inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, como assim se depreende dos seguintes julgados a seguir ementados: REsp nº 1.119.787SP Relator: Ministro Luiz Fux Fl. 187DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 18 DJe 13/05/2010 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171. 2. Recurso especial a que se nega seguimento. Por outro lado, quando o auxílio alimentação for pago em espécie ou na forma de vales ou cartões, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse sentido, ressaltamse excertos do julgado proferido pelo Min. Luiz Fux, nos autos do Recurso Especial nº 433.230/RS, publicado no DJe em 13/05/2010, cujos termos bem elucidam a questão: REsp nº 433.230/RS Relator: Ministro Luiz Fux DJe 17/02/2003 EMENTA: TRIBUTÁRIO. FGTS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. NÃO INSCRIÇÃO. TICKETS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA AO FGTS. 1. O auxílio alimentação, quando pago em espécie e com habitualidade, passa a integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, assumindo, pois, feição salarial, afastandose, somente, de referida incidência quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, estando ou não inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. Aplicação ao Enunciado n° 241, do TST. Há incidência da contribuição social, do FGTS, sobre o valor representado pelo fornecimento ao empregado, por força do contrato de trabalho, de vale refeição. 3. Recurso Especial desprovido. Tal entendimento é esposado pelo Colendo Tribunal Superior do Trabalho, cujo verbete do Enunciado nº 241 exorta que “o vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais”. TST Enunciado nº 241 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000048/200929 Acórdão n.º 2401004.011 S2C4T1 Fl. 180 19 Vale Refeição Remuneração do Empregado SalárioUtilidade – Alimentação. O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. Conforme acima ilustrado, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional encampou o entendimento consagrado no Superior Tribunal de Justiça que dispensava o formalismo da inscrição no PAT para reconhecer a isenção incidente sobre as verbas despendidas pela empresa no fornecimento de alimentação in natura, isto é, alimentação fornecida pronta para consumo imediato. Tal circunstância implica, portanto, a perda do objeto das alegações recursais atinentes à formalidade de inscrição no PAT. No caso em exame, todavia, de acordo com o Relatório Fiscal, foram considerados para a apuração do presente levantamento, os valores registrados em contas específicas, a saber: 411.010.11 (Vale Refeição); 414.010.12 (Vale Refeição) e 421.010.12 (Vale Refeição), dispostas na contabilidade da empresa, relativo ao período de janeiro a dezembro/1999. De acordo com o inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212/91, a empresa tem o dever instrumental de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) Considerando que a empresa tenha cumprido, com rigor, os termos da lei, é de se presumir que os valores lançados nas contas contábeis nº 411.010.11 (Vale Refeição); 414.010.12 (Vale Refeição) e 421.010.12 (Vale Refeição) refiramse, exclusivamente, aos valores despendidos na aquisição dos valesalimentação fornecidos aos seus empregados, figurando tais verbas, por conseguinte, como abraçadas pelo conceito jurídico de Salário de Contribuição, uma vez que não se referem a alimentação in natura. Conforme estatuído expressamente no art. 226 do Código Civil, os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 20 Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. Tal formulação não discrepa da normatização disposta no Código de Processo Civil, sendo lícito, todavia, ao comerciante demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Art. 379. Os livros comerciais, que preencham os requisitos exigidos por lei, provam também a favor do seu autor no litígio entre comerciantes. No caso em exame, a Notificada alega que no período da fiscalização que contratou empresa especializada denominada CRHE – Comercial de Refeições Hospitalares e Empresariais Ltda., durante o período de 16.01.98 até 02.08.99. Após esse período, foi contratada a empresa EMBRASA Empresa Brasileira de Serviços de Alimentação Ltda. De fato, o campo “observação” do Relatório de fatos geradores a fls. 14/16, informa que diversos lançamentos efetuados pela Fiscalização referemse a contrato celebrado com a empresa CRHE – Comercial de Refeições Hospitalares e Empresariais para o fornecimento de refeições industriais aos funcionários da Notificada, em refeitório localizado nas dependências da Notificada, sendo substituído a CRHE, em agosto/99, pela Embrasa. Compulsando o contrato celebrado com a CRHE – Comercial de Refeições Hospitalares e Empresariais Ltda, a fls. 72/81, verificamos que este se refere ao fornecimento de refeições industriais a serem preparadas e fornecidas in natura aos empregados da Recorrente, no refeitório instalado em suas dependências, se subsumindo assim à hipótese de renúncia fiscal prevista na a alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, tratandose de fornecimento de alimentação in natura, e considerando os termos assentados no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pugnamos pela exclusão, do vertente lançamento, das Obrigações Tributárias decorrentes dos fatos geradores relativos, EXCLUSIVAMENTE, ao fornecimento de alimentação in natura servida pelas empresas CRHE – Comercial de Refeições Hospitalares e Empresariais Ltda., durante o período de 01/01/1999 até 02/08/1999, e de 03/08/1999 a 31/12/1999 pela empresa EMBRASA Empresa Brasileira de Serviços de Alimentação Ltda., no refeitório da Notificada, mantidos os demais lançamentos em sua integralidade. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000048/200929 Acórdão n.º 2401004.011 S2C4T1 Fl. 181 21 Não procede a alegação recursal de que “não há uma decisão transitada em julgado que diga que a contestante é devedora do INSS, tudo que se assinala é a posição unilateral do instituto que não passou pelo crivo do Poder Judiciário”. Não escapa ao conhecimento daqueles que militam com profissionalismo no Ramo do Direito que os atos administrativos são dotados do atributo da autoexecutoriedade, de maneira que podem ser executados sem a necessidade de uma ordem judicial prévia. A autoexecutoriedade decorre da própria presunção de legalidade e legitimidade dos atos administrativos e constituise num verdadeiro poder administrativo, uma prerrogativa posta à consecução do interesse coletivo e um dos instrumentos de trabalho adequados à realização das tarefas administrativas, que permite, até, constituir unilateralmente obrigações ao particular, sem a sua concordância (imperatividade), e impôlas sem a prévia necessidade do exercício da via judicial. 2.2. DO ALEGADO CONFISCO O Recorrente alega que a Constituição Federal, veda a cobrança de qualquer tributo com efeito de confisco. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, Fl. 191DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 22 como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Escapa, contudo, à competência deste Colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias constantes na Lei nº 8.212/91 aos princípios constitucionais e às limitações ao poder de tributar veiculadas nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido por aqueles que militam com profissionalismo no Direito Pátrio que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Nesse sentido, no que é atávico ao Processo Administrativo Fiscal, determina o Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ser vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000048/200929 Acórdão n.º 2401004.011 S2C4T1 Fl. 182 23 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, proclamada na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa punitiva, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV, da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 24 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento, tão somente, as Obrigações Tributárias decorrentes dos fatos geradores relativos, EXCLUSIVAMENTE, ao fornecimento de alimentação in natura servida pelas empresas CRHE – Comercial de Refeições Hospitalares e Empresariais Ltda., durante o período de 01/01/1999 até 02/08/1999, e de 03/08/1999 a 31/12/1999 pela empresa EMBRASA Empresa Brasileira de Serviços de Alimentação Ltda., no refeitório da Notificada, mantidos os demais lançamentos em sua integralidade. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Relator. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000048/200929 Acórdão n.º 2401004.011 S2C4T1 Fl. 183 25 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Com o devido respeito pelos argumentos do ilustre Relator, Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, ouso divergir quanto à incidência de contribuição previdenciária paga a título de auxílio alimentação quando este é fornecido em ticket, e a empresa não se encontra devidamente inscrita no PAT. Cediço que, havendo a inscrição regular no programa de alimentação do trabalhador, não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao trabalhador por meio de cartões destinados à aquisição de alimentos, in natura ou elaborados. Esta é a disposição da Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212/91, que em seu artigo 28, § 9º, alínea 'c': "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Como bem destacado pelo eminente Conselheiro Relator, a Procuradoria da Fazenda Nacional, em respeito às decisões judiciais oriundas dos Tribunais Superiores, emitiu o Parecer PGFN/CRJ/nº 2117/2011, assim ementado: "Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos" No corpo do parecer, encontramos às folhas 2, o seguinte trecho elucidativo: 4. O entendimento sustentado pela União em juízo é o de que o auxílioalimentação pago in natura ostenta natureza salarial e, Fl. 195DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 26 portanto, integra a remuneração do trabalhador, razão pela qual deve haver incidência da contribuição previdenciária. 5. Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tãosomente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais. 6. Por outro lado, quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária." (grifamos) Corroborando o sentido do parecer, a PGFN colaciona alguns acórdãos de decisões que entende paradigmáticas. Dentre essas, a proferida no REsp 333.001/RS pela 2ª Turma do STJ, de relatoria do Min. Herman Benjamin, DJ 17/11/2008, explicita peremptoriamente o conceito de pagamento in natura, acima mencionado, e determinante para a posição por nós adotada. Vejamos: "(...) É pacífica neste Superior Tribunal de Justiça a orientação no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. (STJ, REsp 333.001/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 17/11/2008)" (negritos nossos, sublinhados constam do parecer) A leitura atenta da decisão, por óbvio reproduzida no parecer, nos permite,com segurança, inferir que por pagamento in natura as decisões judiciais entendem ser todas aquelas em que a própria alimentação é fornecida pela empresa. Com fito de aplainar qualquer dúvida, vimos na transcrição do parecer, linhas atrás, que a Procuradoria explicitou tal entendimento, e em reforço, ainda asseverou que "por outro lado, quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em conta corrente, em caráter habitual, assume feição salarial". A adesão ao PAT, mero procedimento formal, pode ser considerada a publicização pela empresa da intenção de ofertar o valealimentação aos seus empregados. Tal constatação embasa as decisões judiciais que pacificaram a questão, e afastaram a incidência de Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000048/200929 Acórdão n.º 2401004.011 S2C4T1 Fl. 184 27 contribuição previdenciárias dos valores ofertados como auxílio alimentação desde que esses não sejam creditados na conta corrente do empregado ou entregue em pecúnia. Assim, ao se constatar que o ticket refeição ou alimentação é fornecido diretamente pela empresa e se presta somente para a aquisição de alimentos, elaborados no primeiro caso, e in natura no segundo; não se pode por imperativo legal e jurisprudencial entender que, sobre esses, incide contribuição previdenciária. Com essas razões, afasto a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao auxílioalimentação ofertados por meio de ticket alimentação, vez que ao adquirir o cartão de empresa prestadora deste serviço e entregálo ao trabalhador, o empregador não está depositando o valor da alimentação na conta corrente do beneficiário, tampouco fornecendo tal valor em espécie. Nesse sentido, o auxílio alimentação pago por meio de cartão de alimentação ou de refeição tem os mesmo efeitos do pagamento 'in natura'. É como voto. Carlos Henrique de Oliveira, Redator Designado. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10314.001082/2006-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 26/01/1994
CONSUMO DE BEM ESTRANGEIRO IRREGULAR NO PAIS. APLICAÇÃO DA MULTA.
A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 365, inciso I do RIPI/82, aprovado pelo Decreto n° 87/981, de 23/12/82, requer a tipificação de consumo ou entrega a consumo de mercadoria de origem estrangeira, entrada no território nacional de forma clandestina, irregular ou fraudulenta. Presente a tipificação, legítimo se mostra o lançamento da referida multa.
Numero da decisão: 3401-003.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 26/01/1994 CONSUMO DE BEM ESTRANGEIRO IRREGULAR NO PAIS. APLICAÇÃO DA MULTA. A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 365, inciso I do RIPI/82, aprovado pelo Decreto n° 87/981, de 23/12/82, requer a tipificação de consumo ou entrega a consumo de mercadoria de origem estrangeira, entrada no território nacional de forma clandestina, irregular ou fraudulenta. Presente a tipificação, legítimo se mostra o lançamento da referida multa.
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APLICAÇÃO DA MULTA. A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 365, inciso I do RIPI/82, aprovado pelo Decreto n° 87/981, de 23/12/82, requer a tipificação de consumo ou entrega a consumo de mercadoria de origem estrangeira, entrada no território nacional de forma clandestina, irregular ou fraudulenta. Presente a tipificação, legítimo se mostra o lançamento da referida multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 10 82 /2 00 6- 23 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Relatório Este processo cuida de auto de infração que constituiu e exige a multa que pune o consumo ou a entrega a consumo de mercadoria estrangeira entrada irregular ou fraudulentamente no território nacional, (tipificada no art. 365, inciso I, do RIPI/82, aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23/12/82 art. 83 da Lei 4.502/64 e Decretolei n° 400/68, art. Io. Alteração 2a), No caso, a mercadoria estrangeira é um veículo automotor de passeio: Marca Honda, modelo CIVIC Coupé, Ano/modelo 1989 Cor: branca Placa DOG 0808 Chassi JHMED93700S100630. O veículo ingressou no Brasil em regime de admissão temporária para turista (Termo da Admissão n° 019365, expedido em 27/03/91), em benefício de SIMONE MARGARETH LIMA, brasileira domiciliada no Paraguai. O contribuinte James Rocha adquiriu o veículo de Simone M. Lima. Ele impetrou o Mandado de Segurança Preventivo n° 93.160770, (8a Vara da Justiça Federal de 1a Instância DF), objetivando impedir apreensão do veículo ou impedimento do respectivo emplacamento junto ao DETRAN. Obteve liminar, que posteriormente foi cassada, ficando a Receita Federal autorizada a proceder a apreensão do veículo. A 1ª Turma da 2ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ SP2), após apreciar a impugnação, concluiu pela sua improcedência e manteve o crédito tributário exigido. O Acórdão n. 1735.053, proferido em 17/09/2009, ficou assim ementado: Assunto: Normas Gerais de direito tributário data do fato gerador: 26/01/1994 ILEGITIMIDADE PASSIVA. MULTA PELO CONSUMO DE MERCADORIA DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA, EM SITUAÇÃO IRREGULAR NO PAÍS. não cabe alegação de ilegitimidade passiva com base na transferência do bem em situação irregular no País, quando o consumo dele por parte do agente puder ser comprovado. a penalidade não é dirigida ao importador da mercadoria, e sim a quem a consumiu no estado de irregularidade. a simples transferência de tal mercadoria, em data recente, não exime seu consumidor de suportar a respectiva penalidade. MULTA EM VALOR DESPROPORCIONAL. NATUREZA CONFISCATÓRIA. considerações sobre a graduação da penalidade, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da capacidade contributiva. nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do ctn). como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o poder Judiciário. Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 26/01/1994 IPI. MULTA REGULAMENTAR. CONSUMIR OU DAR A CONSUMO PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS, OU IMPORTADO IRREGULAR / FRAUDULENTAMENTE. A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 365, inciso I do RIPI/82, aprovado pelo Decreto n° 87/981, de 23/12/82, requer a tipificação de consumo ou entrega a consumo de mercadoria de origem estrangeira, entrada no território nacional de forma clandestina, irregular ou Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10314.001082/200623 Acórdão n.º 3401003.154 S3C4T1 Fl. 3 3 fraudulenta. Presente a tipificação, legítimo se mostra o lançamento da referida multa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte ingressou com recurso voluntário, com o qual repisa suas alegações de defesa, em resumo: · Preliminarmente, a decadência, tendo em vista que vendeu o carro em 1995, e somente foi intimado do auto de infração em 2006, em prazo superior da decadência nos termos dos artigos 139 do CTN; · que "... NÃO É MAIS O PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO, não podendo ser responsabilizado pela não entrega do bem quando da intimação. Ao ser intimado, apresentou o recorrente o documento de compra do veículo, demonstrando a pessoa de quem adquiriu o carro, ou seja, o verdadeiro importador do carro. Apresentou, ainda, o documento de.venda do automóvel ao Sr Henrique Larri da Silva, datado de. 17.01.1995. Portanto, demonstrou que não é mais proprietário do bem desde a citada data. Consta,ainda, do referido documento todos os dados do comprador, o que possibilitaria a sua; localização e, possivelmente, a localização do carro." · "Ou seja, demonstrou, à exaustão, que não importou o veículo, e que, há mais de 13 anos vendeu o bem Sr. Henrique Larri da Silva, inscrito no CPF/MF sob o n.° 162.579.71845, residente e domiciliado à Rua São Zeferino, 414, SP SP, estando o automóvel em questão, provavelmente, em poder do atual proprietário. (...)Além de vender o veículo, o recorrente efetuou o bloqueio do mesmo junto ao DETRAN pela falta de transferência, cumprindo, também, o disposto no item "b" transcrito acima. Ou seja, a partir de 7.01.1995 o recorrente se isentou de qualquer responsabilidade administrativa, civil ou criminal, não podendo ser responsabilizado da forma como pretendida." O contribuinte afirma, ainda, que não consta dos autos terem sido Simone Margareth Lima (proprietária original) e Henrique Larri da Silva intimados a apresentar o automóvel, principalmente tendo em vista ser este o atual proprietário. E que consta no DETRAN que o veículo foi sinistrado. Por fim, o contribuinte reclama que a multa foi calculada sobre o valor do automóvel que servia de referência ao IPVA, mas que ele está incorreto, pois não corresponde ao atual valor do veículo, até por que ele foi sinistrado. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 Com relação à preliminar de decadência, o contribuinte afirma que o seu termo inicial deveria ser 1995, quando teria deixado de ser proprietário do veículo. Para tanto, apresenta cópia de recibo de venda. Ocorre que o recibo veio à luz em 2005, e ele não traz reconhecimento de firma naquela ocasião (1995). E o veículo permaneceu constando nos registros do DETRAN como sendo de propriedade do contribuinte até 2006. Com esses dados, creio que o contribuinte não logrou provar que o termo inicial deveria ser contado a partir de 1995. Por isso proponho a este Colegiado não acolher esta preliminar de decadência. Mérito Não há como acolher as alegações do contribuinte de que a multa deveria ser afastada por ser ele apenas um ex proprietário do veículo; e também por que ela não está consoante a finalidade da ação fiscal, que seria de reobter o veículo para lhe dar perdimento. O texto da lei não define que somente o proprietário do bem receberá a pena. Para ela ser aplicada basta que o contribuinte tenha consumido bem de permanência irregular no país. Tendo em vista a prova de que o contribuinte teve o veículo sob sua posse, entendo que ele não pode alegar ilegitimidade passiva. Também não corresponde a esse texto afirmar que a ação fiscal pretende a apreensão do veículo. A finalidade dessa multa é outra, e creio se referir ao fato de alguém estar consumido algo que sabe não podia estar regularmente no país. A finalidade da multa não é o bem (o veículo) , mas a pessoa, a conduta da pessoa. Creio que não procede a suposição do contribuinte que o sinistro do veículo implique na perda do objeto da autuação. Não importa em que estado está atualmente o veículo, ou mesmo que ele tenha sido apreendido. O fato não controverso é que ele esteve irregular no país e o contribuinte o consumiu nessa condição. A prova desse fato, e da ciência do contribuinte dessa situação, reside na ação judicial que promoveu, sem sucesso, para impedir a apreensão do veículo. O contribuinte contesta o valor da multa, que ela se apoia em estimativa que não corresponderia ao valor atual do veículo. A razão não socorre o contribuinte nesse aspecto. A multa deve ser calculada tendo e consideração o valor do bem que se tinha como referência quando de seu ingresso no país, e não o seu valor atual. Portanto, concluo que o contribuinte não conseguiu trazer aos autos elementos que afastariam a exigência. Por isso proponho a este Colegiado não dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10314.001082/200623 Acórdão n.º 3401003.154 S3C4T1 Fl. 4 5 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000311/2009-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUB-ROGAÇÃO
O Acórdão do RE 363.852/MG, declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instruir a contribuição. Com o advento da Lei 10.256/2011, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de sub-rogação, previsto no art. 30, IV, da Lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Patrícia da Silva, que deu provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Ana Paula Fernandes, que apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Declaração de voto
EDITADO EM: 11/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DOS PRODUTORES DO CENTRO OESTE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO O Acórdão do RE 363.852/MG, declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instruir a contribuição”. Com o advento da Lei 10.256/2011, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de subrogação, previsto no art. 30, IV, da Lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Patrícia da Silva, que deu provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Ana Paula Fernandes, que apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 03 11 /2 00 9- 63 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.062 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Declaração de voto EDITADO EM: 11/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, AI DEBCAD nº 32.227.9350 (efl. 02), no qual foram constituídos o crédito por infração à obrigação acessória, pois a cooperativa teria apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP com omissão do valor bruto da receita decorrente da comercialização da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física cooperado e não cooperado. O AI foi consolidado em 11/11/2009, com ciência à contribuinte em 07/12/2009 e o correspondente relatório fiscal que está posto às efls. 06 a 09 dos autos. A cooperativa impugnou o auto de infração, às efls. 24 a 46, contudo, a 3ª Turma da DRJ/CGE considerou improcedente a impugnação, por unanimidade, conforme disposto no acórdão n° 0421.834 de 22/09/2010, às efls. 159 a 169, mantendo a integralidade do crédito lançado. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 177 a 189. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, em 19/01/2012, no acórdão 230201.599, às efls. 245 a 292, que tem a seguinte ementa: Fl. 380DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.063 3 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. GFIP. COOPERATIVA. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUB ROGAÇÃO. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, na condição de subrogadas nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial, são responsáveis pelo recolhimento das contribuições a que se refere o art. 25 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, e são responsáveis também pela informação em GFIP/SEFIP da receita da comercialização da produção no campo Comercialização da Produção Pessoa Física. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. São devidas à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da CF/88, relativa às receitas oriundas de operações de exportação, direcionase apenas às chamadas exportações diretas, situação em a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.064 4 A inclusão dos sócios na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de inserilos no polo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão, por sua vez, teve a seguinte redação: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II da Lei nº 8.212/91, que na conversão à Lei nº 11.941/2009, foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que votou pela procedência total do recurso. A Fazenda Nacional, em 03/04/2012, manifestouse pela não interposição de recurso ao acórdão (efl. 295). Cientificada do resultado do julgamento em 27/06/2013 (efl. 311), a contribuinte apresentou recurso especial de divergência RE, em 11/07/2013, às efls. 313 a 321. Em seu RE a contribuinte traz à discussão apenas matéria relativa a responsabilidade tributária mediante subrogacão, prevista no art. 30? inciso IV. da Lei n° 8.212/1991, alegando que esta teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo STF e assim, em face do inc. I do parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, invoca a aplicação daquele julgado; para sustentar a divergência, apresenta cópia integral do acórdão 2401002.254 como paradigma. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.065 5 O Presidente da Segunda seção de Julgamento do CARF através do Despacho s/n, às efls. 358 a 363, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade em 05/08/2015. Cientificada em 10/09/2015, a Procuradoria da Fazenda apresentou contrarrazões em 22/09/2015, às efls. 365 a 377. Naquela peça, no fechamento, afirma: "...a declaração de inconstitucionalidade veiculada no RE n.º 363.852/MG se referiu, exclusivamente, ao caput do art. 25 da Lei de Custeio, com redação dada pela Lei n.º 8.540/92, na parte dirigida ao empregador rural pessoa física. Em outros termos, a declaração de inconstitucionalidade foi apenas parcial, permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25. Da mesma forma, o art. 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91 somente deixa de ser aplicado nos limites da declaração de inconstitucionalidade, ou seja, apenas em relação ao empregador rural pessoa física e se existente o mesmo contexto jurídico analisado no julgamento do STF. No caso concreto, os fatos geradores que deram origem à obrigação tributária ocorreram no período de 01/2006 a 12/2006. Ou seja, após a Lei n.º 10.256/2001, editada com arrimo na EC 20/98, de forma que é plenamente válida a cobrança dos créditos tributários constituídos pelo auto de infração." É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Entendo que o recurso deve ser desprovido, haja vista que a referida decisões do STF não se referiu à inconstitucionalidade do art. 30, inc. IV, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528 de 10/12/1997, mas à inconstitucionalidade da própria tributação do produtor rural, pessoa física, com base na receita bruta ou no faturamento, pois, até a vigência da EC 20 de 15/12/1998, essa receita demandaria lei complementar para sua tributação. Se esta não pode ser tributada a subrogação inexistiria por mera conseqüência lógica e não por inconstitucionalidade própria. A partir da referida emenda constitucional e da existência de nova lei regulando a relação jurídica da pessoa física com o fato gerador, a subrogação do art. 30, inc. IV, automaticamente incide. Argumentos que apóiam tal entendimento constam de forma clara e didática em voto da ilustre Conselheira Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no acórdão Fl. 383DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.066 6 nº 2401003.896 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Segunda Seção, por isso peço vênia para transcrevêlo: Quanto ao mérito cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da matéria, considerando o recurso apresentado pelo recorrente. O presente AIOP referese a contribuições devidas à seguridade social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física (conforme relatório fiscal), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, (compra de bovinos para abate) bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT no período de 01/2010 a 12/2010. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei n° 10.256/01. Vigência a partir de 01/11/01, ver § 3° do art. 4° da MP n° 83/02, convertida na Lei n° 10.666/03 e nota no final do art I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei n° 9.528/97. Vigência a partir de 11/12/1997 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação alterada pela MP n° 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97 A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei n° 8.620/93) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP n° 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97) Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3° da Lei 10.256/2001 no art. 6° da Lei 9.528/1997. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.067 7 "Art.6° A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge a partir do não fosse o julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário n° 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI N° 8.212/91 ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.068 8 Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontramse abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. (...) Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei n° 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional n° 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Confirmando, ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário n° 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil)5, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1° DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596.177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: "A CONSTITUCIONALIDADE DA Fl. 386DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.069 9 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRF da 4aRegião", assim conclui acerca das decisões proferidas no âmbito do STF: Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis n°s 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada6 proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei n° 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Recurso Extraordinário n° 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8°; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional n° 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) Fl. 387DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.070 10 b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998 Assim, há que se destacar que a Lei n° 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei n° 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Assim, a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585.684, senão vejamos: No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e n°9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE .568 4, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 01/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei n° 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional n° 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei n° 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições para o período de 01/2010 a 12/2010, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei n° 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as contribuições descritas nas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.071 11 Esse entendimento já vinha sendo corriqueiramente aplicado nos julgados desta turma do colegiado, contudo, ao adentrarmos a questão da subrrogação descrita no art. 30, IV da lei 8212/91, nas redações dadas pelas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, entendeu a turma, que a subrrogação, acabou no resultado do julgamento sendo por derradeira também declarada inconstitucional, o que resultava na inviabilizando da utilização da sistemática de subrrogação nos casos de aquisição de produção rural de produtores rurais pessoas físicas. Todavia, as decisões proferidas no âmbito dos Tribunais Regionais Federais ao apreciar diversos casos incidentais envolvendo a mesma questão, bem como a decisão de outras turmas deste mesmo Conselho, nos levaram a reapreciar posicionamento antes adotado e a interpretar a decisão do próprio STF sob outra ótica, como passamos abaixo a discorrer. Citese do TRF: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE n° 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1° da Lei n° 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC n° 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade." (Apelação n° 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 1ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 Acórdão 230202.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUBRROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: 3.1.4.DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei n° 8.212/91. Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à subrogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Fl. 389DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.072 12 Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §7° A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por sub rogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, "deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91". Lei n°8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1° A Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Art. 12... V ... a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxilio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não continua; Fl. 390DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.073 13 b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxilio de empregados, utilizados a qualquer titulo, ainda que de forma não continua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; d) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do pais do domicilio; Art. 22 ................................. §5° O disposto neste artigo não se aplica à pessoa fisica de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. §1° O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2° A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. §3° Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, Fl. 391DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.074 14 moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4°Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) (...) Art. 30 ... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam subrogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor." Ora, caros leitores, o fato de o art. 1° da Lei n° 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea 'a' do inciso V do art. 12 da Lei n° 8.212/91, nas alíneas 'a' e 'b' do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas 'b', 'c' e 'd' do mesmo inciso V acima citado para 'c', 'd' e 'e', respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1° da Lei n° 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Fl. 392DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.075 15 Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso . V do art. 30 da Lei n° 8.212/91. Aliás, o vocábulo "subrogação" assim como a referência ao "inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91" somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97. Realmente, ao verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei n° 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei n° 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE n° 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei n° 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256/2001). Fl. 393DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.076 16 I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais Fl. 394DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.077 17 obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino "lex specialis derogat generali". A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial". Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei n° 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da subrogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos. a) Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova Fl. 395DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.078 18 redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97" não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. b) Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição". Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubtanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo: III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. (...) Pelas razões acima expostas, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte, mantendo o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 396DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.079 19 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Embora o excelente voto do relator o qual eu acompanhei pelas conclusões, a fim de guardar coerência com aquilo que defendo e escrevo no âmbito acadêmico do Direito Previdenciário, preciso ressalvar que considero pertinentes algumas das alegações lançadas pelo contribuinte, chegando à mesma conclusão final que ele, de que a cobrança do tributo não é devida, uma vez que o dispositivo legal que o instituiu padece de inconstitucionalidade. Tal conclusão, inclusive, a meu modo de ver está dotada de forte razão jurídica e científica, contudo, para que a discussão versada nestes autos pudesse ter a decisão diametralmente oposta tencionada pelo contribuinte, seria necessária a declaração de inconstitucionalidade de dispositivo de lei, que se encontra no presente momento dotado de vigência e legalidade. Observo que o controle de legalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso[3]: o controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado,sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto,incidenter tantum,exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço a contenda é de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Neste sentido, inclusive, o tema restou sumulado pelo CARF: “Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 397DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000311/200963 Acórdão n.º 9202003.837 CSRFT2 Fl. 1.080 20 Ainda, cumpre citar que a Lei nº 11.941/09, que alterou a redação de diversos dispositivos do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo Administrativo Fiscal Federal (PAF), incluiu na redação deste o artigo 26A, que em linhas gerais delimita a competência do julgador em matéria de apreciação de constitucionalidade: no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Desse modo, a discussão trazida a este Tribunal, embora na minha convicção pessoal seja legítima, não compete ser solucionada pela via administrativa, pois a Carta Magna atribui expressamente ao Poder Judiciário o controle de constitucionalidade, seja de modo direto pelo Supremo Tribunal Federal, seja de modo difuso, efetuado por todas as instâncias na análise de casos concretos. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 398DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003745/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1803-000.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a 2ª TO/1ª Câmara/1ª Sejul, para que seja julgado em conjunto com processo nº 11831.001429/2002-28, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a 2ª TO/1ª Câmara/1ª Sejul, para que seja julgado em conjunto com processo nº 11831.001429/2002-28, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a 2ª TO/1ª Câmara/1ª Sejul, para que seja julgado em conjunto com processo nº 11831.001429/200228, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente contra acórdão prolatada pela Delegacia de Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, no qual pleiteia a reforma integral do aresto prolatado. Cingese a controvérsia em imposição de multas isoladas pela falta de recolhimento de IRPJ e CSLL incidentes sobre estimativas, referentes aos períodos de 04/2003, 07/2003, 08/2003, 09/2003, 10/2003 no que diz respeito ao Imposto de Renda e 07/2003, 08/2003, 09/2003 e 10/2003 com relação à Contribuição Sobre Lucro Líquido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 74 5/ 20 07 -3 3 Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.003745/200733 Resolução nº 1803000.124 S1TE03 Fl. 3 2 O lançamento ocorrido no Auto de Infração ora questionado teve origem no Processo 11831.001429/200228, no qual a recorrente pleiteava a compensação de crédito, no momento em que foi verificado pela autoridade Fazendária que os valores não teriam sido declarados em Declaração de Débitos e Créditos Federais – DCTF. A recorrente foi devidamente intimada da autuação e, oportunamente, apresentou Impugnação às fls. 391/399, a qual foi resumida no relatório da DRJ da seguinte forma: 1. Na data que o lançamento foi cientificado à recorrente, a Medida Provisória nº 351/07 já não mais vigorava, não podendo se sustentar a validade do lançamento. 2. Ainda que se considere que a MP 351/2007 fora convertida na Lei n° 11.488/2007, a verdade é que, repetindo o que já fizera a referida MP, a alteração feita ao invocado art. 44, § 1º, inciso IV da Lei 9.430, foi no sentido de revogalo integralmente, dessa forma não poderia ter sido invocado pela autoridade lançadora. 3. Os valores apontados na fiscalização foram regularmente compensados por meio de declarações de compensações. 4. Ao analisar o processo 11831.001429/200228, que versa sobre as declarações, a autoridade julgadora entendeu pelo reconhecimento parcial do direito creditório da Recorrente, redundando assim na compensação dos créditos. 5. Contra a decisão prolatada no processo 11831.001429/200228, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 14 de setembro de 2007, que na oportunidade não tinha sido analisada pela DRJ competente. 6. Que a exigibilidade do crédito fosse suspensa até a prolação de decisão no processo 11831.001429/200228, uma vez que sem a resolução da referida controvérsia, não se poderia ter conclusão do presente feito. A DRJ de Salvador proferiu acórdão no qual julgou procedente em parte o pleito da impugnante, para manter as multas isoladas referentes ao IRPJ e à CSLL nos valores de R$ 155.578,16 e R$ 41.519,35, e exonerar os valores de R$ 152.159,55 e R$ 56.387,37, cuja ementa restou posta da seguinte forma: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 2003 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL COMPENSAÇÃO INEVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.003745/200733 Resolução nº 1803000.124 S1TE03 Fl. 4 3 Verificada a compensação indevida de tributo ou de contribuição não lançado de ofício, ou não confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário decorrente da falta de cumprimento da obrigação tributária. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. IMPOSTO E CONTRIBUIÇÃO APURADOS ANUALMENTE. MULTA DE OFÍCIO. FATOS GERADORES DISTINTOS. A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, ainda que coexistindo com a multa de ofício incidente sobre o imposto ou sobre a contribuição apurados anualmente, pois são decorrentes de fatos geradores distintos. Impugnação procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O recorrente foi intimado do acórdão da DRJ em 05/06/2007 e, tempestivamente, interpôs recurso voluntário em 01/07/2013, cujas principais fundamentações são as seguintes: 1. Que na decisão proferida pela DRF de Salvador houve alteração da fundamentação legal que embasou o auto de Infração lavrado contra a ora Recorrente. 2. Que no Auto de Infração, a recorrente foi autuada por suposta falta de recolhimento dos valores de IRPJ e CSLL devido por estimativa no ano de 2003, ao passo que a decisão recorrida tratou de autuação em razão de não declaração dos referidos débitos de IRPJ e CSLL em DCTF naquele período. 3. O julgamento deve ser feito de acordo com o que contém nos autos do processo administrativo e com o que foi pleiteado pelo próprio Fisco, não podendo, em hipótese alguma ampliar a fundamentação da autuação para prejudicar uma das partes. 4. À época em que a Recorrente foi notificada da autuação já não mais vigorava a Medida Provisória 351/07. 5. Muito embora a MP 351/07 tenha sido convertida posteriormente na Lei nº 11.488/2007, esta ratificou o que já havia feito a MP, revogando integralmente o artigo 44, § 1ª, IV da Lei 9.430. 6. A recorrida utilizou como fundamentação legal para a Autuação erroneamente um artigo já revogado, em total afronta ao artigo 106, II, do Código Tributário Nacional, que dispõe quais as situaçãoes em que a lei poderá retroagir em benefício do contribuinte. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.003745/200733 Resolução nº 1803000.124 S1TE03 Fl. 5 4 7. Os referidos débitos foram devidamente quitados por meio do instituto da compensação com crédito decorrente do Processo Administrativo nº 11831.001429/200228. 8. Não é possível se admitir a cobrança das multas isoladas, já que não há, até o presente momento, a caracterização de qualquer infração à legislação. 9. É preciso que se aguarde a decisão definitiva do processo administrativo sem que haja qualquer punição indevida à ora Recorrente ou, ao menos, que este processo seja apensado àquele. 10. Que todos os débitos do IRPJ e CSLL apurados por estimativa no ano de 2003 foram devidamente declarados em DCTFs, diversamente do que consta na decisão ora recorrida. 11. A ora recorrente apurou um saldo negativo de IRPJ e CSLL neste exercício, sendo esta mais uma razão para a não aplicação de multa já que não houve infração. 12. Os fatos jurídicos tributários do IRPJ e da CSLL consistentes em auferir renda e lucro líquido, só se caracterizam em 31 de dezembro de cada ano, surgindo apenas a obrigação tributária quanto ao seu recolhimento efetivo aos cofres públicos. 13. A partir do encerramento do ano financeiro, não há mais que se falar na obrigação de antecipar os valores de IRPJ e CSLL, muito menos imputar ao contribuinte a penalidade pecuniária da multa isolada pelo descumprimento do dever de antecipação. 14. A multa isolada somente pode ser aplicada quando a fiscalização ocorrer antes do término do exercício financeiro, o que não ocorreu no presente caso. 15. Como no caso em tela a autuação foi lavrada somente em 14/11/2007, ou seja, após o encerramento da apuração anual do IRPJ e da CSLL devidos no anocalendário de 2003, resta evidente que não se pode admitir a cobrança dos valores de multa isolada aplicada à recorrente. 16. Se fosse para a fiscalização exigir alguma multa da ora Recorrente, deveria ser esta uma multa de ofício, mas jamais uma multa isolada. 17. Admitirse a cobrança concomitante da multa isolada e a multa de ofício, é admitir a possibilidade de se impor dupla penalização sobre um mesmo fato jurídico. A Fazenda Pública não apresentou contrarrazões e os autos subiram a esta Corte Administrativa para análise. É o relatório. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.003745/200733 Resolução nº 1803000.124 S1TE03 Fl. 6 5 Voto. Conselheiro Relator Arthur José André Neto DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche todos os demais requisitos intrínsecos e extrínsecos, ensejando o conhecimento do Recurso Voluntário e a análise de seu mérito. DO MÉRITO Tratase de cobrança de multa de ofício isolada lavrada pelo não pagamento de estimativas de IRPJ e CSLL no decorrer do ano de 2003. Tais estimativas, entretanto, teriam sido “quitadas” mediante apresentação de DCOMP. Essa DCOMP, por seu turno, teria sido não homologada pela DRF mas ainda está sob análise neste CARF. Claramente, portanto, a quitação das estimativas está diretamente ligada a este processo de número 11831.001429/200228. Esta turma tem firmado o posicionamento no sentido de, quando há conexão direta entre fatos geradores discutidos em processos diversos – como é o caso , determinar o apensamento dos processos, para que o julgamento ocorra de forma conjunta. Ora, fica evidente que, caso a DCOMP nº 11831.001429/200228.seja devidamente homologada, não haverá que se falar em multa isolada por não recolhimento de estimativa. Desta forma, em homenagem aos princípios da economia processual e da segurança jurídica, voto por determinar o apensamento ao processo nº 11831.001429/200228, para que a decisão seja prolatada de forma equânime CONCLUSÃO Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de devolver o processo em razão da impossibilidade de julgamento tomando em conta a necessidade de que seja julgado em conjunto com processo nº 11831.001429/200228. (assinado digitalmente) Arthur José André Neto Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732573/2014-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988, desde a data apurada no laudo médico oficial como início da enfermidade.
LAUDO MÉDICO. ATENDIMENTO ÀS EXIGÊNCIAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DO JULGADOR IMPOR RESTRIÇÕES NÃO CONSTANTES NA NORMA.
É vedado ao julgador administrativo impor condições não constantes na regra legal para impor restrições ao direito do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988, desde a data apurada no laudo médico oficial como início da enfermidade. LAUDO MÉDICO. ATENDIMENTO ÀS EXIGÊNCIAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DO JULGADOR IMPOR RESTRIÇÕES NÃO CONSTANTES NA NORMA. É vedado ao julgador administrativo impor condições não constantes na regra legal para impor restrições ao direito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente MILTON ALOYSI SEIBT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988, desde a data apurada no laudo médico oficial como início da enfermidade. LAUDO MÉDICO. ATENDIMENTO ÀS EXIGÊNCIAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DO JULGADOR IMPOR RESTRIÇÕES NÃO CONSTANTES NA NORMA. É vedado ao julgador administrativo impor condições não constantes na regra legal para impor restrições ao direito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 25 73 /2 01 4- 83 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11080.732573/201483 Acórdão n.º 2402005.158 S2C4T2 Fl. 103 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir a notificação fiscal que integra o presente processo. Extraímos os principais aspetos do lançamento e da impugnação do seguinte excerto do relatório do acórdão recorrido: "Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 11/14, que reduziu o imposto a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual relativa ao Exercício 2013, anocalendário 2012, de R$ 43.864,70 para R$ 24.356,49. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal foi constatada Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, no montante de R$ 118.493,84. Constatou a autoridade fiscal que ficou comprovada a isenção por moléstia grave dos rendimentos recebidos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica – CEEEGT, conforme laudo médico pericial do INSS, CID C 43, cuja data de validade é 28/05/2012. Por conseguinte, os rendimentos recebidos de junho a dezembro/2012 foram considerados tributáveis, pois o outro laudo médico pericial do INSS, datado de 20/05/2014, traz o CID F 02.8, com data de início da doença em 02/2014. Entendeu, assim, que o laudo ulterior não prorroga o primeiro, pois a moléstia descrita no segundo laudo é diferente da primeira. (...) Inconformado com o lançamento, o contribuinte, representado por sua procuradora, apresenta a impugnação tempestiva de fls. 2/3, acompanhada de documentos, alegando, em síntese, que: é portador de transtorno demencial, CID XF02.8, enquadrada no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/88 (alienação mental), além de neoplasia maligna, tendo direito à isenção parcial do IRPF de 28/05/2007 a 28/05/2012, e definitivo a partir de 29/05/2012, de acordo com os laudos anexos; teve, pela Receita Federal, deferido seu pedido de restituição do imposto de renda relativo aos anos de 2009, 2010 e 2011; não recebeu rendimento algum decorrente de ação trabalhista, tendo, inclusive, se dirigido até a fonte pagadora que lhe informou não ter pago nenhum valor a este título; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 em face do quadro de saúde atual do contribuinte, seu cônjuge é quem vem tratando da restituição dos valores pagos a título de IRPF, através de procuração pública, anexa. Requer prioridade da análise da impugnação com base no Estatuto doIdoso." A DRJ julgou improcedente a impugnação. Esclareceuse inicialmente que, malgrado o relato do fisco tenha se referido à omissão de rendimentos decorrente de reclamatória trabalhista, na verdade tratase de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, conforme DIRF e Comprovante de Rendimentos. Mencionase que foi reconhecida a isenção no período de 01 a 05/2012, por ser o contribuinte portador de neoplasia maligna, nos termos do laudo de fl. 31, o qual estipula como prazo de validade 28/05/2012. Quantos aos rendimentos de 06 a 12/2012, cita que não acata a isenção, haja vista que o laudo apresentado à fl. 33, datado de 20/05/2014, informa que o contribuinte é portador de alienação mental a partir de 02/2014. Analisando outro laudo apresentado pelo sujeito passivo, fl. 16, o qual foi emitido em 08/08/2014, não se acatou a informação de que o recorrente era portador de alienação mental desde 29/05/2012. Para o órgão recorrido os dados lançados no laudo não seriam satisfatórios, posto que não foram indicados exames realizados próximos a data de emissão do laudo, mas apenas a uma ressonância magnética efetuada em 2009. Em adição a isto, o órgão a quo, mencionou que não houve apresentação de Termo de Curatela, muito comum nos casos de alienação mental, mas apenas instrumento mandato público nomeando a esposa do contribuinte como sua procuradora. Reforçase este entendimento com a menção de que o contribuinte assinou de mão própria a petição juntada aos autos na fl. 23. Cientificado da decisão em 09/03/2015, fl. 72, o contribuinte interpôs recurso tempestivamente no dia 06/04/2015, fl. 74, no qual afirma que, concomitantemente à neoplasia maligna foi acometido de outra anomalia, alienação mental, desde 31/03/2009, conforme comprova mediante laudo assinado pelo médico perito do INSS Dr. Oscar Antônio Pignone, o qual baseouse em exame de ressonância magnética. Acrescenta que na ocasião o Dr. Oscar indagou a esposa do contribuinte quando havia expirado o laudo anterior referente à neoplasia maligna e lançou como data do início da alienação mental o dia imediatamente posterior à validade do laudo anterior. Todavia insiste que possui esta patologia desde 03/1999. Assim, continua, teve a retenção de IRPF na fonte indevida desde 31/03/2009, já tendo obtido a repetição de todos valores retidos desde então, a exceção dos valores declarados em 2012/2013 e 2013/2014. Pede assim a reforma da decisão da DRJ para que seja reconhecida a isenção para todo o anocalendário de 2012, além da prioridade na análise do processo, em obediência ao estatuto do idoso. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11080.732573/201483 Acórdão n.º 2402005.158 S2C4T2 Fl. 104 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme se viu do relatório acima o recurso é tempestivo. Por atender às demais exigências para admissibilidade, merece conhecimento Direito à isenção O requisito legal para aceitação do laudo médico com vistas ao reconhecimento do direito à isenção decorrente de moléstia grave é aquele constante no artigo 30 da Lei nº 9.250, de 1995, o qual veio a exigir, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, que a doença fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Eis o dispositivo: "Art. 30 A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios." A data de início da isenção é a data do laudo pericial, ou a data de diagnóstico da doença, quando indicada no laudo, como determina expressamente o §5º art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): "§ 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." (grifei) A meu ver o sujeito passivo apresentou um documento que lhe garante a isenção, ou seja, laudo (fl.16) que indica que sua alienação mental teve início no final de abril de maio de 2012. Considerandose que o laudo apresentado foi emitido pelo INSS, além de que indica a data inicial da moléstia, não cabe à DRJ afastar a sua validade em razão de haver se baseado em exame considerado extemporâneo. É cediço que não pode o julgador Fl. 106DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 administrativo impor restrições ao direito do sujeito passivo baseado em exigências não constantes na norma jurídica aplicável. Nesta toada, não tenda a regra jurídica aplicável fixado qualquer exigência relativa aos documentos que embasam o laudo médico, é descabida a desconsideração deste em razão da data de exame adotado como base para sua emissão. Assim, encaminho pela reforma da decisão de primeira instância, reconhecendo a isenção para todo o anocalendário de 2012. Conclusão Voto por conhecer do recurso para lhe dar provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10074.001547/2009-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DO REGIME DE DRAWBACK. AUTO DE INFRAÇÃO. HIGIDEZ.
Restando evidenciado que o Contribuinte não firmou Termo de Responsabilidade, que o Termo de Responsabilidade firmado não contém os elementos necessários para a sua execução administrativa ou ainda que os tributos e multas apurados dizem respeito a apurações realizadas em sede de auditoria fiscal, correta é a lavratura de auto de infração.
Ademais, não se pode impor nulidade pela eleição de procedimento que privilegia o exercício do direito de defesa e do contraditório.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez Lopes, que negavam provimento. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentará declaração de voto.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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AUTO DE INFRAÇÃO. HIGIDEZ. Restando evidenciado que o Contribuinte não firmou Termo de Responsabilidade, que o Termo de Responsabilidade firmado não contém os elementos necessários para a sua execução administrativa ou ainda que os tributos e multas apurados dizem respeito a apurações realizadas em sede de auditoria fiscal, correta é a lavratura de auto de infração. Ademais, não se pode impor nulidade pela eleição de procedimento que privilegia o exercício do direito de defesa e do contraditório. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez Lopes, que negavam provimento. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentará declaração de voto. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 15 47 /2 00 9- 69 Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 9303004.153 CSRFT3 Fl. 2.472 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto Relatório Tratase de recurso especial de divergência, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio do qual se pleiteia a reforma do Acórdão nº 3201001.609, de 25/03/2014. Eis a sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 TERMO DE RESPONSABILIDADE. O crédito tributário constituído em Termo de Responsabilidade, quando exigível, segue rito processual próprio, nos termos da legislação positivada, sendo indevida nova constituição do mesmo crédito tributário por meio de Auto de Infração. Como é possível verificar, o aresto manteve a decisão da DRJ Florianópolis, que considerou indevida a lavratura de auto de infração com vistas à exigência dos tributos suspensos em razão da aplicação do regime de Drawback, modalidade suspensão, devidos em razão do descumprimento do compromisso de exportação e, consequentemente, decretou a nulidade do procedimento, por vício formal. Sinteticamente, aduz a recorrente que o decisum contrariou a legislação vigente e a jurisprudência do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, na medida em, diferentemente do que restou assentado, em observância ao art. 142 do CTN e em homenagem ao contraditório e à ampla defesa, a Administração tem o poderdever de proceder ao lançamento. Esta é a matéria recorrida, que teve seguimento por meio do despacho às fls 2.184 a 2.186. Por meio do despacho à fl. 2.470, o órgão preparador atesta que a contribuinte não apresentou contrarrazões, apesar de intimada. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade. Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 9303004.153 CSRFT3 Fl. 2.473 3 Como é possível verificar, os acórdãos apontados como paradigmas, em especial o de nº 30333.145, demonstram a divergência jurisprudencial. Eis a sua ementa, transcrita na fração que interessa ao presente julgamento: DRAWBACK SUSPENSÃO. TERMO DE RESPONSABILIDADE. Conquanto o Termo de Responsabilidade seja título hábil a conferir certeza e liquidez ao crédito tributário, é inescapável para aperfeiçoamento de sua exigibilidade que se observe, quanto aos créditos tributários da União, o rito processual previsto no Decreto 70.235/72, com estrita observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, assegurados constitucionalmente. Além de admitido, penso que o recurso deva ser provido. Entretanto, é importante esclarecer, preambularmente, que não há espaço para se adentrar no mérito da exigência fiscal, no caso, o alegado descumprimento do regime de drawback, pois, em todas as instâncias, os órgãos julgadores se limitaram a discutir a nulidade do procedimento, por vício formal. Assim, caso este Colegiado decida pela reforma da decisão, caberá devolver o processo à primeira instância julgadora, para que sejam enfrentadas as demais questões que fazem parte do presente litígio. Outro aspecto que merece destaque é o fato de que, apesar de restar assentado nos acórdãos de primeira e segunda instância que a manutenção do presente auto de infração implicaria aceitar a formalização da exigência em duplicidade, não se tem notícia da instauração de qualquer procedimento administrativo, diverso do presente, com vistas à cobrança dos tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da aplicação do regime. Cumpre a este Colegiado, portanto, exclusivamente decidir se o auto de infração litigioso violou formalidade essencial e, consequentemente, deve ser declarado nulo. Notese, quanto a esse ponto, que a matéria não representa uma novidade para a grande maioria dos meus pares, embora tenha sido analisada sob um outro enfoque. No caso, a decadência. De fato, com o passar do tempo, consolidouse a interpretação de que a cobrança dos tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da aplicação do regime de drawback depende da constituição do crédito por meio de lançamento de ofício, tanto que se considerou que a formalização da cobrança obedece ao prazo decadencial (e não prescricional) do art. 173, I do Código Tributário Nacional1. Confirase alguns precedentes do CARF e desta CSRF: Acórdão 3402002.412, de 22/07/20142: IMPORTAÇÃO REGIME DRAWBACK SUSPENSÃO DECADÊNCIA “DIES A QUO” ART. 173, INC.I DO CTN. 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 2 Cons. Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça. Unânime. Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 9303004.153 CSRFT3 Fl. 2.474 4 O prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente da aplicação do Regime Aduaneiro de Drawback é o consagrado no art. 173, inciso I, do CTN, cuja contagem inicia no primeiro dia do ano seguinte ao do término do prazo concedido pela autoridade aduaneira para fruição do regime aduaneiro. Acórdão nº 3101001.662, de 24/05/20143 DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Nos casos de importação realizada ao abrigo do regime aduaneiro especial de drawback suspensão o contribuinte assume o compromisso de realizar as exportações em determinado prazo, sendo que, vencido o ato concessório, élhe concedido o prazo de 30 (trinta) dias para recolhimento do tributos suspensos com os acréscimos legais. Somente a partir desse prazo o Fisco poderá verificar o cumprimento das obrigações fixadas no ato concessório, realizando eventual lançamento decorrente da verificação do inadimplemento parcial ou total do compromisso. Por conta disso, a Câmara Superior de Recursos Fiscais pacificou o entendimento de que a contagem do prazo decadencial no Drawback inadimplido é regulada pelo art. 173,inciso I, do CTN (Acórdão n° 9303 00.147), na linha da jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 973733/SC), que reconhece esse regime decadencial quando não há antecipação do pagamento nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Acórdão nº 930300.470, de 19/11/20094 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. REGIME DE DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO. No regime de drawback suspensão o prazo decadencial só se inicia no primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao do término do regime. Decadência que há de ser afastada. Notificação do contribuinte antes do transcurso do prazo de cinco anos. Ou seja, embora não tenha tratado diretamente do tema aqui debatido, nos termos da jurisprudência consolidada, cabe ao Fisco, na hipótese do descumprimento do regime, constituir o crédito (ou declarálo, conforme a corrente doutrinária), mediante lançamento, a ser concluído no prazo do já mencionado art. 173, I, do CTN. E não poderia ser diferente. Diferentemente do que concluiu o colegiado a quo, o Termo de Responsabilidade relativo ao regime de drawback, modalidade suspensão, não possui os elementos inerentes ao lançamento, em qualquer das suas modalidades e, como tal, não se presta à execução pura e simples, como ocorre, por exemplo, no regime de admissão 3 Conselheiro Luiz Roberto Domingo. Unânime 4 Conselheira Suzy Gomes Hofman (Redatora Designada). Maioria Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 9303004.153 CSRFT3 Fl. 2.475 5 temporária, nem muito menos constitui declaração de dívida, nos moldes da DCTF. Destaque se que, até o presente momento, o modelo de Termo de Responsabilidade a ser apresentado à RFB sequer foi disciplinado em ato normativo. O único formulário disciplinado, embora denominado Termo de Responsabilidade pelos comunicados Decex, à exemplo do que consta do Anexo XIII da Consolidação das Normas de Drawback instituída pelo Comunicado nº 21, de 1997 (vigente à época da concessão do presente regime), é uma declaração genérica no sentido de que a mercadoria é estritamente necessária ao processo de industrialização. Notese, quanto a este ponto, que, compulsando os extratos de declaração de importação colacionados aos autos, verificase que não há qualquer termo de responsabilidade onde o beneficiário do regime assuma o compromisso de recolher os tributos que deixaram de ser recolhidos. O que se identifica, exclusivamente, é uma informação genérica do valor do PIS e da Cofins suspensos, em algumas declarações de importação, como, por exemplo, a DI 04/04545216, à fl. 795. (numeração digital). Se, como é o caso, o crédito tributário ou as multas, devem ser apurados após o encerramento do regime, cabe aplicar, no presente processo, o art. 682 do Regulamento Aduaneiro,vigente à época dos fatos. Eis a sua redação (destaques acrescidos): Art. 682. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, observado o disposto no Decreto nº 70.235, de 1972. De fato, a verificação do cumprimento do cumprimento do compromisso de exportar e a aplicação de multa demanda a realização de ação fiscal e as únicas formas autorizadas para a formalização da exigência decorrente de tais apurações são as previstas no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, que reza: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Ora, é evidente que a Declaração de Importação ou o termo genérico lançado no campo "informações complementares", não contém os elementos necessários à comprovação do ilícito e, como tal, deve a acusação fiscal estar lastreada em auto de infração ou notificação de lançamento, nos moldes do artigo acima transcrito. Até porque, como é o caso dos autos, deve ser oferecida oportunidade para o Contribuinte contestar as conclusões do Fisco, o que seria incompatível com o rito sumário estabelecido nos artigos, sob pena de violação ao Contraditório e à Ampla Defesa. Nessa linha, não vejo como caracterizar a nulidade formal em razão da prática de ato, ainda que se considerase que, nos termos do regulamento, poderia ser adotado rito sumário. Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 9303004.153 CSRFT3 Fl. 2.476 6 Quando se trata de discutir nulidade procedimental, entendo salutar tomar como referência a lição de Bedaque5 (original não destacado): “...De fato, a observância da técnica é fundamental para que o método estatal de solução de controvérsias cumpra com êxito sua função. O problema está nos exageros. Tudo que é levado às últimas conseqüências acaba produzido efeitos perversos. A técnica processual deixa de ser fator de segurança e se transforma em fim, adorando a sua própria imagem. Necessário evitar que isso ocorra, pois ela está prestes a cair no lago. É preciso considerar, portanto, as situações em que a falta de um pressuposto do processo não afeta os valores a serem assegura dos por ele, nem impede a solução adequada no âmbito material. Nem sempre a ausência de requisito de admissibilidade do exame de mérito compromete a segurança e a ordem, devendo essas situações ser solucionadas à luz dos objetivos visados pelo instrumento, não em função da forma em si mesma considerada. Cabe ao processualista dizer em que medida a violação da técnica pode ser relevada, porque não afetados os valores assegurados pelo processo.” É preciso firmar, ainda, que essa abordagem, encontrase dogmatizada nos artigos 60, do Decreto nº 70.235, de 19726 e 55, da Lei nº 9.784, de 19997, este último aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Trazendo tal discussão ao âmbito do Processo Administrativo Fiscal, indiscutivelmente, situações há em que tal prejuízo (ou ameaça) presumese jure et de jure, taxativamente elencadas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto 70.235/728. Sendo certo que não se discute a competência do agente, hipótese tratada no inciso I, caberia investigar se o alegado descumprimento da forma prescrita em lei efetivamente cerceara o direito de defesa dos sujeitos passivos, hipótese do inciso II. Deveras, conforme se observa da leitura desse inciso II, em conjunto com o art. 60 do Decreto nº 70.235/72, mesmo quando a legislação é taxativa quanto à forma por meio da qual determinado ato processual deve ser executado, o saneamento ou a nulidade só tem vez quando caracterizada prejuízo a interesse processual. 5 Bedaque, José Roberto dos Santos. Efetividade do Processo e Técnica Processual. São Paulo. Malheiros, 2006, pp 82 e 83. 6 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 7 Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. 8 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 9303004.153 CSRFT3 Fl. 2.477 7 Ou seja, mesmo quando a lei estabelece a presunção, transfere ao julgador a análise da validade do ato sob um prisma teleológico, que direciona tal avaliação para o atingimento do resultado, sem a prévia definição da forma. Se, e somente se, caracterizado prejuízo, conforme o caso, tornarseá nulo o procedimento ou ato, ou exigirseá seu saneamento. Caso contrário, não se fala em nulidade ou saneamento. Feita tal delimitação, restaria, ainda, explorar o significado da expressão “prejuízo” no âmbito processual, elencada no já mencionado art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Para tanto, recorro à lição de Teresa Arruda Alvim Wambier9 A existência de prejuízo está correlacionada com o princípio do contraditório, no sentido de que, não ensejado o contraditório, por ausência de comunicação, configurase, processualmente, prejuízo. Dizse configurarse processualmente prejuízo, já que, em nível do processo, haverseá de ensejar a oportunidade sonegada à parte; no entanto, ainda que proporcionada tal oportunidade, isto não significa que, necessariamente, fique demonstrado um efetivo prejuízo, agora aferido em nível do direito material. Ou seja, nem pelo fato de renovarse ou repetir se o ato decorrerá necessariamente a demonstração de um direito. Partindo dessas referências, não vejo como afirmar que a prática dos atos segundo a forma adotada pelo Fisco, que reforçaram o direito ao contraditório e pleno exercício do direito de defesa possa culminar na decretação da nulidade do auto de infração, pois, em momento algum, restou caracterizado prejuízo para o contribuinte. Não foge ao conhecimento deste Relator que há pelo menos dois julgados do Superior Tribunal de Justiça, à exemplo do RE nº 463.481RS10, que dispensam a lavratura de auto de infração (frisese, dispensam), por considerar o Termo de Responsabilidade equiparado à DCTF. Entretanto, com a devida licença, não comungo com tal conclusão, pois o referido termo não corresponde a uma confissão, mas a uma declaração condicional. Ou seja, traçando um paralelo com a DCTF, o Termo de Responsabilidade representaria, no máximo, a declaração de suspensão que, sabidamente, não corresponde a uma confissão. Como já pacificado, apenas os saldos a pagar produzem tal efeito. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial, afastando a declaração de nulidade do auto de infração e, devolvendo o processo à primeira instância, para análise das demais questões suscitadas. 9 Nulidades do Processo e da Sentença. São Paulo, RT, 2007, 6ª ed, p. 169. 10 MINISTRA ELIANA CALMON, Julgado em 18/05/2004 Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 9303004.153 CSRFT3 Fl. 2.478 8 Henrique Pinheiro Torres Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello No mérito, delimitase a controvérsia a averiguarse a validade do auto de infração lavrado em face do sujeito passivo face à existência do termo de responsabilidade, título líquido e certo, e da existência de procedimento próprio para a cobrança dos tributos suspensos em razão regime aduaneiro especial de drawback suspensão. A matéria a ser analisada por este Colegiado, portanto, passa ao largo do adimplemento das condições legais para a fruição do regime aduaneiro especial. Conforme previsto no art. 308 do Decreto nº 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro, com exceção do regime aduaneiro de entreposto industrial sob controle aduaneiro informatizado (RECOF), as obrigações fiscais suspensas pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais serão constituídas em termo de responsabilidade firmado pelo beneficiário do regime. Sobre o termo de responsabilidade, dispõem os artigos 758 a 760 do Regulamento Aduaneiro/2009 (reproduzindo os artigos 674 a 676 do revogado Decreto nº 4.543/2002), in verbis: Art. 758. O termo de responsabilidade é o documento no qual são constituídas obrigações fiscais cujo adimplemento fica suspenso pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 72, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1º). § 1º Serão ainda constituídas em termo de responsabilidade as obrigações tributárias relativas a mercadorias desembaraçadas na forma do § 4º do art. 121. § 2º As multas por eventual descumprimento do compromisso assumido no termo de responsabilidade não integram o crédito tributário nele constituído. Art. 759. Poderá ser exigida garantia real ou pessoal do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 72, §1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1º). Parágrafo único. A garantia a que se refere o caput poderá ser prestada sob a forma de depósito em dinheiro, fiança idônea ou seguro aduaneiro em favor da União. Art. 760. O termo de responsabilidade é título representativo de direito líquido e certo da Fazenda Nacional com relação às Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 9303004.153 CSRFT3 Fl. 2.479 9 obrigações fiscais nele constituídas (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 72, § 2º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1º). Parágrafo único. Não cumprido o compromisso assumido no termo de responsabilidade, o crédito nele constituído será objeto de exigência, com os acréscimos legais cabíveis. (grifouse) Sendo descumpridas as condições para concessão do regime aduaneiro especial, no caso o drawback suspensão, emerge para a Fazenda Nacional o direito e dever de exigir o crédito tributário constituído em termo de responsabilidade, na forma especificamente prevista nos artigos 761 a 766 do Regulamento Aduaneiro/2009 (reproduzindo os exatos termos dos artigos 677 a 682 do revogado Decreto nº 4.543/2002): Art. 761. A exigência do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade deve ser precedida de: I intimação do responsável para, no prazo de dez dias, manifestarse sobre o descumprimento, total ou parcial, do compromisso assumido; e II revisão do processo vinculado ao termo de responsabilidade, à vista da manifestação do interessado, para fins de ratificação ou liquidação do crédito. § 1º A exigência do crédito, depois de notificada a sua ratificação ou liquidação ao responsável, deverá ser efetuada mediante: I conversão do depósito em renda da União, na hipótese de prestação de garantia sob a forma de depósito em dinheiro; ou II intimação do responsável para efetuar o pagamento, no prazo de trinta dias, na hipótese de dispensa de garantia, ou da prestação de garantia sob a forma de fiança idônea ou de seguro aduaneiro. § 2º Quando a exigência for efetuada na forma prevista no inciso II do § 1º, será intimado também o fiador ou a seguradora. Art. 762. Decorrido o prazo fixado no inciso I do caput do art. 761, sem que o interessado apresente a manifestação solicitada, será efetivada a exigência do crédito na forma prevista nos §§ 1º e 2º desse artigo. Art. 763. Não efetuado o pagamento do crédito tributário exigido, o termo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, para cobrança. Art. 764. A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá, no âmbito de sua competência, editar atos normativos para o disciplinamento da exigência do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade. Art. 765. O termo não formalizado por quantia certa será liquidado à vista dos elementos constantes do despacho Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 9303004.153 CSRFT3 Fl. 2.480 10 aduaneiro a que estiver vinculado (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 72, § 3º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1º). § 1º Na hipótese do caput, o interessado deverá ser intimado a apresentar, no prazo de dez dias, as informações complementares necessárias à liquidação do crédito. § 2º O crédito liquidado será exigido na forma prevista nos §§ 1º e 2º do art. 761. Art. 766. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 1972. (grifouse) Da análise dos dispositivos transcritos acima, depreendese que deixando o beneficiário do regime de efetuar o pagamento do crédito tributário até então suspenso pela concessão do regime aduaneiro especial, por se constituir o termo de responsabilidade em título representativo de direito líquido e certo da Fazenda Nacional às obrigações nele constituídas, a providência a ser adotada é o seu encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional de modo que esta proceda à respectiva cobrança. Portanto, existindo no Regulamento Aduaneiro previsão de ter o termo de responsabilidade força de título executivo e disciplinado procedimento específico para a cobrança do crédito tributário nele constituído, não há de se falar na lavratura de auto de infração pela autoridade fiscal, nos termos do Decreto nº 70.235/72. A legislação aduaneira admite a lavratura de auto de infração somente na hipótese de ser apurado crédito tributário em procedimento posterior ao termo de responsabilidade, em razão da apuração da diferença de tributo ou de penalidade aplicável, nos termos do art. 766 do Regulamento Aduaneiro. No mesmo sentido das disposições contidas no Regulamento Aduaneiro para cobrança das obrigações tributárias constituídas em termo de responsabilidade, foi editada pela Secretaria da Receita Federal a Instrução Normativa nº 117, de 31 de dezembro de 2001, nos seguintes termos: [...] O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF No 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no § 1o do art. 249 e no § 1o do art. 548, ambos do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto No 91.030, de 5 de março de 1985, resolve: Art. 1º Os créditos da Fazenda Nacional, constituídos em virtude da aplicação da legislação aduaneira e representados Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 9303004.153 CSRFT3 Fl. 2.481 11 em termo de responsabilidade, serão exigidos na forma desta Instrução Normativa. Art. 2º A garantia vinculada a termo de responsabilidade, quando exigível, poder ser prestada sob a forma de seguro aduaneiro em favor da União Federal, nos seguintes casos: I admissão Temporária; II trânsito aduaneiro; III drawback; IV determinação do valor aduaneiro; V cumprimento de obrigações acessórias; e VI outras situações previstas na legislação aduaneira. Art. 3º O crédito garantido por depósito em moeda ser cobrado mediante execução do respectivo termo de responsabilidade, que consistir na conversão do depósito em renda da União, imediatamente após o vencimento do prazo consignado no referido termo. Art. 4º Na hipótese de garantia sob a forma de fiança prestada por pessoa física ou jurídica, fiança bancária ou seguro aduaneiro em favor da União Federal, a execução do termo de responsabilidade farseá mediante intimação do garantidor para, no prazo de trinta dias, proceder ao pagamento devido. § 1º A intimação referida no caput dever conter, além do prazo: I a qualificação do notificado; II o número do processo ou da declaração de importação correspondente; III o valor do crédito a recolher; IV a indicação do local de pagamento e a forma de fazêlo; e V o nome e a assinatura do servidor, bem assim a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. § 2º O pagamento referido neste artigo ser efetuado por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf). § 3º Não comprovado o pagamento no prazo estabelecido, o título ser , de plano, remetido à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa. Art. 5º O crédito representado em termo de responsabilidade sem garantia ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, no trigésimo primeiro dia subseqüente à data de vencimento nele consignada, caso Não tenha havido o adimplemento da obrigação ou a comprovação do pagamento devido. Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 9303004.153 CSRFT3 Fl. 2.482 12 Art. 6º O crédito apurado em procedimento posterior à formalização do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, ser constituído mediante lavratura de auto de infração, observado o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelas Leis nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Art. 7º O seguro de que trata esta Instrução Normativa observar as normas específicas editadas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Art. 8º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Art. 9º Ficam revogadas, sem interrupção de sua força normativa, as Instruções Normativas SRF nº 83/98, de 27 de julho de 1998, e nº 84/98, de 27 de julho de 1998. (grifouse) A argumentação aqui expendida encontra amparo, ainda, em entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do recurso especial nº 463.481/RS, ao equiparar o termo de responsabilidade à DCTF como meio hábil e suficiente à constituição do crédito tributário, elidindo a necessidade de constituição formal da obrigação tributária pelo Fisco. Segue o teor da ementa: TRIBUTÁRIO REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACK SUSPENSÃO DESCUMPRIMENTO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E DO IPI DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 142 DO CTN DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADO. 1. Inexistindo similitude fática entre acórdãos confrontados, não se conhece do especial pela alínea "c" do permissivo constitucional. 2. O regime de drawback, instituído pelo Decretolei 37/66, consiste na suspensão ou eliminação de tributos incidentes sobre insumos importados para utilização em produto a ser exportado, servindo de incentivo às exportações. 3. Para ter direito ao benefício, a empresa apresenta a declaração de importação, identificando, assim, a natureza da operação, o importador, o país de procedência, as especificações do produto e o código da receita dos tributos devidos, além do termo de responsabilidade. Outros documentos detalham a exportação, cujas condições ficam registradas em Ato Concessório. 4. Na operação de drawback há fato gerador e incidência do Imposto de Importação e do IPI, quando do desembaraço aduaneiro, com suspensão da exigibilidade, até a efetiva comprovação da exportação, nos moldes acordados. Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10074.001547/200969 Acórdão n.º 9303004.153 CSRFT3 Fl. 2.483 13 5. Descumpridas as condições, tornamse exigíveis os impostos suspensos, independentemente de constituição formal do crédito tributário (lançamento), o que afasta a alegada infringência ao art. 142 do CTN. 6. Recurso especial conhecido em parte e improvido. (REsp 463.481/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/05/2004, DJ 20/09/2004, p. 233) (grifouse) Dessa forma, sendo o termo de responsabilidade título representativo do direito líquido e certo da Fazenda Nacional à exigência do crédito tributário nele constituído, bem como havendo previsão específica na legislação aduaneira para a sua cobrança, não há de se falar em lançamento de ofício pela autoridade fiscal, inexistindo, assim, violação ao art. 142 do Código Tributário Nacional. Por fim, resta afastada também a alegação de cerceamento ou prejuízo à defesa do sujeito passivo, uma vez previsto no Regulamento Aduaneiro a necessidade de (a) prévia intimação do mesmo "para, no prazo de dez dias, manifestarse sobre o descumprimento, total ou parcial, do compromisso" e (b) "revisão do processo vinculado ao termo de responsabilidade, à vista da manifestação do interessado, para fins de ratificação ou liquidação do crédito" (art. 761 do RA/2009). Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose incólume o acórdão que negou o recurso de ofício. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16561.720156/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
CERCEAMENTO AO DIREITO À AMPLA DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Ao se constatar que o Termo de Verificação Fiscal, a descrição dos fatos e o enquadramento legal permitem a perfeita compreensão da infração que motivou a autuação, e que a interessada se defendeu especificamente e com desenvoltura das imputações do Fisco, não se pode cogitar de cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Em consequência, nenhuma nulidade há de ser reconhecida, com esse fundamento.
DESCARACTERIZAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÕES DE DEBÊNTURES. DEDUÇÃO DO IRRF. IMPOSSIBILIDADE.
A descaracterização dos valores pagos a título de participações de debêntures não gera direito de deduzir o IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados aos debenturistas. A pessoa jurídica que efetua a retenção não é a titular o imposto retido, mas mera responsável legal.
Numero da decisão: 1301-001.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. NEGÓCIOS EM CONDIÇÕES DE FAVORECIMENTO DE PESSOA LIGADA. Presumese distribuição disfarçada de lucros o negócio pelo qual a pessoa jurídica realiza com pessoa ligada qualquer negócio em condições de favorecimento, assim entendidas as condições que sejam mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. Enquadrase nesta situação a emissão de debêntures feita exclusivamente em favor dos acionistas da companhia fechada, quando a remuneração é composta unicamente de participação dos lucros, em percentuais arbitrariamente definidos e que absorvem sua quase totalidade, e sem data de vencimento fixada, com o que a obrigação se perpetua indefinidamente no tempo. DESCARACTERIZAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÕES DE DEBÊNTURES. DEDUÇÃO DO IRRF. IMPOSSIBILIDADE. A descaracterização dos valores pagos a título de participações de debêntures não gera direito de deduzir o IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados aos debenturistas. A pessoa jurídica que efetua a retenção não é a titular o imposto retido, mas mera responsável legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2008 LANÇAMENTO REFLEXO. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS ESPECÍFICOS. Na inexistência de argumentos específicos atinentes a essa contribuição, aplicase o quanto decidido para o lançamento principal de IRPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 56 /2 01 2- 37 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 569 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 CERCEAMENTO AO DIREITO À AMPLA DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que o Termo de Verificação Fiscal, a descrição dos fatos e o enquadramento legal permitem a perfeita compreensão da infração que motivou a autuação, e que a interessada se defendeu especificamente e com desenvoltura das imputações do Fisco, não se pode cogitar de cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Em consequência, nenhuma nulidade há de ser reconhecida, com esse fundamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório HOISPITAL E MATERNIDADE SANTA JOANA S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 12058.776, de 21/08/2013, da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I / RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Em decorrência da ação fiscal, foram lavrados autos de infração para exigir da interessada IRPJ e CSLL sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007, nos valores abaixo discriminados, acrescidos de multa de 75% e juros de mora. [...] Fl. 569DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 570 3 DA AUTUAÇÃO Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls 292 a 302 e Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fl. 304 a 317), foram apurados os fatos abaixo descritos. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. NEGÓCIOS EM CONDIÇÕES DE FAVORECIMENTO DE PESSOA LIGADA. CUSTO OU DESPESA INDEDUTÍVEL Consiste a fiscalizada em uma sociedade anônima de capital fechado, cujas atividades iniciaramse em 10/12/1963. O capital da sociedade, conforme previsto no Estatuto era de R$ 21.220.000,00, dividido em 21.200.000 ações ordinárias e nominativas de R$ 1,00 (um real) cada, distribuídas na seguinte proporção: Acionista Nº de Ações Capital em Reais % correspondente Edma Huespe de Amaro 7.964.000 7.964.000,00 37,522676 Antonio Rahme Amaro 6.628.000 6.628.000,00 31,238662 Eduardo Rahme Amaro 6.628.000 6.628.000,00 31,238662 Total Participação 21.220.000 21.220.000,00 100,000000 Na AGE de 28/02/2011, o capital social foi aumentado para R$ 40.000.000,00 mediante capitalização dos acionistas no valor de R$ 13.033.891,00 e de bens imóveis no total de R$ 5.746.109,00, resultando na seguinte configuração societária: A administração da sociedade é exercida por uma Diretoria composta por três membros, acionistas ou não, eleitos e empossados pela AGO, com mandato de 02 anos. No período objeto da ação fiscal, e também à época da emissão das debêntures (1998), a Diretoria foi ocupada pelos próprios sócios da empresa, Eduardo Rahme Amaro (Diretor Clínico), Antônio Rahme Amaro (Diretor Administrativo) e Edma Huespe de Amaro (Diretora Secretária), com mandato ainda em vigor, a vencer em 30/04/2013. A empresa deduziu do “Resultado do Período de Apuração”, o valor de R$ 17.484.199,88, no anocalendário de 2007, a título de “Participação de Debêntures” (ficha 6A, item 49 da DIPJ/2008). Em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 15 de abril de 1998, os dirigentes e acionistas representantes da totalidade do capital social do HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA JOANA S/A deliberaram a emissão privada de 21.000 debêntures série única, do tipo subordinadas, nominativas, endossáveis e não conversíveis em ações, com participação nos lucros, sem vencimento préfixado, com valor unitário de R$ 1.000,00 e valor global de emissão de R$ 21.000.000,00. As referidas debêntures foram adquiridas pelos sócios na seguinte proporção: Fl. 570DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 571 4 Debenturista Quantidade Total Percentual Eduardo Rahme Amaro 10.996 R$ 10.996.000,00 52,36% Antônio Rahme Amaro 8.077 R$ 8.077.000,00 38,46% Edma Huespe Amaro 1.927 R$ 1.927.000,00 9,18% Totais 21.000 R$ 21.000.000,00 100,00% No entanto, do total de R$ 21.000.000,00 subscritos, R$ 5.052.000,00 originaramse da transferência de saldo de Lucros Acumulados, sendo R$ 1.685.000,00 destinados para cada debenturista. Assim, o montante ingressado na sociedade através de recursos provenientes dos sócios foi de R$ 15.948.000,00: Debenturista Transferido de Lucros Acumulados Depositado Total Eduardo Rahme Amaro R$ 1.685.000,00 R$ 9.311.000,00 R$ 10.996.000,00 Antônio Rahme Amaro R$ 1.685.000,00 R$ 6.392.000,00 R$ 8.077.000,00 Edma Huespe Amaro R$ 1.685.000,00 R$ 245.000,00 R$ 1.927.000,00 Totais R$ 5.052.000,00 R$ 15.948.000,00 R$ 21.000.000,00 Pela subscrição das debêntures foram efetuados os seguintes lançamentos contábeis no Livro Diário de 1998: D – Lucros Acumulados (conta nº 941) (Patrimônio Líquido) C – Debêntures – Dr. Eduardo Rahme Amaro (conta nº 7991) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) C – Debêntures – Dr. Antonio Rahme Amaro (conta nº 7992) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) C – Debêntures – Edma Huespe Amaro (conta nº 7993) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) D – Bancos Conta Movimento (conta nº 11) (Ativo Circulante / Disponível ) C – Debêntures – Dr. Eduardo Rahme Amaro (conta nº 7991) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) C – Debêntures – Dr. Antonio Rahme Amaro (conta nº 7992) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) C – Debêntures – Edma Huespe Amaro (conta nº 7993) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) De acordo com a ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 15 de abril de 1998, no item F.1, a única forma de remuneração das debêntures prevista era a participação nos lucros, à razão de 50% (cinquenta por cento) sobre o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano, a partir de 31/12/1998, antes da provisão para o Imposto de Renda. Em AGE de 02 de junho de 1999 (averbada em 06/07/1999), os sócios da fiscalizada aprovaram o aumento da remuneração das debêntures, que passou a ser de 65% dos lucros, antes da provisão para o Imposto sobre a Renda. Na AGE de 07 de janeiro de 2002 (averbada em 02/04/2002), foi aprovado novo aumento da remuneração das debêntures, passando a ser de 85% dos lucros, antes da provisão para o Imposto sobre a Renda. No anocalendário de 2007 foram pagos os seguintes valores a título de remuneração de debêntures: Ano Lucro Líquido Valor Distribuído (85%) IRRF(20%) Remun.Líquida 2007 R$ 20.569.646,92 R$ 17.484.199,88 R$ 3.496.839,98 R$ 13.987.359,92 Pela apropriação das parcelas dos lucros, foram efetuadas provisões: Fl. 571DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 572 5 D Juros Passivos (conta nº 3.70.010.050.000) (Contas de Resultado / Despesas Financeiras) C Eduardo Rahme Amaro (conta nº 2.03.015.002.000.1) (Passivo Exigível a Longo Prazo / Juros e Participações) C Antonio Rahme Amaro (conta nº 2.03.015.002.000.2) (Passivo Exigível a Longo Prazo / Juros e Participações) C Edma Huespe Amaro (conta nº 2.03.015.002.000.3) (Passivo Exigível a Longo Prazo / Juros e Participações) C IRRF a Recolher (conta nº 2.01.030.015.007) (Passivo Circulante /Tributos e Obrigações Fiscais) Em momentos posteriores, foram efetuados diversos lançamentos contábeis para registrar os efetivos pagamentos aos debenturistas na contabilidade de 2007, em valores sempre inferiores aos provisionados: D Eduardo Rahme Amaro (conta nº 2.03.015.002.000.1) (Passivo Exigível a Longo Prazo / Juros e Participações) C Banco Sudameris / Real (conta nº 1.01.010.002.000.2347) (Ativo / Circulante / Disponível / Bancos Conta Movimento) D Edma Huespe Amaro (conta nº 2.03.015.002.000.3) (Passivo Exigível a Longo Prazo / Juros e Participações) C Banco Real AG. 0409 CC.60500359(conta nº 1.01.010.002.000.763) (Ativo / Circulante / Disponível / Bancos Conta Movimento) As contas criadas no Passivo Exigível a Longo Prazo/Juros e Participações para controlar os valores provisionados a título de remuneração de debêntures são as mesmas utilizadas para controlar as provisões para distribuição de lucros: a) Eduardo Rahme Amaro conta nº 2.03.015.002.000.1 b) Antonio Rahme Amaro conta nº 2.03.015.002.000.2 c) Edma Huespe Amaro conta nº 2.03.015.002.000.3 Estas contas representativas de obrigações da empresa junto aos três sócios (Juros e Participações: 2.03.015.002.000.1/2/3) vão sendo debitadas conforme os mesmos vão retirando dinheiro da empresa, geralmente através de transferência bancária ou depósito. A empresa retira 85% do lucro antes de calcular o IRPJ e a CSLL e lança como obrigação junto aos sócios em contas do Passivo Exigível a Longo Prazo. No entanto, esses valores não são repassados integralmente aos sócios. Conforme estes vão fazendo retiradas de numerários da empresa, esses valores vão sendo descontados dessas contas passivas, segundo critérios e periodicidade não esclarecidos. Esta discrepância entre o valor retirado do lucro e aquele efetivamente pago ao sócio fica ainda mais gritante no caso da sócia Edma Huespe Amaro. Com base na conta de provisão de remuneração de debêntures devida a ela, identificouse que Fl. 572DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 573 6 ela “saca” quase mensalmente o valor fixo de R$ 25.000,00. E mais, em vários recibos apresentados consta a anotação de “prólabore”. Ainda consta, no mês de dezembro, o pagamento de R$ 25.000,00 com a identificação de “13º salário” no histórico do lançamento contábil. Na tabela a seguir, constam os valores efetivamente pagos aos sócios creditados em conta do passivo: As debêntures são um artifício para retirar da base de cálculo do IRPJ e da CSLL parte significativa do lucro, que fica separada numa conta do Passivo Exigível a Longo Prazo. Conforme a empresa paga valores aos sócios, estes valores vão sendo lançados a débito da conta de provisão de debêntures, diminuindo seu saldo, dando uma aparente validade jurídica para o suposto pagamento de remuneração de debêntures, que na realidade tratase de distribuição de lucro, indedutível das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A empresa foi intimada, por meio dos Termos de Intimação nos 2 e 3, a demonstrar os cálculos dos valores debitados das contas passivas em que provisiona a remuneração de debêntures (que coincidem com os recibos apresentados). No entanto, a empresa restringiuse a informar que os valores creditados naquelas contas têm origem no percentual de 85% calculado sobre o lucro anual, o que corrobora o entendimento de que os efetivos pagamentos aos sócios (lançados a débito daquelas contas) não têm correlação com a suposta participação de debêntures, tratandose apenas de uma tentativa de dar validade jurídica para um mecanismo criado para reduzir a carga tributária da empresa. Os valores denominados pela empresa como Participação de Debêntures, que totalizaram R$ 17.484.199,88, no anocalendário de 2007, e foram deduzidos pela fiscalizada da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, constituem infração à legislação tributária. Os debenturistas são os próprios sócios administradores da emissora, portanto, é inegável que da operação não houve qualquer injeção de haveres novos e externos para investimento pela companhia, o que desvirtua o intuito maior desse tipo de operação. A forma de remuneração das debêntures emitidas pela fiscalizada se baseia exclusivamente no lucro. Embora a participação no lucro esteja legalmente prevista no art. 56 da Lei nº 6.404/76, a forma de remuneração necessária e usual das debêntures é o pagamento de juros. A participação nos lucros como forma de remuneração adicional das debêntures tem como finalidade tornar mais atrativa esta forma de captação de recursos no mercado. Ora, tal não é o caso das debêntures emitidas pelo HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA JOANA S/A, pois se trata de uma emissão privada, exclusivamente em nome dos três sócios administradores da empresa, sem prazo determinado que sequer foi ofertada ao mercado. Tal operação não se enquadra como emissão de debêntures, pois não há qualquer previsão de se remunerar os recursos obtidos através de pagamento de Fl. 573DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 574 7 juros. A suposta remuneração das debêntures emitidas pela fiscalizada não tem qualquer paralelo com o mundo real (razão que explica o fato de ter sido oferecida somente aos sócios). Compulsando as DIPJ apresentadas pela fiscalizada desde 1998, ano da emissão, verificase que foram distribuídas as seguintes remunerações de debêntures até 2009: No final de 1999, ano seguinte ao da emissão das debêntures, a empresa já havia remunerado os debenturistas com mais de 100% do capital emprestado (total de R$ 24.507.988,95, ou seja, 116,70% dos R$ 21.000.000,00 captados). Devido a descaracterização da operação da fiscalizada como emissão de debêntures e caracterização como distribuição disfarçada de lucros, o valor de R$ 17.484.199,88 foi adicionado ao Lucro Real e à base de cálculo da CSLL. Restou comprovada a necessidade do presente lançamento de ofício no montante de R$ 13.340.934,07, relativo ao IRPJ e à CSLL. A ação fiscal tem como embasamento legal: Arts. 247, 249, inciso I, 464, inciso VI, 465, 466 e 467, inciso V, do RIR/99. Art. 60 da Lei nº 9.532/97; Art. 37 da Lei nº 10.637/02; Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90; art. 2º da Lei nº 9.249/95; art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 60 da Lei nº 9.532/97. A interessada se insurgiu, em 17/01/2013 (fl. 323), contra o disposto no Auto de Infração, do qual tomou ciência em 19/12/2012 (fl. 319), através de impugnação (fl. 323 a 349) apresentando os argumentos que se seguem: · A emissão de debêntures era a melhor alternativa para a captação de recursos necessários ao financiamento de seus projetos. · Seguindo o art. 462 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, a Impugnante deduziu do lucro líquido do períodobase de 2007 as participações asseguradas às debêntures · Do enquadramento legal da questão pela autoridade fiscal. A autoridade apresentou uma descrição das características gerais mais comuns exclusivamente às emissões públicas de debêntures, enfatizando a sua função de instrumento de captação de recursos financeiros junto ao mercado pelas Fl. 574DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 575 8 sociedades anônimas mediante o pagamento de juros, bem como apresentando uma breve explanação do instituto das debêntures voltado a emissões públicas para então concluir que a emissão privada de debêntures pela Impugnante teria infringido a legislação, revestindose de características que comprovariam a "distribuição disfarçada de lucros". Quanto ao período objeto do procedimento fiscal, a incorporada apresentou a DIPJ/2009, apurando IRPJ anual com base no Lucro Real. · A afirmação é contraditória com os próprios apontamentos da autoridade fiscal que categoricamente afirmara pouco antes "do total de R$ 21.000.000,00 subscrito, R$ 5.052.000,00 originaramse da transferência de saldo de Lucros Acumulados (...) Assim, o montante ingressado na sociedade através de recursos provenientes dos sócios foi de R$ 15.948.000,00". · DO DIREITO QUE AMPARA A DEDUÇÃO DAS PARTICIPAÇÕES ASSEGURADAS ÀS DEBÊNTURES DE EMISSÃO DA IMPUGNANTE. · Do cerceamento ao direito de defesa. A autoridade fiscal considerou as participações no lucro como despesas indedutíveis, todavia, não aponta qual o dispositivo de lei que teria sido infringido e em quais circunstâncias isto teria ocorrido, dificultando o entendimento da acusação, caracterizando cerceamento de defesa. · A emissão das debêntures observou os preceitos legais deste instituto. · A autoridade fiscal afirma que a principal vantagem para o adquirente é o recebimento de juros pagos pela companhia. Ora, a emissão das debêntures encontrase amparada no art. 52 da Lei n° 6.404/76, segundo o qual "A companhia poderá emitir debêntures que conferirão aos seus titulares direito de crédito contra ela, nas condições constantes da escritura de emissão e, se houver, do certificado”.Não há qualquer ressalva na lei em relação às condições, qualidades ou natureza dos titulares das debêntures. A lei não restringe ou especifica o universo de pessoas que poderão subscrever as debêntures emitidas pela pessoa jurídica. · O art. 56 da Lei n° 6.404/76 ao enumerar as vantagens atribuíveis às debêntures (juros ou participação nos lucros ou prêmio de reembolso) não determinou a eleição de qualquer uma das vantagens em particular, assim como não determinou a eleição cumulativa destas mesmas vantagens. · Ao contrário do sustentado pela autoridade fiscal, a emissão também observou todas as formalidades legais necessárias e exigidas pela lei para a validade do negócio, tendo tido plena publicidade e oposição perante quaisquer terceiros. · Foi lavrada a competente escritura de emissão, a qual foi registrada no 1º Cartório do Registro de Imóveis de São Paulo art. 61 e parágrafos da Lei n° 6.404/76. · A diferença primordial entre uma emissão pública e uma emissão privada de debêntures reside na existência ou não de esforço de venda ou de colocação dos títulos junto aos terceiros subscritores. No primeiro caso, o das emissões públicas, há um esforço de venda dos títulos junto ao público em geral e indefinido, geralmente intermediada por agentes financeiros do mercado que vão à busca de interessados em investir na sociedade emitente, requerendose, portanto, o respectivo registro da operação junto a CVM. Nas emissões privadas de debêntures, caso concreto da Impugnante, inexiste este esforço de venda dos Fl. 575DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 576 9 títulos, pois os subscritores geralmente já são previamente conhecidos pela sociedade emitente e mantêm estreita relação com a mesma. Neste tipo de emissão de debêntures é justamente esta relação préexistente entre os subscritores dos títulos e a sociedade emitente que justifica e viabiliza a contratação da operação. · A existência ou não deste esforço de venda serve apenas para caracterizar o tipo de emissão de debêntures, se pública ou privada, sem que a sua inexistência possa desnaturar a essência deste instituto como um veículo de captação de recursos e/ou instrumentalização de dívida entre a sociedade emitente e os subscritores dos títulos. · Afirma a Autoridade Fiscal de que há discrepância entre o valor retirado do lucro e aquele efetivamente pago aos sócios e que se a participação de debêntures é calculada por meio de um percentual sobre o lucro é incoerente que o valor repassado ao sócio seja um valor fixo mensal, retirandose uma parcela enorme do lucro a título de pagamento de debêntures, que fica creditado numa conta do Passivo, mas o valor efetivamente repassado ao sócio é bem menor. · A retirada em qualquer montante não guarda relação alguma com o valor atribuível ao debenturista. A própria Autoridade Fiscal aponta que existe o registro do valor devido, de modo que esse procedimento não implica em ofensa a qualquer dispositivo de lei, aliás, não foi indicado qual seria a norma violada. Mais uma vez a Autoridade Fiscal expõe suas presunções desconsiderando o caso concreto, em que os próprios sócios aportaram capitais, sendo até mesmo evidente que a pessoa jurídica mantenha registro dos valores que lhes são devidos. · A operação de debênture praticada inserese dentro daquela esfera mínima de liberdade de que dispõem a sociedade empresária e os seus acionistas para agirem com base na exclusiva vontade e intenção deliberada de assim procederem, não necessitando de justificação diversa daquela inerente à finalidade que é própria do negócio contratado: instrumentalização de créditos em aberto e captação de recursos. · DAS RAZÕES EMPRESARIAIS QUE JUSTIFICARAM A EMISSÃO DAS DEBÊNTURES PELA IMPUGNANTE. Uma das razões empresariais é o financiamento da atividade empresarial. · Havia necessidade de recursos financeiros para financiar a expansão das operações e o seu capital de giro e havia a necessidade dos acionistas de reaverem os recursos emprestados à empresa. A fonte principal de renda dos acionistas era os dividendos gerados pela Impugnante. · É da natureza das emissões privadas de debêntures essa estreita relação entre a emitente dos títulos e seus subscritores. · A operação não foi casuística temporária ou inconsistente, de forma a desnaturar a efetiva vontade das partes envolvidas ou com o uso abusivo e egoísta de institutos jurídicos ou mediante fraude a alguma lei que proibisse a operação e seus efeitos decorrentes. Aqui houve flagrante motivação de longo prazo, consistente no tempo, em linha com uma estratégia empresarial previamente definida. O negócio jurídico obedeceu às formalidades legais e atendeu aos interesses dos acionistas, dos empregados e da comunidade em geral. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 577 10 · Há uma interpretação equivocada da legislação tributária, na medida em que: (i) contra operação de debêntures de participação nos lucros da Impugnante não foi imputado vício de nulidade ou simulação e (ii) a referida operação, válida e eficaz para produzir todos os seus efeitos jurídicos foi subsumida a dispositivo impróprio da lei tributária para colher os efeitos que lhe são próprios (art. 299 do RIR/99), o que acabou levando a autoridade fiscal a concluir pela indedutibilidade dos encargos gerados pelas referidas debêntures, quando a dedutibilidade destes encargos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL é inquestionável à vista do que prevêem os dispositivos da legislação tributária adequados à matéria, consubstanciados no art. 462 do RIR/99 e na Lei n° 7.689/88 e suas alterações posteriores. · DA EFETIVA CAPTAÇÃO DE RECURSOS NOVOS PELA IMPUGNANTE. Ocorreu efetivamente a entrada de recursos que foram indispensáveis à operacionalização de projetos. Esse fato é confirmado pela autoridade fiscal, mas considerando que, após reconhecer a entrada de recursos, contraditoriamente, afirma que "não houve qualquer injeção de haveres novos e externos para investimento pela companhia", é de consignar que os recursos foram recebidos. · A própria autoridade fiscal afirma que "do total de R$ 21.000.000,00 subscrito, R$ 5.052.000,00 originaramse da transferência de saldo de Lucros Acumulados (...) Assim, o montante ingressado na sociedade através de recursos provenientes dos sócios foi de R$ 15.948.000,00". · A autoridade fiscal, ao que tudo indica, quis referirse exclusivamente à ausência de entrada de recursos externos, que não fossem os sócios, mas essa questão não encontra base legal. · Com relação ao valor transferido do saldo de lucros acumulados, notese que não havia e não há qualquer ressalva, condição ou vedação imposta pela legislação societária (Lei n° 6.404/76) ou pela legislação fiscal (Decretolei n° 1.598/77) em subscrever as debêntures mediante compensação dos créditos mantidos em conta corrente pelos acionistas. · DA SITUAÇÃO ACIONISTASDEBENTURISTAS, SENDO AS DEBÊNTURES REMUNERADAS COM BASE EM PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS: PLENAMENTE JUSTIFICÁVEL NO CASO CONCRETO DA IMPUGNANTE. · A condição de credoracionista foi um dos fatores que possibilitou a instrumentalização do passivo da Impugnante sob a forma de debêntures remuneradas com base em participação nos lucros. Tal circunstância visou a preservação dos recursos financeiros e do patrimônio da Impugnante, em beneficio de um ciclo de crescimento que foi a justificativa principal para a celebração do negócio nos moldes acima descritos. Provavelmente nenhum investidor aportaria recursos e em um empreendimento sobre o qual não teria qualquer influência na gestão, e nenhuma garantia de retorno. Era natural a subscrição pelos acionistas. · O que a autoridade fiscal infere como elementos caracterizadores de uma suposta anormalidade são os elementos que evidenciam que o negócio jurídico praticado entre a Impugnante e os seus acionistas que guardou absoluta coerência com a ordem natural das coisas e o momento empresarial. Não foi por outra razão que a emissão das debêntures da Impugnante se deu de forma Fl. 577DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 578 11 privada, com todas as características normais e usuais inerentes a este tipo de captação, características estas distintas das emissões públicas de debêntures, que também se prestam à captação de recursos. · A própria lei societária admite a possibilidade de os acionistas subscreverem debêntures de sua emissão, quando as mesmas forem conversíveis em ações. Estatui o art. 57, § 1º da Lei n° 6.404/76 que os acionistas terão direito de preferência para a subscrição de debêntures com cláusula de conversibilidade em ações emitidas. · Da impossibilidade de se efetuar lançamento tributário por presunção. A autoridade fiscal deveria ter investigado os efeitos da operação da Impugnante em relação a parâmetros objetivos de mercado · Afirma a autoridade fiscal: "Conforme a empresa paga valores aos sócios, sob quaisquer pretextos, estes valores vão sendo lançados a débito da conta de provisão de debêntures, diminuindo seu saldo, dando uma aparente validade jurídica para o suposto pagamento de remuneração de debêntures, que na realidade tratase de distribuição de lucro". Ora, tratase de presunção sem nem mesmo apontar a origem do raciocínio. · São muitos os julgados pela ilegalidade de lançamentos tributários fundados em meras presunções que não estejam expressamente previstas em lei. · Para ser válido, o lançamento tributário fundado em presunção deve estar apoiado em alguma lei que estabeleça os critérios objetivos e a extensão dos casos em que essa presunção poderá ser aplicada, o que não ocorre no caso concreto, na medida em que não existe qualquer lei que vede a dedução do encargo nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL. · O custo financeiro do empréstimo instrumentalizado pelas debêntures foi compatível com as taxas de juros médias praticadas para empréstimos bancários no mesmo período. Segundo sítio do Banco Central (fhttp: //www. bcb. gov. br/?txcredmes), a taxa média de juros para conta garantida no ano de 2007 foi de 65,40%, valendo registrar que os debenturistas não eram instituição financeira e, como exposto, existia fundamento para que o negócio fosse ultimado com os próprios sócios. · Segundo artigo 464, § 3º, do Regulamento do Imposto de Renda "A prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, exclui a presunção de distribuição disfarçada de lucros". · Considerando a taxa de juros média praticadas para empréstimos bancários, constatase que foi vantajoso para a pessoa jurídica remunerar os acionistas em decorrência da emissão das debêntures ao invés de tomar empréstimo, sobretudo considerando que a Autoridade Fiscal não considerou as receitas financeiras geradas pelo valor recebido. No ano de 2007 as receitas financeiras alcançaram R$ 2.949.400,44, com imposto retido de R$ 455.320,81 · Há um evidente critério subjetivo adotado pela Autoridade Fiscal ao glosar a totalidade do valor deduzido quando toda a sistemática da lei de regência dá tratamento unificado para o balanço no resultado entre receitas e despesas financeiras. Este critério é uniforme para a determinação dos resultados calculados com base no Lucro da Exploração, e também sempre foi observado quando pertinente ao Lucro Inflacionário. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 579 12 · A autoridade fiscal, já que não se preocupou em provar as taxas do mercado, limitandose a questionar: "Qual empresa no mundo ofereceria como remuneração por um empréstimo uma participação de 85% seu (sic) lucro anual a pessoas que não fossem os próprios sócios da empresa". · O CARF, que em situação análoga considerou plenamente justificável a participação em 97% do lucro. · Não havendo nos autos qualquer prova de disparidade entre os valores de mercado e de remuneração das debêntures, inconsistente o auto de infração. · Da ausência de quaisquer das hipóteses do artigo 464 do Regulamento do Imposto de Renda. · Para as hipóteses do artigo 464 "A imputação imprescinde de prova, a ser feita pelo Fisco, do valor de mercado, segundo sua previsão legal, para se poder chegar à conclusão de realização ou não da hipótese de incidência dessa figura"(1º CC 1055.575/91). · Se a Autoridade Fiscal considera que os valores pagos como remuneração atrelada às debêntures mostrouse excessivo, deveria ter demonstrado qual seria o valor pago no mercado caso houvesse tomado de empréstimo em instituição financeira. Nem mesmo foi abordada a questão. · Ainda que o valor pago em remuneração pelas debêntures fosse excessivo, e não é, seria o caso de glosa apenas do excesso e não do valor total. · Se a Impugnante tivesse tomado emprestado os R$ 21.000.000,00 no mercado financeiro, teria pagado de juros, o valor de R$ 13.734.000,00 (informe Banco Central), de modo que, ainda que houvesse procedência na argumentação desenvolvida pela Autoridade Fiscal, o que se cogita em homenagem ao Princípio da Concentração da Defesa, teríamos como base de cálculo apenas a diferença entre os R$ 17.484.199,88 e os R$ 13.734.000,00, ou seja: R$ 3.750.199,88. Porém a Impugnante não pode se defender "em tese", pois não foi feita a glosa completa. · DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE IRRF: PAGAMENTO INDEVIDO A PREVALECER O ENTENDIMENTO DA AUTORIDADE FISCAL · A autoridade descaracterizou os efeitos fiscais do negócio jurídico das debêntures em relação ao IRPJ e CSLL, glosando a participação nos lucros atribuídas às debêntures. Porém, não pode limitarse a apenas um de seus efeitos (a dedução das bases do IRPJ e CSL), mas sim a todos eles, inclusive os pagamentos feitos em decorrência deste mesmo negócio a título de IRRF, no períodobase autuado. A Autoridade Fiscal reconhece recolhimento no valor de R$ 3.496.839,98, contudo, embora constatando esse recolhimento, deixou de abatêlo de sua apuração do montante a ser recolhido. · Os recolhimentos indevidos de IRRF devem ser usados para dedução do crédito tributário de IRPJ. · Requer: a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, cancelamento da exigência, redução do lançamento para que a glosa limitese à diferença entre as taxas pagas no mercado e as taxas pagas em remuneração das debêntures e não sobre o total destas últimas, redução do Imposto de Renda com Fl. 579DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 580 13 os créditos tributários de Imposto de Renda Retido na Fonte indevidamente recolhidos e que havendo dúvida na interpretação dos fatos seja aplicada à interpretação mais favorável ao contribuinte. A 15ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 12058.776, de 21/08/2013 (fls. 405 430), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2012 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange às garantias do contraditório e da ampla defesa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 RENDIMENTOS DE DEBÊNTURES. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. NEGÓCIOS EM CONDIÇÕES DE FAVORECIMENTO DE PESSOA LIGADA. Presumese distribuição disfarçada de lucros o negócio pelo qual a pessoa jurídica realiza com pessoa ligada qualquer negócio em condições de favorecimento, assim entendidas as condições que sejam mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. Enquadrase nesta situação a emissão de debêntures feita exclusivamente em favor dos acionistas da companhia fechada, quando a remuneração é composta unicamente de participação dos lucros, em percentuais inusuais para operações desta natureza. DESCARACTERIZAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÕES DE DEBÊNTURES. DEDUÇÃO DO IRRF. IMPOSSIBILIDADE. A descaracterização dos valores pagos a título de participações de debêntures não gera direito de deduzir o IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados aos debenturistas. A dedução do IRRF só é possível quando há uma receita, computada na apuração do lucro, relativa ao imposto retido. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007 CSLL. DECORRÊNCIA. Se a exigência da CSLL é decorrente da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, aplicaselhe, no mérito, a mesma decisão proferida para o referido imposto, desde que não Fl. 580DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 581 14 haja argüições específicas ou elementos de prova novos que conduzam a conclusão diversa. Recurso Voluntário Ciente da decisão de primeira instância em 08/11/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 437, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/12/2013 conforme carimbo de recepção à folha 469. No recurso interposto (fls. 470/510), após historiar, por sua ótica, o ocorrido, a recorrente reitera, preliminarmente, suas alegações sobre cerceamento ao direito de defesa. Sustenta que não teria sido apontado o dispositivo de lei infringido, o que dificultaria o entendimento da acusação que lhe foi feita. Acrescenta que o julgador em primeira instância teria admitido a legalidade da operação de emissão de debêntures, mas teria mantido a autuação por considerála genericamente não usual. Discorre extensamente sobre as características de debêntures e as circunstâncias do caso concreto, e afirma que, em seu caso, a operação praticada estaria dentro da esfera mínima de liberdade da empresa, com a finalidade própria do negócio contratado: instrumentalização de créditos em aberto e captação de recursos. Conclui como segue: Essa conclusão já seria suficiente para que este E. Conselho decidisse pela total reforma do decisum, na parte referente à suposta indedutibilidade das participações atribuídas às debêntures emitidas pela Recorrente, a saber: (i) ausência de menção expressa de dispositivo legal da legislação que afirma ter sido infringida; e (ii) por basearse em equivocado conceito, não previsto em lei, e supostamente associado a apenas uma das possíveis modalidades de emissão de debêntures. No mérito, a interessada traz os argumentos abaixo sintetizados: No que toca às debêntures emitidas, a recorrente sintetiza, por sua ótica, as premissas adotadas pela Turma Julgadora, rebatendoas, com argumentos acerca da legalidade das operações praticadas e da liberdade da empresa de assim proceder, na mesma linha dos argumentos anteriormente apresentados com a peça impugnatória. Sustenta, mais uma vez, que a Turma Julgadora a quo teria reconhecido que a emissão das debêntures teria obedecido as leis de regência, e que não seria crível que a recorrente venha a ser penalizada por haver cumprido a lei. A seguir, a recorrente repisa as razões empresariais que, a seu ver, justificariam a emissão das debêntures. Reitera que o pagamento da remuneração das debêntures teria sido feito em cumprimento à sua emissão, nos termos da lei, e que o critério econômico teria sido avaliado de forma subjetiva pela Autoridade Julgadora. A interessada protesta que o julgador de primeira instância teria desconsiderado os efeitos fiscais do negócio jurídico celebrado com seus acionistas. Lembra que teria, efetivamente, captado novos recursos, seja mediante a transferência de lucros acumulados (R$ 5.052.000,00), seja mediante aporte dos sócios (R$ 15.948.000,00), e sustenta que a remuneração com base nos lucros seria plenamente justificável, em seu caso. Protesta, também, que a Turma Julgadora não teria observado os efeitos da operação da recorrente em relação a parâmetros objetivos de mercado. Traz à colação jurisprudência em favor de sua tese Fl. 581DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 582 15 (acórdão nº 10197.031), e conclui que “não havendo nos autos qualquer prova de disparidade entre os valores de mercado e de remuneração das debêntures, inconsistente o auto de infração”. A recorrente passa a discorrer sobre o art. 464 do RIR/99, e afirma que não estaria presente qualquer das hipóteses ali previstas. Ademais, seria imprescindível a prova, a ser feita pelo Fisco, do valor de mercado, segundo sua previsão legal, para se poder chegar à conclusão de realização ou não dessa hipótese de incidência. Ainda que assim fosse, seria o caso de glosa apenas do excesso entre o valor atribuído à remuneração das debêntures e o valor que seria devido no mercado em operação de empréstimo em instituição financeira. Acerca do imposto de renda na fonte (IRRF), a interessada sustenta que a desconsideração dos efeitos fiscais de um negócio jurídico pelas autoridades não se poderia limitar a apenas um de seus efeitos. Em apoio a sua tese, traz à colação o acórdão nº 101 94.986, e argumenta como segue (grifos no original): Ora, é questão de raciocínio lógico e restauração do estado anterior. Passo 1: a Recorrente remunera as debêntures e, em razão dessa operação há o recolhimento do IRRF. Passo 2: a remuneração das debêntures foi descaracterizada pela Autoridade Fiscal. Passo 3: o valor preteritamente destinado a remuneração das debêntures integra a base de calculo do IRPJ e da CSSL. Passo 4: o valor preteritamente recolhido a título de IRRF perde o seu objeto e deve ser utilizado para dedução do IRPJ. Ainda, às fls. 557/563, encontro documento subscrito pelos patronos da interessada, recebido em 02/12/2014, no qual consta a reiteração dos argumentos recursais e o aditamento de razões. Contrarrazões da Fazenda Nacional A União (Fazenda Nacional), por sua procuradora, trouxe contrarrazões (fls. 530/554) ao recurso voluntário, com base no art. 48, § 2º, do então vigente Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Após historiar, por sua ótica, o ocorrido, suas considerações podem ser sintetizadas como segue: A Fazenda Nacional combate a alegação de nulidade por cerceamento ao direito de defesa, sustentando que a descrição pormenorizada dos fatos, bem assim os motivos pelos quais a Fiscalização descaracterizou os efeitos fiscais do negócio jurídico das debêntures estariam satisfatoriamente postos no auto de infração e no Termo de Verificação Fiscal. Todos os elementos essenciais ao entendimento da acusação estariam presentes e a interessada não teria apontado algum dado concreto que revelasse a alegada deficiência. No mérito, a Fazenda Nacional rememora, por sua ótica, o contexto e os principais fatos envolvendo a emissão e a remuneração das debêntures. Na sequência, a Fazenda Nacional ressalta que o cumprimento das formalidades legais relativas às debêntures teria conferido às operações mera aparência de licitude. Nesse contexto, os efeitos do negócio seriam inoponíveis ao Fisco. Os lucros distribuídos disfarçadamente seriam indedutíveis. Relembra as características da operação, e conclui que “além de a emissão de debêntures realizada pelo Hospital e Maternidade Santa Joana não ter proporcionado a captação de novos investimentos, a opção de remunerar os títulos com 85% de seus lucros sem prazo de Fl. 582DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 583 16 vencimento permite concluir que não se estava diante de verdadeira remuneração de debêntures”. Colaciona jurisprudência administrativa em favor de sua tese. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Desde já, esclareço que o recurso conhecido é aquele que se encontra às fls. 470/510. Quanto ao documento de fls. 557/563, dele não conheço. Em se tratando de reiterar as razões de recurso, mostrase irrelevante. Em pretendendo aditar razões ao recurso, mostrase flagrantemente intempestivo. Gira a lide em torno de auto de infração, no qual foram glosadas despesas, supostamente por remuneração de debêntures, diante do entendimento do Fisco de que o que de fato ocorreu teria sido a distribuição disfarçada de lucros aos sócios. O enquadramento legal do lançamento (fl. 292) inclui, entre outros dispositivos, os arts. 464, inciso VI, 465, 466 e 467, inciso V, todos do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), que transcrevo: Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): [...] VI realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. §3ºA prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, exclui a presunção de distribuição disfarçada de lucros (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, §2º). Art. 465. Considerase pessoa ligada à pessoa jurídica (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 60, §3º, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso IV): Io sócio ou acionista desta, mesmo quando outra pessoa jurídica; IIo administrador ou o titular da pessoa jurídica; Fl. 583DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 584 17 IIIo cônjuge e os parentes até o terceiro grau, inclusive os afins, do sócio pessoa física de que trata o inciso I e das demais pessoas mencionadas no inciso II. §1ºValor de mercado é a importância em dinheiro que o vendedor pode obter mediante negociação do bem no mercado (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, §4º). §2ºO valor do bem negociado freqüentemente no mercado, ou em bolsa, é o preço das vendas efetuadas em condições normais de mercado, que tenham por objeto bens em quantidade e em qualidade semelhantes (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, §5º). §3ºO valor dos bens para os quais não haja mercado ativo poderá ser determinado com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem, ou em negociações contemporâneas de bens semelhantes, entre pessoas não compelidas a comprar ou vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influam de modo relevante na determinação do preço (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 60, §6º). §4ºSe o valor do bem não puder ser determinado nos termos dos §§2ºe 3ºe o valor negociado pela pessoa jurídica basearse em laudo de avaliação de perito ou empresa especializada, caberá à autoridade tributária a prova de que o negócio serviu de instrumento à distribuição disfarçada de lucros (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, §7º). Art. 466. Se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, presumirseá distribuição disfarçada de lucros ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Parágrafo único.Para os efeitos deste artigo, sócio ou acionista controlador é a pessoa física ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, parágrafo único, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 62, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, incisos VII e VIII): [...] V no caso do inciso VI do art. 464, as importâncias pagas ou creditadas à pessoa ligada, que caracterizarem as condições de favorecimento, não serão dedutíveis. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 585 18 Sustenta a recorrente, em preliminares, que seu direito à ampla defesa teria sido cerceado, por não ter sido apontado especificamente o dispositivo de lei infringido. Essa alegação já havia sido enfrentada em primeira instância, sendo fundamentadamente rejeitada. O mesmo ocorre aqui. A descrição dos fatos, no Termo de Verificação Fiscal, deixa claro o entendimento do Fisco de que, não obstante a regularidade formal da operação de emissão de debêntures, os valores destinados aos sócios teriam, de fato, a natureza de lucros distribuídos, e não de remuneração de debêntures. A operação, em condições favorecidas, teria buscado disfarçar a distribuição de lucros, esse o motivo da glosa e da adição à base de cálculo do tributo das importâncias pagas nessas condições. O enquadramento legal apontado nos autos e acima transcrito vai na mesma linha. A defesa da interessada, tanto em primeira instância quanto agora, em sede de recurso voluntário, demonstra seu perfeito entendimento da infração que lhe foi imputada. Em concreto, não verifico qualquer prejuízo ao direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório, pelo que nenhuma nulidade nesse sentido há de ser reconhecida. Rejeito, pois a preliminar suscitada. Antes de entrar na discussão do mérito, propriamente, considero relevante transcrever uma boa síntese teórica que consta do voto condutor do acórdão recorrido, acerca de debêntures. Tais conceitos servirão para nortear a discussão que se seguirá. Debêntures são certificados ou títulos de valores mobiliários emitidos pelas sociedades por ações, representativas de empréstimos contraídos pelas mesmas, que asseguram aos debenturistas, idênticos direitos de crédito contra as sociedades, estabelecidos na escritura de emissão. A emissão desses títulos de crédito nominativos tem a finalidade de satisfazer as necessidades financeiras das sociedades por ações. Dessa forma, estas sociedades têm à sua disposição as facilidades necessárias para captação de recursos junto ao público, a prazos longos e juros mais baixos, com atualização monetária e resgates a prazo fixo ou mediante sorteio, conforme suas necessidades para melhor adequar o seu fluxo de caixa. Quando identificada a necessidade de captação de recursos financeiros de terceiros, para concretização de investimentos e para o cumprimento de obrigações assumidas anteriormente, a administração da empresa levará ao Conselho de Administração ou à Assembléia Geral proposta para que seja contraído empréstimo público, normalmente a longo prazo, mediante a emissão de debêntures. O Conselho ou a Assembléia estabelecerá as características do empréstimo, fixando as condições de emissão, tais como: montante, número de debêntures, prazo, data de emissão, juros, deságio (desconto), amortizações ou resgates programados, conversibilidade ou não em ações, atualização monetária, e tudo o mais que se fizer necessário. As debêntures de companhias de capital fechado são emitidas para subscrição por pessoas direta ou indiretamente ligadas. A captação de recursos pela sociedade através de debêntures gera um lançamento contábil em seu ativo (caixa) e outro em seu passivo (circulante e/ou exigível a longo prazo). A escritura de emissão é um documento legal que especifica as condições sob as quais a debênture foi emitida, os direitos dos possuidores e os deveres da emitente. Tratase de documento extenso contendo cláusulas padronizadas, restritivas e referentes à garantia. Da escritura constam, entre outras, as seguintes Fl. 585DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 586 19 condições: montante da emissão; quantidade de títulos e o valor nominal unitário; forma; condições de conversibilidade; espécie; data de emissão; data de vencimento; remuneração; juros; prêmio; cláusula de aquisição facultativa e/ou resgate antecipado facultativo; condições de amortização. O agente fiduciário é uma terceira parte envolvida na escritura de emissão, tendo como responsabilidade assegurar que a emitente cumpra as cláusulas contratuais. As debêntures podem ser de emissão pública ou privada. A primeira é direcionada ao público investidor em geral, feita por companhia aberta, sob registro na CVM. Já a emissão privada é voltada a um grupo restrito de investidores, não sendo necessário o registro na Comissão. As debêntures estão disciplinadas nos artigos 52 a 74 da Lei nº 6.404, de 15/12/1976. Os recursos captados através de debêntures são equiparáveis ao obtido através de um contrato de mútuo; na verdade, quando a empresa emite tal título está buscando um empréstimo. A remuneração do “empréstimo”, aperfeiçoado por meio de emissão de debêntures, deverá, no mínimo, guardar correspondência com os juros praticados pelo mercado. A legislação (art. 56 da Lei 6404/76) prevê como forma de remuneração da debênture: o pagamento de juros fixos ou variáveis, e, ainda, para tornar mais atrativo esse tipo de investimento, a participação no lucro da companhia e o prêmio de reembolso. Art. 56. A debênture poderá assegurar ao seu titular juros, fixos ou variáveis, participação no lucro da companhia e prêmio de reembolso. [...] Sobre o assunto é oportuno trazer os comentários efetuados por Modesto Carvalhosa: “Há quem admita, em virtude dos termos da lei atual, que o rendimento da debênture possa consistir, tão somente, em participação no lucro. Não nos parece ser o melhor entendimento” (...) Interpretação diversa, no sentido de se poder deixar de atribuir juros à debênture, levaria à descaracterização do título. Com efeito, debênture sem juro, com participação no lucro apenas, não teria a natureza de debênture, mas a de parte beneficiária”. Modesto Carvalhosa (in Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, Saraiva, S.Paulo, pp. 532 e seguintes) Admitir debênture sem juros, tendo como remuneração somente a participação nos lucros, é conferir a este título o mesmo tratamento dado às partes beneficiárias. Segundo Fábio Ulhoa Coelho (in Curso de Direito Comercial – vol. 2 – 2a. Edição – 2000, pág. 152), partes beneficiárias são valores mobiliários que asseguram a seu titular direito de crédito eventual perante a sociedade anônima emissora, consistente numa participação nos lucros desta (g.n). Fl. 586DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 587 20 A remuneração da parte beneficiária está atrelada ao resultado da empresa, sendo um investimento de risco. A debênture não possui esse caráter de incerteza, pois ela é remunerada através de juros. Tal tipo de remuneração pertence a natureza deste título de crédito, pois representam empréstimos. Os juros constituem a forma necessária de remuneração dos recursos emprestados pelos debenturistas à companhia; não há como se admitir que um empréstimo tenha o seu rendimento vinculado a uma incerteza, no caso a obtenção de lucro. Na verdade, a lei, ao prever também outras formas de remuneração das debêntures, como a participação nos resultados, quis apenas dar maior atratividade a estes títulos. Fixados estes conceitos iniciais, convém sintetizar as principais condições de emissão e remuneração das debêntures do caso concreto sob análise. · Em 15 de abril de 1998, os sócios do Hospital e Maternidade Santa Joana S.A. aprovaram a emissão privada de 21.000 debêntures não conversíveis em ações, com valor nominal unitário de R$ 1.000,00 – o que correspondeu ao valor total de emissão de R$ 21.000.000,00. · Não havia prazo de vencimento. · As debêntures foram adquiridas exclusivamente pelos sócios controladores da emitente. Do total da emissão (R$ 21 milhões), R$ 5.052.000,00,00 tiveram origem em lucros acumulados pela própria pessoa jurídica, e os restantes R$ 15.948.000,00 foram aportados pelos adquirentes, sócios controladores da emitente. · A remuneração inicialmente prevista para os mencionados títulos se daria mediante a participação de 50% nos lucros da emitente, posteriormente aumentada para 65% e 85% dos lucros antes da provisão para o IR. Apenas com estes quatro pontos, já é possível a constatação de que a operação não se revestiu das características usuais a esse instituto. Toda a argumentação da interessada vai na linha do atendimento às formalidades, mas não é isso que se discute aqui. A afirmação do Fisco é de que a remuneração atribuída às debêntures era, de fato, remuneração do lucro, do capital dos sócios, e que toda a operação teria sido montada com o objetivo de reduzir o lucro tributável. E, da análise dos autos, tenho que tal conclusão é inescapável. Peço vênia para transcrever, a seguir, excelente voto da primeira instância e, desde já adotar o excerto transcrito também como razões de decidir, conforme § único do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: A emissão das debêntures não teve como objetivo principal a captação de recursos, como está previsto na legislação, mas sim uma forma de distribuir lucro criando uma despesa, diminuindo a base de cálculo do IRPJ e da CSLL eternamente, posto que não há prazo de vencimento. A emissão do citado título está totalmente descaracterizada. Outro ponto que descaracteriza as supostas debêntures é a transferência de valores de lucros acumulados. Foi apurado que, dos R$ 21.000.000,00 subscritos, R$ 5.052.000,00 originaramse da transferência de saldo de Lucros Acumulados, sendo R$ 1.685.000,00 destinados para cada debenturista. Assim, o montante ingressado na sociedade através de recursos provenientes dos sócios foi de R$ 15.948.000,00. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 588 21 Como já visto, o objetivo deste título é obter novos recursos, porém os valores que constam nos lucros acumulados pertencem a própria a empresa e não aos sócios, pois ainda não foram distribuídos. Ressaltese que o Princípio da Entidade diferencia o patrimônio da empresa do patrimônio dos sócios; enquanto o lucro enquanto não for distribuído aos sócios, tal lucro pertence a empresa e não pode ser por eles utilizado arbitrariamente. Como já foi explicado, a emissão de debêntures se destina a captar recursos no mercado, principalmente de terceiros, apesar de se admitir que os sócios possam também adquirir uma parte. São recursos que a companhia não possui e por isso vai captálos no mercado. Tratase de um verdadeiro empréstimo. Não há sentido na utilização de valores relativos a conta Lucros Acumulados, ou seja, que já estão no seu patrimônio, para aquisição de debêntures emitidas pela própria empresa. A empresa estaria pedindo um empréstimo a ela mesma, o que seria um absurdo. À medida que a empresa remunera o sócio, é criada tal despesa. Destaquese que remuneração dos sócios não é despesa, posto que ocorre após a apuração do lucro líquido do exercício, ou seja, após serem apurados o resultado operacional, o não operacional, as participações e contribuições, as provisões para CSLL e IRPJ, feitas as reservas de lucro e capital. Com o artifício criado, 85% da remuneração dos sócios são computados antes da apuração do lucro líquido, o que resulta na diminuição deste e, conseqüentemente, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ressaltese que a remuneração das debênttures, inicialmente era de 50% do lucro, depois passou a 65% e posteriormente aumentou para 85%. Como se vê , a medida que o tempo passava, foi se aumentado a despesa com debêntures sem a qualquer contrapartida, posto que, não foi colocado na empresa qualquer dinheiro novo. Ora, não há qualquer justificativa neste aumento de remuneração, haja vista, que tal aumento somente faria sentido como forma de incentivo para uma nova captação de recursos, fato que não ocorreu. A emissão das debêntures, no caso em comento, teve a finalidade de reduzir as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, posto que, ao mesmo tempo que se injetou capital na empresa somente em uma ocasião, foi criada artificialmente uma espécie de despesa financeira que vem reduzindo o lucro líquido em diversos anos. Com apenas uma injeção de recursos criouse uma dedução do lucro que será utilizada infinitamente. Destaquese que, apesar de as debêntures terem sido emitidas em 1998, já no ano de 1999 mais de 100% do capital emprestado já tinham sido supostamente pagos aos debenturistas (cerca de R$ 24.507.988,95, ou seja, 116,70% dos R$ 21.000.000,00 captados), vale dizer, em 1999, já teria sido pago todo o empréstimo. Além disso, até o ano de 2007, o retorno acumulado já representava 413,38% do valor investido. Na verdade, o artifício criado aumenta as deduções ao lucro à medida que o lucro aumenta. Outro fato que descaracteriza a emissão dessas debêntures é o de que, apesar de a empresa retirar R$ 17.484.199,88 do lucro antes de calcular o IRPJ e a CSLL, e lançar este montante como obrigação junto aos acionistas, em contas do Passivo Exigível a Longo Prazo, esses valores não são repassados integralmente aos referidos acionistas. Conforme estes vão fazendo retiradas, os valores vão sendo descontados dessas contas passivas. Ora, se debênture é uma espécie de empréstimo, não é razoável, normal ou usual que o credor abra mão de grande parte desse montante. Na realidade, tudo foi feito com a finalidade de diminuir o pagamento de tributos, se os sócios retirassem todo ano montantes dessa ordem, a empresa certamente quebraria. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 589 22 Há que se destacar o caso da sócia Edma Huesp Amaro, detentora do percentual de 9,18% das debêntures, que durante o ano de 2007 recebeu o montante de R$ 261.098,06 (fl. 309), porém teria direito a receber, somente a título de remuneração de debêntures, líquido de IRRF, o valor de R$ 1.284.039,64 ((17.484.199,883.496.839,98) x 9,18%). Não é normal que alguém abra mão de tanto dinheiro. Tal fato comprova a existência do artifício com o fim de reduzir indevidamente os tributos a pagar. Não há qualquer sentido na afirmação da interessada de que o montante retirado não guarda relação com o valor das debêntures atribuíveis a cada sócio. Como já foi dito, tratase, substancialmente de um empréstimo e, portanto, o valor a ser devolvido para o credor tem que ser na proporção do montante emprestado. Isto é o normal, o usual para esses casos. Ressaltese que os efeitos das liberalidades não podem trazer conseqüências negativas ao direito da Fazenda Pública. Tratase de um negócio jurídico que não atende aos requisitos da usualidade e da normalidade, que são essenciais para que o dispêndio seja dedutível. Não é normal nem usual que uma empresa abra mão de 85% dos seus lucros para remunerar debenturistas, que normalmente são terceiros. O negócio somente foi feito deste modo porque os debenturistas são os próprios acionistas, para favorecê los. A interessada alega que a emissão das debêntures se deu de forma privada, sendo normal que somente os acionistas tivessem adquirido as mesmas. Como já foi explanado anteriormente, a debênture de emissão privada é voltada a um grupo restrito de investidores, mas isto não quer dizer que estes devam ser necessariamente acionistas. Tal fato revela um dos indícios quanto à indedutibilidade da remuneração das debêntures. Apesar de não existir impedimento legal (Lei das S/A) à participação dos acionistas no negócio em comento, seria, a princípio, no mínimo, de se estranhar que a empresa, necessitando de recursos financeiros a fim de obter o capital necessário para a consecução de seu objeto social, e optando pela emissão de valores mobiliários, não o fizesse junto ao público que traria recursos novos, ressaltandose que a compra de debêntures não é o meio mais normal e usual para que os sócios injetem recursos em uma empresa. Aspecto ainda importante a respeito é que a operação se deu somente com a participação de pessoas ligadas que adquiriram essas debêntures. [...] A “distribuição disfarçada de lucro”, prevista no art. 464 e seguinte, do RIR/1999, deriva de uma presunção legal que, de forma geral, tributa os negócios que a empresa realiza com pessoa ligada, em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada. Nesse sentido, a legislação define as hipóteses da distribuição disfarçada e o conceito de “pessoa ligada”. [...] A presunção legal relativa fornece um critério para verificar o pressuposto de incidência de uma norma de tributação, por meio de indícios que demonstram a ocorrência do fato tributável. Não se trata de inversão do ônus da prova, mas do deslocamento, da modificação do que tem de ser provado. Portanto, não há sentido Fl. 589DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 590 23 na afirmação da interessada de que não se pode efetuar lançamento por presunção. No caso sob análise, a presunção está prevista na legislação. Está comprovado que a empresa distribui lucros aos sócios através da remuneração das debêntures e tendo como conseqüência o pagamento a menor de IRPJ e CSLL. Não tem sentido a relação que a impugnante faz com as taxas de juros médias praticadas para empréstimos bancários, tendo em vista que a remuneração das debêntures, no caso, está atrelada somente ao lucro. Esclareçase ao contribuinte que não pode ser aplicado o artigo 464, § 3º, do RIR/99 ("a prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, exclui a presunção de distribuição disfarçada de lucros"). Na realidade, o negócio foi de interesse dos acionistas e não da pessoa jurídica, pois como não há tempo previsto para a quitação da obrigação, a pessoa jurídica irá pagar rendimentos eternamente e nunca pagará a dívida, ou seja, foi criado um passivo eterno. Ressalte se que o valor emprestado já foi pago várias vezes (retorno de 680,67% até o ano de 2009). Como se vê, não há dúvidas que a operação em comento visou favorecer pessoas ligadas, no caso os acionistas (art. 465, I do RIR/99), pois confere a estes um valor superior ao que seria distribuindo normalmente a título de dividendos (85% do lucro líquido antes da provisão para CSLL e para IRPJ), caracterizando a distribuição disfarçada de lucros (art. 464, VI do RIR/99). Portanto, deve ser aplicado o comando do art. 467, V, do RIR/99, devendo ser considerados indedutíveis os valores deduzidos pela empresa a titulo de remuneração de debêntures. Atentese que os recursos, normalmente destinados aos sócios, os dividendos, são apurados depois das provisões para IRPJ e CSLL, das participações e contribuições e da constituição de reservas de lucro e de capital. No caso, 85% dos lucros tinham de ser destinados aos acionistas antes de computar estas parcelas. Na verdade, tais fatos denotam a utilização indevida da forma da remuneração de debêntures – cujas despesas são, em princípio, dedutíveis do lucro real, porque necessárias à manutenção do empreendimento –, para operacionalização de real distribuição de lucros (destinação de recursos), fato não passível de dedutibilidade do lucro real. Lançase mão, assim, exclusivamente da forma, em detrimento de sua respectiva substância jurídica, para respaldar a redução da base tributável do imposto. Não pode ser oponível ao Fisco uma operação que objetivou exclusivamente reduzir a carga tributária da empresa, mediante a qual os lucros distribuídos foram transformados artificialmente em despesa dedutível, ou seja, a empresa, sem incorrer, de fato, em nenhuma despesa, visto que a participação nos lucros é inerente à condição de acionista, teria formalizado uma operação que lhe permitiria reduzir o lucro tributável em até 85%. Não faço reparos ao acima exposto. De fato, a operação se revela completamente artificial, fazendo ingressar recursos pertencentes aos sócios aos quais corresponde um passivo infinito (porque sem vencimento) e autorrenovável a cada ano, tanto maior quanto maiores forem os lucros auferidos pela pessoa jurídica. Ou seja, os recursos dos sócios são remunerados pelo lucro da pessoa jurídica. O que seria isso senão a remuneração do capital, e não de debêntures? Um negócio em tais condições nunca seria firmado com terceiros, Fl. 590DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 591 24 em livres condições de mercado, o que apenas confirma a premissa do inciso VI do art. 464 do RIR/99. A interpretação da norma tributária não pode se restringir à forma do negócio jurídico praticado. O desvirtuamento do instituto das debêntures, conforme demonstrado, autoriza a ação do Fisco. Nessa linha de raciocínio, tenho por correta a autuação, que afastou os efeitos da operação no que tange à dedutibilidade das supostas despesas com remuneração de debêntures, adicionandoas à base tributável, em cumprimento do comando legal do art. 467, inciso V. Ainda, no que diz respeito ao argumento de que a glosa não pode recair sobre o total pago a título de remuneração, mas apenas sobre o excesso, há que se ter em mente que a acusação fiscal não foi de pagamento excessivo a título de remuneração de debêntures, mas de emprego de artifício para distribuição disfarçada de lucros. Considerados como lucros os valores distribuídos, cabível a glosa da totalidade, e não de um suposto excesso. Finalmente, a recorrente reitera seu pedido de que o imposto de renda na fonte, incidente sobre as supostas remunerações de debêntures, seja empregado para reduzir o valor do IRPJ lançado. Também aqui descabido seu pleito. A caracterização das remunerações atribuídas a debêntures como, na verdade, lucros distribuídos disfarçadamente aos sócios tem como efeito que tais valores sejam tidos por indedutíveis para fins tributários. Se a interessada recolheu imposto incidente na fonte, e, agora, entende que tal recolhimento seria indevido, cumprelhe pleitear a repetição do indébito pelas vias próprias, a saber, o pedido de restituição ou a declaração de compensação. Em adição a isto, ressalto que o imposto de renda retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido pelo beneficiário do rendimento, sendo aquele beneficiário o contribuinte de fato. Foi nesse sentido que o julgador de primeira instância negou o pedido, por considerar que o Hospital e Maternidade Santa Joana S/A não é o titular desse imposto, ao qual corresponderiam receitas tributáveis, mas mero responsável pelo recolhimento. Neste processo não se cuida de como teriam sido apresentadas as declarações de rendimentos das pessoas físicas sócias do Hospital e Maternidade Santa Joana, se os supostos rendimentos de debêntures teriam lá sido considerados tributáveis e se o imposto retido na fonte teria sido empregado como antecipação do imposto devido pelas pessoas físicas. Desta forma, sem a prova de qual teria sido a destinação dada a esse imposto retido por aqueles que sofreram o ônus da retenção, resta impossível, também por esta vertente, o atendimento ao pleito da recorrente. Na ausência de argumentos específicos atinentes à CSLL, o aqui decidido igualmente a ela se aplica. Em conclusão, por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 591DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301001.979 S1C3T1 Fl. 592 25 Fl. 592DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10768.000302/2001-59
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRMUIÇA0 PARA O PIS/PAsEp
Período de apuração: 01/01/1 998 a 31/01/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
CONCOMITÂNCIA.
A discussão concomitante de matérias nas esferas
judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo
princípio da inafastabilidade e unicidade da
jurisdição, salvo nos casos em que a matéria suscitada
na impugnação ou recurso administrativo se prenda a
competências privativamente atribuídas pela lei à
autoridade administrativa, como é o caso da
exigibilidade do crédito tributário constituído através
do lançamento em face de sentença denegatória de
segurança e dos consectários lógicos do seu
inadimplemento, como é o caso da multa e dos
acréscimos moratórios consubstanciados no referido
lançamento (arts. 142, 145, 147, 149 e 150, do CTN),
que não foram objeto da segurança.
JUROS DE MORA. SELIC. INCIDÊNCIA.
A condição resolutiva do contrato de empréstimo, a
par de não poder alterar os elementos do fato gerador,
da obrigação ou da isenção previamente estabelecidos
na legislação (cf. art. 176 do CTN; Lei n't 8.894, de
21/06/94, arts. 52 e 62; Decreto n° 1.591/95, de
10/08/95, arts. 1 e 2'; e Portaria MF 112 228/95, art.
1 2, inciso I), não impediu a consumação do fato
gerador (cf. arts. 11 inciso I, e 117, inciso II, do
CTN), nem a constituição da obrigação e do crédito
respectivos (arts. 113, § I', 114, e 118, inciso II, do
CTN), o que justifica a incidência de atualização
débito _fiscal não recolhido a partir do fato gerador,
que é feita através da taxa Selic a partir de 01/01/96,
nos temos do art. 39, § 42, da Lei ri2 9.250/95.
Precedentes do STI.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO.
Não estando suspensa a exigibilidade do crédito à
data da lavratura do auto de infração, não há como
aplicar o art. 63 da Lei n 9.430/96, sujeitando o
contribuinte ao lançamento de oficio tipificado no
inciso Ido art. 44 da Lei n 9.430/96.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-80.918
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça
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Sape 91745 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES r' PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10768.000302/2001-59 Recurso n° 139.491 Voluntário Matéria PIS/Pasep de ronintwintm__consolo Acórdão n° 201-80.918 mr.sognmt piam oficial daib_e_. u1:2M11 _agr.! de IPSessão de 13 de fevereiro de 2008 Rubrico t Recorrente FEDERAL DE SEGUROS S/A Recorrida DRJ no Rio de Janeiro - RJ ASSUNTO: CONTRMUIÇA0 PARA O PIS/PAsEp Período de apuração: 01/01/1 998 a 31/01/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. A discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição, salvo nos casos em que a matéria suscitada na impugnação ou recurso administrativo se prenda a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa, como é o caso da exigibilidade do crédito tributário constituído através do lançamento em face de sentença denegatória de segurança e dos consectários lógicos do seu inadimplemento, como é o caso da multa e dos acréscimos moratórios consubstanciados no referido lançamento (arts. 142, 145, 147, 149 e 150, do CTN), que não foram objeto da segurança. JUROS DE MORA. SELIC. INCIDÊNCIA. A condição resolutiva do contrato de empréstimo, a par de não poder alterar os elementos do fato gerador, da obrigação ou da isenção previamente estabelecidos na legislação (cf. art. 176 do CTN; Lei n' t 8.894, de 21/06/94, arts. 52 e 62; Decreto n° 1.591/95, de 10/08/95, arts. 1 e 2'; e Portaria MF 112 228/95, art. 1 2, inciso I), não impediu a consumação do fato gerador (cf. arts. 11 inciso I, e 117, inciso II, do CTN), nem a constituição da obrigação e do crédito respectivos (arts. 113, § I', 114, e 118, inciso II, do CTN), o que justifica a incidência de atualização do à i' kgc L- 4 ifp, e 4('' MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Processo 10768.000302/2001-59 Brasile. , z CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.918 Fls. 317 Savie -• • Mat: Sopa 91745 débito _fiscal não recolhido a partir do fato gerador, que é feita através da taxa Selic a partir de 01/01/96, nos temos do art. 39, § 42, da Lei ri2 9.250/95. Precedentes do STI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. Não estando suspensa a exigibilidade do crédito à data da lavratura do auto de infração, não há como aplicar o art. 63 da Lei n 9.430/96, sujeitando o contribuinte ao lançamento de oficio tipificado no inciso Ido art. 44 da Lei n 9.430/96. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. • Q001.k(P,. . 1 *SE A MARIA COELHO MARQ Presidente \ti/V1 OVA Ci0 VSdr FERNANDO LUIZ DA GAMA Lí0B0 D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, José Antonio Francisco e Antônio Ricardo Accioly Campos. Ausente o Conselheiro Gileno Gorja° Barreto. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO Ori;C;NAL Processo n." 10768.000302/2001-59 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.918 Brasão, _44 o awif• Fls. 318 51;49 Mat. Sane 91745 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 212/220, vol. II) contra o v. Acórdão DRJ/RJOII ri 10.479, exarado em 27/10/2005 (fls. 187/194, vol. I) pela 4' Turma da DRJ no Rio de Janeiro - RJ, que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar procedente o lançamento original de contribuição para o PIS (fls. 95/105, vol. I), notificado em 18/01/2001 (fl. 111, vol. I), no valor total de R$ 592.288,52 (PIS-Faturamento: R$ 264.848,77; juros: R$ 128.803,23; multa de 75%: R$ 198.636,52), que acusou a ora recorrente de falta de recolhimento do PIS-Faturamento e PIS (Financeiras a equiparadas), nos períodos de 31/01/98 a 31/01/99, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal nos seguintes termos: "O procedimento fiscal de que trata o presente Termo de Vercação Fiscal - PIS origina-se do contido no processo administrativo n° 10768.019329/99-58, de acompanhamento do Mandado de Segurança (M.S) e 99.0019387-3/6" V.F./12.1, por intermédio do qual a contribuinte acima identificada questiona a cobrança da contribuição para o PIS, nos moldes da Emenda Constitucional n°17/97 e Lei n° 9.701/98. Abrange, assim, os períodos de apuração compreendidos entre 01/07/97 e 31/01/99, uma vez que, a partir de 01/02/99, a contribuição para o PIS passou a ser regida pela Lei n°9.718/98. A liminar requerida foi indeferida. A Sentença proferida pela autoridade judicial de I" instância concedeu, em parte, a segurança pleiteada, determinando que, entre 1° de julho e 31 de dezembro de 1997, a contribuição para o PIS fosse recolhida de acordo com o prescrito pela Lei Complementar (LC) n° 07/70 e, a partir daí, em estrita obediência aos parâmetros estabelecidos pela Emenda Constitucional n* 17/97. Em consulta ao site da Justiça Federal na internei, verificamos que a contribuinte interpôs recurso de apelação ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 2" Região (TRF - 2" Região), recebido somente no seu efeito devolutivo. Assim, permanecem inalterados, até a presente data, os efeitos produzidos pela Sentença proferida pela autoridade judicial de 1" instância. O procedimento de oficio de que trata o presente Termo de Verificação Fiscal - PIS diz respeito aos períodos de apuração para fins da determinação da contribuição devida para o PIS compreendidos entre JANEIRO/1998 e JANEIRO/1999. Para os períodos de apuração em questão, a Segurança interposta pelo contribuinte foi integralmente rejeitada pelo Poder Judiciário, permanecendo válido, em sua integralidade, o prescrito pela Emenda Constitucional n° 17/97 e Lei n° 9.701/98. Assim, os débitos correspondentes aos referidos períodos de apuração fazem-se, também, imediatamente exigíveis. Sendo assim, foi a contribuinte intimada - por intermédio do Termo de Intimação n° 113, de 28.09.2000 - a apresentar demonstrativo contendo, entre outras, as bases de cálculo mensais da contribuição para o PIS, referentes aos períodos de apuração JANEIRO/1998 a JANEIRO/1999, com fundamento na legislação impugnada (Emenda ,1 Constitucional 17/97 e Lei 9.701/98), bem como eventuais recolhimentos em DARF ou ainda DARF - DEPÓSITO JUDICIAL, 412»"/ MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.• 10768.000302/2001-59CCO2/C01amiba / LOOS2.Acórdão n.• 201-80.918 Fls. 319 %Avia 54:e ...rte7a Mat: Slap7 91745 correspondentes à contribuição aqui versada (PIS) apurada no período retro citado. Em resposta à mencionada intimação, a Seguradora apresentou demonstrativo contemplando as bases de cálculo determinadas em conformidade com a legislação impugnada anteriormente citada, todavia não apresentou comprovantes de depósitos judiciais e/ou recolhimentos em DAR?. Ante a também verificada ausência de valores devidos da contribuição para o PIS, declarados pela contribuinte em DCTF, correspondentes aos períodos de apuração JANEIRO/1998 a JANEIRO/1999, não restou à Administração Tributária outra alternativa a não ser aquela representada pela constituição, em procedimento de ofício, dos valores devidos da exação aqui versada (PIS), obtidos a partir da aplicação da alíquota legal de 0,75% sobre as bases de cálculo informadas pela Seguradora em resposta à intimação n°113/2000, o que se efetivou via Notificação de Lançamento, da qual o presente Termo de Verificação Fiscal - PIS é parte integrante e inseparável. _ Releva por ora observar que os valores correspondentes às bases de cálculo da contribuição para o PIS informados pela Seguradora na documentação entregue em resposta à intimação n°113/2000 estão em conformidade com aqueles declarados pela empresa nas correspondentes Declarações de Rendimentos (DIPJ/99 e D1PJ/2000). Contudo, na documentação apresentada pela instituição financeira, os valores devidos, relativos aos períodos de apuração .JANEIRO/1 998 a JULHO/1998 e JANEIRO/1999, foram calculados pela empresa mediante a aplicação da alíquota de 0,65% sobre as bases de cálculo informadas, o que se reveste de irregularidade, já que a alíquota legal prevista para os períodos de apuração objeto do presente procedimento fiscal é de 0,75% (conforme inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pelo art. 2° da Emenda Constitucional n° 17/97). O erro da contribuinte na aplicação da alíquota não se verifica, entretanto, na Ficha 32 - Cálculo da Contribuição para o P1S/PASEP, constante da Declaração de Rendimentos do Imposto de Renda -• Pessoa Jurídica do Ano-base 1998 (Exercício 1999, DIPJ/99), mas volta a se repetir, contudo, somente para o período de apuração JANEIRO/1999, na mesma ficha da Declaração de Rendimentos do Ano-base 1999 (DIPJ/2000), onde a contribuinte volta a se utilizar, indevidamente, da alíquota de 0,65% Procedemos assim, ante o até aqui exposto, para os períodos de apuração compreendidos entre JANEIRO/1998 e JANEIRO/1999, ao lançamento do crédito tributário - que se faz imediatamente exigível - com juros de mora desde o vencimento e multa de oficio (75%). Reafirmamos também que consideramos ainda, na efetivação do sobredito lançamento de oficio, por determinação expressa da legislação que rege à matéria, vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, a aplicação da alíquota legal de 0,75% sobre as bases de cálculo informadas pela empresa na documentação por ela entregue em resposta à intimação n°113/2000. MI' - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 10768.000302/2001-59CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.918 Brasa _4_, ZOO!? . Fls. 320 Sivlo Wrtoss Itat- Stage 81745 E. para constar e produzir seus efeitos legais, lavramos este Termo de Verificação Fiscal - PIS, em 3 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, sendo que o contribuinte, na seqüência, deverá ser cientificado do mesmo, assim como da Notificação de Lançamento, em qualquer uma das formas elencadas no art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Auditor Fiscal da Receita Federal NILSON GALDINO DE QUEIROZ JUNIOR (Mat. 65822) Ass:". Em razão dos fatos relatados, a d. Fiscalização considerou infringidos os arts. IQ, e 42, da MP 112 1.485/96 e suas reedições, convalidadas pela Lei 112 9.701/98; arts. 1 2, 22 e 4Q, da MP n2 1.674-56/96 e suas reedições, convalidadas pela Lei n 2 9.701198; e arts. 1 2, 22 e 3 2, §§ 22 e 32, da LC n2 7/70, alterado pelo art. 72, inciso V, do ADCT da CF/88, com a redação dada pela Emenda Constitucional n2 17/97, e exigíveis a multa de 75% capitulada nos arts. 86, § 12, da Lei n2 7.450/85; 22 da Lei n2 7.683/88; e 44, inciso I, da Lei n 2 9.430/96, e os juros à taxa Selic nos termos do art. 61, § 3 2, da Lei n' 9.430/96. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. Decisão de fls. 187/194 (vol. I), da 4° Turma da DRJ no Rio de Janeiro - RJ, houve por bem julgar procedente o lançamento original de contribuição para o PIS, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuraç'áo: 01/01/1998 a 31/01/1999 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE - Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO - Aplica-se a multa de ofício no percentual de 75% por expressa determinação legal (Lei n°9.430/96). ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS DE MORA - TAXA SELIC - É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Lançamento Procedente". Em suas razões de recurso voluntário (fls. 212/220, vol. II) a ora recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de l a instância na parte em que a manteve, tendo em vista: a) preliminarmente, a nulidade da r. decisão por omissão, vez que não teria ocorrido a alegada concomitância, em face da ausência de identidade entre as ações judicial e fiscal; b) a inocorrência do fato gerador da contribuição e do conceito de receita tributável e exclusão da base de cálculo de meras variações cambiais antes da liquidação dos contratoos externos; e c) a regularidade do regime de caixa para os efeitos de apuração da base de cálc lo do PIS. É o Relatório. sEourax) caisase nE emme30.4*4 SC OM 012P1Cata.t Processo n.° 10768.000302/2001-59 031r1FE C CCO21C01 Acórdão n.° 201-80.918 Flf1CZ3. 1 til :2oot. Fls. 321 Saio eni anu Mat: lese 91745 Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso voluntário (fls. 212/220, vol. II) reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, merece parcial provimento. Inicialmente, verifica-se que a mera existência de sentença em Mandado de Segurança e em Medida Cautelar para assegurar a compensação antes da autuação já impediria o reexame da mesma matéria de mérito objeto do recurso administrativo, que sequer poderia ser reapreciada na instância administrativa, seja porque, de acordo com a lei processual, "nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide" (art. 471 do CPC), sendo "defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas" (art. 473 do CPC), seja ainda porque, havendo concomitância de discussão, esta Colenda Câmara tem reiteradamente proclamado que "a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo principio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição" (cf. Acórdão n2 201-77.493, Recurso n2 122.188, da P Câmara do 22 CC em sessão de 17/02/2004, rel. Antonio Mario de Abreu Pinto; cf. também Acórdão 112 201-77.519, Recurso n2 122.642, em sessão de 16/03/2004, rel. Gustavo Vieira de Melo Monteiro). Nesse sentido a jurisprudência dominante do 1 2 CC cristalizada na Súmula n2 1, recentemente aprovada, que expressamente dispõe: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (cf. DOU-1 de 26/6/2006, p. 26, e RDDT vol. 132/239). Note-se que nem mesmo a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário poderia obstar o lançamento tributário, pois, como já assentou a jurisprudência uniforme do Egrégio STJ, "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em divida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar" (cf. Acórdão da 12 Seção do STJ nos Emb. de Divergência no REsp n2 572.603-PR, Reg. n2 2004/0121793-3, em sessão de 08/06/2005, rel. Min. Castro Meira, publ. in DJU de 05/09/2005, p. 199, e in RDDT vol. 123, p. 239), eis que "o prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, sequer por ordem judicial." (cf. Acórdão da r Turma do STJ no REsp n2 119.986-SP, Reg. n2 1997/0011016-8, em sessão de 15/02/2001, rel. Min. Eliana Calmon, publ. in DJU de 09/04/2001, p. 337, e in RSTJ, vol. 147, p. 154), sendo certo que a procedência ou improcedência do débito principal objeto do lançamento já se encontra adredemente vinculada à sorte da decisão final dos processos judiciais. Entretanto, não há concomitância ou óbice no exame de certas matérias objeto da impugnação ou recurso administrativo que, sendo meras conseqüências do processo judicial e, prendendo-se a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa (ex-vi dos arts. 142, 145, 147, 149 e 150, do CTN) - como é o caso da exigibilidade do crédito tributário constituído através do lançamento, e dos consectários lógicos do seu inadimplement (multa e acréscimos moratórios) -, não forem objeto da sentença. a 91 1SON SEGLINDP-------0----------CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 10768.000302/2001-59 B CCO2/C01 rasão, •____af /art. Fls. 322 Acórdão n.• 201-80.918 StNio att:osa Mat.: Siape 91745 Da mesma forma não há concomitância quando não coincidentes os objetos dos processos judicial e administrativa, ou quando o objeto do processo administrativo for mais abrangentes que o judicial, tal como já reconheceram as jurisprudências administrativa e judicial e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: "TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI N°6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei n° 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2. A exegese dada ao dispositivo revela que: 'O parágrafo em questão tem como pressuposto o principio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo judiciário e que apenas a • decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial'. (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p. 349). 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatária do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência. 4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus - tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) - com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior (pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato). 5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjuga- se ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. 6. Mutatis mutandis, mencionada exclusão não pode ser tomada com foros absolutos, porquanto, a contrario sensu, torna-se possível demandas paralelas quando o objeto da instância administrativa for mais amplo que a judicial. 7. Outrossim, nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa, caso a demanda judicial seja extinto sem julgamento de mérito (CPC, art. 267), pelo que não estará solucionado a relação do direito material. 8. Recurso Especial provido, divergindo do ministro relator." (cf. Acórdão da l à Turma do STJ no REsp n 840.556-AM; Reg. n2 itégi‘j\-1 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Processo n.° 10768.000302/2001-59 Bresilla, _47 1 O /Ecoe CCO2/C01Acórdão n.° 201-80.918 . Fls. 323 &Mo Si41: - b4osa Mat.: SuPe 91745 • 2006/0085196-9, em sessão de 26/09/2006, rel. Mb. Francisco Falcão, Rei p/Ac Min. Luiz Fux, publ. in MU de 20/11/2006, p. 286) "IRF. Aplicações financeiras de renda fixa Instituições de Previdência Privada Pessoas jurídicas imunes opção pela via judicial as questões postas ao conhecimento do judiciário implica a impossibilidade de discutir o mesmo mérito na instância administrativa, (.), posto que a decisão daquele Poder detém, no sistema jurídico pátrio, o poder jurisdicional, ou seja, somente ao Poder Judiciário é outorgado o poder de examinar as questões a ele submetido de forma definitiva, com efeito, de coisa julgada. Todavia, sendo a autuação posterior à demanda judicial, nada obsta que se conheça o recurso quanto à legalidade no lançamento em si, que não o mérito litigado no judiciário. (..)." (Acórdão unânime da 4' Câmara do 1° CC ri° 104- 18.397, rel. Conselheiro Nelson Mallmann, j 17/10/2001, DOU 1 de 07/01/2002, p. 61, ementa oficial, publ. in RTIOB-1 Trib., Const. e Adm. n°02/2001, E-1-16839) Exatamente este é o caso dos autos, onde se verifica que, embora havendo sentença no Mandado de Segurança (fls. 70/82 e 139/186, vol. I), invocada pela r. decisão recorrida, a mesma não versa sobre a exigibilidade do crédito tributário constituído através do lançamento e dos consectários lógicos do seu inadimplemento (multa e acréscimos moratórios), que não forem objeto da sentença. Superada a questão da concomitância, passo ao exame do mérito dos consectários lógicos do seu inadimplemento (multa e acréscimos moratórios), que não forem - - objeto da sentença. No que toca à incidência dos acréscimos moratórios calculados à taxa Selic, não incluídos no depósito judicial, também são devidos, como expressamente admite a jurisprudência do Egrégio Sn, Da mesma forma, a jurisprudência do STJ já se pacificou no sentido da constitucionalidade e legalidade da aplicação da taxa Selic na atualização dos débitos fiscais não-recolhidos integralmente no vencimento, como se pode ver das seguintes ementas: "TRMUTÁRIO - EXECUÇÃO FISCAL - ICMS - CREDITAMENTO - ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA E DE JUROS DE MORA - LEI ESTADUAL - TAXA SELIC - LEI 9.250/95 - VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC - INOCORRÊNCIA. (..) 5. A Corte Especial do STJ, no REsp 215.881/PR, não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4" da Lei 9.250/95, restando paccado no Primeira Seção que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa SELIC como índice de correção monetária e juros de mora, afastando-se a aplicação do CTN. • 6. A taxa SELIC, segundo o direito pretoriano, é o índice a ser aplicado para o pagamento dos tributos federais e, (.), deve incidir a partir de 01/01/96. s.. 7. Recurso especial da Fazenda Estadual provido. ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIEWINTES CONFERE COM O ORi:ÁNAL Processo n. • 10768.000302/2001-59 Bf1351113, y laCifi • CCO2/C01 Acórdão n.• 201-80.918 Fls. 324 &moí ...tona mal SoPe 91745 8. Recurso especial da empresa parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido." (cf. Acórdão da 2' Turma do STJ no REsp 69IO25-MG, Reg. n2 2004/0131305-2, em sessão de 11/04/2006, rel. Min. Eliana Calmon, publ. in DJU de 23/05/2006, p. 140) "TRIBUTÁRIO. ICMS. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É legitima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de lei estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos débitos fiscais federais. Precedentes: EREsp 418940/MG, I° S., Min. Humberto Gomes de Barros, DJ 09.12.2003; REsp 5520491SC, 2°T, MM. Castro Meira, DJ 27.06.2005; REsp 5862I9/MG, 1 0 T. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 02.05.2005. 2. Embargos de divergência a que se dá provimento." (cf. Acórdão da 1' Seção do STJ nos Emb. de Div. no REsp n0 623822-PR, Reg. n2 2005/0018740-6, em sessão de 24/08/2005, rel. Min. Teori Albino Zavascki, publ. in DJU de 12/09/2005, p. 200) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. DÉBITO TRIBUTÁRIO ESTADUAL. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. RECURSO PROVIDO. I. É legal a aplicação da taxa SELIC na atualização dos débitos fiscais não-recolhidos integralmente no vencimento. 2. Na linha de orientação desta Corte Superior, a SELIC, além de ser utilizada como índice de correção monetária e de juros moratários em relação aos tributos federais (Lei 9.250/95), deve ser aplicada também na correção dos tributos estaduais, nas hipóteses em que haja lei estadual autorizando a sua incidência. 3. Precedentes da Primeira Seção e de ambas as Turmas que a compõem. 4. Embargos de divergência providos." (cf. Acórdão da 1' Seção do STJ nos Emb. de Div. no REsp n2 426967-MG, Reg. na 2005/0080285- 4, em sessão de 09/08/2006, rel. Min. Denise Arruda, publ. in DJU de d?1,& 04109/2006, p. 218) Finalmente, no que toca à multa de 75% imposta, verifica-se que a mesma encontra-se perfeitamente tipificada no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, eis que, como ressaltado inicialmente, à data da lavratura da revisão do lançamento já não estava mais suspensa a exigibilidade do crédito, o que impossibilita a aplicação do art. 63 do mesmo Diploma Legal. Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para manter a r. decisão recorrida e, preliminarmente, na esteira das jurisprudências administrativa e judicial citadas, afastar a concomitância e, no mérito manter a r. decisão recorrida quanto ao lançamento da multa e juros de mora, cuja exigibilidade fica vinculada à dtikk - SEGUNDO CONSELHO CE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGVAL Processo n.° 10768.000302/2001-59 Braellia. 1,/ ner / ecoe CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.918 Fls. 325 SA4o SabOS3 Mat: Siape9il45 sorte do débito principal objeto do lançamento, que, por sua vez, encontra-se adredemente vinculada à sorte da decisão final do processo judicial. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de fevereiro de 2008. 4/VIOVVICl/OCIS9b,"V FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Page 1 _0025700.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1 _0026700.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027100.PDF Page 1 _0027300.PDF Page 1
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