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Numero do processo: 35355.000027/2006-61
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/07/2005
Ementa: CUSTEIO — CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁR1A — DIVERGÊNCIA GPS X
GFIP.
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços.
A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91.
Impossibilidade de apreciação de
inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.158
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços. A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ME- SEGUNDO CO, : n.110 DE CONTRIBUNTES CONE Lr": e ORIGINAL a Processo n.°35355.000027/2006-61 Enollat, X I / açOS CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.158 fM-- Fls. 122 Maria de Fátima Fe at o Mat. Siape 751683 1 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e H) no mérito, em negar rovimento ao recurso. ELIAS S AIO FREIRE Presidente 3-+ - BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Mi: - SEGIM/> ••cot 1?.:) DP Processo n.• 35355.00002712006-61 t ' *. .s CCOVC06 Acórdão n.• 206-00.158 Fls. 123 Meio de F ) *4 &soe ga de Catv.-C:...1isx3 Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, às destinadas ao financiamento dos beneficios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Conforrne Relatório Fiscal (fls. 41 a 42), o débito se refere às contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e sobre os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais, tendo sido apurado com base em folhas de pagamentos e GFIP 's. A recorrente apresentou defesa (fls.44 a 50), alegando, em síntese, cerceamento de defesa por não ter a autoridade fiscal demonstrado o procedimento e os meios contábeis pelos quais atingiu a diferença apontada e ilegalidade da cobrança da taxa SELIC. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN n° 20.421.4/0384/2005 (fls. 60 a 63), julgou o lançamento procedente, esclarecendo que todos os valores lançados foram declarados pela impugnante em GF1P e defendendo a aplicação da taxa SELIC. Inconformada com a decisão, notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 66 a 74), repetindo as alegações já apresentadas na impugnação. Preliminarmente, reitera que a autoridade notificante não declinou o modo de aferimento da base de cálculo utilizada para compor o valor supostamente devido, não fornecendo subsídios suficientes para que a recorrente refute os créditos tributários ora exigidos, o que configura cerceamento de defesa. No mérito, insurge-se contra a aplicação da taxa SELIC a título de juros de mora alegando sua ilegalidade e inconstitucionalidade, citando a jurisprudência para reforçar seus argumentos. Em Contra-Razões às fls. 112/113, a Secretaria da Receita Previdenciária manteve a procedência o lançamento. É o Relatório. - — 5ROONNI DE, comam "SProcesso n.° 35355.00002712006-61 CONF.' . ti CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.158 1 • , ,co4 Fls. 124 Nisria ::: Carrfao »ra Swçe 753 Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e a recorrente efetuou o arrolamento de bens em substituição ao depósito prévio de 30% da exigência fiscal. Preliminarmente, a recorrente alega cerceamento de defesa pelo fato de a autoridade fiscal não demonstrar o procedimento e os meios contábeis pelos quais atingiu a diferença apontada. Contudo, restou demonstrado, nos autos, que o crédito lançado por meio da NFLD em questão fora apurado tendo em vista a diferença constatada entre os valores declarados pela própria recorrente em GFIP e aqueles efetivamente recolhidos à Previdência Social por meio de GPS. Dessa forma, não procede o argumento de que a fiscalização não demonstrou a origem da infração e a existência de débito, já que os valores devidos à Previdência Social foram confessados pela própria notificada por meio de instrumento próprio, ou seja, GFIP, e a diferença apurada no batimento GFIP x GPS ensejou a lavratura da NFLD em tela. De acordo com o § 1°, do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, as informações prestadas nas GFIP's constituir-se-ão em termo de confissão de divida, na hipótese de não recolhimento. Portanto, a notificada confessou que deve um certo valor à Previdência Social e não comprovou o pagamento da totalidade do valor que reconheceu como devido. No entanto, vem alegar que "não tem como verificar a regularidade e os critérios de apuraçao de crédito tributário, ora indevidamente exigido". Na verdade, a recorrente confessa uma divida e depois a nega, transferindo o ônus de provar que o valor por ela confessado está equivocado para a fiscalização da Previdência Social. Porém, tal conduta não encontra amparo legal, já que o § 4°, do art. 225, do RPS determina que "O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa". Assim, se a notificada concluir que se equivocou no preenchimento da GFIP ou da GPS, a ela cabe comprovar que de fato ocorreu o erro e proceder à sua retificação, consoante os normativos que regem a matéria. Ao agente fiscal cabe o lançamento da contribuição confessada e não recolhida pela empresa. Quanto ao argumento de ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC, é oportuno observar que o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Cumpre salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91. MF SEGUNDO Crf.1/41(- ^ 1-!'") DE CONTRIBUINTES CONFEr.P . , n :•;;;;iNAL a. n2' 1 2 POC1) • Processo n.°35355.000027/2006-6l ' CCO2./C06 Acórdão n.° 206-00.158 Fls. 125 1A. t Maria de Fátima ia de cadp- Mat. Siape 751683 Vale esclarecer, ainda, que o Regimento Interno *os onselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 49. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de novembro de 2007 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Page 1 _0044100.PDF Page 1 _0044200.PDF Page 1 _0044300.PDF Page 1 _0044400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002876/2006-12
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003
FATO GERADOR. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. 0 fato gerador do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, sujeito ao ajuste anual, completa-se apenas em 31 de dezembro de cada ano. Sendo assim, considerando-se como termo inicial de contagem do prazo decadencial a regra do art. 150, § 4° ou a do art. 173, I do CTN, em qualquer caso, não há falar em decadência em relação a lançamento referente ao ano de 2001, cuja ciência do auto de infração ocorreu ate 31/12/2006.
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - É tributável, no ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, caracterizado pelo excesso de aplicações sobre origens, apurado mensalmente por meio de fluxo de caixa, não justificado por rendimentos tributáveis, isentos, não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. No
caso de lançamento de oficio, o ônus de comprovar a existência do acréscimo a descoberto, entretanto, é da autoridade lançadora que deverá confrontar as aplicações dos recursos com as possíveis origens.
Preliminar de decadência rejeitada.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-000.437
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003 FATO GERADOR. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. 0 fato gerador do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, sujeito ao ajuste anual, completa-se apenas em 31 de dezembro de cada ano. Sendo assim, considerando-se como termo inicial de contagem do prazo decadencial a regra do art. 150, § 4° ou a do art. 173, I do CTN, em qualquer caso, não há falar em decadência em relação a lançamento referente ao ano de 2001, cuja ciência do auto de infração ocorreu ate 31/12/2006. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - É tributável, no ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, caracterizado pelo excesso de aplicações sobre origens, apurado mensalmente por meio de fluxo de caixa, não justificado por rendimentos tributáveis, isentos, não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. No caso de lançamento de oficio, o ônus de comprovar a existência do acréscimo a descoberto, entretanto, é da autoridade lançadora que deverá confrontar as aplicações dos recursos com as possíveis origens. Preliminar de decadência rejeitada. Recurso provido.
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Numero do processo: 10925.002040/2003-79
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 303-01.084
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em diligencia nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia nos termos do voto do relator. ANEL E DAUDT PRIETO Presid nte rj2 - N TON L BARTO elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa e Tardsio Campelo Borges. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional Leandro Filipe Bueno Tierno. Processo n° : 10925.002040/2003-79 Resolução n° : 303-01.084 RELATÓRIO Trata-se de lançamento de oficio (fls. 01/04), nos termos do art. 15 da Lei n. 9.393/96, por meio do qual se exige o pagamento de diferença do ITR (exercício 1999), acrescidos de juros moratórios e multa de oficio, decorrente de procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributarias, onde apurou-se a "falta de recolhimento do ITR, apurado conforme demonstrativo, oriundo de glosa de área declarada como exploração extrativa, pela inexistência de Plano de Manejo com cronograma em situação regular". Acompanham o Auto de Infração os documentos de fls. 05/06. Tendo sido encaminhada cópia do Auto de Infração ao contribuinte (AR fls. 24), este apresentou a Impugnação de fls.25/41, aduzindo em suma, que: (i) nem mesmo o Código Florestal estabelece qualquer condicionante quanto ao exercício de atividade em área de vegetação primária da Mata Atlântica, limitando-se, a exigência, A aprovação previa do órgão competente; (ii) ainda que a comprovação de atividade na área desconsiderada fosse necessária, o que se admite apenas para argumentar, nem assim a exigência em discussão poderia prosperar, eis que, supervenientemente A aprovação do Plano de Manejo e sua averbação no Registro Imobiliário local, outras disposições legais (como foi o caso do Decreto n° 750/93 e da Resolução no 278/2001 do CONAMA), ou por força da decisão proferida na Ação Civil Pública (AI n° 2001.04.01.006841-0/SC- TRF4), movida contra o IBAMA, • impuseram serias restrições A exploração de vegetação primária, inviabilizando assim a atividade do Suplicante no ano-base questionado; (iii) resta claro que, o Plano de Manejo anteriormente aprovado e averbado no Registro Imobiliário não foi cancelado, mas, tão somente teve sua exeqüibilidade suspensa por força de normas supervenientemente instituidas; (iv) o requisito da efetiva exploração não foi atendido não por culpa do Impugnante, mas sim, A. toda evidência, por força de imposição legal; (v) é inteiramente aplicável A. espécie aqui versada, o principio jurídico conhecido como "factum príncipe": toda vez que determinada obrigação não puder ser cumprida por interferência do Poder Público, à parte inadimplente não se imporá nenhum ônus; ... 2 Processo n° : 10925.002040/2003-79 Resolução n° : 303-01.084 (vi) em várias oportunidades buscou extrair madeira na área amparada pelo Plano de Manejo anteriormente aprovado, sem que, contudo, fossem seus pedidos acolhidos pelo IBAMA; (vii) não fosse assim teríamos que admitir a possibilidade, in casu, da retroatividade da lei (no caso, da Lei n° 9.393/96 em relação ao Código Florestal instituído pela Lei n° 4.771, que rege a matéria desde 15/09/65, compreendendo, portanto, a época de aprovação do Plano de Manejo, ocorrida em 1990) em flagrante prejuízo do Requerente (e de todos os demais contribuintes que se encontram na mesma situação), o que tornaria letra morta todas as disposições pertinentes, como o art. 5°, inc.XXXVI da CF/88 e o art. 6° da LICC; (viii) a mesma situação ora enfrentada ocorreu em relação aos anos-base de 1997 e 1998, sendo que, naquelas oportunidades, nenhuma exigência foi feita no mesmo sentido; (ix) diferentemente do entendimento esposado pelo Fisco, o Manejo Sustentado de urna determinada area não se aperfeiçoa apenas pela exploração remunerada da atividade, mas também, por inúmeras atividades voltadas a manutenção da própria area; (x) se todas as obrigações concernentes ao Plano de Manejo, que independem de autorização administrativa, foram adimplidas pelo impugnante, forçosa é a conclusão de que a presente exigência é rigorosamente incabível, eis que, admitindo-se o contrario (como o fez equivocadamente o Agente Fiscal autuante, ao desconsiderar que a madeira originalmente prevista do Plano não foi extraída, porque foi posteriormente proibida por ato do próprio Poder Publico) estar-se-ia impondo ao sujeito passivo um ônus que não lhe cabe; (xi) mesmo se considerando o principio de direito segundo o qual o acessório segue a sorte do principal e, nessa condição, se o próprio tributo maltratou a lei, melhor sorte não cabe à penalidade decorrente; (xii) claro o motivo da impossibilidade de se utilizar a SELIC como taxa de juros moratórios para os créditos fiscais federais, corno pretende a Lei n° 9.065/95, já que a mesma, tal como definido pelo seu Regulamento, não possui característica de indenização, própria dos juros morat6rios, como bem elucidado pelo Min. Octavio Galloti na ADIN no 493-0/DF; (xiii) a utilização de taxas de juros remuneratórios como sendo taxas de juros moratórios vem sendo condenada pela jurisprudência, sob o fundamento de violação ao artigo 161, §1° do Código Tributário Nacional; 3 Processo n° : 10925.002040/2003-79 Resolução n° : 303-01.084 (xiv) imperioso se faz mencionar o artigo 192, §3° da Constituição Federal, que limita a cobrança de juros de mora a taxas superiores a 12% ao ano; (xv) incontestável o direito do contribuinte à utilização de juros de mora de 1% ao mês para a atualização de seus débitos, pois a taxa SELIC que a lei pretende equiparar a juros moratórios, possui natureza remuneratória, e a sua utilização naqueles moldes desobedece a regra contida nos artigos 161, §1° do CTN e 192, §3° da CF; (xvi) "o tributo suplementar lançado induz ao contribuinte a buscar impor o corte raso de toda a vegetação nativa- maneira de pagar menos tributo mesmo colidindo com o anseio atual da sociedade". Por tais motivos, protestando por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos, perícia, etc., requer a improcedência do Auto de Infração. Anexa os documentos de fls. 42/70. Remetidos os autos A. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande / MS (fls. 72/86), esta entendeu pela procedência do lançamento, conforme a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1999 Ementa: PROVA PERICIAL A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, somente, quando entendê-la necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI As autoridades e órgãos administrativos não possuem competência para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. AREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA Para alteração das áreas declaradas com produtos vegetais e exploração extrativa é necessária a apresentação de laudo técnico, emitido por profissional habilitado, corn indicação dessas áreas e da produção obtida. MULTA DE OFÍCIO — JUROS — TAXA SELIC A obrigatoriedade da aplicação da multa de oficio, nos casos de informação inexata na declaração, e os acréscimos do imposto com juros de mora equivalentes A taxa referencial do 4 Processo n° : 10925.002040/2003-79 Resolução n° : 303-01.084 Sistema Especial de Liquidação e Custodia- SELIC decorrem de lei. Lançamento Procedente" Irresignado corn a decisão proferida, o contribuinte apresentou tempestivo (AR fls. 92) Recurso Voluntário (fls. 93/111), reiterando todos os argumentos, fundamentos e pedidos de sua Peça Impugnatória. Anexa aos autos os documentos de fls. 112/123. Em garantia ao seguimento do Recurso Voluntário, anexa Relação de Bens e Direitos para Arrolamento e respectivo Extrato As fls. 123. Tendo em vista o disposto na Portaria MF n° 314, de 25/08/1999, deixam os autos de serem encaminhados para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, constando numeração até As fls. 124, Ultima. É o relatório. e 5 1 Processo n° : 10925.002040/2003-79 Resolução n° : 303-01.084 VOTO Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, Relator Apurado estarem presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário por conter matéria de competência deste Eg. Conselho de Contribuintes. O cerne da questão encontra-se na apuração do efetivo Grau de Utilização do Imóvel, referente a área de "exploração extrativa", que, uma vez declarado pelo contribuinte, foi glosado pela autoridade autuante. Com efeito, o contribuinte declarou em sua DITR/99, que no ano em questão fora utilizado 927,50ha de sua área, perfazendo em um grau de utilização de 84,50%, conforme se denota do extrato da declaração original, juntado As fls. 05. Intimado a apresentar comprovação quanto A. utilização efetiva da área declarada (fls. 07), entendeu a autoridade que o contribuinte não logrou resultado na comprovação, pelo que, entendeu por bem glosar a área declarada como "exploração extrativa", o que deu ensejo ao Auto de Infração de lançamento do ITR, discutido nos presentes autos. Destaque-se que a questão cinge-se à comprovação da área utilizada para extração de produtos vegetais, a qual, no entender deste relator, pode ser vislumbrada do Relatório de Execução de Plano de Manejo Florestal apresentado pelo contribuinte, juntamente com a peça recursal. • Com efeito, consta de referido documento, que a área de manejo correspondente a 927,52 ha, tal como declarado pelo contribuinte. No entanto, em que pese, o Relatório de Execução de Plano de Manejo ter sido registrado em Cartório, bem como conter protocolo no IBAMA, não está acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART do Engenheiro Responsável por sua elaboração, devidamente registrada no CREA, logo, não 11á como se admitir a documentação apresentada pela Recorrente. Não obstante, em respeito ao principio da verdade material bem como, a fim de evitar cerceamento de defesa, vislumbro a necessidade de se converter o julgamento em diligência, já que tudo indica, pela leitura dos documentos apresentados, que as alegações do contribuinte são verdadeiras, merecendo acolhida, o que não se pode acatar sem a formalidade do referido Relatório estar acompanhado da ART do Engenheiro Responsável. 6 Processo n° : 10925.002040/2003-79 Resolução n° : 303-01.084 Por outro lado, resta saber do IBAMA se referido Relatório de Execução de Plano de Manejo preenche todos os requisitos necessários ou suficientes à comprovação da Area em discussão, isto 6, se presta-se a comprovar a regular exploração da referida Area de acordo com o cronograma estabelecido pelo Plano de Manejo, no ano de 1998. Isto posto, tendo em vista a documentação apresentada pelo contribuinte com o fito de comprovar a Area declarada, voto pela conversão do julgamento em diligencia, a fim de que seja intimada a Recorrente à apresentar à esta Corte a Anotação de Responsabilidade Técnica- ART do Engenheiro Responsável pela elaboração do Relatório de Execução de Plano de Manejo juntado às fls. 113/121, devidamente registrada no CREA, bem como oficie-se ao IBAMA-SC, para que este esclareça se o Relatório de Execução de Plano de Manejo Protocolo 5626/90 (n° de ordem 1952/04, de 04/11/04) atende aos requisitos necessários ou suficientes para a comprovação do plano de manejo sustentável, no ano de 1998. Concluída a diligencia, abram-se vistas às partes, para que, em querendo, manifestem-se sobre seus termos. Sala das Sessões, em 07 de dezembro de 2005. 92TON BARTO - Relator --- •
score : 1.0
Numero do processo: 10660.900826/2008-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2004
Ementa: DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória,
comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Conhecido.
Numero da decisão: 3803-002.302
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO ALFREDO E. FERREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2004 Ementa: DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1693; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 1 1 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.900826/200816 Recurso nº 888.599 Voluntário Acórdão nº 380302.302 – 3ª Turma Especial Sessão de 24 de janeiro de 2012 Matéria DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Recorrente LCA TELEMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 Ementa: DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Alan Fialho Gandra, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação onde busca o contribuinte a compensação de débitos de IRPJ apurado no 2° trimestre/2004, cujo valor principal é de R$ 3.268,73, com crédito da COFINS, oriundo de pagamento a maior ou indevido, no valor de R$ 3.752,70, período de apuração 30/04/2004. A DRFVarginha/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. Em Manifestação de Inconformidade o contribuinte informa que tal crédito é decorrente de pagamento indevido de COFINS competência 04/2004 no sistema da não cumulatividade. Alega que na verdade houve um erro por ocasião da informação do DCTF, erro esse decorrente do lançamento indevido de um débito que inexiste, assim, retificou a DCTF em 05/06/2008 e informa que o valor correto seria o constante da DIPJ. A DRJ/JFA indeferiu a Manifestação, não reconhecendo o direito creditório, por entender que ao contrário da DIPJ, a DCTF constitui confissão de dívida e os valores incluídos nesta devem ser considerados inclusive para fins de inscrição na dívida ativa. Consignou, ainda, que a compensação se dá na data da transmissão da Dcomp, sendo que nessa data não existia o crédito informado, visto que o pagamento foi corretamente alocado ao débito declarado pela empresa. Cientificada em 31/08/2009, recorreu voluntariamente em 29/09/2009 onde aduz que a obrigatoriedade da entrega da DCTF é decorrente de Instruções Normativas com base numa delegação concedida pelo Ministro da Fazenda, que por sua vez recebeu tal prerrogativa através do art. 5º do DecretoLei 2.124/84. Alega que o STF na ADI nº 1.296/PE reconheceu a ilegalidade deste instituto, razão pela qual a DCTF não é obrigatória e deverá ser considerado o valor consignado na DIPJ. Requer o acolhimento do recurso e homologação da compensação declarada. É o breve relatório Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre assentar que a decisão recorrida encontrase em conformidade com o ordenamento jurídicotributário atual e não merece reparos, conforme veremos a seguir. Buscando operacionalizar a administração dos tributos cobrados pela Receita Federal, o parágrafo primeiro, do artigo 5º, do Decreto Lei nº 2.124/84, autorizou a instituição Fl. 204DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10660.900826/200816 Acórdão n.º 380302.302 S3TE03 Fl. 2 3 de obrigação acessória com caráter de confissão de dívida e de instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. Por sua vez, a dicção do artigo mencionado acima também foi reproduzida no art. 933 do RIR/99. Senão vejamos: “Art. 933. O Ministro de Estado da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas ao imposto (DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 5º). § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 5º, § 1º). § 2º Não pago no prazo estabelecido por este Decreto, o crédito, atualizado monetariamente, na forma da legislação pertinente (art. 874), e acrescido de multa de mora (art. 950) e de juros de mora (arts. 953 a 955), poderá ser imediatamente inscrito em Dívida Ativa da União, para efeito de cobrança executiva (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 5º, § 2º). § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória de que trata esta Seção sujeitará o infrator às multas previstas no art. 966 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 5º, § 3º).” Assim, temos que tal declaração é a DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998 e, desde que estejam os débitos declarados na competente DCTF, ainda que não pagos, sobre eles recairão certas penalidades ao contribuinte infrator, por ser esta declaração um instrumento de confissão de dívida. Por outro lado, a DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, consoante consolidado entendimento da administração tributária, bem como deste Egrégio Conselho, a partir do anocalendário de 1999, possui característica de documento informativo, isto é, não constitui confissão de dívida. Ilustra bem a questão o fato de que até a criação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais –DCTF, não havia que se falar em DIPJ mas sim em Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica DIRPJ. A criação da Declaração Integrada de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídicas DIPJ ocorreu com a Instrução Normativa SRF nº 127/1998, imediatamente após a instituição da DCTF. Vejase a preocupação da Administração em substituir a DIRPJ por um documento de cunho informativo (DIPJ), característica essa ressaltada na própria denominação. Registrese ainda que no preâmbulo da Instrução Normativa que criou a DCTF fica cristalina a definição desse documento como instrumento de confissão de dívida. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Quanto ao julgado do Supremo Tribunal Federal que embasa o Recurso Voluntário da Recorrente, tenho que o mesmo não socorrerá os seus interesses. Isto porque a decisão judicial, via de regra, possui efeito vinculante somente em relação às partes litigantes naquele processo, não podendo ser oponível à terceiros. No presente caso, a ora Recorrente defende que o Supremo Tribunal Federal se posicionou no sentido de que a obrigatoriedade da DCTF não pode ser acolhida em nosso ordenamento jurídico no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.296/PE, publicado em 10/08/1995. Observase que foi objeto de deliberação da Excelsa Corte o art. 1º, e parágrafo único da Lei nº 11.205/95 do Estado de Pernambuco. Na ADI o Chefe do Ministério Público da União alegou ofensa ao postulado da separação de poderes e ao princípio da reserva de lei formal. O Pleno do STF, em sessão de 14 de junho de 1995, deferiu o pedido de suspensão da cautelar de eficácia do ato normativo questionado em sede de controle abstrato, em aresto que restou assim ementado: E M E N T A: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE LEI ESTADUAL QUE OUTORGA AO PODER EXECUTIVO A PRERROGATIVA DE DISPOR, NORMATIVAMENTE, SOBRE MATÉRIA TRIBUTARIA DELEGAÇÃO LEGISLATIVA EXTERNA MATÉRIA DE DIREITO ESTRITO POSTULADO DA SEPARAÇÃO DE PODERES PRINCÍPIO DA RESERVA ABSOLUTA DE LEI EM SENTIDO FORMAL PLAUSIBILIDADE JURÍDICA CONVENIENCIA DA SUSPENSÃO DE EFICACIA DAS NORMAS LEGAIS IMPUGNADAS MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. A essencia do direito tributário respeitados os postulados fixados pela propria Constituição reside na integral submissão do poder estatal a rule of law. A lei, enquanto manifestação estatal estritamente ajustada aos postulados subordinantes do texto consubstanciado na Carta da Republica, qualificase como decisivo instrumento de garantia constitucional dos contribuintes contra eventuais excessos do Poder Executivo em matéria tributaria. Considerações em torno das dimensões em que se projeta o princípio da reserva constitucional de lei. A nova Constituição da Republica revelouse extremamente fiel ao postulado da separação de poderes, disciplinando, mediante regime de direito estrito, a possibilidade, sempre excepcional, de o Parlamento proceder a delegação legislativa externa em favor do Poder Executivo. A delegação legislativa externa, nos casos em que se apresente possivel, só pode ser veiculada mediante resolução, que constitui o meio formalmente idoneo para consubstanciar, em nosso sistema constitucional, o ato de outorga parlamentar de funções normativas ao Poder Executivo. A resolução não pode ser validamente substituida, em tema de delegação legislativa, por lei comum, cujo processo de formação não se ajusta a disciplina ritual fixada pelo art. 68 da Constituição. A vontade do legislador, que substitui arbitrariamente a lei delegada pela figura da lei ordinaria, objetivando, com esse procedimento, transferir ao Poder Executivo o exercício de competência normativa primaria, revelase irrita e desvestida de qualquer eficacia jurídica no plano constitucional. O Executivo não pode, fundandose em mera permissão legislativa constante de lei comum, valerse do Fl. 206DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10660.900826/200816 Acórdão n.º 380302.302 S3TE03 Fl. 3 5 regulamento delegado ou autorizado como sucedaneo da lei delegada para o efeito de disciplinar, normativamente, temas sujeitos a reserva constitucional de lei. Não basta, para que se legitime a atividade estatal, que o Poder Público tenha promulgado um ato legislativo. Impõese, antes de mais nada, que o legislador, abstendose de agir ultra vires, não haja excedido os limites que condicionam, no plano constitucional, o exercício de sua indisponivel prerrogativa de fazer instaurar, em caráter inaugural, a ordem jurídiconormativa. Isso significa dizer que o legislador não pode abdicar de sua competência institucional para permitir que outros órgãos do Estado como o Poder Executivo produzam a norma que, por efeito de expressa reserva constitucional, só pode derivar de fonte parlamentar. O legislador, em consequencia, não pode deslocar para a esfera institucional de atuação do Poder Executivo que constitui instância juridicamente inadequada o exercício do poder de regulação estatal incidente sobre determinadas categorias tematicas (a) a outorga de isenção fiscal, (b) a redução da base de calculo tributaria, (c) a concessão de crédito presumido e (d) a prorrogação dos prazos de recolhimento dos tributos , as quais se acham necessariamente submetidas, em razão de sua propria natureza, ao postulado constitucional da reserva absoluta de lei em sentido formal. Traduz situação configuradora de ilicito constitucional a outorga parlamentar ao Poder Executivo de prerrogativa jurídica cuja sedes materiae tendo em vista o sistema constitucional de poderes limitados vigente no Brasil só pode residir em atos estatais primarios editados pelo Poder Legislativo.(ADI 1296 MC, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 14/06/1995, DJ 10081995 PP23554 EMENT VOL0179501 PP00027) Tendo em vista que a Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco esclareceu que em 14/07/1995 foi editada Lei Estadual revogando o artigo objeto da ADI nº 1.296/PE, atribuiuse à causa questão de ordem para apreciação pelo Plenário do STF. No julgado, publicado em 01/08/2003, restou consignado que “a revogação superveniente do ato normativo impugnado, impõe o reconhecimento de que fica prejudicada a ação direta, independentemente da existência de efeitos residuais concretos” posto que em sede de controle abstrato não se discutem situações de caráter concreto ou individual. Oportunamente, transcrevo a ementa a seguir: E M E N T A: REVOGAÇÃO SUPERVENIENTE DO ATO ESTATAL IMPUGNADO RECONHECIMENTO DA PREJUDICIALIDADE DA AÇÃO DIRETA EXTINÇÃO ANÔMALA DO PROCESSO. A revogação superveniente do ato normativo impugnado prejudica a ação direta de inconstitucionalidade, independentemente da existência de efeitos residuais concretos. Esse entendimento jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal nada mais reflete senão a própria natureza jurídica do controle normativo abstrato, em cujo âmbito não se discutem situações de caráter concreto ou individual. Precedentes.(ADI 1296 QO, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 21/09/1995, DJ 0108 2003 PP00099 EMENT VOL0211720 PP04139) Fl. 207DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Desta forma, não havendo pronunciamento no âmbito do controle abstrato de constitucionalidade, cuja decisão possui efeito vinculante a todos os julgadores em instância inferior, na qual se atribui a competência exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal em sede de ADI ou ADC, ou ainda, em sede de controle difuso com ampliação dos efeitos através de resolução emitida pelo Senado Federal, tal decisão não poderá ser oponível no âmbito deste processo administrativo em favor da contribuinte possuindo mero efeito inter partes. Destarte, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais , instituída pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998 permanece em pleno vigor, devendo ser aplicada pela Autoridade Fazendária e observada pelos Contribuintes que a ela se submetem, sob o risco de incorrerem nas penalidades legais. Considerando que não há nos autos qualquer outra prova que sustente o alegado crédito da LCA Telemática Ltda, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário, mantendo, integralmente, a decisão exarada pela DRJ/JFA. Sala das sessões, em 24 de janeiro de 2012. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 208DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10660.900826/200816 Acórdão n.º 380302.302 S3TE03 Fl. 4 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10660.900826/200816 Interessada: LCA TELEMÁTICA LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.302, de 24 de janeiro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de janeiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 209DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10120.006227/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2004 a 01/01/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO, DESCRIÇÃO CLARA E PRECISA, RELATÓRIOS ESCLARECEDORES. CRITÉRIOS MATÉRIAS. DEMONSTRADOS. SISTEMÁTICA DE CÁLCULO. LÓGICA E MATEMATICAMENTE AFERÍVEL.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.781
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Não Conhecer do Recurso em relação ao pedido de reconhecimento da legitimidade dos lançamentos efetuados via GFIP, pois não é matéria afeta ao contencioso e não é da competência deste órgão julgador. Entretanto CONHECENDO das demais teses suscitadas no recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de que seja recalculada as contribuições das competências do levantamento INX que envolva segurado categoria 13, alíquota 11% e exigido 20% na planilha, de fls. 56 a 97, Anexo I, negando provimento aos demais pedidos.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente MUNICÍPIO DE JATAI CÂMARA MUNICIPAL. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 01/01/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO, DESCRIÇÃO CLARA E PRECISA, RELATÓRIOS ESCLARECEDORES. CRITÉRIOS MATÉRIAS. DEMONSTRADOS. SISTEMÁTICA DE CÁLCULO. LÓGICA E MATEMATICAMENTE AFERÍVEL. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Não Conhecer do Recurso em relação ao pedido de reconhecimento da legitimidade dos lançamentos efetuados via GFIP, pois não é matéria afeta ao contencioso e não é da competência deste órgão julgador. Entretanto CONHECENDO das demais teses suscitadas no recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de que seja recalculada as contribuições das competências do levantamento INX que envolva segurado categoria 13, alíquota 11% e exigido 20% na planilha, de fls. 56 a 97, Anexo I, negando provimento aos demais pedidos. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.006227/200901 Acórdão n.º 280300.781 S2TE03 Fl. 232 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD 37.224.8780, objetiva o lançamento de contribuições sociais previdenciárias, decorrente da remuneração paga aos empregados e das remunerações pagas aos contribuintes individuais, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC – NFLD, de fls.54 e 55. O período de apuração compreende as competências 11/2004 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, fls. 49 e 50. Entretanto, o período de débito compreende as competências 11/2004 a 12/2005; 02/2006 a 12/2007, incluindo 13º de 2006 e 2007, de forma intermitente, conforme Discriminativo Sintético de Débito – DSD, de fls. 18 a 22. O contribuinte Câmara Municipal de Jataí foi cientificado do lançamento fiscal, em 25/05/2009, AR, de fls. 53. A empresa irresignada com a notificação apresentou impugnação, as fls. 111 a 125, tal impugnação foi acompanhada dos documentos, de fls. 126 a 188. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 189. A autoridade julgadora de primeiro grau prolatou o Acórdão 0336.920 5ª Turma da DRJ/BSB, em 18/05/2010, fls. 190 a 196, por intermédio do qual considerou a impugnação improcedente e manteve o lançamento. O sujeito passivo Município de Jataí – Câmara Municipal foi cientificado desta decisão, em 31/08/2010, AR, de fls. 199. O contribuinte interpôs recurso voluntário petição de interposição, as fls. 202 a 213, estando acompanhada dos documentos, de fls. 214 a 227. As razões recursais estão assim resumidas. Em preliminar. • Que seja realizado julgamento conjunto dos vários autos lavrados em face do Município de Jataí; • Que os valores são considerados por nós absurdos e improcedentes, pois havia recomendação do Prefeito para que todas as obrigações previdenciárias fossem cumpridas; No mérito. • Que o fato gerador descrito pelo agente notificante no relatório fiscal não se ajusta aos descritos nas normas previdenciárias citadas; Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.006227/200901 Acórdão n.º 280300.781 S2TE03 Fl. 233 3 • Que em relação ao empregado e trabalhador avulso a materialidade do fato gerador ocorre quando a empresa se torna devedora, quando paga ou quando credita a remuneração, mas no caso de contribuinte individual esta só ocorre com o pagamento ou creditamento da remuneração; • Que no lançamento o fato gerador exigido não ficou claro, pois mais de 500 planilhas foram anexadas ao auto sem precisar quais foram consideradas e para quais autos o foram; • Que o lançador não vincula a situação descrita no REFISC, com a materialidade do fato gerador e com o lançamento; • Que não se determinou o momento da materialização do fato gerador, sendo que os relatórios relatam que valores declarados em GFIP não foram considerados; • Que basta ver os exemplos para chegarse a conclusão de falta de clareza para definir a base tributável e o momento da definição da diferença exigida; • Que ao usar planilhas deixou de analisar os documentos originários, relacionando tais planilhas a notas fiscais de prestação de serviços e que sua não confirmação pelo agente depõe contra a liquidez e certeza do crédito; • Que ao comparar os arquivos digitais com as GFIP transmitidas pela recorrente o agente fiscal não informou de forma clara e precisa os pagamentos omitidos ou feitos de forma incorreta a fim de que pudessem ser incluídos na notificação; • Que existem uma infinidade de valores informados em GFIP que não constam nos arquivos digitais, sendo que outras informações não correspondem aos valores dos tributos e outras foram interpretadas de forma incorreta pelo lançador; • Que o ato provido de vícios, incertezas, dúvidas só tem um destino à nulidade, pois inviável seu saneamento, visto não se prestar a provar a liquidez e certeza do crédito exigido; • Que o dever e o ônus de investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência do fato jurídico tributário é do fisco; • Que o agente deixou de demonstrar o caminho lógico e matemático que usou para achar o crédito, não o fez por aferição indireta arbitramento, mas utilizou forma obscura para o cálculo, não explicando e não detalhando o crédito; • Que a notificação como ato administrativo deve obedecer à lei 8.212/91, artigo 37, transcreve doutrina; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.006227/200901 Acórdão n.º 280300.781 S2TE03 Fl. 234 4 • Que a falta de clareza e precisão quanto aos dispositivos normativos que sustentam o crédito levam ao cerceamento de defesa; • Que não é claro, preciso e circunstanciado o REFISC que não explica e justifica a relação lógica, jurídica e fática das situações e a indicação do raciocínio para a apuração do crédito, cita jurisprudência administrativa; • Que a recorrente não pode avaliar a exatidão do crédito e nem os senhores julgadores poderão fazêlo; • Que a ação do fisco deveria ser orientadora e não repressora que poucas vezes o fisco federal vai ao Município e quando vai é apenas para instaurar procedimento fiscal, que todas as informações foram prestadas e que todos os documentos e dependências foram franqueados e se o agente tivesse se mantido nas dependências da recorrente sua percepção teria sido outra; • Que se pode observar quatro situações dos dados analisados pelo auditor, as quais elenca; • Que o agente considerou erroneamente a alíquota do contribuinte individual 20%, sendo que a lei exigi 11% cita exemplo, só isso é suficiente para demonstrar que o Município não deve o que se pede; • Pede por fim a) reconhecimento da tempestividade, recebimento e processamento do recurso; b) reconhecimento da legitimidade dos lançamentos efetuados via GFIP; c) reconhecimento da nulidade do lançamento; d) que os autos sejam baixados em diligência para saneamento, caso não reconhecido à improcedência dos valores; e) que seja declarada a suspensão da exigibilidade dos créditos, a fim de evitar a obtenção de CPDEN. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 230. Os autos subiram ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda – CARF/MF, fls. 230. É o Relatório. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.006227/200901 Acórdão n.º 280300.781 S2TE03 Fl. 235 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme consta, as fls. 199, AR, datado, de 31/08/2010, e Petição Recursal, de fls. 202, sem data de recepção do recurso. Porém, com reconhecimento da tempestividade, as fls. 230. Presente o pressuposto de admissibilidade passo ao recurso. No que tange as preliminares o julgamento conjunto não é medida que se impõe no âmbito do contencioso administrativo fiscal, pois parágrafo 1º, do artigo 9º, do Decreto 70.235/72, diz que os processos que dependam do mesmo conjunto probatório podem ser formalizados em conjunto, mas não devem. Aliás, a Portaria MF/GM 256/2009 – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, também, não tem tal obrigatoriedade, artigo 58, § 8º, diz que os processos que versarem sobre a mesma matéria jurídica pode ser julgado em conjunto, podem não é o mesmo que devem e os processos tratam de matéria jurídica distintas, isto é parte patronal e parte dos segurados, assim julgamento conjunto não se faz necessário. No entanto, como o agente autuante se utiliza de dados e informações de um crédito no outro o julgamento conjunto é prudente, apenas para os créditos 37.224.8780 e 37.224.8799. O contribuinte tem o direito de considerar o que bem entender, mas para que tais assertivas tenham aplicabilidade o erro, equivoco, falha ou mácula no lançamento devem ser comprovados. As preliminares estão rejeitadas. No mérito o fato de o agente notificante ter citado a expressão econômica como fato gerador e não o exercício da atividade é irrelevante, pois o exercício da atividade é hipótese de incidência abstratamente descrita na norma, sendo que o direito ao recebimento do valor monetário remuneração é quem na prática faz surgir o pagamento da contribuição, ainda, que o empregador nada pague ao empregado, pois o direito ao recebimento faz surgir à obrigação. E tal assertiva não faz desaparecer do mundo jurídico a ocorrência do fato gerador e a configuração do critério material da exação. Aliás, a ementa do parecer abaixo transcrito ilustra bem a questão. PARECER/CJ Nº 2.952 ASSUNTO: Fato Gerador da Contribuição Previdenciária. Aprovo. Publiquese. Em, 16 de janeiro de 2003. RICARDO BERZOINI EMENTA: SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADO. FATO Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.006227/200901 Acórdão n.º 280300.781 S2TE03 Fl. 236 6 GERADOR. OCORRÊNCIA COM A EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. O fato gerador da contribuição previdenciária da empresa incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos e contribuição do empregado sobrevém com a efetiva prestação do serviço, quando surge para a empresa o dever de remunerar o trabalhador. Inteligência dos artigos 22, inciso I, 28 e 30, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. No caso do trabalhador empregado ou avulso basta o exercício da atividade para surgir o fato gerador, independentemente, de pagamento ou creditamento. No caso do contribuinte individual a prestação de serviço, ainda, é o fato gerador, artigo 195, I, “a”, da CF/88 a dizer “à pessoa física que lhe preste serviço”, pois se uma empresa fizer pagamento ou creditamento à pessoa física, mas não e razão de prestação de serviços, digamos fornecimento de matérias, indenização de danos e outros, não haverá contribuição previdenciária, embora haja pagamento ou creditamento. Podese verificar um exagero exacerbado por parte do contribuinte, pois no crédito em questão constam apenas duas planilhas, as fls. 56 a 97, e, 98 a 105, respectivamente, ANEXO I – Remuneração Definida por Trabalhador; ANEXO II – Remuneração dos Contribuintes Individuais, sendo, ambas, as planilhas bem, elucidativas, uma vez que a primeira demonstra a remuneração para cada empregado em cada competência, identificando a categoria, se foi ou não declarada em GFIP e se teve desconto da contribuição do segurado. A segunda faz exatamente o mesmo, mas para os contribuintes individuais, porém identificando: número do empenho; número da ordem de pagamento; data da emissão e pagamento; categoria do trabalhador e histórico. O agente fiscal deixou bem claro em seu relatório, de fls. 54 e 55, as fontes de informação utilizadas para obter os dados relativos aos trabalhadores e as remunerações e que estas se encontram relacionadas e discriminadas no Relatório de Lançamentos –RL, de fls. 23 a 31. A auditoria fiscal tem por dever legal apenas apurar as contribuições não declaradas, haja vista que a declaração em GFIP já é ato de constituição do crédito, parágrafo 7º, do artigo 33, da Lei 8.212/91, sendo documento hábil e suficiente a sua exigência, ainda, que em executivo fiscal, parágrafo 2º, do artigo 32, da Lei 8.212/91. Desta forma, não há porque lançar, o que já foi objeto do chamado autolançamento. A metodologia empregada pelo agente fiscal foi suficientemente esclarecida no item 5.1, do Relatório Fiscal e foi efetivada pela comparação entre GFIP, folhas de pagamento de cada competência, Ordens de Pagamento, sendo que o momento da definição da diferença se deu em cada competência analisada. As planilhas foram apenas elementos de apoio e consolidação dos dados, pois o agente notificante deixou claro que usou os arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte, folhas de pagamento, ordens de pagamento e GFIP’s constantes do banco de dados e declarados pelo sujeito passivo. Os pagamentos não vislumbrados em GFIP encontrase descritos nas planilhas, de fls. 56 a 97, Anexo I e de fls. 98 a 105, Anexo II, basta verificar a título de exemplo o levantamento INX – C. SEG. CI N DECL N RETIDA, fls. 06, competência 11/2004 – Valor R$ 581,20. Ao somarse os valores da coluna calculada, dos trabalhadores categoria Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.006227/200901 Acórdão n.º 280300.781 S2TE03 Fl. 237 7 13, desta planilha e com os valores zerados nas colunas Descontada e CS GFIP, encontrase exatamente R$ 581,20, ou seja, os valores omitidos, a forma de sua identificação estão demonstrados de forma simples, matemática e adequada a compreensão de todos. Nem todas as informações constantes em GFIP são utilizadas para embasar lançamento, aliás, o agente notificante deixou claro que os valores declarados em GFIP não serviram de base ao lançamento, pois este só lançou o que não foi declarado em GFIP e foi identificado em folha de pagamento e Ordens de Pagamento. Ademais, se a municipalidade presta informações incorretas e incertas à responsabilidade é desta e não do agente notificante que trabalha com as informações que recebe. Caso existente algum erro na interpretação ou na apuração dos fatos pelo agente fiscal cabe ao Município provar tal acontecimento, artigo 333, II, da Lei 5.869/73. O contribuinte não conseguiu provar a existência de vícios, incertezas e dúvidas no lançamento, pois todas as alegações feitas foram desmistificadas pelos relatórios e documentos acostados aos autos pelo agente lançador até o momento os autos encontramse escorreitos sendo desnecessários quaisquer saneamento. Ainda, que integro o crédito nesta fase este não goza dos atributos de liquidez e certeza, tendo em vista que a impugnação é um meio de retificação do crédito, artigo 145, sendo que a própria autoridade fiscal pode saneálo de ofício, nos termos do artigo 149, ambos, da Lei 5.172/66. Até mesmo a dívida regularmente inscrita tem presunção relativa de liquidez e certeza, artigo 3º, parágrafo único, da Lei 6.830/80. Assiste razão ao contribuinte ao dizer que é dever do fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência do fato gerador e foi exatamente isto que fez o agente fiscal, tendo em vista que os trabalhadores prestaram serviços ao ente municipal e foram remunerados em razão destes serviços, conforme demonstraram os documentos fornecidos pela municipalidade. O caminho lógico, jurídico e matemático já foi supramencionado ao estabelecermos que1 a sistemática está demonstrada, sendo que todos os lançamentos estão relacionados no Relatório de Lançamentos – RL, de fls.23 a 31, as diferenças apuradas listadas no Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04 a 17, e atualizados no Discriminativo Sintético do Débito – DSD, de fls. 18 a 22, estando este perfeitamente demonstrado e de fácil compreensão. Não havendo fórmula obscura para o cálculo, tendo sido explicado e detalhado claramente o lançamento, como foi possível perceber e exemplificar. Desta forma, o crédito está em perfeita consonância com o artigo 37, caput, da CF/88 c/c o artigo 37, da Lei 8.212/91. Não há cerceamento de defesa os dispositivos normativos estão todos descritos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls. 45 e 46, estando este dividido por seção para maior clareza. O REFISC traz de forma clara e objetiva o modo como o crédito foi constituído, suas bases, bem como a sistemática de cálculo, o que já foi explicitado linhas atrás. O Conselheiro Relator do presente entendeu a forma simples e direta usada pelo agente notificante para determinar o crédito, sendo que o valor apurado pelo notificante na 1 Os pagamentos não vislumbrados em GFIP encontrase descritos nas planilhas, de fls. 56 a 97, Anexo I e de fls. 98 a 105, Anexo II, basta verificar a título de exemplo o levantamento INX – C. SEG. CI N DECL N RETIDA, fls. 06, competência 11/2004 – Valor R$ 581,20. Ao somarse os valores da coluna calculada, dos trabalhadores categoria 13, desta planilha e com os valores zerados nas colunas Descontada e CS GFIP, encontrase exatamente R$ 581,20, ou seja, os valores omitidos, a forma de sua identificação estão demonstrados de forma simples, matemática e adequada a compreensão de todos. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.006227/200901 Acórdão n.º 280300.781 S2TE03 Fl. 238 8 competência 11/2004, levantamento INX, usado como amostragem foi perfeitamente identificado e encontrado por uma simples operação matemática a Adição. O local onde a análise da documentação é empreendida é irrelevante para a determinação da matéria tributária, pois o conteúdo dos documentos será idêntico. A fiscalização sempre empreende papel educativo, pois ao fiscalizar, ainda, que autue o contribuinte, sendo isto dever de ofício do agente fiscal em razão da lei, ele sempre traz em seu resultado a demonstração dos erros que o contribuinte comete, cabendo a este diligenciálos para não mais cometêlos. As planinhas mencionadas e que compõe o presente crédito não deixam dúvidas de que os prestadores de serviços são pessoas físicas e caso houvesse alguma pessoa jurídica dentre estes caberia a municipalidade apontar. No caso de trabalhadores com múltiplos vínculos pode ocorrer lançamento acima do teto, mas isto é resolvido pela declaração em GFIP, no caso dos presentes autos que se está a cobrar contribuições fora da GFIP deveria a municipalidade indicar o trabalhador com mais de um vínculo, se é que existiu. De igual maneira, se em algum momento a indenização rescisória foi tributada deve o sujeito passivo demonstrar tal ocorrência, o que aqui não foi feito. Além do que, nos termos da legislação a empresa deve indicar na folha de pagamento as parcelas integrantes e não integrantes do salário de contribuição e assim, tendo sido o levantamento realizado via folha não há como incluir verbas rescisórias na notificação. A existência de trabalhadores com dois ou mais nomes deve ser objeto de prova inequívoca pelo contribuinte, pois este é o principal atributo da personalidade da pessoa natural e assim elemento de distinção entre os trabalhadores. As situações aventadas não passam de conjecturas sem provas, o que não é capaz de infirmar o lançamento, uma vez que este vem embasado nos elementos descritos pelo agente notificante. No que tange a alegação do contribuinte de que a alíquota exigida dos contribuintes individuais, categoria 13, listados, nas planilhas já mencionadas e que como demonstrado acima deram suporte ao lançamento estão acima da alíquota legal, tendo em vista que o contribuinte individual ao prestar serviços à pessoa jurídica deve ter descontado de sua remuneração 11%, artigo, artigo 4º, da Lei 10.666/2003 c/c o parágrafo 4º, do artigo 30, da Lei 8.212/91 e não os 20% que estão sendo aqui exigidos, encontram respaldo na legislação, pois este crédito referese à parte do segurado. Expostos os argumentos acima não há razão para atender a qualquer dos pedidos do contribuinte, salvo quanto a correção da alíquota dos segurados categoria 13, que no levantamento INX – C. SEG. CI N DECL N RETIDA, fls. 06, competência 11/2004 – Valor R$ 581,20, amostragem exemplificativa, que foi obtido ao somarse os valores da coluna calculada, dos trabalhadores categoria 13, desta planilha e com os valores zerados nas colunas Descontada e CS GFIP, demonstram que alíquota aplicada é 20%, o que enseja correção dos cálculos neste item para a demais competências que tenham tal situação. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.006227/200901 Acórdão n.º 280300.781 S2TE03 Fl. 239 9 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO, em relação ao pedido de reconhecimento da legitimidade dos lançamentos efetuados via GFIP, pois não é matéria afeta ao contencioso e não é da competência deste órgão julgador. Entretanto CONHECENDO das demais teses suscitadas no recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de que seja recalculada as contribuições das competências do levantamento INX que envolva segurado categoria 13, alíquota 11% e exigido 20% na planilha, de fls. fls. 56 a 97, Anexo I, negando provimento aos demais pedidos. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10530.723945/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. RESSARCIMENTO,
IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste previsão legal para o aproveitamento do excedente de créditos apurados na sistemática da não cumulatividade para ressarcimento ou compensação com outros débitos administrados pela Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.061
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. RESSARCIMENTO, IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o aproveitamento do excedente de créditos apurados na sistemática da não cumulatividade para ressarcimento ou compensação com outros débitos administrados pela Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Ausente o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Relatório Fl. 84DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 97 a 99) interposto em face de decisão da DRJ Salvador/BA (fls. 71 a 72) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 65 a 69) para se contrapor à decisão da repartição de origem que indeferira o direito creditório pleiteado, consistente em pedido de ressarcimento de crédito da contribuição para o PIS, calculada na sistemática da não cumulatividade. A repartição de origem considerou que inexistiria a possibilidade de aproveitamento do crédito pleiteado para fins de ressarcimento ou compensação, por se tratar de produtos cuja revenda não se dá sob a regra da suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos prescritos pelo art. 16 da Lei n° 11.116/2005, podendo o referido crédito ser utilizado apenas para abater débitos do próprio PIS. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que apesar de a decisão recorrida ter afirmado que o crédito é impróprio para fins de ressarcimento ou compensação, considerando que para créditos comuns não se aplica a regra da suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, o referido crédito seria passível de compensação por força do contido no art.74 da Lei n° 9.430/1996. Ainda segundo o então Manifestante, o pedido foi formulado de forma legal e o débito não estava em qualquer modalidade de parcelamento ou encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo, portanto, admitida a compensação na forma prevista no art.26 da IN SRF N° 460/2004. A decisão da DRJ Salvador/BA foi ementada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. EXCEDENTE DOS CRÉDITOS. Inexiste previsão de aproveitamento do excedente dos créditos apurados na sistemática da não cumulatividade para compensação com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB ou pedido de ressarcimento. Como regra, esses créditos devem ser utilizados na dedução dos débitos das mesmas contribuições, decorrentes de suas receitas tributadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ressaltou o relator a quo que o contribuinte não havia requerido o direito a crédito relativo à venda de gasolina, óleo diesel e álcool para fins carburantes, produtos esses sujeitos a tributação monofásica ou concentrada, por haver expressa vedação legal (art. 3º, inciso I, alíneas “a” e “b” da Lei nº 10.637/2002), restringindo seu pleito à venda de gás natural, que se sujeita à tributação da contribuição para o PIS não cumulativo e que, portanto, admite o creditamento nos termos do art.3° da Lei n° 10.637/2002. Contudo, salientou o relator que inexistiria previsão legal admitindo a possibilidade de compensação ou o ressarcimento do excedente dos créditos da espécie com tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, havendo permissão apenas para o desconto dos débitos da contribuição apurados na sistemática da não cumulatividade. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10530.723945/200913 Acórdão n.º 380303.061 S3TE03 Fl. 2 3 Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho e reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de pedido de ressarcimento de créditos decorrentes da não cumulatividade da contribuição para o PIS, nos termos previstos no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, calculados com base nos gastos inerentes às operações de revenda de gás natural. Conforme já havia apontado o relator a quo, o contribuinte não requereu o direito a crédito relativamente à venda de gasolina, óleo diesel e álcool para fins carburantes, produtos esses sujeitos a tributação monofásica ou concentrada, por haver expressa vedação legal (art. 3º, inciso I, alíneas “a” e “b” da Lei nº 10.637/2002), restringindo seu pleito à venda de gás natural, que se sujeita à tributação da contribuição para o PIS não cumulativo e que, portanto, admite o creditamento nos termos do art.3° da Lei n° 10.637/2002. Contudo, no que se refere ao ressarcimento e à compensação de créditos de PIS e Cofins não cumulativos, há restrição legal no sentido de abarcar apenas algumas hipóteses de vendas e não a totalidade delas. Eis a redação dos dispositivos legais envolvidos: LEI N° 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 LEI N° 11.033/2004 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Dos excertos supra, é possível concluir que a autorização legal à compensação e ao ressarcimento prevista no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 se restringe às hipóteses previstas no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que vêm a ser as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, hipóteses essas em que não se inclui a venda de gás natural, esta tributada pela contribuição para o PIS não cumulativa, tendo em vista o contido no inciso I do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.637/2002. De acordo com orientações previstas no sítio da Receita Federal na internet, no Perguntas e Respostas da Cofins e do PIS, item 836, a receita de venda de gás natural veicular (GNV) segue a regra geral de incidência, não se lhe aplicando qualquer alíquota diferenciada. Devese ressaltar que o direito à compensação previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996 é uma regra geral e se refere aos créditos passíveis de restituição ou ressarcimento, hipótese essa que não abarca o presente caso, pois, conforme acima demonstrado, os créditos da espécie somente podem ser utilizados na apuração da contribuição calculada na sistemática da não cumulatividade, o que não abarca o ressarcimento nos termos formulados neste processo. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10530.723945/200913 Acórdão n.º 380303.061 S3TE03 Fl. 3 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10530.723945/200913 Interessada: POSTO KALILÂNDIA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380303.061, de 24 de maio de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13364.000189/2002-23
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1998
Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DECADÊNCIA. RAZOABILIDADE — Deve-se afastar a alegação de decadência do direito de restituição de tributo em razão da iniciativa do contribuinte de retificar os valores pagos indevidamente por meio de REDARFs apresentados à repartição fiscal. Em que pese o procedimento adotado seja irregular, porquanto o REDARF não é o substituto do procedimento de compensação tributária, verifico, dentro de um parâmetro de razoabilidade, que o direito a restituição foi exercido dentro do prazo decadencial. A apresentação do posterior pedido de compensação veio a sanar a falha procedimental inicial e o encontro de contas realizado pelo interessado pode ser aceito como apto a extinguir o crédito tributário objeto deste processo administrativo.
Numero da decisão: 107-09.409
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA
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CCOI/C07 F1 'ter" --'.....= °- MINISTÉRIO DA FAZENDA wvet. ';* t 2k: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° 13364.000189/2002-23 Recurso n° 151.123 Voluntário Matéria COFLNS e OUTRO - Ex.: 1998 Acórdão n° 107-09.409 Sessão de 29 de maio de 2008 Recorrente MORAIS E MORAIS LTDA - ME Recorrida 3' TURMA/DM-FORTALEZA/CE AsSunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1998 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DECADÊNCIA. RAZOABILIDADE — Deve-se afastar a alegação de decadência do direito de restituição de tributo em razão da iniciativa do contribuinte de retificar os valores pagos indevidamente por meio de REDARFs apresentados à repartição fiscal. Em que pese o procedimento adotado seja irregular, porquanto o REDARF não é o substituto do procedimento de compensação tributária, verifico, dentro de um parâmetro de razoabilidade, que o direito a restituição foi exercido dentro do prazo decadencial. A apresentação do posterior pedido de compensação veio a sanar a falha procedimental inicial e o encontro de contas realizado pelo interessado pode ser aceito como apto a extinguir o crédito tributário objeto deste processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por, MORAIS E MORAIS LTDA — ME. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ift Ào. MARCO.r I e NEDER DE LIMAi Presidente e Relator Formalizado em: 24 sET 2008 1 (-0 • fr Processo n° 13364.000189/2002-23 CCOI/C07 Acórdão n.° 107-09.409 El.s. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Martins Valero, Albertina Silva Santos de Lima, Hugo Correia Sotero, Jayme Juarez Grotto, Lisa Marini Ferreira dos Santos, Silvana Rescigno Guerra Barretto e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Suplentes Convocadas). Ausentes, justificadamente os Conselheiros Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Silvia Dessa Ribeiro Biar. Relatório O presente processo versa sobre de pedido de compensação/restituição de créditos relativos à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cotins) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e débitos do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), relativo ao período de apuração de janeiro e fevereiro de 1997. A Delegacia da Receita Federal em Floriano (PI) decidiu pelo indeferimento do pedido, por entender que decaiu o direito à compensação dos pagamentos efetuados. Inconformado com a referida Decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que sua opção pelo Simples ocorreu em 31/03/97, e havia realizado recolhimentos anteriores de CSLL (2372) e COFINS (2172) para o período de apuração 01/1997 e 02/1997. Afirma que, em Setembro/97, procurou a ARF Picos (PI) para saber qual o procedimento cabível para aprovar os recolhimentos efetuados, sendo, então, instruída a fazer o REDARF.Em 30/09/97 foi dada entrada na ARF Picos(PI) dos REDARF. Somente em Agosto/2002, sustenta a impugnante, foi notificada da existência de débito. Em 27/08/2002, interpôs na ARF Picos (PI) Pedido de Restituição e Pedido de Compensação por orientação da Receita Federal que resultou no processo n° 11164.000119/200223. Requer, por fim, que seja considerado como data do efetivo pleito a dia 30/09/97, ocasião em que foi dada entrada na ARF Picos (PI) dos REDARF e não 27/08/02. A DRJ Fortaleza manteve o indeferimento do pleito em razão da decadência do direito de pedir compensação/restituição. Segundo a autoridade julgadora os fatos ocorreram em janeiro e fevereiro de 1997 e a petição inicial foi protocolada apenas em 27/08/2002, ou seja. , fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos estabelecido pelos arts. 165, inciso I e 168, inciso I do CTN. A decisão está assim ementada. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1997 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO DA COFINS E CSLL COMO SIMPLES Conforme entendimento esposado pela Secretaria da Receita Federal, através do Ato Declaratório SRF n° 96/1999, o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extingue-se após transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do 2 , 111 Processo n°13364.00018912002-23 CC01/C07 Acórdão o? 107-09.409 Fk 3 crédito tributário, nos termos dos arts. 165 e 168 do Código Tributário Nacional - CTN (Lei n°5.172/66). O recurso é apresentado tempestivamente pela contribuinte em 10/11/2004, em que alega que não há falar em decadência, pois seu direito de restituição foi exercido com a apresentação do REDARF em 30/09/97 e traz aos autos cópias autenticadas dos respectivos REDARFs (fls. 57 e 58). É o relatório Voto Conselheiro — MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, Relator. Do relatado, verifica-se que os pagamentos objeto do litígio foram efetivamente realizados pela contribuinte e que, portanto, os créditos são legítimos. A discussão centra-se tão-somente sobre a decadência do direito de restituição/compensação da quantia em apreço. A contribuinte acostou aos autos cópias dos REDARF apresentados a repartição fiscal em setembro de 2007, em que buscava aproveitar créditos de CSLL e COFINS com débitos do SIMPLES de janeiro e fevereiro de 2007. Em que pese o procedimento adotado seja irregular, porquanto o REDARF não é o substituto do procedimento de compensação tributária, verifico, dentro de um parâmetro de razoabilidade, que o direito a restituição foi exercido dentro do prazo decadencial. A apresentação do posterior pedido de compensação veio a sanar a falha procedimental inicial e o encontro de contas realizado pelo interessado pode ser aceito como apto a extinguir o crédito tributário objeto deste processo administrativo. Ressalte-se que, por economia processual e respaldado no disposto no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, deixei de comandar o retomo dos autos à primeira instância de julgamento, eis que decido no mérito favoravelmente a contribuinte. Sendo assim, dou provimento ao recurso. Sala das sessões - DF, 29 de maio de 2008. À. MARCO,0 71P 1 1 NEDER DE LIMA 3 Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1
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Numero do processo: 11516.001144/2009-36
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES.
Ensejam direito a crédito, enquanto insumos da atividade produtiva: i) os custos da recuperação ambiental inerentes ao compromisso assumido em Termo de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público, condicionante do exercício da atividade produtiva; ii) os custos dos serviços de retificação de motores de vida útil inferior a 1 (um) ano, diretamente vinculados ao processo produtivo; e iii) as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3803-003.366
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por
unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no TAC, e dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferior a 1 (um) ano, efetivamente comprovados nos autos; e, por maioria de votos, para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens adquiridos usados. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor, quanto a esta matéria, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES. Ensejam direito a crédito, enquanto insumos da atividade produtiva: i) os custos da recuperação ambiental inerentes ao compromisso assumido em Termo de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público, condicionante do exercício da atividade produtiva; ii) os custos dos serviços de retificação de motores de vida útil inferior a 1 (um) ano, diretamente vinculados ao processo produtivo; e iii) as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES. Ensejam direito a crédito, enquanto insumos da atividade produtiva: i) os custos da recuperação ambiental inerentes ao compromisso assumido em Termo de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público, condicionante do exercício da atividade produtiva; ii) os custos dos serviços de retificação de motores de vida útil inferior a 1 (um) ano, diretamente vinculados ao processo produtivo; e iii) as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no TAC, e dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferior a 1 (um) ano, efetivamente comprovados nos autos; e, por maioria de votos, para admitir o creditamento das despesas de Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 2 depreciação de bens adquiridos usados. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor, quanto a esta matéria, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório CARBONÍFERA METROPOLITANA S/A formulou Pedido de Ressarcimento de crédito de PIS nãocumulativa, no valor de R$ 37.503,36, decorrente de operações no mercado interno não tributadas, referentes ao período de apuração de 01/07/2004 a 30/09/2004. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC deferiu o pleito parcialmente, autorizando o ressarcimento de R$ 19.514,83. Foram efetuados os seguintes ajustes no saldo credor passível de ressarcimento: a) glosa da base de cálculo do crédito a titulo de insumos de: i. custos de aquisições dos produtos e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, arrolados nas planilhas juntadas às fls. 154 a 165 (terraplenagem, turfas ambientais, análise da água, conserto de máquina de escrever, comissões de vendas, assessoria fiscal e contábil, diversos cursos, despesas com alimentação dos trabalhadores, transporte dos empregados, despesas com vigilância e limpeza etc.); ii. parte dos valores pagos a GR Terraplanagem Ltda., arrolados na planilha juntada as fls. 166 a 168; iii. custos de aquisição de bens usados, como motores retificados; iv. custos de aquisições de instalações, e máquinas ou motores novos, que somente geram créditos decorrentes de suas amortizações e depreciações b. glosa dos créditos sobre encargos de depreciação na hipótese de aquisição de bens usados, expressamente vedados no inc. II do §3º do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 457, de 18 de outubro de 20041; 1 Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nº 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei nº 4.506, de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001144/200936 Acórdão n.º 3803003.366 S3TE03 Fl. 374 3 c. exclusão da base de cálculo da contribuição das receitas financeiras indevidamente incluídas. Sobreveio reclamação, por meio da qual o requerente rechaça a aplicação das normas da Instrução Normativa SRF nº 247 de 21 de novembro de 2002, e da Instrução Normativa SRF nº 404 de 12 de março de 2004, defendendo que, para fins de determinação e apuração dos créditos, bastam as normas e as disposições contidas na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Tacha de ilegal qualquer restrição ou ressalva ao conceito de insumo introduzidas pelas referidas instruções normativas. Partindo deste pressuposto, defende que geram crédito todas as aquisições de bens e serviços aplicados na "produção de carvão mineral", "indispensáveis e obrigatórios" para "manter a mina em pleno funcionamento e operação". Explica que, na atividade de mineração, há vários itens a serem "observados e realizados tanto no interior como no exterior das respectivas minas", de "presença obrigatória para se produzir carvão mineral de forma regular e em estrita e perfeita observância às normas impositivas que se aplicam a este tipo de exploração econômica", os quais, ante as exigências de conservação e recuperação ambiental, devem "ser obrigatoriamente custeados e efetivamente realizados pela empresa mineradora, junto e concomitantemente a mineração do carvão propriamente dita, inclusive para que os órgãos estatais permitam que as minas permaneçam "abertas" e em funcionamento/operação". Cita os serviços de turfas ambientais, terraplanagem, análise da água dos córregos e rios e outros impostos por meio do Termo de Ajuste de Conduta celebrado ante o Ministério Público Federal e o Estadual, a FATMA e o DNPM. Contesta a glosa dos valores referentes a aquisições de bens usados, que diz "intrinsecamente utilizados nas minas e assim na exploração e produção do carvão mineral", com base no argumento de que a lei não prevê vedação ao aproveitamento de créditos decorrentes destas aquisições. Em relação aos bens do ativo imobilizado, alega que há os que "têm duração efêmera nesta atividade de altíssima intensidade de utilização inerente à mineração de carvão", pelo que sustenta ser “regular o creditamento integral quando da sua aquisição ou construção". Quanto aos "que tivessem que ter regularmente os respectivos créditos apurados sobre os montantes de inerente depreciação ou amortização", reclama que a Autoridade Fiscal não podia simplesmente glosar a integralidade dos créditos correspondentes, e sim os ter apurado, considerandoos no cálculo do crédito reconhecido; assevera ser I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; e II edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. § 1º Os encargos de depreciação de que trata o caput e seus incisos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) em função do prazo de vida útil do bem, nos termos das Instruções Normativas SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998, e nº 130, de 10 de novembro de 1999. § 2º Opcionalmente ao disposto no § 1º, para fins de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o contribuinte pode calcular créditos sobre o valor de aquisição de bens referidos no caput deste artigo no prazo de: I 4 (quatro) anos, no caso de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado; ou II 2 (dois) anos, no caso de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados nos Decretos nº 4.955, de 15 de janeiro de 2004, e nº 5.173, de 6 de agosto de 2004, conforme disposição constante do Decreto nº 5.222, de 30 de setembro de 2004, adquiridos a partir de 1o de outubro de 2004, destinados ao ativo imobilizado e empregados em processo industrial do adquirente. § 3º Fica vedada a utilização de créditos: I sobre encargos de depreciação acelerada incentivada, apurados na forma do art. 313 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR de 1999); e II na hipótese de aquisição de bens usados. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 4 "obrigação inarredável dos agentes fiscais a recomposição dos créditos dai decorrentes da maneira e no valor que então consideraram corretos, face à expressa disposição do artigo 142 do CTN, que os obriga a apurar e a determinar, na sua integralidade, a matéria tributável". Em relação aos gastos com mãodeobra, aduz que o que se encontra vedado em lei é exclusivamente a remuneração paga a pessoa física em contrapartida ao serviço prestado, não, havendo, portanto, vedação em relação a todo e qualquer outro custo pago a pessoas jurídicas, contribuintes da Contribuição, que esteja obrigada a fazer para manter esta mãodeobra trabalhando regularmente e assim produzindo. Nesse sentido, defende o crédito em relação aos gastos com pessoal, de natureza não remunerat6ria, aos quais esteja obrigada por força de Convenção Coletiva de Trabalho, indispensáveis para manutenção da força de trabalho, tais como: transporte gratuito, controle e prevenção de pneumoconiose, equipamento de proteção individual, mudas de roupa, água potável e leite, exames médicos e laboratoriais, fornecimento de lanche, assistência ao trabalhador acidentado, vale alimentação e transporte dos empregados com ônibus e trajetos definidos em contratos específicos, além dos vales transporte. Defende ainda o direito de creditarse de gastos com serviços tomados de pessoas jurídicas, igualmente contribuinte da Contribuição Social, que sejam indispensáveis à manutenção de sua atividade produtiva, tais como: gastos com portaria, vigilância, motoristas para transportes e manutenção e conservação dos estabelecimentos das minas. Ainda em relação às glosas de gastos com serviços, a contribuinte defende que os prestados pela empresa GR Terraplanagem Ltda. consistem em insumos indispensáveis produção (que diz tratarse de "uma espécie de mineração de superfície") dos rejeitos carbonosos finos depositados nas bacias de decantação (depósitos de carvão mineral já na superfície depositados, portanto, já anteriormente minerados e ali deixados), as quais adquiriu da Companhia Siderúrgica Nacional CSN, para adequada entrega e fornecimento à sua cliente Tractebel. Na sequência, alega ainda que geram créditos os demais custos relacionados e indissociáveis à prestação deste serviço, no caso: os custos dos "serviços e os insumos de e para obrigatória recuperação ambiental assumida"; "custos de pessoal, materiais, vigilância, etc. desta GR Terraplenagem Ltda. como integrantes do preço de venda dos serviços cobrados por essa mesma empresa contratada". A DRJ/FNS4ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 07026.646, de 11 de novembro de 2011, 290 a 296, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos das Contribuições para o PIS e da Cofins, nãocumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001144/200936 Acórdão n.º 3803003.366 S3TE03 Fl. 375 5 No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2004 NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da contribuição, somente, geram créditos passíveis de utilização pelo contribuinte aqueles custos, despesas e encargos expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à sua obrigatoriedade ou à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem, e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 328 a 354, após síntese dos fatos relacionados com a lide, rechaça a assertiva de que os créditos controversos em questão não teriam sido materialmente comprovados e afirma que a suposta inexistência do direito creditório advém, única e exclusivamente, da assertiva de que os mesmos não seriam admitidos como créditos regularmente consideráveis e aproveitáveis para fins da apuração não cumulativa das contribuições sociais não cumulativas. Nesse passo, pugna por que se adote o conceito de insumo plasmado no Acórdão nº 320200.226, de 8 de dezembro de 2010, cuja ementa transcreve. Segundo o julgado citado, insumo para fim de creditamento de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer despesa necessária á atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Nesse contexto, ensejam direito à apuração e ao aproveitamento de créditos de Contribuição no regime da nãocumulatividade todas as aquisições de bens e serviços de outras pessoas jurídicas igualmente contribuintes da Contribuição, que sejam assim indispensáveis e obrigatórios à exploração, ao beneficiamento e à final produção do carvão mineral em que se constitui o objeto social da empresa aqui recorrente. Na continuação, reproduz literalmente todos os argumentos expedidos em sua Manifestação de Inconformidade no tocante a: Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 6 a) gastos obrigatórios e impositivos com conservação e recuperação ambiental; b) aproveitamento de créditos pela aquisição de bens usados, utilizados nas minas e assim na exploração e produção do carvão mineral, por se tratar de restrição carente de previsão legal; c) gastos com aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado e à falta de creditamento pela depreciação desses bens; d) gastos com transportes, alimentação, lanche, leite, exames e tratamentos médicos e laboratoriais, uniformes etc., aos respectivos empregados; e) gastos com portaria, vigilância e motoristas para transportes; f) os custos de produção de carvão pagos a GR Terraplenagem Ltda. Discorre ainda sobre o conceito de insumo para fim de creditamento de PIS e Cofins e pugna por que se releve os erros cometidos no preenchimento do DACON, em homenagem ao princípio da verdade material, para autorizar integralmente o ressarcimento pleiteado. Pede provimento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 328 a 354 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFLS4ª Turma nº 07026.646, de 11 de novembro de 2011. Conceito de insumo para fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas Já está pacificado nesta 3ª Turma Especial o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é aquele deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317MG, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica Fl. 378DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001144/200936 Acórdão n.º 3803003.366 S3TE03 Fl. 376 7 em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O Min. Campbell Marques extraiu o que há de nuclear na definição de insumo para tal fim: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Saiba o recorrente que, embora não se possa reconhecer como insumo, no caso das contribuições em questão, apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem utilizados no produto industrializado (tal como no IPI), o fato é que também não se pode ampliar tal noção de forma a permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial (despesas operacionais, no conceito do art. 290 e 299 do RIR). como pretende. A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a Cofins ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além do referido imposto incidir sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questões que, repitase, oneram a receita obtida através de operações de venda de bens, prestação de serviços e outras previstas na lei2. Com esse conceito em vista, passemos à análise do caso concreto. Carbonífera Metropolitana S/A, estabelecida na cidade de CriciúmaSC, tem como objeto social a extração, beneficiamento e comércio de carvão, a produção e comercialização de coque, a produção e comercialização de concentrado piritoso e a comercialização de imóveis. Boa parte de sua produção, juntamente com um consórcio de empresas do mesmo ramo, é vendida a empresa Tractebel Energia S/A, conforme cópia de parte do contrato juntado aos autos. Gastos com recuperação/conservação ambiental É notório, a lavra de carvão mineral é atividade extremamente poluidora e degradante do ambiente natural. Não foi por outra razão, o ora recorrente viuse constrangido a celebrar Termo de Ajustamento de Conduta o Ministério Público Federal, Ministério Público e 2 Por essa razão é que se afasta, de plano, qualquer possível alegação no sentido de que o § 7º do artigo 3º das Leis 10637/02 e 10833/03, ao se referir a “custos, despesas e encargos”, teria ampliado a noção de insumos prevista no inciso II do caput daquele mesmo artigo. Mas ainda que assim não fosse, não se deve esquecer que, tecnicamente, um parágrafo pode significar uma exceção ou uma explicação ao que foi dito no caput. Em outras palavras, um parágrafo pode estabelecer uma regra contraditória à do caput, aplicável apenas a situações específicas, pois regra especial derroga regra geral, o que não é o caso do § 7º, que apenas explica melhor a forma de creditamento no caso de empresas sujeitas, ao mesmo tempo, ao regime cumulativo e não cumulativo, que devem se creditar, APENAS, dos custos, despesas e encargos na aquisição de bens e serviços ou, ainda, nas demais hipóteses autorizativas de dedução das contribuições devidas, PREVISTOS NO CAPUT DAQUELE ARTIGO, e não amplamente, como podem vir a defender alguns contribuintes. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 8 Departamento Nacional de Produção Mineral, como forma de internalizar os custos sociais de da recuperação ambiental das áreas impactadas pela atividade. Como salientou o recorrente, as atividades de recuperação ambiental incluem análise da qualidade das águas, recursos hídricos, transporte, manuseio e destinação de rejeitos e respectivos depósitos, recomposição topográfica, bacias de decantação, recomposição da vegetação nativa imprescindível a correspondente terraplenagem e turfas ambientais, etc., e outras tantas e impositivas obrigações consignadas neste TAC. Em função do TAC, essas atividades tornaramse obrigatórias sob pena de interdição da atividade de lavra do carvão lato sensu. Em face da obrigatoriedade dos gastos com a recuperação ambiental e sua estrita vinculação com a viabilização legal do processo produtivo do recorrente, julgo que os custos das atividades inerentes aos compromissos assumidos no TAC subscrito pelo ora recorrente devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos da Contribuição, pois atendem os critérios de pertinência e essencialidade. Revertamse as glosas procedidas a esse título. Custos de aquisição de bens usados O recorrente alega que tais gastos referemse, na verdade, a serviços de conserto e manutenção de motores, conforme atestariam as cópias das notas fiscais, que a decisão recorrida afirma terem sido aportadas aos autos até a Manifestação de Inconformidade, emitidas por retificadores de motores. Constatase, portanto, que a própria Administração tributária concebe que as ferramentas e os serviços de manutenção de máquinas utilizadas no processo produtivo dão direito à apuração de créditos das contribuições na sistemática da não cumulatividade. Tais serviços, em tese, subsumirseíam no conceito de insumo esposado nesta decisão, a depender da destinação dos motores retificados. Esse entendimento consta de algumas soluções de consulta, como a Solução de Consulta Disit08 nº 30/2010 e a de nº 420, de 5 de dezembro de 2010, publicada na Seção 1 do Diário Oficial da União de 2 de fevereiro de 2011, em que se registrou que “[os] valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da Cofins não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie.” Nesse sentido, admitamse, na base de cálculo dos créditos da Contribuição, o valor dos custos efetivamente comprovados nos autos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferir a 1 (um) ano – condição para a sua não imobilização. Por outro lado, os custos dos serviços de retificação de motores não relacionados com o processo produtivo, que não estejam devidamente comprovados nos autos, não serão admitidos, ou que tenham vida superior a 1 (um) ano, não são admitidos. Custos de aquisição de bens destinados ao Ativo Permanente O recorrente, em relação aos bens do ativo imobilizado, objeta que há entre eles os que "têm duração efêmera nesta atividade de altíssima intensidade de utilização Fl. 380DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001144/200936 Acórdão n.º 3803003.366 S3TE03 Fl. 377 9 inerente à mineração de carvão", pelo que sustenta o "regular creditamento integral quando de sua aquisição ou construção". Quanto a isso, presumese que, tendo sido objeto de ativação, são bens com vida útil superior a 1 (um) ano. Nesse caso, na há falar em creditamento com base no conceito de insumo como pretende a contribuinte. Nos termos dos incisos VI, VII e §1° do art. 3° da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, as máquinas e equipamentos (novos) e edificações e benfeitorias geram crédito somente em relação aos encargos de depreciação e amortização, conforme o caso, e segundo a regulamentação posta pela IN SRF nº 457, de 2004. A depreciação de bens do ativo imobilizado corresponde à diminuição do valor dos elementos ali classificáveis, resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza ou obsolescência normal. Referida perda de valor dos ativos, que têm por objeto bens físicos do ativo imobilizado das empresas, deve ser registrada periodicamente nas contas de custo ou despesa (encargos de depreciação do período de apuração) que terão como contrapartida contas de registro da depreciação acumulada, classificadas como contas retificadoras do ativo permanente, nos termos do art. 305 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de Março de 1999 – RIR/99). Regra geral, a taxa de depreciação é fixada em função do prazo durante o qual se possa esperar a utilização econômica do bem, pelo contribuinte, na produção dos seus rendimentos. Até 31/12/1998, a SRF não havia fixado, para efeitos fiscais, o prazo de vida útil para cada espécie de bem. Admitiamse até então as taxas anuais de depreciação, resultantes da jurisprudência administrativa. Todavia, desde 31 de dezembro de 1998, os prazos de vida útil admissíveis para fins de depreciação dos seguintes veículos automotores, adquiridos novos, foram fixados pela IN SRF no162, de 1998: No que diz respeito ao creditamento em razão das despesas de depreciação/amortização de bens adquiridos usados, que o recorrente diz "intrinsecamente utilizados nas minas e assim na exploração e produção do carvão mineral", o art. 311 do RIR/99 estabelece que o prazo de vida útil admissível para fins de depreciação de bem adquirido usado é o maior dentre os seguintes: a) metade do prazo de vida útil admissível para o bem adquirido novo, e; b) restante da vida útil do bem, considerada esta em relação à primeira instalação ou utilização desse bem. Nada obstante, a INSRF nº 457, de 2004, em seu art. 1º, § 3º, inc. II, veda expressamente o creditamento na hipótese de aquisição de bens usados. Mantenhamse as glosas a esse título. O recorrente repete a inconformidade já manifestada na reclamação no sentido de que a Autoridade Fiscal não podia simplesmente glosar a integralidade dos créditos correspondentes aos bens do Ativo Imobilizado, e que deveria ter apurado os encargos com depreciação/amortização, considerandoos no cálculo do crédito reconhecido. Entende ser, em seus próprios termos, "obrigação inarredável dos agentes fiscais a recomposição dos créditos dai decorrentes da maneira e no valor que então consideraram corretos, face à expressa disposição do artigo 142 do CTN, que os obriga a apurar e a determinar, na sua integralidade, a matéria tributável". Fl. 381DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 10 A referência ao art. 142 é imprópria, posto que não se cogita aqui de constituição de crédito tributário. Tratandose de ressarcimento de créditos, causa de exclusão do crédito tributário, o pleito é instruído por requerimento expresso, com o qual o interessado deve fazer prova das condições e dos cumprimentos das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para a sua concessão. A atuação di Fisco, nesses casos, fica restrita à vontade original do interessado, vedados os provimentos extra petita, pois não cabe À Administração suplementar a vontade do administrado. Nada a reparar no procedimento fiscal quanto a esse aspecto. Gastos com o fornecimento de transporte, alimentação, lanches, leite, exames clínicos e laboratoriais e uniformes a empregados. Gastos com serviços de portaria, vigilância e motoristas Em relação aos gastos com pessoal, de natureza não remunerat6ria, aos quais o recorrente está obrigado por força de Convenção Coletiva de Trabalho, tais como: cartão de natal, bicicleta, camisas oficiais do Criciúma, boné para brinde, transporte gratuito, controle e prevenção de pneumoconiose, equipamento de proteção individual, mudas de roupa, água potável e leite, exames médicos e laboratoriais, fornecimento de lanche, assistência ao trabalhador acidentado, vale alimentação e transporte dos empregados com ônibus e trajetos definidos em contratos específicos, além dos vales transporte, bem assim aos gastos com serviços tomados de pessoas jurídicas, tais como: gastos com portaria, vigilância, motoristas para transportes, queda evidente, por sua própria natureza, que, muito embora importantes, os mesmos não guardam a necessária relação de pertinência e de essencialidade com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo adotado nesta decisão. Mantenhamse as glosas procedidas a esse título. Custos de produção de carvão pagos a GR Terraplenagem Ltda. O recorrente explica que, em 07/11/2000, adquiriu, em área contígua à hoje Tractebel, em Capivari de Baixo/SC, grande quantidade/tonelagem de depósitos de carvão mineral depositdos em superfície depositados (portanto; já anteriormente minerados e ali deixados) rejeitos carbonosos finos depositados em bacias de decantação no local existentes também de propriedade da CSN. Integrando o preço desta compra e venda de carvão mineral assim depositado já na superfície, o recorrente assumiu também o ônus e encargos relativos à obrigação de recuperação/reparação ambiental dessa mesma área. O carvão recuperado/retirado desta área é misturado ao carvão oriundo e produzido em suas minas no entorno de Criciúma/SC. Tratase, pois, de carvão coletado e produzido a partir destas respectivas bacias de decantação, com somatório destes custos de produção inerentes a esta sua recuperação e processamento/beneficiamento já na superfície e não advindo do subsolo. Nesse contexto, contratou os serviços de GR Terraplenagem Ltda. para recuperação/exploração, manuseio e transporte na produção e comercialização deste carvão de rejeitos carbonosos finos. Destacamse os serviços de escavações, carga, transporte, empilhamento, blendagem dos rejeitos carbonosos lá existentes, com ainda final transporte e entrega à Tractebel, pelo que todos estes evidentes custos inerentes à produção e à recuperação dessas mesmas quantidades de carvão lá existentes (uma espécie de mineração de superfície). Entende que tal serviço é insumo indispensável à produção e fornecimento à cliente Tractebel, perfeitamente ensejadores dos créditos correspondentes. Eventuais custos de pessoal, materiais, vigilância, etc. suportados por GR Terraplenagem Ltda., sujeitos à Fl. 382DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001144/200936 Acórdão n.º 3803003.366 S3TE03 Fl. 378 11 incidência e ao recolhimento da Contribuição, também ensejariam o direito ao creditamento na Carbonífera Metropolitana S.A., posto que integrantes do preço do serviço contratado. A propósito, as glosas procedidas pela Fiscalização restringemse aos itens "DESPESAS COM MÃODEOBRA + FAXINA", "DESPESAS DE MATERIAIS" e "VIGILÂNCIA 1/2 RD METRO" da Planilha DEMONSTRATIVO DE SERVIÇO MENSAL SERVIÇO GR/RD METRO, fls. 166 a 168, gastos que, segundo o conceito de insumo adotado, não geram créditos. Todos os demais itens da Planilha foram admitidos na base de cálculo dos créditos. Portanto, os custos dos serviços de produção de carvão (aí incluídas as atividades de lavra de superfície, transporte e entrega do produto) foram admitidos no creditamento das contribuições. Também nessa matéria, o procedimento fiscal e a decisão recorrida não merecem reparos. Conclusão Com essas considerações, voto por que se dê provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas dos créditos relacionados apurados a partir de: a) dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no TAC, e; b) dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferir a 1 (um) ano, efetivamente comprovados nos autos; Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Redator designado A divergência aberta no presente julgamento está adstrita a apenas a um ponto: o creditamento da depreciação incidente sobre bens usados adquiridos para o imobilizado. O Relator inicia o seu voto fixando as balizas dentro das quais expôs o seu entendimento na apreciação dos créditos admissíveis da contribuição em apreço incidentes sobre os insumos, consubstanciando o seu labor no meio termo entre a regência da legislação do IPI, relativamente ao ressarcimento do saldo credor deste imposto resultante da aplicação da técnica da não cumulatividade, e a regência da legislação do IRPJ, no tocante à dedução de despesas necessárias ao desenvolvimento da atividade empresarial, verbis: Fl. 383DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 12 Saiba o recorrente que, embora não se possa reconhecer como insumo, no caso das contribuições em questão, apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem utilizados no produto industrializado (tal como no IPI), o fato é que também não se pode ampliar tal noção de forma a permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial (despesas operacionais, no conceito do art. 290 e 299 do RIR). como pretende. A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a Cofins ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além do referido imposto incidir sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questões que, repitase, oneram a receita obtida através de operações de venda de bens, prestação de serviços e outras previstas na lei. Para negar a pretensão da Recorrente de ver reconhecido este direito ao creditamento pelo Colegiado ad quem, ora dissentido, ancorouse na disciplina expressa do art. 1º, § 3º, inc. II, da IN SRF nº 457, de 20043. À míngua desse conceito esposado que, aditese, é possível apreenderlo da própria dicção do texto legal, numa leitura mesmo pouco detida entenderam os demais conselheiros, na discussão antecedente à tomada dos votos, que a disciplina veiculada pela citada instrução normativa, de excluir expressamente os créditos ora em foco, não é consentânea com o disposto legal, seja na Lei nº 10.637/2002 ou na Lei nº 10.833/2003. Em torno disso, podese afirmar que existe nessa regência restrição não fixada no texto legal, e que erige um entendimento a que não se chega por meio de leitura integrativa do preceito legal com outros, por sinal em nada revelado. Vejase o texto da Lei nº 10.637/2002, de conteúdo idêntico ao da Lei nº 10.833/2003, reguladoras, respectivamente do PIS e da Cofins, verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) 3 §3º. Fica vedada a utilização de créditos: [...] II na hipótese de aquisição de bens usados. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001144/200936 Acórdão n.º 3803003.366 S3TE03 Fl. 379 13 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 385DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 14 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Dessarte, inclinouse esta maioria a excluir das glosas de créditos os valores escriturados sob esta rubrica. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para incluir no cálculo do saldo credor do ressarcimento da contribuição os créditos de depreciação sobre os bens usados adquiridos para o ativo imobilizado, mantendose os demais provimentos já consignados no voto vencido. Sala das sessões, 21 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 386DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001144/200936 Acórdão n.º 3803003.366 S3TE03 Fl. 380 15 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE INTIMAÇÃO Processo nº: 11516.001144/200936 Interessada: CARBONÍFERA METROPOLITANA S/A Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no Acórdão no 3803003.366, de 21 de agosto de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília DF, em 21 de agosto de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 387DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 16 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10925.000589/98-91
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 303-00.790
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que pas,sam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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'. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que pas,sam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 09 de maio de 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, MANOEL D' ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES, ZENALDO LOIBMAN, PAULO DE ASSIS, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO DE BARROS e NILTON LUIZ BARTOU. tme MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 121.471 303-0.790 PEDRO GIORDANO CELLA DRJ/CAMPO GRANDE/MS IRINEU BIANCm RELATÓRIO • • • Exige-se do interessado PEDRO GIORDANO' CELLA, o pagamento do Imposto Territorial Rural e demais contribuições, no valor total de R$ 3.256,77, relativo ao exercício de 1995, do imóvel rural cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob o nO3661503-0, com a área de 793,7 ha, localizado no município de São José do Rio Claro, Estado de Mato Grosso. O interessado apresentou a impugnação de fls. 1, na qual se insurge contra o indeferimento de sua SRL nOCCO/010/98. A SRL de fls. 3 foi indeferida conforme apreciação às fls. 2, sob a alegação de que o imposto e as taxas foram calculadas em conformidade com as informações prestadas pelo próprio contribuinte e este não logrou comprovar uma utilização da terra superior à calculada e muito menos cogitou a possibilidade de erro de preenchimento da declaração. Anexou ao pedido os documentos de fls. 2110. Remetidos os autos à DRJ/Campo Grande/MS, seguiu-se a decisão singular (fls. 29/31), que considerou a impugnação procedente em parte, estando assim ementada: ITR - IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - EX: 1995 - ALTERAÇÕES CADASTRAIS. Alterações cadastrais que visem a alterar informações prestadas através de declaração só poderão ser aceitas mediante apresentação de elementos concretos que levem à convicção de que as alterações realmente ocorreram. Ciente da decisão (fls. 34), o contribuinte requereu que as alterações pretendidas fossem novamente analisadas, em especial quanto aos itens "conservação permanente" e "quantidade de animais". Juntou os documentos de fls. 37/38. Face a não comprovação do depósito recursal, foi negado seguimento ao recurso (fls. 40/42). 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 121.471 303-0.790 •• Intimado (fls. 44), o interessado juntou comprovante da efetivação do depósito reclamado, após o que os autos foram remetidos à instância superior. É o relatório . 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 121.471 303-0.790 VOTO '. A impugnação assim como o recurso ordinário foram subscritos por Dirceu José Cella, em nome do contribuinte/recorrente, Pedro Giordano Cella. Analisando detidamente as peças processuais, verifico que não foi juntado aos autos o necessário instrumento de mandato conferindo poderes à pessoa que subscreveu as referidas peças. A respeito, já decidiu o Segundo Conselho de Contribuintes: •• REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL FALTAlPARTE ILEGÍTIMA - Falta de instrumento de procuração - Duplo grau de jurisdição administrativa. O próprio sujeito passivo, em processo administrativo, ao contrário do judicial, pode subscrever impugnações e recurso. O fazendo através de advogado, deverá ser anexado instrumento de procuração. Não estando o processo devidamente instruído com a mesma, deverá a autoridade julgadora a quo saneando o processo nos termos do art. 13, do CPC, intimar o contribuinte para anexá-la. Decisão que não conheça do recurso por falta de instrumento de procuração, sem antes intimá-lo nos termos supra, será nula por afetar o direito de defesa do contribuinte. Não sendo válida a decisão a quo, será nula a decisão de órgão julgador recursal enquanto pendente aquela, pois seria suprida uma instância julgadora, o que feriria o princípio do devido processo legal. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive para que outra seja prolatada atacando o mérito (Acórdão n° 201- 70.652, DOU de 22/09/1997). Além disso, observo que a Notificação a que se refere o crédito tributário impugnado não foi juntada aos autos, circunstância que impede a verificação de o lançamento achar-se revestido de todos os seus pressupostos legais. Em sendo assim, PROPONHO a conversão do julgamento em diligência para que os autos retornem à origem a fim de que: a) o recorrente seja intimado a juntar aos autos, no prazo de quinze (15) dias, o instrumento de mandato, sob pena de deserção da impugnação e do recurso. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 121.471 303-0.790 • b) s . juntada aos autos cópia da notificação de lançamento. as Sessões, em 09 de maio de 2001 I ~'O. ' (.tuBIANCHI- Relator 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000858/96-05
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/10/1990 a 31/03/1992
Ementa: NÃO CABIMENTO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. EXECUÇÃO
ADMINISTRATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA.
Expurgos inflacionários somente podem ser aplicados na execução administrativa quando determinados judicialmente. A administração tributária está limitada aos termos da NE COSAR/COSIT N° 08/97, carecendo de autorização legal para restituir além desse limite.
Numero da decisão: 303-34.807
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, acolher a decadência do direito de lançar relativa aos fatos geradores ocorridos entre 01/10/90 a 30/04/91, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto. Por maioria de votos, negar provimento quanto aos expurgos, vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Relator, Silvio Marcos Barcelos Fiúza e Marciel Eder Costa. Designado para redigir o voto o Conselheiro Zenaldo Loibman. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
Matéria: CSL- auto eletrônico (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, acolher a decadência do direito de lançar relativa aos fatos geradores ocorridos entre 01/10/90 a 30/04/91, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto. Por maioria de votos, negar provimento quanto aos expurgos, vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Relator, Silvio Marcos Barcelos Fiúza e Marciel Eder Costa. Designado para redigir o voto o Conselheiro Zenaldo Loibman. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
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I • ' . MINISTÉRIO DA FAZENDA ti; TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° 11065.000858/96-05 Recurso n° 126.596 Voluntário Matéria FINSOCIAL - FALTA DE RECOLHIMENTO Acórdão n° 303-34.807 Sessão de 18 de outubro de 2007 Recorrente PLÁSTICOS SUZUKI LTDA Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS • Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/10/1990 a 31/03/1992 Ementa: NÃO CABIMENTO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA. Expurgos inflacionários somente podem ser aplicados na execução administrativa quando determinados judicialmente. A administração tributária está limitada aos termos da NE COSAWCOSIT N° 08/97, carecendo de autorização legal para restituir além desse limite. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, acolher a decadência do direito de lançar relativa aos fatos geradores ocorridos entre 01/10/90 a 30/04/91, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto. Por maioria de votos, negar provimento quanto aos expurgos, vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Relator, Silvio Marcos Barcelos Fiúza e Marciel Eder Costa. Designado para redigir o voto o Conselheiro Zenaldo Loibman. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida. /4116) , Processo n.• 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 1 • Acórdão ri.° 303-34.807 Fls. 2 O 4/ ..n ANELISE DAUDT PRITO Presidente ldato i A , Cru . À DO LOIBMAN • r • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Tarásio Campeio Borges e Nanci Gama. o I , .) .X..> Processo n.° 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 . Acórdão n.° 303-34.807 Fls. 3 Relatório Trata-se de retomo dos autos a este Eg. Conselho de Contribuintes para julgamento, após resultado de diligência formulada pela Resolução n o. 303-00.944 (fls. 208/215). No intuito de rememorar aos pares a matéria envolvida nos autos, bem como, as razões que levaram esta Eg. Câmara, à época, à conversão do julgamento em diligência, adoto o relatório e voto de fls. 209/215, os quais passo a ler em Sessão. Os documentos juntados aos autos às fls. 218/219 tem por intuito o atendimento à referida Resolução. Recebo os autos, que me foram distribuídos em 25/04/07, processados em um • único volume, do qual constam 219 páginas, devidamente numeradas. É o Relatório. • Processo n.° 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.807 As. 4 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator De início, diante das circunstâncias fáticas e de direito que se apresentam no presente feito, entendo seja necessária uma análise a respeito do transcurso, ou não, do lapso temporal que culminaria na decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário ora demandado. É que a decadência pode e deve ser reconhecida de oficio pelo julgador, por ser questão efetivamente relacionada com o direito subjetivo que se pretende ver acolhido. E tal procedimento encontra subsídio no fundamento delineado pela Teoria Geral do Direito, pelo qual nenhum direito não exercido pode eternizar-se. •Em se tratando de análise da titularidade do exercício do direito de lançamento, ou seja, da plena competência para a administração realizar o ato administrativo de lançamento, com o fim de constituir seu crédito, a decadência é o instrumento ou modalidade jurídica criado para impedir que um direito se eternize nos braços adormecidos de seu titular. De tal configuração implica admitirmos que a decadência é forma de perda de um direito, pois ultrapassado o prazo estabelecido sem que nenhum ato constitutivo do direito seja proferido, este perece. Nessa linha é que se pautou o art. 156 do Código Tributário Nacional que dispõe: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: V — a prescrição e a decadência:" Na verdade, ainda que não se possa falar em extinção de algo que não tenha sido Oconstituído, a decadência opera-se na perda do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário. A extinção, a que se refere o caput, está mais para o direito subjetivo da Fazenda do que para o crédito tributário propriamente dito. No que tange ao fundamento processual, a regra contida no art. 269, inciso IV, do Código de Processo Civil, que pode ser tomada como subsidiária do Processo Administrativo Fiscal, assim dispõe: "Art. 269. Extingue-se o processo com julgamento de mérito: IV — quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição:" Todos, juizes, advogados e comentaristas, são unânimes em acentuar e estabelecer as diferenças entre a decadência e a prescrição, fato este que nos impõe, inicialmente, distinguir os dois conceitos. Processo n.° 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 . Acórdão n.° 303-34.807 Fls. 5 Clóvis Beviláqua, em comentário ao art. 161 do Código Civil, define a prescrição como sendo "a perda da ação atribuída a um direito, de toda a sua capacidade defensiva, em conseqüência do não uso dela, durante um determinado espaço de tempo". Melhor dizendo, todo titular de um direito tem, para salvaguardá-lo, acesso a uma ação que lhe o garanta. A todo direito há uma ação que o assegure. A prescrição opera-se quando, detentor de um direito, o titular não exerce o direito de ação para exigi-lo. E, portanto, "a perda da ação atribuída a um direito". Quanto à decadência, ocorre a extinção do direito, ou seja, aquele que antecede ao direito de ação. Diz Clóvis no dito comentário: "O prazo extintivo opera a decadência do direito, objetivamente, porque o direito é conferido para ser usado num determinado prazo; se não for exercido, extingue-se. Não se suspende, nem se interrompe o prazo; corre contra todos, e é fatal." O Código Tributário Nacional no art. 156, inciso V, coloca a prescrição e a • decadência como modalidades de extinção do crédito tributário. Aqui também vamos encontrar uma característica importante para precisar os momentos de ocorrência da decadência e da prescrição: a) a decadência se opera na fase de constituição do crédito (art. 173) e b) a prescrição se opera na fase de cobrança (art. 174). É o artigo 173 do Código Tributário Nacional que determina de forma geral qual o prazo em que se mantém o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos termos: "A ri. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1— do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (.)" • Especificamente com relação a tributo lançado pela modalidade de homologação, que é o caso concreto, deve observar-se o disposto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar apagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. f 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." A respeito do disposto no §4° do artigo 150 do CTN, trago comentário do ilustre doutrinador Luciano Amaro, que diz que: "A lei só pode fixar prazo menor do que 5 (cinco) anos. (Amaro, Luciano. Direito Tributário Brasileiro, r. ed., Ed. Saraiva, 1998, p.385). Processo n.° 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 • . Acórdão n.° 303-34.807 Fls. 6 Outrossim, observo que nos termos do artigo 146, inciso III, b, da Constituição Federal, cabe à Lei Complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. O Supremo Tribunal Federal ao se manifestar sobre a questão: "A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacijicada. É que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146, III, b). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CT7V) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (CF, art. 146, IH, b; art. 149)". (STF, Plenário, RE 148754-2/RJ, excerto do voto do Min. Carlos Velloso, funil 993). Não restam dúvidas, portanto, que o prazo prescricional e decadencial está 0110 adstrito ao disposto no Código Tributário Nacional, não cabendo a legislação ordinária estabelecer critérios a esse respeito. No caso concreto, tratando-se de tributo cuja modalidade de lançamento é a de homologação, aplica-se o disposto no artigo 150, §4", de forma que com o decurso do prazo de cinco anos, contados do fato gerador, ocorre a decadência para a Fazenda constituir o crédito tributário. Neste sentido: "IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro e ILL. Preliminar de Decadência: A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Por serem tributos cuja respectiva legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldam-se à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (173 do CIN) para encontrar respaldo no § 4° do art. 150, do mesmo Código, • hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador." (8°. Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, julho/1997; fonte: Revista Dialética de Direito Tributário n°. 26, p. 151) "DECADÊNCIA. ARTIGO 150, § 4° DO C7'N. LANÇAMENTO... O termo inicial da contagem do prazo decadencial para o fisco cobrar eventuais diferenças do tributo recolhido é a ocorrência do fato gerador da exação, na forma do artigo 150, § 4° do C77V. O prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, sequer por ordem judicial, de modo que a concessão de medida liminar em mandado de segurança pode paralisar a cobrança, mas não o lançamento. Precedentes do STJ. (..)" (TRF, 2°. 71, unânime, AMS 2002.71.04.000892-8/RS rel. Des. Fed. Vilson Darós, set/2002). "TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos , Processo n.° 11065.000858/964)5 CCO3/CO3 • . Acórdão n.° 303-34.807 Fls. 7 a contar da ocorrência do fato gerador; a incidência da regra supõe, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. (...)" (STI, I°. Seção, unem., EDiv-REsp I01.407/SP, reL Min. Ari Pargendler, 07/abr/2000). Concluo, pois, que parte dos valores exigidos na autuação já se encontrava sob o manto da decadência, haja vista que o período exigido vai de 31/10/90 à 31/03/92, e o lançamento se concretizou em 30/05/96. Assim, nos termos do exposto e com fulcro no artigo 150, §4° do CTN, não há que se falar em exigência de débitos relativos ao FINSOCIAL, com relação ao Auto de Infração em discussão, em período que anteceda à data de 30/05/91. No mais, tal como constatado pelo ora Relator dos presentes autos, destaco que a questão envolvida no presente julgamento, que tem por objeto as razões let recursais apresentadas pela Recorrente, cinge-se em dois pontos, a saber: eventual multiplicidade de lançamentos relativos a um mesmo período de apuração, com relação aos valores constantes do 'demonstrativo da base para conversão e valor originário' — demonstrativo de fls. 93/95; direito à correção monetária plena dos créditos que lhe são de direito. Com efeito, já fora decidido em primeira instância que "devem ser cancelados os débitos apurados em auditoria fiscal, até o limite do valor de crédito disponível, quando reconhecida pela autoridade administrativa competente a compensação efetuada nos termos do art. 170 do CTN, combinado com o art. 66 da lei 8383/1991, e consoante o disposto nas 1N's n°. 21, e 73 de 1997. Com relação ao primeiro ponto, que deu razão à conversão do julgamento dos autos em diligência, acredito que esta se cumpriu com êxito, nos termos do relatório de fls. 218/219. • Do mesmo, entendo por sanada a dúvida suscitada pelo contribuinte quanto aos valores apurados pelo Fisco, no que diz respeito à eventual duplicidade, ou triplicidade de apontamento de débitos, em determinados períodos de apuração. Informou o referido relatório (fls. 218/219), do que me dou por convencido, "que o "Demonstrativo da Base de Cálculo Para Conversão e Valor Originário" (fls. 93, 94 e 95) por definição de seu programa gerador, recalcula a base de cálculo após cada amortização efetuada e transcreve a nova base de cálculo resultante, sucessivamente até que a relação de pagamentos ou os débitos se esgotem. Não existe novo cálculo sobre o mesmo período, e sim um demonstrativo analítico da amortização feita. Tomando como exemplo o mês de 10/90 à E. 93, o saldo devedor original era 2.799,09 BTNF, após a primeira amortização (1.936,62 BTNF), permaneceu o saldo devedor de 862,47 BTNF e após a segunda amortização (3,03 BTNF), obtivemos o montante de R$ 859,44 BTNF, extinto com o pagamento de NCz$ 5.019,41 conforme verificamos à fl. 96, onde a amortização do mês em questão pode ser verificada na "Relação dos pagamentos efetuados", débito vinculado n°. 12. A partir do mês em que não houve mais amortização a ser feita, o valor do débito originário de cada mês nã Â sofreu alteração." Processo n.° 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.807 Fls. 8 Além disso, informou ainda para elucidar as apurações dos créditos/débitos: "Em relação ao item "b", quadro de "Relação de Pagamentos Efetuados", são informados pela ordem: a data em que houve pagamento conforme pesquisa informada à fl. 101; todos os Darfs pagos naquela data; o número do débito amortizado com o darrf informado, conforme relação de débitos de fl. 96, e a respectiva data de vencimento deste débito; o valor pago corrigido até a data de vencimento do débito amortizado. Em relação à questão suscitada à fl. 214, sobre não existirem valores de apuração e pagamento vinculados às competências 08/90 e 09/90, • explica-se por tratarem-se de períodos em que houve depósito judicial, como se verifica às fls. 13/14". Nestes termos, entendo por atendida a diligência formulada pela Resolução n°. 303-00.944, bem como, as dúvidas suscitadas pelo contribuinte e, por conseguinte, a correção do "demonstrativo da base para conversão e valor originário". No tocante ao segundo ponto sob julgamento, que se refere ao direito à correção monetária plena, observo que o r. Conselheiro Relator que me antecede, manifestou em seu voto, de forma sucinta, que "Diversos acórdãos deste Conselho já reconheceram esse direito, inclusive na questão da devolução da cobrança indevida de cotas aos exportadores de café, quando foram reconhecidos os seguintes índices que incluem os chamados expurgos inflacionários pacificados nos seguintes índices: 42,72% (jan/89), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87% (maio/90) e 21,87% (fev/91). É sabido que o entendimento hoje cristalizado sobre o tema é fruto de anos e • anos de decisões, pareceres e doutrina abalizada, reconhecendo que a atualização monetária não representa plus algum, mas apenas evita a corrosão do poder de compra da moeda, além da constatação de que os índices oficiais de correção em determinados meses do final da década de 1980 e início da década de 1990 não refletiram a real desvalorização da moeda. Ora, acaso um determinado contribuinte pleiteasse exclusivamente na esfera administrativa a restituição ou a compensação de tributo pago indevidamente àquela época, certamente teria reconhecido o direito ao cômputo dos expurgos inflacionários nos valores a restituir ou a compensar, conforme uníssona jurisprudência desta Corte. Sobre o tema, transcrevo o entendimento que venho adotando em casos similares: "Nesse sentido, para que ao final seja feita a tão cotejada justiça à que espera a recorrente, mister verificar, em primeiro plano, a exaustiva jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça que traz em seu bojo os índices manifestamente pacificados: "PROCESSUAL CIVIL - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - EXECUÇÃO DE SENTENÇA - CORREÇÃO MONETÁRIA - INCLUSÃO DOS Processo n.° 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 • • Acórdão n.° 303-34.807 Fls. 9 EXPURGOS INFLACIONÁRIOS - ÍNDICES DO IPC DE JAN/89 (42,72%), MARÇO/90 (84,32%), ABRIL/90 (44,80%), MAIO/90 (7,87%) E FEVEREIRO/91 (21,87%). - A jurisprudência pacifica deste Tribunal vem decidindo pela aplicação dos índices referentes ao IPC, para atualização dos cálculos relativos a débitos ou créditos tributários, referentes aos meses indicados. - Recurso não conhecido." (STJ - SEGUNDA TURMA - RECURSO ESPECIAL 182626 / SP - Relator Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS - DJ 30/10/2000 PG:00140) "TRIBUTÁRIO - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - CORREÇÃO MONETÁRIA - EXPURGOS INFLACIONÁRIOS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - MENÇÃO EXPRESSA AOS 1NDEXADORES _ CORREÇÃO - ADMISSIBILIDADE, EMBORA SEM ALTERAÇÃO DO JULGADO - OMISSÃO QUANTO AOS OUTROS ÍNDICES - INOCORREWCIA - RECEBIMENTO PARCIAL. No acórdão proferido no julgamento do recurso especial, em havendo omissão quanto à menção expressa aos índices de atualização monetária, cabe receber os embargos de declaração para explicitar que a correção monetária dos créditos será calculada com base nos seguintes percentuais: 84,32% (março/90), 44,80% (abril/90), 7,87% (maio/90) e 21,87% (fevereiro/91), e após o INPC até dezembro/91. Improvida a pretensão recursal em relação aos demais índices pleiteados, deve ser mantida a decisão recorrida que determinou a utilização dos critérios de reajuste aplicados pela Fazenda Nacional, para a correção de seus próprios créditos. Embargos parcialmente providos." • (STJ - PRIMEIRA TURMA - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 424154 / SP - Relator Min. GARCIA VIEIRA - DJ 28/10/2002 PG:00243) Importante destacar que a egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, por sua Primeira Turma, vem de reconhecer tal jurisprudência, enfocando o Princípio da Moralidade, como norte dessa questão. No Acórdão CSRF/01-04.456, de 25 de fevereiro de 2003, voto condutor do ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, decidiu-se que "na vigência de sistemática legal de correção monetária, a correção do indébito tributário há de ser plena, mediante aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade e de se permitir enriquecimento ilícito do Estado". Tal julgado mereceu acolhida de quinze membros dos dezesseis que compõem tal sodalício, sendo importante transcrevê-lo na íntegra, com a devida vênia: Processo n.° 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.807 Fls. 10 "Merece ser mantido o acórdão da colenda Terceira Câmara, não só pelos seus judiciosos fundamentos, mas outrossim pelo absoluto senso de justiça e respeito ao princípio da moralidade que dele emanam. Seu acerto é incontestável. A matéria ventilada no presente recurso restringe-se à possibilidade de, em ambiente jurídico de plena vigência da sistemática de correção monetária de obrigações, utilizar-se índices plenos para correção monetária do indébito tributário, afastando-se qualquer expurgo inflacionário a reduzi-los. O acórdão recorrido baseou-se na natureza da correção monetária, que não representa um aumento ou acréscimo, mas mera reposição, indicando que entender diversamente é possibilitar um enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Deveras. Dispõe o artigo 37 da Constituição Federal que: "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:" Com efeito, a dicção do citado artigo se traduz, indubitavelmente, em norma cogente para a Administração Pública, não podendo esta olvidar qualquer dos princípios por ele erigidos. É justamente isso que aborda o Parecer da Advocacia Geral da União n". 01/961, citado no acórdão recorrido, da lavra do ilustre Consultor da União Mirtô Fraga, devidamente aprovado pelo Senhor Presidente da República, ao discorrer sobre correção monetária de indébito tributário antes do advento da Lei 8.383/91 (norma esta que instituiu a UF1R), sendo importante transcrever excertos seus: 1111 "29. Na verdade, a correção monetária não constitui um 'plus' a exigir expressa previsão legal. E. antes, atualização da dívida (devolução da quantia indevidamente cobrada a título de tributo), decorrência natural da retenção indevida: constitui expressão atualizada do quantitativo devido. 30. O princípio da legalidade, no sentido amplo recomenda que o Poder Público conceda, administrativamente, a correção monetária de parcela a serem devolvidas, uma vez que foram indevidamente recolhidas a título de tributo, ainda que o pagamento (ou o recolhimento) indevido tenha ocorrido antes da vigência da Lei te. 8.383/91. E com ele, outro princípio: o da moralidade, que impede a todos, inclusive ao Estado, o enriquecimento sem causa, e que determina ao 'beneficiário' de uma norma o reconhecimento do mesmo dever em situação diversa." "... Com a unanimidade absoluta dos Tribunais e Juízes decidindo no mesmo sentido, persistir a Administração em orientação diversa, DOU 17/01/96 Processo n.° 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.807 Fls. II sabendo que, se levada aos Tribunais, terá de reconhecer, porque existente, o direito invocado, é agir contra o interesse público; é desrespeitar o direito alheio, é valer-se de sua autoridade para, em beneficio próprio, procrastinar a satisfação de direito de terceiros, procedimento incompatível com o bem público para cuja realização foi criada a sociedade estatal e da qual a Administração, como o próprio nome o diz, é a gestora. A Administração não deve, desnecessária e abusivamente, permitir que, com sua ação ou omissão, seja o Poder Judiciário assoberbado com causas cujo desfecho todos já conhecem. O acúmulo de ações dispensáveis ocasiona o emperramento da máquina judiciária, prejudica e retarda a prestação jurisdicional, provoca, enfim, pela demora no reconhecimento do direito, injustiças, pois, como, na célebre Oração aos Moços, disse Rui Barbosa, "justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta. "(edição da Casa de Rui Barbosa, Rio, 1956, p. 63). E, para isso, o Poder Público não deve e não pode contribuir..." 1111 Com toda a certeza, conforme bem apontou o douto parecerista, receber uni valor intrínseco de tributo indevido e devolvê-lo em montante inferior é tanto imoral quanto ilegal. É o mesmo que receber um veículo e devolver tão-somente os pneus. Por isso impõe-se a correção plena, até mesmo porque não havia, até o advento da Lei n°. 8.383/91, norma ou regime jurídico que estabelecesse regra em sentido contrário, a estabelecer índice menor expurgado. Mister destacar este aspecto específico do caso em apreço. Aqui não havia norma que determinasse qual o percentual aplicável. Nem tampouco regime jurídico específico para regular tal correção. Daí não ter implicação no presente caso o decidido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 201.465-6 MG (Redator para o Acórdão Ministro Nelson Jobim), pois lá se tratava da correção monetária de balanço, instituto que sempre foi regulado por leis que estabeleceram os percentuais aplicáveis. Também inaplicável o decidido no RE 226.855- 7 RS (Relator Ministro Moreira Alves), com relação à correção do 111 FGTS, por neste tratava-se de regime jurídico. Nesse passo, vale salientar, por certo, que a Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR n". 8/97 não tem altivez suficiente para ludibriar a integral correção do indébito, sob pena de se permitir que um ato de cunho interna corporis, sem publicidade oficial, transmude- se em verdadeira lei de correção monetária, o que seria absoluto absurdo. Dela só se pode extrair o reconhecimento do próprio fisco de que houve inflação a corroer o valor indevidamente recolhido, mais nada. E, em havendo inflação, a correção há de ser plena, sempre que vigente no sistema jurídico o instituto da correção monetária. A colenda Sétima Câmara do Primeiro Conselho já apreciou está mesma matéria, em três oportunidades que são do meu conhecimento, nos Acórdãos 107-06.113/2000, voto condutor da lavra do ilustre Conselheiro Luis Valer°, 107-06.431/01, com voto do ilustre Conselheiro Natanael Martins, e 107-06.568/2002, com voto do ilustre Conselheiro José Clovis Alves. Processo n.° 11065.000858196-05 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.807 Fls. 12 Peço vênia ao Conselheiro Valero para transcrever excerto do seu voto em que resta demonstrada a necessidade de aplicação do IPC/IBGE para os períodos em apreço, verbis: "Após esse breve intróito, deve-se fazer uma análise dos índices a serem utilizados para efetuar a atualização monetária. A UFIR somente foi instituída, sendo utilizada para atualizar inclusive indébitos tributários, pela Lei 8.383/91, prestando-se para atualizar valores a partir de janeiro de 1992, até dezembro de 1995. A partir de então a taxa SELIC passou a ser utilizada para atualização nos pedidos de ressarcimento/restituição (Lei n". 9.250/95 c.c. 9.532/97). Ocorre que no período anterior a 1992, não existia norma legal apressa a esse respeito, dessa forma tanto jurisprudência quanto administração pública foram forçadas a aplicar analogicamente certos índices para o direito dos contribuintes não restar prejudicado. • A Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n". 08/97 veio uniformizar os índices a serem aplicados pela Secretaria da Receita Federal. Em suma os índices utilizados são: IPC/IBGE no período compreendido entre jan/88 e fev/90 (excetuando-se o mês de jan/90 cujo índice foi expurgado), BTJV no período compreendido entre mar/90 a jan/9I e INPC de fev/91 a dez/91. Deve-se analisar a correção dos índices adotados. De fevereiro de 1986, até dezembro de 1.988 o índice utilizado oficialmente para medir a inflação era a OTN, que, por sua vez, era calculada com base no IPC/IBGE. Pode-se dizer, portanto que o 1PC/IBGE era o índice oficiaL A OTIV, contudo, foi extinta com o advento do "Plano Verão", implementado pela Medida Provisória n". 32/89, posteriormente convertida na Lei n". 7.730/89. O valor da OTN foi, então, congelado em NCz$ 6,17, valor esse que computava a inflação ocorrida no mês de dezembro de 1988, mas não a de janeiro de 1989. A partir de fevereiro o IPC/IBGE passou a ser • utilizado diretamente como indicador oficial da inflação. A inflação do mês de janeiro, dessa forma, não seria levada em conta. Essa a lógica contemplada pela Norma de Execução Conjunta SRF COSIT/COSAR n". 08/97, haja vista que o mês de jan/89 não apresenta qualquer índice de inflação. Portanto, apesar da Norma utilizar o IPC a partir de 1988 — pois este era o verdadeiro indicador da inflação já que a OTN era corrigida de acordo com ele — no mês de jan/89, nenhum índice foi considerado. Obviamente, tal sistemática não merece prosperar, como acertadamente decidiu a R.Sentença, na esteira de reiterada jurisprudência do STJ (REsp. n°. 23.095-7. REsp. n" 17.829-0, entre outros). A inflação expurgaria referente ao mês de janeiro deve, portanto, ser considerada para fins de atualização monetária. O IPC divulgado relativo ao mês de janeiro de 1989 foi de 70,28% Todavia, esse índice não refletiu a inflação ocorrida no mês de janeiro, mas sim a inflação ocorrida no período compreendido entre 30 de novembro (média estatística entre os dias 15 de novembro e 15 de P Processo n.° 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.807 Fls. 13 dezembro) e 20 de janeiro (média estatística entre os dias 17 e 23 de janeiro). Como o IPC referente ao mês de jan/89 computou, na verdade, a inflação ocorrida em 51 dias, o STJ entendeu que o índice expurgado seria de 42,72% obtido pelo cálculo proporcional a 31 dias. Referente ao mês de fevereiro, o IPC/IBGE divulgado foi de 3,6% No entanto, tal índice refletiu tão-somente a inflação ocorrida em 11 dias (período compreendido entre 20 de janeiro — média de 17 a 23 de janeiro — e 31 de janeiro — média de 15 de janeiro a 15 de fevereiro). Proporcionalizando-se tal índice para 31 dias o STJ entendeu aplicável o índice de 10,14% considerando que teria havido um expurgo de 6,54% No período compreendido entre março de 1989 e fevereiro de 1990, deve ser utilizado o IPC/IBGE, pois este foi o índice oficial adotado • para medir a inflação, como, aliás, a própria Norma de Execução Conjunta e. 08/97 reconhece. Nos meses de março a janeiro de 1991 o índice a ser aplicado, segundo a R. Sentença, é o IPC/IBGE. Em inúmeros julgados, o STJ já firmou entendimento de ser aplicável o índice de 84,32% para o mês de março de 1990 (REsp re. 81.859, REsp. n". 17.829-0, entre outros) A Norma de Execução Conjunta e. 08/97, contudo, utiliza-se do BTN de 41,28% para proceder à atualização monetária. O mesmo ocorre com os meses de abril e maio de 1990, quando os índices do IPC, respectivamente de 44,80% e 7,87% não são levados em conta pela NEC 08/97 que se vale do BTN de 0,0% e 5,38% O STJ, também em referência a estes meses tem decidido que devem prevalecer os valores do IPC (REsp. n°. 159.484, REsp. n". 158.998, REsp n° 175.498, entre outros)". Por fim, é imperativo destacar a mansa e pacifica jurisprudência do • egrégio Superior Tribunal de Justiça, conforme abaixo: "EDRESP 461463, PRIMEIRA TURMA, 03/12/2002: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DOS ÍNDICES QUE MELHOR REFLETEM A REAL INFLAÇÃO À SUA ÉPOCA. JUROS DE MORA. AR?'. 161, ,55. I°, DO CTN. SUCUMBÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PRECEDENTES. I. Ocorrência de omissão na decisão embargado quanto à correção monetária a ser aplicada ao débito reconhecido, assim como aos juros de mora e aos ônus sucumbenciais. 2. A correção monetária não se constitui em um plus; não é uma penalidade, sendo, tão-somente, a reposição do valor real da moeda, corroído pela inflação. Portanto, independe de culpa das partes litigantes. Pacifico na jurisprudência desta Corte o entendimento de que é devida a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos i\> Processo n.• 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.807 Fls. 14 planos econômicos (Planos Bresser, Verão, Collor I e II), como fatores de atualização monetária de débitos judiciais. 3.Este Tribunal tem adotado o princípio de que deve ser seguido, em qualquer situação, o índice que melhor reflita a realidade inflacionária do período, independentemente das determinações oficiais. Assegura-se, contudo, seguir o percentual apurado por entidade de absoluta credibilidade e que, para tanto, merecia credenciamento do Poder Público, conto é o caso da Fundação IBGE. É firme a jurisprudência desta Corte que, para tal propósito, há de se aplicar o IPC, por melhor refletir a inflação à sua época. 4.Aplicação dos índices de correção monetária da seguinte forma: a) por meio do IPC, no período de março/I990 a fevereiro/I991; b) a partir da promulgação da Lei nt 8.177/91, a aplicação do INPC (até dezembro/I991); e c) só a partir de janeiro/1992, a aplicação da UFIR, nos moldes estabelecidos pela Lei te: 8.383/91." • "RESP 263535, SEGUNDA TURMA, 15/10/2002: TRIBUTÁRIO — ADICIONAL DE IMPOSTO DE RENDA — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA — APLICAÇÃO DA TR — IMPOSSIBILIDADE — ADIN 493-0 - INCLUSÃO DOS ÍNDICES OFICIAIS —LEIS 8.177/91 E 8.383/91 — PRECEDENTES. - Conforme orientação assentada pelo STF na ADIN 493-0, a TR não é índice de atualização da expressão monetária de débitos judiciais, porque não afere a variação do poder aquisitivo da moeda. - A jurisprudência desta eg. Corte pacificou-se quanto à adoção do IPC como índice para correção monetária nos meses de março/90 a fevereiro/91; a partir da promulgação da Lei 8.177/91 vigora o INPC e, a partir de janeiro/92, a UFIR, na forma recomendada pela Lei 8.383/91. - Recurso especial conhecido e provido • "RESP 426698, PRIMEIRA TURMA, 13/08/2002: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - AUTÓNOMOS, ADMINISTRADORES E AVULSOS - RESTITUIÇÃO - CORREÇÃO MONETÁRIA - IPC - INPC - UFIR - RECURSO ESPECIAL — FALTA DE ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS ESSENCIAIS DE ADMISSIBILIDADE — NÃO CONHECIMENTO - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CPC - INOCORRÊNCIA. No cálculo da correção monetária dos valores a serem compensados, o IPC é o índice a ser aplicado nos meses de março de 1990 a fevereiro de 1991 e, a partir da promulgação da Lei 8177/91, o INPC. No período de janeiro de 1992 a 31.12.95, os créditos tributários devem ser reajustados pela UFIR, sendo indevida a adoção do IGPM nos meses de julho a agosto de 1994. Proccsso n.• 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.807 Fls. 15 Se os dispositivos legais apontados como malferidos não restaram versados na decisão recorrida, não cabe conhecer do recurso especial. Não se configura violação ao artigo 535 do CPC, quando a decisão proferida, em sede de embargos de declaração, entremostra-se fundamentada o quantum satis, para formar o convencimento da Turma Julgadora a quo, inexistindo omissão a ser suprida. Recurso do INSS a que se nega provimento e o da outra parte conhecido, em parte, mas improvido. "RESP 165945, SEGUNDA TURMA, 07/05/1998: TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. • I - Na restituição dos recolhidos a maior a título de contribuição para o Finsocial, cuja exação foi considerada inconstitucional pelo STF (RE n°. 150.764-1), aplicam-se à correção monetária os expurgos inflacionários. II - Na correção monetária dos valores compensáveis, deve ser aplicado, no mês de janeiro de 1989, o índice de 42,72%, no período de março de 1990 a janeiro de 1991, o IPC, e, a partir de janeiro de 1992, a UF1R. III - Recurso conhecido e provido." Ex positis, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional." (grifos nossos) O mesmo entendimento foi recentemente sufragado pela Terceira Turma da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, em acórdão de relatoria do preclaro Conselheiro Paulo Roberto Cucco Antunes, assim ementado: • Processo n°: 13674.000107/99-90 Recurso n°: 301-124000 Matéria: RESTITUIÇÃO — COMPENSAÇÃO —JUROS E EXPURGOS Recorrente: FAZENDA NACIONAL E IND. E COM. DE CAFÉ IRMÃOS JULIO LTDA Recorrida: I° CAMARA —3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada: INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CAFÉ IRMÃOS JULIO LTDA Sessão de: 06 DE JULHO DE 2004. Acórdão: CSRF/03-04.108 RECURSO DA FAZENDA NACIONAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. - Não atendidos, pela Procuradoria da Fazenda Processo n.° 11065.000858/96-05 CCO3ICO3 - Acórdão n.°303-34.807 Fls. 16 Nacional, os pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial de Divergência interposto. Recurso não conhecido. Il. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁ RIOS. No cálculo do valor a ser restituído ao Contribuinte devem ser inseridos os expurgos inflacionários correspondentes. Precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Provido o Recurso Especial do Contribuinte. • Tecidas as considerações acerca dos expurgos cristalizados pelas remansosas jurisprudências administrativa e judiciária, convém, asseverar que a partir de 1° de janeiro de 1996, por força do artigo 39, parágrafo 4°, da Lei 9.250/95, a restituição ou compensação de créditos tributários deve ser acrescida da taxa SELIC, conforme determina o referido dispositivo: "§ 4° A partir de 1° de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada." Nessa esteira, convém reproduzir acórdãos, também emanados do Colendo Superior Tribunal de Justiça, os quais, tratando da aplicação da SELIC, encerram a questão: "PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. EMBARGOS • DE DIVERGÊNCIA (ARTS. 496, VIII, E 546, I, CPC). JUROS. TAXA SELIC. CTIV, ART. 161, § 1". I. "Juros nioratórios de I% (um por cento) ao mês (art. 161, § 1°, do CM), com a incidência a partir do trânsito em julgado (art. 167, parágrafo único, do C77V) até 31/12/94, com aplicação dos juros pela taxa SELIC só a partir da instituição da Lei n°. 9.250/95, ou seja, 01/01/1995" - EREsp 193.453-SC, Primeira Seção, Re1 Min. José Delgado. 2. Precedentes. 3.Embargos acolhidos." (STJ - PRIMEIRA SEÇÃO - EMBARGOS DE DIVERGENC1A NO RECURSO ESPECIAL - Relator Min. MILTON LUIZ PEREIRA - DJ 30/09/2002 PG:00150) "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - JUROS DE MORA - APLICAÇÃO DA TAXA SELIC - LEI N" 9.250/95. Processo n.° 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 • Acórdão n°303-34.807 Fls. 17 1- Os expurgos inflacionários decorrentes da implantação dos Planos Governamentais são aplicáveis de acordo com os seguintes índices: no mês de janeiro de 1989, índice de 42,72%; no período de março de 1990 a janeiro de 1991, o IPC; a partir da promulgação da Lei n°. 8177/91, vigora o INPC; e, a partir de janeiro de 1992, a UFIR, na forma preconizada pela Lei n°. 8383/91. 2- Os juros de mora incidem na compensação efetuada pelo sistema de autolançamento, isto é, a produzida pelo próprio contribuinte via registro em seus livros contábeis e fiscais. Precedentes desta Corte. Conforme o disposto nos artigos 161, parágrafo 1° combinado com o 167 do C77V, os juros são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença no percentual de I% (um por cento) ao mês, e posteriormente incidem na forma do parágrafo 4° do artigo 39 da Lei n°. 9.250/95. 3-Estabelece o parágrafo 40 do artigo 39 da Lei n°. 9.250/95 que: "A partir de 1° de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será • acrescida de juros equivalentes á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de I% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada." 4-A taxa SELIC representa a taxa de juros reais e a taxa de inflação no período considerado e não pode ser aplicada, cumulativamente, com outros índices de reajustamento. 5-Recurso da Fazenda não conhecido. Recurso da parte conhecido, porém, improvido." (STJ - PRIMEIRA TURMA - RECURSO ESPECIAL 396720 / PE - Relator Min. LUIZ FUX -DJ 23/09/2002 PG:00241) "TRIBUTÁRIO. ADICIONAL DE IMPOSTO DE RENDA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA. PERCENTUAL DE I% AO MÊS. • TAXA SELIC. INCIDÊNCIA A PARTIR DE 01/01/1996. RECURSO PROVIDO. 1. Os juros de mora devem incidir a partir do trânsito em julgado da decisão, no percentual de I% (um por cento) ao mês. Contudo, a partir da vigência da Lei n°. 9.250/95, os juros devem ser aplicados conforme a Taxa SELIC. 2.Recurso especial provido." (STJ - PRIMEIRA TURMA - RECURSO ESPECIAL 431269 / SP - Relator Min. JOSÉ DELGADO - DJ 21/10/2002 PG:00293) "TRIBUTÁRIO - PIS - FATO GERADOR - BASE DE CÁLCULO - CORREÇÃO MONETÁRIA - NÃO INCIDÊNCIA - PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS - JUROS MORA TÓRIOS - TAXA SEIJC - SUCUMBÊNCIA INFIMA - HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. I - Consoante entendimento firmado pela egrégia Primeira Seção do STJ, é garantido o recolhimento do PIS, nos termos da Lei Complementar n°. 07/70, sem correção monetária da base de cálculo. Processo n.° 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 • • Acórdão n.°303-34.807 Fls. 18 - Após a entrada em vigor da Lei 9250/95, em 1° de janeiro de 1996, passa a incidir somente a taxa de juros SELIC, a qual se decompõe em taxa de juros reais e taxa de inflação no período considerado, e não pode ser aplicada cumulativamente com juros morató rios de I% ao mês previsto no art. 167 do CTN. III - Decaindo o autor em parte mínima do pedido, responde a parte adversa, por inteiro, pelos honorários advocatícios e custas processuais (artigo 21, parágrafo único do CPC). IV - Recurso parcialmente provido." (STJ - PRIMEIRA TURMA - RECURSO ESPECIAL 433147 / PR - Relator Min. GARCIA VIEIRA - DJ 21/10/2002 PG:00295) "TRIBUTÁRIO. AGRAVOS REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. TRIBUTOS DIVERSOS. • IMPOSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. JUROS. MATÉRIA NÃO DEBATIDA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. LEI N°9.250/95. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. - Esta Corte já se manifestou no sentido da possibilidade de compensação de créditos a título de FINSOCIAL somente com a COFINS. - A correção monetária, para os valores a serem compensados, tem como indexador, para o período de março/90 a janeiro/9I, o IPC, relativamente ao de fevereiro/91 a dezembro/9I, o INPC (Lei n° 8.177/91), e, a partir de janeiro/92, a UFIR, na forma preconizada pela Lei n° 8.383/91, incluídos nestes índices a inflação expurgada pelos planos económicos. - A matéria objeto da incidência dos juros compensatórios não foi debatida em sede de recurso especial, o que obsta o conhecimento da • matéria agora trazida à baila. - Quanto à data inicial de incidência do juros da taxa SELIC, o entendimento dominante neste Tribunal é que devem ser contados a partir de I° de janeiro de 1996, devendo ser aplicável tanto na compensação, como na repetição de indébito, inclusive para os tributos sujeitos a autolançamento, em face da determinação contida no parágrafo 4°, do artigo 39, da Lei n°. 9.250/95. - É pacífico no Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que, não havendo lançamento por homologação ou qualquer outra forma, o prazo decadencial só começa a correr após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados mais 05 (cinco) anos. - Agravos regimentais improvidos." (STJ - PRIMEIRA TURMA - AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 331665 / SP - Relator Min. FRANCISCO FALCÃO - DJ 02/12/2002 PG:00227) Ou seja, assim como os índices de 42,72% e 10,14%; 84,32% e 44,80%; 7,87%; e 21,87% relativos, respectivamente, aos meses de .. Processo n.° 11065.000858/96-05 CCO3/CO3 I - Acórdão n.° 303-34.807 Fls. 19 janeiro e fevereiro de 1989; março, abril e maio de 1990; e fevereiro de 1991, a Taxa SELIC também conta com amplo respaldo para sua aplicação no caso concreto, motivo pelo qual será, juntamente com estes índices, deferida." Destarte, resta a este Colegiado DAR PROVIMENTO ao recurso do Contribuinte para fim de que sejam computados nas compensações efetuadas os respectivos expurgos inflacionários pacificados no seio da jurisprudência, bem como, a partir de 10 de janeiro de 1996, a taxa referencial SELIC. Restituam-se os autos à Autoridade Administrativa competente para que elabore novos cálculos, dentro dos critérios estabelecidos em primeira instância, acrescidos da correção monetária plena, justificada no presente, além da desconsideração dos débitos cobertos pelo instituto da decadência. É como voto. • Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2007 i LTON Idf -BARTOy Relator • 4 . , - Processo n.° 1 I 065.000858/96-05 CCO3/CO3 . - Acórdão n.° 303-34.807 Fls. 20 Voto Vencedor Conselheiro ZENALDO LOIBMAN, Redator Considere-se aqui o relatório produzido pelo ilustre relator. Registro, inicialmente, minha concordância com o voto do emérito relator quanto ao reconhecimento de decadência do lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos entre 01.10.1990 e 30.04.1991. A minha discordância com o voto proferido pelo ilustre relator se resume à parte em que analisa o pedido de inclusão dos expurgos inflacionários, dirigido pela ora recorrente à autoridade administrativa. É faculdade do contribuinte optar pela execução administrativa como alternativa à judicial, sendo assim deve o mesmo se adequar aos termos autorizados legalmente • à Administração, que é atividade vinculada. A administração tributária na exigência de créditos tributários cobra eventualmente do contribuinte a título de acréscimos para atualização monetária conforme dispõe a Norma de Execução (NE) COSAR/COSIT n° 08/97. Assim, no que tange aos chamados expurgos inflacionários, reclamados com referência a perdas monetárias produzidas por Planos Econômicos, falece competência ao órgão administrativo para incluir tais índices no valor do indébito demonstrado. O fundamento é o mesmo que venho registrando em casos análogos, isto é, a União Federal ao cobrar dos contribuintes créditos tributários não recolhidos até a data de vencimento, somente pode aplicar sobre eles a taxa SELIC e os demais índices apontados na NE 08/97. Desse modo, por extrapolar autorização legal, não se justificaria que a Administração Federal corrigisse viesse a atualizar o valor de débito da Fazenda Nacional para com o contribuinte, por decorrência de recolhimento indevido, de modo diferente e mais gravoso aos cofres da União Federal. Neste ponto, penso que há um claro limite à administração tributária e fiscal, impedida, ou melhor, não autorizada a aplicar qualquer índice de atualização fora da NE 08/97, salvo quando haja imposição de decisão judicial que os especifique. Na esfera administrativa, 111 penso que há uma impossibilidade. Este é o meu voto. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2007 ZE Ilr rè.". ri e' -0113MAN - Redator Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1
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